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AS BRINCADEIRAS E OS JOGOS MATEMÁTICOS NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM Professor: Me. Alexandre Hungaro Vansan Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha Head de Planejamento de Ensino Camilla Cocchia Gerência de Produção de Conteúdos Gabriel Araújo Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo Supervisão de Projetos Especiais Daniel F. Hey Projeto Gráfico Thayla Guimarães Designer Educacional Bárbara Neves Editoração Produção de Materiais DIREÇÃO Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site shutterstock.com C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; VANSAN, Alexandre Hungaro. Brincadeiras e Jogos Matemáticos. Alexandre Hungaro Vansan. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 33 p. “Pós-graduação Universo - EaD”. 1. Matemática. 2. Jogos matemáticos. 3. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 370 CIP - NBR 12899 - AACR/2 01 02 03 sumário 06| PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA 21| AS FUNÇÕES E OS EFEITOS DOS JOGOS NO ENSINO DA MATEMÁTICA 13| IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E DOS JOGOS MATEMÁTICOS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar como deve ser o processo de aprendizagem da Matemática pelos alunos. • Mostrar toda a importância que os jogos têm no processo de aprendiza- gem da Matemática. • Saber quais são as funções e os efeitos que os jogos trazem para o ensino de Matemática. PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Processo de ensino e aprendizagem da Matemática. • Importância das brincadeiras e dos jogos matemáticos no processo de ensino-aprendizagem. • As funções e os efeitos dos jogos no ensino da Matemática. AS BRINCADEIRAS E OS JOGOS MATEMÁTICOS NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM INTRODUÇÃO introdução A Matemática sempre foi considerada uma disciplina difícil de entender por causa de seu raciocínio lógico, por isso, os alunos devem prestar muita atenção em comparação às outras disciplinas. Neste trabalho veremos uma alternativa para ser utilizada em sala de aula, que são os jogos matemáticos; veremos seus objetivos, suas funções e os pontos positivos de sua utilização. Os jogos devem ser vistos pelos professores, pela equipe pedagógica, pais e alunos como uma ferramenta no auxílio do processo de ensino e aprendizagem, e não como uma simples brincadeira com o objetivo de relaxar, distrair ou sair do ambiente da sala de aula. Os jogos não são uma obrigação, pois isso pode ser prejudicial ao aluno, mas também não devem ser considerados uma simples brincadeira sem objetivos e regras. Os jogos têm a função de estimular a autoavaliação, a autonomia, o prazer pela Matemática, o raciocínio, a cooperação, o trabalho em grupo para com- partilhar experiências, o entendimento de regras, o uso de conhecimentos técnicos da sala e o uso de experiências prévias. Além disso, o jogo deve ser utilizado para a superação dos erros encontrados em sala, pois os alunos que têm dificuldades devem usar o jogo para identificar os seus erros e corrigi-los. O professor tem a reponsabilidade de auxiliar o aluno na correção desses erros, que podem ser referentes ao conteúdo atual ou de anos anteriores, devido à defasagem na aprendizagem ou simples esquecimento. O professor deve ser o mediador do jogo, permitindo que o estudante entenda as regras e, dependendo do jogo, deve participar junto com os alunos de forma a criar um vínculo com os mesmos. Esse vínculo é muito importante para a relação entre o professor e a turma. Esperamos que você se sinta motivado(a) a estudar os jogos e as suas funções neste trabalho para que suas atitudes em sala de aula possam ajudar seus(as) alunos(as) a buscarem o saber de forma mais prazerosa. Pós-Universo 6 processo de ensino e aprendizagem da matemática Pós-Universo 7 Apesar de os matemáticos utilizarem, na sua maioria, exemplos concretos na desco- berta de resultados importantes e metodologias, ainda prevalece a demonstração com rigor utilizando o raciocínio lógico. Todo esse rigor e raciocínio rico em deta- lhes faz da Matemática a ciência exata que ela é. E isso não ajuda a má fama que a disciplina traz nos alunos desde o inicio da vida escolar, onde a Matemática é vista como de difícil compreensão, rígida, abstrata, sem aplicações no dia a dia do aluno. Nós somos os responsáveis por essa fama, pois a maioria de nós não faz nada além do que despejar conteúdos em nossos alunos, esperando que eles consigam repro- duzir o que foi “ensinado”. Falta ao nosso aluno perceber o quanto a Matemática é importante, não só para provas e testes, mas também em várias aplicações em ciências, engenharias, área da saúde, entre outras, e que não há como se desligar da Matemática. Devemos ter a Matemática em todas as relações cotidianas, transformando o aluno em usuário do seu conhecimento a cada momento de sua vida. Quem rejeita a Matemática faz isso por simples ignorância ou falta de habilidade em manuseá-la, desconhecendo uma maneira de utilizá-la eficientemente. E por desconhecer o conteúdo matemático ou não perceber utilidade diária da mesma, algumas pessoas não compreendem que adquirir seus conceitos e símbolos será útil na vida diária, como em geometria, arit- mética, conjuntos numéricos, entre outros. Esse processo de assimilação de conteúdos faz parte de toda a aprendizagem, a qual, segundo D´Amore (2007), é definida como o conjunto de modificações de com- portamentos que assinalam, para um sujeito pré-determinado, segundo sujeito em jogo, que o primeiro sujeito dispõe de um conhecimento ou conjunto de conheci- mentos, o que impõe a gestão de diversas representações, a criação de convicções específicas, o uso de diferentes linguagens, o domínio de um conjunto de repertó- rios de referências idôneos, de experiências, de justificações ou de obrigações. Cabe a cada profissional de Matemática levar ao aluno todo o conhecimento, ba- seando-se nas mais variadas formas de interação para o aprendizado. Essa interação deve responder aos alunos todo o tipo de pergunta ou dúvida que possam surgir a respeito de conteúdos específicos. A aprendizagem está ligada à arte de ensinar, que você, professor, deverá desen- volver durante um período, buscando superar as dificuldades dos alunos e trazer o conhecimento para cada um de forma a considerar suas singularidades. Pós-Universo 8 A Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. O seu artigo 22 nos diz que: “ A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer- -lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. (LDBE, 1996). Desse modo, a Matemática também deve ser vista como fundamental em todo o processo de ensino-aprendizagem, de forma a ser indispensável para cada pessoa no seu dia a dia, desde a realização de um simples cálculo, raciocínio lógico, até quando cada um exerce a sua cidadania no seu convívio em sociedade. Todo esse processo de aprendizagem deve ter como objetivo maior levar o aluno a aprender para a vida, e não simplesmente para testes ou provas, como con- cursos ou vestibulares. O aluno não deve aprender, por exemplo, juros compostos para obter aprovação ou passar em uma prova, mas sim para que consiga aplicar esses conhecimentos todas as vezes que se fizer necessário. Oaluno deve passar pelas provas, pois eles fazem parte do processo, mas não devem tê-las como obje- tivo final da aprendizagem. Desde o início da escolaridade, independente de crenças ou sistemas políticos, a Matemática é essencial nos currículos escolares, ao lado da linguagem. Seu ensino é indispensável, e se não acontecer de forma correta, é como se a alfabetização não tivesse acontecido. Como a Matemática também serve de ferramenta de exclusão por grande parte de concursos seletivos para o mercado de trabalho, geram aos pro- fessores um enorme desafio, que vai além da simples difusão de conteúdos. Durante o processo de aprendizagem o aluno irá adquirir relações positivas ou negativas, que acontecerão dependendo de como será feito o nosso trabalho em sala de aula, desde a primeira vez que esse estudante se deparar com a Matemática. Se para o aluno a Matemática se apresentar assombrosa, e o professor de Matemática for visto como um carrasco, toda a aprendizagem não poderá ser satisfatória, pois a todo o momento o pânico tomará conta de nossos alunos. Mas quando o professor é visto como o mediador do conhecimento e a Matemática é vista como necessária e divertida, todo esse processo que leva ao saber é vencido de forma menos dolorosa. Pós-Universo 9 Na Antiguidade, ensinar era um ato de troca de conhecimento entre o mestre e seus discípulos, onde o primeiro mostrava o caminho, e a troca de pensamentos era a chave para descobertas nas mais inúmeras áreas. Com o surgimento da burguesia e a ne- cessidade de classificação dos alunos, testes e provas tornaram-se necessários para a entrada da pessoa no mercado de trabalho, e foi nesse momento que o professor passou a ser o único detentor do saber e o responsável por toda a aprendizagem, deixando o aluno não como sujeito de sua forma de adquirir conhecimento, mas como coadjuvante nesse processo. E assim, a ditadura do saber impôs o que queria. E ainda hoje temos professores, principalmente de Matemática, que se sentem como ditadores, não mudam sua forma de ensinar e praticam a Matemática cansativa da saliva e giz, apresentando formas que não levam o aluno a pensar. Hoje a Matemática exige de cada professor dinamismo na hora de ensinar, em que a troca de conhecimentos é importante, pois o aluno traz seus conhecimen- tos prévios para fazer parte do seu saber. O ensino de Matemática deve ir além dos muros das escolas, sendo assim, o papel do professor é o de moldar os alunos com a intenção de que eles possam, de forma autônoma, buscar respostas dentro e fora das escolas. Freire (1996) diz a respeito da prática do professor em sala: “ Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indaga- ções, à curiosidade, às perguntas dos alunos, às suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto à tarefa que tenho — a de ensinar e não a de transfe- rir conhecimento. (FREIRE, 1996, p. 47). Paulo Freire resume bem a atitude do professor em sala, pois esse deve ser nosso ob- jetivo quando nossos alunos estão sedentos do saber; cabe a nós levá-los ao caminho do conhecimento, e não “passá-lo” para cada estudante. Devemos responder às mais variadas curiosidades que suas mentes possam ter, mesmo que às vezes fujam dos objetivos da aula. Pós-Universo 10 Em variados ramos da atividade humana torna-se cada dia mais necessário dominar boa parte dos conceitos e processos matemáticos. Conhecer e saber lidar com a Matemática é fundamental para a vida moderna. Desenvolver o raciocínio lógico dos alunos é muito importante não só nas atividades Matemáticas, como também em grande parte das profissões que eles seguirão, além do cotidiano. Desenvolver com- petências para resolver problemas corriqueiros é uma das funções da Matemática durante o período que o aluno permanece na escola. Por exemplo, qual a necessidade de o aluno aprender números complexos se ele não aprendeu a utilizar Matemática Financeira no seu dia a dia? A Matemática deve contemplar também os conteúdos abstratos, mas deve focar no que o aluno precisará para a sua vida em sociedade. Nos últimos anos a busca por formas diferentes de uma maior compreensão do ensino de Matemática e um conhecimento significativo que beneficia a vida profis- sional dos estudantes foi intensificada. Cabe ao professor criar situações desafiadoras, agradáveis e com significado para o aluno no aprendizado da Matemática, e também é de sua responsabilidade aprimorar a didática durante as aulas, que devem propor- cionar qualidade no ensino e melhorar a aprendizagem do estudante. Ensinar Matemática não deve seguir a repetição de atividades individuais e a interiorização vinda do professor e dos objetos, mas, sim, deve estimular e respei- tar a construção do conhecimento pelo estudante, de forma que seu saber anterior ou o conhecimento que traz de fora da escola é importante em todo esse proces- so. Assim, você, professor, deve trazer situações interessantes e empolgantes que envolvam seus alunos durante as aulas de Matemática, chamando a sua atenção e criando um gosto pelo estudo e pela pesquisa. É óbvio que você não busca formar matemáticos na Educação Básica, mas estimular seus alunos a estudá-la é algo que deverá ter como objetivo. O período que vai da Educação Infantil até o 9º ano do Ensino Fundamental é de suma importância para os estudantes. Quando eles chegam à escola todos os dias querem aprender mais, pois estão abertos a conhecer o mundo. Eles têm grande potencial de assimilação de conhecimento e também de transferência desse saber; possuem vitalidade, criatividade e interesse, cabendo a nós perceber seus sinais e regras que permitirão interagir com eles e criar um bom ambiente de aprendizagem. Pós-Universo 11 A Educação Infantil é o primeiro momento de interação da criança com o ambiente escolar, seus colegas e o aprendizado, que se dá em todo o momento e em toda forma. Esse aprendizado acontece com músicas, brincadeiras, danças, entre outras situações. E por que quando esse aluno cresce, nós, professores, abandonamos tais práticas? Quando o aluno sai da Educação Infantil ele passa a ficar em uma sala de aula por cinco anos (1º ano até o 5º ano), onde um único professor ou professora mi- nistrará aulas de várias disciplinas, incluindo a Matemática. É nessa fase que o aluno cria um afeto intenso com seu professor. O termo “tia” que os alunos utilizam para ser reportar à professora nessa fase remete a ideia de família, mostrando o quão impor- tante para a criança é essa de interação professor-aluno. É aqui que a escola se torna um ambiente preparado ao conhecimento de novos saberes, em momentos ligados a ciência, com base no senso comum, em função de conhecimentos prévios e, por fim, por meio de relações afetivas criadas na escola. A cognição permite que cada um seja capaz de fazer as próprias escolhas ou tomar as decisões em seu contexto sócio-cultural, construindo o futuro com a possibilidade de apropriação da própria história, criar metas e trans- formar a vida. Fonte: o autor. atenção Pós-Universo 12 Após o período de alfabetização o aluno inicia o Ensino Fundamental II, que vai do 6º até o 9º ano. Nessa fase o aluno enfrenta a mudança com a presença de vários pro- fessores, horários para tudo, características, métodos, estilos e postura diferentes, o que muitas vezes causa certa confusão. Aliado a tudo isso, é nessa fase que o aluno passa por diversas mudanças biológicas, como crescimento dos pelos, mudança de voz, desenvolvimento das mamas e até a mudança de humor. É durante toda essa mudança que eles passam a ficar cinco horas diárias numa sala de aula, fechados, sentados e sem poder fazer o que quiserem, o que influencia de maneira significa- tiva o seu rendimento escolar. A nova realidade interfere muito no seu aprendizado. Você, professor, deve levar tudo isso em conta quando está com seu aluno em sala de aula. Não podemos esquecerque também fomos e ainda somos alunos, e que muitas coisas que acontecem em sala de aula não nos atrai. Imagina como é para um adolescente acostumado a um mundo de liberdade, como ele se sente quando na sala de aula procuramos enchê-lo de regras e fórmulas que perecem sem sentido? Nesse processo de assimilação de conteúdos nós somos aqueles que temos grande responsabilidade de apresentar uma Matemática que os estimule e leve em conta todas as suas estruturas e características. Pós-Universo 13 importância das brincadeiras e dos jogos matemáticos no processo de ensino-aprendizagem Pós-Universo 14 Um dos desafios que encontramos em sala de aula é o de encontrar uma forma de transmitir a Matemática de maneira divertida, prazerosa, cativante e que ao mesmo tempo se preocupe com o rigor que os conceitos matemáticos exigem. Uma das formas estudadas e que existe há muito tempo são os jogos matemáticos. Souza (2002) afirma a importância de se trabalhar com o jogo em sala de aula: “ A proposta de se trabalhar com jogos no processo ensino-aprendizagem da Matemática implica numa opção didático- metodológica por parte do professor, vinculada às suas concepções de educação, de Matemática e de mundo, pois são a partir de tais concepções que se definem normas, manei- ras e objetivos a serem trabalhados, coerentes com a metodologia de ensino adotada pelo professor. (SOUZA, 2002, p. 132). Devemos considerar o jogo como um meio pelo qual o educando expressa sua qualidade espontânea, e que ajuda-nos a compreender melhor seus alunos. Santos (1997) nos diz que: “ Jogo é uma palavra, uma maneira de expressar o mundo e, portanto, de in- terpretá-lo. Precisamos, pois, reconhecer que estamos tratando de uma concepção complexa na medida em que, em torno de um nó de significa- ções, giram valores bem diferentes: a noção aberta a interpretações e, sobretudo, a novas possibilidades de análise. Pode-se descobrir um paradig- ma dominante em torno da oposição ao trabalho, mas também potencialidades diversas conforme se favoreça essa ou aquela direção de seu desenvolvimen- to. (SANTOS, 1997, p. 90). A palavra lúdico vem do latim ludus, que quer dizer brincar. Fonte: o autor. saiba mais Pós-Universo 15 Historicamente encontramos relatos de que o ato de brincar era desenvolvido por toda a família, até no momento em que os pais iriam ensinar uma profissão para os filhos. Os povos mais antigos davam à educação física uma importância muito grande e liberdade para as crianças aproveitarem as brincadeiras e jogos naturais, dando a possibilidade de que pudessem influenciar positivamente a educação das crianças. Platão, em 367 a.C., falava da importância de utilização dos jogos para que o aprendizado das crianças pudesse ser desenvolvido. Ele afirmava que tanto meninos quanto meninas deveriam fazer juntos atividades educativas que envolviam jogos. Já o escritor renascentista francês François Rabelais, no século XV, também afirmava que o ensinamento deveria ser por meio de jogos e brincadeiras, dizendo a todos que deveria ensinar as crianças a gostarem de leitura, desenho, jogos de cartas e fichas, para ensinar aritmética ou ainda geometria. Com o passar do tempo, nossa sociedade evoluiu, se modernizou e sofreu inú- meras mudanças. Assim, a escola também sofreu muitas mudanças, como nas formas de ensinar, aprender e avaliar. Mas, se refletimos, será que a escola tem acompanha- do essas mudanças que a sociedade sofreu? Devido a todas essas mudanças, a cada dia surgem novas pesquisas que discutem metodologias diferentes no ensino das crianças, onde o ensino da Matemática deve ter uma atenção especial por ser con- siderada pela maioria das pessoas como sendo difícil. Piaget diz que o jogo tem papel fundamental no desenvolvimento da criança. Ele acredita que por meio do lúdico as crianças assimilam e mudam a realidade. Ele propõe uma divisão dos jogos usando a faixa etária das crianças: • Crianças de zero a dois anos: É chamado de período sensório-motor, onde as crianças repetem tudo por prazer; • Crianças de dois a sete anos: É o período pré-operatório, onde as crianças fazem apenas a representação do ocorrido, e não um exercício mental; • Crianças acima dos sete anos: É chamado de período operatório, em que os jogos têm regras. Essa etapa une as duas anteriores, e explora na criança a coletividade e a cooperação entre os colegas. Pós-Universo 16 Os primeiros anos de vida de uma criança são fundamentais no desenvolvimento de uma pessoa como ser humano e formação da personalidade. O artigo 22 da LDB deixa claro que a educação deve fornecer uma formação indispensável para o exer- cício da cidadania, de forma a fornecer ferramentas para que os alunos progridam no trabalho e nos estudos superiores. É na Educação Infantil, por meio da brincadeira, que a criança aprende a fazer comparação entre grandezas, a contar o tempo, a diferenciar maior de menor, alto de baixo, pesado de leve, dentro e fora, na frente e atrás etc. Noção que a criança traz do seu dia a dia, ou que faz o inverso, leva da escola para o seu cotidiano. Na brincadei- ra, o aprender pela ação espontânea é o que prevalece; ela demonstra sua maneira de ver o mundo, desenvolver o cognitivo, as habilidades físicas, motoras e psicoló- gicas. É nessa fase que ela aprende a viver em sociedade de forma a ajudar o amigo, repartir, interagir, cuidar, tudo ocorre de forma mais organizada. A brincadeira coloca a criança para reproduzir o que existe no cotidiano, como na natureza e nas construções humanas. O brinquedo ou a brincadeira tem objeti- vo de substituir os objetos reais, de forma a facilitar a sua manipulação. Dessa forma, o intuito da brincadeira, na escola, é reproduzir o que a criança vive na sociedade, e assim, os jogos matemáticos têm o objetivo de aplicação dos conteúdos ensinados na sala, permitindo o aluno vivenciar na prática o que aprende na teoria. Os jogos têm suas características próprias, dependendo de cada tipo. Uma mesma ação ou conduta pode ou não ser um jogo, e a definição do que é jogo depende do significado que se atribui a ela, e depende até mesmo da cultura de um povo, pois o que pode ser um jogo, ou uma brincadeira para alguém, para outros pode não ser. Pós-Universo 17 Kishimoto (2011) aponta três níveis de diferenciação dos jogos: • Primeira classificação, o jogo é o resultado de um sistema linguístico que funciona dentro de um contexto social. Nesse nível, o jogo pode não ter regras definidas ou oficiais, pois elas dependem de região para região ou até mesmo da cultura da população. Esse tipo de jogo depende de cada contexto da vida diária de cada região. • Segunda classificação, o jogo é um sistema de regras. Nessa classificação, o jogo apresenta regras bem definidas, e uma estrutura de sequências, es- pecificando sua modalidade. • Terceira classificação, o jogo é visto como um objeto. É importante com- preender o jogo, diferenciando significados em cada região ou cultura diferentes. Na modalidade de ensino existem alguns tipos de brincadeiras, afirma Kishimoto (1997). Encontramos o jogo educativo, que é entendido como um recurso pedagógico que ensina; ele desenvolve o aluno de forma prazerosa, sendo muito importante para ajudar a criança no seu processo de aprendizagem. Ela tem a finalidade intencional de desenvolvimento cognitivo, afetividade e melhorar o desempenho sensório-motor. O brinquedo assume a função lógica, quando proporciona diversão, alegria, prazer ou até falta de prazer, quando escolhido pelo aluno porque ele quer, e ao mesmo tempo possui função educativa, pois ensina o que o indivíduo gostaria de saber. Como sabemos, as crianças se encantam por brincadeiras, e por isso relacionar o ensino da Matemática com o lúdico é essencial, e devemos buscar novas formas de tornar a aprendizagem mais prazerosa. Com tudo isso, a Matemática passa a cola- borar com a ampliaçãoda capacidade corporal da criança, sua consciência do outro, e a percepção de si mesmo como um ser social. O autor Smole (2000) nos diz que: “ A proposta de trabalho em Matemática se baseia na ideia de que há um ambiente a ser criado na sala de aula que se caracterize pela proposição, investigação e exploração de diferentes situações-problema por parte dos alunos. Também acreditamos que a interação entre alunos, a socialização de procedimentos encontrados para solucionar uma questão e a troca de infor- mações são elementos indispensáveis nas aulas de Matemática em todas as fases da escolaridade. (SMOLE, 2000, p. 14). Pós-Universo 18 As competências pessoas, entre elas as corporais e as espaciais, devem ser amplia- das nas aulas de Matemática para as crianças desde a Educação Infantil, pois esse é um dos fatores primordiais para propor jogos como estratégias de trabalho em Matemática. Relacionar movimento corporal e aprendizagem é uma prática antiga, embora não muito conhecida. Um dos pesquisadores dessa área foi Jean Piaget. Os gestos, as posturas e as expressões faciais são linguagens de sinais que aprendemos quando crianças a interpretar, desde os primeiros dias de vida, e aprimoramos com o passar do tempo. Durante uma brincadeira, a criança pode ser incentivada a identificar algarismos, comparar quantidades, realizar contagens, adicionar pontos durante o jogo, ou seja, ele inicia na brincadeira a aprendizagem de conteúdos ligados ao desenvolvimento da aritmética. Também numa brincadeira, a criança tem a oportunidade de perceber distâncias, desenvolver noções de velocidades (mais rápido ou mais lento), tempo de duração da brincadeira, força, altura, e, além disso, durante a Educação Infantil podemos até desenvolver a geometria, com trabalhos com formas geométricas. Alguns fatos importantes durante a brincadeira é que a criança não deve brincar só por simples diversão, mas que ela saiba o que está aprendendo durante algum tipo de jogo, ou que ela mesma possa inventar uma brincadeira ou brinque de algo que ela já conhece. A participação do professor na brincadeira é importante, pois isso pode criar um laço ainda mais afetivo entre ele e seus alunos, servindo de exemplo ou modelo para elas, já que ele demonstra saber brincar. Devemos aproveitar esse momento para conhecer melhor nossos alunos. As brincadeiras não devem ser realizadas sem um propósito ou fim educativo. Apenas dar uma bola de futebol para os alunos numa quadra não é um exemplo de brincadeira pedagógica, se não tiver um obje- tivo educativo. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, ou PCNs, propõe os objetivos que devem ser alcançados no fim de cada ciclo da escola; trazem também propostas de quais conteúdos deveriam ser desenvolvidos, quais formas de avaliar e métodos didáticos os professores deveriam utilizar. Pós-Universo 19 O PCN de Matemática traz: “ (...) A Matemática é um componente importante na construção da cidada- nia, na medida em que a sociedade utiliza, cada vez mais, de conhecimentos científicos e recursos tecnológicos, dos quais os cidadãos devem se apropriar. A aprendizagem em Matemática está ligada à compreensão, isto é, à apreen- são do significado; aprender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas relações com outros objetos e acontecimentos. Recursos didáticos como jogos, livros, vídeos, calculadora, computadores e outros materiais têm um papel importante no processo de ensino-aprendi- zagem. Contudo, eles precisam estar integrados a situações que levem ao exercício da análise e da reflexão, em última instância, a base da atividade matemática. (PCNs, 1997). Ainda nos PCNs encontramos: “ Os jogos constituem uma forma interessante de propor problemas, pois permitem que estes sejam apresentados de modo atrativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução e busca de soluções. Propiciam a simulação de situações problema que exigem soluções vivas e imediatas, o que estimula o planejamento das ações; possibilitam a cons- trução de uma atitude positiva perante os erros, uma vez que as situações sucedem-se rapidamente e podem ser corrigidas de forma natural, no de- correr da ação, sem deixar marcas negativas. (BRASIL, 1998, p. 46). O estudo do lúdico vem acontecendo de forma fortalecida nos últimos anos, e o lúdico na Matemática faz parte desse estudo também em áreas de humanas que tratam do desenvolvimento cognitivo da criança. Esses estudos veem a brincadei- ra não somente pelo ato de brincar, sem relação com o desenvolvimento humano, mas nestes o lúdico aparece como instrumento que leva ao saber matemático, em que o jogo pode ter ações isoladas ou coletivas que levam ao conhecimento. Pós-Universo 20 Nos últimos anos, com o desenvolvimento da educação matemática e as teorias de ciências humanas para o ensino e aprendizagem, o uso dos jogos na Matemática tem se valorizado cada vez mais. E com todas as mudanças de mentalidade e estrutura do ensino da Matemática, os cursos de formação de professores de Matemática devem acompanhar tais mudanças, estreitando as teorias e o lúdico. Há uma grande distân- cia entre o que os PCN propõem e o que realmente acontece em sala de aula, pois muitas vezes a formação do professor não é satisfatória. Muitos professores saem da faculdade sem saber o que é, por exemplo, aetnomatemática ou ainda a modelagem matemática. Os cursos de licenciatura em Matemática muitas vezes não contemplam estudos sobre a aplicação do lúdico ou a utilização da tecnologia em sala. O professor tem que explorar as atividades lúdicas, com o objetivo de que os estudantes possam ter um aprendizado matemático significativo, sem que essas atividades percam suas essências, mas que levem ao objetivo esperado. O profes- sor deve ter a visão que a Matemática seja investigativa e que se insira do dia a dia, e o lúdico deve atuar como auxiliador dessa forma da Matemática ser. Essa utilização do lúdico deve ser explorada no sentido de dar prazer e trazer o novo para o aluno, fazendo dele um ser pensante e que questiona o que aprende, de forma a refletir sobre seu processo de aprendizagem. Pós-Universo 21 as funções e os efeitos dos jogos no ensino da matemática Pós-Universo 22 A Matemática está presente em toda vida do ser humano, desde o seu nascimen- to até o fim da vida. Na escola não é diferente, pois ela deve ser trabalhada com o estudante em todos os momentos, e o início de nossa vida escolar é a fase mais im- portante, pois ela fará toda a diferença para todos os momentos posteriores. Esse enfoque na Matemática sempre foi feito de forma tradicional, em que a apresenta- ção de conteúdos e memorização de fórmulas eram os objetivos. Com o objetivo de encontrar resultados melhores no que se refere ao aprendizado, o lúdico, a brinca- deira foi introduzida na sala de aula, e na Matemática passou a ser de grande ajuda para tornar a disciplina mais próxima ao cotidiano do aluno. Os jogos no ensino de Matemática têm muita importância no processo que ajuda o aluno a adquirir o conhecimento. Os jogos têm o papel de colocar em prática tudo aquilo que o aluno ouve, vê ou lê em sala de aula. Todo o rigor que a Matemática traz na sala de aula por meio de exposições de fórmulas, cálculos ou teorias podem ser aplicados de alguma forma no cotidiano de um aluno, e o jogo tem o objetivo de ser um facilitador que liga a teoria à prática. Uma das funções dos jogos é mobilizar o aluno em uma direção, ajudando-o na busca de soluções ou formas de adaptar si- tuações-problemas e, pacientemente, levá-lo a fazer isso por vontade própria. Conforme os PCNs (1997), até a forma de brincar ou jogar sofre uma modifica- ção no que diz respeito à sociabilidade. Os alunos não ficam apenas nos jogos de caráter simbólico, nos quais as questões pessoais prevalecem, mas começam a pra- ticar jogos coletivos com regras definidas, onde seus interessespessoais devem ser deixados de lado e o grupo passa a ser importante. Assim, a criança adquiriu um de- senvolvimento e desenvolveu seu relacionamento com outras crianças por meio dos jogos, o que é importante para seu próprio crescimento. Portanto, uma função de grande valor dos jogos é o desenvolvimento infantil. Os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) são referências para os Ensinos Fundamental e Médio de todo o país. Não tem características de regras, mas de garantir a todos os estudantes, em qualquer lugar do Brasil, o direito ao mesmo nível de ensino. Fonte: O próprio autor. atenção Pós-Universo 23 Ainda segundo os Parâmetros Nacionais de Matemática, são elencados alguns prin- cípios decorrentes de estudos, debates, pesquisas e práticas feitas nos últimos anos. O primeiro princípio diz que a Matemática é de suma importância na construção de cidadania, pois a sociedade usa cada vez mais conhecimentos científicos e recursos tecnológicos. O segundo princípio diz que a Matemática deve estar ao alcance de todos, e a democratização do ensino deve ser prioridade do professor. Outro princí- pio é ver a Matemática não como uma ciência com “coisas prontas e definidas”, mas como construção e apropriação de um saber pelo aluno, que se utilizará disso para compreender e transformar tudo o que o cerca. Os PCNs de Matemática ainda destacam dois aspectos básicos: o primeiro con- siste em relacionar as observações do mundo real com representações, e o segundo é a relação entre as representações com os conceitos matemáticos. Um quinto princípio dos PCNs está ligado a aprendizagem da Matemática com a apreensão do significado, ou seja, aprender o significado de um acontecimento ou objeto pressupõe vê-lo em relações com outros acontecimentos ou objetos. O sig- nificado da Matemática para o estudante resulta de conexões entre a Matemática e às outras disciplinas, ou entre ela e o seu dia a dia. O sexto princípio dos PCNs diz que a seleção e organização de conteúdos se dão por meio de sua importância social e a contribuição para o desenvolvimento inte- lectual do aluno. No princípio seguinte, o saber matemático deve ser apresentado ao aluno como historicamente construída e em permanente estado evolutivo, em que a Matemática se apresenta aos alunos em sua prática filosófica, científica e social para que o mesmo compreenda o lugar que se encontra na sociedade que vive. Os dois últimos princípios dizem respeito aos recursos didáticos e a avaliação. Os recursos didáticos, por exemplo, jogos, livros, computadores, calculadoras e vídeos são importantes no processo de ensino-aprendizagem, entretanto, eles precisam estar integrados a situações que levam a análise e reflexão. Já a avaliação é parte do processo de ensino e aprendizagem, em que a mesma incide sobre uma grande va- riedade de aspectos relativos ao desempenho dos alunos. O jogo como uma ferramenta pedagógica pode ajudar o professor a deixar o am- biente mais agradável para a aprendizagem, onde são explorados os mais diversos conceitos. Por meio deles reforçamos conteúdos, testamos conhecimentos prévios ou já adquiridos dos alunos, e a maior função dos jogos é desenvolver a autocon- fiança do aluno, quando ele elabora uma estratégia para solucionar um problema. Pós-Universo 24 Outra função dos jogos Matemáticos é estimular no aluno atividades de raciocínio, como observação, concentração, atenção, análise e generalização. Também faz com que o estudante crie o hábito de explorar as possibilidades que ele tem de forma ocasional, sem querer ter uma fórmula que resolva rápido aquela situação ou sem uma técnica específica. Essa é a forma que usamos para se iniciar uma pesquisa em Matemática, partindo de uma ideia para talvez chegar a uma conclusão. Aplicar a Matemática utilizando jogos no ambiente escolar traz muitas vanta- gens no processo de assimilação do saber por parte do aluno. Borin (1996) elenca algumas dessas vantagens: • Podemos usar os jogos para ver as dificuldades dos alunos, diagnostican- do aqueles com maiores dificuldades; • Caso o erro aconteça durante os jogos, o estudante terá a oportunidade de lidar com as frustações que isso possa gerar, e saber como ter uma reação sensata; • Os jogos são uma forma de aceitação de regras por parte do aluno, pois se não seguir as regras não pode haver o jogo; • É uma forma de aprimorar a relação entre os alunos, e também entre o pro- fessor e aluno; • São por meio dos jogos que integra-se várias dimensões da personalidade: motora, afetiva, social e cognitiva; • Com os jogos há um desenvolvimento da criatividade, da sociabilidade e as inteligências múltiplas; • Com o jogo a criança tem o prazer voluntário e espontâneo de atingir o seu objetivo; • As crianças passam a ser mais participativas e interagem melhor com seus colegas; • E, por fim, reforça os conteúdos aprendidos em sala de aula, ou retoma aquelas que ele já trazia consigo. Pós-Universo 25 Os jogos aplicados à Matemática têm a função de fazer com que os alunos gostem de aprender essa disciplina, despertando o interesse quanto á teoria da sala de aula, que muitas vezes, para eles, não tem sentido ou aplicação alguma. E esses jogos fazem com que a rotina em sala de aula seja diferente do tradicional giz, quadro e saliva. Os professores têm a obrigação de conhecer cada jogo que ele aplicará em sala de aula, saber suas regras e até participar com os alunos, de forma a criar um vínculo com todos. Os jogos, quando bem preparados, se tornam recursos pedagógicos com resultados excelentes na ajuda da construção do conhecimento. Segundo Nogueira (2005), são vários os aspectos que justificam a utilização dos jogos matemáticos em sala da aula. São eles: o desenvolvimento intelectual, a formação de relações sociais e o caráter lúdico. No que diz respeito ao desenvolvimento intelectual, a utilização dos jogos nas aulas de Matemática faz com que os estudantes aprendam superando as dificuldades de aprendizagem que tiveram com a teoria da sala. Os jogos ajudam na construção do seu conhecimento por meio de incentivos e motivações e no desenvolvimento do raciocínio lógico. Os alunos, durante a brincadeira ou jogo, desenvolvem estraté- gias, hipóteses e procuram a solução para os problemas. A autora Nogueira (2005) ainda ressalta que: “ [...] o trabalho pedagógico com jogos envolve o raciocínio dedutivo para a jogada, para a argumentação e troca de informações, além de permitir a comprovação da eficiência de estratégias pensadas. Resgatam o lúdico da sala de aula e contribuem para a diminuição de bloqueios apresentados por crianças e adolescentes que temem a Matemática e se sentem incapacitados para aprendê-la, pois passam a ter experiência que aprender é uma ativida- de interessante e desafiadora. (NOGUEIRA, 2005, p. 53). Pós-Universo 26 Quando o aluno comete um erro durante o jogo, assim como deve ser em sala de aula, eles devem ser vistos de forma natural, permitindo que os alunos, ao jogarem, possam controlar, corrigir e avançar por meio do desenvolvimento de uma estratégia para uma melhor jogada e a utilização de conhecimentos adquiridos anteriormente, ajudando a adquirir novas ideias e novos conhecimentos que posteriormente poderão ser tra- tados em sala. Mesmo que o jogo seja uma atividade individual, o aluno desenvolve a atividade Matemática num processo de criação ou de resolução de problemas que os levam a usar as suas capacidades cognitivas, sejam elas saberes já adquiridos ou cria- ções novas deles próprios. Assim, podem-se utilizar conceitos e processos que não são tratados na escola ou que ainda não foram trabalhados. Outras funções percebidas durante a realização de um jogo matemático é o de- senvolvimento no aluno da capacidade de refletir sobre os conceitos matemáticos que ele traz consigo, cria hipóteses, faz teste e avalia com autonomia e cooperação. O jogo ajuda adiminuir os erros e os fracassos dos alunos, e, além disso, o estudante desen- volve iniciativa, confiança e autonomia. O jogo deve levar o aluno a superar o erro e fazê-lo entender que o mesmo não é algo definitivo. Por fim, o jogo é uma atividade que deve ser lavada a sério, e não é uma mera brincadeira, por isso deve ser tratada como de suma importância no ambiente escolar, e isso, com o passar do tempo, permitirá que os alunos percebam que não é apenas o lúdico por si, mas Matemática na prática. Na construção do pensamento lógico-matemático e espacial o jogo se mostra muito importante, ainda mais quando o aluno já traz dentro de si um conceito de que a Matemática é difícil, traumatizante e que ele se sente incapaz de aprendê-la. Um bom jogo matemático que seja motivador e cativante, em que o aluno seja ativo e não passivo, permite que ele tenha um bom desenvolvimento diante de todo o processo de aprendizagem, e não só da Matemática. (BORIN, 1996, p. 9). Quando os alunos ob- servam as regras dos jogos, aparecem habilidades e reflexões que fazem com que eles relacionam tais regras com conceitos matemáticos que eles já aprenderam, e depen- dendo do jogo, surgem conceitos novos que eles ainda irão adquirir. A autora chama a atenção para o fato de que o professor precisa usar o jogo de forma a escolher um método que explore o seu potencial ao máximo para desenvolver atividades como lin- guagem, criatividade, concentração, atenção e organização. O jogo também apresenta a função de criar na criança uma forma de vivenciar as mesmas regras do mundo adulto a fim de prepará-las para uma vida em sociedade, ou seja, ela desenvolve valores sociais como lealdade, perseverança, honestidade, cooperação etc. Pós-Universo 27 De tudo o que refletimos sobre os jogos, os seus maiores objetivos são a explora- ção, por parte do professor, de conceitos trabalhados em sala, reforçar os conteúdos mais importantes, testar conhecimentos já adquiridos e, principalmente, desenvol- ver uma confiança nesse aluno que o ajudará a resolver um determinado problema ou traçar uma estratégia. Os jogos estão na Matemática com o objetivo de substituir o tradicional, de forma a encantar o aluno, trazendo a alegria pelo aprendizado. Assim, os autores Smole; Diniz; Milani (2007) afirmam que: “ Todo jogo por natureza desafia, encanta, traz movimento, barulho e certa alegria para o espaço no qual normalmente entram apenas o livro, o caderno e o lápis. Essa dimensão não pode ser perdida apenas porque os jogos en- volvem conceitos de matemática. Ao contrário, ela é determinante para que os alunos sintam-se chamados a participar das atividades com interesse. (SMOLE; DINIZ; MILANI, 2007, p. 10). Cada jogo matemático deve estimular no aluno atividades que desenvolvam o racio- cínio, como a atenção, análise, observação, concentração e generalização, que são de grande importância para o aprendizado da Matemática. Quando um matemático inicia sua pesquisa, ele deve explorar possibilidades que existem ao acaso, na procura de um método, fórmula e técnica que resolva seu problema ou hipótese. Isso é exatamente o que o jogo deve despertar no aluno, a vontade de descobrir o desconhecido e, com isso, solucionar uma problemática. atividades de estudo 1. No processo de ensino e aprendizagem, os jogos são divididos em partes, de acordo com a faixa etária do aluno. De acordo com Piaget e os estudos feitos sobre essas etapas,assinale aalternativa correta: a) O período sensório-motor é o período até os dois anos, onde as crianças repetem tudo por prazer. b) O período pré-operatório é o período a partir dos doze anos, onde os jogos devem possuir regras. c) O período operatório é acima dos sete anos, onde as crianças fazem apenas a re- presentação do ocorrido, e não um exercício mental. d) O período sensório-motor ao jogo explora na criança a coletividade e a coope- ração entre elas. e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. 2. A respeito dos jogos e de suas práticas, assinale a alternativa correta: a) O jogo é uma atividade que deve ser levada a sério, e não cabe brincadeiras durante sua realização. b) A brincadeira deve levar o aluno a assimilar o conteúdo visto em sala de aula, pois esse é o seu único objetivo. c) O jogo deve funcionar como um auxílio ao aprendizado, desde que seja prepa- rado com antecedência pelo professor. d) O lúdico não consegue estimular o raciocínio da criança. e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. 3. Os jogos no ensino de Matemática têm muita importância no processo que ajuda o aluno a adquirir o conhecimento. A respeito das funções do jogo, assinale a alter- nativa correta: a) A função do jogo é apenas de distração dos alunos. b) A diversão é o principal objetivo do jogo matemático. c) Uma função do jogo é colocar em prática tudo o que o aluno viu em sala de aula. d) O jogo não tem a função de ajudar o aluno a encontrar a solução de um problema. e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. resumo Nesse trabalho observamos que a Matemática sempre foi considerada como difícil de enten- der por causa de seu raciocínio lógico. Os jogos sugiram como uma alternativa para deixar a Matemática mais atraente e divertida para o aluno, principalmente durante as etapas de apren- dizado que vão até o Ensino Fundamental I. Os jogos têm o objetivo de levar o aluno a adquirir todo o saber matemático necessário para a sua faixa etária. Preconceituosamente, o jogo não é levado a sério por seu caráter divertido, mas, se feito de forma planejada pelo professor, o jogo passa a ser olhado como algo sério e que leva o aluno a raciocinar, pensar, criar estratégias, rela- cionar-se com os outros, conhecer a si mesmo, ajudar, entre outras ações que os jogos promovem. Quando joga, o aluno deve saber que tipo de aprendizado aquele jogo envolve, e que ele consiga entender que aquele jogo faz parte da aprendizagem, e não é uma forma de matar aula. É pelo jogo que o professor pode perceber quais problemas de aprendizagem o aluno tem ou quais defasagens ele traz de conteúdos anteriores. À medida que o aluno é estimulado a jogar, ele faz uma autoavaliação, pratica a autonomia e o prazer pela Matemática é despertado; ele raciocina, coopera com os amigos, trabalha em grupo compartilhando seus conhecimentos e experiências, estimula o entendimento de regras e faz uso de conhecimentos técnicos. Uma prática importante que o jogo nos faz refletir é o erro em uma atividade, pois ele é usado para superar os erros encontrados, de forma a não dar tanta ênfase ao erro, e focar em deixá-lo para traz. Há jogos que dão ao usuário a oportunidade de refazer o que errou algumas vezes na forma de vidas extras, por exemplo, pra quem não atingiu o objetivo. Uma prática importante do professor é a sua participação ativa no jogo, criando uma relação de afetividade com os alunos e gerando essa mesma afetividade entre os próprios alunos. material complementar A Matemática através de brincadeiras e jogos Autor: Ivana Valéria DenófrioAranão Editora: Papirus Sinopse: A matemática está inserida em nosso cotidiano, inclusive nas atividades mais corriqueiras. Cabe ao educador desvincular-se do como- dismo que traz um livro didático e mergulhar no maravilhoso mundo que cerca a criança, na sua realidade, aproveitando cada oportunidade a fim de sugerir atividades para que o desenvolvimento lógico-matemático seja efetivo e pra- zeroso. Sendo assim, esse livro tem por objetivo ser um guia de atividades relacionadas às diversas noções que permeiam a matemática (classificação, seriação, ordenação, quantifica- ção, correspondência etc.) e servir de alicerce — para a criança em idade pré-escolar — na construção do conhecimento lógico-matemático.. referências BORIN, J. Jogos e Resolução de Problemas: uma estratégia para as aulas de matemática. São Paulo: IME-USP, 1996. BRASIL. Ministério da Educação. Secretariade Educação Fundamental. PCN’s: Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e quarto ciclo do Ensino Fundamental. 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