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<p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>Sintomas Irritativos do Trato Geniturinário</p><p>- Manifestações sistêmicas:</p><p>• A pielonefrite pode causar febre, toxemia,</p><p>vômitos e comprometimento do estado geral.</p><p>• Quadros afebris sugerem infecções do trato</p><p>urinário inferior, como a cistite ou uretrite,</p><p>geralmente sem manifestações sistêmicas.</p><p>• O sexo masculino quando há prostatite, podem</p><p>cursar com sintomas irritativos vesicais e febre.</p><p>- Manifestações locais:</p><p>• Dor: em geral, as dores renais localizam-se na</p><p>região lombar, abaixo da 12° costela, são</p><p>contínuas e resultam em distensão aguda da</p><p>capsula renal. Geralmente ocorrem nas</p><p>obstruções uretrais ou nas infecções renais agudas</p><p>(geram edema súbito do parênquima).</p><p>• Dor lombar gerada com a movimentação quase</p><p>sempre são de origem osteomuscular.</p><p>• A dor ureteral é classicamente em cólica,</p><p>originada na região lombar, irradiando-se para</p><p>flanco e fossa ilíaca do mesmo lado. A dor quase</p><p>sempre é gerada pela passagem de cálculos nos</p><p>ureteres e é produzida pelo movimento</p><p>peristáltico ureteral. Os cálculos localizados no</p><p>terço superior do ureter produzem dores que</p><p>irradiam para os testículos ou vulva (mesma</p><p>inervação). Cálculos localizados no terço médio,</p><p>geralmente causam cólicas sem irradiação e</p><p>quando se aproxima da bexiga as dores irradiam</p><p>para fossa ilíaca, região inguinal e parede</p><p>escrotal.</p><p>• A dor vesical nos casos de retenção urinaria</p><p>aguda pode ser de forma contínua e intensa, na</p><p>região do hipogástrio.</p><p>- Hematúria: pode ser inicial, final ou total, estando</p><p>relacionado com o local de origem do sangramento.</p><p>• Hematúria inicial: está presente no início de</p><p>cada micção e aparece nas lesões uretrais.</p><p>• Hematúria final: aparecimento de sangue no</p><p>final da micção, ocorrendo mais frequentemente</p><p>em lesões intravesicais (tumores ou cálculos) e</p><p>resulta do trauma da mucosa da bexiga no final do</p><p>esvaziamento vesical.</p><p>• Hematúria total: eliminação durante toda a</p><p>micção e pode sugerir doenças renais, pélvis e</p><p>ureter.</p><p>Diagnóstico Diferencial de Dor Lombar</p><p>Lombalgia/Lombociatalgia</p><p>- Lombalgia: dor na região lombar.</p><p>- Lombociatalgia: dor na região lombar que pode</p><p>irradiar que está sendo causada pela compressão do nervo</p><p>ciático.</p><p>Dor originada na coluna lombossacra, com ou</p><p>sem o comprometimento da inervação local. Pode ser</p><p>causada por postura defeituoso, desvios da coluna</p><p>(hipercifose, escoliose), degeneração discal, hernia de</p><p>disco intervertebral, artrose interapofisária, artrite</p><p>reumatoide, sendo que a principal causa é a alteração do</p><p>disco intervertebral, com ou sem hernia discal.</p><p>- Manifestações clínicas: a dor é quase sempre bilateral,</p><p>mas que predomina em um dos lados. Na lombalgia a dor</p><p>não costuma irradiar, já na lombociatalgia, a dor irradia</p><p>para região das nádegas e face posterior da coxa, podendo</p><p>se estender até os pés (trajeto do nervo ciático). Pode</p><p>haver rigidez matinal, que melhora com a movimentação.</p><p>Podem causar sinal da campainha e manobra de Lasègue</p><p>positiva. Em mulheres, doenças ginecológicas podem</p><p>causar dor lombar.</p><p>- Diagnóstico: RX da coluna (um exame normal não</p><p>exclui a presença de hernia discal), TC, RM, cintilografia</p><p>óssea.</p><p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>- Tratamento não farmacológico: redução do peso caso</p><p>o paciente for obeso, fisioterapia (aplicação de calor,</p><p>repouso em posição confortável se necessário (apenas 3</p><p>dias), mobilização controlada), reabilitação, acupuntura e</p><p>tratamento cirúrgico em casos selecionados.</p><p>- Tratamento farmacológico: alívio da dor com AINEs</p><p>(diclofenaco 50mg, VO de 8/8h, celecoxibe 200mg,</p><p>12/12h de 3 a 7 dias). Relaxantes musculares em casos de</p><p>espasmos ou contratura muscular, com ciclobenzaprina,</p><p>5 a 10mg de 12/12h por 3 a 5 dias. Medicações</p><p>coadjuvantes, como: gabapentina 300mg VO, 6/6h,</p><p>pregabalina 150mg, 12/12h.</p><p>Doença Inflamatória Pélvica</p><p>É uma síndrome caracterizada pelo processo</p><p>inflamatório, seja ele agudo ou crônico, que acomete</p><p>mulheres com vida sexual ativa, afetando o sistema</p><p>reprodutor superior: endométrio, tubas uterinas, ovários</p><p>e peritônio pélvico. As causas bacterianas de DIP são</p><p>grandes e incluem a N. gonorrhoeae, C. trachomatis</p><p>(mais comum) e Mycoplasma (princip. genitalium).</p><p>Cerca de 25% das mulheres que tiveram DIP podem ter</p><p>alteração na fertilidade por obstrução tubaria e as que</p><p>conseguem engravidar apresentam maior chance de</p><p>gravidez ectópica.</p><p>- Fatores que contribuem para entrada de bactérias:</p><p>instrumentação uterina, colocação de DIU, alterações</p><p>hormonais e menstruação retrograda.</p><p>- Fatores de risco do desenvolvimento: mulheres em</p><p>idade fértil e sexualmente ativas, início precoce de</p><p>relações sexuais, múltiplos parceiros, idade (princip.</p><p>adolescentes), uso de DIU, histórico de infecções,</p><p>tabagismo e bebidas alcoólicas.</p><p>- Manifestações clínicas: dor e hipersensibilidade no</p><p>abdômen inferior, febre, mal-estar, corrimento vaginal,</p><p>sangramento vagina, desconforto urinário, dor a</p><p>mobilização do colo do útero e a palpação dos anexos,</p><p>massa hipersensível dos anexos (uni ou bilateral).</p><p>Metrorragia e dispareunia podem ser as únicas</p><p>manifestações e algumas pacientes podem ser</p><p>assintomáticas.</p><p>- Diagnóstico: devemos utilizar os critérios de</p><p>diagnostico de DIP, além de alguns exames auxiliares,</p><p>como: exame simples de urina, bacterioscopia de cérvice</p><p>uterina, USG endovaginal se houver massa pélvica. A</p><p>laparoscopia é o padrão ouro, mesmo não recomendada</p><p>como rotina devido ao alto risco.</p><p>Fluxograma para investigação de suspeita de DIP</p><p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>- Tratamento: quando houver um quadro suspeito de</p><p>DIP, o tratamento deve ser iniciado, exceto em situações</p><p>especiais, como gravidez.</p><p>- Quando fazer o tratamento de forma ambulatorial:</p><p>quadro clínico leve e com exame abdominal e</p><p>ginecológico sem sinais de pelviperitonite.</p><p>- Quando fazer o tratamento de forma hospitalar:</p><p>abcesso tubo-ovariano, gravidez, falta de resposta clínica</p><p>após 72h do início do tratamento, intolerância aos ATB</p><p>orais, náuseas, vômitos e febre e dificuldade de exclusão</p><p>de outras emergências cirúrgicas.</p><p>- Tratamento do parceiro: 1g de azitromicina VO +</p><p>400mg de oflaxocino, VO, dose única.</p><p>- Indicação cirúrgica/laparoscópica: má resposta ao</p><p>tratamento medicamentoso (até 72h), piora clínica,</p><p>suspeita de ruptura de abcessos de anexos, persistência</p><p>de massa pélvica, evidencia de sangramento</p><p>intraperitoneal, abcesso no fundo de saco de Douglas.</p><p>*indica-se ausência de ralações sexuais durante o</p><p>tratamento, duchas vaginais não são recomendadas,</p><p>pacientes com DIU não precisam removê-los e reavaliar</p><p>em 3 meses*</p><p>Nefrolitíase</p><p>É a existência de um ou mais cálculos no interior do</p><p>aparelho urinário. Esses cálculos são estruturas</p><p>cristalinas que alcançam tamanho suficiente para causar</p><p>sintomas ou serem percebidos em exames de imagem.</p><p>Sua formação está associada a crises álgicas intensas e</p><p>alto custo para o sistema de saúde.</p><p>A urina na maioria das pessoas é supersaturada com</p><p>sais de cálcio e oxalato, porém a maioria não forma</p><p>cálculos. Fatores genéticos, dietéticos, socioeconômicos</p><p>e constitucionais são importantes para sua formação.</p><p>- Epidemiologia: é mais frequente em homens e a</p><p>maioria dos casos ocorre na 3° a 5° década de vida. A</p><p>obesidade está relacionada ao risco de formação dos</p><p>cálculos renais.</p><p>- Fisiopatologia: ocorrem pelo desequilíbrio entre</p><p>solubilidade e a precipitação de sais na urina. Quando há</p><p>exacerbação de sais ou conservação de água, os cristais</p><p>se formam e podem crescer e se agregar até formarem um</p><p>cálculo. Os locais de maiores impactos são em área de</p><p>estreitamento: junção ureteropélvica, cruzamento dos</p><p>vasos ilíacos (ureter distal) e junção ureterovesical.</p><p>• Cálculos de cálcio: constituem 80% e podem ser de</p><p>oxalato ou fosfato de cálcio (apatita ou brushita).</p><p>Esses</p><p>cálculos são formados quando há urina alcalina</p><p>(pH 7 e 8), que aumenta a supersaturação do fosfato,</p><p>podendo ser encontrado na acidose tubular distal ou</p><p>hiperparatireoidismo primário. Os cálculos se</p><p>formam a partir de depósitos de fosfato de cálcio</p><p>(placas de Randall). Esses cálculos são arredondados,</p><p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>radiodensos e não costumam apresentar aspecto</p><p>coraliforme.</p><p>• Cálculos de ácido úrico: os fatores de risco para seu</p><p>desenvolvimento incluem redução do pH urinário</p><p>(entre 5 e 5,4), baixos volumes urinários ou níveis</p><p>elevados de ácido úrico urinário, além de gota,</p><p>obesidade e ingestão proteica elevada (ingestão alta</p><p>de purinas). Pacientes com DM2 ou resistência a</p><p>insulina tem excreção urinaria de amônio</p><p>prejudicada, o que resulta em uma urina com menor</p><p>pH. São radiotransparentes, não visíveis à radiografia</p><p>simples de rins, ureter e bexiga e aparecem na</p><p>urografia excretora como falhas de enchimento.</p><p>• Cálculos de estruvita: representam 10 a 25% dos</p><p>cálculos, mas são a maioria dos cálculos coraliformes</p><p>ou grandes cálculos que se estendem além do cálice</p><p>renal. São mais comuns em mulheres (envolvimento</p><p>com ITU por bactérias produtoras de urease, como</p><p>Proteus e Klebsiella). São formados de fosfato de</p><p>amoníaco e magnésio. São pouco radiodensos,</p><p>grandes e caracteristicamente coraliformes.</p><p>• Cálculos de cistina: ocorrem por erro inato no</p><p>transporte de aminoácidos (cistinúria). São pouco</p><p>radiopacos e com aspecto de vidro moído (graund-</p><p>glass) e são aprox. 1% dos cálculos.</p><p>- Manifestações clínicas: podem se apresentar de forma</p><p>assintomática (princip. se o cálculo estiver em cálice</p><p>renal), mas a dor característica é a cólica nefretica, que se</p><p>inicia na região lombar, no flanco ou na fossa ilíaca,</p><p>súbita, forte, geralmente unilateral, em cólica, que não</p><p>alivia com repouso ou posição, irradiada para o trajeto</p><p>uretral, virilha, testículos, área supra púbica ou grandes</p><p>lábios. Pode haver disuria e hematúria micro ou</p><p>macroscópica concomitantes, além de náuseas e vômitos</p><p>que são comuns. No exame físico podemos encontrar</p><p>taquicardia, palidez, sudorese, dor a palpação em região</p><p>de ângulo costovertebral e distensão abdominal leve,</p><p>porem sem sinais de irritação peritonial. Combinação de</p><p>febre, dor lombar, calafrios e sepse se dá pela obstrução</p><p>calculosa.</p><p>- Diagnóstico diferencial: apendicite aguda,</p><p>diverticulite, colecistite, cisto ovariano, anexite, gravidez</p><p>ectópica orquite, prostatite, infarto intestinal, aneurisma</p><p>de aorta abdominal, cetoacidose diabética e IAM.</p><p>- Diagnóstico: o exame padrão ouro é a tomografia</p><p>computadorizada helicoidal sem contraste, tendo alta</p><p>sensibilidade e especificidade podendo detectar cálculos</p><p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>radiopacos ou não, porém, o exame mais rápido e sem</p><p>exposição é a US abdominal, mas alguns cálculos podem</p><p>passar pelo exame. Podemos solicitar exame simples de</p><p>urina para ver hematúria e leucocitúria, dosagem de ureia</p><p>e creatinina para avaliação da função renal.</p><p>- Tratamento da cólica renal: feito pela analgesia sendo</p><p>usado AINES e/ou opioides. Os AINES fazem a redução</p><p>da inflamação e da hiperatividade muscular ureteral,</p><p>sendo contraindicados em pacientes com insuficiência</p><p>renal, gestação e úlceras. Ex: diclofenaco 75mg, dipirona</p><p>1 a 2g IV, Morfina 5 a 10mg IV, Cetorolaco 30 a 60mg</p><p>IV.</p><p>- Tratamento do cálculo: até 80% dos cálculos menores</p><p>de 5mm tem eliminação espontânea. Para cálculos</p><p>maiores de 7mm, a chance de eliminação espontânea é</p><p>menor. A terapia expulsiva é indicada para cálculos até</p><p>10mm (1cm) com localização ureteral, pode ser utilizado</p><p>medicações alfa-1-adrenérgicos (Tansulosina</p><p>0,4mg/noite VO, BCC: nefidipino 30mg/dia por 4 a 6</p><p>semanas se a dor estiver controlada). Para cálculos de</p><p>ácido úrico podemos utilizar citrato de potássio para</p><p>alcalinizar urina. Além desse, o Alopurinol reduz a</p><p>concentração de ácido úrico, os diuréticos tiazídicos</p><p>reduzem a concentração de cálcio e o ácido ascórbico</p><p>deixa a urina mais ácida.</p><p>- Tratamento cirúrgico: cálculos mais proximais ou</p><p>maiores que 10mm tendem a ter menor chance de</p><p>eliminação. A litotripsia extracorpórea emprega ondas de</p><p>choque tratados de forma ambulatorial sob anestesia</p><p>(indicada principalmente em cálculos de ácido úrico e/ou</p><p>estruvita na junção ureteroplevica). A nefrolitotomia</p><p>percutânea (+ invasiva) é indicada para cálculos maiores</p><p>de 2cm, coraliformes e localizados no polo renal inferior</p><p>e refratários a LOCE. Hoje, a cirurgia aberta raramente é</p><p>necessária.</p><p>- Tratamento não farmacológico: aumenta da ingesta</p><p>hídrica, moderação na ingesta de cálcio, sal e proteínas,</p><p>melhora de doenças de base como, hipertensão, DM e</p><p>controle de peso.</p><p>REZUMINDO</p><p>Cálculos menores que 5mm: conduta expectante.</p><p>Cálculos de 5 a 10mm: uso de alfa-bloqueadores para</p><p>eliminar o cálculo (tansulosina ou silodosina).</p><p>Cálculos maiores que 10mm: litotripsia.</p><p>Se houver obstrução do fluxo urinário: uso de cateter</p><p>duplo J se litíase + ITU sintomática = internação em UTI.</p><p>Infecção do Trato Urinário</p><p>É a colonização bacteriana da urina e das estruturas do</p><p>aparelho urinário. É uma doença de crianças, mulheres e</p><p>idosos. As crianças são as que apresentam maior risco em</p><p>adquirir lesões graves e episódios repetidos.</p><p>- Epidemiologia: nos jovens é mais comum nas mulheres</p><p>(pela anatomia propiciar a ascensão de microrganismos)</p><p>do que nos homens, já em crianças é mais comum no sexo</p><p>masculino.</p><p>- Infecção urinária não complicada: presume-se estar</p><p>confinada à bexiga sem sinais ou sintomas que sugiram</p><p>infecção do trato urinário alto, relacionando mais a</p><p>cistite.</p><p>- Infecção urinária complicada: acompanhada de sinais</p><p>e sintomas sistêmicos que sugerem que a infecção se</p><p>estende além da bexiga, como: febre acima de 37,7C,</p><p>calafrios, dor lombar/flanco, sensibilidade em ângulo</p><p>costovertebral, dor pélvica ou perineal em homens</p><p>(podendo sugerir prostatite).</p><p>- ITU alta: pielonefrite aguda, crônica,</p><p>xantogranulomatosa, enfisematosa, abcesso</p><p>perinefrético/paranefrético e renal.</p><p>- ITU baixa: cistite, uretrite, orquite, epididimite e</p><p>prostatite.</p><p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>- Fatores biológicos: os mecanismos imunes,</p><p>principalmente a IgA secretória, podem oferecer defesas</p><p>contra as bactérias, além do pH ácido e as concentrações</p><p>de ureia, que tornam um ambiente tóxico para as</p><p>bactérias que tentam colonizar. As células fagocitarias</p><p>também ajudam a erradicar bactérias. Fatores como a</p><p>flora normal da região periuretral também são</p><p>importantes para as mulheres, sendo essa composta por</p><p>lactobacilos que conferem essa proteção. Nos homens,</p><p>como o comprimento da uretra é maior e há</p><p>propriedades antibacterianas do líquido prostático, o</p><p>qual contém IgG e IgA em sua composição estão</p><p>presentes, critérios esses, que conferem maior proteção</p><p>contra ITU.</p><p>- Virulência do patógeno: apenas as bactérias que</p><p>apresentam maior adesão as células epiteliais conseguem</p><p>causar infecção urinaria. As cepas tipo fimbriadas tem</p><p>maior adesão a mucosa e geralmente são gram-negativas.</p><p>Outros fatores que contribuem para a virulência</p><p>bacteriana são a hemolisina, lisando hemácias, e a</p><p>aerobactina, quelante do ferro, elemento importante</p><p>para o desenvolvimento bacteriano.</p><p>- Fatores do Hospedeiro: o uso indiscriminado de</p><p>antibióticos altera a microflora vaginal, que desregula os</p><p>lactobacilos e os estafilococos já existentes.</p><p>Pielonefrite</p><p>É a infecção do parênquima renal e do sistema coletor,</p><p>podendo ser:</p><p>• Aguda: infecção das vias urinarias altas, devendo</p><p>sempre considerar uma ITU complicada,</p><p>independentemente das características do paciente.</p><p>• Crônica: doença tubulointersticial crônica</p><p>secundaria, muitas vezes em pacientes com infecções</p><p>recorrentes, especialmente os com nefropatias</p><p>obstrutivas, podendo causar insuficiência renal</p><p>crônica ou complicar com a formação de abcesso</p><p>perinefrético.</p><p>- Etiopatogenia: E. coli compõe quase 80% dos casos,</p><p>além de Klebsiella, Pseudomonas, Enterococcus,</p><p>Proteus, Enterobacter, Staphylococcus. O patógeno</p><p>depende da condição que o paciente se encontra</p><p>(pacientes submetidos à instrumentação das vias</p><p>urinarias pode estar contaminado com Pseudomonas).</p><p>- Fatores de risco: anormalidades urológicas (litíase,</p><p>refluxo vesicoureteral, bexiga neurogênica, doença</p><p>cística dos rins), gestação, frequência de relações sexuais</p><p>(mais de 3x por semana), uso de geleia espermicida,</p><p>história de infecção das vias urinárias durante a gestação.</p><p>No homem com o passar da idade, o principal fator é o</p><p>prostatismo por hipertrofia benigna ou carcinoma de</p><p>próstata. Já na mulher, além da menopausa que vem com</p><p>modificações anatômicas e funcionais da bexiga, a</p><p>relação da multiparidade ou não, pode ter relação com</p><p>maior recorrência de infecções.</p><p>- Manifestações clínicas: os sintomas incluem febre,</p><p>calafrios, dor em flanco, sensibilidade do ângulo</p><p>costovertebral (sinal de Giordano positivo),</p><p>náuseas/vômitos. Os sintomas de cistite (disuria,</p><p>polaciuria, urgência miccional, dor supra púbica e</p><p>hematúria) podem estar presentes, mas não em todos os</p><p>pacientes.</p><p>- Exames para diagnóstico: nos exames de urina</p><p>geralmente são feitos a partir do jato médio.</p><p>• Exame simples de urina: podem apresentar</p><p>piúria/leucocitúria, com 10 leucócitos/campo ou</p><p>10.000 leucócitos/ml, podendo ter cilindros</p><p>leucocitários, hematúria, proteinúria discreta,</p><p>esterase leucocitária (enzima produzida por</p><p>leucócitos) e teste do nitrito positivo sugere</p><p>enterobactérias que convertem nitrato em nitrito.</p><p>• Cultura de urina: detectação pela cultura de</p><p>urina de mais de 100 unidade formadoras de</p><p>colônia (UFC) ou 100.000 bactérias/ml. Deve ser</p><p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>feito assepsia rigorosa. É o exame que dá o</p><p>diagnóstico definitivo de ITU.</p><p>• Hemocultura: apenas em casos de sepse.</p><p>• USG/TC: podem ser usados para identificar</p><p>condições associados, como hidronefrose,</p><p>abcessos, cistos e cálculos. A USG é mais</p><p>utilizada de rotina para não ocorrer exposição à</p><p>radiação para os pacientes, podendo ser</p><p>encontrados: obstrução, dilatação pieloureteral,</p><p>ecogenicidade, abcessos, tamanho da próstata,</p><p>pielonefrite aguda e crônica.</p><p>Pielonefrite Aguda, dilatação renal</p><p>• Cintilografia: detecta cicatrizes renais.</p><p>- Tratamento: o uso de antibióticos é começado de forma</p><p>empírica, após a coleta dos exames para verificação dos</p><p>patógenos. Deve ser direcionada aos germes prevalentes.</p><p>A primeira linha costuma ser feita com floroquinolonas.</p><p>Ceftriaxona 2g IV, 1x/dia por 10 a 14 dias ou</p><p>Piperaciclina-Tazobactam 4,5g IV, de 6/6h por 10 a 14</p><p>dias ou Ciprofloxacino 400mg IV, de 12/12h, por 7 a 10</p><p>dias OU Ciprofloxacino 500mg VO, 12/12h por 7 a 10</p><p>dias.</p><p>Cistite</p><p>Inflamação da bexiga, podendo ser aguda ou crônica.</p><p>- Fatores de risco: diabetes, gestação, imunossupressão,</p><p>bexiga neurogênica, cateterização vesical, primeiras</p><p>relações sexuais, estase urinaria, anomalias anatômicas</p><p>(divertículos) e litíase.</p><p>• Cistite infeciosa: o agente mais comum é a E.</p><p>coli, sendo os outros microrganismos</p><p>Pseudomonas, Klebsiella, Chlamydia,</p><p>Mycoplasma e Candida. O contágio mais</p><p>frequente em mulheres ocorre pelas</p><p>características anatômicas da uretra feminina, que</p><p>é mais curta e está mais próxima do ânus.</p><p>- Manifestações clínicas: disúria, dor suprapúbica,</p><p>polaciúria, urgência miccional de início abrupto, sem</p><p>sinais e sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar.</p><p>- Exames para diagnóstico: exame simples de urina com</p><p>5 a 10 leucócitos, bacteriúria, hematúria, teste de nitrito.</p><p>Na cultura da urina, a presença de mais de 100.000</p><p>colônias confirma o diagnóstico de ITU. O antibiograma</p><p>pode ser realizado para identificar o patógeno.</p><p>- Tratamento: a medicação empírica deve ser</p><p>considerada e inclui: 1° linha: nitrofurantoína (100mg</p><p>cada 6h de 3 a 5 dias), fosfomicina (3g, dose única),</p><p>amoxicilina+clavulanato (500/125mg de 8/8h por 7 dias)</p><p>e sulfametoxazol+trimetropima. O tratamento deve ser</p><p>feito por 3 dias (podendos ser até 5 dias, porém 3 já é</p><p>considerado ideal).</p><p>- Tratamento não farmacológico: indicação de aumento</p><p>da ingesta hídrica e de esvaziamento da bexiga sempre</p><p>que possível, não mantendo ela cheia por mais de 2h.</p><p>Cistite Recorrente</p><p>A ITU recorrente é considerada quando ocorrem 3</p><p>episódios em 1 ano ou 2 episódios em 6 meses. É mais</p><p>comum no sexo feminino.</p><p>Recidiva: causada pela mesma bactéria.</p><p>Reinfecção: infecção por uma nova bactéria.</p><p>- ITU pós relação sexual: solicitar esvaziamento vesical</p><p>posterior a ingestão de 1 comprimido das medicações</p><p>habituais.</p><p>MARC 1 – Sintomas Irritativos do TGU</p><p>- Profilaxia: geralmente em adultos é feita com</p><p>nitrofurantoína, feito geralmente por longos períodos (3</p><p>a 6 meses)</p><p>- Diagnóstico: avaliar bem a história clínica, realizar</p><p>exame simples de urina, cultura e teste de sensibilidade</p><p>antibiótica.</p><p>Cistite Intersticial/Síndrome da Bexiga Dolorosa</p><p>Doença crônica de causa desconhecida, que é</p><p>caracterizada por irritação e/ou inflamação da parede da</p><p>bexiga, causando dor pélvica crônica por pelo menos 6</p><p>meses, não estando relacionada com agentes infecciosos.</p><p>Observa-se espessamento da parede da bexiga e alteração</p><p>dos mecanismos de armazenamento e eliminação da</p><p>urina. É mais comum em mulheres em torno dos 40 anos.</p><p>- Manifestações clínicas: dor crônica localizada em</p><p>hipogástrio acompanhada de polaciuria diurna e noturna,</p><p>sensibilidade e dor na região entre anus e vagina na</p><p>mulher e na bolsa escrotal no homem.</p><p>- Tratamento: não permanecer com a bexiga cheia por</p><p>longos tempos, terapia cognitivo-comportamental,</p><p>fisioterapia e medicamentoso: amitriptilina 25 a</p><p>100mg/dia, VO.</p><p>Bacteriúria Assintomática</p><p>Diagnóstico dado quando há uma contagem significativa</p><p>de bactérias na urina (2 culturas com mais de 100.000</p><p>UFC/ml), sem sinais e sintomas locais e/ou sistêmicos.</p><p>Devem ser tratados APENAS em: diabéticos, gestantes</p><p>(pelo risco de evolução para pielonefrite), idosos com</p><p>disfunções neurogênicas, uso de cateter vesical,</p><p>transplantados e antes de cirurgias ortopédicas. O</p><p>restante dos casos, não se sugere tratamento.</p>