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Dispneia, Dor Torácica e Edema 
Problema 4 - “Será que vou morrer de dor no peito?” 
 
1. Analisar os diagnósticos diferenciais de 
dor torácica. 
📌 Definição 
Dor torácica é qualquer dor ou desconforto 
localizado na região do tórax (área entre o 
pescoço e o abdome), que pode ter origem 
em diferentes estruturas: coração, pulmões, 
pleura, grandes vasos, esôfago, músculos, 
costelas, pele ou até causas psicogênicas. 
 
📌 Características 
• Pode ser opressiva, em aperto, 
queimação, pontada, peso ou pressão. 
• Pode ter irradiação (para braço, 
mandíbula, dorso, abdome). 
• Pode se modificar com respiração, 
posição ou palpação, dependendo da 
causa. 
• Pode ser aguda (súbita, intensa) ou 
crônica (repetitiva, persistente). 
 
📌 Importância Clínica 
• É um sintoma comum em pronto-
socorro e ambulatório. 
• Pode representar desde condições 
benignas (como costocondrite) até 
emergências graves (IAM, dissecção 
de aorta, embolia pulmonar, 
pericardite complicada). 
• O desafio do médico é rapidamente 
diferenciar as causas potencialmente 
fatais das causas leves. 
 
📌 Principais grupos de causas 
1. Cardíacas: infarto agudo do miocárdio, 
angina, pericardite, miocardite. 
2. Pulmonares: pneumonia, embolia 
pulmonar, pneumotórax. 
3. Vasculares: dissecção aguda de aorta. 
4. Gastrointestinais: refluxo 
gastroesofágico, espasmo esofágico. 
5. Musculoesqueléticas: costocondrite, 
trauma, mialgia. 
6. Psicogênicas: crise de ansiedade ou 
pânico. 
 
📌 Diagnósticos diferenciais de dor torácica 
1. Pericardite Aguda 
📌 O que é? 
É a inflamação do pericárdio, a membrana 
de duas camadas (visceral e parietal) que 
envolve o coração. 
• Quando inflama, causa dor torácica 
típica e pode levar ao acúmulo de 
líquido no espaço pericárdico 
(derrame pericárdico). 
• É uma das principais causas de dor 
torácica não isquêmica em pacientes 
jovens. 
 
📌 Fisiopatologia 
• O processo inflamatório gera atrito 
entre as camadas do pericárdio, 
causando o som característico no 
exame físico. 
• Pode haver produção de líquido → 
derrame pericárdico. 
• Se o líquido acumula rápido e em 
grande quantidade → tamponamento 
cardíaco (complicação grave). 
 
📌 Principais causas 
• Infecciosas: viral (mais comum – 
coxsackie, echovírus, HIV, influenza), 
bacteriana (TB, pneumococo), fúngica 
(raro). 
• Não infecciosas: doenças autoimunes 
(LES, artrite reumatoide), pós-infarto 
(síndrome de Dressler), pós-cirurgia 
cardíaca, neoplásica, urêmica 
(insuficiência renal), idiopática (muito 
comum). 
 
📌 Manifestações Clínicas 
• Dor torácica: pleurítica, 
retroesternal, piora ao deitar, 
melhora ao sentar e inclinar-se para 
frente (postura genupeitoral). 
• Atrito pericárdico: som áspero, 
audível em sístole e diástole 
(patognomônico). 
• Febre baixa, mal-estar, mialgia. 
• Se houver derrame importante: 
dispneia, turgência jugular, pulso 
paradoxal. 
 
📌 Diagnóstico 
• Clínica: dor típica + atrito 
pericárdico. 
• ECG: supra de ST difuso (em várias 
derivações) + infra de PR. 
• Laboratório: PCR elevada, troponina 
normal ou discretamente elevada. 
• Ecocardiograma: derrame pericárdico, 
sem alteração segmentar da 
contratilidade. 
• RX: pode ser normal; se derrame 
grande → aumento da área cardíaca 
(“coração em moringa”). 
 
📌 Diferenciais 
• Dor: pleurítica (pontada), 
retroesternal, piora ao deitar, 
melhora ao sentar/inclinar-se para 
frente. 
• Sinais associados: febre baixa, atrito 
pericárdico (“ruído áspero”), possível 
derrame pericárdico. 
• ECG: supra de ST difuso + infra de 
PR. 
• Exames: PCR elevada, eco com 
derrame pericárdico laminar. 
• Dica: a dor muda com a posição → 
característico. 
 
2. Miocardite 
📌 O que é Miocardite? 
É a inflamação do miocárdio (músculo 
cardíaco), geralmente causada por infecção 
viral, mas também pode ter causas 
autoimunes, tóxicas ou medicamentosas. 
• Pode gerar dor torácica, arritmias e 
insuficiência cardíaca. 
• Quando há inflamação associada do 
pericárdio → chamamos de 
miopericardite. 
 
📌 Etiologia 
• Infecciosas: vírus (mais comum: 
Coxsackie B, adenovírus, HIV, 
influenza, COVID-19), bactérias 
(difteria, Lyme), protozoários 
(Trypanosoma cruzi – doença de 
Chagas). 
• Autoimunes: lúpus, artrite 
reumatoide, sarcoidose. 
• Tóxicas: álcool, cocaína, antraciclinas 
(quimioterapia). 
• Reação a drogas/vacinas (casos raros 
relatados). 
 
📌 Fisiopatologia 
• Agressão direta (vírus/toxinas) ou 
resposta autoimune → necrose e 
inflamação das fibras miocárdicas. 
• Isso leva a disfunção contrátil (IC), 
irritabilidade elétrica (arritmias) e, 
em casos graves, choque cardiogênico. 
 
📌 Quadro Clínico 
• Dor torácica: pode simular IAM 
(opressiva, retroesternal). 
• Sintomas gripais prévios: febre, 
mialgia, fadiga, história de infecção 
viral. 
• Dispneia e sinais de IC: ortopneia, 
edema de membros inferiores. 
• Arritmias: palpitações, síncope. 
• Exame físico: pode mostrar ritmo de 
galope (B3), estertores, turgência 
jugular, edema periférico. 
 
📌 Diagnóstico 
• ECG: alterações difusas e 
inespecíficas (supra/infra de ST, 
arritmias). 
• Biomarcadores: troponina e CK-MB 
elevadas (necrose miocárdica). 
• Ecocardiograma: disfunção ventricular 
global ou segmentar, dilatação, 
derrame pericárdico associado. 
• Ressonância cardíaca: padrão ouro 
não invasivo (edema, realce tardio). 
• Biópsia endomiocárdica: diagnóstico 
definitivo, mas feita só em casos 
selecionados. 
 
📌 Diferenciais 
• Dor: pode simular IAM (opressiva), 
contínua. 
• Sinais associados: palpitações, 
dispneia, fadiga. 
• Exames: troponina elevada, 
alterações no ECG (ST, T), eco com 
disfunção ventricular difusa ou 
segmentar. 
• Dica: dor + troponina aumentada, 
muitas vezes após infecção viral. 
 
3. Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) 
📌 O que é o IAM? 
É a morte de células do miocárdio causada 
por uma isquemia prolongada (redução 
crítica do fluxo sanguíneo coronariano). 
• Geralmente ocorre por ruptura de 
placa aterosclerótica → formação de 
trombo → obstrução da artéria 
coronária. 
• Se a obstrução é completa e 
sustentada → necrose transmural. 
 
📌 Fisiopatologia 
1. Aterosclerose → instabilidade da 
placa. 
2. Ruptura da placa → exposição do 
conteúdo lipídico. 
3. Formação de trombo → obstrução 
coronária. 
4. Isquemia → necrose irreversível do 
músculo cardíaco em 20–40 min. 
 
📌 Fatores de Risco 
• Idade > 45 anos (homens) / > 55 anos 
(mulheres). 
• Hipertensão, diabetes, dislipidemia, 
tabagismo, obesidade, sedentarismo. 
• História familiar de doença 
coronariana precoce. 
 
📌 Quadro Clínico 
• Dor torácica típica: opressiva, em 
aperto, retroesternal, irradiando para 
braço esquerdo, mandíbula ou dorso. 
• Duração > 20 min, não aliviada por 
repouso ou nitrato. 
• Associada a: náuseas, vômitos, 
diaforese fria, palidez, ansiedade, 
sensação de morte iminente. 
• Pode haver dispneia, palpitações e 
síncope. 
 
📌 Diagnóstico 
✅ Clínica compatível + exames 
1. ECG de 12 derivações: 
o IAM com supra de ST 
(IAMCSST): supra de ST 
territorial em derivações 
correspondentes à artéria 
obstruída. 
o IAM sem supra de ST 
(IAMSSST): infra de ST ou 
inversão de onda T. 
2. Marcadores de necrose miocárdica: 
o Troponina I/T → aumenta 3–
4h após início da dor, pico 24h, 
normaliza em 7–10 dias. 
o CK-MB → aumenta em 3–6h, 
pico em 24h, normaliza em 48–
72h. 
3. Exames de imagem: 
o Eco: hipocinesia/acinésia 
segmentar. 
o Coronariografia: identifica 
lesão e permite angioplastia. 
 
📌 Diferenciais 
• Dor: opressiva, em aperto, 
retroesternal, não melhora com 
posição/respiração, pode irradiar para 
braço, mandíbula ou dorso. 
• Sinais associados: náusea, diaforese, 
palidez, hipotensão. 
• ECG: supra de ST territorial (em 
derivações específicas). 
• Exames: troponina muito elevada, 
alterações segmentares no eco. 
• Dica: dor típica em paciente com 
fatores de risco cardiovascular. 
 
4. Dissecção Aguda de Aorta 
📌 O que é? 
É uma emergência cardiovascular em que 
ocorreuma ruptura da camada íntima da 
aorta, permitindo a entrada de sangue entre 
as camadas da parede arterial → cria um 
falso lúmen. 
• Isso pode levar a ruptura completa, 
tamponamento cardíaco, insuficiência 
aórtica ou isquemia de órgãos. 
 
📌 Fatores de Risco 
• Hipertensão arterial sistêmica 
(principal). 
• Doenças do tecido conjuntivo: 
síndrome de Marfan, Ehlers-Danlos. 
• Aneurisma pré-existente. 
• História familiar de dissecção (como o 
pai da paciente do teu caso 🤔). 
• Idade: homens 50–70 anos. 
• Bicúspide aórtica, coarctação de 
aorta. 
 
📌 Classificação 
• Stanford A: envolve a aorta 
ascendente (± descendente). → mais 
grave, precisa de cirurgia. 
• Stanford B: só a aorta descendente. 
→ geralmente tratamento clínico, 
exceto complicações. 
 
📌 Quadro Clínico 
• Dor torácica súbita, intensa, 
lancinante (“em facada”). 
• Irradiação para dorso, abdome ou 
membros inferiores. 
• Assimetria de pressão arterial entre 
os braços (> 20 mmHg). 
• Sopros (insuficiência aórtica). 
• Déficit neurológico ou isquemia 
periférica. 
• Pode evoluir para choque ou morte 
súbita. 
 
📌 Diagnóstico 
• Suspeita clínica + exame de imagem 
rápido. 
• RX de tórax: pode mostrar 
alargamento de mediastino. 
• Angio-TC de aorta (padrão ouro): 
mostra o flap intimal e o falso lúmen. 
• Ecocardiograma transesofágico: útil 
em instabilidade. 
• RM cardíaca: muito sensível, mas 
pouco usada em emergência. 
 
📌 Diferenciais 
• Dor: súbita, lancinante, “em facada”, 
irradiando para dorso/abdome. 
• Sinais associados: diferença de PA 
entre os braços, sopro de 
insuficiência aórtica, déficit 
neurológico, choque. 
• Exames: TC de aorta/eco 
transesofágico; RX pode mostrar 
alargamento do mediastino. 
• Dica: história familiar forte, morte 
súbita; dor muito intensa. 
 
5. Pneumotórax Espontâneo 
📌 O que é? 
É a entrada de ar no espaço pleural sem 
trauma prévio, levando ao colapso parcial ou 
total do pulmão. 
• Pode ser espontâneo primário: ocorre 
em pessoas sem doença pulmonar 
conhecida (geralmente jovens, altos e 
magros). 
• Ou espontâneo secundário: ocorre em 
pacientes com doença pulmonar 
(DPOC, fibrose cística, tuberculose, 
asma grave). 
 
📌 Fisiopatologia 
• Ruptura de pequenas bolhas 
subpleurais (blebs) → ar passa para o 
espaço pleural → perda da pressão 
negativa → colapso pulmonar. 
 
📌 Fatores de Risco 
• Sexo masculino (mais comum). 
• Idade: 20–30 anos (primário). 
• Tabagismo. 
• Doença pulmonar prévia (secundário). 
• História familiar de pneumotórax. 
 
📌 Quadro Clínico 
• Dor torácica súbita, em pontada, 
unilateral. 
• Dispneia de intensidade variável. 
• Tosse seca em alguns casos. 
• Exame físico: 
o Diminuição/ausência do 
murmúrio vesicular no lado 
afetado. 
o Hiperressonância à percussão. 
o Tórax assimétrico (expansão 
reduzida de um lado). 
o Se pneumotórax hipertensivo: 
hipotensão, turgência jugular, 
desvio contralateral da 
traqueia (emergência). 
 
📌 Diagnóstico 
• Clínico + Radiografia de Tórax: 
o Presença de linha pleural 
visível. 
o Ausência de trama vascular 
periférica. 
o Hipertransparência no lado 
afetado. 
• TC de tórax: em casos duvidosos ou 
pneumotórax pequeno. 
 
📌 Diferenciais 
• Dor: súbita, unilateral, tipo pontada. 
• Sinais associados: dispneia, 
hipotransparência torácica, MV 
abolido no lado afetado. 
• Exames: RX tórax com linha pleural 
visível e ausência de trama vascular. 
• Dica: jovem, longilíneo, dor + falta de 
ar, pode precisar de dreno. 
 
6. Costocondrite 
📌 O que é? 
É uma inflamação da cartilagem 
costocondral, que conecta as costelas ao 
esterno. 
• Também chamada de síndrome 
costoesternal. 
• É uma causa benigna de dor torácica 
musculoesquelética, muito comum em 
jovens e adultos. 
 
📌 Fisiopatologia 
• Inflamação local da junção 
costocondral → dor localizada. 
• Não tem relação com esforço físico 
ou doenças cardíacas/pulmonares. 
 
📌 Fatores de Risco 
• Trauma local (impactos, tosse intensa, 
esforço físico repetitivo). 
• Movimentos bruscos do tronco. 
• Infecções respiratórias prévias. 
• Mais comum em mulheres > 40 anos, 
mas pode aparecer em qualquer 
idade. 
 
📌 Quadro Clínico 
• Dor torácica localizada, em pontada 
ou pressão. 
• Pode irradiar para ombro ou braço, 
simulando dor cardíaca. 
• Reproduzida à palpação da junção 
costocondral (diferencial clássico!). 
• Sem relação com esforço físico. 
• Não muda com respiração ou posição 
(ao contrário da pericardite). 
• Ausência de sintomas sistêmicos (sem 
febre, sem dispneia). 
 
📌 Diagnóstico 
• Clínico, baseado na história e no 
exame físico. 
• Palpação dolorosa na cartilagem 
costocondral confirma o diagnóstico. 
• Exames complementares (ECG, RX) 
são normais – usados apenas para 
excluir causas graves de dor 
torácica. 
 
📌 Diferenciais 
• Dor: súbita, unilateral, tipo pontada. 
• Sinais associados: dispneia, 
hipotransparência torácica, MV 
abolido no lado afetado. 
• Exames: RX tórax com linha pleural 
visível e ausência de trama vascular. 
• Dica: jovem, longilíneo, dor + falta de 
ar, pode precisar de dreno. 
 
7. Crise de Pânico 
📌 O que é? 
É um episódio súbito de ansiedade intensa, 
acompanhado de sintomas físicos e 
cognitivos, caracterizado por medo ou 
sensação de morte iminente, sem causa 
orgânica identificável. 
• Faz parte do Transtorno de Pânico, 
mas pode ocorrer isoladamente. 
 
📌 Fisiopatologia 
• Hiperatividade do sistema nervoso 
simpático → liberação de adrenalina 
→ sintomas físicos intensos 
(taquicardia, sudorese, tremores). 
• O cérebro interpreta esses sintomas 
como ameaça → círculo vicioso de 
medo → intensifica ainda mais os 
sintomas. 
 
📌 Quadro Clínico 
• Dor ou desconforto torácico (pode 
simular angina/infarto). 
• Taquicardia, palpitações. 
• Dispneia ou sensação de sufocamento. 
• Sudorese, tremores, náusea. 
• Tontura, parestesias, 
despersonalização. 
• Sensação de perda de controle, medo 
de enlouquecer ou de morrer. 
• Início abrupto, atinge pico em 10 
minutos. 
 
📌 Diagnóstico 
• Clínico, após excluir causas orgânicas 
(IAM, arritmias, TEP, etc.). 
• Exames (ECG, enzimas cardíacas, RX) 
são normais. 
• Critério DSM-5: ≥ 4 sintomas 
físicos/cognitivos súbitos, 
acompanhados de medo intenso. 
 
📌 Diferenciais 
• Dor: atípica, geralmente em aperto, 
duração curta, acompanhada de 
ansiedade intensa. 
• Sinais associados: palpitações, 
tremores, parestesias, sensação de 
morte iminente. 
• Exames: normais. 
• Dica: paciente jovem, sem achados 
físicos, sintomas ansiosos 
proeminentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
🎯 Esquema Comparativo 
Causa Dor Característica Exames 
Pericardite Pleurític
a 
Melhora 
sentado/inclin
ado 
ECG ST 
difuso + 
PR↓, eco 
com 
derrame 
Miocardite Opressiv
a 
Após infecção 
viral 
Troponina
↑, eco 
disfunção 
global 
IAM Opressiv
a 
Irradiação 
típica + 
fatores de 
risco 
Troponina
↑↑, ECG 
ST 
territorial 
Dissecção 
Aorta 
Lancinan
te 
Dor súbita + 
PA diferente 
braços 
TC/eco 
aorta, RX 
mediastino 
↑ 
Pneumotór
ax 
Pontada Súbita + MV 
abolido 
RX: linha 
pleural, 
hiperluz 
Costocondri
te 
Localiza
da 
Reproduzida 
palpação 
Exames 
normais 
Pânico Variada Ansiedade, 
palpitações 
Exames 
normais 
 
2) Estudar fisiopatologia, epidemiologia, 
fatores de risco, diagnóstico, manifestações 
clínicas e tratamento de Pericardite aguda.	
📌 Pericardite Aguda 
🔹 1. Fisiopatologia 
• Inflamação do pericárdio (membrana 
que envolve o coração). 
• Pode ser por causa infecciosa (vírus, 
bactérias, fungos) ou não infecciosa 
(autoimune, neoplásica, urêmica, pós-
IAM, idiopática). 
• A inflamação gera: 
o Dor torácica pleurítica → 
atrito entre pericárdio visceral 
e parietal. 
o Atrito pericárdico → ruído 
áspero característico. 
o Derrame pericárdico (líquido 
entre as camadas). 
• Complicações: evolução para 
tamponamento cardíaco (compressão 
do coração pelo excesso de líquido) ou 
pericardite constritiva (fibrose do 
pericárdio). 
 
🔹 2. Epidemiologia• É a causa mais comum de síndrome 
pericárdica. 
• Geralmente acomete adultos jovens, 
sem predomínio claro entre homens e 
mulheres. 
• Na maioria dos casos, a etiologia é 
viral ou idiopática. 
 
🔹 3. Fatores de Risco 
• Infecções virais (ex: coxsackie, 
influenza, HIV, COVID-19). 
• Doenças autoimunes (LES, artrite 
reumatoide). 
• Pós-IAM (síndrome de Dressler) ou 
pós-cirurgia cardíaca. 
• Insuficiência renal (pericardite 
urêmica). 
• Neoplasias. 
• Radioterapia torácica. 
 
🔹 4. Manifestações Clínicas 
• Dor torácica típica: 
o Pleurítica (em pontada), 
retroesternal. 
o Piora em decúbito dorsal, 
melhora ao sentar-se e 
inclinar-se para frente 
(postura genupeitoral). 
• Atrito pericárdico: som áspero, 
audível em sístole e diástole. 
• Febre baixa, mal-estar, mialgia. 
• Se houver derrame grande → 
dispneia, turgência jugular, pulso 
paradoxal. 
 
🔹 5. Diagnóstico 
Critérios diagnósticos (precisa de ≥ 2): 
1. Dor torácica típica. 
2. Atrito pericárdico. 
3. Alterações típicas no ECG: 
o Supra de ST difuso. 
o Depressão de PR. 
4. Derrame pericárdico no 
ecocardiograma. 
 
Exames complementares: 
• ECG: supra de ST difuso + infra de 
PR. 
• Marcadores inflamatórios: PCR ↑. 
• Troponina: normal ou levemente ↑ (se 
miopericardite). 
• Ecocardiograma: derrame pericárdico 
laminar, sem alteração segmentar da 
contratilidade. 
• RX de tórax: normal ou coração “em 
moringa” se derrame volumoso. 
 
🔹 6. Tratamento 
• Medicamentoso: 
o AINE (ibuprofeno, naproxeno, 
aspirina). 
o Colchicina (reduz recidivas). 
o Corticoide: só se refratário ou 
contraindicação a AINE. 
• Repouso. 
• Internação se sinais de gravidade: 
o Febre persistente > 38°C. 
o Subaguda ou recorrente. 
o Derrame volumoso ou sinais de 
tamponamento. 
o Imunossupressão, trauma, uso 
de anticoagulante. 
• Tamponamento cardíaco → 
pericardiocentese de urgência. 
 
🔹 7. Prognóstico 
• Geralmente benigna e autolimitada. 
• Recorrência pode ocorrer em até 
30%. 
• Pior prognóstico em: pericardite 
purulenta, neoplásica, urêmica ou com 
tamponamento. 
 
🎯 Resumindo em 1 frase: 
Pericardite aguda é a inflamação do 
pericárdio, geralmente viral, com dor 
torácica pleurítica que melhora ao inclinar-
se, atrito pericárdico e alterações típicas 
no ECG. Tratamento com AINE + colchicina, 
reservando corticoides e pericardiocentese 
para casos graves. 
 
3) Compreender os diagnósticos diferenciais: 
Miocardite, Pneumotórax espontâneo, 
Dissecção aguda de aorta, Costocondrite e 
Crise de Pânico 
📌 Diagnósticos diferenciais de Pericardite 
Aguda 
 
🔹 1. Miocardite 
• O que é: inflamação do músculo 
cardíaco (miocárdio). 
• Causa principal: infecções virais (ex: 
Coxsackie, adenovírus, COVID-19). 
• Clínica: dor torácica parecida com 
IAM (opressiva), palpitações, dispneia, 
sinais de IC. 
• Exames: 
o Troponina elevada (lesão 
miocárdica). 
o ECG com alterações difusas, 
arritmias. 
o Eco: disfunção ventricular 
difusa ou segmentar. 
• Diferença da pericardite: troponina 
sobe mais, dor não melhora com 
posição, pode simular infarto. 
 
🔹 2. Pneumotórax Espontâneo 
• O que é: entrada de ar no espaço 
pleural sem trauma → colapso 
pulmonar. 
• Causa: ruptura de blebs subpleurais 
(jovens, altos, magros) ou secundário 
a DPOC/TB. 
• Clínica: dor súbita, unilateral, em 
pontada, + dispneia. 
• Exame físico: murmúrio vesicular 
abolido no lado afetado, 
hipersonoridade. 
• Exame chave: RX de tórax → linha 
pleural + ausência de trama vascular 
periférica. 
• Diferença da pericardite: dor não 
melhora ao sentar-se; exame físico 
pulmonar alterado. 
 
🔹 3. Dissecção Aguda de Aorta 
• O que é: ruptura da camada íntima 
da aorta → sangue entre camadas → 
falso lúmen. 
• Fatores de risco: hipertensão, 
Marfan, válvula bicúspide. 
• Clínica: dor torácica súbita, 
lancinante, irradiada para 
dorso/abdome; diferença de PA entre 
braços. 
• Exames: 
o RX: mediastino alargado 
o AngioTC de aorta: diagnóstico 
de escolha. 
• Diferença da pericardite: dor muito 
intensa, súbita, com achados 
vasculares (assimetria de pulsos/PA). 
 
🔹 4. Costocondrite 
• O que é: inflamação da cartilagem 
costocondral. 
• Clínica: dor torácica localizada, em 
pontada, que reproduz com a 
palpação da parede torácica. 
• Exames: normais. 
• Diferença da pericardite: dor é 
localizada, não muda com posição, 
mas sim com palpação. 
 
🔹 5. Crise de Pânico 
• O que é: episódio súbito de ansiedade 
intensa, sem base orgânica. 
• Clínica: dor torácica atípica + 
palpitações, dispneia, tremores, 
sudorese, parestesias, medo de 
morrer. 
• Exames: normais. 
• Diferença da pericardite: início 
abrupto, sintomas autonômicos 
marcantes, ausência de febre e atrito 
pericárdico. 
 
📊 Tabela Comparativa 
Diagnóstico Dor Achados Chave Exames 
Pericardite Pleurítica, 
melhora 
sentado 
Atrito 
pericárdico, ST 
difuso, PR↓ 
ECG + 
eco 
(derrame) 
Miocardite Opressiva, 
tipo IAM 
Troponina ↑, 
IC, arritmia 
Troponina, 
eco, RM 
cardíaca 
Pneumotórax Súbita, em 
pontada 
MV abolido, 
hipersonoridade 
RX/TC de 
tórax 
Dissecção 
Aorta 
Súbita, 
lancinante 
Dor irradiada, 
PA assimétrica 
AngioTC 
de aorta 
Costocondrite Localizada, 
reproduz 
palpação 
Sem 
alterações 
sistêmicas 
Exame 
clínico 
Crise de 
Pânico 
Atípica, 
variável 
Ansiedade, 
palpitação, 
sudorese 
Exames 
normais

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