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DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS FRATURAS DE MAXILA E NARIZ ✓ ATLS (Colégio Americano de Cirurgiões) - Airway Manter vias aéreas - Breathing Avaliar respiração - Circulation Hemostasia - Disability Status neurológico - Exposure Exposição do paciente ATENDIMENTO INICIAL AO POLITRAUMATIZADO DE FACE ✓ Aspirar saliva, sangue e conter hemorragia intra e extra orais (tampão nasal anterior ou posterior, suturas e ligaduras de artérias maiores) ✓ Métodos de contenção temporários de dentes e fraturas faciais (odontossínteses, splintagens, barras de Erich, bandagens) INSPEÇÃO ✓ Inspeção geral do paciente ✓ Áreas com sangramento, coágulos, lacerações, escoriações, hematomas, edema ✓ Fraturas expostas ✓ Simetria facial ✓ Terço médio: - Edema periorbital - Equimose periorbital e subconjuntival - Sinal de Batlle (equimose retroauricular) - Proptose - Distopia - Enoftalmo e exoftalmo - Oftalmoplegia - Telecanto traumático - Lacerações periorbitárias e oculares - Ptose palpebral - Hifema - Corpos estranhos intra-oculares, midríase traumática, mudanças na reação pupilar e tamanho - Epistaxe - Lacerações intra-nasais, hematomas, septais, desvio de septo - Liquorréia - Otorragia “Tempo ótimo de 03 a 05 dias, pós-trauma para haver regressão de edema, revisão dos sistemas, exames laboratoriais e por imagem para planejamento seguro da cirurgia.” FONSECA, 2000 Andressa Vasconcelos PREPARAÇÃO DO PACIENTE PARA CIRURGIA ✓ Regressão do edema pós-trauma ✓ Estabilização do paciente (neurológico, sistêmico) ✓ Cicatrização das feridas abertas e infectadas ✓ Controle de infecção pré-operatório ✓ Remoção de focos de infecção intra- bucais (raízes residuais, tártaro, lesões de cárie) ✓ Higienização bucal com solução antisséptica ✓ Tricotomia facial ✓ Modelos de estudo ✓ Confecção de Odontossínteses (Anéis de Ivy, Duclos) ✓ Colocação de Barras de Erich ✓ Confecção de Goteiras “A exposição, identificação e fixação das fraturas, principalmente dos pilares faciais, garante o alinhamento e estabilização das mesmas.” FRATURA DE MAXILA CLASSIFICAÇÃO ✓ Le Fort I (Guerin) ✓ Le Fort II (Piramidal) ✓ Le Fort III (Disjunção Crânio-Facial) FRATURA LE FORT I ✓ Características Clínicas - Desoclusão dentária - Mordida aberta anterior (deslocamento posterior) - Comunicação buco-sinusal - Enfisema facial FRATURA LE FORT II ✓ Características Clínicas - Epistaxe* - Comumente associadas a fraturas de OPN - Parestesia ou Hipoestesia (Nervo Infra-orbitário) - Perfil côncavo - Desoclusão dentária - Mordida aberta anterior (deslocamento posterior) - Equimoso infra e periorbitária bilateral (olhos de guaxinim) - Hemorragia subconjuntival - Pode haver rinorreia cerebroespinhal - Pode estar associada a fraturas de órbita - Lesões associadas a ramos de a. maxilar FRATURA LE FORT III ✓ Rotura do pilar transverso da face ✓ Sentido da força geralmente supero- inferior ✓ Características Clínicas - Equimose periorbitária bilateral (olhos de guaxinim) - Queixas e achados oftalmológicas (enoftalmo; limitação de movimentos; diplopia) * - Telecanto e hipertelorismo traumático - Epistaxe * - Rino (lesão da lâmina crivosa do etmóide) ou otorréia (lesão do soalho do canal auditivo) cérebro-espinhal * - Sinal de Battle * - Anosmia * - Parestesia ou hipoestesia (lesão do N. Infraorbitário) - Alongamento da face - Perfil côncavo - Mordida aberta anterior - Limitação de abertura bucal FRATURA DO TIPO LANELONGUE ✓ Fratura mediana da maxila ✓ Diastema traumático entre os incisivos ✓ Laceração da mucosa da rafe palatina ✓ Prevalência em combinação com outras fraturas FRATURAS SAGITAIS (VERTICAIS; LANELONGUE; DIM) ✓ São infrequentes ✓ Geralmente devido a traumas na região do mento ✓ Frequentemente associadas a fraturas transversais ✓ Atravessam a articulação dos processos palatinos da maxila, separando-os até à margem posterior ✓ Clinicamente: - Diastema interincisivo - Comunicação buco-sinusal - Equimose do palato FRATURAS SEGMENTARES ✓ Forças aplicadas concentradamente numa determinada área ✓ Apenas um segmento da maxila é deslocado - Fratura de Huet (exomaxilocanina) - Início na margem dos processos frontais até a lateral de PMS - Fratura de 4 segmentos (Walther) - Lanelongue + vertical em lateral de PMS - Fratura de Basseau - Lanelongue + bloco incisivo, ossos nasais, e processos frontais - Fratura de Richet - Soalho do SM tangenciando as paredes lateral e medial FRATURA TIPO RICHET ✓ Associação de fratura transversa unilateral + fratura mediana ✓ Mordida cruzada unilateral FRATURA TIPO WALTHER ✓ Associação de fratura transversa completa + fratura mediana ✓ Fratura em 4 fragmentos DIAGNÓSTICO EXAME CLÍNICO ✓ Palpação da margem infra-orbitária ✓ Palpação da sutura fronto-malar ✓ Palpação bidigital da maxila ✓ Complicadores IMAGEM ✓ Radiográfico (PA, Waters, Perfil) ✓ TC ✓ Reconstruções em 3D CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIOS “O cirurgião não cura nenhuma lesão. Ele apenas estabelece um ótimo de condições para o organismo promover a sua auto- reparação.” João Hildo Carvalho Furtado, 1995 ✓ Cuidados com a ferida cirúrgica ✓ Cuidados com a aparatologia empregada ✓ Cuidados com medicação e dieta ✓ Fisioterapia ✓ Cuidados com a ferida cirúrgica: - Troca de curativos diários - Compressas geladas na face nas 48h iniciais (edema) - Remoção de sutura em 1 semana - Evitar sol (cicatriz) - Higiene oral em feridas intra-bucais ✓ Cuidados com a Aparatologia: - Revisão de bloqueia maxilo- mandibular (trefilar fios, troca de ligas, profilaxia dental) - Remoção de bloqueio, suspensões, cerclagens, odontossínteses, fios de kirchner etc, após período de consolidação óssea - Remoção de FIR em casos de infecção ✓ Cuidados com a medicação: - Controlar edema, infecção, dor e febre pós-operatórios - Medicações EV em pós imediato - VO em pós imediato - Gotas e suspensões orais em bloqueios maxilo-mandibulares - Higiene oral com escovação e bochechos com clorexidina ✓ Cuidado com a dieta: - Dieta líquida e fria em PO imediato (02 primeiros dias) - Dieta líquida ou pastosa em PO tardio ✓ Cuidados com Fisioterapia: - Bloqueio semi-rígido (ligas, guiar oclusão) - Trismo pós-operatório (palitos de picolé, dedos, chicletes, etc) - Revisão semanal FRATURAS DE OSSOS PRÓPRIOS DO NARIZ ✓ Podem ocorrer isoladas ou associadas ✓ Acometem todas as faixas etárias ✓ Mais frequente em homens DIAGNÓSTICO CLÍNICO ✓ História e mecanismo do trauma ✓ Inspeção ✓ Palpação INSPEÇÃO ✓ Escoriações e ferimentos ✓ Edema e hematomas ✓ Desvio ou afundamento da pirâmide nasal ✓ Epistaxe ✓ Obstrução nasal ✓ Equimose periorbital bilateral ✓ Hemorragia subconjuntival ✓ Telecanto traumático ✓ Edema na mucosa nasal ✓ Enfisema subcutâneo ✓ Anosmia PALPAÇÃO ✓ Crepitação óssea ✓ Mobilidade dos fragmentos ✓ Sensibilidade dolorosa RINOSCOPIA ✓ Lesões septais, como fraturas e luxações ✓ Lacerações da mucosa ✓ Septohematoma EXAMES DE IMAGENS ✓ Rx perfil de OPN (raios moles) ✓ Rx de face em PA (Water’s) ✓ Tomografia computadorizada TRATAMENTO “Consiste na redução dos fragmentos em posição anatômica e imobilização durante o período de consolidação.” Manganello “Externamente, utiliza-se um curativo gessado, modelando e mantendo os fragmentos em posição. O tamponamento é retirado após 24 a 48h. O gesso é removido entre o sétimo e o décimo dia.” Fonseca, 2000 COMPLICAÇÕES ✓ Septohematoma (hemorragia no espaço subpericondral) ✓ Infecção ✓ Deformidades estéticas e funcionais ✓ Sinéquias✓ Hemorragias CONSIDERAÇÕES ✓ Restauração precoce da Função e Estética facial pré-trauma é o objetivo do tratamento ✓ Para um resultado ótimo é preciso seguir um protocolo estabelecido de redução e fixação dessas fraturas ✓ O enxerto ósseo imediato tem o papel de reconstruir os fragmentos ósseos avulsionados, dar volume nas regiões com deficiência e servir de suporte nas fixações interfragmentárias ✓ A face é o “cartão de visitas” do indivíduo e necessita ser reconstruída com detalhismo e afinco para evitar sequelas psicossociais ao paciente vítima de fraturas faciais