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1 CLÍNICA MÉDICA Thiago Aragão Leite TUBERCULOSE Tuberculose Clínica Médica 2 CASO CLÍNICO JFS, 38 anos, sexo masculino, comparece à consulta no ambulatório de infectologia com queixa de tosse produtiva e febre baixa há cerca de 4 semanas. O paciente relata perda de apetite e emagre- cimento de 6 kg no último mês. Ele também menciona que apresenta sudorese noturna e sensação de fraqueza. JFS trabalha como motorista de transporte público e mora com a esposa e dois filhos. Ao exame físico, o paciente encontra-se emagrecido e com sinais de desconforto respiratório leve. Na ausculta pulmonar, nota-se crepitação fina em Ápice pulmonar direito. Não há linfonodos palpáveis. Os demais sistemas não apresentam alterações. Diante do quadro clínico e epidemiológico, suspeita-se de tuberculose pulmonar. Solicita-se bacilos- copia do escarro e radiografia de tórax. A radiografia revela presença de cavitação no lobo superior direito. A baciloscopia do escarro confirma a presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR). Com base no diagnóstico de tuberculose pulmonar, é iniciado o tratamento com esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol) por 2 meses, seguido de Rifampicina e Isoniazida por mais 4 meses. O paciente é orientado sobre a importância da adesão ao tratamento e sobre os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos. A equipe de saúde realiza a busca ativa dos contatos domiciliares e orienta-os a realizar o teste tuberculínico. Após um mês de tratamento, JFS apresenta melhora clínica, com redução da tosse e da febre. A baci- loscopia de controle mostra redução significativa dos bacilos. A adesão ao tratamento é reforçada, e o paciente segue acompanhado pela equipe de saúde. Resumo sobre diagnóstico e tratamento da tuberculose: DIAGNÓSTICO: 1. Anamnese e exame físico: identificação de sinais e sintomas sugestivos de tuberculose, como tos- se produtiva, febre, emagrecimento, sudorese noturna e alterações na ausculta pulmonar. 2. Radiografia de tórax: pode mostrar infiltrado intersticial, consolidação, cavitação ou adenomega- lia hilar. 3. Baciloscopia do escarro: exame direto que identifica a presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR). É fundamental para confirmar o diagnóstico e avaliar a resposta ao tratamento. 4. Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB) 5. Cultura para Mycobacterium tuberculosis: mais sensível e específica que a baciloscopia, porém com tempo de resultado mais demorado. 6. Teste tuberculínico: útil na investigação de casos latentes e na busca ativa de contatos. Tuberculose 3 TRATAMENTO: 1. Esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol) por 2 meses, seguido de Rifam- picina e Isoniazida por mais 4 meses. Esse esquema é o padrão para o tratamento de tuberculose pulmonar sensível aos medicamentos. 2. Acompanhamento clínico e laboratorial: monitoramento da resposta ao tratamento e dos possí- veis efeitos colaterais dos medicamentos. Baciloscopia de controle deve ser realizada ao final do segundo mês de tratamento e, se necessário, novamente após o término do esquema. 3. Adesão ao tratamento: é fundamental para o sucesso terapêutico e prevenção de resistência aos medicamentos. O tratamento diretamente observado (TDO) pode ser empregado para garantir a adesão. 4. Investigação e acompanhamento dos contatos: busca ativa dos contatos domiciliares e la- borais, orientação quanto ao teste tuberculínico e, se necessário, tratamento da infecção latente. 5. Abordagem de casos de resistência aos medicamentos: em situações de resistência ou falha terapêutica, é necessário ajustar o esquema de tratamento com base nos resultados de testes de sensibilidade e orientação de especialistas em infectologia. 6. Ações de controle e prevenção: além do tratamento adequado dos casos, ações de promo- ção da saúde, como melhorias nas condições de moradia, alimentação e acesso aos serviços de saúde, são fundamentais para a redução da incidência e prevalência da tuberculose. No caso de JFS, o diagnóstico de tuberculose pulmonar foi confirmado pela presença de sintomas sugestivos, achados radiológicos e baciloscopia positiva. O tratamento com esquema RIPE foi iniciado, e o paciente apresentou melhora clínica e laboratorial. A adesão ao tratamento e a busca ativa dos contatos foram medidas importantes para garantir o sucesso terapêutico e prevenir a disseminação da doença. QUESTÕES COMPLEMENTARES DO CASO CLÍNICO Questão 1 Discursiva Quais são os principais sintomas e achados clínicos associados à tuberculose pulmonar e como eles se manifestaram no caso de JFS? Questão 2 Discursiva Descreva os principais exames utilizados para o diagnóstico da tuberculose pulmonar e como eles foram aplicados no caso de JFS. Tuberculose Clínica Médica 4 Questão 3 Discursiva Aborde os aspectos epidemiológicos da tuberculose e como eles se relacionam com o caso clínico de JFS. Questão 4 Discursiva Explique o tratamento padrão da tuberculose pulmonar sensível e como ele foi aplicado no caso de JFS. Questão 5 Discursiva Defina infecção latente por tuberculose e descreva como a investigação e o tratamento dessa con- dição são importantes no controle da doença. GABARITO Questão 1 Discursiva Os principais sintomas e achados clínicos associados à tuberculose pulmonar incluem tosse produ- tiva, hemoptise, febre, sudorese noturna, emagrecimento, astenia e dor torácica. No caso de JFS, ele apresentou tosse produtiva com expectoração purulenta, febre, sudorese noturna e perda de peso, sugerindo uma infecção pulmonar por Mycobacterium tuberculosis. Questão 2 Discursiva Os principais exames utilizados para o diagnóstico da tuberculose pulmonar são baciloscopia do escarro, cultura para Mycobacterium tuberculosis, teste molecular rápido (TMR-TB) e radiografia de tórax. No caso de JFS, a baciloscopia do escarro mostrou bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) e a radiografia de tórax revelou cavitação no lobo superior direito, confirmando o diagnóstico de tuberculose pulmonar. Questão 3 Discursiva A tuberculose é uma doença infecciosa de alta prevalência em países em desenvolvimento, com cerca de 10 milhões de novos casos e 1,4 milhões de mortes por ano. A transmissão ocorre principalmente através de gotículas de saliva liberadas no ar por indivíduos infectados. No caso de JFS, ele vive em uma comunidade com alta prevalência de tuberculose e em condições precárias de moradia, o que aumenta o risco de transmissão e infecção. Tuberculose 5 Questão 4 Discursiva O tratamento padrão da tuberculose pulmonar sensível consiste em um esquema de quatro medica- mentos: isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol (RIPE), sendo os 4 utilizamos juntos durante os primeiros 2 meses, seguidos da manutenção com o uso de Rifampicina e Isoniazida (RI) durante 4 meses, com acompanhamento clínico e laboratorial. No caso de JFS, ele iniciou o tratamento com o esquema RIPE e apresentou melhora clínica e laboratorial, com baciloscopia negativa após dois meses de tratamento. Questão 5 Discursiva A infecção latente por tuberculose ocorre quando o indivíduo é infectado pelo Mycobacterium tuber- culosis, mas não desenvolve a doença ativa. Esses indivíduos têm um risco maior de desenvolver tuberculose ativa ao longo da vida, especialmente se houver comprometimento do sistema imuno- lógico. A investigação e o tratamento da infecção latente, principalmente em contatos próximos de pacientes com tuberculose pulmonar, são importantes no controle da doença, pois reduzem o risco de progressão para a forma ativa e, consequentemente, a transmissão da infecção. O tratamento da infecção latente pode ser realizado com isoniazida isolada. 6 MATERIAL COMPLEMENTAR DO CASO CLÍNICO Material complementar do caso clínico 7 TUBERCULOSE TUBERCULOSE PULMONAR SI M N ÃO Si nt om as c lá ss ic os : To ss e pe rs is te nt e, fe br e ve sp er tin a, su do re se n ot ur na e e m ag re ci m ento Si nt om át ic o re sp ira tó rio N BZ c om s al in a hi pe rtô ni ca 3 % (S F0 ,9 % 5 m L + 0, 5m L de N aC l 2 0% ) Av al ia r d ia gn ós tic os di fe re nc ia is Se s us pe ita e le va da , s ol ic ita r av al ia çã o co m pl em en ta r Ba ci lo sc op ia d o es ca rro (0 3 am os tra s) So lic ita r cu ltu ra So lic ita r T SA Av al ia r d ia gn ós tic os di fe re nc ia is . Se s us pe ita e le va da , so lic ita r a va lia çã o co m pl em en ta r Re al iz ar T RM Di ag nó st ic o es ta be le ci do Co m re si st ên ci a à Ri fa m pi ci na Se m re si st ên ci a à Ri fa m pi ci na M an té m si nt om as ? Ex cl uí do di ag nó st ic o Ra io -X co m pa tív el ? Pr es en ça d e es ca rro ? M TB D ET EC TA DO M TB N ÃO DE TE CT AD O · I nd iv íd uo c om to ss e po r ≥ 3 s em an as · P riv ad os de lib er da de : to ss e po r ≥ 2 se m an as · P es so as v iv en do c om H IV o u em s itu az çã o de ru a: in de pe nd en te d o te m po ·I nd íg en as : i nd ep en de nt e do te m po TR M d is po ní ve l TR M in di sp on ív el ≥1 B AA R po si tiv o Ra io -X s ug es tiv o 1 BA AR p os iti vo Ra io -X n ão s ug es tiv o BA AR n eg at iv os Ra io -X n ão s ug es tiv o • Re pe tir T RM • So lic ita r c ul tu ra • So lic ita r T SA • En ca m in ha r p ar a Re fe rê nc ia 3 ª • So lic ita r T C de tó ra x; • So lic ita r L BA (e nv io d o m at er ia l pa ra b ac ilo sc op ia e T RM ); • So lic ita r c ul tu ra • So lic ita r T SA In ic ia r E sq ue m a Bá si co In ic ia r E sq ue m a Bá si co • So lic ita r T C de tó ra x se m c on tra st e • So lic ita r c ul tu ra p ar a m ic ob ac té ria s nã o tu be rc ul os as c om T SA • Av al ia r p os si bi lid ad e de m ic ob ac té ria nã o tu be rc ul os e SI M SI M N ÃO N ÃO LE G EN D A TR M – T es te R áp id o M ol ec ul ar BA AR – p es qu is a de b ac ilo á lc oo l-á ci do -re si st en te o u ba - ci lo sc op ia TS A – Te st e de S en si bi lid ad e An tim ic ro bi an a TC – T om og ra fia C om pu ta do riz ad a Material complementar do caso clínico Clínica Médica 8 Incidência global de tuberculose ativa (Pulmonar e Extrapulmonar). Relatório Global de Tuberculose 2021. Or- ganização Mundial da Saúde, 12, figura 13. CLÍNICA Os sintomas clássicos incluem tosse persistente, febre (geralmente vespertina), sudorese noturna e perda ponderal. É considerado suspeito qualquer indivíduo com tosse por ≥3 semanas. Exceções para esse período são pessoas privadas de liberdade (≥ 2 semanas), pessoas com HIV, situação de rua ou indígenas (independente do tempo). DIAGNÓSTICO Os principais exames que auxiliam no diagnóstico são: u Baciloscopia (BAAR) u Teste rápido molecular (TRM) u Cultura para micobatéria u Diagnóstico Histopatológico u Teste tuberculínico (PPD) u Exames de imagem (TC de tórax e Raio-X de tórax) Material complementar do caso clínico 9 Espectro diagnóstico da Tuberculose. Adaptado de Pai, M., Behr, M., Dowdy, D. et al. Tuberculosis. Nat Rev Dis Primers 2, 16076 (2016). https://doi.org/10.1038/nrdp.2016.76 Algumas considerações importantes sobre os métodos diagnósticos: u A amostra representativa do escarro (BAAR) deve conter <10 células epiteliais/campo e > 25 PMN/ campo e possui uma sensibilidade de 65%. O escarro induzido pode ser feito com nebulização nebulização com salina hipertônica a 3% (SF0,9% 5mL + 0,5ml de NaCl 20%) e pode ser usada em pacientes com suspeita de tuberculose pulmonar e sem adequado material proveniente da arvore brônquica. u O TRM fornece o resultado dentro de 2h e também define a resistência a rifampicina. Trata-se de uma reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real para extração, amplificação e detecção do DNA do Mycobacterium tuberculosis e triagem de cepas resistentes à rifampicina. A sensibilida- de de 90%. A sensibilidade para detecção de resistência à rifampicina é de 95%. A especificidade do teste é de 99% para detecção do M. tuberculosis, e de 98% para a resistência à Rifampicina. A técnica está padronizada para ser realizada em escarro, escarro induzido, lavado broncoalveolar, lavado gástrico, liquor, linfonodos e macerado de tecido. u A cultura é um exame com indicações específicas: suspeita de TB clínica ou radiológica com múl- tiplos BAAR negativos, suspeita com BAAR paucibacilar, dificuldade de obtenção de escarro ou suspeita de infecção por micobactéria não tuberculose. u O PPD basicamente utilizado para diagnóstico de infecção ativa em crianças e para diagnóstico de infecção latente (adultos e crianças). Material complementar do caso clínico Clínica Médica 10 MÉTODOS DE IMAGEM Imagem 1: Aspecto pós-mortem de um pulmão infectado pelo M.tuberculosis. Fonte: Case courtesy of Dr Yale Ro- sen, Radiopaedia.org, rID: 8633 Há cicatrizes e cavitações proeminentes, afetando predominantemente o aspecto apical do pulmão direito, juntamente com consolidação pneumônica leve de fundo. Essas alterações macroscópicas estão relacionadas ao dano tecidual contínuo em um nível micros- cópico (necrose caseosa) com resultante cicatrização parenquimatosa e formação de cisto. Os aspectos apicais do pulmão são mais comumente afetados; isso pode estar relacionado a maiores tensões de oxigênio ou mecanismos de depuração tecidual prejudicados. Complexo de Ranke (nódulos e linfonodo hilar calcifica- dos do mesmo lado) na Tuberculose primária. Fonte: Case courtesy of Dr Hunor Sukosd, Radiopaedia.org, rID: 43101 Material complementar do caso clínico 11 As principais alterações do raio-X da tuberculose incluem: TB primária: pequena opacidade parenquimatosa unifocal, acometendo mais os lo- bos superiores, na infância, e os lobos médio e inferior, nos adultos TB pós-primária: Pequenas opacidades de limites imprecisos, imagens segmenta- res ou lobares de aspecto heterogêneo, pequenos nódulos e/ou estrias Forma miliar: pequenas opacidades nodulares medindo de 1-3mm de diâ- metro, distribuídas de forma simétrica em ate 90% dos casos Sequela de TB: Nódulos pulmonares densos, com calcificação visí- vel ou não principalmente em lobos superiores e região hilar As principais alterações da tomografia de tórax na tuberculose incluem: Imagem 2: Opacidades irregulares multifocais no lobo superior direito com espessamento e desvio para cima da fissura menor. Fonte: Case courtesy of Assoc Prof Frank Gaillard, Radiopaedia.org, rID: 8632 Material complementar do caso clínico Clínica Médica 12 Imagem 3: Radiografias torácicas (posteroanterior e visões la- terais) demonstrando reativação cavitarista da infecção latente da tuberculose no segmento apical posterior do lobo superior direito. Fonte: UpToDate - Crapo JD, Glassroth J, Karlinsky JB, King TE. Livro de Doenças Pulmonares de Baum, 7ª Edição. Fi- ladélfia: Lippincott Williams & Wilkins, 2004. Direitos autorais © 2004 Lippincott Williams & Wilkins. Tuberculose miliar. Micronódulos distribuídos aleatoriamente em ambos os pulmões. Não há consolidação ou líquido pleu- ral e nenhum aumento nodal mediastinal ou hilar. Fonte: Case courtesy of Dr Mark Holland, Radiopaedia.org, rID: 20025 Material complementar do caso clínico 13 Cavidades de paredes espessas Nódulos centrolobulares de distribuição segmentar Nódulos centrolobulares confluentes Consolidações Espessamento de paredes brônquicas Espessamento bronquiolar “Árvore em fluorescência” Bronquiectasias Massas Área de nódulos centrolobulares com padrão de ár- vore em brotamento. Fonte: Case courtesy of The Radswiki, Radiopaedia.org, rID: 12039 Alguns cuidadosdevem ser tomados em pacientes que estejam em investigação: Caso o paciente esteja internado durante investigação, deve permanecer em precaução de aerossóis até afastar tuberculose pulmonar Se o diagnóstico for confirmado, após 15 dias de tratamento, acompanhados de melhora clínica, pode-se retirar o paciente da precaução respiratória Se suspeita de Tuberculose Resistente, deve-se aguardar a negativação da baciloscopia para suspensão das precauções Material complementar do caso clínico Clínica Médica 14 TRATAMENTO QUANDO ENCAMINHAR PARA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS? Tratamentos especiais: hepatopatias, efeitos colaterais maiores, HIV/AIDS e uso de imonossupressores Falência por multirresistência, mono e polirressistência QUANDO INTERNAR? Hemoptise moderada a grave Instabilidade clínica associada à doença ou doenças de base Insuficiência respiratória aguda Intolerância grave aos tuberculostáticos Casos não bacilíferos em propedêutica diagnóstica Critério social (principalmente em pacientes com fatores de risco para má adesão ao tratamento) ESQUEMA BÁSICO REGIME FÁRMACOS FAIXA DE PESO UNIDADE/ DOSE POR VIA ORAL MESES 2RHZE FASE INTENSIVA Rifampicina 150mg + Isoniazida 75mg + Pirazinamida 400mg + Etambutol 275mg (dose fixa combinada) 20-35Kg 2 comprimidos 236-50Kg 3 comprimidos >50Kg 4 comprimidos 4RH FASE MANUTENÇÃO Rifampicina 150mg + Isoniazida 75mg (dose fixa combinado) 20-35Kg 2 comprimidos 436-50Kg 3 comprimidos >50Kg 4 comprimidos ESQUEMA TERAPÊUTICO Regime Fármaco Peso Dose Meses Fase intensiva RIPE Rifampicina Isoniazida Pirazinamida Etambutol RIPE (comprimido em dose fixa combinada: 150 /75 /400 /275) 20 a 35Kg 2 comprimidos 2 36 a 50Kg 3 comprimidos > 50Kg 4 comprimidos Fase de consolidação RI Rifampicina Isoniazida RI (comprimido em dose fixa combinada: 150/75) 20 a 35Kg 2 comprimidos 436 a 50Kg 3 comprimidos > 50Kg 4 comprimidos Material complementar do caso clínico 15 EVENTOS ADVERSOS MENORES Efeito adverso Fármaco Orientações Náusea, vômito, dor abdominal Rifampicina Isoniazida Pirazinamida Etambutol Reformular o horário da administração da medicação (2h após o café da manhã ou com o café da manhã); considerar o uso de medicação sintomática; e avaliar a função hepática Suor/urina de cor avermelhada Rifampicina Orientar Prurido ou exantema leve Isoniazida Rifampicina Medicar com anti-histamínico Dor articular Pirazinamida Isoniazida Medicar com analgésicos ou anti- inflamatórios não hormonais Neuropatia periférica Isoniazida (comum) Etambutol Medicar com piridoxina (vitamina B6) 50 mg/dia Hiperuricemia sem sintomas Pirazinamida Orientar dieta hipopurínica Hiperuricemia com artralgia Pirazinamida Etambutol Orientar dieta hipopurínica e medicar com alopurinol e colchicina, se necessário Cefaleia, ansiedade, euforia, insônia Isoniazida Orientar EVENTOS ADVERSOS MAIORES Exantema ou hipersensibilidade de moderada a grave Rifampicina Isoniazida Pirazinamida Etambutol Estreptomicina Suspender o tratamento; reintroduzir os medicamentos um a um após a resolução do quadro; substituir o esquema nos casos reincidentes ou graves, por esquemas especiais sem a medicação causadora do efeito Psicose, crise convulsiva, encefalopatia tóxica ou coma Isoniazida Suspender a isoniazida e reiniciar esquema especial sem a referida medicação Neurite óptica Etambutol Suspender o etambutol e reiniciar esquema especial sem a referida medicação. Hepatotoxicidade Pirazinamida Isoniazida Rifampicina Suspender o tratamento; aguardar a melhora dos sintomas e redução dos valores das aminotransferases; reintroduzir um a um após avaliação da função hepática Hipoacusia, vertigem, nistagmo Estreptomicina Suspender a estreptomicina e reiniciar esquema especial sem a referida medicação Trombocitopenia, leucopenia, eosinofilia, anemia hemolítica, agranulocitose, vasculite Rifampicina Suspender a rifampicina e reiniciar esquema especial sem a referida medicação Nefrite intersticial Rifampicina Rabdomiólise com mioglobinúria e insuficiência renal Pirazinamida Suspender a pirazinamida e reiniciar esquema especial sem a referida medicação Material complementar do caso clínico Clínica Médica 16 INTERAÇÕES COM MEDICAMENTOS DE 1ª LINHA ISONIAZIDA Antiácidos ↓ absorção Carbamazepina Indução de toxicidade Derivados imidazólicos ↓ absorção Cicloserina Maior neurotoxicidade Fenil hidantoinatos Maior hepatotoxicidade Corticoides Maior metabolismo Acetaminofen ↓ metabolismo Queijos e vinhos inibição da MAO Benzodiazepínicos ↑ seu efeito Sulfonilureias Hipoglicemia RIFAMPICINA Anticoagulantes orais ↓ nível sérico Enalapril ↓ nível sérico Anticoncepcionais ↓ nível sérico Metadona ↓ nível sérico Hipoglicemiantes orais ↓ nível sérico Narcóticos e analgésicos ↓ nível sérico Beta agonistas ↓ nível sérico Propafenona ↓ nível sérico Cetoconazol ↓ nível sérico Fenil hidantoinas Maior hepatotoxicidade Corticoides ↓ nível sérico Sulfas Maior hepatotoxicidade Digitálicos ↓ nível sérico Sulfonilureias Hipoglicemia PIRAZINAMIDA Cetoconazol (maior hepatotoxicidade) ETAMBUTOL Antiácidos (↓ absorção) CONTROLE DE TRATAMENTO Baciloscopias mensais: são indispensáveis as do 2º, 4º e 6º meses Acompanhamento clínico mensal Pacientes bacilíferos: pelo menos 2 BAAR negativos (1 durante o tratamento e 1 ao final) Material complementar do caso clínico 17 INFECÇÃO LATENTE PELA TUBERCULOSE Idade ≥10 anos Contato íntimo* Tosse persistentes Febre vespertina Sudorese noturna Emagrecimento Solicitar o PPD ≥ 5mm Assintomático Investigar tuberculose Excluída tuberculose Retomar fluxo- grama de ILTB Definido diagnóstico Fluxograma Tuberculose Pulmonar Soroconversão *Toda pessoa que vive no mesmo ambiente com o caso índice, no momento do diagnóstico da TB. O convívio ocorre em casa e/ou em ambientes de trabalho, instituições de longa permanência, escola ou pré-escola. Deve-se individualizar avaliação conforme a forma da doença, tipo de exposição e ambiente < 5mm Sem soroconversão Suspeito Quadro “Principais exames diagnósticos” Normal Alta médicaRepetir PPD com 8 semanas Solicitar raio-X de tórax Solicitar TC de tórax sem contraste, BAAR, TRM e avaliar LBA Tratar ILTB* Isoniazida 5mg/kg a 10 mg/kg de peso até a dose máxima de 300mg/ dia (03 comprimidos), por 06 meses. Solicitar: BAAR; TRM Raio-X de tórax Sintomático Material complementar do caso clínico Clínica Médica 18 CONTROLE DOS CONTATOS Toda pessoa que convive no mesmo ambiente com o caso índice, no momento do diagnóstico da TB. O convívio pode se dar em casa e/ou em ambientes de trabalho, instituições de longa permanência, escola ou pré-escola. Individualizar avaliação conforme forma da doença, tipo de exposição e ambiente Orientar que todos os contatos identificados procurem unidade de saúde para avaliação (anamnese e exame físico) Pacientes sintomáticos deverão ter doença em atividade afastada com RX de tórax, baciloscopia Pacientes assintomáticos deverão realizar PPD e realizar tratamento de infecção latente por tuberculose (ILTB) com base no resultado deste exame. Conversão do PPD: incremento ≥10mm em relação ao exame anterior Contatos portadores de infecção pelo HIV deverão tratar ILTB independente de resultado do PPD Tratamento de ILTB (ou quimioprofilaxia secundária): Isoniazida 5mg/kg a 10 mg/ kg de peso até a dose máxima de 300mg/dia (03 comprimidos), por 06 meses.