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10 INTERVENÇÃO MOTORA EM CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS: BENEFÍCIOS E DESAFIOS LUCIENE SPERANDIO BENTO Resumo Muitas crianças com atrasos motores, especialmente aquelas com necessidades especiais, enfrentam desafios na manutenção do equilíbrio. Por isso, este estudo teve como objetivo investigar como uma intervenção motora inclusiva pode influenciar o equilíbrio em crianças com e sem necessidades especiais. A Psicomotricidade desempenha um papel significativo na aprendizagem das crianças com deficiência, oferecendo uma abordagem abrangente que pode integrá-las mais plenamente e contribuir para seu desenvolvimento global. Aspectos como esquema corporal, orientação espaço-temporal, lateralidade, desenvolvimento motor e pré-escrita são fundamentais para a aprendizagem e são abordados de maneira a melhorar esses aspectos e conectar essas crianças ao mundo ao seu redor. Quando há problemas em algum desses aspectos, a aprendizagem pode ser afetada negativamente. Este estudo busca compreender como a Psicomotricidade pode estimular a aprendizagem das crianças com deficiência, reconhecendo que na Educação Inclusiva é essencial oferecer igualdade de oportunidades, independentemente de diversidades sociais, culturais, intelectuais, sensoriais, de gênero ou étnicas. Para promover a inclusão, é necessário compreender cada indivíduo e suas necessidades específicas. Palavras-chave: Psicomotricidade; Intervenção motora inclusiva; Equilíbrio; Crianças com Necessidades Especiais; Desenvolvimento Motor. Introdução As crianças com atrasos motores, especialmente aquelas com necessidades especiais, frequentemente enfrentam dificuldades no desenvolvimento e na manutenção do equilíbrio. Essas dificuldades podem impactar significativamente sua capacidade de aprendizagem e integração com o ambiente ao seu redor. Nesse contexto, a Psicomotricidade surge como uma abordagem que visa não apenas desenvolver habilidades motoras, mas também promover o desenvolvimento global dessas crianças. Este estudo tem como objetivo investigar o impacto de uma intervenção motora inclusiva no equilíbrio de crianças com e sem necessidades especiais. Reconhecendo a importância da Psicomotricidade na aprendizagem e no desenvolvimento dessas crianças, buscamos compreender como essa abordagem pode estimular sua aprendizagem e promover sua inclusão em ambientes educacionais. Ao abordar aspectos como esquema corporal, orientação espaço-temporal, lateralidade, desenvolvimento motor e pré-escrita, visamos identificar maneiras eficazes de aprimorar esses aspectos e facilitar a integração das crianças com deficiência no ambiente escolar. Através desse estudo, esperamos contribuir para o avanço do conhecimento sobre a importância da Psicomotricidade na promoção da aprendizagem e inclusão de crianças com necessidades especiais na Educação Inclusiva. Psicomotricidade é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização (ABP). Porque a motricidade e, posteriormente, a psicomotricidade representam a maturação do sistema nervoso central, é compreensível que os problemas psicomotores, mais do que os motores, sejam evidenciados pelas crianças com dificuldade de aprendizagem (Fonseca, 1985, p. 285). A Psicomotricidade possui as linhas de atuação educativa, reeducativa, terapêutica, relacional, aquática e ramain (ABP). A contribuição da psicomotricidade no processo de ensino-aprendizagem é fundamental, pois é por meio dela que a criança desenvolve habilidades, competências e atitudes corporais que são essenciais para diversas formas de movimento. Essas habilidades corporais não só facilitam a aprendizagem, mas também contribuem para a formação integral da criança como um ser social e histórico. Na literatura especializada sobre o desenvolvimento corporal, destaca-se o papel crucial do brincar, uma atividade intrínseca à vida da criança desde seu nascimento. A brincadeira desempenha um papel central no desenvolvimento infantil, como ressaltado por Silva & Santos (2009). No mundo infantil, o brincar é a principal forma de exercitar os movimentos de maneira lúdica e prazerosa. Quando a criança é estimulada desde cedo, geralmente demonstra um desempenho melhor e mais consistente em sua vida escolar e, por conseguinte, na sua jornada universitária. Isso resulta em uma preparação mais eficaz para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e se engajar de maneira participativa na sociedade. Diante disso, tanto os professores quanto as famílias devem permanecer atentos às dificuldades que as crianças possam enfrentar em suas atividades cotidianas. Alguns elementos fundamentais da psicomotricidade desempenham um papel crucial no desempenho infantil. Entre eles, destacam-se o esquema corporal, a estruturação espacial, a lateralidade, a orientação temporal e a pré-escrita. Esses aspectos são de extrema importância para que a criança desenvolva noções de espaço, ideias e adquira novos conhecimentos. Qualquer dificuldade em um desses elementos pode criar obstáculos significativos, prejudicando assim o processo de aprendizagem infantil, conforme observado por Rossi (2012). Ao ser estimulada desde cedo, a criança geralmente apresenta um desempenho mais elevado tanto na vida escolar quanto na universidade, o que a prepara de maneira mais eficaz para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e se integrar de forma participativa na sociedade. Nesse contexto, é crucial que tanto os professores quanto as famílias estejam atentos às dificuldades que as crianças possam enfrentar em suas atividades diárias. Elementos fundamentais da psicomotricidade desempenham um papel essencial no bom desempenho infantil. Entre eles, destacam-se o esquema corporal, a estruturação espacial, a lateralidade, a orientação temporal e a pré-escrita. Esses aspectos são de extrema importância para que a criança adquira noções de espaço, ideias e novos conhecimentos. Qualquer problema em um desses elementos pode criar barreiras significativas, prejudicando assim o processo de aprendizagem, como observado por Rossi (2012). A escola desempenha um papel fundamental no desenvolvimento psicomotor da criança. Os profissionais envolvidos devem utilizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos movimentos das crianças, seja por meio de jogos, atividades lúdicas, brincadeiras, entre outros. Dentre os profissionais envolvidos nesse processo, destaca-se o psicopedagogo, que trabalha em conjunto com profissionais das áreas de educação, Educação Física, Psicologia, Pedagogia, professores, psiquiatras, fonoaudiólogos, entre outros. O papel do psicopedagogo é promover a construção de novas práticas para uma aprendizagem mais eficaz, integrando-se a esse grupo interdisciplinar que atua na escola visando o desenvolvimento global da criança. Quais são, então, as contribuições da psicomotricidade para superar as dificuldades de aprendizagem? A psicomotricidade desempenha um papel fundamental na aprendizagem da criança, pois é responsável por todos os movimentos realizados pelo aluno, incluindo movimentos essenciais para a escrita, como a coordenação motora fina e a discriminação visual e auditiva (Pinho, Donizete & Colevati, 2009), além de ter um papel significativo no desenvolvimento da práxis fina e global, que são essenciais para o desenvolvimento corporal. A práxis fina refere-se aos movimentos precisos realizados pelo corpo, especialmente pelas mãos, enquanto a práxis global abrange os movimentos de todo o corpo. Além disso, essa abordagem terapêutica favorece a integração sensorial, auxiliando as crianças autistas a processarem estímulos sensoriais de forma mais eficiente. A psicomotricidade visa promover maior autonomia, autoconfiança e qualidade de vida (Silva & Souza, 2018; Oliveira et al., 2019). A importância da psicomotricidade no desenvolvimento de crianças com autismo resideem sua capacidade de proporcionar experiências motoras significativas que estimulam o cérebro e facilitam a aprendizagem (Bezerra et al., 2020). Através de atividades que envolvem o movimento corporal, crianças autistas podem desenvolver habilidades de interação social, comunicação, linguagem e imaginação (Holdefer & Vilela, 2022). Além disso, a psicomotricidade oferece um ambiente seguro e acolhedor para as crianças, permitindo que elas explorem e experimentem o mundo de forma individualizada e adaptada às suas necessidades específicas (Silva et al., 2020). No contexto da inclusão de crianças com autismo, a psicomotricidade desempenha um papel crucial. Ao proporcionar um ambiente rico em estímulos sensoriais e motores, ela estimula a expressão corporal, a consciência corporal e a coordenação motora das crianças autistas, facilitando sua interação com o ambiente ao seu redor (Silva et al., 2020). Além disso, essa abordagem terapêutica promove o desenvolvimento de habilidades sociais, encorajando a interação com os pares, o trabalho em equipe e a comunicação não verbal, elementos fundamentais para a integração e participação das crianças autistas em atividades físicas e esportivas (Bezerra et al., 2020). 1 – A RELAÇÃO ENTRE A PSICOMOTRICIDADE E O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DA CRIANÇA Diversos métodos visam aprimorar a aprendizagem das crianças com dificuldades, e entre eles destaca-se a psicomotricidade. Esta abordagem intervém para prevenir ou melhorar quaisquer irregularidades no desenvolvimento motor das crianças. Quando o desenvolvimento motor é comprometido, é provável que a criança enfrente desafios em outras áreas, como a escrita. Dessa maneira, a contribuição da psicomotricidade para a aprendizagem é significativa na formação do indivíduo e na sua estruturação. O objetivo primordial da psicomotricidade é promover a prática de movimentos em todas as fases da vida humana. Conforme observado por Vilar (2010), a psicomotricidade desempenha um papel de grande importância no processo de aprendizagem das crianças. Aquelas que apresentam alterações em seu desenvolvimento psicomotor, como questões relacionadas à postura, equilíbrio, lateralidade, entre outros aspectos, podem enfrentar dificuldades futuras. A aplicação da psicomotricidade na educação infantil contribui de maneira qualitativa para o desenvolvimento das crianças. A infância é marcada pela brincadeira, que é o meio pelo qual a criança expressa seus objetivos, interesses e desejos, explorando e descobrindo o mundo ao seu redor. Os primeiros anos de vida são de suma importância para a formação do indivíduo. À medida que a criança cresce, ela se desenvolve e se torna consciente de si mesma, buscando descobrir sua identidade por meio das brincadeiras, nas quais a imaginação e o faz de conta desempenham um papel crucial na sua compreensão do mundo. É evidente que o ser humano evolui ao longo do tempo, experimentando mudanças físicas, cognitivas e comportamentais, conforme percorre sua trajetória de vida. A aprendizagem da criança depende de uma variedade de habilidades que são desenvolvidas ao longo de sua trajetória evolutiva, sendo o desenvolvimento motor uma dessas habilidades cruciais. Para preparar a criança para essa jornada de conhecimento, existe a fase pré-escolar, que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Durante essa fase, é essencial que a criança participe de atividades que promovam o desenvolvimento psicomotor, tais como recorte, colagem, brincadeiras e jogos, conforme apontado por Oliveira e Souza (2013). Na educação infantil, o objetivo principal é ajudar a criança a desenvolver noções de espaço, tempo, habilidades e dificuldades, além de incentivá-la a se expressar livremente e a socializar-se de maneira adequada. É crucial destacar que o movimento é a primeira forma de ação do ser humano, iniciando-se desde a vida intrauterina. Desde os primeiros meses de gestação, o feto já começa a realizar movimentos, que se tornam mais coordenados com o passar do tempo, tornando o bebê cada vez mais ativo. No último mês de gestação, o bebê se movimenta ainda mais intensamente, preparando-se para vir ao mundo a qualquer momento. A psicomotricidade é a educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurológicas e psíquicas. Alem disso, possui uma dupla finalidade: assegura o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se, através do intercambio com o ambiente humano (SILVA, 2010). Os movimentos são expressões da vida do sujeito, revelando sentimentos e pensamentos. O contato que o indivíduo tem com o ambiente ao seu redor também desempenha um papel crucial no desenvolvimento de sua aprendizagem. A educação psicomotora abrange todo o processo de aprendizagem da criança, ocorrendo tanto na escola, como em casa com a família e no meio social em que a criança está inserida. Durante essas experiências, a criança expressa seus sentimentos por meio dos movimentos, desenvolvendo simultaneamente seu nível cognitivo, afetivo, emocional e motor (Gouveia, 2004). Assim, a aprendizagem motora deve ser primordialmente uma prática que busca promover a interação da criança com o ambiente, com os outros e consigo mesma. Segundo Gonçalves (2004): A educação psicomotora deve ser considerada uma educação de base na escola primária. Ela acondiciona todos os aprendizados pré-escolares levando a criança a tomar consciência do seu corpo, da lateralidade, e situar-se no espaço, a dominar seu tempo, adquirir habilmente sua coordenação de seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada desde tenra idade; conduzida com perseverança permite prevenir inadaptações difíceis de corrigir quando já estruturadas. Na educação psicomotora, é essencial que a criança se sinta segura para explorar todos os seus movimentos, tanto em interação com os outros quanto dentro de seu próprio ambiente. No contexto da educação infantil, é fundamental que os profissionais auxiliem as crianças em seus movimentos, permitindo que elas se soltem e facilitando assim o trabalho com seus movimentos. A aplicação da psicomotricidade na infância estimula e reeduca os movimentos dos alunos em idade pré-escolar. Conforme destacado por Rossi (2012), crianças que não alcançam um desenvolvimento psicomotor adequado para sua idade podem enfrentar dificuldades na leitura, escrita, direção gráfica, ordenação de letras, sílabas, entre outros aspectos. É crucial que essas dificuldades sejam observadas e analisadas constantemente pelos pais e educadores. 2 – A Psicomotricidade como estratégia terapêutica A psicomotricidade é uma abordagem terapêutica que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das crianças com autismo. Por meio de atividades motoras e lúdicas, a psicomotricidade busca estimular o desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional dessas crianças (Silva et al., 2020). Essa abordagem reconhece a estreita relação entre o corpo e a mente, considerando o movimento como uma forma de expressão e construção do conhecimento (Silva & Souza, 2018). No contexto das crianças com autismo, a psicomotricidade é especialmente relevante para aprimorar as habilidades motoras. Através de atividades adaptadas às necessidades individuais, as crianças autistas têm a oportunidade de desenvolver coordenação motora fina e grossa, equilíbrio e percepção corporal (Oliveira et al., 2019). Além disso, a psicomotricidade facilita a integração sensorial, auxiliando as crianças autistas a processarem de forma mais eficiente os estímulos sensoriais do ambiente (Cordeiro & Silva, 2018). Outro aspecto importante da psicomotricidade é sua contribuição para o desenvolvimento socioemocional. Por meio de atividades que estimulam a interação social e a expressão emocional, essa abordagem terapêutica promove autonomia, autoconfiança e o desenvolvimento de habilidades sociais. Além disso, proporciona um ambiente seguro e acolhedor paraas crianças autistas explorarem suas emoções e aprenderem a lidar com elas de maneira adequada. A psicomotricidade oferece às crianças autistas a oportunidade de explorar e experimentar diferentes atividades motoras, desenvolvendo suas habilidades motoras finas e grossas de forma adaptada e lúdica (Bezerra et al., 2020; Holdefer & Vilela, 2022). As intervenções psicomotoras são cuidadosamente planejadas de acordo com as necessidades individuais de cada criança, respeitando suas particularidades e proporcionando um ambiente seguro e acolhedor (Holdefer & Vilela, 2022). Assim, a psicomotricidade cria um espaço de aprendizagem inclusivo, onde as crianças autistas são incentivadas a explorar suas habilidades, expressar emoções e interagir de forma apropriada com os outros (Silva et al., 2020). A abordagem psicomotora desempenha um papel crucial na intervenção com crianças autistas, oferecendo um ambiente rico em estímulos sensoriais, motores e afetivos (Silva & Souza, 2018). Através de atividades como jogos simbólicos, brincadeiras de movimento, exercícios de relaxamento e atividades de equilíbrio, as crianças podem desenvolver consciência corporal, aprimorar a coordenação motora e expandir suas habilidades sociais (Jesus, 2019). Além disso, a psicomotricidade proporciona um espaço para expressão emocional, permitindo que as crianças autistas explorem suas emoções, aprendam a lidar com elas e desenvolvam estratégias de autorregulação (Cordeiro & Silva, 2018). Essa abordagem terapêutica promove o desenvolvimento global das crianças, estimulando suas habilidades motoras, cognitivas e socioemocionais. No contexto das crianças autistas, a psicomotricidade desempenha um papel significativo ao favorecer o desenvolvimento motor, a integração sensorial, a interação social e a expressão emocional. Por meio de atividades adaptadas e lúdicas, a psicomotricidade oferece um ambiente inclusivo e acolhedor, permitindo que as crianças autistas explorem seu potencial, desenvolvam suas habilidades e melhorem sua qualidade de vida (Silva et al., 2020). Essa abordagem possibilita que elas explorem diferentes atividades motoras adaptadas, desenvolvendo suas habilidades motoras finas e grossas de forma lúdica (Melo et al., 2020). Além disso, as intervenções psicomotoras são planejadas considerando as necessidades específicas de cada criança, proporcionando um ambiente seguro e estimulante para seu desenvolvimento integral (Laureano & Fiorini, 2021). A inclusão da psicomotricidade nas práticas educacionais contribui para a promoção de uma Educação Física inclusiva e de qualidade, garantindo que todas as crianças, incluindo aquelas com autismo, tenham acesso a experiências enriquecedoras e desenvolvam todo o seu potencial (Silva et al., 2022). A psicomotricidade destaca-se como uma abordagem terapêutica eficaz, oferecendo oportunidades valiosas para o desenvolvimento global das crianças com autismo, auxiliando-as em seu processo de aprendizagem e contribuindo para a melhoria de sua qualidade de vida (Silva et al., 2020). A importância da psicomotricidade para o desenvolvimento das crianças com autismo é evidente, e essa abordagem terapêutica desempenha um papel crucial no progresso motor, socioemocional e cognitivo dessas crianças, promovendo seu desenvolvimento integral e contribuindo para a melhoria de sua qualidade de vida (Silva et al., 2020). Através da psicomotricidade, as crianças autistas têm a oportunidade de aprimorar suas habilidades motoras, sociais e emocionais, favorecendo seu crescimento e desenvolvimento (Silva et al., 2020). No aspecto motor, a psicomotricidade oferece estímulos adequados e adaptados para o desenvolvimento das habilidades das crianças autistas. Por meio de atividades motoras lúdicas e desafiadoras, a psicomotricidade contribui para o aprimoramento da coordenação motora fina e grossa, equilíbrio, orientação espacial e percepção corporal. Essas habilidades motoras são essenciais para a realização de tarefas diárias, como se vestir, comer, brincar e se locomover de forma independente (Bezerra et al., 2020). Além do desenvolvimento motor, a psicomotricidade desempenha um papel relevante no aspecto socioemocional das crianças com autismo. Por meio de atividades que estimulam a interação social, a expressão emocional e a comunicação não verbal, a psicomotricidade promove o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais dessas crianças (Holdefer & Vilela, 2022). A interação com os pares durante as atividades psicomotoras permite que as crianças autistas pratiquem habilidades sociais, como compartilhar, cooperar, esperar a vez e resolver conflitos, favorecendo a inclusão social e o fortalecimento dos vínculos afetivos (Silva et al., 2020). No aspecto cognitivo, a psicomotricidade estimula a capacidade de concentração, a atenção, a memória e o raciocínio das crianças autistas (Jesus, 2019). Através das atividades psicomotoras, elas são desafiadas a resolver problemas, tomar decisões e encontrar soluções, desenvolvendo habilidades cognitivas fundamentais para o seu aprendizado e desenvolvimento intelectual (Silva et al., 2020). A psicomotricidade também promove um ambiente seguro e acolhedor para as crianças com autismo explorarem suas potencialidades e expressarem suas emoções. Durante as atividades psicomotoras, elas são incentivadas a experimentar novas sensações, lidar com desafios e desenvolver sua autoconfiança (Cordeiro & Silva, 2018). Essa abordagem terapêutica permite que as crianças autistas explorem e compreendam seu próprio corpo, suas capacidades e limitações, fortalecendo sua autoimagem e autoestima (Silva et al., 2020). Além disso, a psicomotricidade contribui para a melhoria da qualidade de vida das crianças com autismo, proporcionando momentos de prazer, diversão e relaxamento (Oliveira et al., 2019). As atividades psicomotoras permitem que elas se expressem de forma não verbal, liberando tensões e emoções de maneira saudável (Silva & Souza, 2018). Essa abordagem terapêutica também promove a inclusão social, permitindo que as crianças com autismo participem ativamente de atividades físicas e esportivas, desenvolvendo sua autonomia e sentimento de pertencimento (Laureano & Fiorini, 2021). Considerações Finais As considerações finais ressaltam a importância da psicomotricidade como uma abordagem terapêutica fundamental para o desenvolvimento integral das crianças com autismo. Ao longo deste estudo, ficou evidente que a psicomotricidade desempenha um papel significativo no progresso motor, socioemocional e cognitivo dessas crianças, contribuindo para a melhoria de sua qualidade de vida. No aspecto motor, a psicomotricidade oferece estímulos adaptados que auxiliam no desenvolvimento das habilidades motoras finas e grossas, equilíbrio e orientação espacial, facilitando a realização de tarefas diárias de forma independente. Além disso, a interação com os pares durante as atividades psicomotoras promove habilidades sociais essenciais, como compartilhar, cooperar e resolver conflitos, fortalecendo os laços afetivos e favorecendo a inclusão social. No aspecto cognitivo, a psicomotricidade estimula a capacidade de concentração, atenção, memória e raciocínio, proporcionando desafios que desenvolvem habilidades cognitivas fundamentais para o aprendizado e desenvolvimento intelectual das crianças autistas. Este estudo nos permite concluir que a psicomotricidade desempenha um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem da criança. As dificuldades de aprendizagem podem estar relacionadas a diversos fatores, incluindo o desenvolvimento psicomotor inadequado. Portanto, a presença da psicomotricidade na vida da criança possibilita que ela interaja por meio dos movimentos, adquira noções sobre seu próprio corpo e contribua para a formação de sua personalidade, criatividade e desenvolvimento global. Diante das dificuldades enfrentadas pelas crianças, é essencial que a escola promova atividades que trabalhem a motricidade, como jogos, brincadeiras e atividades físicas. Essas práticasdevem ser constantemente oferecidas pelas escolas, contribuindo para prevenir muitas das dificuldades de aprendizagem. Professores e pais desempenham um papel crucial ao observar e identificar quaisquer dificuldades apresentadas pelas crianças, buscando compreender suas causas e oferecendo intervenções adequadas para superá-las. O psicopedagogo é um profissional importante nesse processo, proporcionando novas abordagens de aprendizagem e auxiliando os professores no desenvolvimento integral da criança. A psicomotricidade deve ser aplicada desde a educação infantil, momento em que a criança está mais receptiva ao aprendizado e à descoberta de si mesma. É importante destacar também que a psicomotricidade oferece um ambiente seguro e acolhedor para que as crianças explorem suas potencialidades, expressem suas emoções e desenvolvam sua autoconfiança. Ao participarem de atividades físicas e esportivas adaptadas, as crianças com autismo têm a oportunidade de se expressarem de forma não verbal, liberando tensões e emoções de maneira saudável, o que contribui para o seu bem-estar emocional. Em suma, a inclusão da psicomotricidade nas práticas educacionais representa um importante passo para promover uma educação inclusiva e de qualidade, permitindo que todas as crianças, incluindo aquelas com autismo, tenham acesso a experiências enriquecedoras que favoreçam o seu desenvolvimento integral. Referências ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. 4 ed. Rio de Janeiro. Wak, 2008. 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