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DE FORMA DESENHO wucius wong Martins FontesPRINCÍPIOS DEEsta obra foi publicada originalmente em inglês com PRINCIPLES OF FORM AND DESIGN por Van Nostrand Nova em Copyright © 1993 by Van Nostrand Reinhold, A Division of International Thomson Publishing Inc. All rights reserved. No part of this book may be reproduced or transmitted in any form or by any electronic or mechanical, including photocopying, recording, or any information storage and retrieval system. without permission, in writing, from the Publisher. Todos direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida sob qualquer forma por qualquer meio, eletrônica ou sistemas magnéticos recuperáveis, sem permissão, por do Editor. © Livraria Martins Fontes Editora Ltda., Paulo, para a presente edição. edição maio de 1998 tiragem serembro de 2001 Tradução ALVAMAR LAMPARELLI Revisão técnica e da tradução Sylvia Ficher Revisão gráfica Ana Maria de Oliveira Mendes Barbosa Ivete Batista dos Santos Produção gráfica Geraldo Alves Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Wong, Wucius Princípios de forma e desenho / Wucius Wong : Alva- mar Helena Lamparelli]. São Paulo Martins Fontes, 1998. Título original: Principles of form and design. ISBN 85-336-0861-6 1. Computação gráfica 2. Desenho por computador 3. Forma (Estética) 4. Projetos auxiliados por computador I, Título. 98-1710 CDD-745.4 Indices para catálogo sistemático: 1. Desenho Princípios : Artes 745.4 2. Forma artística Princípios : Artes 745.4 Todos direitos desta edição para Brasil reservados à Livraria Martins Fontes Editora Ltda. Rua Conselheiro Ramalho, 330/340 01325-000 São Paulo SP Brasil Tel. (11) 3241.3677 Fax (11) 3105.6867 e-mail: info@martinsfontes.com.br http://www.martinsfontes.com.brPREFÁCIO 5 PREFÁCIO Faz exatamente duas décadas que foi publicado meu primeiro livro sobre desenho, Principles of Two-Dimensional Design. Subseqüentemente, escrevi três outros livros: Principles of Three- Dimensional Design, publicado em 1977, Principles of Color Design, publicado em 1987, e Principles of Two-Dimensional Form, publicado em 1988. Cada um destes livros tinha como intuito ser auto- suficiente, contudo uma terminologia e abordagem em comum ligam os diferentes textos. Isto nos sugeriu, ao editor e a mim, que considerássemos a possibilidade de um volume único, que contivesse uma introdução geral, um glossário e um índice com referências cruzadas que permitissem integrar estes livros. Dados limites de porte e peso de um livro para manuseio conveniente pelo leitor e para sua produção pelo editor, o volume que aqui se apresenta não inclui Principles of Color Design. Seu assunto as teorias das cores faz com que seja mais apropriado mantê-lo separado dos demais. Como tentativas modestas de apresentar um sistema viável de gramática visual, Princípios de Desenho Bidimensional, que compõe a Parte 1, estabelece princípios básicos, concentrando-se em formas planas e abstratas; Princípios de Forma Bidimensional, que compõe a Parte 2, trata da criação de formas, com ênfase nos aspectos figurativos, a fim de ampliar nosso vocabulário visual; e Princípios de Desenho Tridimensional, que compõe a Parte 3, examina uso de materiais lineares e planos para construir objetos isolados no espaço. Em um livro único, as inter-relações entre os três livros originais podem ficar bem mais claras, uma vez que cada um se ocupa essencialmente dos mesmos princípios de desenho, ainda que em níveis diferentes. Os textos, diagramas e ilustrações foram mantidos mais ou menos como nos originais, mas em um formato maior. Todos os termos-chave empregados nos três livros estão explicados em um6 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO novo glossário que, em conjunto com as notas do texto, serve também como uma referência prática para a minha versão particular de gramática índice, listando apenas OS tópicos mais importantes e OS termos empregados com mais freqüência, permite 0 acesso imediato às várias partes relevantes da obra. A nova introdução geral se concentra nos métodos e técnicas de computação, de modo a auxiliar os leitores que desejarem se beneficiar desta nova tecnologia. Enquanto todas as ilustrações bidimensionais apresentadas nos livros originais exigiram muitas horas de trabalho de esboço e acabamento por parte de meus antigos alunos, agora, com uso do computador, mesmo resultado pode ser obtido em um tempo muito menor. desenvolvimento de hardware e software para computadores nos últimos anos já está causando uma mudança fundamental em nossas maneiras de criar, ensinar e aprender desenho. Dominar a computação torna-se, atualmente, imperativo para OS projetistas. Na preparação deste volume único, meu filho Benjamin contribuiu com muitos dos diagramas e ilustrações, tendo inclusive desenhado a capa e várias páginas de abertura. Minha esposa, Pansy, ajudou na coordenação geral do material e no processamento do texto. Sou grato ao apoio generoso da Aldus Corporation, que possibilitou uso dos programas gráficos Aldus SuperPaint e Aldus FreeHand, com quais foram criados novos diagramas e ilustrações, e do programa Aldus Pagemaker, utilizado na programação visual. W.W. Englewood Cliffs, N.J.SUMÁRIO 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO GERAL Formas Positivas e Negativas 47 Forma e Distribuição de Cor 47 As Inter-relações das Formas 49 Setup Básico do Computador 14 Efeitos Espaciais em Programas Gráficos 15 Inter-relações de Formas 49 Escolhendo um Programa 19 Começando a Desenhar 20 3. REPETIÇÃO Criando um Formato 22 Unidades de Forma 51 Obtendo um Formato Repetição de Unidades de Composto 26 Forma 51 Estabelecendo a Repetição 26 Tipos de Repetição 51 Estabelecendo a Radiação 30 Variações em Repetição 51 Estabelecendo a Gradação 32 Subunidades de Forma e Estabelecendo a Similaridade 32 Superunidades de Forma 53 Estruturas Ativas e Visíveis 34 0 Encontro de Quatro Círculos 53 Formas Figurativas 36 Repetição e Inversão 54 Imagens Tridimensionais 37 Notas Sobre Exercícios 54 Prosseguindo com 0 Texto Principal 37 4. ESTRUTURA Estrutura Formal 59 Estrutura Semiformal 59 DESENHO BIDIMENSIONAL Estrutura Informal 59 Estrutura Inativa 59 Estrutura Ativa 59 1. INTRODUÇÃO Estrutura Invisível 61 Que é Desenho? 41 Estrutura Visível 61 A Linguagem Visual 41 Estrutura de Repetição 61 Interpretando a Linguagem A Grade Básica 61 Visual 41 Variações da Grade Básica 63 Elementos de Desenho 42 Estruturas de Repetição Elementos Conceituais 42 Múltipla 63 Elementos Visuais 43 Unidades de Forma e Elementos Relacionais 43 Subdivisões Estruturais 65 Elementos Práticos 44 Repetição de Posição 65 A Moldura de Referência 44 Superposição de Estruturas Plano da Imagem 44 de Repetição 66 Forma e Estrutura 44 Notas Sobre Exercícios 66 2. FORMA 5. SIMILARIDADE Forma e Elementos Similaridade de Unidades de Conceituais 45 Forma 69 Forma Enquanto Ponto 45 Similaridade de Formato 69 Forma Enquanto Linha 45 Similaridade e Gradação 71 Forma Enquanto Plano 45 A Estrutura de Similaridade 71 Forma Enquanto Volume 47 Notas Sobre Exercícios 718 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO 6. GRADAÇÃO Contraste de Elementos Forma Bidimensional 139 Gradação de Unidades de Visuais e Relacionais 105 Forma e Formato 139 Forma 75 Contrastes no Interior de uma Moldura de Referência 141 Gradação de Planos 75 Forma 107 Forma e Espaço 141 Gradação Espacial 75 A Estrutura de Contraste 109 A Visualização da Forma 142 Gradação de Formato 77 Dominância e 109 Visualização com Linhas 143 A Trajetória de Gradação 77 Notas Sobre Exercícios 111 Visualização com Planos 143 A Velocidade de Gradação 77 Visualização com Linhas Padrões de Gradação 79 10. CONCENTRAÇÃO e Planos 144 A Estrutura de Gradação 79 Concentração de Unidades Visualização com Pontos 145 Gradação Alternada 81 de Forma em Estruturas Visualização com Textura 145 Relações de Unidades de Formais 113 Tipos de Formas 146 Forma e Estruturas em A Estrutura de Concentração 114 Formas Figurativas 146 um Desenho de Gradação 82 Unidades de Forma Formas Naturais 147 Notas Sobre Exercícios 82 em Estruturas de Formas Feitas pelo Homem 147 Concentração 117 Formas Verbais 148 7. RADIAÇÃO Notas Sobre OS Exercícios 117 Formas Abstratas 148 Características de um Tipos de Formatos 149 Padrão de Radiação 87 11. TEXTURA 87 Textura Visual Formatos Caligráficos 149 A Estrutura de Radiação 119 87 A Produção da Textura Visual 119 Formatos Orgânicos 150 A Estrutura Centrífuga Formatos Geométricos 150 A Estrutura Concêntrica 88 Colagem 121 A Estrutura Centrípeta 90 Textura Tátil 122 Superposição de Estruturas de Luz e Cor em Textura Tátil 122 II. DESENHANDO UMA FORMA Radiação 90 Notas Sobre OS Exercícios 123 Desenho e Forma 152 Radiação e Repetição 90 Formas Singulares 152 Radiação e Gradação 90 12. ESPAÇO Formas Plurais 153 Subdivisões Estruturais e Espaço Positivo e Negativo 127 Formas Compostas 153 Unidades de Forma 93 Espaço Plano e llusório 127 Unidades de Forma 154 Unidades de Forma em Formas Planas em Espaço Superunidades de Forma 154 Radiação 93 127 Criando Formatos Unidades de Forma Super- Volume e Profundidade em Geométricos 155 dimensionadas 93 Espaço llusório 129 Linhas Retas 155 Radiação Irregular e Distorcida 94 Representação do Plano em Círculos 156 Notas Sobre OS Exercícios 94 Espaço llusório 129 Arcos 156 Espaço Flutuante e Conflitante 131 Relacionando Linhas Retas 157 8. ANOMALIA Notas Sobre Exercícios 131 Relacionando Círculos 158 Anomalia Entre Unidades de Relacionando Arcos 159 Forma 99 Relacionando Linhas Retas, Anomalia em Estruturas 101 FORMA BIDIMENSIONAL Círculos e Arcos 160 Notas Sobre os Exercícios 101 Ângulos e Extremos Pontiagudos 161 9. CONTRASTE I. ASPECTOS DA FORMA A Adição de Planos 162 Contraste, Regularidade e Forma 138 A Subtração de Planos 163 Anomalia 105 Forma Tridimensional 138 A Interpenetração de Planos 163SUMÁRIO 9 A Multiplicação de Planos 164 III. FORMAS FIGURATIVAS Similaridade e Radiação 218 A Divisão de Planos 165 Formas e Temas 186 Similaridade e Gradação 219 Variando Tamanho de Observando Formas Naturais 186 Composições com Planos 166 Ramificação e Disposição em Concentração 219 A Transformação de Planos 167 Leque 187 Pontos de Concentração 220 Dobrando Planos 168 Espirais e Ondulações 187 Concentração Linear 221 Estabelecendo Volume 168 Afinidade e Unidade 188 Concentração de Planos 222 Regularidade 169 Observando Formas Composições com Desvio 170 Criadas pelo Homem 188 Contraste 223 Simetria Os Materiais e a Reunião de Contraste de Aparência 223 170 Partes 189 Contraste de Localização 226 Assimetria 171 Plantas, Elevações e Contraste de Quantidade 228 Criando Formatos Perspectivas 189 Composições com Orgânicos 172 Composições Fechadas 190 Anomalia 230 Curvas em C e em S 172 Estabelecendo Formas Anomalia no Formato 230 Formatos com Extremos Singulares 190 Anomalia no Tamanho 231 Pontiagudos 173 Estabelecendo Formas Plurais 192 Anomalia de Cor 232 Formatos com Extremos Estabelecendo Formas Anomalia em Textura 232 Arredondados 173 Compostas 196 Anomalia de Posição e União e Ligação de Formatos 174 Composições com Direção 233 Talho, Rasgo e Quebra de Repetição 198 Formatos 174 Seqüência em Dois Sentidos 198 Cortando e Removendo Seqüência em Quatro DESENHO TRIDIMENSIONAL Partes de Formatos 175 Sentidos 199 Enrolamento e Torção Seqüência em Seis Sentidos 202 de Formatos 175 Desenvolvimento e Variações 1. INTRODUÇÃO Ondulação e Vinco de da Estrutura de Repetição 203 Mundo Bidimensional 237 176 Composições com Radiação 207 Mundo Tridimensional Formatos 237 Dilatação e Esvaziamento de Radiação Completa e Desenho Bidimensional 238 Formatos 176 Segmentada 207 Desenho Tridimensional 238 Metamorfose e Deformação de Rotação e Translação 208 As Três Direções Primárias 239 177 Rotação e Inversão 209 As Três Vistas Básicas 240 Formatos A Proliferação de Formatos 177 Rotação e Dilatação 209 Elementos do Desenho A Interceptação de Linhas Tridimensional 241 Expressão Simétrica 178 Estruturais Ativas 210 Elementos Conceituais 241 Variações de uma Forma 179 Composições com Elementos Visuais 242 Variação Interna 179 Gradação 212 Elementos Relacionais 244 Variação Externa 180 Gradação de Formato 212 Elementos Construtivos 245 Extensão 180 Gradação de Tamanho 213 Forma e Estrutura 246 Superposição 181 Gradação de Posição 213 Unidades de Forma 246 Transfiguração 181 Gradação de Direção 214 Repetição e Gradação 246 Deslocamento 182 Gradação de Proporção 215 Distorção 182 Composições com 2. PLANOS EM SÉRIE Manipulação Tridimensional 183 Similaridade 216 Planos em Série 247 Desenvolvimentos Adicionais 184 Similaridade e Repetição 218 Retalhamento de um Cubo 24810 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO Variações de Posição 249 Estrutura de Repetição 285 Repetição do Requadro Linear 318 Variações de Direção 250 Disposição das Camadas 286 Empilhamento de Unidades Técnicas Construtivas 251 Organização no Interior Repetidas 319 de Cada Camada 286 Adição e Subtração 319 3. ESTRUTURAS DE PAREDE Ligando Unidades de Forma. 287 Interpenetração 320 Cubo, Coluna e Parede 259 Prismas Quadrados como Células Espaciais e Unidades de Forma 9. CAMADAS LINEARES Unidades de Forma 260 ou Células Espaciais 288 A Construção de Camadas Variações de Posição de Unidade de Forma ou Lineares 324 Unidades de Forma 261 Célula Espacial em L 288 Variações e Possibilidades 325 Variações de Direção de Unidades de Forma em uma Gradação de Formato em Unidades de Forma 262 Estrutura de Repetição 289 Construção de Camadas 326 Unidades de Forma como Planos Distorcidos 263 6. ESTRUTURAS POLIÉDRICAS 10. LINHAS DE INTERLIGAÇÃO Estruturas de Parede que Os Sólidos Platônicos 295 Linhas Interligadas em não Permanecem Planas 263 Os Sólidos Arquimedianos 297 uma Superfície Plana 333 Modificações de Células Tratamento de Face 299 Linhas de Interligação no Espaciais 264 Tratamento de Aresta 299 Espaço 334 Tratamento de Vértice 300 Materiais e Construção 336 4. PRISMAS E CILINDROS Unindo Figuras Poliédricas 300 Construção em Planos para Prisma Básico e Suas Linhas de Interligação 336 Variações 271 7. PLANOS TRIANGULARES Linhas de Interligação no Prisma Oco 272 Triângulos 307 Interior de um Cubo Tratamento das Extremidades 272 Triângulos Isósceles 308 Transparente 337 Tratamento das Arestas 273 Triângulos de Lados Desiguais 309 Tratamento das Faces 274 Sistema Octeto 309 Unindo Prismas 274 GLOSSÁRIO 345 Prisma e Cilindro 276 8. REQUADRO LINEAR Variações de um Cilindro 277 Construção com Planos 315 Construção com Linhas 315 ÍNDICE 349 5. REPETIÇÃO Juntas 316 Repetição de Unidades de Componentes do Requadro Forma 284 Linear 317INTRODUÇÃO GERALINTRODUÇÃO GERAL 13 GERAL Traços ou formatos podem ocorrer espontaneamente, à medida que exploramos instrumentos, meios ou substâncias para obter efeitos pictóricos, escultóricos ou de textura e, neste processo, decidimos o que é bonito ou interessante, sem saber conscientemente como e por quê. Podemos verter sentimentos e emoções durante 0 processo, resultando em um tipo de expressão artística que reflita nossa personalidade na forma de nossos gostos e inclinações. Esta é a abordagem intuitiva da criação visual. Por outro lado, podemos criar reconhecendo previamente os problemas específicos que precisam ser tratados. Quando definimos as metas e limites, analisamos as situações, consideramos todas as opções disponíveis, escolhemos os elementos para síntese e tentamos propor as soluções mais apropriadas esta é a abordagem intelectual. Ela requer um raciocínio sistemático com alto grau de objetividade, ainda que a sensibilidade e julgamento individual quanto à beleza, à harmonia e ao interesse devam estar presentes em todas as decisões visuais. Evidentemente, na tentativa de classificar e articular princípios, enfatizei a abordagem intelectual. Princípios se referem a relações e estruturas específicas de elementos, formatos e formas. Uma certa preferência pela regularidade pode parecer prevalecer, uma vez que a regularidade de relações e estruturas invariavelmente tem uma base matemática e pode ser descrita com maior precisão. Todavia, a regularidade freqüentemente se torna um ponto de partida a partir do qual se podem examinar as possibilidades de transformação, modificação e desvio parcial ou total. Visualizar qualquer desenho regular usando instrumentos e métodos tradicionais muitas vezes é uma tarefa árdua. Após esboçar as idéias, utilizamos régua e, provavelmente, compasso para construir figuras e estruturas, desenhar contornos com14 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO caneta e preencher as áreas abertas com pincel. Isto Podemos mesmo prever que em breve 0 pode tomar tempo e esforço consideráveis e computador se tornará um instrumento resultado pode nem sempre ser satisfatório. Se são indispensável em qualquer escritório de projeto ou necessárias mudanças, processo pode ter de ser nos ateliês de escolas e instituições de ensino de repetido inúmeras vezes. Muito do trabalho é desenho. Nossa preocupação aqui é descrever qual mecânico e cuidadoso e apresenta frustrações equipamento e software básico será adequado às consideráveis para desenhista principiante, que tem exigências específicas de um projetista e como de se haver com todas as técnicas meticulosas de podemos trabalhar com computador para seguir acabamento. ou implementar os princípios de desenho advento do computador não só revolucionou elaborados posteriormente no texto principal. nossos meios de processamento de informação, como também possibilitou novos métodos para a Setup Básico do Computador criação do desenho. Como computador é Os computadores têm tamanhos, capacidades e primariamente uma máquina de "triturar" números, preços variados. Geralmente, um desenhista está particularmente adequado para produzir necessita um computador pessoal para mesa. configurações de ordem estritamente matemática. Muitos computadores pessoais pertencem à Com desenvolvimento rápido nos últimos anos de categoria IBM-compatível e são chamados programas gráficos e de periféricos a eles simplesmente de PCs. Estes têm várias marcas e relacionados, computador agora é capaz de modelos. A outra categoria principal é o Macintosh, realizar com grande eficiência a maior parte do produzido por um único fabricante, provavelmente a trabalho de desenho normalmente feito a lápis, um custo maior. Macintosh se distingue pelo fato caneta e pincel. Deste modo, ele abre novos de ser 0 primeiro computador a introduzir a interface horizontes. gráfica do usuário. Isto permite que projetista Operar um computador hoje em dia é trabalhe diretamente com elementos pictóricos por relativamente simples e requer apenas um período meio de comandos internos, em vez de meramente curto de treinamento. computador, elaborado digitar comandos verbais, e obtenha resultados com uma tecnologia altamente sofisticada, pode ser impressos semelhantes àqueles mostrados na tela. uma ferramenta nova e poderosa para Por esta razão, os Macintoshes dispõem de mais desenhista, 0 qual não precisa saber como os programas gráficos do que PCs. Entretanto, a sinais eletrônicos realmente funcionam no interior lacuna entre Macintoshes e PCs está diminuindo, à de um circuito para produzir a imagem mostrada na medida que alguns programas para Macintosh estão tela. fascinante é que, por meio de operações se tornando disponíveis em versões para PCs. simples de computação, um projetista pode No momento, Macintosh ainda representa a produzir com grande exatidão inúmeros efeitos melhor escolha para a profissão de projetista e, visuais relacionados com princípios de forma e portanto, minha discussão de técnicas de de desenho e transformações e mudanças podem computação se concentrará neste sistema. Para ser feitas com uma facilidade inacreditável. trabalhar eficientemente com a maior parte dos Obviamente, estes mesmos esforços, quando programas atualmente disponíveis, um computador executados manualmente, sem auxílio do para fins gráficos deve ter uma memória de acesso computador, exigiriam um número maior de randômico (RAM) de não menos do que 4 tentativas e de horas. megabytes e uma unidade de disco rígido interna ouINTRODUÇÃO GERAL 15 externa com uma memória que exceda 50 programas gráficos são destinados à criação de megabytes. Outros equipamentos essenciais são imagens pictóricas como expressão artística, como uma impressora a laser em preto-e-branco comunicação visual, como padrões de superfícies e PostScript, para obter uma reprodução nítida dos para programação visual em trabalhos de resultados no papel, e um scanner (leitor óptico), editoração. que pode ser adquirido posteriormente, para lidar com imagens fotográficas ou já impressas. Programas Gráficos Todos os computadores são equipados com Evidentemente, os programas gráficos são uma unidade de processamento central, um monitor, nossa principal preocupação. Nestes, a tela toma um teclado e um mouse. A unidade de lugar de um papel em branco, com indicador do processamento central é 0 componente principal. mouse assumindo a função de um dedo, para Esta apresenta uma abertura para discos flexíveis, mover, apontar e selecionar, ou da caneta, do lápis de forma que programas neles gravados possam ou do pincel, para criar traços ou figuras. À medida ser instalados no disco rígido interno ou em uma que um programa é carregado, aparece na tela uma unidade de disco externa. monitor geralmente fica caixa de ferramentas, contendo uma série de colocado sobre a unidade central de processamento ferramentas. Quando clicamos com mouse uma e sua tela exibe informações e figuras das ferramentas desta caixa, indicador se torna monocromáticas ou coloridas. teclado é um cursor, com um formato particular que semelhante àquele de uma máquina de escrever, representa a ferramenta selecionada e desempenha mas inclui teclas que desempenham funções a função designada para ela. Na parte superior da diversas daquelas da máquina de escrever. tela há uma barra de menu a partir da qual 0 mouse é um dispositivo de entrada, do tamanho podemos ter acesso a uma série de menus-cortina da palma da mão, para mover um indicador na tela ao deslocar indicador. Um menu é um mostrador e tem um botão para ser pressionado. Quando na tela que lista todos comandos disponíveis indicador está na posição desejada, botão do para edição e visualização, assim como para efeitos mouse estacionário pode ser "clicado" ou pode ser gráficos especiais, além daqueles disponíveis por pressionado firmemente enquanto mouse é "deslocado". Clicar e deslocar constituem as duas File Edit View Options Draw Transform Font Text operações básicas do mouse. Untitled - 3 Um computador é praticamente inútil sem Opaque 1x1 None Patterns + software apropriado. Os programas de software A existem para diversos fins, mais comumente para o processamento de texto ou para a produção de planilhas e bancos de dados, além dos programas gráficos. Os programas de processamento de texto + são usados para escrever cartas, artigos e livros. Os programas de planilhas são usados para 0 trabalho contábil e financeiro. Os programas de bancos de B dados são empregados no armazenamento e classificação de informação para produzir relatórios, tabelas e listas em determinada ordem. Os 116 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO meio das ferramentas (Fig. 1). Cada comando pode A operação do mouse é também utilizada em conter submenus e pode proporcionar uma caixa de combinação com a pressão das teclas shift, option diálogo para inserir dados ou para selecionar e/ou command no teclado. Embora teclado sirva opções. basicamente para digitar, com diferentes fontes e A tela é composta por uma matriz de pontos tamanhos, pode ser utilizado para emitir comandos que são inicialmente brancos. Alguns pontos de atalho e para introduzir dados numéricos que aparecerão em preto ou, às vezes, em uma cor determinam medidas e ângulos das linhas e selecionada, à medida que se desloca cursor da formatos. teclado também contém um conjunto de ferramenta para efetuar traços ou formatos. Cada teclas de seta que permite mover 0 indicador do ponto representa um elemento da imagem ou pixel. mouse ou elementos selecionados para cima, para Há normalmente 72 pixels por polegada, que é a baixo, para a esquerda ou para a direita. resolução-padrão da tela. A impressão a laser Há aproximadamente seis tipos de programas PostScript dá uma resolução muito maior aos gráficos: pintura, desenho, programação de páginas, formatos criados. A resolução é medida em termos processamento de imagens, manipulação de fontes do número de pontos por polegada, ou dpi. Uma e modelagem tridimensional. Um programa de impressora a laser pode oferecer produções nítidas pintura nos permite "pintar" intuitivamente na tela e de 300 até mais de 2 mil dpi. PostScript, uma produzir imagens de mapas de bits como pinceladas linguagem de programação para descrição de e formatos (Fig. 2). Imagens de mapas de bits página, desenvolvida por Adobe Systems para compostas de pixels não funcionam com a trabalhar com impressoras a laser, ajuda a eliminar linguagem PostScript e tendem a apresentar todas as bordas desiguais que possam ser visíveis algumas imperfeições ao longo de bordas curvas ou na tela. diagonais. Elas são compostas de pontos Ao movermos 0 indicador do mouse na tela quadrados independentes e densamente agrupados, localizamos uma ferramenta, ao clicarmos ativamos representando os pixels afetados, e podem ser um comando ou selecionamos um elemento, e ao ampliadas para facilitar a edição com a ferramenta deslocarmos criamos uma linha ou formato. lápis, que acrescenta ou remove pontos (Fig. 3). 2 3INTRODUÇÃO GERAL 17 7 8 Outras ferramentas específicas de qualquer programa de pintura são as ferramentas de pincel, com diferentes larguras e efeitos (Fig. 4) e uma escolha de padrões de pinceladas (Fig. 5), uma ferramenta de spray para borrifar pontos (Fig. 6), uma ferramenta de preencher para acrescentar cor e padrão a uma área fechada ou a um fundo aberto (Fig. 7), uma ferramenta de borracha para recuperar a cor branca original da tela, de modo que se possam fazer correções (Fig. 8). Cada vez que uma linha, uma pincelada ou um formato são formados na tela, novo elemento se funde com todos -18 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO aqueles elementos anteriores que foram superpostos e se torna inseparável deles. Um programa de desenho se destina à criação de formatos como imagens orientadas aos objetos que não são mapeadas por bit, mas armazenadas na memória do computador como fórmulas matemáticas que definem as posições de pontos e trajetórias de ancoragem. Embora a exibição na tela possa parecer bem semelhante às imagens mapeadas por bit em um programa de pintura, um objeto selecionado é indicado por meio de pontos pretos sólidos ou vazados ao longo de seus contornos ou em seus quatro cantos (Fig. 9). Este 9 pode ser ampliado sem restrições e impresso sem denteado que está associado às imagens mapeadas por bit (Fig. 10). Cada formato, ou mesmo cada componente de um formato, permanece independente e pode ser selecionado em separado a qualquer momento para ser alterado, transformado ou apagado. Isto garante ao desenhista uma grande flexibilidade para efetuar mudanças subseqüentes. A caixa de ferramentas apresenta um conjunto especial de ferramentas de ponto para a construção de trajetórias. Os elementos aparecem primeiramente na tela como linhas pretas finas, que podem ser modificadas para qualquer espessura, cor, tom ou padrão (Fig. 11). 10 posicionamento é feito com auxílio de réguas, guias, grades e vários comandos. Um programa para layout de páginas toma emprestado textos e gráficos de uma variedade de arquivos, faz a localização, 0 dimensionamento, escalonamento e 0 corte dos diferentes elementos da página e organiza páginas em ordem seqüencial. Texto e ilustrações fluem de uma página para outra e podem ser redistribuídos, caso necessário. Uma página-matriz pode ser utilizada para determinar a programação visual geral e elementos recorrentes para uma seção inteira de páginas. programa tem a capacidade de um processador de texto para modificar estilos de fontes e tamanhos 11INTRODUÇÃO GERAL 19 editar 0 texto. Suas capacidades gráficas se considerável diversão. Programas simples de ao acréscimo de elementos geométricos pintura produzem apenas imagens em preto-e- de cor de fundo e de sombras, bordas e branco. Os mais sofisticados, contudo, permitem lidar com todas as cores do espectro ou uma Um programa de processamento de imagem gama completa de tons cinzas, se trabalharmos permite a leitura óptica de imagens de fotografias, somente com resultados em preto-e-branco e esboços ou material impressos já existentes. podem simular efeitos reais de pintura e esboço Oferece ferramentas e comandos para a sobre tela ou papel de rascunho com meio seco ou modificação ou a transformação das imagens úmido. pelo ajuste de contrastes, tons e cores; Um programa de pintura, entretanto, não se para 0 acréscimo de texturas e de padrões; para 0 destina ao trabalho de precisão. Uma composição de detalhes; e para a introdução de outros de pintura contém formatos e pinceladas misturados especiais, conforme desejado. A maioria das uns com os outros em um processo quase erramentas e comandos, entretanto, também pode irreversível, ainda que alguns programas permitam ser usada na tela em branco para a criação de que se desfaça várias vezes para além da última magens mapeadas por bit como em um programa operação. Formatos e pinceladas são simplesmente de pintura. marcas formadas por pixels soltos, afetadas ou não Um programa de manipulação de fonte serve pelo movimento de uma ferramenta selecionada. As para alterar e dar forma especial para fontes bordas das marcas não têm limites claramente existentes e pode também ser empregado para criar definidos. Para trabalhar com a maioria dos novas fontes. Alguns destes programas têm conceitos e princípios expostos neste livro, para ou comandos especiais de quais freqüentemente são necessários elementos transformação para criar distorções planas, geométricos, curvas suaves, arestas agudas e esféricas ou cilíndricas de elementos tipográficos e estruturas de regularidade rígida, um programa de gráficas de outra origem. pintura é inadequado. Um programa de modelagem tridimensional Para um começo modesto, basta um bom combina plantas e elevações para estabelecer programa de desenho. A escolha pode ser feita formas de volume e profundidade ilusórios. As formas dentre vários programas complexos de desenho podem ser giradas para mostrar como são vistas de existentes no mercado, todos com características diferentes ângulos ou com uma mudança de fonte semelhantes mas com capacidades claramente de luz. Alguns programas podem incluir capacidades diferentes. Minha escolha atual é 0 Aldus FreeHand, de animação. da Aldus Corporation, disponível em versões tanto para Macintosh como para PCs, 0 qual entre Escolhendo um Programa outras características facilita 0 trabalho direto com Cada um dos programas descritos é necessário atributos visuais dos formatos, permite e, em última análise, seria preciso dispor de todos numerosos níveis de desfazer processo, para satisfazer as diferentes exigências. A maioria organiza elementos em camadas múltiplas e das pessoas tende a escolher um programa de proporciona grades visíveis para posicionamento pintura para a sua primeira tentativa de criar acurado. É neste programa que será baseada a formatos eletrônicos. Um programa de pintura é, de maior parte de minhas explicações sobre técnicas longe, 0 mais fácil de usar, podendo ainda oferecer de computação.20 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO File Edit View Element Type Attributes 1555 visualização desejada, ampliada ou reduzida. Ao se ativar 0 comando pré-visualizar do menu visualizar, A Layers pode-se trabalhar não apenas no modo key-line Guides Background mas diretamente com linhas e formatos que apresentam todos atributos desejados. menu Styles visualizar também permite a exibição de réguas com 1 Colors marcações adequadas, de caixas de paleta para Line X atribuição de cores, de espessuras de linha e de X None White Black controle de camadas, além de uma barra de 10% gray 20% gray 30% gray 40% gray informação contendo medidas e ângulos dos 50% gray 60% gray gray elementos e posições vertical/horizontal do indicador. Mais ainda, há monitores em linhas pontilhadas ou coloridas, que podem ser deslocados 12 das réguas, e uma grade em uma matriz de pontos Há Aldus SuperPaint também da Aldus Corporation, que 0 leitor pode considerar como uma escolha alternativa. Aldus SuperPaint combina programas de pintura e de desenho em camadas intercambiáveis de modo que se pode primeiro criar uma imagem na camada de pintura e imediatamente transferi-la para a camada de desenho, ou vice- versa. A combinação tem vantagens evidentes, particularmente quando se pretende fazer algum trabalho de pintura na tela. A camada de pintura inclui muitos efeitos especiais adequados para trabalho experimental. Contudo, 0 potencial de desenho do Aldus SuperPaint não é tão extenso quanto aquele do Aldus FreeHand. 13 Começando a Desenhar eqüidistantes, estabelecida pelo comando de setup Com um programa de desenho adequado já de documento no menu arquivo. instalado corretamente na unidade de disco rígido, Mais da metade das ferramentas na caixa de programa pode ser iniciado. Na tela, aparecem a ferramentas se destina à criação de formatos. As barra de menu e a caixa de ferramentas. Ao se abrir ferramentas de ponto incluem uma ferramenta de um novo arquivo, aparece no centro da tela uma canto, uma ferramenta curva, uma ferramenta de moldura retangular direcionada verticalmente. Esta é conexão e uma ferramenta de caneta. A ferramenta a visualização fit-in-window, mostrando a página de canto plota pontos para fazer trajetórias retas e inteira reduzida (Fig. 12). Um comando do menu curvas fechadas (Fig. 13). A ferramenta curva plota visualizar na barra de menu permite modificar para pontos para fazer linhas curvas ondulantes (Fig. 14). uma visualização de 100% ou para outra A ferramenta de conexão plota pontos entre17 16 14 2 18 22 19 21 INTRODUÇÃO GERAL 20 + 15 21 2 122 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO trajetórias retas e curvas, de modo a assegurar um fluxo linear suave sem saliências perceptíveis (Fig. 15). A plotagem de um ponto é realizada clicando 0 cursor da ferramenta. A ferramenta de caneta combina a função de ferramenta de canto e ferramenta curva e serve para plotar pontos em linhas retas ao ser clicada e linhas curvas ao se deslocar mouse (Fig. 16). Outras ferramentas incluem uma ferramenta de retângulo para desenhar quadrados e retângulos (Fig. 17), uma ferramenta de retângulo arredondado para desenhar quadrados e retângulos de cantos arredondados (Fig. 18), uma ferramenta de elipse 24 Criando um Formato Pontos marcam começo e fim de uma trajetória e podem ocorrer ao longo de qualquer parte da trajetória. Uma trajetória aberta é aquela que tem pontos de extremidade desconectados. A conexão de pontos de extremidade estabelece uma trajetória fechada. A ferramenta de retângulo ou de elipse produz de imediato uma trajetória fechada. Qualquer formato é construído por pontos e trajetórias. Pontos definem posições-chave de uma trajetória. A trajetória deve adquirir atributos para se tornar visível. Isto se dá por meio do comando fill and line no menu atributos, qual oferece uma 23 para desenhar círculos e elipses (Fig. 19), uma ferramenta de linha para desenhar linhas retas (Fig. 20), e uma ferramenta a mão livre para desenhar curvas irregulares (Fig. 21). Todas essas ferramentas fazem formatos quando mouse é deslocado. Além disso, há a ferramenta tipo para originar caracteres no teclado, os quais podem ser transformados quanto ao tamanho e ao estilo de fonte desejados para serem usados como formatos em um desenho. As fontes pictóricas, como 0 Zapf Dingbats, constituídas por símbolos e figuras naturalistas, também são uma escolha prática para desenhista. 2524 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO por sua vez, nenhuma cor é transparente e invisível. Capas e juntas também podem ser especificadas para qualquer trajetória aberta. As capas, que podem ser quadradas ou redondas, são acrescentadas às extremidades de linhas (Fig. 25). As juntas ocorrem onde duas linhas se encontram em ângulo e podem ser pontiagudas, arredondadas ou chanfradas (Fig. 26). Mais ainda, a linha pode ser contínua ou tracejada (Fig. 27) e pode ser estampada (Fig. 28). Uma trajetória fechada permite 0 recobrimento de um plano com um preenchimento homogêneo, 31 um preenchimento graduado, um preenchimento radial ou um preenchimento estampado, em um tom de cinza ou em cor (Fig. 29). Quando a trajetória fechada é preenchida, atributos de linha podem ser escolhidos para obter um formato com contorno (Fig. 30). Se não se desejar um contorno, pode-se introduzir nenhum para os atributos de linha na caixa de diálogo. Trajetórias podem ser editadas antes ou depois dos atributos. Qualquer ponto em uma trajetória pode ser especialmente selecionado ou movido por meio do indicador da ferramenta seta e ser deslocado para qualquer nova localização, efetuando uma mudança na trajetória. Há três tipos 32 33 34GERAL 25 39 de pontos, 0 ponto de canto, 0 ponto de curva e 0 ponto de conexão, resultantes do uso das respectivas ferramentas. Um tipo de ponto pode ser substituído por outro, utilizando-se 0 comando de pontos no menu elemento. Deste modo, uma trajetória angular pode se tornar suave ou uma trajetória suave se tornar angular (Fig. 31). Há dois control handles de não-impressão associados a cada ponto de uma curva. Estes são exibidos na tela quando 0 ponto da curva é selecionado. Ao se deslocar cada handle com o indicador de flecha, ajusta-se a convexidade ou concavidade de uma trajetória curva (Fig. 32). Um ponto pode ser acrescentado à trajetória por meio de qualquer ferramenta de ponto adequada para facilitar a manipulação ou removido por meio do comando de pontos. A remoção de pontos pode modificar significativamente um formato. Mantendo-se pressionada a tecla shift no teclado ao mesmo tempo que se desloca a ferramenta de retângulo, é produzido um quadrado perfeito; quando se desloca a ferramenta de elipse nas mesmas condições, é produzido um círculo perfeito. Retângulos, quadrados, elipses e círculos vêm todos com quatro handles e, mantendo-os agrupados, pode- se deslocar qualquer handle para dar uma outra dimensão ou uma outra forma para a trajetória, sem 3826 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO causar uma distorção irregular (Fig. 33). Ao se ativar cópias forem desejáveis, e cada uma pode ser comando desagrupar no menu de elemento, OS movida, girada e invertida separadamente. handles se transformam em pontos, de modo que A divisão requer um procedimento mais cada ponto pode ser deslocado livremente para alterar complicado. Isto é possível com uma trajetória formato (Fig. 34). fechada não agrupada, como um retângulo ou uma A caixa de ferramentas contém também elipse, na qual se pode empregar a ferramenta de ferramentas para fazer mudanças em formatos faca para inserir pontos de corte. Após esta existentes. A ferramenta rotatória serve para fazer operação, cada segmento ou par de segmentos é mudanças de direção (Fig. 35). A ferramenta removido da trajetória por meio do indicador de refletora serve para virar um formato de modo a seta. Utiliza-se, então, comando de união, do obter sua imagem invertida ou especular (Fig. 36). mesmo menu, para unir pontos de segmentos A ferramenta de escala serve para redimensionar e separados por meio de linhas retas. processo tem reproporcionar (Fig. 37). A ferramenta de de ser repetido para obter cada divisão. Os formatos obliqüidade serve para inclinar um formato para individuais que resultam da divisão podem ser cima, para baixo ou para lados (Fig. 38). deslocados e girados para estabelecer uma nova A ferramenta de aumento serve para ampliar configuração (Fig. 44). qualquer porção do formato para auxiliar em caso Formatos superpostos podem se interpenetrar, de modificações cruciais. A ferramenta de traço sendo que a área ou áreas de superposição exibem serve para traçar automaticamente os contornos de 0 branco da tela. Este efeito é obtido ao se ativar um formato (Fig. 39). A ferramenta de faca serve comando de união à medida que os formatos são para cortar e dividir uma trajetória. selecionados e desagrupados (Fig. 45). Todos métodos acima podem ser combinados Obtendo um Formato Composto para chegar a um formato composto (Fig. 46). Um formato composto consiste em dois ou mais formatos em um processo que envolve adição, Estabelecendo a Repetição subtração, multiplicação ou mesmo divisão. A adição Como já discutido, um formato em repetição é a superposição de dois ou mais formatos, que pode ser usado para criar um formato composto. podem permanecer claramente discerníveis, com Qualquer formato pode se tornar uma unidade de atributos próprios de linha ou preenchimentos forma para repetição em uma composição (Fig. 47). diferentes (Fig. 40), ou se fundir com mesmo Um grupo de formatos conectados ou preenchimento, mas sem atributos de linha (Fig. 41). desconectados também pode ser usado como A subtração é efeito de colocar um formato branco superunidades de forma para repetição (Fig. 48). Se e opaco, que funciona como um formato negativo, um formato, ou um grupo de formatos, é copiado sobre um formato preenchido (Fig. 42). pelo computador, este armazena a configuração A multiplicação é a criação do mesmo formato mais inteira em um arquivo clipboard que permite colar de uma vez, usando-se os comandos copiar e colar, repetidamente a configuração nos locais apontados 0 comando reproduzir ou comando duplicar, todos pelo indicador de seta da tela, de modo a produzir no menu editar (Fig. 43). Cada cópia do formato uma composição informal. pode ser movida com indicador de seta ou com Ao se ativar comando reproduzir, coloca-se qualquer das teclas de seta no teclado, de modo a uma cópia do formato diretamente sobre original. obter a configuração desejada. Pode-se ter quantas A cópia permanece imperceptível até que sejaINTRODUÇÃO GERAL 27 movida por meio do indicador de seta ou das teclas de seta. Caso necessário, a caixa de diálogo associada ao comando de movimento pode ser ativada para introduzir descrições numéricas e obter um movimento vertical/horizontal preciso. Após a cópia ter sido movida uma vez, a ativação do comando duplicar fará com que cópias subseqüentes apareçam por meio de movimentos idênticos. Todos esses movimentos podem formar uma fileira ou uma coluna, as quais podem novamente ser reproduzidas, movidas e duplicadas para espalhar a repetição na vertical, na horizontal ou na diagonal. Deste modo, posicionamento 44 40 41 45 42 43 4628 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO repetitivo de formatos com atributos idênticos permite realizar uma composição formal (Fig. 49). posicionamento acurado pode ser auxiliado pela exibição de réguas horizontais e verticais, a partir das quais guias, que não serão impressas, podem ser deslocadas para formar uma grade linear. Tanto comando de réguas como de guias se encontram no menu visualizar. Há um comando de setup de documento no menu arquivo para construir uma grade visual com matriz de pontos eqüidistantes e um comando separado de mudar para grade que permite efetuar instantaneamente esta ação. Há também um comando alinhamento no menu elemento que serve 47 para alinhar e distribuir homogeneamente as unidades de forma selecionadas. Uma composição formal com unidades de forma ou superunidades de formas distribuídas homogeneamente de modo vertical e/ou horizontal implica a existência de uma estrutura de repetição subjacente. Uma estrutura de repetição pode ser desenhada por meio da ferramenta de linha, da ferramenta de canto ou da ferramenta de retângulo. Uma estrutura de repetição é constituída por linhas estruturais que dividem a área da imagem em subdivisões estruturais do mesmo formato e tamanho. Uma vez construída a estrutura, os próximos passos são selecionar todos os 48 elementos, travá-los por meio do comando trava no menu elemento e clicar a palavra fundo na paleta de camadas, obtida pelo comando janelas no menu visualizar. Quando este último passo é efetuado, a estrutura inteira se move para a camada do fundo, tornando-se um gabarito não-impresso, no qual as linhas aparecem pontilhadas ou acinzentadas. Clicando-se as palavras primeiro plano na paleta, retorna-se para a camada de trabalho. As unidades de forma podem ocupar centro, mesmo canto de cada subdivisão estrutural do gabarito ou ainda ficar nas junções das linhas estruturais, tocando-se (Fig. 50), superpondo-se (Fig. 51) ou permanecendo separadas umas das outras (Fig. 52). 49TRODUÇÃO GERAL 29 53 54 5530 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO utilizando comandos cortar e colar dentro do menu editar (Fig. 60). Estabelecendo a Radiação Qualquer elemento ou formato no interior de uma estrutura de repetição pode ser individualmente girado por meio da ferramenta de rotação. A rotação sistemática de unidades de forma adequadamente dispostas pode resultar em um efeito de radiação (Fig. 61). Primeiro, a barra de informação pode ser exibida para mostrar os graus de rotação desejáveis e, então, para controle da precisão, dados mostrados podem ser 56 introduzidos em uma caixa de diálogo oferecida pela ferramenta de rotação. Antes de girar uma série de formatos a intervalos regulares, formato deve ser reproduzido. Mediante a rotação, original não girado e a cópia girada são colocados lado a lado. Então, utiliza-se 0 comando duplicar para obter todas as demais cópias giradas de modo a completar a série (Fig. 62). A questão crucial é a localização do centro de rotação, 0 qual pode afetar significativamente a composição (Fig. 63). Elementos podem ser girados para criar um formato composto radiado a ser usado como uma 57 superunidade de forma ou para estabelecer uma composição formal exibindo uma estrutura de À medida que se alcança determinado estágio radiação subjacente. Um gabarito de estrutura de da composição, é possível transformar a radiação pode ser desenhado ao se girar linhas composição por meio da ferramenta de escala (Fig. regularmente em uma revolução completa, com sua 53), da ferramenta de inclinação (Fig. 54), da convergência ou interseção marcando centro e ferramenta de inversão (Fig. 55) ou da ferramenta superpondo ao gabarito obtido uma série de giratória (Fig. 56); dar um novo conjunto de atributos círculos concêntricos (Fig. 64). Com a estrutura de a uma composição acabada (Fig. 57), selecionar radiação completada, fechada e transferida para a alguns formatos para mudanças necessárias (Fig. camada de fundo, a distribuição de unidades de 58), ou repetir ou inverter a composição após forma pode revolver em torno do mesmo centro redimensionar ou efetuar outras mudanças de modo com 0 mesmo ângulo de rotação que as linhas a obter uma maior complexidade (Fig. 59). estruturais (Fig. 65). Finalmente, podemos recortar e emoldurar a Se não for utilizado um gabarito de estrutura, composição com uma trajetória de clipping, pode-se diretamente reproduzir ou girar um formatoTRODUÇÃO GERAL 31 61 62 6332 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO por meio de duplicações subseqüentes. resultado algumas vezes é imprevisível e a rotação pode ter de ser refeita diversas vezes até que se alcancem efeitos desejados. Estabelecendo a Gradação menu elemento oferece um comando misturar que produz a graduação quase que instantaneamente. Para efetuar uma mistura, devem-se primeiro selecionar dois formatos que definam começo e a extremidade da mistura. Cada formato deve ser primeiro desagrupado, para que um dos pontos em sua trajetória possa ser selecionado para refrear a mistura. Uma caixa de 65 diálogo aparece quando comando é ativado e nesta se pode introduzir número de passos, desagrupada para se efetuar mudança em formatos qual pode variar de um a centenas. Não só os individuais dentro da série (Fig. 70). formatos podem ser misturados, como também Locais de mistura intermedeiam os formatos de espessuras de linhas e cores. Após a mistura, a modo eqüidistante, oferecendo uma gama de série de formatos aparece como um grupo, mas unidades de forma em gradação, as quais podem ser pode-se manter pressionada a tecla de opção à subseqüentemente repetidas ou misturadas de novo medida que se usa 0 indicador de seta para para obter uma composição com uma estrutura de subselecionar um formato no começo ou na repetição subjacente (Fig. 71). Ao se misturar duas extremidade da mistura e fazer as mudanças retas paralelas de mesma espessura, mas de necessárias (Figs. 66-8). Qualquer mudança afetará diferentes tons de cinza, por meio de muitos passos, a série inteira de formatos misturados. A série pode-se obter um plano com gradação tonal suave inteira pode ser mais alterada (Fig. 69) ou (Fig. 72). Ao se misturar dois formatos lineares de direções diferentes, pode-se estabelecer efeito de radiação (Fig. 73). Entretanto, comando misturar não permite a construção instantânea de uma estrutura de gradação. Esta pode ser construída independentemente, com guias ou linhas obtidas com uma ferramenta adequada. Com a estrutura de gradação como um gabarito de fundo, pode-se utilizar comando misturar para criar uma série de unidades de forma em gradação de tom, de formato ou de outros tipos para posicionamento manual (Fig. 74). Estabelecendo a Similaridade Em uma composição que contém formatos repetidos segundo uma estrutura formal, o efeito de 64TRODUÇÃO GERAL 33 69 70 7134 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO similaridade pode ser obtido por meio de variações aleatórias de tamanho, direção e atributos gerais (Figs. 75-7), ou formatos individuais podem ser livremente manipulados para obter mudanças de formato (Fig. 78). Também se pode obter este efeito de similaridade com comando misturar, produzindo uma série de formatos com mudanças graduais a serem redistribuídos em uma ordem não seqüencial (Fig. 79). A existência de uma estrutura de similaridade subjacente pode ficar implícita se a distribuição de formatos em uma estrutura de repetição for deliberadamente inconsistente no interior de 72 determinadas subdivisões estruturais (Fig. 80). Uma estrutura de similaridade pode ser construída com a ferramenta de linha ou qualquer ferramenta de ponto, mas esta opção não compensa, a menos que a estrutura seja ativa ou visível. Estruturas Ativas e Visíveis Linhas estruturais dividem a área da imagem em subdivisões. Em uma estrutura inativa, formatos e seu espaço circundante fluem ininterruptamente entre as subdivisões. Em uma estrutura ativa, cada subdivisão constitui uma célula espacial independente com o fundo assumindo a condição de um formato com os 73 atributos desejados. Formatos e células podem ser alternados como elementos positivos e negativos (Fig. 81), ou podem ter atributos diferentes (Fig. 82). Se fundo tiver um preenchimento branco opaco, os formatos em células adjacentes que invadem podem ser bloqueados em seus contornos (Fig. 83). A conversão do formato de fundo da célula em um formato passível de receber atributos pode ser feita traçando seus contornos limítrofes com uma ferramenta apropriada para formar uma trajetória fechada e enviá-la para trás da unidade de forma por meio do comando enviar para trás ou enviar para fundo no menu elemento. Este formato de 7435 5 3 ##### 78 79 80 GERAL36 PRINCÍPIOS DE FORMA E fundo e a unidade de forma associada podem ser trajetórias, podem ter atributos de linha e de vistos como um formato composto. preenchimento e ser transformados e repetidos Ao se conferir atributos de linha para o formato estabelecer uma composição (Fig. 85). Um formato de fundo, que pode ou não ter um preenchimento, também pode ser traçado com a ferramenta de produz-se uma estrutura visível. Linhas estruturais traço, mas 0 traçado automático de formatos tornam-se então elementos em forma de treliça complexos nem sempre produz resultados que trabalham com as unidades de forma (Fig. 84). satisfatórios. Ao se conectar um scanner ao computador, Formas Figurativas pode-se incorporar uma imagem fotográfica ou Formatos obtidos por meio da ferramenta tipo, impressa a ser manipulada e repetida (Fig. 86) ou utilizando-se uma fonte pictórica, podem constituir usada como um gabarito sobre qual se pode formas figurativas. Após sua conversão em traçar com a ferramenta de traço ou redesenhar 81 83 82 84INTRODUÇÃO GERAL 37 com as ferramentas a mão livre ou de caneta. Após ser traçado ou redesenhado, podem-se dar ao formato quaisquer atributos de linha e preenchimento desejados, para empregá-lo com ou sem transformação como uma unidade de forma em uma composição (Fig. 87). Imagens Tridimensionais Um programa de desenho não se destina especificamente à criação de imagens tridimensionais. A mistura de formatos simples que se superpõem em uma fileira, entretanto, pode produzir a ilusão de uma forma tridimensional composta por planos em série (Fig. 88). Uma 85 simples moldura linear que dá uma ilusão tridimensional também pode ser criada com a ferramenta de caneta ou qualquer outra ferramenta apropriada (Figs. 89-90). Na maioria dos casos, uma forma tridimensional que parece boa em determinada vista bidimensional pode ser muito comum ou mesmo desapontadora na vida real, podendo ser impossível construí-la com materiais físicos quando elementos precisam ser solidamente unidos ou apoiados. Exercícios em desenho tridimensional devem ser realizados com modelos reais. projeto com auxílio do computador se destina ao usuário avançado, que conta com computador principalmente para acelerar a 86 produção de plantas e elevações e para apresentações em perspectiva. Prosseguindo com o Texto Principal Explicações completas de alguns dos termos e conceitos de desenho se encontram no texto principal. As descrições de técnicas de computação aqui apresentadas podem não ser suficientes, e nunca são totalmente adequadas. Por esta razão, leitor precisará recorrer a manuais especiais para o computador e seus periféricos, assim como ao manual do usuário e aos guias para qualquer programa de software selecionado. Programas de 8738 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO software são atualizados com freqüência, com conveniências aperfeiçoadas e novas partes, e 0 hardware pode se tornar facilmente antiquado quando modelos mais novos com maior potência aparecem no mercado. Esta introdução geral se destina somente a ajudar leitor a ver 0 vínculo essencial entre a linguagem da forma visual e a linguagem da computação. Agora, desafio é prosseguir com 0 esforço de enfrentar todos conceitos, princípios e exercícios sobre a forma e 0 desenho, com uma instrução crescente em computação, com uma sensibilidade estética e uma competência técnica cada vez maiores. 88 89 90DESENHO BIDIMENSIONALDESENHO BIDIMENSIONAL 41 CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO A Linguagem Visual desenho é prático. desenhista é uma pessoa prática. Mas antes que esteja pronto para lidar com problemas práticos, tem de dominar uma linguagem visual. 0 Que é Desenho? A linguagem visual constitui a base de criação Muitas pessoas considerariam desenho como do desenho. Deixando de lado aspecto funcional do algum tipo de esforço para embelezar a aparência desenho, há princípios, regras ou conceitos com externa das coisas. Certamente, mero relação à organização visual que podem preocupar embelezamento constitui um aspecto do desenho, um desenhista. Ele pode trabalhar sem 0 porém 0 desenho é muito mais do que isto. conhecimento consciente de quaisquer destes Olhemos ao nosso redor. desenho não é princípios, regras ou conceitos, pois seu gosto somente ornamentação. A cadeira bem desenhada pessoal e sensibilidade com respeito às relações não só tem uma aparência exterior agradável, mas visuais são muito mais importantes, porém uma também se mantém firme sobre chão e compreensão completa destes definitivamente proporciona conforto para quem quer que se sente ampliaria sua capacidade de organização visual. nela. Além disso, deve ser segura e durável, capaz No programa de ensino do primeiro ano de toda de ser produzida a um custo comparativamente escola ou curso universitário de arte, econômico, empacotada e transportada de forma independentemente das áreas de especialização conveniente e, obviamente, deve ter uma função que alunos seguirão posteriormente, há sempre específica, seja para trabalho, repouso, refeições, um curso intitulado Desenho Básico, Desenho seja para outras atividades humanas. Elementar, Desenho Bidimensional etc., que se desenho é um processo de criação visual que ocupa da gramática dessa linguagem visual. tem propósito. Diversamente da pintura e da escultura, que constituem a realização das visões e Interpretando a Linguagem Visual sonhos pessoais dos artistas, desenho preenche Há inúmeras maneiras de interpretar a necessidades práticas. Um trabalho de desenho linguagem visual. Diversamente da linguagem gráfico deve ser colocado diante do olhar do público falada ou escrita, cujas regras gramaticais são mais e transmitir uma mensagem predeterminada. Um ou menos estabelecidas, a linguagem visual não produto industrial tem de atender às exigências dos tem nenhuma lei evidente. Cada teórico do desenho consumidores. pode ter um conjunto de descobertas Um bom desenho, em resumo, constitui a completamente diferente. melhor expressão visual possível da essência de Minhas próprias interpretações, conforme "algo", seja uma mensagem, seja um produto. Para expostas neste livro, podem parecer um tanto executar esta tarefa de forma acurada e efetiva, rígidas e demasiado simplificadas. Os leitores logo desenhista deve procurar a melhor maneira descobrirão que a minha teorização tem muito a ver possível em que este "algo" possa ser definido, com pensamento sistemático e muito pouco com feito, distribuído, utilizado e relacionado com a emoção e a intuição. Isto se dá porque prefiro ambiente. Sua criação deve ser não somente enfrentar princípios em termos precisos e estética mas também funcional, ao mesmo tempo concretos, com a máxima objetividade e um mínimo que reflete ou orienta gosto de seu tempo. de ambigüidade.42 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENH Não podemos nos esquecer que desenhista é uma pessoa que resolve problemas. Os problemas com os quais depara são sempre dados. Isto a significa que ele não pode alterar nenhum dos problemas encontrados mas deve buscar soluções adequadas. Com certeza, uma solução inspirada b pode ser alcançada intuitivamente, mas na maioria dos casos desenhista tem de se apoiar em sua mente inquisitiva e investigar todas as situações visuais possíveis dentro das exigências de problemas individuais. Elementos de Desenho Minha teorização começa com uma lista de elementos de desenho. Esta lista é necessária d porque elementos formarão a base de todas as nossas discussões futuras. Os elementos, na verdade, estão muito relacionados entre si e não podem ser facilmente separados em nossa experiência visual geral. Tomados individualmente, podem parecer um tanto abstratos, mas juntos determinam a aparência e área ou espaço. É início e fim de uma linha e conteúdo finais de um desenho. está onde duas linhas se encontram ou se cruzam Podem-se distinguir quatro grupos de elementos: (a) elementos conceituais; (Fig. 1a). (b) elementos visuais; (b) Linha - À medida que um ponto se move, (c) elementos relacionais; sua trajetória se torna uma linha. Uma linha tem (d) elementos práticos. comprimento mas não tem largura. Tem posição e direção. É limitada por pontos. Forma a borda de Elementos Conceituais um plano (Fig. 1b). Elementos conceituais não são visíveis. Não (c) Plano A trajetória de uma linha em existem na realidade, porém parecem estar movimento (em outra que não sua direção presentes. Por exemplo, sentimos que há um ponto intrínseca) se torna um plano. Um plano tem no ângulo de um formato, que há uma linha comprimento e largura, mas não tem espessura. marcando 0 contorno de um objeto, que há planos Tem posição e direção. É limitado por linhas. Defin envolvendo um volume e volumes ocupando limites externos de um volume (Fig. 1c). espaço. Estes pontos, linhas, planos e volumes não (d) Volume A trajetória de um plano em estão realmente lá; se estiverem realmente lá, movimento (em outra que não sua direção deixam de ser conceituais. intrínseca) se torna um volume. Tem posição no (a) Ponto Um ponto indica posição. Não tem espaço e é limitado por planos. No desenho comprimento nem largura. Não ocupa nenhuma bidimensional volume é ilusório (Fig. 1d).DESENHO BIDIMENSIONAL 43 Elementos Visuais a Quando desenhamos um objeto no papel, empregamos uma linha que é visível para representar uma linha que é conceitual. A linha visível não só tem comprimento como tem largura. Sua cor e são determinadas pelos b materiais que usamos e pela maneira como fazemos. Desse modo, quando elementos conceituais se tornam visíveis, eles têm formato, tamanho, cor e textura. Elementos visuais formam a parte mais proeminente de um desenho porque são aquilo que podemos ver de fato. (a) Formato Qualquer coisa que pode ser vista tem um formato que proporciona a identificação principal para nossa percepção (Fig. 2a). d (b) Tamanho Todos formatos têm um tamanho. tamanho é relativo se descrevemos em termos de grandeza ou pequenez, mas é também fisicamente mensurável (Fig. 2b). 2 (c) Cor Um formato se distingue de seu a entorno devido à cor. A cor aqui é utilizada em seu sentido amplo, compreendendo não apenas todos OS matizes do espectro, mas também neutros (preto, branco e todos os cinzas intermediários) e todas as suas variações tonais e cromáticas b (Fig. 2c) (d) Textura A textura se refere às características da superfície de um formato. Esta pode ser simples ou decorada, lisa ou áspera, e pode agradar tanto ao sentido do tato quanto ao olhar (Fig. 2d) Elementos Relacionais Este grupo de elementos governa a localização e inter-relações dos formatos em um desenho. d Alguns podem ser percebidos, como a direção e a posição; alguns são para ser sentidos, como espaço e a gravidade. (a) Direção - A direção de um formato depende 3 do modo como está relacionado com observador,44 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO com a moldura que contém ou com demais considerada como parte integrante do desenho. Os formatos próximos (Fig. 3a). elementos visuais da moldura visível não devem se (b) Posição - A posição de um formato é desprezados. Se não houver uma moldura real, as entendida pela sua relação com a moldura ou com bordas de um cartaz, a página de uma revista, as a estrutura (ver Capítulo 4) do desenho (Fig. 3b). várias superfícies de um pacote, todas se tornam (c) Espaço Formatos de qualquer tamanho, molduras de referência para os respectivos mesmo que pequenos, ocupam espaço. Portanto, desenhos. espaço pode ser ocupado ou deixado vazio. Pode A moldura de referência de um desenho pode ser também plano ou ilusório, sugerindo ser de qualquer formato, embora normalmente seja profundidade (Fig. 3c). retangular. formato do corte de uma folha (d) Gravidade A sensação de gravidade não é impressa é a moldura de referência do desenho que visual mas psicológica. À medida que somos atraídos está contido nesta. pela gravidade da terra, tendemos a atribuir peso ou leveza, estabilidade ou instabilidade a formatos o Plano da Imagem individuais ou grupos de formatos (Fig. 3d). Dentro da moldura de referência está 0 plano imagem. plano da imagem é de fato 0 plano da Elementos Práticos superfície do papel (ou qualquer outro material) Os elementos práticos estão subjacentes ao sobre qual 0 desenho é criado. conteúdo e extensão de um desenho. Embora Formatos são pintados ou impressos estejam além do escopo deste livro, gostaria de diretamente sobre este plano da imagem, mas mencioná-los aqui: podem dar a impressão de estar acima, abaixo ou (a) Representação Quando um formato é não paralelos a este plano devido a ilusões derivado da natureza ou do mundo feito pelo espaciais, que serão amplamente discutidas no homem, ele é figurativo ou de representação. Capítulo 12. A representação pode ser realista, estilizada ou quase abstrata. Forma e Estrutura (b) Significado significado está presente Todos elementos visuais constituem que quando desenho transmite uma mensagem. geralmente chamamos "forma", que é a nossa (c) Função - A função está presente quando preocupação principal na presente investigação desenho serve a um propósito. sobre a linguagem visual. Forma, neste sentido, não é apenas uma figura que é vista, mas um formato A Moldura de Referência de tamanho, cor e textura definidos. Todos elementos acima normalmente A maneira como a forma é criada, construída existem no interior de uma fronteira, que chamamos organizada em conjunto com outras formas é de "moldura de A moldura de referência freqüentemente governada por certa disciplina à marca os limites externos de um desenho e define qual chamamos "estrutura". A estrutura que envolve uma área dentro da qual elementos criados e 0 elementos relacionais é também essencial em espaço vazio residual, se houver algum, trabalham nossos estudos. juntos. Tanto a forma como a estrutura serão A moldura de referência não é necessariamente extensamente discutidas nos capítulos que se uma moldura real. Se assim for, então deve ser seguem.DESENHO BIDIMENSIONAL 45 CAPÍTULO 2: FORMA duas razões: (a) sua largura é extremamente estreita e (b) seu comprimento é bem evidente. Uma linha geralmente transmite o sentido de finura. A finura, como a pequenez, é relativa. A proporção extrema entre comprimento e largura de um formato torna uma linha, mas não há Forma e os Elementos Conceituais nenhum critério absoluto para isto. Como já foi observado, OS elementos conceituais Três aspectos separados devem ser são visíveis. Assim, ponto, linha ou plano, quando considerados em uma linha: se tornam forma. Um ponto no papel, o formato geral Este se refere à sua embora pequeno, tem de ter formato, tamanho, cor e aparência geral, a qual é descrita como reta, curva, textura se se pretende que seja visto. mesmo quebrada, irregular ou desenhada a mão (Fig. 6a). acontece com uma linha ou um plano. volume corpo Como uma linha tem largura, seu permanece ilusório no desenho bidimensional. corpo está contido entre duas bordas. Os formatos Pontos, linhas ou planos visíveis são formas no destas duas bordas e a relação entre elas sentido verdadeiro, embora formas enquanto pontos determinam formato do corpo. Normalmente, as ou linhas continuem a ser chamadas simplesmente duas bordas são lisas e paralelas, mas algumas de pontos ou linhas na prática comum. vezes elas podem fazer com que 0 corpo da linha pareça afilado, nodoso, ondulado ou irregular (Fig. 6b). Forma Enquanto Ponto As extremidades Estas podem ser Uma forma é reconhecida como um ponto insignificantes quando a linha é muito fina. Mas se quando é pequena. a linha for bem larga, os formatos de suas A pequenez, evidentemente, é relativa. Uma extremidades podem se tornar evidentes. Podem forma pode parecer razoavelmente grande quando ser quadradas, redondas, pontiagudas ou de confinada em uma moldura de referência diminuta, qualquer formato simples (Fig. 6c). porém a mesma forma pode parecer muito pequena Pontos dispostos em uma fileira podem evocar quando inserida em uma moldura de referência bem sentido de uma linha. Porém, neste caso a linha é maior (Fig. 4). conceitual e não visual, pois que vemos ainda é formato mais comum de um ponto é de um uma série de pontos (Fig. 6d). círculo, que é simples, compacto, não anguloso e não direcional. No entanto, um ponto pode ser Forma Enquanto Plano quadrado, triangular, oval ou mesmo de um formato Em uma superfície bidimensional, todas as um pouco irregular (Fig. 5). formas planas que não são comumente Assim, as principais características de um ponto reconhecidas como pontos ou linhas são formas são: enquanto plano. (a) seu tamanho deve ser comparativamente Uma forma plana é limitada por linhas pequeno e conceituais, as quais constituem as bordas da forma. (b) seu formato deve ser razoavelmente simples. As características destas linhas conceituais e suas inter-relações determinam formato da forma plana. Forma Enquanto Linha Formas planas têm uma variedade de formatos, Uma forma é reconhecida como uma linha por que podem ser classificados como se segue:46 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO - 5 a b d 6 a b C d e 7DESENHO BIDIMENSIONAL 47 (a) Geométricos construídos matematicamente reconhecida como positiva e uma branca como Fig. 7a). negativa. Porém tais atribuições não são sempre (b) Orgânicos limitados por curvas livres, verdadeiras. Em especial quando as formas se sugerindo fluidez e crescimento (Fig. 7b). interpenetram ou se intersecionam (ver a seção (c) Retilíneos limitados por linhas retas que sobre inter-relações de formas, adiante neste não se relacionam umas às outras capítulo), 0 que é positivo e que é negativo não é matematicamente (Fig. 7c). mais facilmente distinguível. (d) Irregulares limitados por linhas retas e A forma, seja ela positiva ou negativa, é em curvas que não se relacionam umas às outras geral entendida como "formato", que se encontra matematicamente (Fig. 7d). sobre um "fundo". Aqui, "fundo" denota a área que (e) Feitos à mão caligráficos ou criados à circunda a forma ou "formato". Em casos mão sem auxílio de instrumentos (Fig. 7e). ambíguos, a relação figura-fundo pode ser (f) Acidentais determinados pelo efeito de reversível. Isto será discutido no Capítulo 12. processos ou materiais especiais, ou obtidos acidentalmente (Fig. 7f). Forma e Distribuição de Cor Formas planas podem ser sugeridas por meio de Sem modificar nenhum dos elementos em um contorno. Neste caso, deve ser considerada a largura desenho, a distribuição de cores dentro de das linhas utilizadas. Pontos dispostos em uma fileira determinado esquema colorido pode ter uma ampla também podem contornar uma forma plana. gama de variações. Tomemos um exemplo muito Pontos ou linhas densa e regularmente simples. Suponhamos que dispomos de uma forma agrupados também podem sugerir formas planas. que existe no interior de uma moldura, e que só Eles se tornam a textura do plano. possamos usar preto e branco. Quatro tipos diferentes de distribuição de cor poderiam ser obtidos: Forma Enquanto Volume (a) forma branca sobre fundo branco (Fig. 9a); A forma enquanto volume é completamente (b) forma branca sobre fundo preto (Fig. 9b); ilusória e exige uma situação espacial peculiar. Uma (c) forma preta sobre fundo branco (Fig. 9c); discussão completa deste assunto se encontra no (d) forma preta sobre fundo preto (Fig. 9d). Capítulo 12. Em (a), desenho é todo branco e a forma desaparece. Em (b), temos uma forma negativa. Em Formas Positivas e Negativas (c), temos uma forma positiva. Em (d), desenho é A forma é geralmente apreendida como todo preto e a forma desaparece do mesmo modo ocupando espaço, mas também pode ser vista como que em (a). Evidentemente, podemos ter a forma um espaço vazio circundado por espaço ocupado. contornada em preto em (a) e contornada em Quando é percebida como ocupando um branco em (d) (Fig. 10). espaço, nós a chamamos forma "positiva". Quando Se desenho aumenta em complexidade, as é percebida como um espaço vazio circundado por diferentes possibilidades de distribuição de cor são espaço ocupado, nós a chamamos forma "negativa" também ampliadas. A título de ilustração, mais uma (Fig. 8). vez, temos dois círculos que se cruzam dentro de Em desenho branco-e-preto, tendemos a uma moldura. No exemplo anterior, temos apenas considerar preto como ocupado e branco como duas áreas definidas onde podemos distribuir não ocupado. Assim, uma forma preta é nossas cores. Agora, dispomos de quatro áreas.48 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO a 9 00 10 11 a e 12DESENHO BIDIMENSIONAL 49 Ainda fazendo uso de preto e branco, podemos é visível. Uma forma nova, menor, emerge como apresentar dezesseis variações distintas em vez de resultado da interseção. A interseção pode não nos apenas quatro (Fig. 11). remeter às formas originais a partir das quais foi criada (Fig. 12g). As Inter-relações das Formas (h) Coincidência Se aproximarmos ainda As formas podem se encontrar de inúmeras mais as duas formas, elas coincidem. Os dois maneiras. Acabamos de demonstrar que quando círculos tornam-se um só (Fig. 12h). uma forma cruza outra, resultados não são tão Os vários tipos de inter-relações devem sempre simples quanto poderíamos imaginar. ser explorados quando se organizam as formas em Tomemos de novo dois círculos e vejamos como um desenho. estes podem ser unidos. Escolhemos dois círculos de mesmo tamanho para evitar uma complicação Efeitos Espaciais em Inter-relações de Formas desnecessária. Podem ser apontadas oito formas Separação, contato, superposição, diferentes de inter-relação: interpenetração, união, subtração, interseção ou (a) Separação As duas formas permanecem coincidência de formas cada tipo de inter-relação separadas uma da outra, embora possam estar produz diferentes efeitos espaciais. muito próximas (Fig. 12a). Na separação, ambas as formas podem parecer (b) Contato Se aproximarmos as duas eqüidistantes do olhar ou uma mais próxima e a formas, estas começam a se tocar. O espaço outra mais distante. contínuo que as mantém separadas em (a) é então No contato, a situação espacial das duas formas rompido (Fig. 12b). também é flexível como na separação. A cor (c) Superposição Se aproximarmos ainda desempenha um papel importante na determinação mais as duas formas, uma cruza a outra e parece da situação espacial. estar sobre ela, cobrindo uma porção da forma que Na superposição, é evidente que uma forma se parece estar por baixo (Fig. 12c). encontra na frente ou sobre a outra. (d) Interpenetração mesmo que (c), porém Na interpenetração, a situação espacial é um ambas as formas parecem transparentes. Não há pouco vaga, porém é possível colocar uma forma nenhuma relação evidente do tipo em cima-embaixo sobre a outra pela manipulação de cores. entre elas mesmas, e contornos de ambas Na união, em geral as formas parecem permanecem inteiramente visíveis (Fig. 12d). eqüidistantes do olhar porque se tornam uma forma (e) União mesmo que (c), porém as duas nova. formas são unidas e se tornam uma forma nova, Na subtração, assim como na interpenetração, maior. Ambas perdem uma parte de seus contornos somos confrontados com uma nova forma. quando estão em união (Fig. 12e). Nenhuma variação espacial se faz possível. (f) Subtração Quando uma forma invisível Na coincidência, temos somente uma forma, caso cruza uma visível, resultado é a subtração. as duas formas sejam idênticas em formato, tamanho A porção da forma visível que é coberta pela invisível e direção. Se uma for menor em tamanho ou também se torna invisível. A subtração pode ser diferente em formato e/ou direção em relação à outra, considerada como a superposição de uma forma não haverá nenhuma coincidência real, e ocorre a negativa em uma positiva (Fig. 12f). superposição, a interpenetração, a união, a subtração (g) Interseção - mesmo que (d), mas ou a interseção, trazendo consigo possíveis efeitos somente a porção onde as duas formas se cruzam espaciais que acabamos de mencionar.50 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO a 0000 b c d e 13 a 0000 b 0000 c d 0000 e 0000 14DESENHO 51 CAPÍTULO 3: REPETIÇÃO (a) Repetição de formato formato é sempre elemento mais importante. Formatos repetidos podem ter diferentes tamanhos, cores etc. (Fig. 13a). (b) Repetição de tamanho A repetição de tamanho é possível somente quando formatos são Unidades de Forma também repetidos ou muito semelhantes (Fig. 13b). Quando um desenho é composto por um número (c) Repetição de cor Significa que todas as de formas, aquelas que têm formatos idênticos ou formas são de mesma cor, mas seus formatos e semelhantes constituem "unidades de forma" que tamanhos podem variar (Fig. 13c). aparecem mais do que uma vez no desenho. (d) Repetição de textura Todas as formas A presença de unidades de forma ajuda a unificar podem ter a mesma textura, porém podem ter desenho. Unidades de forma podem ser facilmente diferentes formatos, tamanhos ou cores. descobertas na maioria dos desenhos, se as Na impressão, todas as formas homogeneamente procurarmos. Um desenho pode conter mais do que impressas com mesmo tipo de tinta sobre a apenas um conjunto de unidades de forma. mesma superfície são consideradas como tendo Unidades de forma devem ser simples. As a mesma textura (Fig. 13d). demasiado complicadas freqüentemente tendem a (e) Repetição de direção É possível apenas se sobressair muito como formas individuais e quando as formas mostram um sentido definido de efeito de unidade pode ser destruído. direção sem a menor ambigüidade (Fig. 13e). (f) Repetição de posição Tem a ver com Repetição de Unidades de Forma Se usarmos a mesma forma mais de uma vez modo pelo qual as formas estão dispostas em relação à estrutura, 0 que será discutido no próximo em um desenho, nós a usamos em repetição. A repetição constitui método mais simples em capítulo. desenho. Colunas e janelas em arquitetura, pés (g) Repetição de espaço Todas as formas em uma peça de mobiliário, padrão nos tecidos, podem ocupar espaço do mesmo modo. Em outras ladrilhos no piso constituem exemplos óbvios de palavras, podem ser todas positivas ou todas repetição. negativas, ou estar todas relacionadas do mesmo A repetição de unidades de forma geralmente modo ao plano da imagem. transmite uma sensação imediata de harmonia. (h) Repetição de gravidade A gravidade é Cada unidade de forma repetida é como a batida de um elemento demasiado abstrato para ser usado algum tipo de ritmo. Quando as unidades de forma repetitivamente. É difícil dizer que formas são de são utilizadas em tamanho maior e número menor, igual peso ou leveza, estabilidade ou instabilidade, 0 desenho pode parecer simples e evidente; a menos que todos os outros elementos estejam quando são infinitamente pequenas e em grande em absoluta repetição. número, desenho pode parecer uma porção de textura uniforme, composto de elementos diminutos. Variações em Repetição A repetição de todos os elementos pode parecer Tipos de Repetição monótona. A repetição de um único elemento pode Em uma exposição precisa, a repetição deve não provocar sentido de ordem e harmonia que ser considerada com respeito a cada um dos normalmente associamos à disciplina da repetição. elementos visuais e relacionais: Se a maioria dos elementos visuais estiver em52 DE FORMA E a b C d e 15 16DESENHO BIDIMENSIONAL 53 repetição, as possibilidades de variações direcionais Encontro de Quatro Círculos e espaciais devem ser exploradas. A fim de ilustrar a formação de superunidades Variações em direção Com exceção do de forma, veremos agora como quatro círculos de círculo comum, todas as formas podem variar até mesmo tamanho podem ser agrupados. As certo ponto em direção. Mesmo círculos podem possibilidades são, definitivamente, ilimitadas, mas ser agrupados para conferir um sentido de direção. podemos examinar alguns dos modos mais comuns Vários tipos de disposições direcionais podem ser de disposição, como se segue: apontados: (a) Disposição linear Os círculos estão (a) direções repetidas (Fig. 14a); alinhados como que orientados por uma linha (b) direções indefinidas (Fig. 14b); conceitual que atravessa todos os seus centros. (c) direções alternadas (Fig. 14c); A linha conceitual pode ser reta, curva ou quebrada. (d) direções gradativas (Fig. 14d); A distância entre círculos pode ser regulada (e) direções semelhantes (Fig. 14e). conforme desejado. Note que, em um caso Direções repetidas e aquelas mais regularmente extremo, cada um dos círculos cruza todos os dispostas podem ser misturadas a algumas outros três simultaneamente, produzindo até treze direções irregulares. divisões distintas (Fig. 15a). Variações espaciais Estas podem ser obtidas (b) Disposição quadrada ou retangular ao se fazer com que as formas se encontrem em Neste caso, os quatro círculos ocupam quatro uma multiplicidade de inter-relações como descrito pontos que, quando unidos, podem formar um no capítulo anterior. uso imaginativo de quadrado ou um retângulo. Como em (a), um caso superposição, interpenetração, união ou extremo também mostra treze divisões, quando combinações positivas e negativas pode levar a todos círculos se interpenetram profundamente resultados surpreendentes. (Fig. 15b). (c) Disposição rômbica ou em losango Subunidades de Forma e Superunidades Aqui os quatro círculos ocupam quatro pontos que, de Forma quando unidos, podem formar um losango. Ao se Uma unidade de forma pode ser composta por regular as distâncias entre círculos, podem elementos menores que são usados em repetição. surgir vários tipos de superunidades de forma Estes elementos menores são chamados (Fig. 15c). "subunidades de forma". (d) Disposição triangular Aqui os quatro Se as unidades de forma, no processo de círculos estão dispostos de modo que três deles serem organizadas em um desenho, são agrupadas ocupam os três pontos de um triângulo, situando-se a fim de se tornar uma forma maior, a qual é então quarto no centro. Isto também produz utilizada em repetição, chamamos estas formas superunidades de forma interessantes (Fig. 15d). novas, maiores, de "superunidades de forma". Se (e) Disposição circular Quatro círculos em necessário, superunidades de forma podem ser disposição circular produzem mesmo resultado usadas junto com unidades de forma regulares. que em disposição quadrada, mas a disposição Do mesmo modo como podemos ter mais de circular pode ser muito especial com mais círculos. um único tipo de unidade de forma, podemos ter Quatro círculos podem ser dispostos para sugerir o uma variedade de superunidades de forma, caso arco de um círculo, mas isto pode ser semelhante a desejado. uma disposição linear (Fig. 15e).54 PRINCÍPIOS DE FORMA E DESENHO Repetição e Inversão 17 A inversão é um caso especial de repetição. Por inversão queremos dizer que uma forma está refletida como em um espelho, resultando em uma nova forma que se assemelha muito à original, salvo que uma é destra e a outra canhota e nunca coincidem exatamente. A inversão só é possível quando a forma não é simétrica, pois uma forma simétrica vem a ser a mesma forma na inversão. A rotação de uma forma em qualquer direção nunca pode produzir sua forma invertida. A forma invertida implica um conjunto completamente diferente de rotações (Fig. 16). Todas as formas simétricas podem ser divididas em duas partes: uma forma componente e sua reflexão. A união destas duas partes produz a forma a simétrica. Notas Sobre os Exercícios As figuras 17a, b, C, d, e e f representam os resultados de um problema simples: a repetição de unidades de forma (círculos) de mesmo formato e tamanho. Não há restrição alguma quanto ao número de círculos usados. As figuras 18a, b, C, d, e, f, ge h representam os resultados de um problema mais complexo: pedimos aos alunos que utilizassem de duas a quatro unidades de forma (círculos) de mesmo formato e tamanho para construir uma superunidade de forma, que é então repetida quatro vezes para fazer um desenho. Dois níveis de raciocínio estão envolvidos aqui. Primeiro, as unidades de forma não são diretamente usadas para criar desenho, mas são agrupadas para compor superunidades de forma. Depois, as superunidades de forma são utilizadas no desenho final. número de círculos a serem usados neste problema não deve ser inferior a oito e superior a dezesseis. Os resultados do primeiro problema parecem ser mais satisfatórios, porque há menos restrições; além b