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Aula 3: Abordagens didáticas na prática docente
Descrição: A adaptação da abordagem do professor às exigências e às dinâmicas dos ambientes em que ele atua. A prática em sala de aula e suas influências sobre o trabalho como docente.
Propósito: É fundamental, para os futuros docentes, perceberem o papel do professor, o modo como as instituições de ensino escolhem determinadas abordagens didáticas e como eles podem se adaptar a essas realidades.
Objetivos
Módulo 1---Teorias de aprendizagem
Descrever as teorias da aprendizagem.
Módulo 2---Abordagem didática na prática docente
Identificar o processo da abordagem didática na prática docente.
Módulo 3---Plano de aula sob viés das teorias de aprendizagem
Definir a elaboração de um plano de aula na perspectiva das teorias da aprendizagem.
Introdução
Antes de iniciarmos nosso estudo, vamos conversar com Rubem Alves (1933-2014) sobre a Escola da Ponte. A Escola da Ponte é um bom exemplo de instituição com uma nova visão de ensino e metodologia. Sua característica é levar em consideração a promoção da autonomia e da liberdade dos estudantes, pensando-os como protagonistas do processo de ensino-aprendizagem.
O vídeo nos ajuda a pensar sobre a prática docente, e como ela envolve conhecer abordagens teóricas a respeito comportamento humano e de seus processos de aprendizagem, bem como a percepção do papel do professor no processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, pretende-se abordar as principais teorias de aprendizagem, considerando que a didática docente envolve o fazer reflexivo, uma vez que essa prática irá se pautar em um referencial teórico.
A partir desses referenciais, abordaremos a elaboração de um plano de aula com base das teorias da aprendizagem: cognitivista sociointeracionista e behaviorista.
Módulo 1---Teorias de aprendizagem
Ao final deste módulo, você será capaz de descrever as teorias de aprendizagem.
	Processo ensino-aprendizagem
Como podemos perceber, a visão de ensino como uma linha de montagem — na qual professor e aluno desempenham apenas um papel, tendo o mesmo tempo e a mesma forma de aprender — está sendo repensada; por conta disso, novas abordagens didáticas na área têm sido estudadas.
Com as mudanças nos paradigmas da educação, o estudo das abordagens didáticas passa a analisar como a prática docente — compreendida pela dinâmica de ensino-aprendizagem — pode ser executada de maneira mais eficiente.
Para obter essa eficiência, no entanto, não existe uma única linha de abordagem. A maneira como os educandos aprendem é um assunto amplamente debatido, influenciando tais abordagens. A fim de compreendermos essas linhas, seguiremos os passos de um professor que se depara com o desafio de escolher um caminho para tornar a sua atuação mais eficiente.
Desse modo, como primeiro passo, serão apresentadas as principais teorias da aprendizagem: elas são muito utilizadas e conhecidas no campo da Educação, pois este espaço se mostra necessariamente complexo, com um conjunto de teorias que sustenta o processo de ensino e de aprendizagem. Podemos, assim, dizer que o professor precisa conhecer as teorias que vão subsidiar sua abordagem didática.
Essas escolhas têm se tornado cada vez mais difíceis quando levamos em consideração o mundo contemporâneo com os inúmeros desafios à vida cotidiana e ao exercício da docência. Afinal, tais mudanças têm impactado fortemente a prática do professor em sala de aula nos dias de hoje.
Neste momento, você deve estar se perguntando:
Como construir uma prática pedagógica competente para atuar na docência? Como ajustar a prática pedagógica para alinhá-la a essas mudanças?
Essas e outras questões fazem parte da profissão docente, embora seu raio de influência dependa da prática desenvolvida por cada professor. Tais perguntas sempre o acompanharão em sua atividade profissional.
O foco sobre as teorias da aprendizagem se concentra em sua perspectiva de desenvolvimento, considerada por muitos como uma das mais emblemáticas do século passado por meio da intensa relação com a Psicologia da Educação. Vamos ver a seguir alguns de seus conceitos.
	Abordagem comportamentalista ou behaviorismo
Como podemos perceber, a visão de ensino como uma linha de montagem — na qual professor e aluno desempenham apenas um papel, tendo o mesmo tempo e a mesma forma de aprender — está sendo repensada; por conta disso, novas abordagens didáticas na área têm sido estudadas.
Nossos estudos sobre as teorias da aprendizagem começam com o destaque a uma das correntes teóricas mais importantes da área: o behaviorismo.
Originada em estudos feitos no campo da Psicologia, essa corrente de pensamento compreende e define o comportamento humano como o resultado de influências sociais.
Segundo a teoria behavorista, o sujeito pode ser moldado de acordo com estímulos e respostas.
Podemos destacar John B. Watson como o principal criador dessa teoria e, logo em seguida, outros estudiosos também se juntaram ao behaviorismo, como Ivan Pavlov e B. F. Skinner.
John B. Watson
Psicólogo americano criador do behaviorismo, ele tinha como principal motivação o estudo do comportamento. Seus experimentos em laboratório contribuíram profundamente para a visão da Psicologia como algo além do estudo interno da mente.
De acordo com Watson, o ser humano aprende a se expressar a partir do meio social, ou seja, do seu ambiente. Tal aprendizado, portanto, é construído de forma positiva ou negativa em suas relações cotidianas. Ainda segundo o psicólogo, quando nasce, ele é apenas um sujeito “vazio”, tendo suas características e seus comportamentos moldados pela sociedade.
Ivan Pavlov
Foi um fisiologista mundialmente conhecido pelas suas pesquisas sobre o reflexo condicionado em animais. Essa teoria o levou a perceber que certos comportamentos podem ocorrer de acordo com estímulos e situações vividas pelos seres.
“De acordo com Pavlov, o requisito fundamental é que qualquer estímulo externo seja o sinal (estímulo neutro) de um reflexo condicionado e se sobreponha à ação de um estímulo absoluto” (LA ROSA, 2003, p. 45).
B. F. Skinner
Psicólogo, inventor e filósofo, o americano B. F. Skinner (1904-1990) desenvolveu a análise do comportamento por meio de quatro conceitos básicos: comportamento, resposta, ambiente e estímulo.
Suas teorias são chamadas de behaviorismo radical, já que enfatizam o comportamento humano como objeto. No entanto, elas ainda reconhecem outra face: em vez dos condicionantes em essência, como Watson, Skinner queria entender os comportamentos encobertos por pensamentos, sentimentos, sonhos etc.
Assim, podemos entender que o behaviorismo é parte de um sistema educacional tradicional, pois está amparado em:
	Estímulos
	Respostas
	Reforços
Talvez você ainda esteja se perguntando:
Quando uma criança recebe uma nota “baixa” na escola, o que é reforçado com isso?
Se já recebeu nota baixa alguma vez na vida, isso certamente reforçou alguma ideia em você. É isso que o behaviorismo analisa.
À medida que somos elogiados, o nosso comportamento muda.
Nessa abordagem, o principal instrumento da modelagem é o reforço. Este pode ser entendido como qualquer ocorrência que aumente a intensidade de um determinado comportamento. Pode ser positivo (recompensa) ou negativo (remoção de algo adverso).
Por outro lado, a educação está fortemente ligada à transmissão cultural, devendo imprimir no sujeito conhecimentos e padrões de comportamentos éticos e sociais, além de competências consideradas fundamentais para o controle do ambiente e da realidade.
O processo de ensino-aprendizagem é uma mudança comportamental do sujeito resultante das práticas vividas e reforçadas pelo professor.
Por isso, algumas práticas precisam ser contempladas. São elas:
 
O ambiente de aprendizagem
	Deve ser previamente planejado pelo professor.
 
A metodologia de ensino
	Precisa aplicar o processo do reforço na relação professor-aluno.
 
O docente
	Estabelece a proposta de aprendizagem a partir de estruturação dos elementos.
 
Os elementos citadosProporcionam experiências curriculares para a consecução dos objetivos previamente propostos.
Experimentações científicas foram feitas para testar o funcionamento de certos paradigmas e suas quebras. Veja o seguinte caso:
Saiba mais
Você conhece o teste dos macacos?
Em um experimento, foram colocados eletrodos na cabeça de dez macacos e um cacho de bananas no alto de uma estante. Cada vez que um deles tentava subir e pegar uma fruta, os outros tomavam um choque. Após um tempo — primeiramente, em ações individuais; depois, coletivamente —, os demais passaram a punir aquele que subia. A partir daí, uma patrulha foi estabelecida: mesmo com fome, os macacos não subiam mais para pegar a banana.
Em determinado momento, todos os eletrodos foram tirados, mas o comportamento deles não mudou. Qualquer macaco que tentasse subir para comer uma banana era evitado e apanhava dos outros. Em seguida, pouco a pouco, os animais foram sendo substituídos; ainda assim, mesmo com todos eles trocados, a regra ainda valia.
	Abordagem cognitivista 
Conceito e propriedades
Nesta abordagem, o conhecimento é considerado uma construção contínua do sujeito no meio em que transita. O cognitivismo realça aquilo que é ignorado pela abordagem comportamentalista: o ato de conhecer.
O interesse da teoria cognitivista é saber como o ser humano conhece o mundo, investigando a percepção, o processamento de informação e a compreensão dele.
Vamos entender como a teoria cognitivista funciona:
 
	Compreensão e atribuição da realidade
Ela ajuda o sujeito a compreender e atribuir significado para sua realidade.
	Armazenamento e organização dos conhecimentos
Essa teoria tem como foco específico a compreensão de como o sujeito guarda e organiza os conhecimentos adquiridos ao longo do percurso escolar.
	Percepção do processo de construção do conhecimento
Sua ênfase está no papel humano diante do processo de construção do conhecimento, pois ela se concentra no desenvolvimento da personalidade do sujeito e na sua capacidade de atuar de forma integrada.
	Facilitador da aprendizagem
A figura do professor não é a de um transmissor do conhecimento, mas o de um facilitador da aprendizagem.
	Experiências do aluno na sala de aula
O conteúdo, por sua vez, é proveniente de experiências próprias realizadas pelo estudante na sala de aula. Elas são orientadas pelo professor, que atua como um articulador entre o conhecimento e o aluno. O docente, portanto, possibilita a criação de condições para que os discentes aprendam.
O cognitivismo não concebe modelos prontos de mundo, aluno ou sala de aula. Tudo está em um contínuo processo de vir a ser, pois seu objetivo didático é a autorrealização e o uso pleno das potencialidades do sujeito. Desse modo, de acordo com a abordagem cognitivista, o mundo e o homem não estão prontos e acabados (como ocorre no behaviorismo).
A educação centra-se no aluno. Devem emanar dele os motivos para a aprendizagem, pois a sua finalidade é a criação de condições que facilitem o aprendizado integral do sujeito. Por isso, a autodescoberta e a autodeterminação constituem atributos da abordagem cognitivista.
A abordagem cognitivista leva em consideração o cotidiano, a vivência, a realidade e as experiências do aluno. No entanto, muitas vezes, é difícil estabelecer a relação entre a teoria ensinada e a prática.
Um rio que passou na minha vida
Vamos entender como o cotidiano dos alunos pode ser utilizado como prática pedagógica no vídeo a seguir.
O processo de ensino cognitivista ocorre a partir de uma metodologia criada pelo professor na qual a aprendizagem do aluno se desenvolve em um contexto que privilegia a liberdade para aprender. Notemos que várias correntes e diversos representantes dessa teoria podem ser agrupados da seguinte maneira:
Segundo as teorias cognitivistas, o processo do conhecimento é construído pela relação entre sujeito e sujeito ou sujeito e objeto, ou seja, cada sujeito constrói o seu conhecimento a partir do contato com o meio e da relação que ele faz.
O sujeito constrói o seu conhecimento não a partir de uma estrutura fixa, mas sempre em uma relação de troca. Por isso, tais teorias designam a existência de uma variedade de elementos responsável por possibilitar o aprendizado.
Vamos conhecê-la mais profundamente a partir de agora:
	Teoria cognitivista construtivista
O construtivismo é uma linha de pensamento que gerou um grande impacto na Pedagogia, principalmente pelas ideias de Jean Piaget.
Jean Piaget
Conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil, o suíço Jean Piaget era um renomado psicólogo e filósofo. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto nos campos da Psicologia e da Pedagogia.
Sua principal indagação diz respeito à forma como o sujeito conhece o mundo. Uma das principais preocupações de Piaget era compreender como e quais são os mecanismos utilizados pelo homem para o conhecer e se adaptar a ele.
Saiba mais
Para Piaget, as interações sociais são muito importantes, pois elas transmitem as informações características do meio e contribuem, de uma maneira ativa, para a assimilação do conhecimento pelo sujeito.
Cada informação do meio social é processada na mente do sujeito a partir dos elementos que lhe são oferecidos. Assim, cada um reestrutura de maneira única esse conhecimento e o integra ao corpo de um saber já construído. Dessa maneira, Piaget avalia o contato social como o principal meio de aprendizado.
Para Jean Piaget, a interação social não está relacionada apenas a uma transferência verbal, e sim ao uso do pensamento e da cooperação. Veja a seguir as implicações de cada um dos conceitos:
Interação Cooperação
Ao interagir com pessoas e objetos, há o O sujeito entende que sua ação deve
progresso do pensamento do sujeito e, contribuir para a cooperação do grupo,
consequentemente, de sua ação. desenvolvendo uma vida afetiva.
Essa afirmação propicia a compreensão de que a abordagem construtivista estabelece diferenças entre ensino e aprendizagem. Afinal, o que cada estudante aprende não constitui exatamente aquilo que o docente explica em sala de aula, tampouco o que era planejado previamente por ele. A aprendizagem, portanto, depende diretamente de conhecimentos anteriores àqueles evocados por nossas experiências.
Então, talvez apareça a seguinte questão:
Se cada um deles aprende e percebe o mundo de uma maneira diferente, como alcançar todos os alunos?
O professor precisa estabelecer situações que desestabilizem os conhecimentos anteriores de seus alunos. No entanto, é fundamental haver a compreensão de que isso, concomitantemente, requer a presença dos seguintes fatores:
Situações-problema
O professor deve propor situações-problema que os instiguem a investigar, discutir, refletir, levantar questões e formular hipóteses.
Motivação
É necessário estar motivado para fazer um esforço cognitivo a fim de alcançar um novo conhecimento. É importante motivar constantemente os alunos a prosseguirem, não desistindo dele.
Postura ativa
O professor deve instigar o aluno a adotar uma postura ativa em seu processo de construção do conhecimento.
Planejamento
O planejamento didático tem de ser abrangente para atingir todos os alunos em suas diversidades, integrando-os.
	Teoria cognitivista sociointeracionista
Lev Vygotsky é seu maior representante. Para esse autor, a mediação é um fato fundamental para o processo cognitivo do sujeito, sendo realizada por meio da relação interpessoal e dos sistemas de signos (linguagem, escrita, símbolos e objetos).
Lev Vygotsky
O psicólogo Lev Semionovich Vygotsky (1896-1934) foi um pioneiro na apresentação do conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função de suas interações sociais e condições de vida. Ele entendia que o sujeito não acessa diretamente objetos ou conceitos, pois todo conhecimento é fruto da mediação de outras pessoas ou de sistemas simbólicosdos quais ele dispõe. Dessas relações dinâmicas e interativas entre sujeito/sujeito e sujeito/objeto, surgem as funções psicológicas superiores a serem construídas na interação social.
Sistema de signos
Ferdinand Saussure foi um linguista e filósofo suíço que trouxe a ideia de que os signos linguísticos são a união de uma imagem acústica e um conceito, de um significante e um significado. Essa união, por sua vez, não é determinada nem fixa, porém arbitrária.
A linguagem é um instrumento de mediação da aprendizagem para criar situações concretas de produção, reflexão, colaboração e construção de conhecimento. Ela abandona, dessa forma, o esquema linear de reprodução ou consumo.
Saiba mais
A teoria sociointeracionista impeliu os docentes a uma reflexão sobre a prática pedagógica devido aos apontamentos feitos por Vygotsky sobre as relações existentes entre a aprendizagem, o desenvolvimento e a interação nos processos educativos.
Podemos reconhecer a interação entre os alunos como uma estratégia pedagógica. Para que haja um conhecimento, o sujeito deve ser entendido como um ser social que constrói sua individualidade a partir das interações mediadas pela cultura. Dessa maneira, a relação que a pessoa estabelece com o meio social é condição fundamental para ela se constituir como indivíduo.
	Teoria cognitivista significativa
Os estudos sobre esta teoria têm como base o autor David Paul Ausubel, responsável pela elaboração do conceito de aprendizagem significativa. Na abordagem cognitiva, ele observa o que ocorre dentro da mente humana durante a construção do conhecimento.
David Paul Ausubel
O psicólogo norte-americano David Paul Ausubel (1918-2008) foi o percursor da teoria da aprendizagem significativa. Para ele, aprender significativamente é ampliar e reconfigurar ideias que já existem na estrutura mental da pessoa para que ela seja capaz de relacionar e acessar novos conteúdos. O autor, portanto, defendia que os esquemas dos links mentais que fazemos nos auxiliam a consolidar o conhecimento. Desse modo, cabe ao professor propor e fomentar situações que favoreçam a aprendizagem, permitindo a ancoragem entre o saber que a criança já possui e o que ela irá aprender.
Aprendizagem significativa
Ela propõe que os conhecimentos prévios dos alunos sejam valorizados para que o novo conteúdo incorporado às suas estruturas cognitivas adquira significado. A aprendizagem mecânica, por outro lado, ocorre quando o novo dado não se relaciona com os conceitos conhecidos pelo aluno.
Para Ausubel, a estrutura cognitiva refere-se ao conteúdo total das informações, aos fatos, aos conceitos e aos princípios organizados pela pessoa. A aprendizagem é vista como o processo em que o novo conteúdo se organiza e se integra à estrutura cognitiva já existente. Dessa maneira, o professor precisa fazer a relação significativa entre o conteúdo acadêmico e o social para que o aluno perceba o significado do que aprende.
Saiba mais
As ideias de Ausubel também se caracterizam por uma reflexão específica sobre a aprendizagem escolar e o ensino em vez de tentar somente generalizar e transferir-lhes conceitos ou princípios explicativos extraídos de outras situações ou contextos de aprendizagem.
Para haver aprendizagem significativa, são necessárias duas condições:
Com esse duplo marco de referência, as proposições de Ausubel partem da consideração de que os indivíduos apresentam uma organização cognitiva interna baseada em conhecimentos de caráter conceitual, sendo que a sua complexidade depende muito mais das relações que eles estabelecem entre si do que do número de conceitos presentes.
Essas relações têm um caráter hierárquico; dessa forma, a estrutura cognitiva é compreendida fundamentalmente como uma rede de conceitos organizados hierarquicamente de acordo com o grau de abstração e de generalização.
Agora que você já foi apresentado às teorias contempladas na abordagem cognitivista, demonstraremos como elas influenciam na atuação do professor e na sua prática em espaços escolares.
Abordagem cognitivista no ambiente escolar
Vamos entender como a abordagem cognitivista e as suas teorias podem ser inseridas no ambiente escolar.
Módulo 2---Abordagem didática na prática docente
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar o processo da abordagem didática na prática docente.
	O papel do professor e a didática
Anteriormente, buscamos perceber como os sujeitos aprendem e como esse aprendizado pode ser visto de formas diferentes. Diante desse desafio, passamos a refletir sobre o professor e seu papel na construção dessa abordagem didática.
Quanto à investigação de seus processos na prática docente, talvez você esteja com os seguintes questionamentos:
	 Por que eu, apesar de conhecer as teorias, ainda possuo uma turma tão disciplinada?
	Por que minhas práticas pedagógicas não funcionam se eu faço exatamente igual aos meus antigos professores?
	Eu possuo uma grande bagagem técnica e acadêmica, suficiente para que eles aprendam, mas o aprendizado não acontece. O que acontece?
A didática vai além de técnica, é um processo sobre o aprendizado do aluno, e o seu papel não é reproduzir atitudes, mas sim pensar estratégias para que o discente amplie seus conhecimentos.
Muitas vezes o comportamento da turma reflete a prática do professor. A dificuldade ou falta de interesse dos alunos pode estar associada à falta de didática do professor, que talvez reproduza práticas como se fossem uma receita de sucesso em todos os contextos.
É fundamental que entendamos que reproduzir as práticas, conceitos e atitudes não significa que estamos sendo didáticos, e que possuir um grande saber sobre um determinado assunto não garantirá que as práticas didáticas sejam estabelecidas.
Dessa maneira, cabe ao professor acompanhar o processo de ensino-aprendizagem ao fomentar novas descobertas, possibilitar a ampliação desses conhecimentos e adaptar as suas práticas de acordo com a turma.
Afinal, o que seria a didática? Por que professores precisam dela?
A didática serve para indicar os processos de ensino-aprendizagem. Com eles, você vai poder pensar tecnicamente e acompanhar a evolução dos alunos.
Não basta, porém, compreender um conteúdo do ponto de vista técnico. O processo de compreensão é do aluno, e não do professor, pois o estudante que vai descobrir os seus caminhos e construir as pontes necessárias para seu desenvolvimento. Ser didático, além de se preparar, é estar disposto a compreender que seu aluno precisa de acompanhamento no processo de aprendizado.
Todo aquele que se coloca na condição de educando espera que quem o conduzirá esteja preparado. Independentemente de nosso tempo de convivência, nós, enquanto professores, devemos estar dispostos e sermos capaz de acompanhá-lo para provocar e permitir processos de aprendizagem, cada um com seu ritmo e dentro de suas necessidades. Desse modo, atuar didaticamente é:
Preparar-se para estabelecer a ação pedagógica.
Perceber o desenvolvimento do sujeito conforme se desenvolve a educação.
Ter o aprendizado como foco do resultado, mesmo que nem sempre ele ocorra da forma esperada e planejada.
O uso da didática, aliás, possui uma funcionalidade muito mais ampla: fundamental para todo sujeito no ato de educar, ela impacta diretamente o processo de ensino-aprendizagem.
	Conceituando a didática
A didática deve ser entendida como uma ferramenta pedagógica que impulsiona o professor a refletir sobre as formas de abordagem do conhecimento, das metodologias, da necessidade de planejamento e de tudo que envolve o processo de ensino-aprendizagem. Como não se limita à técnica, ela se dedica ao estudo do processo de ensino-aprendizagem, oferecendo uma reflexão constante que orienta as abordagens didáticas a fim de fortalecer tal processo.
Ensino-aprendizagem
A abordagem didática possibilita dois movimentos: o ensino e a aprendizagem. Ou seja, o princípio dela permite ao professor construir uma prática docente baseada em uma teoria da aprendizagem, como vimos nomódulo anterior.
Ela realmente interfere em tal prática, pois exige do professor uma postura constante de pesquisador da própria prática, assim como o instiga a buscar cotidianamente uma atuação que torne a aprendizagem significativa, estimulando a construção de novos conhecimentos.
A abordagem didática também ultrapassa a dimensão técnica, pois exige compromisso do mestre com o aprendiz, fazendo com que o professor adote uma postura reflexiva, na qual a construção de conhecimentos ganha nova dimensão, provocando a entrada de aprendizagens significativas que façam sentido para o público a que se destina.
O papel da abordagem didática é fazer a diferença em qualquer campo com demanda educativa (instituições públicas, privadas ou do terceiro setor), pois ela auxilia na construção de cenários de ambientação para que a aprendizagem aconteça e se consolide.
Na abordagem didática, o professor deve:
 
Dar sentido ao que é apresentado
	Podemos dizer que ela é a proposta de reflexão sobre a prática. O professor utiliza variadas teorias da aprendizagem para observada o andamento do processo de ensino.
 
Ter o cuidado de buscar novos caminhos
	O professor deve desenvolver e adaptar métodos e técnicas que possam ser utilizados na construção de determinados conhecimentos, sabendo contextualizá-los a cada realidade e respeitando os procedimentos mentais desenvolvidos nessa construção.
Quem é didático, atua como um mediador que considera e respeita a cultura e a história do seu aluno, associando, a partir dessas singularidades, os saberes da vida aos que precisam ser construídos. Portanto, no universo da abordagem didática, diversas teorias podem ser utilizadas para a obtenção da melhor proposta com o objetivo de atender à necessidade dos alunos. Ou seja, você precisa compreender que todo professor tem uma abordagem didática para pensar, fazer sua aula e instruir seu aluno.
	Abordagem didática para as futuras gerações
Você sabia que a nossa sociedade passa por grandes transformações e que cada geração é classificada de uma maneira diferente? Para a reflexão apropriada de uma abordagem didática atual, o professor deve ter algum conhecimento sobre as gerações e seus processos históricos.
Pensar a abordagem didática atualmente é compreendê-la de uma forma diferente, pois é preciso considerar os avanços tecnológicos, a popularização da internet e a mistura geracional.
As diferenças geracionais
Neste vídeo, vamos entender como saber as diferenças entre as gerações é importante para entendermos quem somos e quem são os nossos alunos.
Como você pôde observar, cada uma dessas gerações (X, Y, Z e alpha) apresenta características diferentes. A definição de uma abordagem didática que não leve em conta tais elementos pode interferir profundamente no processo de ensino e aprendizagem. As diferenças geracionais direcionam a construção do seu processo docente, mas sem haver a criação de uma “camisa de força”. Portanto, sempre deve existir espaço para a criatividade.
O professor na sala de aula da educação básica trabalha principalmente com crianças das gerações Z e alpha. Dessa forma, ele terá de repensar sua prática pedagógica e seus caminhos didáticos, pois lidará com perfis geracionais diferentes do seu.
Nossos alunos têm um perfil geracional diferente, já que cresceram utilizando ambientes colaborativos, como Instagram, Facebook e Twitter. Além disso, eles estão acostumados aos games, que são jogados em grupos, embora seus jogadores estejam distantes geograficamente.
Por essa razão, a abordagem didática atual deve enfatizar o social em detrimento do individual, privilegiando atividades e trabalhos realizados em mesas agrupadas fisicamente nas quais sejam utilizadas ações de pesquisa, análise de situações e resolução de problemas.
O melhor procedimento didático é aquele acompanhado de uma significação para cada geração. A didática está presente de forma imperativa em todos os espaços de aprendizagem: na construção de instrumentos de apoio ao ensino, como conteúdos digitais, assim como em materiais, livros e projetos didáticos. Afinal, ela mesma é um instrumento qualificador do trabalho educativo.
Módulo 3---Plano de aula sob viés das teorias de aprendizagem
Ao final deste módulo, você será capaz de definir a elaboração de um plano de aula na perspectiva das teorias da aprendizagem.
	Recapitulando
Como vimos anteriormente, a abordagem didática se separa em dois grandes blocos. Amparada por uma teoria e concepção de mundo, de sujeito e de sociedade, ela propõe:
	Fazer reflexivo
O professor deve pensar sua prática de forma contextualizada a partir de uma teoria da aprendizagem. Assim, cabe ao docente refletir sobre as relações, reações e ações que vão influenciar a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos.
	Ensino-aprendizagem
O professor precisa saber que o processo de aprendizagem não está desvinculado do ensino: ambos estão juntos. O professor ensina e o aluno aprende, mas ele também acaba aprendendo nesse processo. Todos nós, enfim, aprendemos e ensinamos no ato educativo.
O fazer reflexivo
Vamos entender como ocorre esse fazer reflexivo assistindo a uma entrevista da professora Nilda Alves.
Nilda Alves
Doutora em Ciências da Educação pela Universidade Paris Descartes e professora titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É pesquisadora e referência no campo pedagógico. Suas principais contribuições abordam as relações entre a escola, o aluno e o professor, tendo como foco a noção de tessitura de conhecimentos em rede e a vida cotidiana nas escolas, com base na articulação entre currículos, redes educativas, imagens, sons e formação de docentes.
Você, na qualidade de professor, deve refletir sobre qual abordagem irá auxiliar no seu processo como educador. Seu objetivo é facilitar o aprendizado do aluno, levando em consideração seu cotidiano, sua vivência e seu saber. Para isso, é importante, antes de tudo, planejar suas aulas tendo em vista os blocos da abordagem didática e os currículos que atuam dentro dos espaços educacionais.
	Plano de aula
Durante a elaboração do plano de aula, o professor deve articular as competências e habilidades solicitadas pelo seu demandante com as estratégias que serão utilizadas. Portanto, ele corresponde ao nível de maior detalhamento e objetividade do processo de planejamento didático, tendo como finalidade a previsão dos conteúdos e atividades de cada aula.
Todo plano de aula deve ser composto por conteúdo e tema, competências, estratégias didático-metodológicas e avaliação (com possíveis intervenções didáticas). Durante a elaboração do planejamento e desse plano, é preciso ter em mente as seguintes perguntas:
O planejamento didático deve ser uma ferramenta teórico-metodológica usada pelo professor para intervir na realidade. Celso Vasconcelos define que o planejamento:
Nessa discussão, são estabelecidas três dimensões: a realidade (onde estamos), os fins (aonde queremos chegar ou o que desejamos alcançar) e a mediação (como alcançar o que planejamos).
Quando planejamos e aplicamos nosso plano em sala de aula, temos uma intenção subjacente à ação didática. Para que as competências se concretizem mais facilmente, é necessário que esse plano tenha as seguintes características:
Agora que você já possui uma ideia sobre o plano de aula, que tal elaborarmos um utilizando as duas teorias aprendidas (cognitivista sociointeracionista e behaviorismo)? Para isso, lembre-se de que todo plano deve conter:
	Conteúdo: assunto central sobre o qual será tratado o plano.
	Tema de aula: tópicos relacionados ao conteúdo da aula.
	Segmento: para o qual ano esse plano foi pensado.
	Duração: tempo estimado de aula.
	Objetivos: aquilo que se pretende alcançar com ela.
	Metodologia: que caminhos são realizados nela e o que é feito.
	Recursos: que materiais são necessários para que haja a aula.
	Avaliação: como ocorre a mensuração da aprendizagem.
Atividade discursiva 1
Imagine que você precisaministrar uma aula para uma turma do 4º ano do ensino fundamental sobre a superfície terrestre brasileira. Levando em consideração a abordagem behaviorista, monte um plano de aula com características behavioristas, indicando:
	Conteúdo;
	Tema da aula;
	Segmento;
	Duração;
	Objetivos;
	Metodologia;
	Recursos;
	Avaliação.
Atividade discursiva 2
Imagine-se agora ministrando, para a mesma turma, uma aula sobre produção e interpretação de texto. Levando em consideração a abordagem comportamentalista sociointeracionista, monte um plano de aula que possua as características do sociointeracionismo, indicando:
	Conteúdo;
	Tema da aula;
	Segmento;
	Duração;
	Objetivos;
	Metodologia;
	Recursos;
	Avaliação.
Considerações finais
Como vimos, ao longo dos anos, o processo educativo foi se tornando o foco de investigação e criação de diferentes teorias. Entender como ocorre o aprendizado e a melhor forma de potencializá-lo possibilitou que os professores aprofundassem suas escolhas e suas ações dentro dos diversos espaços educacionais. Nesse âmbito, aprendemos sobre duas importantes teorias: a abordagem comportamentalista ou behaviorismo, que busca compreender e definir o comportamento humano como o resultado de influências sociais de acordo com estímulos e respostas; e as abordagens cognitivistas, cujo objetivo é saber como o ser humano conhece o mundo. O propósito deste estudo é instrumentalizar o professor para que ele seja capaz de perceber a importância do direcionamento de sua abordagem.
A abordagem didática é um processo que busca dar significado ao trabalho do professor, já que lhe permite perceber o fim de sua ação, construindo propostas fundamentadas. Por isso, a didática docente deve ser atrelada ao fazer reflexivo e ao ensino-aprendizagem, levando em consideração as multiplicidades de cotidianos que permeiam a escola. Já seu planejamento, seja ele behaviorista ou cognitivista, deve conter os seguintes itens: objetivo, finalidade do conteúdo, estratégias didático-metodológicas e recursos. Além disso, é fundamental que a construção do plano de aula possua coerência, unidade, continuidade, sequência, objetividade, funcionalidade, precisão e clareza nas informações detalhadas.
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
	Aprofunde-se mais o pensamento de Skinner e Piaget nos vídeos abaixo, da Plataforma YouTube:
a) Coleção Grandes Educadores Skinner e a Análise do Comportamento.
b) Pensadores: Jean Piaget a Educação.
	Leia o artigo, na plataforma SciELO, Análise do conceito de aprendizagem significativa à luz da teoria de Ausubel, de Glenda Agra e colaboradores.
	A Plataforma Porta Curta oferece centrenas de curta-metragens e grande parte deles com sugestões de planos de aula. Vale conferir!
	Assista ao documentário “O pequeno Albert” de Watson para entender melhor a perspectiva da experiência humana do behaviorismo.

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