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PEDIATRIA – JÚLA COLOGNEZI 4 DE SETEMBRO DE 2023 BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA Outono e inverno Sudeste Difusa (bronquíolo terminal e ambos os pulmões) Via acometida é a final Quadro obstrutivo Uma das doenças mais prevalentes em pediatria Doença respiratória baixa Difusa – acomete via final, bronquíolo terminal; difícil controle com medicamento, precisa ficar atento à evolução INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA (IRA) Incapacidade do sistema respiratório e suas estruturas em satisfazer as demandas metabólicas na obtenção de O2 e eliminação de CO2 Apesar de estar oxigenando bem, pode estar retendo CO2 acidose respiratória CAUSAS Via aérea superior (IRA alta) Laringotraqueobronquite Supraglotite Vias aéreas inferiores e parênquima pulmonar (IRA baixa) Asma Obstrutiva Broncoespasmo – sibilo >2 anos Bronquiolite viral aguda Obstrutiva Obstrução intraluminal do brônquio ou bronquíolo – sibilo < 2 anos Pneumonia adquirida na comunidade Restritiva Propensão à IRA na criança Desenvolvimento pulmonar 1. Tamanho das vias aéreas – pequeno calibre, maior resistência para entrar o ar, (< 6 meses pois ainda não desenvolveu bem a via aérea) - PRESTAR ATENÇÃO NA EVOLUÇÃO 2. Respiração nasal ( 4-6 meses) - LAVAGEM NASAL (> resistência ao fluxo aéreo) 3. Estreitamento VAS nível cricóide 4. Suporte cartilaginoso débil – colapso expiratório da via aérea Estridor crônico: associado a colabamento da traqueia quando muda de posição (fragilidade na estrutura da traqueia que causa o colabamento quando respira) 5. Menor número de alvéolos 6. Diâmetro alveolar menor (colapso alveolar) 7. Menor área de troca gasosa (retém CO2 e não consegue oxigenar) 8. Menor ventilação colateral - poros de Kohn e canais de Lambert são poros que permitem a passagem de ar para o alvéolo contralateral em caso de obstrução brônquica, no caso da criança, os poros são menores não permite que o lado que está bom compense o lado que está ruim Até 2 meses: FR: 60 2 meses – 1 ano: FR:50 Depois de um ano: FR:40 Propensão à complicação 1. Propensão à fadiga Menor massa muscular Menor número de fibras musculares tipo I fica na musculatura intercostal e é capaz de contrair FR elevada – capacidade da fibra não consegue aumentar a FR mais apneia Antes da apneia, dá sinal de que está esgotanto – BRADIPNEIA Bradipneia indica que está evoluindo para parada 2. Propensão à apneia 3. Imunidade humoral imatura no lactente PEDIATRIA – JÚLA COLOGNEZI 4 DE SETEMBRO DE 2023 4. Presença de hemoglobina fetal até os 6 meses (menor liberação de oxigênio) Evolução temporal da IRA Vírus chega na VAS hiperemia, secreção nasal identificar influenza, coronavírus e VSR VSR não faz quadro grave na bronquilite e dura de 3 a 4 dias Paciente chega e a gente acha que é gripe e libera evolui com piora do quadro com chiado no peito tem sibilo na ausculta, sem sinal de desconforto respiratório (subcostal, fúrcula, intercostal e batimento de aleta nasal), tem 6 meses e está com 45 de frequência começou início de taquipneia Fase I: taquipneia CO2 cai (eliminação de CO2) Reavaliou e está mais cansada mais taquipeneica e oxigênio 94% interna e deixa em observação com O2; se não dá O2: Fase II: taquipneia PO2 cai e CO2 sobe (não consegue mais fazer taquipneia o suficiente para eliminar o CO2 - retém) Criança com menor saturação, maior FR e com sinais de desconforto respiratório : Fase III: precisa de intervenção (tem muito CO2 pouco O2) hipoxemia com hipercapnia Hipoxemia acidose metabólica (aumento do lactato) Hipercapnia acidose respiratória Se não intervir evolui com falência respiratória (colhe gasometria se a criança estiver recebendo oxigênio, somente o CO2 dela vai estar baixo, então vai ter só acidose respiratória) Fase IV: apneia SINAIS PRESENTES EM CRIANÇAS COM RISCO DE PARADA RESPIRATÓRIA Aumento da frequência respiratória, no esforço respiratório ou diminuição dos sons inspiratórios Bradipneia ou pausas respiratórias (apneia) Irritabilidade ou diminuição do nível de consciência Sinal de gravidade de IRA (fase 03) Resposta diminuída à dor Diminuição do tônus muscular esquelético Cianose (sinal tardio) – fase IV (já passou a falência respiratória) BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA (BVA) Definição: primeiro episódio de sibilância em crianças menores de 24 meses, com achados clínicos de infecção viral de vias aéreas inferiores (antecedente de infecção de VAS) História: faz 3 dias que está resfriada com o nariz entupido, hoje apresentou chiado e é a primeira vez Se não tem antecedente de VAS, provavelmente é uma sibilância atópica – mas só a partir do terceiro episódio (na prática, nos dois primeiros episódios consideramos como bronquiolite, mesmo com poucos ou nenhum sinal de infecção de VAS pois isso faz com que fiquemos atento aos sinais de complicação) Acomete: bronquíolos (pequenas vias aéreas), causando obstrução. Incidência: outono e inverno. Gravidade: menores de 6 meses e prematuros (desenvolvimento pulmonar pior) Mortalidade: < 1% Fisiopatologia Colhe gasometria na Fase III lembrar que quando ela está em O2, ela só vai ter acidose respiratória pois não tem hipoxemia Mecanismos envolvidos na obstrução do bronquíolo - redução do diâmetro da via aérea 1. Aumento da produção de secreção 2. Projeção do epitélio da via aérea lesada para o lúmen 3. Edema intersticial e de mucosa 4. Descamação de células epiteliais com formação de “plugs” mucosos Na fase aguda, a principal terapêutica é oxigênio Fatores de risco para doença grave Prematuridade (IG<32s) Displasia broncopulmonar PEDIATRIA – JÚLA COLOGNEZI 4 DE SETEMBRO DE 2023 Se chega no PS, independentemente da fase é internada Cardiopatia com repercussão hemodinâmica Baixo peso ao nascimento Menor de 6 meses Etiologia Quadro clínico • Presença de VSR em secreções e fômites (até 6 horas). • Incubação de 3-5 dias e replicação no trato respiratório. • Presença do vírus em VIAS AÉREAS SUPERIORES: tosse, congestão nasal, febre baixa (2-3 dias). • Presença do vírus em VIAS AÉREAS INFERIORES (depois de uns 10 dias): taquipnéia, retração subcostal e intercostal, sibilos, estertores subcrepitantes. • Hipoxemia (saturação oxigênio < 94%) • Duração média do quadro clínico: 12 dias • Diagnóstico é clínico (pela definição da doença) • Imagem e laboratório são auxiliares • RAIO X TÓRAX: em todos pacientes internados (para diagnóstico diferencial – penumococo) • RT- PCR em aspirado de nasofaringe: em pacientes de risco e internados (isolamento respiratório – exceto rhinovirus e metapneumo) • Atenção com co-infecção viral Diagnóstico laboratorial • Vírus – Secreção nasofaríngea ou swab nasal. • Teste rápido (sensibilidade 80-90%) • PCR-RT – sensibilidade 94% • VSR (50-80%), Rhinovirus, Adenovirus, HPM V (3-19%), Influenza, Parainfluenza • Co-infecção viral: 10-30% (maior risco de evolução para ventilação mecânica) Radiologia Faz apenas nos pacientes internados para diagnósticos diferenciais Ar entra e não sai aprisionamento aéreo hiperinsuflação Em perfil: Diametro AP aumentado, pulmão infla tanto que abraça o coração ar retroesternal • Hiperinsuflação • Aprisionamento aéreo • Presença de ar retroesternal no perfil tórax Hiperinsuflado, ar retroesternal Opacidade nos ápices = Infiltrado intersticial pode ser viral ou bacteriana (para diferenciar – presença de febre e toxemia e na dúvida TRATA) Bactéria acompanha vírus A típica é pneumococo (precede inflamação com infecção de VA) Clínica em pacientes internados • Insuficiência respiratória moderada a grave. • Apnéia (até 5% dos pacientes).• Evolução com piora da IRA até o 7º dias, estável na segunda semana e melhora na terceira semana. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais atento precisa ficar • Período médio de intubação: 4 a 5 dias. • Clareamento radiológico em torno de 9 dias. • Isolamento: gotículas e contato • Primeiros episódios não geram imunidade – mutação Depois de um tempo, mesmo que pegue, dá menos sintomas (até porque já pega PEDIATRIA – JÚLA COLOGNEZI 4 DE SETEMBRO DE 2023 com mais idade e o sistema respiratório está melhor) Evolução Melhorou e depois piorou (a doença não costuma voltar a piorar, a maior probabilidade é obstrução brônquica pela secreção) - atelectasia lobo superior direito (é o mais comum pela angulação do lobo) - obstrução total do brônquio Diagnóstico diferencial • Sibilância atópica Responde a broncodilatador (salbutamol spray) • Pneumonia bacteriana Tem febre alta, toxemia (interna e radiografa) Amoxicilina • Pneumonia afebril do lactente (chlamydia trachomatis) Criança perto do período neonatal, cansada, não estava resfriada antes, não teve febre, não responde a broncodilatador, interna e radiografa Azitromicina • Infecção por bordetella pertussis (coqueluche) Tem tosse e fica roxa (paroxismo de tosse) Interna e dá azitromicina • Cardíacas: cardiopatias congênitas, miocardite viral Coração doente causa congestão pulmonar e cansaço; acomete crianças pequenas No exame físico não tem muito desconforto respiratório mas sim taquicardia predominantemente (FC > 180) Complicações fase aguda • OMA: 16-50% • Pneumonia bacteriana • Apnéia: 8% dos internados Indicação de internação • Toxemia, letargia, desidratação (sinal de pneumonia bacteriana) • Desconforto respiratório moderado/grave: uso de musculature acessória, batimento aleta anal, FR>70 irpm (oxigenioterapia) • Cianose. • Apnéia • Hipoxemia: saturação oxigênio < 94% Tratamento domiciliar • Medidas gerais: manutenção da hidratação, desobstrução nasal • Orientação sobre os sinais de deterioração clínica. • NÃO há indicação de intervenções farmacológicas (broncodilatador, salina hipertônica, glicocorticóides) • Voltar diariamente Tratamento hospitalar • Hidratação endovenosa, evitando sobrecarga de volume • Aspiração mecânica das narinas para desobstrução • Suplementação oxigênio: Cateter nasal fase II (30- 40% O2) Fica com taquipneia leve mas sem desconforto Diminui aos poucos Se continuar desconfortável passa para máscara facial (Venturi, não reinalante) O2 acima de 60% faz lesão respiratória UTI CPAP Se continua desconfortável não reinalante e faz gasometria, se tiver com mais de 50 de PCO2 não continua dando O2 vai para UTI NA UTI: • Considerar broncodilatador nos casos graves (salbutamol, epinefrina). • CPAP (“continuous positive airway pressure”) • HFNC (cânula de alto fluxo; aquecido e umidificado) – 20 a 30L penetra a via aérea sem a pressão do cateter • Intubação endotraqueal – invasivo PEDIATRIA – JÚLA COLOGNEZI 4 DE SETEMBRO DE 2023 Imunoprofilaxia Se vai sair tomando medicação para cardiopatia, prematuros e com doença pulmonar crônica da prematuridade O grupo de risco a prematuridade é < 32 mas na indicação é < 29 Recebe no berçário e de 5-6 doses depois Depende da época do ano e da localização no país Incoordenação tóraco-abdominal Quando cansa de respirar rápido só o diafragma desce para respirar e a hora que inspira, a barriga vai para frente.