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Dor Torácica · Introdução -3° causa mais frequente de procura à emergência -10% a 25% está associado a SCA -É uma situação de alto risco -Deve-se saber quais dados valorizar para diagnosticar as causas graves -História clínica e exame físico devem ser bem feitos -Exames complementares devem ser direcionados para a suspeita diagnóstica (auxilia na confirmação do diagnóstico, geralmente diagnósticos de alto risco) · Etiologias Associadas à Dor Torácica · Causas Graves da Dor Torácica (1) – Síndrome Coronariana Aguda (2) – Dissecção de Aorta (3) – Embolia pulmonar (4) – Pneumotórax hipertensivo (5) – Pericardite/tamponamento cardíaco (6) – Ruptura esofágica com mediastinite · Abordagem Inicial 1°) Realizar a história clínica (Anamnese Básica) -Queixa Principal : Dor torácica -HDA: (a) - Característica da dor (em opressão ou em pontadas) (b) - Há quanto tempo essa dor começou (c) -Fator de melhora/piora (d) – Em que situação essa dor surgiu (fator desencadeador) (e) – Intensidade da dor (em uma escala de 0 a 10) (f) – A dor se irradia ou é localizada 2°) Sinais Vitais + Ectoscopia + Exame Físico 2.1°) Sinais Vitais -PA; FC; FR; Saturação, Pulsos 2.2°) Ectoscopia -Avaliação rápida do estado geral do paciente 2.3°) Exame Físico -Realiza-se um exame físico rápido do tórax (inspeção, palpação, percussão e ausculta) 3°) MOVE M -> Monitorização dos sinais vitais (PA,FC,FR,temperatura,SaO2) e monitorização do coração (ritmo + FC) O -> Oxigênio segundo a necessidade do paciente (Saturação 94%) V -> Veia, Acesso venoso, coleta sanguínea e administração de medicamentos E -> ECG (em menos de 10 min) 4°) Solicitação de Exames Complementares + Encaminhamento -Radiografia de tórax -Biomarcadores -Ultrassonografia · Características Específicas de Cada Doença (após a abordagem inicial) · Síndrome Coronariana Aguda (SCA) -Dor causada por uma isquemia no músculo cardíaco (cardiomiócitos) -Mais frequente em homens, idosos, hipertensos e diabéticos ->Manifestações Clínicas: (1) – Dor torácica, tendo as seguintes características: (1.a) – Dor torácica que se manifesta comumente em “aperto”, mas pode aparecer como um desconforto torácico, uma dor com sensação de queimação ou sensação de peso/opressão no peito (1.b) – Dor crescente (começa fraca e depois aumenta a intensidade) (1.c) – Normalmente essa dor se irradia para o MMSS esquerdo, mandíbula, ombros e costas (2) - Sintomas associados: (2.a) – Dispneia (2.b) – Sudorese excessiva (2.c) – Ansiedade (2.d) – Náusea (2.e) – Síncope -Manifestações atípicas: geralmente um sintoma associado, mas sem a presença de dor torácica -Diagnóstico: 1°) Exame físico -O exame físico do SCA é um exame do sistema cardiovascular padrão. Nesse exame pode haver: (A) - Aparecimento de uma B4 na ausculta e, mais raramente, de uma B3 (B) - Sopro carotídeo (C) - Diminuição dos pulsos em MMII (D) – Sintomas de ICC aguda (edemas de MMII, estase jugular, estertores pulmonares etc). 2°) Exames Complementares 2.1°) Eletrocardiograma (ECG) -No ECG é comum o aparecimento de supra de ST (infarto STEMI) ou infra de ST (infarto NSTEMI). Entretanto, o ECG também pode se apresentar normal, sem nenhuma alteração. Portanto, apenas o ECG não é suficiente para excluir SCA. 2.2°) Marcadores Biológicos -Nos marcadores de necrose miocárdica, geralmente solicita-se mioglobina como um marcador precoce, e CK-MB e troponina como marcadores mais precisos, porém mais tardios que a mioglobina. -Intervenção: (1) – Protocolo MONABICH M -> Morfina (mitigar dor) O -> Oxigenioterapia (oferecer mais O2 para as células do coração em isquemia) N -> Nitrato (vasodilatador ,reduz dor e melhora a perfusão coronariana) A -> AAS (antiplaquetário, impede a formação de novos trombos e o crescimento dos existentes pela inibição da enzima COX1) B -> Betabloqueador (diminui o consumo de O2 pelo coração, reduzindo a necrose) I -> IECAs (reduz a pressão arterial e evita remodelamento negativo do coração) C -> Clopidogrel (antiplaquetário que previne o avanço do trombo que está causando a isquemia, pela inibição dos receptores de ADH nas plaquetas) H -> Heparina (anticoagulante que previne o avanço do trombo que está causando a isquemia) (2) – Terapia fibrinolítica ->Uso de fármacos fibrinolíticos para tentar quebrar o coágulo que está causando a isquemia do músculo coronário ->Apenas em infartos STEMI dentre de 2h do início dos sintomas · Dissecção de Aorta -Dissecção da aorta é um rasgo na camada íntima da aorta, de modo a acumular sangue na parede do vaso (sangue acumulado no falso lúmen), propiciando uma possível ruptura de aorta. -Fator de risco mais comum é HAS, mas há outros fatores de risco, como tabagismo, pessoa idosa, síndrome de marfan, coartação da aorta, aneurismas, aterosclerose etc -Confundir um IAM com dissecção de aorta pode levar à morte do paciente, pois a administração de trombolíticos nesse caso é fatal -Manifestações Clínicas: (1) – Dor torácica, tendo as seguintes características: (1.a) – Dor intensa desde o início (não é gradual) (1.b) – Dor lancinante (sensação que está rasgando o tórax) (1.c) – Dor súbita (1.d) – Pode ser irradiar para os percursos da aorta (pescoço, abdômen), mas geralmente é uma dor que se irradia da área retroesternal para a área das costas (como se fosse uma faca atravessando o tórax). A dor vai se irradiar para o abdômen geralmente nos casos de dissecção do tipo B de Stanford. (2) – Sintomas associados: (2.a) – Palidez cutânea (2.b) – Sudorese excessiva (2.c) – Fácie de dor (2.d) – Ansiedade (2.e) – Náusea e sincope (2.f) – Hipertensão (2.g) - Dispneia (2.h) - A palpação dos pulsos em um paciente com dissecção de aorta estão assimétricos e também há diferença de pelo menos 20mmHg entre a PAS do MMSS direito do MMSS esquerdo. (2.i) - Também é possível estar presente um sopro de insuficiência aórtica (2.j) – Hemiplegia (paralisia em um dos lados do corpo) -Diagnóstico: 1°) Anamnese 2°) Sinais Vitais PA: geralmente elevada (hipertensão) – com diferença de pressão de pelo menos 20mmHg de um membro superior para o outro FC: elevada FR: elevada SaO2: pode estar reduzida Pulsos: assimétricos 3°) Ectoscopia -Fácie de dor -Palidez -Ansiedade 4°) Exame Físico -Realiza-se o exame do tórax Ausculta: Pode haver a presença de um sopro diastólico na aorta (insuficiência aórtica) 5°) Exames Complementares (1) – ECG -No ECG aparecem alterações inespecíficas, como alterações no segmento ST e alterações de repolarização (2) – Raio-X -No raio-X é perceptível o alargamento do mediastino -Uma angiografia também pode ser solicitada -Intervenção: (1) – Redução da PA e do débito cardíaco com nitroprussiato e betabloqueadores OBS.: Nos casos de dissecção de aorta, o uso de antiplaquetários e anticoagulantes leva o paciente ao óbito. · Embolia Pulmonar -Causada por um êmbolo que se instala nos vasos do pulmão -Manifestações Clínicas: (1) – Dor torácica, tendo as seguinte características: (1.a) – Dor intensa (em pontadas) (1.b) – Dor pleurítica e/ou dor retroesternal (1.c) – Dor súbita (2) – Sintomas associados: (2.a) – Dispneia súbita (2.b) – Tosse seca que pode evoluir para tosse com rajadas sanguinolentas (hemoptise) (2.c) – Hemoptise (geralmente infarto pulmonar associado) (2.d) – Sinais de TVP (geralmente apresenta edema ou coloração diferente nas pernas) (2.e) – Taquicardia e Taquipneia (2.f) – Redução da PA (2.g) – Congestão venosa sistêmica -> estase jugular -ECG com alterações s1q3t3; raio-X de tórax geralmente está normal, mas pode haver derrame pleural. Pode-se usar a angiografia para diagnosticar -Diagnóstico: 1°) Anamnese 2°) Sinais Vitais PA: Pode estar reduzida (hipotensão) FC: aumentada FR: aumentada SaO2: geralmente reduzida Pulsos: reduzidos (pulsos filiformes) 3°) Exame físico A)Inspeção A.1) Inspeção do Tórax ->Achados comuns: (1) – Retração da fúrcula esternal (sinal de dispneia) (2) – Presença das tiragens intercostais (sinal de dispneia) (3) – Batimento das asas do nariz (sinal de dispneia, mas incomum em adultos) (4) – Redução da expansibilidadetorácica (perceptível em alguns casos apenas) A.2) Inspeção dos MMII ->Como a TEP, geralmente é consequência de um êmbolo originado a partir de uma TVP, realiza-se a inspeção dos MMII. ->Achados comuns: (1) – Edema de MMII (esse edema pode ser resultado de uma TVP) (2) – Dermatite de estase (sinal de TVP) B) Palpação B.1) Palpação do Tórax ->Achados comuns: (1) – Sensibilidade a palpação do tórax (dor a palpação) (2) – Redução da expansibilidade torácica B.2) Palpação dos MMII (no MMII afetado por TVP) ->Achados comuns: (1) – Manobra de Homans -> Positivo quando relata dor a dorsiflexão passiva do pé (2) – Sinal de Bandeira -> É positivo quando a panturrilha está enrijecida devido ao edema venoso, na compressão da panturrilha o paciente vai relatar dor (3) – Sinal de Bancroft -> Positivo quando o paciente relata dor na palpação da panturrilha contra o osso da perna C) Ausculta do Tórax ->Achados comuns: (1) – Hiperfonese de B2 (2) – Ruídos adventícios (3) – Pode haver estertores finos (4) – Presença de sibilos -Intervenção: (1) – Uso de anticoagulantes (evitar o crescimento e novos trombos) (2) – Uso de trombolíticos para pacientes estáveis · Pericardite Grave -> Tamponamento Cardíaco -Pericardite é a inflamação do pericárdio que , em casos graves, pode evoluir para o tamponamento cardíaco, este que é uma emergência médica e pode causar a morte do paciente. -Manifestações Clínicas: (1) – Dor torácica (1.a) – Mudança da intensidade da dor conforme a posição corporal OBS.: Na crianças: (2) – Sintomas Associados: (2.a) – Atrito pericárdico (incomum em casos de grandes derrames pericárdicos e tamponamento cardíaco) – NÃO TEM EM TAMPONAMENTO CARDÍACO (2.b) – Intolerância à exercícios físicos (devido à incapacidade de aumento do débito cardíaco) (2.c) – Dispneia (2.d) – Taquicardia e Taquipneia (tentativa de compensar os prejuízos no débito cardíaco) (2.e) – Tríade de Beck (Hipotensão + estase jugular + bulhas abafadas) (2.f) – Sinais de ICC biventricular (a compressão do coração vai prejudicar, principalmente, a diástole, de modo a reduzir o débito cardíaco e simular os sintomas de uma ICC biventricular diastólica, com congestão venosa sistêmica e pulmonar) (2.g) – Pulso filiforme (pulso muito fraco) -Diagnóstico: 1°)Anamnese 2°)Sinais Vitais PA: hipotensão FC: aumentada FR: aumentada SaO2: pode estar reduzida Pulsos: pulsos fracos (filiformes) + pulso paradoxal 3°)Ectoscopia 4°) Exame físico -Realiza-se o exame físico do tórax -Inspeção: Estase jugular a 45° + Sinais de dispneia -Ausculta dos focos cardíacos: bulhas hipofonéticas (bulhas abafadas) 5°) Exames Complementares: -O ECG de tamponamento cardíaco se caracteriza por baixa voltagem: -Intervenção: (1) – Em casos de pericardite não grave, sem a presença de tamponamento cardíaco, o médico pode receitar antibióticos (dependendo do tipo de pericardite) e fármacos para mitigação dos sintomas (2) – Em casos graves, com tamponamento cardíaco, realiza-se a pericardiocentese (para drenar o líquido acumulado no espaço pericárdico e evitar o tamponamento cardíaco) · Pneumotórax -É a entrada de ar no espaço pleural -Espontâneo ou traumático (o espontâneo está associado à doenças e ao tabagismo). O traumático leva ao pneumotórax hipertensivo, o qual pode evoluir para um pneumotórax de tensão, este o mais grave e fatal. -Manifestações Clínicas: (1) – Dor, tendo as seguintes características: (1.a) – Dor pleurítica (2.a) – Localizada no hemitórax afetado (no lado afetado) (2) – Sintomas associados: (2.a) – Dispneia (2.b) – Cianose nas extremidades e lábios (2.c) – Taquicardia (2.d) – Tosse seca (2.e) – Estase jugular (2.f) – Sinais de insuficiência respiratória aguda (2.g) – Desvio do mediastino e da traqueia para o lado contrário do pneumotórax -Diagnóstico: 1°) Exame físico -Inspeção: Pode-se encontrar desvio do mediastino e da traqueia para o lado contrário do pneumotórax -Ausculta: Ocorre a redução/abolição do murmúrio vesicular no pulmão afetado pelo pneumotórax -Palpação: Ocorre a diminuição e a assimetria da expansão dos ápices e das bases pulmonares; e haverá a redução do frêmito tóraco-vocal -Percussão: Ocorre o timpanismo à percussão no pulmão afetado pelo pneumotórax, em razão do acúmulo de ar -No pneumotórax hipertensivo, a pressão intrapleural se torna elevada, comprimindo o pulmão e colabando ele, gerando a dispneia. Além disso, pode haver desvio de traqueia e desvio de mediastino para o lado contrário do pneumotórax. 2°) Exames Complementares -Raio-X: OBS.: Dor pleurítica -> Dor aguda no peito que piora ao respirar fundo, tossir ou espirrar.