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EDEMA AGUDO DE PULMÃO Profa. Dra. Karoliny dos Santos DEFINIÇÃO Entidade que clinicamente expressa insuficiência respiratória e/ou desconforto respiratório e é causada pelo aumento da quantidade de líquido no interstício e nos alvéolos pulmonares. Vazamento ocorre em razão: ² Aumento da permeabilidade capilar pulmonar; e/ou ² Aumento da pressão de filtração dos capilares. DEFINIÇÃO FISIOPATOLOGIA ATENÇÃO: Independente do mecanismo iniciante, uma vez que ocorra a inundação do alvéolo, sempre está presente algum grau de ruptura da membrana alvéolo-capilar. Os mecanismos mais frequentes envolvem: Desequilíbrio nas forças que regem as trocas de fluido entre intravascular e interstício; Ruptura da membrana alvéolo-capilar. FISIOPATOLOGIA Desequilíbrio das forças de Starling: Pressão hidrostática Pressão osmótica Fluxo de sangue Capilar sanguíneo Líquido intersticial Terminal venoso Responsável pelo movimento de fluidos entre os compartimentos. Força exercida pelos líquidos que tende a expulsar o líquido de seu compartimento. Força que atrai água para o compartimento. Aumentos adicionais do volume, no interstício, terminam por distender os septos interalveolares e consequente inundação dos alvéolos Volume que é filtrado pelos capilares ultrapassa a capacidade de drenagem linfática máxima e inicia-se o acúmulo de líquido no interstício Aumento do fluxo de líquidos dos capilares para o interstício, sem que se detecte, ainda, aumento do volume intersticial pulmonar devido ao aumento paralelo, compensatório, da drenagem linfática SE Q U ÊN CI A DE A CÚ M U LO D E LÍ Q U ID O FISIOPATOLOGIA FISIOPATOLOGIA O edema pulmonar se instala, quando o fluxo de líquido do espaço intravascular, em direção ao interstício e alvéolos, supera o retorno do mesmo e sua drenagem pelos linfáticos. FISIOPATOLOGIA Inundação alveolar gera redução da complacência pulmonar. Edema da parede dos brônquios reduz sua luz, aumentando a resistência ao fluxo de ar. Edema causa aumento da barreira alvéolo-capilar, causando hipoxemia. ETIOLOGIA I - Desbalanço das forças de Starling Aumento da pressão capilar pulmonar - Aumento da pressão venosa pulmonar, sem falência do V.E. (estenose mitral); - Aumento da pressão venosa pulmonar, com falência do V.E.; Redução da pressão oncótica plasmática - Hipoalbuminemia (exemplo); Aumento da negatividade da pressão intersticial - Rápida correção de pneumotórax; - Obstrução respiratória aguda (asma). ETIOLOGIA II - Alteração da permeabilidade alveolo-capilar (síndrome da angústia respiratória aguda) - Pneumonia (bacteriana, viral, ...); - Inalação de substâncias tóxicas; - Toxinas circulantes (bacterianas, venenos, ...); - Aspiração do conteúdo gástrico; - Pneumonite aguda por radiação; - Trauma não torácico; - Pancreatite hemorrágica aguda. ETIOLOGIA III – Insuficiência linfática - Após transplante pulmonar; - Carcinomatose linfangítica; - Linfangite fibrosante (silicose pulmonar). QUADRO CLÍNICO As manifestações dependem do estágio em que se encontra o paciente: Dispneia de esforço. FASE 1 QUADRO CLÍNICO As manifestações dependem do estágio em que se encontra o paciente: Taquipneia. Sibilos expiratórios. Ortopneia. FASE 2 X QUADRO CLÍNICO As manifestações dependem do estágio em que se encontra o paciente: FASE 3 Dispneia intensa Uso de musculatura acessória Palidez cutânea Cianose Frialdade de extremidades Agitação Ansiedade Torpor Respiração ruidosa QUADRO CLÍNICO As manifestações dependem do estágio em que se encontra o paciente: FASE 3 Estertores grossos, roncos e sibilos, inicialmente restritos às bases pulmona- res, mas, rapidamente, progressivos até os ápices pulmonares. DIAGNÓSTICO O diagnóstico do edema pulmonar agudo é essencialmente clínico. Sinal da asa de borboleta TRATAMENTO POSICIONAMENTO: ² Posição sentada; ² Braços apoiados na beira do leito; ² Pernas pendentes. Permite o uso mais eficaz da musculatura acessória, a diminuição do retorno venoso e o aumento da capacidade vital. TRATAMENTO Venodilatação e diurese. Venodilatação, além de seda- ção, reduzindo o esforço respiratório e a ansiedade. Venodilatação e redução da resistência vascular sistêmica. TRATAMENTO EDEMA AGUDO DE PULMÃO VENTILAÇÃO MECÂNICA NÃO INVASIVA Tratamento ventilatório mandatório Melhora da insuficiência respiratória Prevenção da intubação orotraqueal Redução da mortalidade OBJETIVOS: DERRAME PLEURAL Profa. Dra. Karoliny dos Santos DEFINIÇÃO Acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, que pode indicar afecção primitivamente pleural, ou geral, como manifestação de doença sistêmica. Derrame pleural Espaço pleural Costelas PLEURAS 3 a 15 mL de líquido com função lubrificante Renovado a uma taxa de 1mL/kg/h PLEURA VISCERAL: ² Irrigação: artérias brônquicas e sistema da artéria pulmonar; ² Drenagem sanguínea: sistema venoso vascular; ² Drenagem linfática: sistema linfático pulmonar (maior em lobos inferiores). PLEURA PARIETAL: ² Irrigação: artérias sistêmicas; ² Drenagem sanguínea: veias peribrônquicas ou diretamente na veia cava; ² Drenagem linfática: sistema linfático sistêmico (apresenta estomas). PLEURAS Absorção de líquido, proteínas, células e material particulado Aumento de formação de líquido: desequilíbrio nas pressões hidrostática e/ou oncótica pleurais ou alteração da permeabilidade capilar pleural. ¡ Estomatas: impedem o refluxo da linfa para a cavidade pleural e são fundamentais na absorção de líquidos, solutos e partículas de até 4 micrômetros de diâmetro; ¡ Membranas cribriformes: são formadas por células endoteliais linfáticas, feixes colágenos e aposição de células endoteliais, e são responsáveis pela absorção das partículas maiores que 4 micrômetros; ¡ Placas de Kampmeir: são agregados de células linfocitárias recobertos por células mesoteliais e têm grande importância imunitária. PLEURAS Es tr ut ur as c on tid as n as p le ur as DERRAME PLEURAL Quatro mecanismos são capazes de aumentar o fluxo de líquido no espaço pleural: ¡ Aumento da pressão hidrostática, na microcirculação sistêmica; ¡ Diminuição da pressão osmótica plasmática; ¡ Aumento da permeabilidade capilar pleural; ¡ Diminuição da pressão no espaço pleural. DERRAME PLEURAL Mecanismo que causa dificuldade de saída de líquido do espaço pleural: ¡ Redução da função linfática pleural. CLASSIFICAÇÃO Derrame em que não ocorre o comprometimento pleural e o acúmulo de líquido resulta de um desequilíbrio das pressões hidros- táticas e/ou oncóticas. TRANSUDATO EXSUDATO Há um processo inflamatório pleural, com aumento da per- meabilidade capilar e liberação de mediadores, assim como re- crutamento celular (mais co- mum, em decorrência de câncer e tuberculose). Insuficiência cardíaca congestiva e hidrotórax hepático Critérios de Light para classificação em transudato ou exsudato CLASSIFICAÇÃO CLASSIFICAÇÃO EXSUDATO Parapneumônico Tuberculose Maligno CLASSIFICAÇÃO PARAPNEUMÔNICO ¡ Associado à infecção pulmonar (pneumonia ou abscesso pulmonar); ¡ 60% das pneumonias mais graves e extensas apresentam derrame pleural; ¡ Diante da suspeita clínica, a cavidade pleural deve ser abordada por meio de uma toracocentese diagnóstica; ¡ Citologia demonstra maior celularidade com predomínio neutrofílico; ¡ O líquido pleural pode ser seroso, turvo ou francamente purulento. CLASSIFICAÇÃO TUBERCULOSE ¡ A tuberculose pleural é a forma extrapulmonar maiscomum de tuberculose no adulto e uma das principais causas de derrame pleural. Pode estar acompanhada dos sintomas clássicos de tuberculose (tosse há mais de 3 semanas, sudorese noturna e febre vespertina) ou apenas se tratar de uma síndrome aguda com dor torácica, tosse, dispneia e febre. CLASSIFICAÇÃO MALIGNO (OU NEOPLÁSICO) ¡ Volumoso, unilateral, podendo ser um transudato ou exsudato; ¡ Representam um estádio avançado da doença neoplásica, com impacto significativo no tempo de sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes. CLASSIFICAÇÃO VOLUME Pequeno (menores que 500 mL) Médio (de 500 a 1.000 mL) Grande (maiores que 1.000 mL) O termo “derrame maciço” costuma ser empregado quando houver opacificação de todo o hemitórax. QUADRO CLÍNICO Dor torácica: - Ventilatório-dependente; - Bem localizada; - Pontada; - Moderada intensidade. Dispneia: - Relacionada com a velo- cidade de acúmulo do der- rame. Tosse: - Seca; - Esporádica; - Pouco intensa. QUADRO CLÍNICO Sintomas Volume e velocidade de formação do derrame Reserva cardiopulmonar do paciente Existência ou não de processo inflamatório Tipo e extensão da doença primária EXAME FÍSICO As alterações no exame físico são notadas a partir da existência de 300 mℓ de líquido na cavidade pleural. Expansibilidade diminuí- da do lado do derrame. Murmúrio vesicular di- minuído ou abolido. Macicez à percussão. Taquipneia em derrames volumosos DIAGNÓSTICO ² Curva de convexidade para baixo, chamada curva de Damoiseau ou sinal do menisco (oposta ao ângulo do seio costofrênico). ² Desvio do mediastino (ou sua ausência) para o lado oposto - proporcional ao volume do derrame. ² Velamento homogêneo, localizado, inferiormente no hemitórax, obliterando o ângulo do seio costofrênico. RAIO X (posteroanterior, perfil e em decúbito lateral) RAIO X (decúbito lateral) Auxilia a evidenciar líquido livre na cavidade pleural, nos casos duvidosos; Derrames de pequenos volumes são notados (no mínimo, 175 mℓ para obliteração do seio costofrênico lateral). DIAGNÓSTICO DIAGNÓSTICO Ultrassom: Ferramenta quase obrigatória na realização da toracocentese. Toracocentese: Derrame pleural de etiologia desconhecida impõe a realização de uma toracocentese diagnós- tica. DIAGNÓSTICO Fluido coletado em uma bolsa ou uma seringa Espaço pleural com excesso de fluido Paciente sentado com tronco apoiado em uma mesa ou maca Fluido “empurra” o pulmão esquerdo DIAGNÓSTICO Aspecto habitual Quilotórax Empiema Líquido hemorrágico por derrame maligno DIAGNÓSTICO Quilotórax Hemotórax TRATAMENTO TRATAMENTO Fisioterapia Técnicas de expansão/reexpansão pulmonar ATELECTASIA Profa. Dra. Karoliny dos Santos DEFINIÇÃO Atelectasia é o colapso (ou expansão incompleta) de parte ou de todo pulmão. FISIOPATOLOGIA Taxa de absorção depende da solubilidade dos gases: ² Ar atmosférico, o nitrogênio e o hélio são absorvidos em duas a três horas; ² Oxigênio a 100% é absorvido em poucos minutos, ocasionando colapso rápido da unidade pulmonar em seis minutos. Via aérea ocluída Ar aprisionado Gases absorvidos pelo sangue A taxa e a extensão do colapso são modificados pela ventilação colateral: FISIOPATOLOGIA CLASSIFICAÇÃO ABSORÇÃO Obstrutiva - Secreção; - Corpo estranho; - Tumor; - Edema; - Abcesso. Hipoventilação - Biomecânica alterada; - Dor; - Fraqueza muscular; - Redução da complacência. Elevada concentração de oxigênio. CLASSIFICAÇÃO IATROGÊNICA - Derrame pleural - Tumor - Pneumotórax COMPRESSÃO - Aspiração de via aérea - Intubação seletiva QUADRO CLÍNICO Dor torácica Dispneia Tosse EXAME FÍSICO - Assimetria na expansi- bilidade torácica. - Murmúrio vesicular diminuído ou abolido; - Crepitações inspira- tórias (abertura das re- giões atelectasiadas). - Aumento do trabalho respiratório. Diminuição do volu- me corrente DIAGNÓSTICO Revela redução do volume pulmonar. DIAGNÓSTICO DIAGNÓSTICO Pode ocorrer no RAIO-X: ² Hiperexpansão compensatória; ² Desvio mediastinal ipsilateral; ² Elevação diafragmática ipsilateral; ² Redução do espaçamento entre as costelas. TRATAMENTO Fisioterapia Técnicas de expansão/reexpansão pulmonar REFERÊNCIAS SILVA GA. Derrames pleurais: fisiopatologia e diagnóstico. Medicina, Ribeirão Preto, 31: 208-215, abr./ jun. 1998. CASTRO RBP. Edema pulmonar agudo. Medicina, Ribeirão Preto, 36: 200-204, abr./dez. 2003. JOHNSTON, C; CARVALHO, BW. Atelectasias em pediatria: mecanismos, diagnóstico e tratamento. Rev Assoc Med Bras 2008; 54(5): 455-60 MARTINS, Mílton de Arruda .. [et al.](ed.). Clínica Médica: doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, emergências e terapia intensiva - Vol. 2. Manole 860 ISBN 9788520429532. TARANTINO, Affonso Berardinelli. Doenças pulmonares. 6. Rio de Janeiro Guanabara Koogan 2007 1 recurso online ISBN 978-85-277-2045-8.