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Prévia do material em texto

Políticas de Gestão Educacional e Escolar 
Gestão 
Educacional
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
TATIANA DE MEDEIROS SANTOS
AUTORIA
Tatiana de Medeiros Santos
Olá! Sou formada em Pedagogia e especialista em Educação Infantil 
e também em Gestão Educacional, com experiência técnico-profissional 
na área de educação. Sou mestre em Educação Popular e doutora em 
Educação, professora do Ensino Fundamental e Ensino Superior há mais 
de 10 anos. Passei por instituições como a Universidade Federal da Paraíba, 
como professora substituta do curso de Pedagogia. Sou professora 
da rede municipal de ensino de João Pessoa, da UNAVIDA – UVA, da 
UNINASSAU e tutora do curso a distância de Pedagogia da UFPB. Sou 
apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida 
àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada 
pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. 
Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e 
trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR:
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS:
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE:
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES:
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Políticas e gestão da educação básica ............................................. 10
Estrutura e Funcionamento da Educação Básica ................................................... 14
Sistemas de Ensino da Educação Básica ......................................... 21
A Função Social da Escola e sua Relação com a Democracia .....................25
A Gestão Democrática da Educação e da Escola ......................... 31
Políticas que Influenciam na Gestão Escolar Democrática ....40
7
UNIDADE
01
Gestão Educacional
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a área da Gestão Educacional é um campo muito 
importante na educação? Trata-se de uma área responsável pela geração 
de muitos empregos, pois gerir uma instituição educacional é a chave para o 
sucesso dos que ali transitam, além de ser um dos empregos que não acaba, 
visto que a educação está em todo lugar. Isso mesmo. A área de Gestão 
Educacional faz parte da cadeia de ações que devem acontecer em prol do 
processo de ensino-aprendizagem de uma instituição educativa, em nosso 
caso a escola. Sua principal responsabilidade é gerenciar questões financeiras, 
administrativas, pedagógicas e relações interpessoais. 
Tudo isso envolve normas, leis, princípios e gerenciamento de recursos 
humanos, já que o nosso principal capital dentro de uma escola é o ser humano. 
Por isso, vamos conhecer um pouco sobre a Lei de Diretrizes e Normas da 
Educação Nacional (LDBEN), ou Lei nº 9.394/1996, o Plano Municipal de 
Educação e como deve acontecer uma gestão na escola de forma democrática. 
Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo!
Gestão Educacional
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1, nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento dos seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Identificar as Políticas Educacionais na Gestão Escolar, a partir 
de seus conceitos, elementos constitutivos, princípios básicos, 
funções, desafios e paradigmas.
2. Explicar as políticas e organização da educação básica no Brasil: 
estrutura e funcionamento dos sistemas de ensino da educação 
básica.
3. Interpretar os fundamentos teóricos e legais da Gestão 
Democrática.
4. Analisar as instâncias Colegiadas enquanto instrumentos de 
participação coletiva.
Acredito que agora você está pronto para iniciar seus estudos. 
Tudo pronto? Então, vamos lá, boa leitura.
Gestão Educacional
10
Políticas e gestão da educação básica
OBJETIVO:
Caro aluno, estamos iniciando um capítulo sobre políticas 
e gestão da educação básica, vamos ler, estudar, fazer os 
exercícios e, ao término deste capítulo, você será capaz de 
compreender como se dão a estrutura e funcionamento 
da educação brasileira. Isso será fundamental para a sua 
profissão. As pessoas que tentaram ser um bom gestor sem 
a devida instrução tiveram problemas, pois, para realizar 
uma gestão escolar com compromisso e responsabilidade, 
primeiro é preciso conhecer como são determinados a 
estrutura e o funcionamento da educação básica, e o 
que está determinado pela Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (LDBEN), ou Lei nº 9.394/1996. E, 
então? Motivado para desenvolver esta competência? 
Então, vamos lá. Avante!.
Em se tratando de políticas para a educação básica brasileira, 
estas são pensadas e implementadas em momentos diferentes da nossa 
sociedade e, geralmente, a partir da ótica de grupos que se encontram 
no poder. 
Figura 1 – Políticas para a educação nas escolas públicas
Fonte: Pixabay
Gestão Educacional
11
Exemplificando essa realidade, podemos destacar o ensino técnico, 
pois nasce de uma necessidade de mão de obra qualificada para atender 
ao mercado de trabalho.
DEFINIÇÃO:
Sobre Políticas Públicas, Rodrigues (2010) explica que: 
são ações de Governo, portanto, são 
revestidas da autoridade soberana do 
poder público. Dispõem sobre ‘o que fazer’ 
(ações), ‘aonde chegar’ (metas ou objetivos 
relacionados ao estado de coisas que se 
pretende alterar) e ‘como fazer’ (estratégias 
de ação). (RODRIGUES, 2010, p. 52-53)
Sobre o financiamento da educação, temos a garantia por lei de que 
haja escolas públicas e gratuitas. Desse modo, para garantir a eficiência 
dessa escola e que esta cumpra suas metas, é preciso ter recursos 
financeiros. Por isso, no âmbito de cada estado e do Distrito Federal, há 
o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de 
Valorização dos Profissionais da Educação, mais conhecido com FUNDEB. 
Tanto o estado como o município são responsáveis pela distribuição 
e fiscalização do uso desse recurso financeiro. A União também faz 
repasses de verbas para estados e municípios.
SAIBA MAIS:
Para saber mais sobre esse assunto e como funciona, 
recomendo a leitura do texto “O financiamento da educação 
básica: limites e possibilidades”, de Oliveira et al. ([s.d], on-
line) clicando aqui. 
Gestão Educacional
http://moodle3.mec.gov.br/ufmt/file.php/1/gestores/politica/pdf/fin_edu_basica.pdf
12
Com o estabelecimento da Constituição Federal, que define a 
educação como competência da União, estados e municípios, e que 
neste documento há a necessidade da organização de seus sistemas de 
ensino em regime de colaboração, Ferreira e Nogueira explicam que: 
a Constituição prevê também o sistema nacional de 
educação, a ser articulado por um plano decenal (Art. 
214, alterado pela Emenda Constitucional 59/2009). O 
Plano Nacional de Educação (PNE) e, consequentemente, 
os planos estaduais, distrital, e municipais ultrapassam 
os planos plurianuais de governo. Exigem articulações 
institucionais e participação social para sua elaboração 
ou adequação,seu acompanhamento e avaliação. Para o 
cumprimento do dispositivo legal, foi publicado o Plano 
Nacional de Educação, aprovado pela lei n° 13.005/2014. 
Este plano nacional desdobrou-se nos planos estaduais e 
municipais3 e constituem, na atualidade, o desafio maior 
para implantação de uma educação de qualidade. Como 
política pública educacional proporciona reflexos diretos 
no cotidiano escolar. (FERREIRA; NOGUEIRA, 2015, p. 3)
Os autores ainda explicitam que, no âmbito educacional, várias 
políticas públicas foram lançadas por todos os setores do governo federal 
para se alcançarem os objetivos propostos pela Constituição Federal e 
exemplificam com uma série de políticas públicas citadas a seguir. Porém, 
não é o objetivo deste componente curricular esgotar a discussão do que 
elas representam em suas especificidades: 
a) Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF); b) 
Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE); c) Programa 
de Dinheiro Direto na Escola (PDDE); d) Programa Bolsa 
Família; e) Programa Nacional de Alimentação Escolar 
(PNAE); f) Programa Nacional do Livro Didático (PNLD); 
g) Programa Nacional de Transporte Escolar (PNATE); h) 
Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM; i) Sistema de 
Seleção Unificada (SISU); j) Programa Universidade para 
Todos (PROUNI); k) Programa Nacional de Reestruturação 
e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar 
Pública de Educação Infantil (PROINFÂNCIA). (FERREIRA; 
NOGUEIRA, 2015, p. 3)
Gestão Educacional
13
No Brasil, o que temos de mais atual em termos de políticas públicas 
é o estabelecimento do Plano Nacional de Educação, que prepara metas 
para acontecer na educação para um período de 10 anos. Dessa forma, 
no PNE do decênio 2011-2020 foi estabelecido um total de 20 metas, que 
são referências para que sejam elaboradas políticas educacionais, com a 
finalidade de conquistar as metas que foram propostas. 
Desse modo, entre as 20 metas, temos 4 que versam sobre a 
formação de professores. No plano, essa tema ganha ênfase na meta 
15, que traz estratégias voltadas para a formação de professores, como 
podemos ver a seguir.
Meta 15: tem como estratégia garantir, em regime de colaboração 
entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, que todos os 
professores da educação básica possuam formação específica de nível 
superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em 
que atuam. E quanto às estratégias, há a possibilidade de trazer programas 
específicos de formação de professores para as populações do campo, 
comunidades quilombolas e povos indígenas. Outro ponto é valorizar as 
licenciaturas, programar cursos e programas especiais para assegurar 
formação específica aos docentes que ainda não têm graduação (BRASIL, 
2001).
O Plano Nacional de Educação (2011-2020), no que se refere à 
formação e à valorização dos professores, em síntese, são propostas tanto 
a realização de provas para aprovação de docentes como a implantação 
de uma política nacional de formação continuada para professores, com 
o estabelecimento de planos de carreira para todos os profissionais da 
educação. 
Desse modo, Gadotti (1992, p. 70) explica que a estrutura 
educacional de nosso país deve garantir o “[...] acesso de todos à 
educação, independentemente de posição social ou econômica, acesso 
a um conjunto de conhecimentos e habilidades básicas que permitam a 
cada um desenvolver-se plenamente”.
Gestão Educacional
14
Estrutura e Funcionamento da Educação 
Básica
Agora vamos estudar a estrutura e o funcionamento da educação 
básica. Você sabe como funciona a estrutura da educação básica 
brasileira? 
Figura 2 – Legislação da educação brasileira
Fonte: Pixabay
Inicialmente, vamos entender o que é estrutura e funcionamento e, 
em seguida, compreender a influência das políticas públicas da educação. 
Para entender como é a estrutura e como é definida a nossa educação no 
Brasil, temos de conhecer primeiro a lei que rege a educação escolar: 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), mais 
conhecida com LDBEN ou LDB. Para entendê-la, serão apresentados 
tanto as modalidades de ensino como os direitos e deveres do estado 
com a educação. 
Precisamos entender o que é estrutura e funcionamento, pois isso 
nos mostra ideias e valores que alicerçam o que deve acontecer nas 
escolas e as práticas dos profissionais nela envolvidas. 
Gestão Educacional
15
EXPLICANDO MELHOR:
Quando nos referimos à estrutura e ao funcionamento de 
uma escola, estamos falando de como deve acontecer 
a organização de um sistema escolar e isso remete 
diretamente ao que minimamente deve acontecer no interior 
de uma escola, a exemplo da estrutura física do edifício 
escolar, isto é, as instalações (refeitório, pátio, quadra, 
bibliotecas, laboratórios, sala de aula, quadra, banheiros 
femininos e masculinos). Já em relação ao funcionamento, 
este depende da estrutura física, pois ela proporciona o 
local em que a escola deve estar em funcionamento e, para 
funcionar de fato, precisa de pessoas para garantir o seu 
funcionamento, como funcionários em geral (secretária, 
porteiros, pessoal da limpeza, professores, equipe técnica, 
diretores). Além disso, também precisamos dos alunos para 
frequentá-la. Em relação ao funcionamento da escola, se é 
bom ou ruim, isso dependerá das pessoas que frequentam 
e fazem parte dela, pois, antes de tudo, é preciso que se 
tenha compromisso com o trabalho e ao mesmo tempo 
com a aprendizagem (VIEIRA, 2001).
NOTA:
Por que estou explicando que ter a estrutura física de 
uma escola não garante o seu bom funcionamento? 
Porque a legislação garante a estrutura e como deve ser 
o seu funcionamento, conforme está descrito na LDBEN, 
mas o seu bom funcionamento dependerá de quem está 
dentro da escola fazendo a sua parte. Por isso, tanto há a 
possibilidade de encontrarmos escolas com boa estrutura 
e bom funcionamento como podemos encontrar com a 
estrutura definida pela legislação da educação brasileira, 
mas com um mau funcionamento. 
Gestão Educacional
16
Tudo isso é contraditório? Sim, é contraditório. Como trabalhamos 
com seres humanos, nas escolas o grande desafio é que as pessoas 
façam acontecer conforme dita a LDBEN. O correto seria a estrutura e o 
funcionamento conforme rege nossa legislação, pois, só assim, iríamos 
trilhar o caminho da qualidade da educação.
Vamos falar sobre as políticas educacionais pós-1990, pois foi partir 
de uma nova Constituição Federal, em 1988, que garantimos a democracia 
em nosso país e que nossas escolas pudessem trabalhar no sistema 
democrático. Em seguida, em 1996, tivemos a instituição da LDBEN e, 
consequentemente, a Política de Educação Nacional, regidas pela nova 
configuração que o nosso país entrou, que foi o regime democrático, pós-
ditadura militar e com novas eleições presidenciais. 
É nesse contexto, entre 1980 e 1990, que temos o uso da 
nomenclatura “educação básica” e quando começa a engatinhar uma 
política educacional que contempla os nossos alunos. Agora a luta passa 
a ser pela universalização da educação básica. No governo do presidente 
José Sarney, foi produzido um documento orientador para a política 
educacional do nosso país chamado: “Educação para todos: caminhos 
para mudança” (BRASIL, 1995).
É com o estabelecimento da LDBEN, que se retira o uso das 
denominações primeiro e o segundo grau. Institui-se, então, o que ela 
denomina de educação básica, composta por educação infantil (creche e 
pré-escola), ensino fundamental e ensino médio, tendo como finalidade o 
pleno desenvolvimento do educando e assegurando a formação comum 
necessária ao exercício da cidadania e o desenvolvimento de meios para 
progredir no trabalho e em estudos posteriores, conforme seu art. 22 
(BRASIL, 1996). 
Dessa forma, compreende-se que a educação básica é necessária 
ao desenvolvimento do indivíduo,pois é por meio dela que o aluno 
buscará adquirir conhecimentos básicos, com a intencionalidade de 
progredir socialmente, além de trilhar para sua formação como cidadão 
crítico e atuante em nossa sociedade. 
Gestão Educacional
17
A LDBEN assegura, em seu cap. I, art. 24, que a educação básica 
será organizada com regras, tais como carga horária de 800 horas para 
os ensinos fundamental e médio, distribuídas em 200 dias de aula, no 
ano letivo, excluindo daí o tempo reservado a exames finais, quando 
houver (BRASIL, 1996). Também não podemos esquecer o que o art. 21, da 
LDBEN, que dispõe sobre os níveis e as modalidades de ensino.
Os níveis da educação são: educação básica e educação superior.
 • Educação básica: educação infantil, ensino fundamental e médio. 
 • Educação superior: graduação, especialização, mestrado, 
doutorado e pós-doutorado. 
As modalidades de ensino são: 
 • Educação de Jovens e Adultos.
 • Educação Especial.
 • Educação Profissional e Tecnológica.
 • Educação a Distância.
 • Educação Especial.
 • Educação Básica do Campo.
 • Educação Indígena.
 • Educação Quilombola.
Vamos entender um pouquinho mais sobre a educação básica de 
nosso país:
Educação Infantil 
É a primeira etapa da educação básica, até os 5 anos, que se inicia 
na creche de 0 a 3 anos, e pré-escola de 4 a 5 anos, e será ofertada pelos 
municípios. 
Gestão Educacional
18
Ensino Fundamental 
É a segunda etapa da educação básica e está dividido entre Ensino 
Fundamental I e II, com duração de 9 anos, que deve acontecer com 
alunos de 6 a 14 anos. É ofertado pelos estados e municípios. 
Ensino Médio 
É a terceira etapa da Educação Básica, tem duração de 3 anos, 
contempla alunos de 15 a 17 anos, aproximadamente, e deve ser ofertado 
pelo estado. 
Ensino Superior
Acontece após os 18 anos. É ofertado pelo governo federal. Apesar 
de ser fundamental para o desenvolvimento do alunado e preparação 
para o mercado de trabalho, ainda não há acesso para todos e, por isso, 
o processo se dá a partir de seleção, seja para faculdades públicas ou 
particulares.
Educação de Jovens e Adultos
É ofertada para aqueles que não tiveram acesso ou não puderam 
dar continuidade aos estudos no ensino fundamental e médio na idade 
apropriada.
Educação Profissional e Tecnológica 
É entendida como uma ação voltada ao permanente 
desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. 
Educação Especial
É destinada aos educandos com necessidades educativas 
especiais, promovida preferencialmente pela rede regular de ensino, 
também podendo ser ofertada em instituições especializadas. 
Vieira (2001) explica que sua estrutura administrativa e normativa 
é composta por normas, diplomas legais, metodologia de ensino etc.; 
suas entidades mantenedoras são poder público e entidades particulares; 
e sua administração se dá pelo Ministério da Educação, por Conselho 
Estaduais e Municipais de Educação e Secretarias de educação.
Gestão Educacional
19
Educação Básica do Campo 
Atende à população rural. Deve se adequar às peculiaridades de 
quem vive no campo, que se diferem de região para região. A identidade 
da escola do campo deve estar atrelada diretamente com as questões 
da realidade deles. Assim, deve haver propostas pedagógicas que 
contemplem a diversidade nos seus aspectos sociais, culturais, políticos, 
econômicos, de gênero, geração e etnia.
Educação Escolar Indígena 
Deve acontecer em territórios indígenas, valorizando a cultura 
deles, estando assim de acordo com as particularidades de sua realidade, 
com pedagogia própria. 
Educação Escolar Quilombola 
É desenvolvida em unidades educacionais que estejam em 
territórios quilombolas. Deve valorizar a cultura deles, também com o uso 
de pedagogia própria, e considerar a especificidade étnico-cultural que, 
em cada território, possui suas particularidades.
Sobre a organização e o funcionamento da estrutura escolar, 
observamos na LDBEN, no art. 23, que a educação básica pode ser 
organizada em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância 
regular de períodos de estudos e grupos não seriados. Para isso acontecer, 
pode estar baseada na idade, na competência e em outros critérios, 
sempre que o interesse do processo de aprendizagem o recomendar. 
No art. 50 da citada lei no que diz respeito ao acesso à escola, 
preconiza-o como um direito, podendo qualquer cidadão ou grupo de 
cidadãos acionar o poder público para exigi-lo. Já o art. 5º afirma que a 
educação básica é direito de todos e deve haver vagas para todos. No art. 
6º é informado que é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula 
das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade 
(Redação dada pela Lei nº 12.796/2013). Por isso, é dever dos pais realizar 
a matrícula de seus filhos e, se não houver vagas, é preciso acionar o 
poder público para fazer valer esse direito.
Gestão Educacional
20
RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que 
você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que gestão escolar e políticas públicas devem caminhar de 
mãos dadas. As políticas públicas vêm para apoiar o gestor, 
que deve atuar de acordo com o que manda a legislação 
brasileira. Vimos que a gestão democrática está apoiada, no 
Brasil, a partir do momento em que saímos de um modelo 
de regime militar e passamos para o democrático. 
Com a Constituição Federal (1988), temos os primeiros registros 
de direito à gestão democrática e, logo depois, em 1996, temos 
estabelecida a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (Lei 
nº 9.394/1996). Nesse ínterim, houve abertura para outras legislações 
apoiarem as escolas públicas para a administração no modelo de 
gestão escolar democrática. Por fim, conhecemos os níveis (educação 
básica e educação superior) e as modalidades de ensino no Brasil 
(Educação de Jovens e Adultos, Educação Profissional e Tecnológica, 
Educação Especial, Educação Básica do Campo, Educação Escolar 
Indígena e Educação Especial).
Gestão Educacional
21
Sistemas de Ensino da Educação Básica 
OBJETIVO:
Caro estudante, neste capítulo, você vai ter a oportunidade 
de verificar a importância da função social no contexto 
escolar e na educação. Será que em ambas as áreas 
representa a mesma coisa ou em cada uma tem uma 
função específica, tanto na escola ou na educação? Será 
que a escola e a educação têm o intuito de colaborar com a 
formação das pessoas? Essas polêmicas serão trabalhadas 
por meio de teorias que nos possibilitam a chegar a uma 
conclusão em relação a essa temática.
No contexto histórico da educação, os primórdios das comunidades 
primitivas eram considerados grupos que não possuíam residências fixas, 
ou seja, nômades que necessitavam mudar de lugar de acordo com 
suas necessidades de alimentação e água, e acabavam indo para onde 
pudessem garantir seu sustento. 
Com o passar do tempo, a população nômade passa a se fixar nas 
terras, pois já conseguia tirar dali seu sustento, plantando e caçando. Isso 
propiciou que parasse de se deslocar de um lugar para o outro em busca 
de melhorias para sustentar suas famílias.
Observando a população nômade, passamos a indagar: naquele 
tempo havia escolas? Existia a parte da educação? Podemos concluir que 
a educação existia, mas não seguia um modelo formal, que tivesse lugar, 
hora e local específico chamado de escola.
Você deve estar pensando como poderia existir educação se não 
tinha um local determinado chamado de escola. Mas a educação é ampla, 
ultrapassando os limites do ensino que ocorre dentro de uma escola. 
Gestão Educacional
22
Em relação à educação, Brandão menciona que:
ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja 
ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós 
envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para 
ensinar, paraaprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, 
para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida 
com a educação. Com uma ou com várias: educação? 
Educações. E já que pelo menos por isso sempre achamos 
que temos alguma coisa a dizer sobre a educação que nos 
invade a vida. (BRANDÃO, 2002, p. 7) 
Dessa forma, podemos afirmar que a educação ultrapassa os 
limites do contexto escolar. Ela existe sem que a pessoa tenha estudado, 
pois o saber é repassado de geração para geração em todas as estruturas 
da sociedade, mesmo sem ter algum modelo formal e centralizado de 
ensino. Brandão (2002) relata que, desde os primórdios, já existia uma 
educação difusa, ou seja, que não tinha lugar, dia ou hora para ocorrer, 
repassada tanto de geração para geração quanto para as pessoas que 
tinham o desejo de aprender um ofício.
NOTA:
A educação tem um sentido mais amplo do que o que 
aprendemos na escola, o que se adquiriu após os estudos. 
Ela resulta da sociedade e da cultura em que estamos 
inseridos, vivenciada no cotidiano, no seio da sociedade. 
Desse modo, somos educados. 
Assim, Brandão (2002) explica que a escola, seja qual for a finalidade 
do ensino, é apenas um lugar com conhecimentos elaborados e pensados 
para acontecer naquele determinado lugar, com dia e hora marcada para 
promover uma determinada aprendizagem.
Com a população deixando de ser nômade, começam a surgir 
novas maneiras da sociedade se organizar, as propriedades deixam de 
ser comuns e passam a ser privadas, mudando as relações entre as 
pessoas, ou seja, os proprietários de terras detinham o poder em relação 
aos menos favorecidos.
Gestão Educacional
23
Sendo assim, Aranha (2006) explica que, a partir dos interesses 
individuais começam a ocorrer modificações na área da educação, na 
qual, anteriormente, era passado o ofício de geração para geração ou a 
quem se interessasse. Os interesses individuais passam a ser um ponto 
de desigualdade tanto na parte econômica na sociedade quanto na área 
da educação.
EXPLICANDO MELHOR:
Após essas reflexões, devem ter surgido algumas dúvidas, 
certo? Qual o objetivo de estudarmos a partir de uma 
estrutura da educação e suas divisões? Estudamos para 
que possamos ampliar nosso conhecimento acerca da 
temática, equiparando o contexto escolar passado e 
presente, verificando como ocorreu sua organização e 
políticas atuais para se trabalhar no interior das escolas do 
Brasil.
Sendo assim, podemos compreender que do processo de divisão 
de bens dependiam as relações de poder na sociedade, mas a educação 
que antes era difusa, passa a ser para poucos. Os ricos ficavam com a 
educação intelectual e as classes abastadas com a educação profissional, 
o que fez com que houvesse desigualdades no campo da educação. 
Assim, surgiam as classes dos proletariados e assalariados, 
dominantes e dominados, ou seja, iniciou-se o que mais tarde passou a ser 
denominado como capitalismo. Não se olhava mais para o lado humano 
e sim para o lucro, o capital. Pouco importava se haveria exploração 
de pessoas, o que interessava era o quão se lucraria naquele negócio. 
Surge aí a venda da força de trabalho, tornando-se apenas uma pessoa 
indispensável à produção.
Gestão Educacional
24
Essa nova organização de sociedade causa impactos, 
principalmente, nos modos de produção, mudando a concepção que 
tínhamos de homem, sociedade, educação e trabalho. Conforme Enguita:
[...] não existe para elas outra via disponível de obtenção 
de seus meios de vida senão o trabalho assalariado, este 
goza já de aceitação social, os que o rejeitam têm sido 
relegados a uma posição marginal e a cultura dominante 
bendiz e reproduz a tudo isto. (ENGUITA, 1989, p. 30)
Segundo Enguita (1989), analisando esse lado do capital, o qual 
desconsidera o ser humano e passa a visar ao lucro, a escola também 
começa a por em prática essa divisão de classes, ou seja, tornando-se 
o local específico para por em prática o que a sociedade determinava, 
seguindo o sistema capitalista. Assim, era na escola que os futuros adultos 
iriam ter conhecimentos do que mais tarde iriam fazer.
O modelo de escola vigente à época seguia a lógica do capital, 
em que era repassado o mínimo de conhecimento acadêmico para as 
classes mais populares, adestrando em massa os futuros trabalhadores 
assalariados (ENGUITA, 1989). Porém, não se pode negar que a escola 
focava a disciplina, pontualidade, realização dos trabalhos, controle e 
frequência.
Após a ampliação de nossos conhecimentos a cerca do que era 
a educação nesse contexto histórico, podemos compreender que a 
educação que almejamos não é essa que faz a divisão de classes com 
base no capitalismo. É preciso haver uma visão crítica em torno da 
realidade, que deve passar a valorizar o ser humano em todos os seus 
aspectos, seja no aspecto biológico, material, afetivo, estético ou lúdico. 
Essa educação deve ter o intuito de valorizar o homem de acordo com 
sua necessidade.
Nesse sentido, as escolas devem ter o anseio de trabalhar projetos 
que valorizem o lado humano, visando a respeitar cada realidade escolar, 
buscando desenvolver o lado crítico e reflexivo, buscando transformações 
na sociedade. Temos de ter em mente que a escola deve ter consideração 
ao seu papel na sociedade, buscando dar impulso à sistematização do 
saber e difusão da cultura que é passada de geração para geração.
Gestão Educacional
25
EXPLICANDO MELHOR:
Aqui, podemos verificar que a educação tem amplitude 
maior que a educação escolar. A educação, conforme 
explicação de Brandão (2002), está em todos os lugares, 
na rua, na praça, na igreja. De um jeito ou de outro, estamos 
sempre sendo educados. A escola é mais delimitada para 
transmitir conhecimentos teóricos, científicos, formando o 
cidadão para a vida, sabendo-se que em algum momento 
ele ingressará no mercado do trabalho. 
A Função Social da Escola e sua Relação com a 
Democracia
Com base nas leituras anteriores, podemos ter noção da 
função social tanto no aspecto educacional quanto escolar. Podemos 
compreender que a educação é mais ampla, pois acontece por meio de 
práticas oriundas da sociedade em que estão inseridas. Logo, em relação 
à educação, podemos observar que esta também acontece além dos 
muros da escola (BRANDÃO, 2002).
Figura 3 – Escola pública
Fonte: Pixabay
Gestão Educacional
26
A educação não tem uma forma pronta, ela provém do meio em 
que estamos inseridos, das constantes transformações, das relações com 
a natureza, o que acaba acarretando, entre os grupos sociais, leis, normas 
e regras com o anseio de que possam viver em harmonia com os demais 
grupos.
Nesse contexto, compreendendo a escola enquanto criação 
humana, só tem sentido se ela se legitimizar perante a sociedade, 
baseando sua função social na formação humana com o intuito de 
viabilizar a construção e socialização do saber produzido. 
Assim, Frigoto (1999) retrata que tanto a educação quanto a 
formação devem caminhar de mãos dadas, visando sanar as necessidades 
humanas. Logo “[...] a educação e a formação humana terão como sujeito 
definidor as necessidades, as demandas do processo de acumulação de 
capital sob as diferentes formas históricas de sociabilidade que assumem” 
(FRIGOTTO, 1999, p. 30). 
Como instituição social, a escola deve trabalhar com base em 
valores, conhecimentos e atitudes, o que acaba causando possíveis 
mudanças na sociedade.
Dessa forma, quando falamos sobre a função social da escola, 
nossos esforços giram em torno de repensar o seu próprio papel, sua 
organização e a prática de seus os atores. 
De acordo com Althusser (1980), a escola contribui para a reprodução 
da ordem social. No entanto, ela também participa de sua transformação, 
às vezes intencionalmente. Outras vezes, as mudanças se dão, apesar da 
escola.
SAIBA MAIS:
Leia a resenha do livro “Ideologia e aparelhos ideológicos 
de Estado”, de autoria de Louis Althusser, por ViníciusSiqueira, clicando aqui.
Gestão Educacional
https://colunastortas.com.br/2017/06/19/ideologia-e-aparelhos-ideologicos-de-estado-louis-althusser-uma-resenha
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A questão que deve ser posta, de fato, é que a instrução, ofertada 
na escola, não alcança de igual maneira todos os estudantes que estão 
contidos nela. 
De acordo com Silva (2005), o currículo escolar ainda está muito 
focado na cultura dominante. Emitem-se códigos que as crianças das 
classes dominantes podem facilmente entender, pois fazem parte da 
realidade delas. Mas, para as crianças das classes dominadas, tudo fica 
mais difícil de decifrar, se esse código não faz parte do seu dia a dia. Como 
elas não sabem do que se trata, a escola termina sendo algo estranho 
a elas. Algo que vai resultar em sucesso para as crianças das classes 
dominantes, que serão encaminhadas para o ensino superior. Porém, as 
crianças que fazem parte das classes dominadas, com o seu insucesso, 
acabam desistindo e não concluindo sequer o Ensino Médio. 
NOTA:
Nas escolas, se pararmos para observar o contraste, 
percebemos a desigualdade. As crianças das classes 
dominantes veem a sua cultura reconhecida, já as crianças 
das classes dominadas, ao frequentarem a escola, não 
enxergam a sua cultura valorizada. Tudo fica muito mais 
difícil quando já se tem um capital cultural baixo ou 
praticamente nulo e não há incentivo para que haja seu 
aumento rumo à transformação da sociedade. E quando 
não se faz nada para que essa realidade mude, contribui-
se para a reprodução dessa classe dominante (SILVA, 2005, 
p. 35). 
A essa altura você deve estar se perguntando por que estamos 
falando de relações de poderes, de reprodução, em vez de produzir. 
Porque isso que estamos expondo aqui é para explicar que o sistema 
escolar é um formador e reprodutor, mas isso é lamentável por reforçar 
que se perpetue a desigualdade social. 
Gestão Educacional
28
SAIBA MAIS:
Leia a obra de Bourdieu e Passeron, intitulada “A reprodução: 
elementos para uma teoria do sistema de ensino”. 
Conforme Bourdieu e Passeron (1982), o sistema educativo é 
compreendido como o conjunto dos mecanismos institucionais, por meio 
do qual se garante a transmissão, entre as gerações, da cultura acumulada 
(herdada); as teorias clássicas que diferenciam a reprodução cultural de 
sua função de reprodução social. 
É com esse sentido que diretor, professor, pais, alunos e comunidade 
escolar devem compreender que a escola é um espaço contraditório. 
Tendo essa compreensão, é primordial que cada escola crie um Projeto 
Político-Pedagógico, com o intuito de atender às peculiaridades locais. 
As ações pedagógicas propostas devem estar dotadas de sentidos 
que reflitam diretamente a vinculação de concepções que possam ser 
autoritárias ou democráticas, que possam estar explícitas ou não.
Desse modo, quando pensamos a função social da educação e da 
escola, isso requer que seja problematizada a escola que queremos. Por 
isso, esse não deve ser um documento realizado por apenas uma pessoa, 
mas sim por representantes de diversos segmentos da escola. Para isso 
acontecer, é preciso que a escola proporcione espaços e mecanismos 
de participação para esse processo de construção da documentação de 
forma democrática. 
Gestão Educacional
29
De acordo com Libâneo, é preciso pensar e repensar o papel da 
escola numa perspectiva emancipadora e, para que isso aconteça, o 
autor destaca quatro pontos: 
O primeiro deles é o de preparar os alunos para o processo 
produtivo e para a vida numa sociedade tecno-científica-
informacional. Significa preparar para o trabalho e também 
para as formas alternativas do trabalho. (LIBÂNEO, 1998, 
p. 34)
Em segundo lugar, o objetivo de proporcionar meios de 
desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas, ou seja, ajudar 
os alunos nas competências do pensar autônomo, crítico e criativo. “[...] 
O terceiro objetivo é a formação para a cidadania crítica e participativa.” 
O quarto objetivo é a formação ética. Assim, é urgente que diretores, 
coordenadores e professores entendam que a educação moral é uma 
necessidade premente da escola atual (LIBÂNEO, 1998, p. 1). 
A escola precisa repensar seu papel no sentido de ser espaço de 
formação geral, privilegiando habilidades e conhecimentos necessários 
para inserção na sociedade. É perceptível que, ao discutirmos sobre a 
função social da escola, caminharemos para discutir o papel das políticas 
públicas e o que isso implica para o sistema escolar regido pelo modelo 
de gestão democrática. 
A gestão democrática está garantida na LDBEN, que explicita como 
a função do diretor, atualmente chamado de gestor, não se limita a realizar 
atividades meramente burocráticas na escola. Mais que isso, é necessário 
garantir espaços na escola em que aconteçam ações de colegiados, que 
envolvam democraticamente os representantes de cada categoria que 
compõe a comunidade escolar.
Gestão Educacional
30
RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que 
você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que a educação tem sua amplitude maior do que alcance da 
educação escolar. A educação, conforme explica Brandão 
(2002), está em todos os lugares e estamos sempre sendo 
educados. 
A escola é mais delimitada para transmitir conhecimentos teóricos, 
científicos, formando o cidadão para a vida e o mercado do trabalho. 
Em relação à especificidade da escola, sua função é de cuidar para 
deixar esse espaço mais humanizado. Vivemos em um país em que o 
regime é capitalista e temos que atender às necessidades do mercado. 
Mas como? Só pensando no capital a ser ganho? Entendendo a escola 
como reprodução do conhecimento ou como espaço para humanizar as 
pessoas, formando um cidadão crítico e atuante, que vai saber reivindicar 
seus direitos quando necessário? Portanto, em meio a uma gestão 
democrática, deve se pautar para não focar mais questões meramente 
administrativas, pois não é a única responsabilidade do gestor. Este vai gerir 
com a comunidade escolar as questões administrativas, pedagógicas, 
financeiras e relações pessoais. Tudo isso deve acontecer na escola, a fim 
de que, juntos, num espírito de colaboração, haja melhorias no processo 
de ensino-aprendizagem. 
Gestão Educacional
31
A Gestão Democrática da Educação e da 
Escola 
OBJETIVO:
Caro estudante, nesta unidade, você vai ter a oportunidade 
de verificar qual é a importância da gestão democrática da 
educação e da escola, seus conceitos e princípios. Será 
que gestão da educação e da escola têm, cada uma, uma 
função específica? Esses conteúdos serão trabalhados 
por meio de teorias que nos possibilitem chegar a uma 
conclusão em relação à temática abordada. Vamos lá?.
A gestão democrática na escola pública, após anos 1990, veio 
para requerer mudanças de comportamentos e na forma de pensar a 
escola. No interior das escolas, deveriam ser promovidos espaços de 
atuação que formem os alunos para o exercício de sua cidadania. Para 
isso acontecer, é preciso trilhar rumo ao caminho que una sociedade, 
aluno e conhecimento. Para tanto, é necessário que, cotidianamente, 
se desenvolvam ações que viabilizem o diálogo e agreguem desejos, 
interesses e necessidades da comunidade. 
Figura 4 – Gestão democrática
Fonte: Pixabay 
Gestão Educacional
32
Segundo Henriques (2002), esse movimento em favor da gestão 
escolar aconteceu durante a década de 1980, na qual eram comuns 
constantes discussões para a descentralização da gestão das escolas 
públicas, que, depois, teve apoio em reformas legislativas. 
Em meio a esses acontecimentos, três grandes mudanças 
foram propostas: as escolas passariam a contar com a participação da 
comunidade escolar para selecionar os seus diretores; haveria a criação 
de um Conselho Escolar; e o repasse de recursos financeirospara a 
escola utilizá-los com mais autonomia, representando a possibilidade de 
conseguir atender às diversas particularidades de cada escola do país. 
Conforme a autora, após a institucionalização da democracia e 
a promoção das discussões em prol da qualidade do ensino, a gestão 
democrática é uma prática que veio para somar e para estimular as formas 
de gerir as escolas brasileiras. No entanto, para que isso acontecesse, 
foi preciso mudar a concepção de participação. A colaboração dos 
pais, alunos, funcionários, professores e de todos os interessados na 
qualidade do processo de ensino-aprendizagem tornou-se uma premissa 
(HENRIQUES, 2002). 
Uma gestão que esteja interessada em integrar os desejos da escola 
deve ter como objetivo garantir a qualidade para todos e saber conduzir 
uma prática que respeite “diversidade local, étnica, social e cultural”. O 
desafio se baseia em educar e ser educado. Para que isso seja realizado 
de fato, é necessário romper com concepções estáticas e históricas dos 
acontecimentos internos da escola: “[...] como o consenso, a adaptação, a 
ordem, a hierarquia”, e isso requer profissionais que valorizem a dinâmica 
na escola em que “[...] a contradição, a mudança, o conflito e a autonomia” 
aconteçam de fato (HENRIQUES, 2002). 
Desse modo, ainda há muito a se fazer no interior de nossas escolas, 
pois é difícil conquistar os profissionais para participação e nem todos têm 
a consciência da importância do seu papel de colaborador, de divisor de 
responsabilidades. Não é uma tarefa fácil juntar pais, alunos, professores, 
funcionários e todos os envolvidos no funcionamento da escola pública. É 
neste sentido que, na atualidade, discussões primordiais giram em torno 
da aprendizagem dos alunos, para que se sintam sujeitos do processo 
Gestão Educacional
33
de aprendizagem. É preciso que o professor reconheça que seus alunos 
têm atitudes e desempenhos diferenciados no decorrer do processo de 
ensino-aprendizagem (GADOTTI; ROMÃO, 1998, p. 28).
Segundo Lück (2001), a mudança do termo “administração” para 
“gestão” aconteceu com a intencionalidade de romper com a posição do 
administrador, que por muito tempo nas escolas centralizou suas ações 
em suas mãos. Com essa mudança, o uso do termo “gestor” não veio 
apenas para alterar a nomenclatura, mas para descentralizar as tomadas 
de decisões no interior das escolas, dividindo, assim, responsabilidades 
com toda a comunidade escolar. A gestão democrática passou a acontecer 
não mais a partir das relações de poderes, mas dos esforços para um 
trabalho coletivo, na busca por tomada de decisões e ações conscientes 
em prol de um bem comum. Por isso, o diálogo na gestão democrática é 
estar a disposição de compreender o outro.
E se tratando de gestão democrática, é preciso que caminhos 
sejam abertos para que se promova a participação de todos que fazem 
parte da escola. Mecanismos que facilitem a participação em momentos 
decisórios, de forma democrática devem ser explorados. É preciso que 
seja esclarecido entre os participantes das reuniões democráticas que 
cada escola tem a sua realidade, e não é só com autoridade do “diretor” 
que isso será resolvido. Precisamos desenvolver na escola o hábito da 
participação, da colaboração e do envolvimento político-pedagógico 
(PARO, 1997).
NOTA:
Paro (1997) destaca que o Conselho Escolar é uma boa 
opção para que se exerça o espaço democrático dentro das 
escolas. As decisões que nele acontecem funcionam como 
uma forma de dividir responsabilidades, proporcionando 
autonomia para as escolas. 
Gestão Educacional
34
Na gestão escolar democrática nas escolas públicas, o gestor 
escolar deve se tornar o líder. Conforme Ferreira (2004, p. 30), um gestor 
deve ter um perfil que engloba conhecimento da realidade da escola, 
condições pessoais, vocação e formação contínua. O profissional deve ter 
esse perfil, pois se trata de uma tarefa muito complexa, que exige que ele 
seja um agente de mudança. 
Ainda segundo Ferreira (2004, p. 30), “o líder de mudanças é aquele 
que se encarrega de levar adiante as tarefas, enfrenta conflitos, busca 
soluções e arrisca-se sempre diante do novo”. Por isso, desenvolver 
o espírito de liderança, propondo coisas inovadoras, com parcerias e 
estratégias de ação, com muito trabalho em equipe, eficiência é primordial.
Figura 5 – Legislação da educação brasileira
 
Fonte: Freepik
Na atualidade, o mercado torna as escolas mais competitivas, 
flexíveis a mudanças, e o gestor escolar deve estar aberto a essas 
mudanças, inovações no campo das ciências, da tecnologia, da 
comunicação e da informação. Por isso, é preciso se conscientizar de 
que todos são sujeitos responsáveis por sua atuação, pois fazem parte da 
evolução constante de nossa sociedade. Dessa forma, 
a democracia é o meio político de salvaguardar a 
diversidade social e cultural dos membros da sociedade 
nacional ou local, simultaneamente à manutenção de uma 
Gestão Educacional
35
língua nacional e um sistema jurídico que se aplique a todos; 
é a única possibilidade de limitar a crescente dissociação 
entre racionalidade instrumental e identidades culturais; é 
uma luta pela libertação em relação a um poder, seja o 
despotismo racionalista, seja a ditadura comunitária; é um 
espaço de tensões e conflitos, ameaçado constantemente 
por algum poder; é o espaço institucional livre, no qual 
se desenvolve esse trabalho do sujeito sobre si mesmo, 
trabalho pelo qual as pessoas encontram o papel de 
criadoras e produtoras, não somente de consumidoras. 
(GHANEM, 2004, p. 21-23)
Sendo assim, o espírito democrático deve se fazer presente nas 
escolas. Esse é o principal norte da gestão democrática. A ideia é promover 
a população escolar, não importando a sua condição social. Portanto, 
devem ser proporcionadas oportunidades de acesso e permanência nas 
escolas. 
Vamos lá! Será que os participantes da escola têm consciência 
do que é democracia? Para que uma escola se torne democrática, deve 
formar as pessoas para que saibam cobrar seus direitos, tornando-se 
cidadãos atuantes.
Diálogo na escola não significa consenso, também surgirão conflitos 
e isso não remete a uma coisa ruim. Mas deve ser aberto um diálogo, 
pois é por meio dele que serão tomadas decisões. Para que tudo isso 
aconteça, é preciso criar um ambiente seguro para o diálogo, no qual haja 
confiança, comprometimento e responsabilidade no papel que a escola 
desempenha. Nesse sentido, o Conselho Escolar tem se tornando um 
espaço que busca unir teoria e prática na democratização das escolas 
púbicas (PARO, 2005).
Sobre essa questão, Libâneo (2004) explica que a participação leva 
a escola a um processo de alcance de autonomia em suas decisões. 
Desse modo:
[...] requer vínculos mais estreitos com a comunidade 
educativa, basicamente os pais, a entidades e as 
organizações paralelas à escola. A presença da 
comunidade na escola, especialmente dos pais, tem 
várias implicações. Prioritariamente os pais e outros 
representantes participam do Conselho da Escola da 
Associação de Pais e Mestres para preparar o projeto 
Gestão Educacional
36
pedagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade 
dos serviços prestados. (LIBÂNEO, 2004, p. 144)
Por isso, o autor esclarece que para autonomia e democracia 
aconteçam na escola, é preciso deixar claro para os seus participantes 
a força transformadora que têm juntos. Para tanto, é preciso explicar 
como funciona as ações das instâncias colegiadas, como a Associação 
de Pais Mestres e Funcionários, o Grêmio Estudantil, o Projeto Político-
Pedagógico e o Conselho Escolar.
Como será que funcionam essas instâncias colegiadas?
Associação de Pais, Mestres e Funcionários 
Deve ter representantes de cada segmento. Tem objetivos 
administrativos e pedagógicos, mas é fundamental sua atuação no setor 
financeiro da escola, pois precisa deles para gerir de forma direta as 
verbasrecebidas. São eles quem decide como os recursos que escola 
recebe serão gastos. Para que haja transparência sobre os gastos da 
escola, estes devem ser registrados e expostos em local visível para a 
comunidade escolar. 
Figura 6 – Associação de Pais, Mestres e Funcionários
Fonte: Freepik
Grêmio estudantil 
É uma liderança estudantil, na qual a participação deles na gestão 
democrática instiga a aprendizagem e a integração do aluno nas práticas 
sociais e democráticas. 
Gestão Educacional
37
Figura 7 – Grêmio estudantil
Fonte: Pixabay
Projeto Político-Pedagógico 
Figura 8 – Projeto Político-Pedagógico
Fonte: Pixabay
É um documento produzido a partir de planejamento, que deve 
acontecer com todos que fazem parte da escola e/ou por representantes 
de segmento escolar, com o intuito de construir um documento que vai 
Gestão Educacional
38
funcionar como a identidade da escola, trazendo o histórico da instituição, 
seus problemas e possíveis soluções. 
Conselho Escolar
Realiza reuniões ordinárias, realizadas mensalmente, e, extra-
ordinárias, quando preciso. Essas reuniões são o momento em que os 
representantes dos diversos segmentos da escola dialogam e, a partir 
daí, são tomadas as decisões. Também existe o Conselho Disciplinar, de 
natureza consultiva e deliberativa, que, caso necessário, aplica sanções 
disciplinares que constam no Regimento Escolar.
Ao finalizar este documento, todos os que fazem parte da escola 
(gestores, docentes, discentes, pais, técnicos administrativos e de apoio, 
tais como porteiro, merendeira, limpeza e comunidade local), após terem 
colaborado para a sua construção, devem contribuir com a escola, no 
sentido de tentar cumprir metas, ações, para que os objetivos nele 
propostos sejam alcançados, fiscalizando e avaliando como as decisões 
estão sendo colocadas em prática. 
Figura 9 – Conselho Escolar
Fonte: Pixabay
Gestão Educacional
39
RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que 
você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que o formato de gestão de uma escola deve seguir a 
democracia, por isso a denominação Gestão Democrática. 
Para tanto, esses princípios devem ser colocados em prática por 
um gestor líder e não aquele que impõe as coisas sem o diálogo para 
resolver as particularidades de uma escola. Não podemos esquecer 
a legislação que rege a educação brasileira e, ao mesmo tempo, tem 
autonomia para que algumas decisões internas aconteçam em prol do 
melhor processo de ensino-aprendizagem. Por isso, é preciso colocar em 
prática a conscientização do papel de todos que fazem parte da escola e 
da importância das instâncias colegiadas: Grêmio Estudantil, Associação 
de Pais, Mestres e Funcionários, Conselho Escolar, Projeto Político-
Pedagógico e a representação de pais, professores, alunos, funcionários. 
Todos que fazem a comunidade escolar devem ter seus representantes 
para discutir questões que dizem respeito à escola.
Gestão Educacional
40
Políticas que Influenciam na Gestão 
Escolar Democrática 
OBJETIVO:
Inicialmente, para entendermos a gestão educacional, 
precisamos entender por que nossa legislação brasileira 
tem um marco legal sobre Gestão Democrática nas 
escolas públicas. Sendo assim, o documento brasileiro que, 
inicialmente, assegura esse direito é a Constituição Federal 
de 1988. .
Mas por que foi preciso fazer essa inserção do direito à gestão 
democrática das escolas na Constituição Federal? 
Porque nosso pai estava saindo de uma configuração de Regime 
Militar. Foram anunciadas eleições presidenciais e era preciso que esse 
documento fosse atualizado. Nele, temos garantido o direito à educação 
pública e gratuita e que as escolas serão administradas por meio da 
gestão democrática. 
Por isso, afirma-se que o marco legal da gestão democrática das 
escolas públicas se deu com o seu primeiro registro na Constituição 
Federal e, logo em seguida, de forma mais detalhada na LDBEN. 
Vamos conhecer como isso aconteceu e até os dias atuais continua 
sendo colocado em prática? 
Conforme explicado, o nosso país passou pelo regime ditatorial 
e, ao sair, em 1988, temos promulgada a Constituição Federal brasileira, 
que traz, em seus artigos 205 e 206, a base para se colocar em prática 
o princípio da gestão democrática na educação pública brasileira, para 
formar o cidadão integral e pleno a desenvolver a sua cidadania. 
Esse acontecimento muito importante de nosso país também o foi 
para a história da educação brasileira, pois acabávamos de sair do regime 
autoritário, para entrarmos na democracia de portas abertas para o diálogo 
e as críticas para tudo que acontece nas escolas públicas (CURY, 2005).
Gestão Educacional
41
Na Constituição Brasileira (1988), art. 205, encontramos que:
a educação, direito de todos e dever do Estado e da 
família, será promovida e incentivada com a colaboração 
da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da 
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho.
E no art. 206, encontramos as seguintes afirmações: 
I- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II- liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o 
pensamento, a arte e o saber;
III- pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e 
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV- gratuidade do ensino público e estabelecimentos oficiais;
V- valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, 
na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por 
concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI- gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
VII- garantia de padrão de qualidade;
VIII- piso salarial profissional nacional para os profissionais da 
educação escolar pública, nos termos de lei federal. (BRASIL, 1988)
Para tanto, é preciso estar atento, pois, para ser um bom gestor, ser 
democrático em relação aos acontecimentos de uma escola não significa 
aceitar tudo e escutar a todos. É preciso diálogo, pois esse de é suma 
importância para entender o que é solicitado, quais são as necessidades 
de fato. E, para se chegar a algum encaminhamento, é preciso que este 
seja embasado na legislação brasileira. 
Para ser um bom gestor, é preciso que o escolhido se esforce 
para conhecer a legislação que rege a educação brasileira e as políticas 
públicas, pois deve zelar para que sejam colocadas em prática nas escolas 
públicas. Destaca-se que a escola tem o respaldo da ter certa autonomia 
para o seu funcionamento.
Gestão Educacional
42
SAIBA MAIS:
Neste momento de sua leitura, você pode estar se 
perguntando: se a escola é pública, até onde o gestor tem 
autonomia ou não para tomar decisões coletivas na escola? 
É preciso sempre ouvir todas as ideias e soluções que 
aparecerão por meio do diálogo como caminhos para ser 
resolvido algo, mas nem todas as propostas poderão ser 
colocadas em prática. O gestar dará a palavra final, se acata 
ou não as sugestões. Além disso, ele deve ter sensibilidade 
para saber ouvir, dialogar e, em meio às propostas, ter 
sabedoria para alcançar a melhor solução, que deve 
obrigatoriamente estar dentro do que manda a legislação 
brasileira. 
Ainda sobre a legislação brasileira e sua relação com a gestão 
democrática, após a promulgação da Constituição Federal (1988), foi 
sancionada, em 1996, a Lei nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional, que tem, em seus artigos 12, 13 e 14, informações 
que versam diretamente sobre a questão dos Sistemas de Ensino e como 
devem acontecer em relação à gestão escolar: 
Artigo 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas 
comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar a sua proposta pedagógica;
II - administrar seu pessoal e seusrecursos materiais e financeiros;
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas aulas 
estabelecidas;
IV – velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V – prover meios para a recuperação dos alunos de menor 
rendimento;
VI – articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos 
de integração da sociedade com a escola;
Gestão Educacional
43
VII – informar aos pais e responsáveis sobre a frequência e o 
rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta 
pedagógica.
Artigo 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I – participar da elaboração da proposta pedagógica do 
estabelecimento de ensino;
II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta 
pedagógica do estabelecimento de ensino;
III – zelar pela aprendizagem de ensino;
IV – estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de 
menor rendimento;
V – ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de 
participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à 
avaliação e ao desenvolvimento profissional; 
VI – Colaborar com as atividades de articulação da escola com as 
famílias e a comunidade.
Artigo 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão 
democrática do ensino público na educação básica, de acordo com suas 
peculiaridades e conforme os seguintes princípios: 
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do 
Projeto Pedagógico da escola;
II - participação da comunidade escolar e local em Conselhos 
Escolares ou equivalentes. (BRASIL, 1996)
Assim, podemos verificar que os artigos 12, 13 e 14 têm atribuições 
e destacam as responsabilidades não só dos professores, como da 
necessidade de todo um trabalho conjunto dos demais profissionais da 
escola, que deve estar embasado na teoria e, consequentemente, na 
prática da gestão democrática.
Gestão Educacional
44
DEFINIÇÃO:
Compreende-se por comunidade local representantes 
de todos os componentes da escola, como pais, alunos, 
funcionários da escola e comunidade escolar, que 
devem agir em parcerias na busca incessante do melhor 
desenvolvimento da aprendizagem dos alunos. Isso implica 
a colaboração de todos na elaboração do Projeto Político-
Pedagógico da escola, pois a gestão deve trilhar para não 
ficar subordinada ao Ministério da Educação, à Secretaria de 
Educação Municipal ou Estadual, que propõem o mesmo 
modelo de projeto educativo para diferentes realidades 
sob o olhar de longe.
A gestão democrática acontece de fato para colocar em prática 
normas e legislações previstas em lei e atender às particularidades 
das demandas de uma escola com autonomia e responsabilidade. Por 
isso, está posto na LDBEN que os estabelecimentos de ensino, regidos 
pela gestão democrática, devem ter a responsabilidade de elaborar e 
executar coletivamente a sua proposta pedagógica, administrando os 
recursos administrativos, financeiros, pedagógicos e humanos da escola, 
articulando-se também com a comunidade e as famílias, provendo a 
interação entre sociedade e a escola.
Já discorremos sobre a importância e determinação da gestão 
democrática estar garantida por meio da Constituição Federal de 1988 e 
a LDBEN, mais adiante, vamos discorrer sobre a gestão escolar e o Plano 
Nacional de Educação. 
A gestão escolar democrática chega à legislação brasileira após 
discussões já terem ganhado corpo no cenário internacional. No Brasil, 
estávamos saindo do regime militar, por volta da década de 1980. A 
gestão escolar passa a acontecer nas escolas públicas com o objetivo de 
promover a descentralização de poderes. 
Gestão Educacional
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O Plano Nacional de Educação foi uma exigência posta em nossa 
legislação e, quando passou a ter validade no Brasil, lançou diretrizes, 
metas e estratégias para acontecerem nas escolas, com o auxílio também 
de políticas educacionais que acontecessem e dessem conta das 
demandas em prazos de dez em dez anos.
O PNE foi um desejo para acontecer em nosso país desde o 
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932. Na Constituição de 
1934, no art. 150, já constava a solicitação para que a União estabelecesse 
um Plano Nacional de Educação, mas, naquele período, pouco se fez em 
relação a essa questão.
Por isso, é perceptível que esse é um desejo antigo e que também 
se repete por meio das tentativas de atualizar as políticas educacionais 
que acontecem em nosso país. 
Em Jomtien, Tailândia, em 1990, o Brasil participou da Conferência 
Mundial de Educação para Todos, a convite da UNESCO, UNICEF, PNUD e 
Banco Mundial, e lá foram discutidas questões relacionadas à construção 
de bases para o Plano Decenal de Educação focando essa projeção para 
os países subdesenvolvidos. Nos encontros, foram debatidas temáticas 
em relação à educação, principalmente, referentes à democratização e 
descentralização na educação, que foram colocadas em prática mais 
tarde no Brasil. Algo que culminou no debate para serem colocadas em 
prática questões que envolvem assuntos administrativos e propostas de 
gestão escolar democrática com fins de melhorar o sistema de ensino. 
Desse modo, passamos a trabalhar com a prática de desenvolver a 
“autonomia das escolas”, a “descentralização dos recursos financeiros”, ou 
seja, surgiram e foram colocados em prática mecanismos com a finalidade 
de superar as dificuldades educacionais e administrativas. 
Lück (2000) explica que tudo isso, após o regime ditatorial e a 
abertura política do nosso país, no decorrer da década de 1990, culminou 
em novas legislações brasileiras, inclusive para as escolas públicas no que 
passaria a determinar o modelo de gestão escolar pública democrática. 
Gestão Educacional
46
A LDBEN trouxe orientações para a elaboração de um Plano Decenal 
de Educação. No art. 9º, é destacado que cabe à União, a elaboração do 
Plano, em colaboração com os estados, o Distrito Federal e os municípios. 
No art. 87, há a instituição da Década da Educação. 
Quando se passaram os primeiros dez anos, foi feita outra avaliação 
de como se encontrava a educação de nosso país, algo que reestruturou 
o PNE e resultou em algumas diretrizes: vinte metas e estratégias para 
serem colocadas em prática na educação no período de 2014 a 2024. 
Já o art. 2º trata do acesso à gestão democrática nas escolas 
públicas. O art. 9º estabelece o prazo de dois anos para aprovarem-se 
leis que detalhem como deve acontecer a gestão democrática. A Meta 
19 do PNE traz a discussão sobre a aprovação de condições para a sua 
execução, estabelecendo 8 estratégias para a sua construção no âmbito 
educacional.
19.1 priorizar o repasse de transferências voluntárias da 
União na área da educação para os entes federados que 
tenham aprovado legislação específica que regulamente 
a matéria na área de sua abrangência, respeitando-se a 
legislação nacional, e que considere, conjuntamente, 
para a nomeação dos diretores e diretoras de escola, 
critérios técnicos de mérito e desempenho, bem como a 
participação da comunidade escolar;
19.2 ampliar os programas de apoio e formação aos(às) 
conselheiros(as) dos conselhos de acompanhamento e 
controle social do FUNDEB, dos conselhos de alimentação 
escolar, dos conselhos regionais e de outros e aos(às) 
representantes educacionais em demais conselhos de 
acompanhamento de políticas públicas, garantindo a esses 
colegiados recursos financeiros, espaço físico adequado, 
equipamentos e meios de transporte para visitas à rede 
escolar, com vistas ao bom desempenho de suas funções;
19.3 incentivar os estados, o Distrito Federal e os municípios 
a constituírem fóruns permanentes de educação, com o 
intuito de coordenar as conferências municipais, estaduais 
e distrital bem como efetuar o acompanhamento da 
execução deste PNE e dos seus planos de educação;
Gestão Educacional
47
19.4 estimular, em todas as redes de educação básica, a 
constituição e o fortalecimento de grêmios estudantis 
e associaçõesde pais, assegurando-se-lhes, inclusive, 
espaços adequados e condições de funcionamento 
nas escolas e fomentando a sua articulação orgânica 
com os conselhos escolares, por meio das respectivas 
representações;
19.5 estimular a constituição e o fortalecimento de 
conselhos escolares e conselhos municipais de educação, 
como instrumentos de participação e fiscalização na 
gestão escolar e educacional, inclusive por meio de 
programas de formação de conselheiros, assegurando-se 
condições de funcionamento autônomo;
19.6 estimular a participação e a consulta de profissionais 
da educação, alunos(as) e seus familiares na formulação 
dos projetos político-pedagógicos, currículos escolares, 
planos de gestão escolar e regimentos escolares, 
assegurando a participação dos pais na avaliação de 
docentes e gestores escolares;
19.7 favorecer processos de autonomia pedagógica, 
administrativa e de gestão financeira nos estabelecimentos 
de ensino;
19.8 desenvolver programas de formação de diretores e 
gestores escolares, bem como aplicar prova nacional 
específica, a fim de subsidiar a definição de critérios 
objetivos para o provimento dos cargos, cujos resultados 
possam ser utilizados por adesão, (SAVIANI, 2014, p. 59-60) 
Todas as metas que se encontram no PNE foram propostas com 
a preocupação de sanar as limitações das práticas de gestão que há 
nas legislações anteriores. Por isso, esclarece mecanismos de como 
colocar as estratégias em prática, bem como mantê-las vivas nas escolas 
públicas, dando funções aos âmbitos estadual, federal e a todos da 
escola. Portanto, está claro aqui que não há mais espaços para as antigas 
práticas autoritárias. Passam a ser redefinidas com políticas educacionais 
que fortalecem a prática da gestão escolar, com o estabelecimento da 
criação de projetos e programas do governo que visem à mudança do 
cenário educacional já existente. 
Gestão Educacional
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Recapitulando, o Plano Nacional de Educação foi aprovado em 
2001 e instituiu a obrigatoriedade de estados e municípios elaborarem os 
seus planos. Consta nas Diretrizes da Educação Nacional, no art. 5º, que: 
Os planos plurianuais da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios serão elaborados de modo a dar 
suporte às metas constantes do Plano Nacional de Educação 
e dos respectivos planos decenais. (BRASIL, 2000)
Por isso, é importante esclarecer a importância da participação de 
toda a comunidade escolar interna e externa à escola no processo de 
elaboração do Plano Decenal Municipal, pois nele deve estar expressa 
a articulação de ideias para sua elaboração com a identidade local bem 
esclarecida. De tal modo, na sequência deve haver a aprovação do plano 
a ser realizada na Câmara Municipal, pelo Poder Legislativo. Para tanto, o 
governo federal esclarece que a construção de um Plano Municipal de 
Educação, significa:
[...] um grande avanço, por se tratar de um plano de 
Estado e não somente um plano de governo. A sua 
aprovação pelo poder legislativo, transformando-o 
em lei municipal sancionada pelo chefe do executivo, 
confere poder de ultrapassar diferentes gestões. Nesse 
prisma, traz a superação de uma prática tão comum na 
educação brasileira: a descontinuidade que acontece 
em cada governo, recomeçar a história da educação, 
desconsiderando as boas políticas educacionais por não 
ser de sua iniciativa. (BRASIL, 2005, p. 9)
Desse modo, é obrigação de diversos segmentos participar dessa 
elaboração para produzir o Plano Municipal de Educação, pois:
[...] constitui-se como o momento de um planejamento 
conjunto do governo com a sociedade civil que, com 
base científica e com a utilização de recursos previsíveis, 
deve ter como intuito responder às necessidades sociais. 
Todavia, só a participação da sociedade civil (Conselho 
Municipal de Educação, associações, sindicatos, Câmara 
Municipal, diretores das escolas, professores e alunos, 
entre outros) é que garantirá a efetivação das diretrizes e 
ações planejadas. O desafio para os municípios é elaborar 
um plano que guarde consonância com o Plano Nacional 
de Educação e, ao mesmo tempo, garanta sua identidade 
e autonomia. (BRASIL, 2005 p. 10)
Gestão Educacional
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NOTA:
O Plano Municipal de Educação deve ter sua estrutura 
semelhante ao PNE. Nele, devem constar o diagnóstico da 
realidade do município, seguido de princípios e objetivos 
gerais. Deve ser realizando por meio dos conselhos 
municipais, pela análise de como está a realidade da 
educação daquele município, considerando o seu contexto 
social, os aspectos demográficos, avaliando dados dos 
censos escolares, do desempenho das escolas, da gestão 
e análise do currículo escolar. Será de posse das avaliações 
e dos resultados, que acontecerá a etapa seguinte, a de 
propor diretrizes, objetivos e metas para a educação no 
município, colocando-se em prática o princípio da gestão 
democrática. 
Com esse documento pronto e após a sua elaboração e aprovação, 
o processo não termina aí. Deve sempre passar por avaliação e reavaliação, 
com o intuito de melhorar a prática das metas nele proposto. Por isso, o 
documento tem um caráter dinâmico. Para tanto, é necessária a criação de 
um comitê permanente de avaliação do plano, com o objetivo de realizar 
as análises das propostas e políticas públicas referentes à educação.
Por fim, é importante esclarecer que a gestão democrática é uma 
prática legalizada, que faz parte da legislação brasileira por meio da 
Constituição Federal (1988), da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional e do Plano Nacional de Educação. 
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RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que a educação brasileira tem uma estrutura e 
funcionamento da educação e está regida sobre o modelo 
de gestão educacional no que diz respeito à forma de gerir 
as escolas, que possui legislação específica. Vimos que o 
Plano Nacional de Educação acontece a cada dez anos 
e o último foi elaborado com metas que contemplam a 
qualidade da educação pública. E, para que isso aconteça, 
foram determinadas políticas públicas para auxiliar no 
alcance das metas estipuladas para a educação brasileira. 
Em suma, o Brasil também requer que haja os Planos 
Estadual e Municipal Escolar, ambos com especificidades 
das particularidades de onde a educação escolar se 
encontra presente. 
Gestão Educacional
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