Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

DIREITOS 
HUMANOS 
Fernanda 
Franklin Seixas 
Revisão técnica:
Renato Selayaram
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais
Especialista em Ciências Políticas 
Mestre em Direito
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin — CRB 10/2147
A658d Arakaki, Fernanda Franklin Seixas.
Direitos humanos [recurso eletrônico] / Fernanda Franklin 
Seixas Arakaki, Guérula Mello Viero [revisão técnica: Renato 
Selayaram]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018.
ISBN 978-85-9502-537-0
1. Direitos humanos I. Viero, Guérula Mello. II.Título.
CDU 342.7
O sistema interamericano 
de proteção dos 
direitos humanos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Definir o que é a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos 
Humanos.
  Analisar a origem e os objetivos do sistema interamericano de proteção 
dos direitos humanos.
  Explicar o procedimento do sistema interamericano de proteção dos 
direitos humanos.
Introdução
Estudar o sistema interamericano de proteção aos direitos humanos é 
analisar o processo de universalização desses direitos e a formação de 
sistemas de garantia no contexto do continente americano, verificando 
a sua origem e os seus objetivos, bem como a sua normatização, a sua 
positivação, o seu procedimento e a sua efetividade.
Neste capítulo, você vai estudar a definição da Comissão Interameri-
cana de Direitos Humanos (CIDH) e da Corte Interamericana de Direitos 
Humanos (CorteIDH) e vai aprender sobre a origem, os objetivos e o pro-
cedimento do sistema interamericano de proteção aos direitos humanos.
A análise do sistema interamericano de proteção aos direitos humanos 
contribuirá para um aprendizado dinâmico de suma relevância às relações 
humanas, extremamente valiosas ao estudo do Direito, estimulando o 
raciocínio crítico e a reflexão como cidadão e como profissional, iden-
tificando e compreendendo as relações interamericanas e os direitos 
humanos.
A Comissão e a Corte Interamericana 
de Direitos Humanos
O processo de universalização dos direitos humanos acarretou a formação 
de sistemas globais de proteção a esses direitos. Desenvolveu-se o sistema 
global de proteção da Organização das Nações Unidas (ONU) e os sistemas 
regionais de proteção: o sistema interamericano, o sistema europeu e o sistema 
africano. Para simplifi car, podemos esquematizar o sistema de proteção aos 
direitos humanos conforme a Figura 1.
Figura 1. Sistema de proteção aos direitos humanos.
Direitos internacionais
dos direitos humanos
(sistema internacional
de proteção dos
direitos humanos)
Sistema global de
proteção da ONU
Sistemas regionais
de proteção
Sistema
interamericano
Sistema europeu
Sistema africano
O sistema interamericano de proteção aos direitos humanos é bifásico e 
possui dois órgãos distintos e permanentes: a CIDH e a CorteIDH.
Comissão Interamericana de Direitos Humanos
A CIDH é um órgão administrativo e autônomo da Organização dos Estados 
Americanos (OEA), criado em 1959 pela própria OEA, com sede em Washing-
ton, D.C. Possui como integrantes sete membros independentes, eleitos pela 
Assembleia Geral, que não necessariamente possuem formação jurídica — são 
pessoas de alta autoridade moral e com reconhecido saber em direitos humanos 
(art. 1.3 do Regulamento da CIDH), que têm como objetivos a promoção e a 
proteção dos direitos humanos nas Américas.
A CIDH possui como base os seguintes tratados do sistema interamericano:
O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos2
  Carta da OEA, de 1948 (alterada em 1970);
  Convenção Americana de Direitos Humanos, de 1969 (em vigor desde 
1978).
Os membros da CIDH exercem mandatos de quatro anos, permitida uma 
reeleição. São representantes de todos os Estados-membros da OEA, e não 
apenas dos seus países de origem, e reúnem-se na sede da Comissão em pelo 
menos duas sessões ao ano.
A CIDH constitui um organismo efetivo de proteção aos direitos humanos 
nos Estados-partes da Convenção Americana de Direitos Humanos, e a sua 
principal função é promover a observância e a proteção dos direitos humanos 
na América. As suas funções incluem fazer recomendações com adoção de 
medidas para a tutela dos direitos convencionados pela OEA, e fazer relatórios 
e solicitar informações sobre violações de direitos humanos dos Estados que 
compõem o CIDH, podendo, para tanto, realizar visitas aos Estados, para 
averiguação da situação que coloca os direitos protegidos em risco, ou para 
elaborar relatórios sobre a situação geral dos direitos humanos.
Segundo o art. 18 do Estatuto da CIDH, tem a Comissão as seguintes 
atribuições com relação aos Estados-membros da Organização (Figura 2):
1. estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América;
2. formular recomendações aos governos dos Estados, no sentido de que 
adotem medidas progressivas em prol dos direitos humanos, no âm-
bito da sua legislação, dos seus preceitos constitucionais e dos seus 
compromissos internacionais, bem como disposições apropriadas para 
promover o respeito a esses direitos;
3. preparar os estudos ou relatórios que considerar convenientes para o 
desempenho das suas funções;
4. solicitar aos governos dos Estados que lhe proporcionem informações 
sobre as medidas que adotarem em matéria de direitos humanos;
5. atender às consultas que, por meio da secretaria-geral da organização, 
formularem os Estados-membros sobre questões relacionadas com os 
direitos humanos e, dentro das suas possibilidades, prestar o assesso-
ramento que solicitarem;
6. apresentar um relatório anual à assembleia geral da organização, no qual 
deve ser levado em conta o regime jurídico aplicável aos Estados-partes da 
Convenção Americana de Direitos Humanos e aos Estados que não o são;
7. fazer observações in loco em um Estado, com a anuência ou a convite 
do governo respectivo;
3O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos
8. apresentar ao secretário-geral o orçamento-programa da Comissão, 
para que o submeta à assembleia geral.
Figura 2. Competências da CIDH.
Competências
da Comissão
Elaborar
relatório
anual
Receber
petições
Receber
comunicações
Esses relatórios são
submetidos à assembleia
geral da OEA
Do indivíduo cujos
direitos humanos foram
violados, de terceiros
ou de organizações
não governamentais
Um Estado pode
denunciar outro que
violou os direitos
humanos
Corte Interamericana de Direito Humanos
A CorteIDH é um órgão judicial e autônomo da OEA. Foi criada pela Con-
venção Americana de Direitos Humanos e possui sede em São José, capital 
da República da Costa Rica.
A CorteIDH é um tribunal composto por sete juízes eleitos dentre juristas da 
mais alta autoridade moral, de reconhecida competência em direitos humanos, 
de acordo com o art. 52 da Convenção Interamericana, não podendo os juízes 
terem mesma nacionalidade:
Art. 52
1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais dos Estados membros da 
Organização, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade 
moral, de reconhecida competência em matéria de direitos humanos, que 
reúnam as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções 
judiciais, de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais, ou do Estado 
que os propuser como candidatos.
2. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade.
Art. 53
1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto da maioria 
absoluta dos Estados Partes na Convenção, na Assembleia Geral da Organi-
zação, de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados.
O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos4
2. Cada um dos Estados Partes pode propor até três candidatos, nacionais do 
Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado membro da Organização 
dos Estados Americanos. Quando se propuser uma lista de três candidatos, 
pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado diferente do proponente.
Art. 54
1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis anos e só poderão 
ser reeleitosuma vez. O mandato de três dos juízes designados na primei-
ra eleição expirará ao cabo de três anos. Imediatamente depois da referida 
eleição, determinar-se-ão por sorteio, na Assembleia Geral, os nomes desses 
três juízes (CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS, 
1969, documento on-line).
Essa Corte tem competência para a interpretação e a aplicação das dispo-
sições da própria Convenção que a criou, a CIDH, e as exerce nos Estados-
-partes que tiverem reconhecido a sua competência. É necessário para sua 
deliberação um quórum mínimo de cinco juízes, e só pode ser acionada pelos 
Estados-partes ou pela CIDH (Figura 3).
Figura 3. Competências da CorteIDH.
Consultiva (é válida para
todos os países do globo
e não só para os Estados
que são membros da OEA)
Contenciosa
Desenvolver análises elucidativas
a respeito do alcance e o impacto
dos dispositivos da Convenção
Uniformizar a interpretação do
Pacto de São José e dos tratados
de direitos da OEA
Analisar a compatibilidade entre
o sistema interamericano de
proteção dos direitos humanos
e a legislação interna dos Estados
É limitada aos Estados-partes da
convenção que reconheceram
expressamente a jurisdição
Para apreciação de denúncias que
envolvem violação, por qualquer
Estado-parte, de direitos protegidos
pela Convenção
5O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos
Origem e objetivos do sistema interamericano 
de proteção dos direitos humanos
A positivação da proteção internacional dos direitos humanos só começou a 
acontecer após a Segunda Guerra Mundial, tendo, inicialmente, como obje-
tivo evitar as barbáries contra seres humanos. Desde então, a proteção aos 
direitos humanos vem se desenvolvendo no decorrer dos tempos e estabele-
cendo garantias mínimas de proteção a esses direitos, no chamado sistema 
de universalização dos direitos humanos, constituído pelo sistema global 
de proteção dos direitos humanos e pelos sistemas regionais de proteção 
(europeu, americano e africano).
A América Latina tem uma grande característica no seu contexto histórico: 
a presença de regimes autoritários e ditatoriais e, como consequência, da 
violência e da impunidade. É também marcada pela transição político-demo-
crática, obrigando os indivíduos a conviverem com as desigualdades sociais 
e o desrespeito pelos direitos humanos. Conforme Piovesan (2012, p. 138):
[...] dois períodos demarcam, assim, o contexto latino-americano: o período 
dos regimes ditatoriais e o período da transição política aos regimes demo-
cráticos, marcado pelo fim das ditaduras militares na década de 80, no Chile, 
no Uruguai e no Brasil.
Dessa forma, a democratização na América Latina, segundo Piovesan 
(2012, p. 139):
[...] tem um duplo desafio: romper em definitivo com o legado da cultura 
autoritária ditatorial e consolidar o regime democrático, com o pleno respeito 
aos direitos humanos, amplamente considerados — direitos civis, políticos, 
econômicos, sociais e culturais.
 Para a autora (PIOVESAN, 2012), é justamente com base nessa inspiração 
que o sistema americano de proteção dos direitos humanos deve ser compreen-
dido. Nesse sentido, desenvolveu-se o sistema regional de proteção americano, 
tendo como alicerce a OEA, criada em 1948 por meio da Carta da OEA, tendo 
como objetivo cumprir nas Américas os ideais da Carta das Nações Unidas.
O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos6
A OEA é um órgão autônomo: trata-se de uma organização internacional que objetiva 
garantir a paz e a segurança no continente americano.
A OEA tem como propósitos, conforme o art. 1º da Carta da OEA (OR-
GANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, 1951):
  garantir a paz e a segurança continentais;
  promover e consolidar a democracia representativa, respeitando o prin-
cípio da não intervenção;
  prevenir as possíveis causas de dificuldades e assegurar a solução 
pacífica das controvérsias que surjam entre seus membros;
  organizar a ação solidária destes em caso de agressão;
  procurar a solução dos problemas políticos, jurídicos e econômicos que 
surgirem entre os Estados-membros; 
  promover, por meio da ação cooperativa, seu desenvolvimento econô-
mico, social e cultural;
  erradicar a pobreza crítica, que constitui um obstáculo ao pleno desen-
volvimento democrático; e 
  alcançar uma efetiva limitação de armamentos convencionais que per-
mita dedicar a maior soma de recursos ao desenvolvimento econômico-
-social dos Estados-membros (art. 2º da Carta da OEA).
A Carta da OEA também culminou na aprovação da Declaração Ame-
ricana de Direitos e Deveres do Homem, em 1948, um dos mais relevantes 
instrumentos de proteção internacional dos direitos humanos. Na sequência, em 
1959, foi instituída a CIDH, para mais tarde ser criada a Convenção Americana 
de Direitos Humanos, mais conhecida como Pacto de São José da Costa Rica.
A Convenção Americana de Direitos Humanos disciplina os deveres dos Estados-membros 
e estrutura o sistema interamericano de proteção dos direitos humanos, prevendo a 
instauração de uma Corte para julgar as violações ocorridas nas Américas pelos Estados 
que expressamente se submeterem a ela, reconhecendo a competência da Corte.
7O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos
Destaca-se que a Convenção entrou em vigor depois de onze ratificações, 
ocorrendo em 1978 e originando, no ano seguinte, a Corte Interamericana de 
Direitos Humanos.
Para entender melhor alguns conceitos relacionados a este capítulo, leia o estudo de 
Flávia Piovesan intitulado “Sistema interamericano de proteção dos direitos humanos: 
impactos, desafios e perspectivas à luz da experiência brasileira” (PIOVESAN, 2012), 
disponível no link a seguir:
https://goo.gl/baPU4u
Procedimentos do sistema interamericano 
de proteção dos direitos humanos
Os procedimentos do sistema interamericano podem se dar na Comissão ou 
na Corte, conforme veremos a seguir.
Procedimentos na Comissão
Legitimados — Qualquer pessoa, grupo de pessoas ou entidade não go-
vernamental de Estado-parte (art. 44 da CIDH), no seu próprio nome ou no 
de terceiros, pode apresentar petições para denunciar violações dos direitos 
humanos contra um ou mais Estados da OEA. Os Estados-partes podem 
denunciar supostas ofensas incorridas por outros Estados-membros, contanto 
que reconheçam eles próprios a competência da Comissão para examinar 
violações suas (art. 45 da CIDH).
Uma pessoa pode ser, ao mesmo tempo, parte peticionária e suposta vítima em uma 
denúncia.
O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos8
Direcionamento — As petições devem ser enviadas para a Comissão Inte-
ramericana de Direitos Humanos (OEA, 1889 F Street, N. W., Washington, 
D.C., 20006 — Estados Unidos). A petição também pode ser enviada por fax 
para o número (1-202) 458-3992.
Destaca-se que o sistema interamericano não é instância de apelação de decisões 
internas, não sendo competente para examinar erros de direito ou de fato que possam 
ter sido cometidos pelos tribunais internos dos Estados-partes. Na verdade, o sistema 
interamericano de proteção dos direitos humanos é subsidiário e complementar do 
sistema interno do Estado-parte, que atuará quando houver descaso em violação 
dos direitos humanos.
Recebimento — Na sequência, a corte fará o registro e o recebimento da 
petição e passará ao exame de admissibilidade.
Requisitos de admissibilidade — Para ser admitida uma comunicação de 
violação à Convenção, é preciso preencher os seguintes requisitos, entre outros:
  interposição e esgotamento de todos os recursos de direito no âmbito 
interno;
  decurso de, no máximo, seis meses desde a decisão final sobre o caso 
já levado a julgamento (art. 46, b, da CADH);
  inexistência de outros processos no âmbito internacional acerca dos 
fatos denunciados (art. 46, c, da CADH);
  qualificação do denunciante (art. 46, d, da CADH);
  os fatos denunciados devem representar violação da Convenção (art. 
47, b, da CADH);
  a comunicação não pode ser manifestamenteinfundada (art. 47, c, da 
CADH);
  a comunicação não pode ter sido apresentada anteriormente, em termos 
semelhantes, à Comissão ou outros órgãos internacionais (art. 47, d, 
da CADH).
9O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos
As exigências de interposição e esgotamento de todos os recursos de direito interno 
e de decurso máximo de seis meses desde a decisão final sobre o caso podem não 
ser impostas quando inexistir previsão de devido processo legal para apurar ofensas 
aos direitos garantidos pela Convenção (art. 46.2, a, da CADH), quando o ofendido 
tiver sido impedido de utilizar os recursos possíveis (art. 46.2, b, da CADH), ou quando 
houver demora injustificada para decidir o caso (art. 46.2, c, da CADH).
Comunicação de violação ao Estado — Após receber a comunicação de 
violação, a Comissão deverá notifi car o Estado, enviando alguns trechos da 
petição que entender pertinentes ao Estado em que ocorreu a suposta viola-
ção (art. 30.2 da CADH). A Comissão poderá, se o caso for grave e urgente, 
investigar imediatamente a denúncia (art. 48.2 da CADH).
Fase escrita/defesa — O Estado terá dois meses, prorrogáveis por mais um, 
para apresentar resposta (art. 30.3 da CADH).
Manifestação do peticionário sobre a defesa — A corte deverá abrir oportuni-
dade ao peticionário para manifestação sobre a resposta do Estado (art. 38.1 da 
CADH), dentro de dois meses, prorrogáveis por mais um (art. 38.1 da CADH).
Manifestação do Estado-parte — Oferecida manifestação do peticionário, 
o Estado-parte terá igual prazo para apresentar suas observações (art. 38.1 
da CADH).
Saneamento — Após as novas informações, a Comissão decidirá pelo 
 arquivamento da comunicação ou pela continuação do seu processamento 
(art. 48.1 da CADH).
Solução amistosa — Destaca-se que, em qualquer fase do processo, as partes 
podem optar por uma solução amistosa; nesse caso, a Comissão elaborará um 
relatório e o encaminhará ao peticionário, aos Estados-partes da Convenção 
e ao secretário-geral da OEA.
O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos10
Submissão do caso à Corte — Caso não haja solução amistosa, a Comissão 
deverá produzir um relatório com os votos divergentes (art. 50.1 da CADH), 
as exposições escritas e verbais dos interessados (art. 50.1 da CADH) e as 
eventuais proposições e recomendações (art. 50.3 da CADH), não podendo 
esse relatório ser publicado pelo Estado-parte (art. 51.3 da CADH).
Após três meses da remessa do relatório aos interessados, a Comissão 
poderá, por maioria absoluta, julgar se o Estado solucionou a situação e se 
deve publicar o relatório (art. 51.3 da CADH). Caso o caso não tenha sido 
resolvido e não tiver sido submetido à CIDH, poderá ela mesma remetê-lo ao 
tribunal, ressalvado o caso de oposição pela maioria absoluta dos membros 
(art. 44.1 da CADH).
Procedimento na Corte
Legitimidade (Figura 4)
  Estados-partes da Convenção;
  Comissão.
Figura 4. Fluxograma explicando o procedimento contencioso da CIDH após o envio do 
caso pela Comissão Americana de Direitos Humanos.
Fonte: Adaptada de Correia (2008, p. 126 apud COELHO, 2010, p. 7).
Petição 
da Comissão
ou do Estado
Registro e
recebimento
Exame
preliminar
(presidente da Corte)
Noti�cação
da demanda
dos Estados
Fase oral
de audiência
Exceções
preliminares
Fim do
processo
Recurso de
interpretação Desistência
do caso
Pronunciamento sobre questões
preliminares pendentes
Recurso sobre
o sentido
ou alcance
Rejeitadas
Execução Sentença
Admissibilidade
Encerra o caso
Questão de fundoAcolhidas
Audiência
Fase escrita
Contestação
Comissão pode
solicitar medidas
provisórias aos
casos ainda não
submetidos à Corte
Não
Sim
11O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos
As partes ofendidas podem participar, desde que iniciada a demanda 
(art. 23 do Regulamento da Corte), podendo pedir medidas provisórias 
“em casos de extrema gravidade e urgência e quando for necessário para 
evitar prejuízos irreparáveis às pessoas” (ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS 
AMERICANOS, 1951).
COELHO, A. F. A eficácia jurídica das decisões da Corte Interamericana de Direitos 
Humanos: caso Damião Ximenes Lopes. 2010. Disponível em: <http://www.uni7.edu.
br/recursos/imagens/File/direito/ic2/vi_encontro/A_EFICACIA_JURIDICA_DAS_DE-
CISOES_DA_CORTE_INTERAMERICANA_DE_DIREITOS_HUMANOS.pdf>. Acesso em: 
7 ago. 2018.
CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Convenção Americana sobre 
Direitos Humanos. 22 nov. 1969. Disponível em: <https://www.cidh.oas.org/basicos/
portugues/c.convencao_americana.htm>. Acesso em: 7 ago. 2018.
ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS. Secretaria de Assuntos Jurídicos. Carta 
da Organização dos Estados Americanos (A-41). Departamento de Direito Internacional, 
13 dez. 1951. Disponível em: <http://www.oas.org/dil/port/tratados_A-41_Carta_da_
Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Estados_Americanos.pdf>. Acesso em: 7 ago. 2018.
PIOVESAN, F. C. Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos: impactos, 
desafios e perspectivas a luz da experiência brasileira. México: Universidad Nacional 
Autónoma de México, 2012. Disponível em: <https://archivos.juridicas.unam.mx/www/
bjv/libros/7/3160/9.pdf>. Acesso em: 7 ago. 2018.
Leituras recomendadas
ALMEIDA FILHO, A.; MELGARÉ, P. (Org.). Dignidade da pessoa humana: fundamentos e 
critérios interpretativos. São Paulo: Malheiros, 2010.
ARAS, V. Direitos humanos: federalização de crimes só é válida em último caso. Disponível 
em: <http://www.conjur.com.br/2005-mai-17/federalizacao_crimes_valida_ultimo>. 
Acesso em: 16 jul. 2018.
BOBBIO, N. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Campus, 1992.
CANOTILHO, J. J. G. Direito Constitucional e teoria da Constituição. 4. ed. Coimbra: Al-
medina, 2012. 
O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos12
COMPARATO, F. K. A afirmação histórica dos direitos humanos. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 
2013.
DALLARI, D. A. Elementos de teoria geral do Estado. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 1993.
DOUZINAS, C. O fim dos direitos humanos. São Leopoldo: Unisinos, 2009.
DURKHEIM, E. Da divisão do trabalho social. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
FORSYTHE, D. P. Human rights in international relations. 2. ed. Cambridge: Cambridge 
University Press, 2006.
KANT, I. A fundamentação da metafísica dos costumes. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste 
Gulbenkian, 2001.
MORAES, A. Direito Constitucional. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
ORGANIZAÇÃO DA NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
2009. Disponível em: <http://www.onu.org.br/img/2014/09/DUDH.pdf>. Acesso em: 
7 ago. 2018.
PIOVESAN, F. C. Direitos humanos. São Paulo: Saraiva, 2010.
PIOVESAN, F. C. Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos. Texto pro-
duzido para o I Colóquio Internacional de Direitos Humanos. São Paulo, Brasil, 2001. 
Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/textos/a_pdf/piovesan_sip.
pdf>. Acesso em: 7 ago. 2018. 
SILVA, J. A. Curso de Direito Constitucional positivo. 18. ed. São Paulo: Malheiros, 2000.
ZARCA, Y. C. A invenção do sujeito de Direito. Porto Alegre: L&PM, 1997. (Filosofia Política 
Nova série, v. 1).
13O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:

Mais conteúdos dessa disciplina