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Aula 03
PC-SP (Escrivão) Noções de Direito
(Direito Penal) - 2023 (Pós-Edital)
Autor:
Renan Araujo
11 de Setembro de 2023
Renan Araujo
Aula 03
Índice
..............................................................................................................................................................................................1) Concurso de Pessoas 3
..............................................................................................................................................................................................2) Noções Iniciais sobre Concurso de Crimes 22
..............................................................................................................................................................................................3) Concurso Material de Crimes 23
..............................................................................................................................................................................................4) Concurso Formal de Crimes 26
..............................................................................................................................................................................................5) Crime Continuado 29
..............................................................................................................................................................................................6) Considerações Finais sobre Concurso de Crimes 37
..............................................................................................................................................................................................7) Questões Comentadas - Concurso de Pessoas - Multibancas 39
..............................................................................................................................................................................................8) Questões Comentadas - Concurso de Crimes - Multibancas 71
..............................................................................................................................................................................................9) Lista de Questões - Concurso de Pessoas - Multibancas 91
..............................................................................................................................................................................................10) Lista de Questões - Concurso de Crimes - Multibancas 105
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 CONCURSO DE PESSOAS
Conceito, natureza e características
O concurso de pessoas pode ser conceituado como a colaboração de dois ou mais
agentes para a prática de um delito ou contravenção penal.
O concurso de pessoas é regulado pelos arts. 29 a 31 do CP:
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de
um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter
sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,
salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição
expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser
tentado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Mas como compreender a natureza jurídico-penal de uma conduta criminosa praticada
por diversas pessoas? Três teorias surgiram:
● Pluralista (ou pluralística) - Para esta teoria cada pessoa responderia por um crime
próprio, existindo tantos crimes quantos forem os participantes da conduta
delituosa, já que a cada um corresponde uma conduta própria, um elemento
psicológico próprio e um resultado igualmente particular .1
● Dualista (ou dualística) – Segundo esta teoria, há um crime para os autores, que
realizam a conduta típica emoldurada no ordenamento positivo, e outro crime para
os partícipes, que desenvolvem uma atividade secundária.
● Monista (ou monística ou unitária) – A codelinquência (concurso de agentes) deve
ser entendida, para esta teoria, como CRIME ÚNICO, devendo todos responderem
1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. Ed. Saraiva, São Paulo, 2015, p. 548
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pelo mesmo crime. É a adotada pelo CP. Isso não significa que todos que
respondem pelo delito terão a mesma pena. A pena de cada um irá corresponder à
valoração de cada uma das condutas (cada um responde “na medida de sua
culpabilidade). Em razão desta diferenciação na pena de cada um dos infratores,
diz-se que o CP adotou uma espécie de teoria monista temperada (ou mitigada).
O concurso de pessoas pode ser, basicamente, de duas espécies:
● EVENTUAL – Neste caso, o tipo penal não exige que o fato seja praticado por mais
de uma pessoa. Isso não impede, contudo, que eventual ele venha a ser praticado
por mais de uma pessoa (Ex.: Furto, roubo, homicídio).
● NECESSÁRIO – Nesta hipótese o tipo penal exige que a conduta seja praticada por
mais de uma pessoa. Divide-se em: a) condutas paralelas (crimes de conduta
unilateral): Aqui os agentes praticam condutas dirigidas à obtenção da mesma
finalidade criminosa (associação criminosa, art. 288 do CPP); b) condutas
convergentes (crimes de conduta bilateral ou de encontro): Nesta modalidade os
agentes praticam condutas que se encontram e produzem, juntas, o resultado
pretendido (ex. Bigamia); c) condutas contrapostas: Neste caso os agentes praticam
condutas uns contra os outros (ex. Crime de rixa)
Requisitos
Mas quais são os requisitos para que se possa falar em concurso de pessoas? Cinco são os
requisitos para que seja caracterizado o concurso de pessoas. Vejamos:
Pluralidade de agentes
Para que possamos falar em concurso de pessoas, é necessário que tenhamos mais de uma
pessoa a colaborar para o ato criminoso. É necessário que sejam agentes culpáveis? A doutrina
se divide, mas prevalece o entendimento de que todos os comparsas devem ter discernimento,
de maneira que a ausência de culpabilidade por doença mental, por exemplo, afastaria o
concurso de agentes, devendo ser reconhecida a autoria mediata.
Assim, se uma pessoa, perfeitamente mental e maior de 18 anos (penalmente imputável)
determina a um doente mental (sem qualquer discernimento) que realize um homicídio, não há
concurso de pessoas, mas autoria mediata, pois o autor do crime foi o mandante, que se valeu
de uma pessoa sem vontade como mero instrumento para praticar o crime. Não há concurso,2
pois um dos agentes não era culpável.
Todavia, é bom ressaltar que, nos crimes plurissubjetivos , se um dos colaboradores não é3
culpável por qualquer razão, mesmo assim permanece o crime. Nos crimes eventualmente
plurissubjetivos (crime de furto, por exemplo, que eventualmente pode ser um crime qualificado
pelo concurso de pessoas, embora seja, em regra, unissubjetivo) também não é necessário que
3 Aqueles em que necessariamente deve haver mais de um agente, como no crime de associação criminosa,
por exemplo – art. 288 do CP
2 WELZEL, Hans. Derecho Penal, parte general. Ed. Roque Depalma. Buenos Aires, 1956, p. 106
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todos os agentes sejam culpáveis, bastando que apenas um o seja para que reste configuradoo
delito em sua forma qualificada.
EXEMPLO: José, maior e capaz, perfeitamente imputável, combina de realizar um
roubo juntamente com Paulo, adolescente de 17 anos de idade e, portanto,
inimputável. O roubo se realiza. Neste caso, não podemos falar em autoria
mediata entre José e Paulo, eis que Paulo não foi mero instrumento nas mãos de
José. Paulo quis participar da empreitada criminosa, e responderá por isso, de
acordo com as regras próprias do ECA . Neste caso, como não houve autoria4
mediata, José deverá responder pelo crime roubo com a majorante de ter sido o
crime praticado em concurso de pessoas , ainda que Paulo responda de acordo5
com o ECA, e não de acordo com a Lei Penal.
Nessas duas últimas hipóteses, no entanto, não há propriamente concurso de pessoas, mas
o que a Doutrina chama de concurso impróprio, ou concurso aparente de pessoas. Contudo,
essa ressalva só se aplica ao caso de concurso entre culpável e “não culpável que possui
discernimento”. Assim, se o agente culpável se vale de alguém sem culpabilidade como mero
instrumento, sem que ele possua qualquer discernimento, teremos sempre autoria mediata.
Autoria mediata
A autoria mediata ocorre quando o agente (autor mediato) se vale de uma pessoa como
instrumento (autor imediato) para a prática do delito.
EXEMPLO: José, maior e capaz, entrega uma arma de fogo a uma criança de 05
anos, dizendo que ela deve colocar a arma na cabeça de Maria e fazer uma
brincadeira, pois ao apertar o gatilho, sairá água da arma. A criança aperta o
gatilho e Maria morre. Neste caso, temos autoria mediata, pois José (autor
mediato) se valeu da criança (executor) como mero instrumento para a prática do
delito.
Todavia, não basta que o executor seja um inimputável, ele deve ser um verdadeiro
INSTRUMENTO do mandante, ou seja, ele não deve ter qualquer discernimento no caso
concreto.
Ex.: José e Pedro (este menor de idade, com 17 anos) combinam de matar Maria.
José arma o plano e entrega a arma a Pedro, que a executa. Neste caso, Pedro é
5 Art. 157, §2º, II do CP.
4 Estatuto da Criança e do Adolescente.
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inimputável por ser menor de 18 anos, mas possui discernimento, não se pode
dizer que foi um mero “instrumento” de José. Assim, aqui não teremos autoria
mediata, mas concurso aparente de pessoas.
Ex.2: José, maior e capaz, entrega a Mauro (um doente mental sem nenhum
discernimento) uma arma e diz para ele atirar em Maria, que vem a óbito. Neste
caso há autoria mediata, pois Mauro (o inimputável) foi mero instrumento nas
mãos de José.
⇒ Mas esta é a única hipótese de autoria mediata? A resposta é negativa. A melhor Doutrina
divide a autoria mediata em três hipóteses, basicamente :6
1 – Autoria mediata por erro do executor – Neste caso, aquele que pratica a conduta foi induzido
a erro pelo mandante (erro de tipo ou erro de proibição). Ex.: Médico que entrega à enfermeira
uma injeção contendo determinada substância tóxica, e determina que esta aplique no paciente,
alegando que se trata de morfina, para aliviar a dor . A enfermeira, aqui, não atua dolosamente7
(do ponto de vista “finalístico”), pois apesar de dar causa à morte do paciente (causalidade física,
pois foi ela quem injetou a substância), não dirigiu sua conduta a este resultado. O domínio do
fato pertencia ao médico, o real infrator.
2 – Autoria mediata por coação do executor – Aqui o infrator coage uma terceira pessoa a
praticar um delito. Em se tratando de coação MORAL irresistível, teremos um agente não
culpável (a coação moral irresistível afasta a culpabilidade). Desta forma, aquele que executa o
faz em situação de não culpabilidade. A culpabilidade recai apenas sobre o coator, não sobre o
coagido. Ex.: Médico que determina à enfermeira que aplique sobre o paciente uma dose cavalar
de veneno. O médico, porém, não esconde da enfermeira que se trata de veneno, ao contrário
deixa isso bem claro. Porém, diz à enfermeira que se ela não fizer o que foi determinado, irá
matar sua filha. Vejam que, neste caso, a enfermeira sabe que está injetando o veneno, de forma
que age dolosamente, mas ainda assim sem culpabilidade, por inexigibilidade de conduta
diversa.
3 – Autoria mediata por inimputabilidade do agente – Nesta hipótese o infrator se vale de uma
pessoa inimputável para a prática do delito. A inimputabilidade, aqui, pressupõe que o executor
(inimputável) não tenha discernimento necessário . Caso o executor, mesmo inimputável, possua8
discernimento, não haverá autoria mediata. Ex.: José, 20 anos, organiza um plano para furtar uma
loja de eletrônicos, e combina com Marcelo, de 17, a execução do plano. Neste caso, não há
autoria mediata, pois Marcelo, a despeito de sua inimputabilidade legal, tem discernimento para
não ser considerado como “objeto”. Por outro lado, no mesmo exemplo, imaginemos que
Marcelo tenha 30 anos, mas seja absolutamente incapaz de entender o que se passa (doente
mental completo). Neste caso, a inimputabilidade de Marcelo afasta o reconhecimento do
concurso de pessoas com José, que responderá como autor mediato do crime.
8 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 107-108
7 O exemplo é de Hans Welzel. (cf. WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 106)
6 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 560
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É cabível autoria mediata nos crimes próprios e de mão própria? Em relação aos crimes
próprios se admite a autoria mediata, desde que o autor MEDIATO reúna as condições especiais
exigidas pelo tipo penal.
EXEMPLO: Paulo, servidor público, coage moralmente Maria (coação irresistível),
obrigando-a a subtrair 10 notebooks da repartição em que ele, Paulo, exerce
suas funções. Paulo, para a execução do delito, se valeu de sua função para
facilitar a subtração. Neste caso, Paulo poderá responder por peculato-furto na
qualidade de autor mediato.
Mas, e se Maria é quem fosse a servidora e Paulo fosse um particular? Poderia haver autoria
mediata? Não, neste caso não poderíamos falar em autoria mediata.
Contudo, se não há autoria mediata e não há concurso de pessoas (pois não há concurso
de pessoas entre coator e coagido), Paulo ficará impune? Não, a Doutrina desenvolveu, para tais
casos, a figura da AUTORIA POR DETERMINAÇÃO. Consiste, basicamente, em punir aquele
que, embora não sendo autor nem partícipe, exerce sobre a conduta domínio EQUIPARADO à
figura da autoria.9
Não se pode considerar o agente como autor por não reunir os elementos necessários para
tanto. Também não se pode considerá-lo como partícipe, eis que a participação pressupõe o
crime praticado por outro autor (e não há). Ele será punido, portanto, por ser o autor da
determinação para a conduta (ter sido o responsável por sua ocorrência).
Em relação aos crimes de mão própria, contudo, não se admite a figura da autoria mediata,
eis que o crime não pode ser realizado por interposta pessoa (Ex.: A testemunha, no crime de
falso testemunho, não pode coagir alguém a depor em seu lugar, prestando testemunho falso).
Neste caso, porém, exemplificativamente, se a testemunha for coagida por terceira pessoa,
esta terceira pessoa poderá ser considerada AUTOR por determinação, conforme explicado
anteriormente.
Relevância causal da colaboração
A participação do agente deve ser relevante para a produção do resultado, de forma que a
colaboração que em nada contribui para o resultado é um indiferente penal.
Além disso, a colaboração deve ser prévia ou concomitante à execução, ou seja, anterior à
consumação do delito. Se a colaboração for posterior à consumação do delito, como o fato já
ocorreu, não há concurso de pessoas, podendo haver, no entanto, outro crime (favorecimento
real, receptação, etc.).
Porém, se a colaboração for posterior à consumação, mas combinada previamente, há
concurso de pessoas. Ex: Imagine que Poliana decide matar seus pais, e combina com seu
namoradopara que ele esteja às 20h em ponto na porta de sua casa para lhe ajudar na fuga.
9 PIERANGELI, José Henrique. ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Manual de Direito Penal Brasileiro. Ed. RT. São
Paulo, 2008, p. 580/581
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Assim, a conduta do namorado (auxiliar na fuga) é posterior à consumação, mas fora combinada
anteriormente, havendo, portanto, concurso de pessoas. Diversa seria a hipótese, no entanto, se
o namorado tivesse ido à casa da namorada sem saber que deveria lhe ajudar na fuga. Lá
chegando, a namorada conta o ocorrido e ele, a partir daí, concorda em auxiliá-la na fuga. Nessa
hipótese, o namorado comete o crime de favorecimento pessoal (nos termos do art. 348 do CP).
Cuidado com isso!
Vínculo subjetivo (ou liame subjetivo)
Também é conhecido como concurso de vontades. Assim, para que haja concurso de
pessoas, é necessário que a colaboração dos agentes tenha sido ajustada entre eles, ou pelo
menos tenha havido adesão de um à conduta do outro.
Deste modo, a colaboração meramente causal, sem que tenha havido combinação entre os
agentes, não caracteriza o concurso de pessoas. Trata-se do princípio da convergência. Caso haja
colaboração dos agentes para a conduta criminosa, mas sem vínculo subjetivo entre eles,
estaremos diante da autoria colateral, e não da coautoria.
Identidade de infração penal
Também conhecido como unidade de infração penal para todos os agentes, está
fundamentado no art. 29 do CP:
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984).
Daí podemos perceber que, se 20 pessoas colaboram para a prática de um delito
(homicídio, por exemplo), todas elas respondem pelo homicídio, independentemente da conduta
que tenham praticado (um apenas conseguiu a arma, o outro dirigiu o veículo da fuga, outro
atraiu a vítima, etc.). As condutas dos agentes, portanto, devem constituir algo juridicamente
unitário .10
Existência de fato punível
Trata-se do princípio da exterioridade. Assim, é necessário que o fato praticado pelos
agentes seja punível, o que de um modo geral exige pelo menos que este fato represente uma
tentativa de crime, ou crime tentado.
Para a caracterização do crime tentado, é necessário que seja dado início à execução do
crime. Se o fato ficar meramente no plano abstrato, no plano da cogitação, não há fato punível,
nos termos do art. 14, II do CP.
O art. 31 do CP determina, ainda, de modo específico para a hipótese de concurso de
pessoas, que a colaboração só é punível se o crime for, ao menos, tentado:
10 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 553
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Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição
expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser
tentado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).
Importante ressaltar que, em alguns casos, os atos preparatórios já configuram fato punível,
seja porque a lei assim expressamente determina, seja porque eles constituem tipo penal
autônomo.
Modalidades
Coautoria
Para entendermos o fenômeno da coautoria, devemos, primeiramente, estudar o que seria
a autoria do delito.
Várias teorias, ao longo do tempo, procuraram definir o conceito de AUTOR.
O conceito extensivo de autor não diferencia autor e partícipe, considerando que todos
aqueles que concorrem para o crime são autores do delito. Esse conceito é baseado numa
premissa “causal-naturalista” de que todo aquele que dá causa ao delito (por qualquer forma),
deve ser considerado autor do crime.
Contudo, como pelo conceito extensivo de autor não era possível definir quem era autor e
quem era partícipe, surgiu a teoria subjetiva da participação, que considerava como autor aquele
que pratica o fato como próprio, que quer o crime “como próprio”, como seu, e partícipe aquele
que quer o fato como alheio, pratica uma conduta acessória ao “crime de outra pessoa”. Isso11
era fundamental para a fixação da pena de cada um, já que aos autores deveriam ser aplicadas
penas, em tese, mais severas.
Como o conceito extensivo apresentou mais problemas que soluções, surgiu o conceito
restritivo de autor . Para esta teoria restritiva , autor e partícipe não se confundem. Autor será12 13
aquele que praticar a conduta descrita no núcleo do tipo penal (subtrair, matar, roubar, etc.).
Todos os demais, que de alguma forma prestarem colaboração (material ou moral), serão
considerados partícipes. Esta foi a teoria adotada pelo CP.
Agora que já sabemos que o CP diferencia autor e partícipe, precisamos saber qual é o
critério para se diferenciar um do outro. Três teorias surgiram.
A primeira teoria, a teoria objetivo-formal, estabelece que autor é quem realiza a conduta
prevista no núcleo do tipo, sendo partícipes todos os outros que colaboraram para isso, mas não
realizaram a conduta descrita no núcleo do tipo. Para esta teoria, por exemplo, no crime de
homicídio, somente seria autor aquele que efetivamente praticasse a conduta de “matar”
13 Também chamada por alguns de teoria dualista ou objetiva.
12 PIERANGELI, José Henrique. ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Manual de Direito Penal Brasileiro. Ed. RT. São
Paulo, 2008, p. 572.
11 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 555
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alguém. Todos os outros colaboradores seriam partícipes. O grande problema desta teoria é
considerar o autor intelectual (mandante) como partícipe, e não como autor. Mais que isso: Essa
teoria não explica o fenômeno da autoria mediata (quando alguém se vale de um inimputável
para cometer um crime).
A segunda teoria, a teoria objetivo-material, entende que autor é quem colabora com
participação de maior importância para o crime, e partícipe é quem colabora com participação
reduzida, independentemente de quem pratica o núcleo do tipo (verbo que descreve a conduta
criminosa – matar, subtrair, etc.).
A terceira e última teoria, a teoria do domínio do fato, criada pelo pai do finalismo, Hans
Welzel , e posteriormente desenvolvida por Claus Roxin, defende que autor é todo aquele que14
possui o domínio da conduta criminosa, seja ele o executor (quem pratica a conduta prevista no
núcleo do tipo) ou não . Para esta teoria, o autor seria aquele que decide o trâmite do crime, sua15
prática ou não, etc. Essa teoria explica, satisfatoriamente, o caso do mandante, por exemplo, que
mesmo sem praticar o núcleo do tipo (“matar alguém”), possui o domínio do fato, pois tem o
poder de decidir sobre o rumo da prática delituosa.
Para esta teoria, o partícipe existe, e é aquele que contribui para a prática do delito ,16
embora não tenha poder de direção sobre a conduta delituosa. O partícipe só controla a própria
vontade, mas a não a conduta criminosa em si, pois esta não lhe pertence.
A teoria do domínio do fato tem por finalidade estabelecer uma diferenciação entre autor e
partícipe a partir da noção de “controle da situação”. Aquele que, mesmo não executando a
conduta descrita no núcleo do tipo, possui todo o controle da situação, inclusive com a
possibilidade de intervir a qualquer momento para fazer cessar a conduta, deve ser considerado
autor, e não partícipe.
O controle (ou domínio) da situação pode se dar mediante :17
1 - Domínio da ação - O agente realiza diretamente a conduta prevista no tipo penal
17 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 557-558
16 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p.117-119
15 MUÑOZ CONDE, Francisco. Teoría general del delito. Ed. Temis Editorial. Bogotá, 1999, p. 155-156
14 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 105
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2 - Domínio da vontade - O agente não realiza a conduta diretamente, mas é o "senhor do
crime", controlando a vontade do executor, que é um mero instrumento do delito (hipótese de
autoria mediata).
3 - Domínio funcional do fato - O agente desempenha uma função essencial e
indispensável ao sucesso da empreitada criminosa, que é dividida entre os comparsas, cabendo a
cada um uma parcela significativa, essencial e imprescindível.
Em todos estes casos, o agente será considerado autor do delito.
A teoria do domínio do fato, porém, não se aplica aos crimes culposos, pois neste não há
domínio final do fato, pois o fato final (resultado) não é buscado pelos agentes, que pretendiam
outro resultado .18
A teoria adotada pelo CP é a teoria objetivo-formal, considerando autor aquele que
realiza a conduta descrita no núcleo do tipo, já que denota sua “vontade de autor” (animus
auctoris), em contraposição à “vontade de colaboração” do partícipe (animus socii). Entretanto,
considera-se adotada a teoria do domínio do fato para os crimes em que há autoria mediata,
autoria intelectual, etc., de forma a complementar a teoria adotada.
Esta é, portanto, a posição doutrinária a respeito da posição do CP sobre a diferença entre
autor e partícipe.
Desta maneira, após entendermos quem seria considerado autor do delito para o CP,
podemos definir a coautoria como a espécie de concurso de pessoas na qual duas ou mais
pessoas praticam a conduta descrita no núcleo do tipo penal. Assim, no crime de roubo, se duas
ou mais pessoas entram num banco, portando armas, e anunciam um assalto, todas elas
praticaram a conduta descrita no núcleo do tipo do art. 157, § 2°, I e II do CP (subtrair para si ou
para outrem, mediante violência ou grave ameaça...). Logo, todas são coautoras do delito. No
mesmo exemplo, porém, o dono do carro, que emprestou o veículo para a fuga, é mero
partícipe.
Não confundam coautoria com autoria colateral. Na coautoria, deve haver vínculo subjetivo
ligando as condutas de ambos os autores. Na autoria colateral, ambos praticam o núcleo do tipo,
mas um não age em acordo de vontades com o outro. Imaginem que A e B, desafetos de C, sem
que um saiba da existência do outro, escondem-se atrás de árvores esperando a passagem de C,
a fim de matá-lo. Quando C passa, ambos atiram, e C vem a óbito. Nesse caso, não houve
coautoria, mas autoria colateral. Entretanto, aí vai mais uma informação: Imaginem que o laudo
identifique que apenas uma bala atingiu C, direto na cabeça, levando-o a óbito. Nesse caso, o
18 Idem, p. 558
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laudo não conseguiu apontar de qual arma saiu a bala que matou C. Nesse caso, como não se
pode definir quem efetuou o disparo fatal, ambos respondem pelo crime de homicídio
TENTADO, pois não se pode atribuir a nenhum deles o homicídio consumado, já que o laudo é
inconclusivo quanto a isto. Este é o fenômeno da autoria incerta. No entanto, se ambos
estivessem agindo em conluio, com vínculo subjetivo, ou seja, se houvesse concurso de pessoas,
ambos responderiam por crime de homicídio CONSUMADO, pois nesse caso seria irrelevante
saber de qual arma partiu a bala que levou C a óbito.
A coautoria pode ser funcional (ou parcial), que é aquela na qual a conduta dos agentes
são diversas e se somam, de forma a produzir o resultado. Assim, se Ricardo segura a vítima para
que Poliana a espanque, ambos são coautores do crime de lesão corporal, mediante coautoria
funcional.
Porém, a coautoria pode ser, ainda, material (direta), que é a hipótese em que ambos os
coautores realizam a mesma conduta. Assim, no exemplo acima, se Ricardo e Poliana
espancassem a vítima, ambos seriam coautores mediante coautoria material.
Abaixo vou mostrar para vocês algumas hipóteses polêmicas de aplicação do instituto da
coautoria:
Admite-se a coautoria nos crimes próprios, desde que ambos os agentes possuam a
qualidade exigida pela lei, ou que, aqueles que não a possuem, ao menos tenham ciência
de que o outro agente age nessa qualidade.
Não se admite a coautoria nos crimes de mão-própria, pois são considerados de conduta
infungível, só podendo ser praticados pelo sujeito especificamente descrito pela lei.
A Doutrina se divide quanto à possibilidade de coautoria em crimes omissivos, da
seguinte forma:
1 – Parte entende que NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE COAUTORIA OU
PARTICIPAÇÃO (Concurso de agentes), pois TODAS AS PESSOAS PRATICAM O
NÚCLEO DO TIPO, DE MANEIRA AUTÔNOMA;
2 – Outra parte da Doutrina entende poderia haver concurso de pessoas, na
modalidade de coautoria, mas é minoritário;
3 – A Doutrina ligeiramente majoritária entende que é possível PARTICIPAÇÃO, mas
NÃO COAUTORIA.
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Na autoria mediata não há concurso de pessoas entre autor mediato autor imediato,
respondendo apenas o autor mediato, que se valeu de alguém sem culpabilidade para a
execução do delito.
Entretanto, é possível coautoria e também participação na autoria mediata, desde que
haja colaboração entre os agentes mediatos. NUNCA HAVERÁ CONCURSO DE PESSOAS
ENTRE AUTOR MEDIATO E AUTOR IMEDIATO.
CUIDADO! Na coação física irresistível, não há autoria mediata, mas autoria direta, pois o
agente que realiza a ação não possui conduta, já que não há vontade. Nesse caso, aquele
que pratica a coação física irresistível é autor direto, não mediato;
Admite-se a autoria mediata nos crimes próprios, mas não nos crimes de mão própria (há
alguns doutrinadores que entendem ser possível).
Participação
Conforme estudamos, no Brasil adotou-se o conceito restritivo de autor, distinguindo-se
autor e partícipe. Adotou-se, ainda, a teoria objetivo-formal, de forma que podemos definir a
participação como a modalidade de concurso de pessoas na qual o agente colabora para a
prática delituosa, mas não pratica a conduta descrita no núcleo do tipo penal.
A participação pode ser:
⇒ Moral – É aquela na qual o agente não ajuda materialmente na prática do crime, mas
instiga ou induz alguém a praticar o crime. A instigação ocorre quando o partícipe age no
psicológico do autor do crime, reforçando a ideia criminosa, que já existe na mente deste.
O induzimento, por sua vez, ocorre quando o partícipe faz surgir a vontade criminosa na
mente do autor, que não tinha pensado no delito;
⇒ Material – A participação material é aquela na qual o partícipe presta auxílio ao autor, seja
fornecendo objeto para a prática do crime, seja fornecendo auxílio para a fuga, etc. É
também chamada de cumplicidade. Este auxílio não pode ser prestado após a
consumação, salvo se o auxílio foi previamente ajustado.
⇒ Já que o partícipe não pratica a conduta descrita no núcleo do tipo penal, como puni-lo?
A punibilidade do partícipe não pode ser realizada diretamente pela descrição do fato
típico. De fato, aquele que empresta uma arma para que alguém mate outra pessoa, não poderia
responder por homicídio, pois o art. 121 do CP diz: “matar alguém”. Aquele que empresta a
arma não está “matando”, por isso se diz que não há, aqui, adequação típica imediata.
Contudo, a punibilidade do partícipe é possível porque há normas de extensão da
adequação típica (no caso, o art. 29 do CP), que permitem a extensão do raio de aplicação do
tipo penal para aqueles que, de alguma forma, tenham contribuído para o delito. Trata-se da
chamada adequação típica mediata.
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Como a conduta do partícipe é considerada acessória em relação à conduta do autor (que
é principal), o partícipe é punido em razão da teoria da acessoriedade . Porém, existem quatro19
teorias da acessoriedade:
● Teoria da acessoriedade mínima – Entende que a conduta principal deva ser um
fato típico, não importando se é ou não um fato ilícito. EXEMPLO: Imagineque
Marcio e João combinam de matar Paulo. Na data combinada para a execução,
Marcio guia o carro até o local e fica esperando do lado de fora. João se dirige até
Paulo e, após uma discussão, Paulo começa a agredir João, que na verdade mata
Paulo em legítima defesa. João matou Paulo em legítima defesa e não em razão do
ajuste com Marcio (não tendo praticado fato ilícito, mas apenas típico), mas por esta
teoria, mesmo assim Marcio responderia como partícipe do crime. Veja que João,
de fato, matou Paulo. Contudo, o fato não é ilícito, pois João agiu em legítima
defesa. Porém, para esta teoria, ainda que a conduta de João seja considerada
apenas típica, mas não ilícita, Marcio deveria ser punido. O pior de tudo é que,
neste caso, Márcio, que não praticou a conduta seria punido, mas João seria
absolvido pela legítima defesa.
● Teoria da acessoriedade limitada – Exige que o fato praticado (conduta principal)
seja pelo menos uma conduta típica e ilícita. Assim, no exemplo dado acima, a
conduta do partícipe Marcio não é punível, pois a conduta principal, apesar de
típica, não é ilícita. Veja que, para esta corrente Doutrinária, se o fato praticado
pelo autor NÃO FOR ILÍCITO (Ainda que seja um fato típico), em razão de legítima
defesa, etc., o partícipe não deve ser punido.
● Teoria da acessoriedade máxima – Para esta teoria, o partícipe só será punido se o
fato for típico, ilícito e praticado por agente culpável. Essa teoria faz exigência
irrazoável, pois a culpabilidade é uma questão pessoal do agente, não guardando
relação com o fato. Assim, imagine que Carlos, maior de idade, seja partícipe de um
roubo praticado por Lucas, menor de idade. Para esta corrente, Carlos não poderia
responder pelo roubo praticado (na qualidade de partícipe), pois Lucas (o autor
principal) é inimputável (não tem culpabilidade), sendo o fato apenas típico e ilícito,
sem o complemento da culpabilidade.
● Teoria da hiperacessoriedade – Exige que, além de o fato ser típico e ilícito e o
agente culpável, o autor tenha sido efetivamente punido para que o partícipe
responda pelo crime. É ainda mais irrazoável que a última. Imagine que José seja
partícipe de um roubo praticado por Marcelo. No decorrer do processo, Marcelo
vem a falecer (o que gera a extinção da punibilidade de Marcelo, nos termos do
CP). Para esta corrente, como houve extinção da punibilidade em relação a Marcelo
(o autor do delito), o partícipe (José) não poderá mais ser punido.
O Nosso CP não adotou expressamente nenhuma das quatro teorias, mas com certeza
não adotou a teoria da acessoriedade mínima nem a teoria da hiperacessoriedade (as extremas).
19 A teoria da acessoriedade deriva de uma das teorias dos FUNDAMENTOS da punibilidade do partícipe, que
é a TEORIA DO FAVORECIMENTO (ou da CAUSAÇÃO), que diz que o partícipe deve ser punido por ter
coloborado para que o delito fosse realizado. Em contraposição a esta, havia a teoria da participação na
culpabilidade, que defendia que o partícipe deveria ser punido apenas por exercer “influência negativa” sobre
o autor. Esta última foi abandonada pela Doutrina há algumas décadas.
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A Doutrina entende que a teoria que mais se amolda ao nosso sistema é a teoria da
acessoriedade limitada , exigindo que o fato seja somente típico e ilícito para que o partícipe20
responda pelo crime.
Questões interessantes acerca da participação:
A lei admite a redução da pena de 1/6 a 1/3 se a participação é de menor importância (art.
29, § 1° do CP). Isto não se aplica às hipóteses de coautoria, mas apenas à participação;
A Doutrina admite a participação nos crimes comissivos por omissão, quando o partícipe
devia e podia evitar o resultado (art. 13, § 2° do CP).
A participação inócua não se pune. Assim, se A empresta uma faca a B, de forma a
auxiliá-lo a matar C, e B mata C usando seu revólver, a participação de A foi
absolutamente inócua, pois em nada auxiliou no resultado. Da mesma forma, se A instiga
B a matar C, e B realiza a conduta porque já estava determinado a isso, a instigação
promovida por A não teve qualquer eficácia, pois B já mataria C de qualquer forma.
Participação em cadeia é possível: Assim, se A empresta uma arma a B, para que este a
empreste a C, a fim de que este último mate D, tanto A quanto B são partícipes do crime,
por prestarem auxílio material em cadeia.
A participação em ação alheia ocorre quando o partícipe, sem qualquer liame subjetivo
com o autor, contribui de maneira culposa para a prática do delito. Assim, o funcionário
público que não tranca a porta da repartição ao final do expediente, e esta vem a ser
furtada por um particular na madrugada, responde por peculato culposo (art. 312, § 2° do
CP), enquanto o particular responde por furto. Não há concurso de pessoas pois falta o
liame subjetivo entre ambos (coerência de vontades).
Comunicabilidade das circunstâncias
O art. 30 do CP estabelece que:
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,
salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Antes de estudarmos a comunicabilidade ou não das circunstâncias, devemos diferenciar a
mera circunstância da circunstância elementar do crime.
20 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 565
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A circunstância elementar é aquela que se refere a algo indispensável para a
caracterização do crime. Assim, a circunstância “alguém” no crime de homicídio, é uma
elementar, pois se o fato for praticado contra um animal, por exemplo, não haverá homicídio.
Por sua vez, a mera circunstância não é indispensável à caracterização do crime, pois
apenas agregam um fato que, se presente, aumenta ou diminui a pena. Assim, o “motivo torpe”
é uma circunstância não-elementar, ou mera circunstância, pois caso o fato seja praticado sem
essa circunstância, continua a existir homicídio, no entanto, sem a qualificadora.
Espécies de elementares e de circunstâncias
Podem ser subjetivas (de caráter pessoal), quando relativas à pessoa do agente. É o caso
da condição de funcionário público, que é pessoal, pois se refere ao agente.
Podem ser, ainda, objetivas (ou de caráter real), quando se referem ao fato criminoso em
si, seu modus operandi, etc. Assim, o emprego de violência, no crime de roubo (art. 157 do CP) é
uma elementar objetiva.
As condições pessoais não se confundem com as circunstâncias ou elementares de caráter
pessoal. As primeiras são fatores pessoais do agente, que independem da prática da infração
penal. Assim, o fato de o agente ser menor de 21 anos é uma condição pessoal, e não uma
circunstância de caráter pessoal, tampouco uma elementar.
Com base nesses três institutos (elementares, circunstâncias e condições pessoais),
podemos extrair três regras do CP:
✔ As circunstâncias e condições de caráter pessoal não se comunicam – Se A contrata
B, para que este mate C, em razão deste último ter estuprado sua filha, A comete o
crime de homicídio privilegiado, em razão do relevante valor moral (art. 121, § 1° do
CP). Entretanto, B não comete o crime de homicídio privilegiado, pois a
circunstância “relevante valor moral” é pessoal, não se estendendo ao coautor;
✔ As circunstâncias de caráter real, ou objetivas, se comunicam – Porém, é necessário
que a circunstância tenha entrado na esfera de conhecimento dos demais agentes.
Imagine que A contrata B para matar C. B informa a A que usará de emboscada
(portanto, homicídio qualificado, nos termos do art. 121, § 2° do CP), e A concorda
com isto. Nesse caso, a circunstância objetiva “emboscada” (relativa ao meio
utilizado), se comunica, pois embora A não tenha usado de emboscada, concordou
com esta prática por B. Diversamente, se B praticasse o crime mediante emboscada
sem nada comunicar ao mandante, A, esta circunstância não se comunicaria,por
não ter entrado na esfera de conhecimento de A;
✔ As elementares sempre se comunicam, sejam objetivas ou subjetivas – No entanto,
mais uma vez se exige que estas elementares tenham entrado no âmbito de
conhecimento dos demais agentes. Imaginem que Júlio, servidor público, convida
Marcelo a entrar na repartição onde trabalham, valendo-se da condição de Júlio,
para subtrair alguns computadores. Caso Marcelo conheça a condição de
funcionário público de Júlio, ambos respondem pelo crime de peculato-furto (art.
312, § 1° do CP). Caso Marcelo desconheça essa circunstância elementar, responde
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ele apenas pelo crime de furto, pois a ausência dessa circunstância faz desaparecer
o crime de peculato-furto, mas a conduta ainda é punível como furto comum.
Cooperação dolosamente distinta
A cooperação dolosamente distinta, também chamada de “participação em crime menos
grave” ou “desvio subjetivo de conduta”, ocorre quando ambos os agentes decidem praticar
determinado crime, mas durante a execução, um deles decide praticar outro crime, mais grave.
Nesse caso, aplica-se o art. 29, § 2° do CP:
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
(...) § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave,
ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na
hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
EXEMPLO: Imaginem que Camila e Herval combinam de realizar um furto a uma
casa que imaginam estar vazia. Camila espera no carro enquanto Herval adentra à
residência. Entretanto, ao chegar à residência, Herval se depara com dois
seguranças, e troca tiros com ambos, levando-os a óbito (sinistro esse cara).
Após, entra na casa e subtrai diversos bens. Volta ao carro e ambos fogem.
Camila não quis participar de um latrocínio (que foi o que efetivamente ocorreu), mas
apenas de um furto. Assim, segundo a primeira parte do § 2° do art. 29 do CP, responderá
somente pelo furto.
Entretanto, se ficar comprovado que Camila podia prever que o latrocínio era provável (se
soubesse, por exemplo, que Herval estava armado e que havia a possibilidade de ter seguranças
na casa), a pena do crime de furto (não a do latrocínio!!) será aumentada até a metade.
A lei diz “até a metade”, logo, o aumento pode não chegar a esse patamar. O aumento de
pena irá variar conforme o grau de previsibilidade do crime mais grave para o qual Camila não se
predispôs, mas era previsível.
CUIDADO MASTER! Existe uma questão muito controvertida no que se refere ao concurso de
pessoas. É a possibilidade (ou não) de concurso de pessoas em crimes CULPOSOS.
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São muitas, MUITAS ideias diferentes. Cada autor inventa alguma coisa para vender seu livro,
certo? Bom, resumidamente, podemos definir a Doutrina majoritária da seguinte forma:
COAUTORIA EM CRIMES CULPOSO – É possível, pois é possível que duas pessoas, de comum
acordo, resolvam praticar uma conduta imprudente, por exemplo. Ex.: Dois rapazes resolvem
atirar um móvel do 10º andar de um prédio, sem intenção de atingir ninguém, mas acabam
lesionando uma pessoa.
PARTICIPAÇÃO EM CRIME CULPOSO – Depende. Podemos estar falando de participação
DOLOSA ou participação CULPOSA.
DOLOSA – Não cabe participação dolosa em crime culposo, pois a Doutrina entende que não há
“unidade de vontades” entre os agentes (um quer o resultado a título de dolo, e o outro,
executor, é apenas um descuidado). Assim, não há “vínculo subjetivo” entre eles no que tange ao
resultado. Logo, cada um responde por sua conduta.
CULPOSA – É possível, pois é possível que alguém, por culpa, induza, instigue ou preste auxílio
ao executor de uma conduta também culposa, e haveria “unidade de vontades”.
CUIDADO: O STJ entende que NÃO cabe nenhum tipo de participação em crime culposo. Parte
da Doutrina também segue este entendimento.
Multidão delinquente
Também chamada de “multidão criminosa” , são considerados pela doutrina como21
aqueles atos em que inúmeras (incontáveis, uma multidão) pessoas praticam o mesmo delito,
agindo em concurso de pessoas, muitas vezes sem um acordo prévio, mas cada uma aderindo
tacitamente à conduta da outra. Ex.: Linchamentos, brigas de torcidas organizadas, saques a lojas
ou a carretas tombadas, etc.
A Doutrina sustenta que, mesmo nestes casos, têm-se CONCURSO DE PESSOAS, pois há
vínculo subjetivo entre estas pessoas, ainda que tácito (não explícito). O agente que praticar o
delito nestas condições, porém, deverá ter sua pena atenuada, nos termos do art. 65, e do CP, já
que se trata de situação em que há maior vulnerabilidade psicológica para que uma pessoa
venha a aderir a uma conduta criminosa. Por outro lado, os que promoverem, organizarem ou
liderarem a conduta criminosa terão suas penas agravadas (art. 62, I do CP).
21 O termo “multidão criminosa” é utilizado, dentre outros, por René Ariel Dotti (cf. DOTTI, René Ariel. Curso
de Direito Penal, Parte Geral. Ed. Revista dos Tribunais. 4º ed. São Paulo. 2012, p. 459)
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 DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES
CÓDIGO PENAL
Arts. 29 a 31 do CP – Regulamentam o concurso de agentes no Código Penal:
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de
um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter
sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,
salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição
expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser
tentado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 JURISPRUDÊNCIA CORRELATA
STJ - RESP 1306731/RJ – O STJ firmou entendimento no sentido de que não se pode condenar
um dos comparsas por homicídio culposo e outro por homicídio doloso, quando reconhecida a
ocorrência de concurso de agentes. Isso porque o concurso de pessoas, dada a adoção da teoria
monista, pressupõe a unidade de infrações penais, objetiva e subjetivamente, ou seja, todos
devem responder pelo mesmo delito, e sob o mesmo elemento subjetivo (dolo ou culpa):
(...) 3. Tratando-se de crime praticado em concurso de pessoas, o nosso Código
Penal, inspirado na legislação italiana, adotou, como regra, a Teoria Monista ou
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Unitária, ou seja, havendo pluralidade de agentes, com diversidade de condutas,
mas provocando um só resultado, existe um só delito.
4. Assim, denunciados em coautoria delitiva, e não sendo as hipóteses de
participação de menor importância ou cooperação dolosamente distinta, ambos
os réus teriam que receber rigorosamente a mesma condenação, objetiva e
subjetivamente, seja por crime doloso, seja por crime culposo, não sendo
possível cindir o delito no tocante à homogeneidade do elemento subjetivo,
requisito do concurso de pessoas, sob pena de violação à teoria monista, razão
pela qual mostra-se evidente o constrangimentoilegal perpetrado.
5. Diante da formação da coisa julgada em relação ao corréu e considerando a
necessidade de aplicação da mesma solução jurídica para o recorrente, em
obediência à teoria monista, o princípio da soberania dos veredictos deve, no
caso concreto, ser aplicado justamente para preservar a decisão do Tribunal do
Júri já transitada em julgado, não havendo, portanto, a necessidade de
submissão do recorrente a novo julgamento.
(...)
(REsp 1306731/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA,
julgado em 22/10/2013, DJe 04/11/2013)
STJ - HC 235.827/SP – O STJ firmou entendimento no sentido de é cabível a coautoria em
crimes culposos, embora não seja cabível a participação:
(...) 2. A doutrina majoritária admite a coautoria em crime culposo. Para tanto,
devem ser preenchidos os requisitos do concurso de agentes: a) pluralidade de
agentes, b) relevância causal das várias condutas, c) liame subjetivo entre os
agentes e d) identidade de infração penal. In casu, a conduta do pai não teve
relevância causal direta para o homicídio culposo na direção de veículo
automotor.
Outrossim, não ficou demonstrado o liame subjetivo entre pai e filho no que
concerne à imprudência na direção do automóvel, não podendo, por
conseguinte, atribuir-se a pai e filho a mesma infração penal praticada pelo filho.
3. Não há qualquer elemento nos autos que demonstre que o pai efetivamente
autorizou o filho a pegar as chaves do carro na data dos fatos, ou seja, tem-se
apenas ilações e presunções, destituídas de lastro fático e probatório. Ademais, o
crime culposo, ainda que praticado em coautoria, exige dos agentes a
previsibilidade do resultado. Portanto, não sendo possível, de plano, atestar a
conduta do pai de autorizar a saída do filho com o carro, muito menos se pode a
ele atribuir a previsibilidade do acidente de trânsito causado.
4. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício, ratificando-se em
parte a liminar, apenas para restabelecer a sentença absolutória, no que concerne
ao delito do art. 302, c/c o art. 298, inciso I, do Código de Trânsito Brasileiro.
(HC 235.827/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA,
julgado em 03/09/2013, DJe 18/09/2013)
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 CONCURSO DE CRIMES 
Introdução 
Assim como é plenamente possível que duas ou mais pessoas se unam para praticar 
determinado delito, é plenamente possível que de uma mesma conduta (ou de uma série de 
condutas interligadas) surjam vários crimes. 
O concurso de crimes pode ser de três espécies: concurso formal, concurso material e crime 
continuado. 
A exata caracterização de cada um dos institutos é bastante importante, pois isso 
influenciará na adoção do sistema de aplicação da pena. 
Três também são os sistemas de aplicação da pena: 
• Sistema do cúmulo material – Aqui, ao agente é aplicada a pena correspondente ao 
somatório das penas relativas a cada um dos crimes cometidos isoladamente. Foi 
adotado no que tange ao concurso material (art. 69 do CP), no concurso formal 
impróprio ou imperfeito (art. 70, caput, 2° parte) e no concurso de penas de multa 
(art. 72 do CP); 
• Sistema da exasperação – Aplica-se ao agente somente a pena da infração penal 
mais grave, acrescida de determinado percentual. Foi acolhido no que se refere ao 
concurso formal próprio ou perfeito (art. 70, caput, primeira parte, do CP) e ao crime 
continuado (art. 71 do CP); 
• Sistema da absorção – Aplica-se somente a pena da infração penal mais grave, dentre 
todas as praticadas, sem que haja qualquer aumento. Foi adotado 
(jurisprudencialmente) em relação aos crimes falimentares. 
 
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Concurso material (ou real) de crimes 
Está regulado pelo art. 69 do CP: 
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois 
ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas 
de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de 
reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984) 
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena 
privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será 
incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. (Redação dada pela 
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá 
simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Nesse fenômeno, o agente pratica duas ou mais condutas e produz dois ou mais resultados. 
Pode ser homogêneo, quando todos os crimes praticados são idênticos, ou heterogêneo, quando 
os crimes são diferentes. 
Esse cúmulo de penas deve ser aplicado pelo Juiz na hora da sentença, se os processos 
tiverem sido reunidos por conexão, ou pelo Juiz da execução, caso tenham sido aplicadas as penas 
em processos diversos (nos termos do art. 66, III, a da LEP). 
Se for imposta pena de reclusão a um dos crimes e de detenção a outro, executa-se 
primeiramente a de reclusão, nos termos do art. 69, caput, segunda parte, do CP. 
Só será possível a aplicação de penas restritivas de direitos a um dos crimes se em relação 
aos outros foi aplicada pena também restritiva de direitos ou, em caso de ter sido aplicada pena 
privativa de liberdade, esta foi suspensa (é o chamado sursis), nos termos do art. 69, § 1° do CP. 
As penas restritivas de direitos podem ser cumpridas simultaneamente, desde que 
compatíveis. Assim, a pena de limitação de final de semana não pode ser cumprida 
simultaneamente com outra restritiva de direitos idêntica (limitação de final de semana), pois nesse 
caso o agente estaria cumprindo apenas uma das penas (e pagando as duas o malandro!). 
Entretanto, é plenamente possível o cumprimento simultâneo de pena restritiva de direitos 
consistente em prestação de serviços à comunidade e outra consistente em prestação pecuniária 
($$), pois isso não importa em prejuízo a ninguém (nem ao Estado nem ao infrator). 
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Só é possível a suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) se o somatório 
das penas mínimas previstas para todos os crimes for inferior a um ano. Assim, se o acusado 
praticou dois crimes em concurso material, sendo a pena mínima de ambos estipulada em 03 
meses de detenção, é possível a suspensão condicional do processo. 
 DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES 
 
CÓDIGO PENAL 
 Arts. 69 do CP – Regulamenta o concurso material de crimes: 
Concurso material 
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois 
ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas 
de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de 
reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984) 
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena 
privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será 
incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. (Redação dada pela 
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá 
simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
 SÚMULAS PERTINENTES 
Súmulas do STJ 
 Súmula 243 do STJ – Seguindo a mesma linha da súmula 723 do STF, só que com uma 
abrangência maior, esta súmulatrata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento 
da suspensão condicional do processo em relação ao concurso de crimes em geral (crime 
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continuado, concurso formal e concurso material). Não será cabível o benefício da suspensão 
condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) quando a pena mínima, já com o acréscimo 
decorrente da majoração (concurso formal ou crime continuado) ou do somatório (concurso 
material), ultrapassar um ano: 
Súmula 243 do STJ 
“O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações 
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, 
quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da 
majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano”. 
 
 
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Concurso formal de crimes
No concurso formal, ou ideal, o agente, mediante uma única conduta, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não. Nos termos do art. 70 do CP:
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,
se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto
até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou
omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do
art. 69 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Primeiramente, deve ser esclarecido a vocês que deve haver unidade de conduta e
pluralidade de resultados. No entanto, a unidade de conduta não significa unidade de atos, pois
existem condutas que podem ser fracionadas em diversos atos, como no caso de alguém que
mata outra pessoa com diversas pauladas na cabeça. Embora neste caso haja diversos atos, há
unidade de conduta.
O concurso formal será homogêneo se todos os crimes cometidos mediante a conduta
única forem idênticos, e será heterogêneo se os crimes praticados forem diversos.
O concurso formal pode ser, ainda, perfeito ou imperfeito:
● Concurso formal perfeito (próprio) – Aqui o agente pratica uma única conduta e
acaba por produzir dois resultados, embora não pretendesse realizar ambos, ou
seja, não há desígnios autônomos (intenção de, com uma única conduta, praticar
dolosamente mais de um crime). Exemplo: Imaginem que Camila, dirigindo seu
Bugatti pelas ruas de São Paulo, em altíssima velocidade, atropela, sem querer, um
pedestre, que vem a óbito, e causa lesões graves em outro pedestre. Nesse caso,
Camila responde pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa em
concurso formal, aplicando-se a ela a pena do homicídio culposo (mais grave)
acrescida de 1/6 até a metade ;1
● Concurso formal imperfeito (impróprio) – Aqui o agente se vale de uma única
conduta para, dolosamente, produzir mais de um crime. Imaginem que, no exemplo
anterior, Camila desejasse matar o pedestre, antigo desafeto, bem como lesionar o
outro pedestre (sua ex-sogra). Assim, com sua única conduta, Camila objetivou
praticar ambos os crimes, respondendo por ambos em concurso formal imperfeito,
1 É possível o reconhecimento de concurso formal próprio entre crimes dolosos, desde que seja possível
compreender que houve uma única empreitada criminosa, ou seja, os crimes faziam parte de um único intento
criminoso (ex.: José entra num ônibus e rouba o dinheiro relativo às passagens e também rouba o celular de
um passageiro). Não há, aqui, crime único, ante a diversidade dos patrimônios lesados, devendo, no
entendimento do STJ, ser reconhecido o concurso formal de crimes.
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e lhe será aplica a pena de ambos cumulativamente (sistema do cúmulo material),
pois esse concurso formal é formal apenas no nome, já que deriva de intenções
(desígnios) autônomas, nos termos do art. 70, segunda parte, do CP.
Aplicação da pena no concurso formal
Via de regra, no concurso formal o sistema utilizado é o da exasperação, utilizando-se
como base a pena do crime mais grave, aumentada (exasperada) de 1/6 até a metade (art. 70,
primeira parte, do CP).
O quantum do aumento (entre 1/6 e metade da pena usada como base) será definido
mediante a análise da quantidade de crimes praticados. Se praticados poucos crimes, aplica-se o
aumento mínimo; se praticados diversos crimes mediante a única conduta, aplica-se o aumento
em seu montante máximo.
Trata-se, portanto, de uma fórmula de aplicação da pena que visa a beneficiar o réu, em
razão do menor desvalor de sua conduta.
Entretanto, se estivermos diante de concurso formal imperfeito (impróprio), aplica-se a
regra estabelecida pelo art. 70, segunda parte, do CP, ou seja, o sistema do cúmulo material,
pois o agente se valeu de uma única conduta para praticar diversos crimes de maneira dolosa,
agindo com intenções autônomas (desígnios autônomos).
Há, ainda, a figura que se denominou de cúmulo material benéfico, que ocorre quando o
sistema da exasperação se mostra prejudicial ao réu em relação ao sistema da cumulação.
EXEMPLO: Imaginem que o agente tenha cometido homicídio doloso simples
(pena de 06 a 20 anos) e tenha, culposamente, mediante a mesma conduta,
lesionado levemente uma terceira pessoa, cometendo o crime de lesões
corporais culposas em concurso formal com o homicídio (art. 129, § 6° do CP,
pena de 02 meses a um ano de detenção).
Nesse exemplo acima, o sistema da exasperação é muito prejudicial ao réu. Imaginem que
o infrator tenha sido condenado pelo crime de homicídio a 10 anos de reclusão (crime mais
grave). Nesse caso, pelo sistema da exasperação, por ter havido concurso formal, essa pena deve
ser aumentada de 1/6 até a metade. Logo, a pena dele variará de 11 anos e 08 meses a 15 anos
de reclusão (pena base + 1/6 e pena base + metade). Pelo sistema do cúmulo material, como a
pena de lesões culposas é bem pequena, a pena do agente variaria de 10 anos e dois meses a 11
anos de reclusão. Nesse caso, percebam, o sistema da exasperação é prejudicial ao réu. Assim, a
lei estabelece que, nesse caso, ELE NÃO SE APLICA, aplicando-se o sistema do cúmulo material,
pois o sistema da exasperação foi criado para beneficiar o réu e não pode ser aplicado quando
resultar em prejuízo a ele. Nos termos do § único do art. 70 do CP:
Art. 70 (...) Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela
regra do art. 69 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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 DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES
CÓDIGO PENAL
Arts. 70 do CP – Regulamenta o concurso formal de crimes:
Concurso formal
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,
se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto
até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou
omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do
art. 69 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 SÚMULAS PERTINENTES
Súmulas do STJ
Súmula 243 do STJ – Seguindo a mesma linha da súmula 723 do STF, só que com uma
abrangência maior, esta súmula trata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento
da suspensão condicional do processoem relação ao concurso de crimes em geral (crime
continuado, concurso formal e concurso material). Não será cabível o benefício da suspensão
condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) quando a pena mínima, já com o acréscimo
decorrente da majoração (concurso formal ou crime continuado) ou do somatório (concurso
material), ultrapassar um ano:
Súmula 243 do STJ
“O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade
delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela
incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano”.
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Crime continuado
Também conhecido como continuidade delitiva, é a espécie de concurso de crimes na qual
o agente pratica diversas condutas, praticando dois ou mais crimes, que por determinadas
condições são considerados pela Lei (por uma ficção jurídica) como crime único. Nos termos do
art. 71 do CP:
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois
ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira
de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como
continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas,
ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois
terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com
violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade,
os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas,
ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo
único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Duas teorias buscam explicar este instituto:
⇒ Teoria da ficção jurídica – Para esta teoria, a continuidade delitiva é uma ficção, pois, na
verdade, existem diversos crimes, tendo a Lei considerado os diversos atos como apenas
um crime, para fins de aplicação da pena. Esta teoria foi desenvolvida por Francesco
Carrara;
⇒ Teoria da realidade, ou da unidade real – Para esta teoria, o crime continuado é, por sua
própria natureza, um único delito, não havendo que se falar em ficção jurídica.
O nosso CP adotou a teoria da ficção jurídica, pois a consideração dos diversos delitos
como um único crime se dá apenas para fins de aplicação da pena, tanto que, no que tange à
prescrição, eles são considerados crimes autônomos, nos termos do art. 119 do CP:
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá
sobre a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Requisitos para a configuração do crime continuado
A Doutrina entende serem três os requisitos do crime continuado: a) pluralidade de
condutas; b) pluralidade de crimes da mesma espécie; e c) condições semelhantes de tempo,
lugar, modo de execução e outras semelhanças.
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Há divergência doutrinária quanto à necessidade de haver ou não unidade de desígnio.
A pluralidade de conduta decorre da redação do art. 71, que fala em “mediante mais de
uma ação ou omissão”.
A pluralidade de crimes causa polêmica. O que seriam crimes da mesma espécie? A
Doutrina e a Jurisprudência não são pacíficas. Parte minoritária entende que crimes da mesma
espécie são aqueles que tutelam o mesmo bem jurídico. Assim, para essa corrente, furto,
estelionato, apropriação indébita, etc., seriam todos crimes da mesma espécie, pois seriam todos
“crimes contra o patrimônio”.
No entanto, a corrente que prevalece, inclusive no STJ, é a de que crimes da mesma
espécie são aqueles tipificados pelo mesmo dispositivo legal, na forma simples, privilegiada ou
qualificada, consumados ou tentados. Assim, seriam crimes da mesma espécie roubo e roubo
qualificado.
Vejamos:
(...) Não há continuidade delitiva porque os crimes de falsificação de documento
público e falsidade ideológica não são da mesma espécie.
(...) (AgRg no AREsp 311.775/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA,
julgado em 27/05/2014, DJe 03/06/2014)
Entretanto, essa corrente entende que, além de serem tratados no mesmo dispositivo
legal, devem tutelar o mesmo bem jurídico. Assim, roubo simples (art. 157) e latrocínio (art. 157,
§ 3° do CP) não seriam crimes da mesma espécie, pois o latrocínio tutela, ainda, o direito à vida,
e não somente o patrimônio.
O STJ já solidificou este entendimento:
(...) 1. Os crimes de roubo e latrocínio, apesar de serem do mesmo gênero, não
são da mesma espécie. No crime de roubo, a conduta do agente ofende o
patrimônio. No delito de latrocínio, ocorre lesão ao patrimônio e à vida da vítima,
não havendo homogeneidade de execução na prática dos dois delitos, razão
pela qual tem aplicabilidade a regra do concurso material.
(...) (HC 186.575/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em
27/08/2013, DJe 04/09/2013)
Por fim, a semelhança entre os delitos deve obedecer à conexão de quatro gêneros:
temporal, espacial, modal e ocasional.
A conexão temporal exige que os crimes tenham sido cometidos na mesma época. Mesma
época não implica mesmo momento. A jurisprudência tem entendido que os crimes não podem
ter sido cometidos em um lapso temporal superior a 30 dias. No entanto, no que se refere aos
crimes contra a ordem tributária, o STF já entendeu que pode haver continuidade delitiva desde
que os delitos tenham sido cometidos em lapso temporal não superior a 03 anos.
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A conexão espacial indica que, para que seja considerada continuidade delitiva, os crimes
devem ser cometidos no mesmo local. A Jurisprudência entende que a conexão espacial só
estará presente se os crimes forem cometidos na mesma cidade, ou, no máximo, na mesma
região metropolitana.
A conexão modal se verifica quando o agente pratica o crime sempre da mesma maneira,
seja pelo modo de execução, pela utilização de comparsas, etc.
A conexão ocasional não possui previsão expressa na Lei, mas parte da Doutrina a entende
como a necessidade de que os primeiros crimes tenham proporcionado uma ocasião que gerou a
prática dos crimes subsequentes.
Com relação à unidade de desígnios, ou seja, a necessidade de que todos os crimes praticados
na verdade tenham sido partes de um único projeto criminoso, a Doutrina é dividida, mas a
maioria da Doutrina, bem como a Jurisprudência, entendem ser necessária essa unidade de
desígnios, de forma que a mera reunião dos demais requisitos não configura a continuidade
delitiva se os crimes foram praticados de maneira isolada, sem nenhum vínculo entre eles. Isso
significa que a maioria da Doutrina e a Jurisprudência adotam a teoria objetivo-subjetiva,
desprezando a teoria objetiva pura, que não prevê a necessidade de unidade de desígnios.
Aplicação da pena no crime continuado
Existem três espécies de crime continuado: simples, qualificado e específico. Entretanto,
em todos os casos se aplica o sistema da exasperação.
No crime continuado simples, as penas dos delitos parcelares são as mesmas. Exemplo: 10
furtos simples praticados em continuidade delitiva. Nesse caso, aplica-se a pena de apenas um
deles, acrescida de 1/6 a 2/3 (varia conforme a quantidade de delitos).
No crime continuado qualificado, as penas dos delitos praticados são diferentes, de modo
que se aplica a pena do mais grave deles, aumentada de 1/6 a 2/3.
Por fim, o crime continuado específico está previsto no § único do art. 71 do CP:
Art. 71 (...) Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes,cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando
a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes,
se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do
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parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Assim, nos crimes dolosos cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, sendo as
vítimas diferentes, poderá o Juiz aplicar a pena de um deles (ou a mais grave, se diversas),
aumentada até o triplo. Vejam que se adotou o mesmo sistema da exasperação, entretanto, o §
único previu um quantum maior a ser acrescido à pena-base. A lei não estabelece a quantidade
mínima nesse caso, mas a Jurisprudência, inclusive o STF, entende que o mínimo aqui também é
de 1/6.
Aqui também se aplica a regra do “concurso material benéfico”, ou seja, se o sistema da
exasperação se mostrar mais gravoso, deverá ser aplicado o sistema do cúmulo material.
Crime continuado e conflito de leis penais no tempo
Se durante a execução do crime continuado sobrevir lei nova, mais gravosa ao réu, esta
última é aplicada, pois se considera que o crime continuado está sendo praticado enquanto não
cessa a continuidade delitiva. Assim, sendo o tempo do crime o momento em que cessa a
continuidade, a lei nova chegou a vigorar antes de sua consumação, aplicando-se a este, por ser
a lei vigente ao tempo do crime.
Este entendimento está, inclusive, sumulado pelo STF:
SÚMULA Nº 711
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME
PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA
CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.
Crime continuado e prescrição
Nos crimes continuados, por haver mera ficção jurídica de crime único, apenas para fins de
aplicação da pena, a prescrição é calculada em relação a cada crime isoladamente.
Entretanto, para o cálculo da prescrição RETROATIVA (a que leva em consideração a pena
“em concreto”), leva-se em conta a pena mínima estabelecida para a pena-base, desprezando-se
o acréscimo que seria aplicado em decorrência da continuidade delitiva.
EXEMPLO: Se há dois furtos qualificados praticados em continuidade delitiva
(penas mínimas de dois anos), tendo a sentença aplicado a pena mínima, por
exemplo (02 anos), acrescida de determinado percentual decorrente da
continuidade delitiva (1/4), a prescrição é calculada tendo por base a pena
aplicada, mas sem computar o acréscimo decorrente da continuidade delitiva
(apenas 02 anos, e não 02 anos + ¼, que seria 02 anos e 06 meses).
Para termos uma ideia de como isso influencia a prescrição, se utilizássemos os
“dois anos e seis meses” como base para o cálculo da prescrição retroativa, ela
ocorreria em 08 anos, por força do art. 109, IV do CP.
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Como devemos considerar a pena aplicada, sem o acréscimo (02 anos), a
prescrição retroativa terá o prazo de 04 anos, por força do art. 109, V do CP.
Esta previsão consta do verbete n° 497 da súmula do STF:
SÚMULA Nº 497
QUANDO SE TRATAR DE CRIME CONTINUADO, A PRESCRIÇÃO REGULA-SE
PELA PENA IMPOSTA NA SENTENÇA, NÃO SE COMPUTANDO O ACRÉSCIMO
DECORRENTE DA CONTINUAÇÃO.
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Arts. 71 do CP – Regulamenta o crime continuado:
Crime continuado
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois
ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira
de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como
continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas,
ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois
terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com
violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade,
os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas,
ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo
único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
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 SÚMULAS PERTINENTES
Súmulas do STF
Súmula 711 do STF – Trata da solução ao conflito aparente de leis penais no tempo, no que
tange aos crimes continuados e permanentes:
SÚMULA Nº 711
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME
PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA
CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.
Súmula 497 do STF – Trata do cálculo do prazo prescricional relativamente ao crime
continuado, desprezando-se o acréscimo de pena decorrente da continuidade delitiva:
SÚMULA Nº 497
QUANDO SE TRATAR DE CRIME CONTINUADO, A PRESCRIÇÃO REGULA-SE
PELA PENA IMPOSTA NA SENTENÇA, NÃO SE COMPUTANDO O ACRÉSCIMO
DECORRENTE DA CONTINUAÇÃO.
Súmula 723 do STF – Trata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento da
suspensão condicional do processo em relação ao crime continuado. Deve ser considerada a
pena da infração mais grave, acrescida do aumento 1/6 (aumento mínimo decorrente da
continuidade delitiva):
Súmula 723
“Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a
soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um
sexto for superior a um ano.”
Súmulas do STJ
Súmula 243 do STJ – Seguindo a mesma linha da súmula 723 do STF, só que com uma
abrangência maior, esta súmula trata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento
da suspensão condicional do processo em relação ao concurso de crimes em geral (crime
continuado, concurso formal e concurso material). Não será cabível o benefício da suspensão
condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) quando a pena mínima, já com o acréscimo
decorrente da majoração (concurso formal ou crime continuado) ou do somatório (concurso
material), ultrapassar um ano:
Súmula 243 do STJ
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“O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade
delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela
incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano”.
 JURISPRUDÊNCIA CORRELATA
STJ - RESP 1582601/DF – O STJ firmou entendimento quanto aos parâmetros para fixação do
aumento decorrente da continuidade delitiva, devendo ser considerada a quantidade de
infrações penais praticadas:
1. Relativamente à exasperação da reprimenda procedida em razão do crime
continuado, é imperioso salientar que esta Corte Superior de Justiça possui o
entendimento consolidado de que, cuidando-se aumento de pena referente
à continuidade delitiva, aplica-se a fração de aumento de 1/6 pela prática de 2
infrações; 1/5, para 3 infrações; 1/4, para 4 infrações; 1/3, para 5 infrações; 1/2,
para 6 infrações e 2/3, para 7 ou mais infrações.
(...)
(REsp 1582601/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,
julgado em 26/04/2016, DJe 02/05/2016)
STJ - RESP 1028062/RS – O STJ firmou entendimento no sentido de que, para a caracterização
da continuidade delitiva, não bastam os elementos de natureza objetiva (conexão espacial,
temporal, etc.), sendo necessário também que esteja presente o requisito de ordem subjetiva,
consistente na existência de vínculo subjetivo entre as condutas delituosas, ou seja, que o agente
tenha praticado os crimes na consciência deque se tratava de uma única empreitada criminosa
(ainda que desdobrada em vários atos criminosos):
(...) 7. O Superior Tribunal de Justiça entende que, para a caracterização da
continuidade delitiva (art. 71 do Código Penal), é necessário que estejam
preenchidos, cumulativamente, os requisitos de ordem objetiva (pluralidade de
ações, mesmas condições de tempo, lugar e modo de execução) e o de ordem
subjetiva, assim entendido como a unidade de desígnios ou o vínculo subjetivo
havido entre os eventos delituosos.
(...) (REsp 1028062/RS, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,
julgado em 02/02/2016, DJe 23/02/2016)
STJ - RESP 1287277/MT – O STJ firmou entendimento no sentido de que o fato de os delitos
terem sido praticados contra vítimas diferentes não afasta a possibilidade de reconhecimento da
continuidade delitiva:
2. O fato de os crimes terem sido praticados contra vítimas diversas não impede
o reconhecimento do crime continuado, notadamente quando os atos tiverem
sido praticados no mesmo contexto fático (AgRg no REsp n. 1.359.778/MG).
(...) (REsp 1287277/MT, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,
julgado em 07/04/2016, DJe 20/04/2016)
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STJ - AGRG no RESP 1509655/SP – Embora não haja unanimidade quanto ao lapso temporal
dentro do qual se poderia falar em continuidade delitiva, o STJ possui alguns julgados, como
este abaixo, no qual entendeu que não é possível reconhecer a continuidade delitiva quando há
lapso temporal superior a 30 dias entre as condutas:
1. Incabível a incidência da regra da continuidade delitiva quando o espaço de
tempo entre as condutas delituosas supera os 30 dias, período suficiente para
caracterizar a autonomia entre os fatos delituosos. Precedentes do STJ.
2. Na espécie, em que houve a utilização de passaporte falso por quatro vezes,
mas transcorrido aproximadamente 150 dias entre a segunda e a terceira
condutas, deve ser afastada a incidência do art. 71 do CP quanto a estas ações.
3. Insurgência desprovida.
(AgRg no REsp 1509655/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA,
julgado em 10/11/2015, DJe 19/11/2015)
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Disposições Finais 
1.1 Prescrição e concurso de crimes 
O nosso CP adotou a teoria da ficção jurídica, pois a consideração dos diversos delitos 
como um único crime se dá apenas para fins de aplicação da pena, tanto que, no que tange à 
prescrição, eles são considerados crimes autônomos, nos termos do art. 119 do CP: 
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre 
a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
1.2 Aplicação da pena de multa no concurso de crimes 
Assim prevê o art. 72 do CP: 
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e 
integralmente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Assim, o art. 72 do CP prevê a aplicação do sistema do cúmulo material no que tange às 
penas de multa. Essa aplicação é inquestionável no concurso material e no concurso formal. 
No entanto, no que se refere ao crime continuado, há forte divergência. 
A primeira corrente (amplamente majoritária na Doutrina) entende que esta regra também 
se aplica ao crime continuado, por não ter a Lei feito qualquer distinção. 
A segunda corrente (majoritária na Jurisprudência, inclusive no STJ), entende que, nesse 
caso, não se aplica a regra do art. 72, por ter a lei entendido que se trata de crime único, mediante 
ficção jurídica. 
 DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES 
 
CÓDIGO PENAL 
 Arts. 72 do CP – Regulamenta a pena de multa no concurso de crimes: 
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Multas no concurso de crimes 
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e 
integralmente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
 Art. 119 do CP – Trata da prescrição na hipótese de concurso de crimes: 
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre 
a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
 
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 EXERCÍCIOS COMENTADOS 
1. (FCC – 2018 – ALE-SE – ANALISTA LEGISLATIVO – PROCESSO LEGISLATIVO) É certo que um crime pode 
ser praticado por uma ou mais pessoas. Quando isso acontece, está-se diante da hipótese de concurso de 
pessoas, também conhecido como concurso de agentes. Nesse caso, 
a) ainda que algum dos concorrentes tenha querido participar de crime menos grave, ser-lhe-á, 
obrigatoriamente, aplicada a pena idêntica do crime praticado pelo seu comparsa, ante a adoção pelo código 
penal da teoria monista. 
b) em hipótese alguma se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal na coautoria. 
c) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio são sempre puníveis, ainda que o crime não venha a ser 
tentado. 
d) os crimes plurissubjetivos não admitem a coautoria e a participação. 
e) se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Item errado, pois se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á 
aplicada a pena deste (crime menos grave). Todavia, essa pena será aumentada até metade, na hipótese de 
ter sido previsível o resultado mais grave, conforme art. 29, §2º do CP. 
b) ERRADA: Item errado, pois, COMO REGRA, não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter 
pessoal, SALVO quando elementares do crime, conforme art. 30 do CP. 
c) ERRADA: Item errado, pois o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa 
em contrário, NÃO SÃO PUNÍVEIS, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado, nos termos do art. 31 
do CP. 
d) ERRADA: Item errado, pois crimes plurissubjetivos são aqueles em que há a participação de mais de um 
agente, podendo ser necessariamente plurissubjetivos (necessitam de mais de um agente) ou 
eventualmente plurissubjetivos (podem ser praticados em concurso de agentes, mas isso não é 
indispensável). 
e) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 29, §1º do CP: 
Art. 29 (...) § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída 
de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
GABARITO: Letra E 
2. (FCC – 2018 – ALE-SE – ANALISTA LEGISLATIVO – APOIO JURÍDICO) Hamilton resolve chamar um táxi 
pelo aplicativo do celular a fim de conduzi-lo até determinado endereço. Após ingressar no veículo, 
Hamilton recebe uma ligação em seu telefone, ocasião em que diz a pessoa que está do outro lado da linha 
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que está se dirigindo até o endereço do amante de sua esposa a fim de matá-lo. O motorista do táxi, 
mesmo após ouvir a conversa de seu passageiro, o conduz até seu destino. No dia seguinte, o motorista 
toma conhecimento pelo noticiário televisivo de que Hamilton realmente matou o amante de sua mulher. 
Diante do caso hipotético, o taxista 
a) responderá pelo crime de homicídio doloso como partícipe. 
b) responderá pelo crime de homicídio doloso como coautor. 
c) responderá pelo crime de homicídio culposo. 
d) responderá pelo crime de favorecimento pessoal. 
e) não responderá por nenhum crime. 
COMENTÁRIOS 
Neste caso, o taxista não responderá por crime algum, pois não houve coautoria ou participação no crime 
alheio. A conduta do taxista, de levar o agente ao seu destino, havendo participação na cadeia causal, sob o 
aspecto meramente físico,não havia liame subjetivo entre ambos, nem podemos dizer que a conduta do 
taxista, no exercício de seu papel social (transportar pessoas), pode ser considerada uma adesão subjetiva à 
conduta alheia. 
GABARITO: Letra E 
3. (FCC – 2017 – PC-AP – AGENTE DE POLÍCIA) Mário e Mauro combinam a prática de um crime de furto 
a uma residência. Contudo, sem que Mário saiba, Mauro arma-se de um revólver devidamente municiado. 
Ambos, então, ingressam na residência escolhida para subtrair os bens ali existentes. Enquanto Mário 
separava os objetos para subtração, Mauro é surpreendido com a presença de um dos moradores que, ao 
reagir a ação criminosa, acaba sendo morto por Mauro. Nesta hipótese 
a) Mário e Mauro responderão pela prática de latrocínio. 
b) Mário e Mauro responderão pela prática de furto. 
c) Mário responderá pela prática de furto simples e Mauro responderá pela prática de furto qualificado. 
d) Mário responderá apenas pelo furto e Mauro responderá pela prática dos crimes de porte ilegal de arma 
de fogo, furto e homicídio. 
e) Mário responderá pela prática de furto e Mauro pelo crime de latrocínio. 
COMENTÁRIOS 
Neste caso ocorreu o fenômeno da cooperação dolosamente distinta, ou “participação em crime menos 
grave”, previsto no art. 29, §2º do CP: 
Art. 29 (...) § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-
á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido 
previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
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Neste caso, o agente que quis participar do crime menos grave (furto), no caso, Mário, responderá apenas 
por este crime. O outro agente, Mauro, que acabou praticando um crime mais grave (roubo com resultado 
morte = latrocínio), responderá por este crime. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
4. (FCC – 2013 – TRT1 – JUIZ) Quanto aos demais agentes do crime, o parentesco entre o autor e a 
vítima; 
a) comunica-se, desde que elementar ao tipo. 
b) comunica-se sempre, desde que por aqueles conhecido. 
c) comunica-se para agravamento genérico da pena concreta. 
d) comunica-se para atenuação genérica da pena concreta. 
e) não se comunica em qualquer hipótese. 
COMENTÁRIOS 
O parentesco entre um dos comparsas e a vítima, em regra, não se comunica aos demais comparsas, ou seja, 
é irrelevante em relação a eles. Contudo, em determinados casos, quando este grau de parentesco for uma 
das questões elementares do tipo penal, haverá comunicação com os demais comparsas, como ocorre no 
crime de infanticídio, em que o parentesco de um dos comparsas (a mãe) e a vítima (filho) irá se estender 
aos demais agentes do delito, possibilitando sua punição pela conduta de infanticídio, nos termos do art. 
123, c/c art. 30 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
5. (FCC – 2014 – METRÔ-SP – ADVOGADO) Joaus, Joseh e Pedrus acertaram, mediante prévio ajuste, a 
prática de um crime de furto qualificado em residência. Pedrus escolheu a residência e emprestou seu 
veículo para o transporte dos objetos furtados. Joaus arrombou a porta da residência indicada por Pedrus 
e entrou. Joseh entrou em seguida. Joaus e Joseh recolheram todos os objetos de valor, colocaram no 
veículo e fugiram do local. Nesse caso, 
a) Joaus, Joseh e Pedrus foram coautores. 
b) Joaus foi autor, Joseh partícipe e Pedrus autor mediato. 
c) Joaus e Joseh foram partícipes e Pedrus foi autor imediato. 
d) Joaus, Joseh e Pedrus foram autores. 
e) Joaus e Joseh foram coautores e Pedrus partícipe. 
COMENTÁRIOS 
Neste caso, Pedrus prestou auxílio material, ao fornecer seu veículo e escolher a residência do furto. 
Contudo, o AUXÍLIO de Pedrus para por aí, ele não tem mais nenhuma participação no crime e não detém o 
domínio final do fato (poder de intervir e fazer cessar a atividade criminosa, por exemplo), de maneira que 
não pode ser considerado autor intelectual. 
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Também não pode Pedrus ser considerado “autor”, na concepção formal de autor, segundo a qual autor é 
aquele que pratica a conduta descrita no núcleo do tipo, por uma questão simples: Até o final da atuação de 
Pedrus o crime sequer havia sido iniciado (estava apenas na fase da cogitatio, ou fase de atos preparatórios). 
Assim, como dizer que ele “praticou o núcleo do tipo”? Impossível. Assim, Pedrus NÃO É AUTOR 
(naturalmente, nem coautor). 
Joaus e Joseh, por sua vez, praticaram a conduta descrita no núcleo do tipo penal, de forma que são autores 
(coautores) do delito. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
6. (FCC – 2014 – DPE-CE – DEFENSOR PÚBLICO) No concurso de pessoas, 
a) há autoria colateral quando os concorrentes se comportam para o mesmo fim, conhecendo a conduta 
alheia. 
b) a infração penal não precisa ser igual, objetiva e subjetivamente, para todos os concorrentes. 
c) é necessário que cada concorrente tenha consciência de contribuir para a atividade delituosa de outrem, 
dispensada a prévia combinação entre eles. 
d) os concorrentes devem necessariamente realizar o fato típico. 
e) dispensável a adesão subjetiva à vontade do outro. 
COMENTÁRIOS 
A) ERRADA: Item errado, pois se há liame subjetivo entre eles teremos coautoria, e não autoria colateral, 
que pressupõe o desconhecimento de um em relação à conduta do outro. 
B) ERRADA: Item errado, pois em regra, a infração penal será a mesma para todos os comparsas, por força 
da adoção da teoria monista pelo CP. 
C) CORRETA: Item correto, pois a existência de vínculo subjetivo (liame subjetivo) entre os comparsas é 
indispensável, embora não seja necessário o prévio ajuste entre eles, pois um pode aderir à conduta do 
outro, que já se encontra em andamento, por exemplo. 
D) ERRADA: Embora o termo correto seja “núcleo do tipo”, o item está errado, pois não é necessário que 
todos pratiquem a conduta descrita no núcleo do tipo. Aqueles que o fizerem serão autores. Os que apenas 
prestarem auxílio serão partícipes. 
E) ERRADA: Item errado, pois a existência de vínculo subjetivo entre os comparsas é indispensável para a 
caracterização do concurso de agentes. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
7. (FCC – 2014 – TJ-CE – JUIZ) Em tema de concurso de pessoas, é possível afirmar que 
a) o concorrente, na chamada cooperação dolosamente diversa, responderá pelo crime menos grave que 
quis participar, mas sempre com aumento da pena. 
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b) indispensável a adesão subjetiva à vontade do outro, embora desnecessária a prévia combinação. 
c) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio nunca são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, 
a ser tentado. 
d) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, ainda que elementares do crime. 
e) a participação de menor importância constitui causa geral de diminuição da pena, incidindo na segunda 
etapa do cálculo. 
COMENTÁRIOS 
A) ERRADA: Item errado, pois na cooperação dolosamente distinta (ou diversa), o agente responde sempre 
pelo crime menos grave, mas o aumento de pena só é aplicável se o crime mais grave (que efetivamente 
ocorreu) era previsível, nos termos do art. 29, §2º do CP. 
B) CORRETA: Item correto, pois a existência de vínculo subjetivo (liame subjetivo) entre os comparsas é 
indispensável, embora não seja necessário o prévio ajuste entre eles, pois um pode aderir à conduta do 
outro, que já se encontra em andamento, por exemplo. 
C) ERRADA: Item errado. Cuidado! Vejamos a redação do art. 31 do CP: 
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em 
contrário, não são puníveis, se o crime nãochega, pelo menos, a ser tentado. (Redação 
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Vejam, assim, que EM REGRA tais condutas não são puníveis, mas a Lei pode dizer o contrário para 
determinadas situações, por isso o item está errado, pois diz que NUNCA SERÃO puníveis. 
D) ERRADA: Se forem elementares do delito, tais condições irão se comunicar, nos termos do art. 30 do CP. 
E) ERRADA: De fato, a participação de menor importância constitui causa geral de diminuição de pena, 
prevista no art. 29, §1º do CP. Contudo, ela incidirá na TERCEIRA FASE da aplicação da pena, e não na 
segunda. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
8. (FCC – 2015 – CNMP – ANALISTA) No concurso de pessoas, 
a) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste, essa 
pena será aumentada de 1/3 a 2/3, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
b) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
periculosidade. 
c) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
d) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são 
puníveis, se o crime não chega a ser consumado. 
e) se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída até metade. 
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COMENTÁRIOS 
A) ERRADA: O aumento de pena (no caso de ser previsível o crime mais grave) é de “ATÉ A METADE” e não 
de um a dois terços, na forma do art. 29, §2º do CP. 
B) ERRADA: Item errado, pois cada um irá responder na medida de sua CULPABILIDADE, nos termos do art. 
29 do CP. 
C) CORRETA: Item correto, pois é a exata previsão do art. 30 do CP: 
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
D) ERRADA: Tais condutas (ajuste, o auxílio, etc.) não são puníveis se o crime não chega a ser, ao menos, 
tentado (e não consumado, como diz a questão), pois isto é o que prevê o art. 31 do CP: 
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em 
contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. (Redação 
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
E) ERRADA: A pena, neste caso, pode ser diminuída de um sexto a um terço, nos termos do §1º do art. 29 do 
CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
9. (FCC - 2011 - TCE-SP - PROCURADOR) Em matéria de concurso de pessoas, é correto afirmar que 
A) coautores são aqueles que, atuando de forma idêntica, executam o comportamento que a lei define como 
crime. 
B) partícipe é aquele que, também praticando a conduta que a lei define como crime, contribui, de qualquer 
modo, para a sua realização. 
C) é possível a coautoria nos crimes de mão própria. 
D) é admissível a coautoria nos crimes próprios, desde que o terceiro conheça a especial condição do autor. 
E) é inadmissível a participação nos crimes omissivos próprios. 
COMENTÁRIOS 
A) ERRADA: Embora seja coautor todo aquele que pratica o comportamento definido como crime, não é 
necessário que a conduta seja idêntica, pois pode haver hipótese de coautoria funcional, na qual os agentes 
praticam condutas diversas, que se complementam. 
B) ERRADA: O partícipe não pratica a conduta descrita no núcleo do tipo; 
C) ERRADA: Nos crimes de mão própria não se admite coautoria, em razão de o crime dever ser praticado 
especificamente por determinada pessoas; 
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D) CORRETA: Nos crimes próprios é plenamente possível a coautoria, desde que o outro agente tenha pleno 
conhecimento da condição do outro coautor. 
E) ERRADA: Nos crimes omissivos próprios se admite a participação moral, quando, por exemplo, alguém 
induz outra pessoa a se omitir. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
10. (FCC - 2007 - MPU - ANALISTA - PROCESSUAL) Maria, enfermeira, por ordem do médico João, 
ministrou veneno ao paciente, supondo tratar-se de um medicamento, ocasionando-lhe a morte. Nesse 
caso, 
A) não há concurso de agentes, mas apenas um autor mediato, pela realização indireta do fato típico. 
B) há concurso de agentes, sendo João autor principal e Maria co-autora. 
C) há concurso de agentes, sendo João autor principal e Maria partícipe. 
D) há concurso de agentes, figurando tanto João como Maria na condição de autores. 
E) há concurso de agentes, figurando Maria como autora e João como co-autor. 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, há autoria mediata, pois o Médico João se valeu de uma pessoa sem dolo (em razão do erro 
determinado por terceiro) para praticar um delito. Assim, não há que se falar em concurso de agentes. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
11. (FCC - 2007 - MPU - ANALISTA ADMINISTRATIVO) José instigou Pedro, agindo sobre a vontade deste, 
de forma a fazer nascer neste a idéia da prática do crime. João prestou auxílio a Pedro, emprestando-lhe 
uma arma para que pudesse executar o delito. José e João são considerados, tecnicamente, 
A) co-autores. 
B) autores. 
C) Partícipes. 
D) partícipe e co-autor, respectivamente. 
E) co-autor e partícipe, respectivamente. 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, ambos apenas auxiliaram (moralmente e materialmente) o autor a praticar o delito, motivo pelo 
qual são considerados partícipes do crime. 
Assim, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
12. (FCC - 2008 - MPE-CE - PROMOTOR DE JUSTIÇA) Nos chamados crimes monossubjetivos, 
A) o concurso de pessoas é eventual. 
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B) o concurso de pessoas só ocorre no caso de autoria mediata. 
C) o concurso de pessoas é necessário. 
D) não há concurso de pessoas. 
E) há concurso de pessoas apenas na forma de participação. 
COMENTÁRIOS 
Nos crimes monossubjetivos, em regra o delito é praticado por um único agente, não sendo necessária a 
pluralidade de agentes. Portanto, nestes crimes (que são a regra), o concurso de agentes é meramente 
eventual. 
Assim, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
13. (FCC - 2011 - TRE-PE - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) De acordo com o Código Penal 
brasileiro, 
A) não há distinção entre autores, co-autores e partícipes, que incidem de forma idêntica nas penas 
cominadas ao delito. 
B) os autores, co-autores e partícipes incidem nas penas cominadas ao delito na medida de sua culpabilidade. 
C) ao autor principal será obrigatoriamente imposta pena mais alta que a dos co-autores e partícipes. 
D) ao autor principal e aos co-autores será obrigatoriamente imposta pena mais alta que a dos partícipes. 
E) ao autor principal será imposta a pena prevista para o delito, sendo que os co-autores e os partícipes terão 
obrigatoriamente a pena reduzida de um sexto a um terço. 
COMENTÁRIOS 
Com relação à punibilidade de cada um dos participantes do evento criminoso, o CP prevê que cada um seja 
punido de acordo com sua culpabilidade, não estabelecendo, em abstrato, penas mais graves para um ou 
para outro, bem como não estabelecendo que as penas devam ser idênticas. Nos termos do art. 29 do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
14. (FCC - 2011 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - TÉCNICO JUDICIÁRIO - SEGURANÇA) João instigou José a praticar 
um crime de roubo. Luiz forneceu-lhe a arma. Pedro forneceu-lhe todas as informações sobre a residência 
da vítima e sobre o horário em que esta ficava sozinha. No dia escolhido, José, auxiliado por Paulo, 
ingressou na residênciada vítima. José apontou-lhe a arma, enquanto Paulo subtraiu-lhe dinheiro e jóias. 
Nesse caso, são considerados partícipes APENAS 
A) Luiz e Pedro. 
B) João, Luiz, Pedro e Paulo. 
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C) João, Luiz e Pedro. 
D) José, Pedro e João. 
E) João, José, Luiz e Pedro. 
COMENTÁRIOS 
João e Luiz são partícipes, pois auxiliaram José a cometer o crime, o primeiro, moralmente, e o segundo, 
materialmente. Pedro por sua vez, também é partícipe, pois forneceu informações ao autor do crime, 
auxiliando-o materialmente. Já Paulo e José são autores do crime, pois praticaram a conduta descrita no 
núcleo do tipo e roubo (art. 157 do CP). 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
15. (FCC - 2011 - TRE-TO - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) No concurso de pessoas, 
A) se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de metade. 
B) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
C) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena do crime 
cometido, reduzida de um a dois terços. 
D) as circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam, sejam, ou não, elementares do crime. 
E) a instigação e o auxílio, em qualquer hipótese, são puníveis mesmo que o crime não ocorra. 
COMENTÁRIOS 
Com relação à punibilidade de cada um dos participantes do evento criminoso, o CP prevê que cada um seja 
punido de acordo com sua culpabilidade, não estabelecendo, em abstrato, penas mais graves para um ou 
para outro. Nos termos do art. 29 do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Na participação de menor importância, a pena é diminuída de um sexto a um terço, não de metade (art. 29, 
§ 1° do CP). Além disso, quando o agente quis participar de crime menos grave (tendo outro agente cometido 
um crime mais grave), aplica-se ao primeiro a pena do crime previsto (NÃO A DO CRIME COMETIDO!), 
aumentada até a metade, CASO FOSSE PREVISÍVEL A PRÁTICA DO CRIME MAIS GRAVE (art. 29, § 2° do CP). 
A cooperação dolosamente distinta, também chamada de “participação em crime menos grave”, ocorre 
quando ambos os agentes decidem praticar determinado crime, mas durante a execução, um deles decide 
praticar outro crime, mais grave. Nesse caso, aplica-se o art. 29, § 2° do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
(...) 
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§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada 
a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o 
resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Quanto à comunicabilidade das circunstâncias pessoais, nos termos do art. 30 do CP, elas só se comunicam 
quando elementares do crime. 
A instigação e o auxílio só são puníveis se o crime chegar, pelo menos, a ser tentado (art. 31 do CP). 
Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
16. (FCC – 2006 – BCB – ANALISTA) Aquele que, sem praticar ato executório, concorre, de qualquer 
modo, para a realização do crime, por ele responderá na condição de 
a) coautor. 
b) partícipe. 
c) autor mediato. 
d) coautor moral. 
e) autor. 
COMENTÁRIOS 
O Brasil adotou a teoria diferenciadora (num conceito RESTRITIVO de autor), de viés objetivo-formal, 
distinguindo-se autor e partícipe segundo a conduta realizada: autor é aquele que pratica a conduta prevista 
no núcleo do tipo penal e partícipe é todo aquele que, sem realizar a conduta descrita no núcleo do tipo, 
participa do evento criminoso. Assim, podemos definir a participação como a modalidade de concurso de 
pessoas na qual o agente colabora para a prática delituosa, mas não pratica a conduta descrita no núcleo do 
tipo penal. 
A participação pode ser: 
• Moral – É aquela na qual o agente não ajuda materialmente na prática do crime, mas instiga ou induz 
alguém a praticar o crime. A instigação ocorre quando o partícipe age no psicológico do autor do 
crime, reforçando a ideia criminosa, que já existe na mente deste. O induzimento, por sua vez, ocorre 
quando o partícipe faz surgir a vontade criminosa na mente do autor, que não tinha pensado no 
delito; 
• Material – A participação material é aquela na qual o partícipe presta auxílio ao autor, seja 
fornecendo objeto para a prática do crime, seja fornecendo auxílio para a fuga, etc. Este auxílio não 
pode ser prestado após a consumação, salvo se o auxílio foi previamente ajustado. 
Desta forma, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
17. (FCC – 2010 – SEFIN/RO – AUDITOR-FISCAL) José, sabendo que seu desafeto Paulo estava andando 
de bicicleta numa estrada estreita, instiga João, motorista do veículo em que se encontrava, a imprimir ao 
veículo velocidade elevada, na esperança de que Paulo venha a ser atropelado. João passa a correr em alta 
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velocidade e atropela Paulo, mais adiante, ocasionado-lhe a morte. Nesse caso, ambos responderão pelo 
crime, sendo que 
a) ambos responderão por culpa. 
b) José responderá por culpa e João por dolo eventual. 
c) Jose responderá por dolo eventual e João por culpa. 
d) ambos responderão por dolo eventual. 
e) José responderá por dolo direito e João por dolo eventual. 
COMENTÁRIOS 
A questão é bem difícil, pois exige atenção do candidato. Senão vejamos: 
Todo fato típico necessariamente engloba um elemento subjetivo, que pode ser o dolo ou a culpa. Vejamos 
o que o CP nos diz a respeito do elemento subjetivo: 
Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;(Incluído pela 
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Crime culposo (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou 
imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato 
previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 
11.7.1984) 
O crime será doloso quando o agente quiser o resultado ou aceitá-lo como CONSEQUÊNCIA NECESSÁRIA 
(dolo direto de primeiro e segundo grau, respectivamente) ou, ainda, quando o agente aceitar o resultado 
como provável e, mesmo não o querendo, assuma o risco de sua ocorrência, sem se importar com a eventual 
ocorrência do mesmo (dolo indireto, na modalidade de dolo eventual). Há, ainda, o dolo alternativo, que é 
a modalidade de dolo indireto na qual o agente pratica a conduta visando dois resultados alternativos, ou 
seja, qualquer um deles é querido pelo autor. 
O crime pode ser, ainda, culposo, quando o agente não quer o resultado nem aceita, de forma alguma, sua 
ocorrência, no entanto, por violação de um dever de cuidado, o resultado acaba por ocorrer. 
A culpa pode ser consciente, quando o agente prevê a possibilidade de ocorrência do resultado (mas acredita 
que poderá evitá-lo) ou inconsciente, quando o agente sequer chega a prever a possibilidade de ocorrência 
do resultado. 
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CUIDADO: A previsão do resultado não é necessária (pois há a culpa inconsciente), mas a possibilidade de 
que o resultado fosse previsto (tambémchamada de PREVISIBILIDADE) é necessária, eis que se não havia 
qualquer possibilidade de prever aquele resultado, não há culpa. 
No caso da questão, o enunciado expressamente diz que a estrada era estreita, de forma que imprimir alta 
velocidade em um veículo, numa estrada estreita, havendo um ciclista na mesma, é assumir o risco da 
ocorrência do resultado. Desta maneira, João responderia por homicídio doloso por dolo eventual. Porém, 
a Banca entendeu que ele responderia apenas por culpa (imprudência). 
A conduta de José é induzir alguém a praticar um ato de imprudência, mas com uma finalidade dolosa 
(provocar eventuais danos ao ciclista Paulo). 
Assim, entendo que o induzimento (portanto, participação) à prática de um crime doloso deve gerar a 
responsabilização de quem induziu pelo mesmo crime daquele que realizou a conduta, nos termos do art. 
29 do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
A Banca adotou o entendimento de que José responde por dolo eventual e João por culpa, pela imprudência. 
Em minha visão, João agiu como dolo eventual também. 
Entendo que ambos devam responder por dolo eventual (letra D). 
Portanto, a AFIRMATIVA CORRETA É A LETRA C (RESULTADO DA BANCA) 
18. (FCC – 2012 – ISS/SP – AFTM) A respeito do concurso de pessoas, é correto afirmar que 
a) a importância da participação não influi na pena a ser imposta. 
b) não é possível participação por omissão em crime comissivo. 
c) é possível a participação em crime omissivo puro. 
d) não pode haver participação em contravenção. 
e) é possível participação dolosa em crime culposo. 
COMENTÁRIOS 
A) ERRADA - A alternativa está errada, pois a participação de cada agente determina na quantidade da pena 
a ser aplicada. Vejamos: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto 
a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
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B) ERRADA - É possível a participação omissiva no crime comissivo, através da omissão de quem tenha o 
dever legal de evitar o resultado. Não agindo, será considerado partícipe, nos termos do art. 13, §2º do CP. 
 
C) CORRETA - De fato, é possível a participação em crime omissivo puro, na modalidade de participação 
moral à prática da omissão. EXEMPLO: Alguém que instiga um funcionário público a deixar de praticar um 
ato de ofício por sentimento pessoal. Nesse caso estará participando do crime de prevaricação (art. 319), na 
modalidade de participação moral; 
D) ERRADA - Não há qualquer vedação ao concurso de agentes para a prática de contravenções. 
E) ERRADA - A Doutrina majoritária não admite a participação dolosa em crime culposo, por entender que 
como o crime culposo não é direcionado à prática de um delito, impossível o liame subjetivo entre autor e 
partícipe, indispensável à ação mediante concurso de agentes. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
19. (FCC – 2009 – DPE/MA – DEFENSOR PÚBLICO) Os requisitos para a ocorrência do concurso de pessoas 
no cometimento de crime são: 
a) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do partícipe e o resultado 
do crime e vínculo objetivo-subjetivo entre autor e partícipe. 
b) presença física de autor e partícipe, nexo de causalidade entre o comportamento do coautor e o resultado 
do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e identidade do crime. 
c) presença física de autor e partícipe, pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o 
comportamento do partícipe e o resultado do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e identidade 
do crime. 
d) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do partícipe e o resultado 
do crime; vínculo objetivo entre autor e partícipe e identidade do crime. 
e) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do partícipe e o resultado 
do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e identidade do crime. 
COMENTÁRIOS 
O concurso de pessoas pode ser conceituado como a colaboração de dois ou mais agentes para a prática 
de um delito ou contravenção penal. 
O concurso de pessoas é regulado pelos arts. 29 a 31 do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto 
a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada 
a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o 
resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
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Circunstâncias incomunicáveis 
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Casos de impunibilidade 
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em 
contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. (Redação 
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Cinco são os requisitos para que seja caracterizado o concurso de pessoas: 
• Pluralidade de agentes culpáveis (e, obviamente, de condutas) 
• Relevância da colaboração (nexo de causalidade) 
• Vínculo subjetivo (ou liame subjetivo) 
• Unidade de crime (ou contravenção) para todos os agentes 
• Existência de fato punível 
Vejam que a questão trata de apenas quatro, esquecendo da "existência de fato punível", que para alguns 
autores não é um requisito, por ser inerente à própria noção de delito. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
20. (FCC – 2012 – TJ/GO – JUIZ ESTADUAL) Em matéria de concurso de pessoas, é correto afirmar que 
a) nos crimes plurissubjetivos o concurso é eventual. 
b) a autoria mediata configura coautoria. 
c) nos crimes funcionais a condição de servidor público do autor não se comunica ao partícipe não 
funcionário, se este desconhecia a condição daquele. 
d) a participação de menor importância constitui circunstância atenuante, a ser considerada na segunda 
etapa do cálculo da pena. 
e) as mesmas penas deverão ser aplicadas a todos os coautores e partícipes. 
COMENTÁRIOS 
A) ERRADA: Nos crimes plurissubjetivos o concurso é NECESSÁRIO, pois o crime depende da presença de 
mais de um sujeito ativo ou passivo para sua caracterização. 
B) ERRADA: A autoria mediata não configura coautoria pois na autoria mediata não há vínculo, liame 
subjetivo entre o autor mediato e a pessoa que é "usada" como mero instrumento para a prática do delito. 
C) CORRETA: A condição de funcionário público nos crimes funcionais é uma ELEMENTAR do delito, que se 
comunica aos demais agentes, DESDE que estes conheçam a condição de funcionário público do comparsa, 
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nos termos do art. 30 do CP, pois não se pode punir alguém por algo que não conhecia (responsabilidade 
objetiva). 
D) ERRADA: A participação de menor importância é CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA, a ser aplicada na 
TERCEIRA fase da dosimetria da pena, nos termos do art. 29, §1º do CP. 
E) ERRADA: As penas devem ser aplicadas na medida da culpabilidade de cada um dos agentes, nos termos 
do art. 29 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVACORRETA É A LETRA C. 
21. (FCC – 2012 – TCE/AP – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) A respeito do concurso de pessoas, é 
correto afirmar: 
a) Para fins de aplicação da pena no concurso de pessoas é irrelevante que a participação tenha sido de 
menor importância. 
b) Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena do crime mais 
grave. 
c) É possível a participação em crime comissivo puro. 
d) As condições e circunstâncias pessoais comunicam-se entre os coautores e partícipes quando não forem 
elementares do crime. 
e) Pode ocorrer participação culposa em crime doloso ou participação dolosa em crime culposo. 
COMENTÁRIOS 
A) ERRADA: Nos termos do art. 29, §1º, a pena poderá ser diminuída de um sexto a um terço caso a 
participação seja de menor importância. 
B) ERRADA: A pena a ser aplicada, neste caso, é a do crime MENOS grave, podendo haver uma majoração 
caso fosse previsível a ocorrência do crime mais grave, nos termos do art. 29, §2º do CP. 
C) CORRETA: Cuidado! A Banca induz o candidato a achar que se está a tratar de crime OMISSIVO puro, mas 
na verdade fala em crime COMISSIVO puro, que admite plenamente a participação. A participação em crime 
OMISSIVO puro é controvertida na Doutrina. 
D) ERRADA: As circunstâncias pessoais não se comunicam, e regra, salvo se ELEMENTARES do crime, nos 
termos do art. 30 do CP. 
E) ERRADA: A Doutrina não admite a participação dolosa em crime culposo (e o STJ também não), nem a 
participação culposa em crime doloso. 
Para que haja participação, a homogeneidade subjetiva é requisito indispensável. Assim, só há participação 
dolosa em crime doloso, não sendo possível cogitar da ocorrência de participação culposa em crime doloso, 
ou, da participação dolosa em crime culposo. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
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22. (FCC - 2013 - TJ-PE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - PROVIMENTO) 
Necessariamente, autores e partícipes recebem 
a) penas idênticas. 
b) penas, respectivamente, mais e menos graves. 
c) penas, respectivamente, menos e mais graves. 
d) penas igualmente graves, mas de espécies distintas. 
e) penas igualmente graves, salvo se diversa for sua culpabilidade. 
COMENTÁRIOS 
Nos termos do art. 29 do CP, cada um será punido na medida de sua culpabilidade: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Assim, não há como definir, a princípio, quem receberia pena mais grave e quem receberia pena menos 
grave. Também não podemos afirmar, categoricamente, que receberiam penas idênticas. 
Assim, a alternativa que melhor resolve a questão é a letra E, eis que, de fato, havendo culpabilidade igual, 
receberão penas igualmente graves. Se a culpabilidade for distinta, receberão penas distintas. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
23. (FCC - 2013 - DPE-AM - DEFENSOR PÚBLICO) Se alguém instiga outrem a surrar inimigo comum, mas 
o instigado se excede e mata a vítima, é correto afirmar que 
a) a conduta do partícipe é atípica. 
b) o partícipe poderá responder por lesão corporal, sem qualquer aumento de pena, se não podia prever o 
resultado morte. 
c) o partícipe poderá responder por homicídio doloso, mas fará jus, necessariamente, ao reconhecimento da 
participação de menor importância. 
d) o partícipe poderá responder por lesão corporal, com a pena aumentada até um terço, se previsível o 
resultado letal. 
e) o partícipe não poderá responder por homicídio doloso, mesmo que tenha assumido o risco do resultado 
morte. 
COMENTÁRIOS 
Aqui temos o que se chama de cooperação dolosamente distinta, que ocorre quando um dos agentes quis 
participar de CRIME MENOS GRAVE, mas outro dos comparsas acabou praticando CRIME MAIS GRAVE. 
Vejamos: 
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Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
(...) 
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada 
a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o 
resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Vejam que, em qualquer caso, o agente que quis praticar o crime menos grave receberá a pena DESTE. 
Entretanto, se o crime mais grave (e que efetivamente ocorreu) era previsível, a pena será aumentada até a 
metade. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
24. (FCC – 2012 – TRF5 – ANALISTA JUDICIÁRIO) Indivíduos que são alcançados pela lei penal, não porque 
tenham praticado uma conduta ajustável a uma figura delitiva, mas porque, executando atos sem 
conotação típica, contribuíram, objetivamente e subjetivamente, para a ação criminosa de outrem 
a) não são punidos por atipicidade da conduta. 
b) são coautores e incidem na mesma pena cabível ao autor do crime. 
c) são concorrentes de menor importância e têm a pena diminuída de um sexto a um terço. 
d) são considerados partícipes e incidem nas penas cominadas ao crime, na medida de sua culpabilidade. 
e) podem ser coautores ou partícipes e a pena, em qualquer caso, é diminuída de um terço. 
COMENTÁRIOS 
Como o CP adotou a teoria objetivo-formal para distinguir autor e partícipe (sendo autor aquele que pratica 
a conduta descrita no núcleo do tipo e partícipe aquele que colabora, de alguma forma, com a conduta do 
autor), temos que a alternativa correta é a letra D, pois tais pessoas são consideradas partícipes e incidem 
nas penas cominadas ao crime, na medida de sua culpabilidade. Vejamos: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
25. (VUNESP – 2018 – PC-SP - INVESTIGADOR) No que diz respeito ao concurso de pessoas e às expressas 
regras do CP (arts. 29 a 31), 
(A) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
punibilidade. 
 
(B) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
voluntariedade. 
 
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(C) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
 
(D) mesmo que o crime sequer seja tentado, o ajuste, a determinação ou a instigação e o auxílio sempre são 
puníveis. 
(E) aplica-se a mesma pena a todos os coautores, ainda que a participação seja de menor importância. 
 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Item errado, pois “quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua CULPABILIDADE”, conforme art. 29 do CP. 
b) ERRADA: Item errado, pois “quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua CULPABILIDADE”, conforme art. 29 do CP. 
c) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 30 do CP. 
d) ERRADA: Item errado, pois se o crime não chega sequer a ser tentado, o ajuste, a determinação ou 
instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, conforme art. 31 do CP. 
e) ERRADA: Item errado, pois cada um responderá na medida de sua culpabilidade, não havendo aplicação 
de pena necessariamente idêntica a todos os infratores. Ademais, se a participação é de menor importância, 
a pena é diminuída de um sexto a um terço, conforme art. 29, §1º do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
26. (VUNESP – 2018 – PC-SP - ESCRIVÃO)A respeito do concurso de pessoas, é correto afirmar que 
(A) Mévio e Caio, pelo ajuste da prática de furto à residência de Tício, uma vez descoberto o plano, serão 
punidos, ainda que o crime não chegue a ser tentado. 
 
(B) Mévio e Caio, tendo furtado a residência dos pais de Caio, são isentos de pena, aplicando-se a ambos o 
perdão legal que exime de pena os crimes patrimoniais, cometidos sem violência, em detrimento de 
ascendentes. 
 
(C) Mévio, tendo ajustado com Caio apenas a prática de furto à residência de Tício, responderá pelos demais 
crimes eventualmente praticados por Caio, ainda que não previsíveis. 
(D) Caio, empresário, ciente da condição de funcionário público de Mévio, tendo o auxiliado na prática de 
peculato-furto, não responderá pelo crime funcional, já que a condição pessoal de funcionário público de 
Mévio a ele não se comunica. 
 
(E) Mévio, pela participação de menor importância na prática de furto à residência de Tício, poderá ter a 
pena diminuída. 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Item errado, pois se o crime não chega sequer a ser tentado, o ajuste, a determinação ou 
instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, conforme art. 31 do CP. 
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b) ERRADA: Item errado, pois a causa pessoal de isenção de pena do art. 181, II não se aplica ao estranho 
que participa do crime (art. 183, II do CP), logo, apenas Caio será beneficiado pela causa pessoal de isenção 
de pena. 
c) ERRADA: Item errado, pois nesse caso terá havido cooperação dolosamente distinta, de forma que Mévio 
responderá apenas pelo crime que quis praticar (furto), na forma do art. 29, §2º do CP. 
d) ERRADA: Item errado, pois neste caso Caio também responderá por peculato-furto, pois a condição 
pessoal do comparsa (ser funcionário público) se comunicará com Caio, por ser elementar do delito, na forma 
do art. 30 do CP. 
e) CORRETA: Item correto, pois se a participação é de menor importância, a pena pode ser diminuída de um 
sexto a um terço, conforme art. 29, §1º do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
27. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) É requisito para a configuração do concurso de pessoas 
(A) uma única conduta. 
(B) a irrelevância causal das condutas. 
(C) a identidade de crime para todos os envolvidos. 
(D) a autoria incerta. 
(E) o prévio ajuste entre os agentes. 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Item errado, pois é necessário que haja pluralidade de condutas. 
b) ERRADA: Item errado, pois é necessário que haja relevância causal das condutas, ou seja, que as condutas 
tenham, de alguma forma, contribuído para a infração. 
c) CORRETA: Item correto, pois, de fato, a identidade (ou unidade) de infração penal é um dos requisitos do 
concurso de agentes. 
d) ERRADA: Item errado, pois não é necessário que a autoria seja incerta. 
e) ERRADA: Item errado, pois o prévio ajuste é dispensável, podendo haver ajuste concomitante à prática 
delituosa ou, até mesmo, adesão subjetiva de um dos agentes à conduta do outro. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
28. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) Sobre o concurso de pessoas e as previsões expressas da 
legislação penal, assinale a alternativa correta. 
(A) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
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(B) Se a participação for de menor importância, será aplicada atenuante genérica. 
(C) Ao concorrente que quis participar de crime menos grave, será aplicada a mesma pena do concorrente, 
diminuída, no entanto, de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço). 
(D) As circunstâncias e as condições de caráter pessoal, mesmo quando elementares do crime, são 
incomunicáveis aos coautores. 
(E) O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio são puníveis ainda que o crime não chegue a ser 
tentado. 
COMENTÁRIOS 
a) CORRETA: Item correta, pois esta é a exata previsão do art. 29 do CP: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
b) ERRADA: Item errado, pois neste caso (participação de menor importância) teremos uma causa de 
diminuição de pena, e não atenuante genérica, conforme art. 29, §1º do CP (redução de um sexto a um 
terço). 
c) ERRADA: Item errado, pois ao concorrente que quis participar de crime menos grave será aplicada a pena 
deste, mas essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave, 
conforme art. 29, §2º do CP (trata-se da chamada “cooperação dolosamente distinta”). 
d) ERRADA: Item errado, pois não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, EXCETO 
quando forem elementares do crime, na forma do art. 30 do CP. 
e) ERRADA: Item errado, pois, salvo disposição expressa em contrário, o ajuste, a determinação ou instigação 
e o auxílio não são puníveis se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado, conforme art. 31 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
29. (VUNESP – 2017 – PREF. PORTO FERREIRA-SP – PROCURADOR) Sobre o concurso de pessoas, assinale 
a alternativa correta. 
a) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
personalidade. 
b) Se a participação for de maior importância, a pena pode ser majorada de um sexto a um terço. 
c) Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa 
pena será aumentada até o dobro, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
d) Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
e) O ajuste, a determinação, a sedição ou instigação e o auxílio ou cooperação material não são puníveis, se 
o crime não chega, pelo menos, a ser executado. 
COMENTÁRIOS 
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a) ERRADA: Item errado, pois quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua CULPABILIDADE, nos termos do art. 29 do CP. 
b) ERRADA: Item errado, pois não há previsão de causa de aumento de pena para a participação de maior 
importância, embora há causa de diminuição de pena para a participação de MENOR importância, na forma 
do art. 29, §1º do CP. 
c) ERRADA: Item errado, pois no caso de cooperação dolosamente distinta (participação em crime menos 
grave), o agente que quis participar de crime menos grave, receberá a pena deste, mas essa pena será 
aumentada até a METADE na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave, na forma do art. 29, §2º 
do CP. 
d) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 30 do CP, que estabelece a 
incomunicabilidade das condições e circunstâncias de caráter pessoal, exceto quando forem elementares do 
delito. 
e) ERRADA: Item errado, pois tais condutas, como REGRA, não são puníveis se o crime não chega pelo menos 
a ser tentado, na forma do art. 31 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
30. (VUNESP – 2015 – PC-CE – INSPETOR) No que diz respeito ao concurso de pessoas, segundo as 
disposições previstas no Código Penal, é correto afirmar que 
a) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, mesmo quando elementares do 
crime. 
b) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, independentemente 
se quis participar de crime menos grave 
c) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são 
puníveis, se o crime, apesar de iniciada a execução, não chega a ser consumado. 
d) quem, de qualquer modo,concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
e) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, a pena pode ser diminuída de um sexto 
a um terço. 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Item errado, pois tais circunstâncias e condições se comunicam quando forem elementares do 
delito, nos termos do art. 30 do CP. 
b) ERRADA: Item errado, pois se o agente quis participar de crime menos grave, e acaba sobrevindo resultado 
mais gravoso, responde apenas pelo crime que quis praticar (cooperação dolosamente distinta), com ou sem 
o aumento de pena (até a metade), a depender da previsibilidade da ocorrência do resultado mais gravoso, 
nos termos do art. 29, §2º do CP. 
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c) ERRADA: Item errado, pois o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa 
em contrário, não são puníveis, se o crime não chega a ser, ao menos, TENTADO. Se, uma vez iniciada a 
execução, o resultado não ocorrer, os agentes responderão pelo delito na forma tentada, nos termos do art. 
14, II do CP. 
d) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 29 do CP. 
e) ERRADA: Item errado, pois se o agente quis participar de crime menos grave, e acaba sobrevindo resultado 
mais gravoso, responde apenas pelo crime que quis praticar (cooperação dolosamente distinta), com ou sem 
o aumento de pena (até a metade), a depender da previsibilidade da ocorrência do resultado mais gravoso, 
nos termos do art. 29, §2º do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
31. (VUNESP – 2014 – PC-SP – DELEGADO) Segundo o conceito restritivo, é autor aquele que 
a) tem o domínio do fato. 
b) realiza a conduta típica descrita na lei. 
c) contribui com alguma causa para o resultado. 
d) age dolosamente na prática do crime. 
e) pratica o fato por interposta pessoa que atua sem culpabilidade. 
COMENTÁRIOS 
Segundo o conceito restritivo de autor, adotado pelo CP, autor é aquele que realiza a conduta descrita no 
núcleo do tipo penal, materializando, assim, a adoção da teoria objetivo-formal pelo CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
32. (VUNESP – 2014 – CÂMARA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – ADVOGADO) CP, art. 30: quando se verifica 
o concurso de pessoas em matéria penal, não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter 
pessoal, 
a) salvo nos crimes contra a Administração Pública. 
b) salvo no caso de extinção da punibilidade. 
c) salvo nos crimes contra a Fé Pública. 
d) salvo quando elementares do crime. 
e) em hipótese alguma. 
COMENTÁRIOS 
As circunstâncias e as condições de caráter pessoal em regra não se comunicam, salvo quando elementares 
do crime, nos termos do art. 30 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
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33. (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) No que tange ao concurso de pessoas nos crimes 
de corrupção ativa e passiva, o Código Penal adotou a teoria 
a) monista. 
b) causal. 
c) dualista. 
d) pluralística. 
COMENTÁRIOS 
No que tange aos crimes de corrupção ativa e passiva o CP adotou a teoria dualista, eis que num mesmo 
contexto criminoso, em relação ao corruptor e ao corrompido, cada um responderá por um delito diferente 
(o particular por corrupção ativa e o funcionário por corrupção passiva). 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
34. (VUNESP – 2002 – SEFAZ-SP – AGENTE FISCAL DE RENDAS) No crime de concussão, a circunstância de 
ser um dos agentes funcionário público: 
a) não é elementar, não se comunicado, portanto, ao concorrente particular. 
b) é elementar, mas não se comunica ao concorrente particular. 
c) é elementar, comunicando-se ao concorrente particular, ainda que este desconheça a condição daquele. 
d) é elementar comunicando-se ao concorrente particular, se este conhecia a condição daquele. 
e) não é elementar, comunicando-se, em qualquer situação ao concorrente particular. 
COMENTÁRIOS 
No concurso de agentes na prática de crime PRÓPRIO, a condição exigida pelo tipo penal (no caso da 
concussão a condição de funcionário público), pertencente a apenas um dos comparsas, aos demais se 
estende, quando for ELEMENTAR do delito. 
Vejamos: 
Circunstâncias incomunicáveis 
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
A condição de funcionário, neste caso, sendo elementar, comunica-se ao outro comparsa, de forma que a 
ele se aplica, DESDE QUE ele conheça a existência desta condição em relação ao outro comparsa. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
35. (FGV / 2022 / PCERJ) 
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Agamenon, Aquiles, Ájax e Cadmo combinam de furtar pneus de veículos automotores do interior de um 
galpão cercado de mato e aparentemente abandonado. Agamenon e Cadmo permanecem no carro, ao passo 
que Ájax arromba o portão e Aquiles ingressa, se deparando, pouco depois, com um vigia. Diante da reação 
ao ingresso não consentido, de posse de um vergalhão, Aquiles golpeia, perfura e mata o vigia. Considerando 
esse cenário, é correto afirmar que Agamenon, Ájax e Cadmo responderão por: 
(A) participação de menor importância; 
(B) cooperação dolosamente distinta; 
(C) autoria colateral; 
(D) participação mediante omissão; 
(E) coautoria sucessiva. 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, Aquiles acabou praticando um crime mais grave que aquele combinado com Ájax, Agamenon e 
Cadmo. Estes últimos, portanto, desejavam apenas praticar um furto, de maneira que não serão 
responsabilizados pela conduta unicamente realizada por Aquiles (roubo). Trata-se do fenômeno da 
cooperação dolosamente distinta, art. 29, §2º do CP, de forma que Ájax, Agamenon e Cadmo receberão a 
pena do crime menos grave que queriam praticar (furto). 
GABARITO: Letra B 
36. (FGV / 2018 / TJAL) 
No Direito Penal, a doutrina costuma reconhecer o concurso de pessoas quando a infração penal é cometida 
por mais de uma pessoa, podendo a cooperação ocorrer através de coautoria ou participação. 
Sobre o tema, de acordo com o Código Penal, é correto afirmar que: 
(A) o auxílio material é punível se o crime chegar, ao menos, a ser cogitado; 
(B) as circunstâncias de caráter pessoal, diante de sua natureza,
não se comunicam, ainda que elementares 
do crime; 
(C) em sendo de menor importância a participação ou coautoria, a pena poderá ser reduzida de um sexto a 
um terço; 
(D) a teoria sobre concurso de agentes adotada pela legislação penal brasileira, em regra, é a dualista; 
(E) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste. 
COMENTÁRIOS 
(A) ERRADA: Item errado, pois para que o ajuste, a determinação, instigação ou auxílio sejam puníveis é 
necessário que o crime chegue ao menos a ser tentado, nos termos do art. 31 do CP. 
(B) ERRADA: Item errado, pois as circunstâncias de caráter pessoal, quando elementares do crime, se 
comunicarão ao comparsa, desde que este tenha conhecimento da existência de tal condição, nos termos 
do art. 30 do CP. 
(C) ERRADA: Item errado, pois em sendo de menor importância a participação, a pena poderá ser reduzida 
de um sexto a um terço, nos termos do art. 29, §1º do CP. Prevalece na Doutrina, embora com algumas 
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críticas, que a diminuição de pena relativa à participação somente se aplica à participação em sentido estrito 
(conduta do partícipe), não se aplicando ao coautor. 
(D) ERRADA: Item errado, pois a teoria adotada em regra, quantoà punibilidade no concurso de agentes, é 
a teoria monista (monística ou unitária). 
(E) CORRETA: Item correto, pois essa é a exata previsão do art. 29, §2º do CP, que trata da cooperação 
dolosamente distinta: 
Art. 29 (...) § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-
á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido 
previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
GABARITO: Letra E 
37. (FGV / 2018 / OAB) 
Pedro e Paulo combinam de praticar um crime de furto em determinada creche, com a intenção de subtrair 
computadores. Pedro, então, sugere que o ato seja praticado em um domingo, quando o local estaria 
totalmente vazio e nenhuma criança seria diretamente prejudicada. 
No momento da empreitada delitiva, Pedro auxilia Paulo a entrar por uma janela lateral e depois entra pela 
porta dos fundos da unidade. Já no interior do local, eles verificam que a creche estava cheia em razão de 
comemoração do “Dia das Mães”; então, Pedro pega um laptop e sai, de imediato, pela porta dos fundos, 
mas Paulo, que estava armado sem que Pedro soubesse, anuncia o assalto e subtrai bens e joias de crianças, 
pais e funcionários. Captadas as imagens pelas câmeras de segurança, Pedro e Paulo são identificados e 
denunciados pelo crime de roubo duplamente majorado. 
Com base apenas nas informações narradas, a defesa de Pedro deverá pleitear o reconhecimento da 
A) participação de menor importância, gerando causa de diminuição de pena. 
B) cooperação dolosamente distinta, gerando causa de diminuição de pena. 
C) cooperação dolosamente distinta, gerando aplicação da pena do crime menos grave. 
D) participação de menor importância, gerando aplicação da pena do crime menos grave. 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, Paulo acabou praticando um crime mais grave que aquele combinado com Pedro. Este último, 
portanto, desejava apenas praticar um furto, de maneira que não será responsabilizado pela conduta 
unicamente realizada por Paulo (roubo). Trata-se do fenômeno da cooperação dolosamente distinta, art. 29, 
§2º do CP, de forma que Pedro receberá a pena do crime menos grave que queria praticar (furto). 
GABARITO: Letra C 
38. (FGV / 2018 / MPE-RJ) 
De maneira geral, os delitos tipificados no ordenamento jurídico brasileiro são de concurso eventual, tendo 
em vista que podem ser executados por uma ou mais pessoas. Excepcionalmente, porém, existem delitos de 
concurso necessário, sendo indispensável a pluralidade de agentes para configuração do tipo. Sobre o tema 
concurso de pessoas, é correto afirmar que: 
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A) o Código Penal, como regra geral, adota a teoria Monista, de modo que autor e partícipe respondem pelo 
mesmo crime, cada um, porém, na medida de sua culpabilidade; 
B) a participação de menor importância permite a aplicação de regime inicial de pena menos severo, mas 
não poderá funcionar como causa de diminuição de pena; 
C) as circunstâncias objetivas se comunicam aos coautores, diferente das de caráter pessoal, que não se 
comunicam, ainda que elementares do tipo; 
D) a pluralidade de pessoas e a relevância causal das condutas são requisitos para sua configuração, mas não 
são requisitos para configurar o liame subjetivo; 
E) os crimes classificados como próprios não admitem coautoria ou participação. 
COMENTÁRIOS 
A) CORRETA: Item correto, pois, de fato o CP, como regra geral, adota a teoria monista (monística ou 
unitária), de modo que autor e partícipe respondem pelo mesmo crime, cada um, porém, na medida de sua 
culpabilidade: 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
B) ERRADA: Item errado, pois a participação de menor importância é causa de diminuição de pena de um 
sexto a um terço, nos termos do art. 29, §1º do CP. 
C) ERRADA: Item errado, pois as circunstâncias de caráter pessoal não se comunicam em regra, salvo quando 
elementares do tipo, nos termos do art. 30 do CP. 
D) ERRADA: Item errado, pois o liame subjetivo (vínculo de vontades) também é elemento essencial à 
configuração do concurso de agentes. 
E) ERRADA: Item errado, pois nada impede o concurso de agentes (por coautoria ou participação) em crimes 
próprios, desde que o comparsa tenha conhecimento da condição pessoal específica do outro agente, eis 
que tal condição pessoal, por ser elementar do delito, irá se comunicar entre os agentes (ex.: servidor pratica 
crime funcional juntamente com um particular, que sabe que seu comparsa é servidor). 
GABARITO: Letra A 
39. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) Rafael e Francisca combinam praticar um crime de 
furto em uma residência onde ela exercia a função de passadeira. Decidem, então, subtrair bens do imóvel 
em data sobre a qual Francisca tinha conhecimento de que os proprietários estariam viajando, pois assim 
ela tinha certeza de que os patrões, de quem gostava, não sofreriam qualquer ameaça ou violência. 
No dia do crime, enquanto Francisca aguarda do lado de fora, Rafael entra no imóvel para subtrair bens. 
Ela, porém, percebe que o carro dos patrões está na garagem e tenta avisar o fato ao comparsa para que 
este saísse rápido da casa. Todavia, Rafael, ao perceber que a casa estava ocupada, decide empregar 
violência contra os proprietários para continuar subtraindo mais bens. Descobertos os fatos, Francisca e 
Rafael são denunciados pela prática do crime de roubo majorado. 
Considerando as informações narradas, o(a) advogado(a) de Francisca deverá buscar 
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A) sua absolvição, tendo em vista que não desejava participar do crime efetivamente praticado. 
 
B) o reconhecimento da participação de menor importância, com aplicação de causa de redução de pena. 
 
C) o reconhecimento de que o agente quis participar de crime menos grave, aplicando-se a pena do furto 
qualificado. 
 
D) o reconhecimento de que o agente quis participar de crime menos grave, aplicando-se causa de 
diminuição de pena sobre a pena do crime de roubo majorado. 
 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, o advogado deve buscar o reconhecimento da “cooperação dolosamente distinta” ou 
“participação em crime menos grave”, prevista no art. 29, §2º do CP, pois Francisca quis participar apenas 
de um furto, não de um roubo. Neste caso, Francisca deve responder pelo crime de furto, que foi aquele que 
efetivamente quis praticar. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
40. (FGV – 2015 – TJ-RO – OFICIAL DE JUSTIÇA) O Código Penal brasileiro traz diversos crimes que podem 
ser praticados por uma única pessoa, mas também prevê algumas hipóteses em que o concurso de pessoas 
é necessário. Como regra geral, quando duas ou mais pessoas, unidas em ações e desígnios, praticam em 
conjunto um delito, pode-se falar em concurso de pessoas. Sobre essa tema, é correto afirmar que o Código 
Penal adotou, em regra, a Teoria: 
a) Pluralista, com exceções; 
b) Dualista, sem exceções; 
c) Monista, com exceções; 
d) Dualista, com exceções; 
e) Monista, sem exceções. 
COMENTÁRIOS 
O CP brasileiro adotou a teoria monista, estabelecendo que todos aqueles que participam de uma 
empreitada criminosa (em concurso de agentes), respondem pelo mesmo tipo penal (mesmo crime). 
Todavia, existem exceções, como ocorre no caso do aborto provocado por terceiro com o consentimento da 
gestante, no qual o terceiro responde por um crime (art. 126 do CP) e a gestante responde por outro (art. 
124 do CP). 
Assim, adotamos uma teoria monista, com exceções. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
41. (FGV – 2015 – TCE-RJ – AUDITOR SUBSTITUTO) Sobre o tema concurso de agentes, é correto afirmarque: 
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a) em regra, aquele que instiga terceira pessoa à prática de um crime, por este responde, ainda que o 
instigado não tenha iniciado a execução do delito; 
b) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, mesmo quando elementares do 
crime; 
c) na teoria da acessoriedade limitada, somente haverá a punição do partícipe se o autor houver praticado 
uma conduta que seja típica, ilícita e culpável; 
d) se um dos concorrentes quis participar de crime menos grave, a pena deste lhe será aplicada, com o 
aumento de metade na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave; 
e) não se exige homogeneidade de elemento subjetivo no concurso de pessoas, admitindo-se participação 
culposa em crime doloso. 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Se o agente sequer inicia a execução, não há fato punível, na forma do art. 31 do CP. 
b) ERRADA: As circunstâncias e as condições de caráter pessoal, quando elementares do crime, se 
comunicam aos demais agentes, na forma do art. 30 do CP. 
c) ERRADA: Para a teoria da acessoriedade limitada, haverá a punição do partícipe se o autor houver 
praticado uma conduta que seja, pelo menos, típica e ilícita. 
d) ERRADA: O item foi dado como correto, mas está errado. Tal item trata da cooperação dolosamente 
distinta, prevista no art. 29, §2º do CP: 
Art. 29 (...) § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-
á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido 
previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Como se vê, o agente que quis participar do crime menos grave responderá por este, mas sua pena será 
aumentada ATÉ a metade caso fosse previsível o resultado mais grave. O item fala em aumento DE METADE. 
Isso está errado, pois aumentar a pena DE METADE significa, necessariamente, mais 50% de pena, ao passo 
que aumentar ATÉ A METADE significa que o aumento pode CHEGAR A 50% (mas não necessariamente). 
Item errado, ao meu ver, o que geraria a anulação da questão. 
e) ERRADA: Item errado, pois o vínculo subjetivo entre os agentes deve ser homogêneo, ou seja, os agentes 
devem “querer a mesma coisa”, de forma que não há possibilidade de haver participação dolosa em crime 
culposo, e vice-versa. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D (MERECIA ANULAÇÃO) 
42. (FGV – 2014 – PROCEMPA – ADVOGADO) Com relação ao tema responsabilidade penal no concurso 
de pessoas, assinale a afirmativa incorreta. 
a) A responsabilidade penal é individual, devendo cada agente responder na medida de sua culpabilidade. 
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b) Ocorrendo desvio subjetivo entre os agentes, quem quis participar de crime menos grave responde por 
este e não pelo crime mais grave praticado pelo outro agente. 
c) Sendo a participação de menor importância, a pena pode ser reduzida de 1/6 a 1/3. 
d) O Código Penal adotou a Teoria Monista sobre concurso de agentes sem exceção, devendo todos os 
participantes responder pelo mesmo crime. 
e) Não há participação dolosa em crime culposo. 
COMENTÁRIOS 
a) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 29 do CP. 
b) CORRETA: Tal item trata da cooperação dolosamente distinta, prevista no art. 29, §2º do CP. Se o agente 
que quis participar do crime menos grave responderá por este, mas sua pena será aumentada ATÉ a metade 
caso fosse previsível o resultado mais grave. 
c) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 29, §1º do CP. 
d) ERRADA: O CP brasileiro adotou a teoria monista, estabelecendo que todos aqueles que participam de 
uma empreitada criminosa (em concurso de agentes), respondem pelo mesmo tipo penal (mesmo crime). 
Todavia, existem exceções, como ocorre no caso do aborto provocado por terceiro com o consentimento da 
gestante, no qual o terceiro responde por um crime (art. 126 do CP) e a gestante responde por outro (art. 
124 do CP). 
Assim, adotamos uma teoria monista, com exceções (também chamada de “teoria monista mitigada”). 
e) CORRETA: Item correto, pois o vínculo subjetivo entre os agentes deve ser homogêneo, ou seja, os agentes 
devem “querer a mesma coisa”, de forma que não há possibilidade de haver participação dolosa em crime 
culposo, e vice-versa. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
43. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) Sofia decide matar sua mãe. Para tanto, pede ajuda a 
Lara, amiga de longa data, com quem debate a melhor maneira de executar o crime, o melhor horário, 
local etc. Após longas discussões de como poderia executar seu intento da forma mais eficiente possível, 
a fim de não deixar nenhuma pista, Sofia pede emprestado a Lara um facão. A amiga prontamente atende 
ao pedido. Sofia despede-se agradecendo a ajuda e diz que, se tudo correr conforme o planejado, 
executará o homicídio naquele mesmo dia e assim o faz. No entanto, apesar dos cuidados, tudo é 
descoberto pela polícia. 
A respeito do caso narrado e de acordo com a teoria restritiva da autoria, assinale a afirmativa correta. 
A) Sofia é a autora do delito e deve responder por homicídio com a agravante de o crime ter sido praticado 
contra ascendente. Lara, por sua vez, é apenas partícipe do crime e deve responder por homicídio, sem a 
presença da circunstância agravante. 
B) Sofia e Lara devem ser consideradas coautoras do crime de homicídio, incidindo, para ambas, a 
circunstância agravante de ter sido, o crime, praticado contra ascendente. 
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C) Sofia e Lara devem ser consideradas coautoras do crime de homicídio. Todavia, a agravante de ter sido, o 
crime, praticado contra ascendente somente incide em relação à Sofia. 
D) Sofia é a autora do delito e deve responder por homicídio com a agravante de ter sido, o crime, praticado 
contra ascendente. Lara, por sua vez, é apenas partícipe do crime, mas a agravante também lhe será aplicada. 
COMENTÁRIOS 
A teoria restritiva sustenta a tese de que autor do delito é aquele que pratica a conduta descrita no núcleo 
do tipo penal (no caso em tela, o verbo “matar”), sendo partícipes todos aqueles que, não praticando a 
conduta descrita no núcleo do tipo, prestam algum tipo de auxílio (moral ou material). 
No caso em tela, apenas Sofia praticou a conduta descrita no núcleo do tipo penal (matar), de forma que 
apenas esta é considerada AUTORA do delito. 
Lara, por sua vez, não é considerada autora do delito, mas PARTÍCIPE, por ter prestado auxílio material 
(emprestando a faca) à Sofia. 
Com relação à agravante (de ter sido praticado contra ascendente), esta não é extensível à Lara, pois se trata 
de circunstância agravante de caráter pessoal, aplicável apenas ao infrator que possui laço de parentesco 
com a vítima, nos termos do art. 65, II, e, C/C art. 30 do CP: 
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou 
qualificam o crime:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
(...) II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
(...) e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; 
[...] Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo 
quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
44. (FGV – 2015 – OAB – XVI EXAME DE ORDEM) Maria Joaquina, empregada doméstica de uma 
residência, profundamente apaixonada pelo vizinho Fernando, sem que este soubesse, escuta sua 
conversa com uma terceira pessoa acordando o furto da casa em que ela trabalha durante os dias de 
semana à tarde. Para facilitar o sucesso da operação de seu amado,ela deixa a porta aberta ao sair do 
trabalho. Durante a empreitada criminosa, sem saber que a porta da frente se encontrava destrancada, 
Fernando e seu comparsa arrombam a porta dos fundos, ingressam na residência diversos objetos. 
Diante desse quadro fático, assinale a opção que apresenta a correta responsabilidade penal de Maria 
Joaquina. 
a) Deverá responder pelo mesmo crime de Fernando, na qualidade de partícipe, eis que contribuiu de alguma 
forma para o sucesso da empreitada criminosa ao não denunciar o plano. 
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b) Deverá responder pelo crime de furto qualificado pelo concurso de agentes, afastada a qualificadora do 
rompimento de obstáculo, por esta não se encontrar na linha de seu conhecimento. 
c) Não deverá responder por qualquer infração penal, sendo a sua participação irrelevante para o sucesso 
da empreitada criminosa. 
d) Deverá responder pelo crime de omissão de socorro. 
COMENTÁRIOS 
No caso em tela, Maria Joaquina não deverá responder por qualquer infração penal, já que sua conduta foi 
absolutamente irrelevante para o sucesso da empreitada criminosa. A colaboração de Maria Joaquina não 
teve qualquer relevância para o fato criminoso, de maneira que não é punível (um dos requisitos da 
punibilidade da participação é a relevância causal). 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
45. (FGV - 2012 - OAB - VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO) Analise detidamente as seguintes situações: 
Casuística 1: Amarildo, ao chegar a sua casa, constata que sua filha foi estuprada por Terêncio. Imbuído 
de relevante valor moral, contrata Ronaldo, pistoleiro profissional, para tirar a vida do estuprador. O 
serviço é regularmente executado. 
Casuística 2: Lucas concorre para um infanticídio auxiliando Julieta, parturiente, a matar o nascituro – o 
que efetivamente acontece. Lucas sabia, desde o início, que Julieta estava sob a influência do estado 
puerperal. 
Levando em consideração a legislação vigente e a doutrina sobre o concurso de pessoas (concursus 
delinquentium), é correto afirmar que 
A) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio 
qualificado por motivo torpe. No exemplo 2, Lucas e Julieta responderão pelo crime de infanticídio. 
B) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio simples 
(ou seja, sem privilégio pelo fato de não estar imbuído de relevante valor moral). No exemplo 2, Lucas, que 
não está influenciado pelo estado puerperal, responderá por homicídio, e Julieta pelo crime de infanticídio. 
C) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio simples 
(ou seja, sem privilégio pelo fato de não estar imbuído de relevante valor moral). No exemplo 2, tanto Lucas 
quanto Julieta responderão pelo crime de homicídio (ele na modalidade simples, ela na modalidade 
privilegiada em razão da influência do estado puerperal). 
D) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio 
qualificado pelo motivo fútil. No exemplo 2, Lucas, que não está influenciado pelo estado puerperal, 
responderá por homicídio e Julieta pelo crime de infanticídio. 
COMENTÁRIOS 
Caso 01 – Tendo Amarildo agido mediante relevante valor moral, logo após injusta provocação da vítima, 
Amarildo responde por homicídio privilegiado, mas essa circunstância, por ser de caráter pessoal, não se 
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comunica a Ronaldo, que responde por homicídio qualificado pelo motivo torpe (mediante paga ou 
promessa de recompensa); 
Caso 02 – Embora o delito de infanticídio seja crime próprio, que só pode ser praticado pela mãe contra o 
próprio filho, durante o estado puerperal, é atualmente pacífico o entendimento no sentido de que é possível 
concurso de agentes, desde que o comparsa saiba da condição de sua comparsa, ou seja, saiba que ela está 
matando o próprio filho sob a influência do estado puerperal. Assim, ambos responderão por infanticídio; 
Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
 
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 EXERCÍCIOS COMENTADOS 
1. (FCC – 2017 – DPE-RS – ANALISTA PROCESSUAL) No concurso de crimes, cuidando-se de infrações 
de espécies diversas cometidos por condutas distintas, ambas com violência física real, dos 
institutos legais abaixo em princípio pode-se postular em favor do imputado 
a) concurso formal heterogêneo. 
b) concurso formal impróprio. 
c) crime continuado genérico. 
d) crime continuado específico. 
e) prescrição isoladamente considerada. 
COMENTÁRIOS 
Neste caso não é possível falar em concurso formal, pois são condutas distintas, ou seja, temos mais de uma 
conduta, não havendo enquadramento no art. 70 do CP. Não se pode falar, também, em crime continuado, 
pois são infrações penais de espécies diversas, ausente, portanto, um dos requisitos para o reconhecimento 
da continuidade delitiva, nos termos do art. 71 do CP. Assim, estão erradas as letras A, B, C e D. 
De acordo com o narrado no enunciado, é possível o reconhecimento do concurso MATERIAL de crimes, 
previsto no art. 69 do CP. Em havendo concurso de crimes (qualquer que seja a natureza), a prescrição 
incidirá sobre cada um dos delitos, isoladamente, conforme previsto no art. 119 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
2. (FCC – 2015 – TJ-PE – JUIZ) O chamado concurso material benéfico prevalece 
a) sobre o concurso formal próprio e o crime continuado 
b) apenas sobre o concurso formal impróprio. 
c) apenas sobre o concurso formal próprio 
d) sobre o concurso formal impróprio e o crime continuado específico. 
e) apenas sobre o crime continuado específico. 
COMENTÁRIOS 
O concurso material benéfico (na verdade, CÚMULO MATERIAL benéfico) prevalece na hipótese de concurso 
formal próprio ou crime continuado, quando a soma das penas se mostrar mais benéfica ao agente do que 
o sistema da exasperação. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
3. (FCC – 2014 – MPE-PE – PROMOTOR) No concurso formal impróprio ou imperfeito, 
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a) aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer 
caso, de um sexto até a metade, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de 
desígnios autônomos. 
b) as penas são aplicadas cumulativamente se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam 
de desígnios autônomos. 
c) aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer 
caso, de um sexto até a metade, se ação é dolosa ou culposa, independentemente de os crimes concorrentes 
resultarem de desígnios autônomos. 
d) aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer 
caso, de um sexto até dois terços, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de 
desígnios autônomos. 
e) as penas são aplicadas cumulativamente se a ação é dolosa ou culposa e os crimes concorrentes resultam 
de desígnios autônomos. 
COMENTÁRIOS 
No concurso formal imperfeito, também chamado de impróprio, o agente dá causa a mais de um resultado 
com apenas uma conduta, mas esses resultados derivam de desígnios autônomos, ou seja, o agente queria 
praticar ambos os resultados. Neste caso, as penas são aplicadas cumulativamente (cúmulo material) se a 
ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, nos termos do art. 70 
do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
4. (FCC– 2013 – MPE-SE – TÉCNICO) Uma vez reconhecido o concurso formal de crimes, será afinal 
aplicada pena privativa de liberdade 
a) aquém daquela mais grave isoladamente aplicável por qualquer dos crimes. 
b) aquém daquela menos grave isoladamente aplicável por qualquer dos crimes. 
c) igual à pena mais grave isoladamente aplicável por qualquer dos crimes. 
d) além daquela mais grave e até a somatória aritmética das penas isoladamente aplicáveis aos crimes. 
e) além da somatória aritmética das penas isoladamente aplicáveis aos crimes. 
COMENTÁRIOS 
Em havendo concurso formal de crimes, será aplicada pena correspondente à pena mais grave, acrescida de 
determinado percentual de aumento, art. 70 do CP. Ou seja, será aplicada uma pena que é superior à pena 
mais grave, mas é inferior à somatória aritmética das penas isoladamente aplicáveis aos crimes. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
5. (FCC – 2009 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO) João, funcionário público, resolveu desviar R$ 
10.000,00 dos cofres da repartição pública em que trabalhava. Para tentar ocultar o seu 
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procedimento delituoso, desviou a quantia de R$ 500,00 por dia, até atingir o montante desejado. 
Nesse caso, em relação ao crime de peculato, é de ser reconhecida a ocorrência de 
a) crime único. 
b) concurso formal. 
c) concurso material. 
d) crime continuado. 
e) crime culposo. 
COMENTÁRIOS 
Neste caso temos um crime único, cuja execução foi fracionada em vários atos. Não se trata de continuidade 
delitiva, eis que o agente tinha por intenção, desde o início, praticar um crime só. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
6. (FCC – 2009 – TJ-SE – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Além dos requisitos gerais de crime 
continuado comum, são condições do crime continuado específico (art. 71, Parágrafo Único, do 
Código Penal brasileiro) que 
a) os crimes sejam dolosos, praticados contra vítimas diversas e com violência ou grave ameaça à pessoa. 
b) os crimes sejam dolosos e culposos, praticados contra uma única vítima. 
c) as infrações sejam praticadas mediante uma única ação e que resulte em dois ou mais crimes. 
d) os crimes sejam consumados ou tentados, culposos e violentos. 
e) as infrações sejam praticadas mediante mais de uma ação, resultando em crime único. 
COMENTÁRIOS 
O crime continuado específico é aquele estabelecido no art. 71, § único do CP, que ocorre nos crimes dolosos, 
cometidos contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
7. (FCC – 2007 – TRE-SE – ANALISTA JUDICIÁRIO) Verificado o concurso formal de crimes, mas sendo 
a ação ou omissão dolosa e tendo os crimes concorrentes resultado de desígnios autônomos, a 
aplicação da pena se fará 
a) impondo a pena do crime mais grave, ou, se iguais, apenas a de uma deles, acrescentada de 1/6 até 
metade. 
b) somando as penas de todos os crimes, porém até o limite da pena máxima cominada ao crime mais grave. 
c) cumulativamente. 
d) somando as penas de todos os crimes, porém até o limite do dobro da pena mínima do crime mais grave. 
e) impondo a pena do crime mais grave, acrescida até o limite da somatória de todas as penas. 
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COMENTÁRIOS 
No caso de a ação ou omissão ser dolosa e sendo os crimes derivados de desígnios autônomos teremos 
concurso formal impróprio ou imperfeito, nos termos do art. 70 do CP. Neste caso, a aplicação das penas se 
dará pelo sistema do cúmulo material, ou seja, as penas dos delitos devem ser somadas. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
8. (FCC – 2007 – TRE-PB – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) De acordo com o Código Penal, 
quando o agente mediante uma só ação culposa pratica dois ou mais crimes não idênticos e não 
resultantes de desígnios autônomos, configura-se hipótese de concurso 
a) material de crimes e aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um terço. 
b) material de crimes e aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. 
c) formal de crimes e aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. 
d) material de crimes e aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. 
e) formal de crimes e aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. 
COMENTÁRIOS 
Temos, neste caso, hipótese de concurso formal próprio, aplicando-se a mais grave das penas cabíveis ou, 
se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade (sistema da 
exasperação), nos termos do art. 70 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
9. (VUNESP – 2018 – PC-SP - ESCRIVÃO) Tendo em vista as normas referentes ao concurso de crimes, 
previstas no Código Penal, assinale a alternativa correta. 
(A) No crime continuado, que se caracteriza quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica 
dois ou mais crimes, aplicar-se-á a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, 
aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços). 
(B) No concurso formal, que se caracteriza quando o agente, mediante duas ou mais ações, pratica 2 (dois) 
ou mais crimes, aplicar-se-á a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) até a metade. 
 
(C) No crime continuado, tratando-se de crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência 
ou grave ameaça à pessoa, a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, será 
aumentada, até o dobro. 
(D) No concurso material, que se caracteriza quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica 2 
(dois) ou mais crimes, aplicar-se-á a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) até a metade. 
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(E) No concurso formal, que se caracteriza quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica 2 
(dois) ou mais crimes, aplicar-se-á a pena dos crimes, cumulativamente, se se tratar de ação ou omissão 
dolosa e os crimes concorrentes resultem de desígnios autônomos. 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Item errado, pois no crime continuado o agente, “mediante mais de uma ação ou omissão, 
pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e 
outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro”, conforme art. 71 
do CP. 
b) ERRADA: Item errado, pois no concurso formal o agente pratica dois ou mais crimes com uma só ação ou 
omissão, na forma do art. 70 do CP. 
c) ERRADA: Item errado, pois neste caso aplica-se a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, 
se diversas, será aumentada, até o TRIPLO, conforme art. 71, § único do CPP. 
d) ERRADA: Item errado, pois no concurso material o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, 
pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, conforme art. 69 do CP. 
e) CORRETA: Item correto, pois essa é a exata previsão do art. 70, parte final do CP, que trata do concurso 
formal impróprio ou imperfeito: 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma 
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente,se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes 
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. 
10. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) O agente, movido pelo desejo de vingança, decidiu 
amarrar quatro pessoas no interior de um automóvel, para depois atear fogo no veículo, o que 
resultou na morte de todas as vítimas. A hipótese narrada é denominada 
(A) concurso material homogêneo. 
(B) concurso formal próprio. 
(C) concurso material heterogêneo. 
(D) concurso formal impróprio. 
(E) crime continuado. 
COMENTÁRIOS 
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Neste caso ocorreu concurso formal impróprio ou imperfeito, previsto na parte final do art. 70 do CP. 
Concurso formal porque com uma só ação o agente provocou mais de um resultado; imperfeito ou impróprio 
porque tais resultados derivavam de intenções autônomas (desígnios autônomos). Vejamos: 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma 
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes 
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
11. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) Quando o agente, mediante mais de 1 (uma) ação 
ou omissão, pratica 2 (dois) ou mais crimes, verifica-se o instituto do concurso de crimes, que pode 
ser formal ou material, a depender da unidade ou da pluralidade de condutas. Sobre o tema, o 
Código Penal estabelece que 
(A) na hipótese de concurso material, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não 
suspensa, por um dos crimes, para os demais crimes será cabível a substituição de pena privativa de 
liberdade por pena restritiva de direitos. 
(B) na hipótese de concurso formal imperfeito ou impróprio, aplica-se o sistema de exasperação da pena, 
independentemente da quantidade de condenação. 
(C) quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, será possível ao condenado cumpri-las de forma 
simultânea, desde que compatíveis entre si. 
(D) se entende por concurso formal próprio ou perfeito aquele em que o agente pratica mais de uma 
conduta, mas na presença de desígnios autônomos, ou seja, a vontade de atingir mais de um resultado. 
(E) no caso de concurso material, sendo o agente condenado cumulativamente a pena de reclusão e 
detenção, executa-se primeiro a de detenção. 
COMENTÁRIOS 
a) ERRADA: Item errado, pois neste caso não será cabível, para os demais, a substituição da pena privativa 
de liberdade pela pena restritiva de direitos, conforme art. 69, §1º do CP. 
b) ERRADA: Item errado, pois no caso de concurso formal IMPRÓPRIO ou IMPERFEITO se aplica o sistema do 
cúmulo material, na forma do art. 70 do CP, parte final. 
c) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 69, §2º do CP: 
Art. 69 (...) § 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado 
cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
d) ERRADA: Item errado, pois essa é a exata definição de concurso formal IMPRÓPRIO ou IMPERFEITO. 
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e) ERRADA: Item errado, pois neste caso se executa primeiro a pena de reclusão, conforme art. 69, parte 
final, do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
12. (VUNESP - 2013 - ITESP - ADVOGADO) Com relação ao concurso formal, assinale a alternativa 
que completa corretamente a sentença a seguir, nos termos do Código Penal. 
Quando o agente, mediante________ pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe 
a_________cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas em qualquer caso, ________ de_________até 
metade. 
a) duas ou mais ações ou omissões … mais grave das penas … diminuída … um terço 
b) duas ações … menos grave das penas … aumentada … um terço 
c) uma só ação ou omissão … mais grave das penas … aumentada … um sexto 
d) duas ou mais ações ou omissões … mais grave das penas … diminuída … um sexto 
e) uma só ação ou omissão … menos grave das penas … aumentada … um terço 
COMENTÁRIOS 
O concurso formal ocorre quando o agente mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. 
Vejamos: 
Concurso formal 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma 
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes 
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
13. (VUNESP – 2005 – PGE-SP – PROCURADOR) X, desafeto de Y, encontra-o na via pública e 
resolve matá-lo. Entram em luta corporal e, na disputa pela arma de fogo portada por X, Y consegue 
dispará-la contra seu agressor, porém Z, que passava pelo local, também acaba sendo atingido. No 
caso, incide (A) a regra do concurso material de infrações porque o resultado lesivo em Z afasta a 
incidência da excludente da ilicitude. 
(B) a norma da aberratio ictus com unidade complexa, reconhecendo-se o concurso formal. 
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(C) a hipótese de excesso culposo na legítima defesa, e Y será processado pelo resultado causado a título de 
culpa em Z. 
(D) a excludente da legítima defesa tanto em relação a X quanto a Z, não havendo que se falar em aberratio 
ictus com unidade complexa. 
(E) a norma da aberratio ictus com unidade complexa, reconhecendo-se o crime continuado. 
COMENTÁRIOS 
Temos aqui uma hipótese de erro na execução do delito, pois o agente atingiu pessoa diversa daquela que 
foi visada (embora tenha atingido também a pessoa pretendida). Vejamos: 
Art. 20 (...) 
Erro sobre a pessoa(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se 
consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra 
quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Nesse caso, o agente responde como se tivesse acertado a vítima pretendida. Como ambos foram atingidos 
aplica-se a regra do concurso formal. Vejamos: 
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés 
de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse 
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. 
No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra 
do art. 70 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Contudo, como o agente agiu amparado pela legítima defesa em face da vítima pretendida, tal circunstância 
será aplicada também em relação à lesão causada à vítima eventual (aquela que não foi visada), de maneira 
que o agente está amparado (em relação a ambos os resultados) pela legítima defesa. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
14. (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO)“Um fato definido por uma norma 
incriminadora é meio necessário ou normal fase de preparação ou execução de outro crime, bem 
como quando constitui conduta anterior ou posterior do agente, cometida com a mesma finalidade 
prática atinente àquele crime”. 
No conflito aparente de normas, esta afirmação explica o princípio da 
(A) especialidade. 
(B) subsidiariedade. 
(C) alternatividade. 
(D) consunção. 
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COMENTÁRIOS 
Neste caso, aplica-se o princípio da consunção, segundo o qual a conduta que é meio necessário ou fase 
inerente a outro delito, fica por este absorvido. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
15. (FGV / 2022 / PCERJ) 
Calíope, pretendendo matar Erato, saca uma arma de fogo e efetua disparos contra seu desafeto, atingindo-
o e também a Euterpe, que passava pelo local. As duas pessoas alvejadas morrem em razão dos ferimentos 
sofridos. Na hipótese, é correto afirmar que haverá: 
(A) crime único; 
(B) concurso material; 
(C) concurso formal perfeito; 
(D) concurso formal imperfeito; 
(E) crime continuado. 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, houve erro acidental, mais precisamente erro na execução ou aberratio ictus, prevista no art. 73 
do CP. Como foi atingida também a pessoa visada (além daquela que não se pretendia alvejar), houve 
aberratio ictus com unidade complexa, e o agente responderá pelos dois crimes em concurso formal próprio, 
na forma do art. 73: 
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés 
de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse 
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. 
No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra 
do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
 GABARITO: Letra C 
16. (FGV / 2021 / PCRN) 
Victor abordou um grupo de três pessoas que estava no interior de um coletivo e, mediante grave ameaça, 
subtraiu os pertences que elas carregavam. 
Diante dos fatos narrados, considerando o instituto do concurso de crimes e a jurisprudência dos Tribunais 
Superiores, Victor praticou: 
A) três crimes de roubo, em concurso material, devendo ter as penas dos crimes somadas; 
B) três crimes de roubo, em concurso formal impróprio, aplicando-se a regra da exasperação; 
C) três crimes de roubo, em concurso formal próprio, devendo ter a pena de um deles aumentada; 
D) três crimes de roubo na forma continuada, devendo ter a pena de um deles aumentada; 
E) um único crime, devendo responder por roubo simples. 
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COMENTÁRIOS 
Nesse caso, o agente, com uma só conduta, praticou três crimes de roubo, pois a grave ameaça foi 
empregada contra três vítimas diferentes e houve lesão a três patrimônios distintos com uma só conduta de 
roubo. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que, neste caso, há concurso formal próprio: 
“(...) é assente neste Tribunal Superior que, praticado o crime de roubo mediante uma só 
ação, contra vítimas diferentes, não há se falar em crime único, mas, sim, em concurso 
formal, visto que violados patrimônios distintos.“ 
(...) (AgRg no AgRg no AREsp 1805988/GO, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA 
TURMA, julgado em 18/05/2021, DJe 26/05/2021) 
GABARITO: Letra C 
17. (FGV / 2021 / DPE-RJ) 
Observe as afirmações que tratam do concurso de crimes: 
I) O concurso formal se configura quando por meio de uma única ação ou omissão o agente pratica dois ou 
mais crimes, não importando se da mesma espécie ou não. 
II) O concurso formal enseja a aplicação da pena mais grave dentre as infrações penais praticadas, que deve 
ser majorada de 1/6 a 1/2, estando sempre descartada a utilização do sistema do cúmulo material. 
III) A pena aplicada a crimes praticados em continuidade delitiva jamais pode ultrapassar aquela que seria 
imposta ao agente caso tivesse praticado os mesmos crimes em concurso material. 
IV) A continuidade delitiva somente se configura quando os crimes praticados são da mesma espécie. 
V) Nos casos de continuidade delitiva, a pena de um dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, 
somente pode ser majorada até 2/3, jamais comportando majoração superior. 
Assinale a alternativa que aponta os itens que contêm SOMENTE afirmações verdadeiras: 
A) I, III e IV. 
B) I, III, IV e V. 
C) II, III e V. 
D) II, IV e V. 
E) I e II. 
COMENTÁRIOS 
I) CORRETA: Item correto, pois o concurso formal se configura quando por meio de uma única ação ou 
omissão o agente pratica dois ou mais crimes, não importando se da mesma espécie ou não, nos termos do 
art. 70 do CP. 
II) ERRADA: Item errado, pois o concurso formal enseja a aplicação da pena mais grave dentre as infrações 
penais praticadas, que deve ser majorada de 1/6 a 1/2. Porém, se a exasperação resultar em pena maior que 
aquela que seria cabível pelo somatório aritmético, o Juiz deverá afastar a exasperação e somar as penas, 
aplicando, portanto, o sistema do cúmulo material, nos termos do art. 70, § único do CP. 
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III) CORRETA: Item correto, pois a pena aplicada a crimes praticados em continuidade delitiva jamais pode 
ultrapassar aquela que seria imposta ao agente caso tivesse praticado os mesmos crimes em concurso 
material, da mesma forma que ocorre no concurso formal próprio. Assim, se a exasperação resultar em pena 
maior que aquela que seria cabível pelo somatório aritmético, o Juiz deverá afastar a exasperação e somar 
as penas, aplicando, portanto, o sistema do cúmulo material, nos termos do art. 70, § único c/c art. 71, § 
único do CP. 
IV) CORRETA: Item correto, pois a continuidade delitiva somente se configura quando os crimes praticados 
são da mesma espécie, nos termos do art. 71 do CP. Crimes da mesma espécie, a princípio, são aqueles 
crimes tipificados no mesmo dispositivo legal, consumados ou tentados, na forma simples, privilegiada ou 
qualificada, e, além disso, devem tutelar os mesmos bens jurídicos, tendo, pois, a mesma estrutura jurídica: 
(...) No caso dos crimes de roubo majorado e latrocínio, sequer é necessário avaliar o 
requisito subjetivo supracitado ou o lapso temporal entre os crimes, porquanto não há 
adimplemento do requisito objetivo da pluralidade de crimes da mesma espécie. São assim 
considerados aqueles crimes tipificados no mesmo dispositivo legal, consumados ou 
tentada, na forma simples, privilegiada ou tentada, e, além disso, devem tutelar os 
mesmos bens jurídicos, tendo, pois, a mesma estrutura jurídica. Perceba que o roubo 
tutela o patrimônio e a integridade física (violência) ou o patrimônio e a liberdade 
individual (grave ameaça); por outro lado, o latrocínio, o patrimônio e a vida. 
(...) (AgRg no HC 609.131/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 
24/08/2021, DJe 30/08/2021) 
V) ERRADA: Item errado, pois nos casos de continuidade delitiva, a pena de um dos crimes, se idênticas, ou 
a mais grave, se diversas, pode ser majorada até 2/3. Porém, em se tratando de crimes dolosos, contra 
vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa (crime continuado específico), a 
majoração pode chegar até o triplo, nos termos do art. 71, § único do CP. 
GABARITO: Letra A 
18. (FGV/2018/MPE-RJ) 
Pretendendo matar seus dois irmãos Mévio e Caio e, com isso, garantir-se como único herdeiro de seus ricos 
pais, Tício se aproveita do fato de Mévio e Caio estarem enfileirados e efetua um único disparo de fuzil em 
direção a estes, sabendo que, pelo potencial lesivo do material bélico, aquele único tiro seria suficiente paracausar a morte dos dois colaterais, o que efetivamente ocorre. 
Descobertos os fatos, caberá ao Promotor de Justiça oferecer denúncia contra Tício pela prática de dois 
crimes de homicídio qualificado em 
A) concurso material, diante dos dois resultados mortes, devendo as penas serem somadas; 
B) concurso formal próprio, devendo a pena de um deles (mais grave) ser aumentada; 
C) concurso formal impróprio, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada; 
D) concurso formal impróprio, devendo as penas serem somadas; 
E) continuidade delitiva, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada. 
COMENTÁRIOS 
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Nesse caso, o agente pretendia alcançar mais de um resultado e se valeu de uma única conduta para 
provocar estes resultados. Logo, podemos concluir que houve uma ação dolosa e os resultados derivavam 
de desígnios (intenções) autônomas, já que o agente desejava cada um dos resultados ocorridos. Posto isso, 
houve concurso formal impróprio ou imperfeito, devendo ser aplicado o sistema do cúmulo material 
(somatório aritmético das penas aplicadas), nos termos do art. 70 do CP: 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma 
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes 
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
GABARITO: Letra D 
19. (FGV/2014/MPE-RJ) 
Sobre o concurso de crimes, analise as afirmativas a seguir. 
I - O concurso material de infrações exige a soma das penas cominadas. 
II - O crime continuado se dá entre crimes da mesma espécie, cometidos em circunstâncias semelhantes. 
III - No concurso formal imperfeito, quando o agente criminoso possui desígnios autônomos, a regra será a 
aplicação da pena do crime mais grave, acrescida de um determinado percentual previsto na lei. 
IV - Há casos em que, embora presente a regra do concurso formal, as penas deverão ser somadas em caso 
de condenação por ambos os delitos. 
V - Em regra, no concurso formal e no crime continuado, o Magistrado, ao aplicar as penas dos crimes, não 
deverá somá-las. 
Está correto somente o que se afirma em: 
A) I, II e III; 
B) I, II, IV e V; 
C) I, III e V; 
D) II, III e IV; 
E) III, IV e V. 
COMENTÁRIOS 
I – CORRETA: Item correto, pois o concurso material de infrações exige a soma das penas cominadas, já que 
neste caso se aplica o sistema do cúmulo material, nos termos do art. 69 do CP. 
II - CORRETA: Item correto, pois o crime continuado se dá entre crimes da mesma espécie, cometidos em 
circunstâncias semelhantes, nos termos do art. 71 do CP. 
III – ERRADA: Item errado, pois no concurso formal imperfeito, quando o agente criminoso possui desígnios 
autônomos, as penas serão somadas (sistema do cúmulo material), nos termos do art. 70 do CP. 
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IV - CORRETA: Item correto, pois há casos em que, embora presente a regra do concurso formal, as penas 
deverão ser somadas em caso de condenação por ambos os delitos. Isso se dará quando o sistema da 
exasperação acabar sendo prejudicial ao agente, resultado em pena maior que aquela que seria cabível pelo 
somatório aritmético das penas, nos termos do art. 70, § único do CP. 
V - CORRETA: Item correto, pois no concurso formal e no crime continuado, em regra, o Juiz não somará as 
penas aplicadas aos crimes, aplicando somente a maior delas (ou uma delas, se idênticas), acrescida de uma 
fração de aumento (sistema da exasperação). 
GABARITO: Letra B 
20. (FGV / 2021 / OAB) 
Félix, com dolo de matar seus vizinhos Lucas e Mário, detona uma granada na varanda da casa desses, que 
ali conversavam tranquilamente, obtendo o resultado desejado. Os fatos são descobertos pelo Ministério 
Público, que denuncia Félix por dois crimes autônomos de homicídio, em concurso material. Após regular 
procedimento, o Tribunal do Júri condenou o réu pelos dois crimes imputados e o magistrado, ao aplicar a 
pena, reconheceu o concurso material. 
Diante da sentença publicada, Félix indaga, reservadamente, se sua conduta efetivamente configuraria 
concurso material de dois crimes de homicídio dolosos. Na ocasião, o(a) advogado(a) do réu, sob o ponto de 
vista técnico, deverá esclarecer ao seu cliente que sua conduta configura dois crimes autônomos de 
homicídio, 
A) em concurso material, sendo necessária a soma das penas aplicadas para cada um dos delitos. 
B) devendo ser reconhecida a forma continuada e, consequentemente, aplicada a regra da exasperação de 
uma das penas e não do cúmulo material. 
C) devendo ser reconhecido o concurso formal próprio e, consequentemente, aplicada a regra da 
exasperação de uma das penas e não do cúmulo material. 
D) devendo ser reconhecido o concurso formal impróprio, o que também imporia a regra da soma das penas 
aplicadas. 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, o agente pretendia alcançar mais de um resultado e se valeu de uma única conduta para 
provocar estes resultados. Logo, podemos concluir que houve uma ação dolosa e os resultados derivavam 
de desígnios (intenções) autônomas, já que o agente desejava cada um dos resultados ocorridos. Posto isso, 
houve concurso formal impróprio ou imperfeito, devendo ser aplicado o sistema do cúmulo material 
(somatório aritmético das penas aplicadas), nos termos do art. 70 do CP: 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma 
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes 
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
GABARITO: Letra D 
21. (FGV / 2018 / OAB) 
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Cadu, com o objetivo de matar toda uma família de inimigos, pratica, durante cinco dias consecutivos, crimes 
de homicídio doloso, cada dia causando a morte de cada um dos cinco integrantes da família, sempre com o 
mesmo modus operandi e no mesmo local. Os fatos, porém, foram descobertos, e o autor, denunciado pelos 
cinco crimes de homicídio, em concurso material. 
Com base nas informações expostas e nas previsões do Código Penal, provada a autoria delitiva em relação 
a todos os delitos, o advogado de Cadu: 
A) não poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, tendo em vista que os crimes foram 
praticados com violência à pessoa, somente cabendo reconhecimento do concurso material. 
B) não poderá buscar o reconhecimento de continuidade delitiva, tendo em vista que os crimes foram 
praticados com violência à pessoa, podendo, porém, o advogado pleitear o reconhecimento do concurso 
formal de delitos. 
C) poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, mesmo sendo o delito praticado com violência 
contra a pessoa, cabendo, apenas, aplicação da regra de exasperação da pena de 1/6 a 2/3. 
D) poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, mas, diante da violência contra a pessoa e da 
diversidade de vítimas, a pena mais grave poderá ser aumentada em até o triplo. 
COMENTÁRIOS 
Nesse caso, não é possível reconhecer-se o concurso formal de crimes, nem mesmo concurso formal 
impróprio, eis que o agente praticou mais de uma conduta. Porém, como são crimes da mesma espécie, 
praticados nas mesmas condições de tempo, lugare modo de execução, é possível reconhecer a 
continuidade delitiva. 
Porém, em se tratando de crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave 
ameaça à pessoa (crime continuado específico), a majoração pode chegar até o triplo, nos termos do art. 71, 
§ único do CP. 
GABARITO: Letra D 
22. (FGV / 2018 / OAB) 
Juarez, com a intenção de causar a morte de um casal de vizinhos, aproveita a situação em que o marido e a 
esposa estão juntos, conversando na rua, e joga um artefato explosivo nas vítimas, sendo a explosão deste 
material bélico a causa eficiente da morte do casal. Apesar de todos os fatos e a autoria restarem provados 
em inquérito encaminhado ao Ministério Público com relatório final de indiciamento de Juarez, o Promotor 
de Justiça se mantém inerte em razão de excesso de serviço, não apresentando denúncia no prazo legal. 
Depois de vários meses com omissão do Promotor de Justiça, o filho do casal falecido procura o advogado 
da família para adoção das medidas cabíveis. 
No momento da apresentação de queixa em ação penal privada subsidiária da pública, o advogado do filho 
do casal, sob o ponto de vista técnico, de acordo com o Código Penal, deverá imputar a Juarez a prática de 
dois crimes de homicídio em 
A) concurso material, requerendo a soma das penas impostas para cada um dos delitos. 
B) concurso formal, requerendo a exasperação da pena mais grave em razão do concurso de crimes. 
C) continuidade delitiva, requerendo a exasperação da pena mais grave em razão do concurso de crimes. 
D) concurso formal, requerendo a soma das penas impostas para cada um dos delitos. 
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COMENTÁRIOS 
Nesse caso, o agente pretendia alcançar mais de um resultado e se valeu de uma única conduta para 
provocar estes resultados. Logo, podemos concluir que houve uma ação dolosa e os resultados derivavam 
de desígnios (intenções) autônomas, já que o agente desejava cada um dos resultados ocorridos. Posto isso, 
houve concurso formal impróprio ou imperfeito, devendo ser aplicado o sistema do cúmulo material 
(somatório aritmético das penas aplicadas), nos termos do art. 70 do CP: 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma 
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes 
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
GABARITO: Letra D 
23. (FGV – 2018 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) 
Pretendendo matar seus dois irmãos Mévio e Caio e, com isso, garantir-se como único herdeiro de seus ricos 
pais, Tício se aproveita do fato de Mévio e Caio estarem enfileirados e efetua um único disparo de fuzil em 
direção a estes, sabendo que, pelo potencial lesivo do material bélico, aquele único tiro seria suficiente para 
causar a morte dos dois colaterais, o que efetivamente ocorre. 
Descobertos os fatos, caberá ao Promotor de Justiça oferecer denúncia contra Tício pela prática de dois 
crimes de homicídio qualificado em 
A) concurso material, diante dos dois resultados mortes, devendo as penas serem somadas; 
B) concurso formal próprio, devendo a pena de um deles (mais grave) ser aumentada; 
C) concurso formal impróprio, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada; 
D) concurso formal impróprio, devendo as penas serem somadas; 
E) continuidade delitiva, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada. 
COMENTÁRIOS 
No caso em tela, Tício pretendeu alcançar os dois resultados mediante uma só conduta dolosa. Ou seja, havia 
desígnios autônomos em relação aos resultados. Aqui temos o chamado concurso formal impróprio ou 
imperfeito, previsto no art. 70, parte final, do CP, motivo pelo qual será aplicado o sistema do cúmulo 
material (soma das penas). 
GABARITO: LETRA D 
24. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) 
Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente registrada em seu nome, que mantinha no interior 
da residência sem adotar os cuidados necessários, inclusive o de desmuniciá-la, acaba, acidentalmente, por 
dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a esposa deste, Maria. 
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Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo projétil e Maria sofreu lesão corporal e debilidade permanente 
de membro. Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o procura para, na condição de advogado, orientá-
lo acerca das consequências do seu comportamento. 
Na oportunidade, considerando a situação narrada, você deverá esclarecer, sob o ponto de vista técnico, 
que ele poderá vir a ser responsabilizado pelos crimes de 
A) homicídio culposo, lesão corporal culposa e disparo de de arma de fogo, em concurso formal. 
B) homicídio culposo e lesão corporal grave, em concurso formal.
 
C) homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso material. 
D) homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso formal. 
COMENTÁRIOS 
Neste caso, Pedro praticou dois crimes em concurso formal, pois provocou os dois resultados com uma única 
conduta. Os crimes praticados foram os de homicídio culposo e lesão corporal culposa, previstos nos arts. 
121, §3º e 129, §6º do CP, respectivamente. 
Não há que se falar em crime de disparo de arma de fogo, pois tal conduta só é punível na forma dolosa. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D. 
25. (FGV - 2014 - DPE-DF - ANALISTA - ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA) 
Chico furtou duas camisas em determinada loja de departamentos. Ao deixar a loja, o alarme soou e Chico 
acabou sendo preso, processado e condenado pela prática do crime tipificado no Artigo 155 do Código Penal. 
O magistrado, ao realizar a dosimetria da pena, fixou a pena base em 2 (dois) anos de reclusão e, 
considerando que as duas camisas foram furtadas nas mesmas circunstâncias de tempo, lugar e modo de 
execução, aplicou a regra prevista no Artigo 71 do Código Penal e aumentou a pena em mais 6 (seis) meses, 
tornando-a definitiva em 2 (dois) anos e 4 (quatro) meses de reclusão. Entre a data do recebimento da 
denúncia e a da sentença condenatória passaram-se mais de 4 (quatro) anos, e o magistrado acabou por 
reconhecer, na própria sentença condenatória, a extinção da punibilidade pela prescrição. Sobre a sentença, 
pode-se afirmar que: 
a) está incorreta quanto à continuidade delitiva, porque Chico praticou crime único, mas a prescrição deve 
ser reconhecida. 
b) está incorreta, porque Chico praticou dois crimes, em concurso material. 
c) está correta quanto à continuidade delitiva, mas incorreta quanto ao reconhecimento da prescrição. 
d) está correta quanto à continuidade delitiva e quanto ao reconhecimento da prescrição. 
e) está incorreta, porque Chico praticou dois crimes, em concurso formal, mas a prescrição deve ser 
reconhecida. 
COMENTÁRIOS 
A sentença está incorreta em relação à continuidade delitiva, pois Chico não praticou dois crimes, mas crime 
único, embora haja dois objetos materiais. Não há que se falar, portanto, em aplicação da continuidade 
delitiva. 
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Em relação à prescrição, a sentença está correta. Isto porque, para fins de cálculo da prescrição com base na 
pena aplicada, despreza-se a fração de pena corresponde ao aumento pela continuidade delitiva (SÚMULA 
497 DO STF). Assim, temos que para fins de prescrição a pena aplicada foi a de “dois anos” (ou seja, sem 
considerar o aumento decorrente da continuidade delitiva), de forma que ocorreu a prescrição, pois o prazo 
prescricionalbaixaria para 4 anos, nos termos do art. 109, V do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
26. (FGV - 2014 - DPE-RJ - TÉCNICO SUPERIOR JURÍDICO) 
Quanto ao âmbito de incidência do crime continuado e sua caracterização, é correto afirmar que: 
a) a lei penal mais grave não se aplica ao crime continuado ou ao crime permanente, mesmo se a sua vigência 
é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. 
b) a superveniência da Lei nº 12.015/2009 não tornou possível o reconhecimento da continuidade delitiva 
dos antigos delitos de estupro e atentado violento ao pudor, ainda que praticados nas mesmas circunstâncias 
de tempo, modo e local e contra a mesma vítima. 
c) na aplicação da pena privativa de liberdade, o aumento decorrente de concurso formal ou de crime 
continuado não incide sobre a pena-base, mas sobre a pena acrescida por circunstância qualificadora ou 
causa especial de aumento. 
d) a majoração derivada de concurso formal ou ideal de delitos deve incidir sobre a pena-base, e não sobre 
aquela a que já se ache acrescido o quantum resultante da aplicação das causas especiais de aumento. 
e) no crime continuado, a redução do prazo de prescrição por causa da menoridade se dá quanto a todos os 
crimes que compõem a ficção jurídica, ainda que seu reconhecimento alcance delitos praticados depois de 
completar vinte e um anos de idade. 
COMENTÁRIOS 
A) ERRADA: A lei penal nova será aplicada neste caso, desde que entre em vigor antes da cessação da 
continuidade ou permanência, nos termos do verbete nº 711 da súmula do STF. 
B) ERRADA: O STJ entende que é possível, sim, nestes casos, reconhecer a continuidade delitiva. Deve-se 
atentar, porém, para os casos em que teremos crime único. 
C) CORRETA: Item correto, pois o aumento decorrente do concurso de delitos é aplicado ao final, após a 
aplicação das demais eventuais qualificadoras: 
PENA. CONCURSO FORMAL. CALCULO DO AUMENTO (CRITÉRIO). O CALCULO DA 
MAJORAÇÃO PELA CONTINUIDADE DELITIVA DEVE INCIDIR SOBRE A PENA TOTAL QUE O 
JUIZ FIXARIA SE NÃO HOUVESSE ESTE AUMENTO, E NÃO SOBRE A PENA-BASE 
SIMPLESMENTE (PRECEDENTE: RECR. N. 86.032-SP). (...) (STF - RE: 87674 SP , Relator: 
CUNHA PEIXOTO, Data de Julgamento: 15/12/1978, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: 
DJ 16-03-1979 PP-01824 EMENT VOL-01124-02 PP-00387 RTJ VOL-00091-03 PP-00935) 
D) ERRADA: Pelos mesmos fundamentos que tornam o item anterior correto. 
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E) ERRADA: Tendo em conta a redação do art. 119, a Doutrina entende que, neste caso, a redução do prazo 
prescricional alcança apenas os delitos praticados antes de o agente completar 21 anos, ainda que haja 
continuidade delitiva entre estes e os delitos praticados após completar 21 anos: 
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena 
de cada um, isoladamente. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C. 
27. (FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM) 
Otelo objetiva matar Desdêmona para ficar com o seguro de vida que esta havia feito em seu favor. Para 
tanto, desfere projétil de arma de fogo contra a vítima, causando-lhe a morte. Todavia, a bala atravessa o 
corpo de Desdêmona e ainda atinge Iago, que passava pelo local, causando-lhe lesões corporais. 
Considerando-se que Otelo praticou crime de homicídio doloso qualificado em relação a Desdêmona e, por 
tal crime, recebeu pena de 12 anos de reclusão, bem como que praticou crime de lesão corporal leve em 
relação a Iago, tendo recebido pena de 2 meses de reclusão, é correto afirmar que 
a) o juiz deverá aplicar a pena mais grave e aumentá-la de um sexto até a metade. 
b) o juiz deverá somar as penas. 
c) é caso de concurso formal homogêneo. 
d) é caso de concurso formal impróprio. 
COMENTÁRIOS 
O Juiz, neste caso, deverá somar as penas, ou seja, aplicar o chamado CONCURSO MATERIAL BENÉFICO. Isso 
porque, no caso em tela, temos uma espécie de concurso formal, no qual o agente mediante uma só conduta, 
e com um só intento, acaba por produzir dois resultados. Pela redação do art. 70 do CP, deveria o Juiz tomar 
a pena do crime mais grave como base e sobre ela aplicar um percentual de exasperação. Contudo, ainda 
que o Juiz aplicasse o percentual mínimo (1/6), a quantidade de “exasperação” ficaria muito acima daquilo 
que o agente receberia de pena se estas fossem somadas (dois anos ao invés de dois meses), de forma que 
a exasperação, no caso, se mostra como um sistema mais prejudicial que o cúmulo material, de forma que 
deve ser aplicado este, nos termos do art. 70, § único do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
28. (FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM) 
As regras do concurso formal perfeito (em que se adota o sistema da exasperação da pena) foram adotadas 
pelo Código Penal com o objetivo de beneficiar o agente que, mediante uma só conduta, praticou dois ou 
mais crimes. No entanto, quando o sistema da exasperação for prejudicial ao acusado, deverá prevalecer o 
sistema do cúmulo material (em que a soma das penas será mais vantajosa do que o aumento de uma delas 
com determinado percentual, ainda que no patamar mínimo). 
A essa hipótese, a doutrina deu o nome de 
a) concurso material benéfico. 
b) concurso formal imperfeito. 
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c) concurso formal heterogêneo. 
d) exasperação sui generis. 
COMENTÁRIOS 
Quando a conduta, por si só, seja hipótese de concurso formal, mas o cálculo de aplicação da pena pelo 
sistema da exasperação (art. 70 do CP) se demonstrar mais prejudicial que o cálculo de aplicação pelo sistema 
do cúmulo material (art. 69 do CP), o art. 70, § único do CP, determina que aplica-se o sistema do cúmulo 
material. Vejamos: 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma 
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, 
entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes 
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 
deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
A esse sistema foi dado o nome de cúmulo material benéfico (concurso material benéfico). 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 
29. (FGV - 2010 - OAB - EXAME DE ORDEM) 
Com relação ao concurso de delitos, é correto afirmar que: 
a) no concurso de crimes as penas de multa são aplicadas distintamente, mas de forma reduzida. 
b) o concurso material ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou 
mais crimes com dependência fática e jurídica entre estes. 
c) o concurso formal perfeito, também conhecido como próprio, ocorre quando o agente, por meio de uma 
só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes idênticos, caso em que as penas serão somadas. 
d) o Código Penal Brasileiro adotou o sistema de aplicação de pena do cúmulo material para os concursos 
material e formal imperfeito, e da exasperação para o concurso formal perfeito e crime continuado. 
COMENTÁRIOS 
A afirmativa A está errada, eis que no concurso de crimes as penas de multa são aplicadas distinta e 
integralmente, nos termos do art. 72. A afirmativa B também está errada, que não há dependência jurídica 
entre eles. Há, apenas, dependência fática (devem ser praticados num mesmo contexto fático). A letra C 
caracteriza bem o concurso formal, no entanto, peca quanto às consequências, já que as penas não são 
somadas, aplicando-se o sistema da exasperação, nos termos do art. 70 do CP. 
Já a letra D está correta, eis que o sistema do cúmulo material (somadas penas) é aplicado ao concurso 
material e ao concurso formal imperfeito (agente pratica uma só conduta, atingindo mais de um bem 
jurídico, só que com a intenção de lesionar os dois), nos termos dos arts. 69 e 70, segunda parte, do CP. Já o 
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sistema da exasperação é previsto para o concurso formal próprio ou perfeito (com uma só conduta atinge 
dois bens jurídicos, sem a intenção de lesionar ambos) e ao crime continuado, conforme podemos extrair 
dos arts. 70 e 71 do CP. 
Portanto, a AFIRMATIVA CORRETA É A LETRA D. 
30. (FGV – 2014 – OAB – XV EXAME DE ORDEM) 
Roberto estava dirigindo seu automóvel quando perdeu o controle da direção e subiu a calçada, atropelando 
dois pedestres que estavam parados num ponto de ônibus. Nesse contexto, levando-se em consideração o 
concurso de crimes, assinale a opção correta, que contempla a espécie em análise: 
a) concurso material. 
b) concurso formal próprio ou perfeito. 
c) concurso formal impróprio ou imperfeito. 
d) crime continuado. 
COMENTÁRIOS 
No caso em tela temos o clássico exemplo de concurso formal perfeito, ou concurso formal próprio, pois o 
agente, mediante uma única ação ou omissão, e agindo sem desígnios autônomos, produziu mais de um 
resultado, nos termos do art. 70 do CP. 
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B. 
 
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1 
 EXERCÍCIOS PARA PRATICAR 
 
1. (FCC – 2018 – ALE-SE – ANALISTA LEGISLATIVO – PROCESSO LEGISLATIVO) É certo que um crime pode 
ser praticado por uma ou mais pessoas. Quando isso acontece, está-se diante da hipótese de concurso de 
pessoas, também conhecido como concurso de agentes. Nesse caso, 
a) ainda que algum dos concorrentes tenha querido participar de crime menos grave, ser-lhe-á, 
obrigatoriamente, aplicada a pena idêntica do crime praticado pelo seu comparsa, ante a adoção pelo código 
penal da teoria monista. 
b) em hipótese alguma se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal na coautoria. 
c) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio são sempre puníveis, ainda que o crime não venha a ser 
tentado. 
d) os crimes plurissubjetivos não admitem a coautoria e a participação. 
e) se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. 
2. (FCC – 2018 – ALE-SE – ANALISTA LEGISLATIVO – APOIO JURÍDICO) Hamilton resolve chamar um táxi 
pelo aplicativo do celular a fim de conduzi-lo até determinado endereço. Após ingressar no veículo, 
Hamilton recebe uma ligação em seu telefone, ocasião em que diz a pessoa que está do outro lado da linha 
que está se dirigindo até o endereço do amante de sua esposa a fim de matá-lo. O motorista do táxi, 
mesmo após ouvir a conversa de seu passageiro, o conduz até seu destino. No dia seguinte, o motorista 
toma conhecimento pelo noticiário televisivo de que Hamilton realmente matou o amante de sua mulher. 
Diante do caso hipotético, o taxista 
a) responderá pelo crime de homicídio doloso como partícipe. 
b) responderá pelo crime de homicídio doloso como coautor. 
c) responderá pelo crime de homicídio culposo. 
d) responderá pelo crime de favorecimento pessoal. 
e) não responderá por nenhum crime. 
3. (FCC – 2017 – PC-AP – AGENTE DE POLÍCIA) Mário e Mauro combinam a prática de um crime de furto 
a uma residência. Contudo, sem que Mário saiba, Mauro arma-se de um revólver devidamente municiado. 
Ambos, então, ingressam na residência escolhida para subtrair os bens ali existentes. Enquanto Mário 
separava os objetos para subtração, Mauro é surpreendido com a presença de um dos moradores que, ao 
reagir a ação criminosa, acaba sendo morto por Mauro. Nesta hipótese 
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2 
a) Mário e Mauro responderão pela prática de latrocínio. 
b) Mário e Mauro responderão pela prática de furto. 
c) Mário responderá pela prática de furto simples e Mauro responderá pela prática de furto qualificado. 
d) Mário responderá apenas pelo furto e Mauro responderá pela prática dos crimes de porte ilegal de arma 
de fogo, furto e homicídio. 
e) Mário responderá pela prática de furto e Mauro pelo crime de latrocínio. 
4. (FCC – 2013 – TRT1 – JUIZ) Quanto aos demais agentes do crime, o parentesco entre o autor e a 
vítima; 
a) comunica-se, desde que elementar ao tipo. 
b) comunica-se sempre, desde que por aqueles conhecido. 
c) comunica-se para agravamento genérico da pena concreta. 
d) comunica-se para atenuação genérica da pena concreta. 
e) não se comunica em qualquer hipótese. 
5. (FCC – 2014 – METRÔ-SP – ADVOGADO) Joaus, Joseh e Pedrus acertaram, mediante prévio ajuste, a 
prática de um crime de furto qualificado em residência. Pedrus escolheu a residência e emprestou seu 
veículo para o transporte dos objetos furtados. Joaus arrombou a porta da residência indicada por Pedrus 
e entrou. Joseh entrou em seguida. Joaus e Joseh recolheram todos os objetos de valor, colocaram no 
veículo e fugiram do local. Nesse caso, 
a) Joaus, Joseh e Pedrus foram coautores. 
b) Joaus foi autor, Joseh partícipe e Pedrus autor mediato. 
c) Joaus e Joseh foram partícipes e Pedrus foi autor imediato. 
d) Joaus, Joseh e Pedrus foram autores. 
e) Joaus e Joseh foram coautores e Pedrus partícipe. 
6. (FCC – 2014 – DPE-CE – DEFENSOR PÚBLICO) No concurso de pessoas, 
a) há autoria colateral quando os concorrentes se comportam para o mesmo fim, conhecendo a conduta 
alheia. 
b) a infração penal não precisa ser igual, objetiva e subjetivamente, para todos os concorrentes. 
c) é necessário que cada concorrente tenha consciência de contribuir para a atividade delituosa de outrem, 
dispensada a prévia combinação entre eles. 
d) os concorrentes devem necessariamente realizar o fato típico. 
e) dispensável a adesão subjetiva à vontade do outro. 
7. (FCC – 2014 – TJ-CE – JUIZ) Em tema de concurso de pessoas, é possível afirmar que 
a) o concorrente, na chamada cooperação dolosamente diversa, responderá pelo crime menos grave que 
quis participar, mas sempre com aumento da pena. 
b) indispensável a adesão subjetiva à vontade do outro, embora desnecessária a prévia combinação. 
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3 
c) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio nunca são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, 
a ser tentado. 
d) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, ainda que elementares do crime. 
e) a participação de menor importância constitui causa geral de diminuição da pena, incidindo na segunda 
etapa do cálculo. 
8. (FCC – 2015 – CNMP – ANALISTA) No concurso de pessoas, 
a) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste, essa 
pena será aumentada de 1/3 a 2/3, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
b) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
periculosidade. 
c) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
d) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são 
puníveis, se o crime não chega a ser consumado. 
e) se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída até metade. 
9. (FCC - 2011 - TCE-SP - PROCURADOR) Em matéria de concurso de pessoas, é correto afirmar que 
A) coautores são aqueles que, atuando de forma idêntica, executam o comportamento que a lei define como 
crime. 
B) partícipe é aquele que, também praticando a conduta que a lei define como crime,contribui, de qualquer 
modo, para a sua realização. 
C) é possível a coautoria nos crimes de mão própria. 
D) é admissível a coautoria nos crimes próprios, desde que o terceiro conheça a especial condição do autor. 
E) é inadmissível a participação nos crimes omissivos próprios. 
10. (FCC - 2007 - MPU - ANALISTA - PROCESSUAL) Maria, enfermeira, por ordem do médico João, 
ministrou veneno ao paciente, supondo tratar-se de um medicamento, ocasionando-lhe a morte. Nesse 
caso, 
A) não há concurso de agentes, mas apenas um autor mediato, pela realização indireta do fato típico. 
B) há concurso de agentes, sendo João autor principal e Maria co-autora. 
C) há concurso de agentes, sendo João autor principal e Maria partícipe. 
D) há concurso de agentes, figurando tanto João como Maria na condição de autores. 
E) há concurso de agentes, figurando Maria como autora e João como co-autor. 
11. (FCC - 2007 - MPU - ANALISTA ADMINISTRATIVO) José instigou Pedro, agindo sobre a vontade deste, 
de forma a fazer nascer neste a idéia da prática do crime. João prestou auxílio a Pedro, emprestando-lhe 
uma arma para que pudesse executar o delito. José e João são considerados, tecnicamente, 
A) co-autores. 
B) autores. 
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4 
C) Partícipes. 
D) partícipe e co-autor, respectivamente. 
E) co-autor e partícipe, respectivamente. 
12. (FCC - 2008 - MPE-CE - PROMOTOR DE JUSTIÇA) Nos chamados crimes monossubjetivos, 
A) o concurso de pessoas é eventual. 
B) o concurso de pessoas só ocorre no caso de autoria mediata. 
C) o concurso de pessoas é necessário. 
D) não há concurso de pessoas. 
E) há concurso de pessoas apenas na forma de participação. 
13. (FCC - 2011 - TRE-PE - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) De acordo com o Código Penal 
brasileiro, 
A) não há distinção entre autores, co-autores e partícipes, que incidem de forma idêntica nas penas 
cominadas ao delito. 
B) os autores, co-autores e partícipes incidem nas penas cominadas ao delito na medida de sua culpabilidade. 
C) ao autor principal será obrigatoriamente imposta pena mais alta que a dos co-autores e partícipes. 
D) ao autor principal e aos co-autores será obrigatoriamente imposta pena mais alta que a dos partícipes. 
E) ao autor principal será imposta a pena prevista para o delito, sendo que os co-autores e os partícipes terão 
obrigatoriamente a pena reduzida de um sexto a um terço. 
14. (FCC - 2011 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - TÉCNICO JUDICIÁRIO - SEGURANÇA) João instigou José a praticar 
um crime de roubo. Luiz forneceu-lhe a arma. Pedro forneceu-lhe todas as informações sobre a residência 
da vítima e sobre o horário em que esta ficava sozinha. No dia escolhido, José, auxiliado por Paulo, 
ingressou na residência da vítima. José apontou-lhe a arma, enquanto Paulo subtraiu-lhe dinheiro e jóias. 
Nesse caso, são considerados partícipes APENAS 
A) Luiz e Pedro. 
B) João, Luiz, Pedro e Paulo. 
C) João, Luiz e Pedro. 
D) José, Pedro e João. 
E) João, José, Luiz e Pedro. 
15. (FCC - 2011 - TRE-TO - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) No concurso de pessoas, 
A) se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de metade. 
B) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
C) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena do crime 
cometido, reduzida de um a dois terços. 
D) as circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam, sejam, ou não, elementares do crime. 
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E) a instigação e o auxílio, em qualquer hipótese, são puníveis mesmo que o crime não ocorra. 
16. (FCC – 2006 – BCB – ANALISTA) Aquele que, sem praticar ato executório, concorre, de qualquer 
modo, para a realização do crime, por ele responderá na condição de 
a) coautor. 
b) partícipe. 
c) autor mediato. 
d) coautor moral. 
e) autor. 
17. (FCC – 2010 – SEFIN/RO – AUDITOR-FISCAL) José, sabendo que seu desafeto Paulo estava andando 
de bicicleta numa estrada estreita, instiga João, motorista do veículo em que se encontrava, a imprimir ao 
veículo velocidade elevada, na esperança de que Paulo venha a ser atropelado. João passa a correr em alta 
velocidade e atropela Paulo, mais adiante, ocasionado-lhe a morte. Nesse caso, ambos responderão pelo 
crime, sendo que 
a) ambos responderão por culpa. 
b) José responderá por culpa e João por dolo eventual. 
c) Jose responderá por dolo eventual e João por culpa. 
d) ambos responderão por dolo eventual. 
e) José responderá por dolo direito e João por dolo eventual. 
18. (FCC – 2012 – ISS/SP – AFTM) A respeito do concurso de pessoas, é correto afirmar que 
a) a importância da participação não influi na pena a ser imposta. 
b) não é possível participação por omissão em crime comissivo. 
c) é possível a participação em crime omissivo puro. 
d) não pode haver participação em contravenção. 
e) é possível participação dolosa em crime culposo. 
19. (FCC – 2009 – DPE/MA – DEFENSOR PÚBLICO) Os requisitos para a ocorrência do concurso de pessoas 
no cometimento de crime são: 
a) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do partícipe e o resultado 
do crime e vínculo objetivo-subjetivo entre autor e partícipe. 
b) presença física de autor e partícipe, nexo de causalidade entre o comportamento do coautor e o resultado 
do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e identidade do crime. 
c) presença física de autor e partícipe, pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o 
comportamento do partícipe e o resultado do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e identidade 
do crime. 
d) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do partícipe e o resultado 
do crime; vínculo objetivo entre autor e partícipe e identidade do crime. 
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e) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do partícipe e o resultado 
do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e identidade do crime. 
20. (FCC – 2012 – TJ/GO – JUIZ ESTADUAL) Em matéria de concurso de pessoas, é correto afirmar que 
a) nos crimes plurissubjetivos o concurso é eventual. 
b) a autoria mediata configura coautoria. 
c) nos crimes funcionais a condição de servidor público do autor não se comunica ao partícipe não 
funcionário, se este desconhecia a condição daquele. 
d) a participação de menor importância constitui circunstância atenuante, a ser considerada na segunda 
etapa do cálculo da pena. 
e) as mesmas penas deverão ser aplicadas a todos os coautores e partícipes. 
21. (FCC – 2012 – TCE/AP – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) A respeito do concurso de pessoas, é 
correto afirmar: 
a) Para fins de aplicação da pena no concurso de pessoas é irrelevante que a participação tenha sido de 
menor importância. 
b) Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena do crime mais 
grave. 
c) É possível a participação em crime comissivo puro. 
d) As condições e circunstâncias pessoais comunicam-se entre os coautores e partícipes quando não forem 
elementares do crime. 
e) Pode ocorrer participação culposa em crime doloso ou participação dolosa em crime culposo. 
22. (FCC - 2013 - TJ-PE - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - PROVIMENTO) 
Necessariamente, autores e partícipes recebem 
a) penas idênticas. 
b) penas, respectivamente, mais e menos graves. 
c) penas, respectivamente, menos e mais graves. 
d) penas igualmente graves, mas de espécies distintas. 
e) penas igualmente graves,salvo se diversa for sua culpabilidade. 
23. (FCC - 2013 - DPE-AM - DEFENSOR PÚBLICO) Se alguém instiga outrem a surrar inimigo comum, mas 
o instigado se excede e mata a vítima, é correto afirmar que 
a) a conduta do partícipe é atípica. 
b) o partícipe poderá responder por lesão corporal, sem qualquer aumento de pena, se não podia prever o 
resultado morte. 
c) o partícipe poderá responder por homicídio doloso, mas fará jus, necessariamente, ao reconhecimento da 
participação de menor importância. 
d) o partícipe poderá responder por lesão corporal, com a pena aumentada até um terço, se previsível o 
resultado letal. 
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e) o partícipe não poderá responder por homicídio doloso, mesmo que tenha assumido o risco do resultado 
morte. 
24. (FCC – 2012 – TRF5 – ANALISTA JUDICIÁRIO) Indivíduos que são alcançados pela lei penal, não 
porque tenham praticado uma conduta ajustável a uma figura delitiva, mas porque, executando atos sem 
conotação típica, contribuíram, objetivamente e subjetivamente, para a ação criminosa de outrem 
a) não são punidos por atipicidade da conduta. 
b) são coautores e incidem na mesma pena cabível ao autor do crime. 
c) são concorrentes de menor importância e têm a pena diminuída de um sexto a um terço. 
d) são considerados partícipes e incidem nas penas cominadas ao crime, na medida de sua culpabilidade. 
e) podem ser coautores ou partícipes e a pena, em qualquer caso, é diminuída de um terço. 
25. (VUNESP – 2018 – PC-SP - INVESTIGADOR) No que diz respeito ao concurso de pessoas e às expressas 
regras do CP (arts. 29 a 31), 
(A) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
punibilidade. 
 
(B) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
voluntariedade. 
 
(C) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
 
(D) mesmo que o crime sequer seja tentado, o ajuste, a determinação ou a instigação e o auxílio sempre são 
puníveis. 
(E) aplica-se a mesma pena a todos os coautores, ainda que a participação seja de menor importância. 
 
26. (VUNESP – 2018 – PC-SP - ESCRIVÃO) A respeito do concurso de pessoas, é correto afirmar que 
(A) Mévio e Caio, pelo ajuste da prática de furto à residência de Tício, uma vez descoberto o plano, serão 
punidos, ainda que o crime não chegue a ser tentado. 
 
(B) Mévio e Caio, tendo furtado a residência dos pais de Caio, são isentos de pena, aplicando-se a ambos o 
perdão legal que exime de pena os crimes patrimoniais, cometidos sem violência, em detrimento de 
ascendentes. 
 
(C) Mévio, tendo ajustado com Caio apenas a prática de furto à residência de Tício, responderá pelos demais 
crimes eventualmente praticados por Caio, ainda que não previsíveis. 
(D) Caio, empresário, ciente da condição de funcionário público de Mévio, tendo o auxiliado na prática de 
peculato-furto, não responderá pelo crime funcional, já que a condição pessoal de funcionário público de 
Mévio a ele não se comunica. 
 
(E) Mévio, pela participação de menor importância na prática de furto à residência de Tício, poderá ter a 
pena diminuída. 
27. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) É requisito para a configuração do concurso de pessoas 
(A) uma única conduta. 
(B) a irrelevância causal das condutas. 
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(C) a identidade de crime para todos os envolvidos. 
(D) a autoria incerta. 
(E) o prévio ajuste entre os agentes. 
28. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) Sobre o concurso de pessoas e as previsões expressas da 
legislação penal, assinale a alternativa correta. 
(A) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
(B) Se a participação for de menor importância, será aplicada atenuante genérica. 
(C) Ao concorrente que quis participar de crime menos grave, será aplicada a mesma pena do concorrente, 
diminuída, no entanto, de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço). 
(D) As circunstâncias e as condições de caráter pessoal, mesmo quando elementares do crime, são 
incomunicáveis aos coautores. 
(E) O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio são puníveis ainda que o crime não chegue a ser 
tentado. 
29. (VUNESP – 2017 – PREF. PORTO FERREIRA-SP – PROCURADOR) Sobre o concurso de pessoas, assinale 
a alternativa correta. 
a) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
personalidade. 
b) Se a participação for de maior importância, a pena pode ser majorada de um sexto a um terço. 
c) Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa 
pena será aumentada até o dobro, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
d) Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
e) O ajuste, a determinação, a sedição ou instigação e o auxílio ou cooperação material não são puníveis, se 
o crime não chega, pelo menos, a ser executado. 
30. (VUNESP – 2015 – PC-CE – INSPETOR) No que diz respeito ao concurso de pessoas, segundo as 
disposições previstas no Código Penal, é correto afirmar que 
a) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, mesmo quando elementares do 
crime. 
b) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, independentemente 
se quis participar de crime menos grave 
c) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são 
puníveis, se o crime, apesar de iniciada a execução, não chega a ser consumado. 
d) quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
e) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, a pena pode ser diminuída de um sexto 
a um terço. 
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31. (VUNESP – 2014 – PC-SP – DELEGADO) Segundo o conceito restritivo, é autor aquele que 
a) tem o domínio do fato. 
b) realiza a conduta típica descrita na lei. 
c) contribui com alguma causa para o resultado. 
d) age dolosamente na prática do crime. 
e) pratica o fato por interposta pessoa que atua sem culpabilidade. 
32. (VUNESP – 2014 – CÂMARA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – ADVOGADO) CP, art. 30: quando se verifica 
o concurso de pessoas em matéria penal, não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter 
pessoal, 
a) salvo nos crimes contra a Administração Pública. 
b) salvo no caso de extinção da punibilidade. 
c) salvo nos crimes contra a Fé Pública. 
d) salvo quando elementares do crime. 
e) em hipótese alguma. 
33. (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) No que tange ao concurso de pessoas nos crimes 
de corrupção ativa e passiva, o Código Penal adotou a teoria 
a) monista. 
b) causal. 
c) dualista. 
d) pluralística. 
34. (VUNESP – 2002 – SEFAZ-SP – AGENTE FISCAL DE RENDAS) No crime de concussão, a circunstância 
de ser um dos agentes funcionário público: 
a) não é elementar, não se comunicado, portanto, ao concorrente particular. 
b) é elementar, mas não se comunica ao concorrente particular. 
c) é elementar, comunicando-se ao concorrente particular, ainda que este desconheça a condição daquele. 
d) é elementar comunicando-se ao concorrente particular, se este conhecia a condição daquele. 
e) não é elementar, comunicando-se, em qualquer situação ao concorrente particular. 
35. (FGV / 2022 / PCERJ) 
Agamenon, Aquiles, Ájax e Cadmo combinam de furtar pneus de veículos automotores do interiorde um 
galpão cercado de mato e aparentemente abandonado. Agamenon e Cadmo permanecem no carro, ao passo 
que Ájax arromba o portão e Aquiles ingressa, se deparando, pouco depois, com um vigia. Diante da reação 
ao ingresso não consentido, de posse de um vergalhão, Aquiles golpeia, perfura e mata o vigia. Considerando 
esse cenário, é correto afirmar que Agamenon, Ájax e Cadmo responderão por: 
(A) participação de menor importância; 
(B) cooperação dolosamente distinta; 
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(C) autoria colateral; 
(D) participação mediante omissão; 
(E) coautoria sucessiva. 
36. (FGV / 2018 / TJAL) 
No Direito Penal, a doutrina costuma reconhecer o concurso de pessoas quando a infração penal é cometida 
por mais de uma pessoa, podendo a cooperação ocorrer através de coautoria ou participação. 
Sobre o tema, de acordo com o Código Penal, é correto afirmar que: 
(A) o auxílio material é punível se o crime chegar, ao menos, a ser cogitado; 
(B) as circunstâncias de caráter pessoal, diante de sua natureza,
não se comunicam, ainda que elementares 
do crime; 
(C) em sendo de menor importância a participação ou coautoria, a pena poderá ser reduzida de um sexto a 
um terço; 
(D) a teoria sobre concurso de agentes adotada pela legislação penal brasileira, em regra, é a dualista; 
(E) se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste. 
37. (FGV / 2018 / OAB) 
Pedro e Paulo combinam de praticar um crime de furto em determinada creche, com a intenção de subtrair 
computadores. Pedro, então, sugere que o ato seja praticado em um domingo, quando o local estaria 
totalmente vazio e nenhuma criança seria diretamente prejudicada. 
No momento da empreitada delitiva, Pedro auxilia Paulo a entrar por uma janela lateral e depois entra pela 
porta dos fundos da unidade. Já no interior do local, eles verificam que a creche estava cheia em razão de 
comemoração do “Dia das Mães”; então, Pedro pega um laptop e sai, de imediato, pela porta dos fundos, 
mas Paulo, que estava armado sem que Pedro soubesse, anuncia o assalto e subtrai bens e joias de crianças, 
pais e funcionários. Captadas as imagens pelas câmeras de segurança, Pedro e Paulo são identificados e 
denunciados pelo crime de roubo duplamente majorado. 
Com base apenas nas informações narradas, a defesa de Pedro deverá pleitear o reconhecimento da 
A) participação de menor importância, gerando causa de diminuição de pena. 
B) cooperação dolosamente distinta, gerando causa de diminuição de pena. 
C) cooperação dolosamente distinta, gerando aplicação da pena do crime menos grave. 
D) participação de menor importância, gerando aplicação da pena do crime menos grave. 
38. (FGV / 2018 / MPE-RJ) 
De maneira geral, os delitos tipificados no ordenamento jurídico brasileiro são de concurso eventual, tendo 
em vista que podem ser executados por uma ou mais pessoas. Excepcionalmente, porém, existem delitos de 
concurso necessário, sendo indispensável a pluralidade de agentes para configuração do tipo. Sobre o tema 
concurso de pessoas, é correto afirmar que: 
A) o Código Penal, como regra geral, adota a teoria Monista, de modo que autor e partícipe respondem pelo 
mesmo crime, cada um, porém, na medida de sua culpabilidade; 
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B) a participação de menor importância permite a aplicação de regime inicial de pena menos severo, mas 
não poderá funcionar como causa de diminuição de pena; 
C) as circunstâncias objetivas se comunicam aos coautores, diferente das de caráter pessoal, que não se 
comunicam, ainda que elementares do tipo; 
D) a pluralidade de pessoas e a relevância causal das condutas são requisitos para sua configuração, mas não 
são requisitos para configurar o liame subjetivo; 
E) os crimes classificados como próprios não admitem coautoria ou participação. 
39. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) Rafael e Francisca combinam praticar um crime de 
furto em uma residência onde ela exercia a função de passadeira. Decidem, então, subtrair bens do imóvel 
em data sobre a qual Francisca tinha conhecimento de que os proprietários estariam viajando, pois assim 
ela tinha certeza de que os patrões, de quem gostava, não sofreriam qualquer ameaça ou violência. 
No dia do crime, enquanto Francisca aguarda do lado de fora, Rafael entra no imóvel para subtrair bens. 
Ela, porém, percebe que o carro dos patrões está na garagem e tenta avisar o fato ao comparsa para que 
este saísse rápido da casa. Todavia, Rafael, ao perceber que a casa estava ocupada, decide empregar 
violência contra os proprietários para continuar subtraindo mais bens. Descobertos os fatos, Francisca e 
Rafael são denunciados pela prática do crime de roubo majorado. 
Considerando as informações narradas, o(a) advogado(a) de Francisca deverá buscar 
A) sua absolvição, tendo em vista que não desejava participar do crime efetivamente praticado. 
 
B) o reconhecimento da participação de menor importância, com aplicação de causa de redução de pena. 
 
C) o reconhecimento de que o agente quis participar de crime menos grave, aplicando-se a pena do furto 
qualificado. 
 
D) o reconhecimento de que o agente quis participar de crime menos grave, aplicando-se causa de 
diminuição de pena sobre a pena do crime de roubo majorado. 
 
40. (FGV – 2015 – TJ-RO – OFICIAL DE JUSTIÇA) O Código Penal brasileiro traz diversos crimes que podem 
ser praticados por uma única pessoa, mas também prevê algumas hipóteses em que o concurso de pessoas 
é necessário. Como regra geral, quando duas ou mais pessoas, unidas em ações e desígnios, praticam em 
conjunto um delito, pode-se falar em concurso de pessoas. Sobre essa tema, é correto afirmar que o Código 
Penal adotou, em regra, a Teoria: 
a) Pluralista, com exceções; 
b) Dualista, sem exceções; 
c) Monista, com exceções; 
d) Dualista, com exceções; 
e) Monista, sem exceções. 
41. (FGV – 2015 – TCE-RJ – AUDITOR SUBSTITUTO) Sobre o tema concurso de agentes, é correto afirmar 
que: 
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a) em regra, aquele que instiga terceira pessoa à prática de um crime, por este responde, ainda que o 
instigado não tenha iniciado a execução do delito; 
b) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, mesmo quando elementares do 
crime; 
c) na teoria da acessoriedade limitada, somente haverá a punição do partícipe se o autor houver praticado 
uma conduta que seja típica, ilícita e culpável; 
d) se um dos concorrentes quis participar de crime menos grave, a pena deste lhe será aplicada, com o 
aumento de metade na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave; 
e) não se exige homogeneidade de elemento subjetivo no concurso de pessoas, admitindo-se participação 
culposa em crime doloso. 
42. (FGV – 2014 – PROCEMPA – ADVOGADO) Com relação ao tema responsabilidade penal no concurso 
de pessoas, assinale a afirmativa incorreta. 
a) A responsabilidade penal é individual, devendo cada agente responder na medida de sua culpabilidade. 
b) Ocorrendo desvio subjetivo entre os agentes, quem quis participar de crime menos grave responde por 
este e não pelo crime mais grave praticado pelo outro agente. 
c) Sendo a participação de menor importância, a pena pode ser reduzida de 1/6 a 1/3. 
d) O Código Penal adotou a Teoria Monista sobre concurso de agentes sem exceção, devendo todos os 
participantes responder pelo mesmo crime. 
e) Não há participação dolosa em crime culposo. 
43. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) Sofia decide matar sua mãe. Para tanto, pede ajuda a 
Lara, amiga de longa data, com quem debate a melhormaneira de executar o crime, o melhor horário, 
local etc. Após longas discussões de como poderia executar seu intento da forma mais eficiente possível, 
a fim de não deixar nenhuma pista, Sofia pede emprestado a Lara um facão. A amiga prontamente atende 
ao pedido. Sofia despede-se agradecendo a ajuda e diz que, se tudo correr conforme o planejado, 
executará o homicídio naquele mesmo dia e assim o faz. No entanto, apesar dos cuidados, tudo é 
descoberto pela polícia. 
A respeito do caso narrado e de acordo com a teoria restritiva da autoria, assinale a afirmativa correta. 
A) Sofia é a autora do delito e deve responder por homicídio com a agravante de o crime ter sido praticado 
contra ascendente. Lara, por sua vez, é apenas partícipe do crime e deve responder por homicídio, sem a 
presença da circunstância agravante. 
B) Sofia e Lara devem ser consideradas coautoras do crime de homicídio, incidindo, para ambas, a 
circunstância agravante de ter sido, o crime, praticado contra ascendente. 
C) Sofia e Lara devem ser consideradas coautoras do crime de homicídio. Todavia, a agravante de ter sido, o 
crime, praticado contra ascendente somente incide em relação à Sofia. 
D) Sofia é a autora do delito e deve responder por homicídio com a agravante de ter sido, o crime, praticado 
contra ascendente. Lara, por sua vez, é apenas partícipe do crime, mas a agravante também lhe será aplicada. 
44. (FGV – 2015 – OAB – XVI EXAME DE ORDEM) Maria Joaquina, empregada doméstica de uma 
residência, profundamente apaixonada pelo vizinho Fernando, sem que este soubesse, escuta sua 
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conversa com uma terceira pessoa acordando o furto da casa em que ela trabalha durante os dias de 
semana à tarde. Para facilitar o sucesso da operação de seu amado, ela deixa a porta aberta ao sair do 
trabalho. Durante a empreitada criminosa, sem saber que a porta da frente se encontrava destrancada, 
Fernando e seu comparsa arrombam a porta dos fundos, ingressam na residência diversos objetos. 
Diante desse quadro fático, assinale a opção que apresenta a correta responsabilidade penal de Maria 
Joaquina. 
a) Deverá responder pelo mesmo crime de Fernando, na qualidade de partícipe, eis que contribuiu de alguma 
forma para o sucesso da empreitada criminosa ao não denunciar o plano. 
b) Deverá responder pelo crime de furto qualificado pelo concurso de agentes, afastada a qualificadora do 
rompimento de obstáculo, por esta não se encontrar na linha de seu conhecimento. 
c) Não deverá responder por qualquer infração penal, sendo a sua participação irrelevante para o sucesso 
da empreitada criminosa. 
d) Deverá responder pelo crime de omissão de socorro. 
45. (FGV - 2012 - OAB - VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO) Analise detidamente as seguintes situações: 
Casuística 1: Amarildo, ao chegar a sua casa, constata que sua filha foi estuprada por Terêncio. Imbuído 
de relevante valor moral, contrata Ronaldo, pistoleiro profissional, para tirar a vida do estuprador. O 
serviço é regularmente executado. 
Casuística 2: Lucas concorre para um infanticídio auxiliando Julieta, parturiente, a matar o nascituro – o 
que efetivamente acontece. Lucas sabia, desde o início, que Julieta estava sob a influência do estado 
puerperal. 
Levando em consideração a legislação vigente e a doutrina sobre o concurso de pessoas (concursus 
delinquentium), é correto afirmar que 
A) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio 
qualificado por motivo torpe. No exemplo 2, Lucas e Julieta responderão pelo crime de infanticídio. 
B) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio simples 
(ou seja, sem privilégio pelo fato de não estar imbuído de relevante valor moral). No exemplo 2, Lucas, que 
não está influenciado pelo estado puerperal, responderá por homicídio, e Julieta pelo crime de infanticídio. 
C) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio simples 
(ou seja, sem privilégio pelo fato de não estar imbuído de relevante valor moral). No exemplo 2, tanto Lucas 
quanto Julieta responderão pelo crime de homicídio (ele na modalidade simples, ela na modalidade 
privilegiada em razão da influência do estado puerperal). 
D) no exemplo 1, Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de homicídio 
qualificado pelo motivo fútil. No exemplo 2, Lucas, que não está influenciado pelo estado puerperal, 
responderá por homicídio e Julieta pelo crime de infanticídio. 
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 GABARITO 
 
1. ALTERNATIVA E 
2. ALTERNATIVA E 
3. ALTERNATIVA E 
4. ALTERNATIVA A 
5. ALTERNATIVA E 
6. ALTERNATIVA C 
7. ALTERNATIVA B 
8. ALTERNATIVA C 
9. ALTERNATIVA D 
10. ALTERNATIVA A 
11. ALTERNATIVA C 
12. ALTERNATIVA A 
13. ALTERNATIVA B 
14. ALTERNATIVA C 
15. ALTERNATIVA B 
16. ALTERNATIVA B 
17. ALTERNATIVA C 
18. ALTERNATIVA C 
19. ALTERNATIVA E 
20. ALTERNATIVA C 
21. ALTERNATIVA C 
22. ALTERNATIVA E 
23. ALTERNATIVA B 
24. ALTERNATIVA D 
25. ALTERNATIVA C 
26. ALTERNATIVA E 
27. ALTERNATIVA C 
28. ALTERNATIVA A 
29. ALTERNATIVA D 
30. ALTERNATIVA D 
31. ALTERNATIVA B 
32. ALTERNATIVA D 
33. ALTERNATIVA C 
34. ALTERNATIVA D 
35. ALTERNATIVA B 
36. ALTERNATIVA E 
37. ALTERNATIVA C 
38. ALTERNATIVA A 
39. ALTERNATIVA C 
40. ALTERNATIVA C 
41. ALTERNATIVA D 
42. ALTERNATIVA D 
43. ALTERNATIVA A 
44. ALTERNATIVA C 
45. ALTERNATIVA A 
 
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1 
 EXERCÍCIOS PARA PRATICAR 
 
1. (FCC – 2017 – DPE-RS – ANALISTA PROCESSUAL) No concurso de crimes, cuidando-se de infrações 
de espécies diversas cometidos por condutas distintas, ambas com violência física real, dos 
institutos legais abaixo em princípio pode-se postular em favor do imputado 
a) concurso formal heterogêneo. 
b) concurso formal impróprio. 
c) crime continuado genérico. 
d) crime continuado específico. 
e) prescrição isoladamente considerada. 
2. (FCC – 2015 – TJ-PE – JUIZ) O chamado concurso material benéfico prevalece 
a) sobre o concurso formal próprio e o crime continuado 
b) apenas sobre o concurso formal impróprio. 
c) apenas sobre o concurso formal próprio 
d) sobre o concurso formal impróprio e o crime continuado específico. 
e) apenas sobre o crime continuado específico. 
3. (FCC – 2014 – MPE-PE – PROMOTOR) No concurso formal impróprio ou imperfeito, 
a) aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer 
caso, de um sexto até a metade, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de 
desígnios autônomos. 
b) as penas são aplicadas cumulativamente se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam 
de desígnios autônomos. 
c) aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer 
caso, de um sexto até a metade, se ação é dolosa ou culposa, independentemente de os crimes concorrentes 
resultarem de desígnios autônomos. 
d) aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer 
caso, de um sexto até dois terços, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de 
desígnios autônomos. 
e) as penas são aplicadas cumulativamente se a ação é dolosa ou culposa e os crimes concorrentes resultam 
de desígnios autônomos. 
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2 
4. (FCC – 2013 – MPE-SE – TÉCNICO) Uma vez reconhecido o concurso formal de crimes, será afinal 
aplicada pena privativa de liberdadea) aquém daquela mais grave isoladamente aplicável por qualquer dos crimes. 
b) aquém daquela menos grave isoladamente aplicável por qualquer dos crimes. 
c) igual à pena mais grave isoladamente aplicável por qualquer dos crimes. 
d) além daquela mais grave e até a somatória aritmética das penas isoladamente aplicáveis aos crimes. 
e) além da somatória aritmética das penas isoladamente aplicáveis aos crimes. 
5. (FCC – 2009 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO) João, funcionário público, resolveu desviar R$ 
10.000,00 dos cofres da repartição pública em que trabalhava. Para tentar ocultar o seu 
procedimento delituoso, desviou a quantia de R$ 500,00 por dia, até atingir o montante desejado. 
Nesse caso, em relação ao crime de peculato, é de ser reconhecida a ocorrência de 
a) crime único. 
b) concurso formal. 
c) concurso material. 
d) crime continuado. 
e) crime culposo. 
6. (FCC – 2009 – TJ-SE – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Além dos requisitos gerais de 
crime continuado comum, são condições do crime continuado específico (art. 71, Parágrafo Único, 
do Código Penal brasileiro) que 
a) os crimes sejam dolosos, praticados contra vítimas diversas e com violência ou grave ameaça à pessoa. 
b) os crimes sejam dolosos e culposos, praticados contra uma única vítima. 
c) as infrações sejam praticadas mediante uma única ação e que resulte em dois ou mais crimes. 
d) os crimes sejam consumados ou tentados, culposos e violentos. 
e) as infrações sejam praticadas mediante mais de uma ação, resultando em crime único. 
7. (FCC – 2007 – TRE-SE – ANALISTA JUDICIÁRIO) Verificado o concurso formal de crimes, mas sendo 
a ação ou omissão dolosa e tendo os crimes concorrentes resultado de desígnios autônomos, a 
aplicação da pena se fará 
a) impondo a pena do crime mais grave, ou, se iguais, apenas a de uma deles, acrescentada de 1/6 até 
metade. 
b) somando as penas de todos os crimes, porém até o limite da pena máxima cominada ao crime mais grave. 
c) cumulativamente. 
d) somando as penas de todos os crimes, porém até o limite do dobro da pena mínima do crime mais grave. 
e) impondo a pena do crime mais grave, acrescida até o limite da somatória de todas as penas. 
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3 
8. (FCC – 2007 – TRE-PB – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) De acordo com o Código Penal, 
quando o agente mediante uma só ação culposa pratica dois ou mais crimes não idênticos e não 
resultantes de desígnios autônomos, configura-se hipótese de concurso 
a) material de crimes e aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um terço. 
b) material de crimes e aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. 
c) formal de crimes e aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. 
d) material de crimes e aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. 
e) formal de crimes e aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. 
9. (VUNESP – 2018 – PC-SP - ESCRIVÃO) Tendo em vista as normas referentes ao concurso de crimes, 
previstas no Código Penal, assinale a alternativa correta. 
(A) No crime continuado, que se caracteriza quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica 
dois ou mais crimes, aplicar-se-á a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, 
aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços). 
(B) No concurso formal, que se caracteriza quando o agente, mediante duas ou mais ações, pratica 2 (dois) 
ou mais crimes, aplicar-se-á a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) até a metade. 
 
(C) No crime continuado, tratando-se de crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência 
ou grave ameaça à pessoa, a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, será 
aumentada, até o dobro. 
(D) No concurso material, que se caracteriza quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica 2 
(dois) ou mais crimes, aplicar-se-á a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas 
aumentada, em qualquer caso, de 1/6 (um sexto) até a metade. 
(E) No concurso formal, que se caracteriza quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica 2 
(dois) ou mais crimes, aplicar-se-á a pena dos crimes, cumulativamente, se se tratar de ação ou omissão 
dolosa e os crimes concorrentes resultem de desígnios autônomos. 
10. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) O agente, movido pelo desejo de vingança, decidiu 
amarrar quatro pessoas no interior de um automóvel, para depois atear fogo no veículo, o que 
resultou na morte de todas as vítimas. A hipótese narrada é denominada 
(A) concurso material homogêneo. 
(B) concurso formal próprio. 
(C) concurso material heterogêneo. 
(D) concurso formal impróprio. 
(E) crime continuado. 
11. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) Quando o agente, mediante mais de 1 (uma) 
ação ou omissão, pratica 2 (dois) ou mais crimes, verifica-se o instituto do concurso de crimes, que 
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4 
pode ser formal ou material, a depender da unidade ou da pluralidade de condutas. Sobre o tema, 
o Código Penal estabelece que 
(A) na hipótese de concurso material, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não 
suspensa, por um dos crimes, para os demais crimes será cabível a substituição de pena privativa de 
liberdade por pena restritiva de direitos. 
(B) na hipótese de concurso formal imperfeito ou impróprio, aplica-se o sistema de exasperação da pena, 
independentemente da quantidade de condenação. 
(C) quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, será possível ao condenado cumpri-las de forma 
simultânea, desde que compatíveis entre si. 
(D) se entende por concurso formal próprio ou perfeito aquele em que o agente pratica mais de uma 
conduta, mas na presença de desígnios autônomos, ou seja, a vontade de atingir mais de um resultado. 
(E) no caso de concurso material, sendo o agente condenado cumulativamente a pena de reclusão e 
detenção, executa-se primeiro a de detenção. 
12. (VUNESP - 2013 - ITESP - ADVOGADO) Com relação ao concurso formal, assinale a 
alternativa que completa corretamente a sentença a seguir, nos termos do Código Penal. 
Quando o agente, mediante________ pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe 
a_________cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas em qualquer caso, ________ de_________até 
metade. 
a) duas ou mais ações ou omissões … mais grave das penas … diminuída … um terço 
b) duas ações … menos grave das penas … aumentada … um terço 
c) uma só ação ou omissão … mais grave das penas … aumentada … um sexto 
d) duas ou mais ações ou omissões … mais grave das penas … diminuída … um sexto 
e) uma só ação ou omissão … menos grave das penas … aumentada … um terço 
13. (VUNESP – 2005 – PGE-SP – PROCURADOR) X, desafeto de Y, encontra-o na via pública e 
resolve matá-lo. Entram em luta corporal e, na disputa pela arma de fogo portada por X, Y consegue 
dispará-la contra seu agressor, porém Z, que passava pelo local, também acaba sendo atingido. No 
caso, incide (A) a regra do concurso material de infrações porque o resultado lesivo em Z afasta a 
incidência da excludente da ilicitude. 
(B) a norma da aberratio ictus com unidade complexa, reconhecendo-se o concurso formal. 
(C) a hipótese de excesso culposo na legítima defesa, e Y será processado pelo resultado causado a título de 
culpa em Z. 
(D) a excludenteda legítima defesa tanto em relação a X quanto a Z, não havendo que se falar em aberratio 
ictus com unidade complexa. 
(E) a norma da aberratio ictus com unidade complexa, reconhecendo-se o crime continuado. 
14. (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) “Um fato definido por uma norma 
incriminadora é meio necessário ou normal fase de preparação ou execução de outro crime, bem 
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como quando constitui conduta anterior ou posterior do agente, cometida com a mesma finalidade 
prática atinente àquele crime”. 
No conflito aparente de normas, esta afirmação explica o princípio da 
(A) especialidade. 
(B) subsidiariedade. 
(C) alternatividade. 
(D) consunção. 
15. (FGV / 2022 / PCERJ) 
Calíope, pretendendo matar Erato, saca uma arma de fogo e efetua disparos contra seu desafeto, atingindo-
o e também a Euterpe, que passava pelo local. As duas pessoas alvejadas morrem em razão dos ferimentos 
sofridos. Na hipótese, é correto afirmar que haverá: 
(A) crime único; 
(B) concurso material; 
(C) concurso formal perfeito; 
(D) concurso formal imperfeito; 
(E) crime continuado. 
16. (FGV / 2021 / PCRN) 
Victor abordou um grupo de três pessoas que estava no interior de um coletivo e, mediante grave ameaça, 
subtraiu os pertences que elas carregavam. 
Diante dos fatos narrados, considerando o instituto do concurso de crimes e a jurisprudência dos Tribunais 
Superiores, Victor praticou: 
A) três crimes de roubo, em concurso material, devendo ter as penas dos crimes somadas; 
B) três crimes de roubo, em concurso formal impróprio, aplicando-se a regra da exasperação; 
C) três crimes de roubo, em concurso formal próprio, devendo ter a pena de um deles aumentada; 
D) três crimes de roubo na forma continuada, devendo ter a pena de um deles aumentada; 
E) um único crime, devendo responder por roubo simples. 
17. (FGV / 2021 / DPE-RJ) 
Observe as afirmações que tratam do concurso de crimes: 
I) O concurso formal se configura quando por meio de uma única ação ou omissão o agente pratica dois ou 
mais crimes, não importando se da mesma espécie ou não. 
II) O concurso formal enseja a aplicação da pena mais grave dentre as infrações penais praticadas, que deve 
ser majorada de 1/6 a 1/2, estando sempre descartada a utilização do sistema do cúmulo material. 
III) A pena aplicada a crimes praticados em continuidade delitiva jamais pode ultrapassar aquela que seria 
imposta ao agente caso tivesse praticado os mesmos crimes em concurso material. 
IV) A continuidade delitiva somente se configura quando os crimes praticados são da mesma espécie. 
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V) Nos casos de continuidade delitiva, a pena de um dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, 
somente pode ser majorada até 2/3, jamais comportando majoração superior. 
Assinale a alternativa que aponta os itens que contêm SOMENTE afirmações verdadeiras: 
A) I, III e IV. 
B) I, III, IV e V. 
C) II, III e V. 
D) II, IV e V. 
E) I e II. 
18. (FGV/2018/MPE-RJ) 
Pretendendo matar seus dois irmãos Mévio e Caio e, com isso, garantir-se como único herdeiro de seus ricos 
pais, Tício se aproveita do fato de Mévio e Caio estarem enfileirados e efetua um único disparo de fuzil em 
direção a estes, sabendo que, pelo potencial lesivo do material bélico, aquele único tiro seria suficiente para 
causar a morte dos dois colaterais, o que efetivamente ocorre. 
Descobertos os fatos, caberá ao Promotor de Justiça oferecer denúncia contra Tício pela prática de dois 
crimes de homicídio qualificado em 
A) concurso material, diante dos dois resultados mortes, devendo as penas serem somadas; 
B) concurso formal próprio, devendo a pena de um deles (mais grave) ser aumentada; 
C) concurso formal impróprio, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada; 
D) concurso formal impróprio, devendo as penas serem somadas; 
E) continuidade delitiva, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada. 
19. (FGV/2014/MPE-RJ) 
Sobre o concurso de crimes, analise as afirmativas a seguir. 
I - O concurso material de infrações exige a soma das penas cominadas. 
II - O crime continuado se dá entre crimes da mesma espécie, cometidos em circunstâncias semelhantes. 
III - No concurso formal imperfeito, quando o agente criminoso possui desígnios autônomos, a regra será a 
aplicação da pena do crime mais grave, acrescida de um determinado percentual previsto na lei. 
IV - Há casos em que, embora presente a regra do concurso formal, as penas deverão ser somadas em caso 
de condenação por ambos os delitos. 
V - Em regra, no concurso formal e no crime continuado, o Magistrado, ao aplicar as penas dos crimes, não 
deverá somá-las. 
Está correto somente o que se afirma em: 
A) I, II e III; 
B) I, II, IV e V; 
C) I, III e V; 
D) II, III e IV; 
E) III, IV e V. 
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20. (FGV / 2021 / OAB) 
Félix, com dolo de matar seus vizinhos Lucas e Mário, detona uma granada na varanda da casa desses, que 
ali conversavam tranquilamente, obtendo o resultado desejado. Os fatos são descobertos pelo Ministério 
Público, que denuncia Félix por dois crimes autônomos de homicídio, em concurso material. Após regular 
procedimento, o Tribunal do Júri condenou o réu pelos dois crimes imputados e o magistrado, ao aplicar a 
pena, reconheceu o concurso material. 
Diante da sentença publicada, Félix indaga, reservadamente, se sua conduta efetivamente configuraria 
concurso material de dois crimes de homicídio dolosos. Na ocasião, o(a) advogado(a) do réu, sob o ponto de 
vista técnico, deverá esclarecer ao seu cliente que sua conduta configura dois crimes autônomos de 
homicídio, 
A) em concurso material, sendo necessária a soma das penas aplicadas para cada um dos delitos. 
B) devendo ser reconhecida a forma continuada e, consequentemente, aplicada a regra da exasperação de 
uma das penas e não do cúmulo material. 
C) devendo ser reconhecido o concurso formal próprio e, consequentemente, aplicada a regra da 
exasperação de uma das penas e não do cúmulo material. 
D) devendo ser reconhecido o concurso formal impróprio, o que também imporia a regra da soma das penas 
aplicadas. 
21. (FGV / 2018 / OAB) 
Cadu, com o objetivo de matar toda uma família de inimigos, pratica, durante cinco dias consecutivos, crimes 
de homicídio doloso, cada dia causando a morte de cada um dos cinco integrantes da família, sempre com o 
mesmo modus operandi e no mesmo local. Os fatos, porém, foram descobertos, e o autor, denunciado pelos 
cinco crimes de homicídio, em concurso material. 
Com base nas informações expostas e nas previsões do Código Penal, provada a autoria delitiva em relação 
a todos os delitos, o advogado de Cadu: 
A) não poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, tendo em vista que os crimes foram 
praticados com violência à pessoa, somente cabendo reconhecimento do concurso material. 
B) não poderá buscar o reconhecimento de continuidade delitiva, tendo em vista que os crimes foram 
praticados com violência à pessoa, podendo, porém, o advogado pleitear o reconhecimento do concurso 
formal de delitos. 
C) poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, mesmo sendo o delito praticado com violência 
contra a pessoa, cabendo, apenas, aplicação da regra de exasperação da pena de 1/6 a 2/3. 
D) poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, mas, diante da violência contra a pessoa e da 
diversidade de vítimas, a pena mais grave poderá ser aumentada em até o triplo. 
22. (FGV / 2018 / OAB) 
Juarez, com a intenção de causar a morte de um casal de vizinhos, aproveita a situação em que o maridoe a 
esposa estão juntos, conversando na rua, e joga um artefato explosivo nas vítimas, sendo a explosão deste 
material bélico a causa eficiente da morte do casal. Apesar de todos os fatos e a autoria restarem provados 
em inquérito encaminhado ao Ministério Público com relatório final de indiciamento de Juarez, o Promotor 
de Justiça se mantém inerte em razão de excesso de serviço, não apresentando denúncia no prazo legal. 
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Depois de vários meses com omissão do Promotor de Justiça, o filho do casal falecido procura o advogado 
da família para adoção das medidas cabíveis. 
No momento da apresentação de queixa em ação penal privada subsidiária da pública, o advogado do filho 
do casal, sob o ponto de vista técnico, de acordo com o Código Penal, deverá imputar a Juarez a prática de 
dois crimes de homicídio em 
A) concurso material, requerendo a soma das penas impostas para cada um dos delitos. 
B) concurso formal, requerendo a exasperação da pena mais grave em razão do concurso de crimes. 
C) continuidade delitiva, requerendo a exasperação da pena mais grave em razão do concurso de crimes. 
D) concurso formal, requerendo a soma das penas impostas para cada um dos delitos. 
23. (FGV – 2018 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) 
Pretendendo matar seus dois irmãos Mévio e Caio e, com isso, garantir-se como único herdeiro de seus ricos 
pais, Tício se aproveita do fato de Mévio e Caio estarem enfileirados e efetua um único disparo de fuzil em 
direção a estes, sabendo que, pelo potencial lesivo do material bélico, aquele único tiro seria suficiente para 
causar a morte dos dois colaterais, o que efetivamente ocorre. 
Descobertos os fatos, caberá ao Promotor de Justiça oferecer denúncia contra Tício pela prática de dois 
crimes de homicídio qualificado em 
A) concurso material, diante dos dois resultados mortes, devendo as penas serem somadas; 
B) concurso formal próprio, devendo a pena de um deles (mais grave) ser aumentada; 
C) concurso formal impróprio, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada; 
D) concurso formal impróprio, devendo as penas serem somadas; 
E) continuidade delitiva, devendo a pena de um deles (a mais grave) ser aumentada. 
24. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) 
Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente registrada em seu nome, que mantinha no interior 
da residência sem adotar os cuidados necessários, inclusive o de desmuniciá-la, acaba, acidentalmente, por 
dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a esposa deste, Maria. 
Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo projétil e Maria sofreu lesão corporal e debilidade permanente 
de membro. Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o procura para, na condição de advogado, orientá-
lo acerca das consequências do seu comportamento. 
Na oportunidade, considerando a situação narrada, você deverá esclarecer, sob o ponto de vista técnico, 
que ele poderá vir a ser responsabilizado pelos crimes de 
A) homicídio culposo, lesão corporal culposa e disparo de de arma de fogo, em concurso formal. 
B) homicídio culposo e lesão corporal grave, em concurso formal.
 
C) homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso material. 
D) homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso formal. 
25. (FGV - 2014 - DPE-DF - ANALISTA - ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA) 
Chico furtou duas camisas em determinada loja de departamentos. Ao deixar a loja, o alarme soou e Chico 
acabou sendo preso, processado e condenado pela prática do crime tipificado no Artigo 155 do Código Penal. 
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O magistrado, ao realizar a dosimetria da pena, fixou a pena base em 2 (dois) anos de reclusão e, 
considerando que as duas camisas foram furtadas nas mesmas circunstâncias de tempo, lugar e modo de 
execução, aplicou a regra prevista no Artigo 71 do Código Penal e aumentou a pena em mais 6 (seis) meses, 
tornando-a definitiva em 2 (dois) anos e 4 (quatro) meses de reclusão. Entre a data do recebimento da 
denúncia e a da sentença condenatória passaram-se mais de 4 (quatro) anos, e o magistrado acabou por 
reconhecer, na própria sentença condenatória, a extinção da punibilidade pela prescrição. Sobre a sentença, 
pode-se afirmar que: 
a) está incorreta quanto à continuidade delitiva, porque Chico praticou crime único, mas a prescrição deve 
ser reconhecida. 
b) está incorreta, porque Chico praticou dois crimes, em concurso material. 
c) está correta quanto à continuidade delitiva, mas incorreta quanto ao reconhecimento da prescrição. 
d) está correta quanto à continuidade delitiva e quanto ao reconhecimento da prescrição. 
e) está incorreta, porque Chico praticou dois crimes, em concurso formal, mas a prescrição deve ser 
reconhecida. 
26. (FGV - 2014 - DPE-RJ - TÉCNICO SUPERIOR JURÍDICO) 
Quanto ao âmbito de incidência do crime continuado e sua caracterização, é correto afirmar que: 
a) a lei penal mais grave não se aplica ao crime continuado ou ao crime permanente, mesmo se a sua vigência 
é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. 
b) a superveniência da Lei nº 12.015/2009 não tornou possível o reconhecimento da continuidade delitiva 
dos antigos delitos de estupro e atentado violento ao pudor, ainda que praticados nas mesmas circunstâncias 
de tempo, modo e local e contra a mesma vítima. 
c) na aplicação da pena privativa de liberdade, o aumento decorrente de concurso formal ou de crime 
continuado não incide sobre a pena-base, mas sobre a pena acrescida por circunstância qualificadora ou 
causa especial de aumento. 
d) a majoração derivada de concurso formal ou ideal de delitos deve incidir sobre a pena-base, e não sobre 
aquela a que já se ache acrescido o quantum resultante da aplicação das causas especiais de aumento. 
e) no crime continuado, a redução do prazo de prescrição por causa da menoridade se dá quanto a todos os 
crimes que compõem a ficção jurídica, ainda que seu reconhecimento alcance delitos praticados depois de 
completar vinte e um anos de idade. 
27. (FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM) 
Otelo objetiva matar Desdêmona para ficar com o seguro de vida que esta havia feito em seu favor. Para 
tanto, desfere projétil de arma de fogo contra a vítima, causando-lhe a morte. Todavia, a bala atravessa o 
corpo de Desdêmona e ainda atinge Iago, que passava pelo local, causando-lhe lesões corporais. 
Considerando-se que Otelo praticou crime de homicídio doloso qualificado em relação a Desdêmona e, por 
tal crime, recebeu pena de 12 anos de reclusão, bem como que praticou crime de lesão corporal leve em 
relação a Iago, tendo recebido pena de 2 meses de reclusão, é correto afirmar que 
a) o juiz deverá aplicar a pena mais grave e aumentá-la de um sexto até a metade. 
b) o juiz deverá somar as penas. 
c) é caso de concurso formal homogêneo. 
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d) é caso de concurso formal impróprio. 
28. (FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM) 
As regras do concurso formal perfeito (em que se adota o sistema da exasperação da pena) foram adotadas 
pelo Código Penal com o objetivo de beneficiar o agente que, mediante uma só conduta, praticou dois ou 
mais crimes. No entanto, quando o sistema da exasperação for prejudicial ao acusado, deverá prevalecer o 
sistema do cúmulo material (em que a soma das penas será mais vantajosa do que o aumento de uma delas 
com determinado percentual, ainda que no patamar mínimo). 
A essa hipótese, a doutrina deu o nome de 
a) concurso material benéfico. 
b) concurso formal imperfeito. 
c) concurso formal heterogêneo. 
d) exasperação sui generis. 
29. (FGV - 2010 - OAB - EXAME DE ORDEM) 
Com relação ao concursode delitos, é correto afirmar que: 
a) no concurso de crimes as penas de multa são aplicadas distintamente, mas de forma reduzida. 
b) o concurso material ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou 
mais crimes com dependência fática e jurídica entre estes. 
c) o concurso formal perfeito, também conhecido como próprio, ocorre quando o agente, por meio de uma 
só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes idênticos, caso em que as penas serão somadas. 
d) o Código Penal Brasileiro adotou o sistema de aplicação de pena do cúmulo material para os concursos 
material e formal imperfeito, e da exasperação para o concurso formal perfeito e crime continuado. 
30. (FGV – 2014 – OAB – XV EXAME DE ORDEM) 
Roberto estava dirigindo seu automóvel quando perdeu o controle da direção e subiu a calçada, atropelando 
dois pedestres que estavam parados num ponto de ônibus. Nesse contexto, levando-se em consideração o 
concurso de crimes, assinale a opção correta, que contempla a espécie em análise: 
a) concurso material. 
b) concurso formal próprio ou perfeito. 
c) concurso formal impróprio ou imperfeito. 
d) crime continuado. 
 GABARITO 
 
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1. ALTERNATIVA E 
2. ALTERNATIVA A 
3. ALTERNATIVA B 
4. ALTERNATIVA D 
5. ALTERNATIVA A 
6. ALTERNATIVA A 
7. ALTERNATIVA C 
8. ALTERNATIVA E 
9. ALTERNATIVA E 
10. ALTERNATIVA D 
11. ALTERNATIVA C 
12. ALTERNATIVA C 
13. ALTERNATIVA D 
14. ALTERNATIVA D 
15. ALTERNATIVA C 
16. ALTERNATIVA C 
17. ALTERNATIVA A 
18. ALTERNATIVA D 
19. ALTERNATIVA B 
20. ALTERNATIVA D 
21. ALTERNATIVA D 
22. ALTERNATIVA D 
23. ALTERNATIVA D 
24. ALTERNATIVA D 
25. ALTERNATIVA A 
26. ALTERNATIVA C 
27. ALTERNATIVA B 
28. ALTERNATIVA A 
29. ALTERNATIVA D 
30. ALTERNATIVA B 
 
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