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CAPÍTULO 11Cinemática angular Capítulo 11182 X Y 1. Medidas de ângulos 2. Deslocamento angular 3. Velocidade angular 4. Período e frequência 5. Transmissão de movimento circular 6. Rolamento 7. A persistência retiniana e o efeito estroboscópico Nos capítulos anteriores estudamos alguns aspectos dos movimentos de transla- ção. Neste capítulo vamos estudar a Cinemática do movimento de rotação de um corpo rígido (indeformável). Suponhamos, por exemplo, que um disco esteja girando em um antigo toca- discos (fi g. 1). Sobre o disco consideremos dois pontos, X e Y, alinhados com o centro O. em determinado instante eles estão nas posições da fi gura 2 e, depois de algum tempo, estarão nas posições da fi gura 3. Figura 1. Figura 3. Figura 2. TH IN k ST O C k /g eT Ty IM A g eS X Y O X Y O α É fácil perceber que a distância percorrida pelo ponto X é maior do que a distân- cia percorrida pelo ponto Y. No entanto há algo em comum aos deslocamentos de X e Y: o ângulo central α. Podemos garantir que, entre os instantes correspondentes às fi guras 2 e 3, todos os pontos do disco giraram o mesmo ângulo α (com exceção do ponto O). esse exemplo nos mostra que, para estudar a rotação de um corpo, pode ser mais interessante usar o ângulo girado em vez da distância percorrida por um pon- to. Mesmo no caso de uma partícula, se esta tiver movimento circular, veremos que pode ser conveniente descrever o movimento usando o ângulo girado. 1. Medidas de ângulos Na geometria elementar são usadas duas unidades de ângulo: o grau e a revo- lução (ou volta). A relação entre essas unidades é: 1 revolução = 1 rev = 360° Na Trigonometria é introduzida outra unidade: o radiano, cujo símbolo é rad, e que é a unidade de ângulo do SI. Cinemática angular 183 Figura 8. O radiano é defi nido como a medida de um ângulo central de uma circun- ferência que corresponde a um arco de comprimento igual ao raio da circunfe- rência (fi g. 4). Sabemos que o comprimento (perímetro) da circunferência é dado por C = 2πr, em que π ≅ 3,14. Assim, C ≅ 6,28r. Como cada R corresponde a um radiano (fi g. 5), o número de radianos em uma volta (1 rev) é igual a 2π: 1 volta = 1 rev = 360° = 2π rad ≅ 6,28 rad Portanto: 1 rad = 360° 2π ≅ 360° 6,28 ≅ 57,3° Como consequência, temos (fi g. 6): 1 rad → r θ rad → s ⇒ s = θ · R em radianos 1 Devido à simplicidade da equação 1 , há uma prefe- rência pela unidade radiano no estudo das rotações. AB = Rθ = 1 rad A R B Figura 4. R R x R R R R α θ θ θ θ θ θ Figura 5. R R s R R R 1 rad θ rad Figura 6. Em uma circunferência de raio R = 60 cm, consideramos um arco AB de comprimento s, determinado por um ângulo central θ = 30°. Vamos determinar o valor de s. 360° → 2π rad 30° → x rad ⇒ x = (30)(2π) 360 rad = π 6 rad ⇒ θ = π 6 rad Para θ em radianos, podemos usar a equação 1 : s = θ · R = π 6 (60 cm) = 10π cm ≅ 10(3,14) cm ≅ 31,4 cm s ≅ 31,4 cm Exemplo 1 Figura 7. s R R A B O θ = 30¡ É costume dar como medida de um arco o ângulo central a ele correspondente. Assim, no exemplo 1, o arco Ab tem comprimento aproximadamente igual a 31,4 cm, mas podemos dizer: “Ab é um arco de 30°” ou “Ab é um arco de π 6 rad”. 2. Deslocamento angular Na fi gura 8a representamos uma partícula que se deslocou do ponto A para o ponto B sobre uma circunferência de centro O e raio R. O comprimento Δs do arco Ab é o espaço percorrido pela partícula, e o ângulo central Δθ oposto ao arco Ab é o deslo- camento angular: Δθ = deslocamento angular Na fi gura 8a o deslocamento ocorreu no sentido horário, isto é, no mesmo sentido dos ponteiros do relógio; na fi gura 8b o deslocamento do ponto P ao ponto Q ocorreu no sentido anti-horário, isto é, no sentido oposto ao do movimento dos ponteiros do relógio. Na maioria das aplicações, levaremos em conta o deslocamento angular em R R A B O Δθ Δs (a) R R Q P O Δθ Δs (b) Capítulo 11184 módulo; porém, em certos casos, quando estivermos analisando dois ou mais pontos girando em sentidos diferentes, poderemos adotar um dos sentidos como positivo e o outro como negativo. Assim como na Trigonometria, também poderemos ter deslocamentos angulares maiores que uma volta. 3. Velocidade angular Definimos a velocidade escalar média por v m = Δs Δt e a velocidade vetorial média por v m = d Δt , em que Δs é a variação de posição e d é o vetor deslocamento. De modo análogo, definimos uma velocidade angular média. Suponhamos que, num intervalo de tempo Δt, uma partícula em movimento circu- lar (fig. 9) execute um deslocamento angular Δθ. A velocidade angular média (ω m ) da partícula nesse intervalo de tempo é definida por: ω m = Δθ Δt 2 Se tivermos um corpo rígido em rotação, a equação 2 nos dará a velocidade angu- lar média do corpo, isto é, todos os pontos do corpo terão a mesma velocidade angular (com exceção dos pontos do eixo de rotação). No Sistema Internacional, a unidade de velocidade angular é o rad/s (ou rad · s–1), mas, com frequência, também são usadas as unidades rev/s (simbolizada por rps) e rev/min (simbolizada por rpm). As unidades envolvendo o grau (grau/s, grau/min, etc.) são pouco usadas. No capítulo 3 vimos que, além da velocidade escalar média, há a velocidade escalar instantânea, definida por um limite. Aqui ocorre o mesmo; além da velocidade angular média, definimos uma velocidade angular instantânea por meio de um limite: ω i = lim Δt → 0 Δθ Δt Na realidade, não calcularemos esse limite. Vamos apenas repetir o comentário feito no capítulo 3: se a velocidade angular instantânea for constante (movimento uniforme), ela será igual à velocidade angular média em qualquer intervalo de tempo: ω i = constante ⇒ ω i = ω m = Δθ Δt (movimento uniforme) De modo geral, tomaremos a velocidade angular em módulo. No entanto, quando vários movimentos ocorrerem em sentidos diferentes, é conveniente atribuir um sinal à velocidade angular. No capítulo 1 vimos que a grandeza ângulo não é básica. Assim, embora a unidade de ω, no SI, seja rad · s–1 a equação dimensional de ω é: [ω] = T–1 Figura 9. R O Δθ 11