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Objetivos: 
● Compreender as afecções do sistema urinário alto e baixo e suas diferenças 
(tratamento) 
● Relembrar as manobras semiológicas da lombar e sistema urinário 
● Estudar os diagnósticos diferenciais de dor lombar 
● Estudar o mecanismo de ação das quinolonas e suas diferenças 
 
NEFROLITÍASE E ITU 
 
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO - ITU 
Referência 
● Robbins e Manual de Medicina de Harrison 
 
Definição 
● compreende a colonização da urina e a infecção de várias estruturas que formam o aparelho 
urinário, desde a uretra até o parênquima renal 
 
Características das ITU 
● as ITU estão entre as infecções bacterianas mais comuns, com alta recorrência 
● mais comum em crianças, mulheres jovens e idosos 
● diagnóstico é feito com urocultura com controle rígido de assepsia 
● O termo infecção do trato urinário (ITU) abrange uma variedade de entidades clínicas: 
● Cistite: doença sintomática da bexiga 
● Pielonefrite: doença sintomática do rim 
● Prostatite: doença sintomática da próstata 
● Uretrite - doença sintomática da uretra (homens - pensar em ISTs - clamídia e gonorreia) 
 
● Bacteriúria assintomática (BAS): Infecção assintomática identificada por uma urocultura de 
rastreamento não relacionado com o trato genitourinário 
● A BA é diagnosticada quando uma cultura de urina realizada por motivos não relacionados 
com o trato urinário é incidentalmente descoberta como contaminada por bactérias, mas o 
paciente não tem sintomas locais ou sistêmicos relacionados ao trato urinário. 
● BAS requer 105 bactérias/mL ou mais, na ausência de sintomas clínicos relacionados à 
cistite. 
Fatores de risco que implicam no aumento da prevalência da BA na população adulta 
● IDADE (aumento da idade) 
● RELAÇÃO SEXUAL 
● comorbidade com o DM 
 
No geral, as recomendações sobre o rastreamento e tratamento da bacteriúria assintomática variam 
dependendo da população em questão. 
Mulheres Não Diabéticas em idade fértil: A presença de bacteriúria assintomática em mulheres 
jovens sexualmente ativas raramente persiste e não requer tratamento, mas essas mulheres têm 
maior chance de desenvolver infecção urinária sintomática. 
Mulheres Diabéticas: Mulheres com diabetes têm um risco aumentado de infecções urinárias 
sintomáticas, mas o tratamento da bacteriúria assintomática não parece reduzir as complicações 
associadas. Portanto, não é recomendado rastrear ou tratar a bacteriúria assintomática em mulheres 
com diabetes. 
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Pacientes Idosos: A bacteriúria assintomática é comum em idosos, mas não está associada a 
diferenças nas taxas de mortalidade ou gravidade das doenças renais. O tratamento antimicrobiano 
para a bacteriúria assintomática não demonstrou benefícios em curto prazo e pode levar a resistência 
bacteriana, portanto, não é recomendado o rastreamento ou tratamento em idosos. 
Pacientes com Trauma Raquimedular: Pacientes com trauma raquimedular não devem ser 
rastreados ou tratados para bacteriúria assintomática, pois não há evidência de benefício e pode 
aumentar a resistência bacteriana. 
Gestantes: O rastreamento e o tratamento da bacteriúria assintomática são altamente 
recomendados durante a gravidez, pois podem reduzir complicações como pielonefrite, parto 
prematuro e baixo peso ao nascer. A cultura de urina é a melhor abordagem de triagem. 
Pacientes Submetidos a Procedimentos Genitourinários Traumáticos: Pacientes submetidos a 
procedimentos que envolvem sangramento de mucosa, como a ressecção transuretral de próstata, 
devem ser rastreados e tratados para bacteriúria assintomática antes do procedimento, a fim de 
prevenir complicações como bacteremia e sepse. 
O motivo para os demais casos não serem tratados é o risco de desenvolvimento de resistência 
bacteriana pelo atb utilizado ser aumentado e desnecessário pelo fato de não se tratar de uma 
infecção 
● ITU não complicada refere-se à doença aguda em mulheres não gestantes em nível 
ambulatorial sem anormalidades anatômicas ou instrumentação do trato urinário; - 
cateterização 
● ITU complicada refere-se a todos os outros tipos de ITU. 
 
Disúria 
● Disúria, ou dor que ocorre durante a micção, é frequentemente percebida como uma 
queimação ou ardência na uretra e é um sintoma de várias síndromes que podem ser 
distinguidas pela presença ou ausência de outros sintomas. 
 
Epidemiologia 
● Aproximadamente 50% das mulheres apresentam disúria em algum momento de suas vidas; 
● cerca de 20% relatam ter tido disúria no último ano. 
● Disúria é menos comum entre homens. 
 
Manifestações clínicas 
● As síndromes associadas que causam disúria diferem, um pouco, entre homens e mulheres. 
● Nas mulheres, a maioria das síndromes de disúria pode ser categorizada como cistite 
bacteriana ou como infecção do trato genital baixo (vaginite, uretrite, infecções sexualmente 
transmissíveis [ISTs]). 
● A presença de polaciúria, urgência urinária, dor supra-púbica, e/ou hematúria é mais típica 
de cistite bacteriana do que de ISTs. 
● Nos homens, a disúria frequentemente é devida a ISTs ou ao envolvimento prostático (p. ex., 
prostatite bacteriana aguda ou crônica). 
● Além disso, a disúria e outros sintomas de cistite podem ocorrer na presença de hiperplasia 
prostática benigna significativa que provoca estase urinária com infecção bacteriana 
subjacente. 
● Em ambos os sexos, a disúria pode resultar de distúrbios não infecciosos. 
● As causas não infecciosas de disúria aguda incluem a litíase do trato urinário inferior, trauma 
e exposição uretral a substâncias químicas tóxicas. 
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● A disúria crônica pode ser atribuível a neoplasia do trato urinário inferior, certas medicações, 
síndrome de Behçet (vasculite que pode atingir os órgãoes genitais) ou cistite 
intersticial/síndrome de dor vesical. 
 
Diagnóstico 
● Entre as mulheres que se apresentam com disúria, a probabilidade de cistite bacteriana é de 
cerca de 50%. 
● Esse quadro se eleva para mais de 90% se quatro critérios forem preenchidos: 
● (1) disúria e (2) polacíuria (frequência aumentada e volume diminuído) sem (3) corrimento 
vaginal ou (4) irritação. 
● Mulheres saudáveis, não grávidas que preenchem os critérios acima podem ser 
diagnosticadas como tendo cistite bacteriana não complicada; outras mulheres com disúria 
devem ser adicionalmente avaliadas com fita reagente urinária, urocultura e exame pélvico. 
● Homens devem ser avaliados com exame de urina, urocultura e exame prostático. 
 
Tratamento da disúria 
● Uma vez identificada a causa da disúria, ela deve ser tratada apropriadamente 
 
Pielonefrite 
Definição 
● infecção do parênquima renal 
 
Fisiopatologia da pielonefrite 
● 85% das ITU são causadas por enterobactérias 
● Escherichia coli 
● Proteus 
● Klebsiella 
● Enterobacter 
● Streptococcus faecalis 
 
Vias de Infecção 
Via hematogênica 
● menos comum (bactérias de focos distantes - endocardite infecciosa, curso de septicemia) - 
tem maior probabilidade de ocorrer na presença de obstrução ureteral e em pacientes 
debilitados 
Via ascendente 
● causa mais comum de pielonefrite clínica - A bexiga humana normal e a urina presente na 
bexiga são estéreis, por conseguinte, várias etapas precisam ocorrer para que haja infecção 
renal 
 
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● Na maioria das ITUs, as bactérias estabelecem a infecção subindo a partir da uretra para a 
bexiga. 
● A ascensão continuada pelo ureter até o rim é o trajeto para a maioria das infecções do 
parênquima renal 
 
Etapas da colonização 
Via ascendente 
● colonização da parte distal da uretra e do vestíbulo da vagina → (adesinas e fímbrias-P (pili) 
- receptores das bactérias coliformes que interagem com receptores na superfície das células 
uroteliais) 
● seguindo da uretra a bexiga → mais comuns em mulheres (uretra mais curta) e paciente com 
cateterização uretral 
Mecanismos que predispõem ao deslocamento de microrganismos da bexiga para os rins 
● obstrução do trato urinário e estase da urina 
● refluxo vesicoureteral - incompetência da válvula- 1 a 2% das crianças (RVU) 
○ na ausência de RVU, a infecção geralmente permanece localizada na bexiga 
○ a maioria dos indivíduos com colonização bacteriana repetida do trato urinário 
apresenta cistite e uretrite (infecção do trato urinário inferior), em vez de pielonefrite 
● refluxo intrarrenal - ductos abertos nas pontas das papilas - pielonefrite 
 
Epidemiologia 
● A ITU ocorre com frequência muito maior em mulheres, embora a obstrução por hipertrofia 
prostática faça com que os homens com mais de 50 anos tenham uma incidência de ITU 
comparável à de mulheres da mesma idade 
● Entre as mulheres, 50 a 80% têm pelo menos uma ITU durante a vida, e 20 a 30% 
apresentam episódios recorrentes 
● Os fatores de risco para cistite aguda incluem uso recente de diafragma com espermicida, 
relações sexuais frequentes, história de ITU, diabetes melito e incontinência; muitos desses 
fatores também aumentam o risco de pielonefrite 
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Microbiologia 
● Nos EUA, a Escherichia coli é responsável por 75 a 90% dos casos isolados de cistite; 
● Staphylococcus saprophyticus por 5 a 15%; 
● Klebsiella spp., Proteus spp., Enterococcus spp., Citrobacter spp. e outros microrganismos, 
por 5 a 10%. 
● O espectro dos microrganismos que causam pielonefrite não complicada é semelhante, com 
predomínio de E. coli. 
● As bactérias Gram-positivas (p. ex., Enterococcus, Staphylococcus aureus) e as leveduras 
também são patógenos importantes em ITU complicada. 
 
Manifestações clínicas 
● Quando há suspeita de ITU, a questão mais importante é classificar como BA (bacteriúria 
assintomática); como cistite, pielonefrite ou prostatite não complicadas; ou como ITU 
complicada. 
● A cistite apresenta-se com disúria, frequência e urgência urinária; noctúria, hesitação, 
desconforto suprapúbico e hematúria macroscópica também são muitas vezes notados. 
● Dor lombar ou no flanco unilateral e febre são sinais de envolvimento do trato urinário 
superior. 
● A pielonefrite apresenta-se com febre, dor lombar baixa ou no ângulo costovertebral, 
náuseas e vômitos. 
● Há bacteremia em 20 a 30% dos casos. 
● Pode ocorrer necrose papilar em pacientes com obstrução, diabetes, anemia falciforme ou 
nefropatia por analgésicos. 
● A pielonefrite enfisematosa é particularmente grave, está associada à produção de gás nos 
tecidos renais e perirrenais e ocorre quase exclusivamente em pacientes diabéticos. 
● A pielonefrite xantogranulomatosa ocorre quando a obstrução crônica do trato urinário (em 
geral por cálculo coraliforme), junto com infecção crônica, leva à destruição supurativa do 
tecido renal. 
● A prostatite pode ser infecciosa ou não infecciosa; as causas não infecciosas são muito 
mais comuns. 
● A prostatite bacteriana aguda apresenta-se com disúria, frequência urinária, febre, 
calafrios, sintomas de obstrução da via de saída da bexiga e dor na região da próstata, pelve 
ou períneo. 
● A ITU complicada apresenta-se como doença sintomática em homem ou mulher com 
predisposição anatômica para infecção, com um corpo estranho no trato urinário ou com 
fatores que predispõem a uma resposta demorada à terapia. 
 
Diagnóstico 
● A própria história clínica tem alto valor preditivo no diagnóstico de cistite não complicada; a 
probabilidade de ITU é de 96% em paciente com disúria e polaciúria na ausência de 
corrimento vaginal. 
● Um teste urinário com fita positivo para nitrito ou estearase leucocitária pode confirmar o 
diagnóstico de cistite não complicada em pacientes com alta probabilidade pré-teste da 
doença 
● A detecção de bactérias em uma cultura de urina é o padrão-ouro para o diagnóstico de ITU. 
● Um limiar para contagem de colônias ≥ 102 bactérias/mL é mais sensível (95%) e específico 
(85%) que um limite de 105/mL para o diagnóstico de cistite aguda em mulheres com 
sintomas de cistite. 
● BAS requer 105 bactérias/mL ou mais, na ausência de sintomas clínicos relacionados 
à cistite. 
 
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Tratamento 
Infecções do trato urinário 
● Cistite não complicada em mulheres para esquemas terapêuticos específicos 
 
● O sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP) tem sido recomendado como tratamento de 
primeira linha para cistite aguda, mas deve ser evitado em regiões com taxas de resistência 
> 20%. 
● A nitrofurantoína é outro agente de primeira linha com baixas taxas de resistência. 
● Fluoroquinolonas deveriam ser usadas apenas quando outros antibióticos não são 
adequados devido à resistência crescente (de uropatógenos e bactérias de outros sítios), ao 
risco aumentado de ruptura de tendão de Aquiles e neuropatia irreversível. 
● Os agentes betalactâmicos estão associados a taxas mais baixas de erradicação do 
patógeno e maiores taxas de recidiva. 
● Pielonefrite - Considerando as altas taxas de E. coli resistente a SMX-TMP, as 
fluoroquinolonas (p. ex., ciprofloxacino, 500 mg VO 2×/dia por 7 dias) são agentes de 
primeira linha para o tratamento de pielonefrite aguda não complicada. 
● O SMX-TMP oral (um tablete duplo 2×/dia por 14 dias) é efetivo contra uropatógenos 
suscetíveis. 
● ITU em gestantes - Nitrofurantoína, ampicilina e cefalosporinas são consideradas 
relativamente seguras no início da gestação. 
● ITU em homens - Em homens com ITU aparentemente não complicada, recomenda-se 
um curso de 7 a 14 dias de uma fluoroquinolona ou SMX-TMP. 
● Se houver suspeita de prostatite bacteriana aguda, devem ser iniciados antibióticos após a 
obtenção de urina e sangue para culturas. 
● A terapia pode ser ajustada conforme os resultados da cultura de urina e deve ser 
continuada por 2 a 4 semanas; um curso de 4 a 6 semanas costuma ser necessário para a 
prostatite bacteriana crônica. 
● Bacteriúria assintomática - A BA deve ser tratada apenas em gestantes, em pacientes 
submetidos à cirurgia urológica e talvez em pacientes neutropênicos e receptores de 
transplante renal. 
● O restante dos pacientes não trata, pois o risco de resistência ao antibiótico é muito grande 
● A escolha do antibiótico é orientada pelos resultados da cultura. 
● Mulheres grávidas com BAS são tratadas por 4-7 dias 
● ITU associada ao cateter - Os resultados da cultura de urina são fundamentais para guiar a 
terapia. 
● Costuma haver necessidade de trocar o cateter durante o tratamento. 
● A candidúria, uma complicação comum do cateterismo por longo período, resolve em cerca 
de um terço dos casos com a remoção do cateter. 
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● O tratamento (fluconazol, 200 a 400 mg/dia por 14 dias) é recomendado para pacientes com 
pielonefrite ou cistite sintomáticas e para aqueles com alto risco de doença disseminada. 
 
Prevenção da ITU recorrente 
● As mulheres que apresentam ITU sintomática ≥ 2 vezes por ano são candidatas à profilaxia – 
contínua ou pós-coital – ou à terapia iniciada pelo paciente. 
● A profilaxia contínua e a profilaxia pós-coital em geral envolvem baixas doses de SMX-TMP, 
fluoroquinolona ou nitrofurantoína. 
● A terapia iniciada pelo paciente envolve fornecer a ele o material para cultura de urina e para 
a automedicação com um curso de antibióticos nos primeiros sintomas de infecção. 
 
Prognóstico 
● Na ausência de anormalidades anatômicas, a infecção recorrente em crianças e adultos não 
causa pielonefrite crônica ou insuficiência renal. 
 
Cistite intersticial 
● A cistite intersticial (síndrome da bexiga dolorosa) é uma condição crônica caracterizada por 
dor percebida na bexiga urinária, urgência e frequência urinárias e noctúria. 
 
Epidemiologia 
● Nos Estados Unidos, 3 a 6% das mulheres e 2 a 4% dos homens apresentam cistite 
intersticial. 
● Entre as mulheres, a idade média de início é no começo da quinta década de vida, mas varia 
desde a infância até o início da sexta década. 
 
Etiologia 
● A etiologia da cistite intersticial permanece desconhecida. 
● As possibilidades teóricas incluem infecção crônica da bexiga, fatores inflamatórios como 
mastócitos, autoimunidade, aumento de permeabilidade da mucosa vesical e sensibilidade 
anormal à dor.● Porém, poucos dados sustentam qualquer desses fatores como causa precipitante. 
 
Manifestações clínicas 
● Os sintomas cardinais de dor, urgência e frequência urinárias e noctúria ocorrem sem ordem 
consistente. 
● Os sintomas podem iniciar de forma aguda ou gradual. 
● A dor, que frequentemente está presente em dois ou mais sítios, pode afetar a área 
suprapúbica (80% dos pacientes), a uretra, a vulva e áreas não urogenitais. 
● Diferente da dor pélvica que surge de outras fontes, a dor causada pela cistite intersticial é 
exacerbada pelo enchimento vesical e aliviada pelo seu esvaziamento. 
● Entre os pacientes com cistite intersticial, 85% urinam mais de 10 vezes por dia; alguns 
urinam até 60 vezes por dia. 
● Muitos pacientes com cistite intersticial apresentam síndromes somáticas funcionais 
comórbidas (p. ex., fibromialgia, síndrome da fadiga crônica, síndrome do intestino irritável). 
 
Diagnóstico 
● O diagnóstico se baseia na presença de sintomas apropriados e na exclusão de doenças 
com apresentação semelhante (p. ex., doenças que se manifestam com dor pélvica e/ou 
sintomas urinários, síndromes somáticas funcionais com sintomas urinários). 
● O exame físico e os achados laboratoriais são insensíveis e/ou inespecíficos. 
● A cistoscopia pode revelar uma úlcera (≤ 10% dos pacientes) ou hemorragias petequiais 
após a distensão vesical, mas nenhum desses achados é específico. 
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● Noctúria - Aumento da frequência urinária à noite 
● Nictúria - aumento da frequência e volume urinário à noite em relação ao dia 
 
Tratamento da cistite intersticial 
● O objetivo da terapia é aliviar os sintomas, o que costuma exigir uma abordagem 
multifacetada (p. ex., educação, redução do estresse, alterações dietéticas, medicamentos 
como AINEs ou amitriptilina, fisioterapia para o assoalho pélvico e tratamento de síndromes 
somáticas funcionais associadas). 
 
NEFROLITÍASE 
Referência 
● Manual de Medicina de Harrison 
 
Nefrolitíase 
● Os cálculos renais são comuns e acometem cerca de 1% da população, sendo recorrentes 
em mais de 50% dos pacientes. 
● A formação de cálculos começa quando a urina torna-se supersaturada com componentes 
insolúveis, em consequência de: 
● (1) baixo volume de urina 
● (2) excreção excessiva ou insuficiente de determinados compostos, ou 
● (3) outros fatores (p. ex., pH urinário) que diminuem a solubilidade. 
● Cerca de 75% dos cálculos contêm Ca (a maioria consiste em oxalato de Ca; ocorrem 
também cálculos de fosfato de Ca e outros cálculos mistos), 15% são constituídos de 
estruvita (fosfato de amônio magnesiano), 5% de ácido úrico e 1% de cistina, refletindo os 
distúrbios metabólicos a partir dos quais se originam. 
 
Sinais e sintomas 
● Os cálculos presentes na pelve renal podem ser assintomáticos ou causar hematúria isolada. 
● Com a sua passagem, pode ocorrer obstrução em qualquer nível ao longo do sistema 
coletor. 
● A obstrução relacionada com a passagem de um cálculo provoca dor intensa, que 
frequentemente se irradia para a virilha, algumas vezes acompanhada de sintomas viscerais 
intensos (i.e., náuseas, vômitos, sudorese, tontura), hematúria, piúria, infecção do trato 
urinário (ITU) e, raras vezes, hidronefrose. 
● Em contrapartida, os cálculos coraliformes, que estão associados a ITU recorrente por 
microrganismos que desdobram a ureia (Proteus, Klebsiella, Providencia, Morganella e 
outros), podem ser totalmente assintomáticos, manifestando-se na forma de perda da função 
renal. 
 
Composição dos cálculos 
● A maioria dos cálculos é composta de oxalato de Ca. 
● saturação 
● nucleação 
● agregação 
● retenção 
● Podem estar associados à hipercalciúria e/ou hiperoxalúria. 
● A hipercalciúria pode ser observada em associação a uma dieta muita rica em Na 
(hipernatremia), terapia com diuréticos de alça, acidose tubular renal (ATR) distal (tipo I), 
sarcoidose, síndrome de Cushing, excesso de aldosterona ou distúrbios associados à 
hipercalcemia (p. ex., hiperparatireoidismo primário, excesso de vitamina D, síndrome de 
leite-álcali), ou pode ser idiopática. 
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● A hiperoxalúria pode ser observada na presença de síndromes de má absorção intestinal 
(sobretudo ileal) (p. ex., doença inflamatória intestinal, pancreatite), devido à secreção 
intestinal reduzida de oxalato e/ou ligação do Ca intestinal pelos ácidos graxos existentes no 
lúmen intestinal, com absorção aumentada de oxalato livre e hiperoxalúria. 
● Os cálculos de oxalato de Ca também podem formar-se em consequência de: 
● (1) deficiência de citrato urinário, um inibidor da formação de cálculos, que é excretado em 
quantidades insuficientes na acidose metabólica; (2) hiperuricosúria (aumento de ácido 
úrico) - Os cálculos de fosfato de Ca são muito menos comuns e tendem a ocorrer no 
contexto de um pH urinário anormalmente alto (7 a 8), em geral em associação à ATR distal 
completa ou parcial. 
 
Os cálculos de estruvita 
● Formam-se no sistema coletor, na presença de infecção por microrganismos que desdobram 
a ureia. 
● A estruvita constitui o componente mais comum dos cálculos coraliformes e da obstrução. 
● Os fatores de risco incluem ITU prévia, nefrolitíase de outras causas (não estruvita), 
cateteres urinários, bexiga neurogênica (p. ex., com diabetes ou esclerose múltipla) e 
instrumentação. 
 
Os cálculos de ácido úrico 
● Desenvolvem-se quando a urina fica saturada com ácido úrico, na presença de um pH 
urinário ácido. 
● Os pacientes costumam apresentar síndrome metabólica subjacente e resistência à insulina, 
frequentemente com clínica de gota, associada a um defeito relativo na amoniagênese e a 
um pH urinário = 6,5 pH 
● Os pacientes com distúrbios mieloproliferativos e outras causas de hiperuricemia e 
hiperuricosúria secundárias por aumento da biossíntese de purinas e/ou da produção de 
urato apresentam risco de formação de cálculos, se houver diminuição do volume urinário. 
● A hiperuricosúria na ausência de hiperuricemia pode ser observada em associação a certos 
fármacos (p. ex., probenecida, salicilatos em altas doses). 
 
Os cálculos de cistina 
● Resultam de um defeito hereditário raro do transporte renal e intestinal de vários 
aminoácidos dibásicos; a excreção excessiva de cistina (dissulfeto de cisteína), que é 
relativamente insolúvel, leva à nefrolitíase. 
● Os cálculos começam a se formar na infância e constituem uma causa rara de cálculos 
coraliformes; em certas ocasiões, levam à doença renal em estágio terminal. 
● Os cálculos de cistina têm mais tendência a se formar na presença de pH urinário ácido. 
 
Avaliação 
● Embora algumas autoridades recomendem uma investigação completa depois do primeiro 
episódio de litíase, outras adiam essa avaliação até que haja evidências de recidiva, ou 
quando não existe etiologia óbvia (p. ex., baixa ingestão de líquidos durante os meses de 
verão, com desidratação óbvia). 
● Em certas ocasiões, um cálculo pode ser recuperado e analisado quanto à sua constituição, 
fornecendo indícios importantes para a patogenia e o tratamento. 
● Por exemplo, um predomínio de fosfato de Ca sugere ATR distal subjacente ou 
hiperparatireoidismo. 
● TC sem contraste 
● US 
● alfa bloqueadores - relaxamento da musculatura 
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● AINES 
● opióides 
 
Tratamento da Nefrolitíase 
● O tratamento dos cálculos renais é, com frequência, empírico, baseado em probabilidades 
(os cálculos de oxalato de Ca são os mais comuns), anamnese clínica e/ou investigação 
metabólica. 
● até 5mm - tratamento conservador (farmacológico) 
● 
● Um aumento da ingestão de líquido para 2,5 a 3 L/dia, no mínimo, constitui, talvez, a 
intervenção isoladamente mais eficaz, independentemente do tipo de cálculo. 
● Acredita-se que as recomendações conservadoras para pacientes com cálculos de oxalato 
de Ca (i.e., dieta com baixo teor de sal e de gordura e quantidade moderada de proteína)sejam saudáveis de modo geral e, portanto, aconselháveis para pacientes cuja afecção não 
é complicada por outros distúrbios. 
● Ao contrário das pressuposições anteriores, o consumo de cálcio dietético não contribui para 
o risco de cálculos; na verdade, o cálcio dietético pode ajudar a reduzir a absorção de 
oxalato e o risco de formação de cálculos. 
● litotripsia extracorpória e laser (ureteroscopia) 
● contraindicações 
● coagulopatas, obeso, grávidas 
● pois o alcance é de até 10cm 
● os cálculos coraliformes são difíceis de quebrar por litotripsia 
 
 
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SÍNDROME DA COMPRESSÃO NERVOSA - LOMBALGIA 
Referências: 
● Ortopedia e reumatologia - princípios e prática 
● Gusso 
● Farmacologia ilustrada 
 
Epidemiologia 
● Segunda principal causa de abstenção no trabalho 
● Pode atingir até 65% das pessoas anualmente e até 85% das pessoas em algum 
momento da vida 
● atinge pacientes entre 35 e 55 anos 
● Distribuição igualitária entre os sexos 
● Hérnias discais são mais comuns em homens 
 
Farmacocinética e farmacodinâmica dos AINES 
● ação antipirética, analgésica e anti-inflamatória 
● ácido salicílico, ácido propiônico, ácido acético, ácido enólico, fenamatos, inibidor 
COX-2 seletivo 
● inibem a COX 
● COX 1 - proteção gástrica e agregação plaquetária 
● ASS - irreversível 
● COX 2 - promove sintomas de inflamação, dor e febre 
● AINES nao seletivos para COX 2 - AAS, ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, 
piroxicam 
● Seletivos - rofecoxibe, celecoxibe, valdecoxibe - doenças crônicas 
AIES 
● glicocorticoides 
● se ligam aos receptores de glicocorticoides no interior das células (citoplasma) 
● quando o glicocorticoide se liga ao seu recpetor, este se internaliza no núclo da 
célula 
● bloqueando a transcrição de genes que codificam proteínas pró-inflamatórias, como 
a IL2, IL,6, IL8, IL12, INF gama e TGF alfa 
● bloqueia a fosfolipase A2 - inibindo a liberação de histamina 
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● dexametasona 
 
 
sacroileíte é o principal marcador de espondilite anquilosante 
síndrome do piriforme 
 
EXAMES SEMIOLÓGICOS 
Exames para a suspeita de radiculopatia 
● teste de Lasègue - 30 a 60 graus - elevação da perna reta, dor no membro - pode-se 
sensibilizar mais o Lasègue ao fazer uma dorsiflexão do pé 
● teste de elevação da perna oposta - dor no membro não elevado a 30 a 60 graus 
● suspeita de espondilite anquilosante - teste de patrick ou FABER - dor pode indicar 
origem na articulação sacroilíaca 
● teste de Schober - pouco específico para avaliar a funcionalidade - flexibilidade da 
coluna (>10cm) 
 
Exames de imagem 
● radiografia simples 
● RM - suspeita de radiculopatia 
● relacionar com a clínica, pois muitos achados casuais não tem a ver com a dor 
 
Laboratoriais 
● VHS 
● PCR 
● FA 
● Cálcio sérico 
● hemograma 
● exames para a pesquisa de neoplasias com sítios metastáticos ósseos 
● para pacientes idosos 
 
Tratamento 
● orientar que a pessoa se mantenha ativa, mas sem sobrecarga à coluna 
● repouso por mais de 3 dias é, em geral, nocivo 
● pacientes com mal-prognóstico - terapia cognitiva comportamental TCC e fisioterapia 
● para isso deve-se fazer a estratificação de risco - red flags e yellow flags 
● não usar paracetamol isoladamente 
● AINES são os melhores, porém, deve-se tomar cuidado com o risco de eventos 
trombóticos cardiovasculares, sangramentos grastrointestinais e úlceras - utilizar por 
pouco tempo (max 1 semana) 
● antidepressivo - risco de pensamento e comportamento suicida 
 
Sinais de síndrome da cauda equina - disfunção esfincteriana, progressivo déficit motor, 
anestesia perianal - em sela, evidência de acometimento nervoso bilateral 
 
questionário de Roland Morris 
Questionário para estratificação de risco de mau prognóstico - STarT Back Sceening Tool - 
Brasil (SBST-Brasil) 
 
MARC 1 
Síndrome da cauda equina 
● perda parcial ou total da função urinária, intestinal e sexual devido à compressão da 
cauda equina na região lombar 
● causas - hérnia discal extrusa em canal estenótico - agudo 
● estenose de canal lombar - crônica 
● corticóide epidural pode ser usado em idosos com risco crurgico devido a outras 
condições clinícas 
 
Fisiopatologia da hérnia de disco 
● diminuição do conteúdo dos proteoglicanos no disco intervertebral que são os 
responsáveis pela hidratação do núcleo pulposo, dando suas propriedades de gel 
● dessa forma, a pressão sobre o anel fibroso é distribuída uniformemente 
● 88% do disco em indivíduos jovens é água 
● adulto 65% 
● com a diminuição da pressão de embebição do disco, maior pressão é transmitida à 
fibra do ânulo, o núcleo perde suas propriedades hidráulicas, de amortecedor da 
pressão e as fibras do ãnulo tornam-se suscetíveis de ruptura 
● na fase de degeneração discal entre 30 e 50 anos de idade é mais frequente a 
hérnia discal com distribuição das pressões de forma desigual, após essa fase pela 
maior perda de água do disco o núcleo deixa de transmitir trás Tais pressões 
diminuindo consequentemente a chance de ocorrer hérnia 
 
MECANISMO DE AÇÃO DO MEDICAMENTO UTILIZADOS PARA O TRATAMENTO DAS 
AFECÇÕES DO SISTEMA URINÁRIO 
 
Fluoroquinolonas 
- derivadas do ácido nalidíxico 
Mecanismo de ação 
- impedem a síntese de DNA através da inibição das enzimas DNA-girase e 
topoisomerase IV 
- A inibição da DNA-girase resulta em relaxamento do DNA superespiralado, 
promovendo quebra da fita de DNA. 
- A inibição da topoisomerase IV impacta a estabilização cromossomal durante a 
divisão celular, interferindo com a separação do DNA recém-replicado. 
MARC 1 
 
Espectro antimicrobiano 
- gram-negativos (Escherichia coli, P. aeruginosa, Haemophilus influenzae), microrga- 
nismos atípicos (Legionelaceae, Clamidiaceae), microrganismos gram- -positivos 
(estreptococos) e algumas micobactérias (Mycobacterium tuberculosis). 
 
Gerações 
Primeira - quinolona não fluorada 
- ácido nalidíxico - expectro limitado 
 
Segunda geração 
- ciprofloxacino 
- norfloxacino - pouco prescrito, devido à biodisponibilidade oral pobre e à meia-vida 
curta 
- gram-negativos aeróbicos e atípicos 
- penetram muito bem as células hospedeiras de bactérias, como na clamídia, 
micoplasma e micobactérias 
 
Terceira geração 
- Levofloxacino 
- gram-positvos 
- quinolona respiratória - pega muito bem S. pneumoniae 
 
Quarta geração 
- Moxifloxacino - não se concentra na urina (não é bom para ITU) 
- anaeróbios e gram-positivos 
 
MARC 1 
 
Nitrofurantoína - ansséptico urinário 
 
MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS DO SISTEMA URINÁRIO QUE FAVORECEM O 
DESENVOLVIMENTO DE ITU 
 
RVU - refluxo vesicoureteral 
UCM - uretrocistografia miccional 
● precisa de uma radiografia simples de base 
● coloca a sonda vesical 
● coloca o contraste iodado pela sonda 
● pede pro paciente urinar e faz a radiografia 
● é possível visualizar os ureteres - anormal 
● o grau do refluxo direciona o tratamento - cirúrgico ou não

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