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HIDROCEFALIA Dilatação ventricular associada a quadro de hipertensão intracraniana, devido ao desequilíbrio da produção e absorção do LCR · Aumento do perímetro cefálico (especialmente em crianças, por conta das fontanelas) · Aumento da produção de LCR: tumores de plexo coróide · Alteração da absorção: bloqueio nas granulações aracnóides · Alteração no fluxo do LCR: acumula nos ventrículos · Para ser hidrocefalia, precisa de dilatação ventricular + hipertensão intracraniana!! → nem toda dilatação ventricular é hidrocefalia DILATAÇÃO VENTRICULAR: · Pode ocorrer em idosos, pois ventrículo não dilata porque tem mais líquor, mas sim, porque o parênquima atrofia e o ventrículo se torna maior · TCE grave que faz uma atrofia cerebral e dilata o ventrículo, não obrigatoriamente isso tenha que ser uma hidrocefalia · Criança com hipóxia neonatal importante e que faz uma lesão cerebral difusa, a cabeça não cresce, faz uma microcefalia. Dilatação, então, não é por hipertensão do ventrículo, mas sim pois o cérebro é doente e faz uma atrofia ANATOMIA DO SISTEMA VENTRICULAR:: · Ventrículos laterais produz LCR, pois tem plexo coróide · Forame de Monro: 2 Monros fazem ligação entre os ventrículos laterais e o 3º ventrículo que é único · III ventrículo: produz LCR, pois tem plexo coróide · Aqueduto cerebral: fica dentro do tronco cerebral · IV ventrículo: fica na porção mediana do cerebelo · Forames de Luschka e Magendie: Luschka são dois laterais e Magendie é um media Plexo coróide destacado: Tálamo: lateral ao 3° ventrículo Corpo caloso: entre 2 ventrículos laterais FISIOLOGIA DO LCR: · Líquor é o que circula dentro do sistema ventricular, por toda a medula espinhal e até o encéfalo, no espaço subaracnóide · Tem uma constituição de água, íons (Na/K), glicose e proteínas, sendo sua coloração normal conhecida como “cor de água de rocha”, ou seja, é transparente · Celularidade, aumento de proteínas e alteração da glicose são patológicos, como acontece nas meningites · Adultos produzem cerca de meio litro de LCR por dia (400- 600 ml/dia), nos plexos coróides, o que equivale a uma produção de 15-25 ml/ hora · A cada 24 horas esse LCR é renovado, ou seja, acontecem ciclos de produção e absorção · *Absorção acontece nas vilosidades aracnóides (granulações de Pacchioni), por gradiente de pressão hidrostática (ocorre através do endotélio das vilosidades coroideas) e pela reabsorção linfática · Sistema de pressão hidrostática dependente entre o LCR e o seio venoso, com formação transitória de vacúolos no epitélio aracnóide para transportar o LCR através da barreira hematoencefálica (tight junctions) ** em HSA ou meningite → bloqueia granulações aracnóideas → dificulta absorção do líquor → hidrocefalia → isso vai aumentando dentro do cérebro, pode fazer um quadro de aumento da PIC, lesiona o doente e muitas vezes pode ser fatal DINÂMICA LIQUÓRICA: Produção no plexo coróide, nos ventrículos laterais → forame Monroe → terceiro ventrículo → aqueduto (dentro do tronco cerebral) → 4º ventrículo → forames de Luschka e de Magendie → medula E espaço subaracnóide → reabsorção nas granulações aracnóideas → sistema venoso FISIOPATOLOGIA: · Na hidrocefalia há um desequilíbrio entre produção/absorção OU desequilíbrio do fluxo do LCR dentro do sistema ventricular · Associado a isso, uma complacência cerebral limitada = não suporta grandes inchaços → aumento da pressão intracraniana Causas: Dentro do sistema ventricular: · Estenose aqueduto · Tumores intraventriculares Fora do sistema ventricular · Tumores medulares = líquor não vai para baixo · Chiari tipo I = alteração da fossa posterior → invaginação da base do crânio, o que causa deformidade do tronco e pode fazer hidrocefalia · Bloqueio dos espaços liquóricos → ex: meningite Restrição do volume dos espaços meníngeos/ perda da elasticidade meníngea · Meninge mais endurecida · Cranioestenoses complexas = solidificação de crânio de criança e não deixa a cabeça crescer, faz restrição do volume do espaço meníngeo e acumula líquor · Hipoplasia craniana: crânio que não desenvolve · Inflamação: doentes que fazem processo inflamatório tão grande que o espaço meníngeo é limitado por cicatrização Alteração dos gradientes de pressão: · Hipertensão venosa - não se consegue fazer a troca entre a veia e o plexo coróide e, pela maior pressão, dilata · **sempre se entendeu hidrocefalia como: alteração do fluxo de líquor OU aumento da produção (tumor de plexo coróide) OU diminuição da absorção (HSA, meningite) · Novos estudos falam que a hidrocefalia é uma doença causada por distúrbios do LCR nos diversos compartimentos que existem no SNC → alteração da migração do líquor para o sistema ventricular e espaço subaracnóide → não apenas relacionado a circulação do líquor · Alguns fatores que indicam que isso pode acontecer: o LCR pode ser produzido e reabsorvido através da relação LCR com fluido intersticial (ou seja, pode acontecer em todas as partes do SNC) → como a relação com o sistema linfático, absorção do líquor nos capilares nas paredes do SNC (não só nas granulações aracnóideas) · Assim, o deslocamento do LCR nos espaços liquóricos pode não ocorrer num fluxo unidirecional e sim, pelos movimentos que ocorrem entre os diversos compartimentos anatômicos que contém LCR Por que a hidrocefalia causa problema? Distorção das relações anatômicas normais entre as estruturas cerebrais: Ventrículo dilatado → comprime todo o parênquima cerebral: · Ocorre compressão da dura-máter (dor) · De pares cranianos (VI par) · Tronco cerebral (compressão do SRAA – sistema reticular ativador ascendente) · Pode fazer herniação → coma e alteração dos níveis de consciência Além disso, o aumento da pressão intracraniana faz aumento da resistência ao fluxo sanguíneo cerebral, diminuindo a oferta de oxigênio e glicose → levando a lesão cerebral a longo prazo CLASSIFICAÇÃO: Obstrutiva (não comunicante) - 1 imagem · Bloqueio da via liquórica, com dilatação proximal à obstrução → dilata tudo que estiver para cima da obstrução · Ex: Tumor de cerebelo/ de tronco/ hemorragia ventricular que estenosou o aqueduto cerebral = ventrículos laterais e terceiro ventrículo dilatados, quarto ventrículo é normal · **hidrocefalia é comum em criança → normalmente causado por tumores da fossa posterior (meduloblastoma, ependimoma) Comunicante (não obstrutiva) - 2 imagem · Bloqueio das granulações aracnóideas, onde o LCR é absorvido → gera dilatação universal do sistema ventricular = laterais, terceiro, aqueduto e quarto ** Por isso, normalmente, quem define se a hidrocefalia é comunicante ou obstrutiva é o 4º ventrículo → Se ele tiver dilatado é comunicante (pois dilatou todo o sistema ventricular). Se for obstrutiva, é muito provável que o 4ºV esteja normal e o restante dilatado ** corno temporal é o primeiro lugar dos ventrículos que dilata → se tiver dilatação → provavelmente tem aumento das dimensões do sistema ventricular ETIOLOGIA: Congênita Malformação de Chiari tipo 1: · Mielomeningocele - malformação da coluna · Mielomeningocele é uma malformação embrionária do sistema nervoso central que ocorre nas primeiras quatro semanas de gestação decorrente de uma falha no fechamento do tubo neural resultando numa abertura vertebral, musculofascial, cutânea e dural com protrusão e exposição da medula espinhal que se encontra aberta em forma plana · Crianças com essa malformação devem ser operadas assim que nascem, pois há risco de infecção ali na região da medula exposta · Associado a isso, essas crianças desenvolvem hidrocefalia, pois na hora que a mielo está aberta há fístula de líquor da mielo para dentro do útero. Quando a criança nasce, continua vazando, deformando a fossa posterior → bloqueio da circulação do liquor de maneira adequada, causando hidrocefalia Mielo (preto) Deformidade da fossa posterior = vermelho · Hoje em dia, pode haver correção intra útero: Fecha a fistula (1): impede progressão da deformidade (2) → liquor volta a circular de maneira mais adequada, diminuindoo risco de hidrocefalia **82% dos pacientes que não são operados no intrautero, evoluem com hidrocefalia - os pacientes que são operados, a chance diminui para 40% Malformação de Chiari tipo 2: deformidade rara da base do crânio/ de fossa posterior Estenose de aqueduto cerebral: primária ou secundária (infecção intrauterina, hemorragia da matriz germinativa = gliose → acontece muito no prematuro) Síndrome de Dandy - Walker: agenesia do forame de Luschka e Magendie → faz um grande cisto na fossa posterior e como consequência não há uma circulação adequada do líquor → hidrocefalia Hidrocefalia ligada ao cromossomo X · Adquirida: Infecção: meningite, neurocisticercose (1ª causa HCF comunicante) Hemorragia: intraventricular, subaracnóidea (aneurisma) → danifica granulações aracnóideas → dificulta absorção de líquor Massa: neoplasia, não neoplásico (cistos) Pós-operatório: de tumores, por exemplo, onde sangra dentro do ventrículo e pode dilatar Neurosarcoidose Tumores medulares HIDROCEFALIA DE PRESSÃO NORMAL: · Dilatação ventricular por conta da atrofia cerebral fisiológica que ocorre com o passar do tempo → ou seja, em idosos · Alguns pacientes podem cursar com alteração de marcha, incontinência urinária e demência · Para esses pacientes → fazer tap-test = punção lombar, drenando 50-60 ml durante 2-4 dias. Se esse individuo melhorar o quadro clínico, indica-se cirurgia para colocar válvula de derivação ventricular **não se sabe fisiopatologia dessa doença (talvez pela pulsação do liquor no SNC) NANISMO (acondroplásico): Presença de Macrocrania, podendo haver dilatação ventricular, mas não indica hidrocefalia CLÍNICA: Lactantes e crianças menores → fontanelas/ suturas abertas · Aumento da circunferência craniana (perímetro cefálico maior que 98° percentil), assimetria craniofacial → com a sutura está aberta, ocorre expansão da caixa craniana devido ao aumento de PIC (esse aumento tem limite, pode vir a descompensar!!) · Irritabilidade, controle cefálico pobre · Fontanela tensa e abaulada · Atraso do desenvolvimento psicomotor · Ingurgitação veias couro cabeludo · Sinal de Macewen: som de pote quebrado - percussão do crânio (hoje não se faz mais) · Paralisia do VI par (abducente) · Olhar do sol poente: Síndrome de Parinaud (paralisia da mirada superior). Com a dilatação do ventrículo → compressão da região do recesso suprapineal → paciente não consegue olhar para cima · Hiperreflexia - Respiração irregular, apneias (por descompensação da PIC → casos mais graves) **Avaliar perímetro cefálico e fontanelas!! Crianças maiores e adultos: · Sintomas de hipertensão intracraniana (manifestações de crânio fechado): cefaleia, náusea, papiledema, paralisia de pares cranianos, alteração visual (por compressão do trato óptico), alteração da marcha e deterioração intelectual ou alteração comportamental DIAGNÓSTICO: · RX de crânio: não se faz mais (avaliaria diástase das suturas cranianas, sinal da prata batida, erosão da sela túrcica) · US transfontanela · TC: dilatação do corno temporal (>2mm); dilatação do corno frontal e 3º V = ‘Mickey Mouse’; distância entre cornos frontais ÷ distância entre tábuas internas >0,5; presença de transudação transependimária – área de extravasamento = hipodensidade periventricular · RM: herniação do 3º V em direção a cela; estenose do aqueduto TRATAMENTO: Medidas clínicas: são adjuvantes, hidrocefalia é uma doença neurocirúrgica · Uso de diuréticos: são adjuvantes em lactantes com hemorragia ventricular → Em casos muito específicos se usa acetazolamida, porém, como ela faz acidose e, consequentemente, distúrbio ventilatório, tem que ter controle bem de perto · Punções liquóricas: para casos transitórios, onde há hemorragias intraventriculares → apenas em hidrocefalias sem sinal de aumento da PIC → pois se puncionar pode fazer herniação Tratamento cirúrgico: · Coagulação do plexo coróide: em desuso · Liberação do fluxo liquórico: tumores fazendo obstrução · III ventriculostomia endoscópica: indicada nos casos de hidrocefalia obstrutiva · Derivações ventriculares: peritônio, átrio, lombar, pleura, bexiga e Torkildsen (cisterna) → mais comumente é derivação ventriculoperitoneal (DVP) → drena líquido do ventrículo para o abdome = comunica ventrículo lateral ao peritônio. Usado para tratar hidrocefalia comunicante ** com válvula que controla pressão → se aumenta pressão dentro do crânio, válvula abre → drena o líquido para o abdome Complicações: · Obstrução/ desconexão das válvulas Infecção · Crises convulsivas · Migração do cateter · Ascite: drena líquido da cabeça para abdome e abdome não consegue absorver · Cisto peritoneal · “Slit ventricle”: válvula drena o ventrículo deixando-o em fita/ colabado → obstruindo a ponta do cateter → indivíduo momentaneamente dilata → fica sintomático · Para pacientes com DVP → necessidade de avaliação ambulatorial regular · Exames de imagem → RX de crânio e de abdome – para avaliar cateter; ecografia abdominal – avaliar cistos peritoneais; TC de crânio ou RM – avaliar ventrículos, anatomia ventricular (comparando com o exame assintomático/ normal) · Avaliar sinais de HIC → cefaléia, vômito, deterioração de consciência **tratamento deve ser feito com emergência → pode haver descompensação aguda da PIC e paciente pode vir a óbito ** derivação ventricular externa → em situações de emergência → uso transitório Neuroendoscopia: · Para comunicar sistema ventricular com espaço subaracnóide pela perfuração do assoalho do 3º V · Técnica utilizada no tratamento de lesões do sistema ventricular e alterações do fluxo liquórico → usada em Hidrocefalias obstrutivas (ex: estenose de aqueduto), cistos intraventriculares, tumores ventriculares · Necessário dilatação do sistema ventricular com identificação de estruturas anatômicas · Sistema constituído de fonte de luz, lentes (endoscópio), câmera, canal de trabalho e monitor Vantagem: dispensa uso de prótese/ corpo estranho Complicações: hemorragia ventricular, infecção image5.png image2.png image1.png image4.png image3.png image7.png image6.png