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Resumo sobre a Indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão O trabalho de Nadia Gaiofatto Gonçalves discute a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão no contexto universitário brasileiro, enfatizando sua importância e os desafios enfrentados para sua implementação. Este princípio, formalmente estabelecido na Constituição Federal de 1988, é considerado uma exigência para as universidades públicas, refletindo a necessidade de um diálogo mais profundo entre as instituições de ensino superior e a sociedade. A autora utiliza a perspectiva teórica de Pierre Bourdieu para analisar o campo universitário, os habitus formativos e as tensões que permeiam a prática acadêmica, destacando que a indissociabilidade não é apenas uma questão normativa, mas um princípio que deve ser vivenciado na formação acadêmica e nas ações institucionais. A indissociabilidade é apresentada como um conceito que implica que o ensino, a pesquisa e a extensão não podem ser vistos como funções isoladas, mas sim como partes interdependentes de um todo. A autora argumenta que, apesar de a extensão ter sido reconhecida como uma das funções da universidade, sua implementação prática ainda enfrenta barreiras significativas. A trajetória histórica da extensão universitária no Brasil revela que, embora tenha evoluído de uma função assistencialista para uma abordagem mais integrada, a prática ainda é marcada por concepções diversas e, muitas vezes, por uma falta de articulação efetiva entre as três funções. Gonçalves destaca que a indissociabilidade deve ser entendida como um princípio paradigmático e epistemologicamente complexo, que requer uma mudança de mentalidade e práticas dentro das instituições. Além disso, o texto aborda as tensões e contradições que surgem no campo universitário, onde diferentes agentes e grupos buscam estabelecer sua legitimidade e dominância. A autora menciona que a indissociabilidade deve ser vista como uma resposta às demandas sociais por uma universidade mais responsável e comprometida com a realidade. A implementação desse princípio requer uma reflexão crítica sobre as práticas acadêmicas e a construção de um projeto de universidade que atenda às necessidades da sociedade. Gonçalves conclui que, para que a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão se torne uma realidade, é necessário um esforço coletivo que envolva todos os agentes do campo universitário, promovendo uma formação que dialogue com as demandas sociais e contribua para a transformação social. Destaques A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão é um princípio fundamental estabelecido na Constituição de 1988, exigindo uma articulação efetiva nas universidades públicas. O conceito de indissociabilidade implica que as três funções não podem ser tratadas isoladamente, mas sim como partes interdependentes de um todo. A prática da extensão universitária no Brasil ainda enfrenta desafios significativos, incluindo a falta de articulação entre ensino, pesquisa e extensão. A implementação da indissociabilidade requer uma mudança de mentalidade e práticas dentro das instituições, promovendo um diálogo mais profundo com a sociedade. A construção de um projeto de universidade que atenda às demandas sociais é essencial para a efetivação do princípio da indissociabilidade.