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F R E N T E 1 9 re d d z /1 2 3 rf .c o m Podemos resumir as características das forças de atrito estático e dinâmico na tabela a seguir. Força Direção Sentido Módulo Atrito estático Paralela à superfície de contato entre os corpos Contrário à tendência do movimento 0 ≤ Fat,e ≤ µe · N Atrito dinâmico Contrário ao movimento Fat,d = µd · N Tab. 1 Direção, sentido e módulo das forças de atrito estático e dinâmico. Resistência dos fluidos O movimento de um corpo em um fluido (líquido ou gás) recebe a resistência desse fluido por meio de uma força. Essa força de oposição ao movimento é dada, experi- mentalmente, pela seguinte expressão: F = k ⋅ vn onde: y k é a constante que depende da densidade do fluido, da área da superfície do corpo e da sua geometria. y v é a velocidade do corpo. y n é uma constante que depende do fluido e do corpo. Para o movimento de um corpo no ar, chamamos esta força de arrasto (D), do inglês drag, dada por: D S C v D = ⋅ ⋅ ⋅ 1 2 2r com: n e k S C D = = ⋅ ⋅2 1 2 r onde: y r é a densidade do ar y S é a área de referência do corpo y CD é o coeficiente de arrasto Podemos tomar como exemplo um corpo em queda livre: P Far Fig. 14 Atrito devido à resistência do ar. Se a queda for no vácuo, a única força será o peso, e o movimento será uniformemente variado. No entanto, sujeito à resistência do ar, a resultante será dada por: FR = P Far = P k·v 2 Então: m a mg k v a g kv m ⋅ = − ⋅ ⇒ = −2 2 O gráfico seguinte mostra a variação da aceleração durante a queda. g 0 t a Fig. 15 Gráfico da aceleração em função do tempo de um corpo em queda com resistência do ar. No início do movimento, v = 0 e a = g. Com a ace- leração, a velocidade vai aumentando e a aceleração diminuindo, até que a força de resistência se iguale ao peso. Nesse ponto, o corpo atingirá uma velocidade limite e a aceleração será nula. Far = P⇒ k ⋅ v 2 lim = mg Logo: v mg k lim = Ao atingir a velocidade limite, o corpo adquire movi- mento uniforme. O gráfico seguinte mostra a variação da velocidade durante a queda. 0 t v v lim Fig. 16 Gráfico da velocidade em função do tempo de um corpo em queda com resistência do ar. Para Far = k ⋅v 2, a unidade de k é dada por: unidk unidF unid v kg unidk kg m ar( ) ( ) ( ) ( )= = ⋅ ⇒ = 2 2 2 m/s m /s 2 Dinâmica do movimento circular Tomemos um corpo que se move em uma trajetória curva. Já estudamos a geometria desse movimento e vimos que é útil decompor a aceleração vetorial instantânea em duas direções: tangencial e normal à trajetória. at a acp Fig. 17 Aceleração de um corpo em um movimento curvilíneo. onde: y a t é chamada de aceleração tangencial e está relacio- nada com a variação do módulo de v. Ela é tangente à trajetória no instante considerado, com o mesmo sen- tido de v quando o movimento é acelerado e oposto ao de v quando retardado. Seu módulo é igual ao mó- dulo da aceleração escalar. FÍSICA Capítulo 9 Força do atrito e dinâmica do movimento circular10 y a cp é chamada de aceleração centrípeta e está re- lacionada com a variação da direção de v. Ela é perpendicular à trajetória no instante considerado, com sentido orientado para o centro da trajetória. Seu módulo é dado por v R 2 , onde v é o módulo de v e R é o raio de curvatura da trajetória. Quando a trajetória é circular, R é o próprio raio da circunferência. Da segunda lei de Newton, sabemos que: = ⋅F m a R Para estudar a dinâmica do movimento de um corpo, vi- mos que é necessário que a aceleração desse corpo e as forças sobre ele aplicadas estejam todas decompostas em duas direções definidas. Porém, como a aceleração de um corpo em movimento curvilíneo já costuma ser decomposta nas direções tangencial e normal à trajetória, então nos vemos forçados a decompor todas as forças nessas duas direções. FR,t FR,cp FR Fig. 18 Força resultante em um movimento curvilíneo. onde: = ⋅ = ⋅F m a e F m a R,t t R,cp cp A resultante tangencial é tangente à trajetória, com mesmo sentido de v no movimento acelerado e sentido contrário ao de v no movi- mento retardado. A resultante centrípeta é perpendicular à trajetória, com sentido orientado para o centro da trajetória. Atenção Exercícios resolvidos 1 Um bloco de massa 5 kg repousa sobre uma mesa. Os coeficientes de atrito estático e dinâmico entre o bloco e a mesa valem, respectivamente, 0,4 e 0,3. Ao aplicar uma força F horizontal sobre o bloco, de- termine a intensidade da força de atrito e o valor da aceleração do bloco para: Adote: g = 10 m/s2. a) F = 18 N b) F = 25 N Resolução: Isolando o bloco, temos: F N P Fat y x a Em y, há equilíbrio: N = P ⇒ N = 50 N Precisamos calcular a máxima Fat,e e a Fat,d: Fat,emáx = me ⋅ N = 0,4 ⋅ 50 = 20 N Fat,d = md ⋅ N = 0,3 ⋅ 50 = 15 N a) Se F = 18 N < Fat,emáx, então o bloco estará em re- pouso: a = 0 e F – Fat = 0 ⇒ Fat = F ⇒ Fat = 18 N b) Se F = 25 N > Fat,emáx, então o bloco estará em movimento: Fat = Fat,d ⇒ Fat = 15 N e F Fat = m ⋅a ⇒ 25 15 = 5 ⋅a ⇒ a = 2 m/s 2 2 Um corpo desliza sobre uma superfície áspera, com coeficiente de atrito dinâmico igual a 0,4, sujeito ape nas à força peso e à força de contato da superfície. Ao passar por um ponto A, sua velocidade vale 20 m/s. Determine o espaço percorrido pelo corpo até parar, a partir de A, sabendo que g = 10 m/s2. Resolução: Isolando o corpo em qualquer ponto entre A e B (po- sição em que o corpo para): d A B v = 020 m/s N P Fat y x a Em y, há equilíbrio: N = P ⇒ N = mg Em x: Fat = m ⋅ a ⇒ m ⋅ N = m ⋅ a ⇒ m ⋅ mg = m ⋅ a ⇒ ⇒ a = m ⋅ g = 0,4 ⋅ 10 ⇒ a = 4 m/s2 Logo, o corpo sofrerá uma desaceleração de 4 m/s 2 . Aplicando a equação de Torricelli entre A e B: 0 2 = 202 - 2 ⋅ 4 ⋅ d ⇒ d = 50 m 3 Um corpo de massa 2 kg está sobre uma superfície horizontal, com a qual tem coeficiente de atrito dinâ- mico de 0,5. O corpo é puxado por uma força F, que forma um ângulo θ com a horizontal, sentido para cima, em que cosθ = 0,6. Se g = 10 m/s2 e a aceleração do corpo vale 3 m/s 2 , determine o valor de F. Resolução: Isolando o sistema: N P Fat F · cosθ F θ F · senθ y x a F R E N T E 1 11 Em y, há equilíbrio: N + F ⋅ sen θ = P ⇒ N = mg - F ⋅ sen θ = 20 - F ⋅ 0,8 Em x: F ⋅ cos θ - Fat = m ⋅ a (I) Mas: Fat = µ ⋅ N = 0,5 ⋅ (20 - F ⋅ 0,8) = 10 - 0,4F Em (I): F ⋅ 0,6 (10 0,4F) = 2 ⋅ 3 ⇒ 0,6F + 0,4F 10 = 6 ⇒ ⇒ F = 16 N 4 No sistema a seguir, as massas de A e B valem 5 kg e 4 kg, respectivamente. Os coeficientes de atrito está- tico e dinâmico entre A e a mesa valem 0,4. Os fios e as polias são ideais. A (1)(2) B C Sabendo que g = 10 m/s2, determine: a) o máximo valor da massa de C para que o sistema fique em repouso. b) o mínimo valor da massa de C para que o sistema fique em repouso. c) os módulos da aceleração do sistema e das tra- ções nos fios quando a massa de C for igual a 11 kg. Resolução: Como, em qualquer uma das situações, A estará em equilíbrio na vertical, então: NA = PA = 50 N a) Quando mC for máximo, A tenderá a se mover para a direita. Logo, o atrito sobre A é estático, máximo e para a esquerda: Fat,A = Fatemáx = µe ⋅ NA = 0,4 ⋅ 50 = 20 N Isolando os corpos: T1 B 40 N A C PC T2 T2 Fat,A T1 y x Equilíbrio de B em y: T2 = 40 N Equilíbrio de A em x: T1 = T2 + Fat,A = 40 + 20 ⇒ T1 = 60 N Equilíbrio de C em y: PC = T1 = 60 N ⇒ mC = 6 kg b) Quando mC for mínimo, A tenderá a se mover para a esquerda. Logo, o atrito sobre A é estático, máximo e para a direita: Fat,A = Fatemáx = 20 N Isolando os corpos: T1 B 40 N A C PC T2 T2 Fat,A T1 y x Equilíbrio de B em y: T2 = 40 N Equilíbrio de A em x: T2 = T1 + Fat,A ⇒ 40 = T1 + 20 ⇒ T1 = 20 N Equilíbrio de C em y: PC = T1 = 20 N ⇒ mC = 2 kg c) Quando mC = 11 kg, C descerá, pois o valor de sua massa é maior que o valor máximo de 6 kg. A se moverá para a direita, B subirá, o atrito sobre A será dinâmico e para a esquerda. Fat,A= Fat,d = µd ⋅ NA = 0,4 ⋅ 50 = 20 N Isolando os corpos: a a a T1 B 40 N A C 110 N T2 T2 Fat,A T1 B: T2 - 40 = 4a (I) A: T1 - T2 - 20 = 5a (II) C: 110 - T1 = 11a (III) 50 = 20a ⇒ a = 2,5 m/s2 Em (I): T2 40 = 4 ⋅ 2,5 ⇒ T2 = 50 N Em (III): 110 - T1 = 11 ⋅ 2,5 ⇒ T1 = 82,5 N 5 No sistema a seguir, as massas de A e B valem 4 kg e 3 kg, respectivamente. O coeficiente de atrito dinâmi co entre B e o plano vale 0,5. Os fios e as polias são ideais. θ A Sabendo que sen θ = 0,8 e g = 10 m/s2, determine: a) a aceleração do sistema. b) a tração no fio. FÍSICA Capítulo 9 Força do atrito e dinâmica do movimento circular12 Resolução: Como a massa de A é maior do que a de B, então a tendência de A é descer e a de B subir. a) e b) Isolando o corpo B: x Ty NB PB Fat,B P B · s en θ PB · cos θ θ B Em y, há equilíbrio: NB = PB · cos θ = 30 ⋅ 0,6 ⇒ NB = 18 N Em x: T Fat,B PB sen θ = mB a (I) Mas: Fat,B = µ · NB = 0,5 ⋅ 18 ⇒ Fat,B = 9 N Em (I): T 9 30 ⋅ 0,8 = 3 ⋅ a ⇒ T 33 = 3a (II) Isolando o corpo A: T A PA y x a Em y: PA - T = mA ⋅ a ⇒ 40 - T = 4 · a (III) De (II) e (IIII): T - 33 = 3a 40 - T = 4a 7 = 7a ⇒ a = 1 m/s2 Em (II): T - 33 = 3 ⋅ 1 ⇒ T = 36 N 6 No sistema a seguir, as massas de A e B valem 6 kg e 4 kg, respectivamente. Os coeficientes de atrito está- tico e dinâmico entre os blocos valem 0,5 e 0,4. Não há atrito entre A e o plano. Aplica-se sobre A uma força horizontal F. F B A Sabendo que g = 10 m/s2, determine: a) a força máxima aplicada em A para que não haja movimento relativo entre os blocos. b) a aceleração de cada bloco e a força de atrito en- tre eles para F = 30 N. c) a aceleração de cada bloco e a força de atrito en- tre eles para F = 60 N. Resolução: Se não houvesse atrito entre A e B, o corpo B não poderia receber nenhuma força horizontal. Logo, sua aceleração nessa direção seria nula. A exis tência de coeciente de atrito permite que, se necessário, A e B exerçam, um sobre o outro, força de atrito que tem direção paralela à superfície de contato, ou seja, horizontal. É preciso muita aten ção em um problema como este para determinar o sentido da força. Em nosso problema, o corpo A é puxado para a di- reita por F, logo, ele se movimentará ou tenderá a se mover nesse sentido, tendo, portanto, a força de atrito de B atuando sobre ele em sentido contrário, para a esquerda. Pelo princípio da ação e reação, se B realiza sobre A uma força para a esquerda, en- tão, A realiza sobre B uma força de mesmo módulo para a direita. Outra forma de raciocinar sobre o sentido da força de atrito é pensar que ela atua no sentido de impe- dir ou de tentar impedir o movimento relativo entre os corpos, para mantê-los juntos. Assim, como o corpo A tende a se mover para a direita, a força de atrito atua sobre B de modo que este acom- panhe o corpo A, ou seja, com uma força de atrito para a direita. Pelo princípio da ação e reação, se A realiza sobre B uma força para a direita, então, B realiza sobre A uma força de mesmo módulo para a esquerda. Isolando os blocos: F B A Fat Fat NB PB NB NA PA y x aA aB a) Para não haver movimento relativo entre os blo- cos, o atrito deve ser estático, com aA = aB = a. No caso de F ser máxima, teremos Fat,emáx. Em B: Fat = Fat,emáx = µe ⋅ NB = µe ⋅ PB = 0,5 ⋅ 40 = 20N Mas: Fat = mB ⋅ a ⇒ 20 = 4 ⋅ a ⇒ a = 5 m/s 2 Como todo o sistema se move com a mesma aceleração, podemos isolar o conjunto: F = (mA + mB) ⋅ a = (6 + 4) ⋅ 5 ⇒ F = 50 N b) Quando F = 30 N < 50 N, o atrito é estático e todo o conjunto se move com a mesma acelera- ção: aA = aB = a. Para o conjunto: F = (mA + mB) ⋅ a ⇒ 30 = 10 ⋅ a ⇒ a = 3 m/s 2 Para B: Fat = mB ⋅ a = 4 ⋅ 3 ⇒ Fat = 12 N c) Quando F = 60 N > 50 N, os blocos possuem acelerações diferentes e o atrito é dinâmico. Por- tanto, não podemos isolar A e B juntos.