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53 adultos (tipicamente de 0,01% a 0,05%), podendo também circular no sangue periférico, onde sua concentração é ainda menor (~0,001%) (ABDELHAY, 2009). A célula-tronco hematopoiética é definida como uma célula adulta com grande capacidade de autorrenovação e potencial proliferativo, o que possibilita a sua diferenciação em células progenitoras de todas as linhagens hematológicas e a reconstituição da população sanguínea a partir de uma única célula (JANZ, 2010). O grande potencial que as CTHs mostram na reconstituição do sistema hematopoético levou ao desenvolvimento de estratégias de transplante de CTHs na prática clínica. Os primeiros transplantes foram realizados utilizando-se células da medula óssea, mas células do sangue periférico e do sangue do cordão umbilical são hoje em dia utilizadas da mesma forma (ABDELHAY, 2009). 7 Hematopoiese Durante a vida fetal a hematopoiese ocorre inicialmente nas ilhotas sanguíneas do saco vitelino (até o segundo mês) e posteriormente no fígado e no baço (do segundo ao sétimo mês). Esta função é progressivamente assumida pela medula óssea, de praticamente todos os ossos da criança, enquanto que no adulto ocorre predominantemente no esterno, ossos da bacia, costelas e nas vértebras. A medula óssea nos recém-nascidos é extremamente celular, com presença de raros adipócitos. Em amostras de crianças, a celularidade (porcentagem de tecido hematopoético) da medula óssea é alta, variando de 60 a 100%, diminuindo na segunda década de vida para 64 a 80%, aos sessenta anos para 40% e para 20 a 30% aos oitenta anos (ZAGO et al., 2013). A hematopoiese tem como pré-requisito a existência de um microambiente normal capaz de sintetizar fatores necessários à sobrevivência das células progenitoras, favorecer as interações entre células de diferentes tipos e acomodar as células em desenvolvimento. Desta forma, nos diferentes nichos hematopoiéticos descritos desde a vida uterina até fase adulta, existem, além dos precursores hematopoiéticos, outras células, que constituem o estroma, formado por componente celular (representado por fibroblastos, osteoblastos, osteoclastos, células-tronco mesenquimais, adipócitos, 54 macrófagos, linfócitos e células endoteliais dos sinusóides medulares), e um componente acelular, composto por substâncias que modulam as atividades celulares, chamadas fatores de crescimento, citocinas e proteínas de matriz extracelular, as quais favorecem a organização e a estrutura da medula óssea (PAIVA; REGO, 2013). Todos os elementos celulares do sangue, incluindo as hemácias que transportam oxigênio, as plaquetas que deflagram a coagulação sanguínea em tecidos lesados e os leucócitos do sistema imune, derivam de células-tronco hematopoiéticas da medula óssea. Como essas células podem dar origem a todos os diferentes tipos de células sanguíneas, elas são em geral conhecidas como HSCs pluripotentes. Elas dão origem a células de potencial do desenvolvimento mais limitado, as quais são progenitoras imediatas de hemácias, plaquetas, e às duas principais categorias de leucócitos, as linhagens linfóide e mielóide (JANEWAY, 2002). As células estaminais hematopoiéticas dão origem a células progenitoras multipotentes antes de se diferenciarem e se subdividirem em células progenitoras mieloides e células progenitoras linfóides. A diferenciação é orientada por uma vasta rede de fatores de crescimento e citocinas. As duas linhagens celulares específicas, a linfóide e a mielóide, dão origem a células linfóides e mielóides, respectivamente, ocorrendo em paralelo a sua diferenciação (NEVES, 2015). 7.1 Células progenitoras mielóides O progenitor mielóide comum é o precursor de macrófagos, granulócitos, mastócitos e células dendríticas do sistema imune inato, e também de megacariócitos e hemácias (CRUVINEL et al., 2010). O sangue periférico é constituído por três diferentes linhagens celulares: glóbulos vermelhos, eritrócitos ou hemácias; glóbulos brancos ou leucócitos; e plaquetas ou trombócitos. De fato, em circulação, apenas os leucócitos são células completas (com citoplasma e núcleo), pois as plaquetas são fragmentos citoplasmáticos de células da medula óssea (megacariócitos), e os eritrócitos perdem o núcleo antes de entrar em circulação (CALADO; FALCÃO, 2013).