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Características dos direitos da personalidade – art. 11

Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.

Esse artigo deve ser interpretado de forma ampliativa, segundo a doutrina e a jurisprudência. As características previstas no artigo 11 são relativas, uma vez que elas admitem exceções, conforme expressamente previsto. São: intransmissíveis, irrenunciáveis e indisponíveis (não pode o seu exercício sofrer limitação voluntária).

a) indisponível – essa ideia de que o direito da personalidade não pode sofrer limitação voluntária é relativa, uma vez que é possível, excepcionalmente, que a pessoa disponha de seu direito da personalidade. Ex: um artista, por exemplo, está abrindo mão do seu direito à imagem quando está gravando. Não há qualquer ilegalidade. Esse caráter de indisponibilidade não é absoluto.

Enunciado 4 do CJF (não se trata de jurisprudência, mas de doutrina): o exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral.

Logo, se a limitação for transitória e específica, não há ilegalidade. Ex: BBB.

a) indisponível – essa ideia de que o direito da personalidade não pode sofrer limitação voluntária é relativa, uma vez que é possível, excepcionalmente, que a pessoa disponha de seu direito da personalidade. Ex: um artista, por exemplo, está abrindo mão do seu direito à imagem quando está gravando. Não há qualquer ilegalidade. Esse caráter de indisponibilidade não é absoluto.
b) são absolutos – tem eficácia erga omnes (contra todos). Todos devem respeitar a imagem dos outros. Cuidado para não achar que, por ser absoluto, não cabe exceção. É claro que cabe. Isso está expresso no artigo 11:
c) imprescritíveis – o fato de não ser exercido, não implica sua perda. O fato de eu não utilizar minha imagem (como os atores, por exemplo), não significa que eu vá perder esse direito.
d) vitalícios – os direitos da personalidade têm por objetivo proteger o que? É claro que é a personalidade. Se ela começa com o nascimento com vida e termina com a morte, é claro que esses direitos são vitalícios. Cuidado com a lesão após a morte. O STJ já analisou essa questão, tratada pela doutrina como “lesão indireta, oblíqua, ou por ricochete”. O que é isso?

A ideia fundamental de ausência vem descrita no art. 22 do Código Civil, que tem a seguinte redação: "Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador." Notem que a ausência reclama declaração judicial, em procedimento especial de jurisdição voluntária, ou seja, não basta o desaparecimento de uma pessoa para que se configure a ausência nos termos do Código Civil. É imprescindível que seja reconhecida judicialmente. Em regra, a ausência pressupõe o desaparecimento de uma pessoa que não deixou notícias ou procurador. Todavia, também se declara ausente aquele que, mesmo deixando mandatário, este não queira ou não possa exercer o mandato, ou, ainda, na hipótese do instrumento conferir poderes insuficientes. A sistemática do Código divide o procedimento de declaração de ausência em três fases: 1) curatela dos bens do ausente; b) sucessão provisória; c) sucessão definitiva.

Qual a diferença entre teoria maior e teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica? A teoria maior é a adotada pelo CC, exigindo além do descumprimento da obrigação ou insolvência, requisitos específicos caracterizadores do abuso (desvio de finalidade ou confusão patrimonial); já na teoria menor, mais fácil de ser aplicada, como no direito do consumidor e ambiental, não se exigem os requisitos caracterizadores do ato abusivo, bastando o credor demonstrar que a obrigação foi descumprida (neste caso, a única saída pode ser atingir o sócio ou administrador que está por trás)

1. (XXXIV Exame) Júlia, 22 anos, com espectro autista, tem, em razão de sua deficiência, impedimento de longo prazo de natureza mental que pode, em algumas atividades cotidianas, obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Júlia, apaixona-se por Rodrigo, 19 anos, também com espectro autista, com quem quer se casar. Mas Rita, mãe de Júlia, temendo que Júlia não tenha o discernimento adequado para tomar as decisões certas em sua vida, e no intuito de proteger o melhor interesse de sua filha, impede o casamento. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A) Júlia é relativamente incapaz e, assim o sendo, precisará de anuência de sua mãe, Rita, para celebrar o ato, em prol da proteção de sua dignidade.
B) A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa para casar-se, de modo que Rita não poderá impedir o casamento de Júlia.
C) Júlia é plenamente capaz em razão de sua idade, mas, em razão da deficiência que a acomete, deverá confirmar sua vontade com o curador que deverá ser instituído.
D) Rita, ainda que esteja atuando no melhor interesse de Júlia, na qualidade de mãe, não pode impedir o casamento podendo, contudo, impor à Júlia, sua curatela.

2. (XXXV Exame) Maurício, ator, 23 anos, e Fernanda, atriz, 25 anos, diagnosticados com Síndrome de Down, não curatelados, namoram há 3 anos. Em 2019, enquanto procuravam uma atividade laborativa em sua área, tanto Maurício quanto Fernanda buscaram, em processos diferentes, a fixação de tomada de decisão apoiada para o auxílio nas decisões relativas à celebração de diversas espécies de contratos, a qual se processou seguindo todos os trâmites adequados deferidos pelo Poder Judiciário. Assim, os pais de Maurício tornaram-se seus apoiadores e os pais de Fernanda, os apoiadores dela. Em 2021, Fernanda e Maurício assinaram contratos com uma emissora de TV, também assinados por seus respectivos apoiadores. Como precisarão morar próximo à emissora, o casal terá de mudar-se de sua cidade e, por isso, está buscando alugar um apartamento. Nesta conjuntura, Maurício e Fernanda conheceram Miguel, proprietário do imóvel que o casal pretende locar. Sobre a situação apresentada, conforme a legislação brasileira, assinale a afirmativa correta.
A) Maurício e Fernanda são incapazes em razão do diagnóstico de Síndrome de Down.
B) Maurício e Fernada são capazes por serem pessoas com deficiência apoiadas, ou seja, caso não fossem apoiados, seriam incapazes.
C) Maurício e Fernanda são capazes, independentemente do apoio, mas Miguel poderá exigir que os apoiadores contra-assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado.
D) Miguel, em razão da capacidade civil de Maurício e de Fernanda, fica proibido de exigir que os apoiadores de ambos contraassinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado.

Francis, brasileira, empresária, ao se deslocar do Rio de Janeiro para São Paulo em seu helicóptero particular, sofreu terrível acidente que culminou com a queda do aparelho em alto-mar. Após sucessivas e exaustivas buscas, feitas pelas autoridades e por empresas privadas contratadas pela família da vítima, infelizmente não foram encontrados os corpos de Francis e de Adilson, piloto da aeronave. Tendo sido esgotados os procedimentos de buscas e averiguações, de acordo com os artigos do Código Civil que regulam a situação supramencionada, é correto afirmar que o assento de óbito em registro público

A) Independe de qualquer medida administrativa ou judicial, desde que seja constatada a notória probabilidade de morte de pessoa que estava em perigo de vida.
B) Depende exclusivamente de procedimento administrativo quanto à morte presumida junto ao Registro Civil das Pessoas Naturais.
C) Depende de prévia ação declaratória judicial quanto à morte presumida, sem necessidade de decretação judicial de ausência.
D) Depende de prévia declaração judicial de ausência, por se tratar de desaparecimento de uma pessoa sem dela haver notícia.

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Características dos direitos da personalidade – art. 11

Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.

Esse artigo deve ser interpretado de forma ampliativa, segundo a doutrina e a jurisprudência. As características previstas no artigo 11 são relativas, uma vez que elas admitem exceções, conforme expressamente previsto. São: intransmissíveis, irrenunciáveis e indisponíveis (não pode o seu exercício sofrer limitação voluntária).

a) indisponível – essa ideia de que o direito da personalidade não pode sofrer limitação voluntária é relativa, uma vez que é possível, excepcionalmente, que a pessoa disponha de seu direito da personalidade. Ex: um artista, por exemplo, está abrindo mão do seu direito à imagem quando está gravando. Não há qualquer ilegalidade. Esse caráter de indisponibilidade não é absoluto.

Enunciado 4 do CJF (não se trata de jurisprudência, mas de doutrina): o exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral.

Logo, se a limitação for transitória e específica, não há ilegalidade. Ex: BBB.

a) indisponível – essa ideia de que o direito da personalidade não pode sofrer limitação voluntária é relativa, uma vez que é possível, excepcionalmente, que a pessoa disponha de seu direito da personalidade. Ex: um artista, por exemplo, está abrindo mão do seu direito à imagem quando está gravando. Não há qualquer ilegalidade. Esse caráter de indisponibilidade não é absoluto.
b) são absolutos – tem eficácia erga omnes (contra todos). Todos devem respeitar a imagem dos outros. Cuidado para não achar que, por ser absoluto, não cabe exceção. É claro que cabe. Isso está expresso no artigo 11:
c) imprescritíveis – o fato de não ser exercido, não implica sua perda. O fato de eu não utilizar minha imagem (como os atores, por exemplo), não significa que eu vá perder esse direito.
d) vitalícios – os direitos da personalidade têm por objetivo proteger o que? É claro que é a personalidade. Se ela começa com o nascimento com vida e termina com a morte, é claro que esses direitos são vitalícios. Cuidado com a lesão após a morte. O STJ já analisou essa questão, tratada pela doutrina como “lesão indireta, oblíqua, ou por ricochete”. O que é isso?

A ideia fundamental de ausência vem descrita no art. 22 do Código Civil, que tem a seguinte redação: "Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador." Notem que a ausência reclama declaração judicial, em procedimento especial de jurisdição voluntária, ou seja, não basta o desaparecimento de uma pessoa para que se configure a ausência nos termos do Código Civil. É imprescindível que seja reconhecida judicialmente. Em regra, a ausência pressupõe o desaparecimento de uma pessoa que não deixou notícias ou procurador. Todavia, também se declara ausente aquele que, mesmo deixando mandatário, este não queira ou não possa exercer o mandato, ou, ainda, na hipótese do instrumento conferir poderes insuficientes. A sistemática do Código divide o procedimento de declaração de ausência em três fases: 1) curatela dos bens do ausente; b) sucessão provisória; c) sucessão definitiva.

Qual a diferença entre teoria maior e teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica? A teoria maior é a adotada pelo CC, exigindo além do descumprimento da obrigação ou insolvência, requisitos específicos caracterizadores do abuso (desvio de finalidade ou confusão patrimonial); já na teoria menor, mais fácil de ser aplicada, como no direito do consumidor e ambiental, não se exigem os requisitos caracterizadores do ato abusivo, bastando o credor demonstrar que a obrigação foi descumprida (neste caso, a única saída pode ser atingir o sócio ou administrador que está por trás)

1. (XXXIV Exame) Júlia, 22 anos, com espectro autista, tem, em razão de sua deficiência, impedimento de longo prazo de natureza mental que pode, em algumas atividades cotidianas, obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Júlia, apaixona-se por Rodrigo, 19 anos, também com espectro autista, com quem quer se casar. Mas Rita, mãe de Júlia, temendo que Júlia não tenha o discernimento adequado para tomar as decisões certas em sua vida, e no intuito de proteger o melhor interesse de sua filha, impede o casamento. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A) Júlia é relativamente incapaz e, assim o sendo, precisará de anuência de sua mãe, Rita, para celebrar o ato, em prol da proteção de sua dignidade.
B) A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa para casar-se, de modo que Rita não poderá impedir o casamento de Júlia.
C) Júlia é plenamente capaz em razão de sua idade, mas, em razão da deficiência que a acomete, deverá confirmar sua vontade com o curador que deverá ser instituído.
D) Rita, ainda que esteja atuando no melhor interesse de Júlia, na qualidade de mãe, não pode impedir o casamento podendo, contudo, impor à Júlia, sua curatela.

2. (XXXV Exame) Maurício, ator, 23 anos, e Fernanda, atriz, 25 anos, diagnosticados com Síndrome de Down, não curatelados, namoram há 3 anos. Em 2019, enquanto procuravam uma atividade laborativa em sua área, tanto Maurício quanto Fernanda buscaram, em processos diferentes, a fixação de tomada de decisão apoiada para o auxílio nas decisões relativas à celebração de diversas espécies de contratos, a qual se processou seguindo todos os trâmites adequados deferidos pelo Poder Judiciário. Assim, os pais de Maurício tornaram-se seus apoiadores e os pais de Fernanda, os apoiadores dela. Em 2021, Fernanda e Maurício assinaram contratos com uma emissora de TV, também assinados por seus respectivos apoiadores. Como precisarão morar próximo à emissora, o casal terá de mudar-se de sua cidade e, por isso, está buscando alugar um apartamento. Nesta conjuntura, Maurício e Fernanda conheceram Miguel, proprietário do imóvel que o casal pretende locar. Sobre a situação apresentada, conforme a legislação brasileira, assinale a afirmativa correta.
A) Maurício e Fernanda são incapazes em razão do diagnóstico de Síndrome de Down.
B) Maurício e Fernada são capazes por serem pessoas com deficiência apoiadas, ou seja, caso não fossem apoiados, seriam incapazes.
C) Maurício e Fernanda são capazes, independentemente do apoio, mas Miguel poderá exigir que os apoiadores contra-assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado.
D) Miguel, em razão da capacidade civil de Maurício e de Fernanda, fica proibido de exigir que os apoiadores de ambos contraassinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado.

Francis, brasileira, empresária, ao se deslocar do Rio de Janeiro para São Paulo em seu helicóptero particular, sofreu terrível acidente que culminou com a queda do aparelho em alto-mar. Após sucessivas e exaustivas buscas, feitas pelas autoridades e por empresas privadas contratadas pela família da vítima, infelizmente não foram encontrados os corpos de Francis e de Adilson, piloto da aeronave. Tendo sido esgotados os procedimentos de buscas e averiguações, de acordo com os artigos do Código Civil que regulam a situação supramencionada, é correto afirmar que o assento de óbito em registro público

A) Independe de qualquer medida administrativa ou judicial, desde que seja constatada a notória probabilidade de morte de pessoa que estava em perigo de vida.
B) Depende exclusivamente de procedimento administrativo quanto à morte presumida junto ao Registro Civil das Pessoas Naturais.
C) Depende de prévia ação declaratória judicial quanto à morte presumida, sem necessidade de decretação judicial de ausência.
D) Depende de prévia declaração judicial de ausência, por se tratar de desaparecimento de uma pessoa sem dela haver notícia.

Prévia do material em texto

Curso preparatório para a 1ª fase do 41º Exame de Ordem 
DIREITO CIVIL 
 
 
Professor André de Almeida Dafico Ramos 
Curso Proordem – Unidade Goiânia 
www.proordem.com.br / (62) 3932 0765 - 3087 2536 
 
1 
Prezados alunos, sejam muito bem-vindos ao Curso Proordem. Estamos iniciando mais um curso 
preparatório para o Exame da Ordem. É um caminho de sacrifício, de disciplina e que requer algumas 
renúncias, mas que compensa muito, sobretudo porque o resultado é a sua aprovação. Há três dicas 
essenciais: 
 
1) Traga o Vademecum para a sala. Não use celular ou computador, porque você precisa se 
habituar ao Vademecum, afinal, na segunda fase, não é permitido o uso de eletrônicos, só do 
Vademecum mesmo. É melhor você se habituar, sobretudo porque isso te garante uma memória 
visual que te ajuda muito na memorização; 
 
2) Promova a leitura, ANTES DA AULA, do material complementar. Você saberá, pela grade, qual 
matéria será ministrada pelo professor (geralmente, seguimos a ordem contida no material 
complementar). Se houver dúvida, pergunte ao professor. Essa é a sua oportunidade de anotar 
suas dúvidas e tirá-las com o professor, em sala. Quando vejo que as dúvidas do aluno não são 
pertinentes com a aula, peço a ele que me espere após o término da aula para que eu possa 
efetivamente ajudá-lo. Peço, entretanto, que evitem tirar dúvidas no intervalo, afinal, ele é tão 
essencial para o aluno quanto para o professor. 
 
3) Esta, sem sombra de dúvidas, é a dica mais importante: ABANDONE o seu celular durante a 
aula. Não é radicalismo! É bom senso e disciplina. Você terá pouco menos de três meses para 
revisar o conteúdo visto em 5 anos de graduação. Isso mesmo... Meia década em pouco menos 
de noventa dias. Por isso, concentre-se ao máximo. Evite, ao máximo, sair da sala enquanto o 
professor estiver falando. Cada frase pode ser uma questão e uma questão é o que diferencia um 
aprovado (com 40 pontos) e um reprovado (com 39 pontos). Cuidado! 
 
4) Você verá que a Apostila é dividida em 7 aulas e que, ao final de cada um, você encontrará 
questões de fixação do conteúdo. Essas questões são essenciais para que você teste seu 
conhecimento. Não fique frustrado. É absolutamente normal fazer e errar muito. Todo mundo 
erra. Só que alguns preferem errar na hora. Os prudentes erram antes, aprendem, para, na hora 
certa, arrebentarem. 
 
Lembrem-se de que sua prova tem data marcada, 28 de julho, e que você será aprovado NESTE EXAME se 
estiver pronto NESTA DATA. Como estamos diante de um prazo relativamente curto, precisamos 
estabelecer algumas metas diárias. O essencial é que você venha à aula e responda, no mínimo, 40 questões 
diárias sobre a matéria ministrada na aula. Saliento que o simples fato de responder as 40 questões não é o 
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essencial, uma vez que o que realmente faz a diferença é a correção, na qual você passa a identificar o erro 
das assertivas incorretas. Não faça o esquema “faço, corrijo, faço, corrijo”. Você deve responder todas as 
questões primeiro e, após isso, promover a correção, porque, deste modo, você não terá uma falsa impressão 
de conhecimento, decorrente do fato de você acertar um grande número de questões. Quando o aluno faz e 
corrige em seguida, ele certamente vai acertar as próximas. Não por já ter memorizado o assunto, mas por ter 
acabado de ler a resposta de uma questão sobre o mesmo tema. 
 
Ressalto que, para responder as questões, você deve ter um conhecimento mínimo sobre o tema. Do 
contrário, você partirá para o “chute”, o que não traz resultados. Se você ainda não domina o assunto 
ministrado na aula, leia sobre o tema da aula antes de começar a resolver as questões. Eu te garanto que, após 
duas leituras (uma antes da aula e uma depois da aula), você conseguirá resolver as questões sem ter que 
recorrer ao acaso. 
 
Toda a nossa equipe envida todos os esforços necessários à sua aprovação. Ela depende, entretanto, de um 
esforço conjunto. Se você já fez a prova, sabe do que eu estou falando. Não há meio termo! Ou você sabe e 
consegue os 40 acertos, ou não. Isso depende de disciplina. Com esforço, tudo é possível. Tudo depende de 
você. Se você realmente quiser a aprovação, implemente essas regras. Não é para amanhã, ou para semana 
que vem. É para hoje. Estamos a pouco mais de 90 dias da prova. Aproveite cada dia. Cada hora é valiosa 
nessa caminhada. Estamos juntos até a sua aprovação. Se ficou com alguma dúvida, nos procure. Sempre 
ficamos disponíveis após o término da aula. Grande abraço. 
 
 
Professor André Dafico 
@prof.andredafico 
andredafico@gmail.com 
 
 
 
 
 
 
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3 
SUMÁRIO 
 
 
AULA 1 – PARTE GERAL ........................................................................................................................... 4 
QUESTÕES DA AULA 1 .......................................................................................................................... 30 
AULA 2 – PARTE GERAL ........................................................................................................................ 46 
QUESTÕES DA AULA 2 .......................................................................................................................... 58 
AULA 3 - OBRIGAÇÕES ........................................................................................................................... 75 
QUESTÕES DA AULA 3 .......................................................................................................................... 99 
AULA 4 - CONTRATOS ........................................................................................................................... 120 
QUESTÕES DA AULA 4 ....................................................................................................................... 178 
AULA 5 – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................................................... 199 
QUESTÕES DA AULA 5 ........................................................................................................................ 224 
AULA 6 – DIREITO DE FAMÍLIA ......................................................................................................... 243 
QUESTÕES DA AULA 6 ........................................................................................................................ 275 
AULA 7 – DIREITO DAS SUCESSÕES .................................................................................................. 295 
QUESTÕES DA AULA 7 ........................................................................................................................ 326 
 
 
 
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4 
AULA 1 
 
PARTE GERAL 
 
-PERSONALIDADE JURÍDICA: É a aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações na 
ordem jurídica, ou seja, é a qualidade para ser sujeito de direito. 
 
Pessoa física ou natural – momento de aquisição da personalidade jurídica – art. 2º 
 
Nascituro – é um embrião com vida intra-uterina. Que direitos efetivamente tem o nascituro? 
 
 Direito à vida (inclusive proteção contra o aborto); 
 Direito à proteçãopré-natal; 
 Direito de receber doação e herança; 
 
E quanto ao direito a alimentos? A jurisprudência brasileira em geral sempre foi resistente à tese. A matéria, 
contudo, foi pacificada com a aprovação da Lei dos Alimentos Gravídicos (Lei 11.804/08), que reconheceu e 
regulou expressamente o direito aos alimentos do nascituro. 
 
CAPACIDADE – consiste na medida de personalidade. 
 
Capacidade de DIREITO + Capacidade de FATO = CAPACIDADE PLENA 
 
Não se confunde com a LEGITIMIDADE (impedimento para a prática de determinado ato. Falta de 
pertinência subjetiva para a prática de determinado ato) 
 
Capacidade de direito – qualquer pessoa tem; no momento em que se adquire personalidade passa o sujeito a 
ter capacidade de direito. 
 
Capacidade de fato – é a aptidão para pessoalmente praticar atos na vida civil. 
 
Incapacidade absoluta – art. 3º 
 
Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos 
da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. 
 
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5 
Não existe mais, no sistema privado brasileiro, pessoa absolutamente incapaz maior de idade. Todas as 
pessoas com deficiência passam a ser, em regra, plenamente capazes para o Direito Civil, o que visa a 
garantir sua inclusão social, em prol de sua dignidade. 
 
Para comprovar tal afirmação, vale citar o disposto no art. 6º da lei 13.146/2015, segundo o qual a 
deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para: a) casar-se e constituir união estável; 
b) exercer direitos sexuais e reprodutivos; c) exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter 
acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; d) conservar sua fertilidade, 
sendo vedada a esterilização compulsória; e) exercer o direito à família e à convivência familiar e 
comunitária; e f) exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em 
igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Em resumo, há, no plano familiar, uma expressa 
inclusão plena das pessoas com deficiência. 
 
Eventualmente, e em casos excepcionais, tais pessoas podem ser tidas como relativamente incapazes em 
algum enquadramento do art. 4º do Código Civil. Como exemplo, podemos citar a situação de um deficiente 
que seja viciado em tóxicos, o qual poderá ser tido como incapaz como qualquer outro sujeito. 
 
Incapacidade Relativa – art. 4º 
 
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de 
os exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 
 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem 
exprimir sua vontade; 
 
IV - os pródigos. 
 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por 
legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 
 
O artigo 4º também foi modificado de forma considerável pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei n.º 
13.146/2015). Como podemos ver pela redação do dispositivo, o inciso II não faz mais referência às pessoas 
com discernimento reduzido, que não são mais consideradas relativamente incapazes, como antes estava 
regulamentado. Apenas foram mantidas no diploma as menções aos ébrios habituais (entendidos como os 
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6 
alcoólatras) e aos viciados em tóxicos, que continuam dependendo de um processo de interdição relativa, 
com sentença judicial, para que sua incapacidade seja reconhecida. 
 
Também foi alterado o inciso III do art. 4º do CC, sem mencionar mais os excepcionais sem 
desenvolvimento completo, como, por exemplo, os portadores de síndrome de Down, que não são mais 
considerados incapazes. A nova redação passa a enunciar as pessoas que, por causa transitória ou 
permanente, não puderem exprimir vontade, o que antes estava previsto no inciso III do art. 3º como causa 
de incapacidade absoluta. 
 
O sistema de incapacidades deixou de ter um modelo rígido, passando a ser mais maleável, pensado a partir 
das circunstâncias do caso concreto e em prol da inclusão das pessoas com deficiência, tutelando a sua 
dignidade e a sua interação social. 
 
EMANCIPAÇÃO 
 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: 
 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante 
instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por 
sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos 
completos; 
 
II - pelo casamento; 
 
III - pelo exercício de emprego público efetivo; 
 
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; 
 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de 
relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis 
anos completos tenha economia própria. 
 
Regra geral, a menoridade cessa aos 18 anos completos, nos termos do artigo 5º do Código Civil. 
Emancipação traduz uma forma de antecipação da capacidade plena, podendo ser: voluntária, judicial e legal. 
 
1.1 Emancipação voluntária: a emancipação voluntária, prevista no art. 5º, par. único, I, primeira parte, é 
aquela concedida pelos pais, ou por um deles na falta do outro (é ato isonômico e extingue o poder familiar), 
em caráter irrevogável, mediante instrumento público, independentemente de homologação do juiz, desde 
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que o menor tenha 16 anos completos (o menor não tem poderes para autorizar ou não seus pais quanto à 
emancipação). 
 
1.2 Emancipação judicial: prevista no art. 5º, par. único, 2ª parte. O menor é emancipado pelo juiz, ouvido o 
tutor, desde que tenha 16 anos completos. Quem emancipa o menor tutelado é o juiz, ouvido o tutor. 
 
1.3 Emancipação legal: art. 5º, par. único, II a V. 
 
A primeira hipótese decorre do casamento (não se inclui a união estável. Não se deve dar interpretação 
extensiva, já que é causa de extinção do poder familiar, sendo norma restritiva). 
 
Exercício de emprego público efetivo. Legislador civil não usou a técnica do direito administrativo. Destarte, 
entende-se que o exercício de qualquer função, cargo ou emprego público efetivo (não pode ser cargo em 
comissão) irá causar a emancipação. 
 
Estabelecimento civil (exercício de atividade não empresarial, ex.: serviço artístico ou científico), 
estabelecimento comercial (exercício de atividade empresarial, ex.: compra e venda de verduras) ou pelo 
exercício da relação de emprego, desde que o menor com 16 anos completos tenha economia própria. 
 
EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA OU NATURAL (MORTE) 
 
Art. 6 o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se 
esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de 
sucessão definitiva. 
 
Art. 7 o Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de 
ausência: 
 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de 
vida; 
 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for 
encontrado até dois anos após o término da guerra. 
 
O critério que a comunidade científica mundial tem adotado é a morte encefálica, como referencial mais 
seguro do momento da morte, inclusive para efeito de transplante.A morte deve ser atestada por um 
profissional da medicina, podendo também ser declarada por 02 testemunhas, na falta do especialista. 
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O CC, além de apontar a morte real, prevê 02 hipóteses de morte presumida, quais sejam: a) ausência (art. 6º, 
2ª parte, CC); b) art. 7º, CC. 
 
A ausência se caracteriza quando uma pessoa desaparece do seu domicílio sem deixar notícia ou 
representante que administre seus bens. A matéria (procedimento) é disciplinada a partir do art. 22, CC. 
 
O que é comoriência? Traduz a situação jurídica de morte simultânea. A regra da comoriência prevista no 
art. 8º do CC e somente deve ser aplicada quando não for possível indicar a ordem cronológica dos óbitos. 
Não podendo se indicar a ordem das mortes, presume-se que a situação é de falecimento simultâneo, 
abrindo-se cadeias sucessórias autônomas e distintas (um comoriente não herda do outro). É possível a 
comoriência, mesmo em se tratando de locais distintos. 
 
DIREITOS DA PERSONALIDADE 
 
São irrenunciáveis e imprescritíveis, gerando dano moral a violação a um deles. Os direitos da personalidade 
estão regulamentados nos artigos 11 a 21 do Código Civil. 
 
Características dos direitos da personalidade – art. 11 
 
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade 
são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer 
limitação voluntária. 
 
Esse artigo deve ser interpretado de forma ampliativa, segundo a doutrina e a jurisprudência. 
 
As características previstas no artigo 11 são relativas, uma vez que elas admitem exceções, conforme 
expressamente previsto. São: intransmissíveis, irrenunciáveis e indisponíveis (não pode o seu exercício 
sofrer limitação voluntária). 
 
a) indisponível – essa ideia de que o direito da personalidade não pode sofrer limitação voluntária é relativa, 
uma vez que é possível, excepcionalmente, que a pessoa disponha de seu direito da personalidade. Ex: um 
artista, por exemplo, está abrindo mão do seu direito à imagem quando está gravando. Não há qualquer 
ilegalidade. Esse caráter de indisponibilidade não é absoluto. 
 
Enunciado 4 do CJF (não se trata de jurisprudência, mas de doutrina): o exercício dos direitos da 
personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral. 
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Logo, se a limitação for transitória e específica, não há ilegalidade. Ex: BBB. 
 
Um contrato vitalício é possível? No Brasil, não. 
 
b) são absolutos – tem eficácia erga omnes (contra todos). Todos devem respeitar a imagem dos outros. 
Cuidado para não achar que, por ser absoluto, não cabe exceção. É claro que cabe. Isso está expresso no 
artigo 11: 
 
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e 
irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
 
c) imprescritíveis – o fato de não ser exercido, não implica sua perda. O fato de eu não utilizar minha 
imagem (como os atores, por exemplo), não significa que eu vá perder esse direito. 
 
CUIDADO! Os direitos da personalidade são imprescritíveis. Eles sempre existirão. A pretensão decorrente 
da violação a tais direitos é prescritível. O prazo prescricional é de 3 anos (art. 206, § 3º, inciso V). 
 
Se você tem seus direitos da personalidade violados, nasce uma pretensão de reparação civil. Ex: sua 
imagem utilizada de forma indevida. 
 
d) vitalícios – os direitos da personalidade têm por objetivo proteger o que? É claro que é a personalidade. Se 
ela começa com o nascimento com vida e termina com a morte, é claro que esses direitos são vitalícios. 
Cuidado com a lesão após a morte. O STJ já analisou essa questão, tratada pela doutrina como “lesão 
indireta, oblíqua, ou por ricochete”. O que é isso? 
 
Na tentativa de lesar a personalidade de alguém que está falecido, acaba-se por atingir, de forma indireta, a 
personalidade de alguém que está vivo. Quem pode pleitear essa reparação? A regra geral está prevista no 
parágrafo único do artigo 12: 
 
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a 
medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em 
linha reta, ou colateral até o quarto grau. 
 
Os lesados indiretos são esses. Essa é a regra geral. 
 
Em se tratando de imagem, todavia, o rol de legitimados é menor, nos termos do artigo 20, p. u.: 
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Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas 
para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes. 
 
TUTELA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
 
Os direitos da personalidade podem ser tutelados de forma: 
 
a) Preventiva ou inibitória – é aquela que quer inibir a ocorrência do dano. 
 
b) Repressiva ou compensatória – se já houve o dano, o que resta é reparar, mediante indenização. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
 
1) INTEGRIDADE FÍSICA: 
 
a) Tutela do corpo vivo – art. 13 
 
Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio 
corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou 
contrariar os bons costumes. 
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de 
transplante, na forma estabelecida em lei especial. 
 
b) Tutela do corpo morto – art. 14 
 
Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição 
gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. 
 
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer 
tempo. 
 
Vale sempre a vontade do morto (manifestada em vida, é claro!). Se ele se declarou doador, mas em 
testamento declarou que não queria doar, vale a última declaração. Só se ele nunca tiver se pronunciado é 
que a lei permite que o cônjuge e parentes se manifestem, sobretudo quanto a transplante (lei 9.434/97): 
 
Art. 4º A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas 
para transplantes ou outra finalidade terapêutica, dependerá da autorização do 
cônjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou 
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colateral, até o segundo grau inclusive, firmada em documento subscrito por 
duas testemunhas presentes à verificação da morte. (Redação dada pela Lei nº 
10.211, de 23.3.2001) 
 
c) Autonomia do paciente – art. 15 
 
Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a 
tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. 
 
2) INTEGRIDADE PSÍQUICA OU MORAL 
 
a) Imagem 
 
A imagem é tutelada tanto pela CC quanto pela CF: 
 
Art. 5º, V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além 
da indenização por dano material, moral ou à imagem; 
 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das 
pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação;CC – Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da 
justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a 
transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem 
de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da 
indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a 
respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. 
 
Súmula 403, STJ: Independe de prova do prejuízo, a indenização pela publicação não autorizada de imagem 
de pessoa com fins econômicos ou comerciais. (dano moral puro, também chamado de dano moral in re 
ipsa). Aplica-se, inclusive, se a propaganda for positiva. O que importa aqui é a autorização. 
 
Imagem são as características identificadoras de uma pessoa. Ela é assentada em três vertentes: retrato 
(características fisionômicas, aparência), atributo (característica no meio social. Ex: honesto, trabalhador) e 
voz (timbre sonoro identificador. Ex; Lombardi, Cid Moreira, Galvão Bueno). 
 
Lembre-se que a regra básica contida no artigo 20 do CC é que, para se veicular uma imagem é preciso 
autorização, seja expressa ou tácita. Há exceções, todavia: 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10211.htm
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- dispensa legal: administração da Justiça ou manutenção da ordem pública. Ex: fuga de preso, estuprador em 
série. 
 
- dispensa pela jurisprudência: pessoas públicas em locais públicos (direito à informação) e pessoas não 
públicas que estejam acompanhadas de pessoas públicas em locais públicos. Ex: mulher com o Chico 
Buarque no calçadão, às 3 da tarde. 
 
b) Privacidade 
 
Está prevista no artigo 5º da CF: 
 
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações 
telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, 
por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins 
de investigação criminal ou instrução processual penal. 
 
CC – art. 21: 
 
Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a 
requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir 
ou fazer cessar ato contrário a esta norma. 
 
A privacidade pode ser violada, excepcionalmente, desde que se promova uma ponderação. Ex; quebra de 
sigilo bancário, fiscal, interceptação telefônica. 
 
c) Nome (etiqueta social) 
 
O nome é, em regra, composto pelo prenome e sobrenome (patronímico) (art 16). 
 
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o 
sobrenome. 
 
O agnome tem por objetivo evitar a homonímia (ex: júnior, neto). 
 
É vedada a utilização do nome em publicações ou representações que exponham ao desprezo público, ainda 
que inexista intenção difamatória. (art. 17). 
 
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Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou 
representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja 
intenção difamatória. (responsabilidade civil objetiva) 
 
A utilização de nome em propaganda comercial necessita de autorização, sempre (art 18). 
 
Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda 
comercial. (dano in re ipsa, pode ser cumulado com a paralisação da 
veiculação). 
 
Ademais, confere o Código Civil proteção ao pseudônimo utilizado para atividades lícitas idêntica àquela do 
nome (art 19). 
 
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se 
dá ao nome. 
 
Pseudônimo é um apelido. Se for para atividade ilícita, não há proteção. Ex: Fernandinho Beira Mar. 
 
Se a atividade for lícita, é possível, ainda, a averbação no registro civil do nome utilizado para atividade 
profissional, conforme regula o art. 57 da LRP (Lei n.º 6.015/73). Ex: Xuxa, Pelé, Popó, Didi. 
 
É possível a alteração do nome no Brasil? Veja as recentes alterações na Lei de Registros Públicos (Lei n.º 
6.015/73): 
 
Art. 55. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e 
o sobrenome, observado que ao prenome serão acrescidos os sobrenomes dos 
genitores ou de seus ascendentes, em qualquer ordem e, na hipótese de 
acréscimo de sobrenome de ascendente que não conste das certidões 
apresentadas, deverão ser apresentadas as certidões necessárias para 
comprovar a linha ascendente. (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 1º O oficial de registro civil não registrará prenomes suscetíveis de 
expor ao ridículo os seus portadores, observado que, quando os genitores 
não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o 
caso à decisão do juiz competente, independentemente da cobrança de 
quaisquer emolumentos. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 2º Quando o declarante não indicar o nome completo, o oficial de 
registro lançará adiante do prenome escolhido ao menos um sobrenome de 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11
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cada um dos genitores, na ordem que julgar mais conveniente para evitar 
homonímias. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 3º O oficial de registro orientará os pais acerca da conveniência de 
acrescer sobrenomes, a fim de se evitar prejuízos à pessoa em razão da 
homonímia. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 4º Em até 15 (quinze) dias após o registro, qualquer dos genitores 
poderá apresentar, perante o registro civil onde foi lavrado o assento de 
nascimento, oposição fundamentada ao prenome e sobrenomes indicados pelo 
declarante, observado que, se houver manifestação consensual dos 
genitores, será realizado o procedimento de retificação administrativa do 
registro, mas, se não houver consenso, a oposição será encaminhada ao 
juiz competente para decisão. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
Art. 56. A pessoa registrada poderá, após ter atingido a maioridade 
civil, requerer pessoalmente e imotivadamente a alteração de seu prenome, 
independentemente de decisão judicial, e a alteração será averbada e 
publicada em meio eletrônico. (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 1º A alteração imotivada de prenome poderá ser feita na via 
extrajudicial apenas 1 (uma) vez, e sua desconstituição dependerá de 
sentença judicial. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 2º A averbação de alteração de prenome conterá, obrigatoriamente, o 
prenome anterior, os números de documento de identidade, de inscrição no 
Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) da Secretaria Especial da Receita 
Federal do Brasil, de passaporte e de título de eleitor do registrado, 
dados esses que deverão constar expressamente de todas as certidões 
solicitadas. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 3º Finalizado o procedimento de alteração no assento, o ofício de 
registro civil de pessoas naturais no qual se processou a alteração, a 
expensas do requerente, comunicará o ato oficialmente aos órgãos 
expedidores do documento de identidade, do CPF e do passaporte, bem como 
ao Tribunal Superior Eleitoral, preferencialmente por meio 
eletrônico. (Incluídopela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 4º Se suspeitar de fraude, falsidade, má-fé, vício de vontade ou 
simulação quanto à real intenção da pessoa requerente, o oficial de 
registro civil fundamentadamente recusará a retificação. (Incluído pela 
Lei nº 14.382, de 2022) 
 
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Art. 57. A alteração posterior de sobrenomes poderá ser requerida 
pessoalmente perante o oficial de registro civil, com a apresentação de 
certidões e de documentos necessários, e será averbada nos assentos de 
nascimento e casamento, independentemente de autorização judicial, a fim 
de: (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
I - inclusão de sobrenomes familiares; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 
2022) 
 
II - inclusão ou exclusão de sobrenome do cônjuge, na constância do 
casamento; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
III - exclusão de sobrenome do ex-cônjuge, após a dissolução da sociedade 
conjugal, por qualquer de suas causas; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 
2022) 
 
IV - inclusão e exclusão de sobrenomes em razão de alteração das relações 
de filiação, inclusive para os descendentes, cônjuge ou companheiro da 
pessoa que teve seu estado alterado. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 
2022) 
 
§ 1º Poderá, também, ser averbado, nos mesmos termos, o nome abreviado, 
usado como firma comercial registrada ou em qualquer atividade 
profissional. (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975). 
 
§ 2º Os conviventes em união estável devidamente registrada no registro 
civil de pessoas naturais poderão requerer a inclusão de sobrenome de seu 
companheiro, a qualquer tempo, bem como alterar seus sobrenomes nas 
mesmas hipóteses previstas para as pessoas casadas. (Redação dada pela 
Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 3º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 3º-A O retorno ao nome de solteiro ou de solteira do companheiro ou da 
companheira será realizado por meio da averbação da extinção de união 
estável em seu registro. Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 5º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 6º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
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§ 7o Quando a alteração de nome for concedida em razão de fundada coação 
ou ameaça decorrente de colaboração com a apuração de crime, o juiz 
competente determinará que haja a averbação no registro de origem de 
menção da existência de sentença concessiva da alteração, sem a averbação 
do nome alterado, que somente poderá ser procedida mediante determinação 
posterior, que levará em consideração a cessação da coação ou ameaça que 
deu causa à alteração. (Incluído pela Lei nº 9.807, de 1999) 
 
§ 8º O enteado ou a enteada, se houver motivo justificável, poderá 
requerer ao oficial de registro civil que, nos registros de nascimento e 
de casamento, seja averbado o nome de família de seu padrasto ou de sua 
madrasta, desde que haja expressa concordância destes, sem prejuízo de 
seus sobrenomes de família. (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
O STJ entende que na cirurgia de mudança de sexo (transgenitalização), deve-se mudar não só o sexo, como 
também o nome. O STF pacificou a questão, entendendo que a alteração do nome e do gênero nos 
documentos de transexuais não depende da cirurgia de transgenitalização. 
 
AUSÊNCIA 
 
A ideia fundamental de ausência vem descrita no art. 22 do Código Civil, que tem a seguinte redação: 
 
“Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela 
haver notícia, se não houver deixado representante ou 
procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a 
requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, 
declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador.” 
 
Notem que a ausência reclama declaração judicial, em procedimento especial de jurisdição voluntária, ou 
seja, não basta o desaparecimento de uma pessoa para que se configure a ausência nos termos do Código 
Civil. É imprescindível que seja reconhecida judicialmente. 
 
Em regra, a ausência pressupõe o desaparecimento de uma pessoa que não deixou notícias ou procurador. 
Todavia, também se declara ausente aquele que, mesmo deixando mandatário, este não queira ou não possa 
exercer o mandato, ou, ainda, na hipótese do instrumento conferir poderes insuficientes. 
 
A sistemática do Código divide o procedimento de declaração de ausência em três fases: 1) curatela dos bens 
do ausente; b) sucessão provisória; c) sucessão definitiva. 
 
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1) Curatela dos bens do ausente (arts. 22 a 25) 
 
É a primeira fase do procedimento, voltada à proteção do patrimônio do ausente. Nessa etapa, mitiga-se a 
proteção de terceiros (um exemplo disso é a proibição de atos de disposição pelo curador nomeado pelo Juiz 
para cuidar dos bens do ausente). Tem início com a provocação de qualquer interessado ou do Ministério 
Público. 
 
Comprovado o desaparecimento, o Juiz declara a ausência – após oitiva do MP – e determina a arrecadação 
dos bens do ausente e a publicação de editais durante um ano seguido (de 2 em 2 meses), convocando o 
ausente para retomar a posse de seus bens (art. 745, CPC). Na mesma decisão, o Juiz nomeia um curador 
para os bens do ausente. 
 
Cuidado com um detalhe. A lei não exige um prazo mínimo de desaparecimento de uma pessoa para a 
abertura do procedimento de ausência. Basta que o interessado ou o Ministério Público demonstre o 
desaparecimento da pessoa de seu domicílio em caráter excepcional. 
 
Em regra, o curador será o cônjuge - ou o companheiro - do ausente, salvo na hipótese de separação judicial 
– que não mais existe no ordenamento pátrio em virtude das alterações promovidas pela EC 66/2010 – ou 
separação de fato há mais de 02 anos. 
 
Na falta do cônjuge ou companheiro, a curadoria caberá às seguintes figuras: a) aos ascendentes; b) na falta 
desses, aos descendentes (os mais próximos precedem os mais remotos); e c) na falta de qualquer desses 
últimos, a escolha do curador cabe ao juiz. 
 
Após o prazo de um ano da arrecadação dos bens, segue-se à segunda fase do procedimento de declaração de 
ausência. 
 
2) Sucessão provisória: 
 
Com o passar do tempo, diminui a probabilidade de retorno do ausente, razão pela qual permite a lei que se 
promova uma transmissão provisória e precária de seus bens. 
 
Essa segunda fase inicia-se com o pedido de abertura da sucessão provisória, que pode ser apresentado em 
duas hipóteses:a) após o decurso de um ano da arrecadação dos bens, se o ausente não deixou procurador; 
ou b) após transcorridos três anos da arrecadação dos bens, no caso do ausente ter deixado procurador (art. 
26, CC) 
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São legitimados para requerer a abertura da sucessão provisória: a) cônjuge não separado, judicialmente ou 
em cartório; b) herdeiros (presumidos, legítimos ou testamentários); c) os que tiverem sobre os bens do 
ausente direito dependente de sua morte; d) os credores de obrigações vencidas e não pagas (art. 27, CC). 
 
Se, decorrido o prazo do art. 26 (um ou três anos, a depender se deixou procurador ou não), não for requerida 
a abertura da sucessão provisória pelos interessados, cabe ao Ministério Público requerê-la (art. 28, § 1º, 
CC). A sucessão provisória será declarada por sentença. Essa sentença só produz efeitos após 180 dias de sua 
publicação na imprensa. 
 
Além disso, somente após o trânsito em julgado da sentença que declarar a sucessão provisória é que haverá 
a abertura do inventário e da partilha, bem como do testamento, se houver. Aqui, procede-se como se o 
ausente tivesse, de fato, falecido. 
 
Todavia, importa atentar para o seguinte: os interessados têm 30 dias, após o transito em julgado da sentença, 
para requerer a abertura do inventário; não o fazendo, procede-se à arrecadação dos bens do ausente na forma 
de declaração de herança jacente e vacante. (art. 28, § 2º, CC). 
 
O Código Civil, considerando o caráter precário da transmissão operada na fase de sucessão provisória, 
exigiu a prestação de garantia pelos herdeiros, a fim de se imitirem na posse provisória dos bens do ausente, 
sob pena de exclusão (art. 30, CC). Mas essa regra foi temperada pelo § 2º do dispositivo, que dispensa de 
caução os herdeiros necessários (ascendentes, descendentes, cônjuge e companheiro), assim provada sua 
condição; também o artigo 34 abranda o rigor da exigência, ao permitir que o excluído que não prestou as 
garantias, desde que justifique a falta de recursos econômicos, possa requerer que lhe seja entregue a metade 
dos rendimentos que seriam devidos quanto ao seu respectivo quinhão. 
 
Cumpre salientar, ainda, que, quanto aos credores do ausente que tiverem requerido o pagamento dos 
respectivos créditos nessa segunda etapa do procedimento, ocorrerá a transmissão definitiva, nada havendo a 
restituir ao ausente na hipótese de retorno. 
 
Nessa fase, os bens imóveis do ausente só poderão ser alienados (ou gravados de ônus real) com autorização 
judicial que vise evitar a ruína. A única exceção cabível, quanto a isso, é a hipótese de desapropriação. 
 
Quanto aos frutos e rendimentos produzidos pelos bens do ausente, ocorrerá o seguinte: a) caberão 
integralmente aos herdeiros necessários quanto aos bens que estiverem em sua posse (descendente, 
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ascendente e cônjuge/companheiro); b) os demais sucessores deverão capitalizar a metade dos rendimentos - 
para o caso de retorno do ausente; além disso, precisam de anuência do MP e prestam contas ao juiz. 
 
Todavia, não se pode olvidar que, caso o ausente retorne e fique provada que a sua ausência foi voluntária e 
injustificada, ele perderá a sua parte nos frutos e rendimentos em favor do sucessor. O transcurso do tempo 
acentua a presunção de óbito do ausente, justificando a transmissão do patrimônio em caráter definitivo. 
Passa-se, então, à fase seguinte do procedimento de declaração de ausência. 
 
3) Sucessão definitiva: 
 
Nessa etapa, a preocupação central do ordenamento jurídico é tutelar os interesses dos herdeiros do ausente. 
A sucessão definitiva pode ser requerida pelos interessados nas seguintes hipóteses: a) Após 10 anos do 
trânsito em julgado da sentença de reconheceu a abertura da sucessão provisória; ou b) Se o ausente estiver 
desaparecido há 05 anos e já conte com, pelo menos, 80 anos de idade. 
 
Nessa etapa, os interessados requerem a transmissão definitiva dos bens, com o levantamento das cauções 
prestadas. 
 
Embora a transmissão desses bens já se opere em caráter definitivo, permitindo-se a livre disposição pelos 
herdeiros, o domínio está sujeito a condição resolutiva, ou seja, reaparecendo o ausente nos 10 anos 
seguintes à abertura da sucessão definitiva, receberá os bens no estado em que se encontrarem (ou os sub-
rogados em seu lugar; ou, ainda, o preço obtido pelos herdeiros com a alienação de tais bens). (art. 39, CC). 
Com o trânsito em julgado da sentença que reconheceu a abertura da sucessão definitiva, haverá uma 
presunção de morte do ausente, conforme previsão do artigo 6º, 2ª parte do Código Civil. 
 
E se o ausente retornar, o que acontece? Dependerá do momento do seu regresso: 
 
1º) Se o ausente regressa ainda na primeira fase (curadoria dos bens) – nada acontecerá, pois não decorreu 
qualquer efeito da sua ausência; 
 
2º) Se regressa na segunda fase (durante a sucessão provisória) – receberá os bens no estado que deixou, 
podendo levantar a caução prestada pelos sucessores. Se houve depreciação ou perecimento dos bens, ou, se 
houve melhorias, irá indenizar os possuidores de boa-fé; 
 
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3º) Se regressa na terceira fase (já aberta a sucessão definitiva) – receberá os bens no estado em que se 
encontrarem ou os sub-rogados em seu lugar. 
 
4º) Se regressa após o prazo de 10 anos que declarou aberta a sucessão definitiva – não há mais qualquer 
direito a recebimento de bens. 
 
Assim, sob o manto do movimento de constitucionalização das relações privadas, o Código Civil vigente se 
apartou do excessivo caráter patrimonialista, para tutelar outros aspectos que envolvem a pessoa 
desaparecida, permitindo, como um grande exemplo dessa tendência, a dissolução do casamento pela 
presunção de morte. 
 
Eis o teor do dispositivo inovador: 
 
“Art. 1.571. 
§ 1º O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges 
ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código 
quanto ao ausente.” 
 
Assim, uma vez reconhecida por decisão judicial a morte presumida, restará dissolvido, automaticamente, o 
casamento do ausente, como efeito anexo natural da sentença declaratória. 
 
E qual seria o momento da efetiva dissolução do casamento em razão da declaração de ausência? A maioria 
da doutrina sustenta ocorrer na terceira e última etapa, com a abertura da sucessão definitiva. 
 
PESSOA JURÍDICA 
 
A pessoa jurídica nasce como decorrência do fato associativo (exceto a fundação). Pessoa jurídica é o grupo 
humano, criado na forma da lei, e dotado de personalidade jurídica própria, para a realização de fins comuns. 
 
Personificação da pessoa jurídica – art. 45, CC. O registro da pessoa jurídica é de natureza constitutiva. O 
CC firma a natureza constitutiva do registro da pessoa jurídica, com eficácia ex nunc. O registro da pessoa 
jurídica cria sua personalidade. 
 
Sociedades desprovidas de registro são denominadas despersonificadas (986, CC), também chamadas de 
sociedades de fato ou irregulares. 
 
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O que se entende por ente despersonalizado? Tecnicamente não são pessoas jurídicas. Contudo, detém 
capacidade processual. Ex.: art. 75, CPC (espólio, condomínio, massa falida, etc.) 
 
Espécies de pessoa jurídica de direito privado – art. 44 
 
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: 
I - as associações; 
II - as sociedades; 
III - as fundações; 
IV - as organizações religiosas; 
V - os partidos políticos; 
VI - (Revogado pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral? 
 
Ainda vigora no Brasil a corrente que sustenta a tese segundo a qual a pessoa jurídica sofre dano moral 
(Súmula 227 do STJ e art. 52, CC). 
 
Fundações - a fundação de direito privado decorre da afetação de um patrimônio que se personifica visando 
a atingir finalidade ideal (art. 62). Não decorre do fato associativo. Decorre justamente de um destacamento 
patrimonial. Fundação não tem finalidade econômica, mas sim finalidade IDEAL. 
 
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins 
de: 
 
I – assistência social; 
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e 
artístico; 
III – educação; 
IV – saúde; 
V – segurança alimentar e nutricional; 
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção 
do desenvolvimento sustentável; 
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias 
alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e 
divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; 
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos 
humanos; 
IX – atividades religiosas; 
 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art20
 
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Somente se constitui mediante escritura pública ou testamento. 
 
Obs.: as ONGs, por também perseguirem finalidade ideal, devem se constituir sob a forma de fundação ou 
associação. 
 
Requisitos para se constituir uma fundação: 
 
I – afetação de bens livres; 
II – constituição por escritura pública ou testamento; 
III – elaboração do estatuto da fundação (o ato normativo que disciplina a organização e funcionamento da 
fundação é o seu estatuto. Fundação não tem contrato social. O estatuto da fundação pode ser elaborado 
diretamente pelo seu instituidor ou, mediante delegação, por um terceiro. Subsidiariamente, nos termos do 
art. 65, CC, a elaboração do estatuto poderá ser feita pelo MP). 
 
Veja o artigo 66: 
 
§ 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o 
encargo ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. 
 
IV – aprovação do estatuto. Quem aprova o estatuto é, via de regra, o MP. 
 
Obs.: elaborado o estatuto pelo próprio MP, nos termos do art. 764 do CPC, será ele submetido à aprovação 
do juiz. 
 
V – registro da fundação no Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas. 
 
Alteração do estatuto da fundação (formalismo de alteração) – arts. 67 e 68, CC. Quorum de 2/3 + não 
desvirtuamento da finalidade + aprovação pelo MP no prazo máximo de 45 dias. 
 
Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister 
que a reforma: 
 
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e 
representar a fundação; 
 
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; 
 
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III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo 
de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o 
Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento 
do interessado. 
 
A minoria vencida, nos termos do artigo 68, tem o direito potestativo de impugnar a alteração do estatuto no 
prazo decadencial de 10 dias. Salvo disposição em contrário, o patrimônio da fundação é incorporado a outra 
fundação designada pelo juiz, de fim igual ou semelhante. 
 
Sociedade – é uma espécie de corporação, dotada de personalidade jurídica própria e instituída por meio de 
contrato social, visando a proveito econômico e partilha de lucro. No que tange ao elemento finalístico, 
persegue proveito econômico (finalidade lucrativa, partilha de proveito econômico). A segunda característica 
da sociedade é sua constituição por contrato social, art. 981, CC). 
 
Obs.: marido e mulher podem constituir sociedade? O Código Civil, no art. 977, restringe esta autonomia 
privada, sob o fundamento de evitar fraude ao regime de bens. Não podem, destarte, serem sócios, quando 
tenham casado no regime da comunhão universal ou da separação obrigatória. 
 
Associações – são entidades de direito privado, formadas pela união de indivíduos, nos termos do art. 53, 
CC, visando finalidade não econômica (finalidade ideal). A associação tem estrutura corporativa, é um grupo 
de pessoas. Contudo, busca finalidade não econômica. Não há entre os associados, direitos e obrigações 
recíprocos. Não há repartição de lucro. Ex.: clube recreativo, associação de moradores. 
 
Associação – art. 54 – o ato constitutivo de uma associação é o seu estatuto, registrado no Cartório de 
Registro das Pessoas Jurídicas. 
 
Seu órgão mais importante é a Assembleia Geral, cujas atribuições estão elencadas no art. 59, CC. É possível 
a existência de categoria diferenciada de associados. Contudo, dentro de cada categoria não pode haver 
discriminação entre os associados. 
 
Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do 
previsto em legislação especial e em seus atos constitutivos, 
poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, 
inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, 
respeitados os direitos previstos de participação e de 
manifestação. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
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Art. 57 – estabelece que a exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em 
procedimento que assegure direito de defesa e a recurso, nos termos do estatuto (eficácia horizontal de 
direitos fundamentais). Este artigo 57 pode ser aplicado ao condomínio? 
 
NEGATIVO. Condomínio não se confunde com associação. Expulsando-se o condômino estar-se-ia 
realizando uma espécie de desapropriação privada. No caso de condômino com comportamento antissocial 
tem-se a alternativa de aplicação de multa progressiva. 
 
EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA 
 
Em linhas gerais são três formas: a) convencional, especialmente aplicada para sociedades, se dá quando os 
sócios estipulam desfazer a pessoa jurídica mediante distrato; b) administrativa, quando resulta da cassação 
da autorização de constituição e funcionamento de determinadas pessoas jurídicas (necessidade de 
autorização especial para criação da sociedade); c) judicial, que se opera por meio de processo. Ex.: 
procedimento falimentar. 
 
DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA (disregard doctrine) 
 
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo 
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a 
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber 
intervir no processo,desconsiderá-la para que os efeitos de certas e 
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens 
particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica 
beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei 
nº 13.874, de 2019) 
 
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a 
utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a 
prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei nº 
13.874, de 2019) 
 
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato 
entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 
2019) 
 
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do 
administrador ou vice-versa; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
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II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas 
contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e 
(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído 
pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica 
à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa 
jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos 
de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da 
personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
§ 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração 
da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa 
jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
A doutrina da desconsideração da pessoa jurídica pretende o afastamento temporário da sua personalidade, 
para permitir que os credores possam satisfazer os seus direitos no patrimônio pessoal do sócio ou 
administrador que cometeu o ato abusivo. Trata-se da suspensão episódica da personalidade. É possível 
aplicar a doutrina também em associações, fundações e entidades filantrópicas. 
 
O Princípio da Função Social da Empresa, que traz a ideia de que a empresa deve ter continuidade, embasa 
esse instituto da Desconsideração da Pessoa Jurídica, uma vez que caso se fosse utilizar do instituto da 
despersonificação, que é mais severo, estar-se-ia aniquilando a pessoa jurídica mediante o cancelamento do 
seu registro, e não é esse o interesse contemporâneo segundo o Princípio da Função Social da Empresa, 
trazido pela Lei 11.101/05 – Lei de Falência e Recuperação Judicial. Satisfeito o direito do credor, pretende-
se que a empresa volte à atividade. 
 
A desconsideração da personalidade jurídica também tem previsão no artigo 28 do CDC. 
 
O Código Civil foi alterado para reforçar a ideia de independência entre a pessoa jurídica e a figura dos 
sócios, diretores e administradores. O instituto da desconsideração da pessoa jurídica que tem por requisitos 
o desvio de finalidade ou confusão patrimonial tornou-se mais complexo porque exige a prova do dolo nos 
atos de desvio. A lei definiu que desvio de finalidade é utilização da pessoa jurídica com a intenção (dolo) de 
lesar credores e para prática de ilícitos. No parágrafo segundo, a confusão patrimonial ocorrida na ausência 
de separação de fato entre os patrimônios do sócio e da empresa foi redefinida para excluir valores 
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proporcionalmente insignificantes, existência de grupo econômico e autonomia patrimonial. Noutras 
palavras, a autonomia na gestão foi majorada e a desconsideração tornou-se medida excepcional. 
 
Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, 
associados, instituidores ou administradores.(Incluído pela Lei nº 
13.874, de 2019) 
 
Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um 
instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido 
pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a 
geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de 
todos. 
 
A desconsideração é matéria judicial ou administrativa? Está sob reserva de jurisdição? 
 
Os requisitos da desconsideração, na forma do art. 50, CC, são 02: I – implicitamente consagrado, é 
necessário que haja descumprimento de obrigação; II – demonstração do abuso por parte do sócio ou 
administrador, abuso este caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão de patrimônio. 
 
Obs.: exemplo grave de abuso em que há confusão patrimonial opera-se quando uma pessoa jurídica atua por 
meio de outra visando a se eximir de responsabilidade. Neste caso, poderá o juiz desconsiderar a primeira 
empresa e atingir indiretamente a que está por trás. 
 
Qual a diferença entre teoria maior e teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica? A teoria 
maior é a adotada pelo CC, exigindo além do descumprimento da obrigação ou insolvência, requisitos 
específicos caracterizadores do abuso (desvio de finalidade ou confusão patrimonial); já na teoria menor, 
mais fácil de ser aplicada, como no direito do consumidor e ambiental, não se exigem os requisitos 
caracterizadores do ato abusivo, bastando o credor demonstrar que a obrigação foi descumprida (neste caso, 
a única saída pode ser atingir o sócio ou administrador que está por trás) 
 
DOMICÍLIO 
 
Conforme art. 70, CC, é o lugar em que fixa a residência com ânimo definitivo (animus manendi), 
transformando-o em centro de sua vida jurídica e social. 
 
É possível a existência de diversas residências e domicílios (art. 71, CC). O art. 72 do CC consagrou o 
“domicílio profissional”: trata-se de uma forma especial de domicílio restrita a aspectos da relação 
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profissional. Não se trata de um domicílio geral, mas limitado. Somente interessa quando se estiver 
discutindo aspectos pertinentes à atividade profissional. 
 
Mudança de domicílio – artigos 73 e 74. 
 
Classificação do domicílio 
 
I – Voluntário: é o comum, geral, fixado por simples manifestação de vontade. Natureza jurídica do ato de 
fixação do domicílio voluntário: trata-se de ato jurídico em sentido estrito; 
 
II – De eleição: é aquele estipulado pelas próprias partes no contrato (art. 78, CC). A autonomia privada não 
pode traduzir expressão de autoridade econômica. Com isso, o exercício da autonomia negocial e da livre 
iniciativa suporta parâmetros constitucionais de contenção, especialmente em decorrência da função social e 
da boa-fé objetiva. 
 
III – Legal ou necessário: arts. 77 e 76 = incapaz (representante ou assistente), servidor público (onde exerce 
PERMANENTEMENTE suas funções – comissionado está fora), militar (exército, marinha e aeronáutica – 
sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado), marítimo (marinha mercante – onde o 
barco está matriculado), preso (local onde cumpre a sentença, não mencionando o preso provisório); 
 
Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o 
militar, o marítimo e o preso.Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou 
assistente; o do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente 
suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou da 
Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente 
subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do 
preso, o lugar em que cumprir a sentença. 
 
BENS JURÍDICOS 
 
Classificação dos bens jurídicos: 
 
1 – Bem imóvel por força de lei: (art.80 do CC) 
 
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: 
I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; 
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II - o direito à sucessão aberta. 
 
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis: 
 
I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, 
forem removidas para outro local; 
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se 
reempregarem. 
 
Obs.: o direito à herança, nos termos do inciso II do artigo 80, tem natureza imobiliária, o que explica a 
exigência legal da escritura pública para a cessão de direitos hereditários (art. 1.793), bem como o fato de 
respeitável parte da doutrina sustentar a exigência de outorga uxória na cessão, nos termos do art. 1.647. 
 
O artigo 81 prevê situações em que os bens não perdem a natureza de imóveis. 
 
2 – Bem móvel por força de lei: (art. 83 do CC) 
 
Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais: 
 
I - as energias que tenham valor econômico; 
 
II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; 
 
III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. 
 
Obs.: os navios e as aeronaves são bens móveis especiais, uma vez que, por exceção, admitem hipoteca e 
têm registro peculiar. 
 
Art. 84 – CC. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua 
qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes de demolição de algum prédio. Porém, se o 
material for retirado para reforma para ser, após, recolocado, não perde sua característica de imóvel. 
 
3 - Bem principal: é o que existe por si mesmo. 
 
4- Bem acessório: é aquele cuja existência pressupõe a do principal, acompanhando-o, em regra, segundo o 
princípio da gravitação jurídica. Ex: frutos, produtos, pertenças e benfeitorias. 
 
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Fruto é uma utilidade renovável, cuja percepção não esgota a substância da coisa principal. (laranja, cacau). 
É um acessório que, ao ser retirado do principal, não lhe diminui. 
 
Produto é uma utilidade que não se renova e cuja percepção esgota a coisa principal. (petróleo, carvão 
mineral). É um acessório que, retirado do bem principal, lhe diminui. 
 
Pertença trata-se da coisa que, sem integrar a coisa principal, acopla-se ou justapõe-se a ela, conservando a 
sua autonomia (art. 93 do CC). (ar condicionado). É um acessório que, ao ser colocado no principal, não se 
incorpora de forma definitiva. 
 
Benfeitoria é toda obra realizada pelo homem, na estrutura de uma coisa com propósito de conservá-la, 
melhorá-la ou embelezá-la (art. 96 e 97 do CC). Não existe benfeitoria natural, sendo todas com propósito 
humano. Trata-se do acessório que, ao ser colocado no principal, a ele se incorpora de forma definitiva. 
 
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QUESTÕES – AULA 1 
 
1. (XXXIV Exame) Júlia, 22 anos, com espectro autista, tem, em razão de sua deficiência, impedimento de 
longo prazo de natureza mental que pode, em algumas atividades cotidianas, obstruir sua participação plena e 
efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Júlia, apaixona-se por Rodrigo, 19 
anos, também com espectro autista, com quem quer se casar. Mas Rita, mãe de Júlia, temendo que Júlia não 
tenha o discernimento adequado para tomar as decisões certas em sua vida, e no intuito de proteger o melhor 
interesse de sua filha, impede o casamento. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Júlia é relativamente incapaz e, assim o sendo, precisará de anuência de sua mãe, Rita, para celebrar o ato, 
em prol da proteção de sua dignidade. 
B) A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa para casar-se, de modo que Rita não poderá 
impedir o casamento de Júlia. 
C) Júlia é plenamente capaz em razão de sua idade, mas, em razão da deficiência que a acomete, deverá 
confirmar sua vontade com o curador que deverá ser instituído. 
D) Rita, ainda que esteja atuando no melhor interesse de Júlia, na qualidade de mãe, não pode impedir o 
casamento podendo, contudo, impor à Júlia, sua curatela. 
 
2. (XXXV Exame) Maurício, ator, 23 anos, e Fernanda, atriz, 25 anos, diagnosticados com Síndrome de 
Down, não curatelados, namoram há 3 anos. Em 2019, enquanto procuravam uma atividade laborativa em 
sua área, tanto Maurício quanto Fernanda buscaram, em processos diferentes, a fixação de tomada de decisão 
apoiada para o auxílio nas decisões relativas à celebração de diversas espécies de contratos, a qual se 
processou seguindo todos os trâmites adequados deferidos pelo Poder Judiciário. Assim, os pais de Maurício 
tornaram-se seus apoiadores e os pais de Fernanda, os apoiadores dela. Em 2021, Fernanda e Maurício 
assinaram contratos com uma emissora de TV, também assinados por seus respectivos apoiadores. Como 
precisarão morar próximo à emissora, o casal terá de mudar-se de sua cidade e, por isso, está buscando 
alugar um apartamento. Nesta conjuntura, Maurício e Fernanda conheceram Miguel, proprietário do imóvel 
que o casal pretende locar. Sobre a situação apresentada, conforme a legislação brasileira, assinale a 
afirmativa correta. 
 
A) Maurício e Fernanda são incapazes em razão do diagnóstico de Síndrome de Down. 
B) Maurício e Fernada são capazes por serem pessoas com deficiência apoiadas, ou seja, caso não fossem 
apoiados, seriam incapazes. 
C) Maurício e Fernanda são capazes, independentemente do apoio, mas Miguel poderá exigir que os 
apoiadores contra-assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado. 
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D) Miguel, em razão da capacidade civil de Maurício e de Fernanda, fica proibido de exigir que os 
apoiadores de ambos contraassinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado. 
 
3. (XXXI EXAME) Márcia, adolescente com 17 anos de idade, sempre demonstrou uma maturidade muito 
superior à sua faixa etária. Seu maior objetivo profissional é o de tornar-se professora de História e, por isso, 
decidiu criar um canal em uma plataforma on-line, na qual publica vídeos com aulas por ela própria 
elaboradas sobre conteúdos históricos. O canal tornou-se um sucesso, atraindo multidões de jovens 
seguidores e despertando o interesse de vários patrocinadores, que começaram a procurar a jovem, propondo 
contratos de publicidade. Embora ainda não tenha obtido nenhum lucro com o canal, Márcia está animada 
com a perspectiva de conseguircustear seus estudos na Faculdade de História se conseguir firmar alguns 
desses contratos. Para facilitar as atividades da jovem, seus pais decidiram emancipá- la, o que permitirá que 
celebre negócios com futuros patrocinadores com mais agilidade. Sobre o ato de emancipação de Márcia por 
seus pais, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Depende de homologação judicial, tendo em vista o alto grau de exposição que a adolescente tem na 
internet. 
B) Não tem requisitos formais específicos, podendo ser concedida por instrumento particular. 
C) Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas 
Naturais. 
D) É nulo, pois ela apenas poderia ser emancipada caso já contasse com economia própria, o que ainda não 
aconteceu. 
 
4. (XXX EXAME) Alberto, adolescente, obteve autorização de seus pais para casar-se aos dezesseis anos de 
idade com sua namorada Gabriela. O casal viveu feliz nos primeiros meses de casamento, mas, após certo 
tempo de convivência, começaram a ter constantes desavenças. Assim, a despeito dos esforços de ambos 
para que o relacionamento progredisse, os dois se divorciaram pouco mais de um ano após o casamento. 
Muito frustrado, Alberto decidiu reunir algumas economias e adquiriu um pacote turístico para viajar pelo 
mundo e tentar esquecer o ocorrido. Considerando que Alberto tinha dezessete anos quando celebrou o 
contrato com a agência de turismo e que o fez sem qualquer participação de seus pais, o contrato é 
 
A) válido, pois Alberto é plenamente capaz. 
B) nulo, pois Alberto é absolutamente incapaz. 
C) anulável, pois Alberto é relativamente incapaz. 
D) ineficaz, pois Alberto não pediu a anuência de Gabriela 
 
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5. (X EXAME) Gustavo completou 17 anos de idade em janeiro de 2010. Em março de 2010 colou grau em 
curso de ensino médio. Em julho de 2010 contraiu matrimônio com Beatriz. Em setembro de 2010, foi 
aprovado em concurso público e iniciou o exercício de emprego público efetivo. Por fim, em novembro de 
2010, estabeleceu-se no comércio, abrindo um restaurante. Assinale a alternativa que indica o momento em 
que se deu a cessação da incapacidade civil de Gustavo. 
 
A) No momento em que iniciou o exercício de emprego público efetivo. 
B) No momento em que colou grau em curso de ensino médio. 
C) No momento em que contraiu matrimônio. 
D) No momento em que se estabeleceu no comércio, abrindo um restaurante. 
 
6. (XII EXAME) Tiago, com 17 anos de idade e relativamente incapaz, sob autoridade de seus pais Mário e 
Fabiana, recebeu, por doação de seu tio, um imóvel localizado na rua Sete de Setembro, com dois 
pavimentos, contendo três lojas comerciais no primeiro piso e dois apartamentos no segundo piso. Tiago 
trabalha como cantor nos finais de semana, tendo uma renda mensal de R$ 3.000,00 (três mil reais). Face aos 
fatos narrados e considerando as regras de Direito Civil, assinale a opção correta. 
 
A) Mário e Fabiana exercem sobre os bens imóveis de Tiago o direito de usufruto convencional, inerente à 
relação de parentesco que perdurará até a maioridade civil ou emancipação de Tiago. 
B) Mário e Fabiana poderão alienar ou onerar o bem imóvel de Tiago, desde que haja prévia autorização do 
Ministério Público e seja demonstrado o evidente interesse da prole. 
C) Mário e Fabiana não poderão administrar os valores auferidos por Tiago no exercício de atividade de 
cantor, bem como os bens com tais recursos adquiridos. 
D) Mario e Fabiana, entrando em colisão de interesses com Tiago sobre a administração dos bens, facultam 
ao juiz, de ofício, nomear curador especial. 
 
7. (XVI EXAME) Os tutores de José consideram que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento 
necessários para praticar os atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua emancipação. 
Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido: 
 
A) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as condições do 
tutelado. 
B) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação judicial. 
C) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário procedimento 
judicial. 
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D) José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de pessoas naturais. 
 
8. VI EXAME) Francis, brasileira, empresária, ao se deslocar do Rio de Janeiro para São Paulo em seu 
helicóptero particular, sofreu terrível acidente que culminou com a queda do aparelho em alto-mar. Após 
sucessivas e exaustivas buscas, feitas pelas autoridades e por empresas privadas contratadas pela família da 
vítima, infelizmente não foram encontrados os corpos de Francis e de Adilson, piloto da aeronave. Tendo 
sido esgotados os procedimentos de buscas e averiguações, de acordo com os artigos do Código Civil que 
regulam a situação supramencionada, é correto afirmar que o assento de óbito em registro público 
 
A) Independe de qualquer medida administrativa ou judicial, desde que seja constatada a notória 
probabilidade de morte de pessoa que estava em perigo de vida. 
B) Depende exclusivamente de procedimento administrativo quanto à morte presumida junto ao Registro 
Civil das Pessoas Naturais. 
C) Depende de prévia ação declaratória judicial quanto à morte presumida, sem necessidade de decretação 
judicial de ausência. 
D) Depende de prévia declaração judicial de ausência, por se tratar de desaparecimento de uma pessoa sem 
dela haver notícia. 
 
9. (XX – EXAME) Cristiano, piloto comercial, está casado com Rebeca. Em um dia de forte neblina, ele não 
consegue controlar o avião que pilotava e a aeronave, com 200 pessoas a bordo, desaparece dos radares da 
torre de controle pouco antes do tempo previsto para a sua aterrissagem. Depois de vários dias de busca, 
apenas 10 passageiros foram resgatados, todos em estado crítico. Findas as buscas, como Cristiano não 
estava no rol de sobreviventes e seu corpo não fora encontrado, Rebeca decide procurar um advogado para 
saber como deverá proceder a partir de agora. Com base no relato apresentado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A esposa deverá ingressar com uma demanda judicial pedindo a decretação de ausência de Cristiano, a 
fim de que o juiz, em um momento posterior do processo, possa declarar a sua morte presumida. 
B) A esposa não poderá requerer a declaração de morte presumida de Cristiano, uma vez que apenas o 
Ministério Público detém legitimidade para tal pedido. 
C) A declaração da morte presumida de Cristiano poderá ser requerida independentemente de prévia 
decretação de ausência, uma vez que esgotadas as buscas e averiguações por parte das autoridades 
competentes. 
D) A sentença que declarar a morte presumida de Cristiano não deverá fixar a data provável de seu 
falecimento, contando-se, como data da morte, a data da publicação da sentença no meio oficial. 
 
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10. (VII EXAME) A proteção da pessoa é uma tendência marcante do atual direito privado, o que leva 
alguns autores a conceberem a existência de uma verdadeira cláusula geral de tutelada personalidade. Nesse 
sentido, uma das mudanças mais celebradas do novo Código Civil foi a introdução de um capítulo próprio 
sobre os chamados direitos da personalidade. Em relação à disciplina legal dos direitos da personalidade no 
Código Civil, é correto afirmar que 
 
A) Havendo lesão a direito da personalidade, em se tratando de morto, não é mais possível que se reclamem 
perdas e danos, visto que a morte põe fim à existência da pessoa natural, e os direitos personalíssimos são 
intransmissíveis. 
B) Como regra geral, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, mas o seu exercício 
poderá sofrer irrestrita limitação voluntária. 
C) É permitida a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, com objetivo altruístico ou 
científico, para depois da morte, sendo que tal ato de disposição poderá ser revogado a qualquer tempo. 
D) Em razão de sua maior visibilidade social, a proteção dos direitos da personalidade das celebridades e das 
chamadas pessoas públicas é mais flexível, sendo permitido utilizar o seu nome para finalidade comercial, 
ainda que sem prévia autorização. 
 
11. (XII EXAME) João Marcos, renomado escritor, adota, em suas publicações literárias, o pseudônimo 
Hilton Carrillo, pelo qual é nacionalmente conhecido. Vítor, editor da Revista “Z”, empregou o pseudônimo 
Hilton Carrillo em vários artigos publicados nesse periódico, de sorte a expô-lo ao ridículo e ao desprezo 
público. Em face dessas considerações, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A legislação civil, com o intuito de evitar o anonimato, não protege o pseudônimo e, em razão disso, não 
há de se cogitar em ofensa a direito da personalidade, no caso em exame. 
B) A Revista “Z”pode utilizar o referido pseudônimo em uma propaganda comercial, associado a um 
pequeno trecho da obra do referido escritor sem expô-lo ao ridículo ou ao desprezo público, independente da 
sua autorização. 
C) O uso indevido do pseudônimo sujeita quem comete o abuso às sanções legais pertinentes, como 
interrupção de sua utilização e perdas e danos. 
D) O pseudônimo da pessoa pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a 
exponham ao desprezo público, quando não há intenção difamatória. 
 
12. (XXVII Exame) Ao visitar a página de Internet de uma rede social, Samuel deparou-se com uma 
publicação, feita por Rafael, que dirigia uma série de ofensas graves contra ele. Imediatamente, Samuel 
entrou em contato com o provedor de aplicações responsável pela rede social, solicitando que o conteúdo 
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fosse retirado, mas o provedor quedou-se inerte por três meses, sequer respondendo ao pedido. Decorrido 
esse tempo, o próprio Rafael optou por retirar, espontaneamente, a publicação. Samuel decidiu, então, ajuizar 
ação indenizatória por danos morais em face de Rafael e do provedor. Sobre a hipótese narrada, de acordo 
com a legislação civil brasileira, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Rafael e o provedor podem ser responsabilizados solidariamente pelos danos causados a Samuel enquanto 
o conteúdo não foi retirado. 
B) O provedor não poderá ser obrigado a indenizar Samuel quanto ao fato de não ter retirado o conteúdo, 
tendo em vista não ter havido determinação judicial para que realizasse a retirada. 
C) Rafael não responderá pelo dever de indenizar, pois a difusão do conteúdo lesivo se deu por fato 
exclusivo de terceiro, isto é, do provedor. 
D) Rafael não responderá pelo dever de indenizar, pois o fato de Samuel não ter solicitado diretamente a ele 
a retirada da publicação configura fato exclusivo da vítima. 
 
13. (XXIX Exame) Gumercindo, 77 anos de idade, vinha sofrendo os efeitos do Mal de Alzheimer, que, 
embora não atingissem sua saúde física, perturbavam sua memória. Durante uma distração de seu 
enfermeiro, conseguiu evadir-se da casa em que residia. A despeito dos esforços de seus familiares, ele 
nunca foi encontrado, e já se passaram nove anos do seu desaparecimento. Agora, seus parentes lidam com 
as dificuldades relativas à administração e disposição do seu patrimônio. Assinale a opção que indica o que 
os parentes devem fazer para receberem a propriedade dos bens de Gumercindo. 
 
A) Somente com a localização do corpo de Gumercindo será possível a decretação de sua morte e a 
transferência da propriedade dos bens para os herdeiros. 
B) Eles devem requerer a declaração de ausência, com nomeação de curador dos bens, e, após um ano, a 
sucessão provisória; a sucessão definitiva, com transferência da propriedade dos bens, só poderá ocorrer 
depois de dez anos de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória. 
C) Eles devem requerer a sucessão definitiva do ausente, pois ele já teria mais de oitenta anos de idade, e as 
últimas notícias dele datam de mais de cinco anos. 
D) Eles devem requerer que seja declarada a morte presumida, sem decretação de ausência, por ele se 
encontrar desaparecido há mais de dois anos, abrindose, assim, a sucessão. 
 
14. (IV EXAME) Rodolfo, brasileiro, engenheiro, solteiro, sem ascendentes ou descendentes, desapareceu 
de seu domicílio há 11 (onze) meses e até então não houve qualquer notícia sobre seu paradeiro. Embora 
tenha desaparecido, deixou Lisa, uma amiga, como mandatária para a finalidade de administrar-lhe os bens. 
Todavia, por motivos de ordem pessoal, Lisa não quis exercer os poderes outorgados por Rodolfo em seu 
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favor, renunciando expressamente ao mandato. De acordo com os dispositivos que regem o instituto da 
ausência, assinale a alternativa correta. 
 
A) O juiz não poderá declarar a ausência e nomear curador para Rodolfo, pois Lisa não poderia ter 
renunciado o mandato outorgado em seu favor, já que só estaria autorizada a fazê-lo em caso de justificada 
impossibilidade ou de constatada insuficiência de poderes. 
B) A renúncia ao mandato, por parte de Lisa, era possível e, neste caso, o juiz determinará ao Ministério 
Público que nomeie um curador encarregado de gerir os bens do ausente, observando, no que for aplicável, o 
disposto a respeito dos tutores e curadores. 
C) Os credores de obrigações vencidas e não pagas de Rodolfo, decorrido 1 (um) ano da arrecadação dos 
bens do ausente, poderão requerer que se determine a abertura de sua sucessão provisória. 
D) Poderá ser declarada a sucessão definitiva de Rodolfo 10 (dez) anos depois de passada em julgado a 
sentença que concedeu a sucessão provisória, mas, se nenhum interessado promover a sucessão definitiva, 
nesse prazo, os bens porventura arrecadados deverão ser doados a entidades filantrópicas localizadas no 
município do último domicílio de Rodolfo. 
 
15. (XII EXAME) José, brasileiro, casado no regime da separação absoluta de bens, professor universitário e 
plenamente capaz para os atos da vida civil, desapareceu de seu domicílio, estando em local incerto e não 
sabido, não havendo indícios ou notícias das razões de seu desaparecimento, não existindo, também, outorga 
de poderes a nenhum mandatário, nem feitura de testamento. Vera (esposa) e Cássia (filha de José e Vera, 
maior e capaz) pretendem a declaração de sua morte presumida, ajuizando ação pertinente, diante do juízo 
competente. De acordo com as regras concernentes ao instituto jurídico da morte presumida com declaração 
de ausência, assinale a opção correta. 
 
A) Na fase de curadoria dos bens do ausente, diante da ausência derepresentante ou mandatário, o juiz 
nomeará como sua curadora legítima Cássia, pois apenas na falta de descendentes, tal curadoria caberá ao 
cônjuge supérstite, casado no regime da separação absoluta de bens. 
B) Na fase de sucessão provisória, mesmo que comprovada a qualidade de herdeiras de Vera e Cássia, estas, 
para se imitirem na posse dos bens do ausente, terão que dar garantias da restituição deles, mediante 
penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. 
C) Na fase de sucessão definitiva, regressando José dentro dos dez anos seguintes à abertura da sucessão 
definitiva, terá ele direito aos bens ainda existentes, no estado em que se encontrarem, mas não aos bens que 
foram comprados com a venda dos bens que lhe pertenciam. 
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D) Quanto ao casamento de José e Vera, o Código Civil atual reconhece efeitos pessoais e não apenas 
patrimoniais ao instituto da ausência, possibilitando que a sociedade conjugal seja dissolvida como 
decorrência da morte presumida do ausente. 
 
16. (XIV EXAME OAB) Raul, cidadão brasileiro, no meio de uma semana comum, desaparece sem deixar 
qualquer notícia para sua ex-esposa e filhos, sem deixar cartas ou qualquer indicação sobre seu paradeiro. 
Raul, que sempre fora um trabalhador exemplar, acumulara em seus anos de labor um patrimônio relevante. 
Como Raul morava sozinho, já que seus filhos tinham suas próprias famílias e ele havia se separado de sua 
esposa 4 (quatro) anos antes, somente após uma semana seus parentes e amigos deram por sua falta e 
passaram a se preocupar com o seu desaparecimento. Sobre a situação apresentada, assinale a opção correta. 
 
A) Para ser decretada a ausência, é necessário que a pessoa tenha desaparecido há mais de 10 (dez) dias. 
Como faz apenas uma semana que Raul desapareceu, não pode ser declarada sua ausência, com a 
consequente nomeação de curador. 
B) Em sendo declarada a ausência, o curador a ser nomeado será a ex-esposa de Raul. 
C) A abertura da sucessão provisória somente se dará ultrapassados três anos da arrecadação dos bens de 
Raul. 
D) Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e amigos já não soubessem dele há 8 (oito) 
anos, poderia ser feita de forma direta a abertura da sucessão definitiva. 
 
17. (VI EXAME) Roberto, por meio de testamento, realiza dotação especial de bens livres para a finalidade 
de constituir uma fundação com a finalidade de promover assistência a idosos no Município do Rio de 
Janeiro. Todavia, os bens destinados foram insuficientes para constituir a fundação pretendida pelo 
instituidor. Em razão de Roberto nada ter disposto sobre o que fazer nessa hipótese, é correto afirmar que 
 
A) Os bens dotados deverão ser convertidos em títulos da dívida pública até que, aumentados com os 
rendimentos, consigam perfazer a finalidade pretendida. 
B) Os bens destinados à fundação serão, nesse caso, incorporados em outra fundação que se proponha a fim 
igual ou semelhante. 
C) A Defensoria Pública do estado respectivo, responsável por velar pelas fundações, destinará os bens 
dotados para o fundo assistencial mantido pelo Estado para defesa dos hipossuficientes. 
D) Os bens serão arrecadados e passarão ao domínio do Município, se localizados na respectiva 
circunscrição. 
 
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18. (XV EXAME) Paulo foi casado, por muitos anos, no regime da comunhão parcial com Luana, até que 
um desentendimento deu início a um divórcio litigioso. Temendo que Luana exigisse judicialmente metade 
do seu vasto patrimônio, Paulo começou a comprar bens com capital próprio em nome de sociedade da qual 
é sócio e passou os demais também para o nome da sociedade, restando, em seu nome, apenas a casa em que 
morava com ela. Acerca do assunto, marque a opção correta. 
 
A) A atitude de Paulo encontra respaldo na legislação, pois a lei faculta a todo cidadão defender sua 
propriedade, em especial de terceiros de má-fé. 
B) É permitido ao juiz afastar os efeitos da personificação da sociedade nos casos de desvio de finalidade ou 
confusão patrimonial, mas não o contrário, de modo que não há nada que Luana possa fazer para retomar os 
bens comunicáveis. 
C) Sabendo-se que a “teoria da desconsideração da personalidade jurídica” encontra aplicação em outros 
ramos do direito e da legislação, é correto afirmar que os parâmetros adotados pelo Código Civil constituem 
a Teoria Menor, que exige menos requisitos. 
D) No caso de confusão patrimonial, gerado pela compra de bens com patrimônio particular em nome da 
sociedade, é possível atingir o patrimônio da sociedade, ao que se dá o nome de "desconsideração inversa ou 
invertida", de modo a se desconsiderar o negócio jurídico, havendo esses bens como matrimoniais e 
comunicáveis. 
 
19. (XXXV Exame) Paulo é pai de Olívia, que tem três anos. Paulo é separado de Letícia, mãe de Olívia, e 
não detém a guarda da criança. Por sentença judicial, ficou fixado o valor de R$3.000,00 a título de pensão 
alimentícia em favor de Olívia. Paulo deixou de pagar a pensão alimentícia nos últimos cinco meses e, 
ajuizada uma ação de execução contra ele, não foi possível encontrar patrimônio suficiente para fazer frente 
às obrigações inadimplidas. Entretanto, Paulo é também sócio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias 
Ltda., sociedade que tem patrimônio considerável. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Tendo em vista a absoluta autonomia da pessoa jurídica em relação aos seus sócios, não é possível, em 
nenhuma hipótese, que, na ação de execução, Olívia atinja o patrimônio da pessoa jurídica Paulo Compra e 
Venda de Joias Ltda. 
B) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de se atingir o patrimônio da 
sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., independentemente de restar configurada a situação de 
abuso da personalidade jurídica. 
C) Ainda que se comprove o abuso da personalidade jurídica, a legislação apenas reconhece a hipótese de 
desconsideração direta da personalidade jurídica, não se admitindo a desconsideração inversa, razão pela 
qual não é possível que Olívia atinja o patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda. 
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D) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de que Olívia atinja o patrimônio da 
sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., caso se considere que Paulo praticou desvio de finalidade 
ou confusão patrimonial. 
 
20. (XXXIII Exame) Bruna visitou a mansão neoclássica que André herdara de seu tio e cuja venda estava 
anunciando. Bruna ficou fascinada com a sala principal, decorada com um piano do século XIX e dois 
quadros do conhecido pintor Monet, e com os banheiros, ornados com torneiras desenhadas pelos melhores 
profissionais da época. Diante disso, decidiu comprá-la. Na ausência de acordo específico entre Bruna e 
André, por ocasião da transferência da propriedade, Bruna receberá 
 
A) a mansão com os quadros, o piano e as torneiras, pois todos esses bens são classificados como 
benfeitorias, que seguem o destino do bem principal vendido. 
B) apenas a mansão, eis que o princípio da gravitação jurídica não é aplicável aos demaisbens citados no 
caso. 
C) a mansão juntamente com as torneiras dos banheiros, consideradas partes integrantes, mas não os quadros 
e o piano, considerados pertenças. 
D) a mansão e os quadros, pois, sendo considerados pertenças, impõe-se a regra de que o acessório deve 
seguir o destino do principal, mas o piano e as torneiras poderão ser removidos por André antes da 
transferência. 
 
21. (X EXAME) Os vitrais do Mercado Municipal de São de Paulo, durante a reforma feita em 2004, foram 
retirados para limpeza e restauração da pintura. Considerando a hipótese e as regras sobre bens jurídicos, 
assinale a afirmativa correta. 
 
A) Os vitrais, enquanto separados do prédio do Mercado Municipal durante as obras, são classificados como 
bens móveis. 
B) Os vitrais retirados na qualidade de material de demolição, considerando que o Mercado Municipal 
resolva descartar se deles, serão considerados bens móveis. 
C) Os vitrais do Mercado Municipal, considerando que foram feitos por grandes artistas europeus, são 
classificados como bens fungíveis. 
D) Os vitrais retirados para restauração, por sua natureza, são classificados como bens móveis. 
 
22. (XIX EXAME) Júlia, casada com José sob o regime da comunhão universal de bens e mãe de dois filhos, 
Ana e João, fez testamento no qual destinava metade da parte disponível de seus bens à constituição de uma 
fundação de amparo a mulheres vítimas de violência obstétrica. Aberta a sucessão, verificou-se que os bens 
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destinados à constituição da fundação eram insuficientes para cumprir a finalidade pretendida por Júlia, que, 
por sua vez, nada estipulou em seu testamento caso se apresentasse a hipótese de insuficiência de bens. 
Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A disposição testamentária será nula e os bens serão distribuídos integralmente entre Ana e João. 
B) O testamento será nulo e os bens serão integralmente divididos entre José, Ana e João. 
C) Os bens de Júlia serão incorporados à outra fundação que tenha propósito igual ou semelhante ao amparo 
de mulheres vítimas de violência obstétrica. 
D) Os bens destinados serão incorporados à outra fundação determinada pelos herdeiros necessários de Júlia, 
após a aprovação do Ministério Público. 
 
23. (XXII EXAME) Ricardo realizou diversas obras no imóvel que Cláudia lhe emprestou: reparou um 
vazamento existente na cozinha; levantou uma divisória na área de serviço para formar um novo cômodo, 
destinado a servir de despensa; ampliou o número de tomadas disponíveis; e trocou o portão manual da 
garagem por um eletrônico. Quando Cláudia pediu o imóvel de volta, Ricardo exigiu o ressarcimento por 
todas as benfeitorias realizadas, embora sequer a tenha consultado previamente sobre as obras. Somente 
pode-se considerar benfeitoria necessária, a justificar o direito ao ressarcimento, 
 
A) O reparo do vazamento na cozinha. 
B) A formação de novo cômodo, destinado a servir de despensa, pelo levantamento de divisória na área de 
serviço. 
C) A ampliação do número de tomadas. 
D) A troca do portão manual da garagem por um eletrônico. 
 
24. (XX Exame – Salvador) Pedro, em dezembro de 2011, aos 16 anos, se formou no ensino médio. Em 
agosto de 2012, ainda com 16 anos, começou estágio voluntário em uma companhia local. Em janeiro de 
2013, já com 17 anos, foi morar com sua namorada. Em julho de 2013, ainda com 17 anos, após ter sido 
aprovado e nomeado em um concurso público, Pedro entrou em exercício no respectivo emprego público. 
Tendo por base o disposto no Código Civil, assinale a opção que indica a data em que cessou a incapacidade 
de Pedro. 
 
a) Dezembro de 2011. 
b) Agosto de 2012. 
c) Janeiro de 2013. 
d) Julho de 2013. 
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25. (FGV – 2022 – TJ/PE – Juiz Substituto) Lauro comprou um carro usado de seu vizinho para Marcos, seu 
filho que acabara de completar 18 anos. Ficou satisfeito com o modelo que escolheu, pois além de ser um 
carro versátil para um jovem, viu que possuía um rastreador, que pensou ser relevante para questões de 
segurança. Celebrado o negócio jurídico, Lauro ficou surpreso quando o carro foi entregue sem o rastreador 
e, ao questionar o vendedor, ele o informou que a aquisição desse item não foi convencionada. O vendedor 
não estava obrigado a entregar o rastreador, porque ele é considerado: 
 
a) bem imóvel por acessão intelectual; 
b) produto; 
c) benfeitoria; 
d) pertença; 
 
26. (FGV – 2022 – TJ/SC – Juiz Substituto) Tício decidiu modernizar sua fazenda. Seus planos consistem 
em: instalar energia elétrica; empenhar um relógio de família para obter um empréstimo; demolir o antigo 
celeiro, não mais utilizado, e doar aos empregados os materiais resultantes da demolição, que não serão 
reutilizados; e contratar uma equipe especializada para retirar os vitrais da capela construída há dois meses 
para limpeza e, posteriormente, os recolocar. Para passar as informações à sua advogada para providenciar as 
contratações, quer determinar a natureza jurídica de tais bens. Assim, no que concerne aos bens considerados 
em si mesmos, com relação à classificação quanto à mobilidade, a energia elétrica, o penhor, os materiais 
resultantes da demolição do antigo celeiro e os vitrais da capela são, respectivamente: 
 
a) bem móvel, bem imóvel, bem móvel e bem móvel; 
b) bem móvel, bem móvel, bem móvel e bem imóvel. 
c) bem imóvel, bem imóvel, bem móvel e bem móvel; 
d) bem imóvel, bem móvel, bem imóvel e bem imóvel; 
 
27) (FGV – 2022 – MP/BA – Estagiário) Araújo ficou admirado com o caminhão de um colega e fez uma 
proposta para comprá-lo, que foi prontamente aceita pelo vendedor. Ocorre que, quando o veículo foi 
entregue, não estava mais com o equipamento de monitoramento eletrônico por GPS, que, quando 
examinado por Araújo, estava encaixado no painel. Como eles não tinham combinado nada sobre o 
equipamento, o vendedor o retirou antes de fazer a entrega do bem. O vendedor agiu: 
 
a) corretamente, pois o equipamento é uma pertença; 
b) corretamente, pois o equipamento é um fruto; 
c) equivocadamente, pois o equipamento é uma parte integrante; 
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d) equivocadamente, pois o equipamento é um acessório. 
 
28. (FGV – 2021) Jane dá aula de inglês para três estudantes: Cristiano, 16 anos, emancipado 
voluntariamente por seus pais; Haroldo, 17 anos, universitário; e Andressa, 19 anos, parcialmente interditada 
e sob curatela porque dilapidava descontroladamente todo o seu patrimônio. De acordo com o Código Civil, 
entre os estudantes, são relativamente incapazes: 
 
a) Cristiano, Haroldo e Andressa; 
b) Haroldo e Andressa; 
c) Cristiano e Haroldo; 
d) Cristiano e Andressa; 
 
29. (FGV – 2021) Arnaldo saiu de casa em 2004 e desde então não houve mais notícias dele. Em 2005, seus 
filhos pleitearam a declaração de sua ausência, que foi deferida no mesmo ano, com a arrecadação dos bens 
de Arnaldo e a nomeação de um dos filhos como curador. Em 2006, a pedido do curador, foi aberta a 
sucessão provisória de Arnaldo, e os filhos foram imitidos na posse dos bens. Em 2017, a requerimento dos 
filhos, a sucessão provisória foi convertida em definitiva.O advogado dos filhos, contudo, os alertou que, 
reaparecendo Arnaldo até 2027, poderia exigir de volta os bens, no estado em que se encontrarem. Arnaldo 
presume-se morto desde: 
 
a) 2005; 
b) 2006; 
c) 2017; 
d) 2027. 
 
30. (FGV – 2021) Ricardo, 16 anos completos, recebeu autorização dos pais para se casar civilmente, o que 
ocorreu dois meses após a autorização. Juliana tem 17 anos completos e é contratada pela Companhia de 
Papéis Brasileira e, com seu salário, já possui economia própria. Estevão tem 17 anos completos e estuda 
medicina. De acordo com as informações prestadas, são considerados emancipados apenas: 
 
a) Juliana; 
b) Juliana e Estevão; 
c) Ricardo e Estevão; 
d) Ricardo e Juliana; 
 
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31. (FGV – 2021) Vanessa, 28 anos e seu marido Roberto, 29 anos, ambos portadores de síndrome de Down, 
não curatelados, casaram-se em 2019, e sempre desejaram ter filhos biológicos. Depois de algumas tentativas 
frustradas, buscaram a opinião de um médico que diagnosticou a esterilidade de Vanessa. Contudo, no início 
de 2021 receberam uma notícia animadora: a rede pública de hospitais do Estado do Ceará passou a oferecer 
tratamento de reprodução assistida, com cobertura pelo SUS. Assim, o casal marcou uma consulta e foi 
atendido por Ângelo, médico, que, após uma série de exames e atendimentos, conclui pela aptidão física de 
Vanessa para submeter-se ao referido procedimento. Neste sentido, resta uma dúvida para Ângelo: realizar, 
ou não, o tratamento, por ser leigo na área jurídica. Afinal, o direito brasileiro reconhece e admite o projeto 
parental de pessoas com deficiência? Segundo o Código Civil, 
 
a) Vanessa não poderá submeter-se ao tratamento de reprodução assistida, vez que é absolutamente incapaz. 
b) Vanessa, sendo relativamente incapaz, só poderá submeter-se ao tratamento caso um curador tome essa 
decisão por ela. 
c) Vanessa, sendo relativamente incapaz, necessitará da assistência de um curador para a emissão valide de 
vontade. 
d) Vanessa é capaz e caberá, somente a ela, decidir a respeito de sua submissão ao tratamento. 
 
32. (FGV – XXXVII Exame) A Associação Atlética de uma renomada instituição de ensino jurídico 
brasileira, que possui mais de seiscentos associados, publica edital em seu site e, também, nas redes sociais, 
de convocação para uma Assembleia Geral, a ser realizada por meio eletrônico, trinta dias após a publicação, 
tendo como pauta a aprovação das contas dos diretores relativas ao exercício financeiro anterior e a alteração 
do estatuto. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A convocação de Assembleia Geral feita pela Associação Atlética apresenta um vício formal que conduz 
à nulidade absoluta, haja vista a impossibilidade da realização de Assembleia Geral por meio eletrônico. 
B) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é possível juridicamente, desde que respeitada a 
participação e a manifestação dos associados, salvo para alteração estatutária, que deverá ser feita por 
reunião presencial, de modo que o edital da Associação Atlética é nulo, admitindo-se a conversão. 
C) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é válida, desde que garantida a participação e a 
manifestação dos associados, além do respeito às normas estatutárias, inclusive, para a finalidade de 
alteração dos estatutos. 
D) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é anulável, por falta de previsão legal, admitindo-
se, por conseguinte, a convalidação. 
 
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33. (FGV – XXXVIII Exame) Joana, conhecida durante toda a sua vida em sua cidade natal pelo prenome 
Giovanna, começa a enfrentar uma série de embaraços e constrangimentos ao ser chamada em órgãos 
públicos por seu prenome registral, constante de seus documentos de identificação civil. Diante disso, Joana, 
de 19 anos de idade, consulta você, como advogado (a), buscando descobrir a viabilidade jurídica de alterar o 
seu prenome e os eventuais requisitos jurídicos que deveriam ser observados caso seja possível a mudança. 
Sobre a pretensão de Joana, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Poderá alterar seu prenome para Giovanna, bastando realizar solicitação, por escrito e fundamentada, 
diante do oficial do Registro Civil, dependendo, no entanto, de sentença judicial. 
B) Não poderá alterar seu prenome para Giovanna, pois vigora no Direito Brasileiro o princípio da 
imutabilidade do nome. 
C) Poderá alterar seu prenome para Giovanna, mediante requerimento pessoal e imotivadamente, 
independentemente de decisão judicial. 
D) Não poderá alterar seu prenome registral, mas poderá incluir o nome Giovanna, por ser este apelido 
público e notório. 
 
34. (LX Exame) Antônio, locatário de um imóvel residencial, verificou uma enorme infiltração atrás dos 
armários da cozinha. Com a finalidade de evitar maior deterioração do imóvel, Antônio realizou a obra a fim 
de reparar o dano e conservar o bem. Aproveitando a presença do empreiteiro em sua casa, reformou todos 
os armários dos quartos, para incluir portas de espelho e puxadores em cobre com o único objetivo de deixá-
los mais sofisticados, pois os anteriores estavam em perfeito estado. Aproveitou também a oportunidade para 
incluir um grande aquário embutido na parede da sala. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa 
correta. 
 
A) Por não ser proprietário do bem, as obras realizadas por Antônio não podem ser consideradas como 
benfeitorias. 
B) As obras realizadas por Antônio são classificadas como benfeitorias úteis, pois facilitam o uso do bem. 
C) O reparo na cozinha é uma benfeitoria necessária, porque conserva e evita que a coisa se deteriore, e a 
reforma dos armários e do aquário são benfeitorias voluptuárias, pois trata-se de mero deleite. 
D) A reforma dos armários dos quartos e o aquário da sala valorizam o bem, sendo consideradas como 
benfeitorias úteis, diferente do reparo na cozinha que, por força da gravidade, classifica-se como benfeitoria 
necessária. 
 
GABARITO 
 
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1.B 2.C 3. C 4.A 5.C 6.C 7.A 8.C 9.C 10.C 11.C 12.B 13.C 
14.C 15.D 16.D 17.B 18.D 19.D 20.C 21.B 22.C 23.A 24.D 25.D 26.B 
27.A 28.B 29. C 30. D 31.D 32.C 33.C 34.C 
 
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AULA 2 
 
TEORIA GERAL DO NEGÓCIO JURÍDICO 
 
FATO JURÍDICO - em sentido amplo, é todo acontecimento, natural ou humano, apto a criar, modificar ou 
extinguir relações jurídicas. Ele se subdivide em: fato jurídico em sentido estrito e ato jurídico em sentido 
amplo. 
 
Classificação: 
 
1) Fato jurídico em sentido estrito: é todo acontecimento natural relevante para o direito. Ele pode ser: 
 
a) Ordinário: comum (nascimento, morte natural, decurso do tempo) 
b) Extraordinário: têm carga de imprevisibilidade ou inevitabilidade. (furacão, terremoto) 
 
2) Ato jurídico em sentido amplo: ato jurídico, espécie de fato jurídico em sentido amplo, é toda ação 
humana lícitaque deflagra efeitos na órbita jurídica. Ele se subdivide em: 
 
2.1) Ato jurídico em sentido estrito: também denominado de ato não negocial, traduz um simples 
comportamento humano voluntário e consciente cujos efeitos estão previamente determinados em lei (não se 
escolhe os efeitos). Este tipo de ato pode ser exemplificado nos meros atos materiais e nos de comunicação. 
Ex.: atos materiais – percepção de um fruto; especificação (adquire propriedade da obra resultante da 
transformação da matéria prima); fixação de domicílio. 
 
2.2) Ato-fato: embora o comportamento derive do homem e deflagre efeitos jurídicos, é desprovido de 
voluntariedade e consciência em direção ao resultado jurídico existente. Ex: compra de um doce por criança 
de 5 anos. 
 
2.3) Negócio jurídico: é, na sua essência, de estrutura mais complexa do que o ato em sentido estrito. Isso 
porque, no negócio temos uma declaração de vontade emitida, segundo o princípio da autonomia privada, 
pela qual o agente disciplina os efeitos jurídicos possíveis escolhidos segundo a sua própria liberdade 
negocial. Ex.: contrato, testamento (autonomia limitada por valores constitucionais). 
 
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* A diferença, portanto, entre ato jurídico em sentido estrito e negócio jurídico é a liberdade negocial, 
liberdade de se escolher os efeitos jurídicos. No ato jurídico em sentindo estrito, os efeitos são 
predeterminados em lei, não se tendo liberdade de escolher efeitos. Ex: adoção. 
 
*O que é reserva mental (alguns autores utilizam como reticência)? Ela se configura quando o agente emite 
declaração de vontade, resguardando o íntimo propósito de não cumprir o avençado. (art. 110). 
 
INTERPRETAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS 
 
Recente alteração ao artigo 113 apontou o norte da interpretação dos negócios jurídicos. O sentido desta 
interpretação estará na boa-fé, usos, costumes e práticas do mercado com relação ao tipo de negócio, ao 
comportamento das partes e racionalidade econômica. A interpretação será mais benéfica para quem não 
redigiu o negócio. 
 
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a 
boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. 
 
§ 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o 
sentido que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à 
celebração do negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas 
ao tipo de negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
III - corresponder à boa-fé; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se 
identificável; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre 
a questão discutida, inferida das demais disposições do negócio e da 
racionalidade econômica das partes, consideradas as informações 
disponíveis no momento de sua celebração. (Incluído pela Lei nº 
13.874, de 2019) 
 
§ 2º As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, 
de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos 
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diversas daquelas previstas em lei. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 
2019) 
 
ESCADA PONTEANA 
 
 
 
1. Plano de existência do negócio jurídico: é o plano substantivo, analisa-se sua substância, os 
pressupostos existenciais ou elementos constitutivos do negócio jurídico sem o quais ele é um nada. O 
legislador não o codificou, apenas codificou o plano de validade e de eficácia. Para que saibamos os 
elementos de existência, basta pegar a primeira palavra de cada inciso do artigo 104 do Código Civil, que 
traz os requisitos de existência. Lembre-se! É só a primeira palavra de cada inciso. Logo, temos como 
requisitos de existência: 
 
1.1. agente 
1.2. objeto 
1.3. forma 
1.4. vontade (este não está escrito, mas é o elemento mais importante de qualquer negócio jurídico. 
 
Na falta de um desses requisitos, o negócio é inexistente. 
 
2. Plano da Validade (Art. 104) – os pressupostos de validade traduzem requisitos de qualificação do 
negócio (são os adjetivos do art. 104 – capaz (I), lícito, possível, determinado ou determinável (II) e prescrita 
ou não defesa em lei (III). 
 
2.1 Manifestação de vontade livre e de boa-fé; 
2.2 Agente capaz e legitimado; 
2.3 Objeto lícito, possível, determinado ou determinável e 
2.4 Forma prescrita ou não defesa em lei. 
 
Na falta de um deles, o negócio é nulo (art. 166) ou anulável (art. 171 – ARI6). 
 
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No que tange à forma, o art. 107 do CC consagra o princípio da liberdade como regra geral, por exceção, 
todavia, a forma pode ser exigida. (arts. 227 e 108). 
 
3. Plano de eficácia - No terceiro plano (eficácia), podem ser encontrados os elementos acidentais que 
interferem na produção de efeitos. São eles: condição, termo e modo, também chamado de encargo, previstos 
nos artigos 121 a 137 do CC. 
 
DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO 
 
Os defeitos do negócio jurídico ferem os pressupostos de validade do negócio jurídico. Todos eles implicam 
a anulabilidade do negócio jurídico (art. 171, II), a qual pode ser requerida, mediante ação anulatória, no 
prazo decadencial de quatro anos (art. 178). 
 
1) ERRO - teoricamente, o erro traduz uma falsa percepção positiva da realidade, uma atuação comissiva 
equivocada, em prejuízo do declarante; a ignorância, por sua vez, é um estado de espírito negativo de 
desconhecimento. (arts. 138 e 139) 
 
- nos termos do Art. 144 CC, o erro não invalidará o negócio se houver recomposição da situação de perda. 
 
2) DOLO: o dolo nada mais é que o erro provocado. A teor do art. 145 CC, para anular o negócio, o dolo 
precisa ser principal (substancial, que ataca a causa do negócio jurídico). 
 
Obs.: Diferentemente, o dolo meramente acidental não prejudica a validade do negócio, impondo apenas a 
obrigação de pagar perdas e danos (Art. 146 CC). 
 
- dolo acidental é secundário, é o dolo em que havendo, não prejudica a realização do negócio. 
 
Obs.: O que se entende por dolo negativo? 
 
Consiste na quebra do principio da boa-fé, por descumprimento do dever anexo de informação, como se dá 
na omissão de informação essencial à celebração do negócio (Art. 147 CC). 
 
O que é dolo bilateral? 
 
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O Art. 150 CC estabelece que, em havendo dolo recíproco (bilateral), o negocio jurídico fica como está. Não 
é que tenha havido compensação de dolo, mas o direito deixa que as partes 
 
Dolo de terceiro. Art. 148 CC, o dolo de terceiro somente invalidará o negócio jurídico se o beneficiário 
soubesse ou tivesse como saber. Em caso contrário, se não soubesse e nem tivesse como saber, o negócio é 
mantido, respondendo apenas o terceiro por perdas e danos. 
 
3) COAÇÃO: a coação traduz violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico 
que a sua vontade interna não deseja efetuar. Art. 158 CC. A coação deve ser sempre analisada em concreto 
nos termos do Art. 152. Lembre-se do termo inicial do prazo para propositura de ação anulatória (art. 178, I). 
 
Não se pode confundir coação com a ameaça do exercício regular de um direito, nem com o simples temor 
referencial (Art. 153 CC), que é o respeito à autoridade instituída, seja familiar, profissional, militar, ou até 
mesmo eclesiástica. 
 
- Coação de terceiro Art. 154 e 155. 
 
Diferença entre coação de terceiro e dolo de terceiro: Na coação de terceiro, nos termos do art. 154, se o 
beneficiário soubesse ou tivesse como saber, o negócio seria anulado, respondendo este beneficiário, 
SOLIDARIAMENTE com o coator pelas perdas e danos. Essa previsão de solidariedade não existe no dolo 
de terceiro. Finalmente, se o beneficiário não souber nem tiver como saber, responderá apenas o coator pelas 
perdas e danos, mantendo-se o negócio jurídico. 
 
4) LESÃO: art. 157. Intimamente conectado ao abuso de poder econômico, o defeito da lesão, causa de 
invalidade do negócio jurídico, verifica-se na desproporção existente entre as prestações do negócio, em 
virtude do abuso, da necessidade ou inexperiência de uma das partes. 
 
A lesão caracteriza-se por manifesta desproporção entre as prestações do negócio, em virtude da necessidade 
ou inexperiência de uma das partes. 
 
Qual a diferença entre lesão e teoria da imprevisão? Tanto na lesão quanto na teoria da imprevisão há 
desequilíbrio entre as prestações. Porém, a lesão caracteriza-se por uma desproporção que nasce com o 
próprio negócio, justificando sua invalidade. Já na teoria da imprevisão, o negócio nasce válido e se 
desequilibra depois, em virtude de um acontecimento superveniente. Ademais, na teoria da imprevisão não 
se invalida nada, havendo apenas a revisão ou a resolução do negócio. 
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5) ESTADO DE PERIGO: trata-se de uma aplicação do estado de necessidade ao Direito Civil. Configura-
se o estado de perigo quando o agente, diante de situação de risco grave de dano conhecido pela outra parte, 
assume obrigação excessivamente onerosa (Art. 156 CC). 
 
Caso o negócio não seja revisado ou reequilibrado, o estado de perigo é causa de anulabilidade. Perfeita 
aplicação da teoria temos na injustificável cobrança de cheque-caução, ou exigência de termo contratual 
como condição para o atendimento hospitalar de emergência. 
 
6) FRAUDE CONTRA CREDORES - traduz a prática de um ato negocial que diminui o patrimônio do 
devedor em detrimento do direito de credor preexistente. 
 
Requisitos da fraude: 
 
a) Concilium Fraudis:é a má-fé presente na fraude. 
b) Eventus Damni: é o prejuízo ao credor preexistente. 
 
Hipóteses legais de fraude contra credores. 
 
a) Negócios de transmissão gratuita de bens (Art. 158); 
b) Perdão fraudulento de dívida – remissão fraudulenta (Art. 158); 
c) Negócios onerosos fraudulentos (Art. 159): além dos requisitos gerais da fraude, neste caso (negócio 
oneroso fraudulento), o credor precisará provar ou que a insolvência era notória, ou que haveria motivo para 
ser conhecida pela outra parte. – requisito específico. Ex.: parentesco próximo. 
d) Antecipação fraudulenta de pagamento (Art. 162); 
e) Outorga fraudulenta de garantia (Art. 163). 
 
Não se pode confundir fraude contra credores com fraude à execução. Esta última, mais grave, implica 
ineficácia total do ato fraudulento (art. 792, § 1º do CPC) por desrespeitar, inclusive, a administração da 
Justiça. Qualquer demanda contra o devedor serve para configurar fraude contra a execução, não 
necessariamente terá de ser uma execução. 
 
Ação Pauliana é a ação que o credor preexistente tem para impugnar a fraude contra credor. Trata-se de uma 
ação pessoal com prazo decadencial de 04 anos. 
 
 
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SIMULAÇÃO 
 
Na simulação, celebra-se um negócio que tem aparência normal, mas que não pretende atingir o efeito que 
juridicamente deveria produzir. No dolo, uma das partes é enganada. Na simulação, as duas partes têm 
consciência da fraude. Ela é causa de nulidade (sendo reconhecida por meio de ação declaratória, que, por 
sua natureza, não se sujeita à prazo prescricional ou decadencial). 
 
PLANO DE EFICÁCIA – ELEMENTOS ACIDENTAIS: 
 
1 Condição (Art.121 CC): trata-se de um elemento acidental, consistente em um acontecimento futuro 
e incerto que subordina a eficácia do negócio jurídico. Ela se caracteriza pela futuridade e pela incerteza. 
Fato passado não é condição, mesmo que desconhecido. Ex.: prometer dar metade do prêmio se tiver sido o 
ganhador da loteria que correu ontem. 
 
A incerteza da condição refere-se à ocorrência ou não do fato. Obs.: Caso exista certeza da ocorrência do 
fato, ainda que não se saiba o seu momento, condição não será. Por isso, em geral, a morte, por ser certa, não 
traduz condição. Excepcionalmente, caso haja período predeterminado de tempo dentro do qual a morte deva 
ocorrer, (Ex.: obrigo-me a dar a fazenda, se o meu tio morrer até o dia 15), em tal caso por conta da incerteza 
do fato, a morte é condição. 
 
a) Classificação da condição quanto ao modo de atuação (Arts. 125-127 CC): 
 
a.1) Suspensiva: é aquela que, enquanto não verificada, paralisa ou suspende o início da eficácia jurídica do 
negócio. É correto dizer que haverá pagamento indevido, caso o devedor o efetue antes do implemento da 
condição suspensiva. Isso porque, enquanto ainda não verificada a condição, não há direitos e obrigações 
recíprocos. 
 
a.2) Resolutiva: já a condição resolutiva traduz acontecimento futuro e incerto que, quando verificado, 
resolve a eficácia jurídica do negócio que vinha sendo produzida 
 
2 Termo: é um acontecimento futuro e certo que interfere na eficácia jurídica do negócio. Caracteriza-
se pela futuridade e pela certeza. Diferentemente da condição suspensiva, nos termos do art. 131, o termo 
suspende apenas o exercício, mas não os direitos e obrigações decorrentes do negócio. 
 
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3 Modo ou encargo: é um ônus que se atrela a uma liberalidade (arts. 136 e 137). Ex.: vai doar uma 
fazenda de 10.000.000,00 com o encargo de você construir uma capela na fazenda. 
 
Obs.: Regra geral, o encargo ilícito ou impossível é desconsiderado, mantendo-se o negócio puro. Mas se o 
encargo traduzir a própria finalidade do negócio, todo ele será invalidado. 
 
TEORIA DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO 
 
A invalidade é gênero do qualsão espécies a nulidade e a anulabilidade. Na análise da invalidade, deve-se 
respeitar, em primeiro plano, o princípio da conservação do negócio jurídico. Sempre que o juiz puder, na 
medida do possível, deve conservar o negócio inválido. Ex.: na redução do negócio jurídico (Art. 184 CC) o 
juiz afasta a cláusula inválida, mantendo o restante do negócio. 
 
1. Nulidade absoluta: está regulada nos Arts. 166 e 167 (simulação) CC: 
 
Características: 
 
a) A nulidade absoluta, por ser grave, poderá ser arguida por qualquer pessoa, pelo MP (quando tiver 
intervenção no processo), ou até mesmo ser reconhecida de ofício pelo juiz (art. 168). 
b) A nulidade absoluta não admite confirmação nem convalesce pelo decurso do tempo (art. 169 CC) 
c) nulidade absoluta é imprescritível. Obs.: Embora imprescritível o reconhecimento da nulidade 
absoluta, seus efeitos patrimoniais prescrevem. 
d) A sentença declaratória de nulidade absoluta produz efeitos ex tunc. 
 
2. Nulidade relativa ou anulabilidade: está prevista no art. 171 CC, bem como em outros dispositivos 
do CC. O Art. 496 do CC é exemplo de anulabilidade que não está prevista no Art. 171 
 
Características: 
 
a) O negócio anulável somente pode ser impugnado por quem tenha legítimo interesse jurídico, não 
podendo o juiz fazê-lo de ofício (art. 177). 
 
b) A anulabilidade deve ser impugnada dentro de prazos decadenciais declarados por lei (Arts.178 e 
179): 
 
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Obs.: Na forma do Art. 179 CC, toda vez que o legislador disser que é anulável, sem estabelecer prazo, este 
será de 02 (dois) anos (por isso, vimos a perda de eficácia da Súmula 494 do STF) 
 
c) Diferentemente do negócio nulo, o anulável, por ser menos grave, admite confirmação expressa ou 
tácita (arts. 172-174 CC). 
 
d) A sentença anulatória, por ser desconstitutiva, tem eficácia ex tunc (retroativa) - art. 182. 
 
Conversão do negócio jurídico inválido - art.170 CC. É uma forma de aproveitamento do negócio inválido. 
Trata-se de uma medida sanatória por meio da qual se aproveitam os elementos materiais de um negócio 
nulo, convertendo-o em outro negócio de fins lícitos. Ex.: conversão de uma compra e venda nula por vício 
de forma em promessa de compra e venda. 
 
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 
 
A prescrição e a decadência são fatos jurídicos em sentido estrito. Os dois institutos referem-se à influência 
do tempo nos negócios jurídicos. O Direito não socorre os que dormem. Essa é a regra que fundamenta tanto 
a prescrição quanto a decadência. 
 
A prescrição é a perda da pretensão (art. 189), e ela sempre se refere a um direito subjetivo (direito de 
crédito). Os prazos prescricionais estão nos artigos 205 e 206, sendo que os demais prazos do CC são 
decadenciais. 
 
A decadência é a perda de um direito, de um direito postestativo. O que é um direito potestativo? É aquele 
que se contrapõe a um estado de sujeição (aquele que acurrala a parte). Eu quero anular um negócio 
formalizado mediante dolo. O que a outra parte pode fazer contra mim? Nada. Ela está encurralada. 
 
No art. 205, nós temos o prazo geral de prescrição, que é de 10 dez anos. No art. 206, nós temos os prazos 
especiais de prescrição (1, 2, 3, 4 e 5 anos.... tratados nos §§ do art. 206). Os demais prazos previstos no CC 
são decadenciais, sendo que o prazo geral de decadência é o do art. 179 (2 anos). 
 
Os prazos que estão fora do art. 205 e 206 são decadenciais. Os prazos prescricionais são contados em anos. 
Se eu tenho prazo em dias, é claro que o prazo é decadencial. Se eu tenho em meses, é claro que é 
decadencial. Se eu tenho um prazo de 1 ano e 1 dia, é decadencial. 
 
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Se o prazo for em anos, ele pode ser prescricional ou decadencial. O Professor Agnelo Amorim Filho, da 
Paraíba, foi genial ao estabelecer critérios, que foram adotados pelo legislador de 2002. 
 
Se eu tenho uma ação condenatória (cobrança, reparação de danos), o prazo correspondente é de prescrição 
(note que todos os casos do art. 206 são de ação condenatória). 
 
Se eu tenho uma ação constitutiva (positiva ou negativa), o prazo é decadencial. Ex: ação anulatória (art. 
179), art. 178. Se a lei estabelecer prazo, ele será decadencial. Se a lei não estabelecer prazo, como ocorre no 
divórcio, a ação é imprescritível. 
 
E se a ação for declaratória, ela não se sujeita nem à prescrição nem à decadência. Ex: 169. Ela é 
imprescritível, porque a nulidade não convalesce pelo decurso do tempo. Se você memorizar isso, acertará 
qualquer questão sobre decadência e prescrição. 
 
O professor Flávio Tartuce ensina 3 passos para se diferenciar a prescrição da decadência: 
 
1) Identifique o prazo. Se ele for em dias ou meses, é claro que é decadencial. Se ele for em anos, pode 
ser prescricional ou decadencial. 
 
2) Identifique o artigo. Se o prazo estiver nos artigos 205 e 206, será prescricional. Se o prazo estiver 
em qualquer outro artigo, será decadencial. 
 
 
3) Identifique a ação correspondente. Se a ação dor condenatória, o prazo será prescricional. Se a ação 
for constitutiva, será decadencial (se houver prazo). Se for declaratória, não há prazo, pois é 
imprescritível, não se sujeitando à decadência nem à prescrição. 
 
Prescrição é a perda da pretensão. Decadência é a perda de um direito subjetivo. Prazo prescricional tem 
início quando? Quando há lesão ao direito subjetivo. 
 
A prescrição pode ser alegada como exceção ou defesa. Elas prescrevem no mesmo prazo que a pretensão. 
(art. 190). 
 
Ex: um caso de compensação. Se Antonieta propõe uma ação de cobrança em meu desfavor e eu, na defesa, 
alego que estou compensando o que devo a ela em uma dívida que ela tem comigo desde 2001, eu tenho que 
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verificar se essa defesa não está prescrita. Se eu não poderia cobrar de Antonieta (ataque), eu também não 
posso usar esse crédito prescrito em minha defesa. 
 
Ver artigos 191 a 194. 
 
Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação 
contra os seus assistentes ou representantes legais, que derem causa 
à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. 
 
Se o tutor do menor não propor ação para defender seus interesses, deverá indenizá-lo. Essa regra só se 
aplica aos relativamente incapazes, pois contra os absolutamente incapazes não corre a prescrição, nos 
termos do art. 198, inciso I. 
 
Art. 196. A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr 
contra o seu sucessor. 
 
Se meu pai morre, eu, na condição de herdeiro, só tenho o prazo que ainda restava para exercer a pretensão. 
 
A prescrição pode ser impedida, suspensa ou interrompida. No impedimento, o prazo não começa, e quando 
começa, é normal. Na suspensão, o prazo começa, para, e depois continua de onde parou. Na interrupção, o 
prazo começa, para, e depois começa do zero. 
 
O Código Civil mistura.... Veja os artigos 197, 198 e 199. Eles preceituam simplesmente que “não corre a 
prescrição”. 
 
Impedimento e suspensão envolvem situações entre pessoas (ascendentes e descendentes durante o poder 
familiar, entre marido e mulher durante a sociedade conjugal, pendendo a ação de evicção. Não há atos de 
ninguém. São situaçõesentre pessoas. Esta é a chave. 
 
Na interrupção, há atos de pessoas. Atos do credor e atos do devedor (art. 202). Ela só pode ocorrer uma vez. 
 
Quanto à diferença entre prescrição e decadência, lembre-se que os prazos prescricionais estão previstos nos 
artigos 205 e 206, sendo que todos os demais são de decadência. 
 
O Código Civil passou a reconhecer a prescrição intercorrente. Vejamos: 
 
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Art. 206-A. A prescrição intercorrente observará o mesmo prazo de 
prescrição da pretensão, observadas as causas de impedimento, de 
suspensão e de interrupção da prescrição previstas neste Código e 
observado o disposto no art. 921 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 
2015 (Código de Processo Civil). (Redação dada pela Lei nº 14.382, 
de 2022) 
 
DECADÊNCIA 
 
Em regra, a decadência não pode ser interrompida, nem suspensa, nem impedida. Essa é a regra do artigo 
207. Entretanto, há exceções. O artigo 208 estabelece: 
 
Art. 208. Aplica-se à decadência o disposto nos arts. 195 e 198, 
inciso I. 
 
Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação 
contra os seus assistentes ou representantes legais, que derem causa 
à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. 
 
Art. 198. Também não corre a prescrição: 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o; 
 
Então, não se esqueçam. Contra absolutamente incapaz não corre prazo prescricional nem decadencial. A 
decadência ela pode ser legal ou convencional. A legal decorre da lei. A convencional, do contrato. 
 
Prazo de garantia fixado em favor de Jéssica. Eu dou garantia pelo prazo de 3 meses. É um prazo de 
decadência convencional. A prescrição só decorre de lei. A decadência pode se originar da lei ou do contrato. 
 
Ver arts. 209 a 211. Veja, também, o artigo 745, que tem um “erro do legislador”. 
 
Ele fala de decadência, mas é prescrição. (Se a ação é de indenização, é claro que se trata de prazo 
prescricional, até porque a sentença, nesse caso, é condenatória). 
 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art921
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art921
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art14
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QUESTÕES – AULA 2 
 
1. (XXIII EXAME) Em ação judicial na qual Paulo é réu, levantou-se controvérsia acerca de seu domicílio, 
relevante para a determinação do juízo competente. Paulo alega que seu domicílio é a capital do Estado do 
Rio de Janeiro, mas o autor sustenta que não há provas de manifestação de vontade de Paulo no sentido de 
fixar seu domicílio naquela cidade. Sobre o papel da vontade nesse caso, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Por se tratar de um fato jurídico em sentido estrito, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é 
irrelevante, uma vez que não é necessário levar em consideração a conduta humana para a determinação dos 
efeitos jurídicos desse fato. 
B) Por se tratar de um ato-fato jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é irrelevante, uma vez 
que, embora se leve em consideração a conduta humana para a determinação dos efeitos jurídicos, não é 
exigível manifestação de vontade. 
C) Por se tratar de um ato jurídico em sentido estrito, embora os seus efeitos sejam predeterminados pela lei, 
a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, no sentido de verificar a existência de um ânimo de 
permanecer naquele local. 
D) Por se tratar de um negócio jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, já que é a 
manifestação de vontade que determina quais efeitos jurídicos o negócio irá produzir. 
 
2. (VII EXAME) Mauro, entristecido com a fuga das cadelinhas Lila e Gopi de sua residência, às quais 
dedicava grande carinho e afeição, promete uma vultosa recompensa para quem eventualmente viesse a 
encontrá‐las. Ocorre que, no mesmo dia em que coloca os avisos públicos da recompensa, ao conversar 
privadamente com seu vizinho João, afirma que não irá, na realidade, dar a recompensa anunciada, embora 
assim o tenha prometido. Por coincidência, no dia seguinte, João encontra as cadelinhas passeando 
tranquilamente em seu quintal e as devolve imediatamente a Mauro. Neste caso, é correto afirmar que 
 
A) A manifestação de vontade no sentido da recompensa subsiste em relação a João ainda que Mauro tenha 
feito a reserva mental de não querer o que manifestou originariamente. 
B) A manifestação de vontade no sentido da recompensa não subsiste em relação a João, pois este tomou 
conhecimento da alteração da vontade original de Mauro. 
C) A manifestação de vontade no sentido da recompensa não mais terá validade em relação a qualquer 
pessoa, pois ela foi alterada a partir do momento em que foi feita a reserva mental por parte de Mauro. 
D) A manifestação de vontade no sentido da recompensa subsiste em relação a toda e qualquer pessoa, pois a 
reserva mental não tem o condão de modificar a vontade originalmente tornada pública. 
 
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3. (IV EXAME) O negócio jurídico depende da regular manifestação de vontade do agente envolvido. Nesse 
sentido, o art. 138 do Código Civil dispõe que “são anuláveis os negócios jurídicos quando as declarações de 
vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face 
das circunstâncias do negócio”. Relativamente aos defeitos dos negócios jurídicos, assinale a alternativa 
correta. 
 
A) O falso motivo, por sua gravidade, viciará a declaração de vontade em todas as situações e, por 
consequência, gerará a anulação do negócio jurídico. 
B) O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade 
se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. 
C) O erro é substancial quando concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a 
declaração de vontade, ainda que tenha influído nesta de modo superficial. 
D) O erro de cálculo gera a anulação do negócio jurídico, uma vez que restou viciada a declaração de 
vontade nele baseada. 
 
4. (XXIII EXAME) Em um bazar beneficente, promovido por Júlia, Marta adquiriu um antigo faqueiro, 
praticamente sem uso. Acreditando que o faqueiro era feito de prata, Marta ofereceu um preço elevado sem 
nada perguntar sobre o produto. Júlia, acreditando no espírito benevolente de sua vizinha, prontamente 
aceitou o preço oferecido. Após dois anos de uso constante, Marta percebeu que os talheres começaram a 
ficar manchados e a se dobrarem com facilidade. Consultando um especialista, ela descobre que o faqueiro 
era feito de uma liga metálica barata, de vida útil curta, e que, com o uso reiterado, ele se deterioraria. De 
acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A compra e venda firmada entre Marta e Júlia é nula, por conter vício em seu objeto, um dos elementos 
essenciais do negócio jurídico. 
B) O negócio foi plenamente válido, considerando ter restado comprovado que Júlia não tinha qualquer 
motivo para suspeitar do engano de Marta. 
C) O prazo decadenciala ser observado para que Marta pretenda judicialmente o desfazimento do negócio 
deve ser contado da data de descoberta do vício. 
D) De acordo com a disciplina do Código Civil, Júlia poderá evitar que o negócio seja desfeito se oferecer 
um abatimento no preço de venda proporcional à baixa qualidade do faqueiro. 
 
5. (XIII EXAME) Lúcia, pessoa doente, idosa, com baixo grau de escolaridade, foi obrigada a celebrar 
contrato particular de assunção de dívida com o Banco FDC S.A., reconhecendo e confessando dívidas 
firmadas pelo seu marido, esse já falecido, e que não deixará bens ou patrimônio a inventariar. O gerente do 
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banco ameaçou Lúcia de não efetuar o pagamento da pensão deixada pelo seu falecido marido, caso não 
fosse assinado o contrato de assunção de dívida. Considerando a hipótese acima e as regras de Direito Civil, 
assinale a afirmativa correta. 
 
A) O contrato particular de assunção de dívida assinado por Lúcia é anulável por erro substancial, pois Lúcia 
manifestou sua vontade de forma distorcida da realidade, por entendimento equivocado do negócio 
praticado. 
B) O ato negocial celebrado entre Lúcia e o Banco FDC S.A. é anulável por vício de consentimento, em 
razão de conduta dolosa praticada pelo banco, que ardilosamente falseou a realidade e forjou uma situação 
inexistente, induzindo Lúcia à prática do ato. 
C) O instrumento particular firmado entre Lúcia e o Banco FDC S.A. pode ser anulado sob fundamento de 
lesão, uma vez que Lúcia assumiu obrigação excessiva sobre premente necessidade. 
D) O negócio jurídico celebrado entre Lúcia e o Banco FDC S.A. é anulável pelo vício da coação, uma vez 
que a ameaça praticada pelo banco foi iminente e atual, grave, séria e determinante para a celebração da 
avença. 
 
6. (XIV EXAME) Maria Clara, então com dezoito anos, animada com a conquista da carteira de habilitação, 
decide retirar suas economias da poupança para adquirir um automóvel. Por saber que estava no início da sua 
carreira de motorista, resolveu comprar um carro usado e pesquisou nos jornais até encontrar um modelo 
adequado. Durante a visita de Maria Clara para verificar o estado de conservação do carro, o proprietário, ao 
perceber que Maria Clara não era conhecedora de automóveis, informou que o preço que constava no jornal 
não era o que ele estava pedindo, pois o carro havia sofrido manutenção recentemente, além de melhorias 
que faziam com que o preço fosse aumentado em setenta por cento. Com esse aumento, o valor do carro 
passou a ser maior do que um modelo novo, zero quilômetro. Contudo, após as explicações do proprietário, 
Maria Clara fechou o negócio. Sobre a situação apresentada no enunciado, assinale a opção correta. 
 
A) Maria Clara sofreu coação para fechar o negócio, diante da insistência do antigo proprietário e, por isso, 
pode ser proposta a anulação do negócio jurídico no prazo máximo de três anos. 
B) O negócio efetuado por Maria Clara não poderá ser anulado porque decorreu de manifestação de vontade 
por parte da adquirente. Dessa forma, como não se trata de relação de consumo, Maria Clara não possui essa 
garantia. 
C) O pai de Maria Clara, inconformado com a situação, pretende anular o negócio efetuado pela filha, 
porém, como já se passaram três anos, isso não será mais possível, pois já decaiu seu direito. 
D) O negócio jurídico efetuado por Maria Clara pode ser anulado; porém, se o antigo proprietário concordar 
com a diminuição no preço, o vício no contrato estará sanado. 
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7. (VI EXAME) Considerando o instituto da lesão, é correto afirmar que 
 
A) A desproporção entre as prestações deve se configurar somente no curso de contrato. 
B) Os efeitos da lesão podem se manifestar no curso do contrato, desde que sejam provenientes de 
desproporção entre as prestações existente no momento da celebração do contrato. 
C) A desproporção entre as prestações surge em razão de fato superveniente à celebração do contrato. 
D) Os efeitos da lesão decorrem de um fato imprevisto. 
 
8. (XXXI EXAME) João, único herdeiro de seu avô Leonardo, recebeu, por ocasião da abertura da sucessão 
deste último, todos os seus bens, inclusive uma casa repleta de antiguidades. Necessitando de dinheiro para 
quitar suas dívidas, uma das primeiras providências de João foi alienar uma pintura antiga que sempre 
estivera exposta na sala da casa, por um valor módico, ao primeiro comprador que encontrou. João, semanas 
depois, leu nos jornais a notícia de que reaparecera no mercado de arte uma pintura valiosíssima de um 
célebre artista plástico. Sua surpresa foi enorme ao descobrir que se tratava da pintura que ele alienara, com 
valor milhares de vezes maior do que o por ela cobrado. Por isso, pretende pleitear a invalidação da 
alienação. A respeito do caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O negócio jurídico de alienação da pintura celebrado por João está viciado por lesão e chegou a produzir 
seus efeitos regulares, no momento de sua celebração. 
B) O direito de João a obter a invalidação do negócio jurídico, por erro, de alienação da pintura, não se 
sujeita a nenhum prazo prescricional 
C) A validade do negócio jurídico de alienação da pintura subordina-se necessariamente à prova de que o 
comprador desejava se aproveitar de sua necessidade de obter dinheiro rapidamente. 
D) Se o comprador da pintura oferecer suplemento do preço pago de acordo com o valor de mercado da obra, 
João poderá optar entre aceitar a oferta ou invalidar o negócio. 
 
9. (XIX EXAME) Juliana foi avisada que seu filho Marcos sofreu um terrível acidente de carro em uma 
cidade com poucos recursos no interior do Ceará e que ele está correndo risco de morte devido a um grave 
traumatismo craniano. Diante dessa notícia, Juliana celebra um contrato de prestação de serviços médicos em 
valores exorbitantes, muito superiores aos praticados habitualmente, para que a única equipe de médicos 
especializados da cidade assuma o tratamento de seu filho. Tendo em vista a hipótese apresentada, assinale a 
afirmativa correta. 
 
A) O negócio jurídico pode ser anulado por vício de consentimento denominado estado de perigo, no prazo 
prescricional de quatro anos, a contar da data da celebração do contrato 
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B) O negócio jurídico celebrado por Juliana é nulo, por vício resultante de dolo, tendo em vista o fato de que 
a equipe médica tinha ciência da situação de Marcos e se valeu de tal condição para fixar honorários em 
valores excessivos. 
C) O contrato de prestação de serviços médicos é anulável por vício resultante de estado de perigo, no prazo 
decadencial de quatro anos, contados da data da celebração do contrato. 
D) O contrato celebrado por Juliana é nulo, por vício resultante de lesão, e por tal razão não será suscetível 
de confirmação e nem convalescerá pelo decurso do tempo. 
 
10. (XXI EXAME) Durante uma viagem aérea, Eliseu foi acometido de um mal súbito, que demandava 
atendimento imediato. O piloto dirigiu o avião para o aeroporto mais próximo, mas a aterrissagem não 
ocorreria a tempo de salvar Eliseu. Um passageiro ofereceu seus conhecimentos médicos para atender Eliseu,mas demandou pagamento bastante superior ao valor de mercado, sob a alegação de que se encontrava de 
férias. Os termos do passageiro foram prontamente aceitos por Eliseu. Recuperado do mal que o atingiu, para 
evitar a cobrança dos valores avençados, Eliseu pode pretender a anulação do acordo firmado com o outro 
passageiro, alegando 
 
A) erro. 
B) dolo. 
C) coação. 
D) estado de perigo. 
 
11. (X EXAME) João, credor quirografário de Marcos em R$ 150.000,00, ingressou com Ação Pauliana, 
com a finalidade de anular ato praticado por Marcos, que o reduziu à insolvência. João alega que Marcos 
transmitiu gratuitamente para seu filho, por contrato de doação, propriedade rural avaliada em R$ 
200.000,00. Considerando a hipótese acima, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Caso o pedido da Ação Pauliana seja julgado procedente e seja anulado o contrato de doação, o benefício 
da anulação aproveitará somente a João, cabendo aos demais credores, caso existam, ingressarem com ação 
individual própria. 
B) O caso narrado traz hipótese de fraude de execução, que constitui defeito no negócio jurídico por vício de 
consentimento. 
C) Na hipótese de João receber de Marcos, já insolvente, o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará 
João obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo 
que recebeu. 
D) João tem o prazo prescricional de dois anos para pleitear a anulação do negócio jurídico. 
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12. (VIII EXAME) Em relação aos defeitos dos negócios jurídicos, assinale a afirmativa incorreta. 
 
A) A emissão de vontade livre e consciente, que corresponda efetivamente ao que almeja o agente, é 
requisito de validade dos negócios jurídicos. 
B) O erro acidental é o que recai sobre características secundárias do objeto, não sendo passível de levar à 
anulação do negócio. 
C) A simulação é causa de anulação do negócio, e só poderá ocorrer se a parte prejudicada demonstrar 
cabalmente ter sido prejudicada por essa prática. 
D) O objetivo da ação pauliana é anular o negócio praticado em fraude contra credores. 
 
13. (XXI EXAME) André possui um transtorno psiquiátrico grave, que demanda uso contínuo de 
medicamentos, graças aos quais ele leva vida normal. No entanto, em razão do consumo de remédios que se 
revelaram ineficazes, por causa de um defeito de fabricação naquele lote, André foi acometido de um surto 
que, ao privá-lo de discernimento, o levou a comprar diversos produtos caros de que não precisava. Para 
desfazer os efeitos desses negócios, André deve pleitear 
 
A) a nulidade dos negócios, por incapacidade absoluta decorrente de enfermidade ou deficiência mental. 
B) a nulidade dos negócios, por causa transitória impeditiva de expressão da vontade. 
C) a anulação do negócio, por causa transitória impeditiva de expressão da vontade. 
D) a anulação do negócio, por incapacidade relativa decorrente de enfermidade ou deficiência mental. 
 
14. (XXVII Exame) Arnaldo foi procurado por sua irmã Zulmira, que lhe ofereceu R$ 1 milhão para adquirir 
o apartamento que ele possui na orla da praia. Receoso, no entanto, que João, o locatário que atualmente 
ocupa o imóvel e por quem Arnaldo nutre profunda antipatia, viesse a cobrir a oferta, exercendo seu direito 
de preferência, propôs a Zulmira que constasse da escritura o valor de R$ 2 milhões, ainda que a totalidade 
do preço não fosse totalmente paga. Realizado nesses termos, o negócio 
 
A) pode ser anulado no prazo decadencial de dois anos, em virtude de dolo. 
B) é viciado por erro, que somente pode ser alegado por João. 
C) é nulo em virtude de simulação, o que pode ser suscitado por qualquer interessado. 
D) é ineficaz, em razão de fraude contra credores, inoponíveis seus efeitos perante João. 
 
15. (XXIX Exame) Eva celebrou com sua neta Adriana um negócio jurídico, por meio do qual doava sua 
casa de praia para a neta caso esta viesse a se casar antes da morte da doadora. O ato foi levado a registro no 
cartório do Registro de Imóveis da circunscrição do bem. Pouco tempo depois, Adriana tem notícia de que 
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Eva não utilizava a casa de praia há muitos anos e que o imóvel estava completamente abandonado, 
deteriorando-se a cada dia. Adriana fica preocupada com o risco de ruína completa da casa, mas não tem, por 
enquanto, nenhuma perspectiva de casar-se. De acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Adriana pode exigir que Eva autorize a realização de obras urgentes no imóvel, de modo a evitar a ruína 
da casa. 
B) Adriana nada pode fazer para evitar a ruína da casa, pois, nos termos do contrato, é titular de mera 
expectativa de fato. 
C) Adriana pode exigir que Eva lhe transfira desde logo a propriedade da casa, mas perderá esse direito se 
Eva vier a falecer sem que Adriana tenha se casado. 
D) Adriana pode apressar-se para casar antes da morte de Eva, mas, se esta já tiver vendido a casa de praia 
para uma terceira pessoa ao tempo do casamento, a doação feita para Adriana não produzirá efeito. 
 
16. (XXIV EXAME) Eduardo comprometeu-se a transferir para Daniela um imóvel que possui no litoral, 
mas uma cláusula especial no contrato previa que a transferência somente ocorreria caso a cidade em que o 
imóvel se localiza viesse a sediar, nos próximos dez anos, um campeonato mundial de surfe. Depois de 
realizado o negócio, todavia, o advento de nova legislação ambiental impôs regras impeditivas para a 
realização do campeonato naquele local. Sobre a incidência de tais regras, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Daniela tem direito adquirido à aquisição do imóvel, pois a cláusula especial configura um termo. 
B) Prevista uma condição na cláusula especial, Daniela tem direito adquirido à aquisição do imóvel. 
C) Há mera expectativa de direito à aquisição do imóvel por parte de Daniela, pois a cláusula especial tem 
natureza jurídica de termo. 
D) Daniela tem somente expectativa de direito à aquisição do imóvel, uma vez que há uma condição na 
cláusula especial. 
 
17. (VI EXAME) A condição, o termo e o encargo são considerados elementos acidentais, facultativos ou 
acessórios do negócio jurídico, e têm o condão de modificar as consequências naturais deles esperadas. A 
esse respeito, é correto afirmar que 
 
A) Se considera condição a cláusula que, derivando da vontade das partes ou de terceiros, subordina o efeito 
do negócio jurídico a evento futuro e incerto. 
B) Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, não vigorará o negócio jurídico, não se 
podendo exercer desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. 
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C) O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito e, salvo disposição legal ou 
convencional em contrário, computam-se os prazos, incluindo o dia do começo e excluindo o do vencimento. 
D) Se considera não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determinante da 
liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. 
 
18) (XXVIII Exame) Mônica, casada pelo regime da comunhão total de bens, descobre que seu marido, 
Geraldo, alienou um imóvel pertencente ao patrimôniocomum do casal, sem a devida vênia conjugal. A 
descoberta agrava a crise conjugal entre ambos e acaba conduzindo ao divórcio do casal. Tempos depois, 
Mônica ajuíza ação em face de seu ex-marido, objetivando a invalidação da alienação do imóvel. Sobre o 
caso narrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O juiz pode conhecer de ofício do vício decorrente do fato de Mônica não ter anuído com a alienação do 
bem. 
B) O fato de Mônica não ter anuído com a alienação do bem representa um vício que convalesce com o 
decurso do tempo. 
C) O vício decorrente da ausência de vênia conjugal não pode ser sanado pela posterior confirmação do ato 
por Mônica. 
D) Para que a pretensão de Mônica seja acolhida, ela deveria ter observado o prazo prescricional de dois 
anos, a contar da data do divórcio. 
 
19. (V EXAME) O decurso do tempo exerce efeitos sobre as relações jurídicas. Com o propósito de suprir 
uma deficiência apontada pela doutrina em relação ao Código velho, o novo Código Civil, a exemplo do 
Código Civil italiano e português, define o que é prescrição e institui disciplina específica para a decadência. 
Tendo em vista os preceitos do Código Civil a respeito da matéria, assinale a alternativa correta. 
 
A) Se a decadência resultar de convenção entre as partes, o interessado poderá alegá-la, em qualquer grau de 
jurisdição, mas o juiz não poderá suprir a alegação de quem a aproveite. 
B) Se um dos credores solidários constituir judicialmente o devedor em mora, tal iniciativa não aproveitará 
aos demais quanto à interrupção da prescrição, nem a interrupção produzida em face do principal devedor 
prejudica o fiador dele. 
C) O novo Código Civil optou por conceituar o instituto da prescrição como a extinção da pretensão e 
estabelece que a prescrição, em razão da sua relevância, pode ser arguida, mesmo entre os cônjuges enquanto 
casados pelo regime de separação obrigatória de bens. 
D) Quando uma ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição até 
o despacho do juiz que tenha recebido ou rejeitado a denúncia ou a queixa-crime. 
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20. (XIX EXAME) Joaquim celebrou, por instrumento particular, contrato de mútuo com Ronaldo, pelo qual 
lhe emprestou R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), a serem pagos 30 dias depois. No dia do vencimento do 
empréstimo, Ronaldo não adimpliu a prestação. O tempo passou, Joaquim se manteve inerte, e a dívida 
prescreveu. Inconformado, Joaquim pretende ajuizar ação de enriquecimento sem causa contra Ronaldo. 
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A ação de enriquecimento sem causa é cabível, uma vez que Ronaldo se enriqueceu indevidamente à 
custa de Joaquim. 
B) Como a ação de enriquecimento sem causa é subsidiária, é cabível seu ajuizamento por não haver, na 
hipótese, outro meio de recuperar o empréstimo concedido. 
C) Não cabe o ajuizamento da ação de enriquecimento sem causa, pois há título jurídico a justificar o 
enriquecimento de Ronaldo. 
D) A pretensão de ressarcimento do enriquecimento sem causa prescreve simultaneamente à pretensão 
relativa à cobrança do valor mutuado. 
 
21. (XX Exame – Salvador) Bernardo, nascido e criado no interior da Bahia, decide mudar-se para o Rio de 
Janeiro. Ao chegar ao Rio, procurou um local para morar. José, percebendo o desconhecimento de Bernardo 
sobre o valor dos aluguéis no Rio de Janeiro, lhe oferece um quarto por R$ 500,00 (quinhentos reais). 
Pagando com dificuldade o aluguel do quarto, ao conversar com vizinhos, Bernardo descobre que ninguém 
paga mais do que R$ 200,00 (duzentos reais) por um quarto naquela região. Sentindo-se injustiçado, procura 
um advogado. Sobre o caso narrado, com base no Código Civil, assinale a afirmativa correta. 
 
a) O negócio jurídico poderá ser anulado por lesão, se José não concordar com a redução do proveito ou com 
a oferta de suplemento suficiente. 
b) O negócio jurídico será nulo em virtude da ilicitude do objeto. 
c) O negócio jurídico poderá ser anulado por coação em razão da indução de Bernardo a erro. 
d) O negócio jurídico poderá ser anulado por erro, eis que este foi causa determinante do negócio. 
 
22. (FGV – 2022 – TJ/PE – Juiz Substituto) Maria, após consumir álcool, assume a direção de seu carro e 
causa acidente de trânsito, vitimando João que, seguindo todas as regras de trânsito, voltava de seu plantão. 
No acidente, João bate a cabeça, sofre grave traumatismo e permanece, a partir do evento, em estado 
comatoso por seis anos. Felizmente, após tal prazo, João se recupera e decide ajuizar demanda de reparação 
civil em face de Maria. Com base nos fatos narrados e no Código Civil/2002, é correto afirmar que a 
pretensão de João: 
 
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a) não pode estar prescrita, já que não corre prescrição contra os absolutamente incapazes, abarcados aqueles 
que, por causa transitória, não puderem exprimir vontade; 
b) está fulminada pela prescrição, já que ultrapassados os cinco anos previstos para exercício de seu direito; 
c) não pode estar prescrita, já que o prazo previsto para exercício de seu direito é o prazo geral do Código 
Civil, qual seja, prazo de dez anos; 
d) está fulminada pela prescrição, já que ultrapassados os três anos previstos para o exercício de seu direito. 
 
23. (FGV – 2022 – TJ/SC – Juiz Substituto) Geraldo, pai de Mévio, seu primogênito, deseja vender a ele um 
de seus apartamentos em Florianópolis. No entanto, ambos sabem que os filhos de Geraldo de seu outro 
casamento, Caio e Tício, jamais concordariam. Sendo assim, Geraldo pediu a seu amigo Júlio que recebesse 
o apartamento em doação para, após um tempo, vendê-lo a Mévio, pois entre eles não há impedimento. 
Nesse caso, ocorreu: 
 
a) fraude contra credores; 
b) simulação; 
c) dolo; 
d) erro. 
 
24. (FGV – 2022 – MP/BA – Estagiário) Quando sua mãe passou muito mal, Bruno a levou à emergência 
mais próxima, onde foi indicada a necessidade de sua internação imediata numa Unidade de Tratamento 
Intensivo (UTI), sob risco de morte. Bruno encontrou vaga em um hospital na região, mas não tendo 
conseguido a autorização do plano de saúde para a transferência da mãe, celebrou contrato com o hospital 
pelo qual se comprometeu a pagar pelo serviço preço bastante superior ao seu valor de mercado. Diante 
disso, o contrato entre Bruno e o hospital é viciado por: 
 
a) estado de necessidade; 
b) coação; 
c) fraude; 
d) estado de perigo. 
 
25. (FGV – 2021 – TJ/SC) Ademir queria doar um de seus terrenos a seu sobrinho João, mas sabia que sua 
esposa Delma não concordaria com isso. Assim, doou o terreno para seu amigo Cleber que, após alguns 
meses, repassou o imóvel a João, conforme previamente acertado entre Ademir e Cleber. Nesse caso, 
ocorreu: 
 
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a) dolo; 
b) erro 
c) lesão; 
d) simulação; 
 
26. (FGV – 2021 – TJ/SC) Célio deseja vender uma sala comercial na cidade de Florianópolis. Clara se 
interessou pelo imóvel e foi visitá-lo. Com receio de que Clara não fizesse uma proposta de compra, Célio 
omitiu o fato de que o imóvel não tinha a instalação elétrica adequada para a atividade comercial que sabia 
que Clara pretendia exercernaquele local. Celebrada a compra e venda, posteriormente Clara descobre a 
verdade. Nesse caso, é possível invalidar o negócio com base em: 
 
a) dolo; 
b) lesão; 
c) simulação; 
d) erro; 
 
27. (FGV – 2021 – TJ/RO) A pequena cidade de Salgueiro recebeu, de repente, uma enorme quantidade de 
pessoas, que estavam desabrigadas em razão de desastre ambiental que devastara um vilarejo próximo. 
Percebendo que precisavam de hospedagem e não existiam mais acomodações na localidade, Gilberto 
decidiu se aproveitar da situação e ofereceu quartos de sua grande casa para hospedar algumas pessoas, 
cobrando o triplo do que as pousadas da região cobravam. Nesse caso, o contrato celebrado por Gilberto com 
os vizinhos está viciado por: 
 
a) estado de perigo; 
b) erro; 
c) dolo; 
d) lesão. 
 
28. (FGV – 2021 – TCE/AM) Em 15 de janeiro de 2020, André completou 12 anos de idade. Enquanto 
passeava com seu pai para celebrar a ocasião, André foi atingido por um cinzeiro caído de um edifício 
particular. André pode pretender a reparação civil dos danos sofridos até: 
 
a) 15 de janeiro de 2023; 
b) 15 de janeiro de 2026; 
c) 15 de janeiro de 2027; 
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d) 15 de janeiro de 2029. 
 
29. (FGV – 2020 / MP/RJ) Cristina vendeu um anel para sua vizinha Márcia, garantindo-lhe ser de ouro, 
mesmo sabendo que não era. Meses após a compra, Márcia percebeu que o anel começou a descascar, 
constatando assim que não era de ouro. Nesse caso, Márcia poderá pleitear a anulação do negócio jurídico 
com fundamento em: 
 
a) erro; 
b) dolo; 
c) fraude contra credores; 
d) simulação. 
 
30. (FGV – 2021 – DPE/RJ) Ângelo, médico, pai de Fernando, vê-se em uma emergência médica com seu 
filho, que sofreu grave acidente doméstico. Imediatamente leva seu filho ao pronto-atendimento de unidade 
hospitalar particular. Fernando não possui plano de saúde e Ângelo vai arcar diretamente com as despesas do 
tratamento. Diagnosticou-se, na triagem, que o paciente deveria ser imediatamente internado, pois corre risco 
de morte. Na recepção do hospital, Ângelo é surpreendido com a cobrança da diária de internação em 
altíssimo valor, mas, para salvar seu filho, não hesita e assina autorização de internação, obrigando-se ao 
pagamento. Posteriormente, Ângelo descobre que a diária cobrada, na ocasião, estava dez vezes superior à 
média dos hospitais daquele porte e naquela época. A respeito dos direitos de Ângelo, é correto afirmar que: 
 
a) por ter sido praticado sob premente necessidade, o negócio jurídico é nulo, desde seu nascedouro, podendo 
a nulidade ser suscitada por qualquer interessado ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir; 
b) Ângelo, em situação imprevisível e inevitável, obrigou-se a prestação manifestamente desproporcional ao 
valor da prestação oposta, podendo suscitar a anulabilidade do negócio em até cinco anos a contar de sua 
celebração; 
c) Ângelo, sob premente necessidade, obrigou-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da 
prestação oposta, podendo suscitar a anulabilidade do negócio em até quatro anos a contar de sua celebração; 
d) Ângelo, por ser médico, tem experiência e conhecimento das regras de mercado e teria condições plenas 
de avaliar, consciente e livremente, as condições no momento da contratação, não podendo reclamar 
indenização posterior; 
 
31. (FGV – 2018 – AL/RO) No dia 04/04/05, Everaldo, casado com Maria Helena pelo regime da separação 
de bens, colidiu com o veículo de sua esposa no trânsito. Ela dispendeu, segundo orçamento da oficina, R$ 
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4.000,00 para o conserto de seu bem. Em 15/07/18, o casal se divorciou e Maria Helena pretende intentar 
ação judicial em face de Everaldo. Sobre prescrição, neste caso, assinale a afirmativa correta. 
 
a) Flui o prazo prescricional a partir do dia 15/07/18, pois durante o casamento estava suspenso. 
b) A prescrição da pretensão ocorreu em 04/04/08. 
c) A prescrição estava impedida de correr durante o casamento, pelo que o prazo passa a ser contado a partir 
de 15/07/18. 
d) Maria Helena pode intentar ação judicial para a reparação dos danos até 15/07/2023. 
 
32. (FGV – 2016) Fábio comprometeu-se a doar uma casa aos noivos Roberto e Carla, desde que viessem a 
contrair matrimônio. Um mês antes do casamento, Carla descobriu que o vizinho do imóvel vem danificando 
o bem de Fábio, podendo a continuação destruir o imóvel. Diante do ocorrido, assinale a afirmativa correta. 
 
a) Roberto e Carla nada poderão fazer, visto que só possuem uma mera expectativa de direito, sendo de 
Fábio a legitimidade para a propositura de qualquer ação. 
b) Fábio, Roberto e Carla não poderão promover ação judicial, pois será preciso aguardar a realização do 
casamento para a propositura da ação. 
c) Roberto e Carla poderão agir, inclusive judicialmente, pois ao titular do direito eventual, nos casos de 
condição suspensiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. 
d) A doação celebrada por Fábio está sujeita a uma condição suspensiva, o que gera a suspensão da aquisição 
do direito, inibindo a ação dos noivos. 
 
33. (FGV – 2016) Justina, oriunda de uma pequena cidade do interior do Brasil, chega a São Paulo sem 
conhecer ninguém e procura de imediato, e com urgência, um apartamento para residir. O proprietário do 
imóvel desejado, percebendo a pouca experiência de Justina e reconhecendo a sua necessidade de moradia, 
cobra-lhe valor três vezes superior ao usualmente praticado naquele bairro. Considerando tais fatos, assinale 
a afirmativa correta. 
 
a) O contrato de locação realizado é válido, tendo em vista a proteção ao princípio da autonomia privada. 
b) O contrato de locação realizado é nulo, tendo em vista a existência de dolo por parte do proprietário do 
imóvel. 
c) O contrato de locação realizado é anulável, tendo em vista a existência de estado de perigo. 
d) O contrato de locação realizado é anulável, tendo em vista a existência de lesão. 
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34. (FGV – 2016) Francisco deseja doar seu apartamento para Joaquim, seu sobrinho mais novo. Ao realizar 
a transferência, exige que o sobrinho pinte o apartamento, a cada 6 meses, na cor que ele determinar. 
Joaquim aceita a oferta. Assinale a opção que indica o elemento acidental presente no negócio jurídico. 
 
a) Condição suspensiva. 
b) Condição resolutiva. 
c) Encargo. 
d) Termo inicial. 
 
35. (FGV – 2016 – CODEBA) Mariana está internada em hospital da rede particular de saúde em estado 
grave. Rodrigo, seu pai, promete recompensa de R$ 100.000,00 à equipe médica, caso a sua filha seja 
curada. Operada a cura, os médicos reivindicam o pagamento da recompensa prometida. Assinale a opção 
que indica o vício que contaminou essa manifestação de vontade. 
 
a) Estado de perigo. 
b) Lesão. 
c) Erro. 
d) Dolo por omissão. 
 
36. (FGV – 2015 – TJ/PI) Carolina, com dezesseis anos de idade, comprou um ingresso para um show de 
rock destinado ao público da faixa etária acima dos dezoito anos. Ao ser perguntada sobre sua idade, ela 
declarou ser maior. Ao saber da situação, os pais de Carolina impediram que ela fosse ao show. Sobre a 
situação descrita, é correto concluir que:a) a sociedade empresária que vendeu o ingresso para Carolina deve restituir o valor que dela recebeu em 
razão da sua incapacidade relativa; 
b) trata-se de ato nulo, pois praticado por agente absolutamente incapaz sem a respectiva representação, 
obrigando a restituição do valor recebido pelo ingresso; 
c) a sociedade empresária não será obrigada a restituir o valor do ingresso, pois sofreu simulação quanto a 
quem contratou, subsistindo o negócio dissimulado; 
d) a sociedade empresária não será obrigada a restituir o valor, pois no ato de declaração quanto a sua idade, 
Carolina declarou-se maior. 
 
37. (FGV – 2015 – TJ/PI) Pietra negocia a compra de um veículo pertencente a Bruna. Antes do ajuste, 
levam o carro a uma oficina mecânica. Camila, mecânica de veículos automotores, avalia o estado do carro e, 
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deliberadamente, por ser desafeto de Pietra, informa que o carro está em excelente condição, embora tal 
informação não corresponda à realidade. O veículo apresenta uma série de defeitos mecânicos conhecidos de 
Bruna e falseados por Camila. A hipótese narrada configura: 
 
a) erro essencial quanto à qualidade do veículo, o que autoriza a anulação do negócio jurídico; 
b) erro acidental quanto aos atributos do carro, o que autoriza a correção dos valores; 
c) simulação, pois se trata de negócio eivado de nulidade em razão da ação do terceiro; 
d) dolo principal, que, ainda que praticado por terceiro, autoriza a anulação. 
 
38. (FGV – 2015 – PGE/RO) Catarina, percebendo que sua mãe, Daniela, estava com algum mal súbito, 
levou-a ao hospital mais próximo de sua casa. Enquanto sua mãe aguardava na sala de espera do hospital, 
Catarina preenchia o formulário de atendimento. Quando indagou ao funcionário do hospital o motivo pelo 
qual sua mãe ainda não havia sido atendida por um médico, ele informou que antes seria necessário o 
depósito de R$ 5 mil, a título de garantia, através de um cheque pós-datado. Apesar de reconhecer que não 
possuía esse valor em conta-corrente, Catarina emitiu o cheque de pronto para possibilitar o atendimento de 
emergência de sua mãe. Sobre a situação descrita, é correto afirmar que Catarina poderá: 
 
a) anular o negócio jurídico por vício resultante de estado de perigo, no prazo decadencial de quatro anos, 
contados da data da celebração do contrato; 
b) anular o negócio jurídico por estado de perigo, no prazo prescricional de quatro anos, a contar da data da 
celebração do contrato; 
c) requerer a declaração de nulidade do negócio jurídico, por vício resultante de coação, não convalescendo 
pelo decurso do tempo; 
d) anular o negócio jurídico por lesão, no prazo de dois anos, a contar da data da celebração do contrato. 
 
39. (FGV – 2015 – DPE/RO) Flávia, trinta e dois anos de idade, foi interditada como relativamente incapaz 
em virtude de problemas intermitentes de coordenação de suas faculdades psíquicas. Não obstante a 
interdição, Flávia, sem a participação de seu curador, vendeu seu automóvel por um preço sete por cento 
acima do valor de mercado. Pode-se afirmar que a venda em questão é: 
 
a) nula de pleno direito; 
b) inexistente; 
c) anulável; 
d) perfeitamente válida; 
 
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40. Jurandir é fiscal do Meio Ambiente, funcionário público da União, trabalhando na defesa da fauna e da 
flora brasileira. No mês de março de 2014, sua vizinha Nadine, por meio das redes sociais, disse que Jurandir 
era pessoa “que maltratava animais” e que mantinha em cativeiro espécies da fauna brasileira, o que não é 
verdade. Tal fato chegou ao conhecimento dos superiores hierárquicos de Jurandir, que mesmo sabendo da 
lisura de sua conduta, para que pudesse se recuperar da repercussão dos fatos, o mandaram, a serviço, para a 
África. Passados 5 anos dos fatos (março de 2019), Jurandir retorna ao Brasil e pretende ingressar com uma 
ação contra Nadine, requerendo reparação civil. Nesse contexto, é correto afirmar: 
 
a) a pretensão de Jurandir está prescrita, pois o prazo de prescrição para discussão de reparação civil é de três 
anos contados da data do fato. 
b) a prescrição fica suspensa para Jurandir, da data de sua saída a serviço da União, até o seu retorno, quando 
recomeça a contagem do prazo de cinco anos para o ingresso da demanda. 
c) por estar em missão oficial não corre a prescrição de três anos a contar dos fatos, para que Jurandir 
ingresse com a demanda requerendo reparação civil contra Nadine. 
d) para que Jurandir fizesse jus à suspensão do prazo prescricional, deveria ter ingressado com a demanda 
antes de sair em missão de paz, sendo que passado três anos, no caso em tela, a ação está prescrita. 
 
41. (XXXIX Exame da Ordem) Luan, conduzindo seu automóvel em velocidade acima da permitida, colidiu 
violentamente contra o veículo em que estavam Felipe, com 10 anos de idade, e seus pais, Paulo, com 45 
anos de idade, e Juliana, com 38 anos. Em razão do acidente, Felipe sofreu ferimentos graves, só recebendo 
alta hospitalar após seis meses. Paulo e Juliana faleceram no acidente. Pedro, tio de Felipe, foi nomeado seu 
tutor, função que exerceu até a maioridade de Felipe. Ao completar 18 anos de idade, Felipe ajuizou ação 
indenizatória em face de Luan, buscando reparação pelos danos morais sofridos em razão do acidente, bem 
como o ressarcimento de despesas médicas. A respeito do caso acima narrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A pretensão ressarcitória de Felipe não está prescrita, eis que exercida no prazo quinquenal, cujo termo 
inicial é a data em que Felipe alcançou a maioridade civil. 
B) A pretensão de Felipe não está prescrita, pois o termo inicial do prazo trienal é a data em que Felipe 
completou 16 anos. 
C) Luan e Felipe poderão convencionar que o prazo prescricional aplicável à pretensão de Luan é de dez 
anos. 
D) É vedado a Luan renunciar à eventual prescrição que lhe beneficie. 
 
42. (LX Exame da Ordem) Joaquim estava jantando com sua família em um restaurante, quando percebeu 
que sua filha tinha iniciado um quadro alérgico, apresentando dificuldades respiratórias, que a colocavam em 
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grave risco de morte. Em frente ao restaurante, havia uma clínica médica, onde buscaram atendimento. O 
médico de plantão, aproveitando-se da situação de urgência, exigiu pagamento antecipado de valor 
exorbitante – muito acima do cobrado regularmente por ele ou pelo mercado para esse tipo de atendimento. 
Joaquim, em desespero, anuiu com o pagamento desproporcional. Entretanto, depois do susto, consultou 
você, como advogado(a). Após inteirar-se do caso, você afirmou ao seu cliente que o negócio jurídico 
celebrado entre ele e o médico padecia de um defeito. Assinale a opção que o indica. 
 
A) Dolo, com prazo decadencial de seis meses. 
B) Lesão, com prazo decadencial de dois anos. 
C) Estado de perigo, com prazo decadencial de quatro anos. 
D) Estado de necessidade, sem prazo decadencial. 
 
GABARITO 
 
1.C 2.B 3.B 4.B 5.D 6.D 7.B 8.A 9.C 10.D 11.C 12.C 13.C 
14.C 15.A 16.D 17.D 18.B 19.A 20.C 21.A 22.D 23.B 24.D 25.D 26.A 
27.D 28.C 29.B 30.C 31.C 32.C 33.D 34.C 35.A 36.D 37.D 38.A 39.C 
40.C 41.B 42.C 
 
 
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AULA 3 
 
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
 
O direito das obrigações regula a relação jurídica pessoal entre dois sujeitos determinados, de um lado o 
sujeito ativo (credor) e do outro lado o sujeito passivo (devedor). Já a relação jurídica real, que é tratada no 
Livro do Direito das Coisas (art. 1196 e ss do CC), tem características próprias, dentre as quais está a 
tipicidade. Toda relação real tem previsão legal. Não se inventa direitos reais. Já a relação obrigacional não 
exige tipicidade. 
 
A obrigação propter rem, de natureza híbrida ou mista (real e obrigacional), é aquela que vincula pessoas 
(credor e devedor) e se justapõe a uma coisa, acompanhando-a. Ex.: Obrigação de pagar taxa de condomínio. 
 
Em qualquer relação obrigacional as partes devem atuar segundo a cláusula geral de boa-fé, com lealdade, 
equilíbrio e harmonia recíprocos. Nova visão do direito civil, ligado à eticidade, boa-fé, função social do 
contrato. Exemplo de cooperação observa-se no instituto norte-americano do duty to mitigate the loss – dever 
de mitigar a perda. Por meio do “dever de mitigar”, à luz do princípio da boa-fé, na relação obrigacional, até 
mesmo o credor, em cooperação com o devedor, deve atuar para mitigar a extensão do débito. Pode-se dizer 
como exemplo o fato do CPC buscar a execução menos grave para o devedor. 
 
O que é fonte da obrigação? É o fato jurídico que constitui a relação obrigacional. Elas sem classificam em: 
 
a) Atos negociais (contrato, promessa de recompensa, testamento); 
b) Atos não negociais (fato da vizinhança); 
c) Atos ilícitos. 
 
CLASSIFICAÇÃO BÁSICA DAS OBRIGAÇÕES: 
 
 
 
1) Dar: A obrigação de dar tem por objeto a prestação de coisa (transferir propriedade, posse ou restituir). 
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a) Dar coisa certa: CC, a partir do art. 233. A obrigação de dar coisa certa traduz a prestação de coisa 
determinada, individualizada. 
 
Responsabilidade civil pela perda ou deterioração da coisa certa (Arts. 234-236). Na teoria das obrigações, as 
perdas e danos pressupõem culpa do devedor. E quando não houver culpa do devedor, normalmente será 
extinta a responsabilidade. 
 
Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus 
melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o 
credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação. 
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os 
pendentes. 
 
b) Dar coisa incerta: nos termos do art. 243 CC, obrigação de dar coisa incerta é aquele indicada apenas pelo 
gênero e quantidade, faltando-lhe a qualidade da coisa. 
 
Na geral na teoria das obrigações, a escolha é feita pelo devedor. – Art. 244 do CC. A doutrina denomina 
concentração do débito ou da prestação devida o ato de escolha na obrigação de dar coisa incerta. 
 
Uma pessoa se obriga a dar um gado, ainda não especializado. Uma enchente vem e mata todo o rebanho do 
devedor. Este não poderá alegar caso fortuito ou força maior para se eximir da obrigação. 
 
* É dogmático o pensamento no direito civil brasileiro, segundo o qual o gênero não perece nunca: antes da 
escolha, não pode o devedor alegar caso fortuito ou força maior para se eximir da obrigação de pagar (art. 
246 CC). 
 
2. Fazer (art. 247 e ss): A obrigação de fazer é aquela em que o interesse jurídico do credor é a própria 
atividade do devedor. 
 
a) Fungíveis: é aquela que admite ser cumprida não apenas pelo devedor, mas também por terceiro. 
 
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor 
mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem 
prejuízo da indenização cabível. 
 
b) Infungíveis: é personalíssima, não admitindo ser cumprida por terceiro. 
 
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Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que 
recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível. 
 
3. Não fazer (arts. 250 e 251 CC) 
 
- A obrigação de não fazer tem por objeto uma obrigação negativa, ou seja, um comportamento omissivo do 
devedor. O devedor assume uma obrigação de não realizar uma conduta (abstenção juridicamente relevante). 
 
Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do 
devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não 
praticar. 
 
Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor 
pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, 
ressarcindo o culpado perdas e danos. 
 
Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar 
desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do 
ressarcimento devido. 
 
CLASSIFICAÇÃO ESPECIAL DAS OBRIGAÇÕES 
 
1. Obrigações Solidárias: existe solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre uma pluralidade de 
credores ou devedores, cada um com direito ou obrigado a toda dívida (art. 264 CC). Na forma do Art. 265 
CC, é dogma do direito obrigacional que solidariedade NÃO SE PRESUME: resulta da lei ou da vontade 
das partes. 
 
1.1. Solidariedade Ativa (arts. 267 a 274 do CC) 
 
Na forma do art. 272 do CC, na solidariedade ativa, qualquer dos credores também pode perdoar toda a 
dívida, respondendo em face dos outros credores. 
 
Exemplo de solidariedade ativa por força de lei: art. 2º da Lei 8.245/91 
 
1.2. Solidariedade Passiva (arts. 275 a 285) 
 
Obs.: Qual é a diferença entre a remissão (perdão da dívida) e a renúncia da solidariedade passiva? 
 
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Na forma dos artigos 277 e 282 do CC, renunciando à solidariedade em face do um dos devedores, só poderá 
o credor cobra-lhe a sua parte na dívida (pois não houve perdão); quanto aos outros devedores, ainda unidos 
em solidariedade, terá o credor o direito de cobrar o restante da dívida. 
 
Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele 
obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da 
quantia paga ou relevada. 
 
Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou 
de todos os devedores. 
 
Na solidariedade passiva, vale relembrar o art. 281 do CC, que cuida das exceções (defesas) que o devedor 
solidário pode manejar. 
 
Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem 
pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a 
outro co-devedor. 
 
No que tange à responsabilidade dos devedores solidários, o art. 279 do CC mantém a regra geral, segundo a 
qual pelas perdas e danos só responderá o culpado. 
 
Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores 
solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas 
perdas e danos só responde o culpado. 
 
Exemplos de solidariedade passiva: 
 
a) um contrato que explicitamente preveja solidariedade entre os devedores (contrato de locação em geral 
prevê que o fiador se vincula solidariamenteao devedor). 
 
b) Solidariedade passiva em virtude de lei: Art. 932 CC – responsabilidade por fato de terceiro. 
 
CUIDADO! O artigo 274 teve sua redação alterada pelo CPC: 
 
Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge 
os demais, mas o julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de 
exceção pessoal que o devedor tenha direito de invocar em relação a 
qualquer deles. 
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2. Obrigações Alternativas (arts. 252 a 256): a obrigação alternativa é aquela que tem objeto múltiplo, de 
maneira que o devedor se exonera cumprindo uma das prestações devidas. No que tange à impossibilidade 
das obrigações alternativas, quer seja total, quer seja parcial, veja a partir do art. 254 do CC. 
 
3. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis 
 
Conceito: As obrigações divisíveis são aquelas que admitem cumprimento fracionado ou parcial da 
prestação; já as indivisíveis somente podem ser cumpridas por inteiro (arts. 257 e 258 do CC): 
 
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação 
divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, 
quantos os credores ou devedores. 
 
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma 
coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de 
ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico. 
 
Exemplo de indivisibilidade legal: pequena propriedade do módulo rural, prevista no Estatuto da Terra. 
 
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, 
cada um será obrigado pela dívida toda. 
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do 
credor em relação aos outros coobrigados. 
 
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a 
dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: 
I - a todos conjuntamente; 
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. 
 
A indivisibilidade se refere ao objeto e a solidariedade se refere aos sujeitos. Não tendo sido pactuada 
solidariedade ativa, o pagamento de prestação indivisível a um dos credores deverá observar o que dispõe o 
art. 260 do CC acima transcrito. A caução de ratificação somente é necessária na obrigação indivisível. Se a 
obrigação for solidária, não precisará de caução de ratificação. 
 
4. Obrigações de Meio e de Resultado 
 
A obrigação é denominada de meio quando o devedor se obriga a empreender sua atividade, sem garantir o 
resultado esperado. Já a obrigação de resultado, é aquela em que o devedor assume a realização do fim 
projetado. Ex.: em geral o médico assume uma obrigação de meio: empreender todos esforços e a melhor 
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técnica para a cura do paciente. O advogado também assume obrigação de meio, uma vez que não pode 
garantir sucesso na demanda. 
 
5. Obrigação Natural: é aquela em que posto figurem credor e devedor, é desprovida de coercibilidade 
jurídica, juridicamente inexigível. Ex.: dívida de jogo e dívida prescrita (arts. 882 e 814 CC). 
 
Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou 
cumprir obrigação judicialmente inexigível. 
 
Art. 814. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se 
pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por 
dolo, ou se o perdente é menor ou interdito. 
 
Uma obrigação natural, embora juridicamente inexigível, gera alguma consequência jurídica? 
 
Sim, já que pode haver retenção do pagamento feito espontaneamente feito pelo devedor. Se pagou 
espontaneamente não poderá exigir a repetição. 
 
TEORIA DO PAGAMENTO 
 
Pagamento significa cumprimento ou adimplemento voluntário da prestação. 
 
O que é a teoria do adimplemento substancial? 
 
Resp.: Instituto desenvolvido no Direito anglo-saxônico. Segundo esta teoria, que tem sido aplicada inclusive 
para a alienação fiduciária, também de possível aplicação ao contrato de seguro, em respeito aos princípios 
da boa-fé objetiva e da equivalência material (que traduz o necessário equilíbrio entre as prestações), não se 
reputa justo resolver um contrato quando o devedor, posto não haja cumprido a prestação de forma perfeita, 
substancialmente a realizou. Ex.: carro financiado em 60 meses, pagou 58, atrasou a parcela n.º 59, não se 
deve deferir a liminar de busca e apreensão, pois substancialmente o devedor cumpriu o pagamento. Ex. 2.: 
Prêmio do seguro dividido em 05 pagamento, pagou 04 atrasou um dia o pagamento da 5ª prestação, dia em 
que ocorreu o sinistro. 
 
Pelo CC, a seguradora não precisará pagar a indenização, pois estava em atraso no dia do sinistro (Art. 763. 
Não terá direito a indenização o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro 
antes de sua purgação.). Porém, pela teoria do adimplemento substancial, não é justo que a seguradora se 
furte ao pagamento, pois, houve o adimplemento substancial. 
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81 
Condições ou requisitos do pagamento: 
 
a) Subjetivas (quem deve pagar - art. 304 do CC - e a quem se deve pagar) 
 
- Quem deve pagar. Em primeiro plano quem deve pagar é o devedor ou se fazer representar. O terceiro 
também pode pagar, pelo sistema jurídico brasileiro. Mas existem dois tipos de terceiro: o interessado e o 
não interessado. Terceiro interessado é aquele que, mesmo não sendo parte, vincula-se à obrigação (fiador, 
avalista). Já o terceiro não interessado não se vincula juridicamente à obrigação, detendo apenas um interesse 
meta-jurídico. 
 
Quando o terceiro interessado paga, ele se sub-roga nos direitos, privilégios e garantias do credor originário. 
Já o terceiro não interessado que paga, duas situações podem ocorrer: se pagar em seu próprio nome não se 
sub-roga completamente na posição do credor, mas tem pelo menos direito ao reembolso; se pagar em nome 
do devedor, não tem direito a nada. 
 
Obs.: O devedor poderá se opor ao pagamento feito por terceiro, nos termos do art. 306 do CC (O pagamento 
feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga a reembolsar aquele que pagou, 
se o devedor tinha meios para ilidir a ação.). O artigo diz que não haverá o reembolso se o devedor tinha 
meios para pagar e o terceiro entrou na frente e pagou. Entende-se também que o devedor pode se opor o 
pagamento de terceiro, alegando que a dívida está prescrita. Stolze entende também que o devedor pode se 
opor ao pagamento pelo terceiro alegando direito seu da personalidade (entendimento civil-constitucional). 
Ex.: Inimigo fica sabendo da dívida de seu desafeto, paga, para poder tê-lo como seu devedor. 
 
- A quem se deve pagar: ao credor ou a seu representante. O sistema jurídico, todavia, admite também que o 
pagamento possa ser feito a um terceiro, nos termos dos arts. 308 e 309 do CC: 
 
Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o 
represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto 
reverter em seu proveito. 
 
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda 
provado depois que não era credor. 
 
Caso seja feito o pagamentoa um terceiro, para que tenha eficácia, o credor deverá ratificá-lo ou, não o 
ratificando, poderá o devedor provar que o pagamento reverteu em proveito do credor. 
 
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A luz dos princípios da boa-fé e da confiança, com fundamento doutrinário na teoria da aparência, admite o 
Art. 309 do CC o pagamento feito ao credor aparente ou putativo. 
 
b) Objetivas (objeto do pagamento; prova do pagamento; lugar do pagamento e tempo do pagamento). 
 
- Tempo do pagamento. Em regra, as obrigações devem ser cumpridas no seu vencimento. Caso não tenha 
vencimento certo, dispõe o art. 331 do CC que a obrigação pode ser exigida de imediato: 
 
Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época 
para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente. 
 
Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da 
condição, cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor. 
 
Obs.: No caso do mútuo feneratício (empréstimo de bem fungível a título oneroso) tem-se norma especial, 
Art. 592, II, não se estipulando o vencimento, o prazo mínimo do pagamento é de 30 dias. 
 
O CC estabelece no Art. 333 situações especiais de vencimento antecipado das dívidas. 
 
- Lugar do pagamento. A regra geral do direito brasileiro é no sentido de que o pagamento deverá ser feito 
no domicílio do devedor. Excepcionalmente, nos termos do art. 327 do CC, o pagamento poderá ser feito no 
domicílio do credor, casa em que a dívida é portável. 
 
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes 
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da 
obrigação ou das circunstâncias. 
 
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher 
entre eles. 
 
Obs.: PEGA!! O p.u. do art. 327 do CC, estabelece que, havendo dois ou mais lugares para pagamento, a 
escolha é feita pelo credor (Atenção! Quebra a tradição do CC que normalmente defere as escolhas ao 
devedor). 
 
Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir 
renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. (venire contra factum 
proprium – proíbe comportamento contraditório, quebra a boa-fé objetiva). 
 
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- Prova do pagamento. Tecnicamente o ato jurídico que comprova o pagamento denomina-se quitação, nos 
termos do art. 319 do CC. Recibo é o documento da quitação, é o que materializa a quitação. 
 
Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o 
pagamento, enquanto não lhe seja dada. 
 
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, 
designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem 
por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou 
do seu representante. 
 
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a 
quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a 
dívida. 
 
Presunções de pagamento: mesmo não havendo quitação formal, presume-se que o devedor pagou. Essas 
presunções são relativas, juris tantum, portanto, admitem prova em contrário: 
 
- Objeto do pagamento. (arts. 313-316 do CC). 
 
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é 
devida, ainda que mais valiosa. 
 
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode 
o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim 
não se ajustou. (ninguém tem direito de pagar parcelado, se isso não foi 
acertado) 
 
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda 
corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subseqüentes. (o 
credor não está obrigado a receber cheque ou cartão). 
 
Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações 
sucessivas. 
 
Embora o Art. 316 disponha a respeito do aumento progressivo de prestações, alguns autores como Mario 
Delgado, para tentar salvá-lo, sustentam que o codificador apenas previu a atualização monetária das 
prestações. Para Pablo Stolze, esse artigo é de legalidade duvidosa, pois, em verdade, permite o aumento do 
próprio débito em sua base. 
 
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Obs.: A CF, em seu art. 7º, VI, veda a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. O art. 1.710 do CC, 
por sua vez, proíbe a vinculação do salário mínimo para o cálculo de pensão alimentícia. 
 
Art. 1.710. As prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão 
atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido. 
 
Essa norma caiu em desuso. O próprio STF de longa data tem admitido essa vinculação (RE 170.203). 
 
FORMAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO. 
 
1. Pagamento com sub-rogação (substituição): trata-se de uma forma especial de pagamento, disciplinada a 
partir do art. 346 do CC, por meio da qual a dívida é cumprida por terceiro que se sob-roga no direito do 
credor originário. É uma forma de extinção da obrigação, pois o credor originário sai da relação obrigacional. 
Nasce outra relação a partir daí, envolvendo, agora, novo credor e devedor antigo. 
 
Preste atenção: O que diferencia a cessão de crédito do pagamento com sub-rogação, é que a primeira pode 
ser gratuita e a segunda não. 
 
Efeitos do pagamento com sub-rogação: 
 
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, 
privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor 
principal e os fiadores. 
 
Obs.: o art. 350 do CC limita o direito do novo credor ao valor efetivamente pago. Se o fiador paga a dívida 
com desconto, não poderá cobrar do devedor principal o valor sem o desconto, somente pode cobrar o que 
efetivamente pagou. 
 
Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e 
as ações do credor, senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o 
devedor. 
 
Obs.: Caso o fiador na locação efetue o pagamento ao credor originário, sub-rogando-se na posição dele, não 
poderá com isso pretender penhorar, em ação de regresso, bem de família do devedor: a norma que admite a 
constrição do seu imóvel residencial (Art. 3º, VII Lei 8.009/90) não comporta interpretação extensiva. Além 
do que é nova relação jurídica que se forma, agora, com novo credor e devedor antigo. 
 
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Espécies de pagamento com sub-rogação: 
 
– Legal (art. 346) 
 
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor: 
 
I - do credor que paga a dívida do devedor comum; 
II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem 
como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre 
imóvel; 
III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser 
obrigado, no todo ou em parte. (Ex.: fiador) 
 
– Convencional (art. 347) 
 
Art. 347. A sub-rogação é convencional: 
 
I - quando o credorrecebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe 
transfere todos os seus direitos; 
 
II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver 
a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos 
do credor satisfeito. 
 
2. Imputação do pagamento: trata-se de um meio de determinação de pagamento em que uma das dívidas é 
indicada para ser solvida, havendo outras da mesma natureza, entre as mesmas partes. (se há mais de uma 
dívida, e o devedor pagar somente uma delas, terá que indicar qual está pagando). As regras são as seguintes: 
 
A imputação será feita pelo devedor (art. 352 do CC). Se o devedor não imputar, a imputação será feita pelo 
credor (art. 353 do CC). Caso não tenha havido imputação feita pelo devedor ou pelo credor, aplicam-se 
subsidiariamente as regras da imputação legal (arts. 354 e 355 do CC). 
 
Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for 
omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em 
primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, 
a imputação far-se-á na mais onerosa. 
 
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Obs.: Se todas as dívidas, na imputação legal, forem vencidas ao mesmo tempo e igualmente onerosas, o CC 
não indica como será feita a imputação. Assim, na falta de regra, o juiz decidirá por equidade em cada caso 
concreto. 
 
3. Dação em pagamento: trata-se de uma forma de pagamento satisfativa do interesse do credor. Regulada a 
partir do art. 356 do CC, a dação em pagamento opera-se quando o credor, na mesma relação obrigacional, 
aceita receber prestação diversa da que lhe é devida. 
 
Requisitos da dação em pagamento (in solutum): 
 
a) existência de uma dívida vencida; 
b) consentimento do credor; 
c) cumprimento de uma prestação diversa; 
d) animus solvendi. 
 
Evicção da coisa dada em pagamento – art. 359 
 
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-
se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os 
direitos de terceiros. 
 
Ex.: devedor de um veleiro, propõe ao credor dar-lhe em pagamento um carro e não o veleiro. O credor 
aceita. Após, o credor perde o carro em virtude de direito de outrem anteriormente existente (evicção). Nesse 
caso, restabelecer-se-á a obrigação originária (veleiro). Porém, se o veleiro já tiver sido vendido a terceiro de 
boa-fé, a obrigação principal não será restabelecida, resolvendo-se em perdas e danos. 
 
4. Novação: disciplinada a partir do art. 360 do CC, dá-se a novação quando, mediante estipulação negocial, 
as partes criam uma OBRIGAÇÃO NOVA destinada a substituir e extinguir a obrigação anterior. Sempre 
decorre da autonomia da vontade das partes, não existindo novação legal. (recomeça nova contagem de 
prazos, tem de se tirar o nome do devedor dos cadastros de proteção ao crédito, pois tem-se novo negócio 
jurídico, no qual o devedor ainda não está em mora.) 
 
Requisitos da novação: 
 
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a) Existência de uma obrigação anterior: nos termos do art. 367 do CC, vale lembrar que obrigação extinta 
ou nula não poderá ser novada, mas a obrigação simplesmente anulável pode! A obrigação anulável, por ser 
menos grave, pode ser confirmada e novada. 
 
Art. 367. Salvo as obrigações simplesmente anuláveis, não podem ser objeto de 
novação obrigações nulas ou extintas. 
 
b) Deve haver a criação de uma obrigação nova, substancialmente diversa da primeira. Deve, pois, concorrer 
um elemento novo (aliquid novi). É muito importante pontuar que a novação pressupõe a criação de uma 
obrigação nova, com a consequente quitação da primeira dívida. Assim, se as partes apenas renegociam a 
mesma obrigação (pactuando um parcelamento ou reduzindo uma multa), novação não há! 
 
c) ânimo de novar - o CC, assim como a esmagadora maioria dos códigos do mundo, não exige a declaração 
expressa da intenção de novar. 
 
O STJ, já firmou entendimento (Ag.Rg. no Ag. 801.930/SC, bem como Súmula 286 - A renegociação de 
contrato bancário ou a confissão da dívida não impede a possibilidade de discussão sobre eventuais 
ilegalidades dos contratos anteriores.) no sentido de que mesmo tendo havido renegociação da mesma dívida 
ou novação, é possível a impugnação a posteriori de cláusula inválida e a revisão do contrato. O princípio do 
non venire contra factum proprium não pode chancelar ilegalidades. Assim, parte renegocia sua dívida com 
o banco e depois verifica uma cláusula ilegal, poderá sim revisar o contrato. 
 
Espécies de novação: 
 
 
a) Objetiva: art. 360, I, CC. Na novação objetiva, as mesmas partes criam obrigação nova destinada a 
substituir e extinguir a obrigação anterior. 
 
b) Subjetiva: Art. 360, II e III, CC, poderá ser ativa ou passiva. 
 
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b.1) Ativa: neste caso, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor 
quite com este. 
 
b.2) Passiva: opera quando um novo devedor sucede ao antigo, considerando criada a partir daí uma 
obrigação nova. Esta novação subjetiva passiva, pode se dar de duas maneiras: por delegação ou por 
expromissão. 
 
b.2.1) Na delegação, o antigo devedor participa do ato novatório, aquiescendo. 
 
b.2.2) Na expromissão, diferentemente, art. 362 do CC, a novação subjetiva passiva realiza-se sem o 
consentimento do devedor originário. O credor simplesmente comunica o devedor antigo que a obrigação 
está sendo extinta e que a obrigação está sendo assumida por novo devedor. 
 
Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada 
independentemente de consentimento deste. 
 
Art. 363. Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, 
ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a 
substituição. 
 
Efeitos da novação: a novação tem um efeito liberatório do devedor, inclusive no que tange aos acessórios e 
garantias da obrigação primitiva, nos termos dos arts. 364 e 366. Diferentemente do que ocorre com o 
pagamento com sub-rogação, art. 349 (comparar). 
 
Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que 
não houver estipulação em contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor 
ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese, se os bens dados em garantia 
pertencerem a terceiro que não foi parte na novação. 
 
Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o 
devedor principal. 
 
Obs.: Interpretando o art. 365 do CC, cumpre advertir que, em havendo novação feita por um dos credores 
solidários, os outros credores terão o direito de exigir daquele que novou, as suas respectivas partes no 
crédito. 
 
Art. 365. Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, 
somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as 
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preferências e garantias do crédito novado. Os outros devedoressolidários 
ficam por esse fato exonerados. 
 
5. Remissão: a remissão traduz o perdão da dívida, disciplinada a partir do art. 385 do CC. Ela tem condão 
bilateral, pois o devedor deve aceitá-la. 
 
Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas 
sem prejuízo de terceiro. 
 
Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação, quando por escrito 
particular, prova desoneração do devedor e seus co-obrigados, se o credor for 
capaz de alienar, e o devedor capaz de adquirir. 
 
Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do 
credor à garantia real, não a extinção da dívida. 
 
Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na 
parte a ele correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a 
solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução 
da parte remitida. 
 
6. Confusão: a confusão se opera quando na mesma pessoa agregam-se as condições de credor e devedor 
(art. 381 do CC). 
 
Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as 
qualidades de credor e devedor. 
 
Art. 382. A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de 
parte dela. 
 
Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só 
extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na 
dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade. 
 
Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus 
acessórios, a obrigação anterior. 
 
7. Compensação: opera-se, nos termos do art. 368 do CC, se duas pessoas forem, ao mesmo tempo, credora 
e devedora uma da outra. 
 
Espécies de compensação: 
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a) Legal: se opera, por manifestação do interessado, quando reunidos os requisitos da lei (art. 369 do CC), 
devendo o juiz declará-la. A compensação é matéria de defesa, preliminar de mérito indireta. 
 
a.1) Requisitos da compensação legal: 
 
I – reciprocidade de dívidas; 
 
Obs.: Vale anotar que este requisito sofre certa mitigação por forca do art. 371 do CC, que admite a 
possibilidade de um terceiro compensar uma dívida que não é dele (fiador). O fiador, quando demandado 
pelo credor, pode alegar compensação um crédito que o devedor principal tem com o credor. 
 
Art. 371. O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; 
mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. 
 
II – Para que haja compensação legal é preciso que haja liquidez das dívidas, tem de ser certas. 
 
III – Para que haja compensação legal as dívidas devem ser exigíveis, ou seja, vencidas. 
 
Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas 
fungíveis. 
 
IV - Para que haja compensação legal é preciso que as dívidas sejam da mesma natureza, ou seja, 
homogêneas. 
 
Obs.: Ainda que sejam do mesmo gênero, as coisas fungíveis, objeto das duas prestações recíprocas, se 
diferirem na qualidade, a compensação legal não será possível. 
 
Art. 370. Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas 
prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, 
quando especificada no contrato. 
 
Obs.: à luz do princípio da eticidade, mesmo que tenha sido concedido prazo de favor, é possível a alegação 
de compensação, nos termos do art. 372 do CC. Ex.: “A” deve a “B”, venceu a dívida, “A” pediu mais um 
prazo e “B” concedeu (prazo de favor). Nesse meio tempo “B”, por algum motivo, se torna devedor de “A”. 
“A” ingressa com a ação, mesmo não tendo vencido o prazo de favor, “B” poderá alegar compensação. 
 
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Art. 372. Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a 
compensação. 
 
Obs.: Regra geral, as causas das dívidas não interferem na compensação, com as exceções do art. 373. 
 
Art. 373. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto: 
 
I - se provier de esbulho, furto ou roubo; 
 
II - se uma se originar de comodato, depósito (para evitar quebra de 
confiança) ou alimentos; 
 
*Obs.: Em regra, é aceitável o entendimento segundo o qual não pode haver compensação de débitos 
alimentares. Porém, o STJ excepcionalmente tem admitido a compensação, para evitar enriquecimento sem 
causa (REsp.: 202.179-GO e REsp.: 982.857-RJ/2008). 
 
III - se uma for de coisa não suscetível de penhora. 
 
O STJ, no AgRg. 353.291-RS, deixou claro que, dada a sua impenhorabilidade como regra, o salário não 
pode ser objeto de compensação automática pelo banco. 
 
b) Convencional: se opera, em virtude do ajuste entre as partes, independentemente dos requisitos de lei. 
 
c) Judicial: diferentemente das duas anteriores pode ser feita de ofício pelo juiz. Trata-se da compensação 
que se opera por ato judicial no bojo do processo. Ex.: Art. 86 do CPC: Se cada litigante for, em 
parte, vencedor e vencido, serão proporcionalmente distribuídas entre eles as 
despesas. 
 
TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES 
 
I – Cessão de crédito: trata-se de uma forma de transmissão no polo ativo da relação obrigacional, por meio 
da qual o credor (cedente) transmite total ou parcialmente o crédito ao cessionário, mantida a mesma relação 
obrigacional com o devedor (cedido). Art. 286 do CC. 
 
Não se confunde com a novação subjetiva ativa, pois preserva-se o mesmo negócio jurídico, mesmos prazos 
e valores. Apesar de haver um ponto de contato com o pagamento com sub-rogação, diferencia pelo fato de 
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que a cessão de crédito pode ser gratuita. O ponto de contato somente se dá quando a cessão de crédito é 
onerosa. 
 
Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a 
natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula 
proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não 
constar do instrumento da obrigação. 
 
Exemplo em que a lei impede a cessão de crédito: art. 1.749, III. Pode também ser proibida a cessão de 
crédito por convenção das partes. 
 
Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se 
todos os seus acessórios. 
 
O devedor precisa autorizar a cessão de crédito? 
 
NÃO! O sistema brasileiro não concede esse poder ao devedor. No entanto, a luz do princípio da boa-fé 
objetiva, e com amparo no dever de informação, a teor do Art. 290 CC, é preciso que o devedor seja 
comunicado da cessão feita, como consequência lógica do próprio ato de cessão, especialmente para que 
saiba a quem pagar e contra quem se defender (arts. 292 e 294 do CC) 
 
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão 
quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito 
público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. 
 
Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, 
paga ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, 
paga ao cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação 
cedida; quando o crédito constar de escritura pública, prevalecerá a 
prioridade da notificação. 
 
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionárioas exceções que lhe competirem, 
bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha 
contra o cedente. 
 
II – Cessão de débito (assunção de dívida, não havia no CC/16): na cessão de débito, o devedor, com 
expresso consentimento do credor, transmite o débito a terceiro, mantida a mesma relação obrigacional. 
 
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Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o 
consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo 
se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. 
 
Obs.: Com a assunção da dívida, a regra é de que o devedor primitivo está exonerado, no entanto, se o novo 
devedor era insolvente e o credor de nada sabia, a obrigação do antigo devedor se restabelece. 
 
Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que 
consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. 
 
Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se 
extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele 
originariamente dadas ao credor. 
 
Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o 
débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por 
terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação. 
 
Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que 
competiam ao devedor primitivo. (Ex.:dolo) 
 
TEORIA DO INADIMPLEMENTO (EXTREMAMENTE IMPORTANTE) 
 
Inadimplemento traduz descumprimento da obrigação, desdobrando-se em: inadimplemento absoluto 
culposo ou fortuito e inadimplemento relativo (mora). 
 
 
 
I – Inadimplemento Absoluto: traduz o descumprimento total da obrigação. Ele pode ser: 
 
a) Fortuito: deriva de fato não imputável ao devedor, decorrente de caso fortuito ou força maior (art. 393 do 
CC). Em geral, a conseqüência do descumprimento fortuito é a extinção da obrigação sem perdas e danos. 
 
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito 
ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. 
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Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato 
necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. 
 
Veja o artigo 399 também. 
 
b) Culposo: deriva de fato imputável ao devedor (culpa ou dolo), impondo-se a obrigação de pagar perdas e 
danos sem prejuízo de eventual tutela jurídica específica (art. 389 do CC). 
 
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, 
mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, e honorários de advogado. 
 
O que se entende por perdas e danos? As perdas e danos, nos termos do art. 402 do CC, consistem no 
prejuízo efetivo sofrido pelo credor (dano emergente), compreendendo também o que aquilo que ele 
razoavelmente deixou de lucrar (lucro cessante). Pagar perdas e danos, portanto, significa indenizar a vítima, 
restituindo ao status quo ante. 
 
Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos 
devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que 
razoavelmente deixou de lucrar. 
 
OBS: A moderna doutrina tem entendido que o descumprimento de deveres anexos decorrentes da boa-fé 
objetiva (informação, lealdade...) determina responsabilidade civil OBJETIVA - VIOLAÇÃO POSITIVA 
DO CONTRATO (Enunciado 24 da I Jornada de D. Civil). 
 
24 – Art. 422: Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação 
dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa. 
 
II – Inadimplemento relativo ou mora: ocorre a mora, espécie de inadimplemento relativo, quando o 
pagamento não é feito no tempo, lugar e forma convencionados. 
 
a) Espécies de mora: 
 
Havendo mora do credor e do devedor, deverá o juiz, na medida do possível, compensá-las, ficando tudo 
como está. 
 
a.1) Mora accipiendi ou credendi (do credor) – art. 394 e 400. 
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Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o 
credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a 
convenção estabelecer. 
 
Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade 
pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas 
em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao 
devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o 
da sua efetivação. 
 
Ex.: vendido um boi, no dia combinado o devedor do animal o leva e o credor, injustificadamente, se nega a 
receber, só recebendo depois de alguns dias. Se a arroba do boi variar nesse tempo de mora do credor, o 
devedor terá o direito de receber pelo melhor preço nesse período. 
 
a.2) Mora solvendi ou debendi (do devedor). 
 
Conceito: a mora do devedor, em linhas gerais, traduz o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. 
 
Requisitos: 
 
I – Existência de dívida liquida e certa; 
 
II – Vencimento da dívida ou sua exigibilidade: quando a obrigação tem vencimento certo, a constituição em 
mora do devedor opera-se de pleno direito, segundo o aforisma dies interpellat pro homine – o dia interpela 
pelo homem. Neste caso fala-se que a mora é ex re (art. 397, caput). Todavia, caso o credor necessite 
constituir em mora o devedor, interpelando-o, a mora será ex persona (Art. 397, p.u.). 
 
Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, 
constitui de pleno direito em mora o devedor. 
Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação 
judicial ou extrajudicial. 
 
III – Culpa - Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora. 
 
IV – Viabilidade do cumprimento tardio da obrigação. Na forma do p.u. do art. 395 do CC, à luz do 
Enunciado 162 da III Jornada de D. Civil, se a prestação, objetivamente considerada, não for mais de 
interesse do credor, não há que se falar em simples mora e sim em inadimplemento absoluto da obrigação, 
resolvendo-se em perdas e danos. 
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Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, 
este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos. 
 
162 - Art. 395: A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser 
aferida objetivamente, consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do sinalagma, e não de acordo com o 
mero interesse subjetivo do credor. 
 
Efeitos da mora do devedor: 
 
I – Responsabilidade civil pelos prejuízos causados ao credor em virtude da mora (art. 395, caput). 
 
II – Responsabilidade civil do devedor pela integridade da coisa devida, em outras palavras, perpetuatio 
obligationis (art. 399 do CC). 
 
Art. 399. O devedor emmora responde pela impossibilidade da prestação, embora 
essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes 
ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano 
sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. 
 
Nos termos do art. 399, firma-se a regra geral, segundo a qual, durante a mora, o devedor responde pela 
integridade da coisa, mesmo havendo caso fortuito ou força maior. Poderá, todavia, alegar, em defesa: que 
não teve culpa no atraso do pagamento ou que mesmo que houvesse desempenhado oportunamente a 
prestação, o dano ainda assim sobreviria. 
 
CLÁUSULA PENAL: também denominada pena convencional, consiste em um pacto acessório por meio 
do qual as partes visam a antecipar a indenização devida em caso de inadimplemento absoluto ou relativo 
(função precípua economicidade, pré-liquidação virtual de indenização – antecipação de indenização). 
 
Segundo Cristiano Chaves, a cláusula penal tem uma função secundária intimidatória. 
Obs.: Tecnicamente, a multa tem uma função precípua sancionatória e não de ressarcimento. Cláusula penal 
tem natureza indenizatória, compensatória; já a multa é punição. 
 
A disciplina da cláusula penal é feita a partir do art. 408 do CC, desdobrando-se em duas espécies 
fundamentais: 
 
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a) Cláusula penal compensatória (arts. 408 e 410 do CC). Obs.: Lembra-nos Guilherme Gama que, por 
exceção, o jogador de futebol que resolva exercer o direito de desistir do contrato, mesmo não estando 
tecnicamente descumprindo obrigação, poderá ser compelido a pagar cláusula penal (Art. 28, Lei 9.615/98). 
 
O valor da cláusula penal não poderá ultrapassar, sob pena de enriquecimento sem causa, o valor da 
obrigação principal – Art. 412 CC. 
 
Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da 
obrigação principal. 
 
O credor, nos termos do art. 410 do CC, tem a alternativa de exigir a obrigação descumprida (v.g. via tutela 
especifica) ou executar a cláusula penal. 
 
Se o prejuízo do credor ultrapassar o valor estipulado na cláusula penal, é possível a ele pedir indenização 
suplementar? 
 
O p.u. do Art. 416 do CC estabelece que a indenização suplementar é possível se houver previsão 
contratual. 
 
Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor 
alegue prejuízo. 
Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, 
não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi 
convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, 
competindo ao credor provar o prejuízo excedente. 
 
b) Cláusula penal moratória (Art. 411 do CC). A doutrina tem dito que a cláusula penal moratória é pactuada 
para o caso de mora ou de descumprimento de alguma cláusula isolada do contrato. (Limite de cláusula penal 
moratória no CDC é 2%). 
 
Hipóteses de redução da cláusula penal. 
 
Art. 413. A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a 
obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da 
penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a 
finalidade do negócio. 
 
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Obs.: A cláusula penal que estipule a perda de todas as prestações pagas passou a ser passível de revisão, 
segundo as características do caso concreto após a entrada em vigor do CDC (REsp.: 399.123/SC e REsp.: 
435.608/PR) 
 
A doutrina moderna, a exemplo de Flávio Tartuce, tem sustentado que, à luz do princípio da função social, o 
juiz deve, de ofício, reduzir o valor excessivo da cláusula penal. 
 
ARRAS 
 
Arras confirmatórias – são aquelas em que não há o direito de arrependimento previsto no contrato. Se 
houver desistência por parte de quem deu arras, perderá as mesmas em favor da outra parte. Se a desistência 
for da parte que recebeu as arras, ela terá que devolver a quantia em dobro, com atualização monetária, 
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários advocatícios. 
 
Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra 
tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, 
poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais 
o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, juros e honorários de advogado. 
 
Se a parte que deu arras desistir, ele perde as mesmas. É suficiente reparar o dano ou é cabível indenização? 
Nas confirmatórias, a parte inocente pode pedir uma reparação de danos suplementar, se provar que o 
prejuízo foi superior ao valor das arras. 
 
Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior 
prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente 
exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o 
mínimo da indenização. 
 
Arras penitenciais – são aquelas presentes em um contrato onde consta cláusula de arrependimento. Nesta 
hipótese, não há direito a indenização suplementar, independentemente do valor do prejuízo. Se a parte que 
deu arras desistir, ela vai perde-las, mas elas corresponderão a verdadeira indenização. 
 
Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para 
qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. 
Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as 
recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá 
direito a indenização suplementar. 
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QUESTÕES – AULA 3 
 
1. Ary celebrou contrato de compra e venda de imóvel com Laurindo e, mesmo sem a devida declaração 
negativa de débitos condominiais, conseguiu registrar o bem em seu nome. Ocorre que, no mês seguinte à 
sua mudança, Ary foi surpreendido com a cobrança de três meses de cotas condominiais em atraso. 
Inconformado com a situação, Ary tentou, sem sucesso, entrar em contato com o vendedor, para que este 
arcasse com os mencionados valores. De acordo com as regras concernentes ao direito obrigacional, assinale 
a opção correta. 
 
a) Perante o condomínio, Laurindo deverá arcar com o pagamento das cotas em atraso, pois cabe ao 
vendedor solver todos os débitos que gravem o imóvel até o momento da tradição, entregando-o livre e 
desembargado. 
b) Perante o condomínio, Ary deverá arcar com o pagamento das cotas em atraso, pois se trata de obrigação 
subsidiária, já que o vendedor não foi encontrado, cabendo ação in rem verso, quando este for localizado. 
c) Perante o condomínio, Laurindo deverá arcar com o pagamento das cotas em atraso, pois se trata de 
obrigação com eficácia real, uma vez que Ary ainda não possui direito real sobre a coisa. 
d) Perante o condomínio, Ary deverá arcar com o pagamento das cotas em atraso, pois se trata de obrigação 
propter rem, entendida como aquela que está a cargo daquele que possui o direito real sobre a coisa e, 
comprovadamente, imitido na posse do imóvel adquirido. 
 
2. (XV EXAME) Donato, psiquiatra de renome, era dono de uma extensa e variada biblioteca, com obras de 
sua área profissional, importadas e raras.Com sua morte, seus três filhos, Hugo, José e Luiz resolvem alienar 
a biblioteca à Universidade do Estado, localizada na mesma cidade em que o falecido residia. Como Hugo 
vivia no exterior e José em outro estado, ambos incumbiram Luiz de fazer a entrega no prazo avençado. 
Luiz, porém, mais preocupado com seus próprios negócios, esqueceu-se de entregar a biblioteca à 
Universidade, que, diante da mora, notificou José para exigir-lhe o cumprimento integral em 48 horas, sob 
pena de resolução do contrato em perdas e danos. Nesse contexto, assinale a afirmativa correta. 
 
A) José deve entregar a biblioteca no prazo designado pela Universidade, se quiser evitar a resolução do 
contrato em perdas e danos. 
B) Não tendo sido ajustada solidariedade, José não está obrigado a entregar todos os livros, respondendo, 
apenas, pela sua cota parte. 
C) Como Luiz foi incumbido da entrega, a Universidade não poderia ter notificado José, mas deveria ter 
interpelado Luiz. 
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D) Tratando-se de três devedores, a Universidade não poderia exigir de um só o pagamento; logo, deveria ter 
notificado simultaneamente os três irmãos. 
 
3. (XIX EXAME) A peça Liberdade, do famoso escultor Lúcio, foi vendida para a Galeria da Vinci pela 
importância de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Ele se comprometeu a entregar a obra dez dias após o 
recebimento da quantia estabelecida, que foi paga à vista. A galeria organizou, então, uma grande exposição, 
na qual a principal atração seria a escultura Liberdade. No dia ajustado, quando dirigia seu carro para fazer a 
entrega, Lúcio avançou o sinal, colidiu com outro veículo, e a obra foi completamente destruída. O anúncio 
pela galeria de que a peça não seria mais exposta fez com que diversas pessoas exercessem o direito de 
restituição dos valores pagos a título de ingresso. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Lúcio deverá entregar outra obra de seu acervo à escolha da Galeria da Vinci, em substituição à escultura 
Liberdade. 
B) A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuniário da escultura Liberdade mais o 
prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos relativos à exposição. 
C) Por se tratar de obrigação de fazer infungível, a Galeria da Vinci não poderá mandar executar a prestação 
às expensas de Lúcio, restando-lhe pleitear perdas e danos. 
D) Com o pagamento do preço, transferiu-se a propriedade da escultura para a Galeria da Vinci, razão pela 
qual ela deve suportar o prejuízo pela perda do bem. 
 
4. (XXII Exame) Antônio, vendedor, celebrou contrato de compra e venda com Joaquim, comprador, no 
dia 1º de setembro de 2016, cujo objeto era um carro da marca X no valor de R$ 20.000,00, sendo o 
pagamento efetuado à vista na data de assinatura do contrato. Ficou estabelecido ainda que a entrega do bem 
seria feita 30 dias depois, em 1º de outubro de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, domicílio do vendedor. 
Contudo, no dia 25 de setembro, uma chuva torrencial inundou diversos bairros da cidade e o carro foi 
destruído pela enchente, com perda total. Considerando a descrição dos fatos, Joaquim 
 
A) Não faz jus à devolução do pagamento de R$ 20.000,00. 
B) Terá́ direito à devolução de 50% do valor, tendo em vista que Antônio, vendedor, não teve culpa. 
C) Terá́ direito à devolução de 50% do valor, tendo em vista que Antônio, vendedor, teve culpa. 
D) Terá́ direito à devolução de 100% do valor, pois ainda não havia ocorrido a tradição no momento do 
perecimento do bem. 
 
5. (XXV Exame) Arlindo, proprietário da vaca Malhada, vendeu-a a seu vizinho, Lauro. Celebraram, em 10 
de janeiro de 2018, um contrato de compra e venda, pelo qual Arlindo deveria receber do comprador a 
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quantia de R$ 2.500,00, no momento da entrega do animal, agendada para um mês após a celebração do 
contrato. Nesse interregno, contudo, para surpresa de Arlindo, Malhada pariu dois bezerros. Sobre os fatos 
narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Os bezerros pertencem a Arlindo. 
B) Os bezerros pertencem a Lauro. 
C) Um bezerro pertence a Arlindo e o outro, a Lauro. 
D) Deverá ser feito um sorteio para definir a quem pertencem os bezerros. 
 
6. (XXI EXAME) Felipe e Ana, casal de namorados, celebraram contrato de compra e venda com Armando, 
vendedor, cujo objeto era um carro no valor de R$ 30.000,00, a ser pago em 10 parcelas de R$ 3.000,00, a 
partir de 1º de agosto de 2016. Em outubro de 2016, Felipe terminou o namoro com Ana. Em novembro, 
nem Felipe nem Ana realizaram o pagamento da parcela do carro adquirido de Armando. Felipe achava que 
a responsabilidade era de Ana, pois o carro tinha sido presente pelo seu aniversário. Ana, por sua vez, 
acreditava que, como Felipe ficou com o carro, não estava mais obrigada a pagar nada, já que ele terminara o 
relacionamento. Armando procura seu(sua) advogado(a), que o orienta a cobrar 
 
A) A totalidade da dívida de Ana. 
B) A integralidade do débito de Felipe. 
C) Metade de cada comprador. 
D) A dívida de Felipe ou de Ana, pois há solidariedade passiva. 
 
7. (XVIII EXAME) Joana e suas quatro irmãs, para comemorar as bodas de ouro de seus pais, contrataram 
Ricardo para organizar a festa. No contrato ficou acordado que as cinco irmãs arcariam solidariamente com 
todos os gastos. Ricardo, ao requerer o sinal de pagamento, previamente estipulado no contrato, não obteve 
sucesso, pois cada uma das irmãs informava que a outra tinha ficado responsável pelo pagamento. Ainda 
assim, Ricardo cumpriu sua parte do acordado. Ao final da festa, Ricardo foi até Joana para cobrar pelo 
serviço, sem sucesso. Sobre a situação apresentada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Se Ricardo resolver ajuizar demanda em face somente de Joana, as outras irmãs, ainda assim, 
permanecerão responsáveis pelo débito. 
B) Se Joana pagar o preço total do serviço sozinha, poderá cobrar das outras, ficando sem receber se uma 
delas se tornar insolvente. 
C) Se uma das irmãs de Joana falecer deixando dois filhos, qualquer um deles deverá arcar com o total da 
parte de sua mãe. 
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D) Ricardo deve cobrar de cada irmã a sua quota-parte para receber o total do serviço, uma vez que se trata 
de obrigação divisível. 
 
8. (XX EXAME) Paulo, João e Pedro, mutuários, contraíram empréstimo com Fernando, mutuante, 
tornando-se, assim, devedores solidários do valor total de R$ 6.000,00 (seis mil reais). Fernando, muito 
amigo de Paulo, exonerou-o da solidariedade. João, por sua vez, tornou-se insolvente. No dia do vencimento 
da dívida, Pedro pagou integralmente o empréstimo. Considerando a hipótese narrada, assinale a afirmativa 
correta. 
 
A) Pedro não poderá regredir contra Paulo para que participe do rateio do quinhão de João, pois Fernando o 
exonerou da solidariedade. 
B) Apesar da exoneração da solidariedade, Pedro pode cobrar de Paulo o valor de R$ 3.000,00 (três mil 
reais). 
C) Ao pagar integralmente a dívida, Pedro se sub-roga nos direitos de Fernando, permitindo-se que cobre a 
integralidade da dívida dos demais devedores. 
D) Pedro deveria ter pago a Fernando apenas R$ 2.000,00 (dois mil reais), pois a exoneraçãoda 
solidariedade em relação a Paulo importa, necessariamente, a exoneração da solidariedade em relação a todos 
os codevedores. 
 
9. (XXIV EXAME) André, Mariana e Renata pegaram um automóvel emprestado com Flávio, 
comprometendo-se solidariamente a devolvê-lo em quinze dias. Ocorre que Renata, dirigindo acima do 
limite de velocidade, causou um acidente que levou à destruição total do veículo. Assinale a opção que 
apresenta os direitos que Flávio tem diante dos três. 
 
A) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mais perdas e danos. 
B) Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas e danos de 
Renata. 
C) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro e das perdas e danos. 
D) Pode exigir, de cada um dos três, um terço do equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas 
e danos de Renata. 
 
10. (XIX EXAME) No dia 2 de agosto de 2014, Teresa celebrou contrato de compra e venda com Carla, com 
quem se obrigou a entregar 50 computadores ou 50 impressoras, no dia 20 de setembro de 2015. O contrato 
foi silente sobre quem deveria realizar a escolha do bem a ser entregue. Sobre os fatos narrados, assinale a 
afirmativa correta. 
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A) Trata-se de obrigação facultativa, uma vez que Carla tem a faculdade de escolher qual das prestações 
entregará a Teresa. 
B) Como se trata de obrigação alternativa, Teresa pode se liberar da obrigação entregando 50 computadores 
ou 50 impressoras, à sua escolha, uma vez que o contrato não atribuiu a escolha ao credor. 
C) Se a escolha da prestação a ser entregue cabe a Teresa, ela poderá optar por entregar a Carla 25 
computadores e 25 impressoras. 
D) Se, por culpa de Teresa, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo a Carla a escolha, 
ficará aquela obrigada a pagar somente os lucros cessantes. 
 
11. (XVII EXAME) Gilvan (devedor) contrai empréstimo com Haroldo (credor) para o pagamento com 
juros do valor do mútuo no montante de R$ 10.000,00. Para facilitar a percepção do crédito, a parte do polo 
ativo obrigacional ainda facultou, no instrumento contratual firmado, o pagamento do montante no termo 
avençado ou a entrega do único cavalo da raça manga larga marchador da fazenda, conforme escolha a ser 
feita pelo devedor. Ante os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Trata-se de obrigação alternativa. 
B) Cuida-se de obrigação de solidariedade em que ambas as prestações são infungíveis. 
C) Acaso o animal morra antes da concentração, extingue-se a obrigação. 
D) O contrato é eivado de nulidade, eis que a escolha da prestação cabe ao credor. 
 
12. (EXAME XXXI) Jacira mora em um apartamento alugado, sendo a locação garantida por fiança prestada 
por seu pai, José. Certa vez, Jacira conversava com sua irmã Laura acerca de suas dificuldades financeiras, e 
declarou que temia não ser capaz de pagar o próximo aluguel do imóvel. Compadecida da situação da irmã, 
Laura procurou o locador do imóvel e, na data de vencimento do aluguel, pagou, em nome próprio, o valor 
devido por Jacira, sem oposição desta. Nesse cenário, em relação ao débito do aluguel daquele mês, assinale 
a afirmativa correta. 
 
A) Laura, como terceira interessada, sub-rogou-se em todos os direitos que o locador tinha em face de Jacira, 
inclusive a garantia fidejussória. 
B) Laura, como terceira não interessada, tem apenas direito de regresso em face de Jacira. 
C) Laura, como devedora solidária, sub-rogou-se nos direitos que o locador tinha em face de Jacira, mas não 
quanto à garantia fidejussória. 
D) Laura, tendo realizado mera liberalidade, não tem qualquer direito em face de Jacira. 
 
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13. (XVIII EXAME) Vitor e Paula celebram entre si, por escritura particular levada a registro em cartório de 
títulos e documentos, contrato de mútuo por meio do qual Vitor toma emprestada de Paula a quantia de R$ 
10.000,00, obrigando-se a restituir o montante no prazo de três meses. Em garantia da dívida, Vitor constitui 
em favor de Paula, por meio de instrumento particular, direito real de penhor sobre uma joia de que é 
proprietário. Vencido o prazo estabelecido para o pagamento da dívida, Vitor procura Paula e explica que 
não dispõe de dinheiro para quitar o débito. Propõe então que, em vez da quantia devida, Paula receba, em 
pagamento da dívida, a propriedade da coisa empenhada. Assinale a opção que indica a orientação correta a 
ser transmitida a Paula. 
 
A) Para ter validade, o acordo sugerido por Vitor deve ser celebrado mediante escritura pública. 
B) O acordo sugerido por Vitor não tem validade, uma vez que constitui espécie de pacto proibido pela lei. 
C) Para ter validade, o acordo sugerido deve ser homologado em juízo. 
D) O acordo sugerido por Vitor é válido, uma vez que constitui espécie de pacto cuja licitude é 
expressamente reconhecida pela lei. 
 
14. (V EXAME) A dação em pagamento é: 
 
A) Modalidade de obrigação facultativa, na qual o credor consente em receber objeto diverso ao da prestação 
originariamente pactuada. 
B) Modalidade de adimplemento direto, na qual o credor consente em receber objeto diverso ao da prestação 
originariamente pactuada. 
C) Causa extintiva da obrigação, na qual o credor consente em receber objeto diverso ao da prestação 
originariamente pactuada. 
D) Modalidade de obrigação alternativa, na qual o credor consente em receber objeto diverso ao da prestação 
originariamente pactuada. 
 
15. (XIII EXAME) A transmissibilidade de obrigações pode ser realizada por meio do ato denominado 
cessão, por meio da qual o credor transfere seus direitos na relação obrigacional a outrem, fazendo surgir as 
figuras jurídicas do cedente e do cessionário. Constituída essa nova relação obrigacional, é correto afirmar 
que 
 
A) Os acessórios da obrigação principal são abrangidos na cessão de crédito, salvo disposição em contrário. 
B) O cedente responde pela solvência do devedor, não se admitindo disposição em contrário. 
C) A transmissão de um crédito que não tenha sido celebrada única e exclusivamente por instrumento 
público é ineficaz em relação a terceiros. 
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D) O devedor não pode opor ao cessionário as exceções que tinha contra o cedente no momento em que veio 
a ter conhecimento da cessão. 
 
16. (XII EXAME) Bruno cedeu a Fábio um crédito representado em título, no valor de R$ 20.000,00 (vinte 
mil reais), que possuía com Caio. Considerando a hipótese acima e as regras sobre cessão de crédito, assinale 
a afirmativa correta. 
 
A) Caio não poderá opor a Fábio a exceção de dívida prescrita que, no momento em que veio a ter 
conhecimento da cessão, tinha contra Bruno, em virtude da preclusão. 
B) Caso Fábio tenha cedido o crédito recebido de Bruno a Mário e este, posteriormente, ceda o crédito a 
Júlio, prevalecerá a cessão de crédito que se completar com a tradição do título cedido. 
C) Bruno, ao ceder a Fábio crédito a título oneroso, não ficará responsável pela existência do crédito ao 
tempo em que cedeu, salvo por expressa garantia. 
D) Conforme regra geral disposta no CódigoCivil, Bruno será obrigado a pagar a Fábio o valor 
correspondente ao crédito, caso Caio torne-se insolvente. 
 
17. (X Exame) Luis, produtor de soja, firmou contrato de empréstimo de um trator com seu vizinho João. No 
contrato, Luis se comprometeu a devolver o trator 10 dias após o término da colheita. Restou ainda acordado 
um valor para a hipótese de atraso na entrega. Considerando o caso acima, assinale a afirmativa correta. 
 
a) Caracterizada a mora na devolução do trator, Luiz responderá pelos prejuízos decorrentes de caso fortuito 
ou de força maior, salvo se comprovar que o dano ocorreria mesmo se houvesse cumprido sua obrigação na 
forma ajustada. 
b) Por se tratar de hipótese de mora pendente, é indispensável a interpelação judicial ou extrajudicial para 
que João constitua Luis em mora. 
c) Luis, ainda que agindo dolosamente, não terá responsabilidade pela conservação do trator na hipótese de 
João recusar-se a receber o bem na data ajustada. 
d) Não caracteriza mora a hipótese de João se recusar a receber o trator na data avençada para não 
comprometer o espaço físico de seu galpão, vez que é necessária a comprovação de sua culpa e a ausência de 
justo motivo. 
 
18. (XXII EXAME) Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações paritárias, contrato de compra e 
venda com Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato eram 100 caixas de chocolate, pelo preço total 
de R$ 1.000,00, a serem entregues no dia 1º de novembro de 2016, data em que se comemorou o aniversário 
de 50 anos de existência da sociedade. No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso 
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houvesse atraso na entrega. Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as 
caixas na data combinada, mas somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração já́ havia 
acontecido, recusou-se a receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não aceitou pagar a 
multa, afirmando que o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e que o produto vendido era o melhor 
do mercado. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da prestação e a 
multa é uma cláusula penal compensatória. 
B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico ao valor da 
prestação principal, é abusiva. 
C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada deve a título de 
multa. 
D) Festas Ltda. só́ pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo o Código de Defesa 
do Consumidor. 
 
19. (XVI EXAME) Joana deu seu carro a Lúcia, em comodato, pelo prazo de 5 dias, findo o qual Lúcia não 
devolveu o veículo. Dois dias depois, forte tempestade danificou a lanterna e o para choque dianteiro do 
carro de Joana. Inconformada com o ocorrido, Joana exigiu que Lúcia a indenizasse pelos danos causados ao 
veículo. Diante do fato narrado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Lúcia incorreu em inadimplemento absoluto, pois não cumpriu sua prestação no termo ajustado, o que 
inutilizou a prestação para Joana. 
B) Lúcia não está em mora, pois Joana não a interpelou, judicial ou extrajudicialmente. 
C) Lúcia deve indenizar Joana pelos danos causados ao veículo, salvo se provar que os mesmos ocorreriam 
ainda que tivesse adimplido sua prestação no termo ajustado. 
D) Lúcia não responde pelos danos causados ao veículo, pois foram decorrentes de força maior. 
 
20. (XVII EXAME) Carlos Pacheco e Marco Araújo, advogados recém-formados, constituem a sociedade P 
e A Advogados. Para fornecer e instalar todo o equipamento de informática, a sociedade contrata José 
Antônio, que, apesar de não realizar essa atividade de forma habitual e profissional, comprometeu-se a 
adimplir sua obrigação até o dia 20/02/2015, mediante o pagamento do valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil 
reais) no ato da celebração do contrato. O contrato celebrado é de natureza paritária, não sendo formado por 
adesão. A cláusula oitava do referido contrato estava assim redigida: “O total inadimplemento deste contrato 
por qualquer das partes ensejará o pagamento, pelo infrator, do valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)”. 
Não havia, no contrato, qualquer outra cláusula que se referisse ao inadimplemento ou suas consequências. 
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No dia 20/02/2015, José Antônio telefona para Carlos Pacheco e lhe comunica que não vai cumprir o 
avençado, pois celebrou com outro escritório de advocacia contrato por valor superior, a lhe render maiores 
lucros. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Diante da recusa de José Antônio a cumprir o contrato, a sociedade poderá persistir na exigência do 
cumprimento obrigacional ou, alternativamente, satisfazer-se com a pena convencional. 
B) A sociedade pode pleitear o pagamento de indenização superior ao montante fixado na cláusula oitava, 
desde que prove, em juízo, que as perdas e os danos efetivamente sofridos foram superiores àquele valor. 
C) A sociedade pode exigir o cumprimento da cláusula oitava, classificada como cláusula penal moratória, 
juntamente com o desempenho da obrigação principal. 
D) Para exigir o pagamento do valor fixado na cláusula oitava, a sociedade deverá provar o prejuízo sofrido. 
 
21. (XXXIII Exame) Valdeir e Max assinaram contrato particular de promessa de compra e venda com 
direito de arrependimento, no qual Valdeir prometeu vender o apartamento 901 de sua propriedade por R$ 
500.000,00 (quinhentos mil reais). Max, por sua vez, se comprometeu a comprar o imóvel e, no mesmo ato 
de assinatura do contrato, pagou arras penitenciais de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). A escritura 
definitiva de compra e venda seria outorgada em 90 (noventa) dias a contar da assinatura da promessa de 
compra e venda, com o consequente pagamento do saldo do preço. Contudo, 10 (dez) dias antes da 
assinatura da escritura de compra e venda, Valdeir celebrou escritura definitiva de compra e venda, alienando 
o imóvel à Ana Lúcia que pagou a importância de R$ 750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais) pelo 
mesmo imóvel. Max, surpreendido e indignado, procura você, como advogado(a), para defesa de seus 
interesses. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Max poderá exigir de Valdeir a importância paga a título de arras mais o equivalente, com atualização 
monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. 
B) Por se tratar de arras penitenciais, Max poderá exigir de Valdeir apenas R$ 50.000,00 (cinquenta mil 
reais), e exigir a reparação pelas perdas e danos que conseguir comprovar. 
C) Max poderá exigir de Valdeir até o triplo pago a título de arras penitencias. 
D) Max não poderá exigir nada além do que pagou a título de arras penitenciais. 
 
22. (XVIII EXAME) Renato é proprietário de um imóvel e o coloca à venda, atraindo o interesse de Mário. 
Depois de algumas visitas ao imóvel e conversas sobre o seu valor, Renato e Mário, acompanhados de 
corretor, realizam negócio por preço certo, que deveria ser pago em três parcelas: a primeira, paga naquele 
ato a título de sinal e princípio de pagamento, mediante recibo que dava o negócio por concluído de forma 
irretratável; a segunda deveria ser paga em até trinta dias, contra a exibição das certidões negativasdo 
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vendedor; a terceira seria paga na data da lavratura da escritura definitiva, em até noventa dias a contar do 
fechamento do negócio. Antes do pagamento da segunda parcela, Mário celebra, com terceiros, contratos de 
promessa de locação do imóvel por temporada, recebendo a metade de cada aluguel antecipadamente. 
Renato, ao tomar conhecimento de que Mário havia celebrado as promessas de locação por temporada, 
percebeu que o imóvel possuía esse potencial de exploração. Em virtude disso, Renato arrependeu-se do 
negócio e, antes do vencimento da segunda parcela do preço, notificou o comprador e o corretor, dando o 
negócio por desfeito. Com base na hipótese formulada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido, não sendo 
devida a comissão do corretor, já que o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se. 
 B) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido pelo comprador. 
Contudo, é devida a comissão do corretor, não obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-se. 
C) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a que a 
desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, não sendo devida a comissão do corretor, já que 
o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se. 
D) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a que a 
desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, sendo devida a comissão do corretor, não 
obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-se. 
 
23. (XXX EXAME) Lucas, interessado na aquisição de um carro seminovo, procurou Leonardo, que revende 
veículos usados. Ao final das tratativas, e para garantir que o negócio seria fechado, Lucas pagou a Leonardo 
um percentual do valor do veículo, a título de sinal. Após a celebração do contrato, porém, Leonardo 
informou a Lucas que, infelizmente, o carro que haviam negociado já havia sido prometido informalmente 
para um outro comprador, velho amigo de Leonardo, motivo pelo qual Leonardo não honraria a avença. 
Frustrado, diante do inadimplemento de Leonardo, Lucas procurou você, como advogado(a), para orientá-lo. 
Nesse caso, assinale a opção que apresenta a orientação dada. 
 
A) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, com atualização monetária, juros e 
honorários de advogado, mas não o seu equivalente. 
B) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, mais o seu equivalente, com atualização 
monetária, juros e honorários de advogado. 
C) Leonardo terá de restituir a Lucas apenas metade do valor pago a título de sinal, pois informou, tão logo 
quanto possível, que não cumpriria o contrato. 
D) Leonardo não terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, pois este é computado como início de 
pagamento, o qual se perde em caso de inadimplemento. 
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24. (FGV – 2021 – TJ/PR – Juiz Substituto) Em março de 2015, Cristiano causou acidente de trânsito em 
razão de sua direção negligente, gerando lesões em Daniela. Em dezembro de 2015, Daniela ajuizou ação 
indenizatória em face de Cristiano, pleiteando a reparação dos danos sofridos. Citado em março de 2016, 
Cristiano foi condenado ao pagamento de vinte mil reais, com juros e atualização monetária, por sentença 
prolatada em outubro de 2019 e transitada em julgado em dezembro de 2019. No que tange à obrigação de 
indenizar, Cristiano encontra-se em mora desde: 
 
a) março de 2015; 
b) dezembro de 2015; 
c) março de 2016; 
d) dezembro de 2019. 
 
25. (XXVI Exame) Paula é credora de uma dívida de R$ 900.000,00 assumida solidariamente por Marcos, 
Vera, Teresa, Mirna, Júlio, Simone, Úrsula, Nestor e Pedro, em razão de mútuo que a todos aproveita. Antes 
do vencimento da dívida, Paula exonera Vera e Mirna da solidariedade, por serem amigas de longa data. 
Dois meses antes da data de vencimento, Júlio, em razão da perda de seu emprego, de onde provinha todo o 
sustento de sua família, cai em insolvência. Ultrapassada a data de vencimento, Paula decide cobrar a dívida. 
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. 
 
a) Vera e Mirna não podem ser exoneradas da solidariedade, eis que o nosso ordenamento jurídico não 
permite renunciar a solidariedade de somente alguns dos devedores. 
b) Se Marcos for cobrado por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, posteriomente, poderá 
cobrar dos demais as suas quotas-partes. A parte de Júlio será rateada entre todos os devedores solidários, 
inclusive Vera e Mirna. 
c) Se Simone for cobrada por Paula deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, posteriomente, poderá 
cobrar dos demais as suas quotas-partes, inclusive Júlio. 
d) Se Mirna for cobrada por Paula, deverá efetuar o pagamento integral da dívida e, posteriomente, poderá 
cobrar as quotas-partes dos demais. A parte de Júlio será rateada entre todos os devedores solidários, com 
exceção de Vera. 
 
26. (XIV Exame) João é locatário de um imóvel residencial de propriedade de Marcela, pagando 
mensalmente o aluguel por meio da entrega pessoal da quantia ajustada. O locatário tomou ciência do recente 
falecimento de Marcela ao ler “comunicação de falecimento” publicada pelos filhos maiores e capazes de 
Marcela, em jornal de grande circulação. Marcela, à época do falecimento, era viúva. Aproximando-se o dia 
de vencimento da obrigação contratual, João pretende quitar o valor ajustado. Todavia, não sabe a quem 
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pagar e sequer tem conhecimento sobre a existência de inventário. De acordo com os dispositivos que regem 
as regras de pagamento, assinale a afirmativa correta. 
 
a) João estará desobrigado do pagamento do aluguel desde a data do falecimento de Marcela. 
b) João deverá proceder à imputação do pagamento, em sua integralidade, a qualquer dos filhos de Marcela, 
visto que são seus herdeiros. 
c) João estará autorizado a consignar em pagamento o valor do aluguel aos filhos de Marcela. 
d) João deverá utilizar-se da dação em pagamento para adimplir a obrigação junto aos filhos maiores de 
Marcela, estando estes obrigados a aceitar. 
 
27. (FGV – 2022 – TJ/SC – Juiz Substituto) A sociedade X está sendo cobrada pela sociedade Y por uma 
dívida não paga de cem mil reais. Entretanto, X e Y têm um longo relacionamento, com vários outros 
contratos, de modo que X pretende, por meio de alegação de compensação, descontar do valor devido outras 
obrigações que Y lhe deve. Mais especificamente, Y deve: entregar a X uma máquina avaliada em cinquenta 
mil reais, há mais de um mês atrasada; pagar a X vinte e cinco mil reais, dívida que se vencerá mês que vem; 
pagar a uma subsidiária integral da X o valor de doze mil reais, dívida que se venceu ontem. Feitos os 
descontos cabíveis, a sociedade X deve pagar à sociedade Y: 
 
a) cem mil reais; 
b) oitenta e oito mil reais; 
c) setenta e cinco mil reais; 
d) cinquenta mil reais. 
 
28. (FGV – 2022 – TJ/SC – Juiz Substituto) O Frigorífico Phi, ao fechar um de seus estabelecimentos, 
celebrou contratocom o Frigorífico Beta para vender-lhe um dos dois refrigeradores que estavam ali 
localizados. Pelo contrato, o Beta poderia, dali a trinta dias, escolher entre o refrigerador modelo X, menor 
porém mais econômico, ou o Y, maior mas que consome mais energia. Entretanto, na data avençada para 
escolher, constataram que o Phi tinha sido negligente no cuidado com os refrigeradores após a celebração do 
negócio, vindo a deteriorar o modelo X ao danificar uma de suas portas. Diante disso, o Beta tem direito a 
exigir do Phi: 
 
a) o refrigerador Y ou o refrigerador X deteriorado, com perdas e danos; 
b) o refrigerador X deteriorado ou o seu equivalente pecuniário; 
c) o refrigerador Y ou o equivalente pecuniário do refrigerador X, com perdas e danos; 
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d) o refrigerador Y, o refrigerador X deteriorado ou o equivalente pecuniário do refrigerador X, com perdas e 
danos; 
 
29. (FGV – 2022 – TJDFT – Analista) A rede de supermercados Preços Incríveis Ltda. celebrou contrato 
com a fabricante de bebidas gaseificadas Geral Cola S/A, por tempo indeterminado, para comercializar, com 
exclusividade, a “Nova Geral Cola”, o mais novo produto desta última, repassando-lhe um percentual do 
valor auferido com as vendas. Os supermercados Preços Incríveis ainda se comprometiam a não 
comercializar bebidas de fabricantes concorrentes. O contrato previa cláusula penal compensatória para a 
hipótese de inadimplemento absoluto por qualquer das partes, sem prever indenização suplementar. Na data 
prevista para o primeiro pagamento à Geral Cola pela rede de supermercados, esta quedou-se inerte, 
deixando de repassar à fabricante o percentual devido das vendas do produto. Dias depois, os gestores da 
Geral Cola ainda descobriram que os supermercados Preços Incríveis continuavam a comercializar bebidas 
de diversas outras marcas. Considerando que a conduta da rede de supermercados abalou drasticamente a 
estratégia comercial da Geral Cola, fulminando qualquer interesse útil que esta ainda mantivesse no contrato, 
é correto afirmar que: 
 
a) a Geral Cola S/A poderá exigir da rede Preços Incríveis Ltda. a cláusula penal, mas não poderá cumular o 
pedido com eventuais perdas e danos pelo inadimplemento; 
b) a Geral Cola S/A poderá cobrar da rede Preços Incríveis Ltda. lucros cessantes decorrentes do 
inadimplemento, cumulados com a cláusula penal, mas não com danos emergentes; 
c) a rede Preços Incríveis Ltda. deverá pagar o percentual das vendas devido à Geral Cola S/A, acrescido de 
juros remuneratórios, mas não de juros legais; 
d) a rede Preços Incríveis Ltda. somente deverá arcar com a cláusula penal compensatória na exata proporção 
do prejuízo sofrido pela Geral Cola S/A; 
 
30. (FGV – 2022 – SEFAZ/AM) Paula e Tereza, coproprietárias de um apartamento em Manaus, herdado 
quando do falecimento de seu pai, celebraram contrato de compra e venda do referido bem com Cristina, 
parcelando o valor do referido imóvel em 15 prestações mensais, as quais deveriam ser pagas mediante 
depósito bancário em conta indicada no título contratual ou diretamente à uma das credoras, sendo exigido a 
indicação da forma eleita até 5 dias antes do pagamento. Realizados todos os procedimentos extrajudiciais 
cabíveis, Cristina vinha adimplindo regularmente as prestações mensais até que, ao tempo do advento da 
sétima prestação, procurou ambas as credoras, pois pretendia quitar todas as prestações restantes de uma só 
vez. Paula prontamente atendeu Cristina, ficando, inclusive grata pelo adiantamento das prestações 
remanescentes, enquanto Tereza não se manifestou, pois encontrava-se em viagem ao exterior. Passados 10 
dias da notificação e ante o silêncio de Tereza, Cristina efetua o pagamento diretamente à Paula, recebendo a 
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quitação plena da obrigação, assim como a devida caução de ratificação de Tereza. Diante da situação 
narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
a) O pagamento realizado por Cristina é válido e eficaz, pois feito à credora de obrigação indivisível e em 
conformidade com a previsão contratual. 
b) O pagamento realizado por Cristina é inválido, pois o adiantamento das prestações dependia da expressa 
concordância da credora Tereza. 
c) Ainda que Cristina tenha efetuado o pagamento integral à Paula, Tereza poderá exigir dela o novo 
pagamento correspondente à sua quota parte, pois a quitação dada por Paula não é eficaz em relação à quota 
parte de Tereza. 
d) O pagamento realizado por Cristina é válido, porém ineficaz perante à credora Tereza, pois a mesma não 
anuiu com o adiantamento das parcelas, independente da previsão contratual. 
 
31. (FGV – 2022 – DPE/MS – Defensor Público) Herculano aceitou figurar como fiador solidário de seus 
sobrinhos, Enzo e Gabriel, quando eles alugaram um imóvel. O contrato previa o pagamento de aluguel 
mensal de R$ 2.000,00, sob pena de juros. Após um ano de vigência do negócio, os sobrinhos começaram a 
ter dificuldades financeiras e ficaram inadimplentes por dois meses, quando a locadora, Efigênia, passou a 
cobrar o pagamento do total devido, com os encargos, diretamente de Herculano. Sobre o caso, é correto 
afirmar que: 
 
a) se pagar tudo que é devido, Herculano, na condição de devedor solidário, sub-roga-se no crédito perante 
os sobrinhos, podendo cobrar de cada um a terça parte do que foi pago; 
b) se Efigênia perdoar Gabriel, ele não mais pode ser demandado por ela, mas tanto Herculano como Enzo 
continuam a ser responsáveis perante ela pela totalidade da dívida, em virtude da solidariedade; 
c) se Gabriel assumir encargos adicionais em negociação com Efigênia, isso atingirá também Enzo e 
Herculano, independentemente do seu consentimento, por serem devedores solidários; 
d) mesmo que reste comprovado que o atraso se deu somente por culpa de Enzo, Efigênia pode exigir a 
totalidade da dívida de Gabriel, mas somente Enzo responderá perante ele pelo acrescido. 
 
32. (FGV – 2022 – DPE/MS – Defensor Público) Geraldo, depois de alguns meses percebendo que não 
conseguiria pagar o empréstimo que contraíra, procurou seu credor para renegociar a dívida. Firmaram então 
um termo de novação, em que Geraldo se comprometia a pagar um montante maior, mas com taxas de juros 
mais baixas. Somente depois de celebrada a novação, Geraldo constatou que a dívida original crescera tão 
rapidamente porque o contrato inicial continha cláusulas proibidas. A partir disso, é correto afirmar que: 
 
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a) não é mais possível a Geraldo questionar os termos do contrato original porque a novação o extinguiu, 
restando somente a nova dívida; 
b) a novação opera a confirmação do contrato original, implicando renúncia ao direito de impugná-lo 
judicialmente, salvo comprovado vício na própria novação; 
c) ainda é possível a Geraldo impugnar os termos da dívida anterior, pois não podem ser objeto de novação 
obrigações nulas; 
d) a revisão do valor devido é possível, contanto que o termo de novação faça referência expressa às 
cláusulas proibidas do contrato original. 
 
33. (FGV – 2018 – SEFIN/RO) Médici celebra contrato de comissão com Borracharia Seringueiras Ltda. 
com prazo de três anos, fixando-seuma comissão anual no valor de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) em 
favor do comissário. O contrato contém cláusula de exclusividade que impede Médici de atuar como 
comissário para qualquer concorrente de Borracharia Seringueiras Ltda., bem como cláusula penal que 
estipula o pagamento de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) para o descumprimento contratual, não 
prevendo direito à indenização suplementar. Durante o segundo ano de vigência do contrato, Médici recebe 
proposta para atuar como comissário de sociedade concorrente de Borracharia Seringueiras Ltda. A 
concorrente oferece expressamente o quádruplo do valor anual pago a Médici, que aceita a proposta, 
descumprindo a cláusula de exclusividade. Pelo descumprimento, Médici paga à Borracharia Seringueiras 
Ltda. o montante estipulado de R$ 700.000,00. Com base nessas informações, assinale a afirmativa correta. 
 
a) Se o prejuízo exceder o previsto na cláusula penal, pode a Borracharia Seringueiras Ltda. exigir 
indenização suplementar de Médici, mesmo não tendo sido convencionado. 
b) Ainda que o prejuízo exceda o previsto na cláusula penal, não pode a Borracharia Seringueiras Ltda. 
exigir indenização suplementar de Médici, porque assim não foi convencionado. 
c) A cláusula penal é o limite máximo indenizatório pré-fixado; portanto, a Borracharia Seringueiras Ltda. 
não poderia exigir indenização suplementar de Médici, ainda que o prejuízo superior tivesse sido 
demonstrado e convencionado. 
d) A cláusula penal é o limite mínimo indenizatório pré-fixado; portanto, para a Borracharia Seringueiras 
Ltda. exigir a pena convencional, é necessário que alegue prejuízo. 
 
34. (FGV – 2016) Joana contrata com Felipe a compra e a venda de televisor de propriedade deste, mediante 
pagamento à vista. Foi avençado que o bem seria entregue na casa da compradora em dez dias, sendo de 
responsabilidade do vendedor a entrega do bem. Passados os dez dias da contratação, Felipe informa que a 
televisão havia sido roubada durante o trajeto da entrega e, portanto, o contrato estava resolvido em 
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decorrência de força maior, não havendo a possibilidade de devolução do valor pago. Joana consulta um 
advogado, que a instrui que 
 
a) como a televisão foi roubada sem culpa de Felipe e antes da tradição, fica resolvida a obrigação para 
ambas as partes, não sendo Felipe obrigado a restituir o valor pago. 
b) Felipe deverá entregar a Joana uma televisão de qualidade e marca iguais ou semelhantes àquela furtada, a 
ser escolhida por Joana, na medida em que o bem é fungível. 
c) o valor pago por Joana na compra da televisão deverá ser devolvido por Felipe, ainda que haja a 
configuração de hipótese de caso fortuito, pois a obrigação de Felipe de dar coisa certa não se efetivou. 
d) Joana poderá exigir a restituição do valor pago a Felipe, com direito a reclamar indenização por eventuais 
perdas e danos. 
 
35. (XXXII Exame) Érico é amigo de Astolfo, famoso colecionador de obras de arte. Érico, que está abrindo 
uma galeria de arte, perguntou se Astolfo aceitaria locar uma das pinturas de seu acervo para ser exibida na 
grande noite de abertura, como forma de atrair mais visitantes. Astolfo prontamente aceitou a proposta, e 
ambos celebraram o contrato de locação da obra, tendo Érico se obrigado a restituí-la já no dia seguinte ao da 
inauguração. O aluguel, fixado em parcela única, foi pago imediatamente na data de celebração do contrato. 
A abertura da galeria foi um grande sucesso, e Érico, assoberbado de trabalho nos dias que se seguiram, não 
providenciou a devolução da obra de arte para Astolfo. Embora a galeria dispusesse de moderna estrutura de 
segurança, cerca de uma semana após a inauguração, Diego, estudante universitário, invadiu o local e 
vandalizou todas as obras de arte ali expostas, destruindo por completo a pintura que fora cedida por Astolfo. 
As câmeras de segurança possibilitaram a pronta identificação do vândalo. De acordo com o caso narrado, 
assinale a afirmativa correta. 
 
A) Érico tem o dever de indenizar Astolfo, integralmente, pelos prejuízos sofridos em decorrência da 
destruição da pintura. 
B) Érico não pode ser obrigado a indenizar Astolfo pelos prejuízos decorrentes da destruição da pintura 
porque Diego, o causador do dano, foi prontamente identificado. 
C) Érico não pode ser obrigado a indenizar Astolfo pelos prejuízos decorrentes da destruição da pintura 
porque adotou todas as medidas de segurança necessárias para proteger a obra de arte. 
D) Érico somente estará obrigado a indenizar Astolfo se restar comprovado que colaborou, em alguma 
medida, para que Diego realizasse os atos de vandalismo. 
 
36. Amanda, Bianca e Cristiana contraíram empréstimo no valor de R$ 150.000,00 a Frederico, com vista a 
iniciar um negócio conjunto, tendo o contrato estabelecido a solidariedade entre as três devedoras. Depois de 
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concluído o negócio, contudo, Frederico exonerou Amanda da solidariedade. Já Bianca veio a falecer, 
deixando dois herdeiros maiores e capazes, seus filhos Felipe e Bernardo, cabendo a cada um, na partilha, 
herança bastante superior ao valor do empréstimo. Considerando ter havido o vencimento da dívida depois 
de realizada a partilha dos bens deixados pela devedora Bianca, com relação à exigibilidade do crédito 
assinale a afirmativa correta. 
 
a) Frederico poderá exigir a dívida toda, tanto de Amanda quanto de Felipe, Bernardo ou Cristiana. 
b) Frederico poderá exigir a dívida toda de Amanda ou Cristiana, mas nada poderá exigir de Felipe ou 
Bernardo. 
c) Frederico poderá exigir a dívida toda de Cristiana, mas nada poderá exigir de Amanda; já com relação a 
Felipe e Bernardo, poderá exigir de cada um a cota correspondente ao seu quinhão hereditário. 
d) Frederico poderá exigir a dívida toda de Cristiana; de Amanda, apenas a sua cota parte; de Felipe e de 
Bernardo, poderá exigir, de cada um, a cota correspondente ao seu quinhão hereditário. 
 
37. (FGV – 2015) Fabrício celebrou contrato de promessa de compra e venda de um terreno com Milena. O 
contrato foi pactuado por escritura pública e o pagamento foi convencionado em trinta e seis parcelas 
mensais, com uma entrada no ato da escritura a título de arras, sem previsão do direito de arrependimento. 
Após o pagamento da sétima parcela, Fabrício restou inadimplente durante oito meses, o que fez com que 
Milena pleiteasse a rescisão do contrato. Considerando que não houve qualquer referência à natureza das 
arras, é correto afirmar que: 
 
a) além de reter as arras, Milena tem direito à indenização suplementar; 
b) Milena tem direito tão somente a reter as arras pagas por Fabrício; 
c) como se trata de arras confirmatórias, Milena não tem direito a rescindir o contrato, podendo apenas 
cobrar os valores devidos por Fabrício; 
d) como se trata de arras penitenciais, Milena não tem o direito de rescindir o contrato, podendo apenas 
cobrar os valores devidos por Fabrício. 
 
38. (FGV – 2015 – TJ/BA) Silvio, fazendeiro e criador de gado de leite, arrendou um touro premiado para 
usar na reprodução de suas vacas leiteiras. Acontece que, apesar do zelo com o qual cuidou do animal, fortes 
chuvas que atingiram a região causaram a destruição das benfeitorias e morte de diversos animais, entre os 
quais o animal arrendado. É correto afirmar que, em decorrência desse fato: 
 
a) resolve-se o contrato, devendo Silvio indenizar o proprietáriodo touro, pagando-lhe o correspondente ao 
valor do animal e os lucros cessantes; 
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b) mantém-se o contrato, devendo o proprietário providenciar a reposição do animal arrendado, às suas 
expensas; 
c) mantém-se o contrato, devendo o proprietário providenciar a reposição do animal arrendado, às expensas 
de Silvio; 
d) resolve-se o contrato, arcando o proprietário com o prejuízo decorrente da perda do touro. 
 
39. (FGV – 2014 – PGM – Niterói) Caio, Tício e Mérvio são devedores solidários de Glauco, em quinhões 
iguais, do valor total de R$ 3.000,00 (três mil reais). Glauco, sensibilizado com a precária situação financeira 
de Caio, exonerou-o da solidariedade. Logo depois, Tício tornou-se insolvente. No dia do vencimento, 
Mérvio pagou integralmente a dívida. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. 
 
a) Mérvio não poderá regredir contra Caio para que participe do rateio do quinhão de Tício, pois ele fora 
exonerado da solidariedade por Glauco. 
b) A exoneração da solidariedade em relação a Caio importa em remissão da sua parte da dívida. 
c) Glauco não poderia ter exonerado Caio da solidariedade sem exonerar também Tício e Mérvio, uma vez 
que a renúncia só é válida se relativa a todos os devedores simultaneamente. 
d) Apesar da exoneração da solidariedade, Mérvio pode cobrar de Caio o correspondente ao seu quinhão, 
bem como a metade do que pagou pelo quinhão de Tício. 
 
40. (DPE/PB – 2022 - Defensor Público) Márcia e André são devedores solidários de Joana, da quantia de 20 
mil reais. No vencimento da obrigação, Márcia pagou a Joana 10 mil reais, restando um saldo remanescente 
de igual valor para quitação do débito. Considerando essa situação, 
 
a) Márcia estará desobrigada de adimplir o saldo remanescente, já que pagou metade da dívida. 
b) Márcia continuará obrigada solidariamente ao pagamento do saldo remanescente. 
c) Joana poderá cobrar juros de mora apenas em face de André, estando Márcia desonerada desta obrigação. 
d) o ajuizamento de ação por Joana somente em face de André importará em renúncia da solidariedade de 
Márcia. 
 
41. (XXXVII Exame) Joana contratou Maria para fotografar a festa infantil de sua filha, Laura. No momento 
do contrato, Maria exigiu um sinal equivalente a 20% do preço pactuado para o serviço. O restante do preço 
seria pago após a festa, quando entregues as fotografias do evento. Acontece que Maria não compareceu à 
festa de Laura, deixando de tirar as fotografias contratadas. Joana contratou, às pressas, outro fotógrafo e 
conseguiu registrar o evento a seu gosto. Entretanto, teve de pagar valores mais altos ao novo fotógrafo, o 
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que lhe gerou prejuízos de ordem material. Diante desse cenário, considerando-se que os danos de Joana se 
limitaram aos prejuízos materiais, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Joana pode pedir a devolução dos 20% adiantados mais o equivalente, com atualização monetária, juros e 
honorários de advogado, mas não pode pedir indenização suplementar em nenhuma hipótese. 
B) Joana pode pedir apenas a devolução dos 20% adiantados e indenização suplementar, independentemente 
da prova do prejuízo. 
C) Joana pode pedir a devolução dos 20% adiantados mais o equivalente, com atualização monetária, juros e 
honorários de advogado, e, se provar maior prejuízo, pode pedir indenização suplementar. 
D) Joana pode pedir a devolução dos 20%, acrescidos de atualização monetária, juros e honorários de 
advogado, sendo esse o máximo de indenização possível. 
 
42. (XXXVII Exame) Rodrigo e Juliana celebraram contrato de compra e venda com Márcia, visando à 
aquisição de 20 (vinte) cavalos da raça mangalarga, de propriedade desta última. O contrato possui cláusula 
prevendo a solidariedade ativa de Rodrigo e Juliana, e que a entrega será feita de uma única vez. Dez dias 
antes da data pactuada para entrega dos animais, Márcia, culposamente, esqueceu aberta a porta do curral os 
animais estavam, o que ocasionou a fuga dos equinos. No dia combinado, Márcia dispunha de apenas cinco 
cavalos, os quais foram oferecidos a Rodrigo e Juliana como parte do pagamento. Acerca do caso 
apresentado, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Por se tratar de obrigação de entrega de coisa a dois credores, a previsão de solidariedade ativa contratual 
é desnecessária, eis que decorrente de disposição expressa do Código Civil. 
B) Rodrigo e Juliana poderão optar por receber os cinco cavalos, com abatimento do preço, ou considerar 
resolvida a obrigação e, tanto num como noutro caso, exigir indenização das perdas e danos. 
C) Caso Rodrigo e Juliana optem pela conversão da obrigação em perdas e danos, a solidariedade não 
subsistirá. 
D) Márcia poderá compelir Rodrigo e Juliana a receberem cinco cavalos, posto se tratar de obrigação 
divisível. 
 
43. (XXXVIII Exame) Os irmãos Eduardo e Letícia herdaram um apartamento de sua mãe. Concluído o 
inventário, decidiram vender o apartamento ao casal Pedro e Mariana. Para tanto, as partes celebraram 
contrato de compra e venda. Pedro e Mariana se obrigaram, solidariamente, a pagar o preço pactuado (R$ 
600.000,00) no prazo de trinta dias. Não foi avençada cláusula de solidariedade ativa. Alcançado o prazo 
contratual, Pedro e Mariana não pagaram o preço. Tendo em vista a situação hipotética apresentada, assinale 
a afirmativa correta. 
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(A) Eduardo, sozinho, tem direito de cobrar a integralidade do preço pactuado, R$ 600.000,00, de Mariana, 
sozinha. 
(B) Letícia, sozinha, tem direito de cobrar apenas a metade do preço pactuado, R$ 300.000,00, de Pedro, 
sozinho. 
(C) Letícia, sozinha, tem direito de cobrar apenas um quarto do preço pactuado, R$ 150.000,00, de Mariana, 
sozinha. 
(D) Eduardo e Letícia não podem pleitear sozinhos o pagamento do preço, ainda que parcial. 
 
44. (XXXIX Exame de Ordem) Marcelo alugou um cavalo do haras Galopante para, com ele, disputar uma 
corrida no dia 15, comprometendo-se a devolvê-lo no dia seguinte à corrida (dia 16). Entretanto, Marcelo se 
afeiçoou pelo animal e não o devolveu no prazo estipulado, usando-o para passeios em sua fazenda. O haras, 
com isso, deixou de alugar o animal para outro jóquei que pretendia correr com ele no dia 18 e já o havia 
reservado. Para completar, no dia 20, em um dos passeios com Marcelo, o cavalo se assustou com uma cobra 
e sofreu uma queda. No acidente, fraturou a perna e teve que ser sacrificado. Diante disso, assinale a opção 
que indica os prejuízos que o haras Galopante pode exigir de Marcelo devido à falta do cavalo. 
 
A) Deve ser incluído o aluguel que deixou de receber do outro jóquei, mas não o equivalente do animal, 
porque Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela impossibilidade da prestação a partir do dia 20, eis 
que decorrente de caso fortuito. 
B) Devem ser excluídos tanto o aluguel que receberia do outro jóquei, por se tratar de dano hipotético, como 
o equivalente do animal, pois Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela impossibilidade da prestação a 
partir do dia 20, eis que decorrente de caso fortuito. 
C) Deve ser incluído o equivalente pecuniário do cavalo, tendo em vista a responsabilidadede Marcelo pela 
impossibilidade da prestação enquanto estava em mora, mas excluído o aluguel que receberia do outro 
jóquei, por se tratar de dano hipotético. 
D) Devem ser incluídos tanto o aluguel que deixou de receber do outro jóquei como o equivalente pecuniário 
do cavalo, tendo em vista a responsabilidade de Marcelo pela impossibilidade da prestação, enquanto estava 
em mora. 
 
45. (XXXIX Exame da Ordem) Ana comprou de Miguel um carro usado, por R$ 60.000,00, e combinou de 
fazer o pagamento à vista, por PIX. Ocorre que, na hora de digitar a chave PIX de Miguel – seu número de 
celular –, Ana errou um dígito, e acabou enviando o pagamento, por coincidência, para uma pessoa chamada 
José Miguel. Ao receber o comprovante, Miguel alertou a compradora para o equívoco. Ana, então, entrou 
imediatamente em contato com José Miguel por telefone, pedindo a restituição do valor transferido. Em 
seguida, encaminhou notificação extrajudicial, requerendo a restituição do valor. José Miguel, todavia, 
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esquivou-se de fazê-lo, o que levou Ana a procurar você, como advogado, para orientá-la sobre o problema. 
Sobre a orientação dada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O fato narrado configura doação de Ana a José Miguel, que ela somente poderia discutir por meio de ação 
anulatória, provando algum dos defeitos dos negócios jurídicos. 
B) Em eventual ação de Ana contra José Miguel, provando a autora o erro no pagamento, deve o réu ser 
condenado a restituir à autora apenas a quantia nominal indevidamente recebida. 
C) Em eventual ação de Ana contra José Miguel, provando a autora o erro no pagamento, deve o réu ser 
condenado a restituir à autora a quantia indevidamente recebida, com os acréscimos da mora, desde a data do 
fato, cabendo a ele, todavia, eventuais rendimentos que tenha auferido por ter investido o montante. 
D) Em eventual ação de Ana contra José Miguel, provando a autora o erro no pagamento, deve o réu ser 
condenado a restituir a quantia indevidamente recebida, com os acréscimos da mora, desde a data do fato, 
bem como eventuais rendimentos que José Miguel tenha auferido por ter investido o montante, vez que se 
considera possuidor de má-fé. 
 
GABARITO 
 
1.D 2.A 3.B 4.D 5.A 6.C 7.A 8.B 9.B 10.B 11.A 12.B 13.D 
14.C 15.A 16.B 17.A 18.A 19.C 20.A 21.A 22.D 23.B 24.A 25.B 26.C 
27.A 28.D 29.A 30.A 31.D 32.C 33.B 34.C 35.A 36.D 37.A 38.D 39.D 
40.B 41.C 42.B 43.B 44.D 45.D 
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AULA 4 
 
CONTRATOS 
 
Contrato é um acordo de vontades, de natureza patrimonial. É um negócio jurídico e como tal, segundo o 
disposto no artigo 107 do Código Civil, não exige formal especial, a não ser quando a lei exigir. Ex: Todo 
dia de manhã, quando você vai à padaria, você celebra um contrato de compra e venda. Se você estaciona seu 
carro no estacionamento no shopping, ou na faculdade, você celebra um contrato de depósito. Quando nós 
pegamos o ônibus, nós celebramos um contrato de transporte. 
 
Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, 
senão quando a lei expressamente a exigir. 
 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à 
validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, 
modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 
trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. 
 
Se eu quiser comprar um apartamento cujo valor seja superior a 30 salários mínimos, será necessário 
escritura pública, mas seu eu pegar uma caneta emprestada, agora, verbalmente, terei celebrado um contrato 
de mútuo. Faz parte da nossa sociedade celebrar contratos, de modo a permitir a consecução de objetivos 
comuns, por meio de acordo de vontades. 
 
Embora a lei não exija forma especial para os negócios jurídicos, nada impede que o negócio jurídico seja 
formalizado mediante forma mais elaborada que a lei exige. 
 
O acordo é um acordo de vontades, sempre de natureza patrimonial. Qual é a natureza jurídica do contrato? 
Ele é um negócio jurídico. Qual é mesmo a diferença entre ato jurídico e negócio jurídico? Se alguém me 
disser que ato jurídico é unilateral e negócio jurídico é bilateral, vou brigar! A diferença está no fato de você 
poder ou não escolher os efeitos que serão produzidos. 
 
Ato jurídico (em sentido amplo) – é a ideia de conduta humana que gera efeitos jurídicos, externando uma 
vontade. É o gênero do qual são espécies o ato jurídico stricto sensu e o negócio jurídico. 
 
Ato jurídico (strictu sensu) – é uma espécie de ato jurídico lato sensu, assim como o negócio jurídico, mas 
seus efeitos não dependem da minha vontade, uma vez que estão previamente previstos em lei. Ex: se eu 
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adoto uma criança, eu não posso escolher os efeitos que advirão dessa minha conduta. Essa criança será meu 
filho (já que não há distinção entre parentesco civil e parentesco natural). 
 
Negócio jurídico – as partes escolhem os efeitos que decorrerão de sua manifestação de vontade. É um 
acordo de vontades. Ele pode ser unilateral ou bilateral. Unilateral é aquele que se forma com apenas uma 
declaração de vontade, como, por exemplo, o testamento. Bilateral, por sua vez, é aquele que se aperfeiçoa 
com duas manifestações de vontade. É aqui que estão os contratos. Portanto, lembre-se, todo contrato é um 
negócio jurídico bilateral (porque sempre há duas vontades). 
 
Voltemos ao conceito de contrato. É um negócio jurídico bilateral, de conteúdo patrimonial. O contrato (que 
é sempre um negócio jurídico bilateral – duas vontades) pode ser unilateral, bilateral, ou plurilateral. 
 
CONTRATO BILATERAL X UNILATERAL 
 
Quando eu falo em contrato em contrato bilateral, eu falo em duas manifestações de vontade e em duas 
prestações. No contrato de compra e venda, por exemplo, o comprador tem a obrigação de pagar o preço e o 
vendedor a obrigação de entregar a coisa. 
 
Quando eu falo em contrato unilateral, não significa que haja apenas uma vontade, afinal, como já visto, 
todo contrato é um negócio jurídico bilateral, pressupondo, portanto, duas vontades. Haverá duas 
manifestações de vontade, mas apenas uma prestação. Ex: doação. Apenas o doador tem obrigação, qual 
seja, entregar o bem ao donatário. 
 
Quais são os efeitos de se diferenciar se o contrato é unilateral ou bilateral? 
 
EX: Carla e José celebraram um contrato de compra e venda. Se José não cumpre a prestação dele, ou seja, 
não paga o preço, Carla também não cumprirá a dela, ou seja, não entregará a coisa. Para total surpresa de 
Carla, José entra com ação judicial, pedindo a entrega da coisa, o que ela pode alegar em defesa? 
 
Você é o advogado. O que fazer? Alegue que o contrato é bilateral e, portanto, sinalagmático. A prestação de 
uma parte é causa da condição da outra parte. Se José não cumpriu a parte dele, eu não posso exigir que 
Carla cumpra a dela. Trata-se da exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus), 
prevista no artigo 476 do CC. 
 
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Em que contrato cabe alegação de contrato não cumprido? Nos contratos bilaterais, porque eles são 
sinalagmáticos, ou seja, a prestação de uma das partes é condição da prestação da outra. 
 
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida 
a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. 
 
Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes 
contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar 
duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação 
que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia 
bastante de satisfazê-la. 
 
Parece tão teórico, não é mesmo? Veja como isso foi cobrado: 
 
(XXXIV Exame) Ivan, sócio da Soluções Inteligentes Ltda., celebra contrato de empreitada, na qualidade de 
dono da obra, com Demétrio, sócio da Construções Sólidas Ltda., tendo esta como a empresa empreiteira. A 
obra tem prazo de duração de 1 (um) ano, contratada a um custo de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e 
quatrocentos mil reais), fracionados em 12 (doze) prestações mensais de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). 
O contratante, Ivan, necessita da obra pronta no prazo acordado. Em razão disso, acordou com Demétrio uma 
cláusula resolutiva expressa, informando que o atraso superior a 30 (trinta) dias importaria em extinção 
automática do contrato. Para se resguardar, Ivan exigiu de Demétrio que expusesse seu acervo patrimonial, 
mostrando o balanço contábil da empresa, de modo a ter convicção em torno da capacidade econômica da 
empreiteira para levar a cabo uma obra importante, sem maiores riscos. Transcorridos três meses de obra, 
que seguia em ritmo normal, em conformidade com o cronograma, Ivan teve conhecimento de que a 
empreiteira sofreu uma violenta execução judicial, impondo redução de mais de 90% (noventa por cento) de 
seu ativo patrimonial, fato que tornou ao menos duvidosa a capacidade da empreiteira de executar 
plenamente a obrigação pela qual se obrigou. Diante deste fato, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Ivan pode se recusar a pagar o restante das parcelas da remuneração da obra até que Demétrio dê garantia 
bastante de satisfazê-la. 
B) O dono da obra pode requerer a extinção do contrato, ao fundamento de que há inadimplemento anterior 
ao termo, pela posterior redução da capacidade financeira da empreiteira. 
C) A cláusula resolutiva expressa prevista no contrato é nula, pois o ordenamento não permite a resolução 
automática dos contratos, por inadimplemento, impondo-se a via judicial. 
D) A parte contratante tem direito de invocar a exceção de contrato não cumprido, em face do risco iminente 
de inadimplemento. 
 
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Gabarito: “A” 
 
Como vimos, a primeira grande diferença entre contrato unilateral e contrato bilateral é que, neste, você 
pode alegar a exceção do contrato não cumprido. 
 
O contrato bilateral tem uma cláusula resolutória tácita, implícita. No exemplo do José e da Carla, por 
exemplo, um não precisa esperar o outro cobrar para ele poder se defender e dizer que não vai cumprir. 
Diante do inadimplemento, pode-se pedir a resolução do contrato (término do contrato por fato superveniente 
– inadimplemento). Esta é a segunda diferença. 
 
A terceira diferença é a equivalência econômica – como uma prestação é causa da prestação do outro, deve 
existir um mínimo de equivalência econômica entre elas. Se eu compro um apartamento avaliado em 200 mil 
reais por 150, 180, 200, 230, 250, tudo bem, afinal, normal ser um pouco acima ou abaixo do valor de 
mercado. Entretanto, se eu compro um apartamento de 200 mil reais por 3 mil reais, isso não é mais compra 
e venda. Isso é simulação de doação. 
 
CONTRATOS ONEROSOS X GRATUITOS 
 
Passemos à segunda classificação: os contratos podem ser onerosos (traz vantagens para ambos os 
contratantes) ou gratuitos (oneram apenas uma das partes, proporcionando vantagem à outra, sem qualquer 
contraprestação). A primeira diferença está na hermenêutica contratual. Vejamos o artigo 112: 
 
Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas 
consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. 
 
Toim vai à casa de seu padrinho e fica sabendo que vai ganhar um carro, porque seu padrinho acabou de 
comprar um novo. Ele fica todo animado por causa do sonzão que há no carro. Quando recebe o carro, ele 
verifica que o padrinho tirou o som. Ele pode pleitear judicialmente que o padrinho lhe entregue o som, já 
que como ele doou o carro, e todo carro tem som, o som faz parte do carro? Claro que não, uma vez que o 
artigo 112 se refere apenas aos negócios onerosos, e a doação é um negócio gratuito. 
 
Nos contratos onerosos, interprete nos termos do artigo 112. Já nos contratos gratuitos, interprete de forma 
mais restrita, de acordo com a literalidade. Se o negócio é gratuito, e disse “carro”, é carro... nada de som.... 
 
Quando o negócio é gratuito, a interpretação deve ser restrita (art. 114). Quando ele for oneroso, você deve 
interpretá-lo nos termos do art. 112, buscando a real intenção dos contratantes. 
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Irresponsabilidade pela evicção e vício redibitório. O alienante, quando aliena um bem, implicitamente, 
responde por evicção e vicio redibitório. Isso só acontece nos contratos onerosos. Nos gratuitos, não. 
 
Art. 552. O doador não é obrigado a pagar juros moratórios, nem é sujeito às 
conseqüências da evicção ou do vício redibitório. Nas doações para casamento 
com certa e determinada pessoa, o doador ficará sujeito à evicção, salvo 
convenção em contrário. 
 
Fraude contra credores – é um vício social, inserido como defeito do negócio jurídico que torna o ato 
anulável. Joaquim, por exemplo, deve 300 mil reais e, visando não pagar as dívidas, doa todo seu patrimônio 
para sua mãe, mas continua usufruindo dos bens. O que os credores podem fazer? Eles podem alegar fraude 
contra credores, pedindo a anulação dessa doação, para que os bens doados continuem como garantia dos 
credores. 
 
O que vocês não podem esquecer sobre fraude contra credores é que não são apenas os negócios gratuitos 
que podem ser anulados. Se eu doar bens perto da minha insolvência, é claro que os credores vão questionar. 
A mesma coisa pode acontecer com relação aos negócios onerosos. Se eu vender, recebendo o preço pela 
coisa, os credores podem pedir a anulação. 
 
Qual é o nome da ação para anular atos praticados em fraude contra credores? 
 
Ação pauliana. Tanto nos contratos onerosos quanto nos gratuitos, os credores quirografários podem propor 
ação visando a anulação desses atos. Só que há uma diferença fundamental. 
 
Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, 
se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, 
ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, 
como lesivos dos seus direitos. 
 
Nos contratos gratuitos, os credores conseguirão anular o negócio jurídico mediante simples prova da 
insolvência em momento anterior ou concomitante à formalização do negócio jurídico, porque o donatário 
não vai perder nada. Ele só vai deixar de ganhar. 
 
Nos contratos onerosos, ao contrário, os credores só conseguirão anular se conseguirem provar que o 
compradorestava de má-fé, ou seja, deve-se comprovar o consilium fraudis, o conluio entre o alienante e o 
adquirente, além, é claro, da situação de insolvência. 
 
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Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor 
insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser 
conhecida do outro contratante. 
 
Em dois casos, presume-se de forma absoluta (não admite prova em contrário) o concilium fraudis: 
 
1) Quando a insolvência do devedor for notória; 
2) Quando houver outro motivo para ser conhecida... Ex: ela é mãe, sogra, sócio do devedor... 
 
CONTRATOS COMUTATIVOS X ALEATÓRIOS 
 
Comutativo é o contrato em que as partes conseguem antever os efeitos que serão produzidos por aquele 
contrato. No aleatório (vem de alea, que significa risco, sorte) , as partes não conseguem antever os efeitos 
que serão produzidos, porque é um contrato de risco. Ex: contrato de jogo, de aposta. Quando você vai na 
CEF e compra um bilhete, você não sabe o que vai acontecer, afinal, você pode ganhar ou perder. 
 
O contrato de seguro é um contrato aleatório (embora haja divergência doutrinária). Eu não sei se vou bater 
ou não o carro. 
 
O contrato comutativo não tem risco intrínseco, há segurança. Ex: compra e venda. Mas e se a parte não 
pagar? Eu cobro judicialmente. 
 
Efeito dessa classificação: irresponsabilidade por evicção e vício redibitório nos contratos aleatórios. 
 
Nos contratos aleatórios, você assume o risco, ou seja, para que o alienante responda por vício redibitório e 
pela evicção, o contrato deve ser oneroso e comutativo. Os contratos aleatórios podem ser naturalmente 
aleatórios ou atipicamente aleatórios. Os naturalmente são os que assim são por sua própria natureza. Ex: 
jogo, aposta. Já os acidentalmente são aqueles que, em regra, são comutativos, mas que, em razão de uma 
circunstância excepcional, se tornam aleatórios. 
 
O contrato de compra e venda, por exemplo, é tipicamente comutativo, mas, em duas situações, ele se torna 
aleatório: venda de coisa futura (eu posso chegar na sua fazenda e comprar toda a sua plantação de laranja. 
Pago o preço, pode vir mais ou menos do que eu estou comprando) e venda de coisa exposta a risco (eu vou 
comprar cerâmica da África, que será transportada de navio. Se chegar metade quebrada, eu assumi o risco e 
tenho que pagar tudo. Mas se o contratante, de má fé, colocou cerâmica quebrada, você pode anular o 
contrato, alegando omissão dolosa – art. 147 - CC). 
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Art. 147. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das 
partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, 
constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria 
celebrado. 
 
Art. 460. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas 
expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o 
alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte, ou de 
todo, no dia do contrato. 
 
Art. 461. A alienação aleatória a que se refere o artigo antecedente poderá 
ser anulada como dolosa pelo prejudicado, se provar que o outro contratante 
não ignorava a consumação do risco, a que no contrato se considerava exposta a 
coisa. 
 
Eu posso comprar sua safra de laranja. Eu pago e espero as laranjeiras cresceram. Eu paguei 100 mil reais, 
esperando 200 mil laranjas. Podem vir 50, 100, 400. 
 
O adquirente pode assumir o risco na existência ou na quantidade. Se ele assumir o risco na existência 
(emptio spei – venda de esperança), mesmo que não venha nenhuma laranja, o negócio estará consumado e o 
alienante ficará com o preço pago. Ele só poderá deixar de pagar se provar que o adquirente agiu com dolo 
ou culpa. 
 
Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos 
futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o 
outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de 
sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a 
existir. 
 
Se o adquirente, todavia, assumir o risco apenas na quantidade (emptio rei speratae – venda de coisa 
esperada), ele pagará se vier em quantidade menor que a esperada, mas ficará dispensado de pagar se não 
viver nada. 
 
Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o 
adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também 
direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver 
concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à 
esperada. 
 
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Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e 
o alienante restituirá o preço recebido. 
 
CONTRATOS CONSENSUAIS X REAIS 
 
Contrato consensual é o formado pelo acordo de vontade das partes. É a regra. Já contrato real é o que se 
forma com a tradição, com a entrega do bem. Há apenas 3 contratos reais: mútuo (art. 587), comodato (art. 
579) e depósito (art. 627 e ss). Há divergência sobre o contrato estimatório (venda em consignação – deixa o 
bem para vender... se não vender, devolve) 
 
Diferença de comodato e mútuo: 
 
Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-
se com a tradição do objeto. 
 
Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a 
restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e 
quantidade. 
 
Art. 627. Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para 
guardar, até que o depositante o reclame. 
 
Art. 628. O contrato de depósito é gratuito, exceto se houver convenção em 
contrário, se resultante de atividade negocial ou se o depositário o praticar 
por profissão. 
 
Bem fungível é aquele que pode ser substituído por outro de mesmo gênero, quantidade e qualidade. 
 
Diferença: No contrato de mútuo, eu transfiro a propriedade do bem. Você pode fazer o que quiser, até 
destruir. Ex: empréstimo de dinheiro. No contrato de comodato, há transferência da posse, não de 
propriedade, ou seja, o mesmo bem deve ser devolvido. 
 
O contrato de mútuo é real, ou seja, o empréstimo bancário não está formalizado quando você assina o 
documento com o gerente, mas quando o dinheiro efetivamente cai na sua conta. 
 
Contrato real (direito obrigacional é o direito pessoal, de natureza patrimonial. Eu estou vinculado a uma 
pessoa.) X direito real (me vincula a um bem, a uma coisa – art. 1.225). Os direitos reais são oponíveis erga 
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omnes, ao passo que, na seara contratual, a regra é o princípio da relatividade, segundo o qual o contrato, em 
regra, gera efeitos entre as partes, não atingindo terceiros. 
 
Propriedade é um direito real, que nasce da formalização de um contrato de compra e venda. Ex: hipoteca 
(dar em garantia bem imóvel) e penhor (dar emgarantia bem móvel). Na hipoteca, o imóvel permanece 
comigo, mesmo tendo ele sido dado em garantia (porque, como há registro, o credor hipotecário fica 
tranquilo, afinal, todos sabem da existência da hipoteca). No penhor, o bem móvel fica com a CEF (porque, 
como se trata de bem móvel, não existe registro. Se o credor pignoratício não ficasse com o bem, como ele 
poderia ficar tranquilo?) 
 
Eu posso vender um bem hipotecado? Claro que pode. Aliás, a lei até prevê a nulidade da cláusula que 
proíba a venda de bem hipotecado. Se eu não pagar, todavia, o banco vai tomar a casa, porque ele tem um 
direito real de hipoteca, que é oponível erga omnes. Então, o Banco pode retomar a casa, se eu não pagar, 
inclusive do terceiro que comprou o bem hipotecado. 
 
Art. 1.475. É nula a cláusula que proíbe ao proprietário alienar imóvel 
hipotecado. 
Parágrafo único. Pode convencionar-se que vencerá o crédito hipotecário, se o 
imóvel for alienado. 
 
Efeito: o contrato real é unilateral. Um contrato de mútuo é unilateral ou bilateral? Eu vou ao banco e peço 
um empréstimo. Parece que é bilateral, porque o banco deposita o dinheiro na minha conta e eu tenho a 
obrigação de pagar as prestações, certo? Não...CUIDADO!!! 
 
Como o mútuo é um contrato real, ou seja, que se formaliza com a tradição, o ato de banco de depositar o 
dinheiro na minha conta não é uma consequência do contrato, mas um elemento constitutivo do contrato. 
Quando ele deposita, o contrato está formalizado, ou seja, só quem tem obrigação sou eu, que tenho que 
pagar as prestações. Portanto, é um contrato unilateral. 
 
Lembra que todo contrato bilateral é oneroso e, ainda, que o unilateral é presumidamente gratuito (ex: 
doação)? Pois é, há EXCEÇÕES´, ou seja, situações em que o contrato, embora unilateral, é oneroso: Mútuo 
feneratício (contrato de empréstimo a juros). 
 
O mútuo feneratício é unilateral (porque só tem prestação para quem tem que pagar as prestações) e oneroso 
(os dois perdem e os dois ganham – o mutuário perde, porque pagou juros, e ganhou, porque ficou com o 
dinheiro por um tempo; já o mutuante, ganhou os juros, mas perdeu a disponibilidade temporária do bem). 
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FORMAÇÃO DO CONTRATO 
 
O contrato se forma em fases. A primeira fase é denominada de pontuação, também chamada de punctação, 
sendo a fase das tratativas, das negociações preliminares. Se uma das partes desistir, não há dever de reparar 
eventuais danos. A segunda fase é a de proposta, também chamada de policitação ou oblação. Em regra, o 
contrato se forma com o acordo de vontade das partes. É certo que para o contrato ser válido, às vezes, ele 
precisa de uma forma especial. Em regra, todavia, é de forma livre. 
 
Quando eu pergunto se você quer comprar minha casa e você diz que sim, o contrato de compra e venda está 
formalizado. Para que ele seja válido, é necessário o registro da Escritura, mas o contrato está pronto com o 
acordo de vontades, ou seja, de uma aceitação após uma proposta. 
 
Quem faz a proposta é o proponente (policitante). Quem aceita é o aceitante (oblato). É normal que haja 
uma série de ajustes entre as partes. As famosas contrapropostas. Esta fase de propostas e contrapropostas é 
chamada de policitação ou oblação. 
 
A proposta obriga o proponente. Se eu faço uma proposta, eu crio em você uma justa expectativa de 
contratar. Logo, se você aceitar e dizer que não quer mais, que se arrependeu, você pode pedir a execução 
forçada do contrato, ou indenização em perdas e danos. É o aspecto vinculatório da proposta. Proposta obriga 
o proponente. 
 
Há exceções: 
 
art. 427 - A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não 
resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do 
caso. 
 
Se vier expressa a não obrigatoriedade da proposta, o proponente não fica vinculado, porque não cria a justa 
expectativa de contratar. 
 
A depender da natureza do negócio – venda com quantidade limitada em estoque. Se acabou o estoque, você 
não está obrigado a cumprir a proposta. 
 
A depender das circunstâncias – art. 428 
 
Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta: 
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130 
I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. 
Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de 
comunicação semelhante; 
II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente 
para chegar a resposta ao conhecimento do proponente; 
III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do 
prazo dado; 
IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte 
a retratação do proponente. 
 
O contrato pode ser classificado como “entre presentes” (proposta e aceitação se dão em tempo real – 
presença física, telefone, ou por meio de comunicação semelhante (Messenger) e “entre ausentes (proposta 
e aceitação não são em tempo real. Ex: carta, e-mail....) 
 
Se eu faço uma proposta entre presentes, eu estou vinculado à proposta por quanto tempo? Pelo prazo que o 
proponente estabelecer. E se não estabelecer prazo? Se a aceitação não for imediata, a proposta deixa de ser 
vinculatória. 
 
Se eu faço uma proposta entre ausentes (por e-mail) e não estabeleço prazo, a proposta deixa de ser 
obrigatória se passar tempo razoável para proposta ir e a aceitação chegar. Para resolver essa incerteza, 
estabeleça prazo. Faça a proposta por carta, com AR, estabelecendo prazo de 5 dias contados do 
recebimento. 
 
Se eu faço uma proposta entre presentes, não é possível eu me retratar antes de a proposta chegar até você, 
até porque tudo acontece em tempo real. Entre ausentes, é possível que o proponente se arrependa antes da 
proposta chegar. Por exemplo, a empresa manda uma proposta via carta, e manda a retratação por SEDEX 
10. Não foi criada a justa expectativa de contratar. Se a retratação chegar antes ou junto com a proposta, ela 
deixa de ser obrigatória. Entre ausentes, o contrato só se aperfeiçoa quando a resposta é recebida pelo 
proponente, sem a retratação do aceitante. 
 
A terceira fase é a do contrato preliminar, que nem sempre existe. Se houver contrato preliminar, ele deve 
conter todos os requisitos do contrato definitivo, exceto no que se refere à forma. Ex: compromisso de 
compra e venda. 
 
A quarta e última fase do contrato é a do contrato definitivo, com o preenchimento de todas as condições. 
 
 
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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 
 
NOVIDADE! Art. 421. Função social dos contratos e autonomia privada dos contratantes. A intervenção 
estatal pela cláusula geral da função social foi minimizada nos contratos privados pelo surgimento de 
princípios novos: princípio da intervenção mínima e princípio da excepcionalidade da revisão contratual 
(artigo 421, parágrafo único). Paira sobre os contratos civis e empresariais uma presunção juris tantum de 
paridade e simetria (art. 421-A). A liberdade dos contratantes permite estabelecer parâmetros objetivos de 
interpretação das cláusulas contratuais e dos possíveis pressupostos para revisão ou resolução. Fato é que o 
cumprimento do contrato tal como lavradoé a regra e a revisão tornou-se excepcional e limitada pelos 
contratantes. 
 
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social 
do contrato. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio 
da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual. (Incluído 
pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e 
simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento 
dessa presunção, ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais, 
garantido também que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a 
interpretação das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de 
resolução; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e 
observada; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
III - a revisão contratual somente ocorrerá de maneira excepcional e 
limitada. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou 
contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. 
(ex: se o contrato trouxer duas formas de pagamento, prevalecerá o que for mais interessante ao 
aderente). 
 
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a 
renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. 
(pode existir cláusula que desfavoreça o aderente.... o que não pode é “não nos 
responsabilizamos por objetos deixados no interior do veículo”... quando eu formalizo um 
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contrato de depósito, que tem como premissa a transferência da posse de um bem, cabendo ao 
depositário devolvê-lo ao depositante, assim como o pegou”. Logo, a responsabilidade faz parte 
do negócio, não podendo haver cláusula que a suprima. O fundamento para se cobrar uma 
indenização, em caso de eventual dano ao veículo, neste caso, é o 424). 
 
O aderente é mais fraco que o proponente, porque este estabelece unilateralmente as cláusulas deste contrato. 
 
2) O novo Código Civil tornou implícito nos contratos a cláusula rebus sic stantibus, quando ele adotou a 
teoria da imprevisão (teoria da onerosidade excessiva) – se eu celebro com você um contrato equilibrado 
e, depois, acontece um fato superveniente e imprevisível, que torne o cumprimento desse contrato algo muito 
oneroso, eu posso pedir a resolução (fim) desse contrato. 
 
Ex: o contrato de leasing (contrato de arrendamento mercantil (aluguel), em que você paga mensalidades e 
no final, você pode adquirir a propriedade pagando um valor residual) tinha valor atrelado ao dólar. Quando 
o dólar subiu demais, houve uma desproporção absurda. Houve um fato superveniente e imprevisível que o 
tornou excessivamente oneroso para uma das partes. Se isso ocorrer hoje, pode-se pedir a resolução desse 
contrato. 
 
O CC, ao inovar com a teoria da imprevisão, adotou a cláusula rebus sic stantibus (lá da Idade Média), com 
duas diferenças: não precisa vir expresso no contrato, já que é uma causa implícita. Não se aplica só em 
guerra, mas a qualquer causa superveniente e imprevisível que desequilibre o contrato. 
 
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de 
uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a 
outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o 
devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar 
retroagirão à data da citação. 
 
Todo contrato se sujeita à teoria da imprevisão? Não. 
 
O contrato, quanto ao momento de execução, pode ser de 3 tipos: de execução instantânea (é aquele contrato 
que eu cumpro minha prestação no momento da conclusão do contrato), de execução continuada (eu cumpro 
minha prestação de forma continuada, pagando em quotas periódicas de prestação (Prestação é o objeto da 
obrigação), ou de execução diferida (eu pago em uma vez, no futuro. Ex: pago tudo daqui a 90 dias). 
 
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Nesses 3 contratos eu me submeto à teoria da imprevisão? Claro que não, afinal, o próprio artigo diz “nos 
contratos de execução continuada ou diferida”. Nos contratos de execução instantânea, pode acabar o 
mundo que nada muda no contrato, já que o pagamento foi feito a vista. 
 
Se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa – eu pago 72 parcelas de 500 reais e 
então eu perco o emprego e arrumo um novo em que eu ganho a metade. Nesse caso, eu posso pedir a 
resolução do contrato com base na teoria da onerosidade excessiva ou da imprevisão? 
 
Para eu conseguir a resolução do contrato com base na teoria da onerosidade excessiva, não basta que tenha 
ficado ruim para mim, uma vez que a lei exige que a outra parte tenha uma vantagem excessiva. Por isso que 
a lei diz “com extrema vantagem pra outra”. Assim, no caso da perda do emprego, não caberá a resolução 
do contrato. 
 
No caso do leasing, em que o dólar pulou de 50 para 90 mil, houve vantagem extrema para a outra parte, por 
isso que foi possível a resolução do contrato. 
 
O acontecimento deve ser extraordinário e imprevisível: algo bem parecido com esse requisito foi visto 
por vocês, na parte geral, quando tratamos dos defeitos do negócio jurídico. 
 
Tanto na lesão quanto na teoria da onerosidade excessiva, existe uma prestação muito alta. A diferença é que 
na lesão (e no estado de perigo), o contrato já nasce viciado. Na teoria da onerosidade excessiva, o contrato 
nasce perfeito, mas ele se vicia em razão de um fato superveniente. 
 
Na lesão, o problema é de invalidade do contrato. Pede-se a anulação. Na onerosidade excessiva, o contrato é 
válido. O que se pede é a resolução. 
 
Na lesão, como é inválido, nenhum efeito é produzido. Ato inválido não gera efeitos (cuidado com o 
pensamento de que ato nulo retroage, atingindo tudo, e que ato anulável não retroage, atingindo só dali para 
frente. Isso é ultrapassado, afinal, existe o artigo 182 do CC). 
 
Na onerosidade excessiva, dá-se a resolução do contrato, ou seja, embora esteja findo o contrato, gerou 
efeitos válidos. A sentença, embora não seja de invalidade, retroage, e mata os efeitos praticados a partir da 
citação, o que permite concluir que os efeitos produzidos até a citação são válidos. 
 
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É possível evitar a resolução do contrato? Claro que sim. Veja o artigo 479 (em plena sintonia com o 
princípio da conservação do negócio jurídico):Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente 
as condições do contrato. 
 
EVICÇÃO E VÍCIO REDIBITÓRIO 
 
Alienar um bem é transferir-lhe a propriedade. Se eu alieno um bem a você, eu respondo por defeitos 
materiais (vício redibitório) e por defeitos jurídicos (evicção). 
 
O motor do meu carro está arrebentado, então, eu coloco uma massa lá para tampar o buraco e ele funciona. 
Em seguida, eu vendo o carro e o comprador, dois dias depois, não consegue ligar o carro. Trata-se de vício 
redibitório. 
 
Evicção é a perda judicial de um bem, em virtude de um problema jurídico. Por exemplo, o alienante 
falsifica seu documento e vende um imóvel seu, como se fosse você. Ao descobrir isso, você ingressa com 
uma ação, pleiteando a retomada do bem. O juiz vai deferir, e o adquirente vai cobrar do alienante. 
 
Para o alienante responder por evicção, há dois requisitos: contratos onerosos e contratos comutativos. Nos 
gratuitos e nos aleatórios, o alienante não responde nem por evicção, nem por vício redibitório. 
 
VÍCIOS REDIBITÓRIOS 
 
Vício redibitório é o defeito oculto em coisa recebida em virtude de contrato comutativo, que torna o bem 
impróprio para o uso a que se destina, ou que lhe diminua o valor. A coisa defeituosa pode ser enjeitada pelo 
adquirente, mediante devolução do preço, e, se o alienante conhecia o defeito, com satisfação de perdas e 
danos (arts. 441 e 443) – Ação redibitória 
 
Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser 
enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que 
é destinada, ou lhe diminuam o valor. 
 
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas. 
(não há responsabilidade por vício redibitório em contratos gratuitos e em 
contratos aleatórios). 
 
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Art. 443. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o 
que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o 
valor recebido, mais as despesas do contrato. 
 
O adquirente, todavia, tem a opção de ficar com a coisa e reclamar abatimento no preço. (ação quanti 
minoris ou estimatória) 
 
Art. 442. Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato (art. 441), pode o 
adquirente reclamar abatimento no preço. 
 
Ex: eu compro uma máquina que produz 100 camisetas por hora. Depois de uma semana de uso, ela passa a 
produzir 80 camisetas por hora. Há um vício que diminuiu o valor da coisa. 
Há duas formas de se reclamar de um vício redibitório: 
 
a) Ação redibitória – o adquirente quer redibir (desfazer) o contrato, pegando o dinheiro de volta. 
 
b) Ação quanti minoris (ou estimatória) – o adquirente pede o abatimento do preço, com a devolução 
parcial do preço pago. Ele quer ficar com a máquina, mas não quer pagar o valor cobrado. Se houve 
uma desvalorização de 20 mil, ele quer esse valor de volta. Como é preciso estimar, apurar o 
prejuízo, veio o nome da ação. 
 
CUIDADO! É opção do adquirente, ou seja, se o vício reduziu o valor da coisa, o adquirente pode optar pela 
ação redibitória. Não precisa ser a quanti minoris. 
 
Essas regras aplicam-se aos contratos bilaterais e comutativos, decorrendo do paralelismo que devem 
guardar as prestações nos contratos bilaterais, assegurando ao interessado a fruição normal das utilidades 
advindas da coisa adquirida. Como os contratos comutativos são espécies de contratos onerosos, não 
incidem as referidas regras sobre os gratuitos, como a doação pura, pois o beneficiário da liberalidade, nada 
tendo pago, não tem porque reclamar. 
 
Art. 552. O doador não é obrigado a pagar juros moratórios, nem é sujeito às 
conseqüências da evicção ou do vício redibitório. Nas doações para casamento 
com certa e determinada pessoa, o doador ficará sujeito à evicção, salvo 
convenção em contrário. 
 
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Há responsabilidade, entretanto, nas doações onerosas, até o limite do encargo (441, parágrafo único) e nas 
doações remuneratórias, uma vez que nelas não há liberalidade pura, mas onerosidade até o valor dos 
serviços remunerados. 
 
Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde 
o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a 
gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto. 
 
REQUISITOS PARA A CARACTERIZAÇÃO DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS 
 
Não é qualquer defeito ou falha existente em bem móvel ou imóvel recebido em virtude de contrato 
comutativo que dá ensejo à responsabilização do alienante por vício redibitório. Defeitos de somenos 
importância ou que possam ser removidos são insuficientes para justificar a invocação da garantia, pois não 
tornam a coisa imprópria ao uso a que se destina, nem diminuem o seu valor econômico. 
 
São, portanto, requisitos: 
 
a) Que a coisa tenha sido recebida em virtude de contrato comutativo (ou de doação onerosa (modal, ou 
com encargo, é aquela em que o doador impõe ao donatário uma incumbência ou dever) ou 
remuneratória (aquela feita em retribuição a serviços prestados, cujo pagamento não pode ser exigido 
pelo donatário) 
 
b) Que os defeitos sejam ocultos – se os defeitos são facilmente verificáveis com um rápido exame e 
diligência normal, não há caracterização de vício redibitório. Se o defeito for aparente, suscetível 
de ser percebido por um exame atento feito por um adquirente cuidadoso no trato dos seus negócios, 
não constituirá vício oculto capaz de justificar a propositura da ação redibitória, por se presumir que 
o adquirente já os conhecia e que não os julgou capazes de impedir a aquisição, renunciando, assim, 
à garantia legal da redibição. 
 
Ex: um indivíduo que compra um carro com defeito grave no motor não poderá requerer a redibição se a 
falha pudesse ser facilmente verificada com um rápido passeio ao volante ou a subida de uma rampa, e ele 
dispensou fazer o test drive. 
 
c) Que os defeitos existam no momento da celebração do contrato e que perdurem até a ocasião da 
reclamação – o alienante não responde por defeitos supervenientes (pois presume-se que eles são 
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resultantes do mau uso pelo comprador), mas somente pelos contemporâneos à alienação, ainda que 
venham a se manifestar só posteriormente. 
 
Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em 
poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da 
tradição. 
 
d) Que os defeitos sejam desconhecidos do adquirente – se o comprador os conhecia, presume-se que 
renunciou à garantia. CUIDADO! A expressão “vende-se no estado em que se encontra” tem a 
finalidade de alertar os interessados de que não se acham em perfeito estado, não cabendo, por isso, 
nenhuma reclamação posterior. 
 
e) Que os defeitos sejam graves – só são considerados graves os que prejudicam o uso da coisa ou lhe 
diminuem o valor. 
 
Se o defeito for aparente, há vício redibitório? Na relação civil, não, mas na relação de consumo, sim. 
 
Se eu for numa loja comprar uma geladeira, eu não aplico o CC, mas o CDC, pois é uma relação de 
consumo. O consumidor está protegidode defeitos ocultos e vícios aparentes. 
 
No CDC, há uma proteção do fornecedor. Se eu compro um bem com defeito, o fornecedor é obrigado a 
trocar? Não. O CDC dá ao fornecedor 30 dias para ele consertar o bem. Se ele não fizer isso em 30 dias, daí 
o consumidor pode escolher uma das opções do artigo 18 do CDC: 
 
Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis 
respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem 
impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o 
valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações 
constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, 
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor 
exigir a substituição das partes viciadas. 
 
§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o 
consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: 
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas 
condições de uso; 
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem 
prejuízo de eventuais perdas e danos; 
III - o abatimento proporcional do preço. 
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Quando se aplica o CC e não o CDC? Para que se aplique o CDC, é necessário ser uma relação de consumo. 
Para ser fornecedor, é necessário habitualidade e profissionalismo. Se eu vendo meu carro usado, eu não sou 
empresário, não sou fornecedor. Não é relação de consumo. 
 
O consumidor deve ser o destinatário final para que se aplique o CDC. Se eu compro pra revender, não é 
relação de consumo. Nesse caso, aplica-se o CC. 
 
Mesmo se o alienante agiu com boa-fé, ele responderá por vício redibitório? Sim, pois é uma garantia 
implícita, ou seja, nem precisa ser prevista no contrato, já que ela decorre de lei. A diferença é que na boa-fé, 
o alienante só deve devolver o valor pago e as despesas contratuais. Já o alienante de má-fé responde por 
essas despesas, mais perdas e danos (prejuízo decorrente de não ter conseguido realizar um trabalho naquele 
dia, por exemplo). 
 
Art. 443. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o 
que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o 
valor recebido, mais as despesas do contrato. 
 
Na doação, responde o doador por vício redibitório? Claro que não, uma vez que é um contrato unilateral. 
Entretanto, em se tratando de doação onerosa (doação com encargo – ato unilateral imperfeito), o doador 
responde. 
 
Art. 441 - Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações 
onerosas. 
 
Qual é o prazo para se reclamar de vícios redibitórios? 
 
Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no 
preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, 
contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da 
alienação, reduzido à metade. 
 
§ 1o Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o 
prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de 
cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os 
imóveis. 
 
§ 2o Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos 
serão os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, 
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aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras 
disciplinando a matéria. 
 
Há um equívoco de redação do CC aqui. Na redibição, o prazo é decadencial (pois é direito potestativo), mas 
na quanti minoris o prazo é prescricional, por se tratar de um direito a uma prestação. 
 
Qual é o termo inicial do prazo? Como o defeito é oculto, eu só posso arguí-lo a partir do momento em que 
eu descubro o defeito. O prazo começa a contar da data da entrega efetiva (exceto se o adquirente já estava 
na posse do bem antes mesmo de adquiri-lo, hipótese em que o prazo será reduzido de metade, contato da 
alienação). 
 
CUIDADO! A lei não estabeleceu qual é o prazo mínimo de posse para que o prazo seja reduzido à metade. 
Então, se eu ligo para você, dizendo que não vai dar para eu ir a sua casa pra te entregar o carro e a gente 
assinar o contrato, mas que, pra você não ficar sem carro, eu vou mandar alguém entregar o carro agora e, no 
fim do dia, eu passo lá pra gente assinar o contrato, os prazos já serão reduzidos, pois no momento da 
celebração do contrato você já estava na posse do bem. Nesse ponto, o CC foi mal, porque abre oportunidade 
para comportamentos contrários à boa-fé. 
 
Se o defeito oculto, por sua natureza, for de difícil percepção, o prazo se inicia com a ciência do defeito. O 
prazo máximo para se descobrir é de 180 dias, se móvel, e de 1 ano, se imóvel. 
Então, em se tratando de defeito de difícil percepção, tem-se: 
 
a) Para móveis: prazo de 180 dias para descobrir e, depois, 30 dias; 
b) Para imóveis: prazo de 1 ano para descobrir e, depois, um ano. 
 
Se você der garantia convencional, o prazo legal só começa a contar depois que ela terminar. Se o vício 
surgir no curso da garantia convencional, o prazo para reclamar se esgota nos trinta dias seguintes ao seu 
descobrimento. Isso significa que, mesmo ainda havendo prazo para a garantia, o adquirente é obrigado a 
denunciar o defeito nos trinta dias seguintes ao em que o descobriu, sob pena de decadência do direito. 
 
Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de 
cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante 
nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência. 
 
Essa obrigação imposta ao adquirente, de denunciar desde logo o efeito da coisa ao alienante decorre do 
dever de probidade e boa-fé insculpido no art. 422 do CC. 
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SITUAÇÕES PONTUAIS: 
 
1) Coisas vendidas conjuntamente 
 
Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não 
autoriza a rejeição de todas. 
 
Só a coisa defeituosa pode ser restituída e seu valor deduzido do preço, salvo se formarem um todo 
inseparável (imagine uma coleção de livros raros, ou um par de sapatos, por exemplo). 
 
Se o defeito de uma comprometer a universalidade ou conjunto das coisas que formem um todo inseparável, 
pela interdependência delas, o alienante responderá integralmente pelo vício. 
 
2) Inadimplemento contratual 
 
A entrega de coisa diversa da contratada não configura vício redibitório, mas inadimplemento contratual, 
respondendo o devedor por perdas e danos. 
 
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, 
mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, e honorários de advogado. 
 
Ex: desfalque ou diferença na quantidade de mercadorias; compra de material de determinado tipo e 
recebimento de outro. Em caso de inexecução do contrato, o lesado tem o direito de exigir o seu 
cumprimento ou pedir a resolução, com perdas e danos. 
 
3) Erro quanto às qualidades essenciais do objeto 
 
Não configura vício redibitório, impedindo a utilização das ações edilícias. Neste caso, será possível pedira 
anulação do negócio jurídico por erro (defeito dos negócios jurídicos). O vício redibitório tem natureza 
objetiva (vício oculto da coisa), ao passo que o erro quanto às qualidades essenciais do objeto é subjetivo, 
pois reside na manifestação de vontade. 
 
Art. 139. O erro é substancial quando: 
I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a 
alguma das qualidades a ele essenciais; 
 
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Ex: se você quer comprar um relógio de ouro e compra um qualquer, achando que é de ouro só por ser 
dourado, há erro quanto às qualidades essenciais do objeto. Se, no entanto, o relógio de ouro, mas não 
funciona por causa de um defeito de uma peça interna, a hipótese é de vício redibitório. 
 
4) Coisa vendida em hasta pública. 
 
O CC de 1916 tinha regra expressa. Dizia o art. 1106: 
 
Se a coisa for vendida em hasta pública, não cabe a ação redibitória, nem a de 
pedir abatimento no preço”. 
 
Como o CC não trouxe tal regra, o adquirente lesado, em qualquer caso, mesmo no de venda em hasta 
pública, propor ação edilícia se constatar vício redibitório. 
 
EVICÇÃO 
 
Evicção é a perda ou desapossamento de um bem, por força de decisão judicial ou, excepcionalmente, 
administrativa, em razão de um defeito jurídico anterior à alienação. 
 
Evicção é a perda da coisa em virtude de sentença judicial, a qual a atribui a coisa a outrem por causa 
jurídica preexistente ao contrato. O alienante é obrigado não só a entregar ao adquirente a coisa alienada, 
como também a garantir-lhe o uso e gozo. A evicção resta caracterizada quando o adquirente perde, total ou 
parcialmente, a coisa por sentença fundada em motivo jurídico anterior. O fundamento da evicção é o 
princípio da garantia, o mesmo em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios. 
 
Há um conjunto de garantias a que todo alienante está obrigado, por lei, na transferência da coisa ao 
adquirente. Deve fazer boa a coisa vendida, tanto no sentido de que ela possa ser usada para os fins a que se 
destina, como no de resguardar o adquirente contra eventuais pretensões de terceiro e o risco de vir a ser 
privado da coisa ou de sua posse e uso pacífico, pela reivindicação promovida com sucesso por terceiro, 
ressarcindo-o caso se consume a evicção. 
 
Quem compra o bem e o perde é denominado “evicto” e o legítimo proprietário é o “evictor”. 
 
Ex: Alisson é estelionatário e uso de documentos falsos para vender um imóvel que é de André. Se Maria 
compra esse imóvel e André verifica que houve transferência da propriedade sem sua anuência, ele vai pedir 
o bem e o juiz concederá. Maria vai ficar no prejuízo? Não. Ela vai cobrar de Alisson. 
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A evicção impõe ao alienante o dever de indenizar o adquirente, mas e se ele sumir? Que alternativa sobra ao 
adquirente? Sentar e chorar. 
 
A evicção é a perda da coisa por decisão judicial ou administrativa, certo? Pensemos em um exemplo de 
evicção caracterizada pela perda da coisa por decisão administrativa. 
 
André furta (ou rouba) o carro de Alisson e, em seguida, vende este carro pra Kathy. Kathy, depois uns dias, 
está andando elegantemente pela cidade quando é parada em uma blitz, na qual o policial verifica, após 
consulta ao site do DETRAN, que o carro é roubado. A providência que ele adota é encaminhar o carro e o 
condutor à Delegacia de repressão a Furtos e roubos. Lá, o delegado vai ligar para o verdadeiro dono e vai 
entregar o carro. Trata-se de exemplo de perda da coisa por decisão administrativa. 
 
STJ : Quando a evicção decorrer de um ilícito criminal, a perda da coisa pode se dar em virtude de decisão 
administrativa. 
 
Lembre-se! A regra geral é que a perda da coisa se dê em virtude de decisão judicial. 
 
VENDA DE COISA LITIGIOSA 
 
O evicto só poderá cobrar do alienante os direitos que da evicção lhe resultam se estiver de boa-fé. Se o 
evicto comprou o bem sabendo que a coisa era alheia ou litigiosa, ele não poderá demandar indenização em 
face do alienante. 
 
Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa 
era alheia ou litigiosa. 
 
Se a coisa for alheia, haverá evicção. Se a coisa for litigiosa, haverá venda de coisa litigiosa. 
 
CPC - Art. 109. A alienação da coisa ou do direito litigioso por ato entre 
vivos, a título particular, não altera a legitimidade das partes. 
 
§ 1o O adquirente ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo o 
alienante ou cedente, sem que o consinta a parte contrária. 
 
§ 2o O adquirente ou cessionário poderá intervir no processo como assistente 
litisconsorcial do alienante ou cedente. 
 
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§ 3o Estendem-se os efeitos da sentença proferida entre as partes originárias 
ao adquirente ou cessionário. 
 
Essa responsabilidade decorrente da evicção pode ser excluída? Ou reforçada? 
 
Ex: Eu quero vender uma blusa. Juliano pergunta onde eu comprei e eu digo que foi num brechó de 
Aparecida de Goiânia. Ele diz que não quer comprar porque tem medo de se tratar de coisa roubada e gerar 
problemas pra ele. Eu, por ser muito amigo da dona do Brechó, Kathy, digo a Juliano que ele pode comprar 
sem medo porque, se ele perder o bem, eu devolvo, em dobro, o valor que ele pagar. NESSE CASO ESTÁ 
SENDO REFORÇADA A GARANTIA DA EVICÇÃO. 
 
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou 
excluir a responsabilidade pela evicção. 
 
Pode-se diminuir também. No exemplo do brechó, por exemplo, eu, por não confiar na dona do brechó, 
posso vender por um preço bem baixo e ficar responsável, em caso de evicção, por devolver metade do valor 
pago. 
 
É possível a exclusão? O art. 448 diz que sim... Mas não é bem assim. Nem sempre é possível... 
 
Vocês concordam comigo que é, no mínimo, perigosa, uma cláusula que exclua inteiramente a 
responsabilidade pela evicção? Cuidado com a boa-fé. Para que esta causa de exclusão seja válida, há dois 
requisitos cumulativos: 
 
1) O evicto deve ter sido informado do risco da evicção 
2) O evicto deve ter assumido o risco da evicção 
 
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se 
esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa 
evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. 
 
Para facilitar, utilize as seguintes fórmulas, criadas por Washington de Barros Monteiro: 
 
1) Cláusula expressa de exclusão da garantia + conhecimento e assunção do risco da evicção pelo 
evicto = isenção de toda e qualquer responsabilidade por parte do alienante 
 
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2) Cláusula expressa de exclusão da garantia + desconhecimento do risco ou não assunção do risco, se 
dele informado = responsabilidade do alienante apenas pelo preço pago pelo evicto (adquirente da 
coisa evicta) 
 
Não havendo a referida cláusula de exclusão da garantia pela evicção, a responsabilidade do alienanteserá 
plena, podendo o evicto pleitear, nos termos do artigo 450 do CC, nos casos de evicção total: 
 
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da 
restituição integral do preço ou das quantias que pagou: 
 
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; 
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que 
diretamente resultarem da evicção; 
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. 
 
Em relação ao preço da coisa, havendo evicção total ou parcial, respectivamente, será o do valor da coisa à 
época em que ocorreu a perda total ou proporcional ao desfalque sofrido em se tratando de evicção parcial. 
 
Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na 
época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial. 
 
Essa norma veda o enriquecimento sem causa, pois leva em conta o momento efetivo da perda. 
 
EVICÇÃO PARCIAL 
 
Eu compro um bem e o perco pela evicção. Mas e se eu perder apenas parte do bem? Imagine que eu compre 
de Juliano cem cabeças de gado (100 mil reais, sendo mil cada uma), sendo que dessas 100, 80 eram 
roubadas de Alisson e são perdidas pela evicção. Eu perdi as 80, mas fiquei com 20, e aí? Você deve 
verificar se esta perda é considerável ou é irrisória. 
 
Se for considerável, o evicto pode optar pela rescisão do contrato (devolução do dinheiro em virtude do 
desfazimento do negócio), ou pelo abatimento proporcional do preço (pedindo indenização de oitenta mil, 
que corresponde ao valor das 80 vacas perdidas em virtude da evicção). 
 
Se a perda for irrisória, como por exemplo, se eu tivesse perdido 5 das 100 vacas que havia comprado de 
Juliano, eu não posso pedir rescisão do contrato. A única opção do evicto é pedir indenização correspondente 
às 5 vacas perdidas. 
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Art. 455. Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar 
entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente 
ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a 
indenização. 
 
O grande problema é justamente saber o que é evicção parcial considerável. Esta regra também está em 
sintonia com a vedação do enriquecimento sem causa. Em regra, afirma-se que é aquela que supera a metade 
do valor do bem, entretanto, também pode se levar em conta a essencialidade da parte perdida em relação às 
finalidades sociais e econômicas do contrato. 
 
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS! Ex: parte menor da fazenda 
perdida é justamente a sua parte produtiva. A evicção aqui é parcial, mas considerável, cabendo a rescisão 
contratual. 
 
CUIDADO! O artigo 456 e seu parágrafo único foram revogados pelo CPC. A matéria relativa à 
denunciação ficou inteiramente tratada no Código de 2015, em seu artigo 125: 
 
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das 
partes: 
 
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi 
transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da 
evicção lhe resultam; 
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em 
ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo. 
 
§ 1º O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação 
da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida. 
 
§ 2º Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, 
contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por 
indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, 
hipótese em que eventual direito de regresso será exercido por ação autônoma. 
 
EXTINÇÃO DOS CONTRATOS 
 
Os direitos obrigacionais gerados pelo contrato, ao contrário dos direitos reais, que tendem à perpetuidade, 
caracterizam-se pela temporalidade. Não há contrato eterno. A extinção, em regra, dá-se pela execução, seja 
ela instantânea, diferida ou continuada. O cumprimento da prestação libera o devedor e satisfaz o credor. 
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Este é o meio normal de extinção do contrato. Comprova-se o pagamento pela quitação fornecida pelo 
credor, observados os requisitos exigidos no artigo 320 do CC: 
 
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, 
designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem 
por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou 
do seu representante. 
 
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a 
quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a 
dívida. 
 
Algumas vezes, todavia, o contrato pode ser extinto sem ter alcançado sua finalidade, ou seja, sem que as 
obrigações tenham sido cumpridas. Várias causas acarretam essa extinção, sendo algumas anteriores ou 
contemporâneas à formação do contrato e outras supervenientes. 
 
Causas anteriores ou contemporâneas: 
 
I – nulidade absoluta e relativa (166 e 171) 
II – cláusula resolutiva (expressa ou tácita) 
III – direito de arrependimento (convencionado) 
 
CLÁUSULA RESOLUTIVA 
 
Cada contraente, na execução do contrato, tem a faculdade de pedir a resolução do contrato se o outro não 
cumpre as obrigações avençadas. Essa faculdade pode resultar de convenção (cláusula resolutiva expressa, 
também chamada de pacto comissório expresso), ou de presunção legal (cláusula resolutiva tácita ou 
implícita). 
A cláusula resolutiva tácita é presumida em todo contrato sinalagmático, permitindo ao lesado pelo 
inadimplemento pleitear a resolução do contrato, com perdas e danos. 
 
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do 
contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos 
casos, indenização por perdas e danos. 
 
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O contratante pontual tem, ante o inadimplemento da outra parte, a alternativa de resolver o contrato ou de 
exigir da parte inadimplente o cumprimento do contrato mediante a execução específica. Em quaisquer das 
hipóteses, ele fará jus à indenização por perdas e danos. 
 
Teoria do adimplemento substancial 
 
O adimplemento substancial do contrato tem sido reconhecido pela doutrina como impedimento à resolução 
unilateral do contrato. Se a parte, embora inadimplemente, tiver quase que integralmente as obrigações 
pactuadas, não será possível a resolução unilateral. O fundamento lógico de tal teoria funda-se no fato de que 
o descumprimento insignificante da avença não se mostra apto a possibilitar a extinção do contrato, pois isso 
violaria a preservação das relações contratuais e, consequentemente, a função social dos contratos. 
 
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da 
função social do contrato. 
 
Cláusula resolutiva expressa: O CC prevê a cláusula resolutiva expressa sem qualquer limitação, seja 
quanto à natureza do contrato, seja quanto à parte beneficiada. 
 
Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita 
depende de interpelação judicial.Tanto no caso de cláusula resolutiva expressa quanto no da tácita, a resolução deve ser judicial, ou seja, 
depende de pronunciamento do Judiciário. No primeiro, todavia, a sentença tem efeito declaratório (ex tunc), 
já que a resolução se caracteriza no momento do inadimplemento. Em se tratando de cláusula resolutiva 
tácita, a sentença tem efeito desconstitutivo, dependendo, portanto, de interpelação judicial. No processo, 
será examinada a validade da cláusula, bem como a importância do inadimplemento. 
 
DIREITO DE ARREPENDIMENTO 
 
O arrependimento, quando expressamente previsto no contrato, autoriza qualquer uma das partes a rescindir 
o ajuste, mediante declaração unilateral da vontade, sujeitando-se à perda do sinal (arras penitenciais – art. 
420) ou à sua devolução em dobro sem, no entanto, pagar indenização suplementar. 
 
Lembrem-se que as arras penitenciais (ao contrário das arras confirmatórias – art. 418) só se caracterizam 
quando ficar estipulado entre as partes o direito ao arrependimento. O direito de arrependimento deve ser 
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exercido no prazo convencionado ou antes da execução do contrato se nada foi estipulado a esse respeito, 
pois o inadimplemento importará renúncia tácita àquele direito. 
 
O CDC concede ao consumidor o direito de desistir do contrato, no prazo de 7 dias, sempre que a 
contratação se der fora do estabelecimento comercial, especialmente quando for por telefone ou em 
domicílio, com direito à devolução do que pagou, sem a obrigação de indenizar perdas e danos. Esse é um 
caso especial de arrependimento, com desfazimento do contrato por ato unilateral do consumidor, cujo 
fundamento é a impossibilidade de reflexão necessária. 
 
Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar 
de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a 
contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do 
estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio. 
 
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento 
previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, 
durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente 
atualizados. 
 
CAUSAS SUPERVENIENTES À FORMAÇÃO DO CONTRATO 
 
I) Resolução (extinção do contrato): 
 
a) Por inexecução voluntária ou involuntária 
b) Em razão de declaração judicial quanto à caracterização de onerosidade excessiva 
 
II) Resilição (extinção pela vontade): 
 
a) De ambas as partes – distrato 
b) Unilateral (denúncia, revogação (ou renúncia) e resgate) 
 
EXTINÇÃO POR FATOS POSTERIORES À CELEBRAÇÃO 
 
O contrato pode ser extinto por fatos anteriores ou contemporâneos à sua celebração (como a nulidade e a 
anulabilidade, a cláusula resolutiva e o direito de arrependimento), bem como por fatos posteriores. Haverá 
resolução quando a extinção do contrato se der por descumprimento. Ela se caracteriza quando um dos 
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contraentes não consegue cumprir a prestação avençada, em razão de situações supervenientes, que impedem 
ou prejudicam a sua execução. 
 
a) RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO VOLUNTÁRIA (art. 389) 
 
É aquela que decorre do comportamento culposo de um dos contraentes, com prejuízo ao outro. Produz 
efeitos ex tunc, extinguindo o que foi pactuado. O inadimplente fica obrigado ao pagamento de: 
 
- perdas e danos; e 
- da cláusula penal, convencionada para o caso de total inadimplemento da prestação (cláusula penal 
compensatória – art. 410 – descumprimento total da obrigação), ou para evitar o retardamento (cláusula 
penal moratória). 
 
Se o contrato for de trato sucessivo, os efeitos do inadimplemento serão ex nunc¸ já que a resolução não 
produz efeitos em relação ao passado, não se restituindo as prestações já cumpridas. 
 
CUIDADO! Se uma parte manifestou sempre tolerância por uma certa margem de atraso ou de pagamento 
de valor inexato, pouco inferior ao convencionado, “isto pode ter relevância para excluir a possibilidade de 
resolução do contrato por falta de cumprimento integral”. Trata-se de aplicação do princípio da boa-fé. 
 
b) RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO INVOLUNTÁRIA 
 
A resolução do contrato pode também decorrer de fato não imputável às partes, como sucede nas hipóteses 
de ação de terceiro ou de acontecimentos inevitáveis, alheios à vontade dos contratantes, denominados de 
caso fortuito ou força maior. 
 
A inexecução involuntária caracteriza-se pela impossibilidade superveniente de cumprimento do contrato. 
Ela deve ser objetiva (não se referir à pessoa do devedor), total (se for parcial ou de pequena proporção, o 
credor pode ter interesse em que, mesmo assim, o contrato seja cumprido) e definitiva (afinal, a 
impossibilidade temporária implica a suspensão do contrato). 
 
O inadimplente não fica, no caso de inexecução involuntária, responsável pelo pagamento de perdas e danos, 
salvo se expressamente obrigou-se a ressarcir “os prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior” ou 
estiver “em mora”. 
 
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Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito 
ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. 
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato 
necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. 
 
Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora 
essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes 
ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano 
sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. 
 
Só haverá responsabilidade por caso fortuito ou força maior nas seguintes situações: 
 
1) Se o devedor estiver em mora, a não ser que prove ausência de culpa ou que a perda da coisa 
objeto da obrigação ocorreria mesmo não havendo o atraso (art. 399); 
 
2) Havendo previsão no contrato para a responsabilização por esses eventos por meio da cláusula 
de assunção convencional (art. 393), cuja validade é discutível nos contratos de consumo e de 
adesão; 
 
3) Em casos específicos, como o do art. 583 do CC, referente ao contrato de comodato. “Art. 583. 
Se, correndo risco o objeto do comodato juntamente com outros do comodatário, antepuser este 
a salvação dos seus abandonando o do comodante, responderá pelo dano ocorrido, ainda que se 
possa atribuir a caso fortuito, ou força maior.” 
 
A resolução opera de pleno direito, portanto, cabe a intervenção judicial para proferir sentença declaratória, 
obrigando o contratante a restituir o que recebeu. O efeito é retroativo, da mesma forma que a resolução por 
inexecução voluntária. A diferença é que aqui, não responde o devedor por perdas e danos. 
 
Resolução por onerosidade excessiva: 
 
A teoria da imprevisão teve origem na Idade Média, mediante a constatação de que fatores externos podem 
gerar, quando da execução da avença, uma situação diversa da que existia no momento da celebração, 
onerando excessivamente o devedor. Desenvolve-se com o nome de rebus sic stantibus e consiste 
basicamente em presumir,nos contratos comutativos, de trato sucessivo e de execução diferida, a 
existência implícita de uma cláusula, pela qual a obrigatoriedade de seu cumprimento pressupõe a 
inalterabilidade da situação de fato. No Brasil, a teoria recebeu a denominação de teoria da imprevisão. 
 
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CONTRATOS EM ESPÉCIE 
 
I - COMPRA E VENDA (arts. 481 A 532) 
 
Compra e venda é o contrato por meio do qual uma das partes se obriga a transferir a propriedade de uma 
coisa para a outra parte, que, em contrapartida, obriga-se a dar o preço. Trata-se de um contrato translativo, 
mas que por si só não gera a transmissão da propriedade. 
 
A propriedade móvel é transferida pela tradição, ao passo que a propriedade imóvel é transferida pelo 
registro do contrato no Cartório de Registro imobiliário. Dessa forma, o contrato de compra e venda traz 
somente o compromisso do vendedor em transmitir a propriedade, denotando efeitos obrigacionais. 
 
Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se 
obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe 
certo preço em dinheiro. 
 
Os elementos do contrato de compra e venda são os seguintes: partes (comprador e vendedor), coisa (que 
deve ser corpórea, porque se for incorpórea não há contrato de compra e venda, mas contrato de cessão de 
direitos) e preço. 
 
PARTES 
 
Quanto às partes, elas devem ser maiores e capazes sob pena de nulidade (absolutamente incapazes) ou 
anulabilidade (relativamente incapazes). CUIDADO! Além da capacidade, as partes devem ter legitimidade. 
No que tange ao consentimento das partes, é claro que deve ser livre e espontâneo, pois caso haja algum dos 
vícios de consentimento, o contrato de compra e venda será anulável (art. 171, II) 
 
DO OBJETO 
 
Como asseverado alhures, o objeto da compra e venda deve ser sempre uma coisa corpórea, ou seja, um bem 
suscetível de valoração econômica. A coisa pode ser existente ao tempo da contratação ou futura, caso em 
que haverá venda aleatória (emptio spei, emptio rei sperate, coisa exposta a risco) 
Não podem ser objeto de compra e venda: 
 
Art. 497. Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que 
em hasta pública: 
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I - pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os 
bens confiados à sua guarda ou administração; 
II - pelos servidores públicos, em geral, os bens ou direitos da 
pessoa jurídica a que servirem, ou que estejam sob sua administração 
direta ou indireta; 
III - pelos juízes, secretários de tribunais, arbitradores, peritos 
e outros serventuários ou auxiliares da justiça, os bens ou direitos 
sobre que se litigar em tribunal, juízo ou conselho, no lugar onde 
servirem, ou a que se estender a sua autoridade; 
IV - pelos leiloeiros e seus prepostos, os bens de cuja venda 
estejam encarregados. 
Parágrafo único. As proibições deste artigo estendem-se à cessão de 
crédito. 
 
Art. 498. A proibição contida no inciso III do artigo antecedente, 
não compreende os casos de compra e venda ou cessão entre co-
herdeiros, ou em pagamento de dívida, ou para garantia de bens já 
pertencentes a pessoas designadas no referido inciso. 
 
DO PREÇO 
 
O preço, no contrato de compra e venda, deve ser sempre em dinheiro. Isso, porque, se fosse dada outra 
coisa, diversa da pecúnia, configurar-se-ia o contrato de troca. Ele deve ser certo, determinado e em moeda 
nacional corrente, pelo valor nominal, conforme prevê o art. 315. 
 
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em 
moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos 
subseqüentes. (princípio do nominalismo) 
 
Cuidado! O preço pode ser cotado dessas formas, desde que conste o valor correspondente em Real, nossa 
moeda. Isso porque o artigo 487 prevê a licitude dos contratos de compra e venda cujo preço é fixado em 
função de índices ou parâmetros suscetíveis de objetiva determinação, caso do dólar e do ouro (preço por 
cotação). 
 
Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou 
parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. 
 
O preço pode ser arbitrado pelas partes ou por terceiro de sua confiança (preço por avaliação), conforme 
faculta o art. 485. 
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Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de 
terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem 
designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito 
o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra 
pessoa. 
 
À título de exemplo, cite-se que é comum, na venda de bens imóveis, a avaliação por uma imobiliária ou por 
um especialista do ramo. No que interessa a essa confiança, deve-se mencionar que o princípio da boa-fé 
objetiva está implícito nesse comando legal. Se esse terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o 
contrato (ineficácia), salvo quando os contratantes concordarem em indicar outra pessoa. 
 
O art. 489 prevê a nulidade da compra e venda se a fixação de preço for deixada ao livre arbítrio de uma das 
partes. 
 
Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao 
arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. 
 
Como interpretar esse artigo diante da prevalência dos contratos de adesão em que o preço é determinado de 
forma unilateral, imposto por uma das partes? 
 
NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA 
 
Definir a natureza jurídica de um determinado contrato é buscar a sua classificação diante das mais diversas 
modalidades contratuais. O contrato de compra e venda tem as seguintes características: 
 
a) é bilateral, porque há deveres e direitos proporcionais entre as partes, que são credoras e devedoras 
entre si); 
 
b) é oneroso, porque há sacrifícios patrimoniais para ambas as partes (a prestação para o comprador e a 
contraprestação para o devedor). Essa onerosidade é confirmada pelo elemento preço; 
 
c) em regra, é comutativo, porque as partes já sabem, de antemão, quais serão suas prestações. 
Eventualmente, a compra e venda poderá assumir a forma de contrato aleatório 
 
d) É consensual (aperfeiçoa-se com a manifestação de vontade) e não real (aperfeiçoa-se com a entrega 
da coisa). Isso pode ser comprovado pelo art. 482: 
 
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Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória 
e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. 
 
A entrega da coisa ou o registro no CRI não tem qualquer relação com o aperfeiçoamento do contrato, mas 
referem-se ao seu cumprimento, particularmente com a aquisição da propriedade pelo comprador. 
 
e) Pode ser formal (solene) ou informal (não solene). Se o valor do imóvel for superior a 30 salários 
mínimos, o contrato será solene (art. 108). Caso o imóvel tenha valor igual ou inferior a esse, não 
haverá necessidade de Escritura Pública. Lembre-se que, em se tratando de imóveis,a compra e 
venda sempre deverá ser formalizada por escrito, para que seja possível o registro no CRI. Em se 
tratando de móveis, o contrato sempre será não solene, uma vez que, independentemente do valor, 
não há necessidade de escritura pública, nem de forma escrita, uma vez que não há registro. 
 
RISCOS E DESPESAS ADVINDOS DO CONTRATO 
 
Na compra e venda há uma proporção igualitária de direitos e de deveres. O conceito de sinalagma mantém 
íntima relação com o equilíbrio contratual, com a base estrutural do negócio jurídico. O comprador tem o 
direito de receber a coisa e o dever de pagar o preço. Por outro, o vendedor tem o direito de receber o preço e 
o dever de entregar a coisa. 
 
Diante disso, lembre-se que: 
 
Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de 
escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as 
da tradição. 
 
As despesas com transporte e tradição correm, se não houver previsão no contrato, por conta do vendedor, 
assim como as despesas com escritura e registro correm por conta do comprador. 
 
Art. 491. Não sendo a venda a crédito, o vendedor não é obrigado a 
entregar a coisa antes de receber o preço. 
 
Esse artigo complemente a previsão da exceção de contrato não cumprido (art. 476). Ele determina que, na 
venda à vista, somente se entrega a coisa mediante o pagamento imediato do preço. Por se tratar de norma de 
ordem privada, as partes podem afastá-la, por meio da cláusula solve et repete, que consiste em renúncia ao 
direito de alegar a exceção do contrato não cumprido. 
 
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Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por 
conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. (REGRA) 
§ 1º Todavia, os casos fortuitos, ocorrentes no ato de contar, 
marcar ou assinalar coisas, que comumente se recebem, contando, 
pesando, medindo ou assinalando, e que já tiverem sido postas à 
disposição do comprador, correrão por conta deste. (EXCEÇÃO – RISCO 
DA COISA PELO COMPRADOR) 
§ 2º Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas 
coisas, se estiver em mora de as receber, quando postas à sua 
disposição no tempo, lugar e pelo modo ajustados. 
 
A regra é que até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do devedor, e os do preço por 
conta do comprador. Os §§ são as exceções. 
 
Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação 
expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da 
venda. 
 
É possível que as partes negociem a expedição da coisa por parte do vendedor, como é comum nas vendas 
realizadas fora do estabelecimento comercial. Em casos tais, se a coisa for expedida para lugar diverso, por 
ordem do comprador, por sua conta correrão os riscos, uma vez entregue a coisa a quem deva transportá-la, 
salvo se o vendedor não seguir as instruções dadas pelo comprador. 
 
Art. 494. Se a coisa for expedida para lugar diverso, por ordem do 
comprador, por sua conta correrão os riscos, uma vez entregue a quem 
haja de transportá-la, salvo se das instruções dele se afastar o 
vendedor. 
 
Em resumo, se o comprador determinou a expedição de forma errada e, em decorrência disso, a coisa veio a 
se perder, a responsabilidade será sua, já que agiu com culpa por ação. Por outro lado, se o erro foi do 
vendedor, que desobedeceu às ordens do comprador, por sua conta correrão os riscos pelo fato de ter agido 
como mandatário infiel. 
 
Art. 495. Não obstante o prazo ajustado para o pagamento, se antes 
da tradição o comprador cair em insolvência, poderá o vendedor 
sobrestar na entrega da coisa, até que o comprador lhe dê caução de 
pagar no tempo ajustado. (preste uma garantia real ou fidejussória 
de pagar no tempo ajustado). 
 
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Esse mesmo entendimento deve ser aplicado para a situação em que o vendedor se torna insolvente, caso em 
que o comprador poderá reter o pagamento até que a coisa lhe seja entregue ou que seja prestada caução. 
Esse dispositivo está em sintonia com a exceptio non rite adimpleti contractus (exceção parcial do contrato 
não cumprido) – art. 477. 
 
Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das 
partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de 
comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, 
pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela 
satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la. 
 
Não sendo dada a garantia, nas duas hipóteses, resolve-se o contrato de compra e venda, operando-se a 
cláusula resolutiva tácita por meio da interpelação judicial (art. 474, segunda parte). 
 
Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a 
tácita depende de interpelação judicial. 
 
RESTRIÇÕES À COMPRA E VENDA 
 
A autonomia privada contratual não é sempre soberana, encontrando limitações na ordem pública, o que 
muito bem expressa o princípio da função social dos contratos. Não é diferente para a compra e venda, 
havendo limitações quanto ao conteúdo do negócio, sob pena de sua nulidade, anulabilidade ou ineficácia da 
avença. 
 
1) Venda de ascendente a descendente 
 
Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se 
os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente 
houverem consentido. 
Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do 
cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. 
 
CUIDADO! O novel Código determina que ela é anulável, encerrando um dissenso jurisprudencial se era 
caso de nulidade ou anulabilidade. O ponto controvertido sobre este tema refere-se à extinção do direito de 
anulação. 
 
Súmula 494 do STF - A ação para anular venda de ascendente a descendente, sem consentimento dos 
demais, prescreve em vinte anos, contados da data do ato, revogada a Súmula 152. 
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Embora a súmula fale em prescrição, é claro que o prazo é decadencial, haja vista tratar-se de direito 
potestativo. Essa súmula, embora não revogada, não se aplica aos contratos celebrados na vigência do 
Código Civil de 2002, uma vez que se baseia no prazo prescricional geral, previsto no art. 177 do CC de 
1916, que era de vinte anos. 
 
Aos casos ocorridos na vigência do CC de 1916, mas somente levados a Juízo após a entrada em vigor do 
novo CC, aplica-se a regra de transição prevista no artigo 2.028: 
 
Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este 
Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver 
transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. 
 
CUIDADO! Caso a venda tenha sido simulada, por meio da interposição de um terceiro, a hipótese será de 
nulidade (art. 167, § 1º, inciso I) 
 
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que 
se dissimulou, se válido for na substância e na forma. 
§ 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: 
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas 
daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; 
 
Nesse caso, qual é o prazo de decadência? Nenhum... Como se trata de nulidade, ela pode ser arguida a 
qualquer tempo, uma vez que não convalesce.Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, 
nem convalesce pelo decurso do tempo. 
 
Por fim, impõe registrar que a anuência dos descendentes e do cônjuge do alienante deve ser manifestada 
expressamente. Apesar de o Código não ter adotado a forma a ser adotada, deve ser aplicada a regra geral 
prevista no artigo 220: 
 
A anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um 
ato, provar-se-á do mesmo modo que este, e constará, sempre que se 
possa, do próprio instrumento. 
 
Desse modo, em se tratando de bem imóvel de valor superior a 30 salários mínimos, a anuência deve ser 
manifestada por meio de instrumento público; em se tratando de bem móvel, o instrumento particular poderá 
ser utilizado. 
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2) Da venda entre cônjuges (art. 499) 
 
Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a 
bens excluídos da comunhão. 
 
Somente é possível a venda de bens excluídos da comunhão, residindo no final do dispositivo a restrição 
específica da compra e venda. Se um bem que já fizer parte da comunhão for vendido, a venda é nula, por 
impossibilidade do objetivo (art. 166, II do CC). 
 
Cuidado! A compra e venda entre cônjuges não poderá ser celebrada com fraude contra credores, fraude à 
execução ou simulação. No primeiro caso será anulável, no segundo ineficaz e no terceiro, nulo. 
 
3) Venda de bens em condomínio ou venda de coisa comum 
 
Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua 
parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O 
condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, 
depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o 
requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. 
 
O condômino, enquanto pender o estado de indivisão da coisa, não poderá vender a sua parte o estranho, se o 
outro condômino a quiser, tanto por tanto – em igualdade de condições. O condômino, a quem não se der 
conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer 
no prazo de 180 dias , sob pena de decadência. 
 
Para esclarecer essa restrição, é preciso analisar a classificação do condomínio em: 
 
a) Condomínio pro indiviso – quando o bem não se encontra dividido no plano físico ou fático entre os 
vários proprietários, de modo que cada um apenas possui parte ou fração ideal. Nesse caso, aplica-se 
a restrição do art. 504. 
 
b) Condomínio pro diviso – quando apesar de possuírem em condomínio, cada condômino tem a sua 
parte delimitada e determinada no plano físico. Nesse caso, cada condômino pode vender sua parte a 
terceiro, sem estar obrigado a oferecê-la aos outros condôminos. É o que ocorre em relação à 
unidade autônoma em condomínio edilício, que pode ser vendida a terceiro, sem qualquer direito de 
preferência a favor dos demais condôminos. Aqui, não se aplica a restrição do artigo 504. 
 
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A prelação legal, também chamada de preempção legal é o direito de preferência do condômino sobre a 
venda de bem indivisível. O condômino a quem não se der conhecimento da venda poderá, depositando o 
preço, haver para si a parte vendida a estranhos, no prazo decadencial de 180 dias. 
 
Lembre-se que, pelo princípio da boa-fé objetiva, o depósito deve ser integral para que a parte preterida em 
seu direito de preferência exercite esse direito. 
 
Sendo muitos os condôminos, deve ser respeitada a ordem prevista no parágrafo único do artigo 504: 
 
Parágrafo único. Sendo muitos os condôminos, preferirá o que tiver 
benfeitorias de maior valor e, na falta de benfeitorias, o de 
quinhão maior. Se as partes forem iguais, haverão a parte vendida os 
comproprietários, que a quiserem, depositando previamente o preço. 
 
Essa forma de preferência não se confunde com outras, como a preempção convencional (art. 513 a 520) e 
com o direito de preferência do locatário (art. 33 da Lei 8.245/91). 
 
REGRAS ESPECIAIS DA COMPRA E VENDA 
 
1) Venda ad corpus e venda ad mensuram (art. 500) 
 
Art. 500. Se, na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida 
de extensão, ou se determinar a respectiva área, e esta não 
corresponder, em qualquer dos casos, às dimensões dadas, o comprador 
terá o direito de exigir o complemento da área, e, não sendo isso 
possível, o de reclamar a resolução do contrato ou abatimento 
proporcional ao preço. 
§ 1º Presume-se que a referência às dimensões foi simplesmente 
enunciativa, quando a diferença encontrada não exceder de um 
vigésimo da área total enunciada, ressalvado ao comprador o direito 
de provar que, em tais circunstâncias, não teria realizado o 
negócio. 
§ 2º Se em vez de falta houver excesso, e o vendedor provar que 
tinha motivos para ignorar a medida exata da área vendida, caberá ao 
comprador, à sua escolha, completar o valor correspondente ao preço 
ou devolver o excesso. 
§ 3º Não haverá complemento de área, nem devolução de excesso, se o 
imóvel for vendido como coisa certa e discriminada, tendo sido 
apenas enunciativa a referência às suas dimensões, ainda que não 
conste, de modo expresso, ter sido a venda ad corpus. 
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No caso de compra e venda de um bem imóvel, poderão as partes estipular o preço por medida de 
extensão, situação em que a medida passa a ser condição essencial ao contrato efetivado, presente a venda 
ad mensuram. Nessa hipótese, a área do imóvel não é simplesmente enunciativa. Ex: compra de um imóvel 
por metro quadrado. Ao contrário, na venda ad corpus, um imóvel é vendido como corpo certo e 
determinado, independente das medidas especificadas. 
 
No caso de venda por extensão (ad mensuram) admite-se, em regra, uma variação de área de até 1/20, ou 
seja, 5%, existindo uma presunção relativa de que tal variação é tolerável pelo comprador. Mas este pode 
provar o contrário, requerendo a aplicação das regras relacionadas com esse vício redibitório especial. 
 
Se a venda for ad corpus (imóvel vendido como coisa certa e discriminada), não caberão os pedidos 
possíveis na venda ad mensuram. Exemplo típico é o caso de compra e venda de um rancho, interessando 
mais ao comprador que seja banhado por águas de um rio, onde pretende pescar aos fins de semana, do que a 
extensão exata do imóvel. 
 
Encerrando o estudo da venda ad mensuram, é importante destacar que o STJ entendeu pela incidência do 
CDC ao contrato em questão, aplicando o conceito de cláusula abusiva no caso de uma previsão contratual 
que previa a possibilidade de variação da área em até 5%, conforme prevê o art. 500 do CC. 
 
2) Venda de coisas conjuntas 
 
Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma 
não autoriza a rejeição de todas. 
 
A prática do contrato de compra e venda autoriza a venda de coisas conjuntas. Para essas situações, o CC 
prevê uma regra especial, pela qual o defeito oculto de uma coisa não autoriza a rejeição de todas. Este 
dispositivo está inspirado no princípio da conservação negocial (função social dos contratos). Ex: o vício que 
atinge o boi não gera a rejeição de todo o rebanho; o problema que atinge uma coisa que compõe o acervo

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