Prévia do material em texto
Desafios para um novo modelo de urbanização no Brasil “São seis os desafios que o Brasil enfrenta para construir um novo modelo de urbanização, elenca a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Raquel Rolnik: ‘Para começar, é preciso superar a ambiguidade da inser- ção territorial da população de baixa renda’. ‘Existe há cem anos um lugar ambíguo chamado favela, que fica na periferia, tem as piores locali- zações, a pior infraestrutura urbana. É um espaço de transitoriedade permanente, ambiguidade que paradoxalmente a democracia consolidou. A era Lula incluiu esses moradores nas esferas de consumo, colocando em cena novos usuários, como os peque- nos comerciantes, os motociclistas, o que exacerbou a crise urbana, porque esses novos incluídos não cabem nas cidades como estão desenhadas.’ Na mesa ‘Urbanismo e Cidades Inteligentes: as Metrópoles Possíveis’, que encerrou a primeira parte do evento ‘Metrópoles Brasileiras: o Futuro Plane- jado’, [...] Rolnik afirmou ainda que é necessário ‘romper’ a prática do controle da política urbana pelos operadores privados, do transporte urbano, do lixo, das construtoras, que são financiadores dos políticos a quem cabe regular essas operações. Como terceiro elemento, mencionou a neces- sidade de criar mecanismos para estruturar uma política urbana transformadora e sustentável de longo prazo, no horizonte de 20 anos, contrariando o modelo em que prevalece o período eleitoral de 4 anos, que acelera a realização de obras e sufoca o planejamento estruturado. A professora disse também que é preciso criar um modelo de financiamento do desenvolvimento urbano, hoje conectado ao mesmo sistema direcionado pelo calendário eleitoral que demanda obras de curto prazo sem olhar o futuro. Padece desse mesmo mal o que ela chamou de desafio federativo, já que o modelo tripar- tite – federal, estadual e municipal – não dá conta da gestão metropolitana, pois ‘uma megacidade como São Paulo não tem estrutura de gestão para enfrentar os problemas da megalópole, enquanto Tóquio e Frank- furt, por exemplo, são estruturadas como Estados e não como um aglomerado de municípios’. Por último, citou a necessidade de ‘construção do espaço público como elemento estruturador’, porque as cidades não devem ser destinadas à iniciativa privada. ‘A gestão urbana se dá hoje exatamente como era na ditadura militar, mas a sociedade bra- sileira está madura e querendo enfrentar a questão da reforma urbana’ – finalizou.” TARSO, Savio de. O desafio da inserção territorial da população de baixa renda. Carta Capital, 21 jul. 2014. Disponível em: <www.cartacapital.com.br>. Acesso em: dez. 2015. • Cite os seis desafios para um novo modelo de urbanização brasileira comentados no texto. Vista de Salvador (BA), 2015. O crescimento desordenado gera desigualdades socioeco- nômicas aparentes e um espaço segregado. S É R G IO P E D R E IR A /P U LS A R I M A G E N S 126 Unidade 2 | Espaço geográfi co e urbanização TS_V3_U2_CAP05_107_129.indd 126 23/05/16 19:06 1. O que é especulação imobiliária? Escreva sobre a sua influência no processo de organização do espaço urbano. Ela ocorre em seu município? Exemplifique. 2. Observe as imagens a seguir. Comente os tipos de habitações retratadas e apresente situações comuns e as diferenças relacionadas ao modo de vida e à mobilidade das pessoas que habitam essas moradias. Vista aérea do bairro Jardim Oceânico, no Rio de Janeiro (RJ), situado a cerca de 25 km do centro da cidade, 2016. Vista aérea da periferia de Carapicuíba (SP), 2014. Faça no caderno 1. (IFPE 2014) Analise a figura e o texto a seguir para responder à questão. “Da falta de saneamento básico à ausência de asfalto, os obstáculos variam – até a localização do assen- tamento pode ser um problema. ‘As favelas costu- mam surgir em regiões que outros empreendimentos imobiliários não ocuparam: sob pontes e viadutos, à beira de córregos ou em encostas de morros’, diz Alex Abiko, professor de engenharia civil da USP. A urbanização de favelas no Brasil é recente. Nos anos 60, os moradores eram simplesmente removidos. Depois, por volta dos anos 80, programas do governo passaram a resolver questões pontuais, como redes de água. Hoje, os projetos incluem não só infraestru- tura, mas também melhora na qualidade de vida.” Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br>. Acesso em: 3 set. 2013. Assinale a alternativa que descreve corretamente a forma de ocupação observada na imagem, tão comum em muitas cidades brasileiras. a) Construções em área sujeita a inundações perió- dicas nas épocas mais chuvosas. b) Área assistida pelo Poder Público, em relação ao problema de déficit habitacional. c) Ocupação ilegal em área de unidade de conser- vação ambiental. d) Construções em encosta com obras de contenção e drenagem das águas da chuva. e) Ocupação de área de risco, em encosta sujeita a deslizamentos de terra. 2. (Enem 2014) “A urbanização brasileira, no início da segunda metade do século XX, promoveu uma radical alteração nas cidades. Ruas foram alargadas, túneis e viadutos foram construídos. O bonde foi a primeira vítima fatal. O destino do sistema ferrovi- ário não foi muito diferente. O transporte coletivo saiu definitivamente dos trilhos.” JANOT, L. F. A caminho de Guaratiba. Disponível em: <www.iab.org.br>. Acesso em: 9 jan. 2014 (adaptado). A relação entre transportes e urbanização é expli- cada, no texto, pela a) retirada dos investimentos estatais aplicados em transporte de massa. b) demanda por transporte individual ocasionada pela expansão da mancha urbana. c) presença hegemônica do transporte alternativo localizado nas periferias das cidades. d) aglomeração do espaço urbano metropolitano impedindo a construção do transporte metroviário. e) predominância do transporte rodoviário associado à penetração das multinacionais automobilísticas. L U C A A T A L L A /P U L S A R I M A G E N S O I M P A R C IA L D E L F IM M A R T IN S /P U L S A R I M A G E N S 127Capítulo 5 – Urbanização no Brasil TS_V3_U2_CAP05_107_129.indd 127 23/05/16 19:06 JOVENS NO BRASIL Mesmo com a taxa de natalidade no Brasil dimi- nuindo nas últimas décadas, o país ainda é considerado um país jovem, com aproximadamente 22 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos (dados do IBGE, 2013). Essa fatia da população força o poder público a investir em cultura, na criação de postos de trabalho e meios de profissionalização. A falta de oportunidades para os jovens é uma realidade, principalmente para aqueles que vivem nas periferias das cidades. Essas e outras medidas são alicerces importantes para o desen- volvimento social deles. Engana-se quem pensa que os jovens se preocu- pam apenas com as inseguranças e conflitos pessoais da idade. Desde cedo eles convivem com a realidade da sociedade, como a deficiência da educação, os serviços precários de saúde, a violência que inclui desde aquela relacionada à desigualdade social até a de gênero e cor da pele. São dilemas que milhões de adolescentes convivem diariamente. Para haver uma mudança nesse cenário, é importante adotar uma postura ativa e contestadora: agir efetivamente na sociedade agora e nas próximas décadas e acreditar que outra realidade é possível. Diante disso, a nossa proposta de investigação é: O que os jovens podem fazer considerando esse cenário? Quais são as questões que podem comprometer o futuro dos jovens? Estará a sociedade brasileira garantindo a eles as oportunidades necessárias para um futuro promissor? Leia a seguir os depoimentos de dois adolescentes brasileiros, extraídos de uma publicação da ONU (2011). Para informações, orientações complementares e sugestões para avaliação, consultar o Manual do Professor – Orientações didáticas. O direito de ser adolescente “O maior desafio da adolescênciaé ser adoles- cente. É não pensar tanto no futuro. É não ter tanto medo do futuro, do que vamos ser amanhã, quando crescermos. É aproveitar toda essa alegria que temos, é falar, se divertir, sair, brincar, ter responsabilidade também. É aproveitar toda essa fase maravilhosa, essa época em que a gente pode fazer o que quer, mas agindo de forma a respeitar as pessoas mais velhas, agindo de forma a não prejudicar ninguém.” Aline Czezacki, de 16 anos. Ponta Grossa (PR). “Nós convivemos diariamente com uma série de limitações. Às vezes, um adolescente vai ao posto de saúde atrás de uma informação, e não há um profissional adequado pra atender. Além disso, eles pensam que acesso à educação é ter passagens de ônibus, ir ao colégio e depois pra casa. Mas a gente sabe que educação é ter acesso ao teatro, à cultura, à música, à biblioteca, e isso falta realmente.” Landerson Siqueira Soares, de 18 anos. Rio de Janeiro (RJ). Sites que podem ajudá-lo na realização deste projeto: IBGE www.ibge.gov.br/series_estatisticas Educação & Participação www.educacaoeparticipacao.org.br Mapa da Violência www.mapadaviolencia.org.br/mapa2014_jovens.php Portal Aprendiz http://aprendiz.uol.com.br Revista Adolescência e Saúde www.adolescenciaesaude.com/default.asp O direito de ser adolescente www.unicef.org/brazil/pt/br_sabrep11.pdf Relatório Mundial sobre Drogas 2015 (World Drug Report 2015, em inglês) www.unodc.org/documents/wdr2015/World_Drug_ Report_2015.pdf PROJETO: SITUAÇÃO DOS JOVENS NA SOCIEDADE BRASILEIRA Objetivos 1) Aprofundar a reflexão sobre alguns temas e questões cruciais que atingem os jovens. 2) Tomar consciência da inserção do jovem numa socie- dade democrática, que pressupõe o cumprimento de deveres e direitos. 3) Buscar encaminhamentos e soluções para algumas questões enfrentadas pelos jovens. 128 Unidade 2 | Espaço geográfi co e urbanização TS_V3_U2_CAP05_107_129.indd 128 23/05/16 19:06