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ATLS TCE 1 ATLS - TCE PREVALÊNCIA 4 REVISÃO Classificação do TCE de acordo com o Glasgow: Leve: 13. Moderado: 9 a 12. Grave: 8. O objetivo do tratamento para portadores de TCE deve ser a prevenção da lesão secundária. Para isso, precisamos garantir oxigenação e perfusão cerebral (manter a pressão e a saturação de oxigênio PAs 100 a 110; Sat02 > 95 a 98; PaO2 100. O TCE leve ECG de 13 a 15 é definido por uma história de desorientação, amnésia ou perda transitória da consciência em um doente que está consciente e falando. Se o doente estiver assintomático, completamente acordado, em alerta e neurologicamente normal, poderá ser observado por algumas horas, reexaminado e, se ainda estiver normal, receber alta com segurança. A internação para observação seriada está indicada em casos de: Traumatismo perfurante de crânio. Piora do nível da consciência. Cefaleia moderada ou grave. Intoxicação significativa por álcool ou drogas. Fratura de crânio. Perda de LCR (otorreia, rinorreia). Outros traumas importantes associados. Déficits neurológicos focais. A TC está indicada para todos os casos de TCE moderados e graves. No TCE leve, está indicado se: Alto risco para intervenção neurocirúrgica: ATLS TCE 2 ECG 15 até 2h após o trauma. Suspeita de fratura de crânio. Suspeita de fratura de base de crânio (hemotímpano, olhos de guaxinim, hematoma de battle — hematoma em mastoide, otorreia, rinorreia). Vômitos (mais de 2 episódios). Idade 65 anos. Uso de anticoagulantes. Risco moderado para lesões cerebrais em TC Perda de consciência 5 minutos. Amnésia para fatores anteriores ao impacto 30 minutos). Mecanismo de trauma perigoso (atropelamento, ejeção do veículo, queda de altura maior que 1m ou 5 degraus). Déficits neurológicos focais. Para o TCE moderado ECG de 9 a 12 está sempre indicada a internação, a avaliação neurocirúrgica e a TC de crânio. Para o TCE grave ECG 8, a primeira indicação é a IOT sempre (precisamos garantir a VA de todos os pacientes com Glasgow 9. Esses pacientes precisam manter a PAS 100 a 110mmHg e a SatO2 98%. Outras medidas incluem: Cabeceira elevada e centrada 30 a 45º), para melhorar a perfusão craniana. Sedação com propofol, midazolam e opioides, pois a agitação pode aumentar a PIC. Em geral, pacientes vítimas de TCE grave com HIC são sedados de forma intensa ou moderada nos primeiros dias após o trauma. A avaliação dessa sedação pode ser feita conforme a Escala de Agitação e Sedação de Richmond RASS. RASS 4 combativo — combativo, violento, representando risco para a equipe. RASS 3 muito agitado — puxa ou remove tubos ou cateteres, agressivo verbalmente. ATLS TCE 3 RASS 2 agitado — movimentnos despropositaods frequentes, briga com o ventilador. RASS 1 inquieto — apresenta movimentos, mas que não são agressivos ou vigorosos. RASS 0 alerta e calmo. RASS 1 sonolento — adormecido, mas acorda ao ser chamado (estímulo verbal) e mantém os olhos abertos por mais de 10 segundos. RASS 2 sedação leve — despertar precoce ao estímulo verbal, mantém contato visual por menos de 10 segundos. RASS 3 sedação moderada — movimentação ou abertura ocular ao estímulo verbal, mas sem contato visual. RASS 4 sedação intensa — sem resposta ao ser chamado pelo nome, mas apresenta movimentação ou abertura ocular ao toque (estímulo físico). RASS 5 não desperta — sem resposta ao estímulo verbal ou físico. A hiperventilação profilática não deve ser utilizada, pois gera hipercapnia, que, por sua vez, leva à vasoconstrição cerebral. Um menor aporte sanguíneo no cérebro leva à redução da PIC, mas, por outro lado, gera maior isquemia. A recomendação atual é de manter a PaCO2 no limite inferior da normalidade 35mmHg). Breves períodos de hiperventilação podem ser utilizados em casos raros, em que há iminência de herniação uncal e deteriorização clínica progressiva. O manitol tem efeito diurético importante, reduzindo o edema cerebral e, consequentemente, a PIC. Mas fica reservado a casos de HIC grave, quando há risco de herniação uncal (piora neurológica aguda presenciada com dilatação pupilar, hemiparesia ou perda da consciência). Nunca devemos fornecer manitol para pacientes em choque hemorágico, pois o efeito hiperosmolar do manitol piorará a hipotensão do paciente. A solução salina hipertônica (salgadão) tem as mesmas indicações que o manitol, mas apresenta a vantagem de não ser diurético, podendo ser utilizado em pacientes hipotensos. Anticonvulsivantes devem ser realizados de maneira seletiva. Não há indicação absoluta de profilaxia de convulsões em TCE grave. ATLS TCE 4 A profilaxia da úlcera de estresse com IBP está indicada para todo TCE grave. As lesões intracranianas podem ser divididas em: Lesões focais: hematoma extradural, hematoma subdural, hemorragia intraparenquimatosa, contusões e hematomas. Hematoma extradural (epidural): mais raro. Decorre de trauma direto em região temporal ou temporoparietal (fratura óssea). Há uma lesão da artéria meníngea média, cursando com sangramento arterial e manifestando-se na TC como uma lente biconvexa. Pode ser rapidamente fatal e cursar com tríade de Cushing (hipertensão arterial, bradicardia e bradipneia) e herniação do uncus. O paciente paresenta o intervalo lúcido, que é a perda da consciência no momento do trauma, seguida de melhora parcial oucompleta, e, finalmente, piora neurológica súbita. A intervenção cirúrgica pode ser realizada se: TCE grave ECG 9, sinais de herniação (anisocoria), hematoma 15mm ou volume 30ml e desvio da linha média 5mm. A herniação do uncus pode ser suspeitada em casos de midríase ipsilateral à lesão expansiva e hemiplegia contralateral — a pupila aponta para o lado da lesão. Hematoma subdural: mais frequente. Ocorre por dilacerações de vasos superficiais pequenos ou vasos-ponte do córtex cerebral. Ocorre em localização frontotemporoparietal e está relacionado a mecanismo de trauma difuso e maior (aceleração e desaceleração) e queda em idosos. Há maior possibilidade de outras lesões adjacentes (sangramento intraparenquimatoso ou contusões), tem relação com o uso de anticoagulantes e é mais frequente em idosos e alcoólatras (atrofia do córtex e, consequentemente, mairo espaço subdural). Na TC, vemos imagem em lua crescente. A cirurgia (esvaziamento do hematoma com craniectomia descompressiva) fica reservada para pacientes que apresentem evidência de piora neurológica por HIC e sinais de herniação (pupilas assimétricas e dilatadas). Achados da TC que indicam cirurgia são: hematoma 10mm ou desvio da linha média 5mm. ATLS TCE 5 Contussões e hematomas intraparenquimatosos: frequentes na prática e mais comuns nos lobos frontais e temporais (lesão de golpe e contragolpe). Assim como no hematoma subdural, o mecanismo costuma ser difuso e intenso. Os doentes conscientes geralmente não são cirúrgicos. Lesões difusas: concussões, LAD. Nesse caso, não há lesões focais na TC, como hematomas e sangramentos. Concussão: o paciente tem um distúrbio neurológico não focal transitório, que frequentemente cursa com breve perda da consciência 6h) e amnésia. A TC de crânio costuma ser normal e não há tratamento específico. Lesão axonal difusa LAD perda da consciência por mais de 6h associada ao TCE, sem distúrbio metabólico ou lesão expansiva visível na TC que justifique o quadro. A TC pode ser normal ou apresentar pontos hemorrágicos próximo aos núcleos da base ou no tronco. O mecanismo de trauma é o estiramento do axônio devido ao movimento de rotação do cérebro. O desfecho é muit variável e o tratamento é de suporte, não sendo indicada a cirurgia. Devemos pensar nos casos de traumas decorrentes de aceleração rotacional da cabeça, coma 6h e petéquias em corpo caloso (contusão de cisalhamento ou gliding contusions).