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MARC 1 Objetivos: ● Compreender as afecções do sistema urinário alto e baixo e suas diferenças (tratamento) ● Relembrar as manobras semiológicas da lombar e sistema urinário ● Estudar os diagnósticos diferenciais de dor lombar ● Estudar o mecanismo de ação das quinolonas e suas diferenças NEFROLITÍASE E ITU INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO - ITU Referência ● Robbins e Manual de Medicina de Harrison Definição ● compreende a colonização da urina e a infecção de várias estruturas que formam o aparelho urinário, desde a uretra até o parênquima renal Características das ITU ● as ITU estão entre as infecções bacterianas mais comuns, com alta recorrência ● mais comum em crianças, mulheres jovens e idosos ● diagnóstico é feito com urocultura com controle rígido de assepsia ● O termo infecção do trato urinário (ITU) abrange uma variedade de entidades clínicas: ● Cistite: doença sintomática da bexiga ● Pielonefrite: doença sintomática do rim ● Prostatite: doença sintomática da próstata ● Uretrite - doença sintomática da uretra (homens - pensar em ISTs - clamídia e gonorreia) ● Bacteriúria assintomática (BAS): Infecção assintomática identificada por uma urocultura de rastreamento não relacionado com o trato genitourinário ● A BA é diagnosticada quando uma cultura de urina realizada por motivos não relacionados com o trato urinário é incidentalmente descoberta como contaminada por bactérias, mas o paciente não tem sintomas locais ou sistêmicos relacionados ao trato urinário. ● BAS requer 105 bactérias/mL ou mais, na ausência de sintomas clínicos relacionados à cistite. Fatores de risco que implicam no aumento da prevalência da BA na população adulta ● IDADE (aumento da idade) ● RELAÇÃO SEXUAL ● comorbidade com o DM No geral, as recomendações sobre o rastreamento e tratamento da bacteriúria assintomática variam dependendo da população em questão. Mulheres Não Diabéticas em idade fértil: A presença de bacteriúria assintomática em mulheres jovens sexualmente ativas raramente persiste e não requer tratamento, mas essas mulheres têm maior chance de desenvolver infecção urinária sintomática. Mulheres Diabéticas: Mulheres com diabetes têm um risco aumentado de infecções urinárias sintomáticas, mas o tratamento da bacteriúria assintomática não parece reduzir as complicações associadas. Portanto, não é recomendado rastrear ou tratar a bacteriúria assintomática em mulheres com diabetes. MARC 1 Pacientes Idosos: A bacteriúria assintomática é comum em idosos, mas não está associada a diferenças nas taxas de mortalidade ou gravidade das doenças renais. O tratamento antimicrobiano para a bacteriúria assintomática não demonstrou benefícios em curto prazo e pode levar a resistência bacteriana, portanto, não é recomendado o rastreamento ou tratamento em idosos. Pacientes com Trauma Raquimedular: Pacientes com trauma raquimedular não devem ser rastreados ou tratados para bacteriúria assintomática, pois não há evidência de benefício e pode aumentar a resistência bacteriana. Gestantes: O rastreamento e o tratamento da bacteriúria assintomática são altamente recomendados durante a gravidez, pois podem reduzir complicações como pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A cultura de urina é a melhor abordagem de triagem. Pacientes Submetidos a Procedimentos Genitourinários Traumáticos: Pacientes submetidos a procedimentos que envolvem sangramento de mucosa, como a ressecção transuretral de próstata, devem ser rastreados e tratados para bacteriúria assintomática antes do procedimento, a fim de prevenir complicações como bacteremia e sepse. O motivo para os demais casos não serem tratados é o risco de desenvolvimento de resistência bacteriana pelo atb utilizado ser aumentado e desnecessário pelo fato de não se tratar de uma infecção ● ITU não complicada refere-se à doença aguda em mulheres não gestantes em nível ambulatorial sem anormalidades anatômicas ou instrumentação do trato urinário; - cateterização ● ITU complicada refere-se a todos os outros tipos de ITU. Disúria ● Disúria, ou dor que ocorre durante a micção, é frequentemente percebida como uma queimação ou ardência na uretra e é um sintoma de várias síndromes que podem ser distinguidas pela presença ou ausência de outros sintomas. Epidemiologia ● Aproximadamente 50% das mulheres apresentam disúria em algum momento de suas vidas; ● cerca de 20% relatam ter tido disúria no último ano. ● Disúria é menos comum entre homens. Manifestações clínicas ● As síndromes associadas que causam disúria diferem, um pouco, entre homens e mulheres. ● Nas mulheres, a maioria das síndromes de disúria pode ser categorizada como cistite bacteriana ou como infecção do trato genital baixo (vaginite, uretrite, infecções sexualmente transmissíveis [ISTs]). ● A presença de polaciúria, urgência urinária, dor supra-púbica, e/ou hematúria é mais típica de cistite bacteriana do que de ISTs. ● Nos homens, a disúria frequentemente é devida a ISTs ou ao envolvimento prostático (p. ex., prostatite bacteriana aguda ou crônica). ● Além disso, a disúria e outros sintomas de cistite podem ocorrer na presença de hiperplasia prostática benigna significativa que provoca estase urinária com infecção bacteriana subjacente. ● Em ambos os sexos, a disúria pode resultar de distúrbios não infecciosos. ● As causas não infecciosas de disúria aguda incluem a litíase do trato urinário inferior, trauma e exposição uretral a substâncias químicas tóxicas. MARC 1 ● A disúria crônica pode ser atribuível a neoplasia do trato urinário inferior, certas medicações, síndrome de Behçet (vasculite que pode atingir os órgãoes genitais) ou cistite intersticial/síndrome de dor vesical. Diagnóstico ● Entre as mulheres que se apresentam com disúria, a probabilidade de cistite bacteriana é de cerca de 50%. ● Esse quadro se eleva para mais de 90% se quatro critérios forem preenchidos: ● (1) disúria e (2) polacíuria (frequência aumentada e volume diminuído) sem (3) corrimento vaginal ou (4) irritação. ● Mulheres saudáveis, não grávidas que preenchem os critérios acima podem ser diagnosticadas como tendo cistite bacteriana não complicada; outras mulheres com disúria devem ser adicionalmente avaliadas com fita reagente urinária, urocultura e exame pélvico. ● Homens devem ser avaliados com exame de urina, urocultura e exame prostático. Tratamento da disúria ● Uma vez identificada a causa da disúria, ela deve ser tratada apropriadamente Pielonefrite Definição ● infecção do parênquima renal Fisiopatologia da pielonefrite ● 85% das ITU são causadas por enterobactérias ● Escherichia coli ● Proteus ● Klebsiella ● Enterobacter ● Streptococcus faecalis Vias de Infecção Via hematogênica ● menos comum (bactérias de focos distantes - endocardite infecciosa, curso de septicemia) - tem maior probabilidade de ocorrer na presença de obstrução ureteral e em pacientes debilitados Via ascendente ● causa mais comum de pielonefrite clínica - A bexiga humana normal e a urina presente na bexiga são estéreis, por conseguinte, várias etapas precisam ocorrer para que haja infecção renal MARC 1 ● Na maioria das ITUs, as bactérias estabelecem a infecção subindo a partir da uretra para a bexiga. ● A ascensão continuada pelo ureter até o rim é o trajeto para a maioria das infecções do parênquima renal Etapas da colonização Via ascendente ● colonização da parte distal da uretra e do vestíbulo da vagina → (adesinas e fímbrias-P (pili) - receptores das bactérias coliformes que interagem com receptores na superfície das células uroteliais) ● seguindo da uretra a bexiga → mais comuns em mulheres (uretra mais curta) e paciente com cateterização uretral Mecanismos que predispõem ao deslocamento de microrganismos da bexiga para os rins ● obstrução do trato urinário e estase da urina ● refluxo vesicoureteral - incompetência da válvula- 1 a 2% das crianças (RVU) ○ na ausência de RVU, a infecção geralmente permanece localizada na bexiga ○ a maioria dos indivíduos com colonização bacteriana repetida do trato urinário apresenta cistite e uretrite (infecção do trato urinário inferior), em vez de pielonefrite ● refluxo intrarrenal - ductos abertos nas pontas das papilas - pielonefrite Epidemiologia ● A ITU ocorre com frequência muito maior em mulheres, embora a obstrução por hipertrofia prostática faça com que os homens com mais de 50 anos tenham uma incidência de ITU comparável à de mulheres da mesma idade ● Entre as mulheres, 50 a 80% têm pelo menos uma ITU durante a vida, e 20 a 30% apresentam episódios recorrentes ● Os fatores de risco para cistite aguda incluem uso recente de diafragma com espermicida, relações sexuais frequentes, história de ITU, diabetes melito e incontinência; muitos desses fatores também aumentam o risco de pielonefrite MARC 1 Microbiologia ● Nos EUA, a Escherichia coli é responsável por 75 a 90% dos casos isolados de cistite; ● Staphylococcus saprophyticus por 5 a 15%; ● Klebsiella spp., Proteus spp., Enterococcus spp., Citrobacter spp. e outros microrganismos, por 5 a 10%. ● O espectro dos microrganismos que causam pielonefrite não complicada é semelhante, com predomínio de E. coli. ● As bactérias Gram-positivas (p. ex., Enterococcus, Staphylococcus aureus) e as leveduras também são patógenos importantes em ITU complicada. Manifestações clínicas ● Quando há suspeita de ITU, a questão mais importante é classificar como BA (bacteriúria assintomática); como cistite, pielonefrite ou prostatite não complicadas; ou como ITU complicada. ● A cistite apresenta-se com disúria, frequência e urgência urinária; noctúria, hesitação, desconforto suprapúbico e hematúria macroscópica também são muitas vezes notados. ● Dor lombar ou no flanco unilateral e febre são sinais de envolvimento do trato urinário superior. ● A pielonefrite apresenta-se com febre, dor lombar baixa ou no ângulo costovertebral, náuseas e vômitos. ● Há bacteremia em 20 a 30% dos casos. ● Pode ocorrer necrose papilar em pacientes com obstrução, diabetes, anemia falciforme ou nefropatia por analgésicos. ● A pielonefrite enfisematosa é particularmente grave, está associada à produção de gás nos tecidos renais e perirrenais e ocorre quase exclusivamente em pacientes diabéticos. ● A pielonefrite xantogranulomatosa ocorre quando a obstrução crônica do trato urinário (em geral por cálculo coraliforme), junto com infecção crônica, leva à destruição supurativa do tecido renal. ● A prostatite pode ser infecciosa ou não infecciosa; as causas não infecciosas são muito mais comuns. ● A prostatite bacteriana aguda apresenta-se com disúria, frequência urinária, febre, calafrios, sintomas de obstrução da via de saída da bexiga e dor na região da próstata, pelve ou períneo. ● A ITU complicada apresenta-se como doença sintomática em homem ou mulher com predisposição anatômica para infecção, com um corpo estranho no trato urinário ou com fatores que predispõem a uma resposta demorada à terapia. Diagnóstico ● A própria história clínica tem alto valor preditivo no diagnóstico de cistite não complicada; a probabilidade de ITU é de 96% em paciente com disúria e polaciúria na ausência de corrimento vaginal. ● Um teste urinário com fita positivo para nitrito ou estearase leucocitária pode confirmar o diagnóstico de cistite não complicada em pacientes com alta probabilidade pré-teste da doença ● A detecção de bactérias em uma cultura de urina é o padrão-ouro para o diagnóstico de ITU. ● Um limiar para contagem de colônias ≥ 102 bactérias/mL é mais sensível (95%) e específico (85%) que um limite de 105/mL para o diagnóstico de cistite aguda em mulheres com sintomas de cistite. ● BAS requer 105 bactérias/mL ou mais, na ausência de sintomas clínicos relacionados à cistite. MARC 1 Tratamento Infecções do trato urinário ● Cistite não complicada em mulheres para esquemas terapêuticos específicos ● O sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP) tem sido recomendado como tratamento de primeira linha para cistite aguda, mas deve ser evitado em regiões com taxas de resistência > 20%. ● A nitrofurantoína é outro agente de primeira linha com baixas taxas de resistência. ● Fluoroquinolonas deveriam ser usadas apenas quando outros antibióticos não são adequados devido à resistência crescente (de uropatógenos e bactérias de outros sítios), ao risco aumentado de ruptura de tendão de Aquiles e neuropatia irreversível. ● Os agentes betalactâmicos estão associados a taxas mais baixas de erradicação do patógeno e maiores taxas de recidiva. ● Pielonefrite - Considerando as altas taxas de E. coli resistente a SMX-TMP, as fluoroquinolonas (p. ex., ciprofloxacino, 500 mg VO 2×/dia por 7 dias) são agentes de primeira linha para o tratamento de pielonefrite aguda não complicada. ● O SMX-TMP oral (um tablete duplo 2×/dia por 14 dias) é efetivo contra uropatógenos suscetíveis. ● ITU em gestantes - Nitrofurantoína, ampicilina e cefalosporinas são consideradas relativamente seguras no início da gestação. ● ITU em homens - Em homens com ITU aparentemente não complicada, recomenda-se um curso de 7 a 14 dias de uma fluoroquinolona ou SMX-TMP. ● Se houver suspeita de prostatite bacteriana aguda, devem ser iniciados antibióticos após a obtenção de urina e sangue para culturas. ● A terapia pode ser ajustada conforme os resultados da cultura de urina e deve ser continuada por 2 a 4 semanas; um curso de 4 a 6 semanas costuma ser necessário para a prostatite bacteriana crônica. ● Bacteriúria assintomática - A BA deve ser tratada apenas em gestantes, em pacientes submetidos à cirurgia urológica e talvez em pacientes neutropênicos e receptores de transplante renal. ● O restante dos pacientes não trata, pois o risco de resistência ao antibiótico é muito grande ● A escolha do antibiótico é orientada pelos resultados da cultura. ● Mulheres grávidas com BAS são tratadas por 4-7 dias ● ITU associada ao cateter - Os resultados da cultura de urina são fundamentais para guiar a terapia. ● Costuma haver necessidade de trocar o cateter durante o tratamento. ● A candidúria, uma complicação comum do cateterismo por longo período, resolve em cerca de um terço dos casos com a remoção do cateter. MARC 1 ● O tratamento (fluconazol, 200 a 400 mg/dia por 14 dias) é recomendado para pacientes com pielonefrite ou cistite sintomáticas e para aqueles com alto risco de doença disseminada. Prevenção da ITU recorrente ● As mulheres que apresentam ITU sintomática ≥ 2 vezes por ano são candidatas à profilaxia – contínua ou pós-coital – ou à terapia iniciada pelo paciente. ● A profilaxia contínua e a profilaxia pós-coital em geral envolvem baixas doses de SMX-TMP, fluoroquinolona ou nitrofurantoína. ● A terapia iniciada pelo paciente envolve fornecer a ele o material para cultura de urina e para a automedicação com um curso de antibióticos nos primeiros sintomas de infecção. Prognóstico ● Na ausência de anormalidades anatômicas, a infecção recorrente em crianças e adultos não causa pielonefrite crônica ou insuficiência renal. Cistite intersticial ● A cistite intersticial (síndrome da bexiga dolorosa) é uma condição crônica caracterizada por dor percebida na bexiga urinária, urgência e frequência urinárias e noctúria. Epidemiologia ● Nos Estados Unidos, 3 a 6% das mulheres e 2 a 4% dos homens apresentam cistite intersticial. ● Entre as mulheres, a idade média de início é no começo da quinta década de vida, mas varia desde a infância até o início da sexta década. Etiologia ● A etiologia da cistite intersticial permanece desconhecida. ● As possibilidades teóricas incluem infecção crônica da bexiga, fatores inflamatórios como mastócitos, autoimunidade, aumento de permeabilidade da mucosa vesical e sensibilidade anormal à dor.● Porém, poucos dados sustentam qualquer desses fatores como causa precipitante. Manifestações clínicas ● Os sintomas cardinais de dor, urgência e frequência urinárias e noctúria ocorrem sem ordem consistente. ● Os sintomas podem iniciar de forma aguda ou gradual. ● A dor, que frequentemente está presente em dois ou mais sítios, pode afetar a área suprapúbica (80% dos pacientes), a uretra, a vulva e áreas não urogenitais. ● Diferente da dor pélvica que surge de outras fontes, a dor causada pela cistite intersticial é exacerbada pelo enchimento vesical e aliviada pelo seu esvaziamento. ● Entre os pacientes com cistite intersticial, 85% urinam mais de 10 vezes por dia; alguns urinam até 60 vezes por dia. ● Muitos pacientes com cistite intersticial apresentam síndromes somáticas funcionais comórbidas (p. ex., fibromialgia, síndrome da fadiga crônica, síndrome do intestino irritável). Diagnóstico ● O diagnóstico se baseia na presença de sintomas apropriados e na exclusão de doenças com apresentação semelhante (p. ex., doenças que se manifestam com dor pélvica e/ou sintomas urinários, síndromes somáticas funcionais com sintomas urinários). ● O exame físico e os achados laboratoriais são insensíveis e/ou inespecíficos. ● A cistoscopia pode revelar uma úlcera (≤ 10% dos pacientes) ou hemorragias petequiais após a distensão vesical, mas nenhum desses achados é específico. MARC 1 ● Noctúria - Aumento da frequência urinária à noite ● Nictúria - aumento da frequência e volume urinário à noite em relação ao dia Tratamento da cistite intersticial ● O objetivo da terapia é aliviar os sintomas, o que costuma exigir uma abordagem multifacetada (p. ex., educação, redução do estresse, alterações dietéticas, medicamentos como AINEs ou amitriptilina, fisioterapia para o assoalho pélvico e tratamento de síndromes somáticas funcionais associadas). NEFROLITÍASE Referência ● Manual de Medicina de Harrison Nefrolitíase ● Os cálculos renais são comuns e acometem cerca de 1% da população, sendo recorrentes em mais de 50% dos pacientes. ● A formação de cálculos começa quando a urina torna-se supersaturada com componentes insolúveis, em consequência de: ● (1) baixo volume de urina ● (2) excreção excessiva ou insuficiente de determinados compostos, ou ● (3) outros fatores (p. ex., pH urinário) que diminuem a solubilidade. ● Cerca de 75% dos cálculos contêm Ca (a maioria consiste em oxalato de Ca; ocorrem também cálculos de fosfato de Ca e outros cálculos mistos), 15% são constituídos de estruvita (fosfato de amônio magnesiano), 5% de ácido úrico e 1% de cistina, refletindo os distúrbios metabólicos a partir dos quais se originam. Sinais e sintomas ● Os cálculos presentes na pelve renal podem ser assintomáticos ou causar hematúria isolada. ● Com a sua passagem, pode ocorrer obstrução em qualquer nível ao longo do sistema coletor. ● A obstrução relacionada com a passagem de um cálculo provoca dor intensa, que frequentemente se irradia para a virilha, algumas vezes acompanhada de sintomas viscerais intensos (i.e., náuseas, vômitos, sudorese, tontura), hematúria, piúria, infecção do trato urinário (ITU) e, raras vezes, hidronefrose. ● Em contrapartida, os cálculos coraliformes, que estão associados a ITU recorrente por microrganismos que desdobram a ureia (Proteus, Klebsiella, Providencia, Morganella e outros), podem ser totalmente assintomáticos, manifestando-se na forma de perda da função renal. Composição dos cálculos ● A maioria dos cálculos é composta de oxalato de Ca. ● saturação ● nucleação ● agregação ● retenção ● Podem estar associados à hipercalciúria e/ou hiperoxalúria. ● A hipercalciúria pode ser observada em associação a uma dieta muita rica em Na (hipernatremia), terapia com diuréticos de alça, acidose tubular renal (ATR) distal (tipo I), sarcoidose, síndrome de Cushing, excesso de aldosterona ou distúrbios associados à hipercalcemia (p. ex., hiperparatireoidismo primário, excesso de vitamina D, síndrome de leite-álcali), ou pode ser idiopática. MARC 1 ● A hiperoxalúria pode ser observada na presença de síndromes de má absorção intestinal (sobretudo ileal) (p. ex., doença inflamatória intestinal, pancreatite), devido à secreção intestinal reduzida de oxalato e/ou ligação do Ca intestinal pelos ácidos graxos existentes no lúmen intestinal, com absorção aumentada de oxalato livre e hiperoxalúria. ● Os cálculos de oxalato de Ca também podem formar-se em consequência de: ● (1) deficiência de citrato urinário, um inibidor da formação de cálculos, que é excretado em quantidades insuficientes na acidose metabólica; (2) hiperuricosúria (aumento de ácido úrico) - Os cálculos de fosfato de Ca são muito menos comuns e tendem a ocorrer no contexto de um pH urinário anormalmente alto (7 a 8), em geral em associação à ATR distal completa ou parcial. Os cálculos de estruvita ● Formam-se no sistema coletor, na presença de infecção por microrganismos que desdobram a ureia. ● A estruvita constitui o componente mais comum dos cálculos coraliformes e da obstrução. ● Os fatores de risco incluem ITU prévia, nefrolitíase de outras causas (não estruvita), cateteres urinários, bexiga neurogênica (p. ex., com diabetes ou esclerose múltipla) e instrumentação. Os cálculos de ácido úrico ● Desenvolvem-se quando a urina fica saturada com ácido úrico, na presença de um pH urinário ácido. ● Os pacientes costumam apresentar síndrome metabólica subjacente e resistência à insulina, frequentemente com clínica de gota, associada a um defeito relativo na amoniagênese e a um pH urinário = 6,5 pH ● Os pacientes com distúrbios mieloproliferativos e outras causas de hiperuricemia e hiperuricosúria secundárias por aumento da biossíntese de purinas e/ou da produção de urato apresentam risco de formação de cálculos, se houver diminuição do volume urinário. ● A hiperuricosúria na ausência de hiperuricemia pode ser observada em associação a certos fármacos (p. ex., probenecida, salicilatos em altas doses). Os cálculos de cistina ● Resultam de um defeito hereditário raro do transporte renal e intestinal de vários aminoácidos dibásicos; a excreção excessiva de cistina (dissulfeto de cisteína), que é relativamente insolúvel, leva à nefrolitíase. ● Os cálculos começam a se formar na infância e constituem uma causa rara de cálculos coraliformes; em certas ocasiões, levam à doença renal em estágio terminal. ● Os cálculos de cistina têm mais tendência a se formar na presença de pH urinário ácido. Avaliação ● Embora algumas autoridades recomendem uma investigação completa depois do primeiro episódio de litíase, outras adiam essa avaliação até que haja evidências de recidiva, ou quando não existe etiologia óbvia (p. ex., baixa ingestão de líquidos durante os meses de verão, com desidratação óbvia). ● Em certas ocasiões, um cálculo pode ser recuperado e analisado quanto à sua constituição, fornecendo indícios importantes para a patogenia e o tratamento. ● Por exemplo, um predomínio de fosfato de Ca sugere ATR distal subjacente ou hiperparatireoidismo. ● TC sem contraste ● US ● alfa bloqueadores - relaxamento da musculatura MARC 1 ● AINES ● opióides Tratamento da Nefrolitíase ● O tratamento dos cálculos renais é, com frequência, empírico, baseado em probabilidades (os cálculos de oxalato de Ca são os mais comuns), anamnese clínica e/ou investigação metabólica. ● até 5mm - tratamento conservador (farmacológico) ● ● Um aumento da ingestão de líquido para 2,5 a 3 L/dia, no mínimo, constitui, talvez, a intervenção isoladamente mais eficaz, independentemente do tipo de cálculo. ● Acredita-se que as recomendações conservadoras para pacientes com cálculos de oxalato de Ca (i.e., dieta com baixo teor de sal e de gordura e quantidade moderada de proteína)sejam saudáveis de modo geral e, portanto, aconselháveis para pacientes cuja afecção não é complicada por outros distúrbios. ● Ao contrário das pressuposições anteriores, o consumo de cálcio dietético não contribui para o risco de cálculos; na verdade, o cálcio dietético pode ajudar a reduzir a absorção de oxalato e o risco de formação de cálculos. ● litotripsia extracorpória e laser (ureteroscopia) ● contraindicações ● coagulopatas, obeso, grávidas ● pois o alcance é de até 10cm ● os cálculos coraliformes são difíceis de quebrar por litotripsia MARC 1 MARC 1 SÍNDROME DA COMPRESSÃO NERVOSA - LOMBALGIA Referências: ● Ortopedia e reumatologia - princípios e prática ● Gusso ● Farmacologia ilustrada Epidemiologia ● Segunda principal causa de abstenção no trabalho ● Pode atingir até 65% das pessoas anualmente e até 85% das pessoas em algum momento da vida ● atinge pacientes entre 35 e 55 anos ● Distribuição igualitária entre os sexos ● Hérnias discais são mais comuns em homens Farmacocinética e farmacodinâmica dos AINES ● ação antipirética, analgésica e anti-inflamatória ● ácido salicílico, ácido propiônico, ácido acético, ácido enólico, fenamatos, inibidor COX-2 seletivo ● inibem a COX ● COX 1 - proteção gástrica e agregação plaquetária ● ASS - irreversível ● COX 2 - promove sintomas de inflamação, dor e febre ● AINES nao seletivos para COX 2 - AAS, ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, piroxicam ● Seletivos - rofecoxibe, celecoxibe, valdecoxibe - doenças crônicas AIES ● glicocorticoides ● se ligam aos receptores de glicocorticoides no interior das células (citoplasma) ● quando o glicocorticoide se liga ao seu recpetor, este se internaliza no núclo da célula ● bloqueando a transcrição de genes que codificam proteínas pró-inflamatórias, como a IL2, IL,6, IL8, IL12, INF gama e TGF alfa ● bloqueia a fosfolipase A2 - inibindo a liberação de histamina MARC 1 ● dexametasona sacroileíte é o principal marcador de espondilite anquilosante síndrome do piriforme EXAMES SEMIOLÓGICOS Exames para a suspeita de radiculopatia ● teste de Lasègue - 30 a 60 graus - elevação da perna reta, dor no membro - pode-se sensibilizar mais o Lasègue ao fazer uma dorsiflexão do pé ● teste de elevação da perna oposta - dor no membro não elevado a 30 a 60 graus ● suspeita de espondilite anquilosante - teste de patrick ou FABER - dor pode indicar origem na articulação sacroilíaca ● teste de Schober - pouco específico para avaliar a funcionalidade - flexibilidade da coluna (>10cm) Exames de imagem ● radiografia simples ● RM - suspeita de radiculopatia ● relacionar com a clínica, pois muitos achados casuais não tem a ver com a dor Laboratoriais ● VHS ● PCR ● FA ● Cálcio sérico ● hemograma ● exames para a pesquisa de neoplasias com sítios metastáticos ósseos ● para pacientes idosos Tratamento ● orientar que a pessoa se mantenha ativa, mas sem sobrecarga à coluna ● repouso por mais de 3 dias é, em geral, nocivo ● pacientes com mal-prognóstico - terapia cognitiva comportamental TCC e fisioterapia ● para isso deve-se fazer a estratificação de risco - red flags e yellow flags ● não usar paracetamol isoladamente ● AINES são os melhores, porém, deve-se tomar cuidado com o risco de eventos trombóticos cardiovasculares, sangramentos grastrointestinais e úlceras - utilizar por pouco tempo (max 1 semana) ● antidepressivo - risco de pensamento e comportamento suicida Sinais de síndrome da cauda equina - disfunção esfincteriana, progressivo déficit motor, anestesia perianal - em sela, evidência de acometimento nervoso bilateral questionário de Roland Morris Questionário para estratificação de risco de mau prognóstico - STarT Back Sceening Tool - Brasil (SBST-Brasil) MARC 1 Síndrome da cauda equina ● perda parcial ou total da função urinária, intestinal e sexual devido à compressão da cauda equina na região lombar ● causas - hérnia discal extrusa em canal estenótico - agudo ● estenose de canal lombar - crônica ● corticóide epidural pode ser usado em idosos com risco crurgico devido a outras condições clinícas Fisiopatologia da hérnia de disco ● diminuição do conteúdo dos proteoglicanos no disco intervertebral que são os responsáveis pela hidratação do núcleo pulposo, dando suas propriedades de gel ● dessa forma, a pressão sobre o anel fibroso é distribuída uniformemente ● 88% do disco em indivíduos jovens é água ● adulto 65% ● com a diminuição da pressão de embebição do disco, maior pressão é transmitida à fibra do ânulo, o núcleo perde suas propriedades hidráulicas, de amortecedor da pressão e as fibras do ãnulo tornam-se suscetíveis de ruptura ● na fase de degeneração discal entre 30 e 50 anos de idade é mais frequente a hérnia discal com distribuição das pressões de forma desigual, após essa fase pela maior perda de água do disco o núcleo deixa de transmitir trás Tais pressões diminuindo consequentemente a chance de ocorrer hérnia MECANISMO DE AÇÃO DO MEDICAMENTO UTILIZADOS PARA O TRATAMENTO DAS AFECÇÕES DO SISTEMA URINÁRIO Fluoroquinolonas - derivadas do ácido nalidíxico Mecanismo de ação - impedem a síntese de DNA através da inibição das enzimas DNA-girase e topoisomerase IV - A inibição da DNA-girase resulta em relaxamento do DNA superespiralado, promovendo quebra da fita de DNA. - A inibição da topoisomerase IV impacta a estabilização cromossomal durante a divisão celular, interferindo com a separação do DNA recém-replicado. MARC 1 Espectro antimicrobiano - gram-negativos (Escherichia coli, P. aeruginosa, Haemophilus influenzae), microrga- nismos atípicos (Legionelaceae, Clamidiaceae), microrganismos gram- -positivos (estreptococos) e algumas micobactérias (Mycobacterium tuberculosis). Gerações Primeira - quinolona não fluorada - ácido nalidíxico - expectro limitado Segunda geração - ciprofloxacino - norfloxacino - pouco prescrito, devido à biodisponibilidade oral pobre e à meia-vida curta - gram-negativos aeróbicos e atípicos - penetram muito bem as células hospedeiras de bactérias, como na clamídia, micoplasma e micobactérias Terceira geração - Levofloxacino - gram-positvos - quinolona respiratória - pega muito bem S. pneumoniae Quarta geração - Moxifloxacino - não se concentra na urina (não é bom para ITU) - anaeróbios e gram-positivos MARC 1 Nitrofurantoína - ansséptico urinário MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS DO SISTEMA URINÁRIO QUE FAVORECEM O DESENVOLVIMENTO DE ITU RVU - refluxo vesicoureteral UCM - uretrocistografia miccional ● precisa de uma radiografia simples de base ● coloca a sonda vesical ● coloca o contraste iodado pela sonda ● pede pro paciente urinar e faz a radiografia ● é possível visualizar os ureteres - anormal ● o grau do refluxo direciona o tratamento - cirúrgico ou não