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Um olhar para a parentalidade e a educação das crianças e dos adolescentes Introdução ..........................................................................................06 A importância do autoconhecimento para conexão com adolescentes | Rozinir Aparecida Trombeta Chappuis .................09 O que estou transbordando? Reflexões sobre como o autoconhecimento pode nos ajudar no relacionamento com nossos filhos | Sandra Marcolin .............................................................................................................15 Processo de individuação: o que é isso? | Cristiane Nogueira Nunes ..................................................................................................21 O Adolescer e suas descobertas | Patrícia Rocha Busnardo ........29 Quem sou eu? Compreendendo a adolescência | Amanda Guedes de Andrade .........................................................................................33 Dependência tecnológica | Carolina Thans Bartolomeu ..............37 Como propiciar tempo de qualidade com o seu filho adolescente | Carla Amaral Bispo .........................................................................43 Como ajudar o adolescente na escolha profissional? | Jhennifer Souza Kuhn .........................................................................................47 Sumário É tempo de aprender | Lucienne Silva ...........................................52 O poder das perguntas na educação dos filhos | Alê Alves ..............................................................................................................59 A importância do escutar na comunicação entre pais e filhos adolescentes | Simone Salles Verlindo ..........................................66 O atendimento da Política de Assistência Social e o desenvolvimento das competências socioemocionais | Anelisa Morais Maia .......................................................................................71 O que praticamos mais: Crueldade ou Bondade? | Rosa Maria Mendonça Lima Juraci .....................................................................78 Invalidação de sentimentos após a separação | Gabriela Fernandes Maximiano .....................................................................82 A conexão on e off-line com filhos adolescentes | Adriana Pereira Rosa Silva ............................................................................................88 O adolescente e o uso de substâncias químicas | Aline Reis da Silva Flores ..........................................................................................93 Indisciplina na sala de aula: um novo olhar sobre o mau comportamento | Melina Andréa Rodrigues Valério Malimpensa ..............................................................................................................98 Tempo de qualidade com os filhos | Sara Viana Mota Ferreira ............................................................................................................105 Pais Jardineiros ou Carpinteiros, qual tipo você é? | Marivalda Freitas ...............................................................................................112 Meditação Mindfulness - corpo e mente em harmonia | Ercília Soares ................................................................................................118 Como utilizar o lúdico no processo de aprendizagem | Thaís Ferreira dos Santos Lima ................................................................123 A arte de educar sem punição e sem recompensa | Ana Lúcia Ponce Ribeiro Casanova ..................................................................129 Você sabe escutar seu filho? Como falar para seu filho escutar | Maria José Del'Arco de Oliveira ......................................................137 Mapeando o comportamento de proteção dos filhos adolescentes | Danielle Trabuco ...........................................................................143 Um papo cabeça na criação e educação dos filhos | Lis Angela Zagonel de Freitas ...........................................................................150 Adolescência estendida e Disciplina Positiva | Marcia Mattos Santos Vieira ....................................................................................157 Referências .......................................................................................162 Olá! Se você está lendo este ebook é porque está buscando mais informações sobre a Educação e Parentalidade Encorajadoras, seja para usar em sua vida pessoal e na educação dos filhos, seja para ampliar seu conhecimento profissional e ter mais recursos para orientar os pais em seus atendimentos. Este projeto nasceu do trabalho coletivo das facilitadoras do Programa Encorajando Pais, um programa que tem por objetivo encorajar os pais no processo de educação dos filhos, visando o desenvolvimento de habilidades de vida para que se tornem adultos capazes de contribuir com a construção de um mundo melhor. O conceito de Educação e Parentalidade Encorajadoras foi desenvolvido por mim, com base em diferentes áreas de estudos da parentalidade e do desenvolvimento infantojuvenil, tais como: Disciplina Positiva, educação emocional, autocompaixão, criança interior, neurociências, coaching, Psicologia Positiva, mindset, teoria do apego, dentre outras. Introdução 06 Pode ser que o que você lerá aqui seja algo muito novo, diferente de tudo o que compreendia sobre a educação das crianças e dos adolescentes, mas quero te convidar a se permitir conhecer essa nova proposta. Quero te convidar a ajustar as lentes e compreender a parentalidade e a educação das crianças e dos adolescentes de uma perspectiva mais respeitosa, que não visa apenas a obediência, e sim a cooperação. É como eu sempre digo: o mundo não precisa de crianças obedientes, o mundo precisa de crianças encorajadas. Pais encorajados, criam filhos encorajados e filhos encorajados se tornam adultos confiantes e capazes, que farão a diferença no mundo. Neste ebook, cada uma das coautoras trouxe seu olhar acerca de uma temática que permeia o ser pai e mãe, assim como o papel da escola e alguns desafios de comportamento muito frequentes no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. Espero que você aprecie a leitura e que este projeto possa te encorajar em sua vida pessoal e profissional. 07 Aline Cestaroli. Com carinho, Psicóloga - CRP: 06/107500 Idealizadora do Encorajando Pais www.encorajandopais.com.br @aline.cestaroli 08 http://www.encorajandopais.com.br/ A adolescência é uma fase importante do desenvolvimento e do processo de crescimento do ser humano. Esta fase de transição traz consigo muitas mudanças internas e externas: físicas, cognitivas, emocionais e comportamentais. O processo de maturação física com mudanças hormonais repentinas e poderosas, provoca mudanças de humor. Durante esta fase, os adolescentes tentam descobrir quem são, isto faz com que valorizem mais o grupo de iguais e se afastem dos pais em busca da construção da própria identidade, num processo de individuação, que pode levar a muitos conflitos familiares. A importância do autoconhecimento para conexão com adolescentes Rozinir Aparecida Trombeta Chappuis Psicóloga - CRP: 12/04049 09 Com os avanços das pesquisas em neurociência, podemos entender melhor o funcionamento do cérebro adolescente e as mudanças significativas que observamos e como isto afeta o comportamento e a maneira que interagem com o mundo. De acordo com Daniel Siegel, durante os anos da adolescência que compreendem dos 12 aos 24 anos, a mente altera a forma como lembramos, pensamos, racionalizamos, nos concentramos, tomamos decisões e nos relacionamos com os outros. Neste período há uma explosão no crescimento e na maturidade, o que tem um impacto direto na forma como vivemos o restante de nossas vidas. 10 Isto nos ajuda a compreender o comportamento, as explosões de raiva, oscilações de humor e impulsividadeque acontecem nesta fase e que são bem mais frequentes que na infância. Precisamos observar e incentivar os adolescentes a nomear e descrever os sentimentos para que possamos ajudá-los a descobrir o que está por trás do mau comportamento. O que você vê é apenas a ponta do iceberg, é a forma que a criança ou adolescente encontrou para comunicar o que está pensando ou sentindo, é a solução que achou para uma necessidade que você não vê, pois está na parte submersa do iceberg - pode ser medo, insegurança, frustração, vingança, etc e precisa ser observada e trabalhada trazendo para consciência, pois é essa necessidade que ainda não foi olhada que desencadeia o mau comportamento. 11 Eu sou mãe de um adolescente de 13 anos e sei que nossa tarefa enquanto pais não é fácil, é preciso ter muita paciência para enfrentar os desafios, fé em Deus, em nós mesmos e confiança em nossos filhos. E, para que as mudanças de comportamento aconteçam e adquiram habilidades de vida, precisamos dispor de tempo de treinamento e planejamento com constância e persistência, mesmo que inicialmente os objetivos não sejam alcançados pois eles acontecerão aos poucos e principalmente a longo prazo. É só a partir do momento que entrarmos em contato com nossa essência, entendermos o porquê de nossas atitudes e adquirirmos um conhecimento de nossas próprias frustrações, dores da infância, desejos e crenças limitantes, que nos impedem de crescer, é que iremos nos conectar com nossos filhos. É preciso separar o que é nosso do que é de nossos filhos, para que isso não atrapalhe o relacionamento e nos impeça de ajudá-los a encontrar a solução na resolução dos problemas, a conexão vem antes da correção. 12 Coloque-se no lugar de seu filho e seja empático. para criar conexão com o seu filho adolescente: 7 dicas Ouça e seja curioso. Pare de se preocupar com o que os outros pensam e faça o que é melhor para o seu filho adolescente. Substitua humilhação por encorajamento. Certifique-se de que a mensagem de amor seja compreendida. Encoraje seu filho adolescente a se concentrar em soluções. Faça acordos respeitosos. Uma das maneiras de empoderar e encorajar os adolescentes é permitir que eles ensinem coisas a você. Podemos usar os próprios interesses deles para lhes ensinar habilidades de vida permitindo que aprendam com as próprias experiências. 13 Através da Disciplina Positiva, que é uma abordagem que trabalha o equilíbrio entre a gentileza e a firmeza na educação dos filhos, Jane Nelsen e Lynn Lott trazem algumas dicas para ajudar a estabelecer coragem nos adolescentes: Tenha fé neles e em você mesmo. Deixe-os saber que os erros são oportunidades de aprender. Dê oportunidade de tentar novamente. Trabalhe em acordos, soluções e planos para os problemas. Mostre que o que acontece agora é apenas por enquanto e que amanhã é outro dia para aplicar o que aprendeu hoje. Seu sucesso dependerá do grau em que você for capaz de permanecer no presente, focar no que você pode fazer hoje e desistir de se preocupar com o modo como seu adolescente se sairá. As habilidades de vida que você ensina hoje criam caráter para o amanhã. Contato Instagram : @psirozinirtrombetachappuis WhatsApp: (49) 99118-6744 | E-mail : rtchappuis@gmail.com 14 A maioria de nós tem questões que nos desafiam. Ao nos tornarmos pais, nossa bagagem emocional pode realmente interferir no relacionamento com nossos filhos. Podemos transbordar, ou seja, nossos ruídos internos podem nos desconectar dos nossos filhos. Nossa interação com eles pode, apesar de nossas melhores intenções, acontecer baseadas em nossa criação e assim, velhas dinâmicas podem ser recriadas. O que estou transbordando? Reflexões sobre como o autoconhecimento pode nos ajudar no relacionamento com nossos filhos Sandra Marcolin Psicóloga - CRP: 06/32723 15 Você não está só. Criar filhos nos expõe muitas vezes a situações conflituosas, mas se você está aqui é porque busca informações e procura estar consciente da maneira como interage com os filhos. O convite e a reflexão proposta é para que você cuide da qualidade dessas relações, mas não esqueça de incluir sua relação consigo mesmo. Queremos ensinar nossos filhos a lidarem com as próprias emoções e ao validarmos e aceitarmos quem somos, sem julgamentos, nos encorajamos também nesse processo. Somos os adultos da relação e ao promovermos esse olhar atento para nós mesmos, podemos ser empáticos, sem nos perdermos. Podemos ser mais efetivos ao escutar e realmente compreender a experiência do outro. 16 No relacionamento com as crianças somos estimulados a aprender ao longo da vida, é uma chance de nos recriarmos. Ao nos conectarmos com nossos próprios sentimentos com aceitação e sem julgamentos, ficamos mais preparados para nos conectar com nossos filhos. Ao nos tornarmos pais, temos a oportunidade de crescer como indivíduos, não precisamos ficar presos a padrões que não promovam relacionamentos acolhedores. Não temos que repetir as mesmas interações negativas que possamos ter experienciado no nosso passado. Podemos, a partir de um olhar de aceitação e honra à nossa história, aprender a trilhar novos caminhos. A maneira como nos comunicamos e nos relacionamos com nossos filhos impactam profundamente o desenvolvimento deles. Da mesma maneira, ao cuidar do nosso relacionamento interior promovendo acolhimento, sendo respeitosos e compassivos com o nosso percurso, tornamos nossa vida mais leve e levamos essa leveza para nossa relação com nossos filhos. 17 A consciência e acolhimento do nosso estado interno nos permite fazer escolhas, ter uma variedade maior de respostas, deixamos de ser reativos e estabelecemos um senso de conexão. É uma oportunidade de abandonar padrões que já não servem mais, adotar novos modos de pensar e agir. Estar abertos para verdadeiramente ouvir o outro, pois nos escutamos e assim podemos estar disponíveis para nos mantermos sintonizados com nossos filhos por meio de uma presença engajada. Ao abordarmos nossa realidade afetiva e cuidarmos da nossa criança interior, percebendo suas necessidades não satisfeitas e medos, acolhendo sem julgar, podemos nos abrir e também acolher e respeitar a realidade do outro com responsabilidade e amorosidade, sem nos perdermos, e assim, pode ficar mais fácil estabelecer a ordem e equilíbrio nos relacionamentos. 18 Busque ampliar sua percepção. Não precisamos ser superpais e podemos obter ajuda para lidar com nossas questões, podemos também aprender ferramentas e estratégias para lidar com os desafios da parentalidade. Não precisamos estar sozinhos. O cuidado começa em mim Busque clareza nos pensamentos e ações. Em momentos de estresse ficamos mais vulneráveis, nos distanciamos da nossa essência e podemos reagir com base nas questões do passado. Quando estamos cansados, frustrados ou com fome, perdemos a capacidade de refletir e de escolher nossos comportamentos, de buscar no nosso interior os melhores recursos para oferecê-los ao próximo. 19 Cultive hábitos construtivos. Cuide bem de você para cuidar bem do outro, pratique estar no momento presente, faça pausas positivas, tenha seu espaço de bem-estar. Peça que respeitem o seu tempo. Não exija demais de você, nem sempre a casa estará em ordem como gostaria e nem sempre conseguirá fazer refeições mais elaboradas. Crie conexão com as pessoas que você ama. Faça pausas. Traga leveza, brinque com seus filhos, faça companhia, tenha espaços arejados onde o amor possa circular e todos se sintam vistos e respeitados. Não se esqueça que mudar é um processo, aprenda a dar pequenos passos com coragem e senso de humor, todos se beneficiarão e poderão também se sentirem encorajados. 20 Contato Instagram: @sandra.marcolin | Facebook: Sandra Marcolin Psicologia E-mail : smarcolinpsicologia@hotmail.com Os adolescentes estão na fase de viver suas diferenças, descobrir seus próprios valores e de explorar como são diferentes de suas famílias.Todo esse processo é chamado de “individuação”. As características da individuação vão desde a necessidade que os adolescentes têm de descobrirem quem são até a onipotência, onde acham que sabem de tudo. Processo de individuação: o que é isso? Cristiane Nogueira Nunes Psicóloga - CRP: 05/61569 21 Nesse caminhar do descobrimento muitos são os comportamentos que geram estranheza nos adultos, um dos mais visíveis é a “separação” do adolescente de sua família. A forma como os pais entendem esta mudança pode contribuir positivamente ou negativamente em relação ao futuro de suas relações. Entender que essa é uma fase e que não é nada pessoal pode ser positivo para não gerar distanciamentos futuros. É comum que o adolescente se mostre rebelde no processo de individuação, o não obedecer, o não escutar e a facilidade em fazer o oposto do que os pais querem são formas simples e naturais de se mostrar diferente. Há especialistas que falam que seria mais preocupante se o adolescente não se rebelasse de forma alguma, pois eles podem se tornar viciados em aprovação, não fazer nada que desagrade ao outro para ser bem visto, e assim, perder a sua própria essência. Se a “rebeldia” for recebida com apoio o adolescente pode voltar aos valores da família de forma natural, mas se encontrarem muita punição, julgamento e desrespeito talvez fiquem presos nesse processo. 22 As mudanças físicas e emocionais também são características do processo de individuação. Todos os processos biológicos que acontecem com o adolescente estão fora de seu controle. A insegurança diante de tantas situações novas podem gerar dúvidas e tudo isso mexe com o emocional. No cérebro, o lóbulo frontal, que fica localizado atrás da testa, é a última parte a se desenvolver, essa área está relacionada com o controle dos impulsos, regulação emocional e discernimento. Na adolescência esta parte ainda não está madura, ou seja, muitos dos comportamentos dos adolescentes podem ser explicados em termos fisiológicos. Não queremos com isso justificar o comportamento ruim que o adolescente possa ter, mas mostrar para os pais que não levar o mau comportamento do adolescente para o lado pessoal e ter paciência já são grandes passos. 23 Uma das características do processo que mais desestabilizam os pais e geram muitas perguntas no consultório é: “Será que os relacionamentos com seus amigos são mais importantes que os relacionamentos familiares?” Acredito que essa resposta é muito pessoal, mas o que precisamos entender é que nessa fase eles procuram o seu espaço e as amizades os ajudam no processo de individuação. Evitar disputas e entender que não é rejeição à família ou rebeldia já ajuda, pois muitos pais acabam fazendo chantagens emocionais e deixando o adolescente cheio de culpa. Também faz parte do processo de individuação quando os adolescentes exploram e exercitam o poder pessoal e a autonomia. Ouso dizer que isso já aconteceu com praticamente todo mundo. Alguém fala para você: “Como o seu filho é simpático e educado!” E você pensa: "Será que estão falando do meu filho mesmo?". Então, você conta sobre o ocorrido para o seu filho e completa com a frase: "Só na rua mesmo, não é?". 24 Gente! Ele só está testando e exercitando o seu poder pessoal, e pode ser que isso seja o resultado da criação que você está dando a ele. Sinta-se animado e feliz, ele está praticando o que aprende em casa enquanto está em público. Eles também testam a própria autonomia, fazer ou falar aquilo que tem vontade e não aquilo que é direcionado a falar ou fazer. Dê segurança aos seus filhos! Adolescentes que se sentem mais seguros em casa passam de forma menos traumática pelo processo de individuação. 25 Outra característica é a privacidade, e em algum momento ela começa a fazer sentido para os adolescentes, pois estão na fase de descobrir o que é importante para eles. Sempre descobrirão uma forma de fazer algo sem o conhecimento dos pais, para não desapontá-los ou simplesmente para não se encrencarem. Uma das maneiras que o adolescente pode usar para proteger sua privacidade é algo difícil de "digerir": a mentira. Essa mentira pode ser criada por vários motivos, desde proteger os pais (sim, é possível! Muitos não querem magoar os pais) e ao mesmo tempo fazer o que querem, até para se proteger das punições e outras coisas mais. Precisamos nos esforçar para conhecer o motivo, pois fica menos difícil de administrar. Podemos criar um ambiente mais acolhedor e de segurança. As chances do adolescente falar a verdade aumentam quando sabem que os pais os amam mesmo quando cometem erros e que esse amor não é condicional. Se ao falar a verdade o adolescente receber em troca sentimentos de culpa, vergonha ou dor, não vai ajudar. 26 É claro que devemos estar atentos, mas é notório que se o adolescente tiver interesse em se envolver em algo que não queremos, apesar da vigilância, ele vai tentar de todas as formas. A melhor prevenção é mostrar o quanto são importantes para nós e mantermos os olhos abertos para ajudar quando for preciso. E quando os pais se tornam um constrangimento para os adolescentes? Como todos os outros assuntos que falamos por aqui, isso não é uma regra, pois o desenvolvimento do adolescente pode ser muito diferente para cada um, mas quando ocorre precisamos lembrar que é uma situação temporária. Normalmente a maneira como os adolescentes agem na frente dos pais, em situações que se sentem constrangidos, não representa o que eles realmente sentem. Não levar para o lado pessoal pode ajudar a não prejudicar a relação. 27 E para finalizar, a onipotência. Muitos adolescentes se acham os donos da razão e imunes a qualquer coisa. É aquela fase onde eles dizem que os pais não sabem de nada e não entendem nada do que estão falando. Como já falamos por aqui, a área do cérebro que está relacionada com o controle dos impulsos, regulação emocional e discernimento ainda está em desenvolvimento, o que pode contribuir para que os adolescentes entrem em alguma “furada”, já que não pensam nos riscos. É preciso estar atento e informar aos jovens que eles não são blindados, mas não em forma de sermões. Conversar sobre os riscos e contar casos em que o final da história não foi legal são uma boa opção para que juntos possam refletir. Espero ter ajudado você a entender um pouquinho mais sobre esse processo maravilhoso que é o tornar- se adolescente. Contato WhatsApp: (21) 96884-2426 | Instagram: @conexaoadolescente E-mail: contato@conexaoadolescente.com.br IMPORTANTE! O desenvolvimento adolescente pode ser muito diferente de adolescente para adolescente, nada é uma regra e cada ser é único. 28 Você se lembra de quando seu filho adolescente era um bebê aprendendo a andar? Que marco importante. Você não queria perder por nada, e você o apoiou e o encorajou. Agora você tem um adolescente que está aprendendo a ser adulto. Você o encoraja, anima e mostra que acredita que ele conseguirá? A adolescência é a fase da vida humana em que ocorrem transformações de ordem física, emocional e social. É justamente o conjunto de suas características que confere unidade ao fenômeno da adolescência. Além disso, é uma etapa crucial e bem definida do processo de crescimento e desenvolvimento, cuja marca registrada é a transformação ligada aos aspectos físicos e psíquicos do ser humano. O Adolescer e suas descobertas Patrícia Rocha Busnardo Psicóloga - CRP: 06/78692 29 A transformação inicia-se com o aparecimento dos caracteres sexuais secundários, indicando que o corpo infantil começa a se despedir e o corpo juvenil, a emergir. Essas modificações são denominadas puberdade. Da mesma forma, a adolescência pode ser entendida como o período entre a infância e a idade adulta que dá continuidade a um processo dinâmico, iniciado com o nascimento, no qual ocorrem transformações físicas, sociais e psicoemocionais. Percebe-se que a adolescência é um momento muitoespecial na vida de todo ser humano, apresentando características próprias e determinando cuidados especiais. 30 Em nosso meio social a chegada da adolescência é cada vez mais prematura. A antecipação do início desse evento pode estar associada à chegada de um novo século, à curiosidade por novas sensações, aos namoros virtuais, ao acesso às mais diversas e rápidas formas de comunicação, e às novas e cada vez mais precoces formas de expressão sexual. Essas transformações sociais interferem de forma significativa no comportamento sexual dos adolescentes, antecipando-o, num período da vida em que a construção de valores e a maturidade ainda não estão consolidadas. O adolescente já não é mais criança. O mundo espera dele outro padrão de comportamento e ele se cobra diferenciações, pois não quer ser rotulado de infantil, não se permitindo tomar atitudes que possam caracterizá-lo dessa maneira. Portanto, evita recorrer aos pais, numa tentativa de mostrar-se mais adulto e independente. Desliga-se dos modelos anteriormente enaltecidos e busca no grupo de iguais as alianças e o auxílio para a tomada de decisões. 31 Entendemos que a adolescência se configura como uma etapa da vida resultante de transformações que acompanham o fenômeno da puberdade, no qual interagem os fatores psíquicos, socioculturais e as diversas realidades existenciais de cada adolescente. A adolescência também pode ser um período de grande estresse e instabilidade, não apenas para os filhos mas também para os pais. É normal que os adolescentes explorem uma nova sensação de liberdade, mas esse processo pode deixar os pais se sentindo sem poder ou excluídos da vida dos seus filhos, sendo que esses efeitos são ainda maiores na era da distração digital. Algo importantíssimo a ressaltar, é que a adolescência é apenas uma pequena parte do processo de crescimento. Não é de forma alguma o destino final. Contato WhatsApp: (11) 98802-0472 | Instagram: @patriciabusnardo.psicologa E-mail: patriciabusnardo.psicologa@gmail.com Site: www.patriciabusnardo.com.br 32 Quem sou eu? Pergunta difícil de responder durante a adolescência. Já que a adolescência é o período do desenvolvimento humano definido pela transição, ou seja, pelo fim da infância e a preparação para a vida adulta, ela é uma fase difícil, cheia de transformações, onde o adolescente se pega confuso entre tantas perguntas sem respostas evidentes. As cobranças mudam, os sentimentos mudam também e novamente os adolescentes se pegam pensando: Então, até onde posso ir? O que posso fazer? Não sou mais criança, mas também não sou adulto. E agora? Quem sou eu? Compreendendo a adolescência Amanda Guedes de Andrade Psicóloga - CRP: 08/17126 33 Nesse período existem transformações físicas e emocionais muito significativas na formação de um adulto, o corpo muda e a cabeça também, então é aí que se torna necessário a busca de autoconhecimento. A adolescência pode ser uma fase marcada por conflitos familiares, devido a baixa autoestima, inseguranças, medos, ansiedades que podem vir a surgir nessa fase, por esse motivo o adolescente necessita de muito acolhimento, respeito e orientação. 34 Para que seja possível se conectar ao adolescente de forma produtiva e harmoniosa é necessário olhar com empatia para ele, ou seja, se colocar no lugar dele, olhar com os olhos dele para as situações, lembrar de quando se era adolescente, suas dúvidas, angústias pode auxiliar a entendê-lo melhor nesse momento. Em cada fase da vida os filhos precisam dos pais de maneiras diferentes e na adolescência essa necessidade está presente na compreensão, na escuta, na conexão e no auxílio para a promoção da saúde e das habilidades que serão importantes no decorrer da sua vida adulta. 35 Compartilho com você 7 dicas de como melhorar o relacionamento familiar quando seu filho está na adolescência: Ouça mais e fale menos. Reserve tempo para conversarem. Tente se colocar no lugar do seu filho. Lembre-se de que você já passou por isso e seu filho também vai precisar passar Façam atividades juntos. Demonstre interesse no que seu filho gosta. Dê valor ao sentimento do seu filho. Contato WhatsApp: (43) 99979-5993 | Instagram: @psicologaamandaandrade Facebook: Psicóloga Amanda Andrade Email: amandaandradepsic@gmail.com 36 Com os avanços tecnológicos, também surgem novos desafios. Atualmente vivemos o desafio de lidar com o uso saudável das tecnologias, tanto com crianças, adolescentes e adultos. Por ser algo recente, muitos estudos e discussões sobre o assunto ainda estão em percurso, mas já se sabe que o uso excessivo das tecnologias pode sim gerar uma dependência. Apesar da nomenclatura não ser oficial, o termo Dependência Tecnológica vem sendo considerado para incluir o uso das diversas tecnologias como celular, videogames, redes sociais, entre outras atividades que a pessoa faz online. Dependência tecnológica Carolina Thans Bartolomeu Psicóloga - CRP: 06/143160 37 A dependência tecnológica pode ser considerada quando o uso dos recursos tecnológicos passa a ser prejudicial para a vida da pessoa, ou seja, quando atrapalha alguns aspectos essenciais, como relações sociais e familiares, trabalho e estudo. Existem alguns critérios que podem ser considerados, tais como: ficar constantemente mais conectado do que gostaria, ter tentativas repetidas de redução de uso e não conseguir, priorizar estar conectado em relação a outras atividades, dentre outros. Porém, um dos pontos mais importantes, é quando o uso das tecnologias é para regular o humor da pessoa, ou seja, quando está triste, frustrada, com raiva e para aliviar os desconforto que tais sentimentos geram, recorre aos jogos ou redes sociais. Lembrando que os critérios servem como base, e não para diagnóstico. Todos nós ficamos tristes ou com raiva, e é natural que busquemos um escape para lidar com isso, porém quando esse escape é a tecnologia, é preciso ter um cuidado maior, pois estamos conectados o tempo inteiro. 38 Usar a tecnologia é prazeroso, pois ativa o sistema de recompensa no nosso cérebro e por isso pode ser viciante, assim como acontece com o uso de drogas. As crianças e os adolescentes, estão em desenvolvimento e a região do cérebro que é responsável pelo autocontrole, tomada de decisão e regulação emocional, ainda está se formando, portanto, nesse período os pais precisam ser os mediadores do uso com os filhos. 39 Um dos fatores que pode contribuir para uso excessivo e posteriormente uma dependência, são as nossas necessidades emocionais. Todos nós queremos nos sentir amados, saber que somos queridos e valorizados, e buscamos isso de diversas formas. Os jogos online e as redes sociais oferecem essa possibilidade, atrás da tela posso ser quem eu quiser, montar um avatar (personagem do jogo) ou um perfil do jeito que eu desejo, e assim, me sentir pertencente àquele ambiente. O problema não é a tecnologia, mas sim o que eu busco por meio dela, ou seja, o uso passa a suprir algumas necessidades emocionais básicas. Se a criança ou adolescente só se sentem bem, felizes e valorizados nos jogos, é ali que ficarão a maior parte do tempo. O ambiente presencial nunca vai oferecer o mesmo estímulo que o ambiente virtual oferece, mas podemos sim tornar o espaço que vivemos mais atrativo. Os filhos precisam se sentir encorajados a realizarem suas atividades e saberem que podem ter um bom desempenho em outras atividades além dos jogos. 40 Fortalecer o vínculo entre pais e filhos é fundamental para que exista um canal de diálogo aberto que eles possam conversar sobre o que acontece, inclusive no mundo digital. Conhecer os jogos que os filhos gostam, entender o que tanto os atrai é importante e não apenas ficar criticando - o que pode afastá-los. Para a criança, o impacto do uso pode ser ainda maior, pois além dos aspectos emocionais, a criança também perde em aspectos motorese cognitivos. A tela oferece um modo de diversão muito passiva e a criança precisa pular, correr e estimular a coordenação motora. Com a quantidade de estímulo e informação, a capacidade cognitiva de reter informação é afetada, pois não dá conta de absorver tudo que recebe. A criança que fica muito tempo em frente uma tela, terá mais dificuldade em se concentrar em atividades mais paradas, além de também poder interferir na fala já que não existe a troca com outra pessoa. 41 Sabemos que atualmente com a pandemia está desafiador não deixar os filhos em frente às telas, e isso não é o fim do mundo, existem algumas alternativas para não ser tão prejudicial, por exemplo: intercalar as atividades online e offline. Se a criança precisou ficar assistindo desenho, peça que lhe conte depois sobre o que assistiu ou que faça um desenho sobre o tema. Quando puder, assista junto com a criança e entenda o que ela mais gosta, o que chama atenção e conversem sobre isso. A tecnologia só tende a evoluir e ficar cada dia mais presente na nossa vida, portanto, vamos precisar aprender a lidar de uma forma saudável e ensinar aos filhos também. Contato WhatsApp: (11) 97599-8926 | Instagram: @carolinatb.psico Facebook: @carolinatb.psir 42 Na atualidade, infelizmente, tempo de qualidade tornou- se uma linguagem do amor muito difícil de dizer em nosso mundo corrido. Como consequência, muitos adolescentes vivem em casas cheias de tecnologia e com falta de amor. Conceder tempo de qualidade ao seu filho adolescente significa dedicar uma parte de sua vida para preencher o vazio, através da comunicação de qualidade, permitindo ao adolescente um espaço de escuta empática e ativa. É essencial, criar um porto seguro, para desenvolver experiências através do vínculo com os filhos, para manejar as necessidades e mudanças comportamentais. Como propiciar tempo de qualidade com o seu filho adolescente Carla Amaral Bispo Psicóloga - CRP: 06/108545 43 Propiciar um espaço para a comunicação, proximidade e tempo de qualidade, exige horas, criar este tempo para dar atenção exclusiva, possibilita uma acolhida aos filhos, em momentos de refúgio, em dias de tempestades da vida e moldam uma experiência de vínculo para cuidarmos da fragilidade dos adolescentes, contribuindo para o crescimento emocional, psicológico, acadêmico e social, garantindo assim o abastecimento de amor. Transformar o tempo em presença envolve estar presente consciente do que está ocorrendo com o seu filho adolescente, é estar aberto para acessar as mudanças desafiadoras que emergem nesta fase, que inicia por volta dos doze anos até os vinte e quatro anos. Compreender a natureza dessas mudanças poderá trazer benefícios para a comunicação mais apropriada para o período de desenvolvimento da adolescência, contribuindo para a conexão de uma jornada de escuta qualitativa, positiva e produtiva. 44 Se relacionar com seu filho, implica em reconhecer o seu adolescente como um indivíduo e criar condições criativas para dialogar com afeto. Falar é uma parte fundamental para uma comunicação de qualidade, porém, o modo como você fala é crucial. É muito melhor usar uma abordagem positiva para expressar perspectivas, ideias, sentimentos e desejos, ao invés de criar um relacionamento hostil, censurando as ideias dos adolescentes. Outro princípio importante ao conversar com o adolescente é ensinar, em vez de passar sermão, julgamentos e punições. Cabe ainda, exemplificar que quando os pais falam em voz alta ou usam gestos, normalmente forçam o adolescente a buscar conselhos em outro lugar. Consequentemente, para se alcançar uma eficácia no diálogo, os pais precisam aprender a arte de ouvir e falar de modo mais proveitoso, comunicando o amor em nível emocional. 45 Para encorajar pais a desenvolverem a habilidade de escuta, sugere-se, reservar um horário que seja acessível e flexível, para que o momento de acolhida se transforme em tempo de qualidade, possibilitando a criação de memórias afetivas, a partir da arte de ouvir e aprofundar os laços de amor, com o seu filho adolescente. A reunião de família é uma ferramenta valiosa para criar e manter a dignidade e respeito. Durante os encontros, os filhos e pais podem praticar habilidades para resolver problemas, respeito mútuo, aprender que erros são oportunidades maravilhosas para crescer, criar boas lembranças e modelar novas habilidades. Os encontros visam inspirá-los a ouvir sem julgar, validar os sentimentos, tornar o ambiente de escuta atraente, especial e divertido. O maior compromisso dos pais, em demonstrar amor para os filhos é firmar o compromisso de mudar a sua agenda pessoal e priorizar o tempo juntos, garantindo assim um tanque sempre abastecido de amor e conexão. Contato WhatsApp (11) 99933-2164 Email: carlaa.psico@gmail.com 46 Uma das maiores decisões que o adolescente tem que passar é a escolha profissional, desde a infância a pergunta é: "O que você quer ser quando crescer?". Na adolescência essa pergunta se torna: "Já sabe que curso vai fazer?" Não se trata de uma escolha fácil, já que implica autoconhecimento. Ao escolher uma profissão é preciso renunciar outras, exige alguns anos de formação, o trabalho não é só um ganha pão, é o papel ocupacional que se exerce na sociedade. Como ajudar o adolescente na escolha profissional? Jhennifer Souza Kuhn Psicóloga - CRP: 18/05960 47 Considerando que a maior tarefa da adolescência é a busca da identidade, o adolescente se vê frente a uma escolha séria e encarada como definitiva - já que implica o que ele irá fazer todos os dias na vida adulta. É uma escolha muito pessoal mas também influenciada por vários fatores, incluindo a família. Esse momento pode ser responsável por ansiedade, angústia e até conflitos familiares. 48 Converse abertamente sobre seus planos, desejos e identificações, de forma empática e sem julgamentos. Considerando que esse momento pré- vestibular pode gerar muita pressão, convide o adolescente a falar sobre seus projetos e sonhos, como ele se imagina profissionalmente, assim esse momento pode ser usado para orientá-lo, expor sua percepção e salientar que a escolha não é necessariamente definitiva. Dicas para os pais e responsáveis Incentive-o a considerar as características pessoais, afinidades e habilidades. O adolescente precisa olhar para si e compreender seus desejos e características - lembrando que as habilidades sempre podem ser aprimoradas se houver desejo. 49 Incentive-o a pesquisar sobre os diferentes cursos e profissões, considerando as variáveis e características além do salário e status. Como por exemplo: horário de expediente, tempo e grade do curso. É importante considerar o dia a dia e as exigências da profissão para que a escolha seja mais assertiva e consciente. Considere investir em uma orientação profissional com um psicólogo, esse profissional dispõe de materiais e testes cientificamente comprovados para auxiliar nesse processo. Se atente às suas próprias expectativas sobre o adolescente e sua escolha profissional. Pode acontecer dos pais, mesmo que inconscientemente, colocarem sobre os filhos seus desejos profissionais não realizados ou até desejam que sigam seus passos, o que pode não ser o desejo do adolescente. 50 Entenda que a escolha profissional implica uma decisão importante e pessoal, se trata do modo de vida que ele escolhe seguir e que vai sustentar no dia a dia da vida adulta. A família pode ser uma aliada nesse processo tão particular e importante. Contato WhatsApp (65) 99813-4748 | Instagram: @psicologa.jhenniferkuhn E-mail: psicologa.jhenniferkuhn@gmail.com 51 Em meio à pandemia, a maior dificuldade encontrada por nós, pais, é em como criar nossos filhos de uma maneira que seja benéfica, positiva e eficaz a longo prazo. A cada fase que nossos filhos vão passando, parece que vamos nos perdendo, sem saber o que fazer diante dos desafios do dia a dia. As barreirasentre pais e filhos parecem cada dia aumentar mais e, diante desse momento atípico, nos encontramos confusos e inseguros da nossa postura como pais. Essa queixa encontra-se em evidência na relação pais e filhos adolescentes. É tempo de aprender Lucienne Silva Psicóloga - CRP: 04/36081 52 A pandemia trouxe um turbilhão de mudanças bruscas em nossas rotinas e com elas um mar de sentimentos com tamanha intensidade e frequência que já não sabemos mais o que é certo e o que é errado. Filhos em casa, pais no trabalho, aulas online, falta de tempo, o uso abusivo tecnológico (quase não percebido tanto nos adolescentes, quanto em nós mesmos), excesso de obrigações que nos consome e nos cansa emocionalmente. Sem contar a desmotivação, a irritação vindas da falta de cooperação, brigas e enfrentamentos, tendo como resposta imediata o descontentamento, as agressividades e, o que não queríamos, acaba acontecendo: a desconexão. Uma barreira que automaticamente é criada nessa fase, aumenta cada dia mais e mais e, com ela, a apatia, o desrespeito, a impaciência, o comportamento desafiador, o esgotamento emocional, dentre outros. Muitos pais se perguntam: "sou eu ou meu filho adolescente que precisa de ajuda?". A resposta é: os dois. A mudança do seu filho pode acontecer, mas você obterá mais sucesso se ela começar por você. Então, por onde começar? 53 O primeiro passo é estar disposto a aprender. Sim, o nosso desejo de mudar nossos filhos, diz respeito muito mais a nós do que a eles. Para provocar transformações na vida dos adolescentes, precisamos provocá-las em nós mesmos. Às vezes, os adolescentes estão somente absorvendo nossa agitação, descontentamento, irritação e expressam tudo isso em atitudes de mau comportamento. Somos espelhos, referência para eles a todo momento, independente da fase em que se encontram. Então, como querer do meu filho que ele não grite e me desrespeite, se eu grito e desrespeito todos ao meu redor o tempo todo? Faz sentido pra você? 54 Estar preparado, desenvolvendo em si a autoconfiança, a empatia, o respeito, a comunicação assertiva, a resiliência, a segurança e o controle emocional, fará muita diferença na dinâmica relacional entre pais e adolescentes. Para darmos o segundo, o terceiro, o quarto passo e assim por diante, podemos usar vários caminhos, mas existem alguns deles que trazem mais leveza e satisfação a essa caminhada. 55 Os 3 C 's podem facilitar essa tão sonhada quebra de barreiras que estamos à procura: conhecer, compreender e conectar. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas: Conhecer: Você sabe o que tem dentro da bagagem que você leva ao longo da sua vida? O que você carrega desde a infância, passando por esse período mesmo em que seu filho se encontra, que é a adolescência, até os dias de hoje? O que aconteceu com você quando criança te acompanhará para o resto da sua vida. Precisamos fazer o resgate da nossa criança interior, honrando-a, acolhendo-a e curando suas feridas. O autoconhecimento nos permite fazer esse caminho para que, cuidando da nossa criança interior, desperte o melhor em nós pais. 56 Compreender: Entender o que está acontecendo na fase em que seu filho está, todos os processos, mudanças e que tudo isso nada tem a ver com imaturidade, nos faz ter uma nova visão para trilhar um caminho de educação eficaz. Compreendendo todos esses processos, vamos desmistificando a ideia de adolescente ideal que temos em nossas mentes. Vamos percebendo que nossos filhos são os melhores filhos que conseguem ser e não o filho da amiga, que é perfeito, só tira notas boas, tem comportamento exemplar, pratica esportes e é amigo de todos. Conectar: O desejo de todos os pais de adolescentes é diminuir o distanciamento criado nessa fase. Mas agem de maneira intensa ao querer assumir o lugar de piloto na vida dos filhos. A verdade é que somente quando assumirmos o lugar de co-piloto desse avião, estaremos sendo pais gentis e firmes ao mesmo tempo. 57 Desenvolveremos um senso de conexão através do amor, da atenção, da empatia, do afeto, da compreensão e da orientação. Sairemos deste lugar de pais super controladores ou extremamente permissivos, para um lugar de pais encorajadores. Assim, nossa missão como pais começa a ficar mais clara. Entre erros e acertos vamos aprendendo a ser os primeiros da fila a aplaudir o sucesso desses adolescentes quando se tornarem adultos felizes. Não estaremos mais nesse papel de pais que impedem seus filhos de experimentarem os fracassos, vindos dos erros cometidos por eles mesmos, mas sim de pais que permitem que seus filhos adolescentes cresçam a seu tempo, aprendendo com os próprios erros. Seremos Pais Encorajados. Quando estamos dispostos a aprender, não existe tempo perdido. Ainda há tempo, há tempo de mudarmos a nós mesmos, ao invés de tentarmos mudar nossos filhos adolescentes, tempo de aprendermos habilidades parentais eficazes a longo prazo para permanecermos ao lado dos nossos filhos nessa fase e diante de tantos outros desafios que poderão vir. Contato Whatsapp: (37) 98831-9030 | Intsagram: @lupsico E-mail: lusilvapsico@gmail.com Flowpage: www.flow.page/lupsico 58 Desde criança, aprendemos e somos treinados a dar respostas. Em casa, na escola, com os amigos, nossa cultura estimula que precisamos saber tudo, ser rápido e o primeiro a responder. E se não acertamos as respostas, nos sentimos incompetentes perante nós mesmos e os outros. Por conta disso, entramos em um ciclo vicioso que nos faz querer sempre ter as respostas para tudo, na ponta da língua. O poder das perguntas na educação dos filhos Alê Alves Facilitadora da Conexão Familiar e Educadora Parental 59 Essa forma de lidar com as questões reflete em nós depois que nos tornamos pais. Casa, filhos, contas para pagar, tudo precisa estar sob controle. Sentimos que precisamos prever os possíveis problemas, prever os acontecimentos, projetar quais serão as consequências para fazer com que tudo dê certo. Por conta disso, necessitamos ter todas as respostas e saber o que e quando fazer. O problema disso é que acabamos sempre vendo tudo somente sob a nossa perspectiva. Não nos abrindo para fazer algumas perguntas e ampliar nosso entendimento da situação, do outro, de nós mesmos. Isso acontece em situações simples do dia a dia, como por exemplo: se seu filho fala que não quer ir para a escola. Frente a esse fato, você pode logo acreditar que é porque ele é preguiçoso, acomodado. Mas, será que é isso mesmo? Às vezes, não paramos para perguntar o motivo pelo qual ele está apresentando esse comportamento. Simplesmente fazemos as nossas suposições! Pode ser que o motivo não seja esse. Pode ser que ele não esteja conseguindo interagir com os colegas da turma, que esteja com dificuldades na aprendizagem ou que não tenha se adaptado à escola. 60 Quando não fazemos perguntas, mantemos a nossa visão rígida e estática por acreditarmos que estamos sempre certos e nem sequer notamos que essa certeza é construída a partir da nossa visão de mundo, das nossas percepções, das nossas crenças e que, automaticamente, excluímos a possibilidade de fazer mais perguntas, pois achamos que não precisamos delas. A questão é que não é saudável ter tanta certeza assim quando se trata de outro ser humano, dos nossos filhos. Ensinamos muito aos filhos, mas isso não quer dizer que eles são cópias idênticas a nós. Pelo contrário! Durante o desenvolvimento, eles acabam tendo experiências diferentes das nossas e recebem influências de outras pessoas e contextos, tornando-os únicos em muitos aspectos. Com isso, por trás das atitudes dos filhos podem estar outras questões e motivações que, às vezes para nós, para o nosso entendimento, não estão claras. 61 Por isso, precisamos mudar nossa intenção e postura ao interagir com as crianças e os adolescentes. Precisamos sair do papel de professor ou do chefe para assumir o de um (a) líder encorajador (a), de quem está ao lado ao invés de acima.Para Jane Nelsen, autora do livro da Disciplina Positiva, “um líder de grupo ou co- líder assume responsabilidade de fazer as perguntas e manter o grupo na tarefa, e não de fornecer as respostas”. Muitos adultos ainda não compreenderam que manter uma postura pautada nas exigências, nas cobranças e nos sermões é somente um convite à revolta e à disputa por poder dos filhos. Mudar essa posição para uma liderança baseada na conexão, na confiança e em fazer perguntas estimula a curiosidade, convidando a criança ou o adolescente a cooperar e a interagir com muito mais facilidade. 62 Vamos pegar novamente aquele exemplo da criança que não quer ir para a escola. Com base no que falamos até agora, a proposta é que, ao invés de afirmar “Você é um preguiçoso. Você nunca quer ir para a escola!”, faça algumas perguntas: “O que aconteceu?”; “O que você está sentindo?”; “Que ideias você tem para solucionar o problema agora?”; “O que você aprendeu que pode ajudá-lo dessa vez?”. Pode parecer loucura, mas o ato de você fazer perguntas vai ajudar o seu filho a se comunicar melhor e até compreender o que ele está sentindo. 63 Outro ponto é que as perguntas também vão te ajudar a buscar soluções. Normalmente já queremos dar a solução pronta para a criança, não é mesmo? “Faça isso, porque assim é mais rápido!”. O problema é que dessa forma não estimulamos a busca por soluções e a capacidade de resolver problemas dos filhos. Fazendo com que as crianças e os adolescentes pensem em possíveis soluções, nós os instigamos também a assumir um compromisso e a responsabilidade por essa solução. A participação os integra à solução e os motiva a desempenhar seu papel. Mas uma coisa precisa ficar clara: fazer perguntas não é a mesma coisa que fazer interrogatório. Antes de tudo, conecte-se com o seu filho - olhe nos olhos, use um tom de voz agradável, aproxime-se dele, segure-o pela mão. Isso fará toda a diferença! Ninguém responde às perguntas se não confia e se não se conecta com o outro. Se alguém te pergunta por que você está triste, muito provavelmente, você só responderá se for uma pessoa em quem você confia, que você tem intimidade para dar uma resposta sincera. Não é verdade? Senão, você responde que está “tudo bem”! 64 Nesse sentido, é importante adquirirmos o hábito de fazer perguntas e nos conectarmos com o outro e com nós mesmos. Marshall Rosenberg, criador da Comunicação Não-Violenta (CNV), afirma que uma das coisas mais importantes ao desenvolver a habilidade de fazer perguntas é estarmos abertos a ouvir o outro e a nos conectar também com a sua vulnerabilidade. Para isso, é necessário sair do papel de avaliador, fazendo perguntas sem menosprezar ou acusar o outro. Uma das formas que ele aponta para isso é nos perguntarmos: "O que essa pessoa está sentindo? Do que ela precisa? Como estou me sentindo em relação a essa pessoa? Quais necessidades estão por trás desse sentimento?". Mudando nossa postura de detetives para líderes e se manter disponível para perguntar ao invés de afirmar, abriremos o caminho para conhecermos melhor nossos filhos, como eles pensam, sentem, se comportam, o que eles necessitam e desejam. E sairemos da posição desgastante e intolerável de controle total para uma parceria verdadeira em que cada um assume e vive o seu papel na relação com respeito e amor. Contato WhatsApp: (31) 99724-4858 | E-mail: alealves@alealves.com Instagram / Facebook: @alealvesconecta Site: www.alealves.com 65 Um dos grandes desafios da fase da adolescência é manter uma comunicação assertiva entre pais e filhos. Essa queixa é recorrente no consultório, e ela vem tanto dos pais quanto dos filhos. Frases como “Ele não me escuta” ou “Ele não me entende”, são comuns. Essas frases denotam as necessidades de atenção e de compreensão, quando essas necessidades não são atendidas dentro de um processo de comunicação, ocorre uma desconexão, gerando um distanciamento entre pais e filhos. A importância do escutar na comunicação entre pais e filhos adolescentes Simone Salles Verlindo Psicóloga - CRP: 07/23424 66 De acordo com o dicionário de língua portuguesa comunicação é a ação ou efeito de comunicar, de transmitir ou de receber ideias, compartilhar informações. Parece simples, não é? Mas, então, o que acontece de errado nesse processo entre pais e filhos? O que falta? Onde está o problema? Quando falamos em comunicação temos que ter em mente que é necessário um emissor e um receptor, mas não podemos esquecer que para uma comunicação ser assertiva e respeitosa é necessário sabermos transitar entre ambos os papéis, hora sendo emissor, hora sendo receptor e, para isso, é preciso saber escutar e falar. 67 Aqui encontramos o primeiro entrave da comunicação entre pais e filhos, pois os pais estão mais habituados a falar do que a ouvir. E por que é tão difícil ouvir? É difícil porque muitas vezes levamos para o lado pessoal, julgamos, queremos corrigir. Os pais acreditam que falar é a forma mais eficaz de ensinar, mesmo que as evidências indiquem o contrário, e mostrem que a forma mais eficaz de ensinar é através do exemplo. Quando seu filho tem alguma dificuldade, o que você faz? Imagino que você o oriente a não desistir e estimule-o a buscar estratégias para superar. Mas, que tal mudar de estratégia? 68 No livro Disciplina Positiva para adolescentes, Jane Nelsen e Lynn Lott apresentam uma lista de habilidades para ajudá-lo a escutar: Perceba que o sentimento por trás do que você faz é mais importante do que o que você realmente faz. Ficar em silêncio enquanto você está lendo o jornal ou pensando em outra coisa não conta. A escuta ativa exige uma linguagem corporal aberta para demonstrar seu interesse. 1. Respeite as diferentes realidades. Esteja aberto para o fato de que há mais de uma maneira de ver as coisas. (Você não ama quando alguém está interessado em você? Bem, seus adolescentes também). 2. Mostre empatia. Diga: "Eu entendo porque você se sente assim ou vê as coisas desta maneira”. Isso não significa que você vê as coisas da mesma forma, apenas que você entende como seu adolescente pode ter chegado às conclusões que chegou. 3. 69 Seja curioso. Faça perguntas que irão trazer mais informações do seu adolescente. Por exemplo: “Como você se sentiu? O que nessa situação era importante para você? Você poderia me dar um exemplo de quando eu te fiz ficar irritado? Com que frequência faço isso? Há mais alguma coisa que o esteja incomodando?” 4. Agora que você conhece algumas habilidades para escutar, que tal tentar colocar em prática essas dicas? No início pode não ser uma tarefa fácil, mas você e seu filho podem ter benefícios se você exercitar essas habilidades. Não se esqueça que mudar é um processo e sendo assim haverá acertos e erros e está tudo bem, porque estamos todos aprendendo. O mais importante é que você esteja sinceramente comprometido em compreender o mundo dos seus adolescentes e aceitar a sua realidade de forma respeitosa. Contato WhatsApp: (54) 99634-9390 | Instagram: @reconectapaisefilhos E-mail: simonesverlindo@gmail.com 70 Desde 2004, quando foi lançada a Política Nacional de Assistência Social, o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) além de atender às situações de vulnerabilidade material, passou também a lidar com as vulnerabilidades relacionais que são as situações de fragilização de vínculos e de pertencimento social (conflitos, violências, discriminação, abandono, etc), colocando o atendimento preventivo destas vulnerabilidades também como uma responsabilidade pública. O atendimento da Política de Assistência Social e o desenvolvimento das competências socioemocionais Anelisa Morais Maia Psicóloga - CRP: 06/93684 71 Sendo assim, a Política de Assistência Social atual oferece vários serviços contínuos como o trabalho social com famílias nos CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) e CREAS (Centro de Referência Especializado da Assistência Social) e o atendimentofocado nos ciclos de vida, através dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Adolescentes e para Idosos. Estes serviços devem ofertar atividades voltadas à segurança de convívio, tanto familiar quanto comunitário, sendo seus principais objetivos o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, o desenvolvimento da autonomia, da participação social e a prevenção de situações de violência e outras violações de direitos. 72 O ser humano se constitui como tal na relação com um outro e, através desta relação, é afetado e afeta, ou seja, recebe e deixa suas marcas. Quando estas marcas são positivas levam ao fortalecimento dos vínculos e quando são negativas, gerando tristeza, revolta, submissão e impotência, ocorre a fragilização dos vínculos. Essas vivências de “emoções tristes” reduzem a potência de ação do indivíduo. Assim sendo, na Assistência Social, a convivência é o método para se chegar ao objetivo de fortalecimento de vínculos, sendo este o resultado esperado das relações. O vínculo, para além de sua função de sobrevivência, alimenta as necessidades de reconhecimento e pertencimento do ser humano e está relacionado aos laços afetivos e referência que uma pessoa tem. 73 Nos materiais de orientação oficiais do governo federal encontramos várias citações referentes à importância de contribuir com o desenvolvimento de potencialidades das famílias e indivíduos, como o enfrentamento de situações conflituosas, a utilização do diálogo, a tomada de decisão, a participação social, a identificação dos sentimentos, o respeito às diferenças (empatia), dentre outros. Estas são competências socioemocionais, que são habilidades de vida que podem ser desenvolvidas desde o nascimento até a vida adulta, sendo que estas habilidades são encorajadas ou não através das relações que se estabelecem. Portanto, o modelo relacional e educacional utilizado é de extrema importância para facilitar ou dificultar esse desenvolvimento. Por exemplo, em nossa cultura, historicamente é muito comum a utilização de punições físicas, castigos, xingamentos e gritos para cessar um comportamento tido como inadequado ou para lidar com as nossas emoções, bem como é comum utilizar de recompensas para reforçar o bom comportamento, mas através da Disciplina Positiva, entendemos que essas práticas educacionais funcionam a curto prazo, mas em longo prazo são ineficientes para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais e são inadequadas para o desenvolvimento saudável e autônomo. 74 Estas habilidades requerem que o indivíduo seja capaz de identificar, entender e expressar adequadamente seus sentimentos (autoconsciência e comunicação), apresentando autocontrole emocional, que consiga respeitar limites, ter empatia, comportamento colaborativo, autonomia, dentre outras. O Estatuto da Criança e do Adolescente já prevê como proteção a esta fase da vida, a proibição do uso de castigos físicos e humilhantes às crianças e o encaminhamento para programas de proteção e orientação familiar (ofertados pela Assistência Social também), sendo importante que estes serviços ofertem recursos às famílias que levem à reflexão sobre o modo tradicional de educação e outros modelos que utilizem de métodos e recursos que facilitem a conexão entre os membros da família e formas de interação não violentas. Sendo assim, percebemos que a Disciplina Positiva é uma abordagem que traz algumas ferramentas e recursos que podem auxiliar as famílias, bem como os profissionais, na condução dos grupos dos diversos serviços ofertados, a fim de lidar de forma diferente com os desafios que aparecem nas relações. 75 Durante alguns atendimentos, percebemos como as pessoas reproduzem o mesmo padrão que viveram na infância ou, tentando fazer o seu oposto, caem no outro extremo e os pais se sentem perdidos por não terem modelos que equilibrem a firmeza e gentileza, como preconiza a Disciplina Positiva. Além disso, percebemos a dificuldade de conexão com os próprios sentimentos e dos outros porque não receberam uma educação emocional adequada, ao contrário, a educação tradicional foi pautada nos valores da obediência irrestrita e na falta de espaço para expressão, o que dificulta o desenvolvimento da empatia e da autonomia. 76 Enfim, somos constituídos por nossas relações e precisamos de espaços para a construção de novos relacionamentos pautados no respeito mútuo e esse é um dos desafios dos profissionais que atuam na Assistência Social. Que tal você, profissional das Políticas Públicas, começar a conhecer essa abordagem para verificar se faz sentido na sua prática? Na minha já está fazendo! “Investir nos encontros que geram afetos que potencializam a ação é contrapor-se, no plano da convivência, às relações sociais cristalizadas que geram dependência, subordinação ou submissão” (Concepção de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, p. 26) Contato Instagram: @anelisa_maia 77 Fomos educados para desvalorizar nossas emoções desagradáveis, como a tristeza e a raiva, e deste modo, o discurso dos pais para seus filhos é: "Você não vai chorar por essa besteira, vai?"; "Cale essa boca!"; "Deixe de mi mi mi"; "Não acredito que você está com raiva". Desta forma, construímos crenças de que sentimentos que remetem a emoções negativas, nos tornam ruins e que fazem parte da maldade dentro de nós. O que praticamos mais: Crueldade ou Bondade? Rosa Maria Mendonça Lima Juraci Psicóloga - CRP: 03/04141 78 A Disciplina Positiva apresenta 4 passos para conseguir a cooperação dos filhos: validação dos sentimentos; ser empático sem necessariamente concordar; compartilhar seus sentimentos e percepções; e convidar a criança a pensar em uma solução. Compreendemos que é através do respeito mútuo que nos conectamos e elevamos o sujeito à sua realização e a lógica pessoal é desenvolvida. Por que pensamos que praticamos o mal? Para Jerome Kagan, de Harvard, através de uma proposta de um exercício mental para definir a natureza humana e obter como resposta que a soma total de bondade supera e muito a de maldade. Ele reconhece que nossa biologia é permeada de raiva, ciúme, egoísmo, inveja, grosserias, agressividade ou até mesmo violência. Porém nossa biologia também nos veste de uma tendência ainda mais forte para bondades, compaixão, cooperação e amor, principalmente quando reconhecemos o mais fraco e que praticamos a caridade e empatia com o intuito de ajudar. 79 Pode-se observar um exemplo clássico de que somos bons enquanto essência, na reação dos pais quando ouvem o choro de seus filhos, a neurociência nos ajuda a entender ainda mais o mecanismo do cérebro dos pais ressoando empatia inata em forma de tentar aliviar o sofrimento do filho. Uma nova consciência pode ser encontrada através do mindset de crescimento, ou seja, um novo olhar para o mau comportamento, tendo em vista os pais enquanto líderes e orientadores, possam buscar a cooperação, autoconfiança e responsabilidade dos filhos. Temos, como um marco da Disciplina Positiva, os critérios para o desenvolvimento saudável dos filhos, fornecendo: gentileza e firmeza ao mesmo tempo; promover senso de aceitação e importância; ser efetivo em longo prazo; ensinar habilidades sociais e de vida. 80 Desta forma, podemos colaborar para a bondade ser vista a partir do nosso bem-estar e percebendo a importância do ambiente seguro, sentimento de pertencimento, limites, autonomia, autoestima e liberdade de expressão. Nesse engajamento revestimos nossa casa interna e externa e nos descobrimos em nossa real natureza e permitimos que a igualdade nos conduza a um lugar melhor a cada dia, no qual a bondade prevaleça e o mal seja reconhecido como possibilidade de aprendizados. Contamos com essa mudança mais assertiva, onde, por meio do nosso desejo, com consciência e aceitação, possamos ser conduzidos a uma transformação libertadora, despertando o bem na humanidade. Contato WhatsApp: (79) 99133-5935| Instagram : @rosalimapsi E-mail: rosamendoncalima@hotmail.com 81 Quando nos casamos estamos cheios de expectativas para o compartilhamento de desejos e projetos, com uma necessidade de construir a nossa própria conjugalidade e dinâmica familiar. É o desejo inerente ao ser humano, de conhecer e ter o outro em sua intimidade completa, o anseio pela aceitação e sentir-se amado. Então, de repente, nos deparamos com o difícil convívio entre a individualidade e a conjugalidade, buscando formas de restabelecer o equilíbrio, criando maneiras de manter em conjunto o desejo de permanecer em par, as tentativas de se evitar o desgaste do convívio comuns no dia a dia. Sendo assim, o divórcio ou a separação, torna-se a última alternativa para findar com os conflitos instaurados em nosso lar. Invalidação de sentimentos após a separação Gabriela Fernandes Maximiano Psicóloga - CRP: 23/805 82 Embora o divórcio possa ser, às vezes, a melhor solução para um casal onde seus integrantes não se consideram capazes de ultrapassar tais dificuldades, este processo é sempre vivenciado como uma situação extremamente dolorosa, estressante, complexa de sentimentos, havendo um luto a ser elaborado. Nessa fase é exigido que este casal consiga elaborar a separação física da afetiva, e quando se tem filhos ainda lhes serão exigidos a separação da relação conjugal da parental, e estas talvez sejam uma das tarefas mais árduas para os pais que estão em separação. Neste processo de busca pela superação entrelaçada com a decepção, é comum nos depararmos com frases do tipo: “ele (a) não vai me ver derramar nem mais uma lágrima”, “não posso ficar sofrendo por causa disso”, embora saibamos que há um desejo de superação de findar os sofrimentos, estas frases evidenciam o processo de invalidação dos próprios sentimentos. 83 A invalidação emocional ocorre quando os sentimentos e emoções de uma pessoa são tratados como errados, inadequados ou ridicularizados e menosprezados. Pais que não se permitem vivenciar suas emoções, que negligenciam ou tem dificuldade de reconhecer e lidar com seus próprios sentimentos, tendem a ter maior dificuldade de (re) definir os papéis parentais pós-divórcio e de validar os sentimentos dos filhos, que também estão vivenciando as consequências e mudanças na estrutura familiar. 84 Imaginemos um casal recém separado, que nega seus sentimentos ao se deparar com seus filhos dizendo que está com saudades da antiga casa; ou, que em um fim de semana com o pai, o filho chora e confidencia estar com saudades da mãe. Muito provavelmente, a reação destes pais seria de invalidar os sentimentos do filho com as típicas frases: “deixa de bobeira, você ficou a semana toda com sua mãe.” Ou, “vai brincar que passa, não precisa chorar.” Para o psicólogo Daniel Goleman autor de Inteligência Emocional, “a família é nossa primeira escola de aprendizado emocional”, pois é na família que teremos nossas primeiras experiências com as emoções e ensinamentos de como lidar com elas. Assim, quando os pais ridicularizam, descredibilizam ou diminuem os sentimentos dos filhos, estão perdendo a oportunidade de os ensinar a aprenderem sobre aquele sentimento, a descobrirem formas de lidar com as emoções e acabam despertando insegurança, dependência afetiva, sentimentos de desvalor que, na vida adulta, podem evoluir para a invalidação pessoal, a própria desqualificação. 85 Buscamos aqui refletir se por diversas vezes nossas emoções e sentimentos foram reprimidos ou desvalorizados por quem esperávamos que apoiasse ou trouxesse resposta àquela sensação ainda desconhecida por nós. É de suma importância reconhecermos isso, nos dando a oportunidade de acolher nossa criança interior, que teve suas emoções invalidadas, para então buscarmos adquirir recursos para começarmos a validar nossos sentimentos, tornando assim ser possível a validação dos sentimentos de nossos filhos. É necessário a busca pelo autoconhecimento, começar a reconhecer e dar nome aos seus sentimentos, para que possa ouvir com atenção os de seus filhos, permitindo que se expressem. Vale ressaltar que o filho é um reflexo dos pais, portanto é válido lembrar que quando me permito sentir e demonstrar como lido com as minhas emoções, meu filho também se permite e se sente capaz de lidar com suas próprias emoções. 86 Compartilhe com seus filhos suas experiências de infância, utilize estes momentos para se conectarem e descobrirem juntos maneiras de lidar com as emoções desagradáveis. Entenda que todas as emoções são válidas e importantes, por isso devem ser acolhidas. O segredo para uma autopercepção saudável, uma autoestima boa, relações fortificadas e para o bom desempenho das funções parentais não estão condicionadas na dominação de teorias complexas, regras familiares elaboradas, mas sim na base de seus sentimentos de amor e afeição por seu filho, demonstrando com clareza sua compreensão e empatia, guiando-os e tranquilizando-os. Contato WhatsApp: (63) 98436-4332 | E-mail: gabi-fmgabriela@hotmail.com Instagram: @gabrielafernandesmaximiano Linkedin: www.linkedin.com/in/gabrielafm 87 https://www.linkedin.com/in/gabrielafm/ Muitas são as preocupações presentes nas famílias que buscam ajuda de profissionais para compreenderem quais os limites necessários para o bom uso da tecnologia com seus filhos adolescentes. Sabemos que nossas crianças e jovens estão imersos em um contexto em que as redes on-line são vistas como fundamentais para seus relacionamentos, é como se fosse algo necessário à sobrevivência e nós, pais, podemos compreender, afinal como seria nossa vida hoje sem celular, WhatsApp, e-mail? A conexão on e off-line com filhos adolescentes Adriana Pereira Rosa Silva Psicóloga - CRP: 06/76446 “O espírito humano precisa prevalecer sobre a tecnologia” (Albert Einstein) 88 Não podemos desconsiderar ou desprestigiar a importância dos meios tecnológicos na vida dos nossos filhos, o que deve estar em questão é o superinvestimento dos adolescentes em tais espaços em detrimento de outras formas de entretenimento, comunicação e socialização. É comum, diante de recursos como: Playstation, X- box, Twitter, Whatsapp, Instagram, Discord, dentre outros, que hajam dúvidas, que os pais se sintam confusos em como tratar seus filhos e os limites a serem estabelecidos, frente a essas tecnologias e os perigos envolvidos. Uma atitude importante é que os pais possam assumir papéis de curiosos, se aproximando dos filhos para que os mesmos sintam segurança e cuidado em suas atitudes e não compreendam como uma postura invasiva. É preciso auxiliar para que os adolescentes compreendam que os “amigos” virtuais podem ser possibilidades de novos relacionamentos, mas é necessário conhecer quem são e quais os objetivos dessa interação. 89 Perante essa realidade, os pais podem perguntar com quem estão falando, o que estão jogando e fazendo. O mesmo que fariam quando o filho pedisse para ir a casa de um amigo. Quem é? Onde mora? Quem são os pais? De onde o conhece? Então, a frase “não fale com estranhos” ainda é algo a ser ensinado às crianças e adolescentes, independente do contexto virtual ou não. 90 Conforme ressalta Nelsen e Lott (2019): "(...) Os pais e adolescentes precisam negociar o espaço on-line da mesma maneira que o fariam na vida real, incluindo o diálogo honesto e a disposição dos pais de respeitar a necessidade de privacidade e independência de seus filhos adolescentes, ao mesmo tempo que continuam sendo solidários". Por mais que nossos adolescentes “briguem” por liberdade, autonomia, e justifiquem saber lidar com seus atos e consequências, sempre deverá haver alguém para acompanhá-los no processo de desenvolvimento e socialização. O tempo de uso diário do uso da tecnologia deve ser limitado e proporcional às idades e as etapas do desenvolvimento; Algumas dicas podem ajudar as famílias a manter o bom uso dos recursos tecnológicos comseus filhos: 91 Mediar o uso de alguns aplicativos com a presença dos pais ou responsáveis para ajudar na compreensão do conteúdo; Equilibrar as horas de jogos on-line com atividades esportivas, brincadeiras e exercícios ao ar livre; Desconectar! Combinar sobre as regras de uso da Internet, configurações para segurança e privacidade. Poder olhar as relações mais de perto, compreender a necessidade do limite, identificar as restrições, os problemas e encontrar meios de colaboração no processo de desenvolvimento qualitativo das relações familiares com filhos adolescentes, é um objetivo a ser atingido por todos nós. Sendo assim, desejo que vocês pais, possam se encorajar para compreender a importância do uso da tecnologia e suas possibilidades para os nossos adolescentes e ajudá-los a usar os recursos virtuais de forma segura e equilibrada. Contato Instagram: @adrianapereirarosasilva | e-mail: adriprs@gmail.com facebook: Adriana Pereira Rosa Silva 92 Na adolescência muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo. O corpo infantil não existe mais e muito menos os pais da criança infantil. Agora pode acontecer dos adultos entenderem que, uma vez que ali não existe mais uma criança, os “cuidados iniciais” também não precisam existir, inicia-se, então, uma aposta ou entendimento de que ele, o adolescente, já está grande demais para saber o que é certo e errado. Porém, o que alguns adultos ainda não sabem é que o adolescente está passando por um período de luto, que neste caso não será pela perda de um ente querido (sendo o outro) e sim tudo o que ele precisou ou está precisando deixar para trás. O adolescente e o uso de substâncias químicas Aline Reis da Silva Flores Psicóloga - CRP: 05/59646 93 Algo novo está acontecendo, aqui, ele estará em busca de nova identidade. Enquanto criança sua identidade era formada através de modelos de adultos que conviviam com ele, na adolescência, ele precisará juntar o modelo que já existe, repaginar e trazer para a atualidade. Nasio, em seu livro "Como agir com um adolescente difícil" escreve que “para deixar a infância, o adolescente deve voltar a ela incessantemente, e incessantemente revivê-la no frescor de novos encontros” com o objetivo de alcançar uma fase mais madura a cada visita ao passado. A adolescência é uma fase em que a pessoa provavelmente, por estar mais sensível, sem saber muito bem o que a espera, estará propensa a experimentar alguns tipos de comportamentos. 94 Minha escolha por este tema foi por entender que, de modo em geral, temos a tendência de nos aliviar em determinados momentos de tensão, como não somos seres padronizados, cada um buscará algo para se apegar neste momento. Na busca por uma identidade tanto psicológica, quanto social, pode ocorrer de o adolescente procurar por aceitação nos grupos sociais onde se sentir pertencente e quanto maior for essa aceitação, maior também será a oportunidade para a experimentação de qualquer coisa, até mesmo o uso de substâncias químicas. Entretanto, como existirá outros tipos de experimentação social, provavelmente, este adolescente, em uma outra fase de sua vida, assumirá outros papéis sociais e isso fará com que este se afaste do uso de drogas, com exceção do tabaco que poderá prosseguir com o indivíduo, contudo, como citei acima, por não sermos padronizados haverá casos em que o uso de drogas permanecerá, ou seja, o que antes era experimental agora se atualizará num problema mais grave ou até mesmo de dependência. 95 Alguns autores classificam a experimentação como um uso normal na vida de uma pessoa, mas a grande questão é que não temos como saber quem terá predisposição para evoluir do experimental para a fase mais avançada. O uso de qualquer droga dependerá de como estará a motivação momentânea do sujeito para se sentir mais relaxado e seguro. Alguns sinais de uso de drogas são: mudanças nos hábitos corriqueiros, agressividade, depressão, alteração no sono ou na alimentação, perda de peso, deixar de fazer atividades que antes eram importantes, dentre outros. Ele pode ficar com uma aparência diferente, aumentar suas saídas noturnas, procurar usar diariamente a droga, tentar se suicidar, começar a usar mais de uma droga e muitas outras coisas. 96 Dependendo do estado em que este adolescente estiver, provavelmente precisará de um tratamento mais específico, e para isso existem tratamentos hospitalares com internação, tratamentos ambulatoriais como os hospital-dia e também tratamentos em comunidades terapêuticas e o objetivo inicial de qualquer tratamento será a abstinência, ou seja, é necessário que a pessoa deixe de usar e com a ajuda do tratamento ela vai administrando a falta da substância. Para finalizar meu texto eu escolho entrar nas relações familiares, aqui é importante levar em consideração de que alguns cuidadores possuem um olhar de filho ideal sobre o sujeito, ou seja, aquela criança que foi planejada e gerada com muitas expectativas, porém, é importante entender que aquele filho ideal tão imaginado não existe, o que existe é alguém que precisa ser acompanhado de perto e que necessita ainda de cuidados reais. Esse adolescente precisa estar conectado com a família e se sentir pertencente a ela para que neste momento tão difícil ele consiga se assegurar em sua casa e possa dividir todo e qualquer sentimento com alguém de sua confiança. Contato Telefone: (21) 96666-6478 | Instagram: @psi.alinereis E-mail: psi.rflores@gmail.com 97 A indisciplina é um dos maiores desafios enfrentados atualmente no ambiente escolar. Quando falamos em indisciplina, geralmente, associamos esse tipo de comportamento a práticas de repressão, em uma espécie de castigo ou punição. Essas abordagens disciplinares baseadas em recompensa e punição, são utilizadas na tentativa de controlar os alunos. No entanto, pesquisas indicam que, se não forem ensinadas habilidades socioemocionais aos alunos, eles terão dificuldade para aprender e os problemas de disciplina aumentarão. Indisciplina na sala de aula: um novo olhar sobre o mau comportamento Melina Andréa Rodrigues Valério Malimpensa Psicóloga - CRP: 06/74039 “Nós podemos transformar toda a nossa vida e a atitude das pessoas à nossa volta simplesmente ao mudarmos a nós mesmos”. (Rudolf Dreikurs) 98 A punição se baseia no fato de que os alunos precisam pagar pelo que fizeram ou falharam em fazer. Essa abordagem frequentemente resulta em sentimento de ressentimento, retaliação, rebeldia e esquiva. Já as recompensas se baseiam no fato de que os alunos farão o que queremos somente quando receberem uma recompensa externa. Essa abordagem invalida os bons sentimentos pessoais que são gerados pela contribuição e, geralmente, levam à demanda por recompensas maiores e melhores. Um aluno mal comportado é um aluno desencorajado, que acredita não ser aceito, amado ou querido. A Disciplina Positiva é composta por métodos que convidam os alunos a focarem em soluções em vez de serem receptáculos de punições e recompensas. A combinação de gentileza e firmeza é encorajadora, e permite ao aluno vivenciar o senso de aceitação e importância, melhorando assim o seu comportamento. “De onde tiramos a ideia absurda de que, para levar as pessoas a agirem melhor, antes precisamos fazê-las se sentirem pior? As pessoas agem melhor quando se sentem melhor” (NELSEN, 2017, p.93) 99 Professores que trabalham com Disciplina Positiva, criam salas de aulas nas quais os alunos são tratados com respeito, têm coragem e prazer em aprender, e têm a oportunidade de aprender habilidades que eles precisam para uma vida bem-sucedida. A proposta da Disciplina Positiva é a de que os alunos se sintam empoderados pela oportunidade de aprender com seus erros em um ambiente seguro e sem humilhações. Eles aprendem com suas experiências e consequências naturais, que ocorrem sem nenhuma intervenção por parte do adulto. 100 Permitir que os alunos explorem as consequências naturaisde suas escolhas é bastante diferente de impor uma consequência a eles, o que normalmente é uma punição mal disfarçada. Ao explorar as consequências das suas escolhas, os alunos aprendem com os seus erros em vez de tentar escondê-los ou defendê-los. Toda e qualquer pessoa neste mundo vai cometer erros em sua vida. Assim, é mais saudável adotar a concepção de que erros são oportunidades de aprendizagem em vez de atestado de fracasso. Quando realmente entendem isso, os alunos passam a assumir a responsabilidade por seus erros, porque sabem que isso não significa que eles são maus ou que serão punidos. 101 A Disciplina Positiva, oferece oportunidade para os jovens desenvolverem habilidades sociais por meio do diálogo e de conversas, de escuta e empatia, de cooperação, negociação e resolução de conflitos. Quando um problema surge os alunos resolvem juntos e aprendem ferramentas de respeito mútuo, cooperação e colaboração. Eles vivenciam o uso positivo do seu poder, e esse empoderamento interno reduz a necessidade de criar problemas para se sentirem poderosos. “Eles aprendem o que é sentimento e como separar os sentimentos de suas ações. Entendem que o que sentem (raiva, por exemplo) é diferente do que eles fazem (bater em alguém) e que, embora sentimentos sejam sempre aceitáveis, algumas ações não são. Por meio do processo de resolução de problemas, eles aprendem maneiras proativas, em vez de reativas, para expressar ou lidar com seus pensamentos ou sentimentos.” (NELSEN, 2017, p.6) 102 Algumas ferramentas podem ajudar a lidar com a indisciplina na sala de aula: Estabeleça Rotinas: Elas criam um senso de ordem e estabilidade e acaba ditando o que vai acontecer. Realize reuniões com os pais e alunos juntos: Com o objetivo de encorajar o aluno. É importante que todos compartilhem suas percepções. E juntos elaborem maneiras de encorajar e auxiliar o progresso. Implemente as reuniões de classe: Elas ajudam os alunos a vivenciarem aceitação e senso de importância, uma vez que ensinam aos alunos que suas preocupações e contribuições são valiosas. 103 Crie conexão: Ajude seus alunos a vivenciarem afeto, aceitação e importância. Quando os alunos se sentem importantes eles querem cooperar em vez de se comportarem mal. Quando eles não sentem que precisam se comportar mal para ganhar controle e se sentir importantes, eles se libertam para aprender. A mudança é um processo que envolve conscientização e desenvolvimento de habilidades, prática e tempo. Os alunos encontrarão dificuldade para modificar o comportamento até que os professores modifiquem os deles. As pessoas agem melhor quando se sentem melhor. Para ajudar os alunos a aprenderem autocontrole, autodisciplina, responsabilidade e resolução de problemas, não hesite em tomar a iniciativa, dessa forma você estará colaborando para que os alunos adquiram habilidades de vida necessárias para se sentirem bem sobre si mesmos, enquanto aprendem a ser membros que contribuem com a sociedade. Contato WhatsApp: (16) 99601-2202 | Instagram: @psi.melinavalerio E-mail: melinavalerio.m@gmail.com Foque em soluções: os alunos precisam de prática para aprender habilidades para resolver problemas. 104 O tempo pode se tornar um grande aliado, mas também nosso maior sabotador, principalmente no que se refere ao relacionamento entre pais e filhos. Vivemos um tempo que tudo passa rápido, voa e quando percebemos, já ficou para trás. Escutamos com frequência os pais se referindo ao crescimento dos filhos: “como crescem rápido, esses dias eram bebês” e é verdade. Tempo de qualidade com os filhos Sara Viana Mota Ferreira Psicóloga - CRP: 04/23846 “Sobre o tempo só existe dois dias do ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver”. (Dalai Lama). 105 Precisamos aproveitar com qualidade o tempo que passa rápido, para não nos assustarmos com o tempo que passou. Muitos pais relatam um sentimento de culpa, pois desejavam ter aproveitado mais os filhos. O sentimento de culpa nos aprisiona e paralisa, é importante compreendermos que fizemos o que demos conta naquele momento e está tudo certo. Olhar para frente é o mais adequado, investir no que pode ser feito daqui pra frente é muito mais produtivo do que ficar olhando para algo que não volta mais. Precisamos nos atentar em darmos importância à qualidade do tempo com os nossos filhos, ou seja, que possamos proporcionar momentos de completa entrega e dedicação. Somos os adultos da relação e é o nosso dever observar e abastecer o tanque de amor dos filhos. Para que isso ocorra, se faz necessário dedicar tempo exclusivo com os filhos para gerar o fortalecimento do vínculo e da relação (pais e filhos). 106 Através do relacionamento constante e diário com os filhos. Tal relação deve ser permeada de respeito, amor, dedicação, afeto, limites e firmeza. O vínculo desenvolve uma conexão com os filhos e é através desta que a relação e o tempo de qualidade acontecem. Não relacionamos de forma respeitosa com pessoas estranhas, que não conhecemos, e com os nossos filhos não deve ser diferente. Quanto mais respeito e amor, maior o vínculo e conexão. O tempo de qualidade pode se tornar uma das maiores ferramentas para o fortalecimento da relação entre pais e filhos. Claro que se for utilizada de forma adequada e sistemática. Sistemática no sentido de ser constante, já que não temos filhos só nos finais de semana ou feriados. Devemos organizar nossa rotina para que possamos diariamente ter tempo exclusivo, estar inteiro com o filho, sem interferências. vínculo? E como se cria 107 Já aconteceu de você ficar horas até mesmo dias com seu filho dentro de casa e sentir que estavam distantes, não dialogaram, não mantiveram contato físico (abraço, toque, beijo)? 108 Não é só estar ali por perto, é se fazer presente, acolhedor e participativo. Quer dizer que para isso eu preciso de muitas horas? Não, pode ser alguns minutos diários e estes se tornarem significativos e efetivos. Você tem outras necessidades e responsabilidades, não seria adequado viver só em função do filho. Eles também precisam entender que o mundo não gira somente em torno deles. Precisam de autonomia para brincarem sozinhos, serem criativos e aprenderem a buscar soluções para os problemas. O equilíbrio sempre será o melhor caminho, nada de extremos e exageros. 109 O que pode estar acontecendo? 110 Como pode ser realizado esses momentos? Estabeleça um tempo de acordo com a disponibilidade de vocês (pais e filhos). Tire esse tempo exclusivo só para vocês, não marque mais nada nesse tempo. Não desmarque ou adie esses momentos. Não troque esse tempo por outras demandas, para que seu filho não se sinta trocado por outras atividades. Desligue o celular, fique atento a qualquer outra situação que possa tirar o foco de vocês. Lembre-se, não é momento de correção e sim de entrega total. Independentemente da quantidade de filhos que tenha, invista tempo exclusivo com cada um. O tempo exclusivo com cada filho evita competição, rivalidade, disputa, aumenta a autoestima e gera no filho sentimento de pertencimento. 111 Benefícios do tempo de qualidade: Gera nos filhos o sentimento de pertencimento, que são amados e importantes para os pais; Tempo de demonstrarmos interesse e participação em relação às suas preferências e gostos; Tempo de olharmos nos olhos dos filhos; Tempo de conversas de qualidade; Tempo de contar histórias, ler juntos; Tempo de lembrarmos que somos pais, responsáveis pela relação e que devemos curtir e aproveitar cada fase do desenvolvimento deles; Que esses momentos sejam permeados de muita troca, conversas, partilhas, afetos, carinhos e histórias. Ao finalizarem o tempo especial, que vocês já tenham vontade e desejo pelos próximos encontros especiais. Contato WhatsApp: (38) 99747- 5212 | Instagram: @saramotapsi Facebook: Sara Viana MotaFerreira – Psicóloga E-mail: saravmota@yahoo.com.br mailto:saravmota@yahoo.com.br Toda criança nasce conectada com ela mesma e com a sua autoestima intacta. Ela consegue reconhecer as suas necessidades, é cooperativa e empática, mas, em muitos dos casos, o seu florescimento é impedido. Se a gente sempre tivesse um olhar e respeito pelo o que ela é e o que ela traz, essa autoestima seria cada vez mais fortalecida. Nós adultos criamos expectativas e idealizamos os nossos filhos querendo que eles sejam perfeitos e obedientes. Na tentativa de moldá- los conforme as nossas vontades, se preciso for, traçamos caminhos impondo-lhes que os sigam sem questionar. Em virtude disso, eles se moldam para se sentirem amados e, quando não atendidas as suas necessidades, aos poucos vão se desconectando deles mesmos e feridas são abertas. Pais Jardineiros ou Carpinteiros, qual tipo você é? Marivalda Freitas Psicóloga - CRP: 02/14424 112 Mas então qual a função do ser pai e mãe? Antes de qualquer coisa precisamos amar o nosso filho real e não o ideal, sabendo que aquele ser que chega ao mundo, chega de forma completa, um ser que nos ensina e nos coloca numa posição de resgatar os nossos vazios emocionais, os nossos sentimentos e descartar os nossos comportamentos infrutuosos. Para isso, é preciso estar disponível emocionalmente para se conectar com os nossos pequenos; e isso não é só termos uma disponibilidade de tempo, mas, especialmente, termos disponibilidade emocional, pois, quando existe um adulto ao qual a criança ou adolescente se conecta, certamente existirá segurança; caso contrário, não há relacionamento. 113 Fazendo-se uma analogia com os dois personagens citados no título (Carpinteiro/Jardineiro) com as figuras paterna e materna, o carpinteiro é aquele que molda, talha, corta, bate. É aquele que desenha o móvel, segue à risca todas as medidas conforme idealizou e está no controle da situação, pois representa o modelo condicional: eu só amo se tirar nota boa, se obedecer, se comer tudo e se sair do meu jeito. Assim, nesse exemplo, o filho é moldado conforme as necessidade dos pais os quais só reproduzem a forma a qual foram educados. Esse molde no qual temos que encaixar nossas crianças e adolescentes só machuca e viola a integridade deles. Quando os nossos desejos sobrepõem os desejos dos nossos filhos, estes, possivelmente, vão se submeter as nossas vontades e as dos outros, priorizando a responsabilidade social à pessoal. Isso culmina num ser humano que vive a buscar a validação do outro para se sentir pertencente e aceito. 114 Diferentemente do carpinteiro, o jardineiro é aquele que prepara o terreno, cuida, limpa, e quando a planta não cresce, busca novos adubos para fortalecê-la. Ele reconhece que não tem o controle das ações da natureza, nem o controle da cor das folhagens, nem da direção dos galhos, mas ama cada planta do jeito que ela é, pois ele sabe respeitar o curso natural do desenvolvimento de cada uma, sendo assim, o filho que é representado pela planta é reconhecido e amado pelo simples fato de existir. É preciso confiar na nossa prole, confiar que um dia vai saber andar, falar quando tem fome, sede e o que sente. Você (pai/mãe) não precisa estar no domínio de tudo, só precisa orientar e guiar seus filhos, pois o controle é muito mais nosso do que deles. É claro que essa forma de poder vem de um modelo autoritário que só deixou marcas ao longo da história, mas podemos e devemos desconstruir essa estrutura rígida e abrir caminhos para uma relação democrática, um relacionamento genuíno entre pais e filhos, considerar que eles são capazes de cooperar e participar das decisões pertinentes as suas vidas. 115 Nesse sentido, como você se vê como pai ou mãe,? Carpinteiro ou Jardineiro? Queridos, essa é a hora de refletir e parar de querer consertar e controlar esse ser que nasce tão perfeito. Viver controlando, além de gerar mal estar, só nos distancia de sentir os nossos filhos de verdade. Não é só protegê-los dos predadores e estar por perto, é preciso estar junto, assim como o pai jardineiro que prepara um ambiente cheio de possibilidades para que sua posteridade desenvolva de forma saudável as habilidades de vida. Deseje que seu filho seja feliz, isso inclui que ele seja ele mesmo. Seja aquele pai/mãe amável, capaz de respeitar o tempo e corresponder às necessidades de suas crianças e adolescentes. Tenha uma escuta ativa. Saiba que eles podem te dar soluções e que têm muito a te ensinar, com eles, sobre eles e sobre você, pois já nascem compassivos. 116 Proporcione a esse ser, que chega tão pequeno, a capacidade de mostrar a sua luz própria que tanto ofuscamos com o estereótipo do filho ideal. Que este ser seja real, seja completo e uma criança capaz, um adolescente pronto para viver o renascimento de um ser pertencente e seguro. Seja você (pai/mãe) o jardineiro, o solo fértil que vai florir e cuidar do jardim do seu filho para que ele encontre sua verdadeira existência no mundo. (Texto com base nos livros: “A sua criança competente” de Jesper Juul &“O Jardineiro e o Carpinteiro” de Alison Copnik) Contato WhatsApp: (81) 98821-0912 | Instagram: @marifreitas.psi E-mail: psi.marifreitas8@gmail.com 117 A vida em família é uma grande dádiva, nos dá muito prazer e alegria, mas sabemos que nos coloca também grandes desafios, gerando muitas vezes estresse e ansiedade. Às vezes sentimos que a sobrecarga imposta pela nossa rotina está maior do que nossas forças, não é? Temos o desejo de manter a calma e serenidade diante de cenários difíceis, mas na hora H, acabamos sendo reativos, agindo por impulso e sem controle emocional. A recorrência dessas situações vai contribuindo para que se estabeleça um círculo vicioso e parece que cada vez vai ficando mais difícil mudar esta perspectiva para um convívio familiar mais pacífico e pleno de felicidade. Meditação Mindfulness - corpo e mente em harmonia Ercília Soares Psicopedagoga com especialização em Neurociência 118 Por outro lado, sabemos que a felicidade não é uma sensação permanente de ser e estar, que este estado emocional não cai do céu pelo simples fato de querermos. O que muitos não sabem é que existem ferramentas comprovadas cientificamente através da neurociência, que podem auxiliar a transformar este círculo vicioso em círculo virtuoso, possibilitando não somente criar, mas também manter cada vez mais, momentos de harmonia e prazer em seu lar. Cultivando um ambiente interno de bem-estar e tranquilidade, é possível adquirir as ferramentas necessárias para gerenciar as circunstâncias adversas do cotidiano sem desgastes. A meditação mindfulness, também conhecida como Atenção Plena, é uma técnica que tem beneficiado muitas pessoas ao redor do mundo e vem sendo amplamente difundida por apresentar evidências de que o efeito de sua prática pode produzir mudanças na estrutura do cérebro e no seu funcionamento. Em outras palavras, o cérebro que medita se torna diferente na sua maneira de interagir com os estímulos, sejam eles internos ou ambientais, pois nosso cérebro possui neuroplasticidade que é sua capacidade de reorganizar-se constantemente. 119 Outro efeito relevante da prática de meditação mindfulness é uma modificação na reatividade emocional. As pessoas que meditam com frequência, costumam ser menos tomadas por impulsos emocionais e quando isso acontece, conseguem retornar à normalidade mais rapidamente. Neste contexto, é interessante notar que esta prática tem um papel considerável na redução do estresse e dos seus efeitos nocivos na saúde e no comportamento. Muita gente acredita que meditar é se esforçar para deixar a mente vazia, o que é praticamente impossível. Na verdade, na meditação mindfulness procura-se dirigir e manter o foco da atenção consciente em um objeto (interno ou externo), é muito comum que esse objeto seja a sua própria respiração. A atenção mantida na respiração traz o fluxo da consciênciapara o momento presente e dificulta a divagação mental. 120 Esta prática pode também ser realizada em família e representa uma oportunidade para que mães e pais possam passar um tempo de qualidade com seus filhos, vivenciando a conexão com o momento presente. Neste caso, é sugerido que o adulto já tenha adquirido uma certa familiaridade com a prática para que possa incentivar e orientar os filhos, fazendo desta atividade algo motivador e prazeroso. 121 As emoções são inevitáveis, elas acontecem e são essenciais em nosso cotidiano, mas é importante que saibamos identificá-las oportunamente para poder responder de forma positiva nos diversos contextos sociais, desenvolvendo desta forma nossa inteligência emocional, que é aprimorada com a prática da meditação. Existe a real possibilidade de vivenciarmos paz de espírito mesmo diante das situações mais desafiadoras de nossas vidas, é possível termos um estilo de vida mais leve e feliz, basta nos permitirmos alguns momentos de pausa, uma maneira genuína de apreciar a preciosidade da vida humana. Um jeito de ser que, em essência, busca a conexão com o momento presente, com o aqui e o agora, de forma serena e amorosa, algo tão importante na sociedade em que vivemos e que deve nutrir nossa família, nossos filhos e futuras gerações. Contato Instagram: @psicopedagogaerciliasoares E-mail: erciliapsicopedagogia@gmail.com 122 mailto:erciliapsicopedagogia@gmail.com Ao recordar sobre a sua infância, o que você lembra? Das longas redações, cadernos de caligrafia e provas? Ou dos intervalos da escola onde você pulava corda, jogava bola e brincava de pega pega? O que você aprendeu enquanto brincava? Faço essa pergunta, pois muitos adultos acreditam que só é possível aprender da forma tradicional, onde a criança ou o adolescente precisa debruçar-se sobre livros durante horas a finco, não valorizando os momentos que brincam e o quanto isso é importante para seu desenvolvimento de forma integral. Como utilizar o lúdico no processo de aprendizagem Thaís Ferreira dos Santos Lima Psicóloga - CRP: 06/125901 123 Agora eu te respondo o que você aprendeu durante essas brincadeiras: habilidades sociais, atenção, regras, saber esperar a sua vez e respeitar a vez do outro, assim como habilidades físicas e cognitivas. E como os pais podem utilizar o lúdico como facilitador da aprendizagem dos filhos de forma prazerosa, suave e eficaz, ou seja, aprender porque tem relevância e aplicabilidade? Embora muitos digam que as crianças e os adolescentes de hoje são mais inteligentes do que as de gerações anteriores, esse pensamento está equivocado, o que acontece é que, atualmente, elas recebem mais atenção e estímulos. Seu lar pode ser o laboratório experimental que seu filho precisa. 124 Transforme motivação em ação, crianças e adolescentes aprendem mais pelas nossas ações do que por nossas palavras. Por meio dos jogos eles tomam decisões, superam dificuldades de aprendizado, exploram o ambiente e a criatividade, além de descobrirem-se por inteiro. Não se limite a jogos prontos, com regras e finalidade determinadas. Ao ensinar cálculos básicos, balas de goma são ótimas nessa missão; com frações, utilize receitas de bolo; não leia apenas o exercício de química, faça o experimento na prática. Crie jogos com o propósito de ensinar e inclua-o na construção, trabalhe com ele, não para ou no lugar dele. A aprendizagem é alcançada ao pôr em prática o conhecimento obtido e não por conhecer seu conceito. O auxílio dos pais na aprendizagem é a chave para o sucesso dos filhos. Seja participativo! Pense que quanto menos atenção a criança ou o adolescente receber, menos chances terá de desenvolver seu potencial integralmente. Nesse caso, não é só a genética que conta, o ambiente é um forte influenciador. Quando não há esse suporte para acionar os gatilhos certos, muitas qualidades não serão alcançadas. 125 atividades Sugestão de Com tampas de garrafas PET você pode: ensinar pensamento quantitativo, coordenação motora fina, treino da atenção, velocidade de processamento e memória de trabalho. Coloque três tampas de cores ou tamanhos diferentes na frente da criança, peça que memorize a ordem por alguns segundos, retire-as, solicite a criança para colocar as tampas na ordem apresentada anteriormente, ao acertar acrescente uma tampa, se errar reduza uma tampa. Peça ajuda com a lista de compras. Ao fazer as compras, torne isso um jogo, leve seus filhos, distribua alguns itens para cada um e veja quem conseguirá encontrar tudo primeiro. 126 Você terá colaboração e será uma tarefa divertida e com menos reclamações, além de trabalhar a memória visual e de curto prazo, noção de quantidade e educação financeira. Quando seu filho sabe o valor de cada coisa, ele ganha consciência e utiliza os recursos sem desperdício. Uma dica desafiadora e divertida na mesma medida é criar um “tabuleiro humano”, ou seja, fazer um tabuleiro grande onde pais e filhos andam pelas casas do jogo como se fossem os pinos. Aproveite para utilizar o conteúdo que os filhos aprenderam na escola para criar os desafios do jogo, coloque casas como “volte ou avance” e “vá para a cadeira”. Quando há desafio as crianças sentem-se mais engajadas para avançar. 127 Aqui as possibilidades não têm fim, mas lembrem- se: as atividades propostas precisam ser possíveis de serem realizadas, no nível e idade apropriados para o seu filho, para que tenha interatividade e interesse em usar a brincadeira certa, mas na hora errada pode comprometer a aprendizagem. Pais não apenas participem dos jogos, divirtam-se enquanto brincam, valorizem jogos que vocês também gostem, seus filhos sabem quando estão com eles por prazer ou pela necessidade, para que sua criança seja a melhor versão dela mesma, uma coisa não pode faltar: AFETO e deixem as crianças brincarem! Contato WhatsApp: (11)97479-1598 | Instagram: @psico.levitate E-mail: thaisfsl.psico@gmail.com 128 Ao longo de nossa história, enquanto pais e mães, dedicamos nossos esforços e esperamos que nossos filhos cresçam de forma saudável e se tornem emocionalmente inteligentes, responsáveis, independentes, resilientes, criativos, e bem- sucedidos, dentre outros atributos. Mas, quais escolhas temos feito para alcançar esses objetivos? A maneira como estamos educando nossos filhos tem sido eficaz para que eles desenvolvam as habilidades de vida que tanto desejamos? Quando usamos punição ou recompensa, devemos refletir sobre qual é o tipo de amor que oferecemos aos nossos filhos, se é condicional ou incondicional, pois o verdadeiro amor não impõe condições. Podemos entender a punição como a aplicação de uma consequência a algum comportamento indesejado, e com o intuito de inibí-lo, geralmente está associada à dor, sofrimento ou retirada de privilégios. A arte de educar sem punição e sem recompensa Ana Lúcia Ponce Ribeiro Casanova Psicóloga - CRP: 06/134763 129 E a recompensa é o prêmio ou bônus em gratificação a determinada atitude ou desempenho com o intuito de estimular ou manter um comportamento desejado. Muitas pessoas usam a punição por acreditar que a criança precisa ser repreendida e corrigida com castigo, para que ela aprenda a se comportar e respeitar os adultos, mas não percebem que estão desrespeitando a criança antes mesmo de ensiná-la por meio do bom exemplo dos adultos. E ainda defendem o uso da punição por dois motivos: se não usarem a punição estarão sendo permissivos e não estarão impondo respeito para a criança, e segundo, porque se iludem com o resultado imediato. Sabemos que as punições funcionam em curto prazo diante das ameaças, como neste exemplo: “se você não for tomar banho agora eu vou pegar o chinelo e te bater” e, pelo medo, a criança pequena vai correndo, mas com o tempo isso deixa de funcionar. Num resultado imediato, no momento em que a punição é aplicada ou a ameaça é feita, ela pode funcionar. Mas quais são os efeitos disso em longo prazo? 130Raramente nós paramos para pensar nas consequências das recompensas e das punições no longo prazo, nos iludimos ao ver que aquilo está funcionando, então continuamos usando isso de forma equivocada. Mas com o tempo isso deixa de funcionar e nos leva a intensificar tanto as punições quanto as recompensas, para que elas continuem funcionando. É importante ressaltar que as punições não contribuem para criar e modelar repertórios adequados de comportamento, ensinam aos filhos somente o que não deve ser feito, e ainda pode produzir efeitos danosos. 131 Tanto as punições quanto as recompensas, ambas atuam como motivadores externos cujo objetivo maior é o controle. Algumas consequências da punição: o medo pode levar a comportamentos de fuga e esquiva para evitar os estímulos aversivos, e em longo prazo pode provocar uma postura mais retraída e dificuldades emocionais e de relacionamento social, evitando se expor a novas situações e desafios. Castigos físicos provocam raiva, ansiedade, danos à autoestima e atitudes hostis, comportamento explosivo, e reprodução da conduta agressiva com pais, irmãos e pares, pois a criança aprende que violência física é uma forma de resolver conflitos. Toda forma de punição deixa a mensagem: “você vai pagar pelo que fez”, eliminando toda e qualquer possibilidade de a criança perceber os seus erros como oportunidades para aprendizagem. 132 Algumas consequências da recompensa: estudos mostram que o uso recorrente das recompensas pode tirar o prazer da atividade, transformando-a em obrigação, desmotivando e impedindo que a criança exerça sua autonomia. Foca no resultado, sem valorizar o processo de aprendizagem, que inclui também os erros e falhas. Pode frustrar a criança quando ela não alcança a meta estipulada pelos pais e levá-la a não se sentir boa o suficiente. A recompensa também pode ter um efeito punitivo, estimula a competição e gera ainda mais estresse e ansiedade, e, não receber o prêmio desejado, aumenta a desmoralização e pode promover o jogo da manipulação entre pais e filhos, ensina a agir por interesse próprio e não estimula a cooperação e o desejo verdadeiro de contribuir. E em longo prazo podem promover o mau comportamento, a omissão e a mentira. Compromete o relacionamento e a falta de conexão entre pais e filhos. 133 “De onde tiramos a absurda ideia de que, para levar uma criança a agir melhor, precisamos antes fazê-la se sentir pior?” (Jane Nelsen). Então, se o objetivo da educação é ensinar, ao invés de punir as crianças por aquilo que elas ainda não sabem o que fizeram de errado, devemos concentrar nossa atenção e nossos esforços para ensinar aquilo que elas precisam aprender, com foco no desenvolvimento de habilidades. Precisamos mudar esse mindset e entender que erros são oportunidades de aprendizado, e não motivo para sentir dor, medo, culpa, vergonha ou inadequação. Cabe aos pais serem firmes e gentis ao mesmo tempo e com respeito, empatia, acolhimento, encorajamento e diálogo, procurar entender as necessidades da criança e do adolescente, ajudar os filhos a desenvolver o autocontrole e a capacidade de ponderar e fazer escolhas conscientes, ao invés de controlá-los de forma autoritária e manipulativa. 134 A neurociência comprova que conexões, relacionamentos empáticos e vínculos saudáveis contribuem para o bom desenvolvimento do cérebro e ajudam na aprendizagem, na autorregulação e na mudança de comportamento em longo prazo. 135 A criança e o adolescente precisam de limites seguros, por isso a importância de estabelecer e não impor limites, promovendo o encorajamento com apreciação e reconhecimento, e entendendo o que há por trás do mau comportamento para favorecer o seu crescimento saudável. Estar ao lado da criança e do adolescente com respeito e empatia, nos colocarmos no lugar deles e compreender o mundo como eles vêem, é a base para se conseguir o engajamento e cooperação, pois eles respeitam quando se sentem respeitados e colaboram com entusiasmo. Algumas ferramentas para utilizar com as crianças: Escolhas limitadas; combinados; perguntas curiosas; reuniões de família. Mãe e pai, quando o seu filho agir de maneira indesejável e apresentar comportamento desafiador, aproveite essa rica oportunidade para entender quais são as reais necessidades da criança e juntos busquem a melhor solução. Seja um exemplo para que seu filho possa se espelhar em você! Contato WhatsApp: (15) 98130-2490 | Instagram: @psicoanacasanova E-mail: anacasanovapsicologa@gmail.com 136 Se seu filho não ouvir nada do que você disser, ou se você perceber que está repetindo as coisas várias vezes, talvez ele já tenha se desconectado. Se você estiver gritando, berrando ou dando sermões, pare. Todos esses métodos são desrespeitosos e estimulam a “surdez para os pais”. Em autodefesa as crianças e adolescentes em geral se rebelam, sendo ativamente desrespeitosas com você, ou desconectando-se de você de forma passiva. Você sabe escutar seu filho? Como falar para seu filho escutar Maria José Del'Arco de Oliveira Psicóloga - CRP: 06/104.614 “A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar.” (Rubem Alves). 137 A Disciplina Positiva nos traz a esperança dos pais aprenderem a agir mais e falar menos, como nas sugestões a seguir: Se você quiser que seus filhos ouçam mais, é importante usar menos palavras. Diga o que você quer dizer da maneira mais sucinta possível e depois siga com as ações. Use uma palavra para comunicar o que precisa ser feito, por exemplo: Grama, Roupa para lavar, Banheiro, Toalha… Certifique-se de fazer contato visual e ter uma expressão firme e amorosa em seu rosto. Se apenas uma palavra não funcionar, você poderá usar dez palavras ou menos. Você pode até usar sinais não verbais, apenas apontando o que precisa ser feito. Sorria, mas não diga uma palavra. Use o seu senso de humor. "Tem uma gaveta implorando pra ser arrumada", ou “Lá vem o monstro das cócegas para pegar as crianças que não escutam!” 138 Aja. Pegue o filho pela mão e conduza-o de forma gentil e firme, à tarefa que precisa ser feita. Alfred Adler dizia repetidamente: “Observe o movimento, não as palavras.” As pessoas costumam dizer uma coisa e depois fazer outra. A prova disso está no comportamento. Ações falam mais alto que palavras. Escreva um bilhete. Pode chamar mais a atenção do seu filho do que falar. Esta ideia caiu como uma luva para um jovem casal que gostaria de dormir um pouquinho mais aos domingos, mas era impossível. Seus dois filhos, assim que acordavam, corriam para o quarto dos pais fazendo aquela bagunça. Uma manhã, eles encontraram na porta um cartaz: FAROL VERMELHO: PAPAI E MAMÃE DORMINDO. Os meninos atenderam ao pedido. Depois de um tempinho, voltaram e... surpresa! O cartaz dizia: FAROL VERDE: QUEREMOS BEIJINHOS DE BOM DIA. 139 Ouça seu filho com toda a atenção. Falar para um pai desatento é desencorajador e, muitas vezes, a criança só precisa de um silêncio acolhedor. Compreenda os sentimentos do seu filho. Em vez de fazer perguntas e oferecer conselhos que julgam, reconheça o que ele está sentindo com uma palavra: “Oh...”, “Hum...”, “Sei...” Dê nomes aos sentimentos. É confortante para seu filho saber que alguém reconheceu o que está vivenciando: “Isso deve deixar você com raiva mesmo”. Modele a escuta respeitosa. Os filhos vão ouvi-lo quando sentem que você os ouve. Explique a eles que a conversa é uma arte de dar e receber, de um lado para o outro e não uma tentativa de conseguir que alguém faça o que você quer. Faça reuniões familiares regulares em que todos os membros, incluindo os pais, escutem um ao outro em uma atmosfera de respeito mútuo. 140 “Palavras podem ferir e sangrar. Escutar pode curar”, esta é uma frase do Dr. Haim Ginott, terapeuta infantil. Ele acreditava que uma das maiores responsabilidades dos pais é escutar os filhos. “Escutar não só o que eles dizem com palavras, mas também os sentimentos por trás das palavras.” Escutar de forma curiosa e interessada,demonstrar empatia com palavras, prestar atenção à linguagem corporal, às expressões, os gestos deles, desta maneira podemos ensiná-los a solucionar o problema em questão. 141 As crianças podem aprender que são parte de uma família em que as pessoas se tratam com respeito. Elas podem aprender a cooperar em vez de se rebelar contra o controle dos pais. Elas podem aprender habilidades de escuta respeitosas porque têm o modelo dos pais. Contato WhatsApp: (16) 99245-1312 | Instagram: @mariajose.delarco E-mail: mjdelarco@gmail.com 142 Aqui quero trazer algumas reflexões e contribuições aos pais em sua jornada de educar os filhos na primeira infância, mas em especial na fase da adolescência. Muitas vezes os pais modelam seus filhos sem perceber, isso ocorre desde o nascimento quando vêm ao mundo sem saber o que irão encontrar fora do útero. Em geral são acolhidos e envolvidos pelos pais, que se preocupam com o que querem comunicar com seus choros, será que está com fome? Frio? Calor? Cólica? Mapeando o comportamento de proteção dos filhos adolescentes Danielle Trabuco Psicóloga - CRP: 06/103913 143 E nos perguntamos como identificar os desconfortos e necessidades de um bebê, muitas vezes até entramos em desespero nos primeiros dias ou meses, por não saber identificar o que nosso filho quer comunicar. Aprendemos muito com eles sobre a observação, paciência, tolerância e o amor, apesar de parecer incondicional aos nossos olhos, nem sempre é assim, e está tudo bem. Somos tomados muitas vezes pelo cansaço, um grau máximo de exaustão. Sempre pensei que ser pai e mãe era algo instintivo, mas aprendi na minha maternidade como mãe da Mariana de 4 anos e em meus atendimentos, que precisamos muito mais que instinto para educar e criar os filhos para a vida. Para Rosenberg (2019), o amor incondicional exige que, não importa qual seja o comportamento das pessoas, elas tenham confiança de que receberão alguma medida de compreensão da nossa parte. Considero importante transmitir aos pais de adolescentes, um dos primeiros passos o conhecimento sobre nós mesmos, sobre a criança e o adolescentes que fomos e qual a expectativa que estamos depositando sobre o nosso “filho ideal” deixando de olhar para o “filho real”. 144 Formamos nossa lógica pessoal através do relacionar-se com nossos pais ou nossos cuidadores, pensamos, sentimos e decidimos muitas coisas de forma inconsciente, outras conscientes. Porém nossos sentimentos e decisões ressoam em nosso comportamento adulto e definem algumas formas de como atuamos em nossa individualidade, maternidade e paternidade, até mesmo enquanto casal. Podemos ficar presos em algumas janelas do nosso desenvolvimento infantil ou adolescente e repetimos isso na educação dos filhos, sem querer ou perceber. Costumo dizer que aquilo que mais tememos é o que mais modelamos em nossos filhos. Isso ocorre por não termos esse autoconhecimento e também por falta de ferramentas que desenvolvam habilidades em nós e em nossos filhos. Durante meus atendimentos com os pais, tanto de adolescentes e filhos cangurus - aqueles que moram com os pais na idade adulta ou são dependentes de alguma forma - percebo que as janelas estão fechadas e por trás delas existe um acúmulo de questões da sua própria infância e adolescência devido à relação familiar e os estilos parentais autoritários, permissivos ou negligentes. 145 Nossos pais fizeram o melhor que puderam com o que eles tinham. Muitos pais têm medo que os filhos tenham comportamentos parecidos com os deles, ou que sintam as mesmas dores. Ou até mesmo que repitam o estilo de vida. Nesse momento identifico que querem proteger os filhos da “dor” que eles vivenciaram, se tornam "salva-vidas" e decidem, na maioria das vezes, não frustrar, entregar seus cuidados em uma proteção excessiva a fim de agradar e serem recompensados no futuro. Isso acaba desencorajando os filhos a serem capazes de realizar por si mesmos e a desenvolverem habilidades para lidarem com as adversidades e os impedindo de voarem para fora do ninho. 146 Quando os filhos se tornam adolescentes, os pais começam a cobrar a recompensa ao qual investiram durante a infância e ainda continuam na adolescência, porém se deparam com comportamentos agressivos, falta de empatia, exigem a cooperação, surge o desrespeito e outros comportamentos desafiadores. Aquela proteção de “fazer tudo pelo filho” de repente vira cobrança, rótulos, obrigações, frustrações, insatisfações, brigas, etc. Agora te pergunto: Quando seu filho era um bebê, como você sabia o que ele necessitava? O que você fazia para ele se acalmar? O que você acha que seu filho precisa agora? O que ajudaria seu filho a se sentir e a agir melhor? 147 Os adolescentes precisam de envolvimento, para enfrentar os desafios da vida, então não criticar ou julgar é um caminho; 1. Eles aprendem quando os pais se envolvem e não quando são informados sobre o que fazer; 2. Procure oportunidades de aprendizado, situações que envolvam dinheiro, roupas, compras, atividades em família e domésticas, uso do tempo e postura nos estudos; 3. Planeje junto com seu filho com antecedência, mesmo que leve tempo, invista no treinamento; 4. Deixe seu filho adolescente te ensinar algo que ele aprendeu ou que já saiba; 5. Aprenda a pedir ajuda do seu filho ao invés de impor o cumprimento de uma tarefa. 6. 148 Para Rudolf Dreikurs, as crianças e adolescentes acreditam erroneamente que podem encontrar pertencimento e significado por meio de comportamentos que muitas vezes são opostos ao que eles querem. Ao invés de aproximar do objetivo de pertencer acabam sendo desencorajados entrando no ciclo vicioso do mau comportamento. Para os pais é preciso tornar-se consciente dos objetivos equivocados que alimentam o comportamento desafiador e assim ajudar o adolescente a melhorar seu comportamento. Quando você for capaz de perceber o sentimento, terá informações necessárias para lidar com o objetivo do comportamento do seu filho adolescente. Contato WhatsApp: (11) 99269-7036 | Instagram: @psidanielletrabuco Facebook: Psicóloga Danielle Trabuco E-mail: danielletrabuco@gmail.com 149 Quem, ao pensar na criação ou educação dos filhos, já levou em consideração o cérebro deles? Talvez hoje com o contato que temos com vários livros, artigos ou até mesmo redes sociais, isso possa não parecer tão estranho, porém, a questão é que ao criar e educar as crianças e os adolescentes hoje, será que os pais têm entendimento de quanto isso seja realmente relevante? Se sua resposta for não, então sugiro que leia com atenção este texto! Um papo cabeça na criação e educação dos filhos Lis Angela Zagonel de Freitas Psicóloga - CRP: 12/13849 150 A ciência já comprova que o cérebro desempenha um papel importante em todos os aspectos da vida de uma criança que importam para os pais: disciplina, tomada de decisão, autoconhecimento, escola, relacionamentos, dentre outros. Daniel Siegel, em seu livro "O cérebro da criança" aponta que a experiência molda o cérebro, o que nos leva a repensar a forma como temos realizado esta incrível missão! No entanto, as questões levantadas aqui, não têm o intuito de julgar e nem criticar as formas como se tem feito até então, mas sim, de informar e levar conhecimento com as novas descobertas científicas. Até porque, quando não temos o conhecimento sobre algo, não podemos fazer diferente, não é mesmo? 151 Quando pensamos na criação e educação de filhos logo pensamos em comportamentos adequados e inadequados. Como pais somos responsáveis pela forma como os filhos se comportam e interagem na sociedade na qual estão inseridos, porém, a falta de compreensão e habilidades tem tornado essa tarefa muito desafiante e desgastante para os pais. “[...] ao compreender como o cérebro de nossos filhos funciona, podemos estabelecer uma cooperação muito rápida e, frequentemente, com muito menos drama (SIEGEL, 2015, p. 49). Entretanto,não é só os comportamentos que precisam ser contemplados na criação e educação dos filhos, e sim, desenvolver as competências socioemocionais como: autoestima, autoconfiança, autocontrole, autorresponsabilidade, autodisciplina, autonomia, empatia, cooperação, resolução de problemas entre outras competências necessárias (NELSEN, J., 2015). E, para isso, é preciso saber que o cérebro da criança está em desenvolvimento e que não consegue lidar com as muitas questões apresentadas a elas no que diz respeito ao aprendizado de uma forma geral. 152 Segundo Siegel, os pais podem ajudar a criança na integração do hemisfério esquerdo (lógico), e do hemisfério direito (emocional). Essa integração dará mais clareza e compreensão: Conectar e redirecionar: Assim, quando o seu filho estiver chateado por algum motivo, conecte-se primeiro emocionalmente (seu cérebro direito e o cérebro direito dele). Após seu filho estar mais calmo, controlado e receptivo você colocará as lições e a disciplina utilizando o cérebro esquerdo. Nomear para disciplinar: No momento em que situações levam a grandes emoções do cérebro direito, auxilie seu filho a contar a história sobre o que o está incomodando, para que o cérebro esquerdo dele possa encontrar sentido na experiência e assim ele consiga se sentir no controle da situação. 153 Também podem ajudar a integrar o cérebro do andar de cima (parte que está em construção e é racional) com o andar de baixo (mais primitivo e emocional): Envolver e não enfurecer: em situações muito estressantes, evite ativar o andar de baixo. Não use imediatamente a resposta “porque sim”. No lugar disso, faça perguntas, solicite alternativas e negocie. Usar ou perder: Ofereça oportunidades para seu filho exercitar o cérebro do andar de cima. Brinque com jogos do tipo “o que você faria?" e evite socorrer as crianças das decisões difíceis. Mover ou perder: Ajude seu filho a recuperar o equilíbrio, fazendo-o movimentar o corpo. 154 Os comportamentos das crianças são respostas daquilo que sentem e que, dependendo da idade, não dão conta de nomear, explicar porque não tem um repertório para dar conta ainda. Assim, os comportamentos inadequados não devem ser encarados como respostas de enfrentamento, rebeldia ou desobediência. Sendo o cérebro moldado pelas experiências, tanto mais se faz necessário que os filhos sejam encorajados por meio de um aprendizado sem punições, recompensas, humilhações, na qual os erros não são sinônimos de fracasso ou vergonha, mas de oportunidade para aprender e que a frustração faz parte do desenvolvimento. Assim, podemos esperar que essas crianças quando adultas sejam mais resilientes e mais capacitadas para lidarem com os desafios da vida. 155 Esses aprendizados são desenvolvidos por meio da interação entre pais e filhos quando ensinam, principalmente por meio dos exemplos, habilidades sociais (respeito, empatia, comunicação não violenta, etc.); permitem que expressem seus sentimentos, emoções e desejos; dão escolhas limitadas; são coerentes e constantes nos limites e ensinamentos que estabelecem. Compreender que as vivências na infância reverberam por toda a vida porque o cérebro da criança é moldado por essas experiências, e que por isso uma criação e educação encorajadora na qual não é autoritária, nem permissiva e nem negligente, mas gentil e firme ao mesmo tempo, podem trazer grandes benefícios para os pais, sociedade e para as crianças no presente e no futuro. Contato WhatsApp: (47) 991769018 | Instagram: @psi.liszagonelfreitas E-mail: lisazfreitas@gmail.com 156 Cada vez mais percebo que em alguns momentos a ordem cronológica, onde se deveria encerrar a adolescência, é estendida. Há algum tempo venho estudando as consequências disso e como fazer uma intervenção em longo prazo de maneira que esse ciclo não se acentue ou não apareça. Ao longo dos meus estudos para trabalhar na clínica com esses pacientes, esbarrei com a Disciplina Positiva que na verdade foi um divisor de águas no meu mundo, tanto profissional, quanto pessoal, pois sou mãe de dois adolescentes. Adolescência estendida e Disciplina Positiva Marcia Mattos Santos Vieira Psicóloga - CRP: 05/27298 157 Percebo uma demanda crescente de pais em busca de atendimento psicológico para jovens com um comportamento compatível ao comportamento de um adolescente. Esses jovens têm entre 23 e 30 anos, nunca entraram no mercado de trabalho formal ou informal, vivem com seus pais, que são os provedores financeiros, e muitas vezes são dependentes emocionais dos pais. Não raramente já terminaram o ensino médio há alguns anos e estão pulando de formação profissional em formação profissional, mudando muitas vezes o curso de graduação, fazendo múltiplas especializações, nunca se achando preparados para o mercado de trabalho (ou para a vida). A insegurança em seguir adiante e se posicionar diante da vida, aparentemente são questões bem presentes na chamada adolescência estendida. 158 Mas o que fazer como pais e responsáveis diante desse quadro? Como pais, somos culpados? Como mãe, sempre me preocupei com questões como essa e tantas outras e também, mesmo com essa preocupação, eu sabia que a minha meta sempre foi empoderar meus filhos para que minimamente pudessem se conduzir de maneira digna e eficaz em relação às questões da adolescência e que essa fase pudesse contribuir de maneira positiva para as próximas fases da vida. Na adolescência estendida vemos um conjunto de comportamentos presentes que nos remetem ao adolescente que não foi encorajado, que não foi motivado, que não teve uma conexão saudável e bem trabalhada com seus pais. Conhecer a Disciplina Positiva me deu uma outra perspectiva nas relações com meus filhos e em como eu poderia ajudar outros pais a terem uma conexão mais saudável com seus filhos. A família que se orienta, que estabelece uma conexão entre os membros pautada nos preceitos da Disciplina Positiva, tem consequentemente uma postura preventiva com relação à adolescência estendida. De acordo com Lynn Lott e Jane Nelsen: 159 "Muitos adolescentes querem que seus pais os controlem e façam coisas por eles porque têm medo de crescer. Se os pais alimentarem esses medos desses adolescentes com seus próprios medos, seus filhos não desenvolverão as habilidades necessárias para se tornarem adultos bem sucedidos. É claro que há também adolescentes que se recusam a ser controlados e simplesmente se rebelam. Você pode ajudar seus filhos a criarem coragem, demonstrando seu entusiasmo pelo processo de crescimento: não será emocionante quando você crescer e tiver idade suficiente para sair de casa? Não será emocionante quando tiver seu primeiro apartamento? Você não está ansioso para ter sua própria conta de celular? Seu entusiasmo será contagiante e os ajudará a gostar da perspectiva de serem adultos no mundo. Mais importante ainda é que você pode ajudar seus filhos a serem corajosos dando a eles a oportunidade de aprender passo a passo com você e, em seguida dando a eles a oportunidade de usar o que aprenderam”. 160 Quando educamos nossos filhos com amor, firmeza e gentileza, que são preceitos de uma educação encorajadora, criamos perspectivas em longo prazo, fazendo com que este passe por fases da vida que são marcantes e significativas, da maneira que deve ser, onde a infância é vivida como criança e a adolescência, como adolescente. A meta na vida é passarmos pelas fases de maneira saudável e aprender a desenvolver habilidades que nos ajudem a ser e a seguir felizes, plenos e satisfeitos, para sermos o adulto que estamos predestinados a ser. Contato WhatsApp: (21) 97343-1616 | Instagram: @marciamattos.psicobem E-mail: lmarciaeafonsovieira@gmail.com 161 ABREU, C., YOUNG, K. Dependência de internet em crianças e adolescentes: Fatores de risco, avaliação e tratamento. 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