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BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA (BVA) Doença inflamatória inespecífica que afeta as vias aéreas de pequeno calibre • É caracterizada por inflamação aguda, edema e necrose de células epiteliais do trato respiratório das pequenas vias aéreas, promovendo impactação de muco intraluminal, causada por vírus. • O termo BVA geralmente se aplica ao primeiro episódio de sibilância em lactentes < 12 meses de vida Trata-se de um acometimento inflamatório primário das vias aéreas de pequeno calibre, identificado clinicamente como episódio de sibilância em uma criança com < 2 anos, com sinais de infecção respiratória viral e sem antecedentes de atopia • Alguns autores limitam o termo ao primeiro episódio de sibilância em lactentes com menos de 1 ano O diagnóstico da BVA é clínico no lactente com quadro agudo de taquipneia e tosse, com ou sem sibilos. Pode não haver pródromos relatados de obstrução nasal, coriza e/ou febre • Quadro agudo de taquidispneia em lactentes < 1 ano = pense em BVA! Epidemiologia Trata-se da afecção mais comum das vias aéreas inferiores em lactentes, expressa por taquidispneia e ausculta pulmonar ruidosa, com ou sem sibilos • A maioria das crianças sofre infecção nos primeiros 2 anos de vida, com o pico de incidência entre 2-3 meses de idade. • O aumento da infecção nessa faixa é decorrente do nadir dos anticorpos maternos no lactente, com redução das concentrações de IgG maternas adquiridas via placentária • lactentes prematuros: não vivenciam o momento em que a placenta expressa os receptores da porção Fc neonatal que realizam a mediação da transferência da IgG para o feto, apresentando maior morbimortalidade • A maior transferência transplacentária de imunoglobulinas ocorre no 3 trimestre da gravidez A maioria dos lactentes hospitalizados com VRS tem idade < 5 meses, é nascida a termo e sem fatores de risco, sendo a idade cronológica < 3 meses o fator preditor de gravidade mais importante Etiologia Principal agente etiológico: vírus sincicial respiratório (VSR) (50-80%) • O VSR pode causar infecção respiratória em qualquer época da vida, sendo comum no primeiro ano. • A exposição ao VSR acontece nos primeiros 2 anos de idade, e reinfecções podem acontecer por toda a vida, por não gerar resposta imunológica duradoura • O acometimento do trato respiratório inferior e a maior gravidade são mais comuns na primoinfecção. As infecções subsequentes tendem a ser IVAS • Outros agentes: rinovírus (segundo mais comum), parainfluenza, metapneumovírus humano, coronavírus, adenovírus, influenza e enterovírus O VSR segue um padrão sazonal de circulação: o pico ocorre no outono, com extensão para os meses de inverno. • Sazonalidade do VSR no Brasil: maio a agosto • A transmissão do vírus é mais elevada em aglomerações fechadas e em áreas de maior densidade populacional • O ar seco e frio, pelo prejuízo à função ciliar e à resposta antiviral, exerce influência na transmissão e na gravidade da doença • Durante os períodos de frio, a aglomeração em locais fechados, assim como alteração do clearance mucociliar pela temperatura, favorecem a transmissão e a gravidade da doença causada pelo VSR. Transmissão Existem 2 modos de transmissão da infecção pelo VSR: ➢ Contato direto com grandes partículas de secreção; e ➢ Autoinoculação pelas mãos (após contato com material contaminado). Transmissão do VSR: contato com secreção respiratória de indivíduos infectados, com a mucosa da nasofaringe ou da conjuntiva, ou por inalação de partículas respiratórias contendo o vírus. A transmissão por pequenas partículas de aerossol não é tão importante Patogênese A BVA é uma doença das vias aéreas de pequeno calibre causada por vírus que, primeiramente, invadem as células epiteliais da nasofaringe e que, na evolução, espalham-se célula a célula por toda a mucosa do trato respiratório inferior • O vírus entra na célula do epitélio respiratório e inicia a replicação viral no epitélio nasal. • O vírus se espalha através da via aérea inferior (por transmissão intercelular) e atinge as células epiteliais ciliadas da mucosa dos bronquíolos e dos pneumócitos dos alvéolos. • Nos bronquíolos, a replicação viral promove lesão direta no epitélio respiratório e culmina com necrose e exposição de fibras nervosas estimuladoras do reflexo da tosse. • A necrose epitelial é o estímulo para se iniciar a resposta inflamatória. • Há migração de neutrófilos polimorfonucleares para o lúmen, sendo substituído por infiltração linfocítica do tecido peribronquiolar, com aumento da permeabilidade vascular e edema. • O clearance mucociliar também fica prejudicado, com perda da função ciliar e impactação do muco produzido. • Há formação de plugs (compostos por debris celulares e muco), que por sua vez promovem obstrução bronquiolar, aprisionamento aéreo e diferentes graus de colapso lobar A invasão viral cursa com dano e morte celular, infiltração peribrônquica de células brancas, predominantemente mononucleares, edema da submucosa e adventícia e produção de muco. • A presença de epitélio necrótico, fibrina e muco dentro do lúmen diminui o diâmetro dos brônquios, principalmente durante a expiração, tornando o fluxo de ar turbulento. • São esses subprodutos celulares residuais que causam a obstrução ao fluxo aéreo e determinam as alterações na ausculta pulmonar, que podem variar de sibilos (nem sempre presentes) à estertoração bolhosa e rude (muito frequente) e grau variável de taquidispneia • Em razão da presença de obstrução parcial ou total, surgem áreas de hiperinsuflação e aprisionamento de ar. A absorção desse ar produz áreas de atelectasias. Diagnóstico é clínico Tipicamente, a história é de uma criança com idade < 2 anos que apresenta um pródromo gripal, seguido de esforço respiratório e sibilância, notados ao exame físico. Contudo, havendo taquipneia aguda, sem relato de IVAS prévia, não se exclui o diagnóstico de BVA, que deve ser presumido em todo lactente com esse sinal clínico. • A bronquiolite inicia como IVAS, febre baixa, tosse leve, rinorreia e congestão nasal, com progressão nos dias subsequentes para acometimento das vias aéreas inferiores, cursando com esforço respiratório e aumento da FR Inicia com quadro de infecção de via aérea superior, com coriza, espirro e obstrução nasal. • Associa-se à febre (<39 oC) (1/3 dos casos). • A obstrução nasal que ocorre por edema de mucosa e produção de muco pode levar a recusa alimentar e a desidratação. No decorrer de 2-3 dias (até 2 semanas) há evolução para sintomatologia de acometimento de via aérea inferior • Nessa fase surgem tosse e taquipneia leve, chegando à dispneia, uso de musculatura acessória como a abdominal, gemência ou batimento de aleta nasal, além de hipoxemia A depender da gravidade do quadro, podem ocorrer tiragem subdiafragmática, intercostal, supraclavicular, batimento de asa nasal, gemência, cianose e sinais de comprometimento cardiovascular • Ausculta respiratória: pode haver sibilos, estertores, aumento do tempo expiratório ou até mesmo ruído de transmissão da via aérea superior • Febre pode estar presente (sua ausência não exclui a presunção diagnóstica). Febre elevada não é um achado comum na fase pulmonar da doença. Sempre que estiver presente, deve haver atenção para complicações associadas • A febre tende a ser mais baixa em crianças com bronquiolite do que em crianças com pneumonia e normalmente está ausente em crianças com asma. Há uma relação direta entre a elevação da temperatura corporal ≥ 38,5 °C e a idade dos lactentes infectados, e a febre parece ser menos frequente e baixa na população mais acometida pela BVA, que são os lactentes menores de 6 meses O conjunto de achados clínicos da bronquiolite é mutável durante o curso da infecção, por vezes até minuto a minuto, pois a agitação influencia o grau de desconfortoe a tosse pode clarear mucus e debris das vias aéreas. • O exame físico varia a cada minuto, uma vez que a obstrução pelos plugs no nível bronquiolar pode mobilizar-se com a tosse e até mesmo com o sono e a agitação do lactente • Avaliações clínicas frequentes são necessárias para acessar a real gravidade do quadro • Casos graves: Pode haver sinais de desidratação (por redução da ingesta hídrica e aumento de perdas), como lentidão na perfusão capilar periférica, mucosas secas, depressão de fontanela anterior e redução do turgor da pele O pico de gravidade ocorre por volta do 3o ou 4o dia após o início dos sintomas • Tempo médio de resolução dos sintomas: 15 dias (embora 10 a 20% dos acometidos ainda apresentem sintomas além do 20o dia de doença) Em lactentes jovens (2-3 meses de vida) ou com história de prematuridade (< 32 semanas de idade gestacional) a BVA pode se manifestar sem pródromos, apenas com apneia • A bronquiolite também pode cursar com apneia, por vezes até na ausência de outros achados típicos da doença Exames O diagnóstico é clínico. Não é necessária a realização de imagem radiográfica ou de exames laboratoriais. Indicações específicas: • Testes de detecção viral (PCR): se suspeita de infecção por vírus influenza, nas formas graves ou nos imunocomprometidos • Hemograma: não há indicação de forma rotineira, pois a contagem anormal de glóbulos brancos raramente funciona como preditor de infecção bacteriana associada à infecção pelo VSR • Gasometria arterial: indica-se nos casos de maior gravidade, com evolução para falência respiratória. • Radiografia do tórax*: se evolução para maior gravidade a despeito do tratamento da BVA, complicações (como pneumotórax) ou suspeita de outro diagnóstico** *A radiografia do tórax é dispensável na maioria dos quadros de BVA, uma vez que o resultado é normal ou apresenta sinais comuns da doença como hiperinsuflação, atelectasia ou infiltrado peribrônquico. A indicação indiscriminada pode aumentar o uso indiscriminado de antibióticos para alterações inespecíficas do quadro viral ** Fatores associados à presença de infiltrado compatível com pneumonia: hipoxemia (saturação < 92%), alteração focal na ausculta e febre > 39°C TRATAMENTO Não há tratamento efetivo para a BVA, sendo indicadas apenas medidas de suporte. • Nenhuma terapia é capaz de encurtar o curso da doença e de acelerar a resolução dos sintomas • Na maioria dos pacientes a evolução da doença é benigna e o processo evolui para a cura sem a necessidade de qualquer intervenção Os pacientes podem ser assistidos em casa e o tratamento é sintomático: • Controle da temperatura, do status hídrico e nutricional; e • Acompanhamento da evolução do comprometimento respiratório MANEJO HOSPITALAR A necessidade de internação hospitalar é infrequente (1-2% dos pacientes com < 1 ano) • Os critérios para indicação da hospitalização estão basicamente centrados no grau de comprometimento do sofrimento respiratório e na presença de fatores de risco associados Indicações de internação: ➢ Toxemia, letargia, baixa aceitação alimentar. ➢ Desidratação ➢ Desconforto respiratório: retração intercostal, supraclavicular ou batimento de asa de nariz; cianose; FR > 70. ➢ Hipoxemia: valores persistentemente < 90% (episódios de queda de saturação são frequentes nessa patologia, mesmo nos quadros leves). ➢ Impossibilidade de a criança ser observada pelos pais em casa. ➢ Apneia O tratamento daqueles que forem hospitalizados consiste em suporte clínico. Principais aspectos do tratamento hospitalar: ➢ Oxigenoterapia; ➢ Manutenção do status de hidratação; ➢ Mínimo manuseio; e ➢ Identificação precoce de complicações associadas. Menos é mais! Valoriza-se mais condutas expectantes de suporte e monitorização! Tratamento não farmacológico Medidas gerais: ➢ manter o lactente calmo com o mínimo manuseio (presença da mãe é fundamental) ➢ Tratar febre ➢ Cabeceira preferencialmente elevada ➢ Obstrução nasal e rinorreia: aliviadas com higiene, lavagem nasal e aspiração (não só por questões de conforto, mas também por comprometimento da mecânica respiratória nos lactentes muito pequenos, quando ainda respiradores nasais exclusivos) ➢ Aspiração nasal: se houver sinais de desconforto ➢ Mãos devem ser lavadas, antes e após o contato com o doente ➢ Isolamento de contato (Caso não haja disponibilidade de um quarto privativo/isolamento aos portadores da doença, uma distância mínima de 2m entre cada leito da unidade deve ser obedecida) Aporte hídrico: Hidratação endovenosa pode ser necessária, em razão do aumento das perdas insensíveis por taquipneia e febre e da diminuição da ingesta nos pacientes com desconforto respiratório, obstrução nasal e/ou FR > 60 • Se quadro de sofrimento respiratório progressivo, com risco de falência respiratória, a suspensão da administração de líquidos e/ou alimentos pela via oral é mandatória. • FR > 60-70 mrpm, principalmente na vigência de obstrução nasal, vêm a aumentar o risco de aspiração para o trato respiratório • Nesses pacientes a ração hídrica diária deve ser ofertada por via parenteral e a dieta via sonda nasogástrica ou enteral. • Prefira hidratação com fluidos isotônicos (menos risco de hiponatremia) • Observe sinais de congestão, uma vez que pacientes com bronquiolite têm aumento do hormônio antidiurético e, portanto, retêm mais fluidos Medidas farmacológicas Oxigênio: A oxigenoterapia em pacientes hígidos, com boa aceitação alimentar e desconforto respiratório leve tem pouco benefício quando a SpO2 é > 90% • A administração de oxigênio deve ser considerada se houver desconforto respiratório. • Academia Americana de Pediatria indica a suplementação de O2 quando a SatO2 < 90% • Deve ser aquecido e umidificado, preferencialmente administrado por cânula nasal • Uma vez indicada a suplementação de oxigênio, é necessária a monitorização (contínua* ou intermitente frequente) da SpO2 por oximetria de pulso, visando > 90% • A saturação de oxigênio nunca deve ser analisada de maneira isolada**, devendo ser interpretada em associação às manifestações clínicas presentes *A oximetria de pulso contínua pode levar a maior tempo de internação hospitalar em bebês estáveis e pode levar a intervenções clínicas desnecessárias devido a leituras pouco fiéis **crianças saudáveis podem apresentar episódios transitórios de queda de saturação, e esses episódios não estão necessariamente associados às complicações respiratórias. A indicação da oxigenoterapia pode ser necessária, ainda que o paciente não apresente níveis baixos de saturação de O2 ou hipoxemia. • O referido “O2 para conforto” pode ser útil no intuito de diminuir o esforço respiratório, presente em fase inicial do processo obstrutivo (insuficiência respiratória tipo I) Cânula nasal de alto fluxo (CNAF): A CNAF (1 a 2 L/kg/min) é uma modalidade segura de tratamento que oferta altos fluxos de oxigênio, em uma cânula desenhada para aumentar a tolerância do paciente. • CNAF fornecem a mistura gasosa (ar e oxigênio), aquecida e umidificada, com fluxos elevados, capazes de diminuir o trabalho respiratório por lavagem do espaço morto e por uma pequena pressão de distensão transmitida para os alvéolos • Parece estar associada à diminuição do cuidado despendido e à menor possibilidade de necessitar suporte ventilatório invasivo Broncodilatadores (alfa e beta-adrenérgicos): Tanto broncodilatadores da classe dos betaadrenérgicos quanto a adrenalina (propriedades alfa e beta-adrenérgicas) possuem forte recomendação para que não sejam utilizados como rotina na BVA • Benefício controverso e pode trazer mais malefícios que benefícios • Apenas as drogas beta-2 agonistas (principalmente o salbutamol) e as drogas com propriedades alfa-adrenérgicas (adrenalina) tem uso mais estabelecido Embora os sibilos possamestar presentes, o broncoespasmo parece derivar da presença de debris e muco no bronquíolo, obstruindo sua luz, e por isso é pouco responsivo ao uso de B2 • alguns pacientes com história de atopia familiar podem responder ao broncodilatador quando o RV for o agente viral envolvido. No entanto, 80% dos casos são determinados por VSR e, portanto, não respondem ao broncodilatador • Persistir sibilando é parte da fisiopatologia da BVA; somente sibilar não é um critério de internação • Se fez uso do B2 e os sibilos persistem, faz parte do quadro clínico. Não havendo taquipneia, o sibilo não é fator de pior prognóstico. • Se houver sibilo, faça prova terapêutica; se houver resposta com redução dos sibilos, mantenha, pois a prova terapêutica foi positiva; se não houver resposta, deve-se suspender o uso, pois isso é característica da BVA, e o medicamento não trará conforto ao paciente Solução salina hipertônica (nebulização salina 3% ou 5%): Pode reduzir o edema e diminuir a impactação de muco nas vias aéreas, por meio da melhora na limpeza mucociliar • Capaz de reduzir tanto a taxa de admissão quanto a duração da hospitalização • Parece reduzir as taxas e os tempos de internação • Pode ser administrada aos pacientes hospitalizados: possibilidade de diminuição do período de permanência intra-hospitalar (efeito benéfico não observado em âmbito ambulatorial) • Prescrição hospitalar: usa-se 2,5 mL de água destilada e 0,5 mL de NaCl20%, a cada 6 horas nos primeiros 3 dias e de 8 em 8 horas nos últimos 2 dias No cenário mundial, a prática é heterogênea: alguns países não recomendam, outros recomendam para todos os internados e outros, somente nos casos moderados a graves Corticosteroides: Não diminui taxa de admissão hospitalar ou tempo de hospitalização • São contraindicados Terapia antiviral: • Em pacientes de risco, portadores de doença respiratória por VSR, havendo disponibilidade técnica e econômica para sua utilização, tal terapêutica pode ser considerada Outros: • Anti-histamínicos, descongestionantes e antitussígenos não devem ser utilizados Alta hospitalar COMPARANDO DIRETRIZES SOBRE BVA /----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- -----------------/ PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE (PAC) As infecções respiratórias agudas (IRA) são doenças que acometem qualquer segmento do trato respiratório no período de até 7 dias de duração. • A principal IRA do parênquima pulmonar é a PAC • PAC: pneumonia que ocorre em crianças não hospitalizadas no último mês, portanto não colonizadas por germes hospitalares e, sim, por aqueles provenientes do meio domiciliar, escolar e comunitário. Epidemiologia causa mais comum de morbidade e mortalidade em bebês e crianças <5 anos em todo o mundo • Principal causa de doença e morte evitáveis na infância Etiologia Vírus são os principais agentes de PAC em crianças até 5 anos. • Quanto mais jovem a criança, maior a chance de ocorrência de doença de etiologia viral • Os vírus podem ser responsáveis por até 90% das PAC no 1° ano de vida e por metade dos casos na idade escolar • Principais: vírus sincicial respiratório (VSR) é o mais frequentemente encontrado em < 5 anos (50 a 70%), seguido dos vírus influenza, parainfluenza, adenovírus e rinovírus • Pode haver coinfecção vírus-bactéria em pacientes com PAC (23- 32%) Os agentes bacterianos, por outro lado, são os principais responsáveis pela maior gravidade e mortalidade por PAC na infância. • Principal agente bacteriano: Streptococcus pneumoniae (pneumococo). • Outros: Haemophilus influenzae, Staphylococcus aureus, Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae • Durante todo o período pré-escolar, pneumococo e Haemophilus influenzae são causas importantes de PAC • Na faixa etária escolar, as causas bacterianas comuns de PAC incluem Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae e pneumococo Diferentemente das outras faixas etárias pediátricas, as bactérias representam a principal causa de pneumonia entre os recém-nascidos. • Principais: Streptococcus agalactiae (cerca de 70%) e bacilos Gram-negativos (sobretudo Escherichia coli, mais raramente Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella sp) • Chlamydia trachomatis pode ser adquirida por meio do canal vaginal durante o parto Dica prática: • Recém-nascidos: pense mais em Streptococcus grupos A e B, Staphylococcus aureus e enterobactérias. Depois desse período, vírus e pneumococo são os principais agentes para considerar. Após os 5 anos, lembre-se também dos atípicos. QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da PAC pode variar com a idade da criança, o estado nutricional, a presença de doença de base e o agente etiológico. • Os sinais e sintomas apresentados são inespecíficos; nenhum sintoma ou sinal é patognomônico para pneumonia em crianças Febre de início agudo, taquipneia e tosse caracterizam o quadro clínico clássico • Principais sinais e sintomas: febre, tosse, FR elevada (taquipneia) e dispneia • Quanto mais tempo houver febre, tosse e sintomas respiratórios, maior será a probabilidade de pneumonia • Recém-nascidos, bebês e crianças pequenas (ou seja, <5 a 10 anos de idade) podem apresentar apenas febre e leucocitose • Ocasionalmente, a manifestação predominante pode ser dor abdominal (devido à dor referida nos lobos inferiores) ou rigidez nucal (devido à dor referida nos lobos superiores) Acima dos 5 anos, as crianças podem apresentar sintomas e sinais como expectoração amarelada, dor torácica do tipo pleural e cansaço • Crianças mais velhas e adolescentes podem queixar-se de dor torácica pleurítica (dor ao respirar), mas este é um achado inconsistente A febre pode estar ausente! • Bebês pequenos podem ter pneumonia afebril relacionada à Chlamydia trachomatis ou a outros patógenos • Recém-nascidos e bebês pequenos podem manifestar apenas diminuição do apetite e agitação, em vez de tosse e / ou sons respiratórios anormais • Os < 5 anos costumam ter um pródromo de febre baixa e rinorreia, devido a uma infeção viral prévia das vias aéreas superiores, antes de apresentar sintomas do trato respiratório inferior. Hipoxemia moderada (SpO2 ≤ 96%) e aumento do esforço respiratório [gemidos, batimentos de asas de nariz e retrações torácicas] parecem ser os sinais mais frequentemente associados à PAC. Por outro lado, febre (temperatura > 37,5 °C) e taquipneia (FR > 40 irpm) são menos preditivas de PAC • Os sinais de dificuldade respiratória são mais específicos do que febre ou tosse para infecção do trato respiratório inferior, mas menos sensíveis • A SpO2 > 96% diminui a probabilidade de PAC • A ausência de taquipneia é útil para excluir pneumonia; a ausência dos outros sinais não o é. Sinais de PAC que indicam gravidade e necessidade de internação: • SpO2 < 92%; • Abolição do murmúrio vesicular, com possibilidade ou confirmação radiológica de complicações, como derrame pleural (DP) e empiema; • Desnutrição grave; • sonolência; • Rebaixamento do nível de consciência; e • Recusa alimentar Exame físico: Em crianças pequenas dificilmente se encontram alterações localizadas à ausculta respiratória • Sibilância é raro Exame físico Possível significado Aparência geral (estado de consciência, cianose)* A maioria das crianças com pneumonia confirmada radiograficamente parece doente Sinais vitais Temperatura A febre pode ser o único sinal de pneumonia em crianças com febre alta; no entanto, está presente de forma variável e inespecífica Frequência respiratória Taquipneia menos preditiva de pneumonia confirmada radiograficamente do que hipoxemia ou aumento do trabalho respiratório Taquipnéia se correlaciona com hipoxemia A ausência de taquipneia ajuda a excluir pneumonia Grau de desconforto respiratório O desconfortorespiratório é mais específico do que febre ou tosse para infecção respiratória inferior Hipoxemia Preditivo de pneumonia Aumento do trabalho respiratório: Retrações Mais comum em crianças com pneumonia do que sem; ausência não exclui pneumonia Alargamento nasal Mais comum em crianças com pneumonia do que sem; ausência não exclui pneumonia Grunhindo Sinal de doença grave e insuficiência respiratória iminente Uso de músculos acessórios Sinal de doença grave Balançando a cabeça Sinal de doença grave Exame pulmonar Ausculta Os achados sugestivos de pneumonia incluem: estertores (estertores, crepitações), diminuição dos sons respiratórios, sons respiratórios brônquicos, egofonia, broncofonia e pectorilóquio sussurrado. Chiado no peito é mais comum em pneumonias virais e atípicas Frémito tátil Sugestivo de consolidação parenquimatosa Embotamento à percussão Sugestivo de consolidação parenquimatosa ou derrame pleural Estado mental Estado mental alterado pode ser sinal de hipóxia * Para bebês pequenos: Capacidade de cuidar do ambiente, alimentar, vocalizar e ser consolado. EXAMES Os exames laboratoriais se aplicam, basicamente, a pacientes internados, isto é, com PAC grave, não necessariamente complicada • Crianças com doença grave e aspecto tóxico, devem realizar hemograma, eletrólitos, testes de função hepática, renal e hemocultura e exames de acordo com critérios clínicos Microbiologia A identificação do agente etiológico da PAC aprimora o manejo dessa condição, porém é pouco acessível • Pacientes ambulatoriais leves a moderadamente enfermos podem ser tratados empiricamente sem a utilização de testes diagnósticos específicos • Indicações: crianças hospitalizadas, com doenças subjacentes ou quando há um surto na comunidade causado por um agente emergente aparente • Testes rápidos, à beira do leito, como swab de nasofaringe para vírus respiratórios, devem ser o procedimento inicial quando disponíveis e indicados (Isso pode reduzir o uso desnecessário de métodos de imagem e de antimicrobianos) Marcadores de inflamação • Não são capazes de diferençar entre pneumonia viral e bacteriana em crianças • Entretanto, podem ser utilizados durante a evolução da doença e servem como marcadores prognósticos Hemograma Não é necessário para as crianças com suspeita de PAC tratadas ambulatorialmente • Deve ser reservado para aquelas com doença mais grave Embora geralmente ocorra leucocitose nos casos de pneumonia bacteriana, sua intensidade não diferencia PAC bacteriana e viral • O leucograma é um exame inespecífico, e a contagem normal de leucócitos pode ocorrer infecções bacterianas ou virais Hemocultura Método muito específico, mas com baixa positividade, pois geralmente as PAC não são bacteriêmicas • Indicações: crianças que não demonstram melhora clínica com o tratamento e naquelas que apresentam sintomas progressivos ou deterioração clínica após o início da antibioticoterapia e nas que necessitam de hospitalização por PAC bacteriana presumida, moderada a grave. Oximetria de pulso • Deve ser realizada em todas as crianças com PAC, particularmente se há suspeita de hipoxemia. • A presença de hipoxemia deve orientar as decisões sobre o local de atendimento, testes diagnósticos adicionais e oxigenoterapia Radiografia A radiografia de tórax não é útil em pacientes com PAC no nível ambulatorial • Crianças com sinais e sintomas sugestivos de PAC sem indicação de internação não necessitam realizar radiografia de tórax de rotina devido à baixa concordância entre os sinais clínicos e as alterações radiográficas. • Indicações: pacientes com hipoxemia/hipóxia, com esforço respiratório, suspeita de pneumonia complicada com derrame, assim como para os que não apresentam boa resposta ao tratamento para avaliar complicações • A radiografia de tórax deve ser solicitada em crianças com febre prolongada e tosse, mesmo na ausência de taquipneia e angústia respiratória Radiografias de tórax (PA e perfil) devem ser obtidas em todos os pacientes hospitalizados para tratamento de PAC a fim de documentar presença, tamanho e caráter de infiltrados parenquimatosos e identificar complicações de pneumonia que podem levar a intervenções referentes ao agentes antimicrobianos e a terapia médica de suporte Um infiltrado na radiografia de tórax confirma o diagnóstico de pneumonia em crianças com achados clínicos compatíveis, embora as radiografias de tórax devam ser interpretadas com cautela em crianças com asma e infecção viral comórbida • Em geral, consolidação alveolar, pneumatoceles, derrames pleurais e abscessos sugerem etiologia bacteriana • O padrão intersticial está mais frequentemente associado a vírus e Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae (agentes causadores de pneumonias atípicas) A radiografia de tórax não tem precisão para definir a etiologia das PAC e não separa bacterianas de não bacterianas POCUS No contexto da PAC, a sensibilidade e a especificidade de ultrassom de pulmão são comparáveis às de uma TC, sem necessidade de expor crianças à radiação. Os achados de ultrassom sugestivos de pneumonia são: • consolidação, associada à presença de linhas B difusas ou localizadas; e • broncograma aéreo dinâmico DIAGNÓSTICO O diagnóstico é eminentemente clínico, dispensando a realização de radiografia de tórax, que só é recomendada nos casos graves que demandem internação • O diagnóstico de pneumonia deve ser considerado em lactentes e crianças com queixas respiratórias, principalmente tosse, taquipnéia, retrações e exame pulmonar anormal Na criança com IRA, a FR deve sempre ser pesquisada visando ao diagnóstico de PAC: ➢ Na ausência de sibilância, as crianças com tosse e FR elevada (taquipneia) devem ser classificadas como tendo PAC. A OMS usa taquipneia como único critério para definir pneumonia em crianças com tosse ou dificuldade em respirar • Tosse ou dificuldade para respirar + Taquipneia = PAC Taquipneia: • < 2 meses: FR ≥ 60 irpm; • 2-11 meses: FR ≥ 50 irpm; • 1-5 anos: FR ≥ 40 irpm • ≥5 ANOS: FR > 20 irpm As PAC também podem ser classificadas de acordo com a idade • Crianças com < 2 meses que, além de tosse e da dificuldade respiratória, apresentem FR elevada (≥ 60 mov/min), com ou sem tiragem subcostal, devem ser consideradas como pacientes com pneumonia grave e internadas para tratamento hospitalar. • Os pacientes com > 2 meses são separados em 2 grupos: a) pneumonia (apenas FR aumentada para a idade) e requerem tratamento ambulatorial com antibioticoterapia; b) pneumonia grave (FR aumentada com presença de tiragem subcostal) – devem ser encaminhados para internação hospitalar Os critérios diagnósticos baseados em sinais e sintomas podem levar ao diagnóstico de PAC de qualquer doença do trato respiratório inferior que se apresente com tosse, dificuldade respiratória e taquipneia (p.ex. bronquiolite, asma alérgica) • Assim, a avaliação criteriosa das doenças que podem causar taquipneia e sibilância, como asma, bronquiolite e sibilância induzida por vírus, permite que se prescrevam broncodilatadores antes de classificar o paciente em relação à PAC • Doenças como asma, bronquiolite, sibilância induzida por vírus podem causar taquipneia e devem ser tratadas com broncodilatador antes da classificação do paciente em relação à PAC. • Assim evita-se superprescrição de antibióticos e subdiagnóstico da doença obstrutiva da via aérea inferior TRATAMENTO O tratamento é empírico, pois é raro identificar sua etiologia antes da introdução da antibioticoterapia • Quando possível, coletar material antes da administração do antibiótico, como hemocultura, secreções, líquido pleural e outros para posterior ajuste de terapia em caso de identificação de microrganismos A amoxicilina administrada por via oral é a primeira opção terapêutica no tratamento ambulatorialdas PAC, sendo recomendada para crianças de 2 meses a 5 anos • Amoxicilina 50 mg/kg/dia de 8/8 ou 12/12 horas por 7 dias (máximo de 4g/dia). • Recomenda-se reavaliação do paciente após 48-72 horas ou antes, se houver piora clínica. • Segunda opção do tratamento: associação de amoxicilina com inibidores de beta- lactamase, como o clavulanato ou o sulbactam, ou a cefuroxima em doses habituais O tratamento com macrolídeos em crianças > 5 anos não tem se mostrado mais eficaz que o tratamento convencional com amoxicilina, sendo indicado apenas quando há suspeita clínica de pneumonia atípica • Na suspeita de infecção pelo M. pneumoniae ou C. pneumonia é recomendado acrescentar o macrolídeo à amoxicilina ou substituí-la pela droga citada • opções medicamentosas: eritromicina (40 mg/kg/dia de 6 em 6 horas, máximo 2 g/dia, durante 7 a 10 dias; claritromicina (15 mg/kg/dia de 12 em 12 horas, máximo 1 g/dia, durante 7 a 10 dias; ou azitromicina (10mg/kg/dia dose única ao dia, durante 5 dias) Opções para os alérgicos: • cefalosporinas de segunda ou terceiras gerações (cefuroxima ou ceftriaxona) • clindamicina ou um macrolídeo * O Ministério da Saúde recomenda o uso de 400.000 UI a cada 24 horas para crianças com peso inferior a 20 kg e 400.000 UI a cada 12 horas para crianças com peso superior a 20 kg Quando a criança não mostra sinais de melhora após 48-72 horas de tratamento da PAC não complicada com amoxicilina, caracteriza-se a falha terapêutica aos antibióticos convencionais • Nas situações de falha terapêutica em que haja possibilidade de infecção ser causada pelo pneumococo ou S. Aureus resistente à penicilina (meticilino sensível ou resistente) a orientação é substituir o antibiótico por clindamicina ou linezolida • Caso a criança apresente melhora clínica com as substituições dos antibióticos, o novo tratamento deve ser mantido até completar 7 dias. • Porém, se a criança estiver pior ou com quadro clínico inalterado, avaliar indicação de internação hospitalar A falha terapêutica ambulatorial pode ser considerada se houver: ➢ Persistência da febre; ➢ Queda do estado geral; ➢ Aparecimento de sinais de piora clínica ou de gravidade como tiragem subcostal, batimento de asas de nariz, gemência etc Suporte ambulatorial: • Cuidadores e familiares devem ser orientados quanto à abordagem da febre e da dor, manutenção de hidratação e alimentação adequadas, identificação de sinais de piora clínica, e quanto ao retorno para reavaliação em 48-72 horas. • Manter a alimentação da criança, particularmente o aleitamento materno, aumentar a oferta hídrica e manter as narinas desobstruídas. Manejo ambulatorial da PAC * As cefalosporinas de segunda ou terceira geração e a associação de amoxicilina-clavulanato por via oral são ativas contra Haemophilus influenzae e, ocasionalmente, podem ser utilizadas nas pneumonias agudas. ** Em > 5 anos que não respondem à amoxicilina inicial, com quadros insidiosos, sem piora radiológica do processo, pode-se optar por associar administração de azitromicina ou claritromicina via oral para o tratamento de Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydophila pneumoniae Tratamento hospitalar: Apesar de a maioria das crianças com PAC poder ser tratada ambulatorialmente, a falha na terapêutica ambulatorial, além das seguintes situações, indica tratamento hospitalar: • < 2 meses. • Presença de tiragem subcostal. • Convulsões. • Sonolência excessiva. • Estridor em repouso. • Desnutrição grave. • Ausência de ingestão de líquidos. • Sinais de hipoxemia. • Presença de comorbidades (anemia, cardiopatias, doenças pulmonares crônicas). • Problemas sociais. • Complicações radiológicas (derrame pleural, pneumatocele, abscesso pulmonar) A internação hospitalar é recomendada quando houver: • hipoxemia (SpO2 <92% em ar ambiente); • desidratação ou incapacidade de manter a hidratação ou alimentação por via oral; • desconforto respiratório moderado a grave: FR >70 rpm para pacientes <12 meses de idade e >50 rpm para crianças maiores; • dificuldade em respirar (gemência, batimento de asas nasais, retrações ou apneia); • aparência tóxica; • doenças subjacentes (doença cardiopulmonar, síndromes genéticas, distúrbios neurológicos); • complicações (derrame / empiema, pneumonia necrotizante, abscesso). Os antibióticos orais são seguros e eficazes, mesmo para PAC grave. • A amoxicilina continua sendo a primeira opção terapêutica por via oral na dose de 50 mg/kg/dia de 8 em 8 ou de 12 em 12 horas, durante 7 dias • Na suspeita de pneumonia atípica recomenda-se a azitromicina 10mg/kg/dia dose única durante 5 dias, ou claritromicina 7,5 mg/kg/dose 12 em 12 horas, durante 10 dias Caso a criança seja incapaz de aceitar fluidos ou antibióticos orais e/ou apresentar sinais de septicemia ou pneumonia complicada, recomenda-se antibióticos por via intravenosa • Ampicilina intravenosa na dose de 50mg/kg/dose de 6 em 6 horas; • Penicilina cristalina 150.000 UI/Kg/dia de 6 em 6 horas • A associação de amoxicilina com inibidores de beta-lactamase, como o clavulanato ou o sulbactam, ou a cefuroxima podem ser utilizadas como segunda opção por via oral ou intravenosa, em doses habituais Para os lactentes < 2 meses, a gentamicina na dose 7,5 mg/kg/dia de 12 em 12 horas deve ser associada à penicilina cristalina ou ampicilina. • Nesta faixa etária a cefotaxima pode ser consideradas em substituição à gentamicina ( não use a ceftriaxona aumenta a chance de kernicterus nos lactentes desta idade) Suporte hospitalar: • A criança hospitalizada pode necessitar de uso de broncodilatadores, hidratação venosa, correção de distúrbios hidreletrolíticos e oxigenoterapia (se SpO2 < 92%) Define-se PAC complicada como a que evolui de forma grave, apesar do uso de antibióticos, com 1 ou mais das seguintes complicações: • derrame pleural parapneumônico (DPP); • empiema pleural (EP); • pneumonia necrosante (PN); e • abscesso pulmonar (AP) Manejo hospitalar da PAC