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Leia o texto a seguir para conhecer um pouco de uma iniciativa empreendedora desse gênero: o projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara, que estruturou o turismo comunitário nas Terras Indígenas Médio Rio Ne- gro I e Médio Rio Negro II. Etnoturismo é alternativa sustentável de renda para comunidades indígenas do rio Negro A convivência com diferentes modos de existir costuma ser uma experiência transformadora. Para muitos, viajar não é só uma questão de escolha, mas uma verdadeira necessidade de alimentar a alma. Brasileiros e estrangei- ros têm descoberto no turismo em terras indígenas vivências inesquecíveis, tão plurais quanto as especificidades desses povos ancestrais, que têm muito a dizer e a mostrar a quem se dispõe a ouvir e a observar. Mais do que a possibilidade de visitar belezas naturais intocadas, o turista em uma terra indígena tem a opor- tunidade de entrar em contato com línguas, narrativas, conhecimentos e comidas antes restritas a populações originárias e a uma pequena parcela de não indígenas. Esse intercâmbio gera ainda outros desdobramentos, como afirma o Coordenador-Geral de Etnodesenvolvimento da Funai, Juan Scalia. “O turismo de base co- munitária em terras indígenas fortalece a autonomia dos povos, propiciando uma alternativa de geração de renda com mínimos impactos ambientais e com uma distribuição mais justa dos lucros da atividade. Valorizar os diversos atrativos ecológicos e culturais, por outro lado, também contribui para a proteção dos territórios e fortalecimento das tradições”, afirmou. Serras Guerreiras de Tapuruquara, em Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, notabiliza-se por sua vocação turística. Foto de 2016.. M a rc e lo M o n z il lo /I S A SAIBA MAIS O etnoturismo é um tipo de empreendimento comu- nitário em que os turistas conhecem de perto o dia a dia, os costumes e a cultura de determinado povo, especialmente os povos indígenas. Essa modalidade de turismo, além de gerar renda para a comunidade, contribui para a preservação do meio ambiente e das tradições dos povos indígenas. c e li o m e s s ia s s il v a /S h u tt e rs to c k Indígena Pataxó em atividade cotidiana. Foto de 2012. 155155 P1_PI_L_Maurilio_g21Sc_Projeto5_150a177_LA.indd 155P1_PI_L_Maurilio_g21Sc_Projeto5_150a177_LA.indd 155 26/10/2020 16:2126/10/2020 16:21 A riqueza e variedade de experiências oferecidas pelos povos indígenas é tão imensurável quanto suas idios- sincrasias, comparando-se apenas à capilaridade de sua presença no território brasileiro. Uma iniciativa de turismo na Amazônia, no entanto, tem chamado atenção ao refletir essa diversidade: Serras Guerreiras de Tapuruquara. Com a presença de oito povos na região – Baniwa, Baré, Desana, Dow, Kauyawí, Piratapuya, Tariana, Tukano –, esse caráter já seria contemplado por si só, mas não é o caso. […] A viagem pode ser realizada por meio de dois itinerários: Iwitera (serra) e Maniaka (mandioca). O primei- ro roteiro tem perfil de aventura, enquanto o segundo se caracteriza por ser mais cultural. Ambos, todavia, oferecem experiências das duas naturezas. No Iwitera destacam-se as caminhadas, escaladas, canoadas e um pernoite na mata. No Maniaka, por sua vez, caracteriza-se por enfatizar práticas culturais, oficinas, artesanato, festas tradicionais e culinária. Outro aspecto que diferencia os dois trajetos é o acesso. Enquanto no Iwitera a ida se dá de barco – de Manaus para Santa Isabel do Rio Negro – e a volta de voo fretado, no Maniaka a dinâmica é inversa. Em 2019 serão testados itinerários independentes, com ida de barco e volta em voo regional. Cada roteiro dura até 10 dias. P a u lo R u b e n s /T y b a P a u lo R u b e n s /T y b a Turistas na trilha da Serras Guerreiras de Tapuruquara observando o rio Negro. Foto de 2018. Turistas em voadeira, embarcação muito comum na região amazônica, no rio Negro. Foto de 2018. 156156 PI_L_Maurilio_g21Sc_Projeto5_150a177_LA.indd 156PI_L_Maurilio_g21Sc_Projeto5_150a177_LA.indd 156 2/26/20 11:09 AM2/26/20 11:09 AM