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Simples Nacional - Simples Nacional e MEI Alterações com a Lei Complementar 214/2025 e Resolução CGSN 183/2025 1. INTRODUÇÃO 2. CONCEITO DE RECEITA BRUTA 3. NORMAS ANTIELISIVAS 4. PRINCIPAIS MUDANÇAS NA SOMA DA RECEITA BRUTA NO SIMPLES NACIONAL 4.1. Contribuinte individual 4.2. Inscrições cadastrais distintas 5. PRINCIPAIS MUDANÇAS NA SOMA DA RECEITA BRUTA NO MEI 5.1. Contribuinte individual 5.2. Segurado especial 5.3. Grupo familiar 6. VERIFICAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA FINS DE PERMANÊNCIA 7. DEFIS 8. DASN-SIMEI 9. QUADRO-RESUMO 10. DEMAIS ALTERAÇÕES 1. INTRODUÇÃO Esta matéria tem o objetivo de apresentar orientações acerca das alterações para as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), tributadas pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições (Simples Nacional) e para o Microempreendedor Individual (MEI), trazidas pela Lei Complementar n° 214/2025 e pela Resolução CGSN n° 183/2025 . 2. CONCEITO DE RECEITA BRUTA A Lei Complementar n° 214/2025 produziu alterações no conceito de receita bruta disciplinado na Lei Complementar n° 123/2006 . A redação anterior do § 1° do artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 disciplinava da seguinte maneira: § 1° Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Com a alteração realizada pelo artigo 516 da Lei Complementar n° 214/2025 , ficou assim: § 1° Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados, o resultado nas operações em conta alheia e as demais receitas da atividade ou objeto principal das microempresas ou das empresas de pequeno porte, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. De acordo com a interpretação desse conceito, mesmo que a empresa não inclua a atividade em seu objeto social, se houver a execução de um serviço ou venda de um produto de forma habitual, o valor correspondente será considerado receita bruta e, consequentemente, estará sujeito à tributação no Simples Nacional. Destaca-se que os ganhos de capital, as receitas financeiras ou outras receitas, que não são verificadas no cotidiano da empresa, permanecem fora do conceito da receita bruta. Além disso, o § 4° do artigo da Resolução CGSN n° 140/2018 já previa que determinados valores compõem a receita bruta, são eles: a) o custo do financiamento nas vendas a prazo, contido no valor dos bens ou serviços ou destacado no documento fiscal; b) as gorjetas, sejam elas compulsórias ou não; c) os royalties, aluguéis e demais receitas decorrentes de cessão de direito de uso ou gozo; e d) as verbas de patrocínio. No que diz respeito às operações em conta própria, consideram-se aquelas realizadas com bens e serviços que pertencem à própria empresa. (Perguntas e Respostas Simples Nacional - atualizado em novembro de 2025, pergunta 5.17) Os resultados obtidos em operações de conta alheia referem-se à venda de mercadorias ou produtos que pertencem a terceiros e que, por meio de contrato, são disponibilizados à pessoa jurídica para venda por meio de consignação ou comissão. (Perguntas e Respostas Simples Nacional - atualizado em novembro de 2025, pergunta 5.17) Para mais informações sobre o assunto, indica-se a leitura da matéria abaixo: 3. NORMAS ANTIELISIVAS No âmbito do Sistema Tributário Nacional, verifica-se que, com frequência, o sujeito passivo da obrigação tributária pratica atos no intuito de afastar a tributação, que podem ser lícitos ou ilícitos. Por meio dessas práticas, surgiram os institutos da elisão, evasão e elusão fiscal, os quais serão conceituados a seguir: Elisão Fiscal: nas palavras de Cláudio Carneiro (Curso de Direito Tributário e Financeiro. 2020, p. 521), a elisão fiscal é uma forma lícita praticada pelo contribuinte para diminuir ou afastar a incidência dos tributos através de um planejamento tributário. Em regra, acontece antes da ocorrência do fato gerador, mas também é possível que ocorra posteriormente ao surgimento da obrigação tributária. A autoridade fiscal recentemente entendeu que o planejamento tributário, que foi realizado com atos ou negócios jurídicos válidos, sem simulação, não pode ter seus efeitos jurídicos desconsiderados. Conforme mencionado no Acórdão CARF 3102-002.895, observa-se que: “No ordenamento jurídico pátrio, não existe norma que permita à autoridade fiscal desconsiderar os efeitos jurídicos de atos ou negócios jurídicos válidos e sem simulação, ainda que sua motivação seja exclusivamente a busca por menor carga tributária. O planejamento tributário combatido é somente aquele em que o contribuinte atua de forma a ocultar fato gerador materializado para omitir-se ao pagamento da obrigação tributária devida (evasão fiscal), e não aquele em que há diminuição lícita dos valores tributários devidos, pois o contribuinte evita relação jurídica que faria nascer a obrigação tributária (elisão fiscal). Neste sentido, inexiste distinção entre a simulação para fins civis e para fins fiscais, de modo que o ato ou negócio jurídico é lícito ou ilícito para todos os fins.” Evasão Fiscal: trata-se de uma conduta ilícita que o contribuinte realiza com o intuito de evitar que a autoridade fiscal tome conhecimento do surgimento da obrigação tributária, manipulando o fato gerador em si e os seus efeitos jurídicos. (Cláudio Carneiro. Curso de Direito Tributário e Financeiro. 2020, p. 521) Elusão Fiscal: nessa hipótese, o contribuinte pratica uma conduta simulada com o objetivo de ocultar a ocorrência do fato gerador. Sendo assim, aparentemente o ato é lícito, mas oculta a real ocorrência do fato gerador. (Cláudio Carneiro. Curso de Direito Tributário e Financeiro. 2020, p. 522) Em se tratando de norma antielisiva, a Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN), no parágrafo único do artigo 116 , estabelece que a autoridade fiscal poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos práticos com o objetivo de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo. O objetivo da criação de regras antielisivas é combater práticas que tentam evitar ou diminuir o pagamento de impostos de forma artificial ou abusiva, sem uma justificativa econômica válida. Dessa maneira, as mudanças na Lei Complementar n° 123/2006 , introduzidas pela Lei Complementar n° 214/2025 , visam ajustar o Simples Nacional às recentes obrigações fiscais resultantes da implementação do IBS e da CBS, fomentando uma maior consonância com o Sistema Tributário Nacional e prevenindo práticas abusivas de planejamento fiscal. A fim de regulamentar essas alterações legais, a Resolução CGSN n° 140/2018 foi atualizada pela Resolução CGSN n° 183/2025 , que incluiu a norma antielisiva com o objetivo de fortalecer os mecanismos de controle e fiscalização, além das barreiras de ingresso e critérios de permanência no Simples Nacional. 4. PRINCIPAIS MUDANÇAS NA SOMA DA RECEITA BRUTA NO SIMPLES NACIONAL O § 19 do artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 , bem como o § 10 do artigo 2° da Resolução CGSN n° 140/2018 , acrescentado pelo artigo 2° da Resolução CGSN n° 183/2025 , estabelece que a ME ou EPP, ainda que em inscrições distintas ou na qualidade de contribuinte individual, devem ser considerados: a) todas as atividades econômicas exercidas e as receitas brutas auferidas em um mesmo ano-calendário; e b) todos os débitos tributários exigíveis. Se a receita bruta global ultrapassar o limite de R$ 4,8 milhões no ano-calendário atual ou anterior, as pessoas jurídicas não podem continuar no Simples Nacional, nem se enquadrar como ME/EPP. Essa verificação é feita por CPF, examinando separadamente as participações societárias e os cargos de administrador de cada sócio de uma pessoa jurídica que optoupelo Simples Nacional ou foi classificada como ME/EPP. ( Solução de Consulta Cosit n° 222/2024 ) Destaca-se que a soma da receita bruta global ainda segue os critérios definidos nos incisos III a V do § 4° do artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 , pois esses não foram revogados pela Lei Complementar n° 214/2025 , de acordo com os artigos 541 , 542 , inciso XXXVI e 543 , inciso V . Em relação à receita bruta global, já havia previsão legal da soma das receitas quando o sócio de uma empresa optante pelo Simples Nacional participasse de outra empresa enquadrada como ME ou EPP. Nesse ponto, não houve alterações. ( Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 3° , § 4° , inciso III ) A novidade introduzida pela legislação foi que as empresas enquadradas como ME ou EPP passaram a considerar também, para fins de opção e permanência, as receitas brutas auferidas pela pessoa física na qualidade de contribuinte individual. Sobre os critérios definidos nos incisos III a V do § 4° do artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 , indica-se a leitura da matéria abaixo: PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA Permissões e impedimentos Boletim N° 09/2024 4.1. Contribuinte individual A legislação previdenciária, especificamente a Lei n° 8.213/91 , artigo 11 , inciso V , Lei n° 8.212/91 , artigo 12 , inciso V e o Decreto n° 3.048/99 , artigo 9° , inciso V , fornece a definição de contribuinte individual. De forma resumida, inclui o indivíduo que realiza, de forma autônoma, atividade econômica de caráter urbano, com ou sem fins lucrativos. O contribuinte individual é a pessoa física que realiza uma atividade econômica remunerada de forma autônoma, sem vínculo empregatício (CLT). Por esse motivo, é classificado como segurado obrigatório da Previdência Social (INSS). Essa categoria engloba uma variedade de profissionais, como, por exemplo, autônomos e MEI. Dessa maneira, para fins da soma da receita bruta para permanência no Simples Nacional, também serão consideradas as receitas obtidas como contribuinte individual. Por exemplo, uma pessoa física é sócia de uma empresa do Simples Nacional, mas também atua como dentista na condição de pessoa física, sendo contribuinte individual. Para permanecer no Simples Nacional, a empresa deverá considerar as receitas auferidas pela empresa e também as receitas decorrentes da atividade exercida como dentista na pessoa física. Destaca-se que o pró-labore é a remuneração pelo trabalho e não uma receita da atividade econômica exercida pelo contribuinte individual. Por isso, não é considerado na soma da receita bruta. ( Solução de Consulta Cosit n° 228/2023 ) 4.2. Inscrições cadastrais distintas Na norma citada, as inscrições cadastrais distintas previstas na nova redação referem-se exclusivamente às inscrições de entidades enquadradas como ME ou EPP. ( Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 3° , § 19 ; Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 2° , § 10 ) O termo "inscrições cadastrais distintas" abrange casos em que há uma separação artificial de receitas, negócios ou sucessão patrimonial irregular, com a finalidade principal de reduzir a carga tributária (elusão). Dessa forma, torna-se necessário examinar não apenas a receita da empresa, mas também aquelas vinculadas a outros CNPJs de ME/EPP, bem como as receitas obtidas na qualidade de contribuintes individuais, visando combater práticas como: a) formação de novas empresas optantes pelo Simples Nacional, por meio de intermediários, associados a sócio já envolvido em empresa no mesmo regime, com a finalidade de dividir receitas e, dessa forma, prevenir o excesso do teto de R$ 4,8 milhões. ( Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 29 , inciso IV ; Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 84 , inciso IV , alínea “c” ; Acórdão CARF n° 1201-004.330) b) sucessão patrimonial irregular mediante a baixa de empresa no Simples Nacional, mantendo débitos exigíveis em aberto, e criação de nova empresa, sem débitos, visando (re)opção pelo Simples Nacional. Embora essa operação seja considerada regular do ponto de vista estritamente societário, a situação jurídica permanece inalterada, com os mesmos sócios, funcionários, atividades, clientela e forma de operacionalização. ( Instrução Normativa RFB n° 2.119/2022 , artigo 26 , inciso IV ) c) divisão irregular de receita entre a entidade jurídica e o sócio ou titular pessoa física, com o objetivo de tributar as receitas em ambos os regimes, com uma parte na pessoa física e outra na pessoa jurídica. ( Soluções de Consulta Cosit n° 429/2017 e n° 272/2014 ) Destaca-se que, na hipótese de o sócio de uma empresa do Simples Nacional participar de uma sociedade enquadrada como “Demais Portes”, permanecem aplicáveis as regras previstas nos incisos IV e V do § 4° do artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 e incisos V e VI do artigo 15 da Resolução CGSN n° 140/2018 . 5. PRINCIPAIS MUDANÇAS NA SOMA DA RECEITA BRUTA NO MEI De forma geral, o limite para enquadramento como MEI é de até R$ 81 mil de receita bruta anual, isto é, de valores recebidos em sua atividade como empreendedor, de prestação de serviços, venda de mercadorias ou outra atividade econômica. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 100 , § 1° ) Antes das mudanças introduzidas pela Reforma Tributária, o § 9° do artigo 100 da Resolução CGSN n° 140/2018 , bem como as Soluções de Consulta Cosit n° 008/2023 , n° 158/2024 e n° 111/2025 , já estabelecia a soma das receitas brutas quando uma mesma pessoa física tem mais de uma inscrição como empresário individual ou MEI, ou também exerce suas atividades ao mesmo tempo como contribuinte individual ou segurado especial para fins previdenciários. A redação anterior do § 9° do artigo 100 da Resolução CGSN n° 140/2018 trazia a seguinte previsão: § 9° Considera-se a soma das respectivas receitas brutas, para fins do disposto no caput, caso um mesmo empresário tenha mais de uma inscrição cadastral no mesmo ano-calendário, como empresário individual ou MEI, ou atue também como pessoa física, caracterizada, para fins previdenciários, como contribuinte individual ou segurado especial. ( Lei Complementar n° 123, de 2006 , art. 18-A , §§ 1° , 4° , inciso III , e § 14 ) Com a inclusão do § 19 do artigo 13 da Lei Complementar n° 123/2006 , bem como a inclusão do § 10 do artigo 2° da Resolução CGSN n° 140/2018 , a nova redação prevê da seguinte maneira: Art. 2. (...) § 10. Para fins do disposto nesta Resolução, em relação às entidades de que trata o inciso I do caput e o art. 100, ainda que em inscrições cadastrais distintas ou na qualidade de contribuinte individual, devem ser considerados: ( Lei Complementar n° 123, de 2006 , art. 3° , § 19 ) Acrescentado pela Resolução CGSN n° 183/2025 (DOU de 13.10.2025), efeitos a partir de 13.10.2025 I - todas as atividades econômicas exercidas e as receitas brutas auferidas em um mesmo ano-calendário; e II - todos os débitos tributários exigíveis Art. 100. § 9° Para fins do disposto neste artigo, deve ser observado o art. 2°, § 10°, desta Resolução, ainda que também atuem como pessoa física, caracterizada, para fins previdenciários, como contribuinte individual ou segurado especial. Portanto, o referido § 10 estabelece que todas as atividades econômicas devem ser analisadas de forma conjunta, considerando-se as receitas brutas auferidas no mesmo ano-calendário, bem como todos os débitos tributários exigíveis, levando em conta a atuação como ME/EPP, MEI ou contribuinte individual. 5.1. Contribuinte individual De acordo com o artigo 12 , inciso V da Lei n° 8.212/91 , é considerado contribuinte individual a pessoa física que realiza, por conta própria, atividade econômica de caráter urbano ou rural, com ou sem fins lucrativos. A atividade rural realizada de forma autônoma pode qualificar o contribuinte como individual, desde que não seja considerado segurado especial. A diferenciação entre contribuinte individual rural e segurado especial depende, especialmente, da extensão da atividade e da possível contratação de terceiros. ( Lei n° 8.212/91 , artigo 12 , inciso VII ) Assim, a soma deve contemplar as receitastanto das atividades permitidas quanto das vedadas ao MEI. ( Solução de Consulta Cosit n° 111/2025 ) Segue um exemplo utilizando um profissional autônomo: Considere que uma pessoa física possua inscrição no MEI, mas também exerça atividade de designer gráfico como contribuinte individual. Nesse caso, o limite de R$ 81 mil será verificado considerando a receita bruta auferida pelo MEI e a receita da atividade de designer gráfico. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 2° , § 10 e artigo 100 , § 9° ; Solução de Consulta Cosit n° 111/2025 ) 5.2. Segurado especial O produtor rural que trabalha em sistema de economia familiar pode se classificar como MEI, contanto que cumpra e atenda simultaneamente às exigências legais para o MEI e para o segurado especial. Em tais situações, também deve-se considerar a soma das receitas obtidas quando a mesma pessoa física estiver registrada como MEI e simultaneamente classificada como segurado especial para propósitos previdenciários, de acordo com o estabelecido na legislação pertinente. ( Solução de Consulta Cosit n° 008/2023 e Perguntas Frequentes disponível no Portal do MEI) O Perguntas Frequentes, disponível no Portal do Empreendedor, apresenta o exemplo: O segurado especial que se formalizar como MEI terá que se submeter ao limite de faturamento anual de R$ 81.000,00, ou poderá ter uma atividade complementar como MEI com esse limite, além das suas outras atividades como segurado especial? Contextualização: segurado especial produz milho e com parte do milho industrializa fubá. Para a indústria de fubá poderá abrir MEI com limite de R$ 81 mil e poderá, adicionalmente, vender sua produção rural sem observar esse limite? Em suma: a soma das receitas brutas das atividades do empreendedor poderá superar R$ 81 mil? O limite de faturamento para fins de enquadramento como MEI deve considerar toda a receita do segurado especial. Se o segurado especial se formaliza como MEI, essa formalização deverá abranger toda a sua atividade rural e não apenas parte dela. Sendo assim, o total das receitas do grupo familiar não poderá ultrapassar R$ 81.000,00/ano. 5.3. Grupo familiar Conforme dispõe o item 22 da Solução de Consulta Cosit n° 008/2023 , o MEI deverá considerar individualmente a sua receita como segurado especial e não a totalidade da receita bruta do grupo familiar. 6. VERIFICAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA FINS DE PERMANÊNCIA De acordo com o § 19 do artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 e o § 10 do artigo 2° da Resolução CGSN n° 140/2018 , para fins de opção e permanência como ME/EPP, incluindo o MEI, devem ser verificados todos os débitos tributários exigíveis em: a) inscrições cadastrais distintas vinculados ao mesmo sócio, desde que sejam ME/EPP; e b) pessoa física que exerça atividade econômica como contribuinte individual. Nota-se que a norma não abrange débitos tributários de entidades que não sejam enquadradas como ME ou EPP, ou seja, não inclui os débitos exigíveis de entidades que sejam “Demais Portes”. Por exemplo: Considerando que uma pessoa física, sócia de empresa optante pelo Simples Nacional, possuía débitos tributários em aberto vinculados a esse CNPJ e, posteriormente, promoveu a baixa da empresa e constituiu nova pessoa jurídica, a nova empresa ficará impedida de optar pelo Simples Nacional enquanto persistirem os débitos tributários exigíveis do CNPJ anterior. 7. DEFIS De acordo com o artigo 72 da Resolução CGSN n° 140/2018 , a ME ou a EPP optante pelo Simples Nacional deverá apresentar a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis). A Defis deverá ser entregue até o dia 31 de março do ano-calendário seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores dos tributos previstos no Simples Nacional. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 72 , § 1° ) Por exemplo, a Defis relativa aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2025 deve ser submetida até 31 de março de 2026. A partir de 1° de abril de 2026, estará sujeito a uma penalidade. Nos casos em que ocorra situação especial, a ME ou EPP, que foi incorporada, cindida (total ou parcialmente), extinta ou fundida, deverá entregar a Defis nos seguintes prazos: ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 72 , § 2° ) a) o último dia do mês de junho, quando o evento ocorrer no primeiro quadrimestre do ano-calendário (janeiro a abril); ou b) o último dia do mês subsequente ao do evento, nos demais casos. Com a publicação da Resolução CGSN n° 183/2025 , a Defis passou a ter multa por atraso, incorreção ou omissão na entrega. A ME ou EPP que não apresentar a Defis, ou que a apresente com erros, omissões ou fora do prazo estipulado, será convocada pela autoridade fiscal para regularizar a situação ou fornecer os esclarecimentos necessários dentro do prazo determinado, e se sujeitará às seguintes multas: ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 97-A ) a) 2% ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante dos tributos informados na Defis, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%; ou b) R$ 100 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. A multa mínima será de R$ 200,00. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 97-A , § 3° ) Para a contagem da multa prevista na letra “a”, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 97-A , § 1° ) Será considerada não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pelo CGSN, observado que a ME ou a EPP será intimada a apresentar nova declaração, no prazo de 10 dias, contado da ciência da intimação e ficará sujeita à multa mencionada na letra "a". ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 97-A , § 4° ) As multas poderão ser reduzidas, respeitado o valor mínimo de R$ 200, da seguinte forma: ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 97-A , § 2° ) a) à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; b) a 75%, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. 8. DASN-SIMEI Nos casos em que o empresário individual ou empreendedor tenha optado pelo Simei no ano-calendário anterior, a DASN-Simei deverá ser entregue até o último dia de maio de cada ano, devendo conter: ( Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 25-B ; Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 109 , incisos I a III ) a) a receita bruta total auferida relativa ao ano-calendário anterior; b) a receita bruta total auferida relativa ao ano-calendário anterior, referente às atividades sujeitas ao ICMS; e c) informação referente à contratação de empregado, quando houver. Nas hipóteses de situação especial, a DASN-Simei será entregue: ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 109 , § 1° ) a) até o último dia do mês de junho, quando o evento ocorrer entre janeiro e abril; b) até o último dia do mês subsequente ao do evento, nos demais casos (entre maio e dezembro). O MEI que não apresentar a DASN-Simei, apresentá-la com incorreções ou omissões, ou ainda, entregá-la fora do prazo fixado, será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos, conforme o caso, no prazo estipulado pelo Fisco, e estará sujeito a uma multa: ( Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 38 e Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 118 ) a) de 2% ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante dos tributos declarados na DASN-Simei, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%, observada a multa mínima; ou b) de R$ 100,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. Observado o valor mínimo, as multas serão reduzidas: ( Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 38 , § 2° e Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 118 , § 2° ) a) à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; b) a 75%, se houver a apresentação da declaração no prazo fixadoem intimação. A multa mínima será de R$ 50,00. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 118 , § 3° ) Para mais informações sobre o assunto, sugere-se a leitura da matéria: 9. QUADRO-RESUMO Confira abaixo as principais mudanças mencionadas nos tópicos anteriores. Impactos Base legal Ampliação no conceito da receita bruta para o Simples Nacional e MEI. Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 3° , §1° ; Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 2° , inciso II A soma da receita bruta deverá considerar as receitas obtidas em inscrições cadastrais distintas, desde que ME/EPP, bem como as receitas de contribuinte individual. Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 3° , §19 ; Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 2° , §10 Necessidade de verificação dos débitos tributários exigíveis ainda que em inscrições cadastrais distintas ou na qualidade de contribuinte individual. Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 3° , §19 ; Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 2° , §10 Multa na entrega em atraso da Defis. Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 97-A 10. DEMAIS ALTERAÇÕES a) Sócio/Titular de Fato ou de Direito: Além das alterações citadas anteriormente, o inciso V do § 4° do artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 , alterado pela Lei Complementar n° 214/2025 , bem como o inciso VI do artigo 15 da Lei Complementar n° 140/2018, alterado pela Resolução CGSN n° 183/2025 , passou a prever a soma da receita bruta global para os casos em que há sócio ou titular de fato ou de direito de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. A redação anterior previa a seguinte disposição: Art. 3. §4°. (...) V - cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Com a mudança promovida pela Lei Complementar n° 214/2025 , a redação foi alterada: Art. 3. §4°. (...) V - cujo sócio ou titular de fato ou de direito seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput; Quando falamos de sócio de direito, é aquele que está registrado oficialmente no ato de constituição da empresa, isto é, aqueles que compõem o quadro societário. Já os sócios de fato, embora não constem no contrato social, atuam como se sócio fosse, exercendo atividades de gestão e controle na sociedade. (Acórdão CARF n° 9101002.954 e 9101-006.490) Dessa maneira, haverá soma da receita bruta global nos casos em que o sócio ou titular de fato ou de direito seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos e, se ultrapassar o limite de R$ 4,8 milhões, haverá a exclusão da empresa optante pelo Simples Nacional. ( Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 3° , § 4° , inciso V ; Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 15 , inciso VI ) b) Opção pelo Simples Nacional para empresas em início de atividade: Com a implementação do Módulo Administração Tributária (MAT), as empresas em início de atividade devem formalizar sua intenção de optar pelo Simples Nacional no exato momento da inscrição do CNPJ. Se deferida, a opção produz efeitos a partir da data de inscrição do CNPJ. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 6° , § 5° , inciso V ) Caso seja indeferida, por pendências impeditivas do ingresso no Simples Nacional, o contribuinte poderá regularizá-las no prazo de até 30 dias contados a partir da data de inscrição no CNPJ. ( Resolução CGSN n° 140/2018 , artigo 6° , § 5° , inciso VI ) O passo a passo do Módulo de Administração Tributária pode ser visualizado clicando aqui. c) Fim do regime de caixa: A partir de 01.01.2027, a apuração da receita bruta por meio do regime de caixa também não será mais possível no Simples Nacional, em virtude da alteração realizada pelo artigo 517 da Lei Complementar n° 214/2025 , no artigo 18 , § 3° , da Lei Complementar n° 123/2006 . d) Mudança no período de cálculo da RBT12 e FS12: Com a alteração do artigo 517 da Lei Complementar n° 214/2025 no artigo 18 , § 1° da Lei Complementar n° 123/2006 , a partir de 01.01.2027, para fins da determinação da alíquota nominal, o sujeito passivo utilizará a receita bruta acumulada nos 12 meses antecedentes ao mês anterior ao do período de apuração. Para melhor entendimento, confira os seguintes exemplos: Cálculo atual: para calcular a alíquota efetiva do período de apuração de março/2026, é necessário considerar a receita bruta de março de 2025 a fevereiro de 2026. Cálculo a partir de 2027: para o cálculo da alíquota efetiva do período de apuração de março/2026, serão considerados os meses de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026. Além disso, para fins do cálculo do Fator R, passarão a ser considerados os montantes pagos nos 12 meses antecedentes ao mês anterior ao do período de apuração. ( Lei Complementar n° 214/2025 , artigo 517 ; Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 18 , § 5°-K ) Dessa maneira, será considerado folha de salários o montante pago, nos 12 meses antecedentes ao mês anterior ao do período de apuração, a título de remunerações a pessoas físicas decorrentes do trabalho, acrescido do montante efetivamente recolhido a título de contribuição patronal previdenciária e FGTS, incluídas as retiradas de pró-labore. ( Lei Complementar n° 214/2025 , artigo 517 ; Lei Complementar n° 123/2006 , artigo 18 , § 24 ) e) Mudança no prazo de Opção do Simples Nacional: Por fim, com efeitos a partir de 01.01.2027, a opção do Simples Nacional deverá ser realizada até o último dia útil do mês de setembro, segundo o artigo 517 da Lei Complementar n° 214/2025 , que modificou o § 2° do artigo 16 da Lei Complementar n° 123/2006 . Dessa maneira, para o ano-calendário de 2027, a opção deverá ser realizada no mês de setembro de 2026. Para mais informações, sugere-se a leitura da seguinte matéria: Autor: Equipe Técnica Econet Editora TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Nos termos da Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais, é proibida a reprodução total ou parcial, bem como a produção de apostilas a partir desta obra, por qualquer forma, meio eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos reprográficos, fotocópias ou gravações - sem permissão por escrito, dos Autores. 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