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O desaparecimento da infância – Neil Postman referências HENRIQUES, Isabella; FONTANELLE, Lais. Mercantilização da Infância: um problema de todos. Disponível em: www.alana.org.br. Acesso em 10 fev 2012. POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1999; RESUMO. O desaparecimento da infância – Neil Postman. www.criancaeconsumo.org.br 2 Quem foi Neil Postman? Escreveu mais de 20 livros, traduzidos para mais de trinta países; Boa parte deles trata da conexão entre mídia e educação, com destaque especial, na avaliação do próprio autor, para O desaparecimento da infância, livro publicado no Brasil, em 1999, pela Graphia Editorial. 3 Quem foi Neil Postman? Professor da Universidade de Nova York; Toda a sua obra se caracteriza pela linguagem fluente e ágil, agudo senso de humor; 4 Quem foi Neil Postman? Para quem gostou da leitura, há a possibilidade de expandir o conhecimento http://www.neilpostman.org/ Na página você encontra artigos e os demais títulos de livros publicados pelo autor. Boa leitura! 5 O desaparecimento da infância Este livro mostra de onde veio a idéia de infância, por que floresceu durante 350 anos e por que está desaparecendo hoje. O livro é dividido em duas partes, sendo a primeira sobre o aparecimento da infância, como uma construção social surgida a partir das condições de comunicação que a tornaram inevitável. 6 a infância em uma estrutura social inevitável A segunda parte situa-se nos tempos atuais e mostra como a passagem do mundo de Guttenberg para o de Samuel Morse transformou a infância em uma estrutura social inevitável. 7 Samuel Morse 8 Meios de comunicação e socialização O autor mostra como os meios de comunicação afetam os processos de socialização a partir da ideia de que a prensa tipográfica criou a infância e de que a mídia eletrônica a fez desaparecer. 9 Prezados acadêmicos… Embora eu não tenha pedido a leitura da primeira parte do livro a vocês, salientarei apenas do que se trata o conteúdo… Vocês verão que o mesmo é uma breve síntese do que vimos, porém com acréscimos importantes para o seu processo de aprendizado… 10 Ideia de infância Na primeira parte, intitulada 'A invenção da infância', o autor discorre sobre o surgimento da ideia de infância a partir da invenção da prensa tipográfica no século XVI. 11 Os gregos e a infância Primeiramente, ele mostra como os gregos, apesar de não haver restrições morais ou legais a respeito da prática do infanticídio, deram o prenúncio da ideia de infância ao inventar a ideia de escola. 12 Os romanos e a infância Os romanos tomaram emprestada a ideia grega de escolarização e a ela adicionaram a noção de vergonha, o que pode ser considerado um passo crucial na evolução do conceito de infância. 13 Desaparecimento do termo infância As invasões bárbaras, juntamente com o colapso do Império Romano e a imersão da Europa na idade das trevas e na Idade Média, fizeram o conceito do termo ‘infância’ desaparecer junto com a capacidade de ler e escrever; junto com a educação e o sentimento de vergonha. 14 Idade média – criança = adulto O que aconteceu na Idade Média foi que todas as importantes interações sociais aconteciam oralmente (através da fala), face a face, e assim permitiram a entrada das crianças no mundo dos adultos. 15 Leitura e idade adulta A leitura cria uma separação entre aqueles que podem e que os que não podem ler. A leitura é o flagelo da infância uma vez que cria também a idade adulta, pois ser adulto implica ter acesso aos segredos culturais codificados em símbolos. 16 Mundo medieval = sem ideia de criança Podemos dizer que no mundo medieval não havia nenhuma ideia de desenvolvimento infantil, nenhuma concepção de pré-requisitos de aprendizagem sequencial, assim como nenhuma concepção de escolarização como forma de preparação para o mundo adulto. 17 Idade média = criança invisível A criança da Idade Média vivia na mesma esfera social dos adultos, pois tinha acesso à quase todos os comportamentos comuns à cultura. Não havia, em separado, o mundo da infância. No mundo medieval, a criança era invisível. 18 Imprensa = idade adulta = capacidade de leitura A partir do surgimento da imprensa e da alfabetização socializada, um novo ambiente comunicacional ganhou forma, e foi quando a imprensa criou uma nova definição de idade adulta, baseada na capacidade de ler, e de infância, baseada na incompetência de leitura. 19 Criança “expulsa do mundo adulto” = infância A partir do advento da tipografia, que criou um novo universo simbólico, as crianças foram expulsas do mundo dos adultos, sendo necessária a criação de um novo mundo para elas habitarem; e este mundo veio a ser chamado de 'infância'. 20 O livro impresso Com o livro impresso, iniciou-se outra “tradição”, como o isolamento do leitor e o narcisismo do escritor, o que levou ao sentimento individualista. E esse sentimento exacerbado do eu, foi, segundo o autor, a semente que levou, por fim, ao florescimento da infância. 21 Os que sabiam ler e os que não sabiam Mas, é óbvio que o individualismo sozinho não inventou a infância, como a lacuna de conhecimento o fez. Formou-se uma divisão explícita entre aqueles que sabiam ler e aqueles que não sabiam. 22 Homem letrado criado A mídia impressa acarretou modificações de outra ordem: a forma do livro impresso instituiu um novo modo de organizar o conteúdo e, consequentemente, o pensamento. Quando o homem letrado foi “criado”, as crianças foram deixadas para trás. 23 Mundo medieval = todos no mesmo ambiente O mundo medieval não necessitava da ideia de infância, já que todos compartilhavam o mesmo ambiente informacional e viviam no mesmo mundo social e intelectual. Depois do surgimento da prensa, os jovens tiveram que se tornar adultos, e, para isso, precisaram aprender a ler, o que prescindia de educação. 24 Infância em necessidade Foi assim que a infância transformou-se em uma necessidade! 25 Criança = objeto de respeito Para o autor, a criança tornou-se, aos poucos, objeto de respeito, que necessitava de separação e proteção frente ao mundo adulto. Todos esses acontecimentos são sinais do surgimento de uma nova classe de pessoas que falavam, vestiam-se, aprendiam e pensavam diferentemente dos adultos. 26 Criança = sem condições de ouvir tudo! Vale colocar que quando o conceito de infância foi desenvolvido, a sociedade criou segredos a serem ocultados dos jovens. 27 1850 = infância, um fato social Quando o modelo de infância tomou forma, o modelo de família moderna também foi transformado. A tarefa do adulto passou a ser preparar a criança para a administração do mundo simbólico do adulto. Na década de 1850, os séculos da infância tinham feito seu trabalho, e a partir de então a infância era não só um princípio, mas um fato social. 28 Séc. XVIII – criança como mão de obra barata Cada nação tentou entender a infância segundo sua cultura, e no século XVIII, com a crescente industrialização e a necessidade de trabalhadores nas fábricas inglesas, a natureza especial das crianças ficou subordinada à sua utilidade como mão de obra barata. 29 Séc. XVIII – fase também de um olhar para a infância Contrariamente a esse fato, iniciou-se, também no século XVIII, um movimento por toda a Europa, a partir da ideias iluministas da Revolução Francesa, em prol de uma concepção mais humanitária da infância, e que se deveu em parte ao aumento do senso de responsabilidade governamental pelo bem-estar das crianças. 30 Locke e rosseau O autor mostra como grandes pensadores, tais como Locke e Rousseau, contribuíram significativamente para discussões a respeito da infância. 31 Locke Locke promoveu a ideia de infância a partir da teoria de que a criança é uma tábula rasa, como uma folha em branco, que vai serpreenchida ao longo de sua educação. 32 rosseau Já Rousseau tem uma visão mais naturalista de infância ao dizer que seu crescimento é orgânico e natural, não carecendo, portanto, de educação. 33 Locke + rosseau = preocupação com a criança Ambos os autores tinham uma preocupação com o futuro: Locke queria que a educação resultasse em um livro, e Rousseau, em uma flor saudável. 34 Freud e dewey Dois autores posteriores, tais como Freud e Dewey, vêm cristalizar o paradigma básico da infância que vinha se formando desde a invenção da prensa – de que a criança precisa de cuidados especiais – a partir de questionamentos de como podemos equilibrar as exigências da civilização com as exigências da natureza infantil. 35 Freud e dewey 36 Freud e dewey Esses questionamentos originam dois importantes livros: “Interpretação dos sonhos” e “Escola e sociedade”, de Freud e Dewey respectivamente. 37 Freud Segundo Freud, a criança tem uma inegável estrutura, bem como um conteúdo especial em sua mente – sexualidade. As crianças estão impregnadas de complexos de pulsões psíquicas instintivas. 38 Freud + dewey = respeito maior pela criança Vale destacar que, para ambos os autores, a criança é detentora de suas próprias regras de desenvolvimento e de um certo encanto, curiosidade e verdade que não devem ser sufocados: suas necessidades devem ser atendidas em função do que ela é, e não do que ela será. 39 A segunda parte do livro… 40 televisão Na segunda parte do livro, intitulada 'O desaparecimento da infância', o autor mostra que, com a televisão, a hierarquia da informação desmorona, e, consequentemente, desmoronam também as diferenças entre adultos e crianças. 41 Uma programação para todas as idades… As imagens da televisão estão disponíveis para todos, independentemente das idades. Para o autor, o ponto essencial que contribui para o “desaparecimento da infância” está localizado no fato de que a TV apresenta informação de uma forma indiferenciada em sua acessibilidade, o que significa que ela não precisa fazer distinção entre as categorias 'criança' e 'adulto'. 42 Uma programação para todas as idades… 43 1850- 1950 = criança como criança Ele começa o capítulo mostrando que o período entre 1850 e 1950 representa a sedimentação da infância, em que as crianças eram alvo de atenção exclusiva, pois foram feitas tentativas bem-sucedidas de retirá-las das fábricas e colocá-las nas escolas, dentro de suas próprias roupas, de seu próprio mobiliário, literatura, ou melhor, de seu mundo social. 44 Criança diferente do adulto Em muitas leis, as crianças foram classificadas como qualitativamente diferentes dos adultos e, assim sendo, foi-lhes atribuído um estatuto diferencial e preferencial estabelecido para proteção contra os caprichos da vida adulta. 45 Família moderna Esse foi também o período em que se moldou o estereótipo da família moderna. A infância passou, inevitavelmente, a ser definida como categoria biológica, e não como produto de uma cultura. 46 Sedimentação e desmoronamento Vale destacar a ironia contida nesses dados, que mostram que o mesmo período que serviu para sedimentar a infância foi aquele em que começou seu desmoronamento. 47 Informação impessoal e global Podemos atribuir, segundo o autor, a Samuel Morse a paternidade da 'era sem crianças' a partir da invenção do telégrafo, que mudou o caráter da informação do pessoal e regional para o impessoal e global. 48 Simultaneidade e instantaneidade O telégrafo elétrico foi o primeiro meio de comunicação a permitir que a velocidade da mensagem ultrapassasse o corpo humano rompendo o vínculo histórico entre transporte e comunicação. Essa invenção levou a um mundo de simultaneidade e instantaneidade que foi além da experiência humana, pois eliminou de uma tacada só o tempo e o espaço como dimensões da comunicação. 49 Informação para todo o público Segundo o autor, tudo isso teve repercussões na infância, já que esse conceito é fruto de um ambiente em que uma forma especial de informação – controlada por adultos – tornava-se pouco a pouco disponível para crianças. 50 Informação O telégrafo extorquiu o lar e a escola do controle da informação. Paralelamente ao desenvolvimento da comunicação elétrica, desenvolveu-se a “revolução gráfica”, que colocou um novo mundo aos olhos dos homens – com cartazes e anúncios de todas as formas. 51 Imagem vale mais que palavras A imagem tomou o lugar da palavra, e a partir daí surgiu um mundo simbólico – que não pôde sustentar as hierarquias sociais e intelectuais que tornavam a infância possível. 52 eua Durante esses cem anos (entre 1850 e 1950), surgiu também a maior ironia: existiu um esforço enorme para tornar os Estados Unidos um país letrado ao mesmo tempo em que a velocidade elétrica e a imagem produzida em massa corroboraram para minar tal atitude. 53 1950 – início do desaparecimento da infância A infância, nessa mesma época, tornou-se um acessório permanente, apesar de obsoleta. O autor escolheu precisamente o ano de 1950 para datar o início do “desaparecimento da infância”, quando a televisão instalou-se na maioria das casas americanas juntando as revoluções elétrica e gráfica. 54 Ponto chave = televisão Postman enxerga na televisão a base histórica de uma linha divisória entre a infância e a idade adulta, uma vez que, ao contrário dos livros, não há hierarquia de compreensão; a imagem é para todos. 55 Televisão = recepção Para o autor, assistir à televisão não requer concepção, e sim recepção. Vale destacar que o autor diz que não apenas a forma simbólica da televisão , mas também a física, não se presta à exclusividade. 56 Evidence - Godfrey Reggio (março, 1995) Televisão destrói a linha entre adulto e criança Para fechar seu pensamento, Postman descreve que a televisão destrói a linha divisória entre infância e idade adulta por três motivos: 57 primeiro Primeiro porque não requer aprendizagem específica; 58 segundo Segundo porque não faz exigências complexas à mente ou ao comportamento; 59 terceiro E terceiro porque não segrega o público. 60 Infância sem segredos… O novo ambiente midiático que surgiu fornece a todos as mesmas informações sem segredos. E, sem segredos, não pode haver algo como a infância. 61 Exemplo: Datena – programa exibido na rede Bandeirantes diariamente ao final da tarde Tecnologia com entrada franca A televisão escancara tudo: coloca público o que antes era do domínio privado e elimina a exclusividade do conhecimento mundano. Ela é uma tecnologia com entrada franca. 62 E então? Mas qual será o preço dessa suposta sinceridade? Se as crianças desde cedo conhecerem mistérios e segredos, como faremos a distinção delas perante os adultos? 63 Está tudo na telinha Diante desse cenário, vale colocar que não só a curiosidade da criança perde terreno, como também a autoridade do adulto. Nos tempos da mídia eletrônica não há mais o espanto da descoberta ou perguntas a serem feitas uma vez que a criança não precisa de esforços para conseguir respostas: está tudo na telinha. 64 65 Controle de impulsos Segundo autores do desenvolvimento infantil, a criança tem necessidade da crença em uma autoridade para construir o controle dos seus impulsos violentos, além da crença no que é certo e errado. 66 Fecham-se as portas dos jardins de infância Sem leis ou garantias, as crianças acham difícil ter esperança, coragem ou disciplina no futuro. Nos tempos atuais, a televisão abre as portas do armário mostrando as alegrias do consumismo. A televisão abre as janelas para o mundo ao mesmo tempo em que fecha as do jardim da infância. 67 consumismo 68 Propaganda = desejo de todos Em um segundo momento, o autor discute a propaganda como mais um meio que visa não distinguir adultosde crianças e que usa uma linguagem altamente emotiva que não exige uma lógica para fazer negócios, diferentemente da época mercantilista, quando vendedor e comprador estavam capacitados a negociar sob uma base racional. 69 tecnologia O autor enxerga a propaganda como um discurso que não só utiliza a retórica religiosa, como se aproxima dela, o que indica uma substituição da fé religiosa pela fé na tecnologia. 70 A Vulnerabilidade da Criança A Vulnerabilidade da Criança A vulnerabilidade da criança 71 “O consumidor-criança pode ser facilmente capturado pela cultura do consumo que, inserida num mundo simulacional, faz com que realidade e imagem não possam mais ser diferenciadas com nitidez. A construção subjetiva do homem contemporâneo está, neste final de século, absolutamente contaminada pelo uso que fazemos das imagens que atravessam e se sobrepõem nas relações cotidianas.” Solange Jobim, Subjetividade em questão: a infância como crítica da cultura Cultura e consumo 72 Relações Afetivas mediadas pelas Relações de Consumo Produtos e Serviços são ingressos sociais A cultura do consumo Documentário: criança a alma do negócio José Roberto Torero (1996) 73 A publicidade dirigida às crianças 74 Fatores que mais influenciam o consumo de produtos infantis em geral: 1º) Publicidade na TV 2º) Personagem Famoso 3º) Embalagens Fonte: Pesquisa Interscience, outubro de 2003 A publicidade dirigida às crianças 75 Mundo Feliz – McDonald´s (comercial 30”) Publicidade dirigida às crianças 76 Publicidade dirigida às crianças 77 Outdoor veiculado na cidade de Londrina (PR) - divulgação da coleção de inverno 2008 Lilica Ripilica/Marisol Publicidade dirigida às crianças 78 www.trakinas.com.br - website bolachas recheadas Trakinas – Kraft Foods Brasil Homogeinização das mentalidades Para fechar seu pensamento, o autor mostra que a televisão tornou desnecessária a distinção entre adultos e crianças, pois sua natureza visa homogeneizar as mentalidades. Ele evidencia o “desaparecimento da infância” através de dados, tais como a fusão dos gostos de crianças e adultos. 79 A publicidade como educação informal 80 4h50m11s É o tempo médio diário que a criança brasileira assiste TV. Fonte: Painel Nacional de Televisores (IBOPE/2007) – crianças entre 4 e 11 anos, classe ABC. A publicidade como educação informal 81 Bastam 30 segundos para uma marca de alimentos influenciar uma criança. Fonte: Associação Dietética Norte Americana - Borzekowiski / Robinson A publicidade como educação informal 82 70% das crianças de 3 anos reconhecem o símbolo do McDonald´s, mas apenas metade sabe seu sobrenome. Fonte: Commercialisation of Childhood - Compass, Reino Unido, dezembro de 2006 Criança como promotora de vendas 83 A publicidade que é dirigida à criança não se refere necessariamente a produtos ou serviços dirigidos a ela. Muitos produtos e serviços destinados ao público adulto têm suas publicidades dirigidas ao público infantil. Criança como promotora de vendas 84 As crianças participam do processo decisório de 80% das compras da casa. Fonte: Pesquisa Interscience, outubro de 2003 Hora da fuzarka - renner 85 Consequência para a criança 86 Consumismo infantil Formação de valores materialistas Obesidade infantil Distúrbios alimentares Erotização precoce Estresse familiar Diminuição de brincadeiras criativas Violência pela busca de produtos caros Consumo precoce de álcool e tabaco Encorajamento do egoísmo, da passividade, do conformismo Enfraquecimento dos valores culturais e democráticos Esse é um problema de todos 87 Foto: http://www.banksy.co.uk/drawing/draw_frameset.html E a hierarquia? O autor conclui seu pensamento dizendo que, se olharmos de perto o conteúdo da TV, poderemos encontrar uma precisão não só da ascensão da criança 'adultizada', mas também a do adulto infantilizado. 88 Por que preservar a infância? 89 A criança é o pai do homem. William Wordsworth Desaparecimento da infância Para Postman, os pressupostos tradicionais sobre a singularidade das crianças estão desaparecendo nesses tempos de mídia eletrônica, e a infância, por ser um artefato social e não uma necessidade biológica, desapareceu com o advento das mídias eletrônicas. 90 Revista atrevidinha 91 Fonte: Editorial de moda com reportagem sobre lojas e preços da revista 'Atrevidinha - a revista da pré-adolescente', indicada para meninas de 8 a 12 anos, edição nº42, setembro/2007. Insustentabilidade geral 92 Moral Ética Social Econômica Pública e Privada Ação conjunta 93 Família Escolas Movimentos Sociais Organizações do 3º Setor Empresariado Estado Projetos em andamento… 94 http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=4&pub=4 Projetos para proteção da criança contra o consumo 95 Chocolates Garoto: Audiência Pública Movimento de mercado 96 TV Cultura: não veiculação de comerciais dirigidos às crianças Nestlé: compromisso assumido no Brasil Setor alimentício: compromissos internacionais das maiores empresas Legislação brasileira constituição federal 97 “Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (...)” Legislação brasileira eca 98 “Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.” Legislação brasileira código de defesa do consumidor 99 “Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. §2º É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. (...)” Abusividade da publicidade dirigida à criança 100 A publicidade voltada ao público infantil é intrinsecamente carregada de abusividade. Para seu sucesso se vale justamente da deficiência de julgamento e experiência da criança. Abusividade da publicidade dirigida à criança 101 A comunicação mercadológica que se dirige à criança não é ética. Utiliza técnicas e subterfúgios de convencimento dirigidos a uma pessoa presumidamente hipossuficiente. Código de defesa do consumidor 102 “Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.” Abusividade da publicidade dirigida à criança 103 As crianças não têm condições de entender as mensagens publicitárias que lhes são dirigidas; não conseguem: > distinguí-las da programação; > compreender seu caráter persuasivo; Vulnerabilidade exacerbada da criança 104 As crianças não conseguem identificar a publicidade como tal. Daí a violação ao princípio da identificação da mensagem publicitária. Exemplos de outros países em prol da proteção da criança suécia 105 > É proibida a publicidade dirigida à criança menor de 12 anos, em horário anterior às 21h; > É proibido qualquer tipo de comercial que seja veiculado durante, imediatamente antes ou depois dos programas infantis – seja de produtos destinados ao público infantil ou ao adulto; > É proibido o uso de pessoas ou personagens em comerciais de TV, principalmente se desempenham papel proeminente em programas infantis; Exemplos de outros países em prol da proteção da criançainglaterra 106 > É proibida a publicidade de alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar dentro e durante a programação de TV com apelo ao público menor de 16 anos, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer canal de TV; > É proibido o uso, nas imagens de TV, de cortes rápidos e ângulos diferentes para não confundir a criança; > É proibido o uso de efeitos especiais que insinuem que o produto possa fazer mais do que faz; Exemplos de outros países em prol da proteção da criança EUA 107 > Limite de 10min30s de publicidade por hora nos finais de semana; > Limite de 12min de publicidade por hora nos dias de semana; > Proibida a publicidade de sites com propósitos comerciais na programação de TV direcionada a menores de 12 anos; > PL: proibição de publicidade de alimentos de baixo valor nutritivo nas escolas; Exemplos de outros países em prol da proteção da criança canadá > É proibida a publicidade de produtos não destinados a crianças em programas infantis; > Pessoas ou personagens conhecidos pelas crianças não podem ser usados para endossar ou pessoalmente promover produtos, prêmios ou serviços; > A televisão pública não exibe qualquer publicidade durante programas infantis, nem imediatamente antes ou depois; 108 Exemplos de outros países em prol da proteção da criança canadá 109 > Nenhuma estação de TV pode transmitir mais de 4min de publicidade comercial a cada meia hora de programação para crianças ou mais de 8min por hora quando os programas forem de duração maior; > Na província de Quebec é proibida qualquer publicidade de produtos destinados a crianças de até 13 anos, em qualquer mídia; Fique atento… www.criancaeconsumo.org.br 110 image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg image34.jpeg image35.png image36.jpeg image37.jpeg image38.jpeg image39.png image40.jpeg image41.jpeg image42.jpeg image43.jpeg image44.jpeg image45.jpeg image46.jpeg image47.jpeg image48.jpeg image49.png image50.jpeg image51.jpeg image52.jpeg image53.png image54.jpeg image55.jpeg image56.jpeg image57.jpeg image58.jpeg