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Bradicardia e a Perfusão Tecidual: Riscos e Mecanismos Compensatórios Curso de Bacharelado de Fisioterapia da Universidade da Amazônia (UNAMA) Aluno: Maurício dos Santos Sampaio Júnior A bradicardia sinusal observada em João, com frequência cardíaca de 48 bpm e pressão arterial de 90/60 mmHg, compromete diretamente o débito cardíaco (DC = FC × VS), reduzindo a quantidade de sangue que chega aos tecidos por minuto. Essa redução do fluxo sanguíneo impacta, sobretudo, órgãos com alta demanda metabólica como o cérebro e os músculos. No cérebro, a baixa perfusão pode causar tonturas, sensação de desmaio e confusão mental, como os sintomas relatados. Já nos músculos, a diminuição da oxigenação compromete a contração muscular, resultando em fadiga mesmo durante atividades leves. Diante dessa condição, o organismo pode lançar mão de mecanismos fisiológicos compensatórios, como o aumento do volume sistólico por meio da elevação do retorno venoso, vasoconstrição periférica mediada por ativação do sistema nervoso simpático e liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina). Esses mecanismos visam preservar o débito cardíaco e garantir a perfusão dos órgãos vitais. Contudo, caso essas respostas não sejam suficientes ou sustentáveis, o indivíduo pode desenvolver complicações clínicas a longo prazo, como insuficiência cardíaca, isquemia cerebral crônica, síncopes recorrentes e até choque cardiogênico. Além disso, a hipóxia tecidual prolongada pode acarretar disfunções orgânicas múltiplas, especialmente em idosos ou indivíduos com comorbidades cardiovasculares. Portanto, é fundamental que pacientes com bradicardia sintomática sejam monitorados de forma contínua e, se necessário, tratados com intervenções como marcapasso, que pode restaurar a frequência cardíaca adequada e prevenir a deterioração clínica. REFERÊNCIAS GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. BRUNTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R.; KNOLLMA, B. C. Goodman & Gilman: As bases farmacológicas da terapêutica. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019. SOUZA, L. C. et al. Alterações hemodinâmicas em pacientes com bradicardia sinusal. Revista Brasileira de Cardiologia, São Paulo, v. 32, n. 4, p. 310-317, 2021. Disponível em: https://www.rbcardiol.org.br/article/alteracoes-hemodinamicas-bradicardia/. Acesso em: 10 maio 2025. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes brasileiras de arritmias cardíacas e marcapasso. 2020. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br. Acesso em: 11 maio 2025.