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Legislação Trabalhista e Previdenciária Da duração do trabalho e períodos de descanso Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • identificar as jornadas legais; • diferenciar os intervalos; • classificar as profissões conforme a CLT. Olá, turma! Nesta aula, estudaremos sobre a duração do contrato de trabalho e períodos de descanso. Vamos compreender de que maneira esse assunto contribui e influencia nas jornadas de trabalho. Tal discussão é importante uma vez que todo empregado tem jornada de trabalho e descanso. Assim, atendendo aos objetivos de aprendizagem propostos no plano de ensino desta disciplina, vamos refletir acerca da jornada diária e semanal. Desejo a todos(as) uma excelente aula. Boa leitura! Bons estudos! 3º Aula 29 1 - Da duração do trabalho 2 - Dos períodos de descanso 1 - Da duração do trabalho Nesse contexto, devemos entender que considera-se como de serviço efetivo o período em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada (Artigo 4 da CLT). Ou seja, após a contratação, o empregado só está à disposição do empregador, quando aguarda ou executa ordens. Aqui, destaca-se os cursos obrigatórios que o empregado realiza pela empresa: [...] HORAS EXTRAS. PARTICIPAÇÃO EM CURSOS. Esta Corte Superior já firmou o entendimento de que o período destinado para realização de cursos obrigatórios de aperfeiçoamento, quando ultrapasse o limite máximo da jornada, deve ser remunerado como labor extraordinário, por se tratar de tempo à disposição do empregador (artigo 4º da CLT). Precedentes. (...) (Ag-RR-20429-61.2014.5.04.0292, 7ª Turma, Relator Ministro Cláudio Mascarenhas Brandão, DEJT 22/02/2019). Por outro lado, se o curso for facultativo: […] 2 – HORAS EXTRAS. TEMPO GASTO NA PARTICIPAÇÃO EM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO PELA INTERNET. 2.1. Esta Corte possui o entendimento de que a participação facultativa em curso oferecido pelo empregador não enseja a condenação ao pagamento de horas extras, pois o empregado não se encontra à disposição da empresa. (…) (RR– 4744-09.2012.5.12.0018, Relatora Ministra: Delaíde Miranda Arantes, Data de Julgamento: 04/09/2018, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/09/2018) Deste modo, computar-se-ão, na contagem de tempo de serviço, para efeito de indenização e estabilidade (iremos abordar futuramente), os períodos em que o empregado estiver afastado do trabalho prestando serviço militar e por motivo de acidente do trabalho (§ 1 do Artigo 4 da CLT). Logo, quando ocorrer esses afastamentos do serviço, conta-se como tempo de serviço na carteira de trabalho. Agora, por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado como período extraordinário (horas extras) o que exceder a jornada normal (jornada de trabalho, exemplo: 8h diárias e 44h semanais), ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos, quando o empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más Seções de estudo condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: práticas religiosas; descanso; lazer; estudo; alimentação; atividades de relacionamento social; higiene pessoal; troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa. (§ 2 do Artigo 4 da CLT). Aqui, destaco que quando for obrigatório a troca de uniforme antes e depois da jornada de trabalho, ou seja, por exemplo, antes de registrar o cartão de ponto, será considerado horas extras, pois existe uma imposição da troca de uniforme. 1.1 - Quadro de horário O horário de trabalho será anotado em registro de empregados. Assim, para os estabelecimentos com mais de 20 (vinte) trabalhadores, será obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções expedidas pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, permitida a pré-assinalação do período de repouso (§ 2 e caput do Artigo 74 da CLT). Se o trabalho for executado fora do estabelecimento, o horário dos empregados constará do registro manual, mecânico ou eletrônico em seu poder (§ 3 e caput do Artigo 74 da CLT). CLT permite a utilização de registro de ponto por exceção à jornada regular de trabalho, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho (§ 4 e caput do Artigo 74 da CLT). Assim, nesse caso, o empregado registra somente as horas extras excedentes da jornada normal. 1.2 - Jornada de trabalho A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias (por dia), desde que não seja fixado expressamente outro limite. (Artigo 58 da CLT). Lembrando que, em regra, são 8h diárias e 44h semanais, podendo ser diferente, o que iremos estudar. Figura 8 Fonte: https://m.facebook.com/cnj.oficial/photos/a.191159914290110/975174562 555304/?type=3&_se_imp=1RBpIrdM8TKEzAtMN. Acesso em: 01 mai. 2022. 30Legislação Trabalhista e Previdenciária Há casos em que a jornada é, como regra, máxima de 6 horas diárias. Veja alguns exemplos: CLT (aprendiz), Art. 432. A duração do trabalho do aprendiz não excederá de seis horas diárias, sendo vedadas a prorrogação e a compensação de jornada. § 1º O limite previsto neste artigo poderá ser de até oito horas diárias para os aprendizes que já tiverem completado o ensino fundamental, se nelas forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica. CLT (bancário), Art. 224-A duração normal do trabalho dos empregados em bancos, casas bancárias e Caixa Econômica Federal será de 6 (seis) horas contínuas nos dias úteis, com exceção dos sábados, perfazendo um total de 30 (trinta) horas de trabalho por semana. § 2º As disposições deste artigo não se aplicam aos que exercem funções de direção, gerência, fiscalização, chefia e equivalentes ou que desempenhem outros cargos de confiança desde que o valor da gratificação não seja inferior a um terço do salário do cargo efetivo. CLT (mineiros de subsolo), Art. 293. A duração normal do trabalho efetivo para os empregados em minas no subsolo não excederá de 6 (seis) horas diárias ou de 36 (trinta e seis) semanais. Art. 295. A duração normal do trabalho efetivo no subsolo poderá ser elevada até 8 (oito) horas diárias (...), mediante acordo escrito entre empregado e empregador ou contrato coletivo de trabalho, sujeita essa prorrogação à prévia licença da autoridade competente em matéria de higiene do trabalho. Parágrafo único. A duração normal do trabalho efetivo no subsolo poderá ser inferior a 6 (seis) horas diárias, por determinação da autoridade de que trata este artigo, tendo em vista condições locais de insalubridade e os métodos e processos do trabalho adotado. CLT (operadores cinematográficos), Art. 234. A duração normal do trabalho dos operadores cinematográficos e seus ajudantes não excederá de seis horas diárias, assim distribuídas: a) 5 (cinco) horas consecutivas de trabalho em cabina, durante o funcionamento cinematográfico; b) 1 (um) período suplementar, até o máximo de 1 (uma) hora para limpeza, lubrificação dos aparelhos de projeção, ou revisão de filmes. Lei n. 3.270/1957 (cabineiros de elevador), Art. 1º É fixado em seis (6) o número de horas de trabalho diário dos cabineiros de elevador. CLT (telefonistas), Art. 227. Nas empresas que explorem o serviço de telefonia, telegrafia submarina ou subfluvial, de radiotelegrafia ou de radiotelefonia, fica estabelecida para os respectivos operadores a duração máxima de seis horas contínuas de trabalho por dia ou 36 (trinta e seis) horas semanais. Art. 229. Para os empregados sujeitos a horários variáveis, fica estabelecida a duração máxima de 7 (sete) horas diárias de trabalho e 17 (dezessete) horas de folga, deduzindo-sedeste tempo 20 (vinte) minutos para descanso, de cada um dos empregados, sempre que se verificar um esforço contínuo de mais de 3 (três) horas. Sobre os telefonistas: Súmula n. 178 do TST TELEFONISTA. ART. 227, E PARÁGRAFOS, DA CLT. APLICABILIDADE (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 É aplicável à telefonista de mesa de empresa que não explora o serviço de telefonia o disposto no art. 227, e seus parágrafos, da CLT. Sobre o operador de telemarketing: [...] VENDAS POR TELEFONE. OPERADOR DE TELEMARKETING. DIREITO À JORNADA REDUZIDA DOS EMPREGADOS TELEFONISTAS. O Tribunal Regional deu provimento parcial ao recurso ordinário da reclamada para afastar o pagamento da 7ª e 8ª horas como extras, sob o fundamento de que o trabalho de vendas por telefone não tem previsão legal. Esta Corte Superior, após o cancelamento da OJ 273 da SBDI-1 do TST, firmou entendimento no sentido de que o operador de telemarketing está sujeito à jornada reduzida dos empregados telefonistas, na forma do art. 227 da CLT e do Anexo II da NR 17 do MTE, em face da similitude do desgaste físico e mental inerente a essas funções. Assim, delimitado no acórdão regional que o trabalho do autor consistia na realização de vendas por telefone, tem direito à jornada de trabalho reduzida de seis horas diárias e 36 horas semanais, conforme determinado na sentença, nos moldes do art. 227 da CLT. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. (...) (RR- 533-81.2012.5.02.0090, 2ª Turma, Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 13/09/2019). Há outros casos que no máximo são 5 horas diárias: Lei n. 3.857/1960 (músicos profissionais), Art. 41. A duração normal do trabalho dos músicos não poderá exceder de 5 (cinco) horas, excetuados os casos previstos nesta lei. § 1º O tempo destinado aos ensaios será computado no período de trabalho. Art. 42. A duração normal do trabalho poderá ser elevada: I – a 6 (seis) horas, nos estabelecimentos de diversões públicas, tais como cabarés, boates, dancings, táxi-dancings, salões de danças e congêneres, onde atuem 2 (dois) ou mais 31 conjuntos. II – excepcionalmente, a 7 (sete) horas, nos casos de força maior, ou festejos populares e serviço reclamado pelo interesse nacional. Lei n. 6.615/1978 (locutores de rádio) Art. 18. A duração normal do trabalho do Radialista é de: I – 5 (cinco) horas para os setores de autoria e de locução; CLT (jornalistas profissionais), Art. 303. A duração normal do trabalho dos empregados compreendidos nesta Seção não deverá exceder de 5 (cinco) horas, tanto de dia como à noite. Art. 304. Poderá a duração normal do trabalho ser elevada a 7 (sete) horas, mediante acordo escrito, em que se estipule aumento de ordenado, correspondente ao excesso do tempo de trabalho, em que se fixe um intervalo destinado a repouso ou a refeição. Assim, existem outras leis especiais que regulam outras profissões, diferente da CLT, que é uma norma geral. Agora a OJ 323 da SDI-I do TST, regula a semana espanhola: OJ 323 da SDI-I ACORDO DE COMPENSAÇÃO DE JORNADA. “SEMANA ESPANHOLA”. VALIDADE (DJ 09.12.2003) É válido o sistema de compensação de horário quando a jornada adotada é a denominada “semana espanhola”, que alterna a prestação de 48 horas em uma semana e 40 horas em outra, não violando os arts. 59, § 2º, da CLT e 7º, XIII, da CF/1988 o seu ajuste mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Toda empresa que tiver mais de 20 empregados, é obrigatório o cartão de ponto, assim, não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários. Por exemplo, a jornada encerra às 06h, mas o empregado registra o cartão de ponto às 6h04min, não configura horas extras. (§ 1 do Artigo 58 da CLT) No mais, o tempo de deslocamento de ida e volta, ou seja, o tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador (§ 2 do Artigo 58 da CLT). Isto é, o tempo que o empregado fica no ônibus até chegar ao local de trabalho, não é considerado tempo à disposição do empregador. 1.2.1 - Tempo parcial Pois bem, vimos que o empregador poderá contratar o empregado 8h diárias e 44 semanais. Agora, o empregador poderá contratar no regime de tempo parcial, ou seja, considera-se trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duração não exceda a trinta horas semanais (30h), sem a possibilidade de horas suplementares semanais, ou, ainda, aquele cuja duração não exceda a vinte e seis horas semanais (26h), com a possibilidade de acréscimo de até seis horas suplementares semanais (até 6 horas extras) (Artigo 58 - A da CLT). O salário a ser pago aos empregados sob o regime de tempo parcial será proporcional à sua jornada, em relação aos empregados que cumprem, nas mesmas funções, tempo integral (§ 1 do Artigo 58 - A da CLT) Para os atuais empregados, a adoção do regime de tempo parcial será feita mediante opção manifestada perante a empresa, na forma prevista em instrumento decorrente de negociação coletiva (§ 2 do Artigo 58 - A da CLT). Isto é, dependerá do sindicato dos empregados, numa negociação coletiva para sua aplicação. Lembrando que as horas suplementares (horas extras), deverão ser pagas com adicional de 50% a mais da hora normal de trabalho. Assim, as horas suplementares à duração do trabalho semanal normal serão pagas com o acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o salário-hora normal. Na hipótese de o contrato de trabalho em regime de tempo parcial ser estabelecido em número inferior a vinte e seis horas semanais, as horas suplementares a este quantitativo serão consideradas horas extras para fins do pagamento, estando também limitadas a seis horas suplementares semanais (§ 3 e 4 do Artigo 58 - A da CLT). Ainda, as horas suplementares da jornada de trabalho normal poderão ser compensadas (descansadas ao invés de receber as horas extras) diretamente até a semana imediatamente posterior à da sua execução, devendo ser feita a sua quitação na folha de pagamento do mês subsequente, caso não sejam compensadas (§ 5 do Artigo 58 - A da CLT). É facultado ao empregado contratado, sob regime de tempo parcial, converter um terço do período de férias (de 30 dias) a que tiver direito em abono pecuniário (§ 6 do Artigo 58 - A da CLT). Diferente é a lei dos domésticos: LC n. 150/2015, Art. 3º Considera-se trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duração não exceda 25 (vinte e cinco) horas semanais. § 1º O salário a ser pago ao empregado sob regime de tempo parcial será proporcional a sua jornada, em relação ao empregado que cumpre, nas mesmas funções, tempo integral. § 2º A duração normal do trabalho do empregado em regime de tempo parcial poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente a 1 (uma) hora diária, mediante acordo escrito entre empregador e empregado, aplicando-se-lhe, ainda, o disposto nos §§ 2º e 3º do art. 2º, com o limite máximo de 6 (seis) horas diárias. 32Legislação Trabalhista e Previdenciária Assim, a jornada do regime em tempo parcial é de, no máximo, de 25 horas semanais, podendo ser realizada 1 hora extra por dia. 1.2.2 - Horas extras, Banco de horas, Regime de compensação e jornada 12x36 A duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em número não excedente de duas, por acordo individual (empregado e empregador), convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. A remuneração da hora extra será, pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior à da hora normal. (Artigo 59 - A e § 1º da CLT). Compete explicar que convenção coletiva de trabalho é um documento que estipula direitos e obrigações, negociadopelo sindicato dos trabalhadores e empregadores de uma determinada categoria, por exemplo, categoria dos caminhoneiros. Já o acordo coletivo de trabalho é um documento que também negocia direitos e obrigações entre uma ou mais empresas e o sindicato dos empregados, aplicando somente para os empregados da empresa negociante. Ainda, a jornada do doméstico segue a jornada normal: LC n. 150/2015, Art. 2º A duração normal do trabalho doméstico não excederá 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) semanais, observado o disposto nesta Lei. § 1º A remuneração da hora extraordinária será, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) superior ao valor da hora normal. Por outro lado, existem categorias que não podem fazer horas extras ou só quando a lei autorizar. Veja alguns exemplos: Lei n. 3.270/1957 (cabineiros de elevador), Art. 1º É fixado em seis (6) o número de horas de trabalho diário dos cabineiros de elevador. Parágrafo único. É vetado a empregador e empregado qualquer acordo visando ao aumento das horas de trabalho fixadas no art. 1º desta lei. CLT, Art. 432. A duração do trabalho do aprendiz não excederá de seis horas diárias, sendo vedadas a prorrogação e a compensação de jornada. CLT (bancários), Art. 225. A duração normal de trabalho dos bancários poderá ser excepcionalmente prorrogada até 8 (oito) horas diárias, não excedendo de 40 (quarenta) horas semanais, observados os preceitos gerais sobre a duração do trabalho. Sobre quem trabalha por comissão, a Súmula n. 340 do TST: COMISSIONISTA. HORAS EXTRAS (nova redação) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O empregado, sujeito a controle de horário, remunerado à base de comissões, tem direito ao adicional de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) pelo trabalho em horas extras, calculado sobre o valor-hora das comissões recebidas no mês, considerando-se como divisor o número de horas efetivamente trabalhadas. E se o trabalhador é comissionista misto: OJ 397 da SDI-I do TST COMISSIONISTA MISTO. HORAS EXTRAS. BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 340 DO TST. (DEJT divulgado em 02, 03 e 04.08.2010) O empregado que recebe remuneração mista, ou seja, uma parte fixa e outra variável, tem direito a horas extras pelo trabalho em sobrejornada. Em relação à parte fixa, são devidas as horas simples acrescidas do adicional de horas extras. Em relação à parte variável, é devido somente o adicional de horas extras, aplicando-se à hipótese o disposto na Súmula n.º 340 do TST. A seguir entenderemos o banco de horas anual. Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado (descansado) pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um ano, a soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias (8h+2h) (§ 1º, Artigo 59 - A da CLT). Neste caso, deve ser obrigatoriamente negociado com o sindicato dos trabalhadores. Na hipótese de rescisão (encerramento) do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação (descanso) integral da jornada extraordinária, o trabalhador terá direito ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão (data da demissão). (§ 3º, Artigo 59 - A da CLT) O banco de horas poderá ser pactuado por acordo individual escrito (empregado e empregador), desde que a compensação ocorra no período máximo de seis meses (§ 4º, Artigo 59 - A da CLT). Nesse caso, não precisa passar pelo sindicato, somente quando for um banco de horas de 1 ano. Por outro lado, temos a compensação, sendo lícito (permitido) o regime de compensação de jornada estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito, para a compensação no mesmo mês (§ 6º, Artigo 59 - A da CLT). Normalmente, tem como objetivo a redução ou supressão do trabalho aos sábados, segundas-feiras que antecedem feriados às terças-feiras, sextas-feiras que sucedem feriados às quintas-feiras, dias de carnaval e outros feriados. O não atendimento das exigências legais para compensação de jornada, inclusive quando estabelecida mediante acordo tácito, não implica a repetição do pagamento das horas excedentes à jornada normal diária se não 33 ultrapassada a duração máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo adicional (50% de adicional). A prestação de horas extras habituais não descaracteriza o acordo de compensação de jornada e o banco de horas (Artigo 59 - A da CLT). É facultado às partes, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, estabelecer horário de trabalho de doze horas seguidas por trinta e seis horas ininterruptas de descanso (12x36), observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação (ao invés de descansar o intervalo o empregador indenizará, ou seja, paga o valor da hora do intervalo) (Art. 59-B e parágrafo único da CLT). A remuneração mensal pactuada pelo horário abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver. (Art. 59-A e parágrafo único da CLT). 1.2.3 - Horas extras nas atividades insalubres Nas atividades insalubres (prejudicial à saúde do trabalhador), assim consideradas as constantes dos quadros “Da Segurança e da Medicina do Trabalho”, ou que neles venham a ser incluídas por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quaisquer prorrogações (horas extras) só poderão ser acordadas mediante licença prévia das autoridades competentes em matéria de higiene do trabalho, as quais, para esse efeito, procederão aos necessários exames locais e à verificação dos métodos e processos de trabalho, quer diretamente, quer por intermédio de autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais, com quem entrarão em entendimento para tal fim. Excetuam-se da exigência de licença prévia as jornadas de doze horas de trabalho por trinta e seis horas (12x36) ininterruptas de descanso. (Art. 60 e parágrafo único da CLT). Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do trabalho exceder do limite legal (8h diária) ou convencionado, seja para fazer face a motivo de força maior, seja para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto. O excesso pode ser exigido independentemente de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. (Artigo 61 e § 1º da CLT). Nos casos de excesso de horário por motivo de força maior, a remuneração da hora excedente não será inferior à da hora normal. Nos demais casos de excesso previstos, a remuneração será, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal, e o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe expressamente outro limite. (§ 2º, Artigo 59 - A da CLT). Sempre que ocorrer interrupção do trabalho (por exemplo, acidente do trabalho), resultante de causas acidentais, ou de força maior, que determinem a impossibilidade de sua realização, a duração do trabalho poderá ser prorrogada pelo tempo necessário até o máximo de 2 (duas) horas, durante o número de dias indispensáveis à recuperação do tempo perdido, desde que não exceda de 10 (dez) horas diárias, em período não superior a 45 (quarenta e cinco) dias por ano, sujeita essa recuperação à prévia autorização da autoridade competente. (§ 3º, Artigo 59 - A da CLT). 1.2.4 - Base de cálculo e reflexos das horas extras A base de cálculo das horas extras: Súmula n. 264 do TST HORA SUPLEMENTAR. CÁLCULO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A remuneração do serviço suplementar é composta do valor da hora normal, integrado por parcelas de natureza salarial e acrescido do adicional previsto em lei, contrato, acordo, convenção coletiva ou sentença normativa. Se o trabalhadorrecebe adicional de insalubridade ou periculosidade (possui natureza salarial), essas parcelas integram o cálculo das horas extras: SDI-I do TST: OJ 47 da SDI-I do TST HORA EXTRA. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. BASE DE CÁLCULO (alterada) – Res. 148/2008, DJ 04 e 07.07.2008 – Republicada DJ 08, 09 e 10.07.2008 A base de cálculo da hora extra é o resultado da soma do salário contratual mais o adicional de insalubridade. Súmula n. 132 do TST ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. INTEGRAÇÃO (incorporadas as Orientações Jurisprudenciais n.s 174 e 267 da SBDI-I) – Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I – O adicional de periculosidade, pago em caráter permanente, integra o cálculo de indenização e de horas extras. As gorjetas não integram a base de cálculo das horas extras: Súmula n. 354 do TST GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. Observe os reflexos das horas extras em 13º salário, repouso semanal remunerado, aviso prévio indenizado e férias: Súmula n. 45 do TST 34Legislação Trabalhista e Previdenciária SERVIÇO SUPLEMENTAR (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A remuneração do serviço suplementar, habitualmente prestado, integra o cálculo da gratificação natalina prevista na Lei n. 4.090, de 13.07.1962. Súmula n. 172 do TST REPOUSO REMUNERADO. HORAS EXTRAS. CÁLCULO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Computam-se no cálculo do repouso remunerado as horas extras habitualmente prestadas CLT, Art. 487, § 5º O valor das horas extraordinárias habituais integra o aviso prévio indenizado. Art. 142, § 5º Os adicionais por trabalho extraordinário, noturno, insalubre ou perigoso serão computados no salário que servirá de base ao cálculo da remuneração das férias. Para se calcular: Súmula n. 347 do TST HORAS EXTRAS HABITUAIS. APURAÇÃO. MÉDIA FÍSICA (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O cálculo do valor das horas extras habituais, para efeito de reflexos em verbas trabalhistas, observará o número de horas efetivamente prestadas e a ele aplica-se o valor do salário- hora da época do pagamento daquelas verbas. No que tange ao FGTS: Súmula n. 63 do TST FUNDO DE GARANTIA (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço incide sobre a remuneração mensal devida ao empregado, inclusive horas extras e adicionais eventuais. Quanto aos reflexos das horas extras, é fundamental compreender que se tratam de repercussões financeiras das horas extras em outras parcelas. 1.2.5 - Trabalhadores excluídos da jornada de trabalho Não são abrangidos pelo regime de jornada de trabalho: I - os empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho, devendo tal condição ser anotada na Carteira de Trabalho e Previdência Social e no registro de empregados; II - os gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam, para efeito do disposto neste artigo, os diretores e chefes de departamento ou filial; III - os empregados em regime de teletrabalho que prestam serviço por produção ou tarefa (Art. 62 da CLT). Cuidado! Quando se tratar de motorista profissional que atua no transporte rodoviário coletivo de passageiros e de cargas, embora atue de forma externa, a jornada será, como regra, de oito horas diárias por determinação legal: CLT, Art. 235-C. A jornada diária de trabalho do motorista profissional será de 8 (oito) horas, admitindo-se a sua prorrogação por até 2 (duas) horas extraordinárias ou, mediante previsão em convenção ou acordo coletivo, por até 4 (quatro) horas extraordinárias. No entanto, esse motorista pode ter jornada no regime 12x36: CLT, Art. 235-F. Convenção e acordo coletivo poderão prever jornada especial de 12 (doze) horas de trabalho por 36 (trinta e seis) horas de descanso para o trabalho do motorista profissional empregado em regime de compensação. O regime será aplicável aos empregados e aos gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam, para efeito do disposto neste artigo, os diretores e chefes de departamento ou filial, quando o salário do cargo de confiança, compreendendo a gratificação de função, se houver, for inferior ao valor do respectivo salário efetivo, acrescido de 40% (Art. 62 da CLT). 1.2.6 - Teletrabalho A Lei nº 14.442/2022, regulamenta o teletrabalho trazendo algumas alterações com o objetivo de aumentar a segurança jurídica dessa modalidade. O trabalho home office/ trabalho remoto ou teletrabalho ficou muito conhecido e utilizado na pandemia – COVID 19, sendo um dos meios utilizados para precaução do enfrentamento as questões sanitárias da pandemia. A possibilidade de desenvolver o trabalho de qualquer lugar se tornou uma realidade muito atrativa e adotada por muitas empresas, de modo que foram necessárias alterações na Lei para melhor aplicação dessa modalidade que cresce a cada dia. Considera-se teletrabalho ou trabalho remoto a prestação de serviços fora das dependências do empregador, de maneira preponderante ou não, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação, que, por sua natureza, não configure trabalho externo. (Art. 75-B da CLT-Redação dada pela Lei nº 14.442, de 2022). O empregado que exerça sua função em regime hibrido, não sendo trabalho externo, será reconhecido como teletrabalho ou trabalho remoto. O comparecimento, ainda que de modo habitual, às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não descaracteriza o regime de teletrabalho ou trabalho remoto. (§ 1º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela 35 Lei nº 14.442, de 2022) O empregado submetido ao regime de teletrabalho ou trabalho remoto poderá prestar serviços por jornada ou por produção ou tarefa. (§ 2º do Art. 75-B da CLT -Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022) Importante destacar as prestações de serviços introduzidas pela nova Lei, sendo por produção ou tarefa, tendo o empregado liberdade para exercer as tarefas quando lhe for conveniente, sem controle de jornada.de modo que não haverá o pagamento das horas extras. Na hipótese da prestação de serviços em regime de teletrabalho ou trabalho remoto por produção ou tarefa, não se aplicará o disposto no Capítulo II do Título II desta Consolidação. (§ 3º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022) O regime de teletrabalho ou trabalho remoto não se confunde nem se equipara à ocupação de operador de telemarketing ou de teleatendimento. (§ 4º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022) O tempo de uso de equipamentos tecnológicos e de infraestrutura necessária, bem como de softwares, de ferramentas digitais ou de aplicações de internet utilizados para o teletrabalho, fora da jornada de trabalho normal do empregado não constitui tempo à disposição ou regime de prontidão ou de sobreaviso, exceto se houver previsão em acordo individual ou em acordo ou convenção coletiva de trabalho. (§ 5º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022). Fica permitida a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e aprendizes. (§ 6º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022). Aos empregados em regime de teletrabalho aplicam-se as disposições previstas na legislação local e nas convenções e nos acordos coletivos de trabalho relativas à base territorial do estabelecimento de lotação do empregado. (§ 7º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022). Ao contrato de trabalho do empregado admitido no Brasil que optar pela realização de teletrabalhofora do território nacional aplica-se a legislação brasileira, excetuadas as disposições constantes da Lei nº 7.064, de 6 de dezembro de 1982, salvo disposição em contrário estipulada entre as partes. (§ 8º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022). Acordo individual poderá dispor sobre os horários e os meios de comunicação entre empregado e empregador, desde que assegurados os repousos legais. (§ 9º do Art. 75-B da CLT - Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022). A prestação de serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente do instrumento de contrato individual de trabalho. (Art. 75-C da CLT-Redação dada pela Lei nº 14.442, de 2022). As disposições relativas à responsabilidade pela aquisição, manutenção ou fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária e adequada à prestação do trabalho remoto, bem como ao reembolso de despesas arcadas pelo empregado, serão previstas em contrato escrito. (Art. 75-D da CLT-Redação dada pela Lei nº 14.442, de 2022). O empregador deverá instruir os empregados, de maneira expressa e ostensiva, quanto às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho. (Art. 75-E da CLT-Redação dada pela Lei nº 14.442, de 2022). Os empregadores deverão dar prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou criança sob guarda judicial até 4 (quatro) anos de idade na alocação em vagas para atividades que possam ser efetuadas por meio do teletrabalho ou trabalho remoto. (Art. 75-F da CLT-Redação dada pela Lei nº 14.442, de 2022). 2 - Dos períodos de descanso 2.1 - Intervalo interjornada Entre 2 (duas) jornadas de trabalho haverá um período mínimo de 11 (onze) horas consecutivas para descanso (Art. 62 da CLT), chamado de intervalo interjornada, ou seja, do término de uma jornada para o início da outra, o empregado tem direito a 11 horas de descanso. Figura 8 Fonte: https://m.facebook.com/mptdfto/ photos/a.1614445882117561/2642342959327843/?_se_imp=0gflzgHyEM39bwz4Q. Acesso em: 02 mai. 2022. 2.2 - Descanso semanal remunerado e feriados Por outro lado, será assegurado a todo empregado um descanso semanal de 24 (vinte e quatro) horas consecutivas, o qual, salvo motivo de conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço, deverá coincidir com o domingo, no todo ou em parte. Ainda, nos serviços que exijam trabalho aos domingos, com exceção quanto aos elencos teatrais, será estabelecida escala de revezamento, mensalmente organizada e constando de quadro sujeito à fiscalização (Art. 67 da CLT). O trabalho em domingo, seja total ou parcial, será sempre subordinado à permissão prévia da autoridade competente em matéria de trabalho. A permissão será concedida a título permanente nas atividades que, por sua natureza ou pela conveniência pública, devem ser exercidas aos domingos, cabendo ao Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, expedir instruções em que sejam especificadas tais atividades. Nos demais casos, ela será dada sob forma transitória, com discriminação do período autorizado, o qual, de cada vez, não excederá de 60 (sessenta) dias (Art. 68 da 36Legislação Trabalhista e Previdenciária CLT). Na regulamentação do funcionamento de atividades, os municípios atenderão aos preceitos estabelecidos, e as regras que venham a fixar não poderão contrariar tais preceitos nem as instruções que, para seu cumprimento, forem expedidas pelas autoridades competentes em matéria de trabalho. Aqui, o município poderá regulamentar quantos domingos o comércio poderá abrir (Art. 69 da CLT). Salvo os trabalhos aos domingos, é vedado o trabalho em dias de feriados nacionais e feriados religiosos (Art. 70 da CLT). 2.3 - Intervalo intrajornada Agora, trataremos sobre o intervalo de almoço e janta do empregado, sendo que em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. Não excedendo de 6 (seis) horas o trabalho, será, entretanto, obrigatório um intervalo de 15 (quinze) minutos quando a duração ultrapassar 4 (quatro) horas (§ 1º e caput do Artigo 71 da CLT). Ainda, os intervalos de descanso não serão computados na duração do trabalho (§ 2º do Artigo 71 da CLT), ou seja, o empregado trabalha 8h diárias, sendo, por exemplo, 4h diária + 1h de intervalo + 4h diária. O limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição poderá ser reduzido, por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o Serviço de Alimentação de Previdência Social, se verificar que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares (§ 3º do Artigo 71 da CLT). Figura 9 Fonte: https://m.facebook.com/cnj.oficial/photos/de-acordo-o-art-71- da-consolida%C3%A7%C3%A3o-das-leis-do-trabalho-clt-em-qualquer- trabalho/1061985077207585/.Acesso em: 29 abr. 2022. O intervalo poderá ser reduzido e/ou fracionado, quando compreendidos entre o término da primeira hora trabalhada e o início da última hora trabalhada, desde que previsto em convenção ou acordo coletivo de trabalho, ante a natureza do serviço e em virtude das condições especiais de trabalho a que são submetidos estritamente os motoristas, cobradores, fiscalização de campo e afins, nos serviços de operação de veículos rodoviários, empregados no setor de transporte coletivo de passageiros, mantida a remuneração e concedidos intervalos para descanso menores ao final de cada viagem (§ 5º do Artigo 71 da CLT). Nos serviços permanentes de mecanografia (datilografia, escrituração ou cálculo), a cada período de 90 (noventa) minutos de trabalho consecutivo corresponderá um repouso de 10 (dez) minutos não deduzidos da duração normal de trabalho (Artigo 72 da CLT). A não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho (§ 4º do Artigo 71 da CLT). Retomando a aula Chegamos, assim, ao final de nossa aula. Espera-se que agora tenha ficado mais claro o entendimento de vocês sobre a duração do trabalho e descanso. Vamos, então, recordar? 1 - Da duração do trabalho Nesta seção, vimos que a jornada legal é de 8h diárias e 44h semanais. Assim, é possível compreender que, em regra, todas as profissões têm jornada de trabalho. Desse modo, entendemos que tal reflexão é importante dentro do âmbito da empresa. Lembrando que a empresa poderá contratar empregados em jornada parcial. No mais, existem profissões com jornada diferenciadas. 2 - Dos períodos de descanso Nesta seção, vimos que o empregado tem um período legal de descanso como, por exemplo, sendo de 1h. Assim, é possível compreender que o descanso serve para o empregado recuperar as suas energias. Desse modo, entendemos que tal reflexão é importante porque o empregador, obrigatoriamente, tem que conceder o intervalo para o empregado descansar dentro e fora das jornadas de trabalho. 37 Vale a pena MARTINEZ, Luciano. Curso de Direito do Trabalho. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2020. [Minha Biblioteca]. Vale a pena ler BRASIL. Consolidação das Leis Trabalhistas. Promulgada em 1º de maio de 1943. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 5. abr. 2022. Vale a pena acessar A relação de trabalho no Brasil. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=GeKs6rjffA0. Acesso em: 5. abr. 2022. Documentário: História do Direito do Trabalho. Controle de Jornada. Disponível em: https://www.tst. jus.br/web/guest/noticia-destaque-visualizacao/-/asset_publisher/89Dk/content/id/24798063. Acesso em: 5. abr. 2022. Vale a pena assistir Minhas anotações