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Aula 9 – Formação dos Estados Modernos, Absolutismo e Mercantilismo 99 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 Thomas Hobbes, um dos principais ideólogos políticos do século XVII, defendia entre outros princípios o de que: a) ao rei é lícito governar despoticamente, em virtude do poder que recebeu do povo; b) ao parlamento cabe limitar a ação do monarca, pois os governantes estão submetidos à lei dos homens; c) ao povo cabe o direito de rebelião sempre que os governantes se mostrarem absolutistas; d) ao Estado cabe garantir a liberdade de seus súditos, a fim de que haja ordem e segurança; e) ao governante cumpre submeter-se à lei natural, de origem divina, que limita a sua ação governamental. Questão 02 Constituem-se em características da política econômica mercantilista: I – ausência de interferência do Estado no setor econômico; II – empenho em acumular moedas e metais preciosos no território nacional; III – manutenção de uma balança comercial favorável; IV – combate ao monopólio e ao protecionismo comercial. Pode-se afirmar que: a) todas as proposições são verdadeiras; b) apenas as proposições I e II são verdadeiras; c) apenas as proposições II e III são verdadeiras; d) apenas as proposições I e III são verdadeiras; e) apenas as proposições II e IV são verdadeiras; Questão 03 Sobre os diversos modelos mercantilistas adotados pelos países europeus, considere as proposições abaixo: I - O mercantilismo espanhol (bulionismo), enfatizou de modo decisivo a acumulação de metais preciosos. II – O mercantilismo holandês, conhecido com o nome de colbertismo, desenvolveu-se através dos Atos de Navegação. III – O mercantilismo francês, também denominado de industrialismo, caracterizou-se pelo estímulo à produção de manufaturas de alto luxo. Pode-se afirmar corretamente que: a) todas as proposições são verdadeiras; b) apenas as proposições I e II são verdadeiras; c) apenas as proposições I e III são verdadeiras; d) apenas a proposição I é verdadeira; e) apenas a proposição II é verdadeira. Questão 04 “Quando não há possibilidades de alterar o curso das ações dos homens e, sobretudo, dos príncipes, procura-se distinguir sempre o fim a que eles tendem. Busque, pois, um Príncipe, triunfar das dificuldades e manter o Estado, que os meios para isso nunca deixarão de ser considerados honrosos, e todos os aplaudirão. Na verdade, o vulgo sempre se deixa reduzir pelas aparências e pelos resultados.” (MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Rio de Janeiro: Vechio, 1949, p. 109.) Segundo o texto citado, era proposta de Maquiavel em relação à forma de governo: a) o rei exercer o poder absoluto, não em nome de Deus, mas de acordo com os interesses e a conservação da paz; b) o governante utilizar quaisquer meios para manter o poder, a ordem interna e a segurança; c) uma sociedade civil surgiu no instante em que os homens delegam plenos poderes aos governantes; d) a autoridade do Príncipe emana de Deus e a obrigação do povo em obedecer de forma passiva; e) a autoridade do governante ser sagrada e absoluta porque é proveniente de Deus. Anotações 100 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. Questão 05 O mercantilismo pode ser considerado como um conjunto de medidas econômicas adotadas por vários países da Europa, entre os séculos XV e XVII, e que apresentou como principais pressupostos as seguintes ideias: I – A abundância de ouro e prata é a condição de riqueza de um país. II – O saldo favorável da balança comercial é essencial para o acúmulo de riquezas da nação. III – Todo o comércio colonial deve ser monopolizado pela metrópole. Analisando as proposições acima, pode-se afirmar que: a) todas as proposições são verdadeiras; b) apenas as proposições I e II são verdadeiras; c) apenas as proposições II e III são verdadeiras; d) apenas a proposição I é verdadeira; e) apenas a proposição III é verdadeira. Questão 06 O processo de colonização portuguesa sobre o Brasil tem como um de seus pressupostos básicos a manutenção do PACTO COLONIAL, que regula as relações entre Colônia e Metrópole. Este pacto pode ser definido como um: a) acordo celebrado entre os portugueses recém chegados ao Brasil e os nativos, com o objetivo de viabilizar a exploração de pau-brasil e a utilização da mão-de obra indígena para a realização desse trabalho. b) acordo feito entre os proprietários de terras na colônia, os Governadores Gerais e o rei de Portugal, com o objetivo de evitar a concorrência econômica entre metrópole e colônia, definindo-se os bens que cada parte produziria. c) instrumento de dominação e de imposição religiosa, muito utilizado pelos jesuítas em sua missão de evangelização e de conversão dos indígenas ao catolicismo, o que veio a facilitar a criação das Reduções, como a de São Miguel Arcanjo, no Rio Grande do Sul. d) instrumento de dominação política e econômica exercida pela metrópole, que se caracterizava pelo monopólio do comércio colonial e pela complementaridade da produção colonial em relação à metrópole, sendo proibida a criação de manufaturas na região colonizada. e) acordo celebrado entre Portugal, Espanha e suas respectivas colônias, a fim de se evitarem os conflitos territoriais e de se garantir uma maior produtividade das regiões exploradas, evitando-se a concorrência entre elas, que deveriam produzir bens complementares entre si. Questão 07 Charge anônima. BURKE, P. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem fabricada por um conjunto de estratégias que visavam sedimentar uma determinada noção de soberania. Neste sentido, a charge apresentada demonstra a) a humanidade do rei, pois retrata um homem comum, sem os adornos próprios à vestimenta real. b) a unidade entre o público e o privado, pois a figura do rei com a vestimenta real representa o público e sem a vestimenta real, o privado. c) o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao conhecimento do público a figura de um rei despretensioso e distante do poder político d) o gosto estético refinado do rei, pois evidencia a elegância dos trajes reais em relação aos de outros membros da corte. e) a importância da vestimenta para a constituição simbólica do rei, pois o corpo político adornado esconde os defeitos do corpo pessoal. Anotações Aula 9 – Formação dos Estados Modernos, Absolutismo e Mercantilismo 101 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 08 Do mesmo modo que o poder, assim também a honra do soberano deve ser maior do que a de qualquer um, ou a de todos os seus súditos. Tal como na presença do senhor os servos são iguais, assim também o são os súditos na presença do soberano. E, embora alguns tenham mais brilho, e outros menos, quando não estão em sua presença, perante ele não brilham mais do que as estrelas na presença do sol. HOBBES, Thomas. Leviatã. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 112. (adaptado) O ato que institui o Governo não é, de modo algum um, contrato, mas uma lei; os depositários do Poder Executivo não são absolutamente os senhores do povo, mas seus funcionários; e o povo pode nomeá-los ou destituí-los quando lhe aprouver. Fazem senão desempenhar seu dever de cidadãos, sem ter, de modo algum, o direito de discutir as condições. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991, p. 113. (adaptado) A partir da análise dos excertos, infere-se que a) apresentam visões opostas, uma vez que o primeiro defende a concentração de poderes nas mãos do governante e o segundo, a participação popular na organização do poder. b) expressam uma mesma visão em relação ao processo de organização dasestruturas do poder político, já que ambos defendem a participação popular. c) o primeiro texto exalta a participação popular na escolha do governante, enquanto o segundo atribui à vontade divina o direito de algumas pessoas possuírem o poder. d) complementam-se, já que o primeiro trata do início da formação das chamadas Monarquias Modernas e o segundo, da concretização de suas estruturas. e) defendem uma mesma teoria em relação ao poder político: a participação popular deve ser restrita para evitar a deposição de governantes por meio de revoltas. Anotações 102 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 O traço fundamental do Absolutismo está em que o monarca não se sujeita a qualquer tipo de limitação, pois dele emana todo o poder, inclusive o de promulgar o ordenamento jurídico que submete o corpo social, mas não a autoridade régia. Nessa estrutura de dominação prevalece, assim, uma soberania calcada na vontade suprema do rei, que anula os direitos individuais em troca da garantia de segurança e de ordem aos seus súditos. Seu poder prolonga-se em delegações a agentes de confiança para gerirem, em seu nome, o funcionamento dos negócios do Estado. (Graça Salgado, Fiscais e meirinhos. In Flavio de Campos. Oficina de História. São Paulo:Editora Moderna, 2002, p. 62) Na forma de organização do Estado a que o texto se refere I. Os negócios do estado são fundamentados na soberania dos súditos, já que as leis são elaboradas para atender a segurança e a ordem da nação. II. As diversas funções do Estado, tais como, segurança, defesa, ordem e gestão da economia, são submetidas à gerência do monarca absoluto. III. A autoridade régia é submetida a uma constituição elaborada por funcionários leais e detentores de conhecimento jurídico e administrativo. IV. A administração é a expressão da vontade do monarca e, para tanto, organiza-se a partir de padrões de confiança e lealdade pessoais. Está correto o que se afirma APENAS, em: a) I e II. d) II e IV. b) I e III. e) III e IV. c) I e IV. Questão 02 SISTEMA COLONIAL MERCANTILISTA FONTE: Adaptado de: AQUINO, Rubim Santos e Leão de el alli. História das Sociedades: das sociedades modernas as sociedades atuais. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, 1978, p.56. O gráfico acima, sugere que a utilização do negro africano como escravo, deve-se à: a) indolência do índio brasileiro e sua resistência natural ao trabalho agrícola; b) ausência de reação do negro africano à condição de escravo; c) necessidade de grande quantidade de mão-de-obra para o desbravamento do interior, através da pecuária; d) rentabilidade do tráfico negreiro que favorece a acumulação de capital pela burguesia européia; e) superioridade étnica do colonizador europeu frente aos grupos africanos. Questão 03 É característica básica do Estado absolutista: a) a centralização do poder; b) a ação política da burguesia; c) a limitação do poder; d) o acentuado nacionalismo; e) o poder de grupos oligárquicos. Questão 04 O mercantilismo, política econômica do Estado Absolutista na Idade Moderna, tem como elementos básicos: I. Ideia Metalista: índice de riquezas medido pela quantidade de moeda que o Estado possui. II. Balança Comercial: manter sempre um "superavit" da exportação em relação à importação. III. Medidas protecionistas: os impostos de exportação devem ser baixos e os impostos de importação, altos. IV. Sistema colonial: a posse de colônias é o elemento que garante o funcionamento de todo o conjunto da política mercantilista. Assinale a alternativa correta: a) todas as afirmações são falsas; b) somente as afirmações I, III e IV são verdadeiras; c) todas as afirmações são verdadeiras; d) somente as afirmações lI e IV são verdadeiras. Questão 05 Assinale o falso sobre o Absolutismo: a) A Teoria do Direito Divino justificava a autoridade dos reis através da vontade de Deus. b) O apoio financeiro por parte da burguesia foi importante para a consolidação do poder absoluto dos reis. c) O absolutismo eliminou a descentralização de poderes do período feudal concentrando os poderes nas mãos do rei. d) O absolutismo fortaleceu o modo feudal de produção. e) Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes e Jacques Bossuet foram os principais teóricos do absolutismo. Questão 06 Com relação às idéias e práticas mercantilistas adotadas pelos monarcas europeus a partir do século XVI, é possível afirmar que tais procedimentos: a) caracterizam-se por uma acentuada preocupação com a regulamentação econômica, expressa na concessão de privilégios e monopólios; b) visavam tão somente proteger as nascentes manufaturadas nacionais da concorrência de produtos estrangeiros; c) decorriam da necessidade de fortalecer a burguesia mercantil das cidades contra a crescente influência das corporações de ofício; d) objetivavam a conquista de novos mercados, em especial no Oriente, para absorver o excedente agrícola produzido na Europa; e) visavam incrementar as trocas entre os mercados europeus através da eliminação das barreiras alfandegárias. Questão 07 A introdução de exércitos permanentes, de uma burocracia a serviço do Estado, de um sistema de arrecadação de impostos em escala nacional e a organização de códigos de leis válidos para todo o território são elementos: a) responsáveis pela difusão de ideais nacionalistas na Europa. b) fundamentais no processo de formação das Monarquias Nacionais europeias. c) básicos na constituição dos regimes totalitários europeus. d) presentes nos sistemas politicos típicos dos povos barbaros da Europa. e) importantes para o entendimento da doutrina liberal europeia. Aula 9 – Formação dos Estados Modernos, Absolutismo e Mercantilismo 103 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 08 "Os homens, apesar de todos os privilégios do estado de natureza, são rapidamente levados à sociedade. Os inconvenientes a que estão expostos pelo exercício irregular e incerto do poder que todo homem tem de castigar as transgressões dos outros obrigam-nos a se refugiarem sob as leis estabelecidas de governo e nele procurarem a preservação da propriedade." Esse pensamento identifica-se com: a) Michel Bakunin e o anarquismo; b) Thomas Hobbes e o Estado absolutista; c) Maquiavel e o Estado moderno; d) John Lock e o liberalismo; e) Lenin e a social-democracia. Questão 09 O regime monárquico absolutista, forma política predominante entre os Estados modernos europeus nos séculos XVI/XVIII, caracterizava-se, do ponto de vista político e social, pelos seguintes aspectos: 1. concentração de todos os poderes nas mãos do príncipe enquanto soberano absoluto; 2. neutralidade do príncipe diante dos conflitos sociais, especialmente quanto aos interesses antagônicos de camponeses, burgueses e aristocratas; 3. caráter divino da autoridade real, situada acima das leis e dos indivíduos. Considerados apenas súditos; 4. inexistência de quaisquer limites, mesmo na prática, ao exercício da autoridade despótica do monarca. Assinale: a) se somente os itens 1 e 3 estão corretos; b) se somente os itens 2 e 4 estão corretos; c) se somente os itens 3 e 4 estão corretos; d) se somente os itens 1 e 2 estão corretos; e) se somente os itens 2 e 3 estão corretos. Questão 10 "[...] Mercantilismo significa a transferência do afã de lucro capitalista à política." (Max Weber). Disto conclui-se que: a) na formação dos Estados nacionais, não se incorporou o típico lucro capitalista à política; b) havia uma incompatibilidade entre o lucro capitalista e o poder político; c) o objetivo fundamental do mercantilismo era a tomada do poder político; d) o mercantilismo não apoiava a interferência doEstado na economia; e) para fortalecer o Estado nacional, os governos passam a interferir na vida econômica com objetivos de lucros. Questão 11 São características do Estado Absolutista: a) centralização política e predomínio dos exércitos senhoriais. b) fortalecimento dos parlamentos e formação dos exércitos regulares. c) início da unificação jurídica e da tributação nacional. d) organização do sistema administrativo e descentralização política. e) enfraquecimento dos parlamentos e extinção dos direitos das corporações. Questão 12 Considere as proposições abaixo. I. "... os servos aspirando liberta-se de seus senhores, apoiaram a política dos reis no processo de unificação e centralização administrativa e judiciária.” II. "... defrontando-se com dificuldades, a aristocracia encontrou na monarquia centralizada os meios para manter seus privilégios econômicos e sociais." III. "... para manter a administração do Estado cria-se um complexo e numeroso corpo de agentes burocráticos a serviços do rei.” IV. "... com o objetivo de reforçar o poder das monarquias nascentes reafirma-se a independência dos estados coloniais.” V. "... manutenção de um exército permanente subordinado diretamente ao monarca." Identificam os elementos formadores dos Estados Modernos APENAS: a) I, II e IV; d) II, IV e V; b) I, III e V; e) I, II, IlI e IV. c) II, III e V; Questão 13 O mercantilismo foi um sistema de política econômica, em vigor entre os séculos XV e XVIII, no qual os meios econômicos conduziam a fins de natureza política. Estes fins se resumiam a) na tomada do poder político pela nobreza; b) na centralização e fortalecimento do Estado Nacional; c) na defesa de entidades supranacionais, como o Papado; d) no expansionismo europeu, incoporando novas áreas; e) no estímulo à livre competição e à livre iniciativa. Questão 14 O interesse da burguesia mercantil com relação ao absolutismo prende-se: a) ao estimulo dado pelo Estado absolutista à indústria pesada; b) ao clima de estabilidade e ordem criado pelo absolutismo; c) a burguesia mercantil não tinha nenhum interesse com relação ao sistema mercantilista de governo; d) à liberdade de comércio e de atividade industrial garantidas pelo governo absolutista. Questão 15 “Após ter conseguido retirar da nobreza o poder politico que ela detinha enquanto ordem, os soberanos a atraíram para a corte e lhe atribuíram funções políticas e diplomáticas.” Esta frase, extraída da obra de Max Weber, Política como vocação, refere-se ao processo que, no Ocidente: a) destruiu a dominação social da nobreza, na passage da Idade Moderna para a Contemporânea. b) estabeleceu a dominação social da nobreza, na passage da Antiguidade para a Idade Média. c) fez da nobreza uma ordem privilegiada, na passage da Alta Idade Média para a Baixa Idade Média. d) conservou os privilégios politicos da nobreza, na passage do Antigo Regime para a Restauração. e) permitiu ao Estado dominar politicamente a nobreza, na passage da Idade Média para a Moderna. CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL Prof. Monteiro Jr. VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Aula 10 - RENASCIMENTO CULTURAL INTRODUÇÃO A Europa ocidental experimentou múltiplas transformações no final da Baixa Idade Média e início dos Tempos Modernos. O renascimento comercial e urbano ocorrido a partir das Cruzadas e, consequentemente, o surgimento e ascensão da burguesia favoreceram a lenta dissolução dos valores feudais. O Renascimento artístico, literário e científico é parte integrante dessas mudanças. O Nascimento da Vênus, de Sandro Botticelli. A nova ordem econômica e social exigia a construção de uma ética compatível com a natureza dos novos tempos. Com efeito, o Renascimento corresponde à formação de uma cultura leiga, individualista, racional, antropocêntrica e urbana, associada aos interesses dos mercadores burgueses. Não bastava para a burguesia possuir o poder econômico, ela ambicionava também um prestígio social e cultural proporcional ao seu poderio econômico. O termo Renascimento corresponde a uma visão depreciativa da Idade Média, tida como um período de obscurantismo cultural e científico. O homem do Renascimento acreditava ser continuador da tradição clássica greco-romana. Observe um comparativo entre as características do Renascimento em relação aos valores medievais: Valores Medievais 1. O tempo pertence a Deus. É pecado emprestar dinheiro a juros, ou seja, cobrar pelo tempo em que o dinheiro esteve emprestado. 2. A fé é mais importante que a razão. 3. Todas as pessoas consideram-se membros da cristandade; valoriza-se o espírito de associação (coletivismo). 4. Deus está no centro das atenções (teocentrismo). 5. O corpo é fonte de pecado. Valores renascentistas 1. O tempo pertence ao homem, que deve usá-lo em benefício próprio. 2. A razão e a fé são importantes. Valoriza-se a experiência e a observação. 3. Há valorização da originalidade e do talento de um artista, daquilo que é marca pessoal do indivíduo (individualismo*). 4. O homem está no centro das atenções (antropocentrismo). 5. O corpo é fonte de prazer e satisfação (hedonismo). *Individualismo: palavra popularmente usada de modo negativo, como sinônimo de egoísmo. No Renascimento, porém, tinha sentido positivo, pois significava a capacidade individual, o talento e/ou a criatividade de cada um. HUMANISTAS O termo humanistas foi utilizado originalmente para designar os professores das Universidades que pregavam a renovação no ensino com a inclusão de novos conhecimentos como História, Matemática e idiomas como Grego e Latim. Posteriormente o termo foi atribuído a todos aqueles que se empenharam na renovação cultural em curso na Europa. Assim concebemos o humanismo a um sentido de profunda valorização do homem e ao Renascimento a aplicação prática do espírito humanista: as artes, letras e ciências. Nada de grandioso pode ser feito sem paixão e os humanistas mergulharam apaixonadamente nos estudos do passado greco- romano. Para eles, a mais expressiva produção cultural surgiu e se desenvolveu nas sociedades clássicas antigas. Não se trata, contudo, de uma imitação ou de uma volta ao passado, e sim da busca de inspiração nos valores, especulações e atitudes dos antigos gregos e romanos aplicados à nova realidade do homem europeu. ERAM ATEUS OS HOMENS DA RENASCENÇA? O sentido humanista de profunda valorização do homem e de suas obras pode levar a uma falsa ideia de que o Renascimento significou o abandono de Deus como criador do mundo e dos homens. Nada mais equivocado. Na verdade a valorização do homem também implica na valorização de Deus. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, sendo a mais bela de todas as obras da criação. A ousadia renascentista consistia em levar a condição humana às últimas consequências. Todos os renascentistas eram cristãos mas buscavam, contudo, a reinterpretação da mensagem bíblica à luz da razão e da experiência. Esta atitude ousada, individualista e antropocêntrica acabou por trazer consequências dramáticas para muitos humanistas: Galileu e Campanela foram presos e torturados, Dante e Maquiavel foram exilados. Muitos Renascentistas sofreram “democraticamente” perseguições de diferentes crenças religiosas: Giordano Bruno foi queimado vivo pelo Santo Ofício, Miguel de Servet também virou cinzas, queimado pelos calvinistas da Suíça, enquanto Thomas Morus literalmente perdeu a cabeça, decapitado a mando de Henrique VIII, fundador da Igreja Anglicana na Inglaterra. A PRIMAZIA ITALIANA NO RENASCIMENTO As maiores manifestações renascentistas ocorreram nas cidades italianas. São fatores dessa primazia: • As cidades italianas não conheceram o modelo clássico da sociedade ruralizada feudal;ao contrário, a vida urbana e o fluxo comercial com o Oriente foram mantidos e até intensificados após as Cruzadas, quando especialmente as cidades de Gênova e Veneza passaram a monopolizar o comércio pelo Mediterrâneo. A existência de uma burguesia rica, disposta a praticar o mecenato, ou seja, patrocinar a produção cultural renascentista, foi fundamental para a primazia italiana. SEMANA 10 - H. GERAL - Renascimento Cultural - MONTEIRO JR - após correção do professor Aula 10 - RENASCIMENTO CULTURAL