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2Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1E-BOOK APRESENTAÇÃO Olá, pessoal! Sejam muito bem-vindos ao nosso Curso Completo de Simples Nacional. Neste curso, abordaremos os principais pontos para concursos, tanto da Constituição Federal como da Lei Complementar 123/06, em relação ao Regime diferenciado e favorecido dado às microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs). Para quem não me conhece, meu nome é Fernando Maurício, sou Auditor Fiscal do Estado de São Paulo, fui aprovado no concurso de 2009 e trabalho atualmente na Delegacia Tributária de Jundiaí/SP. Também sou Professor de Direito Tributário aqui no Estratégia Concursos e é com imenso prazer que trago a vocês este curso, em PDF, sobre o Simples Nacional, assunto que tem cada vez sido cobrado com maior ênfase nas provas de concurso! Assim, conhecer profundamente os principais pontos da Lei Complementar n° 123/06 (e da CF/88) é fundamental para um bom resultado nas provas de Concurso da atualidade! Ahhh... já anote aí meus Contatos: @proffernandom Tributário FM Então, sem perder tempo, vamos ao que interessa, que é conhecer super bem o assunto de Simples Nacional! Que Deus nos acompanhe e nos abençoe nesta caminhada! Um grande abraço e ótimos estudos! Professor Fernando Maurício Estratégia Concursos @estrategia.concursos @estrategiaconcursos Estrategia Concursos https://www.youtube.com/EstrategiaCursos https://www.tiktok.com/@estrategia.concursos https://www.instagram.com/estrategiaconcursos/ https://web.facebook.com/EstrategiaConcursos E-BOOK 3Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 INTRODUÇÃO DA AULA Olá, Alunos, sejam bem-vindos ao Curso Completo de Simples Nacional! Nesta aula, vamos ver as previsões Constitucionais do Simples Nacional, assim como os tópicos iniciais da Lei Complementar n° 123/06 (também chamada de “Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte”), abordando suas Disposições Preliminares (Arts. 1º e 2º), assim como a definição de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (Art. 3º). 1. SIMPLES NACIONAL – PREVISÃO CONSTITUCIONAL Em decorrência do Princípio da Isonomia Tributária, em que se deve aplicar um tratamento desigual entre sujeitos passivos que estejam em situações desiguais, na medida de suas desigualdades, a Constituição Federal trouxe, desde sua promulgação em 1988, previsão de tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP). É o que se afirma no Artigo 179 da CF/88: Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. [grifou-se] Assim, podemos verificar de imediato 3 pontos que são importantes para concurso: • Todos os Entes tributantes devem conceder tratamento diferenciado às Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP); • A Lei é quem define o conceito de ME e EPP; • O incentivo a essas empresas será dado através de Simplificação, Eliminação e/ou Redução de obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias. E como a Constituição Federal previu benefícios especificamente destinados às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), diversas empresas que não se enquadravam como tal entraram com ações no judiciário, alegando violação ao princípio da isonomia, com a expectativa de também poderem usufruir desses benefícios. E-BOOK 4Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 Porém o STF, na ADI 1.643, trouxe o seguinte entendimento: E muita atenção aqui, pessoal! Diferentemente do que muita gente pensa, o tratamento diferenciado e favorecido dado às MEs e EPPs não é apenas de ordem tributária (em que elas recolherão valores em geral menores e em uma guia única de pagamento), mas também apresenta benefícios em relação às obrigações administrativas, previdenciárias, creditícias, entre outras. Já no ano de 2003, com o objetivo de uniformizar as opções de Simples que cada ente federado propunha (pois, à época, existia o Simples Paulista, o Simples Mineiro, o Simples Baiano, o Simples Federal, etc....), foi promulgada a Emenda Constitucional n° 42/2003, conforme vemos a seguir: CF/88 Art. 146. Cabe à lei complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, e 156-A, das contribuições previstas no art. 195, I e V, e § 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. § 1º A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: I - será opcional para o contribuinte; II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; Entendimento importante do STF sobre o Assunto: ADI 1.643/UF “Não há ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta.” E-BOOK 5Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. § 2º É facultado ao optante pelo regime único de que trata o § 1º apurar e recolher os tributos previstos nos arts. 156-A e 195, V (IBS e CBS), nos termos estabelecidos nesses artigos, hipótese em que as parcelas a eles relativas não serão cobradas pelo regime único. (Incluído pela EC 132/2023) § 3º Na hipótese de o recolhimento dos tributos previstos nos arts. 156-A e 195, V (IBS e CBS), ser realizado por meio do regime único de que trata o § 1º, enquanto perdurar a opção: (Incluído pela EC 132/2023) I - não será permitida a apropriação de créditos dos tributos previstos nos arts. 156-A e 195, V (IBS e CBS), pelo contribuinte optante pelo regime único; e II - será permitida a apropriação de créditos dos tributos previstos nos arts. 156-A e 195, V (IBS e CBS), pelo adquirente não optante pelo regime único de que trata o § 1º de bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, e de serviços do optante, em montante equivalente ao cobrado por meio do regime único. Aqui, vemos que a própria Constituição Federal determinou que caberá a uma Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, no que se refere à definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, e já aproveitou para estabelecer alguns princípios que essa Lei Complementar deve dispor, conforme apresentado a seguir: O tratamento diferenciado e favorecido dispensado às MEs e EPPs: • deverá ser opcional para o contribuinte; • a ME e/ou EPP escolherá se quer optar pela sistemática do Simples Nacional, ou permanecer no Regime Normal de tributação (que se aplica às demais empresas). • poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; • é possível que Estados com menor participação no PIB nacional (Estados mais “pobres”) possuam condições diferenciadas de enquadramento no Regime do Simples Nacional. • o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentesaos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; • o recolhimento dos tributos das empresas optantes pelo Simples Nacional será unificado (uma única guia de recolhimento para os diversos tributos nela incluídos, tanto da União como dos Estados, DF e Municípios), mas com repasse imediato aos respectivos entes federados, vedada qualquer retenção ou condicionamento por parte da União (que é quem recebe inicialmente estes pagamentos). E-BOOK 6Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 • a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes; • os entes federados poderão compartilhar a arrecadação, a fiscalização e a cobrança em relação às empresas do Simples Nacional. Assim, tanto um Auditor Fiscal do Estado como um do Município, ou mesmo um Auditor da Receita Federal, podem fiscalizar uma empresa optante pelo Simples Nacional. A grande novidade aqui veio com a Reforma Tributária (EC n° 132/2023), que deixou a critério da empresa optante pelo Simples Nacional escolher se recolheria ou não o IBS e a CBS juntamente com os demais tributos incluídos no regime simplificado. Caso a empresa optante pelo Simples Nacional escolha não recolher o IBS e a CBS juntamente com os demais tributos do regime, ela deverá recolher esses tributos de forma separada, assim como as demais empresas não optantes pelo regime simplificado fazem. Já se a empresa do Simples Nacional optar por recolher o IBS e a CBS conjuntamente com os demais tributos incluídos no regime simplificado (recolhimento em uma guia única de pagamento), a Constituição Federal, no § 3º do Art. 146, determinou que a empresa do Simples Nacional não terá direito a se creditar de nenhum valor relativo ao IBS e CBS, porém assegurou o direito de o adquirente, não optante pelo Simples Nacional, de se creditar dos valores de IBS e CBS efetivamente recolhidos pela empresa do Simples Nacional. Assim, resumidamente, podemos dizer que, caso a Empresa do Simples Nacional opte por recolher o IBS e a CBS conjuntamente com os demais tributos do regime, ela não poderá se creditar de nenhum valor desses tributos, mas seus clientes, desde que não sejam optantes pelo Simples Nacional, poderão se creditar dos valores de IBS e CBS efetivamente recolhidos pela empresa do Simples Nacional. E aqui cabe reforçar um ponto importante: no Simples Nacional, além das diversas simplificações e vantagens concedidas às ME e EPP, não ocorre a cobrança de um imposto único, mas sim a existência de um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, em que a alíquota total cobrada consiste na soma das alíquotas dos respectivos tributos que compõem a sistemática do Simples Nacional. 2. LEI COMPLEMENTAR 123/06 – DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Em 2006, foi publicada a Lei Complementar prevista no Artigo 146 da Constituição Federal para tratar das Normas Gerais sobre o Simples Nacional, oferecendo tratamento diferenciado e favorecido para as Microempresas e para as Empresas de Pequeno Porte, como começaremos a ver agora. A Lei Complementar 123/06 também é chamada de “Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte”. Vejamos o que ela afirma em seu Art. 1º: E-BOOK 7Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 Art. 1º Esta Lei Complementar estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, especialmente no que se refere: I - à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias; II - ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias, inclusive obrigações acessórias; III - ao acesso a crédito e ao mercado, inclusive quanto à preferência nas aquisições de bens e serviços pelos Poderes Públicos, à tecnologia, ao associativismo e às regras de inclusão. IV - ao cadastro nacional único de contribuintes a que se refere o inciso IV do parágrafo único do art. 146, in fine, da Constituição Federal. Vejam que interessante, pessoal! O Artigo 1º da LC 123/06 já deixa bem claro que o tratamento diferenciado e favorecido a ser dado às MEs e EPPs vai muito além dos benefícios tributários, passando por benefícios de ordem trabalhista, previdenciária, facilitação na obtenção de créditos (empréstimos), preferência na contratação com o Poder Público, etc.... O Tratamento diferenciado e favorecido aplica-se à/ao: • apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias; • cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias, inclusive obrigações acessórias; • facilidade de obtenção de créditos, inclusive quanto à preferência nas contratações com o Poder Público (preferência nas licitações); • previsão de implementação do cadastro nacional único de contribuintes, conforme previsto no parágrafo único do art. 146 da Constituição Federal. Já os Parágrafos do Artigo 1º da LC 123/06 trazem alguns conceitos preliminares a serem aplicados às MEs e EPPs, conforme vamos a seguir: Art. 1º § 1º Cabe ao Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) apreciar a necessidade de revisão, a partir de 1º de janeiro de 2015, dos valores expressos em moeda nesta Lei Complementar. E-BOOK 8Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 Ponto “decoreba”, que afirma que cabe ao CGSN - Comitê Gestor do Simples Nacional analisar a necessidade de atualização dos valores financeiros ($) apresentados na LC 123/06 (o que é algo bastante razoável, já que a Lei é de 2006, e, com o passar dos anos, os valores ali presentes merecem ser reavaliados, para se verificar a eventual necessidade de atualização). Vamos seguindo! Art. 1º § 3º Ressalvado o disposto no Capítulo IV (Dos Tributos e Contribuições que as Empresas do SN estão sujeitas), toda nova obrigação que atinja as microempresas e empresas de pequeno porte deverá apresentar, no instrumento que a instituiu, especificação do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido para cumprimento. § 4º Na especificação do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido de que trata o § 3º, deverá constar prazo máximo, quando forem necessários procedimentos adicionais, para que os órgãos fiscalizadores cumpram as medidas necessárias à emissão de documentos, realização de vistorias e atendimento das demandas realizadas pelas microempresas e empresas de pequeno porte com o objetivo de cumprir a nova obrigação. § 5º Caso o órgão fiscalizador descumpra os prazos estabelecidos na especificação do tratamento diferenciado e favorecido, conforme o disposto no § 4º, a nova obrigação será inexigível até que seja realizada visita para fiscalização orientadora e seja reiniciado o prazo para regularização. § 6º A ausência de especificação do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido ou da determinação de prazos máximos, de acordo com os §§ 3º e 4º, tornará a nova obrigação inexigível para as microempresas e empresas de pequeno porte. § 7º A inobservância do disposto nos §§ 3º a 6º resultará em atentado aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional da atividade empresarial. O parágrafo 3º do Artigo 1º da LC 123/06 traz algo bem interessante para as MEs e EPPs! Ele afirma que toda nova obrigação que atinja essas empresas deverá apresentar tratamento diferenciado, simplificado e favorecido para cumprimento. Isso se aplica a, por exemplo, a Reforma Tributária, em que novos tributos foram previstos na CF/88, e que, no caso das MEs e EPPs, elas terãotratamento diferenciado, simplificado e favorecido para cumprimento. E-BOOK 9Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 Já quando for necessária a implementação de algum procedimento adicional pelos órgãos fiscalizadores para que a nova obrigação seja cumprida pela ME ou EPP (desenvolvimento de algum sistema, ou funcionalidade no Portal do Simples Nacional, por exemplo), na especificação do tratamento diferenciado e favorecido, deverá constar prazo máximo para que os órgãos fiscalizadores implementem esses procedimentos. Caso o órgão fiscalizador descumpra esses prazos estabelecidos, a nova obrigação será inexigível até que seja realizada visita para fiscalização orientadora e seja reiniciado o prazo para regularização E se, por acaso, a nova obrigação criada não tiver previsão de ser mais benéfica para as MEs e EPPs, ou se não tiver determinação de prazos máximos para os órgãos fiscalizadores implementarem os eventuais procedimentos necessários ao cumprimento das obrigações, a nova obrigação será considerada inexigível. Art. 2º O tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte de que trata o art. 1º desta Lei Complementar será gerido pelas instâncias a seguir especificadas: I - Comitê Gestor do Simples Nacional, vinculado ao Ministério da Economia, composto de 4 representantes da União, 2 dos Estados e do Distrito Federal, 2 dos Municípios, 1 do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e 1 das confederações nacionais de representação do segmento de microempresas e empresas de pequeno porte referidas no art. 11 da Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014, para tratar dos aspectos tributários; II - Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, com a participação dos órgãos federais competentes e das entidades vinculadas ao setor, para tratar dos demais aspectos, ressalvado o disposto no inciso III do caput deste artigo; III - Comitê para Gestão da Rede Nacional para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios - CGSIM, vinculado à Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, composto por representantes da União, dos Estados e do Distrito Federal, dos Municípios e demais órgãos de apoio e de registro empresarial, na forma definida pelo Poder Executivo, para tratar do processo de registro e de legalização de empresários e de pessoas jurídicas. § 1º Os Comitês de que tratam os incisos I e III do caput deste artigo serão presididos e coordenados por representantes da União. § 2º Os representantes dos Estados e do Distrito Federal nos Comitês referidos nos incisos I e III do caput deste artigo serão indicados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária - CONFAZ e os dos Municípios serão indicados, um pela entidade representativa das Secretarias de Finanças das Capitais e outro pelas entidades de representação nacional dos Municípios brasileiros. E-BOOK 10Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 O Artigo 2º da LC 123/06 traz as instâncias que irão gerir tratamento diferenciado e favorecido previsto na Lei. São elas: • Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) composto de: • 4 representantes da União; • 2 dos Estados e do Distrito Federal; • 2 dos Municípios; • 1 do Sebrae; e • 1 das Confederações nacionais de representação do segmento de ME e EPP. • Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte: • com a participação dos órgãos federais competentes; • e das entidades vinculadas ao setor. • Comitê para Gestão da Rede Nacional para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios – (CGSIM) composto de: • representantes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios; • e representantes dos demais órgãos de apoio e de registro empresarial. Para facilitar a sua vida, de forma esquematizada, temos o seguinte: CGSN FÓRUM PERMANENTE CGSIM COMPOSIÇÃO 10 membros, sendo: - 4 União; - 2 Estados/DF - 2 Municípios - 1 Sebrae - 1 Confederações - Órgãos federais competentes - Entidades vinculadas ao setor - Representantes dos Entes Federados; - Demais órgãos de apoio e de registro empresarial FINALIDADE - Tratar de aspectos tributários; - Regulamentar a opção, exclusão, tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, dívida ativa, recolhimento; - Demais itens relativos ao Simples Nacional - Orientar e assessorar a formulação e coordenação da política nacional de desenvolvimento das MEs e EPPs - Acompanhar e avaliar a sua implantação - Tratar do processo de registro e de legalização de empresários e de pessoas jurídicas. E-BOOK 11Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 3. LEI COMPLEMENTAR 123/06 – LIMITES DE RECEITA BRUTA A Lei Complementar 123/2006, em seu artigo 16, afirma que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de ME e/ou EPP se dará na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano-calendário. Assim, caso a ME/EPP opte pelo Regime do Simples Nacional, ela terá que permanecer pelo ano todo da opção (até 31/dez.) nesse regime, podendo retornar ao regime normal, caso deseje, somente a partir do ano seguinte. Inclusive, o Parágrafo 1º do Artigo 16 da Lei prevê que, para efeito de enquadramento no Simples Nacional, será considerada microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja Receita Bruta no ano-calendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar, o qual passaremos a estudar agora: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). Agora, vamos lá comentar os pontos importantes do artigo 3º da Lei Complementar 123/06! Primeiramente, no caput do Artigo, o legislador estabelece que tipos empresariais podem ser considerados ME ou EPP para fins dos benefícios relativos ao tratamento diferenciado e favorecido previsto na LC 123/06, a saber: • Sociedade Empresária; • Sociedade Simples; • Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI)*; • Empresário. *Uma observação importante: a Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) deixou de existir em agosto de 2021, sendo substituída automaticamente pela Sociedade Limitada Unipessoal – SLU, que também pode aderir ao Simples Nacional. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.418-de-31-de-agosto-de-2022-426206193 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/esquema_profilaxia_raiva_humana.pdf https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/cgzv-deidt-svs-ms-protocoloraiva-100322.pdf E-BOOK 12Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 Já em relação à Receita Bruta, a legislação afirma que se consideram Microempresas aquelas que possuem Receita Bruta anual de até R$ 360.000,00 e Empresa de Pequeno Porte aquelas que possuem Receita Bruta anual de mais de R$ 360.000,00, até o limite de R$ 4.800.000,00. Mas aqui cabe uma observação importantíssima!!!! Esse limite de faturamento de R$ 4.800.000,00 trazido pela LC 155/2018 é válido apenas para os Tributos Federais, mantendo o teto antigo de R$ 3.600.000,00 para o ICMS e o ISS. Assim, em relação aos TributosFederais, como o IPI, o IRPJ, a CSLL, PIS/Pasep e Cofins, que são a maioria dos tributos incluídos no Simples Nacional, o limite de Receita Bruta para que o contribuinte se beneficie do tratamento diferenciado e favorecido da LC 123/06 é realmente de R$ 4.800.000,00. Já no tocante aos tributos de competência dos Estados e DF (ICMS) e dos Municípios e DF (ISS), foi mantido o limite anterior de R$ 3.600.000,00. Assim, se uma empresa do Simples Nacional tiver Receita Bruta entre R$ 3.600.000,00 e R$ 4.800.000,00, ela irá calcular os tributos federais incluídos no Simples pela sistemática simplificada, PORÉM o ICMS e o ISS, caso sejam devidos, serão calculados conforme ocorre com as demais empresas não incluídas no Simples Nacional. Destaca-se também o fato que esses limites de faturamento anual são para empresas que já se encontram em atividade desde anos anteriores. No caso de empresas que iniciam suas atividades no próprio ano-calendário, esses limites serão proporcionais ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte houver exercido atividade, inclusive as frações de meses, conforme o Parágrafo 2º do Artigo 3º: Art. 3º. § 2º No caso de início de atividade no próprio ano-calendário, o limite a que se refere o caput deste artigo será proporcional ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte houver exercido atividade, inclusive as frações de meses. E-BOOK 13Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 Assim, temos que pensar da seguinte forma: atualmente, para uma empresa poder optar pelo Simples Nacional, sua Receita Bruta máxima anual não pode ser superior a R$ 4.800.000,00, ou seja, uma média de R$ 400.000,00 por mês. Logo, uma empresa que iniciou suas atividades dia 23 de setembro de 2023, poderá faturar neste ano calendário no máximo 4 x R$ 400.000,00 = R$ 1.600.000,00, tendo em vista que temos 3 meses inteiros (outubro, novembro e dezembro) e uma fração de setembro, que, conforme versa a parte final do § 2º do Artigo 3º acima, também é considerada como um mês inteiro, totalizando, assim, 4 meses de faturamento. Essa conta também pode ser feita da seguinte forma: 4/12 de 4.800.000 = 1.600.000,00, dá na mesma... Só para fins de curiosidade, uma empresa que inicia suas atividades no dia 31 de janeiro de 2024, por exemplo, poderá faturar no ano até R$ 4.800.000,00 e ainda continuar no Regime do Simples Nacional, pois, neste caso, temos uma pequena fração de janeiro e mais 11 meses inteiros pela frente, ou seja, 12 x R$ 400.000,00 (pode se pensar também como 12/12 de 4.800.000). Mas, pelo amor de DEUS, não confunda.... o Limite máximo de faturamento das empresas do Simples Nacional é POR ANO, e não por mês, ok? Assim, nada impede uma empresa do Simples Nacional ter Receita Bruta de, por exemplo, R$ 1.000.000,00 no mês de janeiro, R$ 800.000,00 no mês de fevereiro e depois ficar o restante do ano tendo Receitas de R$ 10.000,00 por mês (deve vender sorvete na praia, sei lá). O que importa é o faturamento anual!!!! Aquele valor que utilizamos de R$ 400.000,00 por mês é apenas uma média para ser aplicada ao cálculo da Receita Bruta total de uma empresa que está iniciando suas atividades no próprio ano calendário de adesão do Simples Nacional, ok?!! “E, professor, me tira uma dúvida: o que compõe a Receita Bruta?” Bom, vejamos o que afirma o Parágrafo 1º do Artigo 3º da LC 132/06: Art. 3º § 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Assim, considera-se Receita Bruta para fins de enquadramento como ME/EPP: • Venda de bens e serviços nas operações de conta própria (as vendas e as prestações de serviços normais que a empresa realiza); • O resultado nas operações em conta alheia (comissões de consignação, por exemplo); • Não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (atenção a este ponto!!!). E-BOOK 14Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 Ahhh, e vocês lembram-se do Inciso II do Artigo 146 da CF/88? Então, vamos relembrar: CF/88 Art. 146 – Parágrafo único. ...... II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado;” Conforme dispõe o Art. 19 da LC 123/2006, caso um Estado possua participação no PIB nacional até 1%, ele pode optar pela aplicação do sublimite de R$ 1.800.000,00 para o recolhimento do ICMS à sistemática do Simples Nacional. E, caso esse Estado opte pelo sublimite para o recolhimento do ICMS, automaticamente os Municípios adotarão o mesmo limite para fins de recolhimento do ISS. É o que afirmam os Artigos 19 e 20 da LC 123/06: Art. 19. Sem prejuízo da possibilidade de adoção de todas as faixas de receita previstas nos Anexos I a V desta Lei Complementar, os Estados cuja participação no Produto Interno Bruto brasileiro seja de até 1% (um por cento) poderão optar pela aplicação de sublimite para efeito de recolhimento do ICMS na forma do Simples Nacional nos respectivos territórios, para empresas com receita bruta anual de até R$ 1.800.000,00. Art. 20. A opção feita na forma do art. 19 desta Lei Complementar pelos Estados importará adoção do mesmo limite de receita bruta anual para efeito de recolhimento na forma do ISS dos Municípios nele localizados, bem como para o do ISS devido no Distrito Federal. Mas atenção: esse sublimite de R$ 1.800.000 para o recolhimento do ICMS (e do ISS) na sistemática do Simples Nacional não tem aplicação automática. Ele só ocorrerá caso o respectivo Estado realize sua opção. Curiosidade: Estados que atualmente possuem participação no PIB nacional de até 1% são RO, AC, RR, AP, TO, PI, RN, PB, AL e SE. Assim, segundo a LC 123/06, caso um desses Estados opte, formalmente, pela utilização desse sublimite, em relação aos Tributos Federais incluídos no Simples Nacional, nada muda, sendo esses recolhidos de forma unificada, da maneira tradicional prevista no Regime. Já para o ICMS e o ISS, em relação àqueles contribuintes optantes pelo Simples Nacional localizados no Estado optante pelo sublimite, caso tenham Receita Bruta anual E-BOOK 15Estratégia Concursos | Resumo de Simples Nacional - parte 1 acima de R$ 1.800.000,00, deverão apurar esses impostos da mesma maneira que ocorre com as demais empresas não incluídas no Simples Nacional. Mas, se a Receita Bruta Anual for até o valor do sublimite (R$ 1.800.000,00), aí tanto o ICMS como o ISS também farão parte do recolhimento unificado do Simples Nacional. Observação: apesar de o Artigo 19 da Lei Complementar prever a possibilidade do sublimite de R$ 1.800.000,00 para fins de recolhimento do ICMS e do ISS para os Estados com participação no PIB de até 1%, a Portaria CGSN 43/2023 determina que esse sublimite é, na prática, de R$ 3.600.000,00 no mesmo molde que já se aplica aos demais Estados. Vejamos o texto da Portaria: Portaria CGSN 43/2023 Art. 2º Vigorará o sublimite de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) para os Estados e o Distrito Federal, de acordo com o disposto no art. 9º da Resolução CGSN nº 140, de 2018. Assim, para prova, caso uma questão pergunte a respeito do sublimite “segundo a previsão da Lei Complementar 123/06”, aí você deve levar em consideração a possibilidade desse sublimite de R$ 1.800.000,00 para os Estados que participem com até 1% do PIB brasileiro. Já no caso de a questão perguntar desse sublimite tendo por base a legislação infralegal (Portaria, no caso), aí o sublimite é único para todos os Estados, respeitando a Receita Bruta Anual de até R$ 3.600.000,00 Tudo bem até aqui, pessoal? Bom, por enquanto é isso aí! Vimos, até aqui, diversas regras importantes sobre o Regime simplificado e favorecido dispensado às MEs e EPPs,tanto na Constituição Federal como na parte inicial da Lei Complementar 123/06. Na próxima aula, avançaremos mais um pouco na LC 123/06. Vocês não podem perder! Espero por vocês! Um grande abraço, fiquem com Deus e até a próxima aula! Prof. Fernando Maurício