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@anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 1 OBJETIVOS − Reconhecer os sinais irritativos das ITU ‘s; − Estudar os principais diagnósticos diferenciais de lombalgias: o Nefrolitíase; o Pielonefrite. Infecção Urinaria INTRODUÇÃO A infecção do trato urinário (ITU) é uma doença humana comum e dolorosa. Infecção no trato urinário inferior é importante sobretudo por sua elevada frequência e potencial gravidade; ao lado disso, constitui via de acesso para infecções do trato urinário superior e dos rins, além de ser a origem de muitos quadros de septicemia. Trato urinário superior: rins e ureteres; trato urinário inferior: bexiga e uretra. Infecção urinária (IU) refere-se a processo infeccioso que acomete as vias urinárias, dos rins à bexiga. Pielonefrite significa inflamação dos rins acompanhada de acometimento dos cálices, da pelve e do ureter. Infecção urinária predomina em três grupos etários: 1. Infância, associada muitas vezes a malformações congênitas do trato urinário; 2. Mulheres jovens, em fase sexualmente ativa, por traumatismos durante o intercurso sexual; 3. Homens, sobretudo após 55 anos, por obstrução urinária por aumento da próstata. CLASSIFICAÇÃO / DEFINIÇÃO A ITU pode ser assintomática (infecção subclínica) ou sintomática (doença). Por conseguinte, o termo infecção do trato urinário abrange uma variedade de condições clínicas, incluindo bacteriúria assintomática (BAS), cistite, prostatite e pielonefrite. A distinção entre ITU sintomática e BAS tem implicações clínicas importantes. Tanto a ITU quanto a BAS indicam a presença de bactérias no trato urinário, habitualmente acompanhadas de leucócitos e citocinas inflamatórias na urina. Entretanto, a BAS ocorre na ausência de sintomas atribuíveis à presença de bactérias no trato urinário e, em geral, não necessita de tratamento, enquanto a ITU geralmente implica doença sintomática, justificando o uso de terapia antimicrobiana. Grande parte da literatura sobre ITU, particularmente a infecção associada a cateteres, não diferencia a ITU da BAS. @anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 2 − O termo infecção do trato urinário denota a presença de doença sintomática; a cistite refere-se a uma infecção sintomática da bexiga; e a pielonefrite indica uma infecção sintomática dos rins. A ITU não complicada refere-se a cistite ou pielonefrite aguda em mulheres não grávidas em condições ambulatoriais, sem anormalidades anatômicas, nem instrumentação do trato urinário. O termo ITU complicada é um termo que abrange todos os outros tipos de ITU. A ITU recorrente não é necessariamente complicada; episódios individuais podem ser não complicados e tratados desse modo. A infecção do trato urinário associada ao uso de cateter (ITUAC) pode ser sintomática ou assintomática. ETIOLOGIA Os principais agentes etiológicos são bactérias Gram-negativas encontradas na microbiota entérica (infecção endógena). Escherichia coli é responsável por 85 a 90% das infecções urinárias; seguem-se infecções por Enterobacter, Klebsiella, Proteus, Pseudomonas e outras bactérias. A frequência dessas últimas aumenta muito em infecções urinárias complicadas (instrumentação urológica, obstrução urinária) e em reinfecções. Bactérias Gram- positivas, notadamente estafilococos e Streptococcus faecalis, são menos importantes. Em indivíduos imunossuprimidos, pode haver infecção por fungos (sobretudo Candida albicans) e por vírus (especialmente citomegalovírus). Urocultura é significativa quando existem mais de 100.000 bactérias/μL de urina. Em alguns pacientes, pode haver infecção urinária com números inferiores (em casos de fluxo urinário rápido, pH baixo, uso de medicamentos bacteriostáticos etc.). De outro lado e particularmente em mulheres, pode-se encontrar número expressivo de bactérias na urina sem manifestações clínicas (bacteriúria assintomática), notadamente em crianças até 12 anos (1 a 2%) e na gravidez (3 a 7% das gestantes). Na maioria desses casos, são isoladas E. coli ou Klebsiella. FATORES DE RISCO Numerosos fatores favorecem infecções urinárias, sua recidiva ou reinfecção. SEXO Em mulheres, a uretra é mais curta e mais calibrosa e fica próxima de estruturas contaminadas, o que favorece a penetração de microrganismos. Além disso, aderência bacteriana é favorecida por hormônios. Traumatismos em relações sexuais são mais intensos na uretra feminina. Em homens, o líquido prostático possui atividade antibacteriana GRAVIDEZ IU na gravidez associa-se a bacteriúria assintomática, que resulta de estase urinária por dilatação fisiológica do ureter e da pelve e de redução do seu peristaltismo, a partir do segundo mês de gestação e até o puerpério imediato, por efeito hormonal. Progesterona reduz a contratilidade da musculatura vesical OBSTRUÇÃO URINÁRIA Microrganismos na bexiga são normalmente eliminados com o fluxo urinário. Quando há obstrução urinária, as bactérias não são eliminadas, multiplicam-se e causam infecção. Deve-se suspeitar de obstrução urinária toda vez em que há infecção urinária persistente. Estase vesical aumenta o volume residual após a micção e inibe fatores antibacterianos locais. Infecção urinária é muito mais comum quando existe estase urinária, problema agravado pelo fato de esses casos serem frequentemente submetidos a instrumentação urológica REFLUXO VESICOURETERAL (RVU) A porção intravesical do ureter tem trajeto oblíquo e fica comprimida durante a micção, impedindo o retorno da urina para os ureteres (mecanismo valvular). RVU, primário ou secundário, consiste na passagem do conteúdo vesical para o ureter, especialmente durante a micção, por incompetência da válvula ureterovesical. RVU primário resulta de distúrbio congênito da válvula ureterovesical, mais curta ou ausente devido a ectopia lateral do meato ureteral. Infecções vesicais podem agravar o RVU, particularmente em crianças. RVU secundário deve-se a insuficiência da válvula ureterovesical por anormalidades do ureter, da bexiga e da uretra (ureterocele, obstrução do colo vesical, cistites, divertículos da bexiga, cálculos e tumores vesicais, bexiga neurogênica, hiperplasia prostática). Cerca de 10% dos paraplégicos têm RVU. RVU está presente em 40% das crianças com IU REFLUXO INTRARRENAL @anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 3 Presente em crianças com até 4 anos de idade, permite que o conteúdo da pelve e dos cálices penetre no parênquima renal. O refluxo é favorecido por papila anormal com extremidade côncava e/ou invaginada, com abertura ampla dos ductos coletores terminais; 60 a 70% dos rins possuem uma ou mais papilas com tal variação anatômica. Aumento da pressão intrapélvica, como na hidronefrose, favorece tal refluxo DIABETES MELITO Diabéticos têm maior risco de infecção urinária, provavelmente por neuropatia vesical, lesões vasculares e o próprio distúrbio metabólico. Necrose de papilas é mais comum em diabéticos com pielonefrite grave ISQUEMIA RENAL Redução do fluxo sanguíneo causa hipóxia e dificulta a chegada de leucócitos, o que favorece infecções. Por causa disso, muitas nefropatias favorecem infecções (glomerulonefrites, nefroesclerose vascular, necrose tubular aguda, doença policística renal e hipopotassemia) DIMINUIÇÃO DA RESPOSTA IMUNITÁRIA Desnutrição. Em todas as doenças ou condições acompanhadas de redução da resposta imunitária, há maior risco de IU (neoplasias malignas, hipogamaglobulinemia, imunodeficiência, uso de medicação antiblástica e/ou imunossupressora etc.). Desnutrição predispõe a IU, especialmente em crianças INSTRUMENTAÇÃO UROLÓGICA Mesmo com a mais cuidadosa técnica e rigorosa assepsia, instrumentação urológica (cateterismo, cistoscopia etc.) aumenta a frequência de infecção no trato urinário e é um dos seus principais fatores de risco. SÍNDROMES CLÍNICAS A questão mais importante a se considerar quando há suspeita de ITU é a caracterização da síndromeclínica como BAS, cistite não complicada, pielonefrite, prostatite ou ITU complicada. Essa informação irá definir a abordagem diagnóstica e terapêutica. BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA O diagnóstico de BAS só pode ser considerado quando o paciente não apresenta sintomas locais ou sistêmicos relacionados com o trato urinário. A apresentação clínica é habitualmente a de bacteriúria detectada de forma incidental quando um paciente realiza uma cultura de urina de rastreamento por algum motivo não relacionado com o trato urogenital. Sinais ou sintomas sistêmicos, como febre, alteração do estado mental e leucocitose, em associação a uma cultura de urina positiva, são inespecíficos e não definem um diagnóstico de ITU sintomática, a não ser que tenham sido consideradas outras etiologias possíveis. CISTITE Os sintomas típicos de cistite consistem em disúria, polaciúria e urgência. Com frequência, observa-se também a ocorrência de noctúria, hesitação, desconforto suprapúbico e hematúria macroscópica. A dor lombar ou no flanco unilateral é geralmente uma indicação de comprometimento do trato urinário superior. A febre também constitui uma indicação de infecção invasiva do rim ou da próstata. − Disúria: Desconforto, dor ou queimação ao urinar. PIELONEFRITE A pielonefrite leve pode manifestar-se na forma de febre baixa, com ou sem dor lombar ou no ângulo costovertebral, enquanto a pielonefrite grave pode manifestar-se na forma de febre alta, tremores, náuseas, vômitos e dor no flanco e/ou lombar. Em geral, os sintomas são de início agudo, e pode não haver sintomas de cistite. A febre constitui a principal característica que distingue a cistite da pielonefrite. A febre da pielonefrite exibe um padrão em “estaca de cerca” de pico alto, porém sofre resolução dentro de 72 horas de terapia. Verifica-se o desenvolvimento de bacteremia em 20 a 30% dos casos de pielonefrite. Os pacientes com diabetes melito podem apresentar uropatia obstrutiva associada à necrose papilar aguda quando as papilas descamadas causam obstrução do ureter. A necrose papilar também pode ser evidente em alguns casos de pielonefrite complicada por obstrução, anemia falciforme, nefropatia por analgésicos ou combinações dessas condições. @anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 4 Nos raros casos de necrose papilar bilateral, uma rápida elevação dos níveis séricos de creatinina pode constituir a primeira indicação da condição. PROSTATITE A prostatite inclui anormalidades tanto infecciosas quanto não infecciosas da próstata. As infecções podem ser agudas ou crônicas, quase sempre são de natureza bacteriana e são muito menos comuns do que a condição não infecciosa de síndrome de dor pélvica crônica (anteriormente conhecida como prostatite crônica). A prostatite bacteriana aguda manifesta-se na forma de disúria, polaciúria e dor na área prostática, pélvica ou perineal. Em geral, há febre e calafrios, e os sintomas de obstrução do orifício vesical são comuns. A prostatite bacteriana crônica manifesta-se de forma mais insidiosa, como episódios recorrentes de cistite, algumas vezes com dor pélvica e perineal associada. Os homens que apresentam cistite recorrente devem ser avaliados quanto a um foco prostático, além de retenção urinária. ITU COMPLICADA A ITU complicada manifesta-se na forma de episódio sintomático de cistite ou pielonefrite em um homem ou mulher com predisposição anatômica à infecção, presença de corpo estranho no trato urinário ou fatores que predisponham a uma resposta tardia ao tratamento. DIAGNÓSTICO HISTÓRIA O diagnóstico de qualquer uma das síndromes de ITU ou de BAS começa com uma anamnese detalhada. Uma metanálise avaliando a probabilidade de ITU aguda com base na história e nos achados físicos concluiu que, nas mulheres que apresentam pelo menos um sintoma de ITU (disúria, polaciúria, hematúria ou dor nas costas), sem fatores complicantes, a probabilidade de cistite aguda ou de pielonefrite é de 50%. As taxas ainda mais altas de acurácia de autodiagnóstico entre mulheres com ITU recorrente provavelmente são responsáveis pelo sucesso do tratamento da cistite recorrente iniciado pela paciente. Na ausência de secreção vaginal e fatores complicantes, porém na presença de fatores de risco para ITU, a probabilidade de ITU é quase 90%, e não há necessidade de avaliação laboratorial. Uma combinação de disúria e polaciúria na ausência de secreção vaginal aumenta a probabilidade de ITU para 96%. Não há necessidade de avaliação laboratorial adicional com tiras reagentes ou cultura de urina nessas pacientes antes da instituição do tratamento definitivo. Uma preocupação importante é o fato de que uma infecção sexualmente transmissível – aquela causada por Chlamydia trachomatis em particular – pode ser inapropriadamente tratada como ITU. Essa preocupação é particularmente relevante para mulheres com menos de 25 anos de idade. O diagnóstico diferencial a ser considerado quando a mulher apresenta disúria inclui cervicite (C. trachomatis, Neisseria gonorrhoeae), vaginite (Candida albicans, Trichomonas vaginalis), uretrite herpética, cistite intersticial e irritação vaginal ou vulvar não infecciosa. As mulheres com mais de um parceiro sexual e uso inconsistente de preservativos correm alto risco de ITU e de infecções sexualmente transmissíveis, e os sintomas por si só nem sempre distinguem uma condição da outra. EXAME DE URINA E CULTURA DE URINA Os instrumentos diagnósticos úteis incluem a fita reagente e o exame de urina, que fornecem informações no local de atendimento, e a cultura de urina, que pode confirmar de modo retrospectivo um diagnóstico anterior. − Um teste urinário com fita positivo para nitrito ou estearase leucocitária pode confirmar o diagnóstico de cistite não complicada em pacientes com alta probabilidade pré-teste da doença. A microscopia da urina revela piúria em quase todos os casos de cistite e hematúria em cerca de 30% dos casos. Uma máquina aspira uma amostra da urina e, em seguida, classifica as partículas presentes na urina com base no seu tamanho, formato, contraste, dispersão da luz, volume e outras propriedades. Esses sistemas automatizados podem ser afetados por números elevados de hemácias dismórficas, leucócitos ou cristais; em geral, as contagens de bactérias são menos acuradas do que as contagens de hemácias e leucócitos. @anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 5 A detecção de bactérias em uma cultura de urina é o “padrão-ouro” diagnóstico para a ITU; todavia, lamentavelmente, os resultados de cultura não se tornam disponíveis antes de 24 horas após a apresentação do paciente. A identificação do(s) microrganismo(s) específico(s) pode exigir um período adicional de 24 horas. − Um limiar para contagem de colônias ≥ 102 bactérias/mL é mais sensível (95%) e específico (85%) que um limite de 105/mL para o diagnóstico de cistite aguda em mulheres com sintomas de cistite. BAS requer 105 bactérias/mL ou mais, na ausência de sintomas clínicos relacionados a cistite. Com frequência, as amostras de urina ficam contaminadas com a microbiota normal da uretra distal, da vagina ou da pele. Esses contaminantes podem crescer e alcançar números elevados quando se deixa a amostra de urina coletada permanecer em repouso em temperatura ambiente. Na maioria dos casos, uma cultura produzindo espécies mistas de bactérias está contaminada, exceto nos casos de cateterismo em longo prazo, retenção urinária crônica ou presença de fístula entre o trato urinário e o trato gastrintestinal ou genital. Abordagem diagnóstica à infecção do trato urinário (ITU). BAS, bacteriúria assintomática; BAS-AC, BAS associada a cateter; ITUAC, ITU associada a cateter; IST, infecção sexualmente transmissível. @anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 6 TRATAMENTO CISTITE NÃO COMPLICADA EM MULHERES Esquema de tratamento para Cistite não complicada emmulheres Fármaco e dose Efeitos colaterais comuns Nitrofurantoína, 100 mg 2×/dia por 5 a 7 dias Náuseas, cefaleia SMX-TMP, 1 comprimido duplo VO 2×/dia por 3 dias Erupção, urticária, náuseas, vômitos, anormalidades hematológicas Fosfomicina, sachê de 3 g em dose única Diarreia, náuseas, cefaleia Pivmecilinam, 400 mg 2×/dia por 3 a 7 dias Náuseas, vômitos, diarreia Fluoroquinolonas, a dose varia conforme o agente; regime de 3 dias Náuseas, vômitos, diarreia, cefaleia, sonolência, insônia Betalactâmicos, a dose varia conforme o agente; regime de 5 a 7 dias Diarreia, náuseas, vômitos, erupção, urticária O sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP) tem sido recomendado como tratamento de primeira linha para cistite aguda, mas deve ser evitado em regiões com taxas de resistência > 20%. A nitrofurantoína é outro agente de primeira linha com baixas taxas de resistência. Fluoroquinolonas deveriam ser usadas apenas quando outros antibióticos não são adequados devido à resistência crescente (de uropatógenos e bactérias de outros sítios), ao risco aumentado de ruptura de tendão de Aquiles e neuropatia irreversível. Os agentes betalactâmicos estão associados a taxas mais baixas de erradicação do patógeno e maiores taxas de recidiva. PIELONEFRITE Considerando as altas taxas de E. coli resistente a SMX-TMP, as fluoroquinolonas (p. ex., ciprofloxacino, 500 mg VO 2×/dia por 7 dias) são agentes de primeira linha para o tratamento de pielonefrite aguda não complicada. O SMX-TMP oral (um tablete duplo 2×/dia por 14 dias) é efetivo contra uropatógenos suscetíveis. ITU EM GESTANTES Nitrofurantoína, ampicilina e cefalosporinas são consideradas relativamente seguras no início da gestação. ITU EM HOMENS Em homens com ITU aparentemente não complicada, recomenda-se um curso de 7 a 14 dias de uma fluoroquinolona ou SMX-TMP. − Se houver suspeita de prostatite bacteriana aguda, devem ser iniciados antibióticos após a obtenção de urina e sangue para culturas. − A terapia pode ser ajustada conforme os resultados da cultura de urina e deve ser continuada por 2 a 4 semanas; um curso de 4 a 6 semanas costuma ser necessário para a prostatite bacteriana crônica. BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA A BA deve ser tratada apenas em gestantes, em pacientes submetidos à cirurgia urológica e talvez em pacientes neutropênicos e receptores de transplante renal. A escolha do antibiótico é orientada pelos resultados da cultura. Mulheres grávidas com BAS são tratadas por 4-7 dias. ITU ASSOCIADA AO CATETER Os resultados da cultura de urina são fundamentais para guiar a terapia. − Costuma haver necessidade de trocar o cateter durante o tratamento. A candidúria, uma complicação comum do cateterismo por longo período, resolve em cerca de um terço dos casos com a remoção do cateter. @anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 7 − O tratamento (fluconazol, 200 a 400 mg/dia por 14 dias) é recomendado para pacientes com pielonefrite ou cistite sintomáticas e para aqueles com alto risco de doença disseminada. PREVENÇÃO DE ITU RECORRENTE As mulheres que apresentam ITU sintomática ≥ 2 vezes por ano são candidatas à profilaxia – contínua ou pós-coital – ou à terapia iniciada pelo paciente. A profilaxia contínua e a profilaxia pós-coital em geral envolvem baixas doses de SMX-TMP, fluoroquinolona ou nitrofurantoína. A terapia iniciada pelo paciente envolve fornecer a ele o material para cultura de urina e para a automedicação com um curso de antibióticos nos primeiros sintomas de infecção. Nefrolitíase A formação de cálculos começa quando a urina torna-se supersaturada com componentes insolúveis, em consequência de: 1. baixo volume de urina; 2. excreção excessiva ou insuficiente de determinados compostos, ou 3. outros fatores (p. ex., pH urinário) que diminuem a solubilidade. SINAIS E SINTOMAS Os cálculos presentes na pelve renal podem ser assintomáticos ou causar hematúria isolada. Com a sua passagem, pode ocorrer obstrução em qualquer nível ao longo do sistema coletor. A obstrução relacionada com a passagem de um cálculo provoca dor intensa, que frequentemente se irradia para a virilha, algumas vezes acompanhada de sintomas viscerais intensos (i.e., náuseas, vômitos, sudorese, tontura), hematúria, piúria, infecção do trato urinário (ITU) e, raras vezes, hidronefrose. Em contrapartida, os cálculos coraliformes, que estão associados a ITU recorrente por microrganismos que desdobram a ureia (Proteus, Klebsiella, Providencia, Morganella e outros), podem ser totalmente assintomáticos, manifestando-se na forma de perda da função renal. INVESTIGAÇÃO DO PACIENTE AMBULATORIAL COM CÁLCULO RENAL − História alimentar e do aporte de líquidos − História clínica e exame físico cuidadosos, dando ênfase às doenças sistêmicas − TC helicoidal sem contraste, com cortes de 5 mm − Exame de urina de rotina; presença de cristais, hematúria, medição do pH urinário − Bioquímica sérica: Ureia, creatinina, ácido úrico, cálcio, fosfato, cloreto, bicarbonato, PTH − Coletas de urina de 24 h (pelo menos 1 dia durante a semana, 1 dia no fim de semana): Cr, Na, K, ureia, ácido úrico, cálcio, fosfato, oxalato, citrato, pH Siglas: Cr, creatinina; PTH, paratormônio; TC, tomografia computadorizada. TRATAMENTO O tratamento dos cálculos renais é, com frequência, empírico, baseado em probabilidades (os cálculos de oxalato de Ca são os mais comuns), anamnese clínica e/ou investigação metabólica. Um aumento da ingestão de líquido para 2,5 a 3 L/dia, no mínimo, constitui, talvez, a intervenção isoladamente mais eficaz, independentemente do tipo de cálculo. Acredita-se que as recomendações conservadoras para pacientes com cálculos de oxalato de Ca (i.e., dieta com baixo teor de sal e de gordura e quantidade moderada de proteína) sejam saudáveis de modo geral e, portanto, aconselháveis para pacientes cuja afecção não é complicada por outros distúrbios. Tratamentos específicos da nefrolitíase Tipo de cálculo Modificações na dieta Outras Oxalato de cálcio Aumento do aporte de líquidos Ingestão moderada de sódio Ingestão moderada de oxalato Suplementação de citrato Sais de cálcio ou de potássio > sódio @anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 01 8 Ingestão moderada de proteína Ingestão moderada de gordura Colestiramina ou outro tratamento para má absorção de gordura Tiazídicos na presença de hipercalciúria Alopurinol na presença de hiperuricosúria Fosfato de cálcio Aumento do aporte de líquidos Ingestão moderada de sódio Tiazídicos na presença de hipercalciúria Tratamento do hiperparatireoidismo, quando presente Álcali para acidose tubular renal distal Estruvita Aumento do aporte de líquidos; o mesmo que para os cálculos de oxalato de cálcio, se houver evidências de um nidus de oxalato de cálcio para estruvita Metenamina e vitamina C, ou antibioticoterapia supressora diária (p. ex., sulfametoxazol- trimetoprima) Ácido úrico Aumento do aporte de líquidos Ingestão moderada de proteína Alopurinol Terapia com álcali (citrato de K+) para elevar o pH da urina para 6,0 a 6,5 Cistina Aumento do aporte de líquidos Terapia com álcali Penicilamina REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Filho, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (10th edição). Grupo GEN, 2021. Jameson, J., L. et al. Manual de medicina de Harrison. Disponível em: Minha Biblioteca, (20th edição). Grupo A, 2021.