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Linguagens Midiáticas e Transmídia Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Cristina Munhão Revisão Textual: Prof. Esp. Claudio Pereira do Nascimento Mídia Tradicional X Mídia Digital • Contextualização; • A Evolução das Mídias; • A Linguagem Radiofônica; • A Linguagem Televisiva; • Internet e a Tecnologia da Informação; • Outras Linguagens. · Estudar a linguagem e os meios de comunicação a fim de explorar a evolução das mídias e da linguagem utilizada nelas; · Comparar mídias tradicionais às digitais; · Identificar e comparar formas tradicionais e modernas do jornalismo e publicidade, mostrando a condução das mensagens para manipulação do público; · Conceituar as maneiras de ver o rádio e a televisão e suas múltiplas possibilidades na era da informática. OBJETIVO DE APRENDIZADO Mídia Tradicional X Mídia Digital Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital Contextualização Às vezes, temos a impressão que o mundo sempre foi tecnológico. As coisas parecem tão comuns que achamos que o mundo nasceu assim. Nesta unidade, você terá uma visão geral da evolução das mídias e da linguagem utilizada por elas como se fazia e como se faz comunicação. Saberá a importância da segmentação de público. Este conteúdo trará bases de entendimento das unidades que se seguirão. Boa leitura! 8 9 A Evolução das Mídias Neste módulo, estudaremos o que permanece na mídia e o que tem mudado através dos tempos. A mídia impressa – jornais, revistas – está, gradativamente, sendo substituída por mídias digitais, contudo, o uso de papel impresso ainda é uma realidade. Empresas investem em folders, folhetos, panfletos, catálogos. Os jornais impressos têm perdido espaço, mas ainda possuem leitores fieis. O mesmo acontece com livros, há pessoas que não abrem mão dos livros físicos, mas os e-books são cada vez mais usuais. Bibliotecas virtuais trazem um cabedal grandioso de possibilidades e não ocupam espaço físico. Sim, esse é um fator bem importante neste século. Imagine prédios gigantescos construídos para abrigar bibliotecas. Nas grandes capitais, as moradias estão cada vez menores. Basta uma rápida pesquisa pelos novos empreendimentos imobiliários nas capitais do Brasil e você perceberá uma tendência a metragens menores nos ambientes domésticos. Menor espaço físico exige alternativas e guardar documentos e livros em pastas virtuais é uma solução eficiente. Nesse contexto, o Jornalismo mudou de cara. Você já deve ter visto em bancas de jornal pela rua uma plaquinha com a informação: “vendemos jornal para o seu pet”. O que isso significa? Que as pessoas não têm esse tipo de papel em casa. Recortar imagens de revistas para qualquer fim passou a ser um problema também, visto que são raras as revistas físicas nas residências. O Jornalismo on-line e seus novos formatos são opções eficientes e dominaram o gosto da maioria dos leitores. Essa tendência deveria diminuir o lixo urbano, mas, infelizmente, esse ainda é um problema das grandes cidades e o que mais prejudica é a falta de consciência da população que imprimem papel sem necessidade. Mas esse é outro assunto... Chamamos jornais impressos, revistas, televisão, rádio e o telefone fixo (ampliado em sua função primária) de mídias tradicionais e toda dissidência advinda da internet (on-line) faz parte da mídia digital. Dica: Visite nossa biblioteca virtual, há muito títulos interessantes a seu dispor. No final deste módulo, há algumas indicações no “Material Complementar”. 9 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital O Ponto de Vista Através dos Tempos As relações humanas são subjetivas, opiniões também. O que se considera “realidade” depende do que cada pessoa pensa e da época em que vive. Isso tem a ver com o significado dado ao mundo, conforme estudado na Unidade 2. Tomemos como exemplo uma epidemia, como febre amarela, esse é o fato real, mas as interpretações sobre o assunto podem ser variadas. Uns podem achar que se trata de um “castigo divino”, para outros, falta de cuidado do governo com a população, outros podem crer que se trata de desleixo das pessoas que não se vacinam, há ainda os que fazem piadas sobre a doença e não levam a sério a epidemia. Ou seja, a “verda- de” é subjetiva. Figura 1 Fonte: iStock/Getty Images O Jornalismo é um condutor da opinião pública. Pontos de vistas tornam- se verdadeiras bandeiras na sociedade e com a variedade e tipos de informação disponíveis, a busca pela audiência é fundamental para que essas intersubjetividade e crenças revertam-se em atitudes. A evolução midiática torna essa influência cada vez mais eficaz e abrangente. Em 10 de setembro 1808, no Rio de Janeiro, houve a impressão do primeiro periódico denominado Gazeta. Antes da chegada da família real, as atividades de imprensa eram proibidas e só ocorriam em Portugal. Antes de 1808, em terras brasileiras, chegavam jornais portugueses bastante defasados, visto o tempo que demoravam em cruzar o oceano. Em 1822, com a independência, a Gazeta deixou de circular. A partir de então, mais periódicos surgiram e com eles os jornalistas e os primeiros movimentos da Publicidade nesses veículos. Um dos jornalistas mais importantes e conhecidos dessa época foi o escritor Machado de Assis, em suas crônicas, publicadas semanalmente nos idos entre 1860 e 1890, ele se popularizou por ser um crítico contumaz aos costumes, política e comportamento. Neste artigo você poderá saber mais sobre esse autor: https://goo.gl/Da1L9p Ex pl or 10 11 Mas como eram os costumes naquela época? Saiba mais em: www.opiniaoenoticia.com.br Ex pl or Imagine a cena: O “garoto de recados” vinha à sua porta com uma pilha de jornais e deixava um exemplar. Imediatamente, a dona de casa destacava o capítulo do romance que estava lendo. Naquela época, os livros eram primeiramente escritos em capítulos e publicados nos jornais, só posteriormente compilados e lançados “inteiros”. O pai de família lia o periódico com a parte das notícias, sentado em seu sofá e as mulheres deleitavam-se com a literatura dos capítulos das obras da moda. Era dessa maneira que a circulação midiática acontecia. Nós nos consideramos muito diferentes de pessoas que viveram em séculos anteriores, mas salvo pela “forma” que a comunicação entra nos lares, pouca coisa modificou-se. É comum presenciarmos pais de família diantedos telejornais e as “senhoras” deliciando-se com os capí- tulos das novelas televisivas. Há semelhança de comportamento, só os formatos mudaram. Ex pl or Através dos tempos, muitos costumes permanecem, em muitos lares, noticiários televisivos e as telenovelas substituíram os jornais impressos do passado, contudo a evolução dos meios de comunicação exigiu que fossem criadas estratégias para obter-se cada vez mais audiência e público. É disso que vive a mídia, seu alimento é a audiência que é altamente segmentada. Os meios de comunicação estudam profundamente as preferências do público e lançam discursos elaborados minucio- samente para atrair seu público específico. Vemos a todo instante youtubers implorando “likes” nas redes sociais, isso acontece direta e indiretamente em todos os meios de comunicação, cada um utilizando seus métodos para conseguir a aprovação e audiência. Condução de Opinião Contemplar a vida na tela da TV, seja através da ficção ou do Jornalismo, é uma mudança de hábitos do século XIX para o XX. E nessa transição entre o século XX e XXI, observaremos uma passagem para as telas dos computadores e depois dos ce- lulares que passaram a dividir terreno com esses últimos. Somos espectadores das opi- niões ou construtores e formadores delas. Cabe a nós decidirmos. Figura 2 Fonte: iStock/Getty Images 11 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital As escolhas de linguagem utilizadas para formatar uma notícia são essenciais para condução das “vontades”. Costumeiramente, “acontecimento” confunde-se com “fato”. Acontecimento diz respeito à manifestação de um fenômeno que tem significado ao ser humano. Enquanto fato é uma seleção do que se quer emitir sobre o acontecimento. As notícias são fatos colocados hierarquicamente em ordem de importância, uma visão de mundo, baseada nos fatos. Tudo sob o ponto de vista de quem a produz. Isso forma o julgamento e juízo de valor. Imagine que um proeminente político visita uma região de sua cidade natal e é recebido por correligionários e opositores. Enquanto uns aplaudem, outros vaiam. O acontecimento está lá, apropriando-se desse acontecimento, cria-se o fato. A condução do que for dito medirá se esse político foi aprovado ou reprovado pela população. Quando se torna notícia, o veículo de comunicação que a formulou decidirá se vai dar destaque às vaias ou aos aplausos. Pronto, está “formada” a opinião da audiência que não será vítima de uma “mentira”, mas da “condução da verdade” com fatos colocados hierarquicamente. Somado a isso, teremos a opinião pessoal. Se a pessoa simpatizasse com aquele político, poderia ser levada a não gostar tanto assim dele, afinal a maioria o vaiou, ou o efeito contrário, essa pessoa poderia achar que seu candidato foi injustiçado. E a coisa vai mais além. A opinião dessa coletividade produzirá reações indivi- duais que no passado não fariam muita diferença em matéria de comunicação de massa, mas no século XXI gerará os influenciadores. Há nesse momento algo pa- recido com a folkcomunicação. Aquele ponto de vista formado no indivíduo, trans- forma-se rapidamente em vídeos amadores, memes, fotografias com textos que rapidamente propagam-se pelas redes sociais, formando outros discursos numa cadeia quase infinita. Há um novo paradigma comunicacional surgindo: a divisão de opinião entre a massa, criando “lados”, como pessoas defendendo seus times de futebol. Nesta era o indivíduo posiciona-se contrário ou a favor de uma causa e nesses discursos inflamados perceberemos um novo comportamento: o desentendimento entre pessoas, sobretudo com relação a assuntos alheios à sua vida pessoal. Folkcomunicação: mistura de folclore com comunicação, acontece entre massas, os excluí- dos das mídias tradicionais. Entre eles encontram-se os grafites, literatura de cordel, memes da internet etc. Ex pl or As pessoas têm uma grande propensão a seguir tendências e influenciadores, de serem aprovadas (discutiremos vastamente esse assunto nos capítulos seguintes). Prova disso é a influência do IBOPE E DATAFOLHA – e outros institutos de pesquisa - nas eleições. Os resultados das pesquisas formam opiniões e os indecisos costumam ir pela maioria. 12 13 Um ótimo exemplo de manipulação de “verdades” midiáticas é a peça publici- tária do Jornal Folha de São Paulo criada em 1988 pela agência de publicidade W Brasil. A propaganda demonstra os pontos off-set de uma foto de jornal bem próximos, a fotografia vai se ampliando e ficando mais nítida. Durante a cena o seguinte texto é narrado: “Este homem pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho a seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de seis milhões para novecentas mil pessoas. Esse homem fez o produto interno bruto crescer em 102% e a renda per capta dobrar. Aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para cinco bilhões de marcos. E reduziu uma hiperinflação a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava seguir a carreira artística”. No final da narração, a imagem abre-se totalmente e ao som de uma trilha so- nora impactante, vemos o rosto de Hitler. E a última frase é proferida: “É possível dizer um monte de mentiras, dizendo só a verdade”. Por isso é preciso tomar muito cuidado com o jornal e a informação que você recebe. Folha, o jornal que mais se compra e que nunca se vende. Essa campanha ganhou muitos prêmios, vale a pena assisti-la. Veja a propaganda completa em: https://youtu.be/pY4FCKlQISAEx pl or Essa propaganda é um excelente exemplo de como conduzir um fato, recortá-lo, hierarquizá-lo. No terceiro episódio da terceira temporada da série Black Mirror, apresentada pelo Netflix, intitulada Shut Up and Dance, temos uma tendência à mudança de opinião pessoal que é conduzida pelo “espetáculo” midiático. Inicia-se a narrativa com um sentimento que se transforma ao final, graças aos julgamentos de juízo de valor. No filme, um garoto é vítima de chantagem, pois foi observado por um hacker através da câmera do seu computador, ou seja, teve sua intimidade violada. O rapaz é dominado pela tecnologia, recebe mensagens e missões do hacker que começa a persegui-lo virtualmente. O público toma partido do rapaz, torce para que aquilo acabe. Consideramos o personagem Kenny, interpretado pelo ator Alex Lawter, injustiçado. A revolta contra o hacker é latente até o desfecho. No final do episódio, revela-se o motivo da perseguição “injusta” aos olhos do público. O garoto assistia a filmes sobre pedofilia na internet. O sentimento do público transforma-se na hora da revelação final. Toda piedade acumulada 13 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital diante do desespero do rapaz e das difíceis provas a que é exposto, agora parecem “merecidas”. O castigo imprimido passa a fazer sentido. Nesse caso, valores pessoais e morais conduzem os sentimentos e a opinião do público e os discursos da mídia somam-se aos sentimentos. Todavia, essas coisas não são privilégio da ficção. Assistimos a massacres, extermínio de pessoas que cometem crimes, e as opiniões divergem. A linguagem midiática conduz os sentimentos e a opinião. Parte do público defende a aplicação das leis e justiça a supostos “bandidos”, outros se sentem “vingados” com os massacres, acham justo o “olho por olho”. Outra coisa que conduz essas opiniões é a relevância (importância) dos fatos. No Manual de Redação da Folha (2001), são descritos os critérios, para impor- tância de uma notícia. 1. Ineditismo: a notícia inédita é mais importante do que a já publicada. 2. Improbabilidade: a notícia menos provável é mais importante do que a esperada. 3. Interesse: quanto mais pessoas tiverem suas vidas afetadas pela notícia, mais importante ela é. 4. Empatia: quanto mais pessoas puderem identificar-se com o personagem e a situação da notícia, mais importante ela é. 5. Proximidade: quanto maior a proximidade geográfica entre o fato geradorda notícia e o leitor, mais importante ela é. Contudo, a objetividade é um fator que deve preponderar nas comunicações. Rodeios e inverdades não são bem-vindos no discurso midiático. A onda de notícias falsas que circulam na internet é um grave problema. Não há como passar um pente fino em cada notícia que circula nas redes, e é difícil punir quem produz as Fake news. A internet é o meio mais democrático de informação. Qualquer pessoa pode criar notícias, ser jornalistas e produtor de informação, todavia nem todos se sentem responsáveis sobre o que publicam. Uma “caça às bruxas” as falsas notícias comprometeriam também a liberdade de informação. Figura 3 Fonte: iStock/Getty Images 14 15 Pode parecer errado criar notícias falsas, mas muitas pessoas fazem isso. Toda pessoa deve ser totalmente responsável sobre o que diz, escreve e publica. A melhor maneira de coibir falsas notícias é verificar fontes e veracidade antes de repassá-las. Cabe a você não repassar mentiras, pois será coautor de prejuízos. Todas atitudes, até as mais simples, têm reper- cussão. Portanto, não acredite em NADA que venha como o pedido “repasse” ou “compar- tilhe”. Se a notícia for verdadeira, ela realmente se disseminará naturalmente e virá a ser exibida em meios confiáveis. Ex pl or A Linguagem Radiofônica O ouvido do público é o alvo do rádio. Há um ditado errôneo que diz que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Fale isso para um radialista! A matéria prima do rádio é: 1. A linguagem humana; 2. A música; 3. Os efeitos sonoros. Ao sintonizarmos uma emissora, perceberemos essa sucessão de elementos que se alternam em sua programação. Vozes, músicas, sons, ruídos, trilhas de fundo, tudo em conjunto compõe um discurso que forma imagens na mente de quem ouve. O rádio mexe com a criatividade das pessoas. Não há momentos de silêncio. Uma voz aparece quando outra se cala, ou uma trilha interfere nas pausas e vai baixando até outras vozes serem ouvidas. Esses elementos conjugados imprimem ilimitada riqueza expressiva e grande sugestão às mensagens. Alegria, tristeza, desejo, atenção, revolta, medo são alguns sentimentos que podem surgir através desse universo onde tudo é possível. O rádio é uma das mídias que mais proporcionam criatividade. Do Rádio ao Streaming Depois dos jornais impressos, durante a primeira Guerra Mundial, começaram a surgir as primeiras transmissões radiofônicas, inicialmente em 1906, de maneira experimental, e finalmente em 1920 em Pittsburg, Estados Unidos, uma rádio amadora ligada a uma fábrica criou um programa que trouxe interesse. Uma loja de departamentos da cidade decidiu vender rádios para sintonizar as transmissões dessa e de outras rádios amadoras que começaram a surgir, assim começaram a ser ouvidas por todos os EUA e Canadá. 15 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital Os aparelhos invadiram a casa dos cidadãos e o rádio chegou ao Brasil. A primeira transmissão aconteceu em 7 de setembro de 1922. O público ouviu um discurso do presidente Epitácio Pessoa e a Ópera “O Guarani” de Carlos Gomes, transmitida diretamente do Teatro Municipal. A partir de 1923, através do jornalista Roquete Pinto, houve a popularização dos rádios, na década de 30, o rádio tomou proporções de veículo de comunicação de massa. Carmem Miranda, Grande Otelo e Emilinha Borba foram alguns dos nomes de artistas que impulsionaram o modo de ouvir música, nas décadas de 40 e 50, a arte saiu dos palcos e foi para casa das pessoas. Iniciaram-se as radionovelas e o jornalismo ganhou muito espaço, principalmente com o advento do Repórter Esso, que foi o primeiro noticiário de rádio jornalismo. O número de estações começou a crescer, as músicas passaram dos discos de vinil aos aparelhos radiofônicos. Uma nova maneira de ouvir música, acompanhada do boom publicitário assolava tecnologia da época. As rádios AM (ondas curtas) declinaram e até hoje as rádios FM (frequência modulada) lideram esse tipo de transmissão, sendo agora também possível ouvir rádio digitalmente e on-line. A maioria das rádios opera lidando com segmentos específicos e públicos selecionados e segmentados. Os anunciantes e a programação são escolhidos de acordo com o público, a linguagem é meticulosamente escolhida para cada segmento. Rádios, com conteúdos atraentes a uma audiência específica, anunciam produtos para esse mesmo público e transmitem notícias e músicas que agradam a essas pessoas. Essa segmentação não é aleatória, há pesquisas de mercado que garantem o número de ouvintes das programações. A música, inicialmente exclusiva nas rádios, passou para o vinil, CDs, cartões de memória e atualmente plataformas streaming. É possível baixar músicas, criar playlists, partilhá-las, acessar esses conjuntos de músicas escolhidos por outras pessoas. O grande império das produtoras de discos, que controlavam artistas e o público, ruiu. E toda noção de autoria, direito autoral e arte mudaram de formato, obrigando artistas a divulgarem seus conteúdos através de clipes e shows com muito mais frequência, como meio de lucrar com conteúdo cultural. O rádio foi uma grande estrela no início do século XX, mas ainda tem seu espaço garantido. Seu poder de persuasão é grande, o rádio jornalismo possui grande credibilidade e os profissionais que trabalham nas emissoras são mui- to respeitados. Há emissoras que cobram valores altos de seus patrocinadores. O rádio gera notícias, entretenimento e cultura e no que tudo indica continuará assim por muitos anos, decididamente não é uma mídia em declínio. 16 17 A Linguagem Televisiva Na televisão, veremos conjugadas imagens (linguagem antes exclusiva do ci- nema) e a fala (predominante na linguagem radiofônica). Dessa forma, temos a presença das linguagens verbal e não verbal nessa mídia. Há algumas características próprias dos programas de televisão. São elas: 1. O espetáculo: música, brilho, efeitos sonoros, movimento tornam os con- teúdos mais chamativos. O público deseja shows o tempo todo e a beleza é muito explorada. 2. A fragmentação: para captar a atenção da audiência e conjugar isso às interrupções publicitárias, a programação é fragmentada e apresentada em blocos, o mais importante é não deixar o público zapear. 3. Abertura: o zaping produz uma transmissão permanente, portanto, na linguagem televisiva, a possibilidade de mudança de canal faz com que os discursos mudem, a atenção se volte a outros gêneros, ou seja, de um canal para outro, abrem-se novas possibilidades. 4. Discursos ideológicos: direta ou indiretamente vamos sentir a ideologia expressa por cada canal quando escolhe seu púbico, além do incentivo ao consumo, pois principalmente os canais abertos são financiados pela publicidade comercial. Um exemplo de ideologia muito comum são canais de cunho religioso, mas há uma variedade imensa de ideologias expressas por cada emissora. 5. Banalização de conteúdo: a necessidade de gerar um discurso que a maioria aprecie torna as mensagens simplistas e voltadas às grandes massas. Nesses discursos presenciaremos uma linguagem de cunho apelativo e emocional, em que sempre prevalecerá a emoção sobre a razão. 6. Discursos testemunhais: via de regra, veremos a presença do discurso testemunhal nos programas televisivos. Eles atraem o público que se identifica com quem “conta sua história”. Esse discurso afetivo opõe-se sobremaneira ao racional/analítico que se encontra na leitura. O testemunhal mais eficiente parte das celebridades que possuem a credibilidade para influenciar seu público. 7. Imagens informativas: enquanto num livro você pode encontrar ilustra- ções que não apresentam exatamente as imagens descritas, na televisão (por herança do cinema) haverá, principalmente nos formatos informati- vos, uma complementação da mensagem. Texto e imagem se completam gerando a mensagem. Deve-se observar que a linguagem dessa mídia se opõe a do rádio. 17 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital 8. Sonoridade:música e efeitos sonoros são reforços que dão ênfase ao que se está vendo. Os estímulos auditivos são grandes atrativos ao público. Você já prestou atenção à trilha sonora dos filmes de terror? Sem aquelas trilhas, provavelmente os efeitos de “susto” não seriam tão eficazes. “Zapear” significa mudar de canal com o controle remoto. O maior inimigo da propaganda e das emissoras televisivas é o “zaping”.Ex pl or Estratégias Televisivas Em pleno século XXI, ainda há pesso- as que não estão conectadas à rede digital. A televisão ainda é o maior fornecedor de entretenimento e informação, porém ela mesma não consegue mais ser o veículo unilateral que apenas “fala” enquanto to- dos ouvem, os programas de televisão pas- saram a contar com a interação do público (esse assunto será mais explorado nas uni- dades seguintes). Figura 4 Fonte: iStock/Getty Images Os anos 70 exigiram novas estratégias das televisões que começaram a focar em públicos-alvo específicos, especialmente jovens. Devemos levar em consideração que as preferências mudaram bastante com o passar dos anos. Os jovens do passado tinham gostos mais homogêneos, a segmentação era menor nesse grupo. Com o cabedal de informação advindo das redes, a oferta cultural multiplicou-se e estas segmentações etárias não são mais suficientes. Os jovens têm estilos de vida muito diferentes. E para cada um desses segmentos há um tipo de abordagem linguística específica. As audiências aumentaram significativamente e começaram a exigir mais das emissoras. Programas de variedades, filmes, novelas, séries, esportes, desenhos animados, informação e mais. Os canais disputam ponto a ponto a audiência. Formatos também variam, a qualidade da resolução das imagens evoluiu. As imagens transmitidas digitalmente possuem alta qualidade e já são realidade também nos canais abertos. Os aparelhos têm evoluído concomitantemente à tecnologia de gravação e transmissão. 18 19 Dos videocassetes para os DVDs (com fitas em VHS) houve um grande salto, mas esses aparelhos são obsoletos e essa tecnologia ultrapassada. O armazena- mento de produtos fílmicos, shows e música são uma constante e esse jovem, que se segmenta, consome amplamente os produtos de seu agrado, faz questão de conteúdos exclusivos. Está exigente, pois sua mente está aberta. Figura 5 Fonte: iStock/Getty Images Os criadores de conteúdo do MCM (Mercados de Comunicação de Massa) não podem produzir textos padrão. Uma informação divulgada pelas mídias possui a responsabilidade de atingir públicos específicos e agradá-los. É essa sua real função. E como fazer isso? Classe social, idade, sexo são informações superficiais, o ideal é o aprofundamento das características do público alvo. Pesquisas são realizadas a todo instante para saber os desejos de cada um, suas aspirações, como se veste, o que come, quais músicas ouve, o que o agrada e entretém, se faz parte de uma tribo, se defende uma ideologia, se gosta de política, religião, esportes e muito mais. No seu convívio social, você deve conhecer diversos tipos de pessoas, com classes sociais, nacionalidades, orientações sexuais, raças, religiões e preferências diferenciadas. O profissional que lida com comunicação que não se aperceber dessas diferenças ficará para traz se não souber usar a linguagem adequada a cada grupo. E o mais importante, as pessoas estão mais e mais exigentes e com várias opções. Desagradar a audiência significa a morte nos meios de comunicação. 19 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital Figura 6 Fonte: iStock/Getty Images Outro empecilho para o sucesso da produção de conteúdo é o preconceito. Se você tem esse sentimento em relação à música, religião, gênero, raça, orientação sexual ou qualquer outra coisa, nunca alcançará uma linguagem adequada que atinja seu público. Preconceito e comunicação realmente não tem nada a ver! As televisões por assinatura são uma opção que têm derrubado a audiência dos canais abertos. A luta para manter a fidelidade do público e concorrer com as TVs pagas é constante, mas os canais abertos ainda dominam nos lares brasileiros. Você já deve ter assistido a alguma novela da Globo, certo? Já percebeu os te- mas tratados? Tudo que está na “moda”- problemas sociais, discussões que partem de religião à sexualidade – está nas novelas. As tramas “água com açúcar” já não mexem tanto com as pessoas. Figura 7 Fonte: iStock/Getty Images Você já percebeu que quando um assunto é tratado numa novela, em seguida aparece em outros formatos e mídias? Ex pl or 20 21 Internet e a Tecnologia da Informação As redes de informação e mensagens interconectadas que utilizam protocolos comuns compõem a Internet. A World Wide Web (www) é um conjunto de protocolos que permite a consulta de arquivos de hipertexto definido como dispositivo eletrônico que conduz a outros textos (volte ao módulo 2 onde há mais sobre esse assunto). Esse espaço global possibilita abertura de textos, imagens identificadas mediante uma URL – Uniform Resorource Locator. A internet é um meio de transmissão de dados. Esses dados possuem outros protocolos: • Correio eletrônico; • Transmissão de arquivos; • Conversações em linha; • Mensagens; • Televisão. O termo usado quando se utiliza a internet é “navegar”. Dessa forma, o “navegador” é o software que permite a interação com as informações da Web. Quando as informações são locais, são denominadas intranet. Para servir-se dessas redes, o usuário necessita de plataformas arquitetadas para suportarem as informações, esses são os servidores que acessam os conteúdos multimidiáticos. O buscador do Google é o mais utilizado na internet. É um dispositivo que se aperfeiçoa diariamente. Inicialmente, fazia buscas por palavra-chave e já tem funções intuitivas. A empresa tem investido em aperfeiçoamento de seus programas e softwares e é amplamente sustentada pela publicidade. O Google começou como buscador, hoje é muito mais que isso, é uma empresa com inúmeras funções, interligadas a diversos segmentos de mercado.Ex pl or Blogs e videoblogs, podcasting, sites, chats, essas são apenas algumas das nomen- claturas utilizadas para designar a infinidade de possibilidade das redes digitais. Na internet podem ser utilizados vários sentidos. A visualização da informação faz uso dos signos como no design gráfico de material impresso. Cores, maquetação, tipografia, hierarquia de informação, escalas de cores, etiquetação e símbolos devem encontrar equilíbrio entre a fotografia e os detalhes. Tudo tem que estar em ordem, facilitando a navegação do usuário. 21 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital O usuário deve ter uma experiência visual agradável e rica, completamente autoexplicativa, intuitiva e reveladora. Você já deve ter ouvido alguém dizer: “Descobri na internet”. Mas, para criar uma informação que possa ser “descoberta” pelo usuário, deve-se desenvolver noções sobre linguagem gráfica e conhecimento de tecnologia digital, a fim de elaborar elementos pictóricos que façam com que o público interaja com a visualização. O design deve ser uma interface fácil de usar, com maquetações diretas em que os elementos gráficos fiquem dispostos de maneira lógica. Tipos devem ser escolhidos com sabedoria, facilitando a leitura, se houver confusão visual, as pessoas rapidamente abandonam a página e passam para outra, mais fácil e mais clara. Preste atenção na escolha do que você vai colocar na web, mesmo nos meios audiovisuais. Textos redundantes, cacofônicos, cheios de pausa não são lidos, ouvidos ou vistos até o fim. A argumentação utilizada tem que atingir o público alvo, com assuntos que agradem aquele perfil, mas não menos importante, com linguagem clara, objetiva e dinâmica. Figura 8 Fonte: iStock/Getty Images Páginas da web são desenvolvidas por empresas e há diversas funções para esse fim: Equipe de desenho; designers, estrategistas de conteúdo, técnico de front-end (encarregado de codificar o conteúdo); diretorcriativo entre outros. Na tecnologia de informação, encontraremos também as Redes Sociais que são estruturas compostas de grupos conectados por amizades, interesses, relações comerciais e troca de conhecimento. Trata-se de um intercâmbio dinâmico, num sistema “aberto” em construção permanente. A princípio surgiram para facilitar o contato pessoal, mas a configuração de uso da social media tem sido utilizada para outros fins. 22 23 Figura 9 Fonte: iStock/Getty Images As Redes Sociais mais utilizadas ultimamente são: • Facebook: plataforma em que se podem postar fotos, vídeos e mensagens escritas e ficam expostas publicamente ou não. • Twitter: é o que se chama de microblogging e permite enviar e receber atualizações pessoais dos seus contatos com até 140 caracteres, conhecidos como tweets. As atualizações são exibidas em tempo real. • You Tube: permite que usuários carreguem e compartilhem vídeos em formato digital. Personalidades tem se utilizado bastante dessa ferramenta, são os youtubers, que se autopromovem com programas diversos. • Instagram: permite compartilhamento de fotos e vídeos entre usuários, co- nectando-os a outros serviços. • Snapchat: aplicativo de mensagens com base de vídeos que ficam expostos por tempo limitado. Outras Linguagens Como discutido anteriormente, a linguagem não tem limites. Moda, cinema, fotografia são expressões significativas de linguagem e têm sofrido influência das novas mídias. Assista a excelente entrevista de Juan Droget sobre o filme Maria Antonieta. Disponível em: https://youtu.be/9MMQ3UybG5wEx pl or 23 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital A sociedade do espetáculo exige que as pessoas, através da moda, expressem desejos e aspirações. As roupas refletem personalidades e estilos de vida. O cinema é um dos grandes responsáveis pela divulgação da moda, seguindo o cinema vem a televisão. O comércio efetiva a divulgação através da publicidade. E de repente andamos nas ruas e as saias encurtam ou ficam longas, a cinturas das calças sobem e descem enquanto sapatos mudam de cor e formato através dos tempos. O que era feio passa a ser bonito e o que era bonito, feio. A moda perpassa por penteados, perfumes, maquiagem, gastronomia, bebidas. Até animais de estimação são escolhidos conforme as raças que estão na moda. Moda é linguagem, é expressão e é ditada pela mídia em vários aspectos. Os “influenciadores” midiáticos determinam modos de agir e vestir e é necessário ter muita opinião para não ser envolvido e levado pelas tendências impostas pela mídia. O filme “o Diabo veste Prada” estrelado por Meryl Streep faz uma excelente discussão sobre esse assunto. O cinema ganhou novos formatos expressivos com a magia da evolução dos efeitos especiais. O que necessitava de horas de maquiagens, fantasias e inú- meros figurantes é hoje realizado na tela Chroma Key (discorreremos mais so- bre isso nos próximos capítulos). Isso trouxe uma nova linguagem ao cinema, a qualidade das imagens e os efeitos complementam os sons e o ballet dos signos preenche a imaginação. As formas de expressão são infinitas. A linguagem está ao seu redor, só os atentos e informados podem controlá-la e usá-la em seu benefício. Chroma Key (green screen): técnica visual que consiste em colocar uma imagem sobre uma outra através da anulação de uma cor padrão, como por exemplo, o verde ou o azul. É utilizado em vídeos em que se deseja substituir o fundo por algum outro vídeo ou foto. Ex pl or 24 25 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Fotografia Digital na Prática KELBY, Scott. Fotografia Digital na Prática. São Paulo: Pearson, 2008. (biblioteca virtual) O Campeão de audiência CLARK, Walter. O Campeão de audiência. São Paulo: Summus, 2015. (biblioteca virtual) Vídeos Entrevista com Mark Zukenberg https://youtu.be/rGXtY-Jm3aw Filmes O Diabo Veste Prada (pode ser encontrado no Netflix, ou Globo Play) Maria Antonieta Com direção de Sofia Copola Coco Chanel https://youtu.be/ctgyhLwoQ5c 25 UNIDADE Mídia Tradicional X Mídia Digital Referências HERNANDES N., A mídia e seus truques: o que o jornal, revista, TV, rádio e internet fazem para captar e manter a atenção do público. São Paulo: Contexto, 2006. (e-book – biblioteca virtual Cruzeiro do Sul) FOLHA DE SAO PAULO. Manual de Redação, São Paulo: Publifolha, 2001 STRAUBHAAR, Joseph D. e Robert La Rose. Comunicação, mídia e tecnologia. Tradução José Antônio Lacerda. São Paulo: Thompson Learning, 2004 26