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W BA 11 83 _V 1. 0 AUDITORIA PARA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE 2 Rebeca Camille Bernardes São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 AUDITORIA PARA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Camila Braga de Oliveira Higa Revisor Franciely Midori Bueno de Freitas Carvalho Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Bernardes, Rebeca Camille Auditoria para assistência em saúde / Rebeca Camille Bernardes. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 32 p. ISBN 978-65-5356-114-4 1.Auditoria em saúde. 2. Sistema. 3. Saúde. I. Título. CDD 353.9 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB 010289/O B522a © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Auditoria em saúde __________________________________________ 07 Aperfeiçoamento da auditoria em qualidade da assistência em saúde ________________________________________________________ 20 Visão estratégica para sustentabilidade e redução de custos na assistência em saúde ________________________________________ 34 Estratégias de relacionamento com prestadores de serviço __ 46 AUDITORIA PARA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE 5 Apresentação da disciplina Na área da Saúde, evidenciamos que a auditoria pode ser entendida como parte do controle dos recursos disponibilizados para assistência na saúde baseada em valor com a finalidade de promover a qualidade da assistência por meio de padronizações previamente definidas. A auditoria tem como finalidade a avaliação dos documentos que compõem os processos administrativos para análise dos dados referentes aos serviços prestados correlacionados às normas, rotinas e protocolos existentes, apresentando relatórios com diagnósticos sobre a instituição auditada, possibilitando a promoção de melhorias internas no desempenho da assistência dispensada. Já a qualidade do atendimento e custos são variantes importantes a serem analisadas no que se referente à gestão e gerenciamento em Saúde. Esta disciplina visa auxiliar o aluno a compreender os conceitos, princípios e legislações da auditoria em Saúde nos serviços voltados à assistência à saúde; as noções básicas de demonstrações financeiras; as questões operacionais para o gerenciamento de custos; as estratégias no relacionamento com prestadores de serviços e análise de conformidades dos dados referentes aos serviços prestados em relação às normas existentes gestão dos serviços; e no planejamento e implementação de ações que visem a otimização e melhorias de processos. O conteúdo abordado irá subsidiar o aluno com ferramentas técnicas e científicas, para que possa conhecer, compreender e determinar os parâmetros nos setores de contas médicas e hospitalares; desenvolver habilidades para elaboração e implantação de normas, rotinas, fluxos 6 e protocolos para o contínuo aperfeiçoamento do sistema de auditoria; desenvolver visão estratégica para a diminuição dos custos sem redução na qualidade da assistência prestada ao cliente; e empregar estratégias de relacionamento com prestadores de serviço. Os temas a serem abordados serão: • Auditoria em Saúde. • Aperfeiçoamento da auditoria em qualidade da assistência em Saúde. • Visão estratégica para sustentabilidade e redução de custos na assistência em Saúde. • Estratégias de relacionamento com prestadores de serviço. A auditoria, em conjunto às organizações de Saúde, tem adotado medidas relevantes em relação à redução de custos, seguridade e fidedignidade para as boas práticas assistenciais, que se traduzem em protocolos embasados em evidências científicas em conformidade com as recomendações dos órgãos competentes. Esperamos que o aluno desenvolva aptidões técnicas para a resolução de situações práticas embasadas em teorias e confiança para o desempenho profissional a partir dos conteúdos ministrados e absorvidos ao longo do curso. Bons estudos! 7 Auditoria em saúde Autoria: Rebeca Camille Bernardes Leitura crítica: Franciely Midori Bueno de Freitas Objetivos • Conhecer e compreender os conceitos e fundamentos de auditoria em saúde. • Definir as etapas do processo de auditoria. • Analisar o perfil e características inerentes ao profissional auditor. 8 1. Auditoria em saúde A palavra auditoria teve sua origem na língua latina com o significado de ouvir. A auditoria tem como objetivo cumprir metas em uma determinada instituição por meio de informações analisadas com o intuito de implantar ações preventivas e corretivas. A qualidade da assistência é permeada pelo foco na satisfação e experiência do cliente. No âmbito da análise e gestão de custos, a auditoria é marcada pela preocupação com os aspectos financeiros oriundos da assistência e serviços prestados ao cliente em sua permanência na instituição. De acordo com Morais (2014), o primeiro registro em auditoria no mundo foi datado em 1918 com as análises do médico americano George Gray Ward. Seu foco era analisar, retrospectivamente, a qualidade na assistência e cuidados prestados ao paciente por meio dos registros evidenciados em prontuários. Em meados de 1963, no Brasil, foram criados os grupos médicos fiscais, conhecidos hoje como auditores. Estes foram reconhecidos em 1974 por meio da sistematização da avaliação da prestação de serviços, conforme registrado pelo Ministério da Previdência após a criação do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), autarquia federal fundada pela Lei nº 6.439. Ressaltamos a criação do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DENASUS) em 2003, como órgão central do Sistema Nacional de Auditoria, com o intuito de realizar o controle interno do Sistema Único de Saúde (SUS), acompanhando, controlando e avaliando as ações e serviços de saúde em toda área de abrangência nacional em cooperação técnica com os estados, municípios e Distrito Federal. Destacamos, também, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) criada em 2000, com a finalidade de fiscalizar e controlar as ações e 9 serviços compondo o marco regulatório da saúde suplementar com a definição das atribuições da ANS. Seus objetivos estão relacionados na qualificação do atendimento, redução de desperdícios e auxílio no controle dos custos com análise de contas e faturamento das cobranças efetuadas. É evidente que a maioria das pessoas tem uma percepção equivocada dos serviços de auditoria, associando as atividades estritamente a áreas burocráticas de cunho contábil e financeiro. Embora haja uma prevalência de atuação nessas áreas, observamos a presença de profissionais que analisam a qualidade da assistência prestada, bem como os processos internos dos serviços ofertados. A auditoria tem como finalidade a avaliação dos documentos que compõem os processos administrativos para análise dos dados referentes aosserviços prestados correlacionados às normas, rotinas e protocolos existentes, apresentando relatórios com diagnóstico sobre a instituição auditada, possibilitando a promoção de melhorias internas no desempenho da assistência dispensada. Ela pode ser entendida como uma ferramenta que auxilia a gestão dos serviços, no planejamento e implementação de ações que visem a otimização e melhorias de processos. Neste sentido, a qualidade do atendimento e custos são variantes importantes a serem analisadas referente à gestão e gerenciamento em saúde. A adoção de estratégias inovadoras que amparem a gestão na área da saúde é fundamental para o processo. Citamos, ainda, o aproveitamento de oportunidades e otimização de fluxos, redução de tempo, bem como a melhoria da qualidade da assistência multiprofissional prestada, auxiliando na previsibilidade dos custos assistenciais futuros, riscos e contribuindo para a sustentabilidade financeira do setor saúde. 10 A auditoria no âmbito da saúde pode ser entendida como parte do controle dos recursos disponibilizados para assistência na saúde baseada em valor, sendo este um método de avaliação voluntário, periódico e reservado dos recursos institucionais de unidades de saúde, com o intuito de garantir a qualidade da assistência por meio de padrões previamente definidos. Segundo Bazzanella (2013), as principais finalidades estão relacionadas à redução de custos operacionais, melhora na qualidade do atendimento, aumento da competitividade da empresa e maior seguridade nos procedimentos. A auditoria em saúde tem como foco primordial a melhoria na assistência prestada ao paciente, a partir da elaboração e implementação de padrões com melhores práticas e evidências, reforçando sua função educativa que tende a provocar estímulos às mudanças nas práticas, possibilitando melhorias nos resultados. A prática possibilita orientar, capacitar por meio da avaliação do processo assistencial, revisar e readequar os processos de auditoria. Sendo assim, a auditoria em saúde pode ser classificada quanto à sua pertinência, não exigindo uma abordagem ideal, ou seja, focos diferentes podem ser analisados de modo complementar aos objetivos a serem atingidos, de acordo com o planejamento e as etapas para sua operacionalização. 2. Tipos de auditoria A auditoria em saúde pode ser dividida em auditoria interna, quando o serviço é praticado por profissionais empregados das sociedades, associações e fundações, com fundamentação na validação e avaliação dos controles internos e demais procedimentos. Podemos, também, inferir que esta auditoria tem um caráter interno quando é desenvolvida pela própria instituição requerente. A execução dessas atividades 11 pode ser caracterizada conforme alguns critérios de definição, a saber: retrospectiva quando é realizada posteriormente ao episódio auditado; concorrente quando é realizada no processo concomitante à oferta da assistência ou serviço; e prospectiva quando ocorre avaliação prévia à realização do episódio auditado. Destacamos a auditoria concorrente devido ao seu perfil educativo, uma vez que atua in loco no momento presente, durante a internação permitindo a visita do auditor ao paciente. Por outro lado, Silva e Vieira (2015) e Rosa (2012) conceituam a auditoria externa é conceituada como um processo composto por métodos técnicos com o objetivo de elaborar, registrar e emitir pareceres financeiros, resultado de trabalhos e aplicações de recursos da instituição auditada em conformidade as normas brasileiras de contabilidade. Identificadas as não conformidades, inconsistências e divergências de acordo com as normas, padronizações e protocolos estabelecidos, a participação direta proporciona credibilidade e possibilidade de diagnóstico dos pontos críticos da assistência, podendo direcionar e aperfeiçoar ações educativas de forma objetiva, clara e conforme a necessidade de cada equipe e setor. A auditoria possui uma conotação importante relacionada à sua natureza, sendo ela: de qualidade, quando focada na sistematização da assistência prestada ao cliente; auditoria de contas, quando englobam atividades de verificação e discussão ativa das contas hospitalares; auditoria de gestão, com análise e revisão de processos para capacitação e educação contínua dos profissionais; e auditoria contínua, caracterizada pela realização de forma pré-definida por meio de intervalos estabelecidos ou sem continuidade. A qualidade da assistência em saúde é garantida pela realização correta de auditorias de gestão, cujo foco é avaliar os resultados de 12 modo cooperativo, com a proposta de corrigir as não conformidades identificadas. A auditoria em saúde pode, também, ser classificada em analítica, quando as verificações ocorrem por meio de análise de dados estatísticos e documentos para inspeção, construção, implementação e avaliação de resultados de uma política, visando redirecionamento ou até a reorganização de processos. É uma avaliação da eficiência administrativa na gestão dos recursos operacionais e competitividade, em que a equipe realiza a comparação de indicadores gerenciais da empresa com a performance de instituições concorrentes. Já a auditoria preventiva ocorre previamente à realização dos procedimentos. Sempre que algum processo estiver em planejamento, deve-se passar por uma análise, garantindo que haja o cumprimento das regras. Citamos como exemplo a avaliação das autorizações de procedimentos, em que há a verificação das guias dos planos de saúde, prevenindo e evitando divergências que podem comprometer o funcionamento da empresa, como as glosas administrativas. A auditoria operacional ou de contas hospitalares inclui a validação de todos os procedimentos, exames, insumos e serviços utilizados para a prestação da assistência ao paciente, a fim de verificar a conformidade ao que consta no prontuário do cliente/paciente, podendo ser realizada tanto na sede do prestador quanto nas instituições hospitalares. A auditoria da qualidade da assistência avalia os registros em prontuários como ferramentas de aferição da assistência prestada ao paciente. O resultado do produto hospitalar é analisado por meio da qualidade da documentação e do registro de todas as ações, promovendo a qualidade da assistência e produtividade do trabalho. 13 3. Processo de auditoria A auditoria pode ser classificada pelos métodos de retrospecção, quando há a verificação de fatos passados, com observações em determinado contexto ocorrido previamente; analítico ou prospectivo que ocorre mediante a avaliação da assistência prestada ao paciente com interpretação e interação dos fatos; e concomitante ou concorrente que utiliza técnicas do método retrospectivo para o desenvolvimento do processo. A auditoria é utilizada pelas instituições de saúde prestadoras de serviços de modo proativo, para verificação do prontuário com o intuito de verificar o registro, preenchimento corretos dos dados que o compõem e visitas in loco no momento da prestação do serviço. Durante o processo de auditoria, os convênios médicos, operadoras de planos de saúde, seguradoras e o Sistema Único de Saúde (SUS) utilizam dos registros em prontuários e das informações que os compõem para verificar os procedimentos realizados, avaliar a assistência prestada, confrontar as evidências identificadas aos protocolos estabelecidos possibilitando identificar as evidências no que foi executado e faturado, gerando informações que auxiliem no processo de gestão financeira e do cuidado. As evidências registradas em prontuário são as únicas provas de veracidade, fidedignidade e autenticidade do tratamento e dos cuidados realizados, sendo necessário o seu preenchimento correto, exato e completo. Salientamos que a principal evidência de registros e continuidade das informações sobre o paciente são disponibilizadas no prontuário do paciente, sendo estes fundamentais para auditoria, constituindo comoelemento essencial para avaliação da qualidade dos serviços de saúde referente à adequação do cuidado e às normas da organização de saúde. Um dos principais ofensores no processo de auditoria são 14 as inconsistências, não conformidades, ausência de informações e demonstração comprobatória no prontuário do paciente como garantia da assistência prestada, sendo estes aspectos que comprometem a qualificação do processo de assistência. A elaboração e utilização de protocolos, auxiliam a gestão a direcionar a conduta a ser praticada e mensurar suas conformidades, potencializando um campo de análise da gestão para o serviço, promovendo maior conformidade nos serviços de saúde. Os protocolos são norteadores no processo de sistematização da assistência prestada tornando possível o enfoque em capacitação dos profissionais envolvidos e padronização de condutas, baseados em evidências científicas, trazendo à assistência um cuidado mais eficiente e eficaz. Os protocolos são elaborados também pensando em análises financeiras, uma vez que objetivam a redução de glosas e melhor previsibilidade do uso de recursos. A auditoria inclui aspectos relacionados à qualidade e quantidade de recursos em assistência. O aspecto financeiro inclui a observação de características organizacionais e operacionais. Como exemplos, citamos: o controle e registro de gasoterapia, utilizado pelo paciente durante a internação; checagem e administração de medicamentos; materiais utilizados na prestação do cuidado como curativos, troca de acesso venoso periférico e troca de sonda vesical de alívio. Estes procedimentos são comparados com a fatura apresentada e o prontuário do paciente, possibilitando a evidência da assistência prestada o que justifica o pagamento. Quanto ao controle da qualidade, a auditoria trata da avaliação sistemática da qualidade da assistência prestada ao cliente, trabalho este que tomou grandes proporções nas instituições hospitalares e operadoras de planos de saúde. Para que isso aconteça, é necessário que a prática seja baseada em evidências por meio da formação de conceitos sólidos fundamentando a prática. 15 Concordamos com Fabro et al. (2020), e destacamos como etapas fundamentais ao processo de auditoria: o planejamento, em que procura-se antecipar os exames necessários para descrever a situação encontrada; a execução, para a realização dos exames; a compreensão da funcionalidade da auditoria em saúde; o conhecimento de normas institucionais e legais; a compreensão dos resultados e desenvolvimento de estratégias; a manutenção de um bom nível de comunicação com a equipe; a elaboração de relatório referente às constatações e conclusões; e o gerenciamento de possíveis crises diante dos resultados. Ressaltamos que o processo de auditoria consiste na análise e diagnóstico dos processos da organização. O planejamento dos trabalhos está relacionado à definição de como a auditoria irá acontecer, sendo assim, o auditor deverá definir o grupo de pessoas que participará da auditoria, quais processos serão auditados, qual o período de duração da auditoria, levantar toda arquitetura do processo e a infraestrutura necessária para executá-la. A comunicação dos resultados avaliará, com cuidado, cada oportunidade de melhoria e o desenvolvimento de iniciativas para solucioná-las. Desse modo, o monitoramento do trabalho de auditoria deverá acontecer periodicamente, promovendo o pensamento crítico para a realização melhorias constantes nos processos. Evidenciamos nos métodos do processo de auditoria a retrospecção como: verificação de fatos passados, situando a observação em determinado contexto previamente ocorrido; analítico ou prospectivo, com avaliação da assistência junto ao paciente com interpretação e interação dos fatos; concomitante ou concorrente, que utiliza da retrospecção para o desenvolvimento do processo. Não há uma sequência ou roteiros para execução de auditorias em saúde. Entretanto, relatamos a seguir itens essenciais ao processo, que devem ser considerados, a saber: identificação correta do paciente no prontuário que será auditado; conferir minuciosamente os dados como, nome completo e data de nascimento para seguridade no https://www.euax.com.br/2020/05/arquitetura-de-processos/ https://www.euax.com.br/2020/05/arquitetura-de-processos/ 16 processo; conferência do período de internação da conta que será auditada devidamente datada em prontuário, visto que contas de longa permanência respeitam auditorias acordadas e contratualizadas; conferência da documentação referente ao processo de autorização ou liberação da central de regulação; conhecimento prévio dos acordos, tabelas e contratos estabelecidos entre a instituição e prestador de serviço; estabelecer uma ordem de raciocínio e cronológica para avaliação do prontuário para auditoria, tendo como uma alternativa a separação do prontuário por centro de custo; e o registro correto de apontamentos de itens que estão em discordância com a assistência prestada ao paciente. 4. Perfil do auditor O auditor deve estar atualizado quanto às exigências do mercado, aprimorando técnicas que ajudem em seu trabalho como: um bom relacionamento interpessoal; capacidade de comunicação clara e precisa; ser confidente e rigoroso com seus resultados. Cabe ao auditor analisar documentos, registros, obtendo informações e confirmações e obedecendo às normas apropriadas de procedimento, com o objetivo de verificar se as demonstrações de acordo com os princípios fundamentais da profissão. Sendo a profissão de auditor marcada pelo traço da responsabilidade pública e social, elementos como ética e independência são essenciais ao profissional, até mesmo como fator de transparência e credibilidade no mercado. A função do auditor em saúde está relacionada ao conceito do modelo de atenção gerenciada, objetivando o controle de custo e melhoria da qualidade, podendo resultar em um panorama de reestruturação da produção em saúde demarcada pela gestão das organizações. Conforme Siqueira (2014), este modelo de atenção gerenciada constitui uma prática de gestão que evidencia a necessidade de gerenciamento dos 17 cuidados em saúde, possibilitando o equilíbrio entre a racionalização dos custos de produção das intervenções e qualidade dos serviços prestados. O profissional qualificado em auditoria é aquele que evidencia suas opiniões com embasamento técnico-científico por meio de comprovação financeira, bem como fornece dados para subsidiar a melhoria contínua da assistência prestada em saúde de uma organização. São pessoas habilitadas e detentoras de conhecimentos específicos nas áreas de atuação coexistente à legislação vigente. As auditorias podem ser realizadas em vários setores na assistência à saúde por diferentes profissionais; destacamos a auditoria médica, de enfermagem e odontológica. O profissional que realizará a auditoria em saúde ,deve ser capacitado para a função, pois a área exige uma atuação financeira para que se possa operacionalizar o processo, incorporando um aspecto qualitativo de assistência aos pacientes e aos processos da instituição. Destacamos como comportamentos e características essenciais e inerentes à profissão de auditor a capacidade de evitar situações constrangedoras, de manter um ambiente de mútuo respeito e simpatia para com aqueles que estão sendo auditados, discrição nos comentários, observações sobre dados coletados e avaliações formuladas. O auditor também deverá: atentar para a expressão escrita e verbal para uma comunicação assertiva, clara, concisa e correta; ser gestor e saber liderar equipes; conhecer as normas e legislações que envolvem o setor; saber planejar e criar estratégias promissora; ter independência; saber produzir planilha e relatórios claros e precisos; ter conhecimento de negociações de auditoria; realizar análise de julgamento; ter escuta ativa; possuir parcerias ativas com o mercado; ter ampla visão de negócio;ser imparcial e objetivo; estar atualizado; zelar pelo padrão profissional; e respeitar comportamentos ético, o sigilo e a discrição. 18 Além disso, o profissional auditor deve ser um exímio negociador em todas as situações, mostrando domínio de sua atividade. Deve ser ético, respeitando seu respectivo código profissional e imparcial nas aplicações normativas, exercendo de forma criteriosa, honesta e objetiva o seu trabalho, mantendo sigilo absoluto das informações confidenciais que chegarem a seu conhecimento. Importante salientar que os serviços de saúde devem discutir aspectos da segurança do paciente, bem como elaborar ações e políticas internas que proporcionem de forma efetiva mudanças na cultura organizacional, objetivando alcançar as práticas de segurança do paciente, por meio de estratégias de gestão de riscos durante a oferta da assistência e serviços de saúde. Observa-se a relevância da auditoria junto às organizações de saúde que têm adotado medidas em relação à redução de práticas inseguras no processo de assistência ao paciente, fundamentadas em boas práticas que se traduzem em protocolos estabelecidos com base em evidências científicas e de acordo com recomendações dos órgãos competentes. Referências BAZZANELLA, N. A auditoria como ferramenta de análise para a melhoria da qualidade no serviço prestado. Cad Saúde e Desenvolvimento, Brasília, v. 2, n. 3, p. 50-65, 2013. Disponível em: https://cadernosuninter.com/index.php/saude-e- desenvolvimento/article/view/276#. Acesso em: 15 mar. 2022. FABRO, G. C. R. et al. Auditoria em saúde para qualificar a assistência: uma reflexão necessária. Rev Cuid Enferm., Porto Alegre, v. 2, n. 14, p. 147-155, jul./dez. 2020. Disponível em: http://www.webfipa.net/facfipa/ner/sumarios/ cuidarte/2020v2/p.147-155.pdf. Acesso em: 15 mar. 2022. MORAIS, M. V. de Auditoria em Saúde. São Paulo: Saraiva, 2014. ROSA, V. L. Evolução da auditoria em saúde no Brasil. 2012. 33 f. Monografia (Especialização em Auditoria em Saúde). Centro Universitário Filadélfia (UniFil), Londrina, 2012. Disponível em: https://web.unifil.br/pergamum/ vinculos/000007/000007B1.pdf. Acesso em: 15 mar. 2022. 19 SILVA, M. A.; VIEIRA, E. T. Auditoria interna: uma ferramenta de gestão dentro das organizações. Redeca, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 1-20, 2015. Disponível em: https:// revistas.pucsp.br/index.php/redeca/article/view/28559. Acesso em: 15 mar. 2022. SIQUEIRA, P. L. F. Auditoria em saúde e atribuições do enfermeiro auditor. Cad Saúde e Desenvolvimento, Brasília, v. 2, n. 3, p. 5-19, 2014. Disponível em: https:// periodicos.uninove.br/revistargss/article/view/15909#. Acesso em: 15 mar. 2022. 20 Aperfeiçoamento da auditoria em qualidade da assistência em saúde Autoria: Rebeca Camille Bernardes Leitura crítica: Franciely Midori Bueno de Freitas Objetivos • Definir principais conceitos, processos e instrumentos para qualidade da assistência em saúde. • Aperfeiçoar o conhecido acerca da auditoria em qualidade da assistência em saúde. • Correlacionar auditoria e qualidade na assistência prestada em saúde. 21 1. Qualidade na assistência em saúde A gestão e gerenciamento em saúde são definidas como estratégias facilitadoras acerca da comunicação entre a equipe multiprofissional, unidades de negócio e posições funcionais de cargo nas instituições. Segundo Santos (2014), tem como objetivo melhorar o clima organizacional, propiciando um ambiente solidário e profissional, aumentando, assim, a qualidade da assistência prestada ao paciente. O advento das inovações no mercado, bens e serviços ocorreram principalmente devido às mudanças nos processos e produções de trabalho, impulsionadas pela integração dos modelos sistêmicos baseados na ampliação dos horizontes da visão gestora. Dessa forma, o gerenciamento em instituições hospitalares pode ser instituído de dois modos, por diretrizes ou por rotina. A gestão por diretrizes estabelece como meta a geração de planos de ação específicos, organiza e equipara o engajamento entre os membros da instituição. Já a gestão por rotina prioriza o estabelecimento de padrões e definições de fluxos de processos, com o objetivo de avaliar o desempenho e desvio dos resultados comparados as metas estabelecidas. No âmbito geral, a qualidade pode ser conceituada por sua noção sobre rentabilidade, associada à ausência de falhas, cumprimento de prazos e satisfação do cliente. Devido a isso, é inviável analisar a qualidade como um único produto ou serviço restrito a características técnicas e materiais. A qualidade pode ser classificada como técnica, com a aplicação de dados científicos na resolução de problemas em saúde; interpessoal baseada na relação entre a instituição e o paciente; e ambiental referente ao bem-estar e conforto. É necessária a elaboração de instrumentos que permitam mensurar a qualidade para a avaliação 22 correta dos padrões estabelecidos, capacitar e educar os profissionais envolvidos no processo, garantindo, assim, a excelência no atendimento em saúde prestada. Um programa de qualidade consolidado consiste em evidenciar o funcionamento da instituição conforme as metas estabelecidas, por meio do registro do desempenho relacionados aos indicadores, bem como a estruturação dos registros. Já a avaliação em qualidade tem como foco definir os procedimentos por meio da coleta de dados sobre as atividades realizadas e resultados dos programas implantados, visando o aumento da efetividade e possibilitando a tomada de decisão aos gestores. Deve ser dinâmica, participativa e orientada para consolidar valor agregado a instituição e clientes. Nesse sentido, o conceito de qualidade pode ser encontrado em diversos setores, como na economia e na administração, o que causa controvérsias quando comparado a saúde, pois há uma parcela de instituições que não são direcionadas pelos lucros e pela baixa competitividade. Sendo assim, há particularidades relacionadas ao paciente que devem ser tratadas individualmente e a padronização de procedimentos pode ser afetada visto que a conduta médica é soberana, as qualificações técnicas dos profissionais de saúde são distintas e com motivações divergentes. O cliente também não detém conhecimento pleno acerca do serviço prestado, desse modo, tudo isso corrobora para a resistência em centralizar e definir qualidade em saúde. No início do século XX, os Estados Unidos apresentaram certa preocupação com a qualidade dos serviços ofertados em saúde, evidenciada em faculdade de medicina. Porém, foi somente em 1990 que um médico pediatra contribuiu ativamente para o gerenciamento da qualidade com a aplicação e desenvolvimento de ferramentas da qualidade (GALDINO et al., 2016). 23 Na área da saúde, os primeiros registros relacionados à qualidade surgiram com o intuito de buscar compreender a qualidade como o alcance de maiores benefícios por meio da análise dos recursos disponíveis e valores existentes, em desvantagem aos menores riscos para o cliente. As atividades da qualidade estão relacionadas ao acompanhamento contínuo, redução de erros e falhas, diminuição de custos, aumento da sustentabilidade e diminuição de retrabalho. De acordo com Miranda (2014), no ano 2000 foi implantado pelo Ministério da Saúde os Centros Colaboradores para a Qualidade da Gestão e Assistência Hospitalar, constituídos por instituições públicas ou filantrópicas com experiência em gestão e assistência hospitalar para a prestação de assessoria e consultoria aos estabelecimentos de saúde do Sistema Único de Saúde. Seus objetivos incluíam o compartilhamento de conhecimento, humanização no serviço prestado, utilização sustentável de recursos materiais, financeiros e humanos para a qualidade da assistência. Cabe ressaltar que a qualidade em saúde pode ser entendida como um conjunto de características para avaliação do nível de excelência profissional, uso sustentável de recursos, baixo risco para pacientes e alta satisfação do clientede acordo com os valores institucionais. Na saúde, destacamos a assistência prestada por diversos profissionais com competências distintas e que atuam por um objetivo comum, promover a qualidade em saúde. Inferimos que a qualidade é caracterizada por um conjunto de ações que subsidiam sua aplicação como a estruturação de processos, melhorias na assistência prestada, práticas definidas e disseminadas, capacitação e treinamentos da equipe multiprofissional, excelência no atendimento e competência técnica. Desta forma, a qualidade em saúde vai além do conceito de satisfação do cliente, é a seguridade e manutenção da saúde padronizando os 24 serviços de forma a garantir o bem-estar coletivo, ambiental e do indivíduo. Em hospitais, a gestão de qualidade exige comprometimento das diretorias frente às mudanças para implantação de um serviço de excelência, com o intuito de estabelecer melhorias contínuas incorporadas para toda a equipe multiprofissional. 1.1 Ferramentas utilizadas na gestão da qualidade As ferramentas da qualidade utilizadas para gerenciamento e gestão da qualidade incluem a acreditação hospitalar, ouvidoria, auditoria, indicadores e certificação. A qualidade pode ser classificada quanto as atividades operacionais, sendo elas: as ferramentas e técnicas de melhorias de processo; análise de falhas para melhoria da qualidade; e programas e métodos. Com o desenvolvimento da área de qualidade, houve, consequentemente, o desenvolvimento dos instrumentos, programas e metodologias utilizadas em qualidade. Sendo assim, as ferramentas de qualidade são métodos empregados com o intuito de determinar, medir, examinar e sugerir propostas para problemas que influenciam no correto desenvolvimento dos processos e fluxos de trabalho. O objetivo dessas ferramentas é ajudar na compreensão e reflexão de problemas por meio de fluxogramas, histogramas, diagrama de Pareto, carta de controle, carta de tendência, Ciclo PDCA, brainstorming, 5s, gráfico de dispersão, lista de verificação e diagrama de causa e efeito (diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe). Para cada problema identificado há uma ferramenta da qualidade ideal para entendimento, compreensão e resolução, conforme Figura 1. 25 Figura 1 – Ferramentas da qualidade Fonte: tockdevil/iStock.com. Os instrumentos caracterizados como controle são aplicados para determinar a veracidade, influência e importância da qualidade, conforme exemplificado na Figura 2. Sendo assim, a melhoria da qualidade é determinada pela satisfação no nível da assistência prestada. As técnicas que comandam a qualidade são estratégias quando envolvem medidas administrativas de controle, e de estatísticas quando mensuram quantitativamente essa qualidade. 26 Figura 2 – Carta de Controle Fonte: elaborada pela autora. Os propósitos das ferramentas da qualidade são permitir a visualização e compreensão dos problemas, condensar o conhecimento, aprimorar a criatividade, promover o conhecimento do processo e subsidiar os elementos para o monitoramento dos processos. No planejamento das ações em qualidade, são utilizadas as seguintes fontes para formulação de documentos institucionais na legislação vigente: o Procedimento Operacional Padrão (POPs) e os protocolos já existentes na Instituição, manuais de acreditação e relatórios de auditorias anteriores. A acreditação pode, ainda, ser definida como um processo de apreciação dos recursos organizacionais de forma voluntária, sigilosa e periódica, com o objetivo de assegurar a qualidade da assistência por meio de padrões pré-estabelecidos. A acreditação consiste no • Identificação do problema. • Determinação da influência. • Importância da qualidade. • Determinação da veracidade. Técnicas Estratégicas: medidas administrativas de controle Estatísticas: mensuram quantitativamente essa qualidade. 27 diagnóstico e análise da qualidade e processos com base em padrões internacionalmente comprovados para melhorias de desempenho, norteando instruções para as instituições de saúde. É um processo institucional sistêmico, responsável por mensurar desempenho, estimular melhorias, capacitar e promover responsabilidade social nas equipes multiprofissionais. Não é um processo punitivo ou fiscalizatório, mas sim educativo. De acordo com Alástico e Toledo (2013), a acreditação hospitalar é um instrumento baseado em critérios que colaboram e incentivam a melhoria contínua da qualidade, processo este no qual uma instituição, autônoma e independente da entidade de origem em saúde, analisa a instituição para decidir se ela está apta a receber o selo de certificação, obedecendo uma listagem de padrões elaborados para aprimorar a segurança e a qualidade do cuidado, proporcionando a implantação de uma cultura de segurança e qualidade no interior de uma instituição na assistência prestada aos pacientes. Já os indicadores em saúde são ferramentas que possibilitam o alcance de informações sobre um determinado dado, buscando sintetizar diversas informações e retendo apenas o significado essencial dos aspectos analisados. São instrumentos utilizados para acompanhar os processos críticos mediante meta de desempenho estabelecida. São utilizados para mensurar a eficácia de uma estratégia e analisar se o objetivo estabelecido foi alcançado. Buscam correções de possíveis erros e falhas apuradas no acompanhamento de dados, com identificação de prováveis causas e não conformidades no processo. Os indicadores ainda são responsáveis por subsidiar o gerenciamento e gestão de processos auxiliando nas tomadas de decisão. A certificação é um processo de validação de um órgão imparcial que tem como intuito reconhecer oficialmente uma instituição conforme os requisitos especificados para uma determinada área, ou seja, a 28 instituição pode receber mais de um certificado de acordo com o setor avaliado. As ouvidorias são canais de comunicação democráticas, determinados para receber relatos dos cidadãos, compreendendo reclamações, denúncias, sugestões, elogios e solicitação de informações. É função da ouvidoria avaliar, direcionar, orientar, acompanhar e realizar a devolutiva dos retornos ao usuário com o intuito de garantir a solução dos problemas apresentados. 2. Auditoria em qualidade As estratégias em saúde estão cada dia mais focadas em pesquisar modelos que auxiliam na redução de custos para a instituição e melhoria na promoção e prevenção à saúde do indivíduo com diminuição de internações, cirurgias e procedimentos complexos desnecessários. Podemos definir desospitalização como o processo que apura a humanização do cuidado aos pacientes com as diretrizes institucionais e terapêuticas adotada. Seu principal objetivo é fornecer aos pacientes uma recuperação digna e rápida no ambiente domiciliar, racionalizando a utilização de leitos em instituições hospitalares. Neste contexto, destacamos a auditoria hospitalar ou clínica, que engloba a aferição da eficácia do cuidado em saúde por meio de padrões validados úteis a gestão hospitalar. Destacamos como um importante objetivo dessa auditoria a análise minuciosa do cuidado integral em saúde, com o intuito de avaliar o desempenho clínico dos profissionais envolvidos na assistência, evidenciando oportunidades de progresso e técnicas para uma tomada de decisão assertiva. A aferição da qualidade da assistência em saúde é realizada por meio da auditoria que, embasada cientificamente e em conjunto com as ações 29 comprovadas, levam à construção de um saber técnico e científico. Uma ferramenta eficaz para avaliação dos recursos e práticas em saúde são as linhas de cuidado, pautadas em conformidades clínicas com o objetivo de analisar condutas, processos ágeis, possibilidades diagnósticas e condutas terapêuticas, bem como coordenar a interação entre a equipe multiprofissional. A auditoria pode ser vista como uma ferramenta instrutiva que verifica atividades pertinentes à qualidade por meio do controle,gerenciamento, confirmação, verificação e avalição do serviço prestado ao paciente. Neste processo, classificamos como etapas importantes: a identificação; o diagnóstico; as visitas técnicas; a implementação; a supervisão; e a avaliação. Neste contexto, destacamos como uma vertente importante para a qualidade a auditoria clínica, que é um dos componentes da gestão clínica, sendo considerada uma interpretação sistemática de revisão, análise das atividades operacionais e normatização da atividade médica. O objetivo dessa auditoria é melhorar a conduta a partir da prática, processos e fluxos de trabalho, bem como contribuir para mudanças educativas no campo profissional. Também compreende a interpretação crítica e sistêmica da qualidade da assistência em saúde, englobando procedimentos diagnósticos e terapêuticos por meio da implantação de protocolos clínicos (SANTOS et al., 2021).Este tipo de auditoria é estruturado considerando a teoria que profissionais da saúde alteram a prática da assistência baseados nos feedbacks que recebem de sua gestão ou colega da equipe de saúde, na forma verbal e escrita com objetivos claros, específicos e alinhados a um plano de ação, bem como nos treinamentos e protocolos disponíveis para consulta na instituição. O foco da auditoria clínica é desempenhar a função de mediadora entre o cuidado prestado ao paciente e o valor financeiro dispendido para que a assistência seja realizada com excelência, ou seja, conseguir os 30 melhores resultados centrados no paciente com melhores custos para a instituição. Segundo Corrêa et al. (2011), os protocolos são norteadores para a qualidade da assistência prestada em saúde, formalizando ações, organizando eventos, diminuindo erros e falhas. Eles possibilitam aos gestores projetar a forma correta para execução do trabalho, instituindo capacitações específicas de acordo com as fragilidades diagnosticadas. O objetivo é assegurar que os pacientes estão recebendo o melhor tratamento com bons resultados, aumentando, assim, o nível de satisfação do cliente, fidelizando o usuário e contribuindo para melhores resultados na instituição. A auditoria com base na utilização de protocolos clínicos, evidencia a necessidade de treinamentos à equipe multiprofissional, promovendo oportunidades de melhorias para mudanças do fluxo de trabalho. O aprimoramento da assistência está condicionado à análise dos dados científicos e padronização de condutas em saúde (CORRÊA et al., 2011). O profissional auditor responsável pela auditoria clínica é essencial no processo de gestão hospitalar, uma vez que identifica os pacientes com critérios para desospitalização, bem como realiza a análise e prevenção de internações de longa permanência em instituições hospitalares, e ainda avalia os desperdícios relacionados às permanências desnecessárias, promovendo uma redução de custos e melhorando a sustentabilidade na instituição. Para avaliarmos a efetividade de um protocolo assistencial devemos submetê-lo a uma análise criteriosa de auditoria que avaliará se as metas estabelecidas foram alcançadas com base no diagnóstico inicial. 31 3. Relação entre auditoria e qualidade na assistência Ao correlacionar auditoria e qualidade, identificamos que há uma outra vertente específica para analisar esses processos, a auditoria da qualidade. Ela é a análise traçada, programada e registrada que tem por objetivo averiguar a eficiência das atividades implantadas por meio da certificação de evidências e conformidades, atuando como importante aliado no aperfeiçoamento da auditoria e qualidade na assistência prestada em saúde (CORRÊA et al., 2011). A assistência em saúde busca atender as expectativas dos usuários por meio de um conjunto de elementos que apresentam conformidade pré- definidos por grupos de pessoas, área técnica e prática em saúde. A qualidade é considerada um fator importante nesse processo, visto que conduz as instituições para os mercados almejando êxito e crescimento organizacional. Mesmo com o crescimento da área de auditoria e o reconhecimento da sua importância associada a qualidade, há alguns motivos de insucesso na sua implantação e aplicação, como: • Ausência de comprometimento das gestões estratégicas da instituição. • Resistência à mudança por parte da instituição. • Ausências de treinamentos e competências técnicas do profissional auditor. • Ausência de um plano de ação efetivo estabelecimento de ações corretivas. • Ausência de sistemas de controle e monitoramento da qualidade. 32 • Desconhecimento ou ausência de protocolos assistenciais. • Ausência da centralização do cuidado e padrões financeiros subestimados. É de suma importância o fortalecimento e estabelecimento de uma gestão de qualidade participativa tanto nas áreas técnicas como nas áreas estratégicas nas instituições. Além da visão da saúde como área de promoção, prevenção e cuidados em saúde, devemos considerá-la como negócio para gerenciamento e foco no cliente. O cliente é o principal foco no funcionamento da instituição, portanto, avaliar suas percepções e satisfação é imprescindível para o sucesso do trabalho. A organização de uma instituição de saúde requer conhecimento de mercado, análise dos concorrentes, análise das exigências financeiras para negociação e da carteira de clientes. Portanto, a troca de informações técnicas e culturais entre as instituições de saúde fornecem um importante instrumento para coleta de informações pertinentes durante a fase de planejamento, com o intuito de nortear e identificar possíveis risco estratégicos. Referências ALÁSTICO, G. P.; TOLEDO, J. C. de. Acreditação Hospitalar: proposição de roteiro para implantação. Gest. Prod., São Carlos, v. 20, n. 4, p. 815-831, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/gp/a/pkySnXSCXBYXTBHxCLXFrCb/abstract/?lang=pt#. Acesso em: 15 mar. 2022. CORRÊA, C. S. P. et al. Auditoria de enfermagem na qualidade da assistência: implantação de protocolos. Revista Contexto & Saúde, Ijuí, v. 10 n. 20, p. 719- 722, jan./jun. 2011. Disponível em: https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/ contextoesaude/article/view/1631. Acesso em: 15 mar. 2022. GALDINO, S. V. et al. Ferramentas de qualidade na gestão dos serviços de saúde: revisão integrativa de literatura. Rev. Gest. Saúde, Brasília, v. 07, n. 1, p. 1023-1057, jul. 2016. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/3569. Acesso em: 15 mar. 2022. 33 MIRANDA, R. R. Análise do Modelo de Colaboração do Programa Centros Colaboradores para a Qualidade da Gestão e da Assistência Hospitalar. 2008. 168 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública)–Rio de Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz, 2014. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/5386. Acesso em: 15 mar. 2022. SANTOS, N. C. M. Legislação e Regulação em Saúde. São Paulo: Érica, 2014. SANTOS, V. R. D. dos et al. Instrumento norteador para auditoria clínica de protocolos. Rev. Adm. Saúde (On-line), São Paulo, v. 21, n. 82, jan./mar. 2021. Disponível em: https://cqh.org.br/ojs-2.4.8/index.php/ras/article/view/267/400. Acesso em: 15 mar. 2022. 34 Visão estratégica para sustentabilidade e redução de custos na assistência em saúde Autoria: Rebeca Camille Bernardes Leitura crítica: Franciely Midori Bueno de Freitas Carvalho Objetivos • Definir os principais conceitos sobre sustentabilidade em saúde. • Conceituar planejamento estratégico e sua relação na área da saúde. • Conceituar e compreender o processo de redução de custos em saúde. • Correlacionar auditoria com a redução de custo, sustentabilidade e visão estratégica em saúde. 35 1. Sustentabilidade em saúde O termo sustentabilidade começou a ganhar visibilidade em 1983 com a conotação de desenvolvimento de questões ambientais, apresentada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, somente em 1987 veio a público o relatório detalhado dos estudos desenvolvidos nessa área. Este relatório fomentou as discussõesrelacionadas à atenção nas necessidades presentes, sendo elas ambientais, econômicas e sociopolíticas, sem comprometimento das gerações futuras (GIATTI et al., 2021). De acordo com os referidos autores, o conceito sustentabilidade vem sendo amplamente desenvolvido em ambientes empresais, que voltaram o foco para dimensões econômicas, sociais e ambientais. Porém, observamos mudanças que refletem no ambiente social e político, uma vez que novas diretrizes estão sendo elaboradas permeando apenas o aumento do retorno financeiro para as instituições. Segundo Fenili, Correa e Barbosa (2017), na área da saúde, a partir da década de 1990, evidenciamos o surgimento de iniciativas sustentáveis para a evolução da saúde humana e ambiental. No Brasil, em 2006, foi criada a Política Nacional de Promoção da Saúde com o intuito de validar o compromisso com a promoção em saúde e gestão do Sistema Único de Saúde, por meio da sustentabilidade. O objetivo principal era de garantir a implantação de processos transformadores para as áreas coletivas, que fossem duradouros, e com grande impacto a médio e longo prazo. Também identificamos na área da saúde que o conceito de sustentabilidade é compreendido como o produto final, correlacionado com qualidade de vida e as competências ambientais, sociais, físicas, culturais, econômicas e políticas. Abrange, ainda, a interação dos 36 conhecimentos técnicos, populares e a associação entre os recursos públicos e privados, com o intuito de melhorias e solução de problemas (GIATTI et al., 2021). Destacamos como um importante aliado e ofensor à sustentabilidade, as inovações tecnológicas, visto o seu desafio na área da saúde. Ofensor quando ligado a fatores institucionais extremos, como alta rotatividade de colaboradores, uma vez que a sua substituição acarreta altos custos trabalhistas e treinamentos a novos contratos, onerando, assim, o processo. Do ponto de vista construtivo, as inovações oferecem embasamento teórico para compreensão no campo analítico em saúde, desenvolvimento econômico para o sistema, diferenciação da estrutura produtiva para a padronização no aprendizado e difusão de conhecimentos na área da saúde. Um sistema de saúde sustentável é composto pela geração de recursos tecnológicos, financeiros, humanos e estruturais, bem como a previsibilidade de serviços em saúde. 2. Visão estratégica O planejamento estratégico é uma técnica utilizada para estruturar a visão do negócio, definindo metas claras para atingir os resultados traçados, por meio de direcionamento e ações para alcance de metas (FENILI; CORREA; BARBOSA, 2017). Planejar as ações que direcionem, administrem, avaliem e controlem as entidades é a principal função da visão estratégica. Esta etapa consiste em realizar o diagnóstico e analisar os dados obtidos para reconhecimento do problema, etapas de controle e implantação do que foi planejado. 37 Uma outra pauta sobre o planejamento estratégico, engloba os determinantes com base nas áreas de sustentabilidade, valores e filosofia organizacional, com o intuito de possibilitar a estruturação de melhorias que facilitem a sua realização. Sendo assim, o planejamento estratégico em saúde foi implantado devido à complexidade dos processos, mudanças constantes no perfil populacional, construção de um novo modelo de cuidado em saúde aplicado à promoção e prevenção. É uma ferramenta importante para gestão, uma vez que caracteriza padrões direcionadores para ações nas mudanças de mercado competitivo. O planejamento estratégico inclui objetivos claros e metas atingíveis com foco no desempenho geral da empresa, o lançamento de novos produtos no mercado ou para a política interna da organização, no que diz respeito à organização e ambiente. Seu foco é que o desempenho da instituição seja superior ao concorrente. A visão estratégica compreende a realização de um diagnóstico, com identificação da missão, visão e valores institucionais, bem como a inserção de ferramentas para avaliação e controle das atividades. As ferramentas utilizadas para o planejamento estratégico são: transposição por analogia; brainstorming; engenharia reversa; hibridação; e a mais comumente utiliza que é a matriz SWOT que avalia forças, fraquezas, oportunidades e ameaças de uma determinada área ou empresa. Dessa forma, a visão estratégica sofre influência de algumas variáveis para o seu sucesso, como o modo de estruturação realizado pelos participantes do processo que analisam a sua efetividade prática com o intuito de apresentar os resultados a instituição. Na saúde, a visão estratégica tem como objetivo aumentar o desempenho, eficiência e efetividade dos serviços para obtenção dos 38 objetivos e mensurar os problemas de gestão mais evidentes. Suas origens são baseadas em problemas sociais acerca da questão de poder. Temos também a gestão estratégica como um modo de gerir norteado pela alta gestão institucional com foco em fortalecer relações de negócio e direcionar a empresa para alcance dos objetivos. Na área da saúde, acrescentamos a competitividade, a potencialização de recursos e a eficiência operacional como pontos importantes para a gestão (MOYSÉS FILHO et al., 2016). No ambiente hospitalar, a estratégia para implantação de um planejamento efetivo consiste em analisar a manutenção dos processos de trabalho, direcionamento acerca de crescimento e objetivos para avaliar a finalidade das iniciativas. Ao planejamento estratégico, conferimos as características de adaptabilidade, em que a instituição considera o movimento e mudanças de mercado; foco em resultados, com definições concretas de metas e objetivos da instituição; análise de stakeholders, considerando as relações entre os membros para tomada de decisão; e encantamento do público interno e externo, para corresponder às expectativas entre as partes envolvidas no processo. O profissional gerente é o responsável por garantir o engajamento e planejamento das ações no decorrer das atividades. As atividades do planejamento estratégico em instituições de saúde primam por avaliar e otimizar os custos ao longo do período, análise de investimentos e estabelecimento de metas de lucratividade. 3. Redução de custos em saúde Os custos hospitalares compreendem todos os gastos dispensado na assistência direta e indiretamente prestada em saúde. 39 Os custos podem ser classificados em fixos quando caracterizam uma demanda permanente, por exemplo: em um ambulatório foram agendadas 20 consultas para pacientes no dia X, no dia compareceram a unidade somente 10 pacientes. A instituição não irá faturar as consultas dos 10 pacientes faltantes, porém, os custos fixos com aluguel, água, energia e impostos permanecem inalterados, não variam de acordo com a produtividade financeira diária. Os custos variáveis são valores que alteram conforme demanda de serviço, por exemplo: em uma determinada cidade, houve um surto de gripe, do mesmo modo houve a necessidade de aumento da utilização da quantidade de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) utilizados pela equipe assistencial. Ou seja, com o aumento pela procura de EPI, houve o aumento financeiro para comercialização do produto. Os custos fixos e variáveis podem, ainda, ser classificados em diretos e indiretos. Diretos quando relacionados ao serviço contratado, por exemplo: medicamentos e materiais. E indiretos quando não é possível mensurar diretamente o valor atribuído ao serviço prestado, por exemplo, energia elétrica e água consumidos durante uma internação clínica. Podemos, ainda, classificar os custos variáveis em saúde como aqueles associados à demanda de trabalho e assistência prestada, por exemplo: medicamentos; materiais; OPME (órteses, próteses e materiais especiais). E os custos fixos como aqueles que continuaram sendo cobrados independentemente do volume de atividades prestadas e ofertadas no mês, como: aluguel; internet; telefonia. Os custos podem ser otimizadosmediante a organização e análise de despesas com: mapeamento dos investimentos; comparação entre as metas e retorno financeiro obtivo e análise dos resultados da instituição; tomada de decisão com estruturação dos custos da área baseados em relatórios; e otimização e automatização aplicadas a todos os sistemas da instituição, como plataformas de consultas e procedimentos. 40 Há, também, ferramentas que podem auxiliar no processo de avaliação de custos que, de início, pode apresentar alto custo, mas, à longo prazo, reflete no retorno financeiro da empresa. Como exemplo, temos a plataforma Pontomais, que otimiza processos burocráticos do RH com controle de ponto de modo descentralizado. Há métodos simples que auxiliam para a redução de custos como a padronização de processos administrativos que repercutem na economia e diminuição de erros na assistência prestada em saúde; redução de impressões e material de escritório com armazenamento de dados em sistemas informatizados; e avaliação periódica dos fornecedores para análise dos valores de mercado e negociações vantajosas para a instituição. O sistema de custos tem como finalidade analisar estoques, mensurar custos, estipular custos operacionais, serviços e produtos e fornecer uma avaliação econômica sobre a efetividade do processo, como ferramenta utilizada por gestores. Em saúde, observamos que o sistema de custos abrange o gerenciamento estratégico de despesas, e em instituições hospitalares é um importante instrumento gerencial. Como exemplo, podemos citar: a análise custo-benefício no tratamento de resíduos hospitalares e custos; e a qualidade dos procedimentos hospitalares com base em protocolos de atendimento. A redução de custos é o foco das atenções de gestores em instituições de saúde, que prezam pela manutenção adequada da assistência ao paciente sem elevar os recursos financeiros da empresa. https://pontomais.com.br/ 41 Figura 1 – Redução de custos em saúde Fonte: stockdevil/iStock.com. De acordo com Porter et al. (2017), algumas ações podem auxiliar os gestores em saúde quanto a redução de custos por métodos sustentáveis, sendo elas: 1. Análise dos processos da empresa: diagnosticar e compreender quais processos estão prejudicando o desenvolvimento do negócio; unificar e padronizar os processos setoriais; engajar a equipe multiprofissional envolvida na assistência prestada em saúde. 2. Organização das finanças da empresa: organizar o setor financeiro com base nos indicadores institucionais; propor ações para diminuir os desperdícios; classificar as despesas; avaliar os contratos com fornecedores terceiros para negociação de acordo com o mercado. 42 3. Investimentos em tecnologia: otimizar, parametrizar e automatizar os processos de trabalho da instituição, implantar programas e plataformas que facilitem a gestão. 4. Reestruturação dos espaços físicos: otimizar os espaços para atendimentos e melhora na produtividade das equipes multiprofissionais. 5. Eliminação de equipamentos e mobiliários obsoletos: avaliar os mobiliários obsoletos para liberação de espaço físico que poderá ser destinado a outras atividades produtivas; avaliar os equipamentos quanto ao consumo de energia e necessidade de manutenções recorrentes. 6. Análise dos indicadores de performance institucional: avaliar os indicadores estratégicos que podem auxiliar e fundamentar na tomada de decisão para o gestor de negócios. 7. Avaliação da rede de fornecedores: estar atualizado e analisar os valores praticados no mercado de acordo com mercadorias e serviços oferecidos. 8. Metodologia Lean: analisar os processos internos para intervenções rápidas e definição de indicadores de acompanhamento, com base em uma cultura de melhoria contínua; respeito entre os indivíduos e foco no cliente; eliminar desperdícios; reduzir os custos e erros assistenciais. A avaliação criteriosa dos processos em uma instituição de saúde é de suma importância para a definição das melhores práticas e estratégias para tomada de decisão com o objetivo de reduzir custos hospitalares. Brasil (2013) elencou alguns indicadores em saúde estratégicos para a análise gestora e auxílio na tomada de decisão, sendo eles: 1. Taxa de ocupação: é o volume total de pacientes atendidos pela quantidade de leitos disponíveis por dia em um determinado período. Este indicador é importante para análise e base de 43 informações referente ao tipo de leito mais utilizado, idade, sexo e convênio médico de maior demanda. 2. Produtividade: é a avaliação sobre quais serviços oferecem maior retorno financeiro. Este indicador é aplicado para avaliar prioridade de investimentos em áreas específicas. 3. Rentabilidade: é utilizado para mensurar o retorno do valor investido. 4. Tempo médio de permanência: é avaliado com base no cálculo da divisão do número de pacientes que passaram na instituição sobre um determinado intervalo de tempo. 5. Faturamento: é a capacidade da instituição faturar todos os atendimentos e procedimentos ofertados na assistência prestada, sem perdas, possibilitando a análise de contratados sob o ponto de vista lucrativo financeiro a instituição. 6. Satisfação dos pacientes: avalia a qualidade da assistência prestada em saúde, como exemplo a ferramenta NPS (Net Promote Score) que avalia o nível de satisfação do cliente. 4. Relação entre visão estratégica, auditoria e redução de custos para sustentabilidade em saúde A qualidade da assistência ofertada em saúde é extremamente desafiadora quando relacionada à redução de custos hospitalares. O profissional auditor é a pessoa capacitada para avaliar e mensurar a qualidade com redução de gastos desnecessários. A auditoria in loco tem por objetivo a redução de custos sem prejuízo, e a qualidade do atendimento prestado ao paciente, implantando soluções de melhorias contínuas. 44 As instituições de saúde estão focadas em manter a qualidade, faturamento correto da conta hospitalar e redução de gastos indevidos. E é nesse aspecto que destacamos a auditoria concorrente, para análise do prontuário e evidências a respeito do paciente quando está hospitalizado, favorecendo o contato com a equipe assistencial. Segundo Andreotti et al. (2017), a auditoria concorrente em instituições hospitalares pode ser realizada de acordo com a opinião do cliente a respeito do cuidado assistencial prestado, acerca de suas percepções; por meio de entrevista com o colaborador após exercício da atividade laboral; com base nos exames realizados pelos pacientes; e por meio da análise e verificação das condutas praticadas pela equipe multiprofissional durante a assistência do paciente. Este tipo de auditoria resulta na redução de erros da equipe multiprofissional nos registros em prontuário, na redução do intervalo de tempo entre a alta hospitalar do paciente e envio da fatura a fonte pagadora, na emissão dos relatórios como ferramenta para treinamentos aos profissionais envolvidos com a assistência, a criação de indicadores e na melhoria de processos que envolvam a equipe multiprofissional e o cliente. Os serviços de saúde estão cada dia mais apreensivos com questões que envolvam a qualidade da assistência prestada ao cliente, associada à humanização e custos financeiros. É nesse cenário que destacamos a auditoria como processo complementar e fundamental para auxílio nessas demandas, tornando relevante sua atuação para análise da melhor assistência disponível ao cliente e melhores custos à instituição. 45 Referências ANDREOTTI, E. T. et al. Auditoria concorrente de enfermagem em prestadores de assistência à saúde: uma revisão integrativa da literatura. Rev. Adm. Saúde São Paulo, v. 17, n. 68, jul./set. 2017. Disponível em: https://cqh.org.br/ojs-2.4.8/index. php/ras/article/view/41. Acesso em: 16 mar. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. OPAS. Introdução à Gestão de Custos em Saúde. Brasília: MS, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/introducao_gestao_custos_saude.pdf. Acesso em: 16 mar. 2022. FENILI, R.; CORREA, C. E. G.; BARBOSA, L. Planejamento estratégico em saúde: ferramenta de gestão para o complexo de regulação em saúde. Rev. Gestão & Saúde. Brasília, v. 08, n. 01, p 18-36, jan. 2017. Disponível em: https://periodicos. unb.br/index.php/rgs/article/view/3676. Acesso em: 16 mar. 2022. GIATTI, L. L. et al. Pesquisa participativa reconectando diversidade: democracia de saberes para a sustentabilidade. Estudos Avançados, São Paulo, v. 35, n. 103, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/JHRS8w3VKqXB7K4sfT6qk9B/?lang=pt. Acesso em: 16 mar. 2022. MOYSÉS FILHO, J. et al. Planejamento e gestão estratégica em organizações de saúde. São Paulo: Editora FGV, 2016. PORTER, M. E. et al. Repensando a Saúde: Estratégias para Melhorar a Qualidade e Reduzir os Custos. Porto Alegre: Editora Bookman, 2017. 46 Estratégias de relacionamento com prestadores de serviço Autoria: Rebeca Camille Bernardes Leitura crítica: Franciely Midori Bueno de Freitas Objetivos • Definir e conceituar as principais estratégias de negociação disponíveis no mercado de saúde. • Explorar quais são os principais prestadores de serviços em saúde. • Analisar a comunicação assertiva para melhoria do desempenho em instituições de saúde. 47 1. Estratégias de negociação em saúde A negociação é uma estratégia utilizada em ambientes organizacionais para obtenção de condições admissíveis para um acordo de negócio ou solução de conflitos. Há situações em que o processo inclui negociadores distintos para a tomada de decisão interpessoais para atingir uma meta específica, por meio de interdependência e cooperação com outros negociadores, facilitando e potencializando os resultados desejados. De acordo com Leiria et al. (2020), para negociar é importante desassociar as pessoas do problema; centralizar o foco nos interesses das partes; analisar alternativas de ganhos para ambas as partes; e estabelecer critérios e objetivos para a solução do problema. O requinte da negociação é baseado na ética do negociador, sendo assim, podemos classificar a negociação como: • Estilo restritivo: cuja estratégia principal é o medo e ameaça. • Estilo ardiloso: em que a astúcia é privilegiada. • Estilo amigável: priorizando a flexibilidade e cordialidade. • Estilo confrontador definido pelo controle entre os negociadores. Cabe ressaltar que a negociação é uma habilidade que pode ser adquirida ou aperfeiçoada por meio da conscientização e desenvolvimento de habilidades comportamentais e interpessoais. As negociações também podem ser classificadas como integrativa, quando os negociadores buscam atingir as metas de ambas as partes, maximizando as oportunidades e recursos por meio de cooperação, colaboração e resolução de problemas; e a distributiva, quando os meios 48 são fixos e limitados, maximizando seus próprios resultados por meio de estratégias agressivas de negociação. Desse modo, a negociação inclui planejamento, estratégias e técnicas associadas a empenho, motivação, segurança e capacidade de superar as metas. Considerando que as partes inseridas na negociação têm finalidades distintas, o objetivo da negociação é alcançar um acordo que satisfaça todas as partes. Na negociação é imprescindível identificar o problema a ser resolvido, estabelecendo causas, consequências, pontos críticos, papéis e responsabilidade dos envolvidos. Destacamos como habilidades importantes no processo de negociação: proatividade do negociador; clareza na comunicação; escuta ativa; assertividade; criatividade; mediação de conflitos; sigilo; e ética. Durante o processo de negociação, destacamos o termo inteligência emocional. Ela começou a ser inserida nas negociações em 1990, incluindo direcionamentos estáveis e mensuráveis acerca da percepção, conhecimento e normalização das emoções. Essas emoções podem ser entendidas como críticas em negociações complementando a visão de que a negociação é um processo racional de tomada de decisão. Sendo assim, a inteligência emocional está relacionada a abordagens integrativas (LEIRIA et al., 2020). De acordo Silva, Teixeira e Draganov (2018), na área da saúde, a negociação é pautada em gerenciar conflitos para ultrapassá-los de modo adequado, convertendo-os em crescimento por meio da geração de valores intelectuais como novas ideias para a equipe multiprofissional e a instituição. Os profissionais têm buscado cada vez mais capacitações sobre gerenciamento de conflitos visto que esta é uma rotina presente em seu processo de trabalho. 49 Santos (2018), destaca sete técnicas para uma negociação bem-sucedida, são elas: • Controle emocional com uma postura neutra, domínio do conteúdo, conhecimento das vantagens e desvantagens do negócio. • Técnica de persuasão para atingir o objetivo esperado. • Técnica dos 10% com base no valor disponível em seu orçamento para otimização dos recursos disponíveis. • Técnica ganha-ganha, conhecida como vantagem-vantagem para equilíbrio dos interesses e benefícios ao fornecedor. • Transparência e honestidade para estabelecer uma relação de confiança com os fornecedores. • Técnica de rapport para estabelecer conexões de empatia com os negociadores. • Linguagem não-verbal visto que as opiniões são formadas com base nos primeiros 4 minutos de negociação. É extremamente importante estar alerta tanto aos sinais corporais expressados pelas pessoas, quanto aos sinais que o nosso corpo emite para as outras pessoas. O profissional negociador tem como foco transformar problemas em negócios, dispondo do marketing, domínio da oratória, conhecimentos técnicos científicos para atuar em diversos mercados de trabalho e nas mais variadas situações. Citamos, ainda, que devem ser fortes em relação as metas primárias e flexíveis na forma de condução para atingir o acordo. 50 As técnicas inteligentes de negociação consistem em coletar as informações pertinentes ao objeto de negociação, bem como conhecer as partes envolvidas no processo, definir a melhor alternativa diante de um impasse que possa surgir, apresentar uma proposta de negociação lembrando que as concessões são estratégias que podem facilitar esse processo e registrar as definições acordadas. Figura 1 – Técnicas criativas e inteligentes para estimular negociações Fonte: Feodora Chiosea/iStock.com. 2. Principais prestadores de serviço em saúde A prestação de serviço é a contratação de uma atividade física ou intelectual para execução de uma determinada atividade. Pode ser compreendida como o trabalho contratado por pessoas físicas, jurídicas ou terceiros como consultorias, assessorias, limpeza de estabelecimentos, preparação de alimentos, segurança de bens e manutenção de equipamentos, mediante pagamento e remuneração financeira. 51 Conforme Alencar (2016), o art. 594 do Código Civil caracteriza a prestação de serviço como a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial que pode ser contratada mediante retribuição. Podemos citar como prestadores de serviços nas áreas relacionadas à hospedagem, alimentação, transportes, turismo: locação de equipamentos, cursos, serviços de higiene, jardinagem, segurança privada, manutenção, lazer, saúde e beleza. A qualidade é avaliada por meio da análise dos seguintes critérios: confiabilidade quando o trabalho é realizado dentro do prazo e sem erros; responsividade na agilidade em atender as demandas e responder os questionamentos; segurança na competência da instituição, transmitindo confiança e credibilidade; empatia com atendimento personalizado ao cliente; tangibilidade na evidência do cuidado e atenção ao cliente. Estes critérios são parâmetros para comparação entre o serviço esperado e o serviço percebido. Um importante prestador de serviço na área da saúde é o fornecedor de OPME (O: órteses; P: próteses; M: materiais; E: Especiais). Esse termo é designado para caracterizar todos os materiais, itens ouartigos empregados para a realização de procedimentos na área da saúde. Alencar (2016) refere desde a década de 1970 que há o controle da fabricação e comercialização de dispositivos médicos com base nas normas descritas na Lei nº 5.991/1973 e na Lei nº 6.360/1976, e que nenhum produto sujeito à vigilância sanitária poderia ser industrializado, exposto à venda ou entregue a dispensação antes de registrados nos sistemas legais de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) foi criada no Brasil com o objetivo de promoção e prevenção em saúde, sendo este um órgão regulatório e fiscalizatório para controle de produtos em saúde. 52 Figura 2 – Exemplos de OPME Fonte: Smashing Stocks/iStock.com. Na área da saúde, o relacionamento entre os profissionais e fornecedores é de suma importância, focando na saúde, qualidade de vidas e lucro. Ressaltamos que os profissionais envolvidos no processo de OPME tenham consciência da importância de suas atividades e sobre os riscos quanto às negociações e comercializações. 53 3. Comunicação assertiva A comunicação tem um papel fundamental no desenvolvimento intelectual das pessoas. Somos seres sociáveis com necessidade de comunicar, de desenvolver e melhorar técnicas comunicacionais, consideradas importantes no processo das relações humanas. A comunicação assertiva é uma habilidade que pode ser aprendida e treinada, definida como a expressão de sentimentos, desejos, opiniões, preferências e ideias. Podemos classificá-la como: comunicação básica, que expressa seus direitos; comunicação empática, que expressa os seus sentimentos, mostrando aceitação; comunicação discrepante, que faz distinção do combinado ao que está acontecendo no momento; comunicação de sentimentos negativos, que ocorre quando o comportamento de outro o afeta; comunicação consequente, que expressa os efeitos do comportamento do outro na fala; comunicação de esclarecimento, que define os direitos do outro. A comunicação pode ser definida como não assertiva e classificada em passiva ou agressiva. Sendo assim, a comunicação passiva é aquela onde o indivíduo não expressa os seus sentimentos, desejos, opiniões, preferências e ideias, e responde de forma a evitar assuntos por sentimentos de hesitação, ansiedade, expressões autodepreciativas, evitando conflitos. A pessoa tende a ter medo das consequências negativas da expressão da sua opinião e crenças de desvalorização pessoal. Já a comunicação agressiva consiste na expressão de sentimentos, desejos, opiniões, preferências e ideias de forma agressiva, hostil e ameaçadora, e responde de forma agressiva, incluindo aumento do tom de voz na fala, interrupção do outro, sarcasmo e acusações. A pessoa tende a ter crenças de superioridade, medo e insegurança. 54 No ambiente corporativo, a comunicação assertiva contribui positivamente para o relacionamento interpessoal e atingimento de metas diárias. É fundamental para diminuir ou evitar conflitos, atender as necessidades, administrar os sentimentos e estabelecer relações de confiança mútua. De acordo com Santos (2018), as estratégias primordiais para o estabelecimento de uma comunicação assertiva são: 1. Respeitar o outro: atente para entender uma situação, interagir com outras pessoas e ter uma abordagem adequada. 2. Entender o outro: atente aos sinais corporais e fala para entender o outro em sua complexidade e plenitude. 3. Utilizar palavras adequadas: atente ao vocabulário utilizado, tom de voz e condução de uma conversa. 4. Saber a hora de falar: atente a agir com inteligência e perceber o momento certo e expressar suas ideias e opiniões. 5. Dominar o assunto: atente a aprender e conhecer o assunto antes de discuti-lo com a equipe. 6. Intermediar situações de conflito: atente em buscar alternativas de intervenção entre as opiniões dos colaboradores, sendo um mediador de conflitos. 7. Ser claro na fala: atente em ser claro e objetivo, utilize palavras adequadas e corretas. 8. Respeitar os direitos dos colaboradores: atente em não ser agressivo na fala, mantendo o respeito e sendo firme em posicionamento. 9. Incentivar a rotina de expressar as necessidades: atente. em estimular os colaboradores em expressar suas ideias, opiniões e necessidades. 10. Desenvolver escuta ativa: atente em ouvir os colaboradores, sem interrompê-los. 55 11. Receber feedbacks construtivos: atente em ouvir feedbacks construtivos de modo respeitoso e compreensivo para melhoria contínua. 12. Saber utilizar recursos tecnológicos: atente em utilizar adequadamente as ferramentas disponíveis para melhorias de processos, fluxos e comunicação com a equipe. De acordo com a situação vivenciada, apresentaremos um estilo de comunicação predominante. Desta forma, não podemos ser classificados somente como assertivos, passivos ou agressivos, porém, desenvolver a assertividade proporcionará mudanças comportamentais significativas para o desenvolvimento de uma vida emocionalmente saudável, além de melhorar as interações humanas, lidar com conflitos e tomar decisões efetivas. Observamos que a comunicação exerce um domínio simbólico na área da saúde, uma vez que a sua integração depende da relação entre emissores e receptores, compostos por interesses, anseios e necessidades próprias. O aprimoramento da comunicação nas instituições de saúde, visa proporcionar a segurança e bem-estar aos pacientes, por isso, destacamos a importância de investir em recursos que tornem esse processo cada vez mais efetivo. Referências ALENCAR, A. C. F. Aquisição e utilização das Órteses, Próteses e Materiais Especiais – OPME e os facilitadores do superfaturamento no sistema de saúde. 2016. 25 f. TCC (Gestão em Saúde Coletiva) – Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, 2016. Disponível em: https://bdm.unb.br/ bitstream/10483/13620/1/2016_AnnaCarolyneFerreiraAlencar.pdf. Acesso em: 16 mar. 2022. LEIRIA, M. et al. A aplicabilidade da comunicação na psicologia. International Journal of Developmental and Educational Psychology, Espanha, v. 1, n. 1, p. 435-442, 2020. Disponível em: https://www.researchgate.net/ 56 publication/342085831_A_aplicabilidade_da_comunicacao_na_psicologia. Acesso em: 16 mar. 2022. SANTOS, S. R. dos. A percepção do gestor de projeto sobre a comunicação assertiva. 2018. 48 f. Tese (Mestrado em Gestão de Projetos) – Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2018. Disponível em: https:// www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/16678/1/DM-SRS-2018.pdf. Acesso em: 16 mar. 2022. SILVA, M. M. S.; TEIXEIRA, N. L.; DRAGANOV, P. B. Desafios do Enfermeiro no gerenciamento de conflitos entre a equipe de Enfermagem. Revista de Administração em saúde. São Paulo, v. 18, n. 73, 2018. Disponível em: https://cqh. org.br/ojs-2.4.8/index.php/ras/article/view/138/191. Acesso em: 16 mar. 2022. 57 Sumário Apresentação da disciplina Auditoria em saúde Objetivos 1. Auditoria em saúde 2. Tipos de auditoria 3. Processo de auditoria 4. Perfil do auditor Referências Aperfeiçoamento da auditoria em qualidade da assistência em saúde Objetivos 1. Qualidade na assistência em saúde 2. Auditoria em qualidade 3. Relação entre auditoria e qualidade na assistência Referências Visão estratégica para sustentabilidade e redução de custos na assistência em saúde Objetivos 1. Sustentabilidade em saúde 2. Visão estratégica 3. Redução de custos em saúde 4. Relação entre visão estratégica, auditoria e redução de custos para sustentabilidade em saúde Referências Estratégias de relacionamento com prestadores de serviço Objetivos 1. Estratégias de negociação em saúde 2. Principais prestadores de serviço em saúde 3. Comunicação assertiva Referências