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Natalia Quintino Dias História natural das doenças e níveis de prevenção A história natural da doença se refere à evolução de uma doença no indivíduo através do tempo, na ausência de intervenção. Possíveis desfechos: Período pré-patogênico Ainda não há doença. Há determinantes que potencializam o surgimento da doença (fatores de risco). Tríade ecológica= agente, hospedeiro e meio ambiente. O agente etiológico existe. O meio permite ao indivíduo que ele adoeça. O indivíduo apresenta fatores próprios que permitem seu adoecimento. Há um contrabalanço com fatores de proteção. A observância desses fatores de risco e de proteção configura o período pré-patogênico. Promoção de saúde e proteção específica são as principais formas de prevenção possíveis nesse período. Ações de prevenção primária -> principal nesse período. Período patogênico A doença já existe. Divide-se em 2 fases: ● Adoecimento -- Doença subclínica: já há adoecimento, mas sinais e sintomas ainda não são perceptíveis. Por exemplo: o agente etiológico já infectou o paciente, mas ainda não produziu sintomas. -- Doença manifesta: já existe sintomatologia. ● Desfecho -- Recuperação: o paciente se recupera dos sintomas e da doença sem sequelas. -- Imunidade: em doenças infecciosas, o paciente pode adquirir imunidade. -- Incapacidade: a doença não leva o paciente a óbito, mas deixa algum tipo de sequela importante. -- Morte. Associa-se essas fases a níveis de prevenção. Doença subclínica -> busca-se o diagnóstico precoce antes que a doença se manifeste em estágios avançados = prevenção secundária. No desfecho -> prevenção terciária. Níveis de prevenção em saúde Prevenir = evitar o desenvolvimento de um estado patológico. Prevenção primária A doença ainda não existe. Objetivo: evitar que doença apareça. Atua no fator de risco. ● Medidas de promoção à saúde: ações para melhoria das condições de vida dos indivíduos. Ex: saneamento básico, coleta de lixo, controle da qualidade do ar, nutrição adequada, lazer, cultura, proteção dos direitos humanos. ● Proteção específica: medidas dirigidas a grupos específicos. Ex: vacinação, fluoração da água para combate da cárie, adição de iodo no sal para combate do bócio, camisinhas para prevenção de DST e medidas de proteção contra criadouros de Aedes. Prevenção secundária Doença já existe, mas ainda não avançou. Objetivo: impedir evolução desfavorável, detecção de problema de saúde em estágio inicial. Atua no diagnóstico precoce/rastreamento. Exemplos: diagnóstico precoce, rastreamentos (sangue oculto nas fezes, citopatológico de colo de útero, mamografia, dosagem de colesterol), aferição de pressão arterial e glicemia de jejum, aplicação de questionários visando diagnóstico. Natalia Quintino Dias Prevenção terciária Doença e prejuízos já estabelecidos. Objetivo: fazer com que limitações impostas pela doença prejudiquem o mínimo a qualidade de vida do paciente. Atua na reabilitação e/ou reintegração do paciente e prevenção de complicações. Exemplos: fisioterapia pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC), betabloqueador pós-Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), controle glicêmico no paciente com diabetes mellitus, colocação de prótese após amputação, apoio de caráter psicoemocional após traumas, apoio de caráter social, como readaptação ao trabalho. Prevenção quaternária Prevenção de: • Excesso de intervenção diagnóstica. • Excesso de intervenção terapêutica. • Excesso de programas de rastreamento. • Medicalização de fatores de risco. Exemplos: cuidados paliativos, ortotanásia, revisar medicamentos em uso pelo paciente, evitar intervenções desnecessárias, evitar supermedicalização, evitar polifarmácia, coordenação do cuidado, abordagem centrada na pessoa. Prevenção primordial É voltado para evitar o surgimento de fatores de risco para determinadas doenças, ou seja, é uma medida anterior à prevenção primária. Atuação em fatores de estilo de vida, sociais, econômicos e culturais que podem se tornar fatores de risco. Ex: educação sobre o tabagismo e seus riscos (afim de evitar o surgimento do tabagismo). Prevenção quinquenária “Prevenindo o dano no paciente, atuando no médico”. Tem como finalidade evitar o desgaste e sobrecarga dos profissionais de saúde (um profissional com sono, trabalhando 36hrs seguidas, não consegue prestar um serviço de qualidade). Ex: recursos básicos nos serviços de saúde; evitar agenda sobrecarregada de pacientes; gestão e possibilidade do profissional exercer suas ideias, ser reconhecido em seu ambiente de trabalho.