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Caderno de Resumos
XXVI Congresso Internacional da ABRAPLIP
Ensino e pesquisa da literatura 
portuguesa no Brasil e no mun-
do
Caderno de resumos
Curitiba
2017
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Reitor: Prof. Dr. Ricardo Marcelo Fonseca
Setor de Ciências Humanas (SCH – UFPR) 
Diretora: Profª. Drª. Ligia Negri
Departamento de Literatura e Linguística (DELLIN – UFPR) 
Chefe: Profª. Drª. Adelaide Hercília Pescatori Silva
Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLET – UFPR)
Coordenadora: Profª. Drª. Maria Cristina Figueiredo Silva
Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa (ABRAPLIP)
Diretoria Executiva - Gestão 2016/2017
Presidente: Profª. Drª. Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)
Vice-Presidente: Prof. Dr. Jorge Vicente Valentim (UFSCAR)
Secretário-Executivo: Prof. Dr. Antonio Augusto Nery (UFPR)
Secretário Adjunto: Profª. Drª. Rosana Apolonia Harmuch (UEPG)
Tesoureiro: Prof. Dr. Luís Gonçales Bueno de Camargo (UFPR)
Tesoureiro Adjunto: Prof. Dr. Marcelo Corrêa Sandmann (UFPR)
Assessora de Comunicação: Profª. Drª. Luciene Marie Pavanelo (UNESP)
Zonas regionais de representatividade:
Regional 1 – RJ e ES: Profª. Drª. Ida Maria Santos Ferreira Alves (UFF) e Profª. Drª. 
Mônica Figueiredo (UFRJ) 
Regional 2 – SP e MS: Prof. Dr. Paulo Motta Oliveira (USP) e Profª. Drª. Renata Soares 
Junqueira (UNESP)
Regional 3 – BA, SE e AL: Prof. Dr. Márcio Ricardo Coelho Muniz (UFBA) e Prof. Dr. 
Flávio Reis (UESB)
Regional 4 – PE, PB, RN, CE, MA e PI: Profª. Drª. Ana Márcia Alves Siqueira (UFC) e 
Profª. Drª. Márcia Manir Miguel Feitosa (UFMA)
Regional 5 – RS, SC e PR: Profª. Drª. Simone Schmidt (UFSC) e Profª. Drª. Tatiana 
Prevedello (IFFAR)
Regional 6 – MG, GO, TO e OF: Profª. Drª. Raquel Madanelo Sousa (UFMG) e Daviane 
Moreira (UFG)
Regional 7 – AM, AP, AC, PA, RO, RR e MT: Prof. Dr. Otávio Rios Portela (UEA) e Prof. 
Dr. Sílvio Augusto de Oliveira Holanda (UFPA)
XXVI Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de 
Literatura Portuguesa (ABRAPLIP)
Comissão organizadora:
Prof. Dr. Antonio Augusto Nery (UFPR)
Profª. Drª. Luciene Marie Pavanelo (UNESP)
Prof. Dr. Luís Gonçales Bueno de Camargo (UFPR)
Prof. Dr. Marcelo Corrêa Sandmann (UFPR)
Profª. Drª. Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)
Promoção: 
Centro de Estudos Portugueses da Universidade Federal do Paraná (CEP – 
UFPR)
Endereço: Rua General Carneiro, 460, 11º andar, sala 1108. Centro. 80-060150 
– Curitiba, PR – Brasil. E-mail: cep.ufpr@gmail.com. Telefones: +55 (41) 3360 
5303/ +55 (41) 3360 5097
Diagramação do Caderno de Resumos: 
Prof. Dr. Giuliano Lellis Ito Santos (USP)
Assessoria técnica e coordenação dos monitores: 
Doutorando Sérgio Luiz Ferreira de Freitas (UFPR)
Apoio:
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Setor de Ciências Humanas (CH – UFPR)
Departamento de Literatura e Linguística (DELLIN – UFPR)
Programa de Pós-graduação em Letras (PPGLET – UFPR)
Associação Internacional de Lusitanistas (AIL)
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Editora Oficina Raquel
Sumário
O monóculo e o paletó cor de macaco : a ironia necessária de Eça e de 
Graciliano 33
Adriana Coelho Florent (Universidade de Aix Marseille)
Os Lusíadas: mito e história Portuguesa 33
Adriana de Oliveira Teixeira Kato (UFRR)
O teatro português - perspectivas para o ensino e a pesquisa nas universidades 
brasileiras 34
Agnaldo Rodrigues da Silva (UNEMAT)
A recepção da literatura portuguesa em países de língua estrangeira, mas 
sobretudo na música brasileira: o caso da obra de Fernando Pessoa 34
Albertina Pereira Ruivo (CREPAL/Sorbonne Nouvelle-Paris 3/CHAM/FCSH-
UNL)
Breviário do Brasil de Agustina Bessa-Luís: uma poética da relação. 35
Alda Maria Lentina (Universidade de Dalarna)
Aspectos da teopoesia na escritura do heterônimo Álvaro de Campos de 
Fernando Pessoa 35
Alexandre Bonafim Felizardo (UEG)
Comunidades leitoras, legibilidades comuns: literatura portuguesa no Brasil 
35
Alexandre Montaury Baptista Coutinho (PUC-Rio/CNPq)
Rosalia de Castro: autora portuguesa(?)(!) 36
Alexandre Silveira Campos (UNESP)
Em nome do pai: a forma do luto na obra de José Luís Peixoto 36
Aline de Almeida Rodrigues (UCP)
A moral e a ética religiosa na poesia satírica de Bocage 37
Aline Fernanda Fabricio de Andrade (UNICAMP)
O entrecruzamento entre o eu e o outro diante da esfera pública e privada 
construída em O homem duplicado, de José Saramago 37
Aline Santos Pereira (UFPR)
Blimunda: relações de poder e resistência em Memorial do convento, de José 
Saramago 38
Amanda Gomes de Matos Ramos (UERJ)
Sobre os espelhos nos poemas de Florbela Espanca: indícios representativos 
39
Amanda Moury Fernandes Bioni (UFPE)
A Mariposa, de Maria Peregrina de Sousa: um inseto social?! 39
Ana Cristina Comandulli da Cunha (UNIRIO/RGPL/Centro de Estudos 
Clássicos – FLUL)
Convergências vergilianas: arte, palavra, vida 40
Ana Cristina Fernandes Pereira Wolff (UTFPR)
A composição do universo zoológico de Os cus de Judas 40
Ana Cristina Pinto Bezerra (UFRN/IFRN)
A relevância dos espaços no romance Combateremos a Sombra, de Lídia Jorge 
41
Ana Denise Teixeira Andrade (UniRitter)
A crise identitária do sujeito pós-moderno na crônica A consequência dos 
semáforos, de António Lobo Antunes 41
Ana Lucia Jesus da Silva (UEFS)
A demonização do feminino: a misoginia em “Sonhos de Lancelote” n’A 
Demanda do Santo Graal 42
Ana Luiza Magalhães Poyaes (UERJ)
Aspectos e feições da Literatura Portuguesa nas pesquisas de Pós-Graduação 
no Nordeste 42
Ana Marcia Alves Siqueira (UFC)
“O céu de todo o deus deserto”: uma análise da fortuna crítica de Sophia de 
Mello Breyner Andresen 43
Ana Maria Ferreira Côrtes (UNICAMP)
A figura de José do Telhado em Camilo Castelo Branco e José Mena Abrantes 
43
Ana Maria Lange Gomes (UNESP)
A recepção crítica da Prosopopeia (1601) de Bento Teixeira e a “política literária” 
brasileira 44
Ana Paula Gomes do Nascimento (USP)
O poder do tempo e a força da memória em Os cus de Judas 44
Ana Paula Martins Costa (SEDUC/AM)
Antonia Barbosa de Oliveira (SEDUC/AM)
Modernidade e experimentação em Ana Hatherly 45
André Luiz do Amaral (UNESP)
Caos por ordenar: os duplos em O homem duplicado 45
Andrea Bittencourt (UFPR)
Crime e Ficção: O Porto de Gervásio 46
Andreia Alves Monteiro de Castro (RGPL/Centro de Estudos Clássicos - FLUL)
Conselheiro Acácio: “Cavalheiro mais sábio que Zarathustra” – recorrência e 
influência na mídia brasileira 46
Andréia Márcia de Castro Galvão (Universidade do Minho)
Realismo Mágico Antropológico – a arte de transformar a vida comum em 
excepcional 47
Andressa Luciane Matheus Medeiros (UFPR)
De Clarice a Rui: uma leitura de Amor de Clarice sob perspectiva da transposição 
intersemiótica 47
Anelise de Oliveira de Almeida (UTFPR)
A mise en scène do feminino na ficção de Lídia Jorge: sombras e imagens, 
escolhas e destinos 48
Ângela Beatriz de Carvalho Faria (UFRJ)
A metamorfose da saudade: uma leitura de Desamparo, de Inês Pedrosa 
48
Angela Maria Rodrigues Laguardia (Universidade Nova de Lisboa)
O animal que também sou: um estudo do conto “Um casaco de Raposa 
Vermelha”, de Teolinda Gersão 49
Antonia Marly Moura da Silva (UFRN)
Entre flores, e pedras: um estudo comparativo de “Flores ao telefone”, 
“Liberdade adiada” e “A imitação da rosa” 49
Antonio Aparecido Mantovani (UNEMAT)
Genivaldo Rodrigues Sobrinho (UNEMAT)
“Aquele she era eu”: a (im)possibilidade de narrar, em Os Memoráveis, de Lídia 
Jorge 50
Ariane de Andrade da Silva (UERJ)
Personalidade feminina e seus desdobramentos na poética labiríntica de Adília 
Lopes 50
Arlen Maia de Melo (UFPA)
Sara Coelho de Lima (UFPA)
A adaptação para o cinema do conto de Eça de Queiroz Singularidades de uma 
Rapariga Loura por Manoel de Oliveira: a questão da distância. 51
Bernard Corneloup (Université de Lyon 2)
Conceição Lima e Sophia Andresen: pontes poéticas 51
Bernardo Nascimento de Amorim(UFOP)
Revolta às origens de uma “tradição invisível”: uma leitura de Esse cabelo, de 
Djaimilia Pereira de Almeida 52
Bianca Mafra Gonçalves (USP)
Leitoras levadas pela literatura e pelos amores 52
Bianca Meira Lopes (UEPG)
José Saramago pós-Nobel e seu último romance: o escritor e sua missão 
53
Bianca Rosina Mattia (UFSC)
“O Século XIX concebeu a Democracia” ou Aspectos Estético-políticos da 
descrição em Os Maias 53
Breno Góes (PUC-Rio)
Faces da religiosidade em A pécora e Auto da Compadecida 54
Bruno Vinicius Kutelak Dias (UFPR)
Joaquim Sassa: o homem em viagem. Uma análise às viagens de A jangada de 
pedra, de José Saramago 54
Caio Henrique da Silva Reis (UERJ)
O recuo do mar: Memória e erotismo em Luís Miguel Nava 54
Camila Franquini Pereira (UFRJ)
“A Noite Escura”: travessia e meditação em Camilo Pessanha 55
Camila Marchioro (UFPR)
O discurso simbolista nos campos literário brasileiro e português 56
Camila Paiva da Silva (UERJ)
Do rizoma à ficção de Antonio Lobo Antunes 56
Camila Savegnago (UFSM)
A constituição do eu narrativo e figural na temporalidade complexa de Lobo 
Antunes 56
Camila Stefanello (UFSM)
Crônica saramaguiana na ditadura: relações empáticas entre narrativa e leitor 
57
Carla Mota Menezes (UFPR)
O inferno e suas ambivalências: razão, desrazão, continuidades e 
descontinuidades na obra Conhecimento do inferno, de António Lobo Antunes 
58
Carlos Henrique Fonseca (UNESP)
Estudos literários e ensino da literatura: o jardim dos caminhos que se cruzam 
58
Carlos Reis (Universidade de Coimbra)
Antero de Quental ontem e hoje: a educação através da escrita e do debate 
58
Carolina Lopes Batista (UFRJ)
A representação da loucura em Camilo Castelo Branco 59
Caroline Aparecida de Vargas (UFPR)
O grotesco em Loucura, de Mário de Sá-Carneiro: um olhar sobre o caráter de 
Raul 59
Cássia Alves da Silva (UFC/IFRN)
A representatividade da mulher na obra O conto da ilha desconhecida, de José 
Saramago 60
Celiomar Porfirio Ramos (UNEMAT)
Vicente Guedes e o devir 60
Cesar Marcos Casaroto Filho (PUC-RS)
“A Capital – Arhutr Corvelo, um lírico no auge do capitalismo” 60
Cíntia Bravo de Souza Pinheiro (SME/SEEDUC)
Representações da Memória na obra de Vergílio Ferreira 61
Cintia de Vito Zollner (UNESP)
O estudo da personagem e sua relação transliterária 61
Clarice Gomes Clarindo Rodrigues (UNEMAT)
A dramaturgia de Gervásio Lobato nos palcos oitocentistas 62
Claudia Barbieri Masseran (UNESP)
A formação de uma trilogia em Ensaio sobre a cegueira, A caverna e Ensaio 
sobre a lucidez, de José Saramago 62
Claudia Carla Martins (UNEMAT)
A História Acordada: Tempo de ação / Tempo de reflexão em Os memoráveis, 
de Lídia Jorge 62
Cláudia Maria de Souza Amorim (UERJ)
Florbela Espanca e Adília Lopes: a subversão do papel feminino 63
Clêuma de Carvalho Magalhães (FURG)
Eça de Queirós revisitado no Suplemento Literário de Minas Gerais 63
Cristiane Navarrete Tolomei (UFMA)
O tema da censura no período formativo em Saramago (constância da 
circunstância) 64
Cybele Regina Melo dos Santos (USP)
O olhar de Amaro 64
Daiane Cristina Pereira (USP)
Presença da literatura portuguesa na revista O Futuro 65
Damares Rodrigues de Oliveira (USP)
Aborrecimento e romance português: Camilo e Eça 65
Daniel Bonomo (UNICAMP)
Golgona Anghel. Do realismo satírico à poética vadia 66
Daniel de Oliveira Gomes (UEPG)
Realismo, arte fantástica: as relações entre imagem e memória coletiva a partir 
do romance Gaibéus, de Alves Redol 66
Daniel Marinho Laks (UFF)
O phatos na poesia simbolista “Brando e vermelho”, de Camilo Pessanha, 
como provocação à modernidade 67
Daniele Santos (UTFPR)
As configurações do feminino em O Primo Basílio: diálogos entre o romance 
português e o cinema nacional 67
Danielle Machado Fontes (IFBA/FAPESB)
José Roberto de Andrade (IFBA)
Os discursos são falsos, as vozes se confundem: o narrador e as personagens 
sob controle em A paixão (Almeida Faria) 68
Dankar Bertinato Guardiano de Souza (UFPR)
A morte da vida no romance Jesus Cristo bebia cerveja (2012) do escritor 
português Afonso Cruz 69
Dante Luiz de Lima (UFPA)
No Sonho de Xavier: a construção de um ethos jesuítico em um sermão 
panegírico de Padre Antônio Vieira 69
Dario Trevisan de Almeida Filho (UFSM)
Que sofrência, ‘fessora: reflexões e experiências sobre o ensino de Literatura 
Portuguesa 70
Daviane Moreira e Silva (UFG/REJ)
A escrita cronística autorreflexiva de Inês Pedrosa: Crónica Feminina e o 
questionamento do fazer literário 70
Diana Navas (PUC-SP)
Telma Regina Ventura (PUC-SP)
Luiza de Mesquita: o mar inalcançável 70
Diogo Ballestero Fernandes de Oliveira (UFRJ)
Herberto Helder e o corpo político 71
Djanine Belém (UFBA)
Lendo o modernismo português à luz das revistas literárias de Goa e de 
Macau 71
Duarte Nuno Drumond Braga (USP/FAPESP)
“Para além” da adaptação: as remissões literárias do filme O Estranho Caso de 
Angélica de Manoel de Oliveira 72
Edimara Lisboa (USP)
O conto Alma-Grande, de Miguel Torga: dialogismo com o texto bíblico e a 
historicidade 72
Edna da Silva Polese (UTFPR)
Mulher de bigode nem o cão pode: machismo em Camilo Castelo Branco 
73
Edson Santos Silva (UNICENTRO/I)
Ana de Castro Osório no Brasil e a defesa de um Portugal Moderno 73
Eduardo da Cruz (UERJ)
Theatrum mundi: a espetacularidade barroca em Antônio José da Silva 
74
Eduardo Neves da Silva (USP)
O universo da vida religiosa feminina em Alexandre Herculano: de que as 
freiras eram capazes? 74
Eduardo Soczek Mendes (UFPR)
“Passaram ainda além da Taprobana”: O romance histórico da colonização 
portuguesa em O feitiço da Ilha do Pavão, de João Ubaldo Ribeiro, e A sul. O 
Sombreiro, de Pepetela 75
Edvaldo A. Bergamo (UnB)
Paralelos na obra de Jane Austen (1775-1817) e Maria Peregrina de Sousa 
(1809-1894) 75
Elen Biguelini (Universidade de Coimbra/CHSC)
A última nau portuguesa 76
Elias dos Reis Louzeiro (PUC-SP)
A Salvação no Amor em Amor de Salvação 76
Elinaldo Chaves dos Santos (UFPA)
Feiticeiras: o crime da igreja católica evocado através das convergências entre 
Maria Teresa Horta e Jules Michelet 77
Elisa Moraes Garcia (FURG)
 Representação e protagonismo femininos na revista Brasil-Portugal 77
 Elisabeth Fernandes Martini (UERJ)
Jaime Batalha Reis: diálogos epistolares inéditos com escritores e intelectuais 
brasileiros nos primeiros anos do século XX 78
Elza Assumpção Miné (USP)
Que eu canto o peito ilustre (afro) lusitano: AFROLIS, afrolusitanidade e a 
produção cultural portuguesa mais recente 78
Emerson da Cruz Inácio (USP)
Os sermões de Santo Antônio de Lisboa/ de Pádua: elementos retóricos, 
teológicos e contextuais 79
Émili Feitosa de F. Olenchuk (UERJ)
O jogo de perspectivas em Finisterra, de Carlos de Oliveira, e a relativização do 
real 79
Esther Costa Faria (UFSM)
O espaço brasileiro na poesia de Vitorino Nemésio 80
Eunice de Morais (UEPG)
Matéria, memória e ausência em A manta do soldado de Lídia Jorge 80
Evanir Pavloski (UEPG)
Versões da falta como fala em alguns poemas de Inês Dias 81
Evelyn Rocha de Souza (UFF)
Entre Índico e Atlântico: (des)semelhanças entre poemas de Mia Couto e de 
Sophia de Mello Breyner Andresen 81
Everton Fernando Micheletti (USP)
Manuel da Fonseca: a busca ética e estética 82
Fabio da Fonseca Moreira (PUC-Rio)
Figurações da morte voluntária em personagens da ficção portuguesa do 
século XIX 82
Fábio de Carvalho Messa (UFPR)
Jerônimo Duarte Ayala (UFSC)
A selva de Ferreira de Castro nas ilustrações de Poty 83
Fabricio Vaz Nunes (UNESPAR/EMBAP)
A cegueira branca como doença: mecanismo de suspensão da democracia no 
Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago 83
Fabrizio Uechi (USP)
A dinâmica da luta de classes em O delfim, de José Cardoso Pires 84
Felipe Clos Bassedone (UFSM)
Do texto à tela. O Delfim: de Cardoso Pires a Fernando Lopes 84
Fernanda de Aquino Araújo Monteiro (UFRJ)
O que o poema ensina? 85
Fernanda de Azevedo Pizarro Drummond (UFRJ)
José Saramago e Oliveira Martins: entre a História e a Literatura85
Fernanda Farias Freitas (UFRJ)
Aspectos das inter-relações entre colonialismo, violência e interesses 
econômicos, representadas em O esplendor de Portugal, de António Lobo 
Antunes 86
Fernanda Fátima da Fonseca Santos (USP)
Viagens na terra de Luso: Portugal nos percursos de Garrett e Saramago 
86
Fernanda Gappo Lacombe (UERJ)
O ano de 1993: entre prosa e poesia e a modernidade 87
Fernando da Silva Negreiros (UEL)
“Ogiva entre o Mistério e o Mar”: Mito e História em Mais Alto, de Alfredo 
Guisado 87
Fernando de Moraes Gebra (UFFS)
Uma ideia de crise: Manuel de Freitas e a finitude 88
Fernando Ulisses Mendonça Serafim (UNICAMP)
Uma leitura da peça “O Castigo da Vingança!” de Álvaro do Carvalhal 88
Fernando Vidal Variani (UDC-Foz do Iguaçu)
As fronteiras entre política e literatura: uma análise de Frei Luís de Sousa 
89
Filipe Costa da Silva (UFRJ)
O advogado do Diabo: o narrador que contraria as tradições cristãs portuguesas 
em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago 89
Filipe Marchioro Pfützenreuter (IFPR)
As memórias coloniais em O Retorno 90
Flávia Magalhães Roveri (USP)
O ensino-aprendizagem da literatura e história portuguesas à luz do teatro 
90
Flavia Maria Corradin (USP)
Ruy Belo e Fernando Pessoa: o mar e o fingimento 91
Flávio França (UEFS)
Figuração de personagens em “O punhal de Rosaura”, de Álvaro do Carvalhal 
91
Flavio Garcia (UERJ)
Violência e medo da solidão em textos escolhidos de Mia Couto e Lobo 
Antunes 92
Francisca Kellyane Cunha Pereira (UEFS)
Tércia Costa Valverde (UEFS)
O engajamento do vento 92
Gabriel Dória Rachwal (UFPR)
Morte em Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares 92
Gabriela Fujimori da Silva (UNESPAR/UEM)
A construção do interlocutor amoroso em as Novas cartas portuguesas 
93
Gabriela Silva (URI/CAPES)
Panorama da ludicidade na poesia visual 94
Geraldo Augusto Fernandes (UFC)
Sobre Nocturno em Macau, de Maria Ondina Braga, o viés feminino 94
Gerson Luiz Roani (UFV)
Imagens da Sobrevivência em Isabel de Sá 95
Gesqua Daiane Café dos Santos (UFBA/FAPESB)
Tormes talvez não fique assim tão longe de Yasnaya Polyana 95
Giorgio de Marchis (Universidade de Roma Tre)
O grande Maia: Tomás de Alencar e a polêmica entre Eça de Queirós e Bulhão 
Pato 95
Gisele de Carvalho Lacerda (UFF)
Monumento e revolução: o Thermidor, de Eça de Queirós 96
Giuliano Lellis Ito Santos (USP/CAPES)
Os viscos da (auto)biografia nas Cartas da guerra, de António Lobo Antunes 
96
Graziele Maria Valim (PUC-SP)
Machado leitor de Camilo: paródia e emulação em Memórias póstumas de Brás 
Cubas e Coração, cabeça e estômago 97
Greicy Pinto Bellin (UNIANDRADE)
Eça e a Índia Portuguesa 97
Hélder Garmes (USP)
Mulheres que amavam mulheres na lírica satírica trovadoresca: sobre 
Mari’Mateu, ir-me quer’eu daquém (B 1583, V 1115), de Afonso Anes do Cotom, e 
A vós, Dona abadessa (B 1604bis, V 1137), de Fernando Esquio 98
Henrique Marques Samyn (UERJ)
Poesia Intranquila: sentidos e resistência 98
Ida Alves (UFF)
O Fantástico como transvaloração 98
Inez Nerez de Almeida Rocha (UEL)
Inclusão/Exclusão: O idiota na narrativa portuguesa contemporânea 99
Isabel Pires de Lima (Universidade do Porto/ILCML)
Predestinado e Precito: o uso de personagens alegóricas a favor da catequização 
jesuítica 99
Isabel Scremin da Silva (UFSM)
Oroboro na literatura de Garrett e Machado 100
Iuguslávia Jales Dutra (UEPG)
José Luís Peixoto – Amor, luto e luta 100
Ivanete França Galvão de Carvalho (UERJ)
Do lugar da mulher na poesia portuguesa – Um olhar atemporal 101
Ivani Vecina Abib (UNIP-Sorocaba)
Figurações luso-brasileiras da infância: um olhar sobre Soeiro Gomes e Dalcídio 
Jurandir 101
Ivone dos Santos Veloso (UFPA)
Enunciações, discursos e pensamentos errantes – uma perspectiva comparativa 
entre Machado de Assis e José Saramago 101
Jacob dos Santos Biziak (UNESP/USP)
 Literatura e ensino: uma leitura em meio digital de Dispersão, de Mário de Sá-
Carneiro 102
Jair Zandoná (UFSC)
Um amor feliz: Mourão-Ferreira e seus jogos de espelho 102
Janaina de Souza Silva (UFRJ)
A presença de Eça de Queirós e Fradique Mendes no jornal paulistano O 
Pirralho (1911-1918) sob perspectiva de Juó Bananére e Monteiro Lobato 
103
Jaqueline de Oliveira Brandão (UNESP)
Entre músicos, pintores e saltimbancos: os artistas de Prosas Bárbaras, de Eça 
de Queirós 103
Jean Carlos Carniel (UNESP)
A verdade besuntada 104
Jeanine Geraldo Javarez (UEPG)
Lisboa no ano 2000: nacionalismo e determinismo tecnológico 104
Jefferson Luiz Franco (SEED/UniBrasil)
O uso da breuitas como justificativa retórica do esquecimento narrativo nas 
crônicas de Gomes Eanes de Zurara 104
Jerry Santos Guimarães (UESB)
As memórias da colonização em Comissão das lágrimas, de António Lobo 
Antunes 105
Jéssica Baia Moretti da Silva (UEM)
O amor trovadoresco presente no livro Meu glorioso pecado, de Gilka 
Machado 105
Jéssica Thais Loiola Soares (IFC)
O Verbo se fez arte: a Retórica Antiga na oratória de Antônio Vieira e de Dom 
Aquino Corrêa 106
Jildonei Lazzaretti (UFSM)
A maçã que é só de Eva: Lisboa nas cantigas trovadorescas, ou, mulheres sem 
rosto no rosto da cidade 107
João Felipe Barbosa Borges (UFJF/IFF)
O Amor Irônico nas crônicas As Coisas da Vida e Espero por ti no meio das 
gaivotas, de António Lobo Antunes 107
Joelma Lôbo Junqueira Trajano (UEFS)
“A mesma história tantas vezes lifa”: as mi(s)tificações de Florbela Espanca 
108
Jonas Jefferson de Souza Leite (UEPB)
A morte sob a perspectiva do Absurdo em A desumanização de Walter Hugo 
Mãe 108
Jope Leão Lobo (UTFPR)
Natália Correia e a (sua) poética do escárnio e do maldizer 109
Jorge Vicente Valentim (UFSCar)
Funcionalidade da paródia na escrita teatral de Camilo Castelo Branco 
109
José Cândido de Oliveira Martins (UCP/CEFH)
Orientalismos do romance histórico português oitocentista 110
José Carvalho Vanzelli (USP/FAPESP)
As relações entre memória e história no romance português contemporâneo: 
uma leitura do testemunho e do trauma nas obras de Jorge Reis-Sá e Francisco 
Camacho 110
José Luís Giovanoni Fornos (FURG)
Luz e sombras: metonímia(s) do desejo em A cura, de Pedro Eiras 111
José Luiz Foureaux de Souza Júnior (UFOP)
Romantismo e Realismo Português no periódico oitocentista maranhense 
Ramalhete 111
Josiane Oliveira Ferreira (UFMA)
Cesariny e seus precursores 111
Julia Pinheiro Gomes (UFRJ)
Maria Peregrina de Sousa na imprensa portuguesa do século XIX 112
Juliana de Souza Mariano (UERJ)
Ensaiando a própria escrita: Manual de Pintura e Caligrafia, de José Saramago 
112
Juliana Morais Belo (UNICAMP)
O sentimento de pertencimento à nação através do discurso em a máquina de 
fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe 113
Juliane Fernanda Kuhn de Castro (UFFS)
A comunidade cínica da revista Cão Celeste 114
Julio Cesar Rodrigues Cattapan (UFF)
“Espírito de universalidade incerta”: Fernando Pessoa e os ultraístas 
espanhóis 114
Karla Fernandes Cipreste (UFU)
Cecília Meireles e a Távola Redonda: a busca pelo graal da Poesia 114
Karla Renata Mendes (UFAL)
Freiras Poetisas Barrocas: representações do feminino em Adília Lopes e Paula 
Rêgo 115
Katiane Martins (UNEB)
Gabriela Fernandes (UFBA)
Digressividade e fragmentação em Camilo Castelo Branco 115
Katrym Aline Bordinhão dos Santos (IFPR)
Graciliano Ramos, Branquinho da Fonseca e Luís Bernardo Honwana: um 
exercício comparativo em literaturas de língua portuguesa 116
Keli Cristina Pacheco (UEPG)
As vozes moralizadoras em Claraboia, de José Saramago 117
Kelly Gomes Cavalcante (UFAM)
A literatura contemporânea à deriva lança âncora na tradição: Uma Viagem à 
Índia e Os Lusíadas 117
Kim Amaral Bueno (IFSUL/UFRGS)
Os autos de Gil Vicente e de Calderón de la Barca 118
Laura de Oliveira Coradi (UFU)
A máquina de fazer moribundos: envelhecer e morrer como outsider em A 
máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe 118
Leandro Francisco de Paula (UFPR)
O protagonismo histórico em O Arco de Sant´Ana de Almeida Garrett 119
Leonardo de Atayde Pereira (USP)
Romantismoe Realismo Português no periódico maranhense O Artista 
119
Leonardo Rodrigo de Oliveira Ferreira (PIBIC/UFMA)
O herói português: Da ascensão histórica ao firmamento do mito como 
produtor de identidade nacional 120
Letícia de Oliveira Galvão (UEPG)
A Revolução dos Cravos pela ótica do testemunho 121
Licia Rebelo de Oliveira Matos (UFRJ)
Ensino de Literatura Portuguesa na Graduação: Experiências na formação de 
professores por meio das novas tecnologias 121
Lígia Regina Máximo Cavalari Menna (UNIP)
Simone de Almeida e Silva (UNIP)
Sobre rastos e ruínas: uma leitura comparada de Os cus de Judas, de António 
Lobo Antunes, e Tristano muore, de Antonio Tabucchi 122
Luca Fazzini (PUC-Rio)
A Presença e a Natureza do Fantástico nos Contos, de Eça de Queirós 122
Lucas do Prado Freitas (UEL)
Cartilha do Marialva e leituras afins 123
Lucia Maria Moutinho Ribeiro (UFRJ)
A imagem das soldadeiras na lírica medieval galego-portuguesa 123
Lucía Sande Siaba (UdC)
Matizes do fantástico: a construção da personagem nos vieses do insólito 
123
Luciana Morais da Silva (UERJ/Universidade de Coimbra)
Almeida Garrett relê Notre Dame de Paris, de Victor Hugo: O Arco de Sant’Ana 
e a experiência das massas 124
Luciene Marie Pavanelo (UNESP)
Natália: uma tentativa de escapar do ontem, um diário para o 
esquecimento? 124
Ludovico Omar Bernardi (UEM)
Portugal, França e a recepção internacional de Guimarães Rosa 125
Luís Bueno (UFPR)
Uma aproximação de paixão e aprendizagem às canções de Camões 125
Luis Maffei (UFF/FAPERJ)
A construção do ethos camoniano por meio da análise das ilustrações contidas 
nas edições do Tricentenário do poeta no periódico O Occidente – Revista 
Illustrada de Portugal e do Estrangeiro (1878-1915) 126
Luiz Eduardo Rodrigues Amaro (UNESP)
Inefabilidade e impostura: o (não) dizer em questão no encontro de Maria 
Gabriela Llansol com São João da Cruz 126
Luiz Fernando Queiroz Melques (USP)
Modernismos em língua portuguesa: revisão e despedida 127
Madalena Vaz Pinto (UERJ/FFP)
A história da América portuguesa, de Rocha Pita: (des)conexões (pós)coloniais 
em rotas alteradas 127
Manoel Barreto Júnior (UNEB)
Marcas do insólito no conto “A Morta” de Florbela Espanca 128
Manuella Nogueira da Silva (UFAM)
Saberes cultivados na Baixa Idade Média entre Portugal e Castela 128
Marcella Lopes Guimarães (UFPR)
As pequenas memórias: notas sobre a escrita autobiográfica de José 
Saramago 128
Marcelo Brito da Silva (UFMT)
A Eternidade e O Desejo: experiência do espaço e representação do Brasil 
129
Marcelo Franz (UTFPR)
A ficção dos Apólogos Dialogais de D. Francisco Manuel de Melo: considerações 
acerca de preceitos retóricos e poéticos 129
Marcelo Lachat (UNIFAP)
Ensaio sobre a melancolia em “O cão de Dürer”, um conto de Maria João 
Cantinho 130
Marcelo Pacheco Soares (IFRJ)
“Abro o caderno e escrevo que estou a escrever no caderno”: algumas 
considerações sobre Lugares comuns (2000), de João Luís Barreto 
Guimarães 130
Marcelo Sandmann (UFPR)
A Literatura Portuguesa na pós-graduação no Maranhão: a que passos anda? 
131
Márcia Manir Miguel Feitosa (UFMA)
Literatura e História em O ano e a morte de Ricardo Reis de José Saramago 
131
Márcia Neide dos Santos Costa (UEFS)
A Lisboa salazarista no fim da década de 1930 na visão de José Saramago e de 
Antonio Tabucchi 131
Márcio Aurélio Recchia (USP)
Flagrante social e experiência estética na narrativa memorialística luso-
brasileira 132
Marcio Jean Fialho de Sousa (FATEC)
África, Brasil e Portugal: trânsito por fronteiras semoventes 132
Márcio Matiassi Cantarin (UTFPR)
Três proposições a respeito do ensino de literatura portuguesa 133
Marcos Lopes (UNICAMP)
Interfaces entre ceticismo e ficção em contos de António Vieira 133
Marcos Rogério Heck Dorneles (UFMT)
Narcisos sem espelhos – Dilemas da narrativa contemporânea em dois contos 
de Lídia Jorge 134
Marcos Vinícius Ferreira de Oliveira (UFJF)
O milenarismo no pensamento profético vieiriano: a figura do “papa angélico” 
e a do “imperador dos últimos dias” 134
Marcus De Martini (UFSM)
O “paraíso” de Eva: figurações de Eros em A costa dos murmúrios 135
Maria Aparecida da Costa (UERN)
Alyne Isabele Duarte da Silva (UERN)
Os pobres: uma narrativa lírica de Raul Brandão 135
Maria Betânia da Rocha de Oliveira (UNEAL)
Ferdinand Denis, promotor da literatura brasileira na França do século XIX 
136
Maria Cristina Pais Simon (Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3)
Da literatura e cultura portuguesas em terras baianas: para não dizer que 
não falamos “de cravos e de pés descalços”, nos tempos críticos de hoje e de 
ontem... 136
Maria de Fátima Maia Ribeiro (UFBA)
O “Canto da Sibila” do Ordo Prophetarum e o Auto da Sibila Cassandra de Gil 
Vicente 137
Maria Amparo Tavares Maleval (UERJ/CNPq)
A Literatura estrangeira na Biblioteca particular de João Baptista de Almeida 
Garrett 138
Maria do Rosário Alves Moreira da Conceição (UERJ/FAPERJ)
Ensino das letras portuguesas em sala de aula: conceito de agudezas 139
Maria do Socorro Fernandes de Carvalho (UNIFESP)
O ensino de literatura portuguesa: leituras e escritas 139
Maria do Socorro Gomes Torres (UNIR-Vilhena)
Camilo Castelo Branco: as ‘leis da alma’ e os ‘imperativos do estômago’ como 
elementos de figuração das personagens 140
Maria Eduarda Borges dos Santos (Univesidade de Coimbra/Instituto 
Politécnico de Castelo Branco)
Escrita feminina no século XIX: o romantismo de Ana Plácido 140
Maria Elvira Brito Campos (UFPI)
Palinódias do ortônimo 141
Maria Helena Nery Garcez (USP)
A Literatura Portuguesa na Imprensa Oitocentista do Grão-Pará 141
Maria Lucilena Gonzaga Costa Tavares (UFPA)
A ficção Portuguesa Oitocentista nos Jornais de Cametá/PA - Brasil 142
Maria Luiza Rodrigues Faleiros Lima (UFPA)
O Diálogo na Literatura Portuguesa do séc. XIX: identificação e caracterização 
do corpus 142
Maria Teresa Nascimento (Universidade da Madeira)
Heróis lendários e figuras históricas do imaginário português na obra de Ariano 
Suassuna 142
Mariângela Monsores Furtado Capuano (UERJ)
Voz e polifonia: transcendendo a cegueira em “Ensaio sobre a cegueira” de 
José Saramago 143
Marilani Soares Vanalli (UNESP)
Autor e personagem: o papel de Aquilino Ribeiro na construção de seus seres 
ficcionais 143
Marília Angélica Braga do Nascimento (UFC)
Concretismo e experimentalismo: poéticas da edição em Brasil e Portugal 
144
Marina Ribeiro Mattar (Cefet-MG)
Ruptura da tradição em D. João e a Máscara 144
Marina Trevisoli Gervino (UNICAMP)
Memória nacional e razões de Estado: gênero e nação na derrota do 
Gungunhana 145
Mário César Lugarinho (USP)
Helder Macedo e a narrativa fantasmática 145
Marisa Corrêa Silva (UEM)
Alberto Caeiro e Manoel de Barros: uma poética de ressignificação 145
Marla dos Santos Silva (UEFS)
A perplexidade do homem moderno frente aos conflitos existenciais no conto, 
A confissão de Lúcio, de Mário de Sá Carneiro 146
Marsiléia Brasil de Lima (UNIP/SEDUC-AM)
Recepção de Camões como hipótese interpretativa 146
Matheus Barbosa Morais de Brito (Universidade de Coimbra//UNICAMP)
A representação da personagem do negro na dramaturgia quinhentista 
147
Matheus Nogueira Bacellar (UFBA)
Márcio Ricardo Coelho Muniz (UFBA)
Metodologia de ensino-aprendizagem: uma abordagem diferenciada no 
ensino de literatura 148
Mayara Cristina Pereira (FIMI)
Tailani Azevedo Taverna (FIMI)
Graciliano Ramos, contemporâneo de Eça de Queirós 148
Miguel Sanches Neto (UEPG)
A trajetória autognóstica de Livro 148
Milena Figueirêdo Maia (PUC-SP)
As premências de nosso tempo desveladas na Literatura Portuguesa 
contemporânea: indicativos para o Ensino nos cursos de Letras brasileiros 
149
Miriam Denise Kelm (Unipampa)
A história do contramestre e o anarquismo no romance Amanhã, de Abel 
Botelho 149
Moisés Baldissera da Silva (UNESP)
O Cónego, de A.M. Pires Cabral e A Vinha dos Esquecidos, João Clímaco Bezerra: 
uma leitura intertextual 150
Mônica Maria Feitosa Braga Gentil (UESPI)
Da necessidade de se ouvircoisas alucinadas ou o que se pode aprender com 
a literatura portuguesa 150
Mônica Muniz de Souza Simas (USP)
Dominando o corpo feminino na Idade Média: a soldadeira e o cavaleiro 
151
Monique Pereira da Silva (UERJ)
A Epopeia Pós-Moderna Portuguesa: dissimulação e simulação em As 
Quybyrycas 151
Murilo da Costa Ferreira (UFRJ)
Mulheres do Império: uma leitura de Ana de Amsterdam 152
Naira de Almeida Nascimento (UTFPR)
O lugar da literatura portuguesa na Polônia 152
Natalia Klidzio (Universidade Maria Sklodowska-Curie)
A representação da (a)normalidade humana nos cadernos de Gonçalo M. 
Tavares 152
Natanael Peres Fernandes (USP)
O jogo dentro da máquina: a intertextualidade em “a máquina de fazer 
espanhóis” 153
Natasha Gonçalves Otsuka (UFRJ)
Fernando Pessoa e o suicídio estoico de Barão de Teive 153
Nathália de Lima Marquez Valentini (UFMG)
Poesia e escritas de si: um estudo sobre a obra de Al Berto e Ana Cristina 
Cesar 154
Nathalia Greco (UFMG)
Os papéis femininos em O retrato de Ricardina (1868), de Camilo Castelo 
Branco 154
Nayara Helenn Carvalho dos Santos (UERJ)
Lisboa, Manaus: cidades como cenários nas obras de Gersão e Hatoum 
155
Orivaldo Rocha da Silva (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
A estética do mal e a evolução literária de Eça de Queiroz 155
Orlando Grossegesse (Universidade do Minho)
Escrita discrônica em Manuel António Pina: entre o neotênico e o tardio 
156
Paloma Roriz (UFF)
Como se escreve agora uma canção? 156
Patrícia Chanely Silva Ricarte (UFMG)
A história de Inês contada aos pequenos 157
Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)
Carlos de Oliveira – Sobre o lado esquerdo: Poesia e poética cinematográfica 
em Manuel Gusmão e Carlos de Oliveira 157
Patrícia Resende Pereira (UFMG)
O narrador errante e paródico em Caim, de José Saramago 158
Paula Karina Verago Petersen (PUC-SP)
Memória, Trauma e Infância em três romances de António Lobo Antunes 
158
Paula Renata Lucas Collares Ramis (UFPel)
Falsos romances portugueses editados em Paris no século XIX 159
Paulo Motta Oliveira (USP)
Luís de Camões no Inferno 159
Paulo Ricardo Braz de Sousa (UFF)
Redes de estereótipo: o Brasil da televisão na literatura portuguesa do século 
XXI 160
Paulo Ricardo Kralik Angelini (PUC-RS)
O “último leitor” e a personificação narrativa de António Lobo Antunes nas 
Cartas da Guerra 160
Pedro Beja Aguiar (PUC-Rio)
Ensaio sobre a cegueira, um romance-síntese sobre a temática do olhar na obra 
de José Saramago 161
Pedro Fernandes de Oliveira Neto (UFERSA)
Estratos filosóficos na obra saramaguiana: o ano da morte do estoico Ricardo 
Reis 161
Pedro Nunes de Castro (UNISC)
“The Business of all”: O abolicionismo, a memória histórica da escravatura 
e a formação do discurso literário português moderno. Dos debates em O 
Investigador Portuguez em Inglaterra e em Correio Braziliense a Alexandre 
Herculano e Eça de Queirós 162
 Pedro Schacht Pereira (Ohio State University)
A dinâmica da violência em o remorso de baltazar serapião, de valter hugo 
mãe 162
Penélope Eiko Aragaki Salles (USP)
O que o italiano médio sabe da literatura portuguesa 163
Philippe Simon (Université de Paris-Sorbonne)
Análise do poema “Súmula” de Herberto Helder na perspectiva do Surrealismo: 
afinidades e divergências 163
Priscila Andrea Merisio (UTFPR)
Lisboa livro de bordo: olhares sobre Lisboa que vão além do óbvio 164
Rachel Hoffmann (FAIMI/UNIESP)
Variações contemporâneas do monumentum horaciano na lírica de língua 
portuguesa 165
Rafael Campos Quevedo (UFMA)
Heroísmos à beira-mar: Cesário Verde e Augusto dos Anjos 165
Rafael Iatzaki Rigoni (UFPR)
O papel do Cavaleiro Medieval na obra “Mensagem”, de Fernando Pessoa 
165
Ranieri Emanuele Mastroberardino (UFPR)
Antologias de poesia brasileira de José Osório de Oliveira 166
Raquel dos Santos Madanêlo Souza (UFMG)
Húmus, de Raul Brandão: mudanças de paradigmas na figuração da 
personagem 166
Raquel Trentin Oliveira (UFSM)
Maria Amália Vaz de Carvalho: uma voz atuante no periódico oitocentista 
Semanário Maranhense 167
Raymara Gaspar Pereira (UFMA)
Diálogos lusitanos: a presença portuguesa em escritos cascudianos 167
Regina Lúcia de Medeiros (UFRN)
Todo o estado de alma é uma paisagem: Paùlismo, Interseccionismo e Lúcio 
Cardoso 168
Regina Márcia de Souza (UFPR)
Se vão da lei da morte libertando: o argumento histórico épico na Comédia de 
Diu 168
Renata Brito dos Reis (UFBA)
“Suave Milagre” e “A aia”: Eça de Queirós e a religião como tema 169
Renata Santos Cruz (UEFS)
O ensino da literatura portuguesa em perspectiva interdisciplinar: O Barão em 
texto, palco e tela 169
Renata Soares Junqueira (UNESP)
O lugar da literatura na escola: o que fizemos nós? 170
Renata Telles (UFPR/UFRGS)
Configurações do homoerotismo masculino nas Canções de António Botto 
170
Ricardo de Freitas Junior (UERJ)
Forças de destruição na obra de Sophia Andresen 171
Rita Barbosa de Oliveira (UFAM)
Fantasmagorias do não retorno: Portugal e a nostalgia colonial como obra 
171
Roberto Vecchi (Universidade de Bologna)
Longe do Bairro, perto dos homens: o estado de exílio em “O Senhor Walser”, 
de Gonçalo M. Tavares 172
Robson José Custódio (UEPG)
Um filho maior que o próprio pai? Sobre a permanência da literatura 
portuguesa na construção de uma estética “genuinamente” brasileira: o caso 
dos Modernismos 172
Rodrigo Alexandre de Carvalho Xavier (UTFPR)
Linguagem e lirismo em Al Berto: uma visada a partir do grotesco 173
Rogério Caetano de Almeida (UTFPR)
“Humanimalização”: os animais e as relações humanas em Galveias, de José 
Luis Peixoto 173
Rosa Alda Souza de Oliveira (UnB)
Eça prefaciador 174
Rosana Apolonia Harmuch (UEPG)
Animalescos, o bestiário contemporâneo de Gonçalo M. Tavares 174
Rosana Zanelatto Santos (UFMS/CNPq/FUNDECT)
A narrativa transgressora de Teolinda Gersão: uma leitura do espaço pela 
perspectiva da experiência 175
Rosângela Guedêlha da Silva (UFMA)
A escrita coletiva do romance Livro, de José Luís Peixoto 175
Rosemary Gonçalo Afonso (UFRJ)
A memória familiar no romance Vermelho, de Mafalda Ivo Cruz 175
Samla Borges Canilha (PUC-RS)
Crítico-mestre de literatura portuguesa: Fidelino de Figueiredo 176
Sandra Ferreira (UNESP)
Luz nas Páginas: Literatura Portuguesa Ilustrada (séculos XIX-XXI) 176
Sandra Leandro (Universidade de Évora)
Guerra: tempo de silêncio e enclausuramento da figura feminina 177
Sandra Maria Gonçalves da Silva (UNEMAT)
Invocamus Te Domine: A dialética Homem-Deus na retórica do padre António 
Vieira 177
Saulo Gomes Thimóteo (UFFS)
“Si vera est fama”: o desafio da poética sebastianista enquanto motor ético 
178
Sebastião Lindoberg da Silva Campos (PUC-Rio)
O Recorte Naturalista de Camilo. Sobre Eusébio Macário e A Corja 178
Sérgio Guimarães de Sousa (Universidade do Minho)
A literatura gótica em língua portuguesa: a proposta de uma história 178
Sérgio Luiz Ferreira de Freitas (UFPR)
Edição crítica da correspondência de Almeida Garrett: balanço geral (2004-
2017) e novas perspectivas (2017-2026) 179
Sérgio Nazar David (UERJ)
Leitura literária em salas de aulas da Região transamazônica-Xingu: um olhar 
estrangeiro e as transações culturais em A Selva, de Ferreira de Castro 
179
Sérgio Wellington Freire Chaves (UFPA)
Os Lusíadas e um panfleto inglês de 1595 180
Sheila Hue (UERJ)
A literatura portuguesa pós-modernista como geradora de reflexões sobre os 
direitos humanos no âmbito escolar 180
Sílvia Nunes Pires (UTP)
Guimarães Rosa e a crítica portuguesa: de Óscar Lopes e Eduardo Lourenço 
181
Sílvio Augusto de Oliveira Holanda (UFPA)
Os paradoxos do niilismo em Antero de Quental, Eça de Queirós e Cesário 
Verde 181
Silvio Cesar dos Santos Alves (UEL)
Relações entre o futurismo português e o regime salazarista: variações sobre 
um mesmo tema 182
Silvio Renato Jorge (UFF / CNPq)
Tradição: entre a herança e a invenção 182
Sofia de Sousa Silva (UFRJ)
Heroínas trágicas em três romances de Lídia Jorge 182
Soraia Lima Arabi (UFMT)
José Saramago e Jorge Amado: Correspondências183
Stélio Furlan (UFSC)
Às margens de uma sociedade: os dilemas dos retornados portugueses nas 
obras O retorno de Dulce Maria Cardoso e As Naus, de António Lobo Antunes 
183
Suzana Costa da Silva (UERJ)
A presença de Alberto Caeiro na poesia de Manoel de Barros 184
Suzel Domini dos Santos (UNESP)
As personagens migrantes nos romances de Inês Pedrosa 185
Tainara Quintana da Cunha (FURG)
Manuel de Freitas e Charles Bernstein: poesia como comunidades de afeto 
185
Tamy de Macedo Pimenta (UFF)
A imensurabilidade do tempo em Os dias contados, de Tolentino Mendonça 
186
Tatiana Prevedello (IFFAR)
O papel do humor na (des)construção do feminino em Adília Lopes e Angélica 
Freitas 186
Telma Maciel da Silva (UEL)
A tríade visão – sonho – pecado nas cantigas de amigo de João Mendes de 
Briteiros 187
Thayane Gaspar Jorge (UERJ)
Da metáfora ao silêncio do mundo na poesia de Manuel António Pina 
187
Thiago Bittencourt de Queiroz (USP)
O primo Basílio de Eça de Queirós em diálogo com a crítica literária brasileira 
188
Thiago Bittencourt (UEPG)
Uma perspectiva ibérica para as letras portuguesas dos séculos XVI e XVII 
188
Thiago César Viana Lopes Saltarelli (UFU)
Entre emulação e modernidade: um estudo das “Conclusões de retórica e 
poética” (1775-1790) 189
Thiago Gonçalves Souza (UERJ/UNIFESSPA)
Poesia e hagiografia: S. Francisco de Assis em versos portugueses do Período 
Moderno 189
Thiago Maerki (UNICAMP)
“Até que” Vieira e o futuro (des)coberto 189
Thomaz Heverton dos S. Pereira (UFBA)
Poética do encontro 190
Tiago Correia de Jesus (UFBA)
Processo criativo em Inês Pedrosa: discurso e memória em Desamparo 
190
Ulysses Rocha Filho (UFG)
Coração, Cabeça e Estômago (Camilo Castelo Branco): modernidade tangente 
na obra de 1862 191
Valeria Evencio de Carvalho (UFPR)
As metáforas das recordações de infância na escrita poética de Sophia de 
Mello Breyner Andresen 191
Vanessa Correia de Araujo Silva (PUC-SP)
Nossa senhora nos autos de António de Portoalegre, Baltasar Dias e Fernão 
Mendes 192
Verônica Cruz Cerqueira (UFBA)
Márcio Ricardo Coelho Muniz (UFBA)
Entre dois mundos: Júlia Lopes de Almeida e o ensino para crianças em Contos 
infantis e Traços e iluminuras 192
Viviane Arena Figueiredo (UFF)
Ética, poder e política: breves reflexões sobre as personagens de Agustina 
Bessa-Luís 193
Viviane Vasconcelos (UERJ)
A importância de Os Lusíadas na Espanha do Século de Ouro 193
Wagner Monteiro Pereira (UFPR)
As Marias no contraevangelho de José Saramago 194
Wilgner Murillo da Conceição Santos (UEFS)
Ressonâncias do gótico na prosa de Eça de Queirós 194
Xênia Amaral Matos (UFSM)
Imagens poéticas decadentistas em Mário de Sá-Carneiro e Florbela Espanca: 
limites cambiantes 195
Zilda de Oliveira Freitas (UESB)
Resumos
ABRAPLIP 2017
33
O monóculo e o paletó cor de macaco : a ironia 
necessária de Eça e de Graciliano
Adriana Coelho Florent (Universidade de Aix Marseille)
É sabido que a imensa popularidade de Eça de Queiroz no Brasil deu lugar a um 
verdadeiro culto do escritor português que, iniciado no século dezenove, ainda 
estava em pleno vigor entre os escritores brasileiros do segundo modernismo. 
A escrita de Graciliano Ramos, desde suas primeiras crônicas nos jornais do 
Rio por volta de 1915, traz a marca deste culto e desta influência, parecendo 
aplicar o mesmo monóculo do mestre à sociedade brasileira da época. Assim, 
num dos capítulos de Infância, o escritor nordestino nos relata o seu primeiro 
encontro com a ironia, graças a um certo paletó cor de macaco, elogiado em 
demasia. O primeiro objetivo deste trabalho é observar de que maneira, a 
exemplo de Eça, Graciliano recorre à ironia como instrumento necessário de 
sobrevivência à mediocridade do seu meio. 
Curiosamente, e esta é a segunda questão que gostaríamos de examinar, 
tanto Graciliano quanto Eça, ao serem reconhecidos como mestres da língua 
portuguesa na arte da ironia e da caricatura pelo meio literário e pelo público, 
foram eles próprios abundantemente caricaturados. Temos aí, ao nosso ver, 
um índice revelador sobre a recepção da ironia entre nós, leitores do espaço 
lusófono.
Os Lusíadas: mito e história Portuguesa
Adriana de Oliveira Teixeira Kato (UFRR)
O século XV é um marco na história de Portugal, pois nesse período, o país 
conquista a hegemonia através do monopólio do comércio marítimo que se 
consolida com a descoberta do caminho às Índias por Vasco da Gama. As 
conquistas portuguesas, a história, e o renascimento literário são retratados 
de forma magnífica e ufana pela epopéia Camoniana, Os Lusíadas. Nesta obra, 
Camões, põe em evidencia a história de Portugal pela ótica renascentista, 
fazendo ainda, uma bela homenagem ao povo português em decorrência 
da garra e determinação que os levou em busca de construir um futuro mais 
imponente que o passado. A narrativa se desenrola a partir da saída de Vasco 
da Gama para a conquista do Caminho às Índias, até o retorno das naus a 
Portugal. Nesse percurso, oberava-se a influência da mitologia greco-romana 
no decorrer das aventuras e desafios da viagem, bem como a presença da 
fé cristã, na perspectiva de expansão religiosa, caracterizando o ecletismo 
religioso presente na narrativa. Neste sentido, este trabalho objetiva analisar 
os elementos míticos e históricos que compõem o poema épico “Os Lusíadas” 
de Camões, buscando ainda, compreender os principais aspectos estéticos 
que configuram a epopéia Camoniana. Tendo como pressuposto, que a 
relevância deste trabalho está em por em voga a importância de Os lusíadas 
para a história da literatura portuguesa, como síntese de sua evolução, bem 
como influência para a literatura mundial.
ABRAPLIP 2017
34
O teatro português - perspectivas para o ensino e a 
pesquisa nas universidades brasileiras
Agnaldo Rodrigues da Silva (UNEMAT)
Pensar as perspectivas para o ensino e a pesquisa do teatro português nas 
universidades brasileiras é um desafio, quando se inclui na discussão as 
instituições localizadas nas regiões periféricas do país, cuja graduação é em 
Letras/ português, com habilitação na língua e sua respectiva literatura. Esses 
cursos, na sua maioria (talvez totalidade), apresentam nas suas ementas 
conteúdos que abordam os dramaturgos e as exemplaridades da cultura 
portuguesa, o que exigiria um conhecimento além do mero estudo das 
características literárias. Nessa dicotomia texto e cena, entra em questão a 
necessidade de um trabalho que articule o conhecimento do teatro e seus 
pressupostos. Rosenfeld (1993), em Prismas do teatro, salienta que o teatro não 
é literatura, é uma arte diversa, e, por isso, tem o poder de suscitar motivações 
para uma dinâmica de leitura que atinja não só o elemento literário, mas 
também as outras artes às quais a produção cênica pressupõe, tais como: 
artes visuais, música e dança (e não só). Diante do exposto, podemos dizer 
que o trabalho com o teatro pode constituir um meio eficaz para se alcançar 
êxito na aquisição do gosto pela leitura e desenvolvimento da expressão, 
tendo em vista que é uma manifestação significativa das civilizações, capaz 
de desenvolver a potencialidade humanizadora. Nessa direção, torna-se 
necessária uma discussão pontual sobre o assunto, a fim de que as Instituições 
de Educação Superior que habilitam para o ensino da língua materna e suas 
respectivas literaturas (neste caso o português), possam ampliar o ensino e a 
pesquisa sobre as peças teatrais portuguesas para além do horizonte literário, 
atingindo conhecimentos da esfera da cultura, da arte e do espetáculo.
“A recepção da literatura portuguesa: o caso da obra 
de Fernando Pessoa.”
Albertina Pereira Ruivo (Université Paris Sorbonne-Paris IV)
A obra de Fernando Pessoa, depois de ter sido esquecida durante um longo 
período, acaba por ser conhecida e por ultrapassar as fronteiras. Graças aos 
estudiosos e aos tradutores a obra do poeta português tornou-se incontornável 
em vários países nomeadamente em França. Onde a sua obra encontra 
um grandesucesso, Pessoa é o único escritor português a ser publicado na 
prestigiosa colecção da Plêiade. A obra do autor ganhou grande notoriedade 
em países de língua estrangeira, mas também teve impacto do outro lado do 
Atlântico, em língua portuguesa sobretudo na música brasileira.
Num primeiro tempo observaremos como a literatura portuguesa se impôs em 
países de língua estrangeira através das traduções em várias línguas. Em seguida 
veremos como as obras literárias, nomeadamente a obra de Fernando Pessoa, 
integram outros domínios da arte como a música e a ficção.
ABRAPLIP 2017
35
Breviário do Brasil de Agustina Bessa-Luís: uma poética 
da relação.
Alda Maria Lentina (Universidade de Dalarna)
Propomo-nos analisar o diário de viagem, Breviário do Brasil (1991), no qual a 
autora portuguesa, Agustina Bessa-Luís, explora as relações Luso-brasileiras. 
Uma relação que, segundo Anamaria Filizola, se constrói entre “ressentimento/
fascínio” e “o que nos aproxima” e na qual a literatura desempenha uma papel 
preponderante para “preencher os silêncios”. O nosso trabalho tentará abordar 
este diário à luz das ideias desenvolvidas por E. Glissant com o conceito de 
“poética da relação”, enquadrando-o também no que Gisele Sapiro e Pascale 
Casanova, entre outros, definem como uma “Literatura-mundo”.
Aspectos da teopoesia na escritura do heterônimo 
Álvaro de Campos de Fernando Pessoa
Alexandre Bonafim Felizardo (UEG)
De acordo com nossa proposta, intentamos analisar a figurativização de 
Deus na poesia do heterônimo Álvaro de Campos de Fernando Pessoa. 
Nesse sentido, utilizaremos a teoria da teopoética, corrente da crítica literária 
dedicada à pesquisa do sagrado e da imagem divina na literatura, para 
verificarmos as dinâmicas assumidas por Deus na escritura de Campos. Dessa 
forma, pretendemos analisar, no referido heterônimo, os sentidos simbólicos 
adquiridos pela divindade em sua escrita e quais os dilemas, as problemáticas 
assumidas pelo eu lírico frente a tal presença sacra. Nosso objetivo, portanto, 
será mapear e analisar os sentidos da teopoesia na obra do heterônimo Álvaro 
de Campos de Fernando Pessoa. Dentre nossas diretrizes teóricas de grande 
relevância, temos como base fundamental o pensamento de Karl-Josef 
Kuschel, pensador alemão responsável pela criação da teoria da teopoética e, 
para tanto, utilizaremos sua principal obra como sustentação teórica, intitulada 
Os escritores e as escrituras.
Comunidades leitoras, legibilidades comuns: literatura 
portuguesa no Brasil
Alexandre Montaury Baptista Coutinho (PUC-Rio/CNPq)
A comunicação pretende examinar pressupostos teóricos operativos para 
o ensino da literatura portuguesa no Brasil. A revisão pós-colonial e o giro 
decolonial podem oferecer instrumentos relevantes para a análise de textos 
literários canônicos e não-canônicos da literatura portuguesa, que hoje exigem 
abordagens capazes de compreender lugares de leitura singulares, demarcando 
a experiência de leitores brasileiros. Dar legibilidade a textos portugueses 
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no Brasil é, muitas vezes, um trabalho que pressupõe a necessidade de 
desocultação da condição colonial brasileira. Nesta comunicação, pretende-se 
verificar a possibilidade de releitura de textos canônicos a partir do conjunto 
de correntes teóricas associadas ao pós-colonialismo.
Rosalia de Castro: autora portuguesa(?)(!)
Alexandre Silveira Campos (UNESP)
A escolha da pontuação, interrogativa ou exclamativa, no título desta 
comunicação também define um marco de posicionamento político, 
linguístico e literário que envolve todas as comunidades de língua portuguesa 
e a postura destas frente a novos desafios sociais e literários. Rosalia de 
Castro é considerada como a fundadora da literatura galega moderna e em 
seus poemas desfilam cantigas populares, injustiças sociais, os sentimentos 
de sua gente e seu amor por sua língua e sua pátria, Galiza. Em vista dessas 
observações, esta comunicação tem o objetivo de colocar em debate a 
questão da aproximação – ou reaproximação, visto sua comum origem - 
da língua galega e da língua portuguesa e de suas comunidades lingüísticas 
através da proposta de inclusão da obra de Rosalia de Castro no arcabouço 
dos estudos de literatura portuguesa. Em consonância com movimentos 
contemporâneos de aproximação do Galego e do Português, a exemplo da 
fundação da Academia Galega da Língua Portuguesa (fundada em 2008 e em 
plena atividade) e da promulgação no parlamento galego da Lei Valentin Paz-
Andrade em 2014 (cujo propósito de suas ações é integrar a variedade galega 
ao conjunto de variedades de língua portuguesa) a reivindicação de uma obra 
como a da escritora Rosalia de Castro se faz necessária e urgente. Pois é certo 
que muito mais do que na literatura castelhana (que já lhe tem apropriada e 
não necessariamente deva ser excluída) o falante e leitor de língua portuguesa 
se reconhece nos “ais”, “inhas” e “inhos” de sua magistral poética.
Em nome do pai: a forma do luto na obra de José Luís 
Peixoto
Aline de Almeida Rodrigues (UCP)
Morreste-me (2000), primeiro livro publicado por José Luís Peixoto, mostra 
um relato intimista da forma como um filho busca lidar com a doença e a 
morte de seu pai. Apesar de se tratar de um livro que se situa no limiar entre 
o autobiográfico e literário, nele está prenunciado o drama poético que 
pretendemos desenvolver neste trabalho a respeito da obra do romancista. 
No referido romance, a morte do pai é a força motriz para a tinta da pena 
com a qual a narrativa é escrita - a campa do pai é o berço do escritor-filho. A 
questão que norteia este trabalho consiste em desvendar como a linguagem 
se encarrega de dar corpo ao luto por meio de um lirismo “luminoso, e ao 
mesmo tempo tristíssimo – ou seja, absolutamente português.” (AGUALUSA). 
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Interessa-nos aqui a ficcionalização da morte e, principalmente, do luto; 
observar os traços que esse sofrimento assume no discurso literário do autor 
em questão. Com efeito, é a morte o leitmotiv do percurso literário de José 
Luís Peixoto, portanto, ser leitor de sua obra é observar como essas perdas que 
acontecem ao longo da vida – tendo, em seu caso, como ponto de partida a 
morte física do pai – são ou não significadas e simbolizadas.
A moral e a ética religiosa na poesia satírica de 
Bocage
Aline Fernanda Fabricio de Andrade (UNICAMP)
A sátira é um gênero recorrente em vários períodos da literatura portuguesa, 
constituindo-se uma constante da identidade cultural lusitana. Sua importância 
na literatura portuguesa consiste o motivo que incentivou a realização deste 
trabalho. Realizamos uma análise dos poemas de Manuel M. Barbosa du 
Bocage (1765-1805), especificadamente do livro Poesias eróticas, burlescas 
e satíricas (1969), o que possibilitou um estudo da poesia satírica em um 
momento histórico importante para a sociedade portuguesa: a modificação 
da estrutura da cultura portuguesa idealizada por Verney. 
Alcir Pécora (2001) diz que a crítica, tanto brasileira quanto portuguesa, tem se 
ocupado pouco de Bocage, conferindo uma significativa ausência de estudos 
em relação à sua obra satírica. Percebeu-se que a crítica literária direcionou 
e, aparentemente ainda direciona seu foco somente para a lírica bocagiana, 
deixando de lado toda a sátira produzida pelo escritor árcade. Sátira esta que 
Bocage se utiliza para empreender uma crítica à sociedade portuguesa, na qual 
abrange desde assuntos sociais, passando por uma reflexão sobre a literatura 
e os preceitos árcades, até uma crítica à religião. Este último aspecto é o que 
mais nos interessa neste estudo, uma vez que nos debruçamos em analisar a 
moral e a ética religiosa na poesia satírica de Bocage.
O entrecruzamento entre o eu e o outro diante da 
esfera pública e privada construída em O homem 
duplicado, de José Saramago
Aline Santos Pereira (UFPR)
Considerando a obra O homem duplicado, de José Saramago, é possível afirmar 
que, diante de tal texto, o leitor depara-secom um exímio jogo identitário 
delineado entre as páginas literárias. A figura de Tertuliano Máximo Afonso, 
professor de História, personagem central da trama, transmite, face à situação 
narrada, sentimento de angústia e dúvida ao questionar o próprio eu e buscar-
se a si mesmo no outro e vice-versa. Assim, ao encontrar seu duplo – a figura 
dele mesmo –, não como uma metáfora, mas como um duplicado, igual no 
sentido físico, Tertuliano percebe-se em uma linha tênue entre o público e 
o privado, visto que ao buscar compreender o eu, o professor de História 
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torna-se sujeito ativo na sua própria vida e em consequência de procurar 
alcançar a si mesmo, ele seleciona quais aspectos da sua própria identidade irá 
mostrar àqueles que o rodeiam, aludindo a metáfora de Sennett (1988) sobre 
a criação de cenas do espaço público, posto que por maior conhecimento 
que a plateia tenha sobre aspectos que compõem a vida privada do ator, não 
será suficiente para legitimar o que ele faz no palco, ou seja, por mais íntima 
que sejam as relações do indivíduo, aqueles que o rodeiam jamais saberão 
se o que está sendo apresentado é factível ou não, completo ou não. Dessa 
maneira, procurou-se compreender, a partir das influências entre o público 
e o privado, a construção identitária do personagem central de Saramago, 
pontuando acerca das turbulências vivenciadas por Tertuliano a fim de sanar 
questionamentos sobre a existência dele e o que o qualifica como indivíduo 
único e real.
Blimunda: relações de poder e resistência em Memorial 
do convento, de José Saramago
Amanda Gomes de Matos Ramos (UERJ)
Esse estudo procura analisar a resistência da personagem, Blimunda Sete Luas, 
às relações de poder que a cercam durante toda a narrativa. Ela é personagem 
potência na obra Memorial do Convento do escritor português José Saramago.
Para esta análise, levaremos em conta os conceitos de poder e resistência 
de Michel Foucault. Sendo assim, seguiremos a ideia de que as relações de 
poder são difusas e se exercem a partir de todos os afetos que praticamos 
e sofremos. E pensaremos na ideia de resistência como a criação de estilos 
e modos de vida que caminham paralelamente às forças de poder que nos 
afetam. 
A ideia é pensar a resistência como dobra da própria força, como um processo 
de subjetivação, um afeto de si por si. Resistência às relações de poder 
dentro de um diagrama de Soberania, com seus saberes e discursos próprios. 
Analisaremos as condições de vida criadas por Blimunda Sete Luas diante do 
afeto das relações de poder em seu entorno.
 No decorrer de sua vida, a personagem, que já é singular desde o inicio da 
obra, vai se potencializando cada vez mais e essa força tem seu auge no 
desaparecimento de seu companheiro, Baltasar Sete Sóis . 
Em meio à procura de seu companheiro, Blimunda já não mais conta as horas 
ou as léguas percorridas, sua relação com a vida é outra. Blimunda já tem outro 
tempo, outra duração, uma dobra, uma relação consigo resistindo ao poder.
Blimunda será a personagem que seguiremos neste trabalho, acompanhando 
todo o seu processo de Ser diante das forças que a cercam.
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Sobre os espelhos nos poemas de Florbela Espanca: 
indícios representativos
Amanda Moury Fernandes Bioni (UFPE)
A presente proposta assume um olhar investigativo sobre a simbologia 
especular, especificamente, ao que se refere à tradição do simbolismo 
catóptrico (BRADLEY, 1954; JÓNSSON,1995) descobertas pelo fazer literário 
poético da escritora portuguesa. É importante perceber que a contemplação 
do sujeito lírico através de um espelho elementar ou alegórico entusiasma 
uma escrita flutuante, a qual põe a realidade empírica em suspense. Desse 
modo, se analisa, nessa proposta os seguintes poemas florbelianos: “Eu”, “Que 
diferença!” e “Cegueira Bendita”, pertencentes aos livros, respectivamente, 
Livro de Mágoas (1919) e Trocando Olhares (1915- 1917), buscando perceber 
como as relações especulares, as quais evocam, entre outras perspectivas, 
o ver e o ser visto, são estabelecidas através dos textos. Finalmente, ao 
compreender que a imagem possui a capacidade de harmonizar realidades 
opostas, a experiência especular e contemplativa resulta bastante conveniente 
à análise dos poemas selecionados, tendo em vista que a pretensão geradora 
dessa proposta é esclarecer que a poesia lírica não é simples enunciação 
emotiva, porém uma dissociação criativa entre o aparecer e o parecer, de acordo 
com Bosi (2000). Além disso, é importante acrescentar as investigações de 
Pozuelo (1997), que indicam o caráter inventivo da lírica poética, através da 
disposição e organização de mundos imaginados. Outros teóricos como Dal 
Farra (1997, 2006), Junqueira (1992) e Blikstein (2003) também são utilizados 
como referência.
A Mariposa, de Maria Peregrina de Sousa: um inseto 
social?!
Ana Cristina Comandulli da Cunha (UNIRIO/RGPL/Centro de Estudos 
Clássicos – FLUL)
Maria Peregrina de Sousa escreveu, no periódico portuense Braz Tisana, um 
romance chamado A Mariposa. Mais do que um inseto, a mariposa, personagem 
criada por Peregrina desfrutou da inocência das crianças e cresceu em meio 
aos adultos. A Mariposa passou grandes momentos: alguns escapando da 
morte, outros, talvez mais interessantes, viajando entre os seres humanos, nos 
quais solta a participar das relações amorosas, políticas e sociais do Portugal 
oitocentista. Seguindo o pensamento de Michel Foucault, em A Ordem do 
Discurso, em uma sociedade, onde nem sempre se tem o direito de dizer tudo, 
um procedimento utilizado é o jogo da interdição. A pergunta que se coloca é: 
A Mariposa é um texto que intenta apenas entreter seus leitores com a história 
de um inseto ou Maria Peregrina de Sousa utiliza um tipo complexo de jogo 
narrativo para burlar os impedimentos e desnudar uma sociedade repleta de 
convenções?
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Convergências vergilianas: arte, palavra, vida
Ana Cristina Fernandes Pereira Wolff (UTFPR)
Vergílio Ferreira é um ficcionista que dispensa apresentações. Seus romances, 
diários e ensaios repercutem sua particular relação com a linguagem, revelando 
um homem impelido a escrever ao longo de toda a vida, labutando, lapidando, 
condensando a palavra em busca da máxima expressão. As limitações da 
língua e da linguagem foram um desafio para o escritor que, artisticamente, 
superou-as e deixou um legado literário ímpar no contexto das literaturas de 
língua portuguesa. Consciente de que somente a arte é capaz de expressar 
o mais grave e importante do homem, Ferreira trabalhou incansavelmente a 
palavra, palavra “mistério”, extraindo dela os mais diversos efeitos para, enfim, 
apreender o sentido da vida que se oculta na (e da) própria vida. Sua palavra 
criadora, genesíaca, instaurou universos ficcionais que falam do homem e ao 
homem, abrindo-se à revelação e aguçando a sensibilidade do leitor. Diante 
disso, esta comunicação reflete a respeito da estreita relação de Ferreira com 
a linguagem, num trabalho de depuração rumo à palavra essencial, inaugural, 
sagrada. Para tanto, apoiamo-nos em romances e ensaios vergilianos, bem 
como em trabalhos de críticos e pesquisadores brasileiros e portugueses.
A composição do universo zoológico de Os cus de 
Judas
Ana Cristina Pinto Bezerra (UFRN/IFRN)
O romance Os cus de Judas (1979), de António Lobo Antunes constitui-se a 
partir da rememoração da aprendizagem empreendida pelo narrador em sua 
vivência na guerra colonial em África. Tal momento impulsiona no sujeito uma 
série de transformações, vistas na narrativa sob o epíteto de metamorfose, 
algo que é permeado pela agônica experiência no solo angolano. Uma dessas 
vias de transformação recai na conversão dos “aclamados heróis lusitanos” 
a um repertório zoológico que surge na narrativa como uma forma de 
simbolizar e intensificar a amplitude da degradação moral e física vivenciada 
em prol de um conflito sem razão. Dessa maneira, pretende-se analisar de 
que forma a metamorfose animalescaocorre na prosa à medida que seria 
relatado o período de “aprisionamento ao largo do arame” vivenciado pelo 
“eu narrador”, do mesmo modo que se busca compreender as implicações 
de sentido relacionadas à construção de uma “fauna romanesca” na obra em 
questão de Lobo Antunes, dialogando com o contexto histórico-social da 
antiga metrópole portuguesa. Para tanto, serão cruciais as leituras das análises 
de pesquisadores, como Maria Alzira Seixo (2002), Norberto do Vale Cardoso 
(2016) que se dedicam ao estudo da obra desse literato para compor, assim, 
esta análise na qual se anseia perceber as linhas de composição do universo 
zoológico de Os cus de Judas.
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A relevância dos espaços no romance Combateremos 
a Sombra, de Lídia Jorge
Ana Denise Teixeira Andrade (UniRitter)
Os espaços assumem real importância na consolidação da memória. Tudo 
o que acontece pode ser facilmente lembrado, porque é possível associar 
o acontecimento a um determinado lugar. Dessa forma, todo ambiente 
é memorável. Outro fato é que esses locais frequentados, jamais estão 
completamente desabitados. Isso quer dizer que ninguém está a sós com suas 
recordações, pois há uma memória coletiva presente emcada acontecimento, 
em todos os ambientes. A leitura do romance lusitano Combateremos a Sombra 
(2014), de Lídia Jorge, promove tal discussão. Em cada local frequentado pelo 
protagonista, o psicanalista e professor Osvaldo Campos e seus pacientes, a 
memória é evocada. Em todos os ambientes há algo para recordar. Gaston 
Bachelard, em A poética do espaço (s/d), revela que todos os espaços, 
objetos e móveis que fazem parte do cenário são significativos e evocam às 
lembranças e o imaginário. Também Paul Ricoeur, em A memória, a história, 
o esquecimento (2012), e Maurice Halbwachs, com A memória coletiva (2003) 
enfatizam a relevância do ambiente para a consolidação das memórias, bem 
como esse, ainda, salienta que as lembranças não são unicamente de um 
indivíduo, uma vez que é formada pela comunhão de diferentes memórias 
coletivas. Na esteira desse pensamento, as recordações só existem, em sua 
plenitude, porque estão associadas a lugares e indivíduos, que trazem consigo 
uma “bagagem” repleta de experiências e memórias.
A crise identitária do sujeito pós-moderno na crônica 
A consequência dos semáforos, de António Lobo 
Antunes
Ana Lucia Jesus da Silva (UEFS)
Neste estudo, objetivamos analisar a crise identitária do sujeito pós-moderno 
na crônica A Consequência dos Semáforos (1998) de António Lobo Antunes, 
escritor pós-moderno, que tece uma crítica às sociedades portuguesa e 
ocidental do século XX e XXI. Lobo Antunes lança um novo olhar para as 
problemáticas sociais, construindo uma narrativa crítica, e manifesta suas 
inquietações em relação a vida humana, fazendo seus leitores refletirem e 
questionarem o ser e estar, no mundo moderno. Os personagens da crônica são, 
em sua maioria, indivíduos comuns e desassistidos pelo governo, a exemplo 
dos: Vendedores ambulantes, tuberculosos, microcefálicos, macrocefálicos, 
coxos, mongoloides, entre outros pobres e enfermos. A presente crônica 
mostra o reflexo de uma sociedade fragmentada que valoriza o consumismo, 
o individualismo e o efêmero. Em decorrência desses fatos, o protagonista 
mostra-se indignado diante do caos que enfrenta nas ruas, em sua vida 
cotidiana. Toda esta crise de identidade nos leva à discussão da fragmentação 
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do sujeito pós-moderno. Para fundamentar este estudo, utilizaremos as ideias 
de: Arnaut (2009), Bauman (2001), Bakhtin (2013), Hall (2006), Hutcheon 
(2000), Valverde (2014) dentre outros.
A demonização do feminino: a misoginia em “Sonhos 
de Lancelote” n’A Demanda do Santo Graal
Ana Luiza Magalhães Poyaes (UERJ)
A novela de cavalaria A Demanda do Santo Graal é uma obra de autoria anônima, 
sendo sua versão portuguesa datada no século XIII. Com raízes em lendas celtas 
e na Matéria de Bretanha, seu conteúdo foi, todavia, cristianizado e modificado 
ao longo do tempo. A narrativa é caracterizada pela busca do santo cálix, sendo 
os cavaleiros que o demandavam a todo tempo postos à prova quanto à sua 
devoção, cristandade e honra. Lancelote possui bastante relevância na novela, 
tendo uma relação carnal com a Rainha Genevra; entretanto, durante a obra lhe 
são apresentadas algumas possibilidades de redenção dos pecados, como em 
sonhos. Em “Sonhos de Lancelote” podemos observar explicitamente como 
se dá o discurso moralizante na Idade Média em relação às mulheres, uma 
vez que Lancelote é advertido de seus pecados por meio da demonização de 
personagens femininas, reforçando a visão pejorativa da mulher na sociedade 
medieval. Essa passagem da novela ressalta ainda o feminino como obstáculo 
para elevação espiritual do homem, aproximando-o da imagem de Eva. Desse 
modo, pretendemos compreender como as representações da feminilidade 
demonizada n’A demanda do Santo Graal dialogam com princípios cristãos, 
fortalecendo o discurso misógino presente na sociedade medieval.
Aspectos e feições da Literatura Portuguesa nas 
pesquisas de Pós-Graduação no Nordeste
Ana Marcia Alves Siqueira (UFC)
O trabalho investiga, a partir do levantamento quantitativo da base de dados 
dos bancos de teses e dissertações disponíveis nas bibliotecas das universidades 
públicas do Nordeste, a situação dos estudos relativos à Literatura Portuguesa 
nos Programas de Pós-Graduação dessas instituições, objetivando refletir 
sobre o desenvolvimento do ensino e da pesquisa em Literatura Portuguesa 
na região onde há um contexto heterogêneo de Programas, alguns com longo 
histórico e desenvolvimento de pesquisa e outros relativamente novos. O 
conhecimento da situação das investigações sobre o assunto pode levar a uma 
melhor definição de estratégias para o fortalecimento das pesquisas na área, 
desafio importante para a ABRAPLIP.
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“O céu de todo o deus deserto”: uma análise da 
fortuna crítica de Sophia de Mello Breyner Andresen
Ana Maria Ferreira Côrtes (UNICAMP)
Esta comunicação discutirá a fortuna crítica de parte da obra poética da poeta 
portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen. Nosso intuito é mapear de 
que maneira a poesia da autora foi recebida, conferindo particular destaque 
às temáticas da religião, do sagrado e da presença de conteúdos relacionados 
à cultura greco-latina. A ênfase conferida a essas questões se deve ao fato 
de que, na análise do corpus poético, partimos da hipótese de que a poesia 
de Andresen solicita um exercício hermenêutico, o qual se fundamentaria 
na tensão dialética entre as instâncias da imanência e da transcendência 
em seus poemas. Essa leitura iria de encontro a uma postura já consolidada 
de sua fortuna crítica, que atribuiria à poética de Andresen uma clareza de 
sentidos, vinculada a um vocabulário preciso e a uma tematização do mundo 
sensível. Nesse sentido, ao estudar a fortuna crítica de Andresen, buscamos 
compreender como essas questões vêm sendo compreendidas pela crítica, 
levando em conta nossa hipótese e a relação entre a suposta simplicidade de 
sua poesia e a dificuldade ou impossibilidade de empreender um exercício 
hermenêutico.
A figura de José do Telhado em Camilo Castelo 
Branco e José Mena Abrantes
Ana Maria Lange Gomes (UNESP)
José do Telhado foi um famoso militar e salteador português que entrou no 
imaginário do povo por representar uma espécie de “Robin Hood português”. 
Conheceu Camilo Castelo Branco quando esteava preso na Cadeia da Relação, 
e esse envolvimento foi relatado pelo escritor em seu livro Memórias do Cárcere. 
Em 1859 foi condenado ao exílio na África, onde passou a ser conhecido pelo 
apelido de kimuezo, homem de barbas grandes. Assim, essa figura, além 
dos português, ocupou também o imaginário africano, sendo retratado por 
alguns escritores, dentre ele, o dramaturgo José Mena Abrantes. Isto posto, 
esta comunicação propõe uma leitura comparativa desta figura mítica na 
perspectiva da obra desses dois autores,enfatizando os contextos histórico-
sociais de inserção das narrativas.
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A recepção crítica da Prosopopeia (1601) de Bento 
Teixeira e a “política literária” brasileira
Ana Paula Gomes do Nascimento (USP)
Soares Amora, em texto de 1957 intitulado A Prosopopeia de Bento Teixeira 
Pinto, à luz da moderna camonologia, sugeriu que as leituras do poema de 
Bento Teixeira deveriam ser estudadas de modo a identificar a existência de 
uma “política literária” brasileira. De fato, o poema é referido desde a edição 
de 1873, elaborada por Ramiz Galvão no Rio de Janeiro, como o primeiro da 
literatura brasileira, embora seu mérito poético seja questionado. 
Amora percebe, então, que as abordagens ao poema não têm exatamente a 
ver com uma crítica literária, pois apenas afirmam que se trata de um poema 
de valor histórico sem, no entanto, se aprofundar na técnica poética exercitada 
nele. O estudioso aproxima a Prosopopeia d’Os lusíadas, mas sem classificar 
tal proximidade como negativa, e indica que acompanhar as leituras desta 
funcionaria como um verdadeiro “estudo de caso” sobre os métodos da nossa 
crítica e sobre o que ela revela da nossa postura com relação a Portugal. As 
leituras desde o século XIX criam uma ruptura entre o que seria a “literatura 
portuguesa” e a “literatura brasileira” em tempos coloniais, uma vez que surgem 
no contexto do estabelecimento do Brasil como estado-nação independente 
de Portugal.
Nesta comunicação, portanto, percorreremos os caminhos da crítica ao 
poema desde o aparato de sua publicação em Lisboa no ano de 1601 até os 
dias atuais. Nosso objetivo é demonstrar que a hipótese de Soares Amora é 
pertinente, assim como indicar as novas abordagens ao poema, tributárias dos 
estudos sobre a retórica.
O poder do tempo e a força da memória em Os cus 
de Judas
Ana Paula Martins Costa (SEDUC/AM)
Antonia Barbosa de Oliveira (SEDUC/AM)
Este trabalho tem por finalidade analisar como a memória é ativada no 
decorrer da narrativa em Os cus de Judas, de António Lobo Antunes - e como 
a personagem é capaz de levar o leitor em seu passeio oscilando entre “os 
passados” e o presente sem um futuro certo. Para compreender a transição da 
personagem entre “os tempos” faz-se necessário uma definição de um termo 
familiar à filosofia, neste caso, o tempo, pois, dentre as conceituações aludidas 
ao vocábulo, está a que se encaixa como ponto de partida deste estudo. O 
tempo é definido no dicionário de filosofia por duas composições distintas: 
a memória retentiva e a memória reminiscente. Diante delas circulam três 
concepções de tempo como movimento mensurável, movimento intuído e 
o tempo como estrutura de possibilidades, sendo que o último conceito não 
será aprofundado pela relevância dos dois primeiros na obra de António Lobo 
Antunes. O flashback realizado pelo narrador-personagem é ativado em 
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uma conversa de bar desencadeando um ir e vir no tempo aparentemente 
desordenado, mas que revelará fases de sua vida na infância, juventude e 
vida adulta captados pelo passado distante e recente, que vão sendo ativados 
durante a narrativa através dos sentidos. Trata-se de um processamento 
mental no qual o sujeito da enunciação despeja, num tom confessional, fatos 
angustiantes na tentativa de exorcizar seu passado na verbalização de sua 
experiência traumática do período de guerra.
Modernidade e experimentação em Ana Hatherly
André Luiz do Amaral (UNESP)
O conceito de modernidade articulado por Ana Hatherly não é o de evento, 
no sentido de um acontecimento irrepetível, mas de série, na medida em que 
a modernidade se apresenta sucessiva e ininterruptamente, desde o século 
XIX, numa dinâmica acumulativa. Segundo ela, a(s) modernidade(s) implica(m) 
numa nova atitude frente ao poema, inaugurada por Mallarmé, como 
atestam também Walter Benjamin e o grupo da Poesia Concreta no Brasil. A 
visualidade, a experiência do espaço do poema e o uso incomum da linguagem 
rompem com a retórica burguesa da literatura, então dominante. Essa visada 
é devedora de Adorno, para quem a experimentação é o fundamento do 
processo produtivo da obra de arte moderna, construída na ruína, melancolia 
e perda. Em Hatherly, a reflexão teórica sobre a Modernidade, elaborada em O 
Espaço Crítico (1979) e amadurecida A casa das musas (1995), tem seu reflexo 
em toda a sua atividade poética, principalmente em obras como Rilkeana 
(1999), O Cisne Intacto, (1982) e 463 Tisanas (2006). 
Caos por ordenar: os duplos em O homem duplicado
Andrea Bittencourt (UFPR)
Em O homem duplicado, obra de 2002, José Saramago, um dos expoentes 
literários portugueses contemporâneos, aborda mais uma vez a temática 
pós-moderna, especificamente, a questão da identidade e sua perda, numa 
sociedade globalizada. Considerando tal temática e tomando como principal 
apoio teórico a obra de Stuart Hall, A identidade cultural na pós-modernidade, o 
objetivo deste trabalho é analisar a presença de duplos diversos, principiando 
pelos personagens principais (Tertuliano Máximo Afonso e António Claro/
Daniel Santa-Clara) e atingindo os secundários, representados pelas três 
mulheres que orbitam os protagonistas: Helena, Maria da Paz e Carolina 
Máximo. Com essa perspectiva, mais do que analisar as transformações 
identitárias em Tertuliano e António, decorrentes do percurso em busca de 
seus eus, quer-se identificar também o modo como tais transformações 
atuaram na (re)construção identitária dos indivíduos atingidos pelo processo 
pelo qual passa os dois personagens principais da narrativa.
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Crime e Ficção: O Porto de Gervásio
Andreia Alves Monteiro de Castro (RGPL/Centro de Estudos Clássicos - FLUL)
No final do oitocentos, investigadores, médicos e peritos contam com um 
novo aparato científico para comprovar a ocorrência e descobrir a autoria de 
um crime. Os periódicos e os romances passaram a retratar e registrar tais 
procedimentos em detalhes. Gervásio Lobato, atento às inovações da ciência, 
trazidas para a literatura, abordou, em Os Mysterios do Porto (1890-1891), 
os sofrimentos e as aspirações dos que não podiam ou não conseguiam se 
encaixar no senso comum, por isso mesmo mais sujeitos à delinquência. O 
escritor lisboeta mais conhecido por seu sucesso na comédia e na sátira de 
costumes, baseado em crimes e julgamentos reais, também escreveu sobre 
mortes sangrentas, sociedades secretas e violência e exploração sexual, 
empregando uma linguagem sensacionalista e por vezes picante para os 
padrões do seu tempo, e também urdindo enredos carregados de suspense e 
erotismo com o intuito de atrair a atenção de um público leitor acostumado a 
acompanhar esses casos nos jornais e revistas.
Conselheiro Acácio: “Cavalheiro mais sábio que 
Zarathustra” – recorrência e influência na mídia 
brasileira
Andréia Márcia de Castro Galvão (Universidade do Minho)
Em meio das históricas e complexas relações luso-brasileiras, Eça de Queiroz 
destaca-se como um dos poucos autores que em certo sentido ‘mediou’ tais 
relações, nomeadamente nos campos literário e cultural. No Brasil, Eça obteve 
um consenso poder-se-ia dizer quase unânime, tanto que o sucesso de suas 
obras, sobretudo após o lançamento d’O Primo Basílio (1878), encontra-
se fartamente documentado nos jornais e revistas da época. Com efeito, é 
possível observar que, mesmo décadas após os lançamentos e após a morte 
do escritor, alguns de seus personagens, tornados icônicos, figuravam ainda na 
mídia, qual personalidades reais. Partindo dessas premissas, essa comunicação 
visa comentar a ‘influência’ de uma das criações ecianas que mais fascinou a 
intelectualidade brasileira do período: o Conselheiro Acácio. As variadas frases 
atribuídas ao referido personagem, a sua caracterização (no título: da revista 
Careta, de 1920) e a múltipla utilização de seu nome como pseudônimo etc. 
servem a ressaltar tanto a grande importância da literatura na vida cotidiana 
brasileira da época, quanto a aclamação de Eça de Queiroze suas obras/
personagens como parte preponderante desse mesmo cotidiano.
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Realismo Mágico Antropológico – a arte de 
transformar a vida comum em excepcional
Andressa Luciane Matheus Medeiros (UFPR)
A presente comunicação tem como objetivo comparar os textos: o nosso 
reino, de Valter Hugo Mãe e Campo GeraL, de João Guimarães Rosa, os textos 
apresentam como protagonista duas crianças que interpretam o mundo 
real de uma maneira profundamente poética – o comum, transformado em 
excepcional, porém com contornos habituais. Essa interpretação, em grande 
medida, é motivada pela presença marcante da religiosidade e das crendices 
que exercem a função mitopoética os quais motivam Miguilim e Benjamim a 
interpretar a realidade de forma mágica e transformar os aspectos do cotidiano 
em algo excepcional – como acontece no realismo mágico.
Também no realismo mágico a percepção do espaço geográfico e literário 
se faz essencial para analisar os demais aspectos do enredo, no caso das 
narrativas há um limite físico imposto por elementos naturais, no primeiro 
caso pela mata, e no segundo pelo morro, essa limitação é ao mesmo tempo 
aquilo que lhes fornece elementos para imaginar o que não se é dito, o que 
está para além de suas vivência no seio do ethos
A análise dos textos adotará a perspectiva teórica do realismo mágico, a 
partir da tipologia de William Spindler do realismo mágico antropológico, o 
qual consiste na análise da realidade vivida, o mágico que não é produzido 
artificialmente, mas que é verificado na vivência cotidiana dos povos. O 
realismo mágico antropológico partilhado entre a América Latina e Portugal 
é marcado pela vocação natural desses povos para imaginar e inventar e que 
concomitantemente conjuga essa vocação à tradição popular fortemente 
abalizada pelas superstições, crendices, lendas e religiões. Tal perspectiva nos 
permite analisar dois textos ficcionais inspirados nas mentalidades e crenças 
de Portugal e do Sertão Mineiro que por um lado é fruto da imaginação, por 
outro produto da cultura.
De Clarice a Rui: uma leitura de Amor de Clarice sob 
perspectiva da transposição intersemiótica
Anelise de Oliveira de Almeida (UTFPR)
A da plataforma de poesia experimental portuguesa Po.Ex promove o 
trabalho de diversos poetas e programadores através de obras que buscam a 
experimentação e a inovação em formas digitais de poesia, além de trabalhar 
diversos gêneros literários midiáticos, como a videopoesia e a poesia digital, traz 
diversos trabalhos que podem ser lidos como transposições intersemióticas 
de obras canônicas. Rui Torres, português da cidade do Porto, é um dos 
poetas que colaboram com o projeto. Em seu poema digital Amor de Clarice, 
Torres faz uma releitura do conto Amor, de Clarice Lispector. Em nossa leitura, 
interpretamos a construção de Torres como uma transposição intersemiótica 
do conto de Lispector, levando em conta o conceito apresentado por Claus 
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Clüver (1989), em artigo intitulado On Intersemiotic Transposition. Para Clüver 
(1989), a transposição intersemiótica deve ser encarada como uma forma de 
tradução, uma vez que traduz o texto de uma linguagem artística para outra. 
A transposição intersemiótica busca equivalências de sentido e forma entre 
linguagens diferentes a fim de, não apenas recuperar o sentido do texto que 
está sendo traduzido, mas criando uma obra de arte independente. Nesse 
sentido, buscaremos paralelismos entre estruturas e sentidos do conto de 
Lispector no poema digital de Torres, além de ler o poema sob o viés de uma 
obra de arte independente da poesia digital.
A mise en scène do feminino na ficção de Lídia Jorge: 
sombras e imagens, escolhas e destinos
Ângela Beatriz de Carvalho Faria (UFRJ)
A partir das reflexões de Lídia Jorge, no ensaio “Para um destinatário ignorado”, 
inserido em Para um leitor ignorado: Ensaios sobre a ficção de Lídia Jorge (Org. 
Ana Paula Ferreira, Texto Editores, Lda., 2009) e da análise de contos de sua 
autoria, pretende-se privilegiar: a) a gênese da escrita da escritora portuguesa 
contemporânea, baseada em narrativas que, retidas em sua memória, 
“continuam a brilhar no escuro da imaginação e alimentam um território de 
tal forma carregado de beleza e violência, que resultam numa espécie de 
obstinação tão sedutora quanto incontrolável”; b) o “espaço como um intervalo 
que age” e os “atos passionais que habitam os seres humanos e que se revelam 
em todo o seu esplendor”; c) a intertextualidade e o dialogismo : o “espelho 
invertido”; d) a questão ontológica, de raiz pessoana, capaz de “declinar até ao 
infinito não só a impossibilidade de definir, como a própria impossibilidade de 
ser”; e) as estratégias discursivas inerentes à Estética da Crueldade e que nos 
propõem os seguintes questionamentos: “Como representar o irrepresentável, 
o indizível, a realidade inelutável?”, “Como revelar os espaços distópicos de 
um espaço urbano desencantado?”, Como detectar “a noção de limite e a 
impossibilidade de expressar diretamente a verdade”? ; e) a questão inerente à 
estética da modernidade: o desejo e a (im)possibilidade da fala - “Se só temos 
a fala para dizermos quem somos, porque é que não nos ouvimos enquanto 
a fala é possível?”
A metamorfose da saudade: uma leitura de Desamparo, 
de Inês Pedrosa
Angela Maria Rodrigues Laguardia (Universidade Nova de Lisboa)
Desamparo (2015) é o último romance da escritora Inês Pedrosa. Tecido entre 
memória e a identidade, o romance reflete sobre o “não-lugar”’, através das 
representações significativas de suas personagens, os emigrantes do Brasil e 
de Portugal. Neste “trânsito”, e no espelhamento dos valores de cada país, a 
busca de suas “raízes” e de um possível “encontro”.
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Nossa leitura procura analisar estes espaços identitários, e a construção destas 
questões lacunares, originárias, também, do sentimento da “saudade” até à 
contemporaneidade.
O animal que também sou: um estudo do conto “Um 
casaco de Raposa Vermelha”, de Teolinda Gersão
Antonia Marly Moura da Silva (UERN)
O conto de bichos, tal como denomina Temístocles Linhares (1973), muitas 
vezes filiado à tradição do animalismo dominante na literatura, tem sido 
cultivado de modo recorrente na literatura da segunda metade do século 
XX. No conto “Um casaco de raposa vermelha”, integrante de A mulher que 
prendeu a chuva e outras histórias (2007) de Teolinda Gersão, formas seculares 
do imaginário do animal enaltecem a relação humano e inumano. No discurso 
fabular, o imaginário do animal constitui terreno fértil para uma reflexão sobre 
essa relação binária, sobretudo no que se refere ao território e as fronteiras 
entre o real e o irreal, entre literatura e mito. Nesta perspectiva, na leitura do 
referido conto busca-se identificar aspectos estéticos que acentuam tensões 
que são do campo do duplo e da metamorfose. Para tal direcionamento, serão 
fundamentais os conceitos de fantástico formulados por Irène Bessière (1974), 
Julio Cortázar (1974), Roger Bozzetto (2001), Remo Ceserani (2006) e David 
Roas (2001, 2011, 2014), perspectivas teóricas sobre o duplo, dentre as quais 
convém destacar O duplo (1914) de Otto Rank; a noção freudiana de estranho 
em O inquietante (1919); a perspectiva clássica ovidiana expressa em sua 
célebre Metamorfoses (2003), dentre outras referências da Teoria da narrativa.
Entre flores, e pedras: um estudo comparativo de 
“Flores ao telefone”, “Liberdade adiada” e “A imitação 
da rosa”
Antonio Aparecido Mantovani (UNEMAT)
Genivaldo Rodrigues Sobrinho (UNEMAT)
Este estudo propõe comparativamente, a partir dos contos “Flores ao 
telefone” de Maria Judite de Carvalho, “Liberdade adiada”, de Dina Salústio 
e “A imitação da rosa”, de Clarice Lispector problematizar como as autoras 
constroem suas personagens, mulheres solitárias que vivem uma tensão 
interior, passivas e delimitadas, ou não, e suas representatividades na pós-
modernidade em sociedades ainda com resquícios patriarcais, ondea mulher 
vem paulatinamente conquistando um espaço social, além da função do lar 
e da educação dos filhos. As protagonistas destes contos são mulheres que 
pouco dizem através do diálogo, mas suas angústias muitas vezes nos são 
reveladas por um “ver-por-dentro” dos monólogos. São mulheres cheias 
de angústia, em reflexão, vivendo seus cotidianos em lares envoltos de 
dramas existenciais contemporâneos, cuja desilusão parece ser fruto de uma 
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sociedade que conscientemente ou não, ainda delimita a mulher mesmo no 
contexto sócio-cultural na pós-modernidade.
“Aquele she era eu”: a (im)possibilidade de narrar, em 
Os Memoráveis, de Lídia Jorge
Ariane de Andrade da Silva (UERJ)
Para não esquecer. Para lembrar. Demarcada pelo período posterior ao 25 
de abril de 1974, a literatura portuguesa envereda por um novo processo de 
escrita, em que as relações entre construção literária e percurso histórico se 
estreitam e se conectam intimamente. Por sua vez, nesse cenário, novas 
vozes, partindo das margens da nação, emergem e, ao se distanciarem 
de certa maneira do discurso historiográfico, é à memória que se fiam, por 
ser essa capaz de abarcar as percepções do sujeito, revelar fragmentos do 
passado e expor mazelas de um tempo pretérito. Nesse sentido, este artigo 
pretende fazer uma leitura do romance Os Memoráveis (2014), de Lídia Jorge, 
buscando analisar os mecanismos de construção da narrativa, sob a ótica 
da rememoração do período colonial, atravessada pela voz testemunhal da 
personagem-protagonista-narradora, a repórter-viajante Ana Machado. Ao 
imergir no passado através da memória, a personagem é conduzida “para 
lugares que não desejava revisitar” (JORGE, 2014, p.14) e, através dessa 
incursão, revela “a dimensão testemunhal de um momento acontecido nas 
costas da história” (JORGE, 2014, p.56). Nesse sentido, espera-se, finalmente, 
analisar a experiência de contar, ao se refletir, principalmente, sobre a presença 
de uma instância ficcional que se destaca no processo narrativo, uma voz em 
primeira pessoa, que se entrelaça ao romance para questionar, interpelar e 
desestabilizar.
Personalidade feminina e seus desdobramentos na 
poética labiríntica de Adília Lopes
Arlen Maia de Melo (UFPA)
Sara Coelho de Lima (UFPA)
O presente trabalho apresenta uma análise da obra A mulher a Dias (2002) de 
Adília Lopes, poetisa portuguesa contemporânea, em que trata da figura do 
feminino e seus desdobramentos. O suporte teórico para esta pesquisa está 
baseado nos pensamentos de Arendt em sua obra A condição Humana (2007), 
considerando as esferas pública e privada nas quais o homem está inserido, 
assim como, a proposta de uma metáfora do olhar assimilando a figura do 
flâneur difundida pelos estudos contemporâneos de Walter Benjamin (2004) 
à obra adiliana. O subsídio para o desenvolvimento desta tarefa consiste na 
leitura analítica entre a poética da autora em diálogo com o pensamento 
destes dois grandes teóricos. O trabalho consiste na análise de poemas da 
obra em questão e uma pesquisa bibliográfica, apresentando uma linguagem 
poética tipicamente contemporânea. A escrita adiliana é tratada por muitos 
críticos como uma linguagem labiríntica e ao mesmo tempo instigadora. 
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A partir disso, se estabelece a relação entre sua obra e o controle do corpo 
feminino no qual está sujeito às regras estabelecidas, tanto para a esfera pública 
quanto pela esfera privada, proporcionando a moldura de comportamentos, 
o adestramento feminino. É com esse olhar, artístico e sensível, que a Flânerie 
é evidenciada; Adília eleva o poder da escrita feminina, assimilando-a, assim, 
a elementos desvalorizados ou menosprezados a princípio. Desse modo, 
a autora demonstra sua autenticidade enquanto poetisa, em uma análise 
minuciosa dos elementos de seu cotidiano e detentora de um olhar específico 
e artístico em meio à multidão de uma sociedade desenfreada.
A adaptação para o cinema do conto de Eça de 
Queiroz Singularidades de uma Rapariga Loura por 
Manoel de Oliveira: a questão da distância.
Bernard Corneloup (Université de Lyon 2)
Toda narração induz uma distância em relação ao que é contado, decorrendo 
da posição tanto temporal como espacial, explícita ou não, do narrador, e da 
sua implicação na ficção. Quando se trata de uma adaptação para o cinema, 
estende-se essa noção da distância, na comparação dos dois objetos artísticos, 
o romance e o filme, geralmente exprimida através do termo “fidelidade”. Esta 
noção de nova distância se inscreve por sua vez no campo da leitura : o filme 
é mais uma leitura do livro. E, novamente, outras distâncias vão se criando, de 
maneira inerente, dentro da narração fílmica. No caso do realizador Manoel 
de Oliveira trata-se de um ponto particular no paradigma das adaptações da 
literatura no cinema, pois o podemos entender como uma proposta deliberada 
de criação artística se apoiando no objeto-livro.
Conceição Lima e Sophia Andresen: pontes poéticas
Bernardo Nascimento de Amorim (UFOP)
Escritoras de gerações diferentes, de países diferentes, mas de mesma língua, 
a portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen e a sã-tomense Conceição 
Lima escolheram o caminho da poesia como uma das formas para se relacionar 
com o mundo. A primeira seção do terceiro livro de Lima, O país de Akendenguê, 
de 2011, abre com uma epígrafe de Sophia, de um poema chamado “Eurydice”, 
publicado em No tempo dividido (1954). A palavra “rosto”, presente na epígrafe 
(“Este é o poema – engano do teu rosto / No qual eu busco a abolição da 
morte”), também aparece no título da primeira seção do livro de Lima: “A mão 
e o rosto”. Sob a luz da palavra de Sophia, Lima se propõe a falar de um país 
(“o reino que forjamos”), do “canto” e de “caminhos”. O estabelecimento de 
algumas pontes, contatos, relações, a partir da leitura dos dois livros citados, 
parece-me poder levar a uma compreensão de questões relevantes às duas 
poéticas, para além de poder descortinar algo das formas de apreensão de 
uma poeta portuguesa fora do espaço restrito de sua nação e de sua origem, 
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o qual, certamente, ela, como Lima, pretendia transcender. Proponho-me, 
então, a estabelecer tais pontes poéticas.
Revolta às origens de uma “tradição invisível”: uma 
leitura de Esse cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida
Bianca Mafra Gonçalves (USP)
Esta comunicação pretende apresentar uma leitura crítica de Esse Cabelo, livro 
de estreia de Djaimilia Pereira de Almeida. Afastando-se da recepção simplista 
entre jovens leitores, - presente na maioria das resenhas disponíveis em blogs 
portugueses, - notamos que uma leitura detida da obra ultrapassa a limitante 
estética pró-negritude de sua capa; não se trata, como se poderia vulgarmente 
imaginar, de uma narrativa de reencontro com a origem, mas de constante 
hesitação em relação a ela. Não obstante, a obra cumpre o papel político de 
dar voz a certa “Tradição Invisível”, expressão usada pela narradora ao referir-
se a seu avô, e que podemos aqui estender ao próprio projeto do livro. Sendo 
o mote narrativo o cabelo crespo, isto é, um traço de pertença étnico-racial, 
entendemos que Esse Cabelo configura um marco nas literaturas portuguesas 
contemporâneas que revisitam a identidade portuguesa.
Leitoras levadas pela literatura e pelos amores
Bianca Meira Lopes (UEPG)
O século XIX foi marcado pela expansão do romance, e com isso, ele tornou-
se mais acessível à sociedade. Um exemplo da propagação do gênero 
são as próprias obras literárias da época, muitas das quais contam com 
personagens leitores (as) de romance. As leitoras, em muitos casos, mostram-
se influenciadas pelos livros, sonhando viver as aventuras das heroínas do 
papel, o que gerou muita polêmica nesse século, devido à falta de imoralidade 
desses romances, segundo alguns críticos do momento. A partir destes 
apontamentos, o presente estudo faz uma análise dos contos: ‘No moinho’ 
(1892) de Eça de Queirós e de ‘Confissões de uma viúva moça’(1865) de 
Machado de Assis, buscando encontrar as influências da literatura sobre as 
personagens leitoras de romance presentes nos dois contos. Para amparar o 
trabalho, o estudo contará, entre outros textos, com a “Construção do leitor”, 
de Lajolo e Zilberman (2003).
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José Saramago pós-Nobel e seu último romance: o 
escritor e sua missão
Bianca Rosina Mattia (UFSC)
Em 1998 o escritor português José Saramago recebeu o Prêmio Nobel de 
Literatura tendo, na oportunidade de seu discurso, refletido sobre sua obra. 
Antes, porém, durante uma conferência na Universidade de Turim, Saramago 
explicou-se propondo que, com seus romances, esteve inicialmente a construir 
uma estátua e, a determinado momento, fez-se preciso escavá-la para chegar 
à sua pedra. Uma metáfora que divide sua produção literária em dois ciclos 
não restritos ao tempo cronológico, mas especialmente às temáticas que 
abordam. Foi também durante o discurso que proferiu no Banquete Nobel que 
Saramago revelou sua inquietação com o desrespeito aos direitos humanos. 
O escritor, desde então, não parou com seu ofício, mas foi além. Manifestou-
se ainda mais enquanto cidadão crítico do seu tempo. Quando faleceu, em 
2009, estava a escrever um romance sobre a fabricação e o comércio de 
armas, que veio a ser publicado, de forma inacabada, em 2014. A presente 
comunicação, nesse sentido, tem por objetivo cotejar a proposta de Alabardas, 
o último romance de Saramago, como fechamento do seu percurso literário, 
especialmente diante da posição assumida pelo autor após o Nobel e do que 
delineou como sendo o segundo ciclo de sua obra, o da pedra.
“O Século XIX concebeu a Democracia” ou Aspectos 
Estético-políticos da descrição em Os Maias
Breno Góes (PUC-Rio)
Esta comunicação se insere no âmbito mais geral de uma pesquisa que tem 
por propósito fazer um esboço de leitura política do romance Os Maias, de 
Eça de Queirós. Para tanto, tomará por objeto o conjunto de procedimentos 
estéticos que permitem a instauração do romance, partindo do pressuposto 
de que toda prática estética já tem em si uma dimensão política que lhe é 
inalienável. 
Especificamente, interessam certos aspectos das descrições de Os Maias nos 
quais o livro parece assemelhar-se a certas obras (hoje por nós denominadas 
realistas) que o crítico francês Armand du Pontmartin qualificou em 1857 
como “Democracia em Literatura” (termo recuperado mais tarde por Jacques 
Rancière). Cabe detalhar quais são esses aspectos, aqui agrupados sob o 
nome de “escrita alusiva”, e qual a sua relação com algo que se possa chamar 
de “democracia”. O mote que serve de título para o trabalho - “o século 
XIX concebeu a democracia e sua atitude é esta…” - vem de uma fala do 
personagem João da Ega, de Os Maias, que parece funcionar como síntese 
ambígua dos aspectos políticos deste romance.
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Faces da religiosidade em A pécora e Auto da 
Compadecida
Bruno Vinicius Kutelak Dias (UFPR)
Quando observamos o teor religioso na literatura e no teatro de língua 
portuguesa, dentre muitos autores e obras, duas se destacam para um 
possível diálogo, não só por sua proximidade temporal quanto pelos enredos 
nos quais encontramos a temática mariana, A pécora, da portuguesa Natália 
Correia, e o Auto da Compadecida, do brasileiro Ariano Suassuna. Com base, 
principalmente, nas teorias de Brandão (1985), Campbell (1990) e Jurkevics 
(2004), o presente trabalho propõe a análise comparada das peças com o foco 
na representação da religiosidade em cada uma das obras. Tanto o enredo 
quanto os personagens, principalmente os principais – Melânia, João Grilo e 
Chicó – nos mostram características da cultura religiosa de cada povo, tanto 
quando observamos a religião oficial quanto a que é efetivamente praticada 
pelo povo, de acordo com crenças e costumes particulares de cada contexto.
Joaquim Sassa: o homem em viagem. Uma análise às 
viagens de A jangada de pedra, de José Saramago
Caio Henrique da Silva Reis (UERJ)
A proposta deste trabalho é analisar Joaquim Sassa, um dos protagonistas 
do romance A jangada de pedra, de José Saramago, para defender a ideia do 
“homem em viagem”, ou seja, um homem em busca de respostas para algum 
evento que o inquieta. Esse estudo analítico é composto por quatro etapas: 
1) apresentar a definição de “viagem”, aplicada ao romance de Saramago; 2) 
abordar a viagem da Península Ibérica, sob viés histórico; 3) relacionar a viagem 
de Joaquim Sassa dentro dos países ibéricos com os outros personagens; 
4) refletir sobre a visão de Joaquim Sassa ser uma metonímia do que é “ser 
português”. Para realizarmos essas etapas, utilizaremos como fundamentação 
teórica os livros Rumo de Portugal: A Europa ou o Atlântico?, de Joaquim Barradas 
de Carvalho e Proust e os signos, de Gilles Deleuze, além dos ensaios “Nós e a 
Europa ou as duas razões”, de Eduardo Lourenço e “A metáfora da viagem”, de 
Octavio Ianni.
O recuo do mar: Memória e erotismo em Luís Miguel 
Nava
Camila Franquini Pereira (UFRJ)
Poeta e ensaísta, Luís Miguel Nava pode ser considerado um dos mais 
eminentes escritores do último quartel do século XX em Portugal. Nesta 
comunicação, objetivo discutir o papel da memória e da experiência carnal na 
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obra do autor, por meio do texto “Os dedos”, do livro Onde à nudez. O poema 
se inicia com o fim do ato erótico, com os versos “O mar recua, o leite e a língua 
digladiam-se ao sentirmos/ a chama largar leite (...)”, que mostram o recuo do 
mar em consonância com o encontro entre o leite e a língua. Ao perseguir o 
mar — elemento associado ao encontro erótico —, o eu-lírico deixa claro que o 
plano da ação do poema se passa no passado. Os versos “às vezes acontece eu 
sentir, mesmo por baixo os cabelos, a memória aligeirar-se (…)” explicitam que 
o ato não é simplesmente relembrado, mas revivido sensorialmente, porque 
se a pele porosa do sujeito permitiu a internalização de uma experiência 
por meio da memória, ela pode ser trazida de volta à superfície, tornando-
se, pois, uma nova potência criadora, que irrompe por meio dos d”os dedos 
em desordem”. O movimento dos dedos pode representar o fulgor erótico 
de um ato individual que ocorre em consonância com o narrado na primeira 
estrofe; ou um poema, que se apresenta como possibilidade de conservação 
da memória.
“A Noite Escura”: travessia e meditação em Camilo 
Pessanha
Camila Marchioro (UFPR)
A Noite Escura, termo derivado do poema homônimo de São João da Cruz 
(séc. XVI), passou a ser utilizado pela tradição católica como referência ao 
sentimento de desolação que pode assolar quem percorre uma jornada 
espiritual. O poema do místico católico configura-se como uma alegoria para 
o perigoso caminho em que se pode adentrar na busca pela perfeição – só é 
possível chegar ao “dia claro” após completar a travessia pela “noite escura”. 
Em contrapartida, no início do século XX, Camilo Pessanha legou à tradição 
lusófona poemas em que a escuridão e a ruina se unem para compor uma 
atmosfera de labirinto, sonho e desencanto. Em 1894, envolto pela névoa 
da modernidade, o poeta coimbrão partiu rumo a Macau, experiência que o 
marcou profundamente devido à travessia do mar e ao distanciamento da 
pátria, ressoando em sua obra. Dentre muitas das características de seus versos, 
a abulia ganhou notoriedade diante da crítica, que muitas vezes encontrou nas 
vivências do autor a fonte para tal traço poético. Ainda que a noite escura na 
obra de Pessanha não tenha necessariamente uma fonte cristã, a estada do 
poeta na China e, consequentemente, o conhecimento do budismo podem 
ter trazido para sua obra certa prática meditativa. Essa prática evidencia 
elementos que, tal como em São João da Cruz, fazem parte da passagem pela 
escuridão. Ao relacionar tais aspectos, a comunicação visa compreender como 
a meditação, nas suas variadas acepções, pode se configurar poeticamente na 
obra de Pessanha.
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O discurso simbolista nos campos literário brasileiroe 
português
Camila Paiva da Silva (UERJ)
O discurso simbolista vai se desenvolver no Brasil e em Portugal na contramão 
do cânone vigente, que privilegiava a realidade e a nação. No Brasil buscava-
se uma identidade literária, renegando a cópia. Em Portugal era preciso 
estabelecer uma cenografia que abarcasse os problemas sociais referentes 
à crise econômica e política, que revivesse os tempos áureos da nação e 
rompesse os pressupostos do movimento anterior. Assim, é através da gênese 
do “campo literário” de Bourdieu e as condições de emergência do “discurso 
literário” de Maingueneau que tentaremos, neste trabalho, sondar a recepção 
simbolista no Brasil e em Portugal. Para tanto, é preciso perceber os motes que 
relegaram o movimento e sua estética ao não lugar nestas sociedades.
Do rizoma à ficção de Antonio Lobo Antunes
Camila Savegnago (UFSM)
A ficção de António Lobo Antunes tem sido amplamente estudada 
nos meios acadêmicos do Brasil e de Portugal ao longo dos anos. As 
muitas peculiaridades de sua escrita romanesca: multiplicação de planos 
memorialísticos, diversificação de vozes, pontos de vista e perspectivas 
narrativas, imbricamento de níveis espaço-temporais distintos, fragmentação 
de personagens, aliadas a problemáticas históricas e existenciais, são alguns 
dos pontos que mais despertam o interesse dos pesquisadores. Nesse 
contexto, o presente estudo objetiva analisar a narrativa de O esplendor de 
Portugal (1997) com base no conceito de rizoma desenvolvido por Deleuze 
e Guattari, propondo, assim, uma nova leitura possível à ficção antuniana. 
O desenvolvimento do estudo recai sobre o levantamento de questões 
históricas, políticas, sociais, envolvidas com a narrativa e a análise da técnica 
romanesca antuniana, partindo do estudo de categorias da narrativa: tempo, 
espaço, personagem, narrador, enredo. Tal processo permite observar com 
mais clareza os diversos agenciamentos presentes no texto, deslindando sua 
composição rizomática. Além disso, possibilita que se verifique como esse 
texto faz rizoma com o mundo.
A constituição do eu narrativo e figural na 
temporalidade complexa de Lobo Antunes
Camila Stefanello (UFSM)
Esta comunicação tem por objetivo apresentar parte do estudo do romance 
Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? (2009) de António Lobo 
Antunes, realizado na Dissertação de Mestrado da proponente. Nesse romance, 
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é narrada a história de decadência de uma tradicional família portuguesa, 
através das vozes dos seus integrantes. O mundo narrado é perpassado 
pelos múltiplos e contraditórios afetos das personagens em relação aos seus 
familiares e pela tentativa, por vezes, inútil de compreenderem a si mesmas 
e aos outros. Esse mundo caótico e amargurado é manifestado na própria 
estrutura da narrativa, com suas ramificações, desvios e fragmentações. 
Do mesmo modo, a configuração da intriga romanesca evidencia o caráter 
radicalmente conflitante e problemático das próprias personagens. A 
lembrança obsessiva do passado e a projeção repetitiva do futuro reconstroem 
momentos distintos da experiência do tempo das personagens em um tempo 
presente sempre distendido. Tomando por base principal a teoria de Paul 
Ricouer, esta comunicação apresenta a análise da configuração ramificada 
da intriga, da complexidade da experiência temporal manifestada pelas 
personagens e da identidade narrativa constituída a partir dessas vivências no 
tempo.
Crônica saramaguiana na ditadura: relações 
empáticas entre narrativa e leitor
Carla Mota Menezes (UFPR)
Este trabalho se dedica a investigar as relações entre contexto de produção, 
foco narrativo e a crítica social presente em três crônicas de A Bagagem do 
Viajante (1996), do escritor português José Saramago. Para isso, é interessante 
levar em conta a existência de classes sociais, a relação de opressão 
estabelecida entre elas e o tensionamento ainda maior dessas relações em 
períodos ditatoriais, uma vez que os textos cronísticos foram produzidos e 
contextualizados durante a ditadura salazarista. Publicadas pela primeira vez 
em periódicos no início da década de 70, as crônicas “Não sabia que era preciso”, 
“Uma carta com tinta de longe” e “Apólogo de uma vaca lutadora” apresentam 
interessantes escolhas lexicais e argumentativas por parte de narradores 
engajados, que exigem de seus leitores a mesma preocupação social de que 
dispõem. Para pensar a maneira como os narradores constroem sua crítica 
e argumentação para convencer os interlocutores a intervirem na realidade 
injusta e desigual, a pesquisa de Suzanne Keen, publicada no livro Empathy 
and the novel (2007), fornece informações valiosas para compreender o laço 
criado entre ficção e leitor - e, principalmente, as explícitas tentativas, por 
parte do narrador, de fomentar a criação desse laço. Dessa forma, pretende-
se investigar os elementos que, segundo a autora, podem ser articulados pelo 
narrador intuindo provocar efeitos de sentido e sentimento no leitor.
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O inferno e suas ambivalências: razão, desrazão, 
continuidades e descontinuidades na obra 
Conhecimento do inferno, de António Lobo Antunes
Carlos Henrique Fonseca (UNESP)
Esta comunicação consiste em uma proposta de leitura do romance 
Conhecimento do inferno, de António Lobo Antunes, à luz do estudo de 
Michel Foucault, A História da loucura, bem como a partir de alguns aspectos 
da Teoria da Desconstrução, com base em estudos do filósofo argeliano 
Jacques Derrida. São acionadas para a discussão noções derridianas como 
hospitalidade, pharmakon e suplemento, a fim de se compreender a relação 
entre Portugal e suas ex-colônias, a forma como são recebidos os retornados 
da guerra colonial e como a loucura se constitui, neste romance, em metáfora 
da nação e sua crise identitária. Como exemplo de suplemento, o presente 
estudo conclui-se com uma reflexão sobre razão e desrazão na obra de Lobo 
Antunes a partir de uma polêmica instaurada entre Michel Foucault e Jacques 
Derrida sobre a História da Loucura.
Estudos literários e ensino da literatura: o jardim dos 
caminhos que se cruzam
Carlos Reis (Universidade de Coimbra)
O título proposto apresenta uma reflexão acerca da situação atual dos estudos 
literários, considerados num contexto de renovação de paradigmas teóricos, 
de atitudes epistemológicas e de mudanças socioeducativas. Nesse contexto, 
analisamos questões relevantes, relacionadas entre si e com destaque para as 
seguintes: o estatuto e a crise simbólica das Humanidades, a renovação da 
teoria e da crítica e as suas incidências no plano pedagógico, a configuração 
e a legitimação de cânones alternativos (designadamente, em cenários 
pós-coloniais), a renovação dos estudos narrativos e o seu alargamento 
transliterário, o aparecimento e a afirmação das chamadas Humanidades 
digitais. Estes campos de reflexão serão considerados tendo em atenção 
o ensino e a pesquisa da literatura portuguesa, como tema estruturante do 
congresso.
Antero de Quental ontem e hoje: a educação através 
da escrita e do debate
Carolina Lopes Batista (UFRJ)
Antero de Quental foi um escritor bastante atuante em questões culturais, 
literárias, e, principalmente, no que dizia respeito à situação ecônomica, social 
e política de Portugal e da Europa como um todo. Realizador de conferências, 
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artigos e revoluções, ele espalhava seus pensamentos por toda uma geração 
que dizia estar escurecida e pesada pela sombra de uma educação autoritária 
e elitista, que se preocupava mais em produzir novos seguidores da mesma 
antiga ordem do que desenvolver seres pensantes e críticos, observadores e 
participantes de um mundo efervescente histórica e cientificamente que se 
apresentava. Mais de um século depois, a história se repete, com reformas 
educacionais – tais como a Reforma do Ensino Médio e a Escola Sem Partido 
– que visam direcionar os alunos a um paradigma de educação limitadora e 
passiva.
À luz de textos de autores comoMônica do Nascimento Figueiredo, Amadeu 
Carvalho Homem, Ana Maria Castelo Martins Jorge, Eduardo Lourenço, Carlos 
Reis, Ana Maria Almeida Martins, João Medina e Paulo Freire, pretendo realizar 
uma discussão entre dois períodos que apenas aparentemente são distantes.
A representação da loucura em Camilo Castelo 
Branco
Caroline Aparecida de Vargas (UFPR)
O processo de enlouquecimento feminino se faz presente em algumas 
obras do romancista português Camilo Castelo Branco (1825-1890). Dentre 
elas podemos citar A Bruxa de Monte Córdova (1867) e A doida do Candal 
(1867). Nosso trabalho tem como objetivo compreender como a loucura é 
compreendida por Camilo e como seu trabalho de representação literária se 
concretiza.
O grotesco em Loucura, de Mário de Sá-Carneiro: um 
olhar sobre o caráter de Raul
Cássia Alves da Silva (UFC/IFRN)
O texto Loucura, de Mário de Sá-Carneiro apresenta a história de Raul, jovem 
artista de ideias enigmáticas. Como diz o narrador da obra, ele “não pensava 
como toda gente”. Apaixonou-se pela bela Marcela e, com o intuito de provar 
que a amaria mesmo se fosse feia, sugeriu acabar com a beleza da moça 
queimando o rosto e o corpo dela, deixando-a com aspecto repugnante. 
Assim, ele poderia provar a verdade do seu sentimento. O caráter de Raul, 
evidenciado a partir das suas atitudes, é o maior indício da forte presença 
do grotesco na narrativa. Para comprovar isso, pautamo-nos no conceito 
de grotesco estabelecido pelos principais teóricos do tema, a saber, Victor 
Hugo, Wolfgang Kayser e Mikhail Bakhtin. Além disso, recorrermos a alguns 
conceitos vizinhos, como o de estranho e o de anormal, ampliando a análise 
da personagem. Para tanto, tomamos como base estudos feitos por Sigmund 
Freud e por Michel Foucault.
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A representatividade da mulher na obra O conto da 
ilha desconhecida, de José Saramago
Celiomar Porfirio Ramos (UNEMAT)
Este trabalho tem como objetivo realizar algumas considerações acerca da 
importância da mulher na obra O Conto da ilha desconhecida (1997), do escritor 
português José Saramago. A reflexão é estruturada sob a hipótese de que a 
mulher na escrita saramaguiana, apesar de viver numa sociedade patriarcal, 
não é um ser submisso e oprimido, rompe com as amarras impostas por esse 
contexto, exercendo papel de primordial importância no universo masculino 
em diversos aspectos, dentre eles o afetivo, moral e ideológico.
Vicente Guedes e o devir
Cesar Marcos Casaroto Filho (PUC-RS)
É porque se reconhece como ficção que Vicente Guedes, um dos autores do 
Livro do desassossego, afirma: “Quero ser uma obra de arte”. Sabendo que “a 
vida prejudica a expressão da vida”, a fim de renegar o real postulado pelo 
racionalismo, Guedes expressa a existência utilizando-se da artificialidade 
proposta pelos Dândis no século XIX. Mas o que é a expressão? Para Deleuze, 
a expressão não está mais atrelada de maneira estanque ao conteúdo, o que 
permite que o dualismo significante-significado, que tende a simplificar as 
formas de conteúdo e expressão por meio de estruturas profundas na psique 
humana seja questionado. Um significante nada representa. Para o francês, 
não existe subjetividade, mas tão somente agenciamentos que ocorrem por 
meio da hecceidade. Tudo é acontecimento e o homem não se difere de 
uma estação ou de uma hora. Tudo é múltiplo e inclassificável. Ao contrário 
da mimesis Aristotélica, não se trata de imitar. Deleuze chama de plano de 
imanência aquilo que não corresponde a um desenho mental, mas a um 
desenho abstrato, plano sem forma que não distingue o natural do artificial. 
Sendo assim, dado que a expressão já não corresponde a estruturas profundas 
e que o eu não representa nada, é possível reconhecer em Guedes – na medida 
em que o Livro, que não apresenta um enredo ou objetivo precisos rompe 
com a forma clássica –, ao contrário de um sujeito, um agente de um devir?
“A Capital – Arhutr Corvelo, um lírico no auge do 
capitalismo”
Cíntia Bravo de Souza Pinheiro (SME/SEEDUC)
A leitura de A Capital, romance póstumo de Eça de Queiroz, nos remete às ideias 
discutidas na Obra de W. Benjamim, sobre as relações de trabalho e a difusão 
das ideias socialistas na França do início do Século XIX. Essas mesmas ideias 
foram também absorvidas pela geração Coimbrã – a geração de Eça de Queiroz 
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– no final do século XIX em Portugal, e estão representadas na melancólica 
figura do poeta Artur Corvelo; Um talentoso jovem, cheios de sonhos e ideais, 
mas que não consegue ver oportunidades na capital portuguesa, ainda muito 
resistente a mudanças sociais e políticas, e onde um grupo pequeno detém o 
poder, mas não quer perdê-lo. Como pode sobreviver um poeta do interior, 
estudante de Coimbra, numa sociedade excludente e hipócrita ??? São essas 
as questões que procuraremos tratar em nosso trabalho.
Representações da Memória na obra de Vergílio 
Ferreira
Cintia de Vito Zollner (UNESP)
A finalidade dessa pesquisa é estudar o romance contemporâneo Manhã 
Submersa, publicado em 1954, discutindo as formas de representação do 
narrador personagem que evoca o passado e o rememora, observando como 
esse processo é refletido na linguagem literária, pelo discurso do narrador. A 
‘essência’ da obra de Vergílio Ferreira, como escritor pertencente ao período de 
dupla tendência literária, neorrealista e existencialista é também percebida na 
ficção, a partir do contexto social por ele vivenciado. No momento histórico 
de Portugal, marcado pela ditadura de ‘Salazar’ (1933) e seu regime associado 
à ideia de ‘apagamento’, bem como de ‘discrição’, como representações do seu 
poder no governo. Neste contexto, a religião católica surge também como 
elemento de identidade nacional. Na obra de ficção, a linguagem (neorrealista/
existencialista) social e simbólica apresenta tais aspectos. O seminário é 
símbolo desse espaço opressor, de reclusão e ‘apagamento’ em que Antonio 
Santos Lopes ou António Borralho, como é chamado o personagem principal 
do romance, vive ‘obrigado’ por sua tutora D.Estefânia. Conflitos sentidos 
neste ambiente opressor marcam toda a sua vida. Parte de sua identidade 
está presa ao passado e o personagem o evoca, num espaço entre o ‘real’ e o 
‘imaginário’, para a possível reconstrução do presente. Esse processo é refletido 
na linguagem literária. O presente estudo propõe uma análise aprofundada 
desses aspectos.
O estudo da personagem e sua relação transliterária
Clarice Gomes Clarindo Rodrigues (UNEMAT)
O presente trabalho segue pela linha investigativa dos estudos narrativos, 
caracterizado pela interdisciplinaridade e transnarratividade e enquadradado 
pelo interesse no estudo da personagem, especificamente, as personagens 
femininas em Eça de Queirós. Há que considerar os modernos estudos 
narrativos como contribuição significativa aos estudos literários. Por esse 
viés, são valorizadas as novas interfaces no estudo da personagem ficcional, 
contemplando-a como categoria do texto literário e dos textos ficcionais nas 
suas relações transliterárias.
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A dramaturgia de Gervásio Lobato nos palcos 
oitocentistas
Claudia Barbieri Masseran (UNESP)
Gervásio Lobato (1850-1895) foi um dos mais populares dramaturgos 
portugueses nas últimas décadas do século XIX. Ao lado de nomes como 
Marcelino de Mesquita, D. João da Câmara e Henrique Lopes de Mendonça, 
contribuiu para a consolidação do teatro realista nos palcos. Sua produção não 
poderia ser mais variada: foi romancista, cronista, jornalista e crítico teatral. 
Como dramaturgo escreveu 25 peças originais (comédias e farsas em sua 
grande maioria) e realizou mais de 115 traduções ou adaptações do repertório 
estrangeiro, principalmente o francês. Os mais importantes teatros lisboetas 
abrigaram com sucesso as encenações das suas peças, que muitas vezes eram 
representadas em todo o território português, bem como na Ilha da Madeira e 
no Brasil. Entretanto, toda essa extensa produção dramatúrgica jaz esquecida 
porparte da crítica literária e sua obra, mesmo que representada até os dias 
atuais, não recebeu nenhum estudo mais aprofundado. Resgatar o nome e 
parte da produção dramatúrgica deste autor é o propósito desta comunicação.
A formação de uma trilogia em Ensaio sobre a 
cegueira, A caverna e Ensaio sobre a lucidez, de José 
Saramago
Claudia Carla Martins (UNEMAT)
Numa leitura comparativa, é possível perceber ligações profundas e em 
diversos níveis entre as obras Ensaio sobre a cegueira (1995), A caverna (2000) e 
Ensaio sobre a lucidez (2004), do escritor português José Saramago. Todas elas 
estabelecem um diálogo com a alegoria da caverna e trazem desdobramentos, 
atualizações do conteúdo do texto platônico. Além do plano das ideias, 
observa-se uma articulação, em conjunto, detectável por meio do exame 
dos elementos próprios da narrativa, como personagem e espaço. Também 
é perceptível a busca da ruptura de fronteiras de gêneros textuais (ensaio/
romance), indiciada já nos próprios títulos de dois dos romances supracitados. 
Considerando estes e outros aspectos, pretendemos sustentar a formação de 
uma trilogia abrangendo estas obras.
A História Acordada: Tempo de ação / Tempo de 
reflexão em Os memoráveis, de Lídia Jorge
Cláudia Maria de Souza Amorim (UERJ)
Em Os memoráveis (2014), de Lídia Jorge, reconhecemos uma das características 
da obra da escritora portuguesa, que é a de revisitar a recente história 
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portuguesa a contrapelo, para empregar a conhecida expressão de Walter 
Benjamin. Nesse romance, mais uma vez, a narrativa nos leva à inquietante 
revisão dos marcantes episódios em torno da revolução do 25 de Abril, por 
meio da personagem-narradora, uma jornalista portuguesa, radicada nos EUA, 
que retorna a seu país de origem com dois outros jovens jornalistas, a fim de 
concluir uma reportagem encomendada para a cadeia jornalística CBS, para a 
qual todos trabalham.
Revisitando a história, a partir de alguns de seus protagonistas, ao entrevistarem 
algumas das pessoas que a viveram visceralmente, a jornalista Ana Maria 
Machado e seus jovens colegas perspectivam não só o tempo da utopia, como 
o tempo da desilusão, assim como se aproximam de narrativas esquecidas 
ou desconhecidas pelas novas gerações que se distanciaram do cerne dos 
acontecimentos.
História e memória confluem nessa narrativa para problematizar o confronto 
entre passado e presente, entre utopia e distopia, entre verdades e pós-
verdades, nesses tempos de diluição em que vivemos.
Florbela Espanca e Adília Lopes: a subversão do 
papel feminino
Clêuma de Carvalho Magalhães (FURG)
Este trabalho tem como propósito analisar a subversão do papel feminino 
na obra das escritoras portuguesas Florbela Espanca e Adília Lopes. A 
produção poética de Florbela Espanca vem à luz nas primeiras décadas do 
século XX, tendo início com Livro de mágoas (1919), seguido pelo Livro de Sóror 
Saudade (1923) e pelo póstumo Charneca em flor (1931). Adília Lopes, poetisa 
contemporânea, inicia sua atividade literária em 1985 com a obra Um jogo 
bastante perigoso. Seus livros de poesia publicados até maio de 2014 estão 
reunidos na antologia intitulada Dobra (2014). A ligação entre as duas escritoras 
dá-se especialmente pela abordagem da questão do feminino. Cada uma à 
sua maneira (e Adília Lopes a distorcer e, por vezes, negar a voz de Florbela 
Espanca), ambas constroem uma imagem feminina que foge aos padrões 
impostos pela sociedade portuguesa, negando o seu papel de submissão, 
assumindo o desejo que habita o seu corpo e afirmando-se como sujeito.
Eça de Queirós revisitado no Suplemento Literário de 
Minas Gerais
Cristiane Navarrete Tolomei (UFMA)
A presente comunicação intitulada “Eça de Queirós revisitado no Suplemento 
Literário de Minas Gerais” apresenta o resultado de um estudo crítico dos 
ensaios acerca de Eça de Queirós, entre 1966 e 2014, no Suplemento Literário 
de Minas Gerais _SLMG_, de Belo Horizonte, verificando como os ensaios do 
SLMG são fonte documental para a história, a biografia e a crítica sobre o autor 
ABRAPLIP 2017
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português. Para a realização dessa pesquisa, realizamos visitas a três centros 
de referência: à coleção literária e cultural da Secretaria Estadual de Cultura, de 
Minas Gerais; à coleção de obras raras da biblioteca da Faculdade de Letras, da 
Universidade Federal de Minas Gerais; e à coleção eletrônica do Suplemento 
Literário de Minas Gerais. Além de notarmos a importância da atuação do 
SLMG na área de cultura e literatura de língua portuguesa, observamos como 
os ensaios desse periódico apontam para um Eça de Queirós preocupado com 
questões literárias, políticas e sociais. Há também um diálogo entre os ensaios 
do SLMG com as mais recentes críticas queirosianas do Brasil e de Portugal. 
Logo, para esta apresentação, apresentamos a história e a atuação do SLMG 
no cenário do jornalismo cultural brasileiro; e análise das publicações na seção 
“Ensaio” acerca de Eça de Queirós no SLMG, observando a relevância das 
publicações para a permanência do autor português no universo jornalístico 
e literário do Brasil.
O tema da censura no período formativo em 
Saramago (constância da circunstância)
Cybele Regina Melo dos Santos (USP)
A História foi o tema ficcional mais visitado na literatura portuguesa, em 
meados da década de 1980. As obras do escritor José Saramago (1922-2010), 
que compõem o período formativo de sua carreira, possuem traços de uma 
tendência ao contexto histórico. Em sua escrita é possível perceber o emprego 
de recursos da intertextualidade, em um momento conturbado, políticamente 
e socialmente, de Portugal, pois haviam passado por um longo período de 
ditadura militar, que se iniciou em 1933, culminando na Revolução dos Cravos, 
em 1974.
Mesmo apresentando em algumas de suas obras deslocamentos temporais 
distantes (no século XIV) ou próximos (no século XX), o tema constante em 
suas obras, é o da censura, seja a do período inquisitorial ou a da ditadura 
militar. Para tanto, buscaremos realizar uma análise do tema da censura 
em algumas de suas obras, como A noite (1979), Levantado do Chão (1980), 
Memorial do Convento (1982), O ano da morte de Ricardo Reis (1984) e História 
do Cerco de Lisboa (1989).
O olhar de Amaro
Daiane Cristina Pereira (USP)
Este trabalho faz parte da tese de doutoramento em curso, intitulada “A 
mulher e o discurso masculino no romance de Eça de Queirós”. Nele pretendemos 
observar como o olhar do protagonista de “O crime do padre Amaro”, ao qual 
temos acesso através da focalização interna possibilitada pelo narrador, o 
configura como um invasor, não só da casa de suas anfitriãs, mas também 
da intimidade, do corpo e da vida de Amélia. Dessa maneira, desejamos 
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demonstrar como o romance, além de denunciar a problemática do celibato, 
mostra também como a dominação masculina se estabelece, principalmente 
através da confusão entre o público e privado, manipulando a vida da mulher 
representada nessa narrativa.
Presença da literatura portuguesa na revista O Futuro
Damares Rodrigues de Oliveira (USP)
Esta comunicação tem por objetivo apresentar parte do resultado de nossa 
pesquisa de mestrado sobre a revista O Futuro e refletir sobre a presença da 
literatura portuguesa neste periódico. 
Baseando-se nas reflexões elaboradas por MASSA (2008) e SANDMANN 
(2004) sobre a existência de uma relação luso-brasileira intermediada, 
principalmente, pela figura do escritor Machado de Assis, podemos 
depreender através da análise de O Futuro a existência de um diálogo entre 
escritores brasileiros e portugueses assim como também uma busca pela 
difusão de suas obras. Reunindo renomados escritores, como Faustino Xavier 
de Novais (fundador, editor e redator principal), Machado de Assis, Camilo 
Castelo Branco, Reinaldo Carlos Montoro, Augusto Emílio Zaluar, entre outros, 
nos vinte exemplares desta revista, publicados de 15 de setembro de 1862 à 1 
de julho de 1863, há uma forte colaboração de escritoresportugueses.
Como o nosso principal objetivo no mestrado foi o de compreender o que 
foi esta revista através de sua descrição - um levantamento biográfico dos 
colaboradores, dos diversos gêneros textuais impressos (desde artigos 
à romances) e dos assuntos abordados - vamos apresentar algumas 
considerações sobre os dados levantados referente aos escritores portugueses 
e suas obras.
Aborrecimento e romance português: Camilo e Eça
Daniel Bonomo (UNICAMP)
A atual viabilidade da exclusão da literatura portuguesa dos currículos 
escolares brasileiros parece apontar não apenas para um conflituoso projeto 
de valores nacionais identitários datado de dois séculos, mas endossar um 
enfraquecimento completo da cultura literária moderna ancorada na ideia de 
estado-nação. Entretanto, na mais recente crise estatal brasileira, a cassação do 
direito à literatura lusófona integra-se a um pacote tão radical de alienação dos 
direitos fundamentais do cidadão que, para maior espanto dos que se espantam 
ainda, já pouco surpreende. Aqui, discutir o lugar público da literatura e investir 
no seu ensino como instituição crítica deveriam ser formas de resistência ao 
desastre. Porém, entre os escrúpulos que atrapalham o hábito literário e sua 
pedagogia, predomina certa visão que os associa redutoramente ao prazer 
da leitura. Nesse sentido minha proposta, neste encontro, é falar de uma 
pesquisa em progresso que vincula histórica e teoricamente “aborrecimento” 
e romance, numa tentativa de revisão deste gênero inclusivo e extensivo por 
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excelência. Enfim, a literatura portuguesa desempenha aí papel fundamental, 
mais notadamente em leituras de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós.
Golgona Anghel. Do realismo satírico à poética vadia
Daniel de Oliveira Gomes (UEPG)
Abordaremos o livro “Vim porque me pagavam” de Golgona Anghel, uma 
autora que, apesar de nascida na Romênia, reside em Portugal, onde foi autora 
da tese de doutoramento “A Metafísica do Medo” sobre o poeta Al Berto. 
Nesta autora tão recente, queremos observar precisamente a característica 
transfronteiriça da identidade prostituível do presente e questões daquilo que 
podemos notar como sendo seu “realismo satírico”, onde a autora inspira-se 
na tradição burlesca lusitana. Independentemente de sua língua materna não 
ser o português, a autora demonstra aderir a todo um jogo de influências da 
língua portuguesa e sua literatura satírica, de onde será possível vislumbrar 
tanto uma crítica saturada às questões sociológicas do presente, quanto um 
estilo que visa uma releitura da “fórmula anestésica” impressionista dos estilos 
poéticos de Cesário Verde e Al Berto.
Realismo, arte fantástica: as relações entre imagem 
e memória coletiva a partir do romance Gaibéus, de 
Alves Redol
Daniel Marinho Laks (UFF)
A possibilidade de curadoria dos episódios que devem ser rememorados 
ou comemorados sob uma perspectiva pública está intimamente ligada a 
legitimação dos interesses de grupos que estabeleceram sua hegemonia e, 
nesse sentido, o processo de produção de uma memória coletiva pretende 
funcionar como ferramenta política de legitimação de estruturas específicas 
de poder. Entretanto, qual o papel da arte na construção de imagens e 
saberes sobre um determinado tempo? O objetivo desta comunicação é 
discutir a estratégia realista de narrativa que embasou o romance neorrealista 
português Gaibéus, de 1939, a partir das relações entre imagem, memória e a 
produção de conhecimento sobre um determinado tempo. O conceito de real, 
conforme definido no projeto de Alves Redol, almejava uma capacidade de 
agência sobre as dinâmicas sociais. A função vislumbrada para a literatura, de 
contribuir para a aceleração do tempo revolucionário através da produção de 
uma consciência de classe pretendia se situar no limite entre o documental e o 
ficcional, engendrando imagens capazes de alterar as formas de subjetividade. 
Em outras palavras, criando um efeito de presença de algo que se encontrava 
ausente. A produção de um efeito de presença retoma o debate iniciado por 
Platão sobre as relações entre memória e imaginação. Entretanto, na esteira 
do pensamento de Deleuze em Lógica do Sentido, a comunicação visa discutir 
como a estratégia realista de escrita em meados do século XX reverbera com 
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a potência do simulacro de estabilizar ou mesmo desarticular formas lógicas 
específicas consolidadas como saberes.
O phatos na poesia simbolista “Brando e vermelho”, de 
Camilo Pessanha, como provocação à modernidade
Daniele Santos (UTFPR)
O simbolismo data do final do século XIX, momento em que a racionalidade 
do Iluminismo estava sendo repensada. O indivíduo, nesse cenário, se vê 
frente ao moderno, à novidade, aos desdobramentos da Revolução Técnico-
científica. Não mais se distanciam o eu do universo. O sujeito volta-se ao seu 
inconsciente. (RAYMOND,1997). Alguns autores, além disso, o consideravam 
como antirreal, espiritualista, contrário ao positivismo e contendo determinadas 
características próximas do romantismo (MARTINS, 1953). No entanto, parte 
dessa perspectiva pode ser repensada a partir da nossa análise do poema 
“Branco e Vermelho”, de Camilo Pessanha, importante simbolista português. 
Nossa proposta considera o phatos como forma de união de duas perspectivas: 
estética e material. Ele é entendido aqui como sentimento e sofrimento, seja 
ele de ordem biológica ou psicológica, além ainda de direcionar o receptor 
à catarse, por meio do discurso e da retórica (CEIA, 2017), apelando para os 
seus sentimentos. Sendo assim, nossa hipótese é de que Camilo Pessanha, 
no poema já citado, transita facilmente entre o estético – artístico – e o 
material. Para tanto, a discussão com alguns teóricos é fundamental. Entre 
eles, podemos citar Walter Benjamin (1975), Marshall Berman (2007), Paulo 
Franchetti (2001), Alvaro Cardoso Gomes (1977), João Adalberto Campato 
Junior (2003), entre outros, assim que se fizer necessário.
As configurações do feminino em O Primo Basílio: 
diálogos entre o romance português e o cinema 
nacional
Danielle Machado Fontes (IFBA/FAPESB)
José Roberto de Andrade (IFBA)
Este artigo é fruto de uma pesquisa de Iniciação Científica (IC) realizada de 
2016 a 2017 pela graduanda Danielle Machado Fontes, sob orientação do 
professor José Roberto de Andrade, no Instituto Federal da Bahia (IFBA). O 
trabalho analisa duas obras de diferentes suportes: o romance O Primo Basílio, 
publicado em 1878, e o filme homônimo, de 2007. Das duas narrativas, 
analisam-se três personagens femininas Luísa, Juliana e Leopoldina (Leonor, 
no filme) e selecionam-se cenas que delineiam o feminino nos contextos 
português e brasileiro. Literatura e cinema são considerados como espaço de 
reflexão social e seu estudo, análise e problematização se darão pela inter-
relação entre o texto e a sociedade, o presente e o passado, o imaginário 
individual e o coletivo. Por isso, gênero e sexualidade são observados nos 
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discursos que os definem e enquadram, nas narrativas e nos seus contextos de 
específicos, plasmados pelas forças históricas no imaginário coletivo de cada 
povo, cada realidade sociocultural e cada sujeito. A análise das personagens e 
das cenas mostra que a experiência histórica comum permite aproximações 
possíveis. Personagens e enredo se assemelham e se entreveem sexualidade 
e gênero num contínuo português-brasileiro: nas duas narrativas estão o 
adultério feminino condenado, a igualdade de gênero negada, a subalternidade 
feminina constituída. No entanto, as Luísas, Julianas e Leopoldinas do filme e 
do livro não são as mesmas. Ambientado na São Paulo de meados do século 
XX, o filme, muitas vezes, reaviva concepções sociais mais conservadoras, 
retrógradas e reacionárias do que o romance, ambientado na Lisboa, do século 
XIX. Apesar da aparente “contradição histórica”, Eça de Queirós plasmou, 
em certa medida, personagens femininas vanguardeiras, que, como vêm 
propondo- e realizando - críticos como Mônica Figueiredo, estão a pedir uma 
releitura inovadora que as liberte das teias configuradas pela crítica tradicional.
Os discursos são falsos, as vozes se confundem: o 
narrador e as personagens sob controle em A paixão 
(Almeida Faria)
Dankar Bertinato Guardiano de Souza (UFPR)
O objetivo deste trabalho é investigar o modo como o narrador do romance 
A paixão (1965), de Almeida Faria, se posiciona em relação às individualidades 
das personagens de seu relato, frequentemente subjugando-as à sua. Pelo 
fato de no terço final do romance o narrador se assumir enquanto autor do 
enredo que constitui a obra, o pacto ficcional firmado até então se rompe e a 
presença daquelas personagens no enredo é ressignificada a partir da intrusão 
súbita de um “autor”. Assim, a relação entre sujeitos tão comum ao gênero 
romance é perturbada com o desvelamento do próprio narrador – até então 
aparentando neutralidade na forma verbal da terceira pessoa – em um sujeito 
ativo na narrativa; isto é, um “eu”. Buscaremos compreender de que forma essa 
desconstrução do papel de sujeito das personagens no romance contribuem 
para a individualização do próprio narrador, e que efeitos isso gera na narrativa. 
Para tanto, utilizaremos as noções de distanciamento narrativo elaboradas 
por Mikhail Bakhtin em seu texto O Autor e a Personagem, presente no livro 
Estética da Criação Verbal (2011), e as proposições a respeito dos sujeitos-
de-enunciação nas narrativas em terceira e primeira pessoa da teórica Käte 
Hamburger em sua obra A Lógica da Criação Literária (2013). Essas discussões 
teóricas serão fundamentais para uma melhor compreensão da construção 
narrativa por trás do romance de Faria e da forma que nele se operam as 
relações entre o narrador e as personagens.
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A morte da vida no romance Jesus Cristo bebia 
cerveja (2012) do escritor português Afonso Cruz
Dante Luiz de Lima (UFPA)
O mundo ocidental foi acidentalmente levado a acreditar, fundamentado nas 
palavras do texto bíblico, que o deus israelita é o ser supremo que controla 
a vida na terra. Sendo assim, esse livro “sagrado” teve um grande impacto 
sobre o destino de muitos povos e, consequentemente, sobre as artes em 
geral, especialmente a literatura. O romance Jesus Cristo bebia cerveja (2012) 
do escritor português Afonso Cruz, através da intertextualidade como a 
Bíblia e os dogmas da religião católica nos leva a refletir sobre o que é viver 
e, principalmente, a nos questionarmos sobre a morte, a única certeza da 
vida. Neste trabalho investigo as elucubrações feitas pelo narrador onisciente 
e pelos personagens do romance acerca de tais temas. Para atingir meus 
objetivos me valho da Teopoética, ramo da literatura que nos leva a uma 
reflexão literária do texto bíblico e a relação, muitas vezes conturbada, entre a 
teologia e a literatura.
No Sonho de Xavier: a construção de um ethos 
jesuítico em um sermão panegírico de Padre Antônio 
Vieira
Dario Trevisan de Almeida Filho (UFSM)
Em A Oratória Barroca de Vieira (2003), Margarida Vieira Mendes indica a 
existência de “protagonistas textuais da pregação evangélica” (Ibid., p. 103) em 
alguns sermões hagiográficos e panegíricos de Padre Antônio Vieira. De acordo 
com a autora, tais exempla seriam tomados com o propósito de configurar o 
ethos de um pregador ideal jesuítico. A fim de melhor compreender em que 
consistiria esse ethos, o trabalho ora apresentado toma como corpus o “Sonho 
Primeiro”, primeiro sermão da série dedicada a São Francisco Xavier, único 
fundador da Companhia de Jesus a pregar além-Europa e um dos possíveis 
modelos de pregador-missionário de Vieira. No sermão, é abordada a luta 
empenhada por Xavier em um sonho que o santo teria tido; a partir desse tema, 
buscou-se reunir e analisar os mecanismos retóricos aí empregados, como 
comparações estabelecidas entre Xavier e personagens históricas e bíblicas, 
provas apresentadas pelo orador, bem como o próprio campo semântico das 
denominações utilizadas para se referir ao santo, projetando uma imagem de 
pregador-missionário beligerante em Xavier, que, alegoricamente, poderia 
ser apontada como um do elementos constitutivos do ethos de um pregador 
prototípico da Companhia. Além do interesse literário deste estudo, ressalta-
se sua possível relevância a áreas afins, como à história do período colonial, 
uma vez que o melhor entendimento identitário desse pregador jesuítico ideal 
poderia contribuir para esclarecer o modo de proceder da ordem, sobretudo 
nas missões jesuíticas de catequização.
ABRAPLIP 2017
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Que sofrência, ‘fessora: reflexões e experiências sobre 
o ensino de Literatura Portuguesa
Daviane Moreira e Silva (UFG/REJ)
A proposta desse trabalho é refletir sobre alguns dos caminhos possíveis 
para o ensino de literatura portuguesa no ensino superior. A necessidade de 
apresentar obras canônicas para alunos que muitas vezes têm o primeiro 
contato com a produção literária portuguesa nos cursos de Letras já é, por si 
só, um grande desafio, incrementado pela premência em se estabelecer uma 
relação dialógica com outras produções em língua portuguesa, destacadamente 
a brasileira.
A escrita cronística autorreflexiva de Inês Pedrosa: 
Crónica Feminina e o questionamento do fazer literário
Diana Navas (PUC-SP)
Telma Regina Ventura (PUC-SP)
O presente estudo objetiva apresentar de que maneira a produção cronística de 
Inês Pedrosa, uma das mais significativas vozes da Literatura Contemporânea 
Portuguesa, evoca discussões a respeito do fazer literário, bem como dos lugares 
da Literatura, na contemporaneidade. Valendo-se de uma orquestração de 
vozes - de riquezas ideológica, temática e estilística -, a autora em seu discurso 
cronístico registra histórias ligadas ao quotidiano social e étnico, denotando 
não apenas as preocupações e os temas da sociedade portuguesa, mas 
também o questionamento de seu próprio ofício – a construção e as funções 
da própria linguagem. De cunho exploratório e bibliográfico, a pesquisa revela, 
nas crônicas metaficcionais pedrosinas - escritas para o semanário Expresso e 
posteriormente compiladas e publicadas na obra Crónica Feminina (2005) - 
um discurso irônico e, por vezes, ácido, tecido por uma escritura comprometida 
e questionadora do paradigma literário canônico.
Luiza de Mesquita: o mar inalcançável
Diogo Ballestero Fernandes de Oliveira (UFRJ)
Nascida na pequena Horta, Açores, em 1926, e falecida na cosmopolita cidade 
do Rio de Janeiro, 2002, entre Lisboa, Paris e Rio, Luiza de Mesquita viveu 
uma vida de permanente desterro afetivo. Sua poesia possui uma obsessão: o 
mar de Açores, o mar da infância. Procuraremos demonstrar, através de alguns 
poemas, como o mar é a ponte sobre a qual a ânsia de sua poética busca a 
infância perdida.
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Herberto Helder e o corpo político
Djanine Belém (UFBA)
Identificando na poética de Herberto Helder, a figura do acéfalo moderno, 
a comunicação levanta a hipótese de que o sacrifício da cabeça desdobra a 
questão da poética e do corpo político, consoante a performance de poeta 
obscuro com os nódulos de resistência e transgressão que esse corpo agrega. 
Para tanto, analisa-se como se dão os trânsitos de cenas e ideias a partir da 
leitura em dois contos que integram a obra Os Passos em Volta e “Poemacto 
III” do escritor português Herberto Helder.
Lendo o modernismo português à luz das revistas 
literárias de Goa e de Macau
Duarte Nuno Drumond Braga (USP/FAPESP)
Neste período em que ocorrem várias comemorações de efemérides ligadas 
a eventos e a revistas do Modernismo português, não se tem atendido à 
presença modernistas em revistas coloniais, focando-se sobretudo no eixo 
Portugal-Brasil. Dentro das revistas literárias colonais, menos ainda ou nada 
se tem atendido a publicações das ex-colónias asiáticas de Portugal, Goa e 
Macau, colónias cujas literaturas em língua portuguesa estão quase totalmente 
por entender e interpretar, não sendo ainda clarose se trata de literaturas 
independentes ou de satélites da literatura portuguesa. Trata-se de publicações 
com tempos diferentes do português, ora demasiado cedo, ora demasiado 
tarde face a 1915, ano órfico por excelência. Na verdade, essas produções 
literárias em periódicos, possuem ingredientes centrais para reequacionar 
o modenisno português, pelo fato de serem ao mesmo tempo abertas às 
estéticas modernistas, neo-românticas e saudosistas, o que encontramos 
também em autores portugueses como Alfredo Guisado ou Ângelo de Lima, 
que se localizam nessa fronteira estética. A partir de alguns exemplos de A 
Revista da Índia (1913) e de Mosaico (1930), propomos uma leitura comparada 
de um poema de cada periódico com poemas de Ângelo de Lima e de Alfredo 
Guisado, publicados no segundo número de Orpheu, mostrando como, quer 
em Portugal, quer em Goa e em Macau, não se tem atendido a entender a 
modernidade fora do modernismo propriamente dito.
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“Para além” da adaptação: as remissões literárias 
do filme O Estranho Caso de Angélica de Manoel de 
Oliveira
Edimara Lisboa (USP)
Os questionamentos metafísicos da existência de vida após a morte e da 
impossibilidade de atingir em vida o amor absoluto são problemáticas 
recorrentes nos filmes de Manoel de Oliveira e funcionam como importante 
caminho de abertura para os diálogos com escritores e obras literárias que 
singularizam a filmografia deste cineasta português, particularmente no que 
diz respeito ao universo de leituras da geração presencista. No filme de roteiro 
original O Estranho Caso de Angélica, indicações e citações literárias, tais como 
o segundo terceto do soneto “No Céu, se existe um céu para quem chora” 
de Antero de Quental, a capa da biografia romanceada de São Paulo, de 
Teixeira de Pascoaes e a parte 16 do poema “Sarça ardente”, que fecha o livro 
As encruzilhadas de Deus de José Régio, intensificam a atmosfera de mistério 
e convergem com a concepção de transcendência de Manoel de Oliveira. O 
objetivo da comunicação é apresentar uma análise do papel central que essas 
remissões literárias ocupam na tecitura do filme e na estética oliveiriana.
O conto Alma-Grande, de Miguel Torga: dialogismo 
com o texto bíblico e a historicidade
Edna da Silva Polese (UTFPR)
Miguel Torga na obra Novos contos da montanha, apresenta-nos a figura do 
abafador no conto Alma-Grande. O abafador é figura salvadora da chamada 
“hora do convento” quando, na hora da morte os judeus de Riba Dal eram 
obrigados a converterem-se ao cristianismo. Entrava aí a presença do Alma-
Grande que selava o destino dos aldeões antes da chegada do padre. Numa 
situação inesperada, Alma-Grande não cumpre o combinado e as demais 
personagens envolvidas na situação, Isaac, que seria morto, e o filho de Isaac, 
Abel, que testemunhara a cena, formam a tríade de uma situação insustentável. 
No prefácio de edições mais recentes, o autor informa a situação da visita 
ao túmulo do Alma-Grande, direcionando o leitor à ideia da existência real 
dessa personagem, assim como do cenário que evoca no conto. O dialogismo 
com o texto bíblico e com a historicidade embasam esse trabalho. A obra de 
Auerbach, Mimesis e os conceitos de ficção histórica serão aqui utilizados para 
dar direcionamento crítico à proposta de leitura.
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Mulher de bigode nem o cão pode: machismo em 
Camilo Castelo Branco
Edson Santos Silva (UNICENTRO/I)
Camilo Castelo Branco (1825-1890) está para a novelística portuguesa o que 
foram para a dramaturgia Gil Vicente (1465-1537) e Almeida Garrett (1799-
1854): um inovador. Dentro da vasta produção camiliana destacar-se-á, na 
comunicação, a novela A queda de um anjo, vinda a lume em 1866. Para muitos 
críticos, essa novela representa um marco dentro da produção camiliana, seja 
por ironizar o amor romântico, seja por descrever com tintas fortes a vida social 
e política de Portugal no período da Regeneração Portuguesa (1851-1910). 
Interessa, ainda, analisar como a questão da pilosidade, sobretudo a barba e 
os cabelos, servirá ao autor para que ele coloque em “cena” a diferença entre 
os sexos. De um lado, a “potência da barba” a representar a virilidade, o macho; 
de outro, a exibição da feminilidade, a delicadeza da mulher, com os cabelos. 
Seria possível a inversão desses modelos, ou seja, do feminino e masculino no 
século XIX? O título da comunicação já antecipa algumas conclusões.
Ana de Castro Osório no Brasil e a defesa de um 
Portugal Moderno
Eduardo da Cruz (UERJ)
Os imigrantes portugueses no Rio de Janeiro foram fecundos na publicação de 
jornais e revistas destinados à sua colônia, sobretudo durante o grande século 
XIX. Ao analisarmos um desses periódicos, podemos examinar como esse 
grupo se percebia como comunidade, que estratégias simbólicas utilizavam 
para se posicionar em meio a uma sociedade que, apesar de culturalmente 
próxima, lhe era alheia, mormente se levarmos em consideração, como 
afirma Benedict Anderson em Comunidades Imaginadas (2008), o papel 
fundamental da imprensa periódica na construção das identidades nacionais 
e a composição do jornal como ficção. Um dos seus periódicos mais longevos 
foi o Portugal Moderno, que circulou entre 1899 e 1913. Esse semanário passa a 
trazer colaboração constante de Ana de Castro Osório (1872-1935), alterando 
seu perfil editorial, pois essa escritora difundia ali suas ideias sobre a república 
lusa, o feminismo e os portugueses no Brasil. Pretendemos nesta comunicação 
apresentar um panorama dessa longa participação e discutir como seus textos 
colaboravam para a construção, deste lado do Atlântico, de uma nova visão 
sobre Portugal.
ABRAPLIP 2017
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Theatrum mundi: a espetacularidade barroca em 
Antônio José da Silva
Eduardo Neves da Silva (USP)
A hipótese apresentada neste trabalho é a de que a ópera joco-séria As 
variedades de Proteu (1737), de autoria do luso-brasileiro Antônio José da 
Silva (1705-1739), reproduziria o theatrum mundi — o teatro do mundo —, 
topos recorrente no pensamento e na produção cultural do século XVII. Na 
peça em questão, a teatralidade barroca manifesta-se não apenas no uso 
inflacionado das maquinarias e nos demais recursos cênicos, mas, sobretudo 
e especialmente, no fingimento das personagens, de modo que tal noção 
integraria a própria ação dramática, servindo como motor das intrigas. Em 
nosso estudo, buscaremos promover um diálogo entre a referida ópera e 
a perspectiva de pensadores (Descartes e Leibniz), poetas (Campanella e 
Marino) e dramaturgos (Shakespeare e Calderón de la Barca) que atualizaram, 
explícita ou implicitamente, a ideia da teatralização da existência mundana.
O universo da vida religiosa feminina em Alexandre 
Herculano: de que as freiras eram capazes?
Eduardo Soczek Mendes (UFPR)
Abunda na Literatura Portuguesa, das mais variadas épocas, a abordagem de 
temas relativos às freiras, sobretudo no que se refere em questões morais. Para 
ilustrarmos brevemente sobre a importância do conteúdo a que nos referimos, 
podemos rememorar desde as Cantigas Medievais chegando até as Cantigas 
Populares que ainda hoje são executadas em Portugal, pensando também 
nas muitas monjas produtoras de literatura e naquelas que se envolveram 
em notórios escândalos morais. Tendo ciência de tais dados, podemos pensar 
em como Alexandre Herculano (1810-1877), sempre muito atento à cultura 
religiosa católica de Portugal, tanto em suas pesquisas de cunho historiográfico 
quanto na elaboração de suas obras ficcionais e das personagens que povoam 
as suas narrativas, tratou da vida religiosa feminina no país, bem como abordou 
temáticas importantes referentes às monjas e freiras, circunscrevendo as 
suas obras na recorrente tradição anticlerical lusitana. Isso está patente no 
estudo História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal (1854), 
bem como no capítulo “O Mosteiro”, do romance Eurico, o presbítero (1844) 
e também em missivas como “As Freiras de Lorvão” (1853), na qual apelavapelas monjas cistercienses que passavam por necessidade após o decreto de 
extinção das Ordens Regulares em Portugal (1834) ou nas escritas, datadas um 
ano antes de sua morte, para o padre lazarista Barros Gomes (1839-1910), nas 
quais denunciava a ação perniciosa das Filhas da Caridade ou freiras vicentinas. 
Partimos de uma hipótese de que Herculano possuía perante as figuras religiosas 
um anticlericalismo que visava a correção de comportamentos incoerentes, 
mas que não generalizava ou condenava os religiosos pelo simples fato de 
pertencerem à instituição eclesiástica. Nosso trabalho, portanto, pretende 
ABRAPLIP 2017
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averiguar, nas obras já citadas, como o autor e historiador tratou, seja por meio 
do discurso narrativo, historiográfico ou epistolar, a questão da vida religiosa 
feminina em Portugal. Para tanto, pretendemos também estabelecer um 
diálogo com autores que trataram, ainda que indiretamente, de tais questões, 
como Ana Isabel Buescu, Carlos Eduardo da Cruz, João Francisco Marques, Luís 
Machado de Abreu e Manuel Trindade, a fim de estribarmos a nossa análise.
“Passaram ainda além da Taprobana”: O romance 
histórico da colonização portuguesa em O feitiço 
da Ilha do Pavão, de João Ubaldo Ribeiro, e A sul. O 
Sombreiro, de Pepetela
Edvaldo A. Bergamo (UnB)
A nova concepção de História foi um fator decisivo para a conformação do 
romance no século XIX, o que possibilitou a criação de uma forma literária 
específica destinada a captar o tempo de outrora como movimento contínuo 
que interfere na vida corrente, com grande desenvolvimento na segunda 
metade do século XX. Parte do romance histórico contemporâneo no Brasil 
e em Angola pode ser caracterizada principalmente pela figuração crítica da 
experiência colonizadora europeia em territórios tropicais. Assim, tal narrativa 
de extração histórica enfoca privilegiadamente a natureza perturbadora dos 
fatos narrados como acontecimentos decorridos que permanecem como 
estímulo questionador de uma atualidade contraditória. Considerando 
semelhantes aspectos teóricos e críticos, nosso objetivo nesta comunicação 
é examinar, pelos caminhos da fabulação de um passado conturbado, a 
dialética da colonização portuguesa como matéria histórica e ficcional, com 
vistas a cotejar dois romances que retratam em chave paródica e irônica os 
primórdios da presença lusitana na América e na África: O feitiço da Ilha do 
Pavão (1997), do brasileiro João Ubaldo Ribeiro, e A sul. O Sombreiro (2011), 
do angolano Pepetela. O Brasil como “terra paradisíaca” e “máquina de moer 
gente” e Angola como “chão de cobiça e riqueza” e “inferno das febres” são 
estratégias de figuração artística transgressiva de um passado colonial em 
comum, representado em obras que dão a ver um pretérito de lutas cruentas 
que reverbera ainda num hoje conflituoso.
Paralelos na obra de Jane Austen (1775-1817) e 
Maria Peregrina de Sousa (1809-1894)
Elen Biguelini (Universidade de Coimbra/CHSC)
Maria Peregrina de Sousa (1809-1894) provavelmente não teria conhecido 
a obra da inglesa Jane Austen (1775-1817). Ainda assim, sua obra apresenta 
paralelos com à daquela ilustre inglesa. 
A obscura portuense pseudónimo de Maria Peregrina de Sousa, vivia reclusa 
na quinta de sua família, próxima ao Porto. Apezar disto, produziu uma vasta 
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quantidade de romances e folhetins, entre os quais Roberta, ou a força da 
simpatia (1863), que apresenta diversas semelhanças a Orgulho e Preconceito 
(1813), da mais conhecida autora. 
Neste trabalho, pretendemos encontrar estes parelelos e, com o auxílio da 
crítica literária feminista, em especial do conceito de anxiety of authorship, 
conhecer e compreender um pouco da obra desta autora portuense.
A última nau portuguesa
Elias dos Reis Louzeiro (PUC-SP)
A partir da leitura e análise do romance A máquina de fazer espanhóis do autor 
contemporâneo português Valter Hugo Mae o trabalho procura apresentar as 
dicotomias temporais existentes na obra. O enredo conta a respeito de um 
homem idoso, recém-viúvo que é posto em um asilo. O processo de ruptura 
e progressão, é exemplificado pelos dois tempos presentes. Um tempo 
cronológico, sucedâneo e organizado, ligado a ação presente, aos fatos do 
cotidiano, e outro tempo de característica memorialista e orgânica, voltado 
à reflexão e a recordação. Os dois tempos, em verdade simbolizam o duo 
progressão-retrocesso vivenciado pela personagem, e travam um conflito 
dentro desta, porém tal tensão pode ser vista como microcosmo de uma 
sociedade portuguesa igualmente apegada ao passado e duvidosa das novas 
perspectivas que se apresentam frente a ela. O embasamento teórico será 
feito a partir da obra dos autores franceses Paul Ricoeur na obra Tempo e 
Narrativa e Henri Bergson em Matéria e Memória.
A Salvação no Amor em Amor de Salvação
Elinaldo Chaves dos Santos (UFPA)
A transitoriedade dos sujeitos, a finitude da vida, a decodificação dos sentidos 
e sentimentos marcadamente presentes na historicidade daqueles que não 
alheios aos condicionamentos humanos conseguem vislumbrar a salvação 
através do amor. Essa possibilidade de alcançar o divino, de aperfeiçoar-se no 
outro e de constituir no ser amado a inteireza da felicidade vai se contrapor 
as desventuras e atropelos ocasionais da vida, como os que compõem 
“Amor de salvação” de Camilo Castelo Branco. Romance português que 
dialoga subjetivamente com outras obras, apresentando o amor e seus 
desdobramentos como possibilidade de salvação.
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Feiticeiras: o crime da igreja católica evocado 
através das convergências entre Maria Teresa Horta e 
Jules Michelet
Elisa Moraes Garcia (FURG)
A jornalista e escritora Maria Teresa Horta pode ser considerada como um dos 
nomes mais representativos da Literatura Portuguesa Contemporânea. Com 
uma vasta obra, que abrange contos, romances e poemas, sua produção não só 
se estende por um período de mais de meio século, como dialoga com séculos 
de tradição literária. Fazendo do feminino e da mulher os principais elementos 
de sua produção, Horta constrói uma literatura que dá visibilidade e voz a este 
sujeito, desconstruindo os estereótipos femininos da sociedade ocidental 
e questionando não só a tradição cultural como também a literária. Em sua 
poesia, são diversas as representações femininas a quem ela personifica, como 
os Anjos e as Feiticeiras. As feiticeiras, as bruxas, por sua vez, apresentam-se 
ao longo de sua obra, em uma relação aparente com La Sorcière (1862), de 
Jules Michelet. Partindo do diálogo que Maria Teresa Horta estabelece com a 
obra de Michelet, o presente trabalho pretende analisar como a poeta constrói 
a representação da feiticeira/bruxa no livro Feiticeiras (2006).
 Representação e protagonismo femininos na revista 
Brasil-Portugal
 Elisabeth Fernandes Martini (UERJ)
Com o primeiro número datado de 1º de fevereiro 1899, a Brasil-Portugal: 
revista quinzenal illustrada (1899-1914) inicia o seu bem-sucedido percurso em 
terras brasileiras, visando contemplar a expressiva comunidade portuguesa e 
agregar ao seu contingente os brasileiros dos estratos superiores. Além firmar 
os pontos de contato, tendo por prismas a política e a economia, a linha 
editorial da revista busca privilegiar, a cada número, a paisagem, a literatura e 
a vida cultural e social de ambas as nações, em seus quinze anos de circulação 
ininterrupta. Nesse ínterim, a representação, os interesses e até mesmo a 
participação feminina adquirem, no periódico em tela, um outro perfil, sobre o 
qual nos propomos debruçar.
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A construção de memórias de Batalha Reis em discurso 
compartilhado
Elza Miné (USP/CNPq)
A comunicação tem por objetivo apresentar o livro recém publicado pela 
Imprensa da Universidade de Coimbra Alguns Homens de Meu Tempo e Outras 
Memórias de Jaime Batalha Reis, de minha autoria. 
Batalha Reis (1847-1935) tinha em vista registrar recordações de seus amigos, 
cuja reunião viria a constituir um volume a intitular-seAlguns homens de meu 
tempo. Não chegou, contudo, a realizar tal projeto que, desde seus primeiros 
anos como cônsul em Newcastle, para onde se mudou em 1883, até os 
últimos de sua vida, passados na Quinta da Viscondessa, em Portugal, sempre 
acalentou e referiu. Alinhavei-o eu, então, em seu nome. 
As partes I e II do referido volume correspondem à gestação e a uma (possível) 
concretização desse projeto. A seguir, vêm as “Antigas Lembranças em Cartas 
a Celeste” (Parte III), “Recordações Musicais” (Parte IV), “Alguns dos meus 
Textos de Imprensa” (Parte V), “Alguns projetos” (Parte VI), que correspondem 
às “Outras memórias” referidas no título do volume.
Que eu canto o peito ilustre (afro) lusitano: AFROLIS, 
afrolusitanidade e a produção cultural portuguesa 
mais recente
Emerson da Cruz Inácio (USP)
Partindo da identidade portuguesa intentada por Luis de Camões, em Os 
Lusíadas, depois reforçada por Fernando Pessoa em A mensagem, pretende-
se, a partir de alguns exemplos da produção literária portuguesa recente, 
circundar a noção de “afrolusitanidade”, defendida pelos artistas reunidos em 
torno do grupo “AFROLIS”, bem como pensar que estatuto cultural e identitário 
a produção negroportuguesa assume no panorama maior do edifício canônico 
português, como também a “presença silenciosa” (cf. José Ramos Tinhorão) 
desses atores culturais no concerto cultural lusitano mais contemporâneo.
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Os sermões de Santo Antônio de Lisboa/ de Pádua: 
elementos retóricos, teológicos e contextuais
Émili Feitosa de F. Olenchuk (UERJ)
Santo Antônio de Lisboa/ de Pádua, frade franciscano, viveu entre 1191 e 1231, 
período conhecido como Baixa Idade Média (século XIII ao XV), estudou nos 
centros de ensino mais proeminentes de Portugal em sua época, o que lhe 
possibilitou assimilar vasto conhecimento que seria usado posteriormente 
na pregação e no combate aos hereges, principalmente os cátaros. Em uma 
época de efervescência religiosa, em que os fiéis exigiam maior participação na 
vida eclesiástica, e de crescentes críticas, os movimentos mendicantes foram 
o sustentáculo de Roma: os dominicanos com os estudos e com a pregação, 
e os franciscanos com a pregação por meio sobretudo da vida exemplar. É 
também nesse período que tem início o estabelecimento de uma arte de 
pregar medieval, que possui como referência a própria prédica dos primórdios 
do Cristianismo, baseando-se principalmente em Jesus Cristo e no apóstolo 
Paulo; nos Padres da Igreja, sobretudo Santo Agostinho e Gregório Magno; e, 
enfim, em diversos preceptores do século XIII.
Frade Antônio escreveu diversos sermões, onde é possível verificar a 
presença de vários elementos retóricos que possuem como objetivo alcançar 
a benevolência do ouvinte e, assim, atingir o propósito máximo, no dizer 
de Santo Agostinho: instruir para convencer e comover. Para alcançar tal 
propósito, fez amplo uso das cláusulas, das Ciências Naturais, dos Pais da 
Igreja, de escritores pagãos e dos bestiários medievais. Este último foi de 
vital importância principalmente na pregação contra os hereges cátaros, 
que negligenciavam a natureza como algo puro e de onde se poderia retirar 
preceitos espirituais ocultos. 
A presente comunicação possui como objetivo examinar a importância dos 
sermões como gênero textual medieval para a sociedade em que estavam 
inseridos, bem como apontar alguns imprescindíveis elementos retóricos, 
textuais e contextuais.
O jogo de perspectivas em Finisterra, de Carlos de 
Oliveira, e a relativização do real
Esther Costa Faria (UFSM)
O neo-realismo português surgiu na década de 40 como um movimento 
voltado às preocupações ideológicas, com a proposta de assumir uma 
perspectiva documental em detrimento de aspectos estéticos restritos. 
O escritor português Carlos de Oliveira, um dos nomes exemplares dessa 
tendência, destoa ao mesmo tempo dela por aliar, ao interesse crítico-
social, investimentos formais específicos e inovações estéticas importantes. 
Se considerarmos, principalmente, as questões sociais defendidas pelos 
neo-realistas, precisamos destacar que a literatura produzida neste período 
pretende fazer das personagens e do modo de narrar uma forma de 
reconstrução social, dando lugar aos humildes, injustiçados e marginalizados 
(MOISÉS, 1978, p. 333-334). Nesta perspectiva, pretendemos analisar a forma 
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narrativa de Carlos de Oliveira no romance Finisterra – paisagem e povoamento 
(2003). Por meio das diversas representações da paisagem, orientadas pela 
perspectiva das personagens, o romance ressalta a “textualização do real” 
(GUERREIRO, 1988), ou a relativização da imagem da realidade. Inicialmente, 
o narrador se apresenta numa posição heterodiegética, na terceira pessoa; 
porém, a análise permite perceber que o olhar do narrador se mistura com 
as perspectivas das personagens, assumindo-se a distância, a diferença e a 
relativização de pontos de vista. Desse modo, pretendemos entender como 
esse jogo de vozes e perspectivas se entretece no discurso narrativo e assim 
problematiza a visão ortodoxa da realidade predominante no neo-realismo 
português.
O espaço brasileiro na poesia de Vitorino Nemésio
Eunice de Morais (UEPG)
Poemas Brasileiros (1972) é composto por 3 livros: Nove Romances da Bahia 
ou Romanceiro da Bahia, Violão de Morro e Ode ao Rio/ABC do Rio de Janeiro. 
O primeiro constitui-se por onze poemas, incluindo um “Intróito em teço-
teco” (trata da chegada do poeta a Salvador/BA, em 1952; e uma “elegia ao 
cemitério de Santa Efigênia de Ouro Preto”. A atmosfera de triste Bahia e ritmo 
cadenciado pela musicalidade do candomblé dos Romances da Bahia dá lugar 
a uma cadência de samba e alegria, nas composições de Violão de Morro (1965); 
No terceiro livro, as epígrafes tomadas de empréstimo a Machado de Assis, 
António Nobre, Manuel Bandeira e Stella Leonards, além de uma estrofe das 
Cantigas do Norte de Portugal, antecipam o discurso laudatório à cidade do 
Rio de Janeiro e principalmente a transnacionalidade da concepção de Cidade-
amálgama, que exerce força centrípeta naqueles que por ela passam ou 
habitam sem, no entanto, afastar-se de aspectos históricos e das imagens que 
revelam a cidade-texto. Neste trabalho, pretendemos desenvolver reflexões 
a respeito da visão espacial, presente nesta obra de Vitorino Nemésio. Nossa 
busca principal será sobre o sentido que as obras revelam, a partir de uma 
leitura que compreenda a cidade como espaço mediador e veículo informativo 
das trans-formações históricas, culturais e individuais do poeta.
Matéria, memória e ausência em A manta do soldado 
de Lídia Jorge
Evanir Pavloski (UEPG)
O presente trabalho tem como objetivo analisar a importância da noção 
bergsoniana de imagens-lembranças no discurso memorialista da narradora 
no romance A manta do soldado, de Lídia Jorge. Ao longo da narrativa, a 
personagem recupera, por meio da escrita, três décadas da história de sua 
família como forma de reinterpretar a si mesma diante das ausências e 
presenças de seu pai Walter Dias. Esse resgate do passado se notabiliza como 
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um processo de construção e de afirmação identitária, que se baseia no caráter 
fragmentário não apenas da psique da personagem, mas também do fluxo de 
sua memória no plano de conteúdo da obra. Nesse contexto, a espacialização 
do tempo no romance e a significação mnemônica de determinados objetos 
fazem com as lembranças da narradora assumam uma indelével carga 
imagética, característica que, segundo o filósofo Henri Bergson, é imanente em 
qualquer forma de recuperação subjetiva do passado. Assim, a nossa proposta 
de discussão enfoca a relevância da dimensão imagética nas rememorações 
da protagonista do romance e os processos pelos quais suas recordações são 
ativadas e/ou intensificadas no decurso da narrativa. Com isso, pretendemos 
demonstrar que as imagens mudas, atualizadas pela memória e corporificadas 
pela linguagem, preenchem ausências e rompem silêncios na obrade Lídia 
Jorge.
Versões da falta como fala em alguns poemas de Inês 
Dias
Evelyn Rocha de Souza (UFF)
Inês Dias faz parte de uma geração de poetas portugueses que encontra 
na falta lugares de fala, dado que a localiza em certa consonância com seus 
contemporâneos. À sua maneira, formula uma poesia em hipótese de (auto)
investigação a partir da perda, da doença e da morte, não deixando de articular 
a esses impasses uma espécie de nostalgia do sagrado, especialmente na sua 
relação com a finitude. Este trabalho pretende investigar a problemática da 
linguagem e do desamparo em dois ou três poemas da poeta portuguesa, 
partindo dos amplamente conhecidos textos “A literatura e o direito à morte” 
e “As duas versões do imaginário”, de Maurice Blanchot.
Entre Índico e Atlântico: (des)semelhanças entre 
poemas de Mia Couto e de Sophia de Mello Breyner 
Andresen
Everton Fernando Micheletti (USP)
Nos poemas de Mia Couto e de Sophia, há aspectos que permitem uma 
aproximação, de modo mais geral, como na temática do mar, o constante 
uso de metáforas e a preocupação com a situação histórica de seus países, 
Moçambique e Portugal. De modo mais específico, surgem algumas 
diferenças, as quais podem aparecer na forma, em outros recursos figurativos 
ou nos sentidos particulares de cada texto. Em relação ao Índico e ao 
Atlântico, portanto, surgem sentimentos negativos e positivos, referências ao 
tempo, à vida e à morte, características locais e universais, os elementos de 
cada identidade nacional, assim como as abordagens de (re)visão histórica. 
Ademais, há pontos de contato entre os dois escritores, Couto declara-se 
leitor dos poemas de Sophia, tendo citado alguns deles em epígrafes de seus 
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livros, em especial do romance Jesusalém/Antes de nascer o mundo (2009). 
Assim, pelo que se expõe, a comunicação tem como objetivo apresentar uma 
leitura comparativa de poemas dos dois autores, com ênfase da temática do 
mar, procurando investigar as relações intertextuais em suas semelhanças e 
contrastes.
Manuel da Fonseca: a busca ética e estética
Fabio da Fonseca Moreira (PUC-Rio)
Mesmo com uma produção literária não muito extensa, Manuel da Fonseca 
notabilizou-se por uma coesão temática e estilística, desdobrada através 
de seus romances, poemas e contos, perpassando nesses diversos gêneros 
uma mesma busca ética e estética. Manuel da Fonseca parece ter conseguido 
superar com alguma eficácia essa primeira perspectiva neorrealista através da 
busca de símbolos, imagens e outras estratégias narrativas que conferem à 
linguagem literária uma dimensão que ultrapassa o meramente ideológico, 
ao mesmo tempo em que revela um cuidadoso trabalho no campo formal e, 
consequentemente, artístico. 
Nessa direção, este trabalho tem como proposta verificar a maneira como 
Manuel da Fonseca apreende a realidade e como esta se reflete em sua 
escrita. Para tanto, os contos “Aldeia Nova” e “Mestre Finezas” e o poema 
“Canção” serão aqui tomados como nosso objeto de análise, a partir dos quais 
buscaremos verificar o alargamento do conceito de Neorrealismo em relação 
às estratégias de invenção de uma linguagem literária e de um procedimento 
de escrita capazes de revelar o conteúdo político e ideológico em textos que 
poderiam conter fenômenos estéticos puramente formais.
Figurações da morte voluntária em personagens da 
ficção portuguesa do século XIX
Fábio de Carvalho Messa (UFPR)
Jerônimo Duarte Ayala (UFSC)
Este trabalho aproxima algumas personagens da ficção, romântica e realista, 
portuguesa que têm em comum discursos e performances que conduzem 
e justificam suas mortes voluntárias. São alguns perfis femininos que nos 
interessam: Teresa e Mariana, de Amor de Perdição (1862), de Camilo Castelo 
Branco, e Luísa, de O Primo Basílio (1876), de Eça de Queirós, respectivamente 
representantes de estéticas distintas, que preservam essências específicas 
que vão do fatalismo romântico de Inocência, de Visconde de Taunay, ao 
determinismo de Helena, de Machado de Assis. Para todos os enredos, a morte 
é a melhor solução. Mariana e Teresa são os vértices do triângulo amoroso que, 
além de evidenciarem o trunfo passional da narrativa, ressignificam o drama 
shakespeariano; Luísa, não só se constitui como a fusão entre Madame Bovary 
e Eugénie Grandet, possibilitando cotejos com as personagens de Flaubert e 
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Balzac, como também enaltece a ascensão do romance ao redor do adultério, 
sinalizando sua irrefreável e fatal queda. Estes eixos temáticos, ao redor dos 
quais as personagens vivem seus conflitos, são um legado não só da esfinge 
ultra-romântica, como também esboço exemplificador do discurso da histeria. 
Considerando toda essa rede intertextual e sua cadeia de sentidos no texto 
romanesco, o embasamento desta discussão se dá a partir do que se considera a 
dicção suicida, numa perspectiva retórico-ficcional, emprestando concepções 
e fundamentos da semiologia e da psicanálise para fins especulativos.
A selva de Ferreira de Castro nas ilustrações de Poty
Fabricio Vaz Nunes (UNESPAR/EMBAP)
Surgido de experiências pessoais do autor, o romance “A selva”, de Ferreira 
de Castro, publicado pela primeira vez em 1930, descortina o ambiente 
hostil da natureza amazônica como palco para a exploração e a violência 
humanas, sempre através da perspectiva estrangeira do protagonista, Alberto. 
A esta perspectiva estrangeira contrapõem-se, na edição brasileira de 1967, 
as ilustrações do artista brasileiro Poty Lazzarotto, em que se destacam o 
apagamento da individualidade dos personagens e sua incorporação trágica à 
lógica da exploração instituída nos seringais, revelando assim um novo olhar 
sobre a selva tal como representada na obra do autor português. Este trabalho 
busca demonstrar como as dinâmicas instituídas entre o indivíduo, a sua 
exploração por outros homens e sua luta contra o ambiente natural hostil são 
retratadas nestes diferentes meios, o do texto e o da imagem, cada um com 
seu ângulo específico de focalização. Entre estes diferentes pontos de vista ‒ 
do texto e da imagem, do português e do brasileiro - revelam-se semelhanças 
e diferenças significativas nas formas como o universo da selva amazônica é 
representado nas duas modalidades artísticas.
A cegueira branca como doença: mecanismo de 
suspensão da democracia no Ensaio sobre a cegueira, 
de José Saramago
Fabrizio Uechi (USP)
No “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor português José Saramago, a cegueira 
branca não se constituiu numa doença: não se chegou a uma conclusão 
sobre a sua origem, as suas causas, os seus sintomas, a sua cura. Este foi o 
diagnóstico preliminar feito pela personagem do médico, após exame clínico 
no primeiro cego, e foi essa a declaração do Governo – mas após iniciado o 
plano de confinamento dos cegos na instituição asilar. Portanto, mesmo 
sem uma justificativa técnica, no princípio, a cegueira branca foi categorizada 
pelas autoridades como doença e, por conta de seu raio de “contaminação”, 
como epidemia, legitimando àqueles a suspensão de garantias e direitos 
dos cidadãos personagens, e as práticas de violência, tão evidentes dentro 
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do manicômio. Diante disso, a hipótese de leitura da qual se parte neste 
trabalho é a de que a cegueira apenas ganha a categoria de doença porque 
são acionados mecanismos de manutenção do poder, que realizam práticas 
e constituem discursos a princípio incongruentes a uma democracia, mas que 
nela são encontrados, sob o pretexto da conservação da ordem e do bem-
estar da maioria. Para tanto, são utilizados instrumentos teóricos de autores 
como Susan Sontag, Jacques Rancière e Giorgio Agamben.
A dinâmica da luta de classes em O delfim, de José 
Cardoso Pires
Felipe Clos Bassedone (UFSM)
A morte de Maria das Mercês e o desaparecimento de seu marido Tomás 
Manuel são os acontecimentos centrais da narrativa de O Delfim (1968), 
de José Cardoso Pires. A partir disso, o narrador-personagem, tomado pela 
curiosidadeem entender a totalidade das relações que compõem a lagoa e 
o largo da aldeia da Gafeira, posiciona-se na janela de um quarto de pensão 
e, assim, observa, rememora e analisa o passado e o presente de um espaço 
onde a vida aparenta certa estagnação. 
Tal como outros autores da produção romanesca da década de 60/70, 
Cardoso Pires rompe com o Neo-Realismo ortodoxo e passa a elaborar 
inovações tanto no que diz respeito à forma, quanto ao conteúdo. Mesmo 
assim, a proposta ideológica neo-realista não é, como se pode perceber em 
O Delfim, de todo abandonada. De forma sutil, são mantidos a crítica social e 
os conflitos que refletem e refratam uma luta de classes entre personagens. 
Entretanto, diferentemente dos trabalhos anteriores de Cardoso Pires, como 
a obra O Anjo Ancorado (1958) na qual a proposta neo-realista é apresentada 
em contornos bem delimitados, em O Delfim, as injustiças sociais são tratadas 
de uma nova forma no texto, de modo que, nas palavras de Arnaut (2002, p. 
85), “a sua organização, num todo mais ou menos coeso e coerente, depende, 
agora, já não do narrador, mas do leitor”. Desse modo, o objetivo deste 
trabalho consiste em analisar o discurso do narrador-personagem e também 
o das demais personagens, bem como a dinâmica da luta de classes existente 
nas relações estabelecidas entre os habitantes do largo da Gafeira e a família 
dos Palma Bravo, proprietários da lagoa.
Do texto à tela. O Delfim: de Cardoso Pires a Fernando 
Lopes
Fernanda de Aquino Araújo Monteiro (UFRJ)
Nesta chamada de apresentação, a Associação Brasileira de Professores de 
Literatura Portuguesa vem manifestar sua reação com o projeto do MEC de 
exclusão da disciplina de literatura portuguesa do ensino básico do país. Dessa 
forma, o trabalho “Do texto à tela. O Delfim: de Cardoso Pires a Fernando 
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Lopes” pretende levantar críticas sobre as adaptações fílmicas de obras 
literárias, focando no romance O Delfim, de José Cardoso Pires, publicado em 
1968, e o filme de mesmo nome do diretor português Fernando Lopes, de 
2002. 
O leitor do romance e o espectador do filme precisam percorrer atentamente 
pelas páginas ou cenas desse Jogo do Olho Vivo, recolhendo pistas sobre o 
crime da Gafeira, perseguindo-as atentamente e às personagens, tentando 
decodificá-las, a partir do seu próprio olhar particular, porque é sobre essas 
figuras narrativas que o trabalho pretende se desenvolver, acentuando as 
semelhanças e particularidades de algumas delas. Para isso, será levantado 
os textos críticos e teóricos de Eunice Cabral, Eduardo Prado Coelho, Teresa 
Cerdeira, Michelle Dull Beraldo Matter, Adauto Novaes, Robert Stam e Ismail 
Xavier.
O que o poema ensina?
Fernanda de Azevedo Pizarro Drummond (UFRJ)
A presente comunicação oferece uma leitura de Luiza Neto Jorge, buscando 
elucidar aos leitores/aprendizes o que o poema pode ensinar. Tem como 
ponto de partida os versos de “O poema ensina a cair”, de O seu a seu tempo, 
publicado em 1966, no contexto do auge do salazarismo e da guerra colonial 
portuguesa. Entrecruzando as duas estrofes do poema às ideias de solo e chão, 
que, por sua vez, remeteriam tanto à pátria como à agricultura, procuraremos 
discutir que tipo de pedagogia a poética pode oferecer. Toma-se como base, 
também, um ensaio de Sophia de Mello Breyner, em que a poeta, de geração 
anterior a Luiza, afirma: “toda arte é didática”. Nosso objetivo é entender se 
é possível que a arte nos encaminhe no sentido de uma insurreição contra o 
status quo, experiência que se torna cada vez mais premente e atual, tendo 
em vista os problemas do Brasil contemporâneo.
José Saramago e Oliveira Martins: entre a História e a 
Literatura
Fernanda Farias Freitas (UFRJ)
Na presente chamada para a XXVI edição do Congresso Internacional da 
ABRAPLIP, evidencia-se a procupação com a discussão que envolve a possível 
retirada da literatura portuguesa do ensino básico brasileiro. Faz-se importante, 
nesse contexto, debruçar-se sobre a relação dessa literatura com outras áreas 
do saber e sobre sua imprescindibilidade para a comprensão do homem 
contemporâneo, e, assim, o trabalho “José Saramago e Oliveira Martins: entre 
a História e a Literatura” mostra-se pertinente às discussões suscitadas. Isso 
porque Memorial do Convento é uma obra em que José Saramago constrói 
um ponto de vista singular acerca de parte da história portuguesa, de modo 
que resgata para a memória do país aqueles represenantes do povo que 
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haviam lutado e sofrido para construir o convento e, consequentemente, a 
identidade portuguesa. O autor promove, dessa forma, a ressignificação de 
parte da narrativa sobre o passado português fabricada por meio da ficção. 
Objetiva-se, portanto, uma comunicação que, ao estabelecer o diálogo 
entre José Saramago e o historiador Oliveira Martins em sua obra História de 
Portugal, mostre como a relação entre Literatura e História é fundamental para 
o conhecimento de aspectos da realidade humana ao longo dos séculos. A fim 
de trazer enriquecimento a tal análise, críticos como Antonio Candido, Carlos 
Reis, Eduardo Coutinho e Teresa Cerdeira serão imprescindíveis.
Aspectos das inter-relações entre colonialismo, 
violência e interesses econômicos, representadas em O 
esplendor de Portugal, de António Lobo Antunes
Fernanda Fátima da Fonseca Santos (USP)
A respeito da História do colonialismo português na África, pode-se afirmar 
que muito tem contribuído para o seu entendimento o corpus literário que 
vem sendo chamado por seus principais estudiosos de Literatura da Guerra 
Colonial e que é formado por um conjunto de obras que se relacionam 
intimamente às guerras coloniais na África. É nesse quadro que se situa a 
extensa obra de António Lobo Antunes, cujo romance de 1997, O esplendor 
de Portugal, focalizaremos em nossa comunicação. Nossa intenção é assinalar 
o potencial que tem esse livro no sentido de ampliar o nosso entendimento 
acerca da presença portuguesa em Angola, suas motivações, características e 
desdobramentos no período pós-colonial. 
A análise de alguns dos principais procedimentos estéticos levados a cabo 
por Lobo Antunes para organizar o seu romance evidencia que nele colocam-
se em relevo aspectos da História do colonialismo português que não têm 
sido abordados com muita atenção, especialmente pela crítica literária que se 
ocupa dessa obra. É o caso, por exemplo, de dois dos eixos em torno dos quais 
toda a narrativa de O esplendor de Portugal se edifica, a saber: a figuração das 
dinâmicas dialéticas que se deram, em diferentes períodos históricos, entre o 
desenvolvimento do capitalismo das grandes potências mundiais e o histórico 
atraso do capitalismo português e, além disso, a mediação dessas dinâmicas 
no estabelecimento e na manutenção das estruturas coloniais impostas por 
Portugal em Angola.
Viagens na terra de Luso: Portugal nos percursos de 
Garrett e Saramago
Fernanda Gappo Lacombe (UERJ)
A comunicação em questão tem por objetivo realizar uma comparação das 
obras Viagens na minha terra, de Almeida Garrett e Viagem a Portugal, de José 
Saramago.
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Segundo Eduardo Lourenço, em sua obra O labirinto da saudade, Garrett é 
o fundador da questão nacional como principal preocupação da literatura 
portuguesa. 
Apesar da diferença histórica, aproximam-se estes dois autores no exercício 
de olhar para seu país de dentro, evitando os delírios relacionados a glórias 
passadas e terras além-mar. Sendo ambas as obras escritas após movimentos 
revolucionários de grande importância – A revolução liberal de 1820 e a 
revolução de 25 de abril de 1974 - _a comparação entre elas permite um 
panorama do exercício de reflexão problematizador da realidade nacional 
realizado pela literatura portuguesa moderna.
Em um percurso iniciado pela inquietude, os dois narradores buscarão na 
realidade palpável da terra uma forma de construírem seu próprio retrato de 
Portugal.
O ano de 1993: entre prosa e poesia e a 
modernidadeFernando da Silva Negreiros (UEL)
O ano de 1993 não está na lista dos romances canônicos de José Saramago, é 
uma obra renegada até pelo próprio autor. Porém, além de antecipar muitos 
temas e experimentações estéticas que aconteceriam em obras posteriores, o 
romance apresenta valor estético próprio, pois se apropria das formas da prosa 
poética para escrever uma história sobre uma distopia a se passar no futuro, 
onde uma ditadura instaura um mundo caótico. Dessa maneira, o trabalho 
analisará as estruturas formais dessa prosa poética, seu diálogo com as escolas 
modernistas e sua evidente relação com o romance 1984 de George Orwell. O 
trabalho ainda intenta mostrar a irracionalidade dadaísta da narrativa somada 
às inúmeras experimentações que a obra consegue equilibrar com harmonia 
e organização.
“Ogiva entre o Mistério e o Mar”: Mito e História em 
Mais Alto, de Alfredo Guisado
Fernando de Moraes Gebra (UFFS)
A presente comunicação divulga resultados do projeto de pesquisa Dialogismo 
e Intertextualidade em Orpheu: o caso de Alfredo Guisado, centrado na 
produção poética e ensaística desse autor, em diálogo com as poéticas dos 
demais colaboradores da geração de Orpheu, que apresentam um conjunto 
significativo de textos referentes aos mitos portugueses – inesiano, henriquino 
e sebastianista. É possível, pois, analisar a leitura mítica que esses autores 
fazem da História e da Cultura, fundada na “preocupação obsessiva de 
descobrir quem somos e o que somos como portugueses” (LOURENÇO, 1982, 
p. 89-90). Essa categoria proposta por Eduardo Lourenço, e a filosofia do 
Mito, de António Quadros, são fundamentais para o entendimento de como 
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ocorrem as projeções dos mitos universais e portugueses na configuração 
simbólico-figurativa dos poemas dos autores da geração de Orpheu. Na poética 
de Alfredo Pedro Guisado (1891-1975), o poeta atua como um intérprete dos 
símbolos codificados pela esfera divina ou pela natureza animista, o que se 
verifica na estrutura narrativo-discursiva dos poemas “Sagres” e “O túmulo 
vazio”, inseridos no livro Mais Alto (1917). Ambos os poemas, analisados na 
presente comunicação, fazem parte, respectivamente, das seções intituladas 
“O Infante” e “Alcácer Quibir”, e que se destinam a motivos históricos e 
mitológicos, centrados no apogeu dos grandes descobrimentos marítimos e 
na decadência e esperança de ressurreição da Pátria portuguesa.
Uma ideia de crise: Manuel de Freitas e a finitude
Fernando Ulisses Mendonça Serafim (UNICAMP)
Manuel de Freitas é um dos responsáveis pela nova onda que, de 2001 para 
cá, vem abalando as estruturas da poesia portuguesa. Trata-se da geração dos 
“puetas”, autoironicamente identificados pela pecha de “sem qualidades”, os 
quais inauguraram o movimento de mesmo nome numa espécie de recusa 
radical da intelectualizada “Geração 61”. Em seus poemas, são visitados alguns 
temas de grande interesse na modernidade: a relação com a crítica, o fazer 
poesia no mundo do capital, os pequenos dramas do homem contemporâneo, 
o deleite da crise, as frequentes remissões à tradição, a paródia, as respostas e 
rendições à cultura de massa, a ironia sempre pronta a acudir o discurso. Freitas 
mobiliza as tensões do discurso para conceber um panorama de “crise” muito 
próximo a formulações como as dos críticos Rosa Maria Martelo, Marcos Siscar, 
Giorgio Agamben e Michel Deguy sobre o mesmo tema. Identificar os pontos 
de contato entre a poética de Freitas e as expressões de (des)continuidade 
desse desgaste é o escopo de nossa comunicação.
Uma leitura da peça “O Castigo da Vingança!” de 
Álvaro do Carvalhal
Fernando Vidal Variani (UDC-Foz do Iguaçu)
É muito provável que os motivos pelos quais a obra de Álvaro do Carvalhal 
(1844-1868) tenha recebido pouca atenção na historiografia literária 
portuguesa produzida até hoje, sejam justamente aqueles que a tornam 
consideravelmente interessante para o leitor contemporâneo. Ao pensar 
as relações entre a Literatura Portuguesa e o Brasil, bem como buscando 
encorajar a revisitação da obra de Carvalhal, pretendemos desenvolver, 
neste trabalho, uma leitura/apresentação da peça “O Castigo da Vingança!”. 
Encenada e publicada pela primeira vez no longínquo ano de 1862 (e nunca 
reeditada), esta pequena obra prima faz uso de uma série de convenções 
dramáticas – do melodrama, que já saía de moda, aos mais emblemáticos 
recursos do drama trágico – acrescentando, porém, à retórica artificial e às 
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reviravoltas conhecidas pelo público, um cenário e um tipo de personagem 
que, a julgar pela maior parte das obras portuguesas publicadas no período, 
esse mesmo público parecia preferir não (re)conhecer. Veremos como esse 
autor voltado ao insólito e à artificialidade desenvolve um típico “melodrama 
trágico” numa casa-grande brasileira “gotificada”, onde as questões do sangue, 
do amor interdito e das figuras diabólicas se encontram mescladas ao típico 
“brasileiro” oitocentista e ao contexto escravocrata que o rodeia.
As fronteiras entre política e literatura: uma análise de 
Frei Luís de Sousa
Filipe Costa da Silva (UFRJ)
Se exploramos a metáfora da literatura como um mapa pelo qual os novos 
navegantes se guiam, certos portos são incontornáveis. Reconhecemos 
que na história de Portugal, o nome de Almeida Garrett (1799-1854), 
escritor imerso no caldeirão cultural e político do século XIX, sinaliza uma 
ancoragem obrigatória para quem pretende estudar a literatura portuguesa. 
Ao adentrarmos nessa senda, elegemos uma cena chave: a peça Frei Luís de 
Sousa (1843). Quando Garrett passa a dedicar-se ao teatro efetivamente, havia 
acontecido a Revolução de Setembro. Passos Manuel, primeiro ministro do 
governo de D. Maria, encarrega Garrett de propor um plano para a fundação e 
organização de um teatro nacional, que deveria contribuir para “a civilização e 
aperfeiçoamento moral na nação”. 
Ao longo do desenvolvimento da pesquisa observamos o impacto de uma 
obra produzida em meio a um caos histórico, quando Portugal, enfraquecido 
pela guerra civil e pela presença britância, solicitava com urgência uma arte 
mais interveniente nos problemas nacionais, até chegar a um momento em 
que o fazer literário é arregimentado pelas próprias esferas políticas, vertendo-
se em braço oficial de um governo de inspirações liberais, que, crente no 
poder da arte como ferramenta de transformação social, estimula a produção 
dramatúrgica, a partir da década de 1830, em Portugal. 
Almeida Garrett foi um escritor sensível aos problemas sociais de seu tempo, 
através da análise da peça Frei Luís de Sousa, pretendemos debater temas 
como a função social do intelectual e o caráter pedagógico de uma literatura 
que se pretende engajada.
O advogado do Diabo: o narrador que contraria 
as tradições cristãs portuguesas em O Evangelho 
Segundo Jesus Cristo, de José Saramago
Filipe Marchioro Pfützenreuter (IFPR)
Em uma de suas famosas conferências em Harvard, Jorge Luís Borges afirma 
que a história de Jesus, juntamente com as histórias de Ulisses e Tróia, tem sido 
suficiente para a humanidade, sendo contada e recontada durante séculos. 
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Jack Miles, por sua vez, afirma que a Bíblia é a obra literária mais bem-sucedida 
que a humanidade já pôde escrever. Esses dois grandes estudiosos não fazem 
outra coisa senão confirmar o papel dessa coletânea de livros como o grande 
seleiro de provisões para toda a Literatura Ocidental. José Saramago, em seu 
romance O Evangelho Segundo Jesus Cristo, também bebeu dessa fonte. Mais 
do que isso, fez uso da liberdade de criação literária, do seu narrador intruso 
e da técnica do fluxo de consciência para contestar as tradições cristãs do seu 
tempo. Compreendendo o citado romance como uma das mais polêmicas 
obras da Literatura Portuguesa, esta comunicação visa a analisar como o 
narrador saramaguiano interpõe sua fala em meio à fala dos personagens, de 
modo a induzir o leitor a ver o Diabo com outros olhos; contribuindo,assim, para 
contrariar os conceitos cristãos de bem e mal, assim como para desconstruir 
os arquétipos de Deus e do Diabo. Para tanto, a pesquisa realizada inseriu-se 
na linha dos Estudos Comparados entre Teologia e Literatura – a Teopoética, 
de Karl-Josef Kuschel –, fazendo uso do método da analogia estrutural e se 
fundamentando nos estudos sobre narrador desenvolvidos por Yves Reuter, 
em Introdução à Análise do Romance.
As memórias coloniais em O Retorno
Flávia Magalhães Roveri (USP)
O romance O Retorno, de Dulce Maria Cardoso pertence a categoria de livros 
que resgatam a memória colonial e, principalmente, o movimento de saída 
dos portugueses após a independência das ex-colônias africanas em 1975.
Dessa forma, a personagem de Rui, o adolescente protagonista, é importante 
para que compreendamos, por meio da narrativa em primeira pessoa, de que 
maneira transcorreu esse movimento de volta para a pátria que já não mais 
pertencia aos portugueses das colônias.
Nessas condições de “não pertencimento”, ou seja, por não ser nem português 
e nem angolano, Rui consegue nos mostrar que as memórias e consequências 
dos vários anos do governo salazarista, bem como do colonialismo, afetaram 
diretamente a vida das ex-colônias e da ex-metrópole que passavam por um 
processo de readaptação.
O ensino-aprendizagem da literatura e história 
portuguesas à luz do teatro
Flavia Maria Corradin (USP)
O Projeto Autor por Autor: A Literatura e História portuguesas à luz do Teatro 
vem sendo desenvolvido no âmbito da Graduação e da Pós-Graduação 
em Literatura Portuguesa da Universidade de São Paulo. O referido projeto 
introduziu o estudo sistemático da dramaturgia portuguesa, do século XVI 
ao XXI, na Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo e se propõe a 
oferecer um enfoque criativo para o ensino e aprendizagem da Literatura e da 
História Portuguesas.
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Ruy Belo e Fernando Pessoa: o mar e o fingimento
Flávio França (UEFS)
Ruy Belo teve uma larga produção poética. Para ele, Fernando Pessoa é o 
único poeta “vivo” que realmente o interessa. Dessa forma, ele se apropria 
da obra de Fernando Pessoa reconhecendo um diálogo entre a poesia da 
geração 1960-70 (Poesia 61) e o modernismo português (Silva, 2012). O 
presente trabalho visa buscar a presença de Fernando Pessoa na poesia de 
Ruy Belo, traçando contato na temática do mar e do fingimento. O texto 
base foi o livro “O Tempo das Suaves Raparigas e Outros Poemas de Amor”. 
Em ambos poetas, O mar é associado à Portugal e à mulher. A recorrência 
à paisagem martítima em Ruy Belo sugere que há uma associação entre o 
mar e o processo de elaboração poética. (Silva, 2012). Há um contínuo trânsito 
entre o mundo e o poeta, eles se observam, se interpenetram. Ruy Belo usa ao 
“fingimento” com o qual Pessoa caracterizou a produção poética. Silva (2012) 
vê expressão do fingimento pessoano na impessoalidade da forma presente 
em Ruy Belo, ambos relacionados à intelectualização das emoções. Nesta 
obras o fingimento é retomado, pois para ele a verdadeira poesia é a mais 
fingida, sendo que sua ficção é a sua própria realidade. O poeta nega qualquer 
acesso à realidade empírica através da sua poesia. Os poetas da geração 1960 
articulam o fingimento e o testemunho, ou seja, entre a liberdade da criação 
artística e o engajamento na vida prática e política. Tratando-se da temática 
Mar/Fingimento, Ruy Belo aprofunda sua concepção em relação ao seu 
antecessor, personificando o mar e o trazendo pra dentro das pessoas, como 
também fazendo do fingimento uma norma estática a ser seguida. Um pouco 
menos de 30 anos após a morte de Fernando Pessoa, Ruy Belo repercute 
sua estética. Estando o mundo se dirigindo rapidamente para o centenário da 
morte de Pessoa, percebe-se que que sua poesia continuará a reverberar na 
língua portuguesa por muito mais tempo ainda.
Figuração de personagens em “O punhal de Rosaura”, 
de Álvaro do Carvalhal
Flavio Garcia (UERJ)
O presente trabalho pretende tratar da figuração – processos de composição 
de personagens – das personagens centrais do conto “O punhal de Rosaura”, 
de Álvaro do Carvalhal, Rosaura, anunciada no título, e Everardo, que empresta 
seu nome à parte I do conto. Everardo cumpre a função de narrador, oscilando 
entre posições auto e homodiegética, conforme se entenda seu protagonismo 
em relação à Rosaura. Assim, salvo o que se extraia das falas de Rosaura, que 
se sabe a seu respeito é comunicado por Everardo, ficando sua figuração 
bastante subordinada ao que ele diz e pensa dela. A figuração de Everardo 
envolve processos que prenunciam incoerência compositiva. Na maior parte 
da narrativa, ele se identifica com indivíduos viris, machistas, cafajestes, 
todavia, nas cenas em que se encontra com o dominó escarlata – Lorenzo 
del Giocondo, que empresta seu nome à parte II do conto –, sua figuração 
se mostra contraditória. Sem distinguir o gênero desta figura, porque “o trajo 
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não tinha divisa, que extremasse o sexo”, deixa-se seduzir, sensualmente, por 
ela, que admite possa ser um jovem. Desse modo, a contracena entre essas 
duas personagens empresta uma aura homoafetiva à história. A figuração do 
dominó escarlata também é complexa, oscilando entre o anonimato da figura 
carnavalesca, a assunção de irmão vingador da assassinada Rosaura e a própria 
Rosaura ainda viva. O desfecho da história, porém, não desfaz as incertezas 
que irrompem ao longo da narrativa, autorizando que se entenda o conto de 
Carvalhal como um legítimo representante da ficção fantástica.
Violência e medo da solidão em textos escolhidos de 
Mia Couto e Lobo Antunes
Francisca Kellyane Cunha Pereira (UEFS)
Tércia Costa Valverde (UEFS)
Na presente pesquisa, pretendemos estabelecer uma comparação entre 
personagens femininas de textos de Lobo Antunes e Mia Couto, tratando 
das temáticas da violência doméstica e da solidão da mulher. Para tanto, 
foram selecionados a crônica As Palavras Cruzadas no Jornal (1998) e o conto 
Os Negros Olhos de Vivalma (2014), dos autores acima citados. A análise 
contemplará aspectos da Literatura contemporânea, no tratamento de temas 
universais, a exemplo do individualismo, da solidão, enquanto sentimento e 
sua presença na Literatura. Analisaremos também as personagens principais, 
suas semelhanças e singularidades. Utilizaremos as ideias de Agambem 
(2009), Ana Paula Arnaut (2009) e Neiva Kampff Garcia (2013), dentre outros. 
Ressaltaremos as questões sociais do comportamento submisso, o medo de 
estar sozinha e a infelicidade conjugal que as duas personagens, Vivalma e 
Cristina, apresentam.
O engajamento do vento
Gabriel Dória Rachwal (UFPR)
Em poema do livro Cenas vivas, publicado em 2000, Fiama Hasse Pais Brandão 
encara a sua retirada dos “negócios públicos”e procura dar uma justificativa 
para isso. A presente comunicação ocupa-se em fazer uma leitura do poema 
e mostrar como alguns outros poemas da primeira parte deste livro, intitulada 
“Elegíacos”, podem se unir ao poema para compor tal justificativa.
Morte em Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares
Gabriela Fujimori da Silva (UNESPAR/UEM)
A obra Jerusalém compõe a tetralogia O Reino, do escritor português Gonçalo 
M. Tavares. Trata-se de um período pós-guerra, evidenciado pelo resgate de 
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memórias das atrocidades cometidas, especialmente durante a Segunda 
Guerra Mundial, e aos efeitos repercutidos ao longo da história, por inúmeros 
genocídios. Por meio da personagem Theodor Busbeck, médico psiquiatra 
e pesquisador, o qual desenvolve um estudo, almejando compreender as 
práticas de horror ao longo do tempo, algumas memórias do Holocausto 
da década de 1940 vão sendo resgatadas. As lembranças das atrocidades 
cometidas em campos de concentração, como Auschwitz, interferem na vida 
das personagens. Ao resgatar a memória da segunda Grande Guerra, uma das 
maiores matanças da humanidade, o romance evidencia temas tais como a 
violência, o mal, a crueldade. A morte é tema constantena narrativa, tanto 
no pano de fundo, remetendo ao Holocausto, como é o caso da pesquisa de 
Busbeck, quanto na conturbada vida individual das personagens. O horror 
diante da morte, na obra, instaura-se principalmente no assassinato de tantas 
pessoas: um genocídio. Somando-se a isso, outra face da morte no romance 
é a tentativa de suicídio por Ernest Spengler. Ainda, há angústia em previsão 
da morte em Mylia, a qual temendo a morte, procura incessantemente uma 
igreja aberta na madrugada em que se passa a narrativa. Nesse sentido, 
esta comunicação abordará as representações da morte em Jerusalém, 
nas diferentes especificidades, numa perspectiva de trabalho associado às 
abordagens psicológicas, antropológicas, filosóficas, sociológicas e religiosas 
sob a luz da literatura.
A construção do interlocutor amoroso em as Novas 
cartas portuguesas
Gabriela Silva (URI/CAPES)
Partindo da ideia do romance espistolar Cartas portuguesas, publicado em 
1669, por Claude Barbin, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria 
Velho da Costa em 1971 iniciam a escrita das Novas cartas portuguesas. A 
primeira obra é comporta pelas cartas da Freira Mariana Alcoforado ao oficial 
francês por quem era apaixonada. Eram a representação da infelicidade e do 
abandono de sua autora.Séculos depois, as três autoras retomam o texto das 
cartas e rompendo limites temáticos e de linguagem reconstroem as cartas. 
A obra publicada em 1972, mesmo com indicativos de corte pela censura, 
chegava aos leitores na versão integral. De grande impacto nacional, as Novas 
cartas portuguesas instauram uma nova possibilidades da escrita feminina. 
Caracterizam-se pela tematização do corpo, do desejo e da relação amorosa. 
Trangressoras por seu conteúdo, em seu momento de criação e publicação são 
anunciadoras do novo engajamento feminino político-social. Fundamentado 
nos conceitos apresentados por Roland Barthes em Fragmentos de um 
discurso amoroso, sobre a interlocução amorosa, esse trabalho propõe uma 
possibilidade de análise dessa construção ficcional.Ao pensarmos sobre o 
engendramento desse interlocutor, também refletimos sobre a importância da 
descontrução proposta pelas autoras e a reformulação dos questionamentos 
sobre o discurso amoroso-erótico feminino, bem como a projeção social 
feminina no contexto político-social pré-Revolução dos Cravos.
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Panorama da ludicidade na poesia visual
Geraldo Augusto Fernandes (UFC)
A poesia visual tem sido apresentada na escola, na maioria das vezes, 
apenas como recurso ora pictórico, ora gráfico, que o artista escolhe para 
se manifestar. Através dos tempos, o artifício da visualidade na poesia tem 
tido objetivos outros que não somente aqueles: nas épocas primevas, tinha 
sentido religioso e mágico; na Idade Média, sua preocupação passa a ser mais 
ligada à destreza e agudeza do poeta, para atingir o ápice no Barroco e no 
Concretismo. Calcadas na tradição, as carmina figurata têm oferecido ao poeta 
e ao utente um manancial de possibilidades tanto estéticas como de deleite. 
Centradas no significante da palavra, a leitura que sobressai dos poemas “em 
forma de” tem instigado estudos unindo a questão mágico-religiosa à estética.
Baseado nos estudos de Johan Huizinga, Paul Zumthor, Ana Hatherly e 
teóricos da Poesia Concreta, pretende-se pontuar outro elemento básico da 
poesia visual – a ludicidade – e, a partir dela, sugerir uma nova possibilidade de 
ensino da poesia.
Sobre Nocturno em Macau, de Maria Ondina Braga, o 
viés feminino
Gerson Luiz Roani (UFV)
O romance Nocturno em Macau (1991) de Maria Ondina Braga transfigura a 
decadência imperial portuguesa numa visada que privilegia a perspectiva 
feminina na leitura desse processo, mostrando que a colonização, no âmbito 
de uma civilização patriarcal, foi redimensionada a uma questão de mulher. A 
trama romanesca se circunscreve à história portuguesa dos anos sessenta do 
século XX, marcados pela integração de Goa à Índia, pela obstinação sangrenta 
em manter as colônias africanas e pela transferência da administração lusitana 
de Macau para o governo de Pequim. Romance do fim do império, Nocturno 
em Macau é também uma narrativa sobre as complexas relações socioculturais 
marcadas por esta perspectiva, no âmbito das quais a mulher ganha destaque 
quase desconhecido em tempos anteriores. Durante séculos, o colonialismo 
lusitano que particulariza a presença de Portugal no Oriente (Índia e China), 
que sempre havia sido um empreendimento masculino, resultou em tarefa 
que passa a contar com a efetiva participação da mulher. Dominadas pelos 
homens, tanto portugueses, quanto chineses e indianos, as personagens 
femininas, professoras do Colégio Santa Fé, assumiram a defesa dos valores 
masculinos que o colonialismo colocava em circulação. Na tessitura ficcional 
ondiniana, as mulheres são vítimas e também agentes de um império na fase 
final da sua agonia. A narrativa sublinha a ruína do império, por causa das 
suas bases frágeis, contraditórias e desumanas, incluindo aí a submissão das 
mulheres. Sintomaticamente, o Nocturno é uma metáfora do fim, de natureza 
elegíaca e fúnebre que se opõe ao imaginário imperial português.
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Imagens da Sobrevivência em Isabel de Sá
Gesqua Daiane Café dos Santos (UFBA/FAPESB)
A presente comunicação tem como objetivo apresentar imagens da 
sobrevivência na poesia da escritora e artista plástica portuguesa Isabel de Sá 
na obra Repetir o Poema (2005). O ponto de partida para presente proposta 
é a leitura do livro Sobrevivência dos Vaga-lumes de Georges Didi-Huberman. 
O autor propõe a ideia da sobrevivência da imagem como aparição única, 
preciosa e resistente ao domínio da cultura repressora e espetacularizada. É 
com base nesta hipótese que analisarei algumas imagens da sobrevivência 
em Isabel. A primeira imagem da sobrevivência refere-se à sexualidade 
homoerótica. Isabel de Sá nasceu em 1951, cresceu e viveu no Porto sob o 
Salazarismo (1933-1974) e sua base ideológica calcada no lema fascista 
Deus, Pátria e Família. Na convicção do salazarismo, as mulheres deveriam 
assumir papéis tradicionais relacionados à família e “manter a moral”. Nesta 
perspectiva, o modelo de repressão da mulher portuguesa estava no centro do 
regime. Portanto a libertação feminina significava a libertação da sociedade. 
A autora constrói sua orientação homossexual afirmando poeticamente seu 
lugar de fala nessa sociedade patriarcal. A segunda imagem da sobrevivência 
reporta ao traço metalinguístico, à própria escrita poética, ou seja: escrever 
poesia em uma sociedade que mantém a memória desse autoritarismo faz de 
quem escreve, e da própria poesia, verdadeiros sobreviventes.
Tormes talvez não fique assim tão longe de Yasnaya 
Polyana
Giorgio de Marchis (Universidade de Roma Tre)
A comunicação vai propor uma leitura do romance queirosiano A Cidade e 
as Serras, procurando interpretar a sua ambígua idealização dum mundo 
rural, incontaminado e regenerador, à luz da contemporânea divulgação do 
tolstoismo em Portugal. Deste ponto de vista, poderá contribuir à decifração 
do romance a leitura atenta dalguns textos que Jaime Magalhães Lima publica 
entre 1889 e 1892: Cidades e Paisagens (Porto, 1889), o artigo A Philosophia de 
Tolsoi aparecido na “Revista de Portugal” e As Doutrinas do Conde Leão Tolstoi 
(Porto, 1892).
O grande Maia: Tomás de Alencar e a polêmica entre 
Eça de Queirós e Bulhão Pato
Gisele de Carvalho Lacerda (UFF)
Nesta comunicação pretendo destacar um dos fatores da recepção de Os 
Maias, de Eça de Queirós pelos seus contemporâneos, em particular no que 
foi registrado na imprensa brasileira e portuguesa.
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Pinheiro Chagas, forte representante do romantismo em Portugal, sempre 
polemizou com Eça desde a Questão Coimbrã desencadeada em virtude de 
seu Poema da Mocidade. Sugerindo que as Conferências do Cassino de 1871 
eram comunistas, teve de se retratar com o futuro autor de O Crime do Padre 
Amaro. 
No artigo Eça eBulhão Pato, publicado no jornal O País, Pinheiro Chagas 
defende Bulhão Pato da caricatura feita deste por Eça n’Os Maias em Tomás 
de Alencar, poeta ultrarromântico.
Em defesa própria, B. Pato arremete duas sátiras contra Eça: O grande Maia 
(1888) e Lázaro Cônsul (1889). Eça de Queirós escreve uma carta pública 
justificando a acusação da qual foi alvo e apresentando as razões pelas quais 
não poderia ter se inspirado em B. Pato (Porém a referência a este ainda 
aparece no conto José Matias, em que é citada uma estrofe do poema de Pato).
Apresento uma das sátiras feita por Bulhão Pato (a de 1888) e a resposta/
retratação de Eça às acusações de Pinheiro Chagas, enquanto procuro mostrar 
a confecção da personagem Alencar dentro da vertente queirosiana.
Monumento e revolução: o Thermidor, de Eça de 
Queirós
Giuliano Lellis Ito Santos (USP/CAPES)
Um texto de imprensa, de Eça de Queirós, publicado em 1896, intitulado 
“A propósito de Thermidor”, parte da montagem de uma peça de Vitorien 
Sardou, Thermidor, que havia sido censurada cinco anos antes. Com este 
mote, o escritor português trabalha com as diversas abordagens sobre a 
Revolução Francesa. Essa reflexão abre caminho para buscarmos entender os 
debates sobre a história no final do século XIX e, especificamente, da posição 
queirosiana frente a isso. Neste sentido, busco analisar como esse texto 
propõe uma revisão do momento político e literário francês para os brasileiros 
da época e, também, esboçar alguns traços do pensamento histórico inerentes 
ao texto.
Os viscos da (auto)biografia nas Cartas da guerra, 
de António Lobo Antunes
Graziele Maria Valim (PUC-SP)
Este estudo, que assume como corpus o romance D’este viver aqui neste papel 
descripto: Cartas da guerra, de António Lobo Antunes, investiga os traços 
autobiográficos e sua relação com a escrita na obra de cartas do autor. No livro 
de missivas, encontram-se reunidas cartas enviadas por Lobo Antunes à sua 
mulher, entre 1971 e 1973, quando ele combateu em Angola, na fase final da 
guerra colonial portuguesa. Nelas, há a dor da guerra, da ausência da esposa 
e a obsessão e compulsão do autor, pela literatura e escrita. Intenciona-se 
mostrar como a obra de cartas parece assumir um caráter híbrido quando 
parece ao mesmo tempo ser um livro (auto)biográfico, ou de memórias da 
guerra, ou críticas a respeito de obras literárias. Almeja-se demonstrar que, o 
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“eu” da enunciação presente na obra Cartas da guerra, mescla-se à figura do 
autor empírico e também, aos narradores dos primeiros romances de Lobo 
Antunes. A fundamentação teórica está apoiada nos estudos de Maria Alzira 
Seixo (2002), Ana Paula Arnaut (2008), Philippe Lejeune (2008), Leonor 
Arfuch (2010), Michel Foucault (2013).
Machado leitor de Camilo: paródia e emulação 
em Memórias póstumas de Brás Cubas e Coração, 
cabeça e estômago
Greicy Pinto Bellin (UNIANDRADE)
No centro das disputas entre intelectuais brasileiros e portugueses pela 
hegemonia do campo literário, tanto a paródia quanto a emulação emergem 
como estratégias relevantes para o estabelecimento de relações críticas e 
produtivas com os modelos colonizadores representados, no século XIX, por 
França, Portugal e Inglaterra. Machado de Assis, enquanto figura chave da 
intelectualidade da época, estava atento a estas disputas, além de ter sido um 
parodiador contumaz dos escritores portugueses, entre eles Camilo Castelo 
Branco. A crítica a O primo Basílio evidencia a preocupação machadiana 
acerca dos problemas relativos à cópia e imitação literária em contextos não-
hegemônicos, o que também consistia em uma das principais preocupações 
de Camilo, conforme as ácidas críticas presentes no Cancioneiro alegre de 
poetas portugueses e brasileiros. O objetivo desta comunicação é analisar as 
formas pelas quais Machado, em Memórias póstumas de Brás Cubas, parodia 
e emula o camiliano Coração, cabeça e estômago como forma de não apenas 
pensar e repensar as relações entre intelectuais brasileiros e portugueses, 
mas de buscar sua própria identidade como escritor e, porque não dizer, uma 
identidade própria para uma literatura ainda muito atrelada aos modelos 
europeus. Nesse sentido, as Memórias póstumas configurariam uma resposta 
ao romance de Camilo, resposta esta que assume dimensões políticas e que 
problematiza, em última instância, as relações entre colonizador e colonizado 
nas literaturas brasileira e portuguesa.
Eça e a Índia Portuguesa
Hélder Garmes (USP)
O texto “História pitoresca da revolta da Índia”, publicado por Eça de Queirós 
em As farpas de setembro de 1871, revela a visão bastante crítica que o escritor 
tinha do colonialismo português em particular e, de forma mais geral, do 
colonialismo europeu. Nosso intuito é problematizar a perspectiva crítica que 
Eça assumiu em relação ao episódio que motivou a escrita do texto, a saber, a 
extinção do exército de Goa, a partir da realidade daqueles que foram afetados 
por essa decisão do governo português, isto é, a partir da visão que os goeses 
tiveram dessa história.
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Mulheres que amavam mulheres na lírica satírica 
trovadoresca: sobre Mari’Mateu, ir-me quer’eu 
daquém (B 1583, V 1115), de Afonso Anes do Cotom, 
e A vós, Dona abadessa (B 1604bis, V 1137), de 
Fernando Esquio
Henrique Marques Samyn (UERJ)
O trabalho proposto tenciona apresentar algumas considerações em torno de 
duas cantigas trovadorescas galego-portuguesas que encerram alusões ao que, 
atualmente, poderíamos caracterizar como relações lesboafetivas: Mari’Mateu, 
ir-me quer’eu daquém (B 1583, V 1115), de Afonso Anes do Cotom; e A vós, 
Dona abadessa (B 1604bis, V 1137), de Fernando Esquio. Trata-se de analisar 
as referidas alusões – mais explícitas na primeira das cantigas mencionadas, 
mais veladas na segunda – à luz do imaginário medieval, considerando-se 
especialmente os elementos misóginos e patriarcais que nele operavam como 
fatores constitutivos.
Poesia Intranquila: sentidos e resistência
Ida Alves (UFF)
Abordagem crítica sobre a importância da poesia como ação e questionamento 
do que o poeta Ruy Belo já considerava ser uma “educação dos sentidos” e que 
muitos outros poetas defendem como uma forma de resistir a tudo que age 
para a rarefação da emoção e para o desprezo da condição humana. Valendo-
nos do que dizem e escrevem alguns poetas portugueses contemporâneos 
e do que refletem pensadores como Walter Benjamin, Hanna Arendt e 
a portuguesa Silvina Rodriges Lopes, buscaremos discutir escrita lírica, 
humanismo e a necessária intranquilidade da poesia contemporânea, em 
especial no espaço da cultura de língua portuguesa.
O Fantástico como transvaloração
Inez Nerez de Almeida Rocha (UEL)
Em Introdução à Literatura Fantástica (2014), Tzvetan Todorov, citando 
Lovecraft, afirma que, num conto fantástico, o leitor experimenta, 
profundamente, um sentimento de temor e de terror em virtude da presença 
de mundos e poderes insólitos (p.40). Em Contos fantásticos, obra publicada 
por António José da Silva Pinto, em 1875, esse autor nos apresenta pequenas 
narrativas nas quais não comparece o elemento sobrenatural, mas que giram 
em torno de comportamentos repudiados pela sociedade da época, como a 
homoafetividade, o satanismo ou a prostituição. É o caso, respectivamente, 
dos contos “O berloque vermelho”, “O cahosbacchico” e “Esperando a 
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valsa”, apenas para nos referirmos aos três primeiros que compõem a obra 
em questão. Portanto, o objetivo desta comunicação, em que analisaremos, 
comparativamente, as narrativas contidas nessa obra de Silva Pinto, é 
compreender em que medida a especificidade do elemento fantástico nelas 
presente se afasta ou se aproxima das definições canônicas do fantásticos 
enquanto gênero.
Inclusão/Exclusão: O idiota na narrativa portuguesa 
contemporânea
Isabel Pires de Lima (Universidade do Porto/ILCML)
Sobretudo desde o romantismo que a figura do idiota perpassa pela ficção 
enquanto corporização de uma singularidadeontológica, apresentando-se 
como um manancial de alteridade. 
A partir da reflexão sobre o idiota e a sobre quatro dos seus traços distintivos: 
relação singular com o tempo; não reclamação de uma identidade; perseguição 
da intuição; linguagem não convencional, procurarei constatar a sua presença 
em obras de autores portugueses contemporâneos (Agustina Bessa-Luís, 
Gonçalo M. Tavares, António Lobo Antunes, Lídia Jorge, Mário Cláudio; Vergílio 
Ferreira, entre outros) e interrogar-me sobre o seu lugar de ser incomum, 
profanador da ordem e força de resistência nas sociedades contemporâneas 
abertas à diferença.
Predestinado e Precito: o uso de personagens 
alegóricas a favor da catequização jesuítica
Isabel Scremin da Silva (UFSM)
Este trabalho é resultado do projeto Construções da alegoria em narrativas 
do século XVII-XVIII, que, por sua vez, faz parte do projeto guarda-chuva 
Literatura e Retórica; ambos coordenados pelo Prof. Dr. Marcus De Martini, na 
Universidade Federal de Santa Maria. Atualmente, os estudos centram-se na 
análise da alegoria em textos oriundos entre os séculos XVII e XVIII; entendida 
aqui como um recurso retórico-poético que – conforme a noção quintiliana 
de metáfora continuada – trabalha com a transposição de um sentido literal a 
um sentido mais abstrato, visando à aprendizagem moral por parte do leitor 
(CEIA, 1998). Para tal, tem-se atentado à produção do padre jesuíta Alexandre 
de Gusmão (1629-1724), de origem portuguesa, e à sua novela História do 
Predestinado Peregrino e de seu irmão Precito, publicada pela primeira vez 
no território brasileiro em 1682, com uma nova edição de 2012, organizada 
por Marina Massimi. Considerada como a primeira novela alegórica em 
língua portuguesa (FREITAS, 2011), a obra trata da salvação e da condenação 
eternas; representadas, respectivamente, pelos irmãos Predestinado e 
Precito. Assim, considerando o contexto luso-brasileiro de publicação e os 
intentos da Companhia de Jesus, o presente trabalho pretende analisar os 
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dois protagonistas quanto às suas configurações alegóricas do bom e do mau 
cristãos, em relação ao público leitor e à intenção pragmática de catequização 
portuguesa. Espera-se, por fim, que a análise contribua para os estudos, ainda 
pouco empreendidos, das narrativas alegóricas jesuíticas e da sua importância 
no contexto colonial.
Oroboro na literatura de Garrett e Machado
Iuguslávia Jales Dutra (UEPG)
Este trabalho examina os romances Viagens na Minha Terra de Almeida 
Garrett e Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, tendo como 
eixo de análise o conceito de autoteorização. Ambos foram escritos no século 
XIX, quando o gênero romanesco ganhava ascensão. Por conta disso, alguns 
autores, inclusive Garrett e Machado, começaram a discutir literatura dentro 
das suas obras. Este trabalho aponta e analisa as discussões e reflexões sobre 
literatura dentro dos romances selecionados. As concepções teóricas que 
nortearam o trabalho são de Jonathan Culler, Karin Volobuef e Luiz Costa Lima.
José Luís Peixoto – Amor, luto e luta
Ivanete França Galvão de Carvalho (UERJ)
A comunicação que se apresenta pretende desenvolver uma reflexão acerca 
de “Morreste-me”, de José Luís Peixoto. Alinhado na geração dos novíssimos 
autores contemporâneos, seu nome se afirma pela qualidade de seus romances, 
os diversos prêmios atestam, como sua tradução para outros países. Sua obra 
se destaca pelo traço poético, uma constante em seus romances. A temática 
de “Morreste-me” gira em torno da morte do pai. Daí encontremos questões 
que irão girar em torno do amor, da vida, da morte e do luto. O carinho e afeto 
familiar, as memórias de convivência e principalmente a relação de união entre 
pai e filho. A arte, a literatura como transgressão se afirmam. Se a morte limita o 
curso da vida, Peixoto através do livro, imortalizará a imagem do pai. Ainda sob 
a perspectiva transgressora dos temas citados, reconhecer o papel da literatura 
em sua árdua luta de vencer o instante. Então analisaremos o combate sem 
tréguas entre a vida e a morte, Eros, pulsão de vida e Tânatos, pulsão de morte, 
segundo a teoria freudiana. Nos apoiaremos, para este estudo, nos teóricos 
como Severo Sarduy, Jean Ziegler, Herbert Marcuse, Michel Focault, Santo 
Agostinho, que apontam considerações e problematizam as questões da 
morte, do luto e da vida e como cada um a enfrenta e a supera através da 
lembrança, da convivência e da saudade que pode eliminar a angústia e deixar 
vir sorrateiramente o sabor dos sentimentos que une entes queridos.
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Do lugar da mulher na poesia portuguesa – Um olhar 
atemporal
Ivani Vecina Abib (UNIP-Sorocaba)
Sem rótulos feministas ou femininos, tampouco sem se perder na questão 
de gênero, com este trabalho, busquei a poesia da mulher portuguesa, que 
enfrentou inúmeros desafios de uma educação rigorosa, carregada nas cores 
pela religiosidade, muitas vezes opressora da sociedade portuguesa.
Nestes dias em que tanto se fala do empoderamento da mulher, esse mergulho 
que proponho na história e no fazer poético das mulheres portuguesas tem o 
objetivo de trazer um panorama da poesia feminina em Portugal.
Muitas vezes a história portuguesa não reconheceu a obra ou o valor dessas 
mulheres poetisas, o que não quer dizer que elas não tenham existido ou não 
tenham tido a ousadia de entrar nesse universo literário masculino.
Figurações luso-brasileiras da infância: um olhar sobre 
Soeiro Gomes e Dalcídio Jurandir
Ivone dos Santos Veloso (UFPA)
O diálogo entre as literaturas portuguesa e brasileira sempre existiu desde 
os tempos coloniais e se estende à contemporaneidade. Nesse sentido, um 
ensino de literatura que privilegiasse a comparação entre obras e autores 
de Portugal e do Brasil seria uma maneira eficiente de abordar as possíveis 
relações entre as literaturas desses países, para além do paradigma fonte-
influência. Assim, nesta comunicação pretendo tratar de duas experiências 
literárias em língua portuguesa que deram tratamento ao tema da infância 
na primeira metade do século XX. Desse modo, aproximo o romance Esteiros 
(1941), do escritor português Soeiro Pereira Gomes, e Chove nos Campos de 
Cachoeira (1941), do escritor brasileiro Dalcídio Jurandir Ramos Pereira, ambos 
militantes comunistas que produziram narrativas cujo alinhamento estético 
assume o compromisso com a denúncia social e a representação das minorias. 
Para tanto, a recepção crítica a respeito dos autores e aportes teóricos da 
literatura comparada serão revisitados.
Enunciações, discursos e pensamentos errantes – uma 
perspectiva comparativa entre Machado de Assis e 
José Saramago
Jacob dos Santos Biziak (UNESP/USP)
Este trabalho busca colocar em contato dois autores de língua portuguesa, 
oriundos de condições de produção diferentes, as quais, no entanto, 
aproximam-se por expressarem momentos de ruptura profunda dentro e 
entre as formações discursivas dominantes. Dessa forma, tanto Machado 
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de Assis quanto Saramago – um na turbulência da passagem do século XIX 
ao XX, outro no redemoinho da chamada contemporaneidade, por alguns 
interpelada como pós-modernismo – trazem, em suas obras, representações 
da realidade veementemente pautadas pela revisão severa de verdades e 
valores outrora tidos como essências, estáveis. Dessa maneira, pretendemos 
uma comparação entre as duas obras a partir da enunciação construída nos 
romances de ambos os autores e que parecem lhes caracterizar enquanto 
traço de estilo. Na verdade, este, ao nosso ver, surge como resposta estética, 
ética e política da linguagem sobre as possibilidades de construção de uma 
coerência histórica, seja do contexto brasileiro, seja do lusitano ou universal. 
Com isso, pretendemos colocar em interlocução estes dois autores não de 
forma a buscar influências entre ambos, mas a desloca-los de contextos de 
análise já realizados. Ou seja, em diálogo, talvez, eles possam proporcionar 
novas reflexõessobre as transformações na ficção romanesca no último 
século. Para tanto, será fundamental a releitura que empreenderemos de parte 
da teoria literária a partir do contato com a Análise do Discurso de Pêcheux 
bem como com as ideias de Derrida.
 Literatura e ensino: uma leitura em meio digital de 
Dispersão, de Mário de Sá-Carneiro
Jair Zandoná (UFSC)
Tratar de leitura parece ter se tornado um assunto bastante sensível. Não que 
a leitura tradicional tenha desaparecido, mas está em constante concorrência 
com outros tipos de textos, dos quais o virtual e o cinematográfico recebem 
maior destaque. Nesse sentido, esta comunicação propõe apresentar os 
resultados de uma leitura em meio digital do livro de poemas Dispersão, de 
Mário de Sá-Carneiro, como uma estratégia e prática metodológica possível 
para o ensino e pesquisa em literatura usando a ferramenta de anotações 
DLNotes. Essa proposta de leitura demanda a necessidade de repensar o 
próprio gesto de leitura – como ideia de leitura ativa, processual – inclusive 
de fazer perceber a necessidade de re-ler e, portanto, de re-examinar o 
objeto, com o propósito de construir cartografias (d)e leituras do texto 
poético. O estudo sistemático oportunizado pela ferramenta DLNotes pode 
instrumentalizar o estudante para que amplie seu repertório teórico, aplicando 
os conhecimentos adquiridos, por exemplo, nas disciplinas teóricas, no gesto 
mesmo de ler (literatura).
Um amor feliz: Mourão-Ferreira e seus jogos de espelho
Janaina de Souza Silva (UFRJ)
A leitura de Um amor feliz, de David Mourão-Ferreira, impele para a questão 
do espelhamento constante de natureza intratextual, que, mais do que algo 
inconsciente, traduz-se numa estratégia discursiva extremamente eficaz que 
se ergue como pilar da própria construção do romance. Analisar os diversos 
momentos em que esse jogo intratextual se revela de modo contundente ao 
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longo da narrativa é a proposta deste trabalho cuja origem remonta a uma 
análise da poética davidiana, a fim de ali identificar a gênese de um processo 
literário de espelhamento que norteia a construção da história de amor narrada 
no romance.
A presença de Eça de Queirós e Fradique Mendes 
no jornal paulistano O Pirralho (1911-1918) sob 
perspectiva de Juó Bananére e Monteiro Lobato
Jaqueline de Oliveira Brandão (UNESP)
Os anos finais do século XIX e iniciais do século XX marcaram demasiadamente 
a vida paulistana pelas constantes revoluções e avanços significativos em 
todas as esferas que interferem no convívio daqueles que habitavam a cidade, 
principalmente no domínio cultural e isso pode ser constatado a partir da 
contribuição que o jornal semanário O Pirralho (1911 – 1918) nos deixou como 
legado. A partir dele podemos averiguar a presença de Eça de Queirós (1945 
– 1900) e especialmente de sua personagem Fradique Mendes, já que lhe foi 
reservado espaço expressivo em uma enquête, para isso destacaremos sua 
recepção a partir da observação de dois dos dezesseis artigos-respostas, no 
caso escritos por Juó Bananére (Alexandre Ribeiro Marcondes Machado, 1892 
– 1933) e Monteiro Lobato (1882 – 1948), para assim avaliarmos, com base 
nos conceitos de herói de Frye, o protagonista Fradique Mendes por meio 
de comparação com o ser humano comum e confirmar a relevância de sua 
presença, assim como todo o universo queirosiano no âmbito paulista.
Entre músicos, pintores e saltimbancos: os artistas de 
Prosas Bárbaras, de Eça de Queirós
Jean Carlos Carniel (UNESP)
No início da carreira literária, entre os anos de 1866 e 1867, Eça de Queirós 
(1845-1900) publicou diversos folhetins no jornal Gazeta de Portugal¸ 
lançados postumamente por Luís de Magalhães, em 1903, com o nome 
Prosas Bárbaras. Percebe-se que, nas páginas de Prosas Bárbaras, a temática 
artística é recorrente, já que, em vários textos, há a presença de personagens 
artistas e, até mesmo, alguns deles têm por temática a própria arte. Deste 
modo, objetiva-se, com este trabalho, a análise dos contos A ladainha da dor 
e Misticismo humorístico, observando como a temática artística é representada. 
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A verdade besuntada
Jeanine Geraldo Javarez (UEPG)
Este artigo tem por objetivo analisar o espelho e o duplo nos romances “O 
homem duplicado” e “O ano da morte de Ricardo Reis”, de José Saramago, 
como metáforas autoteorizantes do conceito de representação. Para isso, 
retomamos o conceito de autoteorização ou ironia romântica, segundo Karin 
Volobuef e Johnathan Culler, e a discussão promovida pelos teóricos Bauman 
e Costa Lima a respeito da relação entre literatura e verdade. Para a análise, 
destacamos os trechos em que o duplo e o espelho poderiam ser tomados 
como metáforas do conceito de representação e comparamos com as teorias 
propostas por Aristóteles e Umberto Eco. Dessa forma, verificamos como 
a autoteorização do conceito de representação a partir das metáforas do 
espelho e do duplo corrobora o que Bauman defende a respeito do papel da 
ficção na relação homem-mundo.
Lisboa no ano 2000: nacionalismo e determinismo 
tecnológico
Jefferson Luiz Franco (SEED/UniBrasil)
Publicada como um conjunto de textos breves na revista Illustração Portugueza, 
em 1906, a obra de José Maria Mello de Matos faz como que um passeio 
turístico no qual os leitores são convidados a conhecer as maravilhas futuras 
da capital lusitana à beira do então distante século XXI. Embora concebida 
pelo autor apenas como um espetáculo imaginativo destinado a apresentar 
visualmente, por descrições e ilustrações, sua visão do potencial tecnológico 
ao alcance da nação e, contando, por consequência, com um mero arremedo 
de enredo e personagens, o texto de Mello de Matos também é representativo 
dos princípios do determinismo tecnológico que se estabelecera com a difusão 
das tecnologias características do alvorecer do século XX, característica que 
analisaremos brevemente em nosso texto.
O uso da breuitas como justificativa retórica do 
esquecimento narrativo nas crônicas de Gomes Eanes 
de Zurara
Jerry Santos Guimarães (UESB)
Visa-se a demonstrar como Gomes Eanes de Zurara, segundo cronista-mor 
da Casa de Avis, utilizou-se do topos breuitas para justificar a omissão de 
nomes de alguns nobres lusitanos, bem como de seus feitos, nas crônicas 
por ele produzidas no século XV. Numa época em que as crônicas eram 
utilizadas como certidão de bons serviços prestados à Coroa, em troca dos 
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quais se poderia requerer mercês ao rei, a supressão de nomes e de boas 
ações significaria um duplo prejuízo para os nobres e seus descendentes: a 
perda do proveito imediato e da honra pela eternidade. Alvo de queixas neste 
sentido, Zurara justifica tal esquecimento narrativo de duas maneiras: devido 
à insuficiência de informações de suas fontes, tanto orais quanto escritas, o 
que caracterizaria um esquecimento involuntário; e por conta da necessidade 
da breuitas na escrita, configurando-se assim num esquecimento intencional.
As memórias da colonização em Comissão das 
lágrimas, de António Lobo Antunes
Jéssica Baia Moretti da Silva (UEM)
Esta comunicação tem por objetivo principal a análise sob a perspectiva 
memorialística do romance Comissão de Lágrimas, do escritor português 
António Lobo Antunes. Comissão de Lágrimas é uma narrativa sobre memória, 
sofrimento e identidade, onde a protagonista é Cristina, uma mulher angolana 
que está presa em uma clínica psiquiátrica de Lisboa. O contexto histórico é o 
da sangrenta luta pela independência da Angola e o do tumultuado período 
pós-independência. Por meio do relato memorialístico de Cristina e de seus 
familiares, os sofrimentos e as torturas enfrentadas pelas pessoas de Angola 
nesse período são revelados. Os relatos memorialísticos de Cristina não são 
apenas seus, mas de toda a nação, uma vez que exprimem a dor compartilhada 
por todos os cidadãos angolanos. Portanto, no romance, não é evidente 
apenas a memória individual, mas, também, a coletiva. De forma aconfirmar 
a relação da memória individual com a memória coletiva, Maurice Halbwachs 
(2013) defende que a memória individual é construída sob o ponto de vista 
da memória coletiva, já que não é possível se desvincular das lembranças e 
das referências do grupo do qual se faz parte. Como principal embasamento 
teórico para os estudos da memória os livros utilizados serão: A memória 
coletiva (1990), de Maurice Halbwachs, História e Memória (2013), de Jacques 
Le Goff, A memória, a história, o esquecimento, de Paul Ricoeur e História, 
memória, literatura: o testemunho na era das catástrofes (2013), de Márcio 
Seligmann-Silva.
O amor trovadoresco presente no livro Meu glorioso 
pecado, de Gilka Machado
Jéssica Thais Loiola Soares (IFC)
A poeta Gilka Machado é tradicionalmente reconhecida pelos elementos 
simbolistas de sua obra, bem como pela força insubmissa de sua voz nos 
poemas em que reflete acerca da situação feminina na sociedade em que vivia, 
reivindicando os direitos da mulher. Embora tenha nascido no final do século 
XIX, é uma artista do século XX, e, como tal, apresenta inovações e acréscimos 
à poesia de cunho simbolista. Ademais, muitos de seus poemas revelam traços 
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do modo de amar da aristocracia da Idade Média Central, na Península Ibérica, 
bem como do modo de amar do campesinato de mesma época e local, 
representados literariamente nas cantigas de amor e de amigo trovadorescas, 
respectivamente. Tais características são encontradas, sobretudo, em seu livro 
Meu glorioso pecado, publicado inicialmente em 1918. Essa obra apresenta 
uma mulher tomada pelo amor incondicional, porém impossível e, por isso, 
sofrido, dedicado ao homem por quem é apaixonada, de forma semelhante 
à maneira de amar registrada pelos trovadores medievais. Todavia, apesar 
de apresentar esses resíduos da literatura portuguesa medieval, a obra de 
Gilka Machado reveste-se de uma roupagem própria, revelando elementos 
sensuais e, muitas vezes, não servis, em direção ao ser amado. Dessa forma, 
usa os aspectos medievais ao seu próprio modo. Sendo assim, as literaturas 
portuguesa e brasileira mostram sempre ter tido – e continuar tendo – ampla 
e mútua influência. Para chegar a essa conclusão na poesia de Gilka Machado, 
tomaremos como base a Teoria da Residualidade (PONTES, 1999), segundo 
a qual não há nada novo em termos de cultura e literatura, pois estas se 
hibridizam com o passar do tempo e adaptam-se à nova realidade, sempre 
mantendo em si resíduos de tempos e espaços outros.
O Verbo se fez arte: a Retórica Antiga na oratória de 
Antônio Vieira e de Dom Aquino Corrêa
Jildonei Lazzaretti (UFSM)
Este trabalho desenvolve uma análise comparativa da oratória de padre 
Antônio Vieira e de Dom Aquino Corrêa, observando que tanto os sermões 
do jesuíta como os discursos do salesiano utilizam-se de mecanismos da 
Retórica Antiga, compreendida como a arte da oratória dos antigos gregos e 
latinos, a qual se consolidou fundamentalmente a partir de Aristóteles, Cícero 
e Quintiliano. Neste estudo, são analisados cinco sermões de Vieira – Sermão 
pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda (1640), Sermão 
da Primeira Sexta-feira da Quaresma (1649), Sermão da Primeira Dominga da 
Quaresma (1653), Sermão do Bom Ladrão (1655) e o Sermão da Sexagésima 
(1655) – e cinco discursos de Dom Aquino – Noiva dos sábios (1910), Bispo e 
Presidente de Estado (1917), Meus ideais literários (1927), Ciência e fé (1936) e 
Política das Árvores (1951). A partir de Barthes (1975), Reyes (1961), Hansen 
(1978, 2006), Mendes (1989), Pécora (1994) e Saraiva (1980), observa-se 
como a Retórica Antiga se constituiu historicamente, e como permaneceu 
na formação eclesiástica, sendo associada à hermenêutica cristã. Na análise 
dos recursos retóricos dos dois oradores, percebe-se que ambos buscavam a 
persuasão de seus ouvintes considerando-os como destinatários da salvação, 
mas também como indivíduos inseridos em determinada ordem social e 
política. Nesse sentido, tanto Vieira como Aquino, por meio de uma retórica 
hermenêutica, exerceram papéis fundamentais em suas épocas: o primeiro 
como oráculo da Restauração da Coroa Portuguesa, e o segundo como porta-
voz da construção da identidade mato-grossense.
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A maçã que é só de Eva: Lisboa nas cantigas 
trovadorescas, ou, mulheres sem rosto no rosto da 
cidade
João Felipe Barbosa Borges (UFJF/IFF)
Desde a década de 1990, é crescente o interesse acadêmico sobre a cidade, 
tanto por parte de governantes, arquitetos, historiadores, geógrafos, cientistas 
sociais, e até por nós, da ciência da literatura, que tendemos analisar as 
representações textuais/discursivas do espaço urbano. Quando se considera, 
no entanto, no cerne da questão, a presença feminina na representação 
deste espaço, nos deparamos com uma verdadeira ausência de estudos 
que investiguem sobre o papel da mulher na cidade, sobretudo em textos 
literários anteriores ao século XIX. Nesse sentido, tenho por interesse, nesta 
comunicação, investigar sob que formas, através de que canais, e em meio a 
que discursos, a mulher e a cidade de Lisboa se entrecruzaram na representação 
literária do espaço urbano presente na poesia medieval, especificamente 
a dos Cancioneiros galego-portugueses (datáveis de cerca de 1200 a 1350). 
Tão logo, porém, cumpre ressaltar, que em razão da ausência, no âmbito da 
historiografia literária, de registros textuais de autoria feminina nesse período, 
somos obrigados a olhar para este entrecruzamento a partir do espelho 
masculino, o que, antes de se apresentar como um problema intransponível 
para análise, incita-nos a uma reflexão desconfiada e problematizadora, ao nos 
deparar com uma associação da mulher e de Lisboa, ao corpo, ao desejo, às 
emoções, configurando um espaço de vício e pecado que muito longe estará 
da representação idílica e masculina da cidade, que nos séculos seguintes 
predominará.
O Amor Irônico nas crônicas As Coisas da Vida e 
Espero por ti no meio das gaivotas, de António Lobo 
Antunes
Joelma Lôbo Junqueira Trajano (UEFS)
A disforia está presente na obra de António Lobo Antunes. Frequentemente, 
as personagens são descritas, nos textos desse escritor, como pessoas 
solitárias (mesmo as casadas), infelizes, em conflito de identidade, desiludidas 
ou amarguradas com as instituições, incluindo a familiar. Refletindo sobre 
as relações conjugais desses sujeitos, neste trabalho, nos concentraremos 
em demonstrar o enfoque “desestruturante” que António Lobo Antunes, 
ironicamente, dá ao amor nas relações homem-mulher nas crônicas As coisas 
da vida e Espero por ti no meio das gaivotas. Como embasamento teórico 
acerca do amor, utilizaremos, principalmente, os estudos de Rougemont 
(1988), para o teórico, ainda que muito debatida, a temática do amor não se 
esgota, e Zygmunt Bauman (1925), cuja abordagem reflete a ótica dos valores 
contemporâneos. Os estudos de María Luisa Blanco (2002), Ana Paula Arnaut 
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(2009) e Tércia Costa Valverde (2009) ampararão nosso entendimento da 
obra antuniana. Para a compreensão de Ironia e seus usos, nos basearemos 
nos conceitos das pesquisadoras Linda Hutcheon (2000) e Lélia Duarte 
(2006) que a definem como “forma séria do riso” e narrativa que explora a 
ambiguidade, em busca dos resultados desejados.
“A mesma história tantas vezes lifa”: as mi(s)tificações 
de Florbela Espanca
Jonas Jefferson de Souza Leite (UEPB)
Florbela Espanca, em vida, não conseguiu atingir o público leitor português: 
publicou, às suas expensas, dois livros de poesias, mas sem grande impacto 
no espaço literário da época e teve uma tímida participação em jornais e 
suplementos literários, geralmente, com uma aceitação negativa por parte 
da crítica literária. Depois de sua morte, em 1930, a artista passou a ser lida, 
justamente por uma campanha de marketing pelo professor italiano Guido 
Battelli, mediante uma associação muito direta entre vida e obra, em um 
movimentoem que os leitores poderiam buscar as pistas na poética da escritora 
para, de alguma forma, “compreender” os múltiplos aspectos biográficos que 
intrigaram a sociedade portuguesa do início do século XX. Nessa mecânica, 
para potencializar a avidez dos leitores, Battelli manipulou dados biográficos 
e literários no afã de obter mais lucro com as sucessivas edições que saíam 
dos livros de Florbela. A partir desse cenário, diversas versões sobre a vida 
da poetisa começaram a circular, acarretando mi(s)tificações de toda sorte, 
erigindo um patamar de poeta-mito para essa autora na história da Literatura 
Portuguesa. Assim, pela ação do professor italiano, os primeiros contornos das 
apropriações da biografia de Florbela foram estabelecidos. É possível que tal 
visão tenha se estendido às leituras biográficas que se sucederam, dentro de 
um panorama onde tais contornos podem ser redesenhados e a história mítica 
retroalimentada. Dessa maneira, o presente estudo objetiva compreender o 
percurso de mi(s)tificação da escritora, num processo de transformá-la em 
personagem literária, figurando dentro da sua própria biografia, em diferentes 
gêneros literários e com pontos de vista vários.
A morte sob a perspectiva do Absurdo em A 
desumanização de Walter Hugo Mãe
Jope Leão Lobo (UTFPR)
O objetivo deste trabalho é demonstrar diferentes visões da morte em 
A desumanização, de Walter Hugo Mãe. Para se cumprir o proposto, foram 
analisadas as mortes das personagens Einar, Halla e Sigrudur, da obra 
mencionada anteriormente. O recorte teórico que pauta tal análise é a das 
possíveis relações entre a morte e suas tipologias, desenvolvidas por Phillip 
Ariés, e as reflexões advindas da filosofia sobre o absurdo. A fundamentação 
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teórica principal utilizada para análise foi O desespero humano, de S. Kierkegaard, 
O mito de Sísifo, de A. Camus, e O homem diante da morte, de P. Ariés. Com isso 
se espera demonstrar a morte como escapatória de um mundo contraditório 
e Absurdo, mesmo quando vista em diferentes perspectivas.
Natália Correia e a (sua) poética do escárnio e do 
maldizer
Jorge Vicente Valentim (UFSCar)
O presente trabalho tem como objetivo propor uma leitura de Uma estátua 
para Herodes (1974) e Poemas a rebate (1975), da escritora portuguesa Natália 
Correia, escritos à sombra e ao redor do calor da Revolução dos Cravos, de 25 
de abril de 1974. Profunda conhecedora da tradição ibérica medieval, a autora 
em foco destila uma poética irreverente e irônica, marcada pelo escárnio e 
pelo maldizer, nos mais diversos gêneros que compõem a sua obra. Partindo, 
portanto, de um ensaio e de uma coletânea de poemas censurados em 
livros anteriores e recolhidos posteriormente, esta comunicação propõe uma 
leitura do modus operandi da escrita nataliana, sublinhando este traço criativo 
como uma espécie de diálogo intertextual com a própria tradição portuguesa, 
revisitada por ela.
Funcionalidade da paródia na escrita teatral de 
Camilo Castelo Branco
José Cândido de Oliveira Martins (UCP/CEFH)
Numa variedade e ambiguidade assumidas, o teatro de Camilo Castelo Branco 
contempla a sentimentalidade passional do drama histórico e do melodrama, 
por um lado; e, por outro, é também um exemplo paradigmático de sátira e 
de paródia, oscilando assim “entre a lágrima e o sarcasmo”(Jorge de Sena). Esta 
segunda dimensão é particularmente visível em duas “comédias” ou farsas, 
bastante populares da sua produção dramática, desde a sua recepção coeva: O 
Morgado de Fafe em Lisboa (1861); e O Morgado de Fafe Amoroso (1865).
De facto, num processo similar ao realizado em algumas narrativas ficcionais, 
Camilo opera uma significativa investida parodística, tendo como alvo 
privilegiado a cómica desmistificação de algumas convenções estético-
literárias românticas e ultra-românticas, mas também de alguns valores 
e costumes subjacentes. Numa época de grandes transformações sócio-
culturais e a pretexto do tema do casamento, o dramaturgo mostra aguda 
consciência crítica do esgotamento de alguns códigos e tópicos da literatura 
contemporânea, num permanente debate entre a retórica idealista do 
romantismo e o pragmatismo materialista dos novos tempos.
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Orientalismos do romance histórico português 
oitocentista
José Carvalho Vanzelli (USP/FAPESP)
Desde “Três Meses em Calecut – Primeira crônica dos Estados das Índias”, 
presente no 2º Tomo de Lendas e Narrativas (1851), de Alexandre Herculano a 
A Estrela de Nagasáqui (1923) de Campos Júnior, por inúmeras vezes o Oriente, 
suas terras e seus habitantes foram representados nas narrativas históricas 
portuguesas. Essas representações se intensificaram nas últimas décadas do 
século XIX, com as comemorações do III Centenário da morte de Camões 
(1880) e do IV Centenário da chegada de Vasco da Gama às Índias (1898).
Apesar do caráter nacionalista dessas comemorações, as imagens e 
representações do Oriente no romance histórico português nem sempre foi 
instrumento de exaltação patriótica, tendo sido também um recurso crítico 
bastante eficaz. 
Para esta apresentação intencionamos debater, portanto, as diferentes formas 
de orientalismo presentes nas narrativas históricas de Portugal do século XIX. 
Como principais pilares para nosso estudo, utilizaremos os romances O Senhor 
do Paço de Ninães (1867), de Camilo Castelo Branco e A Descoberta da Índia 
contada por um marinheiro (1891), de Manuel Pinheiro Chagas, dois dos mais 
importantes escritores de sua época.
As relações entre memória e história no romance 
português contemporâneo: uma leitura do testemunho 
e do trauma nas obras de Jorge Reis-Sá e Francisco 
Camacho
José Luís Giovanoni Fornos (FURG)
O objetivo da comunicação, intitulada As relações entre memória e história no 
romance português contemporâneo: uma leitura do testemunho e do trauma 
nas obras de Jorge Reis-Sá e Francisco Camacho é investigar as relações entre 
memória e história, considerando as categorias do testemunho e do trauma 
nos romances de Jorge Reis-Sá e Francisco Camacho. Para tal empreendimento 
analítico, recorre-se aos campos teóricos da historiografia, da psicanálise e da 
teoria da literatura, inserindo-os numa perspectiva política e sociológica. Dos 
entrelaçamentos previstos, são importantes a compreensão e a explicação 
dos processos sociais envolvendo sujeitos vinculados em distintos territórios, 
demarcados regional, nacional e globalmente. Entre os estudiosos que servem 
de base para o estudo, estão Paul Ricoeur, S. Freud, Márcio Seligmann-Silva, 
entre outros.
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Luz e sombras: metonímia(s) do desejo em A cura, de 
Pedro Eiras
José Luiz Foureaux de Souza Júnior (UFOP)
A presente comunicação faz uso das prerrogativas metodológicas da 
Literatura Comparada para sustentar a leitura do livro de Pedro Eiras, A cura. 
A proposta de abordagem busca articular os conceitos operacionais (desejo 
e inconsciente) da Psicanálise, para apresentar uma leitura do livro referido, 
partindo do pressuposto de que o modo metonímico de funcionamento da 
linguagem pode oferecer maior espectro de interpretação e análise da ficção 
de Pedro Eiras, sobretudo no embate que se desentola ao longo do relato 
ficcional do autor.
Romantismo e Realismo Português no periódico 
oitocentista maranhense Ramalhete
Josiane Oliveira Ferreira (UFMA)
A presente comunicação se articula com as reflexões e debates do “Grupo 
de Estudos e de Pesquisa Literatura e Imprensa” (GEPELI/UFMA/FAPEMA/
CNPq) e traz resultados a respeito da presença do Romantismo e do Realismo 
Português na imprensa maranhense do século XIX, em especial, o periódico 
Ramalhete. Para a realização desta pesquisa, foram realizadas visitas ao 
acervo da Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís, e ao acervo digital 
da Biblioteca Nacional. Após reunir os exemplares, verificamos as questões 
historiográficas, analíticas, críticas e biográficas a respeito dos autores e das 
obras das estéticas romântica e realista de Portugal parapoder compreender 
o contexto de produção e publicação do período, observar a atuação dos 
autores portugueses na/para formação da literatura brasileira e, em especial, 
a maranhense; e também compreender como essas escolas literárias vindas 
de Portugal marcaram a formação identitária do maranhense. Propomos 
a instrumentalização e análise dos textos jornalísticos como fonte e objeto 
de pesquisa, pois o reconhecimento da imprensa, devido a sua introdução e 
difusão no Brasil desde o século XIX, ganhou o status de documento para uma 
parcela de estudiosos. Logo, o estudo da fonte jornalística permitiu ampliar os 
horizontes para novas reflexões e problemáticas nos conhecimentos sobre as 
sociedades do passado.
Cesariny e seus precursores
Julia Pinheiro Gomes (UFRJ)
Nesta comunicação pretendemos levantar algumas questões relacionadas 
à ainda pouco explorada obra ensaística do poeta, pintor, tradutor e crítico 
português Mário Cesariny, a partir da antologia de textos críticos as mãos na 
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água a cabeça no mar, publicado inicialmente em 1972 pela editora A Phala, e 
depois reeditado em 1985 e 2015 também pela Assírio & Alvim. Nos ensaios 
presentes neste livro, datados entre os anos de 1950 e 1977, a vocação crítica 
do autor surrealista, que ainda não foi alvo de estudos mais aprofundados, 
fica clara. Estes textos versam em sua maioria sobre autores ditos modernos, 
sejam eles portugueses (Camilo Pessanha, Teixeira de Pascoaes, Fernando 
Pessoa, etc.) ou estrangeiros (Emily Dickinson, Rimbaud, Ezra Pound, André 
Breton, etc.). Para este trabalho, selecionamos alguns ensaios do livro em 
questão nos quais o autor parece fundar a sua modernidade a partir da escrita 
sobre o outro. Apresentaremos, assim, um Cesariny que revela (e recusa) seus 
precursores através do controverso gênero ensaístico – fugindo muitas vezes, 
aliás, do lugar comum – e, consequentemente, dá chaves de leitura para sua 
própria poesia.
Maria Peregrina de Sousa na imprensa portuguesa do 
século XIX
Juliana de Souza Mariano (UERJ)
Maria Peregrina de Sousa (1809-1894) participou ativamente da imprensa 
portuguesa de oitocentos. Estreou no Archivo Popular e colaborou em outros 
jornais, como Almanach das Lembranças, Almanach das Senhoras, Aurora, Braz 
Tisana, Grinalda, Lidador, Miscelanea Poetica, O panorama, Periódico dos Pobres 
no Porto, Pirata e Revista Universal Lisbonense. Nesta comunicação, analisaremos 
as personagens femininas nas narrativas “História de Adelaide” e “Falta de 
uma mãe”, publicadas no Archivo Popular em 1842 e 1843, respectivamente, 
e “Roberta ou a força da simpatia”, publicada no Periódico dos Pobres no Porto 
em 1848. Nosso objetivo é investigar, nesses textos, como o discurso do senso 
comum ora se confirma, ora é desestabilizado, e como algumas personagens 
poderiam contornar os interditos sociais. Pretende-se, portanto, discutir como 
a obra de Peregrina interpela a sociedade e como suas personagens femininas 
se inserem num mundo repleto de interditos.
Ensaiando a própria escrita: Manual de Pintura e 
Caligrafia, de José Saramago
Juliana Morais Belo (UNICAMP)
Em 1977, ao desistir da carreira de jornalista para dedicar-se exclusivamente 
ao ofício de escritor, José Saramago lança Manual de Pintura e Caligrafia, obra 
que traz na primeira edição o subtítulo “Ensaio de Romance” – o primeiro 
indício de uma escrita experimental, dado que no “ensaio de romance” há 
uma espécie de trocadilho com a palavra ensaio, sugerindo uma tentativa, um 
ensaio de um escritor estreante no gênero romance. Outra leitura diz respeito 
ao diálogo entre ensaio e ficção, visto que este aspecto é perceptível em duas 
obras saramaguianas: Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez. Aliás, os 
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romances de Saramago surgem como manual, como memorial, como história, 
como anuário de incidência biografista, como cadernos, como evangelho ou 
como o já citado ensaio. Trata-se talvez, antes de tudo, chamar atenção para a 
própria escrita como ato e como multiplicidade de formas possíveis. No caso do 
Manual, trabalho artístico e narrador-personagem se desenvolvem e crescem 
ininterruptamente num processo que tem como consequência uma escrita 
autobiográfica e a pintura de um autorretrato – características observadas nos 
primeiros ensaios atribuídos ao filósofo Michel de Montaigne. Sendo assim, 
este trabalho propõe uma leitura de Manual de Pintura e Caligrafia como um 
romance de exercício ensaístico, visto que em diversas entrevistas o autor 
afirma ser mais um ensaísta que romancista e “que por não saber escrever 
ensaios, se limitou ao romance”. (SARAMAGO, 2001).
O sentimento de pertencimento à nação através do 
discurso em a máquina de fazer espanhóis, de Valter 
Hugo Mãe
Juliane Fernanda Kuhn de Castro (UFFS)
Na presente comunicação, analiso como é representado o sentimento de 
pertencimento à nação e a construção de imagens acerca de Portugal em a 
máquina de fazer espanhóis (2010), de Valter Hugo Mãe. Último dos quatro 
livros que compõem a tetralogia das minúsculas, obras escritas em sua 
maioria em minúsculo, privilegiando o que o autor chama “a democracia 
do pensamento”, esse romance centra-se no processo de adaptação da 
personagem António Silva ao asilo em que foi internado após a morte de sua 
esposa. Acompanhamos como o personagem é atravessado por diferentes 
tradições, costumes e modos de ser português. Trata-se, conforme abordagem 
teórica de Stuart Hall, de identidades clivadas, atravessadas umas pelas 
outras, as quais vão tecendo uma ideia de pertencimento à nação que vai 
sendo questionado ao longo da trajetória do protagonista em sua convivência 
com os demais idosos. Com o passar dos dias do protagonista em sua nova 
casa, somos conduzidos a uma mudança ideológica da personagem, que 
deixa, aos poucos, de ser levado pelo discurso das esferas de poder e passa a 
contrariar seus valores, invertendo a hierarquia social dada. Nesse momento, 
é questionada a ideia de pertencimento à nacionalidade portuguesa. Mesmo 
com a delimitação de um espaço do “outro”, para aquele que está além das 
fronteiras geográficas e culturais, há uma constante relação entre este e o 
português que guarda traços de outrora, que tem orgulho da resistência ao 
regime salazarista, como António, que mesmo se revoltando contra essa 
época, é adepto do princípio de valorização da família.
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A comunidade cínica da revista Cão Celeste
Julio Cesar Rodrigues Cattapan (UFF)
Lançada em 2012, a revista portuguesa de poesia Cão Celeste, com direção de 
Manuel de Freitas e Inês Dias, vem se firmando como uma importante voz 
no cenário contemporâneo português das publicações literárias destinadas 
à poesia. A proposta da comunicação é apresentar como os colaboradores 
da revista formam uma comunidade de autores sediada em seu espaço 
gráfico-textual, estruturando-se de modo muito semelhante às comunidades 
tradicionais, calcadas numa identidade em comum e no compartilhamento dos 
mesmos valores, mundividência e ideais de convivialidade. Essa comunidade 
tem como eixo a defesa de valores herdados da filosofia cínica antiga, agora 
atualizados e adaptados à realidade contemporânea. Estabelece-se uma 
oposição entre a comunidade dos colaboradores da revista e a sociedade 
capitalista de mercado, retomando a oposição entre comunidade e sociedade 
que fundamenta as comunidades tradicionais.
“Espírito de universalidade incerta”: Fernando Pessoa 
e os ultraístas espanhóis
Karla Fernandes Cipreste (UFU)
Os estudos de fôlego sobre as relações pessoais e artísticas que Fernando Pessoa 
estabeleceu com artistas e intelectuais espanhóis são muito recentes. Um 
dos maiores pesquisadores da literatura portuguesa na Espanha, o lusitanista 
Antonio Sáez Delgado, apresenta os três momentos mais importantes dessas 
relações, os quais foram responsáveis pela recepção, de início muito tímida, da 
obra de Pessoa no mundo hispânico. Para esta comunicação, pretende-se dar 
a conheceros três momentos estudados por Delgado; explicar o porquê do 
quase insucesso das primeiras articulações; e, principalmente, aprofundar uma 
reflexão sobre a primeira interlocução de Pessoa com artistas espanhóis, feita 
com os poetas ultraístas andaluzes. Desse contato, feito predominantemente 
por correspondência, pode-se refletir sobre as considerações de Pessoa em 
relação à política e à cultura ibéricas, à estética modernista e às concepções 
sobre o ocidental e o universal.
Cecília Meireles e a Távola Redonda: a busca pelo 
graal da Poesia
Karla Renata Mendes (UFAL)
A revista Távola Redonda circulou em Portugal, entre 15 de janeiro de 1950 e 
julho de 1954, tendo David Mourão-Ferreira como um dos principais nome 
à sua frente. Esboçando uma reação ao neorrealismo, e ecoando discursos 
manifestados na antecessora revista Presença, reivindicava-se uma literatura 
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pautada pela subjetividade e pela expressão individual do autor. Távola 
estabeleceu, assim, uma clara oposição aos neorrealistas que priorizavam 
uma poesia comprometida com seu momento histórico e social, ou seja, 
acima das nuances do “eu”. Nesse contexto, e, inserida no meio literário 
português, surge o nome de Cecília Meireles que integrou esse rol de poetas 
“acolhidos” com simpatia e, mais do que isso, admiração pelas páginas da 
Távola. O fascículo número doze, de 29 de fevereiro de 1952, publicou quatro 
poemas que apareceram com o título de “Poesias inéditas”, além de um texto 
crítico, “Cecília Meireles, acerca da sua poesia”, de autoria de David Mourão-
Ferreira. Dessa forma, espera-se observar as forças motrizes da publicação e 
estabelecer os parâmetros que levaram a poeta brasileira a figurar na revista. 
Destacar-se-á também a importância de sua participação no periódico e o 
diálogo luso-brasileiro ali estabelecido.
Freiras Poetisas Barrocas: representações do feminino 
em Adília Lopes e Paula Rêgo
Katiane Martins (UNEB)
Gabriela Fernandes (UFBA)
Pretende-se nesse trabalho realizar uma leitura das representações do 
feminino em duas artistas contemporâneas portuguesas, a saber: Adília Lopes 
e Paula Rêgo. São cada vez mais crescentes as discussões acerca do papel social 
da mulher, dessa forma, faz-se necessário também analisar as representações 
do feminino nas artes, a partir da leitura de “poetisas fêmeas”, dando voz e 
visibilidade para as mulheres. A escolha por uma poeta e uma artista plástica 
se dá por percebermos proximidade entre ambas, especialmente no que 
concerne à quebra de paradigmas e estereótipos na representação do 
feminino, por tematizar situações polêmicas referentes a questões de gênero, 
além da multiplicidade do olhar. Analisaremos as obras das duas artistas sob 
uma perspectiva das interartes, aproximando poesia de artes plásticas sem 
hierarquizá-las.
Digressividade e fragmentação em Camilo Castelo 
Branco
Katrym Aline Bordinhão dos Santos (IFPR)
Camilo Castelo Branco pode ser aproximado a diversas correntes de escrita 
por conta de sua vasta produção. Uma delas é a forma shandiana, proposta por 
Sérgio Paulo Rouanet no livro Riso e Melancolia. Neste trabalho pretendemos 
aprofundar como a digressividade e fragmentação, características dessa forma, 
ficam representadas em O que fazem mulheres e A brasileira de Prazins, de 
Camilo Castelo Branco, no intuito de demonstrar como esses elementos são 
importantes na organização dos romances. Para isso, serão analisados trechos 
em que os narradores, intencionalmente, comentam sobre as interrupções 
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a que se sujeitam as narrativas, demonstrando, portanto, a importância que 
questionar o próprio estatuto do romance assumiu na produção camiliana em 
algumas de suas obras.
Graciliano Ramos, Branquinho da Fonseca e Luís 
Bernardo Honwana: um exercício comparativo em 
literaturas de língua portuguesa
Keli Cristina Pacheco (UEPG)
René Wellek no final de década de 1950 constatava a crise do comparatismo 
na literatura, no ensaio “A crise da literatura comparada”, o crítico, ainda 
contaminado por um método bastante científico de montagem argumentativa, 
em que descreve um problema, elabora um diagnóstico e receita uma 
cura, solicita aos pesquisadores, como um bom textualista, um retorno à 
literariedade. Das lições que lega, temos uma não redução da disciplina de 
literatura às balizas nacionais, já adotada em muitos currículos de Letras, e um 
pedido, aos estudiosos da área de literatura, de menos senso de propriedade, 
uma vez que Wellek acredita no olhar do não especialista como sendo fonte 
de uma possível sensibilidade e maior raio de ação, “cuja perspectiva mais 
ampla e discernimento mais agudo podem muito bem suprir anos de intensa 
dedicação” (1994, p. 116). Em muitos currículos, as disciplinas de literatura 
abandonaram o critério nacional, substituindo-o pelo critério linguístico, 
e a presença da língua portuguesa como língua oficial nos territórios passa, 
portanto, a ser ponto que une distintas literaturas e culturas, fazendo da 
prática comparatista um campo profícuo que possibilita a trabalho criativo 
do professor não-especialista em algumas dessas literaturas, ao menos. Mais 
recentemente, Alfredo de Mello (2016) visualiza que o estudo das literaturas 
africanas em língua portuguesa, em perspectiva comparada, desestabiliza 
o pressuposto de que a literatura é uma instituição criada na Europa, para o 
pesquisador, não há um centro de irradiação, há a revelação de outros roteiros 
que merecem ser estudados. Nessa perspectiva, sem procurar estabelecer 
um centro de influência, pretendemos realizar um exercício de literatura 
comparada que considere as linhas de poder das relações das personagens, 
do modo como recepcionaram paisagens históricas, ou ainda do modo como 
resistem a elas, para isso tomamos Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, 
Bandeira Preta (1957), de Branquinho da Fonseca e Nós matamos o cão tinhoso 
(1964), de Luís Bernardo Honwana, com a intenção de refletir principalmente 
sobre os temas da autoridade e do autoritarismo presente em seus enredos.
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As vozes moralizadoras em Claraboia, de José 
Saramago
Kelly Gomes Cavalcante (UFAM)
Neste trabalho analisarei o modo como o texto da obra Claraboia, sob um 
foco narrativo único, apresenta os relatos dos pensamentos dos personagens 
a favor de sua construção textual multifacetada. A possibilidade de percepção 
dos múltiplos pontos de vistas acerca das relações entre gêneros é entendida 
a partir do modo pelo qual o narrador trabalha esses relatos. Para isto, 
destaco questões teóricas como ironia, contraponto e discurso, instrumentos 
fundamentais para entender a estruturação da obra, neste estudo.
A literatura contemporânea à deriva lança âncora na 
tradição: Uma Viagem à Índia e Os Lusíadas
Kim Amaral Bueno (IFSUL/UFRGS)
As quase quinhentas páginas de Uma Viagem à Índia (2010), do português 
Gonçalo M. Tavares, poetizam/narram as peripécias de Bloom, protagonista 
que se lança em viagem de Lisboa rumo à Índia com a finalidade de esquecer 
a tragédia que lhe acometera: o assassinato da mulher amada por ordem do 
pai e o assassinato do pai por ele mesmo premeditado como vingança. De 
matriz transtextual, a grande viagem operada na obra é sem dúvida aquela que 
percorre a tradição cultural do Ocidente, cujos empréstimos são verificáveis 
desde o nome do protagonista, Bloom (retomando a personagem de James 
Joyce, em Ulysses, que, por sua vez, remete-nos a personagem homérica da 
Odisseia, produzindo um circuito explícito no qual Uma Viagem à Índia é o 
motor hipotextual), atravessando a temática da viagem, tão cara ao universo 
lusófono, e chegando, com sua estrutura formal, a espelhar Os Lusíadas. A 
tarefa deste estudo será a de compreender em que concerne o hibridismo 
formal encarnado por esta forma poética na qual o texto se apresenta. A 
hipótese a ser desenvolvida é aquela que o compreende enquanto exemplar 
de um discurso épico contemporâneo, diferindo de uma compreensão clássicapor meio do gênero épico de viés aristotélico. A resistência, em Gonçalo M. 
Tavares, de um modelo considerado “morto” por pensadores modernos, e os 
dispositivos literários engendrados na subversão deste modelo de discurso 
“maior”, subvertem a estrutura da própria épica, possibilitando, por fim, ler Uma 
Viagem à Índia sob o viés de uma “literatura menor”, categoria desenvolvida 
por Deleuze & Guattari.
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Os autos de Gil Vicente e de Calderón de la Barca
Laura de Oliveira Coradi (UFU)
A Idade Medieval foi um período propício à Igreja, pois, segundo Heliodora 
(2008, p.33, apud FREITAS, 2014, p.7), “[...] o Cristianismo sentiu a necessidade 
de tornar o seu Deus conhecido através de cerimoniais”. [...] (p.7). Assim, um 
gênero dramático ganhou fortuna nessa época, o chamado Auto, originado na 
Espanha. A palavra Auto, em latim, significa actus, a saber, acçom num só acto, 
de acordo com Cornide (2000, p.103). Neste gênero, podemos identificar 
dois subgêneros: o Auto e o Auto Sacramental. Segundo Davis (1996, p.55), o 
primeiro diz respeito a episódios bíblicos, interpretados de forma satírica; e o 
segundo, a obras religiosas que tratam de temas teológicos e morais. Quando 
à influência cristã nesse gênero, o eixo temático que o compõe é a moralidade, 
a qual muitas vezes vem acompanhada de uma escrita satírica. Nesse sentido, 
elegemos dois autores de Autos e suas respectivas obras: o português Gil 
Vicente, com a obra Auto da Barca do Inferno, e Calderón de la Barca, com a 
obra Lo que va del hombre a Dios. Esses dois autores possuem similaridade no 
que diz respeito ao gênero de suas obras, mas se diferenciam no que tange ao 
conteúdo. Em Calderón, seus Autos Sacramentais destacam-se por estarem 
fomentadas no ritual da Eucaristia, caracterizando-se como representações 
missais. Por outro lado, Gil Vicente coloca a sua dramatização ao meio a um 
julgamento, a saber, o juízo final cristão. Ademais, Calderón não se utiliza da 
comédia em seus Autos Sacramentais, enquanto que Vicente apresenta uma 
linguagem satírica e, inclusive, escrachada. Portanto, neste trabalho apresentar 
as principais diferenças entre essas obras, no que concerne à alegoria e à 
temática do sacrifício como expiação das faltas.
A máquina de fazer moribundos: envelhecer e morrer 
como outsider em A máquina de fazer espanhóis, de 
Valter Hugo Mãe
Leandro Francisco de Paula (UFPR)
A solidão e a morte são pontos centrais em A máquina de fazer espanhóis, 
do escritor português Valter Hugo Mãe. A respeito do assunto, Norbert Elias, 
sociólogo alemão, em A solidão dos moribundos, percebe como os processos 
históricos que levaram o Ocidente a se afastar cada vez mais da morte se 
consolidam. Para ele, as sociedades contemporâneas ocidentais temem 
a morte e deixam os idosos à sua margem, transformando-os em outsiders 
frente ao establishment dos jovens saudáveis. Isolando os idosos, os saudáveis 
tentam esquecer que também são mortais e que podem um dia chegar 
também à condição semelhante à deles, os moribundos. Cabem, portanto, aos 
outsiders a exclusão em sanatórios e asilos. Lá, nos novos espaços de convívio, 
criam laços de interdependência com indivíduos estranhos à sua vida anterior 
à velhice e à doença (ELIAS, 2001). Em A máquina de fazer espanhóis, Valter 
Hugo Mãe conta-nos sobre a vida de António Jorge da Silva, antigo barbeiro, 
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que foi parar no asilo Feliz Idade após a morte de sua mulher. Aos 84 anos, Silva 
é um outsider que viveu sob regime salazarista. Ele é um idoso arrependido 
com as escolhas do passado e que não vê possibilidade de redenção. Naquele 
espaço de isolamento, cria rede de interdependências e muda seu habitus 
social aos poucos, convivendo com outros outsiders como ele. Nossa proposta 
na presente comunicação é analisar a obra do autor português sob uma 
perspectiva que una a história, a sociologia e a análise literária, tendo como 
base teórica a abordagem analítica de Norbert Elias.
O protagonismo histórico em O Arco de Sant´Ana de 
Almeida Garrett
Leonardo de Atayde Pereira (USP)
O autor português Almeida Garrett, figura notória da intelectualidade 
portuguesa durante os anos de formação do pensamento romântico e liberal 
em Portugal, produziu, nessa época, uma série de escritos de temas bastante 
amplos, que iam de reflexões políticas a experiências literárias.
Um exemplo desse alcance reflexivo e criativo de Garrett pode ser verificado 
no seu romance histórico O Arco de Sant´Ana, publicado em dois momentos, 
1845 (Tomo I) e 1850 (Tomo II). 
Esse romance, que veio a lume na sociedade portuguesa numa época de 
introdução e cultivo do gênero do romance histórico promovido por Alexandre 
Herculano por meio de jornais e revistas, ao mesmo tempo dialoga com 
algumas questões de ordem histórica presentes na própria prosa de Garrett, 
em especial com o seu trabalho Da Educação, e com as interpretações 
historiográficas feitas por Herculano acerca do passado medieval português.
Com base nessa ideia, a presente comunicação tem por objetivos identificar 
e analisar essa intrínseca relação existente entre os escritos produzidos por 
Garrett, tendo como ponto de referência O Arco de Sant´Ana, e revelar uma 
possível similaridade entre Alexandre Herculano e Almeida Garrett na forma 
de redimensionar a Idade Média portuguesa e alguns de seus protagonistas, 
como os monarcas D. Afonso I e D. Pedro I.
Romantismo e Realismo Português no periódico 
maranhense O Artista
Leonardo Rodrigo de Oliveira Ferreira (PIBIC/UFMA)
O projeto de pesquisa em questão se articula com as reflexões e debates do 
“Grupo de Estudos e de Pesquisa Literatura e Imprensa” (GEPELI/UFMA/
FAPEMA/CNPq), o qual iniciou suas atividades em setembro de 2015, pela 
Coordenação de Letras, do Campus Universitário Bacabal, da Universidade 
Federal do Maranhão (UFMA), propondo pesquisas de campo e visitas aos 
acervos de fonte primárias em busca de documentos que trazem à baila 
aspectos literários, linguísticos, históricos, sociais e culturais do Maranhão 
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do século XIX para catalogação, análise e divulgação no acervo digital local. 
Para esta comunicação apresentamos a presença do Romantismo e do 
Realismo Português no periódico oitocentista do Maranhão intitulado O 
Artista. Para a realização desta pesquisa foram realizadas visitas ao acervo 
da Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís, e ao acervo digital da 
Biblioteca Nacional. Após reunir os exemplares, verificamos as questões 
historiográficas, analíticas, críticas e biográficas a respeito dos autores e das 
obras da estética romântica e realista de Portugal para poder compreender 
o contexto de produção e publicação do periódico. Ademais, observamos a 
atuação dos autores portugueses na/para formação da literatura brasileira e, 
em especial, a maranhense, e também como essas escolas literárias vinda 
de Portugal marcaram a formação identitária do maranhense. Propomos a 
instrumentalização e análise de textos jornalísticos como fonte e objeto de 
pesquisa, já que desde o século XIX é um importante instrumento difusor da 
cultura e da literatura. Além disso, o periódico ganhou status de documento 
e o estudo da fonte jornalística permitiu ampliar os horizontes para novas 
reflexões e problemáticas nos conhecimentos sobre o passado literário no 
país. O resultado da pesquisa será a elaboração de um corpus inédito - um 
conjunto/recolha/recortes de textos sobre o objeto de estudo - cuja análise, 
deverá contribuir quer para a análise e interpretação das obras românticas 
e realistas portuguesas, quer para a sistematização do acervo jornalístico 
maranhense pelo GEPELI.
O herói português: Da ascensão histórica ao 
firmamento do mito como produtor de identidade 
nacional
Letícia de Oliveira Galvão (UEPG)
Ao observar as diversas maneiras com que a história portuguesa tomou forma 
nas mãos dos grandes autores procura-se promover o (re) pensar sobre a 
constituição do ser português, buscando-se investigarde que forma a literatura 
contribuiu para a perpetuação da História nacional através do uso do mito 
como referência, promovendo então a análise da progressão do sentimento 
de pertencimento e a construção de identidade a partir da trajetória dos heróis 
deste país. 
Ao se tratar de mito, a importância da ficcionalização da História para se enraizar 
a glória dos grandes nomes de Portugal é tema dos estudos apresentados em 
Mitologia da Saudade: seguindo de Portugal como destino, de autoria de Eduardo 
Lourenço, onde se discute a relação entre os mitos e as narrativas históricas e 
como isto se tornou alicerce para a construção da glória portuguesa. Neste 
caso, esta obra será utilizada como base para analisar o Mito Sebastianista e o 
Mito de Inesiano, onde se dará ênfase na forma em que eles surgem no meio 
literário através de autores como Camões, Pessoa e Garrett, e como isto influi 
no orgulho dos portugueses frente a sua própria realidade. 
Por fim, espera-se contribuir para o reconhecimento da importância do mito 
como elemento fundamental para a sobrevivência da memória nacional 
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mostrando assim, a relação evidente entre realidade e ficção.
A Revolução dos Cravos pela ótica do testemunho
Licia Rebelo de Oliveira Matos (UFRJ)
Na fronteira entre a memória e o esquecimento residem a linguagem e sua 
capacidade de narrar fatos históricos, mas não só na história propriamente 
dita registram-se os acontecimentos que se quer relembrar. Por exemplo, 
Portugal das navegações e conquistas tem seus heróis dos mares eternizados 
em diversos textos, dentre os quais o mais importante não é historiográfico, 
mas literário: a viagem marítima e poética d’Os lusíadas. De forma semelhante 
à proposta do épico, existem, na ficção contemporânea, obras que trazem 
de volta ao presente a Revolução dos Cravos, marco da história portuguesa 
recente, do qual resta um grande número de sobreviventes. Trata-se de 
vozes ainda sonantes, que podem contar a seu próprio modo suas versões 
do que aconteceu em 1974. No romance Os memoráveis (2014), Lídia Jorge 
apresenta uma retomada do 25 de Abril por essa rica via do testemunho, 
com base em personagens fictícios que, tendo participado do episódio, 
concedem entrevistas a uma equipe de reportagem 30 anos após a revolução. 
Jorge passeia, portanto, por esse tenso limiar entre a história e a narrativa 
em primeira pessoa, assunto que pretendo abordar em minha pesquisa de 
doutorado. Quem são os sujeitos da história, o que a memória atual retém do 
passado e o que resta, ainda, por contar são alguns dos questionamentos que 
tenciono desenvolver nesse estudo em fase inicial.
Ensino de Literatura Portuguesa na Graduação: 
Experiências na formação de professores por meio das 
novas tecnologias
Lígia Regina Máximo Cavalari Menna (UNIP)
Simone de Almeida e Silva (UNIP)
Em um processo de formação contínua do profissional de Letras, é 
imprescindível que haja uma maior reflexão sobre o ensino de literatura aliado 
às novas Tecnologias da Informação e Comunicação (Tics), observando-se 
as práticas cotidianas, tanto no período da graduação, quanto no percurso 
docente.
A partir dessa demanda, esta comunicação objetiva apresentar nossas 
experiências enquanto professoras de Literatura Portuguesa na graduação 
e pós-graduação, formando professores, que, em sua maioria, dominam 
o mundo digital e suas especificidades e já se deparam com alunos nativos 
digitais. Por meio de multiletramentos, procuramos conciliar tradição à 
modernidade, estabelecendo relações entre a literatura portuguesa a outras 
literaturas , outras artes e outras linguagens, intentando tornar o processo de 
ensino-aprendizagem o mais significativo possível.
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Sobre rastos e ruínas: uma leitura comparada de Os 
cus de Judas, de António Lobo Antunes, e Tristano 
muore, de Antonio Tabucchi
Luca Fazzini (PUC-Rio)
Muito do interesse que o estudo da Literatura Portuguesa recebe hoje em Itália, 
deve-se ao trabalho crítico e de tradução desenvolvido por Antonio Tabucchi ‒ 
estudioso e tradutor para o italiano, entre outros, da obra de Fernando Pessoa. 
Juntamente com essa contribuição inteletual, é também através dos seus 
romances de ambientação “lusitana”, como Afirma Pereira, e Requiem: uma 
alucinação (o único livro que Tabucchi terá escrito em português), que espaços 
e momentos da cultura portuguesa foram conhecidos pelos leitores italianos. 
Se, por um lado, Antonio Tabucchi é portanto uma figura fundamental para o 
estudo crítico, na Itália, da literatura portuguesa, considerando o inteiro corpus 
da sua produção literária, por outro lado é possível afirmar que tanto a própria 
literatura portuguesa quanto a história mais recente de Portugal constituíram 
uma importante base de reflexão para a sua escrita. Neste sentido, através 
de uma leitura comparada dos romances de Tabucchi com algumas obras da 
literatura portuguesa contemporânea, seria possível estabelecer um produtivo 
diálogo que tente abordar questões relevantes do imaginário coletivo 
português, na vertente literária. É a partir dessas considerações que, com a 
minha comunicação, pretendo oferecer uma leitura comparada dos romances 
Os cus de Judas (1979), de António Lobo Antunes, e Tristano Muore (2004), de 
Antonio Tabucchi. Ambas as obras, representando ou encenando o momento 
da perda e do trauma – o relativo à Segunda Guerra Mundial e ao pós-guerra, 
em Tabucchi, e o da Guerra Colonial, em Lobo Antunes –, solicitam uma mais 
ampla reflexão sobre a construção da memória pela escrita e sobre a relação 
entre esta e as violências da guerra.
A Presença e a Natureza do Fantástico nos Contos, de 
Eça de Queirós
Lucas do Prado Freitas (UEL)
Este trabalho, resultante do projeto de pesquisa de Iniciação Cientifica que 
desenvolvi, tem como objetivo analisar, comparativamente, algumas das 
narrativas escritas e apresentadas ao público entre 1874 e 1898, por Eça de 
Queirós, e que compõem a coletânea intitulada Contos, organizada e publicada, 
postumamente, por Luís de Magalhães, em 1902. Nesses textos, existe um 
manifesto e um permanente deslizamento entre o sobrenatural e o real, o 
que configura uma dinâmica de afastamento e aproximação relativamente 
aos pressupostos positivistas do século XIX. Portanto, a nossa análise se dará 
a partir da concepção de fantástico como “impureza escorregadia”, sustentada 
por Maria do Carmo Castelo Branco de Siqueira, em A Dimensão Fantástica na 
Obra de Eça de Queiroz.
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Cartilha do Marialva e leituras afins
Lucia Maria Moutinho Ribeiro (UFRJ)
No ensaio pioneiro Cartilha do Marialva, de 1969, em defesa da mulher, seja 
esta personagem de ficção ou não, José Cardoso Pires, inspirado na figura 
do Marquês de Marialva, analisa a sociedade portuguesa sob um enfoque 
feminista. Faz-se necessário, pois, manter vigilância permanente sobre a 
questão. A propósito desta, examinar-se-ão o desempenho e alguns sonetos 
de autoras portuguesas, como Sóror Violante do Céu, Marquesa de Alorna 
e Florbela Espanca, colhidos na antologia de Cleonice Berardinelli, Cinco 
séculos de sonetos portugueses: de Camões a Fernando Pessoa, entre outras 
personagens célebres.
A imagem das soldadeiras na lírica medieval galego-
portuguesa
Lucía Sande Siaba (UdC)
As opções de vida das mulheres na Idade Média reduziam-se ao casamento 
e a maternidade, a consagração a Deus nos conventos ou a marginalidade. 
Pertencer ao último grupo implicava se submeter a uma enorme discriminação 
social impulsionada pela Igreja, difusora de dois estereótipos opostos que 
dominaram a visão sobre o sexo feminino: a virgem Maria, encarnação de toda 
bondade, e Eva, a razão da expulsão do paraíso, e por tanto, de todos os males 
da humanidade. Essa dicotomia entre o bem e o mal também se encontra 
refletida na imagem da mulher exposta nas cantigas de tema amoroso e a 
mulher pecadora das cantigas de escánio. As soldadeiras representam muito 
bem o segundo tipo de mulheres comuma vida afastada do caminho moral 
ditado pela Igreja, o que as converteu em alvo de inúmeros chistes nas 
cantigas medievais. Ao longo deste trabalho tentaremos oferecer uma visão 
panorâmica que encontramos na lírica medieval galego-portuguesa. Para 
isto, buscaremos, entre as 43 cantigas, que segundo G. Videira Lopes, tratam 
o tema das soldadeiras, as características que lhes são atribuídas com maior 
frequência, tanto a nível físico como psicológico, obtendo assim o “contra-
retrato” cortês que implicitamente condena a vida dissoluta destas mulheres.
Matizes do fantástico: a construção da personagem 
nos vieses do insólito
Luciana Morais da Silva (UERJ/Universidade de Coimbra)
As narrativas ficcionais construídas sob a égide do fantástico vêm, em geral, 
sendo estudadas por diversos matizes e, em certo sentido, configurações 
existentes no processo histórico de formação desse discurso. Com 
isso, demonstra-se, em certo sentido, um posicionamento acerca dos 
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procedimentos empregados nas leituras a serem realizadas na presente 
discussão. Pretende-se analisar as estratégias de composição da personagem 
ficcional “Andrade da Lua”, na obra Casos do Beco das Sardinheiras (1991), do 
escritor português Mário de Carvalho, demonstrando o modo como esse 
autor lança mão de ausências significativas na estrutura textual para formular 
situações conflituosas. Ao fazer isso, o escritor vai pouco a pouco tecendo as 
estruturas de suas personagens, tão ou mais insólitas que o Beco habitado. 
Nos mundos possíveis ficcionais construídos pelo escritor português, o leitor 
é submetido, como o próprio autor enuncia no prefácio brasileiro de sua 
publicação (CARVALHO, 2008), em um aparentemente comum, corriqueiro, 
porém habitado por “seres” extraordinários e por histórias “fantásticas”, 
marcadas, ambos, pela consciência de pertença a um lugar. Com isso, a 
narrativa de Mário de Carvalho, além de cerzir-se pelos muitos fragmentos 
de suas personagens, molda-se pelo discurso de pertença formulado por 
entidades conscientes da simplicidade, porém grandeza, de seu Beco dentre 
tantos outros Becos.
Almeida Garrett relê Notre Dame de Paris, de Victor 
Hugo: O Arco de Sant’Ana e a experiência das massas
Luciene Marie Pavanelo (UNESP)
Com o sucesso de seu romance Notre Dame de Paris (1831), Victor Hugo 
foi responsável pela popularização de um outro tipo de narrativa histórica, 
diferente do modelo criado por Walter Scott. Definido por Maria Helena 
Santana (2007) como um “romance histórico heterodoxo”, O Arco de Sant’Ana 
(1845-1851), de Almeida Garrett, possui muitos pontos de contato com a obra 
de Hugo, reconhecidos pelo próprio escritor de Viagens na Minha Terra. Um 
desses pontos que nos chama a atenção é a representação da experiência 
das massas, aparentemente similar nos dois romances, mas profundamente 
distinta, o que mostraria a diferença de perspectivas políticas dos dois autores. 
É nosso objetivo, nesse sentido, analisar a recuperação temática e estilística 
que Garrett promove do romance de Hugo, a fim de compreender as suas 
especificidades no contexto português.
Natália: uma tentativa de escapar do ontem, um diário 
para o esquecimento?
Ludovico Omar Bernardi (UEM)
Este estudo tem por foco o romance Natália, de Helder Macedo, espécie 
de compêndio psicanalítico e literário, que favorece a opção teórica de uma 
leitura memorialística. A obra é-nos narrada pela personagem homônima ao 
título do livro, em forma de diário íntimo, no ínterim 2000 a 2003, tratando-
se de um treino de escrita, já que se trata de um possível romance que ela 
própria, Natália, pudesse um dia vir a escrever, porém que, no nível do narrado, 
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nunca se concretiza. Em Natália a coisa não está escondida no diário, ela é o 
próprio diário, tratando-se este de uma falsa atividade, ou seja, a narradora 
não age somente para mudar alguma coisa, ela age para impedir que alguma 
coisa aconteça, de modo que nada venha a mudar. Nesse sentido, materializa 
no artefato diário a verdade de sua postura paranoica: ela é a trama destrutiva 
contra a qual está lutando, residindo todo esse logro em nossa incapacidade de 
incluir na lista de suspeitos a ideia de desconfiança. Isso porque não devemos 
esquecer de incluir no conteúdo de um ato de comunicação o próprio ato, já 
que seu significado é também afirmar reflexivamente que ele é um ato de 
comunicação.
Portugal, França e a recepção internacional de 
Guimarães Rosa
Luís Bueno (UFPR)
A partir de sugestão feita pelo livro recente de Joseph Rezek, London and the 
Making of Provincial Literature, que estuda o papel das editoras londrinas na 
difusão de autores “das províncias” como Walter Scott e Fenimore Cooper, 
este trabalho investiga a presença editorial em Portugal de um dos mais 
importantes autores brasileiros do século XX, Guimarães Rosa. A seguir, traça 
uma comparação com a sua presença num mercado editorial de grande 
potencial de difusão de uma autor não-europeu com o francês.
Uma aproximação de paixão e aprendizagem às 
canções de Camões
Luis Maffei (UFF/FAPERJ)
No universo da lírica camoniana, as dez canções encerram um universo 
peculiar. A especificidade da forma fixa permite, e no limite, impõe, poemas 
longos, caracterizados por uma música que altera versos decassílabos e 
hexassílabos, permissora de uma reflexividade cambiante. O gênero acolhe 
uma dicção experiente do poeta, o que faz das canções camonianas lugar 
privilegiado de paixão e aprendizagem. Uma voz exilada, em constante 
falta, num deslocamento fragmentado e lamentoso, experimenta dizer a 
melancolia e especular sobre poesia e linguagem enquanto reflete (sobre) a 
especial circunstância histórica de seu exílio e da sua necessidade de formulá-
lo. A paixão do poeta, que recupera muito da simbologia do Cristo apaixonado, 
funde a indigência de um estado de desejo e perda à mais sábia ignorância, 
partilhando com o leitor uma fala em estado de desesperada herança e, como 
herança, aprendizagem.
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A construção do ethos camoniano por meio da análise 
das ilustrações contidas nas edições do Tricentenário 
do poeta no periódico O Occidente – Revista 
Illustrada de Portugal e do Estrangeiro (1878-1915)
Luiz Eduardo Rodrigues Amaro (UNESP)
O Tricentenário de Camões (1880) foi um evento importante para os 
republicanos portugueses que, pela figura de Teófilo Braga, utilizaram o evento 
para divulgar sua ideologia. A revista O Occidente (1878-1915), pela figura do 
então editor Guilherme de Azevedo, percebeu esse uso e fez várias críticas no 
espaço intitulado Chronica Occidental, pois a revista era predominantemente 
monarquista. Apesar da crítica, ela abriu um amplo espaço para a cobertura 
do evento. Como a característica marcante e diferencial dela era a ilustração, 
percebemos a importância de analisar a narrativa contada por essa forma 
de expressão, utilizando a teoria de Bakhtin para revelar as ideologias e 
significações das ilustrações, o que colaborará para o entendimento das 
transformações sócio-políticas que o país passaria nas décadas subsequentes 
ao evento e reforçará a importância da Literatura Camoniana como forma de 
construção da própria nação portuguesa.
Inefabilidade e impostura: o (não) dizer em questão 
no encontro de Maria Gabriela Llansol com São João 
da Cruz
Luiz Fernando Queiroz Melques (USP)
O poeta místico espanhol São João da Cruz (1542-1591) é convocado pela escrita 
de Maria Gabriela Llansol (1931-2008) para participar de uma comunidade 
textual ética e estética. Segundo a teologia negativa, as palavras não têm o 
poder de expressar em linguagem o conhecimento de sua doutrina, revelado, 
portanto, apenas na experiência do êxtase. Com isso, a extremamente sensorial 
poesia mística devia utilizar-se de alegorias para tornar linguagem o inefável 
encontro de Deus com a alma do fiel. Em O Livro das Comunidades (1977), São 
João da Cruz é referido, pela textualidade llansoliana, como “actor da palavra”, 
emum gesto performativo de partilha da autoria de uma obra que denuncia a 
“impostura” da língua. Em nossa comunicação, pretendemos, portanto, refletir 
sobre a dinâmica, suscitada no diálogo entre os dois escritores, entre o poder 
da língua e a língua atravessada pelo poder.
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Modernismos em língua portuguesa: revisão e 
despedida
Madalena Vaz Pinto (UERJ/FFP)
O fim da obrigatoriedade do ensino de literatura portuguesa na nova Base 
Nacional Curricular Comum causou alvoroço. Um olhar mais atento, porém, 
verifica que não é só o ensino da literatura portuguesa que está em jogo, mas o 
ensino da literatura de forma abrangente. Mas o susto está dado e seus efeitos 
podem ser direcionados para repensar em que bases tal ensino deverá ser 
reivindicado. Será o momento de insistir na diferença de imagem que cada 
país – Portugal e Brasil – têm reciprocamente, ou de atualizar esse diagnóstico? 
O que a história dos modernismos português e brasileiro nos pode ainda dizer 
sobre a anterior construção da relação entre os dois países e a necessidade de 
sua atualização?
A história da América portuguesa, de Rocha Pita: (des)
conexões (pós)coloniais em rotas alteradas
Manoel Barreto Júnior (UNEB)
Aproximadamente três séculos transcorreram desde o ano de 1730, ano de 
publicação da História da América Portuguesa, de Sebastião da Rocha Pita. 
Com efeito, esta comunicação se fundamenta a partir do discurso narrativo 
que, a serviço das perspectivas interativas e comunicacionais dos leitores da 
obra, acaba por precipitar as contingências do imaginário e seus empenhos 
simbólicos. De tal modo, deve-se evidenciar que, quando se pondera sobre 
as práticas interativas junto ao discurso historiográfico na História da América 
Portuguesa, não se pretende limitar a textualidade da obra, que atuam pelos 
trânsitos de leituras. Antes disto, busca-se reafirmar o específico (por Rocha 
Pita) o plural (pelos colonos brasílicos), o particular (pelos portugueses) e 
o disperso, arregimentado, (pelos leitores contemporâneos), a evidenciar 
inúmeras possibilidades de leitura desta obra setecentista. Seja como for, 
cabe frisar que a argumentação desta investigação se retroalimenta através de 
leituras contextuais da obra - como matéria elementar. Sem, contudo, excluir 
a ambivalência narrativa que, filtrada pelo imaginário de Rocha Pita, (re)cria a 
América portuguesa, do século XVIII por infindas dimensões interpretativas, 
tão bem acolhidas, pelo viés da metaficção historiográfica. Assim exposto, é 
necessária a compreensão de que tanto os contemporâneos deste século XXI, 
quanto Sebastião da Rocha Pita não são meramente “autores” e/ou “ledores” 
do fluxo tempo-espacial, uma vez que sempre haverá a dependência de 
gerações precedentes, a fim de favorecer as (des)conexões dos sujeitos 
históricos e suas incríveis narrativas.
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Marcas do insólito no conto “A Morta” de Florbela 
Espanca
Manuella Nogueira da Silva (UFAM)
Este artigo tem como intuito analisar o conto “A Morta”, da autora portuguesa 
Florbela Espanca, por meio da linha teórica do Fantástico, o insólito. O trabalho 
tem por objetivo identificar como se dá o insólito dentro da narrativa, uma vez 
que um dos elementos que causam certa estranheza ao leitor ocorre por meio 
da morte, ou propriamente dita; a morta; Personagem ficcional. Neste conto 
podemos encontrar alguns elementos sobrenaturais, que de certa forma, 
infringem as leis naturais, criando rupturas no que se refere aos limites entre o 
real e o imaginário. Nele é relatada uma história de uma morta que é dotada de 
sentimentos e naturalmente levanta a tampa do caixão em busca do amado, 
dando seguimento há outros acontecimentos que fogem do real, a partir disto, 
será traçada uma análise dentro da narrativa que expressa constantemente 
um timbre de suspense, terror, gótico e de hesitação, decorrentes da morte. 
Sobre a característica da hesitação Todorov discorre em “Introdução à 
Literatura Fantástica”, que o fantástico é um gênero que depende da hesitação 
entre o real e o sobrenatural, inserindo a narrativa no terreno inexplicável, ou 
estranho, devido não existir uma explicação racional para o evento ocorrido na 
história. Nesse sentido, analisaremos as marcas do insólito no conto da autora 
portuguesa.
Saberes cultivados na Baixa Idade Média entre 
Portugal e Castela
Marcella Lopes Guimarães (UFPR)
Essa comunicação parte do inventário da biblioteca do rei de Portugal D. 
Duarte (1391-1438), consignada no Livro dos Conselhos, para compreender a 
constituição do acervo do monarca. Além de comparar essa lista com outros 
acervos principescos de que temos notícia no Ocidente Tardo-Medieval, a 
comunicação ainda envereda pela apreciação das vozes de autoridade que 
perpassam as obras dos letrados ibéricos do contexto: como os Príncipes de 
Avis e os cronistas Pero López de Ayala, Fernão Lopes e o compilador Fernán 
Perez de Guzman.
As pequenas memórias: notas sobre a escrita 
autobiográfica de José Saramago
Marcelo Brito da Silva (UFMT)
Este artigo propõe uma análise crítica do livro As pequenas memórias (2006), 
de José Saramago. Para tanto, adota como operador de leitura a definição 
de “pacto autobiográfico” formulada por Philippe Lejeune (2014), bem como 
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aportes teóricos colhidos do pensamento de Clara Rocha (1977), em especial 
as condições definidoras da escrita autobiográfica, a saber, complexo de 
Narciso, desvio temporal e de identidade, autoconhecimento, extravasamento 
de emoções, doação do eu, desejo de absolvição e universalização da 
personagem. Busca transcender a mera inventariação de dados autobiográficos 
para compreender o processo de significação que tais condições operam na 
construção de uma imagem do autor.
A Eternidade e O Desejo: experiência do espaço e 
representação do Brasil
Marcelo Franz (UTFPR)
O romance A Eternidade e O Desejo, de Inês Pedrosa é marcado pelo discurso 
intimista da protagonista Clara e pela sua imersão na memória pessoal, 
articulada com suas memórias de leitura. Em sua construção, o romance se 
nutre da remissão crítica aos textos literários com que dialoga, permitindo-
se uma espécie de memorialismo leitor ao manipular sentidos e formas 
do que constitui a matéria da tradição literária e reprocessar (ou ressituar) 
entendimentos do que forma a memória de recepção de variadas formas 
textuais. Atentaremos para a complexa incorporação de elementos formais 
de romances de ambiente e de narrativas de viagem e os modos como 
esses formatos são problematizados no livro de Inês Pedrosa, ligando-se a 
ocorrências como a discussão sobre o Brasil, território físico, cultural e afetivo 
“decifrado” por uma visitante estrangeira a partir de sua leitura de textos de 
António Vieira. O olhar e o estilo do pregador jesuíta impregnam o modo de 
ela “ver” e “dizer” as descobertas do lugar por onde se desloca.
A ficção dos Apólogos Dialogais de D. Francisco 
Manuel de Melo: considerações acerca de preceitos 
retóricos e poéticos
Marcelo Lachat (UNIFAP)
Neste trabalho, propõe-se uma discussão sobre a “ficção” dos Apólogos 
Dialogais de D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), tendo em vista 
preceptivas retóricas e poéticas adequadas às letras seiscentistas. Assim, 
pretende-se evidenciar que esses apólogos são ficções que se mostram, 
retórica e poeticamente, verossímeis, para deleite e desengano do mundo.
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Ensaio sobre a melancolia em “O cão de Dürer”, um 
conto de Maria João Cantinho
Marcelo Pacheco Soares (IFRJ)
Propõe-se leitura do conto “O cão de Dürer”, de Maria João Cantinho, publicado 
em 2006 em Caligrafia da Solidão, narrativa em que comparece, em explícito 
diálogo, a gravura Melencolia I, do renascentista alemão Albrecht Dürer, em 
que se alegoriza a melancolia. Há, além da menção do seu autor no título, 
várias evidências que corroboram a presença da gravura no conto, desde a 
personagem feminina semelhante à presença central da obra de Dürer até um 
cãode olhar perdido no infinito, ambas as aparições a sugerir, na imobilidade 
corporal, seu estado de espírito melancólico. Acreditamos haver ainda nesse 
conto possível referência à própria assinatura do artista renascentista, que 
usava um monograma para se identificar. Outra indicação reside no fato 
de a sua autora dedicar-se, paralelamente à produção literária, a trajetória 
acadêmica nos estudos filosóficos, tendo na obra de Walter Benjamin o seu 
principal corpus. Sendo a gravura düreriana em questão cara a Benjamin em 
Origem do Drama Barroco Alemão, parece-nos pertinente investigar aqui seu 
resultado, pois quiçá a motivação da escritura do conto seja decifrar as leituras 
para a gravura. Por isso, mais do que se encaminhar para o interior da imagem, 
o que o protagonista empreende é uma viagem para dentro de si mesmo, 
a fim de investigar os sentidos da obra em sua própria memória (daí que 
encontremos a imagem transformada em relação à sua matriz, decodificada 
pelas compreensões, ainda que imprecisas, que o herói do conto lhe lega). 
Nessa memória é que o personagem busca sua leitura da gravura düreriana, a 
partir da qual nós então produzimos nossa leitura de “O cão de Dürer”, conto 
que agencia assim uma re-significação de Melencolia I, atualizando, aliás, as 
próprias discussões de uma factível representação hodierna do conceito de 
melancolia.
“Abro o caderno e escrevo que estou a escrever 
no caderno”: algumas considerações sobre Lugares 
comuns (2000), de João Luís Barreto Guimarães
Marcelo Sandmann (UFPR)
Lugares comuns, publicado em 2000, é o quarto livro do poeta João Luís 
Barreto Guimarães. Se se pode falar ainda em poesia (e o autor chama, de 
fato, “poema” ao tipo de texto que realiza), é uma “poesia” como aquela que 
encontramos em Pequenos Poemas em Prosa (O “Spleen” de Paris), de Charles 
Baudelaire, ou ainda no Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, de onde, 
aliás, se extrai a epígrafe. No livro, o autor, frequentador regular de um café na 
cidade do Porto, observador agudo do que se passa ao redor, vai registrando o 
que observa e realizando reflexões sobre o observado e o processo de escrita. 
A presente comunicação propõe-se a realizar uma discussão sobre esses 
aspectos, bem como a construção do livro e o lugar que ele ocupa na obra do 
poeta.
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A Literatura Portuguesa na pós-graduação no 
Maranhão: a que passos anda?
Márcia Manir Miguel Feitosa (UFMA)
O objetivo dessa comunicação é suscitar, no âmbito da temática geral do 
evento, uma reflexão crítica em torno do ensino e da pesquisa em literatura 
portuguesa na pós-graduação no Maranhão, em particular em sua capital, 
São Luís. Tendo em vista o recente congresso internacional da ABRAPLIP 
realizado em 2011 e a afamada memória histórica de São Luís como a 
capital portuguesa por excelência, ainda que “fundada” por franceses, a 
que passos anda a Literatura Portuguesa no Mestrado em Letras, criado em 
2014, e no Mestrado Interdisciplinar em Cultura e Sociedade (PGCult), criado 
em 2010, ambos lotados no Centro de Ciências Humanas na Universidade 
Federal do Maranhão? Qual o valor que se tem dado à pesquisa disciplinar e 
interdisciplinar que envolva a Literatura Portuguesa? De que modo o interesse 
dos mestrandos pela Literatura Portuguesa tem sido despertado? Que autores 
contemporâneos e suas obras estão sendo divulgados nesse contexto? Esses 
e outros questionamentos constituirão o cerne dessa proposta de discussão.
Literatura e História em O ano e a morte de Ricardo 
Reis de José Saramago
Márcia Neide dos Santos Costa (UEFS)
Neste estudo, que tem como objeto a obra O ano e a morte de Ricardo Reis, do 
escritor português José Saramago, pretendemos analisar o romance, focando 
os aspectos históricos e ficcionais presentes na narrativa. Destacaremos o 
personagem Reis, dialogando com o fantasma de Fernando Pessoa. A história 
é instigante porque relata o último ano de vida de Ricardo Reis, que retorna 
a Portugal e toma conhecimento de como se encontra seu país. O trabalho 
também busca discutir a intertextualidade, ironia Metaficção historiográfica, 
paródia, sátira e post-modernismo na obra de Saramago. Portanto, para 
a realização desse estudo, utilizaremos, como suporte teórico, as ideias de: 
Linda Hutcheon (1991), Ana Paula Arnaut (2008), Silviano Santiago (2002), 
Gyorgy Lukács (2000), entre outros.
A Lisboa salazarista no fim da década de 1930 na 
visão de José Saramago e de Antonio Tabucchi
Márcio Aurélio Recchia (USP)
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi um dos conflitos que impactou 
o mundo e ainda reverbera na sociedade contemporânea. Abordada como 
tema principal ou como pano de fundo nas mais diversas expressões culturais, 
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quer na literatura, no cinema ou na pintura, por exemplo, este conflito foi e 
tem sido bastante evocado.
Porém, é importante salientar que no período precedente à eclosão da 
segunda grande guerra, isto é, após o término da Primeira Guerra Mundial em 
1918, e principalmente nos anos 20 e 30 do século XX, a Europa se converteu 
em terreno fértil que geraria o próximo conflito, uma vez que governantes de 
extrema direita ascendiam ao poder, com destaque para Hitler na Alemanha, 
Mussolini na Itália, Franco na Espanha e Salazar em Portugal.
Levando-se em conta o contexto lusitano, destacamos os romances O ano 
da morte de Ricardo Reis (1984) de José Saramago e Afirma Pereira (1994) de 
Antonio Tabucchi, uma vez que ambos os enredos estão ambientados no 
Portugal salazarista dos anos de 1936 e de 1938 respectivamente, enquanto 
no país vizinho se dá a Guerra Civil Espanhola.
Assim, esta comunicação tem por objetivo comparar e abordar a trajetória dos 
protagonistas das narrativas, Ricardo Reis e Pereira, dentro do Estado Novo 
português, nos anos que antecederam o início da Segunda Guerra Mundial.
Flagrante social e experiência estética na narrativa 
memorialística luso-brasileira
Marcio Jean Fialho de Sousa (FATEC)
As memórias e os textos autobiográficos buscam retratar a reestruturação 
de acontecimentos relacionados à vida do memorialista, demonstrando 
aspectos inerentes ao contexto em que as ações foram vividas e contadas, 
por isso há um “flagrante social”; além de ter como objetivo prestar um 
serviço aos leitores vindouros. Segundo Béatrice Didier (1976, p. 47), os textos 
pertencentes ao gênero autobiográfico teriam surgido junto ao advento da 
sociedade capitalista, como uma forma de preservar o capital de recordações 
e vivências dentro do espaço histórico e geográfico. Isso posto, o objetivo 
dessa comunicação é demonstrar como o pacto autobiográfico com o leitor 
é estabelecido a partir do flagrante social retratado na obra Diário do Hospício, 
de Lima Barreto e de Os guarda-chuvas cintilantes, de Teolinda Gersão.
África, Brasil e Portugal: trânsito por fronteiras 
semoventes
Márcio Matiassi Cantarin (UTFPR)
No âmbito dos estudos sobre a Literatura Portuguesa, a obra da lisboeta Maria 
Archer (1899 - 1982) bem poderia figurar com maior destaque em face da 
quantidade e diversidade de sua produção, lavorada num constante trânsito 
entre Portugal, as então colônias portuguesas em África e por fim o Brasil. Não 
é o que ocorre; uma série de fatores lançou a autora no ostracismo. A presente 
comunicação pretende dar visibilidade a um aspecto de sua obra, aquele que 
pode ser classificado como escritos de cunho sociológico/antropológico, em 
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muito dos quais a autora intenta evidenciar as proximidades entre Brasil e 
África, evocando o Brasil como exemplo a ser seguido pelas nações africanas 
em luta contra o imperialismo da era salazarista. Serão analisadas as obras 
Brasil, fronteira da África (1963) e Herança Lusíada (s.d.).
Três proposições a respeito do ensino de literatura 
portuguesa
Marcos Lopes (UNICAMP)
Dado o momento histórico brasileiro e o contexto institucional e político que 
envolve o ensino de humanidades, em particular, a literatura portuguesa, 
caberia ainda seinterrogar sobre a prática efetiva desse ensino e do seu 
horizonte de expectativas diante das novas gerações de estudantes que 
chegam às universidades. A pluralidade de um repertório formativo, a atenção 
vigorosa à cultura literária portuguesa, com base em um aparato conceitual e 
crítico irredutível a uma disciplina específica, e a orientação ética e existencial 
constituiriam as três vigas mestras da reflexão que pretendo apresentar.
Interfaces entre ceticismo e ficção em contos de 
António Vieira
Marcos Rogério Heck Dorneles (UFMS)
Pesquisa sobre uma interconexão entre tópicos e proposições do pensamento 
e da filosofia cética e elementos constitutivos de contos de António Vieira 
(2001; 2002). Para tal, inicialmente, foram ressaltadas algumas configurações 
narrativas predominantes da criação contística de Vieira, evidenciadas na 
disposição das categorias de tempo, espaço e personagens (GENETTE, 
1979; NUNES, 2013; LINS, 1976; CANDIDO, 1972). Posteriormente, foram 
dimensionados pontos basilares do ceticismo como a diaphonía, epoché e 
adiaphoria (MONDOLFO, 1965; KRAUSE, 2004; NUNES, 2012) em conjunção 
recorrente com a constituição composicional dos contos. Decorrentes dessa 
interface foram examinados os processos de expansão das virtualidades 
ficcionais da narrativa de Vieira por meio do cotejamento entre o caráter 
dubitativo e corrosivo da escrita e a manutenção de algumas noções da 
filosofia cética nos contos. Provenientes dessa pesquisa dispõe-se um exame 
do desenvolvimento de alguns aspectos formais na composição literária, e 
se destaca uma ponderação acerca da viabilidade e organicidade de certas 
formas de interação entre literatura e filosofia.
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Narcisos sem espelhos – Dilemas da narrativa 
contemporânea em dois contos de Lídia Jorge
Marcos Vinícius Ferreira de Oliveira (UFJF)
O texto que por ora propomos tem como objetivo discutir algumas 
das questões relacionadas aos dilemas da narratividade no contexto da 
contemporaneidade. Em um mundo no qual todos parecem reivindicar 
protagonismos e todas as vidas parecem fascinantes, a grandeza épica dos 
fatos foi definitivamente substituída pela banalidade espetacular de um “eu” 
que dá mostras de ser cada vez mais potente, quase hegemônico, mas que, 
ao mesmo tempo, resulta ensimesmado, preso a um vazio de referenciais 
para aferir e afirmar seus códigos de conduta perante o “outro”. Para tanto, 
escolhemos dois contos da ficcionista portuguesa Lídia Jorge, “Marido” e “Praça 
de Londres”, cujos narradores e personagens nos fornecerão possíveis ângulos 
de observação dos dilemas contemporâneos da representação ficcional.
O milenarismo no pensamento profético vieiriano: a 
figura do “papa angélico” e a do “imperador dos 
últimos dias”
Marcus De Martini (UFSM)
Ligado aos projetos de pesquisa “Representações literárias dos séculos XVI-
XVIII” e “Literatura e Retórica”, desenvolvidos na Universidade Federal de 
Santa Maria (UFSM), o presente trabalho aborda o surgimento das figuras do 
“papa angélico” e do “imperador dos últimos dias” na tradição escatológica 
ocidental e sua migração até o século XVII, dando especial atenção ao contexto 
português e à obra profética de Padre Antônio Vieira (1608-1697). Estuda-se 
então o lugar de tais conceitos na noção vieiriana de “Quinto Império”, ou 
“Reino de Cristo na Terra”, segundo a qual, no surgimento dessa nova era do 
mundo, o “papa angélico” teria um papel a desempenhar como instrumento 
reformador e o “imperador dos últimos dias” seria sua contraparte secular, 
auxiliando na derrota dos infiéis e no estabelecimento de uma única Igreja, sob 
a égide do primeiro. No entanto, sublinha-se o uso discreto da figura do “papa 
angélico” por Vieira, em comparação com a tradição de onde foi tirado, o que 
pode se dever ao fato de o jesuíta considerar o poder secular mais efetivo, e 
daí dar mais atenção à figura do “imperador dos últimos dias”, concepção essa 
mais alinhada também a certas nuances do “Sebastianismo” característico do 
Portugal desse tempo.
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O “paraíso” de Eva: figurações de Eros em A costa dos 
murmúrios
Maria Aparecida da Costa (UERN)
Alyne Isabele Duarte da Silva (UERN)
Este estudo analisa a complexidade do amor Eros no romance A costa 
dos murmúrios (2004), de Lídia Jorge. Sobretudo, propomos observar os 
desdobramentos de histórias de amor em um contexto de guerra, a partir da 
personagem Eva/Evita. As relações amorosas na literatura, de um modo geral, 
sempre vieram intrincadas com as questões históricas e sociais, no entanto, 
em se falando de literatura portuguesa contemporânea, produto de um país 
envolvido por bases religiosas fortes, ditadura severa, e intimamente ligado 
a conflitos coloniais, a problemática amorosa fica mais evidente. Sendo 
assim, além da análise estética do texto literário, nos deteremos também nas 
questões sociais que circundam essas personas por entender que as relações 
das personagens estão inseridas em arcabouços cultural e social específicos. 
Objetivamos, portanto, explorar a particularidade das personagens e suas 
relações com Eros no romance A costa dos murmúrios.
Os pobres: uma narrativa lírica de Raul Brandão
Maria Betânia da Rocha de Oliveira (UNEAL)
Este trabalho propõe uma leitura do romance Os Pobres (1906), de Raul 
Brandão, à luz da teoria da narrativa lírica. Por se tratar de uma modalidade 
de narrativa ainda pouco explorada, este texto apresenta, inicialmente, a 
evolução do romance do surgimento até a atualidade. Destaca que a narrativa 
romanesca sofreu alterações no tempo, mas conservou as marcas de sua 
origem, cujas temáticas já envolviam os conflitos individuais e a vida cotidiana. 
Enfatiza, também, que as formas de narrar iniciadas no século XX sinalizam 
a problemática de uma existência fragmentada de um ser que se angustiava 
numa eterna busca de si mesmo, tal como o autor de Os pobres apresenta 
em sua narrativa. Nessa perspectiva, este trabalho apresenta o romance de 
Raul Brandão como um romance lírico, pois as angústias e as problemáticas 
do homem relacionadas à busca da afirmação de uma identidade individual e 
coletiva são tão complexas e indizíveis que só seriam possíveis numa escrita 
lírica, porque só a poesia pode expressar, por meio de seus recursos, as dores 
mais profundas desse homem. Todo o trabalho seguiu as concepções teóricas 
de: Freedman (1972), Goulart (1990), Gullón (1984), Tofalini (2013), Lukács 
(2000), Schüler (1989), Bhabha (2007), Hall (2003) e Candido (1986).
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Ferdinand Denis, promotor da literatura brasileira na 
França do século XIX
Maria Cristina Pais Simon (Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3)
Ferdinand Denis (1798-1890), grande viajante, historiador e, mais tarde, 
conservador e administrador da prestigiosa Bibliothèque Sainte Geneviève de 
Paris, permaneceu no Brasil (essencialmente no Rio de Janeiro e em Salvador) 
entre os anos de 1816 e 1819.
De regresso a França, dedica-se ao estudo das culturas brasileira e portuguesa, 
pouco ou mal conhecidas pelo público letrado deste país, publicando 
numerosas obras e artigos em revistas e jornais, entre os quais La Revue des 
Deux Mondes e Corographia Brasilica. 
Com base em Scènes de la nature sous les tropiques et de leur influence sur 
la poésie (1824), Résumé de l’histoire du Brésil (1826), Brésil (1837), Poésies en 
langue tupique de Christovam Valente (1850), pretendemos nesta comunicação 
analisar o entendimento que Ferdinand Denis tem das letras brasileiras e 
relevar as linhas mestras sobre as quais, como historiador da literatura do 
século XIX, assenta o seu estudo.
Da literatura e cultura portuguesas em terras baianas: 
para não dizer que não falamos “de cravos e de pés 
descalços”, nos tempos críticos de hoje e de ontem...
Maria de Fátima Maia Ribeiro (UFBA)
Em face da proposta temática do Congresso de “mapeamento do ensino e da 
pesquisa da literatura portuguesa no Brasil”, apontada em mais um momento 
crítico quanto à sua permanênciaacadêmica, o texto examina os caminhos 
traçados e trilhados pelo campo de estudos na Universidade (Federal) da 
Bahia, desde a sua implementação na antiga Faculdade de Filosofia, antes 
de 1940 – época chave para a criação de universidades e cursos superiores 
no País. Aos anos 40, vem aliar-se 1950, considerada década icônica de uma 
“relação especial” entre Brasil e Portugal, a contrastar com a anterioridade e 
com os dias de hoje, respeitadas as turbulências. Ressaltando-se, à época, o 
protagonismo das universidades Nacional do Rio de Janeiro e de São Paulo, 
de que viria aproximar-se a Universidade da Bahia, nos reitorados de Edgard 
Santos, em interlocução sobremodo mediada pelo professor Hélio Simões, 
não obstante as resistências de diversas procedências quanto às relações luso-
brasileiras, cogita-se serem as duas décadas o tempo de construção de redes 
concertadas para os estudos portugueses em território brasileiro, respaldados 
no ensino da literatura, em estratégicas relações com a história, como marcas 
desdobradas de modernização e internacionalização, de intercâmbios, 
comunitarismos e alianças, colmatando-se interesse(s) e conhecimento. O 
feito cultural, afinal, não esteve dissociado das forças políticas que regiam os 
dois países, em especial envolvendo demandas oficiais de relações culturais em 
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termos de aproximações e de legitimação do colonialismo lusitano. Por entre 
a revisão histórica, pretende-se empreender a leitura crítica das diferenças 
de tratamento destinado a literatura e, por extensão, cultura portuguesas, no 
Brasil, com o foco nas diferenças e nos contenciosos ocorridos ao longo do 
tempo. Coloca-se no centro da discussão a correlação entre os mecanismos de 
força advindos de personalidades e instituições, assim como entre academia 
e Estado, a força dos lugares de cultura em sua diversidade ampliada pela 
interculturalidade de patrimônios em tela, e as escolhas didático-pedagógicas 
e intelectuais de professores e investigadores a interferirem na recepção, 
visibilidade, ou porventura, centralidade conferidas ao campo de estudos. A 
reflexão investe nas possibilidades que se abrem atualmente ao ensino da 
literatura portuguesa no Brasil de hoje, em especial, na Bahia e em Salvador, em 
escolas do ensino médio e nas instituições de ensino superior, percebidas em 
suas relações com os dispositivos de poder e com os mundos históricos, sociais 
e culturais à sua volta, de díspares e desencontrados interesses, imaginários e 
discursos. Como trabalhar a literatura portuguesa no Brasil, ter por receptores 
brasileiros, ou não propriamente portugueses, apesar de certas controvérsias, 
torna-se uma questão nuclear, sobretudo quando ainda se pode enveredar 
pela discussão singular de tratar-se de uma literatura estrangeira em diversos 
sentidos, ao tempo em que traz em si elementos pretensamente familiares, 
que sofrem a ação de discursos dissonantes no âmbito das relações culturais 
e da textualidade crítica que, não raro, afastam, se não indispõem, docentes, 
discentes e pesquisadores que passam a conhecer manifestações diversas 
de animosidade, ressentimentos mútuos e imagens negativas acerca de “pés 
descalços” a assistir concertos no salão nobre de uma Reitoria ou de um povo 
de pouco memória a cometer convencionais “parricídios”. Acresce à discussão 
frisar que, na semana em que se comemorava o 25 de Abril, neste ano de 
2017, em Salvador, não a Reitoria da Universidade da Bahia, mas o Teatro 
Castro Alves, em suas imediações e seu coetâneo, abriu as portas em concerto 
do Neojibá, no qual os “pés descalços” já não se encontravam na plateia, mas 
no palco, a tocar, dançar e interpretar, mesclando Nietzsche, francofolies a 
baianidades, contemporaneidades e cosmopolitismos distendidos. De fato, a 
diferença pode desafiar as mentes mais brilhantes, sendo difícil reconhecer 
e respeitar o outro. Este é um desafio que se apresenta ao pesquisador, ao 
professor ou ao aficionado da literatura e cultura portuguesas, em exercício 
para além das fronteiras nacionais de referência.
O “Canto da Sibila” do Ordo Prophetarum e o Auto 
da Sibila Cassandra de Gil Vicente
Maria Amparo Tavares Maleval (UERJ/CNPq)
O Ordo Prophetarum (Desfile de Profetas) era na Idade Média europeia 
representado nas matinas da festa do Natal com o objetivo de não só 
embelezar e tornar agradável a liturgia, mas ensinar de forma concreta 
e explícita os mistérios da Encarnação. Há poucos anos, em Santiago de 
Compostela, foi feita uma reconstituição do mesmo, ressaltando-se a sua 
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relação com a iconografia do magnífico Pórtico da Glória da basílica jacobeia. 
Para a atualização da profecia sobre o Juízo Final da Sibila Eritréia, finalizadora 
dessa representação, foi utilizada cantiga mariana de Afonso X, escrita em 
galego-português no século XIII, cujo título-ementa é “de como Santa Maria 
rogue por nos a seu Fillo eno dia do juyzio”,.
Pretendemos observar as ressonâncias desse Ordo, e da peça sibilina que o 
encerra, em um auto natalino de Gil Vicente, o qual, no Portugal quinhentista, 
atualizou tradições do medievo de forma inovadora. Trata-se do Auto da Sibila 
Cassandra, representado à Rainha D. Leonor no Mosteiro de Enxobregas, 
nas matinas do Natal de, provavelmente, 1513. É uma preciosa amostra do 
desenvolvimento do tema das profecias em torno do nascimento do Messias 
feita de forma bastante peculiar, servindo-se o autor do riso, causado pela 
grotesca situação que se apresenta, para criticar vícios como a presunção 
ou soberba. O estudo comparado dessas peças possibilita-nos avaliar o 
modo como o docere cum delectare nelas se realiza, tornando-as verdadeiros 
sermões em cena direcionados ao ensino da doutrina cristã e /ou à conversão 
do auditório para uma vida virtuosa.
A Literatura estrangeira na Biblioteca particular de 
João Baptista de Almeida Garrett
Maria do Rosário Alves Moreira da Conceição (UERJ/FAPERJ)
A proposta do trabalho é apresentar e analisar a biblioteca particular de João 
Baptista de Almeida Garrett, destacando a importância do acervo de literatura 
estrangeira contidos na mesma. Localizada no seu inventário post mortem 
com uma livraria constituída por 370 títulos, mesmo pequena era excelente 
e possuía algumas obras raras e as melhores edições de autores gregos, 
latinos, franceses, ingleses, entre outros. Esse achado nos faz refletir sobre 
a importância de tal acervo na formação intelectual desse homem de letras 
Oitocentista. 
A história dos livros e das bibliotecas tem gerado muito interesse e fazem 
parte de uma renovação da historiografia que privilegia a história cultural. Isto 
nos leva ao seguinte questionamento: O que liam esses homens? A partir daí a 
busca de novas abordagens tem-se ampliado significativamente.
Assim, as bibliotecas privadas permitem uma ampla gama de reflexões sobre 
os sujeitos e as práticas históricas. Permitindo propor traçar um perfil cultural 
de Garrett, uma vez que no percurso de sua vida agitada, soube produzir uma 
extraordinária e intensa atividade como escritor e homem público. Consciente 
de seu valor soube montar uma bela e interessante biblioteca.
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Ensino das letras portuguesas em sala de aula: 
conceito de agudezas
Maria do Socorro Fernandes de Carvalho (UNIFESP)
Eu gostaria de conversar com os colegas professores de literatura portuguesa 
sobre a questão do ensino das letras anteriores à modernidade literária, ou 
seja, as letras conforme eram pensadas e escritas até o século XVIII: a poesia 
compreendida como prática de imitação de modelos poéticos coetâneos e 
antigos aos poetas dos séculos XVI e XVII. Gostaria de relevar a importância do 
conceito de agudeza poética, definida por autores seiscentistas como Baltasar 
Gracián, para quem: o concepto é “um ato de conhecimento que expressa a 
correspondência entre objetos”, o que respalda ao mesmo tempo a concepção 
tanto lógica quanto elocutiva da forma poética de expressão. Outro autor,Torquato Tasso, atualizando o pensamento de Aristóteles, compreende que os 
conceitos são imagens das coisas pensadas, e que as palavras dependem dos 
conceitos, sendo a poesia imitação do verossímil que resulta dessa expressão.
O ensino de literatura portuguesa: leituras e escritas
Maria do Socorro Gomes Torres (UNIR-Vilhena)
Esta comunicação visa discutir o Ensino de Literatura Portuguesa na 
Graduação em Letras e segue três focos: o currículo, a extensão e o Estágio 
Supervisionado. Discutiremos a formação e o desenvolvimento profissional 
dos acadêmicos universitários, com destaque para o Curso de Letras, busca-
se, ainda, discutir algumas matrizes curriculares da disciplina de Literatura 
Portuguesa, tendo em vista os diversos aspectos da aprendizagem, além 
disso, discutir autores e obras em algumas matrizes curriculares. Discutiremos 
a prática pedagógica no ensino superior; a ideia é discutir métodos e 
procedimentos didáticos pedagógicos no processo formativo e da relação 
do discente/docente. Compreendemos que o desenvolvimento profissional 
do discente passa por atos que podem ser propostos pelo docente, pois os 
mesmos estão diretamente ligados “[...], à luta pela instauração de políticas 
universitárias que valorizem seus profissionais e o relevante trabalho político-
formativo pelo qual são responsáveis (CAVALCANTE, et al., 2011). Nesse 
sentido, pretendemos discutir três questões básicas: (i) como a disciplina de 
Literatura Portuguesa pode, através de seus currículos formativos, associar-se 
ao processo formativo como um todo, visando ao final ampliar a sua relação 
com as demais disciplinas; (ii) a urgente necessidade de que na disciplina 
de Literatura Portuguesa possam ser inclusos estudos comparativos com as 
demais disciplinas do currículo que, ampliem a visão do discente; (iii) Como 
construir um ensino de Literatura Portuguesa tendo por base a integração e 
a interdisciplinaridade curricular, além disso, o Estágio Supervisionado e sua 
relação com a disciplina de Literatura Portuguesa.
ABRAPLIP 2017
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Camilo Castelo Branco: as ‘leis da alma’ e os 
‘imperativos do estômago’ como elementos de 
figuração das personagens
Maria Eduarda Borges dos Santos (Univesidade de Coimbra/Instituto 
Politécnico de Castelo Branco)
Numa primeira leitura, talvez Camilo Castelo Branco não seja o exemplo 
inequívoco de um escritor onde a gastronomia e o prazer da mesa constituam 
a temática central dos enredos narrativos, dos textos teatrais ou dos poemas 
de sua lavra. No entanto, como autor cuja vida decorreu entre 1825 e 1890, 
período de que pretendeu esboçar os traços mais marcantes dos costumes 
portugueses, não há dúvida de que a informação acerca das iguarias com as 
quais as suas personagens se deleitam constitui um interessante contributo do 
que se pode designar por consciência patrimonial na gastronomia lusa.
Descendente dos Brocas de Vila Real (epíteto que bem ou mal deriva de ‘broa’, 
pão típico da região de Entre Douro e Minho) Camilo atribuiu a duas das suas 
obras títulos que remetem para a degustação e para digestão: Coração, cabeça 
e estômago (1862) e O vinho do Porto (1885). Faz igualmente alusão a alguns 
clássicos da gastronomia internacional, como os franceses Brillat-Savarin 
e Bouchet, autores da Fisiologia do Gosto (VIII. CCE: 83) e de Gastronomia, 
respetivamente, o que denota atenção ao que sobre o assunto se publicava na 
Europa do seu tempo. Procuraremos abordar o tema proposto baseando-nos 
nas novelas referidas, mas também em Amor de perdição, Coração, cabeça 
e estômago, A queda dum anjo, Doze casamentos felizes e Eusébio Macário.
Escrita feminina no século XIX: o romantismo de Ana 
Plácido
Maria Elvira Brito Campos (UFPI)
O presente ensaio busca depreender/analisar, de forma breve, marcas de 
autoria da escrita romântica da escritora portuguesa Ana Plácido, segunda 
mulher do consagrado autor Camilo Castelo Branco. Esse estudo foi idealizado 
após visita à casa-museu Camilo Castelo Branco, em Portugal, quando tive 
acesso aos dois dois volumes da obra daquela que fora companheira amorosa, 
que se arriscou a viver um romance adúltero em que ambos foram presos, e 
que foi escritora de novelas e romances. Na carceragem, ela escreveu suas 
confissões, ficções, novelas, romance. Ainda na introdução do duo Herança 
de Lágrimas (1871) e Lágrimas forjadas a Ferro (1963), há, na introdução, a 
indagação de que essas obras poderiam não ter sido da autoria dessa mulher, 
dado o brilho que sustentava o marido. Nesse enfrentamento de estilos, tento 
aqui mostrar sobre o quê escreveu Ana Augusta Plácido, numa investigação 
que busca não somente valorar suas obras, mas vislumbrar o Portugal 
finissecular (séc. XIX para XX), a partir do desta mulher destemida, cuja história 
tanto motivou os romances do marido e, por que não, perfazer essa estrada 
ABRAPLIP 2017
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de dois vieses que podem (ou não) se complementar. Nesse trabalho, cuidarei 
de analisar a introdução e buscar, no romance Herança de Lágrimas”, publicado 
em 1871, a paisagem e linguagem românticas. A metodologia será de cunho 
bibliográfico, com base nas obras de temática feminista, como O sexo dos 
Textos, da Maria Alzira Seixo, assim como obras de estudos recentes.
Palinódias do ortônimo
Maria Helena Nery Garcez (USP)
A retórica ensina que a palinódia é a retratação num poema daquilo que se disse 
noutro. Um leitor atento da poesia ortônima de Fernando Pessoa, em ordem 
cronológica das datas que ele lhes atribuiu, nas edições críticas e ou completas 
que saíram nas primeiras décadas do século XXI, poderá descobrir poemas 
que constituem verdadeiras palinódias daquilo que se afirmara noutros, 
incluindo-se nelas retratações até de alguns preceitos fundamentais de sua 
poética. Neste texto, analisaremos alguns poemas nos quais procuraremos 
mostrar essas ocorrências.
A Literatura Portuguesa na Imprensa Oitocentista do 
Grão-Pará
Maria Lucilena Gonzaga Costa Tavares (UFPA)
Durante o século XIX, o Grão-Pará foi uma das províncias do Brasil que mais 
recebeu imigrantes portugueses. Ainda hoje, encontramos nesta região marcas 
de um passado glorioso, resultado de investimentos feitos por comerciantes 
portugueses que investiram parte de seu capital para tentar ambientar-se ao 
clima tropical e à cultura distintos de Portugal. Mas não foi exclusivamente 
por meio do comércio que os lusitanos enriqueceram, eles estiveram entre os 
primeiros a inaugurar a imprensa no Pará, tornando-se proprietários de muitos 
jornais, nos quais publicavam informações relacionadas ao seu país, tais 
como: política, economia, imigração, cultura e literatura. A literatura advinda 
de Portugal por meio de livros, revistas e publicada nos jornais contribuiu 
significativamente para a propagação da leitura e cultura na província paraense. 
Nessa perspectiva, essa comunicação visa demonstrar como a imprensa tem 
sido fonte documental, na qual localizamos rastros de colonizadores que 
ajudaram a construir a história e cultura da região.
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A ficção Portuguesa Oitocentista nos Jornais de 
Cametá/PA - Brasil
Maria Luiza Rodrigues Faleiros Lima (UFPA)
Nesse trabalho pretendemos abordar a ficção portuguesa publicada nos 
jornais durante o século XIX em Cametá/PA, haja vista que a referida cidade 
era considerada um centro difusor de cultura perante a província do Grão-Pará. 
Assim sendo, nosso trabalho discorre sobre a ficção veiculada por meio dos 
periódicos cametaenses no século XIX, enquanto forma de expansão cultural 
e atuação portuguesa nessa região. Ressaltamos que a presença da prosa de 
ficção portuguesa foi um fator de grande importância nos jornais brasileiros 
e, indubitavelmente, contribuiu para a expansão de leitura, além de instigar 
escritores brasileiros a publicarem suas prosas. O fato de não haver muitos 
trabalhos que que versem a respeito dessa temática, sobre as publicações dos 
portugueses nos jornais de Cametá, carece de um estudo mais aprofundado, 
pois poderá trazer à tonaos textos que recontam a história sociocultural do 
município e dos escritores portugueses que ficaram esquecidos nas páginas 
desses jornais.
O Diálogo na Literatura Portuguesa do séc. XIX: 
identificação e caracterização do corpus
Maria Teresa Nascimento (Universidade da Madeira)
Quase quatrocentos anos depois de ser conhecido o primeiro diálogo 
português, da autoria de João de Barros, e sem que, em tão longo período 
tenha esmorecido a fortuna do género, entramos no séc. XIX, com destacado 
fulgor. 
Não estando ainda constituído o inventário sistemático dos diálogos deste 
século, esta comunicação pretende constituir-se como um contributo - ainda 
provisório - para o estabelecimento dum corpus que identifique autores, 
impressores e possíveis constelações temáticas.
A conjuntura histórico-político, marcada, primeiro pelas Invasões Napoleónicas, 
com a subsequente partida de D. João VI para o Brasil, depois, pelas lutas 
fratricidas entre Liberais e Absolutistas ofereceu matéria privilegiada para um 
género que enveredou, então, pela vertente polémica e satírica.
Heróis lendários e figuras históricas do imaginário 
português na obra de Ariano Suassuna
Mariângela Monsores Furtado Capuano (UERJ)
O trabalho consiste, fundamentalmente, em examinar o diálogo estabelecido 
entre a obra de Suassuna (O Romance d’A Pedra do Reino) e textos 
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representativos da tradição literária portuguesa, mais propriamente com 
os que remontam ao medievo. Para isso, far-se-á um recorte nas relações 
que o romance trava com a matéria cavaleiresca, principalmente com a 
Demanda do Santo Graal, na sua estrutura e no desenho psicológico e moral 
dos personagens, notadamente no personagem Sinésio, que encarna o mito 
do herói prometido, cujos paradigmas se assentam nas figuras lendárias do 
Rei Artur e de Galaaz, e na histórica de D. Sebastião, o rei desaparecido de 
Portugal. Sabe-se que esses reis e heróis míticos, considerados salvadores, 
uma vez que retornariam para restituir ao povo a dignidade e a liberdade 
perdidas, povoaram o imaginário ibérico e chegaram ao Brasil trazidos pelos 
colonizadores europeus. Dessa forma, a cultura popular do Nordeste brasileiro 
é povoada de histórias e lendas eternizadas e recriadas no folclore da região e 
na literatura de Cordel. O trabalho tem por objetivo analisar a permanência da 
matéria literária portuguesa em nossa formação cultural.
Voz e polifonia: transcendendo a cegueira em “Ensaio 
sobre a cegueira” de José Saramago
Marilani Soares Vanalli (UNESP)
Pretende-se analisar de forma reflexiva, a polifonia de vozes na instância 
textual “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago. Embora o terreno ficcional 
seja composto por vários elementos da narrativa, este estudo privilegiará as 
atuações das vozes que se erguem em capítulos no romance, procurando 
conhecer a estrutura padrão por ela praticada para compreender o rompimento 
dessas fronteiras; as estratégias implantadas; as tensões que instala; o trânsito 
de uma voz para outra e as consequencialidades de tais perfomances. Por 
conseguinte, um olhar mais aprofundado para esse elemento da ficção. Para 
executar tal análise, apoiar-se-á na teoria de Bakhtin. Não se tem a pretensão 
de esgotar possibilidades de leituras, mas sim, apresentar algumas delas.
Autor e personagem: o papel de Aquilino Ribeiro na 
construção de seus seres ficcionais
Marília Angélica Braga do Nascimento (UFC)
Considerando a relevância da produção literária de Aquilino Ribeiro (1885-
1963), escritor português que publicou dezenas de títulos, sobretudo na 
primeira metade do século XX, cultivando diversos gêneros, este breve 
estudo propõe-se a refletir sobre o papel do autor-criador na construção 
da personagem enquanto objeto estético que, não obstante sua natureza 
essencialmente verbal, permite entrever determinada visão de mundo que 
permeia o texto literário. Para tanto, nossas reflexões tocam nas questões de 
autoria e de influência, mas levam em consideração sobretudo a concepção 
de literatura defendida por Aquilino Ribeiro, bem como a sensibilidade do 
escritor e sua capacidade de enxergar o mundo e captar nele determinados 
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aspectos transfigurados nos seres ficcionais que habitam o universo de sua 
criação literária.
Concretismo e experimentalismo: poéticas da edição 
em Brasil e Portugal
Marina Ribeiro Mattar (Cefet-MG)
O trabalho a ser apresentado é fruto de pesquisas em poesia de invenção do 
Brasil e de Portugal. A vertente brasileira, representada pelo grupo concreto 
paulista, encabeçado por Décio Pignatari e Augusto e Haroldo de Campos, 
propôs nos anos 60 uma ‘revolução crítica das formas’ que revia os processos 
do escrever, do criar, do traduzir e da arte de fazer livros. Em Portugal, os 
movimentos de poesia experimental seguiam a mesma tendência, com 
publicações que propunham uma poesia de invenção, veiculada pelos 
Cadernos da Poesia Experimental, Operação 1 e 2, entre outros. Aqui, pretende-
se uma análise comparativa entre o livro-poema Poemóbiles (1974) de 
Augusto de Campos e Julio Plaza e o livro O dedo (1981) de Fernando Aguilar. 
Busca-se analisar os aspectos históricos e estruturais presentes nas edições 
e como isso dialoga com as questões teóricas e estéticas de ambos poetas e 
suas respectivas vanguardas.
Ruptura da tradição em D. João e a Máscara
Marina Trevisoli Gervino (UNICAMP)
O teatro de António Patrício (1878-1930) teve uma modesta recepção no 
século XX. Pouco encenado nos palcos portugueses e pouco estudado pela 
crítica ou historiografia literárias, o texto teatral de Patrício ainda está por 
merecer a devida atenção do público leitor. 
Desde a sua primeira aparição, em cerca de 1620, na comédia espanhola El 
burlador de Sevilha y el convidado de piedra, atribuída a Tirso de Molina, o mito 
de Don Juan tem sido muitas vezes revisitado por grandes autores da literatura 
de todo o mundo. 
Como são diversas as polêmicas que envolvem o tema, será adotada apenas 
uma para comparação com a obra de António Patrício, D. João e a Máscara, de 
1924, pois é através do estudo comparado que poderemos analisar criticamente 
a obra. E a obra a ser analisada é a peça Don Giovanni ou o Dissoluto absolvido 
(2005), experiência de Saramago em recontar a lenda do Don Juan. 
A nossa proposta é a de comparar esta peça de Patrício com a de Saramago. 
A peça de António Patrício será confrontada com a tradição cômica no século 
XXI, que novamente lê D. João em chave cômica.
O que podemos concluir é que, durante esses mais de trezentos anos, os 
valores e as crenças que fizeram com que o primeiro Don Juan nascesse se 
modificaram substancialmente.
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Memória nacional e razões de Estado: gênero e 
nação na derrota do Gungunhana
Mário César Lugarinho (USP)
Entre os anos de 1933 e 1948, a Agência Geral das Colônias (AGC), fundada 
em 1924, atuou intensamente como uma empresa editorial, com uma política 
agressiva de propaganda colonial. Uma das vertentes mais férteis foi a produção 
de biografias de heróis nacionais que naquelas páginas constituíam-se em 
modelos célebres que atendiam à “lição de Salazar”. Destaca-se a personagem 
histórica de Mouzinho de Albuquerque, que celebrado em mais de quatro 
biografias publicadas pela AGC, foi convertido, especialmente, entre os anos 
de 1936 e 1947, em paradigma maior da colonialidade e, consequentemente, 
do Império. Seu célebre oponente, o Gungunhana, lançado ao esquecimento 
naqueles anos, converteu-se em herói da nacionalidade moçambicana 
após a independência (1975). O episódio histórico que envolve ambas as 
personagens, mereceu ainda as narrativas de Ungulani Ba Ka Khosa, Ualalapi 
(1988), e de Mia Couto, Mulheres de cinza (2015). Esse conjunto heterogêneo 
de obras literárias, entretanto, redefine a tensão entre modelos identitários 
nacionais, expondo as razões do estado que, intervindo na memória nacional, 
refundam a literatura.
Helder Macedo e a narrativa fantasmática
Marisa Corrêa Silva (UEM)O romancista português Helder Macedo é um leitor privilegiado de textos 
como o Frei Luís de Sousa, de Garrett. Sua prosa, irônica e brilhante, lança 
mão dos espectros diversas vezes, embora de forma bastante distinta da de 
Almeida Garrett. Seus fantasmas são criações da linguagem e da estrutura 
de seus romances, e mantém um significado psicanalítico à flor do texto, 
causando a um só tempo fascínio e perturbação em seus leitores. Nosso 
trabalho objetiva analisar a presença das figuras espectrais, sua importância e 
sua função na obra de Macedo, com ênfase em seu romance Tão Longo Amor, 
Tão Curta a Vida (2013).
Alberto Caeiro e Manoel de Barros: uma poética de 
ressignificação
Marla dos Santos Silva (UEFS)
A leitura atenta dos poemas de Alberto Caeiro e Manoel de Barros explicita uma 
transversalidade entre eles, a natureza e a infância são referências substanciais 
para ambos. Um é guardador de rebanhos, o outro fazendeiro, teorizam o 
mundo por meio de suas vivências, entretanto se afastam da investigação 
de realidades que transcendem a experiência sensível. Caeiro privilegia 
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as sensações, registrando-as sem a intervenção do pensamento, o poeta 
entende que a corrupção da poesia consiste na busca da aplicação de uma 
leitura racional. Manoel de Barros revela o mundo através de suas metáforas, 
criando uma instabilidade semântica. Ambos são escritores fundamentais, 
pois convidam o leitor a visitar a sua subjetividade, eles concebem a existência 
através de um mundo sensível, de um olhar panteísta, percebendo o homem 
como uma extensão da natureza e, portanto, como um indivíduo que deve 
valorizar a leveza e a sabedoria, resultados de uma experiência, do contato 
com o universo. Dessa forma, pretende-se estudar o olhar inaugural dos dois 
poetas, pensando a poesia como descobrimento, como “ressacralização” do 
mundo.
A perplexidade do homem moderno frente aos conflitos 
existenciais no conto, A confissão de Lúcio, de Mário 
de Sá Carneiro
Marsiléia Brasil de Lima (UNIP/SEDUC-AM)
No início do século passado, quando os movimentos modernistas efervesciam 
na Europa, a obra do Escritor e poeta Mário de Sá Carneiro, “A confissão de 
Lúcio” traz em seu bojo o retrato dos conflitos humanos pelos quais passava a 
sociedade da época. A questão de gênero como um fator motivador de grandes 
confusões existenciais travadas pelos personagens envolvidos na trama. Essa 
questão, leva-nos a refletir que os problemas do homem contemporâneo são 
basicamente os mesmos do homem do início do século passado. A proposição 
ora abordada é identificar os prováveis fatores que levaram o homem da época 
ao suicídio. A estratégia metodológica partiu de uma revisão bibliográfica sobre 
a literatura moderna portuguesa, características físicas e psicológicas de seus 
personagens e a influência do meio social nos perfis estereotipados do homem 
em seu meio social sob a luz de teóricos como: Beth Brait (1985), Marshall 
Berman (1096), Carl Marx (2012), Antonio Cândido (2006) (estabelecendo a 
correlação entre literatura e sociedade) e Massaud Moisés (2008). Mostrando-
nos que estão presentes: a questão da identidade do homem em conflito e a 
questão de gênero que permeiam o psicológico dos personagens. Levando-
nos a inferir que os personagens literários da época não só retratam os valores 
e conflitos do homem da sociedade em questão, como também, mostra-
nos a relação estabelecida com o homem da sociedade contemporânea e a 
perplexidade pela qual ele passa.
Recepção de Camões como hipótese interpretativa
Matheus Barbosa Morais de Brito (Universidade de Coimbra//UNICAMP)
A dimensão social que sustenta a autoria de Luís de Camões, por oposição à 
doutrina do gênio que ainda permeia sua crítica, é especialmente entrevista 
nos ataques que se lhe dirigiram. A relevância epistêmica dessa crítica, ao 
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evidenciar o caráter problemático do que hoje parece dado, está no tipo de 
experiência que sua obra acolheu. Das cousas que se opõem a Camões em 
três decênios desde Os Lusíadas, apontadas por Severim de Faria (1584—1655), 
pense-se como soam atuais as de que “não he decente ao Poema Heroico 
a Graça” do episódio de Veloso e a troça que ali irrompe (Lus. V,31-35) e de 
que “no fim desacredita a Nação Portugueza dizendo que faltão com prémios”. 
“Decência” não é o horizonte pragmático d’Os Lusíadas, nem a intenção de 
Camões foi tão-só o panegírico. No entanto, é duma sofrível petitio principii 
tomar por modelo a epopeia camoniana e retroativamente insistir em 
como cada coisa está em seu lugar. Antes de medirmo-nos com o passado, 
devemos indagar o que surgia ali: o que seria tão perturbador nesses rasgos 
d’Os Lusíadas, e por quê? Talvez Camões não estivesse tão seguro do seu 
epos quanto hoje nós, talvez tenha encontrado soluções ruins. O estudo da 
recepção de Camões, como exporemos, no sentido da concretização de sua 
poética, franqueia hipóteses interpretativas historicamente pautadas e de 
valor heurístico para o conhecimento do seu funcionamento social e cultural.
A representação da personagem do negro na 
dramaturgia quinhentista
Matheus Nogueira Bacellar (UFBA)
Márcio Ricardo Coelho Muniz (UFBA)
No século XVI, o teatro português viveu o que muitos autores consideram 
seu período mais profícuo, coincidindo com o momento áureo do império 
marítimo português. Neste contexto histórico, o negro escravizado surge na 
sociedade portuguesa como principal força de trabalho do império, tanto em 
suas lavouras coloniais quanto como escravo doméstico, tornando-se um 
componente decisivo da arquitetura social portuguesa quinhentista. Talvez 
por isso, a personagem do negro apareça em ao menos onze obras do corpus 
da dramaturgia portuguesa quinhentista atualmente conhecida, em uma 
configuração de personagem tipo bastante engenhosa que conta, inclusive, 
com um idioma próprio: Língua de Preto ou Falar da Guiné. Geralmente 
representado de forma jocosa, a personagem do negro aparece desprovida 
de valores morais e civilizatórios. Contudo, no Auto de Vicente Anes Joeira, 
anônimo, uma personagem negra aparece no ofício de Físico, correspondente 
à médico no período, o que causa estranhamento e demanda atenção para 
a complexidade que a representação dessa personagem pode apresentar 
nesse corpus dramatúrgico. Este trabalho pretende aprofundar os estudos 
relacionados à personagem do negro nessa dramaturgia, com enfoque especial 
em sua representação, sob a ótica dos Estudos Culturais e Identitários. Busca-
se verificar a hipótese de que este teatro reforça a representação arquetípica 
do negro na sociedade portuguesa, de modo a justificar sua dominação; e, por 
outro lado, a figura do negro como Físico presente no Auto de Vicente Anes 
Joeira revela possibilidade de representações outras desta personagem.
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Metodologia de ensino-aprendizagem: uma 
abordagem diferenciada no ensino de literatura
Mayara Cristina Pereira (FIMI)
Tailani Azevedo Taverna (FIMI)
O presente artigo, de natureza empírica, tem como objetivo que a arte de 
contar histórias seja base das aulas de Literatura, pois para transmitir é preciso 
encantar e envolver ao aluno para que as palavras despertem nele sua visão 
crítica sobre arte, sociedade e cultura, tanto local quanto internacional. O 
que se pretende demonstrar é que a Literatura, seja a Literatura Brasileira, a 
Literatura Portuguesa ou a Literatura Estrangeira, perde gradualmente seu 
encanto e não atrai a atenção do aluno visto que para ensinar as distinções 
entre um texto literário e um texto não literário é preciso longas e cansativas 
análises. Nestes variados métodos de aprendizagem de Literatura e incentivo 
a leitura, não se encontra um método específico que capte o aluno para que 
ele seja apto a contar, criar e analisar histórias. Uma metodologia diferenciada 
seria a “estratégia da vovó” na qual para entreter os netos conta histórias de 
modo agradável, didático, instrutivo e com encantamento em suas narrativas.Graciliano Ramos, contemporâneo de Eça de Queirós
Miguel Sanches Neto (UEPG)
Esta comunicação busca definir um conceito de “contemporaneidade 
extemporânea”, mostrando como uma obra finalizada, de um autor morto, 
pertencente a outro tempo estético, pode funcionar como elemento de 
atualização da cena artística de um país, reafirmando procedimentos tidos 
como superados na mecânica dos movimentos literários. Isso será feito a partir 
da definição do aproveitamento de materiais narrativos de Eça de Queirós 
empreendido por Graciliano Ramos em seu livro de estreia – Caetés.
A trajetória autognóstica de Livro
Milena Figueirêdo Maia (PUC-SP)
Neste artigo, investigaremos o percurso do insólito narrador do romance 
Livro, de José Luís Peixoto, em busca do autoconhecimento. A nossa leitura do 
romance segue os rastros deste narrador errante, que busca o conhecimento 
de si e, ao ser nomeado Livro, traz consigo a bagagem metalinguística. O 
narrador, que se configura também herói problemático, perfaz seu trajeto por 
meio de uma narrativa que aponta para si mesma e desnuda seu fazer literário. 
Neste aspecto, a própria metaficcionalidade da obra contribui para que ela, 
assim como o narrador, revele sua procura autognóstica. Embora só na segunda 
parte do romance ele assuma a condição de narrador-personagem – que 
carrega consigo bagagem metalinguística ao ser nomeado Livro – declarando-
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se narrador de toda a obra, examinaremos como, de certo modo, ele está 
presente ao longo de toda a narrativa. É por meio da metalinguagem, ou mais 
especificamente da autorreferencialidade, característica inerente ao romance 
metaficcional, que esta busca pelo autoconhecimento se solidifica. De acordo 
com Patricia Waugh (2003), nos romances metaficcionais, o objeto de análise 
é a natureza da relação entre o real e o fictício e, portanto, o comentário 
metalinguístico (isto é, o comentário da linguagem que faz referência à própria 
linguagem) é destacado como o veículo desta análise.
As premências de nosso tempo desveladas na 
Literatura Portuguesa contemporânea: indicativos 
para o Ensino nos cursos de Letras brasileiros
Miriam Denise Kelm (Unipampa)
A Comunicação versa sobre o ensino de Literatura Portuguesa nos cursos de 
Letras em universidades brasileiras, justificando a permanência através de sua 
extrema atualidade no que diz respeito ao tratamento de temas de interesse 
universal. Dentre esses, enaltecemos os deslocamentos, o desenraizamento, a 
identidade, a descolonização, o esfacelamento do núcleo familiar e a alteração 
nos padrões afetivo-relacionais. Para tanto, destacamos a qualidade dos 
meios expressivos explorados na produção recente, tal como ela é perceptível 
nas obras de Walter Hugo Mãe, Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Dulce Maria Cardoso 
e David Machado. Na mesma linha de afirmação da necessária apropriação 
da produção literária portuguesa, propõe-se uma reflexão sobre a herança 
mais distante (vide Luís de Camões, Gil Vicente, Eça de Queirós e Fernando 
Pessoa). Esta, para além do contato com momentos singulares da expressão 
linguístico—literária, possibilita ao estudante brasileiro conhecimentos sobre a 
condição colonial primeira do Brasil, sobre mentalidades de época diversas 
com reflexos na cultura ainda hoje e sobre a influência desses autores na 
produção brasileira. Valemo-nos de apoio teórico em autores como Margarida 
Calafate Ribeiro, Eduardo Lourenço e Benjamin Abdalla Jr., entre outros.
A história do contramestre e o anarquismo no romance 
Amanhã, de Abel Botelho
Moisés Baldissera da Silva (UNESP)
No final do “longo século XIX” (1789-1914), na classificação de Hobsbawm, 
Abel Botelho (1854 - 1917), escritor considerado realista-naturalista, publica 
em 1901 o romance Amanhã. A obra faz parte da série de livros intitulada 
“Patologia Social”, composta por mais quatro romances: O Barão de Lavos 
(1891), O Livro de Alda (1898), Fatal Dilema (1907) e Próspero Fortuna (1910). Em 
Amanhã, a temática principal são os movimentos operários em Portugal no 
século XIX, e o ideal político que conduz esses movimentos é o Anarquismo. 
O personagem responsável por disseminar os ideais anarquistas entre os 
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trabalhadores é Mateus, o contramestre. É nosso objetivo analisar, então, por 
meio das frustrações pessoais do personagem e sua posição intermediária na 
sociedade - um bom funcionário e ao mesmo tempo um bom chefe - algumas 
características da sociedade portuguesa daquele período, além das causas da 
disseminação do anarquismo. Essa comunicação recebeu o apoio da FAPERP 
(processo nº 059/2017).
O Cónego, de A.M. Pires Cabral e A Vinha dos 
Esquecidos, João Clímaco Bezerra: uma leitura 
intertextual
Mônica Maria Feitosa Braga Gentil (UESPI)
Na história da literatura podemos observar vários fatos que demonstram 
temas de uma época sendo retomados por outra. Vários são os teóricos que se 
ocuparam e se ocupam da intertextualidade. Dentre eles recortamos alguns, 
por julgarmos mais claras e objetivas as suas definições. Kisteva (2004), 
Barthes (2007), Maingueneau (1997), Fávero & Koch (2002), Sant’Anna (1985) 
e Genette (1982). A questão da intertextualidade, ou seja, a comunicação entre 
obras e a recorrente volta e retomada dos fatos, que se repetem no transcorrer 
do tempo, é mais antigo do que imaginamos.. Nessa perspectiva, pretendemos 
analisar, sob um diálogo intertextual, dois romances, O Cónego (2007), de 
A.M. Pires Cabral, autor português, e A Vinha dos Esquecidos (2005), de João 
Clímaco Bezerra, autor brasileiro. Entende-se por intertextualidade a presença 
de um texto o outro. Esta concepção abre-se a uma dupla determinação 
intertextual da obra: a que se prende com relação com seus arquétipos que 
codificam a linguagem literária. Acredita-se contribuir para a compreensão 
de que a intertextualidade é mais um recurso de que dispomos para compor 
significados ou para compreender textos. Isso nos permite afirmar que 
nenhum texto se produz no vazio ou se origina do nada, pelo contrário, todo 
texto se alimenta, explicita ou implicitamente, de outros textos.
Da necessidade de se ouvir coisas alucinadas ou o 
que se pode aprender com a literatura portuguesa
Mônica Muniz de Souza Simas (USP)
Esta comunicação aborda como o educando/leitor pode despertar a sua 
consciência para uma sensibilidade subjetiva em níveis profundos a partir do 
contato com a literatura portuguesa. Para Paulo Freire não existe ensino sem 
uma aprendizagem constante para a humanidade do humano e, para João 
Barrento, é inalienável da experiência humana a dor, convocada ainda que em 
tempos de simulacros e de espetáculos, por certa literatura. Bucar analisar essa 
questão, a partir da análise de alguns poemas portugueses do século XX, é o 
principal objetivo desse trabalho.
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Dominando o corpo feminino na Idade Média: a 
soldadeira e o cavaleiro
Monique Pereira da Silva (UERJ)
Nosso trabalho pretende apresentar uma proposta de análise acerca das 
formas de violência sexual e moral às quais a mulher estava exposta na Idade 
Média, por meio de uma das cantigas trovadorescas galego-portuguesas. Para 
isso, propomos como corpus Domingas Eanes houve sa baralha (B495), cantiga 
de escárnio e maldizer atribuída a Afonso X que pode ser lida como relato do 
estupro de uma soldadeira – ou seja, uma das mulheres que participavam do 
espetáculo trovadoresco, por esse motivo estigmatizadas como prostitutas. 
Nessa cantiga, a mulher briga com um cavaleiro que a violenta de todas as 
formas possíveis; a soldadeira acaba com graves ferimentos no corpo e 
doenças venéreas. Acerca dessa composição, analisaremos o que percebemos 
como possível descrição de um estupro – já que a cantiga pode ser lida como 
a representação literária de uma relação sexual violenta, da qual a mulher sai 
“golpeada”; e porque esse ato é referido de forma jocosa, o que pode estar 
relacionado ao fato de envolver uma mulher pertencente a uma categoria 
estigmatizadana sociedade patriarcal. Assim, estaremos atentos às nuances 
do discurso satírico, que evidencia o poder masculino sobre o corpo feminino, 
seja de forma mais simbólica ou mais explícita, através de efeitos metafóricos 
relacionados ao erotismo, à violação e ao escárnio, com o auxílio de autores 
como Michelle Perrot e Michel Foucault.
A Epopeia Pós-Moderna Portuguesa: dissimulação e 
simulação em As Quybyrycas
Murilo da Costa Ferreira (UFRJ)
As Quybyrycas, obra escrita por Antônio Quadros, são uma epopeia pós-
moderna, transversal à épica pós-colonial, que se centra nas antinomias da 
modernidade da cultura portuguesa e no potencial de seus debates. A reescrita 
da história do povo português, através de uma nova semiotização épica do 
discurso, não faz eco com o “nacionalista místico e sebastianista racional” da 
ótica de Fernando Pessoa. Ao contrário, representa contemporaneamente um 
meio de contrapor-se a toda e qualquer forma mitificante que se construiu em 
torno da figura de D.Sebastião e seus sequazes que se envolveram na derrota 
de Alcácer-Quibir e, metonimicamente, na de Portugal. Em particular, esta obra 
enuncia uma proposição de realidade ao relatar as formas de racionalidade 
presentes na estrutura política, cultural e econômica de Portugal, do século 
XVI, que se tornaram implausíveis por seu carácter colonial, escravista e 
racialmente excludente.
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Mulheres do Império: uma leitura de Ana de Amsterdam
Naira de Almeida Nascimento (UTFPR)
Ainda que Ana de Amsterdam (2015), romance de Ana Cássia Rebelo, possa 
testemunhar uma parcela da produção a que se convencionou denominar 
Literatura dos retornados, pelos vínculos da protagonista e de sua família aos 
dramas ocorridos em finais do Império Colonial, nesse caso goeses retornados 
de Moçambique, nele não se destaca o ajuste de contas com o passado. Ao 
contrário, a construção dos cenários além-mar dá-se menos pelo resgate 
doloroso que por uma sugestão de porvir que habita o texto ou ainda pelas 
vias de uma historicidade paralela que se insinua. Provavelmente, a chave 
da autoficção ofereça melhores caminhos de leitura, se tomarmos ainda em 
conta o processo constitutivo do romance, nascido da experiência da autora 
com um blog iniciado em 2006. A forma do diário, contudo, é desafiada 
permanentemente pelas outras vozes, em particular as femininas, que se 
instauram no romance.
O lugar da literatura portuguesa na Polônia
Natalia Klidzio (Universidade Maria Sklodowska-Curie)
Este artigo apresenta, inicialmente, um histórico da presença da literatura 
portuguesa e seu ensino no contexto estrangeiro, nos principais centros 
universitários da Polônia. Propõe ainda, um olhar para como esta literatura 
entra nos programas curriculares do país. Faz-se ainda uma busca das traduções 
existentes no país. Servindo-se de algumas entrevistas com professores, 
pontua-se as prioridades, dificuldades e o que pode ser considerado êxito no 
ensino desta. Com base também em entrevistas com estudantes levantar-se-á 
o grau de receptividade desta literatura, opiniões e sugestões. Por fim, o artigo 
pretende chegar a problemática da leitura da produção literária portuguesa. 
Objetiva tecer uma reflexão sobre o espaço ocupado com a leitura da produção 
literária portuguesa nos cursos de letras e levantar um questionamento de 
como otimizar este espaço no exterior, pontuando também passagens e 
experiência pessoal vivida no campo.
A representação da (a)normalidade humana nos 
cadernos de Gonçalo M. Tavares
Natanael Peres Fernandes (USP)
A comunicação pretende apresentar e analisar, dos cadernos (categoria com a 
qual o autor organiza sua obra) de Gonçalo M. Tavares, excertos que iluminem 
a representação do homem no texto, buscando categorizar e analisar essas 
manifestações nas narrativas ficcionais. Assim, partindo de uma certa noção 
do que se considera como “normal” da (e na) constituição humana, seja do 
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ponto vista dos discursos médico, histórico ou sociológico, intentar-se-á 
observar como os paradigmas de (a)normalidade são borrados (e mesmo 
invertidos) na obra tavariana.
Por fim, a proposta deseja caminhar tendo como objetivo destacar, a partir 
dessas representações, qual a condição humana (ou condições de humanidade) 
possível(is) segundo a obra de Gonçalo M. Tavares, tendo em vista uma 
sociedade profundamente estigmatizada pelos regimes totalitários e por um 
mundo pós-Auschwitz (tão explorado pelos cadernos), onde a técnica e a 
barbárie se unem para objetivos de destruição do mundo e dos paradigmas 
éticos estabelecidos.
O jogo dentro da máquina: a intertextualidade em “a 
máquina de fazer espanhóis”
Natasha Gonçalves Otsuka (UFRJ)
Em a máquina de fazer espanhóis (2011), Valter Hugo Mãe insere na narrativa 
dois personagens oriundos do universo policial: Jaime Ramos e Isaltino de 
Jesus. Personagens do escritor português Francisco José Viegas, eles são 
responsáveis pela tentativa da solução de um crime dentro do asilo em 
que o narrador está inserido. Adicionalmente, outro personagem também 
é convocado pela escrita de Valter Hugo Mãe nesse romance: Esteves sem 
metafísica, do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos. Como postulou Linda 
Hutcheon, em A poética da pós-modernidade, a intertextualidade é a própria 
condição da textualidade. Sendo assim, a comunicação proposta pretende 
analisar os diálogos intertextuais dentro da narrativa de Valter Hugo Mãe.
Fernando Pessoa e o suicídio estoico de Barão de 
Teive
Nathália de Lima Marquez Valentini (UFMG)
Pretendo apresentar em A Educação do Estoico de Barão de Teive, um dos 
autores ficcionais de Fernando Pessoa, como alguns elementos da filosofia 
estoica são apropriados na justificação da morte voluntária desse heterônimo. 
O Barão, antes de se matar, escreve o seu único manuscrito, após reler e queimar 
– por serem imperfeitos – todos os textos que supostamente havia produzido. 
Mostrarei como essa prosa poética e fragmentária suscita reflexões sobre a 
noção de obra, relacionando o modo como Barão justifica o inacabamento e a 
destruição de sua obra à especulação filosófica a respeito da morte, tal como 
aparece no pensamento estoico, especificamente em Sêneca. Levar-se-á em 
consideração em que medida os princípios do Sensacionismo (compreendido 
aqui como a base estética da obra pessoana, e não somente uma doutrina 
artística restrita dentro de sua arte poética), devido às suas bases atemporais e 
universalistas, possibilita o diálogo com o Estoicismo.
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Poesia e escritas de si: um estudo sobre a obra de Al 
Berto e Ana Cristina Cesar
Nathalia Greco (UFMG)
O poeta português Al Berto e o seu diário configuram um espaço de pesquisa 
no período do meu mestrado. Sua obra reside na tensão entre vida e obra, 
entre ficção e verdade, em nada inferior, no que tange à noção de obra literária 
inventiva ou poética. É interessante perceber uma ressonância desse estilo nos 
escritos da poeta brasileira Ana Cristina Cesar. Principalmente ao incorporar, 
agudamente, o prosaico e performatizar obsessivamente os gêneros da carta e 
do diário íntimo em seus escritos, como pode ser observado em Correspondência 
completa (1979), Luvas de pelica (1980) e A teus pés (1892), que serão analisados 
neste estudo. Ambos os poetas, objetos desta comunicação, apresentam uma 
produção literária que coloca em evidência uma intensa subjetividade que se 
estende pelo amplo espectro dos gêneros da escrita de si. Intenta-se cotejar a 
escrita íntima desses dois poetas, salvaguardando as diferenças e ressaltando 
as semelhanças no que diz respeito ao “eu” que emerge ou é construído 
em seus textos. A comparação entre esses dois grandes poetas da língua 
portuguesa se faz pertinente por, em ambas as escritas, conter aspectos que 
desviam do prescrito para os gêneros da escrita de si. De acordo com a noção 
tradicional desses gêneros, para além de outras marcantes características, 
espera-se daquele que assume uma escrita que pende aoconfessional, a 
revelação de um segredo. Há uma demanda na escrita íntima para que ela 
desvele aquilo que está no mais recôndito do artista, do escritor; evocando a 
conhecida expressão tout dire, de Jacques Derrida. Com isso, faz-se relevante 
perfilar em que medida o “dizer tudo” derridiano se manifesta em Diários, de 
Al Berto e na escrita de Ana Cristina Cesar.
Os papéis femininos em O retrato de Ricardina (1868), 
de Camilo Castelo Branco
Nayara Helenn Carvalho dos Santos (UERJ)
Este trabalho discute a situação das mulheres no século XIX sob a perspectiva 
do romance O retrato de Ricardina do autor português Camilo Castelo Branco. 
Através da história desse livro, é possível perceber o contexto opressor da 
época em questão. Quando as atitudes das personagens são analisadas, 
notam-se aspectos vivenciados por gerações femininas com modos diferentes 
do comportamento que era esperado para elas. Comportamento medido 
pelo comedimento e pelo recato. O principal objetivo da pesquisa é mostrar 
como as personagens camilianas se relacionam com a sociedade portuguesa 
desse período, e como Camilo dava importância ao papel das mulheres com 
seus respectivos destinos em um momento de transição difícil na história de 
Portugal.
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Lisboa, Manaus: cidades como cenários nas obras de 
Gersão e Hatoum
Orivaldo Rocha da Silva (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
A partir da análise do tratamento dispensado às paisagens urbanas de uma 
Lisboa que se perde nas dobras do tempo e do mito e de uma Manaus que 
serve como pano de fundo para uma narrativa de memórias, objetiva-se nessa 
comunicação aproximar os romances A cidade de Ulisses (2011) da escritora 
portuguesa Teolinda Gersão e Relato de um certo Oriente (1989) do brasileiro 
Milton Hatoum, buscando inscrevê-los numa tradição literária que constrói, 
reconstrói e reinventa os espaços urbanos por meio dos múltiplos olhares a 
eles direcionados.
A estética do mal e a evolução literária de Eça de 
Queiroz
Orlando Grossegesse (Universidade do Minho)
«O Diabo sorri, (…), escreve as suas memórias, e (…), morre enfastiado e 
silencioso». Este diabo espelha claramente uma disposição discursiva de 
provocação que carateriza os folhetins publicados na Gazeta de Portugal 
(1866-67). Para além de “O Senhor Diabo”, títulos como “Poetas do Mal” ou 
“Memórias de uma forca” são elucidativos e levam-nos a intuir o efeito de choc 
num público não habituado a uma estética do mal exemplarmente realizada 
em Les Fleurs du Mal (1857). Charles Baudelaire é uma referência-chave para 
o jovem escritor que ecoa no perfil de ‘Carlos Fradique Mendes’, criado por 
Eça juntamente com Antero de Quental e Jaime Batalha Reis. Quando se 
pretende definir o nexo destas práticas com a posterior evolução literária 
de Eça de Queiroz, a crítica tradicional, nomeadamente de cariz biografista, 
cultiva a ideia de regresso ‘purificador’, que aliás se coaduna com a revisitação 
de Fradique Mendes e a leitura redutora de A Cidade e as Serras: o abandono 
da civilização cosmopolita decadente em favor da ruralidade renovadora no 
Norte de Portugal compreendido em harmonia com a viragem para o diabólico 
e milagroso ‘originais’ nas Lendas de Santos, porque afastado do paradigma 
moderno francês. Tal visão deve-se a uma simplificação da complexidade da 
cultura e literatura na segunda metade do século XIX que menoriza a relevância 
do conceito do dândi, idealizado como herói que empreende a última 
tentativa de criar expressões que sejam eximidas da ‘era da grande indústria’, 
um conceito cunhado por Walter Benjamin. Sob este ângulo, propomos uma 
reavaliação da estética do mal, também presente na chamada fase realista-
naturalista, portanto entendendo-a como persistente na evolução literária 
queirosiana, o que contribui para definir a sua modernidade no contexto da 
literatura europeia finissecular.
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Escrita discrônica em Manuel António Pina: entre o 
neotênico e o tardio
Paloma Roriz (UFF)
Em seu livro Ideia da prosa, Giorgio Agamben refere-se a uma espécie de 
salamandra albina, um anfíbio de aspecto quase fetal, chamado axolotl, a 
partir do qual o filósofo propõe a imagem de uma “criança neotênica”, para 
através dela advertir que “antes de transmitir qualquer saber ou qualquer 
tradição, o homem tem necessariamente de transmitir a sua própria distração, 
a sua própria não latência indeterminada, pois só nela se tornou possível 
qualquer coisa como uma tradição histórica concreta”. Se nesta ideia de 
distração, ou neotenia, em sua possibilidade de infância, abertura e ausência 
de conhecimento, é possível entender uma forma anacrônica de inscrição no 
presente, por outro lado, na ideia de uma tradição histórica concreta, em seu 
acúmulo e saturação, podemos ver acionada outra forma de anacronismo, 
próxima desta vez da noção de tardio, trabalhada pelo teórico e crítico 
palestino Edward Said. A noção de tardio teria a ver com uma sobrevivência 
além do aceitável e do normal. Neste sentido, viver uma condição tardia 
significa viver rumo ao fim, com plena consciência, com plena memória e 
ciência do presente. O propósito desta comunicação é procurar refletir em 
que medida a obra poética do escritor português Manuel António Pina pode 
ser entendida dentro de uma condição ao mesmo tempo neotênica e tardia, 
dentro, portanto, de uma condição anacrônica, o que se manifestaria em 
procedimentos temáticos recorrentes em seus poemas, como no caso da 
morte e da infância, e na maneira com a qual a sua poesia aponta para certa 
inadequação em relação ao que vai se desenhar como uma poesia “nova” nos 
anos 70 em Portugal, voltada em grande parte para o esgotamento do ethos 
modernista, em sua procura de abertura e criação de novos paradigmas.
Como se escreve agora uma canção?
Patrícia Chanely Silva Ricarte (UFMG)
Apresentarei, nesta comunicação, um estudo acerca da relação entre poesia 
e música na obra dos poetas portugueses contemporâneos Rui Pires Cabral, 
Manuel de Freitas e Luís Quintais. A partir do conceito discursivo de ritmo, 
que distingue a linguagem poética da musical, busco compreender, em minha 
abordagem, o diálogo crítico que, por meio da historicidade e da subjetividade, 
tais poéticas estabelecem com a tradição moderna da poesia, entendida em 
sua analogia com a arte da música. Trata-se, nesse sentido, de conceber a 
perda ou ausência da música na lírica portuguesa contemporânea – propalada, 
em maior ou menor grau, por cada um desses três autores – como fenômeno 
relacionado à consciência histórica do poeta acerca da poesia. Ao se colocar 
depois da música, essa escritura também assume uma posição depois da 
poesia ou, melhor dizendo, inscreve-se como um depois da história (moderna) 
da poesia, na medida em que, ao se definir pelo ritmo ou pela escuta do ritmo 
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discursivo ou subjetivo, na acepção de Henri Meschonnic, o texto poético 
torna-se linguagem sem música ou linguagem que tem a sua história em seu 
próprio trabalho poemático. Assim, a concepção moderna da poesia como 
música ou como algo análogo à música dá lugar, nessa nova perspectiva, à 
ideia de poesia e, sobretudo, de poema como transformação crítico-discursiva 
do arquivo musical.
A história de Inês contada aos pequenos
Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)
O episódio envolvendo a tríade Inês de Castro, Afonso IV e Pedro, seu filho, está 
entre as passagens da história portuguesa que mais retomadas literárias vem 
conhecendo ao longo dos séculos, como pode ser observado na bibliografia 
dedicada a listar as obras de temática inesiana publicadas em Portugal e no 
estrangeiro. Nesse expressivo contingente, quando se trata de abordar o tema 
a atenção dos autores volta-se predominantemente para o casal de amantes 
separado pela morte trágica de Inês, atrelada às circunstâncias em que tal 
morte ocorre. Para quem se interesse em ultrapassar os limites desse núcleo, 
são significativas as mudanças de perspectiva sobre o episódio e seus sentidospossíveis operadas quando se alteram os tipos de texto e os narradores, 
como acontece em “Teorema”, conto antológico de Herberto Helder, cuja 
narrativa fica a cargo de um dos algozes de Inês. Investindo nesse campo, esta 
comunicação focalizará Inês, um livro em que tanto o formato, dedicado ao 
público infanto-juvenil, quanto a narradora – Beatriz, filha do casal de amantes 
infelizes – contribuem para discutir-se o alcance de uma velha história. 
Carlos de Oliveira – Sobre o lado esquerdo: Poesia e 
poética cinematográfica em Manuel Gusmão e Carlos 
de Oliveira
Patrícia Resende Pereira (UFMG)
O estudo tem a proposta de discutir a maneira como o crítico português Manuel 
Gusmão tem condições de expandir a escrita poética de Carlos de Oliveira 
no média-metragem Carlos de Oliveira – Sobre o lado esquerdo, de 2007. O 
filme, dirigido por Margarida Gil, co-autora do roteiro, pode ser compreendido 
como uma colagem de fragmentos de Finisterra: paisagem e povoamento, de 
1978 – obra responsável por fornecer o cerne para a narrativa cinematográfica 
– além de outros livros de poesia, como Sobre o lado esquerdo, e textos de O 
aprendiz de feiticeiro. Deve-se ter em mente que Manuel Gusmão, também 
ele um poeta, é um ensaísta que estudou por anos a obra poética de Carlos 
de Oliveira, situação pouco comum no cinema. Diante disso, a proposta de 
estudo é a de se estabelecer um diálogo entre Manuel Gusmão, seu trabalho 
como ensaísta e poeta, e a poesia de Carlos de Oliveira, agora levada para as 
telas por um especialista em sua obra.
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O narrador errante e paródico em Caim, de José 
Saramago
Paula Karina Verago Petersen (PUC-SP)
O objetivo desta pesquisa é o de analisar a presença do narrador no romance 
Caim, de Saramago, a partir do diálogo que estabelece com o narrador do 
episódio bíblico de Caim, que serviu de matriz para esta nova versão. A análise 
comparativa demonstrou que o elo comum entre ambas as narrativas – o Caim 
bíblico e o de Saramago – é o sinal de errância que, imposto por Deus e assumido 
por Caim, dissemina-se por todos os planos do romance de Saramago, 
atingindo o narrador, os personagens e os planos discursivos de narrativas 
dentro de outras, numa estrutura em abismo. Por outro lado, é a paródia o 
outro elemento que irá desconstruir o relato bíblico por meio da inversão, 
na medida em que, além de trazer para o texto um Caim questionador dos 
imperativos divinos, rebaixa Deus à posição de ser humano, repleto de falhas 
e dúvidas. No nível da microestrutura, a paródia se dá tanto por paralelismo, 
quanto por inversão. No primeiro caso, Saramago dá continuidade à errância 
presente na narrativa bíblica, porém, de forma amplificada: em primeiro lugar, 
Caim materializa sua errância viajando no tempo e no espaço pelas mãos no 
narrador; além disso, o próprio narrador é errante, deslizando pelos espaços 
narrativos e cedendo sua voz aos personagens da obra. No segundo caso, é 
a inversão que conduz a interpretação paródica da narrativa bíblica de Caim 
na medida em que o narrador rebaixa pelo riso e pela irreverência profana a 
seriedade sagrada do texto original e a onisciência de um narrador participante 
do plano da divindade. Desta forma, o romance, ao inserir no discurso um 
narrador errante, convida o leitor a realizar um exercício de crítica e auto-
crítica, que lhe oferece uma nova forma de pensar o mundo em que vive.
Memória, Trauma e Infância em três romances de 
António Lobo Antunes
Paula Renata Lucas Collares Ramis (UFPel)
Este trabalho dedica-se ao estudo do espaço da infância na narrativa do 
escritor português António Lobo Antunes, tomando como objeto de análise os 
seguintes romances: O arquipélago da insónia (2008), Que cavalos são aqueles 
que fazem sombra no mar? (2009) e Sôbolos rios que vão (2010). Tenciona-
se mostrar como a temática da infância é revisitada ficcionalmente a partir 
da memória de um passado quase sempre traumático. Para fundamentar 
a hipótese de que a memória é um elemento constitutivo nas narrativas 
antunianas, busca-se perceber como as personagens rearticulam o passado 
através da memória da infância e, muitas vezes, diante da eminência da morte. 
Procura-se analisar a reconstrução (e narração) de momentos precedentes 
partindo das contribuições de Paul Ricoeur, Sigmund Freud, Márcio Seligmann-
Silva e Walter Benjamin. Em suma, neste trabalho, pretende-se mostrar que as 
personagens antunianas, nos três romances escolhidos, viveram uma infância 
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marcada por algum acontecimento traumático recuperado/reinventado 
repetidamente na narração.
Falsos romances portugueses editados em Paris no 
século XIX
Paulo Motta Oliveira (USP)
São raros os trabalhos sobre os romances em português publicados na França 
ao longo do século XIX. Pude pesquisar este material em 2013, com apoio 
da FAPESP. Em minha apresentação pretendo trabalhar com uma pequena 
parcela desses romances, que possui uma característica peculiar: são narrativas 
que, mesmo sendo traduções de livros estrangeiros, pretendem simular que 
são obras escritas por portugueses.
Luís de Camões no Inferno
Paulo Ricardo Braz de Sousa (UFF)
Dada a aguda modernidade de que se reveste Os Lusíadas, de Luís de 
Camões, a crítica de poesia, sobretudo aquela que tem início a partir das teses 
revolucionárias de Jorge de Sena em seus estudos camonianos, tem destacado 
sempre renovado interesse em leituras do épico que lhe desvendem o seu 
caráter intrinsecamente poético em tensão com os discursos oficiais da 
narrativa das grandes navegações. Na esteira de alguma tradição crítica mais 
recente da poesia camoniana, esta comunicação se propõe a apresentar os 
resultados parciais da minha pesquisa de doutorado em torno d’Os Lusíadas 
e seus sentidos diabólicos subjacentes a uma visão ideológica fraturada do 
homem do século XVI, ou seja, a uma perspectiva em dissensão quanto 
ao caráter simbólico que o poema supostamente funda, narrando a viagem 
de Vasco da Gama. O ponto fundamental desta análise compreende uma 
interpretação global d’Os Lusíadas por meio de uma visada crítica lançada 
sobre o núcleo irradiador de sentidos que localizo na estrofe 666 do poema 
(estância 1 do Canto VII). A referida estrofe, cercada por singulares meditações 
de caráter moralista, católica e contrarreformista, narra nada mais nada menos 
que a chegada dos portugueses à Índia (objetivo da viagem): “Ora sus, gente 
forte, que na guerra/ Quereis levar a palma vencedora:/ Já sois chegados, já 
tendes diante/ A terra de riquezas abundantes!” (VII, 1). As implicações críticas 
desta estrofe para a leitura do poema dão a ver, mais do que a impossibilidade 
do canto encomiástico, a afirmação, sem reservas, de um quadro humano 
esfacelado pelas contradições do seu tempo.
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Redes de estereótipo: o Brasil da televisão na 
literatura portuguesa do século XXI
Paulo Ricardo Kralik Angelini (PUC-RS)
Muito mais do que a literatura, o que culturalmente une Portugal ao Brasil, 
especialmente desde as décadas finais do século XX, é a televisão. O escritor 
Eduardo Lourenço reflete sobre isso na obra A nau de Ícaro, quando vê um 
certo apagamento nas relações literárias, ao mesmo tempo em que percebe 
a força da mídia brasileira em terra lusitana. A globalização, e assim a define 
Stuart Hall, se refere “àqueles processos, atuantes numa escala global, que 
atravessam fronteiras nacionais, integrando e conectando comunidades e 
organizações em novas combinações de espaço-tempo, tornando o mundo, 
em realidade e em experiência, mais interconectado” (HALL, 1999, p.67). Esta 
interconexão fica visível na forma como a literatura portuguesa recupera, de 
modo recorrente, este mundo fantasioso vendido nas telenovelas: novelas, 
atrizes, atores e um cenário de sonhos. Este trabalho investiga, pois, as relações 
complexas entre a literatura e a comunicação, seja de forma afetiva, na 
lembrança de uma infância ou adolescência compartilhadas com personagens 
de telenovelas,seja de modo agressivo, na reprodução de estereótipos 
reforçados via televisão. Para o embasamento teórico, pretende-se discutir 
mídia, identidade, estereótipo, em obras de autores como Eduardo Lorenço, 
Stuart Hall, Montserrat Guibernau, Robert Stam, Homi Bhabha, Zigmunt 
Bauman, Ana Scott, Eric Landowski, entre outros.
O “último leitor” e a personificação narrativa de 
António Lobo Antunes nas Cartas da Guerra
Pedro Beja Aguiar (PUC-Rio)
A proposta desta comunicação é analisar de maneira provisória o volume de 
cartas do escritor português António Lobo Antunes, organizadas e publicadas 
no livro “D’Este viver aqui neste papel descripto – Cartas da Guerra” (2005). 
Buscaremos situar o jovem médico português, visto que Lobo Antunes não era 
um escritor quando de sua missão militar na guerra colonial em Angola, como 
um “último leitor”, na definição do crítico literário argentino Ricardo Piglia 
(2006). Imerso na solidão e na distância que a guerra proporciona, António 
Lobo Antunes parece identificar, no cotidiano de leitura e de correspondência 
com a sua companheira, instantes de refúgio e de evasão que permitiram 
uma nova inscrição da sua experiência no real. Esta nova inscrição, dentro do 
contexto múltiplo e anônimo que é a guerra, na concepção de Piglia, faria do 
jovem António que escreve as cartas uma personificação narrativa do António 
leitor real; ou seja, ao escrever sobre si e sobre a sua experiência, António se 
torna leitor de si mesmo, tornando-se visível para a sua companheira. Ao 
assumir a distância existente entre a personagem protagonista, narrador das 
cartas, para construir uma metáfora de si mesmo, Lobo Antunes se transforma 
na própria obra, deslocando-se para a enunciação e materializando-se como 
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relato. Neste sentido é que se tornaria possível aproximar o António Lobo 
Antunes personificado nas cartas à figura do “último leitor” da guerra colonial.
Ensaio sobre a cegueira, um romance-síntese sobre a 
temática do olhar na obra de José Saramago
Pedro Fernandes de Oliveira Neto (UFERSA)
O olhar está entre os temas recorrentes da literatura saramaguiana – sobretudo 
no Ensaio sobre a cegueira. Entretanto, este não apareceu com o romance 
publicado em 1995, tampouco findou aí; este é um fio que perpassa toda sua 
obra: remonta ao período quando Saramago ainda polia os elementos que 
dariam forma ao seu universo literário (na crônica, no conto, nos romances da 
primeira fase) e se manteve direta ou indiretamente nas criações posteriores 
à obra na qual o tema é sua principal dorsal. De modo que podemos afirmar 
ser a obra de José Saramago o exercício para um tratado sobre o tema cuja 
dimensão maior se confirma no Ensaio. A recorrência temática não se 
trata apenas de uma revisão para uma tese, mas também, não excluindo a 
dimensão ética e política como queria o escritor, um apelo à visão, a outra 
forma de ver. Por isso, investir na leitura de que o Ensaio sobre a cegueira se 
constitui um romance-síntese. Ao tratá-lo dessa maneira, esta comunicação 
alcança o interesse de examinar romance a romance ou mesmo em outras 
peças do universo saramaguiano a recorrência, a diversidade como o tema é 
trabalhado pelo escritor e as relações cerzidas no jogo intertextual. Esta obra 
é tratada aqui como ponto de observação para os lugares da visão sugeridos 
pela literatura de Saramago. Nesse percurso, nos guiaremos por responder 
sobre quais as motivações sobre o tema e em torno de quais variantes se 
assume. Síntese sobre uma síntese, o que evidenciamos é uma plurividência 
de sentidos para um tema que se repete não da mesma maneira e constitui 
uma das perspectivas mais ricas sugeridas no decurso do projeto literário 
conduzido pelo escritor português.
Estratos filosóficos na obra saramaguiana: o ano da 
morte do estoico Ricardo Reis
Pedro Nunes de Castro (UNISC)
A presente comunicação segue a esteira de outros estudos que evidenciaram 
a interação profícua da obra de José Saramago com a filosofia. Fixando-nos 
em O ano da morte de Ricardo Reis (1984) pretendemos demonstrar que nele a 
corrente filosófica do Estoicismo é um componente intertextual determinante. 
Esta filosofia, na fase romana, privilegiou o âmbito ético preconizando diretrizes 
para que o ser humano alcance a eudaimonia, isto é, a felicidade. Entretanto, 
a interpretação de tais diretrizes acarretou uma polaridade: a possibilidade de 
inferir que o dever é adaptar-se às circunstâncias, concebendo uma postura 
contemplativa, e de outro lado, facultou-se interpretar que o dever é moldar 
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as circunstâncias segundo as convicções, significando uma exortação à ação. 
E esta mesma ambivalência verifica-se no romance em tela, demarcada pela 
atuação de Ricardo Reis e da personagem Lídia. Entendemos que trazer a lume 
esta relação dialética do romance saramaguiano com o estoicismo agregará 
novas possibilidades hermenêuticas à fortuna crítica do prêmio Nobel de 
literatura. E para efetivar esta análise, referenciamo-nos em Kristeva (1974) e 
Mikhail Bakhtin (1981), que proclamam a onipresença da intertextualidade e do 
dialogismo na linguagem literária.
“The Business of all”: O abolicionismo, a memória 
histórica da escravatura e a formação do discurso 
literário português moderno. Dos debates em O 
Investigador Portuguez em Inglaterra e em Correio 
Braziliense a Alexandre Herculano e Eça de Queirós
 Pedro Schacht Pereira (Ohio State University)
A relação da cultura portuguesa com a história do império e com a instituição 
da escravatura nunca foi fácil, e nem a chegada da democracia em 1974 nem 
a liquidação do império colonial no ano seguinte facilitaram a emergência 
de debates abertos sobre a questão. Em anos recentes alguns estudiosos 
(sobretudo no domínio da historiografia) têm chamado a atenção em 
relação ao tema, mas continuam a faltar estudos de fôlego, e na área dos 
estudos literários a pesquisa tem avançado sobretudo em relação à literatura 
contemporânea e à problemática da Guerra Colonial. A partir de uma análise 
de artigos de duas publicações direta ou indiretamente associadas ao império 
colonial português em África, como sejam o Correio Braziliense ou Armazém 
Literário (1808-1820) e O Investigador Portuguez em Inglaterra (1811-1819), 
pretendo mostrar como a emergência da instituição literária moderna em 
Portugal é indissociável dos debates sobre o abolicionismo e o papel que estes 
tiveram na formação e transformação da memória histórica da escravatura 
e dos legados do colonialismo. Em seguida mostrarei como a questão recua 
da atenção pública a partir da afirmação da primeira geração romântica e 
nomeadamente com Alexandre Herculano, até se plasmar num jogo de 
alternativa entre a transparência e a opacidade na obra de Eça de Queirós, 
na era em que o projeto colonial português em África começou a receber os 
impulsos mais decisivos.
A dinâmica da violência em o remorso de baltazar 
serapião, de valter hugo mãe
Penélope Eiko Aragaki Salles (USP)
De acordo com Cynthia Sarti (2011, p.51), em situações de violência, a 
construção da categoria vítima leva em consideração determinados grupos 
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sociais (crianças, mulheres, idosos, etc), especificados por gênero e idade, 
considerados mais vulneráveis à violência. Desta maneira, são vistas como 
vítimas potenciais e o sofrimento delas considerado legítimo, enquanto que 
outros grupos sociais não são reconhecidos como passíveis de sofrer violência. 
Nessa perspectiva, é imprescindível compreender a dinâmica da violência 
como algo complexo e relacional (FASSIN, 2009). A posição de vítima não 
corresponde a um lugar fixo, ela depende do contexto de violência em que 
está inserida e da figura do agressor. Assim como a posição do agressor, a de 
vítima pode-se deslocar entre diferentes indivíduos dependendo da dinâmica 
da violência.
De modo geral nos estudos antropológicos, temos com maior frequência o 
relato da vítima e pouco material sobre a versão do autor da violência(ALVIM; 
SOUZA, 2005; ROSA, 2008; CORTÉZ; SOUZA, 2010). Uma das justificativas 
deve-se ao fato de nem sempre conseguir identificar ou localizar o agressor ou 
ainda saber quais foram as motivações e as circunstâncias da violência. 
Como forma de compreender melhor a dinâmica da violência contra a mulher, 
analisaremos alguns trechos do romance o remorso de baltazar serapião, do 
escritor português valter hugo mãe.
O que o italiano médio sabe da literatura portuguesa
Philippe Simon (Université de Paris-Sorbonne)
As obras de divulgação (como dicionários, enciclopédias) sintetizam e 
resumem mais ou menos precisamente as pesquisas mais especializadas 
em vários âmbitos, cientifíco, técnico e também literário. Estas obras são 
muito importantes porque têm uma grande difusão e porque contribuem 
fortemente a formação cultural de um amplo público de cultura média.. Nesta 
comunicação, tencionamos analisar a formação da imagem « divulgativa »da 
literatura portuguesa na Itália. Em primeiro lugar estudaremos a primeira 
síntese enciclopédica sobre este assunto : o artigo « letteratura portoghese » 
na Enciclopedia Italiana Treccani primeira enciclopédia italiana no século XX 
(publicada a partir dos anos trinta) de autoria de Fidelino de Figueiredo, resumo 
das suas pesquisas sobre a literatura portuguesa. Em seguida, ilustraremos a 
evolução da imagem da mesma, as vezes surpreendente e paradoxal, noutra 
obra divulgativa mais recente e muito difundida : a Enciclopedia della letteratura 
Garzanti publicada a partir dos anos 70.
Análise do poema “Súmula” de Herberto Helder na 
perspectiva do Surrealismo: afinidades e divergências
Priscila Andrea Merisio (UTFPR)
Este trabalho se desenvolverá a partir de uma problematização que envolve 
o fato de Herberto Helder ser considerado como surrealista ou não. Neste 
sentido, o autor nega sua relação e afirma que “o surrealismo foi uma soma 
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de equívocos” (Entrevista à “Luzes da Galiza”, 1987). Além disso, o poeta não 
pertenceu formalmente ao grupo surrealista (MAFFEI, 2007). Nesta pesquisa, 
verificaremos se o poema “Súmula” pode ser enquadrado como surrealista 
ou não a partir de autores que afirmam, negam e ponderam sobre sua 
participação: “Ele é e não é um poeta surrealista” (GUEDES, 2013); A busca 
pela “liberdade subversiva” do poeta é uma das afinidades com o surrealismo 
(JOAQUIM, 2016). Se a escrita automática não é condicionante para indicar 
se um poema possui elementos surrealistas, ela funciona como uma forma 
de preservar a primeira manifestação de desejo (LIMA, 2009). O surrealismo 
português tem alguns pontos de divergência com o surrealismo bretoniano 
francês, e um deles é a questão da espiritualidade, “da manifestação do 
espírito”. Muito além do inconsciente, o movimento pensa novas funções do 
corpo e dos objetos (JOAQUIM, 2016). Estas particularidades do surrealismo 
português serão aplicadas na análise do poema “Súmula”.
Lisboa livro de bordo: olhares sobre Lisboa que vão 
além do óbvio
Rachel Hoffmann (FAIMI/UNIESP)
Durante muito tempo, a ditadura salazarista se utilizou de imagens acerca do ser 
português como povo colonizador por excelência, e de Portugal como império, 
para justificar sua maneira de governar. Entre essas imagens, destaca-se ainda 
a eleição de Lisboa como capital representante de um passado marcado pela 
expansão marítima levada a cabo pelos portugueses. Em nosso trabalho 
trazemos uma leitura do livro Lisboa, livro de bordo: vozes, olhares, memorações 
(1997), de José Cardoso Pires, a qual segue a linha de reflexão por nós adotada 
em nossa tese de doutorado. Se a proposta de nossa tese foi verificar de que 
maneira o uso da ironia e da paródia a mitos da tradição portuguesa permite 
o questionamento da identidade lusa em textos de Cardoso Pires, na análise 
do livro escolhido para apresentação, verificaremos de que modo a retomada 
de textos conhecidos por um leitor virtual possibilita o desmascaramento da 
leitura que se fez durante muito tempo da cultura portuguesa. Nesse sentido, 
a estrutura do livro, marcada por textos introduzidos por frases, cada um deles 
representando um olhar sobre Lisboa, leva a uma fruição do texto a partir 
da focalização de passagens consideradas elementares para a construção 
da interpretação por nós sinalizada. Paralelamente, a retomada de algumas 
imagens, como a da capital portuguesa como barca, abordadas de maneira 
crítica pelo narrador, faz com que recorramos uma vez mais ao conceito de 
ironia, o qual, juntamente com as visões de teóricos que se debruçaram sobre 
a obra cardoseana, mostra-se necessário a nossa abordagem.
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Variações contemporâneas do monumentum horaciano 
na lírica de língua portuguesa
Rafael Campos Quevedo (UFMA)
Tendo como propósito mais geral a reflexão acerca das relações entre a lírica 
contemporânea de língua portuguesa e tradições literárias canonizadas, esta 
comunicação aborda variações atuais da tópica horaciana da perenidade da 
poesia cuja mensagem, amplamente cultivada pela antiguidade greco-latina 
e pela poesia portuguesa de índole clássica (Sá de Miranda, Antonio Ferreira, 
Camões e Correia Garção), trata do poder imortalizador da palavra poética. 
Nesse sentido, poemas dos brasileiros Geraldo Carneiro, Dora Ferreira da Silva, 
Antônio Cícero, Marco Catalão e do português Pedro Tamen serão abordados 
com o intuito de se discutir que novos sentidos são produzidos a partir desse 
antigo topos e, em última instância, o que dizem tais reescritas acerca de 
traços da própria contemporaneidade lírica em língua portuguesa. Como 
referencial teórico serão empregados os estudos de Ernst Robert Curtius sobre 
investigação tópica e Francisco Achcar sobre os temas horacianos na poesia de 
língua portuguesa.
Heroísmos à beira-mar: Cesário Verde e Augusto dos 
Anjos
Rafael Iatzaki Rigoni (UFPR)
João Cabral em seu poema “O sim contra o sim” estabelece uma relação entre 
a ars poetica de Cesário Verde e de Augusto dos Anjos por meio da metáfora 
da “tinta – água clara/suja” com que esses poetas “coloriam” seus poemas. Em 
nosso trabalho gostaríamos de refletir sobre as relações entre Cesário Verde 
e Augusto dos Anjos a partir da leitura analítica de dois sonetos: “Heroísmos” 
do poeta português e “Alucinação à beira-mar” do poeta brasileiro. Dentre 
os possíveis pontos de aproximação dos dois poemas, como por exemplo, 
a influência baudelairiana, a forma do soneto, os indicies de modernidade e 
outros, partiremos da análise do uso da imagem do “mar” para desenvolvermos 
uma reflexão sobre a linguagem poética, a construção da subjetividade no 
poema e a relação com a tradição presente nos poemas.
O papel do Cavaleiro Medieval na obra “Mensagem”, 
de Fernando Pessoa
Ranieri Emanuele Mastroberardino (UFPR)
A presente comunicação é cara ao contexto do modernismo português e 
possui, como foco basilar, evidenciar e analisar os atributos intrínsecos ao 
cavaleiro medieval, bem como o posicionamento ativo deste, na elucidação do 
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espírito de consciência criadora nacional, que perpassa o livro Mensagem, de 
Fernando Pessoa. Nesta linha investigativa, destacaremos, em uma segunda 
etapa, como que as características dos guerreiros atrelavam-se ao verdadeiro 
sentimento de pertencimento à nação portuguesa, tal como à incumbência do 
poeta, a qual se distinguia por promover uma remodelação do subconsciente 
nacional do povo lusitano, remodelação que não se associava aos ideais do 
nacionalismo ideológico e político do Estado Novo, mas ao ideal de ressuscitar/
regenerar Portugal, tanto no âmbito cultural quanto no âmbito espiritual.
Antologias de poesia brasileira de José Osório de 
Oliveira
Raquel dos Santos Madanêlo Souza (UFMG)
José Osório de Oliveira foi um crítico, escritor, tradutor, ensaísta e cronista 
português que estabeleceu um fecundo diálogo com importantes escritores 
brasileiros durante as primeiras décadas do século XX. Seu trabalho de 
divulgação da literatura brasileiraem terras lusitanas traduziu-se em estudos 
de natureza variada, que incluem desde a primeira História da literatura 
brasileira produzida em Portugal a algumas antologias de prosa e poesia 
do Brasil. O objetivo dessa comunicação será refletir sobre as antologias de 
poesia, organizadas por Oliveira, e sobre seu papel na divulgação de nossa 
literatura naquele país.
Húmus, de Raul Brandão: mudanças de paradigmas na 
figuração da personagem
Raquel Trentin Oliveira (UFSM)
Na esteira de Aristóteles, boa parte da teoria narrativa tradicional tratou da 
personagem como subordinada à ação. Muitas vezes, portanto, a complexidade 
da personagem ficou reduzida à sua função de agente na intriga. A teoria 
narratológica contemporânea, no entanto, tem tentado revigorar os estudos 
da personagem, ampliando seu escopo de abordagem em diálogo com outras 
áreas do saber, como a psicologia cognitiva e as teorias da informação. Nesse 
contexto, esta comunicação busca refletir sobre o seguinte problema: com 
as metamorfoses da intriga na narrativa do século XX, que formas e status a 
personagem assume? No caso do romance sem intriga, ou melhor, em que 
os eventos se passam na mente do narrador-personagem, como qualificar o 
papel da personagem em relação à ação? “Os maiores dramas passam-se no 
silêncio”, isso é o que diz o narrador do romance Húmus (1917), de Raul Brandão, 
escolhido para estudo. Tal narrativa é bastante apropriada à discussão desse 
assunto, pois, além de inaugurar diversas facetas tomadas pelo romance 
português contemporâneo e abandonar a lógica da intriga convencional, 
incorpora uma dimensão reflexiva propensa a redimensionar conceitualmente 
a personagem em sua relação com a ação.
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Maria Amália Vaz de Carvalho: uma voz atuante no 
periódico oitocentista Semanário Maranhense
Raymara Gaspar Pereira (UFMA)
A presente comunicação se articula com as reflexões e debates do “Grupo 
de Estudos e de Pesquisa Literatura e Imprensa” (GEPELI/UFMA/FAPEMA/
CNPq) e traz os resultados a respeito da presença da escritora portuguesa 
Maria Amália Vaz de Carvalho no periódico oitocentista do Maranhão 
intitulado Semanário Maranhense. Para a realização deste trabalho foram 
realizadas visitas ao acervo da Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís, 
e ao acervo digital da Biblioteca Nacional. Após reunir todos os exemplares, 
verificamos as questões historiográficas, analíticas, críticas e biográficas a 
respeito da autora. Destacamos a atuação de Maria Amália Vaz de Carvalho 
num período em que as mulheres não tinham muito espaço nos periódicos, 
mas no Semanário Maranhense ela ganha destaque como literata e crítica. 
Propomos a instrumentalização e análise de textos jornalísticos como fonte 
e objeto de pesquisa, já que desde o século XIX é um importante instrumento 
difusor da cultura e da literatura. Além disso, o periódico ganhou status de 
documento e o estudo da fonte jornalística permitiu ampliar os horizontes 
para novas reflexões e problemáticas nos conhecimentos sobre o passado 
literário no país.
Diálogos lusitanos: a presença portuguesa em escritos 
cascudianos
Regina Lúcia de Medeiros (UFRN)
Propomos uma análise integrativa de “O mouro indispensável”, diálogo 
imaginário que compõe o Prelúdio e fuga do real, do norte-rio-grandense 
Luís da Câmara Cascudo. Datado de 1974, esse livro é fruto da maturidade 
do escritor, revelando traços recorrentes na produção de seu autor e 
apresentando diálogos entre um “eu-ficcionalizado” do próprio autor, que 
atende ao vocativo de “professor”, e personagens da literatura ocidental, 
figuras religiosas e personalidades políticas. No capítulo analisado nesta 
comunicação, o narrador cascudiano dialoga com Luís de Camões numa praia 
de Moçambique. Nesse capítulo, a descrição inicial é longa e detalhada, com 
comentários sobre a história do país e observações de caráter etnográfico 
sobre a sociedade moçambicana, lembrando a escrita dos textos de Made 
in Africa (CASCUDO, 2002), assim como os interesses focalizados nesse 
livro, tais como a alimentação e os gestos africanos. Nossa leitura parte da 
concepção dialógica da literatura e retoma outras obras do escritor potiguar 
com o objetivo de comprender o seu posicionamento em relação à tradição 
portuguesa.
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Todo o estado de alma é uma paisagem: Paùlismo, 
Interseccionismo e Lúcio Cardoso
Regina Márcia de Souza (UFPR)
A presente pesquisa tem por objetivo estabelecer um diálogo entre a poesia 
interseccionista e paùlica de Fernando Pessoa e a poesia do romancista e poeta 
mineiro Lúcio Cardoso. Será analisada a maneira como cada poeta trabalha 
temas e formalidades estéticas em comum, colocando a poesia cardosiana em 
debate, bem como aspectos da obra de Fernando Pessoa que foram ofuscados 
pela construção heteronímica. A partir da premissa pessoana de que “todo 
estado de alma é uma paisagem”, presente em uma nota preliminar atribuída 
ao projeto poético Cancioneiro, será discutida a ocorrência da paisagem como 
representação de um estado de alma nos poemas “Impressões do Crepúsculo” 
e “Chuva Oblíqua”, de Fernando Pessoa, e alguns poemas selecionados de 
Lúcio Cardoso.
Se vão da lei da morte libertando: o argumento 
histórico épico na Comédia de Diu
Renata Brito dos Reis (UFBA)
É irrefutável a importância que o teatro de Gil Vicente representa para a história 
da literatura dramática portuguesa. No entanto, pensando nas instâncias que 
incidem sobre a definição do que é canônico, torna-se necessário refletir sobre 
as condições que propiciaram a criação de uma tradição literária denominada 
de Escola Vicentina por Teófilo Braga (1898). Nesse sentido, além de levar 
em conta que entender um dramaturgo é também entender os seus pares, 
aqueles com quem ele dialoga, é evidente que não se pode desvinculá-lo do 
contexto histórico no qual está inserido. Com base nisso, e em consonância 
com o pensamento de José Antônio Saraiva (1981), em Gil Vicente e o fim 
do teatro medieval, a proposta deste trabalho se configura como um esforço 
de projetar luzes na história da literatura portuguesa para repensar, assim, a 
afirmação de que a obra de Gil Vicente é uma espécie de resumo de toda uma 
época. Para tanto, propõe-se estudar de que modo Simão Machado, poeta 
e dramaturgo português do século XVI, se relaciona com a história ao lançar 
mão de um argumento histórico-épico para compor a sua obra dentro dos 
limites do gênero comédia. Dessa maneira, é patente que, na Comédia de Diu, 
a construção dos heróis nacionais extrapola os limites da relação entre ficção 
e história. Isso porque, no contexto de decadência em que se encontrava 
Portugal quando a peça foi impressa (1601), a história recuperada através do 
texto dramático não é apenas repetida, mas experimentada no “aqui e agora” 
inerente ao drama.
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“Suave Milagre” e “A aia”: Eça de Queirós e a religião 
como tema
Renata Santos Cruz (UEFS)
Levando em consideração a literatura portuguesa, nota-se que há referências a 
temática religiosa. A presença dessas marcas pode ser explícita ou não, exigindo 
do leitor um conhecimento prévio dessa temática para melhor compreender 
este diálogo. Uma vez que, para haver a intertextualidade o mesmo precisa 
demonstrar a habilidade de reconhecer tais relações. É necessário o estudo 
de textos literários de escritores portugueses, para podermos identificar a 
presença da tradição bíblica nas narrativas, pois, essas obras são de grande 
importância, podendo identificar a tradição bíblica vista pela perspectiva dos 
autores, como uma das principais influências culturais do ocidente.
A temática desse trabalho é relevante no que objetiva realizar o estudo das 
influências bíblicas em contos modernos. Para exemplificar, temos os contos 
de Eça de Queirós Suave Milagre (1898) e A aia (1893), os quais dialogam com 
os elementos bíblicos, ou seja, a recriação de textos literários da tradição 
bíblica é evidente. 
Portanto, Eça de Queirós em toda a sua maestria,

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