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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3
Atena Editora 
2019
Christiane Trevisan Slivinski
(Organizadora)
2019 by Atena Editora 
Copyright da Atena Editora 
Editora Chefe: Profª Drª Antonella Carvalho de Oliveira 
Diagramação e Edição de Arte: Lorena Prestes e Karine de Lima 
Revisão: Os autores 
Conselho Editorial 
Prof. Dr. Alan Mario Zuffo – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul 
Prof. Dr. Álvaro Augusto de Borba Barreto – Universidade Federal de Pelotas 
Prof. Dr. Antonio Carlos Frasson – Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
Prof. Dr. Antonio Isidro-Filho – Universidade de Brasília 
Profª Drª Cristina Gaio – Universidade de Lisboa 
Prof. Dr. Constantino Ribeiro de Oliveira Junior – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Profª Drª Daiane Garabeli Trojan – Universidade Norte do Paraná 
Prof. Dr. Darllan Collins da Cunha e Silva – Universidade Estadual Paulista 
Profª Drª Deusilene Souza Vieira Dall’Acqua – Universidade Federal de Rondônia 
Prof. Dr. Eloi Rufato Junior – Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
Prof. Dr. Fábio Steiner – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul 
Prof. Dr. Gianfábio Pimentel Franco – Universidade Federal de Santa Maria 
Prof. Dr. Gilmei Fleck – Universidade Estadual do Oeste do Paraná 
Profª Drª Girlene Santos de Souza – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 
Profª Drª Ivone Goulart Lopes – Istituto Internazionele delle Figlie de Maria Ausiliatrice 
Profª Drª Juliane Sant’Ana Bento – Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
Prof. Dr. Julio Candido de Meirelles Junior – Universidade Federal Fluminense 
Prof. Dr. Jorge González Aguilera – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul 
Profª Drª Lina Maria Gonçalves – Universidade Federal do Tocantins 
Profª Drª Natiéli Piovesan – Instituto Federal do Rio Grande do Norte 
Profª Drª Paola Andressa Scortegagna – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Profª Drª Raissa Rachel Salustriano da Silva Matos – Universidade Federal do Maranhão 
Prof. Dr. Ronilson Freitas de Souza – Universidade do Estado do Pará 
Prof. Dr. Takeshy Tachizawa – Faculdade de Campo Limpo Paulista 
Prof. Dr. Urandi João Rodrigues Junior – Universidade Federal do Oeste do Pará 
Prof. Dr. Valdemar Antonio Paffaro Junior – Universidade Federal de Alfenas 
Profª Drª Vanessa Bordin Viera – Universidade Federal de Campina Grande 
Profª Drª Vanessa Lima Gonçalves – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme – Universidade Federal do Tocantins 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG) 
S255 Saúde pública e saúde coletiva 3 [recurso eletrônico] / Organizadora 
Christiane Trevisan Slivinski. – Ponta Grossa (PR): Atena 
Editora, 2019. – (Saúde Pública e Saúde Coletiva; v. 3) 
Formato: PDF 
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader 
Modo de acesso: World Wide Web 
Inclui bibliografia 
ISBN 978-85-7247-162-6 
DOI 10.22533/at.ed.626191103 
1. Política de saúde. 2. Saúde pública. I. Slivinsk, Christiane
Trevisan. 
CDD 362.1 
Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422 
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de 
responsabilidade exclusiva dos autores. 
2019 
Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos 
autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. 
www.atenaeditora.com.br 
APRESENTAÇÃO
Todo indivíduo tem o direito de segurança a saúde, as ações prestadas pela 
saúde pública são relacionadas ao diagnóstico e tratamento de doenças que lhes 
permita a manutenção da saúde. No entanto, quando se considera a comunidade, 
a coletividade, se faz necessário que o profissional ultrapasse as barreiras da 
observação, diagnóstico e prescrição de tratamento ao paciente como um indivíduo 
isolado. O processo saúde-doença deve ser analisado dentro de um contexto social, 
onde o indivíduo encontra-se inserido para que se tenha subsídios suficientes para 
interferir na realidade e promover as mudanças necessárias.
As modificações de ações necessárias para promoção da saúde dentro da 
saúde pública devem respeitar as possibilidades e programas fornecidos pelo Estado, 
enquanto que dentro da saúde coletiva a ação é mais radical de acordo com a 
necessidade da comunidade.
Os profissionais envolvidos tanto com saúde pública quanto coletiva abrangem 
todas as grandes áreas da saúde, tais como enfermagem, medicina, odontologia, 
nutrição e fisioterapia, além dos demais colaboradores que atuam neste setor. Neste 
ebook é possível identificar a visão bem detalhada de como andam alguns dos aspectos 
da saúde pública e coletiva no Brasil na ótica de renomados pesquisadores.
O volume 1 apresenta uma abordagem nutricional da saúde do indivíduo. Aqui 
são analisados tanto aspectos da absorção e função de determinados nutrientes 
no organismo quanto a atenção nutricional e a garantia de saúde. Ainda podem 
ser observados aspectos que envolvem a educação em saúde, onde se trabalha o 
conhecimento e a formação dos profissionais que atuam em saúde.
No volume 2 encontram-se artigos relacionados as questões da estratégia da 
saúde da família e atenção básica que norteiam todo o processo de saúde pública, 
além da importância da atuação multiprofissional durante o processo de manutenção 
da saúde. Também são apresentados aqui algumas discussão acerca das implicações 
da terapia medicamentosa.
Finalmente no volume 3 encontram-se as discussões relacionadas aos aspectos 
epidemiológicos de doenças tais como hepatite, hanseníase, dengue, sífilis, tuberculose, 
doenças sexualmente transmissíveis. Como não basta apenas garantir a saúde do 
cidadão mas também do profissional que o atende, são analisados alguns aspectos 
relacionados ao riscoocupacional e ao estresse causado pela atividade profissional. 
Este volume traz ainda a análise da atuação de profissionais dentro da unidade de 
terapia intensiva, os cuidados de enfermagem necessários ao restabelecimento da 
saúde do indivíduo e alguns aspectos da saúde da mulher.
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 ................................................................................................................ 1
EPIDEMIOLOGIA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: UMA REVISÃO ATUALIZADA SOBRE A 
DENGUE NO BRASIL
Cinara Alves Primo Pessôa
Luanna Soares de Melo Evangelista
Antônio Rosa de Sousa Neto
Alexandre Maslinkiewicz
Lissandra Chaves de Sousa Santos
Daniela Reis Joaquim de Freitas
DOI 10.22533/at.ed.6261911031
CAPÍTULO 2 .............................................................................................................. 12
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HEPATITE B EM UM MUNICÍPIO DO NORDESTE BRASILEIRO
Kelvya Fernanda Almeida Lago Lopes
Raynner Sousa Chaves Frazão
Natália Pereira Marinelli
Maraisa Pereira Sena
Tarciso Marinelli Filho
Alana Ilmara Pereira da Costa
Josiane Rocha Silva Ferraz
DOI 10.22533/at.ed.6261911032
CAPÍTULO 3 .............................................................................................................. 22
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA TUBERCULOSE MULTIRRESISTENTE NO ESTADO DO PIAUÍ, 
2001 – 2012
Marcos Ramon Ribeiro Dos Santos Mendes
Danieli Maria Matias Coêlho
Jaqueline Carvalho E Silva
Ivone venâncio de melo
DOI 10.22533/at.ed.6261911033
CAPÍTULO 4 .............................................................................................................. 39
AVALIAÇÃO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE PACIENTES DIAGNÓSTICADOS COM HANSENÍASE 
EM UMA CIDADE NO INTERIOR DO CEARÁ
Renan Rhonalty Rocha
Maria Vitória Laurindo
Camilla Rodrigues Pinho
Jessika Cruz Linhares Frota
Francisca Aila De Farias
Francisca Valéria Bezerra Sampaio Marques
Alana Cavalcante Dos Santos 
Letícia Bandeira Mascarenhas Lopes
Sara De Araújo Do Nascimento
Antônia Crissya Ximenes Farias
DOI 10.22533/at.ed.6261911034
CAPÍTULO 5 .............................................................................................................. 52
ANÁLISE DAS NOTIFICAÇÕES DA SÍFILIS CONGÊNITANO MUNICÍPIO DE NOVA IGUAÇU-RJ, NO 
PERÍODO DE 2013 A 2017
Hellen de Souza Neves 
Emanuel Inocêncio Ribeiro da Silva
Paula Guidone Pereira Sobreira
Adalgiza Mafra Moreno 
DOI 10.22533/at.ed.6261911035
CAPÍTULO 6 .............................................................................................................. 54
ANÁLISE DAS PRINCIPAIS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS NO BRASIL NO PERÍODO 
DE 2011 A 2015
Antônio Zenon Antunes Teixeira 
DOI 10.22533/at.ed.6261911036
CAPÍTULO 7 .............................................................................................................. 62
CONTRIBUIÇÃO DA REDE SOCIAL PARA ADOLESCENTES E JOVENS ACOMETIDOS PELA 
HANSENÍASE
Leidiane Aparecida Da Silva
Danty Ribeiro Nunes
Leonardo Nikolas Ribeiro
Marilene Rivany Nunes
DOI 10.22533/at.ed.6261911037
CAPÍTULO 8 .............................................................................................................. 72
USO DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM NO BRASIL: UMA PESQUISA DE BASE POPULACIONAL
Tatiane de Souza Mançú
Enilda Rosendo do Nascimento
DOI 10.22533/at.ed.6261911038
CAPÍTULO 9 .............................................................................................................. 82
UTILIZAÇÃO DO PROTOCOLO PÓS-EXPOSIÇÃO A MATERIAIS BIOLÓGICOS EM PROFISSIONAIS 
DE SAÚDE
Bruna Furtado Sena De Queiroz
Maycon Teyllon Rodrigues De Carvalho 
Eronice Ribeiro De Morais Araujo
Yanca Ytala Gonçalves Roza
Jayris Lopes Vieira
Maria Francinete Do Nascimento Silva
Naya Thays Tavares De Santana
Matheus Henrique Da Silva Lemos
DOI 10.22533/at.ed.6261911039
CAPÍTULO 10 ............................................................................................................ 95
MONITORAMENTO DE INCIDENTES NO AMBIENTE HOSPITALAR: ESTRATÉGIA PARA A 
PROMOÇÃO DE UMA ASSISTÊNCIA SEGURA AO USUÁRIO
Ana Claudia de Brito Passos
Francemarie Teodósio de Oliveira
Viviane Nascimento Cavalcante
DOI 10.22533/at.ed.62619110310
CAPÍTULO 11 .......................................................................................................... 101
AVALIAÇÃO DA SOBRECARGA DOS CUIDADORES DE PACIENTES DO SERVIÇO ESCOLA DE 
FISIOTERAPIA – UFPI
Gláucia Vanessa Santos Alves
Jeferson Souza Silva
Rebeca Barbosa da Rocha
Kamila Santos da Silva
Iago Santos Verás
Cerliane Camapum Brandão
Dionis de Castro Dutra Machado 
DOI 10.22533/at.ed.62619110311
CAPÍTULO 12 .......................................................................................................... 114
RISCOS OCUPACIONAIS AOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM QUE ATUAM EM SALA DE 
VACINA
Márcia de Morais Sousa
Maria Francinete do Nascimento Silva
Naldiana Cerqueira Silva
Bruna Furtado Sena de Queiroz
Flávia de Sousa Holanda
Laísa Ribeiro Rocha
Gisele Lopes Cavalcante
DOI 10.22533/at.ed.62619110312
CAPÍTULO 13 .......................................................................................................... 129
AVALIAÇÃO DO ABSENTEÍSMO DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM – REVISÃO 
INTEGRATIVA
Anny Caroline dos Santos Olímpio
João Breno Cavalcante Costa
Ana Íris Mota Ponte
Maria Gleiciane Cordeiro
Benedita Beatriz Bezerra Frota
Carlos Henrique do Nascimento Morais
DOI 10.22533/at.ed.62619110313
CAPÍTULO 14 .......................................................................................................... 143
CUIDADO AO CUIDADOR: AMENIZANDO O ESTRESSE DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE 
SAÚDE
Luma Ravena Soares Monte
Vilkiane Natercia Malherme Barbosa
Gleyde Raiane de Araújo
Thiego Ramon Soares
Anderson da Silva Sousa
DOI 10.22533/at.ed.62619110314
CAPÍTULO 15 .......................................................................................................... 152
REFLEXÕES SOBRE O NÍVEL DE SOBRECARGA DO CUIDADOR A PARTIR DA PRODUÇÃO 
CIENTÍFICA
Vitória Ferreira do Amaral
Quitéria Larissa Teodoro Farias
Florência Gamileira Nascimento
Maria Girlane Sousa Albuquerque Brandão
Camila Paiva Martins
Luiza Jocymara Lima Freire Dias
Ana Suelen Pedroza Cavalcante
Thaís Rodrigues Ferreira
DOI 10.22533/at.ed.62619110315
CAPÍTULO 16 .......................................................................................................... 163
SEGURANÇA DO PACIENTE: A EQUIPE DE ENFERMAGEM COM ÊNFASE NO PROTOCOLO DE 
QUEDAS E AS ORIENTAÇÕES AO AUTOCUIDADO
Francisca Fernanda Dourado de Oliveira
Roselene Pacheco da Silva
Jéssica Costa Brito Pacheco
Gardênia Sampaio Leitão
Ana Suzane Pereira Martins
Jean Carlos Fonseca de Sousa
DOI 10.22533/at.ed.62619110316
CAPÍTULO 17 .......................................................................................................... 173
CUIDADOS DE ENFERMAGEM À PESSOA COM ESQUIZOFRENIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Lorena Gomes de Abreu Lima
Leila Mariane Machado Torres Bezerra
Nájila Aguiar Freitas Lemos
Tatiane Barbosa de Lira
Kamila Cristiane de Oliveira Silva
Taciany Alves Batista Lemos
DOI 10.22533/at.ed.62619110317
CAPÍTULO 18 .......................................................................................................... 184
RELATO DE EXPERIÊNCIA FRENTE AO HOSPITAL PSIQUIATRIACO DE TERESINA-PIAUI
Yanca Ítala Gonçalves Roza
Bruna Furtado Sena de Queiroz
Evelynne de Souza Macêdo Miranda
Manuella Bastiany Silva
Kamila Cristiane de Oliveira Silva
DOI 10.22533/at.ed.62619110318
CAPÍTULO 19 .......................................................................................................... 191
RELEVÂNCIA DE GRUPOS TERAPÊUTICOS NO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL: RELATO DE 
EXPERIÊNCIA
Márcia de Morais Sousa
Kamila Cristiane de Oliveira Silva
Andreza Moita Morais
Maria Francinete do Nascimento Silva
Bruna Furtado Sena de Queiroz
Thalita Carvalho Cipriano
Valeria Correia Lima tupinambá Lustosa
DOI 10.22533/at.ed.62619110319
CAPÍTULO 20 .......................................................................................................... 197
A PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS MENTAIS EM USUÁRIOS DE TABACO: UM ESTUDO 
EPIDEMIOLÓGICO
Gabriela de Queiroz Cerqueira Leite
Yanna Cristina Moraes Lira Nascimento
Jorgina Sales Jorge
Valfrido Leão de Melo Neto
Maria Cicera dos Santos de Albuquerque
DOI 10.22533/at.ed.62619110320
CAPÍTULO 21 .......................................................................................................... 213
MODELO CALGARY DE AVALIAÇÃO FAMILIAR APLICADO A UM ADOLESCENTE USUÁRIO DE 
DROGAS: UM ESTUDO DE CASO
João Breno Cavalcante Costa
Anny Caroline dos Santos Olímpio
Ana Íris Mota Ponte
Maria Gleiciane Cordeiro
Benedita Beatriz Bezerra Frota
Carlos Henrique do Nascimento Morais
DOI 10.22533/at.ed.62619110321
CAPÍTULO 22 .......................................................................................................... 219
FATORES ASSOCIADOS À SÍNDROME DE BURNOUT NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: 
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Laércio Bruno Ferreira Martins
Bárbara Carvalho dos Santos
Edilene Rocha de Sousa
Caroline Rodrigues de Barros Moura
Geísa de Morais Santana
Jordano Leite Cavalcante de Macêdo
David Reis Moura
Marcelino Martins
DOI 10.22533/at.ed.62619110322
CAPÍTULO 23 .......................................................................................................... 231
FATORES INVIABILIZADORES DA MOBILIZAÇÃO PRECOCE EM PACIENTES INTERNADOS NA 
UTI: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Laércio Bruno Ferreira Martins 
Bárbara Carvalho dos Santos
Caroline Rodrigues de Barros Moura
Suellen Aparecida Patricio Pereira
Edilene Rocha de Sousa
David Reis Moura
Marcelino Martins
DOI 10.22533/at.ed.62619110323
CAPÍTULO 24 .......................................................................................................... 239
IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA HUMANIZADA NA UNIDADE DE TERAPIA 
INTENSIVA
Ellizama Belem de Sousa Mesquita
Brisa Cristina Rodrigues Cardoso Magalhães
Elliady Belem de Sousa Mesquita
Edson Belem de Sousa Mesquita
Elanea Brito dos Santos
Michelly Gomes da Silva
Marcos Vinicius de Sousa Fonseca
Larissa Bezerra Maciel Pereira
Avilnete Belem de Souza Mesquita
Alexsandra Leandro Viana
Rosa da Paz Firmino Ferreira
DOI 10.22533/at.ed.62619110324CAPÍTULO 25 .......................................................................................................... 255
A SAÚDE DOS MORADORES DE RUA :TORNAR VISÍVEL O INVISÍVEL
Maria Yaná Guimarães Silva Freitas
Guilherme de Jesus Santos
Alessandra de Almeida Pereira
Caroline Andrade Araújo
Fernanda Aiume Carvalho Machado
Brenda Fadigas Carvalho
DOI 10.22533/at.ed.62619110325
CAPÍTULO 26 .......................................................................................................... 264
ANÁLISE DE RISCOS OCUPACIONAIS NA PRODUÇÃO DE MAÇÃ: UM ESTUDO DE UM SISTEMA 
PRODUTIVO DA SERRA CATARINESE
Fauser Batista Rolim Rosa
Renata dos Santos Magnus 
Willians Cassiano Longen
DOI 10.22533/at.ed.62619110326
CAPÍTULO 27 .......................................................................................................... 284
INCIDÊNCIA DE ACIDENTES DE MOTOCICLETA NAS CIDADES SATÉLITES DO RECANTO DAS 
EMAS, SAMAMBAIA E RIACHO FUNDO II NO DISTRITO FEDERAL
Juliana de Sousa Muniz
Marcos André Gonçalves
Silvia Emanoella Silva Martins de Souza
Dylliany Cristina da Silva Sales
Leila de Assis Oliveira Ornellas
Jônatas de França Barros
André Ribeiro da Silva
DOI 10.22533/at.ed.62619110327
CAPÍTULO 28 .......................................................................................................... 294
CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS DE ACORDO COM AS 
ESCALAS DE KATZ E LAWTON
Maria Iara Socorro Martins
Tatiane Gomes Alberto
Emanuela Pinto Vieira
Welber Hugo da Silva Pinheiro
Jamille Soares Moreira Alves
DOI 10.22533/at.ed.62619110328
CAPÍTULO 29 .......................................................................................................... 303
PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO E TEMPO MÉDIO DE PERMANÊNCIA DE PACIENTES 
ONCOLÓGICOS EM UMA ENFERMARIA DE CLÍNICA CIRÚRGICA
Rodrigo Costa Soares Savin
Tatiana de Araujo Lima
Dayse Carvalho do Nascimento
Priscila Francisca Almeida
Mercedes Neto
Andressa de Souza Tavares
DOI 10.22533/at.ed.62619110329
CAPÍTULO 30 .......................................................................................................... 316
MELHORA DA AUTOESTIMA EM MULHERES INTERNADAS EM AMBIENTE HOSPITALAR COMO 
ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE; RELATO DE EXPERIÊNCIA
Lígia Maria Gomes da Silva
Ilraiany de Araújo Lima
Luana Ferreira Nunes
Jéssica Vanessa Sousa Araújo
Gyselle Carolyne de Almeida Alves
Ana Jéssica Ferreira Alencar
Danyel Pinheiro Castelo Branco
DOI 10.22533/at.ed.62619110330
CAPÍTULO 31 .......................................................................................................... 321
CÂNCER DE MAMA: TIPOS DE TRATAMENTO E MUNICÍPIOS DE ORIGEM DE MULHERES 
ATENDIDAS EM HOSPITAL NA CIDADE DE SOBRAL- CEARÁ
Michele Maria Martins Vasconcelos
Marília Dias Costa 
Matheus Magno da Silva Néo 
Ananda Milena Martins Vasconcelos
Milla Christie Martins Vasconcelos Pinheiro
Danielle Rocha do Val
DOI 10.22533/at.ed.62619110331
CAPÍTULO 32 .......................................................................................................... 323
CAPACITAÇÃO DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE PARA O ACOMPANHAMENTO DE 
GESTANTES: UMA ESTRATÉGIA PARA QUALIFICAÇÃO DA ATENÇÃO EM SAÚDE DA MULHER
Tatiana de Araujo Lima
Monique Silva dos Santos
DOI 10.22533/at.ed.62619110332
CAPÍTULO 33 .......................................................................................................... 339
TRANSPORTE NEONATAL SEGURO: VAMOS GARANTIR UMA VIDA
Antonia Rodrigues Santana
Aline Vasconcelos Alves Frota 
Ariano Wagner Alves de Oliveira
Heliandra Linhares Aragão
Karla Daniella Almeida Oliveira
Letícia Kessia Souza Albuquerque
DOI 10.22533/at.ed.62619110333
CAPÍTULO 34 .......................................................................................................... 341
FATORES DE RISCO DO CÂNCER DE COLO UTERINO AVALIADOS EM UMA COMUNIDADE DO 
INTERIOR MARANHENSE
Kelvya Fernanda Almeida Lago Lopes
Naiara Coelho Lopes
Alana Ilmara Pereira da Costa
Larissa de Andrade Silva Ramos
Maraisa Pereira Sena
Marcelo Xavier da Silva Sousa
Natália Pereira Marinelli
DOI 10.22533/at.ed.62619110334
CAPÍTULO 35 .......................................................................................................... 356
O PARTO HUMANIZADO: UMA REALIDADE PRÓXIMA OU UM FUTURO DISTANTE?
Bárbara Carvalho dos Santos
Francelly Carvalho dos Santos
Matilde Nascimento Rabelo
Laércio Bruno Ferreira Martins
Kledson Amaro de Moura Fé
Daccione Ramos da Conceição
Claudia de Oliveira Silva
Luiz Filipe Ximenes da Silva
Vanessa Inglid Araujo Campelo
Jéssica Nascimento Almeida
Marcelino Martins
DOI 10.22533/at.ed.62619110335
CAPÍTULO 36 .......................................................................................................... 371
VISITA PUERPERAL E ORIENTAÇÕES AO AUTOCUIDADO NO BINÔMIO MÃE-FILHO: UM 
RELATO DE EXPERIÊNCIA 
Francisca Fernanda Dourado de Oliveira
Roselene Pacheco da Silva
Jéssica Costa Brito Pacheco
Gardênia Sampaio Leitão
Ana Suzane Pereira Martins
Jean Carlos Fonseca de Sousa
DOI 10.22533/at.ed.62619110336
SOBRE A ORGANIZADORA ................................................................................... 378
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 1
CAPÍTULO 1
EPIDEMIOLOGIA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: UMA 
REVISÃO ATUALIZADA SOBRE A DENGUE NO BRASIL
Cinara Alves Primo Pessôa
Universidade Federal do Piauí, Curso de 
Especialização em Microbiologia Aplicada à 
Ciências da Saúde, Teresina - Piauí
Luanna Soares de Melo Evangelista
Universidade Federal do Piauí, Departamento de 
Parasitologia e Microbiologia, Teresina - Piauí
Antônio Rosa de Sousa Neto
Universidade Federal do Piauí, Departamento de 
Enfermagem, Teresina - Piauí
Alexandre Maslinkiewicz
Universidade Federal do Piauí, Rede Nordeste de 
Biotecnologia, Teresina - Piauí
Lissandra Chaves de Sousa Santos
Universidade Federal do Piauí, Departamento de 
Enfermagem, Teresina - Piauí
Daniela Reis Joaquim de Freitas
Universidade Federal do Piauí, Departamento de 
Parasitologia e Microbiologia, Teresina - Piauí
RESUMO: A Dengue é uma infecção de 
etiologia viral, cujo vetor principal relacionado 
com a transmissão da doença é o mosquito 
Aedes aegypti. Essa patologia apresenta 
sintomatologia diversificada, com sinais que 
variam de manifestações leves a graves, com 
ou sem comprometimento hemorrágico, que 
neste último caso, pode ocasionar a morte 
do paciente. O objetivo do presente trabalho 
é promover uma discussão atualizada sobre 
a situação da Dengue no Brasil, abordando 
para tal, tópicos como histórico da doença, 
diagnóstico, tratamento e epidemiologia nos dias 
atuais. O grande número de casos nos últimos 
anos e os sorotipos virais distintos e passíveis 
de sofrer mutações genéticas representa uma 
grande preocupação no cenário mundial, visto 
que grandes epidemias causadas pela Dengue 
além de representarem danos diretos ao 
homem implicam também em elevadas perdas 
econômicas relacionadas ao manejo desses 
pacientes pela saúde pública. As medidas 
preventivas ainda são unicamente relacionadas 
ao controle do vetor, pois as vacinas ainda estão 
em desenvolvimento.
PALAVRAS-CHAVE: Dengue; epidemiologia; 
diagnóstico e tratamento; doença negligenciada. 
ABSTRACT: Dengue is a viral infection, and 
the main vector related to the transmission of 
the disease is the mosquito Aedes aegypti. This 
disease presents several symptoms, with signs 
ranging from severe to mild forms, with or without 
bleeding impairment, and in the latter case it 
may result in death of the patient. The aim of 
this work is to promote an updated discussion 
about the situation of Dengue in Brazil by topics 
as history of the disease, diagnosis, treatment 
and epidemiology today. The great number of 
cases in recent years and the different serotypes 
and likely to suffer genetic mutations represent 
a major concern on the world stage, as major 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 2
epidemics caused by Dengue besides representing direct harmto humans also imply 
high economic losses related to the management these patients for public health. 
Preventive measures are still only related to vector control because the vaccines are 
still under development.
KEYWORDS: Dengue; epidemiology; diagnosis and treatment; disease neglected.
1 | INTRODUÇÃO
A Dengue é uma doença causada por um vírus de RNA (DENV), um arbovírus, 
pertencente ao gênero Flavivírus e à família Flaviviridae, do qual são conhecidos 
clinicamente quatro sorotipos denominados como DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-
4, respectivamente. Uma vez infectado por qualquer um dos sorotipos, o paciente pode 
ir a óbito mesmo que esta seja a sua primeira infecção pelo vírus (BRASIL, 2015). 
A Dengue têm se mostrado nos últimos anos como uma das doenças mais 
prevalentes no Brasil e no mundo, afetando principalmente as zonas tropicais e 
subtropicais (VIANA; IGNOTTI, 2013). Dados da Organização Mundial de Saúde dão 
conta de que, somente em 2015 foram registrados no Brasil mais de 1,5 milhão de 
casos da doença, número três vezes maior que o registrado no ano de 2014. No 
mundo, a cada ano, 500.000 pessoas apresentam a forma grave da doença, na maioria 
crianças. Dessas, 2,5% vão a óbito (WHO, 2016).
A transmissão da doença é feita através da picada dos mosquitos do gênero 
Aedes (Aedes aegypti e Aedes albopictus), que servem de vetores para os quatro 
sorotipos do vírus. O indivíduo acometido por esta infecção pode evoluir para cura 
sem grandes complicações ou, apresentar as formas mais graves da doença, que 
em geral, inclui extravasamento plasmático, dando origem a quadros hemorrágicos 
graves que podem levar ao óbito (PERIAGO; GUZMAN, 2007).
As epidemias de Dengue ocorridas nos últimos anos estão diretamente 
relacionadas à sobrevida do vetor artrópode, ou seja, o número de casos é maior, 
por exemplo, principalmente durante o verão; isso porque neste período há as 
condições necessárias para procriação e disseminação do mosquito (TAIRA, 2008). 
Assim sendo, as mudanças climáticas aliadas a fatores desfavoráveis nos âmbitos 
sócio-demográfico, biológico, médico-social e histórico da doença em determinados 
locais têm influenciado diretamente na dispersão de diversas patologias, incluindo as 
infecções transmitidas por estes vetores (BARCELLOS et al, 2009). 
As infecções atuais e recorrentes demonstram a necessidade de avaliar estratégias 
mais eficazes de controle do mosquito, uma vez que o mesmo se dissemina de forma 
acentuada até mesmo em áreas em que antes não havia relatos desta infecção. A 
co-circulação dos diversos sorotipos de Dengue também é um grande problema, pois 
pode levar a alterações antigênicas dos sorotipos pré-existentes, aumentando ainda 
mais a virulência desse vírus, elevando assim as taxas de morbidade e mortalidade, 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 3
fazendo-se necessário com isso, um investimento na área preventiva, com a pesquisa 
e elaboração de vacinas que sejam de fato eficientes para esta infecção (NUNES, 
2015).
2 | UM POUCO DE HISTÓRIA DA DENGUE 
Os primeiros relatos de uma doença com características semelhantes a Dengue 
são chineses e datam de 992 d.C. Já se supunha nesta época que a doença estaria 
relacionada a transmissão por insetos (GUBLER, 2006). Porém, somente em 1907 
Ashuburn e Craig puderam estabelecer a etiologia do vírus, e em 1926 foi demonstrado 
o papel do mosquito Aedes aegypti na transmissão do vírus da Dengue ao homem 
(STROTTMANN, 2008).
Na ilha de Java no ano de 1779 ocorreu a primeira epidemia de Dengue de 
grandes proporções e em 1780 na Filadélfia, Estados Unidos (BOTELL; BERMÚDEZ, 
2012). Após isto, mais oito grandes epidemias ainda afetaram todo o mundo até o ano 
de 1916 (HOWE, 1977). Até então, a Dengue era considerada uma doença benigna, 
porém, após a Segunda Guerra Mundial ocorreram os primeiros surtos de Dengue com 
comprometimento hemorrágico. O primeiro surto desta forma aconteceu nas Filipinas 
e em Bancoc, em meados dos anos 1950 (GUBLER, 1977). Nas décadas de 1960 e 
1970, países como Singapura, Malásia e Indonésia também apresentaram essa forma 
grave de Dengue e na década de 1980 Índia e China também foram acometidas de 
surtos. Em 1964 ocorreu um surto do sorotipo DEN-3 e nos anos posteriores os sorotipos 
DEN-1 e DEN-2 também foram identificados nessa mesma região (DOMINGOS, 2005). 
Nas Américas, também a partir da década de 1960 ocorreram grandes epidemias e 
algumas inclusive relacionadas ao tipo mais grave da doença (TEIXEIRA; BARRETO; 
GUERRA, 1999; ASSAD, 2016).
No Brasil, os primeiros relatos de Dengue ocorreram no fim do século XIX e foram 
descritos no estado do Paraná. Nesse período o mosquito já representava um grande 
perigo a população, mas porque estava associado à transmissão da Febre Amarela, 
que compartilha o mesmo vetor. Com a intensificação das medidas de controle 
implementadas para combate da Febre Amarela, o Brasil conseguiu erradicar o Aedes 
aegypti, porém, em 1976 com as falhas de vigilância epidemiológica e o relaxamento 
das medidas de controle adotadas anteriormente, o mosquito foi reintroduzido em 
terras brasileiras. Em 1986 ocorreu uma epidemia causada pelo sorotipo DENV-1 no 
estado do Rio de Janeiro, que se disseminou pela região nordeste, atingindo em 1990, 
os estados de Pernambuco, Ceará e Bahia. Ainda neste ano foi detectada a presença 
do sorotipo DENV-2 também no Rio de Janeiro. O vírus então se espalhou por todo o 
território nacional e em 1997 ocorreu mais uma epidemia. Em 2001 o sorotipo DEN-3 
foi introduzido no país e em 2002 ocorreu um surto grave de Dengue hemorrágica, que 
chegou a marca 1 milhão de casos (BOTELL, 2012).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 4
3 | O VÍRUS
O vírus da Dengue é um vírus de RNA fita simples e polaridade positiva, cuja 
partícula viral apresenta cerca de 50 nm de diâmetro, possui simetria icosaédrica e o 
nucleocapsídeo é revestido por um envelope lipoproteico, responsável por envolver 
o material genético viral16. Pertence ao gênero Flavivirus e família Flaviviridae, 
o sorogrupo é denominado DENV. Atualmente são descritos quatro sorotipos, que 
variam quanto aos seus antígenos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV- 4 (HOLMES; 
BURCH, 2000). Por diversos fatores, como mutações no vírus, estado imunológico do 
hospedeiro, etc pode ocorrer diversidade tanto nos sorotipos quanto nos genótipos, 
o que significa dizer que, até mesmo vírus com genótipos pertencentes ao mesmo 
sorogrupo apresentam diferenças e isso pode definir a forma coma doença se apresenta 
clinicamente, se de maneira mais branda ou severa (BICHAUD, 2014). Por ser uma 
arbovirose, ou seja, uma virose transmitida por artrópodes (carrapato, mosquito etc) a 
manutenção viral só se dá quando os ciclos epidemiológicos são mantidos e para isso, 
é necessário o hospedeiro invertebrado hematófago e o hospedeiro vertebrado, sendo 
o homem o hospedeiro definitivo e reservatório do vírus (RUEDA, 2009; MURRAY; 
PFALLER; ROSENTHAL, 2000).
A replicação do sorogrupo DENV, assim como todo vírus, é intracelular e 
intracitoplasmática. Os locais em que ocorre a replicação viral podem ser as células 
mononucleares do sangue periférico, monócitos e macrófagos (MURRAY; PFALLER; 
ROSENTHAL, 2000).
4 | PATOGENIA E IMUNIDADE
O vírus da Dengue pode ser responsável por causar infecções únicas ou em 
alguns casos persistentes em seus hospedeiros (tanto vertebrado quanto invertebrado). 
Como mecanismo de ação, o vírus causa no hospedeiro uma alta produção de RNA, 
que se torna responsável por bloquear a ligação do mRNA celular do hospedeiro aos 
seus ribossomos. Associado a este fator, ocorre aumento da permeabilidade celular 
nas células tomadas pelo vírus e ocorrem alterações iônicas, o que acarreta uma série 
de alterações enzimáticas. Isto faz com que haja favorecimento na produção de mRNA 
do vírus em relação ao mRNA da célula hospedeira. Com a alteração da produção de 
mRNA do hospedeiro ocorre também alteração na síntese proteica da célula, o que 
tornaa célula inviável, levando à morte celular (MCBRIDE; BIELEFELDT-OHMANN, 
2000).
DENV não afeta diretamente o vetor invertebrado. Depois que a fêmea de Aedes 
aegypti ingere sangue de um hospedeiro vertebrado virêmico, ocorre uma infecção 
das células epiteliais do intestino do mosquito, que se estende pela lâmina basal até 
o sistema circulatório, infectando as suas glândulas salivares. Durante 8 a 12 dias o 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 5
vírus permanece incubado e após esse prazo o mosquito estará apto a infectar outros 
vertebrados. A infecção no vertebrado ocorre quando o mosquito pica o homem, a 
saliva contendo substâncias anticoagulantes é regurgitada pelo mosquito durante 
a alimentação hematofágica, liberando também o vírus na corrente sanguínea do 
hospedeiro. No homem, o período de incubação é de 5 a 7 dias (viremia primária) e 
só depois desta fase é que se torna possível a observação da sintomatologia clínica. 
As fêmeas infectadas apresentam os ovários também infectados, transmitindo assim o 
vírus para os ovos em deposição, e uma vez contaminados, esses mosquitos estarão 
infectados por todo o seu ciclo de vida (MURRAY; PFALLER; ROSENTHAL, 2006).
Com relação ao processo imune, o RNA de dupla fita que gera a replicação 
de DENV é antigênico, induzindo a produção de interferons alfa e beta, que por 
sua vez, tentam limitar a replicação do vírus e estimular o sistema imunológico do 
hospedeiro, o que vai ocasionar uma sintomatologia semelhante à da gripe. Nos 
seis primeiros dias da infecção é possível observar a presença de IgM e logo depois, 
serão detectados níveis de IgG, que agem impedindo a replicação viral, evitando que 
a mesma se espalhe por outros tecidos. Porém, a imunidade conferida não abrange 
todos os sorotipos, mas somente o sorotipo que o indivíduo foi exposto anteriormente 
(MCBRIDE; BIELEFELDT-OHMANN, 2000).
A imunidade celular também é importante no processo de limitação da infecção. 
As células T tem o papel de reconhecer o DENV e enviar as respostas que incluem: 
proliferação, morte de células infectadas e a produção de citocinas (ROTHMAN, 2011). 
Estas citocinas irão propiciar a formação de uma cascata inflamatória, causando uma 
mudança quanto à permeabilidade vascular, originando as manifestações hemorrágicas 
do DENV (ATKINS et al, 2001).
5 | TRANSMISSÃO DA DENGUE PELO VETOR
A Dengue pode ser transmitida por dois mosquitos: o Aedes aegypti (Linnaeus, 
1762) e o Aedes albopictus (Skuse, 1894), que pertencem ao filo Arthropoda, classe 
Hexapoda, ordem Diptera, família Culicidae e gênero Aedes (BRASIL, 2001). O A. 
albopictus adapta-se bem ao ambiente residencial, pois tem comportamento altamente 
antropofílico, mas também é encontrado em áreas silvestres, no ambiente rural, em 
locais como o tronco oco das árvores, ou entre folhas que acumulam algum volume de 
água, por exemplo. Sua fonte de alimentação pode ser sangue humano ou de outros 
vertebrados (BRASIL, 2001).
Os adultos de A. albopictus possuem a coloração bem escura e depositam 
os ovos em ocos de árvores ou recipientes que acumulem água (BRASIL, 2001). 
O mosquito presenta como características distintivas uma faixa longitudinal de cor 
branco-prateada, da cabeça até o escutelo; seu abdome apresenta faixas basais 
brancas; e suas pleuras possuem manchas prateadas e pernas demarcadas de 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 6
branco e preto (LEANDRO, 2012). Esse mosquito possui uma grande capacidade de 
se adaptar em ambiente de temperaturas distintas, resistindo de forma satisfatória 
em climas de temperatura baixa, o que indica uma disseminação maior deste vetor 
nos diversos biomas (WHO, 2016). O A. aegypti por sua vez, está mais relacionado 
com o interior das residências, nas zonas mais urbanizadas, por isso é considerado 
antropofílico. As fêmeas alimentam-se preferencialmente de sangue humano. Os 
habitats das larvas são, frequentemente, qualquer recipiente que acumule água, 
como: vasos, pneus, caixas d´água e etc (BRASIL, 2001). Fisicamente, o A. aegypti 
apresenta características peculiares, como cor escura e pernas e abdome dotados de 
manchas branco-prateadas. O tórax é escamoso e apresenta duas linhas laterais26. 
Os hábitos alimentares do A. aegypti são diurnos e a cada período de alimentação, 
várias pessoas podem ser picadas pelo mesmo mosquito (WHO, 2016).
DENV será transmitido picada da fêmea dos mosquitos infectados pelo vírus, que 
após 12 dias da infecção, já apresenta a capacidade de transmissão da doença. Esses 
mosquitos apresentam um ciclo biológico que dura em média de 8-12 dias e apresenta 
os seguintes estágios: ovo, quatro estádios larvais (L1, L2, L3 e L4), pupa e adulto. As 
fêmeas depositam seus ovos em locais variados, onde as larvas permanecem viáveis 
por até um ano (NEVES, 2016; SANTOS et al, 2015).
6 | ASPECTOS CLÍNICOS
O DENV apresenta um período de incubação que pode variar de 2 a 14 dias 
no homem e quando este está em período de viremia, infectará o inseto durante o 
processo de alimentação hematófaga. O período de viremia no homem começa um 
dia antes da febre e perdura até o sexto dia da doença. A infecção por DENV pode ser 
assintomática ou sintomática. Quando apresenta sintomas, estes podem ser brandos 
e inespecíficos, podendo ser confundidos com uma gripe ou os sintomas evoluir para 
casos mais graves, que podem levar o indivíduo à morte. O ministério da Saúde 
apresentou no ano de 2015 as novas diretrizes que devem nortear o manejo clínico do 
paciente com DENV, além de trazer a nova classificação da doença que foi definida 
em fases: fase febril, crítica e de recuperação (BRASIL, 2015; BRASIL, 2010).
A fase febril se dá como o próprio nome diz pela presença de febre, que pode 
perdurar por dois a sete dias, podendo ser acompanhada de outros sintomas, como 
a dor de cabeça, dor nos músculos e nas articulações30. Alguns pacientes ainda 
apresentam o exantema papular, vômito, diarreia e anorexia. Na maioria dos casos, 
a doença evolui de forma benigna e o paciente se recupera sem mais complicações, 
o que não acontece na fase crítica, que já requer um cuidado e atenção maior ao 
paciente acometido. Nessa fase, a febre diminui entre o terceiro e o sétimo dias do 
início da patologia e associados a esta redução febril, vêm os sinais de alarme (dor 
persistente no abdome, vômitos frequentes, acúmulo de líquidos, sangramento de 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 7
mucosa). Geralmente estes sintomas são resultados da fragilidade vascular seguida de 
extravasamento do plasma, aumento do fígado e hematócrito alterado, demonstrando 
aumentos sucessivos nos seus valores (BRASIL, 2018).
Na Dengue grave, ocorre uma complicação ocasionada pelo extravasamento do 
plasma, que pode tanto levar ao choque quanto ao acúmulo de líquidos no corpo do 
paciente. Esta fase é sistêmica, podendo acometer diversos órgãos, como o fígado, 
os rins, o sistema nervoso central etc. O choque acontece quando uma quantidade 
considerável de plasma é perdida durante o extravasamento. Entre o choque e o 
extravasamento, o período é de mais ou menos 24 a 48 horas, e como esta evolução 
pode ser rápida e brusca, os hematócritos devem ser acompanhados com constância. 
Disfunções graves dos órgãos podem ocorrer e sem necessariamente o paciente 
passar pela fase de choque ou extravasamento. Inflamações no encéfalo, miocárdio 
e fígado são relatadas como complicações da Dengue. Baseado em tais fatos, o 
recomendado é acompanhar a dosagem das enzimas hepáticas e verificar se há ou 
não alterações neurológicas que podem apresentar uma variedade de formas clínicas, 
como: encefalite, Síndrome de Reye e Síndrome de Guillain-Barré (BRASIL, 2018). 
Na fase de Recuperação o líquido extravasado é reabsorvido pelo organismo do 
paciente, o que vai possibilitar sua melhora gradativa. Pode ocorrer nessa fase o rush 
cutâneo com ou sem prurido. As infecções por bactérias podem ocorrer e devem ser 
acompanhadas e tratadas corretamente, sob o risco de mortedo paciente (BRASIL, 
2010; BRASIL, 2018).
7 | DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
A Dengue pode ser detectada através de diversos exames, utilizando para esta 
finalidade métodos diretos (para detectar a presença do vírus, através de transcrição 
reversa com reação em cadeia da polimerase (RT-PCR), ou indiretos (aqueles 
responsáveis por detectar anticorpos contra o vírus, como testes sorológicos tais 
como ELISA, teste de fixação de complemento, teste de neutralização, dentre outros) 
(SINGUI; KISSOON; BANSAL, 2007; GOUVEIA et al, 2013).
O Teste de RT-PCR mostra uma sensibilidade considerada muito refinada (80- 
100%), sendo considerada uma técnica, portanto, padrão para diagnóstico (SHIH et al, 
2016). O Teste Imunocromatográfico rápido para detecção de IgM e IgG também vem 
sendo utilizado, com relativo sucesso, junto com os testes de RT-PCR, aumentando 
a fidelidade do diagnóstico (SHIH et al, 2016). Porém, no último ano tem-se testado o 
método de qPCR (PCR quantitativo) e o Teste Rápido Diagnóstico de NS1 (Proteína 
Não-Estrutural 1) em tira como testes confiáveis para diagnóstico (TEOH et al, 2016).
Desde 2013 pesquisadores no mundo todo tem se dedicado a estabelecer novas 
técnicas de diagnóstico que sejam utilizáveis para identificação de todos os sorotipos 
de Dengue e que sejam sensíveis. O diagnóstico pelo método de LAMP (Loop-mediated 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 8
Isothermal Amplification) apresenta alta sensibilidade, boa especificidade e resultado 
rápido, o que imprescindível em se tratando de diagnóstico (TEOH et al, 2013).
8 | TRATAMENTO
O tratamento indicado aos indivíduos acometidos de Dengue deve ser de suporte, 
com a utilização de analgésicos e antipiréticos que vão agir sobre os sintomas; é 
indicada hidratação oral ou parenteral, de acordo com a caracterização do paciente, 
ou seja, em qual fase ele se encaixa fase febril, crítica ou de recuperação). Portanto, 
há uma necessidade de acompanhamento contínuo das manifestações clínicas desse 
indivíduo (BRASIL, 2010).
9 | EPIDEMIOLOGIA ATUAL DA DENGUE
Segundo a OMS, o número de casos de infecção por DENV aumentou trinta vezes 
se comparado ao registrado há cinquenta anos atrás (BHATT et al 2013). Estimativas 
recentes demonstram que, em média, 390 milhões de novos casos são registrados 
por ano em todo o mundo; destes, cerca 96 milhões apresentam sintomatologia clínica 
(nos diversos graus de gravidade da doença). Cerca de 128 países já apresentam 
novos casos de Dengue, incluindo 36 países que antes eram declarados livres desta 
infecção. Também é válido lembrar que antes dos anos 1970, eram apenas nove os 
países que registravam a infecção pelo DENV 3 (BRASIL, 2018).
Epidemiologicamente falando, o caráter hiperendêmico da Dengue é motivo 
de preocupação, juntamente com a diversidade sorológica do vírus, visto que esta 
morbidade além das implicações na saúde humana representa também grandes 
perdas econômicas em nível mundial. Países europeus já estão sob a ameaça de 
surtos epidêmicos, como o que ocorreu em Portugal em 2012, onde 2.000 casos foram 
detectados. Em 2013, em países da Ásia, como no Japão, a doença ressurgiu após 
70 anos sem notificações da mesma. O continente americano também foi golpeado: 
em 2013 foram notificados casos nos Estados Unidos e o número de casos se 
manteve elevado nos países da América Latina. Em 2015, somente no Brasil foram 
identificados mais de um milhão e meio de casos, o que corresponde a três vezes o 
número de casos detectados em 2014 (WHO, 2016). Dados atualizados do ministério 
da Saúde do Brasil, já registraram em 2016, a marca de 396.582 casos prováveis de 
Dengue no país até a Oitava Semana Epidemiológica, que ocorreu entre 03/01/2016 a 
27/02/2016. A maior incidência foi observada na região Sudeste do país, com 222.947 
casos (56,2%) em relação ao total do país; logo após, surgiram as regiões Nordeste 
(com 71.375 casos - 18%), Centro-Oeste (52.162 casos - 13,2%), Sul (30.746 casos - 
8%) e Norte (19.352 casos - 4,9%).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 1 9
10 | PREVENÇÃO E CONTROLE
A Dengue é considerada um problema de saúde pública no Brasil e no mundo 
(NEVES, 2016) e as medidas preventivas ainda são limitadas ao controle do vetor. 
Ações permanentes de inspeções domiciliares, erradicação de focos do mosquito, 
além da implementação de políticas de caráter educativo, que visem promover a saúde 
e reduzir os riscos da doença são necessárias em todo o país, de forma conjunta entre 
Governo Federal, estados e municípios (BRASIL, 2010).
O desenvolvimento e a produção de vacinas ainda são deficientes, isso por 
que alguns fatores têm dificultado a produção dessas vacinas. Um exemplo disto é 
o aumento da gravidade da doença quando o indivíduo já foi em algum momento 
exposto a sorotipos virais diferentes, seja por transmissão horizontal ou infecção 
pregressa. Outro impedimento é quanto ao modelo animal adequado para que sejam 
feitos os testes das vacinas. Atualmente, têm-se buscado, apesar destes empecilhos, 
o desenvolvimento de vacinas tetravalentes atenuadas ou inativadas, que venham a 
suprir a necessidade endêmica, dadas as proporções da Dengue nas últimas décadas 
(HOLMES E BURCH 2000, GOUVEIA et al, 2013).
11 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Dengue está muito longe de ser erradicada seja no Brasil ou no mundo. Isto 
ocorre por razões que envolvem desde a fácil dispersão do vírus e de seus vetores 
até condições climáticas, socioeconômicas das populações afetadas até as tentativas 
falhas de se obter uma vacina até o momento. A melhor chance de combate à doença 
ainda reside na educação em saúde, através de práticas educativas com a população 
que ensinem à mesma como eliminar o mosquito, como evitar sua propagação, como e 
quando procurar hospitais e postos de saúde em caso de suspeita de Dengue. Embora 
o avanço nas técnicas diagnósticas para identificação do vírus e seus sorotipos seja 
muito importante, trabalhar com o desenvolvimento de ações educativas ainda é a 
melhor arma contra a doença.
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 12
CAPÍTULO 2
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HEPATITE B EM UM 
MUNICÍPIO DO NORDESTE BRASILEIRO
Kelvya Fernanda Almeida Lago Lopes
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO. 
Departamento de Ciências da Saúde. Caxias- MA.
Raynner Sousa Chaves Frazão
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO. 
Departamento de Ciências da Saúde. Caxias- MA.
Natália Pereira Marinelli
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ. Colégio 
Técnico de Teresina. Teresina- PI
Maraisa Pereira Sena
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ. Mestrado 
Profissional em Saúde da Mulher. Teresina- PI
Tarciso Marinelli Filho
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CIÊNCIAS E 
TECNOLOGIA DO MARANHÃO UniFacema. 
Coordenação de Enfermagem. Caxias- MA
Alana Ilmara Pereira da Costa
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ. 
Departamento de Ciências da Saúde. Belém- PA.
Josiane Rocha Silva Ferraz
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CIÊNCIAS E 
TECNOLOGIA DO MARANHÃO- UniFacema. 
Coordenação de Nutrição. Caxias- MA
RESUMO: O objetivo deste estudo é caracterizar 
o perfil epidemiológico dos casos confirmados 
de hepatite B em Grajaú, Maranhão, entre os 
anos de 2010 a 2014. Foi realizada uma análise 
documental, com abordagem quantitativa 
transversal, exploratória descritiva, dos casos 
notificados no Sistema de Informação de Agravos 
de Notificação – SINAN. A partir da análise dos 
documentos, obteve-se 11 casos. Depreendeu-
se que há predominância em indivíduos 
acima dos 30 anos de idade 45,4% (5); sexual 
feminino 72,7% (8); cor/raça preeminente é a 
etnia parda com 81,8% (9); maior prevalência 
em trabalhadores agropecuários 54,5% (6); 
situação vacinal evidenciou 63,6% (7) não 
imunizados; classificados com Hepatite Crônica 
63,6% (7) e a transmissão deu-se por via 
sexual 7 (63,6%). Os dados revelaram que há 
predominância da doença em indivíduos acima 
dos 30 anos de idade, evidenciando a faixa 
etária de maior propensão à infecção. Com 
relação ao gênero, o sexo feminino possui uma 
maior vulnerabilidade à doença. Os resultados 
ainda sugerem eventuais subnotificações 
quanto à doença.
PALAVRAS-CHAVE: Hepatite B; Perfil 
epidemiológico; Notificação.
ABSTRACT: The objective to characterize the 
epidemiological profile of hepatitis B confirmed 
cases in Grajaú, Maranhão, between 2010 and 
2014. A documental analysis was carried out, 
with a descriptive and descriptive exploratory 
approach, of the cases reported in the 
Aggravated Information System Of Notification - 
SINAN. From the analysis of the documents, we 
obtained 11 cases. It was observed that there 
is predominance in individuals over 30 years of 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 13
age 45.4% (5); Female sexuality 72.7% (8); Pre-eminent color / race is the ethnic 
group with 81.8% (9); Higher prevalence in agricultural workers 54.5% (6); Vaccine 
situation showed 63.6% (7) non-immunized; Classified as Chronic Hepatitis 63.6% 
(7) and transmission occurred sexually 7 (63.6%).The data revealed that there is a 
predominance of the disease in individuals over 30 years of age, evidencing the age 
group with the highest propensity to infection. Regarding gender, females are more 
vulnerable to disease. The results still suggest possible underreporting of the disease.
KEYWORDS: Hepatitis B; Epidemiological profile; Notification.
1 | INTRODUÇÃO
Hepatite é uma patologia disseminada por vírus que se configura por alterações 
degenerativas ou necróticas das células encontradas no fígado, podendo ser difundindo 
de maneira diferenciada de acordo com a etiologia viral. (MENDES, 2005)
As maneiras de transmissão das hepatites, estende-se a dois agrupamentos: 
inicialmente ao conjunto de transmissão oral fecal relacionada à má higiene pessoal, 
saneamento básico insuficiente, ingestão de água contaminada, bem como os alimentos, 
estando associado à infecção pelos vírus HAV e HEV. Sucessivamente, o segundo 
grupo: HBV, HCV e HDV, apresentando mecanismos de contaminação, como: sexo, 
compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados (Ex.: agulhas, seringas, 
alicates de manicure, laminas de barbear, utensílios para tatuagens, piercing, drogas 
injetáveis) e via parenteral. (BRASIL, 2007) 
Em virtude das informações,para o acompanhamento dos aspectos 
epidemiológicos das doenças consideradas de notificação compulsória, dispõe-se 
de uma ferramenta de controle importante para a vigilância em saúde, o Sistema de 
Informações de Agravos de Notificação – SINAN. O SINAN é utilizado para informar os 
casos, de Doenças Sexualmente Transmissíveis – DST e outras doenças compulsórias 
(Dengue, febre amarela, hanseníase, hepatites virais, etc.) com a importância de 
controlar o registro e o processamento desses dados, fornecendo informações para 
análise do perfil situacional, da morbidade e agravos de notificação, com ênfase 
a hepatite B, colaborando, consequentemente, para iniciativas preventivas e de 
promoção da saúde da população brasileira em todas as classes, através da vigilância 
epidemiológica buscando esclarecimento aos fatores contribuintes de propagação das 
doenças de notificações. (BRASIL, 2010)
No período de 1999 a 2011, foram notificados 120.343 casos confirmados 
no Brasil. No maranhão em 2011 houve 168 óbitos relacionados à Hepatite B, 58 
associados a complicações, como: a cronificação da infecção, cirrose hepática e suas 
complicações e carcinoma hepatocelular. (BRASIL, 2012)
O problema que sustentou este estudo considera: qual a situação epidemiológica 
dos casos de hepatite B confirmados no município de Barão de Grajaú- MA? O estudo 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 14
da situação epidemiológica da Hepatite B proporciona ampla visão da situação da 
doença na comunidade, ajudando a estabelecer o impacto das medidas de controle 
adotadas. 
2 | MÉTODO
A presente pesquisa é uma série temporal e estudo transversal da situação 
epidemiológica dos casos de hepatite B registrados no SINAN, de residentes do 
município de Grajaú- MA, no período de 2010 a 2014.
A coleta dos dados deu-se por análise documental das fichas de investigação 
para hepatites virais individuais, sob a guarda do Departamento de Epidemiologia 
do município. Esses documentos foram analisados quanto às características 
sociodemográficas e epidemiológicas dos casos, incluindo o comportamento de risco 
para a infecção. Utilizou-se o Epi Info versão 3.5.2 para análise de dados. 
A pesquisa seguiu as recomendações da Resolução nº 466 de 12 de dezembro 
de 2012 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012). A norma dispensou o uso 
de TCLE dos sujeitos, porém foi providenciado o TCLE institucional, junto à Secretaria 
de Saúde do município de Barão de Grajaú- MA. Como parte das exigências éticas, 
o projeto foi submetido à Plataforma Brasil, para análise pelo Comitê de Ética do 
Hospital São Domingos/HSD, e após sua aprovação com o parecer número 1.351.580, 
realizou-se a coleta dos dados. 
3 | RESULTADOS 
O Gráfico 1 evidencia que há maior prevalência entre os indivíduos de 30 ou mais 
anos de idade, com o total de 45,4% (5) das notificações, enquanto 36,4% (4) possuem 
entre 20 a 29 anos de idade. Também, identificou-se que houve maior número de 
notificações em 2013, com igualdade dos casos registrados para pessoas de 20 a 29 
anos e 30 ou mais, representando cada faixa etária 27,3% (3) dos casos confirmados 
naquele ano. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 15
Gráfico 1- Distribuição dos casos de Hepatite B por ano de notificação e faixa etária. Grajaú, 
MA, 2010-2014.
Fonte: SINAN/2015. Vigilância Epidemiológica de Saúde, Grajaú, MA
De acordo com os dados do Gráfico 2, verificou-se maior incidência de hepatite 
B em pessoas do sexo feminino (72,7%), sendo o ano de 2013 aquele com maior 
número de casos (45,4%) dentre os anos avaliados.
Gráfico 2- Distribuição dos casos de Hepatite B segundo ano de notificação e sexo. Grajaú, 
MA, 2010-2014.
Fonte: SINAN/2015. Vigilância Epidemiológica de Saúde, Grajaú, MA, 2015.
Em observância ao Gráfico 3 a maior prevalência de infectados com 54,5% (6) 
foram os Trabalhadores Agropecuários, distribuídos em 9,1% (1) notificado em 2010, 
9,1% (1) caso em 2012 e em 2013 36,3% (4) fichas notificadas, além disso Motoristas 
apresentaram 18.2% (2) casos em 2012 e 2013 respectivamente. Notificou-se também 
9,1% (1) Serviços Gerais em 2012, acompanhado por registro de 9,1% (1) Aposentado/ 
Pensionista e 9,1% (1) estudante informado em 2014. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 16
Gráfico 3- Distribuição dos casos de Hepatite B por ano de notificação e ocupação profissional. 
Grajaú, MA, 2010-2014.
Fonte: SINAN/2015. Vigilância Epidemiológica de Saúde, Grajaú, MA, 2015.
Para uma caracterização da situação vacinal, torna-se necessário abordá-la uma 
vez que é a principal maneira de prevenção contra a doença. Diante disso, o Gráfico 4 
demonstra a prevalência de infectados e sua situação vacinal, onde se apresentaram 
63,6% (7) casos de Hepatite B não vacinados, destacando-se o ano de 2013 com 
45,6% (5) casos e apenas 27,3% (3) com calendário vacinal completo nos anos de 
2012 a 2014. E ainda 9,1% (1) caso ignorado/branco em 2012.
Gráfico 4- Distribuição dos casos de Hepatite B por ano de notificação e situação vacinal para 
Hepatite B. Grajaú, MA, 2010-2014.
Fonte: SINAN/2015. Vigilância Epidemiológica de Saúde, Grajaú, MA, 2015.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 17
Gráfico 5- Distribuição dos casos de Hepatite B por ano e mecanismo de infecção. Grajaú, MA, 
2010-2014.
Fonte: SINAN/2015. Vigilância Epidemiológica de Saúde, Grajaú, MA, 2015.
A respeito da transmissão do HBV, o Gráfico 5 demonstra que a via de maior 
exposição, é a sexual com 63,6% (7) casos. 
4 | DISCUSSÃO
Os dados do Gráfico 2 revelaram maior incidência no sexo feminino no município 
de Grajaú, enquanto o sexo masculino foram 27,3% (3) dos casos encontrados. 
Nesse sentido, Zatti et al. (2013) evidenciaram que 55.307 notificações, relativo ao 
sexo masculino como o maior infectado pela doença 52,62% do total das notificações 
encontradas, e no sexo feminino 47,35% (26.189) casos registrados. 
 A menor ocorrência de notificação do sexo masculino pode estar associada 
à procura com menor regularidade a assistência de saúde para se prevenirem ou 
tratarem de seus adoecimentos, ou quando os horários de funcionamento dos serviços 
de saúde, rotineiramente, confrontam com o período de exercício profissional do 
usuário, ou se não, por imparcialidade pelo resultado dos exames ofertados pela rede 
de saúde, hábitos que proporcionam gravidades ao quadro clínico. (DIAS et al.,2014)
Outro estudo faz referência à ocupação profissional e demonstra informações 
a respeito do perfil soroepidemiológico e molecular da infecção pelo HBV em 
caminhoneiros brasileiros no estado de Goiás, mostrando a prevalência de marcadores 
da Hepatite B em 121 motoristas do total de investigados. (MATOS, 2007) 
Demonstrando que os profissionais que mais tiveram contato com o vírus da 
Hepatite B foram trabalhadores agropecuários, enfatiza-se o exercício de atividades 
econômicas envolvidas com setor primário de produção (agricultura, mineração, pesca, 
pecuária, extrativismo vegetal e caça.), visto que a economia local é baseada nestas 
áreas desde sua fundação. 
Em contraposição, no estudo de Zatti et al. (2013) evidenciou-se que a maior 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 18
forma de transmissão é por drogas injetáveis, de acordo com o SINAN de Chapecó-
SC, onde expuseram 28,66% (15.853) casos de hepatite B, seguido por transmissão 
vertical e posteriormente, transmissão sexual correspondente a 16,23% (8.981). 
O Boletim Epidemiológico Nacional evidenciou os casos de hepatite B quanto 
à provável fonte/mecanismo de infecção, destacando a via sexual como a forma 
predominante de transmissão, onde a mesma correspondeu a 21,4% e 23,3% dos 
casos nos anos de 2009 e 2010, respectivamente. (BRASIL, 2010) 
Quando avaliadas as possíveis fontes de transmissão, as fichas do SINAN na 
cidade de Palhoça - SC apontam que na hepatite B, a transmissão está relacionada 
primeiramente ao tratamento cirúrgico e logo depois é mencionada via sexual e em 
terceiro o uso de drogas. (MARGREITER et al.,2015)
Observa-se a existência de outros mecanismos de contágio, o que também podem 
estar relacionados aos processos de esterilização dos materiais hospitalares, como 
campos e ferramentas cirúrgicas e/ou exposição de pacientes na fase intra-operatória, 
outro motivo que deve ser considerado faz referência à transmissão domiciliar tendo 
o compartilhamento de objetos de uso pessoal como: escova de dente, lâmina de 
barbear e/ou depilar, alicates de unha ou agulhas, cachimbos e canudos no uso de 
drogas.
Em virtude da situação vacinal contra Hepatite B, Margreiter et al. (2015) 
evidenciam que no município de Palhoça - SC o predomínio de casos notificados 
também se destacou entre os não vacinados contra hepatite B, enquanto uma minoria 
apresentava o esquema incompleto. Da mesma forma, o Gráfico 8 apresenta uma 
superioridade significativa dos ausentes de imunização contra o HBV, acerca dos 
vacinados com esquema completo. Certamente aos acometidos com vacinação 
completa, houve exposição aos fatores de transmissão antes de adquirir imunidade 
ao vírus, o que para o MS essa efetivação dar-se-á completando-se com a terceira 
dose da vacina. 
É importante destacar o esquema vacinal contra Hepatite B, o volume a ser 
aplicado é de 1ml em adultos e 0,5, em menores de 11 anos, a depender do laboratório 
produtor, deve-se administrar no músculo deltoide, evitar a aplicação na região glútea, 
por resultar em menor imunogenicidade, obedecendo o seguinte esquema: três doses 
com intervalo de um mês, entre a primeira e a segunda dose, e de seis meses entre 
a primeira e a e terceira dose, em observância aos intervalos entre as doses que 
devem ser obedecidos, após o esquema completo, induz imunidade em 90% a 95% 
dos casos. (BRASIL, 2010)
Quanto à história vacinal, Neto et al. (2013) também esclarecem em um estudo no 
município de Quixadá-CE, que a situação vacinal contra a Hepatite B é insatisfatória, 
uma vez que apenas uma minoria completa o esquema profilático. Sabe-se que muitos 
casos podem ser evitados se a vacina for realizada antes da exposição.
É valido considerar que existe uma probabilidade de modificação relevante nas 
características vacinais, pois a federação governamental brasileira ampliou em 2014 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 19
a cobertura da vacina, antes limitada até os 29 anos ampliando posteriormente para 
toda população (BRASIL, 2014). Com essa atitude, se aguarda que a proliferação 
do vírus decaia em todo o território com o passar do tempo e que, a quantidade de 
infectados com registro de vacinação aumente.
Diante dos dados percebe-se que a maior distribuição da doença entre o sexo 
feminino, está relacionada à prática sexual sem proteção, por pressão psicológica 
ocasionada pelo parceiro, à utilização de materiais não esterilizados, como alicates 
de unha usados por manicures e pedicures, ou por exercício profissional que tenha 
contato com fatores para infecção, dentre outros. 
5 | CONCLUSÃO
A análise dos resultados do estudo possibilitou a caracterização do perfil 
epidemiológico dos casos de Hepatite B confirmados no município de Grajaú, estado 
do Maranhão do ano de 2010 a 2014. Dentre os 11 casos notificados, depreendeu-se 
que há predominância da doença em indivíduos acima dos 30 anos de idade 45,4% 
(5), evidenciando a faixa etária de maior propensão à infecção. Com relação ao 
gênero, o sexo feminino 72,7% (8) define a maior vulnerabilidade a infecção e entre 
elas houve 18,2% (2) gestantes no 3ª trimestre, estabelecendo que haja possibilidade 
de transmissão vertical e/ou problemas ao recém-nascido. 
Quanto a cor/raça prevalece a etnia parda com 81,8% (9), levando à indagação 
sobre os indígenas, presentes na formação da população local. A título de escolaridade, 
a doença se estende aos de ensino fundamental incompleto e ensino médio completo 
36,4% (4) respectivamente e residentes exclusivamente em zona urbana 100% (11). 
Além disso, observou-se que são trabalhadores agropecuários 54,5% (6) dos casos, 
os maiores contaminados, incluídos entre os não imunizados 63,6% (7) contra a 
Hepatite B. No tocante ao perfil clínico houve quantidade significativa de cronicidade 
da doença com 63,6% (7). No entanto, o mecanismo de maior predominância deu-se 
por via sexual 63,6% (7).
Contudo, os resultados sugerem eventuais subnotificações quanto à doença, 
fica claro, a necessidade de trabalhos científicos de características epidemiológicas, 
objetivando auxiliar e tornar realista o abastecimento do sistema (SINAN) por todo o 
Brasil. Cabe ressaltar, a conscientização de trabalhadores da saúde em especial, o 
enfermeiro, fiador das informações de vigilância em saúde.
Nessa perspectiva, alvitra-se a intensificação das ações educativas (panfletos, 
faixas, cartazes, anúncios, palestras, etc.), preventivas (práticas de testes rápidos 
para Hepatite B, solicitação de sorologia, vacinação, etc.), assistenciais, visando à 
notificação e reconhecimento de suspeitos e diagnosticados pelas equipes de saúde 
junto a Vigilância Epidemiológica, preconizando-se uma fiscalização das ações 
propostas, dos casos notificados e suspeitos existentes na população, através do 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 2 20
conhecimento das implicações da doença baseadas nas informações. 
É recomendável que seja elaborada capacitação de profissionais da saúde a 
respeito do teste rápido, evitando o surgimento de dúvidas e erros, na conduta do 
suspeito clínico da Hepatite B.
Visualizando holisticamente os pacientes crônicos, implicamos a necessidade 
da criação de grupo de apoio a essa população, uma vez que há uma dificuldade 
sobre a compreensão da doença e dinâmica de tratamento: consultas, exames de 
rotina e biopsia hepática, entrega de medicamentos pelo SUS, instalação de polos de 
aplicação municipal e/ou regional, a fim de melhorar o acompanhamento e manejo dos 
pacientes infectados. 
Contribuindo para o enfrentamento da hepatite B, preconizar a prevenção por 
meio da vacinação, do incentivo ao sexo seguro com uso do preservativo nas relações 
sexuais, atividades específicas direcionadas às populações de risco e suas possíveis 
complicações, bem como os gastos pertencentes a esta patologia por intermédio das 
políticas de prevenção aos desprotegidos das áreas rurais. 
Os resultados averiguados neste estudo permitiram inferir que no município 
ocorre uma detecção tardia, provavelmente relacionada às buscas passivas, ou 
seja, demandas espontâneas e a descentralização das ações de controle da doença 
recomendadas para toda a rede assistencial de saúde, que ainda é restrita, pois as 
taxas de detecção de casos oscilam muito no período estudado e manifestam-se 
significativas. O processo de integração das ações de controle da Hepatite B com 
as unidades de saúde pode produzir melhores resultados e solidificar o controle da 
doença.
REFERÊNCIAS
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 22
CAPÍTULO 3
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA TUBERCULOSE 
MULTIRRESISTENTE NO ESTADO DO PIAUÍ, 2001 – 
2012
Marcos Ramon Ribeiro Dos Santos Mendes
Enfermeiro do Hospital Universitário da 
Universidade Federal do Vale do São Francisco
Danieli Maria Matias Coêlho
Docente da faculdade CEUT, Fundação Municipal 
de Saúde de Teresina - PI
Jaqueline Carvalho E Silva
Docente do Centro Universitário UNINOVAFAPI, 
Fundação Municipal de Saúde de Teresina
Ivone venâncio de melo
Secretaria de Saúde do Estado do Piauí
RESUMO: O trabalho teve como objetivo 
descrever a situação epidemiológica dos casos 
de TBMR notificados no Estado do Piauí, de 
2001 a 2012. É um estudo epidemiológico 
quantitativo, descritivo, de série histórica, 
com dados coletados através do Sistema 
de Informação de Tratamentos Especiais 
da Tuberculose da clínica pneumológica do 
Hospital Getúlio Vargas. Foram encontrados 29 
casos no período, sendo 55,2% sexo masculino, 
com idade média de 40,2 anos, de cor parda 
(65,5%) e tinham até 7 anos de estudo (79,2%). 
O teste de HIV foi positivo em 3,4% dos casos e o 
tratamento diretamente observado foi alcançado 
em 10,3%. A maioria dos pacientes realizou três 
ou mais tratamentos anteriores para TB (62,1%) 
e 24,1% foram a óbito em consequência da 
doença. Dessa forma, faz-se necessária uma 
melhor sensibilização dos profissionais de 
saúde tanto para o preenchimento correto da 
ficha de notificação como para a realização do 
TDO.
PALAVRAS-CHAVE: Tuberculose, 
Epidemiologia, Resistência a drogas.
ABSTRACT: The study aimed to describe the 
epidemiological situation of MDR-TB cases 
reported in the state of Piaui, 2001-2012. It is an 
epidemiological study quantitative, descriptive, 
historical series, with data collected through 
the Information System Special Treatments 
Tuberculosis Clinic of Pneumology Hospital 
Getúlio Vargas. Found 29 cases in the period, 
while 55.2% male, mean age 40.2 years, mulatto 
(65.5%) and had up to 7 years of education 
(79.2%). The HIV test was positive in 3.4% 
of cases and directly observed treatment was 
achieved in 10.3%. The majority of patients had 
three or more prior treatments for TB (62.1%) 
and 24.1% died from the disease. Thus, it 
is necessary to better awareness of health 
professionals for both the correct completion of 
the notification form to the achievement of the 
TDO. 
KEYWORDS: Tuberculosis. Epidemiology. 
Drug Resistance.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 23
1 | INTRODUÇÃO
A tuberculose (TB), doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium 
tuberculosis, também chamado bacilo de Koch, é uma doença milenar, tão antiga 
quando a história da humanidade, que persiste até os dias atuais como um problema 
de saúde pública.
A doença é transmitida por uma pessoa com tuberculose pulmonar ativa por meio 
de gotículas contendo os bacilos expelidos ao tossir, espirrar ou falar. As gotículas 
contendo o bacilo no seu interior são de vários tamanhos, sendo que as mais pesadas 
depositam-se rapidamente no solo, porém as mais leves podem permanecer suspensas 
no ar por várias horas. Quando essas gotículas em suspensão são inaladas por um 
indivíduo sadio, podem provocar, independentemente da idade, a infecção tuberculosa 
(BRASIL, 2008; BRASIL, 2009).
Nem sempre as pessoas expostas ao Mycobacterium tuberculosis se tornam 
infectadas, contudo a infecção pelo bacilo da TB pode ocorrer em qualquer idade. 
A tuberculose pulmonar é a forma mais frequente da doença, porém o bacilo pode 
infectar outros órgãos através da corrente sanguínea e dos vasos linfáticos, gerando 
a chamada TB extrapulmonar (SMELTZER et al., 2009).
A tuberculose assume perfis diferentes dependendo da região observada. Nos 
países desenvolvidos os mais acometidos são as pessoas idosas, as minorias étnicas 
e a população de imigrantes. Já nos países em desenvolvimento, a maior parte 
dos acometidos está nos grandes centros urbanos, em decorrência do crescimento 
desordenado da população, ou seja, são vítimas da pobreza, baixa escolaridade, 
desnutrição, das drogas e da marginalização (PILLER, 2012).
Nos países mais desenvolvidos, o impacto da doença sobre a população foi 
reduzido através da implantação do saneamento básico, pelas melhorias radicais 
nas condições de vida que ocorreram em meados do século XIX, assim como pela 
implementação da quimioterapia efetiva nos últimos 50 anos. Nos países ainda em 
desenvolvimento, ao contrário, a tuberculose mantém-se como um sério problema 
de saúde pública. As possíveis razões para o recrudescimento desse terrível 
flagelo incluem a epidemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), os 
níveis crescentes de pauperização, abandono do tratamento, uso de drogas ilícitas, 
desnutrição, aglomeração, alojamentos em condições deficientes, e cuidados de 
saúde inadequados (ROCHA et al,. 2008; SMELTZER et al., 2009).
No Brasil, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) tem como 
metas diagnosticar e tratar os casos de TB o mais rapidamente possível a fim de 
evitar a difusão da doença. O tratamento (quimioterápico) consiste na associação 
de fármacos padronizados: isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol durante 
dois meses, e isoniazida e rifampicina durante mais quatro meses, totalizando 6 
meses. A monoterapia, prescrições impróprias e a falta de colaboração do paciente, 
podem levar ao surgimento de linhagens de M. tuberculosis resistentes a um ou mais 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 24
fármacos, ocorrendo recidivas da doença e contribuindo para aumentar a proporção 
de óbitos por TB, estando frequentemente ligada a outras infecções. A presença de 
multirresistência denuncia as deficiências no controle da TB e dificulta o tratamento e 
a prevenção (BRASIL, 2011).
O maior número de infectados pela TB está nos países em desenvolvimento, 
com 95% dos casos, e são também onde ocorrem 98% das mortes decorrentes da TB 
no mundo. Cerca de 22 países concentram80% dos casos. As regiões mais afetadas 
são a Ásia sudoriental, a Europa oriental e a áfrica sub-Sahariana. O Brasil ocupa 
atualmente, o 19° lugar entre esses 22 países. No mundo, em geral, estima-se que um 
terço da população esteja infectada pelo M. tuberculosis; que existam 8,8 milhões de 
casos novos e 2 milhões de mortes por TB no mundo, entretanto, foram notificados à 
Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2003, apenas 4,4 milhões, indicando que 
existe aproximadamente 50% de subnotificação (BRASIL, 2011; LUCCA, 2008).
No Brasil, é provável que existam aproximadamente 57 milhões de infectados, 
com 85 mil notificações anuais e cerca de 71 mil casos novos, correspondendo a 
um coeficiente de incidência de 37,2/100.000 habitantes, com aproximadamente 6 
mil mortes por ano. No Estado do Piauí, em 2004, ocorreram 1.162 casos novos da 
doença, com um coeficiente de incidência de 39,03/100.000 (LUCCA, 2008; PILLER, 
2012).
A TB é uma doença que está intimamente ligada a fatores sociais, econômicos e 
ambientais. Neste sentido, existem várias doenças que contribuem para o agravamento 
da mesma, entre elas estão: a AIDS, pois os pacientes imunocomprometidos, 
apresentam mais reações adversas aos medicamentos e tem maiores taxas de 
mortalidade agravadas pelo diagnóstico tardio destas formas; o tabagismo, porque 
a inalação da fumaça do tabaco, passiva ou ativamente, altera todos os mecanismos 
de defesa da árvore respiratória e reduz a concentração de oxigênio no sangue, 
colaborando assim para a gravidade das lesões necrotizantes, além de prejudicar e 
tornar mais lenta a cicatrização, o que pode gerar sequelas mais extensas; o alcoolismo, 
pois o consumo de álcool diminui a imunidade do indivíduo, que o deixa susceptível 
à infecção por organismos oportunistas e está diretamente ligado a um estilo de vida 
que pode potencializar a capacidade de contaminação pela micobactéria (BRASIL, 
2010; BRASIL, 2011).
A tuberculose multirresistente (TBMR) é definida pela Organização Mundial de 
Saúde (OMS) como qualquer forma clínica da doença na qual o exame bacteriológico 
detecta resistência “in vitro” à, pelo menos, rifampicina, isoniazida. Esta forma de TB 
vem ganhando importância nos últimos anos, pela potencialidade que tem de levar a 
tuberculose a se tornar uma doença praticamente incurável. Segundo a Organização 
Mundial de Saúde (OMS), o número estimado de casos de TBMR no mundo em 2006, 
é de 489.139 e uma prevalência de 4,8% entre os casos de TB. O Brasil, a partir do 
ano 2000, vem notificando, em média, 340 casos de TBMR ao ano (ROCHA et al,. 
2008). 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 25
1.1 OBJETO DO ESTUDO
A situação epidemiológica da tuberculose multirresistente no Estado do Piauí, 
2001 - 2012. 
1.2 PROBLEMA DO ESTUDO
A TB é uma doença que acompanha a humanidade desde os seus primórdios e 
um fato que vem preocupando as autoridades de saúde é o aumento da resistência 
bacilar aos dois fármacos mais importantes no combate a essa doença (rifampicina 
e isoniasida), em consequência do aprimorado mecanismo de mutação bacilar do 
Mycobacterium tuberculosis, resultando na chamada tuberculose multirresistente 
(TBMR). Essa situação predispõe a vítima a uma doença praticamente incurável, a 
tuberculose extensivamente resistente (TB-XDR), presente em aproximadamente 
10% dos casos de TBMR (BRASIL, 2011).
 Diante destes fatos, surgiu o questionamento para nortear a pesquisa: Qual a 
situação epidemiológica da tuberculose multirresistente no estado do Piauí?
 Na perspectiva de responder à questão norteadora, foram elaborados os 
seguintes objetivos.
1.3 OBJETIVO GERAL
Analisar a situação epidemiológica dos casos de tuberculose multirresistente 
(TBMR) ocorridos no estado do Piauí no período entre 2001 e 2012.
1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Descrever o perfil epidemiológico dos casos de TBMR no Piauí;
Identificar as drogas as quais o bacilo da TB teve resistência;
2 | METODOLOGIA
2.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
O método adotado para esta pesquisa é o quantitativo, retrospectivo, descritivo. 
Para Marconi e Lakatos (2010), o método quantitativo consiste em investigações 
de pesquisa empírica, onde a principal finalidade é o delineamento ou análise das 
características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas ou o isolamento de 
variáveis principais ou chave.
A tipologia do tipo descritiva consiste em uma pesquisa onde não há interferência 
do pesquisador, cabendo ao mesmo apenas descrever o objeto da pesquisa, tentar 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 26
descobrir a frequência com que o fenômeno ocorre, suas relações e conexões com 
outros eventos, as características, causas, bem como a sua natureza (BARROS; 
LEHFELD, 2006).
De acordo com Richardson (2007), a natureza retrospectiva busca informações 
em documentos e registros de celebrações de eventos já acontecidos no passado, de 
forma sistematizada a fim de resgatar dados fidedignos num período, local e amostra 
determinada.
2.2 CENÁRIO DA PESQUISA
O estudo foi realizado na Clínica Pneumológica do Hospital Getúlio Vargas 
(HGV), local de referência terciária do Estado do Piauí, que possui especialistas 
(pneumologistas) para atender os pacientes que são referenciados pela atenção básica 
e demais hospitais da capital e cidades do Estado, bem como fazer o diagnóstico, 
tratamento e acompanhamento dos pacientes com TBMR.
2.3 POPULAÇÃO DO ESTUDO
2.3.1 Critérios de inclusão
Foram incluídos na pesquisa todos os casos de tuberculose multirresistente do 
Estado do Piauí notificados na Clínica Pneumológica do HGV, no período de 2001 a 
2012, perfazendo um total de 29 pacientes. 
2.3.2 Critérios de exclusão
Foram excluídos da pesquisa os demais casos de tuberculose multirresistente 
notificados na clínica Pneumológica do Hospital Getúlio Vargas fora do período de 
2001 a 2012 ou os casos que não foram notificados ao referido serviço.
2.4 COLETA DE DADOS
Os dados foram coletados no período de março a abril de 2013, através do 
Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose (SITE-TB) da clínica 
pneumológica do HGV, sistema esse sob a gestão da Coordenação do Programa da 
Tuberculose do Estado do Piauí, a partir da ficha de notificação/investigação de casos 
de TB multirresistente (ANEXO A), pesquisaram-se as seguintes variáveis: ano de 
notificação, município, sexo, etnia, escolaridade, idade, tratamento anterior para TB 
(número de tratamentos anteriores), tipo de resistência (primária ou adquirida), HIV, 
comorbidades, situação de encerramento dos casos e padrão de resistência (drogas 
que foram identificadas a resistência) e se realizaram tratamento supervisionado.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 27
2.5 ANÁLISE DOS DADOS
Os dados foram analisados de acordo com a proposta quantitativa do estudo. 
A priori criou-se um bando de dados no software Statistical Package for the Social 
Science (SPSS), versão 20.0, em seguida realizaram-se as análises estatísticas neste 
software. Para as análises descritivas construíram-se tabelas e gráficos com valores 
absolutos e relativos. Para associar as variáveis do estudo utilizou-se o teste Qui-
quadrado (X2) ou teste de Fisher, quando aquele não pôde ser utilizado. Para todos os 
testes adotou-se 5% (p < 0,05) como nível de significância estatística (BOLFARINE; 
BUSSAB, 2005; BUSSAB; MORETTIN, 2004).
2.6 ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS
Foram respeitados todos os preceitos éticos contidos na Resolução 196/96 
do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que aprova as diretrizes e normas 
regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Dessa forma, o projeto 
foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa do Hospital Getúlio Vargas através 
do protocolo de número 6180/12 (BRASIL, 1996).
Em respeito a essas diretrizes e normas estabelecidas pela Resolução 196/96 
do CNS, para garantir a confidencialidade e o anonimato dos sujeitos pesquisados 
na base de dados do HGV, foi assinado o Termo de Confidencialidade (ANEXO C), 
documento no qualo pesquisador responsável assume a responsabilidade sobre o 
sigilo das informações obtidas no referido banco de dados.
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO 
No período de 2001 a 2012 foram notificados 29 casos de tuberculose 
multirresistente (TBMR) no estado do Piauí, com uma média de 2,6 casos ao ano. 
Conforme mostra a Figura 1, observou-se uma distribuição irregular dos casos ao 
longo dos anos, pois ocorreram picos nos anos de 2005 e 2011 (5 casos) e não foi 
notificado nenhum caso nos anos de 2003 e 2004. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 28
Figura 1: Distribuição dos casos de tuberculose multirresistente notificados na clínica 
pneumológica do Hospital Getúlio Vargas em Teresina-PI, segundo o ano de notificação. Piauí, 
2001 a 2012.
Fonte: Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose da clínica pneumológica do Hospital 
Getúlio Vargas, 2013.
Neste estudo observou-se que o maior número de casos de TBMR ocorreu na 
capital do Estado, Teresina (75,9%). A maior frequência dos 29 casos incidiu no sexo 
masculino (55,2%) e a idade média da população afetada foi de 40,2 anos. Os dados 
encontrados foram próximos aos apresentados em estudos realizados no período 
entre 2002 e 2007 no Estado de Pernambuco e no Estado do Espírito Santo no período 
entre 2000 e 2004, onde os dados mostraram que 63,6% e 70,2% dos casos eram 
referentes ao sexo masculino e a faixa etária média mais afetada foi a de 39,5 e 39,8 
anos respectivamente (MEDEIROS, 2008; VIEIRA et al., 2007).
Para Piller (2012), o predomínio da TB em grandes centros urbanos de países 
em desenvolvimento, justifica-se pelo fato destes apresentarem determinantes sociais 
como: pobreza, baixa escolaridade, situações de confinamento, pessoas vivendo 
em situação de rua, abuso de drogas, e indivíduos marginalizados. Essa parcela da 
população forma um grande grupo de indivíduos com difícil acesso à saúde, sendo 
assim, vulneráveis à tuberculose.
Verificou-se que o maior número de notificações (22) ocorreu na capital do Estado, 
Teresina, correspondendo a 75,9% dos casos encontrados e que os outros 24,1% (7) 
ocorreram em outros municípios do Piauí. Com relação ao sexo, o mais acometido foi 
o masculino, apresentando 16 casos, o que corresponde a 55,2% das notificações de 
TBMR. Observou-se ainda que houve uma maior prevalência em pessoas que tinham 
de 4 a 7 anos de estudo (37,9%), seguida das que possuíam de 1 a 3 anos de estudo 
(31,0%) (TABELA 1).
Variáveis N %
Município de Residência
Teresina 22 75,9
Outros municípios do Piauí 7 24,1
Total 29 100,0
Sexo
Feminino 13 44,8
Masculino 16 55,2
Total 29 100,0
Escolaridade
Nenhuma 3 10,3
De 1 a 3 anos 9 31,0
De 4 a 7 anos 11 37,9
De 8 a 11 anos 4 13,8
De 12 anos ou mais 2 7,0
Total 29 100,0
Tabela 1: Distribuição dos casos de tuberculose multirresistente notificados na clínica 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 29
pneumológica do Hospital Getúlio Vargas em Teresina-PI, segundo o município de residência, 
sexo, etnia e escolaridade. Piauí, 2001 a 2012.
Fonte: Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose da clínica pneumológica do Hospital 
Getúlio Vargas, 2013.
Essa faixa etária média acompanha também os dados referentes à tuberculose 
no Brasil que, segundo Piller (2012), 63% dos casos de TB incidem em indivíduos 
com idade entre 20 e 49 anos. Com relação ao sexo, no Brasil, o número de casos 
de TBMR nos homens corresponde ao dobro nas mulheres, acima do encontrado no 
estudo, onde observou-se 55,2% dos casos no sexo masculino.
A idade média dos pacientes notificados com tuberculose multirresistente é 
de 40,21 anos, com desvio padrão de 12,9 anos. Percebe-se ainda que apenas um 
paciente tinha mais de 60 anos e que o mais novo deles tinha 24 anos de idade.
Possivelmente, o fato de o sexo masculino ser mais acometido pela TBMR pode 
ocorrer em razão de uma maior possibilidade de exposição dos homens ao bacilo. As 
próprias condições de trabalho vividas por eles geralmente contribuem para que não 
se engajem adequadamente ao ritmo e às particularidades do tratamento para TB. 
De acordo com uma pesquisa realizada em Fortaleza-CE, os homens são os mais 
propensos a abandonar o tratamento, devido aos maus hábitos de saúde, como fumo, 
álcool e drogas ilícitas, que também favorece o agravamento do quadro clínico da 
doença (LIMA et al., 2001; MEDEIROS, 2008). 
Observou-se também que a maioria dos pacientes tinha baixa escolaridade, 
37,9% com 4 a 7 anos e 31,0% com 1 a 3 anos de estudo, corroborando com os dados 
achados em Santa Catarina, onde 44,9% dos indivíduos apresentavam de 4 a 7 anos 
de estudo e 24,5% de 1 a 3 anos. Outra pesquisa brasileira, realizada no ano de 2000 
em Campinas-SP, mostrou que 56,5% dos indivíduos que abandonaram o tratamento 
para TB eram analfabetos ou tinham até quatro anos de estudo. Esses dados mostram 
que devido a uma menor compreensão e aceitação da doença e do tratamento, 
indivíduos que abandonam o tratamento são geralmente os que possuem menos 
acesso à escola e à informação. A escolaridade, assim como outros determinantes 
sociais, interfere diretamente na situação de saúde dos indivíduos, e ultimamente vem 
sendo amplamente discutida no meio científico (JUNCKS, 2008; OLIVEIRA; MOREIRA 
FILHO, 2000).
Etnia
Número de Casos
P-valorObservados Esperados
N % N %
Branca 3 10,4 9,7 33,3
0,00*
Negra 7 24,1 9,7 33,3
Parda 19 65,5 9,7 33,3
Total 29 100,0 29,0 100,0
*Teste de Fisher – significativo (p-valor <0,05).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 30
Tabela 2: Relação do número de casos de tuberculose multirresistente por etnia, notificados na 
clínica pneumológica do Hospital Getúlio Vargas em Teresina-PI. Piauí, 2001 a 2012.
Fonte: Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose da clínica pneumológica do 
Hospital Getúlio Vargas, 2013.
De acordo com a Tabela 2, houve uma associação entre o número de casos de 
tuberculose multirresistente com a etnia dos pacientes, uma vez que o Teste de Fisher 
revelou um p-valor menor que 0,05, sendo que 19 (65,5%) casos possuíam a cor 
parda e 7 pacientes possuíam a cor negra (24,1%) .
Com relação à etnia, a parda apresentou 65,5% dos casos no Piauí, e a branca 
apenas 10,4%, no entanto, quando comparados com outros estudos realizados em 
Estados do Sul e Sudeste brasileiros, nota-se que não ha uma relação da TBMR com 
a etnia do paciente. No Estado do Espírito Santo, 35% dos doentes eram da etnia 
branca e 69,4% dos pacientes em Santa Catarina também eram brancos. Sugere-
se, portanto, que os casos de TBMR são distribuídos de acordo com a miscigenação 
étnica da população da área em que se realiza o estudo (JUNCKS, 2008; VIEIRA et 
al., 2007).
Observou-se, com relação aos dados clínicos, que o teste HIV foi realizado em 
25 casos, todavia, nos outros 4 o teste não foi realizado ou estava com registro em 
branco. O resultado foi negativo em 24 (82,8%) pacientes e apenas um positivo (3,4%). 
Em nove casos foram identificadas outras comorbidades, sendo o alcoolismo a mais 
frequente (13,8%), seguida pelo tabagismo (6,8%) (TABELA 3).
O tratamento supervisionado, atualmente chamado de tratamento diretamente 
observado (TDO), foi realizado somente em 3 casos (10,3%), sendo que 5 notificações 
estavam sem o devido preenchimento e que em 21 casos (72,4%) este não foi 
realizado. A Tabela 3 mostra ainda que a forma clínica mais frequente foi a pulmonar 
com 28 casos (96,6%) e apenas um caso era de TB extrapulmonar (3,4%). 
Variáveis N %
Teste HIV
Negativo 24 82,8
Positivo
Não realizado ou em branco
1
4
3,4
13,8
Total 29 100,0
Outras comorbidades
Alcoolismo 4 13,8
Tabagismo 2 6,8
Outras
Não registrado ou em branco 3
20
10,3
69,1
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 31
Total
Tratamento supervisionado
Sim
Não
Não registrado ou em branco
Total
Forma clínica
Pulmonar 
Extrapulmonar
29
3
21
5
29
28
1
100,0
10,3
72,4
17,3
100,0
96,6
3,4
Total 29 100,0
Tabela 3: Aspectos clínicos dos casos de tuberculose multirresistentenotificados na clínica 
pneumológica do Hospital Getúlio Vargas em Teresina-PI. Piauí, 2001 a 2012.
Fonte: Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose da clínica pneumológica do Hospital 
Getúlio Vargas, 2013.
Apesar do MS mostrar 7% de coinfecção entre TBMR e HIV no Brasil, no Piauí 
esse parâmetro se mostrou menos expressivo, uma vez que foi observado somente em 
um caso de TBMR (3,4%). No estado do Espírito Santo, essa associação foi verificada 
em 11,1% dos casos, Santa Catarina mostrou coinfecção de 14,3%. O Ministério da 
Saúde indica a realização do exame de HIV para todos os casos de TB, o que não foi 
observado no Estado do Piauí, pois em 13,8% dos casos não foi realizado o exame, 
o que pode ter interferido diretamente na relação de co-infecção encontrada nesta 
pesquisa. Outro estudo que também mostrou contraposição ao que prioriza o MS foi 
o do Estado do Espírito Santo, onde em 21,0% dos casos de TBMR o exame não foi 
realizado. Em uma pesquisa sobre a incidência de tuberculose e a taxa de cura no 
Brasil, no período de 2000 a 2004, a realização do exame HIV em 2004 foi diferente nas 
regiões do País, de forma que mais de 75% dos casos nas regiões Norte e Nordeste 
não realizaram o exame (BIERRENBACH et al., 2007; BRASIL, 2011; JUNCKS, 2008; 
MEDEIROS, 2008).
Para Barroso et al. (2003) , indivíduos imunodeprimidos, tanto por desnutrição 
quanto devido à doença específica ao sistema imunológico, podem desenvolver 
tuberculose e possibilitar o aumento da multirresistência do bacilo. E dentre essas 
doenças imunodepressivas se encontram o alcoolismo, Aids, silicose, diabetes mellitus, 
câncer, entre outras. A comorbidade mais encontrada no Estado foi o alcoolismo, 
presente em 13,8% dos casos. Esta mesma também mostra-se como a comorbidade 
mais frequente nos casos de TBMR analisados em outros estudos pelo Brasil. Em 
Santa Catarina esteve presente em 16,3% dos casos, Pernambuco apresentou 27,3% 
dos pacientes com alcoolismo e mais acentuadamente no Estado do Espírito Santo, 
onde incidiu em 59,5% do total de casos registrados (JUNCKS, 2008; MEDEIROS, 
2008; VIEIRA et al., 2007).
Num estudo realizado por Giroti et al., (2010), em 2006, o alcoolismo foi uma 
variável que estava presente em 13,3% dos casos de abandono no tratamento 
para TB. Este abandono pode ser explicado pelo estilo de vida do alcoólatra, que 
frequentemente faz uso de álcool e se alimenta irregularmente, fatores estes que 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 32
podem contribuir para a interrupção do tratamento e consequentemente, para o 
desenvolvimento da resistência bacilar. Embora o TDO seja indicado para todos os 
casos de TB, o grupo dos alcoólatras deve receber atenção especial, pois representam 
uma parcela importante, tanto no que se diz respeito ao abandono do tratamento como 
no desenvolvimento da multirresistência.
O MS, seguindo orientações da OMS, indica que TDO ocorra em 100% dos casos 
de TB, no entanto, esta orientação não foi devidamente acatada nos casos de TBMR 
no Estado do Piauí. Os dados mostram que o TDO não foi realizado em 72,4% dos 
casos, o que colabora expressivamente para o abandono e para a realização indevida 
do tratamento. Estes resultados também estão bem deficientes se comparados aos 
do Estado do Espírito Santo, onde 68,4% dos casos de TBMR tiveram seu tratamento 
supervisionado. Vale lembrar ainda que o TDO começou a ser desenvolvido no estado 
do Piauí somente no ano de 2003, no entanto, nota-se que o maior número de casos 
analisados na pesquisa ocorreram a partir do ano de 2005. (BOTELHO, 2005; COÊLHO 
et al., 2005; BRASIL, 2011; VIEIRA et al., 2007).
De acordo com um estudo realizado na cidade de Cuiabá - MT nos anos de 
1998 a 2000, a incidência do abandono é menor nos grupos supervisionados, sendo 
que nos grupos não supervisionados a chance de abandono é até 2,4 vezes maior. 
Isso deixa evidente a importância do acompanhamento dos casos para a prevenção 
do abandono e consequente diminuição do desenvolvimento da multirresistência 
(FERREIRA; SILVA 2005). 
A forma clínica da tuberculose verificada na maioria dos casos de TBMR foi a 
pulmonar (96,6%, n=28), seguindo o padrão da tuberculose no Brasil, sendo a média 
nacional de 85,6% de casos pulmonares. A predominância da tuberculose pulmonar 
sobre a extrapulmonar pode ser explicada devido à forma de contágio, uma vez que 
os bacilos são absorvidos ao serem aspirados com o ar e se alojarem nos pulmões ou 
nos gânglios linfáticos brônquicos, deixando suas marcas nas cavidades pulmonares 
e se proliferando de forma expressiva (HIJJAR; MELO, 2002; SIQUEIRA; RAFFUL, 
2000). 
Dentre os casos analisados, observou-se que 10,3% dos pacientes (3) realizaram 
apenas um tratamento anterior, 27,6% (8) concluíram 2 tratamentos e que a maioria dos 
pacientes (62,1%) realizou três ou mais tratamentos anteriores. Ao aplicar-se o Teste 
de Fisher, notou-se que este é significativo, mostrando que realmente há uma relação 
entre o número de tratamentos anteriores com o desenvolvimento da multirresistência 
(TABELA 4).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 33
Número de Tratamentos 
anteriores
Número de Casos
Observados Esperados P-valorN % N %
Um 3 10,3 9,7 33,3
0,002*Dois 8 27,6 9,7 33,3
Três ou mais 18 62,1 9,7 33,3
Total 29 100,0 29,0 33,3 
*Teste de Fisher – significativo (p-valor<0,05).
Tabela 4: Relação entre o número de casos de tuberculose multirresistente com o número de 
tratamentos anteriores, notificados na clínica pneumológica do Hospital Getúlio Vargas em 
Teresina-PI. Piauí, 2001 a 2012.
Fonte: Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose da clínica pneumológica do 
Hospital Getúlio Vargas, 2013.
No Brasil, cerca de 95,6% dos casos de TBMR realizaram tratamento prévio 
para TB, o Estado de Santa Catarina registrou que 83,7% dos seus pacientes fizeram 
tratamento prévio para TB, já no Piauí, em 100,0% dos casos, os pacientes realizaram 
tratamento anterior. No Piauí, a maior prevalência (62,1%) foi encontrada em pacientes 
que realizaram três ou mais tratamentos, seguidos pelos que realizaram 2 (27,6%) e 
por último, os pacientes que realizaram apenas 1 tratamento (10,3%). Nota-se que 
aumenta proporcionalmente a possibilidade do indivíduo se tornar multirresistente de 
acordo com o número de tratamentos anteriores realizados por ele (JUNCKS, 2008).
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que as chances de 
um indivíduo se tornar resistente às drogas aumentam de acordo com os tratamentos 
prévios realizados por ele. Uma pesquisa realizada em 116 países mostrou que a 
resistência aos fármacos utilizados para o tratamento de TB aumenta nos casos em 
que houve tratamento prévio. Cerca de 17% dos casos incidentes (casos novos) de TB 
são resistentes a qualquer medicamento, 10,3% à isoniazida e com multirresistência 
de 2,9%. Para os casos já tratados anteriormente, a resistência é de 35% a qualquer 
medicamento, 27,7% à isoniazida e multirresistência de 15,3% (WHO, 2007).
De acordo com o I Inquérito de Resistência aos Medicamentos Anti-tuberculose, 
realizado no Brasil no ano de 1996, existia uma proporção de 8,5% resistência a 
qualquer medicamento para os casos novos de TB e de 21% para os casos com 
tratamento prévio. A resistência à isoniazida foi de 4,4 e 11,3% para casos novos 
e já tratados antes, respectivamente. Para a multirresistência, as magnitudes para 
casos novos foram de 1,1% e 7,9% para episódios com tratamento prévio (BRAGA; 
WERNECK; HIJJAR, 2003).
No mundo, a maioria dos casos de TBMR se desenvolve devido a tratamentos 
irregulares e ao abandono. No Brasil, 96% dos casos de resistência notificados são 
adquiridos dessa forma, sendo que mais da metade tem de três ou mais tratamentos 
prévios para tuberculose e 7% possuem coinfecção com HIV (BRASIL, 2007).
Na Tabela 5 observa-se que 72,4% (21) dos casos eram do tipo adquirido da 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 34
TBMR e que 27,6% (8) correspondiam à resistênciaprimária. Ao aplicar-se o teste qui-
quadrado, o resultado do p-valor foi de 0,015, mostrando significância entre o número 
de casos de TBMR com o tipo adquirido da doença.
Tipo de Resistência
Número de Casos
Observados Esperados P-valorN % N %
Adquirida 21 72,4 14,5 50,0 0,015*Primária 8 27,6 14,5 50,0
Total 29 100,0 29,0 33,3 
*Teste de qui-quadrado – significativo (p-valor<0,05).
Tabela 5: Relação entre o número de casos de tuberculose multirresistente com o tipo de 
resistência, notificados na clínica pneumológica do Hospital Getúlio Vargas em Teresina-PI. 
Piauí, 2001 a 2012.
Fonte: Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose da clínica pneumológica do Hospital 
Getúlio Vargas, 2013.
O tipo adquirido da doença, ou seja, aquela detectada nos indivíduos em uso de 
medicamentos anti-tuberculose, prevaleceu dentre os casos analisados (72,4%), com 
valor do teste qui-quadrado significativo (0,015). No entanto, destaca-se um elevado 
número de casos de resistência primária no Estado do Piauí (27,6%) se comparado 
aos Estados do Espírito Santo e Pernambuco, que apresentaram 19,3% e 3,0%, 
respectivamente. Desse modo, destaca-se a eficiência dos serviços de saúde do 
Piauí, por meio da Coordenação de Controle da Tuberculose através de suas ações 
descentralizadas na Estratégia Saúde da Família e na referência (clínica pneumológica 
do HGV), na detecção precoce da TBMR (BRASIL, 2011; MEDEIROS, 2008; VIEIRA 
et al., 2007).
Conforme mostra a Tabela 6, todos os 29 casos (100%) de TBMR eram resistentes 
aos antibióticos rifampicina e isoniazida, 28 pacientes (96,6%) apresentavam 
resistência à pirazinamida, 17 (58,6%) ao etambutol, 25 (86,2%) à etionamida, e 12 
(41,4%) à estreptomicina.
Padrão de Resistência N %
Rifampicina
Resistente 29 100,0
Isoniazida
Resistente 29 100,0
Pirazinamida
Sensível 1 3,4
Resistente 28 96,6
Total 29 100,0
Etambutol
Sensível 12 41,4
Resistente 17 58,6
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 35
Total 29 100,0
Etionamida
Sensível 4 13,8
Resistente 25 86,2
Total 29 100,0
Estreptomicina
Sensível 17 58,6
Resistente 12 41,4
Total 29 100,0
Tabela 6: Padrão de resistência dos casos de tuberculose multirresistente notificados na clínica 
pneumológica do Hospital Getúlio Vargas em Teresina-PI. Piauí, 2001 a 2012.
Fonte: Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose da clínica pneumológica do Hospital 
Getúlio Vargas, 2013.
No estudo, verificou-se que 24,1% (7) dos casos analisados foram a óbito em 
consequência da doença, 6,9% (2 casos) apresentaram óbito por outra causa, 27,6% 
(8 casos) tiveram alta por cura, 13,8% (4 casos) continuavam em tratamento por 
falência, 6,9% (2 casos) abandonaram o tratamento e que 20,7% (6 casos) estavam 
em tratamento favorável. 
A resistência à rifampicina e isoniazida foi observada em 100% dos casos, o 
que já era esperado dada as suas condições de classificação como multirresistência. 
A pirazinamida obteve resistência em 96,6% dos casos, bem acima dos valores 
encontrados no Estado de Pernambuco (26,9%). O antibiótico que teve menos 
resistência entre os analisados foi a estreptomicina, com 41,4% dos casos resistentes. 
Em Pernambuco, o antibiótico menos resistente foi a etionamida (19,2%) (MEDEIROS, 
2008).
O Estado do Piauí alcançou a cura como resultado em apenas 27,6% dos casos, 
ficando bem atrás de outros estados como o Espírito Santo e Pernambuco, que 
obtiveram cura em 71,7% e 56,7% dos casos respectivamente. No Brasil, a taxa de 
cura alcançada para TBMR é de 60,0% e no nordeste é de 52,4%. No entanto, vale 
ressaltar que ainda existiam 34,5% (10) dos casos em tratamento (favorável e por 
falência) no Piauí, portanto, é provável que essa taxa de cura seja aumentada. A taxa 
de óbito por TBMR mostrou-se elevada no Estado (24,1%, n=7) se comparada com o 
Espírito Santo, que teve apenas 10,8% (BRASIL, 2011; MEDEIROS, 2008; VIEIRA et 
al., 2007). 
4 | CONCLUSÃO
A pesquisa permitiu observar o perfil epidemiológico dos casos de tuberculose 
multirresistente notificados no Estado do Piauí, observando-se que a maioria residia na 
capital, Teresina, era do sexo masculino, de cor parda, com idade média de 40,2 anos 
e com baixa escolaridade. Com relação aos dados clínicos, houve um predomínio de 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 3 36
casos com 3 ou mais tratamentos prévios, na forma clínica pulmonar, tipo adquirido 
da doença e que na grande maioria dos casos o tratamento supervisionado não foi 
realizado, corroborando para a baixa taxa de cura alcançada.
A presença de co-morbidades associadas como o alcoolismo, apesar de não 
se confirmarem como preditivas de um desfecho desfavorável para a TBMR, deve 
ser pensada como possíveis focos de intervenção para evitar o surgimento de novos 
casos de resistência bacilar, já que estas comorbidades, embora consistam em um 
pequeno número, condizem com as descritas na literatura como associadas à TBMR.
Os serviços de saúde no Estado do Piauí devem ater-se mais a esta patologia, 
tanto com relação à notificação como ao seu combate, principalmente com a ampliação 
do Tratamento Diretamente Observado, pois esta assistência foi precária nos casos 
de resistência encontrados nesse estudo. Faz-se então necessária a sensibilização 
dos profissionais de saúde tanto no preenchimento correto das notificações para que 
os dados no sistema de informação sejam mais fidedignos, como em relação ao TDO, 
para garantir a adesão do paciente ao tratamento.
Sugere-se ainda que seja implantada no Estado, uma equipe multiprofissional, 
formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos para trabalhar no 
acolhimento e na orientação dos pacientes com TBMR ou outros casos de TB que 
necessitem de tratamento diferenciado, facilitando a adesão e a conclusão do tratamento 
desses pacientes. Destaca-se o enfermeiro como profissional com desempenho nas 
ações de educação em saúde, através de um atendimento humanizado, individualizado 
e integral, baseando-se nas necessidades e singularidades do indivíduo/família.
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 39
CAPÍTULO 4
AVALIAÇÃO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE 
PACIENTES DIAGNÓSTICADOS COM HANSENÍASE 
EM UMA CIDADE NO INTERIOR DO CEARÁ
Renan Rhonalty Rocha
Universidade Federal Do Ceará – Ufc
Sobral-Ceará
Maria Vitória Laurindo
Centro Universitário Uninta
Sobral-Ceará
Camilla Rodrigues Pinho
Santa Casa De Misericórdia De Sobral
Sobral-Ceará
Jessika Cruz Linhares Frota
Centro Universitário Uninta
Sobral-Ceará
Francisca Aila De Farias
Centro Universitário Uninta
Sobral-Ceará
Francisca Valéria Bezerra Sampaio 
Marques
Universidade Federal Do Ceará – Ufc
Sobral-Ceará
Alana Cavalcante Dos Santos 
Centro Universitário Uninta
Sobral-Ceará
Letícia Bandeira Mascarenhas Lopes
Centro Universitário Uninta
Sobral-Ceará
Sara De Araújo Do Nascimento
Centro Universitário Uninta
Sobral-Ceará
Antônia Crissya Ximenes Farias
Centro Universitário Uninta
Sobral-Ceará
RESUMO: A hanseníase é uma doença 
infecciosa causada por um bacilo intracelular 
obrigatório, Mycobacterium leprae, tendo o ser 
humano como hospedeiro. O objetivo desse 
estudo foi avaliar por meio do site do Sistema 
de Informação de Agravos e Notificação, o perfil 
epidemiológico dos pacientes diagnosticados 
com hanseníase na cidade de Cariré - CE, de 
janeiro de 2011 a dezembro de 2015. Trata-
se de um estudo do tipo epidemiológico, 
retrospectivo, documental de abordagem 
quantitativa. O estudo foi realizado utilizando 
dados de notificação relacionados à hanseníase, 
disponíveis no SINAN, para a microrregião de 
Cariré. Foram registrados 67 casos no período 
de 2011 a 2015. A análise de distribuição por 
idade revela que a minoria dos pacientes 
infectados estão abaixo dos 25 anos e acima de 
78 anos e que 53,8% estão entre 26 e 51 anos. 
Em relação aos dados sóciodemográficos, no 
que se refere ao gênero, zona de habitação, 
raça, escolaridade e ocupação, a frequência 
foi de: 53,7% (masculino); 59,7% (urbana); 
68,6% (pardos); fundamental incompleto 
(36%); desempregados/ignorado (49%), 
respectivamente. Quanto a baciloscopia, em 
47,7% dos casos, o exame não foi realizado. 
A classificação Multibacilar foi a mais frequente 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 40
(51%), a forma clínica Indeterminada apresentou o maior índice (33%). O grau zero de 
incapacidade foi o que mais ocorreu (33,5%) e 100% dos pacientes obtiveram alta por 
cura. Este estudo reforça a necessidade de realização de pesquisas regionais, a fim 
de se conhecer melhor a distribuição desta patologia em nível local, buscando levantar 
aspectos que contribuam para ações de prevenção, diagnóstico e tratamento precoce.
PALAVRAS-CHAVE: Mycobacterium leprae. Epidemiologia. Saúde Pública.
Abstract: Leprosy is an infectious disease caused by an obligate intracellular bacillus, 
Mycobacterium leprae, with the human being as host. The objective of this study was to 
evaluate, through the SINAN website, the epidemiological profile of patients diagnosed 
with leprosy in the city of Cariré-Ce, from January 2011 to December 2015. This is an 
epidemiological, retrospective and documental study of a quantitative approach. The 
study was conducted using leprosy-related notification data, available on the SINAN 
website, for the Cariré microregion. Sixty-seven cases were recorded in the period 2011 
to 2015. The analysis of age distribution reveals that the minority of infected patients 
are below 25 years and over 78 years and 53.8% are between 26 and 51 years. With 
regard to socio-demographic data, related to gender, housing area, race, education and 
occupation, the frequency was: 53.7% (male), 59.7% (urban); 68.6% (brown people); 
incomplete elementary school (36%); unemployed / ignored (49%), respectively. In 
terms of smear microscopy, the examination was not performed in 47.7% of the cases. 
The multibacillary classification was the most frequent (51%) and the indeterminate 
clinical form presented the highest index (33%). The zero degree of disability was the 
one that occurred the most (33.5%) and 100% of the patients were discharged for cure. 
This study reinforces the need for regional research in order to better understand the 
distribution of this pathology at the local level, seeking to raise aspects that contribute 
to prevention, diagnosis and early treatment.
KEYWORDS: Mycobacterium leprae. Epidemiology. Public health.
1 | INTRODUÇÃO
A Hanseníase é uma doença infecciosa causada por um bacilo intracelular 
obrigatório, o Mycobacterium leprae, um dos primeiros agentes etiológicos identificados 
que tem o ser humano como hospedeiro (PENELUPPI et al., 2015). É uma das 
doenças mais antigas, além de ter sido a primeira doença infecciosa em que o agente 
etiológico foi identificado. Em meados do século XX, quando o tratamento específico 
foi descoberto, as pessoas deixaram de viver isoladas em colônias e foram tratadas 
em ambulatórios (PEREIRA et al., 2011).
A hanseníase é um importante problema de saúde pública, não só no Brasil, 
mas em vários países, e é definida pela Organização de Mundial de Saúde (OMS) 
como um problema de Saúde Pública, principalmente nos países que ultrapassam 
um caso a cada 10.000 mil habitantes (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE,Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 41
2010). Em 1991, a OMS propôs a eliminação da doença até o ano 2000. Passando 
a ser considerada erradicada quando fosse notificado um novo caso a cada dez mil 
habitantes (BARBOSA et al., 2014). A OMS fixou metas para diminuir a prevalência e 
até erradicar a doença através de medidas como diagnóstico precoce e utilização de 
tratamento poliquimioterápico (PQT) (PENELUPPI et al., 2015).
Entre os anos de 1991 a 2006, ocorreu um elevado número de casos novos 
anuais na região das Américas, sendo diagnosticados 47.612 casos, destes 93% 
foram no Brasil. Em 2008, foram registrados 218.605 casos da doença em todo mundo 
(ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2010), sendo que grande parte se concentra 
em cinco países: Madagascar, Moçambique, Mianmar, Nepal e a República Unida da 
Tanzânia (LOBO et al., 2011). 
Em 2011, a OMS apontou que o Brasil apresentou 33.955 casos notificados 
de hanseníase, sendo o segundo maior país com número de casos, ficando abaixo 
somente da Índia que apresentou 127.295 casos no mesmo ano. Entres os anos de 
2009 a 2012, o Brasil apresentou cerca de 47.000 casos, sendo que a região Norte e 
Centro-oeste foram as que apresentaram as maiores taxas de detecção, seguida das 
regiões Nordeste, Sudeste, respectivamente (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 
2010).
A transmissão ocorre por meio do contato direto ou indireto com pacientes 
infectados, com alta carga bacilar (PENELUPPI et al., 2015). O ser humano é 
considerado a única fonte efetiva de infecção, no entanto, há registros de animais como 
o chimpanzé e o tatu infectados, que poderiam atuar como reservatórios (ROMÃO; 
MAZZONI, 2013). Os pacientes com a forma paucibacilar não são considerados 
importantes agentes transmissores da doença, pois apresentam baixa carga bacilar, no 
entanto, os que apresentam a forma multibacilar são altamente infecciosos (BRASIL, 
2014), desta forma é importante o diagnóstico precoce, para encaminhamento do 
paciente para tratamento correto, por que a partir do inicio do mesmo, o paciente deixa 
de transmitir os bacilos (PEREIRA et al., 2011). 
A hanseníase constitui-se uma doença de grande impacto para o paciente não 
tratado devido seu alto poder incapacitante e deformidades que podem vir a causar 
(BATISTA et al., 2010). É uma doença de evolução crônica e podem ocorrer várias 
complicações no sistema imunológico que se caracterizam por inflamações agudas e 
subagudas, ocorrendo com maior frequência nas formas multibacilares, tanto durante 
o tratamento como após o seu término (BRASIL, 2014). 
O tratamento é gratuito, feito em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema 
Único de Saúde (SUS) e indicado pelo Ministério da Saúde (MS). O tratamento 
específico é feito com PQT e padronizado pela OMS. Os poliquimioterápicos são: 
clofazimina, dapsona e rifampicina, que utilizados em associação, evitam a resistência 
do bacilo, o que ocorre comumente se usados sozinhos. O esquema é padrão de 
acordo com o tipo de classificação operacional em paucibacilar (PB) e multibacilar 
(MB) (BRASIL, 2007).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 42
Portanto, este estudo reforça a necessidade de realização de pesquisas regionais, 
a fim de se conhecer de melhor a distribuição desta patologia em nível local, buscando 
levantar aspectos que contribuem para ações de prevenção, diagnóstico e tratamento 
precoce, assim conseguindo evitar as deformidades e incapacidades da hanseníase. 
Para tanto, tem como objetivo avaliar por meio Sistema de Informação de Agravos 
de Notificação (SINAN) o perfil epidemiológico dos pacientes diagnosticados com 
hanseníase na cidade de Cariré de janeiro de 2011 a dezembro de 2015.
2 | METODOLOGIA
O presente trabalho trata-se de um estudo do tipo epidemiológico, retrospectivo, 
documental e dentro de uma abordagem quantitativa, realizado na cidade de Cariré 
- CE, a região abriga segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE) de 2010 uma população de 18.347 habitantes. Foi realizado utilizando 
dados de notificações relacionadas à hanseníase, disponíveis no Sistema Nacional 
de Notificações e Agravos (SINAN) do Ministério da Saúde, para a microrregião de 
Cariré no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2015. O SINAN é um sistema que 
possui como função a coleta e transmissão de dados epidemiológicos de doenças de 
notificação compulsória, como é o caso da hanseníase e é alimentado pelo Sistema 
de Vigilância Epidemiológica.
Foram incluídos no estudo todos os pacientes diagnosticados e notificados com 
hanseníase no município de Cariré no período de janeiro de 2011 a dezembro de 
2015. Foram excluídas as infecções ocorridas antes de 2011 e depois de 2015 e casos 
ocorridos em outros municípios.
As informações obtidas a partir do SINAN foram organizadas por meio de figuras 
e tabelas formulados no programa Microsoft® Excel Office 2010 e analisados de forma 
quantitativa. Os resultados foram expressos em valores absolutos e percentuais. A 
discussão e a análise foram fundamentadas de acordo com a literatura pertinente.
O estudo não apresenta nenhum risco aos participantes, pois não há envolvimento 
direto com os pacientes, visto que é um estudo de pesquisa com dados secundários. O 
estudo trouxe como benefício, a criação de dados que poderão servir parar traçar um 
perfil epidemiológico da população acometida para que medidas preventivas sejam 
realizadas no município.
Portanto, por se tratar de um estudo em que os dados são secundários, ou seja, 
de domínio público e não há envolvimento direto de pacientes, não se faz necessária a 
submissão e consequentemente aprovação por comitê de ética ou comitê de pesquisa 
local.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 43
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram registrados 67 casos de hanseníase entre janeiro de 2011 a dezembro de 
2015 (TABELA 1), pela secretaria municipal de saúde de Cariré, com uma média anual 
de 13,4 casos. Sendo que em 2012, ano com o maior número de notificações (32,8% 
do total), registrou-se 22 novos casos. 
PERÍODO N° %
2011 14 20,9%
2012 22 32,8%
2013 15 22,4%
2014 10 14,9%
2015 6 9%
 TOTAL 67 100%
Tabela 1 - Número de casos de hanseníase notificados na cidade de Cariré em cada ano.
Por se tratar de um município de pequeno porte no interior do Estado, esses 
dados coincidem com o estudo de Oliveira, Leão e Britto (2014) e Melão et al. (2011) 
realizado no interior de do Rio de janeiro na cidade de Maricá, registrando o seu recorde 
em 2012 com 14 casos e no extremo sul de Santa Catarina, registrando um total de 
54 casos em sete anos respectivamente, divergindo com estudos de Miranzi, Pereira 
e Nunes (2010) e Júnior, Vieira e Caldeira (2012) por se tratarem de áreas conhecidas 
anteriormente como endêmicas. Contudo, o número encontrado nesta pesquisa é 
bastante limitado, tanto pela quantidade de habitantes no município estudado como 
pela distribuição. 
A análise de distribuição por idade revela que a minoria dos pacientes infectados 
estão abaixo dos 25 anos e acima de 78 anos e que 53,8% estão entre 26 e 51 anos 
conforme a tabela 2: 
Faixa Etária 
(anos)
≤ 12 13-25 26-38 39-51 52-64 65-77 >78
Nº 3 3 12 24 11 13 1
% 4,5% 4,5% 18% 35,8% 16,3% 19,4% 1,5%
Tabela 2 – Percentagem de casos confirmados referente à faixa etária no município de Cariré 
no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2015.
Estes resultados se assemelham com outras pesquisas, inclusive uma realizada 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 44
em Montes Claros/MG por Santo et al. (2012), onde quase 50% das pessoas 
acometidas estavam na faixa etária entre 20 e 49 anos e são economicamente ativos, 
prejudicando a economia do município, uma vez que essa faixa da população pode 
desenvolver estados reacionais, lesões e incapacidades, podendo afastar-se das 
atividades produtivas e gerando um custo social elevado e evitável. Além disso, com 
a progressão da idade, estes pacientes tendem a se relacionar mais,seja de forma 
afetiva ou sexual, propagando ainda mais a doença e limitando-a a esta faixa etária 
(DUARTE; AYRES; SIMONETT, 2007; BATISTA, 2010; CORRÊA, et al., 2012).
Quanto à análise do sexo, os números foram relativamente próximos, sendo que 
o sexo masculino apresentou mais casos que o feminino, conforme tabela 3. Este fato 
vai de encontro com diversos estudos realizados em várias cidades como Londrina/
PA, Montes Claros/MG, Maricá/RJ e no estado do Maranhão. Muitos autores afirmam 
que uma maior interação social entre homens e sua habitual exposição a lugares 
de risco contribui para aumentar o número de casos, além disso, a falta de políticas 
específicas para esse grupo e um menor cuidado com a estética corpórea pode ajudar 
na deficiência do diagnóstico (KROL; MATTOS, 2009; SILVA et al., 2010; MELÃO et al., 
2011; SANTO et al., 2012; CORRÊA et al., 2012; OLIVEIRA; LEÃO; BRITTO, 2014).
N° %
Sexo
Feminino 31 46%
Masculino 36 54%
Zona Habitada
Urbana 40
60%
Rural 27 40%
Grupo étnico
Parda 46 69%
Branca 14 21%
Negra 7 10%
Escolaridade
Ignorado 14 21%
Analfabeto 11 17%
Fundamental Incompleto 24 36%
Fundamental Completo 8 12%
Médio Incompleto 4 6%
Médio Completo 5 8%
Ocupação
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 45
N° %
Desempregado/Ignorado 32 49%
Aposentado 7 11%
Trabalhador Rural 11 16%
Dona de Casa 9 13%
Estudante 5 8%
Servente de Obras 1 1%
Gari 1 1%
Motorista 1 1%
Tabela 3 – Dados sóciodemográficos referente à: idade, zona habitada e grupo étnico, 
escolaridade e ocupação dos pacientes cadastrados no SINAN no período de janeiro de 2011 à 
dezembro de 2015.
No que tange à zona de moradia dos pacientes, houve um número superior de 
pacientes que moravam em habitações urbanas sobre os da zona rural (TABELA 3). 
Estudos de perfis epidemiológicos realizados em Uberaba/MG (2010) e em Salvador/
BA (2011) confirmam que a zona urbana concentra o maior número de casos, o que 
pode ser, provavelmente, pelo aglomerado de pessoas e o maior contato físico entre 
elas (MIRANZI; PEREIRA; NUNES, 2010; PINTO et al., 2011).
Em relação variante grupo étnico, este estudo obteve um maior percentual 
de pacientes pardos divergindo de um estudo realizado por Pinto et al. (2011), que 
encontraram um número bem superior de casos em negros. Contudo, diversos 
outros estudos apontam que os movimentos migratórios, miscigenação, o processo 
histórico de colonização, organização espacial e dinâmica de ocupação territorial 
são responsáveis por uma elevação do número de pacientes pardos (BRASIL, 2012; 
LANZA et al., 2012; SARMENTO et al., 2015).
Quanto à escolaridade, apesar de haver um grande número de dados ignorados 
(21%), a quantidade de pacientes com o fundamental incompleto (36%) supera em 
muito esse número, seguidos dos analfabetos (17%) como podem ser observados na 
tabela 3. Estudos semelhantes foram realizados em Fortaleza/CE e Jaguaré/ES onde 
a maioria dos pacientes estudados possuía apenas o ensino fundamental incompleto 
ou eram analfabetos. Doenças endêmicas, como a hanseníase, são geralmente 
influenciadas pelo nível de escolaridade e as condições de vida da população, onde 
se observa que o nível educacional de uma nação é responsável pela dificuldade no 
acesso aos serviços de saúde e no conhecimento que influência na busca desses 
serviços de saúde (SANTOS; CASTRO; FALQUETO, 2008; SOUZA et al., 2013).
Dos pacientes estudados, a maioria é desempregado (49%), seguidos de 
trabalhadores rurais (16%) e donas de casas (11%). Essa elevada parcela de 
desempregados pode ser um reflexo da baixa escolaridade informada antes, ou 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 46
mesmo das poucas perspectivas profissionais oferecidas no município, pois se 
trata de um local cujas atividades principais são destinadas à subsistência, como a 
agricultura familiar e cuidados do lar, fato que contribui para a baixa renda família, 
além de favorecer a probabilidade de patologias como o mal de Hansen. Este achado 
é afirmado por um estudo realizado em Igarapé-Açu, interior do Pará, onde os autores 
avaliaram que a grande maioria dos pacientes estudados estavam desempregados 
(74%), trabalhadores rurais (12%) e empregadas domésticas (5%) (LOBATO; NEVES; 
XAVIER, 2016).
De todos os pacientes estudados, a maioria não realizou a avaliação da 
baciloscopia (74%). Dos avaliados, houve uma maior porcentagem de positivos (20%) 
em relação aos negativos (6%).
Gráfico 1 – Classificação quanto à baciloscopia dos pacientes avaliados no município de 
Cariré- Ceará. 
A baciloscopia é um exame que faz parte do arsenal utilizado no diagnóstico da 
doença (TEXEIRA et al., 2010), e por mais que seja acessível, a alta taxa de pacientes 
não avaliados neste estudo, deve-se ao fato do município estudado se localizar no 
interior do estado e não prover de recursos para efetuar a baciloscopia de todos os 
pacientes, além da demora para a entrega nos resultados, como foi encontrado em 
outros estudos (ROMÃO; MAZZONI, 2013; SOUZA et al., 2013; SARMENTO et al., 
2015).
Em se tratando da classificação operacional, os resultados deste estudo foram 
bem próximos com uma diferença de apenas 2% entre as formas paucibacilar 
e multibacilar. A forma multibacilar foi superior com 51%, enquanto que a forma 
paucibacilar apresentou-se em 49%.
Este achado difere um pouco dos estudos encontrados na literatura, uma vez 
que a forma multibacilar é a mais prevalente e mais agressiva (MELÃO et al., 2011; 
PINTO et al., 2011; SARMENTO et al., 2015), sendo responsável por aumentar em até 
nove vezes as chances de o paciente desenvolver um grau de incapacidades físicas, 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 47
sendo uma provável causa de pacientes mal informados ou um precário sistema de 
saúde (SANTO et al., 2012).
O esquema terapêutico mais utilizado foi o multibacilar com 12 doses na mesma 
proporção da classificação operacional, onde foi notado uma relação bastante 
significativa entre os dois. Esta relação vem se tornando comum e, sua utilização é 
corroborada por estudos realizados em por Santo et al., (2012) em Montes Claros/MG 
e por Pinto et al., (2011) em Salvador/BA.
Já com relação à forma clínica, a maior prevalência dos pacientes estudados foi 
indeterminada, seguida da tuberculoide, virchowiana, dimorfa e não classificada.
Gráfico 2 – Percentual de casos referente às formas clínicas dos pacientes portadores do 
bacilo de Hans em Cariré/CE. 
O grande número de pacientes com forma clínica indeterminada se dá, 
provavelmente, pelos baixos recursos do município, uma vez que o local se encontra 
no interior do Estado. Estudos realizados no nordeste, nas cidades São Luís/MA 
(2010), Salvador/BA (2011) e Fortaleza/CE (2013), coincidem quando apresentam a 
forma dimorfa como sendo a mais frequente, contudo divergem desta pesquisa já que 
as formas determinadas a tuberculóide apresentaram maior prevalência, podendo os 
números indeterminados ser formas dimorfas que não foram identificadas (LIMA et al., 
2010; PINTO et al., 2011; SOUZA et al., 2013).
No que tange o grau de incapacidade física no momento do diagnóstico, o de 
maior prevalência nos pacientes estudados foi o grau zero. Os graus I e II apresentaram 
apenas 3% e 2% respectivamente, o que seria um resultado benéfico, contudo foi 
encontrado um grande número de casos não avaliados (43%) como mostra a gráfico 
3:
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 48
Gráfico 3 - Grau de Incapacidade física do paciente no momento do diagnóstico no período de 
janeiro de 2011 à dezembro 2015.
Com o grau zero sendo o mais, o percentual encontrado nesta análise (52%), foi 
bem próximo do relato de outros autores (LIMA et al., 2010; FINEZ; SALOTTI, 2011; 
PINTO et al., 2011; OLIVEIRA; LEÃO; BRITTO, 2014). Estudo realizado em Montes 
Claros/MG por Santo e colaboradores (2012), evidenciaram um alto índice de pacientes 
não avaliados, concordando com esta pesquisa, contudo, não foi discutida a razão. 
Outro estudo executado em 11 municípiosdo Paraná responsabiliza os profissionais a 
não avaliação, pelos mesmos não possuírem a qualificação necessária para executar 
corretamente, concordando diretamente com este levantamento (PACHECO; AIRES; 
SEIXAS, 2014).
Quanto ao tipo de alta dos pacientes estudados, 100% dos pacientes receberam 
alta por cura.
Este resultado concorda com um estudo realizado também no Ceará, neste caso 
em Fortaleza (2013) e em Uberaba/MG (2010), em que a ocorrência dos pacientes 
estudados evoluiu para a cura. Isso demonstra que houve um grande comprometimento 
com o tratamento poliquimioterápico e que o mesmo ainda possui eficácia frente ao 
bacilo de Hans (MIRANZI; PEREIRA; NUNES, 2010; SOUZA et al., 2013).
4 | CONCLUSÃO
Diante dos resultados apresentados verifica-se que as características 
epidemiológicas e clínicas dos pacientes com hanseníase cadastrados no SINAN 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 4 49
na cidade de Cariré/CE no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2015 são de 
pacientes com idades entre 39 A 51 anos, do sexo masculino, pardos, que moram 
na zona urbana, desempregados, apresentando uma infecção multibacilar, mas com 
nenhum grau de incapacidade e que evoluíram para cura.
Salienta-se, que a compreensão da epidemiologia da doença e dos atributos 
clínicos dos pacientes com diagnóstico de hanseníase é essencial e de grande 
importância para se construir estratégias direcionadas para este grupo, desenvolvidas 
pelo governo e profissionais de saúde, em conjunto com a população, por meio do 
controle social, buscando, assim, políticas públicas para redimensionar o atendimento 
nas unidades de saúde municipais aos portadores do bacilo de Hans, dando uma 
especial atenção ao efetivo diagnóstico o mais precocemente e assimilação do 
panorama desta doença na atualidade; assim como criar discussões e estratégias 
para apoiar as práticas de serviços de saúde, com ênfase no controle da doença e 
promoção da saúde, em um sentido amplo, para toda população.
O presente estudo visa contribuir para a identificação dos dados epidemiológicos 
encontrados e notificados no município de Cariré - CE, e, assim, servir como 
ferramenta de informação, para que medidas possam ser tomadas no que se refere ao 
controle da doença no município. Além disso, este estudo torna-se relevante por trazer 
informações adicionais à comunidade acadêmica, aos farmacêuticos e aos futuros 
profissionais da área, uma vez que este profissional também deve estar inserido 
na equipe multiprofissional responsável pelo cuidado e atenção ao pacientes com 
hanseníase, assim como o farmacêutico deve participar ativamente na supervisão 
da administração do esquema de tratamento desta patologia, a fim de assegurar a 
eficácia e a segurança dos medicamentos em relação ao paciente.
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 5 52
CAPÍTULO 5
ANÁLISE DAS NOTIFICAÇÕES DA SÍFILIS 
CONGÊNITA NO MUNICÍPIO DE NOVA IGUAÇU-RJ, 
NO PERÍODO DE 2013 A 2017
Hellen de Souza Neves 
Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade 
Iguaçu (UNIG)
Emanuel Inocêncio Ribeiro da Silva
Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade 
Iguaçu (UNIG)
Paula Guidone Pereira Sobreira
Mestre em Saúde Pública – ENSP/FIOCRUZ. 
Docente do Curso de Fisioterapia e Medicina 
Veterinária da UNIG.
Adalgiza Mafra Moreno
Doutora em Ciências Cardiovasculares - UFF.
Docente do Curso de Fisioterapia da UNIG
Introdução: a sífilis congênita é uma 
doença com alta taxa de incidência e de 
notificação compulsória. Tornando necessário 
que as fichas sejam preenchidas de forma 
completa, auxiliando no monitoramento e no 
perfil para tomada de decisões. Objetivo: 
realizar a análise da completude das fichas 
de notificação referente a Sífilis Congênita 
em Nova Iguaçu-RJ, entre 2013 a 2017 e 
identificar as dificuldades para o preenchimento 
adequado. Desenho do Estudo: trata-se de 
um estudo transversal e descritivo, utilizando 
fichas de notificação compulsória de Sífilis 
Congênita com 1243 registros de casos no 
SINAN. Metodologia: A análise da completude 
das fichas baseou-se na classificação do 
Ministério da Saúde: ruim menor que 70%, 
regular entre 70 e 89%, categorizando também 
como excelente o preenchimento acima de 
90% dos campos. Os campos “em branco” 
foram considerados dados ignorados e erros 
em relação ao preenchimento. Posteriormente 
foi aplicado questionário com os responsáveis 
pelo preenchimento da notificação compulsória 
e realizado palestra. Os dados foram tabulados 
no Programa Excel for Windows 2013. O 
estudo foi submetido e aprovado no CEP, 
CAAE 597666616.0.0000.8044. Resultados: 
Os campos com maior taxa de incompletude 
foram tratamento da gestante com sífilis 
34,9%, tratamento do parceiro com sífilis 
52,8% e escolaridade da gestante 50% . Sendo 
categorizados como ruim em relação ao critério 
de preenchimento. Identificamos através 
do questionário os principais fatores que 
norteiam a incompletude, em 62,5% das fichas 
preenchidas são dados captados no prontuário 
do paciente e 37,5% são informações coletadas 
diretamente com o paciente. Apontando também 
o não comparecimento do parceiro na Unidade 
de Saúde. Discussão: Os campos das fichas 
de notificação compulsória são preenchidos 
com informações registradas no prontuário 
do paciente, sendo os campos considerados 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 5 53
incompletos os de grande relevância em relação ao tratamento da doença. Conclusão 
a análise dos dados permitiu identificar e compreender os fatores que interferem no 
processo de notificação compulsória, evidenciando que a incompletude dos elementos 
interfere diretamente na qualidade do serviço prestado a população, dificultando a 
busca ativa do indivíduo pelo serviço de saúde e também interferindo na estratégia 
de elaboração de medidas preventivas da doença. Palavras chave: Monitoramento 
Epidemiológico; Sífilis Congênita, SINAN.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 54
CAPÍTULO 6
ANÁLISE DAS PRINCIPAIS DOENÇAS 
SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS NO BRASIL NO 
PERÍODO DE 2011 A 2015
Antônio Zenon Antunes Teixeira 
Universidade Cândido Mendes
Pró-Reitoria De Pós-Graduação E Pesquisa
Pós-Graduação Em Análises Clínicas E 
Microbiologia
Aparecida De Goiânia, Goiás
2017
Artigo Científico apresentada à Universidade 
Cândido Mendes UCAM como requisito parcial 
para a conclusão do curso de pós-graduação 
lato sensu especialização em Análises Clínicas 
e Microbiologia
RESUMO: Os meios de comunicação no Brasil 
constantemente estão realizando comentários 
sobre o aumento de doenças sexualmente 
transmissíveis. O aumento dos casos de Sífilis, 
HIV, Hepatites são preocupantes e muitas 
vezes se discute o descaso do governo federal 
em não decretar epidemia de Sífilis, uma 
vez que as estatísticas chamam a atenção 
das organizações internacionais de saúde. 
Portanto, esse trabalho tem como o objetivo 
analisar os dados estatísticos apresentados 
pelo Ministério da Saúde de HIV/Aids, Sífilis e 
Hepatites entre os anos de 2011 e 2015. Os 
dados apresentados neste artigo foram obtidos 
de Boletins Epidemiológicos das epidemias 
HIV/Aids, Sífilis e Hepatites Virais. Foram 
realizadas análises das taxas de incidência das 
doenças no período de cinco anos. Os casos 
foram analisados de acordo com o sexo, idade 
e região dos infectados. Os dados obtidos foram 
compilados e calculados utilizando software 
Excel 2010. Os resultados demonstram que as 
doenças possuem a tendência de apresentar 
aumentos significativos como no caso da Sífilis 
principalmente no grupo feminino. As maiores 
concentrações de DST/HIV estão entre a 
população jovem em idade reprodutiva. A região 
mais preocupante para Sífilis é o Rio Grande do 
Sul com uma taxa de mais de 100 em 100 mil 
habitantes seguidos pelo Espirito Santo e São 
Paulo. Concluiu-se que os problemas devem 
ser enfrentados através da educação sexual 
no lar e na escola. No caso das hepatites há 
necessidade imediata de prover o sistema de 
saúde com meios tecnológicos avançados para 
detectar os diversos tipos de vírus causadores 
de hepatites.
PALAVRAS-CHAVE: DST, Sífilis, HIV, AIDS, 
Hepatites.
INTRODUÇÃO
A urbanização é um fenômeno mundial 
e estima-se que em 2050 a população urbana 
será de 67% no planeta. A população urbana 
no Brasil em 2010 atingiu 84,3% da população. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 55
Entretanto, não se observa ações consistentes voltadas ao enfrentamento de epidemias 
de agentes infecciosos de relevância para a saúde pública (SEGURADO et al., 2016). 
Em 2010 a população brasileira era estimada em 190.755.799 indivíduos e destes 
cerca de 51 milhões eram jovens entre 15 a 29 anos (IBGE, 2010). 
A baixa escolaridade associada ao menor conhecimento de doenças sexualmente 
transmissíveis como Aids, HIV, Hepatites e Sífilis apontam para uma necessidade de 
ações educativas destinadas a população mais jovem no Brasil (MIRANDA et al., 
2013). Esses jovens estão vulneráveis à transmissão de DSTs/HIV Aids e existe a 
necessidade de políticas públicas para um engajamento de pais e professores em 
assuntos sobre sexualidade (FONTES et al., 2017). 
A AIDS (Acquired Immune Deficiency Syndrome) surgiu no início dos anos 80 
na Califórnia entre as populações de homossexuais que apresentaram “sarcoma de 
Kaposi”, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune 
e o HIV que é o vírus relacionado com essa síndrome de acordo com o Programa 
Nacional de Aids, a qual começou a ser relatada na ÁfricaCentral na metade do século 
XX em primatas (Apud PINTO et al., 2007).
Apesar de haver uma melhoria nas condições sanitárias no Brasil, as hepatites 
virais, as quais são causadas por diferentes agentes etiológicos são ainda uma 
grande preocupação em saúde pública especialmente as hepatites B e C. Foram 
desenvolvidas vacinas para hepatite B e novas técnicas moleculares tem auxiliado 
na detecção do vírus da hepatite C. O real número de casos de hepatites no Brasil 
é incerto, pois a identificação requer técnicas complexas de biologia molecular e é 
realizado de maneira insuficiente. A metade dos ambulatórios públicos das diferentes 
regiões do Brasil não possui acesso ao kit DNA-VHB para identificar hepatite B e 40% 
dos mesmos ambulatórios não possuem exames de biologia molecular para hepatite 
C (FERREIRA & SILVEIRA, 2004).
Os fatores ligados aos altos índices de transmissão do Treponema pallidum no 
Brasil estão associados à falta de informação, acesso limitado aos cuidados da saúde, 
baixo nível socioeconômico, falta de tratamento do parceiro infectado, o não uso de 
preservativos e como consequência temos cerca de 12 mil recém-nascidos infectados 
com sífilis no Brasil a cada ano (PIRES et al.; 2014). Tudo isso nos leva a abordar os 
dados estatísticos da Secretária de Vigilância em Saúde e observar as tendências dessas 
doenças sexualmente transmissíveis apresentados nos boletins epidemiológicos dos 
últimos anos. O objetivo desse artigo foi analisar os dados estatísticos do Boletim 
Epidemiológico das epidemias de HIV/Aids, Sífilis e Hepatites entre os anos de 2011 
e 2015; contribuindo para um melhor entendimento das tendências dessas doenças 
transmissíveis sexualmente no território brasileiro.
Os dados apresentados neste artigo foram obtidos de Boletins Epidemiológicos 
das epidemias HIV/Aids, Sífilis e Hepatites Virais produzidas pela Secretária de 
Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde (BRASIL, 2017; 2016a, 2016b, 2015a, 
2015b). Foram analisadas as taxas de incidência das doenças no período de 2011 a 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 56
2015. As ocorrências das epidemias foram analisadas de acordo com o sexo, idade 
e região dos pacientes. Os dados foram compilados e analisados utilizando software 
Excel 2010. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Figura 1, podemos observar que houve a elevação dos casos de sífilis e HIV 
que aumentaram de 182 e 145% respectivamente em cinco anos. O aumento da sífilis 
foi causado pela elevação da taxa de incidência de sífilis adquirida que é transmitido 
através da relação sexual sem camisinha e resultou em 18.000 casos em 2011; e 
65.000 ocorrências em 2015, um aumento de 265% dos casos. Enquanto a sífilis em 
gestante aumentou 131% e a sífilis congênita a qual há infeção fetal via placenta expandiu 
103%, em um período de cinco anos. Já os casos de HIV subiram no mesmo período. 
Registrou-se um aumento de 145% em cinco anos de 16 mil casos em 2011 a 40 mil 
casos em 2015. Enquanto isso, o número de casos de Aids registrados diminuiu em 
7% em 2015 em comparação com o período de 2011. A produção de medicamentos 
genéricos e o início do tratamento dos pacientes prematuramente contribuíram com a 
queda dos casos novos. 
Figura 1 – Casos confirmados de principais doenças transmissíveis no Brasil por ano de 
diagnóstico, 2011 – 2015. 
Fonte: BRASIL, 2017, 2016a, 2016b, 2015ª, 2015b.
As hepatites virais (hepatite A, B, C e D) são aquelas doenças causadas pelos 
vírus que atacam preferencialmente o fígado (FERREIRA & SILVEIRA, 2004). Apesar 
da diminuição de novos casos de detecção de hepatites A, B e D, os casos de hepatite C 
dobraram, em 2011 de aproximadamente 13.000 ocorrências a 25.000 casos em 2015. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 57
A elevação de taxa de detecção de hepatite C ocorreu principalmente em 2015. Em 
2015 foram considerados casos confirmados de hepatite C aqueles que apresentaram 
os testes anti-HCV ou HCV-RNA reagentes, enquanto em anos anteriores foram 
considerados casos confirmados de hepatite C aqueles que apresentaram os testes 
anti-HCV e HCV-RNA. Entre os vírus hepatites, a hepatite B é transmitida em geral pelo 
contato sexual, houve a diminuição dos casos confirmados em 2015 em comparação 
com os quatro anos anteriores (Figura 2). 
Figura 2 – Casos confirmados de hepatites virais no Brasil por ano de diagnóstico, 2011 – 
2015. 
Fonte: BRASIL, 2017, 2016a, 2016b, 2015ª, 2015b.
Durante desse período, os maiores percentuais de casos sífilis ocorreram em 
mulheres. Em 2015, quase 80% dos casos são em gestante. Gestantes nas idades 
entre 20 a 29 anos são mais vulneráveis. Enquanto em sífilis adquirida, os casos entre 
homens são maiores com a razão de 1,5 em 2015 (Figura 3). O número de homens 
infectados pela Aids é o dobro em comparação com as mulheres. Citando a pesquisa 
(BRASIL, 2016b), os portadores de aids dos sexos masculinos são homossexuais 
(35%), heterossexuais (50%), bissexuais (10%) e 5% foram transmitidos via sanguínea. 
Enquanto nas mulheres, mais de 90% dos portadores de aids são heterossexuais. 
Igualmente como em portadores de Aids, menos de 5% dos casos confirmados do HIV 
em mulheres e homens foram infectados pela via sanguínea. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 58
Figura 3 – Casos confirmados de principais doenças transmissíveis (sífilis, HIV Aids e Hepatites 
virais) no Brasil por sexo, 2011 – 2015.
Fonte: BRASIL, 2017, 2016a, 2016b, 2015ª, 2015b.
Segundo dados obtidos do Boletim Epidemiológico da epidemia Sífilis, produzido 
pela Secretária de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde (BRASIL, 2016a) 
observou-se que no ano de 2011 tivemos 1269 casos de sífilis entre adolescente de 
13 a 19 anos, 4878 casos na faixa de idade 20 a 29 anos, 4095 casos na faixa de 30 a 
39 anos, 3432 casos na faixa de 40 a 49 anos, 4384 casos acima de 50 anos e 2 casos 
ignorados totalizando 18056 casos positivos de sífilis. Em 2012 houve um total de 
27693 casos com aumento em todas as faixas de idade. No ano de 2013 foram 38942 
casos positivos de sífilis e a incidência de sífilis em todas as faixas etárias tiveram 
aumento significativo. Em 2014 o número total de sífilis foi de 49606 e finalmente no 
ano de 2015 tivemos um número de 65858 casos. Comparando com o ano de 2011 
a 2015, tivemos um aumento de 265% dos casos num período de cinco anos. No 
mesmo período o aumento na faixa dos 13 a 19 anos foram 425%, na faixa etária dos 
20 a 29 anos tivemos um aumento de 346%, entre os 30 a 39 anos o aumento foi de 
262%. Na faixa de idade entre os 40 a 49 anos, o aumento foi de 181% e acima dos 
50 anos, o aumento da sífilis foi de 196% entre os anos de 2011 e 2015.
No mesmo período para os casos de HIV notificados (BRASIL, 2017) tivemos um 
aumento de 228%. Na faixa de idade entre 10 a 19 anos o aumento entre os anos de 
2011 e 2015 foi de 267%. Entre as idades de 20 a 29 anos o aumento foi de 247%. 
Na faixa etária entre 30 e 39 anos tivemos um aumento de 214%. Entre as idades de 
40 a 49 anos a incidência de HIV aumentou 200% e acima dos 50 anos o aumento foi 
de 244%.
Os casos de Aids (BRASIL, 2017) foram notificados um total de 41845 casos 
em 2011 e 39113 casos em 2015. No mesmo período na faixa etária de 10 a 19 
anos tivemos um aumento de 23%. Entre as idades de 20 a 29 anos o aumento foi 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 59
de 7%. Na faixa etária entre 30 e 39 anos tivemos um decréscimo de -7%. Entre as 
idades de 40 a 49 anos a incidência de Aids diminuiu -13% e acima dos 50 anos o 
aumento foi de 13%. Tais resultados ocorrem devido a distribuição de medicamentos 
genéricos gratuitamente a população de HIV positivo. Somente entre os mais jovens 
e provavelmente menos esclarecidos e idosos que o aumento de Aids foi significativo. 
Os casos confirmados de hepatites no Brasil são subestimados, pois há 
necessidade de técnicas mais sofisticadas de biologia molecular às quais grande parte 
dos ambulatórios públicos não possuem acesso (FERREIRA& SILVEIRA, 2004). 
Segundo dados do boletim epidemiológico para hepatites virais (BRASIL, 2016b) entre 
os anos 2011 os casos confirmados de hepatite B em gestantes foi de 1844; em 2012 
tivemos 1734 casos; em 2013 foram registrados 1743 casos; em 2014 tivemos 1767 
casos e em 2015 os casos foram 1617. Esses números podem estar conectados com 
a crise econômica e política que estamos passando que acabam por subestimar os 
casos de hepatites virais no país. 
Tabela 1 mostra que sífilis aumentou mais do que 100% em todas as regiões do 
Brasil, enquanto na região Sul, a doença subiu mais do que cinco vezes nos últimos 
cinco anos. Em 2015, as cidades do Rio Grande do Sul, Espirito Santo e São Paulo 
apresentaram as maiores taxas de detecção dos casos de sífilis adquiridos com 111, 
85 e 75 casos por cem mil habitantes respectivamente (BRASIL, 2017). Na região Sul, 
os casos confirmados crescem mais de 50% anualmente. 
Na mesma tabela observamos que o HIV aumentou significativamente em todas 
as regiões sendo que no período de cinco anos analisados, a região Norte apresentou 
a maior percentagem de aumento (311%). A região Sudeste apresentou a menor taxa 
de aumento (81%). A região Nordestina aumentou 270%, o Centro-Oeste 218% e a 
região Sul teve uma percentagem no aumento de HIV de 159%. 
A Aids apresentou diminuição nas análises dos percentuais nos últimos 5 anos 
como observado na tabela 1. Nas regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste com os seguintes 
percentuais negativos de -16%, -11% e -4% respectivamente. A região Norte teve um 
aumento de 22% seguido da região Nordeste com 7% no aumento dos casos de Aids.
Os dados obtidos da tabela 1 para os casos de hepatites são bastante controversos, 
pois já foram discutidos aqui, os dados de hepatites são subestimados em decorrência 
da crise política e econômica que atravessa o País. A região Norte apresentou nos 
últimos cinco anos um aumento de 9% e já a região Nordeste apresentou um decréscimo 
de -26%. A região Sudeste que apresentou melhores índices para Sífilis, HIV e Aids; no 
caso de hepatites teve um aumento de 19% dos casos e perfil semelhante apresentou 
a região Sul com um aumento de 49% nos casos de hepatites virais. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 60
Ano Doenças Regiões
Norte Nordeste Sudeste Sul
Centro-
Oeste
2011 Sífilis 3025 8684 23811 3948 2529
HIV 952 2184 8609 3712 952
Aids 3452 8097 18295 9210 2791
Hepatites virais 6021 5090 16439 9517 2747
2012 Sífilis 3485 10107 32763 7098 3210
HIV 1169 2312 9393 4242 1120
Aids 3527 8494 17429 9022 2957
Hepatites virais 5704 4581 16527 9284 2543
2013 Sífilis 4679 12345 42716 10518 4427
HIV 1433 3164 10761 6348 1680
Aids 4318 9033 16933 8935 3046
Hepatites virais 6407 5270 14725 9705 2444
2014 Sífilis 5583 14699 51845 15960 5301
HIV 2790 5906 14310 8444 2528
Aids 4486 8809 16310 8476 2926
Hepatites virais 6605 4778 12804 10252 2672
2015 Sífilis 7031 18344 60198 25792 7106
HIV 3917 8083 15583 9605 3032
Aids 4205 8670 15402 8157 2679
Hepatites virais 6578 3744 19695 14147 2343
Tabela 1 – Casos confirmados de doenças transmissíveis de acordo com região por período de 
2011-2015
Fonte: BRASIL, 2017, 2016a, 2016b, 2015ª, 2015b. A categoria sífilis inclui sífilis adquiridos, sífilis em gestantes e 
sífilis congênitas. HIV inclui HIV e HIV gestantes. Hepatite virais (hepatite A, B, C e D). Hepatite B inclui hepatite 
B e hepatite B em gestantes).
CONCLUSÃO
Perante os fatos apresentados se comprova que o estado da saúde pública no 
Brasil está num estado de abandono total. Faltam políticas públicas de educação básica 
sobre doenças sexualmente transmissíveis e HIV nos lares e escolas uma vez que 
os dados apresentados apontam como os jovens os maiores portadores de doenças 
transmitidas via sexual e HIV. Há uma necessidade urgente de se esclarecer toda 
essa população jovem que enquanto houver medicamentos vendidos como genéricos 
para impedir a manifestação do vírus HIV, não teremos que nos preocupar com a AIDS, 
entretanto se por ventura tais drogas não forem fornecidas a população contaminada, 
o Estado entrará em um colapso total devido as enfermidades infectocontagiosas que 
podem advir desse problema. 
Os casos de Sífilis entre as mulheres, principalmente as grávidas devem ser 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 6 61
sobrepujadas de imediato através de políticas de orientação, esclarecimento e fornecer 
um amplo acesso aos exames de pré-natal, pois são eles que vão formar as próximas 
gerações da nação.
As hepatites no Brasil estão de longe subestimadas e se conclui que há 
necessidade de imediata de se dar acesso à tecnologia avançada para diagnóstico 
sofisticado dos diferentes tipos de hepatites encontrados no Brasil.
Desta maneira podemos iniciar um processo coletivo com o objetivo de se 
frear a epidemia de doenças sexualmente transmissíveis e HIV no Brasil através do 
diagnóstico, da educação e da prevenção.
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metrópoles – Doenças infecciosas. Estudos Avançados, São Paulo, v. 30, n. 86, p. 29-49, jan/abr, 
2016.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 62
CAPÍTULO 7
CONTRIBUIÇÃO DA REDE SOCIAL PARA 
ADOLESCENTES E JOVENS ACOMETIDOS PELA 
HANSENÍASE
Leidiane Aparecida Da Silva
Centro Universitário de Patos de Minas
Três Marias-MG
Danty Ribeiro Nunes
Centro Universitário de Patos de Minas
Patos Minas-MG
Leonardo Nikolas Ribeiro
Centro Universitário de Patos de Minas
Patos Minas-MG
Marilene Rivany Nunes
Centro Universitário de Patos de Minas
Patos de Minas –MG
RESUMO: A hanseníase é uma doença 
infectocontagiosa, considerada um problema 
de saúde. Percebe-se o preconceito em relação 
à doença, causam fragilização das relações 
sociais. A rede social pode ser definida como 
a soma de todas as relações que um indivíduo 
possui. O objetivo deste estudo é identificar 
os adolescentes e jovens, com hanseníase, 
e avaliar e a composição da rede social e os 
sentidos atribuídos à doença. Trata-sede uma 
pesquisa descritiva, que teve como amostra 
adolescentes e jovens acometidos pela 
hanseníase, identificados na Ficha do Sistema 
de Informação dos Agravos Nacional (SINAN), 
no período de Janeiro de 2011 a dezembro 
de 2015 no Centro de Saúde Raimundo 
Gonçalves dos Reis em Três Marias-MG. 
Foram adotados dois instrumentos com vista 
conhecer a composição da rede social e os 
sentidos atribuídos à hanseníase. Identificamos 
03 adolescentes que apresentaram idade em 
10 a 19 anos, o tempo de escolaridade variou 
entre o ensino fundamental e médio, é todos os 
adolescentes apresentaram a forma multibacilar 
(MB) da doença, com predomínio da rede social 
pequena. Na análise dos mapas da rede social 
percebeu-se a importância do diagnóstico 
precoce, dos vínculos significativos com os 
membros da família e profissionais de saúde 
do Centro de Saúde referido acima, vínculo 
fragilizado com a Unidade Atenção Primaria de 
Saúde (UAPS). Conclui se que o enfermeiro, 
juntamente com outros membros da Equipe de 
Saúde da Família (ESF) e do Núcleo de Apoio 
a Saúde da Família (NASF), devem utilizar-
se do Projeto Terapêutico Singular (PTS) e 
do Projeto Território Saúde (PST) para assistir 
integralmente os adolescentes e a comunidade. 
PALAVRAS-CHAVE: Hanseníase. Rede social. 
Promoção de saúde. Enfermagem. 
ABSTRACT : Leprosy is an infectious disease, 
considered a health problem. It is perceived the 
prejudice in relation to the disease, they cause 
the weakening of social relations. The social 
network can be defined as the sum of all the 
relationships that an individual possesses. The 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 63
objective of this study is to identify adolescents and young people with leprosy, and to 
evaluate and the composition of the social network and the meanings attributed to the 
disease. This was a descriptive study, which had as a sample adolescents and young 
people affected by leprosy, identified in the National Information System of the National 
Aggravation System (SINAN), from January 2011 to December 2015 at the Raimundo 
Gonçalves Health Center Kings in Três Marias-MG. Two instruments were adopted 
in order to know the composition of the social network and the meanings attributed to 
leprosy. We identified 03 adolescents who presented age in 10 to 19 years, the time 
of schooling varied between elementary and middle school, it is all the adolescents 
presented the multibacillary form (MB) of the disease, with predominance of the 
small social network. In the analysis of social network maps, the importance of early 
diagnosis, significant relationships with the family members and health professionals of 
the Health Center referred to above was identified, a weak link with the Primary Health 
Care Unit (UAPS). It is concluded that the nurse, together with other members of the 
Family Health Team (ESF) and the Family Health Support Center (NASF), should use 
the Unique Therapeutic Project (PTS) and the Territorial Health Project (PST) ) to fully 
assist adolescents and the community.
KEYWORDS: Leprosy. Social network. Health promotion. Nursing.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS 
A hanseníase é considerada um grave problema de saúde pública principalmente 
porque afeta a faixa etária economicamente ativa. É uma doença crônica, infecciosa 
causada pelo Mycobacterium leprae, parasita intracelular obrigatório, que tem 
afinidade por células cutâneas e nervos periféricos (OLIVEIRA; ASSIS; SILVA, 2013). 
Esta possui evolução lenta, normalmente de 11 a 16 dias, podendo ficar incubada de 
2 a 7 anos (ALVES; FERREIRA; FERREIRA, 2014, BRASIL, 2010).
Assim a hanseníase tem característica de alta infectividade e baixa patogenicidade. 
Ela acomete principalmente a pele e os nervos podendo se manifestar de forma 
sistêmica lesando articulações, olhos, testículos, gânglios e outros órgãos causando 
incapacidade funcional (ALVES; FERREIRA; FERREIRA, 2014, BRASIL, 2010).
O diagnóstico da hanseníase é realizado pela avaliação dermatoneurológica e 
confirmado pela baciloscopia da pele. A hanseníase é classificada de acordo com o 
número de lesões de pele, sendo a forma paucibacilar (PB), com até cinco lesões, e a 
multibacilar (MB) com mais de cinco lesões (BRASIL, 2016). A escolha do tratamento 
é realizada de acordo com a classificação utilizando a poliquimioterapia (PQT) durante 
6 meses até 1 ano (BRASIL, 2016).
Percebe-se que tanto em adultos quanto em adolescentes, as manifestações 
clínicas da hanseníase, os efeitos adversos dos fármacos, as incapacidades funcionais 
e até o estigma e o preconceito em relação à doença, causam fragilização das relações 
sociais, o que dificulta a adesão ao tratamento. Assim, percebe-se a necessidade 
destes pacientes receberem apoio dos membros da família, amigos, colega de escola 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 64
e do trabalho, profissionais de saúde, enfim, da rede social (MARINHO et al. 2015; 
ALVES; FERREIRA; FERREIRA, 2014).
A Rede social conforme Sluzki (2010) é a soma de todas as relações que um 
indivíduo possui. A rede social é importante, pois tem a função de auxiliar, dar apoio as 
pessoas frente as suas dificuldades/ problemas e doença. Ela pode também identificar 
formas para a prevenção e tratamento (SLUZKI, 2010). 
Os membros da rede social são capazes de propor ações para minimizar os 
danos causados pela hanseníase (SILVA, 2012; RIBEIRO et al. 2014). A partir desse 
pressuposto o apoio da enfermagem é essencial, para aprimorar a assistência oferecida 
ao paciente e sua família desenvolvendo estratégias junto ao paciente como o objetivo 
de assegurar o tratamento, fornecendo informações como a de que a hanseníase 
tem cura, e que o envolvimento do paciente e da família traz benefícios para todos 
(CARRIJO; SILVA, 2014).
Assim, Sluzki (2010) enfatiza a necessidade de identificar os membros da rede 
social, por meio do Mapa de rede social, com o objetivo de identificar os recursos 
ou mesmo lacunas existentes na rede dos adolescentes e jovens acometidos pela 
hanseníase. Portanto este estudo tem como objetivos identificar os adolescentes e 
jovens, com hanseníase, e avaliar a composição da rede social e os sentidos atribuídos 
à doença.
MATERIAL E METÓDOS
Trata-se de uma pesquisa documental seguida de uma pesquisa de campo 
descritiva com os adolescentes e jovens na faixa etária de 10 a 24 anos, acometidos 
pela hanseníase, identificados na Ficha do Sistema de Informação dos Agravos 
Nacional (SINAN) no período de Janeiro de 2011 a dezembro de 2015, no Centro de 
Saúde Raimundo Gonçalves dos Reis, no município de Três Marias-MG, no ano de 
2016. 
Foram utilizados dois instrumentos para coleta de dados, um questionário 
semiestruturado constituído de 5 questões objetivas sobre idade, sexo, escolaridade, 
esquema terapêutico, idade que teve a doença e 3 perguntas norteadoras discursivas, 
com o objetivo de buscar os sentidos sobre o que é hanseníase, diagnóstico de 
hanseníase e como foi vivenciar a hanseníase no dia a dia e o mapa de rede social 
proposto por Sluzki (2010) para coletar dados sobre a composição da rede social dos 
pacientes adolescentes e jovens acometidos pela hanseníase. 
Os dados objetivos foram avaliados pela análise descritiva e as questões 
discursivas pelo método de Interpretação de sentidos. Já os dados do mapa foram 
avaliados de acordo coma proposta de SluzKi (2010) considerando sua composição, 
tamanho e tipo de vínculo. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisa 
do Centro Universitário de Patos de Minas Parecer nº 1.470.590/2016.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 65
RESULTADOS 
Após realizara a pesquisa documental nas Fichas do SINAN constatou-se que no 
ano de 2016, no Centro de Saúde Centro de Saúde Raimundo Gonçalves dos Reis, 
no município de Três Marias, a presença de 03 adolescentes e jovens, acometidos 
por hanseníase no período de Janeiro de 2011 a dezembro de 2015. Os adolescentes 
foram descritos com nomes fictícios de sua preferênciapara manter o anonimato e 
sigilo das informações, conforme Tabela1.
Nome Fictício Sexo Idade Escolaridade
01 Beatriz Feminino 12 Ensino Fundamental
02 Davi Masculino 13 Ensino Fundamental
03 Carol Feminino 19 Ensino Médio Incompleto
Tabela 1 - Caracterização dos adolescentes e jovens acometidos por hanseníase
Fonte: Coleta de dados dos adolescentes e jovens acometidos por hanseníase, 2016.
Os 03 adolescentes identificados apresentaram idade em 10 a 19 anos o tempo 
de escolaridade entre eles variou entre o ensino fundamental e médio, sendo que 
todos os adolescentes apresentaram a forma multibacilar (MB) da doença, conforme 
Tabela2.
Adolescente Esquema terapêutico
01 Beatriz MB
02 Davi MB
03 Carol MB
Tabela 2- Caracterização do esquema terapêutico dos adolescentes e jovens acometidos por 
hanseníase
Fonte: Coleta de dados dos adolescentes e jovens acometidos por hanseníase, 2016.
Na análise dos mapas de rede social as adolescentes Carol e Beatriz apresentaram 
a rede social pequena, e apenas o adolescente Davi possui uma rede social media. 
Na Figura 1 observa-se que a adolescente Carol possui uma rede social pequena 
com vínculos significativos com os membros da família, um vínculo significativo entre 
a adolescente e o serviço do Centro de Saúde Raimundo Gonçalves dos Reis e um 
vínculo fragilizado com os profissionais da Unidade Básica de Saúde. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 66
Figura 1- Mapa de rede social da Carol, 19 anos.
Fonte: Entrevista com os adolescentes e jovens acometidos por hanseníase, 2016.
Carol ao ser perguntada sobre o que é hanseníase declara que a “hanseníase 
é uma doença com manchas clara com perda de sensibilidade e pega através dos 
outros que já tem a doença depois de alguns anos”, e que o diagnóstico foi realizado 
“pelo médico que viu uma mancha branca”. Para ela vivenciar a hanseníase no dia a 
dia foi “normal, bem tranquilo por ter tratamento”. 
Davi relata que para ele a hanseníase é: “uma doença antigamente chamada 
de Lebra e tem tratamento”. O diagnóstico foi realizado através do “aparecimento 
manchas brancas nas pernas” e ele citou que na vivencia “percebeu as pernas fracas 
e quando andava sentia dor”.
Ao questionar a adolescente Beatriz sobre o que é hanseníase a mesma relatou 
que: “Hanseníase é uma doença que dá uns carocinhos vermelhos e são dolorosos, 
tem que ser controlado com remédios talidomida e talvez prednisona o tratamento é 
um pouco longo”. Percebeu-se que a adolescente tem uma rede social reduzida, e 
pouco conhecimento sobre a doença.
DISCUSSÃO 
Todos os três adolescentes apresentaram a forma MB da doença, que infere 
diagnóstico tardio, corroborando com o estudo Ribeiro et al., (2014). Para os autores 
o diagnóstico da hanseníase é primordialmente clínico, através da anamnese e do 
exame físico, e os critérios para definir a classificação operacional, ocorre através da 
análise do número de lesões cutâneas sendo as forma PB e MB. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 67
O tratamento para a forma MB é constituído por quimioterápicos durante um 
período mínimo de 1 ano, estes causam inúmeros efeitos colaterais como as reações 
hansênicas. Esta advém das alterações do sistema imunológico causadas pela própria 
doença e podem surgir mesmo antes do diagnóstico da doença, durante e após a cura. 
As reações são caracterizadas por manifestações inflamatórias agudas nas lesões 
e nos nervos o que pode ocasionar incapacidades funcionais, se não detectadas e 
tratadas precocemente (BRASIL, 2010). 
Assim, o diagnóstico das reações devem ser realizado rapidamente para 
evitar a presença de incapacidades. O diagnóstico e realizado através do exame 
físico geral e dermatoneurológico, essa ações são primordiais no monitoramento 
de comprometimento dos nervos periféricos e também para avaliar a efetividade da 
terapêutica anti-reacional para evitar as incapacidades (BRASIL, 2010). Alves, Ferreira 
e Ferreira (2014) pontuam a importância de orientar os pacientes acometidos pela 
hanseníase sobre os eventos adversos esperados e reacionais.
Assim, as medidas preventivas são essenciais para detectar casos precocemente, 
evitando alterações físicas e incapacidades, detectando casos na fase inicial PB, 
sendo que o tratamento é realizado em um tempo menor, e com menores chances de 
complicações reacionais. Outra medida importante é o controle dos contatos através 
da avaliação dermatoneurológica e a vacinação com BCG, segundo o Ministério da 
Saúde (MINAS GERAIS, 2007).
A vacina BCG está indicada para todos os contatos domiciliares, mesmo que 
eles não apresentem nenhum sinal ou sintoma de hanseníase, deve ser administrada 
no instante da avaliação, em contatos de casos PB ou MB. Deve ser realizada de 
acordo com o estado vacinal, para aqueles que não possuem cicatriz fazer uma dose 
de BCG, aqueles que apresentarem uma cicatriz fazer nova dose, e para os casos de 
duas cicatrizes considerar vacinado não sendo necessária outra dose (BRASIL, 2010).
Fonseca, et al., (2015), afirma que a hanseníase é considerada um grave 
problema de saúde pública, necessitando de ações de controle a serem realizadas por 
uma equipe multidisciplinar, dando ênfase ao profissional enfermeiro que desempenha 
papel fundamental no programa de controle dessa doença.
Assim é sabido que a hanseníase em crianças e adolescentes causa grandes 
alterações físicas, emocionais e sociais, além de várias mudanças no cotidiano, desde 
atividades diárias até no laser, provocadas pelas manifestações clinicas da doença, 
efeitos adversos dos fármacos e pelo preconceito (MARINHO et al., 2015). Percebe-
se que este necessitam ser amparados por uma rede social composta por familiares, 
amigos e profissionais de saúde. 
As redes se caracterizam por propriedades estruturais como tamanho, densidade, 
composição. Ela possui as funções de companhia social, acompanhando a pessoa 
para que não se sinta só; apoio emocional, consolando; guia cognitivo e conselhos, 
informando; regulação social, relembrando as normas sociais; ajuda material e de 
serviços; oferecendo bens materiais e acesso a novos contatos, introduzindo a pessoa 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 68
em outras redes de convívio (GUTIERREZ; MINAYO, 2008, SLUZKI, 2010, RIBEIRO; 
BASTOS, 2011).
Dessa forma Sluzki (2010) propõe a utilização do Mapa da Rede Social para a 
compreensão da estrutura e funcionamento das redes sociais. As redes sociais é uma 
abordagem dinâmica de representação das relações sociais e serviços que acolhem 
um determinado individuo (DUTRA et al., 2013).
Ao analisar os Mapa da Rede Social dos adolescentes, percebe-se que apenas 
Carol refere vínculo fragilizado com os profissionais de saúde da Unidade Atenção 
Primaria de Saúde (UAPS), o que evidencia a falta de apoio oferecida pelo serviço. O 
que contradiz o estudo de Fonseca, et al., (2015), que afirma que os profissionais da 
Atenção Básica de Saúde (ABS), no cenário das Unidades Atenção Primaria de Saúde, 
são uma potente estratégia para detectar casos precocemente e realizar campanhas 
voltadas para a prevenção e controle da hanseníase oferecendo apoio e informação.
Na ABS funciona a estratégia de saúde da família que possui equipes qualificadas 
como a Equipe de Saúde da Família (ESF), constituída por médico, enfermeiro, 
técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde e o Núcleo de Apoio a 
Saúde da Família (NASF) composta por assistente social, psicólogo, educador físico, 
fisioterapeuta, e demais profissionais com o objetivo de discutir os casos, e propor 
soluções através de intervenções para resolver os problemas identificados. (MIRANDA; 
COELHO; MORÉ, 2012).
Para Fonseca et al (2015) o enfermeiro recebe destaque no atendimento dos 
pacientes acometidos pela hanseníase, estes atuam na comunidade com um agente 
essencial na promoção de qualidade de vida assegurando o tratamento específico e a 
prevenção de incapacidades, além de desenvolver ações de promoção à saúde. 
Dessa forma Marinhoet al (2015) declara que a enfermagem possui papel 
fundamental na assistência a pacientes acometidos pela hanseníase estabelecendo 
um vínculo de confiança entre o paciente e os serviços de saúde. Neste estudo 
percebe-se que os adolescentes que receberam apoio dos profissionais de saúde 
apresentaram maior conhecimento sobre a doença e consequentemente melhor 
adesão ao tratamento.
O diagnóstico da hanseníase na adolescência, fase de mudanças e de adaptações, 
necessita de apoio da rede social. No estudo houve predomínio da rede social pequena, 
este resultado evidencia o processo de isolamento social provocado pelo diagnóstico 
da doença. Sendo assim para Sluzki (2010), a rede social de tamanho médio composta 
por (oito a dez pessoas) é mais eficaz, capaz de promover uma melhor qualidade de 
vida, o que não corrobora com os dados encontrados neste estudo. 
O relato da adolescente Carol infere que o conhecimento sobre a hanseníase 
é primordial para que seja realizado diagnóstico precoce da doença. O vínculo forte 
entre a adolescente e o Centro de Saúde de tratamento da hanseníase foi importante 
para esclarecer as dúvidas e assegurar o tratamento adequado, já o vínculo fragilizado 
com a UAPS ou UBS, evidencia a falta de apoio por parte deste serviço.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 69
Percebe-se que a adolescente Carol não referência a presença de nenhum 
membro no campo de amizades o que não era esperado, visto que, esta fase da 
vida estimula a vivencia em grupos. Então podemos pensar que talvez ela viveu um 
processo de exclusão e isolamento social por medo do preconceito. O apoio da equipe 
de enfermagem é essencial, para aprimorar a assistência oferecida aos usuários 
(CARRIJO; SILVA, 2014).
Existe uma necessidade de alerta toda a sociedade para a identificação de 
presença de machas e áreas com perda de sensibilidade com vista a realizar 
diagnóstico precoce da doença. Este processo pode ser realizado através de palestras, 
e campanhas educativas, mostrando o que é a doença e que tem cura, para mudar o 
estima em relação à doença (MINAS GERAIS, 2007).
Uma possibilidade de gestão do cuidado destes adolescentes acometidos pela 
hanseníase e a utilização de ferramentas da ABS como a elaboração do Projeto 
Terapêutico Singular (PTS) e o Projeto Território Saúde (PST). O PTS é um instrumento 
que possibilita o acompanhamento dos usuários da ABS de forma longitudinal, 
envolvendo os saberes de todos os profissionais da ESF e do Núcleo de Apoio a 
Saúde da Família NASF, para avaliar e discutir os casos, e propor soluções através 
de intervenções singulares pautadas no atendimento integral e na clínica ampliada 
(MIRANDA; COELHO; MORÉ, 2012). 
Já o PST é um projeto de intervenção na comunidade, elaborado pela ESF e 
o NASF, com o objetivo de desenvolver ações efetivas na produção da saúde em 
um território com foco na articulação dos serviços de saúde com outros serviços e 
políticas sociais de forma a investir na qualidade de vida e na autonomia dos usuários 
e comunidades (VERDI; FREITAS; SOUZA, 2012).
Assim Hori e Nascimento (2014), pontuam que os profissionais da ESF e do 
NASF vivenciam condições sociais duras e violentas, tendo que lidar com situações 
de adoecimento, devendo esses profissionais trabalhar de acordo com os princípios 
do SUS, para estruturar ações e transformar os acompanhamentos dos usuários em 
atendimento integral e longitudinal, através de ações e estratégias, visando prevenir 
agravos, e promover a saúde da família e da comunidade.
Assim, é efetivo elaborar PST voltado para prevenir e mesmo realizar diagnóstico 
de hanseníase na comunidade utilizando de parcerias com os membros da família, a 
escola, a comunidade e associações de bairros. O enfermeiro possui capacidades e 
habilidades específicas que proporciona competência para construir PST voltado para 
aspectos da hanseníase (CARRIJO; SILVA, 2014).
CONCLUSÃO
Na análise dos mapas de rede social dos adolescentes e jovens, com hanseníase, 
foi possível concluir que o enfermeiro deve utilizar o Projeto saúde no território e o Projeto 
terapêutico singular como ferramentas para assistir os adolescentes integralmente, 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 7 70
buscando compreender suas fragilidades para propor um plano assistencial singular 
e resolutivo. 
Sendo assim o enfermeiro tem papel fundamental no controle da hanseníase, 
através de ações de saúde capazes de oferecer informação, e apoio, promovendo o 
cuidado integral a estes usuários durante o tratamento.
Portanto os serviços de saúde são responsáveis por diminuir ou mesmo erradicar 
o estigma da doença. Assim de certa forma a composição da rede social contribui para 
um maior conhecimento dos adolescentes sobre a hanseníase além de proporcionar 
auxilio no enfrentamento da doença e adversidades causadas por ela.
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 72
CAPÍTULO 8
USO DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM NO BRASIL: 
UMA PESQUISA DE BASE POPULACIONAL
Tatiane de Souza Mançú
Universidade Federal da Bahia
Salvador, Bahia
Enilda Rosendo do Nascimento
Universidade Federal da Bahia
Salvador, Bahia
RESUMO: Os cuidados de enfermagem 
são fundamentais para o funcionamento de 
qualquer instituição de saúde. Sendo assim, 
estudar o uso do cuidado de enfermagem 
é importante para valorização da categoria 
profissional e para mostrar o impacto que esta 
causa na qualidade de vida das populações. 
Sendo assim, analisar o uso de cuidados 
de enfermagem em âmbito nacional foi o 
objetivo deste estudo. Método: estudo de corte 
transversal, base populacional a partir de dados 
secundários da Pesquisa Nacional de Saúde 
2013. Na análise, foi utilizado teste estatístico 
de associação de variáveis e de aderência 
considerando p<0,05. Resultados: os cuidados 
de enfermagem apareceram pela primeira 
vez em uma pesquisa de saúde em âmbito 
nacional e foram referidos apenas: vacinação, 
consulta pré-natal, injeção, curativo, medição 
de pressão arterial, parto natural, atendimento 
por parteira, apareceu também a atuação da 
agente comunitária de saúde mas este como 
serviço supervisionado pela enfermeira. Foi 
observado que apesar de ter sido relatado 
poucos dos cuidados que a enfermagem realiza, 
dos cuidados referidos a população autoreferiu 
positivamente a sua saúde, principalmente nos 
cuidados reprodutivos e de vacinação. 
PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem. Saúde 
e Gênero. Desigualdade Racial em Saúde. 
Saúde.
ABSTRACT: Nursing care is fundamental 
to the functioning of health institution. Thus, 
studying the use of nursing care is important 
for valuing the Professional category and to 
show the impact that this cause in the quality 
of life of the populations. Thus, analyzing 
the use of nursing care nationwide was the 
objective of this study. Method: Cross-sectional 
study, population base based on secondary 
data from the National Health Survey 2013. In 
the analysis, a statistical test of association of 
variables and adherence was used, considering 
p < 0.05. Results: Nursing care first appeared 
in a nationwide health survey and were referred 
to: vaccination, prenatal consultation, injection, 
dressing, blood pressure measurement, natural 
childbirth, attendance by midwife, appeared 
Also the action of the Community health agent 
but this as a Vaccination, prenatal consultation, 
injection, dressing, measurement of blood 
pressure, natural childbirth, attendance by 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 73
midwife, also appeared the performance of the Community health agent but this as 
a service supervised by the nurse. it was observed that, of the care referred to the 
population, it positively injured their health, especially in reproductive and vaccination 
care. 
KEYWORDS: Nursing. Health and gender. Racial inequality in health. Health.
1 | INTRODUÇÃO
A enfermagem é considerada como uma profissão histórica da saúde, voltada 
para o cuidado das pessoas. E, contribui, permanentemente, com a produção de 
conhecimentos capazes de preservar a vida em sua plenitude (PIRES, 2009, p. 743-
744).
Quanto à atuação das enfermeiras no Brasil, o seu papel se tornou mais 
visibilizado, valorizado e sua autonomia consolidada a partir da criação do SUS com a 
Estratégia de Saúde da Família (ESF). As principais atribuições dessas profissionais, 
nesse nível da atenção, estão o planejamento e execução das ações no âmbito da 
saúde coletiva, supervisão da assistência direta à população, realização de ações 
de promoção, prevenção, cura e reabilitação, mediação de ações intersetoriais, 
gerenciamento dos serviços de saúde, desenvolvimento de educação em saúde e 
educação permanente. Ressalta-se ainda que a atuação da enfermeira no contexto 
da atenção primária à saúde e da ESF vai além do modelo biomédico e medicalizante 
antes centrado apenas no médico e na doença (REGIS et al, 2015). 
O Ministério da Saúde preconiza papeis para a enfermeira na ESF como: 
acompanhar e promover a capacitação das agentes e auxiliares, ser co-responsáveis 
pela administração da unidade, e ainda desempenhar um papel fundamental nas ESF’s, 
acompanhar e supervisionar o trabalho, realizar capacitações e educação continuada 
das Agentes Comunitárias de Saúde e auxiliares de enfermagem (BRASIL, 2001). Mas 
também, atuam na assistência com ênfase na promoção da saúde realizando cuidados 
diretos de enfermagem, como indicação para a continuidade da assistência prestada; 
realização de consultas de enfermagem, solicitação de exames complementares, 
prescrição/transcrição de medicações (GARCIA et al, 2010). 
Todo esse amparo legal do exercício da enfermagem brasileira se encontra na lei 
n° 7498 de 25 de junho de 1986, que dentre os direitos garantidos para a enfermagem, 
destaca-se a consulta de enfermagem, a prescrição de medicamentos estabelecidos 
em programas de Saúde Pública, contidos no art. 11 desta lei, e o papel de profissionais 
de nível técnico e elementar, supervisionado pela enfermeira, referidos no art. 15 desta 
lei.
A implementação do cuidado em enfermagem mediado pelas relações 
interpessoais de diálogo, escuta, humanização e respeito é um desafio. Esse cuidado 
na atenção básica de saúde é relevante já que representa a porta de entrada para o 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 74
acesso ao SUS (ACIOLI et al, 2014). 
Vale salientar que a utilização dos cuidados em saúde por meio de serviços é 
o centro do funcionamento do sistema de saúde. E, “uso” se refere ao contato direto 
das pessoas com profissionais de saúde, seja por consultas médicas ou com outras 
profissionais, mas também se refere às hospitalizações ou ao contato indireto a partir 
da realização de exames preventivos e diagnósticos (TRAVASSOS et al, 2004). 
Há alguns determinantes para a procura por cuidados de saúde, são elas: 
interação entre a disponibilidade de serviços, fatores demográficos, socioeconômicos, 
psicológicos, e dos perfis de morbidade (MENDOZA-SASSI et al, 2003).
No quesito sociodemográfico, há desigualdades na utilização dos serviços médicos 
no que se refere a: ser mulher, ter baixa escolaridade e baixa renda (BASTOS, 2011). 
A discriminação objetiva limitar diferentes oportunidades sociais englobando diversos 
campos que envolvem padrões sociais como o poder aquisitivo, a ascendência racial 
e pertencimento étnico, por exemplo (ABREU et al, 2011). 
Nesse contexto, vale ressaltar para as atuações das mulheres organizadas 
ao logo do tempo, sempre engajadas em busca de mudanças sociais com ativa 
participação em movimentos feministas, sindicais e outros. Assim, com “a ampliação 
da democratização da sociedade e a universalização de direitos e políticas da 
Constituição de 1988, as mulheres desafiaram a forte desigualdade que caracterizava 
sua inserção social e produtiva” (BRASIL, 2016).
A ESF é fruto das lutas da sociedade civil organizada e após a sua implantação 
foi capaz de materializar e garantir a equidade, princípio fundamental do SUS, e assim 
garantir o alcance da saúde para todos aqueles quemais necessitam de cuidados 
(ANDRADE et al, 2015).
Entretanto, mesmo com diversos movimentos sociais negros desde a década 
de 80, que preconizavam o fim das desigualdades raciais, melhores condições para 
essa população e mesmo com as diversas políticas, leis e decretos existentes para 
o fim do racismo na sociedade, ainda hoje a existência das desigualdades sociais 
relacionadas ao quesito raça e cor é gritante (BRASIL, 2011). Sobre essas questões de 
discriminação racial, políticas de caráter afirmativo a favor da igualdade racial no Brasil 
(TRAVASSOS et al, 2011) vem sendo monitoradas pela sociedade civil organizada. 
Há também alguns autores que estudam a relação do serviço de saúde com 
autoavaliação do estado de saúde na literatura nacional e internacional. A utilização 
de serviços de saúde bucal/odontológica, por exemplo aparece em vários estudos, 
englobando diversas desigualdades ao avaliar o estado de saúde (PETARLI et al, 
2015).
Na União Europeia em 2013 foi identificado avaliação positiva da saúde 
relacionada aos homens e que em todos os 28 Estados - Membros da União Europeia, 
exceto o Reino Unido, não mostrou diferenças entre os sexos (EUROSTAT, 2015).
Contudo, na população brasileira não houve realização de estudos que 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 75
analisassem a autopercepção do estado de saúde com o uso dos cuidados de 
enfermagem em âmbito nacional que tivesse um olhar com perspectiva de diferenciais 
raciais, de sexo e/ou de autopercepção do estado de saúde com o uso de cuidados 
de enfermagem. 
Sendo assim, o estudo objetiva analisar o uso de cuidados de enfermagem no 
Brasil, segundo diferenciais raciais, de sexo, e de autopercepção do estado de saúde. 
2 | METODOLOGIA
2.1 Desenho de estudo
Estudo de corte transversal, de base populacional. 
2.2 Fonte dos dados
Foram utilizados dados secundários provenientes da Pesquisa Nacional de 
Saúde (PNS), realizada no ano de 2013, pelo IBGE, em convênio com o Ministério da 
Saúde e divulgada a partir de outubro de 2014 (IBGE, 2014). 
2.3 Informações da Pesquisa Nacional de Saúde 2013
Desde a sua concepção, a PNS tem como um dos principais objetivos fornecer 
informações para a formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas 
nas áreas de promoção, vigilância e atenção à saúde do SUS, alinhadas às estratégias 
do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não 
Transmissíveis no Brasil, 2011-2022 (BRASIL, 2011). 
Investigou-se, particularmente, na PNS, a autopercepção de saúde, indicador 
que tem sido utilizado, nacional e internacionalmente, para estabelecer diferenças 
de morbidade em subgrupos populacionais, comparar necessidades de serviços e 
recursos de saúde por área geográfica, bem como para calcular outros indicadores de 
morbi-mortalidade, como a esperança de vida saudável. 
A população dessa pesquisa é constituída por residentes em domicílios 
particulares permanentes do território nacional, dividido nos setores censitários da 
Base Operacional Geográfica de 2010, excluídas áreas com características especiais 
e com pouca população. 
2.4 Acesso aos dados
Os dados deste estudo foram obtidos por meio de acesso aos arquivos de 
microdados da PNS, disponíveis de modo gratuito e livre na página do IBGE na 
internet, de acordo com o seguinte caminho: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 76
populacao/pns/2013/default.shtm - microdados - arquivos de microdados. 
2.5 População do estudo 
A amostra é constituída pela população brasileira moradora de domicílios 
particulares permanentes pertencentes a todo o território nacional que utilizou 
cuidados de enfermagem, identificados como: consulta pré-natal realizada pela 
Enfermeira; vacinação; injeção, medição da pressão arterial, curativo, que não estão 
incluídos nas consultas de enfermagem, médicas e de demais profissionais. Inclui-se, 
ainda, o parto realizado pela Enfermagem, atendimento com agente comunitária de 
saúde e atendimento com parteira, entendendo-se que as atividades das últimas são 
planejadas, supervisionadas e avaliadas pela enfermeira. 
2.6 Variáveis do estudo
Dentre as variáveis, foi definida como variável dependente/de desfecho: utilização 
de cuidados de enfermagem. Como variáveis independentes foram definidas: sexo, 
raça/cor e estado de saúde; para verificar se existe associação com os cuidados de 
enfermagem.
2.7 Análise dos dados
Para análise dos dados, foi utilizado o programa estatístico SPSS. O teste 
estatístico utilizado foi o chi-quadrado de Pearson nas versões aderência e 
independência. 
O teste de aderência foi calculado para analisar somente a utilização dos 
seguintes cuidados de enfermagem: consulta pré-natal e de parto natural. Mas também 
foi utilizado para analisar as variáveis sexo, cor/raça e autopercepção do estado de 
saúde. 
O teste chi-quadrado de independência, para analisar a associação entre as 
“variáveis sociodemográficas (sexo e raça/cor)” e a “variável percepção do estado 
de saúde” com a variável “utilização dos cuidados de enfermagem” que engloba os 
seguintes cuidados: “vacinação em crianças menores de dois anos; injeção, curativo, 
medição de pressão arterial; atendimento com parteira; atendimento com agente 
comunitário de saúde e vacinação para maiores de 2 (dois) anos”. Foi considerado p< 
0,05. 
2.8 Aspectos éticos
Estudo de dados secundários da PNS 2013, disponíveis na internet e acesso 
público. Desse modo, não foi necessário submetê-la a um Comitê de Ética em Pesquisa. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 77
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO
Um total de 6917 pessoas utilizaram os cuidados de enfermagem no Brasil 
em 2013. Sendo que foi um total de 6 intervenções de enfermagem assim como o 
atendimento com agente comunitária. Dentre as intervenções consideradas nesse 
estudo, a vacinação apareceu como a mais frequente com percentual de 74,2% 
(n=5142) para crianças menores de 2 anos e 6,1% (n=421) para a população maior 
de 2 anos. A consulta pré-natal com 8,5% (n=575) foi o segundo cuidado mais usado 
pela população brasileira, seguido da Injeção, curativo e medição de pressão arterial 
6,1% (n=421), Parto Natural realizado pela Enfermagem 3,3% (n=230), Atendimento 
com Agente Comunitária de Saúde 1,6% (n= 109) e por ultimo 0,2% atendimento com 
parteira (n=19), respectivamente. 
O Programa Nacional de Imunização tem alta cobertura no Brasil, e se concretiza 
no ato da vacinação, atribuição da enfermagem, o que justifica o cuidado vacinação ser 
mais frequente. De fato, em 2013, segundo dados divulgados pela PNS, era esperada 
cobertura de 80% para essa população (Pesquisa Nacional de Saúde, 2014). 
Nos últimos tempos, o Brasil tem investido na redução de doenças preveníveis 
por meio de vacinação (BARRETO et al, 2011). No ano de 2011, as crianças 
brasileiras menores de 1 ano foram também as mais vacinadas (DOMINGUES et al, 
2013). Vale ressaltar que conhecer a cobertura vacinal em crianças menores de 1 
ano é fundamental para a vigilância epidemiológica. Esta que monitora e verifica o 
número de indivíduos suscetíveis a doenças, mas também, fiscaliza a possibilidade 
de interrupção da transmissão das doenças imunopreviníveis (MORAES et al, 2000).
Quanto a variável sexo, e considerando a população geral que utilizou os 
cuidados de enfermagem, foi observado que do total de cuidados dispensados à 
população, 56,3% (3893), foram utilizados pela população feminina, e 43,7% pelas 
pessoas do sexo masculino. Quanto ao sexo, a vacinação em menores de 2 anos foi 
mais prevalente no sexo masculino atendidas em um centro de saúde no município de 
Raposa no Estado do Maranhão (RODRIGUES et al, 2014).
De 2011 a 2014, a taxa de mortalidade infantil caiu 5,2% no Brasil devido a um 
conjunto de medidas adotadas como o aumento do acesso ao pré-natal. No total, 
334 crianças a menos morreram antes de completar 1 ano de idade nesse período 
(UNICEF, 2016).
Analisando separadamentecada cuidado, o uso de injeção, curativo e medição 
da pressão arterial foi maior pelas pessoas do sexo masculino (48,6%) quando 
comparado com o sexo feminino (38,8%). 
No quesito raça/cor, 59,7% é o percentual da população negra (parda/preta) que 
usou os cuidados de enfermagem em âmbito nacional sendo mais prevalente em todos 
os cuidados. Vale ressaltar que os cuidados mais utilizados pela população negra 
foram a consulta pré-natal (69,4%) e o parto natural (68,7%). Nos demais cuidados a 
associação com raça/cor não foi significante (apresentaram p>0,05).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 78
A preponderância de pessoas negras, receptoras de cuidados de enfermagem 
converte essa prática em fenômeno que deve nos deixar alertas às possibilidades de 
identificarmos o racismo institucional e o combate, pois, há evidências da existência 
de discriminação racial em situações de atendimento em saúde. Nos Estados Unidos, 
estudo realizado em 2016, refere que quanto maior a frequência de visitas aos cuidados 
em saúde maior a pontuação de discriminação (FAZELI DEHKORDY, 2016).
E na avaliação do estado de saúde foi evidenciado uma autopercepção positiva 
de saúde, para a vacinação de crianças menores de 2 (dois) anos, a consulta pré-natal 
e o parto natural. 
As pessoas mais velhas tendem a avaliar a sua saúde como pior, sendo essa 
uma condição importante no fenômeno, havendo evidências que a autoavaliação de 
saúde piora com o avanço da idade (MEIRELES, 2014). 
O perfil dos indivíduos que avaliam ruim a saúde pode indicar um perfil das 
pessoas mais prováveis de procurar pelos cuidados em saúde (PAVÃO et al, 2013).
Isso significa que a Enfermagem atende majoritariamente a população de maior 
vulnerabilidade, que depende unicamente do SUS, atendendo por meio da Estratégia 
de saúde da família, atenção básica e cumprindo a política e programa de atenção 
básica, promoção da saúde, saúde sexual e reprodutiva bem como os objetivos do 
desenvolvimento do milênio 2011-2022 que é redução da mortalidade materna e 
infantil.
Desse modo, demonstramos o quanto a Enfermagem beneficia o país, atendendo 
de forma universal e também equânime, destacando a população negra a que mais 
utiliza esse cuidado, e isso pode justificar a autopercepção positiva do estado de saúde 
dessas gestantes atendidas pela Enfermeira.
A utilização do atendimento com agente comunitária de saúde no Brasil, segundo 
resultados deste estudo, foi maior na população negra, sexo feminino. 
Conforme a Política de Atenção Básica – PNAB, as ACS’s devem acompanhar 
as famílias com problemas de saúde, mas também checar as condicionalidades dos 
programas de transferência de renda e enfrentamento de vulnerabilidades que como 
já dito anteriormente, exigem calendário vacinal preenchido deforma completa e 
correta bem como consulta pré-natal para as gestantes (BRASIL, 2012). Desse modo, 
sendo um intermediador entre o serviço de saúde e a comunidade, função de grande 
destaque (BARBOSA; DANTAS, 2013).
4 | CONCLUSÃO
Agir no combate às disparidades na utilização de serviços de saúde é crucial 
para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Sendo assim, a enfermagem como categoria profissional com mais sensibilidade 
as questões de gênero e raça, e por estar em contato direto com as populações precisa 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 8 79
ser olhada de forma mais valorizada, e receber mais investimentos governamentais a 
fim de promover uma melhor qualidade de vida para as pessoas. 
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Abr 2017.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 82
CAPÍTULO 9
UTILIZAÇÃO DO PROTOCOLO PÓS-EXPOSIÇÃO A 
MATERIAIS BIOLÓGICOS EM PROFISSIONAIS DE 
SAÚDE
Bruna Furtado Sena De Queiroz
Faculdade integral diferencial FACID WYDEN – 
TERESINA- PIAUI 
Maycon Teyllon Rodrigues De Carvalho 
Faculdade integral diferencial FACID WYDEN – 
TERESINA- PIAUI 
Eronice Ribeiro De Morais Araujo
Docente da Faculdade integral diferencial FACID 
WYDEN – MESTRE EM ENFERMAGEM PELA 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ UFPI 
TERESINA- PIAUI 
Yanca Ytala Gonçalves Roza
Faculdade integral diferencial FACID WYDEN – 
TERESINA- PIAUI 
Jayris Lopes Vieira
Faculdade integral diferencial FACID WYDEN – 
TERESINA- PIAUI 
Maria Francinete Do Nascimento Silva
Faculdade integral diferencial FACID WYDEN – 
TERESINA- PIAUI 
Naya Thays Tavares De Santana
Faculdade integral diferencial FACID WYDEN – 
TERESINA- PIAUI 
Matheus henrique da silva lemos
Faculdade integral diferencial FACID WYDEN – 
TERESINA- PIAUI 
RESUMO: Os profissionais da saúde manuseiam 
e utilizam diariamente materiais perfurocortantes 
que entram em contato diretamente com sangue 
e outros fluídos corporais que podem estar 
contaminados. O protocolo de condutas pós-
exposição ocupacional estabelece medidas de 
atendimento inicial aos profissionais que sofram 
exposição a material biológico com risco de 
soroconversão. Este estudo teve como objetivo 
geral analisar a utilização do protocolo pós-
exposiçãoa materiais biológicos em um hospital 
de urgência de Teresina-PI. O mesmo possui 
caráter retrospectivo, analítico, documental e 
abordagem quantitativa. Foi desenvolvida em 
um hospital de urgência de Teresina-PI, onde 
foram utilizadas as fichas de notificação do 
SINAN (Sistema de Informação de Agravos 
de Notificação), referentes aos acidentes com 
exposição a material biológico, para a coleta 
dos dados, pertinentes à pesquisa, que foi 
realizada entre os meses de janeiro e fevereiro 
de 2016. O estudo possibilitou analisar o perfil 
dos acidentes. Em relação ao seguimento do 
protocolo pós-exposição observou-se que 
28 casos (27, 8%) foram apenas notificados, 
configura a taxa de abandono, 1 caso (1, 0%) 
foi acompanhado por 6 semanas, 1 caso (1, 
0%) foi acompanhado por 3 meses e 67 casos 
(69, 1%) foram acompanhados por 6 meses. 
Espera-se que a pesquisa possa contribuir 
na sensibilização dos profissionais de saúde 
em relação à comunicação de acidentes de 
trabalho, ao uso de EPIs e ao seguimento do 
protocolo de condutas pós-exposição, e ainda 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 83
na divulgação do conhecimento produzido sobre a referida temática.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde. Exposição ocupacional. Material biológico.
ABSTRACT: Healthcare workers use sharps tools daily that come into contact directly 
with blood and other body fluids that may be contaminated. The occupational post-
exposure protocol establishes initial care measures to professionals who have biological 
material exposure with seroconversion risk. This study had as general objective to 
analyze the use of post-exposure biological materials protocol in an emergency hospital 
from Teresina-PI. It was a retrospective, analytical, documentary study with quantitative 
approach. It was carried out in an emergency hospital in Teresina-PI, where the DISN 
(Diseases Information System Notification) notification files regarding accidents 
involving biological material exposure, were used to collect the data. It was carried out 
January and February 2016. The study made it possible to analyze the characteristics 
of accidents. regarding the follow-up of post-exposure protocol , 28 cases (27, 8% ) 
were only notified sets the dropout rate, 1 case (1, 0%) was followed for 6 weeks, 1 case 
(1, 0%) was followed for 3 months and 67 cases ( 69, 1 % ) were followed for 6 months. 
It is expected this survey can contribute to the awareness of health professionals in 
relation to the statement of work accidents, to the use of PPE and the post-exposure 
protocol use in the institution, and still, to the knowledge dissemination produced about 
the survey thematic.
KEYWORDS: Health. Occupational exposure. Biological material.
1 | INTRODUÇÃO
O Centers for DiseaseControlandPrevention (CDC) divulga em média a ocorrência 
anual de 384.325 casos de exposição percutâneas a material biológico envolvendo 
trabalhadores da área de saúde em hospitais norte-americanos.No Brasil, os dados 
sobre esse agravo ainda são muito escassos em decorrência da subnotificação. Para 
se ter uma ideia, no período compreendido entre 2007 e 2009, o Ministério da Saúde 
(MS) quantificou apenas 50.897 notificações. Esses dados mostram que é imperativa 
a necessidade de se investir em pesquisas nesta área (OLIVEIRA; GONCALVES, 
2010).
Na área da saúde, os profissionais com os maiores riscos à infecção por acidente 
com perfurocortantes são aqueles diretamente envolvidos na assistência ao paciente. 
Enquadram-se nesse perfil os trabalhadores de serviços de saúde, como hospitais, 
unidades básicas de saúde, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, banco de 
sangue, centro de hemodiálise, laboratório de análises clínicas, centros de pesquisa e 
serviços de emergência, incluindo-se o pessoal das equipes de limpeza e lavanderia 
(SANTOS et al., 2013).
Além dessas medidas de prevenção à exposição de material biológico, também 
foi instituído o protocolo de condutas pós-exposição ocupacional, que estabelece 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 84
medidas de atendimento inicial aos profissionais que foram expostos à material 
biológico com risco de soroconversão, orientação e seguimento dos mesmos, uso de 
quimioprofilaxia e notificação de casos. Ele ainda aponta alguns parâmetros que devem 
ser considerados pelos serviços de saúde, como a capacidade de atender e seguir os 
acidentados com risco de soroconversão por, no mínimo, seis meses (BRASIL, 2009).
Assim, embora nos últimos anos a sociedade brasileira tenha avançado 
significativamente neste aspecto, observa-se, ainda, que eventualmente os profissionais 
de saúde não incorporam regularmente medidas preventivas na sua prática clínica, 
por não reconhecerem a vulnerabilidade à infecção e os riscos ocupacionais os quais 
estão expostos. Portanto, surgiu o seguinte questionamento: os profissionais de saúde 
do Hospital de Urgência de Teresina - PI (HUT) utilizam corretamente o protocolo pós-
exposição a materiais biológicos?
Para responder a tal questionamento, esta pesquisa traçou como objetivo geral: 
analisar a utilização pelos profissionais de saúde do protocolo pós-exposição a materiais 
biológicos no Hospital de Urgência de Teresina-PI; e como objetivos específicos: 
caracterizar os acidentes com perfurocortantes com material biológico;avaliar o 
seguimento dos casos notificados; calcular a taxa de abandono do protocolo.
A motivação para a realização deste estudo surgiu da observação empírica da 
atuação destes profissionais de saúde, principalmente no setor de emergência desse 
hospital, no qual se pôde observar que muitos trabalhadores usam inadequadamente 
os equipamentos de proteção individual, se expondo indevidamente a acidentes com 
material biológico, e que muitas vezes não notificam o evento aos setores responsáveis, 
não sendo aberto, assim, o protocolo de pós-exposição a material biológico. 
Nesse sentido, espera-se que esse estudo possa contribuir na sensibilização dos 
profissionais de saúde em relação à comunicação de acidentes de trabalho, ao uso de 
EPIs e ao seguimento do protocolo de condutas pós-exposição existente na instituição, 
e ainda na divulgação do conhecimento produzido sobre a referida temática.
2 | MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 Procedimentos Éticos
A pesquisa se tratou de um estudo que envolveu indiretamente seres humanos, 
então a mesma obedeceu aos aspectos da Resolução Conselho Nacional de Saúde 
nº 466/2012. O projeto foi encaminhado à instituição que foicenário do mesmo para 
aprovação. Logo, após autorização foi enviado para aprovação do Comitê de Ética em 
Pesquisa (CEP) da Plataforma Brasil e da Faculdade Integral Diferencial-FACID/Devry 
sob o protocolo Nº 493919155000005211. Sendo assim, foram utilizados termos que 
possibilitem a realização desse estudo como o Termo de Consentimento da Instituição 
(TCI) e o Termo de Consentimento para Uso de Dados (TCUD).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 85
2.2 Tipo de Pesquisa
O estudo é do tipo retrospectivo, analítico, documental e com abordagem 
quantitativa.
2.3 Cenário e Amostra do Estudo
A pesquisa foi realizada em um hospital de urgência localizado na zona Sul 
do município de Teresina-PI. Os critérios de escolha do cenário foram: o tipo de 
atendimento prestado; a grande quantidade de profissionais de saúde e de pacientes 
e a complexidade dos cuidados necessários. Todos esses critérios são fatores que 
aumentam o risco de ocorrência de acidentes com exposição a materiais biológicos.
Foram utilizadas neste estudo as fichas de notificação do SINAN (Sistema de 
Informação de Agravos de Notificação), referentes aos acidentes ocupacionais com 
exposição a material biológico, para o cálculo da amostra.
Foram incluídas nesta pesquisa somente as fichas referentes ao período 
compreendido entre 2014 a 2015. Foram excluídas aquelas que não contemplaram 
as informações necessárias para o preenchimento do instrumento de coleta de dados 
da pesquisa. 
2.4 Coleta de Dados
A coleta dos dados aconteceunos meses de janeiro e fevereiro de 2016, na 
qual se utilizou como instrumento de coleta um questionário com perguntas fechadas 
(Apêndice G) que atende aos objetivos da pesquisa.
2.5 Organização e Análise dos Dados
Os dados foram organizados em planilhas do programa Microsoft Office Excel 
2010, onde os mesmos foram submetidos à avaliação conforme o preconizado pelos 
métodos da estatística descritiva. Para a avaliação da correlação das frequências com 
as variáveis estabelecidas, os mesmo foram submetidos ao Teste Qui-Quadrado, com 
Intervalo de Confiança de 95%, sendo estabelecida a significância em p<0,05* e para 
tanto os mesmos foram transferidos para o programa estatístico R i386 3.2.2, sendo 
os mesmos apresentados em tabelas e gráficos frequentistas.
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa foi realizada através da coleta dos dados de 97 fichas do Sistema de 
Informação de Agravos de Notificação (SINAN), referentes à notificação de acidentes 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 86
ocupacionais por exposição a material biológico ocorridos no biênio 2014 a 2015, 
arquivadas no setor da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) do 
Hospital de Urgência de Teresina (HUT). 
De acordo com os dados observados no Gráfico1, houve uma maior incidência 
da ocorrência de acidentes com perfurocortantes nos meses de setembro (22, 45%), 
no ano de 2014, e agosto (20, 83%) em 2015.
10,42%
2,08%
10,42%
4,17%
14,58%
8,33%
2,08%
20,83%
12,50%
10,42%
2,08% 2,08%
4,08%
12,24%
8,16%
4,08%
4,08%
0,00%
8,16%
16,33%
22,45%
8,16% 8,16%
4,08%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
2015 2014
Gráfico 1 - Avaliação da frequência da incidência de acidente com perfurocortantes em 
profissionais da área de saúde em um hospital de urgência de Teresina, no período dos anos 
2014 e 2015. Legenda: p= 0,9456 para p teste Qui-quadrado com IC de 95% e significância em 
p<0,05. Teresina, 2016.
Fonte: dados da pesquisa.
Provavelmente, a incidência de acidentes aumenta em períodos que predominam 
os números de internações hospitalares, devido ao maior número procedimentos a 
serem realizados e, consequentemente, maiores riscos de ocorrência dos mesmos. 
Cavalcante et al. (2013) afirmam que a frequência de manuseio de materiais 
perfurocortantes pelos profissionais de saúde tem influência direta sobre o risco de 
acidentes e a consequente exposição.
De acordo com os dados do Gráfico 2, referente à frequência de acidentes com 
perfurocortantes relacionados ao gênero dos profissionais acidentados, percebe-se 
que há prevalência no gênero feminino, correspondendo a 81, 4% (79) do total dos 
casos.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 87
0%
20%
40%
60%
80%
100%
Masculino Feminino Total
18,6%(18)
81,4%(79)
100,0%(97)
Gráfico 2 - Frequência dos gêneros dos profissionais da área de saúde em um hospital de 
urgência de Teresina, no período dos anos 2014 e 2015, avaliados. Legenda: p<0,001*** para p 
teste Qui-quadrado com IC de 95% e significância em p<0,05. Teresina, 2016.
Fonte: dados da pesquisa.
Certamente, o maior contingente de profissionais expostos ao risco de acidentes 
envolvendo material biológico está na enfermagem, especialmente nos técnicos de 
enfermagem, devido ao grande número de profissionais da categoria no ambiente 
hospitalar, à grande carga horária exercida pelos mesmos e à realização frequente de 
procedimentos com materiais perfurocortantes. A prevalência de acidentes no sexo 
feminino é justificada pela prevalência do gênero nessa categoria profissional que, 
segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), corresponde a 87,24% 
dos profissionais do Brasil. Oliveira et al. (2015) afirma no seu estudo que a maioria dos 
profissionais de saúde vítimas de exposição ocupacional são mulheres, profissionais 
de enfermagem, trabalhadores dos serviços gerais e da lavanderia. Já o estudo de 
Linet al. (2008), realizado com profissionais de saúde de algumas províncias da China, 
demonstra o contrário, visto que 60% dos acidentados eram do sexo masculino. Paiva 
e Oliveira (2011) também evidenciaram no seu estudo o predomínio do sexo masculino 
entre os profissionais acidentados estudados (56%).
De acordo com o Gráfico 3, referente às idades correlacionadas aos gêneros, 
nota-se que a média da idade dos profissionais acidentados nos gêneros masculino e 
feminino foram 32 e 34 anos, respectivamente
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 88
Masculino Feminino 
0
10
20
30
40
32,22±8,92 34,22±9,40
p=0,4131
Id
ad
e 
(a
no
s)
Gráfico 3 - Avaliação das idades dos gêneros dos profissionais da área de saúde em um 
hospital de urgência de Teresina, no período dos anos 2014 e 2015, avaliados. Legenda: 
p=0,4131 para p teste T de Student, não paramétrico, com IC de 95% e significância em 
p<0,05. Teresina, 2016.
Fonte: dados da pesquisa.
A idade é uma variável bastante relativa, considerando que existem profissionais, 
incluindo estagiários, de diferentes faixas etárias, desde acadêmicos, adultos jovens, 
a profissionais que trabalham há muito tempo. No estudo de Junior et al. (2014),a faixa 
etária das vítimas expostas a material biológico foi entre 30 e 42 anos; já no estudo de 
Araújo e Silva (2014), os acidentados estavam na faixa etária entre 41 e 50 anos com 
média de 43,5 anos. Oliveira et al. (2015) mostram no seu estudo que os acidentados 
estudados tiveram faixa etária entre 20 e 40 anos. Já Souza-Borges (2014) estudou 
um grupo de acadêmicos de medicina e enfermagem de uma universidade de Minas 
Gerais, vítimas de exposição ocupacional, e observou que os mesmos possuíam 
médias de idade 23,4 e 22,1 anos, respectivamente.
De acordo com os dados da Tabela 1, a maioria dos acidentes com perfurocortantes 
ocorreram em profissionais que apenas concluíram o ensino médio, 39 casos (40,21%); 
em segundo lugar estão os profissionais que concluíram o ensino superior, 29 casos 
(29, 90%); e em terceiro, os profissionais com o ensino superior incompleto, 22 casos 
(22, 68%). 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 89
Escolaridade N % P
Analfabeto 0 0,00%
0,001***
1ª a 4ª série incompleta 0 0,00%
4ª série completa 1 1,03%
5ª a 8ª série incompleta 3 3,09%
Ensino fundamental 
completo 0 0,00%
Ensino médio incompleto 3 3,09%
Ensino médio completo 39 40,21%
Educação superior 
incompleta 22 22,68%
 
Educação superior 
completa 29 29,90%
Legenda: n, frequência absoluto; %, frequência absoluta; p para 
qui-quadrado, IC95% e significância em p<0,05. Fonte: dados 
originais.
Tabela 1 - Avaliação das escolaridades dos profissionais da área de saúde em um hospital de 
urgência de Teresina, no período dos anos 2014 e 2015, avaliados. Teresina, 2016.
De fato, o predomínio do número de profissionais com apenas o ensino médio 
concluído é justificado pelo grande número de técnicos de enfermagem acidentados, 
já que as competências dessa categoria exigem somente o nível médio completo. 
Pimenta et al. (2013) realizaram uma pesquisa com profissionais de enfermagem 
que sofreram exposição a materiais biológicos e evidenciou que dos 454 casos que 
procuraram atendimento, 258 (56,8%) possuíam o ensino médio completo. 
De acordo com o Gráfico 4, que diz respeito às ocupações profissionais dos 
acidentados, percebe-se que houve maior incidência na categoria técnico de 
enfermagem, correspondendo a 63,9%(62) do total de casos, em segundo lugar os 
profissionais dos serviços gerais, 14,4%(14), em terceiro lugar os estagiários, 9,3%(9), 
em quarto lugar os médicos, 5,2%(5), em quinto lugar os enfermeiros, 4,1%(4), e em 
último lugar os demais profissionais da saúde, 3,1/%(3). 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 90
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
Técnicos em enfermagem
Serviços gerais
Estagiário
Médicos
Enfermeiros
Outros proficionais da área da saúde
63,9%(62)
14,4%(14)
9,3%(9)
5,2%(5)
4,1%(4)
3,1%(3)
Gráfico 4 - Frequência das ocupações dos profissionais da área de saúde em um hospital de 
urgência de Teresina,no período dos anos 2014 e 2015, avaliados. Legenda: p<0,001*** para p 
teste Qui-quadrado com IC de 95% e significância em p<0,05. Teresina, 2016.
Fonte: dados da pesquisa.
A predominância dos acidentes entre os técnicos de enfermagem tem justificativa 
no fato desses profissionais estarem em constante contato com os pacientes e 
realizando diversos procedimentos envolvendo materiais perfurocortantes. Junior et 
al. (2014) explicam que os profissionais de enfermagem estão expostos em maior 
número e com grande carga horária, executando vários procedimentos invasivos que 
potencializam os riscos de ocorrência de acidentes. 
A análise do Gráfico 5 permite constatar que os EPIs mais utilizados pelos 
profissionais no momento do acidente foram as luvas de procedimento (92, 78%), em 
segundo lugar a máscara (78, 35%) e em terceiro o avental (57, 73%).
0% 20% 40% 60% 80% 100%
Luva
Máscara
Avental
Óculos
Bota
Proteção facial
 E
P
I's
92,78%(90)
78,35%(76)
57,73%(56)
10,31%(10)
9,28%(9)
2,06%(2)
Gráfico 5 - Avaliação do uso de EPI’s pelos profissionais da área de saúde em um hospital de 
urgência de Teresina, no período dos anos 2014 e 2015, avaliados. Legenda: p<0,001*** para p 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 91
Qui-quadrado, com IC de 95% e significância em p<0,05. Teresina, 2016.
Fonte: dados da pesquisa.
O não uso de alguns EPIs durante a realização de procedimentos com riscos 
de exposição pode ser devido à escassez dos mesmos nas instituições de saúde. 
Reis et al. (2013) afirmam que a pouca utilização de alguns EPIs, como óculos e 
máscaras, é devido provavelmente a não disponibilidade e ao não incentivo ao uso 
dos mesmos pelos profissionais de saúde. A pesquisa qualitativa de Gomes et al. 
(2015) sobre o uso de EPIs por acadêmicos mostra que a insuficiência e a ausência 
desses equipamentos nos serviços hospitalares se constituem as principais limitações 
que justificam o não uso dos mesmos. 
Ao avaliar o Gráfico 6 observa-se que a grande maioria dos profissionais 
acidentados, 84 (86, 6%), são vacinados contra a hepatite B, e que somente 12, 4% 
(12) não lembraram, e 1 % (1) declarou-se não vacinado.
12,4%(12) 86,6%(84)
1,0%(1)
Não declarado Vacinado Não vacinado
Gráfico 6 - Avaliação da situação vacinal contra a hepatite B dos profissionais da área de 
saúde em um hospital de urgência de Teresina, no período dos anos 2014 e 2015, avaliados. 
Legenda: p<0,001*** para p Qui-quadrado, com IC de 95% e significância em p<0,05. Teresina, 
2016.
Fonte: dados da pesquisa.
A existência de casos onde a vacinação foi ignorada provavelmente deve-se ao 
esquecimento de alguns profissionais sobre seu estado vacinal durante a notificação 
do acidente. Na pesquisa de Cavalcante et al. (2013) mostrou que, em relação a 
situação vacinal contra hepatite B, entre os 259 profissionais acidentados, 131 (50,6%) 
eram vacinados, 65 (25%) não eram vacinados e 63 (24,3%) foram ignorados. Na 
pesquisa de Guilardeet al. (2010), dos 46 profissionais acidentados, 13 (28%) não 
tinham vacinação completa contra hepatite B.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 92
80,4%(78)
19,6%(19)
Paciente fonte conhecida Paciente fonte não conhecida
Gráfico 7 - Avaliação da identificação do paciente-fonte envolvido no acidentes com material 
biológico por profissionais da área de saúde em um hospital de urgência de Teresina, no 
período dos anos 2014 e 2015, avaliados. Legenda: p<0,001*** para p Qui-quadrado, com IC 
de 95% e significância em p<0,05. Teresina, 2016.
Fonte: dados da pesquisa.
Acidentes que envolvam descarte inadequado de perfurocortantes podem ser 
de difícil ou até mesmo impossível reconhecimento do paciente-fonte devido ao fato 
de após serem descartados não poderem ser mais reconhecidos entre os demais. 
Santos, Costa e Mascarenhas (2013) evidenciaram na sua pesquisa que das 268 
notificações houve identificação do paciente-fonte em 195 (72,8%) delas. 
Conforme a Tabela 6 mostra, 67 casos (69,1%) foram acompanhados até os 6 
meses e concluíram todas as etapas do acompanhamento, previstas no protocolo pós-
exposição a materiais biológicos; 1 caso (1,0%) foi acompanhado até 3 meses; 1 caso 
(1,0%) foi acompanhado até 6 semanas e 28 casos (27,8%) foram apenas notificados. 
Acompanhamento do caso n % p
Caso apenas notificado 28 27,8%
<0,001***
Caso acompanhado até 6 
semanas 1 1,0%
Caso acompanhado até 3 
meses 1 1,0%
Caso acompanhado até 6 
meses 67 69,1%
Legenda: n, frequência absoluto; %, frequência absoluta; p 
para qui-quadrado, IC95% e significância em p<0,05. Fonte: 
dados originais.
Tabela 6 - Acompanhamento após o acidente acometido com os profissionais da área de saúde 
em um hospital de urgência de Teresina, no período dos anos 2014 e 2015, avaliados. Teresina, 
2016.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 93
O acompanhamento dos casos deve ser feito até 6 meses após a exposição 
ocupacional e certamente os acidentados precisam assumir um compromisso que 
evolve o tratamento quimioprofilático e a realização de exames sorológicos em datas 
previstas. O número significativo de casos apenas notificados reflete o abandono 
do seguimento clínico e causam preocupação. Provavelmente, o abandono do 
acompanhamento deve-se a fatores psicológicos advindos do impacto causado pela 
possível infecção. Sailer (2004) constatou no seu estudo que dos 35 casos estudados, 
12 (34, 30%) realizaram todas as etapas do acompanhamento indicado, 15 (42, 85%) 
tiveram o acompanhamento incompleto e 8 (22, 85%) foram apenas notificados. 
A mesma autora afirma que os efeitos colaterais e a exigência de regularidade de 
horários influenciam os acidentados a abandonarem o tratamento quimioprofilático e o 
mesmo também pode ter relação com a melhora dos sintomas, pois se o paciente não 
se sente doente não percebe a importância de continuar o tratamento.
4 | CONCLUSÃO
O estudo caracterizou o perfil dos acidentes com exposição a material biológico 
em um hospital de urgência de Teresina-PI no período 2014-2015, no qual observou-
se uma maior incidência da ocorrência dos acidentes nos meses de setembro (22, 
45%), em 2014, e agosto (20, 83%) em 2015. O sexo feminino prevaleceu entre os 
profissionais acidentados (81, 4%); a média de idade dos profissionais acidentados 
foi de 32 anos para o sexo masculino e 34 anos para o feminino; a maioria dos 
acidentes ocorreram em profissionais que apenas concluíram o ensino médio (40, 
21%); os acidentes prevaleceram entre os técnicos de enfermagem (63, 9%); o tipo de 
exposição mais frequente foi a percutânea (78, 4%), predominaram as circunstâncias 
acidentais que envolveram outros procedimentos, que não eram especificados nas 
fichas de notificação, (27, 8%); o sangue foi o material orgânico mais envolvido (78, 
4%) e o principal agente causador foi a agulha com lúmen (46, 4%); os EPIs mais 
utilizados durante os acidentes foram as luvas (92, 78%); 84 (86, 6%) profissionais 
acidentados eram vacinados contra hepatite B; a maioria (80, 4 %) dos pacientes-
fontes foram identificados; a maioria dos acidentados (89, 69%) receberam indicação 
de quimioprofilaxia; em relação ao seguimento clínico do protocolo, 28 casos (27, 8%) 
foram apenas notificados, que se configura como a taxa de abandono, 1 caso (1,0%) 
foi acompanhado por 6 semanas, 1 caso (1,0%) foi acompanhado por 3 meses e 67 
casos (69, 1%) foram acompanhados por 6 meses. 
Com o estudo conclui-se que o protocolo de pós-exposição a materiais biológicos 
existe e é utilizado no hospital local do estudo, mas que depende da conscientização 
dos profissionais acidentados da importância à adesão ao mesmo para que sejam 
completadas todas suas etapas. Com base no exposto, sugere-se que sejam 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 9 94
desenvolvidas atividades de educação em saúde a fim de sensibilizar os profissionais 
quanto ao desenvolvimento de uma assistência segura, não só para o paciente, mas 
também para si mesmos, quanto aos potenciais riscos de contaminaçãodos acidentes 
e a importância da comunicação dos mesmos e, ainda, quanto a importância do 
seguimento do protocolo pós-exposição, abordando e esclarecendo todas as dúvidas 
sobre o mesmo. 
REFERÊNCIAS
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cofen.gov.br/wp-content/uploads/2012/03/pesquisaprofissionais.pdf.>Acesso em: 19 de maio de 2016.
LIN, C. et al. Occupational exposure to HIV among health care providers: a qualitative study in yunnan, 
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 10 95
CAPÍTULO 10
MONITORAMENTO DE INCIDENTES NO AMBIENTE 
HOSPITALAR: ESTRATÉGIA PARA A PROMOÇÃO DE 
UMA ASSISTÊNCIA SEGURA AO USUÁRIO
Ana Claudia de Brito Passos
Hospital Municipal Dr. João Elísio de Holanda - 
HMJEH
 Universidade Federal do Ceará - UFC
Fortaleza-Ceará
Francemarie Teodósio de Oliveira
Hospital Municipal Dr. João Elísio de Holanda - 
HMJEH
Fortaleza-Ceará
Viviane Nascimento Cavalcante
Hospital Municipal Dr. João Elísio de Holanda - 
HMJEH
Fortaleza-Ceará
RESUMO: O Gerenciamento de Riscos visa à 
aplicação de medidas para prever, identificar e 
minimizar a ocorrência de eventos inesperados 
e indesejáveis, que podem causar dano 
aos pacientes. O objetivo desse estudo é 
apresentar os resultados de um monitoramento 
de incidentes em um hospital da região 
metropolitana do estado do Ceará. A coleta 
de dados foi feita a partir dos registros de 
eventos relacionados a incidentes assistenciais 
e problemas com os produtos hospitalares 
(suspeita de desvio de qualidade) utilizados 
no hospital, identificados pela Gerência de 
Risco no período de 01 de Janeiro a 31 de 
dezembro de 2015. No período em estudo 
foram registradas 139 notificações, sendo 69% 
(n=96) relacionadas a problemas com produtos 
hospitalares e 31% (n=43) relacionadas aos 
incidentes no processo assistencial. Quanto ao 
tipo de produto com suspeita de problemas, 15% 
(n=14) foram com medicamentos, e 85% (n=82) 
foram com material médico-hospitalar. Quanto 
à gravidade dos incidentes assistenciais, 16% 
(n=7) foram sem dano, 79% (n=34) leve, 2,5% 
(n=1) moderado e 2,5% (n=1) grave. A análise 
dos eventos notificados permitiu a estratificação 
dos mesmos e proporciona a possibilidade de 
investigação de suas causas e elaboração de 
planos de ações necessários. Desta forma, 
conclui-se que o monitoramento de eventos 
no processo assistencial hospitalar propicia a 
melhoria contínua dos processos de cuidado e 
do uso de tecnologias da saúde, a articulação e 
a integração dos processos de gestão de risco, 
e a garantia das boas práticas de funcionamento 
do hospital, impactando assim diretamente 
na promoção de uma assistência segura ao 
usuário.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão de risco, 
segurança do paciente, hospital
ABSTRACT: Risk Management aims at 
applying measures to predict, identify and 
minimize the occurrence of unexpected and 
undesirable events, which can cause harm to 
patients. The objective of this study is to present 
the results of an incident monitoring in a hospital 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 10 96
in the metropolitan region of the state of Ceará. The data collection was done from 
the records of events related to care incidents and problems with hospital products 
(suspected of quality deviation) used in the hospital, identified by the Risk Management 
from January 1 to December 31, 2015 In the study period, 139 reports were registered, 
of which 69% (n = 96) related to problems with hospital products and 31% (n = 43) 
related to incidents in the care process. Regarding the type of product with suspected 
problems, 15% (n = 14) were with medication, and 85% (n = 82) were with medical-
hospital material. Regarding the severity of care incidents, 16% (n = 7) were without 
damage, 79% (n = 34) mild, 2.5% (n = 1) moderate and 2.5% (n = 1) severe. The 
analysis of the notified events allowed the stratification of the same and provides the 
possibility of investigation of its causes and elaboration of necessary action plans. 
Thus, it is concluded that the monitoring of events in the hospital care process leads 
to the continuous improvement of care processes and the use of health technologies, 
the articulation and integration of risk management processes, and the assurance of 
good health practices. functioning of the hospital, thus directly impacting the promotion 
of safe patient care.
KEYWORDS: Risk Management, Patient Safety, Hospitals
1 | INTRODUÇÃO
Um dos problemas centrais dos sistemas de atenção à saúde é que eles 
podem causar danos às pessoas usuárias e às equipes de saúde. A segurança do 
paciente é fundamental para que os hospitais cumpram seu papel social, oferecendo 
uma assistência à saúde de qualidade com o mínimo de riscos ao paciente. Neste 
sentido, atenção especial tem sido dada à ocorrência de incidentes, indicadores de 
qualidade em saúde, definidos como eventos indesejáveis, decorrentes do cuidado, 
que comprometem a segurança do paciente (PADILHA, 2004). 
O Gerenciamento de Riscos visa à aplicação de um conjunto de medidas para 
prever, identificar e minimizar a ocorrência de eventos inesperados e indesejáveis, 
que podem causar dano físico ou psicológico aos pacientes. O processo de gestão 
de riscos pode aplicar-se a qualquer situaçãoque possa gerar conseqüência ou um 
resultado não mapeado ou não esperado; e é parte integrante de toda boa gestão. 
No Brasil, a Vigilância Sanitária pós-uso/comercialização dos produtos - Vigipós 
- foi uma das estratégias para acompanhamento e melhoria da qualidade dos 
produtos de saúde. A Vigipós está voltada para a prevenção de riscos associados 
à comercialização e consumo de produtos regulados. Para a sua concretização, 
criou-se a Rede Sentinela que funciona como observatório no âmbito dos serviços e 
gerenciamento de riscos em saúde. Esta rede consiste em um conjunto de hospitais 
que buscam notificar, monitorar eventos adversos e queixas técnicas de produtos sob 
vigilância sanitária (ANVISA, 2016).
As queixas técnicas abrangem as suspeitas de alteração ou irregularidade de um 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 10 97
produto/empresa relacionadas a aspectos técnicos ou legais que até o momento da 
notificação não causaram dano à saúde individual ou coletiva (ANVISA, 2012). 
De modo a diminuir os incidentes com os pacientes, atualmente, as instituições 
hospitalares estão se reorganizando para a implantação do Núcleo de Segurança do 
Paciente (NSP), que conforme portaria de n° 529/ 2013 do Ministério da Saúde, torna-
se obrigatória a sua constituição (BRASIL, 2013). Alguns dos objetivos do NSP são 
identificar os incidentes, entender o porquê eles acontecem e implantar ações para a 
redução de incidentes e prevenção de eventos futuros (BRASIL, 2013).
A identificação dos incidentes é imprescindível para a melhoria da segurança 
dos pacientes, pois o seu conhecimento leva à avaliação dos processos de trabalho a 
fim de torná-los mais seguros. Ela pode ser realizada pela busca ativa ou notificação 
espontânea dos profissionais envolvidos e, se realizada imediatamente após o 
incidente, permite a rápida tomada de decisão por parte dos gerentes (BELELA et al., 
2010).
Estima-se que em torno de 60% dos incidentes relacionados à assistência à 
saúde são considerados passíveis de prevenção (GALLOTTI, 2004). Considerando 
que o incidente está relacionado a uma falha humana, sua ocorrência está associada, 
frequentemente, à vergonha, punições e perda de prestígio por parte dos profissionais 
e devido à falta de orientação sobre a conduta a ser tomada frente ao evento a tendência 
é escondê-lo, especialmente, nos casos que resultam dano, perdendo-se importante 
oportunidade de aprendizado (REASON, 2009; BOHOMOL; RAMOS, 2005). Para que 
a notificação aconteça, as instituições precisam adotar uma postura diferente diante 
da ocorrência dos incidentes, com abordagem sistemática e educativa, visando ao 
aprendizado para prevenção de outros eventos de forma a incentivar a notificação 
de novos incidentes (BRASIL, 2013). Assim, o objetivo desse estudo é apresentar os 
resultados de um monitoramento de incidentes em um hospital da região metropolitana 
do estado do Ceará.
2 | MÉTODOLOGIA
Trata-se de um estudo de caráter descritivo e abordagem quantitativa. A coleta de 
dados foi feita a partir dos registros de eventos relacionados a incidentes assistenciais 
e problemas (suspeita de desvio de qualidade) com os produtos hospitalares utilizados 
no hospital, identificados pela Gerência de Risco no período de 01 de Janeiro a 31 de 
dezembro de 2015.
O hospital pertence a um município do Ceará, e está em posição estratégica 
no cenário da assistência à saúde no âmbito municipal, pois configura-se como uma 
referência para a sua região de saúde. O hospital dispõe atualmente de 150 leitos, a 
escolha da instituição foi motivada por possuir Gerenciamento de Risco desde o ano 
de 2011 e existir a notificação de incidentes.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 10 98
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO
No período analisado foram registradas 139 notificações, sendo 69% (n=96) 
relacionadas a problemas com os produtos hospitalares utilizados no hospital e 31% 
(n=43) relacionadas aos incidentes no processo assistencial. Quanto ao tipo de produto 
com suspeita de problemas, 15% (n=14) foram com medicamentos, e 85% (n=82) 
foram com material médico-hospitalar. 
 
 
A investigação de ocorrências relacionadas aos produtos de saúde, na fase pós-
comercialização, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) depende da 
obtenção de informações de qualidade acerca do que acontece com estes produtos 
nas instituições de saúde. Assim, as informações obtidas pelos hospitais, uma vez 
analisadas e investigadas, são transmitidas à ANVISA, integrando o Sistema Nacional 
de Vigilância Sanitária Pós-Comercialização, o qual inicialmente subsidia as ações 
deste órgão federal. 
Na análise dos incidentes assistenciais, quanto à gravidade, 16% (n=7) foram: 
sem dano, 79% (n=34) leve, 2,5% (n=1) moderado e 2,5% (n=1) grave. A análise dos 
eventos notificados permitiu a estratificação dos mesmos e proporciona a possibilidade 
de investigação de suas causas e elaboração de planos de ações necessários. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 10 99
O método do estudo apresenta limitações quanto à frequência e consequências 
dos incidentes, pois se trata de situações em que os profissionais ficam sujeitos ao 
medo de punição, omitindo o registro do evento. Portanto, conhecer a real prevalência 
dos incidentes se torna difícil, considerando que nem todos são registrados. Contudo, 
a análise dos eventos notificados permitiu a estratificação dos mesmos e proporciona 
a possibilidade de investigação de suas causas e elaboração de planos de ações 
necessários.
4 | CONCLUSÃO
Este estudo possibilitou identificar os incidentes e a gravidade desses eventos. 
Esforços conjuntos de profissionais devem ser direcionados com o objetivo de diminuir 
os incidentes e melhorar a cultura de segurança na instituição. Assim, estes resultados 
podem apontar ações educativas no hospital. 
O monitoramento de eventos no processo assistencial hospitalar oportuniza 
a melhoria contínua dos cuidados ofertados e do uso de tecnologias da saúde, a 
articulação e a integração dos processos de gestão de risco, e a garantia das boas 
práticas de funcionamento do hospital, impactando assim diretamente na promoção 
de uma assistência segura ao usuário.
O desenvolvimento de uma cultura de segurança, a prática dos registros, 
a discussão das circunstâncias em que os incidentes ocorreram, assim como das 
condutas profissionais e organizacionais frente aos incidentes são um caminho a ser 
seguido para a transformação da realidade nas instituições de saúde.
REFERÊNCIAS
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gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Pos+-+Comercializacao+-+Pos+ +Uso/Rede+Sentinela/
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Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. Brasil. Farmacovigilância. Bol. Farm. 2012; 
jul(1):1-5. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/fac881804bed0acd9451ddbc0f
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 10 100
9d5b29/Farmaco+1.pdf?MOD=AJPERES. Acesso em: 23 fev. 2016. 
BELELA, A.S.C.; PETERLINE, M.A.S.; PEDREIRA, M.L.G. Revelação da ocorrência de erro 
de medicação em unidade de cuidados intensivos pediátricos. Rev Bras Ter Intensiva. 2010; 
22(3):257-263.
BOHOMOL, E.; RAMOS, L.H. Erro de medicação: importância da notificação no gerenciamento 
da segurança do paciente. Rev Bras Enferm. 2005; 60(1):32-6.
______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Gabinete do Ministro. Portaria n. 529, de 1º de 
Abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Disponível em: http://
bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_01_04_2013. html. Acesso em: 08 mar. 2016. 
GALLOTTI, R.M.D. Eventos adversos: o que são? Rev. Assoc. Med. Bras. 2004; 50(2):109-26.
PADILHA, K.G. Ocorrências iatrogênicas na prática de enfermagem. In: Cassiane SHB, Ueta J. A 
segurança dos pacientes na utilização da medicação. São Paulo: Artes Médicas; 2004. p. 111-21. 
REASON, J.El error humano. Madrid: Modus Laborandi; 2009. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 101
CAPÍTULO 11
AVALIAÇÃO DA SOBRECARGA DOS CUIDADORES 
DE PACIENTES DO SERVIÇO ESCOLA DE 
FISIOTERAPIA – UFPI
Gláucia Vanessa Santos Alves
Fisioterapeuta, Universidade Federal do Piauí
Parnaíba-Piauí.
Jeferson Souza Silva
Fisioterapeuta, Universidade Federal do Piauí 
Parnaíba-Piauí.
Rebeca Barbosa da Rocha
Fisioterapeuta, Universidade Federal do Piauí 
Parnaíba-Piauí.
Kamila Santos da Silva
Fisioterapeuta, Universidade Federal do Piauí 
Parnaíba-Piauí.
Iago Santos Verás
Fisioterapeuta, Universidade Federal do Piauí 
Parnaíba-Piauí.
Cerliane Camapum Brandão
Fisioterapeuta, Universidade Federal do Piauí 
Parnaíba-Piauí.
Dionis de Castro Dutra Machado
Fisioterapeuta, Universidade Federal do Piauí
Teresina-Piauí.
RESUMO: O cuidador é o indivíduo membro 
da família ou não, que geralmente vive na 
mesma casa assumindo o papel de oferecer 
cuidados a pessoa doente, podendo este 
cuidador adquirir a Síndrome de Burnout, 
caracterizada por esgotamento físico e 
emocional, gerada em pessoas que mantém 
contato direto e contínuo com outros indivíduos. 
O objetivo do estudo foi verificar a sobrecarga 
dos cuidadores de pacientes atendidos no 
Serviço Escola de Fisioterapia da Universidade 
Federal do Piauí (SEF-UFPI) e relacionar 
com a funcionalidade do paciente, bem como 
caracterizar o perfil sócio demográfico desses 
cuidadores. A pesquisa caracteriza-se como do 
tipo transversal e descritivo, constituindo uma 
amostra de 17 cuidadores. Os instrumentos 
utilizados foram: Mini Exame do Estado Mental 
(MEEM), para avaliar a função cognitiva; 
questionário sócio demográfico; Medida de 
Independência Funcional (MIF), para avaliar a 
funcionalidade e Zarit Burden Interview, para 
avaliar a sobrecarga dos cuidadores. Na escala 
de Zarit os cuidadores obtiveram pontuaram 
de 0-21, pouca ou nenhuma sobrecarga, em 
contrapartida com valor médio da MIF (94,29 
pontos) que indica uma dependência moderada 
do paciente comprovando assim correlação 
fraca entre a funcionalidade do paciente e a 
sobrecarga do cuidador (p= -0,214), sugerindo 
mais investigações semelhantes com amostra 
maior e em outros serviços.
PALAVRAS-CHAVE: Cuidadores; Sobrecarga 
dos cuidadores; Dependência; Saúde da 
família; Fisioterapia.
ABSTRACT: The caregiver is the individual 
family member or not, who usually lives in the 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 102
same house assuming the role of providing care to the sick person, which may acquire 
the caregiver burnout syndrome, characterized by physical and emotional exhaustion, 
generated in people who maintain direct contact and continuing with other individuals. 
The aim of the study was to verify the burden on caregivers of patients seen in the 
Service School of Physical Therapy, Federal University of Piauí (SEF-UFPI) and relate 
to the patient’s functionality as well as characterize the demographic profile of these 
caregivers partner. The research is characterized as the transversal and descriptive, 
constituting a sample of 17 caregivers. The instruments used were Mini-Mental State 
Examination (MMSE) to assess cognitive function; demographic questionnaire; 
Functional Independence Measure (FIM) to evaluate the functionality and Zarit Burden 
Interview to assess the burden on caregivers. In Zarit scale caregivers obtained they 
scored from 0-21, little or no overhead, in contrast with an average value of MIF (94.29 
points) indicating a moderate dependence on patient thus proving weak correlation 
between the patient’s functionality and overload caregiver (p= -0.214), suggesting 
more research with larger samples and similar other services.
KEYWORDS: Caregivers; Caregiver burden; Dependency; Family health; 
Physiotherapy.
1 | INTRODUÇÃO
Concomitante ao aumento da expectativa de vida populacional, o aparecimento 
de doenças crônicas incapacitantes incuráveis vem crescendo consideravelmente, 
exigindo uma readequação dos modos de vida do indivíduo e das pessoas que o 
cercam (INOUYE; PEDRAZZANI; PAVARINI, 2010; FERREIRA et al., 2012). O 
enfretamento dessas doenças causa uma ruptura no processo de organização familiar 
atingindo todos os membros da família, de forma que há consequências invisíveis e 
pouco valorizadas como: isolamento social, interrupção dos planos de vidas de seus 
membros e em especial a doença do cuidador (BRITO; RABINOVICH, 2008).
O cuidador é o indivíduo membro da família ou não, que geralmente vive na 
mesma casa assumindo o papel de oferecer cuidados com ou sem remuneração, 
auxiliando a pessoa doente ou dependente a realizar suas atividades como higiene 
pessoal, medicação de rotina, acompanhamento aos serviços de saúde e a outros 
serviços requerido (CARDOSO et al., 2012). Classificam-se em cuidador informal e 
formal, sendo o primeiro representado pelo membro da família ou adjacente a ela, 
que se responsabiliza na execução de tarefas domiciliares a quem recebe o cuidado. 
Já o cuidador formal substitui o informal em suas funções, podendo ou não ser um 
profissional capacitado (SCHNAIDER; SILVA; MARIA, 2009). 
Quanto maior o grau de comprometimento do indivíduo, maior será a sobrecarga 
dos cuidadores, principalmente os informais, pois eles não possuem orientação 
adequada, nem preparo para lidar com vários aspectos da condição clínica do doente 
em tarefas que exigem dedicação exclusiva, esforço físico e apoio psicológico, 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 103
fazendo-o sentir-se sobrecarregado e esquecer o autocuidado (MENDES; MIRANDA; 
BORGES, 2010). Neste contexto, os cuidadores ficam vulneráveis a Síndrome de 
Burnout, conceituada por estresse laboral crônico e caracterizada por esgotamento 
físico e emocional, gerada em pessoas que mantém contato direto e contínuo com 
outros indivíduos (TRINDADE; LAUTERT, 2010; COSTA et al., 2013). 
2 | OBJETIVO
O presente estudo teve como objetivo verificar a sobrecarga dos cuidadores dos 
pacientes atendidos no Serviço Escola de Fisioterapia (SEF) da Universidade Federal 
do Piauí (UFPI), relacionando-a ao grau de funcionalidade do paciente; bem como 
caracterizar o perfil sócio demográfico desses cuidadores.
3 | MATERIAL E MÉTODO
3.1 Delineamento do estudo
O estudo caracteriza-se como do tipo transversal e descritivo. O estudo foi 
conduzido obedecendo-se os princípios éticos inerentes à pesquisa envolvendo 
humanos, para tal considerou a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, bem 
como a Declaração de Helsinque. O estudo foi aprovado pelo CEP da UFPI parecer nº 
935.464 (ANEXO 1). Cada voluntário foi devidamente esclarecido quanto aos objetivos 
do estudo e os procedimentos envolvidos no mesmo, expressando concordância 
em participar da pesquisa por meio da assinatura do termo de consentimento livre e 
esclarecido (TCLE).
3.2 Amostra
A amostra considerou os pacientes atendidos no SEF-UFPI e seus cuidadores. 
Constituiu-se de 17 cuidadores de pacientes que recebiam atendimento SEF-UFPI.
3.3 Critérios de inclusão e exclusão
Como critérios de inclusão foram considerados os cuidadores de pacientes que 
compareceram a no mínimo cinco atendimentos consecutivos e que apresentavam 
a capacidade cognitiva preservada. Indivíduos com idade inferior a 18 anos foram 
excluídos.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 104
3.4 Instrumentos e procedimentos de coleta
A aplicação do questionário ocorreu na sala de avaliação na clínica, pois a 
mesma conferia privacidade ao sujeito para responder aos questionamentos que eram 
feitos, apresentava ambiente com temperatura termoneutra, isolado acusticamente e 
mobiliário adequado para a realização do estudo, antes, durante ou após o atendimento 
do paciente. Os questionários foram padronizados, com o objetivo de uniformizar a 
coleta de dados e foram aplicados na forma de entrevista. O Mini Exame do Estado 
Mental (MEEM) foi aplicado com a finalidade de rastreio cognitivo. O voluntário foi 
solicitadoa responder um questionário de capacidade funcional do paciente mediante 
a aplicação da Medida de Independência Funcional (MIF), questionário sócio 
demográfico e questionário de sobrecarga do cuidador (Zarit Burden Interview). 
O questionário sócio demográfico voltado para o cuidador foi composto dos 
itens: idade, etnia, escolaridade, renda familiar, estado civil, número de moradores na 
residência, número de filhos, profissão, tempo de profissão, se houve ocorrência de 
afastamento do trabalho por doença, vinculação a plano de saúde e área da fisioterapia 
que o paciente recebia atendimento no serviço.
O Mini Exame do Estado Mental – MEEM é um teste de avaliação cognitiva, 
utilizado para investigação de possíveis perdas cognitivas em indivíduos no seu 
segmento evolutivo correspondente. Este teste é composto por diversas questões, 
agrupadas em sete categorias, cada uma delas desenhadas para avaliar funções 
cognitivas específicas: orientação para o tempo (5 pontos), memória imediata (3 
pontos), atenção e cálculo (5 pontos), evocação (5 pontos), lembrança de palavras 
(3 pontos), linguagem (8 pontos) e capacidade construtiva visual (1 ponto). O escore 
do MEEM varia de um mínimo (0) até o total máximo (30) (BERTOLUCCI et al., 1994; 
BRUCKI et al., 2003; TALMELLI et al. 2010). Segundo Lourenço e Veras, 2006 deve 
ser utilizada a pontuação de corte até 18/19 pontos para ausência de instrução escolar 
e até 24/25 pontos para a presença da mesma (LOURENÇO; VERAS, 2006). 
A MIF foi desenvolvida pela Academia Americana de Medicina Física e Reabilitação 
e pelo Congresso Americano de Medicina de Reabilitação, foi validada e adaptada para 
o Brasil por Riberto et al em 2004 (RIBEIRO et al. 2004). A MIF é uma escala ordinal 
com 18 itens, cada item possui um escore com 7 níveis que avalia a necessidade de 
auxílio para realização das atividades de vida diária (AVD). Os 18 itens da MIF são 
classificados em 6 dimensões e 2 subdivisões: motor e cognitivo. A MIF consiste em 
autocuidado (alimentação, higiene pessoal, banho, vestir-se acima da cintura, vestir-
se abaixo da cintura e uso do vaso sanitário); controle de esfíncteres (controle de urina 
e fezes); mobilidade (transferência para cama/ cadeira de rodas, transferência para 
o vaso sanitário e transferência para o chuveiro) e locomoção (marcha/ cadeira de 
rodas e escadas). A MIF cognitiva consiste em comunicação (compreensão (Auditiva/
Visual) e expressão (Verbal/Não verbal)) e cognição social (interação social, resolução 
de problemas e memória). Para cada um dos 18 itens da MIF, uma escala descritiva 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 105
é utilizada para classificar o nível de auxílio nas AVD sendo: 1 correspondente à 
dependência total; 2 dependência máxima; 3 dependência moderada; 4 dependência 
mínima; 5 supervisão; 6 independência modificada (ajuda técnica) e 7 independência 
completa. Os escores são de 18 a 140 e quanto mais elevado o escore, maior o nível 
de independência e melhor o desempenho funcional dos indivíduos (TALMELLI et al. 
2010; GRATÃO et al. 2013). 
Para avaliação da sobrecarga dos cuidadores foi utilizado o questionário de Zarit 
Burden Interview que é um escala composta por 22 itens que avalia aspectos como: 
saúde, vida social e pessoal, situação financeira, emocional, bem-estar e as relações 
interpessoais. Todas as perguntas devem ser respondidas com pontuação de 0 a 4, 
sendo: 0 = nunca; 1 = raramente; 2 = às vezes; 3 = muito frequentemente; 4 = quase 
sempre. No final são somadas as pontuações que variam no total de 0 a 88, quanto 
maior a pontuação, maior será a sobrecarga do cuidador (SCAZUFCA, 2002).
3.5 Análise estatística
Uma estatística descritiva foi estabelecida com a finalidade de apresentar 
medidas de tendência central e de variabilidade da amostra estudada. O teste Shapiro-
Wilk foi utilizado para verificar a distribuição dos dados referentes à variável nível de 
sobrecarga (pontuação no questionário de Zarit) e MIF. Por meio dessa análise foi 
observada distribuição gaussiana dos dados. A correlação de Pearson foi empregada 
para medir o grau de relacionamento linear entre as duas variáveis quantitativas (Zarit 
x MIF) (FILHO; JUNIOR, 2009). Foi utilizado o pacote estatístico SPSS 21.0 e para 
todos os casos foi considerado valor p ≤ 0,05.
4 | RESULTADOS E DISCUSSÕES
O estudo contou com 17 cuidadores, abordados na recepção do SEF-UFPI pelos 
pesquisadores e levados à sala de avaliação para aplicação dos instrumentos de 
coleta de dados, a saber: MEEM, questionário sociodemográfico, MIF e Zarit.
A idade variou de 22 a 71 anos, média 46,29 (s±15,987) anos. Quanto ao gênero 
a amostra conteve em sua totalidade o sexo feminino. Os voluntários da pesquisa 
classificavam-se como negro/pardo 9 (52,9%), branco com 5 (29,4%) e mulato com 
3 (17,6%). O grau de escolaridade da amostra estudada era fundamental completo 
1 (5,9%), fundamental incompleto 6 (35,3%), ensino médio completo 6 (35,3%), 
universitário completo 3 (17,6%) e analfabeto 1 (5,9%). Apresentavam renda familiar 
de 1 a 3 salários 12 voluntários (70,6%), 4 a 6 salários 3 cuidadores (17,6%) e 7 a 10 
salários 2 participantes (11,8%). Em relação ao estado civil 4 eram solteiros (23,5%), 
9 casados (52,9%), 1 divorciado (5,9%) e 3 em união estável (17,6%). O número de 
residentes teve como mínimo de 2 e máximo de 7, média 3,41(s±1,583) moradores. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 106
Os filhos variavam de no mínimo 1 e máximo de 2, média 1,18 (s±0,393). A profissão 
predominante dos cuidadores foi dona de casa com 8 (47,1%). O setor com maior 
números de pacientes foi o de fisioterapia neurofuncional adulto com 13 (76,5%) 
seguido de fisioterapia aquática com 3 (17,6%) e fisioterapia traumato-ortopédico-
funcional com 1 (5,9%).
Figura 1 – Pontuação média dos cuidadores avaliada por meio do Zarit Burden Interview 
A média de pontuação do MEEM foi 25,35 (s± 2,149) com pontuação mínima de 
22 e máxima de 30 pontos. A sobrecarga do cuidador foi avaliada pela escala de Zarit 
cuja pontuação variou entre 0 e 52, com média de 27,47 (s±16,310) como mostra na 
figura 1. 
A figura 2 mostra os valores obtidos no questionário de Zarit, onde 7 cuidadores 
(41,17%) obtiveram escores entre 0-20 pontos (pouca ou nenhuma sobrecarga), 4 
(23,52%) obtiveram escores entre 21-40 (sobrecarga leve e moderada), 6 (35,29%) 
obtiveram escores entre 41-60 (sobrecarga moderada à grave). A MIF do paciente foi 
respondida de acordo com a visão do cuidador sobre a funcionalidade apresentada. 
A pontuação variou entre 33 e 137 pontos, apresentando média de 94,29 (s±30,696) 
sendo mostrada na figura 3.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 107
Figura 2 – Sobrecarga em cuidadores avaliada por meio do Zarit Burden Interview 
Figura 3 - Pontuação média dos pacientes avaliada por meio da MIF segundo informações 
dos cuidadores.
A avaliação de normalidade dos dados foi realizada pelo teste de normalidade 
de Shapiro-Wilk, pois a amostra era pequena (inferior a 50). O resultado do teste 
indicou distribuição normal dos dados referentes à MIF (0,70) e ao Zarit (0,24) como 
mostra a figura 4 e 5. Diante da normalidade dos dados de MIF e Zarit, empregou-se o 
coeficiente de correlação de Pearson para analisar o grau de relação entre os escores 
dessas variáveis, indicando fraca associação entre as mesmas (p= -0,214).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 108
Figura 4 – Distribuição dos dados referentes à MIF da amostra estudada
Figura 5 – Distribuição dos dados referentes aos escores da Zarit Burden Interview da amostra 
estudada
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 109
O trabalho avaliou a sobrecarga dos cuidadores de pacientes que utilizam 
o SEF-UFPI, caracterizando o seu perfil sócio demográfico e correlacionando a 
sobrecarga do cuidador com a funcionalidade do paciente. Assim como na literatura 
em geral, o estudo confirma o predomínio de mulheres como cuidadoras (CASSIS, 
2007; MORAES; SILVA, 2009;GONÇALVES et al. 2013). Estes achados confirmam a 
influência do papel histórico cultural da mulher em ter disponibilidade em ficar em casa 
e cuidar da família (GONÇALVES et al., 2006). A escolha do cuidador pode ocorrer de 
modo inesperado para o familiar por expressão do desejo do paciente, mesmo que o 
familiar não esteja preparado para assumir este compromisso. O espaço designado 
ao cuidado ocorre no âmbito familiar, lugar no qual a mulher exerce maior propriedade 
(PIMENTA; RODRIGUES; GREGUOL, 2010).
Em relação à faixa etária dos cuidadores, a média de idade encontrada na 
pesquisa (46,29 anos) corrobora com os achados de outros estudos que demonstram 
que a maioria dos cuidadores é de meia-idade (GONÇALVES et al., 2006; SOUSA et 
al., 2008). Assim como na literatura, a maioria das cuidadoras do presente estudo era 
casada (52,9%), seguidas por solteiras (23,5%), esse papel geralmente é assumido pela 
companheira ou pela filha que não conseguiu casar, por dependerem emocionalmente 
e financeiramente do paciente (MORAES; SILVA, 2009; VALENTE et al., 2011).
A renda familiar predominante neste estudo esteve entre 1-3 salários para 
70,6% da amostra estudada. Estudos apontam que esta variável pode afetar a vida 
do cuidador, uma vez que com uma renda maior o mesmo poderia ter uma ajuda 
adicional para aliviar sua carga de trabalho, impedindo assim seu isolamento social 
(MORAES; SILVA, 2009). Quanto mais descansado estiver o cuidador, maior será 
seu desempenho ao cuidar do paciente, por isso é extremamente necessário que o 
cuidador tenha seus momentos de lazer para repor as energias, como caminhadas 
ou apenas uma conversa com amigos, isso deve ser considerado como tratamento 
(SCHNAIDER; SILVA; MARIA, 2009). A ajuda de outras pessoas promove benefícios 
para o cuidador, e compartilhar os cuidados representa um fator redutor de estresse, 
tanto no aspecto físico como emocional (OLIVEIRA; GARANHANI; GUARANHANI, 
2011). 
O presente estudo apresentou predomínio o trabalho de donas de casa com 
47,1%, este achado pode indicar o motivo pelos quais muitas se tornaram cuidadoras, 
aliado à baixa escolaridade que reduzem a inserção no mercado de trabalho enquanto 
os outros membros da família talvez trabalhem fora do lar, ou ainda pode indicar o 
afastamento de suas atividades anteriores para se dedicar em prestar maior assistência 
ao familiar que necessite de sua ajuda (AMENDOLA; OLIVEIRA; ALVARENGA, 2008).
De acordo com a escolaridade dos cuidadores, destaca-se o ensino fundamental 
incompleto e ensino médio completo com 35,3% cada, podendo este fator contribuir 
para o despreparo em lidar com a comorbidade do familiar, agindo de forma afetiva, 
não contribuindo de maneira adequada para a reabilitação do paciente (EUZÉBIO; 
RABINOVICH, 2006). Embora o fator escolaridade não seja um indício imprescindível 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 110
que indique o grau de comprometimento do cuidador, este é muito importante, já que 
os mesmos receberão as orientações diretamente dos profissionais da saúde, bem 
como proceder com as demandas que vão surgindo fora do espaço de saúde em 
que o paciente recebe determinado atendimento (PEREIRA et al., 2013). Familiares 
que mantém contato direto com os pacientes muitas vezes prestam os cuidados de 
forma intuitiva. Isto significa que podem existir falhas neste cuidado, decorrentes tanto 
da ausência de orientações, como pelo pouco tempo para apropriação das mesmas 
(OLIVEIRA; GARANHANI; GARANHANI, 2011).
Quanto ao setor de atendimento dos pacientes cuidados pelos entrevistados, 
observou-se que, da amostra estudada, o setor de fisioterapia neurofuncional adulto 
foi o que apresentou maior número de cuidadores com 76,5%, indicando que os 
acometimentos neurológicos geralmente são os que trazem os maiores prejuízos 
na funcionalidade, e por isso necessitam de maior assistência para realização 
de suas (AVD), contribuindo assim para a figura do cuidador (FERNANDES et al., 
2012). Considerando que essas atividades foram avaliadas pela MIF, que é o mais 
amplo instrumento para mensurar a capacidade funcional, a média encontrada neste 
estudo foi de 94,29 pontos. Em geral, pode-se dizer que os pacientes apresentaram 
dependência funcional moderada (BENVEGNu, 2008).
O teste de correlação indicou fraca associação entre as variáveis MIF e Zarit. 
Embora estudos apontem uma maior sobrecarga do cuidador quanto maior a 
dependência do paciente, nesta amostra isso não foi comprovado, já que na escala 
de Zarit foi observado que 41,7% pontuaram de 0-21, pouca ou nenhuma sobrecarga, 
em contrapartida com valor médio da MIF (94,29 pontos) que indica uma dependência 
moderada do paciente (STACKFLETH et al., 2012; PEREIRA et al., 2013). Embora 
seja considerada a subjetividade do questionário, deve-se avaliar se os motivos para a 
baixa pontuação de Zarit seriam realmente correspondentes à verdadeira sobrecarga 
do cuidador. O sentimento de retribuição e compaixão pelo paciente, provenientes da 
cultura familiar na qual cuidar é uma obrigação moral, poderia influenciar nas respostas 
obtidas que levaram a uma baixa pontuação desse questionário (FONSECA; PENNA, 
2008). 
O fisioterapeuta é o profissional que pode ajudar os cuidadores quanto às 
orientações e como proceder com as AVD do familiar. Ao passo que este profissional 
atua na reabilitação do paciente, é importante atentar também em relação aos 
cuidadores, pois dependendo do comprometimento funcional do paciente, existe 
uma dificuldade para o seu manejo correto. A utilização da biomecânica, quando bem 
orientada por um profissional, oralmente ou por meio de cartilhas explicativas ajudam a 
diminuir a sobrecarga física desses cuidadores. Essas orientações são fundamentais 
para os pacientes e cuidadores, pois irão auxiliar no processo de recuperação e na 
prevenção de futuras complicações (NONIMO; KREULICH; BENEDITI, 2008; LIMA; 
PINTO; TORQUATO, 2014).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 111
5 | CONCLUSÃO
Ainda que o estudo apresente limitações como o pequeno tamanho da amostra, o 
mesmo contribuiu para caracterizar o perfil do cuidador familiar e sua visão em relação 
ao paciente. O fisioterapeuta deve estar atento às necessidades dos cuidadores, pois 
é vital conhecer as expectativas da família para oferecer uma assistência adequada 
com condutas e orientações para os mesmos. A amostra estudada apresentou fraca 
correlação entre MIF e Zarit indicando pouca ou nenhuma sobrecarga, embora a 
MIF tenha indicado dependência moderada do paciente, sugere-se que sejam feitas 
investigações semelhantes com amostra maior e em outros serviços. 
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 11 113
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 114
CAPÍTULO 12
RISCOS OCUPACIONAIS AOS PROFISSIONAIS DE 
ENFERMAGEM QUE ATUAM EM SALA DE VACINA
Márcia de Morais Sousa
Enfermeira, Pós-Graduanda em Urgência e 
Emergência pela Faculdade
Integral Diferencial-WYDEN FACID-PI
Teresina-PI
Maria Francinete do Nascimento Silva
Enfermeira, Pós-Graduanda em Urgência e 
Emergência pela Faculdade
Integral Diferencial-WYDEN FACID-PI
Teresina-PI
Naldiana Cerqueira Silva
Enfermeira, Doutoranda do programa de 
doutorado em engenharia biomédica da 
Universidade Brasil. 
Professora da Faculdade Integral Diferencial-
WYDEN FACID-PI
Teresina-PI
Bruna Furtado Sena de Queiroz
Acadêmica do X bloco de Enfermagem pela 
Faculdade Integral Diferencial
–WYDEN FACID-PI
Teresina-PI
Flávia de Sousa Holanda
Acadêmica do IX bloco de Enfermagem pela 
Faculdade Integral Diferencial
–WYDEN FACID-PI
Teresina-PI
Laísa Ribeiro Rocha
Acadêmica do VIII bloco de Enfermagem pela 
Faculdade Integral Diferencial
–WYDEN FACID-PI
Teresina-PI
Gisele Lopes Cavalcante
Farmacêutica, Mestranda em ciências 
farmacêuticas pela Universidade Federal do Piauí
Teresina-Pi
RESUMO: Durante a sua jornada de trabalho, os 
profissionais de enfermagem estão expostos a 
diferentes riscos ocupacionais. Estes riscos são 
responsáveis pelo surgimento dos acidentes 
ocupacionais, os quais têm grande impacto 
econômico devido à perda de mão-de-obra 
qualificada. Um risco aos quais os profissionais 
de enfermagem estão expostos durante sua 
atividade laboral é o biológico, envolvendo 
acidente com perfuro cortante. Este estudo 
tem como objetivo geral identificar a exposição 
dos profissionais de enfermagem quanto aos 
riscos ocupacionais presentes nas salas de 
vacina. Trata-se de um estudo exploratório 
e descritivo com abordagem qualitativa. Foi 
realizado em 21 salas de vacina de Unidades 
Básicas de Saúde (UBS), localizadas na 
regional norte do município de Teresina, estado 
do Piauí. Participaram do estudo 19 técnicos 
de enfermagem A coleta de dados ocorreu nos 
meses de março á maio de 2016 e, utilizou 
como instrumento norteador um questionário 
semi estruturado com perguntas referentes 
à exposição aos riscos ocupacionais durante 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 115
suas atividades laborais. Os dados foram organizados e analisados por meio de 
categorias de acordo com os objetivos da pesquisa sendo, posteriormente avaliados 
e discutidos com base na literatura existente. Após acidentes com material perfuro 
cortante, os profissionais de enfermagem não realizam a notificação de acidentes, 
o que aumenta a sub notificação. Quanto aos equipamentos de proteção individual 
(EPI’s), os profissionais têm conhecimento sobre os tipos de EPI’s, porém referiram 
não fazerem uso destes equipamentos no desenvolvimento de sua atividade.
PALAVRAS-CHAVE: Biossegurança. Saúde do trabalhador. Acidente do trabalho.
ABSTRACT: During their workday, nursing professionals are exposed to different 
occupational hazards. These risks are responsible for the emergence of occupational 
accidents, which have great economic impact due to the loss of skilled labor. One risk 
to which nursing professionals are exposed during their work activity is the biological, 
involving accident with shear puncture. This study aims to identify the exposure of 
nursing professionals to the occupational risks present in vaccine rooms. This is an 
exploratory and descriptive study with a qualitative approach. It was performed in 
21 vaccine rooms of Basic Health Units (UBS), located in the northernregion of the 
municipality of Teresina, state of Piauí. Nineteen nursing technicians participated in 
the study Data collection took place from March to May 2016 and used as a guiding 
instrument a semi-structured questionnaire with questions regarding exposure to 
occupational risks during their work activities. The data were organized and analyzed 
by means of categories according to the objectives of the research, being later 
evaluated and discussed based on the existing literature. After accidents with sharp 
puncture material, the nursing professionals do not perform the accident notification, 
which increases the sub notification. Regarding personal protective equipment (PPE), 
professionals are aware of the types of PPE, but they did not use these equipments in 
the development of their activity.
KEYWORDS: biosecurity, worker’s health, work accident.
1 | INTRODUÇÃO
Acidente de trabalho é aquele que acontece no exercício das atividades 
relacionadas ao serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação 
funcional podendo causar morte, perda ou redução permanente ou temporária, da 
capacidade para o trabalho (LEI n° 8.213/91). Segundo RIBEIRO & SHIMISU (2007), 
os acidentes do trabalho são agravos freqüentes no exercício da enfermagem. GALLAS 
& FONTANA (2010), afirmam que a diversidade e a simultaneidade de cargas de 
trabalho contribuem para a ocorrência dos mesmos em qualquer unidade de cuidado 
direto ou indireto ao paciente.
Os acidentes ocupacionais que envolvem os profissionais de enfermagem 
têm grande impacto econômico acarretado pelaperda de mão-de-obra qualificada 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 116
proveniente destes acidentes (BAKKE & ARAÚJO, 2010). Em seu relatório anual, a 
Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2013), indicou custos que estas doenças 
acarretam aos profissionais, devido, a redução da capacidade de trabalho, bem como, 
no aumento dos gastos em cuidados de saúde.
A Lei Orgânica da Saúde n.º 8080, de 19/09/1990, regulamenta o Sistema 
Único de Saúde (SUS) brasileiro, e as ações em saúde do trabalhador, definidas, 
como um conjunto de atividades que se destinam, através das ações de vigilância 
epidemiológica e sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim 
como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos 
riscos e agravos advindos das condições de trabalho.
As diferentes condições de trabalho as quais, os profissionais estão expostos 
podem surgir às doenças profissionais e/ou do trabalho. De acordo com TAVARES 
(2013), as doenças profissionais constituem apenas um dos aspectos das conseqüências 
negativas das más condições de trabalho sobre a saúde dos trabalhadores.
Visando a prevenção da saúde e integridade dos trabalhadores de saúde durante 
a sua atividade laboral, o ministério do trabalho, por meio da norma regulamentadora 
número 32 (NR-32), estabelece medidas para proteger a saúde e a segurança dos 
profissionais de saúde, objetivando a prevenção dos acidentes quanto à exposição 
aos riscos físicos, químicos biológicos, psicossociais e ergonômicos. Desse modo 
exercendo atividades de promoção e assistência à saúde em geral desses profissionais.
Então, a escolha do tema decorre da existência dos riscos ocupacionais nos 
locais de trabalho, que podem afetar a saúde e a integridade física do trabalhador, 
uma vez que ao prestar assistência de saúde direta e indiretamente, preocupa-se 
muito com o cuidado do paciente e pouco com os riscos a que está exposto ao prestar 
este cuidado. Desse modo é de extrema relevância caracterizar os riscos ocupacionais 
expostos aos profissionais de enfermagem que atuam em unidades de estratégia de 
saúde da família, com ênfase em sala de vacina, tendo em vista a escassez de estudos 
que abordem essa temática fora do ambiente hospitalar.
Elegemos como hipóteses que o ambiente da sala de vacina apresenta riscos 
ocupacionais aos quais os profissionais de enfermagem estão expostos durante sua 
atividade laboral como também, o uso correto de EPI’s protege a saúde e a integridade 
física do trabalhador.
O objetivo geral da pesquisa foi identificar a exposição dos profissionais de 
enfermagem quanto aos riscos ocupacionais presentes nas salas de vacina. Tendo 
como objetivos específicos: avaliar a postura adotada dos profissionais durante a sua 
atividade laboral; verificar a ocorrência de acidentes com perfuro cortantes; verificar o 
uso correto de EPI’s na sala de vacina.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 117
2 | METODOLOGIA
2.1 Procedimentos Éticos
A pesquisa foi realizada obedecendo aos aspectos legais da resolução nº 
466/2012 do Conselho Nacional de Saúde que dispõe sob a ótica do indivíduo e 
das coletividades, referenciais da bioética, tais como, autonomia, não maleficência, 
beneficência, justiça e equidade, dentre outros, e visa a assegurar os direitos e deveres 
que dizem respeito aos participantes da pesquisa, à comunidade científica e ao Estado. 
O projeto foi submetido á Plataforma Brasil e ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) 
da Faculdade Integral Diferencial-FACID/Wyden o qual foi aprovado no dia 05.11.2015 
com o número de protocolo 46123015.9.0000.5211. Após a autorização da Fundação 
Municipal de Saúde (FMS) de Teresina, assim como do Comitê de Ética em Pesquisa 
da Faculdade Integral Diferencial- FACID/Wyden, foi iniciada a coleta de dados.
Os sujeitos foram convidados a participarem voluntariamente da pesquisa, após 
a leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas 
vias ficando com uma copia para si e outra para o pesquisador, sendo explicado o tema 
da pesquisa, metodologia, os objetivos, benefícios, riscos, duração e a disponibilidade 
dos pesquisadores sobre os esclarecimentos acerca do estudo.
2.2 Tipo de Pesquisa
De acordo com os objetivos propostos, a pesquisa foi do tipo exploratória, 
descritiva com abordagem qualitativa. Segundo GIL (2010), a pesquisa exploratória tem 
como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo 
mais explícito ou a construir hipóteses e, tendo como principal foco o aprimoramento 
de idéias a descobertas de intuições. Para DYNIEWICZ (2009), a pesquisa descritiva 
tem como propósito observar, descrever, explorar, classificar e interpretar aspectos de 
fatos ou fenômenos. Buscam-se freqüência, característica, relação e associação entre 
variáveis.
A pesquisa qualitativa segundo MINAYO (2006) busca compreender as questões 
com o nível de realidade que não podem ser quantificados, isto é, trabalhar com 
o universo de significados, motivos, aspirações, crenças valores e atitudes, o que 
corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos 
que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. MARCONI & LAKATOS 
(2007), comentam também que a pesquisa qualitativa preocupa-se em analisar e 
interpretar aspectos profundos, descrevendo a complexidade do comportamento 
humano, fornecendo análise detalhada sobre as investigações, hábitos, atitudes, 
tendências de comportamento entre outros. Assim, preocupa-se com a compreensão 
dos significados.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 118
2.3 Local da Pesquisa
A pesquisa foi realizada em 21 salas de vacina de Unidades Básicas de Saúde 
(UBS), localizadas na regional norte do município de Teresina, estado do Piauí (figura 
1), as quais são vinculadas a Fundação Municipal de Saúde (FMS).
Figura 1- Mapa das cinco regiões metropolitanas de Teresina e local de estudo.
2.4 Participantes do estudo
Foram concedidas 19 entrevistas de técnicos de enfermagem que trabalham 
em salas de vacina de Unidades Básicas de Saúde, localizadas na regional norte 
do município de Teresina, estado do Piauí. Ocorrendo 2 recusas de participação da 
pequisa das 21 salas de vacina.
A pesquisa teve como critérios de inclusão os profissionais de enfermagem que 
trabalham em sala de vacina há pelo menos um ano e, estabelecidos comocritérios de 
exclusão os profissionais de enfermagem que trabalham em sala de vacina e estejam 
de licença e/ou férias.
2.5 Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada por meio de uma entrevista semi estruturada, 
composta por questões abertas e fechadas (APÊNDICE D) referentes à exposição aos 
riscos ocupacionais durante a atividade laboral desses profissionais na sala de vacina, 
que aconteceu com agendamento prévio de três dias em cada sala de vacina, durante 
os meses de março a maio de 2016. Para a entrevista, foi estabelecido um tempo de 
30 a 50 minutos com cada profissional de enfermagem, onde foi realizada a aplicação 
de um questionário (APÊNDICE D), o qual possui perguntas referentes aos riscos 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 119
ocupacionais e principalmente aos acidentes com perfuro cortantes. Conforme as 
respostas do entrevistado foram sendo realizadas perguntas para maiores informações. 
A abordagem das perguntas foi sobre o conhecimento dos riscos ocupacionais, como 
também a ocorrência, freqüência e, local de acidente com perfuro cortantes e a conduta 
a ser seguida em caso de acidentes.
Quanto à avaliação do uso de EPI’s, os dados foram coletados por meio da 
aplicação do questionário (APÊNDICED) onde o profissional de enfermagem indicou 
o seu conhecimento referente aos equipamentos de proteção individual (máscaras, 
luvas, jaleco, óculos etc.), utilizados durante a sua atividade laboral e a correta 
utilização destes. Como também, foi realizada no mesmo questionário uma avaliação 
da postura do profissional de enfermagem por meio de perguntas, as quais abordaram 
a presença/ausência de dores ou formigamento em alguma parte do corpo, devido à 
atividade exercida nas salas de vacinas nos últimos 12 meses e, que possam estar 
ocasionando problemas que impeçam o desenvolvimento das atividades domésticas 
ou no trabalho.
Para DYNIEWICZ (2009), a entrevista é o tipo mais comum de técnica de coleta de 
dados em pesquisa. Ela tem por finalidade obter informações verbais de uma parcela 
representativa de uma população. Seus objetivos são: atender aos propósitos da 
pesquisa; auxiliar, como, roteiro na coleta de dados; e ajudar a motivar o entrevistado. 
MINAYO (2006), afirma que a entrevista semi-estruturada permite que o informante 
exponha livremente suas ideias, apoiando-se numa pergunta previamente formulado 
pelo entrevistador.
2.6 Organização e Análise dos Dados
Para a organização e apresentação dos resultados foram construídas categorias, 
de acordo com as temáticas que surgiram da fala dos participantes durante as entrevistas 
realizadas. A análise dos dados qualitativos foi realizada por meio da entrevista semi 
estruturada, onde os dados foram organizados em categorias de acordo os objetivos 
da pesquisa, para subjetivamente serem avaliados e posteriormente discutidos com 
base na literatura existente.
Para MINAYO (2006),as categorizações são empregadas para estabelecer 
classificações, ou seja, agrupar elementos, idéias ou expressões em torno de um 
conceito capaz de abranger de um modo geral qualquer tipo de análise em pesquisa 
qualitativa. A análise temática compreende a pré-análise, exploração do material, 
tratamento dos resultados obtidos e interpretação.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 120
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO
É importante salientar que dos entrevistados, a maioria não sabiam responder 
inicialmente o que era risco ocupacional, mesmo fazendo uma correlação das perguntas 
subseqüentes no decorrer da entrevista não conseguiam formar uma definição precisa 
sobre tais riscos.
Quanto à exposição aos riscos ocupacionais A maioria achava que estava 
exposta apenas aos riscos biológicos e perfuro cortantes, não tendo conhecimento 
preciso sobre outros riscos ocupacionais como ergonômicos, pois, muitas vezes era 
necessário questionar o profissional de saúde para atingir o objetivo da pergunta, 
desse modo, quando questionado sobre os períodos de campanhas de vacinação 
relatavam que as várias funções atribuídas a um único profissional como solicitar 
o cartão, cadastramento/anotação no sistema para controle de vacinas, manuseio 
e administração da vacina, atendimento e organização da fila de espera, aliado as 
atividades repetitivas como sentar, levantar, digitar, anotar e baixar (para administração 
em crianças), desconforto devido a cadeiras inadequadas e falta de apoio nas mesas 
para os pés durante as atividades geram estresses e torna-os expostos aos riscos 
ergonômicos, podendo comprometer as atividades laborais.
Caracterização da amostra
Parâmetros avaliados Descrição Total
Salas de vacinas
Total 21
Entrevistas concedidas 19
Recusa de entrevista 2
Sexo dos entrevistados
Feminino 17
Masculino 2
Tempo de atividade nas salas 
de vacinas
 < 2 anos 1
 2-5 anos 9
 > 5 anos 9
Faixa etária
25-35 anos 8
 35-45 anos 5
 > 45 anos 6
Locais de trabalho
 1 Local 9
 Em 2 locais 10
Tabela 1. Caracterização dos sujeitos envolvidos na pesquisa
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 121
As respostas dos entrevistados foram analisadas de modo que proporcionassem 
ao pesquisador abstrair as informações significativas que possibilitassem uma análise 
dos riscos e exposição dos profissionais relacionados ao seu laboro, levando em 
consideração os acidentes com materiais perfuro cortantes. Agruparam-se as falas de 
acordo com as diferenças e semelhanças percebidas nas respostas em categorias, 
a saber: exposição aos riscos ocupacionais, ocorrência de acidentes com perfuro 
cortantes nas salas de vacinas, avaliação da biossegurança aos profissionais de saúde 
na sala de vacina e problemas relacionados á ausência de ergonomia no ambiente 
laboral.
3.1 Exposições aos riscos ocupacionais
Na análise das questões subjetivas com relação aos conhecimentos que o grupo 
estudado mostrou por meio das entrevistas, pode-se observar que uma pequena 
parte dos sujeitos da pesquisa possuíam algum conhecimento acerca dos riscos 
ocupacionais existentes no seu ambiente de trabalho, citando os riscos biológicos, 
físicos (radiações ionizantes)e perfurocortantes. Sendo seus depoimentos transcritos 
nos abaixo:
 “Risco que o profissional tem ao manusear materiais biológicos, radioativos, dentre 
outros no ambiente de trabalho”.
“É tudo que pode ter risco a saúde. Por ex. perfuro-cortantes, imunobiológicos, 
contato com pacientes e posições ergonômicas”.
“São riscos decorrentes das atividades exercidas no ambiente de trabalho”.
Assim, o risco biológico foi o de maior evidência para os profissionais das salas 
de vacinas em estudo. Neste sentido, conforme o desenvolver da entrevista, tornou-
se perceptível, na maioria dos relatos dos sujeitos, que os mesmos relacionavam 
o referido risco aos materiais perfuro cortantes. Citam também, que as atividades 
que envolvem contato físico direto com as pessoas, podem acarretar exposições às 
doenças infectocontagiosas durante a sua atividade laboral, conforme os relatos que 
seguem:
“Exposição à doenças pelo fluxo de pessoas e perfuro cortante”.
“Exposição à doenças aspiratórias pelo fluxo de pessoas”
Exposição à doenças pelo fluxo de pessoas; contaminação por meio do manuseio 
da vacina; e perfuro cortante”
No entanto, a maioria dos entrevistados pensavam que estavam expostos 
apenas aos riscos biológicos e perfuro cortantes, não tinham conhecimentos preciso 
em relação a outros riscos como os ergonômicos e químicos pois, muitas vezes era 
necessário outros questionamentos ao profissional de saúde para atingir o objetivo 
da pergunta, desse modo, quando questionado sobre os períodos de campanhas de 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 122
vacinação, os profissionais relatavam que as várias funções atribuídas a um único 
profissional como solicitar o cartão, cadastramento/anotação no sistema para controle 
de vacinas, anotação da vacina no cartão, manuseio e administração da vacina,atendimento e organização da fila de espera, todas estas atribuições geravam vários 
estresses durante esse período.
As diversas atribuições durante as campanhas de vacinação relatadas pelos 
profissionais nas salas de vacinas, durante sua atividade laboral, condiz com as 
condições elencadas por MAURO et al. (2004), onde as condições precárias a que são 
expostos estes profissionais, principalmente pelo excesso de atividade laboral física e 
mental, acúmulo de horas trabalhadas, são fatores determinantes para ocorrência das 
doenças ocupacionais e acidentes do trabalho. Tais condições podem ser observadas 
na transcrição dos relatos dos entrevistados sobre os incômodos das salas de vacinas:
“A carga excessiva de trabalho em período de campanha. Tanto na saúde mental 
(pelo estresse e cobrança), saúde física (esforço de trabalho na questão de sentar, 
levantar, se agachar)”.
“As inúmeras vezes que sento e levanto para realizar anotações e vacinas”
Constata-se também por meio de uma análise correlativa das diversas atribuições 
relatadas pelos profissionais durante as campanhas de vacinação que, somando-
se as atividades repetitivas como sentar, levantar, digitar anotar e baixar (para 
administração em crianças), cadeiras sem conforto, falta de suporte para apoio dos 
pés durante o cadastramento/anotação no sistema, torna o profissional exposto aos 
riscos ergonômicos, o que pode comprometer futuramente suas atividades laborais. 
Pois, de acordo com Freitas et al. (2009), os profissionais de enfermagem são os 
mais afetados pelas lesões por esforço repetitivo (LER) tornando-os um grupo com 
probabilidade de desenvolver a LER, mesmo eles não tendo o conhecimento do risco 
que os acometem.
3.2 Ocorrência de acidentes com perfuro cortantes nas salas de vacinas
A maior parte dos profissionais relataram que, durante suas atividades nas salas 
de vacina, já sofreram alguns acidentes com perfuro cortante. O relato da freqüência 
de acidente em um dos profissionais chegou à ocorrência de cinco vezes durante o 
tempo de sua atividade em sala de vacina. Em todos os relatos de acidentes com 
perfuro cortante, a agulha e a ampola de diluente foram os principais materiais 
geradores deste acidente. Tais relatos podem ser observados na transcrição da fala 
dos entrevistados conforme apresentado abaixo:
“Sim, mais ou menos uns três anos com agulha”
“Sim, há mais ou menos cinco anos com agulha e ampola de diluente”
“Sim, freqüentemente ao abrir ampola de diluente”
“Sim, várias vezes com agulha e ao abrir ampola de diluente”
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 123
A identificação da agulha como um dos principais materiais geradores de 
acidentes perfuro cortantes ao profissional de enfermagem está de acordo com os 
resultados encontrados por Marziale et al. (2004) onde os autores identificaram este 
objeto como causadores do maior número de acidentes com perfuro cortantes ao 
profissional de enfermagem.
Em seu estudo Alves et al. (2009) identificaram que o potencial de risco para 
acidentes biológicos com material perfuro cortante aos profissionais de enfermagem 
está associado a inúmeros fatores combinados ou não. Entre esses fatores destacam-
se: ausência ou uso inadequado dos EPIs, além da sobrecarga de atividades pelo 
número reduzido de profissionais. Tais fatores encontrados pelos autores podem estar 
relacionados também com os dados obtidos no presente estudo.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que anualmente 
ocorrem cerca de três milhões de acidentes percutâneos com agulhas contaminadas 
no mundo (Verçosa, et. al 2013). Porém, esta projeção pode ser subestimada, 
sobretudo pela ausência de sistemas de vigilância e pela sub notificação de acidentes 
(Salier et al., 2012). Segundo Oliveira et al. (2010), a escassez de estudos referentes 
à ocorrência de acidentes com perfuro cortantes em profissionais de enfermagem e, 
sua real freqüência são desconhecidas, devido à muitos profissionais não notificarem 
tais ocorrências conforme as orientações padrões.
3.3 Avaliação da biossegurança aos profissionais de saúde na sala de vacina
Analisando os dados coletados na entrevista, pode-se constatar que o grupo 
estudado conhece os equipamentos de proteção individual (EPI’s) para a realização 
das atividades, porém, quando questionados quanto a utilização dos equipamentos de 
proteção, uma parte relatou que fazem uso isolado de luvas (principalmente), máscara, 
avental, touca e propés. 
Outra parte do grupo relatou que, mesmo os EPI’s estando à disposição 
(conforme constatado durante as entrevistas), eles não fazem uso corriqueiro durante 
o desenvolvimento da sua atividade laboral nas salas de vacinas e, seus usos ficam 
restrito apenas à luvas e máscaras durante as campanhas de vacinação e/ou suspeita 
de alguma doença infectocontagiosa.Sendo seus relatos transcritos abaixo:
“Avental e, faço uso da máscara apenas em período de campanha”.
“Uso a máscara só se estiver gripada”.
“Só faço o uso da luva quando faço vacinação fora da sala de vacina (presídios) e 
em períodos de campanha”.
Isto é um grave problema, pois, segundo Moura & Moura (2011), a conduta 
inadequada dos profissionais de saúde na não execução das normas de segurança por 
meio do uso dos equipamentos de proteção individual, aumentam consideravelmente 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 124
o risco de acidentes no ambiente de trabalho, uma vez que, estes profissionais estão 
expostos à vários riscos ocupacionais durante as suas atividades. Desse modo, estes 
os profissionais do estudo deveriam ser conscientes em relação à necessidade de 
conhecer e empregar adequadamente as normas de biossegurança e exigir segurança 
durante a sua atividade laboral. Isto é de fundamental importância, uma vez que estes 
profissionais est subestimando o risco de se infectarem por Anti-HIV, Ag Hbs, Anti-
HBS, Anti-HCV.
Estes profissionais que relataram os acidentes com perfuro cortantes, informaram 
que o único procedimento adotado após o acidente, foi a lavagem das mãos/dedos 
com sabão e água corrente. Como também, não realizaram nenhum procedimento 
de notificação destes acidentes e acompanhamento sorológico tanto do profissional 
quanto do paciente. Amaral et al. (2005) chama atenção que, após o acidente com 
materiais perfuro cortante, o profissional de enfermagem é o responsável em tomar a 
iniciativa da notificação, como também investigar as condições do paciente. Devendo 
ser realizado acompanhamento sorológico do profissional que se acidentou, com 
acompanhamento após 2 e 6 meses da ocorrência do acidente. Contudo, Oliveira et 
al. (2010) comentam que a sub notificação da ocorrência destes acidentes juntos aos 
setores responsáveis sãos as maiores dificuldades em adotar medidas preventivas 
e novas estratégias que reduzam o risco destes acidentes aos profissionais de 
enfermagem. 
Com isso, o profissional de saúde deve desenvolver um sentido de 
responsabilidade com relação à sua própria segurança. Para tal, é necessário obter 
conhecimentos específicos acerca de como podem ocorrer os acidentes de trabalho, 
bem como ser responsável pela manutenção da segurança do ambiente por meio 
das ações educativas. Neste contexto, a Norma Regulamentadora (NR) 32 objetiva o 
estabelecimento das diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção 
à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles 
que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral, preconiza o uso 
de EPI, a higienização das mãos, a vacinação contra hepatite B, tétano e difteria, entre 
outras disposições (BRASIL, 2005). 
3.4 Problemas relacionados à ausência de ergonomia no ambiente laboral
Para a Ergonomia, as condições de trabalho são representadas por um conjunto 
de fatores interdependentes, que atuam direta ou indiretamente na qualidade de vida 
das pessoas e nos resultados do próprio trabalho. Os profissionais entrevistados 
relataram que as dores na coluna e lombares, foram osprincipais problemas ocorridos 
nos últimos 12 meses acarretando na procura por médicos ortopedistas para avaliação 
do problema. Conforme em alguns dos relatos transcritos abaixo:
“Sim, tenho procurado um ortopedista devido às dores lombares.”
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 125
“As dores na coluna fizeram procurar um ortopedista.”
“Sim, dentro desse prazo, procurei um ortopedista e neurologista.”
“Umas dores na coluna que surgiu na coluna me fez ir ao ortopedista.”
Em vista disto, acredita-se que tais problemas possam está relacionado às 
condições físicas inadequadas no ambiente laboral, que aliado a atividades repetitivas 
relatadas pelos entrevistados acarreta no comprometimento da atividade laboral nas 
salas de vacina.Vale a pena ressaltar que dos 19 entrevistados 1 tinha mais de 60 
anos, nos remetendo para profissionais adultos jovens que não deveriam, via de regra, 
desenvolver problemas na coluna pois tal patologia está mais ligado aos profissionais 
idosos.Segundo Altoé et al., (2013), algumas organizações e grupos de pesquisa 
destacam os trabalhadores de enfermagem como sendo os profissionais que têm 
maior risco a desenvolver problemas relacionados a coluna dorsal.
Os fatores extra laborais como problemas posturais aliados aos fatores laborais 
como observados no presente estudo, podem interferir no desenvolvimento do trabalho 
destes profissionais.Seguindo neste contexto, estudos de Barbosa et al;(2008) e 
Alencar et al; (2010)demonstram que aproximadamente 80% dos trabalhadores de 
enfermagem estão propensos a adquirir os distúrbios osteomusculares relacionados ao 
trabalho (DORT) devido a constante exposição a condições inadequadas de trabalho.
4 | CONCLUSÃO
Pode-se constatar que nas Unidades Básicas de Saúde pesquisadas não se 
constatou a presença de notificação dos casos de acidentes com perfuro cortantese 
outros acidentes relacionados ao desenvolvimento das atividades laborais dos 
profissionais de enfermagem.
Os profissionais que trabalham nas salas de vacinas estão expostos aos riscos 
ocupacionais, principalmente os biológicos, perfuro cortantes e ergonômicos. Aliado 
as atribuições impostas aos profissionais nas salas de vacinas durante as campanhas 
de vacinação geram um grande estresse (risco psicossocial) ao profissional, podendo 
futuramente repercutir em sua saúde;
A não notificação dos acidentes com perfuro cortantes que ocorre nas salas de 
vacinas repercute numa sub notificação, o que dificulta a obtenção de dados sobre a 
real incidência destes acidentes nestes ambientes laborais. Desse modo recomendam-
se outros estudos nas demais unidades das salas de vacinas nas outras regionais 
para que sejam levantados tais problemas.
A não utilização dos equipamentos de proteção individual por uma parte dos 
entrevistados aumenta a exposição aos riscos ocupacionais e de acidentes com 
perfuro cortantes.
Diante da realidade conferida na presente pesquisa, faz-se necessário investir 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 12 126
no processo educativo, implementar treinamentos, cursos e palestras voltadas para a 
conscientização dos profissionais de saúde, visando reduzir a exposição aos riscos e 
a prevenção de riscos ocupacionais.
Este estudo representou um ganho de informações para a comunidade acadêmica 
e profissional acerca da identificação dos riscos ocupacionais para adoção de medidas 
preventivas dentro das salas de vacinas. Trouxe dados que pode fomentar mudanças 
de postura, como também levantamento de informações para possível tomada de 
decisões por parte de gestores visando a saúde e integridade física do trabalhador 
durante sua atividade laboral.
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 129
CAPÍTULO 13
AVALIAÇÃO DO ABSENTEÍSMO DOS PROFISSIONAIS 
DE ENFERMAGEM – REVISÃO INTEGRATIVA
Anny Caroline dos Santos Olímpio
Graduada em Enfermagem no Instituto Superior 
de Teologia Aplicada (INTA), Sobral – Ce.
João Breno Cavalcante Costa
Graduado em Enfermagem no Instituto Superior 
de Teologia Aplicada (INTA), Sobral – Ce.
Ana Íris Mota Ponte
Centro Universitário-UNINTA
Santana do Acaraú-Ceará
Maria Gleiciane Cordeiro
Centro Universitário-UNINTA
Santana do Acaraú-Ceará;
Benedita Beatriz Bezerra Frota
Centro Universitário-UNINTA
Sobral-Ceará;
Carlos Henrique do Nascimento Morais
Centro Universitário-UNINTA
Acaraú-Ceará;
RESUMO: A enfermagem se expandiu enquanto 
ciência e classe profissional, em virtude da rotina 
de trabalho muitas vezes duplicada devido à falta 
de profissionais em algumas regiões e a baixa 
remuneração, o profissional de enfermagem 
se torna vulnerável a desgaste físico e/ou 
emocional, ao longo de sua vida laboral. Nessa 
perspectiva, as exigências institucionais estão 
cada vez maiores, favorecendo a insatisfação, 
ao adoecimento físico e psicológico, e por 
consequência ao absenteísmo de profissionais 
da enfermagem. Deste modo, o absenteísmo 
se refere às ausências de trabalho devido a 
licenças, férias, faltas justificativas e inclui 
também as suspensões ou as ausências 
por faltas injustificadas. Este estudo é o 
resultado de uma revisão integrativa, que 
visou conhecer produções científicas nacionais 
publicadas no período de 2010 a 2014. Dentre 
os estudos disponibilizados, sintetizou 12 
trabalhos científicos. Emergiram as categorias: 
Características dos artigos, principais causas e 
doenças que acarretavam o absenteísmo nos 
profissionais de enfermagem, consequências 
geradas no serviço de enfermagem e as 
estratégias utilizadas para reduzir o absenteísmo 
no serviço de enfermagem hospitalar. Permitiu-
se identificar que a avaliação do absenteísmo 
na equipe de enfermagem além de fornecer 
informações a respeito do estado de saúde 
dos trabalhadores e riscos ocupacionais, 
pode favorecer a identificação das condições 
de trabalho que levam ao adoecimento da 
equipe de enfermagem, por isso torna-se tão 
importante o reconhecimento das circunstâncias 
que o envolvem, servindo de ferramenta para 
avaliação da saúde do trabalhador e adoção de 
medidas preventivas em benefício da qualidade 
da assistência ao paciente.
PALAVRAS-CHAVE: Absenteísmo; 
Enfermagem; Trabalho.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 130
1 | INTRODUÇÃO
Nos dias atuais sabemos que a segurança do trabalho e saúde são indispensáveis 
quando a finalidade é conservar um ambiente de trabalho saudável e produtivo na 
organização. A importância da segurança deve ser valorizada todos os dias pelas 
empresas e seus colaboradores devido sua relevância e deve ser ainda ser praticada 
por todos que se preocupam com sua própria saúde (SELL, 2012).
De acordo com, as mudanças nos processos de trabalho, em que as novas 
tecnologias acentuam a utilização da informatização e da automação, trouxeram 
importantes modificações na organização dos serviços de saúde, especialmente no 
contexto hospitalar (UMANN et al., 2011).
No contexto hospitalar, a enfermagem constitui-se na maior força de trabalho, 
sendo exercida pelas categorias profissionais: enfermeiro, técnico e auxiliar de 
enfermagem (OLIVEIRA et al., 2011).
Lorenzetti et al. (2014) diz que as atividades de gestão são constitutivas da prática 
da enfermagem, em especial do enfermeiro, desde a institucionalização da profissão, 
em meados do século XIX. Destaca-se nesse contexto a atuação dos enfermeiros em 
cargos de direção nos diversos níveis das instituições de saúde, desde a direção de 
unidades básicas de saúde, funções em nível central das esferas municipal, estadual 
e federal, bem como direção de órgãos de enfermagem em instituições hospitalares e 
coordenação de unidades assistenciais neste nível de atenção.
A enfermagem se expandiu enquanto ciência e classe profissional, mantendo 
sua essência que é o cuidar, estando presente ao lado de quem necessita de sua 
assistência 24 horas por dia. Em virtude da rotina de trabalho muitas vezes duplicada 
devido à falta de profissionais em algumas regiões e a baixa remuneração, o profissional 
de enfermagem torna-se vulnerável a desgastes físicos e/ou emocional, ao longo de 
sua vida laboral. 
Por ser uma profissão cuja mão de obra é basicamente feminina, estas 
trabalhadoras, por vezes são as mantenedoras financeiras de suas famílias e 
acumulam a jornada de trabalho duplas ou até triplas, somando as atividades do lar, 
condições que favorecem ao estresse e o aparecimento de doenças que geralmente 
desencadeiam possíveis ausências no local de trabalho, comprometendo, portanto a 
gestão e a prestação do cuidado (OLIVEIRA et al., 2011).
Nessa perspectiva, as exigências institucionais estão cada vez maiores, a carga 
horária excessiva, a dupla jornada de trabalho, a necessidade de manter mais de 
um emprego, aliado ao desgaste físico e mental, as condições impostas de trabalho 
muitas vezes desfavoráveis, favorece a insatisfação do trabalhador, ao adoecimento 
físico e psicológico, e por consequência ao absenteísmo destes trabalhadores. 
O absenteísmo diz respeito à falta de assiduidade ao trabalho e a outras 
obrigações sociais. As causas para essas faltas podem variar, desde situações 
planejadas (folgas, férias e feriados), e situações que são imprevisíveis, as quais 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 131
caracterizam, de fato, o absenteísmo, sendo essas as faltas não justificadas, acidente 
de trabalho, licenças médicas, licença maternidade e paternidade, período de gala, 
nojo e demais circunstâncias que impeçam o trabalhador de cumprir com o seu papel 
(FEIX et al., 2018)
Segundo Flores et al. (2016), as acentuadas transformações no mundo do 
trabalho têm suscitado uma crescente preocupação com relação à saúde do trabalhador 
como ação preventiva do absenteísmo. A presença do absenteísmo excessivo traz 
consequências desastrosas às organizações, refletindo sobremaneira na queda da 
produtividade e no consequente aumento dos custos da produção. Por outro lado, o 
fenômeno do absenteísmo, numa perspectiva sistêmica de análise das relações homem 
trabalho organização, pode ser tomado como sinal, e porque não dizer ‘sintoma’, de que 
também o trabalho, tal como se encontra em desenvolvimento no seio da organização, 
afeta o trabalhador de forma prejudicial, ou seja, a existência do absenteísmo em grau 
significativo denuncia a atuação negativa e destrutiva de um mal estar e, portanto, 
prejuízos que ocorrerãonuma via de mão dupla: atingindo primeiramente o corpo e o 
psiquismo do trabalhador e a já citada produtividade organizacional secundariamente. 
No entanto, deve-se considerar que o trabalho também pode significar sofrimento 
psíquico, alienação, comprometimento da saúde física e mental do trabalhador.
O absenteísmo na enfermagem implica diretamente: Queda na qualidade da 
assistência, sobrecarga de atividades, falta de motivação do profissional ativo, risco na 
saúde do trabalhador comprometido e aumento dos custos financeiros despendidos 
com horas extras para a instituição. A remuneração das profissionais de enfermagem 
também pode estar associada ao absenteísmo, pois os salários baixos podem implicar 
na necessidade de dois ou até mais empregos causando sobrecarga, que podem levar 
a faltas injustificadas (ARAUJO, 2015). 
Diante do exposto, estudos sobre a temática são importantes para ampliar o 
entendimento a respeito do assunto, conhecer o perfil dos profissionais de enfermagem, 
as principais causas e doenças que geram o afastamento, identificar as consequências 
que resultam estas ausências para a equipe de enfermagem e as estratégias utilizadas 
para reduzir este índice no serviço de enfermagem.
2 | OBJETIVOS
2.1 Geral
Conhecer as produções científicas nacionais, resumos de artigos, publicados 
no período de 2010 a 2014, abrangendo o tema absenteísmo dos profissionais de 
enfermagem. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 132
2.2 Específicos
• Descrever as causas e principais doenças nos profissionais de enfermagem 
que geram o absenteísmo;
• Apresentar as consequências que o absenteísmo na equipe de enfermagem 
acarreta;
• Elencar as estratégias para reduzir o absenteísmo dentro do serviço de en-
fermagem.
3 | METODOLOGIA
3.1 Tipo de estudo
A revisão integrativa se desenvolve em seis etapas: definição do problema e 
formulação da questão de pesquisa, critérios de inclusão e exclusão de estudos, 
categorização dos estudos, interpretação dos resultados, apresentação da revisão e 
resultados/síntese do conhecimento. (MENDES et al., 2008)
3.2 Definição do problema/ Questões Norteadoras
A produção científica a respeito sobre o absenteísmo na enfermagem apresenta 
muitas variáveis envolvidas, portanto é relevante aprofundar-se na temática. O que tem 
sido produzido na literatura científica sobre absenteísmo na equipe de enfermagem no 
contexto hospitalar?
3.3 Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada em setembro de 2015 através da Biblioteca Virtual 
em Saúde (BVS), onde contém Base de Dados de Enfermagem (BDENF), a Literatura 
LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature 
Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e entre outras, por serem amplas e 
apresentarem rigor científico para indexação dos periódicos.
Foram utilizados os descritores em ciências da saúde (DECs): Absenteísmo 
e Equipe de enfermagem. Estes foram utilizados associados através do operador 
boleano and, a fim de tornar a busca de dados mais objetiva. 
Os critérios de inclusão: trabalhos científicos sobre absenteísmo completos, 
de acesso online, de acesso livre, em idioma português, publicados no período de 
2010 a 2014. Os critérios de exclusão: Publicações que não respondem as perguntas 
norteadoras proposta nesta revisão. Artigos duplicados na mesma base de dados, ou 
encontrados em mais de uma base, foram considerados uma única vez. 
A busca de trabalhos científicos se deu conforme descrito: capturados 111 
trabalhos científicos, selecionados somente os textos completos, com títulos a respeito 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 133
do absenteísmo, em idioma português e publicado nos últimos cincos anos (2010, 
2011, 2012, 2013 e 2014), totalizaram 25 trabalhos, entre estes, 14 estavam duplicados 
em outras bases de dados ou não atendiam a pergunta norteadora desta pesquisa. 
Sintetizando 12 trabalhos científicos para serem analisados. E estão divididos da 
seguinte forma: 04 na Base de Dados de Enfermagem (BDENF), 09 em Literatura 
LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e 01 na (MEDLINE). 
3.4 Instrumento para coleta de dados
Utilizou-se uma ficha na qual foram registrados os dados de identificação e 
demais informações extraídas dos 12 trabalhos científicos, a fim de facilitar a análise 
e interpretação dos dados para respectiva síntese e comparação. 
Após o preenchimento da ficha de cada artigo, estes foram numerados de acordo 
com o ano e mês de publicação dos trabalhos, iniciando do antigo ao mais recente. 
Dessa forma cada artigo foi relacionado a um algarismo numérico de 1 a 12.
4 | APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS
Na tabela 1 apresenta-se a caracterização dos artigos de acordo com os títulos 
e autores das pesquisas, ordenados de acordo com o ano de publicação, iniciando do 
mais antigo ao mais recente.
Nº Título Autores
1 Absenteísmo na enfermagem: Uma revisão integrativa. Martinato, 
M.C.N.B. et al.
2 Absenteísmo na equipe de enfermagem no contexto hospitalar. Umann, Juliane. 
et al.
3 Taxa de absenteísmo da equipe de enfermagem como um indicador de 
gestão de pessoas.
Sancinetti, T.R. 
et al.
4 Absenteísmo dos trabalhadores de enfermagem em um Hospital 
Universitário do estado do Pernambuco.
Ferreira, E.V. et 
al.
5 Absenteísmo na equipe de enfermagem: Uma revisão de literatura. Lemos, M.C. et 
al.
6 Preditores de absenteísmo na enfermagem de um Hospital Universitário: 
Estudo de coorte.
Souza, L.M de
7 Impacto econômico do absenteísmo de enfermagem por doença em um 
Hospital Universitário do Rio de Janeiro–RJ.
Pinheiro, M.A.S
8 Absenteísmo entre trabalhadoras de enfermagem em UTI de Hospital 
Universitário.
Carneiro. T.M.; 
Fagundes, N.C
9 Abordagem multifatorial do absenteísmo por doença em trabalhadores de 
enfermagem.
Ferreira, R.C. 
et al.
10 Absenteísmo – Doença na equipe de enfermagem em um Hospital 
Público.
Oliveira, L.B.M 
de
11 Absenteísmo por doença na equipe de enfermagem de uma operadora de 
plano de saúde.
Formenton, A. 
et a.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 134
12 Motivos atribuídos por profissionais de uma UTI para ausência ao 
trabalho.
Abreu, R.M.D de 
et. al.
Tabela 1 – Descrição dos números, título e autores dos artigos selecionados para Revisão 
Integrativa. Sobral, 2015.
Fonte: OLÍMPIO, A.C. Avaliação do absenteísmo dos profissionais da enfermagem, 2015.
Na tabela 2 apresenta-se o ano de publicação, o estado de origem, o tipo de 
estudo, o local onde foram realizadas as pesquisas e a população/amostra escolhida.
 
Nº Ano Estado Tipo de estudo Campo População/Amostra
1 2010 RS Rev. Integrat. Prod. 
Científicas
Prof. enfermagem
2 2011 RS Rev. Integrat. Prod. 
Científicas
Prof. enfermagem
3 2011 SP Explor. Quantit. H. Universitário Enf° (148)Téc/Aux (465)
4 2011 PE Explor. Quantit. H. Público (349) Prof. enfermagem
5 2012 RJ Rev. Literat. Prod. 
Científicas
Prof. enfermagem
6 2012 RS Coorte Quantit. H. Universitário (254) Prof. enfermagem
7 2012 RJ Doc. Retrosp. H. Universitário Prontuários de prof. enf
8 2012 BA Descrit. Quantit. H. Universitário Enf° (23)Téc/Aux (41)
9 2012 RJ Seccional Transv. H. Público (1509) Prof. enfermagem
10 2014 MG Doc. Quantit. H. Público Enf° (157)Téc/Aux (899)
11 2014 SP Descrit. Retrosp. UPA (202) Prof. enfermagem
12 2014 MG Explor. Qualit. UTI (41) Prof. enfermagem
Tabela 2 – Descrição do ano de publicação, local de estudo (Estado), tipo e campo, população 
e amostra da pesquisa. Sobral, 2015.
Fonte: OLÍMPIO, A.C. Avaliação do absenteísmo dos profissionais da enfermagem, 2015.
Na tabela 3 consta origem dos autores (local de trabalho), periódico de publicação 
e objetivos das pesquisas.
N° Origem do autor Periódico Objetivos Gerais
1 Univ. Rev Gaúcha Enferm. Conhecer as produções científicas nacionais 
que abordam o absenteísmo dos profissionais 
de enfermagem, publicadas no período de 
2003 a 2008.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 135
2 Univ. Rev Cienc. cuidado,saúde
Identificar na literatura científica as produções 
existentes acerca do absenteísmo na 
enfermagem no contexto hospitalar.
3 Univ/Serv. Rev Escola Enferm. 
USP
Analisar a taxa de absenteísmo dos 
profissionais de enfermagem de um hospital 
público de ensino.
4 Univ/Serv. Rev Rene Identificar e analisar as causas de 
absenteísmo dos trabalhadores de 
enfermagem do serviço de internação através 
de auditoria em fichas de afastamentos não 
programados.
5 Univ. Rev Cuidado é 
fundamental online
Identificar as causas do absenteísmo na 
equipe de enfermagem, mediante revisão de 
literatura e analisar suas implicações para a 
enfermagem.
6 Univ. Tese Analisar as características individuais, o 
estresse laboral e os dist. psiquiátricos 
menores como preditores de absenteísmo em 
trabalhadores de enfermagem. 
7 Univ. Dissertação Identificar as causas prevalentes de 
afastamento no hospital universitário de 
acordo CID10; Estimar os custos diretos 
mínimos das doenças que afastam o 
trabalhador de enfermagem.
8 Univ. Rev de enferm. UERJ Levantar as taxas de absenteísmo entre 
trabalhadoras em enfermagem e definir índice 
de segurança (IST) que melhor se ajusta à 
realidade pesquisada.
9 Univ. Rev Saúde Pública Analisar fatores associados ao absenteísmo 
por doenças autorreferido em trabalhadores 
de enfermagem.
10 Univ. Dissertação Analisar os índices absenteísmo-doença da 
equipe de enfermagem de um hospital público 
de Belo Horizonte referente ao ano de 2013.
11 Univ. Rev de enferm. UERJ Analisar o absenteísmo-doença da equipe de 
enfermagem de uma operadora de plano de 
saúde do interior de São Paulo.
12 Univ. Rev Brasileira de 
Enferm.
Identificar os motivos atribuídos pelos 
profissionais de enfermagem para as faltas 
no trabalho. Descrever as alternativas 
propostas pelos profissionais para redução do 
absenteísmo.
Tabela 3 – Descrição de origem dos autores (universidade/serviço), períodico de publicação e 
objetivos do estudo. Sobral, 2015.
Fonte: OLÍMPIO, A.C. Avaliação do absenteísmo dos profissionais da enfermagem, 2015.
Na tabela 4 estão descritas as causas e principais doenças que acarretam para 
o absenteísmo nos profissionais de enfermagem.
Resultados apresentados nas pesquisas selecionadas:
Causas do absenteísmo Artigos Doenças que geram absenteísmo Artigos
Doença 1,2,3,7,8,9,10 Problemas de saúde mental 1,2,3,4,6,79
Pressões psicológicas 1,3,5,12 Doenças Ósteomusculares 1,2,4,6,7,9
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 136
Condições de trabalho 
desfavoráveis
1,4,5,9,12 Doenças respiratórias 1,2,4,8,11
Acidentes de trabalho 1,2,5 Doenças do aparelho geniturinário 1,4,8
Acompanhamento familiar 2,4 Doenças oftaolmológicas 4
Categoria profissional 2,3,6,8,9,10,11 Cirurgias 4
Unidades com maior 
complexidade
2,3,6,8,1011,12
Vínculo empregatício 2,9,12
Ausência não programada 3,4,5,8,10
Gênero 4,6,9,10, 11,12
Sobrecarga de trabalho 5,6,9,12
Insatisfação com o trabalho
5,6,12
Tabela 4 – Descrição referente aos principais resultados apresentados nas pesquisas, como: 
Causas e principais doenças que geram o absenteísmo nos profissionais de enfermagem. 
Sobral, 2015.
Fonte: OLÍMPIO, A.C. Avaliação do absenteísmo dos profissionais da enfermagem, 2015.
Na tabela 5 estão descritas as consequências geradas no serviço de enfermagem 
devido ao absenteísmo dos profissionais de enfermagem. 
N° Consequências do absenteísmo no serviço de enfermagem
1 Sobrecarga de trabalho para os trabalhadores presentes, podendo prejudicar 
sua saúde, ocasionando desgaste físico, psicológico, social e espiritual; e, como 
consequência, o adoecimento. 
2 Queda na qualidade da assistência, sobrecarga de atividades, falta de motivação 
do profissional ativo, risco na saúde do trabalhador comprometido e aumento dos 
custos financeiros despendidos com horas extras.
3 Não cita. 
4 Interfere no cuidado ao cliente, sobrecarrega os demais integrantes da equipe 
podendo levar ao adoecimento. Afeta a qualidade de trabalho em equipe e 
principalmente, reflete na qualidade da assistência ao cliente que usufrui do 
serviço de saúde, impulsionando negativamente o empenho dos profissionais em 
manter o cuidado ao cliente.
5 Sobrecarga de trabalho, exigindo um ritmo mais acelerado de trabalho para que a 
demanda seja atendida. Além do adoecimento, há também a redução na qualidade 
da assistência, prejuízo para os usuários do serviço e a tensão e insatisfação dos 
profissionais da mesma equipe, favorecendo as condições inseguras de trabalho, 
podendo culminar em acidentes. 
6 Sobrecarga de trabalho, diminuição da capacidade de trabalho e desgaste físico e 
psicológico. Ritmo acelerado e volume excessivo de trabalho.
7 Problemas organizacionais. Gasto financeiro das instituições. 
8 Interfere negativamente na qualidade da assistência prestada por desorganizar 
o serviço, gerar insatisfação e sobrecarga entre as trabalhadoras presentes, 
principalmente quando não previsto ou sem tempo hábil para a tentativa de 
cobertura do plantão.
9 Não cita. 
10 Queda na qualidade da assistência ao paciente e elevação dos custos 
institucionais.
11 Não cita. 
12 Desestruturação do serviço, sobrecarga de trabalho e consequentemente, 
insatisfação dos trabalhadores presentes. 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 137
Tabela 5 – Descrição das consequências geradas devido ao absenteísmo no serviço de 
enfermagem. Sobral, 2015.
Fonte: OLÍMPIO, A.C. Avaliação do absenteísmo dos profissionais da enfermagem, 2015
Na tabela 6 estão descritas as estratégias para reduzir o absenteísmo entre os 
profissionais de enfermagem.
N° Estratégias para reduzir o absenteísmo
1 Utilização de instrumentos de dimensionamento de pessoal de enfermagem. Uso 
de ações preventivas, para tornar as condições de trabalho mais adequadas.
2 Investigações com foco na percepção dos profissionais acerca de sua saúde e 
das condições de trabalho que estão expostos. Investigações sobre perda de 
produtividade dos indivíduos causada por situações de desgaste no trabalho.
3 As gerências de enfermagem adotarem e monitorarem o indicador taxa de 
absenteísmo, a fim de possibilitar melhorias contínuas no processo de gestão das 
pessoas, revisar os processos e as condições de trabalho, bem como contribuir 
para a obtenção de argumentos a favor da reformulação das políticas públicas de 
contratação dos profissionais de enfermagem, principalmente no que se refere à 
substituição daqueles afastados em licença pelo INSS.
4 Utilização de programas de prevenção à saúde do trabalhador. Um investimento 
na área de recursos para motivação e elevação da autoestima dos profissionais.
5 Promover a organização do trabalho e o planejamento de recursos humanos na 
enfermagem, como dimensionamento de profissionais, para fornecer subsídios e 
enriquecer o poder de argumentação frente a administração da instituição, para 
melhorar as condições de trabalho. 
6 Utilização de programas de prevenção e promoção da saúde e da qualidade de 
vida dos trabalhadores
7 Avaliar o absenteísmo dos profissionais regularmente para identificar as causas 
reais do absenteísmo por doença, a fim de definir metas para os programas de 
intervenção à saúde dos trabalhadores e promover uma Gestão participativa que 
favoreça uma análise do processo de trabalho.
8 Análise periódica das condições de trabalho na UTI. Promoção de uma pausa 
para descanso durante cada plantão, criação de canais de escuta da opinião e 
sugestões das trabalhadoras sobre as condições para execução da assistência 
na unidade, bem como de um programa de ginástica laboral durante o horário de 
trabalho. Criação de grupos para estudar formas de melhorar as condições de 
trabalho, promoção de educação permanente in loco sobre os riscos ocupacionais 
e criação de um canal de comunicação entre a Comissão Interna de Prevenção de 
Acidentes (CIPA), o serviço de saúde ocupacional e a UTI.
9 O fenômeno deve ser analisado sob a perspectiva do processo de trabalho, 
da cultura organizacionale de aspectos diretamente relacionados à saúde de 
trabalhadores de enfermagem.
10 Monitorizar e avaliar sistematicamente por meio de indicadores e em associação 
com uma Política de Gestão de Pessoas que vise à melhora da qualidade de vida 
no trabalho.
11 Reconhecer as causas que geram o absenteísmo entre os profissionais de 
enfermagem para priorização de estratégias de intervenção no ambiente 
de trabalho e as instituições investirem na criação de banco de dados com 
informações consistentes sobre os trabalhadores, de modo a permitir o 
monitoramento sistematizado das ocorrências.
12 Chefias adotem estratégias gerenciais que valorizem o trabalhador. Adequações 
e remanejamentos na elaboração da escala de enfermagem. Incentivo da chefia 
quanto a realização de cursos de aperfeiçoamento em horários compatíveis 
dos trabalhadores. Realizar reuniões periódicas envolvendo todos da equipe. 
Readequação do numero de profissionais da equipe, o que eles consideram como 
apoio para reduzir a sobrecarga de trabalho na unidade.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 138
Tabela 6 – Descrição das estratégias para reduzir o absenteísmo dos profissionais de 
enfermagem. Sobral, 2015. 
Fonte: OLÍMPIO, A.C. Avaliação do absenteísmo dos profissionais da enfermagem, 2015.
O absenteísmo por doença dos profissionais de enfermagem é um problema 
importante e descrito como um fenômeno multifatorial e complexo, e que, portanto, 
necessita ser analisado sob a perspectiva do processo de trabalho, da cultura 
organizacional e de aspectos diretamente relacionados à saúde de trabalhadores de 
enfermagem. Embora ele não seja a única questão que interfere na qualidade do 
cuidado de enfermagem, tem sido apontado como uma das variáveis que necessita 
ser analisada pela instituição de saúde. 
Partindo-se dos resultados analisados, visualizaram-se pesquisas mais nos anos 
de 2011 e 2012. No qual 90% foram realizadas nas regiões sul e sudeste do País. 
Apresentando o artigo científico como modalidade mais predominante, sendo realizadas 
pesquisas no próprio serviço, especificamente nos hospitais, o que torna mais próximo 
da realidade enfrentada por estas instituições, a respeito desta problemática para o 
serviço, o absenteísmo. 
Abreu et al. (2012) cita que o absenteísmo entre os profissionais de enfermagem 
tem sido uma preocupação constante dos gestores hospitalares, sendo comprovado 
pela literatura científica como uma questão de relevância significativa, que merece 
um aprofundamento no conhecimento de suas causas e na proposta de ações para 
redução dos índices de ocorrência no âmbito hospitalar.
Percebe-se que os autores atuam nas universidades, sendo à maioria docente 
destas instituições e tem como predominância a pós-graduação e doutorado como 
títulos, fato que pode estar associado ao número de programas de pós-graduação 
existentes nestas regiões, o que se confirma com os dados da Tabela 3. A revista 
de enfermagem predomina como meio de veiculação das pesquisas científicas 
selecionadas, o que torna importante para promover o desenvolvimento científico e 
respectivo consumo e aplicação dos conhecimentos publicados na prática profissional 
da enfermagem. 
Quanto aos objetivos propostos também apresentados na Tabela 3, estão 
coerentes com os resultados encontrados nas pesquisas, tendo como foco as causas 
do absenteísmo na equipe de enfermagem, o que representa que os autores se 
preocupam em aproximar-se das dificuldades enfrentadas pelos profissionais, assim 
intervindo na causa, que tem como característica e complexidade, sua multifatoriedade. 
Como afirma Sancinetti et al. (2011), a etiologia do absenteísmo é reconhecida, 
por diferentes autores, por seu caráter multifatorial, que contribui para aumentar a sua 
complexidade. Apontam-no como decorrente de uma ou mais causas tais como: fatores 
de trabalho, sociais, culturais, de personalidade e doença, geográficos, organizacionais 
e individuais, físicos, psíquicos, doenças ocupacionais e fatores ambientais.
Dentre as principais causas do absenteísmo na equipe de enfermagem 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 139
apresentadas foram doenças, dentre estas as osteomusculares e problemas de 
saúde mental (depressão, insegurança de manter-se no emprego exigente, estresse e 
tensão), as condições desfavoráveis de trabalho (carga horária excessiva, ambientes 
insalubres, ritmo acelerado de trabalho, indisponibilidade das chefias de conversar, 
baixos salários). Unidades de alta complexidade interferem neste índice por exigirem 
mais dos profissionais, não havendo profissionais para substituí-los, realizando horas 
extras, ultrapassando carga horária, tarefas mais complexas, uma maior demanda na 
assistência ao paciente. 
O processo de trabalho em enfermagem na UTI é caracterizado por tarefas 
complexas, que exigem habilidades e conhecimentos tecnocientíficos atualizados 
para garantir a tomada de decisão imediata e segura voltada para a recuperação do 
usuário. Essas tarefas costumam exigir esforço físico das trabalhadoras, posições 
incômodas e ritmo acelerado. Assim, as condições de trabalho nessa unidade muitas 
vezes implicam em jornadas longas, exaustivas e estressantes, rotinas repetitivas e às 
vezes monótonas, podendo ser a causa de absenteísmos (CARNEIRO; FAGUNDES, 
2012). 
Um dado muito interessante sobre a categoria profissional (enfermeiros e aux/
téc. de enfermagem) revelou-se uma disparidade entre as categorias na relação 
quantidade de profissionais e frequência de faltas. Mostrando que a categoria dos 
aux/téc. de enfermagem com maior índice de absenteísmo que os enfermeiros. Isso 
fica claro e justificado, pelo fato da primeira categoria ter uma maior quantidade de 
profissionais nos serviços, proporcionalmente faltando mais, e também se explica a 
falta de compromisso e interesse com o serviço que trabalha. Sabendo o enfermeiro 
das suas atribuições mais complexas e sendo este em menor quantidade. 
Considerando o absenteísmo entre técnicos e auxiliares de enfermagem, 
este representa um grande desafio para o enfermeiro, coordenador da equipe de 
enfermagem, visto que este precisa assegurar que o cliente seja atendido em todas 
as suas necessidades. Neste sentido, faz-se necessário que o quadro de funcionários 
esteja completo e com o devido dimensionamento de pessoal (FIEX et al., 2018).
Os elevados índices de absenteísmo entre técnicos e auxiliares de enfermagem 
têm sido relatados em vários estudos que atribuem esses achados ao número reduzido 
de enfermeiros, o que poderia determinar maior obrigatoriedade de permanência no 
trabalho. Ademais, enfermeiros tendem a assumir papéis de liderança na equipe, que 
exigem maior assiduidade, além da menor exposição aos riscos de contaminação e 
doenças, em razão de exercerem tarefas mais administrativas no contexto hospitalar. 
A ocorrência de maior número de afastamentos do trabalho entre os profissionais de 
nível médio tem sido relatada por vários autores e relacionada por alguns com a posição 
hierárquica ocupada (responsabilidade do cargo exige presença mais constante) e 
com a natureza do trabalho desenvolvido (tarefas que exigem maior esforço físico, 
execução de atividades repetitivas e monótonas (FORMENTON et al., 2014). 
A classificação dos profissionais ausentes segundo sexo evidenciou uma 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 140
predominância de mulheres, perfil semelhante à realidade brasileira de enfermagem. 
No estudo realizado por Formenton et al. (2014) revelou que um dos fatores 
associados ao absenteísmo por doença entre trabalhadores de enfermagem mostrou 
que a situação conjugal, principalmente quando o trabalhador possui filhos e maiores 
responsabilidades domésticas, foi um fator de grande influência nos níveis de 
absenteísmo verificado entre as mulheres.
Relatou-se maior sobrecarga de trabalho dos profissionais presentes no serviço 
quando colaborador falta, ou quando a instituição não dimensiona adequadamente ou 
coloca umprofissional extra no serviço. Com isso a qualidade da assistência prestada 
ao paciente, fica prejudicada, pois os profissionais se sentem sobrecarregados, 
pressionados e mais atarefados. Gera-se uma insatisfação, insegurança, cansaço 
físico e mental dos demais trabalhadores que estão no serviço. Na perspectiva da 
instituição de saúde, demonstra-se fragilizada na comunicação e/ou nas sanções 
disciplinares, aumentando os custos financeiros (LEMOS et al., 2012).
As empresas utilizam-se de estratégias para reduzir os reflexos negativos do 
absenteísmo, dentre estas citadas pelas pesquisas, a utilização de softwares com 
dados do profissional, causa do absenteísmo, quantidade de dias perdidos, realizando 
relatórios mensais da unidade, dos profissionais que mais faltam. Também utilizou 
esta ferramenta para realizar o dimensionamento de profissionais. A realização de 
reuniões com a equipe de enfermagem, para apontar novas ideias sobre o assunto, 
identificar as fragilidades ou reprovações da equipe diante do absenteísmo, com 
ouvidoria, propostas em pauta, necessidade de rodízios ou sanções disciplinares para 
os profissionais com falta injustiçada.
Como Carneiro e Fagundes (2012) mostra em seu estudo, que é necessário 
realizar uma análise periódica das condições de trabalho na UTI. Promoção de uma 
pausa para descanso durante cada plantão, criação de canais de escuta da opinião 
e sugestões das trabalhadoras sobre as condições para execução da assistência 
na unidade, bem como de um programa de ginástica laboral durante o horário de 
trabalho. Criação de grupos para estudar formas de melhorar as condições de trabalho, 
promoção de educação permanente in loco sobre os riscos ocupacionais e criação 
de um canal de comunicação entre a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes 
(CIPA), o serviço de saúde ocupacional e a UTI.
As chefias precisam adotar estratégias gerenciais que valorizem o trabalhador. 
Adequações e remanejamentos na elaboração da escala de enfermagem. Incentivo da 
chefia quanto a realização de cursos de aperfeiçoamento em horários compatíveis dos 
trabalhadores. Realizar reuniões periódicas envolvendo todos da equipe. Readequação 
do numero de profissionais da equipe, o que eles consideram como apoio para reduzir 
a sobrecarga de trabalho na unidade (ABREU et al., 2014).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 141
5 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
Evidencia-se que o absenteísmo por doença pode comprometer a qualidade de 
vida do trabalhador de enfermagem e, consequentemente, interferir na qualidade da 
assistência prestada aos usuários. Desse modo, presume-se que a qualidade de vida, 
as condições de saúde dos trabalhadores de enfermagem e a satisfação no trabalho 
são essenciais para a qualidade da assistência oferecida. 
Entre os diversos indicadores utilizados pelos serviços de saúde, a monitorização 
da taxa de absenteísmo constitui-se um importante instrumento na área de gestão. 
Esta temática merece investigação, se considerada que a saúde e qualidade de vida 
dos trabalhadores, sobretudo de enfermagem, estão intimamente relacionadas à 
qualidade dispensada pelos serviços de saúde aos seus usuários.
Sugere-se que novas investigações sejam realizadas com foco na percepção dos 
profissionais acerca de sua saúde ou sua condição de trabalho. Sugerem-se também 
estudos sobre perdas de produtividade dos indivíduos causadas por situações de 
desgaste no trabalho, pois tais estudos podem levar à redução ou à prevenção do 
absenteísmo.
As produções científicas a respeito do absenteísmo na enfermagem subsidiam a 
área gerencial, assistencial e de ensino. Entretanto, é necessário sensibilizar a própria 
instituição para compreender a importância do dimensionamento de enfermagem. 
Essa sensibilização pode beneficiar o cliente/ usuário, pois facilitará uma enfermagem 
mais presente no processo de cuidar, a qualidade do serviço prestado à comunidade 
e, principalmente, favoreceria a saúde dos trabalhadores contribuindo para prevenir 
a sobrecarga de atividades, e a diminuição de patologias desnecessárias, e 
consequentemente o absenteísmo.
REFERÊNCIAS
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Lúcia. Motivos atribuídos por profissionais de uma Unidade de Terapia Intensiva para ausência ao 
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ARAÚJO, Lilianny Pereira De Pinho. Estudo do absenteísmo de trabalhadores de Unidade de 
Saúde de Brasília-DF, 2015.
CARNEIRO, Taize Muritiba; FAGUNDES, Norma Carapiá. Absenteísmo entre trabalhadoras de 
enfermagem em unidade de terapia intensiva de hospital universitário. Revista Enfermagem UERJ, v. 
20, n. 1, p. 84-89, 2012.
FEIX, J. et al. Equipe de enfermagem e absenteísmo: Estudo em um hospital de médio porte no oeste 
catarinense. Revista Uningá Review, [S.l.], v. 26, n. 3, jan. 2018. ISSN 2178-2571. Disponível em: 
<http://revista.uninga.br/index.php/uningareviews/article/view/1807>. Acesso em: 14 out. 2018.
FLORES, Laís Israel et al. O absenteísmo enquanto indicador para o processo de gestão de pessoas 
nas organizações e de atenção à saúde do trabalhador. Revista Laborativa, v. 5, n. 2, p. 47-65, 2016.
FORMENTON, Alessandro; MININEL, Vivian Aline; LAUS, Ana Maria. Absenteísmo por doença na 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 13 142
equipe de enfermagem de uma operadora de plano de saúde [Sickness absenteeism of nursing team 
in a health insurance company]. Revista Enfermagem UERJ, v. 22, n. 1, p. 42-49, 2014.
LEMOS, Maithê Carvalho; RENNÓ, Clara de Oliveira; PASSOS, Joanir Pereira. Absenteísmo na 
equipe de enfermagem: uma revisão de literatura. Rev. pesqui. cuid. fundam.(Online), v. 4, n. supl. 
1, p. 13-16, 2012.
LORENZETTI, Jorge et al. Gestão em saúde no Brasil: diálogo com gestores públicos e 
privados. Texto Contexto Enferm [online], v. 23, n. 2, p. 417-25, 2014.
MENDES, K.D.S et al. Revisão integrativa: Método de pesquisa para incorporação de evidências na 
saúde e na enfermagem. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis. v 17, n. 04, p. 758-64, 2008.
OLIVEIRA, Carolina S.,SIQUEIRA, Lia Carla C., ALVES, Elioenai D. Avaliação do absenteísmo dos 
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de saúde coletiva. UNB. 2011.
SANCINETTI, Tânia Regina et al. Taxa de absenteísmo da equipe de enfermagem como indicador de 
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SELL, Carlos Eduardo. Rationality and rationalization in Max Weber. Revista Brasileira de Ciências 
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UMANN, J., GUIDO, L. D. A., LEAL, K. P., & FREITAS, E. D. O. (2011). Absenteísmo na equipe de 
enfermagem no contexto hospitalar. Ciênc. cuid. saúde, 10(1), 184-190.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 143
CAPÍTULO 14
CUIDADO AO CUIDADOR: AMENIZANDO O 
ESTRESSE DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE 
SAÚDE
Luma Ravena Soares Monte
Enfermeira Especialista em Saúde da Família/ 
Atenção Básica, Coordenação da Atenção Básica- 
Castelo do Piauí
Vilkiane Natercia Malherme Barbosa
Universidade Federal do Ceará, Mestrado em 
Psicologia Fortaleza - Ceará- Tiago da Rocha 
Oliveira, Residente Multiprofissional em Saúde da 
Família - EFSFVS/UVA Sobral - Ceará
Gleyde Raiane de Araújo
Residente Multiprofissional em Saúde da Família - 
EFSFVS/UVA Sobral- Ceará
Thiego Ramon Soares
Especialista em Cardiologia em Enfermagem, 
Enfermeiro Assistencial- EBSERH, HU-UFGD 
Dourados-MS
Anderson da Silva Sousa
Especialista em Terapia Intensiva, Enfermeiro 
Assistencial - EBSERH, HU- UFSC Florianópolis- 
SC
RESUMO: O programa de agentes comunitários 
de Saúde- PACS configura uma importante 
estratégia na consolidação do Sistema Único de 
Saúde sendo parte da equipe multiprofissional 
da estratégia saúde da família . A cobrança 
dos usuários frente às dificuldades do sistema 
acarreta em constantes desgastenas relações 
de trabalho enquanto equipes, principalmente 
um sofrimento adicional aos ACS, devido à 
relação de proximidade que se estabelece, e 
ao vínculo que se constrói, fazendo com que se 
sintam responsáveis pelas famílias. Com isso o 
presente estudo objetiva relatar a experiência, 
desenvolvida pela primeira turma da residência, 
composta por quatro categorias profissionais, 
sendo estas: enfermagem psicologia, 
fisioterapia e farmácia e visando refletir acerca 
do cuidado holístico ao profissional agente 
comunitário de saúde. Este estudo se ancora na 
abordagem qualitativa e no referencial teórico 
da pesquisa-ação, a pesquisa qualitativa vai 
permitir uma visão mais amplas dos fenômenos 
sociais, buscando entender, acerca das 
experiências de cuidados vivenciadas por 
residentes e um grupo de agentes comunitários 
de saúde. Os profissionais passaram a 
perceber a necessidade de cuidar de si antes 
do outro, se vendo como peça importante para 
o bom funcionamento do sistema de saúde, 
e que o cuidado com eles mesmos deve ser 
equivalente ao cuidado e atenção dispensados 
aos outros. Portanto destacamos a importância 
de implementar um cuidado humanizado ao 
cuidador (profissional de saúde) e assim tornar 
a assistência a quem necessita qualificada e 
que o cuidado prestado ao outro será realizado 
melhor e mais eficaz se o cuidador estiver bem 
fisicamente e espiritualmente. 
PALAVRAS-CHAVE: Cuidado, Agente 
Comunitário de Saúde, Atenção Básica,Cuidador.
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 144
ABSTRACT The program of community health agents - PACS is an important strategy 
in the consolidation of the Unified Health System and is part of the multiprofessional 
team of the family health strategy. The collection of the users in the face of the difficulties 
of the system causes constant wear and tear in the work relations as teams, mainly an 
additional suffering to the ACS, due to the relation of proximity that is established, and 
to the bond that is constructed, making them feel responsible for the families. This study 
aims to report the experience developed by the first group of the residence, composed 
of four professional categories: nursing, psychology, physiotherapy and pharmacy 
and aiming to reflect on the holistic care of the professional community health agent. 
This study is anchored in the qualitative approach and theoretical framework of action 
research, qualitative research will allow a broader view of social phenomena, seeking 
to understand about the experiences of care experienced by residents and a group of 
community health agents. Professionals began to perceive the need to take care of 
themselves before the other, seeing themselves as an important part for the proper 
functioning of the health system, and that care for themselves should be equivalent 
to the care and attention given to others. Therefore, we emphasize the importance of 
implementing a humanized care to the caregiver (health care professional) and thus 
rendering care to those who need qualified and that the care provided to the other will 
be better and more effective if the caregiver is physically and spiritually well.
KEYWORDS: Care, Community Health Agent, Primary Care, Caregiver.
1 | INTRODUÇÃO
Na década de 90, especificamente no ano de 1991, surgiu na região nordeste por 
intermédio do Agente Comunitário de Saúde (ACS) o Programa de Agente Comunitário 
de Saúde (PACS), visando melhorar a capacidade da população de cuidar de sua 
saúde. Posteriormente esse modelo de programa isolado foi saindo de cena, passando 
a fazer parte de uma nova estratégia que foi adotada em 1994, o Programa Saúde da 
Família (PSF) que incorporou recursos humanos e tecnológicos à proposta anterior 
representando maior grau de resolutividade às demandas em saúde (BAPTISTINI, 
2014).
O PSF é uma estratégia criada para fortalecimento do SUS, visando reorganizar e 
reorientar o modelo assistencial em saúde, que estava centrado no modelo biomédico. 
E com isso passa para o modelo de vigilância em saúde, além de servir aos pressupostos 
básicos de universalização de acesso e integralidade da assistência. Mais tarde em 
2006, esse programa assume a função de estratégia, justificado por ser uma ação 
permanente e contínua, entendendo que programa possui tempo determinado para as 
ações (DALPIAZ, 2011).
A Estratégia e Saúde da Família (ESF) têm os mesmos princípios que norteiam o 
SUS e a Atenção Básica, além dos seus próprios, constituindo um conjunto que visam 
à garantia da saúde como direito de todo cidadão e dever do Estado. Para, além disso, 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 145
a ESF visa que as ações e serviços de saúde sejam resolutivos, necessitando assim 
de uma equipe multiprofissional, composta por no mínimo um médico, generalista ou 
de família, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e Agentes Comunitários de 
Saúde (ACS) habilitados a desenvolver a promoção, proteção e recuperação à saúde 
(DALPIAZ, 2011).
O trabalho da ESF é um trabalho realizado em equipe, ferramenta essa 
necessária para desenvolver um serviço de qualidade, unindo grupos de trabalhadores 
com diversas profissões e objetivos comuns. Onde são estabelecidas necessidades 
prioritárias, e esses integrantes criam condições indispensáveis para o crescimento 
em nível individual e coletivo com a intenção de ofertar um cuidado centrado no 
usuário e na comunidade. O trabalho em equipe devem favorecer a integralidade das 
ações de saúde e contribuir para um serviço organizado, além de favorecer o melhor 
conhecimento das necessidades de saúde da população adscrita (FIGUEIREDO, 
2012).
O processo de trabalho em equipe acaba proporcionando cuidados mais completos, 
e aumenta as competições entre os profissionais. Além disso, os diversos modelos de 
gestão de trabalho, como o taylorismo, muito comum na Atenção Primária em Saúde, 
baseado na normatização de processos e procedimentos e na não cooperação entre 
indivíduos relaciona-se diretamente com processo saúde-doença do ser humano, 
influenciando o estado de saúde dos trabalhadores (SHIMIZU, JUNIOR,2011).
Os profissionais da estratégia saúde da família encontram-se no seu processo de 
trabalho esmagado, de um lado as cobranças da gestão, e do outro lado, os usuários 
do Sistema Único de Saúde (SUS), que devido às dificuldades do sistema, fazem 
cobranças nas condições de cuidado. Com isso ocorre desgaste nas relações de trabalho 
enquanto equipes. As fragilidades no serviço de saúde tendem a repercutir na falta de 
resolutividade dos problemas da comunidade, o que causa um sofrimento adicional 
aos ACS, devido à relação de proximidade que se estabelece, ininterruptamente, e 
ao vínculo que se constrói, fazendo com que se sintam responsáveis pelas famílias 
(JARDIM, 2009).
Quando se fala em cuidar de alguém o cuidado de si tem que vir em primeiro 
lugar, visto que quando se cuida do outro se desenvolve o conhecimento de si. Silva 
et al. (2014) destaca no seu estudo que cuidar de si significa uma interação do 
ser humano com a realidade, e cuidando de si cuidando do outro, solicita a busca 
do desenvolvimento do conhecimento de si e assim desperta a arte do ser. Com 
isso o ser humano se torna mais emotivo, perceptivo e racional, aliando o passado, o 
presente e futuro, alicerçado na auto superação.
Pensando na situação de adoecimento e esgotamento em que se encontravam 
os profissionais de saúde e principalmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) 
das unidades básicas das áreas de inserção da equipe de Residência Multiprofissional 
em Saúde da Família de Parnaíba/PI. Foi proporcionado a esses profissionais 
ACS momentos de cuidado, escuta e acolhimento visando o bem estar do mesmo, 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 146
compreendendo que o ser cuidado produz melhores resultados na sua vida pessoal e 
no seu ambiente de trabalho. Com isso o presente estudo objetiva relatar a experiência, 
desenvolvida pela primeira turma da residência,composta por quatro categorias 
profissionais, sendo estas: enfermagem psicologia, fisioterapia e farmácia. Visando 
refletir acerca do cuidado holístico ao profissional agente comunitário de saúde.
2 | METODOLOGIA
Este estudo se ancora na abordagem qualitativa e no referencial teórico da 
pesquisa-ação (BARBIER, 2002). A abordagem qualitativa permite ao ator/pesquisador 
uma maior abrangência da realidade social na qual a comunidade está inserida, visto 
que essa dimensão tem fatores que não podem ser mensurados e/ou quantificados 
exclusivamente (MINAYO, 2007). Esse tipo de pesquisa visa a abordar o mundo “lá 
fora” (e não contextos especializados de pesquisa, com os laboratórios) e entender, 
descrever e, às vezes, explicar os fenômenos sociais “de dentro’’ de diversas maneiras 
(FLICK, 2009).
Deste modo, segundo Flick (2009), a pesquisa qualitativa vai permitir uma visão 
mais amplas dos fenômenos sociais, buscando entender, acerca das experiências de 
cuidados vivenciadas por residentes e um grupo de agentes comunitários de saúde. 
Sendo a metodologia utilizada a de pesquisa-ação, escolhida em função de seu duplo 
objetivo (Barbier, 2002): modificar a realidade e produzir conhecimentos relativos a 
essas transformações. 
Os pesquisadores e participantes se envolvem de modo cooperativo e participativo 
e são representantes da pesquisa realizada (THIOLLENT, 1996). O contágio com a 
realidade concreta, permite a criação de vínculos, e é propiciado a entrega à diversas 
práticas de cuidado que reinventa o modo de ser e agir dos trabalhadores em saúde 
no cuidado com o outro e consigo mesmo. 
O estudo foi desenvolvido em unidades básicas de saúde do município de 
Parnaíba/ PI. O universo deste estudo foi o conjunto formado pelos ACS que integram 
as equipes de saúde, tendo como critérios de inclusão estar de acordo em participar 
do mesmo e se encontrar em pleno serviço de suas atividades. 
Os encontros aconteceram com periodicidade quinzenal, durante o período 
de março de 2016 à agosto de 2016, totalizando 12 encontros com duração de 60 
minutos cada. Participavam da pesquisa um total de 20 ACSs, mas vale ressaltar 
que nem todos estavam presentes em todos os encontros. As atividades aconteciam 
baseadas na troca de experiências e percepções trazidas pelos profissionais agentes 
comunitários de saúde. Esses encontros eram mediados em rodas com ressignificação 
de valores e conceitos, empoderamento dos atores envolvidos no processo, foi 
utilizado de recursos expressivos, como vídeo, práticas corporais, arteterapia, além 
de ações que aconteceram com destaque para atividades de passeios realizados fora 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 147
do ambiente de trabalho, oficinas de dança, oficinas de músicas, vivências de auto-
cuidado e autoconhecimento. 
Ao final de cada encontro os temas para as próximas ações foram escolhidos 
através da discussão das maiores necessidades e anseios dos mesmos. A avaliação 
do encontro foi feita através de confecções de cartazes, dinâmicas, mandalas e 
outras técnicas para tornar esse processo avaliativo menos enrijecido. Os temas dos 
encontros foram escolhidos na roda de atividades pelos próprios agentes comunitários 
e residentes, que participam como facilitadoras do processo.
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os Agentes Comunitários de Saúde desenvolvem um papel fundamental no atual 
modelo de atenção básica à saúde no Brasil, em contextos de trabalho complexos, com 
particularidades e diversidade de situações, o que justifica a realização de estudos que 
abordem questões relativas à saúde destes trabalhadores (LOPES, 2012). Visto que, 
essa categoria está permeada pela complexidade e pelo desgaste emocional, que é 
mais evidente que nas demais classes profissionais do SUS, justamente pelo fato de 
ter uma inserção diferente: a de compartilhar uma rotina de vida com as pessoas e ao 
mesmo tempo ser trabalhador da saúde no local onde vive (MENEGUSSI, OGATA E 
ROSALINI, 2014).
Jardim e Lancman apontam, ainda, que o fato de o ACS residir na comunidade 
onde trabalha gera uma fonte adicional de sofrimento, na medida em que aumenta 
o contato e a exposição do profissional, misturando a vivência pública/privada e 
impossibilitando um possível distanciamento das situações de trabalho. Martinez e 
Chaves e Mendes e Ceotto ressaltam a sobrecarga emocional desse trabalhador, 
provinda de inúmeros complicadores existentes no dia a dia da profissão; percebe-se, 
ainda, que não há, na maioria das equipes de ESF, suporte e apoio suficientes a esse 
profissional para a realização do seu trabalho.
Para Merhy o trabalho em saúde é um processo relacional, produzido através do 
trabalho vivo em ato. Utiliza para sua realização as tecnologias de saúde tipificadas 
como: tecnologias duras; leve-duras; e leves. Assim, no presente estudo a criação de 
espaços onde foram proporcionados os momentos de cuidado, usando de tecnologias 
leves, com a utilização de recursos expressivos para tal, revelou grande impacto 
sobre a saúde dos profissionais inseridos, além de fortalecer o vínculo entre os outros 
profissionais, contribuiu para uma relação de respeito do profissional com ele mesmo, 
com os usuários e demais membros da equipe.
Os encontros como momentos de cuidado produziram falas positivas à respeito 
do prazer em trabalhar, mas ao mesmo tempo a preocupação contínua de fazer 
parte da comunidade, o que causa uma dificuldade de separação da vida pessoal da 
profissional, assim como pode se observar no estudo feito por Lopes, 2012 que apesar 
de trabalhar em um ambiente complexo, com múltiplas funções e com situações 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 148
de saúde e sociais adversas, os sujeitos da pesquisa relataram que sentem prazer 
em muitas situações. Porém, são preocupantes os relatos de intenso sofrimento e 
adoecimento dos ACS relacionados à atividade laboral.
O prazer no trabalho ocorre, quando é permitido ao trabalhador desenvolver 
as potencialidades individuais, por meio da liberdade de criação e de expressão, 
favorecendo os laços cognitivo-técnicos, com o resultado de suas atividades, o que 
promove a satisfação do trabalhador (GOMES, 2006). Assim, durante as oficinas 
trabalhou-se as potencialidades de cada ACS de forma coletiva, dando-os a devida 
liberdade de expressão, que posteriormente refletiu no processo de trabalho. 
Corroborando com a premissa dejouriana de que o prazer é uma consequência da 
organização do trabalho desenvolvido coletivamente, com respeito a cada ser humano, 
com as características que lhe são particulares (DEJOURS, 2004).
Assim, o ACS, sofre uma perda de identidade, visto que se posiciona em espaço 
de indeterminações e incertezas, sem definição clara de competências, habilidades 
e saberes, apesar de estar sempre na linha de frente do sistema de saúde público, 
nem sempre está capacitado para atender as diferentes demandas cotidianas 
(GALAVOTE, 2011). Em um trabalho realizado em Campinas (SP) foi identificado que 
o ACS desempenha outras atividades no serviço, não relacionadas ao seu núcleo 
de conhecimento. Isso ocorre devido à deficiência de recursos humanos e por 
desconhecimento da função desse profissional por parte dos outros profissionais da 
equipe, resultando e adoecimento desses profissionais (NASCIMENTO, 2008).
Para Vezina et al. e Dejours, embora os transtornos psíquicos graves ligados 
ao trabalho possam ocorrer, o que se vem observando mais frequentemente são 
fenômenos que não se configuram como distúrbios mentais clássicos, mas como 
situações de elevado sofrimento psíquico, cuja origem é atribuída à conjuntura vivida 
pelos trabalhadores em função da organização do trabalho. Assim, os momentos 
de grupos realizados no presente estudo serviram como espaço para apropriação e 
representatividade do ser ACS, alívio de angústias e cuidado integral.
Os profissionais passaram a perceber a necessidade de cuidar de si antes do 
outro, se vendo como peça importante para o bom funcionamentodo sistema de 
saúde, e que o cuidado com eles mesmos deve ser equivalente ao cuidado e atenção 
dispensados aos outros. Pode-se cumprir nesses espaços um dos princípios da 
política nacional de humanização: Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia 
dos sujeitos e coletivos, que traz a mudança na gestão e atenção como mais concreta 
se construída com a ampliação da autonomia e vontade das pessoas envolvidas, que 
compartilham responsabilidades. Os usuários não são só pacientes, os trabalhadores 
não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o reconhecimento do papel de 
cada um (BRASIL, 2013).
A ESF pode se ampliar para além de um trabalho técnico hierarquizado, para 
um trabalho com interação social entre os trabalhadores, com maior horizontalidade e 
flexibilidade dos distintos poderes, o que possibilita maior autonomia e criatividade dos 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 149
agentes e maior integração da equipe (ALMEIDA, 2001). Fato esse observado durante 
os encontros, a partir das declarações de sentimento de afastamento da equipe 
rotineiramente, sobretudo por diferenças de saberes técnicos. Corroborando com 
Peres, 2010. que concluiu em seu estudo com ACS que as facilidades para trabalhar 
em equipe dependem da construção de relações interpessoais, com a possibilidade 
de discussão dos problemas, comunicação e diálogo, respeito, linguagem comum e 
união.
4 | CONCLUSÃO
Concluímos que pelo fato de sermos cuidadores por natureza, muitas vezes, 
faz com que pensemos que o ato de cuidar não é um ato que deve, também, ser 
realizado por e com os próprios profissionais. Sendo assim destacamos a importância 
de implementar um cuidado humanizado ao cuidador (profissional de saúde) e assim 
tornar a assistência a quem necessita qualificada. Dessa forma, percebemos que o 
cuidado prestado ao outro será realizado melhor e mais eficaz se o cuidador estiver 
bem fisicamente e espiritualmente. Para que a humanização do cuidado seja possível, é 
necessária novas atuações relacionadas à prática de cuidados, priorizando mudanças 
na maneira de ser e agir, proporcionando aos profissionais de saúde caminhos que 
também possibilitem um viver mais saudável. 
Os profissionais ACS demonstraram estar emocionalmente esgotados. Esse 
esgotamento se justifica devido ao contato diário com inúmeros problemas das 
famílias atendidas, condições de trabalho inadequadas, ausência de reconhecimento 
pelo trabalho prestado e cobranças da equipe e gestão. Essa situação pode levar a 
uma avaliação negativa de si mesmo e, com isso, ocorrer uma desmotivação pessoal 
e profissional. Com esse trabalho, observamos como é importante espaços de escuta 
e acolhimento pelos demais membros da equipe, atividades que saiam de suas 
rotinas, momentos de lazer, meditação, que os levem a se ressignificarem enquanto 
cuidadores-de si e profissionais implicados com o cuidado do outro. 
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 14 150
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Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 15 152
CAPÍTULO 15
REFLEXÕES SOBRE O NÍVEL DE SOBRECARGA DO 
CUIDADOR A PARTIR DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Vitória Ferreira do Amaral
Enfermeira. Universidade Estadual Vale do Acaraú 
(UVA). Sobral-Ceará.
Quitéria Larissa Teodoro Farias
Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). 
Sobral-Ceará.
Florência Gamileira Nascimento
Enfermeira. Universidade Estadual Vale do Acaraú 
(UVA). Sobral-Ceará.
Maria Girlane Sousa Albuquerque Brandão
Enfermeira.Universidade Estadual Vale do Acaraú 
(UVA). Sobral-Ceará.
Camila Paiva Martins
Enfermeira. Universidade Estadual Vale do Acaraú 
(UVA). Sobral-Ceará.
Luiza Jocymara Lima Freire Dias
Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). 
Sobral-Ceará.
Ana Suelen Pedroza Cavalcante
Enfermeira- Mestre em Saúde da Família. 
Universidade Federal do Ceará (UFC). Sobral-
Ceará.
Thaís Rodrigues Ferreira
Faculdade Mauricio de Nassau. Parnaíba- Piauí.
RESUMO: O processo de envelhecimento 
populacional de modo crescente no Brasil é 
resultado de mudanças no perfil demográfico e 
populacional. O cuidador surge nesse cenário 
como a pessoa de suporte ao desenvolvimento 
e execução nas atividades básicas e diárias 
do idoso. Compreendo o crescente processo 
de envelhecimento populacional e da 
longevidade, que resulta na maior necessidade 
de cuidadores, seja informal como formal, o 
presente estudo tem por objetivo conhecer a 
produção científica acerca do ser cuidador e 
o nível de sobrecarga do mesmo, por meio da 
Escala Zarit Burden Interview (ZBI). Trata-se 
de uma revisão integrativa, método análise de 
uma gama de estudos. A busca foi realizada na 
base de dados da Biblioteca Virtual em Saúde 
(BVS) no período de outubro de 2018 a partir 
da associação dos termos “escala de Zarit” e 
“sobrecarga” e do descritor “cuidador”. Foram 
identificados 147 estudos, a partir dos critérios 
de inclusão e exclusão 17 artigos contemplaram 
o objetivo da produção. Em relação ao perfil dos 
cuidados dos 17 estudos, 16 os cuidadores são 
do sexo feminino. Acerca do nível sobrecarga 
um estudo do estado de São Paulo em 2017 
apresentou predominância de sobrecarga leve, 
e um estudo no país do Chile em 2015 teve 
maior concentração de ausência de sobrecarga 
(76,8%).
PALAVRAS-CHAVE: Escala de Zarit; 
Sobrecarga; Cuidador.
ABSTRACT: Population aging process 
increasingly in Brazil is the result of changes 
in the demographic and population profile. The 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 15 153
caregiver arises in this scenario as a support person to the development and execution 
in the basic and daily activities of the elderly. Understand the growing process of 
population aging and longevity, resulting in a greater need for caregivers, is informal 
and formal, this study aims to understand the scientific production about being caregiver 
and the overload level of the same, through the Scale Zarit Burden Interview (ZBI). 
It is an integrative review, analysis method of a variety of studies. The search was 
conducted in the Virtual Library database in Health (BVS) from October 2018 from the 
association of the terms “scale of Zarit” and “overload” and the descriptor “caregiver”. 
They identified 147 studies, from the criteria for inclusion and exclusion 17 articles 
contemplated the purpose of production. Regarding the profile of the care of the 17 
studies, 16 caregivers are female. About overload level a study of the state of São 
Paulo in 2017 showed a predominance of light overhead, and a study in the country of 
Chile in 2015 had the highest concentration of lack of overload (76.8%).
KEYWORDS: Scale of Zarit; Overload; Caregiver. 
1 | INTRODUÇÃO
O processo de envelhecimento populacional de modo crescente no Brasil é 
resultado de mudanças no perfil demográfico e populacional. Em 2025, o país será 
o sexto com a maior população idosa (OMS, 2005). Essa realidade se coloca em um 
paradoxo, à medida que se configura como um dos maiores triunfos da humanidade é 
um grande desafio para os gestores da saúde (GRATÃO, et al. 2013).
Concomitante ao aumento da longevidade, existe uma realidade crescente das 
enfermidades crônicas não transmissíveis e incapacitantes nos idosos, responsáveis 
por um significativo aumento no número de idosos com limitações funcionais, o que 
gera uma maior necessidade de cuidados permanentes por parte do cuidador (ANJOS; 
BOERY; PEREIRA, 2014).
O cuidador surge nesse cenário como a pessoa de suporte ao desenvolvimento 
e execução nas atividades básicas e diárias do idoso, o que exige ser uma pessoa 
que transmita confiança, logo a tarefa é atribuída a uma pessoa que pode ser membro 
ou não da família, bem como amigos, vizinhos ou outros grupos de pessoas não 
remunerados economicamente (CAMARGO, 2010; FUHRMANN et al., 2015; CRUZ; 
LOUREIRO; SILVA, 2010).
A assistência realizada, varia desde cuidados simples, até os mais intensos e 
específicos. Derivando das particularidades do cuidador, necessidades essenciais 
dos cuidados, circunstâncias para uma adequada oferta de cuidado, bem como os 
fatores sócio culturais e especificidades do doente, podem se desencadear uma fonte 
estressora, e gerar sobrecarga ao cuidador (MAZZA, et al. 2013).
A carga de atividades desenvolvidas relacionada ao processo de cuidado aos 
idosos remete atenção ao cuidador, tendo em vista o impacto dessas atividades na 
vida diária, na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida do cuidador (FERNANDES; 
GARCIA, 2009).
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 15 154
Existem numerosos instrumentos de avaliação da sobrecarga do cuidador 
específicos, a escala de sobrecarga Zarit Burden Interview (ZBI), utilizada em nível 
mundial, é um instrumento permite avaliar o nível de sobrecarga dos cuidadores 
informais, tanto em âmbito objetivo (financeiro), como subjetivo desde a vida pessoal 
e social. Assim, compõem não somente como um instrumento diagnóstico, mas 
também como fonte de estudos de investigação para equipes que prestam cuidados 
domiciliares (RIVAS; CRESPO,2015; FONSECA, et al. 2010).
Na escala de ZBI são avaliados 22 itens, que fazem a descrição como cada item 
avaliado da escala afeta a pessoa. A pontuação obtida, revela o nível de sobrecarga 
do cuidador. Existe escalas de pontuação que varia de 0 a 4, como de 0 a 5 em que 
o score geral pode variar de 22 a 110. De acordo com cortes do escore da pontuação 
é definido o nível de sobrecarga assim se for: < 46 = sem sobrecarga, 46 a 56 = 
sobrecarga moderada e >56 = sobrecarga intensa (RODRIGUES, et al. 2013).
Compreendo o crescente processo de envelhecimento populacional e da 
longevidade, que resulta na maior necessidade de cuidadores, seja informal como 
formal, o presente estudo tem por objetivo conhecer a produção científica acerca do 
ser cuidador e o nível de sobrecarga do mesmo, por meio da Escala Zarit Burden 
Interview (ZBI).
2 | METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa, método de pesquisa selecionado por permitir 
a inserção de estudos de métodos diversos, desde experimentais e não-experimentais, 
o que propicia uma vasta visão (SOUSA; SILVA; CARVALHO, 2010). Para alcance da 
metodologia estabelecida, foi necessário seguir seis etapas, sendo estas: a definição 
da hipótese ou tema da pesquisa, definição dos critérios de inclusão e exclusão, 
delimitação das informações extraídas dos estudos analisados os dados e resultados, 
síntese das evidências e apresentação dos resultados (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 
2008).
O levantamento da pesquisa foi realizado na base de dados da Biblioteca Virtual 
em Saúde (BVS) no período de outubro de 2018 a partir da associação dos termos 
“escala de Zarit” e “sobrecarga” e do descritor “cuidador”, mediado pelo operador 
booleano AND.
As publicações na BVS contemplaram os periódicos indexados nas bases de 
dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base 
de Dados de Enfermagem (BDENF), IBECS (Índice Bibliográfico Espanhol em Ciências 
da Saúde), Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE) e o 
Centro Nacional de Informação de Ciências Médicas de Cuba (CUMED).
Foram identificados 147 estudos a partir dos termos e descritores na BVS, com 
a inserção dos critérios de inclusão na base de dados, a busca resultou em 42 artigos. 
Os critérios de inclusão estabelecidos são artigos disponíveis, do período de 2013 a 
Saúde Pública e Saúde Coletiva 3 Capítulo 15 155
2018, tendo como assunto principal os cuidadores.
Após leitura do resumo foi

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