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14. MUDANÇA E 
TRANSFORMAÇÃO 
SOCIAL: (EDUCAÇÃO 
EM) DIREITOS 
HUMANOS NA 
REDAÇÃO DO ENEM
RicaRd o Nascim e Nto ab Re u1
INTRODUÇÃO
Os dados superlativos do Brasil, seja em relação à dimensão do seu território, seja em relação ao 
tamanho da sua população, ou ainda no que diz respeito às múltiplas diversidades (linguística, 
étnica, religiosa, de gênero etc.) coexistentes e constitutivas da nossa gente, sempre se apresentaram 
como grandes desafios nos processos de implementação de políticas públicas de envergadura 
nacional. Pensar estratégias que garantam a inclusão da população nas políticas educacionais, de 
saúde, de assistência social, de emprego e de geração de renda, dentre outras, requer um profundo 
conhecimento da constituição histórica do país e das especificidades que nos permitem contemplar 
um universo social e cultural bastante heterogêneo e, ainda assim, sermos capazes de reconhecer no 
outro a essência do ser brasileiro pelos traços que nos unem.
O Exame Nacional do Ensino Médio, doravante ENEM, coloca-se nesse contexto de complexidades e 
de dados superlativos como uma bem sucedida política educacional de acesso ao Ensino Superior, 
além de ser força motriz catalizadora de ações afirmativas para redução das desigualdades sociais, 
étnicas e regionais. Contudo, a potência de uma política de avaliação desta importância e envergadura 
1 Professor do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade 
Federal de Sergipe, é licenciado em Letras Português-Inglês (UNIT), bacharel em Direito (UNIT), mestre em Educação (UFS), 
mestre em Direito (UFS) e Doutor em Letras (UFBA). Secretário Municipal da Educação de Aracaju.
ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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trouxe consigo, inclusive, o condão de impactar colateralmente a lógica prototípica do 
fluxo pedagógico da Educação Nacional, na qual, idealmente, o currículo deveria pautar a 
avaliação, percebendo-se, no entanto, um movimento de contra fluxo no qual o ENEM dita, 
em alguma medida, a dinâmica curricular nas/das escolas.
Já é possível encontrar diversas pesquisas que dão conta de avaliar os efeitos de contra fluxo 
gerados pelo ENEM, especialmente no que diz respeito ao ensino da língua portuguesa, 
das línguas estrangeiras, bem como das artes, da filosofia e da sociologia. O próprio gênero 
“redação escolar” foi profundamente impactado pela arquitetura de organização lógica do 
pensamento apresentado pela prova de redação do ENEM e sua matriz de competências.
Em relação a esse movimento de contra fluxo, Oliveira e Senna (2018), ao se debruçarem 
sobre algumas reflexões acerca do ENEM e de questões atinentes ao letramento e à exclusão 
escolar, serviram-se de estudos produzidos nacionalmente e no exterior para comprovar a 
existência do chamado efeito retroativo ou the washback effect, que consistiria, via de regra, 
na capacidade de influência das avaliações, principalmente aquelas de alta relevância, a 
exemplo do ENEM, sobre o processo de ensino-aprendizagem. Para os pesquisadores, 
apesar de haver uma predominância bibliográfica que vincula o efeito retroativo a uma 
percepção de desdobramentos negativos, há que se considerar, sob um espectro mais 
alargado, a possibilidade de se obter também desdobramentos positivos que sirvam para 
cumprir finalidades específicas, a exemplo de difundir e/ou consolidar políticas públicas 
educacionais que possuam natureza estratégica para o país, a exemplo da política nacional 
de Educação em Direitos Humanos.
Este texto, que tem como pretensão central auxiliar no processo de formação de pessoal 
para avaliação dos Direitos Humanos – DDHH nas redações do ENEM, socorrendo-se 
para tal das ideias previamente apresentadas por Abreu (2017a) e Abreu (2017b), e tendo 
o privilégio de dispor, para tal finalidade, da expertise acumulada pelo INEP a partir da 
série histórica de 25 anos de aplicação da prova do ENEM, toma como pressuposto o fato 
de que o Programa Nacional de Educação em Direitos Humanos – PNEDH serviu-se (ou 
anda serve-se), em algum momento, do efeito retroativo da prova de redação do exame, 
de tal modo que se torna praticamente impossível formular uma história da Educação em 
Direitos Humanos no Brasil sem necessariamente implicá-la com o sucesso que o respeito 
aos Direitos Humanos atingiu a partir da Competência V da matriz de competências da 
prova de redação do ENEM.
 
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ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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1. BREVE PERCURSO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO 
EM DIREITOS HUMANOS
Segundo Piovesan e Fachin (2017), pensar os Direitos Humanos e a sua proteção implica, 
necessariamente, em concebermos um sistema composto por duas esferas, uma repressiva 
— que se ocupa de remediar violações já ocorridas — e uma esfera preventiva, que tem 
como finalidade coibir e prevenir futuras violações. É nessa última esfera que podemos 
encontrar as origens e a própria epistemologia da Educação em Direitos Humanos, que 
nasce a partir das propostas contidas no Programa Mundial para a Educação em Direitos 
Humanos. 
De acordo com a UNESCO, o Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos, 
a ser desenvolvido em uma série de fases, teve início em 2005, com a adoção, por 
unanimidade, de todos os Estados-membros das Nações Unidas, em 14 de julho daquele 
ano, da Resolução nº 59/113-B da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Atualmente em sua terceira fase, o PMEDH, previa que, em um primeiro momento2, a 
ser materializado entre os anos de 2005 a 2007, os Ministérios da Educação dos estados-
membros, bem como outros agentes dos sistemas educacionais e da sociedade civil, 
deveriam adotar ações com a finalidade de materializar a cultura dos Direitos Humanos na 
Educação Básica. Já na segunda fase3, ocorrida entre os anos de 2010 a 2014, o foco deveria 
estar voltado para a educação superior — nos cursos de formação inicial e continuada de 
docentes — para o corpo de funcionários públicos do Estado, além de policiais e militares 
de todos os níveis; tendo em sua terceira etapa4, entre os anos de 2015 a 2019, o desafio 
de fortalecer a implementação das fases anteriores e promover a formação de direitos 
humanos para profissionais de mídia e jornalistas.
No Brasil, conforme nos aponta Abreu (2017b), o percurso da Educação em Direitos 
Humanos tem seu nascedouro a partir da formulação dos três Programas Nacionais de 
Direitos Humanos (PNDH-1)5, de 1996, o (PNDH-2)6, de 2002 e o (PNDH-3)7, de 2009, os quais 
2 Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos – primeira fase: https://unesdoc.unesco.
org/ark:/48223/pf0000147853_por
3 Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos – segunda fase: https://unesdoc.unesco.
org/ark:/48223/pf0000217350_por
4 Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos – terceira fase: https://unesdoc.unesco.
org/ark:/48223/pf0000232922?posInSet=7&queryId=N-EXPLORE-1bb615b1-5f2b-450d-8889-32a0d0585f37
5 Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-1: http://www.dhnet.org.br/dados/pp/pndh/
textointegral.html
6 Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-2: http://www.dhnet.org.br/dados/pp/edh/
pndh_2_integral.pdf
7 Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-
2010/2009/Decreto/D7037.htm#art7
ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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contribuíram para o fomento de um ambiente propício ao lançamento, em 2003, do Plano 
Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH)8.
O PNDH-1 de 1996 tinha o foco voltado para os direitos civis e políticos, a saber: 1) 
Políticas públicas para a proteção e promoção dos Direitos Humanos (incluindo 
a proteção do direito à vida, liberdade e igualdade perante a lei); 2) Educação e 
cidadania: bases para uma cultura dos Direitos Humanos; 3) Políticas internacionais 
para a promoção dos Direitos Humanos; e 4) Implementação e monitoramento do 
Programa Nacional de Direitos Humanos. O PNDH-2, de 2002, incorporou alguns temas 
destinados à conscientizaçãoda sociedade brasileira com o fito de consolidar uma 
cultura de respeito aos direitos humanos, tais como cultura, lazer, saúde, educação, 
previdência social, trabalho, moradia, alimentação, um meio ambiente saudável. O 
PNDH-3 é lançado em 2009 e é importante ferramenta para consolidação dos direitos 
humanos como política pública. O Brasil avançou na materialização das orientações que 
possibilitaram a concretização e a promoção dos Direitos Humanos. Configura-se como 
avanço a interministerialidade de suas diretrizes, de seus objetivos estratégicos e de suas 
ações programáticas (BRASIL, 2013, p. 23).
O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, como uma política pública nacional, 
baseia-se na justiça social, na democracia e na cidadania, e tem, no Comitê Nacional de 
Educação em Direitos Humanos — (CNEDH) — o seu braço de fomento operacional, 
articulando, para a consecução dos seus resultados, os ministérios da Educação, da Justiça, 
e dos Direitos Humanos e da Cidadania. 
É a partir de 2003 que a Educação em Direitos Humanos ganhará um Plano Nacional 
(PNEDH), revisto em 2006, aprofundando questões do Programa Nacional de Direitos 
Humanos e incorporando aspectos dos principais documentos internacionais de 
Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário. Esse plano se configura como uma 
política educacional do Estado voltada para cinco áreas: educação básica, educação 
superior, educação não-formal, mídia e formação de profissionais dos sistemas 
de segurança e justiça. Em linhas gerais, pode-se dizer que o PNEDH ressalta os 
valores de tolerância, respeito, solidariedade, fraternidade, justiça social, inclusão, 
pluralidade e sustentabilidade (BRASIL, 2013, p. 519).
Esse percurso acima descrito culmina, então, com o protagonismo do Conselho Nacional 
de Educação que, em maio de 2012, publica a Resolução CNE/CP n° 1, que estabelece as 
Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos (DNEDH)9, de observação 
obrigatória para todos os sistemas de ensino e suas instituições.
No âmbito da Educação Básica, quando realizamos o cotejamento entre o percurso histórico 
da Educação em Direitos Humanos no Brasil e a série histórica dos temas das provas de 
redação do ENEM, percebemos que é a partir de 2013 (ano seguinte à publicação das 
DNEDH) que o respeito aos direitos humanos passa a ser compulsoriamente exigido tanto 
no edital que regula o exame quanto na própria proposta de redação contida na prova. 
Esse fato reforça então a tese de que o PNEDH e, principalmente, as DNEDH se constituem 
como os marcos normativos da EDH no Brasil e que ambos se serviram retroativamente 
da envergadura e da importância que o ENEM possui perante a sociedade brasileira para 
8 Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-
temas/educacao-em-direitos-humanos/DIAGRMAOPNEDH.pdf
9 Resolução Nº 1, de 30 de maio de 2012: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rcp001_12.pdf
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serem absorvidos pelas instituições de ensino, em especial por aquelas ofertantes da etapa 
do Ensino Médio. 
2. OS MARCOS NORMATIVOS DA EDUCAÇÃO EM 
DIREITOS HUMANOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
No âmbito do processo de avaliação do respeito aos direitos humanos nas redações do 
ENEM, torna-se extremamente importante que todos os envolvidos tenham conhecimento 
do conteúdo dos dois documentos que são considerados os marcos normativos da 
Educação em Direitos Humanos na Educação Básica, quais sejam: o Plano Nacional de 
Educação em Direitos Humanos (PNEDH) e as Diretrizes Nacionais para a Educação em 
Direitos Humanos (DNEDH).
Estando atualmente sob a gestão direta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, 
o PNEDH, primeiro marco normativo da EDH na Educação Básica brasileira, concebe, em seu 
texto, a Educação em Direitos Humanos como um processo sistemático e multidimensional 
que deve ocorrer em múltiplos espaços, mas que tem, na Educação Básica, um lócus 
privilegiado para se desenvolver, uma vez que: 
Não é apenas na escola que se produz e reproduz o conhecimento, mas é nela que 
esse saber aparece sistematizado e codificado. Ela é um espaço social privilegiado 
onde se definem a ação institucional pedagógica e a prática e vivência dos direitos 
humanos. Nas sociedades contemporâneas, a escola é local de estruturação de 
concepções de mundo e de consciência social, de circulação e de consolidação de 
valores, de promoção da diversidade cultural, da formação para a cidadania, de 
constituição de sujeitos sociais e de desenvolvimento de práticas pedagógicas.
O processo formativo pressupõe o reconhecimento da pluralidade e da alteridade, 
condições básicas da liberdade para o exercício da crítica, da criatividade e do debate de 
ideias, e para o reconhecimento, o respeito, a promoção e a valorização da diversidade 
(BRASIL, 2018, p. 18). 
Além disso, nos termos do PNEDH, plenamente integrada ao currículo escolar da Educação 
Básica, a Educação em Direitos Humanos deve ser promovida a partir das seguintes 
dimensões:
a) a dimensão dos conhecimentos e das habilidades: compreender os direitos humanos 
e os mecanismos existentes para a sua proteção, assim como incentivar o exercício de 
habilidades na vida cotidiana; 
b) a dimensão dos valores, das atitudes e dos comportamentos: desenvolver valores e 
fortalecer atitudes e comportamentos que respeitem os direitos humanos; 
ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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c) a dimensão das ações: desencadear atividades para promoção, defesa e reparação das 
violações aos direitos humanos.
Já as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, segundo e mais importante 
marco normativo da EDH para a Educação Básica, concebida pelo Pleno do Conselho 
Nacional de Educação e publicada sob a forma da Resolução CNE/CP n° 1, de 30 de maio de 
2012, de observação obrigatória para todas etapas, níveis e modalidades operadas pelos 
sistemas de ensino, prevê sua materialização tanto pela transversalidade, por meio de 
temas relacionados aos Direitos Humanos tratados interdisciplinarmente, como também 
pela disciplinaridade, como conteúdo de uma das disciplinas já existentes no currículo 
escolar, ou ainda, de maneira mista, combinando transversalidade com disciplinaridade.
Na resolução do CNE, podemos encontrar as diferenças e definições entre as noções de 
Educação em Direitos Humanos e Direitos Humanos, sendo a primeira vinculada ao uso de 
concepções e práticas educativas fundadas nos Direitos Humanos e em seus processos de 
promoção, proteção, defesa e aplicação na vida cotidiana e cidadã de sujeitos de direitos 
e de responsabilidades individuais e coletivas (Brasil, 2012), enquanto, no segundo caso, 
os Direitos Humanos, internacionalmente reconhecidos como um conjunto de direitos 
civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, sejam eles individuais, coletivos, 
transindividuais ou difusos, referem-se à necessidade de igualdade e de defesa da 
dignidade humana (Brasil, 2012).
O Art. 3° das DNEDH pode ser considerado como o núcleo preceitual da EDH para a educação 
nacional e contém, em um rol de sete incisos, os princípios que apontam para a mudança 
e a transformação social como grandes finalidades da EDH no Brasil. São eles: I - dignidade 
humana; II - igualdade de direitos; III - reconhecimento e valorização das diferenças e das 
diversidades; IV - laicidade do Estado; V - democracia na educação; VI - transversalidade, 
vivência e globalidade; e VII - sustentabilidade socioambiental.
É imperioso que todos aqueles que estejam diretamente envolvidos com a avaliação das 
redações do ENEM possuam conhecimento da existência desses sete princípios de suas 
respectivas conceituações e nuances próprias, pois, em última análise, o desrespeito 
a um direito humano stricto-sensu materializado no texto do participante significará, 
necessariamente, a propositura de uma violação de uma ou mais normas principiológicas 
contidas no rolde incisos do artigo 3º das DNEDH.
Em um esforço de elucidação dos significados de cada um dos princípios contidos no art. 
3° das DNEDH, o Conselho Nacional de Educação, por meio do Parecer n° 8/2012, apresenta 
seus conceitos e suas características atinentes, os quais listamos abaixo:
• Dignidade humana 
O princípio da dignidade humana coloca o ser humano e seus direitos como centro 
das ações para a educação. Qualquer iniciativa deve obedecer, ou pelo menos levar 
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ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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em consideração, a promoção dos direitos humanos e da valorização da dignidade do 
homem. 
Relacionada a uma concepção de existência humana fundada em direitos. A ideia de 
dignidade humana assume diferentes conotações em contextos históricos, sociais, 
políticos e culturais diversos. É, portanto, um princípio em que se devem levar em 
consideração os diálogos interculturais na efetiva promoção de direitos que garantam 
às pessoas e aos grupos viverem de acordo com os seus pressupostos de dignidade. 
• Igualdade de direitos 
A respeito do princípio de igualdade de direitos, orienta a realizar a justiça social, 
que é muito além de tratar a todos como iguais, é dar a cada indivíduo a atenção e a 
importância que merece, percebendo as necessidades individuais. 
O respeito à dignidade humana, devendo existir em qualquer tempo e lugar, diz 
respeito à necessária condição de igualdade na orientação das relações entre os seres 
humanos. O princípio da igualdade de direitos está ligado, portanto, à ampliação de 
direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais a todos os cidadãos 
e cidadãs, com vistas a sua universalidade, sem distinção de cor, credo, nacionalidade, 
orientação sexual, biopsicossocial e local de moradia. 
• Reconhecimento e valorização das diferenças e das diversidades 
Já o princípio do reconhecimento e da valorização das diferenças e das diversidades 
fala da existência da pluralidade de sujeitos, em que podem nascer os preconceitos 
e as discriminações. Esse norte aconselha como honrar as diferenças de cada um e, 
assim, construir um ambiente de valores igualitários. 
Esse princípio se refere ao enfrentamento dos preconceitos e das discriminações, 
garantindo que diferenças não sejam transformadas em desigualdades. O princípio 
jurídico-liberal de igualdade de direitos do indivíduo deve ser complementado, então, 
com os princípios dos direitos humanos da garantia da alteridade entre as pessoas, 
grupos e coletivos. Dessa forma, igualdade e diferença são valores indissociáveis que 
podem impulsionar a equidade social.
• Laicidade do Estado 
A laicidade do Estado é o princípio que propõe a liberdade religiosa no contexto 
educacional, mantendo a imparcialidade da pedagogia ao disseminar os saberes, 
garantindo a diversidade das crenças. 
Esse princípio se constitui em pré-condição para a liberdade de crença garantida pela 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e pela Constituição Federal 
Brasileira de 1988. Respeitando todas as crenças religiosas, assim como as não crenças, o 
Estado deve manter-se imparcial diante dos conflitos e das disputas do campo religioso, 
desde que não atentem contra os direitos fundamentais da pessoa humana, fazendo 
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valer a soberania popular em matéria de política e de cultura. O Estado, portanto, deve 
assegurar o respeito à diversidade cultural religiosa do país, sem praticar qualquer 
forma de proselitismo. 
• Democracia na educação 
O princípio da democracia na educação tangencia os preceitos de liberdade, igualdade, 
solidariedade e, principalmente, dos direitos humanos, que embasam a construção das 
condições de acesso e permanência ao direito educacional. 
Direitos humanos e democracia alicerçam-se sobre a mesma base — liberdade, 
igualdade e solidariedade —, expressando-se no reconhecimento e na promoção dos 
direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais. Não há democracia 
sem respeito aos direitos humanos, da mesma forma que a democracia é a garantia de 
tais direitos. Ambos são processos que se desenvolvem continuamente por meio da 
participação. No ambiente educacional, a democracia implica a participação de todos 
os envolvidos no processo educativo. 
• Transversalidade, vivência e globalidade 
O princípio da transversalidade, vivência e globalidade levanta a questão da 
interdisciplinaridade dos direitos humanos na edificação das metodologias para 
educação em direitos humanos. Refere-se, também, à globalidade, que quer dizer o 
envolvimento completo dos atores da educação. 
Os direitos humanos se caracterizam por seu caráter transversal e, por isso, devem 
ser trabalhados a partir do diálogo interdisciplinar. Como se trata da construção de 
valores éticos, a educação em direitos humanos é, também, fundamentalmente 
vivencial, sendo-lhe necessária a adoção de estratégias metodológicas que privilegiem 
a construção prática desses valores. Tendo uma perspectiva de globalidade, deve 
envolver toda a comunidade escolar: alunos, professores, funcionários, direção, pais, 
mães e comunidade local. Além disso, no mundo de circulações e comunicações 
globais, a EDH deve estimular e fortalecer os diálogos entre as perspectivas locais, 
regionais, nacionais e mundiais das experiências dos estudantes. 
• Sustentabilidade socioambiental 
Por fim, o princípio da sustentabilidade socioambiental informa que a educação em 
direitos humanos deve incentivar o desenvolvimento sustentável, visando ao respeito 
ao meio ambiente e preservando-o para as gerações vindouras.
A EDH deve estimular o respeito ao espaço público como bem coletivo e de utilização 
democrática de todos. Nesse sentido, colabora para o entendimento de que a 
convivência na esfera pública se constitui numa forma de educação para a cidadania, 
estendendo a dimensão política da educação ao cuidado com o meio ambiente 
local, regional e global. A EDH, então, deve estar comprometida com o incentivo e a 
promoção de um desenvolvimento sustentável que preserve a diversidade da vida 
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ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
205
e das culturas, condição para a sobrevivência da humanidade de hoje e das futuras 
gerações.
Entendemos, pois, que, como forma de garantia da segurança jurídica ao processo de 
avaliação de possíveis desrespeitos aos direitos humanos contidos nas redações dos 
participantes do ENEM, todo e qualquer modelo de valoração dessa especificidade deve 
imperiosamente partir das Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos 
e, em especial, dos princípios contidos nos incisos do art. 3º da Resolução do Conselho 
Nacional de Educação.
3. OS DIREITOS HUMANOS NA REDAÇÃO DO 
ENEM
Atualizando a tabela proposta por Abreu (2017b), percebemos que o respeito aos Direitos 
Humanos na redação do ENEM passou a gozar de um estatuto de regularidade a partir da 
edição da prova aplicada no ano de 2013, logo após a publicação das DNEDH, do Conselho 
Nacional de Educação.
QUADRO 1 EXIGÊNCIA DE RESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS NO EDITAL E NA PROPOSTA DE 
REDAÇÃO DO ENEM
Ano de 
realização do 
Enem
Proposta de redação
Respeito 
aos direitos 
humanos na 
proposta de 
redação do 
Enem
Respeito 
aos direitos 
humanos no
edital do 
Enem
1998 Viver e aprender Não Não
1999 Cidadania e participação social Não Não
2000 Direitos da criança e do adolescente: como 
enfrentar esse desafio nacional Não Não
2001 Desenvolvimento e preservação ambiental: 
como conciliar os interesses em conflito? Sim Não
2002
O direito de votar: como fazer dessa 
conquista um meio para promover as 
transformações sociais de que
o Brasil necessita?
Não Não
2003 A violência na sociedade brasileira: como 
mudar as regras desse jogo? Sim Não
2004 Como garantir a liberdade de informação e 
evitar abusos nos meios de comunicação Não Não
2005 O trabalho infantil na sociedade brasileira Sim Não
2006 O poder de transformaçãoda leitura Sim Não
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206
2007 O desafio de conviver com as diferenças Sim Não
2008 Foram três os temas, que versavam sobre a 
proteção da Floresta Amazônica Sim Não
2009 O indivíduo frente à etica nacional Sim Não
2010 O trabalho na construção da dignidade 
humana Sim Não
2011 Viver em rede no século XXI:
os limites entre o público e o privado Sim Não
2012 Movimento imigratório para o Brasil no 
século XXI Sim Não
2013 Efeitos na implantação da lei seca no Brasil Sim Não
2014 Publicidade infantil em questão no Brasil Sim Sim
2015 A persistência da violência contra a mulher
na sociedade brasileira Sim Sim
2016
Caminhos para combater a intolerância 
religiosa no Brasil (1ª aplicação)
Caminhos para combater o racismo no 
Brasil (2ª aplicação)
Sim Sim
2017 Desafios para a formação educacional de 
surdos no Brasil Sim Sim
2018 Manipulação do comportamento do usuário 
pelo controle de dados na internet Sim Sim
2019 Democratização do acesso ao cinema no 
Brasil Sim Sim
2020
O estigma associado às doenças mentais na 
sociedade brasileira (ENEM impresso)
O desafio de reduzir as desigualdades entre 
as regiões do Brasil (ENEM digital)
Sim Sim
2021 Invisibilidade e registro civil: garantia de 
acesso à cidadania no Brasil Sim Sim
2022
Os desafios para a valorização das 
comunidades e povos tradicionais do Brasil 
(aplicação regular)
Medidas para o enfrentamento da 
recorrência da insegurança alimentar no 
Brasil (reaplicação e PPL)
Sim Sim
 Fonte: INEP
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207
O desrespeito aos Direitos Humanos (DDH), por sua natureza agentiva, está associado à 
proposta de intervenção, materializando-se como uma das possibilidades de atribuição do 
nível 0 para a Competência V, no texto do participante que nele incorrer.
Por conta da pluralidade de possibilidades do tratamento da questão dos Direitos Humanos 
na prova de redação do ENEM, as orientações específicas acerca do processamento da 
questão do (des)respeito aos direitos humanos somente poderão ser apresentadas a partir 
do desvelamento do tema da redação, que é tratado em regime de sigilo até o momento 
de aplicação da prova.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um conjunto significativo dos capítulos de uma história da Educação em Direitos Humanos 
na Educação Básica brasileira confunde-se com a evolução da aplicação de um dos maiores 
exames admissionais ao ensino superior do globo terrestre. 
Contando com cifras superlativas, o ENEM impulsionou, como um dos seus vários efeitos 
retroativos, a difusão da EDH no currículo básico nacional, em especial no Ensino Médio, 
por meio de componentes curriculares a exemplo da língua portuguesa, da sociologia, da 
filosofia e da história (somente para citar alguns).
Os processos anuais de formação de profissionais para atuar nas avaliações das redações 
do ENEM, que têm ocorrido nos últimos 25 anos, operam como verdadeiros cursos de 
formação continuada dos licenciados em língua portuguesa que, no bojo das suas atuações 
profissionais, têm ajudado a consolidar essa cultura dos Direitos Humanos nas escolas.
O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e as Diretrizes Nacionais para a 
Educação em Direitos Humanos são documentos basilares e imprescindíveis para a garantia 
da segurança jurídica do processo e da atuação de todos os profissionais diretamente 
envolvidos com a avaliação do (des)respeito aos Direitos Humanos na prova de redação do 
Exame Nacional do Ensino Médio.
 
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208
REFERÊNCIAS 
ABREU, R. N. Exercício da cidadania e direitos humanos – as funções da Competência 
V na redação do Enem. In: GARCEZ, L. H. C.; CORRÊA, V. R. (Orgs.) Textos dissertativo 
argumentativos: subsídios para qualificação de avaliadores. Brasília: Instituto Nacional de 
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2017a.
ABREU, R. N. Um olhar teórico, normativo e metodológico sobre a Educação em Direitos 
Humanos. In: GARCEZ, L. H. C.; CORRÊA, V. R. (Orgs.) Textos dissertativo argumentativos: 
subsídios para qualificação de avaliadores. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
Educacionais Anísio Teixeira, 2017b.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação 
Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Diretrizes Nacionais Gerais da Educação 
Básica. Brasília: MEC, 2013.
BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. 
Brasília, 2018.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP Nº 8/2012, sobre a proposição das 
Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos. Relatores: Antônio Carlos Caruso 
Ronca; Rita Gomes do Nascimento; Raimundo Moacir Feitosa e Reynaldo Fernandes.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução Nº 1, de 30 de maio de 2012. Estabelece as 
Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos. Diário Oficial da União. Brasília, 
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Artigos e e-Book
ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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LEITURAS DE APOIO
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TELES, Jaqueline Gomes dos Santos. A redação do ENEM entre as políticas oficiais e oficiosas: 
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VICENTINI, M. A redação no ENEM e a redação no 3° ano do ensino médio: efeitos 
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