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PERGUNTA 1: A partir das discussões realizadas no capítulo 6 e no capítulo 10 do livro “Matrizes do Pensamento Psicológico” e das citações acima, discuta como a psicologia da Gestalt e a Epistemologia Genética de Piaget lidaram com o risco de “confundir uma ferramenta que utilizamos para entender a realidade com a própria realidade” em suas abordagens. Dentro das matrizes cientificistas, a matriz funcionalista e organicista e em especial a biologia evolutiva darwiniana comandaram as pesquisas sobre interação adaptativa em cada espécie. Nessa matriz vários autores começaram a estudar o comportamento no contexto da evolução com métodos da biologia, desta forma, o vitalismo é superado e o mecanicismo é combatido, por não apreender intencionalidade no comportamento. O atomismo reduz as unidades funcionais significativas a um amontoado de elementos, mas, o sucesso do animal é assegurado, não pela existência desses elementos, mas por sua coordenação e hierarquização. A formação biológica e a preocupação epistemológica conduziram Piaget à Psicologia. Em seu trabalho quis buscar uma forma de integrar numa teoria científica do conhecimento as duas áreas, biologia e psicologia, no qual, fosse possível integrar os fenômenos cognitivos ao contexto de adaptação do organismo ao meio. Piaget possui umas das obras mais completas, consistentes e articuladas, enquanto um representante do funcionalismo organicista em Psicologia, haja visto que em suas obras dissolvem-se os limites entre filosofia, biologia e Psicologia, sendo dominado principalmente pelos métodos e conceitos da biologia. Em suas primeiras obras há indícios da influência de Freud, assim, como com o funcionalismo pragmatista norte americano. Para ele a ação concreta e motora, possui origem nos níveis superiores de adaptação, assim, a ação é coordenada, decorrente da estrutura orgânica do sujeito e dotada de lógica. Piaget focou o estudo das estruturas cognitivas, mas acreditava, sendo funcionalista, na indissociabilidade dos fenômenos mentais e comportamentais. Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo, ocorre em paralelo com o desenvolvimento das formas de afetividade e com as formas de existência social. Piaget a fim de esclarecer suas teorias sobre indissociabilidade formula os conceitos de assimilação e acomodação. O primeiro consiste na ação do organismo sobre o meio, no qual esse organismo absorver elementos do meio, em outras palavras, seria o ato de incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais preexistentes. Por exemplo: a criança que tem a ideia mental de uma ave como animal voador, com penas e asas, ao observar um avestruz vai tentar assimilá-lo a um esquema que não corresponde totalmente ao conhecido. Já a acomodação se refere a modificações dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo. Assim, depois de aprender que um avestruz não voa, a criança vai adaptar seu conceito "geral" de ave para incluir as que não voam. Assim, Piaget a fim de não confundir a ferramenta que se utiliza para entender a realidade com a própria realidade, usa-se a ideia de adaptação ao meio que todos os organismos passam, desta forma, mesmo que todos passem pelos estágios de desenvolvimento ou até mesmo pelos processos de assimilação e acomodação, sempre haverá diferenciação entre os indivíduos, não podendo cair totalmente em um modo de generalização. Portanto, não seria possível falar de um conhecimento absoluto e universal, logo, que os indivíduos constroem seu próprio conhecimento ativamente, atribuindo um fator subjetivo ao invés de universal. Ele assumiu uma posição que o distingue bastante de outros autores no que toca à evolução. Deste modo, pode-se concluir que o pensamento de Piaget, está atrelado tanto as matrizes estruturalistas quanto as matrizes funcionalistas, na qual, em relação ao primeiro vamos ter estruturas geradoras de “mensagens”, sendo elas regras que inconscientemente controlam a organização das formas simbólicas e a emissão dos discursos (estágios do desenvolvimento), já em relação ao funcionalismo ele vai enxergar o homem como produto de uma causalidade funcional (adaptação). Assim, ele procura analisar, identificar e respeitar os sistemas funcionais e singulares dos seres. Já dentro das matrizes Românticas e pós Românticas vamos ter as Matrizes compreensivas que vão enxergar o homem como organismo. Desta forma, vai contra a matriz cientificista, exalta o sujeito, as particularidades e a subjetividade (pega algumas ideias do funcionalismo). Assim, a partir da ideia do funcionalismo as matrizes compreensivas vão buscar compreender que o sujeito é um organismo, um todo, não no sentido biológico, mas sim no sentido de que não pode separar as partes, o todo vai ser estudado, buscando sempre exaltar as particularidades e a subjetividade do sujeito. Na biologia, no entanto, a noção de organismo liga-se à noção de complementaridade, adquirindo um significado funcional. Entretanto, no romantismo as noções de organismo, totalidade, ou forma, supõe interdependência mas não complementaridade e não excluem o conflito. No campo das ciências naturais, o romantismo nunca exerceu grande influência, mas, no campo das ciências morais, não apenas influenciou, mas, também frutificou e passou sérias transformações que dizem respeito fundamentalmente à atividade crítica auto reflexiva que oferece às ciências morais, um terreno seguro, epistemologicamente falando. A neutralização do sujeito caracteriza o ideal científico dos estruturalismos, colocando-os como uma espécie de positivismo das ciências humanas e tal índole cientificista levam as ciências humanas estruturalistas para bem próximo das ciências naturais, distinguindo-se no entanto pela persistência em considerar as noções de significado, de sistemas simbólicos, como definidoras de seus objetos específicos. A matriz estruturalista, em sua origem trás movimentos intelectuais que revolucionaram no final do séc 19 e início do 20 na psicologia, na teoria da literatura e na lingüística. A psicologia da forma, ofereceu consistente alternativa na Europa à velha psicologia elementarista, associacionista e introspeccionista. Gestaltistas vão olhar e analisar diferentemente dos anatomistas e dos funcionalistas, as formas que são muito mais que desenhos e sim, que as pessoas tem uma pré interpretação dos sentidos. Tudo começou com a Escola Gaus que vai desconstruir noção inicial de sensação, ou seja, a sensação seria uma representação ponto a ponto na consciência. Assim, para eles o'que importa para que possamos fazer o reconhecimento das coisas, não é as imagens em si, mas sim as relações entre os estímulos. Deste modo, mesmo que os estímulos estejam organizados de maneiras distintas, a configuração que aquilo pertence, permanece da mesma maneira independente dos seus arranjos, por causa disto, é possível identificar a música garota de ipanema independente do ritmo ou estilo musical, por exemplo. Assim os autores gestaltistas da escola de Berlim atribuíram críticas ferrenhas ao elementarismo, ao negar a realidade independente dos elementos, como Von Ehrenfels, estendendo a idéia de uma estrutura organizadora a todos os níveis e áreas da experiência, além de que também, o todo é muito maior que a soma das partes. Corroborando desta forma no abandono da universalidade, haja visto, que o “todo” precisa incluir as relações entre as partes, além das significações no contexto a qual ele pertence. Se há nisso alguma universalidade estará segura a viabilidade da tarefa de descrever objetivamente e cientificamente, explicar o comportamento. Deste modo, o conceito da gestalt passa a unificar todos os reinos da natureza e do espírito e o isomorfismo psicofísico que é uma hipótese segundo a qual os processos psicofísicos são estruturais, dinâmicos, de tal modo que há uma homogeneidade de estruturas entre o fenômeno psicológico e o acontecimento. Assim, a fim de não confundir a ferramenta que se utiliza para entender a realidade com a própria realidade, o comportamento humano éfunção tanto das características da pessoa quanto daquelas do meio no qual a pessoas está inserida, corroborando desta forma no abandono da universalidade total no gestaltismo.