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@anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 04 
1 
OBJETIVOS 
− Estudar os transtornos conversivos e diferenciar dos transtornos orgânico-neurológicos; 
− Diferenciar transtorno conversivo de transtorno factício e simulação; 
− Diferenciar quais os transtornos que causam alterações somáticas. 
Transtornos Somatoformes 
INTRODUÇÃO 
Os transtornos somatoformes, dissociativos e factícios 
constituem um desafio diagnóstico e uma das principais 
causas de incapacidade ao redor do mundo. Como 
características essenciais desses transtornos, podemos 
citar sintomas físicos sem qualquer explicação médica. 
Embora a fisiopatologia dessas condições ainda não seja 
totalmente conhecida, algumas generalizações foram 
identificadas, como alterações no sistema límbico e 
córtex pré-frontal, histórico de abuso e negligência na 
infância, além de fatores genéticos e possíveis alterações 
epigenéticas. 
A maioria dos transtornos dissociativos, somatoformes e 
factícios permanece sem ser detectada e não é 
adequadamente tratada pelos profissionais da saúde, 
acarretando pior prognóstico e maiores complicações 
para os pacientes. 
Sintomas físicos sem explicação médica são aqueles que 
não podem ou não foram suficientemente explicados por 
causas orgânicas após um exame físico completo. Os 
sintomas físicos sem explicação podem ser considerados 
o cerne de uma série de transtornos mentais, entre eles, 
os somatoformes, dissociativos e factício. 
Pacientes que apresentam transtornos somatoformes, 
dissociativos ou factícios são vistos em uma variedade de 
configurações médicas e, muitas vezes, são fonte de 
frustração para profissionais da saúde em virtude de suas 
visitas incessantes a locais de saúde sem a elucidação de 
seu quadro clínico. 
TRANSTORNOS SOMATOFORMES, OU 
TRANSTORNO DE SINTOMAS SOMÁTICOS 
Diz-se que a somatização está presente quando o 
sofrimento psicológico ou emocional se manifesta na 
forma de sintomas físicos que, de outra forma, não têm 
explicação médica. A apresentação de vários sintomas 
físicos persistentes, que parecem não ter qualquer base 
biológica aparente, representa a principal característica 
dos pacientes com transtornos somatoformes, ou 
transtorno de sintomas somáticos. 
Na 5ª edição do Manual diagnóstico e estatístico de 
transtornos mentais (DSM-5), a nomenclatura para a 
categoria diagnóstica conhecida como transtornos 
somatoformes foi alterada para transtorno de sintomas 
somáticos e transtornos relacionados, e passou a incluir 
sete diagnósticos específicos: 
− Transtorno de sintomas somáticos; 
− Transtorno de ansiedade de doença (antiga 
hipocondria); 
− Transtorno conversivo (transtorno de sintomas 
neurológicos funcionais); 
− Fatores psicológicos que afetam outras condições 
médicas; 
− Transtorno factício; 
− Outro transtorno de sintomas somáticos e 
transtorno relacionado especificado; 
− Transtorno de sintomas somáticos e transtorno 
relacionado não especificado. 
SUBTIPOS DO TRANSTORNO DE SINTOMAS 
SOMÁTICOS, CONFORME DEFINIDO PELO 
DSM-5 
Transtorno conversivo 
Um ou mais sintomas 
neurológicos, como a 
alteração da função motora 
voluntária ou sensorial. 
Inconsistente com uma 
condição médica conhecida. 
Transtorno factício 
Falsificação de sintomas 
físicos ou psicológicos. 
Transtorno de ansiedade 
de doença 
Preocupação em adquirir ou 
ter um distúrbio médico 
sério. 
Fatores psicológicos que 
afetam outras condições 
médicas 
Deve existir uma condição 
médica e fatores 
psicológicos devem afetar 
negativamente a condição. 
Outro transtorno de 
sintomas somáticos e 
transtorno relacionado 
especificado 
Sintomas consistentes com 
transtorno de sintomas 
somáticos estão presentes, 
mas não atendem aos 
critérios completos para 
nenhum dos transtornos já 
citados. 
Transtorno de sintomas 
somáticos e transtorno 
relacionado não 
especificado 
Sintomas consistentes com 
transtorno de sintomas 
somáticos estão presentes, 
mas não atendem aos 
critérios para nenhum dos 
transtornos já citados; deve 
ser usado apenas quando 
@anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 04 
2 
não houver informações 
suficientes para fazer um 
diagnóstico mais específico. 
 
ETIOLOGIA 
A etiologia do transtorno de sintomas somáticos não é 
clara. No entanto, estudos determinaram que os 
FATORES DE RISCO para sintomas somáticos 
crônicos e graves incluem negligência na infância, 
abuso sexual, estilo de vida caótico/desorganizado e 
histórico de abuso de álcool e outras substâncias. 
Ademais, traços de personalidade com alexitimia 
(dificuldade de expressar emoções) ou neuroticismo 
(tendências para vivenciar afetos negativos e sofrimento 
ao longo da vida) são considerados fatores de risco para 
os transtornos somatoformes. Essa condição é 
frequentemente acompanhada de outras comorbidades 
psiquiátricas, entre elas, os transtornos da personalidade. 
DIAGNÓSTICO 
O transtorno de sintomas somáticos representa um 
problema para o médico e para o paciente, pois coloca os 
pacientes em risco de exames e tratamentos 
desnecessários, bem como constitui um desafio 
diagnóstico para o profissional. 
A principal característica desse transtorno é a 
preocupação com sintomas físicos atribuídos a uma 
doença não psiquiátrica. Essa preocupação pode se 
manifestar como um ou mais sintomas somáticos que 
resultam em pensamentos, sentimentos ou 
comportamentos excessivos relacionados a esses 
sintomas e que são angustiantes ou resultam em 
perturbações significativas da vida diária. 
Um dos seguintes critérios também deve estar presente: 
− Reflexões significativas sobre a gravidade dos 
sintomas; 
− Alto nível de ansiedade em relação aos sintomas 
ou 
− Energia excessiva gasta em relação à 
preocupação sintomática. 
Embora os sintomas somáti-cos não precisem estar 
continuamente presentes, eles devem ser persistentes 
(devem estar presentes por mais de seis meses). 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO TRANSTORNO 
DE SINTOMAS SOMÁTICOS, DE ACORDO COM 
O DSM-5 
Critério A: Um ou mais sintomas somáticos que são 
angustiantes ou resultam em perturbações significativas 
da vida diária. 
Critério B: Pensamentos, sentimentos ou 
comportamentos excessivos relacionados aos sintomas 
somáticos ou problemas de saúde associados, 
manifestados por, pelo menos, um dos seguintes: 
− Pensamentos desproporcionais e persistentes 
sobre a gravidade dos sintomas de uma pessoa. 
− Nível persistentemente alto de ansiedade sobre 
saúde ou sintomas. 
− Tempo e energia excessivos devotados a esses 
sintomas ou problemas de saúde. 
Critério C: Embora qualquer sintoma somático possa 
não estar continuamente presente, o estado de ser 
sintomático é persistente (normalmente mais de seis 
meses). 
Além disso, deve-se especificar se o diagnóstico é: 
− Com dor predominante (anteriormente distúrbio 
de dor) – o especificador é para indivíduos cujos 
sintomas somáticos envolvem 
predominantemente dor. 
− Persistente – caracterizado por sintomas graves, 
deficiência acentuada e longa duração (mais de 
seis meses). 
Ainda, deve-se especificar a gravidade atual: 
− Leve – apenas um dos sintomas especificados no 
critério B é atendido. 
− Moderado – dois ou mais dos sintomas 
especificados no critério B são atendidos. 
− Grave – dois ou mais dos sintomas especificados 
no critério B são atendidos, além de haver 
múltiplas queixas somáticas (ou um sintoma 
somático muito grave). 
Fonte: American Psychiatric Association. 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
O transtorno de sintomas somáticos deve ser diferenciado 
de doenças médicas e de outras condições psiquiátricas. 
É importante considerar as condições médicas que 
causam sintomas vagos e difusos no diagnóstico 
diferencial de tal transtorno. Além disso, é preciso levar 
em conta os sintomas somáticos como parte de um 
quadro de transtorno do humor ou de ansiedade. Alguns 
dos problemas a serem analisados incluemos seguintes: 
− Acidente vascular cerebral; 
− Esclerose múltipla; 
− Encefalopatia; 
− Doença de lyme; 
− Bócio; 
− Transtorno depressivo maior (tdm); 
− Transtornos de ansiedade generalizada (tag); 
− Transtorno de pânico (tp); 
− Transtorno de estresse pós-traumático (tept); 
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3 
− Transtorno de estresse agudo; 
− Transtorno por uso de substâncias; 
− Transtornos psicóticos. 
TRATAMENTO 
O tratamento psicoterápico, em especial a terapia 
cognitivo-comportamental (TCC), é aquele que fornece 
melhor nível de evidência entre os disponíveis para o 
transtorno de sintomas somáticos. 
Com relação à terapêutica medicamentosa, 
antidepressivos, como os inibidores seletivos da 
recaptação de serotonina (ISRSs), apresentam nível de 
evidência baixo no tratamento. Outros psicofármacos não 
foram bem avaliados no contexto de terapêutica para esse 
transtorno. 
 
TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS 
Os transtornos dissociativos são caracterizados por 
rupturas nas funções geralmente integradas de 
consciên-cia, memória, identidade, sensações e controle 
dos movimentos corporais. Segundo o DSM-5, os 
sintomas dissociativos podem ser experimentados como: 
− Intrusões espontâneas na consciência e no 
comportamento, com acompanhamento de perdas 
de continuidade na experiência subjetiva (como 
fragmentação de identidade, despersonalização e 
desrealização); e/ou 
− Incapacidade de acessar informações ou 
controlar funções mentais que, em geral, são 
prontamente passíveis de acesso ou controle 
(como amnésia). 
Exemplos de sintomas dissociativos incluem a 
experiência de desapego ou sensação de estar fora do 
corpo e perda de memória ou amnésia. Os transtornos 
dissociativos estão frequentemente associados a 
experiências anteriores de trauma. 
TRANSTORNO FACTÍCIO 
O transtorno factício é caracterizado pela intenção do 
paciente de produzir sinais ou sintomas de problemas 
físicos ou mentais. Os comportamentos são voluntários, 
deliberados e destinados a um objetivo, mas não 
conseguem ser controlados, sendo considerados de 
qualidade compulsiva. 
− Pacientes com transtorno factício simulam, 
induzem ou agravam a doença para receber 
atenção médica, independentemente de estarem 
ou não doentes. 
Os pacientes com transtorno factício podem fingir sinais 
(como desmaios), exagerar e dramatizar seus relatos ou 
até mesmo autoinduzir doenças (como a manipulação 
excessiva de um corte, tornando-o grave, ou a aplicação 
de insulina, a fim de causar uma hipoglicemia). Esses 
pacientes escolhem o papel de doente, uma vez que, com 
isso, ganham atenção e cuidados. 
Podemos distinguir duas síndromes no transtorno 
factício: a síndrome de Munchausen e a síndrome de 
Munchausen por procuração. 
− Na primeira, o indivíduo que organicamente não 
tem nenhuma doença, mas que visa ocupar o 
papel de paciente, a fim de ganhar atenção e 
cuidados médicos com essa posição, pode se 
comportar como portador de um sintoma, 
chegando até a autoinduzir um sinal de doença, 
física ou mental. 
− Na síndrome de Munchausen por procuração, um 
terceiro faz o indivíduo assumir o papel de 
doente. Nesse caso, em geral uma mãe usa o 
filho para que ela própria se coloque no papel de 
paciente, só que indiretamente, por meio da 
invenção, exagero ou produção de uma doença 
na criança. 
O transtorno factício ocorre tanto na infância e na 
adolescência quanto na vida adulta. A maioria dos casos 
é de mulheres jovens, sendo que muitos pacientes 
tiveram algum contato com profissões da área da saúde. 
Pode haver lesões autoprovocadas na pele (escoriações, 
queimaduras, abscessos, impedimento de cicatrização de 
ferida, etc.), vômitos, além de indução de infecções e 
febre (injeção de material contaminado no próprio corpo, 
adição de fezes na urina, aquecimento de termômetro), 
anemia (retirada de sangue com seringa, indução de 
hemorragia), hipertireoidismo e hipoglicemia (injeção de 
insulina ou ingestão de sulfonilureias) e adição de sangue 
em líquidos corporais coletados para exame. 
Pode haver a inclusão de sintomas e sinais psiquiátricos, 
como, por exemplo, ideação suicida. As lesões e os 
relatos factícios podem ser provocados por terceiros, 
geralmente a mãe a uma criança. Essa condição é 
chamada de transtorno factício por procuração, sobre 
interconsulta de crianças. 
DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico baseia-se em três critérios principais: 
− A produção e/ou simulação intencional dos 
sintomas e sinais predominantemente físicos; 
− A necessidade de colocar-se no papel do doente; 
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− A ausência de incentivos externos (como ganho 
econômico, fuga de responsabilidade legal ou 
melhora do bem-estar físico). 
Esse último critério auxilia na distinção entre transtornos 
factícios e a simulação, pois nesta, a ação é incentivada 
por algo externo, que, em geral, é mais fácil de ser 
identificado, por ser aparente, como as compensações 
financeiras. 
Os pacientes com transtornos factícios apresentam 
gradações da complexidade de seus comportamentos. 
Eles podem, por exemplo, 
− Exagerar um problema médico (como exagerar 
no sintoma de dores nas costas); 
− Fingir a doença, como falsificar um ataque ou 
agir como se tivessem múltiplas personalidades; 
− Falsificar resultados de exames laboratoriais 
(como pela introdução de açúcar em uma 
amostra de urina); 
− Agravar uma doença, o que pode ocorrer se 
evitar o tratamento inicial, para que um problema 
pequeno se torne grave; 
− Induzir uma doença real (por meio de injeções 
com bactérias/vírus em si próprios). 
De acordo com o DSM-5, os transtornos factícios são 
classificados conforme a prevalência de seus sinais, 
representados pelas características a seguir: 
1Com sinais e sintomas predominantemente psicológicos 
– se sinais e sintomas psicológicos predominam na 
apresentação clínica. 
2Com sinais e sintomas predominantemente físicos – se 
sinais e sintomas físicos predominam na apresentação 
clínica. 
3Com sinais e sintomas psicológicos e físicos 
combinados – se sinais e sintomas tanto psicológicos 
quanto físicos estão presentes, sem predominância de 
nenhum deles na apresentação clínica. 
FATORES QUE AUMENTAM A 
PROBABILIDADE DE O PACIENTE TER 
TRANSTORNO FACTÍCIO 
− Apresentação dramática ou atípica de uma 
doença. 
− Inconsistências entre a história e as descobertas 
objetivas. 
− Detalhes vagos e inconsistentes, embora 
possivelmente plausíveis na superfície. 
− Longo histórico médico com múltiplas admissões 
em vários hospitais em diferentes cidades. 
− Conhecimento de descrições de livros de 
doenças; uma apresentação da doença muito 
próxima do exemplo do livro didático. 
− Circunstâncias de admissão que não estão em 
conformidade com um transtorno mental ou 
médico identificável. 
− Compreensão incomum da terminologia médica. 
− Emprego ou educação em um campo relacionado 
à medicina. 
− Pseudologia fantástica. 
− Apresentação no pronto-socorro durante os 
momentos em que os registros médicos antigos 
são de difícil acesso ou quando a equipe 
experiente é menos provável de estar presente (p. 
ex., feriados e tardes de sexta-feira). 
− Um paciente que recebe poucas visitas, apesar de 
ter história de ocupar um cargo importante ou 
prestigioso ou história que o coloca em um papel 
heroico. 
− Aceitação, com equanimidade, do desconforto e 
risco dos procedimentos diagnósticos. 
− Aceitação, com equanimidade, do desconforto e 
risco de cirurgia. 
− Abuso de substâncias, especialmente de 
analgésicos e sedativos prescritos. 
− Sintomas ou comportamentos que só estão 
presentes quando o paciente está ciente de que 
está sendo observado. 
− Comportamento controlador, hostil, zangado, 
perturbador ou de busca de atenção durante a 
hospitalização. 
− Evidência de presença patológica em áreas 
diferentes dos sintomas apresentados. 
− Curso clínico flutuante,incluindo rápido 
desenvolvimento de complicações ou uma nova 
patologia se os resultados da investigação inicial 
forem negativos. 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
Quando se suspeita de um diagnóstico de transtorno 
factício, é importante considerar outras etiologias 
prováveis: 
− SIMULAÇÃO – o fingimento consciente de 
sintomatologia para obter ganho secundário – é 
um dos diagnósticos mais difíceis de distinguir 
do transtorno factício, pois a motivação pode ser 
difícil de detectar em muitos casos. Portanto, é 
importante descartar qualquer motivação externa, 
como ganho monetário ou evasão do trabalho, 
encarceramento ou serviço militar. 
− TRANSTORNO DE CONVERSÃO E 
TRANSTORNO DE SINTOMAS 
SOMÁTICOS – ambos envolvendo processos 
subconscientes – também podem ser difíceis de 
distinguir do transtorno factício. Para fazê-lo, é 
imperativo encontrar evidências objetivas de 
comportamento enganoso no transtorno factício. 
− Pacientes com TRANSTORNOS DA 
PERSONALIDADE, especificamente o 
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5 
transtorno da personalidade borderline 
(TPB), ou limítrofe, frequentemente demonstram 
comportamento enganoso e apresentam 
automutilação. No entanto, esses indivíduos 
normalmente admitem terem se automutilado e 
não fazem isso a fim de obter o papel de doente. 
Deve-se considerar também que os diagnósticos 
de transtorno factício e transtorno da 
personalidade frequentemente coincidem. 
TRATAMENTO 
Estudos mostram que o único tratamento eficaz 
disponível atualmente para transtorno factício é a 
PSICOTERAPIA. Com base na pesquisa disponível, o 
uso de medicamentos não melhora significativamente os 
sintomas desse transtorno. Como os pacientes geralmente 
apresentam comorbidades psiquiátricas, como o TDM, é 
importante tratar os sintomas comórbidos de maneira 
adequada, pois isso pode melhorar indiretamente o 
comportamento factício. 
− TDM: transtorno depressivo maior 
Os pacientes com transtorno factício geralmente são 
considerados de prognóstico desfavorável. Quando 
confrontados, a maioria dos pacientes nega seu 
comportamento e poucos autorizam o tratamento. 
Daqueles que iniciam a terapia, a maioria desiste. No 
entanto, há evidências de que os pacientes que persistem 
com a terapia de longo prazo apresentam desfechos 
favoráveis. 
Indivíduos com transtorno factício normalmente 
apresentam comorbidades psiquiátricas, mais comumente 
depressão. Pacientes com comorbidades de humor, 
ansiedade ou transtornos por uso de substâncias em geral 
têm um prognóstico melhor quando tratados. Os 
transtornos da personalidade, especialmente o TPB, 
costumam ser comórbidos com transtornos factícios e, 
geralmente, esses pacientes têm um prognóstico ruim. 
TRANSTORNOS CONVERSIVOS 
Verifica-se uma alteração funcional na motricidade e/ou 
sensibilidade do paciente, sem que haja um 
comprometimento anatômico que a justifique e 
voluntariedade do paciente na produção dos sintomas. As 
manifestações motoras mais frequentes são paresias 
flácidas e rígidas, contrações, tremores, crises 
pseudoepilépticas, tiques, alterações da marcha. Entre os 
sintomas sensoriais, encontram-se distúrbios visuais, 
parestesias, hiperestesias e anestesias. Apesar dos 
sintomas, com frequência, o paciente pode se apresentar 
calmo e indiferente. O clínico descobre que a 
manifestação não guarda correlação com os 
conhecimentos anatomopatológicos. 
É dado de anamnese importante a ocorrência de um 
evento desfavorável recente desencadeando ou piorando 
o episódio conversivo. Uma doença que o paciente teve 
no passado pode ser a fonte de sintomas conversivos que, 
no presente, servem para resgatar o paciente de uma 
situação de estresse. Outra possibilidade é que os 
sintomas se pareçam com os vivenciados ou observados 
em outras pessoas em situações de estresse intenso e 
repentino. 
Para fazer o diagnóstico, o médico necessita examinar 
com cuidado o paciente, observando-o sem que ele 
perceba. Poderá, assim, surpreender movimentos em uma 
perna “paralisada” e terá de considerar, nesse caso, o 
diagnóstico diferencial de simulação. Às vezes, os 
sintomas mantêm-se apenas para determinada atividade. 
Por exemplo, um paciente que não consegue movimentar 
as pernas para andar é capaz de cruzá-las durante a 
entrevista. 
Do ponto de vista psicodinâmico, entende-se que a 
conversão é um “grito” do corpo, quando a mente 
silencia, ou seja, a dissociação é um silêncio. Visa à 
elisão de eventos e conflitos, uma “queima de arquivos 
comprometedores”. Às vezes, ocorre de o médico intuir 
a dimensão simbólica de certos sintomas, ligando-os a 
um conflito na vida do paciente. 
Com o sintoma, há o chamado ganho secundário, visto 
que a pessoa pode conseguir reorganizar, 
temporariamente, as relações desfavoráveis que 
experimentava com o meio. O ganho primário seria a 
defesa contra a grande ansiedade gerada a partir de uma 
situação conflitiva, permitindo a descompressão 
psicológica. Via de regra, são pacientes com 
características de imaturidade, teatralidade e 
sugestionabilidade. 
TRATAMENTO DE PRIMEIRA LINHA 
O tratamento de primeira linha para o transtorno de 
conversão (transtorno de sintomas neurológicos 
funcionais) é a educação sobre o diagnóstico, com base 
em estudos observacionais. O envolvimento terapêutico 
de pacientes com transtorno de conversão muitas vezes 
requer explicações repetidas da justificativa para o 
diagnóstico. Assim, os médicos que administram o 
tratamento devem entender como o diagnóstico foi feito 
com base nas características físicas dos sintomas. Com o 
envolvimento bem-sucedido, os pacientes ficam mais 
dispostos a assumir alguma responsabilidade com a ajuda 
dos médicos para melhorar, o que pode reduzir os 
sentimentos de impotência, frustração e desconfiança 
tanto para os pacientes quanto para os médicos. Para 
pacientes com sintomas de conversão que desejam saber 
a causa, geralmente reconhecemos que, embora seja 
possível especular, as causas são complexas e muitas 
vezes incertas. No entanto, salientamos que apesar desta 
incerteza podemos diagnosticar e tratar o problema. 
Quando relevante, explique que o paciente não tem uma 
doença neurológica, como esclerose múltipla, epilepsia 
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6 
ou acidente vascular cerebral. Tente recrutar membros da 
família para ajudar os pacientes a entender o diagnóstico. 
Diga aos pacientes que, embora não tenham causado os 
sintomas, eles precisam participar ativamente de sua 
reabilitação. 
TRATAMENTO DE SEGUNDA LINHA 
Para transtorno conversivo com sintomas motores 
funcionais, sugerimos fisioterapia como terapia de 
segunda linha. No entanto, a terapia psicológica, 
especialmente a terapia cognitivo-comportamental 
(TCC), também é frequentemente usada, 
concomitantemente ou sequencialmente (depois). Os 
pacientes podem recusar a psicoterapia porque se 
recusam a aceitar que os tratamentos “conversados” 
podem ser benéficos para os sintomas físicos. 
TRATAMENTO DE TERCEIRA LINHA 
O transtorno de conversão (distúrbio de sintomas 
neurológicos funcionais) geralmente não responde aos 
tratamentos de primeira ou segunda linha; para esses 
pacientes refratários, sugerimos um dos seguintes: 
− Farmacoterapia 
− Hipnose 
− Psicoterapia Psicodinâmica Breve 
− Internação Multidisciplinar 
− Terapia familiar / Terapia de Grupo 
Os medicamentos mais comumente usados para o 
transtorno de conversão são os 
antidepressivos. Ansiedade comórbida ou transtornos 
depressivos são frequentemente uma indicação para o uso 
de antidepressivos, como inibidores seletivos da 
recaptação de serotonina. A presença de dor, 
especialmente no contexto de ansiedade ou depressão, 
também é uma indicação para antidepressivos, e pode ser 
possível usar um medicamento para controlar a dor, 
ansiedade/depressão e transtorno de conversão. 
Opções de antidepressivosrazoáveis para transtorno de 
sintomas somáticos incluem inibidores seletivos de 
recaptação de serotonina (ISRSs), inibidores de 
recaptação de serotonina-norepinefrina e tricíclicos de 
baixa dose. Os antidepressivos devem ser iniciados em 
doses baixas e aumentados lentamente conforme tolerado 
para atingir uma dose terapêutica, porque a sensibilidade 
somática e a ansiedade de saúde nos pacientes criam um 
baixo limiar para perceber os efeitos colaterais. Em 
pacientes que relutam em experimentar um 
antidepressivo por causa de uma sensibilidade geral aos 
efeitos colaterais, os médicos devem começar com a dose 
mais baixa possível. Como exemplo, os médicos podem 
prescrever citalopram ou nortriptilina 10 mg/dia 
ou duloxetina 20 mg/dia, na primeira semana e, em 
seguida, titule a dose a cada quatro semanas conforme 
necessário e tolerado. 
TRIAGEM 
Para os médicos que desejam rastrear o transtorno de 
sintomas somáticos, sugerimos medidas de autorrelato, 
que podem economizar tempo do entrevistador. No 
entanto, os instrumentos de autorrelato são mais 
propensos a falsos positivos do que os instrumentos 
administrados pelo clínico. 
Uma característica central do transtorno de sintomas 
somáticos é a presença de um ou mais sintomas 
somáticos atuais que são de longa duração e causam 
sofrimento ou comprometimento 
psicossocial. Instrumentos autoadministrados que 
rastreiam sintomas físicos incluem o seguinte: 
O PHQ-15 é o instrumento mais utilizado para avaliar o 
número de sintomas somáticos angustiantes, devido às 
suas propriedades psicométricas bem estabelecidas, 
brevidade e disponibilidade em múltiplos línguas. Já o 
Somatic Symptom Scale-8 – A Somatic Symptom Scale-
8 foi derivada do PHQ-15 e é uma medida de oito itens 
que quantifica a carga de sintomas somáticos 
A outra característica central do transtorno de sintomas 
somáticos são pensamentos excessivos, preocupações ou 
comportamentos relacionados aos sintomas somáticos ou 
a preocupações com a saúde. Os instrumentos 
autoadministrados que fazem a triagem desse recurso 
incluem: 
Índice de Whiteley de sete itens, que é a medida mais 
amplamente estudada para a ansiedade em relação à 
saúde. Possui propriedades psicométricas aceitáveis e 
inclui subescalas validadas que avaliam doença 
preocupante (itens número dois, quatro e seis; 
sensibilidade 0,37, especificidade 0,70 e valor preditivo 
positivo 0,41) e convicção de doença (itens número três, 
cinco e sete; sensibilidade 0,63, especificidade 0,87 e 
valor preditivo positivo. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
Nardi, Antonio, E. et al. Tratado de Psiquiatria da 
Associação Brasileira de Psiquiatria. Disponível em: 
Minha Biblioteca, Grupo A, 2021. 
UpToDate. 
 
https://www.uptodate.com/contents/citalopram-drug-information?search=transtornos%20conversivos&topicRef=110022&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/nortriptyline-drug-information?search=transtornos%20conversivos&topicRef=110022&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/duloxetine-drug-information?search=transtornos%20conversivos&topicRef=110022&source=see_link
@anab_rs | Ana Beatriz Rodrigues MARC 04 
7 
 
 
Escala de Critérios de Transtorno de Sintomas Somáticos-B de 12 itens, que avalia pensamentos excessivos, 
preocupações ou comportamentos relacionados a sintomas somáticos, tem propriedades psicométricas boas a 
excelentes e foi desenvolvida especificamente para o diagnóstico de transtorno de sintomas somáticos. Escores mais 
altos nesta escala estão associados a maior comorbidade médica geral e aumento da utilização de cuidados de saúde.

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