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Prematuridade Profa. Esp. Edith Mara Barros Enfermeira Obstetra e Neonatologista “ Todo prematuro tem direito ao tratamento estabelecido pela ciência, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. Sendo assim, todo prematuro tem o direito de ser cuidado por uma equipe multidisciplinar capacitada a compreendê-lo, interagir com ele e a tomar decisões harmônicas em seu benefício e em prol de seu desenvolvimento”. Artigo IV – Declaração Universal dos Direitos do Bebê Prematuro. Classificação (IG) Controle Térmico Conceito e importância do controle térmico ▪ A temperatura corporal é o resultado do balanço entre os mecanismos de produção e de eliminação do calor. ▪ No RN, sobretudo, no pré termo, pode ocorrer desequilíbrio desses mecanismos, com aumento nas perdas e limitações na produção. Desequilíbrio entre perdas e produção de calor no RN pré termo Aumento da perda ▪ > área da superfície corporal; ▪ Epiderme não queratinizada; ▪ Mais evaporação; ▪ > quantidade de tecido subcutâneo; ▪ < capacidade de vasoconstrição cutânea; ▪ Baixa temperatura ambiente. Diminuição da produção ▪ < estoque de gordura marrom; ▪ < resposta termogênica por hipoxia, RCIU e doenças; ▪ < mobilização de noradrenalina e ácidos graxos livres; ▪ Consumo de O2 limitado por problemas pulmonares. O controle térmico depende da IG e pós natal, do peso de nascimento e das condições clínicas do RN. Quanto menor a IG e pós natal, pior o estado clínico do RN pré termo, maior será a necessidade de suporte térmico ambiental para mantê-lo normotérmico. ▪ A hipotermia no RN prematuro é motivo de grande preocupação. Além de ocorrer freqüentemente, é fator de risco para pior prognóstico, aumentando a morbidade e a mortalidade neonatais. ▪ Estratégias que previnem perda de calor podem ter impacto na morbidade e mortalidade do RN, especialmente do pré-termo, e podem melhorar seu prognóstico. Além da prematuridade, a hipoxia e a RCIU são condições que comprometem a termogênese neonatal e aumentam o risco de hipotermia. Mecanismos de perda de calor no período neonatal ▪ Evaporação: perda insensível de água pela pele; as principais causas são: campos molhados, baixa umidade do ambiente, ar inspirado; ▪ Radiação: perda de calor do RN para objetos ou superfícies mais frias; a principal causa dessa perda é a grande área da pele exposta a ambiente frio; Mecanismos de perda de calor no período neonatal ▪ Convecção: perda de calor do RN para o ar ao seu redor; principal causa é o fluxo de ar frio na pele ou mucosas. ▪ Condução: perda de calor do RN para a superfície fria em contato com ele. Hipotermia ▪ A OMS define como faixa de normalidade a temperatura entre 36,5 a 37ºC e classifica a hipotermia conforme a gravidade: ▪ Hipotermia leve: 36 a 36,4ºC; ▪ Hipotermia moderada: 32 a 35,9ºC; ▪ Hipotermia grave: < 32ºC. Fatores de risco ▪ Fatores do RN: IG; Peso do nascimento; Asfixia; Sepse; Outras doenças. Fatores de risco ▪ Fatores ambientais: Baixa temperatura na sala de parto; Transporte neonatal; Controle inadequado do ambiente térmico. A OMS recomenda que todos os RNs sejam mantidos em temperatura de no mínimo 26ºC Quadro Clínico ▪ Sucção débil; ▪ Hipotonia; ▪ Letargia; ▪ Taquipneia ou apneia; ▪ Taquicardia ou bradicardia; ▪ Tremores; ▪ Queda de SPO2; ▪ Acidose; ▪ Vasoconstrição; ▪ Pele vermelho brilhante (falha na oxihemoglobina); ▪ Edema. ▪ A hipotermia leva a diminuição da produção de surfactante e ao aumento do consumo de O2, e causa depleção das reservas calóricas, contribuindo para o desenvolvimento ou agravamento de insuficiência respiratória. Na hipotermia grave: ▪ Hipotensão; bradicardia, respiração irregular, diminuição da atividade, sucção débil, diminuição de reflexos, náuseas e vômitos, acidose metabólica, hipoglicemia, oligúria, algumas vezes sangramentos, hemorragias pulmonares e óbito. Tratamento ▪ Reaquecimento: incubadora ou berço aquecido. * O reaquecimento não monitorizado pode levar a complicações como hipertermia, apneia, hipotensão e convulsões. Prevenção ▪ Ao nascimento: Manter a temperatura da sala de parto > ou = a 26ºC; Ligar a fonte de calor radiante antes do nascimento e preaquecer os campos; Recepcionar o RN em campos aquecidos e colocá-lo sob calor radiante; Secar e remover os campos úmidos. É desejável que no final da assistência em sala de parto a temperatura axilar do RN esteja em torno de 36,5ºC Barreiras contra perda de calor ▪ Uso de gorro de algodão; ▪ Cobertura oclusiva com filme de polietileno ou poliuretano (RNs < 32s); ▪ Saco plástico de polietileno (RNs < 29s ou Peso < 1500 grs). Fonte externa de calor ▪ Uso de colchão térmico (RNs de muito baixo peso); ▪ Contato pele a pele (peso acima de 1500grs). Controle térmico durante o transporte ▪ Incubadora previamente aquecida; ▪ Cobrir incubadora, colchão aquecido e manter o RN prematuro em saco plástico. Cuidados térmicos na unidade neonatal Peso ao nascer e IG < 1500 grs 1500 - 2499 > 2500grs < 34s 34-36s >37s 1º dia de vida 33,5 a > 35 32 a 34º 31 a 34º 2º dia de vida 33 a 35º 31,5 a 33,5 30,5 a 33,5 3º dia de vida 33 a 34º 31,2 a 33,4 30,1 a 33,2 4º dia de vida 33 a 34º 31 a 33,2 29,8 a 32,8 5-14 dias de vida 33 a 34º 31 a 33 29 a 32,5 Hipertermia ▪ Esta condição não é freqüente em RNs prematuros, mas são importantes os riscos da exposição fetal à febre materna e a associação entre hipertermia fetal/neonatal e lesão cerebral. ▪ Temperatura corporal acima de 37,5ºC. Causas: ▪ Condições com febre materna: anestesia peridural, corioamnionite, infecção urinária; ▪ Condições do RN: infecção, desidratação, disfunção do sistema nervoso, medicação; ▪ Condições ambientais de superaquecimento: falha no controle de temperatura do berço ou da incubadora. ATENÇÃO AO RN DE BAIXO PESO: MÉTODO CANGURU MÉTODO CANGURU ▪ É um tipo de assistência neonatal que implica no contato pele a pele o mais cedo possível entre os pais e o RN; ▪ De forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem como suficiente, promovendo autonomia e competência parental a partir do suporte da equipe. Pilares do Método ▪ Acolhimento ao bebê e a sua família; ▪ Respeito as individualidades; ▪ Promoção de vínculos; ▪ Envolvimento da mãe nos cuidados do bebê; ▪ Estímulo e suporte para o AM; ▪ Construção de redes de suporte. Vantagens ▪ Redução do tempo de separação; ▪ Aumento do vínculo; ▪ Estímulo ao AM; ▪ Aumento da competência e confiança dos pais no cuidado com o filho; ▪ Controle térmico; ▪ Melhor relacionamento da família com a equipe; Vantagens ▪ Estímulo sensorial adequado; ▪ Redução de infecções hospitalares; ▪ Redução do estresse e da dor dos RNs; ▪ Melhor qualidade do desenvolvimento neurocomportamental e psicoafetivo dos RNs de baixo peso. Critérios para ingresso na unidade canguru ▪ Relativos ao bebê: Estabilidade clínica; Nutrição enteral plena – seio materno, sonda gástrica ou copo; Peso mínimo – 1200 grs. Critérios para ingresso na unidade canguru ▪ Relativos a mãe: Desejo de participar, disponibilidade de tempo e de redes de apoio; Capacidade de reconhecer sinais de estresse e situações de risco do RN; Conhecimento e habilidade para manejar o bebê em posição canguru. Slide 1: Prematuridade Slide 2 Slide 3 Slide 4: Classificação (IG) Slide 5 Slide 6: Controle Térmico Slide 7: Conceito e importância do controle térmico Slide 8: Desequilíbrio entre perdas e produção de calor no RN pré termo Slide 9: O controle térmico depende da IG e pós natal, do peso de nascimento e das condições clínicas do RN. Slide 10: Quanto menor a IG e pós natal, pioro estado clínico do RN pré termo, maior será a necessidade de suporte térmico ambiental para mantê-lo normotérmico. Slide 11 Slide 12: Além da prematuridade, a hipoxia e a RCIU são condições que comprometem a termogênese neonatal e aumentam o risco de hipotermia. Slide 13: Mecanismos de perda de calor no período neonatal Slide 14: Mecanismos de perda de calor no período neonatal Slide 15: Hipotermia Slide 16: Fatores de risco Slide 17: Fatores de risco Slide 18: A OMS recomenda que todos os RNs sejam mantidos em temperatura de no mínimo 26ºC Slide 19: Quadro Clínico Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23: Tratamento Slide 24 Slide 25 Slide 26: Prevenção Slide 27: É desejável que no final da assistência em sala de parto a temperatura axilar do RN esteja em torno de 36,5ºC Slide 28: Barreiras contra perda de calor Slide 29: Fonte externa de calor Slide 30: Controle térmico durante o transporte Slide 31 Slide 32: Cuidados térmicos na unidade neonatal Slide 33: Hipertermia Slide 34: Causas: Slide 35: ATENÇÃO AO RN DE BAIXO PESO: MÉTODO CANGURU Slide 36: MÉTODO CANGURU Slide 37: Pilares do Método Slide 38: Vantagens Slide 39: Vantagens Slide 40: Critérios para ingresso na unidade canguru Slide 41: Critérios para ingresso na unidade canguru Slide 42