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PSICOLOGIA APLICADA À 
ENFERMAGEM
A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do 
Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais 
em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, 
Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória, 
e com a Educação a Distância presente 
em todo estado do Espírito Santo, e com 
polos distribuídos por todo o país. 
Desde 1999 atua no mercado capixaba, 
destacando-se pela oferta de cursos de 
graduação, técnico, pós-graduação e 
extensão, com qualidade nas quatro 
áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, 
Humanas e Saúde, sempre primando 
pela qualidade de seu ensino e pela 
formação de profissionais com consciência 
cidadã para o mercado de trabalho.
Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de 
Instituições de Ensino Superior que 
possuem conceito de excelência junto ao 
Ministério da Educação (MEC). Das 2109 
instituições avaliadas no Brasil, apenas 
15% conquistaram notas 4 e 5, que são 
consideradas conceitos de excelência em 
ensino. Estes resultados acadêmicos 
colocam todas as unidades da Multivix 
entre as melhores do Estado do Espírito 
Santo e entre as 50 melhores do país.
 MISSÃO
Formar profissionais com consciência cidadã para o 
mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-
dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança 
e modernidade, visando à satisfação dos clientes e 
colaboradores.
 VISÃO
Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida 
nacionalmente como referência em qualidade 
educacional.
R E I TO R
GRUPO
MULTIVIX
R E I
2
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
3
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)
Daniel Dall’Igna Ecker 
Psicologia Aplicada à Enfermagem / ECKE, LL’IGNA DA DANIEL - Multivix, 2022
Catalogação: Biblioteca Central Multivix 
 2020 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 
4
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
LISTA DE FIGURAS
UNIDADE 1
 Figura 1. Fatores ambientais que influenciam o desenvolvimento 
 pré-natal 12
 Figura 2: Características influenciadas por fatores genéticos 15
 Figura 3: Reflexos involuntários fazem parte da expressão do neonato 17
 Figura 4: Nos primeiros anos de vida a capacidade de se movimentar 
e interagir com o ambiente cresce de modo notável, facilitando a 
constituição de aspectos psicológicos da criança 20
 Figura 5: O desenvolvimento psicológico de uma saúde integral, nas 
diferentes infâncias, envolve múltiplos contextos de intervenção 27
 Figura 6: Lawrence Kohlberg propõe uma sequência de três níveis de 
raciocínio moral, com ordem fixa (o psicólogo argumenta que poucas 
pessoas atingem o nível 3 de moralidade) 29
UNIDADE 2
 Figura 1 – Idade adulta como um período para pensarmos sobre 
definições como quem somos e quem queremos ser nos diferentes 
âmbitos da vida 35
 Figura 2 – Adultos 36
 Figura 3 – Família entendida como um ambiente com pessoas ou outros 
seres vivos que produzam a sensação de proximidade: mútuo afeto, 
comunicação, aceitação e respeito. 37
 Figura 4 – desenvolvimento da personalidade desde cedo 42
 Figura 5 – Autoestima e autoeficácia são crenças sobre nós mesmos/
as que estariam relacionadas à execução de tarefas no dia a dia, 
influenciando expectativas de erro ou acerto 44
 Figura 6 – Formas de aprimorar a comunicação com a pessoa idosa 47
 Figura 7 – Como a morte aparece no cotidiano da pessoa idosa 50
5
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
LISTA DE FIGURAS
UNIDADE 3
 Figura 1 – Na perspectiva do adoecer como um processo, o adoecimento 
que se instala no sujeito humano se desenvolve a partir da confluência 
de uma série de fatores. 56
 Figura 2 – Atenção aos sinais do corpo. 58
 Figura 3 – Adoecimento psíquico 64
 Figura 4 – A complexidade e diversidade da mente humana exige 
diferentes abordagens teóricas e técnicas da psicologia nos tratamentos 
e intervenções em saúde 69
UNIDADE 4
 Figura 1 - O conceito de atitudes relaciona-se a como nos moldamos e 
como o mundo nos molda 78
 Figura 2 – Rotas para persuasão que impactam nas mudanças de 
atitudes duradouras 82
UNIDADE 5
 Figura 1 – Por que as pessoas se comportam dessa maneira? 91
 Figura 2 – Relações de poder 95
 Figura 3 – Diálogo 99
UNIDADE 6
 Figura 1 – Preconceitos ocasionam uma série de conflitos e interferências 
negativas na comunicação, no dia a dia, que poderiam ser evitados. 108
 Figura 2 – Somos atraídos por certas pessoas e relações 113
 Figura 3 – Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de 
Saúde brasileiro. 116
 Figura 4 - Os passos básicos da ajuda 120
6
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
1UNIDADE
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 7
1 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: GESTAÇÃO, INFÂNCIA E 
ADOLESCÊNCIA 9
1.1 GESTAÇÃO 10
1.2 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 18
2 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: IDADE ADULTA, PER-
SONALIDADE E ENVELHECIMENTO 32
2.1 IDADE ADULTA E PERSONALIDADE 33
2.2 ENVELHECIMENTO 45
3. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: DOENÇA E BEM-ESTAR; 
TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES 53
3.1 DOENÇA E BEM-ESTAR 54
3.2 TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS 
E INTERVENÇÕES 62
4. PSICOLOGIA SOCIAL: ATITUDES E COGNIÇÃO SOCIAL 75
4.1 ATITUDES 76
4.2 COGNIÇÃO SOCIAL 82
5. PSICOLOGIA SOCIAL: INFLUÊNCIA SOCIAL E GRUPOS 88
5.1 INFLUÊNCIA SOCIAL 
5.2 GRUPOS 95
6. PSICOLOGIA SOCIAL: PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO E COMPORTA-
MENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO 104
6.1 PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO 105
6.2 COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO 112
2UNIDADE
3UNIDADE
4UNIDADE
5UNIDADE
6UNIDADE
7
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
ATENÇÃO 
PARA SABER
SAIBA MAIS
ONDE PESQUISAR
DICAS
LEITURA COMPLEMENTAR
GLOSSÁRIO
ATIVIDADES DE
APRENDIZAGEM
CURIOSIDADES
QUESTÕES
ÁUDIOSMÍDIAS
INTEGRADAS
ANOTAÇÕES
EXEMPLOS
CITAÇÕES
DOWNLOADS
ICONOGRAFIA
8
PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
A disciplina Psicologia Aplicada à Enfermagem objetiva proporcionar uma 
introdução aos conceitos básicos em psicologia do desenvolvimento hu-
mano e sua aplicabilidade na atuação da enfermagem: gestação; primeira 
infância e infância; adolescência; idade adulta; personalidade; aspectos psi-
cológicos da doença e do bem-estar; transtornos psicológicos; tratamento 
dos transtornos psicológicos e intervenções em saúde mental. Nesse sen-
tido, também se propõe a apresentar contribuições da psicologia social 
na compreensão do comportamento psicológico humano em intersecção 
com a prática da enfermagem, na relação com cliente, grupo de trabalho e 
inter-relações. Com isso, introduz alguns conceitos sobre comportamento 
humano e saúde mental que envolvem o cotidiano profissional da enfer-
magem no trabalho com pessoas: atitudes e cognição social; influência so-
cial e grupos; preconceito e discriminação; comportamento social positivo 
e negativo. Ao fim da disciplina, espera-se que você esteja habilitada(o) a 
empregar conceitos relacionados a psicologia no trabalho em saúde e na 
compreensão da pessoa humana e de seus aspectos psíquicos.
UNIDADE 1
> Compreender os 
conceitos básicos da 
Administração de 
Pessoal.
> Familiarizar-se com 
o tema e promover 
melhor absorção do 
conteúdo.
>Lorem ipsum
>Lorem ipsum
OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
9
MULTIVIX EAD
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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
> Conheceraspectos 
determinantes no começo da 
gestação, parto e puerpério 
relacionados aos aspectos 
psicológicos.
• Que fatores afetam uma 
criança durante a gravidez?
• Qual a relação entre 
natureza-criação no 
psiquismo humano?
• Como as transformações do 
pós-parto afetam as 
> Compreender 
especificidades do 
desenvolvimento infantil, da 
puberdade e da adolescência 
e aspectos psíquicos.
• Quais aspectos psicológicos 
emergem nos primeiros anos 
de vida?
• Quais são as etapas do 
desenvolvimento psicológico 
infantil?
• Como a fase da adolescência 
expressa aspectos 
psicológicos?
10
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
1 PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO HUMANO: 
GESTAÇÃO, INFÂNCIA E 
ADOLESCÊNCIA
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Bem-vinda/o! Esta unidade introduz as primeiras etapas que definem os es-
tudos da psicologia do desenvolvimento: gestação, infância e adolescência. 
Essa área do conhecimento psicológico estuda as etapas do crescimento, 
as transformações psicológicas que ocorrem ao longo da vida e as variáveis 
biopsicossociais do desenvolvimento humano (FELDMAN, 2015). A psicologia 
do desenvolvimento:
[…] lida com questões que variam desde novas formas de concepção 
dos filhos, passando pelo aprendizado de como criar os filhos com mais 
sensibilidade até a compreensão dos marcos da vida que todos enfrentamos. 
Os psicólogos do desenvolvimento estudam a interação entre o desenrolar 
de padrões de comportamento biologicamente predeterminados e um 
ambiente dinâmico em constante mutação […] igualmente, eles procuram 
entender a forma como o ambiente trabalha com – ou contra – nossas 
capacidades genéticas, como o mundo em que vivemos afeta nosso 
desenvolvimento. (FELDMAN, 2015, p. 328).
11
PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
Para entender melhor sobre as variáveis 
biopsicossociais do desenvolvimento 
humano, recomendamos a leitura do artigo 
“Acompanhamento Terapêutico e Direitos Sociais: 
Territórios existenciais e sujeito biopsico-político-
social”, disponível no link: http://pepsic.bvsalud.
org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
56652021000200009&lng=pt&nrm=is&tlng=pt. 
Nesse sentido, esta unidade proporcionará conceitos sobre a psicologia do 
desenvolvimento na gestação, infância e adolescência, apresentando teorias 
importantes para os profissionais de saúde na sua prática profissional. O con-
teúdo da unidade está organizado por dois tópicos e três subitens em cada 
tópico. Ao final da unidade, espera-se que você consiga responder questões 
sobre o desenvolvimento humano nas três primeiras etapas da vida e descre-
ver alguns dos seus aspectos psicológicos específicos. Bons estudos!
1.1 GESTAÇÃO
A etapa da gestação é uma fase importante para o desenvolvimento da crian-
ça, afetando a vida e o organismo da pessoa gestante, do bebê em desenvol-
vimento e seu contexto familiar e social.
1.1.1 O COMEÇO DA GESTAÇÃO
• Que fatores afetam uma criança durante a gravidez?
De forma geral, as sociedades têm certa tendência em valorizar a fertilidade 
e a maternidade, situando as pessoas grávidas em “um lugar social privilegia-
do” (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 172). Nesse sentido, se é algo 
desejado ter um filho, a mulher ou a pessoa grávida pode experimentar sen-
timentos e sensações de potência, criatividade, poder, plenitude, elevando 
sua autoestima. “Entretanto, a mulher grávida vive, ao longo de nove meses, 
intensas transformações em seu corpo, em seu psiquismo e no seu contexto 
social. Ela passa por momentos conturbados, por muitas dúvidas, temores e 
imprevistos” (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 172).
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MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
FIGURA 1. FATORES AMBIENTAIS QUE INFLUENCIAM O DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL
Fator ambiental Possível efeito no desenvolvimento pré-natal
Rubéola (sarampo alemão)
Cegueira, surdez, anormalidades cardíacas, 
natimorto
Sífilis
Retardo mental, deformidades físicas, 
aborto materno
Drogas aditivas
Baixo peso ao nascer, adicção do bebê 
à droga, com possível morte após o 
nascimento por abstinência
Nicotina
Nascimento prematuro, peso e tamanho 
abaixo da média ao nascer
Álcool
Retardo mental, peso e tamanho abaixo 
da média ao nascer, cabeça pequena, 
deformidades nos membros
Radiação por raios X Deformidades físicas, retardo mental
Dieta inadequada
Redução no crescimento do cérebro, peso e 
tamanho abaixo da média ao nascer
Idade da mãe – menos de 18 anos ao 
nascimento do filho
Nascimento prematuro, incidência 
aumentada de síndrome de Down
Idade da mãe – mais de 35 anos ao 
nascimento do filho
Incidência aumentada de síndrome de 
Down
Dietiletilbestrol (DES)
Dificuldades reprodutivas e incidência 
aumentada de câncer genital em filhos 
de mães que receberam DES durante a 
gravidez para prevenir aborto espontâneo
Aids
Possível transmissão do vírus da aids para 
o bebê; deformidades faciais; falha no 
crescimento
Accutane Retardo mental e deformidades físicas
 
Fonte: Feldman (2015, p. 338).
#PraCegoVer: A figura representa um quadro que relaciona, de um lado, os fatores 
ambientais, e de outro, os respectivos possíveis efeitos no desenvolvimento pré-natal. 
Rubéola (sarampo alemão): cegueira, surdez, anormalidades cardíacas, natimorto. 
Sífilis: retardo mental, deformidades físicas, aborto materno. Drogas aditivas: baixo 
peso ao nascer, adição do bebê à droga, com possível morte após o nascimento por 
abstinência. Nicotina: nascimento prematuro, peso e tamanho abaixo da média ao nascer. 
Álcool: retardo mental, peso e tamanho abaixo da média ao nascer, cabeça pequena, 
deformidades nos membros. Radiação por raios X: deformidades físicas, retardo mental. 
Dieta inadequada: redução no crescimento do cérebro, peso e tamanho abaixo da 
média ao nascer. Idade da mãe – menos de 18 anos ao nascimento do filho: nascimento 
prematuro, incidência aumentada de síndrome de Down. Idade da mãe – mais de 35 anos 
ao nascimento do filho: incidência aumentada de síndrome de Down. Dietiletilbestrol 
(DES): dificuldades reprodutivas e incidência aumentada de câncer genital em filhos 
de mães que receberam DES durante a gravidez para prevenir aborto espontâneo. 
Aids: possível transmissão do vírus da aids para o bebê; deformidades faciais; falha no 
crescimento. Accutane: retardo mental e deformidades físicas.
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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
Além dos fatores ambientais (figura 1), que podem ter impacto no desenvol-
vimento psicológico da criança na primeira etapa da vida, durante a gestação 
aparecem muitos sentimentos ambivalentes na pessoa grávida. Oscilar en-
tre querer ter filha/o e não querer, aceitar a criança e rejeitá-la, amar e odiar 
a criança, positivar as transformações corporais da gestação ou negativá-las 
constitui fenômenos naturais na etapa da gestação (LUCCHESE; ABUD; ZIM-
MERMANN, 2012). 
A rede social de apoio e os ambientes hostis e de vulnerabilidade social (po-
breza, constantes conflitos, riscos ambientais, adoção) interferem no desen-
volvimento da criança, já que: “desde os 6 meses de gestação, ele já possui 
os sistemas olfativo, gustativo, auditivo e sensorial […] mãe e bebê […] estão 
envolvidos em um diálogo muito antes do nascimento, e o nível e estado de 
atividade emocional entrelaça-se” (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, 
p. 174). 
A rede social de apoio (familiares, amigos, vizinhos, serviços de saúde, assistên-
cia social, dentre outros), ou a falta dela, também afeta a forma como o casal 
grávido vive e enfrenta as oscilações psicológicas que podem ocorrer. Temo-
res e angústias, vividas pela pessoa grávida, podem ser amenizadas quando 
há uma rede social de apoio que produzacolhimento, proteção e suporte nos 
momentos necessários. 
Nesse sentido, cabe a/ao profissional acolher os sentimentos e sensações am-
bivalentes, orientando a pessoa grávida de que essas oscilações e contradi-
ções são esperadas nessa etapa da vida. A ocorrência de intensas alterações 
hormonais no período gestacional, intensificam sensações e sentimentos 
contraditórios. Sugere-se como intervenção da/o profissional, também, uma 
articulação com a comunidade e com os diferentes serviços de saúde e de 
assistência social, para fortalecimento da rede social de apoio do casal grá-
vido. Cabe destacar que é necessário à/ao profissional situar os sintomas e 
sentimentos da pessoa grávida em sua história particular de vida, já que eles 
só poderão ser decodificados dentro desse contexto (LUCCHESE; ABUD; ZIM-
MERMANN, 2012).
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MULTIVIX EAD
Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017
PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
1.1.2 PARTO
• Qual a relação entre natureza-criação no psiquismo humano?
O momento do parto é considerado um evento estressante psicologicamen-
te, por ser uma situação crítica: momento de passagem de um estado a outro, 
irreversível, sem retorno, em que não se tem controle de alguns fatores, sendo 
o processo imprevisível e desconhecido (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 
2012). Diferentemente da gravidez, que é lenta e gradual, o parto é um pro-
cesso abrupto, doloroso, em que a pessoa grávida “perde” parte de si mesma, 
em que a “[…] relação materno-filial pode ficar perturbada, na medida em que 
a mãe não consegue perceber as características peculiares de seu bebê, já 
que o considera como uma projeção ou extensão de si própria” (LUCCHESE; 
ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 179). 
Sugere-se no trabalho de parto que se incentive a pessoa a participar e coo-
perar, “pois isso confere uma sensação de competência a futura mãe” (LUC-
CHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p.  180). É importante, também, uma 
escuta atenta às queixas dos envolvidos, para que se diferenciem sintomas 
emocionais comuns de expressões psicopatológicas, como depressão ou psi-
cose pós-parto (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012).
Por ser um momento em que o bebê se torna exposto a uma série de fatores 
externos, que ultrapassam o ambiente anteriormente protegido do útero da 
mãe, a discussão sobre o impacto da natureza versus criação na constituição 
do psiquismo após o parto se intensifica. Atualmente, psicólogas/os do de-
senvolvimento concordam que ambas, natureza e criação, interatuam para 
produzir padrões e resultados desenvolvimentais específicos:
A pergunta é a seguinte: como podemos distinguir entre as causas 
ambientais do comportamento (a influência de pais, irmãos, família, amigos, 
escolaridade, nutrição e todas as outras experiências às quais uma criança é 
exposta) e as causas hereditárias (aquelas baseadas na constituição genética 
de um indivíduo que influenciam o crescimento e o desenvolvimento ao 
longo da vida)? Essa pergunta engloba a questão da natureza-criação. 
(FELDMAN, 2015, p. 328).
Algumas teorias do desenvolvimento se fundamentam nos princípios psi-
cológicos básicos do aprendizado, ou seja, enfatizam que a aprendizagem, 
aquilo que é ensinado e utilizado de exemplo para criança, desempenha pa-
15
PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
MULTIVIX EAD
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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
pel central na produção de mudanças no comportamento da própria criança 
(FELDMAN, 2015). Já outras abordagens teóricas vão situar o funcionamento 
fisiológico, com aspectos biológicos da criança, como central para seu desen-
volvimento. Nesse sentido, destacam o papel da hereditariedade e da matu-
ração na constituição psíquica, havendo alguns padrões de comportamento 
biologicamente predeterminados e etapas de maturação das características 
individuais (FELDMAN, 2015).
FIGURA 2: CARACTERÍSTICAS INFLUENCIADAS POR FATORES GENÉTICOS
Características 
físicas
Características 
intelectuais
Características 
 emocionais e 
 transtornos
Altura
Peso
Obesidade
Tom de voz
Pressão sanguínea
Cáries
Habilidade atlética
Firmeza no aperto 
de mão
Idade da morte
Nível de atividade
Memória
Inteligência
Idade de aquisição da 
linguagem
Déficit de leitura
Retardo mental
Timidez
Extroversão
Emocionalidade
Neuroticismo
Esquizofrenia
Ansiedade
Alcoolismo
Fonte: Feldman (2015, p. 330).
#PraCegoVer: A figura representa três grupos de características influenciadas por fatores 
genéticos. Características físicas: altura, peso, obesidade, tom de voz, pressão sanguínea, 
cáries, habilidade atlética, firmeza no aperto de mão, idade da morte, nível de atividade. 
Características intelectuais: memória, inteligência, idade de aquisição da linguagem, 
déficit de leitura, retardo mental. Características emocionais e transtornos: timidez, 
extroversão, emocionalidade, neuroticismo, esquizofrenia, ansiedade, alcoolismo.
Sobre aspectos do parto, este é compreendido como um momento crucial 
para a família e a criança, considerando que com ele se inicia uma nova etapa 
de cuidados, com significativa alteração da rotina mínima: sono, alimentação, 
higiene e autocuidado de todos os envolvidos. Cabe a/ao profissional auxiliar 
16
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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
a família e os/as cuidadores/as na organização dessa rotina e no planejamento 
das ações de cuidado, assim como na construção da rede social de apoio para 
diferentes necessidades que possam surgir. Ficar atento a mudanças bruscas 
de comportamento, ou oscilações intensas nas emoções, torna-se ferramenta 
importante para a avaliação psicológica nesse período. 
1.1.3 PUERPÉRIO
• Como as transformações do pós-parto afetam as emoções?
O puerpério, período pós-parto, é uma etapa de mudanças intra e interpes-
soais, que pode acarretar crises emocionais, devido a seus imprevistos e suas 
transformações. O corpo da pessoa grávida se separa do bebê, a gestante tor-
na-se mãe, e o feto torna-se filho. Alguns sentimentos são comuns, por exem-
plo: medo em fazer algum mal para criança, seja por descontrole emocional 
ou descuido; temor em não conseguir garantir cuidados mínimos ao bebê; 
receio de não conseguir amá-lo; dúvidas sobre amamentação, banho, troca 
de fraldas, alimentação, higiene; entre outras práticas. Tudo isso pode produ-
zir insegurança e fragilidade emocional (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 
2012).
Voltando para a casa, a mulher vive um estado de fragilidade psíquica, 
temendo de não dar conta de cuidar do lar, dos filhos, do marido. Nesse 
período, ela se torna extremamente sensível, muitas vezes confusa, até 
mesmo desesperada. A ansiedade e a depressão reativa, são extremamente 
comuns. A amamentação, importante para a saúde do bebê, pode encontrar 
problemas, em geral causados pela ansiedade da mãe, que vivencia um 
conflito entre o “eu” (tendência egoísta) e sua tendência maternal (altruísta), 
além de sentir-se ou não à vontade com o prazer sensual de amamentar. 
Esse conflito eu versus mãe, pode expressar-se pelo atrito entre ter uma 
vida profissional e cuidar dos filhos, o qual é intensificado pela sociedade 
atual que cobra da mulher o cumprimento de ambos os papéis sociais. 
(LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 182).
Em relação a/ao recém-nascida/o, tem-se um corpo do bebê que passa a exis-
tir separado do corpo da pessoa puérpera. Existem fatores que podem causar 
estranheza na aparência do neonato – como o aperto de seus ossos no des-
locamento pelo canal de parto ou por acúmulo de líquidos –, tornando gra-
dual o processo de familiarização entre ele e seus/suas cuidadores/as. Em um 
primeiro momento, suas alterações físicas podem produzir sentimentos de 
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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
MULTIVIX EAD
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estranhezae/ou rejeição, fazendo com que seja processual a constituição de 
uma aparência mais familiar e a produção da intimidade entre os envolvidos 
(FELDMAN, 2015).
As características do bebê mudam durante as duas primeiras semanas de 
existência e são impressionantes “[…] as capacidades que um neonato come-
ça a apresentar desde o momento do nascimento – capacidades que crescem 
em ritmo excepcional ao longo dos meses seguintes” (FELDMAN, 2015, p.340).
FIGURA 3: REFLEXOS INVOLUNTÁRIOS FAZEM PARTE DA EXPRESSÃO DO NEONATO
Fonte: Feldman (2015, p. 340).
#PraCegoVer: A figura representa uma fotografia em preto e branco de um bebê sorrindo e 
segurando um dedo.
Os reflexos são recursos orgânicos que a/o bebê possui, essenciais para sua so-
brevivência e o exercício das emoções, que o/a acompanham ao longo de sua 
contínua maturação e podem ser trabalhados pela/o profissional de enferma-
gem, na qualificação da relação entre o neonato e seus cuidadores. Brinca-
deiras e exercícios, como o uso de sons e objetos adaptados para a idade do 
neonato, podem potencializar as habilidades do bebê na sua comunicação e 
expressão, facilitando o vínculo entre ele e quem a/o cuida.
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Os inúmeros reflexos do neonato fazem parte da sua forma de comportamen-
to, expressão, comunicação e interação com o mundo após seu nascimento: 
“reflexos – respostas involuntárias não aprendidas que ocorrem automatica-
mente na presença de certos estímulos” (FELDMAN, 2015, p. 340).
Dentre os reflexos abordados na literatura científica, podemos citar, segundo 
Feldman (2015, p. 340):
Reflexo perioral 
[…] faz com que os neonatos voltem sua cabeça na direção de 
coisas que toquem suas bochechas – como o mamilo da mãe ou a 
mamadeira. 
Reflexo de sucção 
[…] impele os bebês a sugarem as coisas que tocam seus lábios. 
Reflexo da mordaça 
[…] limpar a garganta. 
Reflexo de alarme 
[…] uma série de movimentos em que o bebê estende os braços, 
estende os dedos e arqueia as costas em resposta a um ruído 
repentino.
Reflexo de Babinski 
[…] os dedos dos pés do bebê estendem-se quando a borda externa da 
sola do pé é pressionada.
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1.2 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
A infância e a adolescência são períodos cruciais no desenvolvimento huma-
no, formando a base constitutiva da pessoa adulta.
1.2.1 PRIMEIRA INFÂNCIA
• Quais aspectos psicológicos emergem nos primeiros anos de vida?
A construção de vínculo entre a/o bebê e seus cuidadores, gradativamente, 
se intensifica e se fortalece à medida que são superadas as dificuldades ine-
rentes ao desenvolvimento infantil. Nesse processo, as afinidades familiares 
se tornam algo construído diariamente, em uma relação psicológica de ex-
pectativas (significações) e respostas a essas expectativas, que ocorrem no 
encontro entre pais e bebê (ABUD; ZIMMERMANN; LUCCHESE, 2012).
Nessas significações iniciais que são projetadas no filho, tarefa necessária 
para que ele inicie um processo de subjetivação, encontramos restos 
inconscientes – desejos e fantasias, expectativas e sonhos – dos pais, 
que organizam uma forma inicial de essa criança perceber a si mesmo e 
o mundo a seu redor. […] Muitas vezes, a criança, estruturada de forma 
incipiente, encontra dificuldades de se desprender disso e se adequar ao 
que realmente pode sentir como seu, por ser muito diferente do que lhe 
foi traçado ou por não conseguir atingir determinadas expectativas. (ABUD; 
ZIMMERMANN; LUCCHESE, 2012, p. 187).
Nesse sentido, os aspectos psicológicos da criança nos primeiros anos de vida 
se constroem na relação com seus cuidadores, sendo as informações proces-
sadas pelos/as bebês relacionadas às expressões que elas recebem do am-
biente externo – como pais, mães, cuidadores – e dos demais envolvidos em 
seu contexto social (FELDMAN, 2015). Rostos felizes, rostos tristes, sorrisos, ros-
tos zangados, rostos com raiva, sons em intensidade baixa e sons em intensi-
dade alta, como gritos, impactam de forma positiva ou negativa o modo como 
a criança processa as expressões emocionais de seu entorno. “Quando os pais 
orgulhosos olham nos olhos de seu neonato, a criança é capaz de retribuir o 
olhar?” (p. 341). Autores/as têm afirmado que as capacidades das crianças são 
impressionantes, ainda que tenham algumas limitações de linguagem, são 
capazes de reagir a diversos estímulos e movimentos que acontecem ao seu 
redor, interagindo com eles (FELDMAN, 2015).
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FIGURA 4: NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA A CAPACIDADE DE SE MOVIMENTAR 
E INTERAGIR COM O AMBIENTE CRESCE DE MODO NOTÁVEL, FACILITANDO A 
CONSTITUIÇÃO DE ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA CRIANÇA
3,2 meses: rola 3,3 meses: 
segura o chocalho
5,9 meses: senta 
sem apoio
11,5 meses: 
fica de pé sozinho
12,3 meses: 
caminha bem
14,8 meses: constrói 
torres de dois cubos
16,6 meses: 
sobe escadas
23,8 meses: 
pula no lugar
8,2 meses: segura com 
o polegar e outro dedo
7,2 meses: fica de pé 
com apoio
Fonte: Frankenburg et al. (1992).
#PraCegoVer: A figura representa uma sequência de desenhos de várias fases da infância, 
ligados a habilidades desenvolvidas em cada uma. 3,2 meses: rola. 3,3 meses: segura o 
chocalho. 5,9 meses: senta sem apoio. 7,2 meses: fica de pé com apoio. 8,2 meses: segura 
com o polegar e outro dedo. 11,5 meses: fica de pé sozinho. 12,3 meses: caminha bem. 14,8 
meses: constrói torres de dois cubos. 16,6 meses: sobe escadas. 23,8 meses: pula no lugar.
A interação da criança com contexto social e cuidadores – pai, mãe, avós, pri-
mos, entre outros – é elemento central para seu desenvolvimento. Ao profis-
sional cabe avaliar as diferentes formas de apego – seguro, evitativo, ambiva-
lente e desorganizado-desorientado (FELDMAN, 2015, p. 346) – que podem 
ocorrer nessas relações. 
À medida que a criança interage com seus pares de idades próximas, vão se 
formando diversos vínculos, simultaneamente, que estimulam a interação de 
modo ativo, modificando seu comportamento e das outras crianças, pelas 
trocas de papéis durante o jogo. “Por meio do jogo, elas aprendem a assumir a 
perspectiva das outras pessoas e a inferir os pensamentos e sentimentos dos 
outros, mesmo quando esses pensamentos e sentimentos não são expressos 
diretamente” (ROYZMAN; CASSIDY; BARON, 2003). 
Como interagir com a criança? Participar de atividades mais físicas, jogos ou 
esportes que envolvam o corpo de forma mais ampla (motricidade global) ou 
específica (motricidade fina), assim como brincadeiras verbais ou de raciocínio, 
estimula diferentes habilidades na criança e a auxiliam no autoconhecimento 
corporal e psicológico (FELDMAN, 2015). 
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Desse modo, na intervenção da/o profissional de enfermagem com a primei-
ra infância, o uso de brincadeiras e jogos, físicos ou verbais, pode ser uma es-
tratégia de atuação profissional. 
Leia o artigo “Relato de 
experiência no Programa 
PIM-PIA: Políticas Públicas 
e primeira infância”, para 
entender mais sobre as 
questões dessa fase da vida, 
no link: http://periodicos.
pucminas.br/index.php/
percursoacademico/article/
view/8420/9267.
Trabalhar as relações interpessoais por meio 
de jogos e brincadeiras, estimulando a 
criança a aprender a interagir com o pró-
prio profissional e seu entorno, emerge 
como possibilidade de acolher aspectos 
psicológicos que surgem nessas relações. 
Na etapa da primeira infância, também é 
importante uma atuação profissional que 
organize uma rede de cuidado integral 
em torno da criança e de seus cuidadores/
as, considerando que a fragilidadeorgâni-
ca da criança nesse momento da vida en-
volve a necessidade de integração e arti-
culação dos diversos níveis de atenção à 
saúde (BRASIL, 2018). 
1.2.2 INFÂNCIA
• Quais etapas do desenvolvimento psicológico infantil?
As crianças precisam de um ambiente favorável ao seu crescimento 
e amadurecimento, que permita, junto ao seu potencial genético, o 
desenvolvimento pleno de suas capacidades e habilidades motoras, 
cognitivas e socioafetivas. Os primeiros anos de vida são aqueles em 
que melhor se pode estimular o desenvolvimento global do indivíduo, 
especialmente devido à sua plasticidade cerebral. A imaturidade, inclusive 
imunológica, associada a condições de vida desfavoráveis, relacionadas à 
ausência de saneamento básico, de segurança alimentar e nutricional, de 
situações de violência intrafamiliar, de baixa escolaridade materna, além de 
condições específicas das populações vulneráveis, baixo acesso e qualidade 
dos serviços de saúde, educação e assistência social, entre outros, são 
determinantes não apenas de maior morbidade e mortalidade, tanto infantil 
quanto na infância, mas de riscos ao pleno desenvolvimento destas crianças. 
(BRASIL, 2018, p. 24).
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O fragmento anterior situa a preocupação dos aspectos psicológicos da crian-
ça em desenvolvimento em um contexto integral de compreensão da saúde, 
biopsicossocial. Nele, diferentes características da criança e de suas condições 
de vida se articulam para produzir a saúde psicológica dela e de seus cuida-
dores. No aspecto psicológico individual, da própria personalidade da criança 
e sua maturação, utiliza-se a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, de Erik 
Erikson (1963), para compreender especificidades desse período:
• 1) Estágio da confiança versus desconfiança
Confiança
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PraCegoVer: A figura representa um bebê sentado na mesa interagindo com uma 
mulher à sua frente.
É fundamental no esporte para que a criança consiga adquirir 
informações motoras para executar gestos motores da melhor 
qualidade possível. 
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2) Estágio da autonomia versus vergonha e dúvida
Autonomia
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PraCegoVer: A figura representa uma criança segurando cubos coloridos.
Período durante o qual os bebês (1 ½ a 3 anos) desenvolvem 
independência e autonomia se a exploração e a liberdade forem 
encorajadas, ou vergonha e dúvida se eles forem restringidos e 
superprotegidos. 
3) Estágio da iniciativa versus culpa
Iniciativa
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PraCegoVer: A figura representa duas crianças brincando com blocos de madeira.
Período durante o qual as crianças entre 3 e 6 anos experimentam 
conflito entre independência de ação e os resultados por vezes 
negativos dessa ação.
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4) Estágio da diligência e construtividade versus inferiori-
dade
Interação social
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PraCegoVer: A figura representa duas crianças posando, uma de costas para a 
outra.
Estágio da infância durante o qual as crianças entre 6 e 12 anos podem 
desenvolver interações sociais positivas com os outros ou sentir-se 
inadequadas, tornando-se menos sociáveis. (ERIKSON, 1963).
O segundo autor referência para a psicologia, no estudo do desenvolvimento 
infantil, é Jean Piaget (1970), que, na perspectiva construtivista, compreende 
que o conhecimento sobre o mundo que a criança desenvolve, a partir de 
suas vivências, ocorre na interação entre ela e aquilo que ela interage (ABUD; 
ZIMMERMANN; LUCCHESE, 2012, p. 187). Piaget (1970) sugeriu que esse apren-
dizado segue uma série de quatro estágios, em uma ordem fixa, presumindo 
que, sem obter tais experiências, as crianças não conseguiriam atingir seu 
mais alto potencial cognitivo. Segundo esse autor, as etapas do desenvolvi-
mento cognitivo são as seguintes:
 
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1) Sensório-motor
Interação social
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PraCegoVer: figura representa um bebê no colo de uma mulher, com um objeto na 
boca.
• Estágio desde o nascimento até os 2 anos, durante o qual uma criança 
tem pouca competência na representação do ambiente pelo uso de 
imagens, linguagem ou outros símbolos.
2) Pré-operatório
Segunda fase de desenvolvimento 
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
 #PraCegoVer: A figura representa uma criança brincando com brinquedos coloridos 
e sorrindo.
• Período de 2 a 7 anos de idade que é caracterizado pelo 
desenvolvimento da linguagem.
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3) Operatório concreto
Terceira fase de desenvolvimento 
Fonte: Plataforma Deduca (2021). 
#PraCegoVer: A figura representa uma criança fazendo o gesto de escuta, ao colocar 
as mãos próximo à orelha.
Período de 7 a 12 anos de idade que é caracterizado pelo pensamento 
lógico e pela perda do egocentrismo.
4) Operatório formal 
Quarta fase de desenvolvimento 
Fonte: Plataforma Deduca (2021). 
#PraCegoVer: A figura representa várias crianças sentadas lendo num ambiente que 
parece ser uma biblioteca.
• .Período dos 12 anos até a idade adulta que é caracterizado pelo 
pensamento abstrato. (PIAGET, 1970). 
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Esses estágios podem ser utilizados pelas/os enfermeiras/os como parâme-
tros psicológicos no processo avaliativo e de planejamento do cuidado para a 
infância. Deve-se considerar, ainda, que um desenvolvimento cognitivo inte-
gral está relacionado com integrações satisfatórias entre diferentes funciona-
lidades biopsicossociais – sensorial, motora, perceptiva, linguística, psicológi-
ca, intelectual e social –, cujo aperfeiçoamento se estrutura a partir de etapas 
de maturação neurocerebral do sujeito (BRASIL, 2016).
FIGURA 5: O DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO DE UMA SAÚDE INTEGRAL, NAS 
DIFERENTES INFÂNCIAS, ENVOLVE MÚLTIPLOS CONTEXTOS DE INTERVENÇÃO
Fonte: Brasil (2018, p. 37).
#PraCegoVer: A figura representa os múltiplos contextos de intervenção no 
desenvolvimento psicológico de uma saúde integral, nas diferentes infâncias. Atenção 
humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido. 
Aleitamento materno e alimentação complementar saudável. Atenção integral a crianças 
com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas. Atenção integral à criança 
em situação de violências, prevenção de acidentes e promoção da cultura de paz. Atenção 
à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas e de vulnerabilidade. 
Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno.
Leia o artigo “Crianças em situação de rua: 
malabares da exclusão”, para compreender 
mais sobre a condição especial das crianças 
em situação de rua: https://www.redalyc.org/
journal/4595/459553539003/html/.
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1.2.3 PUBERDADE E ADOLESCÊNCIA 
• Como a fase da adolescência expressa aspectos psicológicos?
O direito à saúde e ao cuidado dos/as púberes e adolescentes estão consa-
grados na Constituição Federal do Brasil de 1988 e detalhados no Estatuto da 
Criança e do Adolescente (ECA), o qual considera adolescente a pessoa entre 
12 e 18 anos de idade (BRASIL, 2018). A Convenção sobre os Direitos da Criança 
(CDC), de 1989, afirma como criança todo ser humano menor de 18 anosde 
idade, e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) define como recorte de tra-
balho do pediatra o ser humano entre 0 e 20 anos (BRASIL, 2018).
O Ministério da Saúde (MS) se orienta pelo conceito da Organização Mun-
dial da Saúde (OMS), para atendimento em Pediatria no Sistema Único de 
Saúde (SUS), abrangendo “[…] crianças e adolescentes de 0 a 15 anos, ou seja, 
até completarem 16 anos ou 192 meses, sendo este limite etário passível de 
alteração de acordo com as normas e rotinas do estabelecimento de saúde 
responsável pelo atendimento” (BRASIL, 2015).
Adolescência: Tornando-se Adulto
A adolescência, o estágio do desenvolvimento entre a infância e a idade 
adulta, é um período crucial. É uma época de mudanças profundas e, por 
vezes, de turbulência. Ocorrem mudanças biológicas consideráveis quando 
os adolescentes atingem a maturidade sexual e física. Ao mesmo tempo, 
e rivalizando com essas alterações fisiológicas, ocorrem mudanças sociais, 
emocionais e cognitivas significativas à medida que os adolescentes 
lutam por independência e encaminham-se para a idade adulta. Como 
muitos anos de instrução precedem o ingresso da maioria das pessoas no 
mundo do trabalho nas sociedades ocidentais, o estágio da adolescência 
é relativamente longo: ele começa um pouco antes dos 13 anos e termina 
após os 19 anos. Os adolescentes já não são mais crianças, embora a 
sociedade ainda não os considere adultos. Eles enfrentam um período de 
rápidas mudanças físicas, cognitivas e sociais que os afetam pelo resto da 
vida. (FELDMAN, 2015, p. 358).
As alterações físicas do período da adolescência (pelos púbicos, desenvolvi-
mento das mamas, início da menstruação, estirão do crescimento, primei-
ra ejaculação, crescimento do pênis), resultado da secreção de diversos hor-
mônios, trazem uma intensidade de sensações psicológicas que podem se 
apresentar para a/o adolescente como positivas ou negativas. Os meninos, 
ao serem menores e com coordenação mais baixa, podem ser ridicularizados 
por seus pares. As meninas com maturação tardia podem ser comparadas às 
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meninas com maturação de início padrão médio, adquirindo status social por 
seus pares, algumas podendo ser preteridas para namoro (LANZA; COLLINS, 
2002).
De acordo com a teoria do psicólogo Lawrence Kohlberg, acerca do desenvol-
vimento moral, as pessoas atravessariam uma série de fases na evolução de 
seu senso de justiça, do modelo de raciocínio, que utilizam para fundamentar 
seus julgamentos morais: 
FIGURA 6: LAWRENCE KOHLBERG PROPÕE UMA SEQUÊNCIA DE TRÊS NÍVEIS DE 
RACIOCÍNIO MORAL, COM ORDEM FIXA (O PSICÓLOGO ARGUMENTA QUE POUCAS 
PESSOAS ATINGEM O NÍVEL 3 DE MORALIDADE)
Fonte: Kohlberg (1984 apud FELDMAN, 2015, p. 360-361).
#PraCegoVer: A figura representa uma amostra de raciocínio moral dos sujeitos, contra 
e a favor de roubar um medicamento. Nível 1: Moralidade pré-convencional. Neste nível, 
os interesses concretos do indivíduo são considerados em termos de recompensas e 
punições. A favor: “Se deixar sua esposa morrer, você terá problemas. Você será acusado 
por não ter gastado dinheiro para salvá-la e haverá uma investigação sobre você e o 
farmacêutico pela morte de sua esposa.” Contra: “Você não deve roubar o medicamento 
porque será preso se fizer isso. Se você escapar, sua consciência vai incomodá-lo pensando 
que a polícia poderá capturá-lo a qualquer minuto.” Nível 2: Moralidade convencional. 
Neste nível, as pessoas abordam os problemas morais como membros da sociedade. Elas 
estão interessadas em agradar aos outros, agindo como bons cidadãos. A favor: “Se deixar 
sua esposa morrer, você nunca conseguirá olhar alguém nos olhos novamente.” Contra: 
“Depois que roubar o medicamento, você se sentirá mal pensando em como trouxe 
desonra para sua família e si mesmo; você não vai conseguir encarar ninguém de novo.” 
Nível 3: Moralidade pós-convencional. Neste nível, as pessoas usam princípios morais que 
são vistos como mais amplos do que os de uma sociedade particular. A favor: “Se você não 
roubar o medicamento e deixar sua esposa morrer, você sempre se condenará por isso 
posteriormente. Você não será acusado e terá ficado à margem da lei, mas não terá agido 
de acordo com sua consciência e os padrões de honestidade.” Contra: “Se você roubar o 
medicamento, não será acusado pelas outras pessoas, mas se condenará porque não terá 
agido de acordo com sua consciência e os padrões de honestidade.”
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Na teoria de Erik Erikson, sobre o desenvolvimento psicossocial, destaca-se o 
estudo sobre a busca pela identidade que ocorre durante o período da ado-
lescência. O desenvolvimento psicossocial contempla “[…] a forma como o co-
nhecimento que as pessoas têm de si mesmas, umas das outras e do mun-
do à sua volta modifica-se durante o curso do desenvolvimento” (ERIKSON, 
1963). O quinto estágio dessa teoria abrangeria identidade versus confusão 
de identidade, em que as/os jovens tentam “[…] descobrir quem são, quais são 
seus pontos fortes e para que tipos de papéis elas são mais adequadas para 
desempenhar pelo resto de suas vidas – em resumo, sua identidade” (FELD-
MAN, 2015, p. 362). 
Portanto, à/ao profissional de saúde cabe auxiliar a/o adolescente a enfrentar 
as transformações físicas e psicossociais desse período, auxiliando-a/o a refle-
tir sobre perguntas como “quem sou eu?”, “como me encaixo no mundo?” 
e “do que se trata a vida?”. O uso das tecnologias – celular, internet e outras 
redes sociais –, assim como o tema do uso de drogas, do suicídio e da auto-
mutilação, aparecem frequentemente no contexto da adolescência em meio 
às reflexões sobre a vida despertadas nessa fase do desenvolvimento (FELD-
MAN, 2015).
Para entender mais sobre o uso de drogas na 
adolescência, um problema de saúde pública, leia 
o artigo “A internação compulsória como estratégia 
de governamentalização de adolescentes usuários 
de drogas”, no link https://www.scielo.br/j/epsic/a/
Z5WpCBxdjsdXQcgtdvbGWKL/?lang=pt
Trabalhar as relações familiares e as divergências entre a/o jovem e seus pais 
ou cuidadores auxilia na produção de saúde para a adolescência. Esse perío-
do expressa um “egocentrismo adolescente, um estado de autoabsorção no 
qual o adolescente encara o mundo a partir do próprio ponto de vista”, às ve-
zes dificultando que a/o jovem aceite críticas, reveja falhas ou se perceba para 
além do “centro da atenção de todos” (FELDMAN, 2015, p. 364).
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CONCLUSÃO
Parabéns!! Você chegou ao final da Unidade 1 da disciplina Psicologia Apli-
cada à Enfermagem. Esta unidade objetivou apresentar uma introdução aos 
conceitos básicos em psicologia do desenvolvimento humano e sua aplicabi-
lidade na atuação da enfermagem nas diferentes fases: gestação; primeira in-
fância e infância; puberdade e adolescência. Com isso, descreveu alguns dos 
aspectos psicológicos de fatores que afetam uma criança e a mãe durante a 
gravidez, abordando o tema da relação entre natureza-criação no psiquismo 
humano e as transformações do pós-parto que afetam as emoções. Na se-
gunda parte do conteúdo, introduziu especificidades sobre o desenvolvimen-
to infantil, puberdade e adolescência, apresentando os aspectos psicológicos 
que emergem nos primeiros anos de vida, as etapas do desenvolvimento psí-
quico infantil e os aspectos psicológicos da adolescência.
Nos encontramos na Unidade 2, bons estudos e até mais!
UNIDADE 2
OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
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> Compreendersobre a parada 
cardiorrespiratória.
> Conhecer o 
protocolo de 
reanimação 
cardiopulmonar
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2 PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO HUMANO: 
IDADE ADULTA, PERSONALIDADE 
E ENVELHECIMENTO
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Nesta unidade, vamos estudar sobre psicologia do desenvolvimento 
humano na idade adulta, a constituição da personalidade e o processo do 
envelhecimento. Esta área do saber psicológico considera a variedade de 
modificações que ocorrem após a idade adulta e culminam com a chegada 
do envelhecimento:
Os psicólogos geralmente concordam que a idade adulta começa em torno 
dos 20 anos e dura até cerca de 40 a 45 anos, quando inicia a idade adulta 
média e continua até cerca de 65 anos. Apesar da enorme importância 
desses períodos da vida em termos das realizações que ocorrem em todo 
esse tempo (juntos, eles duram 44 anos), eles foram menos estudados do 
que qualquer outro estágio. Por uma razão: as mudanças físicas que ocorrem 
durante esses períodos são menos aparentes e mais graduais do que as de 
outros momentos durante a vida. Além disso, as diversas mudanças sociais 
que surgem durante esse período desafiam a simples classificação. 
[...] Ao abordar o período da vida que inicia em torno dos 65 anos, 
os gerontologistas estão prestando importantes contribuições ao 
esclarecimento das capacidades dos adultos mais velhos. Seu trabalho está 
demonstrando que processos desenvolvimentais significativos continuam 
mesmo durante a velhice. E, à medida que aumenta a expectativa de vida, o 
número de pessoas que atinge a idade adulta avançada continuará a crescer 
substancialmente. (FELDMAN, 2015, p. 368; 373).
Nesse contexto, a unidade abordará aspectos teóricos sobre a 
idade adulta e a formação da personalidade, relacionando como o 
desenvolvimento f ísico e social, a família e o trabalho interferem no âmbito 
psicológico. Com isso, conceitos da psicologia como o de pensamento, 
inconsciente, aprendizagem e singularidade serão essenciais para 
compreender a constituição do sujeito adulto. Por f im, adentraremos 
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no tema do envelhecimento, entendendo a relação entre terceira idade, 
comportamento da pessoa idosa e saúde mental. Essa sessão incluirá o 
estudo sobre o enfrentamento da morte, tema presente nessa etapa 
da vida.
Para complementar seus conhecimentos, 
indicamos a leitura do artigo – Sentido de vida na 
fase adulta e velhice, disponível aqui.
2.1 IDADE ADULTA E PERSONALIDADE
A chegada na idade adulta reflete a maturação biopsicossocial do ser 
humano, sendo resultado das diversas experiências biológicas, psicológicas 
e sociais as quais cada corpo vivencia de uma forma singular, subjetiva e 
culturalmente. Dessa forma, a constituição da chamada ‘personalidade’ pode 
ser compreendida como reflexo de um conjunto de vivências, complexas e 
multidimensionais, que a pessoa percorre até atingir determinada idade do 
ciclo vital. Nesse sentido, aspectos físicos e sociais, aliados à criação familiar, aos 
aspectos laborais, dentre outros, influenciam a forma como o pensamento, o 
inconsciente e as aprendizagens específicas de cada ser humano irão compor 
a formação de sua personalidade singular.
2.1.1 DESENVOLVIMENTO FÍSICO E SOCIAL
• Quais as expressões psicológicas das transformações físicas e sociais na 
idade adulta?
Transcorridas as transformações da adolescência, chega a idade adulta. 
Considerada uma época mais tranquila da vida, pode-se verificar mudanças 
relacionadas às relações pessoais, com ênfase em vínculos que envolvam 
https://www.scielo.br/j/prc/a/5v6q9vZPD8mtDjLf8WqTPMF/?lang=pt
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amor, trabalho, sexualidade e amizade (ABUD; ZIMMERMANN, 2012a). 
No que se refere ao desenvolvimento social, em geral, o início da vida adulta 
envolve adquirir responsabilidades, fazer escolhas sobre a vida e o futuro, 
assim como pensar sobre quem somos? e quem queremos ser? nos diferentes 
âmbitos da vida – social, afetivo, profissional, educacional, físico, pessoal, 
íntimo, dentre outros (FELDMAN, 2015).
FIGURA 1 – IDADE ADULTA COMO UM PERÍODO PARA PENSARMOS SOBRE DEFINIÇÕES 
COMO QUEM SOMOS E QUEM QUEREMOS SER NOS DIFERENTES ÂMBITOS DA VIDA
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de um grupo de adultos sentados em cadeiras, diante 
de uma apresentação.
Para a maioria das pessoas, a idade adulta inicial produz a sensação 
psicológica de auge da saúde física – reflexos mais rápidos, baixas chances 
de morte, capacidade sexual e reprodutiva em nível alto, com pouca 
suscetibilidade a doenças – produz autopercepções de resistência e grande 
energia (FELDMAN, 2015). 
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FIGURA 2 – ADULTOS
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de diversos adultos sentados em roda e conversando.
Os processos de escolha tornam-se mais refinados, fazendo com que 
as filosofias de vida e as afinidades de valores interfiram nessas ações 
(ABUD; ZIMMERMANN, 2012a). De acordo com Erikson (1998 apud ABUD; 
ZIMMERMANN, 2012a, p. 267): “desenvolver relacionamentos íntimos é a 
principal tarefa do conflito intimidade versus isolamento dessa fase”. Assim, 
cabe ao profissional de saúde acolher e auxiliar o adulto a refletir sobre suas 
escolhas, que impactam sua constituição psíquica, amparando-o para investir 
em seu cuidado físico e social, considerando suas redes de apoio, filosofias de 
vida, valores e prioridades atuais.
2.1.2 FAMÍLIA E TRABALHO
• Como a família e o trabalho impactam os aspectos psicológicos?
As formas possíveis de vínculos familiares modificaram-se e multiplicaram-se 
nas últimas décadas (FELDMAN, 2015). 
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Como leitura complementar, indicamos a leitura do 
artigo Constituição brasileira: a noção de família e 
planejamento familiar como estratégia de governo, 
disponível aqui.
O aumento de domicílios formados por casais não casados, o aumento 
da idade média em que ocorre o casamento e o aumento das taxas de 
divórcio impactam a forma como se constitui o psicológico da população 
adulta atual (FELDMAN, 2015). O antigo fluxo da vida adulta – casar, ter 
filhos, formar família e ver os pais envelhecendo, por vezes adoecendo 
e morrendo – envolve agora uma maior liberdade de escolhas (ABUD, 
ZIMMERMANN, 2012a). Entretanto, os vínculos familiares e outros vínculos 
de intimidade continuam sendo fundamentais na constituição da pessoa 
adulta. “A intimidade é, segundo Papalia, Olds e Feldman (2006 apud ABUD, 
ZIMMERMANN, 2012a, p. 561), uma “proximidade afetuosa e comunicativa”, 
que pode incluir ou não contato sexual”.
FIGURA 3 – FAMÍLIA ENTENDIDA COMO UM AMBIENTE COM PESSOAS OU OUTROS 
SERES VIVOS QUE PRODUZAM A SENSAÇÃO DE PROXIMIDADE: MÚTUO AFETO, 
COMUNICAÇÃO, ACEITAÇÃO E RESPEITO.
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: ilustração de pessoas próximas em volta do globo terrestre.
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Produzir relações de intimidade envolve compartilhar informações 
importantes sobre si a outra pessoa, havendo “responsividade às necessidades 
umas das outras e da mútua aceitação e do respeito”, aceitando, partilhando 
e valorizando a si e a(s) pessoa(s) com quem se compartilha a intimidade. 
Os vínculos íntimos e familiares envolvem o senso de filiação, que seria a 
“necessidade de pertencer a alguém – de formar relacionamentos fortes,estáveis, próximos e carinhosos” (ABUD; ZIMMERMANN, 2012a, p. 267).
Vínculos íntimos e familiares: 
antes de qualquer proposição de trabalho com família, necessário será 
entender o que é família em sua complexidade, suspendendo juízos 
de valor, conceitos fechados, lineares e prontos, os quais produzem 
uma concepção reducionista de família.
O que é família? Família é aqui compreendida “como um sistema 
aberto e interconectado [...] constituído por um grupo de pessoas 
que compartilham uma relação de cuidado (proteção, alimentação, 
socialização), estabelecem vínculos afetivos, de convivência, de 
parentesco consanguíneo ou não, condicionados pelos valores 
socioeconômicos e culturais predominantes em um dado contexto 
geográfico, histórico e cultural” (BRASIL, 2013, p. 63).
O local de trabalho, como um contexto que pode ter impacto nos aspectos 
psicológicos da pessoa, pode ser um ambiente de produção de vínculos de 
filiação, mas também de adoecimento psicológico. A idade adulta “costuma 
ser marcada pela saída do lar da infância e pelo ingresso no mundo do 
trabalho” (FELDMAN, 2015, p. 370) e os ambientes de trabalho podem são 
repletos de emoções fortes, positivas e negativas, incluindo violações de 
direitos e desestabilizações por eventos da vida. 
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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM
“Desestabilizações por eventos da vida: 
além de fatores estruturais como gênero, cor da pele, renda, 
escolaridade e trabalho, fatores conjunturais também aumentam o 
risco de sofrimento mental. É muito frequente que as pessoas relatem 
que algum acontecimento marcante em suas vidas tenha precedido o 
aparecimento do sofrimento. 
Sentimentos de humilhação: 
acontecimentos marcantes podem desencadear sentimentos de 
humilhação ou de sentir-se sem saída que, normalmente associada 
à perda de um vínculo importante (uma separação conjugal, por 
exemplo), um ato de delinquência vindo de alguém próximo (ter 
um filho preso) ou ainda a situações que são vividas, como uma 
diminuição da pessoa diante da sua comunidade (sofrer violência 
doméstica, ter um filho que usa drogas ou largou os estudos etc.). 
Sentir-se sem saída: 
já a sensação de sentir-se sem saída foi relacionada a eventos que de 
alguma forma confirmam a impossibilidade de mudar uma situação 
vivida como punitiva.”. (BRASIL, 2013, p. 92).
Desse modo, na intervenção profissional, torna-se possível o enfermeiro 
auxiliar seu cliente, grupo de trabalho e suas inter-relações a avaliarem 
como se estabelecem os vínculos de filiação nos espaços que habitam, 
já que as pessoas “tendem a ser mais saudáveis, física e mentalmente, e a 
viver mais tempo se tiverem relacionamentos íntimos satisfatórios” (ABUD; 
ZIMMERMANN, 2012a, p. 268).
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2.1.3 PENSAMENTO, INCONSCIENTE, 
APRENDIZAGEM E SINGULARIDADE
• De que forma utilizar o conceito de pensamento, inconsciente, aprendizagem 
e singularidade na compreensão da personalidade?
Personalidade é o padrão de características constantes que produzem 
consistência e individualidade em determinada pessoa. Abrange os 
comportamentos que nos tornam únicos e que nos diferenciam dos outros. 
Também nos leva a agir consistentemente em diferentes situações e por 
longos períodos de tempo. (FELDMAN, 2015, p. 384).
Existem várias abordagens teóricas dentro da psicologia sobre o conceito 
de personalidade, algumas até não utilizam esse termo para pensar 
os processos de saúde e constituição psicológica. Cada teoria enfatiza 
descrever aspectos diferentes (FELDMAN, 2015). 
QUADRO 1 – ENTREVISTA, GENOGRAMA E ECOMAPA SÃO ALGUMAS DAS 
FERRAMENTAS TÉCNICAS QUE AUXILIAM PARA AVALIAR O CONTEXTO 
PSICOLÓGICO DA VIDA DE PESSOAS, GRUPOS OU INTER-RELAÇÕES 
I: ENTREVISTA FAMILIAR
Objetiva realizar a caracterização do sistema familiar (estrutura, desenvolvimento e 
funcionamento familiar, condições materiais de vida, estado de saúde dos integrantes, 
rede social da família etc.). 
II: GENOGRAMA
O genograma familiar é uma representação gráfica da família. Identifica suas relações e 
ligações dentro de um sistema multigeracional (no mínimo três gerações). Instrumento 
amplamente utilizado na terapia familiar, na formação de terapeutas familiares, na 
Atenção Básica à Saúde e, mais recentemente, em pesquisas sobre família (CARTER; 
MCGOLDRICK, 1995; MINUCHIN, 1999).
III. ECOMAPA
O Ecomapa, tal como o genograma, integra o conjunto dos instrumentos de avaliação 
familiar. Entretanto, enquanto o genograma identifica as relações e ligações dentro 
do sistema multigeracional da família, o ecomapa identifica as relações e ligações 
da família com o meio onde ela vive. Foi desenvolvido em 1975 por Ann Hartman. É 
uma representação gráfica do sistema ecológico da família que mapeia os padrões 
organizacionais da família e a natureza das suas relações com o meio, mostrando o 
equilíbrio entre as necessidades e os recursos da família.
[...]
 
Fonte: Brasil (2013, p.67-68).
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Mesmo nesse contexto teórico diverso, os aspectos que cada uma das 
abordagens descreve são importantes para compreendermos a constituição 
da personalidade da pessoa adulta, já que muitos dos padrões de características 
que possuímos, reações que são constantes em nós, estão relacionadas com 
nossa criação, história de vida e influenciam nossa consciência sobre nós e o 
mundo – ações, escolhas e individualidades.
No que se refere à construção do pensamento adulto, Piaget e Szeminska (1971 
apud ABUD; ZIMMERMANN, 2012a) afirmam que na idade adulta a pessoa 
atingiria o estágio de pensamento pós-formal: pensamento rico e complexo, 
em que a pessoa consegue fazer manipulações abstratas, ser:
[...] flexível, aberto, adaptativo [...] faz uso da intuição 
e emoção, bem como da lógica; aplica os frutos da 
experiência a situações ambíguas; e caracteriza-
se pela capacidade de lidar com a incerteza, 
com a inconsistência, com a contradição, com a 
imperfeição e com os paradoxos da vida. (PIAGET; 
SZEMINSKA, 1971 apud ABUD; ZIMMERMANN, 
2012a, p. 268).
Em relação ao conceito de inconsciente, as abordagens psicodinâmicas 
que teorizam sobre a formação da personalidade se baseiam no raciocínio 
“de que a personalidade é motivada por forças e conflitos internos sobre os 
quais as pessoas têm pouca consciência e não possuem controle” (FELDMAN, 
2015, p. 385). Baseado em autores como Sigmund Freud, Carl Jung, Karen 
Horney, Alfred Adler, há uma compreensão que “desde o nascimento, 
diversas sensações vividas deixam suas marcas no corpo” constituindo nossa 
personalidade (ABUD, 2012, p. 145). 
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FIGURA 4 – DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE DESDE CEDO
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de três crianças brincando com objetos pedagógicos.
Nessa abordagem, pode-se utilizar o conceito de mecanismos de defesa que, 
conforme a teoria freudiana, são “estratégias inconscientes que as pessoas 
usam para reduzir a ansiedade, distorcendo a realidade e ocultando a fonte 
de ansiedade de si mesmas” (FELDMAN, 2015, p. 389), para compreender o 
funcionamento psicodinâmico do cliente, grupo ou inter-relações. “Negação, 
recalque, projeção, racionalização, formação reativa, deslocamento, 
sublimação, repressão e regressão” podem ser algumas das ferramentas 
técnicas para a compreensão do funcionamento psíquico em análise 
(FELDMAN, 2015, p. 389).
Segundo Feldman (2015, p. 384), na abordagem da personalidade a partir 
do conceito de aprendizagem, encontram-se teorias que interpretam a 
personalidade “como um conjunto de comportamentos aprendidos”.
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[...] as abordagens da aprendizagem da 
personalidade enfatizam o ambiente externo e 
como isso determina a personalidade. Para um 
teórico da aprendizagem rígido, a personalidade 
é simplesmente a soma das respostas aprendidas 
ao ambiente externo. Eventos internos como 
pensamentos, sentimentos e motivações são 
ignorados. Embora a existência da personalidade 
não seja negada, os teóricos da aprendizagem 
dizem que ela é mais bem-entendida pelo exame 
das características do ambiente de uma pessoa. 
(FELDMAN, 2015, p. 399).
O teórico influente na abordagem da aprendizagem é B. F. Skinner, que define 
que “personalidade é uma coleção de padrões comportamentais aprendidos” 
(SKINNER, 1975 apud FELDMAN, 2015, p. 399). Desse modo, as pessoas teriam 
comportamentos baseados nos reforços que receberam para que esses 
comportamentos se repetissem, assim como redução de comportamentos 
que não foram reforçados para persistirem (FELDMAN, 2015). Há, também, 
a abordagem da aprendizagem que não assume uma visão tão rígida e 
enfatiza a influência da cognição – pensamentos, sentimentos, expectativas e 
valores, na formação da personalidade. Inclui-se nela a ideia de aprendizagem 
observacional, por meio da qual se entende que vendo as ações das outras 
pessoas e observando suas consequências, poderíamos aprender novos 
comportamentos (BANDURA, 1986; 1999 apud FELDMAN, 2015).
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FIGURA 5 – AUTOESTIMA E AUTOEFICÁCIA SÃO CRENÇAS SOBRE NÓS MESMOS/AS QUE 
ESTARIAM RELACIONADAS À EXECUÇÃO DE TAREFAS NO DIA A DIA, INFLUENCIANDO 
EXPECTATIVAS DE ERRO OU ACERTO
 
 
 
Baixa 
autoestima 
Baixa 
Expectativa 
De empenho Alta 
ansiedade 
Esforço 
Reduzido 
Fracasso 
Real 
Fonte: Feldman (2015, p. 401).
#PraCegoVer: a ilustração demonstra didaticamente o fluxo que envolve a produção de 
crenças de baixa autoestima e baixa autoeficácia. Na primeira etapa, tem-se o exemplo 
da baixa autoestima, que com a seta segue para a segunda etapa da baixa expectativa de 
desempenho que, se afetada por um esforço reduzido e alta ansiedade apresentada na 
terceira etapa, pode resultar na quarta etapa, que seria a sensação de um fracasso real.
Por fim, temos o conceito de singularidade, que auxilia a pensar sobre a 
personalidade da pessoa adulta, sem reduzir sua complexa existência em 
características essencialistas ou pré-determinadas:
A singularidade é a expressão de cada um no mundo em que vive, mesmo 
que esteja em relação com um grupo. E cada um pode assumir diferentes 
formas de expressão, depende sempre do momento em que está vivendo, 
o lugar, as relações que estabelece, enfim, podemos dizer que o mesmo 
Ser pode se expressar como uma multiplicidade, por exemplo: Crisântemo, 
a habitante chefe da “casa dos 20” se expressa como mulher, mãe, avó, 
agente do tráfico de drogas, usuária de drogas e provedora da casa. O 
que observamos é que não há uma identidade a ser atribuída a ela capaz 
de dizer o que ela é. Dizer que é traficante não expressa que também é 
mãe, avó e provedora da casa; assim como dizer que é mulher não dá 
expressão às outras singularidades existentes. Então, a singularidade tenta 
dar expressão às muitas Crisântemos que há. Reconhecer que cada um se 
expressa singularmente, como uma multiplicidade, é fundamental para 
pensar os projetos terapêuticos, que também devem ser singulares. Estas 
formas de expressão mudam com o tempo, em processos de permanente 
subjetivação aos quais todos nós estamos sujeitos. (BRASIL, 2013, p.48-49).
 
A compreensão de singularidade aqui destacada fundamenta-se nas 
abordagens humanistas (FELDMAN, 2015). Nelas, enfatiza-se aquilo que há 
de positivo no ser humano, a inerente bondade encontrada nas pessoas, 
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sua “[..] tendência a avançar para níveis mais elevados de funcionamento.” 
(FELDMAN, 2015, p. 405), a capacidade consciente e automotivada das pessoas 
em querer melhorar, transformar-se e mudar, “[...] junto a impulsos criativos 
únicos das pessoas.” (FELDMAN, 2015, p. 405), atingindo níveis superiores de 
funcionamento, enquanto fundamento da personalidade. Nessa abordagem, 
o profissional pode trabalhar com seu cliente, grupo ou inter-relações, 
utilizando-se do conceito de autoatualização e aceitação positiva incondicional 
como estratégia de intervenção e compreensão da personalidade em questão 
(FELDMAN, 2015).
Autoatualização 
estado de autorrealização em que as pessoas percebem seu mais alto 
potencial, cada uma de maneira única.
Aceitação positiva incondicional 
a atitude de aceitação e respeito por parte de um observador, 
independentemente do que uma pessoa diga ou faça (ROGERS, 1971 
apud FELDMAN, 2015, p. 405).
Cabe destacar a importância que a noção de experiência adquire na 
abordagem humanista em psicologia, ao considerar que são nossas vivências 
que constituem nossas percepções e conjunto de crenças: o que somos e o 
que podemos ser, no nosso mais alto potencial.
 
Para complementar seus estudos, sugerimos 
a leitura do artigo Formação em psicologia: o 
princípio da integralidade e a teoria da autopoiese, 
disponível aqui.
https://pssaucdb.emnuvens.com.br/pssa/article/view/320/363
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2.2 ENVELHECIMENTO
Por muitos anos, a compreensão sobre a época do envelhecimento estava 
imersa em uma série de estereótipo sociais sobre a “velhice” como “uma época 
de inatividade e declínio físico e mental” (FELDMAN, 2015, p. 373). Atualmente, 
psicólogos que estudam o envelhecimento ressituam a descrição do quadro 
da idade adulta avançada e da terceira idade:
[...] a maior longevidade requer da sociedade 
uma nova ordem social, interferindo inclusive, 
no comportamento econômico das pessoas 
que, preocupadas com o futuro, planejam desde 
muito cedo sua aposentadoria, fazendo, por 
exemplo, planos de previdência ou adiantando 
a data da aposentadoria. Como consequência, a 
representação social estereotipada do velhinho 
cansado, isolado e improdutivo cai por terra. 
Entretanto, é preciso ter cuidado para não negar os 
limites da idade e exigir do idoso a produtividade e 
a disposição de um jovem. (FELDMAN, 2015, p. 328).
Diante disto, cabe ao profissional de saúde entender as perdas que são 
comuns nessa faixa etária, de modo que sua conduta reflita tal compreensão.
2.2.1 TERCEIRA IDADE 
• Como o envelhecimento impacta a cognição da pessoa idosa?
No que se refere à cognição da pessoa idosa, que impacta suas formas 
de expressão psíquica, estudos indicam mudanças no processamento 
intelectual da idade adulta avançada: 1) inteligência fluida – “habilidades de 
processamento da informação, tais como memória, cálculos e solução de 
analogias” mostram declínio na idade adulta; e 2) inteligência cristalizada 
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- competências relacionadas ao “acúmulo de informação, habilidades e 
estratégias aprendidas pela experiência” conservam-se constantes e, em 
alguns casos, inclusive, melhoram (FELDMAN, 2015, p. 374).
FIGURA 6 – FORMAS DE APRIMORAR A COMUNICAÇÃO COM A PESSOA IDOSA
Use frases curtas e objetivas
Chame-o pelo próprio nome ou da forma como ele preferir.
Evite infantilizá-lo utilizando termos inaproporiados, como “vovô”, “querido”, ou ainda, 
utilizando termos diminutivos desnecessários (“bonitinho”, “lindinho” etc.).
Pergunte se entendeu bem a explicação, se houve alguma dúvida.
Repita a informação, quando essa for erroneamente interpretada, utilizando palavrasdiferentes e, de prefência, uma linguagem mais apropriada a sua compreensão.
Fale de frente, sem cobrir sua boca e, não se vire ou afaste enquanto fala.
Aguarde a resposta da primeira pergunta antes de elaborar a segunda, pois a pessoa 
idosa pode necessitar de um tempo maior para responder.
Não interrompa a pessoa idosa no meio de sua fala, demonstrando pressa ou 
impaciência. É necessário permitir que ela conclua o seu próprio pensamento.
 
Fonte: Brasil (2006, p. 16).
Desse modo, sugere-se que o profissional de enfermagem possa acolher a 
pessoa idosa, considerando seu contexto de vida e as habilidades cognitivas 
desenvolvidas ao longo dela. Intervenções que estimulem os interesses e 
atividades que se tinha durante o período de adulto jovem podem auxiliar 
na promoção de saúde mental, contribuindo para um envelhecimento mais 
bem-sucedido e singular (FELDMAN, 2015). No processo de construção de 
projetos terapêuticos com o cliente, grupo ou inter-relações, a comunicação 
efetiva torna-se uma maneira eficaz de produzir intervenções mais eficientes, 
que considerem as experiências vivenciadas pela pessoa idosa, anteriormente, 
em sua vida.
2.2.2 COMPORTAMENTO E SAÚDE MENTAL
• Quais adoecimentos psicológicos são frequentes na terceira idade?
Doenças físicas, neurológicas, alterações na sexualidade, morte de cônjuge, 
saída dos filhos de casa, situações de violência, ansiedade, depressão, excesso 
de medicamentos, uso de álcool ou outras drogas, conflitos familiares, 
dentre outros fatores, podem afetar os aspectos psicológicos da pessoa 
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idosa, produzindo declínios no seu funcionamento cognitivo, dificuldades de 
socialização ou isolamento (FELDMAN, 2015). 
Para complementar seus estudos, sugerimos a 
leitura do artigo Velhice e Identidade: Significações 
de Mulheres Idosas, disponível aqui.
O sentimento de solidão, pode ser um aspecto emocional relatado, 
entretanto, um dos desafios significativos nessa etapa da vida se refere 
às alterações de papéis da pessoa adulta, que passou a vida trabalhando, 
aposentou-se e agora enfrenta um intenso sentimento emocional de 
vazio, reflexo da alteração do seu cotidiano (FELDMAN, 2015). De acordo 
com teorias do envelhecimento:
Teoria do envelhecimento do descomprometimento: teoria que defende 
que o envelhecimento produz um retraimento gradual do mundo nos níveis 
físico, psicológico e social.
Teoria do envelhecimento da atividade: teoria que argumenta que os 
idosos que são mais bem-sucedidos enquanto envelhecem são aqueles que 
mantêm os interesses e as atividades que tinham durante a meia-idade. 
(FELDMAN, 2015, p. 377).
Conforme ocorrem as mudanças da vida adulta avançada para a terceira 
idade, ocorre um processo de “[...] revisão da vida [...] pelo qual as pessoas 
examinam e avaliam a sua vida” (FELDMAN, 2015, p. 377), em que a pessoa 
idosa necessita relembrar, reconsiderar ou ressignificar o que ocorreu no 
passado, como forma de melhor compreender a si mesma e seu entorno. 
Nesse processo, a atuação dos profissionais de enfermagem, no manejo de 
aspectos psicológicos, pode auxiliar a produção de saúde da pessoa idosa, 
ajudando-a a resolver problemas ou conflitos persistentes, assim como no 
enfrentamento de violências ou negligências. Enfrentar o envelhecimento 
com sabedoria e serenidade, requer considerar a velhice como “uma época 
de crescimento e desenvolvimento continuados tão importante quanto 
qualquer outro período da vida” (FELDMAN, 2015, p. 377). 
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Sugerimos a leitura do livro Psicologia médica: 
abordagem integral do processo saúde-doença, 
de Marco et al. (2012), para aprofundar seus 
conhecimentos. A obra está disponível neste link.
Nesse sentido, intervenções que estimulem as relações sociais e a 
manutenção de habilidades cognitivas podem fomentar uma excitação 
intelectual que preserve os aspectos psicológicos saudáveis da pessoa idosa.
2.2.3 ENFRENTANDO A MORTE
• Quais aspectos psicológicos emergem no enfrentamento à morte?
O envelhecimento é uma etapa da vida na idade adulta avançada que não 
está “apenas marcando o tempo até a morte” (FELDMAN, 2015, p. 377). A 
idade adulta avançada, ou terceira idade, é também uma época de realizar 
sonhos, concretizar conquistas não alcançadas anteriormente, desenvolver 
novas habilidades, vínculos sociais e interpessoais, assim como uma época 
para amar, cuidar de si e dos outros, ter prazeres e alegrias, tão importantes 
quanto nos outros períodos da vida. Contudo, o avanço da idade e os 
processos naturais da vida fazem com que a pessoa idosa tenha que se 
adaptar à morte, seja da sua própria, de amigos, entes queridos, conjugues 
e até mesmo de estranhos de idade semelhante (FELDMAN, 2015).
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556
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FIGURA 7 – COMO A MORTE APARECE NO COTIDIANO DA PESSOA IDOSA
Fonte: Feldman (2015, p. 378).
#PraCegoVer: ilustração de um idoso sentado, tomando café e lendo um jornal. 
Dependendo do quão a pessoa está preparada para este tema, embora seja 
algo inevitável na vida, a morte pode ser “um tema assustador e carregado 
de emoção”, estressante psicologicamente, quando nem sempre teremos 
recursos emocionais para enfrentá-lo com equilíbrio e resistência (FELDMAN, 
2015, p. 377). 
De acordo com Elisabeth Küber-Ross, aqueles que se defrontam com a morte 
iminente tendem a passar por cinco estágios de elaboração emocional:
1) Negação - nesse estágio, as pessoas resistem à ideia de que estão 
morrendo; mesmo que lhes digam que suas chances de sobrevivência são 
pequenas, elas se recusam a admitir que estão defrontando-se com a morte.
2) Raiva - depois de passar pelo estágio da negação, as pessoas que estão 
morrendo ficam com raiva – raiva das pessoas à sua volta que estão com 
boa saúde, raiva dos profissionais médicos por serem ineficientes, raiva de 
Deus.
3) Negociação - a raiva leva à negociação, ou seja, as pessoas que estão 
morrendo tentam pensar em formas de adiar a morte. Elas podem decidir 
dedicar sua vida à religião se Deus as salvar e, por exemplo, dizer: “Se pelo 
menos eu conseguir viver para ver meu filho casado, então aceitarei a 
morte”.
4) Depressão - quando as pessoas que estão morrendo percebem que a 
negociação de nada serve, elas passam para o estágio seguinte: a depressão. 
Elas percebem que sua vida realmente está chegando ao fim, o que leva ao 
que Kübler-Ross chama de “luto preparatório” pela própria morte.
5) Aceitação - nesse estágio, as pessoas aceitam a morte iminente. Em 
geral, estão sem emoção e incomunicáveis; é como se tivessem feito as 
pazes consigo e estão esperando a morte sem amargura (KÜBER-ROSS, 
1969 apud FELDMAN, 2015, p. 378).
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Cabe destacar que essa proposição teórica não reduz a diversidade de 
possibilidades que cada pessoa, em sua singularidade, pode vivenciar ao 
enfrentar a morte. De fato, “Os estágios de Kübler-Ross referem-se apenas 
àquelas pessoas que estão totalmente conscientes de que estão morrendo e 
têm tempo para avaliar a morte iminente.” (FELDMAN, 2015, p. 378). O sexo da 
pessoa, o gênero, a idade, a personalidade, o tipo de apoio recebido da família 
e dos amigos, a capacidade econômica e social tem impacto no modo como 
a pessoa responde à morte (FELDMAN, 2015). 
Para aprofundar seus conhecimentos, sugerimos a 
leitura da obra de Abud e Zimmermann (2012b), “A 
terceira idade: ponto final?”. Disponível aqui.
Nesse contexto, sugere-se que o profissional de enfermagem fique atento 
àsexpressões emocionais da pessoa idosa no enfrentamento à morte. 
Mudanças bruscas e significativas no comportamento, expressões, rotina do 
sono, alimentação, higiene, comunicação, dentre outras mudanças intensas 
que persistirem, devem ser sinais de alerta para aspectos psicológicos que 
podem estar desestabilizados e necessitam de apoio ou cuidado profissional
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556
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CONCLUSÃO
Você chegou ao final desta unidade que objetivou apresentar aspectos 
teóricos em psicologia do desenvolvimento humano e sua aplicabilidade na 
atuação da enfermagem com a população de idade adulta, na compreensão e 
manejo da personalidade humana e aspectos sobre os processos psicológicos 
no envelhecimento. 
Para tanto, foram descritas algumas das expressões psicológicas relacionadas 
às transformações físicas e sociais na idade adulta, como a família e o 
trabalho impactam aspectos emocionais, assim como introduziu o conceito 
de pensamento, inconsciente, aprendizagem e singularidade para a 
compreensão das personalidades humanas. Por fim, foram abordadas as 
características do envelhecimento no comportamento humano em saúde 
mental, cognição da pessoa idosa, adoecimentos psicológicos frequentes na 
terceira idade e a expressão psíquica no enfrentamento à morte.
OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
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UNIDADE 3
> Considerar o 
processo do adoecer, 
reações e crises, na 
promoção da saúde e 
do bem-estar.
> Empregar 
termos usuais 
na compreensão 
dos transtornos 
psicológicos, 
tratamentos e 
intervenções em 
saúde mental.
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3. PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO HUMANO: 
DOENÇA E BEM-ESTAR; 
TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, 
TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Nesta unidade, vamos estudar sobre a psicologia do desenvolvimento humano 
na compreensão da doença e do bem-estar, incluindo a introdução sobre o 
tema dos transtornos psicológicos, tratamentos e intervenções em saúde 
mental. Essa área do conhecimento da psicologia estuda a expressão dos 
aspectos psicológicos em problemas de saúde, que afetam nossa disposição 
diária, felicidade e bem-estar:
[...] quando algo não está funcionando bem em nosso corpo, queremos 
um diagnóstico do problema e depois um conserto (rápido, esperamos). 
No entanto, tal abordagem ignora o fato de que – ao contrário do conserto 
de um carro – um bom cuidado à saúde requer que fatores psicológicos 
sejam levados em conta. Os psicólogos da saúde procuraram determinar 
os fatores envolvidos na promoção da boa saúde e, mais amplamente, uma 
sensação de bem-estar e felicidade. (FELDMAN, 2015, p. 431).
Por esse raciocínio, a unidade abordará o tema do adoecer como processo, 
reações e crises, compreendendo sua relação com a saúde e o bem-estar. 
Por fim, entrará no tema dos transtornos psicológicos e alguns dos termos 
comumente usados nesta área temática – ansiedade, sintomas somáticos, 
sintomas do humor e esquizofrenia; pensará sobre o contexto social e 
cultural dos transtornos psicológicos; e introduzirá alguns dos tratamentos e 
intervenções em saúde mental.
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Sugerimos a leitura dos Cadernos de Atenção 
Básica, do Ministério de Saúde.
3.1 DOENÇA E BEM-ESTAR
A proposta biopsicossocial de compreensão da doença e do bem-estar tem 
como objetivo superar o modelo biomédico de entendimento da doença, 
que a reduzia a sinais e sintomas físicos, enfatizando a ideia de uma causa 
biológica que, se descoberta, teria um tratamento (ECKER; PALOMBINI, 2021).
3.1.1 O ADOECER COMO PROCESSO
• Qual seria a proposta biopsicossocial de compreensão da doença?
Compreender o adoecer como um processo envolve situar o adoecimento 
psíquico em um “horizonte de eventos [...] envolvendo as dimensões biológica, 
psicológica e social em interação dinâmica” (DE MARCO; DEGIOVANI, 2012, p. 
313). Essa abordagem enfatiza um modelo biopsicossocial de compreensão 
da saúde, entendendo que o corpo humano ultrapassa o aspecto biológico, 
sinais e sintomas físicos (DE MARCO; DEGIOVANI, 2012).
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FIGURA 1 – NA PERSPECTIVA DO ADOECER COMO UM PROCESSO, O ADOECIMENTO 
QUE SE INSTALA NO SUJEITO HUMANO SE DESENVOLVE A PARTIR DA CONFLUÊNCIA 
DE UMA SÉRIE DE FATORES.
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de uma pessoa encaixando uma peça numa cabeça gigante.
 Na abordagem biopsicossocial a produção de saúde envolve pequenos 
exercícios e cuidados diários (na saúde biológica – alimentação, sono, exercícios 
físicos, higiene; na saúde social – relações interpessoais e íntimas, projetos 
de vida, escolhas de futuro, redução de vulnerabilidades sociais; na saúde 
psicológica – aumento do autoconhecimento, redução de conflitos, estresse, 
violências etc.), que funcionam em uma dinâmica complexa, repercutindo na 
pessoa e no seu entorno e podendo acarretar sofrimentos ou adoecimentos 
(DE MARCO; DEGIOVANI, 2012).
O que chamamos de sofrimento mental comum? Quem trabalha ou estuda 
o sofrimento mental [...] sabe que tristeza, desânimo, perda do prazer de 
viver, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade e medo (às 
vezes na forma de crises) são queixas comuns dos usuários. Com frequência, 
quem se queixa de uma delas, também se queixa de muitas das outras. Ou 
seja, são queixas que costumam estar associadas. Por outro lado, muitos 
desses mesmos usuários que relatam os fenômenos acima, também 
apresentam queixas como mudança no sono e apetite (por vezes para 
mais, por vezes para menos), dores (frequentemente crônicas e difusas), 
cansaço, palpitações, tontura ou mesmo alterações gástricas e intestinais. 
(GOLDBERG, 2005 apud BRASIL, 2013, p.90-91)
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Sugerimos a leitura da tese de doutorado – 
O exercício de Direitos Sociais nos processos 
subjetivos e terapêuticos, de Ecker (2020), 
disponível aqui. 
3.1.2 REAÇÕES E CRISES
• Como descrever as reações de sofrimento e crise em saúde mental?
No momento em que se instala um comprometimento emocional na vida do 
paciente ou da família, é possível levantar diversas perguntas que analisam os 
eventos e o contexto da reação ou crise: a pessoa consegue descrever o motivo 
de seu adoecimento? Esse adoecimento ocorreu por alguma mudança, crise 
ou reação específica na sua vida? A pessoa adoecida tem rede de apoio que 
possa auxiliar no seu cuidado? A pessoa que adoeceu denuncia algo sobre o 
adoecimento de seu contexto familiar ou social? Existe equilíbrio na sua rede 
de apoio? Quais sinais de esgotamento, crises que se repetem, repercussões no 
bem-estar, trabalho, estudos ou outras esferas da vida que seu adoecimento vai 
impactar? Há necessidade de manejo dessas consequências para minimizar 
impactos negativos? (DE MARCO; DEGIOVANI, 2012).
O que é crise afinal? A palavra crise vem do grego krísis, que significava, 
na sua origem, momento de decisão, de mudança súbita; separar, decidir, 
julgar. Na história da Medicina, segundo antigas concepções, constituía um 
momento decisivo para evolução de uma doença para cura ou para morte. 
Para os chineses significa, ao mesmo tempo, risco e oportunidade. No caso 
das crises psíquicas, o desarranjo, o desespero, as vozes, visões ou a eclosão 
psicótica expressam também uma tentativa de curaou de resolução de 
problemas e sofrimentos cruciais na vida da pessoa, de um núcleo familiar 
e comunitário. Em saúde mental, os sintomas não necessariamente devem 
ser suprimidos, muitas vezes eles devem ser acolhidos e suportados – 
considerando aqui ofertas de suporte adequadas. As crises psíquicas são 
suportadas, muitas vezes, por igrejas, terreiros e outras formas culturais. 
Somente parte delas é tratada pela psiquiatria. Muitos atores podem ser 
acolhedores de pessoas em crise: médicos de família, agentes de saúde, 
enfermeiros, vizinhos ou outros. É preciso ampliar conceitos e superar 
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/213918/001118500.pdf?sequence=1
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o olhar apenas episódico, garantindo um cuidado continuado. A crise faz 
parte do cotidiano dos sujeitos que estão constantemente lidando com 
momentos que geram desorganização em sua vida (BRASIL, 2013, p. 100).
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2013, p. 32), “sofrimento não é o 
mesmo que dor, embora a dor possa levar a um sofrimento, mas não é qualquer 
dor que nos faz sofrer”. Seguindo essa afirmação é possível considerar que “da 
mesma forma, o sofrimento não equivale a uma perda, embora as perdas 
possam, ocasionalmente, nos fazer sofrer (BRASIL, 2013, p. 32). Lucchese (2012, 
p. 337) afirma que a forma mais clássica (e talvez mais antiga) de pensar o 
conceito de saúde é a partir da ideia de equilíbrio: “equilíbrio entre a pessoa e 
seu meio”.
FIGURA 2 – ATENÇÃO AOS SINAIS DO CORPO.
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de duas pessoas caminhando na direção de uma grande rachadura 
no chão, sendo que na reta de uma há um caminho que sobrepõe o vão do solo e da 
outra não. 
Estar atento aos sinais que o corpo expressa sobre desconfortos, 
insatisfações, mal-estares, dores ou infelicidades pode ser uma estratégia 
de não silenciar as reações psicológicas. Por meio dessa escuta, torna-se 
possível pensar em saídas ou manejos que auxiliem o enfrentamento às 
adversidades da vida
O adoecimento estaria relacionado a um desequilíbrio entre as necessidades 
do indivíduo e seu meio, ocasionando reações (MARCO, 2012). Estas reações 
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psicológicas podem ser consideradas como “normais” ou “esperadas”, como 
no caso de doenças agudas, cirurgias, transplantes, hemodiálise, oncologia e 
outra doenças orgânicas, que ocasionam impacto psicológico e necessitam 
de atenção para não agravar os aspectos psíquicos (LUCCHESE, 2012, p. 337). 
Cabe destacar que a compreensão sobre adoecimento e sofrimento em 
saúde mental, reações e crises, também estão relacionadas ao contexto social 
e seus ideais de “bom comportamento” e “produtividade social” (GUARESCHI, 
et al., 2016, p. 332).
 
Sugerimos a complementação de seus estudos 
com a leitura do artigo – São todas as causas 
potencialmente causadoras de doença mental? Os 
archivos brasileiros de hygiene mental e o esboço 
do homem moderno, de Guareschi et al. (2016).
3.1.3 SAÚDE E BEM-ESTAR
• Quais fatores afetam a promoção de saúde e de bem-estar?
Dentre os desafios para os profissionais de saúde auxiliarem na promoção 
de saúde de seus pacientes, estão as falhas na comunicação (FELDMAN, 
2015). Diferenças sociais, econômicas, culturais, de personalidade, afinidades, 
sentimento de inferioridade do paciente, dentre outros fatores, podem 
interferir em como o profissional consegue comunicar orientações de saúde 
para seu cliente, grupo e inter-relações. Profissionais que “fazem suposições 
sobre o que os pacientes preferem ou forçam um tratamento específico que 
eles preferem sem consultar os pacientes” e até causam intimidação, podem 
encontrar clientes relutantes ou desencorajados para práticas de autocuidado 
(FELDMAN, 2015, p. 442). Deve-se considerar que, também:
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Não somos muito bons em seguir os conselhos médicos. Considere os 
seguintes números:
•	 cerca de 85% dos pacientes não cumprem totalmente as 
recomendações do médico.
•	 10% das gestações adolescentes resultam da não adesão às práticas 
de controle da natalidade.
•	 31% dos pacientes não atendem as prescrições de fármacos.
•	 49% dos pacientes esquecem-se de tomar um medicamento 
prescrito.
•	 13% dos pacientes tomam o medicamento de outra pessoa.
•	 60% dos pacientes não conseguem identificar os próprios remédios.
de 30 a 50% dos pacientes ignoram as instruções ou cometem erros ao tomar 
o medicamento (HEALTH PAGES, 2003; COLLAND et al., 2004; HOBSON, 
2011 apud FELDMAN, 2015, p. 441).
Assim, uma comunicação efetiva para promover saúde é essencial, sendo 
viáveis intervenções que aumentem a adesão aos conselhos fornecidos pelos 
profissionais. Feldman (2015), sugere algumas ações para promover uma 
comunicação eficaz:
Sugestão 1 
dê instruções de fácil compreensão, traduzindo conceitos técnicos 
para um senso comum.
Sugestão 2 
mantenha boas e calorosas relações com os pacientes.
Sugestão 3 
seja honesto/a.
Sugestão 4 
demonstre vontade de ajudar.
Sugestão 5 
 apresente as informações de forma detalhada, mas com precisão. 
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Para Feldman (2015), o modo como uma mensagem é estruturada também 
pode ser útil, havendo duas formas principais:
• mensagens estruturadas de forma positiva, mostrando ao paciente os 
ganhos que poderá obter com a mudança de alguns comportamentos 
relacionados à saúde; 
• mensagens estruturadas de forma negativa, enfatizando o que ele pode 
perder ao negar-se a mudar um comportamento
Adotar uma ou outra, depende do tipo de comportamento que a/o profissional 
está tentando produzir, sendo que: “as mensagens positivamente estruturadas 
são melhores para motivar o comportamento preventivo. Contudo, as 
mensagens estruturadas negativamente são mais eficazes na produção de 
um comportamento que leve à detecção de uma doença” (FELDMAN, 2015, 
p. 443-444).
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QUADRO 1 – FATORES BIOPSICOSSOCIAIS DE RISCO E DE PROTEÇÃO 
PARA A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES. ELEMENTOS 
QUE PODEM AUXILIAR NA AVALIAÇÃO DE ADULTOS E IDOSOS
Domínio Fatores de risco Fatores protetores
So
ci
al
a) Família • Cuidado parental inconsistente;
• Discórdia familiar excessiva;
• Morte ou ausência abrupta de 
membro da família;
• Pais ou cuidadores com 
transtorno mental;
• Violência doméstica.
• Vínculos familiares fortes;
• Oportunidades para 
envolvimento positivo da 
família. 
b) Escola • Atraso escolar;
• Falência das escolas em prover 
um ambiente interessante 
e apropriado para manter a 
assiduidade e o aprendizado;
• Provisão inadequada-
inapropriada do que cabe ao 
mandato escolar;
• Violência no ambiente escolar.
• Oportunidades de 
envolvimento na vida da 
escola;
• Reforço positivo para 
conquistas acadêmicas;
• Identificação com a 
cultura da escola.
c) Comunidade • Redes de sociabilidade frágeis;
• Discriminação e marginalização;
• Exposição à violência;
• Falta de senso de 
pertencimento;
• Condições socioeconômicas
• desfavoráveis.
• Ligação forte com a 
comunidade;
• Oportunidade para uso 
construtivo do lazer;
• Experiências culturais 
positivas;
• Gratificação por
• envolvimento na 
comunidade.
Domínio psicológico • Temperamento difícil;
• Dificuldades significativas de 
aprendizagem;
• Abuso sexual, físico e emocional.
• Habilidade de aprender 
com a experiência;
• Boa autoestima;
• Habilidades sociais;
• Capacidade para resolverproblemas.
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Domínio Fatores de risco Fatores protetores
Domínio biológico • Anormalidades cromossômicas;
• Exposição a substâncias tóxicas 
na gestação;
• Trauma craniano;
• Hipóxia ou outras complicações 
ao nascer;
• Doenças crônicas, em especial 
neurológicas e metabólicas;
• Efeitos colaterais de medicação.
• Desenvolvimento físico, 
apropriado à idade;
• Boa saúde física;
• Bom funcionamento
• intelectual.
Fonte: adaptado de Who (2005 apud BRASIL, 2013).
3.2 TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, 
TRATAMENTOS 
E INTERVENÇÕES
Dentro da psicologia existem diversas abordagens que estudam o 
adoecimento psíquico, havendo muitas divergências sobre o entendimento 
do conceito de saúde e doença, quando se trata dos aspectos psicológicos. 
Essa divergência ocorre, pois o adoecimento psíquico nem sempre tem sinais 
e sintomas físicos facilmente detectáveis.
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FIGURA 3 – ADOECIMENTO PSÍQUICO
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de uma pessoa sentada no chão, no meio de um labirinto.
Em algumas situações, o adoecimento psíquico pode estar relacionado à 
dificuldade de planejar soluções ou encontrar suporte social para resolvê-las, 
frente a problemas do cotidiano.
3.2.1 ANSIEDADE, SINTOMAS SOMÁTICOS, 
SINTOMAS DO HUMOR E ESQUIZOFRENIA 
• Quais os transtornos psicológicos frequentes no cuidado em saúde mental?
Em uma mesma situação, por exemplo, no caso da morte de um parente 
por câncer, um familiar pode reagir com crises de choro e de tristeza, 
enquanto outro pode nada expressar e apenas ficar em silêncio ou ter 
comportamentos que não parecem demonstrar tristeza, como ir em festas, 
o que não significa que está sofrendo menos. 
Nessa pluralidade de reações humanas, que ocorre frente às adversidades da 
vida, em que a linha entre normal e anormal se torna tênue, dificulta definições 
categóricas ou deterministas sobre adoecimento psíquico. De acordo com 
Feldman (2015) há várias interpretações para pensar a anormalidade no 
sentido de estar adoecido psicologicamente, como: desvio do ideal; desvio 
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da média; sensação de desconforto pessoal; incapacidade de funcionar 
de maneira eficaz; ou como comportamento que faz com que as pessoas 
experimentem sofrimento e impede-as de atuar em sua vida diária. 
Ao examinar o caso de um paciente que ouvia vozes, tinha “delírios de 
grandeza” e pensava que poderia “fazer coisas mágicas”, Feldman (2015, p. 
452) sintetiza, de modo didático, diferentes interpretações teóricas possíveis 
sobre o caso:
QUADRO 2 – ABORDAGENS RECORRENTES NA INTERPRETAÇÃO DOS 
ADOECIMENTOS PSICOLÓGICOS
Perspectivas sobre os transtornos psicológicos
Perspectiva Descrição
Possível aplicação da 
perspectiva ao caso 
Médica Pressupõe que causas 
fisiológicas estão na raiz dos 
transtornos psicológicos.
Examinar para problemas médicos 
como tumor cerebral, desequilíbrio 
químico no cérebro ou doença.
Psicanalítica Pressupõe que os transtornos 
psicológicos provêm de 
conflitos infantis.
Procurar informações sobre o passado 
do paciente, considerando possíveis 
conflitos infantis.
Comportamental Pressupõe que os 
comportamentos anormais 
são respostas aprendidas.
Concentrar-se nas recompensas e 
punições para o comportamento 
do paciente e identificar estímulos 
ambientais que reforçam seu 
comportamento.
Cognitiva Pressupõe que as cognições 
(pensamentos e crenças 
pessoais) são centrais para os 
transtornos psicológicos.
Abordar as percepções do paciente 
acerca de si mesmo e de seu 
ambiente.
Humanista Enfatiza a responsabilidade 
das pessoas por seu 
comportamento e 
a necessidade de 
autoatualizar-se.
Considerar o comportamento do 
paciente em termos de suas escolhas 
e de seus esforços para atingir seu 
potencial.
Sociocultural Pressupõe que o 
comportamento é moldado 
pela família, pela sociedade e 
pela cultura.
Analisar como as demandas da 
sociedade contribuíram para o 
transtorno do paciente.
Fonte: adaptado de Feldman (2015, p. 401).
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O conceito de transtorno psicológico, inclusive, não representa toda essa 
diversidade de abordagens teóricas (quadro 2) utilizadas por psicólogas e 
psicólogos no Brasil e no mundo, sendo que algumas teorias fazem críticas 
consistentes e significativas a esse conceito, afirmando que os diagnósticos 
estigmatizam, rotulam e simplificam a complexidade do adoecimento 
psicológico (FELDMAN, 2015). A ideia de transtorno psicológico está 
relacionada, principalmente, à abordagem médico psiquiátrica, que na 
formação em psicologia é ensinada a partir do livro Manual Diagnóstico e 
Estatístico de Transtornos Mentais (última versão do DSM-5-1 de 2013) para 
estudo dessas categorias diagnósticas (APA, 2018). 
Para saber mais, leia o Manual diagnóstico e 
estatístico de transtornos mentais, da APA (2018). 
Baseado nessa abordagem médico psiquiátrica, que se assemelha 
à Classif icação Estatística Internacional de Doenças e Problemas 
Relacionados com a Saúde (CID-10), Feldman (2015) descreve sinais 
e sintomas, relacionados aos transtornos psicológicos frequentes no 
cuidado em saúde mental.
Ansiedade (problemas em que a ansiedade impede o funcionamento diário). 
Exemplo: transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico, fobia 
específica, transtorno de estresse pós-traumático.
Sintomas somáticos e transtornos relacionados (perturbações psicológicas 
exibidas por meio de problemas físicos). Exemplo: hipocondria; transtorno 
conversivo.
Dissociativos (cisão de partes cruciais da personalidade que geralmente 
estão integradas). Exemplo: transtorno dissociativo de identidade 
(personalidade múltipla), amnésia dissociativa, fuga dissociativa.
Humor (emoções de depressão e euforia que são tão fortes que interferem 
na vida diária). Exemplo: depressão maior; transtorno bipolar.
 
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Esquizofrenia e transtornos psicóticos (declínio no funcionamento, 
perturbações no pensamento e na linguagem, transtornos da percepção, 
perturbações emocionais e afastamento dos outros). Exemplo: transtorno 
delirante.
Personalidade (problemas que criam pouco sofrimento pessoal, mas que 
levam a uma incapacidade de funcionar como um membro normal da 
sociedade). Exemplo: transtorno da personalidade antissocial; transtorno 
da personalidade narcisista.
Sexual (problemas relacionados à excitação sexual por objetos incomuns ou 
problemas relacionados ao funcionamento). Exemplo: transtorno parafílico; 
disfunção sexual.
Relacionado à substância (problemas relacionados à dependência e abuso 
de drogas). Exemplo: álcool; cocaína; alucinógenos; maconha.
Demência, amnésia e outros transtornos cognitivos Exemplo: doença de 
Alzheimer (FELDMAN, 2015, p. 459).
Assim, o profissional deve estar atento a tais sinais e sintomas, uma vez que 
remetem aos transtornos psicológicos que encontrará em sua atuação.
3.2.2 O CONTEXTO SOCIAL E CULTURAL DOS 
TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS 
• Quais aspectos sociais e culturais se relacionam aos transtornos psicológicos?
As controvérsias em torno das classificações psiquiátricas por meio do conceito 
de transtornos mentais, refere-se também ao fato subjacente de que nosso 
“entendimento do comportamento anormal reflete a sociedade e a cultura 
em que vivemos” (FELDMAN, 2015, p. 486). Nesse sentido, pesquisadores 
observam que:
[...] o aumento nos transtornos mentais coincide com a ênfase crescente 
queestá sendo atribuída a objetivos extrínsecos, como atingir riqueza 
e status, e ênfase decrescente sendo colocada em objetivos intrínsecos 
como a criação de relacionamentos interpessoais satisfatórios e um senso 
comunitário. Eles especularam que tal ênfase nos objetivos extrínsecos 
pode encorajar expectativas irracionais para conquistas pessoais, causando 
dois problemas: estresse excessivo quando as pessoas tentam alcançar 
objetivos inatingíveis e senso de insatisfação quando elas fracassam em 
viver de acordo com suas expectativas (ECKERSLEY; DEAR, 2002; JACOBS, 
2010 apud FELDMAN, 2015, p. 486).
 Destaca-se que futuras revisões do DSM podem incluir catalogações 
diferentes de transtornos ou reconsiderar as anteriores, como é o caso 
da recente publicação da Associação Americana de Psiquiatria (APA), 
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em uma nota em que a instituição pede desculpas às pessoas negras, 
indígenas e pessoas de cor, por ter apoiado historicamente o racismo 
estrutural na psiquiatria.
 
Sugerimos a leitura do artigo: Pedido de desculpas 
da APA a negros, indígenas e pessoas de cor por 
seu apoio ao racismo estrutural na psiquiatria, da 
APA (2021). 
No que se refere ao contexto social do sofrimento psicológico, o Ministério 
da Saúde (BRASIL, 2013, p. 91) enfatiza a importância de compreender “a 
pessoa que sofre em seu contexto de vida”, destacando alguns aspectos 
importantes de serem avaliados para formulação de projetos terapêuticos 
de clientes, grupos e inter-relações: 1) vulnerabilidade: gênero, pobreza, cor 
da pele e desigualdade - entendendo que mulheres têm cerca de duas 
vezes mais chance de apresentar sofrimento que os homens, considerando 
as desigualdades de gênero e violências (físicas, psicológicas, sexuais, 
patrimoniais e morais) contra essa população; e que 2) “a pobreza também 
está relacionada a um risco mais elevado de sofrimento mental comum” 
(BRASIL, 2013, p. 92).
Para complementar seus estudos, sugerimos a 
leitura dos seguintes materiais:
Tipos de Violência, do IMP ([201_]).
Paradoxos nos ‘benefícios’ aos incapacitados: 
biopolítica e saúde mental, de Zambillo, Palombini 
e Ecker (2018).
Transexuais e travestis: gênero, censura e resistência, 
de Cemin, Ecker e Luckmann (2011).
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3.2.3 TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES EM 
SAÚDE MENTAL
• Como compreender as abordagens de tratamento e de intervenção em 
saúde mental?
As abordagens de tratamento psicológico, na sua diversidade, apresentam 
diferentes nomenclaturas de suas perspectivas (quadro 2), mesmo que alguns 
procedimentos se sobreponham bastante (FELDMAN, 2015). 
FIGURA 4 – A COMPLEXIDADE E DIVERSIDADE DA MENTE HUMANA EXIGE DIFERENTES 
ABORDAGENS TEÓRICAS E TÉCNICAS DA PSICOLOGIA NOS TRATAMENTOS E 
INTERVENÇÕES EM SAÚDE
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: ilustração da cabeça de duas pessoas, uma passando informações 
para a outra. 
Atualmente, muitos terapeutas adotam abordagens ecléticas de terapia 
devido a sua formação generalista, que estuda na graduação diferentes 
métodos de tratamento e de intervenção, significando que podem usar uma 
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variedade de métodos com determinado paciente (FELDMAN, 2015). De forma 
didática, há duas categorias principais de tratamento – terapias psicológicas e 
terapias biológicas:
A terapia psicológica ou psicoterapia, é um tratamento em que um 
profissional treinado – um terapeuta – utiliza técnicas psicológicas para 
ajudar alguém a superar dificuldades e transtornos psicológicos, a resolver 
problemas na vida ou a desenvolver o crescimento pessoal. Em psicoterapia, 
o objetivo é produzir mudanças psicológicas em uma pessoa (chamada 
de “cliente” ou “paciente”) por meio de discussões e interações com o 
terapeuta. Em contraste, a terapia biomédica baseia-se no uso de fármacos 
e procedimentos médicos para melhorar o funcionamento psicológico 
(FELDMAN, 2015, p.486).
 
Embora as diferentes perspectivas da psicologia divirjam em muitos 
aspectos, todas as abordagens compreendem o tratamento psíquico 
como um recurso para resolver problemas, modif icar comportamentos 
e ajudar as pessoas a compreenderem melhor a si mesmas, seu passado, 
as pessoas a sua volta e a sociedade (FELDMAN, 2015). 
 
Sugerimos a leitura do artigo Prevenção e Promoção 
de Saúde no CAPS AD através de oficinas de 
psicoeducação, de Guariento, Torres e Ecker (2019).
Dentre as principais abordagens terapêuticas, estão:
Psicodinâmicas - procura trazer conflitos passados não resolvidos e 
impulsos inaceitáveis do inconsciente para o consciente, área na qual 
os pacientes podem lidar com os problemas de modo mais eficaz. [...] 
basicamente consiste em guiar os pacientes para considerar e discutir 
suas experiências passadas em detalhes explícitos desde o tempo de suas 
primeiras lembranças. Esse processo presume que os pacientes acabarão 
deparando-se com crises, traumas e conflitos há muito tempo ocultos que 
estão produzindo ansiedade na vida adulta. Eles, então, serão capazes de 
“elaborar” – entender e retificar.
Comportamental - têm o seguinte pressuposto fundamental: tanto o 
comportamento anormal quanto normal são aprendidos. As pessoas que 
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agem anormalmente não aprenderam as habilidades de que precisavam 
para enfrentar os problemas da vida diária ou adquiriram habilidades e 
padrões falhos que estão sendo mantidos por algum tipo de reforço. Para 
modificar o comportamento anormal, então, os proponentes das abordagens 
comportamentais propõem que as pessoas precisam aprender um novo 
comportamento para substituir as habilidades falhas que desenvolveram e 
desaprender os padrões de comportamento mal-adaptativos.
Cognitiva - ensinam as pessoas a pensar de maneira mais adaptativa, 
modificando suas cognições disfuncionais sobre o mundo e sobre si 
mesmas. Diferentemente dos terapeutas comportamentais, que propõem 
a modificação do comportamento externo, os terapeutas cognitivos tentam 
modificar o modo como as pessoas pensam, além de seu comportamento. 
Como frequentemente usam princípios básicos de aprendizagem, os 
métodos que eles empregam são, por vezes, referidos como abordagem 
cognitivo-comportamental. Por conseguinte, os tratamentos cognitivos 
procuram modificar os padrões de pensamento que levam o indivíduo a 
ficar “emperrado” em formas disfuncionais de pensamento. Os terapeutas 
sistematicamente ensinam os pacientes a questionar seus pressupostos e a 
adotar novas abordagens para antigos problemas.
Humanista - baseia-se na perspectiva filosófica de autorresponsabilidade no 
desenvolvimento de técnicas de tratamento. Os diferentes tipos de terapia 
que se enquadram nessa categoria têm uma lógica similar: temos controle 
do próprio comportamento, podemos fazer escolhas sobre o tipo de vida 
que desejamos viver e depende de nós resolvermos as dificuldades que 
encontramos na vida diária. Os terapeutas que usam técnicas humanistas 
procuram ajudar as pessoas a se compreender e encontrar formas de se 
aproximar do ideal que elas desejam para si mesmas. Segundo essa visão, os 
transtornos psicológicos resultam da incapacidade de encontrar significado 
para a vida e dos sentimentos de solidão, além de uma falta de conexão 
com os outros (FELDMAN, 2015, p. 496-507).
No trabalho em saúde mental, nas políticas públicas, fundamentado 
nas diretrizes, princípios e valores do Sistema Único de Saúde (SUS), a 
compreensão biopsicossocial do adoecimento enfatiza a organização dos 
serviços, pensandoo tratamento e a intervenção em psicologia, baseado no 
trabalho em rede intersetorial, com equipes multiprofissionais “na perspectiva 
de acolher, abordar e cuidar de pessoas em situação de crise no território” 
(BRASIL, 2013, p. 101). Além das abordagens teóricas da psicologia citadas 
anteriormente, na área da saúde mental no SUS também é possível encontrar 
os seguintes tratamentos e intervenções: 1) grupos de saúde mental; 2) redes 
de suporte social; 3) práticas integrativas e complementares (PICs) (medicina 
antroposófica, fitoterapia e plantas medicinais, homeopatia, medicina 
tradicional chinesa (MTC), auriculoterapia, dentre outras); 4) atendimento 
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multiprofissional (com as equipes de saúde da família - ESFs e profissionais do 
núcleo ampliado de saúde da família e atenção básica - NASF-AB); 5) terapia 
interpessoal breve (TIB); 6) terapia comunitária (TC);
Etapas da terapia comunitária (TC)
Etapa 1. Acolhimento - momento de apresentação individual e das 
cinco regras. 
Etapa 2. Escolha do tema - as pessoas apresentam as questões e os 
temas sobre os quais querem falar. Vota-se o tema a ser abordado no 
dia. 
Etapa 3. Contextualização - momento em que o participante, com o 
tema escolhido, conta sua história. O grupo faz perguntas. 
Etapa 4. Problematização - o mote (questão-chave para reflexão) do 
dia, relacionado ao tema, é jogado para o grupo. 
Etapa 5. Rituais de agregação e conotação positiva - com o grupo 
unido, cada integrante verbaliza o que mais o tocou em relação às 
histórias contadas. 
Etapa 6. Avaliação - feita entre os terapeutas comunitários.
Regras da terapia comunitária 
Regra 1. Respeitar quem está falando. Fazer silêncio para escutá-lo. 
Regra 2. Falar da própria história, utilizando a 1ª pessoa do singular 
(eu). 
Regra 3. Cuidar para não dar aconselhamento, discursar ou dar 
sermões. 
Regra 4. Utilizar músicas que tenham a ver com o tema escolhido, 
bem como piadas, histórias e provérbios relacionados. 
Regra 5. Preservar segredo do que é exposto na TC (comum em 
comunidades violentas) (BRASIL, 2013, p. 143).
7) mediação de conflitos; 8) redução de danos; 9) consultório na rua; 10) centros 
de convivência e cultura; 11) centros de atenção psicossocial (adulto, infantil e 
para usuários/as de álcool e outras drogas); 12) fornecimento de medicações 
psicofármacos (o SUS fornece medicação, gratuitamente, após avaliação com 
ESF de referência, na unidade básica de saúde (UBS) do território do usuário/a); 
13) demais serviços da rede de atenção psicossocial (RAPs) (BRASIL, 2013). 
Destaca-se, por fim, a importância do 14) acolhimento e da 15) escuta para 
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a produção de saúde mental e amenização do sofrimento psíquico (BRASIL, 
2013, p. 23-24).
A escuta e o “famoso desabafo”: 
não raramente, os profissionais oferecem atenção e tempo para a 
escuta, o que permite um espaço de desabafo para o paciente. A 
atitude de desabafar e de escutar o desabafo é comum no dia a dia 
de muitas pessoas, independentemente de elas exercerem um ofício 
profissional relacionado à saúde. 
Escuta como acolhimento: 
a escuta é uma primeira ferramenta a ser utilizada pelo profissional de 
saúde para que o paciente possa contar e ouvir o seu sofrimento de 
outra perspectiva, por intermédio de um interlocutor que apresenta 
sua disponibilidade e atenção para ouvir o que ele tem a dizer. A partir 
disso, entendemos que o usuário encontrará no profissional de saúde 
uma pessoa interessada por sua vida e em ajudar. 
Escutar e acolher os conflitos e sofrimentos: 
por vezes, o usuário não se dá conta da relação de seus conflitos e seus 
sofrimentos com aquilo que ele fala, pensa ou faz. O exercício de narrar 
seus sofrimentos, ter a possibilidade de escutar a si mesmo enquanto 
narra, além de ser ouvido por um profissional de saúde atento, por si 
só, já pode criar para o usuário outras possibilidades de olhar para a 
forma como se movimenta na vida e faz suas escolhas (BRASIL, 2013, p. 
23-24).
C
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CONCLUSÃO
Vamos comemorar?! Você chegou ao final da Unidade 3 sobre Psicologia 
Aplicada à Enfermagem. Esta unidade teve o propósito de introduzir 
conceitos em psicologia do desenvolvimento humano e sua aplicabilidade 
na atuação da enfermagem, no trabalho com o adoecimento psíquico, 
reações e crises em saúde mental, pensando na promoção da saúde e 
do bem-estar psicológico. Para isso, apresentou qual seria a proposta 
biopsicossocial de compreensão da doença, definições de sofrimento e crise 
em saúde mental, assim como apontou fatores que afetam a promoção de 
saúde e bem-estar psíquico. Ao final da unidade, introduziu termos usuais 
na compreensão dos transtornos psicológicos, aspectos sociais e culturais 
que se relacionam a ele e apresentou, de forma resumida, abordagens de 
tratamento e intervenções em saúde mental.
OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
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UNIDADE 4
> Nomear aspectos do 
conceito de atitude 
para compreensão do 
cliente, seu grupo de 
trabalho e 
inter-relações.
> Compreender a 
contribuição do 
conceito de cognição 
social para análise de 
indivíduos, grupos e 
relações interpessoais.
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4. PSICOLOGIA SOCIAL: ATITUDES 
E COGNIÇÃO SOCIAL
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
A Unidade 4 apresenta o tema da psicologia social: atitudes e cognição social. 
A psicologia social, enquanto campo amplo de produção de conhecimento e 
de atuação profissional, estuda o comportamento humano na sua interação 
com os aspectos sociais – políticos, históricos, filosóficos, éticos, dos direitos 
humanos e sociais, dentre outros fatores culturais que envolvem e produzem 
a realidade humana:
A psicologia social é o estudo científico acerca de como os pensamentos, 
sentimentos e ações das pessoas são afetados pelos outros. Os psicólogos 
sociais consideram os tipos e as causas do comportamento do indivíduo 
em situações sociais, examinando como a natureza das situações em 
que nos encontramos influencia nosso comportamento. O amplo âmbito 
da psicologia social é expresso pelo tipo de perguntas que os psicólogos 
sociais fazem, a saber: como podemos convencer as pessoas a modificar 
suas atitudes ou a adotar novas ideias e valores? De que modo podemos 
compreender como os outros são? Como somos influenciados pelo que os 
outros fazem e pensam? Por que alguns indivíduos exibem tanta violência, 
agressão e crueldade em relação aos outros a ponto de pessoas por todo 
o mundo viverem com medo de aniquilação? E por que, em comparação, 
algumas pessoas colocam a própria vida em risco para ajudar outras? 
(FELDMAN, 2015, p. 528).
 
Nessa perspectiva, o material da unidade introduzirá o tema da psicologia 
social e sua contribuição para a análise de indivíduos, grupos e inter-relações, 
a partir do conceito de atitudes e persuasão, considerando os processos 
de mudança de atitudes no comportamento humano. Ao fim da unidade, 
veremos a abordagem do conceito de cognição social, situando-o na 
complexidade da cultura e sua contribuição para a atuação da enfermagem 
no trabalho em saúde. 
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Como leitura complementar, indicamos a leitura 
do artigo A Psicologia Social contemporânea: 
principais tendências e perspectivas nacionais e 
internacionais, de Ferreira(2010), disponível aqui.
4.1 ATITUDES
Conforme Feldman (2015, p. 528), “atitudes são avaliações de uma pessoa, de 
um comportamento, uma crença ou um conceito”. Elas podem ser formadas 
e mantidas, assim como modificadas, impactando nosso modo de criar 
impressões sobre os outros, explicar seus comportamentos e interpretá-los.
4.1.1 INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE 
ATITUDES
• Como a psicologia social contribui, na análise psicológica dos seres humanos, 
com o conceito de atitudes?
Ao analisar as estratégias que as pessoas usam para enfrentar as situações do 
dia a dia, percebe-se que existem multiplicidades de formas para confrontar 
e resolver um mesmo problema ou questão (MARCO et al., 2012). O que faz 
com que umas pessoas resolvam de uma forma e outras resolvam de maneira 
distinta? De acordo com Feldman (2015, p, 528), “nossas atitudes moldam 
nosso comportamento e como formamos julgamentos sobre os outros”. 
Desse modo, nossas ações são moldadas pelas vivências e mensagens que 
recebemos do mundo a nossa volta (FELDMAN, 2015). 
https://www.scielo.br/j/ptp/a/q35bD9r4HyTpLMhyH5CpTcP/abstract/?lang=pt
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FIGURA 1 - O CONCEITO DE ATITUDES RELACIONA-SE A COMO NOS MOLDAMOS E 
COMO O MUNDO NOS MOLDA
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de uma antiga balança gigante com uma pessoa sentada numa 
poltrona do lado em que a balança está mais pesada e, na outra ponta, cinco 
pessoas em pé.
Segundo Feldman (2015, p. 529): “você provavelmente tem atitudes em relação 
ao presidente americano (uma pessoa), ao aborto (um comportamento), a 
uma ação afirmativa (uma crença) ou à arquitetura (um conceito)”. Nesse 
sentido, é possível considerar que os seres humanos são influenciados pelos 
demais como, por exemplo, nas amizades, relações e nas compreensões sobre 
aspectos sociais. 
Como leitura complementar, indicamos o artigo de 
Moreira (2020): Atitudes: mensuração, formação e 
mudança – disponível aqui. 
https://www.researchgate.net/publication/344600601_Atitudes_mensuracao_formacao_e_mudanca
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4.1.2 PERSUASÃO
• Como se processam as informações na persuasão? 
Persuasão é um conceito de uma das abordagens em psicologia social que 
estuda o processo de mudança de atitudes das pessoas, que pode se modificar 
devido a inúmeros fatores (FELDMAN, 2015). A receptividade de mensagens 
persuasivas está relacionada ao tipo de processamento de informação que a 
pessoa utiliza. Conforme Feldman (2015, p. 441), psicólogas sociais teorizaram 
sobre rotas primárias de processamento da informação para a persuasão: 
Processamento pela rota central 
 tipo de processamento mental que ocorre quando uma mensagem 
persuasiva é avaliada pela consideração ponderada de questões e 
argumentos usados para persuadir.
Processamento pela rota periférica 
 tipo de processamento mental que ocorre quando uma mensagem 
persuasiva é avaliada com base em fatores irrelevantes ou alheios.
Para complementar seus estudos, sugerimos a leitura dos seguintes artigos:
 
 
• O processo de persuasão e o comportamento 
de persuadir, de Sénechal-Machado (1997), 
disponível aqui.
• Comer o quê com quem?: Influência social indireta 
no comportamento alimentar ambivalente, de 
Batista e Lima (2013), dis ponível aqui.
https://www.scielo.br/j/pcp/a/3zyVFfWs4zPzstfXXpwLdTv/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/prc/a/QMr7qWf47VbfMfdvmtz67TS/?lang=pt
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4.1.3 MODIFICAÇÃO DE ATITUDES
• Como as mensagens, seu alvo e argumentos, modificam atitudes? 
Para que ocorra impacto da mensagem transmitida pelo comunicador, 
Feldman (2015) descreve algumas variáveis envolvidas no processo de 
comunicação:
•	 Fonte da mensagem. As características de uma pessoa que transmite 
uma mensagem persuasiva, conhecida como um comunicador de 
atitudes, têm um impacto importante na eficácia dessa mensagem. 
Os comunicadores que são física e socialmente atraentes produzem 
maior mudança de atitude do que aqueles que são menos atraentes. 
Além disso, o conhecimento e a credibilidade do comunicador estão 
relacionados ao impacto de uma mensagem – exceto em situações 
em que o público acredita que o comunicador tenha uma motivação 
dissimulada (ARIYANTO; HORNSEY; GALLOIS, 2006; MCCLURE; 
SUTTON; SIBLEY, 2007; MESSNER; REINHARD; SPORER, 2008 apud 
FELDMAN, 2015, p. 529).
•	 Características da mensagem. Não é somente quem transmite 
uma mensagem, mas como é a mensagem que afeta as atitudes. 
Em geral, mensagens têm dois lados – que incluem a posição do 
comunicador e a de quem está argumentando contra – são mais 
eficazes que as mensagens unilaterais, com o pressuposto de que 
os argumentos do outro lado podem ser efetivamente refutados 
e de que o público tem conhecimento sobre o tópico. Mensagens 
que produzem medo (“Se você não praticar sexo seguro, contrairá 
Aids”) costumam ser eficazes quando fornecem ao público um meio 
de reduzir o medo. No entanto, se o medo for muito exagerado, as 
mensagens poderão evocar mecanismos de defesa das pessoas e 
serão ignoradas (PERLOFF, 2003 apud FELDMAN, 2015, p. 529).
•	 Características do alvo. Depois que um comunicador transmitiu 
uma mensagem, as características do alvo podem determinar se 
a mensagem será aceita. Por exemplo, pessoas inteligentes são 
mais resistentes à persuasão que as menos inteligentes. Também 
parecem existir diferenças de gênero na capacidade de ser 
persuadido. Em contextos públicos, as mulheres são um pouco mais 
facilmente persuadidas que os homens, sobretudo quando elas 
têm menos conhecimento sobre o tópico da mensagem. Contudo, 
elas têm tanta probabilidade quanto os homens de modificar suas 
atitudes privadas. De fato, a magnitude das diferenças na resistência 
à persuasão entre homens e mulheres não é grande (WOOD, 2000; 
GUADAGNO; CIALDINI, 2002 apud FELDMAN, 2015, p. 529).
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Fonte da mensagem. 
Um comunicador persuasivo e atraente tende a aumentar o impacto 
da mensagem que transmite, o que resulta em maiores mudanças 
nos receptores, desde que estes não o vejam como dissimulado. 
Características da mensagem. 
Mensagens que envolvem um comunicador e um contra-
argumentador são mais eficientes que as unilaterais, sendo necessário 
refletir sobre seus conteúdos, a fim de promover mudanças de 
atitudes e não afastar o receptor.
Características do alvo. 
O alvo deve ser sempre considerado, pois influenciará a construção da 
mensagem, uma vez que, dependendo do alvo, será necessário investir 
mais ou menos em argumentos persuasivos.
Nesses argumentos, Feldman (2015, p. 530) enfatiza que no processo de 
comunicação, pensando a mensagem que se quer transmitir, seu alvo 
e argumentos, quando uma pessoa “está desinteressada, não motivada, 
entediada ou distraída, as características da mensagem tornam-se menos 
importantes e os fatores periféricos tornam-se mais influentes”. 
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FIGURA 2 – ROTAS PARA PERSUASÃO QUE IMPACTAM NAS MUDANÇAS DE ATITUDES 
DURADOURAS
Mensagem Alvo
• Altamente
envolvido
• Motivado
• Atento
• Não envolvido
• Não Motivado 
• Desatento
Processamento
pela rota
periférica
Mudança de atitude
mais fraca, menos
persistente
Mudança de atitude
mais longa e
duradoura
Fonte: Feldman (2015, p. 531).
#PraCegoVer: imagem de um diagrama que propõe três etapas para o processamento de 
informações, que é chamado de rotas para persuasão. Nessa rota, a mensagem é recebida,em seguida, à direita, o alvo é interpretado como relevante ou não, para ser dividido, à 
direita, em três etapas. Se o alvo da mensagem for relevante, tiver motivação e atenção, 
a informação será processada pela rota central e haverá mudanças de atitudes mais 
longas e duradouras; se o alvo da mensagem for irrelevante, desmotivado e desatento, 
a informação será processada pela rota periférica e haverá mudanças de atitudes mais 
fracas e menos persistentes.
Alvo (receptor) relevante: 
motivado e atento, a informação é processada pela rota central e 
resultará em mudanças de atitudes mais longas e duradouras
Alvo (receptor) irrelevante: 
desmotivado e desatento, a informação é processada pela rota 
periférica e, consequentemente, apresentará mudanças de atitudes 
mais fracas e menos persistentes.
Entender as rotas de persuasão, que variam de acordo com o tipo de alvo 
da mensagem, é uma etapa crucial da comunicação efetiva que objetiva a 
mudança de comportamentos.
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4.2 COGNIÇÃO SOCIAL
Dependendo do grau de cognição de cada indivíduo, segundo Feldman 
(2015), se comportamento será distinto.
Pessoas com alta necessidade de cognição: 
gostam de pensar, filosofar e refletir sobre o mundo. 
Consequentemente, tendem a refletir mais sobre as mensagens 
persuasivas pelo uso do processamento pela rota central e têm mais 
probabilidade de serem persuadidas por mensagens complexas, 
lógicas e detalhadas. 
Pessoas com baixa necessidade de cognição: 
ficam impacientes quando forçadas a passar muito tempo pensando 
sobre uma questão. Por isso, costumam usar um processamento pela 
rota periférica e são persuadidas por outros fatores além da qualidade 
e dos detalhes das mensagens.
4.2.1 INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE 
COGNIÇÃO SOCIAL
» Quais características humanas se relacionam à atividade cognitiva?
Feldman (2015, p. 531) questiona: “algumas pessoas têm maior probabilidade 
do que outras de usar processamento pela rota central em vez de 
processamento pela rota periférica? A resposta é sim”. Para o autor, as pessoas 
com elevado nível habitual de ponderação e atividade cognitiva, apresentam 
maior probabilidade de adotar o processamento pela rota central. Considere 
as afirmações apresentadas no quadro a seguir.
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QUADRO 1 – PESSOAS QUE CONCORDAM COM AS DUAS PRIMEIRAS AFIR-
MAÇÕES E DISCORDAM DAS DEMAIS TÊM UMA NECESSIDADE RELATIVA-
MENTE ALTA DE COGNIÇÃO
A necessidade de cognição
Quais das seguintes afirmações se aplicam a você? 
1. Realmente gosto de uma tarefa que envolva encontrar novas soluções para os 
problemas.
2. Prefiro uma tarefa que seja intelectual, difícil e importante a uma que seja um pouco 
importante, mas não requeira muito pensamento.
3. Aprender novas formas de pensar não me excita muito.
4. A ideia de depender do pensamento para trilhar meu caminho até o topo não me 
atrai.
5. Penso apenas o quanto é preciso.
6. Gosto de tarefas que requerem pouco pensamento depois que as aprendi.
7. Prefiro pensar sobre pequenos projetos diários em vez de projetos de longo prazo.
8. Prefiro fazer algo que exija pouco pensamento em vez de algo que certamente vai 
desafiar minhas habilidades de pensamento.
9. Encontro pouca satisfação em deliberações amplas e demoradas.
10. Não gosto de ser responsável por uma situação que requeira pensar muito.
Pontuação: quanto mais você concordar com as afirmações 1 e 2 e discordar das demais, maior a 
probabilidade de que você tenha alta necessidade de cognição.
 
Fonte: adaptado de Cacioppo et al. (1996 apud FELDMAN, 2015).
Como leitura complementar, sugerimos a leitura do 
artigo Cognição social: fundamentos, formulações 
atuais e perspectivas futuras, de Garrido, Azevedo 
e Palma (2011), disponível aqui.
https://revista.appsicologia.org/index.php/rpsicologia/article/view/282/45
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Nesses argumentos, poderíamos resumir que a cognição social se refere 
aos “processos cognitivos por meio dos quais as pessoas compreendem e 
significam os outros e a si mesmas”. É por meio dessas significações que se 
formam os esquemas como “conjuntos de cognições acerca das pessoas e 
das experiências sociais”. Nesse contexto teórico, utiliza-se também o conceito 
de dissonância cognitiva, entendida como o “conflito mental que ocorre 
quando uma pessoa demonstra duas atitudes ou pensamentos contraditórios 
(designados como cognições)” (FELDMAN, 2015, p.532; 534).
4.2.2 CONTEXTO CULTURAL NA COGNIÇÃO 
SOCIAL
• Como situar o contexto cultural na formação de esquemas cognitivos?
Ao situar os seres humanos em contextos culturais, verifica-se a enorme 
quantidade de informações às quais as pessoas estão expostas a cada 
momento. Imersas em uma multiplicidade de possibilidades, “como podemos 
decidir o que é importante e o que não é e fazermos julgamentos acerca das 
características dos outros?” O conceito de cognição social auxilia os psicólogos 
e demais profissionais de saúde a entenderem como os indivíduos “adotam 
esquemas altamente desenvolvidos, conjuntos de cognições acerca das 
pessoas e das experiências sociais” (FELDMAN, 2015, p. 534). 
 
Esses esquemas organizam a informação 
armazenada na memória, representam em nossas 
mentes a forma como o mundo social opera, e nos 
fornecem uma estrutura para reconhecer, classificar 
e evocar informações relacionadas a estímulos 
sociais, como pessoas e grupos (MOSKOWITZ, 2004; 
SMITH; SEMIN, 2007; AMODIO; RATNER, 2011 apud 
FELDMAN, 2015, p. 534). 
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Sugerimos a leitura do artigo – Corpo e cognições 
sociais, de Justo e Camargo (2013), para 
compreender a relação entre estes dois aspectos, 
disponível aqui.
Como formamos nossos primeiros julgamentos sobre as pessoas em nossa 
cultura? Estudo sobre a cognição social “examinou a formação da impressão, 
isto é, o processo pelo qual um indivíduo organiza informações sobre outra 
pessoa para formar uma impressão geral daquela pessoa” (FELDMAN, 
2015, p. 535). A partir dele, foi proposto o conceito de traços centrais, que 
remetem aos traços determinantes na formação de impressões relativas 
aos demais (FELDMAN, 2015). A teoria da cognição social auxilia a atuação 
da enfermagem ao oferecer aporte teórico para compreender aspectos 
psicológicos envolvendo a saúde humana. 
Para aprofundar seus conhecimentos, sugerimos 
a leitura dos artigos a seguir.Comportamentos 
e crenças em Saúde: contribuições da psicologia 
para a medicina comportamental, de Barletta 
(2010), disponível aqui.
Representações sociais, crenças e comportamentos 
de saúde: um estudo comparativo entre 
homens e mulheres, de Brito e Camargo (2011), 
disponível aqui.
http://www.scielo.org.pe/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1729-48272013000100003
https://seer.imed.edu.br/index.php/revistapsico/article/view/42
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2011000100023
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CONCLUSÃO
 
Vamos comemorar?! Você chegou ao final da Unidade 4 sobre Psicologia 
Aplicada à Enfermagem. Essa unidade teve o propósito de apresentar a 
abordagem da psicologia social, introduzindo o conceito de atitudes e 
cognição social. Cabe destacar a amplitude de abordagens que existem na 
psicologia social, preocupando-se em estudar o comportamento humano em 
sua interação com os aspectos sociais – políticos, históricos, filosóficos, éticos, 
dos direitos humanos e sociais, dentre outros, que envolvem e produzem a 
saúdehumana.
Para aprofundar seus estudos, sugerimos a leitura 
da obra – Distintas faces da questão social, de 
Accorssi et al. (2015), disponível aqui.
 
No processo do estudo, foram nomeados aspectos do conceito de atitude 
para a compreensão do cliente, seu grupo de trabalho e inter-relações, 
entendendo como as pessoas processam as informações na persuasão e 
como as mensagens, seu alvo e argumentos, modificam atitudes pela forma 
como o profissional se comunica com seus clientes. Ao final dos estudos, 
demonstrou-se como o conceito de cognição social permite analisar as 
características humanas relacionadas à atividade cognitiva e ao contexto 
cultural, na formação de esquemas cognitivos. Essas teorias auxiliam a atuação 
da enfermagem, ao oferecerem ferramentas técnicas para a compreensão de 
aspectos psicológicos envolvendo a saúde humana. 
Esperamos que você tenha gostado desta aula! 
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/134067/Book%20V%20pdfA.pdf?sequence=1
OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
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UNIDADE 5
> Descrever conceitos 
que envolvem a 
compreensão dos 
fenômenos grupais no 
campo da psicologia.
> Desenvolver 
habilidades teóricas 
que facilitem o 
manejo das 
inter-relações e dos 
fenômenos grupais.
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5. PSICOLOGIA SOCIAL: 
INFLUÊNCIA SOCIAL E GRUPOS
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Oi, estudantes, chegamos em nossa penúltima etapa de estudos... 
A Unidade 5 apresenta o tema da psicologia social: influência social e 
grupos. O tema da influência social e grupos estão inseridos na abordagem 
da psicologia social, enquanto campo teórico que, na unidade anterior, 
destacamos ser permeado por análises que envolvem os aspectos sociais – 
políticos, históricos, filosóficos, éticos, dos direitos humanos e sociais, dentre 
outros fatores culturais – que afetam e produzem o comportamento humano.
Nesse sentido, o material da unidade terá como foco assuntos da psicologia 
social que caracterizam a influência social: conformidade, concordância 
e obediência. Visando contribuir para a análise de indivíduos, grupos e 
inter-relações, também abordará aspectos teóricos sobre os fenômenos 
grupais – habilidades de comunicação, padrões de relacionamento e 
grupo terapêutico –, entendendo esses processos na compreensão do 
comportamento humano, enquanto ferramenta teórica para atuação da 
enfermagem no trabalho em saúde, em intersecção com conhecimentos 
da psicologia. 
 
Leia o artigo “Influência social, minorias ativas 
e desenvolvimento moral: ensaio teórico sobre 
a representatividade política brasileira”, escrito 
pelo Dr. Paulo Roberto Grangeiro Rodrigues, 
clicando aqui. 
https://www.scielo.br/j/psoc/a/fxn6ZZHqxKGwvFz8VvdbKdy/?format=pdf&lang=pt
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5.1 INFLUÊNCIA SOCIAL 
Como um estímulo ou situação influencia no “por que” as pessoas se 
comportam de determinada maneira?
Estudar o comportamento humano individualmente, em grupo ou nas 
inter-relações, segundo Feldman (2015), requerer colocar em análise 
uma complexidade de fatores biológicos, psicológicos e sociais, que se 
interseccionam e culminam na constituição da pessoa, sua personalidade, 
comportamentos e ações: 
Ao procurarmos uma explicação para determinado comportamento, 
precisamos responder a uma questão crucial: a causa é situacional ou 
disposicional? 
Causas situacionais (do comportamento): causas percebidas do 
comportamento que estão baseadas em fatores ambientais. São aquelas 
produzidas por algo no ambiente. Por exemplo, alguém que derrama leite 
e depois limpa provavelmente está limpando não porque seja uma pessoa 
asseada, mas porque a situação requer. 
Causas disposicionais (do comportamento): causas percebidas do 
comportamento que estão baseadas em traços internos ou fatores de 
personalidade. (Por exemplo, baseado na situação acima) uma pessoa que 
passa horas encerando o piso da cozinha faz isso porque é asseada. Portanto, 
o comportamento tem uma causa disposicional, ou seja, ela é desencadeada 
pela disposição da pessoa (seus traços internos ou características de 
personalidade) (FELDMAN, 2015, p.536, complementos nossos).
 
Deve-se considerar a variável tempo, motivação, disposição, recursos, 
contexto social, situações de violências ou violações de direitos, o evento que 
desencadeou o comportamento, dentre outros fatores, que influenciam os 
comportamentos e resultam em direcionar a resposta acionada frente a 
determinados estímulos e situações. “Durante a formulação do problema e 
o estágio de resolução, podemos experimentar várias possibilidades antes de 
chegarmos a uma explicação final que nos pareça satisfatória” (MALLE, 2004; 
BROWN, 2006; MARTINKO; HARVEY; DASBOROUGH, 2011 apud FELDMAN, 
2015, p. 536): 
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FIGURA 1 – POR QUE AS PESSOAS SE COMPORTAM DESSA MANEIRA?
 
 
Percepção de um evento 
Interpretação do evento 
Formação de uma 
explicação inicial 
Existe tempo disponível 
Estão disponíveis os recursos 
cognitivos 
Existe motivação para modificar a 
explicação inicial 
Formulação e resolução 
do problema 
A explicação é satisfatória? 
Evento 
explicado, 
Interrupção do 
processo 
Fonte: Feldman (2015, p. 536).
#PraCegoVer: Imagem que mostra diferentes interpretações sobre um mesmo estímulo ou 
situação impactam no “por que’ as pessoas se comportam da maneira como 
se comportam.
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Na análise do comportamento das pessoas, frente a estímulos e situações, 
também deve-se compreender as interferências que a pressão de determinado 
grupo pode exercer “sobre um indivíduo, seja deliberadamente, seja não 
intencionalmente” (FELDMAN, 2015, p. 529). Esta interferência tem o nome de 
influência social:
 
A influência social é muito poderosa, em parte 
porque os grupos e as outras pessoas geralmente 
desempenham um papel central em nossa vida. 
Conforme definido pelos psicólogos sociais, os 
grupos consistem em duas ou mais pessoas que (1) 
interagem entre si, (2) percebem-se como parte de 
um grupo e (3) são interdependentes, ou seja, os 
eventos que afetam um membro do grupo afetam 
os demais, e o comportamento dos membros tem 
consequências significativas para o sucesso do 
grupo em alcançar seus objetivos (FELDMAN, 2015, 
p.541, grifos nossos).
5.1.1 CONFORMIDADE 
O conceito de conformidade contribui para a análise da influência social, ao 
identificar os processos de “mudança no comportamento ou nas atitudes 
causada por um desejo de seguir as crenças ou os padrões de outras pessoas” 
que por “pressão social sutil ou mesmo implícita resulta em conformidade” 
(FELDMAN, 2015, p.529). Baseado nos diversos estudos sobre o fenômeno de 
conformidade, tem-se alguns achados significativos:
As características do grupo. Quanto mais atraente um grupo parece para 
seus membros, maior sua capacidade de produzir conformidade. 
O status, nível social mantido em um grupo, é essencial: quanto mais 
baixo o status de uma pessoa no grupo, maior a força do grupo sobre o 
comportamento dessa pessoa (HOGG; HAINS, 2001 apud FELDMAN, 2015, 
p. 542).
A situação em que o indivíduo está respondendo. A conformidade é 
consideravelmente mais alta quando as pessoas devem responder de modo 
público do que quando elas podem fazer isso de modo privado.
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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEMO tipo de tarefa. Pessoas que trabalham em tarefas e perguntas ambíguas 
(aquelas sem resposta clara) são mais suscetíveis à pressão social. Além 
disso, tarefas nas quais um indivíduo é menos competente do que os outros 
no grupo tornam a conformidade mais provável.
Unanimidade do grupo. Os grupos que apoiam unanimemente uma posição 
apresentam as pressões de conformidade mais pronunciadas. 
Apoiador social. Membro de um grupo cujas visões discordantes tornam 
mais fácil a não conformidade ao grupo. A existência de apenas uma 
pessoa presente que compartilhe o ponto de vista da minoria é suficiente 
para reduzir as pressões de conformidade (PRISLIN; BREWER; WILSON, 
2002; GOODWIN; COSTA; ADONU, 2004; LEVINE; MORELAND, 2006 apud 
FELDMAN, 2015, p. 543).
Grupo de pessoas rindo
Fonte: Pixabay (2022).
#PraCegoVer: três meninas rindo e abraçadas.
 
Para complementar seus estudos, leia o artigo sobre “Conformidade e Influência 
Social” e saiba mais sobre como o ambiente social influencia o comportamento das 
pessoas. O artigo foi escrito pela professora Dr.ª Pollyana de Lucena Moreia e você 
pode acessá-lo clicando aqui. 
5.1.2 CONCORDÂNCIA
Quais características e técnicas comuns nas pressões sociais diretas? 
Concordância, diferente do fenômeno da conformidade em que a pressão 
social é sutil ou indireta, se refere a situações em que a pressão social é “bem 
mais óbvia, com pressão direta e explícita para endossar um ponto de vista 
particular ou para se comportar de determinada maneira” (FELDMAN, 2015, 
https://www.researchgate.net/publication/344394334_Moreira_P_L_2020_Conformidade_e_Inlfuencia_Social
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p.544). Desse modo, entende-se a concordância como o “comportamento 
que ocorre em resposta à pressão social direta”. Dentre as técnicas 
específicas que representam tentativas comumente empregadas para se 
obter concordância, estão:
Técnica do pé na porta: você pede a uma pessoa para concordar com uma 
pequena solicitação que – por ser pequena – a probabilidade de que ela 
concorde é bastante alta. Contudo, posteriormente você pede à pessoa 
que concorde com uma solicitação mais importante. O que ocorre é que a 
concordância com a solicitação mais importante aumenta significativamente 
quando a pessoa concorda primeiro com o favor menor. (FELDMAN, 2015, p. 
441).
Técnica da porta na cara: alguém faz uma solicitação grande, espera ser 
recusada e continua com uma menor. Se for como a maioria das pessoas, 
você provavelmente concordará com muito mais facilidade do que faria 
se ela não lhe tivesse pedido uma enorme primeiro (TURNER et al., 2007; 
EBSTER; NEUMAYR, 2008; DOLINSKI, 2011 apud por FELDMAN, 2015, p. 441).
Técnica da amostra não tão grátis: vem com um custo psicológico. Embora 
talvez não coloquem nesses termos, os vendedores que dão amostras grátis 
aos clientes potenciais fazem isso para instigar a norma da reciprocidade 
[...] que devemos tratar as outras pessoas como elas nos tratam. Receber 
uma amostra não tão grátis, portanto, sugere a necessidade de recíproca – 
na forma de uma compra, é claro (CIALDINI, 2006; PARK; ANTONIONI, 2007; 
BURGER, 2009 apud FELDMAN, 2015, p. 441).
5.1.3 OBEDIÊNCIA
• Como as ações em saúde são afetadas por relações de poder? 
As/os psicólogas/os sociais, ao estudarem comportamentos que envolvem 
conformidade, concordância e obediência situam as relações sociais no 
campo analítico das relações de poder: 
As técnicas de concordância são usadas para gentilmente conduzir 
as pessoas até a concordância com uma solicitação. Em alguns 
casos, as solicitações objetivam produzir obediência, uma mudança 
no comportamento em resposta ao comando dos outros. Embora a 
obediência seja consideravelmente menos comum do que a conformidade 
e a concordância, ela ocorre em vários tipos específicos de relações. Por 
exemplo, podemos mostrar obediência a nossos chefes, professores ou pais 
(e profissionais da saúde) meramente devido ao poder que eles têm de nos 
recompensar ou punir (FELDMAN, 2015, p. 546, parênteses nossos).
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Leia o artigo “As relações de poder em Michel 
Foucault: reflexões teóricas”, de Isabella Maria 
Nunes Ferreirinha e Tânia Regina Raitz. Para isso, 
clique aqui. 
As relações de poder afetam o modo como se produzem as ações em saúde 
entendendo que, historicamente, “a profissionalização dos técnicos se deu 
por meio da articulação entre saber e poder médico, instituindo-se uma série 
de práticas disciplinares de regulação das relações e do espaço institucional a 
partir da hegemonia médica” (FOUCAULT, 1986 apud VILLA et al., 2015, p.1045). 
FIGURA 2 – RELAÇÕES DE PODER
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem uma corda que está sendo puxada por um alguém de terno do 
lado esquerdo e do lado direito está sendo puxada por quatro pessoas sem terno. Só 
conseguimos ver as mãos dessas pessoas.
Nesse contexto das relações de poder, a obediência é descrita como uma 
“mudança no comportamento em resposta ao comando dos outros”, que 
pode ser realizada por pessoas de autoridade, com uma razão aparentemente 
legítima para a solicitação, incluindo a obediência à comportamentos que vão 
“além dos limites do que consideramos bom senso” (FELDMAN, 2015, p. 546).
https://www.scielo.br/j/rap/a/r3mTrDmrWdBYKZC8CnwDDtq/?lang=pt
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O poder só existe em ato. É sempre relacional, um modo de ação de uns 
sobre os outros. O poder envolve as relações entre dois ou mais atores 
sociais, nas quais o comportamento de um é afetado pelo comportamento 
do outro; o poder expressa a capacidade que um indivíduo tem de levar o 
outro a fazer algo que de outra maneira não faria, por imposição (FOUCAULT, 
1986 apud VILLA et al., 2015, p. 1045). 
É importante ressaltar a relação de poder entre profissional e usuário, 
manifestada pela linguagem, que permite ao primeiro o domínio frente ao 
segundo. Contudo, deve-se considerar que todo sujeito é detentor de um 
saber próprio que o legitima. Portanto, o usuário deve ser protagonista na 
relação de cuidados e a linguagem não pode subjugá-lo (VILLA et al., 2015, 
p.1051).
Leia o artigo “Comunicações sobre psicopatologia 
e as relações de poder”, de Daniel Dall’Igna Ecker, 
e aprofunde seus conhecimentos sobre o assunto. 
Para lê-lo, clique aqui.
5.2 GRUPOS
• Quais características grupais e dos modelos de comunicação humana?
As atividades em grupo e inter-relações que integram o sujeito no coletivo 
são importantes instrumentos de intervenção psicossocial:
Os grupos, enquanto tecnologia de cuidado complexa e diversificada, são 
teorizados pelas mais diferentes molduras teóricas, podendo ser úteis nas 
formulações de dinâmicas grupais. Tais ofertas das formas de intervenção 
são derivadas das demandas recorrentes dos profissionais que desejam 
incorporar novas ferramentas de trabalho, perguntando-se “como faço 
grupo?”, “como saio do meu espaço clínico individual?”, entendendo este 
espaço como produtor de saúde e possuindo impacto nos determinantes e 
condicionantes de saúde dos sujeitos e coletividades. 
O processo grupal, desde que bem pensado em sua finalidade, estrutura e 
manejo, permite uma poderosa e rica troca de experiências e transformações 
subjetivas que não seria alcançável em um atendimento de tipo 
individualizado. Isto se deve exatamente à pluralidade de seus integrantes, 
à diversidade de trocas de conhecimentos e possíveis identificações que 
apenas um grupo torna possível (BRASIL, 2013, p.121, grifos nossos).
 
https://pedrinhoguareschi.com.br/site/wp-content/uploads/2019/01/36comunicacaessobrepsicopatologiaeasrelacaesdepoder8998.pdf97
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Você se interessou pelo assunto? Para saber mais, 
leia o livro “Como trabalhamos com grupos?”, de 
David Zimerman e Luiz Osório, publicado em 1997 
pela Editora Artes Médicas, e Porto Alegre.
5.2.1 HABILIDADES DE COMUNICAÇÃO
De acordo com Marco (2012, p. 63), a comunicação é um fenômeno encontrado 
em diversos planos, incluindo no campo grupal e das inter-relações: “a 
comunicação é o meio pelo qual duas entidades (no sentido mais genérico 
possível) têm de expressar fome, medo, raiva, disponibilidade para reprodução 
e muitas outras informações”. Desse modo, a comunicação não ocorre apenas 
através da oralidade (fala, ruído, música, sons), mas se expressa também 
através de expressões físicas. Considerando os modelos de comunicação 
humana, o autor destaca dois formatos distintos:
Modelo de transmissão: consiste na transferência de significados. 
1) O emissor possui uma ideia ou percepção que codifica em uma mensagem.
2) A mensagem é decodificada por um receptor, que produz um feedback.
3) Se a comunicação for bem sucedida, resultará em uma transferência 
de significado.
Modelo constitutivo: a comunicação humana, na medida em que envolve 
subjetividades e interpretação, não coaduna com uma comunicação 
baseada em uma simples transferência de informações e significados. 
1) Um significado não é realmente transmitido.
2) O significado é a função da dinâmica relacional e constitui o próprio 
processo de comunicação.
3) Não só a comunicação se constitui no processo de comunicar, mas o 
próprio sujeito.
4) Assim, a comunicação, constituída pelos sujeitos no processo de comunicar, 
é o processo constitutivo das subjetividades (MARCO, 2012, p. 64).
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Aprofunde seus conhecimentos sobre 
comunicação e enfermagem em saúde mental 
lendo um artigo sobre o tema, escrito por Ana Luisa 
Aranha e Silva, Maria Guilherme, Sandra Souza 
Lima Rocha e Maria Júlia Paes da Silva, cujo título 
é “Comunicação e enfermagem em saúde mental: 
reflexões teóricas”. Para acessá-lo, clique aqui.
Outro artigo interessante para refletir sobre o 
assunto que estamos estudando é “Singularidades 
da comunicação no encontro de pessoas surdas e 
profissionais de saúde mental”, escrito por Bruno 
Romano e Octavio Domont de Serpa Jr. Para fazer 
a leitura dele, clique aqui. 
5.2.2 PADRÕES DE RELACIONAMENTO
• Quais atributos dos relacionamentos sociais possíveis de serem 
identificados nas relações humanas?
Os grupos produzem encontros que impactam em nosso comportamento, 
na medida que os complexos inter-relacionamentos interferem nos 
“pensamentos, sentimentos e ações” das pessoas, sendo elas afetadas umas 
pelas outras no encontro (FELDMAN, 2015, p. 8). Para a psicologia, pode-se 
identificar os seguintes atributos nas relações humanas: 
Necessidade de afiliação: interesse em estabelecer e manter relacionamentos 
com outras pessoas. Indivíduos com alta necessidade de afiliação enfatizam 
o desejo de manter ou recuperar amizades e demonstram preocupação 
https://doi.org/10.1590/S0104-11692000000500010
https://www.scielosp.org/article/physis/2021.v31n2/e310208/
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em ser rejeitados pelos amigos. As pessoas que têm necessidades mais 
altas de afiliação são particularmente sensíveis aos relacionamentos com 
os outros. Elas desejam estar com seus amigos a maior parte do tempo e 
sozinhas com menos frequência quando comparadas com as pessoas que 
têm necessidade menor de afiliação.
Necessidade de poder: tendência a procurar impacto, controle ou influência 
sobre os outros e a ser visto como um indivíduo poderoso. Pessoas com 
fortes necessidades de poder estão mais aptas a pertencer a organizações 
e a procurar altos cargos do que aquelas com baixa necessidade de poder. 
Elas também tendem a trabalhar em profissões em que seu poder pode 
ser exercido, como em gerenciamento de negócios e – você pode ou não 
se surpreender – no ensino. Além disso, elas procuram exibir as armadilhas 
do poder. Mesmo na faculdade, elas têm maior probabilidade de colecionar 
posses prestigiosas, como equipamento eletrônico e carros esportivos. 
(JENKINS, 1994 apud FELDMAN, 2015, p. 310-311)
A relação entre profissional com a/o cliente, grupos ou inter-relações, envolve 
aspectos do encontro e o formato de comunicação que vai se estabelecer. 
FIGURA 3 – DIÁLOGO
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem representa que o diálogo (interação entre dois ou mais indivíduos) 
é um recurso essencial para a efetivação de práticas profissionais que considerem os 
diferentes pontos de vista envolvidos nas ações em saúde.
As emoções, como algo que vai estar presente nos diálogos e relações, 
requerem manejo devido grande parte dos conflitos que se instalam, na 
relação profissional-paciente, decorrerem “do trabalho com pacientes que 
buscam se informar e participar mais ativamente dos cuidados com sua 
saúde” (MARCO, 2012, p.81). 
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Nesse sentido, a partir da relação que se estabelece entre profissional e paciente, 
é possível avaliar as intenções que levam a pessoa em buscar informações 
sobre seu cuidado em saúde, assim como levantar algumas perguntas sobre 
essa relação: 1) a pessoa quer participar mais ativamente de seus cuidados? 2) 
Ela quer ter mais poder para desafiar a autoridade do profissional? 3) Existem 
angústias desproporcionais e/ou pensamentos hipocondríacos? 4) Como o 
profissional reage a essas solicitações de informação? 5) O profissional se sente 
ameaçado? 6) O profissional considera válida as solicitações do/a paciente? 
(MARCO, 2012, p. 81).
Saúde mental
Fonte: Pixabay (2022).
#PraCegoVer: a imagem de uma menina com as mãos tampando o rosto à direita. À 
esquerda, uma mão estendida para ela, como se oferecesse apoio emocional.
Para aprofundar seu conhecimento, leia o artigo “Aplicação do relacionamento 
terapêutico a pessoas com transtorno mental comum”, escrito por Mario do 
Perpétuo Socorro de Sousa Nóbrega, Marta Francisca Trigo Fernandes, Priscila de 
Freita Silva clicando aqui. 
 
https://www.scielo.br/j/rgenf/a/GFvJSxMsSKrZwtcvR8PZtzB/?lang=pt
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5.2.3 GRUPO TERAPÊUTICO
• Quais especificidades do trabalho com grupos e sua dinâmica?
O trabalho com grupos em saúde mental tem reconhecida sua importância 
para pacientes com sofrimento emocional significativo, incluindo vários 
enfoques teóricos possíveis, enquanto referencial da psicologia em interface 
com a enfermagem. No trabalho com grupos terapêuticos se sugere um 
cuidado na “formação de grupos por tipologia de agravos ou sofrimento 
psíquico [...] devendo-se buscar a diversidade grupal, reconhecendo e 
fazendo-se reconhecer os sujeitos como pertencentes a um território comum” 
(BRASIL, 2013, p. 122).
Para saber como organizar um grupo de saúde mental, leia um resposta da série 
Telessaúde Responde, em que o grupo Segunda Opinião Formativa do Telessaúde 
SC responde a pergunta “Como organizar grupos de saúde mental?” no link a seguir: 
https://telessaude.ufsc.br/como-organizar-grupos-de-saude-mental/.
Grupo de pessoas
Fonte: Deduca (2022)
#PraCegoVer: um grupo de pessoas de diversas idades batendo palmas. Elas estão 
sentadas em cadeiras enfileiradas, algumas estão rindo, outras estão 
rindo e batendo palma.
Para aprofundar seu conhecimento, leia o artigo “Aplicação do relacionamento 
terapêutico a pessoas com transtorno mental comum”, escritopor Mario do 
Perpétuo Socorro de Sousa Nóbrega, Marta Francisca Trigo Fernandes, Priscila de 
Freita Silva clicando aqui. 
https://telessaude.ufsc.br/como-organizar-grupos-de-saude-mental/
https://www.scielo.br/j/rgenf/a/GFvJSxMsSKrZwtcvR8PZtzB/?lang=pt
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O grupo é um lugar do encontro entre sujeitos, pessoas e suas singularidades, 
sendo um espaço de “permanente produção de si e do mundo” (BRASIL, 
2013, p. 122). Desse modo, para um bom andamento e resultado do processo 
terapêutico, o grupo deve ser pensado quanto à sua:
FINALIDADE:
Qual o objetivo do grupo? Seria um grupo com viés preventivo/educativo, 
terapêutico, operativo ou de acompanhamento?
ESTRUTURA:
Grupo aberto ou fechado? 
Com um número de encontros previstos ou a depender da dinâmica de seus 
participantes? 
Grupo misto ou delimitado por alguma característica específica? (Ex.: grupo 
de puérperas, grupo de pessoas com ansiedade, pessoas em uso prejudicial 
de álcool e/ou outras drogas etc.) (BRASIL, 2013, p. 122).
 
A partir da definição de finalidade e de estrutura para o grupo terapêutico 
proposto, pode-se utilizar o conceito de cinco papéis, estabelecidos por 
Pichon-Rivière (1998), para compreender a dinâmica do processo grupal: 
1) líder de mudança: é a pessoa do grupo que leva a tarefa adiante, enfrenta 
conflitos, busca soluções e arrisca-se diante do novo; 
2) líder de resistência: é a pessoa do grupo que ‘puxa’ o grupo para trás, freia 
avanços, sabota as tarefas levantando as melhores intenções de desenvolvê-
las, mas poucas vezes as cumpre. Atua em um contraponto interessante 
ao líder de mudança quando se descuida de parâmetros de realidade ao 
promover mudanças, estabelecendo equilíbrio ao grupo;
3) bode expiatório: é a pessoa do grupo que assume as culpas do grupo, 
isentando-o dos conteúdos que provocam medo, ansiedade etc.;
4) representante do silêncio: é a pessoa do grupo que assume as dificuldades 
dos demais para estabelecer a comunicação, obrigando o resto do grupo 
a falar;
5) porta-voz: é a pessoa do grupo que denuncia a enfermidade grupal, 
fazendo emergir as ansiedades grupais. É neste papel que o sujeito expressa 
os conflitos latentes do grupo (BRASIL, 2013, p. 125).
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CONCLUSÃO
Olá, alunas/os, como foram os estudos?? 
Você chegou ao final da Unidade 5, sobre Psicologia Aplicada à Enfermagem. 
Essa unidade teve como propósito estudar sobre a psicologia social: influência 
social e grupos. Para isso, descreveu fenômenos psicológicos que interferem 
no ‘por que’ as pessoas se comportam de determinada maneira, abordando o 
tema da pressão social direta e as relações de poder. A partir desses conceitos, 
entrou no tema dos fenômenos grupais, entendendo a importância da 
comunicação humana e dos atributos dos relacionamentos sociais no trabalho 
de profissionais da saúde. Ao final, destacou a importância de atividades com 
grupos terapêuticos para produção de saúde mental.
Aproveitem o tempo livre para lerem as sugestões 
de leituras complementares sobre os temas 
abordados na aula! Segue duas sugestões de 
artigos escritos por Luciane Simões Spadini e Maria 
Conceição Bernardo de Mello e Souza. 
• Grupos realizados por enfermeiros na área de 
saúde mental.
• Conceito de grupo na percepção de enfermeiros 
na área de saúde mental e psiquiatria. 
https://www.scielo.br/j/ean/a/GMScgxMjYQ7Jj3LPBCRz4wg/abstract/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/ean/a/GMScgxMjYQ7Jj3LPBCRz4wg/abstract/?lang=pt
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762011000300004
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762011000300004
OBJETIVO 
Ao final desta 
unidade, 
esperamos que 
possa:
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UNIDADE 6
> Introduzir aspectos 
teóricos relacionados 
ao preconceito e à 
discriminação nas 
relações sociais.
> Capacitar em 
questões técnicas 
que facilitem a 
compreensão e 
manejo das 
inter-relações e dos 
fenômenos grupais.
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6. PSICOLOGIA SOCIAL: 
PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO 
E COMPORTAMENTO SOCIAL 
POSITIVO E NEGATIVO
INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Estamos iniciando nossa última unidade sobre Psicologia Aplicada à 
Enfermagem e destacamos que a psicologia é uma área de conhecimento 
amplo, com muitas vertentes teóricas, as quais apresentam múltiplas formas 
de compreensão dos seres humanos. Na própria psicologia social, existem 
diferentes autoras e autores que contribuem com discussões e estudos a partir 
de abordagens teórico-metodológicas variadas, o que nem sempre reflete 
um consenso entre tais estudiosos ao analisarem um mesmo fenômeno do 
comportamento das pessoas.
Na Unidade 6, optou-se por apresentar estudos da psicologia social que 
enfatizam o tema do preconceito, discriminação e comportamento social 
positivo e negativo – temas que impactam as ações em saúde, influenciando 
a forma como se produz e como são conduzidas as práticas profissionais, com 
efeitos na saúde ou adoecimento mental do indivíduo, grupo e inter-relações, 
incluindo impacto na saúde mental do próprio profissional de enfermagem. 
Nesse sentido, os conceitos apresentados visam qualificar a análise 
psicológica do contexto social das práticas profissionais, fortalecendo teórica 
e tecnicamente os enfermeiros para que possam enfrentar as adversidades 
do cotidiano de trabalho. 
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Para complementar seus estudos, sugerimos 
a leitura do livro Estereótipos, preconceitos 
e discriminação- perspectivas teóricas e 
metodológicas, de Lima e Pereira (2004), disponível 
neste link.
6.1 PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO
6.1.1 FUNDAMENTOS DO PRECONCEITO
Como o preconceito fundamenta a sociedade, as práticas profissionais, e 
nossa cognição?
Diversas áreas profissionais e científicas, historicamente, evidenciaram 
o impacto do preconceito na forma como as pessoas tinham (ou não) 
oportunidade de acesso a determinados ambientes sociais ou privilégios: “[...] 
muitas universidades nem sequer aceitavam mulheres em seus programas 
de pós-graduação em psicologia no início do século XX. [...] os preconceitos 
sociais prejudicaram a participação das mulheres no desenvolvimento inicial 
da psicologia” (FELDMAN, 2015, p. 15). 
Conforme Passos, 2012, p. 16): No caso da Enfermagem: “[...] a escola de 
Enfermagem incorporou os conceitos e os preconceitos da enfermagem, onde 
manteve a visão conservadora de que a enfermeira precisava ser solidária, 
fraterna, devotada, de forma a esquecer-se de si mesma e de suas lutas”. 
Passos (2012, p. 20) ainda aponta que “[...] o conceito de enfermagem segue 
caminho paralelo ao conceito de mulher [...] [que] sempre foi considerada 
inferior ao homem, o caminho mais curto foi o de estender esse conceito ao 
seu fazer, no caso em questão, ao trabalho de enfermagem, tradicionalmente 
a ela adjudicado”.
https://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-14.pdf
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De modo a complementar seus estudos, indicamos 
o artigo O machismo na história do ensino médico, 
de Rezende (2009). disponível neste link.
Feldman (2015) afirma que essas nossas impressões sobre grupos específicos, 
seus membros e suas funções sociais estão baseadas em estereótipos, ou seja, 
integram crenças generalizadas e expectativas que se agrupam em conjuntos, 
formando estereótiposque fundamentam nossa cognição. Essas crenças e 
expectativas automáticas podem ser negativas ou positivas e desenvolvem-se 
por meio da nossa tendência em organizar e classificar as coisas da realidade, 
considerando a vasta quantidade de informações que recebemos e com as 
quais nos deparamos na vida diária. 
O artigo Imagens no espelho de Vênus: mulher, 
enfermagem e modernidade, de Moreira (1999), 
traz importantes reflexões acerca do tema e está 
disponível neste link.
Deve-se destacar que todos os estereótipos, seja sobre mulheres, Enfermeiras, 
suas atribuições ou em outros contextos, compartilham a característica 
comum de simplificar o mundo: “percebemos e interpretamos as pessoas 
e suas funções sociais não em termos de suas características pessoais 
únicas, mas a partir de características estereotipadas que atribuímos a 
todos os membros de um mesmo grupo particular” (FELDMAN, 2015).
https://www.scielo.br/j/rlae/a/mxHybkx9Ss6bD44DkMmyNVm/abstract/?lang=pt
108
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FIGURA 1 – PRECONCEITOS OCASIONAM UMA SÉRIE DE CONFLITOS E INTERFERÊNCIAS 
NEGATIVAS NA COMUNICAÇÃO, NO DIA A DIA, QUE PODERIAM SER EVITADOS.
 
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: ilustração de duas pessoas discutindo.
Quando analisamos o preconceito a partir de aspectos cognitivos (percepção, 
atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e 
linguagem) a memória implícita é identificada como o elemento da cognição 
associado a ele. Neste sentido, destaca-se a diferenciação apresentada por 
Feldman (2015, p. 220).
Memória explícita: 
refere-se à recordação intencional ou consciente da informação. 
Quando tentamos lembrar o nome ou a data de algo que 
encontramos ou soubemos anteriormente, estamos pesquisando 
nossa memória explícita.
Memória implícita: 
refere-se às memórias das quais as pessoas não têm consciência, 
mas que podem afetar o desempenho e o comportamento posterior. 
Habilidades que operam automaticamente e sem pensar, tais como 
saltar fora da rota de um automóvel a 89km/h que vem em nossa 
direção enquanto estamos caminhando na lateral de uma rua, ficam 
armazenadas na memória implícita. 
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Feldman (2015) ainda descreve que a memória implícita está relacionada 
ao preconceito e à discriminação que alguns indivíduos expõem diante 
de grupos minoritários, mesmo quando creem e verbalizam não serem 
pessoas preconceituosas. Contudo, avaliando suas memórias implícitas, 
é possível identificar associações negativas relativas aos membros de 
grupos minoritários, as quais podem influenciar seus comportamentos de 
forma inconsciente.
O artigo Estigma e saúde, de Monteiro e Villela 
(2013), é uma ótima opção para você aprofundar 
seus conhecimentos e está disponível aqui.
6.1.2 REDUZINDO PRECONCEITO 
E DISCRIMINAÇÃO
Como avaliar e intervir contra preconceitos e discriminações?
No cotidiano do trabalho em saúde e na vida pessoal, embora fundamentados 
por nenhuma ou poucas evidências, os estereótipos e preconceitos podem 
ter consequências prejudiciais, incluindo um tratamento desigual no acesso 
aos serviços de saúde:
Agir com base em estereótipos negativos resulta em discriminação – 
comportamento dirigido aos indivíduos com base em sua afiliação a um 
grupo particular. A discriminação pode conduzir à exclusão no emprego, 
na vizinhança e nas oportunidades educacionais e pode resultar em 
salários e benefícios mais baixos para membros de grupos específicos. A 
discriminação também pode resultar no tratamento mais propício a grupos 
favorecidos – por exemplo, quando um empregador contrata um candidato 
de seu próprio grupo racial somente por isso (AVERY; MCKAY; WILSON, 
2008; PAGER; SHEPHERD, 2008 apud FELDMAN, 2015, p. 549).
 
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/42091/3/monteiro-9788575415344.pdf
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A análise psicológica sobre a vida do cliente, grupo ou inter-relações avalia 
alguns fatores do desenvolvimento individual da pessoa analisada, assim 
como de seu contexto social, para planejar uma intervenção eficaz que reduza 
o preconceito e a discriminação. Dentre diversas abordagens, Feldman (2015) 
destaca três: 
1) Abordagens de aprendizagem observacional da estereo-
tipia e do preconceito: 
compreende que o comportamento dos responsáveis pelas crianças 
e adolescentes, pais, outros adultos e dos pares, interfere na formação 
dos sentimentos das crianças acerca dos membros de vários grupos, 
moldando comportamentos a partir do exemplo. Como crianças 
influenciadas por pais que elogiam posturas preconceituosas ou 
mesmo aquelas que copiam adultos com tais posturas.
2) Na teoria da identidade social: 
entende-se que usamos os vínculos de afiliação a grupos como uma 
forma de conquistar orgulho e autovalorização. A teoria da identidade 
social sugere que as pessoas tendem a ser etnocêntricas, percebendo 
o mundo por meio da própria perspectiva e julgando os outros em 
termos de sua vinculação a grupos específicos. Slogans de grupos e 
movimentos carregam bandeiras que simbolizam os sentimentos dos 
indivíduos que os integram.
3) Neurociência social: 
essa abordagem procura identificar a base neurológica dos 
comportamentos sociais. Em um exemplo dessa abordagem, 
pesquisadores examinaram a ativação da amígdala e sua relação com 
a estrutura no cérebro que se refere a estímulos e situações, evocando 
emoções. Como a amígdala responde a estímulos ameaçadores, eles 
detectaram maior ativação desta glândula diante de rostos negros, em 
função de associações culturais negativas direcionadas a 
minorias raciais. 
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Realizada a avaliação do contexto individual e social que pode estar relacionado 
a comportamentos preconceituosos e discriminações, psicólogos sociais 
sugerem algumas estratégias para diminuir o impacto negativo destes. 
A primeira dessas estratégias seria: 1) aumentar o contato entre o alvo da 
estereotipia e aquele que atribui o estereótipo: demonstra que aumentar 
a interação e relação íntima entre as pessoas pode reduzir a estereotipia 
negativa. Entretanto, somente certos tipos de contato provavelmente 
reduzirão o preconceito e a discriminação. Entende-se que situações nas 
quais o contato é relativamente íntimo, “os indivíduos são de mesmo status 
ou os participantes precisam cooperar entre si ou dependem uns dos outros 
têm maior probabilidade de reduzir a estereotipia” (DOVIDIO, GAERTNER, 
KAWAKAMI, 2003; TROPP, PETTIGREW, 2005; PETTIGREW; TROPP, 2006 apud 
FELDMAN, 2015, p.552-553).
A segunda abordagem refere-se a 2) tornar mais visíveis os valores e as normas 
contra o preconceito: às vezes, simplesmente lembrar as pessoas acerca dos 
valores que elas já têm sobre conceitos como igualdade e tratamento justo 
seria suficiente para reduzir a discriminação. Compreende-se que as pessoas 
que “ouvem outras fazendo fortes e veementes declarações antirracistas têm 
maior probabilidade de condenar com ênfase o racismo” (CZOPP; MONTEITH, 
2006; PONTEROTTO; UTSEY; PEDERSEN, 2006; TROPP; BIANCHI, 2006 apud 
FELDMAN, 2015, p. 553).
A terceira estratégia remete a 3) fornecer informações sobre os alvos de 
estereotipia: que, provavelmente, seria o meio mais direto e assertivo de 
modificar atitudes estereotípicas e discriminatórias, pois envolve a prática do 
educar. Assim, ensinar pela educação as pessoas a serem mais conscientes das 
características positivas dos alvos de estereotipia e dos elementos históricos 
que fundamentam esses preconceitos, torna mais eficaz o combate a eles. Por 
exemplo,“quando o significado confuso do comportamento é explicado para 
as pessoas que mantêm estereótipos, elas passam a apreciar o significado 
real do comportamento” (ISBELL; TYLER, 2003; BANKS, 2006; NAGDA; TROPP; 
PALUK, 2006 apud FELDMAN, 2015, p. 553).
Por fim, a quarta intervenção está relacionada a: 4) reduzir a ameaça do 
estereótipo: essa ideia parte do psicólogo social Claude Steele, que afirma 
que muitos afro-americanos sofrem preconceitos e vulnerabilidades aos 
estereótipos, pelos próprios “obstáculos ao desempenho que provêm de sua 
consciência acerca dos estereótipos da sociedade referentes aos membros 
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das minorias” (ARONSON; STEELE, 2005; NUSSBAUM; STEELE, 2007 apud 
FELDMAN, 2015, p. 553). Segundo ele argumenta, os estudantes afro-
americanos que receberam instruções de professores que “podem duvidar de 
suas capacidades e que estabelecem programas terapêuticos especiais para 
auxiliá-los podem vir a aceitar os estereótipos da sociedade e acreditar que 
são propensos a fracassar” (ARONSON; STEELE, 2005; NUSSBAUM; STEELE, 
2007 apud FELDMAN, 2015, p. 553).
Assim, resumidamente, as estratégias para reduzir o impacto de 
comportamentos preconceituosos e discriminações, segundo Feldman 
(2015), são: 
aumentar o contato entre o alvo da estereotipia e aquele 
que atribui o estereótipo: 
a fim de que a aproximação entre eles promova a ampliação de novas 
percepções que atenuem os estereótipos.
2) tornar mais visíveis os valores e as normas contra o 
preconceito: 
por vezes, relembrar os conceitos socialmente vigentes é o bastante 
para tornar consciente preconceitos que não têm mais espaço.
3) fornecer informações sobre os alvos de estereotipia: 
refere-se à prática educativa para alterar atitudes estereotípicas 
e discriminatórias.
4) reduzir a ameaça do estereótipo: 
remete a minimizar a aceitação do estereótipo pelos próprios sujeitos 
estereotipados.
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A fim de aprofundar seus estudos, sugerimos a leitura dos dois textos expostos 
a seguir.
Discriminação, cor/ raça e masculinidade no 
âmbito da saúde, de Monteiro e Cecchetto (2012), 
disponível aqui. Políticas de cotas étnicas no 
ensino superior: análise de narrativas de sujeitos 
do meio universitário, de Ecker e Torres (2015), 
disponível aqui.
6.2 COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E 
NEGATIVO
6.2.1 ATRAÇÃO INTERPESSOAL E RELAÇÕES
Quais fatores interferem no modo como percebemos as pessoas nas relações 
interpessoais?
FIGURA 2 – SOMOS ATRAÍDOS POR CERTAS PESSOAS E RELAÇÕES
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#PraCegoVer: imagem de um coração, remetendo às relações que estabelecemos.
https://books.scielo.org/id/6jhfr/pdf/gomes-9788575413647-06.pdf
https://www.revistas.uepg.br/index.php/emancipacao/article/view/7146/5165
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Os relacionamentos interpessoais e o desenvolvimento das relações 
humanas envolvem a expressão do amor e do gostar. Por que somos atraídos 
por certas pessoas e relações sociais, oferecendo amor, atenção e altruísmo? 
Psicólogos sociais estudam o fenômeno da atração interpessoal (ou das 
relações íntimas) e a forma como as pessoas expressam seus sentimentos 
positivos por outras. Dentre as pesquisas focadas neste tema, encontram-
se os seguintes fatores que inicialmente atraem duas pessoas entre si 
(FELDMAN, 2015): 
Proximidade 
 estudos apontam que a proximidade geográfica é o que viabiliza 
o gostar, como nos casos das amizades que se desenvolvem entre 
pessoas que compartilham os mesmos espaços físicos, como o local 
de estudos e/ ou trabalho.
Mera exposição 
 a consistente exposição a um indivíduo ou mesmo objeto, faz com 
que a atração direcionada a eles seja impulsionada, uma vez que 
a familiarização faz com que sentimentos positivos sejam gerados. 
No entanto, em caso de interações iniciais que sejam negativas, o 
aumento de exposição não tende a alterar este cenário.
Semelhança 
psicólogos sociais afirmam que é mais fácil gostar de quem é parecido 
conosco, o que engloba um universo enorme de possibilidades, 
como atitudes, valores, traços, entre outras. Essa maior chance de 
atração interpessoal ocorre porque acreditamos que em razão desta 
semelhança seremos avaliados positivamente por tais pessoas, o que 
retroalimenta o gostar.
Atração física 
 relacionar o que é bonito a igualmente bom é uma atitude comum, o 
que faz com que pessoas fisicamente atraentes sejam mais populares 
que as desprovidas de atração. Além disso, atratividade e popularidade 
é uma relação que se mostra presente desde a infância, muito embora 
conhecer mais de perto as pessoas faça com que possamos alterar 
esta primeira percepção física em razão dos comportamentos e 
atitudes daqueles belos à primeira vista.
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De modo a complementar seus estudos e conhecimentos, acompanhe a 
indicação de leitura complementar a seguir.
Como leitura complementar, sugerimos o artigo 
Preconceito na enfermagem: percepção de 
enfermeiros formados em diferentes décadas, de 
Jesus et al. (2010), disponível aqui.
6.2.2 COMUNICAÇÃO E HUMANIZAÇÃO
Como o conceito de humanização contribui nas relações em saúde?
O conceito de humanização auxilia-nos a pensar na relação entre as pessoas, 
na comunicação e construção dos sujeitos, já que ele:
[...] vem tendo ampla utilização no campo da saúde, bastante desgastado 
e, em geral, mal compreendido. De um lado, há os que tendem a banalizar, 
reduzindo o termo a algumas regras básicas de educação e cordialidade, 
retratados em expressões como “Claro que é importante ser humano 
com os pacientes! É preciso ser educado e atencioso!”. De outro, existem 
profissionais que se revoltam quando se fala em humanização: “Humanizar 
o quê? Por acaso já não somos humanos?” (MARCO et al., 2012, p. 65).
Marco et al. (2012, p. 65) descrevem essas indagações para propor a reflexão 
de que o processo de humanização não é algo inato aos seres ‘humanos, 
uma vez que “não nascemos humanizados, e o processo de humanização 
está longe de ser algo simples. Ele envolve a construção do sujeito em sua 
realidade física e mental por meio da sedimentação da evolução cultural”. Por 
fim, os autores complementam que “tudo o que a cultura avançou ao longo 
dos milénios é transmitido pela relação e pela comunicação”.
https://www.scielo.br/j/reeusp/a/dxVFMvx39p3ZCHzZLtTgwBq/?lang=pt
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FIGURA 3 – POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO (PNH) DO SISTEMA ÚNICO DE 
SAÚDE BRASILEIRO.
Fonte: Rede Humaniza SUS (2022).
#PraCegoVer: imagem do logotipo do Humaniza SUS.
O conceito de humanização subsidia a Política Nacional de Humanização 
(PNH) do Sistema Único de Saúde brasileiro, fomentando discussões sobre 
um cuidado em saúde com equidade, acesso universal e integralidade, a partir 
da constituição de redes, ampliação do diálogo e da potência colaborativa, 
potência de produção, produção do bem comum, dentre outros princípios, 
valores e diretrizes.
Para saber mais sobre a humanização do 
SUS, sugerimos a leitura do Acervo Digital de 
Humanização, disponível neste link.
O artigo Formação em psicologia: o princípio da 
integralidade e a teoria da autopoiese, de Guareschi 
et al. (2014), também traz importantes questões e 
está disponível aqui.
https://redehumanizasus.net/acervo-digital-de-humanizacao/
https://pssaucdb.emnuvens.com.br/pssa/article/view/320/363
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Considerando que o processo de humanização ocorre por meio da 
comunicação e das relações, Wilfred Bion (1991), ao pensar a função de 
continente e contido, propõe o seguinte termo, rêverie: termo que auxilia a 
compreender sobre o processo que: 
[...] promove a mentalização das vivências pela criança [...] ela é a capacidade 
mental que Bion descreveu inicialmente como atributo importante da 
mãe [...] cuja situação paradigmática é a capacidade dela de tolerar a 
identificação projetiva do pânico e do terror sem nome que o bebê efetua, 
contendo e transformando essas emoções, de forma que a criança sinta que 
está recebendo de volta a sua temida personalidade de uma maneira que 
lhe é agora mais tolerável (BION, 1991 apud MARCO et al., 2012, p. 68).
Essa capacidade é entendida pelos autores como algo que se amplia nas 
relações sociais, ocorrendo um crescimento que vem acompanhado de uma 
evolução emocional quando a pessoa obtém relações intersubjetivas que 
permitam promover essa “transformação da base psíquica do ser” (MARCO 
et al., 2012, p. 68).
Como leitura complementar, indicamos a leitura 
do artigo Holding e rêverie: postura do coordenador 
de grupo de reflexão com educadoras em um 
abrigo, de Lam (2010), disponível neste link.
6.2.3 AGRESSÃO E RAIVA
Como compreender a agressão e a raiva no contexto de trabalho?
Ao ser observado o cotidiano, percebe-se que os jornais, noticiários, redes 
sociais e outros tipos de mídias divulgam diferentes exemplos de situações 
que poderiam ser consideradas “exemplos de agressão tanto no nível da 
sociedade (guerra, invasão, assassinato) quanto no nível individual (crime, 
abuso infantil e as muitas crueldades mesquinhas que os humanos são 
capazes de infligir uns aos outros)” (FELDMAN, 2015, p. 559). 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-24902010000100005
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Para aprofundar seus conhecimentos, sugerimos 
a leitura do artigo Manejo de paciente agitado ou 
agressivo, de Mantovani et al. (2010), disponível 
neste link.
Feldman (2015, p. 559) questiona: “essa agressão é parte inevitável da condição 
humana? Ou a agressão é primeiramente produto de circunstâncias 
particulares que, se modificadas, poderiam reduzi-la?”. O autor expõe 
a dificuldade de responder essas perguntas com alguma afirmação 
generalizante, considerando que seria necessário definir melhor o termo 
agressão, assim como analisar cada situação em seu contexto específico e 
conjuntura singular. Em termos de definição, Feldman (2015, p. 560) propõe 
que agressão “é a lesão ou dano intencional a outra pessoa”.
Para algumas abordagens da psicologia social, o comportamento agressivo 
pode ser pensado de diferentes maneiras:
Abordagens do instinto: agressão como uma liberação - as teorias do 
instinto, que observam a prevalência da agressão não somente em humanos, 
mas também em animais, propõem que a agressão é primeiramente o 
resultado de impulsos inatos – ou congênitos. Sigmund Freud foi um dos 
primeiros a sugerir, como parte de sua teoria da personalidade, que a 
agressão é sobretudo um impulso instintual. [...] A abordagem do instinto de 
Lorenz levou à noção controversa de que a energia agressiva se desenvolve 
constantemente em um indivíduo até que a pessoa finalmente a descarrega 
em um processo chamado de catarse. Quanto mais tempo a energia leva 
para se desenvolver, diz Lorenz, maior a quantidade da agressão exibida 
quando ela é descarregada. (FELDMAN, 2015, p. 560)
Abordagens da frustração-agressão: agressão como reação à frustração 
- a teoria da frustração-agressão tenta explicar a agressão em termos de 
eventos. Ela pressupõe que a frustração (a reação ao impedimento ou ao 
bloqueio dos objetivos) produz raiva, o que gera uma prontidão para agir 
agressivamente. A ocorrência real da agressão depende da presença de 
indícios agressivos, estímulos que foram associados no passado à agressão 
ou violência real e que irão desencadear novamente agressão (BERKOWITZ, 
2001 apud FELDMAN, 2015, p. 560).
Abordagens de aprendizagem observacional: aprendendo a ferir os 
outros - aprendemos a ser agressivos? A abordagem da aprendizagem 
observacional (por vezes chamada de aprendizagem social) da agressão diz 
https://www.scielo.br/j/rbp/a/5sFSTKMhdRN6Vp7WkcbYBJg/?lang=pt#
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que aprendemos. Assumindo um ponto de vista quase oposto das teorias 
dos instintos, que se detêm nas explicações inatas da agressão, a teoria da 
aprendizagem observacional enfatiza que as condições sociais e ambientais 
podem ensinar os indivíduos a serem agressivos. Ela vê a agressão não como 
inevitável, mas como uma reposta aprendida que pode ser compreendida 
em termos de recompensas e punições. (FELDMAN, 2015, p. 561)
Para ampliar seus conhecimentos, sugerimos 
a leitura do texto Violência no trabalho: guia de 
prevenção para os profissionais de enfermagem, 
do Coren-SP (2017), disponível neste link.
Desviando do tema da agressão, com foco em seu lado quase oposto, 
pode-se pensar nos comportamentos de ajuda a partir de dois conceitos: 
1. comportamento pró-social – esse conceito se refere à intervenção 
do espectador em situações em que ocorrem emergências. O que 
leva alguém a ajudar uma pessoa necessitada, quais fatores? Um 
fator crucial, segundo a bibliografia, seria o número de outras pessoas 
presentes no mesmo ambiente. Quando “mais de uma pessoa 
testemunha uma situação de emergência, pode surgir um senso de 
difusão da responsabilidade entre os espectadores” (FELDMAN, 2015, p. 
561).
2. difusão da responsabilidade – esse conceito remete à crença de que a 
responsabilidade pela intervenção é compartilhada, ou distribuída, ou 
seja, as pessoas presentes no ambiente em que ocorre a emergência se 
compreendem como pertencentes a um mesmo grupo. Assim, quanto 
“mais pessoas estão presentes em uma emergência, menos responsável 
pessoalmente se sente cada indivíduo – e, portanto, menos ajuda ele 
oferece” (FELDMAN, 2015, p. 561). 
https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2018/01/PDF-site-2.pdf
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FIGURA 4 - OS PASSOS BÁSICOS DA AJUDA
 
 
Interpretar o evento como algo 
que requer ajuda. 
Assumir a responsabilidade 
pela ajuda. 
Decidir e executar uma 
forma de ajuda. 
 
Fonte: Feldman (2015, p.561).
#PraCegoVer: imagem de quatro passos relacionados à ajuda – observar a situação, 
interpretar o evento, assumir a responsabilidade e decidir ajudar.
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CONCLUSÃO
Você chegou ao final da Unidade 6 de Psicologia Aplicada à Enfermagem. Esta 
unidade teve como propósito estudar sobre a psicologia social: preconceito, 
discriminação e comportamento social positivo e negativo. Para tanto, 
introduziu aspectos teóricos relacionados ao preconceito e à discriminação 
nas relações sociais, analisando sobre como eles fundamentam a sociedade, 
as práticas profissionais e nossa cognição. Por fim, propôs abordar a temática 
das relações interpessoais, relacionando os conceitos de humanização e da 
agressão e raiva como temas que emergem no cotidiano do trabalho em 
saúde com o cliente, grupos e inter-relações.
Parabéns pela conquista, você concluiu a etapa de estudos sobre Psicologia 
Aplicada à Enfermagem! 
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Acesso em: 20 set. 2021.
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MARCO, M. A. Modelos de comunicação e comunicação em saúde. (In) MARCO, M. A. et al. 
Psicologia médica: abordagem integral do processo saúde-doença. Porto Alegre: ArtMed, 
2012. Livro digital. (1 recurso online). Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/
books/9788536327556. Acesso em: 20 set. 2021.
MARCO, M. A.; et al. Psicologia médica: abordagem integral do processo saúde-doença. 
Porto Alegre: ArtMed, 2012. Livro digital. (1 recurso online). Disponível em: https://integrada.
minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556. Acesso em: 20 set. 2021.
PA. American Psychiatric Association. Manualdiagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 
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Diagnosico-e-Estatistico-de-Transtornos-Mentais-DSM-5-1-pdf. Acesso em: 20 set. 2021.
PASSOS, E. De anjos a mulheres: ideologias e valores na formação de enfermeiras [online]. 2nd 
ed. Salvador: EDUFBA, 2012, 198p. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/mnhy2/pdf/
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556
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	Apresentação da disciplina
	1 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: GESTAÇÃO, INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
	1.1 GESTAÇÃO
	1.2 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
	2 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: IDADE ADULTA, PERSONALIDADE E ENVELHECIMENTO
	2.1	IDADE ADULTA E PERSONALIDADE
	2.2 ENVELHECIMENTO
	3. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: DOENÇA E BEM-ESTAR; TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES
	3.1	DOENÇA E BEM-ESTAR
	3.2	TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS 
E INTERVENÇÕES
	4. PSICOLOGIA SOCIAL: ATITUDES E COGNIÇÃO SOCIAL
	4.1	ATITUDES
	4.2 COGNIÇÃO SOCIAL
	5. PSICOLOGIA SOCIAL: INFLUÊNCIA SOCIAL E GRUPOS
	5.1	INFLUÊNCIA SOCIAL	
	5.2	Grupos
	6. PSICOLOGIA SOCIAL: PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO E COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO
	6.1	PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO
	6.2 COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO
	Figura 1. Fatores ambientais que influenciam o desenvolvimento pré-natal
	Figura 2: Características influenciadas por fatores genéticos
	Figura 3: Reflexos involuntários fazem parte da expressão do neonato
	Figura 4: Nos primeiros anos de vida a capacidade de se movimentar e interagir com o ambiente cresce de modo notável, facilitando a constituição de aspectos psicológicos da criança
	Figura 5: O desenvolvimento psicológico de uma saúde integral, nas diferentes infâncias, envolve múltiplos contextos de intervenção
	Figura 6: Lawrence Kohlberg propõe uma sequência de três níveis de raciocínio moral, com ordem fixa (o psicólogo argumenta que poucas pessoas atingem o nível 3 de moralidade)
	Figura 1 – Idade adulta como um período para pensarmos sobre definições como quem somos e quem queremos ser nos diferentes âmbitos da vida
	Figura 2 – Adultos
	Figura 3 – Família entendida como um ambiente com pessoas ou outros seres vivos que produzam a sensação de proximidade: mútuo afeto, comunicação, aceitação e respeito.
	Figura 4 – desenvolvimento da personalidade desde cedo
	Figura 5 – Autoestima e autoeficácia são crenças sobre nós mesmos/as que estariam relacionadas à execução de tarefas no dia a dia, influenciando expectativas de erro ou acerto
	Figura 6 – Formas de aprimorar a comunicação com a pessoa idosa
	Figura 7 – Como a morte aparece no cotidiano da pessoa idosa
	Figura 1 – Na perspectiva do adoecer como um processo, o adoecimento que se instala no sujeito humano se desenvolve a partir da confluência de uma série de fatores.
	Figura 2 – Atenção aos sinais do corpo.
	Figura 3 – Adoecimento psíquico
	Figura 4 – A complexidade e diversidade da mente humana exige diferentes abordagens teóricas e técnicas da psicologia nos tratamentos e intervenções em saúde
	Figura 1 - O conceito de atitudes relaciona-se a como nos moldamos e como o mundo nos molda
	Figura 2 – Rotas para persuasão que impactam nas mudanças de atitudes duradouras
	Figura 1 – Por que as pessoas se comportam dessa maneira?
	Figura 2 – Relações de poder
	Figura 3 – Diálogo
	Figura 1 – Preconceitos ocasionam uma série de conflitos e interferências negativas na comunicação, no dia a dia, que poderiam ser evitados.
	Figura 2 – Somos atraídos por certas pessoas e relações
	Figura 3 – Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde brasileiro.
	Figura 4 - Os passos básicos da ajuda
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