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Revisão: Morfofisiologia Pâncreas · Introdução Definição: O pâncreas é uma glândula mista retroperitoneal localizada atrás do estômago, sendo denominado como uma “glândula mista” pois possui uma parte exócrina - responsável pela produção de enzimas digestivas e uma parte endócrina - responsável pela produção de hormônios (como insulina e glucagon). · Anatomia do Pâncreas · Histologia do Pâncreas A) Pâncreas Exócrino ->Mais de 95% da massa pancreática corresponde a células exócrinas, agrupadas em lóbulos (ácinos). ->Os ácinos sintetizam enzimas digestivas, em sua forma inativa, tais como amilases, proteases, lipases e nucleases. Essas enzimas são secretadas nos ductos pancreáticos (ducto pancreático principal e acessório) e são transportadas até o duodeno, onde são ativadas. ->As células dos ductos pancreáticos produzem mucina e fluidos ricos em bicarbonato (substância alcalina), úteis na neutralização do conteúdo ácido estomacal que está chegando no duodeno. Funções do Pâncreas Exócrino: I) Produção de enzimas digestivas: as células acinares do pâncreas produzem enzimas digestivas, como amilase pancreática, lipase e tripsina que são liberadas no intestino delgado através do ducto pancreático. II) Produção de bicarbonato: as células do ducto do pâncreas produzem bicarbonato (substância alcalina) e mucina, liberando essas substâncias no duodeno através do ducto pancreático, neutralizando o conteúdo ácido que está vindo do estômago para o duodeno B) Pâncreas Endócrino ->As funções endócrinas do fígado são desempenhadas por aglomerados de células denominadas de Ilhotas de Langerhans. Essas ilhotas constituem cerca de 2% da massa total do pâncreas ->As duas principais células das ilhotas de Langerhans são as células α – as quais produzem glucagon – e as células β – as quais produzem insulina. Funções do Pâncreas Endócrino: I) Regulação da liberação de bile: O pâncreas secreta o hormônio secretina, o qual estimula a liberação de bile pela vesícula biliar. Além disso, as células PP produzem o hormônio polipeptídeo pancreático, este que inibe a liberação de bile e das enzimas pancreáticas II) Produção de Insulina e Glucagon: Esses dois hormônios regulam a quantidade de açúcar no sangue III) Regulação da liberação de insulina e glucagon: As células delta produzem o hormônio somatostatina, que regula a liberação de insulina e glucagon e inibe a secreção de outros hormônios digestivos. Pancreatite Aguda · Introdução Definição de Pancreatite Aguda: Pancreatite Aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, podendo se expressar de forma leve ou grave e, em casos extremos, levar ao óbito. · Patogêneses e Etiologias · Mecanismos Fisiopatológicos da Pancreatite 1°) Lesão Pancreática por Obstrução Ductal (1) – Alguns fatores podem causar uma contrapressão nas células acinares e nas células do ducto pancreático – como uma obstrução dos ductos pancreáticos (2) – Na obstrução dos ductos pancreáticos, as substâncias liberadas por essas células exócrinas do pâncreas irão se acumular na porção do pâncreas precedida pelo bloqueio, de modo que a pressão dentro dos ductos pancreáticos vai aumentar (3) – Com isso, vai ocorrer um aumento da pressão intraductal e gerar um acúmulo de um fluido rico em enzimas nos ductos pancreáticos (a maioria zimogênios, mas a lipase já é secretada como uma enzima ativa, fator esse que causa uma esteatonecrose) (4) – Dessa forma, o acúmulo desses zimogênios + lipase ativa nos ductos pancreáticos vai gerar uma reação inflamatória no local, de maneira a gerar edema intersticial por meio de um extravasamento microvascular. Com isso, o edema compromete o fluxo sanguíneo local do pâncreas, gerando isquemia às células acinares (5) – A isquemia às células acinares ocasiona danos e necrose nessas células, de forma que essas células danificadas/mortas irão liberar zimogênios + conteúdo dos lisossomos, implicando na ativação desses zimogênios em proteases ativas, as quais irão amplificar o dano pancreática e gerar a pancreatite. OBS.: A ativação da tripsina é um evento gerador crítico da pancreatite aguda, pois a tripsina pode ativar outros tripsinogênios em tripsinas e ativar outros zimogênios em proteases ativas, os quais irão contribuir no processo de dano pancreático. 2°) Lesão Pancreática por Dano Direto às Células Acinares (1) – O dano direto as células acinares pode levar a liberação de zimogênios e de lisossomos em um mesmo lugar, de modo que o lisossomo vai ativar esses zimogênios em proteases ativas, gerando danos ao pâncreas e levando a pancreatite (processo ocasionado por: álcool, drogas, traumas, isquemia, vírus) 3°) Transporte Intracelular Defeituoso (1) – Em células acinares normais, os zimogênios e as enzimas lisossomais são transportadas em vacúolos enzimáticos distintos, depois da síntese no reticulo endoplasmático. (2) – Entretanto, em um processo anormal – ainda pouco esclarecido – os zimogênios e as enzimas lisossomais são “englobadas” e transportadas em um mesmo vacúolo lisossomal, de forma que esses zimogênios são ativos em proteases pelas enzimas dos lisossomos, implicando em dano pancreático e na pancreatite · Etiologias da Pancreatite Aguda ->Os mecanismos pelo qual a pancreatite aguda é gerada ainda não foram totalmente elucidados. Entretanto, sabe-se que 80 a 90% das pancreatites agudas são causadas por cálculos biliares e álcool. ->A principal causa de pancreatite são cálculos biliares (agrupando até 60% dos casos) e a segunda principal causa é o consumo de álcool A) Cálculos Biliares ->Responsável por cerca de 60% dos casos de pancreatite aguda, sendo a causa mais comum de pancreatite aguda Fisiopatologia: (1) – Um cálculo biliar - oriundo da vesícula biliar – se instala na ampola hepatopancreática (2) – Esse bloqueio faz com que haja um acúmulo de substâncias excretadas no pâncreas e na vesícula biliar, de modo a aumentar a pressão no interior dos ductos (3) – Esse aumento de pressão vai gerar um dano hepática por obstrução ductal, como já foi explicado B) Consumo de Álcool ->Segunda causa mais comum de pancreatite aguda ->Se relaciona com pacientes com pancreatite crônica. Geralmente os pacientes que desenvolvem pancreatite aguda a partir do consumo de álcool são pacientes que já possuíam pancreatite crônica e o consumo de álcool gera uma exacerbação dessa pancreatite crônica por meio de uma pancreatite aguda ocasionada pelo consumo constante de álcool. Fisiopatologia: 1° Mecanismo fisiopatológico do álcool no pâncreas (1) – O álcool atua diretamente sobre as células acinares, estimulando que elas liberem zimogênio (2) – O excesso de zimogênios sendo liberados nos ductos pancreáticos aumenta a chance de que alguns desses zimogênios sejam ativados acidentalmente, de modo a se transformarem em proteases ativas (3) – Com isso, a presença dessas proteases ativas no interior do pâncreas causa danos ao órgão (autodigestão do pâncreas), ocasionando a pancreatite aguda 2° Mecanismo fisiopatológico do álcool no pâncreas (1) – O álcool também atua diretamente sobre as células epiteliais dos ductos pancreáticos, de modo a fazerem elas secretarem um muco muito espesso (2) – Com isso, a presença excessiva desse muco extremamente espesso nos ductos pancreáticos acaba causando uma obstrução (3) – Dessa forma, essa obstrução vai causar um dano pancreático por obstrução ductal 3° Mecanismo fisiopatológico do álcool no pâncreas (1) – O álcool estimula a migração de neutrófilos para o pâncreas (2) – Os neutrófilos ao chegar na área do pâncreas aumentam a produção de espécies reativas de O2 e de proteases, de modo que ambas irão causar danos ao pâncreas (3) – Somado a isso, a destruição das células acinares irá liberar zimogênios junto com lisossomos, estes que irão acabar por ativar esses zimogênios em proteases, intensificando o dano ao pâncreas C) Traumas Penetrante no Pâncreas Fisiopatologia: (1) – Traumas penetrantes diretos no pâncreas causam a destruição de células acinares, de modo que essas células irão liberar zimogênios junto com lisossomos,os quais irão ativá-los em proteases (2) – Essas proteases irão causar danos continuados no pâncreas, gerando a pancreatite D) Hipertrigliceridemia Fisiopatologia: (1) – Um excesso de triglicerídios na dieta faz com que os enterócitos produzam mais quilomícrons (2) – Esses quilomícrons irão, então, passar para a circulação linfática e depois para a circulação sanguínea, de modo que no sangue, essas grandes partículas (quilomícrons) podem ficar “presas” nos capilares do pâncreas (3) – A deposição desses quilomícrons nos capilares pancreáticos pode gerar uma isquemia das células pancreáticas (4) – Dessa forma, com a isquemia dessas células pancreáticas, elas irão sofrer necrose, de modo a implicar na destruição dessas células e na liberação de zimogênios + lisossomos, os quais irão aumentar o dano no pâncreas e causar a pancreatite aguda E) Uso de Esteroides Fisiopatologia: (1) – Os esteroides atuam nas células epiteliais do ducto pancreático, de maneira a torna-las mais espessas e fazer com que elas liberem mais secreções do que o normal, sendo essas secreções mais espessas também. (2) – Esse excesso de secreções espessas no ducto pancreático irá causar uma obstrução, de modo que ocorrerá a lesão hepática por obstrução ductal, gerando a pancreatite aguda F) Infecção pelo Vírus Paramyxovirus (Vírus da Caxumba) Fisiopatologia: (1) – Esse vírus tem a característica de atuar diretamente sobre as células epiteliais dos ductos pancreáticos e sobre as células acinares, destruindo-as (2) – Dessa forma, com a destruição dessas células (particularmente dos ácinos) os zimogênios serão liberados junto com lisossomos, de modo a ativar essas enzimas inativas em proteases, as quais causam lesão no pâncreas, levando à pancreatite aguda G) Doenças Autoimunes Fisiopatologia: (1) – Alguns tipos de doenças autoimunes podem formar anticorpos IgG4 que atuam diretamente sobre as células epiteliais dos ductos pancreáticos e sobre as células acinares, destruindo-as (2) – A destruição dessas células irá viabilizar a liberação de zimogênios e de lisossomos, de modo a ativar proteases, as quais causarão danos ao pâncreas, implicando na pancreatite aguda H) Picada de Escorpião Fisiopatologia: (1) – Alguns escorpiões possuem toxinas que podem causar a pancreatite aguda, uma vez que essas toxinas específicas a algumas espécies podem causar a destruição direta das células epiteliais dos ductos pancreáticos e das células acinares. I) Uso de Drogas ->Drogas sulforosas podem causar a pancreatite aguda por uma série de mecanismos distintos ->Remédios para diabetes mellitus também podem cursar com pancreatite aguda J) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) ->Esse procedimento é realizado para diagnosticar e tratar cálculos biliares Fisiopatologia: (1) - A realização desse procedimento pode implicar em uma pancreatite aguda uma vez que a passagem da “câmara endoscópica” pode lesar as células acinares, de modo que a fazerem elas liberarem zimogênios + lisossomos, os quais irão ativar os zimogênios em proteases, estas as quais vão perpetuar o dano no pâncreas, causando a pancreatite aguda M) Hipercalcemia ->Causa rara de pancreatite aguda Fisiopatologia: (1) – O excesso de cálcio no sangue pode atuar diretamente nas células acinares, estimulando a ativação dos zimogênios em proteases ativas (2) – Como resultado disso, pode haver um aumento da ativação acidental de zimogênios em proteases, de modo que essas proteases irão causar danos no pâncreas, implicando na pancreatite aguda N) Causa Idiopática ->A pancreatite aguda pode surgir a partir de uma causa desconhecida, ou seja, idiopática · Manifestações Clínicas (a) – Dor abdominal epigástrica (dor logo abaixo do esterno ou dor na “boca do estômago”, popularmente falando) -A dor na pancreatite aguda é constante -A dor se irradia para as costas -A dor piora quando o paciente está deitado (decúbito dorsal) e melhora quando o paciente se inclina para frente (b) – Distensão abdominal ->A distensão abdominal ocorre em razão da inflamação por contiguidade que atinge o duodeno, estreitando a passagem dos alimentos do estômago para o duodeno, de modo a “reter” gases e alimentos no estômago (c) – Náuseas e Vômitos ->Ocorre em razão do mesmo processo que gerou a distensão abdominal (d) – Redução dos ruídos hidroaéreos ->Ocorre em razão da diminuição do peristaltismo causado em razão da inflamação por contiguidade que atinge as paredes intestinais (e) – Icterícia ->A icterícia ocorre somente nos casos em que há cálculo biliar ou obstrução da canal colédoco, pois o excesso de bile que não consegue ser excretada no intestino delgado (colestase) acaba se direcionando ao sangue (f) - Hipotensão ->Casos graves de pancreatite aguda podem implicar em hipotensão devido os mecanismos inflamatórios envolvidos na doença. (g) – Taquicardia ->Na pancreatite aguda a taquicardia surge como um reflexo à hipotensão causada pelo excesso de vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular. A vasodilatação e o aumento da permeabilidade vascular são ocasionados pela liberação de citocinas (IL-1, IL-6 e FNT-α) pelos macrófagos e neutrófilos no pâncreas, durante o processo inflamatório. (h) – Edemas generalizados ->Em casos graves de pancreatite aguda, o processo inflamatório pode ser tão intenso que as citocinas liberadas pelos macrófagos e neutrófilos podem gerar edemas generalizados em todo o organismo. Os edemas vão ocorrer em razão da vasodilatação e do aumento da permeabilidade capilar, de forma a viabilizar que mais líquidos se deslocam dos vasos sanguíneos para os espaços intersticiais dos tecidos. (i) – Hemorragias ->Ocorre devido à falta de fatores pró-coagulantes, uma vez que no processo inflamatório esses fatores são excessivamente consumidos. (j) – Febre ->Em razão do processo inflamatório ->Manifestação bem comum (K) – Leucocitose (L) – Liberação de proteínas de fase aguda pelo fígado ->Aumento da PCR e da VHS (proteínas que tipicamente aparecem em processos inflamatórios) ->Há liberação de procalcitonina também (M) – Edema pulmonar ->Em casos graves de pancreatite aguda, o processo inflamatório pode ocasionar a passagem de líquidos dos vasos sanguíneos para os espaços alveolares e para o interstício pulmonar (N) – Derrame pleural ->Ocorre apenas em casos graves, em razão do processo inflamatório maciço que causa o aumento da vasodilatação e da permeabilidade vascular... (O) – Ascite (P) – Lesão renal aguda ->Em razão da baixa perfusão causada pela hipotensão (Q) – Hipocalcemia ->A hipocalcemia ocorre em razão da combinação de ácidos graxos liberados na corrente sanguínea - em razão das lesões que atingem a gordura peripancreática – com o cálcio sérico (cálcio sanguíneo). Os ácidos graxos livres têm grande afinidade com o cálcio, se ligando a ele e tornando-o menos disponível. ->Esses ácidos graxos são liberados decorrentes de um processo chamado de “necrose liquefativa”, que basicamente ocorre pela ação das lipases pancreáticas sobre a gordura peripancreática (gordura que envolve o pâncreas). A autodigestão dessas gorduras leva a liberação de triglicerídeos, os quais são catabolizados em ácidos graxos e glicerol, os quais são liberados na corrente sanguínea. (R) – Abcesso pancreático ->A região de necrose liquefativa é rodeado por tecido fibroso, implicando na formação de um “pseudocisto pancreático”. Em alguns casos, esses pseudocistos são infiltrados por bactérias, as quais geram um processo de infecção, ocasionando um acúmulo de pus naquele pseudocisto, de modo a gerar o abcesso pancreático. (S) – Choque hipovolêmico ->Na pancreatite aguda o choque hipovolêmico pode ser causada por um processo inflamatório maciço. Entretanto, o choque também pode ocorrer em razão de uma necrose hemorrágica no pâncreas, ou seja, de um processo de necrose que ocorre no pâncreas que lesa os vasos sanguíneos pancreáticos, de modo a implicar na ocorrência de hemorragias, estas que levam ao choque hipovolêmico. (T) – Sinal de Cullens e Sinal de Gray Turner ->Na ocorrênciade uma necrose hemorrágica no pâncreas, o sangue pode se acumular na cavidade retroperitoneal, de modo gerar a ocorrência de dois sinais característicos: o sinal de Cullens e o sinal de Gray Turner ->Sinal de Cullens: Caracteriza-se por uma espécie de “equimose” ao redor do umbigo, mas indica acúmulo de sangue na cavidade retroperitoneal ->Sinal de Gray Turner: Caracteriza-se por uma espécie de “equimose” nos flancos abdominais, indicando, também, acúmulo de sangue na cavidade retroperitoneal · Diagnósticos · Critérios para o diagnóstico de pancreatite aguda: I) Dor abdominal típica no epigástrio, que pode irradiar para o dorso II) Elevação de 3x ou mais nos níveis séricos de lipase e/ou amilase III) Alterações confirmatórias de pancreatite aguda nos exames de imagem abdominais no plano transversal ->O diagnóstico é estabelecido pela presença de pelo menos 2 dos 3 critérios acima. 1°) História Clínica ->Qualquer dor aguda intensa no abdome ou no dorso deve sugerir a possibilidade da pancreatite aguda (Queixa principal) ->Os pacientes também podem relatar e apresentar outros sintomas, como: -Náuseas e vômitos -Febre -Taquicardia -Anormalidades no exame abdominal 2°) Exames Laboratoriais 2.1°) Níveis séricos de lipase e amilase (Muito Importante) ->Na pancreatite aguda, os níveis séricos dessas enzimas tendem a estar aumentados, uma vez que durante a lesão pancreática, essas enzimas “vazam” das células acinares para a corrente sanguínea ->Geralmente estas enzimas estão consideradas como aumentadas se elas estiverem com uma quantidade 3x superior ao limite normal ->A dosagem de lipase é mais sensível e mais específica para o diagnóstico de pancreatite do que a amilase 2.2°) Hemograma ->O hemograma pode revelar leucocitose (neutrofílica) – em razão do processo inflamatório ->O hematócrito pode estar aumentado, levando a hemoconcentração, em razão da perda de fluido decorrente do processo inflamatório, que aumenta a permeabilidade capilar, viabilizando que o líquido dos vasos sanguíneos vaze para os espaços intersticiais 2.3°) Exame de Glicemia ->No exame da glicemia, devido aos danos às células pancreáticas, inclusive às células β das ilhotas de Langerhans, o paciente pode apresentar um quadro de hiperglicemia, uma vez os níveis de insulina dessa paciente podem estar reduzidos devido a destruição das células produtoras desse hormônio. 2.4°) Níveis séricos de triglicerídeos ->Altos níveis de triglicerídeos no sangue pode indicar a causa da pancreatite, visto que o excesso de triglicerídeos sanguíneos realmente podem ocasionar uma pancreatite aguda 2.5°) Níveis séricos de cálcio (Ca 2+) ->Níveis aumentados de cálcio no sangue (hipercalcemia) podem explicar a ocorrência da pancreatite aguda, haja visto o excesso de cálcio possuir a capacidade de ativar zimogênios em proteases dentro das células pancreáticas, causando danos e, consequentemente, a pancreatite ->Por outro lado, níveis baixos de cálcio (hipocalcemia) podem ser frutos de uma pancreatite aguda, uma vez que a necrose liquefativa libera triglicerídeos para o sangue, os quais serão catabolizados em ácidos graxos, estes que irão se ligar com o cálcio sanguíneo, tornando-o menos disponível. 2.6°) Exame de PCR (Proteína C reativa) e Exame de VHS (velocidade de hemossedimentação) ->O aumento do PCR e do VHS indicam processo inflamatório (exame inespecífico) 2.7°) Dosagem de Procalcitonina ->A procalcitonina ajuda a diferenciar se os sintomas que o paciente está apresentando está sendo decorrente de um processo exclusivamente inflamatório ou se está envolvido, também, um processo infeccioso 2.8°) Bilirrubina Sérica Total ->Exame usado para verificar a quantidade total de bilirrubina no sangue. Dessa forma, níveis aumentados de bilirrubina no sangue podem indicar a obstrução dos ductos biliares (causada – por exemplo – por um cálculo biliar) 3°) Exames de Imagem 3.1°) Ultrassom Abdominal ->Realiza-se o ultrassom no quadrante superior direito do abdome ->O ultrassom pode detectar a presença de cálculos biliares (os cálculos biliares podem causar a pancreatite aguda) e de dilatação dos ductos pancreáticos (a dilatação dos ductos pancreáticos pode indicar uma obstrução dos ductos pancreáticos) 3.2°) Ressonância Magnética Pancreática (RMP) ->Usado para detectar cálculos biliares no pâncreas 3.3°) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) ->Exame invasivo que serve tanto para diagnosticar quanto para tratar cálculos biliares. 3.5°) Tomografia Computadorizada do Abdome (Padrão-Ouro) ->É o exame padrão-ouro para diagnosticar pancreatite aguda ->A TC pode mostrar o grau de inflamação e edema do pâncreas, bem como a presença de necrose e de pseudocistos ->A “peri-pancreatic fat stranding” ou – em tradução – encalhe de gordura peripancreática é um grande indicativo de pancreatite aguda · Evolução Clínica, Definições e Classificações da Pancreatite Aguda · Critérios de Atlanta Revisados (Escore de Atlanta) + Classificação DBC Os critérios de Atlanta revisados (2012) e os critérios DBC estratificam a gravidade da pancreatite aguda da seguinte forma: Pancreatite Crônica Definição: A pancreatite crônica é uma condição caracteriza pela inflamação crônica e pelos danos irreversíveis ao pâncreas, se diferenciando de uma pancreatite aguda justamente pela questão de “reversão dos danos”. Enquanto a pancreatite aguda causa danos reversíveis ao pâncreas, a pancreatite crônica causa danos irreversíveis. Dessa forma, pessoas com pancreatite crônica sofrerão com uma deterioração progressiva e permanente da função pancreática. Anormalidades histológicas definidoras da pancreatite crônica: I) Inflamação crônica II) Fibrose pancreática III) Destruição progressiva dos tecidos exócrinos e endócrinos pancreáticos Principais Etiologias: 1°) Etilismo Crônico (Principal causa) ->O consumo crônico de álcool é a principal causa para a ocorrência de pancreatite crônica. 2°) Tabagismo crônico ->O tabagismo também se associa à pancreatite crônica, uma vez que o tabagismo aumenta a suscetibilidade à autodigestão pancreática e predispõe à desregulação da função do CFTR (proteína presente na membrana das células ductais) das células epiteliais do ducto pancreático, de modo a viabilizar a produção de muco excessivamente espesso, o qual vai causar obstrução pancreática e danos por obstrução ductal. 3°) Causas idiopáticas (25% dos casos) Manifestações Clínicas da Pancreatite Crônica: (a) – Dor abdominal crônica que pode ser irradiar para o dorso (b) – Má digestão (prejuízos na produção de enzimas pancreáticas) (c) – Surtos de icterícia transitória (d) – Perda de peso (devido à má absorção de nutrientes) (e) – Diabetes Mellitus (devido à falta de produção de insulina) (f) – Insuficiência pancreática (resume a falta de produção de enzimas digestivas e hormônios pancreáticos) (g) – Câncer de Pâncreas – Adenocarcinoma pancreático (em casos mais graves) OBS.: As crises de pancreatite crônica podem ser desencadeadas por abuso de álcool, alimentação excessiva ou uso de algumas drogas específicas. Patogenias da Pancreatite Crônica (A maioria relacionada ao álcool): 1°) Obstrução ductal por secreção de muco espesso (1) – O álcool aumenta a concentração de proteínas nas secreções pancreáticas (como nas secreções secretadas pelas células ductais – muco), de modo a favorecer a formação de obstrução nos ductos pancreáticos 2°) Tóxico-metabólico (1) – Toxinas, inclusive o álcool e seus derivados metabólicos, exercem um efeito tóxico direto sobre as células acinares e podem também ocasionar um acúmulo de lipídeos, implicando em danos das células acinares e na necrose delas. 3°) Estresse oxidativo (1) – O estresse oxidativo induzido pelo álcool pode gerar radicais livres nas células acinares (inclusive as espécies reativas de O2 – um tipo de radical livre), de modo a causar danos as células acinares e a subsequente produção de quimiocinas, como a IL-8 (2) – A IL-8 vai recrutar células inflamatórias (neutrófilos), implicando na inflamaçãodo pâncreas (3) – Além disso, o estrese oxidativo também promove a fusão de lisossomos com grânulos de zimogênio, de forma a ativar proteases e gerar danos, inflamação, necrose e fibrose das células acinares 4°) Processo de fibrose na pancreatite crônica (1) – Diferente da pancreatite aguda, uma variedade de citocinas pró-fibrogênicas, como o TGF-β, o fator de crescimento fibroblástico e o fator de crescimento derivado de plaquetas são secretados na pancreatite crônica. (2) – Essas citocinas induzem a ativação e a proliferação de células estreladas pancreáticas, as quais depositam colágeno e são fundamentais na patogenia da fibrose intersticial pancreática. OBS.: Células Estreladas Pancreáticas -> As células estreladas pancreáticas desempenham um papel importante na regulação do tecido pancreático normal e na patogênese da fibrose pancreática. Elas estão envolvidas na produção de matriz extracelular (MEC) e citocinas pró-inflamatórias, que podem levar a inflamação e fibrose no pâncreas.