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O autor deste livro e a EDITORA GUANABARA KOOGAN empenharam seus melhores
esforços para assegurar que as informações e os procedimentos apresentados no texto estejam em
acordo com os padrões aceitos à época da publicação, e todos os dados foram atualizados pelo
autor até a data da entrega dos originais à editora. Entretanto, tendo em conta a evolução das
ciências da saúde, as mudanças regulamentares governamentais e o constante fluxo de novas
informações sobre terapêutica medicamentosa e reações adversas a fármacos, recomendamos
enfaticamente que os leitores consultem sempre outras fontes fidedignas, de modo a se
certificarem de que as informações contidas neste livro estão corretas e de que não houve
alterações nas dosagens recomendadas ou na legislação regulamentadora.
O autor e a editora se empenharam para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos os
detentores de direitos autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondo-se a possíveis
acertos posteriores caso, inadvertida e involuntariamente, a identificação de algum deles tenha
sido omitida.
Direitos exclusivos para a língua portuguesa 
Copyright © 2018 by 
EDITORA GUANABARA KOOGAN LTDA. 
Uma editora integrante do GEN | Grupo Editorial Nacional 
Travessa do Ouvidor, 11 
Rio de Janeiro – RJ – CEP 20040-040 
Tels.: (21) 3543-0770/(11) 5080-0770 | Fax: (21) 3543-0896 
www.grupogen.com.br | editorial.saude@grupogen.com.br
Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em
parte, em quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia,
distribuição pela Internet ou outros), sem permissão, por escrito, da Editora Guanabara Koogan
Ltda.
Capa: Ricardo Lima 
Produção digital: Geethik
Ficha catalográfica
C43s
Chanes, Marcelo
SAE descomplicada / Marcelo Chanes. – 1. ed. – São Paulo : Guanabara Koogan, 2018.
158 p. : il. ; 21 cm.
http://www.grupogen.com.br/
mailto:editorial.saude@grupogen.com.br
http://www.geethik.com/
Inclui bibliografia 
ISBN 978-85-277-3277-2
1. Enfermagem. 2. Diagnóstico de enfermagem. 3. Enfermagem - Prática. I. Título.
17-44495 CDD: 610.73 
CDU: 616-083
Dedico este livro a todos os enfermeiros por vocação, que, diante de um
cenário de extremas mudanças tecnológicas na saúde, buscam ressignificar
sua identidade e, assim, empoderar-se em seus papéis.
Marcelo Chanes
Colaboradores
Alison Guimarães Gomes
Enfermeiro. Especialista em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do
Distrito Federal (ICDF). Professor-assistente da disciplina Práticas de
Enfermagem do Laboratório do Centro Universitário Planalto do Distrito
Federal (UNIPLAN).
Ana Cristina de Sá
Especialista em Toque Terapêutico pelo Método Krieger-Kunz pela TT
International Org., EUA e Canadá; em Aprimoramento Modalidade
Residência em UTI pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (HC-FMUSP); e em Administração Hospitalar e
em Bioética pelo Centro Universitário São Camilo. Mestre e Doutora em
Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP (EEUSP). Professora
Doutora das disciplinas Práticas Clínicas, Semiologia e Semiotécnica,
Prática e Processo de Enfermagem do departamento de Enfermagem da
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Centro Universitário São
Camilo e da Universidade Anhembi-Morumbi Laureate International.
Membro da Society of Rogerian Scholars e do Grupo de Trabalho de
Práticas Integrativas do COFEN.
Lucio Henrique D’avila Moreira
Graduando em Enfermagem e Integrante do Programa Iniciação Científica
da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA).
Lynda Juall Carpenito
Enfermeira pela Seton Hall University Clinical, EUA. Especialista em
Processo de Enfermagem pelo Wilmington Medical Center, EUA. Mestre
em Licenciatura em Enfermagem com Componentes em Enfermagem
Médico-cirúrgica e Ensino pela University of Pennsylvania, EUA.
Pósgraduada pelo Programa de Enfermeiros Familiares da Thomas
Jefferson University, EUA. Presidente da LJC Consultants Inc., EUA.
Marcos Alves Pessanha
Enfermeiro pelo UNIPLAN. Especialista em Centro Cirúrgico pela
Faculdade APOGEU. Professor-assistente da disciplina Centro Cirúrgico do
Centro de Treinamento Consultar (CTCON).
Rosângela Gonçalves da Silva
Especialista em Formação Didático-pedagógica em Enfermagem pelo
Instituto de Estudos Avançados e Pós-graduação (ESAP). Mestre em
Biociências pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Doutoranda em
Biotecnologia da Unesp, campus Araraquara. Professora Titular das
disciplinas Introdução à Enfermagem, Técnicas Fundamentais de
Enfermagem, Ética e Legislação Profissional e Análise Crítica da Evolução
Histórica da Enfermagem do departamento de Enfermagem da
FEMA/Instituto Municipal de Ensino Superior de Assis (IMESA).
T. Heather Herdman
Mestre em Ciências e Doutora em Enfermagem pela Boston College.
Professora-associada da University of Wisconsin-Green Bay, EUA. Diretora
Executiva da NANDA International Inc.
Apresentação
Esta obra discute a SAE sob uma perspectiva cognitiva, desmistificando-a
como atividade burocrática, e apresenta a diferenciação e interseção da SAE
com o Processo de Enfermagem, explicando passo a passo como realizá-los
com foco em metas e resultados positivos.
De maneira didática, os capítulos abordam cada fase da SAE e do
Processo de Enfermagem à luz da literatura e, sobretudo, da prática
reflexiva do enfermeiro. Além disso, contam com novidades como uma
nova teoria de Enfermagem, a Teoria da Enfermagem Reflexiva, o novo
Processo de Enfermagem e as mudanças na compreensão dos diagnósticos
como base para os cuidados.
Breve e prática, esta obra fornece subsídios para a melhor compreensão
da SAE e dos conceitos que a cercam, descomplicando-a e favorecendo seu
uso de maneira eficaz, dando rosto e identidade à Enfermagem de sua
instituição.
Revolucione o cuidar, descomplique a SAE, leia e reflita sobre esta
obra.
Marcelo Chanes
Material Suplementar
Este livro conta com o seguinte material suplementar:
 Vídeos que complementam os temas abordados na obra.
O acesso ao material suplementar é gratuito. Basta que o leitor se cadastre
em nosso site (www.grupogen.com.br), faça seu login e clique em GEN-IO,
no menu superior do lado direito. Em seguida, clique no menu retrátil ( )
e insira o PIN de acesso localizado na primeira orelha deste livro.
É rápido e fácil! Caso haja alguma mudança no sistema ou dificuldade de
acesso, entre em contato conosco (gendigital@grupogen.com.br).
http://www.grupogen.com.br/
mailto:sac@grupogen.com.br
Grande diferencial da obra, o material suplementar conta com vídeos que
apresentam um conteúdo de qualidade por meio de aulas, entrevistas e bate-
papos, enriquecidos com a utilização de diversas tecnologias, como lousa
digital, tablet interativo e lousa virtual. Tudo isso contribui para que
enfermeiros e estudantes de graduação em Enfermagem compreendam, de
maneira simples e didática, a Sistematização da Assistência de
Enfermagem.
Para cada capítulo, foi elaborado um vídeo que explica com detalhes um
ponto importante de reflexão sobre o assunto abordado.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
Sumário
Identidade e Autonomia do Enfermeiro
Alison Guimarães Gomes • Marcos Alves Pessanha • Marcelo Chanes
SAE Descomplicada
Marcelo Chanes
Teorias de Enfermagem e SAE
Ana Cristina de Sá • Lucio Henrique D’avila Moreira • Rosângela
Gonçalves da Silva
Teoria da Empatia Reflexiva
Marcelo Chanes
Coleta de Dados
Marcelo Chanes
Diagnose e Diagnósticos de Enfermagem
Marcelo Chanes
Planejamento de Metas e Resultados
Marcelo Chanes
Planejamento de Intervenções e Prescrições
Marcelo Chanes
9.
10.
11.
12.
Implementação da SAE
Marcelo Chanes
Avaliação Contínua do Cuidado
Marcelo Chanes
Acurácia no Diagnóstico
T. Heather Herdman • Marcelo Chanes
SAE como Base para a Atuação Interdisciplinar do Enfermeiro
Lynda Juall Carpenito
•
•
•
Objetivos deste capítulo
Conceituar Enfermagem como disciplina, profissão e papel
Conceituar identidade e autonomiaCorrelacionar a Sistematização da Assistência de Enfermagem como
ferramenta de identidade e autonomia do enfermeiro.
Palavras-chave: Enfermagem, identidade, disciplina, profissão, papel.
 O que é Enfermagem
A definição de “Enfermagem” pode parecer simples, por ser geralmente
feita com a descrição do que os enfermeiros fazem, e não de quem
realmente são. O componente do “fazer” é tão explícito e tangível que
parece resumir a própria Enfermagem. Entretanto, cabe olhar para a
Enfermagem de uma maneira mais profunda.
Burresh e Gordon 1 recomendam que o profissional, em qualquer
situação na qual diga quem é, não se restrinja a dizer “sou enfermeiro”,
sendo mais explícito; por exemplo: “Sou enfermeiro, trabalho em uma
unidade de oncopediatria e asseguro a humanização no atendimento à
criança por meio da brinquedoteca, espaço no qual, de maneira lúdica,
dramatizo os procedimentos aos quais a criança será submetida no dia
seguinte. Isso facilita a adesão ao tratamento. Ainda, com orientações
simples, mas objetivas e claras, oriento e educo os pais para que estejam
seguros de que os procedimentos são necessários para a criança e de que a
equipe está capacitada para realizá-los”.
 Para analisar
“Sou enfermeiro (não parou aqui, pois apenas essa informação não explica a Enfermagem),
trabalho em uma unidade de Oncopediatria (situou a unidade e o contexto de trabalho) e
asseguro a humanização no atendimento à criança (compromisso) por meio da brinquedoteca
(recurso), espaço no qual, de maneira lúdica (método de trabalho), dramatizo os procedimentos
aos quais a criança será sub-metida no dia seguinte. Isso facilita a adesão ao tratamento (meta).
Ainda, com orientações simples, mas objetivas e claras (recursos), oriento e educo os pais
(método de trabalho e expressão de que atende além da criança) para que estejam seguros de que
os procedimentos são necessários para a criança e de que a equipe está capacitada para realizá-
los (meta).”
A demonstração de confiança e a clarificação melhor do papel do
enfermeiro conferem uma definição de Enfermagem que ultrapassa o mero
“fazer”, dando um sentido de uso de recursos e métodos para o alcance de
metas. Com isso, pode-se avançar um pouco mais e, considerando os itens
destacados no quadro, perceber que Enfermagem é definida como um tripé,
apresentado na Figura 1.1.
Por ser uma disciplina, a Enfermagem exige e produz saberes e
conhecimentos. Segundo Parker 2 , em sua prática, a Enfermagem apropria-
se de fatos, dados, conceitos, investigações e abordagens ímpares que a
diferenciam das outras disciplinas e rascunham suas fronteiras do
conhecimento. Os saberes da Enfermagem são os valores e conceitos que
guiam o pensamento e o trabalho do enfermeiro (Figura 1.2).
Figura 1.1 Conceito de Enfermagem como um tripé.
Garret 3 remete a uma visão de Enfermagem que define que a esta cabe
fazer duas grandes perguntas: “como” e “por que”. Essas perguntas trazem
os fatos, dados e conceitos, sendo um processo de investigação e de
abordagem único.
Figura 1.2 Variantes do tripé da Enfermagem: saberes e conhecimentos.
 Para re�etir
Enfermeira Júlia recebe a Sra. J.G., de 68 anos, acompanhada do �lho, no prontosocorro de um
hospital geral. Ao observá-la, Júlia percebe que a paciente está abatida, com demonstrações de
emagrecimento e expressões de fadiga. Então, Júlia faz sua primeira pergunta:
— Sra. J.G., como se sente?
A paciente relata que está febril e com diarreia há 1 semana, perdendo peso e sentindo forte
cansaço.
Júlia continua sua busca de fatos e dados e pergunta:
— Sra. J.G., como se cuidou nessa semana?
A paciente relata que tomou chás e um medicamento para a febre, porém sem efeito.
Ao exame físico, Júlia percebe linfadenopatia e manchas vermelho-escuras pelo corpo da
paciente, bem como turgor da pele diminuí do e boca seca.
Em sua busca de fatos, Júlia pergunta:
— Sra. J.G., desde quando essas manchas e ínguas estão presentes?
A paciente desconversa e diz que o que precisa é de um anti bió tico para sarar. Júlia
prontamente pergunta:
— Por que a senhora acredita que um antibió tico resolverá sua condição?
A paciente, com o dedo em riste e lágrimas nos olhos, responde:
— Porque sou mulher de um homem só, não sou promíscua. O que tenho é uma infecção, e não
AIDS, como a minha vizinha.
Júlia, empaticamente, diz:
— Sra. J.G., precisamos fazer alguns exames antes de a�rmar o que a senhora tem e qual anti
bió tico é a melhor opção. Mas preciso que colabore comigo na realização desses exames. Posso
contar com a senhora?
A paciente aceita e é encaminhada à consulta médica e aos exames sorológicos.
Ao usar as perguntas “como” e “por que”, a enfermeira foi capaz de
acessar dados do mundo subjetivo e objetivo da paciente, sem minimizar os
valores e conceitos do papel complementar*.
A Enfermagem compreendida como profissão, por sua vez, remete aos
métodos e recursos de seu trabalho. McEwen e Wills 4 afirmam que, na
sociedade, há profissões e ocupações, e que a Enfermagem surgiu como
uma ocupação, ou seja, como trabalho.
A Enfermagem, em seus primórdios, era executada por pessoas leigas e
marginalizadas. Florence Nightingale elaborou um modelo de escola de
Enfermagem, ensinando, entre outras funções, o raciocínio crítico, a
atenção às necessidades individuais e o respeito aos direitos do paciente.
Nightingale, assim, transformou a Enfermagem em uma das ocupações
mais importantes do hospital em sua época. À sua concepção de formação
de enfermeiras, deu-se o nome de Treinamento.
Enfermagem como profissão
Uma profissão, por sua vez, é uma vocação, tem um status de superioridade
em função dos saberes que domina. Esses saberes favorecem o
estabelecimento, a educação, o treinamento, a implementação e a avaliação
de métodos e recursos (Figura 1.3). Outra característica marcante de uma
profissão é que esta possui metas bem definidas para que o uso de métodos
e recursos seja justificado.
A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e o Processo de
Enfermagem (PE) configuram-se como sistemas e instrumentos. Ambos são
ferramentas de uso exclusivo da profissão e auxiliam no alcance de metas.
O uso de sistemas e instrumentos configura a tecnologia de uma
profissão, e a aplicação dessas tecnologias visa à solução de problemas
(metas). Contudo, considerando-se o berço da palavra tecnologia, chega-se
ao grego technologia, que significa arte. Potter e Perry 5 descrevem:
Enfermagem é tanto uma arte como uma ciência. Sua prática
exige uma mistura dos mais atualizados padrões de
conhecimento e prática associados a uma abordagem do
cuidado do cliente de forma humana e cheia de discernimento.
Assim, o olhar para Enfermagem como profissão e disciplina se
consolida em um único conceito que abarca a tecnologia atual (SAE e PE).
Figura 1.3 Variantes do tripé da Enfermagem: métodos e recursos.
Teorias de Enfermagem
Para que a Enfermagem pudesse se definir como ciência, foi necessária a
produção de Teorias de Enfermagem e, para a formulação de uma teoria, é
necessário definir quatro elementos, conhecidos como metaparadigmas:
enfermagem, indivíduo, ambiente e saúde.
A primeira teorista foi Florence Nightingale, que descreveu o papel do
enfermeiro como alguém que deveria colocar o paciente na melhor
condição possível para a natureza restaurar ou preservar sua saúde. A partir
de Nightingale, a ideia de cuidado passou a ser discutida como objeto de
estudo da Enfermagem, pois este é o objeto da disciplina.
1.
2.
•
•
•
•
•
•
As Teorias de Enfermagem procuram definir o cuidado e o processo de
cuidar, bem como os recursos e métodos mais adequados para tanto. Elas
surgiram por uma necessidade de busca de identidade própria, como
resultado de uma reflexão feita por algumas enfermeiras norteamericanas
que tentavam entender suas próprias práticas. Isso as fez buscar um campo
de conhecimento específico, encontrando, assim, um significado para a
Enfermagem e, consequentemente, um papel social para si mesmas.
 Para re�etir
Você decidiu construir a casa dos seussonhos. Para tanto, contratou um arquiteto, e este buscou
conhecer sua personalidade e seu estilo de vida, para, assim, desenhar a casa que melhor
correspondesse às suas expectativas.
Após diversas reuniões, ele lhe entregou o projeto pronto. E você contratou um engenheiro para
fazer a análise do solo e supervisionar a construção, bem como contratou pedreiros, marceneiros,
encanadores, entre outros pro�ssionais, para a execução da obra.
Depois de alguns meses, você recebeu a casa dos seus sonhos.
Agora responda:
Quem participou da entrega do seu sonho?
Quem realizou ações técnicas na construção de sua casa?
Se observar bem, você perceberá que as pro�ssões realizam uma entrega de valor social, isto é,
baseada na vocação, a qual está apoiada em algumas premissas: 4
Base de conhecimento especí�ca
Empoderamento para treinar e desenvolver a aprendizagem
Empoderamento para documentar e registrar a atividade
Entrega de valor à sociedade
Código de ética
Socialização prolongada
•
•
•
•
Autonomia.
Uma ocupação não possui essas premissas, portanto, segue as decisões das pro�ssões, tendo,
assim, uma autonomia decisória menor.
A partir desse exemplo, percebe-se que uma profissão tem (e
desenvolve) conhecimento como norteador de sua prática. Já uma ocupação
segue as indicações, muitas vezes, de uma profissão.
Sendo um trabalho vocacional e que deve ter uma entrega clara à
sociedade, a Enfermagem esbarra com a falta de (re)conhecimento e
valorização.
Burresh e Gordon 1 fazem uma reflexão sobre um estudo que
comprovou que a Enfermagem é sub-representada na mídia em reportagens
sobre saúde. O estudo, feito em jornais e websites do mundo todo, apontou
que o médico é o profissional de saúde mais reconhecido e demonstrou,
ainda, que outras 11 profissões de saúde tinham um percentual maior de
representatividade que os enfermeiros.
Um olhar mais crítico leva a compreender que, no atual cenário da
saúde, a Enfermagem está enfraquecida e merece resgatar seu valor e
reconhecimento.
Para “re-evolucionar” a Enfermagem, esse estudo apresenta três
importantes dicas:
Os enfermeiros devem estar disponíveis para falar sobre seu trabalho
(ser mais específicos)
Os enfermeiros devem falar menos de sua vocação e mais de seu
conhecimento
Os enfermeiros devem dar mais ênfase à enfermagem assistencial e
menos ênfase às outras áreas, valorizando a assistência como a
Enfermagem pura.
Cabe ainda reforçar que a construção da imagem profissional da
Enfermagem tem de lidar com um ponto sério que pode denegrir a
profissão: os enfermeiros precisam entender que sua imagem profissional,
ao trabalhar o ser holístico, não é uma sobreposição nem tampouco a
realização do trabalho de outros profissionais, como assistentes sociais,
médicos e psicólogos.
O cenário de falta de (re)conhecimento da Enfermagem só mudará
quando os enfermeiros mudarem sua fala sobre quão virtuoso é esse
trabalho, ou quando evitarem comentários negativos sobre a profissão e
passarem a falar sobre seu conhecimento e valor. A premissa é acabar com
o silêncio.
No caso da Enfermagem, utilizando o exemplo da casa, a entrega social
é o alcance dos melhores resultados possíveis em saúde, o que só é possível
por meio da SAE. Para tornar essa entrega social visível, necessita-se de um
trabalho de comunicação de cada enfermeiro com seu papel complementar.
 Atenção
Enfermagem é pro�ssão. É tecnologia (arte) e uma abordagem com discernimento adequado
para que os métodos e recursos sejam realizados e usados de maneira correta e direcionada às
metas.
Enfermagem também é identidade. Gutierrez e Morais 6 afirmam que
identidade é uma fonte de significados construídos a partir de um processo
de significação do passado, avaliação do presente e prospecção do futuro.
E, segundo Angel et al. 6 , o enfermeiro com um autoconceito adequado
alcança melhores resultados.
Gil 7 afirma que a identidade é positiva, ou seja, sempre será uma
expressão como: “Sou enfermeiro”, “Sou torcedor do time da minha
cidade”, “Sou voluntário em uma ONG”. Assim, a identidade é enxergar-se,
reconhecer-se e aceitar-se plenamente com a possibilidade de afirmação
como um sujeito de saberes, conceitos e espaços.
Isso remete ao tripé da identidade, por meio da qual se cria o
autoconceito e pode-se assumir papéis na sociedade (filho, pai, profissional,
cliente, servidor, consumidor, eleitor etc.). Significar-se, portanto, é
fundamental para o preenchimento completo e a atuação do que é ser
enfermeiro.
Para Gutierrez e Morais 8 , a formação da identidade profissional é
complexa, é um produto de mecanismos sociais nos quais o indivíduo se
insere para significar-se como determinada profissão (p. ex., a graduação ou
seus estágios). Os autores afirmam ainda que características pessoais, o
contexto da empresa e o decurso da existência (carreira) afetam a
consolidação da identidade profissional. Isso significa que um enfermeiro
que atuou sua carreira toda em um hospital hierarquizado encontrará
dificuldades para forjar sua identidade em um hospital dinâmico e centrado
no paciente, uma vez que ambiente afeta a maneira como cada um é
formado ou autoconceituado.
Assim, com um autoconceito bem definido, o enfermeiro consegue
atuar em seu papel social de maneira consciente e preditiva, não se
esquecendo de sua importância e relevância social.
 Atenção
Enfermagem é identidade. É um autoconceito de quem você é como pro�ssional, de suas
habilidades e possibilidades.
Pode-se, então, visualizar a Enfermagem em seu tripé disciplina,
profissão e identidade, mas, ao aprofundar o olhar, nota-se que ela é
formada por saberes, conhecimentos, métodos, recursos, autoconceito e
papel (Figura 1.4).
 Atenção
O saber da Enfermagem é formado na medida em que vários conhecimentos são considerados
constituintes da pro�ssão. Ao mesmo tempo, para a autonomia pro�ssional, é importante a
elaboração de um saber especí�co, que tem como signi�cado a delimitação da essência da
pro�ssão (o cuidado) e a constituição de um espaço próprio de poder.
Figura 1.4 Variantes do tripé da Enfermagem: saberes, conhecimentos, métodos,
recursos, autoconceito e papel.
SAE no contexto da identidade e autonomia profissional
A SAE é uma metodologia de organização, planejamento e execução de
ações coerentes, pensadas e significadas pelo enfermeiro no período em que
o papel complementar se encontra sob os cuidados de Enfermagem.
Constitui, portanto, um modelo de gestão de processo de trabalho (método)
que sistematiza a assistência e direciona o cuidado integral e
individualizado, garantindo segurança ao papel complementar e aos
profissionais envolvidos com na assistência.
Em face da constante busca pela qualidade da assistência, com trocas de
informações e demandas das instituições de saúde para maximizar recursos
e diminuir custos, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em 2002,
tornou obrigatória a implementação da SAE em todos os Estabelecimentos
de Atenção em Saúde (EAS), determinando as etapas para a sua
operacionalização. Sete anos depois, em nova resolução, determinou a
obrigatoriedade e a necessidade de sua aplicação na prática, preconizando-a
como atividade privativa do enfermeiro e subsidiando, assim, as ações que
possam contribuir para a efetiva implantação do PE.
O PE é um instrumento que orienta o cuidado de enfermagem,
caracterizando uma afirmação da prática profissional, e deve ser baseado
em uma teoria que oriente suas etapas – daí a importância da escolha de
uma Teoria de Enfermagem. Cabe, portanto, ressaltar que a SAE e o PE são
inter-relacionados, apesar de suas especificidades conceituais e
operacionais, e que, quando incorporados no processo de trabalho,
permitem organizar e avaliar a prática de Enfermagem de forma a melhorá-
la e garantir a continuidade das informações sobre o cuidado.
 Para analisar
A SAE é a principal estratégia para melhorar a qualidade da assistência e fortalecer a
Enfermagem como pro�ssão, uma vez que proporciona ao enfermeiro a de�nição do seu papel.
Ela se faz necessária para aavaliação crítica da pertinência e relevância do trabalho de
Enfermagem frente ao atendimento das necessidades do papel complementar, pois possibilita o
uso dos saberes e conhecimentos, sobretudo os de gestão do cuidado.
A SAE oferece benefícios para o paciente, para a profissão e para a
instituição. O benefício para o papel complementar é o cuidado de
qualidade, uma vez que levará em conta sua individualidade e suas
necessidades. Para a profissão, os benefícios são a autonomia profissional e
o reconhecimento pela qualidade da assistência prestada ao papel
complementar, refletindo na importância social e na responsabilidade
profissional do enfermeiro. Por fim, o benefício para a instituição é a
organização do cotidiano da equipe, a maneira como geralmente o cuidado
é registrado no prontuário, facilitando o controle de metas.
A autonomia do enfermeiro, possibilitada pela SAE, pode ser definida
como habilidade de autodeterminação, de ser independente, isto é, o
indivíduo tem o poder e a habilidade de decidir ou agir sobre si mesmo.
Assim, é importante que o papel complementar na SAE seja considerado
sujeito do cuidado, e não objeto.
A luta pela identidade e autonomia profissional do enfermeiro é
histórica e incessante. Apesar de muitas conquistas profissionais, essas
questões ainda são muito discutidas no meio acadêmico, profissional e
político, pois perpassam por diversos fatores, como imagem profissional,
salário, reconhecimento, espaço de trabalho, papel e saber/fazer próprios.
Entende-se por autonomia profissional a capacidade que o enfermeiro
tem de se autodeterminar dentro da equipe de saúde, no exercício legal de
suas atribuições profissionais, de acordo com o sistema de saúde vigente de
um país, uma região ou uma comunidade.
A arte de cuidar é o foco central da profissão, fundamentando-a e
justificando as ações da equipe de Enfermagem. Entretanto, para que o
cuidado seja elemento presente nas ações, precisa estar inserido
inicialmente nas relações entre os próprios profissionais, a fim de que não
haja empecilhos para os processos cuidativos. O enfermeiro deve
desenvolver constantemente seu pensamento crítico e manter ativas, em sua
atuação como líder, as motivações como cuidador e a empatia reflexiva.
Considerações finais
Diante dessa descrição conceitual, pode-se afirmar que os enfermeiros e seu
papel complementar são seres humanos reativos e que interagem em
situações específicas para alcançar propósitos particulares. Os enfermeiros
cuidam do papel complementar como um todo (desde sua saúde até sua
condição de adoecimento, cura ou morte), procurando capacitá-lo a utilizar
sua habilidade potencial para funcionar como ser humano, desenvolvendo-
se ao máximo no desempenho de seus papéis cotidianos.
O tripé da Enfermagem (disciplina, profissão e identidade) é importante
para resguardar sua autonomia, seu caráter, sua competência e seu
reconhecimento social como a realização de um cuidado organizado e
voltado às metas. Essa análise é necessária para a compreensão da
importância que a SAE exerce na construção da autonomia profissional do
enfermeiro, o que representa uma questão de destaque quando se busca
compreender a profissão, tanto ao expressar os desafios e objetivos quanto
na maneira como os enfermeiros se relacionam e se apresentam para
equipes multiprofissionais e para a sociedade em geral.
Apesar de a SAE oferecer ao enfermeiro uma possibilidade de organizar
seu trabalho com base em uma filosofia e em um método que prioriza a
individualidade do cuidado, com consequente melhora da qualidade,
visibilidade e credibilidade, os profissionais preferem manter o antigo
modelo assistencial de prestação de serviços e continuam utilizando apenas
duas etapas: exame físico e evolução de Enfermagem, descontextualizadas
dos verdadeiros princípios e da necessidade da SAE.
 Para re�etir
Qual é o seu papel no futuro da Enfermagem?
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
Será um enfermeiro centrado no modelo médico ou um enfermeiro centrado na
compreensão do conceito do tripé de Enfermagem?
A vida é feita de escolhas.
Referências bibliográficas
Burresh B, Gordon S. Do silêncio à voz. 2. ed. Loures: Lusociência; 2006.
Parker M. Nursing theories and nursing practice. Philadelphia: FA Davis Co; 2001.
Garret B. Science and modern thoughts in nursing. Hampshire: Nothern Lights Media; 2014
McEwen M, Wills EM. Bases teóricas para enfermagem. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2009.
Potter PA, Perry AG. Fundamentos de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2009.
Angel E, Cravem RA, Denson N. The Nurses self-concept instrument: assessment of
psychometric properties for Australian domestic and international students. Int Journal of
Nursing Studies. 2012;(49):880-6.
Gil J. Em busca da identidade – O desnorte. Lisboa: Relógio D’Água; 2009.
Gutiérrez MG, Morais SCRV. Sistematização da assistência de enfermagem e a formação
profissional da identidade profissional. Rev Bras Enf. 2017;70(2):445-60.
*
____________
O termo “papel complementar” foi escolhido nesta obra para referir-se
ao indivíduo, à família e/ou à comunidade atendida pelo enfermeiro.
•
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Objetivos deste capítulo
Conceituar e diferenciar Processo de Enfermagem e Sistematização da
Assistência de Enfermagem
Descrever as fases do Processo de Enfermagem e da Sistematização da
Assistência de Enfermagem
Descrever as fases do Novo Processo de Enfermagem.
Palavras-chave: Processo de Enfermagem, Sistematização da Assistência
de Enfermagem, Novo Processo de Enfermagem.
Sistematização da Assistência de Enfermagem
Entender a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é,
atualmente, um desafio para os enfermeiros. Diversos fatores levam a esse
paradoxo, pois, se a SAE sistematiza, ela descomplica. Sistematização
deriva da palavra “sistema”, que é um conjunto de processos gerenciáveis
com o objetivo de manter uma prática sem obstáculos.
A SAE organiza, ou seja, favorece a lógica do saber aplicada ao fazer
em Enfermagem. Esse fazer é realizado por meio do Processo de
Enfermagem (PE), havendo, então, dois conceitos irmãos: SAE e PE.
Por serem conceitos irmãos, muitos enfermeiros não compreendem
exatamente cada um deles e os afastam. Com base em estudos na literatura,
esta obra apresenta um PE mais minucioso na explicação e demonstração de
seus passos, facilitando, assim, sua compreensão.
PE e SAE
A SAE surge dentro do processo de regulamentação da atuação do
enfermeiro pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) 1 e tem como
objetivo favorecer a implantação do PE, um sistema de raciocínio lógico do
profissional sobre seu papel para cada paciente, família ou comunidade no
momento de decidir os Diagnósticos de Enfermagem (DE) mais relevantes
e escolher resultados de impacto e intervenções eficazes.
O PE não é recente na história da Enfermagem, tendo sua base nos
relatos de Florence Nightingale sobre a necessidade de julgar as
observações acerca do papel complementar. Hoje, essas observações não
são o PE em si, mas é possível perceber que elas o subsidiam.
O PE foi estudado amplamente entre as décadas de 1950 a 1970, e
muitos pesquisadores dedicaram tempo a publicações sobre esse tema. No
Brasil, a grande referência é Wanda de Aguiar Horta, hoje considerada um
“estado da arte” sobre o assunto.
 Atenção
Em 1986, a Lei nº 7.498 sobre o Exercício Pro�ssional de Enfermagem determinou que o PE é
privativo do enfermeiro. Em outras palavras, determinar como será o plano de cuidados é
exercício legal dos bacharéis em Enfermagem.
•
•
As etapas do PE descritas pela autora e apresentadas na Figura 2.1
tornam-se o fazer do enfermeiro.
Cada etapa do PE possui um objetivo bem delimitado. Em uma
estrutura conjunta com as explicações de Horta 2 e Doenges et al. 3 , o PE
tem a configuração apresentada na Tabela 2.1.
Figura 2.1 Etapas do PE. Fonte: Horta, 2011. 2
Tabela 2.1 Configuração do PE.
Conceito Recomendações Premissa
Histórico de Enfermagem ou investigação
Roteiro sistematizado, dinâmico e
organizado de coleta, organização e
documentaçãode dados objetivos e
subjetivos que possibilitem a
identi�cação dos DE
Ser objetivo, claro e
individual
Não conter
duplicações de dados
Conhecer sua identidade
e seu papel para saber
exatamente quais dados
são relevantes para coleta
•
•
•
•
•
•
•
no histórico de
Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem
Análise ponderada dos dados
coletados para identi�car e
estabelecer os fenômenos pelos
quais o enfermeiro é responsável, de
maneira que a assistência e�caz
possa ser planejada
Promover re�exão e
pensamento clínico
sobre a totalidade do
papel complementar
Ter visão holística
Reconhecer a
necessidade de
priorização
Correlacionar os achados
para determinar a
dependência da
Enfermagem e encontrar
os fenômenos prioritários
que deverão guiar o plano
de cuidados para o papel
complementar,
encontrando, assim, a
lista de diagnósticos
Plano assistencial
Determinação global da assistência
de Enferma-gem para atender ao DE
por meio do estabeleci-mento de
prioridades, metas e resultados
Ser estrati�cado por
cuidados prioritários
Pontuar metas
De�nir maneira de
avaliar
Propor ações para o
estado clínico do papel
complementar e do grau
de dependência
apresentado
Plano de cuidados
Roteiro diário de cuidados que Ser objetivo (verbo Priorizar os cuidados que
•
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•
•
descreve as atividades a serem
realizadas para resolver o DE; da
avaliação diária do enfermeiro sobre
os cuidados que atendam
e�cazmente cada DE encontrado
no in�nitivo + foco
de atenção + meios
e instrumentos para
o cuidado +
periodicidade)
sustentem a qualidade de
vida e de sobrevivência
Evolução de Enfermagem
Relato diário sobre as mudanças de
estado clínico do papel
complementar causadas pela
intervenção de Enfermagem
Avaliar a condição
dos resultados de
Enfermagem
Justi�car a mudança
ou não de estado
Relatar criticamente as
mudanças na condição
clínica, visando a
identi�car melhorias ou
continuidades nos planos
assistenciais ou de
cuidados
Avaliação de Enfermagem
Previsão do seguimento do caso
clínico com vistas à melhoria ou
não. É um processo ininterrupto
Analisar a
dependência
Analisar as
possibilidades de
restabelecimento
das capacidades
perdidas
Avaliar criticamente se
houve mudança na
condição clínica do papel
complementar a partir da
implementação do plano
de cuidados
• Mensurar a
conclusão ou não do
caso clínico
As seis etapas do PE são inter-relacionadas, o que leva à compreensão
de que cada uma pode levar a outra que não seja subsequente. Por exemplo,
um enfermeiro pode estar no posto de Enfermagem registrando a evolução
de um papel complementar quando, de repente, o vê caminhando pelo
corredor da unidade e, assim, deve saltar da evolução para o histórico de
Enfermagem, coletando dados sobre a deambulação.
Para Almeida et al. 4 , o PE é um instrumento metodológico para que o
enfermeiro descreva e oferte os cuidados necessários para seu papel
complementar buscando favorecer o restabelecimento de sua condição de
saúde.
Wilkinson 5 , autora americana referência sobre o tema, descreve o PE
como uma maneira especial de pensar e agir, uma abordagem estruturada e
lógica para o enfermeiro expressar seu saber no cuidado. Horta 2 , por sua
vez, o enxerga como um processo dinâmico, uma inter-relação de ações
focada no cuidado do ser humano.
Cabe ressaltar que, para Wilkinson 5 , o PE é composto por seis passos
(Figura 2.2). O plano assistencial e o plano de cuidados são substituídos por
planejamento de resultados e de intervenções e a evolução e avaliação de
Enfermagem fundem-se em uma única etapa, que dá origem à
implementação, ou seja, a realização efetiva do cuidado.
 Atenção
O conceito de PE evoluiu de tal modo que permitiu que o Cofen elaborasse a Resolução nº
272/2002, revogada pela atual Resolução nº 358/2009, que dispõe sobre a SAE e a
implementação do PE na Enfermagem brasileira.
No Brasil, desde 2002, o Cofen publica Resoluções que organizam uma
maneira sistemática de gestão do cuidado pelo enfermeiro, a fim de garantir
uma efetiva implementação deste por meio do PE. Nota-se, assim, que a
SAE pauta-se mais no polo de gestão do cuidado, e o PE, na prestação do
cuidado em si (Figura 2.3).
SAE é a forma pela qual o enfermeiro compreende a pessoa
complementar e tem base de raciocínio para elaborar um plano de
intervenções que alcance resultados, ou seja, é um sistema para coletar
dados, correlacioná-los, refletir sobre eles e decidir o que será feito para que
a pessoa complementar melhore ou não piore. Inclui-se aqui a gestão
sistêmica de processos para que o PE aconteça: gestão da capacitação de
pessoas, da manutenção preventiva, do recrutamento interno, entre outras.
Figura 2.2 Passos do PE. Adaptada de Wilkinson, 2007. 5
•
•
•
Figura 2.3 Áreas de SAE e PE.
 Para re�etir
SAE é pensar em como você quer encontrar a pessoa complementar no futuro e organizar
pessoas e recursos para esse �m.
Em perspectiva mais prática, SAE é um método de trabalho e um
sistema de raciocínio (Tabela 2.2).
Para Alfaro-LeFevre 6 , a SAE deve ser proativa. É, portanto, um
sistema deliberado, consciente. Isso requer que o enfermeiro enxergue o
mundo por meio da SAE, como se ela fosse uma lente que possibilita uma
visão mais clara e ampla sobre:
O contexto em que o enfermeiro deve agir
As condições da pessoa complementar
O conhecimento exigido para o cuidado
•
•
•
Os recursos existentes para o cuidar
A perspectiva cultural
Os resultados esperados.
Muitos enfermeiros que aderiram à SAE como meio de compreender o
mundo conseguem realizar todas as etapas dela simultaneamente. Isso
significa que rapidamente o enfermeiro consegue explorar as etapas da SAE
em um único episódio de pensamento crítico.
Tabela 2.2 Método e sistema da SAE.
Método de trabalho Sistema de raciocínio
Coletar dados Re�etir sobre os dados coletados
Identi�car o problema e o melhor
plano de ação
Correlacionar os dados coletados com o plano elaborado
Determinar como favorecer a
melhora ou impedir a piora
Decidir o que fazer
De�nir metas Criar correlação entre estado atual e metas a serem
alcançadas
De�nir pessoas e recursos Avaliar se há pessoas em número su�ciente e com
capacitação necessária ao cuidado, bem como se
existem recursos (instrumentos, métodos de cuidado,
equipamentos etc.) para garantir o alcance dos
resultados
Enxergando a SAE como método de trabalho, tem-se sua perspectiva
circular e em corrente (etapa seguida de etapa). Essa perspectiva, segundo
Chanes 7 , deve ser usada somente para fins didáticos, devendo o enfermeiro
alcançar a compreensão de mundo com as etapas acontecendo
simultaneamente (Figura 2.4).
Figura 2.4 Etapas da SAE.
Novo Processo de Enfermagem
Para um sistema como a SAE funcionar, não pode haver cisão entre as
etapas do PE ou da SAE, uma vez que são interdependentes e inter-
relacionadas. Assim, um estudo conjunto de todas as etapas passa a fazer
sentido.
Esta obra, com base na literatura atual, propõe um Novo Processo de
Enfermagem (NPE), que não começa com a coleta de dados, como em geral
é o PE, visto que não se podem coletar dados sem um paradigma de como
avaliar a realidade. Nesta obra, o NPE foi aplicado da maneira mais
compreensível para a realidade brasileira. Assim, o primeiro passo do NPE
tornou-se a Teoria e os conhecimentos e adjacentes* de Enfermagem. Ter
uma Teoria de Enfermagem como base do olhar do enfermeiro para seu
papel complementar é imprescindível, pois fornece um arcabouço
conceitual para que os dados sejam significativos e para a Enfermagem ser
ciência, e não meramente técnica.
Outra mudança é a divisão em duas fases: diagnose e diagnóstico. A
diferença entre esses conceitos é apresentada na Tabela 2.3.
Percebe-se, assim, que a diagnose ocorre no momento do PE, quando o
enfermeiro está com os impressos de avaliação do papel complementar.
Significa discernir se os focos de atenção do enfermeiro estão ou não nos
padrões de normalidade. Caso contrário, configura-se um possível DE aser
cuidado. Contudo, o diagnóstico acontece em seguida, quando o enfermeiro
considera diversas variáveis para priorizar o de maior relevância ou se o
tempo com o papel complementar permitirá que a meta seja alcançada.
Tabela 2.3 Diferenças entre diagnose e diagnóstico.
Diagnose Diagnóstico
Discernimento Saber, conhecer
Descrição detalhada Processo analítico de escolha de melhor descrição detalhada
Identi�cação de
problemas
Identi�cação de prioridades, considerando condição do papel
complementar, gravidade do caso, recursos existentes, talentos na
equipe e suportes que garantam cuidado livre de dano
Essa divisão, não apenas didática, mas também reflexiva, auxilia a
compreender que diagnose é PE e diagnóstico é SAE. Todavia, no NPE,
ambas as etapas estão incluídas em um contexto integrado. Diagnóstico é
SAE porque, nesse processo de raciocínio, o enfermeiro considera insumos,
pessoas e métodos disponíveis para alcançar resultados efetivos.
Outra divisão possível é a separação dos conceitos de planejamento de
resultados e intervenções, que ocorrem sequencialmente. Isso se dá pelo
fato de somente ser possível determinar as intervenções necessárias após a
definição de resultados.
Ainda nessa perspectiva, houve a divisão de metas e resultados. Em
português, o sentido é simples: meta é algo que se projeta no futuro diante
de um diagnóstico atual, e uma vez alcançados os resultados, tem-se a meta.
Assim, no NPE, meta é a descrição abstrata de um estado futuro que se
espera, sendo SAE também, já que é a perspectiva maior do processo de
internação ou atendimento primário.
No caso dos DE, segundo a NANDA-I, existem dois grandes tipos de
metas: solução do problema ou aceitação pelo papel complementar de que
ele tem uma determinada vulnerabilidade (diagnóstico de risco) ou um
diagnóstico cuja recuperação não será completa. Já os resultados se referem
ao alcance de metas estabelecidas no momento do plano, que comprovam
que o papel complementar teve melhora a partir das intervenções de
Enfermagem. A Figura 2.5 apresenta o NPE completo.
Cabe ressaltar que, no centro da imagem, estão as competências de
raciocínio crítico e julgamento clínico, as quais possibilitam que o
enfermeiro interprete, sob a luz da teoria ou dos conhecimentos adjacentes,
o papel complementar e o melhor cuidado que pode ser oferecido. Dessa
maneira, o NPE torna-se claro e didático, o que deixa sua execução menos
abstrata.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
Figura 2.5 NPE completo.
 Junção do PE com a SAE
Inicialmente, cabe considerar que PE e SAE são faces da mesma moeda. O
PE refere-se ao momento em que o enfermeiro está à beira do leito
realizando o PE, já a SAE remete à reflexão sobre a qualidade que o
enfermeiro poderá imputar no PE para o papel complementar, considerando
as questões administrativas e gerenciais do cuidado.
A Figura 2.6 apresenta os passos da SAE e do PE juntos, pois é
impossível dissociá-los.
Pela adaptação proposta neste livro, o NPE teria nove passos na
simbiose SAE e PE:
Teoria e conhecimentos de Enfermagem
Coleta de dados
Diagnose
Diagnóstico de Enfermagem
Planejamento de metas
Planejamento de resultados
7.
8.
9.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
Planejamento de intervenções
Prescrição
Avaliação contínua.
Em um olhar mais profundo, porém, são detectados 13 passos:
Teoria e conhecimentos de Enfermagem
Coleta de dados
Histórico
Exame físico
Agrupamento e correlação de dados
Diagnose
Diagnóstico de Enfermagem
Planejamento de metas
Planejamento de resultados
Planejamento de intervenções
Prescrição
Implementação
Avaliação contínua.
No entanto são comuns à SAE e ao PE os passos: 1, 2, 4, 5 e 9.
Figura 2.6 Passos da SAE e do PE juntos.
PE, SAE e documentação
Existem três momentos para a realização do PE, da SAE e de sua
documentação (Figura 2.7), e o uso correto dos verbos para cada etapa pode
minimizar incompreensões sobre o papel do enfermeiro, impressões
negativas de sua atuação e até mesmo minimizar o repúdio de muitos
enfermeiros com a SAE, que erroneamente a consideram mais uma
burocracia.
Frases ou verbos mal colocados podem pôr fim a uma visão positiva de
algo. O que se vê hoje são os enfermeiros em computadores ou diante de
prontuários para fazer a SAE. Com isso, os próprios enfermeiros criaram a
1.
2.
3.
realidade de que a SAE é burocrática e não precisa do PE. A profissão
perdeu muito com essa realidade. Primeiro porque o computador ou
prontuário não precisam de SAE, uma vez que não são pessoas; e segundo
porque, no momento da documentação, os dados já devem estar coletados.
Então, fazer a SAE em um computador ou pelo prontuário é impossível.
Figura 2.7 Diferença entre PE, SAE e documentação.
Considerações finais
O enfermeiro precisa aprender que primeiro se realiza o processo, depois se
reflete e propõe-se a SAE e, por último, documenta-se o PE e a SAE.
Cabe ainda ressaltar que, nos hospitais, o cuidado pode ser centrado no
paciente, na instituição ou no médico. O ideal é que os profissionais
prestem um cuidado centrado no paciente.
Referências bibliográficas
Conselho Federal de Enfermagem. Resolução nº 358 de 15 de outubro de 2009. Dispõe sobre a
Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem
em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá
outras providências. Brasília; 2009.
Horta W. Processo de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011.
Doenges ME, Moorhouse MF, Murr AC. Diagnósticos de Enfermagem. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan; 2009.
4.
5.
6.
7.
Almeida M et al. Processo de Enfermagem na prática cínica. Porto Alegre: Artmed; 2011.
Wilkinson JM. Nursing process and critical thinking. New Jersey: Prentice Hall; 2007.
Alfaro-LeFevre R. Critical thinking and clinical judgment: A Practical Approach. Florida:
Saunders; 2004.
Chanes M. Gerenciando o processo de enfermagem com o uso e a integração das taxonomias
NANDA-I, NOC e NIC. In: Malagutti W, Miranda SMRC. Os caminhos da Enfermagem. São
Paulo: Phorte; 2010.
Bibliografia
Herdman TH, Kamitsuru S. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA
2015-2017. Porto Alegre: Artmed; 2015.
*
____________
Conhecimentos adjacentes são conhecimentos de disciplinas próximas à
Enfermagem que também respaldam a prática do enfermeiro. Por
exemplo, ao atuar com um papel complementar com dor, o enfermeiro
deve interpretar os achados e escolher o melhor cuidado, com base não
somente na Teoria de Enfermagem implantada em sua instituição, mas
também na Teoria da Dor.
•
•
Objetivos deste capítulo
Conceituar Teoria de Enfermagem e seus constructos
Compreender a escolha e a aplicação de uma Teoria de Enfermagem
como base para a Sistematização da Assistência de Enfermagem.
Palavras-chave: Teoria de Enfermagem, holismo e sistemas, significado
da profissão, visão de mundo.
Etapa da SAE: 1.
Etapa do PE: 1.
 Teoria de Enfermagem e aplicação da SAE
Deve-se utilizar uma Teoria de Enfermagem como embasamento para
aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) porque
não há método científico que não tenha sido teorizado anteriormente para
ser colocado em prática. Portanto, a SAE, como método científico de
trabalho na Enfermagem, precisa ter como sustentação uma Teoria de
Enfermagem.
A teorização é necessária para construir um corpo de saberes próprios
para todas as áreas do conhecimento humano, e isso não é diferente na
Enfermagem. Somente é possível afirmar que a Enfermagem é uma área
científica do conhecimento humano se ela for sustentada por teorias que
possam ser testadas de forma controlada e experimental e evidenciadas a
partir de sua aplicação prática (prática baseada em evidência).
A Teoria de Enfermagem confere ao enfermeiro, quando da aplicação
da SAE, uma visão de mundo que orientará seu raciocínio e suas escolhas
quanto ao exame clínico, ao Diagnóstico de Enfermagem (DE) e às ações
que irá planejar e implementar para a efetivação do cuidado.
Uma teoria é composta por constructos, isto é, grandes conceitosque
foram construídos a partir de inúmeros outros, das mais diversas áreas do
conhecimento. Esses constructos orientam a visão de mundo do enfermeiro
no momento de colocar a SAE em prática.
 Para re�etir
O constructo autocuidado, proposto por Dorothea Orem, foi construído a partir de conceitos das
ciências humanas e da saúde. O enfermeiro que adotar essa teoria para aplicar a SAE deverá
conhecer profundamente o constructo da teorista e ter como regra de conduta trabalhar
juntamente ao ser humano sob seus cuidados, conduzindo-o à independência e à otimização de
seu potencial para se autocuidar. Não poderá, portanto, ter uma conduta absolutamente
intervencionista, que determina por conta própria o que o indivíduo deve ou não fazer, a não ser
que este apresente um dé�cit para promover seu autocuidado, isto é, se no momento da atuação
do enfermeiro o indivíduo estiver absolutamente incapaz de autocuidar-se.
Mesmo diante da necessidade de intervenção, o enfermeiro que utiliza a visão de mundo de
Orem deve negociar com o indivíduo qual é o melhor cuidado a ser prestado, respeitando as
crenças e verdades do paciente, e, mesmo intervindo, deve estar atento à restauração do
potencial para o autocuidado, estimulando-o a essa retomada.
É importante conhecer os constructos dos teoristas antes de aplicálos,
porque as más interpretações podem retirar da aplicação o sentido exato da
técnica. Não se pode, por exemplo, criar uma cartilha de orientação para
uma determinada prática voltada ao paciente e dizer que se aplica a “Teoria
do Autocuidado”, pois, caso o indivíduo não aceite os passos nela descritos,
não saiba ler ou até mesmo não tenha um bom potencial para o
autocuidado, ele não irá aderir ao tratamento.
Praticamente todas as teorias de Enfermagem tiveram como sustentação
teórica em sua construção de visão de mundo a Teoria de Sistemas de
Bertalanffy 1 , com exceção das mais recentes, que surgiram a partir da
década de 1990. Essa teoria foi importante para a elaboração de outras entre
os anos 1950 e 1960, por ter uma visão de mundo que se adequa muito ao
olhar da Enfermagem, já descrita por Florence Nightingale. 2 Apresenta o
conceito de holismo traduzido em sistemas e que surgiu como uma reação
oposta ao reducionismo científico ou modelo cartesiano de Descartes,
denominado modelo biomédico na área da saúde.
Para os reducionistas, o corpo humano é uma máquina em que cada
parte possui uma função independente do todo e deve ser tratada como tal.
Esse modo de pensar é compatível com o olhar da Medicina e da Biologia
em geral, mas oposto à forma de enxergar o ser humano proposta pelo
holismo e pela Teoria de Sistemas de Bertalanffy, que agregam o olhar da
ciência da Enfermagem. O modelo reducionista não é errado nem certo; ele
é aplicado nas áreas do conhecimento que enfocam a queixa, a doença e o
sintoma isolados do todo.
Para os que enxergam o mundo a partir da Teoria de Sistemas, que é
compatível com o olhar da Enfermagem, o todo é mais importante que a
soma das partes. Para Bertalanffy 1 , sistema pode ser definido como um
conjunto de elementos interdependentes que, conjuntamente, formam um
todo unitário que interage e cujo resultado é maior que o de unidades
separadas.
Ao aplicar a SAE com o olhar holístico, que é o olhar das teorias de
Enfermagem, o enfermeiro enfoca o todo, ou seja, o ser humano não é
somente um fígado, um coração, um trauma no membro inferior, uma
úlcera; ele é um todo que reage emocional, espiritual, social e fisicamente à
sua condição de saúde.
 Para re�etir
Um camelô com úlcera no membro inferior refere que está sob estresse pela internação porque
não poderá trabalhar por 1 semana e, além de ter de conseguir dinheiro diariamente para o
sustento da família, cuida de três crianças nas horas vagas.
Pelo modelo holístico, não será tratada apenas a úlcera, pois, se o estresse social,
psicológico, mental e físico não for tratado, a úlcera não responderá ao tratamento. O
enfermeiro, então, deve inserir em seu planejamento de cuidados a visão conjunta dessas
variáveis para alcançar um estado de melhor saúde possível para aquele indivíduo, que, se fosse
reduzido apenas à úlcera, provavelmente não alcançaria o melhor resultado.
Escolha da Teoria de Enfermagem
Há diversas fontes de escolha quanto à visão de mundo que o enfermeiro
pretende ter ao realizar suas reflexões, seu raciocínio clínico e sua prática
quando da elaboração da SAE. A escolha e o estudo profundo da teoria que
o guiará em sua prática trarão segurança na compreensão do fenômeno da
Enfermagem e dos conceitos de ser humano, ambiente, relação
saúde/doença e da própria Enfermagem.
A SAE e sua articulação, portanto, necessitam das teorias de
Enfermagem para facilitar a condução do raciocínio clínico na busca por
diagnósticos, evolução, prognóstico e ações a serem implementadas, uma
vez que são um guia para o olhar do enfermeiro sobre o papel
complementar, suas respostas ao ambiente, sua condição de saúde e sobre a
maneira como organizar as ações visando à melhor qualidade de vida
possível ao final do processo de atendimento.
As teorias de Enfermagem colaboraram na elaboração dos diagnósticos
da NANDA International (NANDA-I) e, posteriormente, da Nursing
Outcomes Classification (NOC; Classificação de Resultados de
Enfermagem) e Nursing Interventions Classification (NIC; Classificação de
Intervenções de Enfermagem). Muitas palavras encontradas na NANDA-I
referem-se às teorias de Enfermagem, como padrões (padrão respiratório,
padrão de sono etc.) e autocuidado, por exemplo. Essas denominações não
surgiram espontaneamente, mas foram elaboradas a partir das teorias de
Enfermagem justamente pelo fato de representarem importante
fundamentação científica para o Processo de Enfermagem (PE) e a SAE.
Vale ressaltar que as teorias de Enfermagem são maiores que qualquer
outra prática, ainda que, às vezes, seja comum ouvir que para determinado
tipo de cliente, aplica-se determinada teoria. Na realidade, o importante é
que o enfermeiro seja capaz de escolher a teoria que melhor represente sua
visão de mundo e de atuação frente ao fenômeno humano e, assim,
implemente a SAE para toda e qualquer situação.
 Para re�etir
Jean Watson coloca em sua Teoria do Cuidado Transpessoal que o indivíduo que escolhe a
Enfermagem como pro�ssão já possui dentro de si algo que é inerente àqueles que abraçam o
ser enfermeiro. Amam cuidar e, ao fazê-lo, tocam o “centro de cura” do ser humano, ou seja, sua
alma, o que é terapêutico para ambos, enfermeiro e cliente. Assim, o enfermeiro que adota a
Teoria de Watson provavelmente aplicará a Enfermagem de forma espiritualizada, sempre
visando ao bem, considerando que o outro é mais importante que o pro�ssional, que, como ser
humano, merece dignidade e respeito, sempre buscando a humanização em suas ações, bem
como nas de seus colaboradores.
Martha Elizabeth Rogers, em sua Teoria da Ciência do Ser Humano Unitário, descreve ser
humano e ambiente como campos energéticos, únicos em seu padrão próprio de energia, em
constante interação e com uma ressonância que pode afetar o outro campo simultaneamente.
Rogers ainda a�rma que esses campos são pandimensionais, isto é, que abrangem dimensões
múltiplas e in�nitas, o que confere à teoria e ao enfermeiro que a utiliza como visão de mundo
um caráter amplamente holístico. Assim, o enfermeiro rogeriano enxergará inúmeras dimensões
quando da anamnese e do exame clínico do paciente, abrangendo as dimensões
sociopsicoespirituais e físicas a ponto de isolar diversos diagnósticos de Enfermagem para um só
cliente. E escolherá entre estes os que melhor representam o todo, planejando suas ações com
consideração à in�uência energética do ambiente sobre o campo humano, inclusive na escolha
do melhor colaborador para tratar aquele indivíduo, do quarto/ambiente mais adequado para
permanecer, das modi�cações necessárias para obter melhores resultados e até na prescrição de
uma terapia complementar (p. ex., toque terapêutico, cromoterapia etc.) para harmonizar o
padrãoenergético do campo humano do paciente e a ressonância deste e assim por diante. Esse
enfermeiro, provavelmente, será uma pessoa curiosa e criativa, interessada em ciência, física
quântica e fenômenos energéticos, que acredita em potencialidades in�nitas nos campos
humano e ambiental.
A Tabela 3.1 apresenta as teorias de Enfermagem mais utilizadas e
completas, com um breve parágrafo sobre a visão de mundo de seus
respectivos teoristas, que descrevem, relacionam, predizem e controlam o
fenômeno estudado.
Tabela 3.1 Teorias de Enfermagem mais utilizadas.
Ano Teorista Teoria de
Enfermagem *
Visão de mundo
1860 Florence
Nightingale
Teoria
Ambientalista
O ambiente in�uencia a
recuperação do ser humano em
desequilíbrio. Modi�cações no
ambiente, no que se refere a
iluminação, limpeza, arejamento e
até mesmo estética, colaboram
para a melhoria da saúde
1952 Hildegard
Peplau
Teoria do
Processo
Interpessoal
A Enfermagem é entendida como
um processo interpessoal e
terapêutico. O enfermeiro deve
procurar interagir com o paciente, o
que con�gura uma relação
terapêutica e saudável que resulta
em melhor saúde mental
1955 Virginia Avenel
Henderson
Teoria das
Necessidades de
Enfermagem
O enfermeiro deve trabalhar de
forma independente e
multidisciplinar visando à
independência do paciente o mais
rápido possível. Descreve 14
necessidades básicas de atuação do
enfermeiro
1960 Faye Glenn Teoria dos 21 Identi�ca 21 problemas que o
Abdellah Problemas de
Enfermagem
enfermeiro deve investigar com o
objetivo de abranger as dimensões
biopsicossocioespirituais do
indivíduo sob seus cuidados e da
sua família
1962 Ida Jean
Orlando
Relação
Dinâmica
Enfermeiro-
Paciente
Os enfermeiros devem assistir o
paciente com rapidez para que suas
necessidades sejam satisfeitas,
embora nem sempre ele demonstre
exatamente o que está sentindo ou
que necessita, exigindo do
enfermeiro o uso de sua percepção
e perspicácia para ajudar o
indivíduo a alcançar o bem-estar e
evitar o estresse
1970 Martha
Elizabeth
Rogers
Ciência do Ser
Humano
Unitário
O enfermeiro deve conhecer todo o
ciclo vital humano e utilizar sua
capacidade intelectual, sua
criatividade e seu conhecimento
com o intuito de buscar a
harmonização da interação dos
campos energético humano e
ambiental em prol da melhor
qualidade de vida possível do
paciente de forma holística
1971 Dorothea
Elizabeth Orem
Teoria do
Autocuidado
Todo indivíduo possui potencial
para autocuidar-se. Assim, o
enfermeiro é o pro�ssional
adequado para utilizar e
potencializar essa característica
humana, para que o próprio
indivíduo busque sua saúde,
conferindo-lhe poder e respeito em
suas decisões
1971 Imogene King Teoria do
Alcance dos
Objetivos
A interação/comunicação entre
enfermeiro e paciente é
fundamental para estabelecer
metas a serem alcançadas ao �nal
do processo assistencial a ser
prestado, visando a restabelecer a
adaptação desse indivíduo ao
ambiente
1972 Callista Roy Teoria da
Adaptação
O modelo de adaptação de Roy
postula que o ser humano é capaz
de se adaptar a condições
biopsicossociais diversas, pois tem
potencial para criar modos
adaptados de dependência-
independência; nesse caso, a
atuação do enfermeiro visa a
facilitar a descoberta desse
processo adaptativo
1979 Jean Watson Teoria do
Cuidado
Humano
O “querer cuidar” nasce com o
cuidador, o qual tem um olhar
humanista ao fazê-lo, aliado à
espiritualidade e ao bem
1979 Wanda de
Aguiar Horta
Teoria das
Necessidades
Humanas
Básicas
Horta coloca a Enfermagem como
uma arte e uma ciência voltadas ao
cuidar do ser humano em todas as
suas dimensões, e o enfermeiro,
com visão holística, deverá atender
suas necessidades humanas básicas
afetadas, conservar as que estão
intactas e com criatividade e
raciocínio clínico procurar alcançar a
homeostase do indivíduo sob seus
cuidados de forma planejada e
metodológica
* O nome das teorias re�ete o mais próximo da proposição dos teoristas.
É importante refletir sobre a falta do uso das teorias, pois isso pode
causar dados críticos, como no estudo sobre o uso das teorias de
Enfermagem nos diversos níveis de atenção em um município do Estado de
São Paulo, que apresentou resultados preocupantes (Figura 3.1). São
informações relevantes a respeito desse estudo:
•
•
•
•
•
•
Tipo: exploratória
Método: de campo
Caráter: qualitativa
Amostra: 18 enfermeiros dos três níveis de atenção em saúde
Instrumento: questionário estruturado aplicado
Coleta de dados: entrevista direta.
Dos 18 (100%) enfermeiros entrevistados, 6 (33,33%) afirmaram ter
conhecimento sobre as teorias de Enfermagem e desenvolver seu trabalho
pautado em alguma delas. Os outros 12 (66,67%) relataram que o principal
motivo da não utilização é a falta de tempo e de domínio do assunto.
A Resolução n o 358/2009, que dispõe sobre a SAE, deixa publicamente
claro que a implementação do PE deve ser executada em ambientes
públicos ou privados nos quais ocorre o cuidado profissional de
Enfermagem, esclarecendo, por meio de suas providências, que toda
sistematização de cuidado deve ser legalmente pautada e fundamentada em
ciência específica, ou seja, desenvolvida a partir de um referencial teórico
conhecido. 3
Nessa linha de pensamento, a Figura 3.2 demonstra a existência de
interesse apresentada pelos sujeitos entrevistados nesse estudo.
A pesquisa também demonstrou que dos 18 (100%) enfermeiros, 17
(94,44%) mostraram ter interesse em entender melhor as teorias e,
consequentemente, conhecer as maneiras de utilizá-las nas práticas de
Enfermagem.
Figura 3.1 Uso das teorias de Enfermagem na prática.
Figura 3.2 Distribuição de participantes que mostraram interesse nas teorias.
As teorias de Enfermagem oferecem aos profissionais o domínio e a
reflexão sobre seus trabalhos, mas deixam claro que sua aplicação nem
sempre é fácil, uma vez que precisam atender as necessidades de acordo
com cada situação. 4 A Enfermagem é uma ciência que lida com seres
humanos, não podendo, portanto, estar embasada apenas em conhecimentos
relativos a ciências naturais.
Os enfermeiros entrevistados foram questionados sobre a exigência das
teorias de Enfermagem pelos órgãos de classe sistema do Conselho Federal
de Enfermagem/Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo
(Cofen/Coren), sendo que 10 (55,56%) afirmaram ter conhecimento dessa
exigência e 8 (44,44%) relataram não ter nenhum conhecimento, e destes
apenas 1 (5,56%) participante já recebeu uma visita fiscalizatória (Figura
3.3).
Figura 3.3 Conhecimento diante a exigência e fiscalização Coren/Cofen.
A pesquisa identificou as principais teorias utilizadas pelos enfermeiros
e dos 6 (33,%) que pautam suas atividades nas teorias de Enfermagem, 4
(60%) utilizam a teoria ambientalista, de Florence Nightingale, e 2 (40%) a
Teoria NHB, de Wanda Horta (Figura 3.4).
A colaboração das teorias de Enfermagem para a elaboração do
conhecimento da área remete quase diretamente a Florence Nightingale,
cujas ações e publicações lhe renderam o reconhecimento como instituidora
da Enfermagem moderna. 4
1.
2.
3.
4.
5.
6.
Figura 3.4 Identificação das principais teorias utilizadas.
Considerações finais
É importante que o enfermeiro pesquise e descubra qual visão de mundo
melhor se adequa ao que ele acredita ser próximo de sua filosofia de
trabalho, pois a SAE sem fundamentação das teorias de Enfermagem é rasa
e superficial.
Referências bibliográficas
Bertalanffy LV. Teoria Geral dos Sistemas. Rio de Janeiro: Vozes; 2015.
Nightingale F. Notas sobre a enfermagem. São Paulo: Cortez; 1989.
Brasil. Resolução Cofen n. 358, de 15 de outubro de 2009, Brasília, DF. Disponível em:
http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html.
Garcia TR, Nóbrega MML. Contribuição das teorias de enfermagem para a construção do
conhecimento da área. Rev Bras Enferm. 2004;57(2):228-32.
Matos JC, Luz GS, Marcolino JS, Carvalho MDB, Pelloso SM. Ensino de teorias de
enfermagem em cursos de graduaçãoem Enfermagem do Estado do Paraná – Brasil. Acta Paul
Enferm. 2011;24(1):23-8.
Padilha MICS, Borenstein MS. História da Enfermagem: ensino, pesquisa e
interdisciplinaridade. Esc Anna Nery. 2006;10(3):532-8.
http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html
Bibliografia
Chinn P, Maeona K. Integrated theory & knowledge development in
nursing. 8. ed. St. Louis: Mosby; 2010.
George JB. Teorias de enfermagem. Porto Alegre: Artes Médicas; 1997.
Meleis AI. Theoretical Nursing: development and progress. 3. ed.
Philadelphia: Lippincot; 1997.
Oliveira DPR. Sistemas, organização & métodos: uma abordagem
gerencial. 13. ed. São Paulo: Atlas; 2002.
Potter P, Perry AG, Hall A, Stockert PA. Fundamentos de enfermagem. 8.
ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2015.
•
•
Objetivos deste capítulo
Conhecer a teoria da Empatia Reflexiva
Conceituar os metaparadigmas de Enfermagem na perspectiva da teoria.
Palavras-chave: Teoria da Empatia Reflexiva, Eu interno, Eu existencial,
Eu relacional, espaço de convergência, ser humano, plataforma
antropológica, saúde, Enfermagem.
 Empatia Reflexiva | Contexto
Neste livro, propõe-se uma nova teoria de Enfermagem, considerando a
prática do autor, seus estudos e seus conhecimentos sobre a sociedade atual,
que afeta diretamente os metaparadigmas (ou constructos) de uma teoria.
Esta teoria parte da palavra “empatia”, que vem do grego empatheia e
significa “paixão”, o ato de tentar compreender sentimentos e emoções
alheios. Contudo, tal explicação não explora profundamente a palavra para
um conceito aplicável na saúde. Então, na ótica psicológica, que classifica
empatia como uma inteligência, ela envolve três componentes: afetivo,
cognitivo e regulador de emoção.
O componente afetivo consiste na compreensão dos estados emocionais
alheios, os quais, uma vez compreendidos (analisados sobre por que
ocorrem ou foram desencadeados), levam ao componente cognitivo. Por
fim, o componente regulador de emoção é a capacidade daquele que busca
ser empático com o outro, usando suas habilidades afetivas e cognitivas
para compreender e viver a realidade alheia, mas sem se perder no contexto
das emoções causadas por ela. Esse fenômeno pode ser denominado
“realidade em 2D”, pois quem exerce a empatia deve viver sua dimensão de
realidade, bem como a dimensão de realidade do outro sem perder-se no
caminho das emoções deste ou de suas próprias.
Nota-se, assim, que a empatia é a qualidade de compreender a situação,
o mundo, a vida, a doença etc. pela perspectiva do outro com os referenciais
dele. Em Enfermagem, ser empático implica sentir a dificuldade do papel
complementar em aderir ao tratamento pelo fato de estar sofrendo com
diversos efeitos colaterais. É não minimizar o peso dos efeitos colaterais,
não julgar o paciente como não resiliente ou fraco, reconhecer as emoções
dele (ansiedade, sofrimento, irritação ou desesperança) e conseguir manter
uma conversa com base nessas informações, demonstrando que se vivencia
o que ele está sentindo.
A teoria também parte da palavra reflexão; não da pura reflexão, mas da
reflexão crítica, da capacidade de investigar e conhecer um fenômeno ou
conceito para, então, posicionar-se sobre as informações coletadas em cada
situação. E o meio para coleta de informações, nesta teoria, é a empatia.
A empatia ainda serve de base para o enfermeiro coletar dados sobre o
mundo interno do papel complementar e sobre como ele está lidando com a
situação, isto é, se tem apoios, se tem forças, se suas crenças são saudáveis,
entre outras possibilidades. Assim, o enfermeiro pode refletir e escolher a
melhor forma de agir, estabelecendo uma relação interpessoal empática com
o paciente.
Nesta teoria, concebe-se a pessoa complementar do enfermeiro como
integrada consigo e com o todo, em três perspectivas: eu interno, eu
existencial e eu relacional (Figura 4.1).
A redução das dimensões de abordagem do ser humano deve ser uma
tendência nas teorias de Enfermagem, visto estas serem o eixo estruturante
da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e de seus
impressos, bem como a base para a compreensão de mundo e do
pensamento clínico, que leva à SAE efetiva.
Figura 4.1 Perspectivas da pessoa complementar.
Esta teoria é centrada na pessoa complementar do enfermeiro e no
estabelecimento de relações, com o objetivo de que novas relações sejam
estabelecidas e mediadas pelo enfermeiro, com a interação da pessoa
complementar com seu contexto de vida dentro de um processo de
autoconhecimento, para, assim, habilitar-se ao autocuidado.
A nova sociedade favoreceu a emersão de uma nova cultura,
denominada, por Lèvy 1 , cibercultura. Uma nova cultura traz um grande
arcabouço de ressignificações de identidades, papéis e relações – do ser
humano consigo mesmo, com o outro e com o ambiente.
 Ser humano
Uma Teoria de Enfermagem apresenta quatro metaparadigmas: o paciente,
o ambiente, a saúde e a Enfermagem. Para explicar o paciente, primeiro
metaparadigma, utiliza-se a perspectiva do ser humano, visto que
“paciente” é uma condição do ser humano, não expressando a totalidade da
pessoa complementar do enfermeiro.
Ser humano parte da premissa sociológica de ter-se a consciência segura
de si e saber tanto o que se faz quanto por que o faz, ou seja, é ter
consciência de seu papel na sociedade, de sua contribuição e das
possibilidades de protagonismo. Assim, concebe-se ser humano como
alguém que não está alienado da realidade. 2
Sob outra ótica, o ser humano é constituído por uma rede de
relacionamentos que definem seu lugar, sua identidade e seu papel no
espaço em que habita. Nessa perspectiva, o ser humano tem como elemento
central o território ou espaço vital próprio, sendo uma identidade territorial
que o define em papéis, ordens, fronteiras de ações e níveis hierárquicos
dentro de um grupo maior. 1
Uma visão mais ampla mostra o ser humano como um ser em mutação
contínua em razão das mudanças sociais, econômicas e culturais que afetam
sua consciência de gênero, papel, sentido de vida, esperança, entre outros
aspectos filosóficos. Assim, a identidade é mutável, desloca-se em espaços
filosóficos e é afetada pelas tendências de moda, de cultura local ou global
e de intenções e valores sociais.
A condição de ser humano passa pela positividade, pois exige do
indivíduo a afirmação do que ele é de fato. Por exemplo, um indivíduo pode
dizer que é brasileiro, professor, idoso e casado, sendo todas afirmações
sobre ele mesmo. Dessa maneira, a condição de ser humano perpassa pela
aceitação de si próprio, podendo as negações afetar o indivíduo em sua
•
•
•
•
•
condição de ser saudável. Isso se dá pelo fato de que, nessa compreensão,
pode ocorrer, em vez de aceitação, um desejo, fazendo o indivíduo
descrever-se como deseja ser, e não como é de fato.
 Atenção
O conceito de aceitação de si próprio não signi�ca passividade às condições sociais, econômicas e
culturais, mas uma compreensão exata de sua realidade para que o indivíduo possa, assim,
encontrar caminhos para melhorar suas condições.
Sociólogos da atualidade descrevem o ser humano como “tecno-
humano”, não dissociando mais a tecnologia do biológico, uma vez que
essa interação e integração estão tão arraigadas que o uso da tecnologia se
confunde com o uso das habilidades biológicas naturais (p. ex., a
comunicação, que hoje pode ocorrer de diversas maneiras, não exigindo
mais a presença física no mesmo tempo e espaço).
 Pressupostos do ser humano
Indivíduo com consciência e aceitação de sua identidade e papel determinado pelas
condições sociais, econômicas e culturais
Condições sociais, econômicas e culturais afetam as condições biológicas, mentais e
existenciais do ser humano
O ser humano é um composto de múltiplas condições: biotecnológicas, mentais, existenciais,
sociais, econômicas e culturais
A consciência e a aceitação de identidade e papéis é mutável em virtude de mudanças nas
múltiplas condições
Não se isola o fato de o ser humano ser também biológico, apresentando respostas internas
não voluntárias(p. ex., termorregulação) e voluntárias (p. ex., sentar-se ao sentir tontura).
Cabe ressaltar que essa teoria parte do princípio de que o ser humano
possui sete dimensões que compõem seu arcabouço holístico:
tecnobiológica, mental, existencial, social, econômica, cultural e de
segurança.
 Plataforma antropológica
O ser humano precisa de um espaço relacional, isto é, de um contexto maior
no qual consegue identificar que está inserido. Esse espaço é chamado de
ambiente, mas, nesta teoria, denomina-se plataforma antropológica.
O termo plataforma remete aos espaços virtuais e reais, hoje inerentes
ao contexto ou ambiente no qual o ser humano está inserido. Assim, trata-se
da somatória de espaços para o estabelecimento, vivência e troca de cultura.
A antropologia, diferente de outras ciências que estudam o ser humano,
busca compreendê-lo como um todo, sendo a cultura um elemento
importante para essa ciência. Cultura, por sua vez, é um espaço para
desenvolver nas pessoas a capacidade de criar significados e interagir a
partir de símbolos. Em seu caráter antropológico, é um conceito multiaxial,
sendo um fenômeno natural do ser humano e que o diferencia dos outros
animais, uma vez que seu comportamento é determinado mais pelo seu
componente cultural do que por instinto.
O ser humano não é completamente alheio aos seus instintos e à sua
genética, mas, dentro de seu cenário cultural, aprende a neutralizá-los,
dominá-los, suprimi-los ou potencializá-los. Isso remete ao uso racional de
seus potenciais e traços de personalidade por meio da significação feita pelo
indivíduo sobre si mesmo em seu contexto. Por ser culturizado, o ser
humano age de acordo com seus padrões culturais apreendidos, isto é,
percebidos no cenário, apreendidos e significados. O comportamento
humano, assim, é mais fortemente determinado pela cultura do que pela
•
•
herança genética, sendo a pessoa complementar da Enfermagem um ser
resultante do meio cultural em que foi socializado.
 Pressupostos da plataforma antropológica
A relação do ser humano consigo mesmo é causada pelo signi�cado que este tem de si
próprio
O ser humano age de acordo com padrões culturais apreendidos dentro de sua plataforma
antropológica.
Cabe ressaltar que a cultura é uma das principais fontes de construção
de identidade, pois o cenário molda a compreensão que o ser humano
possui de si mesmo. Assim, descrevem-se os eixos do conceito de cultura
no prisma antropológico, como mostra a Figura 4.2.
A cultura, por sua vez, em seu caráter epistemológico, pode ser
compreendida como um processo de produção de sentidos e valores que
auxiliam na reprodução de relações interpessoais e na transformação da
própria sociedade. Isso se dá pelo fato de a informação recebida por meio
da cultura auxiliar na transformação daquilo que é comum ao ser humano.
Esse fato remete aos estudos de Bettelheim 3 , que afirma que o ser humano,
por ser de significação, utiliza esse processo para encontrar um significado
profundo para a vida – e não somente na vida.
Desde o nascer, o ser humano aprende a interpretar a plataforma
antropológica em que vive e apreende dela seus valores e,
consequentemente, sua identidade e seus papéis. Com isso, ele aprende a
dialogar com a plataforma antropológica na busca de adequar-se a ela. O ser
humano, então, relaciona-se com a plataforma para encontrar explicativas
em seu mundo interno sobre o mundo externo. Essa capacidade de se
relacionar com a plataforma antropológica é uma tomada de consciência, o
ponto exato no qual o ser humano começa a pensar.
A plataforma antropológica é um grande espaço de relações, as quais
auxiliam no processo de significação – e cabe ressaltar que esse processo só
é possível por meio das relações. A significação é um meio de o ser humano
estabelecer-se no contexto e é inerente à natureza humana, não física, mas
cultural, de perceber-se parte do externo.
As relações para estabelecimento de vínculos se dão por meio do
engajamento do indivíduo nas interações sociais, pois o ser humano
necessita estar vinculado a outro dentro de um processo transacional e
interativo para permitir que suas experiências com a plataforma
antropológica sejam significadas. Assim, a partir de sua relação com essa
plataforma, o indivíduo passa a desenvolver seus próprios conceitos sobre
vida, sucesso, saúde, doença etc. (Figura 4.3).
Figura 4.2 Prisma antropológico.
Figura 4.3 Conceitos importantes para a vida.
 Saúde
O terceiro elemento de uma teoria é a descrição do conceito de saúde.
Segundo Daily 4 , a maioria das teorias de Enfermagem descreveu o
conceito de saúde na perspectiva da doença, o que remete a um grande
paradoxo: saúde é tida como a sensação de bem-estar nas múltiplas
condições do ser humano; assim, cabe considerar, em cada dimensão dessa
teoria, apresentada nos pressupostos do ser humano, como a saúde acontece
conceitualmente, como pode ser visto na Tabela 4.1.
Tabela 4.1 Pressupostos da saúde.
Dimensão Saúde
Tecnobiológica Equilíbrio �siológico dos sistemas gerais do organismo
Capacidade de funcionar de modo independente na busca do
equilíbrio �siológico
Por exemplo: ao sentir-se fraco por estar um longo período sem
comer, a pessoa complementar tem a capacidade de alimentar-se
sem auxílio
Mental Equilíbrio da �siologia do sistema nervoso e capacidade para lidar
com agentes estressores da plataforma antropológica
Por exemplo: ao sentir-se desgastado pela alta carga de trabalho,
a pessoa complementar busca atividades de relaxamento ou
interação social para a redução do estresse
Existencial Equilíbrio na unidade corpo, mente e alma com tranquilidade
existencial e aceitação de si próprio com comportamento de busca
do potencial total de saúde
Por exemplo: a pessoa complementar sente-se rebaixada diante
de outros por ser obesa e, com isso, aceita sua condição e busca
modos de vida para reduzir essa condição (modi�cações na dieta
e atividade física), bem como procura por apoios espirituais para
conquistar forças
Social Existência de relações positivas com vínculo afetivo e de con�ança
Por exemplo: a pessoa complementar tem pessoas em sua vida
com as quais obtém apoio para fortalecer-se quando necessita de
auxílio em qualquer dimensão de sua existência
Econômica Condição �nanceira conquistada, sem a permissão da perda de
uma adequada condição de higiene
Por exemplo: a pessoa complementar busca a melhoria de sua
condição econômica, mas apresenta adequados hábitos de
higiene, independentemente de sua condição �nanceira
Cultural Sensação e vivência de pertencimento e engajamento com a
plataforma antropológica
Exemplo: a pessoa complementar convive com a plataforma
antropológica na busca de atividades de lazer, de atividades
culturais, de momentos de relaxamento e sente-se (e busca) o
bem-estar
Segurança Capacidade de reduzir e controlar vulnerabilidades
Exemplo: a pessoa complementar tem um mapa genético que a
torna vulnerável para determinada doença crônica não
transmissível (p. ex., diabetes) e adota comportamentos
saudáveis
Na dimensão tecnobiológica, saúde é o equilíbrio fisiológico, sendo
muitos processos fisiológicos completamente involuntários. Assim, essa
dimensão é a mais dependente da plataforma antropológica e dos
equilíbrios nas outras dimensões, visto ser necessária uma capacidade de
funcionar de modo independente para alcançar a melhor resposta fisiológica
para o equilíbrio biológico, não excedendo a tênue linha que divide
fisiologia e patologia.
Na dimensão mental, saúde é determinada pelo equilíbrio da fisiologia
do sistema nervoso, bem como das adaptações aos agentes estressores da
plataforma antropológica. Na dimensão existencial, é determinada pela
unidade mente, corpo e alma, bem como pela aceitação das múltiplas
condições reais (e não de desejo) do ser humano. Essa percepção de saúde
passa pela busca e aquisição do potencial total de bem-estar que o ser
humano considere adequado a si próprio e pelos apoios espirituais que ele
concebe a si mesmo.
Nadimensão social, saúde é a existência de relações saudáveis e com
forte vínculo afetivo e de confiança entre os seres humanos, bem como
entre estes e a plataforma antropológica. Na dimensão econômica, é a
condição financeira que o ser humano conquista, mas sobretudo sua
compreensão de que não existe relação direta entre falta de higiene
(elemento-chave para boa saúde) e condição financeira.
Por fim, na dimensão cultural, saúde é a sensação de pertencimento e
engajamento à plataforma antropológica para a significação efetiva de si
mesmo e de seu contexto.
 Metas de Enfermagem
O último metaparadigma de uma teoria de Enfermagem é a descrição das
metas. Na teoria da Enfermagem Reflexiva, a meta da Enfermagem é
projetar-se no mundo interno do papel complementar e coletar dados para a
reflexão empática, estabelecer metas alcançáveis de saúde e mediar as
relações da pessoa complementar (a interna, a existencial e relacional) para
•
•
•
•
o alcance das metas. O estabelecimento de uma relação eficaz entre
enfermeiro e pessoa complementar é fundamental para que as três relações
possam ser adequadas quando se identifica uma condição de falta de saúde
em alguma delas.
Nesta teoria, as relações são a base do papel da Enfermagem, pois
concebe-se que somente por meio delas é que o enfermeiro conseguirá
entrar no processo de empatia e manter um diálogo efetivo com o triplo eu
da pessoa complementar: interno, existencial e relacional. A Enfermagem
tem como foco, então, encontrar os pontos fortalecidos e de melhoria na
qualidade das relações da pessoa complementar. Para isso, deve estabelecer
vínculos afetivos e de confiança que consigam encontrar indicativos de
como está a saúde em cada um dessas relações.
Um vínculo relacional afetivo e de confiança precisa de tempo, o que
comprova a necessidade de a teoria ser realizada no contexto do enfermeiro
clínico, uma vez que sua aplicação não é possível se não houver contato
direto do enfermeiro com o indivíduo, sua família e sua comunidade.
 Pressupostos da Enfermagem
Coletar informações por meio da empatia re�exiva
Estabelecer e mediar relações afetivas e de con�ança com a pessoa complementar
Buscar os indicativos da qualidade das relações no triplo eu
Por meio dos vínculos afetivos e de con�ança, mediar o aprendizado de relações mais
saudáveis pelo triplo eu.
Assim, pode-se compreender cada relação do triplo eu, descritas a
seguir.
Eu interno
•
•
•
O eu interno corresponde aos processos e sistemas que ocorrem dentro da
estrutura biológica do ser humano, como a fisiopatologia ou a fisiologia de
sistemas.
Uma bioquímica do sangue alterada, bem como um funcionamento
alterado do sistema nervoso, causa mudanças no eu interno, que, segundo
Krietzer 5 , engloba: partículas subatômicas, átomos, moléculas, organelas,
células, tecidos, sistemas e órgãos, e sistema nervoso. O eu interno é tido
como um equilíbrio nas múltiplas dimensões da pessoa complementar,
especialmente naquelas que afetam respostas fisiológicas tornando-as
patológicas.
O foco da Enfermagem é favorecer o equilíbrio de convívio da pessoa
complementar com sua condição fisiológica, para que ela não seja alterada,
isto é, para que não se torne patológica e estabeleça, assim, uma doença. A
promoção da saúde é base dessa teoria, especialmente a educação em saúde,
pois explica a formulação dos pressupostos de Enfermagem. Uma vez que o
enfermeiro deve mediar o aprendizado de relações positivas pelo triplo eu, a
educação em saúde torna-se instrumento básico para a implementação dessa
teoria.
Sob essa perspectiva, o enfermeiro pode ter diversas ações para a pessoa
complementar em seu eu interno, como:
Mediar a aceitação de uma condição fisiopatológica para estabelecer
relações de convivência com ela (p. ex., diabetes melito)
Realizar cuidados diretos para o equilíbrio fisiológico da pessoa
complementar (p. ex., elevar decúbito da cama para um paciente com
dificuldade respiratória)
Educar a pessoa complementar para o autocuidado frente às condições
fisiopatológicas (p. ex., cuidados para gerenciar e manter a saúde).
Eu existencial
•
•
O eu existencial engloba as experiências prévias e os comportamentos
apreendidos pela pessoa complementar em sua história até o momento em
que define, em sua concepção, quem é, tornando-se um conjunto de
comportamentos e autossignificados apreendidos em sua trajetória de vida.
A condição existencial do ser humano significa a percepção de como e
quanto esse ser humano existe, protagoniza sua vida, interfere na sua
plataforma antropológica e escolhe as intenções que nortearam suas ações
consigo e com a plataforma antropológica.
As questões de estima e imagem, ou seja, de conceito e identidade, são
a base do eu existencial. A identidade e sua aceitação positiva são a base
para o efetivo desempenho de papéis na plataforma antropológica (Figura
4.4).
Figura 4.4 Bases para o efetivo desempenho de papéis na plataforma antropológica.
Nessa perspectiva, o enfermeiro pode ter diversas ações para a pessoa
complementar em seu eu existencial, como:
Mediar a aceitação de uma condição que afeta a estima ou imagem para
estabelecer relações de convivência com essa condição (p. ex.,
genótipo)
Realizar cuidados relacionais diretos para o equilíbrio existencial da
pessoa complementar (p. ex., escutar ativamente quando o paciente se
•
abre e dialoga sobre alguma crise existencial)
Educar a pessoa complementar para o autocuidado diante das condições
existenciais (p. ex., estimular o diálogo interno, ou seja, a autorreflexão
e a autocrítica, para encontrar pontos de melhorias mediante as crises
existenciais).
Eu relacional
Por fim, o eu relacional engloba a quantidade e a qualidade das relações da
pessoa complementar com o outro, com sua família, sua comunidade, sua
cultura, sua nação e a bioesfera.
O ser humano não se concebe isolado de um todo; assim, sua inserção
em contextos externos a si próprio e dentro da plataforma antropológica é
uma condição necessária ao contexto de potencial total de saúde. Por outro
lado, a plataforma antropológica não se concebe sem o conjunto de seres
humanos. A sociedade é composta por partes, necessidades e processos
inter-relacionados, assim como um organismo humano; por isso, papéis
precisam ser desempenhados dentro da plataforma antropológica para que
uma nação se forme. Por exemplo, o profissional da limpeza de um hospital
pode ter um papel de baixo reconhecimento na plataforma antropológica, o
que pode abalar sua autoestima e seu desempenho. Todavia, o impacto
desse profissional no controle de infecção hospitalar é de amplo espectro,
tornando seu papel-chave no processo, visto que atende a uma necessidade
importante e tem relação com os processos de antibioticoterapia,
farmacovigilância e segurança do paciente.
A plataforma antropológica ainda é altamente determinada pelas
questões econômicas como compreensão de questões sociais e culturais. A
sociedade, presa na desumanização causada pelo advento do capitalismo,
vê-se presa às supervisões de uma burocracia inflexível. Esse fato é
explicado por Marx 6 como uma tentativa da elite de manter-se no poder,
•
•
negando que o proletariado detém a real força. Assim, tornar a grande
massa de seres humanos alienados na plataforma antropológica reforçaria o
controle da elite.
Outra questão a ser considerada é que uma plataforma antropológica
deve conceber tanto as muitas questões individuais quanto as coletivas, por
também ser responsável por estas (p. ex., a depressão e a ansiedade são
condições tecnobiológicas e existenciais causadas, muitas vezes, por
desequilíbrio do eu relacional na plataforma antropológica).
Nesse sentido, o enfermeiro pode ter diversas ações para a pessoa
complementar em seu eu relacional, como:
Mediar o empoderamento do ser humano para seu protagonismo na
plataforma antropológica (p. ex., dialogar com uma comunidade sem
saneamento básico para que ela possa exigir de seus representantes
políticos o direito ao saneamento)
Realizar cuidados para adequaçãoda plataforma antropológica para o
potencial máximo de saúde do ser humano (p. ex., orientar uma
comunidade a autorregular-se em ações de prevenção de doenças).
Considerações finais
Existe um espaço de convergência entre os três elementos do triplo eu, e
esse espaço é denominado totalidade humana. É exatamente o espaço no
qual o enfermeiro deve adentrar para coletar informações por meio da
empatia reflexiva, isto é, da compreensão da totalidade humana, pois é com
o equilíbrio do triplo eu que a saúde do ser humano pode ser alcançada.
Cabe ao enfermeiro compreender cada elemento do triplo eu, não
dissociando-o do todo, mas interferindo e sendo interferido por ele. Com a
visão da totalidade do ser humano, a figura inicial da compreensão do triplo
eu redesenha-se como mostra a Figura 4.5.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
Figura 4.5 Triplo eu.
Com o uso da empatia reflexiva, o enfermeiro pode contribuir
largamente na correção dos dilemas nos três “eus internos” de cada papel
complementar que atende, realizando uma entrega social que explode os
grilhões do contexto biomédico e permite que o enfermeiro adentre no
espaço de sua identidade.
Referências bibliográficas
Lèvy P. A inteligência coletiva. São Paulo: Folha São Paulo; 2015.
Giddens A. Modernidade e Identidade. Rio de Janeiro: Zahar; 2002.
Bettelheim B. A psicanálise dos contos de fadas. 16. ed. São Paulo: Paz e Terra; 2002.
Daily J. Contexts of Nursing. 4. ed. Sidney: Elsevier; 2014.
Krietzer MJ. Integrative nursing. Arizona: Oxford Press; 2014.
Marx K. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Folha de São Paulo; 2015.
Bibliografia
Alleny B, Sarewitz D. The techno-human condition. Massachusetts: MIT
Press; 2011.
Hall S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A;
2006.
Neves AJ. Cibercultura e identidade. Jundiaí: Pacto; 2014.
Thorpe C. O livro da Sociologia. São Paulo: Globo Livros; 2015.
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Objetivos deste capítulo
Conceituar coleta de dados
Conhecer as ferramentas de coleta de dados
Conhecer as fontes e os tipos de dados coletados
Realizar a construção de um foco diagnóstico.
Palavras-chave: coleta de dados, histórico de Enfermagem, exame físico,
fontes de dados, dados objetivos, dados subjetivos, sinais, sintomas e
verbalizações.
Etapa da SAE: 2.
Etapa do PE: 2.
Definição
A coleta de dados é composta pelo histórico e pelo exame físico (passos 2 e
3 do Processo de Enfermagem – PE), sendo um processo sistemático e
intencional para obter dados relevantes das condições do paciente e de sua
família ou comunidade. A partir desses dados, o enfermeiro pode avaliar,
correlacionar e agrupar informações, às quais, com base em seu
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conhecimento, atribuirá uma importância. Assim, os dados se transformarão
em informação e darão respaldo ao enfermeiro para as fases seguintes.
Historicamente, a Enfermagem consolida-se como uma Ciência pautada
em duas grandes perguntas: “como?” e “por quê?”. Essas perguntas
auxiliam o enfermeiro a compreender aspectos importantes para conhecer
melhor seu papel complementar, a saber:
Como a situação chegou ao estado atual
Como a situação foi tratada previamente
Por que não foi solicitada ajuda profissional previamente
Como o papel complementar se sente após o tratamento
Como o papel complementar planeja mudar seu comportamento frente
às exigências da condição
Por que o papel complementar diz ser difícil aderir ao tratamento.
 Atenção
A coleta de dados é contínua dentro da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e do
PE, pois em todas as outras etapas, quando o enfermeiro tem contato com a pessoa
complementar, ele deve coletar dados, seja para validar os dados coletados anteriormente,
diagnosticar, escolher as melhores intervenções ou avaliar se os resultados esperados foram
alcançados.
Os enfermeiros coletam dados da Ciência da Enfermagem, o que é
muito mais que o mero diagnóstico de uma doença. Trata-se de diagnosticar
a resposta humana do papel complementar e, sendo os seres humanos
diferentes, as respostas também serão, exigindo do enfermeiro capacidade
diagnóstica apurada e coleta de dados muito bem feita. A Tabela 5.1
apresenta o que deve ser avaliado nessa fase. Assim, uma resposta humana
de autonomia do enfermeiro é toda e qualquer atitude frente aos dilemas da
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vida e processos de saúde que afetem o holismo do indivíduo em uma
perspectiva cuja solução seja livre de terapia medicamentosa ou cirúrgica.
Tabela 5.1 Visão geral da coleta de dados.
Subetapa Ferramenta
Coletar dados Entrevista*, observação e exame físico
Analisar os dados Comparar dados objetivos e subjetivos
Detectar lacunas e inconsistências Validar dados con�ituosos
Identi�car necessidades de novos dados Pensamento crítico
Organizar dados Mapa mental
Fechar lacunas Julgamento clínico
* Dados de identi�cação e da história de saúde; condição clínica e queixas atuais; estado emocional
sobre a atual condição; conhecimento sobre a atual condição; adesão ao tratamento (se for o caso).
A coleta de dados deve ser compreendida como uma atividade que vai
além do preenchimento de um formulário. Nessa fase, é necessário ter:
Flexibilidade: para permitir que a pessoa complementar guie a
entrevista
Pensamento crítico: para formular perguntas que aprofundem um dado
observado ou informado
Conhecimento: para escolher quais subetapas e componentes da coleta
de dados serão utilizados e em que sequência
Prática reflexiva: buscar dados para responder à pergunta “De qual
informação eu preciso para cuidar dessa pessoa?”.
Respostas humanas
O foco do enfermeiro é coletar dados que o levem a compreender as
respostas humanas de seu papel complementar diante dos dilemas da vida,
os quais podem ser: processos naturais (adolescer, gestar, partejar,
envelhecer etc.); mudanças no estado de saúde; dilemas existenciais,
emocionais ou espirituais; expectativas, frustrações ou falta de propósitos;
condições ambientais, sociais, políticas e econômicas; e cotidiano do
trabalho, da família e da relação individual.
Ter a clareza do que é uma resposta humana de autonomia da
Enfermagem auxilia o enfermeiro a entender no que deve focar e sobre o
que refletir durante a coleta de dados.
Tipos de coleta de dados
Existem dois tipos de dados coletados nessa fase, os objetivos e os
subjetivos, e as fontes destes podem ser primárias ou secundárias, como
mostram as Tabelas 5.2 e 5.3.
Ainda sobre a coleta de dados, existem quatro tipos que variam
conforme o tempo e a necessidade da pessoa complementar (Tabela 5.4).
A coleta de dados é, então, uma etapa contínua, pois, a cada contato
com a pessoa complementar, o enfermeiro pode detectar dados importantes
para o plano de cuidados.
Cabe ressaltar que a coleta de dados inicial nem sempre pode ser
completa. Em uma situação de emergência, por exemplo, os dados mais
relevantes serão coletados para que a assistência tenha início. Contudo,
assim que possível, ainda que a pessoa complementar esteja em outro
espaço ou unidade, os dados adicionais para uma visão geral da condição da
pessoa complementar devem ser coletados.
Tabela 5.2 Diferenças entre dados objetivos e subjetivos.
Dados objetivos Dados subjetivos
São sinais e/ou sintomas* São verbalizações
São mensuráveis e/ou observáveis Não são mensuráveis ou observáveis
Exemplos: pulso, urina, coloração da pele,
hemograma, respiração e temperatura
Exemplos: pensamentos, crenças,
sentimentos, sensações, autopercepção e
percepção de saúde
Resumo: o que o enfermeiro detecta e
comprova por meio da observação, uso de
instrumentos de medida e exames
Resumo: o que a pessoa complementar
informa
* A diferença entre sinal, sintoma e verbalização é que sinal é aferido por algum instrumento (p. ex.,
temperatura), sintoma é observado pelos sentidos (p. ex., coloração da pele) e verbalização é algo
dito pelo paciente (p. ex., “sinto calor”).
Tabela 5.3 Fontes dos dados.
Fontes primárias Fontes secundárias
Usuário Equipe de saúde
Família (se for esta o foco de abordagem, e
não o acompanhante)Prontuários do paciente
Comunidade (se for esta o foco da
abordagem)
Evidências na literatura
  Experiência clínica do enfermeiro
Obs.: Ambas as fontes trazem dados objetivos e subjetivos. Por exemplo, o paciente pode verbalizar
que não sente dor, mas o familiar que o acompanha percebe que ele demonstra expressões faciais
de dor e, no prontuário, há a prescrição de analgésicos pelo médico. Na análise global dos dados, o
enfermeiro pode perceber que o paciente sente dor, mas há algo que o impede de admitir isso –
este será o ponto da nova abordagem na coleta de dados pelo enfermeiro.
É consenso na Enfermagem o uso de um impresso para a coleta de
dados, pois isso pode auxiliar o enfermeiro a não esquecer nenhum dado
relevante. No entanto, é importante reafirmar que a pessoa complementar é
quem deve guiar a entrevista, pois, dessa maneira, se mantém uma sensação
de conversa, e não de perguntas e respostas. A pessoa complementar se vê
como participante da SAE, e não como expectadora, e o impresso de coleta
de dados deve ser espelhado nas dimensões do ser humano propostas pela
Teoria de Enfermagem escolhida na primeira fase do NPE.
Ao encontrar uma pessoa complementar em um espaço comunitário
insalubre, por exemplo, podem-se fazer as perguntas apresentadas na Tabela
5.5. Já no caso de encontrar uma pessoa complementar em um espaço
hospitalar, as perguntas podem ser induzidas conforme apresentado na
Tabela 5.6.
Nota-se, assim, que as perguntas auxiliam o enfermeiro a transformar
dados em informações (Figura 5.1). Uma vez correlacionadas, essas
informações formarão a possível lista de Diagnósticos de Enfermagem (DE)
para seu papel complementar.
O que se propõe neste livro não é um impresso padrão de coleta de
dados, mas uma concepção reflexiva pelo enfermeiro sobre quais perguntas
deverá fazer à pessoa complementar. Somente assim a flexibilidade na
coleta de dados será assegurada.
Tabela 5.4 Tipos de coleta de dados.
Tipo de coleta Característica
Coleta de dados
completa
Inclui o histórico de saúde completo (atual e anterior) e forma uma linha
de comparação entre a condição atual, a anterior e, possivelmente, a
futura. Consiste em uma oportunidade de construir uma base relacional
de con�ança com a pessoa complementar e tem as respostas a cada
condição de vida, saúde ou doença do papel complementar
Coleta de dados
focada em
condição a curto
prazo
De abrangência limitada e mais focada, inclui os dados referentes aos
agravos à saúde causados por uma condição a curto prazo. Tem como foco
um comportamento, estado, sistema ou órgão especí�co. A coleta de
dados, então, permeia primeiramente a queixa existente (p. ex., indivíduo
com tosse no período pós-operatório)
Coleta de dados
de
acompanhamento
Realizada em intervalos regulares, inferiores a 24 h, visa a reavaliar os
dados obtidos na coleta completa e, assim, favorecer condições para um
esquema comparativo entre o momento inicial de contato com a pessoa
complementar e sua condição após as intervenções de Enfermagem
Coleta de dados
de emergência
Realizada de maneira rápida e voltada às medidas necessárias para
salvamento e restabelecimento da vida
Tabela 5.5 Perguntas feitas e dados buscados em situação de insalubridade.
Perguntas Dados buscados
Há quanto tempo convive neste
ambiente?
Tempo de exposição a patógenos
Por que convive neste ambiente? Autopercepção de empoderamento para mudança de
realidade e de correlação entre higiene e condição
econômica
Como convive neste ambiente? Cuidados de saúde consolidados na prática diária de
vida para amenizar os agravos à saúde causados pelo
ambiente
Tabela 5.6 Perguntas feitas e dados buscados em espaço hospitalar.
Perguntas Dados buscados
Há quanto tempo convive com este
sintoma?
Tempo de exposição ao sofrimento
Por que convive com esta condição? Compreensão de direitos e deveres em saúde e de
aceitação da condição �siopatológica para, então,
buscar auxílio
Como convive com esta condição? Cuidados de saúde pessoal
Figura 5.1 Transformação de dados em informações.
A proposta é que o enfermeiro possa desenhar mapas mentais com focos
de atenção para cada pessoa complementar, de acordo com o contexto de
sua prática e seu nível de atenção e seguir da coleta de dados para o
próximo passo (Figura 5.2).
Figura 5.2 Processo de diagnose a priorização.
 Foco de atenção
Foco de atenção é um problema de saúde, um estado de risco,
vulnerabilidade ou uma disposição para a promoção da saúde. Trata-se de
um grande conceito de abordagem da pessoa complementar pelo
enfermeiro, tido como fundamental para a compreensão da condição e do
potencial de saúde do paciente.
Para compreender um foco de atenção essencial à prática de cada
enfermeiro, o que pode mudar de acordo com a população atendida, a
plataforma antropológica e o nível de atenção no qual se atua, é necessário
pensar criticamente sobre o que precisa ser avaliado.
 Atenção
Foco é um aspecto do ser humano ao qual o enfermeiro deverá prestar atenção, comparando as
condições normais com as condições apresentadas pelo paciente. O foco prioritário para cada
pessoa complementar depende da gravidade do caso, podendo ser apenas um ou vários.
É importante que o enfermeiro tenha clareza a respeito dos focos de
atenção de sua prática, conforme a unidade em que atua, a condição
epidemiológica de sua população e o contexto em que o estabelecimento de
atenção em saúde no qual atua está inserido.
Um exemplo de foco de atenção é a amamentação. Para esta, cabe ao
enfermeiro elaborar um mapa mental das perguntas que deve fazer para
acessar a ocorrência e eficácia da amamentação, como pode ser visto na
Figura 5.3. Neste exemplo, o enfermeiro refletiu sobre as perguntas que
auxiliam na identificação do foco de atenção e em sua avaliação. Uma vez
que encontra respostas positivas, o diagnóstico será positivo – ou negativo,
em caso de respostas negativas.
Figura 5.3 Exemplo de mapa mental para foco de atenção (amamentação).
Fica claro que, para acessar os dados da coleta, o enfermeiro utiliza o
raciocínio crítico e, para encontrar o diagnóstico, o julgamento clínico.
Portanto, por meio da reflexão dos dados coletados, o enfermeiro pode
julgar o foco de atenção (p. ex., amamentação) atribuindo a ele uma métrica
base para um julgamento (p. ex., eficaz). E isso leva à próxima fase da
SAE: o DE.
 Atenção
No PE, as fases que possibilitam a coleta de dados na SAE são o histórico de Enfermagem e o
exame físico.
Habilidades necessárias para a coleta de dados
O momento de coleta de dados é um encontro entre o enfermeiro e o papel
complementar, na busca da compreensão sobre como e por que o paciente
está nas condições em que se encontra. Para tanto, algumas habilidades
devem ser asseguradas pelo enfermeiro no momento da coleta, a fim de que
o foco seja, de fato, conhecer o papel complementar e sua condição, e não
simplesmente preencher os impressos do PE que fazem parte da coleta de
dados da SAE, isto é, histórico de enfermagem e exame físico. Essas
habilidades estão descritas na Figura 5.4.
Existem quatro grandes eixos de habilidades para a entrevista: postura
profissional, anotações, toque e comunicação.
Figura 5.4 Habilidades esperadas do enfermeiro no momento da coleta de dados.
Postura profissional
O enfermeiro deve posicionar-se, sempre que possível, na altura do papel
complementar e evitar gestos de poder, como mão no bolso, braços
cruzados ou dedo em riste. A expressão facial também precisa ser alvo de
atenção, pois julgamentos são feitos mentalmente de maneira rápida e, se
não controlados, ficam explícitos na expressão facial. O ideal é deixar o
papel complementar falar sem se sentir julgado, para que não omita nem
mude dados fundamentais para a elaboração do plano de cuidados.
Anotações
As anotações devem ser concisas e centradas nos problemas apresentados
pelo papel complementar; evitar preencher dados que não contemplem o
problema pode auxiliar na rapidez e fluidez da SAE.
 Para re�etir
Um paciente,em quarta internação por hipertensão arterial em 1 mês, é atendido pelo mesmo
enfermeiro na consulta de Enfermagem e, quando questionado sobre a dieta, a�rma segui-la
corretamente, dizendo, ainda, que a macarronada de domingo é sem sal, mas que o queijo
ralado ajuda no gosto da comida.
Neste momento, se o enfermeiro �zer um julgamento e verbalizar um “não”, seu papel
complementar perceberá que disse algo errado e será cerceado a aprofundar e contar sem
receios como cuida de sua dieta, visto estar na quarta descompensação da pressão arterial em
período tão curto. O enfermeiro deve, então, compreender muito bem o caso clínico e identi�car
por que o plano de cuidados não foi e�caz nas 3 vezes anteriores, a �m de evitar reinternação.
Uma dica é manter o contato visual com o paciente, mas sem emitir sinais nem sons de
julgamentos.
Contudo, a anotação deve ser feita junto com ao papel complementar,
com perguntas de validação para que ele possa compreender que foi
interpretado e que está sendo validado antes do registro. Assim, fica clara a
importância de suas falas para o enfermeiro.
Toque
O toque é um cuidado muito expressivo da Enfermagem; se bem usado,
coaduna com o conceito de cuidado livre de danos, indo além das questões
técnicas e processuais de segurança do paciente. Cuidado livre de danos
engloba o conceito atual de segurança do paciente e o coloca junto de
cuidados que evitem dados morais, sociais, culturais e existenciais. Assim,
a Enfermagem demonstra que domina o mais puro conceito da palavra
“cuidar”, cujo toque é sua mais relevante expressão. Nem todas as culturas
são abertas ao toque, ao passo que, em outras, a falta dele pode passar uma
impressão de ausência de cuidado. Então, a alfabetização cultural passa a
ser uma premissa do enfermeiro.
Diversos estudos tratam sobre a importância dos aspectos culturais, e
cabe a cada profissional, ao reconhecer seu papel complementar, buscar
conhecimentos para compor sua prática de coleta de dados.
Comunicação
A comunicação é formada por outras cinco habilidades: silêncio, empatia,
perguntas diretas, perguntas de validação e escuta ativa. O silêncio é uma
habilidade difícil de conquistar e fortalecer na Enfermagem. Por vezes, é
mais fácil dizer o que se espera ouvir do que deixar que o outro fale.
Todavia, há perguntas ou momentos na coleta de dados em que o silêncio
do paciente deve ser respeitado, pois ele pode estar reorganizando seu
mundo interno, organizando as emoções, pode não ter compreendido
alguma pergunta ou simplesmente ainda não quer falar sobre o assunto, o
que leva o enfermeiro, após um período de respeito de silêncio, mudar a
perspectiva da conversa, muitas vezes para coletar os mesmos dados, mas
com perguntas e caminhos internos diferentes.
Atrelada ao silêncio está a escuta ativa. Ao questionar o paciente sobre
qualquer sinal, sintoma ou verbalização, deve-se dar tempo para que ele
responda com suas próprias palavras; completar as frases no lugar dele pode
induzi-lo nas respostas e levar a uma coleta irreal.
Ainda neste contexto de escuta ativa, inclui-se a escuta de sinais não
verbais e paraverbais de linguagem. Um papel complementar que afirma
não estar ansioso, mas que fala alto e sem pausas, denota que há algo
parecido com ansiedade em suas respostas. As perguntas, parte da
habilidade de comunicação, podem ser diretas, abertas ou não; por exemplo,
“Você sente dor?” é uma pergunta fechada, para a qual só há duas respostas:
sim ou não. Se o paciente responder que sim, deve-se perguntar como é essa
dor e deixar que ele use seu próprio vocabulário para descrevê-la, como
“pontada”, “facada”, “puxão”, “insuportável” etc.
Nas perguntas, o silêncio por parte do entrevistador e a escuta ativa são
extremamente importantes.
Considerações finais
A coleta de dados é fase imprescindível para o devido trabalho da
Enfermagem. Sem conhecer adequadamente as alterações nas condições de
saúde e de vida do papel complementar, o enfermeiro não tem base para
elaborar o plano de cuidados e definir suas metas. Assim, esse momento,
ainda que tome algum tempo do enfermeiro, deve, impreterivelmente, ser
priorizado para que o cuidado seja efetivamente estruturado e a ciência da
Enfermagem aplicada corretamente.
Bibliografia
Lunney M. Pensamento crítico para o alcance de resultados positivos de
saúde. Porto Alegre: Artmed; 2009
Potter PA, Perry AGP. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro:
Elsevier; 2009.
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Objetivos deste capítulo
Conceituar Diagnóstico de Enfermagem
Conhecer os elementos que compõem os Diagnósticos de Enfermagem
e seu uso
Compreender como o Diagnóstico de Enfermagem serve de base para o
plano de cuidados.
Palavras-chave: diagnose, agrupamento de dados, Diagnóstico de
Enfermagem, características definidoras, fatores relacionados, fatores de
risco, população de risco, condições associadas, plano de cuidado.
Diagnose, etapa do PE: 3.
Diagnósticos de Enfermagem, etapa do PE: 4.
Diagnósticos de Enfermagem, etapa da SAE: 3.
Definição
A coleta de dados é um processo sistemático para obter dados relevantes
das condições do papel complementar. Após a obtenção desses dados, é
possível iniciar a diagnose, que permite uma visão ampla dos Diagnósticos
de Enfermagem (DE), para, então, seguir para a priorização do DE.
DE são julgamentos clínicos feitos pelo enfermeiro acerca das respostas
da pessoa complementar sobre seus problemas de saúde atuais ou de risco,
bem como sobre os processos do ciclo vital, uma vez que o enfermeiro é
responsável por detectar, planejar e executar o cuidado, alcançando o
resultado esperado. Entre os vários DE encontrados na coleta de dados
(refletidos na diagnose), o enfermeiro deve escolher aqueles que contarão
com pessoas, tempo, métodos e insumos para atingir as metas.
 Atenção
Uma pessoa complementar pode ter mais de um DE, e cabe ao enfermeiro determinar os DE
prioritários.
Um DE emerge de um foco de atenção, ou seja, de um conceito
diagnóstico da pessoa complementar que necessita de atenção detalhada da
Enfermagem, cuja atuação pode melhorar ou evitar uma piora na condição
clínica. Sua expressão se dá por meio do que se chama de “resposta
humana”.
Cabe ainda ao enfermeiro determinar o período durante o qual um DE
será abordado. Por exemplo, no caso de um paciente que utilizará bolsa de
colostomia para sempre, o enfermeiro pode encontrar DE relacionados ao
enfrentamento da cirurgia nas 24 h anteriores e nas 24 h subsequentes.
A principal linguagem e taxonomia dos DE é a NANDA-International
(NANDA-I), que criou uma maneira de classificar e categorizar o
conhecimento de Enfermagem por meio de evidências científicas. Quanto
maior o nível de evidência, mais consistente é o DE e mais comprovado
como inerente à Enfermagem é o foco do qual emerge.
Os níveis de evidência auxiliam a compreender se um DE está bem
consolidado ou não. A Figura 6.1 apresenta o processo pelo qual um DE é
validado por sua evidência em pesquisa. Vale ressaltar que quanto mais se
tiver DE com altos níveis de evidência, mais a prática da Enfermagem
estará respaldada por pesquisa, consolidando a profissão cientificamente.
Diagnóstico de Enfermagem
Um diagnóstico é, por definição, um julgamento a partir de uma análise
profunda sobre um foco de resposta humana, a fim de compreender como
os elementos da realidade se relacionam, especialmente causa e efeito, o
que auxilia o enfermeiro a elaborar o plano de cuidados.
O conceito de diagnóstico afirma que este é um julgamento. Julgar
significa emitir um juízo, opinião ou parecer por meio da capacidade de
discernimento a respeito dos elementos apresentados. Assim, percebe-se a
ponte que liga a coleta de dados com os DE (Figura 6.2).
No conceito de DE, tem-se duas questões: o que é (um julgamento
clínico de respostas humanas) e por que (para elaborar o plano de
cuidados). Isto é, diagnosticar é imprescindível ao enfermeiro.
Figura 6.1 Processo de validação do DE por sua evidência em pesquisa.
Figura 6.2 Ligação entre coleta de dados e DE.
Após a coletadas informações sobre um determinado foco de atuação
do enfermeiro, parte-se para a análise efetiva dos dados, verificando se é
necessário buscar novos dados ou validar os atuais. Com isso, é possível
que o enfermeiro realize um processo de reflexão que culmine no
julgamento do estado atual do foco, compreendendo se este está dentro ou
fora do padrão de normalidade.
Nota-se, assim, que as fases de diagnose e DE dependem da coleta de
dados, uma vez que a qualidade destes afeta a compreensão efetiva do
comportamento analisado pelo enfermeiro para a efetiva formulação de um
juízo sobre o caso. O DE, por sua vez, afeta o plano de cuidados, visto que
corresponde à base dele.
A eficácia da Enfermagem, portanto, está pautada na capacidade de uma
adequada coleta de dados e na reflexão apurada entre a coleta de dados e
DE, denominada diagnose.
O DE pode ser considerado o pivô da Sistematização da Assistência de
Enfermagem (SAE), pois é a base para uma estrutura equilibrada de
assistência de Enfermagem, permitindo a mudança da condição clínica atual
da pessoa complementar (Figura 6.3).
 Atenção
O DE deve ser escolhido somente após uma visão clara e consistente do enfermeiro sobre a
condição atual do foco analisado na pessoa complementar, visto que erros de interpretação,
julgamento de valores e interferências culturais podem afetar o processo diagnóstico.
Figura 6.3 DE como pivô da SAE.
Eficácia diagnóstica
Após coletar os dados, o enfermeiro deve analisá-los, dando sentido a eles,
isto é, transformando-os em informação. Dados são fatos brutos, elementos
isolados, ao passo que informações têm significado, estão interligadas e
passam por um julgamento clínico.
A Tabela 6.1 apresenta a diferença entre dados e informações.
No exemplo apresentado na tabela, percebe-se que a transformação dos
dados em informações só foi possível por meio do uso de conhecimentos de
Enfermagem: necessidades nutricionais, função do sistema nervoso, teorias
sociais, teorias de estresse e enfrentamento. O conhecimento é o que faz do
enfermeiro um diagnosticador diferenciado.
O processo de conversão de dados em informações clínicas é
representado nas Figuras 6.4 e 6.5.
Com as informações é possível realizar a diagnose e, com a análise de
pessoas, os métodos e os insumos disponíveis, é possível encontrar o DE
prioritário para a elaboração do plano de cuidados, como mostram as
Figuras 6.6 e 6.7.
Existem quatro tipos de DE, demonstrados na Tabela 6.2.
 Estrutura de um DE
Em primeira instância, um DE tem dois elementos: foco e modificador. Isso
significa que a lista de focos de autonomia, quando julgada pelo enfermeiro,
recebe um modificador (ou adjetivo que expressa a condição do foco). O
enfermeiro, ao acessar os dados (raciocinar criticamente), transformá-los
em informação e tomar uma decisão (julgamento clínico), determina o
estado do foco, bem como se este configura um DE a ser considerado no
plano ou não (Figura 6.8).
Tabela 6.1 Exemplo de dados versus informações.
Dados objetivos Correlação e signi�cação dos dados
90 anos
1,75 m
45 kg
Idade elevada e peso corporal abaixo do
normal
Confusão
Cuidador necessitando de auxílio
Dados subjetivos Julgamento clínico
Verbaliza não reconhecer sua acompanhante
Acompanhante relata que o paciente não
aceita a dieta e que está confuso já há 6 meses
Confusão crônica
Desnutrição
Risco de tensão no papel do cuidador
Em segundo lugar, um diagnóstico é formado por dois elementos: as
causas e os efeitos. Por exemplo, uma mãe pode não posicionar o
recémnascido adequadamente no peito para a amamentação por ser
primípara, não ter recebido orientação e estar sem autoconfiança (Figura
6.9).
Figura 6.4 Método de conversão de dados em informações clínicas.
Figura 6.5 Exemplo de conversão de dados em informações clínicas.
Figura 6.6 Método de diagnose para elaboração de plano de cuidados.
As causas são as características definidoras (sinais, sintomas e
verbalizações) e os efeitos são os fatores relacionados (no caso de
diagnósticos relacionados com problemas e síndromes) ou de condições
risco (no caso de diagnósticos de risco), bem como as populações de
vulnerabilidade e as condições associadas. A Tabela 6.3 traz a definição de
cada um desses conceitos.
Para entender como se relacionam os conceitos acima, são apresentados
alguns DE na Tabela 6.4.
Figura 6.7 Exemplo de diagnose para elaboração de plano de cuidados.
Tabela 6.2 Tipos de DE.
DE Julgamento clínico Exemplo
Diagnóstico baseado em
problema*
Resposta humana indesejada para
condições de saúde ou processos de
vida
Ansiedade
Diagnóstico de risco Vulnerabilidade de uma resposta
humana indesejada
Risco de dignidade
humana comprometida
Diagnóstico de promoção
de saúde
Motivação ou desejo para aumentar
o bem-estar e o potencial de saúde
atual
Disposição para controle
da saúde melhorada
Síndrome Coexistência de dois ou mais DE Síndrome do idoso frágil
* Antes denominado diagnóstico atual, teve seu nome alterado porque um diagnóstico de risco
também pode ser um diagnóstico atual.
Figura 6.8 Foco diagnóstico e modificador no DE.
Figura 6.9 Exemplo de causa e efeito em DE.
Tabela 6.3 Definição dos conceitos em DE.
Termo Tipo De�nição
Característica
de�nidora
Efeito Sinais, sintomas, verbalizações (dados objetivos e
subjetivos)
Fator
relacionado
Causa Causa ou fator contribuinte ou determinante do efeito
Fator de risco Possível efeito Vulnerabilidade que pode instalar-se como fator
contribuinte ou determinante
População de
risco
Efeito Grupos que possuem características semelhantes que
aumentam ou diminuem a suscetibilidade para cada
resposta humana
Condições
associadas
Efeito Diagnósticos médicos, procedimentos, fármacos,
insumos médicos
Obs.: Os dois últimos elementos da tabela não são alterados de maneira independente pelo
enfermeiro, mas devem ser considerados no plano assistencial.
Tabela 6.4 Exemplos de DE.
Tipo de DE DE somente com
características
de�nidoras e
fatores
relacionados
DE com
características
de�nidoras,
fatores de risco,
população de
risco e
condições
associadas
DE de risco Síndrome com
características
de�nidoras,
fatores de
risco,
população de
risco e
condições
associadas
Diagnóstico Estilo de vida
sedentário
Insônia Risco de
síndrome do
estresse por
mudança
Síndrome do
idoso frágil
Características
de�nidoras*
Atividade física
diária inferior ao
recomendado
para sexo e
idade, falta de
condicionamento
físico, preferência
por atividades de
pouco exercício
físico
Acordar cedo,
alteração no
humor e afeto,
insatisfação
com o sono,
di�culdade pra
iniciar e/ou
manter o sono,
energia
insu�ciente,
entre outros
– Deambulação
prejudicada,
dé�cit no
autocuidado,
desesperança,
intolerância à
atividade,
desnutrição,
isolamento
social, entre
outros
Fatores
relacionados
Conhecimento
de�ciente sobre
os benefícios que
a atividade física
traz à saúde;
interesse
insu�ciente pela
atividade física;
motivação
insu�ciente para
a atividade física;
recursos
insu�cientes
para a atividade
física;
treinamento
insu�ciente para
fazer exercício
físico
Ansiedade,
atividade física
diária média
inferior ao
recomendado
para idade e
sexo
– Estilo de vida
sedentário,
hospitalização
prolongada,
morar sozinho,
história de
queda, entre
outros
Fatores de
risco
– – Estado de
saúde
comprometido,
história de
perda,
–
impotência,
entre outros
Populações de
risco
– Estressores,
barreira
ambiental
(ruído,
exposição à luz
do dia,
temperatura
e/ou umidade
inadequada)**
– Idade
avançada
Condições
associadas
– Depressão*** – Doenças
crônicas,
transtorno
psiquiátrico
* As características de�nidoras são DE que coexistem nesta condição.
** Geralmente condições de moradia, fruto da condição e do grupo social do qual o indivíduo faz
parte.
*** Patologia médica.
Adaptada de Herdman e Kamitsuru, 2015.1
As características definidoras são efeito dos fatores relacionados,das
populações de risco e de condições associadas (não sendo estas duas
últimas de resolução com autonomia pelo enfermeiro). A Tabela 6.5 traz um
exemplo de DE de conflito no papel de pai e mãe. A definição desse DE diz
que o pai ou a mãe experimentam uma confusão no desempenho de seu
papel e sofrem conflito na resposta a crises.
Tabela 6.5 DE de conflito no papel de pai e mãe.
Características
de�nidoras (efeitos)
Ansiedade, culpa, frustração,
inadequação para atender às
necessidades do �lho, medo,
perda de controle sobre
decisões relacionadas com o
�lho, preocupação em relação
à família e a mudanças no
papel paterno ou materno,
relutância em participar de
atividades usuais do cuidado,
rupturas nas rotinas do
cuidado
Nem todas essas
características estarão
presentes, pois dependem dos
fatores relacionados,
populações de risco e/ou
condições associadas.
Portanto, cabe perguntar-se
para cada característica
de�nidora: “por quê?”. Assim
será possível compreender sua
causa
Fatores relacionados
(causas que o
enfermeiro tem
autonomia)
Intimidação com relação a
modalidades de tratamento
restritivas (p. ex., isolamento),
intimidação com relação a
modalidades invasivas (p. ex.,
intubação)
Neste fator o enfermeiro pode
atuar com orientação e auxiliar
os pais a compreenderem a
situação. No entanto, isso diz
respeito à redução de
ansiedade, culpa ou frustração
dos pais, e não ao tratamento
da criança. Isso signi�ca que,
para a criança, fatores são
condições associadas, e para o
DE, são fatores relacionados,
pois há intervenções de
autonomia do enfermeiro para
os pais
Populações de risco
(causas que o
enfermeiro não tem
autonomia)
Mudança na situação conjugal Este fator não é de autonomia
do enfermeiro. Existem
intervenções, mas elas não
resolverão o fator, embora
possam minimizar e auxiliar os
pais separados a aprenderem a
conviver de maneira positiva
com a criança
Condições associadas
(causas que o
enfermeiro não tem
autonomia)
Cuidado domiciliar de criança
com necessidades especiais,
interrupções da vida familiar
em virtude do regime de
cuidados familiares
Este é um fator que o
enfermeiro não cuida sozinho
e não alcança metas sem
colaboração interdisciplinar
Como priorizar um DE após a diagnose
Durante a diagnose, o enfermeiro mapeia todos os DE identificados por
meio da interpretação dos dados coletados. Assim, com o julgamento
clínico, o enfermeiro interpreta e conclui os DE que remetem às respostas
humanas mais preocupantes, isto é, aquelas que afetam drasticamente a
tomada de decisão do papel complementar, sua condição de saúde, suas
1.
necessidades mais prementes e suas preocupações, incluindo-o na decisão
de seu plano de cuidados.
Compreende-se assim que, com o afastamento do enfermeiro da beira
do leito, ocorreu um vácuo do seu papel, ocupado pelos técnicos. 2 Segundo
Burresh e Gordon 3 , o enfermeiro tornou-se invisível por dois motivos: não
usar os DE ou pautar sua prática nos diagnósticos médicos.
O foco da enfermagem deve estar claro: médico trata, enfermeiro cuida.
Enfermeiro foca na saúde, não na doença. Fenômenos de atuação do
enfermeiro, como sono, conforto e nutrição, por exemplo, segundo
Lunney 4 , são complexos porque envolvem experiências humanas.
No processo de coleta de dados para diagnose, o enfermeiro encontra
diversos indícios para explicar de maneira consistente as respostas humanas
do papel complementar. É nesse ponto que o raciocínio crítico é mais
exigido do enfermeiro: ele deve considerar os riscos envolvidos no caso
clínico (vulnerabilidades), os aspectos de manutenção da vida em estados
anormais, os desejos do papel complementar e suas atitudes negativas para
o processo de recuperação.
Considerações finais
A priorização passou a ser um aspecto importante da SAE, uma vez que não
há tempo para que todos os DE sejam cuidados em um único
estabelecimento de atenção em saúde.
Priorizar é primordial, pois auxilia o enfermeiro a elaborar um plano de
cuidados focado e passível de alcançar metas.
Referência bibliográfica
Herdman TH, Kamitsuru S (eds.). Diagnósticos de Enfermagem da NANDA – definições e
classificação 2015-2017. Porto Alegre: Artmed; 2015.
Bibliografia
Burresh B, Gordon S. Do silêncio à voz. 2. ed. Loures: Lusociência; 2006.
Chanes M. Qualidade assistencial em Enfermagem. In: Malagutti W,
Caetano K (orgs.). Gestão do Serviço de Enfermagem no mundo
globalizado. Rio de Janeiro: Rubio; 2009.
Lunney M. Coleta de dados, julgamento clínico e diagnósticos de
enfermagem precisos. In: Herdman TH (ed.). Diagnósticos de
Enfermagem da NANDA – definições e classificação 2012-2014. Porto
Alegre: Artmed; 2012.
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Objetivos deste capítulo
Conceituar metas de Enfermagem
Conceituar resultados de Enfermagem
Conhecer a relação das metas e resultados com os Diagnósticos de
Enfermagem (DE)
Compreender como o Diagnóstico de Enfermagem serve de base para o
planejamento de metas e resultados.
Palavras-chave: planejamento de resultados, planejamento de metas,
métricas, critérios de avaliação.
Planejamento de Metas, etapa da SAE: 4.
Planejamento de Metas, etapa do PE: 5.
Planejamento de Resultados, etapa do PE: 6.
Metas e Resultados de Enfermagem
Os últimos conceitos de Processo de Enfermagem (PE) e Sistematização da
Assistência de Enfermagem (SAE) considerados mundialmente foram as
metas e os resultados de Enfermagem. Os diagnósticos e as intervenções
ganharam espaço antes mesmo dos resultados, fato que não tem fundamento
principalmente na questão gerencial do cuidado. Como afirma Weir-
Hughes 1 , os gerentes e coordenadores de Enfermagem são os menos
engajados e ativos na implantação efetiva do PE e SAE nos
estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS).
A inclusão ou a absorção das metas e resultados em momento tardio
reflete um erro gerencial mundial da Enfermagem, uma vez que a
concepção administrativa da melhoria contínua, por meio da ferramenta
PDCA (plan, planejar; do, fazer; check, verificar; act, agir)*, é de
conhecimento dos gestores de Enfermagem. No entanto, afastados da linha
assistencial e com uma interpretação burocrática ou cartorial da SAE,
muitos gerentes exigiram a implantação da SAE em seus EAS; sem
embasamento, porém, ela se transformou em uma ferramenta que o
enfermeiro reluta em aderir.
Ciampone e Melleiro 2 apontam que, para planejar, é necessário, logo
após o momento de diagnóstico, a determinação dos objetivos. Tais
objetivos assemelham-se ao momento de planejar metas e resultados do PE
e SAE.
Assim, cometeu-se um erro ao não se implantar essa fase de maneira
correta desde que a SAE se tornou uma regulamentação em 2002. 3
 Diferença entre metas e resultados de Enfermagem
Metas e resultados são conceitos diferentes, mas que constituíam uma
mesma fase tanto no PE quando na SAE. No novo PE, porém, há uma
definição mais clara do que, de fato, são cada um deles e que os torna
conceitos diferentes.
Metas
Meta é um desejo ou uma finalidade, geralmente intencional e abstrata. Na
SAE, consiste em definir um problema ou a aceitação de um problema pelo
papel complementar, de acordo com Kamitsuru. 4 As metas servem para
descrever algo amplo e abrangente, mas com sentido voltado para as
necessidades do paciente [ou seja, com a diagnose ou o Diagnóstico de
Enfermagem (DE) priorizado].
Metas geralmente são vagas e idealistas, utilizadas para definir uma
intenção generalista (um propósito, o que se deseja alcançar). Por exemplo:
“Minha meta é educar o paciente sobre diabetes até o momento de sua alta”.
No geral, as metas são dividas em dois grandes grupos: aceitação e
solução. Para Kamitsuru 4 , metas são a solução do DE; todavia, para
algumas condições crônicas, a solução pode ser algo irreal, de maneira que
o foco se torna a aceitação do problema pelo papel complementar, o que
pode facilitar a aderência ao tratamento ou mudanças comportamentais.
A Tabela 7.1 apresenta os dois subtipos de metas de acordo com a
análise clínica e reflexiva do enfermeiro.
Tabela7.1 Meta de solução e meta de aceitação.
Diagnóstico
de
Enfermagem
Meta Intenção pautada no conhecimento
Enfrentamento
ine�caz
Meta de
solução:
enfrentamento
e�caz
A ine�cácia no enfrentamento é decorrente da
incapacidade do papel complementar em avaliar,
escolher e agir diante de sua necessidade de saúde.
Assim, o enfermeiro pode, por meio de intervenções
educacionais, torná-lo e�caz, ou seja, capacitá-lo a
avaliar a situação, tomar decisões e agir em prol de sua
saúde. Dessa maneira, a solução da ine�cácia é possível
Síndrome de
dor crônica
Meta de
aceitação:
síndrome de
dor crônica
A síndrome da dor crônica é uma dor recorrente e
persistente por período acima de 3 meses e que afeta
signi�cativamente a rotina e o cotidiano do papel
complementar. Contudo, é causada, em sua maioria,
por condições associadas que podem não ser tratáveis,
mas sim amenizadas (paliação). Assim, o papel
complementar aceitar a síndrome pode auxiliar em sua
aderência ao tratamento e na sua conscientização em
evitar os fatores precipitantes da dor
Resultados
Por serem objetivos e mensuráveis, os resultados são mais tangíveis que as
metas. A habilidade do enfermeiro em formular os resultados é o que
determinará o sucesso ou o fracasso do plano de cuidados.
Resultados são baseados em dados observáveis e realistas, utilizados
para descrever resultados específicos que podem ser observados quando a
meta for atingida. Por exemplo: “Até o momento da alta, o paciente será
capaz de dizer como gerenciar sua dieta e a administração de insulina para
manter a glicemia dentro dos padrões normais”.
Os resultados devem ser sensíveis à Intervenção de Enfermagem (IE) e
elaborados visando à construção de uma trilha de resultados que levem ao
alcance da meta. O resultado é exatamente o oposto da característica
definidora. Em um caso de padrão respiratório ineficaz, por exemplo, uma
das características definidoras é o batimento de asa nasal; o resultado, nessa
situação, será exatamente seu oposto, a não ocorrência de batimento de asa
nasal.
Esse olhar lógico auxilia o enfermeiro, já no momento da clínica, a
predizer os resultados e suas métricas.
 Atenção
O resultado é sempre o oposto da característica de�nidora.
Tomando como exemplo um DE de enfrentamento defensivo (Tabela
7.2), que se refere a uma projeção repetida de uma autoavaliação falsamente
positiva da realidade, baseada no instinto de autoproteção e que faz o papel
complementar defender-se de modo hostil e ameaçador, tem-se um DE
passível de solução; então, a meta é a mesma do enfrentamento ineficaz, ou
seja, o enfrentamento eficaz.
Contudo, os resultados só podem ser definidos com base nos achados no
momento da coleta de dados, ou seja, por meio das características
definidoras, visto que o oposto delas caracteriza o resultado.
Enfrentamento, porém, é um foco que necessita de um tempo longo para
ter a meta atingida, e nem sempre isso é possível na maioria dos EAS.
Então, outro exemplo é o DE de déficit no autocuidado para banho,
demonstrado na Tabela 7.3.
Tabela 7.2 DE de enfrentamento defensivo.
Características de�nidoras Resultados esperados
Atitude superior aos outros
Verbaliza necessidade de ajuda
Di�culdade em estabelecer relacionamentos
Realidade distorcida Verbaliza aceitação da realidade
Falta de participação no tratamento e na
terapêutica
Busca informação con�ável sobre o
diagnóstico e a terapêutica
Hipersensibilidade à crítica Verbaliza redução de sentimentos negativos
Hostilidade instalada Relata redução de sintomas de estresse
Essas características definidoras podem ter sido causadas (fator
relacionado) por dor cirúrgica. Então, o enfermeiro consegue atribuir um
tempo determinado para o alcance de cada resultado, como na Tabela 7.4.
Pelo julgamento clínico, o enfermeiro consegue estabelecer como
espera encontrar o papel complementar nos dias subsequentes ao primeiro
contato e, assim cria uma prática pautada em resultados. Ao estabelecer
resultados, ele estabelece, ao mesmo tempo, as métricas de sua eficácia e do
impacto de seu papel, pois quanto mais resultados forem alcançados, mais o
enfermeiro pode afirmar que sua atuação é eficaz, isto é, que atinge metas.
Tabela 7.3 DE de déficit no autocuidado para banho.
Características de�nidoras* Resultados esperados
Capacidade prejudicada de lavar o corpo Lavar o corpo
Capacidade prejudicada de pegar artigos de
banho
Alcançar artigos de banho
* Não estão elencadas todas as características de�nidoras do DE, somente as que criam
hipoteticamente o caso clínico.
Tabela 7.4 Metas em caso de DE de déficit no autocuidado para banho.
Características de�nidoras* Resultados esperados
Capacidade prejudicada de lavar o corpo O cliente irá lavar o corpo até 2 dias após a
cirurgia
Capacidade prejudicada de pegar artigos de
banho
O cliente irá alcançar artigos de banho até 1
dia antes da alta
* Não estão elencadas todas as características de�nidoras do DE, somente as que criam
hipoteticamente o caso clínico.
Potter e Perry 5 apresentam as características para a descrição de um
resultado adequado, como pode ser visto a seguir.
Centrado no cliente. Os resultados devem refletir respostas do que se
espera que o papel complementar apresente como consequência das
intervenções de Enfermagem. Então, o resultado nunca é a ação do
enfermeiro (pois isso remete à intervenção), mas sim a ação do papel
complementar.
Errado Correto
Caminhar com o cliente no dia após a cirurgia O cliente irá caminhar no dia após a cirurgia*
* Cabe avaliar se a frase do resultado terminaria com “com auxílio” ou não, dependendo de diversas
variáveis, como porte e local da cirurgia.
Resultado singular. Cada objetivo trata de uma ou, no máximo, duas
características definidoras, pois a singularidade permite a avaliação precisa
do caso clínico.
 
Errado Correto
Tosse produtiva Tosse produtiva com
expectoração
contínua sem uso de
musculatura
acessória na
respiração
Tosse produtiva Tosse produtiva com
expectoração
contínua
Uso de musculatura
acessória para
respirar
Uso de musculatura
acessória para
respirar
Não utiliza
musculatura
acessória na
respiração
Observável. O resultado deve ser uma alteração observável entre a
característica definidora e o resultado previsto.
 
Errado Correto
Cliente deixa de demonstrar tristeza Paciente verbaliza sentir-se bem em poder
abraçar seus familiares na visita
Mensurável. Os resultados (geralmente sinais) devem ser descritos com
métricas.
 
Errado Correto
Pulso normal Pulso apical entre 65 e 95 bpm
Temporal. Os resultados podem ser divididos na linha do tempo, para que
seja possível, mesmo que sutilmente, detectar se o plano de intervenções
está adequado.
 
Errado Correto
Expectativa de evacuação no mesmo horário
todos os dias
O cliente compreenderá no 2 o dia de
internação o re�exo gastroduodenointestinal
e os fatores que afetam a regularidade da
evacuação
Realista. Os resultados devem ser realistas para não haver frustração do
enfermeiro nem de seu papel complementar – por isso a meta de aceitação
deve ser considerada, e não somente a de solução. Resultados realistas são
mais passíveis de serem alcançados e, a cada resultado alcançado, tanto o
enfermeiro quanto o papel complementar podem visualizar a eficácia do
plano e a melhora na resposta humana.
As metas e os resultados guiam o planejamento de IE e servem de base
para a avaliação contínua de sua eficácia.
 Atenção
O conceito de Diagnóstico de Enfermagem deixa claro que este serve de base para a formulação
de um plano de cuidados que possibilite o alcance de resultados pelos quais o enfermeiro tem
autonomia e responsabilidade.
Isso signi�ca que determinar o resultado, e não somente a meta (por ser abstrata), o auxilia a
mensurar seu próprio trabalho e compreender o impacto de seu papel como enfermeiro.
Não se isola o fato de o ser humano ser, também, biológico, tendo, assim, respostas internas não
voluntárias (p. ex., termorregulação) e voluntárias (p. ex., sentar-seao sentir tontura).
Trilha de resultados para alcance de metas
Para cada meta, resultados devem ser elencados. Como visto, a meta é a
solução ou aceitação do problema e os resultados são o oposto das
características definidoras do DE. Assim, a Tabela 7.5 traz um exemplo de
como formular um PE com resultados que contemplem a meta escolhida na
SAE.
Observa-se que a lista de resultados torna a meta possível. Além disso, a
divisão no tempo (antes ou no momento da alta) permite que o enfermeiro
perceba quais serão suas intervenções naquele dia ou plantão para que o
resultado seja alcançado (Figura 7.1).
Tabela 7.5 Exemplo de PE com resultados coerentes com a meta.
Diagnóstico
de
Enfermagem
Automutilação: comportamento autolesivo deliberado que causa dano
tissular com objetivo de criar lesões para alívio de tensão ou estresse
Meta:
aceitação
Controle de impulso: comportamento que, diante dos fatores precipitantes
da vontade de automutilar-se, faz com que o papel complementar
mantenha o controle e desvie sua atenção
Características
de�nidoras *
Esfolar-se
Morder-se
Fazer arranhões no corpo
Resultados Tratar as lesões até o momento da alta
Fazer o papel complementar abster-se de autolesões até o momento da alta
Fornecer meios, antes da alta, para o papel complementar lidar com tensão
e estresse antes, sem utomutilar-se, da alta
Ajudar o papel complementar a expressar seus sentimentos antes da alta
* Não estão elencadas todas as características de�nidoras do DE, somente as que criam
hipoteticamente o caso clínico.
Figura 7.1 Divisão do tempo antes e até a alta.
Considerações finais
Com uma trilha de resultados que abarquem as características definidoras e
possibilitem o alcance passo a passo da meta (mas de modo tangível), é
possível que o enfermeiro realize uma prática centrada em resultados no
1.
2.
3.
4.
5.
papel complementar e enxergue (junto ao seu papel complementar) a
entrega social, isto é, o valor do Enfermeiro.
Referências bibliográficas
Weir-Hughes D. Diagnóstico de enfermagem na administração. In: North American Nursing
Diagnose Association. Definições e classificações da NANDA 2007-2008. Porto Alegre; 2008.
Ciampone MHT, Melleiro MM. O planejamento e o processo decisório como instrumento
gerencial do enfermeiro. In: Kurcgant P (coord.). Gerenciamento em enfermagem. Rio de
Janeiro: Guanabara-Koogan; 2005.
Horta W. Processo de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 2011.
Kamitsuru S. Enseñanza de diagnósticos enfermeros avanzado. Pre Conferencia. Conferencia
Bianual da NANDA International. Cancún; 2016.
Potter PA, Perry AG. Fundamentos de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2009.
*
____________
Hoje reformulado como PDSA (plan, planejar; do, fazer; study, testar;
act, agir), sendo mais adequado ao contexto mundial de melhoria
contínua por meio de pequenos testes na realidade, chamados de
protótipos pelos idealizadores do Design Thinking.
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Objetivos deste capítulo
Conceituar Intervenções de Enfermagem
Conceituar Prescrições de Enfermagem
Conhecer a relação das intervenções e prescrições com os diagnósticos
de Enfermagem
Compreender como o Diagnóstico de Enfermagem serve de base para o
planejamento de intervenções e prescrições.
Palavras-chave: planejamento de intervenções, prescrição, insumos,
pessoas, métodos, tempo, identidade.
Planejamento de Intervenções, etapa do PE: 7.
Prescrições, etapa do PE: 8.
Intervenções de Enfermagem
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A execução do cuidado é a grande premissa da Enfermagem, pois reflete o
planejamento daquilo que será feito ao papel complementar, evidenciando,
assim, a autonomia, a responsabilidade e, portanto, a identidade do
enfermeiro.
Uma Intervenção de Enfermagem (IE) é definida como qualquer
tratamento com base clínica que pode ser realizado pela Enfermagem para
melhorar ou alcançar metas e resultados.
Existem três grandes tipos de Intervenções de Enfermagem:
independente, interdependente e dependente. Essa classificação se dá pelo
momento e pelo contexto assistencial do qual o enfermeiro participa, como
mostra a Tabela 8.1.
Tabela 8.1 Tipos de IE.
Intervenção independente Intervenção interdependente
Toda e qualquer intervenção sobre a qual o
enfermeiro tem conhecimento e habilidade
para:
Avaliar
Diagnosticar
Planejar
Implementar
Avaliar
Toda e qualquer intervenção com a qual o
enfermeiro colabora com outro membro da
equipe interdisciplinar. Essas intervenções,
também denominadas colaborativas,
re�etem uma sobreposição de papéis entre o
enfermeiro e outro pro�ssional de saúde. A
ação conjunta de ambos conquistará
melhores resultados do que a ação isolada
Por exemplo:
DE: tristeza crônica
Meta: solução
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Também denominadas intervenções
autônomas, são geralmente aquelas que o
enfermeiro sabe o porquê, quando e como
fazer e possui a perícia para realizar
Por exemplo:
DE: mucosa oral prejudicada
Meta: solução
RE: mucosa oral normal
IE: restauração da saúde oral
RE: melhora de enfrentamento com
esperança
IE: promoção de esperança*
Intervenção dependente
Toda e qualquer intervenção prescrita, que é avaliada, diagnosticada e planejada pelo médico,
mas implementada somente pela Enfermagem. Os enfermeiros, nesses casos, são responsáveis
por:
Explicar o tratamento
Coletar dados relevantes da intervenção
Observar e avaliar a necessidade da intervenção
Por exemplo:
DE: dor crônica
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Meta: aceitação
RE: dor crontrolada
IE: gerenciamento da dor**
* Esta IE pode ser realizada por um enfermeiro, mas, quando em conjunto com um psicólogo, terá
força estratégica maior e poderá alcançar mais rápido os resultados desejados. Vale ressaltar que nas
intervenções interdependentes, ou colaborativas, não há hierarquia, pois ambos os membros da
equipe estão em patamar igual no processo de alcance de resultados.
**As intervenções para controle da dor terão itens como analgesia na prescrição médica.
Há uma ligação direta entre as metas e os resultados, isto é, aonde se
quer chegar com intervenções e interdisciplinaridade. Assim, o cuidado,
essência da Enfermagem, soma-se à assistência, essência da atuação da
equipe interdisciplinar.
 Como usar uma Intervenção de Enfermagem
As IE são claras para descrever os fenômenos de interesse para a atuação e,
muitas vezes, vertem sobre observações ou uso de conhecimentos
específicos para a efetiva intervenção. Por remeterem ao momento de
encontro do enfermeiro e seu papel complementar, fortalecem o marketing e
a identidade profissional, tornando a profissão visível. Além disso, remetem
aos domínios da prática da disciplina, respaldando-se pelos saberes da
profissão.
A importância das IE se dá pelo fato de:
Auxiliarem na demonstração do impacto que a Enfermagem tem no
sistema de saúde
Padronizarem e definirem o conhecimento prático de Enfermagem
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Auxiliarem na comunicação do tratamento entre enfermeiro de plantões,
setores ou estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS) diferentes
Possibilitarem pesquisas
Auxiliarem os gestores de Enfermagem a planejarem mais efetivamente
seus insumos, métodos e equipes, de acordo com a demanda de seus
papéis complementares
Facilitarem a anotação eficaz e a redução de glosas.
Partindo do princípio que planejar Intervenções é uma fase que impacta
na Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), esta tem um
contexto gerencial. Os fatores a serem considerados antes da escolha de
uma intervenção são:
Concordância do paciente com o resultado a ser obtido
Características específicas do Diagnóstico de Enfermagem (DE)
Enfermagem baseada na prática
Aceitação do papel complementar (conceito de cuidado livre de danos)
Capacidade técnica do enfermeiro
Existência de recursos
Capacidade de tempo da Enfermagem dimensionada
Existência de métodos que possibilitem a execução.
Um cuidado livre de danos, para a Enfermagem, extrapola o mero
componente técnico de grades elevadas e fitas de identificações, pois inclui
as consideraçõesdos componentes culturais e de testamento vital do papel
complementar.
 Atenção
A intervenção deve anular ou enfraquecer o fator relacionado ou de risco.
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Prescrições de Enfermagem
Pelas intervenções, o enfermeiro pode, finalmente, elaborar sua Prescrição
de Enfermagem, que representa o conjunto de atividades a serem realizadas
para o papel complementar em busca de um resultado. Cabe ressaltar,
porém, que uma intervenção é mais ampla do que uma prescrição (ou
atividade).
Intervenções compreendem o tratamento a ser realizado pelo enfermeiro
para melhorar os resultados do papel complementar e são utilizadas como
uma ação que leva ao alcance de um propósito (p. ex., preparar o paciente
para seguir corretamente a dieta prescrita).
Já as prescrições (ou atividades) são mais específicas, esclarecendo uma
trilha de ações que levam ao alcance da intervenção. Pautadas na ação do
enfermeiro, as prescrições descrevem qual deve ser o seu comportamento
para implementar uma intervenção, sendo utilizadas para descrever uma
ação específica (p. ex., avaliar o conhecimento atual do paciente sobre sua
dieta).
Assim, a visão das intervenções previamente discutidas ganha a
profundidade com as prescrições ou atividades complementares (Tabela
8.2).
A importância das Prescrições de Enfermagem se dá pelo fato de:
Especificarem o comportamento ou a ação da Enfermagem para
implementar uma intervenção
Expressarem um cuidado mínimo que pode alcançar o resultado
Estimularem a comunicação enfermeiro-papel complementar, por serem
mais tangíveis que metas e intervenções.
Pelo julgamento clínico, o enfermeiro consegue estabelecer as
prescrições que podem auxiliar o papel complementar diariamente. A
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Tabela 8.3 traz um exemplo de resultado de Enfermagem em um caso de
dificuldade no autocuidado para o banho.
Merece destaque um dado da tabela sobre colocar os artigos de banho
em locais nos quais o papel complementar conseguirá alcançá-los; isso fará
com que ele recupere a autoestima e auxilie no tratamento nos banhos
subsequentes.
Tabela 8.2 Exemplo de cada tipo de intervenção somado à prescrição.
Intervenção independente Intervenção interdependente
DE: mucosa oral prejudicada
Meta: solução
RE: mucosa oral normal
IE: restauração da saúde oral
Prescrição:
Monitorar condição da mucosa oral
Perguntar ao paciente sobre mudanças
no paladar
Observar mudanças na qualidade da voz
Higienizar a mucosa oral sempre que
necessário
DE: tristeza crônica
Meta: solução
RE: melhora de enfrentamento com
esperança
IE: promoção de esperança
Prescrição:
Auxiliar papel complementar a encontrar
áreas de esperança na vida
Auxiliar papel complementar a expandir
experiências espirituais
Estimular comunicação familiar
Intervenção dependente
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DE: dor crônica
Meta: aceitação
RE: dor crontrolada
IE: gerenciamento da dor*
Prescrição:
Assegurar analgesia ao papel complementar
Determinar o impacto da dor antes e após a analgesia
* As intervenções para o controle da dor terão itens como analgesia na prescrição médica.
Cuidado de Enfermagem
Partindo dos estudos de Souza et al. 1 , há duas esferas distintas do cuidado:
uma objetiva, que se refere ao desenvolvimento de técnicas e
procedimentos, e outra subjetiva, que se baseia na sensibilidade,
criatividade e intuição para cuidar de outro ser. Portanto, o cuidado,
essência da Enfermagem, utiliza, com essas duas perspectivas, a arte e a
ciência. Assim, prescrições subjetivas para uma sobrevivente de estupro,
por exemplo, justificam-se como:
Escutar ativamente desabafos ou crises existenciais do papel
complementar, acolhendo com o não verbal do corpo, demonstrando
interesse e respeito
Evitar tocar o papel complementar sem avisar ou sem autorização
prévia, para não reavivar a cena do estupro.
Tabela 8.3 Diagnóstico, meta e intervenções em caso de dificuldade no autocuidado para o
banho.
DE: dé�cit no
autocuidado para
banho
Meta:
autocuidado para
banho *
DE: dé�cit no
autocuidado para
banho
IE: banhar-se
Características
de�nidoras
encontradas no
papel
complementar**
Resultados
esperados
Fatores relacionados Prescrição
Capacidade
prejudicada de lavar
o corpo
O cliente irá lavar o
corpo
Laparotomia
exploratória
Observar e assistir
papel complementar
no banho
Capacidade
prejudicada de pegar
artigos de banho
O cliente irá alcançar
artigos de banho
  Realocar artigos de
banho em locais que
o papel
complementar já
alcance
* Considerou-se um caso clínico no qual seria possível solucionar o dé�cit do autocuidado para
banho, pois essa meta também pode ser de aceitação.
** Não estão elencadas todas as características de�nidoras do DE, somente as que criam
hipoteticamente o caso clínico.
Pequenos cuidados na prescrição, que extrapolam o biológico, têm
grande impacto no cuidado de Enfermagem, fazendo desta a profissão que
1.
cuida da essência completa do papel complementar, e não apenas de sua
queixa, patologia ou ferida biológica.
Considerações finais
O enfermeiro é o responsável por elaborar um plano de cuidados de
Enfermagem ou interdisciplinar ao papel complementar. A função do plano
é identificar rapidamente o que realizar e por que, além de possibilitar a
coordenação e a continuidade do cuidado, uma vez que o enfermeiro deve
correlacionar os estados prévio e atual do papel complementar e determinar
se houve melhora.
Se houver melhora, basta manter o plano. Se não houver, deve-se fazer
nova coleta e agrupamento de dados e elaborar um novo plano de
intervenção.
Referência bibliográfica
Souza ML, Sartor VVB, Padilha MICS, Prado ML. O Cuidado em Enfermagem – Uma
aproximação teórica. Texto Contexto Enferm. 2005;14(2):266-70.
Bibliografia
Bulecheck GM, Butcher HK, Dochterman JM. Classificação das
intervenções de enfermagem. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2010.
Waldow VR. Cuidar: uma expressão humanizadora da enfermgem. Rio de
Janeiro: Vozes; 2012.
•
•
•
Objetivos deste capítulo
Correlacionar as fases da Sistematização da Assistência de Enfermagem
com a implementação eficaz
Descrever a abordagem do enfermeiro no processo de implementação
Descrever as abordagens documentais da fase de implementação.
Palavras-chave: implementação, cuidado, documentação.
Implementação de Enfermagem
A implementação é a fase na qual o enfermeiro realiza ou delega os
cuidados necessários para alcançar os resultados dos pacientes, formada por
um tripé, como mostra a Figura 9.1.
Figura 9.1 Tripé da implementação do cuidado.
Etapas centrais
A implementação do cuidado perpassa a Sistematização da Assistência de
Enfermagem (SAE) de maneira clara, pois a SAE decide se o
estabelecimento assistencial de saúde (EAS) possui pessoas, métodos e
insumos, incluindo tempo para a realização do cuidado.
Uma vez que se opta por realizar o cuidado pautado no diagnóstico
priorizado, o enfermeiro deve assegurar o seguimento das premissas da
segurança do paciente e do cuidado livre de danos. Assim, além de uma
equipe capacitada, devem-se ter insumos em quantidade e qualidade
adequadas e estrutura para adaptações em consideração às condições
culturais, fisiológicas e familiares.
Em alguns casos, é importante que o papel complementar não seja
atendido sozinho (p. ex., quando em delírio, pois pode confundir o exame
físico com assédio ou estupro) ou que alguém do sexo oposto faça parte do
cuidado (p. ex., em caso de idosas ou adolescentes abusadas sexualmente,
escalar um técnico de enfermagem ou enfermeiro desrespeita o pudor e
pode causar temor).
A imagem apresentada na Figura 9.1 deixa claro que o cuidado
realizado pelo enfermeiro ou delegado a alguém de sua equipe somente
estará finalizado no momento da documentação.
Documentação e prontuário
Um grande problema na Enfermagem é a realização de diversas atividades
sem a devida documentação. Alguns erros comuns são apresentados nas
Figuras 9.2 a 9.5.
Em uma perspectiva positiva, as anotações de Enfermagem poderiam
ser feitas comomostram as Figuras 9.6 a 9.9.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Realização de curativo José Silva, COREn XXX
Figura 9.2 Anotação que documenta apenas a realização do procedimento, sem
elementos para a análise de resultados.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Paciente poliqueixoso José Silva, COREn XXX
Figura 9.3 Anotação que documenta apenas que o papel complementar apresentou
diversas queixas, mas não as explicita. Sem saber a queixa, é impossível determinar o que
pode ser feito para minimizá-las.
Prontuários sem anotação devem ser proibidos no cuidado de
Enfermagem, pois é impossível que o papel complementar não tenha
demonstrado nenhum sinal, sintoma ou verbalização durante um plantão.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Paciente sem queixas José Silva, COREn XXX
Figura 9.4 Anotação que documenta apenas que o papel complementar não se queixou.
Esse tipo de anotação pode levar a crer que os resultados foram alcançados, mas não se
tem base científica para afirmar que a queixa principal do papel complementar foi resolvida.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Paciente sem alterações José Silva, COREn XXX
Figura 9.5 Anotação que dá margem a diversas interpretações. Por exemplo, pode não
ter havido mudança entre o estado inicial e atual do papel complementar ou pode ser que
ele não alterou nem sequer sua posição no leito, o que representa uma Enfermagem de
baixa qualidade, entre outras inferências.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Realização de curativo em
membro inferior e tecido de
cicatrização presente, relato de
dor local pelo paciente em nível
3 (escala verbal de dor)
Curativo permanece sem
exsudato ou outras
complicações que indiquem
sinais �ogísticos
José Silva, COREn XXX
Figura 9.6 Anotação que documenta que o tecido de cicatrização está presente e que não
há sinais flogísticos, o que traz elementos para a análise de resultados.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Paciente demonstrou
irritabilidade verbal com
quantidade de medicação que
necessita tomar e queixou-se
das inúmeras vezes em que é
acordado à noite para tomá-las.
Solicitou que os horários de
suas medicações sejam revistos
José Silva, COREn XXX
Figura 9.7 Anotação que explicita as queixas do papel complementar e permite englobá-
las na questão de número de medicações prescritas e no aprazamento. Ao saber a queixa,
é possível determinar o que se pode fazer para minimizá-las.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Paciente questionou a razão
dos procedimentos, mas, ao
serem esclarecidos, colaborou
com a sua realização
mantendo-se calmo
José Silva, COREn XXX
Figura 9.8 Anotação que documenta que o papel complementar não se queixou, mas
explicita que houve tranquilidade e participação nos procedimentos. Essa anotação serve
de base para a avaliação de resultados pelo enfermeiro.
Data e hora Anotação Responsável
15/07, 19 h Paciente permanece com José Silva, COREn XXX
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condição semelhante à de sua
entrada na unidade
Uso de asas nasais e de
musculatura acessória
Assimetria na expansão
torácica
Figura 9.9 Anotação com dados concretos, que permite ao enfermeiro a decisão de
manter ou alterar o plano de cuidados ou, ainda, de encaminhar o papel complementar
para uma avaliação específica do médico ou fisioterapeuta.
 Abordagem
Um fator é imprescindível a ser destacado na implementação do cuidado é a
abordagem do enfermeiro e da equipe no momento de prestar o cuidado.
Segundo Waldow 1 , o cuidado não é meramente técnico, mas expresso por
atitudes, sendo, portanto, relacional. Dessa maneira, é, então, um processo
de encontro do enfermeiro e seu papel complementar e envolve trocas,
crescimentos, experiências, sentimentos, forças, fraquezas e mudanças.
O cuidado deve ser assumido pelo enfermeiro como um valor, ou seja,
como sua entrega social. Cuidar é a essência da profissão, e quanto mais os
enfermeiros se apropriarem dela, mais irão se empoderar no contexto
assistencial.
Para Aranha e Silva 2 , o “fazer” da Enfermagem (implementação) se
pauta em premissas como:
Gostar de gente
Deixar-se de lado pelo outro
Ser responsável
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Ter caráter
Ter o propósito de reconstruir vidas.
 Atenção
A prática de Enfermagem envolve vários domínios, mas todos seguem as necessidades do papel
complementar como centro de suas aplicabilidades.
A implementação, para Potter e Perry 3 , inicia-se logo após o
planejamento e compreende os seguintes domínios da prática de
Enfermagem:
Ajudar
Ensinar/orientar
Monitorar
Manejar situações inesperadas
Assegurar qualidade.
Nesse processo, é preciso que alguns padrões de prática sejam
assegurados, conforme mostra a Tabela 9.1.
Tabela 9.1 Padrões a serem assegurados na SAE.
Equipamento Ao terminar o planejamento, decidir os insumos necessários e:
Torná-los disponíveis
Dispô-los em local visível e de fácil acesso
Comunicar a equipe sobre a disponibilidade dos insumos
Pessoal Ao avaliar o papel complementar, decidir a quem delegar o cuidado,
•
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considerando os seguintes aspectos:
Expertise
Experiência de vida
Maturidade técnica
Maturidade emocional
Ambiente Avaliar se mudanças no local padrão de cuidados serão necessárias, como:
Disponibilizar andadores
Identi�car saídas, número do leito e banheiros com letras maiores
Alterar a disposição do mobiliário para a entrada de cadeiras de rodas
(às vezes, dos visitantes)
Previsão e
prevenção de
complicações
Estar atento aos diversos riscos a que seu papel complementar está exposto.
Ao perceber vulnerabilidade de um papel complementar, deve-se:
Detectar precocemente o risco
Adaptar suas opções de cuidado
Avaliar os benefícios versus riscos novos
Iniciar medidas de controle de riscos
1.
2.
3.
Considerações finais
É na fase de implementação que o enfermeiro, de fato, exerce seu papel.
Então, cabe questionar-se: ao terminar de preencher papéis, por que
esconder-se atrás deles em vez de mostrar seu papel ao paciente por meio
da realização relacional de cuidados?
Referências bibliográficas
Waldow VR. Cuidar: expressão humanizadora da enfermagem. Petrópolis: Vozes; 2006.
Aranha MF, Silva MJP. Cuidar em enfermagem. São Caetano do Sul: Difusão; 2006.
Potter PA, Perry AG. Fundamentos de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2009.
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Objetivos deste capítulo
Correlacionar as fases da Sistematização da Assistência de Enfermagem
com a avaliação contínua do cuidado
Descrever a abordagem do enfermeiro no processo de avaliação
contínua.
Palavras-chave: avaliação, resultados alcançados, tomada de decisão,
passagem de plantão com base na Sistematização da Assistência de
Enfermagem.
Etapa do SAE: 5.
Etapa do PE: 9.
Avaliação de Enfermagem
A avaliação de Enfermagem é um processo deliberado e sistemático. Por
ser deliberado, indica que o enfermeiro está aberto a ele e procura realizá-lo
a cada contato com o papel complementar. E, por ser sistemático, envolve
aspectos de qualidade, econômicos e culturais que, se comparados com a
história anterior, podem dar indícios tangíveis da melhora ou não do caso
clínico.
Vale ressaltar que a avaliação de Enfermagem é sempre contínua, isto é,
independentemente fase da Sistematização da Assistência de Enfermagem
(SAE) ou do Processo de Enfermagem (PE), sua atenção deve estar voltada
ao papel complementar, a fim de validar os achados ou encontrar novos
dados relevantes. A eficácia da SAE, em sua fase final, está diretamente
relacionada com a qualidade das anotações realizadas durante o período que
a avaliação abarca.
 Cuidado contínuo
A avaliação é planejada, contínua e aborda o papel complementar com uma
comparação das condições em que ele chegou ao enfermeiro e de como se
encontra agora. É nesse momento que os resultados e critérios vistos no
Capítulo 7 | Planejamento Metas e Resultados passam a ter sentido, pois
servirão de base para uma reflexão e conclusão precisa pelo enfermeiro
sobre as mudanças das condiçõesdo papel complementar causadas pelas
intervenções e prescrições de Enfermagem.
Uma visão geral sobre as semelhanças das etapas de coleta de dados e
avaliação contínua é apresentada na Tabela 10.1.
Mesmo sendo o último passo da SAE e do PE, a avaliação não encerra o
processo ou sistema, uma vez que serve de base para o planejamento do
próximo período. Havendo indícios de melhora, o enfermeiro toma a
decisão de manter o plano; ou, se não houver, uma nova diagnose deve ser
feita para a elaboração de um plano de ação mais centrado no real problema
do papel complementar.
As Tabelas 10.2 a 10.4 apresentam as diferenças entre mobilidade
normal e prejudicada, dor controlada e crônica e enfrentamento comum e
defensivo.
O próximo passo do enfermeiro é priorizar o DE, devendo considerar
que a mobilidade física prejudicada se deve a uma condição associada que
ele não pode reverter. O risco de quedas é inerente, mas trata-se de um
protocolo institucional. A dor será tratada por medicamentos e pode piorar
se o paciente não utilizar apoios para caminhar. Dessa maneira, deve-se
priorizar o enfrentamento defensivo, pois, se o paciente utilizar o apoio para
caminhar, não terá fator precipitante para a dor e o risco de quedas estará
controlado.
Tabela 10.1 Semelhanças das etapas de coleta de dados e avaliação contínua.
  Coleta de dados Avaliação contínua
Quando Antes das intervenções Após as intervenções
Propósito Elaborar o plano de intervenções
por meio da priorização do DE
Avaliar o alcance dos DE
Determinar condição atual Comparar a nova condição com a
anterior
DE: Diagnóstico de Enfermagem.
 Para re�etir
Sr. J.C., 80 anos, fazendo acompanhamento médico por doença articular degenerativa no joelho
esquerdo, consciente, pouco comunicativo e demonstrando certa timidez ou incômodo,
informou sentir dores no joelho há 6 anos, tendo contado aos familiares somente há 3 anos. Ao
ser questionado sobre o motivo de não ter contado, relatou que não queria parecer fraco, por ter
de ser o provedor – sua família é composta por V., 73 anos, sem problemas crônicos de saúde; F.,
46 anos, casado, criador de pássaros e morador em local próximo de J.C.; e, M., 43, empresário,
solteiro, que vive com J.C. e V.
Sr. J.C., 80 anos, fazendo acompanhamento médico por doença ar ticular degenerativa no
joelho esquerdo, consciente, pouco comunicativo e demonstrando certa timidez ou incômodo,
informou sentir dores no joelho há 6 anos, tendo contado aos familiares somente há 3 anos. Ao
ser questionado sobre o motivo de não ter contado, relatou que não queria parecer fraco, por ter
de ser o provedor – sua família é composta por V., 73 anos, sem problemas crônicos de saúde; F.,
46 anos, casado, criador de pássaros e morador em local próximo de J.C.; e, M., 43, empresário,
solteiro, que vive com J.C. e V.
O paciente deambula com di�culdade, pois falta produção do liquido sinovial no joelho e
ele não dobra mais a perna. Recusa-se a usar qualquer tipo apoio (p. ex., bengala), alegando dor
não tão forte e que, se caminhar devagar, chega aonde quiser. Demonstra irritabilidade quando
ouve do enfermeiro que, em seu caso, a bengala é imprescindível, e não mais uma opção.
No exame físico, deambulou com di�culdade e lentamente, necessitando apoiarse no
mobiliário para caminhar em razão de um certo tremor. Aparentou apresentar dor e colocou a
mão no joelho no mesmo momento.
Observando-se profundamente o caso, pode-se construir a seguinte diagnose para o
paciente: mobilidade física prejudicada, risco de quedas, dor crônica e enfrentamento defensivo.
Tabela 10.2 Características da mobilidade.
Mobilidade normal Mobilidade prejudicada
Marcha coordenada Alteração na marcha
Postura estável Instabilidade postural
Caminha com facilidade Movimentos lentos
Equilíbrio no movimento Tremor induzido pelo movimento
Queda controlada Risco de quedas
Nesse caso, o enfermeiro deve formular as intervenções e prescrições
para enfrentamento defensivo e implementar o protocolo de queda e
analgesia, como demonstrado na Tabela 10.5. Quanto mais essas condições
estiverem presentes, mais perto o paciente estará da meta e dos resultados e
mais distante estará do DE.
Para mensurar a eficácia da intervenção, a avaliação deve ser feita a
cada contato com o papel complementar. Um PE bem feito, com tempo e
recursos propícios, permite que sejam identificados DE consistentes, que
sirvam de base para o planejamento de um cuidado eficaz. No momento da
avaliação, certamente o enfermeiro encontrará o papel complementar em
condições melhores que as de anteriormente.
Tabela 10.3 Características da dor.
Dor controlada Dor crônica
Reconhece os fatores precipitantes da dor Alteração na capacidade de continuar
atividades prévias (p. ex., deambular)
Utiliza medidas preventivas Evidências de dor
Verbaliza dor controlada Verbalização de dor
Tabela 10.4 Características do enfrentamento.
Enfrentamento comum Enfrentamento defensivo
Verbaliza necessidade de ajuda Atitude de superioridade
Aceitação da realidade Realidade distorcida
Redução de sentimentos negativos Hipersensibilidade à crítica
Redução de sintomas de estresse Hostilidade instalada
Tabela 10.5 Intervenções e prescrições para enfrentamento defensivo.
Fatores Intervenções e prescrições
Expectativas não realizadas sobre si
mesmo
Encorajar relações com pessoas que possuem os
mesmos interesses e metas
Con�ito entre autopercepção e
valores
Encorajar o paciente a identi�car uma descrição realista
da situação
Medo de humilhação Expor o paciente a situações nas quais receberá
feedbacks positivos de outras pessoas
Medo do fracasso Compreender o que o paciente de�ne como situações
de estresse
A Enfermagem pode relatar e demonstrar seu valor agregado à
sociedade: melhoria nas condições de saúde e respostas aos dilemas de
vida.
Considerações finais
A avaliação deve ser um ato consciente do enfermeiro em todo contato com
seu papel complementar. É importante que as características definidoras
sejam avaliadas a cada vez em que se entra no leito ou se vai até a
comunidade para que seja possível mensurar eventuais mudanças em sua
condição. Essas avaliações auxiliam na definição e na tomada de decisão de
continuidade em um mesmo plano de cuidados ou na reformulação de um
novo plano.
Bibliografia
Alfaro-LeFevre. Critical thinking and clinical judgment – a practial
approach. Florida: Saunders; 2001.
Wilkinson JM. Nursing process and critical thinking. New Jersey: Pearson
Education; 2007.
•
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Objetivos deste capítulo
Conceituar o Processo de Enfermagem
Descrever o raciocínio clínico e a condução das Avaliações de
Enfermagem.
Palavras-chave: processo de Enfermagem, raciocínio clínico, condução
das Avaliações de Enfermagem.
Diagnóstico de Enfermagem
Apesar da crença de que o Processo de Enfermagem (PE) é uma questão de
raciocínio clínico, deve-se esclarecer que não se trata de um processo linear.
O raciocínio clínico é uma habilidade que o enfermeiro desenvolve com o
tempo, conforme aprende mais sobre os focos e conceitos de importância na
Enfermagem e torna-se mais preparado para a avaliação, entrevistando o
papel complementar e reunindo informações para formar um “quadro
mental” do que está acontecendo.
Uma das maiores dificuldades com a qual enfermeiros e estudantes de
Enfermagem se deparam é a necessidade de “filtrar” grandes quantidades
de informações a fim de obter aquelas que sejam úteis para proporcionar o
melhor cuidado ao papel complementar. Os enfermeiros são instruídos a
reunir informações e, a partir delas, reconhecer indícios importantes e
aproveitá-los para a elaboração de um Diagnóstico de Enfermagem.
Infelizmente, porém, há a crença de que um livro ensinará um plano de
cuidados que sirva a todo papel complementar com uma determinada
condição clínica.
Se um médico diagnosticasse todos os pacientes com dor torácica como
tendo um infarto agudo do miocárdio (IAM) e imediatamente os
encaminhasse para um cateterismo cardíaco, sem coletar quaisquer dados
adicionais, provavelmenteteria sua conduta questionada. Embora um papel
complementar com dor no tórax possa ter um IAM, ele também pode estar
com indigestão grave ou dor muscular por levantar muito peso, por
exemplo. Portanto, exatamente como se espera dos médicos, o enfermeiro
deve considerar um conjunto de dados antes determinar padrões que
indiquem um diagnóstico.
No âmbito médico, diz-se que é raro encontrar um “bom
diagnosticador”, embora seja fácil encontrar grandes médicos
intervencionistas. Isso significa que muitos médicos estão bastante
habilitados para tratar condições depois que elas forem identificadas, mas
poucos conseguem identificar o problema – especialmente quando se trata
de uma condição comum. Isso acontece porque o raciocínio clínico requer
excelentes habilidades interpessoais (para que o paciente fique confiante e
se abra com o profissional) e de avaliação (para coletar os dados físicos e
psicossociais necessários), bem como um conhecimento significativo dos
fenômenos concernentes à disciplina do profissional. Assim como um
médico precisa entender a diferença entre IAM e angina instável, o
enfermeiro precisa entender a diferença entre fadiga e intolerância à
atividade.
De fato, é impossível aplicar verdadeiramente o PE antes de se
compreender os conceitos centrais da disciplina de Enfermagem. Como
saber o que é anormal quando não se tem uma base das respostas humanas
normais? Como saber identificar intolerância à atividade quando se não
sabe o que é, por que é importante e como identificá-la?
Quando não se conhece as respostas humanas normais e os métodos
para avaliá-las e confirmá-las, é muito difícil – se não impossível – saber o
que procurar entre as informações para encontrar o que é anormal
(diagnóstico focado no problema), o que é uma vulnerabilidade do papel
complementar (diagnóstico focado no risco) e o que é uma oportunidade
para promover bem-estar (diagnóstico para promoção da saúde).
A condução de uma avaliação do papel complementar requer
habilidades intelectuais e interpessoais. O enfermeiro deve trabalhar
constantemente para melhorar as habilidades de avaliação, a fim de se
tornar capaz de diagnosticar com acurácia e eficiência e de desenvolver um
plano para proporcionar cuidado de Enfermagem excelente. Quando não se
conhece a maioria das respostas normais, pode-se proporcionar muitos
cuidados sem, no entanto, tratar aquilo que o papel complementar mais
precisa e, consequentemente, sem alcançar os melhores resultados. Apenas
coletando dados suficientes e convertendo-os em informação pode-se fazer
um DE acurado e um plano realista de cuidados centrado no paciente.
Os enfermeiros diagnosticam respostas humanas em condições de
saúde/processos vitais ou uma vulnerabilidade para aquela resposta, e o
diagnóstico fornece a base para a escolha das Intervenções de Enfermagem
de modo a obter resultados sobre os quais o enfermeiro tem
responsabilidade. 1 É importante ressaltar que os enfermeiros não
diagnosticam doença, lesão física ou psicológica, nem sintomas. Eles veem
como indivíduos, famílias e comunidades respondem a ameaças e riscos,
problemas reais de saúde ou mudanças de vida e utilizam seu potencial para
expandir o bem-estar mediante a promoção da saúde.
Cada ser humano é único, cada família responde de maneira diferente a
situações semelhantes e cada comunidade tem pontos fortes e fracos e está
sujeita a riscos diversos. Assim, os enfermeiros diagnosticam observando os
pacientes de acordo com a visão da Enfermagem, com um entendimento
sólido dos fenômenos condizentes com ela e aplicando seu conhecimento
no cuidado.
Não se diagnosticam pacientes puramente com base em condições
clínicas, procedimentos ou informação. Em vez disso, observa-se a maneira
como eles respondem a esses aspectos e diagnostica-se com base nas
informações obtidas durante as avaliações e entrevistas feitas com o
paciente, sua a família ou a comunidade, por exemplo.
 Avaliações de Enfermagem
Em qualquer tipo de avaliação, há dois tipos de dados que devem ser
obtidos: subjetivos e objetivos. Os dados subjetivos são descritos em relatos
verbais do papel complementar e incluem suas percepções sobre sua saúde,
seu conforto, suas crenças, seus valores etc. Os enfermeiros coletam os
dados subjetivos em entrevistas ou a partir do que se sabe de acordo com a
obtenção da história (a anamnese); por isso, a capacidade de ouvir e
compreender é um pré-requisito para os enfermeiros obterem dados
subjetivos. Questões abertas também são críticas, em particular para
completar uma avaliação mais profunda quando são identificados dados
potencialmente anormais.
Dados objetivos são aqueles que os enfermeiros observam no papel
complementar durante o exame físico e a revisão dos resultados dos exames
diagnósticos. Para obter dados objetivos confiáveis e acurados, os
enfermeiros precisam estar aptos a realizar o exame físico e administrar
recursos e dispositivos biotecnológicos para obter dados fisiológicos.
Além de conhecer esses dados, é importante entender duas formas
diferentes de avaliação: triagem e avaliação profunda. Ambas são críticas,
mas têm propósitos e aplicações diferentes na Enfermagem.
Inicia-se a avaliação do papel complementar com uma triagem e, então,
faz-se uma avaliação mais profunda com base em conhecimentos prévios.
As avaliações de triagem costumam ser feitas a partir de formulários (em
papel ou gráficos eletrônicos) nos quais são coletados dados pré-
especificados sobre todos os papéis complementares que entram no sistema
de saúde por meio de um ponto de acesso particular (p. ex., clínica
comunitária, setor de emergência, ambulatório cirúrgico, atendimento
domiciliar). Essa avaliação inicial pode incluir recursos padronizados de
triagem ou escalas, como o Miniexame do Estado Mental (MEEM), para a
triagem de demência e outros distúrbios cognitivos 2 , ou a Escala John
Hopkins de Risco de Avaliação de Queda (Johns Hopkins Fall Risk
Assessment – JH-FRAT), para avaliar tanto o risco de queda quanto o de
lesão relacionada com queda em idosos hospitalizados. 3
Algumas avaliações de triagem podem ser baseadas em uma teoria ou
modelo de enfermagem, como a de Wanda Horta 4 , e, em outras, pode-se
usar um sistema de revisão corporal. Além disso, podem ser feitas
perguntas direitas, como: “Você se sente seguro em sua casa?”. Nessas
avaliações, o enfermeiro utiliza um recurso de avaliação padronizado,
completando com uma avaliação geral do papel complementar e de seu
estado psicossocial, espiritual, fisiológico e cultural. No entanto, mesmo
após a finalização dessa etapa, a avaliação ainda não está completa – ela
está apenas começando.
A revisão dos dados coletados durante essa avaliação de triagem deve
levar o enfermeiro a fazer mais perguntas, o que requer um
acompanhamento, um olhar mais crítico. Dependendo da sua familiaridade
com as respostas humanas, ele poderá formular algumas hipóteses sobre
diagnósticos potenciais com base nos dados coletados até esse momento.
Essas hipóteses, somadas ao conhecimento do enfermeiro sobre os
fenômenos que dizem respeito à Enfermagem, devem direcionar o segundo
tipo de avaliação, a avaliação em profundidade. Para tanto, é fundamental
que os enfermeiros realmente entendam os conceitos condizentes a
disciplina – quando se compreende de fato o equilíbrio energético, começa-
se a ter um entendimento das consequências da fadiga. Saber que o papel
complementar não tem um nível normal de tolerância à atividade, por
exemplo, ajuda a explorar outras questões com ele.
Além de coletar dados para identificar o DE, o enfermeiro também deve
eliminar ou confirmar suas hipóteses atuais. Não basta identificar
sinais/sintomas ou definir características dos diagnósticos, deve-se conhecer
a etiologia para lidar melhor com eles. Quando as intervenções são
baseadas nas causas ou nos fatores contribuintes dos DE, geralmente são
mais efetivas que simplesmente o controle dos sintomas.
Quando se tem um conhecimento sólido dos conceitos de Enfermagem,
enxergam-se os dados de maneiradiferente, transformando-os em
informações e observando como se juntam para formar padrões que
identificam o que o papel complementar está sentindo.
Considerações finais
O PE e o raciocínio clínico não são processos lineares; ambos são
interativos, dinâmicos e, à medida que mais dados são identificados ou a
condição do paciente se altera, os diagnósticos também podem mudar, e
igualmente a prioridade de cuidados.
A avaliação e o diagnóstico acurado têm enorme importância para a
qualidade dos resultados do paciente; eles são componentes do papel
1.
2.
3.
4.
profissional da Enfermagem e requerem um profundo entendimento dos
conceitos em que se baseiam os DE. O cuidado centrado no papel
complementar requer que ele e também seus familiares sejam tratados como
únicos, reconhecendo a complexidade das respostas humanas. Quando se
coletam dados para obter informações importantes, devem-se considerar os
DE potenciais e, então, validar e priorizar o cuidado mediante a aplicação
da avaliação, o que demonstra o significado de ser um enfermeiro
profissional.
Referências bibliográficas
Herdman TH, Kamitsuru S (eds.). NANDA International nursing diagnoses: definitions and
classification, 2015-2017. Oxford: Wiley; 2014.
Laks J, Baptista EMR, Contino ALB, Paula EOD, Engelhardt E. Mini-Mental State
Examination norms in a community-dwelling sample of elderly with low schooling in Brazil.
Cadernos de Saúde Pública. 2007;23(2):315-19.
Martinez MC, Iwamoto VE, Latorre MDRDD, Noronha AM, Oliveira APDS, Cardoso CEA et
al. Transcultural adaptation of the Johns Hopkins Fall Risk Assessment Tool. Revista Latino-
Americana de Enfermagem. 2016;24:e2783-e2783.
Gimenes FRE, Reis RK, da Silva PCDS, de Camargo Silva AEB, Atila E. Nursing assessment
tool for people with liver cirrhosis. Gastroenterology Nursing. 2016;39(4):264.
•
•
Introdução
Em 1973, foi realizada em St. Louis, Missoury, EUA, a primeira
conferência sobre Diagnóstico de Enfermagem (DE), a fim de identificar o
novo conhecimento da área e estabelecer um sistema de classificação
adequado para os meios eletrônicos. A partir dessa conferência, foi criado o
Grupo Nacional para a Classificação dos Diagnósticos de Enfermagem.
A autora começou uma relação com o DE na conferência seguinte, em
1975. Na quinta conferência nacional nos EUA, a organização mudou o
nome para North American Nursing Diagnostic Association; depois, ela foi
denominada North American Nursing Diagnostic Association –
International (NANDA-I). A classificação das atividades na NANDA-I foi
instrumental ao definir o conjunto exclusivo de conhecimento de
Enfermagem.
Sem uma terminologia padrão, é difícil:
Definir as responsabilidades da profissão
Definir o arcabouço do ensino da Enfermagem
•
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•
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Avaliar os dados clínicos quanto à melhoria da qualidade
Avaliar os dados clínicos para pesquisa
Diferenciar a Enfermagem de outras profissões da área de saúde. Então,
esse sistema unificado de terminologia:
Fornece uma linguagem consistente para a comunicação oral, escrita e
eletrônica
Estimula os profissionais de Enfermagem a examinarem o novo
conhecimento
Estabelece um sistema para automação e reembolso
Permite a recuperação eficiente de informação para pesquisa e garantia
de qualidade
Mostra com clareza a Enfermagem como uma arte e uma ciência para
seus membros e para a sociedade
Estabelece padrões pelos quais os profissionais de Enfermagem são
responsáveis.
 Para analisar
A medicina usou um sistema de classi�cação para ensinar sua ciência, fazer pesquisa e
comunicar problemas individuais a outras disciplinas. Então, a Enfermagem também precisa ter
uma linguagem padronizada.
Em “Condições que requerem cuidados de Enfermagem”, no Apêndice,
há uma lista de DE agrupados por padrão de saúde funcional.
Barreiras ao uso do Diagnóstico de Enfermagem
O DE é definido pela NANDA-I como um julgamento clínico relativo à
resposta humana a condições de saúde/processos vitais ou vulnerabilidade
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por um indivíduo, família, grupo ou comunidade.
A seguir, são exemplificadas algumas opiniões de enfermeiros a
respeito do DE:
Gasto de tempo maior do que planos de cuidados não lidos
Inespecífico para aspectos individuais
Desnecessário para enfermeiros experientes
Descreve cuidados de rotina
Prioriza “problemas fisiológicos”
Menos importante que o diagnóstico médico
Profissionais de Enfermagem podem ver-se como assistentes do
médico, e não como profissionais independentes.
Linguagem dos enfermeiros (antes do DE)
Antes do DE, a linguagem dos enfermeiros para descrever indivíduos
doentes era seu diagnóstico clínico, por exemplo:
Diabetes melito
Pneumonia
Fibrose cística
Hipertensão
Uso abusivo de substâncias
Placenta prévia
Débito bipolar
Câncer pulmonar.
Ou seu procedimento/tratamento, como:
Diálise renal
Cateterismo cardíaco
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Corte em C
Mastectomia
Quimioterapia
Colostomia.
O conhecimento da fisiopatologia, dos diagnósticos clínicos,
procedimentos e tratamentos é fundamental para o fornecimento de
cuidados de Enfermagem competentes e de excelência. Os enfermeiros
precisam saber que as intervenções são indicadas por causa de um
diagnóstico clínico, tratamento ou procedimento e também precisam ser
experts na monitoração e detecção de alterações precoces na estabilidade
fisiológica ou psicológica do paciente. A detecção precoce pode, inclusive,
prevenir morbidade ou mortalidade.
 Atenção
O conhecimento da �siopatologia e dos diagnósticos clínicos, procedimentos e tratamentos não
é su�ciente para proporcionar cuidados de Enfermagem competentes e de alta qualidade.
Classificam-se os comportamentos problemáticos como:
Difícil
Deprimido
Irado
Não cooperativo
Triste.
 Para analisar
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Comportamentos ou respostas problemáticas podem representar ansiedade e medo mal
compreendidos. Esses sintomas não podem direcionar as intervenções até serem vinculados a
uma resposta real e à situação que contribuiu para o seu surgimento.
Antes de identificar os DE, os enfermeiros descreviam os
comportamentos como:
Incapacidade de vestir-se
Propensão à infecção
Dificuldade para escolher as opções terapêuticas
Problemas com a amamentação ao seio
Disfunção familiar
Estresse para cuidar de uma pessoa idosa da família.
Dilemas de estudantes ao usarem DE
Embora as referências ao DE tenham aumentado desde o primeiro encontro
em 1973 (que acabou se tornando a NANDA e, depois, a NANDA-I), os
profissionais de Enfermagem não têm visto aplicações eficientes e úteis. Os
estudantes lidam com planos de cuidados e têm os DE rejeitados pelos
enfermeiros.
Os planos de cuidados de estudantes têm um propósito diferente dos
planos de diagnóstico clínico, como mostra a Tabela 12.1.
Tabela 12.1 Diferença dos planos de cuidados de estudantes e dos planos de diagnóstico
clínico.
Planos de cuidados de estudantes Planos de diagnóstico clínico
Criados para uso do estudante Criados para o próximo enfermeiro cuidar do
paciente
Podem ser manuscritos ou impressos
eletronicamente
Farão parte de um sistema de documentação
eletrônica
Têm justi�cativa para intervenções Não têm justi�cativa
Atividade de aprendizado geralmente focada
na necessidade esperada de cuidados
Recurso clínico que pode indicar intervenções
adicionais indicadas para um indivíduo
 Atenção
Os planos de cuidados clínicos (impressos ou eletrônicos) devem ser compostos pelas
intervenções esperadas necessárias para o enfermeiro diagnosticar os problemas relacionados
com a condição, o procedimento ou o tratamento e colaborar para sua solução; este é o plano de
cuidados previsto. Na prática, enfermeiros não devem fazer este tipo de plano, o qual deve ser
impresso previamente. O cuidado previsto é a predição cientí�ca da assistência de Enfermagem,
necessária por causa de uma condição, um procedimento ou um tratamento. É possível
acrescentar DE adicionais ou colaborar para a solução de um problema ao plano previsto, se
outras intervenções estiverem indicadas.
Dilemas dos enfermeirosde apoio para o uso dos DE
Até enfermeiros que apoiam com veemência o DE podem ficar frustrados
quando tentam utilizá-lo para descrever todos os problemas do indivíduo.
Algumas dificuldades que resultam de sua aplicação são descritas a seguir.
Uso de DE sem validação
Quando o enfermeiro faz um diagnóstico, pode usar apenas frases rotuladas
ou diagnósticas, sendo estimulado a “mudar os dados para se adaptar ao
rótulo”. Por exemplo, utilizar a categoria “nutrição não balanceada” para
todos os indivíduos que não podem receber alimentação oral ou “risco de
lesão”, porque abrange todas as situações particularmente lesivas, como
sangramento, dificuldade respiratória etc.
Renomear diagnósticos clínicos
Um componente importante da prática do enfermeiro é a monitoração do
início e do estado das complicações fisiológicas, além de colaborar com o
médico nas intervenções. A morbidade e a mortalidade são reduzidas e
prevenidas graças à habilidade e à experiência dos profissionais de
Enfermagem.
Quando um DE é usado para descrever todos os problemas existentes ou
potenciais que um enfermeira pode encontrar na prática clínica, cria-se uma
terminologia vaga para renomear diagnósticos clínicos ou complicações
clínicas de diagnósticos, tratamentos ou procedimentos clínicos. A Tabela
12.2 apresenta exemplos representativos de mau uso de diagnósticos
clínicos e de sua renomeação.
Tabela 12.2 Erros diagnósticos: renomear diagnósticos médicos com a terminologia de
Enfermagem.
Diagnóstico médico Diagnóstico de Enfermagem
Infarto do miocárdio Débito cardíaco diminuído
Choque Débito cardíaco diminuído
Di�culdade respiratória do adulto Comprometimento da troca de gases
Doença pulmonar obstrutiva crônica Comprometimento da troca de gases
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Asma Comprometimento da troca de gases
Doença de Alzheimer Comprometimento da perfusão tecidual
cerebral
Aumento da pressão intracraniana Comprometimento da perfusão tecidual
cerebral
Descolamento da retina Alteração da percepção sensorial (visual)
Queimaduras térmicas Comprometimento da integridade tecidual
Incisões, lacerações Comprometimento da integridade cutânea
Hemorragia De�ciência do volume de líquido
Insu�ciência cardíaca congestiva Excesso do volume de líquido
Distúrbio bipolar Di�culdade para enfrentar problemas
Placenta prévia Risco de distúrbio ou morte materno-fetal
O exame da substituição da terminologia do DE por diagnósticos clínicos
ou pela fisiopatologia dá origem a alguns questionamentos:
Os DE descrevem todas as situações em que os enfermeiros intervêm?
Se uma situação não é denominada um DE, ela é menos importante ou
menos científica?
De que maneira será útil para a profissão renomear diagnósticos clínicos
como DE?
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Usar os exemplos da tabela melhora a comunicação e esclarece a
Enfermagem?
 Atenção
Os DE não devem substituir a seguinte terminologia:
Sangramento
Insu�ciência renal
Fraturas
Úlceras gástricas
Concussão
Complicações da gravidez
Depressão
Distúrbios de personalidade.
Omissão de situações problemáticas na documentação
Se um sistema de documentação requer o uso exclusivamente de DE e o
enfermeiro não optou por “mudar os dados para adaptar uma categoria” ou
“renomear diagnósticos clínicos”, então não há terminologia para descrever
um componente crítico da prática de Enfermagem. A falha em descrever
essas situações pode prejudicar seriamente o esforço da Enfermagem para
justificar e afirmar a necessidade de enfermeiros profissionais em todos os
contextos da assistência à saúde (Carpenito, 1986).
Planos de cuidados clínicos não utilizados
Se um sistema de documentação eletrônica requer que os enfermeiros
escolham sempre uma “rotina” ou um “padrão esperado de cuidados”,
haverá frustrações. Enfermeiros experientes, que leem os planos de
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cuidados e veem aqueles que realmente já sabem estar indicados, vão
considerá-los um desperdício de tempo.
Os sistemas eletrônicos devem conter os cuidados previstos necessários
em função da situação clínica que pode ser lida por um enfermeiro. Quando
ele determina que são necessários itens adicionais no plano de cuidados,
além dos já esperados, deve fornecer essa informação para o colega que irá
substituí-lo.
 Para re�etir
Um indivíduo é hospitalizado com síndrome coronariana aguda, mas o enfermeiro já sabe antes
de encontrá-lo que os seguintes problemas ou riscos são prioridades:
Arritmias
Ansiedade
Choque cardiogênico
Instalação à atividade
Dor
Risco de tratamento inefetivo (domiciliar).
Portanto, esses problemas já estariam em um plano de cuidados (manuscrito ou eletrônico) e,
assim, o enfermeiro poderia acrescentar outros aspectos que necessitassem de intervenção. Por
exemplo, se o indivíduo tem diabetes melito, deve-se acrescentar hipo/hiperglicemia à lista de
problemas; se um irmão do paciente morreu com síndrome coronariana aguda, essa informação
também deve ser acrescentada ao plano com um DE de ansiedade.
Modelo de Prática Clínica Bifocal
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Trata-se do foco duplo do conhecimento e dos cuidados de Enfermagem, de
entendimento da fisiopatologia das complicações clínicas e associadas e de
tratamentos de enfermagem para:
Monitorar as respostas do indivíduo aos tratamentos
Detectar alterações precoces no estado fisiológico
Consultar profissionais médicos para o tratamento apropriado e/ou
iniciar os protocolos.
O entendimento da arte e da ciência da Enfermagem pode:
Reduzir os fatores de risco e, consequentemente, evitar problemas
Promover estilos de vida saudáveis
Ajudar ativamente indivíduos/famílias/comunidades a reduzir ou
eliminar problemas.
O conhecimento teórico de Enfermagem deriva das ciências naturais,
físicas e do comportamento, bem como das ciências humanas e da pesquisa
em Enfermagem. Enfermeiros podem usar várias teorias na prática, como
sistemas familiares, perdas, crescimento e desenvolvimento, intervenção em
crises e teorias gerais de sistemas.
A diferença entre a Enfermagem e as outras disciplinas da área de saúde
está na profundidade e na amplitude do foco da profissão. Certamente, o
nutricionista tem mais conhecimento no campo da nutrição e, o
farmacêutico no da farmacologia terapêutica, do que qualquer enfermeiro.
No entanto, todo profissional de Enfermagem tem conhecimento de
nutrição e farmacologia em suas interações, e a profundidade desse
conhecimento é suficiente para muitas situações clínicas; quando é
insuficiente, faz-se necessária uma consulta. Nenhuma outra disciplina tem
esse conhecimento variado, explicando por que a tentativa de substituir
outras disciplinas pela Enfermagem provaram ser onerosas e, por fim, mal
sucedidas. A Figura 12.1 ilustra essa expertise variada.
O Modelo de Prática Clínica Bifocal (Carpenito, 1986) representa
situações relacionadas a indivíduos, grupos e comunidades, bem como a
classificação de suas respostas na perspectiva da Enfermagem. As situações
estão classificadas em cinco amplas categorias (fisiopatológica,
relacionadas com o tratamento, pessoais, ambientais e da maturidade),
como mostra a Figura 12.2. Sem um entendimento dessas situações, o
enfermeiro não será capaz de diagnosticar respostas e intervir da maneira
apropriada.
Clinicamente, essas situações são muito importantes para enfermeiros.
Portanto, à medida que o DE evolui, os profissionais tentam substituir a
terminologia da Enfermagem em algumas situações clínicas (p. ex.,
integridade tecidual comprometida em vez de queimaduras e risco de lesão
em vez de diálise). Enfermeiros não prescrevem tratamento para essas
condições (queimaduras e diálise), quem faz isso é o médico, mas é a
Enfermagem que prescreve e institui o tratamento para as respostas a essas
situações.
Figura 12.1 Conhecimento multidisciplinar de tópicos selecionados.
Figura 12.2 Exemplos das cinco categorias amplas: fisiopatológicas, relacionadas com o
tratamento, pessoais, ambientais e da maturidade.
O foco da prática da Enfermagem clínica é o nível da resposta, não da
situação. Por exemplo, um indivíduocom queimaduras pode exibir uma
ampla variedade de respostas a elas e aos tratamentos. Algumas podem ser
previstas, como o risco de infecção, e outras, como o medo de perder o
emprego, podem ser imprevisíveis.
No passado, enfermeiros tinham como foco as intervenções associadas
ao tratamento das queimaduras, não às respostas individuais do indivíduo.
 Para re�etir
Isso resultou na descrição de enfermeiros como “fazedores”, e não como “conhecedores”; como
técnicos, em vez de cientistas.
•
 Diagnósticos de Enfermagem e problemas colaborativos
O Modelo de Prática Clínica Bifocal descreve os dois focos da Enfermagem
clínica: DE e problemas colaborativos.
Um diagnóstico de Enfermagem é um julgamento clínico sobre
respostas individuais, familiares ou da comunidade a
problemas de saúde reais ou potenciais/processos vitais. O
diagnóstico de Enfermagem fornece a base para a escolha de
intervenções de Enfermagem no intuito de obter resultados que
são da responsabilidade da Enfermagem. (NANDA, 2009)
Problemas colaborativos são certas complicações fisiológicas
que os enfermeiros monitoram para detectar seu início ou
alterações nas condições. Os enfermeiros tratam os problemas
colaborativos usando intervenções prescritas pelo médico ou
pela Enfermagem para minimizar as complicações dos eventos.
(Carpenito, 1986)
A Figura 12.3 ilustra o Modelo de Prática Clínica Bifocal.
O enfermeiro toma decisões independentes quanto aos problemas
colaborativos e aos DE. A diferença é que, nos DE, ele prescreve e
implementa o tratamento definitivo para atingir o objetivo esperado,
enquanto nos problemas colaborativos os tratamentos são prescritos por
médicos* e implementados por enfermeiros. Algumas complicações
fisiológicas (p. ex., risco de infecção ou de aspiração e úlcera de pressão)
são DE porque enfermeiros podem designar o tratamento definitivo.
Já no caso dos problemas colaborativos, o enfermeiro:
Aplica o plano prescrito pelo médico
•
•
Utiliza a vigilância para monitorar o início e a alteração no estado das
complicações fisiológicas
Implementa intervenções (de enfermagem e médicas) para essas
alterações, de modo a prevenir morbidade e mortalidade.
Essas complicações fisiológicas, em geral, estão relacionadas com
doença, traumatismo, procedimentos (p. ex., cirurgia), tratamentos,
medicações ou exames diagnósticos. Portanto, os problemas colaborativos
podem ser rotulados como risco de complicações** (p. ex., risco de
complicações hemorrágicas ou de insuficiência renal).
Figura 12.3 Modelo de prática clínica bifocal. (©1985, Lynda Juall Carpenito)
No entanto, a monitoração não é a única responsabilidade da
Enfermagem nos problemas colaborativos. Além de monitorar um
indivíduo com aumento da pressão intracraniana, por exemplo, o
enfermeiro também restringe certas atividades, mantém a cabeça do
paciente elevada, implementa o esquema terapêutico e avalia continuamente
as necessidades psicossociais e educacionais do indivíduo.
A Tabela 12.3 apresenta alguns problemas colaborativos que
comumente se aplicam a certas situações.
Tabela 12.3 Situações e problemas colaborativos correspondentes.
Situações Problemas colaborativos
Infarto do miocárdio RC de arritmias
Craniotomia RC de aumento da pressão intracraniana
Hemodiálise RC de desequilíbrio hidreletrolítico
Cirurgia RC de hemorragia
Cateterismo cardíaco RC de reação alérgica
Diabetes melito RC de hipo/hiperglicemia
Terapia anticoagulante RC de sangramento
RC: risco de complicações.
No Apêndice, há uma lista de problemas colaborativos comuns
agrupados no item “Condições que requerem cuidados de Enfermagem”.
Contudo, nem todas as complicações fisiológicas são problemas
colaborativos. Os próprios enfermeiros podem prevenir algumas
complicações fisiológicas, como infecções provenientes de fontes externas
(p. ex., ferimentos e cateteres), contraturas, incontinência e úlceras de
pressão. Portanto, tais complicações se enquadram na categoria de DE.
Intervenções de Enfermagem
São tratamentos ou ações que beneficiam um indivíduo, família ou
comunidade, prevenindo, reduzindo ou eliminando um problema ou
promovendo uma resposta saudável. As intervenções de Enfermagem
podem ser classificadas em dois tipos: prescritas pelo enfermeiro e
prescritas pelo médico ou pelo chefe de Enfermagem.*
Intervenções independentes são as prescritas pelo enfermeiro e
intervenções delegadas são as prescritas pelo médico ou pelo chefe de
Enfermagem. Entretanto, ambos os tipos requerem julgamento
independente do enfermeiro. Por lei, o enfermeiro deve determinar se é
apropriado iniciar uma intervenção, seja independente, seja delegada
(Carpenito, 1986).
Carpenito (1986) afirma que a relação do diagnóstico com as
intervenções é um elemento crítico para definir os DE. Muitas intervenções
de DE têm como foco as relações de intervenções selecionadas com os
diagnósticos. Um certo tipo de intervenção parece distinguir um DE ou
outros problemas que o enfermeiro trata.
O tipo de intervenção distingue um DE a partir de um problema
colaborativo e também diferencia risco real/alto risco e DE possíveis. A
Tabela 12.4 delineia definições de cada tipo e o foco da intervenção
correspondente.
Por exemplo, para um DE de úlcera de pressão relacionada com
imobilidade, manifestada por uma lesão epidérmica de 2 cm no calcanhar
esquerdo de um indivíduo, o enfermeiro deve instituir intervenções para
monitorar a lesão e cicatrizá-la. Em outro indivíduo com uma ferida
cirúrgica, o enfermeiro deve ter como foco a prevenção de infecção e a
promoção da cicatrização.
Tabela 12.4 Diferenciação entre os tipos de diagnósticos e problemas colaborativos.
A�rmação diagnóstica Resultado correspondente
ou objetivos colaborativos
Foco da intervenção
DE do problema
A�rmação em três partes,
incluindo o DE, a etiologia e os
sinais e sintomas
Alteração na condição de
saúde ou no comportamento
no sentido da resolução
Diminuir ou eliminar o
problema
Diagnóstico de risco/alto risco
A�rmação em duas partes,
incluindo o DE e os fatores de
risco
Manutenção das condições
atuais
Diminuir os fatores de
risco para prevenir um
problema real
Diagnóstico possível
A�rmação em duas partes,
incluindo o DE e a etiologia não
con�rmada ou as
características de�nidoras
Indeterminados até o
problema ser validado
Obter dados adicionais
para con�rmar ou excluir
sinais/sintomas ou
fatores de risco
Problemas colaborativos
Complicação �siológica
potencial ou real
Objetivos colaborativos Determinar o início ou o
estado do problema
Tratar alteração no estado com os médicos
No caso de risco de infecção, seria melhor descrever a situação, em vez
de considerar integridade tecidual comprometida.
 Atenção
Os DE não são mais importantes que os problemas colaborativos e vice-versa. As prioridades são
determinadas pela situação do indivíduo.
Um diagnóstico agrupado representa aqueles DE e problemas
colaborativos que têm alta probabilidade de ocorrer em uma situação
clínica, como pós-síndrome coronariana aguda. A Figura 12.4 representa o
diagnóstico agrupado de uma pessoa após cirurgia abdominal.
Figura 12.4 Diagnóstico agrupado para a recuperação individual de cirurgia abdominal.
Objetivos/critérios para resultados
Em um plano de cuidados de Enfermagem, os objetivos (critérios para
resultados) são “afirmações que descrevem um comportamento mensurável
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de um indivíduo, uma família ou comunidade que denotem um estado
favorável (alterado ou mantido) após os cuidados de Enfermagem terem
sido instituídos” (Alfaro-Lefevre, 2014). Os critérios para resultados
ajudam a determinar o sucesso ou a propriedade do plano de cuidados de
Enfermagem. Se o plano não alcançou um estado favorável, mesmo o
diagnóstico estando correto, o enfermeiro deve rever o objetivo ou
modificar o plano. Se nenhuma opção estiver indicada, o enfermeiro
confere com o médico ou o chefe de Enfermagem as ordens delegadas.
Os DE não representam situações que requerem ordens médicas para
tratamento. Do contrário,como os enfermeiros poderiam assumir a
responsabilidade pelo diagnóstico e pelo tratamento? Por exemplo,
considerar o descrito a seguir de um indivíduo com um DE:
Risco de comprometimento da perfusão tecidual cerebral relacionado
com os efeitos de traumatismo craniano recente:
O indivíduo demonstrará pressão cerebral contínua ótima, conforme
evidenciado por:
Pupilas igualmente reativas à luz e à acomodação
Nenhuma alteração na orientação e na consciência.
Se esse indivíduo exibisse aumento da pressão intracraniana, seria
apropriado o enfermeiro modificar os objetivos? Que alterações no plano de
cuidados de Enfermagem o enfermeiro faria para impedir que a pressão
intracraniana aumentasse?
Nenhuma ação é garantida. O enfermeiro deve checar com o médico ou
o chefe de Enfermagem as ordens delegadas para tratar o aumento da
pressão intracraniana. Quando o enfermeiro formula os objetivos ou
resultados para o paciente que requerem ordens médicas delegadas para
alcançar o objetivo, a situação não é um DE, e sim um problema
colaborativo. Nesse caso, o ideal é descrever o problema do indivíduo dessa
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maneira (p. ex., risco de complicações de aumento da pressão
intracraniana).
Resultados colaborativos
O indivíduo será monitorado quanto a sinais e sintomas precoces de
aumento da pressão intracraniana e receberá intervenções para conseguir
estabilidade fisiológica.
São indicadores de estabilidade fisiológica:
Alerta, orientado, calmo
Pupilas iguais, reativas à luz e à acomodação
Pulso de 60 a 100 bpm
Respirações de 16 a 20 mrm
Pressão arterial > 90/60 e < 140/90 mmHg
Sem náusea nem vômito
Cefaleia leve a nenhuma.
Os objetivos colaborativos representam a responsabilidade da
Enfermagem pela monitoração da instabilidade fisiológica e por
providenciar intervenções (de Enfermagem e médicas) para manter ou
restabelecer a estabilidade.
Resumo | DE e problemas colaborativos (Modelo de Prática
Clínica Bifocal)
Providenciar uma linguagem padronizada para os profissionais de
Enfermagem de todo o mundo
Descrever o âmbito da prática para estudantes e enfermeiros
Possibilitar a descrição de problemas individuais em detalhes
suficientes para proporcionar cuidados contínuos, de modo a obter
•
resultados positivos
Providenciar um arcabouço para o desenvolvimento de pesquisa e do
conhecimento.
O Modelo de Prática Clínica Bifocal proporciona aos enfermeiros uma
base sólida para diagnosticar as respostas de um indivíduo e outros aspectos
significativos em diversas situações. A definição clara das duas dimensões
da Enfermagem estimula o uso e minimiza a má utilização dos DE.
 Para re�etir
Diagnósticos médicos não são opcionais para médicos. 
Diagnósticos de Enfermagem não são opcionais para enfermeiros.
Referências bibliográficas
Alfaro-Lefevre R. Applying nursing process: the foundation for clinical
reasoning. 8.ed. Filadélfia: LWW; 2014.
Carpenito L J. Nursing diagnosis: application to clinical practice. Filadélfia:
Lippincott Williams & Wilkins; 1985.
North American Nursing Diagnosis Association. Nursing diagnosis:
definitions and classification 2008-2009. Filadélfia: North American
Nursing Diagnosis Association; 2009.
Apêndice
Condições que requerem cuidados de Enfermagem | Diagnósticos
de Enfermagem agrupados por padrão de saúde funcional*
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Percepção da saúde | Manutenção da saúde
Contaminação: comunidade
Risco de contaminação: comunidade
Campo de energia perturbado
Crescimento e desenvolvimento atrasados
Falha no desenvolvimento do adulto
Risco de atraso no desenvolvimento
*Engajamento, comprometimento**
Engajamento, risco de comprometimento
Síndrome do idoso frágil
Risco de fragilidade na síndrome do idoso
Manutenção deficiente da saúde na comunidade
Comportamento de saúde, propensão ao risco
Manuenção ineficaz da saúde
Risco de lesão
Risco de aspiração
Risco de queda
Risco de lesão do trato urinário
Risco de lesão de posicionamento pré-operatório
Risco de envenenamento
Risco de sufocamento
Risco de lesão térmica
Risco de trauma
Recusa
Obesidade
Sobrepeso
Risco de sobrepeso
Manutenção ineficaz da saúde
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Manutenção ineficaz da saúde da comunidade
Manutenção ineficaz da saúde familiar
Aceitação para melhorar a manutenção da saúde
Recuperação cirúrgica atrasada
Risco de recuperação cirúrgica atrasada
Nutricional/metabólico
Risco de reação adversa ao meio de contraste iodado
Risco de resposta alérgica
Risco de nível de glicose sanguínea instável
Risco de desequilíbrio da temperatura corporal
Hipertermia
Hipotermina
Termorregulação ineficaz
Amamentação ineficaz
Amamentação interrompida
Aceitação para melhorar a amamentação
Leite materno insuficiente
Risco de balanço eletrolítico
Aceitação para melhorar o balanço hídrico
Volume de líquidos deficiente
Volume de líquidos excessivo
Risco de volume de líquidos prejudicado
Risco de infecção
Risco de transmissão de infecção
Capacidade adaptativa intracraniana diminuída
Icterícia neonatal
Risco de icterícia neonatal
Resposta alérgica ao látex
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Risco de resposta alérgica ao látex
Risco de função do fígado prejudicada
Nutrição desequilibrada
Dentição comprometida
Padrão ineficaz de alimentação infantil
Deglutição prejudicada
Aceitação para melhorar a nutrição
Proteção ineficaz
*Risco de lesão de córnea
Risco de olho seco
Mucosa bucal prejudicada
Risco de mucosa bucal prejudicada
Risco de úlcera de pressão
Integridade da pele prejudicada
Risco de integridade da pele prejudicada
Integridade tecidual prejudicada
Risco de integridade tecidual prejudicada
Eliminação
Incontinência intestinal
Constipação funcional crônica
Constipação percebida
Diarreia
Motilidade gastrointestinal disfuncional
Risco de motilidade gastrintestinal disfuncional
Eliminação urinária prejudicada
Incontinência urinária constante
Incontinência urinária funcional
*Enurese maturacional
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Incontinência urinária por transbordamento
Incontinência urinária por reflexo
Incontinência urinária de estresse
Incontinência urinária de urgência
Aceitação para melhorar a eliminação urinária
Atividades/exercícios
Intolerância à atividade
Planejamento ineficaz de atividades
Risco de planejamento de atividades ineficaz
Risco de sangramento
Débito cardíaco diminuído
Risco de síndrome de desuso
Atividades recreacionais deficientes
Manutenção do lar prejudicada
Comportamento infantil desorganizado
Risco de comportamento infantil desorganizado
Comportamento infantil, Aceitação para melhorar o comportamento
infantil desorganizado
Capacidade adaptativa intracraniana diminuída
Estilo de vida sedentário
Risco de função do fígado comprometida
Mobilidade física reduzida
Mobilidade reduzida na cama
Mobilidade reduzida ao sentar
Mobilidade reduzida ao ficar em pé
Capacidade de transferência reduzida
Mobilidade reduzida ao andar
Mobilidade reduzida na cadeira de rodas
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Risco de função respiratória ineficaz
Liberação de vias aéreas, ineficaz
Padrão respiratório, ineficaz
Troca gasosa, prejudicada
Ventilação espontânea, prejudicada
Resposta ao desmame ventilatório disfuncional
Risco de resposta disfuncional ao desmame ventilatório
Aceitação para melhorar o autocuidado
Síndrome de déficit de autocuidado
Déficit de autocuidado, alimentação
Déficit de autocuidado, banho
Déficit de autocuidado, vestir-se
*Déficit de autocuidado instrumental
Déficit de autocuidado, limpeza
Risco de choque
Risco de síndrome de morte súbita infantil
Perfusão tissular ineficaz
Risco de diminuição da perfusão de tecido cardíaco
Risco de perfusão ineficaz de tecido cerebral
Risco de perfusão ineficaz de tecido gastrintestinal
Risco de disfunção neurovascular periférica
Perfusão ineficaz de tecido periférico
Risco de perfusão ineficaz de tecido periférico
Risco de perfusão renal ineficazRisco de trauma vascular
Deambulação
Sono/descanso
Aceitação para melhorar o sono
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Padrão de sono perturbado
Insônia
Privação de sono
Percepção cognitiva
Risco de aspiração
Conforto prejudicado
Náusea
Dor aguda
Síndrome da dor crônica
Dor, parto
Aceitação para melhorar o conforto
Confusão aguda
Confusão crônica
Conflito decisional
Tomada de decisão emancipada prejudicada
Risco de tomada de decisão emancipada prejudicada
Aceitação para melhorar a tomada de decisão emancipada
Aceitação para melhorar a tomada de decisão
Disreflexia autonômica
Risco de disreflexia autonômica
Síndrome de interpretação ambiental prejudicada
Deficiência de conhecimento
Aceitação para melhorar o conhecimento (especificar)
Memória prejudicada
Negligência unilateral
Autopercepção
Ansiedade
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Ansiedade pela morte
Fadiga
Medo
Aceitação para melhorar a esperança
Desesperança
Risco de comprometimento da dignidade
Controle da labilidade emocional
Autonegligência
Aceitação para melhorar o poder
Impotência
Risco de impotência
Autoconceito perturbado
Imagem corporal perturbada
Identidade pessoal perturbada
Risco de identidade pessoal pertubada
Autoestima baixa crônica
Risco de autoestima baixa crônica
Autoestima perturbada
Autoestima situacional baixa
Risco de autoestima situacional baixa
Aceitação para melhorar o autoconceito
Relação de papéis
Processo de gravidez ineficaz
Risco de processo de gravidez ineficaz
Comunicação prejudicada
Comunicação verbal prejudicada
Aceitação para melhorar a comunicação
Processos familires disfuncionais
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Processos familiares interrompidos
Aceitação para melhorar os processos familiares
Luto
Luto antecipatório
Luto complicado
Risco de solidão
Conflito de papel parental
Parentalidade prejudicada
Risco de prejuízo da ligação entre pais e filhos
Aceitação para melhorar a parentalidade
Relacionamento ineficaz
Risco de relacionamento ineficaz
Aceitação para melhorar o relacionamento ineficaz
Desempenho ineficaz do papel
Interação social prejudicada
Isolamento social
Tristeza crônica
Sexualidade/reprodução
Processo de gravidez prontidão
Padrões de sexualidade ineficazes
Disfunção sexual
Tolerância ao esforço
Coeficiente do papel de cuidador
Risco de coeficiente do papel de cuidador
Enfrentamento do comprometimento familiar
Enfrentamento da deficiência familiar
Enfrentamento inefetivo
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Regulação do humor prejudicada
Enfrentamento defensivo
Aceitação para melhorar o enfrentamento
Negação ineficaz
Controle de impulso, controle da labilidade emocional
Enfrentamento comunitário ineficaz
Aceitação para melhorar o enfrentamento comunitário
Aceitação para melhorar o enfrentamento familiar
Síndrome pós-traumática
Risco de síndrome pós-traumática
Síndrome do trauma de estupro
Estresse por relocação (síndrome)
Risco de estresse por relocação (síndrome)
Diminuição da capacidade de resiliência individual
Aceitação para melhorar a resiliência
Risco de comprometimento da resiliência
Automutilação
Risco de automutilação
Risco de suicídio
Sobrecarga de estresse
Risco de direcionar violência ao outro
Risco de violência autodirecionada
Valores/crenças
Distúrbios morais
Risco de distúrbios morais
Aceitação para melhorar a religiosidade
Distúrbios espirituais
Religiosidade prejudicada
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Risco de prejuízo da religiosidade
Risco de distúrbios espirituais
Aceitação para melhorar o bem-estar espiritual
Problemas colaborativos
Risco de complicações da disfunção cardíaca/vascular*
RC de débito cardíaco diminuído
RC de disritmias
RC de edema pulmonar
RC de choque cardiogênico
RC de trombose venosa profunda
RC de hipovolemia
RC de insu�ciência vascular periférica
RC de hipertensão
RC de doença cardíaca congênita
RC de angina
RC de endocardite
RC de embolismo pulmonar
RC de choque espinhal
RC de úlceras isquêmicas
Risco de complicações da disfunção respiratória
RC de hipoxemia
RC de atelectasia/pneumonia
RC de constrição traquebraquial
RC de derrame pleural
RC de necrose traqueal
RC de dependência ventilatória
RC de pneumotórax
RC de edema laríngeo
RC da disfunção renal/urinária
RC de retenção urinária aguda
RC de insu�ciência renal
RC de perfuração da bexiga
RC de cálculo renal
Risco de complicações da disfunção gastrintestinal/hepática/biliar
RC de íleo paralítico/pequena obstrução intestinal
RC de insu�ciência hepática
RC de hiperbilirrubinemia
RC de evisceração
RC de hepatoesplenomegalia
RC de úlcera de Curling
RC de ascite
RC de sangramento gastrintestinal
Risco de complicações da disfunção metabólica/imunológica/hematopoiética
RC de hipo/hiperglicemia
RC de balanço nitrogenado negativo
RC de desequilíbrios eletrolíticos
RC de disfunção da tireoide
RC de hipotermia (severa)
RC de hipertermia (severa)
RC de sepse
RC de acidose (metabólica, respiratória)
RC de alcalose (metabólica, respiratória)
RC de hipo/hipertireoidismo
RC de reação alérgica
RC de doação do tecido doador
RC de insu�ciência adrenal
RC de anemia
RC de trombocitopenia
RC de infecção oportunista
RC de policitemia
RC de crise falciforme
RC de coagulação intravascular disseminada
Risco de complicações da disfunção neurológica/sensorial
RC de aumento da pressão intracraniana
RC de acidente vascular cerebral
RC de convulsão
RC de compressão da medula espinhal
RC de meningite
RC de insu�ciência do nervo craniano (especi�car)
RC de paralisia
RC de deterioração do nervo periférico
RC de pressão intraocular aumentada
RC de ulceração da córnea
RC de neuropatias
Risco de complicações da disfunção muscular/esquelética
RC de osteoporose
RC de deslocação articular
RC de síndrome compartimental
RC de fraturas patológicas
Risco de complicações da disfunção reprodutiva
RC de distúrbios fetais
RC de sangramento pós-parto
RC de hipertensão gestacional
RC de polimenorreia
RC de sí�lis
RC de sangramento pré-natal
RC de parto prematuro
Risco de complicações dos efeitos adversos da terapia medicamentosa
RC dos efeitos adversos da terapia adrenocorticosteroide
RC dos efeitos adversos da terapia antiansiolítica
RC dos efeitos adversos da terapia antiarrítmica
RC dos efeitos adversos da terapia anticoagulante
RC dos efeitos adversos da terapia anticonvulsiva
RC dos efeitos adversos da terapia antidepressiva
RC dos efeitos adversos da terapia anti-hipertensiva
RC dos efeitos adversos da terapia com bloqueadores beta-adrenérgicos
RC dos efeitos adversos da terapia bloqueadora do canal de cálcio
RC dos efeitos adversos da terapia com enzima conversora da angiotensina
RC dos efeitos adversos da terapia antineoplásica
RC dos efeitos adversos da terapia antipsicótica
RC dos efeitos adversos da terapia diurética
* Os problemas colaborativos mais utilizados estão representados nessa lista. Outras situações não
listadas aqui também podem ser consideradas problemas colaborativos.
*
*
**
*
*
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____________
Copyright© Lynda Juall Carpenito, 1985, usado com permissão.
Nos EUA, enfermeiros graduados são instruídos e autorizados a fazer
intervenções de acordo com diagnósticos clínicos e problemas
colaborativos.
Antigamente denominadas complicações potenciais.
Nos EUA, enfermeiros graduados têm autoridade legal para prescrever
intervenções médicas, podendo diagnosticar e tratar problemas
colaborativos.
Os padrões de saúde functional foram identificados em: Gordon M.
Nursing diagnosis: process and application. New York: McGraw-Hill,
1994 (com pequenas mudanças pela autora).
Os diagnósticos sinalizados com asterisco não estão atualmente na lista
da NANDA-I, mas foram acrescentados pelo autor para maior clareza e
utilidade.
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	GEN
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	Colaboradores
	Apresentação
	Material Suplementar
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	1. Identidade e Autonomia do Enfermeiro
	2. SAE Descomplicada
	3. Teorias de Enfermagem e SAE
	4. Teoria da Empatia Reflexiva
	5. Coleta de Dados
	6. Diagnose e Diagnósticos de Enfermagem
	7. Planejamento de Metas e Resultados
	8. Planejamento de Intervenções e Prescrições
	9. Implementação da SAE
	10. Avaliação Contínua do Cuidado
	11. Acurácia no Diagnóstico
	12. SAE como Base para a Atuação Interdisciplinar do Enfermeiro

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