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O que é uma teleconsultoria? Como já aprendemos na Unidade anterior, a teleconsultoria é uma consulta registrada e realizada entre trabalhadores, profissionais e gestores da área de saúde, visando incentivar a busca de novos conhecimentos nas fontes indicadas pelo programa, contribuindo para a Educação Permanente dos profissionais envolvidos. Esse processo de solicitação ocorre por meio do uso de tecnologias de informação e comunicação bidirecionais (que permitem o envio e recebimento de informações de ambas as partes) (BRASIL, 2015). O objetivo principal da teleconsultoria é o esclarecimento de dúvidas sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho (BRASIL, 2011). A seguir, confira dois vídeos que mostram situações comuns na Atenção Primária à Saúde, e como o Teleconsultoria pode ajudar nas suas resoluções: As teleconsultorias são iniciadas a partir das necessidades dos trabalhadores de saúde, chamados de trabalhadores solicitantes. Esses trabalhadores submetem a dúvida para o sistema de teleconsultoria. Em seguida, o sistema encaminha a solicitação ao telerregulador, que a avalia e de imediato a encaminha para o teleconsultor, que é quem responderá a dúvida ao profissional solicitante. A Figura 1 (que vimos no capítulo anterior) representa o processo de solicitação de uma teleconsultoria. Figura 1 - Representação do Serviço de Teleconsultoria. Fonte: Ilustração de Roberto Lima (2015). A teleconsultoria pode ser realizada de duas formas: síncrona e assíncrona. Nas teleconsultorias síncronas, a troca de mensagens ocorre em tempo real, após o agendamento prévio, por chat, web ou videoconferência, com o solicitante e o teleconsultor estabelecendo contato simultâneo. Nessa demanda, o trabalhador de saúde e o teleconsultor compartilham áudio e imagens de forma instantânea para discussão. Nesse tipo de teleconsultoria, os dois lados da comunicação necessitam que o tipo de conexão utilizada seja de banda larga, via: antena de satélite, cabo, ou fibra óptica. Existe também uma modalidade de teleconsultoria síncrona que pode ser feita via telefone (0800 644 65 43). Para os casos de teleconsultorias síncronas que utilizem a internet, temos como exemplos de tecnologias a videoconferência e a webconferência. A webconferência e a videoconferência são mecanismos que permitem a interatividade comunicativa entre pessoas via internet e em tempo real, possibilitando que usuários em localidades distintas possam trocar informações ou realizar uma reunião, por exemplo. A webconferência é um encontro virtual, realizado por meio de aplicativos ou serviço web com possibilidade de compartilhamento de textos, voz, vídeos, apresentações e outros arquivos, englobando mais de um participante. Já a videoconferência possibilita o encontro virtual entre participantes por meio de sistemas de videoconferência, em áudio e vídeo simultaneamente, com possibilidade de compartilhamento de conteúdo. A maioria das videoconferências atuais envolvem o uso de uma sala em cada localidade geográfica, dotada de uma vídeo-câmera especial e facilidades para apresentação de documentos. De forma geral, os requisitos básicos para esses tipos de teleconsultoria são: - Computador conectado à internet (em alguns casos é possível utilizar o smartphone ou tablet). - Navegador de internet devidamente atualizado. - Internet banda larga, de no mínimo 256 Kbps para a webconferência e 500 Kbps para a videoconferência. - Caixas de som ou fones de ouvido, e microfone. Consulte o seu Núcleo de Telessaúde para saber se existem requisitos complementares para a realização de uma webconferência ou de uma videoconferência. Já na teleconsultoria assíncrona, a troca de mensagens ocorre sem a necessidade de contato direto entre os participantes. Essas teleconsultorias são solicitações em formato de texto, que não exigem urgência e resposta imediata, geralmente estão ligadas à Atenção Primária em Saúde. As teleconsultorias não se resumem em discussão de casos clínicos e processos de trabalho, podendo ser solicitados também materiais para estudo ou com caráter educativo. Existe uma variedade de atividades que podem ser realizadas com base na resposta da teleconsultoria, tais como: atualização profissional, montagem de folders, atividades educativas em grupos de usuários, vídeos, palestras e Segundas Opiniões Formativas (SOF). Como exemplo desse tipo de teleconsultoria, podemos citar: Solicitação: Quais os assuntos sugeridos para realizar treinamento com monitoras de creche? Resposta: Conforme solicitado no formulário de consultoria por texto, são listados a seguir os assuntos por meio dos quais a equipe de ESF desta localidade pode trabalhar/capacitar as monitoras de creche: Prevenção de acidentes na infância (material encontra-se disponível no site do Telessaúde - Materiais de Consulta). Higiene bucal. Alimentação saudável. Técnicas básicas de higiene. Noções de preservação da natureza. Segregação de resíduos. Economia de recursos ambientais. Programa de saúde escolar. Pediculose e escabiose. Prevenção de parasitas intestinais. Técnicas de higiene de utensílios coletivos. Técnica da higiene das mãos, após cada troca de fraldas ou uso da privada. Técnicas de prevenção de doenças infecto-contagiosas das vias respiratórias. Revisão do calendário vacinal, com o propósito de revisar faltosos e orientar as monitoras acerca da importância de cada vacina e quais os tipos de doenças elas previnem. Bibliografia Selecionada: DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. Clique aqui para acessar a fonte. Apesar das teleconsultorias assíncronas serem enviadas no formato texto, é possível também anexar arquivos complementares, tais como imagens, vídeos ou áudios. Esses arquivos enriquecem e fornecem mais subsídios para que o teleconsultor possa oferecer uma resposta de maior qualidade. Para alcançar uma resposta de teleconsultoria com qualidade, além dos dados complementares enviados, é importante que a solicitação seja bem elaborada com informações completas e precisas, afinal, o profissional teleconsultor só poderá responder bem a uma solicitação se ele conhecer seus detalhes com mais exatidão. http://aps.bvs.br/aps/quais-os-assuntos-sugeridos-para-realizar-treinamento-com-monitoras-de-creche/ Como vimos na Unidade anterior, no caso de Dona Nilma, um exemplo prático de teleconsultoria assíncrona no contexto da APS que pode ser descrito seria: Como auxiliar pacientes amputados com suspeita de depressão? Clique aqui para acessar a fonte. Há diferentes plataformas para solicitação de teleconsultoria a depender do Núcleo Telessaúde que abrange serviço de saúde local. Todas elas seguem parâmetros e normas estabelecidas pela Coordenação Nacional do Programa Telessaúde Brasil Redes. Segue um exemplo: Se você estiver trabalhando no Rio Grande do Norte, você poderá utilizar a Plataforma Telessaúde da UFRN, como pode ser visto na Figura 2. Figura 2 - Plataforma de Teleconsultoria do Núcleo de Telessaúde do RN. Fonte: Sistema de Teleconsultoria no Núcleo RN (2019). Até o momento você aprendeu sobre os conceitos, características e tipos de teleconsultoria. O próximo passo é saber como montar a solicitação para obtermos uma resposta de qualidade. O que precisamos inserir na montagem da solicitação para que essa seja objetiva e clara? Observe no tópico a seguir a resposta para esse questionamento. Protocolo da Montagem da Solicitação Todo o processo de submissão e resposta de uma teleconsultoria é baseado em padrões estabelecidos. Esse processo é dividido em quatro fases: motivação, foco principal/secundário, enfoque e formato, como demonstrado pela Figura 4. Logo após, vamos descrever cada etapa do processo de montagem de solicitação. Figura 4 - Exemplo de esquema para representar o processode montagem de solicitação. Fonte: Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde (2013). Motivação A equipe que trabalha na Atenção Básica (AB) ou na Atenção Primária a Sáude (APS) se depara com vários problemas de saúde complexos. E, algumas vezes, a apresentação desses ocorre em fases e com sintomatologia indiferenciada, haja vista estar em estágio inicial, e ainda há que ser considerada a intrincada interação com fatores familiares, comunitários e http://pesquisa.bvs.br/aps/resource/pt/sof-2156 sociais. Isso exige uma alta qualificação dos profissionais de saúde para prover o cuidado integral das pessoas (BRASIL, 2013). Todas as categorias profissionais estão sujeitas a dúvidas e incertezas no seu dia a dia. A busca pelo conhecimento, motivada por sua necessidade prática, potencializa o aprendizado. Nesse contexto, é diante de uma situação prática a partir da qual foi gerada a dúvida, o momento oportuno para realizar o aperfeiçoamento do profissional. Quando tais dúvidas não podem ser respondidas pelos meios tradicionais (presencialmente), a Telessaúde entra como fonte importante de conhecimento e aprendizado, aumentando a capacidade de resolutividade e promovendo o desenvolvimento permanente do profissional (BRASIL, 2013). Um exemplo disto é o caso de Dona Nilma, visto na unidade anterior, que apresenta uma situação complexa e a equipe de Atenção Básica decide que o melhor naquele momento não é encaminhá-la à especialistas, e sim, discutir a sua situação e pedir apoio ao Telessaúde por meio do serviço de Teleconsultoria. O que motivou essa decisão foi o fato de que poderão acompanhar de perto a paciente enquanto solicitam orientação a um especialista. Ademais, seu quadro clínico, inluindo as suspeitas de depressão, poderia atrapalhar ou mesmo piorar enquanto procura por atendimento especializado. Casos pessoais/teleconsulta Lembre-se, caro(a) leitor(a), a teleconsulta (interação à distância entre profissional de saúde e os usuários) é proibida no Brasil pelo Art. 62 do Código de Ética Médica (BRASIL, 2009), salvo em situações de emergência, o que é regulado pela Resolução 1.643/02 do Conselho Federal de Medicina (BRASIL, 2002). Foco Principal e Focos Secundários Como foi visto anteriormente, é preciso que o solicitante seja claro na sua teleconsultoria para que o teleconsultor tenha um melhor entendimento e lhe retorne uma resposta mais precisa. Além disso, uma teleconsultoria assíncrona deve ser redigida para ser lida em até 15 minutos (uma página, em média), e a síncrona para durar 30 minutos. Tal informação é importante para que não atrapalhe a agenda dos profissionais e o atendimento das unidades de saúde. Quando uma solicitação for ampla ou precisar ser detalhada, o solicitante pode utilizar os focos secundários para isso, com cuidado para não tratar de outros assuntos que não sejam relacionados à dúvida. Essa solicitação seria melhor respondida se fosse dividida em várias solicitações. Uma pergunta por vez, de forma mais objetiva, como: "O que é HPV?”, se enviada ao teleconsultor, vai gerar uma resposta sobre conceitos, epidemiologia, diagnóstico, tratamento e prognóstico. Mas o teleconsultor pode responder a um dos tópicos solicitados e enviar links com materiais explicativos nos quais o solicitante irá encontrar as respostas dessas demandas. Para cada pergunta solicitada, o teleconsultor irá aprofundar o assunto, mantendo um debate sobre o tema abordado, nesse caso, o HPV. Prosseguindo com os exemplos, a segunda pergunta que poderia vir da solicitação: "Como o HPV se desenvolve na gestante?”, e a terceira: "A criança nascida de mãe gestante com HPV pode manifestar a doença?”. Agora, citaremos um exemplo de uma solicitação mais clara e objetiva: "Quais são os sintomas que os pacientes que possuem doença de Alzheimer apresentam?”. (Texto adaptado para fins didáticos). Nessa teleconsultoria, há um foco sobre qual é a demanda. O texto é curto e claro, facilitando a leitura e a classificação realizada pelo telerregulador.Sempre devemos ter em mente que perguntas muito longas e sem foco dificultam o trabalho do telerregulador e do teleconsultor, com o risco de a resposta não satisfazer às necessidades do solicitante. Existem casos nos quais se torna necessário informar o motivo da solicitação de maneira detalhada. No entanto, é necessário que o texto seja organizado de forma a facilitar a análise pelo telerregulador. Solicitação: "Gostaria de saber se existe alguma Legislação Superior para os funcionários públicos. Onde poderei pesquisar sobre meus direitos como funcionária?." Resposta: "Cara colega: Dúvidas trabalhistas como essa devem ser encaminhadas ao órgão competente. Por outro lado, estamos à disposição para qualquer questão que diga respeito ao processo de trabalho dentro da sua equipe de saúde." Enfoque Nessa etapa, temos as declarações explícitas do enfoque. Isso significa que o profissional solicitante deve informar qual o direcionamento desejado para a resposta de sua solicitação pelo teleconsultor. Basicamente, os enfoques são: É importante lembrar que questões que envolvem etiologia, diagnóstico, tratamento e prognóstico, cada vez mais, têm sido abordadas por profissionais de níveis básico e médio, cujas demandas deverão ser respondidas. E as informações ajudam a equipe a obter mais conhecimentos sobre uma doença, qualificando a prestação do serviço, e assim, aumentando a confiança do usuário. Retomando ao exemplo de Dona Nilma, o serviço de teleconsultoria foi utilizado, e mediante o enfoque Prognóstico e seguimento de pacientes, possibilitou-se que o médico e a equipe identificassem elementos para a organização do Plano Terapêutico de Dona Nilma e qualificassem o cuidado. Formato Nessa fase, o profissional solicitante deve escolher em qual formato enviar sua solicitação. Ele pode optar pelos formatos síncrono ou assíncrono, conceitos vistos anteriormente. O formato assíncrono consiste no envio de uma teleconsultoria no formato de texto. Um exemplo de como deve ser a solicitação é demonstrado a seguir: "Quais são os sinais e sintomas de transtornos de humor (ansiedade e depressão) que podem ser usados em uma estratégia de rastreamento populacional?”. (Texto adaptado para fins didáticos) Em alguns casos, a solicitação assíncrona solicita material de leitura para estudo de um determinado tema, o qual pode ser utilizado em grupos de educação à saúde ou mesmo para qualificação da equipe de saúde. Em resposta à solicitação, podem ser enviados arquivos de artigos, diretrizes do Ministério da Saúde, capítulos de livros ou mesmo indicação bibliográfica para pesquisa. A seguir, um exemplo de solicitação de material no formato assíncrono: "Gostaria de solicitar material de leitura falando sobre o PMAQ, pois tenho que trabalhar com a avaliação PMAQ e gostaria de inicialmente começar explicando para a equipe o que é, e como teremos que nos autoavaliar.”. (Texto adaptado para fins didáticos) Já na solicitação síncrona, o solicitante deve estar presente na data e no horário marcados juntamente com, pelo menos, um profissional de nível superior. Essa é uma das dificuldades de sincronização existente entre solicitante e teleconsultor. Esse formato de teleconsultoria envolve um tipo de discussão com fluxo contínuo de perguntas e Estratégias de promoção à saúde e prevenção de doenças. Diagnóstico. Prognóstico e seguimento de pacientes. Tratamento. E outros enfoques, como: processo de trabalho em APS; abordagem familiar/comunitária; aspectos epidemiológicos em APS; competência cultural; controle social; questões psicossociais etc. informações nos dois sentidos, o que seria pouco produtivo no formato assíncrono. Um tipo de teleconsultoria que pode ser solicitada mediante webconferência é citada a seguir: "Tenho um paciente com tristeza a maior parte do tempo, com sensação de fadiga, hiporexia, anedonia, problemas no trabalho e na família. Como poderiadiagnosticar e tratar esse paciente?”. (Texto adaptado para fins didáticos) Nesta Unidade aprendemos que... Caro (a) aluno (a), após termos estudado a Unidade 2, podemos concluir que o processo de elaboração de uma solicitação de teleconsultoria é importante para que se tenha êxito na resolução da dúvida. Aprendemos como devem ser elaboradas as teleconsultorias e como elas são avaliadas, e como podem contribuir para a educação continuada. Aprendemos também que os sistemas de teleconsultoria à atenção básica têm como objetivo ampliar o acesso da população a serviços especializados, favorecendo a redução do tempo de espera por consultas e o tempo de diagnóstico, dessa forma, melhorando a qualidade do atendimento à população e reduzindo os custos para o sistema de saúde. Leitura complementar BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Brasília, DF. 2012a. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Nº 50/2015. Diretrizes para oferta de atividades do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes. 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual de Telessaúde para a Atenção Básica/ Atenção Primária à Saúde: Protocolo de Solicitação de Teleconsultorias / Ministério da Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. - Brasília: Ministério da Saúde, 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.546, de 27 de outubro de 2011 que Redefine e amplia o Programa Telessaúde Brasil, que passa a ser denominado Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (Telessaúde Brasil Redes). 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2546_27_10_2011.html> Acesso em: 10 abr. 2016. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2546_27_10_2011.html