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Inflamação 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 2 Doenças Urológicas II – Neste resumo, iremos estudar as seguintes doenças: ● Hidronefrose; ● Litíase urinária; ● Refluxo vesico-ureteral; ● Neoplasias vesicais; ● Carcinoma escamoso do pênis; ● Criptorquidia; ● Torção testicular; ● Orquite; ● Varicocele; ● Hidrocele; ● Tumores testiculares (características básicas dos tumores germinativos); ● Hiperplasia Nodular prostática; ● Adenocarcinoma da próstata. 1. Hidronefrose Hidronefrose. Dilatação da pelve, dos cálices e do ureter. O parênquima renal, comprimido pela dilatação da pelve, está bem reduzido. – É a dilatação da pelve e dos cálices causado por um aumento da pressão urinária em razão de obstrução mecânica ou funcional no trato urinário. – O resultado é a hipotrofia progressiva do parênquima, transformando o rim em um órgão cístico. – A obstrução ocorre em qualquer nível das vias urinárias, e pode ser súbita ou lenta, uni ou bilateral, parcial ou total. – Obstáculos mecânicos são a causa mais importante, sobretudo HPB ou câncer de próstata, tumores de bexiga, câncer do colo ou do corpo uterino, cálculos urinários e inflamações. – Em crianças, as principais causas são as anomalias congênitas do trato urinário e do rim, especialmente do ureter, da uretra, obstrução da JUP e do colo vesical e vasos aberrantes. – Entre as causas funcionais, temos os distúrbios neurogênicos. – O aumento da pressão na pelve renal provoca o achatamento e encurtamento das papilas e repercute nos túbulos renais, que se dilatam e se hipotrofiam. – Há também compressão vascular e distúrbios no fluxo sanguíneo, especialmente na região medular. Os glomérulos se mantêm íntegros por mais tempo. – Essas modificações dependem da duração, do grau e do local de obstrução e da existência de infecção associada. As consequências variam segundo o tipo de obstrução: ● Parcial: função renal não se deteriora de imediato. ● Súbita: surgem lesões tubulares, vasculares e glomerulares, com perda da função renal. ● Bilateral e súbita: pode haver parada imediata da filtração glomerular e insuficiência renal aguda. – Em relação aos exames de imagem: ● Ultrassom: permite classificar a hidronefrose em leve, moderada ou grave. Cortex renal fino no contexto de hidronefrose geralmente implica em cronicidade. Marina Moraes Marina Moraes Marina Moraes 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 3 Ultrassom mostrando rim direito com hidronefrose ● TC: permite visualizar a hidronefrose e sua causa. ○ Sem contraste: geralmente utilizado para detectar cálculo no trato urinário. ○ Com contraste: na fase portal venosa, pode ajudar a delinear outras causas da hidronefrose (ex.: malignidades pélvicas). ■ Fase tardia é útil para avaliar o sistema coletor, e mostra com maior precisão estreitamentos uretéricos ou carcinomas, malignidades na bexiga e pedras não calcificadas. TC axial demonstrando hidronefrose bilateral. A marca branca no rim esq. (lado dir. da imagem) é de um stent renal. ● Medicina nuclear: podemos utilizar um renograma com diurético para avaliar obstruções urinárias e diferenciar as origens. 2. Litíase Urinária Litíase renal. Cálculos no interior dos cálices renais. – Cálculos urinários são bastante comuns. Em 80-90% dos pacientes, os cálculos são unilaterais, podendo ser únicos ou múltiplos. – Em alguns casos, existe predisposição familial: a hereditariedade é notória em distúrbios da função tubular que resultam em certos cálculos. – Os cálculos urinários se formam quando a urina se torna saturada de algum componente. Quando isso ocorre, são formados cristais que originam o núcleo do cálculo. ● O crescimento sucessivo desse núcleo origina massas de tamanhos variados que obstruem diferentes partes do trato urinário. ● Cálculos maiores que 3 mm podem impactar-se nos cálices, pelve ou ureter e causar cólica renal, acompanhada de náuseas, vômitos e febre. ● Cultura de urina é positiva quando há infecção associada à obstrução. ● Exames de imagem permitem confirmar o diagnóstico. – Os cálculos se originam em todos os segmentos do trato urinário, principalmente na pelve renal, depois dos cálices e na bexiga. Marina Moraes 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 4 – Algumas vezes, os cálculos são ramificados, adquirindo a forma da pelve. São chamados de cálculos coraliformes. Cálculo coraliforme no cálice renal esquerdo (dir. da imagem). – Quanto à composição, podem ser de 4 tipos: 1) Sais de cálcio: são os mais frequentes (60 a 75%). São radiopacos (aparecem brancos) e formados por oxalato, fosfato ou carbonato de cálcio. 2) Fosfato de amônia e magnésio: 15% dos casos. São múltiplos e em geral associam-se a infecções urinárias por bactérias que clivam a ureia em amônia. No início, são radiotransparentes (aparecem escuros), mas depois se tornam radiopacos pela adição de fosfato de cálcio. 3) Ácido úrico: 5 a 8% dos casos. São mais comuns na gota e quando há destruição celular. 4) Cistina: 1 a 2% dos casos. Associam-se a defeitos genéticos nos mecanismos tubulares de transporte de alguns aminoácidos. – Na maioria dos pacientes, litíase urinária associa-se a fatores predisponentes: 1) Aumento de concentração das substâncias que formam os cálculos, ultrapassando sua solubilidade na urina (supersaturação); 2) Estase urinária; 3) Inflamação e infecção das vias urinárias; 4) Alterações no pH urinário; 5) Volume urinário baixo. – Em relação aos exames de imagem: ● RX: cálculos com cálcio geralmente serão radiopacos (aparecem brancos). RX mostrando cálculo renal no lobo inferior do rim esquerdo. ● Fluoroscopia: urografia intravenosa pode ser utilizada, mas tem a desvantagem de utilizar injeção intravenosa de contraste. ● USG: geralmente é utilizado na investigação inicial do trato urinário. ○ Não é tão sensível quando a TC, mas muitas vezes é capaz de identificar cálculos. USG mostrando cálculo renal no rim direito (marcado entre os sinais de +) ● TC: quase todos os cálculos são opacos, variando consideravelmente em densidade. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 5 99% dos cálculos renais são visíveis na TC sem contraste. TC de corte axial sem contraste mostrando cálculos renais bilaterais não obstrutivos nos rins (os pontinhos brancos no meio de cada um). 3. Refluxo Vesicoureteral (RVU) – A porção intravesical do ureter tem um trajeto oblíquo e fica comprimida durante a micção. Isso impede que ocorra o retorno da urina para os ureteres (mecanismo valvular). – O RVU, primário ou secundário, é justamente esse retorno do conteúdo da bexiga para o ureter, especialmente durante a micção. Ele é causado pela incompetência da válvula ureterovesical. – RVU primário resulta de um distúrbio congênito da válvula ureterovesical, que pode ser mais curta ou ausente. Infecções vesicais podem agravar o RVU, principalmente em crianças. – RVU secundário, por sua vez, se dá pela insuficiência da válvula ureterovesical por anormalidades do ureter, da bexiga e da uretra. – Em relação aos exames de imagem: ● Cistouretrografia miccional: ○ Permite confirmar a presença de refluxo, graduando-o, quando possível; ○ Permite avaliar a ocorrência de refluxo durante a micção ou preenchimento da bexiga; ○ Permite avaliar a presença de anomalias anatômicas associadas; ○ Permite avaliar o comprimento do canal uretérico; ○ Permite avaliar o diâmetro do ureter inferior. Cistouretrografias miccionais demonstrando refluxo vesical em ambos os rins, com dilatação dos ureteres e do sistema coletor renal. ● USG: é realizada em adição à cistouretrografia miccional para avaliar o parênquima renal, a fim de analisar se existem cicatrizes ou anomalias anatômicas. ● Cistografia nuclear: pode avaliar refluxo, porém com menos precisão. Tem como vantagem uma menor dose de radiação, e desvantagem a dificuldade de identificar doenças da bexigaassociadas, dificuldade de visualizar a uretra masculina, e ausência de resolução espacial. ● RM: protocolos combinando a RM com a cistouretrografia miccional ainda estão sendo desenvolvidos. Existe a vantagem de não apresentar radiação ionizante, e por permitir a visualização simultânea do parênquima renal. 4. Neoplasias Vesicais – Os tumores de bexiga de maior importância se originam de células do epitélio de revestimento das vias urinárias, o urotélio, sendo por isso chamadas genericamente de neoplasias ureoteliais ou uroteliomas. – Mais comuns na mucosa vesical, essas lesões também podem ser encontradas na uretra 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 6 (incluindo a uretra prostática), ureteres, pelve renal e cálices renais. – Carcinomas uroteliais representam 90% de todos os tumores primários da bexiga, do ureter e da pelve renal. Na bexiga, mais de 80% dos casos surgem após os 50 anos. Os homens são mais acometidos que as mulheres. – Em 80% dos casos, os tumores se localizam na região lateral e posterior da bexiga. – Morfologicamente, as neoplasias uroteliais podem ser: ● Papilares: ○ Papiloma urotelial; ○ Neoplasia urotelial papilar de baixo potencial de malignidade; ○ Carcinoma urotelial papilífero não invasivo de baixo grau; ○ Carcinoma urotelial papilífero não invasivo de alto grau. ○ Carcinoma urotelial invasivo → pode surgir a partir de carcinoma urotelial papilar não invasivo ou de carcinoma urotelial in situ. ● Planas: ○ Carcinoma urotelial in situ. – Como a bexiga é um reservatório de urina, ela se encontra exposta a um grande número de substâncias, sendo algumas potencialmente carcinogênicas. – Os fatores de risco mais bem documentados são: ● Tabagismo; ● Exposição ocupacional; ● Radioterapia; ● Determinadas infecções; ● Extrofia da bexiga. – As neoplasias uroteliais pertencem a duas grandes categorias: 1) Neoplasias papilíferas: as mais comuns, em cuja superfície encontram-se papilas visíveis à cistoscopia e ao exame macroscópico. 2) Neoplasias planas: apresentam superfície lisa, sem papilas. – As neoplasias invasivas originam-se por duas vias: 1) Progressão de lesão papilífera, que é a forma mais comum (80% dos casos); 2) A partir de lesão plana (carcinoma urotelial in situ), que corresponde ao restante dos casos. Carcinoma urotelial invasivo da bexiga. A: lesões vegetantes, irregulares, com superfície papilífera e limites imprecisos infiltrando a parede vesical. B: massas de células neoplásicas atípicas infiltrando a parede da bexiga. – A capacidade invasiva da neoplasia associa-se à perda de função do gene TP53. O carcinoma urotelial invasivo é a neoplasia maligna infiltrativa mais comum do trato urinário. 5. Carcinoma Escamoso do Pênis – É menos comum em pessoas brancas. É uma neoplasia prevalente no Brasil, especialmente nos estados do Nordeste. Na maioria dos casos, a lesão é diagnosticada entre 60 a 69 anos de idade. – Higiene local precária e a ação do esmegma em indivíduos não circuncidados são considerados fatores etiológicos. HPV dos tipos 16 e 18 também é implicado em sua gênese. – Origina-se preferencialmente na glande, seguida do frênulo, prepúcio, sulco balanoprepucial. Mais raramente, surge no corpo do pênis. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 7 – Tem crescimento lento. Metástases ocorrem sobretudo nos linfonodos inguinais. Macroscopicamente, apresenta-se nas formas vegetante ou ulcerada. ● Vegetante: cresce externamente, sendo menor o crescimento em profundidade. Tem um prognóstico melhor. ● Ulcerada: mais infiltrativa. – Não raramente, os pacientes procuram atendimento tardiamente, e ao diagnóstico a neoplasia tem grande volume e encontra-se em estágio avançado. Carcinoma de células escamosas do pênis. Neoplasia ulcerada com destruição extensa do órgão. 6. Criptorquidia – É a ausência de migração do testículo do abdome até a bolsa escrotal, podendo o órgão ficar retido em qualquer ponto desse trajeto. Na grande maioria dos casos, a causa é desconhecida. Em outros, há associação com fatores mecânicos (ex.: malformações do anel inguinal); genéticos (ex.: trissomia do 13); ou hormonais (ex.: deficiência do LHRH). – Em 75% dos pacientes, é unilateral. – Fora da bolsa escrotal, o testículo fica submetido a uma temperatura mais elevada, que leva a lesões nos túbulos seminíferos, representadas por redução numérica das espermatogônias, retardo ou ausência da espermatogênese e aumento do estroma. – Ao lado disso, em testículos criptorquídicos, observam-se nódulos hiperplásicos de células de Sertoli. – Tais alterações iniciam-se desde o nascimento, razão pela qual o tratamento por meio de orquipexia (colocação do testículo na bolsa escrotal) deve ser feito até 12 meses de vida. O exame histológico mostra fibrose peritubular e hialinização completa. Além disso, o exame microscópico mostra retardo no crescimento de testículos criptorquídicos. – Em relação aos exames de imagem: ● USG: tem uma sensibilidade de 45%, especificidade de 78% e precisão de 88% para localizar o testículo criptorquídico. É mais preciso que o exame clínico. ● RM: é a melhor modalidade para avaliar criptorquidia. Tem uma sensibilidade muito maior que a do USG, e uma especificidade de 100%. RM coronal em T2 mostra criptorquidia bilateral nas regiões ilíacas anteriores aos vasos ilíacos. É possível perceber também o saco escrotal vazio. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 8 7. Torção Testicular – A torção do cordão espermático normalmente interrompe a drenagem venosa do testículo. Se não tratada, frequentemente tem como consequência o infarto testicular. Representa, assim, uma das poucas emergências urológicas verdadeiras. – As artérias de paredes espessas permanecem patentes, produzindo uma congestão vascular intensa seguida por infarto hemorrágico. – A torção testicular pode ocorrer em duas situações: a) Torção neonatal: ocorre dentro do útero ou pouco após o nascimento. Ela não está associada a qualquer defeito anatômico que justifique sua ocorrência. i) As torções ocorrem ao nível do anel inguinal externo. ii) Também chamada de torção extra ou supra vaginal. b) Torção em adultos: é tipicamente observada na adolescência e se apresenta com dor testicular de início súbito, que não melhora com elevação do escroto (sinal de Prehn negativo). Também se caracteriza pela ausência do reflexo cremastérico. i) Frequentemente ocorre sem qualquer lesão desencadeante, e pode ocorrer até mesmo durante o sono. ii) Se o testículo for distorcido manualmente dentro de aproximadamente 6 horas após o início da torção, existe uma boa chance de que ele permaneça viável. iii) Diferente da torção neonatal, a torção em adultos é resultado de um defeito anatômico bilateral que leva ao aumento da mobilidade dos testículos (deformidade em badalo de sino). 1) A deformidade em badalo de sino decorre do fato de a túnica vaginal estar anormalmente presa ao cordão espermático. iv) Para prevenir a recorrência, o testículo não afetado pela torção é cirurgicamente fixado ao escroto (orquidopexia). v) Também chamada de torção intravaginal. – Dependendo da duração, as alterações morfológicas vão desde uma congestão intensa e hemorragia generalizada, até o infarto testicular. ● Em estágios tardios, o testículo: ○ Aumenta bastante de tamanho; ○ Mostra-se inteiramente formado por tecido hemorrágico, mole e necrótico. ● Pode causar hematocele, a presença de sangue na túnica vaginal. – O diagnóstico é clínico, mas, no caso de dúvidas, um ultrassom pode auxiliar na confirmação. – Em relação aos exames de imagem, o ultrassom é a modalidade de escolha para avaliar possíveis casos de torção testicular. ● É um exame capaz de permitir uma avaliação simultânea tanto da estrutura do testículo, quanto de sua vascularização. ● Além disso, não expõe os gametas masculinos à radiação ionizante. ● A parte maisimportante do exame é a comparação com o lado normal. ● A torção pode ser confirmada através do sinal do redemoinho, que pode ser visto no USG logo abaixo. ○ A imagem mostra um ultrassom de testículo sem doppler. A seta mostra o sinal do redemoinho, que é formado pela mudança abrupta no curso do cordão espermático com uma torção espiral no nível do anel inguinal externo ou do saco escrotal. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 9 – Outro exame de imagem que pode avaliar a torção testicular é a medicina nuclear (utilizando Tc-99m). 8. Orquite 8.1. Epididimite e Orquite Inespecíficas – A epididimite e a possível orquite subsequente estão normalmente relacionadas a infecções do trato urinário (cistite, uretrite, prostatite). – Essas infecções atingem o epidídimo e o testículo através do ducto deferente ou pelos vasos linfáticos do cordão espermático. – A causa varia conforme a idade dos pacientes. ● Epididimite em crianças: embora seja rara, geralmente está associada a uma anormalidade geniturinária congênita e infecção por bactérias Gram-negativas. ● Epididimite em homens sexualmente ativos com menos de 35 anos: são comuns os seguintes patógenos sexualmente transmissíveis: ○ Chlamydia trachomatis; ○ Neisseria gonorrhoeae. ● Epididimite em homens acima de 35 anos: causada pelos patógenos comuns do trato urinário, como por exemplo: ○ E. coli; ○ Pseudomonas. – A invasão bacteriana induz a uma inflamação aguda inespecífica, caracterizada por: ● Congestão; ● Edema; ● Infiltração por neutrófilos, macrófagos e linfócitos. – Embora a infecção permaneça mais ou menos limitada ao tecido conjuntivo intersticial no estágio inicial, rapidamente se estende para envolver os túbulos, podendo progredir para formação franca de abscesso ou necrose supurativa completa de todo o epidídimo. Epididimite aguda, causada por infecção gonocócica. O epidídimo foi substituído por um abscesso. O testículo normal é observado à direita. – Geralmente, após ter envolvido o epidídimo, a infecção se estende para o testículo, dando origem a uma reação inflamatória semelhante (epidídimo-orquite). – Essa inflamação do epidídimo e do testículo com frequência é seguida por uma cicatrização fibrótica, que em muitos casos leva à esterilidade. ● Normalmente, as células de Leydig não são totalmente destruídas, e como resultado a produção de androgênio pelos testículos pode ser relativamente pouco afetada. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 10 – Em relação aos exames de imagem, o padrão ouro é o ultrassom. A medicina nuclear também pode ser utilizada. 8.2. Orquite Granulomatosa (Autoimune) – A orquite granulomatosa idiopática surge na meia-idade, como uma massa testicular moderadamente macia, de início súbito, algumas vezes associada à febre. – Entretanto, pode ter um surgimento insidioso, como uma massa testicular indolor que mimetiza um tumor testicular. – Histologicamente, a orquite é distinguida por granulomas restritos aos túbulos espermáticos. As lesões lembram muito tubérculos, porém diferem pelo fato de a reação granulomatosa estar presente de forma difusa em todo o testículo, sendo confinada aos túbulos seminíferos. 8.2.1. Inflamações Específicas A) Gonorreia – A extensão da infecção da uretra posterior → próstata → vesículas seminais → epidídimo é a evolução comum de uma infecção gonocócica negligenciada. – Em casos graves, abscessos do epidídimo podem se desenvolver, levando a grande destruição e cicatrizes. A infecção também pode se disseminar para o testículo e produzir orquite supurativa. B) Caxumba – A caxumba é uma doença viral sistêmica, que afeta com mais frequência crianças em idade escolar. O desenvolvimento testicular é extremamente raro nesse grupo etário. – No entanto, em homens após a puberdade, a orquite ocorre em 20 a 30% dos casos. Na maioria das vezes, uma orquite intersticial aguda se desenvolve cerca de 1 semana após o início do inchaço da glândula parótida. C) Tuberculose – Quase sempre começa no epidídimo, de onde pode se disseminar para o testículo. A infecção inicia as reações de inflamação granulomatosa caseosa característica da tuberculose em outras partes. D) Sífilis – O testículo e o epidídimo podem ser afetados tanto na sífilis adquirida, quanto na congênita. Quase sempre o testículo é envolvido inicialmente, e muitas vezes o epidídimo é poupado por completo. O padrão morfológico assume duas formas: ● Produção de gomas ou ● Inflamação intersticial difusa, com a marca histológica de infecções sifilíticas, a endarterite obliterante envolta por um denso agregado de linfócitos e plasmócitos. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 11 9. Varicocele – Trata-se da dilatação do plexo pampiniforme de veias, uma rede de várias veias pequenas encontradas no cordão espermático. É a massa mais frequentemente encontrada no cordão espermático. – Elas podem ser assintomáticas. Quando sintomáticas, é possível observar: ● Massa escrotal/inchaço; ● Dor escrotal; ● Atrofia testicular; ● Infertilidade ou subfertilidade. – O plexo pampiniforme normalmente atua na troca de calor, desempenhando um papel importante na termorregulação dos testículos, uma função essencial para a espermatogênese. ● A varicocele causa um desequilíbrio nesse sistema, elevando a temperatura dos testículos (35ºC) para a temperatura corporal (37ºC). – A varicocele pode ser: a) Primária: a maior parte dos casos. A varicocele primária decorre da ausência de válvulas ou de válvulas deficitárias na veia testicular (veia espermática interna). ● O testículo esquerdo é mais comumente afetado do que o direito. Isso pode ser explicado devido ao fato de que a veia testicular direita tem um percurso menor, além de apresentar uma inserção oblíqua na veia cava inferior, o que cria uma pressão de retorno menor. ● É diferente da veia testicular esquerda, que tem um trajeto maior e se insere na veia renal esquerda através de um ângulo reto. ● Varicoceles bilaterais são incomuns. Varicoceles direitas isoladas são raras, e demandam avaliação para uma varicocele de ordem secundária. b) Secundária: são menos comuns e resultam de um aumento de pressão na veia testicular em razão de compressão, obstrução ou shunt esplenorrenal. – Em relação aos exames de imagem: a) Ultrassom: é a modalidade diagnóstica de escolha. ● Permite visualizar a dilatação do plexo pampiniforme de veias, que vão apresentar um diâmetro superior a 2-3 mm. ● As veias do plexo vão ter uma aparência serpiginosa (“sinuosa”, “cheia de curvas”, “semelhante a uma serpente”). ● Pode haver reversão de fluxo através da manobra de Valsalva. ● Doppler pode ser utilizado para graduar o nível do refluxo. b) TC: permite visualizar o aglomerado dilatado de veias serpiginosas. Tem como aspecto negativo o uso de radiação ionizante. TC mostrando uma varicocele testicular esquerda (lado dir. da imagem). c) Angiografia: apenas realizada durante o tratamento endovascular. Pode demonstrar veias testiculares dilatadas, fluxo retrógrado do contraste em direção ao escroto. d) RM: pode ser percebida de forma incidental durante RM do escroto, mostrando veias serpiginosas dilatadas. A intensidade do sinal depende da velocidade do fluxo. ● Baixo fluxo: intensidade intermediária no T1 e alta no T2. ● Alto fluxo: ausência de sinal. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 12 10. Hidrocele – Trata-se de um acúmulo de líquido seroso entre as camadas da túnica vaginal circundando o testículo ou o cordão espermático. Pode ser adquirida ou congênita. – São o tipo mais comum de aumento testicular, e apresentam um intumescimento indolor do escroto. Em todas as suas modalidades, as hidroceles aparecem como fluido simples, a não ser que seja complicada por infecções ou hemorragias. – Podem ser diagnosticadas em todas as idades, sendo que a hidrocele congênita é mais comum em crianças. – A maiorparte das hidroceles é adquirida, e se apresentam como uma massa escrotal indolor. Ao exame físico, as hidroceles transiluminam quando examinadas utilizando-se uma fonte luminosa. Podem ser tornar dolorosas se infectadas. a) Congênita: apresenta dois subtipos principais: ● Hidrocele comunicante → os fluidos se juntam ao redor de um processo vaginal aberto, que não foi totalmente obliterado. ● Hidrocele do cordão espermático → pode ser: ○ Tipo encistado (cisto do cordão espermático) → não há comunicação com o peritônio ou a túnica vaginal. ○ Tipo funicular (funicocele) → há comunicação com o peritônio, a nível do anel interno. Não circunda o testículo. É mais comum em crianças e RNs prematuros. b) Adquirida: pode decorrer de: ● Trauma; ● Epididimite; ● Torção testicular; ● Neoplasia testicular; ● Infarto testicular. – Em relação aos exames de imagem: a) Ultrassom: é a modalidade de escolha normalmente utilizada para avaliação da hidrocele. Demarcado pela cruz de linhas pontilhadas, podemos observar o testículo direito, Ao redor dele, a área anecóica, formada pelo líquido da hidrocele. ● A hidrocele se apresenta como uma coleção simples de fluido. ● Apresenta-se como avascular no Doppler. ● Pode conter septos, calcificações ou colesterol. ● Hidroceles comunicantes, infantis e vaginais: serão vistas circundando intimamente o testículo adjacente. ● Hidroceles do cordão espermático: não circundam do testículo, sendo encontradas ao longo do cordão espermático. ● Podem ser visualizadas com um tamanho aumentado em razão de esforço (manobra de Valsalva). ● Podem conter adesões fibrosas. b) RM: as características das hidroceles são: ● T1: baixo sinal. ● T2: alto sinal. 11. Tumores Testiculares – As neoplasias testiculares englobam uma grande variedade de tipos anatômicos, e podem ser divididas em duas categorias principais: tumores 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 13 de células germinativas (95%) e tumores do estroma gonadal e dos cordões sexuais. – Os tumores de células germinativas são subdivididos em seminomas e não seminomas. A maioria dos tumores de células germinativas consiste em tipos de câncer agressivos, capazes de disseminação ampla e rápida, embora a maioria possa ser curada com a terapia atual. – Os tumores do estroma gonadal e do cordão sexual, por outro lado, geralmente são benignos. 11.1. Tumores de Células Germinativas – Na faixa etária de 15 a 34 anos, os tumores testiculares de células germinativas são o tipo mais comum de tumor em homens, e causam cerca de 10% de todas as mortes por câncer. A) Fatores Ambientais – Desempenham um papel importante nos tumores germinativos testiculares. Esses tipos de tumores estão associados a um conjunto de distúrbios coletivamente conhecidos como síndrome de disgenesia testicular (SDT). ● Os componentes dessa síndrome incluem: ○ Criptorquidia → é a associação mais importante, observada em cerca de 10% dos casos desse tipo de tumor; ○ Hipospadia; ○ Qualidade pobre do esperma. ● Propõe-se que essas condições são aumentadas pela exposição intrauterina a pesticidas e estrógenos não esteroides. B) Fatores Genéticos – Existe uma forte predisposição familiar associada ao desenvolvimento de tumores de células germinativas testiculares. Vários loci genéticos têm sido associados ao risco familiar para esse tipo de tumor, incluindo os genes que codificam o ligante para o receptor de tirosina-cinase KIT e BAK (importantes indutores de morte celular por apoptose). C) Classificação – Dois grandes grupos são conhecidos: a) Tumores Seminomatosos: – São compostos por células que lembram células germinativas primordiais ou os gonócitos primordiais. O seminoma do testículo aparece como uma massa homogênea bem circunscrita, pálida e carnosa. I) Seminoma Clássico: – Microscopicamente, o seminoma típico é composto por lençóis de células uniformes, divididos por finos septos de tecido fibroso, contendo infiltrado linfocítico, formando lóbulos pouco delimitados. – A célula do seminoma clássico é grande, redonda e poliédrica, possuindo uma membrana celular nítida, citoplasma claro ou de aspecto hidrópico e um núcleo central volumoso com um ou dois nucléolos proeminentes. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 14 Seminoma. Em A, pequeno aumento mostra células de seminoma claras, divididas em lóbulos mal delimitados por septos delicados. Em B, exame microscópico revela grandes células com bordas celulares nítidas, núcleos pálidos, nucléolos proeminentes e um infiltrado linfocítico esparso. – Em relação aos exames de imagens: ● Ultrassom: é a modalidade de primeira escolha se um paciente apresenta alguma anomalia testicular. Apresenta uma sensibilidade de quase 100% quando combinado com o exame físico. ● TC: tomografia computadorizada das regiões abdominal e pélvica são importantes na visualização de metástases. ● RM: utilizado quando o ultrassom não consegue caracterizar com segurança a natureza da lesão testicular. ● Medicina nuclear: PET é menos sensível em uma avaliação inicial do que a TC. Geralmente a medicina nuclear apenas é utilizada após o tratamento do seminoma a fim de procurar atividade metabólica na linfadenopatia ou metástases extranodais. USG mostrando um testículo esquerdo enlarguecido e quase totalmente substituído por uma massa lobulada heterogênea. II) Seminoma Espermatocítico: – Ao contrário do seminoma clássico, o seminoma espermatocítico corresponde a um tumor raro de células germinativas de crescimento lento. Afeta principalmente homens mais velhos. Ele não produz metástases, oferecendo um prognóstico excelente. – Apesar do nome “seminoma”, este tipo de tumor é diferente tanto clínica quanto histologicamente. Apresenta: ● Células de tamanho médio, que são as mais numerosas, contendo um núcleo redondo e citoplasma eosinófilo; ● Células menores, com uma borda fina de citoplasma eosinófilo semelhante aos espermatócitos secundários; ● Células gigantes dispersas, uni ou multinucleadas. ○ Ao contrário dos seminomas clássicos, os seminomas espermatocíticos não possuem: ■ Linfócitos; ■ Granulomas; ■ Sinciciotrofoblastos; ■ Origem extratesticular; ■ Mistura com outros tumores de células germinativas; ■ Associação com ITGCN. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 15 III) Carcinoma Embrionário: Diferente do seminoma clássico, o carcinoma embrionário é uma massa hemorrágica. – Ocorrem principalmente na faixa etária de 20 a 30 anos. São mais agressivos que os seminomas. A maioria é menor que o seminoma, e não substitui o testículo inteiro. Por outro lado, a extensão através da túnica albugínea para o epidídimo ou para o cordão ocorre frequentemente. – Histologicamente, as células crescem em padrão alveolar ou tubular, algumas vezes formando convoluções papilares. Lesões mais indiferenciadas podem exibir lençóis celulares. ● Glândulas bem formadas estão ausentes. ● Células neoplásicas possuem: ○ Aspecto epitelial; ○ São grandes; ○ São anaplásicas; ○ Possuem núcleos hipercromáticos com nucléolos proeminentes; ○ Bordas celulares indistintas; ○ Variação do tamanho e da forma das células e dos núcleos; ● Figuras mitóticas e células gigantes tumorais frequentemente observadas. O carcinoma embrionário mostra lençóis de células indiferenciadas, assim como diferenciação glandular primitiva. Os núcleos são grandes e hipercromáticos. – Os carcinomas embrionários compartilham alguns marcadores com os seminomas, como o OCT3/4 e PLAP, porém diferem por serem positivos para citoqueratina e CD30 e negativos para KIT. b) Tumores Não Seminomatosos – São compostos por células não diferenciadas que lembram células-tronco embrionárias, como no caso do carcinoma embrionário. ● As células malignas podem se diferenciar em várias linhagens, gerando: ○ Tumores de saco vitelino; ○ Coriocarcinomas; ○ Teratomas. – Os tumores de células germinativas podemapresentar um único componente tecidual, mas em cerca de 60% dos casos, eles contêm misturas de componentes seminomatosos e não seminomatosos, bem como múltiplos tecidos. I) Tumor do Saco Vitelino: – Também conhecido como tumor do seio endodérmico. É o tumor testicular mais comum em lactentes e crianças até 3 anos de idade. Nesse grupo etário, apresenta um prognóstico 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 16 muito bom. Em adultos, a forma pura desse tumor é rara, mas são frequentes as combinações com o carcinoma embrionário. – São não encapsulados e apresentam um aspecto mucinoso, branco-amarelado, homogêneo. São formados por: ● Trama rendada (reticular) de células cuboides ou aplanadas de tamanho médio; ● Estruturas papilares, cordões sólidos de células e outros padrões menos comuns podem ser encontrados. ● Seios endodérmicos (corpos de Schiller-Duval): grupamento mesodérmico com um capilar central envolto por camadas de células viscerais e parietais, semelhantes a glomérulos primitivos. ● Dentro e fora do citoplasma, estão glóbulos eosinófilos, de aspecto hialino. ● Presença de alfa-fetoproteína (AFP) é altamente característica, e destaca sua semelhança com células do saco vitalino. II) Coriocarcinomas: Coriocarcinoma mostra células citotrofoblásticas (cabeças de seta) com núcleos centrais, e células sinciciotrofoblásticas (seta) com múltiplos núcleos escuros dentro de um citoplasma eosinófilo. Hemorragia e necrose podem ser vistas no campo superior direito. – É uma forma altamente maligna do tumor testicular. Em sua forma pura, é raro. Frequentemente não causam aumento testicular. São detectados apenas como um pequeno nódulo palpável. – Hemorragia e necrose são extremamente comuns. – Histologicamente, apresentam: ● Dois tipos celulares: ○ Sinciciotrofoblastos → células grandes, multinucleadas, com abundante citoplasma vacuolado, eosinófilo, contendo HCG. ○ Citotrofoblastos → mais regulares, tendem a ser poligonais. Apresentam bordas nítidas e citoplasma claro, crescem em cordões ou massas e possuem núcleo único, razoavelmente uniforme. III) Teratomas: Teratoma de testículo. – São tumores testiculares que apresentam vários componentes celulares ou organoides, que são reminiscentes dos derivados normais de uma camada germinativa. – Podem ocorrer em qualquer idade. – Macroscopicamente, os teratomas em geral são grandes. Como são formados por vários tecido, apresentam um aspecto macroscópico heterogêneo, com áreas sólidas, algumas vezes cartilaginosas e áreas císticas. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 17 – Hemorragia e necrose geralmente indicam combinação com carcinoma embrionário, coriocarcinoma ou ambos. Teratoma de testículo consistente em um conjunto desorganizado de glândulas, cartilagem, músculo liso e estroma imaturo. – Eles são compostos por uma reunião heterogênea e confusa de células diferenciadas ou estruturas organoides, como: ● Tecido neural; ● Feixes musculares; ● Ilhas de cartilagem; ● Agrupamentos de epitélio escamoso; ● Estruturas que lembram glândula tireoide; ● Epitélio brônquico ou bronquiolar; ● Partes da parede intestinal; ● Substância cerebral. ○ Todos esses elementos situados em meio a um estroma fibroso ou mixoide. ○ Podem ser maduros (lembrando as versões adultas desses tecidos) ou imaturos (compartilhando características histológicas com o tecido fetal ou embrionário). – Raramente, tumores malignos de células não germinativas podem ter origem em um teratoma (teratoma com transformação maligna). ● Esses tumores secundários são resistentes à quimoterapia. A única esperança reside na possibilidade de retirada do tumor. ● Em crianças, teratomas maduros diferenciados geralmente seguem um curso benigno. Em homens após a puberdade, todos os teratomas são considerados malignos, capazes de metástase, independente do grau de maturidade dos seus elementos. IV) Tumores Mistos – Aproximadamente 60% dos tumores testiculares são compostos por mais de um padrão puro. Os mistos mais comuns incluem: ● Teratomas; ● Carcinomas embrionários e tumores do saco vitalino; ● Seminoma com carcinoma embrionário; ● Carcinoma embrionário com teratoma (teratocarcinoma). D) Patogenia – A maior parte se origina de uma lesão chamada neoplasia de células germinativas intratubulares (ITGCN). São exceções que apresentam origem incerta: ● Tumores pediátricos do saco vitelino; ● Teratomas; ● Seminomas espermatocíticos em adultos. – Acredita-se que a ITGCN surja na vida intrauterina e permaneça dormente até a puberdade, progredindo depois para seminomas ou tumores não seminomatosos. – A lesão consiste em células germinativas primordiais atípicas, com núcleos grandes e citoplasma claro. Essas células têm aproximadamente o dobro do tamanho das células germinativas normais. ● Essas células retêm a expressão dos fatores de transcrição OCT3/4 e NANOG, que são importantes na manutenção das células-tronco pluripotenciais. ● A ITGCN compartilha algumas das alterações genéticas que são encontradas em tumores de células germinativas. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 18 ○ Uma de especial importância é a duplicação do braço curto do cromossomo 12 (12p), na forma de um isocromossomo i(12p). ● Mutações ativadoras do gene que codifica o receptor tirosina-cinase KIT, que podem estar presentes em seminomas, também estão presentes na ITGCN. 12. Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) ou Hiperplasia Nodular HPB. A, nódulos bem definidos da HPB comprimem a uretra, que passa a ter a luz em fenda. B, uma visão microscópica de toda a próstata mostra nódulos das glândulas hiperplásicas em ambos os lados da uretra. C, em maior aumento, a dupla população celular típica: camadas de células colunares internas e camada de células basais achatadas externas. – A HPB é a doença prostática benigna mais comum em homens com mais de 50 anos. Resulta da hiperplasia nodular das células do estroma prostático e células epiteliais, e muitas vezes tem como resultado a obstrução urinária. – Caracterizada pela formação de grandes nódulos, bastante nítidos na região periuretral da próstata. Quando suficientemente grandes, comprimem e estreitam o canal uretral, causando a obstrução parcial ou praticamente total da uretra. – Não é considerada uma lesão pré-maligna. – Acredita-se que a hiperplasia se origina principalmente de uma redução da morte celular, resultando no acúmulo de células senescentes na próstata. ● De acordo com essa teoria, os andrógenos necessários para o desenvolvimento da HPB não só aumentam a proliferação celular como também inibem a morte celular. – O principal andrógeno da próstata é a di-hidrotestosterona (DHT). Ela é formada na próstata a partir da testosterona, através da ação da enzima 5 alfa-redutase tipo 2, localizada quase inteiramente nas células do estroma. ● Assim, as células estromais são responsáveis pelo crescimento prostático dependente de andrógeno. ● A 5 alfa-redutase tipo 1 não é detectada na próstata, ou está presente em níveis muito baixos. ○ Porém, essa enzima pode produzir DHT a partir de testosterona no fígado e na pele, e a DHT circulante pode agir na próstata por um mecanismo endócrino. – A DHT se liga ao receptor de andrógeno (RA) nuclear presente nas células prostáticas estromais e nas epiteliais. ● A DHT é mais potente que a testosterona porque possui maior afinidade pelo RA, formando um complexo mais estável com o receptor. ● A ligação de DHT com RA estimula a transcrição dos genes dependentes de andrógenos, como o fator de crescimento de fibroblastos – FGF e o fator transformante do crescimento – TGF beta. ○ Os FGFs, produzidos pelas células estromais, são reguladores parácrinos de crescimento epitelial estimulados por androgênio durante o desenvolvimento prostático embrionário. ○ Algumas dessas vias devem ser redespertadas na idade adulta para produziro crescimento da próstata na HPB. – Em relação aos exames de imagens, podem ser utilizados para avaliar a HPB: 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 19 ● Ultrassom: é a modalidade de primeira escolha, após o exame de toque retal. ○ Há um aumento do volume da próstata, excedendo 30 mL. ○ Glândula central enlarguecida e hipoecoica, ou com uma ecogenicidade mista. ○ Calcificação pode estar presente, ○ Volume residual de urina pós-micção geralmente elevado. ○ Hipertrofia da parede da bexiga e trabeculação devido a pressões de enchimento cronicamente elevadas. USG da bexiga e próstata demonstra uma próstata aumentada, consistente com HPB, resultando em elevado volume de urina residual. A parede da bexiga é hipertrofiada. ● Fluoroscopia; ● TC: não utilizada normalmente. A HPB, na TC, costuma ser um achado incidental. Próstata aumentada e heterogênea, condizente com HPB. ● RM: zona de transição aumentada. Sinal heterogêneo, com um baixo sinal na pseudocápsula na periferia. RMs, corte coronal em T2 à esq., e axial em T2 à dir. Neles, podemos visualizar a HPB. 13. Adenocarcinoma da Próstata Adenocarcinoma de próstata. O tecido carcinomatoso é visto na face posterior (inferior esquerda). Observar o tecido sólido mais branco do câncer, em contraste com a aparência esponjosa da zona periférica benigna no lado oposto. – O câncer de próstata é tipicamente uma doença de homens com mais de 50 anos de idade. Nosso conhecimento sobre a sua causa é incompleto. Suspeita-se de vários fatores, incluindo: ● Idade; ● Raça; ● História familiar; 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 20 ● Níveis hormonais; ● Influências ambientais. – Os andrógenos desempenham um papel importante no câncer de próstata. Como seus equivalentes normais, o crescimento e a sobrevida das células desse câncer dependem de andrógenos, que se ligam ao receptor androgênico (RA) e induzem a expressão de genes pró-crescimento e pró-sobrevida. – Em aproximadamente 70% dos casos, o adenocarcinoma de próstata surge na zona periférica da glândula, classicamente em uma localização posterior, onde pode ser palpável ao exame retal. – Normalmente, no corte transversal da próstata, o tecido neoplásico é granuloso e firme. No entanto, quando incrustado no interior da substância prostática, sua visualização pode ser extremamente difícil, sendo mais facilmente aparente à palpação. – As metástases se disseminam via linfática. A disseminação hematogênica ocorre principalmente para os ossos, em particular para o esqueleto axial, porém algumas lesões se disseminam amplamente para as vísceras. ● A disseminação visceral maciça é uma exceção, não uma regra. ● As metástases ósseas são tipicamente osteoblásticas. Os ossos comumente envolvidos, em ordem descendente de frequência são: ○ Coluna lombar; ○ Fêmur proximal; ○ Pelve; ○ Coluna torácica; ○ Costelas. – Histologicamente, a maioria das lesões produzem um padrão glandular bem definido. ● As glândulas tipicamente são menores que as glândulas benignas, e são revestidas por uma camada única e uniforme de epitélio cuboide ou colunar baixo. ● As glândulas são mais aglomeradas e não possuem ramificações e dobras papilares. ● Não apresentam a camada de células basais externas típicas das HPBs. ● Citoplasma varia de pálido-claro até um aspecto anfofílico nítido. Os núcleos são grandes, com um ou mais nucléolos grandes. ○ Existe uma variação no tamanho e forma do núcleo, mas em geral o pleomorfismo não é acentuado. ○ Figuras mitóticas são raras. A, pequenos focos de adenocarcinoma da próstata, demonstrando pequenas glândulas aglomeradas entre glândulas benignas maiores. B, várias pequenas glândulas malignas com núcleos aumentados, nucléolo proeminente e citoplasma escuro. – O diagnóstico de câncer na próstata em amostras de biópsias pode ser um desafio. ● Muitas vezes existe apenas uma quantidade escassa de tecido. ● Glândulas malignas podem ser misturadas com inúmeras glândulas benignas. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 21 ● Achados histológicos que apontam malignidade podem ser sutis. ○ Achados histológicos específicos para o câncer de próstata: ■ Invasão perineural. Carcinoma da próstata mostrando invasão perineural pelas glândulas malignas. Comparar com a glândula benigna à esq. 13.1. Gradação e Estadiamento – A gradação é bastante importante no câncer de próstata, pois o grau e o estádio são os melhores indicadores de prognóstico. – O adenocarcinoma de próstata é graduado de acordo com o sistema de Gleason, que estratifica o câncer de próstata em cinco graus com base nos padrões granulares de diferenciação. ● Grau 1: tumores mais bem diferenciados, nos quais as glândulas neoplásicas apresentam um aspecto uniforme e redondo, e estão agrupadas em nódulos bem circunscritos. ● Grau 5: não apresentam diferenciação glandular. As células tumorais infiltram o estroma na forma de cordões, lençóis e ninhos. – A maioria dos tumores contém mais de um padrão. Nesses casos, um grau primário é atribuído ao padrão dominante e um grau secundário ao segundo padrão mais frequente. ● Os dois graus então são somados, para obter um grau ou pontuação de Gleason combinado. – Tumores com apenas um padrão são tratados como se seus graus primário e secundário fossem os mesmos. Assim, o número é dobrado. ● Uma exceção a essa regra ocorre se três padrões estiverem presentes na biópsia. O grau mais comum e o maior são somados para chegar na pontuação de Gleason. – A maioria dos cânceres potencialmente tratáveis detectados por biópsia de agulha apresenta pontuações de Gleason de 6 a 7. ● Tumores com pontuações de Gleason de 8 a 10 tendem a representar cânceres avançados com pouca probabilidade de cura. A, Câncer de próstata de baixo grau (pontuação de Gleason 1 + 1 = 2) que consiste em glândulas malignas adjacentes (back-to-back), de tamanho uniforme. As glândulas contêm cristaloides prostáticos intraluminais eosinófilos, uma característica mais comumente vista em câncer do que em glândulas benignas e mais frequentemente vista em cânceres de próstata de grau menor do que os de grau maior. B, Biópsia de agulha da próstata com glândulas de tamanho variável e mais amplamente dispersas de adenocarcinoma moderadamente diferenciado (pontuação de Gleason 3 + 3 = 6). C, Adenocarcinoma indiferenciado (pontuação de Gleason 5 + 5 = 10), composto por lençóis de células malignas. 2. Imagens - Patologia - Doenças Urológicas II 22 – O estadiamento também é importante para a seleção da forma de terapia apropriada. – No que diz respeito ao exames de imagens, podem ser utilizados: a) Ultrassom: a ultrassonografia transretal é normalmente realizada inicialmente para detectar anomalias e guiar a biópsia, geralmente após um nível anormal de PSA. ● O câncer de próstata normalmente aparece como uma lesão hipoecoica (60-70% dos casos) na zona periférica da glândula. ● Também pode ser hiperecoico ou então isoecoico (30-40%). ● A ultrassonografia também é a modalidade de escolha para direcionar sementes de braquiterapia prostática. b) RM: a indicação primária da RM é no caso de avaliação do câncer de próstata APÓS a biópsia guiada por ultrassom confirmar o câncer, de forma a determinar se há extensão extracapsular. ● Biópsias guiadas por RM também têm sido utilizadas nos casos em que a biópsia é negativa mas PSA continua elevado. ● Após prostatectomia radical, pacientes com PSA alto também devem ser examinados usando RM. c) TC: não é um exame preciso para detectar câncer de próstata que se limita ao seu local de origem. ● Nos casos avançados da doença, TC é o teste de escolha para detectar linfonodos pélvicos e retroperitoneais aumentados, hidronefrose e metástases osteoblásticas. d) Medicina nuclear: ● TC-99m: usado para detectar metástases ósseas. ● GA-68-PSMA PET: usado para diagnóstico, estadiamento, re-estadiamento, avaliaçãode resposta terapêutica e prognóstico. ● F-18 PSMA PET: usado para diagnóstico, estadiamento, re-estadiamento, avaliação de resposta terapêutica e prognóstico. Os marcadores fluorinados têm uma meia-vida maior e por isso são mais práticos que os marcadores de gálio. __________________________________________________ Fontes: ● Kumar, Vinay, et al. Robbins & Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doenças. Disponível em: Minha Biblioteca, (9th edição). Grupo GEN, 2016. ● Filho, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (10th edição). Grupo GEN, 2021. ● https://radiopaedia.org/articles/hydronephrosis ?lang=us#image_list_item_24875 ● https://radiopaedia.org/articles/urolithiasis ● https://radiopaedia.org/articles/vesicoureteric-r eflux ● https://radiopaedia.org/articles/cryptorchidism ● https://radiopaedia.org/articles/testicular-torsi on ● https://radiopaedia.org/articles/epididymitis?la ng=us#image_list_item_53825072 ● https://radiopaedia.org/articles/orchitis ● https://anatpat.unicamp.br/lamuro16.html ● https://radiopaedia.org/articles/varicocele-1?la ng=us#image_list_item_54298592 ● https://radiopaedia.org/articles/hydrocele-2?la ng=us#image_list_item_1986651 ● https://radiopaedia.org/articles/testicular-semi noma-1?lang=us ● https://radiopaedia.org/articles/testicular-germ -cell-tumours ● https://radiopaedia.org/articles/benign-prostati c-hyperplasia?lang=us#image_list_item_553812 https://radiopaedia.org/articles/hydronephrosis?lang=us#image_list_item_24875 https://radiopaedia.org/articles/hydronephrosis?lang=us#image_list_item_24875 https://radiopaedia.org/articles/urolithiasis https://radiopaedia.org/articles/vesicoureteric-reflux https://radiopaedia.org/articles/vesicoureteric-reflux https://radiopaedia.org/articles/cryptorchidism https://radiopaedia.org/articles/testicular-torsion https://radiopaedia.org/articles/testicular-torsion https://radiopaedia.org/articles/epididymitis?lang=us#image_list_item_53825072 https://radiopaedia.org/articles/epididymitis?lang=us#image_list_item_53825072 https://radiopaedia.org/articles/orchitis https://anatpat.unicamp.br/lamuro16.html https://radiopaedia.org/articles/varicocele-1?lang=us#image_list_item_54298592 https://radiopaedia.org/articles/varicocele-1?lang=us#image_list_item_54298592 https://radiopaedia.org/articles/hydrocele-2?lang=us#image_list_item_1986651 https://radiopaedia.org/articles/hydrocele-2?lang=us#image_list_item_1986651 https://radiopaedia.org/articles/testicular-seminoma-1?lang=us https://radiopaedia.org/articles/testicular-seminoma-1?lang=us https://radiopaedia.org/articles/testicular-germ-cell-tumours https://radiopaedia.org/articles/testicular-germ-cell-tumours https://radiopaedia.org/articles/benign-prostatic-hyperplasia?lang=us#image_list_item_553812 https://radiopaedia.org/articles/benign-prostatic-hyperplasia?lang=us#image_list_item_553812