Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

BEHAVIORISMO E LIBERDADE
“Se vamos usar os métodos da ciência no campo dos 
assuntos humanos, devemos pressupor que o 
comportamento é ordenado e determinado. Devemos 
esperar descobrir que o que o homem faz é o resultado de 
condições que podem ser especificadas e que, uma vez 
determinadas, poderemos antecipar e até certo ponto 
determinar as ações”. (Skinner, Ciência e comportamento 
humano). 
BEHAVIORISMO E LIBERDADE
 “Essa possibilidade desagrada a muitas pessoas por se 
opor a uma tradição de longo tempo, que encara o 
homem como um agente livre, cujo comportamento é 
o produto, não de condições antecedentes 
específicas, mas de mudanças interiores espontâneas. 
As filosofias preponderantes da natureza humana 
reconhecem uma “vontade” interna que tem a força 
de interferir com as relações causais e que torna 
impossíveis a previsão e o controle do 
comportamento”. (Skinner, Ciência e comportamento 
humano)
BEHAVIORISMO E LIBERDADE
Por que fazemos o que fazemos? Como a tradição do livre-
arbítrio responde essa questão? E de que forma o 
behaviorismo rompe com o modelo explicativo dessa 
tradição?
A TRADIÇÃO DO LIVRE-ARBÍTRIO
 Tradicionalmente entendemos que fazemos o que 
fazemos em função de um querer. É, portanto, 
pressupondo a existência de uma vontade livre (não 
determinada por nenhum antecedente) que 
explicamos nossas ações.
 Vontade livre (causa) → ação (efeito)
A TRADIÇÃO DO LIVRE-ARBÍTRIO
 É por estarmos instalados no interior da tradição do livre-
arbítrio que entendemos que os seres humanos são 
responsáveis por suas ações. O raciocínio em jogo é o 
seguinte: como fazemos o que fazemos, por termos 
feito uma escolha em função de uma vontade livre, 
podemos ser responsabilizados por nossas ações. 
A TRADIÇÃO DO LIVRE-ARBÍTRIO
 É possível conciliar a teoria do livre-arbítrio com o 
determinismo behaviorista? (Ler as citações na página 
90). Como caracterizar o pressuposto do determinismo 
behaviorista e qual a sua importância clínica? 
A TRADIÇÃO ESSENCIALISTA
 Por que fazemos o que fazemos? Fazemos o que 
fazemos porque temos uma essência que nos leva a 
agir desta forma. A tradição essencialista está muito 
presente no senso comum.
 “Esse menino fez o que fez porque tem um gênio ruim”
A TRADIÇÃO ESSENCIALISTA
 A tradição essencialista está na origem de inúmeros 
estereótipos sociais, intensifica preconceitos e elimina 
qualquer possibilidade de mudança. 
 É importante notar que a tradição essencialista se opõe 
à tradição interacionista. No interior dessa tradição não 
é a natureza do indivíduo que explica seu 
comportamento, mas as múltiplas interações com o 
ambiente. 
A TRADIÇÃO BEHAVIORISTA
 No modelo explicativo behaviorista, a causa da ação 
não está nem na vontade livre, nem na natureza do 
indivíduo. 
 Seguindo um modelo explicativo interacionista, o 
comportamento no behaviorismo se explica em função 
das variáveis ambientais. 
A TRADIÇÃO BEHAVIORISTA
Qual é o lado positivo da insistência dos analistas do 
comportamento em buscar causa ambientais para 
efeitos comportamentais?
 Se podemos mudar o ambiente que afeta uma pessoa, 
podemos mudar seu comportamento. Não há espaço 
para a condenação essencialista. 
Reinterpretando a tradição do livre-arbítrio
 Ser livre é poder fazer escolhas e essas escolhas se 
explicam em função da decisão de uma vontade livre. 
É isso o que nos diz a tradição. Façamos um esforço de 
reinterpretar a tradição seguindo o modelo 
behaviorista!
Reinterpretando a tradição do livre-arbítrio
 Em termos behavioristas, faz sentido falarmos de uma 
escolha livre, não determinada? Escolher não é 
comportamento? Sendo um comportamento a escolha 
se explica em função das variáveis ambientais. 
Reinterpretando a tradição do livre-arbítrio
Mas se a minha escolha é um comportamento e se o 
comportamento é determinado pelas variáveis 
ambientais, como posso ainda assim falar em 
liberdade?
Liberdade como autocontrole
 Se sou capaz de identificar e controlar algumas das 
variáveis que comandam meu comportamento, 
adquiro o que Skinner chama de autocontrole. Pois 
interferindo nas variáveis posso adquirir maior controle 
sobre meu próprio comportamento. 
Liberdade como autocontrole
 A liberdade, no contexto do behaviorismo, não é uma 
condição natural, mas uma conquista que se dá pela 
via do conhecimento. Nesse sentido, quanto mais 
ignoro as variáveis ambientais que estão eliciando uma 
resposta comportamental, menos livre sou. 
Liberdade como autocontrole
 Seguindo as trilhas do behaviorismo, podemos entender 
porque a tradição do livre-arbítrio é fonte de alienação. 
Quanto mais o indivíduo acredita que o seu 
comportamento se explica por uma escolha livre (não 
determinada), menos condições ele tem de conhecer 
quais são as variáveis ambientais que estão causando 
seu comportamento!
A dimensão política do behaviorismo
 “O primeiro passo na defesa contra a tirania é a 
exposição mais completa possível das técnicas de 
controle”. (Skinner)
 “Quem não se movimento, não sente as correntes que 
o prendem”. (Rosa Luxemburgo)

Mais conteúdos dessa disciplina