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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
89 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Dá-me vinho, legume, frutas, azeite. 
Das brancas ovelhinhas tiro o leite, 
E mais as finas lãs, de que me visto. 
Graças, Marília bela, 
Graças à minha Estrela! 
*Casal: pequena propriedade rústica 
Na segunda e terceiras parte das Liras, a prisão pelo seu suposto 
envolvimento na Inconfidência Mineira faz com que o poeta assuma 
um tom de confissão, cantando sua tristeza, o sentimento de 
injustiça, o medo do futuro e a lembrança de Marília, rompendo com 
o convencionalismo e com o equilíbrio neoclássico. Ainda que os 
sentimentos continuem controlados, os poemas são mais emotivos 
e há um tom de desabafo, inclusive com referência a elementos 
biográficos, que fazem com que Tomás Antônio Gonzaga seja 
apontado como pré-romântico. 
Nesta triste masmorra, 
de um semivivo corpo sepultura, 
inda, Marília, adoro 
a tua formosura. 
Amor na minha idéia te retrata; 
busca, extremoso, que eu assim resista 
à dor imensa, que me cerca e mata. 
 
Quando em meu mal pondero, 
então mais vivamente te diviso: 
vejo o teu rosto e escuto 
a tua voz e riso. 
Movo ligeiro para o vulto os passos; 
eu beijo a tíbia luz em vez de face, 
e aperto sobre o peito em vão os braços. 
 
Conheço a ilusão minha; 
a violência da mágoa não suporto; 
foge-me a vista e caio, 
não sei se vivo ou morto. 
Enternece-se Amor de estrago tanto; 
reclina-me no peito, e com mão terna 
me limpa os olhos do salgado pranto. 
 
(...) 
 
Publicado no livro Marília de Dirceu: Segunda Parte (1799). 
In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. 
Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 
5) 
 
POESIA SATÍRICA 
Sob pseudônimo de Critilo, escreveu as célebres Cartas Chilenas 
onde satiriza os desmandos do governador de Minas Gerais, 
apelidado no texto de Fanfarrão Minésio. 
 
Cartas chilenas 
Na obra de teor satírico Cartas Chilenas, Tomás Antônio Gonzaga 
adota o pseudônimo de Critilo para ironizar a arrogância e os 
desmando do governador Luís da Cunha Meneses, que recebe, na 
obra, o nome de Fanfarrão Minésio. A obra, apesar do forte teor 
crítico, não apresenta intensão revolucionária, mas, provavelmente, 
foi por conta de sua publicação que Tomás Antônio Gonzaga foi 
acusado de ser um dos participantes da Inconfidência Mineira. 
 
Carta 1a. 
Em que se descreve a entrada, que fez 
Fanfarrão em Chile. 
 
Acorda, Doroteu, acorda, acorda; 
Critilo, o teu Critilo é quem te chama: 
Levanta o corpo das macias penas; 
Ouvirás, Doroteu, sucessos novos, 
Estranhos casos, que jamais pintaram 
Na ideia do doente, ou de quem dorme 
Agudas febres, desvairados sonhos. 
Não és tu, Doroteu, aquele mesmo, 
Que pedes, que te diga, se é verdade, 
 
Carta 3ª Em que se contam as injustiças e violências que Fanfarrão 
executou por causa de uma cadeia, a que deu princípio. 
Pertende, Doroteu, o nosso chefe 
Erguer uma cadeia majestosa, 
Que possa escurecer a velha fama 
Da torre de Babel e mais dos grandes, 
Custosos edifícios que fizeram, 
Para sepulcros seus, os reis do Egito. 
Talvez, prezado amigo, que imagine 
Que neste monumento se conserve 
Eterna, a sua glória, bem que os povos 
Ingratos não consagrem ricos bustos 
Nem montadas estátuas ao seu nome. 
Desiste, louco chefe, dessa empresa: 
Um soberbo edifício levantado 
Sobre ossos de inocentes, construído 
Com lágrimas dos pobres, nunca serve 
De glória ao seu autor, mas, sim, de opróbrio. 
Tomás Antônio Gonzaga 
 
2.3. A INCONFIDÊNCIA MINEIRA 
A Independência Americana, em 1776, os ideais iluministas e a 
cobrança extorsiva dos impostos pela Coroa portuguesa incentivam 
o movimento nativista que ficou marcado como o mais significativo 
do nosso passado colonial, criando mitos e heróis. 
O Iluminismo não incentivou na poesia apenas a ideia de um idílio 
agradável no campo, uma vida bucólica e pastoril, mas favoreceu, 
também, a crença na evolução do homem através da instrução, a 
noção de justiça, a virtude civil, a prática do bem: 
O ser herói, Marília, não consiste 
Em queimar os Impérios: move a guerra, 
Espalha o sangue humano, 
E despovoa a terra 
Também o mau tirano. 
Consiste o ser herói em viver justo: 
E tanto pode ser herói o pobre, 
Como o maior Augusto. 
Tomás Antônio Gonzaga 
 
Nesse contexto, alguns poetas árcades, como Cláudio Manuel da 
Costa e Alvarenga Peixoto, envolveram-se na Conjuração Mineira. 
A efetiva participação de Tomás Antônio Gonzaga ainda é motivo 
de polêmica entre historiadores, mas, assim como muitos dos 
acusados, o poeta foi preso e condenado a 10 anos de degredo na 
África. 
 
 
 
 
 90 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 10 - O Arcadismo No Brasil 
 
 
Panteão dos Inconfidentes, no Museu da Inconfidência, em Ouro 
Preto, onde estão guardados os restos mortais dos inconfidentes. 
Fonte: http://museudainconfidencia.wordpress.com/about/ 
 
2.4. SILVA ALVARENGA (1749-1814) 
Obra: Glaura (1799) 
Identificado com o Iluminismo, Manuel Inácio da Silva Alvarenga, 
em Glaura, também cultiva uma lírica de inspiração galante. Trata-
se de um poema composto por rondós* e madrigais*, onde o poeta, 
sob o pseudônimo de Alcindo Palmireno, exalta a pastora Glaura, 
que, a princípio, parece se esquivar desse canto amoroso. O 
sofrimento de Alcindo acabará sendo recompensado pela 
retribuição do afeto, porém Glaura morrerá em seguida, deixando o 
pastor imerso em depressão. 
 
“Alvarenga leva às últimas consequências o desejo árcade de 
construir uma poesia repleta de naturalidade, em que a 
simplicidade e a expressão espontânea fossem cultivadas em 
detrimento de imagens rebuscadas. Tais características podem ser 
observadas em Glaura: poemas eróticos de uma americano, livro 
composto de 59 rondós e 57 madrigais. Os poemas, que têm como 
tema central o sentimento amoroso são atravessados pela recusa à 
grandiloquência épica, que se faz sentir desde a epígrafe do 
volume: "Adeus, ó Heróis, quem enfim/ Nas cordas da doce lira/ se 
respira terno amor". Trata-se, portanto, da recusa aos grandes 
temas e formas épicos e da valorização da expressão lírica 
pessoal, espontânea; da busca pela naturalidade contra os artifícios 
da linguagem; da elaboração de formas breves, como são os 
rondós e madrigais.” 
 
Carinhosa e doce, ó Glaura, 
Vem esta aura lisonjeira, 
E a mangueira já florida 
Nos convida a respirar. 
Sobre a relva o sol doirado 
Bebe as lágrimas da Aurora, 
E suave os dons de Flora 
Neste prado vê brotar. 
 
*Rondó: composição poética com estribilho constante. 
*Madrigal: composição poética galante e musical. 
 
2.5. POESIA ÉPICA 
 
BASÍLIO DA GAMA (1741 -1795) 
É autor do poema épico O Uraguai (1769), poema em cinco atos, 
escrito em decassílabos brancos (sem rimas), sobre a destruição 
das Missões jesuíticas dos Sete Povos pelas forças luso-
espanholas comandadas por Gomes de Freire de Andrade, em 
1756. 
O poema retrata a batalha entre conquistadores e índios, 
manobrados pelos jesuítas, e destaca a valentia e a nobreza dos 
índios, que, apesar de não serem os heróis, não são apontados 
como vilões. 
Características: 
- Celebração épica dos conquistadores brancos, representados 
pelo general Gomes Freire de Andrade. 
 - Os índios (Sepé e Cacambo) são apresentados como dotados de 
inúmeras qualidades. É uma espécie de glorificação do homem 
natural que enfrenta os representantes da civilização européia. 
- Os vilões da história são os jesuítas, duramente criticados, 
destacando-se o padre Balda. 
- O Uraguai é um poema em cinco cantos e em versos brancos 
(sem rima). 
 
O trecho mais famoso do poema, no entanto, possui um teor lírico: 
a passagem que narra a morte da índia Lindoia, que, após ter seu 
marido, Cacambo, envenenado por ordens do padre Balda e na 
iminência de casar-se com o índio Baldeta, filho natural do padre 
corrupto, prefere morrer, deixando-se picar por uma serpente 
venenosa.. 
 
( ) "Este lugar delicioso e triste, 
Cansada de viver, tinha escolhido, 
Para morrer, a mísera Lindoia. 
Lá reclinada, como que dormia, 
Na branda relva, e nas mimosas flores; 
Tinha a face na mão, e a mão no tronco 
De um fúnebre cipreste, que espalhava 
Melancólica sombra. Mais de perto 
Descobrem que se enrola em seu corpo 
Verde serpente..." 
Basílio da Gama 
 
No trecho abaixo o general Gomes Freire dialoga com os chefes 
indígenas, Cacambo e Sepé: 
O rei é vosso pai: quer-vos felizes. 
Sois livres, como eu sou; e sereis livres, 
Não sendo aqui, em qualquer outra parte. 
Mas deveis entregar-nos estas terras. 
Ao bem público cede o bem privado. 
O sossego da Europa assim o pede. 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
91 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Assim o manda o rei. Vós sois rebeldes, 
Se não obedeceis; mas os rebeldes 
Eu sei que não sois vós - são os bons padres, 
Que vos dizem a todos que sois livres, 
E se servem de vós como de escravos, 
E armados de orações vos põem no campo. 
 
SANTA RITA DURÃO (1722-1784) 
 
O poema épico Caramuru (1781) segue o modelo camoniano de Os 
Lusíada, possuindo dez cantos, com estrofes de oito versos 
decassílabos e rimados, e procura cantar o início da colonização do 
Brasil. 
Caramuru relata a história de Diogo Álvares Correia, aventureiro 
que naufraga na costa da Bahia, no século XVI, sendo recolhido 
por índios. Após surpreendê-los e encantá-los com sua espingarda, 
inicia um processo de catequese e colonização. 
O jovem herói católico, então, noiva com Paraguaçu, filha de um 
cacique e parte com ela rumo à Europa, ainda castos, para lá 
efetivar o matrimônio. 
Caramuru configura-se, assim, como um canto de louvor ao 
processo de colonização e catequese português. 
 
CARAMURU (Canto VI, Estrofe XLII) 
 
Perde o lume dos olhos, pasma e treme, 
Pálida a cor, o aspecto moribundo, 
Com mão já sem vigor, soltando o leme, 
Entre as salsas escumas desce ao fundo. 
Mas na onda do mar, que irado freme, 
Tornando a aparecer desde o profundo: 
"Ah Diogo cruel!" disse com mágoa, 
E, sem mais vista ser, sorveu-se n'água. 
 
Santa Rita Durão 
 
Caramuru é o elogio do trabalho de colonização e de catequese do 
europeu, especialmente da ação civilizadora do português. Mesmo 
não sendo padre, Diogo Álvares está interessado em conduzir o 
índio ao caminho do cristianismo. Este é o seu principal objetivo. 
 
Desta forma, ainda que não haja teor nacionalista nessas obras, é 
através de O Uraguai e de Caramuru que começa a tradição 
indianista na literatura brasileira, posteriormente retomada pelos 
Românticos com um viés nacionalista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 (Ufv) 
Sobre o Arcadismo no Brasil, podemos afirmar que: 
a) produziu obras de estilo rebuscado, pleno de antíteses e frases 
tortuosas, que refletem o conflito entre matéria e espírito. 
b) não apresentou novidades, sendo mera imitação do que se fazia 
na Europa. 
c) além das características européias, desenvolveu temas ligados à 
realidade brasileira, sendo importante para o desenvolvimento de 
uma literatura nacional. 
d) apresenta já completa ruptura com a literatura européia, 
podendo ser considerado a primeira fase verdadeiramente 
nacionalista da literatura brasileira. 
e) presente, sobretudo, em obras de autores mineiros como Tomás 
Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e 
Basílio da Gama, caracteriza-se como expressão da angústia 
metafísica e religiosa desses poetas, divididos entre a busca da 
salvação e o gozo material da vida. 
 
Questão 02 
SONETO LXII 
Torno a ver-vos, ó montes; o destino 
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros; 
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
Pelo traje da Corte rico, e fino. 
Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
Vendo correr os míseros vaqueiros 
Atrás de seu cansado desatino. 
Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia, 
Que da cidade o lisonjeiro encanto; 
Aqui descanse a louca fantasia; 
E o que te agora se tornava em pranto, 
Se converta em afetos de alegria. 
Cláudio Manuel da Costa 
 
Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os 
elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção 
correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de 
sua produção. 
a) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são 
imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta 
se vestiu com traje “rico e fino”. 
b) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do 
poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido 
entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da 
terra da Colônia. 
c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento 
estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta 
árcade em realizar uma representação literária realista da vida 
nacional. 
d) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na 
terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição 
histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole. 
e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil 
Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, 
na última estrofe, à transformação do pranto em alegria. 
 
 
 
 
 
 
 92 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 10 - O Arcadismo No Brasil 
 
Questão 03 (ENEM 2008) 
Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de Cláudio 
Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao seu interlocutor. 
a) “Torno a ver-vos, ó montes; o destino” (v.1) 
b) “Aqui estou entre Almendro, entre Corino,” (v.5) 
c) “Os meus fiéis, meus doces companheiros,” (v.6) 
d) “Vendo correr os míseros vaqueiros” (v.7) 
e) “Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,” (v.11) 
 
Questão 04 (PUC-MG) 
TEXTO I 
"Discreta e formosíssima Maria, 
Enquanto estamos vendo claramente 
Na vossa ardente vista o sol ardente, 
e na rosada face a aurora fria; 
 
Enquanto pois produz, enquanto cria 
Essa esfera gentil, mina excelente 
No cabelo o metal mais reluzente, 
E na boca a mais fina pedraria. 
 
Gozai, gozai da flor da formosura, 
Antes que o frio da madura idade. 
 
Tronco deixe despido o que é verdura. 
Que passado o zenith da mocidade, 
Sem a noite encontrar da sepultura, 
É cada dia ocaso da beldade." 
(Gregório de Matos) 
 
TEXTO II 
"Ah! enquanto os Destinos impiedosos 
Não voltam contra nós a face irada, 
Façamos, sim façamos, doce amada, 
Os nossos breves dias mais ditosos, 
 
Um coração, que frouxo 
A grata posse de seu bem difere, 
A si, Marília, a si próprio rouba, 
E a si próprio fere. 
 
Ornemos nossas testas com as flores; 
E façamos de feno um brando leito, 
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito, 
Gozemos do prazer de sãos Amores. 
Sobre as nossas cabeças, 
Sem que o possam deter, o tempo corre; 
E para nós o tempo, que se passa, 
Também, Marilia, morre." 
(Tomás Antônio Gonzaga) 
 
O texto I é barroco; o texto II é arcádico. Comparando-os, é correto 
afirmar, EXCETO: 
a) os barrocos e árcades expressam sentimentos. 
b) as construções sintáticas barrocas revelam um interior 
conturbado. 
c) o desejo de viver o prazer é dirigido à amada nos dois textos. 
d) os árcades têm uma visão de mundo mais angustiada que os 
barrocos. 
e) a fugacidade do tempo é temática comum aos dois estilos. 
 
Questão 05 (UCS 2012) 
As obras literárias marcam diferentes visões de mundo, não apenas 
dos autores, mas também de épocas históricas distintas. Reflita 
sobre isso e leia os fragmentos dos poemas de Gregório de Matos 
e de Tomás Antônio Gonzaga. 
 
Arrependido estou de coração, 
de coração vos busco, dai-me abraços, 
abraços, que me rendem vossa luz. 
 
Luz, que claro me mostra a salvação, 
a salvação pretendo em tais abraços, 
misericórdia, amor, Jesus, Jesus! 
(MATOS, Gregório. Pecador contrito aospés do Cristo crucificado. 
In: TUFANO, Douglas. Estudos de literatura brasileira. 4 ed. rev. e 
ampl. São Paulo: Moderna, 1988. p. 66.) 
 
Minha bela Marília, tudo passa; 
a sorte deste mundo é mal segura; 
se vem depois dos males a ventura, 
vem depois dos prazeres a desgraça. 
Estão os mesmos deuses 
sujeitos ao poder do ímpio fado: 
Apolo já fugiu do céu brilhante, 
já foi pastor de gado. 
(GONZAGA, Tomás António. Lira XIV. In: TUFANO, Douglas 
Estudos de literatura brasileira. 4 ed. rev. e ampl. São Paulo: 
Moderna, 1988. p. 77.) 
 
Em relação aos poemas, analise a veracidade (V) ou a falsidade (F) 
das proposições abaixo. 
( ) O poema de Gregório de Matos apresenta um sujeito lírico 
torturado pelo peso de seus pecados e desejoso de aproximar-se 
do Divino. 
( ) Tomás Antônio Gonzaga, embora pertença ao mesmo período 
literário de Gregório de Matos, revela neste poema um sujeito lírico 
consciente da brevidade da vida. 
( ) Em relação às marcas de religiosidade, a visão antagônica 
que se coloca entre os dois poemas reflete, no Barroco, a influência 
do cristianismo e, no Arcadismo, a da mitologia grega. 
 
Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses, 
de cima para baixo. 
a) V – V – V b) V – F – F c) V – F – V 
d) F – F – F e) F – V – F 
 
Questão 06 (Imed 2016) 
Sobre o arcadismo brasileiro, é correto afirmar que: 
a) O arcadismo pregava a ressurreição do ideal clássico, visando 
resgatar os valores antropocêntricos do Renascimento. 
b) Marília de Dirceu foi um dos grandes poemas do arcadismo, cujo 
autor, Claudio Manuel da Costa, apresenta um eu lírico 
apaixonado, que expõe o conflito do amor de sua amada e a 
objeção do pai da moça. 
c) Em Caramuru, Frei José de Santa Rita Durão faz uma ode aos 
heróis indígenas que habitavam a Bahia, no período da chegada da 
frota de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. 
d) Em O Uraguai, o herói Gomes Freire de Andrade divide as 
honras com Cacambo, herói indígena. Poemeto épico, Silva 
Alvarenga traz o período da guerra dos portugueses e espanhóis 
contra os indígenas e jesuítas em Sete Povos das Missões do 
Uruguai, em 1759. 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
93 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
e) Alvarenga Peixoto, em Glaura, apresenta-nos poemas eróticos 
utilizando-se de técnicas como a alegoria e o gesto teatral, as quais 
distingue sua produção de seus contemporâneos. 
 
Questão 07 (UPE 2015) 
No Arcadismo brasileiro, encontram-se textos épicos, líricos e 
satíricos. Com base nessa afirmação, leia os textos a seguir: 
 
TEXTO 1 
Pastores, que levais ao monte o gado, 
Vede lá como andais por essa serra; 
Que para dar contágio a toda a terra, 
Basta ver-se o meu rosto magoado: 
Eu ando (vós me vedes) tão pesado; 
E a pastora infiel, que me faz guerra, 
É a mesma, que em seu semblante encerra 
A causa de um martírio tão cansado. 
Se a quereis conhecer, vinde comigo, 
Vereis a formosura, que eu adoro; 
Mas não; tanto não sou vosso inimigo: 
Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro; 
Que se seguir quiserdes, o que eu sigo, 
Chorareis, ó pastores, o que eu choro. 
Cláudio Manuel da Costa 
 
TEXTO 2 
[...] 
Enquanto pasta alegre o manso gado, 
minha bela Marília, nos sentemos 
à sombra deste cedro levantado. 
Um pouco meditemos 
na regular beleza, 
que em tudo quanto vive nos descobre 
a sábia Natureza. 
[...] 
Tomás Antônio Gonzaga 
 
TEXTO 3 
[...] 
Amigo Doroteu, não sou tão néscio, 
Que os avisos de Jove não conheça. 
Pois não me deu a veia de poeta, 
Nem me trouxe, por mares empolados, 
A Chile, para que, gostoso e mole, 
Descanse o corpo na franjada rede. 
Nasceu o sábio Homero entre os antigos, 
Para o nome cantar, do grego Aquiles; 
Para cantar, também, ao pio Enéias, 
Teve o povo romano o seu Vergílio: 
Assim, para escrever os grandes feitos 
Que o nosso Fanfarrão obrou em Chile, 
Entendo, Doroteu, que a Providência 
Lançou, na culta Espanha, o teu Critilo. 
[...] 
Tomás Antônio Gonzaga - Cartas Chilenas 
 
Sobre eles, analise os itens seguintes: 
 
I. Os três poemas são árcades e nada têm que possamos 
considerá-los pertencentes a outro estilo de época, uma vez que 
seus autores só produziram poemas líricos e com características 
totalmente arcádicas. Além disso, todos eles trazem referências à 
mitologia clássica mediante o uso de termos tais como “monte”, 
“Natureza” e “Jove”, respectivamente, nos textos 1, 2 e 3. 
II. Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa são poetas 
árcades, embora o primeiro tenha se iniciado como barroco, daí os 
trechos dos dois poemas de sua autoria revelarem traços desse 
momento da Literatura. De outro modo, Cláudio Manuel da Costa, 
no poema de número 1, se apresenta pré-romântico, razão pela 
qual sua produção se encontra dividida em dois momentos 
literários. 
III. A referência a Critilo, autor textual do oitavo poema, sendo 
espanhol, é um dado falso que tem por finalidade ocultar a 
nacionalidade do autor mineiro e, ao mesmo tempo, corroborar a 
camuflagem da autoria, em decorrência do tom satírico e agressivo 
da epístola em versos. Contudo, o desejo de ocultação não foi 
alcançado, porque Tomás Antônio Gonzaga foi preso e deportado, 
por ter sido atribuída a ele a autoria das referidas Cartas. 
IV. O tema do amor se faz presente nos poemas 1 e 2. Ambos 
apresentam bucolismo, característica do Arcadismo, contudo existe 
algo que os diferencia: o pessimismo do eu poético no texto 1 e a 
reciprocidade do sentimento amoroso no 2. 
V. O texto 3, apesar de satírico, nega, pelos aspectos temáticos e 
formais, qualquer característica do Arcadismo, pois o poeta se 
preocupa, de modo especial, com os acontecimentos históricos e 
se exime de preocupação estética, revelando desconhecimento da 
produção épica de poetas gregos e latinos. 
 
Está(ão) CORRETO(S), apenas, o(s) item(ns): 
a) I, II e III. b) I e IV. c) II, IV e V. 
d) IV. e) I. 
 
Questão 08 
TEXTO: VIVER 
Vovô ganhou mais um dia. Sentado na copa, de pijama e chinelas, 
enrola o primeiro cigarro e espera o gostoso café com leite. 
Lili, matinal como um passarinho, também espera o café com leite. 
Tal e qual vovô. 
Pois só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia a 
dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem 
além de cinco minutos... 
 (QUINTANA, Mário. "Sapato florido". 1� reimpressão. 
Porto Alegre: Editora Globo, 2005) 
 
O texto de Mário Quintana, poeta modernista, destaca a 
consequência de um aspecto central da visão de mundo tanto 
barroca quanto árcade: 
a) a fruição do momento presente. 
b) a constatação da efemeridade da vida. 
c) a valorização da vida no campo. 
d) a condenação das vaidades humanas. 
e) o ideal de uma vida simples e equilibrada. 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), para 
responder à(s) questão(ões) a seguir. 
 
Não vês, Lise, brincar esse menino 
Com aquela avezinha? Estende o braço, 
Deixa-a fugir, mas apertando o laço, 
A condena outra vez ao seu destino.

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