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Autor: Prof. Fernando José Lopes Colaboradores: Profa. Ana Paula de Andrade Trubbianelli Prof. Livaldo dos Santos Profa. Leila Dutra Administração de Cargos, Salários e Benefícios Professor conteudista: Fernando José Lopes Especializado em educação e administração. Tem, em seu currículo, magistério, graduação em administração pela Faculdade Integrada Campos Salles, pós‑graduação em gestão de pessoas e formação de professores em EAD, pela Universidade Paulista UNIP, e atualmente está mestrando em cognição em semiótica na PUC, Pontifícia Universidade Católica – SP. Trabalhou em empresas de médio e grande porte, em cargos de confiança da diretoria. Foi professor da Universidade Paulista, consultor em recursos humanos e marketing e leciona em outras faculdades e instituições de ensino como professor convidado. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) L864 Lopes, Fernando José Administração de Cargos, Salários e Benefícios. / Fernando José Lopes. ‑ São Paulo: Editora Sol, 2022. 212 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517‑9230. 1. Administração 2. Tipos de carreira 3. Salários I. Título. CDU 658.3 U514.21 – 22 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Profa. Sandra Miessa Reitora em Exercício Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia Vice-Reitor de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades do Interior Unip Interativa Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Angélica L. Carlini Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. Deise Alcantara Carreiro Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Virgínia Bilatto Giovanna Oliveira Sumário Administração de Cargos, Salários e Benefícios APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9 INTRODUÇÃO .........................................................................................................................................................11 Unidade I 1 CONCEITO E ANÁLISE DA DESCRIÇÃO DE CARGOS ........................................................................... 15 1.1 Definição de cargo ............................................................................................................................... 21 1.2 Classificação JR, PL, SR ...................................................................................................................... 28 2 EXEMPLO DE COMPOSIÇÃO DE CARGO ................................................................................................. 31 2.1 Solicitação de departamento comercial ao RH ....................................................................... 34 2.2 Terminologias usadas na descrição de cargos .......................................................................... 35 2.3 Termos comuns em português ....................................................................................................... 36 2.4 Termos comuns em inglês ................................................................................................................ 41 Unidade II 3 ANÁLISE DE CARGOS ..................................................................................................................................... 48 3.1 Avaliação de cargos ............................................................................................................................. 51 3.2 Passos da avaliação de cargos......................................................................................................... 53 3.3 Escolha de fatores de avaliação ..................................................................................................... 54 3.4 Variáveis influentes na escolha dos fatores .............................................................................. 57 3.5 O manual de avaliação de cargos .................................................................................................. 59 3.6 Métodos de avaliação de cargos .................................................................................................... 60 3.7 Outros métodos de avaliação de cargos ..................................................................................... 61 3.8 Método de escalonamento ............................................................................................................... 62 3.8.1 Escalonamento simples ........................................................................................................................ 62 3.8.2 Escalonamento por meio da comparação binária ..................................................................... 64 3.8.3 Escalonamento por meio da comparação binária pontuada ................................................ 69 3.8.4 Avaliação de cargos – método: escalonamento – comparação binária pontuada ...... 70 3.8.5 Método de graus predeterminados ................................................................................................. 71 3.8.6 Avaliação de cargos por métodos quantitativos ....................................................................... 74 4 AS ETAPAS DO PROCESSO CONFORME PONTES ................................................................................. 75 4.1 Seleção dos cargos‑chave ................................................................................................................. 76 4.2 Seleção dos fatores da avaliação ................................................................................................... 76 4.3 Graduação dos fatores de avaliação ............................................................................................ 78 4.4 Avaliação dos cargos‑chave............................................................................................................. 84 4.5 Ponderação dos fatores de avaliação ........................................................................................... 86 4.6 Ponderação do manual por meio de pesquisa interna ......................................................... 89 4.7 Ponderação do manual por meio de análise de regressão .................................................. 89 4.8 Atribuição de pessoas pelos fatores arbitrariamente ............................................................ 90 4.9 Atribuição dos pontos pelos graus dos fatores (PONTES, 2010) ....................................... 90 4.10 0 Método de comparação de fatores (PONTES, 2010) ........................................................ 92 Unidade III 5 ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO ...........................................................................................100 5.1 Métodos tradicionais ........................................................................................................................105 5.1.1 Escalas gráficas ......................................................................................................................................106 5.1.2 Escolha forçada .....................................................................................................................................106 5.1.3 Pesquisa de campo ...............................................................................................................................1075.1.4 Incidentes críticos .................................................................................................................................108 5.1.5 Lista de verificação ...............................................................................................................................109 5.2 Novos métodos (modernos) ...........................................................................................................109 5.2.1 Avaliação participativa por objetivos (APPO) ............................................................................ 110 5.2.2 Avaliação 360° ....................................................................................................................................... 110 5.2.3 Métodos mistos ......................................................................................................................................111 5.3 Competências necessárias para a execução das atividades de cada cargo .................111 5.4 Alinhamento das expectativas dos colaboradores com suas funções .......................... 115 5.5 Avaliação do desempenho do profissional de acordo com as características do cargo ......................................................................................................................................................... 116 5.6 Elaboração de treinamentos, estabelecimento de desenvolvimento de pessoas ......... 120 5.6.1 Desenvolvimento organizacional .................................................................................................. 127 5.7 Conceito .................................................................................................................................................130 5.8 Termos e conceitos adotados em carreiras ..............................................................................131 5.9 Vantagens do planejamento de carreiras .................................................................................132 5.10 Responsabilidade pelas carreiras ...............................................................................................136 6 ESTRUTURA DE CARREIRAS ......................................................................................................................138 6.1 Estrutura por meio de cargos ........................................................................................................139 6.2 Estrutura por meio do segmento de carreiras ........................................................................141 6.3 Tipo de carreira por linha hierárquica ........................................................................................144 6.4 Tipo de carreira em Y ........................................................................................................................145 6.5 Tipo de carreira por linha de polivalência ................................................................................147 6.6 Tipo de carreira por linha generalista ........................................................................................148 6.7 Tipo de carreira mista .......................................................................................................................149 6.8 Promoção de pessoal ........................................................................................................................149 Unidade IV 7 ADMINISTRAÇÃO DE SALÁRIOS ..............................................................................................................159 7.1 Conceito de salários ..........................................................................................................................167 7.2 Organização da administração de salários ..............................................................................169 7.3 Etapas para a implantação do plano de administração de cargos e salários ............170 7.4 Planejamento e divulgação do plano ........................................................................................171 7.5 Pesquisa salarial ..................................................................................................................................172 7.6 Estrutura salarial .................................................................................................................................172 7.7 Administração de salários ...............................................................................................................173 7.7.1 Tipos de remuneração ........................................................................................................................ 173 7.8 Carreiras profissionais .......................................................................................................................177 7.9 Participação nos lucros e resultados ..........................................................................................178 7.10 Comitê de salários ...........................................................................................................................178 7.11 Fases do programa ...........................................................................................................................179 7.12 Análise de função ............................................................................................................................180 7.13 Conceito de função, tarefa e cargo ..........................................................................................180 7.14 Metodologia da análise .................................................................................................................183 7.15 Procedimentos em administração de cargos e salários ...................................................183 7.16 Identificação ......................................................................................................................................183 7.17 Levantamento das descrições de funções pessoais ...........................................................184 7.18 Métodos de levantamento de informações ..........................................................................184 8 BENEFÍCIOS ......................................................................................................................................................185 8.1 O programa de benefícios oferecidos pela empresa ............................................................185 8.2 Objetivos do programa de benefícios ........................................................................................186 8.3 Políticas e diretrizes ...........................................................................................................................187 8.4 Tipos de benefícios .............................................................................................................................188 8.4.1 Alimentação ........................................................................................................................................... 189 8.4.2 Assistência médica .............................................................................................................................. 190 8.4.3 Auxílio medicamento ..........................................................................................................................191 8.4.4 Empréstimos ...........................................................................................................................................191 8.4.5 Educação ................................................................................................................................................. 192 8.4.6 Dentro do contexto social ................................................................................................................ 193 8.4.7 A questão da conveniência .............................................................................................................. 194 8.4.8 O amparo familiar ................................................................................................................................194 8.5 Estrutura clássica do programa ....................................................................................................195 8.6 Formato flexível do programa .......................................................................................................195 8.7 Comitê de benefícios ........................................................................................................................195 8.8 Avaliação do programa ....................................................................................................................195 8.9 Remuneração por competências .................................................................................................196 9 APRESENTAÇÃO O presente livro‑texto tem como objetivo principal demonstrar a importância das áreas de análise e descrição de cargos e da administração salarial no contexto do gerenciamento de recursos humanos, bem como ensinar aos alunos sobre os tipos de remuneração (sendo essas de caráter direto ou indireto) e quais os mais utilizados nas empresas, pois, dependendo do tamanho da empresa, um dos métodos poderá ser utilizado mediante estratégia de mercado e seu impacto em termos de referência salarial no contexto empresarial, bem como em relação ao seu significado em termos de qualidade de vida para os indivíduos que os utilizam. O salário é fundamental para os colaboradores, mas os benefícios também, o importante é saber qual a política que a empresa utiliza, com quais referências e por que pratica essa remuneração. O salário é fundamental para a existência da sociedade, porém, não podemos esquecer de que a sociedade é quem faz com que as empresas ofereçam salários e benefícios que estimulem os funcionários a produzir a contento para ambas as partes. A economia das sociedades é a base para a estabilização das empresas e, com isso, faz com que essas ofereçam melhores salários aos seus funcionários. Portanto, tanto sociedade como colaborador dependem das empresas para seu sucesso, pois o colaborador consome produtos de uma empresa que contribui com impostos para a sociedade e, em contraponto, uma sociedade bem formada é aquela que tem, em sua composição, pessoas que criam e trabalham em empresas, ou são profissionais liberais que geram um status econômico adequado para seu bom funcionamento e projeção mundial. Alguns colaboradores buscam o salário, pois acreditam que é o suficiente para realização pessoal e profissional e é capaz de satisfazer todos os outros benefícios. Já outros buscam os benefícios além do salário para satisfazer suas necessidades básicas, como saúde, alimentação e outras para realização pessoal. Essa realização pessoal trata‑se do bem‑estar social: viver bem para produzir melhor. Neste ponto, a avaliação de desempenho se torna um instrumento muito importante para a fixação do valor dos salários, uma vez que cada cargo possui especificidades. Os requisitos dos cargos impõem exigências próprias, como saber calcular o valor do salário de forma a atender os anseios dos colaboradores e a lucratividade das empresas, que são coisas muito importantes. Outro aspecto importante abordado na disciplina é o plano de carreira: o sonho de todo colaborador de galgar degraus rumo ao sucesso, de ser um gestor (gerente, supervisor, coordenador de área) e se projetar no meio profissional. Existem vários tipos de plano de carreira que serão discutidos no livro, com alguns detalhes que poderão ser identificados aos poucos pelo aluno, além de aspectos que, muitas vezes, passam despercebidos pela correria do dia a dia. Para se comporem os salários, primeiro há de se observar o que o irá compor, verificando o que o cargo tem realmente como conexão nessa história, pois a origem da valoração do salário está exatamente na composição do cargo, em seus detalhes, suas tarefas e suas exigências, ou seja, um aporte à questão de como é apontado o cargo, qual sua estrutura, a descrição pertinente a cada um, sua hierarquia na empresa e sua razão dentro do universo dos setores. 10 Outro aspecto a ser observado é como desenhamos um cargo, por qual motivo, e o que compete para cada indivíduo dentro de sua situação e responsabilidade na empresa. O salário é a representatividade do cargo em números. Logo, temos alguns fatores que devemos examinar para chegar ao valor adequado e, para isso, utilizarei formas e ferramentas adequadas, além dos indicadores como norteadores para uma coleta de dados eficiente ao que queremos em termos de colaborador, assim como estipular o salário mais acertado. A origem das nomenclaturas dos cargos deve ser abordada no trabalho como origem dos demais cargos existentes na empresa. As formas de remuneração também são fatores importantes para que as empresas trabalhem com pessoas, assim como um fator atrativo para que essas procurem as que melhor remunerem seus colaboradores. Os benefícios, juntamente com o salário direto, fazem com que a empresa seja competitiva no mercado e retenha talentos e capital intelectual como diferencial competitivo. Atualmente, existem diversas formas de remunerar o trabalhador sem impactar diretamente a folha de pagamentos. Abordaremos esse tema, apresentando modelos que estão sendo adotados, principalmente pelas multinacionais. As pesquisas de mercado de RH, assim como da concorrência, são importantes para esta composição. Além disso, o foco abordado no trabalho é exatamente como compor esse diferencial competitivo por meio da remuneração, para que os indivíduos se sintam satisfeitos em suas funções, proporcionando, dessa forma, melhorias significativas tanto na produtividade do indivíduo, bem como propiciando melhor qualidade de vida na sociedade em que vive. Esses estudos contribuem diretamente para o levantamento de dados para pesquisas ligadas à avaliação de desempenho, bem como para programas de capacitação dos indivíduos. Vamos aos estudos, espero que gostem do que vão ler e levem para vida pessoal e profissional como mediação na busca de objetivos a serem realizados. 11 INTRODUÇÃO A área de recursos humanos possui subsistemas, e um deles é focado na forma pela qual as empresas irão remunerar seus funcionários, quanto vale o preço do trabalho dos indivíduos por cumprir determinadas tarefas. Este livro visa facilitar o entendimento acadêmico, tendo como referência o plano explanado pelas empresas nas questões do valor do trabalho de cada cargo, de como se compõem esses cargos, quais as formas de se receber uma promoção por meio de um plano de carreira, e quais os benefícios oferecidos pelas empresas. Essa é uma área fascinante, que interessa muito aos colaboradores e alunos, além de ser algo estratégico e fundamental para o sucesso das empresas. O que deve ser ressaltado é a importância desta área nas questões do cargo, sua fragmentação a partir dos fatores analisados para compor o salário dos indivíduos em seu cargo dentro das empresas. Também é relevante esclarecer que a soma dos tipos de salário é fator competitivo para que os indivíduos procurem as empresas para trabalhar. Por outro lado, a empresa retém seus talentos por meio dessas condições propiciadas aos seus funcionários como diferencial competitivo em relação aos seus concorrentes. O salário, os benefícios e um plano de carreira adequado são características abordadas normalmente em empresas que buscam estrategicamente melhor capital intelectual no mercado, bem como aquelas que querem manter seus talentos, pois a propaganda interna faz com que se propaguem externamente as qualidades dessa empresa e, consequentemente, colabora para que essa possa atrair novas pessoas com novos conhecimentos e potencial, alimentando a diferença em relação aos seus concorrentes. Existem diversas maneiras de expressar o salário, bem como várias formas de compô‑lo, depende da situação em que a empresa se encontra, como seus concorrentes pagam determinados cargos, e quanto a empresa deseja remunerar esse funcionário. Vamosexaminar, desde a origem, como o salário é composto, as formas e nomes dados aos tipos de salários, sua composição a partir de fatores decompostos na descrição dos cargos, as responsabilidades dos indivíduos em suas funções, e o salário justo mediante ao que é expresso no mercado. Já os cargos são compostos de acordo com as necessidades das empresas em termos de realização de suas tarefas dentro do contexto de atuação, vai depender do tamanho da empresa, do segmento e do mercado de atuação. Alguns autores colocam a descrição de cargos como sendo fundamental para a composição do salário, assim como para recrutar candidatos. Muitos acreditam ser fácil essa descrição dentro de um contexto empresarial, mas devem se atentar às suas práticas no mercado, tendo como referência a concorrência, assim como o detalhamento da descrição das tarefas realizadas pelos indivíduos nas empresas. 12 Quanto às questões voltadas à carreira, o que iremos verificar é que não existe uma receita correta para o sucesso, mas sim maneiras de se compor um perfil de carreira. Não existe uma forma correta, mas sim formas de se chegar ao sucesso, dependendo do contexto em que o indivíduo está inserido ou para onde ele pretenda ir. Benefícios: atraem tanto o indivíduo quanto o salário, pois nos trazem felicidade e, consequentemente, motivação em relação ao salário e à carreira, para que exerçamos melhor nossas tarefas na empresa e nos sintamos bem socialmente. O objetivo deste livro é orientar o aluno a ser um profissional da área de cargos e salários, assinalado por vários autores como remuneração. Para isso, mostrará o aparato de como confeccionar um plano de remuneração, desde a descrição do cargo, seus fatores que são mensuráveis por pontuações ou por competências, até a questão matemática de dar valor a esses fatores e fazer com que esse salário seja competitivo, principalmente em relação aos salários praticados por seus concorrentes no mercado. Conto com vocês para esse aperfeiçoamento de conceitos e para que se tornem bons profissionais na área de cargos e salários em recursos humanos. 13 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS A função de remunerar é responsabilidade de um dos subsistemas mais importantes da ARH (Administração de Recursos Humanos), responsável pelo setor de remuneração, também conhecido como setor de cargos e salários, que podemos representar organicamente como na figura seguinte: R&S ARH Remuneração DP T&D Administração de cargos Adminitração de salários Administração de benefícios Pesquisa de mercado Figura 1 – Organograma do setor de remuneração Fonte: Marras (2011, p. 91). Cargos e salários têm uma função de atratividade no contexto empresarial, bem como de manter seus talentos dentro da empresa, pois existe uma troca entre indivíduos e empresa, na troca do serviço pelo bem‑estar e conforto. Logo, remunerar bem é fator fundamental e estratégico para que as empresas mantenham seus talentos e captem no mercado pessoas que possuam capital intelectual, pois esses são e fazem o diferencial competitivo de empresa para empresa. O organograma de recursos humanos nos leva aos subsistemas de RH, que são os pilares de sustentação das pessoas dentro das empresas. De uma forma organizada por áreas de atuação, tem a função de gerenciar o contingente de pessoas dentro de uma empresa. O subsistema de remuneração dentro de recursos humanos tem a missão de cuidar da parte financeira e de benefícios que serão estendidos aos colaboradores por meio de troca do seu trabalho para a empresa. Tudo começa com o cargo ocupado por um indivíduo em que, para que esse venha a ocupá‑lo, existe uma solicitação interna de um gestor de uma área ao RH. O que podemos observar é que, em uma empresa, o setor de cargos e salários é muito importante, pois é esse setor que tratará das trocas entre empresa e colaborador. É dele que sairá o subsídio para que o colaborador possa reverter seu trabalho em bem‑estar na sua vida pessoal, garantindo o pagamento de suas contas de consumo, compra de imóveis ou automóveis, tendo um bom clima para lazer e coisas que fazem bem tanto para seu corpo como para sua mente, para que esteja bem de saúde e possa produzir melhor em seu trabalho. Unidade I 14 Unidade I Esses são aspectos importantes para conseguir resultados significativos na empresa: o indivíduo deve estar bem de corpo e mente para que possa realizar melhor seu trabalho. Outra questão é o valor do indivíduo no seu trabalho, ou seja, quanto vale o serviço prestado por ele em termos de valores a serem pagos pela empresa. O cargo é o status que um indivíduo possui dentro de uma hierarquia na empresa. Esse cargo pode ter um caráter estratégico e, portanto, um grau de dificuldade e responsabilidade maior ou menor dentro da estrutura do funcionamento do fluxo de trabalho na corporação. O salário é a troca pelo trabalho feito pelo colaborador em prol da empresa, portanto, quando falamos que a remuneração se trata de uma troca entre indivíduo e empresa, estamos afirmando que está ligado à produtividade, a qual o indivíduo é capaz de realizar em sua função, proporcionando melhorias à empresa. Seja de caráter financeiro ou de benefícios na forma de se fazer o trabalho. Podemos observar ainda que existe algo além do salário. Conforme o organograma, existe o salário, o cargo ou posição hierárquica e organizacional na empresa, seus benefícios por ocupar essa posição, bem como a equiparação salarial do cargo referente à comparação com o mercado. Trata‑se de uma estratégia da empresa na retenção dos seus talentos, quanto mais benefícios e salários são oferecidos aos funcionários, além da qualidade de vida no trabalho, mais esses ficarão satisfeitos e fidelizados à empresa, por se tratar de uma troca de interesses e uma valorização do serviço prestado, portanto, satisfatório para ambas as partes envolvidas: empresa e colaborador. Como, então, compor esse salário do colaborador? Temos uma equação que pode explicar a remuneração, pois esta é composta não só pela remuneração direta, mas de remuneração indireta ou variável, adicionais, horas extras, gratificações, bônus, comissões etc. Podemos dizer que a remuneração direta é a forma de pagamento em dinheiro, o que gera valor monetário. A indireta gera todos os benefícios oferecidos pela empresa, que chamamos de extrassalário, ou seja, tudo aquilo que complementa o valor total recebido pelo indivíduo por sua atuação em seu serviço. A equação utilizada é: R [Remuneração] = St [Salário total (nominal + todas as verbas de crédito) + B (Benefícios)] Essa equação é o que atrai de fato novos colaboradores para a empresa e também mantém os que já estão trabalhando nela. O diferencial que a empresa pode oferecer em termos de salário nominal, mais seus créditos e benefícios, é que terá o alto poder de atratividade de colaboradores no mercado de trabalho, assim como terá capacidade de segurar seus talentos dentro da empresa. 15 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS 1 CONCEITO E ANÁLISE DA DESCRIÇÃO DE CARGOS Antes de abordarmos diretamente a definição de cargos, é importante conversarmos sobre os efeitos das políticas econômicas e sociais na realidade das empresas e da sociedade. Cada empresa é um mundo à parte. E isso ocorre porque existem centenas de atividades empresariais diferentes. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) criou a Cnae (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), um instrumento de classificação das atividades empresariais, por meio de código, que orienta o ramo de atividade no qual a empresa está inserida. Conhecer o ramo de atividade é de suma importância, pois isso influencia diretamente as decisões sobre a política de cargos e salários. A atividade empresarial consiste em administrar os fatores de produção com o objetivo de obter lucros: Fatores de produção Terra Trabalho Capacidade empresarialCapital Tecnologia Figura 2 – Fatores de produção Vamos compreender os fatoresde produção enumerados na figura termo a termo: • Terra são os insumos. Por exemplo: o combustível é um insumo de outros produtos, caso ele sofra um reajuste de preço, o custo de outros produtos irá aumentar. • Trabalho é a mão de obra, que pode ser composta por: empregados, prestadores de serviços, terceirizados etc. Como exemplo pode ser mencionado o reajuste anual de salários, que impacta o custo da produção. • Capital são as máquinas, instalações e equipamentos. Por exemplo: uma máquina quebrada gera um custo para o reparo. • Tecnologia engloba a inovação, as invenções, as formas de produção. Equipamentos obsoletos, por exemplo, geram prejuízos e restringem a produção. A capacidade empresarial, o empreendedorismo, organiza todos os fatores, visando a uma maior produção, com um menor custo e assim, procura alcançar obter um lucro cada vez maior. Lucro = Faturamento – Custo 16 Unidade I Repare como cada um dos fatores é influenciado por questões econômicas: juros, inflação, câmbio, tributos, entre outros. Quando uma empresa decide implementar uma política de salários e remuneração, ela tem que estar atenta a todas essas questões, pois os salários são um compromisso a médio e longo prazo. Não é só o valor do salário anotado da Carteira de Trabalho que influencia os custos – os encargos possuem um grande impacto. Em alguns casos, os encargos chegam a 183% do valor do salário nominal! Salário R$ 2.000,00 + encargos (183%) R$ 3.660,00 = R$ 5.660,00 A empresa deve se programar para arcar com: salário‑base, horas‑extras, adicional noturno, adicional de insalubridade, bônus, 13º salário, férias e adicional de férias, vale alimentação, vale transporte, FGTS, INSS, entre outros. Esses valores, representam um custo. No balanço da empresa, entrarão como passivo. Ativo + / Passivo ‑ Figura 3 – Ativo/passivo Por outro lado, a remuneração representa o sustento dos colaboradores e de suas famílias. O ser humano é movido por motivações, planos e desejos. Trabalhar não é fácil, exige compromisso, obrigações diárias, acatar ordens, metas etc. E, para a grande maioria dos trabalhadores, a recompensa é o salário. Da mesma forma que os fatores econômicos influenciam as decisões das empresas, o mesmo ocorre com os colaboradores. Em um momento econômico em que a taxa de juros está baixa, as pessoas tendem a consumir mais, isso porque os financiamentos ficam mais acessíveis e a rentabilidade das aplicações financeiras não é convidativa. Se tem mais consumo, tem mais produção. As empresas produzem mais para atender a demanda do mercado, o que gera mais empregos. É uma cadeia, como mostra a figura que segue: Consumo Produção Empregos Consumo Produção Figura 4 17 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Um grande aumento de consumo pode gerar inflação, que nada mais é do que o aumento generalizado dos preços (inflação de demanda). Resultado: se aumentam os preços, cai o consumo, o que diminui a produção, gerando desemprego. Veja que equação difícil o RH tem que resolver: como atender as necessidades e anseios dos colaboradores e manter a lucratividade da empresa? Planejamento é a resposta para buscar o equilíbrio interno e externo. O equilíbrio interno em uma empresa é obtido por meio da avaliação dos cargos existentes, da estrutura hierárquica, da distribuição das responsabilidades e tarefas, da produtividade, do nível de conhecimento técnico e de experiência. A remuneração deve ser adequada às atribuições e responsabilidades de cada cargo. É muito comum os colaboradores compararem suas remunerações com as de outros colegas de trabalho (PONTES, 2008). Os colaboradores conhecem o ambiente, vivenciam o dia a dia da empresa, fazem comparações entre os desempenhos e responsabilidades. Isso é natural. Portanto, a remuneração deve estar adequada ao cargo, para que não gere instabilidade e desequilíbrio interno. O equilíbrio externo é obtido pela fixação dos salários de acordo com a legislação e com realidade do mercado. Lembra que, no início da nossa conversa, nós falamos sobre ramo de atividade (Cnae)? Pois bem, o ramo de atividade da empresa define a representação sindical dos trabalhadores – em outras palavras, a representação é definida pela atividade empresarial. Veja alguns exemplos: • Comércio: Sindicato dos Trabalhadores no Comércio. • Bancos: Sindicato dos Bancários. Além disso, a representação sindical pode ser: municipal, estadual e nacional. E por que conhecer a representação é importante? Porque é justamente a representação sindical que assegura as normas coletivas, nas quais estarão determinados: o reajuste salarial, o piso salarial, o percentual de acréscimo (hora extra, o adicional noturno etc.). Conhecer as normas coletivas (acordo, convenção ou dissídio coletivo) é essencial para fixar os salários. Cada ramo de atividade empresarial pertence a uma categoria profissional, que assegura uma representação sindical diferente. 18 Unidade I A norma coletiva é lei para a categoria, conforme previsão do artigo 611 da CLT: Art. 611 – Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho (BRASIL, 1943). Pode ocorrer que uma empresa possua categorias diferentes. Por exemplo: Uma emissora de televisão possui colaboradores como radialista, artista e jornalista. Portanto a remuneração, no mínimo, deverá atender o previsto na norma coletiva. Além disso existe a regulação de mercado que, ao contrário da lei (e da norma coletiva) não é obrigatória, mas que regula de acordo com os valores fixados pelas empresas do mesmo ramo, porte e localidade. Pense que existem diferenças de localidades, por exemplo, o custo de vida em uma cidade do interior costuma ser mais baixo que nos grandes centros. Esse custo interfere na renda dos colaboradores e nos custos das empresas. Portanto, o RH deve estar ciente das condições de cada localidade ao propor um valor de remuneração. No exemplo anterior, utilizamos uma emissora de televisão. Pois bem, vamos continuar com ele. Uma grande emissora possui a sede e as filiais. Vamos imaginar que a sede fica no Rio de Janeiro, e que a emissora possui filiais em todo o território nacional. Cada região do território tem uma realidade própria: valor do transporte, IPTU, ICMS, custo da cesta básica, vestuário, saúde, educação etc. Veja, sobre este tema, a matéria a seguir: Preço da cesta básica aumentou em todas as capitais em 2020: as maiores altas foram registradas em Salvador e Aracaju A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indicou que os preços do conjunto de alimentos básicos necessários para as refeições de uma pessoa adulta conforme Decreto‑lei 399/1938 aumentaram em todas as capitais em 2020. As maiores altas foram registradas em Salvador, de 32,89%, e Aracaju, 28,75%. Em Curitiba foi observada a menor elevação, de 17,76%. De novembro para dezembro de 2020, o custo da cesta foi maior em nove cidades e menor em oito, com destaque para as elevações de João Pessoa (4,47%), Brasília (3,35%) e Belém (2,96%). As maiores diminuições foram registradas em Campo Grande (2,14%) e Salvador (1,85%). 19 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Em São Paulo, a cesta custou R$ 631,46, com alta de 0,36% na comparação com novembro. No ano de 2020, o preço do conjunto de alimentos subiu 24,67%. Poder de compra Com base na cesta mais cara que, em dezembro, foi a de São Paulo, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.304,90, o que corresponde a 5,08 vezes o mínimo vigente, de R$ 1.045,00. Segundo o órgão, o cálculo é feito levando‑se em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. O tempo médio necessário para adquiriros produtos da cesta para o conjunto das capitais, considerando um trabalhador que recebe salário mínimo e trabalha 220 horas por mês, foi, em dezembro, de 115 horas e 8 minutos, maior do que em novembro, quando ficou em 114 horas e 38 minutos. Quando comparado o custo da cesta ao salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social – alterado para 7,5% a partir de março de 2020, com a Reforma da Previdência –, verificou‑se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em dezembro, na média, 56,57% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em novembro, o percentual foi de 56,33%. Fonte: Boehm (2021). Percebe a importância de conhecer cada realidade? Para que a empresa alcance seus objetivos, ela precisa se cercar de profissionais competentes e qualificados. Por isso a realidade salarial deve estar de acordo com os custos de cada região. Além disso, para atrair e manter os colaboradores, a empresa deve oferecer salários e benefícios de acordo com os seus concorrentes. Caso contrário, o colaborador será atraído por eles, o que gera um problema muito sério, pois os empregados que migram de trabalho carregam consigo o know‑how e a expertise acumulada durante o tempo de experiência na empresa. Se, por um lado, é difícil imaginar que uma empresa vá se interessar por um trabalhador desqualificado, por outro, saber reconhecer os bons profissionais e oferecer benefícios adequados para retê‑los é função da gestão de cargos e salários. Para terminar, há uma anedota muito conhecida no meio administrativo. Sua autoria é desconhecida, mas muitos coaches a utilizam em seus treinamentos. Vamos lê‑la: 20 Unidade I A história de João e Juca João trabalhava em uma empresa havia muitos anos. Funcionário sério, dedicado, cumpridor de suas obrigações e já com seus 20 anos de casa. Um dia, ele procura o dono da empresa para fazer uma reclamação: —Tenho trabalhado durante esses 20 anos em sua empresa com toda a dedicação, só que me sinto um tanto injustiçado. O Juca, que está conosco há somente 3 anos, está ganhando mais do que eu. O patrão escutou atentamente e disse: —João, foi muito bom você vir aqui. Antes de tocarmos nesse assunto, tenho um problema para resolver e gostaria da sua ajuda. Estou querendo dar frutas como sobremesa ao nosso pessoal. Aqui na esquina tem uma quitanda. Por favor, vá até lá e verifique se eles têm abacaxi. João, meio sem jeito, saiu da sala e foi cumprir a missão. Em 5 minutos estava de volta e estabeleceu‑se o seguinte diálogo: Patrão: E aí, João? João: Verifiquei como o senhor mandou. O moço tem abacaxi. Patrão: E quanto custa? João: Isso eu não perguntei, não. Patrão: Eles têm quantidade suficiente para atender a todos os funcionários? João: Também não perguntei isso, não. Patrão: Há alguma outra fruta que possa substituir o abacaxi? João: Não sei, não... O patrão pegou o telefone e mandou chamar o Juca. Deu a ele a mesma orientação que dera a João. Em 8 minutos, Juca voltou e informou: —Eles têm abacaxi, sim, e em quantidade suficiente para todo o nosso pessoal; e se o senhor preferir, têm também laranja, banana e mamão. Abacaxi é vendido a R$ 1,50 cada; a banana e o mamão, a R$ 1,00 o quilo; melão, R$ 1,20 a unidade e a laranja, a R$ 20 o cento, já descascada. Mas como eu disse que a compra seria em grande quantidade, eles 21 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS darão um desconto de 15%. Aí aproveitei e deixei reservado. Conforme o senhor decidir, volto lá e confirmo. Agradecendo as informações, o patrão dispensou‑o. Voltou‑se para o João, que permanecia sentado ao lado, e perguntou‑lhe: —João, o que foi mesmo que você estava me dizendo? João levantou‑se e foi embora, sem nada mais a dizer. Adaptado de: Cordeiro (2019). Qual dos dois profissionais você acredita que irá despertar o interesse da sua empresa, o João ou o Juca? É esse tipo de questionamento e observação que o profissional de gestão de pessoas deve se fazer. 1.1 Definição de cargo Cargo pode ser definido como o aglomerado de funções idênticas quanto à natureza da execução das tarefas especificadas e exigidas, porém, isto não é real, pois, se aglomerássemos todas as funções idênticas, teríamos muitas funções e poucos cargos na empresa. O fato é que temos cargos com a palavra primitiva denominando determinado nome dado a ele, e que podem ser alocados em partes diferenciadas dentro da empresa, dependendo de sua terminologia final. Podemos chamar esses cargos de primários ou base, como auxiliares, analistas, assistentes e outros. Notem que temos palavras primárias, mas não estamos determinando a área da empresa a que pertence esse cargo. Se fôssemos analisar à risca o conceito, todos os cargos similares, ou seja, com o mesmo nome, teriam a mesma função. No entanto, não podemos analisar os cargos de uma empresa apenas pelo seu nome inicial, mas sim verificando a qual classe pertence, quer dizer, qual o segmento ou área de atuação, assim como suas funções e responsabilidades exigidas. O exemplo prático para o reconhecimento do cargo e sua análise é fácil de ser verificado, de acordo com a área a que pertence (família de cargos). Isso porque cada área da empresa tem funções diferenciadas e espera resultados finais que possam ser agregados ao todo. Alguns exemplos de áreas são: marketing, finanças, RH etc. Essas são áreas diferenciadas na empresa com rotinas diferentes, mas dentro delas existem cargos com a nomenclatura primitiva, como auxiliares, assistentes e analistas. O que vai diferenciar suas rotinas e suas funções é a classe à qual pertence dentro da organização, portanto, devem ser analisados de forma diferenciada. 22 Unidade I Quadro 1 – Folha de descrição de cargo Descrição de cargo Tipo de cargo: administrativo Data da emissão 25/06/2011 Data da revisão 05/07/2011 Código: 3003 – assistente administrativo Departamento: fiscal Diretoria: administrativa financeira Descrição sumária: – ter boa redação e saber matemática; – bons conhecimentos em legislação fiscal; – saber trabalhar em equipe; – capacidade de compreensão rápida; – concentração; – interesse e empenho; – informática intermediária. Descrição detalhada: – conhecimento em impostos, como PIS, Coffins E CSL; – aferir os impostos e contas do IRFF. – recolhimento do ICMS e IPI; – trabalhar com notas fiscais eletrônicas junto à receita federal; – apurar os impostos e passar os valores para o fechamento mensal; – dar assistência à equipe para o fechamento geral; – conferir os mapas fiscais. Adaptado de: Chiavenato (2008, p. 243). Observação Conforme Pontes (2011, p.43), “cargo é o agregado de funções substancialmente idênticas quanto à natureza das tarefas executadas e especificações exigidas [...]”. O grande problema nessa afirmação do autor é que os cargos similares, como os especificados anteriormente, são os primitivos que estão relatados. Os auxiliares, assistentes e analistas, que têm similaridade no nome e na origem do trabalho, são bastante homogêneos em termos de nomenclaturas e exigências iniciais para atuação do indivíduo. O que não podemos confundir é que, ainda que tenham o mesmo nome, esses cargos pertencem a áreas diferentes da empresa e, portanto, possuem, em sua estrutura interna, funções diferenciadas umas das outras, sem relação com as áreas de atuação na empresa. São cargos de estrutura base, e o que os 23 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS diferencia é seu sufixo, por exemplo: analista administrativo de recursos humanos, ou seja, o diferencial está em recursos humanos e nas atribuições da área em questão. Conforme Dutra (apud HIPÓLITO, 2001), o cargo abrange os conceitos de tarefa e posição, em que a tarefa existe quando é necessário utilizar o esforço humano, físico ou mental para uma finalidade específica. A posição é caracterizada pelo acúmulo de tarefas que justificam o emprego de um trabalhador. Logo, o cargo vai definir oque determinado indivíduo deverá fazer numa posição hierarquizada na empresa, onde são necessários alguns fatores para que o indivíduo possa ocupar esse espaço (DUTRA, 2009). Conforme Pontes (2011, p. 44): A especificação do cargo é dividida em quatro grandes áreas: mental, responsabilidades, físicas e condições de trabalho. Cada uma dessas áreas é, ainda, subdividida em fatores, ou seja, em requisitos e qualificações. Vejam que, nesse caso, os cargos têm em sua composição áreas que são observadas e colocadas como alicerces. Cabe ao indivíduo, que se candidatar ou que atua no próprio cargo, ter as qualificações exigidas. Essa fragmentação do cargo colabora para a sua valoração quando existir a composição do salário referente à função. • Área mental: está voltada ao intelecto do indivíduo, sua capacidade de realização, seu histórico, suas experiências de vida e profissionais que o fazem diferente dos outros candidatos, sua capacidade em ter iniciativa para realizar as coisas a partir de suas experiências pessoais adquiridas durante sua vida profissional e do dia a dia. Esta área é importantíssima não apenas para a questão cargos e salários que estamos abordando no livro‑texto, mas também para recrutamento e seleção, avaliação de desempenho, treinamento e desenvolvimento. Em todas estas áreas, faz‑se importante que o indivíduo tenha um histórico em que seja explanado seu conhecimento e sua forma de realizar, ou ainda as tarefas que tenha realizado em empresas. Chamamos esse histórico de diagnóstico: por meio dele, visamos explorar o que o indivíduo tem de melhor para a empresa no caso de cargos e salários, assim, por cada qualidade que o indivíduo tem em realizar sua função, poderá ser remunerado de forma melhorada em relação aos seus concorrentes. Na área mental, está a capacidade que o indivíduo tem em interiorizar as tarefas, tais como processo, maneira para se fazer e raciocínio lógico, para conseguir resolver determinadas situações nas funções do cargo. • Área de responsabilidades: é o que o indivíduo tem que ter na sua forma de agir. Sua responsabilidade pode ser de ter cuidado com documentos, assinaturas, ou processos que estejam sob sua supervisão ou execução. Fazer as tarefas que produzam bons resultados é se comprometer com o negócio e acreditar nele. 24 Unidade I O importante nesse contexto é o individuo ser organizado e capaz de cumprir com suas promessas. Se ele for capaz de realizar essas ações já estará no meio caminho em ser responsável dentro da empresa. Normalmente, pessoas organizadas em sua vida pessoal são bastante responsáveis em sua vida profissional, pois são comprometidas com os seus resultados e os da equipe à qual pertencem. Todo cargo tem seu lugar na empresa, tanto na hierarquia, quanto nas funções. Este cargo tem funções que vêm antes dele (feitas por outros cargos) e depois dele, portanto, a responsabilidade dos indivíduos é fundamental para o bom andamento e desempenho da engrenagem da empresa. • Área física: é a capacidade de realização da tarefa pelo indivíduo. Utilizando seu esforço físico, foca na habilidade das pessoas a partir de seus sentidos, por exemplo, a visão e a audição. Esta área foca o poder de realização que o indivíduo tem para fazer suas tarefas, como atender cliente por telefone, a rapidez na produção de materiais em uma empresa, além da concentração mental para realizar determinados trabalhos, como uma planilha extensa em que o indivíduo terá que ficar muito tempo em frente do computador. Observação Dependendo do tipo de serviço ou trabalho prestado pelo indivíduo, sua condição física é fundamental para a execução do trabalho, por exemplo, professores de educação física, seguranças, patinadores de hipermercado etc. • Área de condições de trabalho: são os locais nos quais o indivíduo ficará exposto para a realização do seu trabalho. Nesse caso, cabe ao indivíduo estar ciente dos riscos que irá correr ao realizar sua função em determinado lugar. Alguns exemplos fáceis de identificar são uma câmara fria, ou uma caldeira em uma siderúrgica de aço, que são temperaturas extremas às quais o indivíduo ficará exposto e, portanto, prejudiciais à sua saúde com o decorrer do tempo. Algo que é preocupante no meio trabalhista são as condições do trabalho às quais o indivíduo é exposto, tais como ferramentas de trabalho e condições ambientais e psicológicas. O bem‑estar físico e mental é essencial para o bom andamento do trabalho e para o exercício das funções dentro de um cargo. O analista deve cercar seu trabalho de levantamento de informações, quando da entrevista com o ocupante do cargo, com o máximo de cuidado, lembrando sempre que poderá haver falseamento ou alteração das informações dadas a favor do ocupante, por ser interessado direto nos resultados do trabalho. 25 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS A ‑ Requisitos mentais 1 ‑ instituição essencial; 2 ‑ experiência anterior essencial; 3 ‑ adaptação ao cargo; 4 ‑ iniciativa necessária; 5 ‑ aptidões necessárias; Fatores de especificações B ‑ Requisitos físicos C ‑ Responsabilidades envolvidas D ‑ Condições de trabalho 1 ‑ esforço físico; 2 ‑ concentração; 3 ‑ destreza ou habilidade; 4 ‑ compleição física necessária; 1 ‑ supervisão de pessoal; 2 ‑ material, ferramental ou equipamento; 3 ‑ dinheiro, títulos e documentos; 4 ‑ contatos internos e externos; 5 ‑ aptidões necessárias; 1 ‑ ambiente de trabalho; 2 ‑ riscos. Figura 5 – Esquema simplificado de fatores de especificação Fonte: Chiavenato (2008, p. 245). Em certas ocasiões, mesmo tendo recebido a informação do informante e das fontes complementares, o analista sênior deve considerar as suas próprias conclusões sobre a situação mais correta. É comum ouvir dos entrevistados que determinado cargo exige do seu ocupante um nível de escolaridade superior ao realmente exigido pela função. Nesses casos, cabe ao analista cruzar essas informações com o superior imediato e com outros pares, por exemplo, e concluir, pela sua observação e conhecimento, qual o verdadeiro nível de escolaridade necessário para desempenhar a contento aquela determinada função (apontando seus argumentos) e não simplesmente registrar o depoimento do ocupante do cargo. Esta questão já é de um caráter voltado à saúde e segurança do trabalho, outro subsistema de RH que cuida dessa área de segurança as pessoas, mas, quando falamos de cargos e salários, o salário, por exemplo, é maior quando os indivíduos estão expostos a perigo em sua profissão. Saiba mais Veja, no site do Ministério do Trabalho, as Normas Regulamentadoras (NRs) do trabalho. Disponível em: http://portal.mte.gov.br. Acesso em: 2 dez. 2011. 26 Unidade I Lembrete Conforme Dutra (2009, p.174), “o cargo é constituído por um conjunto de tarefas que caracterizam uma posição”. Essas tarefas que o autor cita, que estão implícitas na função, são os processos e procedimentos os quais o indivíduo deve ser capaz de realizar em seu cargo. O que acontece é que, nas exigências do cargo, podemos ter características mais voltadas a aptidões físicas e outras de caráter mental, vai depender do que se espera do indivíduo enquanto atuante no determinado cargo. Conforme Chiavenato (2008, p. 243), “cargo pode ser descrito como uma unidade da organização que consiste em um grupo de deveres e responsabilidades que o tornam separado e distinto dos outros cargos”. O que podemos observar é que a definição do que é cargo está se tornando cada vez mais complexa, pois, ao analisarmos o que os autores relatam, fica claro que esses agregam cada vez mais responsabilidades, assim como exigências, para que uma descrição de cargo seja bem elaborada. Isso, para que a pessoa que o ocupe possa desempenhar bem sua função e suas tarefas, tendo uma remuneração adequada à sua ocupação na empresa. O que podemos concluir a partir do pensamento dos autores é que cargo é um lugar ocupado na empresa por um colaborador, em que esse seja capaz de realizarsua função composta por tarefas, e que estas tarefas tenham um caráter que ora pode ter cunho físico, ora mental. Ainda citam que esse colaborador deve ser responsável pelos seus deveres enquanto estiver no cargo. Lembrete A descrição de cargos é um processo que consiste em determinar, pela observação e pelo estudo, os fatos ou elementos que compõem a natureza de um cargo e o torna distinto dos outros cargos existentes na organização. Nenhum cargo é igual a outro, cada um tem características diferenciadas uns dos outros, e essa particularidade faz com que sejam distintos e mais fáceis de serem analisados quando forem avaliados para algum tipo de finalidade, no nosso caso o de salários. De forma geral, a descrição do cargo define algumas responsabilidades principais e uma lista de tarefas que o seu ocupante deve desempenhar, que podem ir das mais simples, como entregar um papel de um setor em outro, a colher novos clientes no mercado. Vai depender muito da hierarquia que o cargo tem na empresa e seu segmento ou ramo de atuação. 27 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS O cargo é expresso por meio da determinação das qualificações, juntamente com requisitos básicos, como experiência, escolaridade, responsabilidade, conhecimento técnico, condições de trabalho e outros fatores exigidos de seu ocupante para seu efetivo desempenho. A relação das responsabilidades ou tarefas de um cargo chama‑se descrição do cargo. A descrição do cargo fornece informações que servirão de base para obter o máximo de dados possível, que serão utilizados para fins de remuneração, seleção, treinamento etc. A composição do cargo é a base para estabelecer critérios e técnicas de remuneração e recrutamento. Existem cargos cuja análise é mais complexa. Entre eles, sobressaem os da área científica técnica. Alguns cargos são de uso geral e podem existir dentro de diferentes departamentos; são eles: secretária, assistente, auxiliar etc. Os ocupantes de um mesmo cargo podem ter atribuições (ou funções) diferentes uns dos outros. Dado esse motivo, é costume distinguir cargo de função. • Função: é a atribuição específica, ou conjunto de atribuições (OLIVEIRA, 2011, p. 12). Por exemplo, podemos ter vários auxiliares e assistentes administrativos classificados dessa forma, mas com funções diferenciadas; depende do setor, do ramo de atuação e do segmento de mercado em que a empresa atua. Isso é significativo, pois altera tanto o salário, quanto as funções pertinentes a esses cargos dentro dessas empresas. Quadro 2 – Definição dos principais termos empregados na análise de cargo Definição dos principais termos empregados na análise de cargo Tarefa É a atividade executada por um indivíduo que ocupa determinado cargo, por exemplo: arquivar, digitar etc. Função É o agregado de tarefas atribuídas a cada indivíduo na organização, por exemplo: assistente de departamento de contabilidade, datilógrafo do departamento de pessoal, arquivista etc. Cargo É o conjunto de funções substancialmente idênticas quanto à natureza das tarefas executadas e às especificações exigidas dos ocupantes. Análise de cargo É o estudo que se faz para coligir1 informações sobre as tarefas componentes do cargo e sobre as especificações exigidas do seu ocupante. Da análise resulta a descrição e a especificação do cargo. Descrição de cargo É o relato das tarefas descritas de forma organizada. Especificação de cargo É o relato dos requisitos, responsabilidades e incômodos impostos ao ocupante do cargo. Grupo ocupacional É o conjunto de cargos que se assemelham quanto à natureza do trabalho. 1 Coligir significa: 1) reunir em coleção (ex.: coligir selos); 2) ajuntar ou reunir o que se acha disperso (ex.: precisou coligir todas as doações); 3) concluir, inferir (ex.: era o que podiam c. do que fora escrito). Fonte: Dicionário Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2009. Versão eletrônica. 28 Unidade I Os grupos ocupacionais são os seguintes: Grupo ocupacional gerencial Abrange os cargos de chefes, gerentes, diretores etc. Grupo ocupacional de profissionais de nível superior Abrange os cargos de engenheiro, economista, advogado, administrador etc. Grupo ocupacional de técnicos de nível médio Abrange os cargos de desenhista, laboratorista, inspetor, supervisores técnicos etc. Grupo ocupacional administrativo Abrange os cargos de recepcionista, auxiliar, analista, supervisor administrativo etc. Grupo ocupacional operacional Abrange cargos de pedreiro, operador mecânico, supervisor operacional etc. Fonte: Pontes (2007, p. 53‑54). 1.2 Classificação JR, PL, SR Comumente, no mercado de trabalho, entende‑se por Profissional Júnior (JR) ou trainee aquele que está iniciando a carreira. Como está em fase de aprendizado, executa atividades repetitivas e rotineiras. Esses indivíduos estão em seu primeiro emprego ou começando no mercado de trabalho em suas bases. O Profissional Júnior é o aprendiz, aquele que observa as tarefas e as executa. Sempre terá alguém que irá repassar essas tarefas ao indivíduo, e ele as reproduzirá para conseguir o resultado desejado. São pessoas que estão começando a aprender uma profissão, ou ainda amadurecendo os conceitos básicos do mundo do trabalho, buscando aperfeiçoamento de seus conhecimentos ou aprendizagem da profissão a fim de galgar degraus na carreira. Com o passar do tempo, o iniciante vai adquirindo habilidades alicerçadas em experiência prévia. Esse conhecimento é de caráter acumulativo, de forma que o indivíduo vai agregando valor ao que já aprendeu anteriormente, inclusive procurando aguçar suas técnicas e formas de trabalho na busca de soluções para os problemas do cotidiano. Compreende de zero a dois anos de experiência, aproximadamente. Não possui um conhecimento amplo do que está fazendo, mas sim uma base que será lapidada através do tempo, pois normalmente esses profissionais não têm um histórico profissional amplo e, por isso, depende de supervisão direta nas atividades desenvolvidas. Não possui autonomia, portanto, seu trabalho deve ser verificado por um profissional com mais tempo de casa e que conheça os processos e procedimentos adotados pelo setor onde esse indivíduo está inserido. 29 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Figura 6 – Geralmente o profissional júnior é aquele que acabou de ser contratado pela empresa e que ainda tem pouca experiência na função que vai desempenhar Fonte: Interview. Disponível em: https://undraw.co/. Acesso em: 13 dez. 2021. O Profissional Pleno (PL) desenvolve atividades que exigem do ocupante conhecimento, com experiência e práticas prévias. Ser pleno é ter um conhecimento mínimo da função que executa e alguma autonomia para realizar essas tarefas. Normalmente, participa de algumas decisões e opina nos processos e procedimentos a serem tomados para a melhoria do trabalho executado por ele mesmo. São os analistas e coordenadores, dependendo do seu nível hierárquico na empresa. Esses profissionais têm algum conhecimento sobre a área de atuação, porém, ainda não possuem o conhecimento pleno do todo dentro de sua área. A supervisão recebida é menos direta. Por possuir certo grau de amadurecimento na área de atuação, faz alguns trabalhos supervisionados e outros com autonomia. Precisa de acompanhamento nas várias fases do desempenho de seu trabalho. É um profissional que normalmente tem uma pessoa acima à qual se reporta e, por isso, sempre pergunta ou pede a opinião final para fechar seus projetos ou tarefas. As responsabilidades são de ordem substancial em relação ao cargo que exerce na empresa. A competência e maturidade desse profissional lhe dão o direito de fazer algumas tarefas sozinho e outras com o aval de sua direção. 30 Unidade I Possui conhecimento técnico e é avaliado pelo resultado do trabalho exercido. O Profissional Pleno (PL) deve ter de três a cinco anos de experiência. Tem um bom tempo de casa, porém ainda não é capaz de tornar sua decisão como válida, sempre teráque se reportar a outro indivíduo com maior experiência e domínio da sua área de atuação. Figura 7 – O próximo passo na hierarquia de carreira que estamos descrevendo é o do profissional pleno Fonte: Career development. Disponível em: https://undraw.co/. Acesso em: 13 dez. 2021. O Profissional Sênior (SR) é altamente qualificado com ocupações que exigem conhecimentos específicos. Esse profissional tem prolongado conhecimento e experiência prática. É responsável por grande parte dos projetos em sua área, opinando e procurando o que for melhor para a execução das tarefas, como a otimização de tempo e menos gastos. O trabalho é variado e apresenta complexidade, devendo o ocupante possuir grande habilidade mental. Tem domínio total de suas funções, normalmente possui subordinados. Podemos caracterizar Profissionais Sênior (PS) como supervisores, gerentes de área e executivos, por possuírem amplo conhecimento de suas áreas de atuação. A supervisão recebida é indireta e até global, preocupando‑se com a resolução dos problemas inusitados. Sua supervisão pode vir da direção ou de um controller, dependendo do que deverá ser feito e qual o objetivo a ser conseguido. Possui conhecimento formal de campos acadêmicos da experiência humana. Com seu conhecimento, traz uma soma de contribuições em direção aos objetivos da empresa. O Profissional Sênior (SR) tem larga capacitação e experiência. Em geral, possui cinco anos ou mais no cargo (OLIVEIRA, 2011, p. 14). 31 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Figura 8 – O estágio hierárquico seguinte ao do profissional pleno é o do profissional sênior Fonte: Feeling proud. Disponível em: https://undraw.co/. Acesso em: 13 dez. 2021. O que podemos notar é que, a cada degrau que um profissional adquire em seu cargo, mais exigências serão pedidas a ele, assim como a dificuldade das tarefas e do conhecimento será mais ampla e abrangente em certos pontos e específica em outros. Isso vai depender muito do cargo ocupado, da hierarquia na empresa e do segmento em que essa empresa atua, pois a importância de cada cargo vai variar de acordo com o desenho dessa hierarquia e principalmente do ramo da atuação da empresa no mercado. O que fica claro é que, independente da empresa em que trabalhamos, sempre existirá uma hierarquia. De acordo com os cargos e principalmente com as funções atribuídas a esses profissionais, independente de ser JR, PL ou SR, todos têm sua importância menor ou maior na empresa, mas o que fica evidente é que fazem parte da engrenagem pela qual a empresa se movimenta. 2 EXEMPLO DE COMPOSIÇÃO DE CARGO Quadro 3 – Composição de cargo Empresa: FJL consultoria Departamento: criação e design Cargo: webmaster (supervisor de pesquisa e desenvolvimento) Área: produção Setor: pesquisa e desenvolvimento Local: rua, número, bairro, cidade etc. Organograma de localização 2.1 2.2 1 2.3 2.4 2 3 1.1 1.2 1.3 1.4 3. Diretor executivo 2. Gerente de produção 2.1 Supervisor de rede interna; 2.2 Supervisor de sistemas internos. 1. Webmaster 32 Unidade I Objetivo final (missão do cargo): definir, modelar, implementar plataformas e sistemas e fazer tunning (comunicação visual) deles. Fornecer: mencionar o fornecedor direto relacionado ao cargo, por exemplo, a empresa do grupo. Cliente: usuário final, do produto ou serviço prestado. Atividades não delegadas: ‑ desenvolver o kit de acesso para o usuário final; ‑ desenvolver aplicações voltadas ao usuário final; ‑ pesquisar, analisar (balancear, ajustar, modelar, mensurar, validar), tunning (comunicação visual), aplicações voltadas ao usuário final; ‑ analisar e modelar aplicações para implementação; ‑ auxiliar as filiais e parceiros em assuntos específicos relativos à internet; ‑ indicar treinamento e especializações; ‑ liderar equipe de desenvolvimento e acompanhar o desenvolvimento de projetos. ‑ pesquisar tecnologias de trabalho e desenvolvimento, criando novas metodologias, para agilizar o processo de produção interno, solicitando treinamento e especializações. Atividades delegadas: ‑ web designer; ‑ responsável pela criação e manutenção dos sites; ‑ Analista de Sistemas Pleno (PL); ‑ responsável pela programação, desenvolvimento de produtos web e pelo suporte ao usuário final de hosting na empresa; ‑ Analista de Sistemas Júnior (JR); ‑ responsável pela montagem e administração dos servidores e serviços que neles rodam. Contatos Internos: ‑ Departamento: comercial, auxiliar no fechamento de planos, viabilidade. ‑ Teleatendimento: levantar a problemática e a aceitação dos produtos implantados. ‑ Provimento: auxiliar na melhoria e na integração e pesquisar novos produtos em conjunto. ‑ Diretoria: viabilização de planos. ‑ Recursos humanos: dúvidas relativas ao RH. Externos: ‑ Fabricantes e revendas de sistemas: cursos, novas tecnologias, produtos para teste. ‑ Principais concorrentes: levantamento de nossa imagem, da imagem dos nossos produtos e de suas tecnologias. ‑ Produções com programas: auxílio técnico para a divulgação do produto. ‑ Agências de propaganda: saber o que há de novo no mercado web em termos de marketing e design. Análise do cargo ‑ Nível decisório: o cargo tem autoridade para definir plataformas, aplicações e sistemas. ‑ Dimensões: subordinados diretos: quatro. ‑ Qualificação: ‑ Instrução: nível superior. Formação em engenharia e cursos específicos. ‑ Experiência (mínimo necessário): três anos. Aprovação: Ocupante: Superior: Gerente de produção. Data: Adaptado de: Oliveira (2011, p. 14). 33 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS O que deve ser verificado na composição de um cargo, a princípio, é a sua ocupação dentro da estrutura da empresa, quer dizer, se eu quero detalhes desse cargo, onde ele se encaixa nas tarefas dentro da empresa, qual será sua importância para que os processos e procedimentos sejam realizados para que a empresa consiga seus objetivos. Para demonstrar esse posicionamento do cargo, podemos utilizar um organograma figurado, com a hierarquia estabelecida por figuras com números e, ao lado, o significado de cada número com cada função. Assim, podemos observar onde exatamente esse cargo irá se encaixar dentro da hierarquia na empresa. Saiba mais O organograma é uma espécie de diagrama usado para representar as relações hierárquicas dentro de uma empresa, ou simplesmente a distribuição dos setores, unidades funcionais e cargos e a comunicação entre eles. CRUZ, J. M. Organograma. InfoEscola, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3DSwGm8. Acesso em: 14 dez. 2021. Se existe um determinado cargo na empresa, ele está ali por algum motivo, então devemos descrever qual seu objetivo, ou ainda, o que o profissional que irá ocupá‑lo deverá ser capaz de realizar em suas tarefas. Por isso, todo cargo dentro de uma hierarquia tem diferenças e possui uma sequencia de tarefas que complementam uns aos outros. O fornecedor está ligado a quem irá fornecer o trabalho, ou seja, qual a tarefa que o indivíduo deverá realizar, porém, se alguém delegou esta atividade a esse indivíduo dentro desse cargo, ele terá que desenvolvê‑la e provavelmente repassar a um cliente final. No caso do nosso exemplo, como estamos falando de tecnologia, seria o software do computador, ou programa com que os indivíduos irão interagir para trabalhar. O que deve ser observado é que, em um cargo, um indivíduo pode fornecer tanto produto quanto criar algo e repassar ao seu cliente final o serviço, por exemplo, informações sobre a manipulação desse produto. Todo cargo possui tarefas que podem ser delegadas ou não, depende da posição do cargo na hierarquia da empresa. Por exemplo, um auxiliar não delega tarefa, ele as executa, pois está na última escala hierárquica na empresa e, portanto, é seu gestor quem irá delegar o que ele terá que cumprir em seu trabalho, ou seja, o superior desse indivíduo repassará aquilo que deverá serexecutado por ele. 34 Unidade I Entretanto, mesmo o supervisor ou gerente executa muitas tarefas. Portanto, nem sempre delega as tarefas, pois muitas devem ser feitas por ele, dependendo do fluxo de trabalho estabelecido pela empresa em relação a determinado cargo. Temos ainda os contatos internos e externos na empresa. Os internos são nossos clientes que trabalham na empresa, como nossos pares, setores, gerência administração, direção e subordinados. Já os contatos externos são os fornecedores e clientes finais que esperam que nossos esforços produzam um produto ou serviço com qualidade. O grau de autonomia que esse cargo está nas decisões a serem tomadas em um projeto. Seus subordinados são aqueles aos quais serão delegadas as funções a serem realizadas para compor o todo. E o grau de instrução é necessário para atuar na função. 2.1 Solicitação de departamento comercial ao RH Quadro 4 – Solicitação de departamento comercial ao RH Empresa: FJL consultoria Nível: gerência Subordinação: gerente comercial Supervisão: encarregados, auxiliares de expedição e motoristas Comunicações colaterais: vendas e marketing, editorial e produção Local: endereço onde o futuro colaborador vai trabalhar (rua, bairro, cidade etc.) Atividades: ‑ planejar e controlar a movimentação de mercadorias, com renovação da logística, visando à redução dos custos gerais da gestão, de transporte e entrega; ‑ gerenciar o fluxo de pedidos emitidos pelo departamento de vendas, coordenando os processos de separação, conferência, embalagem e remessas rodoviárias, bem como entregas de balcão ou de rua para as filiais e clientes; ‑ administrar o fluxo de remessas em promoção, via correio, em mãos ou via malote; ‑ gerenciar e coordenar com os motoristas os roteiros de entregas na praça; ‑ coordenar recebimento, conferência e armazenagem de produtos em devolução de vendas ou de consignações; ‑ integrar os estoques disponíveis para venda com o sistema de produção‑venda, gerindo em conjunto com o departamento de vendas a distribuição física para os distribuidores, filial e representante; ‑ planejar e avaliar com a área comercial as necessidades de recursos humanos e físicos para garantir o menor tempo possível entre o pedido e a entrega/remessa de mercadorias, com controle de custos/benefícios, no quadro de sazonalidade de nosso mercado; ‑ racionalizar e administrar, em conjunto com a gerência de vendas, os fretes e seus custos; ‑ dar reportagem periódica sobre as condições físicas da armazenagem do prédio do armazém. Requisitos: 1. Instrução: nível superior com desejável formação em administração. 2. Experiência: mínimo de três anos de atividades de gerência, de almoxarifado, de fármacos, de periódicos, ou preferencialmente de nossos produtos. 3. Aptidões: personalidade moldada por cordialidade, liderança e proatividade, caráter ético responsável, capacidade de gerenciamento e de administração das situações adversas. 4. Salário de mercado, a combinar. Fonte: Oliveira (2011, p. 17). 35 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Todo cargo, para ser preenchido, primeiro há de ter uma solicitação vinda de um gestor de uma área, o RH não pode por si só descrever o cargo sem a ajuda do gestor de área, pois é ele que conhece o cargo, as competências que devem ser realizadas e como o funcionário deverá se portar dentro dos processos e procedimentos a serem executados para obter resultados adequados ao setor. Nesse caso, o RH só poderá opinar quando se tratar de cargos de sua competência, ou seja, de sua própria área. Por esse motivo, o RH é caracterizado como parceiro dos outros setores e coresponsável pelo recrutamento, seleção, bem como valoração do salário dos colaboradores de outras áreas, trabalhando em conjunto e não de forma isolada, como era no passado. Podemos verificar no quadro anterior que temos o nível do cargo, seu superior e seus subordinados. Esse detalhe é importante quando estamos nos localizando dentro do setor e principalmente por conta do fluxo de informação e hierarquia que devem ser respeitados na empresa. Há de se observar que esse indivíduo terá ligação com outros setores, logo, deve ter um entrosamento e até algum conhecimento nas áreas parceiras de trabalho. Por se tratar de um gerente comercial, deve conhecer um pouco de marketing, vendas, edição e produção, para que o fluxo de informação nos processos produtivos ocorra sem ter problemas para o alcance dos resultados desejados. O local onde o indivíduo irá trabalhar, ou seja, o endereço da empresa setor ou área onde irá desempenhar sua função, se torna fundamental principalmente por questões de conhecimento do indivíduo. Por exemplo, eu preciso de um assistente administrativo, porém não digo área de atuação em que ele irá empenhar seu trabalho: se não estiver claro o que o indivíduo irá fazer de forma detalhada, a empresa poderá ter problemas. Por essa razão, temos um campo que descreve tudo o que o indivíduo será capaz de realizar de forma ampla e bastante detalhada, para que o setor requisitante consiga adquirir um colaborador capaz de cumprir com suas obrigações no seu cargo. Este detalhamento do cargo é que irá definir o salário a ser pago para o indivíduo, quando trabalharmos com metodologias de remuneração. E por último e não menos importante, vêm os detalhes relevantes para o fechamento da requisição de um indivíduo, seu grau de escolaridade (algo necessário, pois alguns cargos exigem conhecimentos técnicos, ou acadêmicos, ou ambos), o tempo de experiência na função (para que o indivíduo tenha condições mínimas de se localizar dentro do que irá fazer) e o salário (nosso objeto de estudo, que deve ser oferecido de acordo com a prática no mercado). 2.2 Terminologias usadas na descrição de cargos As terminologias às quais estamos nos reportando, são os títulos dos cargos utilizados no mercado de trabalho para distinguir determinados profissionais e alguns detalhes, ou ainda responsabilidades que esses venham a ter em sua profissão dentro da empresa à qual pertencem. 36 Unidade I As terminologias determinam a hierarquia e, dentro das funções, a lógica das informações, para que os objetivos macros da empresa sejam realizados com sucesso. Aqui vamos colocar os cargos que são referência para a estrutura de toda a elaboração de cargos e salários, os quais chamamos de cargos‑chave e que, muitas vezes, são convencionais e têm apenas sua terminologia final alterada de acordo com a área de atuação do indivíduo na empresa. 2.3 Termos comuns em português Entre os termos mais comuns utilizados em português na descrição de cargos, sobressaem os nomes mais conhecidos dentro de uma hierarquia em uma empresa, dos quais falaremos a partir de agora. Presidente Profissional que preside uma empresa. Muitas vezes, é o dono da empresa ou um dos sócios. Na assembleia dos sócios, é quem preside a reunião. É o que detém o maior número de ações, caso a empresa seja de capital aberto, conhecida como S/A. Mas isso não quer dizer necessariamente que a empresa abra suas ações no mercado. Temos ainda as empresas de capital fechado que pertencem normalmente às famílias, a essas atribuímos a nomenclatura Ltda. No caso do cargo que pertence ao dono de uma empresa ou organização, geralmente, a expressão utilizada é “diretor‑presidente”. O diretor‑presidente é como se fosse o presidente de uma nação. Sua nação é a empresa e seus colaboradores. É ele quem dá o aval final nas decisões boas para empresa, mas é claro que os diretores que compõem a alta cúpula da empresa podem opinar e sugerir ações para o alcance de melhorias ou objetivos da empresa. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre ações e empresas de capital aberto, verifique o site da Bovespa: Disponível em: http://www.bmfbovespa.com.br. Acesso em: 9 dez. 2021. Lá você poderá entender melhor como fazer uma aplicação financeira ou um investimento em ações de empresas no mercado. 37 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Figura 9 –Investimentos em ações Disponível em: https://bit.ly/3oQPrlr. Acesso em: 13 dez. 2021. Diretor Empregado que ocupa o cargo mais alto no setor, divisão, departamento ou empresa. As pessoas no geral acreditam que o diretor é a autoridade máxima na empresa, no entanto ele é um empregado como qualquer outro, a diferença é que ele está no alto escalão da empresa e sob seu comando estão vários gerentes e subordinados. Quando existe um diretor principal entre os diretores, o qual comanda, coordena e controla os diretores setoriais, denominamos diretor‑geral. Mesmo sendo um diretor‑geral, esse ainda está abaixo do diretor‑presidente, que é realmente o maioral na empresa. Gerente Cargo atribuído àquele que gere e/ou administra negócios, bens ou serviços de uma empresa. O gerente vai administrar um dos segmentos ou setores dentro da empresa, pois está sob sua competência fazer com que esta parte da empresa funcione bem, em harmonia com outras áreas da empresa. Organiza programas de trabalho e supervisiona‑os como representante do proprietário, estabelecendo rotinas e controlando as atividades exercidas no estabelecimento, assegurando seu funcionamento eficaz e rentável. Ainda existe o gerente‑controller, que é assim denominado quando tem sob sua administração mais de um setor. Um exemplo disso é a área comercial: dentro dessa área temos a parte de divulgação e de marketing, além de outras, e existem gerentes que controlam individualmente cada área, porém se reportam ao gerente‑controller, que é o que comanda toda a área comercial na empresa. 38 Unidade I Subgerente Substitui o gerente quando ausente; dá todo apoio e assistência direta ao gerente no momento de estabelecer rotinas e procedimentos para o desempenho eficaz da organização. É o apoio, a pessoa que se responsabiliza no local de outra pessoa quando essa tem algum compromisso, como viagem ou afastamento por algum motivo. É uma espécie de suplente. Pode ser um secretário, que vai auxiliar a empresa no caso de afastamento do gerente titular, é um substituto temporário. Supervisor Cargo daquele que vai verificar, controlar, inspecionar, vigiar um trabalho. Supervisiona o pessoal, distribuindo tarefas de sua área de trabalho, acompanhando e orientando o desempenho dessas tarefas, assegurando o bom andamento do trabalho executado. O supervisor funciona como uma espécie de inspetor, que delega tarefas para que sejam executadas e, ao final do cumprimento dessas, verifica se o resultado esperado é o adequado. Coordenador Organiza, estrutura e coordena as diversas etapas de um trabalho. Responsável pelo andamento, pelo progresso do setor e da equipe de trabalho, sob sua responsabilidade. Coordena as atividades da empresa, departamento, divisão ou setor, assegurando a regularidade no desenvolvimento do trabalho executado. O coordenador passa a ideia e o escopo do que os colaboradores devem fazer para conseguir um determinado objetivo na empresa, inclusive coordenando passo a passo a confecção e a realização das tarefas em cada fase do projeto. Tem uma grande responsabilidade dentro de sua área de atuação, para que a estrutura sugerida consiga ser realizada otimizando os resultados esperados pela empresa. O coordenador de telemarketing ativo é um bom exemplo. Nesse tipo de serviço, o funcionário deverá efetuar tantas ligações no dia, e cabe ao supervisor verificar a quantidade de ligações, as vendas que o colaborador conseguiu efetuar e o quanto de bons resultados esse funcionário conseguiu trazer para a empresa. Um exemplo em RH é a quantidade de cursos de capacitação que o RH ofereceu aos outros setores em determinado período, com o objetivo de sanar necessidades desses na empresa. Essa quantidade e satisfação do cliente interno (outros setores) deverá ser acompanhada de perto pelo coordenador do projeto. O coordenador verifica o fluxo de comunicação existente nos processos e procedimentos em uma rotina de trabalho. 39 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Encarregado Cargo atribuído àquele que é responsável e fiscaliza os empregados de seu setor de trabalho; ocupa‑se de todas as atividades desenvolvidas por seus subordinados, estabelecendo os recursos e requisitos necessários para garantir o bom andamento do setor. Responde por seu setor junto à gerência da empresa. O encarregado é aquele que dá condições para que os trabalhadores consigam executar seu trabalho com qualidade, ainda é ele quem verifica as solicitações dos colaboradores e escuta as sugestões para melhorias no processo produtivo da empresa. Alguns exemplos podem ser citados, como o encarregado da limpeza da empresa ou o de produção, que são peças fundamentais para que essas áreas consigam atingir seus objetivos e colaborarem para que a empresa funcione e progrida. O encarregado é o intermediário entre a comunicação da gerência com os colaboradores, é ele quem irá repassar as informações coletadas na rotina de trabalho ao seu superior, no caso o gerente de área. Assistente Aquele que assiste alguém em suas funções, planejando, analisando e executando as tarefas de seu trabalho. Essa análise é o modo como deve ser feito determinado serviço. Essa pessoa vai assistir a execução da tarefa por alguém e terá que dar suporte para que outro a execute, ou irá copiar a forma de se fazer para obter o resultado desejado. Fazem tarefas simples, partes dos processos que chegam aos objetivos finais, dão suporte aos mais antigos e especializados no setor em que atuam. É uma função base. Encontramos assistentes administrativos, por exemplo, que fazem de tudo um pouco, ou ainda assistentes de RH que se encarregam das planilhas, papéis e formulários utilizados pela área, por exemplo, distribuindo‑os para colaboradores que venham a ser treinados. Auxiliar Aquele que trabalha junto a alguém mais experiente, dando sua contribuição. Vai auxiliar um profissional em tarefas simples que contribuem para a execução das tarefas complexas. Por exemplo, separação de quantidade de notas fiscais para impressão, ou separação de documentos importantes para controle de algum processo, como contagem de pessoas recrutadas e de pessoas demitidas. Executa tarefas de rotinas, sempre sob orientação de outro empregado. São tarefas simples e rotineiras, mas que fazem parte de um processo e contribuem para a rapidez e para o resultado esperado pela equipe. Realiza tarefas gerais, a fim de manter perfeito o funcionamento do setor. Faz de tudo um pouco. Essa função está na base da pirâmide de cargos e salários. É o início da carreira de um indivíduo na empresa, logo, deverá aprender tudo o que for passado a ele e, dessa forma, começar a construir seu profissionalismo. 40 Unidade I Figura 10 – Auxiliar e assistente Fonte: Team work. Disponível em: https://undraw.co/. Acesso em: 13 dez. 2021. Líder Cargo atribuído a alguém que tem autoridade para comandar e influenciar certo setor; algo importante, a saber, é que o líder é o espelho para muitos colaboradores, é a referência para que alguns se tornem bons profissionais. O líder tem alguns estilos de liderança, ora pode ser autocrata (quando ele manda e os colaboradores obedecem), ora pode ser democrata (quando ele manda, mas aceita a opinião dos colaboradores), ora pode ser livre (quando ele delega poderes aos colaboradores para que possam realizar as tarefas solicitadas por ele). Após citar o nome líder, deve‑se relatar o setor que está liderando. Por exemplo: líder de estoque, líder de ferramentaria, líder de forjaria etc. Esse cargo define em sua nomenclatura o setor em que é exercida a liderança. Um líder deve ser capaz de nortear seus colaboradores para o caminho certo na execução das tarefas, a fim de se obterem os resultados esperados pela equipe. Figura 11 – Líder e liderança de equipe Disponível em: https://bit.ly/3s6ycyC. Acesso em: 13 dez. 2021. 41 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Chefe É o responsável por chefiar todas as atividades de uma seção ou unidade, organizandoe orientando os trabalhos específicos. Equivalente ao coordenador ou supervisor de uma área, esse profissional é responsável pela realização das tarefas dentro do setor o qual coordena ou dirige. Controla o desempenho dos colaboradores envolvidos para assegurar o desenvolvimento normal do trabalho. Está totalmente ligado ao processo produtivo dos seus colaboradores, supervisionando e verificando o andamento das tarefas e o resultado final do que está sendo feito. O que podemos verificar é que existem diversas terminologias, algumas de alto escalão, ou seja, de nível estratégico; outras de médio escalão, ligadas às táticas da empresa; e outras que estão na base da cadeia produtiva, que tratamos como cargos operacionais. O que os alunos devem perceber é que, independente do nível hierárquico ao qual pertença determinado cargo, esse tem sua importância no processo produtivo da empresa, e o processo tem uma ligação de informações em que cada cargo tem suas características e são responsáveis por uma parte da execução das tarefas que irão trazer os resultados esperados. 2.4 Termos comuns em inglês Quadro 5 – Termos comuns em inglês Nome Sigla Função correspondente Descrição do cargo Chief executive officer CEO Presidente, Diretor Executivo Principal executivo Chief administration officer CAO Diretor ou gerente Gerencia e administra Chief information officer CIO Diretor de relações públicas Responsável por relações públicas Chief financial officer CFO Diretor ou gerente financeiro Encarregado pelas finanças Chief human officer CHRO Diretor ou gerente de recursos humanos Gerencia o RH Chief technology officer CTO Diretor de sistemas ou gerente de TI Gerencia a tecnologia Chief operating officer COO Diretor ou gerente de operações Cuida das operações Web designer Designer ou programador visual Programação visual Fonte: Oliveira (2011, p. 19‑20). Essas terminologias surgiram no mercado brasileiro na década de 1990, são modelos americanos para destacar os executivos principais de uma empresa, cada um deles está relacionado à sua área de atuação. O modelo não é diferente do utilizado no nosso mercado de trabalho, a nomenclatura americanizada estipulada pelas grandes empresas multinacionais. Algumas empresas brasileiras adotaram estas terminologias para os executivos aqui no Brasil, porém outras ainda continuam com as terminologias utilizadas aqui. 42 Unidade I As empresas estão abolindo essas nomenclaturas, pois, de certa forma, dificultam a compreensão e a valoração do salário no final. São modelos administrativos que são aculturados no nosso país e que permanecem na história da administração. O que o aluno deve entender é que esse modelo é utilizado nas grandes multinacionais e, quando trabalhamos com RH, temos que compreender essas siglas para contratarmos um profissional adequado para preencher uma vaga na empresa. Resumo Na unidade I, foram abordados aspectos voltados ao cargo, o primeiro conceito sobre a definição de cargos e salários e a importância que o cargo tem para a confecção do salário. Por isso, foram abordadas as características para a composição de um cargo e, dessa forma, vamos conseguir entender como os especialistas em remuneração conseguem chegar ao valor do salário de determinado cargo na empresa. Para tanto, devemos começar definindo o que é o cargo e como ele surge dentro da empresa a partir de necessidades reais, pois o indivíduo responsável por cargos e salários terá de observar bem para conseguir fragmentar esse cargo a partir de sua descrição. A descrição do cargo nada mais é que a fragmentação da função do indivíduo a partir das responsabilidades as quais ele foi contratado para executar em um setor na empresa. Abordamos ainda a classificação dos cargos, ou seja, de onde eles se originam. Sempre existirá uma base dentro dos padrões junior, pleno e sênior, e a partir dessa origem primitiva é que começaremos a denominar os outros cargos na empresa. Foram expostos ainda os cargos similares e comuns. Generalistas que, de certa maneira, possuem características primárias, mas que necessariamente não são iguais por pertencerem a famílias diferentes, ou seja, segmentos de atuação dentro da empresa, como setor de RH, marketing, finanças e outros. São os cargos base, tais como assistentes, analistas e auxiliares, em sua nomenclatura primitiva. Nesta unidade, foram exemplificadas formas de composição de um cargo, ou seja, quais as reais exigências de um setor para que a área de RH possa buscar no mercado profissionais adequados à composição da força de trabalho 43 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS da empresa. Mais uma vez, o cargo foi fragmentado e, portanto, forneceu elementos para sua composição salarial pela da valoração de seus detalhes. Também foi demonstrado como se faz a solicitação de um cargo a partir de sua descrição ao setor de RH. Essas informações são fundamentais para que o RH possa trabalhar com dados reais e informativos a respeito do que exatamente o gestor de área quer em termos de candidato, e, a partir desses detalhes, o RH em remuneração será capaz de compor o salário dentro do cargo solicitado e verificar se está compatível com o praticado no mercado. A unidade ainda aborda as terminologias (nomes dos cargos) mais utilizadas em português e inglês, para que o aluno tenha consciência da prática no mercado dos nomes mais comuns. 44 Unidade I Exercícios Questão 1. A empresa do Dr. Jurandir é uma empresa familiar que fabrica parafusos, sendo que, na década passada, apresentou um grande crescimento devido à sua expansão mercadológica. A companhia está em vias de chegar ao mercado internacional devido a uma oportunidade surgida por meio de uma associação de médias empresas. Acontece que, por ser familiar e nova, a empresa não havia percebido até o momento a necessidade de se estruturar formalmente. Como resultado, diversos colaboradores passaram a acumular várias funções e atividades, tornando‑se verdadeiros “faz‑tudo” na organização (conforme o personagem na figura). O fato passou a afetar o clima organizacional e a motivação dos profissionais. Dr. Jurandir decidiu iniciar o trabalho de estruturação elaborando as descrições e análises de cargos. Para que ele proceda à Descrição e à Análise de Cargos, ele deve atentar para, respectivamente: I – Tarefas a serem realizadas e experiência profissional exigida para o cargo. II – Requisitos necessários para ocupar o cargo e deveres e responsabilidades do ocupante do cargo. III – Requisitos físicos exigidos e escolaridade mínima para ocupar o cargo. IV – Título do cargo e qualificações exigidas do futuro ocupante. V – Responsabilidades do ocupante e perfil exigido para ocupar o cargo. Figura 12 45 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Estão corretas as afirmativas: A) I, II, III e V. B) I, II e IV. C) III, IV e V. D) II e III. E) I, IV e V. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: as descrições de cargos relacionam as tarefas, os deveres e as responsabilidades, enquanto as especificações se preocupam com os requisitos necessários ao ocupante. Dentre as informações contidas na descrição de cargo, encontram‑se: título do cargo; responsabilidades e tarefas a serem realizadas; relações: reporta‑se a quem, supervisiona quem, tem contato com quem, trabalha com quais departamentos (organograma). Destaca‑se o acerto em citar as tarefas a serem realizadas. A análise de cargo estuda e determina todos os requisitos qualificativos, as responsabilidades e as exigências para o desempenho adequado do cargo. Deve‑se fazer o levantamento dos dados e informações que fundamentem e identifiquem quais os conhecimentos, habilidades e capacidades imprescindíveis para o bom desempenho no cargo. Destaca‑se o acerto em citar a experiência profissional, esperada para o ocupante do cargo. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: conforme a justificativa anterior verifica‑seque os requisitos necessários para ocupar o cargo, são definidos na Análise de Cargos, enquanto que os deveres e responsabilidades do ocupante do cargo, são identificados na Descrição do Cargo, logo, a ordem das incumbências está invertida. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: a análise de cargo estuda e determina todos os requisitos qualificativos, as responsabilidades e as exigências para o desempenho adequado do cargo. Deve‑se levantar os dados e informações que fundamentem e identifiquem quais os conhecimentos, habilidades e capacidades imprescindíveis para o bom desempenho no cargo. As especificações relacionam as qualificações: nível de escolaridade, graduação, experiência, profissional, requisitos físicos exigidos. Sendo assim, a afirmativa contém somente requisitos da Análise de Cargos. 46 Unidade I IV – Afirmativa correta. Justificativa: as descrições de cargos relacionam as tarefas, os deveres e as responsabilidades, incluindo a definição do Título do Cargo. Já a análise de cargos estuda e determina todos os requisitos qualificativos e as exigências para o desempenho adequado do cargo. V – Afirmativa correta. Justificativa: enquanto as descrições de cargos relacionam as tarefas, os deveres e as responsabilidades do cargo, a análise de cargos estuda e determina todos os requisitos qualificativos e as exigências para o desempenho adequado do cargo. Questão 2. (Enade, 2009, prova de Administração) O laboratório de biotecnologia Ypslon apresentou resultados muito abaixo do esperado na última pesquisa de satisfação dos clientes. Diante disso, encarregou o responsável pelo Departamento de Recursos Humanos, Dr. Garrido, de desenvolver um programa de treinamento, visando à melhoria do atendimento ao cliente. Com base na situação descrita, considere os seguintes objetivos de um programa de Treinamento e Desenvolvimento: I – Proporcionar ao funcionário oportunidades para o contínuo desenvolvimento em seu cargo atual; II – Utilizar instrumental adequado que permita a medição do desempenho do funcionário durante um dado período de tempo; III – Mudar a atitude dos funcionários para criar um relacionamento interpessoal mais satisfatório e para aumentar o seu nível de envolvimento; IV – Identificar os funcionários que necessitam de reciclagem e selecionar os empregados com condição de receberem promoção ou serem transferidos. Estão corretas somente as afirmativas: A) I e III. B) III e IV. C) II e III. D) I e IV. E) I e II. Resposta correta: alternativa A. 47 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS E SALÁRIOS Análise das afirmativas I ‑ Afirmativa correta. Justificativa: dentre os motivos para treinamento, segundo Marras (2000), identifica‑se adequação ao cargo; desenvolvimento de competências produtivas e inovadoras; para agregação de valor às pessoas, à organização e aos clientes; melhoria do desempenho no cargo; mobilização e ajuste dos vários mecanismos, de ação motora a operações mentais; alteração do comportamento de menor rendimento profissional, para o de alto desempenho. Para que o programa de treinamento afete positivamente o atendimento do cliente, deve proporcionar oportunidades para o contínuo desenvolvimento dos funcionários em seus cargos, principalmente aqueles envolvidos em atividades fins da empresa, por exemplo, atendimento de clientes, comercialização, desenvolvimento de projetos e produtos, dentre outras. II ‑ Afirmativa incorreta. Justificativa: a utilização de instrumental adequado que permita a medição do desempenho do funcionário durante um dado período de tempo possibilita uma aferição mais correta e precisa daquilo que se pretende medir, porém, dependerá do que está medindo e qual o intuito desta medição, além da representatividade desta periodicidade, para se deduzir qual a aplicabilidade dos indicadores de desempenho apurados. Se a medição em referência objetivar a identificação de necessidades de treinamento, esta antecederá a elaboração do programa, portanto, não pode ser um objetivo do referido programa. III ‑ Afirmativa correta. Justificativa: segundo Chiavenato (2004), o treinamento adapta a pessoa para um cargo ou função e atende as especificações de um programa preestabelecido para a adaptação do homem ao trabalho. Neste caso, pode‑se treinar e mudar a atitude dos funcionários para criar um relacionamento interpessoal mais satisfatório e para aumentar o seu nível de envolvimento e comprometimento com os resultados, melhorando, desta forma, o relacionamento e os resultados apresentados aos clientes. IV ‑ Afirmativa incorreta. Justificativa: os procedimentos e processos de identificar os funcionários que necessitam de reciclagem e selecionar os empregados com condição de receberem promoção ou serem transferidos, antecedem o programa de treinamento, pois servem como meios de selecionar os funcionários que devem ser treinados. A partir deste ponto, com base nas análises das necessidades de treinamento, torna‑se possível estabelecer os objetivos de treinamento do programa a ser elaborado e executado na empresa. 48 Unidade II 3 ANÁLISE DE CARGOS A análise de cargo é importantíssima no processo de captação de pessoas no mercado, pois se trata da referência que a empresa tem sobre a atuação do seu funcionário na função e no setor em que atua e das informações estratégicas de melhorias para a produtividade nos processos e procedimentos executados pelo indivíduo que o ocupa. Observação Esta análise é o detalhamento do que o indivíduo faz em sua função no dia a dia, ora servindo para o recrutamento ou seleção, ora para valorar o salário dessa função, ora para a capacitação dos indivíduos, para que esses produzam adequadamente para a empresa. A análise do cargo está ligada diretamente ao planejamento de pessoal, pois o cargo é o que será preenchido na empresa e, portanto, é fator fundamental para se fazer um planejamento focando pessoas para seu preenchimento. Mas, para que esse preenchimento seja realizado, devemos oferecer um bom salário e, para saber qual é esse salário adequado, vamos dividir as tarefas dentro das funções e darmos valores a cada uma delas para que contemplem o todo. Sua utilidade é facilmente encontrada em vários subsistemas de RH, para cargos e salários, por exemplo: essa análise e descrição do cargo nos fazem verificar fatores que nos levam a pontuá‑los e, dessa forma, formar o salário dos indivíduos na empresa, basta depois comparar se está sendo aplicado de acordo com a prática de mercado. De uma forma simplista, essa verificação pode ser facilmente feita por um profissional de RH no mercado por meio da verificação da prática dos concorrentes, mas é interessante o aluno saber como se chega ao valor do salário e como, a partir dos fragmentos valorados, conseguimos compor o salário de uma função dentro da empresa. Observação No caso do plano de carreira, podemos utilizar a ferramenta para termos um referencial do que o indivíduo faz, do seu potencial nas realizações do cargo e da possibilidade de promovê‑lo de acordo com sua competência. Unidade II 49 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Essas informações dentro do cargo colaboram para que o indivíduo, com o passar do tempo na empresa, vá se aperfeiçoando, assim como o próprio mercado poderá exigir que a descrição do cargo seja modificada de acordo com o praticado. O cargo dentro de avaliação de desempenho é fundamental para as avaliações e aferições na busca de melhores patamares de desempeno, pois toda a pesquisa está voltada para o comportamento do indivíduo ao realizar suas tarefas dentro do seu cargo, o que é fundamental para que o processo avaliativo agregue valor ao serviço dos colaboradores. A avaliação de desempenho também é um referencial para que o indivíduo progrida em sua função e, logo, possa ser remunerado dentro do seu cargo pelo seu desempenho na prática de suas funções. Em treinamento e desenvolvimento, pelo diagnóstico feito em avaliação de desempenho sobre o comportamentodo indivíduo na realização da tarefa, podemos ver seus pontos críticos ou problemas que devem ser sanados por meio da capacitação, portanto, também é um ponto de partida pelo qual é possível mover uma ação de melhorias para o indivíduo no papel de realizador de uma tarefa dentro do seu cargo e, consequentemente, trazendo melhorias para sua equipe e empresa. Esses pontos críticos ou potenciais definem um maior ou menor salário dentro de uma hierarquia na empresa, e são detalhes complementam uma diferenciação entre os salários dentro de uma classe à qual pertence. Quanto mais funções e tarefas dentro de um cargo, a tendência é que o salário seja maior, principalmente por conta da responsabilidade da qual está incumbido e pelo resultado que se espera pela sua execução. O cargo é a referência para que os profissionais de recursos humanos busquem candidatos adequados para o preenchimento das vagas, seja internamente na empresa ou no mercado externo, vai depender do que as empresas possuem, o que estão buscando, ou ainda para suprir as necessidades de suas estratégias estipuladas. Da mesma forma, a descrição do cargo serve como referência para a valoração dos salários que serão oferecidos para esses indivíduos no mercado de RH. De forma geral, o cargo tem influência direta nas atribuições exigidas pela empresa nos processos de recrutamento, bem como como na valoração dos salários oferecidos ao mercado, pois é a referência para que o candidato saiba o que é exigido em troca de determinado valor oferecido pela empresa, e também para empresa em seus processos de comunicação, no que diz respeito aos processos e procedimentos ocorridos na sua produtividade. Para que eu possa graduar as competências de um cargo e valorar seu salário, tenho de coletar dados sobre ele. Eu posso fazer isso por meio de uma pesquisa de campo interna, apurando suas competências dentro da estratégia estabelecida no mercado, e externamente, verificando a prática dos meus concorrentes tal como sua descrição. Ou seja, as competências exigidas pela empresa no fluxo de trabalho dentro da hierarquia nos seus processos produtivos. Outro fator que deve ser notado é a especificação do cargo, a que esse compete dentro do seu setor, o título do cargo ou nomenclatura pertinente à sua área de atuação, seu grupo pertencente e seu espaço dentro do rol de cargos do setor e da empresa. 50 Unidade II O que os alunos me perguntam muito é: por que devo fazer essa análise me baseando na descrição do cargo? A descrição do cargo é a fragmentação ou detalhamento do que o indivíduo deverá ser capaz de fazer em sua posição dentro de um fluxo de trabalho em um setor, e esse trabalho irá gerar resultados nos processos de informação em termos de realização de trabalho para empresa, por isso, se faz importante analisar o que o cargo exige em termos de realização. Algo muito contestado pelos alunos são valores de salários diferenciados entre cargos de mesmo nível em mesma uma empresa. O fator salário será determinado exatamente por essa fragmentação da função dentro do cargo, por isso existem diferenças entre salários, mesmo que os cargos sejam equivalentes nos títulos. Quadro 6 – Definição dos principais termos empregados na análise do cargo Definição dos principais termos empregados na análise do cargo Tarefa É a atividade executada por um indivíduo que ocupa determinado cargo, por exemplo: arquivar, digitar etc. Função É o agregado de tarefas atribuídas a cada indivíduo na organização, por exemplo: assistente de departamento de contabilidade, datilógrafo do departamento de pessoal, arquivista etc. Cargo É o conjunto de funções substancialmente idênticas quanto à natureza das tarefas executadas e às especificações exigidas dos ocupantes. Análise de cargo É o estudo que se faz para coligir informações sobre as tarefas componentes do cargo e sobre as especificações exigidas do seu ocupante. Da análise, resulta a descrição e a especificação do cargo. Descrição de cargo É o relato das tarefas descritas de forma organizada. Especificação de cargo É o relato dos requisitos, responsabilidades e incômodos impostos ao ocupante do cargo. Grupo ocupacional É o conjunto de cargos que se assemelham quanto à natureza do trabalho. Grupos ocupacionais Grupo ocupacional gerencial Abrange os cargos de chefes, gerentes, diretores etc. Grupo ocupacional de profissionais de nível superior Abrange os cargos de engenheiro, economista, advogado, administrador etc. Grupo ocupacional de técnicos de nível médio Abrange os cargos de desenhista, laboratorista, inspetor, supervisor técnico etc. Grupo ocupacional administrativo Abrange os cargos de recepcionista, auxiliar, analista, supervisor administrativo etc. Grupo ocupacional operacional Abrange cargos de pedreiro, operador mecânico, supervisor operacional. Fonte: Pontes (2008, p. 53‑54). 51 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 3.1 Avaliação de cargos Para avaliar os cargos de uma empresa, primeiro devem‑se escolher cargos que sejam fundamentais e que possam servir como base de referência para projetar os valores dos demais, para mais ou menos em termos de salários. Por isso, utilizamos nomenclaturas como júnior, pleno e sênior como base. Algumas empresas, a partir dessas bases, utilizam números ou letras para graduar o grau de competência ou de dificuldade e responsabilidade pertinente aos cargos dentro de uma nomenclatura. Como vimos, podemos utilizar as nomenclaturas júnior, pleno e sênior e, a partir daí, dar novas denominações aos cargos; ou ainda, para aqueles cargos mais comuns, como auxiliar, assistente e analista, serve como base para a projeção de novos cargos dentro da empresa. Exemplo: analista de RH júnior; analista de RH júnior A, B, C, D, ou 1, 2, 3; e assim por diante, até se chegar ao próximo cargo na hierarquia na empresa. Bem escolhidos, os cargos vão ser fragmentados e detalhados, para que fique mais fácil verificar quais as reais diferenças existentes entre eles, para que o comitê que venha a ser escolhido trabalhe com dados palpáveis e importantes sobre cada cargo em análise. O comitê deve ser formado por pessoas que conheçam o negócio da empresa, a movimentação das pessoas e a importância de cada cargo mediante as estratégias estabelecidas pela própria empresa. Logo, esse comitê normalmente é formado por gestores de áreas diferenciadas de dentro da empresa. Essa escolha aleatória trata‑se de uma estratégia para que não existam interesses particulares em valorizar mais ou menos determinado cargo de um setor de forma injusta em relação a outros, por isso, o comitê é formado por pessoas de diferentes áreas e de preferência que conheçam o negócio como um todo e que venham a contribuir com a avaliação de todos os cargos da empresa. Uma vez formado o comitê, esse deverá escolher o método de atribuição de salários aos cargos. É o que iremos ver adiante nos métodos utilizados para valorar os cargos em termos de salários. A dúvida é qual método devemos utilizar para conseguir determinar os salários de uma empresa. Nas aulas, os alunos questionam qual a metodologia mais correta a ser usada. Lembrete O fato é que vai depender da quantidade de cargos que a empresa possui, dos colaboradores que nela existem, ou ainda da sua estrutura; esses são dados importantes na ora de escolher a melhor metodologia para atribuir salários aos cargos. 52 Unidade II É importante que o aluno observe que uma estrutura de cargos e salários pode ser trabalhosa e também trazer como consequência custos à empresa. Existem métodos simples que não são tão precisos, porém têm custos mais baixos; esses são utilizados por pequenas empresas. Já métodos mais qualitativos, mais exatos, com um custo mais elevado e com um preparo mais elaborado e lógico, veremos mais adiante na próxima unidade. O que ocorre normalmente é o isolamento dos cargos mais importantes dentro da empresa como base, valorando‑os em salários pertinentes às suastarefas e, a partir daí, dá‑se valor aos demais cargos. Temos que ter uma referência, uma base de dados, para começar a verificar a diferença entre todos os cargos, os seus detalhes e as suas formas de agir no negócio da empresa em termos de responsabilidade e colaboração para gerar resultados para a empresa. Ao avaliar um cargo, deixamos a parte escrita (ou seja, descritiva) do cargo e passamos a vê‑lo em números, de forma essencialmente matemática e de julgamento de valor, porque atribuímos valor a cada detalhe dentro de um universo de tarefas de uma função que denomina o cargo. Isso não quer dizer que todas as funções são valoradas igualmente, pois existem diferenças significativas e pequenos detalhes que irão dar maior ou menor valor a uma determinada função e, em alguns casos, não existem tarefas pertinentes a outras. São essas diferenças que fazem com que os salários sejam efetivamente diferentes no mercado, porém o que devemos observar é que, para isso acontecer, nos baseamos sempre na descrição do cargo como fator inicial e importante para a fragmentação e valoração da função em termos de número. A fase de montagem da avaliação de cargos exige dos especialistas em salários bons conhecimentos matemáticos e estatísticos, a fim de poder utilizar metodologias adequadas à obtenção dos resultados finais do plano. Esse conhecimento matemático se faz necessário pela equação final estatística que será utilizada para a caracterização da flutuação dos salários. Em um curso de recursos humanos, paira a dúvida em por que se devem ensinar matemática e estatística. Por exemplo, em cargos e salários, vamos utilizar esses métodos exatos para conseguir comprovar a subjetividade das palavras em números reais, assim como em outras áreas de RH. Tais conhecimentos também se fazem importantes na elaboração das contagem dos fatores e das linhas de cargos valorados no final do plano de cargos e salários, que é o objetivo do projeto de cargos e salários por meio de um manual. Portanto, é fundamental o ensino de matérias exatas em RH. 53 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Figura 13 – A importância da matemática e da estatística para cargos e salários e outras áreas de RH Fonte: Growth analytics. Disponível em: https://undraw.co/. Acesso em: 13 dez. 2021. A pergunta fundamental dos alunos é: como fazer esse processo, se eu vou ter que refazer a cada aumento? A resposta está em um manual bem elaborado como referência inicial. Após a confecção desse, apenas irá ser inserido o percentual de valor a mais por cargo, e na planilha eletrônica ocorrerá a mudança. Portanto, o profissional de cargos e salários tem total controle dos valores dos salários de todos os cargos na empresa. A montagem de um bom plano de avaliação é a base fundamental para uma estrutura salarial correta. Todo cuidado é necessário. O treinamento do comitê de salários em “como avaliar” é tarefa do especialista de salários, e desse treinamento dependerá o sucesso final do trabalho (MARRAS, 2011, p. 99). A responsabilidade desse profissional não está apenas em executar a tarefa, mas em ter o discernimento, em ser rápido, criativo, comprometido e, principalmente, empenhado em fazer sua função em conjunto com as informações do mercado de trabalho e dos gestores pares dentro da empresa. 3.2 Passos da avaliação de cargos A avaliação de cargos envolve os seguintes passos: 1. escolha dos fatores; 2. montagem do manual de avaliação de cargos; 3. montagem da tabela de avaliação; 54 Unidade II 4. determinação dos pesos e tratamento estatístico; 5. criação dos formulários de avaliação; 6. avaliação de cargo por cargo; 7. tabela de classificação de cargos. Podemos notar que uma análise de cargos não é uma tarefa tão fácil de elaborar ou fazer quando, por exemplo, escolhemos fatores que devem ser comuns a todos, porém isso é impossível, pois nem todos os cargos têm as mesmas características. Após essa escolha dos fatores, vamos confeccionar um documento que chamamos de Manual de cargos e salários. Esse documento irá servir como referência para a adequação dos valores dos salários dos cargos no decorrer do tempo, a partir das mudanças na organização ou no cenário econômico e político do mercado. É importante os alunos observarem esse fato. Toda vez que temos uma mudança no cenário econômico ou político, seja em termos mundiais ou no país, a tendência é que exista uma mudança nos valores dos salários, até porque esses fatores influenciam a oferta e a demanda de emprego. Feito o documento, temos que ter uma tabela como referência para que possamos, sempre que necessário, alterar os valores dos salários dos cargos. Nas empresas, existem sistemas integrados e planilhas em Excel que fazem essa conversão de acordo com as variáveis colocadas pelo responsável ou pela equipe de cargos e salários, os responsáveis por essa tarefa na empresa. Essa tabela possui fórmulas que são configuradas de acordo com os pesos determinados aos fatores e com a estatística para se chegar à razão exata do valor do salário. Os formulários de avaliação são passados aos integrantes do comitê que terão a missão de verificar o peso e a importância de determinado cargo no negócio da empresa, sendo, dessa forma, capazes de dar um valor monetário ao cargo em estudo. Os cargos serão submetidos um por um, para que os salários sejam compatíveis e valorados conforme a prática salarial do mercado. E por último, vem a tabela de classificação de cargos, por hierarquia, por valor e por salário, que vai depender de como a empresa trabalhará esses dados no futuro. 3.3 Escolha de fatores de avaliação Essa é uma tarefa que deverá ser realizada entre os membros da equipe do comitê de salários e a área de RH (preferencialmente, o responsável pela área, acompanhado do analista de C&S). 55 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS É importante ressaltar que a área de recursos humanos sozinha não consegue dados suficientes para elaborar um plano de cargos e salários: vai precisar sempre do apoio dos setores e das informações passadas por seus gestores. As informações pertinentes às funções exercidas dentro de um setor devem ser de conhecimento do seu gestor. Portanto, nada mais adequado que o próprio gestor da área dar as informações importantes que compõem a função, para que o especialista da área de RH seja capaz de manipular esses dados e comparar a outros da mesma classe à qual pertence essa função na empresa, assim como comparar os salários ao praticado no mercado para a mesma função em outras empresas. Não existe um número ideal exato de fatores nem fatores específicos predeterminados a sugerir, pois, como as funções podem agregar novas atribuições, os fatores podem ser diferenciados. O que as empresas fazem é pegar os fatores mais importantes dentro da função praticada, como se fosse uma amostragem do todo, de onde retiramos partes significativas que colaboram para a execução do serviço. Cada empresa tem as suas peculiaridades e especificidades próprias, contudo a maioria dos planos de avaliação de cargos contempla um conjunto que varia entre um mínimo de cinco e um máximo de dez fatores. O que pode ser aconselhado é que, nas grandes empresas com mais de mil funcionários, seja abordada uma política de escolha de fatores mínima até por uma questão de bom senso, para a avaliação de todos os cargos existentes na empresa. Quanto a empresas pequenas com poucos cargos, faz‑se necessária a elaboração de uma pesquisa mais aprofundada pela riqueza dos detalhes do cargo, pois nas empresas grandes temos os cargos separados por área e setores e com alta fragmentação das tarefas, que conhecemos como estrutura departamental; já nas empresas pequenas, o colaborador tem a tendência de fazer tudo, e assim o detalhamento pode ser mais abordado. Figura 14 – Numa rua podemos ver empresas de todos os portes: de pequeno a grande Disponível em: https://bit.ly/30lrE3G. Acesso em: 13 dez. 2021. 56 UnidadeII Imaginem fazer a confecção de todos os salários de cada função de uma empresa multinacional com mais de cem mil funcionários, com diversas hierarquias e nomenclaturas de cargo, na qual tenhamos mais de dez fatores para analisar e verificar. Se o salário é compatível com o mercado, nesse caso, seria muito ruim e impraticável a análise de mais que dez fatores, pois ocuparia muito tempo do profissional de remuneração, tornando‑o por demais atarefado, assim como tiraria os gestores de outras áreas para conseguir, pelo do comitê, buscar uma solução para tantos detalhes. Existem diversos fatores que podem ser utilizados num plano de cargos e salários. A escolha deles dependerá de variáveis que determinam o contorno específico de cada organização como: cultura organizacional, tecnologia, tipo de mão de obra etc. Vejam que a forma de se avaliarem os cargos e salários em uma empresa vai depender de como ela é estruturada, de quais as reais necessidades que ela precisa de seus colaboradores e de como verificar se o que está sendo feito dentro dos cargos tem trazido melhorias e benefícios para a empresa como um todo. Os fatores de avaliação dividem‑se segundo três campos de análise: • requisitos mentais: são aqueles voltados à subjetividade utilizada pelo colaborador ou requisitos que ele possua em sua experiência de vida e profissional que poderá colaborar para a realização das tarefas dentro do seu cargo. Uma vez verificados, poderão ser valorados por meio da pontuação dos fatores. • requisitos físicos: é a maneira com que o indivíduo interage com os materiais de trabalho que terá a sua disponibilidade, ou o que ele irá utilizar para realizar determinada tarefa. • responsabilidades: é a organização do indivíduo com o seu trabalho, e com seu material, inclusive com o tempo para executar as tarefas ou entregar seu trabalho de forma eficiente e eficaz. O que podemos verificar é que estamos trabalhando com conhecimentos, habilidades e atitudes: o famoso CHA de recursos humanos presente em várias áreas do trabalho quando estamos nos referindo a pessoas dentro das empresas. Esses fatores são levados em conta principalmente quando verificamos que o que realmente interessa para a empresa é que o indivíduo esteja bem de corpo e mente. Logo, os requisitos mentais são voltados ao conhecimento que o indivíduo tem e ao que ele poderá trazer como benefício para a empresa em termos de melhoria das formas de fazer um trabalho. Para que a realização dessa tarefa seja bem feita, o indivíduo terá que utilizar ferramentas e, por isso, terá que trabalhar com o físico e todos seus sentidos a fim de que a tarefa seja bem realizada. Por último e tão importante quanto os outros dois fatores, é a organização da tarefa, a responsabilidade e, principalmente, a forma de conduzir as coisas para se obter o resultado desejado quando falamos de objetivos. 57 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Quadro 7 – Alguns exemplos de fatores utilizados por empresas Requisitos mentais Escolaridade Experiência Complexidade Habilidade analítica Criatividade Precisão Julgamento e iniciativa Planejamento Requisitos físicos Esforço físico Habilidade manual Fadiga mental/visual Concentração Monotonia Pressão do trabalho Pressão emocional Responsabilidades Por material ou produto Por ferramentas e equipamentos Por erros Por valores Por contatos Por subordinados Por dados confidenciais Fonte: Marras (2011, p. 100). Não existem critérios específicos e padronizados, cabe à empresa verificar o que realmente será mais significativo de se verificar na hora de dar valor aos cargos por meio dos salários, o que for mais importante deverá ser levado em conta. 3.4 Variáveis influentes na escolha dos fatores Ao iniciar o trabalho de escolha de quais e quantos fatores irão compor um manual de avaliação de cargos, deverão ser levadas em conta duas variáveis fundamentais que são ao mesmo tempo excludentes entre si: • variável de discriminação; • variável de aplicabilidade. A variável da discriminação é aquela que deverá indicar se um fator tem ou não a propriedade de atribuir valores diferenciados ao universo de cargos, por meio dos seus graus de intensidade. Por exemplo, digamos que foi escolhido, em princípio, o conceito de educação formal como fator que medirá com propriedade uma parcela importante do valor dos cargos da empresa. A primeira questão que se coloca é: esse fator consegue discriminar com eficiência? Isto é: há amostras de escolaridade suficientemente diferenciadas entre os cargos a avaliar, que permitam criar um número interessante de subdivisões (graus) desse fator? Se essa premissa não existir, o fator não poderá ser escolhido. É o caso de uma empresa em que todos os cargos exigem dos ocupantes um grau de escolaridade superior. Não há cargos que exijam o 1° grau, nem o 2°, e assim por diante. 58 Unidade II Logo, se todos os cargos têm o mesmo nível de exigência, o que se espera que esse fator discrimine? Que diferença faz, se todos os cargos receberão o mesmo nível de avaliação ou o mesmo valor de pontos? Quando falamos de variáveis, estamos abordando o que pode ser medido dentro de uma dinâmica de trabalho na empresa por meio dos cargos. O quesito escolaridade, é claro, poderá ser abordado em toda a empresa, mas o que devemos observar é o que iremos considerar como ponderação para valorar esses fatores, a partir de qual grau de instrução começamos a pontuá‑los e qual será a pontuação adequada entre os níveis dentro de um amadurecimento escolar. Se existir uma homogeneidade, não é possível avaliar os cargos, pois todos terão a mesma valoração e, nesse sentido, é discriminação, pois, nesse caso, teremos que procurar uma diferenciação, desde que esteja explícita na maioria dos cargos. Seria a mesma coisa que não avaliar quando não possuímos uma variável comum a todos, é complicado dar valores diferenciados. A variável da aplicabilidade é aquela que determina se um fator é aplicável à maioria dos cargos ou não. Por exemplo, digamos que foi escolhido o fator “precisão” e que, após analisar a variável aplicabilidade, verificou‑se que somente 10% dos cargos exigem um grau razoável de precisão no trabalho. Para darmos valor aos cargos, precisamos examinar as diferenças. Por isso, se faz importante termos uma variável que possa ser observada em todos os cargos (ou pelo menos na maioria deles), e que essa variável possa ser mensurada de formas diferenciáveis em termos de valores, de acordo com o grau de evolução contida na função dos indivíduos dentro da empresa. Isso mostra que esse fator não tem efetividade e, portanto, deixa de ser interessante como instrumento de medição, pelas mesmas razões apresentadas pela variável “discriminação”. Não se pode atribuir determinados rótulos em relação à escolha para determinar o valor do salário, mas pode‑se atribuir diferenciais que possam ser medidos quantitativamente e, em termos de qualidade, que possam ser comprovados e utilizados como referências para aferir os valores dos salários (MARRAS, 2011, p. 101). Um exemplo é o grau de responsabilidade em uma função: um auxiliar de RH tem como responsabilidade o acompanhamento da busca dos relatórios com os gestores de área (coleta dos documentos), e esses relatórios são compilados por área pelo assistente de RH (separação dos documentos), que passa os dados para que o analista de RH analise as diferenças existentes entre as áreas (verificação detalhada). Vejam que existe uma evolução nas tarefas, podemos analisar aqui tanto o grau de responsabilidade quanto o de organização, ou mesmo de criatividade na execução da tarefa em graus diferenciados e níveis de dificuldade acumulativa. Essa é a ideia da diferenciação que pode ser graduada por meio desses fatores dentro das funções, e é assim que surgem os valores dos salários dos cargos. 59 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 3.5 O manual de avaliação de cargos É o instrumento que congrega todosos fatores escolhidos para proceder à avaliação dos cargos, os seus respectivos graus e pontos, e tem como objetivo permitir que, utilizando‑o, os avaliadores efetuem o seu trabalho, pontuando numericamente todos os cargos da empresa. É um dicionário dos cargos e seus valores explícitos de forma matemática. Nele, constam todos os cargos e as especificações de cada um e, assim, contribui para a orientação do profissional de remuneração na forma de modificar algum valor no salário do cargo, caso seja necessário. Uma vez escolhidos os fatores de avaliação, deve‑se definir claramente o que se deseja mensurar por meio de cada um deles, e como deve ser a divisão interna de cada um. Ou seja, há que se observar em quantos graus se subdivide cada fator, explicando claramente o que o cargo exige de cada grau dos fatores e discriminando as diferenças de grau para grau. Nesse ponto, repetimos que não há subdivisões predeterminadas: elas dependerão de cada empresa e de cada universo de cargos e tarefas. O que deve ficar claro é que esses fatores devem ter graduações diferenciadas, até por uma questão de se conseguir mensurá‑los de formas discriminadas dentro dos cargos que irão receber os valores. Não existe um modelo‑padrão para avaliar cargos. Isso depende do mercado em que a empresa está inserida, seu tamanho, suas condições financeiras, bem como cada função atribuída a cada cargo. Por isso, não existe um padrão físico, mas sim uma sugestão de como fazer o aferimento para se chegar ao salário adequado ao cargo. As empresas devem adequar as suas informações à sua realidade, bem como o que esperam desse manual como referência para dar valores aos seus cargos, sempre lembrando que devem estar dentro do que é praticado no mercado até por uma questão estratégica da empresa em manter e atrair novos talentos. Na montagem do manual de avaliação de cargos, deve‑se procurar evitar redações muito genéricas que dificultem ou confundam o avaliador na hora de identificar a avaliação. É sempre interessante que a redação quantifique ou exemplifique situações específicas, de maneira a facilitar o reconhecimento de uma situação por parte do avaliador. O manual deve ser bem direto e objetivo, para que quem venha a ler consiga interpretar facilmente as informações contidas e consiga reproduzir ou modificar os salários pertencentes aos cargos da empresa. É importante lembrar que deve existir um manual de avaliação para cada estrutura salarial a ser implantada. Ou seja, se o objetivo é implantar, por exemplo, uma estrutura salarial para mensalistas e outra para horistas, cada um terá suas características próprias no manual (certamente com fatores diferentes). 60 Unidade II Figura 15 – A estrutura salarial deve ser feita com cuidado e atenção Disponível em: https://bit.ly/30ltykQ. Acesso em: 13 dez. 2021. 3.6 Métodos de avaliação de cargos Os métodos tradicionais de avaliação de cargo são: escalonamento, graus predeterminados, pontos e comparação de fatores, e podem ser distribuídos em dois grupos, conforme o quadro a seguir. Quadro 8 – Métodos de avaliação de cargos Métodos não quantitativos Escalonamento Graus predeterminados Métodos quantitativos Pontos Comparação de fatores Fonte: Pontes (2010, p. 157). Saiba mais Para mais detalhes, verifique a obra: PONTES, B. R. Administração de cargos e salários: carreira e remuneração. 15. ed. São Paulo: Ltr, 2011. Os métodos não quantitativos permitem rápida elaboração e fácil aplicação, porém não garantem um resultado final de boa qualidade, devido à subjetividade da avaliação. Já os métodos quantitativos permitem maior precisão e objetividade, demandando, contudo, maior tempo e maior custo durante a implantação. Mas, para as pequenas empresas, talvez o mais recomendável seja a adoção de métodos não quantitativos, por envolverem número menor de cargos e, assim, diminuir os custos de implantação. Os custos da implantação de um método de avaliação de cargos podem variar de um custo pequeno ou grande, dependendo da quantidade de cargos e estrutura da empresa (PONTES, 2010, p. 157). 61 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Lembrete Quantidade não quer dizer que exista qualidade. Autores sugerem que, para quantidades maiores de cargos, sejam utilizados métodos quantitativos, pois existe um controle estatístico e matemático mais preciso. A maior vantagem dos métodos não quantitativos é a simplicidade. Contudo, essa mesma simplicidade poderá comprometer o sistema salarial, porque os colaboradores podem não aceitar os resultados da avaliação, já que, ao fazer essa escolha, os dados são aleatórios e por amostragem, podendo dar margem ao erro e, principalmente, sem muito fundamento ou detalhes que possam comprovar esses resultados. Logo, geram insatisfação e descontentamento por parte dos colaboradores que estão nesse processo. 3.7 Outros métodos de avaliação de cargos Derivados dos métodos tradicionais de avaliação de cargos, surgiram outros métodos. Entre esses métodos não convencionais, se destaca a curva de maturidade, utilizada principalmente para pessoal de pesquisas e cientistas. Esses métodos têm mais preocupação com o perfil dos ocupantes do cargo, do que com os cargos em si (são os famosos psicólogos que alegam que o comportamental faz o diferencial em relação ao desempenho do cargo por parte do indivíduo). O que temos de entender é que a maioria dos processos avaliativos dentro do contexto de RH está ligada ao comportamento e, no caso de cargos e salários, alguns fatores de caráter comportamental são identificados. Figura 16 – Psicologia como uma das ferramentas na avaliação de cargos para mensurar salários Disponível em: https://bit.ly/3296V3I. Acesso em: 17 dez. 2021. 62 Unidade II O comportamental realmente faz a diferença na ação e realização das tarefas por meio da organização. São fatores fundamentais e, como está descrito anteriormente, existe um tempo de maturidade para o aperfeiçoamento da realização das tarefas. Um exemplo claro é o grau de dificuldade das tarefas referentes aos cargos, ou a forma como sua complexidade e responsabilidade vão aumentando quando o indivíduo vai mudando de patamar na hierarquia dentro de sua carreira. Os psicólogos comentam que esse amadurecimento pode ser uma melhoria na execução das tarefas. Logo, esse trabalho poderá ser medido por sua realização ou pela forma de se chegar aos resultados esperados. 3.8 Método de escalonamento É o sistema mais simples de avaliação de cargos. Por esse método, os cargos são hierarquizados de acordo com as dificuldades, responsabilidades e/ou requisitos. Além disso, são comparados de uma forma global, e a avaliação é, muitas vezes, influenciada pelos salários que atualmente percebem os ocupantes. O método propicia duas formas de escalonar os cargos: escalonamento simples e escalonamento por comparação. O que podemos observar é que as referências são obtidas por meio de comparações. Por exemplo, elegemos um cargo que determinará, como ponto de partida, o desempenho dos outros. Esse método, na verdade, faz comparações bastante simples, pois dá uma sequência de valores por amostragem do cargo em evidência em relação aos outros, ou seja, apenas os compara aos outros. Nesse método, não existe um diálogo entre as partes dentro do processo, tampouco tem participação o fator que determina a avaliação de desempenho às pessoas. Trata‑se apenas de amostragens que são compiladas e que irão gerar um grau de importância aos cargos. Existe uma atribuição de valor que pode ser aceita pelos colaboradores ou não, dependendo de como eles enxergam seu salário mediante o que é pago no mercado. 3.8.1 Escalonamento simples Por meio do escalonamento simples, os membros do comitê de avaliação, isoladamente, hierarquizam os cargos amostrais (chave) em análise e chegam juntos a um consenso. Para utilizar o método de avaliação, serão escolhidos alguns cargos operacionais, como almoxarife, motorista, carpinteiro,motosserrista e mecânico‑ajustador. Esses cargos devem ter um significado em relação à realização de tarefas na busca de resultados para a empresa atingir seus objetivos. Suponha que o comitê de avaliação seja representado por três gerentes e que, após a análise isolada dos cargos em questão, chegou‑se a uma conclusão sobre o escalonamento, conforme apresentado no quadro anterior. 63 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Após o escalonamento inicial, o comitê discutiu e chegou a um consenso sobre o escalonamento final, também mostrado no quadro anterior. Assim, para o comitê, o cargo‑chave de menor importância (ou seja, no escalonamento 1) é o motosserrista, seguido do motorista (no escalonamento 2), do carpinteiro (no escalonamento 3), do mecânico‑ajustador (no escalonamento 4) e, finalmente, do almoxarife (no escalonamento 5). O que o aluno tem que saber identificar é que, nesse caso, os membros do comitê dão suas opiniões sobre os cargos em relação à sua importância na empresa e, dessa forma, valoram os salários de acordo com o que creem que deva se pago para esses cargos. Agora, suponha que esses cargos tenham sido escolhidos como chave: uma vez fixados os cinco escalonamentos ou graus, deveriam ser avaliados os demais cargos pertencentes a esse grupo ocupacional. Quadro 9 – Escalonamento obtido pelos membros do comitê de avaliação Escalonamento (graus) Escalonamento Avaliador A Avaliador B Avaliador C Consenso entre os avaliadores 1 Motosserrista Motorista Motosserrista Motosserrista 2 Motorista Motosserrista Carpinteiro Motorista 3 Carpinteiro Carpinteiro Motorista Carpinteiro 4 Mecânico‑ajustador Mecânico‑ajustador Mecânico‑ajustador Mecânico‑ajustador 5 Almoxarife Almoxarife Almoxarife Almoxarife Fonte: Pontes (2010, p. 164). Os cargos são separados por grupos e avaliados pelo grau que o comitê acredita que devam pertencer e, dessa forma, vão compondo todos os salários daquele grupo específico de cargos. Assim, pelo processo de comparação, os demais cargos são avaliados em um dos escalonamentos ou graus, por exemplo: o eletricista no grau 4, junto com o mecânico‑ajustador; o pedreiro no grau 2, junto com o motorista, e assim sucessivamente. Essa metodologia se torna simples porque primeiro despreza as famílias de cargos às quais pertencem. Imaginem se o comitê avaliasse todos os auxiliares da empresa baseando‑se apenas no título do cargo e desprezando sua família ou origem: os salários não seriam os adequados e praticados no mercado. Outra questão a ser abordada é a subjetividade em achar que determinado cargo é melhor que o outro. Para que esse estudo tenha lógica e prestígio, deve existir uma pesquisa no mercado sobre a prática do salário daquele cargo e sobre a prática de seus concorrentes. 64 Unidade II Observação Para que o aluno saiba o que são famílias de cargos e prática de salários, é importante ler qualquer jornal que forneça a tabela de cargos e salários. Normalmente, são oferecidas aos domingos e estão na página de empregos. 3.8.2 Escalonamento por meio da comparação binária Por esse método, os cargos‑chave são comparados aos pares, de tal sorte que cada cargo em análise é comparado a outro, resultando em uma hierarquização. Para facilitar o processo, normalmente é utilizada a tabela de dupla entrada, conforme a seguir. Empresas pequenas utilizam esse método para estipular os salários dos funcionários, pois possuem poucos cargos, e cada um tem uma responsabilidade dentro de sua área de atuação. Essa tabela serve como referência para os avaliadores verificarem qual cargo, por consenso, terá a maior graduação ou pertencerá a uma classe de maior importância na hora de se atribuir valor salarial. O método se chama binário pela comparação dos pares. Nele, são atribuídas menor ou maior importância aos cargos quando são confrontados uns com os outros. O que está sendo observado é que a opinião dos avaliadores, ao somarem mais de cinquenta por cento das opiniões, originará o valor real de cada cargo, denominando assim o valor de cada um. É claro que se trata de algo subjetivo e muito voltado a questões pessoais de escolha de cada avaliador. Sendo assim, torna‑se algo interessante para empresas pequenas sem uma boa estrutura de cargos e salários, o que também pode ser um bom início para se começar, nos cargos, a configurar sua importância na empresa e o real valor a ser pago pelo serviço prestado. É um método mais barato e pode ser adaptado, por exemplo, para uma linha produtiva em que temos vários cargos com nomenclaturas iguais, mas com responsabilidades diferentes. A partir dos graus, a empresa pode criar uma diferenciação (como I, II e III ou A, B, C) nas linhas de produção, fazendo a discriminação dos salários de acordo com as responsabilidades dos indivíduos nos processos produtivos locais. 65 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Tabela 1 – Tabela de dupla entrada para avaliação dos cargos por meio de comparação binária Cargos comparados Al m ox ar ife M ot or is ta Ca rp in te iro M ot os se rr is ta M ec ân ic o Ad ic io na r 1 Es ca lo na m en to Almoxarife 1 Motorista 1 1 1 1 Fonte: Pontes (2010, p. 165). De posse da tabela, cada avaliador, membro do comitê de avaliação, vai comparar os cargos das linhas com os cargos das colunas, procurando estimular aquele de maior peso, registrando‑o com o sinal “mais” (+). Esse sinal vai determinar que o cargo X é superior ao Y. Quando, na comparação, o cargo da linha for inferior ao do cargo da coluna, aquele recebe o sinal de “menos” (‑). Essa comparação é bem simplista, pois os indivíduos simplesmente avaliam o que é melhor em relação a outro, dando sua nota. Terminada a comparação dos pares, somam‑se os sinais obtidos por cada cargo nas linhas e adiciona‑se 1, resultando no escalonamento ou grau. Após a avaliação individual, reúnem‑se os membros do comitê para chegar ao consenso. Esse método não permite empate e nenhum par pode ficar sem escolha. O que é importante ressaltar é que estamos trabalhando com um comitê no qual existem pessoas que inclusive são gestores das áreas avaliadas. A pergunta dos alunos é: existe a interferência na hora de avaliar os cargos, sendo o avaliador da mesma área de atuação? 66 Unidade II Figura 17 – Comitê avaliando os cargos Disponível em: https://bit.ly/3DR4EqY. Acesso em: 13 dez. 2021. O correto é ser imparcial e avaliar de acordo com as observações feitas em relação ao todo, pois, dessa forma, a avaliação será justa, e o resultado final mais adequado à empresa como um todo. O avaliador A é de opinião de que o almoxarife tem mais peso que o motorista, o carpinteiro, o motosserrista e o mecânico‑ajustador. Por isso assinalou + em todas as colunas, totalizando quatro sinais positivos que, acrescidos do valor 1, resultaram no escalonamento 5 para esse cargo. Ao avaliar o motorista, o avaliador A concluiu que esse cargo só tem mais peso que o cargo de motosserrista, e usou o sinal + nessa coluna e o sinal de – nas demais. Nesse caso, como existe somente um sinal +, adicionou‑se 1 e chegou‑se ao escalonamento 2. Assim, sucessivamente, o avaliador A escalonou os cargos. Trabalhando da mesma forma, os avaliadores B e C chegaram aos seus escalonamentos individuais. Depois, em reunião, os três avaliadores chegaram ao consenso e obtiveram o escalonamento final. 67 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Tabela 2 – Avaliação dos cargos‑chave pelo método de escalonamento por meio da comparação binária Avaliador A Cargos comparados Al m ox ar ife M ot or is ta Ca rp in te iro M ot os se rr is ta M ec ân ic o Ad ic io na r 1 Es ca lo na m en to Almoxarife + + + + 1 5 Motorista ‑ ‑ + ‑ 1 2 Carpinteiro ‑ + + ‑ 1 3 Motosserista ‑ ‑ ‑ ‑ 1 1 Mecânico ‑ + + + 1 4 Fonte: Pontes (2010, p. 166). Tabela 3 – Avaliação dos cargos‑chave pelo método de escalonamento por meio da comparação binária Avaliador B Cargoscomparados Al m ox ar ife M ot or is ta Ca rp in te iro M ot os se rr is ta M ec ân ic o Ad ic io na r 1 Es ca lo na m en to Almoxarife + + + + 1 5 Motorista ‑ ‑ ‑ ‑ 1 1 Carpinteiro ‑ + + ‑ 1 3 Motosserista ‑ + ‑ ‑ 1 2 Mecânico ‑ + + + 1 4 Fonte: Pontes (2010, p. 166). 68 Unidade II Tabela 4 – Avaliação dos cargos‑chave pelo método de escalonamento por meio da comparação binária Avaliador C Cargos comparados Al m ox ar ife M ot or is ta Ca rp in te iro M ot os se rr is ta M ec ân ic o Ad ic io na r 1 Es ca lo na m en to Almoxarife + + + + 1 5 Motorista ‑ + + ‑ 1 2 Carpinteiro ‑ ‑ + ‑ 1 2 Motosserista ‑ ‑ ‑ ‑ 1 1 Mecânico ‑ + + + 1 4 Fonte: Pontes (2010, p. 167). Consenso do comitê: Tabela 5 – Avaliação dos cargos‑chave pelo método de escalonamento por meio da comparação binária Avaliador C Cargos comparados Al m ox ar ife M ot or is ta Ca rp in te iro M ot os se rr is ta M ec ân ic o Ad ic io na r 1 Es ca lo na m en to Almoxarife + + + + 1 5 Motorista ‑ ‑ + ‑ 1 2 Carpinteiro ‑ + + ‑ 1 3 Motosserista ‑ ‑ ‑ ‑ 1 1 Mecânico ‑ + + + 1 4 Fonte: Pontes (2010, p. 167). 69 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Uma vez obtido o escalonamento final, os demais cargos desse plano são comparados pelo método simples e posicionados em cada um dos graus. Ou seja, chegamos a um resultado que seja interessante e acordado por todos. Classificamos os cargos de uma forma simplista e os valoramos conforme a hierarquia estabelecida pelo comitê. O que fica evidenciado é que, por meio da sugestão, já estamos conseguindo separar os cargos mais importantes em relação aos outros de forma numérica, ou seja, em ordem. É o primeiro passo para valorar os salários, mas ainda não se trata de um método exato, pois temos a subjetividade de quem está avaliando, quer dizer, sua opinião ou sugestão sobre o que pensa da responsabilidade de determinado cargo na empresa. 3.8.3 Escalonamento por meio da comparação binária pontuada Outra maneira de conseguirmos o escalonamento dos cargos por meio da comparação binária é pela atribuição dos sinais + (mais), = (igual) e – (menos). Dessa forma, a contagem de pontos é a seguinte: o sinal de menos (‑) será nulo ou zero, o de igual (=) será determinado como 1, e o de mais (+) como dois, dando uma sequência de valores, pontuando os cargos e os diferenciando quanto à importância, dentro dos processos produtivos na empresa. Vejam que estamos acrescentando o sinal de igual (=) e mais (+). Agora substituímos esses sinais por valores, a fim de classificar os cargos por pontuação obtida a partir dos sinais. Tabela 6 – Tabela de sinais e seus pontos, respectivamente Sinal Pontos + 2 = 1 ‑ 0 Adaptada de: Pontes (2010, p. 168). Essa tabela foi colocada para que você saiba como os valores serão atribuídos no final de cada contagem estabelecida pela avaliação. Isso se torna importante para que os próprios avaliadores do comitê tenham uma referência na qual eles estabeleceram qual cargo, na opinião deles, é mais importante para os negócios da empresa. É o que iremos verificar a seguir, com o escalonamento e a comparação binária entre os cargos. 70 Unidade II 3.8.4 Avaliação de cargos – método: escalonamento – comparação binária pontuada Tabela 7 – Avaliação de cargos pelo método de escalonamento por meio de comparação binária pontuada Cargos comparados Au xi lia r d e pe ss oa l Au xi lia r d e co nt ab . An al is ta d e co nt ab . P L An al is ta d e RH P L An al is ta sis te m as S R Po nt os Es ca lo na m en to fin al Auxiliar de pessoal = ‑ ‑ ‑ 1 1 Auxiliar de contabilidade = ‑ ‑ ‑ 1 1 Analista de contab. PL + + = ‑ 5 2 Analista de RH PL + + = ‑ 5 2 Analista de sistemas SR + + + + 8 3 Adaptada de: Pontes (2010, p. 168). A partir da tabela anterior, podemos observar que o cargo auxiliar de pessoal recebeu 1 ponto, porque a sua avaliação foi igual à do auxiliar de contabilidade e inferior às dos demais cargos. As somatórias finais é o que determina o grau de escalonamento obtido pelo cargo, atribuindo assim sua importância no rol de cargos da empresa. O cargo de analista de RH pleno, por exemplo, teve duas avaliações +, uma = e uma –, o que resultou em 5 pontos. Esta pontuação dará origem a uma média, dentro do que o comitê considera como facilitador para avaliar o cargo. O escalonamento final será dado de acordo com a importância preestabelecida pelo comitê. Portanto, de 1 a 3 pontos, o escalonamento será igual a 1; de 4 a 6 pontos o escalonamento será igual a 5; e de 6 a 8 pontos, o escalonamento será igual a 3. Valores esses, definidos antecipadamente pelo comitê. É importante ressaltar a escolha dos cargos‑chave por meio dessa metodologia. Devem ser escolhidos cargos que propiciem o menor número de empates (=) na avaliação; portanto, os cargos devem representar níveis baixos, intermediários e altos no rol2 de cargos da empresa. Uma sugestão são os cargos estabelecidos dentro dos parâmetros júnior, pleno e sênior, que por si só possuem diferenças distintas em grau de dificuldade, de ação e de responsabilidade, facilitando a avaliação e o desempate nos critérios. 2 Diversidade de cargos existentes na empresa, aglomerações de cargos em comum dentro de um segmento da empresa em alguns escalões, ou ainda quantidade de cargos iguais em determinada hierarquia na empresa. 71 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Nenhuma das duas formas de escalonar os cargos fornece indicação das diferenças entre eles; apenas indicam que um cargo é mais importante que outro, sem qualquer critério objetivo. Essa é a razão de ser chamado de método não quantitativo de avaliação. A subjetividade está presente nessa metodologia por não ser exata, ou seja, principalmente por não ter uma diferenciação adequada e analisada para obter o valor dos salários dos cargos. Por isso, denominamos de métodos não quantitativos, pois não são precisos, são baseados em sugestões e opiniões pessoais das pessoas que participam do comitê. As diferenças não são levadas tanto em conta, mas sim o que é observado pelo olhar de quem está avaliando cada cargo na empresa. 3.8.5 Método de graus predeterminados É uma sofisticação do escalonamento simples que, por também não ser um método analítico, vai indicar que um cargo é mais importante que outro numa visão global, sem apresentar as reais diferenças existentes em cada um deles, que são muitas, dependendo do nível do cargo avaliado. Aparentemente, é um método mais objetivo que o anterior; no entanto a avaliação é imprecisa, pois ainda estamos trabalhando com a escrita e não sendo racionais ou dando valor aos graus, mas estamos no caminho correto. O método baseia‑se na descrição prévia de graus crescentes em dificuldades. Essa diferenciação já faz com que observemos que existem diferenças entre os cargos, portanto, uma evolução prévia nos métodos de avaliação. Os graus passam a construir uma “régua de avaliação”, e os cargos são comparados com as descrições de cada grau e alocados em um deles. De uma forma crescente, podemos definir o grau de dificuldade de cada cargo, pois conseguimos identificar onde cada um se encaixa nessa régua de graus. Não é fácil descrever os graus para tornar evidente a diferença entre eles, além disso, há a dificuldade posterior no enquadramento dos cargos em cada um dos graus. Normalmente, são utilizados entre cinco e dez graus para cada plano, isso para que não dificultem na hora de classificarmos cada cargo. Nesse caso, essa metodologia pode ser utilizada em empresas que possuam maior número de cargos, mas limitando o número de graus a serem analisados pelo profissional de cargos e salários. O quadro a seguir apresenta um modelo de definição dos graus predeterminados, aplicáveis a cargo de natureza administrativa gerencial. Podemos fazer essa determinação de graus para qualquer área da empresa, basta que, paraisso, o analista de cargos e salários tenha dados fornecidos pelo gestor de área, a fim de que saiba o que apresentar à avaliação do comitê. Para ilustrarmos esse fato, veremos um exemplo da avaliação por esse processo. São escolhidos cargos amostrais (chave) do grupo ocupacional administrativo: contínuo, secretária executiva, digitador, diretor de finanças, auxiliar de contabilidade e gerente de remuneração, de preferência pertencentes a um mesmo grupo de atuação na empresa. 72 Unidade II Para a avaliação, é formado um comitê, e cada avaliador terá que ser capaz de fazer análises dos cargos e das definições dos graus, enquadrando‑os em cada um desses graus. Como se fosse um jogo de encaixe, cada peça é posta no seu lugar adequado. Feito isso, os membros do comitê se reúnem e chegam a um consenso, conforme exemplificado no quadro a seguir. Uma vez avaliados os cargos chave, os demais cargos pertencentes ao grupo ocupacional são enquadrados nos graus, tendo como referência os cargos‑chave. Quadro 10 – Definições dos graus predeterminados Plano administrativo Grau I ‑ tarefas repetitivas e que não apresentam dificuldades para o funcionário; ‑ as responsabilidades são quase inexistentes; ‑ recebe supervisão constante, instruções detalhadas e acompanhamento para a execução das tarefas; ‑ não é exigida experiência anterior. Grau II ‑ tarefas rotineiras executadas com base em procedimentos bem definidos; ‑ requer familiarização com serviços burocráticos e máquinas de escritório; ‑ recebe supervisão direta, instruções detalhadas e orientação; ‑ é exigida experiência de aproximadamente 6 meses. Grau III ‑ tarefas variadas, porém rotineiras, que envolvem a aplicação de procedimentos padronizados, observados os limites estabelecidos pelas normas internas; ‑ recebe supervisão direta e acompanhamento na execução das tarefas mais difíceis; ‑ as tarefas são conferidas no seu sinal; ‑ é exigida experiência de 1 a 2 anos. 73 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Plano administrativo Grau IV ‑ tarefas variadas e com padrões de especialização que envolvem a aplicação de procedimentos administrativos pouco diversificados; ‑ recebe supervisão direta e orientação para a solução de situações mais difíceis; ‑ é exigida experiência de 3 a 4 anos. Grau V ‑ tarefas qualificadas que envolvem seleção e aplicação de procedimentos administrativos diversificados; ‑ recebe supervisão indireta e mais voltada a problemas inusitados; ‑ é exigida experiência de 5 a 7 anos. Grau VI ‑ tarefas especializadas, regidas pelo conhecimento formal de práticas administrativas amplas; ‑ recebe supervisão geral em trabalhos que envolvem planejamento, organização e pesquisa; ‑ é exigida experiência superior a 10 anos. Grau VII ‑ tarefas especializadas e que implicam responsabilidade de planejar, organizar e/ou conduzir equipes; ‑ recebe diretrizes gerais; ‑ cargos que exigem formação superior, além de cursos de especialização em sua área de atuação; ‑ é exigida experiência superior a 10 anos. Adaptado de: Pontes (2010, p. 169‑171). Podemos observar que o método pode servir como referência para darmos valor a cada cargo. No entanto, esse despreza variáveis, tais como segmento de mercado da empresa, estrutura de determinados cargos, atribuições de responsabilidades, criatividade, bem como participação para melhoria dos negócios. Além disso, o método é limitado quanto ao tipo de serviço. É uma boa pista se estivermos avaliando um setor, a menos que, nesse caso, a avaliação seja da empresa como um todo. Assim, podemos avaliar tanto a mão de obra direta quanto a indireta da empresa, porém de forma separada, cada um ao seu 74 Unidade II tempo sem que se misturem. Depende muito do ramo de atuação da empresa, do segmento de mercado em que atua e, principalmente, da valorização dos profissionais dentro desse segmento. Observação Mão de obra direta são aqueles indivíduos que estão trabalhando como agentes de transformação na empresa e que têm contato com as máquinas e equipamentos produtivos. Já a mão de obra indireta são os colaboradores que trabalham com a parte burocrática, conhecidos como pessoal do escritório. Eles auxiliam os processos produtivos por meio dos papéis Um fato a ser respeitado é o de que um analista de TI dentro de uma empresa de TI terá peso maior na hora de ser avaliado e, consequentemente, ganhará mais que um analista de RH. Tabela 8 – Exemplo de avaliação de cargos pelo método de graus predeterminados (enquadramento dos cargos nos graus pelos membros do comitê de avaliação) Cargos Avaliador A Avaliador B Avaliador C Avaliador D Consenso Contínuo I I I I I Secretária executiva V IV IV V IV Digitador II II II II II Diretor de finanças VII VII VII VII VII Auxiliar de contabilidade III II III III III Gerente de remuneração VI V VI VI VI Adaptada de: Pontes (2010, p. 171). 3.8.6 Avaliação de cargos por métodos quantitativos Método por pontos O método de avaliação por pontos foi desenvolvido por Merril R. Lott (1986) e é o mais conhecido e utilizado pelas empresas. Por esse método, conhecido como Hay, temos as informações que são valoradas ou pontuadas para se conseguir chegar a um salário adequado a determinado cargo. Essa metodologia é bastante utilizada por empresas de grande porte em virtude da precisão e confiabilidade nos dados obtidos por meio da matemática e estatística, tornando as informações subjetivas iniciais do método em objetivas a partir dos números. 75 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS É o método mais objetivo, analítico, preciso e de fácil aplicação. Ademais, seus resultados são aceitos pelos colaboradores, pois temos como comprovar como chegamos ao salário apresentado, convencendo‑os de que seu valor como prestador de serviço para a empresa é aquele estipulado pela matemática. Para conseguir avaliar determinados cargos, devemos verificar quais itens selecionados irão ser utilizados para a avaliação. Além disso, os fatores devem ser comuns à maioria dos cargos de determinado grupo ocupacional (ou seja, em que todos pertençam) e, ao mesmo tempo, demonstrar os detalhes de cada um. Por serem comuns à maioria dos cargos, alguns fatores são incluídos obrigatoriamente na maioria dos planos, mas com diferentes graus de exigência, até porque os cargos possuem diferentes níveis de exigência para o cumprimento dos objetivos. Conforme Pontes (2011): Os fatores são graduados, descrevendo níveis de dificuldade crescente, e cada grau (nível de dificuldade) recebe certo número de pontos, também crescente. Os fatores constituirão “réguas” de avaliação que permitirão mensurar as múltiplas dimensões de cada cargo (PONTES, 2011, p. 195). Esses fatores são graduados, e cada grau irá corresponder a certo número de pontos de forma crescente, de acordo com a dificuldade estabelecida. Os fatores constituirão réguas que mensuram as múltiplas facetas de cada cargo. Os pontos de cada grau dos fatores são decorrentes de análise de regressão múltipla3. Assim, são atribuídos pontos aos cargos por meio da avaliação por fatores do manual de avaliação. 4 AS ETAPAS DO PROCESSO CONFORME PONTES De acordo com Pontes (2001; 2008; 2010), as etapas do processo são as seguintes: Seleção dos cargos‑chave Quais são os cargos que vamos escolher como referência para começar a estipularmos os valores? Seleção dos fatores de avaliação Após escolher os cargos, vamos detalhar o que cada um compreende em sua composição para analisarmos suas diferenças. 3 Intervalo entre os valores explanados nos cargos. 76 Unidade II Graduação dos fatores de avaliação Dependendo do grau de dificuldade, temos que estipular valores ou diferenciação entre os cargos em análise. Avaliação dos cargos‑chave Avaliação dos cargos, compreendendo suas dificuldades, diferenças e contribuição para o negócio da empresa. Ponderação dos fatores de avaliação Tratamento e julgamento dos fatores para se chegar aos valores esperadosem termos de salários. Avaliação dos demais cargos do plano (grupo operacional) Após a análise inicial dos cargos de referência, é estipulado o valor dos demais cargos pertencentes ao mesmo grupo de origem. 4.1 Seleção dos cargos‑chave A seleção dos cargos‑chave é de suma importância para a consistência do método por pontos, visto que dará origem aos primeiros pontos para valorar esses cargos e, em consequência, os demais pertencentes ao mesmo grupo. Conforme já foi explicado anteriormente, [...] são selecionados de trinta a cinquenta cargos amostrais, desde os mais simples aos mais complexos do plano ora em implantação (PONTES, 2010, p. 184). Um detalhe importante é que os cargos selecionados devem ser menores que o número cinquenta, mas necessariamente não quer dizer que tenhamos que escolher entre 30 e 50, pois existem pequenas empresas que nem possuem essa quantidade exemplificada pelo autor. Portanto, depende muito do tamanho e da estrutura de cargos da empresa em que será implantado esse sistema para a escolha dos cargos‑chave. 4.2 Seleção dos fatores da avaliação Conforme Pontes (2010, p. 184‑185): A escolha dos fatores requer uma análise acurada, uma vez que são escolhidos aqueles comuns à maioria dos cargos de certo plano, mas que, ao mesmo tempo, sirvam para diferenciar as peculiaridades de cada um dos cargos avaliados. 77 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Para se avaliarem todos os cargos, temos que ver o que eles possuem em comum. Por isso, é importante fragmentá‑los e detalhar cada parte, explicitando o cargo dentro do seu grupo. Quanto maior for a hierarquia, maior o grau de dificuldade, o que torna possível a diferenciação dos níveis entre os cargos dentro de sua classe. Alguns fatores são fundamentais para que o cargo seja analisado e para que a análise seja feita nas exigências estabelecidas ao cargo na empresa. Por isso, constam na maioria dos planos, como instrução, experiência, iniciativa etc. São fundamentais e necessários, uma vez que são comuns à maioria dos cargos, mas em graus de exigência diferentes por terem complexidade e níveis facilmente observáveis por quem está avaliando o cargo. Não é adequado incluir fatores que não permitam diferenciar os cargos na avaliação para planos administrativos, como “condições de trabalho” ou “esforço físico”, pois esses fatores podem ser iguais dependendo do cargo que está sendo avaliado. Dessa forma, para cada plano, existirão fatores melhores ou piores, isso vai depender da classe que está sendo avaliada e da empresa em que o método estará sendo utilizado e, para a correta seleção desses, é necessária a análise acurada dos cargos a serem avaliados. Ou seja, é necessário observar como estão dispostos na empresa e como se relacionam com o fator de transformação e produtividade dentro da estratégia estipulada pela organização. Figura 18 – Por exemplo, numa fábrica automobilística, a equipe de limpeza é um tipo de mão de obra indireta Cabe salientar que não podemos avaliar por pontos classes de cargos diferenciadas dentro de uma mesma empresa, pois os fatores são diferenciados e a análise, portanto, terá pesos e graus diferenciados. Quando utilizamos a metodologia por pontos em uma empresa, avaliamos os cargos por segmento de atuação um por vez, como cargos administrativos (de preferência de uma área RH), marketing, finanças, ou ainda os de chão de fábrica e de produtividade dentro de uma mesma linha de trabalho, nunca 78 Unidade II misturando os cargos, pois os critérios e referências utilizadas são distintos uns dos outros. Panton e Smith (apud CARNEIRO, 1970) chamam a atenção para o fato de que, geralmente, as tentativas de elaboração de planos mistos, destinados à avaliação simultânea de cargos burocráticos e de oficina, têm obtido reduzido sucesso, porque as características desses dois tipos de cargos não são realmente comparáveis. O detalhamento é fundamental para que possamos numerar e valorar os salários dos cargos, pois trabalhamos com pontuação e, portanto, mais detalhes facilitam essa diferenciação entre os cargos. Porém, devemos lembrar que uma quantidade excessiva de fatores poderá fazer com que o processo de avaliação dos cargos demore mais do que em geral, causando assim custos para a empresa. Por isso há que se escolher os fatores mais importantes e significativos embutidos em todos os cargos a serem analisados. Os fatores, conforme foi descrito anteriormente, são as subdivisões das áreas: mental, de responsabilidades, física e de condições de trabalho, e estão embutidos tanto nos cargos de mão de obra direta quanto nos de mão de obra indireta. Cabe ao aluno saber que, no momento da avaliação, cada grupo será avaliado de forma separada, para que os dados sejam compatíveis e existam níveis que possam diferenciar cada grau a ser valorado. 4.3 Graduação dos fatores de avaliação A graduação vai dizer o quanto se exige de cada cargo, dando detalhes que ajudam na hora da avaliação. Alguns cargos exigem menos experiência que outros, assim como responsabilidades, ou ainda capacidade de realização. Um auxiliar, por exemplo, deve ter provavelmente uma exigência de tempo de casa menor que o exigido de um analista. Esses graus são medidos a partir das diferenças presentes nos cargos, na sua dificuldade, na sua experiência e nos outros fatores que são medidos para diferenciá‑los uns dos outros. Existe ainda uma hierarquia crescente dentro dos cargos escolhidos como referência (cargos‑chave) e, a partir daí, vamos denominar o grau de cada um deles dentro dos fatores escolhidos como amostra. Sempre vamos agrupar aqueles cargos que possuam condições parecidas, pertencentes à mesma família, para que os fatores existam em graus diferenciados e proporcionem uma avaliação similar, obtendo as diferenças verificadas nos níveis dentro de cada fator implícito em cada cargo. Conforme Pontes (2011): Em cada fator, o total de agrupamentos designará o número de graus, e as exigências de cada agrupamento fornecerão a descrição do grau. Um exemplo para um plano administrativo pode ser visto no quadro 11. Os cargos‑chave foram escalonados conforme a especificação do fator experiência, como mostra a parte A do quadro. Com base no escalonamento obtido, chegou‑se ao número de graus – no caso, seis – e à descrição que melhor retrata a especificações de cada grupo de cargos, conforme apresentado na parte B do mesmo quadro (PONTES, 2011, p. 196). 79 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Quadro 11 – Exemplo para a definição e graduação de um fator de avaliação Parte A Escalonamento dos cargos‑chave no fator experiência Parte B Definição e graduação do fator experiência Escalonamento Cargo/experiência Grau Descrição 6 Auditor sênior (6 anos) F Acima de 5 anos 5 Auditor pleno (4 anos) Técnico de contabilidade (4 anos) E De 3 a 5 anos 4 Comprador (2 anos) Técnico de contabilidade (2 anos) Analista de cargos pleno (2 anos) D De 1 a 3 anos 3 Analista de cargos júnior (1 ano) C De 6 meses a 1 ano 2 Auxiliar de pessoal (6 meses) Auxiliar de contabilidade (5 meses) B De 3 a 6 meses 1 Digitador (3 meses) Contínuo (3 meses) A Até 3 meses Adaptado de: Pontes (2010, p. 185). Quando estamos avaliando os cargos, dependendo do tipo de fator avaliado, o número de graus pode ser maior ou menor, cabe a quem está avaliando saber dividir o que quer mensurar em partes que contemplem o que querem como resposta em termos de números. Os fatores têm naturezas diferentes, portanto, forçar que todos tenham o mesmo número de graus não se torna agradável para quem está avaliando, até porque os fatores têm uma diferenciação e influenciam na decisão final de quem vai avaliar. Quando acontece essa definição, o avaliador fica preso apenas ao que é colocado a eles, sem ter para onde correr ou fazer observações. É inútil tentar distorções em que não existem parâmetros para que isso aconteça (CARNEIRO, 1970). Para fins de ilustração, são apresentadosdois exemplos de manuais de avaliação: o primeiro, aplicável a cargos operacionais, incluindo encarregados, pode ser visto no quadro anterior; o segundo, aplicável a cargos administrativos, incluindo supervisores, pode ser visualizado no quadro a seguir. Ambos os manuais são fictícios e apresentam os fatores selecionados, graduados e ponderados. 80 Unidade II Quadro 12 – Exemplo de manual de avaliação de cargos operacionais (incluindo líderes) 1 – Instrução Esse fator especifica as exigências do cargo em relação aos conhecimentos teóricos requeridos para a compreensão e execução das tarefas. Graus Descrição Pontos A O cargo requer capacidade para interpretar e executar instruções verbais simples e conhecimentos elementares de leitura e escrita. 18 B O cargo requer capacidade para ler e escrever notas detalhadas e operações simples, com o emprego de medidas métricas. 45 C O cargo requer capacidade para ler e escrever notas detalhadas, efetuar cálculos matemáticos que envolvem o conhecimento de áreas, volumes e pressões de trabalho. Exige leitura e interpretação de desenhos, tabelas e diagramas elementares. 72 D O cargo requer capacidade para aplicar conhecimentos matemáticos de álgebra, geometria e trigonometria. Exige leitura e interpretação de desenhos, tabelas e diagramas. Utiliza instrumentos de medição e de precisão. 99 E O cargo requer formação técnica básica para compreensão de problemas técnicos gerais, desde movimento e tensão de metais até a resistência de materiais. Exige conhecimento de desenho técnico. 126 2– Experiência Esse fator especifica o período de tempo necessário para que o funcionário possa adquirir adestramento suficiente ao desempenho satisfatório do cargo. Graus Descrição Pontos A Até 3 meses 23 B De 3 a 6 meses 51 C De 6 a 12 meses 78 D De 1 a 3 anos 106 E De 4 a 6 anos 133 F Acima de 6 anos 161 81 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 3– Iniciativa/complexidade Esse fator avalia a complexidade dos trabalhos executados, a iniciativa exigida para a solução de problemas e o grau de independência e supervisão recebidas. Graus Descrição Pontos A Trabalhos simples e rotineiros, que não exigem nenhuma iniciativa. O funcionário recebe instruções em todas as fases do trabalho e qualquer alteração cabe aos supervisores. 15 B Tarefas em geral padronizadas, mas que requerem decisões que consistem em pequenas modificações de práticas estabelecidas que quase sempre se repetem. O funcionário recebe instruções em quase todas as fases do trabalho. 45 C Tarefas variadas e de alguma complexidade. As diretrizes gerais são estabelecidas pela supervisão, cabendo ao ocupante do cargo a iniciativa de julgar os processos mais convenientes. 75 D Tarefas complexas, regidas por instruções gerais e que devem ser adaptadas a problemas quase sempre diversificados. Exigem discernimento e desembaraço para tomar decisões convenientes. 105 4– Responsabilidade por erros Esse fator avalia a possibilidade de ocorrência de erros e suas consequências para a empresa. Graus Descrição Pontos A Trabalhos que apresentam nenhuma ou mínima possibilidade de ocorrência de erros. 9 B Trabalhos cujos erros eventuais são descobertos no seu curso normal, por meio de controles comuns, com poucas dificuldades para sua correção. 27 C Trabalhos cujos erros eventuais são descobertos por terceiros na sequência, ocasionando relativa perda de tempo e trabalhos para sua correção. 44 D Trabalhos que exigem o mais elevado grau de exatidão e senso de responsabilidade. A inexatidão desses ocasiona consideráveis prejuízos financeiros à empresa. A consequência disso, além dos prejuízos, é uma grande perda de tempo em investigações para a localização dos erros. 63 82 Unidade II 5– Responsabilidade por equipamentos Esse fator especifica o grau de atenção, a precaução e os cuidados ou controles necessários para prevenir a ocorrência de possíveis danos no equipamento utilizado na execução do trabalho. Graus Descrição Pontos A Trabalhos que exigem um mínimo de atenção e cautela para evitar prejuízos e requerem precaução relativa para evitar danos de pouca importância. 6 B Trabalhos que exigem precaução e cautela durante sua execução, para que sejam evitados prejuízos de média monta, e requerem precaução necessária para que sejam evitados danos de importância mediana. 18 C Trabalhos que exigem um sentido de responsabilidade superior ao normal. Há probabilidade de ocorrer danos de considerável importância. 30 D Trabalhos que exigem controle contínuo e incessante; a mínima falta de atenção poderá resultar em prejuízos de grande monta. 42 6 – Responsabilidade por materiais Esse fator especifica as precauções, os cuidados ou controles necessários para prevenir a ocorrência de possíveis perdas de materiais ou produtos acabados. Graus Descrição Pontos A Trabalhos que não apresentam probabilidade de perdas. 9 B Trabalhos que exigem um mínimo de atenção e cautela para evitar prejuízos ou que implicam perigo de perdas de pouca importância. 15 C Trabalhos que exigem um sentido de responsabilidade relativa para evitar perdas de importância mediana. 24 D Trabalhos que exigem um sentido de responsabilidade superior ao normal. Possibilidade de perdas de considerável importância. 33 E Trabalhos que exigem controle contínuo e incessante; a mínima falta de atenção poderá acarretar prejuízos de grande monta. 42 7 – Responsabilidade por supervisão Esse fator destina‑se a avaliar, quantitativamente, a extensão da supervisão. Deve‑se considerar o número de subordinados diretos e indiretos controlados pelo ocupante do cargo. Graus Descrição Pontos A Não exerce supervisão 6 B Lidera até 5 colaboradores 12 C Lidera até 10 colaboradores 18 D Lidera até 20 colaboradores 24 E Lidera até 30 colaboradores 30 F Lidera até 50 colaboradores 36 G Lidera mais de 50 colaboradores 42 83 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 8 – Esforço físico Esse fator considera o esforço físico exigido pelo trabalho e a sua frequência. Graus Descrição Pontos A Trabalhos leves, que não exigem esforço físico. 7 B Esforço físico pequeno, no manejo de objetos leves ou operando equipamento cujo tempo de operação excede ao de manuseio. 21 C Esforço físico constante, no trabalho com material mediano. Predominância de trabalhos de pequeno ciclo, que exigem atividade contínua, ou operação de mais de um equipamento. 35 D Esforço físico contínuo, em trabalho árduo, no manuseio de material muito pesado. 49 9 – Esforço mental e visual Esse fator especifica o grau de concentração ou a atenção necessária para a execução do trabalho. Graus Descrição Pontos A Exige pouca atividade mental e esforço visual intermitente, a longos intervalos, em trabalhos predominantemente manuais, com tarefas quase automáticas. 4 B Exige atenção mental e visual constantes, em serviços de alguma variedade ou com frequentes referências a detalhes e minúcias. 12 C Exige contínua atenção mental e visual, em tarefas de alguma complexidade com base em orientações e informações gerais. 20 D Exige concentrada atenção mental e visual, em tarefas complexas que envolvem detalhes e minúcias. 28 10 – Condições de trabalho Esse fator especifica as condições físicas do ambiente em que trabalha o ocupante do cargo. Essas condições (calor, ruído, sujeira, fumaça, vibrações, luzes ofuscantes, gases etc.) não podem ser eliminadas ou reduzidas por iniciativa do empregado e exercem influência nociva sobre o seu bem‑estar físico. Graus Descrição Pontos A Condições ideais de trabalho 6 B Trabalho executado em condições de sujeira, ruído, óleo, ou outras semelhantes, em graus de pequena intensidade. 18 C Condições prejudiciais e desagradáveis, sempre presentes, em graus de médiaintensidade. 30 D Exposição permanente a condições extremamente desagradáveis. 42 Adaptado de: Pontes (2010, p. 186‑192).84 Unidade II É importante ser observado que são avaliados vários fatores dentro de um rol de cargos, e cada um deles terá seus graus de dificuldade, sua realização e sua pontuação referente ao grau. A pontuação por sua vez será aleatória, de acordo com o fator (como podemos verificar no quadro), mas o intervalo de um grau para o outro sempre terá a pontuação igual em forma crescente. 4.4 Avaliação dos cargos‑chave Uma vez definido o manual inicial, passam a avaliar os cargos‑chave por meio do comitê de avaliação. O melhor processo é o de avaliar todos os cargos um de cada vez em um determinado fator, utilizando a sequência da forma que aparece para o comitê (até por uma questão de lógica no processo avaliativo). Assim, todos os cargos são comparados fator a fator, anotando‑se o grau e o número de pontos obtidos. Somando‑se todos os pontos de cada fator, chega‑se ao total de pontos de cada cargo, e a hierarquia está definida. O comitê de avaliação deve estar preparado para que possa atuar com propriedade. Sugere‑se que esse comitê tenha os seguintes requisitos a serem aperfeiçoados: • Treinamento dos membros do comitê, para que conheçam a metodologia de avaliação. As informações devem ser passadas de forma clara aos membros do comitê, para que saibam com o que estão mexendo e aonde querem chegar. Os membros devem se familiarizar com o material que utilizará para fazer a avaliação, por isso, aconselha‑se distribuir com antecedência a avaliação dos cargos. Em qualquer projeto, temos normas e regras que devem ser seguidas. Para conseguirmos realizar as tarefas e chegarmos aos nossos objetivos, temos que saber onde estamos, o que vamos realizar e aonde queremos chegar. • Os fatores devem ser lidos pelo coordenador do projeto em ordem, para que a avaliação seja feita por item, cargo por cargo. Figura 19 – Treinamento do comitê de avaliação Disponível em: https://bit.ly/30q3h52. Acesso em: 13 dez. 2021. 85 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Observação Em algumas empresas, não existe um comitê para avaliação de cargos e salários, mas sim um analista responsável por essa área, que compila todos os dados em uma planilha de Excel ou em um sistema integrado, prática comum em pequenas e médias empresas. • Cabe ao coordenador perguntar a opinião dos membros presentes no comitê sobre em qual grau o primeiro cargo se enquadra. Existindo divergência por parte dos participantes, irá prevalecer o voto da maioria. • Todos os cargos serão submetidos ao mesmo processo, sendo lido pelo coordenador do comitê e sendo ponderados um a um até o término de todos. O coordenador vai ler todos os fatores dentro do processo, e esses irão ser graduados a partir dos fatores observados em que se enquadram. Por meio dessa metodologia, o comitê avalia todos os cargos em todos os fatores de forma organizada, um por vez. Para termos como exemplo, utilizaremos os cargos anteriormente descritos no texto. Os resultados obtidos com essas informações estão no quadro 11, onde estão explanadas as observações classificadas por letras e suas respectivas pontuações (PONTES, 2010). Há que se compreender que essa pontuação e o que acreditam ter maior ou menor importância dentro de um cargo foram atribuídos pelo comitê para gerar seu salário. Conforme Pontes (2011, p. 209): Com o resultado da avaliação, chega‑se ao escalonamento dos cargos por pontos, que nesse exemplo resultou em uma hierarquia diferente das encontradas com a utilização dos métodos apresentados anteriormente (PONTES, 2011, p. 209). Exemplos: • motorista: 270 pontos; • motosserrista: 288 pontos; • carpinteiro: 362 pontos; • almoxarife: 454 pontos; • mecânico‑ajustado: 531 pontos. 86 Unidade II Todo processo de mudança feita pelo comitê deverá ser registrado e alterado, pois o que pode acontecer é uma interpretação avaliativa diferenciada da original proposta e, portanto, deverá ser modificada. A avaliação dos cargos‑chave não poderá ser alterada, pois, caso isso seja feito, irá alterar a ponderação estatística do manual em seu todo. Ou seja, se algum cargo‑chave for modificado, todo o processo terá que ser modificado também. É como se tivéssemos um ponto de partida, um desenvolvimento e um resultado: quando mexemos nos dados no meio do caminho, o resultado final é diferente. Por esse motivo, não se devem mexer nos dados iniciais propostos, pois, caso isso aconteça, os resultados finais terão interferência e distorção de valores. O transtorno que é citado anteriormente trata‑se de manipulação em prol de favorecimento a algum cargo. Por essa questão é que a pontuação não deverá ser conhecida antes da avaliação. Outro fato importante é que não se devem mudar continuamente os valores para chegar a novos salários, pois essa mudança poderá causar problemas na matemática final para o manual de referência de salários da empresa, causando transtornos posteriores. 4.5 Ponderação dos fatores de avaliação Quando ponderamos, atribuímos valores aos fatores. Para isso, temos que determinar os pesos referentes a cada um deles, para exemplificar o quanto cada um tem de valor dentro da execução de um determinado cargo. As empresas constroem um manual para ser utilizado no futuro, até por uma questão de referências. Esse manual poderá servir para futuras ações quando a empresa tiver a necessidade, por algum motivo, de alterar os salários explícitos aos cargos. Um exemplo prático é um novo cargo que venha a constar no quadro das funções, ou uma mudança salarial concedida por lei a algum cargo, ou ainda outros exemplos financeiros necessários que acontecem mediante mudanças na economia ou na própria estratégia da empresa em remunerar seus colaboradores. Já a ponderação é algo natural e existe exatamente para valorar os fatores e transformá‑los em números, conseguindo, dessa forma, dar valor a cada cargo por meio dos salários. Os fatores devem representar 100% dos cargos por uma questão de raciocínio lógico, pois se trata de sua composição. Cada fator tem um peso em percentual que irá corresponder a uma parte do total quando todos forem juntados. Conforme Pontes (2011): No caso do manual em análise (conforme tabela 9), se um cargo fosse avaliado no grau A em todos os fatores, receberia 100 pontos, ou seja, o mínimo de pontos do manual; se, no entanto, um cargo fosse avaliado nos graus máximos em todos os fatores, esse cargo receberia 500 pontos, que é o máximo de pontos do manual. Tanto o mínimo de pontos quanto o máximo representam 87 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 100% do manual. O número de pontos mínimos do fator instrução é igual a 20, que representa 20% (20/100), e o número de pontos é igual a 100, que também representa 20% (100/500) (PONTES, 2011, p. 212). Tabela 9 – Pontos dos graus dos fatores no manual de avaliação de cargos administrativos Mínimo de pontos do fator Graus do fator Máximo de pontos do fatorA B C D E F G Instrução 20 20 33 47 60 73 87 100 100 Experiência 20 20 33 47 60 73 87 100 100 Iniciativa 15 15 30 45 60 75 75 Responsabilidade p/ erros 10 10 23 37 50 50 Responsabilidade p/ supervisão exercida 8 8 19 29 40 40 Responsabilidade p/ dados confidenciais 6 6 14 22 30 30 Responsabilidade p/ contatos 8 8 19 29 40 40 Responsabilidade p/ valores 8 8 16 24 32 40 40 Esforço mental/visual 5 5 15 25 25 Total mínimo de pontos = 100 Total máximo de pontos = 500 Fonte: Pontes (2010, p. 201). Para encontrar o peso referente ao valor dos fatores desse manual, temos que dividir o mínimo de pontos de cada fator – que na verdade é a porcentagem que representa parte dos fatores que determinam o todo do cargo pelo mínimo de pontos totais do manual – ou dividir o máximo de pontos de cada fator pelo mínimo de pontos totais do manual. Esses pontos são predeterminados pelo comitê, assim como o peso de cada fator desse manual, que tomamos como exemplo. Segue como ilustração: • instrução: 20%; • experiência 20%; • iniciativa 15%; • responsabilidadepor erros: 10%; • responsabilidade por supervisão exercida: 8%; 88 Unidade II • responsabilidade por dados confidenciais: 6%; • responsabilidade por contatos: 8%; • responsabilidade por valores: 8%; • esforço mental/visual: 5%. • Total do manual: 100%. Figura 20 – Tratamento dos dados estatísticos Disponível em: https://bit.ly/3pTVLYP. Acesso em: 13 dez. 2021. A estatística é fundamental para o início do tratamento dos dados na valoração dos salários. Por essa razão, os membros do comitê devem conhecer tanto matemática como estatística. Conforme Pontes (2010): A distribuição dos pesos entre os fatores não foi equitativa, e isso se justifica porque alguns fatores são mais importantes que outros. Essa distribuição de pesos também varia, conforme o plano. Normalmente, os fatores da área mental são os que recebem maior peso, cerca de 50%; os da área de responsabilidades, cerca de 40%; e os da área física e de condições de trabalho juntos, cerca de 10%. No caso de manual em análise, o peso equivalente à área mental corresponde a 55%, o da área de responsabilidades, a 40% e o da área física, a 5% (PONTES, 2010, p. 212). 89 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Como já foi citado anteriormente os requisitos mentais são os que recebem maior pontuação, logo os fatores dentro dos cargos com esse caráter irão ter peso maior do que, por exemplo, um fator de caráter físico, é claro que dependendo da função e do segmento ao qual esse cargo está exposto essa dinâmica pode ser mudada. Uma pequena observação reflete a questão do peso maior atribuído a funções mentais, valorizando capacidade, criatividade, inovação e criatividade. Esses são fatores fundamentais para o sucesso da empresa e totalmente ligados a questões voltadas ao subjetivo, portanto, itens ligados à mente. Por isso, o peso dessas qualidades são atribuídos com maior ênfase no manual. Existem duas formas de atribuir pesos aos fatores: pesquisa interna e análise de regressão. 4.6 Ponderação do manual por meio de pesquisa interna A partir dessa maneira de avaliar os cargos, os membros do comitê atribuem os valores percentuais aos fatores de forma aleatória. Cabe ao coordenador recolher esses dados passados pelos outros membros e, por meio da média, chegarão ao valor final do peso de cada fator em percentual. Para ilustração, veja a tabela 10. Foi solicitado a cada membro do comitê que distribuísse o peso total igual a 100% entre os fatores, e que o peso fosse atribuído em ordem de importância, de acordo com seu próprio ponto de vista. Essa dinâmica se torna interessante, pois temos pontos de vista diferentes em relação à importância de cada fator dentro de um cargo. Quando o coordenador tirar a média das sugestões, teremos um valor adequado sobre a visão de todos os participantes do comitê. O problema é que estamos falando sobre métodos quantitativos, ou seja, aqueles medidos pela exatidão da matemática, e por se tratar de opiniões dos membros, acabamos entrando na subjetividade. Não é recomendado esse processo para avaliação de cargos. Com base na distribuição de cada avaliador, o coordenador do programa toma como ponderação final de cada fator a média, conforme mostrado na tabela 10, e que resulta na ponderação final do manual tomado como exemplo. 4.7 Ponderação do manual por meio de análise de regressão Conforme Pontes (2011): O início do processo é a ponderação arbitrária, que, no final, é analisada por regressão múltipla. As etapas do processo são as seguintes: – Atribuição de pesos pelos fatores, arbitrariamente. Ou seja, atribuímos valores a cada fator de forma aleatória. – Atribuição de pontos pelos graus dos fatores. Os pontos vão ser somados de acordo com a sua similaridade com os fatores. 90 Unidade II – Avaliação dos cargos chave. Os cargos base vão ser as referências para a avaliação e valoração de todos os outros cargos do quadro da empresa. – Análise de regressão múltipla para atribuição final dos pesos dos fatores. É a análise de várias variáveis ao se terminar de determinar todos os valores do cargo, ou pontos. – Atribuição final dos pontos pelos graus dos fatores (PONTES, 2011, p. 213). Tabela 10 – Atribuição dos pesos dos fatores por meio da pesquisa interna Fator Membros do comitê de avaliação Ponderação final (média) Membro A Membro B Membro C Instrução 20 15 25 20 Experiência 25 15 20 20 Iniciativa 15 15 15 15 Responsabilidade p/ erros 13 8 9 10 Responsabilidade p/ su‑ pervisão exercida 6 12 6 8 Responsabilidade p/ dados confidenciais 4 7 7 6 Responsabilidade p/ contatos 6 8 10 8 Responsabilidade p/ valores 4 15 5 8 Esforço mental/visual 7 5 3 5 Total 100 100 100 100 Fonte: Pontes (2010, p. 203). 4.8 Atribuição de pessoas pelos fatores arbitrariamente Os membros do comitê e o próprio coordenador é que vão determinar o valor dos pesos de cada fator a dar valor ao salário. Caso, para essa atividade, seja utilizado o Comitê de Avaliação, pode ser empregada a mesma metodologia do item anterior, e o coordenador deverá deixar claro para os membros que a distribuição dos pesos deverá ser alterada em função dos resultados da regressão múltipla. Algo natural, pois a regressão poderá de fato modificar os valores finais (PONTES, 2011, p. 214). 4.9 Atribuição dos pontos pelos graus dos fatores (PONTES, 2010) O passo inicial é o estabelecimento dos pontos mínimos e máximos do manual, ou seja, o valor em pontos do cargo que é avaliado sempre no menor grau de todos os fatores e daquele cargo que é sempre avaliado no maior grau. 91 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Temos que determinar sempre os máximos e mínimos, sejam nos fatores ou nos pontos. Podem‑se utilizar quaisquer valores como máximo e mínimo de pontos. De modo geral, as empresas determinam 100 como mínimo e de 500 a 1000 como máximo. Uma vez definidos os pontos mínimos e máximos totais do manual, são encontrados os pontos mínimos e máximos de cada fator, conforme ponderação inicial desses, como já mostrado anteriormente. Isso feito, os pontos são distribuídos pelos graus por meio de progressão aritmética ou geométrica, cujas razões são obtidas pelas fórmulas que serão apresentadas. Veja um exemplo. A ponderação do fator “instrução” no manual apresentado na tabela 9 é igual a 20%. Como o número mínimo de pontos do manual é igual a 100, o grau A desse fator recebeu 20 pontos e, como o número máximo de pontos do manual é igual a 500, o grau G desse fator recebeu 100 pontos. A distribuição de pontos dos demais graus desse fator foi por meio da progressão aritmética, substituindo, na fórmula, por 100 (valor do último termo), a 1 por 20 (valor do primeiro termo), e n por 7 (número de graus do fator). q= a a n n – – – – ,1 1 100 20 7 1 13 3= = Assim, foi encontrada a razão igual a 13,3 e foram obtidos os valores de pontos de cada grau. Tabela 11 – Progressão aritmética Grau Pontos A 20 B 33 (A + 13,3) C 37 (B + 13,3) D 60 (C + 13,3) E 73 (D + 13,3) F 87 (E + 13,3) G 100 (F + 13,3) Fonte: Pontes (2010, p. 205). A distribuição dos pontos pelos fatores poderia ter sido feita pela progressão geométrica e, nesse caso, a razão seria igual a 1,308. q= a a = 100 20 =1,308n 1 n 1 6 92 Unidade II Em que n é a quantidade de graus, a é referente aos pontos. Logo, n = 7‑1 = 6, an é igual ao número máximo de pontos, e a1 é o número mínimo de pontos. O valor de pontos de cada grau, nesse caso, seria multiplicado por 1,308 acrescido ao salário. Esses valores acrescidos aos salários podem ser encontrados nos jornais que trabalham com empregos. Ao lado de cada cargo, após o salário, vamos verificar que existe um percentual para mais: trata‑se desse valor que teve uma alta percentual em relação a um período anterior. Tabela 12 – Progressão geométrica Grau Pontos A 20 B 26 C 34 D 45 E 59 F 77 G 100 Fonte: Pontes (2010, p. 205). 4.10 0 Método de comparação de fatores (PONTES, 2010) O método foi desenvolvido por Eugene Benge (1953),sendo pouco utilizado pelas empresas no Brasil. Como no método por pontos, no método de comparação de fatores são escolhidos fatores que constituirão os critérios para avaliação. Conforme a natureza dos cargos a serem avaliados, é escolhido um número reduzido de fatores (cerca de 5). Originalmente, Eugene Benge escolheu cinco fatores que serviriam para a avaliação dos cargos: requisitos mentais, habilidades requeridas, esforço físico, condições de trabalho e responsabilidades. O método baseia‑se no escalonamento dos cargos e na distribuição dos salários. As etapas do processo de avaliação são: • seleção dos cargos‑chave; • escalonamento dos fatores de avaliação; • escalonamento dos cargos‑chave pelos fatores; • divisão dos salários dos cargos‑chave pelos fatores; • elaboração da matriz para avaliação dos demais cargos. 93 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Utilizando a metodologia parecida com o processo de pontos, será feita uma tabela com escalas monetárias, na qual os cargos serão dispostos. Essa disposição será o valor adequado a cada cargo dentro da tabela. Essa metodologia de aplicação de salário aos cargos é difícil de ser utilizada, mais comum em processos operacionais, portanto, não contemplando todos os níveis da empresa. Trata‑se de uma metodologia mais subjetiva, por meio da qual existe a interferência direta do comitê e, por esta razão, dá uma margem maior de erros em relação ao método por pontos. Quando trabalhamos com métodos para designar valor aos salários de um cargo, sempre devemos observar a estrutura da empresa: suas finanças, seu porte e principalmente a capacidade dos indivíduos de criarem um plano de cargos e salários. Parece ser simples, mas trata‑se de algo trabalhoso. Quem se propõe a fazer o manual deve ter a atenção de sempre seguir à risca as origens para se basear, pois as alterações irão ocorrer mediante essas informações passadas. 94 Unidade II Resumo Na unidade II, foram abordados aspectos pertinentes à análise de cargo: como avaliar um cargo; os principais caminhos para se conseguir dar valor aos cargos por meio dos métodos quantitativos e não quantitativos; sua utilização no mercado de trabalho; e como transformar características de um cargo por meio de sua descrição em pontos e valores que são tratados pela matemática e estatística, transformando o que é subjetivo em objetivo, ou seja, mensurável. A análise do cargo trata‑se da verificação do que está composto em sua descrição, de acordo com seu posicionamento hierárquico na empresa e sua influência na transformação do trabalho como benefício aos objetivos esperados pela empresa. Os cargos devem ser avaliados e valorados conforme a importância do funcionário na empresa, bem como a prática salarial estabelecida no mercado. Logo, os salários devem ser adequados aos que existem e estão no mercado, logicamente, dentro das condições que a empresa tem para pagá‑los. O que foi demonstrado na unidade foram os passos que devem ser seguidos para se avaliar o cargo, tais como escolha de fatores. Logo, há que se perguntar: quais são os fatores que um comitê deve levar em conta para se avaliar um cargo e dar valor de salário a esse objeto de estudo? Algo a ser pensado, pois as empresas não são iguais em sua estrutura e forma de trabalho e nem sempre pertencem ao mesmo mercado. Portanto, as formas de avaliar, assim como os fatores, irão ser diferentes conforme o caso (empresas) estudado. Outro aspecto abordado na unidade foi o manual e sua montagem, a importância que essa ferramenta possui para nortear as futuras modificações salariais, colocando em evidência, nesse caso, a responsabilidade tanto de quem irá confeccioná‑lo, como de quem irá utilizá‑lo posteriormente para mudar os salários na empresa. As tabelas para a avaliação dos cargos são fundamentais, pois nelas estão descritas as competências inseridas em cada cargo e, ao mesmo tempo, podem ser comparadas para as atribuições de pontos aos fatores ali descritos. Os pesos são determinados pelas pessoas do comitê e pela empresa em questão. O que não pode ser feito é um documento com um modelo e 95 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS posteriormente querer mudá‑lo, pois, nesse caso, a base original perderia o efeito. Toda avaliação de uma estrutura salarial, por exemplo, começa com os cargos‑chave. Se modificarmos esses cargos no decorrer do processo, vamos fazer com que os resultados finais não sejam os esperados, logo, essa questão deve ser analisada com cuidado pelos indivíduos que estão idealizando o planejamento de salários na empresa. Para avaliar cargos, temos que criar formulários que são respondidos e verificados por pessoas de confiança que participam do comitê de avaliação, e após essa apreciação os avaliadores começam a dar valores aos fatores, pontuando cada quesito de cada salário. Os cargos são avaliados um por um, para que seja mais fácil verificar as diferenças pertinentes que existem dentro do segmento aos quais os cargos pertencem, conhecidos como famílias de cargos. Após essa apreciação, será criada uma tabela de classificação dos cargos, em que cada cargo terá seus fatores descritos e posteriormente pontuados, dando condições para que quem for administrar os salários na empresa seja capaz de dar valor a cada cargo com o salário compatível no mercado. O importante destaque da unidade fica por conta dos tipos de avaliação de cargos estipulados pelas empresas para conseguir dar valor aos salários: são os famosos métodos quantitativos e não quantitativos. Os métodos não quantitativos normalmente são utilizados nas pequenas empresas com poucos cargos. Esses métodos não são precisos, pairando sempre pela subjetividade de quem escolhe os valores de cada salário de determinados cargos. Outro aspecto que deve ser observado é a comparação que esses métodos utilizam para dar valor aos salários dos cargos, confrontando todos os existentes na empresa com todos, e não por segmento ou família. Os métodos quantitativos são utilizados pelas grandes empresas no mercado de trabalho em razão da confiabilidade dos dados que são matematizados, ou seja, transformando fatores em números que são somados posteriormente e tratados matematicamente e estatisticamente até se chegar aos valores praticados no mercado. Para que isso ocorra, a ponderação dos fatores deve ser bem feita e, de preferência, deve existir em todo o segmento a ser avaliado das famílias de cargos. 96 Unidade II Após essa unidade, o aluno deverá ser capaz de realizar toda a estrutura para confeccionar o manual de cargos e salários, localizando os cargos dentro de um segmento ou família ao qual pertença, pesquisando os salários praticados no mercado e tentando, por meio das ponderações dos fatores, valorar ou pontuar cada fator, comparando os cargos. Também será capaz de realizar a prática de dar valor de salário aos cargos de acordo com os que são praticados no mercado. Exercícios Questão 1. (Enade, 2006, prova de Administração) A empresa de exportação Ji‑Paraná está fazendo uma atualização de seus cargos e salários. Iniciou o processo a partir da descrição de cargos, como é recomendado. Para implementar uma descrição eficiente de cargos, é necessário considerar: A) Os requisitos mentais. B) Os requisitos físicos. C) As faixas salariais. D) As tarefas e atribuições. E) As condições de trabalho. Resposta correta: alternativa D. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: os requisitos mentais consistem na identificação da instrução necessária, experiência anterior, iniciativa e aptidões fundamentais como características do perfil da pessoa que será empossada no cargo, estando, assim, dentro dos procedimentos inerentes à Análise do Cargo e não de sua Descrição. B) Alternativa incorreta. Justificativa: durante a Análise dos Cargos é que são procedidas as identificações dos conhecimentos, habilidades e capacidades imprescindíveispara o bom desempenho no cargo, realizações posteriores à Descrição de Cargo. 97 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS C) Alternativa incorreta. Justificativa: as faixas salariais são resultantes da Avaliação de Cargos, que é uma técnica assessora no desenvolvimento da estrutura de salários, onde são estabelecidas as relatividades entre os cargos, numa base lógica, proporcional e sistemática. Com base na Avaliação, torna‑se possível a elaboração de um sistema de remuneração, onde serão definidas as faixas salariais de cada cargo existente na estrutura organizacional. D) Alternativa correta. Justificativa: segundo Chiavenato (1997), a Descrição de Cargos consiste em elencar suas tarefas ou atribuições, o que o tornarão distinto de todos os demais da estrutura organizacional, resultando no detalhamento das responsabilidades do funcionário, ou seja, do que faz, quando faz, como faz, onde faz e por que faz, considerando‑se os aspectos da área funcional relacionada com o cargo. E) Alternativa incorreta. Justificativa: as condições de trabalho servem de base para a Análise de Cargos, em que são considerados o ambiente físico do trabalho, bem como os riscos de acidentes existentes. São condições externas ao cargo e não as de conteúdo, que são objeto da Descrição do Cargo. Questão 2. (Enade, 2009, prova de Adminstração) Saiu o resultado da pesquisa de clima organizacional da Jurandir S.A. Entretanto, os resultados relativos ao item Responsabilidade e Motivação com o Trabalho são os que mais preocupam Jorge, o Diretor de Recursos Humanos. Esses são os resultados da pesquisa: Quadro 13 Responsabilidade e motivação com o trabalho Índice de 5 a 1* Grau de importância** 1. Satisfação com o conteúdo e a variedade do trabalho 2,2 Muito importante 2. Satisfação com o nível de responsabilidade sobre o trabalho 2,1 Importante 3. Satisfação com a autonomia para realizar o trabalho 4,5 Muito importante 4. Satisfação com a influência na tomada de decisão para realizar o trabalho 4,2 Importante 5. Satisfação com o feedback no trabalho e nos seus resultados 4,0 Muito importante * Índice de 1 a 5, sendo 5 muito bom; 4 bom; 3 regular; 2 ruim; 1 muito ruim. ** Escala de 4 opções: muito importante; importante; pouco importante; não importante. Alguns funcionários relataram, no campo do questionário reservado para comentários adicionais, que as atividades não utilizavam plenamente seu potencial. Com base nas informações e nos dados apresentados, Jorge solicitou que sua equipe preparasse algumas opções de planos voltados para gerar motivação com o trabalho e reverter essa situação junto aos funcionários. Por qual das alternativas a seguir Jorge deve optar? 98 Unidade II A) Abertura dos canais de comunicação e feedback. B) Aumento do trabalho em grupo. C) Enriquecimento de cargo D) Participação dos funcionários no processo decisório. E) Simplificação das atividades. Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: analisando o resultado da pesquisa de clima organizacional, verifica‑se que o questionamento quanto a “Satisfação com feedback no trabalho e seus resultados” é um item ponderado como Muito Importante para a satisfação dos colaboradores. O resultado aponta uma percepção de que a comunicação e o feedback no seu trabalho registra na escala um nível Bom, apontando uma contribuição muito positiva destes quesitos para a satisfação e motivação da equipe. Portanto, não indica uma necessidade de atuação nestes quesitos. B) Alternativa incorreta. Justificativa: no tópico da pesquisa que relativo à Responsabilidade e Motivação no Trabalho, não é abordada nenhuma questão que se relacione diretamente com a intensidade e colaboração na participação dos indivíduos em trabalho em equipe. As inferências são de cunho individual e de percepções pessoais em relação ao trabalho desempenhado. C) Alternativa correta. Justificativa: analisando o resultado da pesquisa de clima organizacional, verifica‑se que o questionamento quanto a “Satisfação com conteúdo e variedade do trabalho” é um item ponderado como Muito Importante, para a satisfação dos colaboradores, bem como a “Satisfação com nível de responsabilidade com o trabalho”, também é um item ponderado como Importante, pelos colaboradores. O resultado aponta uma percepção, registrada na escala, no nível entre Ruim e Regular, tendendo muito mais para Ruim. Verifica‑se que os funcionários demonstram um descontentamento com, respectivamente, o conteúdo do cargo, ou seja, as tarefas que são executadas e seu grau de exigência, e com o nível de responsabilidade com o trabalho, ou melhor, das atribuições do cargo. O enriquecimento do cargo, segundo Herzberg, é uma forma eficaz para aumentar a motivação na realização de suas tarefas. O enriquecimento vertical aumentaria o grau de dificuldade do trabalho tornando mais complexas as tarefas inerentes. Já o enriquecimento lateral diversificaria as atribuições do cargo, ampliando a sua base de atuação e consequentes responsabilidades. Estas medidas coadunam com a necessidade 99 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS detectada para melhorar o clima organizacional, por meio da melhoria da percepção e satisfação com a diversidade das tarefas e nível de responsabilidade com o trabalho realizado. D) Alternativa incorreta. Justificativa: a satisfação pela participação dos funcionários no processo decisório fica flagrante ao deparar‑se com os resultados das respostas às questões referentes a “Satisfação com autonomia para realizar o trabalho”, um item ponderado como Muito Importante para a satisfação dos colaboradores, bem como a “Satisfação com influência na tomada de decisão para a realização do trabalho”, item também ponderado como Importante pelos colaboradores. O resultado aponta uma percepção, registrada na escala, no nível entre Muito Bom e Bom, demonstrando que não há percepção de descontentamento com a autonomia para a realização do trabalho na organização. E) Alternativa incorreta. Justificativa: as razões apontadas para a indicação de ação no sentido de enriquecer os cargos, vertical e lateralmente (na alternativa C), inviabilizam qualquer indicação para simplificação das atividades desempenhadas na organização. Basta uma analise atenta para os resultados insatisfatórios nos questionamentos sobre “Satisfação com nível de responsabilidade com o trabalho”, bem como sobre a “Satisfação com conteúdo e variedade do trabalho”. 100 Unidade III 5 ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Você já se deu conta da quantidade de conhecimento que já adquiriu até aqui? A busca pelo conhecimento, a curiosidade, as possibilidades de desenvolver novas habilidades são infinitas. E o que isso tem a ver com avalição de desempenho? Tudo, já que, resumidamente, a avaliação de desempenho analisa o CHA: • conhecimento: o que eu sei. • habilidades: como eu faço, as técnicas que possuo. • atitudes: como coloco em prática o meu conhecimento. O a seguir traz maiores explicações sobre o acrônimo CHA: Quadro 14 – CHA C H A Conhecimento Habilidade Atitude Saber técnico Saber fazer Querer fazer Adaptado de: Roberto (2019). Alguns exemplos de conhecimento são (ROBERTO, 2019): • idiomas; • normas; • técnicas; • informática; • ferramentas; • cálculos matemáticos. Unidade III 101 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Alguns exemplos de atitude são (ROBERTO, 2019): • iniciativa; • criatividade; • flexibilidade; • comunicação; • foco no cliente; • foco no resultado. Portanto, ao avaliar o desempenho de um profissional, a empresa está interessada em descobrir o que ele sabe de fato, como aplica os seus conhecimentos, como reage às situações. Sendo assim, o objetivo da avaliação de desempenho é analisar os resultados dos colaboradores dentro da empresa, pois só assim ela poderá avaliar se o colaborador está locado (ou não) em um cargo de acordo com as suas competências, se está sendosubaproveitado ou superestimado, e poderá, desse modo, elaborar novos projetos, corrigir eventuais problemas e propor estratégias com intuito de: • educar; • desenvolver; • treinar; • avaliar o desempenho dos trabalhadores. Segundo Chiavenato (2008, p. 241), avaliação de desempenho consiste em: uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa, em função das atividades que ela desempenha, das metas e resultados a serem alcançados, das competências que ela oferece e de seu potencial de desenvolvimento. Já para Gil (2014) a avaliação desempenha um papel estratégico de direção das práticas administrativas, pois viabiliza a identificação de problemas na supervisão do pessoal, no sistema de integração de funcionários novos da organização, nos desacordos com o cargo ou a função que a pessoa ocupa, na ausência de motivação, no melhor aproveitamento de um funcionário com potencial maior do que o cargo exige, entre outros. 102 Unidade III É um termômetro da realidade dos funcionários envolvidos em um setor: [...] a avaliação de desempenho pode ser definida como um processo que geralmente é fornecido anualmente por um supervisor para um subordinado, projetado para ajudar o funcionário a compreender suas funções, seus objetivos, suas expectativas e o sucesso em seu desempenho. A gestão de desempenho é o processo de criar um ambiente de trabalho no qual as pessoas podem realizar o melhor de suas habilidades [...] (SNELL; BOHLANDER, 2009, p. 298). Resumidamente, a avaliação de desempenho é um instrumento que poderá oferecer melhorias nas condições e na qualidade do trabalho. Segundo Chiavenato (2014, p. 211), existem seis questões fundamentais na avaliação do desempenho: 1. Por que avaliar o desempenho? 2. Qual é o desempenho que deve ser avaliado? 3. Como avaliar o desempenho? 4. Quem deve fazer a avaliação do desempenho? 5. Quando avaliar o desempenho? 6. Como comunicar a avaliação do desempenho? Veja que são orientações de como encaminhar a avaliação, uma vez que são inúmeros os fatores podem influenciar o desempenho dos colaboradores, desde problemas pessoais e ambiente de trabalho até a conjuntura econômica e social, entre outros. Contudo, sem sombra de dúvida, um dos fatores que mais influencia são as recompensas (salários, gratificações, prêmios etc.). De que forma as recompensas estão de acordo com os esforços do colaborador? Chiavenato explica que existem dois focos de avaliação: avaliação baseada em cargos e avaliação baseada em competências, ambos explicados com maiores detalhes na figura a seguir: 103 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Avaliação do desempenho Baseada em cargos Baseada em competências Avaliar o desempenho no cargo Objetivo primário Avaliar competências individuais ou grupais Cargos adequadamente desempenhados pelos ocupantes Objetivo final Competências adequadamente aplicadas no trabalho pelas pessoas Adequação dos ocupantes aos cargos ocupados Eficiência Adequação das competências ao negócio da organização Força de trabalho adequada ao conjunto de cargos da organização Eficácia Resultado das competências aplicadas ao negócio da organização Cargos ocupados e bem desempenhados na organização Indicador Pessoas dotadas de competências essenciais do sucesso do negócio da organização Cargos bem ocupados e custos de avaliação do desempenho Retorno sobre o investimento Competências aplicáveis e aplicadas e custos de avaliação do desempenho Figura 21 – Avaliação de desempenho baseada em cargos versus avaliação do desempenho baseada em competências Fonte: Chiavenato (2014, p. 212). Independente do foco, o importante é que a avaliação deverá gerar benefícios para os trabalhadores e para a empresa. Trabalhar de acordo com suas competências, ser reconhecido e valorizado com certeza vai gerar benefícios na produção e, por consequência, para a lucratividade da empresa. Veremos que existem várias formas de avaliação, mas o que você precisa saber agora é que os fatores para orientar a avaliação deverão ser previamente selecionados, e que cada um deles deverá ser descrito de forma clara e objetiva. O quadro a seguir demonstra um modelo de fatores que, no caso, foram escalonados de maneira a demonstrar o seu grau de atendimento, por exemplo como: ótimo, bom, regular, sofrível, fraco: Quadro 15 – Escala gráfica de avaliação do desempenho Fatores Ótimo Bom Regular Sofrível Fraco Produção (quantidade de trabalho realizada) Sempre ultrapassa os padrões Às vezes ultrapassa os padrões Satisfaz os padrões Às vezes abaixo dos padrões Sempre abaixo dos padrões Qualidade (esmero de trabalho) Excepcional qualidade no trabalho Superior qualidade no trabalho Qualidade satisfatória Qualidade insatisfatória Péssima qualidade no trabalho Conhecimento do trabalho (perícia no trabalho) Conhece todo o trabalho Conhecimento mais do que necessário Conhecimento suficiente Conhecimento de parte do trabalho Conhece pouco o trabalho 104 Unidade III Fatores Ótimo Bom Regular Sofrível Fraco Cooperação (relacionamento interpessoal) Excelente espírito de colaboração Bom espírito de colaboração Colaboração normal Pouca colaboração Nenhuma colaboração Compreensão de situações (capacidade de resolver problemas) Excelente capacidade de intuição Boa capacidade de intuição Satisfatória capacidade de intuição Pouca capacidade de intuição Nenhuma capacidade de intuição Criatividade (capacidade de inovar) Tem sempre excelentes ideias Quase sempre tem excelentes ideias Algumas vezes apresenta ideias Raramente apresenta ideias Nunca apresenta ideias Realização (capacidade de lazer) Excelente capacidade de realizar Boa capacidade de realizar Razoável capacidade de realizar Dificuldade de realizar Incapacidade de realizar Fonte: Chiavenato (2014, p. 218). Este é um exemplo que adotou o modelo de escala gráfica. A escala deverá ser elaborada de acordo com os critérios selecionados pela empresa – lembrando que cada empresa possui sua própria realidade. Chiavenato apresenta ainda os critérios mais comuns de avaliação: Quadro 16 – Critérios comuns de avaliação Habilidades (capacidades, necessidades, traços) Comportamentos Metas e resultados Conhecimento do cargo Desempenho da tarefa Quantidade de trabalho Conhecimento do negócio Espírito de equipe Qualidade do trabalho Pontualidade Relacionamento humano Atendimento ao cliente Assiduidade Cooperação Satisfação do cliente Lealdade Criatividade Redução de custos Honestidade Liderança Rapidez nas soluções Apresentação pessoal Hábitos de segurança Redução de refugos Bom senso Responsabilidade Ausência de acidentes Capacidade de realização Atitude e iniciativa Manutenção do equipamento Compreensão de situações Personalidade Atendimento a prazos Facilidade de aprender Desembaraço Foco em resultados Atitude pessoal Prontidão Aprimoramento técnico Fonte: Chiavenato (2014, p. 217). 105 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Mas como fazer a pesquisa? Bom, para responder isso precisamos lembrar que cada empresa é um mundo à parte. A visão do negócio é ditada pelos empresários (sócios, acionistas). Afinal, o negócio é deles. São os empresários que impõem o modelo de administração, são eles que definem um modelo tradicional, moderno, misto. Sendo assim, o método de pesquisa segue o modelo do negócio. A empresa também deverá se organizar, criar a equipe que irá organizar, centralizar os resultados e decidir os encaminhamentos. Algumas empresas optam por estabelecer a comissão de avaliação do desempenho, criar órgão de gestão de pessoas, em algumas situações contratar empresas especializadas. O importante é se organizar, estabelecer quais são as expectativas, escolher um método de avaliação, tabular os resultados, compartilhá-los com as partes interessadas e implementar as ações necessárias, etapas sintetizadasna figura a seguir: Alinhamento das expectativas Avaliação de desempenho Feedback e tomada de decisões Figura 22 A seguir falaremos de alguns dos modelos mais conhecidos de avaliação do desempenho. 5.1 Métodos tradicionais Segundo Chiavenato (2011, p. 217) “os métodos tradicionais de avaliação do desempenho mais utilizados são: escalas gráficas, escolha forçada, pesquisa de campo, incidentes críticos e listas de verificação”. 106 Unidade III 5.1.1 Escalas gráficas Já vimos este modelo no quadro anterior. Este método é baseado em uma tabela de fatores, que são selecionados pela equipe que conduzirá a avaliação do desempenho. Os fatores seguem a orientação da empresa: Os fatores são previamente selecionados e escolhidos para definir em cada pessoa as qualidades que se pretende avaliar. Cada fator é definido com uma descrição sumária, simples e objetiva. Quanto melhor essa descrição, maior a precisão do fator. Cada fator é dimensionado para retratar uma gama ampla de desempenho: desde o desempenho fraco ou insatisfatório até um desempenho ótimo ou excelente. Entre esses extremos, existem várias opções intermediárias (CHIAVENATO, 2011, p. 217). Definidos os fatores, a cada um deles é atribuída uma pontuação da seguinte forma: • ótimo: 5; • bom: 4; • regular: 3, • sofrível: 2; • fraco: 1. O colaborador será avaliado conforme a pontuação obtida. 5.1.2 Escolha forçada De acordo com Chiavenato (2011, p. 218), a escolha forçada consiste em: [...] avaliar o desempenho das pessoas por meio de blocos de frases descritivas que focalizam certos aspectos do comportamento. Cada bloco é composto de duas, quatro ou mais frases. O avaliador escolhe forçosamente apenas uma ou duas frases em cada bloco que mais se aplicam ao desempenho do avaliado. Ou então, escolhe a frase que mais representa o desempenho do funcionário e a frase que mais se distancia dele. Daí, a denominação escolha forçada. 107 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Veja um modelo: Figura 23 – Modelo de escolha forçada Fonte: Chiavenato (2011, p. 219). 5.1.3 Pesquisa de campo Também de acordo com Chiavenato (2011, p. 219): É um dos métodos tradicionais mais completos de avaliação do desempenho. Baseia-se no princípio da responsabilidade de linha e da função de staff no processo de avaliação do desempenho. Requer entrevistas entre o especialista em avaliação (staff) com os gerentes (linha) para, em conjunto, avaliar o desempenho dos funcionários. Daí o nome pesquisa de campo. A partir da entrevista com cada gerente, o especialista preenche um formulário para cada funcionário avaliado. O método se desenvolve em quatro etapas: entrevista de avaliação inicial, entrevista de análise complementar, planejamento das providências e acompanhamento dos resultados. 108 Unidade III Veja um modelo de pesquisa de campo: Figura 24 – Modelo de pesquisa de campo Fonte: Chiavenato (2011, p. 220). 5.1.4 Incidentes críticos É um método bem simples, que se baseia em características opostas e extremas, conforme podemos observar no exemplo retratado na figura a seguir: 109 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Figura 25 – Modelo de incidentes críticos Fonte: Chiavenato (2011, p. 221). 5.1.5 Lista de verificação Funciona como uma checklists e o avaliador vai assinalando a pontuação conforme o desempenho do colaborador: Figura 26 – Modelo de lista de verificação Fonte: Chiavenato (2011, p. 221). 5.2 Novos métodos (modernos) Assim como tudo na vida, a visão do negócio também vai se modificando. A visão do papel do colaborador também mudou e desta forma surgiram novos métodos de avaliação, são eles: Avaliação Participativa por Objetivos (APPO), Avaliação 360°, Métodos Mistos. 110 Unidade III 5.2.1 Avaliação participativa por objetivos (APPO) Neste método existe uma participação ativa do colaborador e do superior, com a definição das metas, dos objetivos e das recompensas. As responsabilidades são claras, e o colaborador tem claro o que é esperado dele: Ação individual do subordinado: desempenhar as tarefas Gerente e subordinado se reúnem Formulação conjunta de objetivos consensuais Avaliação conjunta do alcance dos objetivos e reciclagem do processo APO Ação individual do gerente: proporcionar apoio, direção, orientação e recursos O processo de APPO Figura 27 Fonte: Chiavenato (2011, p. 226). 5.2.2 Avaliação 360° É o método mais democrático, que envolve cada membro da equipe. Participam o avaliado, os colegas, os superiores e os subordinados, conforme explica a figura a seguir: Avaliado (autoavaliação) Gerente Subordinado Outros gerentes Subordinado Colega do mesmo nível Executivos Subordinado Colega do mesmo nível Figura 28 – Avaliação 360º ou circular Fonte: Chiavenato (2011, p. 227). 111 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Todos recebem o formulário de avaliação, tanto pela internet como em papel, as respostas são analisadas e tabuladas. Ao final, o avaliado recebe os resultados e, juntamente com o superior, elabora o plano de desenvolvimento individual. 5.2.3 Métodos mistos Envolve a aplicação dos dois métodos conjuntamente: APPO e Avaliação 360°. A ideia é garantir uma participação ativa das partes com resultados que garantam o desenvolvimento de métodos de treinamento e aperfeiçoamento pessoal. Garantindo que o avaliado possa escolher as formas de utilizar suas competências. O importante, independentemente do método utilizado, é que ocorra o feedback após a avaliação. A avaliação do desempenho não terá sentido se os resultados não forem compartilhados e utilizados para implementar projetos de melhorias. Uma prática usual é a reunião entre o colaborador e seu líder. Juntos, poderão traçar os planos de ação para obter as mudanças necessárias e evoluir o desempenho. É importante manter uma regularidade, pode ser semestral, trimestral etc. para que a avaliação se incorpore à cultura da empresa. A ideia é criar uma educação corporativa, alinhando os resultados com as ações que deverão ser implementadas. 5.3 Competências necessárias para a execução das atividades de cada cargo Convém incluir aqui algumas definições: • cargo: conjunto de funções definidas; • função: conjunto de tarefas exercidas; • tarefas: atividades individualizadas executadas pelo ocupante do cargo. Logo, um cargo é um conjunto de atividades. Para o desempenho dessas atividades, são aguardadas determinadas competências. Vamos agora recordar os fatores de classificação dos cargos: • requisitos mentais: — nível escolar; — especialização; — experiência; 112 Unidade III — complexidade; — habilidade analítica; — criatividade; — julgamento e iniciativa; — planejamento; — organização. • requisitos físicos: — esforço físico; — posições assumidas; — habilidade manual; — fadiga mental/visual; — concentração; — monotonia; — pressão emocional. • responsabilidades: — por material ou produto; — por ferramentas e equipamentos; — por erros; — por supervisão; — por valores; — por segurança de outros; — por dados confidenciais; — por decisões; — por relações pessoais. 113 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS • condições de trabalho: — ambiente; — riscos. Veja que são fatores diferentes, portanto, são competência distintas. Cada cargo exige competências específicas. Portanto a avaliação deve considerar essas especificidades. A avaliação proporciona informações sobre como as pessoas estão integradas e identificadas em suas tarefas, funções e cargos. Logo, o desempenho dos cargos gera expectativas tanto para as empresas quanto para os colaboradores. As organizações são criadas para produzir algo: produtos ou serviços. Para tanto, utilizam energia humana e não humana para transformar matérias- primas em produtos ou serviços. Embora possuam coisas inanimadas, como edifícios, máquinas e equipamentos, instalações, mesas, arquivos etc., as organizaçõessão, afinal de contas, constituídas por pessoas. As organizações podem somente funcionar quando as pessoas estão em seus postos de trabalho e desempenham adequadamente os papéis para os quais foram selecionadas, admitidas e preparadas (CHIAVENATO, 2009, p. 7). Nesse sentido, é importante que as expectativas estejam sendo atendidas, já que o contrato de trabalho é uma via de mão dupla. A empresa espera por resultados, oriundos da realização de tarefas, com o atendimento dos objetivos traçados, por meio das atividades desenvolvidas pelos colaboradores. Do outro lado, os colaboradores também esperam por reconhecimento, por meio da renumeração, prêmios e outras formas de benefícios. Assim, para que as expectativas sejam atendidas, é preciso que haja um alinhamento entre as atividades que devem ser desenvolvidas pelo ocupante do cargo e as competências e habilidades do colaborador: • competência: formação necessárias para executar determinada função; • habilidade: predisposição do indivíduo para agir ou reagir de forma positiva ou negativa. Definir os cargos Habilidades Inatas Buscar pessoas adequadas para atender os cargos Gerenciar o desempenho Competências Aprendidas Figura 29 114 Unidade III Veja a importância da avaliação! O desempenho do profissional é avaliado tendo em vista as expectativas esperadas para as atividades. Os processos de desenvolvimento de pessoas, a avaliação de desempenho indica os pontos fortes e fracos de cada colaborador, apontando quem necessita de treinamento e quem poderia ser mais bem-aproveitado em outro cargo. Análise do cargo Desenho do cargo Tarefas, qualificações, resultados esperados e recompensas Estrutura organizacional de cargos Recrutamento e seleção Qualificação requerida Padrões de seleção e promoção Treinamento e desenvolvimento Tarefas, habilidades, comportamentos, atitudes Programas de treinamento Avaliação do desempenho Padrões de comportamento ou resultados esperados Critérios de avaliação do desempenho Remuneração Tarefas, habilidades, comportamentos, prêmios e incentivos Descrição de cargos, avaliação e classificação de cargos e faixas salariais Função Informação Resultado Figura 30 Fonte: Chiavenato (2014, p. 194). Também indica se as pessoas estão sendo motivadas e recompensadas pela organização, de acordo com as tarefas que desempenham, considerando as habilidades esperadas. Vamos resumir tudo: cada cargo possui pré-requisitos, como a formação (conhecimentos) e o comportamento esperado (atitudes). Uma empresa é um emaranhado de cargos, todos com funções próprias e importâncias distintas. Tanto para a pequena empresa como para uma empresa transnacional, a existência de empregados (colaboradores) é essencial. O capital humano é o principal ativo da empresa. Sendo assim, verificar se os empregados (colaboradores) estão locados em cargos que correspondem às suas competências é essencial para o negócio já que, ao encaixar o individuo em atividades que aproveitem melhor as suas qualificações, a empresa garante um aproveitamento melhor do trabalhador, uma melhoria nas condições de trabalho, no ambiente, na qualidade de vida do profissional e consequentemente uma maior produção, com maior qualidade técnica. Portanto, ao avaliar o desempenho dos profissionais, o que a empresa está buscando de fato é reconhecer se os empregados estão sendo aproveitados em cargos que explorem apropriadamente as suas competências, e assim corrigir eventuais falhas. 115 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 5.4 Alinhamento das expectativas dos colaboradores com suas funções Você trabalha? Ou talvez esteja buscando a sua primeira colocação, possivelmente por meio de um estágio? Ou você já é um profissional experiente, e está se aprimorando com este curso? Em comum, todos temos expectativas. Idealizamos como serão as atividades desenvolvidas no cargo almejado. Quais funções são desempenhadas no cargo? Qual a importância desse cargo na hierarquia da empresa? Quais suas responsabilidades, seu reconhecimento e, o mais importante, quais são suas recompensas? Reflita: por que você está fazendo este curso? Veja que tudo envolve expectativas, inclusive as respostas para as questões que acabamos de propor. Idealizamos essas respostas e assim nos motivamos a seguir em frente. Quando um colaborador é locado em um cargo, ele faz uma série de idealizações sobre o que acontecerá. Imagine, por exemplo, alguém que acabou de conseguir uma vaga de assistente administrativo no setor de RH. Talvez essa pessoa pense algo como “vou me esforçar muito para conquistar a empresa e assim obter uma promoção. Este cargo está abrindo as portas para o desenvolvimento da minha carreia!”. É bem plausível supor que uma pessoa nessa situação pense algo nessa linha, não é? Agora considere alguém que acabou de conseguir uma oportunidade de estágio. Não parece razoável imaginar que pense algo como: “Puxa, que oportunidade, estagiar logo no departamento de RH! Vou me esforçar o máximo para aprender muito e quem sabe ser efetivado!”. Isso são expectativas. Assim como as pessoas possuem expectativas, os cargos também o fazem. Para cada cargo, um rol de competências são esperadas. A expectativa é a de que o integrante do cargo tenha essas competências e desempenhe as funções conforme o esperado, atendendo as metas e atingindo os objetivos, ou seja, cumprindo as expectativas. Dessa forma, ao avaliar o desempenho do profissional no cargo, o que a empresa está ambicionando é verificar se as expectativas do cargo estão sendo atendidas. Para que o desempenho seja avaliado de acordo com o cargo, a avaliação deve ser orientada pelo desempenho nas atividades atuais. Em outras palavras, de acordo com o cargo que o colaborador estiver ocupando, quais as competências necessárias para o cargo e quais as competências o colaborador demonstra possuir? Pense na seguinte situação: Juca é excelente com cálculos, por outro lado, é extremamente tímido. E foi contratado para ser analista de RH. Devido a isso, embora as suas planilhas de valores estejam sempre corretas, ele tem grande dificuldade de comunicação com os trabalhadores da empresa. 116 Unidade III Após a avaliação do seu desempenho, a empresa decidiu transferir o Juca para o setor financeiro, para o cargo de analista financeiro. Sua avaliação mudou, o seu desempenho passou a superar as expectativas. Juca estava locado em um cargo que não aproveitava as suas competências. É por isso que o desempenho e os objetivos do cargo devem estar alinhados. Outro ponto importante é que a avaliação deve ocorrer considerando o desempenho do colaborador no cargo, e não as atitudes e hábitos pessoais. Chiavenato (2014) ressalta que, a avaliação deverá ser aceita por ambas as partes, pelo avaliador e pelo avaliado. Ou seja, o resultado deverá trazer benefícios para o colaborador e para a empresa. A avaliação deverá gerar um aumento no desempenho, uma vez que os resultados deverão apontar os caminhos para sanar as falhas. Esses resultados deverão ser discutidos com o avaliado, para que ele possa compreender cada ponto e, se for o caso, propor as ações necessárias. Ambiente externo Ambiente interno Definir objetos específicos da avaliação do desempenho Estabelecer expectativas para a pessoa (análise do trabalho) Examinar o trabalho desempenhado Avaliar o desempenho Discutir a avaliação com o funcionário Figura 31 – Processo de avaliação do desempenho Fonte: Chiavenato (2014, p. 213). 5.5 Avaliação do desempenho do profissional de acordo com as características do cargo Como já foi dito, cada cargo possui características próprias. Pense nas seguintes questões: todo artista é igual? As competências de um pianista são as mesmas de um dançarino? 117 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Figura 32 – Pianista Disponível em: https://bit.ly/3GxQ4qd. Acesso em: 10 dez. 2021. Figura 33 – Dançarino Disponível em: https://bit.ly/3GCjHXv.Acesso em: 10 dez. 2021. 118 Unidade III As competências são as compreendidas na sigla CHA. Lembrete CHA é uma sigla que indica conhecimentos, habilidades e atitudes. Os CHA permitem ao colaborador desempenhar com eficácia as atividades inerentes ao cargo: O conceito de competência é pensado como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes – CHA – que justificam um alto desempenho, na medida em que há o pressuposto de que os melhores desempenhos estão fundamentados não somente na inteligência, mas também na personalidade das pessoas (SPENCER; SPENCER, 1993 apud OLIVEIRA; SANTOS; LOURENÇÃO, 2008, p. 190). Habilidades Conhecimentos Atitudes Figura 34 – Árvore das competências Adaptada de: https://bit.ly/3lTj1VG. Acesso em: 10 dez. 2021. Oliveira, Santos e Lourenção (2008) explicam que as competências podem ser definidas como uma combinação de conhecimentos, habilidades e atitudes que eles definem como “árvore de competências”: A copa corresponde às habilidades – agir com aptidão, capacidade e técnica em relação à realidade, resolvendo problemas e obtendo resultados positivos; o tronco e os galhos correspondem ao conhecimento – referem-se ao conjunto de informações que a pessoa armazena e utiliza, quando necessário, e a raiz corresponde às atitudes – ao conjunto de valores, crenças e princípios que são formados no decorrer da vida. Estão relacionados com o querer ser e o querer agir e implicam o grau de comprometimento com o trabalho (OLIVEIRA; SANTOS; LOURENÇÃO, 2008, p. 191). 119 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Para Chiavenato (2011, p. 562) o conhecimento é o principal recurso que uma organização pode possuir e ele é desenvolvido pelas pessoas: São as pessoas que aprendem, desenvolvem e aplicam o conhecimento na utilização adequada dos demais recursos organizacionais. Os recursos são estáticos, inertes e dependentes da inteligência humana que utiliza o conhecimento. O conhecimento é criado e modificado pelas pessoas e é obtido por meio da interação social, estudo, trabalho e lazer. O conhecimento é tão importante porque o mundo está em constante transformação. Rapidamente o nosso conhecimento se torna obsoleto, por isso é tão importante nos mantermos atualizados. Além disso, o mundo do trabalho hoje é global, a cada dia tomamos conhecimento de novas formas de trabalho, e muitas organizações estão espalhadas por todos os continentes, entrelaçando ainda mais as trocas de conhecimentos. Chiavenato (2011, p. 5) afirma que “o conhecimento é necessário e fundamental; mas não é suficiente para o sucesso profissional”, isso porque ele precisa estar aliado às habilidades e às atitudes. Oliveira, Santos e Lourenção (2008, p. 191) definem que a habilidade [...] está relacionada ao saber fazer algo ou à capacidade de aplicar e fazer uso produtivo do conhecimento adquirido; instaurar informações e utilizá- las em uma ação, com vistas à consecução de um propósito específico. É a nossa capacidade de transformar toda a carga de conhecimento em ação e, por meio dessa ação, obter o desempenho esperado. Chiavenato (2011) apresenta três tipos de habilidades: habilidades técnicas, humanas e conceituais. Nível institucional Nível intermediário Nível operacional Habilidades conceituais Ideias e conceitos abstratos Habilidades técnicas Manuseio de objetos físicos Habilidades humanas Relacionamento interpessoal Execução das operações Fazer e executar Figura 35 – Três tipos de habilidades 120 Unidade III O indivíduo deve combinar os três tipos de habilidades, mas cada nível hierárquico requer o desenvolvimento de uma sobre a outra. De acordo com a sigla CHA, temos ainda as atitudes. Atitude é o querer fazer. Está diretamente relacionada a como reagimos às situações. Oliveira, Santos e Lourenção (2008, p. 191) explicam que ela [...] refere-se a aspectos sociais e afetivos relacionados ao trabalho, que são estados complexos do ser humano que afetam o comportamento em relação a pessoas e eventos, determinando a escolha de um curso de ação pessoal. Atitude, assim, está diretamente relacionada com a motivação, com o quanto determinado ambiente motiva ou não as pessoas. A atitude está ligada à personalidade, a como a pessoa encara as situações, mas também sofre influências do meio onde está inserida. Chiavenato (2011, p. 5-6) explica o conceito dizendo que: A atitude representa o estilo pessoal de fazer as coisas acontecerem, a maneira de liderar, de motivar, de comunicar e de levar as coisas para a frente. Envolve o impulso e a determinação de inovar e a convicção de melhorar continuamente o espírito empreendedor, o inconformismo com os problemas atuais e, sobretudo, a facilidade de trabalhar com outras pessoas e fazer as suas cabeças. Explicados os conceitos, precisamos compreender que cada profissional individualmente possui as suas competências. Conforme define Ruas (2005, p. 49), é a competência individual que “deve ser pensada como uma ação através da qual se mobilizam conhecimentos, habilidades e atitudes pessoais e profissionais a fim de cumprir com uma certa tarefa ou responsabilidade, numa determinada situação”, ou seja, como o profissional reage às inúmeras situações que são impostas no ambiente de trabalho. A competência individual deve corresponder ao cargo, já que cada cargo possui os seus objetivos dentro da organização. Por isso é tão importante avaliar o desempenho do profissional de acordo com as características do cargo. 5.6 Elaboração de treinamentos, estabelecimento de desenvolvimento de pessoas A avaliação foi feita, os resultados foram discutidos com as partes envolvidas (avaliados e líder), os pontos fracos foram discutidos, os positivos elogiados. O que fazer com tudo isso? A empresa deve propor os encaminhamentos: os treinamentos e o estabelecimento de desenvolvimento de pessoas. 121 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Conforme conceitua Chiavenato (2011, p. 310): [...] o treinamento é considerado um meio de desenvolver competências nas pessoas para que elas se tornem mais produtivas, criativas e inovadoras a fim de contribuir melhor para os objetivos organizacionais e se tornar cada vez mais valiosas. Normalmente o treinamento possui a finalidade de incorporar informações, habilidades, atitudes e conceitos por parte dos colaboradores, sendo composto por quatro fases: 1 Levantamento das necessidades de treinamento a serem satisfeitas 4 Avaliação dos resultados do treinamento 2 Desenho do programa de treinamento 3 Aplicação do programa de treinamento Figura 36 – As quatro etapas do treinamento Fonte: Chiavenato (2014, p. 316). Ainda de acordo com Chiavenato (2014, p. 316), o treinamento deve ser desenvolvido em quatros etapas: • Diagnósticos de carências. • A decisão quanto à estratégia para a solução. • A implementação da ação e a avaliação. • O controle dos resultados das ações de treinamento. Observação Não se deve confundir treinamento com uma simples questão de realizar cursos e proporcionar informação. 122 Unidade III Ele deve ser uma atividade constante, visando ao aprimoramento das condições de trabalho, à capacitação dos colaboradores e ao desenvolvimento das equipes. O foco deve ser o desenvolvimento do CHA (conhecimentos, habilidades e atitudes). Deve ser motivador. O treinamento, é desenvolvido para atender às necessidades que foram diagnosticadas na avaliação do desempenho mas, por ser uma atividade contínua, deve ocorrer permanentemente, incentivando o alcance do melhor desempenho constantemente. Seguindo Chiavenato (2014), o treinamento deve ser feito em cinco níveis: Análise organizacional Dagnóstico organizacional Determinação da missão, da visão e dos objetivos estratégicos da organização Análise das competências organizacionais requeridas Definição das competências necessárias Diagnóstico das competências existentes Análise da estruturade cargos Exame dos requisitos exigidos pelos cargos, especificações de cada cargo e mudanças nos cargos Análise dos recursos humanos Determinação de quais comportamentos, atitudes e competências são necessários ao alcance dos objetivos organizacionais Análise do treinamento Objetivos a serem utilizados na avaliação do programa de treinamento Figura 37 – Os passos no levantamento das necessidades de treinamento Fonte: Chiavenato (2014, p. 318). O treinamento deve seguir as necessidades apontadas. Dessa forma, o programa pode ser desenvolvido com a contratação de programas de treinamentos, implantação de programas voltados para as necessidades apontadas ou contratação de uma consultoria especializada, que deverá avaliar (CHIAVENATO, 2014): • quem precisa do treinamento; • como deve ser desenvolvido o treinamento; • qual conteúdo deve compor o treinamento; 123 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS • quem deverá aplicar o treinamento; • em qual local deverá ser aplicado; • em que época o treinamento deverá ser realizado; • quais os objetivos do treinamento. Treinar requer tempo, investimento e comprometimento das partes envolvidas. Por outro lado, é um processo mais rápido quando projetado para o nível hierárquico que demonstrou ter necessidade de ser treinado. Além disso, habitualmente o treinamento está vinculado às condições de trabalho, às tarefas, ao ambiente e às atitudes esperadas no desempenho dos cargos. Podemos resumir que treinamento é um esforço voltado para uma equipe, com o objetivo de motivar o colaborador para alcançar as metas e objetivos do cargo. Portanto ele é voltado para as pessoas que fazem parte da equipe, independente do nível hierárquico. A ideia é modificar o comportamento inadequado para a produção, a fim de torná-lo mais produtivo e com maior qualidade. Trata-se, portanto, de aprimorar o CHA, desenvolver as habilidades, as atitudes e os conhecimentos. Treinamento Transmissão de informações Aumentar o conhecimento das pessoas Informações sobre organização, seus produtos/serviços, políticas e diretrizes, regras e regulamentos e seus clientes Desenvolvimento da habilidade Melhorar as habilidades e as destrezas Habilitar para a execução e a operação de tarefas, manejar equipamentos, máquinas e ferramentas Desenvolvimento de atitudes Desenvolver/modificar comportamentos Mudança de atitudes negativas para atitudes favoráveis, conscientização e sensibilidade com as pessoas, com os clientes internos e externos Desenvolvimento de conceitos Elevar o nível de abstração Desenvolver ideias e conceitos para ajudar as pessoas a pensar em termos globais e amplos Construção de competências Criar competências individuais Criar e desenvolver competências individuais alinhadas com o objetivo da organização Figura 38 – Tipos de mudanças de comportamento decorrentes do treinamento Fonte: Chiavenato (2014, p. 311). Já o desenvolvimento é um processo mais longo e profundo: Desenvolvimento é o processo de longo prazo para aperfeiçoar as capacidades e motivações dos empregados a fim de torná-los futuros membros valiosos da organização. O desenvolvimento não inclui apenas o treinamento, mas também a carreira e outras experiências (MILKOVICK; BOURDREAU, 2000, p. 338). 124 Unidade III O desenvolvimento está relacionado com a educação, está voltado para o futuro, é uma orientação a longo prazo. Envolve atividades planejadas para o desenvolvimento pessoal, das competências, das habilidades, do crescimento do colaborador e do desenvolvimento de carreiras. É uma dinâmica que demonstra que a empresa valoriza o seu capital humano, ou seja, o seu patrimônio imaterial. Geus afirma que a organização bem-sucedida é aquela que aprende eficazmente. A habilidade de aprender mais rapidamente que os concorrentes é a única vantagem competitiva sustentável. Quando a aprendizagem é encorajada, as pessoas se tornam capazes de: - Desenvolver novas competências: para compreender o negócio e as causas e os efeitos de certas decisões estratégicas. - Adquirir novos insights: sobre como a missão organizacional influencia as decisões cotidianas na organização. - Visualizar novos horizontes: combinando os novos insights e competências para ajudar as pessoas a ver mais claramente o que devem alcançar e como alcançar. - Sentirem-se recompensadas no trabalho: aprendendo e desenvolvendo habilidades e competências, as pessoas se sentem mais satisfeitas e realizadas com o que fazem. Quando se sentem mais recompensadas, elas tendem a se tornar excelentes e comprometidas com os objetivos da organização – um fator que contribui para o desenvolvimento e o sucesso no longo prazo das organizações (CHIAVENATO, 2014 p. 352). O desenvolvimento é uma estrutura que se dedica a gerar suporte aos colaboradores, aproveitando os seus potenciais. O segredo é que essas ações são motivadoras, estimulantes, recompensadoras. O clima organizacional melhora, os benefícios são notados em todas as equipes. Com isso, a empresa retém e atrai novos talentos. Ainda segundo Chiavenato (2014), os principais métodos de desenvolvimento das pessoas são: rotação dos cargos, posição de assessoria, aprendizagem prática, atribuição de comissões, participação em cursos e seminários externos, exercícios de simulação, treinamento fora da empresa, estudo de caso, jogos de empresas, centros de desenvolvimento internos, coaching, tutoria e aconselhamento dos funcionários. Veja que em comum todos trazem a ideia de crescimento pessoal e profissional, valorizando a elaboração de um plano de carreira tanto pessoal quanto corporativo. 125 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Saiba mais O que é plano de carreira? Segundo o Sebrae, plano de carreira é um programa estruturado que estipula o caminho que cada funcionário vai percorrer dentro de uma organização. Ele determina as competências necessárias para cada posição hierárquica e também qual é a expectativa da empresa em relação àquela posição. Consulte: SEBRAE. Plano de carreira: o que é e como criar. 18 set. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3DULdNT. Acesso em: 13 dez. 2021. A empresa deve motivar os colaboradores para a busca do crescimento pessoal e profissional, da educação contínua, da criatividade e da inteligência emocional. Habilidades de quem tem inteligência emocional Tomar decisões mais adequadas Gerenciar convenientemente suas emoções Ampliar sua capacidade de comunicação Controlar seus impulsos e regular seu estado de humor Ter o respeito tanto de si mesmo quanto das outras pessoas Ser capaz de se automotivar Ter relações interpessoais melhores Ter maior tolerância e ser mais resiliente Figura 39 – Habilidades de quem tem inteligência emocional Desenvolvimento de carreiras: O desenvolvimento de pessoas está intimamente relacionado com o desenvolvimento de suas carreiras. Carreira é a sucessão ou a sequência de cargos ocupados por uma pessoa ao longo da vida profissional. A carreira 126 Unidade III pressupõe desenvolvimento profissional gradativo e cargos crescentemente mais elevados e complexos. O desenvolvimento de carreira é um processo formalizado e sequencial que focaliza o planejamento do futuro dos funcionários que têm potencial para ocupar cargos mais elevados. O desenvolvimento de carreiras é alcançado quando as organizações conseguem integrar o processo com outros programas de GP (gestão de pessoas), como avaliação do desempenho, T&D (treinamento e desenvolvimento) e planejamento de GP (CHIAVENATO, 2014, p. 311). Veja que o desenvolvimento de carreira está diretamente ligado ao desenvolvimento de pessoas, seja pelo processo contínuo ou por meio de treinamentos. Uma carreira profissional é fundada em expectativas. Lembra que anteriormente falamos das expectativas dos cargos? Há expectativas tanto por parte da empresa, ao analisar o desempenho do colaborador nas funções, quanto por parte dos colaboradores,com as recompensas decorrentes de seu bom desempenho. Observação Recompensa aqui tem um sentido amplo: reconhecimento, autoestima, promoção, elogios, prêmios, aumentos salariais etc.). Ao ingressar em uma empresa, uma das maiores expectativas que o colaborador carrega é a de crescimento dentro dela, ou seja, de desenvolver-se pessoal e profissionalmente. Para isso a empresa deve investir, seja com treinamentos, seja com projetos mais extensos e duradouros – e, ao fazê-lo, ela passa a ter uma expectativa de retorno. O plano de carreira deve ser criado e desenvolvido pela empresa. Contudo, ela deverá contar com meios de motivação para que todos os seus colaboradores invistam no projeto, principalmente por meio da busca incessante de conhecimento. A ideia é motivar para obter o retorno. 127 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Necessidades da organização Necessidades individuais de carreira Quais são os principais itens estratégicos para os próximos anos? Quais conhecimentos, habilidades e experiências serão necessários para enfrentar os desafios? Quais são os níveis de pessoas a serem requeridos? Quais são as forças necessárias à organização para enfrentar esses desafios? Consequência: Os funcionários estão se desenvolvendo de maneira que junte sua eficácia e satisfação com o alcance dos objetivos estratégicos da organização. Como encontrar oportunidades de carreira em uma organização que: Utilize minhas forças e competências. Atenda às minhas necessidades de desenvolvimento. Proporcione desafios. Atenda meus interesses. Utilize meu estilo pessoal. Figura 40 – Sistema de desenvolvimento de carreiras Fonte: Chiavenato (2014, p. 355). Ainda segundo Chiavenato (2014), as principais ferramentas utilizadas para o desenvolvimento de carreiras são: • centros de avaliação: exercícios, testes, jogos, entre outros; • testes psicológicos: são os mesmos utilizados na seleção de pessoas; • avaliação de desempenho; • projeções de promovabilidade: são decisões tomadas pelos superiores hierárquicos em relação à promoção dos subordinados; • planejamento de sucessão: avalia as competências dos colaboradores. As empresas também devem investir em orientações pessoais, por meio de aconselhamentos e serviços de informações (de vagas, levantamento das habilidades dos colaboradores, mapeamento etc.). 5.6.1 Desenvolvimento organizacional É uma estratégia com o objetivo de melhorar os valores e as estruturas da organização, com o intuito de acompanhar as transformações do mercado e as necessidades internas de mudanças. Os próprios colaboradores participam, com avaliações sobre os pontos que necessitam de revisões. São eles que 128 Unidade III formulam as propostas de mudanças. O processo se inicia com questionamentos e análise da estrutura, conforme explica a figura a seguir: Como está estruturada a empresa? Para permanência ou para a mudança? Qual é o esquema hierárquico existente? Como funcionam as comunicações? E o processo decisório? Qual é a importância das pessoas? Como funcionam os processos? Como é o ciclo operacional? Como é a rede de informações? E a matriz tecnológica? Como é o desenho de cargos? Qual é a função das pessoas? Qual é a missão da empresa? Quais são os valores? Qual é o papel das pessoas? Existem equipes? E a administração? E os gerentes? Como funciona o sistema de motivação e recompensa? E a participação das pessoas? Quem são os clientes internos e externos? Quais são o perfil e a características? O que a empresa oferece? Quais são as características dos P/S? Conservadores ou inovadores? Processos e tecnologia Estrutura organizacional Produtos/ serviços Cultura/ pessoas Figura 41 – Mudanças para agregar valor ao negócio Fonte: Chiavenato (2014, p. 363). A partir do levantamento das questões, os colaboradores propõem as soluções e encaminhamentos para promover as mudanças necessárias. Lembrete Veja que a empresa é composta por pessoas, e são elas que mudam e proporcionam a mudança organizacional. O desenvolvimento organizacional é um trabalho coletivo, é fruto da colaboração de todos que trabalham na empresa. Quando contamos com a colaboração e o envolvimento de todos, o ambiente se torna mais dinâmico, há um maior engajamento dos colaboradores, uma melhoria na qualidade de vida e do ambiente de trabalho, mais eficiência na solução dos conflitos, aumento da motivação, espírito de equipe, entre outros. 129 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Modelo clássico Modelo humanista Modelo contingencial Descrição de cargos O quê Quando Como Onde Por quê Métodos Entrevista Questionário Observação Gestão de carreira Ênfase no cargo Ênfase em competências Trabalho em equipe Funcionais cruzadas Projetos Autodirigidas Forças-tarefas Melhoria de processos Características Participação Responsabilidade Clareza Interação Flexibilidade Focalização Criatividade Rapidez Análise de cargos Requisitos mentais Requisitos físicos Responsabilidades Condições de trabalho Subsídios Recrutamento Seleção Avaliação Treinamento Remuneração Carreira Carreira Carreira vertical Outras opções Autogerenciamento Aspectos Dependência da máquina Fragmentação Ênfase na eficiência Conservantismo Aspectos Organização informal Contexto do cargo Condições sociais Interação Aspectos Variedade Autonomia Significado Identidade Retroação Limitações Dependência da máquina Fragmentação Ênfase na eficiência Conservantismo Limitações Foco no contexto Romantismo Manipulação Descrédito Outras abordagens Simplificação Trabalho em grupo Ampliação Enriquecimento Equipes Vantagens esperadas Redução de custos Padronização Apoio à tecnologia Vantagens esperadas Satisfação Consulta Participação Ênfase nos grupos Vantagens esperadas Multifuncionalidade Autonomia Autodireção Iniciativa Autoavaliação Estados psicológicos críticos Percepção do sigificado Responsabilidade Conheciimento dos resultados Conceitos implementadores Tarefas combinadas Unidades de trabalho Relação com clientes Cargo vertical Canais de retroação Grupos autônomos Desenho de cargos Vertical Horizontal Recursos Relações Informação Sistemas Tecnologia Conteúdo Métodos Responsabilidade Autoridade Motivação intrínseca Desenvolvimento Crescimento pessoal Satisfação Enriquecimento de cargos Figura 42 – Resumo de avaliação de desempenho Fonte: Chiavenato (2014, p. 205). 130 Unidade III 5.7 Conceito O desenvolvimento profissional dos colaboradores é o escopo principal do plano de carreiras. O desenvolvimento do colaborador nas carreiras é resultado da conjunção dos dois principais fatores – disposição do profissional para se qualificar e oportunidades que lhe são oferecidas. Essa disposição está alocada em níveis pelos quais os colaboradores vão passando em sua vida profissional, mediante o amadurecimento do seu aprendizado dentro do seu segmento de atuação. Os graus estipulados dentro dos cargos nas empresas fazem com que os indivíduos, de uma forma natural, venham a agregar valor em sua vida profissional. Dessa forma, o indivíduo galga degraus no que damos o nome de carreira. Algumas das dúvidas a esse respeito que pairam entre os alunos são, por exemplo: como fazer uma carreira sólida? Qual a responsabilidade da empresa e do colaborador para que isso ocorra? Até a década de 1990, as pessoas entravam em uma empresa nos níveis mais baixos, como office-boy ou auxiliar, e só saiam quando se aposentavam; alguns com cargos de alto escalão, como gerentes e diretores. As carreiras muitas vezes eram dadas pelo tempo de casa, desprezando a competência e o preparo que os indivíduos tinham. Era uma utopia, pois nem sempre o indivíduo estava preparado para conseguir ir para outro grau dentro de seu segmento, por não ter maturidade suficiente para atuar no novo serviço. Após essa década, alguns estudiososcomeçaram a observar que as carreiras deveriam ser construídas a partir da competência dos indivíduos, e não apenas pelo seu tempo de casa. Logo, ter uma carreira sólida está estreitamente ligado a ter competência, mais conhecimentos técnicos e de vida. É o famoso capita intelectual, pois essa maturidade dos indivíduos é que pode levá-los a crescer em seu ramo de atuação em uma empresa, criando assim o seu próprio plano de carreira. Observação A responsabilidade, no caso de uma carreira, não está apenas no poder que a empresa tem em reconhecer um indivíduo, até porque temos várias pessoas trabalhando em um mesmo setor e com cargos similares. Cabe aos indivíduos se mostrarem, “fazer por onde” para merecer que sejam notados e promovidos. Para que isso ocorra, o indivíduo deve estar bem preparado em termos de conhecimentos: além daqueles que ele trouxe de sua passagem por outras empresas e os que ele possui de sua vida, também há o jogo de cintura e a forma de se fazer o trabalho com maturidade, responsabilidade e concentração para realização das tarefas; ou seja, a atitude de ser inovador, mostrando novas soluções e caminhos para a resolução de questões expostas a ele em seu trabalho. 131 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Portanto, não cabe apenas à empresa reconhecer o colaborador. Ele deve mostrar interesse, vontade e garra para que possa ser notado, para que tenha seu valor reconhecido na empresa em que atua. Por outro lado, quando existe esse interesse em crescer na empresa, o colaborador poderá trilhar seu caminho e escolher a base para traçar sua carreira, tendo como norte requisitos e critérios estabelecidos pelo contexto. 5.8 Termos e conceitos adotados em carreiras Quadro 17 – Termos e conceitos adotados em carreiras Termos Conceitos Associação Plano de carreira É o instrumento que define as trajetórias de carreiras existentes na empresa. Trajetória de carreira Sucessão de cargos que exigem requisitos crescentes. Plano de carreira Trajetória de carreira – linha de especialização Sucessão de cargos de uma mesma família (atividades correlatas e de mesma natureza) que exigem requisitos crescentes. Plano de carreira Trajetória de carreira – linha generalista Sucessão de cargos de famílias diferentes que exigem requisitos crescentes. Plano de carreira Trajetória de carreira – linha hierárquica Sucessão de cargos executivos que exigem requisitos crescentes e alocados em graus superiores aos cargos técnicos e administrativos. Plano de carreira Trajetória de carreira – Y Sucessão de cargos técnicos ou administrativos com complexidade similar aos cargos executivos. Permite ao profissional crescer na organização por meio da ocupação de cargos técnicos ou gerenciais. Plano de carreira Segmento de carreira Cargos configurados de forma ampla e dispostos em níveis crescentes de complexidade. Plano de carreira Planejamento de carreira É o estabelecimento do plano de desenvolvimento individual com os funcionários. Carreira individual É a sucessão de cargos ocupados por um indivíduo em sua trajetória profissional. Planejamento de carreira Plano de desenvolvimento individual (PDI) É o objetivo de desenvolvimento futuro do profissional e o acompanhamento constante desse objetivo. PDI refere-se ao aprendizado atual com as experiências profissionais do indivíduo que possam melhorar as competências para atingir o objetivo de desenvolvimento. Planejamento de carreira Fonte: Pontes (2011, p. 340). Conforme Pontes (2011): Plano de carreira é o instrumento que define as trajetórias de possibilidades decrescimento na empresa. O plano de carreiras, bem como a definição das políticas decrescimento, é da responsabilidade da empresa. É possível desenvolver essas trajetórias de várias formas (PONTES, 2011, p. 338). 132 Unidade III Veja que o plano de carreira, ou seja, a política oferecida pela empresa, se baseia nas normas e regras estabelecidas pela empresa: cabe a ela definir se existirá ou não essa ferramenta de valorização do indivíduo, assim como as maneiras de se fornecer para o indivíduo a possibilidade de crescimento profissional. Um detalhe a ser observado é que, em pequenas, médias e até grandes empresas, nem sempre existe um planejamento ou estrutura de carreiras. Nesse caso, o que prevalece são os interesses de indivíduos que têm, de certa forma, contato com colaboradores que os promovem por simpatizarem com eles. Sendo assim, fazem com que indivíduos que realmente mereçam uma promoção sejam esquecidos, o que traz desmotivação para o colaborador. Esse tipo de operação recebe o apelido de “QI”, ou seja, “Quem Indica”, e não é recomendado pelos estudiosos da área em recursos humanos, pois os indivíduos devem ser reconhecidos pela sua competência e não apenas por sua amizade. Conforme Pontes (2011): Planejamento de carreira é o estabelecimento do plano de desenvolvimento individual com funcionários. O planejamento de carreira é da responsabilidade do indivíduo. A carreira no aspecto individual tem como partida o autoconhecimento (PONTES, 2011, p. 338). Fica claro que não cabe apenas à empresa oferecer uma oportunidade, as pessoas devem conhecer seu potencial e demonstrá-lo para que seja reconhecido pelo seu empregador. Apenas dessa forma existirá um planejamento de carreira feito pelo próprio indivíduo por meio de suas capacidades. Portanto, respondendo à dúvida dos alunos, o modo de se fazer um plano de carreira sólido está ligado principalmente à capacidade que o indivíduo tem de se preparar para assumir determinadas funções em sua trajetória profissional, por meio dos seus conhecimentos obtidos somados ao amadurecimento profissional, interesse e capacidade de demonstrar seu potencial e competência para assumir novas responsabilidades diferenciadas de seu antigo cargo, em um novo modelo de maior exigência de atuação em uma empresa. Não se deve esperar apenas que a empresa o reconheça, mas sim “fazer por onde” para ser notado, dessa forma, terá um planejamento de carreira sólido e consequentemente um plano de carreira oferecido pela empresa pelo seu empenho. 5.9 Vantagens do planejamento de carreiras O planejamento de carreira, como podemos observar, está totalmente ligado ao comprometimento do indivíduo em conseguir um rumo para sua profissão, ou seja, galgar degraus na empresa tendo promoções pelo seu mérito. Podemos citar algumas vantagens que estão ligadas ao planejamento de carreiras, como o crescimento do colaborador profissionalmente e pessoalmente na empresa, de forma que ele consiga atingir níveis de excelência cada vez maiores em sua carreira, melhorando sua forma de trabalho e, em consequência, sua produtividade na realização de suas tarefas. Essas melhorias são observadas pela empresa e fazem com que sejam reconhecidos os trabalhadores pelo seu esforço e empenho no trabalho que realizam. 133 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS A empresa deve, conforme Pontes (2011, p. 341), “contribuir, mediante o crescimento dos colaboradores, para que a organização atinja níveis mais elevados de qualidade e produtividade no trabalho que realiza”. Toda empresa acredita em seu colaborador e em seu potencial, e reconhece seu esforço, desde que em troca ele traga benefícios para a empresa, afinal de contas, trata-se de um investimento no funcionário. Essa credibilidade deve trazer um retorno. Esse reconhecimento por parte da empresa faz com que os colaboradores se sintam motivados e que entendam que quanto melhor ele fizer seu trabalho, maior será o retorno em termos de reconhecimento por parte da empresa. Esse reconhecimento ainda motiva o colaborador a se aperfeiçoar na sua função, mediante busca de instrução, maior conhecimento sobre o trabalho que está executando para a empresa, melhorias na prática e na habilidade em fazer as tarefas de forma diferenciada para proporcionar economia, rapidez e menos desperdício em seu trabalho. Esses quesitos são reconhecidos pelaempresa como fatores de excelência e são muito bem vistos. Figura 43 – Reconhecimento pelo esforço do indivíduo Disponível em: https://bit.ly/31SFcUN. Acesso em: 13 dez. 2021. O indivíduo, quando é reconhecido pela empresa, se sente encorajado a buscar novos desafios. Afinal, uma carreira que tem barreiras, desafios e dificuldades se torna mais desafiadora, e os colaboradores, ao serem reconhecidos, identificam que a empresa espera que eles consigam resolver esses problemas. Por meio de seu potencial, o colaborador será capaz de solucionar esses obstáculos, trazendo resultados esperados por ele e pela empresa, pois está confiante de que pode fazer de forma diferente e cada vez melhor seu trabalho, superando suas expectativas assim como as da empresa em que atua. O potencial pode ser medido por meio do que o indivíduo fez em sua vida, assim como suas realizações pessoais, nos dando uma pista de que ele pode ser competente. É quando o indivíduo sabe fazer algo, mas não necessariamente sabe fazer diferente, daí nos remetemos ao “fazer com competência”. 134 Unidade III São algumas das características para se “ter potencial”: • Rapidez em aprender e desempenhar novas tarefas. Quanto mais rápido o indivíduo aprende a realizar sua função no dia a dia, mais produtiva será a forma de agregar valor a ele mesmo e à empresa dentro da sua área de atuação, ou seja, pessoas que aprendem rápido e sabem utilizar o que aprenderam, geram resultados significativos à empresa. • Interesse por determinados tipos de trabalho (trabalhos desenvolvidos). Uma pessoa interessada pelo que faz mostra que gosta e que faz com prazer. É um fato comprovado que pessoas que estão no emprego certo, fazendo o que gostam, apresentam maior produtividade em relação àqueles que não fazem o que gostam. • Capacidade de identificar e diagnosticar as mudanças e estratégias necessárias para consecução dos objetivos organizacionais. Os indivíduos devem ser flexíveis a ponto de se adaptarem às novas estratégias e mudanças internas, para que seu serviço não seja prejudicado ou, ainda, para que a qualidade que já foi alcançada não seja perdida. • Capacidade de liderança. É buscar melhorias contínuas que façam com que a equipe obtenha resultados propícios e cada vez melhores, fazendo com que tanto equipe, como líder e empresa saiam ganhando com esses resultados. Saiba mais Sobre este tema, leia a obra: BERGAMINI, C. W. O líder eficaz. São Paulo: Atlas, 2008. Observação A empresa sai ganhando por conseguir o resultado esperado, a equipe por poder realizar seu ideal, e o líder por sua eficiência e eficácia em conjunto com a equipe para conseguir o objetivo esperado por todos. O reconhecimento colabora para que o indivíduo possa ter uma ascensão em sua carreira, mas isso depende de quanto o indivíduo é capaz de trazer melhorias para os processos produtivos da empresa, por meio de seu conhecimento, ação e diferenciação em realizar as tarefas para as quais foi contratado para 135 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS realizar. Essa diferença faz com que a empresa entenda que ele tem interesse no seu próprio progresso em termos de conhecimento, assim como contribui para que ela mesma obtenha melhores resultados em relação aos seus concorrentes no mercado, por meio do serviço bem feito por esse colaborador. Ele terá que produzir e, de preferência, com desempenho e qualidade melhor do que os existentes. Portanto, quando falamos da transformação do conhecimento em ações e passagem do pensamento, o que foi absorvido na vida pessoal e acadêmica é revertido em forma de materialização nas transformações dos processos e procedimentos de melhoria, logo, nas ações no próprio trabalho, se há competência. Competência é saber fazer as coisas de forma diferenciada, agregando valor àquilo que já existe. É se entregar de corpo e alma na função, adaptando, inovando e melhorando os processos de trabalho. O potencial de um indivíduo, quando bem trabalhado, se torna uma competência, pois sua idealização se transforma em realização diferente da que já existe na realização da tarefa feita por outros indivíduos. A preocupação principal da empresa, ao oferecer um planejamento de carreira ao funcionário, é que ele traga consigo um prognóstico de realização de tarefas, ou seja, que esse indivíduo seja capaz não apenas de realizar o que lhe foi designado, mas também que faça o trabalho de forma diferenciada, melhorando as formas de se realizar a tarefa e em menos tempo, com menores gastos e com qualidade. Dessa forma, é competitivo, gera resultados significativos e supera as expectativas da empresa ao contratar um candidato para determinada vaga. Isso contempla a necessidade da empresa em termos de pessoas, e faz com que o funcionário, quando bem reconhecido, permaneça por muito tempo na empresa, produzindo de forma melhor e com cada vez mais eficiência suas atividades. O interesse em capacitação se tornou algo fundamental atualmente, pois estamos passando por transformações mundiais que afetam diretamente a empresa, seus processos produtivos e, em consequência, seus colaboradores. Portanto, o indivíduo que venha a trabalhar em uma empresa deve mostrar interesse em crescer com ela. Para isso, deve estar apto a querer se reciclar, a melhorar seus conhecimentos e crescer pessoalmente e profissionalmente. Com essa ação, o indivíduo melhora seus conhecimentos, traz benefícios e liderança ao seu setor e, consequentemente, também à empresa como um todo, pois ele é peça fundamental no desenvolvimento da corporação. A empresa busca, com o planejamento de carreiras, uma integração do indivíduo com o serviço, ou seja, a responsabilidade do indivíduo em produzir, trazendo melhores resultados à empresa, por meio do turnover de seu trabalho em qualidade e produtividade com excelência. Não apenas isso, pois a principal característica das empresas vencedoras é a credibilidade com o seu funcionário por meio da confiança depositada nele e também o entendimento do indivíduo de que ele não é apenas um empregado, mas sim um parceiro do sucesso da empresa. Assim, tem como consequência retorno financeiro a ele mesmo, pelo seu esforço e empenho em fazer seu trabalho de forma cada vez melhor. Outro fator motivacional para que o indivíduo queira construir uma carreira em uma empresa são as facilidades que são proporcionadas para os meios produtivos aos quais o indivíduo está exposto. Mas, afinal de contas, do que se trata isso? 136 Unidade III Na verdade, todo trabalhador está exposto a um ambiente de trabalho. São essas condições dadas ao colaborador que podem fazer com que ele seja um agente de transformação na empresa; ou seja, alguém capaz de produzir cada vez melhor, trazendo resultados esperados por ele e pela empresa. Porém, essas condições fazem com que o indivíduo possa enxergar maneiras de se produzir melhor e são fundamentais para que ele possa traçar suas ações na busca de resultados tanto para ele quanto para a empresa, já que ambas as partes trabalham em conjunto e ganham com os resultados finais. Essas condições dão esperança para que o colaborador possa ser promovido por meio de sua produtividade e, em consequência, para que a empresa consiga bater suas metas e realizar seus objetivos organizacionais a partir da produtividade desse indivíduo. Figura 44 – O sucesso envolve também uma escalada de crescimento individual Disponível em: https://bit.ly/3m2x638. Acesso em: 13 dez. 2021. Um indivíduo, quando tem condições de trabalho adequadas, reconhecimento da empresa e perspectivas de crescimento profissional, está com todos os caminhos abertos para conseguir uma trajetória em sua carreira. Basta saber administrar seu caminho, se desenvolvendo sempre e buscando novos conhecimentos para crescer cada vez mais profissionalmente. 5.10 Responsabilidade pelas carreiras Quem define como será o plano de carreiras é a empresa que está oferecendo esse planejamento. Porém, cabe observar quea empresa não pode pensar somente em si, mas nos fatores que vão fazer com que o colaborador possa produzir melhor. Logo, essas vantagens devem ser oferecidas a contento dos colaboradores, fazendo com que esses se empenhem cada vez mais em produzir mais e com qualidade. Outro fato importante a ser observado é se o colaborador realmente está disposto a mudar de carreira, ou seja, se ele quer essa promoção, se está contente com a decisão da empresa. 137 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Quando damos uma oportunidade ao colaborador, devemos verificar se ele realmente quer ser promovido, se tem a capacidade de empenhar esse novo trabalho e, principalmente, se ele se sente confortável em realizar esse novo desafio na empresa. Existem vários casos em que a empresa oferece uma capacitação para o funcionário por meio de um treinamento. Esse indivíduo o faz, absorve todos os conhecimentos e, ao final do curso, acaba pedindo a conta e indo trabalhar em outra empresa. Os alunos, então, perguntam: por que a empresa dá essa oportunidade ao funcionário e ele não aproveita? A resposta está no querer do funcionário. Algumas vezes, ele não se sente seguro em subir de cargo, mas a empresa não lhe pergunta se realmente quer ser promovido. Assim, proporciona ao colaborador um curso, um treinamento ou capacitação, obriga-o a fazê-los para que absorva novos conhecimentos do mercado. Porém, por se sentir ofendido ou menosprezado por ter que mudar de cargo por força da empresa ao conseguir realizar sua capacitação, o colaborador acaba indo para outra empresa no mesmo cargo que ocupava, pois gostava do que fazia. Por isso, a mudança para onde estão lhe dando a oportunidade que quer. Quando planejamos uma carreira, temos que levar em conta o que o colaborador pretende para si. A empresa não pode ser egoísta e pensar unilateralmente, pois dessa maneira sairá perdendo. O que deve ser verificado é a cumplicidade entre ambas as partes em existir essa possibilidade de crescimento, ora por parte do colaborador em ter interesse de mudar de cargo e estar convicto que poderá cumprir suas tarefas, ora por parte da empresa ao assegurar que esse colaborador poderá trazer melhorias em seus processos produtivos. Essa decisão deve partir de ambas as partes, por isso, muitas empresas possuem um histórico sobre as ações dos colaboradores antes que entrem na empresa, como suas contribuições para instituições que tenham trabalhado no passado e seu desempenho atual em suas funções na empresa. Assim, a empresa poderá medir o grau de interesse dos indivíduos em querer um plano de carreira, aproveitando, dessa maneira, seu potencial, sua competência e sua vontade em colaborar com a empresa e progredir em sua carreira. Notem que não cabe apenas a uma das partes envolvidas querer que o planejamento de carreiras aconteça, mas sim da união e do da empresa em acordo com o colaborador. Figura 45 – As oportunidades não ocorrem ao acaso Disponível em: https://bit.ly/3s32uCg. Acesso em: 13 dez. 2021. 138 Unidade III 6 ESTRUTURA DE CARREIRAS Conforme Pontes (2011): O desenvolvimento do colaborador nas carreiras é resultado da conjugação dos dois principais fatores – disposição do profissional para se qualificar e oportunidades que lhe são oferecidas (PONTES, 2011, p. 347). O plano de carreira tem duas linhas estruturais. A primeira tem o foco no cargo, pois o indivíduo vai subindo em sua carreira dentro de uma linha de cargos que vão sendo contemplados no decorrer de sua vida profissional. Esse modelo está bem vinculado à visão de carreira do passado, em que os indivíduos entram na empresa, atuam em uma determinada área, sobem de cargo nesse segmento e saem da empresa ao se aposentarem em altos cargos. A sua criatividade, nesse sentido, está ligada a uma linha hierárquica dentro de um segmento no ramo de atuação. Alguns bancos trabalham com esta linha de carreira: promovem seus funcionários, por exemplo, em uma agência onde chegam à gerência e, após isso, saem da empresa. A vantagem desse tipo de carreira é a sucessão de cargos pelo tempo que o indivíduo tem de casa. Diferentemente do passado, a desvantagem é que ele terá que ter competência e concorrer ao cargo internamente com outros pares. Além disso, não será muito bem visto por outras empresas, caso perca seu emprego devido ao tempo que permaneceu em uma mesma instituição, sendo identificado pelo mercado como uma pessoa que possui vícios, uma vez que atuou por muito tempo em um lugar só. O vício é encarado como mecanicismo e estagnação das formas de produção no trabalho, por isso, não é bem visto por muitas empresas. A outra linha estrutural do plano de carreira está no foco do indivíduo, pois ele vai galgando degraus em sua vida profissional, compondo seu segmento de carreira, mas não necessariamente precisa ser em uma linha de atuação. Nessa linha, quem faz sua trajetória é o próprio indivíduo, que necessariamente não atuará em uma mesma linha de cargos, mas irá subir de forma a compor sua carreira da maneira que acredita ser adequada. A vantagem dessa estrutura é o conhecimento que o indivíduo agrega à sua carreira, não apenas em uma área, mas também em outra por onde passou e atuou. A desvantagem observada por outras empresas é que um indivíduo que atua em várias áreas diferenciadas é visto como uma pessoa sem foco na carreira, por não criar um vínculo a uma linha hierárquica em um segmento de atuação. 139 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Existe, dentro destas linhas de carreiras, a denominação de vários tipos diferenciados para se conseguir uma carreira em uma empresa. São elas: por linha hierárquica, em Y, por linha de especialização, por linha generalista e mista, conforme mostra a figura a seguir: Formas de construção das carreiras A partir da hierarquia dos cargos (avaliação dos cargos) Tipos Linha hierárquica Em Y Linha de especialização A partir de segmentos de carreira Linha polivalência Linha generalista Mista Figura 46 – Formas e tipos de carreira Adaptada de: Pontes (2010, p. 329). 6.1 Estrutura por meio de cargos Essa estrutura é bastante natural nas empresas: vem do próprio plano de cargos e salários. Nessa concepção, o colaborador tem seu crescimento por meio do exercício crescente de cargos, ou seja, vai subindo de cargo dentro de sua área de atuação, dentro da família dos cargos, conforme hierarquização preestabelecida na tabela 13. Nesse exemplo, o colaborador vai crescer dentro da área de recursos humanos e vai subindo de cargo dentro de uma área específica, tendo o grau de dificuldade do cargo acentuado cada vez que o indivíduo sobe de posição. Esse grau de dificuldade é natural em qualquer profissão: quanto mais alto o grau do cargo, maiores são as responsabilidades, as dificuldades e exigências para a realização das tarefas. Porém, também pode acontecer que um mesmo profissional não chegue à gerência percorrendo apenas níveis I e II; isso depende da empresa e de sua política de carreira. Alguns indivíduos se frustram por não terem espaço ou reconhecimento na empresa; o que vai fazer um indivíduo crescer é a oportunidade ofertada de vagas, mas que podem ser frustradas por uma inibição desse progresso. Algumas empresas trabalham com essa metodologia por não disporem de recursos para equiparar o salário do cargo ao mercado. Há empresas que trabalham apenas com uma liderança e vários colaboradores, atuando em um segmento com o mesmo cargo. Em uma linha de produção, por exemplo, todos podem ser auxiliares de serviços gerais, terem os mesmos salários e não possuírem um plano de carreira, o que torna o trabalho maçante, mecanicista e desmotivador. Infelizmente, existem empresas que não proporcionam plano de carreira aos funcionários. A motivação é essencial para a realização das tarefas com qualidade, pois um colaborador motivado faz seu serviço de forma melhor e consegue resultados esperados pela empresa. É um fato comprovado: quem fazo que gosta, realiza o trabalho de forma bem feita e produz melhor. 140 Unidade III Tabela 13 – Carreira por meio de cargo (exemplo: o x indica o enquadramento do cargo no grau de exigência) Cargos Graus ... 5 6 7 8 9 10 11 ... Auxiliar de pessoal I X Auxiliar de pessoal II x Analista de RH I x Analista de RH II x Gerente de RH x Fonte: Pontes (2010, p. 330). Conforme Pontes (2011): O delineamento de carreiras, a partir do aproveitamento integral de planos de cargos e salários, apresenta outro problema. Como os cargos são enquadrados nos graus com base em suas avaliações, muitas vezes sobram graus sem preenchimento de cargos de uma mesma família (PONTES, 2011, p. 348). O que Pontes quer dizer é que existem tarefas dentro das funções de um cargo que outro não deveria fazer. Portanto, se existe uma lacuna entre A e C, devemos criar um cargo B que contemple as exigências dos processos de trabalho nas empresas, como está acontecendo na figura anterior, nos graus 7 e 10. Na prática, o colaborador tem de permanecer muito tempo em cargos iniciais de carreira para ocupar cargos de hierarquia superior e, quando a promoção ocorre, a diferença salarial com saltos de graus acaba sendo muito grande. Ou seja, algumas poucas vezes, o colaborador ganha uma promoção substancial e permanece muitos anos com o mesmo salário em valor monetário ou recebendo promoções horizontais que não são muito representativas. Uma forma de superar o problema é por meio do preenchimento dos graus vazios com cargos da mesma família. Criando essas nomenclaturas entre um mesmo cargo a oportunidade de promoção, o que será mais significativo dentro da política de cargos e salários na empresa. A ideia é que exista uma sobreposição sobre determinados cargos que facilitará a promoção dos indivíduos e, ao mesmo tempo, não exista um abismo tão grande entre um salário e outro nos cargos existentes na empresa. Outras empresas trabalham com letras, com números, fragmentam as funções ao máximo, principalmente para não pagarem os salários estabelecidos com o piso do próximo cargo na hierarquia. Essas empresas colocam atribuições distintas dentro dos graus, dificultando a promoção e fazendo com que os colaboradores se desmotivem, muitas vezes não chegando a cargos de gestão por conta do tempo que demoram para evoluir em uma mesma função. 141 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Na tabela a seguir, temos uma evolução natural dos graus a serem percorridos pelo colaborador, assim como o aumento dos cargos, que pode ser por tempo ou por competência, dependendo da política de carreira estabelecida pela empresa. Tabela 14 – Carreira por meio de cargo (exemplo: o x indica o enquadramento do cargo no grau de exigência) Cargos Graus ... 5 6 7 8 9 10 11 ... Auxiliar de pessoal I x Auxiliar de pessoal II x Auxiliar de pessoal III x Analista de RH I x Analista de RH II x Analista de RH III x Gerente de RH X Fonte: Pontes (2010, p. 331). 6.2 Estrutura por meio do segmento de carreiras Por meio do delineamento em segmentos de carreiras, o cargo é apresentado de forma ampla e, portanto, mais genérico, visto em análise de cargos. Na verdade, o que acontece é uma sucessão de nomenclaturas que agregam valor ao cargo em seus níveis. Nessa concepção, o cargo é referencial, podendo inclusive sua nomenclatura ser substituída por “segmento de carreira” ou “cargo amplo”. A ampliação está ligada à fragmentação do cargo em níveis que podem ser definidos pela divisão das atribuições que constam dentro de um segmento de um mesmo cargo. Nesse conceito, o que mais importa não é o cargo ocupado pelo participante, mas sim sua capacitação. A evolução do indivíduo dará condições para que ele atue dentro do seu cargo em um nível mais alto que o anterior. Muitas empresas trabalham com essa metodologia de classificação de cargos em níveis, de forma que cabe ao indivíduo evoluir seu aprendizado através do tempo e ser capaz de passar para o próximo patamar dentro de sua função. A estrutura de carreira pode ser comprovada por meio da curva de maturidade do indivíduo, em que sua carreira é projetada a partir de seus conhecimentos dentro de um contexto. Essa maturidade nada mais é que a evolução dos conhecimentos adquiridos pelo indivíduo com o passar do tempo, ao realizar seu trabalho em seu cargo. A qualificação profissional é um diferencial importante no mercado de trabalho, seja esse dentro de uma empresa, seja para concorrer a uma vaga em uma empresa qualquer. Ser qualificado é deter conhecimento tanto técnico como pessoal, é saber fazer as coisas de forma diferente, agregando valor ao que se faz para o indivíduo como profissional, bem como buscando resultados para a empresa em seus objetivos finais. 142 Unidade III Figura 47 – Educação, o segredo do sucesso Disponível em: https://bit.ly/320IoO2. Acesso em: 14 dez. 2021. O segmento, como representa uma verdadeira avenida, deve aglutinar várias atividades, desde que da mesma natureza, por exemplo: • Especialista de nível superior, assistente administrativo, analista de informática, etc. Não importa, nesse caso, o delineamento do segmento por área específica de trabalho, mas sim um delineamento que possa congregar várias áreas de trabalho correlatas. É também importante que o segmento de carreira contenha o maior número de níveis possível, para permitir o desenvolvimento do profissional. Por exemplo: • Engenheiro – nível I, II, III, IV, V, VI e VII. • Analista de RH – A, B, C, D, E. Conforme Pontes (2011): O que diferencia essa estrutura da anterior é que a definição de cada nível não é por atividade, mas sim por requisitos calcados na qualificação ou maturidade, ou seja, na competência do colaborador. Não é o que ele faz, mas sim o que ele é capaz de fazer. [...] Leva em conta diversos fatores, como: escolaridade, experiência, conhecimentos específicos e habilidades (PONTES, 2011, p. 350). 143 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Tabela 15 – Exemplo de carreira operacional Graus 1 2 3 4 5 6 Graus de salários 1 – A 2 – A 3 – A 4 – A 5 – A 6 – A 1 – B 2 – B 3 – B 4 – B 5 – B 6 – B 1 – C 2 – C 3 – C 4 – C 5 – C 6 – C Operador de processos I II III IV V Analista de processos I II III Analista de qualidade I II III Técnico de segurança do trabalho I II III Supervisor de processos Fonte: Pontes (2001, p. 351). O que podemos observar é que existe um tempo para a maturidade profissional quando nos referimos a segmento de carreira. Veja que o supervisor de processos é o cargo mais alto, com um nível 6 de salário. Já os outros cargos têm um longo caminho a percorrer, e inclusive o operador de processos terá que passar por todas as fases para alcançar o objetivo final, o de supervisor de processos. Esse amadurecimento demorará alguns anos, mas isso é possível desde que o colaborador se empenhe em fazer sua função com compromisso e qualidade. Esse desenvolvimento dá maior tempo para que o colaborador amadureça aos poucos seus conhecimentos profissionais, tendo sempre como origem o estágio anterior e, portanto, um suporte para a realização das novas tarefas e desafios a serem enfrentados por ele. É importante ressaltar que a definição dos níveis do segmento de carreira, calcada na qualificação, leva em conta diversos fatores, como escolaridade, experiência, conhecimentos específicos e habilidades. Esses são quesitos fundamentais para diferenciar o nível dos candidatos e também contribuem para que os outros colaboradores de um nível inferior busquem o que o outro tem, para estar um nível acima dele. Por meio dessa estrutura, o colaborador tem aberto um caminho para seu desenvolvimento, pela flexibilidade e tempo de amadurecer seus conhecimentos. Assim, caberá basicamente a ele a responsabilidade pela sua qualificação profissional. Isso quer dizer que a responsabilidade de se aperfeiçoar cabe ao indivíduo, e ter interesse em progredir em sua carreira profissional também. Nesse contexto, o colaboradortem espaço para se desenvolver, já que só depende dele mesmo ter interesse em se aprimorar para progredir em sua carreira. Os colaboradores que se desenvolvem profissionalmente e pessoalmente crescem nos níveis e a eles devem ser atribuídas atividades mais importantes e complexas, pois é uma evolução na capacidade de trabalho do indivíduo. Por essa questão, as exigências naturalmente são maiores. Essa estrutura de carreira é a que mais combina com o mercado atual. 144 Unidade III 6.3 Tipo de carreira por linha hierárquica Conforme Pontes (2010): A carreira por linha hierárquica é a mais comum nas organizações. É também a mais rígida, e essa concepção está perdendo espaço para outros tipos de concepções nas empresas mais modernas (PONTES, 2010, p. 333). A carreira por linha hierárquica começa com os cargos bases, como auxiliares e assistentes. Obrigatoriamente, deve terminar com os cargos gerenciais no topo da estrutura. Conforme Pontes (2011): A premissa, nesse tipo de carreira, é a de que os cargos gerenciais são mais importantes do que os cargos técnicos e, consequentemente, é natural que o profissional no topo de sua carreira, ocupe um cargo gerencial. A carreira por linha hierárquica não leva em conta as metas ou desejos individuais (PONTES, 2011, p. 352). Um exemplo que pode ser colocado como evidência são os níveis do segmento de recursos humanos dentro de uma empresa. Figura 48 – Hierarquia dos cargos na empresa Disponível em: https://bit.ly/3pVyXb5. Acesso em: 14 dez. 2021. Na área de recursos humanos, podemos ter a seguinte escalada de cargos: auxiliar, assistente, analista, coordenador, supervisor e finalmente gerente. É a segmentação do cargo em ascensão: 145 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS do cargo mais simples e com menos responsabilidades (ou ainda sem pessoas que se reportem ao profissional), ao cargo mais amplo, com responsabilidades maiores e inclusive com uma equipe que responde a esse profissional. Como as posições gerenciais são em número menor e dependem de vagas, existe o fator inibidor do desenvolvimento profissional. Todo cargo que está no topo da cadeia de cargos tem a propensão de ter menor número disponível no mercado de RH, até por uma questão de amadurecimento do indivíduo em termos profissionais e pessoais, para que possa ocupar esse cargo estratégico na empresa. Cabe ainda ressaltar que as organizações estão implantando novas estruturas, mais leves, com um número menor de posições gerenciais, utilizando cargos horizontais, com representantes de área que colaboram, por exemplo, para o enxugamento dos salários pagos aos colaboradores, gerando, em consequência, menos custos para a organização. Ser gerente, nesse caso, tem mais peso do que cargos técnicos, desprezando os demais cargos e sua importância na transformação produtiva da empresa, assim como sua colaboração em conjunto com o todo. Consequentemente, é natural que o profissional, no topo de sua carreira, ocupe um cargo gerencial. Porém, um especialista ou técnico pode vir a ser um gerente um dia, o que não leva em conta as metas ou desejos individuais, quer dizer, é uma maneira castradora de desejos dos indivíduos, pois impõe a eles um novo cargo em sequência das funções que já tenha ocupado anteriormente. O maior problema desse tipo de carreira é que uma promoção pode acabar em castigo para um profissional bem-sucedido tecnicamente. Se o desempenho não corresponder no cargo gerencial, não restará alternativa senão a da saída do colaborador da empresa. Perde-se um bom técnico e nem sempre se ganha um bom gerente, pois um indivíduo sem qualificação para uma função pode até subir de cargo, mas não permanecer no mesmo por muito tempo, já que sua qualificação não é o suficiente para conseguir suportar as responsabilidades exigidas. 6.4 Tipo de carreira em Y Muitos indivíduos, por não terem opção de crescimento, ou ainda por circunstâncias de interesse pessoal, fazem sua carreira de forma diferenciada, ocupando cargos técnicos, indo para as gerências e vice-versa. As oportunidades não podem ser desperdiçadas e, por isso, uma pessoa não tem uma carreira horizontal dentro de um mesmo segmento de cargos. A vantagem desse tipo de carreira é a mobilidade que o indivíduo pode ter na sua vida profissional, muitas vezes tendo escapatória ao perder, por exemplo, seu emprego em determinado segmento e possuir outra qualificação em outra área, independentemente de seu nível ser técnico ou gerencial. Oposta ao tipo de carreira por linha hierárquica é a carreira em Y, que tem como pressuposto a mobilidade e a ascensão profissional do colaborador pelo exercício de funções gerenciais ou de ocupações na sua área de especialidade. Essa mobilidade dá certo conforto de opção, pois o indivíduo traça seus 146 Unidade III caminhos em direção a onde quer ir, não ficando preso apenas a um tipo de segmento de cargos. Os níveis iniciais são básicos, cargos de base como em todo tipo de carreira, e, a partir de certo patamar da estrutura de carreira, o profissional pode optar pelo prosseguimento por meio de cargos gerenciais ou tipicamente técnicos, dependendo do tipo de qualificação que possuir para poder trilhar seu caminho. Esse enquadramento pode acontecer de acordo com a necessidade da empresa, assim como as oportunidades que o indivíduo tem por meio de sua qualificação. Temos uma linha básica em que percorremos alguns cargos e, em determinado momento, escolhemos cargos de cunho técnico ou gerencial, dependendo do que o indivíduo vai querer e do que a empresa espera de dele. É um acordo, por meio do qual existirá uma adequação do indivíduo dentro do que ele quer ser profissionalmente e do que a empresa tem como estratégia ao utilizar os conhecimentos dele para realizá-las. Conforme Pontes (2011): Todos os inconvenientes da carreira por linha hierárquica são solucionados pela adoção da carreira em Y. Ela é flexível, permitindo o deslocamento do profissional de uma linha de carreira para outra. Permite um maior número de pessoas no topo da organização, sem que, necessariamente, seja aumentada a estrutura organizacional. Valoriza o trabalho do especialista e satisfaz as necessidades individuais de carreira dos colaboradores (PONTES, 2011, p. 353). O que é interessante nesse modelo de carreira é a liberdade que o indivíduo tem para escolher seu caminho profissional. Não necessariamente irá percorrer uma linha específica de cargos, mas irá montar seu rol pretendido de funções para galgar os degraus na empresa. A valorização do especialista por parte integrante à cúpula da empresa é outro fator importante nesse tipo de plano de carreira, pois dá espaço para novas ideias e visões de outras pessoas que não detêm apenas um conhecimento comum da forma de trabalho, mas um aprofundamento específico em determinada área de atuação. A participação do todo nas decisões da empresa agrega valor ao resultado final na realização dos objetivos globais. Logo, especialistas e gerentes devem trabalhar juntos em prol do alcance de resultados comuns a todos na empresa. A carreira em Y é mais flexível que a hierárquica, pela oportunidade de escolha, já que evita inconvenientes impostos por planos de carreira muito sisudos e fechados, que não dão mobilidade de escolha para os indivíduos e que não permitem ao colaborador ter opções de carreira. Algumas pessoas trabalham em um segmento de carreira a vida toda por não ter a abertura de que necessitam para mudar de carreira. 147 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 6.5 Tipo de carreira por linha de polivalência É aquela em que o indivíduo traça sua carreira a partir dos seus conhecimentos. São aproveitados os conhecimentos multifuncionais que são importantes para um profissional atuar, como um gerente-controller de uma determinada área na empresa. Esse profissional, normalmente, tem uma experiência ampla em mais de uma área diferente de atuação, tem conhecimentos aguçados, sabe terjogo de cintura e consegue se encaixar dentro de novas situações que são expostas a ele. Figura 49 – O profissional multifuncional Disponível em: https://bit.ly/31TVlK1. Acesso em: 14 dez. 2021. A formação acadêmica desse profissional pode ser diferenciada em mais de uma área. Na área de administração, por exemplo, tem conhecimentos em marketing, finanças, RH e TI, logo, é um profissional completo. Essa polivalência está ligada à multifuncionalidade adquirida pelo indivíduo em sua vida profissional e pessoal e, portanto, dá condições para que esse indivíduo atue em diferenciadas áreas na empresa ou no mercado de trabalho. As empresas procuram exatamente indivíduos com esse alto grau de capital intelectual: rápido, preciso, conhecedor de diversos assuntos e que possa agregar valor ao negócio da empresa. São raros esses profissionais no mercado de trabalho, mas os que existem são muito valorizados, já que grandes gerentes de empresas devem conhecer o negócio como um todo e não apenas a sua área de atuação. O que ocorre, muitas vezes, é que os profissionais limitam seu conhecimento apenas à sua área de atuação, de modo que, ao serem demitidos de seus cargos, encontram dificuldade em se realocar fora de sua área. 148 Unidade III Aqui existem duas vertentes observadas pela área de RH. Por um lado, em algumas empresas, esse tipo de atitude é muito bem vista. São empresas renovadas e evoluídas que acreditam nos riscos de se apostar em um talento como esse pelo conhecimento múltiplo. Por outro lado, algumas empresas condenam esse tipo de conhecimento, pois acreditam que o profissional não pode ser especialista em várias áreas ao mesmo tempo, desperdiçando sua atenção que deveria ser canalizada apenas na área de atuação em que está na empresa. 6.6 Tipo de carreira por linha generalista Conforme Pontes (2011): A carreira por linha generalista propicia ao profissional crescimento a partir do conhecimento profundo de uma área específica, agregado ao conhecimento geral e menos profundo de outras áreas da organização (PONTES, 2011, p. 357). É o profissional que tem um conhecimento amplo e específico em uma determinada linha de atuação dentro da empresa. Na medida em que ele aprofunda seus conhecimentos em determinada área, recebe a promoção, não desprezando outros conhecimentos em áreas similares, mas sem abandonar a especialização central. Um exemplo prático são aqueles profissionais que atuam em uma determinada área, mas que, por algum motivo, passam por todos os subsistemas dessa área. Em recursos humanos, por exemplo, temos profissionais que começam sua carreira como auxiliar de cargos e salários e, ao serem promovidos, vão para assistente contábil júnior. Mas qual seria a ligação nesse caso? O salário é apurado, e esse colaborador poderá ir para a parte de departamento de pessoal em folha de pagamento e, posteriormente, poderá chegar a ser um analista de cargos e salários, ou até mesmo à gerência. Vejam que ele é um especialista em salários e, por isso, navegou por várias partes que trabalham com números e salários dentro da empresa. Esses são os profissionais que conhecemos como especialistas, que possuem um conhecimento amplo e variado dentro de uma área de atuação e normalmente são procurados no mercado por uma determinada nomenclatura de cargo diferenciada, que o caracteriza como conhecedor de determinada função. Esses profissionais podem ser agentes de transformação na empresa. Por serem profundos conhecedores em uma determinada área, têm o poder de criar, inovar ou melhorar conceitos e formas de realização de trabalho, por conseguirem enxergar o que outros profissionais de outras áreas não entendem dentro de sua área de domínio. Um exemplo são os ferramenteiros, ou ainda projetistas engenheiros, que são especializados em uma determinada área. Por saberem muito sobre seu domínio conseguem encontrar novas formas de 149 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS realizar determinados trabalhos, ou ainda são capazes de criar novas ações e caminhos para a melhoria do trabalho que executam. Figura 50 – O profissional especialista Disponível em: https://bit.ly/3yoeorN. Acesso em: 14 dez. 2021. 6.7 Tipo de carreira mista Esse tipo de carreira tem a simultaneidade de carreiras diferenciadas (utilizando, por exemplo, o tipo Y), mas às vezes é generalista, polivalente ou especialista em alguma área. Seu conhecimento será aproveitado de acordo com as necessidades da empresa. São indivíduos que adotam um planejamento de carreira diferenciado, utilizando um patamar básico de cargos, e a partir daí vai buscar posições diferenciadas para seu crescimento profissional, que pode ser buscando liderança dentro de uma área, ou em uma especialização em determinada área. Essa escolha depende do que o indivíduo espera em termos de crescimento profissional em sua carreira, cabe ao indivíduo saber administrar seus resultados. Conforme Pontes (2011, p. 358), “a maioria dos colaboradores deseja crescer profissionalmente, mas nem todos conhecem o plano de carreiras oferecido pela empresa ou sentem suas vantagens”. Para isso, a empresa pode utilizar das promoções de pessoal, inclusive por meio de recrutamento interno de colaboradores, para que eles tenham um planejamento de carreira adequado, que os motive a trabalhar satisfeitos e realizados. 6.8 Promoção de pessoal A promoção de pessoal é importantíssima para a motivação, pois os indivíduos trabalham na empresa esperando a valorização do seu serviço e reconhecimento pelo trabalho prestado. Quando falamos de promoção, estamos nos referindo ao reconhecimento do indivíduo dentro do seu próprio setor. 150 Unidade III Se temos uma promoção em um nível hierárquico maior que os cargos de base, podemos nos deparar com duas situações. Na primeira temos, por exemplo, a promoção de um assistente à analista. Nesse caso, na vaga de mais baixo nível que ficou aberta, possivelmente poderá entrar o auxiliar que vem abaixo do assistente. Como estamos falando de recrutamento interno, essa prática seria adequado e bem possível. Observação Motivação é o estímulo que gera uma determinada ação: motivo + ação. Na segunda situação, há que se observar qual o indivíduo que tem mais competência (promoção por competência). No entanto, em algumas empresas, os gestores dão oportunidade de promoção aos funcionários mais antigos por sua colaboração com o setor. Deve ficar claro para o colaborador quais são as estratégias da empresa em relação às pessoas para suprir suas necessidades. Lembrete Potencial é ter aspiração para fazer algo no futuro. É fazer. Competência é fazer com diferencial. Transferências com promoção de pessoal Outra modalidade diferenciada que agrega a questão de recrutamento é quando temos uma transferência com promoção. Entretanto, para que isso aconteça, além de ser necessário o convite de outro gestor de área, esse indivíduo deverá conhecer o serviço do seu convidado, pois normalmente existe simpatia por parte de quem está convidando esse indivíduo, por um convívio de relações interpessoais nos setores envolvidos e cordialidade entre as lideranças envolvidas no processo. Há que se atentar para o detalhe de que esse tipo de transição ocorre mais frequentemente em áreas afins, ou seja, de um setor fiscal para um setor contábil dentro da área financeira, ou ainda de um setor de DP para a remuneração dentro de uma área de RH. No caso, a gerência geral (ou o controller) é o líder comum da área, e cabe aos gestores das áreas participantes do processo concordar que exista o trâmite entre os setores. Essas pessoas que conseguem transferência com promoção, normalmente, têm um grande potencial para atuar em outra área, têm uma inter-relação com o outro setor e já conhece o tipo de serviço feito naquele cargo dentro do outro setor. Logo, o indivíduo, além de motivado pela valorização, galga mais um degrau dentro de sua área de atuação, ficando satisfeito e se sentindo, além deútil, realizado por conseguir fazer o que gosta tendo liberdade e mobilidade dentro de sua área de atuação na empresa. 151 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS São novas experiências dentro da área de trabalho, novas competências a serem realizadas, desafios diferenciados que fazem com que o indivíduo seja motivado a ultrapassar novas barreiras que são colocadas no decorrer de sua carreira. Pessoas que ficam muito tempo em uma mesma área se tornam obsoletas e ultrapassadas, pois se acostumam com o que fazem por não terem desafios ou barreiras a ser transpostos. O serviço torna-se mecanicista, sem grandes interesses ou desafios que motivem esse indivíduo. Figura 51 – A escolha do talento Disponível em: https://bit.ly/3EX8nEG. Acesso em: 14 dez. 2021. Programas de desenvolvimento de pessoal Outra maneira de incentivar os colaboradores é o desenvolvimento das pessoas. Quando entram em uma empresa, os indivíduos procuram ter seu desenvolvimento profissional (em relação à aprendizagem) e principalmente pessoal, agregando valor ao que já sabem, lapidando seus conceitos e aperfeiçoando sua atuação no trabalho. Em uma empresa em que existam oportunidades, é possível que esse indivíduo cresça pessoalmente. Quando dizemos crescer pessoalmente, estamos nos referindo à autovalorização, ao acúmulo de capital intelectual, a se fazer competitivo internamente, bem como externamente para as empresas. Atualmente, essa estratégia pessoal é um fator de sobrevivência no mercado de RH. Pessoas com maior conhecimento, habilidades e atitudes têm muitas vezes a chance de escolher os postos onde quer trabalhar, seja na própria empresa, seja no mercado de RH. Dessa forma, o crescimento pessoal está ligado a ser ou não competitivo em relação aos seus pares e a outros candidatos no mercado. Lembrete C = conhecimentos, H = habilidades, A = atitudes, o famoso “chá” de recursos humanos. 152 Unidade III Conhecimento é caracterizado como tudo aquilo que carrego comigo, são minhas experiências pessoais e profissionais acumuladas durante meus anos de vida, que constituem meu capital intelectual. Já habilidade é o saber fazer as tarefas, é realizar aquilo que nos é pedido para realizar, é saber fazer. Já atitude é definida como sendo o fazer de forma diferenciada, é ter a capacidade de criar, inovar, modificar ou transformar um processo ou procedimento que já exista dentro das funções de um cargo. Planos de encarreiramento Algumas empresas trabalham com o plano de encarreiramento, assim, os indivíduos sobem de cargo de acordo com o tempo de casa, ou prestando concursos internos. É uma oportunidade que a empresa dá ao seu funcionário para que por ele suba de cargo de acordo com suas competências ou amadurecimento dentro da área de atuação. A problemática desse tipo de projeto e a pergunta dos alunos é: se eu passo o indivíduo de cargo naturalmente, ou seja, pelo tempo de casa, será que ele terá competência para assumir o cargo acima do seu? Entendemos que as empresas, para fazerem esse projeto, devem ter um planejamento de pessoal muito bem estruturado em que o indivíduo, por meio de sua atuação durante o tempo que está na empresa, mostre que é capaz, pois, caso contrário, não agregará valor à sua nova função. Portanto, as empresas que trabalham com o encarreiramento devem estar atentas a esses detalhes, pois são eles que farão as diferenças significativas no resultado final esperado. Esse processo aparentemente fácil envolve uma série de informações obtidas do colaborador por meio de sua estadia dentro da empresa, são eles: Decisão quanto ao recrutamento interno Processo Positiva Dados básicos Resultados dos testes de seleção Resultados das avaliações de desempenho Resultados dos programas de T&D Exame e análise da descrição do cargo Exame de plano de carreira Verificação das condições de promoção e substituição Figura 52 – Recrutamento interno como forma de promoção Adaptada de: Chiavenato (2008, p. 174). É possível perceber que, por meio do seu desenvolvimento dentro da empresa, o indivíduo poderá ter uma promoção, e esses bancos de dados entrelaçados a um único centralizado é que darão as 153 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS informações necessárias para a decisão da movimentação dentro da empresa. Lembrando que se trata também de um fator motivacional para os colaboradores. Quando falamos de dados básicos, estamos nos referindo aos detalhes anotados na ficha do indivíduo. É o histórico que cada um traz consigo ao entrar na empresa: de onde veio, o que realizou em sua carreira e o que pretende em termos de trabalho na nova empresa. Observando esses dados, podemos ter pistas em relação ao que compete a esse indivíduo dentro das esferas (setores) que poderia atuar, inclusive em relação à nova vaga aberta na empresa. Os resultados nos testes de seleção desvendam a questão comportamental do indivíduo em relação a determinadas situações às quais foi ou será exposto dentro da empresa, como a capacidade de ser criativo, de trazer melhorias no que faz, a flexibilidade na solução problemas, a capacidade de liderar e lidar com as atividades de formas diferentes, a relação que tem com seus pares e chefia, enfim, a capacidade de procurar ações ou novos caminhos para solucionar problemas e chegar aos objetivos que pretende alcançar. Resultados nas avaliações de desempenho Mas o que é avaliar desempenho? – Perguntam os alunos. Conforme Pontes (2008): Avaliação ou administração de desempenho é uma metodologia que visa, continuamente, estabelecer um contrato com os funcionários referente aos resultados desejados pela organização, acompanhar os desafios propostos, corrigir os rumos, quando necessário, e avaliar os resultados conseguidos. É o sopro de vida da organização, e sem sua existência o planejamento ou estratégias organizacionais não farão o menor sentido, porque o instrumento é capaz de trazer o planejamento da sala de reuniões para o dia a dia do funcionário (PONTES, 2008, p. 26). A avaliação de desempenho tem um papel importante nos processos ligados à promoção, pois, a partir do seu desempenho em suas funções, o colaborador será capaz de dar pistas do que poderá fazer no novo patamar ocupado por ele em seu novo posto de trabalho. Logo, existe um diagnóstico por meio do processo de avaliação de desempenho aplicado ao indivíduo no decorrer de sua carreira na empresa. 154 Unidade III Resumo Na unidade III, o foco foi sobre as carreiras, a importância que essa abordagem tem na manutenção dos recursos humanos, bem como o fator de transformação nas empresas por meio das pessoas. A carreira para os indivíduos é um fator de prazer, pois, quanto mais alto um indivíduo chega à sua ocupação, maior é o sentimento de poder e de capacidade de realização pessoal e profissional. Foram discutidos, na unidade, os tipos de carreira os quais o indivíduo está disposto a fazer em sua vida profissional, bem como o que os indivíduos normalmente esperam das empresas em termos de reconhecimento profissional, quando elas proporcionam uma remuneração adequada e novos desafios vindos do novo cargo a ser ocupado. Também foram mencionadas a importância que o indivíduo tem no processo de reconhecimento do seu valor e as oportunidades que a empresa pode oferecer caso consiga verificar que o indivíduo pode contribuir para os resultados e objetivos esperados. Outro tema abordado foi a cumplicidade entre empresa e colaborador na busca da melhor carreira para o indivíduo, para que ambos saiam ganhando no processo de galgar cargos para o colaborador dentro da empresa. Foi colocada no texto a preocupação da empresa com a capacitação do colaborador que muitas vezes não tem uma resposta adequada por falta de interesse em subir de cargo. No entanto, a empresa estabelece que ele deva ocupar outro patamar na empresa mesmo contra sua vontade. E por último, mas não menos importante, foram analisados o comportamento do colaboradorantes de entrar na empresa, suas realizações por onde passou e o que esse indivíduo traz de conhecimentos pessoais e profissionais. Estes são avaliados pelo desempenho no seu cargo como fator importante para que o planejamento de carreira seja oferecido ao indivíduo de forma que ele possa cumprir com suas responsabilidades dentro da empresa, buscando melhorias para ele e consequentemente para os projetos aos quais ele participa na empresa. Nesta unidade, o que se espera do aluno é que ele possa identificar como são as carreiras dentro de um modelo profissional e assim possa escolher a melhor maneira de traçar sua carreira. Mas há que se entender que, para isso acontecer, é necessário respeitar as regras e modelos estabelecidos pelo mercado de trabalho. 155 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Exercícios Questão 1. Leia o trecho a seguir: “A economia atual, caracterizada por uma competitividade global acentuada, alta frequência de fusões e aquisições de empresas, desemprego e recessão, traz novas perspectivas de entendimento dos comportamentos relacionados à carreira” (BAICOHHI; MAGALHÃES, 2004). O conceito de entrincheiramento reflete estas mudanças. O indivíduo entrincheirado encontra-se numa postura estática e defensiva. Com base neste trecho, pode-se afirmar que: I - Os investimentos na carreira referem-se aos aspectos financeiros e de tempo, relacionados ao aperfeiçoamento profissional e dedicação ao trabalho que o sujeito percebe como sendo perdidos no caso de uma mudança na carreira. porque É preciso verificar as implicações desse comportamento no bem-estar psicológico ligado ao comprometimento e a satisfação com a vida profissional. A esse respeito, é possível concluir que: A) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. B) As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. C) A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. D) A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. E) As duas afirmações são falsas. Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I - Afirmativa correta. Como foi discutido no livro-texto, o planejamento de carreira está totalmente ligado ao comprometimento do indivíduo em conseguir imprimir um rumo para sua profissão, ou seja, galgar degraus na empresa tendo promoções pelo seu mérito. Pode-se citar algumas vantagens que estão ligadas ao planejamento de carreiras, entre elas, o crescimento do colaborador profissional e pessoalmente na empresa, de forma que ele consiga atingir níveis de excelência cada vez maiores em sua carreira, 156 Unidade III melhorando sua forma de trabalho e, em consequência, a produtividade na realização de suas tarefas. Essas melhorias são observadas pela empresa e fazem com que os trabalhadores sejam reconhecidos pelo seu esforço e empenho no trabalho que realizam. Com as mudanças causadas pela competitividade global acentuada, alta frequência de fusões e aquisições de empresas, desemprego e recessão, sugeridas no texto inicial da questão, o colaborador fica “entrincheirado” e, por isso, assume uma postura estática e defensiva. Portanto, a afirmativa é verdadeira. II - Afirmativa correta. Para sanar o malefício causado e os custos emocionais – que incluem a perda das redes de relacionamento interpessoais ligadas ao trabalho – e o impacto que uma mudança de carreira pode gerar na vida pessoal e familiar, é preciso que as lideranças empresariais acompanhem as implicações desse comportamento no bem-estar psicológico relacionado ao comprometimento e à satisfação do colaborador com a vida profissional, sendo tomadas medidas que evitem seu “entrincheiramento”. O entrincheiramento pode ser entendido como uma resposta à realidade contemporânea do mundo do trabalho. Porém, a segunda afirmativa não justifica a primeira. Questão 2. (Enade, 2009, prova de Administração) Um dos principais desafios do líder é conseguir a dedicação e o empenho de seus liderados na realização das atividades e tarefas que lhes competem, visando alcançar os objetivos organizacionais. A liderança efetiva pressupõe, portanto, o conhecimento das principais teorias motivacionais que podem orientar as ações do líder com o objetivo de canalizar os esforços dos liderados. Tendo em conta os conceitos básicos relacionados à motivação dos colaboradores, é correto afirmar que: A) A expectativa dos indivíduos sobre sua habilidade em desempenhar uma tarefa com sucesso é uma importante fonte de motivação no trabalho. B) Objetivos genéricos e abrangentes, que dão margem para diferentes interpretações e ações, são uma importante fonte de motivação no trabalho. C) Os indivíduos tendem a se esforçar e a melhorar seu desempenho quando acreditam que esse desempenho diferenciado resultará em recompensas para o grupo. D) Todas as modalidades de recompensas e punições são legítimas, quando seu intuito é estimular os esforços individuais em prol dos objetivos organizacionais. E) Todos os indivíduos possuem elevadas necessidades de poder e a busca por atender a essas necessidades direciona seus esforços individuais. Resposta correta: alternativa A. 157 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: segundo a teoria de dois fatores de Herzberg, os fatores motivacionais são intrínsecos e relacionados a sentimentos positivos que o colaborador tem em relação ao conteúdo do cargo, ou seja, o trabalho a ser realizado; a realização pessoal, por estar empossado, e o reconhecimento decorrente e as suas responsabilidades. Sendo assim, pode-se afirmar que quando o cargo é rico e desafiador, o colaborador sentirá que suas expectativas em desempenhar bem e obter sucesso na realização de suas tarefas, servirão como importantes fatores motivacionais. Como o funcionário estará motivado, o seu gerador interno será acionado e ele começará a executar a tarefa por ela mesma, pela realização, o reconhecimento, a responsabilidade e as possibilidades de progresso. B) Alternativa incorreta. Justificativa: porque liderar consiste em gerar confiança e espírito colaborador entre as pessoas para melhorar seu desempenho, ou seja, consiste em guiar, influenciar e direcionar a um objetivo específico, através do oferecimento de atribuições e responsabilidades que as faça sentirem-se motivadas. O fato de não oferecer objetivos claros e específicos aos trabalhadores, os tornarão insatisfeitos com a realização do seu trabalho, representando um importante fator de desmotivação dos colaboradores. C) Alternativa incorreta. Justificativa: segundo Herzberg, os fatores higiênicos são extrínsecos (insatisfacentes), e só previnem a insatisfação, estão relacionados com o contexto do cargo, onde e dentro encontram-se as condições de trabalho, salários, prêmios, benefícios, e os relacionamentos interpessoais. Logo, a remuneração não é um fator motivador e sim insatisfacente. Mas o colaborador tenderia a se esforçar mais, se este esforço estivesse diretamente ligado, não só ao aumento proporcional de sua remuneração individual, mas principalmente, proporcionalmente ligado ao reconhecimento e progresso na sua carreira profissional. D) Alternativa incorreta. Justificativa: claramente não, pois para que as recompensas sejam validas e legítimas, devem justificar o esforço exigido para o resultado; estar relacionadas, diretamente, ao desempenho exigido; e ser percebidas como justas pela maior parte dos membros do sistema. Já as punições legítimas são aquelas que estejam baseadas nas normas e regras estabelecidas na organização, sendo que o líder exercerá, segundo Bignoto (1992), o poder legítimo se este sofrer, previamente o crivo da ética e dos valores coletivos, sem manipulação de informações e/ou propósitos. 158 Unidade III E) Alternativa incorreta. Justificativa: nem todos os indivíduos têm manifesta a necessidade pelo poder. Segundo a pirâmide de necessidades de Maslow, dependerádo seu posicionamento na escala evolutiva, pois, a partir das necessidades de Estima (status) e Autorrealização é que o poder para realizar se faz presente nas suas aspirações. 159 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 7 ADMINISTRAÇÃO DE SALÁRIOS Conforme Oliveira (2011): A importância de uma administração de cargos e salários refere‑se à política de administração do pessoal, abrangendo imensa gama de mão de obra, qualificada e não qualificada. Sabendo‑se que o fator “trabalho”, da trilogia “natureza, trabalho e capital”, é um dos fatores básicos e devidamente coordenados em que se assenta a estrutura da economia política, no que se refere à macroeconomia e micro economia, portanto, deve ser bem estudado (OLIVEIRA, 2011, p. 5). O que o autor quer dizer com essa apresentação é que o salário varia de acordo com a situação econômica pela qual o país está passando. Por exemplo, quando o país tem um superávit em sua economia, ou seja, quando ele exporta mais que importa, isso quer dizer que a economia está boa, logo, existe uma abertura maior de empresas e, consequentemente, uma geração mais acentuada de empregos. Portanto, as condições salariais oferecidas pelas empresas tendem a ser maiores, pela situação à qual a empresa está exposta no mercado dentro do seu ramo de atuação. Assim, a natureza do trabalho à qual o indivíduo está exposto pode ter valorizado significativamente, com mais postos de serviços, uma fragmentação de cargos na empresa, bem como uma divisão dentro da descrição dos cargos, pois a função vai se acumulando até que se chegue a um ponto em que um cargo não suporte todas as tarefas, o que obriga a sua fragmentação e o surgimento de novos cargos dentro de um mesmo setor ou área da empresa. A mudança será na nomenclatura e na hierarquia estabelecida dentro do setor, por exemplo: • analista de cargos e salários; • assistente de cargos e salários; • auxiliar de cargos e salários. Unidade IV 160 Unidade IV Saiba mais Para saber um pouco mais sobre a descrição e nomenclatura de cargos, leia o livro: OLIVEIRA, A. D. Manual de descrição de cargos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011. Nesse livro, existem os mais diversos cargos possíveis, suas descrições, classificação e demais curiosidades sobre o tema. O salário motiva. O salário é capaz de transformar, de motivar e principalmente de fazer com que as pessoas possam produzir mais ou menos, depende do valor de cada pessoa, do preço que essa pessoa tem, e de suas necessidades pessoais e profissionais. Portanto, cada um tem sua motivação, sua inspiração e seu motor para produzir mais ou menos, de acordo com o que espera trocar com a empresa em relação ao trabalho ou serviço prestado às empresas. Se analisarmos a teoria das necessidades criada por Maslow, iremos notar que o salário é um fator motivacional, pois satisfaz nossas questões voltadas à fisiologia, como se alimentação, vestimenta, sobrevivência e segurança. No social, quanto mais dinheiro temos, maior é nossa classe social, maior o prestígio e reconhecimento pelos outros dentro de nossa sociedade, além de maior autoestima (como quando nos sentimos bem ao nos arrumarmos melhor, nos cuidarmos esteticamente) e autorrealização (quando conseguimos conquistar o que queremos em nossas vidas). Já na teoria de Herzberg, dividida entre fatores higiênicos e motivacionais, temos as questões higiênicas relacionadas aos benefícios que a empresa oferece ao seu funcionário, que são voltados à qualidade de vida do indivíduo, a um bom clima organizacional, a um ambiente agradável de trabalho e às facilidades para que esse indivíduo não precise sair da empresa para satisfazê‑los. Já os fatores motivacionais estão ligados ao cargo ocupado, ao salário, ao prestígio e ao reconhecimento por parte da empresa e do líder na realização do trabalho. Apenas o salário como era praticado na era de Taylor e Fayol dava margem para uma satisfação momentânea, mas não total, pois deve ter complementos que façam com que os indivíduos tenham uma ampla realização pessoal e profissional. O salário é um agente de transformação motivacional que pode levar os indivíduos a produzir com qualidade, desde que esses se sintam realizados em sua vida pessoal e profissional. Um dos fatores em que repousa a eficiência de qualquer empresa, de fins econômicos ou não, é uma administração racional de pessoal: matéria que envolve necessariamente o complexo e grave problema “salário”, pois exerce enorme influência nos processos de produção, circulação, distribuição e consumo da riqueza. O salário deve ser, conforme Zimpeck (1990), considerado racional, adequado e correto, estabelecido em razão de níveis de mercado, qualificações pessoais, capacidades técnicas, condições interferentes na política de salários de determinadas regiões, setores e ramos de atividade, e maior ou menor regulamentação do trabalho existente em cada país. 161 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS O autor coloca em foco as responsabilidades que o cargo tem, como o preparo do indivíduo para atuar frente a adversidades. Ainda descreve que existem diferenças salariais de acordo com a região onde se pratica o trabalho, devido às razões econômicas locais. Nesse caso, está se referindo ao custo de vida local, pois quanto mais há produtividade local e consumo por parte da população, mais caro é o preço das coisas e, consequentemente, há um interesse das empresas em produzir no local, o que gera melhores salários e desafios para realização dos colaboradores em termos de produção. Observação O salário, se não for bem administrado nas empresas, pode provocar graves erros e riscos comprometedores de produtividade no mercado competitivo. Logo, a empresa deixa de motivar o colaborador, oferecendo um salário e benefícios baixos, e ao mesmo tempo deixa de ser atraente no mercado, pois não possui diferencial competitivo para atrair novos talentos. A administração de cargos e salários tem a função de administrar uma verticalização de salários dentro da estrutura proposta pelos cargos, baseando‑se no mercado e na prática dos concorrentes, para que a empresa possa ser competitiva em termos de fornecimento de salário justo para as funções ocupadas pelos indivíduos. A empresa, remunerando adequadamente, torna‑se altamente competitiva e interessante tanto para quem trabalha nela, como para os entrantes. Trata‑se de um chamariz para os que estão de fora, pois os próprios colaboradores têm o hábito de propagar a informação sobre os benefícios oferecidos pela empresa aos seus contatos no mercado, tornando‑se assim um atrativo a mais para que capital intelectual renovado venha a entrar na empresa. Isso quer dizer que a empresa depende dos funcionários para sobreviver e crescer, porém, dependerá do seu estímulo em termos de remuneração a preservação dessas pessoas para que trabalhem melhor e, consequentemente, produzam mais e façam com que a empresa cresça e prospere. É um jogo em que a capacidade do indivíduo pode ser melhor ou pior, de acordo com o reconhecimento oferecido por meio da remuneração, evitando injustiças e pagando adequadamente, como paga o mercado para determinada função ou tipo de trabalho. Figura 53 – Administração do salário Disponível em: https://bit.ly/3ETy6hy. Acesso em: 14 dez. 2021. 162 Unidade IV A administração de cargos e salários não pode ser feita ao acaso. Deve ser levado em conta o ramo da empresa, o seu porte e principalmente suas finanças, para pagar os benefícios e, a partir daí, ser traçada uma política que esteja dentro do contexto da estratégia da empresa, seja de crescimento, seja de sobrevivência no mercado, levando em conta suas pessoas como diferencial competitivo em relação às outras empresas. Muitas empresas perdem seus talentos por não reconhecerem adequadamente ou por não valorizar essas pessoas de forma que se sintam motivadas e satisfeitas, pessoalmente e profissionalmente. Observação O salário direto mais os benefíciossão o diferencial importante na retenção de talentos na empresa e, sobretudo, na atratividade de novos entrantes que venham a se interessar pela organização, principalmente pelos seus benefícios, que são o diferencial em relação ao salário oferecido no mercado. A remuneração ainda está envolvida diretamente com o desenvolvimento social da comunidade, ou seja, quanto mais produtiva a empresa, maior a chance de lucros e, consequentemente, a distribuição de renda aos seus colaboradores. Um exemplo é a participação nos lucros e resultados a PLR, que está focada no fator produtividade. Conforme Jorge (2007): No âmbito externo às organizações, além da situação geográfica que se relaciona ao mercado de trabalho mais ou menos competitivo, fatores poderosos como a conjuntura econômica, o governo, por meio de toda a legislação que regula a economia, a ação das organizações sindicais que exercem pressões na adoção de procedimentos relacionados à remuneração, outros fatores importantes que podemos relacionar são: a influência que grandes empresas exercem como paradigmas, o poder corporativo de grupos e aspectos não econômicos como os componentes éticos, psicossociais etc. (JORGE, 2007, p. 20). Questões voltadas à geografia implicam diretamente na política dos salários, pois estão relacionadas ao alto ou baixo custo de vida dos indivíduos na sociedade onde estão participando. Os alunos, por algumas vezes, me perguntam por que alguns produtos e serviços são mais baratos em determinados lugares que em outros. E eu respondo que esta política acontece de acordo com a cadeia produtiva da localidade. Um exemplo são frutas e verduras: é natural que no interior dos estados – onde temos uma tendência maior da produtividade agrícola por se tratar de um centro produtivo de hortifrutigranjeiros – o valor do produto seja menor; em consequência, a chance de emprego nestas 163 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS áreas específicas do mercado se torna maior, pela questão do local, do tipo de produto e da oferta de trabalho no segmento. Logo, o salário tende a ser menor, até por uma questão de menor valor arrecadado por produto. Já nas grandes cidades, que são abastecidas por esses produtos provindos do interior, temos menos mão de obra qualificada, poucos empregos, porém o salário dos colaboradores tende a ser maior, pois o valor do produto é maior nas grandes cidades; logo, o custo de vida tende a ser maior também. É uma questão de raciocínio lógico e logístico de oferta e demanda de mercadorias e seus respectivos valores. Quanto maior a quantidade produzida em determinada localidade, menor pode ser o preço, salário, porém a oferta de emprego é maior. Outro fator que podemos observar são os polos industriais que ocorrem em partes do interior ou nas grandes capitais. Estas empresas empregam muitas pessoas, porém o custo de vida é mais alto pelo grande consumo e poucas ofertas de produtos. Assim, o valor do salário será mais competitivo para que as empresas consigam influenciar as pessoas com melhora capital intelectual a vir trabalhar para elas. Outro fator abordado pelo autor é a questão governamental e econômica pela qual o país passa. Se observarmos bem, vamos notar que os impostos sobre produtividade e serviços diferem de acordo com a região que estamos no país. Segundo a política fiscal do local, os preços dos produtos podem aumentar ou diminuir e isso influencia diretamente no consumo por parte dos colaboradores e também nos salários oferecidos pela empresa. Quanto maiores os impostos colocados pelo governo e pela economia na sociedade, menores as compras e, consequentemente, menor a oferta de empregos e de remuneração. Saiba mais Visite o site a seguir para tirar suas dúvidas sobre os tipos de impostos adotados no Brasil: Disponível em: www.receita.fazenda.gov.br. Acesso em: 14 dez. 2021. O que muitos alunos em dúvida também perguntam é como a política de salários é formada em determinadas regiões do país. Como dito anteriormente, depende dos fatores geográficos, econômicos e políticos: a política pode ser influenciada pelo poder local e da sua atuação no país em termos de participação na economia, assim como os benefícios estendidos às empresas. Ou seja, a política fiscal de impostos baixos é um atrativo para a instalação das empresas em determinados lugares do país. Um exemplo são as grandes empresas que estão migrando para a região nordeste do país pelos baixos impostos praticados, como um ICMS baixo. Em outras regiões do país, o ISS, são impostos que geram mais empregos e podem colaborar para maiores salários, dependendo da política da empresa local. O que os alunos devem observar é quanto uma empresa paga em determinada função e quanto os concorrentes praticam em termos de salários na mesma função. Por esse parâmetro, o indivíduo poderá verificar se o salário é adequado ou não ao cargo que pretende ocupar nesta empresa. 164 Unidade IV Conforme Jorge (2007): No âmbito interno, enquanto fatores como a tecnologia, a saúde financeira, o custo de mão de obra em relação ao faturamento, a avaliação e hierarquização dos cargos estabelecem limites técnico‑administrativos na concessão da remuneração, componentes como a existência de grupos internos de influência que agem na busca de privilégios e os costumes baseados em crenças relacionadas ao estágio de desenvolvimento da organização, constituem em vetores de decisão em sua determinação (JORGE, 2007, p. 20). O autor quer dizer que a empresa deve estar bem para poder proporcionar melhores salários e benefícios aos seus colaboradores. O que muitas pessoas não entendem é que não dá para remunerar bem se a empresa não vai “bem das pernas”, ou seja, se ela não tem receita o suficiente para conseguir suprir as despesas e o salário dos funcionários é uma despesa. Portanto, cada empresa vai remunerar de acordo com sua capacidade de produtividade: isso envolve pessoas, tecnologia e demanda por parte dos consumidores em relação aos produtos e serviços oferecidos pela empresa. Figura 54 – Empresas bem‑sucedidas, tendência de bons salários Disponível em: https://bit.ly/3IH9fQa. Acesso em: 14 dez. 2021. Outro aspecto sinalizado pelo autor é a hierarquia remunerada: cada cargo tem funções, processos e procedimentos produtivos. Quanto mais importância esta função representar dentro de uma organização, melhor será a remuneração. O grau de dificuldade e responsabilidade também são fatores que influenciam o valor do salário, por isso, o que acontece, em alguns casos, é um profissional técnico ou especializado em uma função dentro do ramo de negócio da empresa ter o salário maior do que de um cargo similar dentro da mesma empresa, mas sendo de outra área. Por exemplo: temos um profissional de informática, um analista, dentro de uma empresa de informática e um analista de RH. A tendência é que o profissional de informática seja melhor remunerado, pois esse pertence ao grupo de atuação da empresa (informática). Não é uma regra, mas por minha experiência como consultor de pessoas, já verifiquei muitos casos similares acontecendo nas empresas brasileiras e em multinacionais também, depende da política da empresa em termos de cargos e salários. 165 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Então veja, aluno: os fatores internos e externos a uma empresa influenciam diretamente ou indiretamente na política salarial estabelecida por ela para os colaboradores. Não existe uma forma adequada de se remunerar, mas uma sugestão mediante aos fatores citados anteriormente nos leva a crer que o salário estipulado é adequado conforme os indicadores do cenário interno e externo das empresas. A principal pergunta que os alunos fazem é como compor um salário a partir do cargo. Qual a relação que um tem com o outro? E como eu verifico a prática salarial no mercado? As respostas a estas questões estão implícitas dentro do contexto empresarial, bem como no mercado, além da estratégiautilizada pelas empresas para manter, atrair e garantir seu sucesso pelas das pessoas. Para compor o salário, deve‑se primeiro verificar quais são as competências do cargo, analisando seu título, as tarefas que são realizadas nele, bem como suas especificações, analisando as partes feitas pelo indivíduo dentro do cargo. Na própria descrição do cargo – que é feita normalmente por um gestor da área que está pedindo o indivíduo para vaga – tem várias tarefas que devem ser verificadas ao contratar, além disso, existem as competências na realização das tarefas. Para compor os salários a partir do cargo, utilizam‑se fatores que são fundamentais para a execução, pontuam esses fatores e dão valores ao mesmo. Logo, o que é subjetivo, ou seja, algo observável, irá se tornar objetivo e mensurável matematicamente. Iremos verificar como esses fatores são transformados em números nos próximos capítulos. A relação entre os dois já foi descrita anteriormente, pois dá‑se valor ao salário por meio da fragmentação dos fatores dentro das tarefas do cargo. Portanto, para mensurar, temos que dividir e pontuar o que for mais importante dentro da função e significativo dentro da estratégia da empresa em termos de atuação do indivíduo em sua função. Já na questão prática salarial, após mensurar o quanto eu estou disposto a pagar pela função exercida pelo indivíduo em um determinado cargo, verifico, no mercado, quanto meus concorrentes pagam pelo mesmo salário, principalmente, por uma estratégia de captação de indivíduos com capital intelectual e, portanto, diferencial competitivo. A melhor maneira de o aluno se posicionar quanto ao valor praticado é verificando no jornal; lá, todos os fins de semana, sai uma tabela com os principais salários praticados por área de atuação, por segmento de mercado e por cargo, com o mínimo praticado em termos de salários dentro daquele cargo, a média e o máximo. Observação Em quase todos os jornais publicados no Brasil na página de empregos sai uma tabela específica com a prática de salários e seus respectivos cargos, por nível hierárquico, área e segmento no mercado inclusive ramo de atuação da empresa. Basta que o aluno observe o título do cargo e verifique se o que ele está ganhando está dentro do explanado no jornal. 166 Unidade IV Os alunos muitas vezes me perguntam: mas como as empresas poderiam verificar a prática salarial no mercado? Eu digo que a partir de suas concorrentes, ou seja, o que as principais empresas do setor do ramo de atuação estão oferecendo aos seus funcionários, ou ainda, aos novos entrantes na empresa e a prática atual feita pela empresa em questão. O jornal também é uma fonte de informação, mas as empresas devem tomar muito cuidado, pois ali estão os menores, médios e maiores salários praticados dentro de cada nomenclatura, ou seja, cada cargo. Cabe à empresa saber o quanto ela estará disposta a pagar por determinado cardo dentro de uma hierarquia de importância de determinadas tarefas executadas dentro do cargo, assim como a importância destas ações para as melhorias de produtividade da empresa e os resultados financeiros conseguidos por meio destas ações. Não basta apenas praticar o salário do jornal, mas pesquisar se a própria empresa tem condições de fornecer esse salário aos seus colaboradores em determinados cargos. Existem, ainda, revistas e sites especializados que fornecem cargos e salários pesquisados a partir de empresas que estão ligadas a eles e que podem elucidar estas questões em termos financeiros a quem quer saber quanto se pratica determinado salário para um cargo no mercado de trabalho. Podemos citar exemplos como o site Vagas, ou ainda Catho, que muitas vezes divulgam o salário oferecido de acordo com o cargo e suas exigências aos candidatos. Jornais diversos, dependendo do Estado em que se situa, normalmente são publicados aos domingos com mais oportunidades, visando ao público‑alvo que está, conforme eles, mais descansados e prontos para procurar novas oportunidades no mercado de trabalho. Figura 55 – Hoje em dia outro meio muito utilizado tanto por profissionais buscando vagas de trabalho quanto por empresas procurando por profissionais para preenchê‑las é a rede social LinkedIn Estas pesquisas são feitas e os anúncios são direcionados ao público‑alvo que identifica seu meio de comunicação para obter o que desejam em termos de valores. Cada jornal, site ou revista tem sua função, seu público de acesso e as informações necessárias sobre a prática salarial em determinados segmentos de mercado, com seus cargos respectivos de acordo com a nomenclatura da área. Lembrete Cabe aos indivíduos saberem o que procuram e o que desejam em termos de salários e benefícios oferecidos pelas empresas, buscando sempre observar estas práticas no mercado para nãos serem surpreendidos no futuro ou ficarem desmotivados pela posição ou valor que estão recebendo na atual posição que ocupam em sua empresa. 167 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 7.1 Conceito de salários O salário tem vários nomes diferenciados, o que faz com que exista certa confusão entre os alunos, pois eles acreditam que o salário é apenas um. De fato é, mas o que ocorre é que, de acordo com as empresas, este poderá ter maior ou menor influência no final do valor real pago ao colaborador. Existem diversas maneiras de definir o termo salário, dependendo de sua forma de aplicação ou como ele se apresenta para o colaborador ou para o empregador. Algumas das principais definições sobre o termo salário são: Quadro 18 – Definições de salário Tipo de salário Definição Salário nominal É aquele que consta na ficha de registro, na carteira profissional e em todos os documentos legais. Pode ser expresso em hora, semana, mês etc. Salário efetivo É o valor efetivamente recebido pelo empregado, já descontadas as obrigações legais (INSS, IR etc.). Salário complessivo É o que tem inserido no seu bojo toda e qualquer parcela adicional (hora extra etc.). Salário profissional É aquele cujo valor está expresso na lei e se destina especificamente a algumas profissões (por exemplo, médicos, engenheiros). Salário relativo É a figura de comparação entre um salário e outro na mesma empresa. Salário absoluto É o montante que o empregado recebe, líquido de todos os descontos, e que determina o seu orçamento. Fonte: Marras (2011, p. 92). • Salário nominal: é o salário expresso na documentação. É o real sem os descontos, sendo assim, esse é o que deve ser verificado no mercado como o praticado pelas empresas, é a referência para o colaborador que venha a procurar um emprego em sua área, ou ainda, que queira verificar o quanto está sendo remunerado seu cargo por outras empresas concorrentes. • Salário complessivo: são todos os recursos extrassalário, por exemplo, as horas extras feitas pelo indivíduo pagas em dinheiro. Em alguns casos, as empresas, ao invés de pagar em dinheiro, podem dar folgas conhecidas como banco de horas. • Salário efetivo: é aquele com o desconto dos impostos, como imposto de renda e INSS, que são impostos tributados pelo governo. O imposto de renda visa à contribuição do indivíduo para o governo pelos seus ganhos, que poderá ser restituído posteriormente, mediante comprovação de renda e gastos justificáveis. 168 Unidade IV Saiba mais Esses ganhos são apurados pela receita federal e parte ou total da restituição poderá ser devolvida ao contribuinte. Sobre isso, veja o site da receita: Disponível em: https://www.gov.br/receitafederal/pt‑br. Acesso em: 21 dez. 2021. Já o INSS é a contribuição que o indivíduo faz para sua aposentadoria, é a garantia de um determinado salário após seus anos trabalhados conforme a lei, que pode ser por tempo de casa ou por idade. Sobre isso, consulte o site da previdência social: Disponível em: https://www.gov.br/trabalho‑e‑previdencia/pt‑br. Acesso em: 21 dez. 2021. • Salário relativo: é a comparação entre os cargos dentro de um patamardentro da empresa. Por exemplo: salários dos auxiliares, assistentes ou analistas são considerados relativos por serem de um mesmo patamar hierárquico dentro da mesma empresa. Lembramos que a discrepância poderá ser grande dependendo do tipo de profissional e o ramo de atuação da empresa, pois se o profissional pertence à categoria do ramo de atuação da empresa, em alguns casos, a empresa tem a tendência de remunerar melhor esse profissional. • Salário absoluto: é o salário conhecido como líquido, livre de todos os descontos referentes a impostos, mais as contribuições a benefícios por parte do colaborador como ticket e vale‑transporte, ou seja, o salário com todos os descontos por parte do governo, mais os acordados entre empregador e empregado. Conforme Jorge: O plano de cargos e salários é caracterizado pela determinação dos salários em função da obtenção de determinado equilíbrio interno e externo [...]. O equilíbrio interno é obtido quando a diferença salarial entre os cargos é diretamente proporcional às exigências que suas tarefas apresentam frente aos seus ocupantes. O equilíbrio externo é obtido quando os valores pagos internamente se comparam com os praticados no mercado [...] (JORGE, 2007, p. 21). O que o autor quer dizer é que, para se ter um salário equilibrado, temos que ver quais são as atividades praticadas pelos colaboradores internamente. Há uma sequência de responsabilidade, grau de dificuldade e evolução das tarefas, ou seja, cada atividade tem um valor mensurável em termos de valores que, compostos, chegam ao salário final de cada colaborador. Para que isto tenha um controle eficiente e eficaz, esse salário deve ser comparado ao praticado no mercado, logo, para se compor o salário, devemos olhar a prática interna em termos de valores e uma comparação com a prática por outras empresas no mercado. 169 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 7.2 Organização da administração de salários Inicialmente, é de suma importância que o profissional responsável pelo programa de remuneração tenha seu papel muito bem definido junto à organização, bem como delineado seu campo de ação política e técnica, suas atribuições, relações e autoridade. Por outro lado, a formação de sua equipe de trabalho dependerá diretamente do perfil da organização. Grandes estruturas demandam equipes e especialistas diversificados, enquanto empresas de menor porte, devem funcionar com equipes mais enxutas até o ponto de ter somente um analista de C&S respondendo por todas as atribuições do setor. Em qualquer situação, contudo, o analista de cargos e salários em suas três dimensões dadas pelo conhecimento e experiência (júnior, pleno ou sênior) é o elemento chave do setor de cargos e salários. A base para a estruturação de um planejamento voltado a cargos e salários está no alicerce dos cargos‑referência. A partir deles, serão montados os diferentes graus de dificuldade, responsabilidades, processos e procedimentos dos outros cargos que irão compor o rol hierarquizado em termos de cargos e salários na empresa. Quanto ao profissional de remuneração, este deve ter um amplo conhecimento do negócio da empresa, além de estar atualizado com o que está sendo praticado no mercado, para que não cometa erros ou injustiças na hora de fazer a composição dos cargos e de sua remuneração. Ao decidir montar a sua estrutura de cargos e salários, a empresa pode optar por fazê‑lo com uma equipe interna, própria, ou pela contratação de uma assessoria externa especializada, quando não contar com especialistas em condições de conduzir o programa segundo todas as suas exigências técnicas. Nesse caso, é interessante que seja designado um profissional para acompanhar os trabalhos da consultoria desde o início do programa, para que ele acompanhe todos os seus passos e seja treinado, posteriormente, para dar continuidade ao programa de manutenção das estruturas. Quando se monta um projeto na empresa com sua própria equipe, a tendência é que os custos sejam menores, mas para isso acontecer de forma eficiente e eficaz, o profissional ou profissionais da área de cargos e salários devem ter o conhecimento necessário da empresa como um todo. Lembrete A questão de contratar uma assessoria deve ser cautelosa, pois, o que acontece é que a empresa ou especialista contratado não vivencia o dia a dia das rotinas da empresa contratante e, por esse motivo, alguém deverá acompanhar o processo da elaboração do plano de remuneração na empresa. O que deve ser observado nas grandes corporações é que a atribuição dos profissionais de cargos e salários é dividida por níveis, tais como: 170 Unidade IV Analista de C&S júnior: confecção de tabelas, gráficos, cálculos isolados, acompanhamento de pesquisas salariais, coleta de informações e auxilio nas descrições de cargos. Analista de C&S pleno: análise de tarefas, descrições de cargos, análise comparativa de salários internos e externos, confecção de pesquisas salariais e atendimento às pesquisas externas, suporte à análise da estrutura organizacional. Analista de C&S sênior: relatórios analíticos comparativos de cargos e/ou salários; análise de tendências e custos da massa salarial; análise, ajustes e redesenho da estrutura organizacional; suporte na tomada de decisão relativamente à política de remuneração; contatos externos com entidades ou empresas do mercado (MARRAS, 2011, p. 93). 7.3 Etapas para a implantação do plano de administração de cargos e salários A implantação de um projeto de cargos e salários não é algo tão simples, pois tem várias fases que devem ser aferidas e respeitadas por quem está idealizando o processo como um todo. Portanto, o profissional ou equipe responsável deve ser capaz de conduzir bem esta implantação, de forma que não tenha erros e perdure por muito tempo na empresa. É a parte de recursos humanos que mexe com capital financeiro das pessoas, tal como as aspirações que estas esperam em termos de remuneração para poderem ter uma boa qualidade de vida no seu dia a dia, colaborando, assim, para a melhoria nos processos produtivos da empresa. Vejam, a seguir, as etapas para a implantação de um plano de cargos e salários, além das fases importantes dentro desse projeto. Quadro 19 – Etapas para a implantação do plano de administração de cargos e salários Etapas Fases importantes Planejamento e divulgação do plano Elaboração Discussão do plano com as gerências Aprovação do plano Divulgação do plano aos colaboradores Análise dos cargos Coleta de dados Descrição dos cargos Especificação dos cargos Titulação dos cargos Classificação dos cargos conforme os grupos ocupacionais Catálogo de cargos 171 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Etapas Fases importantes Avaliação dos cargos Escolha de cargos‑chave Formação do comitê de avaliação Escolha do método de avaliação Avaliação dos cargos‑chave Avaliação dos demais cargos Pesquisa salarial Escolha dos cargos Escolha das empresas Elaboração do manual de coleta de dados Coleta de dados Tabulação de dados Análise dos resultados Relato às empresas participantes Estrutura salarial Cálculo da curva básica Determinação do número de graus Cálculo das amplitudes dos graus Análise da sobreposição dos graus Política salarial Salário de admissão Promoção horizontal e vertical Reavaliação do cargo Reajustes salariais Nível hierárquico de aprovações Política de remuneração Definição dos adicionais salariais Definição do pacote de benefícios Composição da remuneração (salário + benefícios) Carreiras profissionais Sucessão de cargos Divulgação das carreiras aos colaboradores Definição do planejamento de recursos humanos Programa de desempenho Programa de treinamento e desenvolvimento Participação nos lucros e resultados Definição da estrutura do programa Fonte: Pontes (2010, p. 34‑35). 7.4 Planejamento e divulgação do plano A elaboração do plano deverá ser bem estruturada, baseada em fatos e observadana empresa. O que deve ser verificado é o que eu tenho hoje na empresa, o que se faz necessário melhorar para chegar à qual resultado esperado. Todo planejamento tem um diagnóstico, uma ação de melhoria, um acompanhamento, uma validação e um retorno aos interessados. Não se faz planejamento sem ter um objetivo final, no caso, a valoração do cargo a partir do salário. 172 Unidade IV Figura 56 – Planejamento criativo Disponível em: https://bit.ly/3pZOTcB. Acesso em: 14 dez. 2021. Para se elaborar um plano de cargos e salários, por se tratar em alterar a remuneração em toda a empresa, faz‑se necessária uma reunião com as demais gerências para que estas estejam a par do que acontecerá e, inclusive, faz‑se necessária a participação destas na elaboração da melhorias para o colaborador e para a empresa em termos de remuneração. Uma vez o plano sendo elaborado e aprovado pelas gerências, cabe aos gestores divulgar aos colaboradores esta nova configuração dos cargos e salários que será implantada na empresa. 7.5 Pesquisa salarial Para fazer uma pesquisa, devemos coletar dados; esses devem ter o teor como: qual cargo pesquisar? Quais empresas vamos pesquisar como base da pesquisa? A primeira questão está ligada aos cargos base, sempre começamos por eles. Quanto às empresas, temos que verificar a prática salarial dos nossos concorrentes. Após esta pesquisa, deve‑se elaborar o manual de cargos e salários e colocar as informações colhidas a partir dos dados pesquisados, tabulando‑os e analisando se o resultado está dentro do esperado pela empresa e viável ao pagamento dos salários, assim como deve‑se relatar à empresa em questão, que está colocando em prática a nova política de cargos e salários. 7.6 Estrutura salarial A estrutura salarial será baseada de acordo com os ganhos de cada salário no mercado mais as observações e condições da empresa que está implantando esta estrutura para remunerar seus funcionários. O indicado é que se pague sempre acima do mínimo de cada função praticada no mercado. Porém, por meio da coleta de dados, a empresa pode utilizar uma margem de segurança 173 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS para mais ou menos dentro da prática de suas concorrentes como estratégia para captação de novos colaboradores ou ainda para manter seus talentos. Para conseguir valorizar o salário de um cargo, deve‑se fragmentar as atribuições deste em partes e dar valores a essas partes do todo, lembrando que os cargos têm diferentes atribuições e são essas diferenças que fazem os salários serem diferentes. Após isso, calcula‑se esses valores e sobrepõe‑se esses graus como referência para futuros pagamentos. Uma vez apurados esses graus e valorados, indica‑se que se mexa apenas quando for necessário, para não estragar o manual que já foi feito. 7.7 Administração de salários 7.7.1 Tipos de remuneração Há uma anedota popular muito conhecida que diz que nem relógio trabalha de graça: ele exige que você ou dê corda ou coloque a bateria. Nós também precisamos de corda: investimos tempo e esforço, estudamos, nos dedicamos, nos envolvemos nos projetos e, por consequência, também precisamos e “bateria”, algo que nos estimule, incentive a querer investir e nos dedicar cada vez mais. E qual é a nossa bateria? A remuneração. Remuneração é uma forma de recompensa. Ela traduz de forma direta o nosso valor para a empresa, o nosso grau de importância e a complexidade das tarefas desempenhadas. Por isso é de suma importância um sistema de recompensa capaz de traduzir as necessidades dos colaboradores. A remuneração deve atender: • as expectativas dos trabalhadores; • os limites econômicos da empresa; • a realidade do mercado. Observação Remuneração é gênero, salário é espécie. Portanto, para equilibrar as finanças, uma empresa pode adotar várias formas de remuneração, que não necessariamente vão impactar a folha de pagamento, como o salário faz. 174 Unidade IV O importante é compreender que as recompensas oferecidas interferem no nível de satisfação dos trabalhadores. Segundo Chiavenato (2014), a remuneração possui quatro componentes, conforme podemos observar na figura a seguir: Remuneração total Remuneração básica Salário mensal Salário por hora Incentivos salariais Bônus Prêmios Participação nos lucros Remuneração variável Incentivos não financeiros Distribuição de ações Opção de compra de ações Participação em metas e resultados Prêmios em viagens Prêmios em bens Benefícios Seguro de vida Seguro saúde Relações subsidiadas Transporte subsidiado Etc. Figura 57 – Os quatro componentes da remuneração total Fonte: Chiavenato (2014, p. 241). Remuneração variável A remuneração pode ser paga tendo como base um valor fixo, como o salário mensal ou por hora, ou por meio de bases variáveis, que deverão ser pactuadas previamente, como metas, tarefas, lucros etc. A fixação da forma de remuneração tem que estar estipulada no contrato e o trabalhador dever ter claras as condições. A grande maioria das empresas adota a forma fixa de remuneração, uma vez que ela é mais fácil de ser aplicada. Veja o exemplo do salário mínimo: O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco, promulgou a Lei 14.158, de 2021, que fixa o salário mínimo em R$ 1,1 mil a partir de 1º de janeiro de 2021. O texto estabelece a diária em R$ 36,67 e o valor horário do salário mínimo em R$ 5 (BRASIL, 2021). Veja como é fácil calcular: R$ 1.100,00 equivale a 220 horas de trabalho mensal. R$ 1.100 / 220 horas = R$ 5,00 por hora trabalhada. R$ 1.100 / 30 dias = R$ 36,67 por dia trabalhado. 175 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Já a remuneração variável tem como base o atendimento dos critérios estabelecidos. Por exemplo: Uma costureira recebe R$ 1,50 por peça costurada. Ela costurou 2.000 peças ao mês. Irá receber R$ 3.000,00. Em termos matemáticos: 2.000 X R$ 1,50 = R$ 3.000,00 Caso ela costure mais, irá receber mais, se costurar menos, receberá menos. Observação Sempre se deve respeitar o piso da categoria, que é fixado pela norma coletiva da categoria. Algumas empresas optam por remunerar os ocupantes de cargos de hierarquia mais elevadas com valores flexíveis. Esses valores podem ter como base a produtividade, a lucratividade, entre outros critérios. Participação acionária O empregado recebe ações do empregador. É uma modalidade de remuneração em que o valor adquirido é vinculado à lucratividade e ao crescimento da empresa. Dessa forma, quanto mais a empresa se valoriza, maior será o valor das suas ações. Trata‑se de um sistema que premia o desempenho e os resultados dos colaboradores – ao invés de o empregado receber um valor em espécie, recebe ações, ou seja, se torna um acionista da empresa. Plano privado de aposentadoria A previdência complementar tem sido muito utilizada como forma de remuneração, uma vez que é bem aceita pelos colaboradores. Em parceria com a empresa, os trabalhadores realizam aportes mensais (pagamentos mensais) de valores destinados à aposentadoria privada. Normalmente são contratos coletivos, uma vez que são firmados pela empresa, mas é importante ter claro que cada operadora do plano impõe as regras e condições. 176 Unidade IV Remuneração por competência Cada cargo possui as suas particularidades e requer fatores específicos. Todos os cargos são importantes para a organização, mas alguns, por sua complexidade, possuem maior responsabilidade e as competências exigidas são mais elaboradas. Lembrete E que competências são essas? São as definidas pela sigla CHA. Para retomar, CHA: • Conhecimentos: saber. É o nosso capital intelectual. • Habilidades: saber fazer. É a nossa maneira de transformar o conhecimento em algo concreto, produtivo. • Atitudes: saber ser (querer fazer). É o modo como transformamos as nossas habilidades em resultados. Para cada cargo, são esperadas determinadas competências, as quais são desenvolvidas ao longo da vidaprofissional, por meio de cursos e experiências. Além disso, também envolvem a maneira como lidamos com as situações, o quanto contribuímos para a soluções das questões, o quanto somos criativos, proativos, entre outros. A empresa avalia o trabalhador. Ela busca avaliar o quanto o trabalhador investiu no aprimoramento das suas competências. A remuneração aumenta na medida em que a pessoa adquire competências e se torna capaz de desempenhar atividades complexas com sucesso. A remuneração baseada no indivíduo é indicada quando a força de trabalho é educada e possui capacidade e vontade de aprender novas tarefas, a tecnologia e a estrutura organizacional mudam, as oportunidades para mobilidade vertical são limitadas, a participação e o espírito de equipe são encorajados e os custos de rotatividade e absenteísmo em termos de perdas de produção são elevados (CHIAVENATO, 2014, p. 246). Remuneração por habilidades Nessa forma de remuneração, empregados de cargos iguais podem receber remunerações diferentes, isso porque aqui a empresa valoriza o capital humano, ou seja, o quanto o empregado busca aprimorar as suas habilidades, por meio de cursos, treinamentos, intercambio etc. 177 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Nesse caso, portanto, a empresa busca motivar os empregados a buscarem aprimorar as suas qualificações. O incentivo é o desenvolvimento profissional, o que é de suma importância para as empresas que investem em plano de carreira. Remuneração funcional É uma das formas mais tradicionais de remuneração, uma vez que está diretamente relacionada ao cargo. A empresa pesquisa no mercado quanto os concorrentes pagam aos seus colaboradores e, assim, fixa o valor de cada remuneração. Ela acata o organograma, tendo como base os fatores exigidos para cada cargo. Requisitos mentais Requisitos físicos Responsabilidades envolvidas Condições de trabalho Cargos Quanto mais complexa a função desempenhada, maior o salário. Por outro lado, nivela‑se o valor da remuneração: cargos do mesmo nível hierárquico recebem a mesma remuneração. É o oposto da remuneração por habilidades. Benefícios e remuneração indireta São os benefícios oferecidos como parte integrante da remuneração, dentre os quais podem ser citados como exemplos: prêmios, gratificações, bolsas de estudos, entre outros. Em algumas situações, a remuneração indireta supera o valor do salário‑base. Para a empresa pode ser extremamente vantajoso economicamente oferecer benefícios, pois vários deles não integram a remuneração, ou seja, não serão incorporados à base de cálculo das férias, 13º salário, FGTS e INSS. Desse modo, o empregado se sentirá recompensado e a empresa não aumentará muito a sua folha de pagamento. O importante é que essa forma de remuneração gera reconhecimento, seja social, simbólico, financeiro e relacionado ao trabalho (como a participação em feiras, congressos etc.). 7.8 Carreiras profissionais Faz‑se importante que uma empresa tenha plano de carreira, até por uma questão de incentivo ao colaborador produzir melhor e ser reconhecido e, dessa forma, galgar alguns degraus em sua carreira. Os colaboradores devem estar cientes dos níveis hierárquicos dentro de sua carreira, assim como os outros praticados na empresa. A alocação dos recursos humanos deve ser pertinente de acordo com as estratégias estabelecidas pela empresa, bem como o aproveitamento do seu colaborador interno, dando 178 Unidade IV oportunidades a essas pessoas. Uma metodologia muito utilizada é a remuneração por competência ou desempenho. Algumas empresas utilizam tal estratégia para remunerar adequadamente seus funcionários e, em alguns casos, promovendo‑os em termos de cargo e salário. A capacitação por meio do treinamento pode também conduzir o colaborador a melhorar seu desempenho e atuação na função. Uma vez aproveitado esse conhecimento, o colaborador poderá ter uma melhor remuneração, desde que agregue valor ao negócio da empresa. 7.9 Participação nos lucros e resultados Esta forma de remuneração é uma incógnita, pois depende do esforço conjunto dos indivíduos em equipe para a obtenção de um bom resultado global. Fica claro que todo e qualquer benefício implantado na empresa não deve ser retirado porque causa desconforto e desmotivação. Diz‑se que a PLR é uma incógnita, pois, dependendo dos resultados, pode ser que o indivíduo não tenha participação nos lucros, por exemplo, quando a empresa fecha no vermelho, ou seja, não houve lucro. Portanto, faz‑se necessário documentar‑se muito bem esta política, deixando claro que a participação nos lucros e resultados irá ocorrer quando a empresa conseguir lucro, e também devem ser estipuladas as porcentagens e regras de ganho por parte dos colaboradores. Esta questão é muito perguntada pelos alunos: a empresa não é obrigada a dar PLR? Quando estipulada uma vez, não poderá ser retirada; no máximo, o que pode acontecer é não existir o lucro. Logo, sem lucro, não existe a participação. Outra pergunta dos alunos é a repartição do prejuízo, pelo qual o colaborador terá que pagar a empresa caso ela tenha prejuízo. Esse fato não existe, o que eu vejo em alguns noticiários é que inúmeros colaboradores, quando a empresa está mal em termos de ganhos, é que abrem exceção de alguns benefícios. Contudo, esta iniciativa fica por parte dos colaboradores em aceitar ou, ainda, oferecerem‑se em não ter o benefício para ajudar a empresa a se reerguer no mercado, mas tudo isso é acordado aceito e documentado legalmente. 7.10 Comitê de salários Outra figura naturalmente observada nas organizações é a do comitê de salários. Esse comitê é normalmente nomeado pela ARH e tem como função tomar decisões relativas ao plano de cargos e salários. Não somente na implantação desses, mas também sempre que for necessária a sua intervenção no processo de manutenção. São as pessoas responsáveis pelo bom andamento da política de cargos e salários, sua manutenção e sua evolução em termos estratégicos para o crescimento da produtividade da empresa. O comitê de cargos e salários é composto por figuras de destaque no comando da empresa e, geralmente, os seguintes critérios são utilizados para escolher os seus membros: 179 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS a) Profundo conhecimento dos fluxos e das funções da organização Os indivíduos que fazem parte do comitê devem conhecer o fluxo de comunicação, o que compete a cada função e por que esta função é executada dentro de um processo na empresa. Por isso, os membros do comitê, quando são nomeados, tem uma longa história na empresa ou um conhecimento bastante aprofundado sobre essa comunicação existente entre pessoas em um setor, entre os setores, gestores e diretoria. b) Profissionais que têm no seu dia a dia um grande número de contatos com o público interno Pessoas populares entre os seguidores da empresa e que possuam articulação de ideias entre si e os membros para que possa, a partir desse conhecimento, analisar o real valor de cada função dentro da linha de produtividade da empresa. c) Indivíduos providos de alto grau de discernimento, bom senso e flexibilidade Os indivíduos escolhidos para o comitê não devem e não podem tirar proveito para si na hora de validar os valores dos salários na empresa. É por isso que existe um comitê com indivíduos de áreas diferenciadas, o que deve prevalecer é a ética e sempre o bom senso, ou seja, avaliar realmente cada função como importante para a produtividade e dar um salário justo perante o merecimento e esforço de cada indivíduo ao praticar sua função no processo de produção na empresa. d) Bons negociadores São pessoas com poder de negociação e articulação de ideias para poder convencer os ocupantes de determinados cargos sobre o porquê de o respectivo salário competir à sua função, assim como devem ser pessoas que justifiquem os valores destinados à sua área, além da importância dela para a empresa como um todo. e) Geralmentegerentes de grandes áreas da empresa São pessoas, como já foi citado anteriormente, que conhecem todo o processo produtivo da empresa, cada setor e sua real contribuição para que a empresa cresça e tenha melhores resultados no mercado, que conheçam os funcionários e as funções que estes exercem na hierarquia da empresa e os salários devidos a eles destinados, com conhecimento interno em relação à remuneração, mas também que saiba a prática salarial estabelecida pela concorrência no mercado de trabalho. 7.11 Fases do programa As subdivisões de um programa de gestão de cargos e salários são: a) análise de função; b) descrição de cargos; 180 Unidade IV c) avaliação de cargos; d) pesquisa de salários; e) política de remuneração; f) construção da estrutura salarial. 7.12 Análise de função Conceito: é o trabalho de prospectar todos os detalhes de cada uma das funções que compõem o cargo, estudando‑lhe os contornos do “que”, “como” e “para que” se faz, registrando todas as exigências em termos de características exigidas para a obtenção dos resultados esperados, ou seja, o que é esta função? Para que serve? Qual seu papel na empresa? Como funciona e qual o resultado que se espera com esta função? E, principalmente, para que existe? pois toda função existe para algum propósito dentro da empresa (MARRAS, 2011, p. 94). É a fragmentação do todo estabelecido pela empresa, da qual o colaborador deverá cumprir. Uma vez que esta função é desmembrada em partes, a empresa, dependendo do tipo de metodologia de remuneração, será capaz de dar valores para as partes e assim chegar a um salário adequado para o todo, ou seja, a função completa contemplada pelo colaborador. Marras coloca de forma clara que devemos pegar o todo, ou seja, tudo que está contido na existência da função (descrição do cargo) e separando as partes importantes vamos valorar estas, chegando a um valor justo para a função exercida pelo colaborador. 7.13 Conceito de função, tarefa e cargo Podemos definir cargo como a nomenclatura ou título de um aglomerado de funções exercidas por um indivíduo em uma hierarquia dentro de um setor em uma empresa. Quando temos funções similares que compõem um conjunto de atividades parecidas ou em vários aspectos, entendemos como cargo (ZIMPECK, 1990, p. 40). Zimpeck classifica uma série de processos e procedimentos parecidos que levam a um resultado final. Na verdade, o que ele está caracterizando são as particularidades de uma função dentro de um cargo, um segmento de informações pertinentes a determinado cargo na empresa. “A tarefa existe como um conjunto de elementos que requer esforço humano para determinado fim” (ZIMPECK, 1990, p. 40). Logo, a tarefa é o que o indivíduo faz dentro de uma função que contém diversas vertentes que caracterizam aquela nomenclatura (cargo) a partir das particularidades dentro da função. A função é o fim, e esse fim é o cargo que tem várias funções. 181 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Um exemplo prático: Cargo: analista de recursos humanos. Esta é a nomenclatura ou título de um determinado nome de cargo dentro de uma hierarquia na empresa. A que compete esse cargo, quais são seus detalhes ou funções que devem cumprir dentro do fluxo produtivo da empresa? Vamos denominar esse cargo como analista de recursos humanos dentro da área de treinamento e desenvolvimento. Observe que estamos nomeando o cargo e direcionando‑o para dentro de uma determinada área de RH (subsistema). Mas o que faz um analista de recursos humanos dentro de treinamento e desenvolvimento? Esse fazer são as funções que o profissional deve executar dentro do processo produtivo a que compete seu cargo na empresa. Vamos ver o que ele faz: 1. verificar as necessidades de capacitação dentro da empresa; 2. desenvolver pessoas; 3. fornecer informações para capacitação profissional; 4. buscar os melhores cursos ou escolas que forneçam diferencial para capacitação dos funcionários; 5. elaborar palestra e treinamentos internos; 6. verificar os possíveis multiplicadores internos para o repasse de informação aos colaboradores; 7. elaborar treinamento coorporativo em meios virtuais; 8. Proporcionar work shopping. São funções dentro de um contexto de RH feitas por um analista na área de treinamento e desenvolvimento, ou seja, suas responsabilidades perante o cargo que irá executar. Quando nos remetemos às tarefas, fragmentam‑se estas responsabilidades, detalhando os processos e os procedimentos que vão ser utilizados para que esse profissional consiga resultados significativos em sua função. Função é o aglomerado de tarefas e responsabilidades que requerem os serviços de um indivíduo. Podemos dizer que existem tantas funções para tantos empregados em uma organização, ou seja, cada empregado tem sua função (ZIMPECK, 1990, p. 40). 182 Unidade IV Exemplo de tarefa dentro de uma função em um cargo: Se pegarmos a função 1 – verificar as necessidades de capacitação dentro da empresa do analista de RH (treinamento e desenvolvimento) – sua tarefa será a de mapear, ou seja, verificar por áreas dentro da empresa junto aos gestores de área quais são as reais necessidades de se praticar ou oferecer uma capacitação para determinado colaborador. Ou seja, a tarefa dentro desta função é a procura de necessidades de capacitação. Outra tarefa será a de preparar um relatório para a diretoria, comunicando a necessidade do treinamento para determinado colaborador dentro de uma área específica. Case A Thyssen – empresa fabricante de máquinas especiais – tinha em sua área de usinagem leve 35 profissionais trabalhando com tornos. Havia, assim, 20 funções. Se todos os tornos fossem iguais às exigências para operá‑los do mesmo nível, a empresa teria em sua estrutura orgânica apenas o cargo de torneiro. Tabela 16 – Analistas Ocupação Menor Maior Média Cargos e salário júnior 1.251 1.411 1.308 Cargos e salários pleno 1.722 3.093 2.292 Cargos e salários sênior 2.234 5.478 3.411 Sistemas júnior 1.184 4.130 2.587 Sistemas pleno 2.092 4.884 3.391 Sistemas sênior 1.571 8.652 4.413 Suporte técnico 1.137 5.826 3.360 Treinamento júnior 793 2.001 1.420 Treinamento pleno 1.094 2.786 1.880 Treinamento sênior 1.865 2.861 2.627 Fonte: Folha de São Paulo (2009, p. 12). Contudo, essa não era a realidade. Havia funções e exigências diferenciadas e, portanto, foram titulados diferentemente cada um dos perfis, gerando cinco cargos: torneiro de produção; torneiro mecânico I; torneiro mecânico II; torneiro mecânico III e torneiro especializado. A análise da função fornece o universo de informações que compõem a base de todo o sistema a ser implantado. É, em outras palavras, o estudo inicial das atividades exercidas pelo empregado, ou seja, a clara definição de suas atribuições e das principais exigências de ordem mental, de responsabilidades, de conhecimentos e demais requisitos exigidos pelo cargo. Então, o que podemos observar é que se trata de uma sequência lógica, na qual a análise vai verificar o que o empregado fará, de que maneira fará e o que esse cargo exige do funcionário para contemplar o serviço exigido pela empresa. 183 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS O sistema de análise de função está diretamente relacionado ao sistema de avaliação de cargos. Isto é, a análise de função deve ser capaz de fornecer todas as respostas aos possíveis questionamentos do sistema avaliativo (MARRAS, 2011, p. 95). 7.14 Metodologia da análise A metodologia de trabalho na execução do levantamento de dados para a realização da análise de função deve contemplar as seguintes técnicas: a) observação in loco (no local); b) entrevista com o ocupante do cargo; c) questionário a ser preenchido pelo ocupante; d) método combinado. O analista de cargos e salários deve estar apto a utilizar todos os instrumentos citados anteriormente, dominando suas técnicas de aplicação, a fim de conseguir o máximo de informações na composição do perfil de cadacargo da empresa. 7.15 Procedimentos em administração de cargos e salários Compreendem as atribuições de identificação, levantamento das descrições de funções pessoais, classificação por grupos ocupacionais e por similaridade, complementação e sequenciais, padronização de cargos, titulação de cargos e elaboração de sumário. Além de outros procedimentos como análise de requisitos, seleção de fatores de avaliação, elaboração do manual de avaliação, avaliação dos cargos, ponderação de fatores e graduação de escalas dos fatores e classificação de cargos (NASCIMENTO, 2001, p. 7). Parece ser fácil criar um cargo e denominar seu salário, mas por trás desses, existe uma estrutura ampla com muita pesquisa, interna e externa para chegarmos a um resultado qualitativo e quantitativo, tanto para a empresa quanto para as pessoas que ocuparam esse cargo e terão o salário adequado à função. 7.16 Identificação É o levantamento dos títulos dos cargos pertinentes às atividades realizadas pelos ocupantes de posições ou postos de trabalho. Nessa ocasião, são também solicitados organogramas, para que se tenha uma visão da estrutura organizacional da empresa e onde estão localizados os cargos. Pede‑se essa posição, exatamente para enxergarmos onde o cargo se situa na organização e quais suas funções, atribuições e colaboração para o negócio conforme organograma a seguir: Supervisor fiscal Analista fiscal Assistente fiscal Figura 58 – Organograma funcional por cargo 184 Unidade IV 7.17 Levantamento das descrições de funções pessoais Representa a pesquisa das funções de cada empregado. Para realizá‑la, existe uma metodologia própria para levantamento de informações que, dependendo da situação, podem ser utilizadas isoladas ou em conjunto (NASCIMENTO, 2001, p. 7). As funções são as partes referentes ao todo do trabalho realizado pelo colaborador dentro de um cargo e, por fazerem estas funções, em alguns casos, são remunerados por funções executadas nos cargos de forma individual. 7.18 Métodos de levantamento de informações Entrevistas Conforme Nascimento: o entrevistador colhe as informações do informante e os dados pertinentes à elaboração da descrição e dos requisitos do cargo. As perguntas devem ser muito bem elaboradas, mas o informante deve ser criteriosamente selecionado. Não se deve confirmar na memória, anotar tudo sumariamente durante a entrevista e complementar logo após o encerramento (NASCIMENTO, 2001, p. 7‑8). Características do entrevistador: • educação; • cordialidade; • discrição; • habilidade; • “falar a mesma linguagem”. Preferencialmente, quem for avaliar o cargo deve possuir um conhecimento amplo sobre as áreas, funções e atribuições de cada um, pois, avaliar algo que não se conhece como um todo, sua qualidade fica prejudicada. Portanto, faz‑se necessário que o indivíduo ou grupo que for avaliar o cargo e o salário saiba sobre o que está falando ou avaliando. Questionário Conforme Nascimento (2001, p. 8), o questionário tem como vantagem poder atingir simultaneamente um contingente muito grande de informantes. Deve apresentar clareza em todos os itens, facilitando o entendimento do informante para uma resposta que atenda aos objetivos. É importante que haja orientações iniciais de como preencher o documento, sobre a importância do trabalho e do prazo de devolução. O questionário deve ser devidamente assinado pelo ocupante do cargo e pela chefia imediata. 185 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Formulário É um questionário que o próprio pesquisador preenche com base nas informações do informante. Tem a vantagem de permitir esclarecimentos adicionais e de poder ser aplicado a informantes com dificuldades em comunicação por escrito. Assim, o formulário é uma ferramenta preenchida mediante as informações do colaborador para quem o está avaliando dentro do seu contexto de trabalho e domínio. Caso, por ventura, esse colaborador não consiga transmitir suas ideias no papel, existirá alguém que escutará o que esse indivíduo faz, o que pretende e o que espera da empresa e será transcrito posteriormente pelo pesquisador (NASCIMENTO, 2001, p. 8). Observação É atentar para as diferentes fases de um trabalho e retratá‑las tal qual ocorrem. Normalmente, é utilizada junto com a entrevista ou o formulário. Pode também ser utilizada para esclarecimentos adicionais sobre o preenchimento de questionários. O resultado imediato desse relato, com base em questionário e formulário, bem como da entrevista e da observação, após um trabalho complementar do entrevistador, é um documento que podemos denominar “descrição de função pessoal”, uma vez que se refere às funções de uma única pessoa. Recolhido o material com as necessárias assinaturas, proceder à leitura e conhecimento do conteúdo selecionado e separado por conjunto, assinaturas na descrição de função pessoal responsabilizam o ocupante do cargo e a chefia imediata pela exatidão e veracidade das informações. A separação e seleção das descrições pela semelhança das atribuições contribuem para o “enxugamento” das denominações ou títulos de cargos. “O acordo nas discrepâncias das informações será bem vindo quando for necessário” (NASCIMENTO, 2001, p. 8). 8 BENEFÍCIOS 8.1 O programa de benefícios oferecidos pela empresa O programa de benefícios tem a finalidade de apresentar as políticas, as diretrizes e os tipos de benefícios oferecidos pela empresa aos profissionais e seus dependentes. Benefícios são auxílios pecuniários, serviços ou subvenções proporcionadas ao profissional em atendimento à legislação e/ou oferecidos espontaneamente de acordo com políticas e diretrizes desse programa. O conjunto de benefícios visa a criar condições para melhoria da qualidade de vida dos profissionais, além de complementar a remuneração e, consequentemente, facilitar sua integração e permanência na empresa. Além dessa questão, os benefícios complementam a remuneração do profissional. Enquanto a remuneração composta por salário, bônus e comissões depende diretamente de fatores da qualificação profissional (salário) ou de funções exercidas em áreas comissionadas – por exemplo, na área comercial, bônus e comissões – a participação nos resultados depende dos resultados alcançados e os 186 Unidade IV benefícios constituem‑se numa remuneração indireta, sendo uma condição oferecida pela empresa aos profissionais, sem nenhuma correlação com qualificação ou desempenho. Nesses termos, os benefícios são estáticos, embora existam formas de flexibilizar sua adoção, como será visto adiante. A flexibilidade é de escolha de cardápio e não de orçamento. 8.2 Objetivos do programa de benefícios • Estabelecer as políticas e diretrizes que norteiam os benefícios concedidos aos funcionários. De acordo com as condições da empresa, esta estabelece uma política concedendo benefícios aos funcionários dentro da realidade que acredita ser adequada em termos de bem‑estar social ao seu funcionário. Isso quer dizer que estas necessidades por parte do indivíduo são medidas pela sua satisfação em receber o que a empresa oferece, podendo medir essa satisfação pela gratidão e contentamento dos colaboradores. Os alunos perguntam sempre se os benefícios são adequados a todos os funcionários de uma mesma empresa. A resposta para esta questão está diretamente ligada às necessidades pessoais do indivíduo, cada um tem o seu tempo de realização e satisfação, portanto, não dá para afirmar que todos têm necessidades iguais, pois isso seria hipocrisia, ou ter uma visão utópica da realidade. Na verdade, cada um tem em sua vida, dificuldades, necessidades e problemas, e a empresa, ao oferecer benefícios de uma forma estratégica, busca sanar grande parte desses problemas. Os indivíduos, que buscam sanar problemas do seu cotidiano, além dos problemas financeiros, até por que o dinheiro não compra tudo, precisam de algo além disso para sanarem suas expectativas e necessidades em suas vidas. • Definir tipos de benefíciose critérios para sua operacionalização. Ao definirmos os benefícios, temos que verificar o que é, de fato, mais importante para os indivíduos que estão trabalhando para nós. Podemos, por exemplo, fazer uma pesquisa com perguntas pertinentes a quais benefícios os funcionários gostariam de receber; após esta pesquisa, priorizar o que é realmente mais importante na escala de necessidades pessoais e, por fim, verificar se o valor gasto pela empresa para implementar o plano de benefícios será viável para a empresa. Os alunos, algumas vezes, perguntam se os benefícios são obrigatórios. Depende de como a empresa os colocou em suas regras estabelecidas entre empresa, sindicato e representante dos colaboradores. Nem todos os benefícios são obrigatórios por lei, ou seja, a empresa dá determinados benefícios se quiser e, principalmente, os benefícios concedidos pela empresa estão ligados às condições que a empresa se apresenta no mercado em seu ramo de atuação. Não adianta oferecer vários benefícios se não há caixa para pagá‑los, portanto, estas diferenças de benefícios nas empresas terão diferenças pelo seu estado financeiro e pela política que cada uma adota dentro do seu ramo de atuação. Complementando o raciocínio, quanto mais benefícios como estratégia, mais é provável atrair candidatos a concorrer às vagas da empresa, até por que a empresa se torna referência no mercado de 187 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS RH e, muitas vezes, passado pelas próprias pessoas que já atuam na empresa para outras de fora, é um ciclo de publicidade para o mercado. 8.3 Políticas e diretrizes Considerando que as condições de vida do profissional interferem de maneira significativa no desempenho de seu trabalho, a empresa procura manter um programa de benefícios que seja homogêneo e extensivo a todos os seus profissionais, visando a garantir padrões mínimos de bem‑estar e, assim, contribuir para a melhoria do desempenho profissional e da produtividade da organização. O programa deve manter‑se dentro de bases econômicas e financeiras sustentáveis, sendo o custeio da maioria dos benefícios partilhado entre empresa e seus profissionais, garantindo‑se, assim, ação cooperativa entre ambos. A participação dos profissionais se dá, também, pela prestação de informações referentes ao andamento do programa, à adequação dos tipos de benefícios às suas necessidades e à possibilidade de mudanças ou ampliação do rol de benefícios oferecidos. É destinado, para cobertura dos benefícios, um orçamento específico e, dentro desse orçamento, os benefícios podem ser revistos, incluídos, retirados ou modificados mediante estudo de um comitê designado para esse fim. Dessa forma, o programa de benefícios é constantemente analisado e passa por atualização, desde que exequível em função de sua base financeira. O programa inclui alguns benefícios e serviços destinados, exclusivamente, aos funcionários e outros que se estendem, também, a seus dependentes. Diante dessas políticas, as ações de benefícios são orientadas com vistas a: • Estabelecer e divulgar parâmetros e percentuais de participação da empresa e dos funcionários, no custeio dos benefícios do programa. Alguns benefícios concedidos pela empresa têm descontos dos funcionários, ou seja, uma pequena participação que é debitada do salário do funcionário para que o benefício seja concedido ao mesmo. Saiba mais O vale‑transporte será custeado pelo beneficiário na parcela equivalente a 6% de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; e pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. Para mais informações sobre o vale‑transporte, consulte o site: Disponível em: https://www.guiatrabalhista.com.br/. Acesso em: 21 dez. 2021. 188 Unidade IV Vale‑refeição: é muito comum encontrar empresas que forneçam o vale‑refeição ao empregado, representando tal procedimento um benefício concedido pelo empregador, pois não há lei que obrigue a tal prática, salvo existindo acordo ou convenção coletiva, seu desconto é limitado por lei a 20% do valor entregue. Saiba mais Para mais informações sobre vale‑refeição, vale a consulta ao site: Disponível em: https://bit.ly/31WEzdg. Acesso em: 14 dez. 2021. • Divulgar os critérios que norteiam a concessão de benefícios a todos os profissionais. É importante esclarecer que os benefícios são concedidos em decorrência às condições das quais a empresa está passando no momento e a importância desse benefício para a empresa e para o funcionário. • Atualizar e aprimorar, constantemente, o programa de benefícios, de acordo com as necessidades do corpo de profissionais. De acordo com a situação da empresa, estabelecer políticas de melhorias nos benefícios, até por uma questão estratégica de não apenas atrair pessoas mas manter seus talentos, lembrando que quanto mais benefícios uma empresa tem, maior é o seu poder de barganha com os seus colaboradores, assim como fator de atratividade de capital intelectual provindo do mercado de RH. • Assegurar o envolvimento do profissional na busca de soluções para os problemas e na avaliação das ações desenvolvidas. Contar com a força de trabalho em termos de soluções que agradem aos outros funcionários da empresa e observar quais são as reivindicações, por quais motivos e com quais objetivos. Esse tipo de atitude é muito comum quando existem reuniões entre os sindicatos de classe, a direção da empresa e trabalhadores, que acontecem por não existir um acordo em termos de benefícios ou salários estabelecidos pela empresa. O ideal é que aconteça um acordo entre as partes envolvidas, empresa e colaboradores, mediado pelo sindicato de classe; deve existir representantes de classe, ou seja, que representem as pessoas da força de trabalho para que esses levem as propostas à empresa e ao sindicato. Portanto, os profissionais de RH da empresa e do sindicato devem interagir na busca de soluções para todos os trabalhadores da empresa. 8.4 Tipos de benefícios Os benefícios, de uma forma geral, podem ser classificados em quatro campos: segurança, social, conveniência e de amparo familiar, conforme o quadro seguinte. Ao escolher os benefícios que irão compor a estrutura de benefícios da empresa, dois aspectos devem ser observados: a dificuldade na retirada de um benefício posteriormente e a legislação aplicada, uma 189 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS vez que existem entendimentos jurídicos que alguns benefícios podem se constituir em remuneração e, como tal, serem sujeitos a encargos sociais e impostos. Quadro 20 – Principais benefícios Segurança Alimentação Assistência médica Assistência odontológica Auxílio medicamentos Cesta de alimentos Afastamento por doença Empréstimos Educação Manutenção carro/combustível Planos de previdência Serviços de advogados Social Esportes e recreação Festas e passeios Música ambiente Serviço de aconselhamento Conveniência Academia Cabeleireiro Convênios com empresas Engraxate Estacionamento Jornais e revistas Transporte ou carro Viagens Amparo familiar Assistência educacional familiar Auxílio funeral Seguro de vida Fonte: Pontes (2008, p. 191). Os benefícios voltados à segurança da pessoa estão ligados à sobrevivência e crescimento do indivíduo na questão pessoal, ou seja, dele mesmo se sentir seguro para viver, ter sempre um resguardo em suas ações e se projetar no mercado. 8.4.1 Alimentação Quando falamos de comida, estamos nos referindo ao desenvolvimento do indivíduo e à sobrevivência, portanto, uma necessidade fundamental para a vida e para o bem‑estar do indivíduo 190 Unidade IV em fazer o seu trabalho, principalmente em questões voltadas à resistência e à satisfação da fome e do bem‑estar. Figura 59 – Alimentação Disponível em: https://bit.ly/3yqLEhX. Acesso em: 14 dez. 2021. 8.4.2 Assistência médica A saúde, além do bem‑estar, está sempre à frente de nossas preocupações, até porque os indivíduosdevem estar bem de saúde para cumprir suas tarefas diárias na empresa. Por esse motivo, existe uma grande preocupação por parte das empresas de estabelecer em seus benefícios um plano de saúde para que os indivíduos estejam com o corpo e a mente sã para executarem bem suas tarefas na empresa. Figura 60 – Assistência médica Disponível em: https://bit.ly/30quwfR. Acesso em: 14 dez. 2021. 191 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS 8.4.3 Auxílio medicamento Inúmeras doenças são causadas durante a vida do trabalhador nas empresas, muitas vezes causadas por estresse, movimentos repetitivos, ou ainda pela vida agitada dentro das metrópoles. As empresas começaram a perceber que empregados doentes davam muito prejuízo, e resolveram dar o benefício que daria suporte ao combate e tratamento destas doenças, surgindo assim o auxílio‑medicamento, que visa a dar descontos nas compras de remédios em determinadas farmácias, com os preços bem abaixo do praticado no mercado. O auxílio‑medicamento é algo que nem sempre a empresa fornece, vai depender muito da política de benefícios dentro da empresa; algumas entendem que, por oferecer o convênio médico, não se faz necessário oferecer os remédios. Por outro lado, algumas empresas têm convênios com farmácias que dão grandes descontos nos remédios aos colaboradores. Figura 61 – Auxílio medicamento Disponível em: https://bit.ly/3s1ivsF. Acesso em: 14 dez. 2021. 8.4.4 Empréstimos É outro item importante para os nossos dias: quanto mais as pessoas ganham, mais gastam e o salário, muitas vezes, não é o suficiente para comprar produtos e serviços oferecidos no mercado. Por esse motivo, as empresas, verificando que seus funcionários queriam comprar bens que não conseguiam comprar com o salário, resolveram fazer convênios com os bancos ou até mesmo com seu caixa interno e criaram o auxílio‑empréstimo, que visa a dar condições para que os indivíduos financiem sua casa, comprem seu carro ou paguem dívidas. É claro que todas as maneiras explícitas têm seus juros embutidos nas parcelas a serem devolvidas ao fornecedor, porém as taxas são mais baixas 192 Unidade IV do que as praticadas no mercado e as parcelas são em várias vezes, para serem saldadas pelo colaborador. Podemos caracterizar que é a troca do seu trabalho pelo financiamento de dinheiro, muito comum em empresas aqui no Brasil. Até pelo forte consumo após a globalização e a diversidade de produtos existentes nos mercados provindos da economia interna, assim como de outros países no mundo, nós nos tornamos consumidores mais exigentes e, consequentemente, mais dinâmicos para produzir produtos e serviços. As empresas enxergam que devem incentivar a compra desses produtos, pois até mesmo para elas é um diferencial por serem também produtoras de serviços ou produtos. Logo, torna‑se interessante financeiramente para o colaborador que tem o incentivo e a segurança em comprar algo e para empresa, que receberá esse dinheiro capitalizado futuramente. Figura 62 – Empréstimos Disponível em: https://bit.ly/3pUdvDs. Acesso em: 14 dez. 2021. 8.4.5 Educação A educação deve ser fornecida ao indivíduo, seja internamente, por meio dos cursos oferecidos pela empresa por forma de capacitação, ou ainda o incentivo indireto, no qual o indivíduo é bancado pela empresa para que faça cursos ou faculdades. Isso é importante porque um indivíduo capacitado, além de se sentir com um poder maior de competitividade dentro da empresa e no mercado, para a empresa esse indivíduo pode trazer melhorias em termos de realização das tarefas. Quando se recruta um indivíduo, sempre se pergunta quais suas pretensões em termos de carreira, crescimento dentro da empresa, assim como o que ele pretende estudar e criar para sua vida à frente. Logo, trata‑se de um crescimento pessoal e profissional que pode trazer bons frutos para a empresa em consequência, ou seja, um prognóstico de realização de tarefas com melhor qualidade para o futuro. Outra coisa que temos que ter em mente é que nunca é tarde para estudarmos, pois temos potencial, basta querer e acreditar para que nossa competência apareça para nós e para quem está nos entrevistando. 193 ADMINISTRAÇÃO DE CARGOS, SALÁRIOS E BENEFÍCIOS Figura 63 – Educação Disponível em: https://bit.ly/3yr7SjZ. Acesso em: 14 dez. 2021. 8.4.6 Dentro do contexto social Os indivíduos, paralelamente à sua vida profissional, possuem vida social e par existir um equilíbrio interno na realização das tarefas procuram o seu bem‑estar social, ou seja, uma qualidade de vida adequada que equilibre suas necessidades no cotidiano, abstraindo esses benefícios que são proporcionados pela empresa como um momento de descontração. Algumas empresas proporcionam festas, academia, ginástica laboral etc. e estendem esses benefícios à família do indivíduo. A ideia é proporcionar um ambiente mais adequado ao trabalho, que se aproxime da vida vivida pelo indivíduo na sociedade. É fazer o que gosta e com conforto, com auxílio de máquinas, equipamentos e ferramentas, sentindo‑se à vontade. Indivíduos satisfeitos produzem melhor e com qualidade, por esse motivo os indivíduos buscam empresas que oferecem esse ambiente de trabalho adequado. Inclusive, já no recrutamento, esses candidatos perguntam: mas como é o ambiente de trabalho na empresa? Como é o clima organizacional entre os pares na empresa? Logo, podemos verificar que é um dos diferenciais competitivos que atraem os indivíduos, principalmente pela qualidade de vida proporcionada. Figura 64 – Academia é um benefício que pode ser muito valorizado pelos indivíduos, dependendo de seu contexto social Disponível em: https://bit.ly/3E0OawM. Acesso em: 14 dez. 2021. 194 Unidade IV 8.4.7 A questão da conveniência Está muito ligada aos benefícios de conforto que os indivíduos podem ter na empresa. São coisas que as pessoas necessitam em suas vidas como jornais, revistas, cabeleireiro, ou ainda massagem e demais necessidades como estética ou necessidades de informação que estão acostumados em sua vida particular. Muitas corporações fornecem esses benefícios dentro de suas empresas, um bom exemplo são os caixas de banco ou até de pequenas agências bancárias, em que as necessidades são supridas porque o indivíduo não vai precisar se deslocar de sua empresa e perder tempo, já que ele tem ao seu alcance, dentro da própria empresa. Esse já é um fato que ocorre em muitas empresas de médio e grande porte, e também tratamos como benefícios significativos que as pessoas procuram e acreditam ser importantes para suas vidas. Os funcionários querem ter comodidade no local de trabalho. Muitas empresas, no que se refere à qualidade de vida, procuram trazer empresas para vender produtos e serviços que são encontrados na vida social do indivíduo em seu interior. Em São Paulo, grandes bancos e jornais abrem um espaço para estandes que oferecem os mais diversos produtos, desde revistas, jornais, até roupas, perfumes e outras necessidade de consumo do colaborador. Ainda oferecem agências bancárias e academia, visando ao conforto e à praticidade de conseguir o que querem sem se deslocarem da empresa. 8.4.8 O amparo familiar É mais um diferencial procurado pelos indivíduos como, por exemplo, o auxílio funeral, quando a empresa estende seus benefícios a familiares no caso de uma perda. Sabemos que esses serviços são caros, como os que suprem nascimento ou morte, ou ainda os que oferecem estrutura educacional. As empresas começaram tratar esse benefício como diferencial, pois, para os colaboradores, o fator dinheiro no ato era muito ruim, já que nem sempre temos esse dinheiro disponível na data. Nesse caso, a empresa colabora com uma contribuição simbólica, ajudando o colaborador com os custos. Acreditamos ser muito nobres e bastante reconhecidos esses benefícios pelos colaboradores que queiram entrar em uma empresa nova. Figura 65 – Amparo familiar Disponível em: https://bit.ly/31Ucx21. Acesso em: 14 dez. 2021.