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PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória, e com a Educação a Distância presente em todo estado do Espírito Santo, e com polos distribuídos por todo o país. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como referência em qualidade educacional. R E I TO R GRUPO MULTIVIX R E I 2 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) Daniel Dall’Igna Ecker Psicologia Aplicada à Enfermagem / ECKE, LL’IGNA DA DANIEL - Multivix, 2022 Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2020 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 4 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS UNIDADE 1 Figura 1. Fatores ambientais que influenciam o desenvolvimento pré-natal 12 Figura 2: Características influenciadas por fatores genéticos 15 Figura 3: Reflexos involuntários fazem parte da expressão do neonato 17 Figura 4: Nos primeiros anos de vida a capacidade de se movimentar e interagir com o ambiente cresce de modo notável, facilitando a constituição de aspectos psicológicos da criança 20 Figura 5: O desenvolvimento psicológico de uma saúde integral, nas diferentes infâncias, envolve múltiplos contextos de intervenção 27 Figura 6: Lawrence Kohlberg propõe uma sequência de três níveis de raciocínio moral, com ordem fixa (o psicólogo argumenta que poucas pessoas atingem o nível 3 de moralidade) 29 UNIDADE 2 Figura 1 – Idade adulta como um período para pensarmos sobre definições como quem somos e quem queremos ser nos diferentes âmbitos da vida 35 Figura 2 – Adultos 36 Figura 3 – Família entendida como um ambiente com pessoas ou outros seres vivos que produzam a sensação de proximidade: mútuo afeto, comunicação, aceitação e respeito. 37 Figura 4 – desenvolvimento da personalidade desde cedo 42 Figura 5 – Autoestima e autoeficácia são crenças sobre nós mesmos/ as que estariam relacionadas à execução de tarefas no dia a dia, influenciando expectativas de erro ou acerto 44 Figura 6 – Formas de aprimorar a comunicação com a pessoa idosa 47 Figura 7 – Como a morte aparece no cotidiano da pessoa idosa 50 5 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS UNIDADE 3 Figura 1 – Na perspectiva do adoecer como um processo, o adoecimento que se instala no sujeito humano se desenvolve a partir da confluência de uma série de fatores. 56 Figura 2 – Atenção aos sinais do corpo. 58 Figura 3 – Adoecimento psíquico 64 Figura 4 – A complexidade e diversidade da mente humana exige diferentes abordagens teóricas e técnicas da psicologia nos tratamentos e intervenções em saúde 69 UNIDADE 4 Figura 1 - O conceito de atitudes relaciona-se a como nos moldamos e como o mundo nos molda 78 Figura 2 – Rotas para persuasão que impactam nas mudanças de atitudes duradouras 82 UNIDADE 5 Figura 1 – Por que as pessoas se comportam dessa maneira? 91 Figura 2 – Relações de poder 95 Figura 3 – Diálogo 99 UNIDADE 6 Figura 1 – Preconceitos ocasionam uma série de conflitos e interferências negativas na comunicação, no dia a dia, que poderiam ser evitados. 108 Figura 2 – Somos atraídos por certas pessoas e relações 113 Figura 3 – Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde brasileiro. 116 Figura 4 - Os passos básicos da ajuda 120 6 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1UNIDADE SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 7 1 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: GESTAÇÃO, INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 9 1.1 GESTAÇÃO 10 1.2 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 18 2 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: IDADE ADULTA, PER- SONALIDADE E ENVELHECIMENTO 32 2.1 IDADE ADULTA E PERSONALIDADE 33 2.2 ENVELHECIMENTO 45 3. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: DOENÇA E BEM-ESTAR; TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES 53 3.1 DOENÇA E BEM-ESTAR 54 3.2 TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES 62 4. PSICOLOGIA SOCIAL: ATITUDES E COGNIÇÃO SOCIAL 75 4.1 ATITUDES 76 4.2 COGNIÇÃO SOCIAL 82 5. PSICOLOGIA SOCIAL: INFLUÊNCIA SOCIAL E GRUPOS 88 5.1 INFLUÊNCIA SOCIAL 5.2 GRUPOS 95 6. PSICOLOGIA SOCIAL: PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO E COMPORTA- MENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO 104 6.1 PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO 105 6.2 COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO 112 2UNIDADE 3UNIDADE 4UNIDADE 5UNIDADE 6UNIDADE 7 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS ICONOGRAFIA 8 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A disciplina Psicologia Aplicada à Enfermagem objetiva proporcionar uma introdução aos conceitos básicos em psicologia do desenvolvimento hu- mano e sua aplicabilidade na atuação da enfermagem: gestação; primeira infância e infância; adolescência; idade adulta; personalidade; aspectos psi- cológicos da doença e do bem-estar; transtornos psicológicos; tratamento dos transtornos psicológicos e intervenções em saúde mental. Nesse sen- tido, também se propõe a apresentar contribuições da psicologia social na compreensão do comportamento psicológico humano em intersecção com a prática da enfermagem, na relação com cliente, grupo de trabalho e inter-relações. Com isso, introduz alguns conceitos sobre comportamento humano e saúde mental que envolvem o cotidiano profissional da enfer- magem no trabalho com pessoas: atitudes e cognição social; influência so- cial e grupos; preconceito e discriminação; comportamento social positivo e negativo. Ao fim da disciplina, espera-se que você esteja habilitada(o) a empregar conceitos relacionados a psicologia no trabalho em saúde e na compreensão da pessoa humana e de seus aspectos psíquicos. UNIDADE 1 > Compreender os conceitos básicos da Administração de Pessoal. > Familiarizar-se com o tema e promover melhor absorção do conteúdo. >Lorem ipsum >Lorem ipsum OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 9 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM > Conheceraspectos determinantes no começo da gestação, parto e puerpério relacionados aos aspectos psicológicos. • Que fatores afetam uma criança durante a gravidez? • Qual a relação entre natureza-criação no psiquismo humano? • Como as transformações do pós-parto afetam as > Compreender especificidades do desenvolvimento infantil, da puberdade e da adolescência e aspectos psíquicos. • Quais aspectos psicológicos emergem nos primeiros anos de vida? • Quais são as etapas do desenvolvimento psicológico infantil? • Como a fase da adolescência expressa aspectos psicológicos? 10 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 1 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: GESTAÇÃO, INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA INTRODUÇÃO DA UNIDADE Bem-vinda/o! Esta unidade introduz as primeiras etapas que definem os es- tudos da psicologia do desenvolvimento: gestação, infância e adolescência. Essa área do conhecimento psicológico estuda as etapas do crescimento, as transformações psicológicas que ocorrem ao longo da vida e as variáveis biopsicossociais do desenvolvimento humano (FELDMAN, 2015). A psicologia do desenvolvimento: […] lida com questões que variam desde novas formas de concepção dos filhos, passando pelo aprendizado de como criar os filhos com mais sensibilidade até a compreensão dos marcos da vida que todos enfrentamos. Os psicólogos do desenvolvimento estudam a interação entre o desenrolar de padrões de comportamento biologicamente predeterminados e um ambiente dinâmico em constante mutação […] igualmente, eles procuram entender a forma como o ambiente trabalha com – ou contra – nossas capacidades genéticas, como o mundo em que vivemos afeta nosso desenvolvimento. (FELDMAN, 2015, p. 328). 11 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para entender melhor sobre as variáveis biopsicossociais do desenvolvimento humano, recomendamos a leitura do artigo “Acompanhamento Terapêutico e Direitos Sociais: Territórios existenciais e sujeito biopsico-político- social”, disponível no link: http://pepsic.bvsalud. org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 56652021000200009&lng=pt&nrm=is&tlng=pt. Nesse sentido, esta unidade proporcionará conceitos sobre a psicologia do desenvolvimento na gestação, infância e adolescência, apresentando teorias importantes para os profissionais de saúde na sua prática profissional. O con- teúdo da unidade está organizado por dois tópicos e três subitens em cada tópico. Ao final da unidade, espera-se que você consiga responder questões sobre o desenvolvimento humano nas três primeiras etapas da vida e descre- ver alguns dos seus aspectos psicológicos específicos. Bons estudos! 1.1 GESTAÇÃO A etapa da gestação é uma fase importante para o desenvolvimento da crian- ça, afetando a vida e o organismo da pessoa gestante, do bebê em desenvol- vimento e seu contexto familiar e social. 1.1.1 O COMEÇO DA GESTAÇÃO • Que fatores afetam uma criança durante a gravidez? De forma geral, as sociedades têm certa tendência em valorizar a fertilidade e a maternidade, situando as pessoas grávidas em “um lugar social privilegia- do” (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 172). Nesse sentido, se é algo desejado ter um filho, a mulher ou a pessoa grávida pode experimentar sen- timentos e sensações de potência, criatividade, poder, plenitude, elevando sua autoestima. “Entretanto, a mulher grávida vive, ao longo de nove meses, intensas transformações em seu corpo, em seu psiquismo e no seu contexto social. Ela passa por momentos conturbados, por muitas dúvidas, temores e imprevistos” (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 172). 12 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM FIGURA 1. FATORES AMBIENTAIS QUE INFLUENCIAM O DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL Fator ambiental Possível efeito no desenvolvimento pré-natal Rubéola (sarampo alemão) Cegueira, surdez, anormalidades cardíacas, natimorto Sífilis Retardo mental, deformidades físicas, aborto materno Drogas aditivas Baixo peso ao nascer, adicção do bebê à droga, com possível morte após o nascimento por abstinência Nicotina Nascimento prematuro, peso e tamanho abaixo da média ao nascer Álcool Retardo mental, peso e tamanho abaixo da média ao nascer, cabeça pequena, deformidades nos membros Radiação por raios X Deformidades físicas, retardo mental Dieta inadequada Redução no crescimento do cérebro, peso e tamanho abaixo da média ao nascer Idade da mãe – menos de 18 anos ao nascimento do filho Nascimento prematuro, incidência aumentada de síndrome de Down Idade da mãe – mais de 35 anos ao nascimento do filho Incidência aumentada de síndrome de Down Dietiletilbestrol (DES) Dificuldades reprodutivas e incidência aumentada de câncer genital em filhos de mães que receberam DES durante a gravidez para prevenir aborto espontâneo Aids Possível transmissão do vírus da aids para o bebê; deformidades faciais; falha no crescimento Accutane Retardo mental e deformidades físicas Fonte: Feldman (2015, p. 338). #PraCegoVer: A figura representa um quadro que relaciona, de um lado, os fatores ambientais, e de outro, os respectivos possíveis efeitos no desenvolvimento pré-natal. Rubéola (sarampo alemão): cegueira, surdez, anormalidades cardíacas, natimorto. Sífilis: retardo mental, deformidades físicas, aborto materno. Drogas aditivas: baixo peso ao nascer, adição do bebê à droga, com possível morte após o nascimento por abstinência. Nicotina: nascimento prematuro, peso e tamanho abaixo da média ao nascer. Álcool: retardo mental, peso e tamanho abaixo da média ao nascer, cabeça pequena, deformidades nos membros. Radiação por raios X: deformidades físicas, retardo mental. Dieta inadequada: redução no crescimento do cérebro, peso e tamanho abaixo da média ao nascer. Idade da mãe – menos de 18 anos ao nascimento do filho: nascimento prematuro, incidência aumentada de síndrome de Down. Idade da mãe – mais de 35 anos ao nascimento do filho: incidência aumentada de síndrome de Down. Dietiletilbestrol (DES): dificuldades reprodutivas e incidência aumentada de câncer genital em filhos de mães que receberam DES durante a gravidez para prevenir aborto espontâneo. Aids: possível transmissão do vírus da aids para o bebê; deformidades faciais; falha no crescimento. Accutane: retardo mental e deformidades físicas. 13 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Além dos fatores ambientais (figura 1), que podem ter impacto no desenvol- vimento psicológico da criança na primeira etapa da vida, durante a gestação aparecem muitos sentimentos ambivalentes na pessoa grávida. Oscilar en- tre querer ter filha/o e não querer, aceitar a criança e rejeitá-la, amar e odiar a criança, positivar as transformações corporais da gestação ou negativá-las constitui fenômenos naturais na etapa da gestação (LUCCHESE; ABUD; ZIM- MERMANN, 2012). A rede social de apoio e os ambientes hostis e de vulnerabilidade social (po- breza, constantes conflitos, riscos ambientais, adoção) interferem no desen- volvimento da criança, já que: “desde os 6 meses de gestação, ele já possui os sistemas olfativo, gustativo, auditivo e sensorial […] mãe e bebê […] estão envolvidos em um diálogo muito antes do nascimento, e o nível e estado de atividade emocional entrelaça-se” (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 174). A rede social de apoio (familiares, amigos, vizinhos, serviços de saúde, assistên- cia social, dentre outros), ou a falta dela, também afeta a forma como o casal grávido vive e enfrenta as oscilações psicológicas que podem ocorrer. Temo- res e angústias, vividas pela pessoa grávida, podem ser amenizadas quando há uma rede social de apoio que produzacolhimento, proteção e suporte nos momentos necessários. Nesse sentido, cabe a/ao profissional acolher os sentimentos e sensações am- bivalentes, orientando a pessoa grávida de que essas oscilações e contradi- ções são esperadas nessa etapa da vida. A ocorrência de intensas alterações hormonais no período gestacional, intensificam sensações e sentimentos contraditórios. Sugere-se como intervenção da/o profissional, também, uma articulação com a comunidade e com os diferentes serviços de saúde e de assistência social, para fortalecimento da rede social de apoio do casal grá- vido. Cabe destacar que é necessário à/ao profissional situar os sintomas e sentimentos da pessoa grávida em sua história particular de vida, já que eles só poderão ser decodificados dentro desse contexto (LUCCHESE; ABUD; ZIM- MERMANN, 2012). 14 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 1.1.2 PARTO • Qual a relação entre natureza-criação no psiquismo humano? O momento do parto é considerado um evento estressante psicologicamen- te, por ser uma situação crítica: momento de passagem de um estado a outro, irreversível, sem retorno, em que não se tem controle de alguns fatores, sendo o processo imprevisível e desconhecido (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012). Diferentemente da gravidez, que é lenta e gradual, o parto é um pro- cesso abrupto, doloroso, em que a pessoa grávida “perde” parte de si mesma, em que a “[…] relação materno-filial pode ficar perturbada, na medida em que a mãe não consegue perceber as características peculiares de seu bebê, já que o considera como uma projeção ou extensão de si própria” (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 179). Sugere-se no trabalho de parto que se incentive a pessoa a participar e coo- perar, “pois isso confere uma sensação de competência a futura mãe” (LUC- CHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 180). É importante, também, uma escuta atenta às queixas dos envolvidos, para que se diferenciem sintomas emocionais comuns de expressões psicopatológicas, como depressão ou psi- cose pós-parto (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012). Por ser um momento em que o bebê se torna exposto a uma série de fatores externos, que ultrapassam o ambiente anteriormente protegido do útero da mãe, a discussão sobre o impacto da natureza versus criação na constituição do psiquismo após o parto se intensifica. Atualmente, psicólogas/os do de- senvolvimento concordam que ambas, natureza e criação, interatuam para produzir padrões e resultados desenvolvimentais específicos: A pergunta é a seguinte: como podemos distinguir entre as causas ambientais do comportamento (a influência de pais, irmãos, família, amigos, escolaridade, nutrição e todas as outras experiências às quais uma criança é exposta) e as causas hereditárias (aquelas baseadas na constituição genética de um indivíduo que influenciam o crescimento e o desenvolvimento ao longo da vida)? Essa pergunta engloba a questão da natureza-criação. (FELDMAN, 2015, p. 328). Algumas teorias do desenvolvimento se fundamentam nos princípios psi- cológicos básicos do aprendizado, ou seja, enfatizam que a aprendizagem, aquilo que é ensinado e utilizado de exemplo para criança, desempenha pa- 15 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM pel central na produção de mudanças no comportamento da própria criança (FELDMAN, 2015). Já outras abordagens teóricas vão situar o funcionamento fisiológico, com aspectos biológicos da criança, como central para seu desen- volvimento. Nesse sentido, destacam o papel da hereditariedade e da matu- ração na constituição psíquica, havendo alguns padrões de comportamento biologicamente predeterminados e etapas de maturação das características individuais (FELDMAN, 2015). FIGURA 2: CARACTERÍSTICAS INFLUENCIADAS POR FATORES GENÉTICOS Características físicas Características intelectuais Características emocionais e transtornos Altura Peso Obesidade Tom de voz Pressão sanguínea Cáries Habilidade atlética Firmeza no aperto de mão Idade da morte Nível de atividade Memória Inteligência Idade de aquisição da linguagem Déficit de leitura Retardo mental Timidez Extroversão Emocionalidade Neuroticismo Esquizofrenia Ansiedade Alcoolismo Fonte: Feldman (2015, p. 330). #PraCegoVer: A figura representa três grupos de características influenciadas por fatores genéticos. Características físicas: altura, peso, obesidade, tom de voz, pressão sanguínea, cáries, habilidade atlética, firmeza no aperto de mão, idade da morte, nível de atividade. Características intelectuais: memória, inteligência, idade de aquisição da linguagem, déficit de leitura, retardo mental. Características emocionais e transtornos: timidez, extroversão, emocionalidade, neuroticismo, esquizofrenia, ansiedade, alcoolismo. Sobre aspectos do parto, este é compreendido como um momento crucial para a família e a criança, considerando que com ele se inicia uma nova etapa de cuidados, com significativa alteração da rotina mínima: sono, alimentação, higiene e autocuidado de todos os envolvidos. Cabe a/ao profissional auxiliar 16 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM a família e os/as cuidadores/as na organização dessa rotina e no planejamento das ações de cuidado, assim como na construção da rede social de apoio para diferentes necessidades que possam surgir. Ficar atento a mudanças bruscas de comportamento, ou oscilações intensas nas emoções, torna-se ferramenta importante para a avaliação psicológica nesse período. 1.1.3 PUERPÉRIO • Como as transformações do pós-parto afetam as emoções? O puerpério, período pós-parto, é uma etapa de mudanças intra e interpes- soais, que pode acarretar crises emocionais, devido a seus imprevistos e suas transformações. O corpo da pessoa grávida se separa do bebê, a gestante tor- na-se mãe, e o feto torna-se filho. Alguns sentimentos são comuns, por exem- plo: medo em fazer algum mal para criança, seja por descontrole emocional ou descuido; temor em não conseguir garantir cuidados mínimos ao bebê; receio de não conseguir amá-lo; dúvidas sobre amamentação, banho, troca de fraldas, alimentação, higiene; entre outras práticas. Tudo isso pode produ- zir insegurança e fragilidade emocional (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012). Voltando para a casa, a mulher vive um estado de fragilidade psíquica, temendo de não dar conta de cuidar do lar, dos filhos, do marido. Nesse período, ela se torna extremamente sensível, muitas vezes confusa, até mesmo desesperada. A ansiedade e a depressão reativa, são extremamente comuns. A amamentação, importante para a saúde do bebê, pode encontrar problemas, em geral causados pela ansiedade da mãe, que vivencia um conflito entre o “eu” (tendência egoísta) e sua tendência maternal (altruísta), além de sentir-se ou não à vontade com o prazer sensual de amamentar. Esse conflito eu versus mãe, pode expressar-se pelo atrito entre ter uma vida profissional e cuidar dos filhos, o qual é intensificado pela sociedade atual que cobra da mulher o cumprimento de ambos os papéis sociais. (LUCCHESE; ABUD; ZIMMERMANN, 2012, p. 182). Em relação a/ao recém-nascida/o, tem-se um corpo do bebê que passa a exis- tir separado do corpo da pessoa puérpera. Existem fatores que podem causar estranheza na aparência do neonato – como o aperto de seus ossos no des- locamento pelo canal de parto ou por acúmulo de líquidos –, tornando gra- dual o processo de familiarização entre ele e seus/suas cuidadores/as. Em um primeiro momento, suas alterações físicas podem produzir sentimentos de 17 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 estranhezae/ou rejeição, fazendo com que seja processual a constituição de uma aparência mais familiar e a produção da intimidade entre os envolvidos (FELDMAN, 2015). As características do bebê mudam durante as duas primeiras semanas de existência e são impressionantes “[…] as capacidades que um neonato come- ça a apresentar desde o momento do nascimento – capacidades que crescem em ritmo excepcional ao longo dos meses seguintes” (FELDMAN, 2015, p.340). FIGURA 3: REFLEXOS INVOLUNTÁRIOS FAZEM PARTE DA EXPRESSÃO DO NEONATO Fonte: Feldman (2015, p. 340). #PraCegoVer: A figura representa uma fotografia em preto e branco de um bebê sorrindo e segurando um dedo. Os reflexos são recursos orgânicos que a/o bebê possui, essenciais para sua so- brevivência e o exercício das emoções, que o/a acompanham ao longo de sua contínua maturação e podem ser trabalhados pela/o profissional de enferma- gem, na qualificação da relação entre o neonato e seus cuidadores. Brinca- deiras e exercícios, como o uso de sons e objetos adaptados para a idade do neonato, podem potencializar as habilidades do bebê na sua comunicação e expressão, facilitando o vínculo entre ele e quem a/o cuida. 18 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Os inúmeros reflexos do neonato fazem parte da sua forma de comportamen- to, expressão, comunicação e interação com o mundo após seu nascimento: “reflexos – respostas involuntárias não aprendidas que ocorrem automatica- mente na presença de certos estímulos” (FELDMAN, 2015, p. 340). Dentre os reflexos abordados na literatura científica, podemos citar, segundo Feldman (2015, p. 340): Reflexo perioral […] faz com que os neonatos voltem sua cabeça na direção de coisas que toquem suas bochechas – como o mamilo da mãe ou a mamadeira. Reflexo de sucção […] impele os bebês a sugarem as coisas que tocam seus lábios. Reflexo da mordaça […] limpar a garganta. Reflexo de alarme […] uma série de movimentos em que o bebê estende os braços, estende os dedos e arqueia as costas em resposta a um ruído repentino. Reflexo de Babinski […] os dedos dos pés do bebê estendem-se quando a borda externa da sola do pé é pressionada. 19 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1.2 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA A infância e a adolescência são períodos cruciais no desenvolvimento huma- no, formando a base constitutiva da pessoa adulta. 1.2.1 PRIMEIRA INFÂNCIA • Quais aspectos psicológicos emergem nos primeiros anos de vida? A construção de vínculo entre a/o bebê e seus cuidadores, gradativamente, se intensifica e se fortalece à medida que são superadas as dificuldades ine- rentes ao desenvolvimento infantil. Nesse processo, as afinidades familiares se tornam algo construído diariamente, em uma relação psicológica de ex- pectativas (significações) e respostas a essas expectativas, que ocorrem no encontro entre pais e bebê (ABUD; ZIMMERMANN; LUCCHESE, 2012). Nessas significações iniciais que são projetadas no filho, tarefa necessária para que ele inicie um processo de subjetivação, encontramos restos inconscientes – desejos e fantasias, expectativas e sonhos – dos pais, que organizam uma forma inicial de essa criança perceber a si mesmo e o mundo a seu redor. […] Muitas vezes, a criança, estruturada de forma incipiente, encontra dificuldades de se desprender disso e se adequar ao que realmente pode sentir como seu, por ser muito diferente do que lhe foi traçado ou por não conseguir atingir determinadas expectativas. (ABUD; ZIMMERMANN; LUCCHESE, 2012, p. 187). Nesse sentido, os aspectos psicológicos da criança nos primeiros anos de vida se constroem na relação com seus cuidadores, sendo as informações proces- sadas pelos/as bebês relacionadas às expressões que elas recebem do am- biente externo – como pais, mães, cuidadores – e dos demais envolvidos em seu contexto social (FELDMAN, 2015). Rostos felizes, rostos tristes, sorrisos, ros- tos zangados, rostos com raiva, sons em intensidade baixa e sons em intensi- dade alta, como gritos, impactam de forma positiva ou negativa o modo como a criança processa as expressões emocionais de seu entorno. “Quando os pais orgulhosos olham nos olhos de seu neonato, a criança é capaz de retribuir o olhar?” (p. 341). Autores/as têm afirmado que as capacidades das crianças são impressionantes, ainda que tenham algumas limitações de linguagem, são capazes de reagir a diversos estímulos e movimentos que acontecem ao seu redor, interagindo com eles (FELDMAN, 2015). 20 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM FIGURA 4: NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA A CAPACIDADE DE SE MOVIMENTAR E INTERAGIR COM O AMBIENTE CRESCE DE MODO NOTÁVEL, FACILITANDO A CONSTITUIÇÃO DE ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA CRIANÇA 3,2 meses: rola 3,3 meses: segura o chocalho 5,9 meses: senta sem apoio 11,5 meses: fica de pé sozinho 12,3 meses: caminha bem 14,8 meses: constrói torres de dois cubos 16,6 meses: sobe escadas 23,8 meses: pula no lugar 8,2 meses: segura com o polegar e outro dedo 7,2 meses: fica de pé com apoio Fonte: Frankenburg et al. (1992). #PraCegoVer: A figura representa uma sequência de desenhos de várias fases da infância, ligados a habilidades desenvolvidas em cada uma. 3,2 meses: rola. 3,3 meses: segura o chocalho. 5,9 meses: senta sem apoio. 7,2 meses: fica de pé com apoio. 8,2 meses: segura com o polegar e outro dedo. 11,5 meses: fica de pé sozinho. 12,3 meses: caminha bem. 14,8 meses: constrói torres de dois cubos. 16,6 meses: sobe escadas. 23,8 meses: pula no lugar. A interação da criança com contexto social e cuidadores – pai, mãe, avós, pri- mos, entre outros – é elemento central para seu desenvolvimento. Ao profis- sional cabe avaliar as diferentes formas de apego – seguro, evitativo, ambiva- lente e desorganizado-desorientado (FELDMAN, 2015, p. 346) – que podem ocorrer nessas relações. À medida que a criança interage com seus pares de idades próximas, vão se formando diversos vínculos, simultaneamente, que estimulam a interação de modo ativo, modificando seu comportamento e das outras crianças, pelas trocas de papéis durante o jogo. “Por meio do jogo, elas aprendem a assumir a perspectiva das outras pessoas e a inferir os pensamentos e sentimentos dos outros, mesmo quando esses pensamentos e sentimentos não são expressos diretamente” (ROYZMAN; CASSIDY; BARON, 2003). Como interagir com a criança? Participar de atividades mais físicas, jogos ou esportes que envolvam o corpo de forma mais ampla (motricidade global) ou específica (motricidade fina), assim como brincadeiras verbais ou de raciocínio, estimula diferentes habilidades na criança e a auxiliam no autoconhecimento corporal e psicológico (FELDMAN, 2015). 21 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Desse modo, na intervenção da/o profissional de enfermagem com a primei- ra infância, o uso de brincadeiras e jogos, físicos ou verbais, pode ser uma es- tratégia de atuação profissional. Leia o artigo “Relato de experiência no Programa PIM-PIA: Políticas Públicas e primeira infância”, para entender mais sobre as questões dessa fase da vida, no link: http://periodicos. pucminas.br/index.php/ percursoacademico/article/ view/8420/9267. Trabalhar as relações interpessoais por meio de jogos e brincadeiras, estimulando a criança a aprender a interagir com o pró- prio profissional e seu entorno, emerge como possibilidade de acolher aspectos psicológicos que surgem nessas relações. Na etapa da primeira infância, também é importante uma atuação profissional que organize uma rede de cuidado integral em torno da criança e de seus cuidadores/ as, considerando que a fragilidadeorgâni- ca da criança nesse momento da vida en- volve a necessidade de integração e arti- culação dos diversos níveis de atenção à saúde (BRASIL, 2018). 1.2.2 INFÂNCIA • Quais etapas do desenvolvimento psicológico infantil? As crianças precisam de um ambiente favorável ao seu crescimento e amadurecimento, que permita, junto ao seu potencial genético, o desenvolvimento pleno de suas capacidades e habilidades motoras, cognitivas e socioafetivas. Os primeiros anos de vida são aqueles em que melhor se pode estimular o desenvolvimento global do indivíduo, especialmente devido à sua plasticidade cerebral. A imaturidade, inclusive imunológica, associada a condições de vida desfavoráveis, relacionadas à ausência de saneamento básico, de segurança alimentar e nutricional, de situações de violência intrafamiliar, de baixa escolaridade materna, além de condições específicas das populações vulneráveis, baixo acesso e qualidade dos serviços de saúde, educação e assistência social, entre outros, são determinantes não apenas de maior morbidade e mortalidade, tanto infantil quanto na infância, mas de riscos ao pleno desenvolvimento destas crianças. (BRASIL, 2018, p. 24). 22 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM O fragmento anterior situa a preocupação dos aspectos psicológicos da crian- ça em desenvolvimento em um contexto integral de compreensão da saúde, biopsicossocial. Nele, diferentes características da criança e de suas condições de vida se articulam para produzir a saúde psicológica dela e de seus cuida- dores. No aspecto psicológico individual, da própria personalidade da criança e sua maturação, utiliza-se a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, de Erik Erikson (1963), para compreender especificidades desse período: • 1) Estágio da confiança versus desconfiança Confiança Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: A figura representa um bebê sentado na mesa interagindo com uma mulher à sua frente. É fundamental no esporte para que a criança consiga adquirir informações motoras para executar gestos motores da melhor qualidade possível. 23 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 2) Estágio da autonomia versus vergonha e dúvida Autonomia Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: A figura representa uma criança segurando cubos coloridos. Período durante o qual os bebês (1 ½ a 3 anos) desenvolvem independência e autonomia se a exploração e a liberdade forem encorajadas, ou vergonha e dúvida se eles forem restringidos e superprotegidos. 3) Estágio da iniciativa versus culpa Iniciativa Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: A figura representa duas crianças brincando com blocos de madeira. Período durante o qual as crianças entre 3 e 6 anos experimentam conflito entre independência de ação e os resultados por vezes negativos dessa ação. 24 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 4) Estágio da diligência e construtividade versus inferiori- dade Interação social Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: A figura representa duas crianças posando, uma de costas para a outra. Estágio da infância durante o qual as crianças entre 6 e 12 anos podem desenvolver interações sociais positivas com os outros ou sentir-se inadequadas, tornando-se menos sociáveis. (ERIKSON, 1963). O segundo autor referência para a psicologia, no estudo do desenvolvimento infantil, é Jean Piaget (1970), que, na perspectiva construtivista, compreende que o conhecimento sobre o mundo que a criança desenvolve, a partir de suas vivências, ocorre na interação entre ela e aquilo que ela interage (ABUD; ZIMMERMANN; LUCCHESE, 2012, p. 187). Piaget (1970) sugeriu que esse apren- dizado segue uma série de quatro estágios, em uma ordem fixa, presumindo que, sem obter tais experiências, as crianças não conseguiriam atingir seu mais alto potencial cognitivo. Segundo esse autor, as etapas do desenvolvi- mento cognitivo são as seguintes: 25 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1) Sensório-motor Interação social Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: figura representa um bebê no colo de uma mulher, com um objeto na boca. • Estágio desde o nascimento até os 2 anos, durante o qual uma criança tem pouca competência na representação do ambiente pelo uso de imagens, linguagem ou outros símbolos. 2) Pré-operatório Segunda fase de desenvolvimento Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: A figura representa uma criança brincando com brinquedos coloridos e sorrindo. • Período de 2 a 7 anos de idade que é caracterizado pelo desenvolvimento da linguagem. 26 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 3) Operatório concreto Terceira fase de desenvolvimento Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: A figura representa uma criança fazendo o gesto de escuta, ao colocar as mãos próximo à orelha. Período de 7 a 12 anos de idade que é caracterizado pelo pensamento lógico e pela perda do egocentrismo. 4) Operatório formal Quarta fase de desenvolvimento Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer: A figura representa várias crianças sentadas lendo num ambiente que parece ser uma biblioteca. • .Período dos 12 anos até a idade adulta que é caracterizado pelo pensamento abstrato. (PIAGET, 1970). 27 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Esses estágios podem ser utilizados pelas/os enfermeiras/os como parâme- tros psicológicos no processo avaliativo e de planejamento do cuidado para a infância. Deve-se considerar, ainda, que um desenvolvimento cognitivo inte- gral está relacionado com integrações satisfatórias entre diferentes funciona- lidades biopsicossociais – sensorial, motora, perceptiva, linguística, psicológi- ca, intelectual e social –, cujo aperfeiçoamento se estrutura a partir de etapas de maturação neurocerebral do sujeito (BRASIL, 2016). FIGURA 5: O DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO DE UMA SAÚDE INTEGRAL, NAS DIFERENTES INFÂNCIAS, ENVOLVE MÚLTIPLOS CONTEXTOS DE INTERVENÇÃO Fonte: Brasil (2018, p. 37). #PraCegoVer: A figura representa os múltiplos contextos de intervenção no desenvolvimento psicológico de uma saúde integral, nas diferentes infâncias. Atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido. Aleitamento materno e alimentação complementar saudável. Atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas. Atenção integral à criança em situação de violências, prevenção de acidentes e promoção da cultura de paz. Atenção à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas e de vulnerabilidade. Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno. Leia o artigo “Crianças em situação de rua: malabares da exclusão”, para compreender mais sobre a condição especial das crianças em situação de rua: https://www.redalyc.org/ journal/4595/459553539003/html/. 28 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 1.2.3 PUBERDADE E ADOLESCÊNCIA • Como a fase da adolescência expressa aspectos psicológicos? O direito à saúde e ao cuidado dos/as púberes e adolescentes estão consa- grados na Constituição Federal do Brasil de 1988 e detalhados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o qual considera adolescente a pessoa entre 12 e 18 anos de idade (BRASIL, 2018). A Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), de 1989, afirma como criança todo ser humano menor de 18 anosde idade, e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) define como recorte de tra- balho do pediatra o ser humano entre 0 e 20 anos (BRASIL, 2018). O Ministério da Saúde (MS) se orienta pelo conceito da Organização Mun- dial da Saúde (OMS), para atendimento em Pediatria no Sistema Único de Saúde (SUS), abrangendo “[…] crianças e adolescentes de 0 a 15 anos, ou seja, até completarem 16 anos ou 192 meses, sendo este limite etário passível de alteração de acordo com as normas e rotinas do estabelecimento de saúde responsável pelo atendimento” (BRASIL, 2015). Adolescência: Tornando-se Adulto A adolescência, o estágio do desenvolvimento entre a infância e a idade adulta, é um período crucial. É uma época de mudanças profundas e, por vezes, de turbulência. Ocorrem mudanças biológicas consideráveis quando os adolescentes atingem a maturidade sexual e física. Ao mesmo tempo, e rivalizando com essas alterações fisiológicas, ocorrem mudanças sociais, emocionais e cognitivas significativas à medida que os adolescentes lutam por independência e encaminham-se para a idade adulta. Como muitos anos de instrução precedem o ingresso da maioria das pessoas no mundo do trabalho nas sociedades ocidentais, o estágio da adolescência é relativamente longo: ele começa um pouco antes dos 13 anos e termina após os 19 anos. Os adolescentes já não são mais crianças, embora a sociedade ainda não os considere adultos. Eles enfrentam um período de rápidas mudanças físicas, cognitivas e sociais que os afetam pelo resto da vida. (FELDMAN, 2015, p. 358). As alterações físicas do período da adolescência (pelos púbicos, desenvolvi- mento das mamas, início da menstruação, estirão do crescimento, primei- ra ejaculação, crescimento do pênis), resultado da secreção de diversos hor- mônios, trazem uma intensidade de sensações psicológicas que podem se apresentar para a/o adolescente como positivas ou negativas. Os meninos, ao serem menores e com coordenação mais baixa, podem ser ridicularizados por seus pares. As meninas com maturação tardia podem ser comparadas às 29 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 meninas com maturação de início padrão médio, adquirindo status social por seus pares, algumas podendo ser preteridas para namoro (LANZA; COLLINS, 2002). De acordo com a teoria do psicólogo Lawrence Kohlberg, acerca do desenvol- vimento moral, as pessoas atravessariam uma série de fases na evolução de seu senso de justiça, do modelo de raciocínio, que utilizam para fundamentar seus julgamentos morais: FIGURA 6: LAWRENCE KOHLBERG PROPÕE UMA SEQUÊNCIA DE TRÊS NÍVEIS DE RACIOCÍNIO MORAL, COM ORDEM FIXA (O PSICÓLOGO ARGUMENTA QUE POUCAS PESSOAS ATINGEM O NÍVEL 3 DE MORALIDADE) Fonte: Kohlberg (1984 apud FELDMAN, 2015, p. 360-361). #PraCegoVer: A figura representa uma amostra de raciocínio moral dos sujeitos, contra e a favor de roubar um medicamento. Nível 1: Moralidade pré-convencional. Neste nível, os interesses concretos do indivíduo são considerados em termos de recompensas e punições. A favor: “Se deixar sua esposa morrer, você terá problemas. Você será acusado por não ter gastado dinheiro para salvá-la e haverá uma investigação sobre você e o farmacêutico pela morte de sua esposa.” Contra: “Você não deve roubar o medicamento porque será preso se fizer isso. Se você escapar, sua consciência vai incomodá-lo pensando que a polícia poderá capturá-lo a qualquer minuto.” Nível 2: Moralidade convencional. Neste nível, as pessoas abordam os problemas morais como membros da sociedade. Elas estão interessadas em agradar aos outros, agindo como bons cidadãos. A favor: “Se deixar sua esposa morrer, você nunca conseguirá olhar alguém nos olhos novamente.” Contra: “Depois que roubar o medicamento, você se sentirá mal pensando em como trouxe desonra para sua família e si mesmo; você não vai conseguir encarar ninguém de novo.” Nível 3: Moralidade pós-convencional. Neste nível, as pessoas usam princípios morais que são vistos como mais amplos do que os de uma sociedade particular. A favor: “Se você não roubar o medicamento e deixar sua esposa morrer, você sempre se condenará por isso posteriormente. Você não será acusado e terá ficado à margem da lei, mas não terá agido de acordo com sua consciência e os padrões de honestidade.” Contra: “Se você roubar o medicamento, não será acusado pelas outras pessoas, mas se condenará porque não terá agido de acordo com sua consciência e os padrões de honestidade.” 30 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Na teoria de Erik Erikson, sobre o desenvolvimento psicossocial, destaca-se o estudo sobre a busca pela identidade que ocorre durante o período da ado- lescência. O desenvolvimento psicossocial contempla “[…] a forma como o co- nhecimento que as pessoas têm de si mesmas, umas das outras e do mun- do à sua volta modifica-se durante o curso do desenvolvimento” (ERIKSON, 1963). O quinto estágio dessa teoria abrangeria identidade versus confusão de identidade, em que as/os jovens tentam “[…] descobrir quem são, quais são seus pontos fortes e para que tipos de papéis elas são mais adequadas para desempenhar pelo resto de suas vidas – em resumo, sua identidade” (FELD- MAN, 2015, p. 362). Portanto, à/ao profissional de saúde cabe auxiliar a/o adolescente a enfrentar as transformações físicas e psicossociais desse período, auxiliando-a/o a refle- tir sobre perguntas como “quem sou eu?”, “como me encaixo no mundo?” e “do que se trata a vida?”. O uso das tecnologias – celular, internet e outras redes sociais –, assim como o tema do uso de drogas, do suicídio e da auto- mutilação, aparecem frequentemente no contexto da adolescência em meio às reflexões sobre a vida despertadas nessa fase do desenvolvimento (FELD- MAN, 2015). Para entender mais sobre o uso de drogas na adolescência, um problema de saúde pública, leia o artigo “A internação compulsória como estratégia de governamentalização de adolescentes usuários de drogas”, no link https://www.scielo.br/j/epsic/a/ Z5WpCBxdjsdXQcgtdvbGWKL/?lang=pt Trabalhar as relações familiares e as divergências entre a/o jovem e seus pais ou cuidadores auxilia na produção de saúde para a adolescência. Esse perío- do expressa um “egocentrismo adolescente, um estado de autoabsorção no qual o adolescente encara o mundo a partir do próprio ponto de vista”, às ve- zes dificultando que a/o jovem aceite críticas, reveja falhas ou se perceba para além do “centro da atenção de todos” (FELDMAN, 2015, p. 364). 31 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Parabéns!! Você chegou ao final da Unidade 1 da disciplina Psicologia Apli- cada à Enfermagem. Esta unidade objetivou apresentar uma introdução aos conceitos básicos em psicologia do desenvolvimento humano e sua aplicabi- lidade na atuação da enfermagem nas diferentes fases: gestação; primeira in- fância e infância; puberdade e adolescência. Com isso, descreveu alguns dos aspectos psicológicos de fatores que afetam uma criança e a mãe durante a gravidez, abordando o tema da relação entre natureza-criação no psiquismo humano e as transformações do pós-parto que afetam as emoções. Na se- gunda parte do conteúdo, introduziu especificidades sobre o desenvolvimen- to infantil, puberdade e adolescência, apresentando os aspectos psicológicos que emergem nos primeiros anos de vida, as etapas do desenvolvimento psí- quico infantil e os aspectos psicológicos da adolescência. Nos encontramos na Unidade 2, bons estudos e até mais! UNIDADE 2 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 32 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM > Compreendersobre a parada cardiorrespiratória. > Conhecer o protocolo de reanimação cardiopulmonar 33 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 2 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: IDADE ADULTA, PERSONALIDADE E ENVELHECIMENTO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, vamos estudar sobre psicologia do desenvolvimento humano na idade adulta, a constituição da personalidade e o processo do envelhecimento. Esta área do saber psicológico considera a variedade de modificações que ocorrem após a idade adulta e culminam com a chegada do envelhecimento: Os psicólogos geralmente concordam que a idade adulta começa em torno dos 20 anos e dura até cerca de 40 a 45 anos, quando inicia a idade adulta média e continua até cerca de 65 anos. Apesar da enorme importância desses períodos da vida em termos das realizações que ocorrem em todo esse tempo (juntos, eles duram 44 anos), eles foram menos estudados do que qualquer outro estágio. Por uma razão: as mudanças físicas que ocorrem durante esses períodos são menos aparentes e mais graduais do que as de outros momentos durante a vida. Além disso, as diversas mudanças sociais que surgem durante esse período desafiam a simples classificação. [...] Ao abordar o período da vida que inicia em torno dos 65 anos, os gerontologistas estão prestando importantes contribuições ao esclarecimento das capacidades dos adultos mais velhos. Seu trabalho está demonstrando que processos desenvolvimentais significativos continuam mesmo durante a velhice. E, à medida que aumenta a expectativa de vida, o número de pessoas que atinge a idade adulta avançada continuará a crescer substancialmente. (FELDMAN, 2015, p. 368; 373). Nesse contexto, a unidade abordará aspectos teóricos sobre a idade adulta e a formação da personalidade, relacionando como o desenvolvimento f ísico e social, a família e o trabalho interferem no âmbito psicológico. Com isso, conceitos da psicologia como o de pensamento, inconsciente, aprendizagem e singularidade serão essenciais para compreender a constituição do sujeito adulto. Por f im, adentraremos 34 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 no tema do envelhecimento, entendendo a relação entre terceira idade, comportamento da pessoa idosa e saúde mental. Essa sessão incluirá o estudo sobre o enfrentamento da morte, tema presente nessa etapa da vida. Para complementar seus conhecimentos, indicamos a leitura do artigo – Sentido de vida na fase adulta e velhice, disponível aqui. 2.1 IDADE ADULTA E PERSONALIDADE A chegada na idade adulta reflete a maturação biopsicossocial do ser humano, sendo resultado das diversas experiências biológicas, psicológicas e sociais as quais cada corpo vivencia de uma forma singular, subjetiva e culturalmente. Dessa forma, a constituição da chamada ‘personalidade’ pode ser compreendida como reflexo de um conjunto de vivências, complexas e multidimensionais, que a pessoa percorre até atingir determinada idade do ciclo vital. Nesse sentido, aspectos físicos e sociais, aliados à criação familiar, aos aspectos laborais, dentre outros, influenciam a forma como o pensamento, o inconsciente e as aprendizagens específicas de cada ser humano irão compor a formação de sua personalidade singular. 2.1.1 DESENVOLVIMENTO FÍSICO E SOCIAL • Quais as expressões psicológicas das transformações físicas e sociais na idade adulta? Transcorridas as transformações da adolescência, chega a idade adulta. Considerada uma época mais tranquila da vida, pode-se verificar mudanças relacionadas às relações pessoais, com ênfase em vínculos que envolvam https://www.scielo.br/j/prc/a/5v6q9vZPD8mtDjLf8WqTPMF/?lang=pt 35 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM amor, trabalho, sexualidade e amizade (ABUD; ZIMMERMANN, 2012a). No que se refere ao desenvolvimento social, em geral, o início da vida adulta envolve adquirir responsabilidades, fazer escolhas sobre a vida e o futuro, assim como pensar sobre quem somos? e quem queremos ser? nos diferentes âmbitos da vida – social, afetivo, profissional, educacional, físico, pessoal, íntimo, dentre outros (FELDMAN, 2015). FIGURA 1 – IDADE ADULTA COMO UM PERÍODO PARA PENSARMOS SOBRE DEFINIÇÕES COMO QUEM SOMOS E QUEM QUEREMOS SER NOS DIFERENTES ÂMBITOS DA VIDA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de um grupo de adultos sentados em cadeiras, diante de uma apresentação. Para a maioria das pessoas, a idade adulta inicial produz a sensação psicológica de auge da saúde física – reflexos mais rápidos, baixas chances de morte, capacidade sexual e reprodutiva em nível alto, com pouca suscetibilidade a doenças – produz autopercepções de resistência e grande energia (FELDMAN, 2015). 36 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – ADULTOS Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de diversos adultos sentados em roda e conversando. Os processos de escolha tornam-se mais refinados, fazendo com que as filosofias de vida e as afinidades de valores interfiram nessas ações (ABUD; ZIMMERMANN, 2012a). De acordo com Erikson (1998 apud ABUD; ZIMMERMANN, 2012a, p. 267): “desenvolver relacionamentos íntimos é a principal tarefa do conflito intimidade versus isolamento dessa fase”. Assim, cabe ao profissional de saúde acolher e auxiliar o adulto a refletir sobre suas escolhas, que impactam sua constituição psíquica, amparando-o para investir em seu cuidado físico e social, considerando suas redes de apoio, filosofias de vida, valores e prioridades atuais. 2.1.2 FAMÍLIA E TRABALHO • Como a família e o trabalho impactam os aspectos psicológicos? As formas possíveis de vínculos familiares modificaram-se e multiplicaram-se nas últimas décadas (FELDMAN, 2015). 37 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Como leitura complementar, indicamos a leitura do artigo Constituição brasileira: a noção de família e planejamento familiar como estratégia de governo, disponível aqui. O aumento de domicílios formados por casais não casados, o aumento da idade média em que ocorre o casamento e o aumento das taxas de divórcio impactam a forma como se constitui o psicológico da população adulta atual (FELDMAN, 2015). O antigo fluxo da vida adulta – casar, ter filhos, formar família e ver os pais envelhecendo, por vezes adoecendo e morrendo – envolve agora uma maior liberdade de escolhas (ABUD, ZIMMERMANN, 2012a). Entretanto, os vínculos familiares e outros vínculos de intimidade continuam sendo fundamentais na constituição da pessoa adulta. “A intimidade é, segundo Papalia, Olds e Feldman (2006 apud ABUD, ZIMMERMANN, 2012a, p. 561), uma “proximidade afetuosa e comunicativa”, que pode incluir ou não contato sexual”. FIGURA 3 – FAMÍLIA ENTENDIDA COMO UM AMBIENTE COM PESSOAS OU OUTROS SERES VIVOS QUE PRODUZAM A SENSAÇÃO DE PROXIMIDADE: MÚTUO AFETO, COMUNICAÇÃO, ACEITAÇÃO E RESPEITO. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: ilustração de pessoas próximas em volta do globo terrestre. 38 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Produzir relações de intimidade envolve compartilhar informações importantes sobre si a outra pessoa, havendo “responsividade às necessidades umas das outras e da mútua aceitação e do respeito”, aceitando, partilhando e valorizando a si e a(s) pessoa(s) com quem se compartilha a intimidade. Os vínculos íntimos e familiares envolvem o senso de filiação, que seria a “necessidade de pertencer a alguém – de formar relacionamentos fortes,estáveis, próximos e carinhosos” (ABUD; ZIMMERMANN, 2012a, p. 267). Vínculos íntimos e familiares: antes de qualquer proposição de trabalho com família, necessário será entender o que é família em sua complexidade, suspendendo juízos de valor, conceitos fechados, lineares e prontos, os quais produzem uma concepção reducionista de família. O que é família? Família é aqui compreendida “como um sistema aberto e interconectado [...] constituído por um grupo de pessoas que compartilham uma relação de cuidado (proteção, alimentação, socialização), estabelecem vínculos afetivos, de convivência, de parentesco consanguíneo ou não, condicionados pelos valores socioeconômicos e culturais predominantes em um dado contexto geográfico, histórico e cultural” (BRASIL, 2013, p. 63). O local de trabalho, como um contexto que pode ter impacto nos aspectos psicológicos da pessoa, pode ser um ambiente de produção de vínculos de filiação, mas também de adoecimento psicológico. A idade adulta “costuma ser marcada pela saída do lar da infância e pelo ingresso no mundo do trabalho” (FELDMAN, 2015, p. 370) e os ambientes de trabalho podem são repletos de emoções fortes, positivas e negativas, incluindo violações de direitos e desestabilizações por eventos da vida. 39 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM “Desestabilizações por eventos da vida: além de fatores estruturais como gênero, cor da pele, renda, escolaridade e trabalho, fatores conjunturais também aumentam o risco de sofrimento mental. É muito frequente que as pessoas relatem que algum acontecimento marcante em suas vidas tenha precedido o aparecimento do sofrimento. Sentimentos de humilhação: acontecimentos marcantes podem desencadear sentimentos de humilhação ou de sentir-se sem saída que, normalmente associada à perda de um vínculo importante (uma separação conjugal, por exemplo), um ato de delinquência vindo de alguém próximo (ter um filho preso) ou ainda a situações que são vividas, como uma diminuição da pessoa diante da sua comunidade (sofrer violência doméstica, ter um filho que usa drogas ou largou os estudos etc.). Sentir-se sem saída: já a sensação de sentir-se sem saída foi relacionada a eventos que de alguma forma confirmam a impossibilidade de mudar uma situação vivida como punitiva.”. (BRASIL, 2013, p. 92). Desse modo, na intervenção profissional, torna-se possível o enfermeiro auxiliar seu cliente, grupo de trabalho e suas inter-relações a avaliarem como se estabelecem os vínculos de filiação nos espaços que habitam, já que as pessoas “tendem a ser mais saudáveis, física e mentalmente, e a viver mais tempo se tiverem relacionamentos íntimos satisfatórios” (ABUD; ZIMMERMANN, 2012a, p. 268). 40 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 2.1.3 PENSAMENTO, INCONSCIENTE, APRENDIZAGEM E SINGULARIDADE • De que forma utilizar o conceito de pensamento, inconsciente, aprendizagem e singularidade na compreensão da personalidade? Personalidade é o padrão de características constantes que produzem consistência e individualidade em determinada pessoa. Abrange os comportamentos que nos tornam únicos e que nos diferenciam dos outros. Também nos leva a agir consistentemente em diferentes situações e por longos períodos de tempo. (FELDMAN, 2015, p. 384). Existem várias abordagens teóricas dentro da psicologia sobre o conceito de personalidade, algumas até não utilizam esse termo para pensar os processos de saúde e constituição psicológica. Cada teoria enfatiza descrever aspectos diferentes (FELDMAN, 2015). QUADRO 1 – ENTREVISTA, GENOGRAMA E ECOMAPA SÃO ALGUMAS DAS FERRAMENTAS TÉCNICAS QUE AUXILIAM PARA AVALIAR O CONTEXTO PSICOLÓGICO DA VIDA DE PESSOAS, GRUPOS OU INTER-RELAÇÕES I: ENTREVISTA FAMILIAR Objetiva realizar a caracterização do sistema familiar (estrutura, desenvolvimento e funcionamento familiar, condições materiais de vida, estado de saúde dos integrantes, rede social da família etc.). II: GENOGRAMA O genograma familiar é uma representação gráfica da família. Identifica suas relações e ligações dentro de um sistema multigeracional (no mínimo três gerações). Instrumento amplamente utilizado na terapia familiar, na formação de terapeutas familiares, na Atenção Básica à Saúde e, mais recentemente, em pesquisas sobre família (CARTER; MCGOLDRICK, 1995; MINUCHIN, 1999). III. ECOMAPA O Ecomapa, tal como o genograma, integra o conjunto dos instrumentos de avaliação familiar. Entretanto, enquanto o genograma identifica as relações e ligações dentro do sistema multigeracional da família, o ecomapa identifica as relações e ligações da família com o meio onde ela vive. Foi desenvolvido em 1975 por Ann Hartman. É uma representação gráfica do sistema ecológico da família que mapeia os padrões organizacionais da família e a natureza das suas relações com o meio, mostrando o equilíbrio entre as necessidades e os recursos da família. [...] Fonte: Brasil (2013, p.67-68). 41 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Mesmo nesse contexto teórico diverso, os aspectos que cada uma das abordagens descreve são importantes para compreendermos a constituição da personalidade da pessoa adulta, já que muitos dos padrões de características que possuímos, reações que são constantes em nós, estão relacionadas com nossa criação, história de vida e influenciam nossa consciência sobre nós e o mundo – ações, escolhas e individualidades. No que se refere à construção do pensamento adulto, Piaget e Szeminska (1971 apud ABUD; ZIMMERMANN, 2012a) afirmam que na idade adulta a pessoa atingiria o estágio de pensamento pós-formal: pensamento rico e complexo, em que a pessoa consegue fazer manipulações abstratas, ser: [...] flexível, aberto, adaptativo [...] faz uso da intuição e emoção, bem como da lógica; aplica os frutos da experiência a situações ambíguas; e caracteriza- se pela capacidade de lidar com a incerteza, com a inconsistência, com a contradição, com a imperfeição e com os paradoxos da vida. (PIAGET; SZEMINSKA, 1971 apud ABUD; ZIMMERMANN, 2012a, p. 268). Em relação ao conceito de inconsciente, as abordagens psicodinâmicas que teorizam sobre a formação da personalidade se baseiam no raciocínio “de que a personalidade é motivada por forças e conflitos internos sobre os quais as pessoas têm pouca consciência e não possuem controle” (FELDMAN, 2015, p. 385). Baseado em autores como Sigmund Freud, Carl Jung, Karen Horney, Alfred Adler, há uma compreensão que “desde o nascimento, diversas sensações vividas deixam suas marcas no corpo” constituindo nossa personalidade (ABUD, 2012, p. 145). 42 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 4 – DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE DESDE CEDO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de três crianças brincando com objetos pedagógicos. Nessa abordagem, pode-se utilizar o conceito de mecanismos de defesa que, conforme a teoria freudiana, são “estratégias inconscientes que as pessoas usam para reduzir a ansiedade, distorcendo a realidade e ocultando a fonte de ansiedade de si mesmas” (FELDMAN, 2015, p. 389), para compreender o funcionamento psicodinâmico do cliente, grupo ou inter-relações. “Negação, recalque, projeção, racionalização, formação reativa, deslocamento, sublimação, repressão e regressão” podem ser algumas das ferramentas técnicas para a compreensão do funcionamento psíquico em análise (FELDMAN, 2015, p. 389). Segundo Feldman (2015, p. 384), na abordagem da personalidade a partir do conceito de aprendizagem, encontram-se teorias que interpretam a personalidade “como um conjunto de comportamentos aprendidos”. 43 MULTIVIXEAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM [...] as abordagens da aprendizagem da personalidade enfatizam o ambiente externo e como isso determina a personalidade. Para um teórico da aprendizagem rígido, a personalidade é simplesmente a soma das respostas aprendidas ao ambiente externo. Eventos internos como pensamentos, sentimentos e motivações são ignorados. Embora a existência da personalidade não seja negada, os teóricos da aprendizagem dizem que ela é mais bem-entendida pelo exame das características do ambiente de uma pessoa. (FELDMAN, 2015, p. 399). O teórico influente na abordagem da aprendizagem é B. F. Skinner, que define que “personalidade é uma coleção de padrões comportamentais aprendidos” (SKINNER, 1975 apud FELDMAN, 2015, p. 399). Desse modo, as pessoas teriam comportamentos baseados nos reforços que receberam para que esses comportamentos se repetissem, assim como redução de comportamentos que não foram reforçados para persistirem (FELDMAN, 2015). Há, também, a abordagem da aprendizagem que não assume uma visão tão rígida e enfatiza a influência da cognição – pensamentos, sentimentos, expectativas e valores, na formação da personalidade. Inclui-se nela a ideia de aprendizagem observacional, por meio da qual se entende que vendo as ações das outras pessoas e observando suas consequências, poderíamos aprender novos comportamentos (BANDURA, 1986; 1999 apud FELDMAN, 2015). 44 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 5 – AUTOESTIMA E AUTOEFICÁCIA SÃO CRENÇAS SOBRE NÓS MESMOS/AS QUE ESTARIAM RELACIONADAS À EXECUÇÃO DE TAREFAS NO DIA A DIA, INFLUENCIANDO EXPECTATIVAS DE ERRO OU ACERTO Baixa autoestima Baixa Expectativa De empenho Alta ansiedade Esforço Reduzido Fracasso Real Fonte: Feldman (2015, p. 401). #PraCegoVer: a ilustração demonstra didaticamente o fluxo que envolve a produção de crenças de baixa autoestima e baixa autoeficácia. Na primeira etapa, tem-se o exemplo da baixa autoestima, que com a seta segue para a segunda etapa da baixa expectativa de desempenho que, se afetada por um esforço reduzido e alta ansiedade apresentada na terceira etapa, pode resultar na quarta etapa, que seria a sensação de um fracasso real. Por fim, temos o conceito de singularidade, que auxilia a pensar sobre a personalidade da pessoa adulta, sem reduzir sua complexa existência em características essencialistas ou pré-determinadas: A singularidade é a expressão de cada um no mundo em que vive, mesmo que esteja em relação com um grupo. E cada um pode assumir diferentes formas de expressão, depende sempre do momento em que está vivendo, o lugar, as relações que estabelece, enfim, podemos dizer que o mesmo Ser pode se expressar como uma multiplicidade, por exemplo: Crisântemo, a habitante chefe da “casa dos 20” se expressa como mulher, mãe, avó, agente do tráfico de drogas, usuária de drogas e provedora da casa. O que observamos é que não há uma identidade a ser atribuída a ela capaz de dizer o que ela é. Dizer que é traficante não expressa que também é mãe, avó e provedora da casa; assim como dizer que é mulher não dá expressão às outras singularidades existentes. Então, a singularidade tenta dar expressão às muitas Crisântemos que há. Reconhecer que cada um se expressa singularmente, como uma multiplicidade, é fundamental para pensar os projetos terapêuticos, que também devem ser singulares. Estas formas de expressão mudam com o tempo, em processos de permanente subjetivação aos quais todos nós estamos sujeitos. (BRASIL, 2013, p.48-49). A compreensão de singularidade aqui destacada fundamenta-se nas abordagens humanistas (FELDMAN, 2015). Nelas, enfatiza-se aquilo que há de positivo no ser humano, a inerente bondade encontrada nas pessoas, 45 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM sua “[..] tendência a avançar para níveis mais elevados de funcionamento.” (FELDMAN, 2015, p. 405), a capacidade consciente e automotivada das pessoas em querer melhorar, transformar-se e mudar, “[...] junto a impulsos criativos únicos das pessoas.” (FELDMAN, 2015, p. 405), atingindo níveis superiores de funcionamento, enquanto fundamento da personalidade. Nessa abordagem, o profissional pode trabalhar com seu cliente, grupo ou inter-relações, utilizando-se do conceito de autoatualização e aceitação positiva incondicional como estratégia de intervenção e compreensão da personalidade em questão (FELDMAN, 2015). Autoatualização estado de autorrealização em que as pessoas percebem seu mais alto potencial, cada uma de maneira única. Aceitação positiva incondicional a atitude de aceitação e respeito por parte de um observador, independentemente do que uma pessoa diga ou faça (ROGERS, 1971 apud FELDMAN, 2015, p. 405). Cabe destacar a importância que a noção de experiência adquire na abordagem humanista em psicologia, ao considerar que são nossas vivências que constituem nossas percepções e conjunto de crenças: o que somos e o que podemos ser, no nosso mais alto potencial. Para complementar seus estudos, sugerimos a leitura do artigo Formação em psicologia: o princípio da integralidade e a teoria da autopoiese, disponível aqui. https://pssaucdb.emnuvens.com.br/pssa/article/view/320/363 46 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 2.2 ENVELHECIMENTO Por muitos anos, a compreensão sobre a época do envelhecimento estava imersa em uma série de estereótipo sociais sobre a “velhice” como “uma época de inatividade e declínio físico e mental” (FELDMAN, 2015, p. 373). Atualmente, psicólogos que estudam o envelhecimento ressituam a descrição do quadro da idade adulta avançada e da terceira idade: [...] a maior longevidade requer da sociedade uma nova ordem social, interferindo inclusive, no comportamento econômico das pessoas que, preocupadas com o futuro, planejam desde muito cedo sua aposentadoria, fazendo, por exemplo, planos de previdência ou adiantando a data da aposentadoria. Como consequência, a representação social estereotipada do velhinho cansado, isolado e improdutivo cai por terra. Entretanto, é preciso ter cuidado para não negar os limites da idade e exigir do idoso a produtividade e a disposição de um jovem. (FELDMAN, 2015, p. 328). Diante disto, cabe ao profissional de saúde entender as perdas que são comuns nessa faixa etária, de modo que sua conduta reflita tal compreensão. 2.2.1 TERCEIRA IDADE • Como o envelhecimento impacta a cognição da pessoa idosa? No que se refere à cognição da pessoa idosa, que impacta suas formas de expressão psíquica, estudos indicam mudanças no processamento intelectual da idade adulta avançada: 1) inteligência fluida – “habilidades de processamento da informação, tais como memória, cálculos e solução de analogias” mostram declínio na idade adulta; e 2) inteligência cristalizada 47 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM - competências relacionadas ao “acúmulo de informação, habilidades e estratégias aprendidas pela experiência” conservam-se constantes e, em alguns casos, inclusive, melhoram (FELDMAN, 2015, p. 374). FIGURA 6 – FORMAS DE APRIMORAR A COMUNICAÇÃO COM A PESSOA IDOSA Use frases curtas e objetivas Chame-o pelo próprio nome ou da forma como ele preferir. Evite infantilizá-lo utilizando termos inaproporiados, como “vovô”, “querido”, ou ainda, utilizando termos diminutivos desnecessários (“bonitinho”, “lindinho” etc.). Pergunte se entendeu bem a explicação, se houve alguma dúvida. Repita a informação, quando essa for erroneamente interpretada, utilizando palavrasdiferentes e, de prefência, uma linguagem mais apropriada a sua compreensão. Fale de frente, sem cobrir sua boca e, não se vire ou afaste enquanto fala. Aguarde a resposta da primeira pergunta antes de elaborar a segunda, pois a pessoa idosa pode necessitar de um tempo maior para responder. Não interrompa a pessoa idosa no meio de sua fala, demonstrando pressa ou impaciência. É necessário permitir que ela conclua o seu próprio pensamento. Fonte: Brasil (2006, p. 16). Desse modo, sugere-se que o profissional de enfermagem possa acolher a pessoa idosa, considerando seu contexto de vida e as habilidades cognitivas desenvolvidas ao longo dela. Intervenções que estimulem os interesses e atividades que se tinha durante o período de adulto jovem podem auxiliar na promoção de saúde mental, contribuindo para um envelhecimento mais bem-sucedido e singular (FELDMAN, 2015). No processo de construção de projetos terapêuticos com o cliente, grupo ou inter-relações, a comunicação efetiva torna-se uma maneira eficaz de produzir intervenções mais eficientes, que considerem as experiências vivenciadas pela pessoa idosa, anteriormente, em sua vida. 2.2.2 COMPORTAMENTO E SAÚDE MENTAL • Quais adoecimentos psicológicos são frequentes na terceira idade? Doenças físicas, neurológicas, alterações na sexualidade, morte de cônjuge, saída dos filhos de casa, situações de violência, ansiedade, depressão, excesso de medicamentos, uso de álcool ou outras drogas, conflitos familiares, dentre outros fatores, podem afetar os aspectos psicológicos da pessoa 48 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 idosa, produzindo declínios no seu funcionamento cognitivo, dificuldades de socialização ou isolamento (FELDMAN, 2015). Para complementar seus estudos, sugerimos a leitura do artigo Velhice e Identidade: Significações de Mulheres Idosas, disponível aqui. O sentimento de solidão, pode ser um aspecto emocional relatado, entretanto, um dos desafios significativos nessa etapa da vida se refere às alterações de papéis da pessoa adulta, que passou a vida trabalhando, aposentou-se e agora enfrenta um intenso sentimento emocional de vazio, reflexo da alteração do seu cotidiano (FELDMAN, 2015). De acordo com teorias do envelhecimento: Teoria do envelhecimento do descomprometimento: teoria que defende que o envelhecimento produz um retraimento gradual do mundo nos níveis físico, psicológico e social. Teoria do envelhecimento da atividade: teoria que argumenta que os idosos que são mais bem-sucedidos enquanto envelhecem são aqueles que mantêm os interesses e as atividades que tinham durante a meia-idade. (FELDMAN, 2015, p. 377). Conforme ocorrem as mudanças da vida adulta avançada para a terceira idade, ocorre um processo de “[...] revisão da vida [...] pelo qual as pessoas examinam e avaliam a sua vida” (FELDMAN, 2015, p. 377), em que a pessoa idosa necessita relembrar, reconsiderar ou ressignificar o que ocorreu no passado, como forma de melhor compreender a si mesma e seu entorno. Nesse processo, a atuação dos profissionais de enfermagem, no manejo de aspectos psicológicos, pode auxiliar a produção de saúde da pessoa idosa, ajudando-a a resolver problemas ou conflitos persistentes, assim como no enfrentamento de violências ou negligências. Enfrentar o envelhecimento com sabedoria e serenidade, requer considerar a velhice como “uma época de crescimento e desenvolvimento continuados tão importante quanto qualquer outro período da vida” (FELDMAN, 2015, p. 377). 49 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Sugerimos a leitura do livro Psicologia médica: abordagem integral do processo saúde-doença, de Marco et al. (2012), para aprofundar seus conhecimentos. A obra está disponível neste link. Nesse sentido, intervenções que estimulem as relações sociais e a manutenção de habilidades cognitivas podem fomentar uma excitação intelectual que preserve os aspectos psicológicos saudáveis da pessoa idosa. 2.2.3 ENFRENTANDO A MORTE • Quais aspectos psicológicos emergem no enfrentamento à morte? O envelhecimento é uma etapa da vida na idade adulta avançada que não está “apenas marcando o tempo até a morte” (FELDMAN, 2015, p. 377). A idade adulta avançada, ou terceira idade, é também uma época de realizar sonhos, concretizar conquistas não alcançadas anteriormente, desenvolver novas habilidades, vínculos sociais e interpessoais, assim como uma época para amar, cuidar de si e dos outros, ter prazeres e alegrias, tão importantes quanto nos outros períodos da vida. Contudo, o avanço da idade e os processos naturais da vida fazem com que a pessoa idosa tenha que se adaptar à morte, seja da sua própria, de amigos, entes queridos, conjugues e até mesmo de estranhos de idade semelhante (FELDMAN, 2015). https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556 50 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 7 – COMO A MORTE APARECE NO COTIDIANO DA PESSOA IDOSA Fonte: Feldman (2015, p. 378). #PraCegoVer: ilustração de um idoso sentado, tomando café e lendo um jornal. Dependendo do quão a pessoa está preparada para este tema, embora seja algo inevitável na vida, a morte pode ser “um tema assustador e carregado de emoção”, estressante psicologicamente, quando nem sempre teremos recursos emocionais para enfrentá-lo com equilíbrio e resistência (FELDMAN, 2015, p. 377). De acordo com Elisabeth Küber-Ross, aqueles que se defrontam com a morte iminente tendem a passar por cinco estágios de elaboração emocional: 1) Negação - nesse estágio, as pessoas resistem à ideia de que estão morrendo; mesmo que lhes digam que suas chances de sobrevivência são pequenas, elas se recusam a admitir que estão defrontando-se com a morte. 2) Raiva - depois de passar pelo estágio da negação, as pessoas que estão morrendo ficam com raiva – raiva das pessoas à sua volta que estão com boa saúde, raiva dos profissionais médicos por serem ineficientes, raiva de Deus. 3) Negociação - a raiva leva à negociação, ou seja, as pessoas que estão morrendo tentam pensar em formas de adiar a morte. Elas podem decidir dedicar sua vida à religião se Deus as salvar e, por exemplo, dizer: “Se pelo menos eu conseguir viver para ver meu filho casado, então aceitarei a morte”. 4) Depressão - quando as pessoas que estão morrendo percebem que a negociação de nada serve, elas passam para o estágio seguinte: a depressão. Elas percebem que sua vida realmente está chegando ao fim, o que leva ao que Kübler-Ross chama de “luto preparatório” pela própria morte. 5) Aceitação - nesse estágio, as pessoas aceitam a morte iminente. Em geral, estão sem emoção e incomunicáveis; é como se tivessem feito as pazes consigo e estão esperando a morte sem amargura (KÜBER-ROSS, 1969 apud FELDMAN, 2015, p. 378). 51 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Cabe destacar que essa proposição teórica não reduz a diversidade de possibilidades que cada pessoa, em sua singularidade, pode vivenciar ao enfrentar a morte. De fato, “Os estágios de Kübler-Ross referem-se apenas àquelas pessoas que estão totalmente conscientes de que estão morrendo e têm tempo para avaliar a morte iminente.” (FELDMAN, 2015, p. 378). O sexo da pessoa, o gênero, a idade, a personalidade, o tipo de apoio recebido da família e dos amigos, a capacidade econômica e social tem impacto no modo como a pessoa responde à morte (FELDMAN, 2015). Para aprofundar seus conhecimentos, sugerimos a leitura da obra de Abud e Zimmermann (2012b), “A terceira idade: ponto final?”. Disponível aqui. Nesse contexto, sugere-se que o profissional de enfermagem fique atento àsexpressões emocionais da pessoa idosa no enfrentamento à morte. Mudanças bruscas e significativas no comportamento, expressões, rotina do sono, alimentação, higiene, comunicação, dentre outras mudanças intensas que persistirem, devem ser sinais de alerta para aspectos psicológicos que podem estar desestabilizados e necessitam de apoio ou cuidado profissional https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556 52 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Você chegou ao final desta unidade que objetivou apresentar aspectos teóricos em psicologia do desenvolvimento humano e sua aplicabilidade na atuação da enfermagem com a população de idade adulta, na compreensão e manejo da personalidade humana e aspectos sobre os processos psicológicos no envelhecimento. Para tanto, foram descritas algumas das expressões psicológicas relacionadas às transformações físicas e sociais na idade adulta, como a família e o trabalho impactam aspectos emocionais, assim como introduziu o conceito de pensamento, inconsciente, aprendizagem e singularidade para a compreensão das personalidades humanas. Por fim, foram abordadas as características do envelhecimento no comportamento humano em saúde mental, cognição da pessoa idosa, adoecimentos psicológicos frequentes na terceira idade e a expressão psíquica no enfrentamento à morte. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 53 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM UNIDADE 3 > Considerar o processo do adoecer, reações e crises, na promoção da saúde e do bem-estar. > Empregar termos usuais na compreensão dos transtornos psicológicos, tratamentos e intervenções em saúde mental. 54 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 3. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: DOENÇA E BEM-ESTAR; TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, vamos estudar sobre a psicologia do desenvolvimento humano na compreensão da doença e do bem-estar, incluindo a introdução sobre o tema dos transtornos psicológicos, tratamentos e intervenções em saúde mental. Essa área do conhecimento da psicologia estuda a expressão dos aspectos psicológicos em problemas de saúde, que afetam nossa disposição diária, felicidade e bem-estar: [...] quando algo não está funcionando bem em nosso corpo, queremos um diagnóstico do problema e depois um conserto (rápido, esperamos). No entanto, tal abordagem ignora o fato de que – ao contrário do conserto de um carro – um bom cuidado à saúde requer que fatores psicológicos sejam levados em conta. Os psicólogos da saúde procuraram determinar os fatores envolvidos na promoção da boa saúde e, mais amplamente, uma sensação de bem-estar e felicidade. (FELDMAN, 2015, p. 431). Por esse raciocínio, a unidade abordará o tema do adoecer como processo, reações e crises, compreendendo sua relação com a saúde e o bem-estar. Por fim, entrará no tema dos transtornos psicológicos e alguns dos termos comumente usados nesta área temática – ansiedade, sintomas somáticos, sintomas do humor e esquizofrenia; pensará sobre o contexto social e cultural dos transtornos psicológicos; e introduzirá alguns dos tratamentos e intervenções em saúde mental. 55 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Sugerimos a leitura dos Cadernos de Atenção Básica, do Ministério de Saúde. 3.1 DOENÇA E BEM-ESTAR A proposta biopsicossocial de compreensão da doença e do bem-estar tem como objetivo superar o modelo biomédico de entendimento da doença, que a reduzia a sinais e sintomas físicos, enfatizando a ideia de uma causa biológica que, se descoberta, teria um tratamento (ECKER; PALOMBINI, 2021). 3.1.1 O ADOECER COMO PROCESSO • Qual seria a proposta biopsicossocial de compreensão da doença? Compreender o adoecer como um processo envolve situar o adoecimento psíquico em um “horizonte de eventos [...] envolvendo as dimensões biológica, psicológica e social em interação dinâmica” (DE MARCO; DEGIOVANI, 2012, p. 313). Essa abordagem enfatiza um modelo biopsicossocial de compreensão da saúde, entendendo que o corpo humano ultrapassa o aspecto biológico, sinais e sintomas físicos (DE MARCO; DEGIOVANI, 2012). 56 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM FIGURA 1 – NA PERSPECTIVA DO ADOECER COMO UM PROCESSO, O ADOECIMENTO QUE SE INSTALA NO SUJEITO HUMANO SE DESENVOLVE A PARTIR DA CONFLUÊNCIA DE UMA SÉRIE DE FATORES. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de uma pessoa encaixando uma peça numa cabeça gigante. Na abordagem biopsicossocial a produção de saúde envolve pequenos exercícios e cuidados diários (na saúde biológica – alimentação, sono, exercícios físicos, higiene; na saúde social – relações interpessoais e íntimas, projetos de vida, escolhas de futuro, redução de vulnerabilidades sociais; na saúde psicológica – aumento do autoconhecimento, redução de conflitos, estresse, violências etc.), que funcionam em uma dinâmica complexa, repercutindo na pessoa e no seu entorno e podendo acarretar sofrimentos ou adoecimentos (DE MARCO; DEGIOVANI, 2012). O que chamamos de sofrimento mental comum? Quem trabalha ou estuda o sofrimento mental [...] sabe que tristeza, desânimo, perda do prazer de viver, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade e medo (às vezes na forma de crises) são queixas comuns dos usuários. Com frequência, quem se queixa de uma delas, também se queixa de muitas das outras. Ou seja, são queixas que costumam estar associadas. Por outro lado, muitos desses mesmos usuários que relatam os fenômenos acima, também apresentam queixas como mudança no sono e apetite (por vezes para mais, por vezes para menos), dores (frequentemente crônicas e difusas), cansaço, palpitações, tontura ou mesmo alterações gástricas e intestinais. (GOLDBERG, 2005 apud BRASIL, 2013, p.90-91) 57 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Sugerimos a leitura da tese de doutorado – O exercício de Direitos Sociais nos processos subjetivos e terapêuticos, de Ecker (2020), disponível aqui. 3.1.2 REAÇÕES E CRISES • Como descrever as reações de sofrimento e crise em saúde mental? No momento em que se instala um comprometimento emocional na vida do paciente ou da família, é possível levantar diversas perguntas que analisam os eventos e o contexto da reação ou crise: a pessoa consegue descrever o motivo de seu adoecimento? Esse adoecimento ocorreu por alguma mudança, crise ou reação específica na sua vida? A pessoa adoecida tem rede de apoio que possa auxiliar no seu cuidado? A pessoa que adoeceu denuncia algo sobre o adoecimento de seu contexto familiar ou social? Existe equilíbrio na sua rede de apoio? Quais sinais de esgotamento, crises que se repetem, repercussões no bem-estar, trabalho, estudos ou outras esferas da vida que seu adoecimento vai impactar? Há necessidade de manejo dessas consequências para minimizar impactos negativos? (DE MARCO; DEGIOVANI, 2012). O que é crise afinal? A palavra crise vem do grego krísis, que significava, na sua origem, momento de decisão, de mudança súbita; separar, decidir, julgar. Na história da Medicina, segundo antigas concepções, constituía um momento decisivo para evolução de uma doença para cura ou para morte. Para os chineses significa, ao mesmo tempo, risco e oportunidade. No caso das crises psíquicas, o desarranjo, o desespero, as vozes, visões ou a eclosão psicótica expressam também uma tentativa de curaou de resolução de problemas e sofrimentos cruciais na vida da pessoa, de um núcleo familiar e comunitário. Em saúde mental, os sintomas não necessariamente devem ser suprimidos, muitas vezes eles devem ser acolhidos e suportados – considerando aqui ofertas de suporte adequadas. As crises psíquicas são suportadas, muitas vezes, por igrejas, terreiros e outras formas culturais. Somente parte delas é tratada pela psiquiatria. Muitos atores podem ser acolhedores de pessoas em crise: médicos de família, agentes de saúde, enfermeiros, vizinhos ou outros. É preciso ampliar conceitos e superar https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/213918/001118500.pdf?sequence=1 58 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM o olhar apenas episódico, garantindo um cuidado continuado. A crise faz parte do cotidiano dos sujeitos que estão constantemente lidando com momentos que geram desorganização em sua vida (BRASIL, 2013, p. 100). De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2013, p. 32), “sofrimento não é o mesmo que dor, embora a dor possa levar a um sofrimento, mas não é qualquer dor que nos faz sofrer”. Seguindo essa afirmação é possível considerar que “da mesma forma, o sofrimento não equivale a uma perda, embora as perdas possam, ocasionalmente, nos fazer sofrer (BRASIL, 2013, p. 32). Lucchese (2012, p. 337) afirma que a forma mais clássica (e talvez mais antiga) de pensar o conceito de saúde é a partir da ideia de equilíbrio: “equilíbrio entre a pessoa e seu meio”. FIGURA 2 – ATENÇÃO AOS SINAIS DO CORPO. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de duas pessoas caminhando na direção de uma grande rachadura no chão, sendo que na reta de uma há um caminho que sobrepõe o vão do solo e da outra não. Estar atento aos sinais que o corpo expressa sobre desconfortos, insatisfações, mal-estares, dores ou infelicidades pode ser uma estratégia de não silenciar as reações psicológicas. Por meio dessa escuta, torna-se possível pensar em saídas ou manejos que auxiliem o enfrentamento às adversidades da vida O adoecimento estaria relacionado a um desequilíbrio entre as necessidades do indivíduo e seu meio, ocasionando reações (MARCO, 2012). Estas reações 59 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 psicológicas podem ser consideradas como “normais” ou “esperadas”, como no caso de doenças agudas, cirurgias, transplantes, hemodiálise, oncologia e outra doenças orgânicas, que ocasionam impacto psicológico e necessitam de atenção para não agravar os aspectos psíquicos (LUCCHESE, 2012, p. 337). Cabe destacar que a compreensão sobre adoecimento e sofrimento em saúde mental, reações e crises, também estão relacionadas ao contexto social e seus ideais de “bom comportamento” e “produtividade social” (GUARESCHI, et al., 2016, p. 332). Sugerimos a complementação de seus estudos com a leitura do artigo – São todas as causas potencialmente causadoras de doença mental? Os archivos brasileiros de hygiene mental e o esboço do homem moderno, de Guareschi et al. (2016). 3.1.3 SAÚDE E BEM-ESTAR • Quais fatores afetam a promoção de saúde e de bem-estar? Dentre os desafios para os profissionais de saúde auxiliarem na promoção de saúde de seus pacientes, estão as falhas na comunicação (FELDMAN, 2015). Diferenças sociais, econômicas, culturais, de personalidade, afinidades, sentimento de inferioridade do paciente, dentre outros fatores, podem interferir em como o profissional consegue comunicar orientações de saúde para seu cliente, grupo e inter-relações. Profissionais que “fazem suposições sobre o que os pacientes preferem ou forçam um tratamento específico que eles preferem sem consultar os pacientes” e até causam intimidação, podem encontrar clientes relutantes ou desencorajados para práticas de autocuidado (FELDMAN, 2015, p. 442). Deve-se considerar que, também: 60 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Não somos muito bons em seguir os conselhos médicos. Considere os seguintes números: • cerca de 85% dos pacientes não cumprem totalmente as recomendações do médico. • 10% das gestações adolescentes resultam da não adesão às práticas de controle da natalidade. • 31% dos pacientes não atendem as prescrições de fármacos. • 49% dos pacientes esquecem-se de tomar um medicamento prescrito. • 13% dos pacientes tomam o medicamento de outra pessoa. • 60% dos pacientes não conseguem identificar os próprios remédios. de 30 a 50% dos pacientes ignoram as instruções ou cometem erros ao tomar o medicamento (HEALTH PAGES, 2003; COLLAND et al., 2004; HOBSON, 2011 apud FELDMAN, 2015, p. 441). Assim, uma comunicação efetiva para promover saúde é essencial, sendo viáveis intervenções que aumentem a adesão aos conselhos fornecidos pelos profissionais. Feldman (2015), sugere algumas ações para promover uma comunicação eficaz: Sugestão 1 dê instruções de fácil compreensão, traduzindo conceitos técnicos para um senso comum. Sugestão 2 mantenha boas e calorosas relações com os pacientes. Sugestão 3 seja honesto/a. Sugestão 4 demonstre vontade de ajudar. Sugestão 5 apresente as informações de forma detalhada, mas com precisão. 61 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para Feldman (2015), o modo como uma mensagem é estruturada também pode ser útil, havendo duas formas principais: • mensagens estruturadas de forma positiva, mostrando ao paciente os ganhos que poderá obter com a mudança de alguns comportamentos relacionados à saúde; • mensagens estruturadas de forma negativa, enfatizando o que ele pode perder ao negar-se a mudar um comportamento Adotar uma ou outra, depende do tipo de comportamento que a/o profissional está tentando produzir, sendo que: “as mensagens positivamente estruturadas são melhores para motivar o comportamento preventivo. Contudo, as mensagens estruturadas negativamente são mais eficazes na produção de um comportamento que leve à detecção de uma doença” (FELDMAN, 2015, p. 443-444). 62 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM QUADRO 1 – FATORES BIOPSICOSSOCIAIS DE RISCO E DE PROTEÇÃO PARA A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES. ELEMENTOS QUE PODEM AUXILIAR NA AVALIAÇÃO DE ADULTOS E IDOSOS Domínio Fatores de risco Fatores protetores So ci al a) Família • Cuidado parental inconsistente; • Discórdia familiar excessiva; • Morte ou ausência abrupta de membro da família; • Pais ou cuidadores com transtorno mental; • Violência doméstica. • Vínculos familiares fortes; • Oportunidades para envolvimento positivo da família. b) Escola • Atraso escolar; • Falência das escolas em prover um ambiente interessante e apropriado para manter a assiduidade e o aprendizado; • Provisão inadequada- inapropriada do que cabe ao mandato escolar; • Violência no ambiente escolar. • Oportunidades de envolvimento na vida da escola; • Reforço positivo para conquistas acadêmicas; • Identificação com a cultura da escola. c) Comunidade • Redes de sociabilidade frágeis; • Discriminação e marginalização; • Exposição à violência; • Falta de senso de pertencimento; • Condições socioeconômicas • desfavoráveis. • Ligação forte com a comunidade; • Oportunidade para uso construtivo do lazer; • Experiências culturais positivas; • Gratificação por • envolvimento na comunidade. Domínio psicológico • Temperamento difícil; • Dificuldades significativas de aprendizagem; • Abuso sexual, físico e emocional. • Habilidade de aprender com a experiência; • Boa autoestima; • Habilidades sociais; • Capacidade para resolverproblemas. 63 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Domínio Fatores de risco Fatores protetores Domínio biológico • Anormalidades cromossômicas; • Exposição a substâncias tóxicas na gestação; • Trauma craniano; • Hipóxia ou outras complicações ao nascer; • Doenças crônicas, em especial neurológicas e metabólicas; • Efeitos colaterais de medicação. • Desenvolvimento físico, apropriado à idade; • Boa saúde física; • Bom funcionamento • intelectual. Fonte: adaptado de Who (2005 apud BRASIL, 2013). 3.2 TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES Dentro da psicologia existem diversas abordagens que estudam o adoecimento psíquico, havendo muitas divergências sobre o entendimento do conceito de saúde e doença, quando se trata dos aspectos psicológicos. Essa divergência ocorre, pois o adoecimento psíquico nem sempre tem sinais e sintomas físicos facilmente detectáveis. 64 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM FIGURA 3 – ADOECIMENTO PSÍQUICO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de uma pessoa sentada no chão, no meio de um labirinto. Em algumas situações, o adoecimento psíquico pode estar relacionado à dificuldade de planejar soluções ou encontrar suporte social para resolvê-las, frente a problemas do cotidiano. 3.2.1 ANSIEDADE, SINTOMAS SOMÁTICOS, SINTOMAS DO HUMOR E ESQUIZOFRENIA • Quais os transtornos psicológicos frequentes no cuidado em saúde mental? Em uma mesma situação, por exemplo, no caso da morte de um parente por câncer, um familiar pode reagir com crises de choro e de tristeza, enquanto outro pode nada expressar e apenas ficar em silêncio ou ter comportamentos que não parecem demonstrar tristeza, como ir em festas, o que não significa que está sofrendo menos. Nessa pluralidade de reações humanas, que ocorre frente às adversidades da vida, em que a linha entre normal e anormal se torna tênue, dificulta definições categóricas ou deterministas sobre adoecimento psíquico. De acordo com Feldman (2015) há várias interpretações para pensar a anormalidade no sentido de estar adoecido psicologicamente, como: desvio do ideal; desvio 65 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 da média; sensação de desconforto pessoal; incapacidade de funcionar de maneira eficaz; ou como comportamento que faz com que as pessoas experimentem sofrimento e impede-as de atuar em sua vida diária. Ao examinar o caso de um paciente que ouvia vozes, tinha “delírios de grandeza” e pensava que poderia “fazer coisas mágicas”, Feldman (2015, p. 452) sintetiza, de modo didático, diferentes interpretações teóricas possíveis sobre o caso: QUADRO 2 – ABORDAGENS RECORRENTES NA INTERPRETAÇÃO DOS ADOECIMENTOS PSICOLÓGICOS Perspectivas sobre os transtornos psicológicos Perspectiva Descrição Possível aplicação da perspectiva ao caso Médica Pressupõe que causas fisiológicas estão na raiz dos transtornos psicológicos. Examinar para problemas médicos como tumor cerebral, desequilíbrio químico no cérebro ou doença. Psicanalítica Pressupõe que os transtornos psicológicos provêm de conflitos infantis. Procurar informações sobre o passado do paciente, considerando possíveis conflitos infantis. Comportamental Pressupõe que os comportamentos anormais são respostas aprendidas. Concentrar-se nas recompensas e punições para o comportamento do paciente e identificar estímulos ambientais que reforçam seu comportamento. Cognitiva Pressupõe que as cognições (pensamentos e crenças pessoais) são centrais para os transtornos psicológicos. Abordar as percepções do paciente acerca de si mesmo e de seu ambiente. Humanista Enfatiza a responsabilidade das pessoas por seu comportamento e a necessidade de autoatualizar-se. Considerar o comportamento do paciente em termos de suas escolhas e de seus esforços para atingir seu potencial. Sociocultural Pressupõe que o comportamento é moldado pela família, pela sociedade e pela cultura. Analisar como as demandas da sociedade contribuíram para o transtorno do paciente. Fonte: adaptado de Feldman (2015, p. 401). 66 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM O conceito de transtorno psicológico, inclusive, não representa toda essa diversidade de abordagens teóricas (quadro 2) utilizadas por psicólogas e psicólogos no Brasil e no mundo, sendo que algumas teorias fazem críticas consistentes e significativas a esse conceito, afirmando que os diagnósticos estigmatizam, rotulam e simplificam a complexidade do adoecimento psicológico (FELDMAN, 2015). A ideia de transtorno psicológico está relacionada, principalmente, à abordagem médico psiquiátrica, que na formação em psicologia é ensinada a partir do livro Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (última versão do DSM-5-1 de 2013) para estudo dessas categorias diagnósticas (APA, 2018). Para saber mais, leia o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, da APA (2018). Baseado nessa abordagem médico psiquiátrica, que se assemelha à Classif icação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10), Feldman (2015) descreve sinais e sintomas, relacionados aos transtornos psicológicos frequentes no cuidado em saúde mental. Ansiedade (problemas em que a ansiedade impede o funcionamento diário). Exemplo: transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico, fobia específica, transtorno de estresse pós-traumático. Sintomas somáticos e transtornos relacionados (perturbações psicológicas exibidas por meio de problemas físicos). Exemplo: hipocondria; transtorno conversivo. Dissociativos (cisão de partes cruciais da personalidade que geralmente estão integradas). Exemplo: transtorno dissociativo de identidade (personalidade múltipla), amnésia dissociativa, fuga dissociativa. Humor (emoções de depressão e euforia que são tão fortes que interferem na vida diária). Exemplo: depressão maior; transtorno bipolar. 67 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Esquizofrenia e transtornos psicóticos (declínio no funcionamento, perturbações no pensamento e na linguagem, transtornos da percepção, perturbações emocionais e afastamento dos outros). Exemplo: transtorno delirante. Personalidade (problemas que criam pouco sofrimento pessoal, mas que levam a uma incapacidade de funcionar como um membro normal da sociedade). Exemplo: transtorno da personalidade antissocial; transtorno da personalidade narcisista. Sexual (problemas relacionados à excitação sexual por objetos incomuns ou problemas relacionados ao funcionamento). Exemplo: transtorno parafílico; disfunção sexual. Relacionado à substância (problemas relacionados à dependência e abuso de drogas). Exemplo: álcool; cocaína; alucinógenos; maconha. Demência, amnésia e outros transtornos cognitivos Exemplo: doença de Alzheimer (FELDMAN, 2015, p. 459). Assim, o profissional deve estar atento a tais sinais e sintomas, uma vez que remetem aos transtornos psicológicos que encontrará em sua atuação. 3.2.2 O CONTEXTO SOCIAL E CULTURAL DOS TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS • Quais aspectos sociais e culturais se relacionam aos transtornos psicológicos? As controvérsias em torno das classificações psiquiátricas por meio do conceito de transtornos mentais, refere-se também ao fato subjacente de que nosso “entendimento do comportamento anormal reflete a sociedade e a cultura em que vivemos” (FELDMAN, 2015, p. 486). Nesse sentido, pesquisadores observam que: [...] o aumento nos transtornos mentais coincide com a ênfase crescente queestá sendo atribuída a objetivos extrínsecos, como atingir riqueza e status, e ênfase decrescente sendo colocada em objetivos intrínsecos como a criação de relacionamentos interpessoais satisfatórios e um senso comunitário. Eles especularam que tal ênfase nos objetivos extrínsecos pode encorajar expectativas irracionais para conquistas pessoais, causando dois problemas: estresse excessivo quando as pessoas tentam alcançar objetivos inatingíveis e senso de insatisfação quando elas fracassam em viver de acordo com suas expectativas (ECKERSLEY; DEAR, 2002; JACOBS, 2010 apud FELDMAN, 2015, p. 486). Destaca-se que futuras revisões do DSM podem incluir catalogações diferentes de transtornos ou reconsiderar as anteriores, como é o caso da recente publicação da Associação Americana de Psiquiatria (APA), 68 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM em uma nota em que a instituição pede desculpas às pessoas negras, indígenas e pessoas de cor, por ter apoiado historicamente o racismo estrutural na psiquiatria. Sugerimos a leitura do artigo: Pedido de desculpas da APA a negros, indígenas e pessoas de cor por seu apoio ao racismo estrutural na psiquiatria, da APA (2021). No que se refere ao contexto social do sofrimento psicológico, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2013, p. 91) enfatiza a importância de compreender “a pessoa que sofre em seu contexto de vida”, destacando alguns aspectos importantes de serem avaliados para formulação de projetos terapêuticos de clientes, grupos e inter-relações: 1) vulnerabilidade: gênero, pobreza, cor da pele e desigualdade - entendendo que mulheres têm cerca de duas vezes mais chance de apresentar sofrimento que os homens, considerando as desigualdades de gênero e violências (físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais) contra essa população; e que 2) “a pobreza também está relacionada a um risco mais elevado de sofrimento mental comum” (BRASIL, 2013, p. 92). Para complementar seus estudos, sugerimos a leitura dos seguintes materiais: Tipos de Violência, do IMP ([201_]). Paradoxos nos ‘benefícios’ aos incapacitados: biopolítica e saúde mental, de Zambillo, Palombini e Ecker (2018). Transexuais e travestis: gênero, censura e resistência, de Cemin, Ecker e Luckmann (2011). 69 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.2.3 TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES EM SAÚDE MENTAL • Como compreender as abordagens de tratamento e de intervenção em saúde mental? As abordagens de tratamento psicológico, na sua diversidade, apresentam diferentes nomenclaturas de suas perspectivas (quadro 2), mesmo que alguns procedimentos se sobreponham bastante (FELDMAN, 2015). FIGURA 4 – A COMPLEXIDADE E DIVERSIDADE DA MENTE HUMANA EXIGE DIFERENTES ABORDAGENS TEÓRICAS E TÉCNICAS DA PSICOLOGIA NOS TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES EM SAÚDE Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: ilustração da cabeça de duas pessoas, uma passando informações para a outra. Atualmente, muitos terapeutas adotam abordagens ecléticas de terapia devido a sua formação generalista, que estuda na graduação diferentes métodos de tratamento e de intervenção, significando que podem usar uma 70 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM variedade de métodos com determinado paciente (FELDMAN, 2015). De forma didática, há duas categorias principais de tratamento – terapias psicológicas e terapias biológicas: A terapia psicológica ou psicoterapia, é um tratamento em que um profissional treinado – um terapeuta – utiliza técnicas psicológicas para ajudar alguém a superar dificuldades e transtornos psicológicos, a resolver problemas na vida ou a desenvolver o crescimento pessoal. Em psicoterapia, o objetivo é produzir mudanças psicológicas em uma pessoa (chamada de “cliente” ou “paciente”) por meio de discussões e interações com o terapeuta. Em contraste, a terapia biomédica baseia-se no uso de fármacos e procedimentos médicos para melhorar o funcionamento psicológico (FELDMAN, 2015, p.486). Embora as diferentes perspectivas da psicologia divirjam em muitos aspectos, todas as abordagens compreendem o tratamento psíquico como um recurso para resolver problemas, modif icar comportamentos e ajudar as pessoas a compreenderem melhor a si mesmas, seu passado, as pessoas a sua volta e a sociedade (FELDMAN, 2015). Sugerimos a leitura do artigo Prevenção e Promoção de Saúde no CAPS AD através de oficinas de psicoeducação, de Guariento, Torres e Ecker (2019). Dentre as principais abordagens terapêuticas, estão: Psicodinâmicas - procura trazer conflitos passados não resolvidos e impulsos inaceitáveis do inconsciente para o consciente, área na qual os pacientes podem lidar com os problemas de modo mais eficaz. [...] basicamente consiste em guiar os pacientes para considerar e discutir suas experiências passadas em detalhes explícitos desde o tempo de suas primeiras lembranças. Esse processo presume que os pacientes acabarão deparando-se com crises, traumas e conflitos há muito tempo ocultos que estão produzindo ansiedade na vida adulta. Eles, então, serão capazes de “elaborar” – entender e retificar. Comportamental - têm o seguinte pressuposto fundamental: tanto o comportamento anormal quanto normal são aprendidos. As pessoas que 71 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 agem anormalmente não aprenderam as habilidades de que precisavam para enfrentar os problemas da vida diária ou adquiriram habilidades e padrões falhos que estão sendo mantidos por algum tipo de reforço. Para modificar o comportamento anormal, então, os proponentes das abordagens comportamentais propõem que as pessoas precisam aprender um novo comportamento para substituir as habilidades falhas que desenvolveram e desaprender os padrões de comportamento mal-adaptativos. Cognitiva - ensinam as pessoas a pensar de maneira mais adaptativa, modificando suas cognições disfuncionais sobre o mundo e sobre si mesmas. Diferentemente dos terapeutas comportamentais, que propõem a modificação do comportamento externo, os terapeutas cognitivos tentam modificar o modo como as pessoas pensam, além de seu comportamento. Como frequentemente usam princípios básicos de aprendizagem, os métodos que eles empregam são, por vezes, referidos como abordagem cognitivo-comportamental. Por conseguinte, os tratamentos cognitivos procuram modificar os padrões de pensamento que levam o indivíduo a ficar “emperrado” em formas disfuncionais de pensamento. Os terapeutas sistematicamente ensinam os pacientes a questionar seus pressupostos e a adotar novas abordagens para antigos problemas. Humanista - baseia-se na perspectiva filosófica de autorresponsabilidade no desenvolvimento de técnicas de tratamento. Os diferentes tipos de terapia que se enquadram nessa categoria têm uma lógica similar: temos controle do próprio comportamento, podemos fazer escolhas sobre o tipo de vida que desejamos viver e depende de nós resolvermos as dificuldades que encontramos na vida diária. Os terapeutas que usam técnicas humanistas procuram ajudar as pessoas a se compreender e encontrar formas de se aproximar do ideal que elas desejam para si mesmas. Segundo essa visão, os transtornos psicológicos resultam da incapacidade de encontrar significado para a vida e dos sentimentos de solidão, além de uma falta de conexão com os outros (FELDMAN, 2015, p. 496-507). No trabalho em saúde mental, nas políticas públicas, fundamentado nas diretrizes, princípios e valores do Sistema Único de Saúde (SUS), a compreensão biopsicossocial do adoecimento enfatiza a organização dos serviços, pensandoo tratamento e a intervenção em psicologia, baseado no trabalho em rede intersetorial, com equipes multiprofissionais “na perspectiva de acolher, abordar e cuidar de pessoas em situação de crise no território” (BRASIL, 2013, p. 101). Além das abordagens teóricas da psicologia citadas anteriormente, na área da saúde mental no SUS também é possível encontrar os seguintes tratamentos e intervenções: 1) grupos de saúde mental; 2) redes de suporte social; 3) práticas integrativas e complementares (PICs) (medicina antroposófica, fitoterapia e plantas medicinais, homeopatia, medicina tradicional chinesa (MTC), auriculoterapia, dentre outras); 4) atendimento 72 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM multiprofissional (com as equipes de saúde da família - ESFs e profissionais do núcleo ampliado de saúde da família e atenção básica - NASF-AB); 5) terapia interpessoal breve (TIB); 6) terapia comunitária (TC); Etapas da terapia comunitária (TC) Etapa 1. Acolhimento - momento de apresentação individual e das cinco regras. Etapa 2. Escolha do tema - as pessoas apresentam as questões e os temas sobre os quais querem falar. Vota-se o tema a ser abordado no dia. Etapa 3. Contextualização - momento em que o participante, com o tema escolhido, conta sua história. O grupo faz perguntas. Etapa 4. Problematização - o mote (questão-chave para reflexão) do dia, relacionado ao tema, é jogado para o grupo. Etapa 5. Rituais de agregação e conotação positiva - com o grupo unido, cada integrante verbaliza o que mais o tocou em relação às histórias contadas. Etapa 6. Avaliação - feita entre os terapeutas comunitários. Regras da terapia comunitária Regra 1. Respeitar quem está falando. Fazer silêncio para escutá-lo. Regra 2. Falar da própria história, utilizando a 1ª pessoa do singular (eu). Regra 3. Cuidar para não dar aconselhamento, discursar ou dar sermões. Regra 4. Utilizar músicas que tenham a ver com o tema escolhido, bem como piadas, histórias e provérbios relacionados. Regra 5. Preservar segredo do que é exposto na TC (comum em comunidades violentas) (BRASIL, 2013, p. 143). 7) mediação de conflitos; 8) redução de danos; 9) consultório na rua; 10) centros de convivência e cultura; 11) centros de atenção psicossocial (adulto, infantil e para usuários/as de álcool e outras drogas); 12) fornecimento de medicações psicofármacos (o SUS fornece medicação, gratuitamente, após avaliação com ESF de referência, na unidade básica de saúde (UBS) do território do usuário/a); 13) demais serviços da rede de atenção psicossocial (RAPs) (BRASIL, 2013). Destaca-se, por fim, a importância do 14) acolhimento e da 15) escuta para 73 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 a produção de saúde mental e amenização do sofrimento psíquico (BRASIL, 2013, p. 23-24). A escuta e o “famoso desabafo”: não raramente, os profissionais oferecem atenção e tempo para a escuta, o que permite um espaço de desabafo para o paciente. A atitude de desabafar e de escutar o desabafo é comum no dia a dia de muitas pessoas, independentemente de elas exercerem um ofício profissional relacionado à saúde. Escuta como acolhimento: a escuta é uma primeira ferramenta a ser utilizada pelo profissional de saúde para que o paciente possa contar e ouvir o seu sofrimento de outra perspectiva, por intermédio de um interlocutor que apresenta sua disponibilidade e atenção para ouvir o que ele tem a dizer. A partir disso, entendemos que o usuário encontrará no profissional de saúde uma pessoa interessada por sua vida e em ajudar. Escutar e acolher os conflitos e sofrimentos: por vezes, o usuário não se dá conta da relação de seus conflitos e seus sofrimentos com aquilo que ele fala, pensa ou faz. O exercício de narrar seus sofrimentos, ter a possibilidade de escutar a si mesmo enquanto narra, além de ser ouvido por um profissional de saúde atento, por si só, já pode criar para o usuário outras possibilidades de olhar para a forma como se movimenta na vida e faz suas escolhas (BRASIL, 2013, p. 23-24). C 74 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM CONCLUSÃO Vamos comemorar?! Você chegou ao final da Unidade 3 sobre Psicologia Aplicada à Enfermagem. Esta unidade teve o propósito de introduzir conceitos em psicologia do desenvolvimento humano e sua aplicabilidade na atuação da enfermagem, no trabalho com o adoecimento psíquico, reações e crises em saúde mental, pensando na promoção da saúde e do bem-estar psicológico. Para isso, apresentou qual seria a proposta biopsicossocial de compreensão da doença, definições de sofrimento e crise em saúde mental, assim como apontou fatores que afetam a promoção de saúde e bem-estar psíquico. Ao final da unidade, introduziu termos usuais na compreensão dos transtornos psicológicos, aspectos sociais e culturais que se relacionam a ele e apresentou, de forma resumida, abordagens de tratamento e intervenções em saúde mental. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 75 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM UNIDADE 4 > Nomear aspectos do conceito de atitude para compreensão do cliente, seu grupo de trabalho e inter-relações. > Compreender a contribuição do conceito de cognição social para análise de indivíduos, grupos e relações interpessoais. 76 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 4. PSICOLOGIA SOCIAL: ATITUDES E COGNIÇÃO SOCIAL INTRODUÇÃO DA UNIDADE A Unidade 4 apresenta o tema da psicologia social: atitudes e cognição social. A psicologia social, enquanto campo amplo de produção de conhecimento e de atuação profissional, estuda o comportamento humano na sua interação com os aspectos sociais – políticos, históricos, filosóficos, éticos, dos direitos humanos e sociais, dentre outros fatores culturais que envolvem e produzem a realidade humana: A psicologia social é o estudo científico acerca de como os pensamentos, sentimentos e ações das pessoas são afetados pelos outros. Os psicólogos sociais consideram os tipos e as causas do comportamento do indivíduo em situações sociais, examinando como a natureza das situações em que nos encontramos influencia nosso comportamento. O amplo âmbito da psicologia social é expresso pelo tipo de perguntas que os psicólogos sociais fazem, a saber: como podemos convencer as pessoas a modificar suas atitudes ou a adotar novas ideias e valores? De que modo podemos compreender como os outros são? Como somos influenciados pelo que os outros fazem e pensam? Por que alguns indivíduos exibem tanta violência, agressão e crueldade em relação aos outros a ponto de pessoas por todo o mundo viverem com medo de aniquilação? E por que, em comparação, algumas pessoas colocam a própria vida em risco para ajudar outras? (FELDMAN, 2015, p. 528). Nessa perspectiva, o material da unidade introduzirá o tema da psicologia social e sua contribuição para a análise de indivíduos, grupos e inter-relações, a partir do conceito de atitudes e persuasão, considerando os processos de mudança de atitudes no comportamento humano. Ao fim da unidade, veremos a abordagem do conceito de cognição social, situando-o na complexidade da cultura e sua contribuição para a atuação da enfermagem no trabalho em saúde. 77 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Como leitura complementar, indicamos a leitura do artigo A Psicologia Social contemporânea: principais tendências e perspectivas nacionais e internacionais, de Ferreira(2010), disponível aqui. 4.1 ATITUDES Conforme Feldman (2015, p. 528), “atitudes são avaliações de uma pessoa, de um comportamento, uma crença ou um conceito”. Elas podem ser formadas e mantidas, assim como modificadas, impactando nosso modo de criar impressões sobre os outros, explicar seus comportamentos e interpretá-los. 4.1.1 INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE ATITUDES • Como a psicologia social contribui, na análise psicológica dos seres humanos, com o conceito de atitudes? Ao analisar as estratégias que as pessoas usam para enfrentar as situações do dia a dia, percebe-se que existem multiplicidades de formas para confrontar e resolver um mesmo problema ou questão (MARCO et al., 2012). O que faz com que umas pessoas resolvam de uma forma e outras resolvam de maneira distinta? De acordo com Feldman (2015, p, 528), “nossas atitudes moldam nosso comportamento e como formamos julgamentos sobre os outros”. Desse modo, nossas ações são moldadas pelas vivências e mensagens que recebemos do mundo a nossa volta (FELDMAN, 2015). https://www.scielo.br/j/ptp/a/q35bD9r4HyTpLMhyH5CpTcP/abstract/?lang=pt 78 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM FIGURA 1 - O CONCEITO DE ATITUDES RELACIONA-SE A COMO NOS MOLDAMOS E COMO O MUNDO NOS MOLDA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de uma antiga balança gigante com uma pessoa sentada numa poltrona do lado em que a balança está mais pesada e, na outra ponta, cinco pessoas em pé. Segundo Feldman (2015, p. 529): “você provavelmente tem atitudes em relação ao presidente americano (uma pessoa), ao aborto (um comportamento), a uma ação afirmativa (uma crença) ou à arquitetura (um conceito)”. Nesse sentido, é possível considerar que os seres humanos são influenciados pelos demais como, por exemplo, nas amizades, relações e nas compreensões sobre aspectos sociais. Como leitura complementar, indicamos o artigo de Moreira (2020): Atitudes: mensuração, formação e mudança – disponível aqui. https://www.researchgate.net/publication/344600601_Atitudes_mensuracao_formacao_e_mudanca 79 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 4.1.2 PERSUASÃO • Como se processam as informações na persuasão? Persuasão é um conceito de uma das abordagens em psicologia social que estuda o processo de mudança de atitudes das pessoas, que pode se modificar devido a inúmeros fatores (FELDMAN, 2015). A receptividade de mensagens persuasivas está relacionada ao tipo de processamento de informação que a pessoa utiliza. Conforme Feldman (2015, p. 441), psicólogas sociais teorizaram sobre rotas primárias de processamento da informação para a persuasão: Processamento pela rota central tipo de processamento mental que ocorre quando uma mensagem persuasiva é avaliada pela consideração ponderada de questões e argumentos usados para persuadir. Processamento pela rota periférica tipo de processamento mental que ocorre quando uma mensagem persuasiva é avaliada com base em fatores irrelevantes ou alheios. Para complementar seus estudos, sugerimos a leitura dos seguintes artigos: • O processo de persuasão e o comportamento de persuadir, de Sénechal-Machado (1997), disponível aqui. • Comer o quê com quem?: Influência social indireta no comportamento alimentar ambivalente, de Batista e Lima (2013), dis ponível aqui. https://www.scielo.br/j/pcp/a/3zyVFfWs4zPzstfXXpwLdTv/?lang=pt https://www.scielo.br/j/prc/a/QMr7qWf47VbfMfdvmtz67TS/?lang=pt 80 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 4.1.3 MODIFICAÇÃO DE ATITUDES • Como as mensagens, seu alvo e argumentos, modificam atitudes? Para que ocorra impacto da mensagem transmitida pelo comunicador, Feldman (2015) descreve algumas variáveis envolvidas no processo de comunicação: • Fonte da mensagem. As características de uma pessoa que transmite uma mensagem persuasiva, conhecida como um comunicador de atitudes, têm um impacto importante na eficácia dessa mensagem. Os comunicadores que são física e socialmente atraentes produzem maior mudança de atitude do que aqueles que são menos atraentes. Além disso, o conhecimento e a credibilidade do comunicador estão relacionados ao impacto de uma mensagem – exceto em situações em que o público acredita que o comunicador tenha uma motivação dissimulada (ARIYANTO; HORNSEY; GALLOIS, 2006; MCCLURE; SUTTON; SIBLEY, 2007; MESSNER; REINHARD; SPORER, 2008 apud FELDMAN, 2015, p. 529). • Características da mensagem. Não é somente quem transmite uma mensagem, mas como é a mensagem que afeta as atitudes. Em geral, mensagens têm dois lados – que incluem a posição do comunicador e a de quem está argumentando contra – são mais eficazes que as mensagens unilaterais, com o pressuposto de que os argumentos do outro lado podem ser efetivamente refutados e de que o público tem conhecimento sobre o tópico. Mensagens que produzem medo (“Se você não praticar sexo seguro, contrairá Aids”) costumam ser eficazes quando fornecem ao público um meio de reduzir o medo. No entanto, se o medo for muito exagerado, as mensagens poderão evocar mecanismos de defesa das pessoas e serão ignoradas (PERLOFF, 2003 apud FELDMAN, 2015, p. 529). • Características do alvo. Depois que um comunicador transmitiu uma mensagem, as características do alvo podem determinar se a mensagem será aceita. Por exemplo, pessoas inteligentes são mais resistentes à persuasão que as menos inteligentes. Também parecem existir diferenças de gênero na capacidade de ser persuadido. Em contextos públicos, as mulheres são um pouco mais facilmente persuadidas que os homens, sobretudo quando elas têm menos conhecimento sobre o tópico da mensagem. Contudo, elas têm tanta probabilidade quanto os homens de modificar suas atitudes privadas. De fato, a magnitude das diferenças na resistência à persuasão entre homens e mulheres não é grande (WOOD, 2000; GUADAGNO; CIALDINI, 2002 apud FELDMAN, 2015, p. 529). 81 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Fonte da mensagem. Um comunicador persuasivo e atraente tende a aumentar o impacto da mensagem que transmite, o que resulta em maiores mudanças nos receptores, desde que estes não o vejam como dissimulado. Características da mensagem. Mensagens que envolvem um comunicador e um contra- argumentador são mais eficientes que as unilaterais, sendo necessário refletir sobre seus conteúdos, a fim de promover mudanças de atitudes e não afastar o receptor. Características do alvo. O alvo deve ser sempre considerado, pois influenciará a construção da mensagem, uma vez que, dependendo do alvo, será necessário investir mais ou menos em argumentos persuasivos. Nesses argumentos, Feldman (2015, p. 530) enfatiza que no processo de comunicação, pensando a mensagem que se quer transmitir, seu alvo e argumentos, quando uma pessoa “está desinteressada, não motivada, entediada ou distraída, as características da mensagem tornam-se menos importantes e os fatores periféricos tornam-se mais influentes”. 82 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM FIGURA 2 – ROTAS PARA PERSUASÃO QUE IMPACTAM NAS MUDANÇAS DE ATITUDES DURADOURAS Mensagem Alvo • Altamente envolvido • Motivado • Atento • Não envolvido • Não Motivado • Desatento Processamento pela rota periférica Mudança de atitude mais fraca, menos persistente Mudança de atitude mais longa e duradoura Fonte: Feldman (2015, p. 531). #PraCegoVer: imagem de um diagrama que propõe três etapas para o processamento de informações, que é chamado de rotas para persuasão. Nessa rota, a mensagem é recebida,em seguida, à direita, o alvo é interpretado como relevante ou não, para ser dividido, à direita, em três etapas. Se o alvo da mensagem for relevante, tiver motivação e atenção, a informação será processada pela rota central e haverá mudanças de atitudes mais longas e duradouras; se o alvo da mensagem for irrelevante, desmotivado e desatento, a informação será processada pela rota periférica e haverá mudanças de atitudes mais fracas e menos persistentes. Alvo (receptor) relevante: motivado e atento, a informação é processada pela rota central e resultará em mudanças de atitudes mais longas e duradouras Alvo (receptor) irrelevante: desmotivado e desatento, a informação é processada pela rota periférica e, consequentemente, apresentará mudanças de atitudes mais fracas e menos persistentes. Entender as rotas de persuasão, que variam de acordo com o tipo de alvo da mensagem, é uma etapa crucial da comunicação efetiva que objetiva a mudança de comportamentos. 83 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 4.2 COGNIÇÃO SOCIAL Dependendo do grau de cognição de cada indivíduo, segundo Feldman (2015), se comportamento será distinto. Pessoas com alta necessidade de cognição: gostam de pensar, filosofar e refletir sobre o mundo. Consequentemente, tendem a refletir mais sobre as mensagens persuasivas pelo uso do processamento pela rota central e têm mais probabilidade de serem persuadidas por mensagens complexas, lógicas e detalhadas. Pessoas com baixa necessidade de cognição: ficam impacientes quando forçadas a passar muito tempo pensando sobre uma questão. Por isso, costumam usar um processamento pela rota periférica e são persuadidas por outros fatores além da qualidade e dos detalhes das mensagens. 4.2.1 INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE COGNIÇÃO SOCIAL » Quais características humanas se relacionam à atividade cognitiva? Feldman (2015, p. 531) questiona: “algumas pessoas têm maior probabilidade do que outras de usar processamento pela rota central em vez de processamento pela rota periférica? A resposta é sim”. Para o autor, as pessoas com elevado nível habitual de ponderação e atividade cognitiva, apresentam maior probabilidade de adotar o processamento pela rota central. Considere as afirmações apresentadas no quadro a seguir. 84 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM QUADRO 1 – PESSOAS QUE CONCORDAM COM AS DUAS PRIMEIRAS AFIR- MAÇÕES E DISCORDAM DAS DEMAIS TÊM UMA NECESSIDADE RELATIVA- MENTE ALTA DE COGNIÇÃO A necessidade de cognição Quais das seguintes afirmações se aplicam a você? 1. Realmente gosto de uma tarefa que envolva encontrar novas soluções para os problemas. 2. Prefiro uma tarefa que seja intelectual, difícil e importante a uma que seja um pouco importante, mas não requeira muito pensamento. 3. Aprender novas formas de pensar não me excita muito. 4. A ideia de depender do pensamento para trilhar meu caminho até o topo não me atrai. 5. Penso apenas o quanto é preciso. 6. Gosto de tarefas que requerem pouco pensamento depois que as aprendi. 7. Prefiro pensar sobre pequenos projetos diários em vez de projetos de longo prazo. 8. Prefiro fazer algo que exija pouco pensamento em vez de algo que certamente vai desafiar minhas habilidades de pensamento. 9. Encontro pouca satisfação em deliberações amplas e demoradas. 10. Não gosto de ser responsável por uma situação que requeira pensar muito. Pontuação: quanto mais você concordar com as afirmações 1 e 2 e discordar das demais, maior a probabilidade de que você tenha alta necessidade de cognição. Fonte: adaptado de Cacioppo et al. (1996 apud FELDMAN, 2015). Como leitura complementar, sugerimos a leitura do artigo Cognição social: fundamentos, formulações atuais e perspectivas futuras, de Garrido, Azevedo e Palma (2011), disponível aqui. https://revista.appsicologia.org/index.php/rpsicologia/article/view/282/45 85 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Nesses argumentos, poderíamos resumir que a cognição social se refere aos “processos cognitivos por meio dos quais as pessoas compreendem e significam os outros e a si mesmas”. É por meio dessas significações que se formam os esquemas como “conjuntos de cognições acerca das pessoas e das experiências sociais”. Nesse contexto teórico, utiliza-se também o conceito de dissonância cognitiva, entendida como o “conflito mental que ocorre quando uma pessoa demonstra duas atitudes ou pensamentos contraditórios (designados como cognições)” (FELDMAN, 2015, p.532; 534). 4.2.2 CONTEXTO CULTURAL NA COGNIÇÃO SOCIAL • Como situar o contexto cultural na formação de esquemas cognitivos? Ao situar os seres humanos em contextos culturais, verifica-se a enorme quantidade de informações às quais as pessoas estão expostas a cada momento. Imersas em uma multiplicidade de possibilidades, “como podemos decidir o que é importante e o que não é e fazermos julgamentos acerca das características dos outros?” O conceito de cognição social auxilia os psicólogos e demais profissionais de saúde a entenderem como os indivíduos “adotam esquemas altamente desenvolvidos, conjuntos de cognições acerca das pessoas e das experiências sociais” (FELDMAN, 2015, p. 534). Esses esquemas organizam a informação armazenada na memória, representam em nossas mentes a forma como o mundo social opera, e nos fornecem uma estrutura para reconhecer, classificar e evocar informações relacionadas a estímulos sociais, como pessoas e grupos (MOSKOWITZ, 2004; SMITH; SEMIN, 2007; AMODIO; RATNER, 2011 apud FELDMAN, 2015, p. 534). 86 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Sugerimos a leitura do artigo – Corpo e cognições sociais, de Justo e Camargo (2013), para compreender a relação entre estes dois aspectos, disponível aqui. Como formamos nossos primeiros julgamentos sobre as pessoas em nossa cultura? Estudo sobre a cognição social “examinou a formação da impressão, isto é, o processo pelo qual um indivíduo organiza informações sobre outra pessoa para formar uma impressão geral daquela pessoa” (FELDMAN, 2015, p. 535). A partir dele, foi proposto o conceito de traços centrais, que remetem aos traços determinantes na formação de impressões relativas aos demais (FELDMAN, 2015). A teoria da cognição social auxilia a atuação da enfermagem ao oferecer aporte teórico para compreender aspectos psicológicos envolvendo a saúde humana. Para aprofundar seus conhecimentos, sugerimos a leitura dos artigos a seguir.Comportamentos e crenças em Saúde: contribuições da psicologia para a medicina comportamental, de Barletta (2010), disponível aqui. Representações sociais, crenças e comportamentos de saúde: um estudo comparativo entre homens e mulheres, de Brito e Camargo (2011), disponível aqui. http://www.scielo.org.pe/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1729-48272013000100003 https://seer.imed.edu.br/index.php/revistapsico/article/view/42 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2011000100023 87 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Vamos comemorar?! Você chegou ao final da Unidade 4 sobre Psicologia Aplicada à Enfermagem. Essa unidade teve o propósito de apresentar a abordagem da psicologia social, introduzindo o conceito de atitudes e cognição social. Cabe destacar a amplitude de abordagens que existem na psicologia social, preocupando-se em estudar o comportamento humano em sua interação com os aspectos sociais – políticos, históricos, filosóficos, éticos, dos direitos humanos e sociais, dentre outros, que envolvem e produzem a saúdehumana. Para aprofundar seus estudos, sugerimos a leitura da obra – Distintas faces da questão social, de Accorssi et al. (2015), disponível aqui. No processo do estudo, foram nomeados aspectos do conceito de atitude para a compreensão do cliente, seu grupo de trabalho e inter-relações, entendendo como as pessoas processam as informações na persuasão e como as mensagens, seu alvo e argumentos, modificam atitudes pela forma como o profissional se comunica com seus clientes. Ao final dos estudos, demonstrou-se como o conceito de cognição social permite analisar as características humanas relacionadas à atividade cognitiva e ao contexto cultural, na formação de esquemas cognitivos. Essas teorias auxiliam a atuação da enfermagem, ao oferecerem ferramentas técnicas para a compreensão de aspectos psicológicos envolvendo a saúde humana. Esperamos que você tenha gostado desta aula! https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/134067/Book%20V%20pdfA.pdf?sequence=1 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 88 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM UNIDADE 5 > Descrever conceitos que envolvem a compreensão dos fenômenos grupais no campo da psicologia. > Desenvolver habilidades teóricas que facilitem o manejo das inter-relações e dos fenômenos grupais. 89 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 5. PSICOLOGIA SOCIAL: INFLUÊNCIA SOCIAL E GRUPOS INTRODUÇÃO DA UNIDADE Oi, estudantes, chegamos em nossa penúltima etapa de estudos... A Unidade 5 apresenta o tema da psicologia social: influência social e grupos. O tema da influência social e grupos estão inseridos na abordagem da psicologia social, enquanto campo teórico que, na unidade anterior, destacamos ser permeado por análises que envolvem os aspectos sociais – políticos, históricos, filosóficos, éticos, dos direitos humanos e sociais, dentre outros fatores culturais – que afetam e produzem o comportamento humano. Nesse sentido, o material da unidade terá como foco assuntos da psicologia social que caracterizam a influência social: conformidade, concordância e obediência. Visando contribuir para a análise de indivíduos, grupos e inter-relações, também abordará aspectos teóricos sobre os fenômenos grupais – habilidades de comunicação, padrões de relacionamento e grupo terapêutico –, entendendo esses processos na compreensão do comportamento humano, enquanto ferramenta teórica para atuação da enfermagem no trabalho em saúde, em intersecção com conhecimentos da psicologia. Leia o artigo “Influência social, minorias ativas e desenvolvimento moral: ensaio teórico sobre a representatividade política brasileira”, escrito pelo Dr. Paulo Roberto Grangeiro Rodrigues, clicando aqui. https://www.scielo.br/j/psoc/a/fxn6ZZHqxKGwvFz8VvdbKdy/?format=pdf&lang=pt 90 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.1 INFLUÊNCIA SOCIAL Como um estímulo ou situação influencia no “por que” as pessoas se comportam de determinada maneira? Estudar o comportamento humano individualmente, em grupo ou nas inter-relações, segundo Feldman (2015), requerer colocar em análise uma complexidade de fatores biológicos, psicológicos e sociais, que se interseccionam e culminam na constituição da pessoa, sua personalidade, comportamentos e ações: Ao procurarmos uma explicação para determinado comportamento, precisamos responder a uma questão crucial: a causa é situacional ou disposicional? Causas situacionais (do comportamento): causas percebidas do comportamento que estão baseadas em fatores ambientais. São aquelas produzidas por algo no ambiente. Por exemplo, alguém que derrama leite e depois limpa provavelmente está limpando não porque seja uma pessoa asseada, mas porque a situação requer. Causas disposicionais (do comportamento): causas percebidas do comportamento que estão baseadas em traços internos ou fatores de personalidade. (Por exemplo, baseado na situação acima) uma pessoa que passa horas encerando o piso da cozinha faz isso porque é asseada. Portanto, o comportamento tem uma causa disposicional, ou seja, ela é desencadeada pela disposição da pessoa (seus traços internos ou características de personalidade) (FELDMAN, 2015, p.536, complementos nossos). Deve-se considerar a variável tempo, motivação, disposição, recursos, contexto social, situações de violências ou violações de direitos, o evento que desencadeou o comportamento, dentre outros fatores, que influenciam os comportamentos e resultam em direcionar a resposta acionada frente a determinados estímulos e situações. “Durante a formulação do problema e o estágio de resolução, podemos experimentar várias possibilidades antes de chegarmos a uma explicação final que nos pareça satisfatória” (MALLE, 2004; BROWN, 2006; MARTINKO; HARVEY; DASBOROUGH, 2011 apud FELDMAN, 2015, p. 536): 91 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM FIGURA 1 – POR QUE AS PESSOAS SE COMPORTAM DESSA MANEIRA? Percepção de um evento Interpretação do evento Formação de uma explicação inicial Existe tempo disponível Estão disponíveis os recursos cognitivos Existe motivação para modificar a explicação inicial Formulação e resolução do problema A explicação é satisfatória? Evento explicado, Interrupção do processo Fonte: Feldman (2015, p. 536). #PraCegoVer: Imagem que mostra diferentes interpretações sobre um mesmo estímulo ou situação impactam no “por que’ as pessoas se comportam da maneira como se comportam. 92 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Na análise do comportamento das pessoas, frente a estímulos e situações, também deve-se compreender as interferências que a pressão de determinado grupo pode exercer “sobre um indivíduo, seja deliberadamente, seja não intencionalmente” (FELDMAN, 2015, p. 529). Esta interferência tem o nome de influência social: A influência social é muito poderosa, em parte porque os grupos e as outras pessoas geralmente desempenham um papel central em nossa vida. Conforme definido pelos psicólogos sociais, os grupos consistem em duas ou mais pessoas que (1) interagem entre si, (2) percebem-se como parte de um grupo e (3) são interdependentes, ou seja, os eventos que afetam um membro do grupo afetam os demais, e o comportamento dos membros tem consequências significativas para o sucesso do grupo em alcançar seus objetivos (FELDMAN, 2015, p.541, grifos nossos). 5.1.1 CONFORMIDADE O conceito de conformidade contribui para a análise da influência social, ao identificar os processos de “mudança no comportamento ou nas atitudes causada por um desejo de seguir as crenças ou os padrões de outras pessoas” que por “pressão social sutil ou mesmo implícita resulta em conformidade” (FELDMAN, 2015, p.529). Baseado nos diversos estudos sobre o fenômeno de conformidade, tem-se alguns achados significativos: As características do grupo. Quanto mais atraente um grupo parece para seus membros, maior sua capacidade de produzir conformidade. O status, nível social mantido em um grupo, é essencial: quanto mais baixo o status de uma pessoa no grupo, maior a força do grupo sobre o comportamento dessa pessoa (HOGG; HAINS, 2001 apud FELDMAN, 2015, p. 542). A situação em que o indivíduo está respondendo. A conformidade é consideravelmente mais alta quando as pessoas devem responder de modo público do que quando elas podem fazer isso de modo privado. 93 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEMO tipo de tarefa. Pessoas que trabalham em tarefas e perguntas ambíguas (aquelas sem resposta clara) são mais suscetíveis à pressão social. Além disso, tarefas nas quais um indivíduo é menos competente do que os outros no grupo tornam a conformidade mais provável. Unanimidade do grupo. Os grupos que apoiam unanimemente uma posição apresentam as pressões de conformidade mais pronunciadas. Apoiador social. Membro de um grupo cujas visões discordantes tornam mais fácil a não conformidade ao grupo. A existência de apenas uma pessoa presente que compartilhe o ponto de vista da minoria é suficiente para reduzir as pressões de conformidade (PRISLIN; BREWER; WILSON, 2002; GOODWIN; COSTA; ADONU, 2004; LEVINE; MORELAND, 2006 apud FELDMAN, 2015, p. 543). Grupo de pessoas rindo Fonte: Pixabay (2022). #PraCegoVer: três meninas rindo e abraçadas. Para complementar seus estudos, leia o artigo sobre “Conformidade e Influência Social” e saiba mais sobre como o ambiente social influencia o comportamento das pessoas. O artigo foi escrito pela professora Dr.ª Pollyana de Lucena Moreia e você pode acessá-lo clicando aqui. 5.1.2 CONCORDÂNCIA Quais características e técnicas comuns nas pressões sociais diretas? Concordância, diferente do fenômeno da conformidade em que a pressão social é sutil ou indireta, se refere a situações em que a pressão social é “bem mais óbvia, com pressão direta e explícita para endossar um ponto de vista particular ou para se comportar de determinada maneira” (FELDMAN, 2015, https://www.researchgate.net/publication/344394334_Moreira_P_L_2020_Conformidade_e_Inlfuencia_Social 94 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 p.544). Desse modo, entende-se a concordância como o “comportamento que ocorre em resposta à pressão social direta”. Dentre as técnicas específicas que representam tentativas comumente empregadas para se obter concordância, estão: Técnica do pé na porta: você pede a uma pessoa para concordar com uma pequena solicitação que – por ser pequena – a probabilidade de que ela concorde é bastante alta. Contudo, posteriormente você pede à pessoa que concorde com uma solicitação mais importante. O que ocorre é que a concordância com a solicitação mais importante aumenta significativamente quando a pessoa concorda primeiro com o favor menor. (FELDMAN, 2015, p. 441). Técnica da porta na cara: alguém faz uma solicitação grande, espera ser recusada e continua com uma menor. Se for como a maioria das pessoas, você provavelmente concordará com muito mais facilidade do que faria se ela não lhe tivesse pedido uma enorme primeiro (TURNER et al., 2007; EBSTER; NEUMAYR, 2008; DOLINSKI, 2011 apud por FELDMAN, 2015, p. 441). Técnica da amostra não tão grátis: vem com um custo psicológico. Embora talvez não coloquem nesses termos, os vendedores que dão amostras grátis aos clientes potenciais fazem isso para instigar a norma da reciprocidade [...] que devemos tratar as outras pessoas como elas nos tratam. Receber uma amostra não tão grátis, portanto, sugere a necessidade de recíproca – na forma de uma compra, é claro (CIALDINI, 2006; PARK; ANTONIONI, 2007; BURGER, 2009 apud FELDMAN, 2015, p. 441). 5.1.3 OBEDIÊNCIA • Como as ações em saúde são afetadas por relações de poder? As/os psicólogas/os sociais, ao estudarem comportamentos que envolvem conformidade, concordância e obediência situam as relações sociais no campo analítico das relações de poder: As técnicas de concordância são usadas para gentilmente conduzir as pessoas até a concordância com uma solicitação. Em alguns casos, as solicitações objetivam produzir obediência, uma mudança no comportamento em resposta ao comando dos outros. Embora a obediência seja consideravelmente menos comum do que a conformidade e a concordância, ela ocorre em vários tipos específicos de relações. Por exemplo, podemos mostrar obediência a nossos chefes, professores ou pais (e profissionais da saúde) meramente devido ao poder que eles têm de nos recompensar ou punir (FELDMAN, 2015, p. 546, parênteses nossos). 95 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Leia o artigo “As relações de poder em Michel Foucault: reflexões teóricas”, de Isabella Maria Nunes Ferreirinha e Tânia Regina Raitz. Para isso, clique aqui. As relações de poder afetam o modo como se produzem as ações em saúde entendendo que, historicamente, “a profissionalização dos técnicos se deu por meio da articulação entre saber e poder médico, instituindo-se uma série de práticas disciplinares de regulação das relações e do espaço institucional a partir da hegemonia médica” (FOUCAULT, 1986 apud VILLA et al., 2015, p.1045). FIGURA 2 – RELAÇÕES DE PODER Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem uma corda que está sendo puxada por um alguém de terno do lado esquerdo e do lado direito está sendo puxada por quatro pessoas sem terno. Só conseguimos ver as mãos dessas pessoas. Nesse contexto das relações de poder, a obediência é descrita como uma “mudança no comportamento em resposta ao comando dos outros”, que pode ser realizada por pessoas de autoridade, com uma razão aparentemente legítima para a solicitação, incluindo a obediência à comportamentos que vão “além dos limites do que consideramos bom senso” (FELDMAN, 2015, p. 546). https://www.scielo.br/j/rap/a/r3mTrDmrWdBYKZC8CnwDDtq/?lang=pt 96 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O poder só existe em ato. É sempre relacional, um modo de ação de uns sobre os outros. O poder envolve as relações entre dois ou mais atores sociais, nas quais o comportamento de um é afetado pelo comportamento do outro; o poder expressa a capacidade que um indivíduo tem de levar o outro a fazer algo que de outra maneira não faria, por imposição (FOUCAULT, 1986 apud VILLA et al., 2015, p. 1045). É importante ressaltar a relação de poder entre profissional e usuário, manifestada pela linguagem, que permite ao primeiro o domínio frente ao segundo. Contudo, deve-se considerar que todo sujeito é detentor de um saber próprio que o legitima. Portanto, o usuário deve ser protagonista na relação de cuidados e a linguagem não pode subjugá-lo (VILLA et al., 2015, p.1051). Leia o artigo “Comunicações sobre psicopatologia e as relações de poder”, de Daniel Dall’Igna Ecker, e aprofunde seus conhecimentos sobre o assunto. Para lê-lo, clique aqui. 5.2 GRUPOS • Quais características grupais e dos modelos de comunicação humana? As atividades em grupo e inter-relações que integram o sujeito no coletivo são importantes instrumentos de intervenção psicossocial: Os grupos, enquanto tecnologia de cuidado complexa e diversificada, são teorizados pelas mais diferentes molduras teóricas, podendo ser úteis nas formulações de dinâmicas grupais. Tais ofertas das formas de intervenção são derivadas das demandas recorrentes dos profissionais que desejam incorporar novas ferramentas de trabalho, perguntando-se “como faço grupo?”, “como saio do meu espaço clínico individual?”, entendendo este espaço como produtor de saúde e possuindo impacto nos determinantes e condicionantes de saúde dos sujeitos e coletividades. O processo grupal, desde que bem pensado em sua finalidade, estrutura e manejo, permite uma poderosa e rica troca de experiências e transformações subjetivas que não seria alcançável em um atendimento de tipo individualizado. Isto se deve exatamente à pluralidade de seus integrantes, à diversidade de trocas de conhecimentos e possíveis identificações que apenas um grupo torna possível (BRASIL, 2013, p.121, grifos nossos). https://pedrinhoguareschi.com.br/site/wp-content/uploads/2019/01/36comunicacaessobrepsicopatologiaeasrelacaesdepoder8998.pdf97 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Você se interessou pelo assunto? Para saber mais, leia o livro “Como trabalhamos com grupos?”, de David Zimerman e Luiz Osório, publicado em 1997 pela Editora Artes Médicas, e Porto Alegre. 5.2.1 HABILIDADES DE COMUNICAÇÃO De acordo com Marco (2012, p. 63), a comunicação é um fenômeno encontrado em diversos planos, incluindo no campo grupal e das inter-relações: “a comunicação é o meio pelo qual duas entidades (no sentido mais genérico possível) têm de expressar fome, medo, raiva, disponibilidade para reprodução e muitas outras informações”. Desse modo, a comunicação não ocorre apenas através da oralidade (fala, ruído, música, sons), mas se expressa também através de expressões físicas. Considerando os modelos de comunicação humana, o autor destaca dois formatos distintos: Modelo de transmissão: consiste na transferência de significados. 1) O emissor possui uma ideia ou percepção que codifica em uma mensagem. 2) A mensagem é decodificada por um receptor, que produz um feedback. 3) Se a comunicação for bem sucedida, resultará em uma transferência de significado. Modelo constitutivo: a comunicação humana, na medida em que envolve subjetividades e interpretação, não coaduna com uma comunicação baseada em uma simples transferência de informações e significados. 1) Um significado não é realmente transmitido. 2) O significado é a função da dinâmica relacional e constitui o próprio processo de comunicação. 3) Não só a comunicação se constitui no processo de comunicar, mas o próprio sujeito. 4) Assim, a comunicação, constituída pelos sujeitos no processo de comunicar, é o processo constitutivo das subjetividades (MARCO, 2012, p. 64). 98 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Aprofunde seus conhecimentos sobre comunicação e enfermagem em saúde mental lendo um artigo sobre o tema, escrito por Ana Luisa Aranha e Silva, Maria Guilherme, Sandra Souza Lima Rocha e Maria Júlia Paes da Silva, cujo título é “Comunicação e enfermagem em saúde mental: reflexões teóricas”. Para acessá-lo, clique aqui. Outro artigo interessante para refletir sobre o assunto que estamos estudando é “Singularidades da comunicação no encontro de pessoas surdas e profissionais de saúde mental”, escrito por Bruno Romano e Octavio Domont de Serpa Jr. Para fazer a leitura dele, clique aqui. 5.2.2 PADRÕES DE RELACIONAMENTO • Quais atributos dos relacionamentos sociais possíveis de serem identificados nas relações humanas? Os grupos produzem encontros que impactam em nosso comportamento, na medida que os complexos inter-relacionamentos interferem nos “pensamentos, sentimentos e ações” das pessoas, sendo elas afetadas umas pelas outras no encontro (FELDMAN, 2015, p. 8). Para a psicologia, pode-se identificar os seguintes atributos nas relações humanas: Necessidade de afiliação: interesse em estabelecer e manter relacionamentos com outras pessoas. Indivíduos com alta necessidade de afiliação enfatizam o desejo de manter ou recuperar amizades e demonstram preocupação https://doi.org/10.1590/S0104-11692000000500010 https://www.scielosp.org/article/physis/2021.v31n2/e310208/ 99 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM em ser rejeitados pelos amigos. As pessoas que têm necessidades mais altas de afiliação são particularmente sensíveis aos relacionamentos com os outros. Elas desejam estar com seus amigos a maior parte do tempo e sozinhas com menos frequência quando comparadas com as pessoas que têm necessidade menor de afiliação. Necessidade de poder: tendência a procurar impacto, controle ou influência sobre os outros e a ser visto como um indivíduo poderoso. Pessoas com fortes necessidades de poder estão mais aptas a pertencer a organizações e a procurar altos cargos do que aquelas com baixa necessidade de poder. Elas também tendem a trabalhar em profissões em que seu poder pode ser exercido, como em gerenciamento de negócios e – você pode ou não se surpreender – no ensino. Além disso, elas procuram exibir as armadilhas do poder. Mesmo na faculdade, elas têm maior probabilidade de colecionar posses prestigiosas, como equipamento eletrônico e carros esportivos. (JENKINS, 1994 apud FELDMAN, 2015, p. 310-311) A relação entre profissional com a/o cliente, grupos ou inter-relações, envolve aspectos do encontro e o formato de comunicação que vai se estabelecer. FIGURA 3 – DIÁLOGO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem representa que o diálogo (interação entre dois ou mais indivíduos) é um recurso essencial para a efetivação de práticas profissionais que considerem os diferentes pontos de vista envolvidos nas ações em saúde. As emoções, como algo que vai estar presente nos diálogos e relações, requerem manejo devido grande parte dos conflitos que se instalam, na relação profissional-paciente, decorrerem “do trabalho com pacientes que buscam se informar e participar mais ativamente dos cuidados com sua saúde” (MARCO, 2012, p.81). 100 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Nesse sentido, a partir da relação que se estabelece entre profissional e paciente, é possível avaliar as intenções que levam a pessoa em buscar informações sobre seu cuidado em saúde, assim como levantar algumas perguntas sobre essa relação: 1) a pessoa quer participar mais ativamente de seus cuidados? 2) Ela quer ter mais poder para desafiar a autoridade do profissional? 3) Existem angústias desproporcionais e/ou pensamentos hipocondríacos? 4) Como o profissional reage a essas solicitações de informação? 5) O profissional se sente ameaçado? 6) O profissional considera válida as solicitações do/a paciente? (MARCO, 2012, p. 81). Saúde mental Fonte: Pixabay (2022). #PraCegoVer: a imagem de uma menina com as mãos tampando o rosto à direita. À esquerda, uma mão estendida para ela, como se oferecesse apoio emocional. Para aprofundar seu conhecimento, leia o artigo “Aplicação do relacionamento terapêutico a pessoas com transtorno mental comum”, escrito por Mario do Perpétuo Socorro de Sousa Nóbrega, Marta Francisca Trigo Fernandes, Priscila de Freita Silva clicando aqui. https://www.scielo.br/j/rgenf/a/GFvJSxMsSKrZwtcvR8PZtzB/?lang=pt 101 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 5.2.3 GRUPO TERAPÊUTICO • Quais especificidades do trabalho com grupos e sua dinâmica? O trabalho com grupos em saúde mental tem reconhecida sua importância para pacientes com sofrimento emocional significativo, incluindo vários enfoques teóricos possíveis, enquanto referencial da psicologia em interface com a enfermagem. No trabalho com grupos terapêuticos se sugere um cuidado na “formação de grupos por tipologia de agravos ou sofrimento psíquico [...] devendo-se buscar a diversidade grupal, reconhecendo e fazendo-se reconhecer os sujeitos como pertencentes a um território comum” (BRASIL, 2013, p. 122). Para saber como organizar um grupo de saúde mental, leia um resposta da série Telessaúde Responde, em que o grupo Segunda Opinião Formativa do Telessaúde SC responde a pergunta “Como organizar grupos de saúde mental?” no link a seguir: https://telessaude.ufsc.br/como-organizar-grupos-de-saude-mental/. Grupo de pessoas Fonte: Deduca (2022) #PraCegoVer: um grupo de pessoas de diversas idades batendo palmas. Elas estão sentadas em cadeiras enfileiradas, algumas estão rindo, outras estão rindo e batendo palma. Para aprofundar seu conhecimento, leia o artigo “Aplicação do relacionamento terapêutico a pessoas com transtorno mental comum”, escritopor Mario do Perpétuo Socorro de Sousa Nóbrega, Marta Francisca Trigo Fernandes, Priscila de Freita Silva clicando aqui. https://telessaude.ufsc.br/como-organizar-grupos-de-saude-mental/ https://www.scielo.br/j/rgenf/a/GFvJSxMsSKrZwtcvR8PZtzB/?lang=pt 102 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O grupo é um lugar do encontro entre sujeitos, pessoas e suas singularidades, sendo um espaço de “permanente produção de si e do mundo” (BRASIL, 2013, p. 122). Desse modo, para um bom andamento e resultado do processo terapêutico, o grupo deve ser pensado quanto à sua: FINALIDADE: Qual o objetivo do grupo? Seria um grupo com viés preventivo/educativo, terapêutico, operativo ou de acompanhamento? ESTRUTURA: Grupo aberto ou fechado? Com um número de encontros previstos ou a depender da dinâmica de seus participantes? Grupo misto ou delimitado por alguma característica específica? (Ex.: grupo de puérperas, grupo de pessoas com ansiedade, pessoas em uso prejudicial de álcool e/ou outras drogas etc.) (BRASIL, 2013, p. 122). A partir da definição de finalidade e de estrutura para o grupo terapêutico proposto, pode-se utilizar o conceito de cinco papéis, estabelecidos por Pichon-Rivière (1998), para compreender a dinâmica do processo grupal: 1) líder de mudança: é a pessoa do grupo que leva a tarefa adiante, enfrenta conflitos, busca soluções e arrisca-se diante do novo; 2) líder de resistência: é a pessoa do grupo que ‘puxa’ o grupo para trás, freia avanços, sabota as tarefas levantando as melhores intenções de desenvolvê- las, mas poucas vezes as cumpre. Atua em um contraponto interessante ao líder de mudança quando se descuida de parâmetros de realidade ao promover mudanças, estabelecendo equilíbrio ao grupo; 3) bode expiatório: é a pessoa do grupo que assume as culpas do grupo, isentando-o dos conteúdos que provocam medo, ansiedade etc.; 4) representante do silêncio: é a pessoa do grupo que assume as dificuldades dos demais para estabelecer a comunicação, obrigando o resto do grupo a falar; 5) porta-voz: é a pessoa do grupo que denuncia a enfermidade grupal, fazendo emergir as ansiedades grupais. É neste papel que o sujeito expressa os conflitos latentes do grupo (BRASIL, 2013, p. 125). 103 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM CONCLUSÃO Olá, alunas/os, como foram os estudos?? Você chegou ao final da Unidade 5, sobre Psicologia Aplicada à Enfermagem. Essa unidade teve como propósito estudar sobre a psicologia social: influência social e grupos. Para isso, descreveu fenômenos psicológicos que interferem no ‘por que’ as pessoas se comportam de determinada maneira, abordando o tema da pressão social direta e as relações de poder. A partir desses conceitos, entrou no tema dos fenômenos grupais, entendendo a importância da comunicação humana e dos atributos dos relacionamentos sociais no trabalho de profissionais da saúde. Ao final, destacou a importância de atividades com grupos terapêuticos para produção de saúde mental. Aproveitem o tempo livre para lerem as sugestões de leituras complementares sobre os temas abordados na aula! Segue duas sugestões de artigos escritos por Luciane Simões Spadini e Maria Conceição Bernardo de Mello e Souza. • Grupos realizados por enfermeiros na área de saúde mental. • Conceito de grupo na percepção de enfermeiros na área de saúde mental e psiquiatria. https://www.scielo.br/j/ean/a/GMScgxMjYQ7Jj3LPBCRz4wg/abstract/?lang=pt https://www.scielo.br/j/ean/a/GMScgxMjYQ7Jj3LPBCRz4wg/abstract/?lang=pt http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762011000300004 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-69762011000300004 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 104 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM UNIDADE 6 > Introduzir aspectos teóricos relacionados ao preconceito e à discriminação nas relações sociais. > Capacitar em questões técnicas que facilitem a compreensão e manejo das inter-relações e dos fenômenos grupais. 105 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM 6. PSICOLOGIA SOCIAL: PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO E COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Estamos iniciando nossa última unidade sobre Psicologia Aplicada à Enfermagem e destacamos que a psicologia é uma área de conhecimento amplo, com muitas vertentes teóricas, as quais apresentam múltiplas formas de compreensão dos seres humanos. Na própria psicologia social, existem diferentes autoras e autores que contribuem com discussões e estudos a partir de abordagens teórico-metodológicas variadas, o que nem sempre reflete um consenso entre tais estudiosos ao analisarem um mesmo fenômeno do comportamento das pessoas. Na Unidade 6, optou-se por apresentar estudos da psicologia social que enfatizam o tema do preconceito, discriminação e comportamento social positivo e negativo – temas que impactam as ações em saúde, influenciando a forma como se produz e como são conduzidas as práticas profissionais, com efeitos na saúde ou adoecimento mental do indivíduo, grupo e inter-relações, incluindo impacto na saúde mental do próprio profissional de enfermagem. Nesse sentido, os conceitos apresentados visam qualificar a análise psicológica do contexto social das práticas profissionais, fortalecendo teórica e tecnicamente os enfermeiros para que possam enfrentar as adversidades do cotidiano de trabalho. 106 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para complementar seus estudos, sugerimos a leitura do livro Estereótipos, preconceitos e discriminação- perspectivas teóricas e metodológicas, de Lima e Pereira (2004), disponível neste link. 6.1 PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO 6.1.1 FUNDAMENTOS DO PRECONCEITO Como o preconceito fundamenta a sociedade, as práticas profissionais, e nossa cognição? Diversas áreas profissionais e científicas, historicamente, evidenciaram o impacto do preconceito na forma como as pessoas tinham (ou não) oportunidade de acesso a determinados ambientes sociais ou privilégios: “[...] muitas universidades nem sequer aceitavam mulheres em seus programas de pós-graduação em psicologia no início do século XX. [...] os preconceitos sociais prejudicaram a participação das mulheres no desenvolvimento inicial da psicologia” (FELDMAN, 2015, p. 15). Conforme Passos, 2012, p. 16): No caso da Enfermagem: “[...] a escola de Enfermagem incorporou os conceitos e os preconceitos da enfermagem, onde manteve a visão conservadora de que a enfermeira precisava ser solidária, fraterna, devotada, de forma a esquecer-se de si mesma e de suas lutas”. Passos (2012, p. 20) ainda aponta que “[...] o conceito de enfermagem segue caminho paralelo ao conceito de mulher [...] [que] sempre foi considerada inferior ao homem, o caminho mais curto foi o de estender esse conceito ao seu fazer, no caso em questão, ao trabalho de enfermagem, tradicionalmente a ela adjudicado”. https://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-14.pdf 107 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM De modo a complementar seus estudos, indicamos o artigo O machismo na história do ensino médico, de Rezende (2009). disponível neste link. Feldman (2015) afirma que essas nossas impressões sobre grupos específicos, seus membros e suas funções sociais estão baseadas em estereótipos, ou seja, integram crenças generalizadas e expectativas que se agrupam em conjuntos, formando estereótiposque fundamentam nossa cognição. Essas crenças e expectativas automáticas podem ser negativas ou positivas e desenvolvem-se por meio da nossa tendência em organizar e classificar as coisas da realidade, considerando a vasta quantidade de informações que recebemos e com as quais nos deparamos na vida diária. O artigo Imagens no espelho de Vênus: mulher, enfermagem e modernidade, de Moreira (1999), traz importantes reflexões acerca do tema e está disponível neste link. Deve-se destacar que todos os estereótipos, seja sobre mulheres, Enfermeiras, suas atribuições ou em outros contextos, compartilham a característica comum de simplificar o mundo: “percebemos e interpretamos as pessoas e suas funções sociais não em termos de suas características pessoais únicas, mas a partir de características estereotipadas que atribuímos a todos os membros de um mesmo grupo particular” (FELDMAN, 2015). https://www.scielo.br/j/rlae/a/mxHybkx9Ss6bD44DkMmyNVm/abstract/?lang=pt 108 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 1 – PRECONCEITOS OCASIONAM UMA SÉRIE DE CONFLITOS E INTERFERÊNCIAS NEGATIVAS NA COMUNICAÇÃO, NO DIA A DIA, QUE PODERIAM SER EVITADOS. Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: ilustração de duas pessoas discutindo. Quando analisamos o preconceito a partir de aspectos cognitivos (percepção, atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem) a memória implícita é identificada como o elemento da cognição associado a ele. Neste sentido, destaca-se a diferenciação apresentada por Feldman (2015, p. 220). Memória explícita: refere-se à recordação intencional ou consciente da informação. Quando tentamos lembrar o nome ou a data de algo que encontramos ou soubemos anteriormente, estamos pesquisando nossa memória explícita. Memória implícita: refere-se às memórias das quais as pessoas não têm consciência, mas que podem afetar o desempenho e o comportamento posterior. Habilidades que operam automaticamente e sem pensar, tais como saltar fora da rota de um automóvel a 89km/h que vem em nossa direção enquanto estamos caminhando na lateral de uma rua, ficam armazenadas na memória implícita. 109 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Feldman (2015) ainda descreve que a memória implícita está relacionada ao preconceito e à discriminação que alguns indivíduos expõem diante de grupos minoritários, mesmo quando creem e verbalizam não serem pessoas preconceituosas. Contudo, avaliando suas memórias implícitas, é possível identificar associações negativas relativas aos membros de grupos minoritários, as quais podem influenciar seus comportamentos de forma inconsciente. O artigo Estigma e saúde, de Monteiro e Villela (2013), é uma ótima opção para você aprofundar seus conhecimentos e está disponível aqui. 6.1.2 REDUZINDO PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO Como avaliar e intervir contra preconceitos e discriminações? No cotidiano do trabalho em saúde e na vida pessoal, embora fundamentados por nenhuma ou poucas evidências, os estereótipos e preconceitos podem ter consequências prejudiciais, incluindo um tratamento desigual no acesso aos serviços de saúde: Agir com base em estereótipos negativos resulta em discriminação – comportamento dirigido aos indivíduos com base em sua afiliação a um grupo particular. A discriminação pode conduzir à exclusão no emprego, na vizinhança e nas oportunidades educacionais e pode resultar em salários e benefícios mais baixos para membros de grupos específicos. A discriminação também pode resultar no tratamento mais propício a grupos favorecidos – por exemplo, quando um empregador contrata um candidato de seu próprio grupo racial somente por isso (AVERY; MCKAY; WILSON, 2008; PAGER; SHEPHERD, 2008 apud FELDMAN, 2015, p. 549). https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/42091/3/monteiro-9788575415344.pdf 110 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A análise psicológica sobre a vida do cliente, grupo ou inter-relações avalia alguns fatores do desenvolvimento individual da pessoa analisada, assim como de seu contexto social, para planejar uma intervenção eficaz que reduza o preconceito e a discriminação. Dentre diversas abordagens, Feldman (2015) destaca três: 1) Abordagens de aprendizagem observacional da estereo- tipia e do preconceito: compreende que o comportamento dos responsáveis pelas crianças e adolescentes, pais, outros adultos e dos pares, interfere na formação dos sentimentos das crianças acerca dos membros de vários grupos, moldando comportamentos a partir do exemplo. Como crianças influenciadas por pais que elogiam posturas preconceituosas ou mesmo aquelas que copiam adultos com tais posturas. 2) Na teoria da identidade social: entende-se que usamos os vínculos de afiliação a grupos como uma forma de conquistar orgulho e autovalorização. A teoria da identidade social sugere que as pessoas tendem a ser etnocêntricas, percebendo o mundo por meio da própria perspectiva e julgando os outros em termos de sua vinculação a grupos específicos. Slogans de grupos e movimentos carregam bandeiras que simbolizam os sentimentos dos indivíduos que os integram. 3) Neurociência social: essa abordagem procura identificar a base neurológica dos comportamentos sociais. Em um exemplo dessa abordagem, pesquisadores examinaram a ativação da amígdala e sua relação com a estrutura no cérebro que se refere a estímulos e situações, evocando emoções. Como a amígdala responde a estímulos ameaçadores, eles detectaram maior ativação desta glândula diante de rostos negros, em função de associações culturais negativas direcionadas a minorias raciais. 111 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Realizada a avaliação do contexto individual e social que pode estar relacionado a comportamentos preconceituosos e discriminações, psicólogos sociais sugerem algumas estratégias para diminuir o impacto negativo destes. A primeira dessas estratégias seria: 1) aumentar o contato entre o alvo da estereotipia e aquele que atribui o estereótipo: demonstra que aumentar a interação e relação íntima entre as pessoas pode reduzir a estereotipia negativa. Entretanto, somente certos tipos de contato provavelmente reduzirão o preconceito e a discriminação. Entende-se que situações nas quais o contato é relativamente íntimo, “os indivíduos são de mesmo status ou os participantes precisam cooperar entre si ou dependem uns dos outros têm maior probabilidade de reduzir a estereotipia” (DOVIDIO, GAERTNER, KAWAKAMI, 2003; TROPP, PETTIGREW, 2005; PETTIGREW; TROPP, 2006 apud FELDMAN, 2015, p.552-553). A segunda abordagem refere-se a 2) tornar mais visíveis os valores e as normas contra o preconceito: às vezes, simplesmente lembrar as pessoas acerca dos valores que elas já têm sobre conceitos como igualdade e tratamento justo seria suficiente para reduzir a discriminação. Compreende-se que as pessoas que “ouvem outras fazendo fortes e veementes declarações antirracistas têm maior probabilidade de condenar com ênfase o racismo” (CZOPP; MONTEITH, 2006; PONTEROTTO; UTSEY; PEDERSEN, 2006; TROPP; BIANCHI, 2006 apud FELDMAN, 2015, p. 553). A terceira estratégia remete a 3) fornecer informações sobre os alvos de estereotipia: que, provavelmente, seria o meio mais direto e assertivo de modificar atitudes estereotípicas e discriminatórias, pois envolve a prática do educar. Assim, ensinar pela educação as pessoas a serem mais conscientes das características positivas dos alvos de estereotipia e dos elementos históricos que fundamentam esses preconceitos, torna mais eficaz o combate a eles. Por exemplo,“quando o significado confuso do comportamento é explicado para as pessoas que mantêm estereótipos, elas passam a apreciar o significado real do comportamento” (ISBELL; TYLER, 2003; BANKS, 2006; NAGDA; TROPP; PALUK, 2006 apud FELDMAN, 2015, p. 553). Por fim, a quarta intervenção está relacionada a: 4) reduzir a ameaça do estereótipo: essa ideia parte do psicólogo social Claude Steele, que afirma que muitos afro-americanos sofrem preconceitos e vulnerabilidades aos estereótipos, pelos próprios “obstáculos ao desempenho que provêm de sua consciência acerca dos estereótipos da sociedade referentes aos membros 112 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 das minorias” (ARONSON; STEELE, 2005; NUSSBAUM; STEELE, 2007 apud FELDMAN, 2015, p. 553). Segundo ele argumenta, os estudantes afro- americanos que receberam instruções de professores que “podem duvidar de suas capacidades e que estabelecem programas terapêuticos especiais para auxiliá-los podem vir a aceitar os estereótipos da sociedade e acreditar que são propensos a fracassar” (ARONSON; STEELE, 2005; NUSSBAUM; STEELE, 2007 apud FELDMAN, 2015, p. 553). Assim, resumidamente, as estratégias para reduzir o impacto de comportamentos preconceituosos e discriminações, segundo Feldman (2015), são: aumentar o contato entre o alvo da estereotipia e aquele que atribui o estereótipo: a fim de que a aproximação entre eles promova a ampliação de novas percepções que atenuem os estereótipos. 2) tornar mais visíveis os valores e as normas contra o preconceito: por vezes, relembrar os conceitos socialmente vigentes é o bastante para tornar consciente preconceitos que não têm mais espaço. 3) fornecer informações sobre os alvos de estereotipia: refere-se à prática educativa para alterar atitudes estereotípicas e discriminatórias. 4) reduzir a ameaça do estereótipo: remete a minimizar a aceitação do estereótipo pelos próprios sujeitos estereotipados. 113 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM A fim de aprofundar seus estudos, sugerimos a leitura dos dois textos expostos a seguir. Discriminação, cor/ raça e masculinidade no âmbito da saúde, de Monteiro e Cecchetto (2012), disponível aqui. Políticas de cotas étnicas no ensino superior: análise de narrativas de sujeitos do meio universitário, de Ecker e Torres (2015), disponível aqui. 6.2 COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO 6.2.1 ATRAÇÃO INTERPESSOAL E RELAÇÕES Quais fatores interferem no modo como percebemos as pessoas nas relações interpessoais? FIGURA 2 – SOMOS ATRAÍDOS POR CERTAS PESSOAS E RELAÇÕES Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraCegoVer: imagem de um coração, remetendo às relações que estabelecemos. https://books.scielo.org/id/6jhfr/pdf/gomes-9788575413647-06.pdf https://www.revistas.uepg.br/index.php/emancipacao/article/view/7146/5165 114 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Os relacionamentos interpessoais e o desenvolvimento das relações humanas envolvem a expressão do amor e do gostar. Por que somos atraídos por certas pessoas e relações sociais, oferecendo amor, atenção e altruísmo? Psicólogos sociais estudam o fenômeno da atração interpessoal (ou das relações íntimas) e a forma como as pessoas expressam seus sentimentos positivos por outras. Dentre as pesquisas focadas neste tema, encontram- se os seguintes fatores que inicialmente atraem duas pessoas entre si (FELDMAN, 2015): Proximidade estudos apontam que a proximidade geográfica é o que viabiliza o gostar, como nos casos das amizades que se desenvolvem entre pessoas que compartilham os mesmos espaços físicos, como o local de estudos e/ ou trabalho. Mera exposição a consistente exposição a um indivíduo ou mesmo objeto, faz com que a atração direcionada a eles seja impulsionada, uma vez que a familiarização faz com que sentimentos positivos sejam gerados. No entanto, em caso de interações iniciais que sejam negativas, o aumento de exposição não tende a alterar este cenário. Semelhança psicólogos sociais afirmam que é mais fácil gostar de quem é parecido conosco, o que engloba um universo enorme de possibilidades, como atitudes, valores, traços, entre outras. Essa maior chance de atração interpessoal ocorre porque acreditamos que em razão desta semelhança seremos avaliados positivamente por tais pessoas, o que retroalimenta o gostar. Atração física relacionar o que é bonito a igualmente bom é uma atitude comum, o que faz com que pessoas fisicamente atraentes sejam mais populares que as desprovidas de atração. Além disso, atratividade e popularidade é uma relação que se mostra presente desde a infância, muito embora conhecer mais de perto as pessoas faça com que possamos alterar esta primeira percepção física em razão dos comportamentos e atitudes daqueles belos à primeira vista. 115 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM De modo a complementar seus estudos e conhecimentos, acompanhe a indicação de leitura complementar a seguir. Como leitura complementar, sugerimos o artigo Preconceito na enfermagem: percepção de enfermeiros formados em diferentes décadas, de Jesus et al. (2010), disponível aqui. 6.2.2 COMUNICAÇÃO E HUMANIZAÇÃO Como o conceito de humanização contribui nas relações em saúde? O conceito de humanização auxilia-nos a pensar na relação entre as pessoas, na comunicação e construção dos sujeitos, já que ele: [...] vem tendo ampla utilização no campo da saúde, bastante desgastado e, em geral, mal compreendido. De um lado, há os que tendem a banalizar, reduzindo o termo a algumas regras básicas de educação e cordialidade, retratados em expressões como “Claro que é importante ser humano com os pacientes! É preciso ser educado e atencioso!”. De outro, existem profissionais que se revoltam quando se fala em humanização: “Humanizar o quê? Por acaso já não somos humanos?” (MARCO et al., 2012, p. 65). Marco et al. (2012, p. 65) descrevem essas indagações para propor a reflexão de que o processo de humanização não é algo inato aos seres ‘humanos, uma vez que “não nascemos humanizados, e o processo de humanização está longe de ser algo simples. Ele envolve a construção do sujeito em sua realidade física e mental por meio da sedimentação da evolução cultural”. Por fim, os autores complementam que “tudo o que a cultura avançou ao longo dos milénios é transmitido pela relação e pela comunicação”. https://www.scielo.br/j/reeusp/a/dxVFMvx39p3ZCHzZLtTgwBq/?lang=pt 116 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 3 – POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO (PNH) DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO. Fonte: Rede Humaniza SUS (2022). #PraCegoVer: imagem do logotipo do Humaniza SUS. O conceito de humanização subsidia a Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde brasileiro, fomentando discussões sobre um cuidado em saúde com equidade, acesso universal e integralidade, a partir da constituição de redes, ampliação do diálogo e da potência colaborativa, potência de produção, produção do bem comum, dentre outros princípios, valores e diretrizes. Para saber mais sobre a humanização do SUS, sugerimos a leitura do Acervo Digital de Humanização, disponível neste link. O artigo Formação em psicologia: o princípio da integralidade e a teoria da autopoiese, de Guareschi et al. (2014), também traz importantes questões e está disponível aqui. https://redehumanizasus.net/acervo-digital-de-humanizacao/ https://pssaucdb.emnuvens.com.br/pssa/article/view/320/363 117 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicadano D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM Considerando que o processo de humanização ocorre por meio da comunicação e das relações, Wilfred Bion (1991), ao pensar a função de continente e contido, propõe o seguinte termo, rêverie: termo que auxilia a compreender sobre o processo que: [...] promove a mentalização das vivências pela criança [...] ela é a capacidade mental que Bion descreveu inicialmente como atributo importante da mãe [...] cuja situação paradigmática é a capacidade dela de tolerar a identificação projetiva do pânico e do terror sem nome que o bebê efetua, contendo e transformando essas emoções, de forma que a criança sinta que está recebendo de volta a sua temida personalidade de uma maneira que lhe é agora mais tolerável (BION, 1991 apud MARCO et al., 2012, p. 68). Essa capacidade é entendida pelos autores como algo que se amplia nas relações sociais, ocorrendo um crescimento que vem acompanhado de uma evolução emocional quando a pessoa obtém relações intersubjetivas que permitam promover essa “transformação da base psíquica do ser” (MARCO et al., 2012, p. 68). Como leitura complementar, indicamos a leitura do artigo Holding e rêverie: postura do coordenador de grupo de reflexão com educadoras em um abrigo, de Lam (2010), disponível neste link. 6.2.3 AGRESSÃO E RAIVA Como compreender a agressão e a raiva no contexto de trabalho? Ao ser observado o cotidiano, percebe-se que os jornais, noticiários, redes sociais e outros tipos de mídias divulgam diferentes exemplos de situações que poderiam ser consideradas “exemplos de agressão tanto no nível da sociedade (guerra, invasão, assassinato) quanto no nível individual (crime, abuso infantil e as muitas crueldades mesquinhas que os humanos são capazes de infligir uns aos outros)” (FELDMAN, 2015, p. 559). http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-24902010000100005 118 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para aprofundar seus conhecimentos, sugerimos a leitura do artigo Manejo de paciente agitado ou agressivo, de Mantovani et al. (2010), disponível neste link. Feldman (2015, p. 559) questiona: “essa agressão é parte inevitável da condição humana? Ou a agressão é primeiramente produto de circunstâncias particulares que, se modificadas, poderiam reduzi-la?”. O autor expõe a dificuldade de responder essas perguntas com alguma afirmação generalizante, considerando que seria necessário definir melhor o termo agressão, assim como analisar cada situação em seu contexto específico e conjuntura singular. Em termos de definição, Feldman (2015, p. 560) propõe que agressão “é a lesão ou dano intencional a outra pessoa”. Para algumas abordagens da psicologia social, o comportamento agressivo pode ser pensado de diferentes maneiras: Abordagens do instinto: agressão como uma liberação - as teorias do instinto, que observam a prevalência da agressão não somente em humanos, mas também em animais, propõem que a agressão é primeiramente o resultado de impulsos inatos – ou congênitos. Sigmund Freud foi um dos primeiros a sugerir, como parte de sua teoria da personalidade, que a agressão é sobretudo um impulso instintual. [...] A abordagem do instinto de Lorenz levou à noção controversa de que a energia agressiva se desenvolve constantemente em um indivíduo até que a pessoa finalmente a descarrega em um processo chamado de catarse. Quanto mais tempo a energia leva para se desenvolver, diz Lorenz, maior a quantidade da agressão exibida quando ela é descarregada. (FELDMAN, 2015, p. 560) Abordagens da frustração-agressão: agressão como reação à frustração - a teoria da frustração-agressão tenta explicar a agressão em termos de eventos. Ela pressupõe que a frustração (a reação ao impedimento ou ao bloqueio dos objetivos) produz raiva, o que gera uma prontidão para agir agressivamente. A ocorrência real da agressão depende da presença de indícios agressivos, estímulos que foram associados no passado à agressão ou violência real e que irão desencadear novamente agressão (BERKOWITZ, 2001 apud FELDMAN, 2015, p. 560). Abordagens de aprendizagem observacional: aprendendo a ferir os outros - aprendemos a ser agressivos? A abordagem da aprendizagem observacional (por vezes chamada de aprendizagem social) da agressão diz https://www.scielo.br/j/rbp/a/5sFSTKMhdRN6Vp7WkcbYBJg/?lang=pt# 119 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM que aprendemos. Assumindo um ponto de vista quase oposto das teorias dos instintos, que se detêm nas explicações inatas da agressão, a teoria da aprendizagem observacional enfatiza que as condições sociais e ambientais podem ensinar os indivíduos a serem agressivos. Ela vê a agressão não como inevitável, mas como uma reposta aprendida que pode ser compreendida em termos de recompensas e punições. (FELDMAN, 2015, p. 561) Para ampliar seus conhecimentos, sugerimos a leitura do texto Violência no trabalho: guia de prevenção para os profissionais de enfermagem, do Coren-SP (2017), disponível neste link. Desviando do tema da agressão, com foco em seu lado quase oposto, pode-se pensar nos comportamentos de ajuda a partir de dois conceitos: 1. comportamento pró-social – esse conceito se refere à intervenção do espectador em situações em que ocorrem emergências. O que leva alguém a ajudar uma pessoa necessitada, quais fatores? Um fator crucial, segundo a bibliografia, seria o número de outras pessoas presentes no mesmo ambiente. Quando “mais de uma pessoa testemunha uma situação de emergência, pode surgir um senso de difusão da responsabilidade entre os espectadores” (FELDMAN, 2015, p. 561). 2. difusão da responsabilidade – esse conceito remete à crença de que a responsabilidade pela intervenção é compartilhada, ou distribuída, ou seja, as pessoas presentes no ambiente em que ocorre a emergência se compreendem como pertencentes a um mesmo grupo. Assim, quanto “mais pessoas estão presentes em uma emergência, menos responsável pessoalmente se sente cada indivíduo – e, portanto, menos ajuda ele oferece” (FELDMAN, 2015, p. 561). https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2018/01/PDF-site-2.pdf 120 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 4 - OS PASSOS BÁSICOS DA AJUDA Interpretar o evento como algo que requer ajuda. Assumir a responsabilidade pela ajuda. Decidir e executar uma forma de ajuda. Fonte: Feldman (2015, p.561). #PraCegoVer: imagem de quatro passos relacionados à ajuda – observar a situação, interpretar o evento, assumir a responsabilidade e decidir ajudar. 121 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM CONCLUSÃO Você chegou ao final da Unidade 6 de Psicologia Aplicada à Enfermagem. Esta unidade teve como propósito estudar sobre a psicologia social: preconceito, discriminação e comportamento social positivo e negativo. Para tanto, introduziu aspectos teóricos relacionados ao preconceito e à discriminação nas relações sociais, analisando sobre como eles fundamentam a sociedade, as práticas profissionais e nossa cognição. Por fim, propôs abordar a temática das relações interpessoais, relacionando os conceitos de humanização e da agressão e raiva como temas que emergem no cotidiano do trabalho em saúde com o cliente, grupos e inter-relações. Parabéns pela conquista, você concluiu a etapa de estudos sobre Psicologia Aplicada à Enfermagem! 122 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REFERÊNCIAS ABUD, C. C. Introdução à subjetividade humana. (In) MARCO, M. A. et al. Psicologiamédica: abordagem integral do processo saúde-doença. Porto Alegre: ArtMed, 2012. Livro digital. (1 recurso online). Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556. Acesso em: 20 set. 2021. ABUD, C. C.; ZIMMERMANN, V. B. A idade adulta. (In) MARCO, M. A.; et al. Psicologia médica: abordagem integral do processo saúde-doença. Porto Alegre: ArtMed, 2012a. Livro digital. (1 recurso online). Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556. Acesso em: 20 set. 2021. ABUD, C. C.; ZIMMERMANN, V. B.; LUCCHESE A. C. A infância: introdução. In: MARCO, M. A. et al. 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EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS 124 PSICOLOGIA APLICADA À ENFERMAGEM MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MARCO, M. A. Modelos de comunicação e comunicação em saúde. (In) MARCO, M. A. et al. Psicologia médica: abordagem integral do processo saúde-doença. Porto Alegre: ArtMed, 2012. Livro digital. (1 recurso online). Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/ books/9788536327556. Acesso em: 20 set. 2021. MARCO, M. A.; et al. Psicologia médica: abordagem integral do processo saúde-doença. Porto Alegre: ArtMed, 2012. Livro digital. (1 recurso online). Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/books/9788536327556. Acesso em: 20 set. 2021. PA. American Psychiatric Association. Manualdiagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. DSM-5. 2018. 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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: DOENÇA E BEM-ESTAR; TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES 3.1 DOENÇA E BEM-ESTAR 3.2 TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, TRATAMENTOS E INTERVENÇÕES 4. PSICOLOGIA SOCIAL: ATITUDES E COGNIÇÃO SOCIAL 4.1 ATITUDES 4.2 COGNIÇÃO SOCIAL 5. PSICOLOGIA SOCIAL: INFLUÊNCIA SOCIAL E GRUPOS 5.1 INFLUÊNCIA SOCIAL 5.2 Grupos 6. PSICOLOGIA SOCIAL: PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO E COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO 6.1 PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO 6.2 COMPORTAMENTO SOCIAL POSITIVO E NEGATIVO Figura 1. Fatores ambientais que influenciam o desenvolvimento pré-natal Figura 2: Características influenciadas por fatores genéticos Figura 3: Reflexos involuntários fazem parte da expressão do neonato Figura 4: Nos primeiros anos de vida a capacidade de se movimentar e interagir com o ambiente cresce de modo notável, facilitando a constituição de aspectos psicológicos da criança Figura 5: O desenvolvimento psicológico de uma saúde integral, nas diferentes infâncias, envolve múltiplos contextos de intervenção Figura 6: Lawrence Kohlberg propõe uma sequência de três níveis de raciocínio moral, com ordem fixa (o psicólogo argumenta que poucas pessoas atingem o nível 3 de moralidade) Figura 1 – Idade adulta como um período para pensarmos sobre definições como quem somos e quem queremos ser nos diferentes âmbitos da vida Figura 2 – Adultos Figura 3 – Família entendida como um ambiente com pessoas ou outros seres vivos que produzam a sensação de proximidade: mútuo afeto, comunicação, aceitação e respeito. Figura 4 – desenvolvimento da personalidade desde cedo Figura 5 – Autoestima e autoeficácia são crenças sobre nós mesmos/as que estariam relacionadas à execução de tarefas no dia a dia, influenciando expectativas de erro ou acerto Figura 6 – Formas de aprimorar a comunicação com a pessoa idosa Figura 7 – Como a morte aparece no cotidiano da pessoa idosa Figura 1 – Na perspectiva do adoecer como um processo, o adoecimento que se instala no sujeito humano se desenvolve a partir da confluência de uma série de fatores. Figura 2 – Atenção aos sinais do corpo. Figura 3 – Adoecimento psíquico Figura 4 – A complexidade e diversidade da mente humana exige diferentes abordagens teóricas e técnicas da psicologia nos tratamentos e intervenções em saúde Figura 1 - O conceito de atitudes relaciona-se a como nos moldamos e como o mundo nos molda Figura 2 – Rotas para persuasão que impactam nas mudanças de atitudes duradouras Figura 1 – Por que as pessoas se comportam dessa maneira? Figura 2 – Relações de poder Figura 3 – Diálogo Figura 1 – Preconceitos ocasionam uma série de conflitos e interferências negativas na comunicação, no dia a dia, que poderiam ser evitados. Figura 2 – Somos atraídos por certas pessoas e relações Figura 3 – Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde brasileiro. Figura 4 - Os passos básicos da ajuda _Hlk88929221 _Hlk88929250 _Hlk88929457 _Hlk89351671 _Hlk88930977 _Hlk88931639 _Hlk88931664 _Hlk89970098 _Hlk89967510 _Hlk90431073 _Hlk90431151 _Hlk88929221 _Hlk88929250 _Hlk88929457 _Hlk90431151 _Hlk88930977 _Hlk88931639 _Hlk88931664 _Hlk90934196